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MARX & ENGELS. A Ideologia Alemã

MARX & ENGELS. A Ideologia Alemã

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Edição especial para distribuição gratuita pela Internet, através da Virtualbooks, com autorização Nélson Jahr Garcia. Os textos da COLEÇÃO RIDENDO CASTIGAT MORES foram gentilmente cedido por Nélson Jahr Garcia, que nasceu em São Paulo, formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Professor da USP, e de outras Faculdades Particulares. Fez mestrado e doutoramento em Ciências da Comunicação na ECA-USP. Escreve livros, artigos. É webdesigner e ebook-publisher. Tem um site fácil de acessar: www.ngarcia.org, filiado à www.ebooksbrasil.com, onde edita vários livros, especialmente clássicos. Espera, como retribuição, sentir que, difundindo conhecimento, contribuiu para o desenvolvimento da cultura humana. Para corresponder com Nélson Jahr Garcia, escreva: ngarcia@dglnet.com.br O Autor gostaria de receber um e-mail de você com seus comentários e críticas sobre o livro. A Virtualbooks gostaria também de receber suas críticas e sugestões. Sua opinião é muito importante para o aprimoramento de nossas edições: Vbooks02@terra.com.br Estamos à espera do seu e-mail. Sobre os Direitos Autorais: Fazemos o possível para certificarmo-nos de que os materiais presentes no acervo são de domínio público (70 anos após a morte do autor) ou de autoria do titular. Caso contrário, só publicamos material após a obtenção de autorização dos proprietários dos direitos autorais. Se alguém suspeitar que algum material do acervo não obedeça a uma destas duas condições, pedimos: por favor, avise-nos pelo e-mail: vbooks03@terra.com.br para que possamos providenciar a regularização ou a retirada imediata do material do site.

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A IDEOLOGIA ALEMÃ
(Introdução)

Karl Marx e Friedrich Engels

PREFÁCIO
Até agora, os homens formaram sempre idéias falsas sobre si mesmos, sobre aquilo que são ou deveriam ser. Organizaram as suas relações mútuas em função das representações de Deus, do homem normal, et ., que a eitavam. Estes produtos do seu érebro a abaram por os dominar; apesar de riadores, in linaram-se perante as suas próprias riações. Libertemo-los portanto das quimeras, das idéias, dos dogmas, dos seres imaginários ujo jugo os faz degenerar. Revoltemo-nos ontra o império dessas idéias. Ensinamos os homens a substituir essas ilusões por pensamentos que orrespondam à essên ia do homem, afirma um; a ter perante elas uma atitude ríti a, afirma outro; a tirá-las da abeça, diz um ter eiro e a realidade existente desapare erá. Estes sonhos ino entes e pueris formam o nú leo da filosofia atual dos Jovens Hegelianos; e, na Alemanha, são não só a olhidas pelo públi o om um misto de respeito e pavor orno ainda apresentadas pelos próprios heróis filosófi os om a solene onvi ção de que tais idéias, de uma virulên ia riminosa, onstituem para o inundo um perigo revolu ionário. O primeiro volume desta obra propõe-se desmas arar estas ovelhas que se julgam lobos e que são tomadas omo lobas mostrando que os seus balidos apenas repetem numa linguagem filosófi a as representações dos burgueses alemães e que as suas fanfarronadas se limitam a refletir a pobreza lastimosa da realidade alemã; propõe-se ridi ularizar e desa reditar esse ombate filosófi o ontra assombras da realidade que tanto agrada à sonolên ia sonhadora do povo alemão. Em tempos, houve quem pensasse que os homens se afogavam apenas por a reditarem na idéia da gravidade. Se tirassem esta idéia da abeça, de larando por exemplo que não era mais do que uma representação religiosa, supersti iosa, fi ariam imediatamente livres de qualquer perigo de afogamento. Durante toda a sua vida, o homem que assim pensou viu-se obrigado a lutar ontra rodas as estatísti as que demonstram repetidamente as onseqüên ias perni iosas de uma tal ilusão. Este homem onstituía um exemplo vivo dos atuais filósofos revolu ionários alemães (1)

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FEUERBACH
Oposição entre a concepção materialista e a idealista

INTRODUÇÃO
De acordo com certos ideólogos alemães, a Alemanha teria sido nestes últimos anos o teatro de ma revol ção sem precedentes. O processo de decomposição do sistema hegeliano, iniciado com Stra ss (2) , teria dado origem a ma fermentação niversal para a q al teriam sido arrastadas todas as «potências do passado». Nesse caos niversal, formaram-se impérios poderosos q e depois sofreram ma derrocada imponente, s rgiram heróis efêmeros mais tarde derr bados por rivais a dazes e mais poderosos. Perante ma tal revol ção. a Revol ção francesa não foi mais do q e ma brincadeira de crianças e os combates dos diádocos (3) parecem-nos mesq inhos. Os princípios foram s bstit ídos, os heróis do pensamento derr baram-se ns aos o tros: de 1842 a 1845, o solo alemão foi mais revolvido do q e nos três séc los anteriores. E t do isto se teria passado nos domínios do pensamento p ro (4). Trata-se, com efeito, de m acontecimento interessante: o processo de decomposição do espírito absol to (5) Depois de se exting ir a s a última centelha de vida, os diversos elementos deste cap t mort m (6) entraram em decomposição, formaram novas combinações e constit íram novas s bstâncias. Os ind striais da filosofia, q e até então viviam da exploração do espírito absol to, oc param-se imediatamente dessas novas combinações, proc rando com todo o zelo fazer render a parte q e lhes co bera. Mas também aq i havia concorrência... No início, esta foi praticada de ma forma bastante séria e b rg esa; mais tarde, q ando o mercado alemão fico sat rado e se verifico ser impossível, apesar de todos os esforços, escoar a mercadoria no mercado m ndial, o negócio foi viciado, como é habit al na Alemanha, por ma prod ção inferior, pela alteração da q alidade, pela ad lteração da matéria-prima, a falsificação dos rót los, as vendas fictícias, os cheq es sem cobert ra e a insta ração de m sistema de crédito sem q alq er base concreta. Esta concorrência de origem a ma l ta encarniçada q e nos é agora apresentada e enaltecida como ma revol ção histórica q e teria conseg ido prodigiosos res ltados e conq istas. 4

Mas para ter ma idéia j sta desta charlatanice filosófica q e desperta no coração do honesto b rg ês alemão m agradável sentimento nacional, para dar ma idéia concreta da mesq inhez, da peq enez provinciana (7) de todo este movimento jovem-hegeliano, e especialmente de todo o contraste trágico-cómico entre aq ilo q e estes heróis realmente faiem e o q e j lgam fazer, é necessário examinar todo este espetác lo de m ponto de vista exterior à Alemanha (8) Torna-se assim evidente q e os jovens hegelianos devem l tar" apenas contra estas il sões da consciência (9) Como, na s a imaginação, as relações entre os homens, todos os se s atos e os se s gostos, as s as cadeias e os se s limites, são prod tos da consciência, os jovens-hegelianos. coerentes consigo mesmos, propõem aos homens este post lado moral: s bstit ir a s a consciência at al pela consciência h mana crítica o egoísta e, ao fazê-lo abolir os se s limites, Exigir ma tal transformação da consciência significa interpretar diferentemente aq ilo q e existe, isto é, aceitálo com ma interpretação diferente. Apesar das s as frases pomposas, q e «revol cionam o m ndo», os ideólogos da escola jovem-hegeliana são os maiores conservadores. Os mais jovens encontraram ma expressão exata fraseologia para q alificar a s a atividade q ando afirmam l tar nicamente contra ma «fraseologia»; esq ecem-se porém de q e apenas lhe opõem ma o tra fraseologia e de q e não é l tando contra a fraseologia de m m ndo, q e se l ta com o m ndo q e realmente existe. Os únicos res ltados q e se conseg iram com esta crítica filosófica foram alg ns esclarecimentos q anto à história religiosa -e mesmo isto de m ponto de vista m ito limitado - do cristianismo; todas as s as o tras afirmações constit em novas formas de ornamentar a s a pretensão de terem realizado descobertas de importância histórica q ando, de fato, não foram mais do q e esclarecimentos insignificantes. Nenh m destes filósofos se lembro de perg ntar q al seria a relação entre a filosofia alemã e a realidade alemã, a relação entre a s a crítica e o se próprio meio material.

1. A IDEOLOGIA ALEMÃ; EM ESPECIAL, A FILOSOFIA ALEMÃ. A (10)

As premissas de q e partimos não constit em bases arbitrárias, nem dogmas; são antes bases reais de q e só é possível abstrair no âmbito da imaginação. As nossas premissas são os indivíd os reais, a s a ação e as s as condições materiais de existência, q er se trate daq elas q e encontro já elaboradas aq ando do se aparecimento q er das q e ele próprio crio . Estas bases são 5

portanto verificáveis por vias p ramente empíricas. A primeira condição de toda a história h mana é evidentemente a existência de seres h manos vivos (11) O primeiro estado real q e encontramos é então constit ído pela complexidade corporal desses indivíd os e as relações a q e ela obriga com o resto da nat reza. Não poderemos fazer aq i m est do aprof ndado da constit ição física do homem o das condições nat rais, geológicas, orográficas, hidrográficas, climáticas e o tras (12), q e se lhe depararam já elaboradas. Toda a historiografia deve necessariamente partir dessas bases nat rais e da s a modificação provocada pelos homens no dec rso da história. Pode-se referir a consciência, a religião e t do o q e se q iser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa a existir q ando os homens iniciam a prod ção dos se s meios de vida, passo em frente q e é conseqüência da s a organização corporal. Ao prod zirem os se s meios de existência, os homens prod zem indiretamente a s a própria vida material. A forma como os homens prod zem esses meios depende em primeiro l gar da nat reza, isto e, dos meios de existência já elaborados e q e lhes é necessário reprod zir; mas não deveremos considerar esse modo de prod ção deste único ponto de vista, isto é, enq anto mera reprod ção da existência física dos indivíd os. Pelo contrário, já constit i m modo determinado de atividade de tais indivíd os, ma forma determinada de manifestar a s a vida, m modo de vida determinado. A forma como os indivíd os manifestam a s a vida reflete m ito Exatamente aq ilo q e são, O q e são coincide portanto com a s a prod ção, isto é, tanto com aq ilo q e prod zem como com a forma cotizo prod zem. Aq ilo q e os indivíd os são depende portanto das condições materiais da s a prod ção. Esta prod ção só aparece com o a mento da pop lação e press põe a existência de relações entre os indivíd os. A forma dessas relações é por s a vez condicionada pela prod ção.

As relações entre as diferentes nações dependem do estádio de desenvolvimento das forças prod tivas, da divisão de trabalho é das relações internas em cada ma delas. Este princípio é niversalmente reconhecido. No entanto, não são apenas as relações entre ma nação e q alq er o tra q e dependem do nível de desenvolvimento da s a prod ção e das s as relações internas e externas; o mesmo acontece com toda a estr t ra interna dessa nação. Reconhece-se facilmente o gra de desenvolvimento atingido pelas forças prod tivas de ma nação a partir do desenvolvimento atingido pela divisão do trabalho. Na medida em q e não constit i apenas ma mera extensão q antitativa das forças prod tivas já conhecidas (como, por exemplo, o aproveitamento de terras inc ltas), q alq er nova força de prod ção tem por conseqüência m novo aperfeiçoamento da divisão do trabalho. 6

A divisão do trabalho n ma nação obriga em primeiro l gar à separação entre o trabalho ind strial e comercial e o trabalho agrícola; e, como conseqüência, à separação entre a cidade e o campo e à oposição dos se s interesses. O se desenvolvimento lterior cond z à separação do trabalho comercial e do trabalho ind strial. Sim ltaneamente, e devido à divisão de trabalho no interior dos diferentes ramos, assiste-se ao desenvolvimento de diversas s bdivisões entre os indivíd os q e cooperam em trabalhos determinados. A posição de q aisq er destas s bdivisões partic lares relativamente às o tras é condicionada pelo modo de exploração do trabalho agrícola, ind strial e comercial (patriarcado, escravat ra, ordens e classes). O mesmo acontece q ando o comércio se desenvolve entre as diversas nações. Os vários estádios de desenvolvimento da divisão do trabalho representam o tras tantas formas diferentes de propriedade; por o tras palavras, cada novo estádio na divisão de trabalho determina ig almente as relações entre os indivíd os no q e toca à matéria, aos instr mentos e aos prod tos do trabalho. A primeira forma da propriedade é a propriedade da tribo; corresponde ao tipo r dimentar da prod ção em q e os homens se alimentavam da caça e da pesca, da criação de gado e de ma agric lt ra incipiente, a q al press p nha ma enorme q antidade de terras inc ltas. A divisão do trabalho é então m ito po co desenvolvida e limita-se a constit ir ma extensão da divisão do trabalho nat ral q e existia no âmbito da família. A estr t ra social é, ela própria, ma extensão da estr t ra familiar: no topo encontravam-se os chefes da tribo patriarca!, seg idos dos membros da tribo e, finalmente, dos escravos. A escravat ra latente na família só se desenvolve po co a po co com o crescimento da pop lação, das necessidades, e das relações exteriores; e, q anto a estas, q er fossem através da g erra o do comércio. A seg nda forma de propriedade é a propriedade com nitária e a propriedade estatal, q e encontramos na antigüidade e q e provém sobret do da re nião de várias tribos n ma única cidade, por contrato o por conq ista, e na q al s bsiste a escravat ra. A par da propriedade com nitária desenvolve-se a propriedade privada mobiliária e mais tarde a imobiliária; mas desenvolve-se ainda como ma forma anormal e s bordinada à propriedade com nitária. Os cidadãos só coletivamente exercem o se poder sobre os escravos q e trabalham para eles, o q e os liga à forma da propriedade com nitária. Esta forma constit i já m tipo de propriedade privada dos cidadãos ativos q e, face aos escravos, são obrigados a conservar ainda ma forma nat ral de associação. Toda a estr t ra social q e nela se baseia, assim como o poder do povo, desagregam-se lteriormente na exata medida em q e se desenvolve, principalmente, a propriedade privada imobiliária. A divisão de trabalho está mais evol ída; encontramos já a oposição entre a cidade e o campo, e mais tarde a oposição entre os Estados q e representam o interesse das cidades e aq eles q e representam o interesse dos campos. Mesmo no interior das cidades vamos encontrar ma oposição entre o comércio marítimo e a indústria. As relações de classe entra cidadãos e escravos atingem o se maior desenvolvimento (13) Com a evol ção da propriedade privada, s rgem pela primeira vez as relações q e reencontramos na propriedade privada moderna, embora n ma escala maior: por m lado, a concentração da propriedade privada q e começo m ito cedo em 7

Roma. como o prova a lei agrária de Licini s (14), e q e avanço rapidamente a partir das g erras civis e sobret do sob o Império; por o tro lado, e em correlação com estes fatos, a transformação dos peq enos camponeses plebe s n m proletariado, c ja sit ação intermédia entre os cidadãos poss idores e os escravos impedi m desenvolvimento independente. A terceira forma é a propriedade fe dal o propriedade por ordens. Ao passo q e a antigüidade partia da cidade e do se peq eno território, a Idade Média partia do campo. A pop lação existente, espalhada por ma enorme s perfície q e nem seq er os conq istadores vinham oc par, condiciono esta m dança de ponto de partida. Contrariamente ao q e acontecera na Grécia e em Roma, o desenvolvimento fe dal inicia-se portanto n ma extensão territorial m ito maior, preparada pelas conq istas romanas e pelo desenvolvimento do c ltivo da terra a q e aq elas inicialmente deram origem. Os últimos séc los do Império Romano em declínio e as conq istas dos bárbaros destr íram ma grande massa de forças prod tivas: a agric lt ra definha, a indústria entra em decadência por falta de mercados, o comércio arrasta-se penosamente o é totalmente interrompido pela violência, e a pop lação, tanto a r ral como a rbana, dimin i. Esta sit ação e o modo de organização a q e de origem desenvolveram, sob a infl ência da organização militar dos Germanos, a propriedade fe dal. Tal como a propriedade da tribo e da com na, aq ela repo sa por s a vez n ma com nidade em q e já não são os escravos, como acontecera no sistema antigo, mas sim os servos da gleba q e constit em a classe diretamente prod tora. Paralelamente ao processo de desenvolvimento do fe dalismo s rge a oposição às cidades. A estr t ra hierárq ica da propriedade f ndiária e a s serania militar q e lhe correspondia conferiram à nobreza m poder total sobre os servos Esta estr t ra fe dal, do mesmo modo q e a antiga propriedade com nal, constit ía ma associação contra a classe prod tora dominada; e as diferenças existentes entre esses dois tipos de associação e de relações com os prod tores imediatos eram ma conseqüência do fato de as condições de prod ção serem diferentes. A esta estr t ra fe dal da propriedade f ndiária correspondia, nas cidades, a propriedade corporativa, a organização fe dal do artesanato. Aq i, a propriedade consistia principalmente no trabalho de cada indivíd o, e foi a necessidade de associação contra ma nobreza voraz, a vantagem de dispor de locais de venda com ns n ma época em q e o ind strial era sim ltaneamente comerciante, a concorrência crescente dos servos q e se evadiam em massa para as cidades prósperas e a estr t ra fe dal de todo o pais q e levaram à constit ição de corporações; os peq enos capitais economizados po co a po co pelos artesãos isolados e o número invariável q e estes representavam n ma pop lação q e a mentava sem cessar desenvolveram a condição de companheiro e de aprendiz, q e, nas cidades, de origem a ma hierarq ia semelhante à existente no campo. Portanto, d rante a época fe dal, o tipo f ndamental de propriedade era o da propriedade f ndiária à q al estava s bmetido o trabalho dos servos, por m lado, e, por o tro, o trabalho pessoal apoiado n m peq eno capital e regendo o trabalho dos oficiais. A estr t ra de cada ma destas d as formas era condicionada pelas limitadas relações de prod ção, a agric lt ra r dimentar e restrita e a indústria artesanal. Aq ando do apoge do fe dalismo, a divisão do trabalho foi m ito po co imp lsionada: cada país continha em si mesmo a oposição cidade-campo. 8

A divisão em ordens era m ito acent ada mas não encontramos nenh ma o tra divisão de trabalho importante fora da separação entre príncipes, nobreza, clero e camponeses no campo, e mestres, companheiros e aprendizes, e posteriormente ma plebe de jornaleiros, nas cidades. Na agric lt ra, essa divisão tornava-se mais difícil pela existência da exploração parcelar, paralelamente à q al se desenvolve a indústria doméstica dos próprios camponeses; na indústria, não existia divisão do trabalho dentro de cada ofício, e m ito po ca entre os diferentes ofícios. A divisão entre o comércio e a indústria existia já nas cidades antigas, mas só mais tarde se desenvolve nas cidades novas, q ando estas iniciaram contatos mút os. O agr pamento de terras de ma certa extensão em reinos fe dais era tanto ma necessidade para a nobreza da terra como para as cidades. É por esta razão q e a organização da classe dominante, isto é, da nobreza, teve sempre m monarca à cabeça.

Como vemos, são sempre indivíd os determinados (15), com ma atividade prod tiva q e se desenrola de m determinado modo, q e entram em relações sociais e políticas determinadas. É necessário q e, em cada caso partic lar, a observação empírica (16) mostre nos fatos, e sem q alq er espec lação o mistificação, o elo existente entre a estr t ra social e política e a prod ção.estr t ra sociaL e o Estado res ltam constantemente do processo vital de indivíd os determinados; mas não res ltam daq ilo q e estes indivíd os aparentam perante si mesmos o perante o tros e sim daq ilo q e são ira ,realidade, isto é, tal como trabalham e prod zem materialmente. Res ltam portanto da forma como at am partindo de bases, condições e limites materiais determinados e independentes da s a vontade (17) A prod ção de idéias, de representações e da consciência está em primeiro l gar direta e intimamente ligada à atividade material e 'ao comércio material dos homens; é a ling agem da vida real. As representações, o pensamento, o comércio intelect al dos homens s rge aq i como emanação direta do se comportamento material. O mesmo acontece com a prod ção intelect al q ando esta se apresenta na ling agem das leis, política, moral, religião, metafísica, etc., de m povo. São os homens q e prod zem as s as representações, as s as idéias, etc. (18) , mas os homens reais, at antes e tais como foram condicionados por m determinado desenvolvimento das s as forças prod tivas e do modo de relações q e lhe corresponde, incl indo até as formas mais amplas q e estas possam tomar A consciência n nca pode ser mais do q e o Ser consciente e o Ser dos homens é o se processo da vida real. E se em toda a ideologia os homens e as s as relações nos s rgem invertidos, tal como acontece n ma câmera obsc ra (19)isto é apenas o res ltado do se processo de vida histórico, do mesmo modo q e a imagem invertida dos objetos q e se forma na retina é ma conseqüência do se processo de vida diretamente físico. 9

Contrariamente à filosofia alemã, q e desce do cé para a terra, aq i parte-se da terra para atingir o cé . Isto significa q e não se parte daq ilo q e os homens dizem, imaginam e pensam nem daq ilo q e são nas palavras, no pensamento na imaginação e na representação de o trem para chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens, da s a atividade real. É a partir do se processo de vida real q e se representa o desenvolvimento dos reflexos e das reperc ssões ideológicas deste processo vital. Mesmo as fantasmagorias correspondem, no cérebro h mano, a s blimações necessariamente res ltantes do processo da s a vida material q e pode ser observado empiricamente e q e repo sa em bases materiais. Assim, a moral, a religião, a metafísica e q alq er o tra ideologia, tal como as formas de consciência q e lhes correspondem, perdem imediatamente toda a aparência de a tonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; serão antes os homens q e, desenvolvendo a s a prod ção material e as s as relações materiais, transformam, com esta realidade q e lhes é própria, o se pensamento e os prod tos desse pensamento. ,,Não é a consciência q e determina a vida, mas sim a vida q e determina a consciência. Na primeira forma de considerar este ass nto, parte-se da consciência como sendo o indivíd o vivo, e na seg nda, q e corresponde à vida real, parte-se dos próprios indivíd os reais e vivos e considera-se a consciência nicamente como s a consciência Esta forma de considerar o ass nto não é desprovida de press postos. Parte de premissas reais e não as abandona m único instante. Estas premissas são os homens, não isolados nem fixos de ma q alq er forma imaginária, mas apreendidos no se processo de desenvolvimento real em condições determinadas, desenvolvimento este q e é visível empiricamente. Desde q e se represente este processo de atividade vital, a história deixa de ser ma coleção de fatos sem vida, como a apresentam os empiristas, e q e são ainda abstratos, o a ação imaginária de s jeitos imaginários, como a apresentam os idealistas. É onde termina a espec lação, isto é, na vida real, q e começa a ciência real, positiva, a expressão da. atividade prática., do processo de desenvolvimento prático dos homens É nesse ponto q e termina o fraseado oco sobre a consciência e o saber real passa a oc par o se l gar. Ao expor a realidade, a filosofia deixa de ter m meio onde possa existir de forma a tônoma. Em vez dela poder-se-á considerar, q ando m ito, ma síntese dos res ltados mais gerais q e é possível abstrair do est do do desenvolvimento histórico dos homens. Estas abstrações, tomadas em. si, destacadas da história real não têm q alq er valor. Podem q ando m ito servir para classificar mais facilmente a matéria, para indicar a s cessão das s as estratificações partic lares. Mas não dão, de forma alg ma como a filosofia, rna receita, m esq ema seg ndo o q al se possam acomodar as épocas históricas. Pelo contrário, a dific ldade começa precisamente q ando se inicia o est do (20) e a classificação desta matéria, q er se trate de ma época passada o do tempo presente. A eliminação destas dific ldades depende de premissas q e é impossível desenvolver aq i, pois res ltam do est do do processo de vida real e da at ação dos indivíd os de cada época. Iremos explicar através de exemplos históricos alg mas das abstrações consciência q e saremos q ando do est do da ideologia.

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[2]
É certo (21) q e não nos preoc paremos em explicar aos nossos sábios filósofos q e, ao dissolverem na «Consciência de si» a filosofia, a teologia, a s bstância, etc., libertando assim «o Homem» da ditad ra q e n nca o s bj go , não contrib íram seq er para q e a «libertação» do «homem» avançasse ' m único passo; q e não é possível levar a cabo rna libertação real sem ser no m ndo real e através de meios reais; q e não é possível abolir a escravat ra sem a máq ina a vapor e a m ke-jenny (22) nem a servidão sem aperfeiçoar a agric lt ra; q e, mais genericamente. não é possível libertar os homens enq anto eles não estiverem completamente aptos a fornecerem-se de comida e bebida, a satisfazerem as s as necessidades de alojamento e vest ário em q alidade e q antidade perfeitas (23) libertação A «libertação» é m fato histórico e não m fato intelect al, e é provocado por condições históricas, pelo [progresso] da indústria, do comércio, da agric lt ra... (24) estas (provocam) depois, em virt de dos se s diferentes estádios de desenvolvimento, esses abs rdos: a s bstância, o s jeito, a consciência de si e a crítica p ra, assim como os abs rdos religiosos e teológicos, q e são novamente eliminados q ando já estão s ficientemente desenvolvidos. Nat ralmente, n m país como a Alemanha, onde o desenvolvimento histórico é at almente miserável, os fatos históricos a sentes são s bstit ídos por esses desenvolvimentos de idéias deixasse, essas pobrezas idealizadas e ineficazes q e se incr stam, tornando-se necessário combatê-los. Mas esta l ta não tem ma importância histórica geral, ela só tem ma importância local (25)

(A Históri ]

De fato, para o materialista prático (26) o seja para o com nista, é mister revol cionar o m ndo existente, atacar e transformar praticamente o estado de coisas q e encontra. Se por vezes se observam em Fe erbach pontos de vista semelhantes a este, é necessário anotar q e n nca vão além de simples int ições isoladas com m ito po ca infl ência sobre toda a s a concepção geral; apenas podemos considerá-los como germes s sceptíveis de desenvolvimento. Para Fe erbach, a «concepção» (27) do m ndo sensível limita-se, por m lado, à simples contemplação deste último e, por o tro, ao simples sentimento. Refere-se ao «Homem» em vez de se referir aos «homens históricos reais». «O Homem» é 11

na realidade "o Alemão", No primeiro caso, isto é, na contemplação do m ndo sensível. choca-se necessariamente com objetos q e se encontram em contradição com a s a consciência e o se sentimento, q e pert rbam a harmonia de todas as partes do m ndo sensível q e press p sera. sobret do a do homem e da nat reza Para eliminar estes objetos é-lhe necessário ref giar-se n m d plo ponto de vista: entre ma visão profana q e apenas se apercebe daq ilo «q e é visível a olho n » e ma o tra mais elevada, filosófica, q e alcança a «verdadeira essência das coisas» (28) . Não vê q e o m ndo sensível em se redor não é objeto dado diretamente para toda a eternidade, e sempre ig al a si mesmo, mas antes o prod to da indústria e do estado da sociedade, isto é, m prod to histórico, o res ltado da atividade de toda ma série de gerações (29) cada ma das q ais ltrapassava a precedente. aperfeiçoando a s a indústria e o se comércio, e modificava o se regime social em f nção da modificação das necessidades. Os objetos certeza da mais simples «certeza sensível» só são dados a Fe erbach através do desenvolvimento social, da indústria e das trocas comerciais. Sabe-se q e a cerejeira, como todas as o tras árvores fr tíferas, foi trazida para as nossas latit des pelo comércio, apenas há alg ns séc los, e q e foi somente devido à ação de ma sociedade determinada, n ma época determinada, q e a árvore s rgi como «certeza sensível» a Fe erbach. Aliás, nesta concepção q e vê as coisas tais como são na realidade e como realmente ocorrem, q alq er problema filosófico prof ndo se red z m ito simplesmente a m fato empírico, como veremos mais claramente m po co adiante. Tomemos como exemplo a importante q estão das relações entre o homem e a nat reza (o mesmo, tal como Br no diz na página 110 (30), as «contradições na nat reza e na história.», como se aí ho vesse d as «coisas» disj ntas, como se o homem não se encontrasse sempre perante ma nat reza q e é histórica e ma história q e é nat ral). Esta q estão, da q al nasceram todas as «obras de ma grandeza insondável» (31) sobre a «S bstância» e a «Consciência de si», red z-se à compreensão do fato de q e a tão célebre «Unidade do homem e da nat reza» existi sempre na indústria e se apresento em cada época sob formas diferentes consoante o desenvolvimento maior o menor dessa indústria; e o mesmo acontece q anto à «L ta» do homem contra a nat reza, até q e as forças prod tivas desde último se tenham desenvolvido sobre ma base adeq ada. A indústria e o comércio, a prod ção e a troca das necessidades vitais condicionam a distrib ição, a estr t ra das diferentes classes sociais, sendo por s a vez, condicionadas por elas no se modo de f ncionamento. E é por isso q e Fe erbach apenas vê, por exemplo, em Manchester, fábricas e máq inas, q ando há m séc lo atrás apenas aí existiam teares e oficinas de tecelão, e só descobre pastagens e pântanos nos campos romanos onde, no tempo de A g sto, só poderia ter encontrado vinhas e mansões de capitalistas romanos. Fe erbach refere-se em partic lar à concepção da ciência da nat reza, evoca segredos q e apenas são visíveis pelo físico e o q ímico; mas q e seria da ciência da nat reza sem o comércio e a indústria? E não serão o comércio e a indústria, a atividade material dos homens, q e atrib em m fim a essa ciência da nat reza dita «p ra» e lhe fornecem os se s materiais? Essa atividade, esse trabalho, essa criação material incessante dos homens, essa 12

prod ção é a base de todo o m ndo sensível tal como hoje existe, e a tal ponto q e se o interrompêssemos apenas por m ano, Fe erbach não só encontraria enormes modificações no m ndo 'nat ral como até lamentaria a perda de todo o m ndo h mano e da s a própria fac ldade de contemplação, o mesmo da s a própria existência. É certo q e o primado da nat reza exterior não deixa por isso de s bsistir, e t do isto não pode certamente aplicar-se aos primeiros homens nascidos por generatio aeq ivoca (geração espontânea), mas esta distinção apenas tem sentido se se considerar o homem como sendo diferente da nat reza. De q alq er modo, esta nat reza q e precede a história dos homens não é de forma alg ma a nat reza q e rodeia Fe erbach; tal nat reza não existe nos nossos dias, salvo talvez em alg ns atóis a stralianos de formação recente, e portanto não existe para Fe erbach. Admitimos q e Fe erbach tem sobre os materialistas «p ros» a grande vantagem de se aperceber de q e o homem é também m «objeto sensível»; mas abstraiamos do fato de apenas o considerar como «objeto sensível» e não como «atividade sensível», pois nesse ponto ainda se agarra à teoria e não integra os homens no se contexto social, nas s as condições de vida q e fizeram deles o q e são. Não há dúvida de q e n nca atinge os homens q e existem e at am realmente, q e se atém a ma abstração, homem real o «Homem», e q e apenas conseg e reconhecer o homem «real, individ al, em carne e osso», no sentimento o , dizendo de o tro modo, apenas conhece o amor e a amizade enq anto «relações h manas» «do homem com o homem», e mesmo assim idealizadas. Não critica as at ais condições de vida. Não conseg e apreender o m ndo sensível como a soma da atividade viva e física dos indivíd os q e o compõem e, q ando por exemplo observa m gr po de homens com fome, cansados e t berc losos, em vez de homens de bom porte, é constrangido a ref giar-se na «concepção s perior das coisas» e na «compensação ideal no interior do Gênero»; cai portanto no idealismo, precisamente onde o materialismo vê sim ltaneamente a necessidade e a condição de ma transformação radical tanto da indústria como da estr t ra social. Enq anto materialista, Fe erbach n nca faz intervir a história; e q ando aceita a história, não é materialista. Nele, história e materialismo são coisas complemente separadas, o q e de resto já é s ficientemente explicado pelas considerações precedentes (32) . Relativamente aos Alemães, q e se j lgam desprovidos de q alq er press posto, devemos lembrar a existência de m primeiro press posto de toda a existência h mana e, portanto, de toda a história, a saber, q e os homens devem estar em condições de poder viver a fim de afazer história». Mas, para viver, é necessário antes de mais beber, comer, ter m tecto onde se abrigar, vestir-se, etc., O primeiro fato histórico é pois a prod ção dos meios q e permitem satisfazer as necessidades, a prod ção da própria vida material; trata-se de ni fato histórico, de ma condição f ndamental de toda a história, q e é necessário, tanto hoje como há milhares de anos, exec tar dia a dia, hora a hora, a fim de manter os homens vivos. Mesmo q ando a realidade sensível se red z a m simples pedaço de madeira, ao mínimo possível, como em São Br no, essa mesma realidade implica a atividade q e prod z o pedaço de madeira. Em q alq er concepção histórica, é primeiro necessário observar este fato f ndamental em 13

toda a s a importância e extensão e colocá-lo no l gar q e lhe compete. Todos sabem q e os Alemães n nca o fizeram; n nca tiveram ma base terrestre para a história e n nca tiveram, por isso, nenh m historiador. Tanto os franceses como os ingleses, se bem q e apenas se apercebessem da conexão entre este fato e a história de m ponto de vista bastante restrito, e sobret do enq anto se mantiveram prisioneiros da ideologia política, não deixaram por isso de levar a cabo as primeiras tentativas para dar à historiografia ma base materialista, escrevendo as primeiras histórias da sociedade civil, do comércio e da indústria. O seg ndo ponto a considerar é q e ma vez satisfeita a primeira necessidade, a ação de a satisfazer e o instr mento tilizado para tal cond zem a novas necessidades e essa prod ção de novas necessidades constit i o primeiro fato histórico. É aí q e se reconhece imediatamente de q e massa é feita a grande sabedoria histórica dos Alemães; porq e na falta de material positivo e q ando não debatem disparates teológicos, políticos o literários, os Alemães deixam de falar em história para passarem a referir-se aos «tempos pré-históricos», não nos indicando aliás como se passa desta abs rda «pré-história» para a história propriamente dita se bem q e seja evidente, por o tro lado, q e as s as espec lações históricas se servem desta pré-história» porq e aí se j lgam a salvo da ingerência dos «toscos acontecimentos» e ainda porq e aí podem dar rédea solta aos se s instintos espec lativos propondo e rec sando milhares de hipóteses. O terceiro aspecto q e intervém diretamente no desenvolvimento histórico é o fato de os homens, q e em cada dia renovam a s a própria vida, criarem o tros homens. reprod zirem-se; é a relação entre o homem e a m lher, os pais e os filhos, a família. Esta família, q e é inicialmente a única relação social, transformase n ma relação s balterna (exceto conceito social Alemanha) q ando o acréscimo das necessidades engendra novas relações sociais e o crescimento da pop lação dá origem a novas necessidades; deve-se por conseg inte abordar e desenvolver este tema da família a partir dos fatos empíricos existentes e não do «conceito de família», como é hábito fazer-se na Alemanha. Aliás, não se devem compreender estes três aspectos da atividade social como três estados diferentes, mas m ito simplesmente como três aspectos o , para empregar ma ling agem compreensível para os Alemães, três «momentos» q e coexistiram desde o início da história dos primeiros homens o q e ainda hoje nela se manifestam. A prod ção da vida, tanto a própria através do trabalho como a alheia através da procriação, s rge-nos agora como ma. relação d pla: por m lado como ma relação nat ral e, por o tro, como ma relação social - social no sentido de ação conj gada de vários indivíd os, não importa em q e condições, de q e maneira e com q e objetivo. Seg e-se q e m determinado modo de prod ção o estádio de desenvolvimento ind strial se encontram permanentemente ligados a m modo de cooperação o a m estado social determinados, e q e esse modo de cooperação é ele mesmo ma «força prod tiva»; seg e-se ig almente q e o conj nto das forças prod tivas acessíveis aos homens determina o estado social e q e se deve est dar e elaborar a «história dos homens» em estreita correlação com a história da indústria e das trocas. Mas é também evidente q e é impossível escrever tal história na Alemanha, pois faltam aos Alemães, para o fazer, não somente os materiais e a capacidade para a conceber mas também a «certeza sensível,; e por 14

o tro lado não é possível levar a cabo experiências sobre estas q estões do o tro lado do Reno visto q e aí já não se faz história. Logo, manifesta-se imediatamente m sistema de laços materiais entre os homens q e é condicionado pelas necessidades e o modo de prod ção e q e é tão velho como os próprios homens sistema de laços q e adq ire constantemente novas formas e tem assim ma «história» mesmo sem q e exista ainda q alq er abs rdo político o religioso q e contrib a também para nir os homens. E só agora, depois de já examinados q atro momentos, q atro aspectos das relações históricas originárias, nos apercebemos de q e o homem também poss i «consciência». (33) Mas não se trata de ma consciência q e seja de antemão consciência «p ra». Desde sempre pesa sobre o «espírito» a maldição de estar «imb ído» de ma matéria q e aq i se manifesta sob a forma de camadas de ar em movimento, de sons, n ma palavra, sob a forma da ling agem. A ling agem é tão velha como a consciência: é a consciência real. prática, q e existe também para o tros homens e q e portanto existe ig almente só para mim e, tal como a consciência. só s rge com a necessidade, as exigências dos contatos com os o tros homens (34) Onde existe ma relação, ela existe para mim. O animal «não se encontra em relação» com coisa alg ma. não conhece de fato q alq er relação; para o animal, as relações com os o tros não existem enq anto relações. A consciência é pois m prod to social e contin ará a sê-lo enq anto ho ver homens. A consciência é. antes de t do, a consciência do meio sensível imediato e de ma relação limitada com o tras pessoas e o tras coisas sit adas fora do indivíd o q e toma consciência; é sim ltaneamente a consciência da nat reza q e inicialmente se depara ao homem como ma força francamente estranha, todapoderosa e inatacável, perante a q al os homens se comportam de ma forma p ramente animal e q e os atemoriza tanto como aos animais; por conseg inte, ma consciência de nat reza p ramente animal (religião nat ral (35)). Por o tro lado, a consciência da necessidade de entab lar relações com os indivíd os q e o cercam marca para o homem a tornada de consciência de q e vive efetivamente em sociedade. Este como é tão animal como a própria vida social nesta fase; trata-se de ma simples consciência gregária e, neste aspecto, o homem disting e-se do carneiro pelo simples fato de a consciência s bstit ir nele o instinto o de o se instinto ser m instinto consciente. Esta consciência gregária o tribal desenvolve-se e aperfeiçoa-se posteriormente devido ao a mento da prod tividade, das necessidades e da pop lação, q e constit i aq i o fator básico. É deste modo q e se desenvolve a divisão do trabalho q e primitivamente não passava de divisão de f nções no ato sex al e, mais tarde, de ma divisão «nat ral» do trabalho consoante os dotes físicos (o vigor corporal, por exemplo), as necessidades, o acaso, etc. A divisão do trabalho só s rge efetivamente a partir do momento em q e se opera ma divisão entre o trabalho material e intelect al. A partir deste momento, a consciência pode s por-se algo mais do q e a consciência da prática existente, q e representa de fato q alq er coisa sem representar algo de real. E ig almente a partir deste instante ela encontra-se em condições de se emancipar do m ndo e de passar à formação da teoria p ra», teologia, filosofia, moral, etc. Mas mesmo q ando essa teoria, essa teologia, essa 15

filosofia, essa moral, etc., entram em contradição com as relações existentes, isso deve-se apenas ao fato de as relações sociais existentes terem entrado em contradição com a força prod tiva existente; aliás, o mesmo pode acontecer n ma determinada esfera nacional porq e, nesse caso, a contradição prod z-se não no interior dessa esfera nacional mas entre a consciência naciona1 a prática das o tras nações, q er dizer, entre a consciência nacional de. rna determinada nação e a s a consciência niversal (36) (como at almente na Alemanha); pelo q e para essa nação, e parq e aparentemente tal contradição apenas se apresenta como contradição no seio da consciência nacional, a l ta parece limitarse a ma órbita nacional pois esse país incarna a própria podridão. Po co importa, de resto, aq ilo q e a consciência empreende isoladamente; toda essa podridão tem m único res ltado: os três momentos, constit ídos pela força prod tiva o estado social e a consciência, podem e devem necessariamente entrar em conflito entre si, pois, através da divisão do trabalho, torna-se possível aq ilo q e se verifica efetivamente: q e a atividade intelect al e material (37), o gozo e o trabalho, a prod ção e o cons mo, caibam a indivíd os distintos; então, a possibilidade de q e esses elementos não entrem em conflito reside nicamente na hipótese do acabar de novo com a divisão do trabalho. Conseq entemente, os «fantasmas», «laços», «ente s perior», «conceito», «escrúp los» (38), são apenas a expressão mental idealista, a representação aparente do indivíd o isolado, a representação de cadeias e limitações m ito empíricas no interior das q ais se move o modo de prod ção da vida e o modo de troca q e este implica (39) . Esta divisão do trabalho, q e implica todas estas contradições e repo sa por s a vez sobre a divisão nat ral do trabalho na família e sobre a divisão da sociedade em famílias isoladas e opostas, implica sim ltaneamente a repartição do trabalho e dos se s prod tos, distrib ição desig al tanto em q alidade como em q antidade; dá portanto origem à propriedades c ja primeira forma, o se germe, reside na família, onde a m lher e as crianças são escravas do homem. A escravat ra, decerto ainda m ito r dimentar e latente na família, é a primeira propriedade, q e aq i já corresponde aliás à definição dos economistas modernos seg ndo a q al é constit ída pela livre disposição da força de trabalho de o trem. De resto, divisão do trabalho e propriedade privada são expressões idênticas - na primeira, en ncia-se relativamente à atividade o q e na seg nda se en ncia relativamente ao prod to desta atividade. A divisão do trabalho implica ainda a contradição entre o interesse do indivíd o sing lar o da família sing lar e o interesse coletivo de todos os indivíd os q e se relacionam entre si; mais ainda, esse interesse coletivo não existe apenas, digamos, na idéia, enq anto «interesse niversal», mas sobret do na realidade como dependência recíproca dos indivíd os entre os q ais é partilhado o trabalho. Ê precisamente esta contradição entre o interesse partic lar e o interesse coletivo q e faz com q e o interesse coletivo adq ira, na q alidade de Estado, ma forma independente, separada dos interesses reais do indivíd o e do conj nto e tome sim ltaneamente a aparência de com nidade il sória, irias sempre sobre a base concreta dos laços existentes em cada conglomerado familiar e tribal, tais como laços de sang e, líng a, divisão do trabalho em larga escala e o tros interesses; e entre esses interesses ressaltam partic larmente os interesses das classes já 16

condicionadas pela divisão do trabalho, q e se diferenciam em q alq er agr pamento deste tipo e entre as q ais existe ma q e domina as restantes. Daq i se depreende q e todas as l tas no seio do Estado, a l ta entre a democracia, a aristocracia e a monarq ia, a l ta pelo direito de voto, etc., etc., são apenas formas il sórias q e encobrem as l tas efetivas das diferentes classes entre si (aq ilo de q e os teóricos alemães nem seq er s speitam, se bem q e sobre isso se lhes tenha mostrado o s ficiente nos Anais franco-alemães e na Sagrada Família (40); depreende-se ig almente q e toda a classe q e aspira ao domínio, mesmo q e o se domínio determine a abolição de todas as antigas formas sociais da dominação em geral, como acontece com o proletariado, deve antes de t do conq istar o poder político para conseg ir apresentar o se interesse próprio como sendo o interesse niversal, at ação a q e é constrangida nos primeiros tempos. Precisamente porq e os indivíd os só proc ram o se interesse partic lar - q e para eles não coincide com o se interesse coletivo, pois a niversalidade é apenas nia forma il sória da coletividade - esse interesse apresenta-se como m interesse partic lar q e lhes é «estranho» e «independente», e q e sim ltaneamente é m interesse « niversal especial e partic lar; o então oscilam no selo deste d alismo, como acontece na democracia. Por o tro lado, o combate prático destes interesses partic lares, q e se chocam constante e realmente com os interesses coletivos e il soriamente coletivos, torna necessário a intervenção prática e o refreamento através do interesse « niversal» il sório sob a forma de Estado. Finalmente, a divisão do trabalho oferece-nos o primeiro exemplo do seg inte fato: a partir do momento em q e os homens vivem na sociedade nat ral, desde q e, portanto, se verifica ma cisão entre o interesse partic lar e o interesse com m, o seja, q ando a atividade já não é dividida vol ntariamente mas sim de forma nat ral, a ação do homem transforma-se para ele n m poder estranho q e se lhe opõe e o s bj ga, em vez de ser ele a dominá-la. Com efeito, desde o momento em q e o trabalho começa a ser repartido, cada indivíd o tem ma esfera de atividade excl siva q e lhe é imposta e da q al não pode sair; é caçador, pescador, pastor o crítico (41) e não pode deixar de o ser se não q iser perder os se s meios de s bsistência. Na sociedade com nista, porém, onde cada indivíd o pode aperfeiçoar-se no campo q e lhe apro ver, não tendo por isso ma esfera de atividade excl siva, é a sociedade q e reg la a prod ção geral e me possibilita fazer hoje ma coisa, amanhã o tra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e t do isto a me bel-prazer, sem por isso me tornar excl sivamente caçador, pescador o crítico. Esta fixação da atividade social, esta petrificação do nosso próprio trabalho n m poder objetivo q e nos domina e escapa ao nosso controlo contrariando a nossa expectativa e destr indo os nossos cálc los, é m dos momentos capitais' do desenvolvimento histórico até aos nossos dias (42) . O poder social, q er dizer, a força prod tiva m ltiplicada q e é devida à cooperação dos diversos indivíd os, a q al é condicionada pela divisão do trabalho, não se lhes apresenta como o se próprio poder conj gado, pois essa colaboração não é vol ntária e sim nat ral, antes lhes s rgindo como m poder estranho, sit ado fora deles e do q al não conhecem nem a origem nem o fim q e 17

se propõe, q e não podem dominar e q e de tal forma atravessa ma série partic lar de fases e estádios de desenvolvimento tão independente da vontade e da marcha da h manidade q e é na verdade ela q em dirige essa vontade e essa marcha da h manidade. Esta «alienação» - para q e a nossa posição seja compreensível para os filósofos - só pode ser abolida mediante d as condições práticas. Para q e ela se transforme n m poder «ins portável», q er dizer, n m poder contra o q al se faça ma revol ção, é necessário q e tenha dado origem a ma massa de homens totalmente «privada de propriedade», q e se encontre sim ltaneamente em contradição com m m ndo de riq eza e de c lt ra com existência real; ambas as coisas press põem m grande a mento da força prod tiva, isto é, m estádio elevado de desenvolvimento. Por o tro lado, este desenvolvimento das forças prod tivas (q e implica já q e a existência empírica at al dos homens decorra no âmbito da história m ndial e não no da vida loca]) é ma condição prática prévia absol tamente indispensável, pois, sem ele, apenas se generalizará a penúria e, com a pobreza, recomeçará paralelamente a l ta pelo indispensável e cair-se-á fatalmente na im ndície anterior. Ele constit i ig almente ma condição prática sine q a non, pois é nicamente através desse desenvolvimento niversal das forças prod tivas q e é possível estabelecer m intercâmbio niversal entre os homens e porq e, deste modo, o fenômeno da massa «privada de propriedade» pode existir sim ltaneamente em todos os países (concorrência niversal), tornando cada m deles dependente das pert rbações dos restantes e fazendo com q e finalmente os homens empiricamente niversais vivam de fato a história m ndial em vez de serem indivíd os vivendo n ma esfera excl sivamente local. Sem isto: 1.) o com nismo só poderia existir como fenômeno local; 2.0) as forças das relações h manas não poderiam desenvolver-se como forças ni versais e, portanto, ins portáveis contin ando a ser simples «circ nstâncias» motivadas por s perstições locais; 3°) q alq er ampliação das trocas aboliria o com nismo local. O com nismo só é empiricamente possível como ação «rápida» e sim ltânea dos povos dominantes, o q e press põe o desenvolvimento niversal da força prod tiva e as trocas m ndiais q e lhe estejam estreitamente ligadas. Para nós, o com nismo não é m estado q e deva ser implantado, nem m ideal a q e a realidade deva obedecer. Chamamos com nismo ao movimento real q e acaba com o at al estado de coisas. As condições deste movimento (43) res ltam das premissas at almente existentes. Aliás, a massa de trabalhadores constit ída pelos simples operários - força de trabalho maciça, separada do capital o de q alq er espécie de satisfação mesmo limitada - press põe o mercado m ndial, sendo a existência deste asseg rada pela possibilidade de perda não temporária desse trabalho como fonte seg ra de s bsistência, perda motivada pela concorrência. O proletariado (44) só pode portanto existir à escala ala história niversal, assim como o com nismo, q e é o res ltado da s a ação, só pode concretizar-se enq anto existência «históriconiversal». Existência histórico- niversal dos indivíd os, isto é, existência dos indivíd os diretamente ligada à história niversal. De o tro modo, como poderia a propriedade ter por exemplo ma história, revestir diferentes formas? Como é q e a propriedade f ndiária teria podido, com as condições então existentes, passar em França do parcelamento para a 18

concentração nas mãos de alg ns, e em Inglaterra da concentração nas mãos de alg ns para o parcelamento, como at almente se verifica? O então, como explicar q e o comércio, q e não é mais do q e a troca de prod tos entre diferentes indivíd os e nações, domine o m ndo inteiro através da relação entre a oferta e a proc ra - relação q e, seg ndo m economista inglês. paira sobre a terra como a antiga fatalidade e distrib i, com mão invisível, a felicidade e a infelicidade entre os homens cria e destr i impérios, faz nascer e desaparecer povos - ao passo q e, ma vez abolida a base, a propriedade privada, e insta rada a reg lamentação com nista da prod ção q e acaba com a sit ação q e levava os homens a sentirem os se s prod tos como coisas estranhas, toda a força da relação entre a oferta e a proc ra é red zida a nada, readq irindo os homens o domínio da troca, da prod ção e do se modo de comportamento recíproco?

A forma das trocas, condicionadas pelas forças de prod ção existentes em todas as etapas históricas q e precederam a at al e q e por s a vez as condicionam, é a sociedade civil (45), q e, como se depreende do q e fico dito, tem por condição prévia e base f ndamental a família simples e a família composta, aq ilo a q e chamamos clã e de q e já foram dadas anteriormente definições mais precisas É portanto evidente ser esta sociedade civil o verdadeiro lar, o verdadeiro cenário de toda a história e ser abs rda a antiga concepção da história q e. omitindo as relações reais, se limitava aos grandes acontecimentos históricos e às ações políticas ret mbantes. Até aq i consideramos principalmente m aspecto da atividade h mana: o trabalho dos homens sobre a nat reza. O o tro aspecto, o trabalho dos homens sobre os homens... (46) Origem do Estado e relação do Estado com a sociedade civil.

A história não é mais do q e a s cessão das diferentes gerações, cada ma delas explorando os materiais, os capitais e as forças prod tivas q e lhes foram transmitidas pelas gerações precedentes; por este motivo, cada geração contin a, por m lado, o modo de atividade q e lhe foi transmitido mas em circ nstâncias radicalmente transformadas e, por o tro, modifica as antigas circ nstâncias dedicando-se a ma atividade radicalmente diferente. Acontece por vezes q e estes fatos são completamente alterados pela espec lação ao fazer da história recente o fim da história anterior: é assim, por exemplo, q e se atrib i à descoberta da América o seg inte objetivo: aj dar a eclodir a Revol ção francesa. Inserem-se deste modo na história os se s objetivos partic lares. q e são transformados n ma «pessoa ao lado de o tras pessoas» (a saber, «Consciência de si, Crítica, Único», etc.), ao passo q e aq ilo q e se designa pelos termos 19

«Determinação», «Objetivo», «Germes», «Idéia» da história passada é apenas ma abstração da história anterior, ma abstração da infl ência ativa q e a história anterior exerce na história recente. Ora, q anto mais as esferas individ ais, q e at am ma sobre a o tra, a mentam no decorrer desta evol ção, e mais o isolamento primitivo das diversas nações é destr ído pelo aperfeiçoamento do modo de prod ção, pela circ lação e a divisão do trabalho entre as nações q e daí res lta espontaneamente, mais a história se transforma em história m ndial. Assim, se em Inglaterra se inventar ma máq ina q e, na Índia o na China, tire o pão a milhares de trabalhadores e altere toda a forma de existência desses impérios, essa descoberta torna-se m fato da história niversal. Foi assim q e o açúcar e o café demonstraram a s a importância para a história niversal no séc lo XIX, q ando a carência desses prod tos, res ltado do bloq eio continental de Napoleão, provoco a rebelião dos Alemães contra aq ele general, transformando-se assim na base concreta das gloriosas g erras de libertação de 1813. Daq i se depreende q e esta transformação da história em história niversal não é, digamos, m simples fato abstrato da «Consciência de si», do Espírito do m ndo o de q alq er o tro fantasma metafísico, mas ma ação p ramente material q e pode ser verificada de forma empírica, ma ação de q e cada indivíd o fornece a prova no ato de comer, beber o vestir-se (47) A bem dizer, também é m fato perfeitamente empírico o de, na história passada, com a extensão da atividade ao plano da história niversal, os indivíd os terem ficado cada vez mais s bmetidos a m poder q e lhes era estranho -opressão q e tomavam por ma patifaria daq ilo a q e se chama o Espírito do m ndo -, poder q e se torno cada vez mais maciço e se revela, em última instância, tratar-se do mercado m ndial. Mas é também empírico q e esse poder tão misterioso para os teóricos alemães, será abolido pela s pressão do at al estado social, pela revol ção com nista e pela abolição da propriedade privada q e lhe é inerente; a libertação de cada indivíd o em partic lar realizar-se-á então na medida em q e a história se for convertendo totalmente em história m ndial. A partir daq i, é evidente q e a verdadeira riq eza intelect al do indivíd o depende apenas da riq eza das s as relações reais. Só desta forma se poderá libertar cada indivíd o dos se s diversos limites nacionais e locais, depois de entab lar relações práticas com a prod ção do m ndo inteiro (incl indo a prod ção intelect al) e de se encontrar em estado de poder beneficiar da prod ção do m ndo inteiro em todos os domínios (criação dos homens). A dependência niversal, essa forma nat ral da cooperação dos indivíd os ú escala da história m ndial, será transformada pela revol ção com nista em controlo e domínio consciente desses poderes q e, engendrados pela ação recíproca dos homens ns sobre os o tros, se lhes imp serem e os dominaram até agora. como se se tratasse de poderes absol tamente estranhos. Esta concepção pode, por s a vez, ser interpretada de forma espec lativa e idealista, q er dizer, fantástica, como «a to-criação do Gênero» (a «sociedade como s jeito»), representando-se através dela a s cessiva série de indivíd os relacionados entre si como m único indivíd o q e realizará o mistério do engendrar-se a si mesmo Aq i poderemos ver q e OS indivíd os se criam ns aos o tros, tanto física como espirit almente. mas q e não se criam a si mesmos nem na disparatada concepção do São Br no (48) nem no sentido do «Único», do homem «feito a si mesmo». 20

A concepção da história q e acabamos de expor permite-nos ainda tirar as seg intes concl sões: 1, No desenvolvimento das forças prod tivas atinge-se m estádio em q e s rgem forças prod tivas e meios de circ lação q e só podem ser nefastos no âmbito das relações existentes e já não são forças prod tivas mas sim forças destr tivas (o maq inismo e o dinheiro), assim como, fato ligado ao precedente, nasce no decorrer desse processo do desenvolvimento ma classe q e s porta todo o peso da sociedade sem desfr tar das s as vantagens, q e é exp lsa do se seio e se encontra n ma oposição mais radical do q e todas as o tras classes, ma classe q e incl i a maioria dos membros da sociedade e da q al s rge a consciência da necessidade de ma revol ção, consciência essa q e é a consciência com nista e q e, bem entendido, se pode também formar nas o tras classes q ando se compreende a sit ação desta classe partic lar. 2. As condições em q e se podem tilizar forças prod tivas determinadas são as condições de dominação de ma determinada classe da sociedade (49) o poder social desta classe, decorrendo do q e ela poss i, encontra reg larmente a s a expressão prática sob forma idealista no tipo de Estado próprio de cada época; é por isso q e toda a l ta revol cionária é dirigida contra ma classe q e domino até então (50) Em todas as revol ções anteriores, permanecia inalterado o modo de atividade e procedia-se apenas a ma nova distrib ição dessa atividade, a ma nova repartição do trabalho entre o tras pessoas; a revol ção é, pelo contrário, dirigida - contra o modo de atividade anterior - s prime o trabalho (51) e acaba com a dominação de todas as classes pela s pressão das próprias classes - pois é realizada pela classe q e, no âmbito da at al sociedade, já não é considerada como ma classe dentro dessa sociedade e constit i a expressão da dissol ção de todas as classes, de todas as nacionalidades, etc. Torna-se necessária ma transformação maciça dos homens para criar em massa essa consciência e levar a bom termo esses objetivos; ora ma tal transformação só pode ser efet ada por m movimento prático, por ma revol ção; esta não será então apenas necessária pelo fato de constit ir o único meio de liq idar a classe dominante, mas também porq e só ma revol ção permitirá à classe q e derr ba a o tra aniq ilar toda a podridão do velho sistema e tornar-se apta a f ndar a sociedade sobre bases novas (52) Esta concepção da história tem portanto como base o desenvolvimento do processo real da prod ção, contritamente a prod ção material da vida imediata; concebe a forma das relações h manas ligada a este modo de prod ção e por ele engendrada, isto é, a sociedade civil nos se s diferentes estádios, como sendo o f ndamento de toda a história. Isto eqüivale a representá-la na s a ação enq anto Estado, a explicar através dela o conj nto das diversas prod ções teóricas e das formas da consciência, religião, moral, filosofia, etc., e a acompanhar o se desenvolvimento a partir destas prod ções; o q e permite nat ralmente representar a coisa na s a totalidade (e examinar ainda a cação recíproca dos se s diferentes aspectos)- Ela não é obrigada, como acontece à concepção idealista da história, a proc rar ma categoria diferente para cada período, antes se mantendo constantemente no plano real da história; não tenta explicar a prática a partir da idéia, mas sim a formação das idéias a partir da prática material; chega portanto, à concl são de q e todas as formas e prod tos da consciência podem ser resolvidos não pela crítica intelect al, pela red ção à «Consciência de si» o 21

pela metamorfose em «aparições», em «fantasmas» (53), etc., mas nicamente pela destr ição prática das relações sociais concretas de onde nasceram as bagatelas idealistas. Não é a Crítica mas sim a revol ção q e constit i a força motriz da história, da religião, da filosofia o de q alq er o tro tipo de teorias. Esta concepção mostra q e o objetivo da história não consiste em resolver-se em «Consciência de si» enq anto «Espírito do espírito», mas q e se encontrem dados em cada estádio m res ltado material, ma soma de forças prod tivas, ma relação com a nat reza e entre os indivíd os, criados historicamente e transmitidos a cada geração por aq ela q e a precede, ma massa de forças de prod ção, de capitais e de circ nstâncias q e são por m lado modificadas pela nova geração mas q e, por o tro lado, lhe ditam as s as próprias condições de existência e lhe imprimem m desenvolvimento determinado, m caráter específico; por conseqüência, é tão verdade serem as circ nstâncias a fazerem os homens como a afirmação contrária. Esta soma de forças de prod ção, de capitais, de formas de relações sociais, q e cada indivíd o o cada geração encontram como dados já existentes é a base concreta daq ilo q e os filósofos consideram como «s bstância» e «essência do homem», daq ilo q e aprovaram e daq ilo q e combateram, base concreta c jos efeitos e c ja infl ência sobre o desenvolvimento dos homens não são de forma alg ma afetados pelo fato de os filósofos se revoltarem contra ela na q alidade de «Consciência de si» e de «Únicos». São ig almente essas condições de vida, q e cada geração encontra já elaboradas, q e determinam se o abalo revol cionário q e se reprod z periodicamente na história será s ficientemente forte para derr bar as bases de t do q anto existe; os elementos materiais de ma s bversão total são, por m lado, as forças prod tivas existentes e, por o tro, a constit ição de ma massa revol cionária q e faça a revol ção não apenas contra as condições partic lares da sociedade passada mas ainda contra a própria «prod ção da vida» anterior, contra o «conj nto da atividade» q e é o se f ndamento; se estas condições não existem, é perfeitamente indiferente, para o desenvolvimento prático, q e a idéia desta revol ção já tenha sido expressa mil vezes. como o prova a história do com nismo. Até aq i, todas as concepções históricas rec saram esta base real da história o , pelo menos, consideraram-na como algo de acessório, sem q alq er ligação com a marcha da história. É por isto q e a história foi sempre descrita de acordo com ma norma q e se sit a fora dela A prod ção real da vida s rge na origem da história mas aq ilo q e é propriamente histórico s rge separado da vida ordinária, como extra e s praterrestre. As relações entre os homens e a nat reza são assim excl ídas da historiografia, o q e dá origem à oposição entre nat reza e história. Conseq entemente, esta concepção só permiti encontrar os grandes acontecimentos históricos o políticos, as l tas religiosas e principalmente teóricas, e foi obrigada a partilhar com q alq er época histórica a il são dessa época. S ponhamos q e ma dada época j lga ser determinada por motivos p ramente «políticos» o «religiosos», se bem q e «política» e «religião» constit am apenas as formas adq iridas pelos se s motores reais: o se historiador aceitará aq ela opinião. A «imaginação», a «representação» q e esses homens determinados têm da s a prática real transforma-se no único poder determinante e ativo q e domina e determina a prática desses homens. Se a 22

forma r dimentar sob a q al se apresenta a divisão do trabalho na Índia e no Egito s scita a existência nestes países de m regime de castas no Estado e na religião, o historiador pensa q e esse regime de castas constit i o poder q e engendro a forma social r dimentar. Enq anto os Franceses e os Ingleses se atêm à il são política, q e é ainda a mais próxima da realidade, os Alemães movem-se no domínio do «espírito p ro» e fazem da il são religiosa a força motriz da história. A filosofia da história de Hegel é o último res ltado conseqüente, levado à s a «expressão mais p ra», de toda esta forma de descrever a história, típica dos Alemães, e na q al não interessam os interesses reais nem seq er os interesses políticos mas sim as idéias p ras. Nestas condições, não admira q e a história s rja a São Br no como ma mera seqüência de «Idéias» q e l tam entre si e q e finalmente se resolve na «Consciência de si», e q e para São MAX Stirner, q e nada sabe de história, o desenvolvimento desta seja, e com m ito mais lógica, ma simples história de «cavaleiros», de bandidos e de fantasmas de c ja visão só conseg e escapar graças ao «gosto do sacrilégio», Esta concepção é verdadeiramente religiosa, press põe q e o homem religioso é o homem primitivo de q e parte toda a história, e s bstit i, na s a imaginação, a prod ção real dos meios de vida e da própria vida por ma prod ção religiosa de coisas imaginárias. Toda esta concepção da história, assim como a s a degradação e os escrúp los e as dúvidas q e daí res ltam, é ma q estão p ramente nacional q e só interessa aos Alemães. Um exemplo disto é a importante q estão, recentemente m ito debatida, de saber como se poderá Exatamente passar «do reino de De s para o reino dos homens»; como se este «reino de De s» tivesse existido alg ma vez fora da imaginação dos homens e como se estes do tos senhores não tivessem vivido sempre (e sem dar por isso) no «reino dos homens» q e proc ram, o como ainda se o divertimento científico - pois trata-se apenas disso q e consiste em tentar explicar a sing laridade desta constr ção teórica nas n vens não fosse m ito melhor aplicado na proc ra das razões de ela ter nascido do estado de coisas real à face da terra. Em geral, esses Alemães preoc pam-se contentemente em explicar os abs rdos q e encontram através de o tras q imeras; press põem q e todos estes abs rdos têm m sentido partic lar q e é necessário descobrir, q ando conviria explicar esta fraseologia teórica a partir das relações reais existentes. A verdadeira sol ção prática desta fraseologia, a eliminação destas representações na consciência dos homens, só será realizada, repitamo-lo, através de ma transformação das circ nstâncias e não por ded ções teóricas. Para a grande massa dos homens, para o proletariado, estas representações teóricas não existem, e portanto não têm necessidade de ser s primidas; e se esses homens já tiveram alg mas representações teóricas como, por exemplo, a religião, há m ito q e estas foram destr ídas pelas circ nstâncias. O caráter p ramente nacional destas q estões e das s as sol ções manifesta-se ainda no fato de esses teóricos acreditarem, e o mais seriamente deste m ndo, q e as divagações do espírito do gênero «Homem-de s», «Homem», etc., presidiram às diferentes épocas da história - São Br no chega a afirmar q e são apenas «o Crítico e as críticas q e fazem a história» - e ainda, q ando se entregam a constr ções históricas, por saltarem rapidamente por cima de todo o passado, passando da «civilização mongol» à história propriamente «rica de 23

conteúdo», isto é, à história dos Anais de Halle e dos Anais alemães (54), e acabando por nos contar apenas como a escola hegeliana degenero em disp ta geral. Todas as o tras nações e todos os acontecimentos reais foram esq ecidos limitando-se o teatro do m ndo à feira dos livros de Leipzig e às controvérsias recíprocas da «Crítica», do «Homem» e do «Único» (55) Q ando se lembram de est dar temas verdadeiramente históricos como o séc lo XVIII, por exemplo, estes filósofos só nos dão a história das representações, destacada dos fatos e dos desenvolvimentos práticos q e delas constit em a base; mais ainda, só concebem ma tal história com o objetivo de representar a época em q estão como ma primeira etapa imperfeita, como m prenúncio ainda limitado da verdadeira época histórica, o seja, da época de l ta dos filósofos alemães, entre 1840 e 1844. Pretendem portanto escrever ma história do passado q e faça resplandecer com o maior brilho a glória de rna pessoa q e não é histórica e daq ilo q e ela imagino ; não interessa, pois, evocar q aisq er acontecimentos realmente históricos nem seq er as intr sões da política na história. Em compensação, interessa fornecer m escrito q e não repo se n m est do sério mas sim em montagens históricas e em ninharias literárias, como o fez São Br no na s a História do séc lo XVI!! at almente esq ecida. Estes enfat ados merceeiros do pensamento q e se j lgam infinitamente acima dos preconceitos nacionais são, na prática, m ito mais nacionais do q e esses filiste s das cervejarias q e sonham b rg esmente com a nidade alemã. Rec sam todo o caráter histórico às ações dos o tros povos, vivem na Alemanha e para a Alemanha, transformam a Canção do Reno em hino espirit al (56), e conq istam a Alsácia-Lorena pilhando a filosofia francesa, em vez de pilharem o Estado francês, e germanizando o pensamento francês, em vez de germanizarem as províncias francesas. Até o Sr. Veneday (57) faz fig ra de ;cosmopolita ao lado de São Br no e de São Max (58) q e proclamam a hegemonia da Alemanha q ando proclamam a hegemonia da teoria. Destas considerações ded z-se facilmente o erro em q e cai Fe erbach q ando (na Revista trimestral de Wigand, 1845, tomo II (59)), ao q alificar-se de «homem com nitário», se proclama com nista e transforma este nome n m predicado de «o» homem, j lgando assim poder transformar n ma simples categoria o termo de com nista q e, no m ndo at al, designa aq ele q e adere a m determinado partido revol cionário. Toda a ded ção de Fe erbach no q e respeita às relações recíprocas entre os homens pretende nicamente provar q e os homens têm necessidade ns dos o tros e q e sempre assim acontece . Q er q e seja estabelecida a consciência deste fato; ao contrário dos o tros teóricos, apenas pretende s scitar ma j sta consciência de m fato existente, ao passo q e para o com nista real o q e importa é derr bar essa ordem existente. Por o tro lado, reconhecemos q e Fe erbach, nos se s esforços para generalizar a consciência deste fato, vai tão longe q anto lhe é possível sem deixar de ser m teórico e m filósofo; mas pensamos ser característico o fato de São Br no e São Max tilizarem a representação do com nista seg ndo Fe erbach em vez do com nista real, e de o fazerem em parte com o objetivo de poderem combater o com nismo enq anto «Espírito do espírito», enq anto categoria filosófica enq anto adversário existente ao mesmo nível deles - e, no caso de São Br no, em partic lar, ainda por interesses pragmáticos. Como exemplo deste reconhecimento e desconhecimento do estado de coisas existentes, lembremos a 24

passagem da Filosofia do f t ro (60) onde desenvolve a idéia de q e o Ser de m objeto o de m homem constit i ig almente a s a essência, de q e as condições de existência, o modo de vida e a atividade determinada de ma criat ra animal o h mana são aq eles com q e a s a «essência» se sente satisfeita. Cada concepção é aq i compreendida expressamente como m acaso infeliz, como ma anomalia q e não se pode modificar. Portanto, se existem milhões de proletários q e não se sentem satisfeitos com as s as condições de vida, se o se «Ser» não corresponde de forma alg ma à s a «essência», deveríamos considerar este fato como ma infelicidade inevitável q e seria conveniente s portar tranqüilamente. No entanto, estes milhões de proletários têm ma opinião m ito diferente sobre este ass nto e demonstrá-la-ão q ando chegar o momento, q ando p serem na prática o se «ser» em harmonia com a s a «essência», através de ma revol ção. É precisamente por isso q e, nestes casos, Fe erbach n nca fala do m ndo dos homens e se ref gia na nat reza exterior, na nat reza q e o homem ainda não controlo . Mas cada invenção nova, cada progresso da indústria faz tombar m po co esta arg mentação e o campo onde nascem os exemplos' q e permitem verificar as afirmações daq ele gênero, dimin i cada vez mais. A «essência» do peixe, para retomar m dos exemplos de Fe erbach, corresponde exatamente ao se «ser», à ág a, e a «essência» do peixe de rio será a ág a desse rio. Mas essa ág a deixa de ser a s a «essência» e transforma-se n m meio de existência q e não lhe convém, a partir do momento em q e passa a ser tilizada pela indústria e fica pol ída por corantes e o tros desperdícios, a partir do momento em q e o rio é percorrido por barcos a vapor o em q e o se c rso é desviado para canais onde é possível privar o peixe do se meio de existência pelo simples ato de cortar a ág a. Declarar q e todas ais contradições deste gênero são meras anomalias inevitáveis não difere de modo alg m da consolação q e São Stirner oferece aos insatisfeitos q ando lhes declara q e esta contradição lhes é intrínseca, q e esta má sit ação é necessariamente a q e lhes corresponde, concl indo q e não lhes compete protestar mas sim g ardar para si mesmos a s a indignação o revoltarem-se contra a s a sorte mas de ma forma mítica. Esta «explicação» também não difere da crítica q e lhe é feita por São Br no ao afirmar q e essa sit ação infeliz é ma conseqüência de os interessados se terem mantido ao nível da «S bstância» em vez de progredirem até à «Consciência de si absol ta» e de não terem sabido ver nessas más condições de vida o Espírito do se espírito. Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, o seja, a classe q e tem o poder material dominante n ma dada sociedade é também a potência dominante espirit al. A classe q e dispõe dos meios de prod ção material dispõe ig almente dos meios de prod ção intelect al, de tal modo q e o pensamento daq eles a q em são rec sados os meios de prod ção intelect al está s bmetido ig almente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações q e fazem de ma classe a classe dominante; dizendo de o tro modo, são as idéias do se domínio. Os indivíd os q e constit em a classe dominante poss em entre o tras coisas ma consciência, e é em conseqüência disso q e pensam; na medida em q e dominam enq anto classe e determinam ma época 25

histórica em toda a s a extensão, é lógico q e esses indivíd os dominem em todos os sentidos, q e tenham, entre o tras, ma posição dominante como seres pensantes, como prod tores de idéias, q e reg lamentem a prod ção e a distrib ição dos pensamentos da s a época; as s as idéias são, portanto, as idéias dominantes da s a época. Consideremos por exemplo m país e m tempo em q e o poder real, a aristocracia e a b rg esia disp tam o poder e onde este é portanto partilhado; vemos q e o pensamento dominante é aí a do trina da divisão dos poderes, por isso en nciada como «lei eterna». Reencontramos aq i a divisão de trabalho q e antes encontramos como ma das forças capitais da história. Manifesta-se ig almente no seio da classe dominante sob a forma de divisão entre o trabalho intelect al e o trabalho material, a ponto de encontrarmos d as categorias diferentes de indivíd os nessa mesma classe. Uns serão os pensadores dessa classe (os ideólogos ativos, q e refletem e tiram a s a s bstância principal da elaboração das il sões q e essa classe tem de si própria), e os o tros têm ma atit de mais passiva e mais receptiva face a esses pensamentos e a essas il sões, porq e são, na realidade, os membros ativos da classe e dispõem de menos tempo para prod zirem il sões e idéias sobre as s as próprias pessoas. No seio dessa classe, essa cisão só pode dar origem a ma certa oposição e a ma certa hostilidade entre as d as partes em presença. Mas q ando s rge m conflito prático em q e toda a classe é ameaçada, essa oposição desaparece e cai a il são de q e as idéias dominantes não são as idéias da classe dominante e de q e têm poder distinto do poder dessa classe. A existência de idéias revol cionárias n ma época determinada press põe já a existência de rna classe revol cionária; dissemos anteriormente t do o q e era necessário referir acerca das condições prévias de ma tal sit ação. Admitamos q e, na maneira de conceber a marcha da história, se destacam as idéias da classe dominante dessa mesma classe dominante e q e se consideram aq elas como ma entidade. S ponhamos q e só nos interessa o fato de determinadas idéias dominarem n ma certa época, sem nos preoc parmos com as condições de prod ção nem com os prod tores dessas idéias, abstraindo portanto dos indivíd os e das circ nstâncias m ndiais q e possam estar na base dessas idéias. Poder-se-á então dizer, por exemplo, q e no tempo em q e reinava a aristocracia, estava-se em pleno reinado dos conceitos de honra, de fidelidade, etc., e q e no tempo em q e reinava a b rg esia existia o reinado dos conceitos de liberdade, de ig aldade, etc.(61) É o q e pensa a própria classe dominante. Esta concepção da história, com m a todos os historiadores, principalmente a partir do séc lo XVIII, chocará com o fato de os pensamentos reinantes serem cada vez mais abstratos, adq irindo cada vez mais ma forma niversal. Com efeito, cada nova classe no poder é obrigada, q anto mais não seja para atingir os se s fins, a representar o se interesse como sendo o interesse com m a todos os membros da sociedade o , exprimindo a coisa no plano das idéias, a dar aos se s pensamentos a forma da niversalidade, a representá-los como sendo os únicos razoáveis, os únicos verdadeiramente válidos. Do simples fato de ela se defrontar com ma o tra classe, a classe revol cionária s rge-nos primeiramente não como classe mas como representante da sociedade inteira, como toda a massa da sociedade em choq e com a única 26

classe dominante. Isto é possível porq e, no início, o se interesse está ainda intimamente ligado ao interesse com m de todas as o tras classes não dominantes e porq e, sob a pressão do estado de coisas anteriores, este interesse alinda não se pôde desenvolver como interesse partic lar de ma classe partic lar. Por este fato, a vitória dessa classe é útil a m itos indivíd os das o tras classes q e não conseg em chegar ao poder; mas é nicamente na medida em q e coloca o s indivíd os em estado de poderem chegar à classe dominante. Q ando a b rg esia francesa derr bo o domínio da aristocracia, permiti a m itos proletários s bir acima do proletariado, mas permiti -o apenas no sentido de q e fez deles b rg eses. Cada nova classe apenas estabelece portanto o se domínio n ma base mais vasta do q e a classe q e dominava anteriormente; por o tro lado, a oposição entre a nova classe dominante e as q e não dominam torna-se ainda mais prof nda e at al. Daq i se depreende q e o combate q e é necessário travar contra a nova classe dirigente terá por fim negar as condições sociais anteriores de ma forma mais decisiva e mais radical do q e aq ela q e fora empreg e por todas as classes q e antes detiveram o poder. Toda a il são q e consiste em pensar q e o domínio de ma classe determinada é apenas o domínio de certas idéias, cessa nat ralmente desde q e o domínio de ma classe deixa de ser a forma do regime social, isto é, q ando deixa de ser necessário representar m interesse partic lar como sendo o interesse geral o de representar o «Universal» como dominante. (62) Depois de separar as idéias dominantes dos indivíd os q e exercem o poder e sobret do das relações q e decorrem de m dado- estádio do modo de prod ção, é fácil concl ir q e são sempre as idéias q e dominam na história, podendo-se então abstrair, destas diferentes idéias, a «Idéia», o seja, a idéia por excelência, etc., fazendo dela o elemento q e domina na história e concebendo então todas as idéias e conceitos isolados como «a todeterminações» do conceito q e se desenvolve ao longo da história. Em seg ida, é ig almente nat ral fazer derivar todas as relações h manas do conceito de homem, do homem representado, da essência do homem, n ma palavra, de o Homem. É o q e faz a filosofia espec lativa. O próprio Hegel afirma, no fim da Filosofia da história, q e «apenas examina o desenvolvimento do Conceito» e q e expôs na s a história a «verdadeira teodiceia» (pág. 446). Podemos agora regressar aos prod tores «do Conceito», aos teóricos, ideólogos e filósofos, para chegar à concl são de q e os filósofos enq anto tais sempre dominaram na história o seja, a m res ltado a q e o próprio Hegel já tinha chegado, como acabamos de ver. Com efeito, a façanha q e consiste em demonstrar q e o Espírito é soberano- na história (o q e Stirner chama hierarq ia) red z-se aos três esforços seg intes: 1.0 É necessário separar as idéias daq eles q e, por razões empíricas, dominam enq anto indivíd os materiais e em condições empíricas, desses próprios homens, e reconhecer em seg ida q e são as il sões o as idéias q e dominam a história. É necessário ordenar esse domínio das idéias, estabelecer ma relação mística entre as s cessivas idéias dominantes, e isto conseg e-se concebendo-as como «a todeterminações do conceito». (O fato de estes pensamentos estarem realmente ligados entre si através da s a base empírica torna a coisa possível; por o tro lado, compreendidos como pensamentos p ros e simples, tornam-se diferenciações de si, distinções prod zidas pelo próprio pensamento). Para 27

desenvencilhar do se aspecto místico este «conceito q e se determina a si mesmo», ele é transformado em pessoa- «a Consciência de si» - o , para parecer materialista, é considerado como ma série de pessoas q e representam «o Conceito» na história, a saber «OS pensadores», os «filósofos» e os ideólogos q e são considerados, por s a vez, como os fabricantes da história, como «ocomitê dos g ardiões», como os dominadores. Eliminam-se sim ltaneamente todos os elementos materialistas da história e pode-se tranqüilamente dar rédea solta ao pendor espec lativo. Este método do fazer história q e era empreg e sobret do na Alemanha deve ser explicado a partir do contexto: a il são dos ideólogos em geral q e, por exemplo, está relacionada com as il sões dos j ristas, dos políticos (e dos homens de Estado). É então necessário considerar os sonhos dogmáticos e as idéias extravagantes desses s jeitos como ma il são q e se explica m ito simplesmente pela s a posição prática na vida, a s a profissão- e a divisão do trabalho. Na vida corrente, q alq er shopkeeper (63) sabe m ito bem fazer a distinção entre aq ilo q e cada m pretende ser e aq ilo q e é realmente; mas a nossa história ainda não conseg i chegar a esse conhecimento v lgar. Relativamente a cada época, a historiografia acredita plenamente naq ilo q e a época em q estão diz de si mesma e nas il sões q e tem sobre si mesma.

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...foi encontrado (64) Do primeiro ponto res lta a necessidade de ma divisão do trabalho aperfeiçoada e de ni comércio vasto como condições prévias, res ltando o caráter local do seg ndo ponto. No primeiro- caso, deve-se associar os indivíd os; no seg ndo, estes encontram-se ao mesmo nível de q alq er instr mento de prod ção, são eles mesmos instr mentos de prod ção. S rge aq i portanto a diferença entre os instr mentos de prod ção nat rais e os instr mentos de prod ção criados pela civilização. O campo c ltivado (a ág a, etc.) pode ser considerado- como m instr mento de prod ção nat ral. No primeiro caso, o do instr mento de prod ção nat ral, os indivíd os estão s bordinados à nat reza; no seg ndo, estão s bordinados a m prod to do trabalho. No primeiro caso, a propriedade, trata-se aq i da propriedade f ndiária, aparece portanto também como m domínio imediato e nat ral; no seg ndo, esta propriedade s rge como domínio do trabalho e mais ainda do trabalho ac m lado, do capital. O primeiro caso press põe q e os indivíd os estão nidos por algo, q er seja a família, a tribo, até o próprio solo, etc. O seg ndo press põe q e eles são independentes ns dos o tros e só se mantêm nidos devido às trocas. No primeiro caso, a troca é essencialmente ma troca entre os homens e a nat reza, ma troca em q e o trabalho do ns é trocado pelo prod to do o tro; no seg ndo, trata-se predominantemente de ma troca entre os próprios homens. No primeiro caso, basta ao homem ma inteligência média e a atividade corporal e intelect al não

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estão ainda separadas: no seg ndo, a divisão entre o trabalho corporal e o trabalho intelect al já está praticamente efet ada. No primeiro caso, o domínio do proprietário sobre os não-poss idores pode repo sar em relações pessoais, n ma espécie de com nidade; no seg ndo, deverá ter tomado ma forma material, encarnar-se n m terceiro termo, .) dinheiro. No primeiro caso, existe a peq ena indústria, mas s bordinada à tilização do instr mento de prod ção nat ral e, portanto, sem repartição do trabalho- entre os diferentes indivíd os; no seg ndo, a indústria só existe na divisão do trabalho e através dela. Até agora partimos dos instr mentos de prod ção, e mesmo nestas condições a necessidade da propriedade privada para certos estádios ind striais era já evidente. Na ind strie extractive (65) , a propriedade privada coincide ainda plenamente com o trabalho; na peq ena indústria e em toda a agric lt ra a propriedade é. até agora, a conseqüência necessária dos instr mentos existentes; na- grande indústria, a contradição entre o instr mento de prod ção e a propriedade privada é tão- somente m se prod to, e ela necessita de se encontrar m ito desenvolvida para o poder criar. A abolição da propriedade privada só é portanto possível com a grande indústria.

A maior divisão entre o trabalho material e o intelect al é a trad zida pela separação da cidade e do campo. A oposição entre a cidade e o campo s rge com a passagem da barbárie à civilização, da organização tribal ao Estado, do provincialismo à nação, e persiste através de toda a história da civilização até aos nossos dias (Liga contra a lei sobre os cereais). A existência da cidade implica imediatamente a necessidade da administração, da polícia, dos impostos, etc., n ma palavra, a necessidade da organização com nitária, partindo da política em geral. É aí q e aparece em primeiro l gar a divisão da pop lação em d as grandes classes, divisão essa q e repo sa diretamente na divisão do trabalho e nos instr mentos de prod ção. A cidade é o res ltado cia concentração da pop lação, dos instr mentos de prod ção, do capital, dos prazeres e das necessidades, ao passo q e o campo põe em evidência o fato oposto, oisolamento- e a dispersão. A oposição entre a cidade e o campo só pode existir no q adro da propriedade privada; é a mais flagrante expressão da s bordinação do indivíd o à divisão do trabalho, da s bordinação a ma atividade determinada q e lhe é imposta. Esta s bordinação faz de m habitante m animal da cidade o m animal do campo, tão limitados m como o o tro, e faz renascer todos os dias a oposição entre os interesses das d as partes. O trabalho é an i ainda o mais importante, o poder sobre os indivíd os, e enq anto este poder existir haverá sempre ma propriedade privada. A abolição desta oposição entre a cidade e o campo é ma das primeiras condições de ma existência verdadeiramente com nitária; essa condição depende por s a vez de m conj nto de condições materiais prévias q e não é possível realizar por m mero ato de vontade, como se pode verificar à primeira vista (é necessário q e essas condições já estejam desenvolvidas). Pode-se ainda 29

considerar a separação entre a cidade e o campo como sendo a separação entre o capital e a propriedade f ndiária, como o início de ma existência e de m desenvolvimento do capital independentes da propriedade f ndiária, como o começo de ma propriedade tendo por única base o trabalho e as trocas. Nas cidades q e não foram constr ídas antes da Idade Média e se formaram, portanto, nesta época, povoando-se de servos libertos, o trabalho partic lar de cada m era a s a única propriedade, para além do peq eno capital q e lhes pertencia e q e era q ase excl sivamente constit ído pelos instr mentos mais indispensáveis. A concorrência dos servos f gitivos q e- não cessavam de afl ir às cidades a g erra incessante do campo contra as cidades e, portanto, a necessidade de nia força militar rbana organizada, a relação entre posso-as constit ída pela propriedade em com m de m dado trabalho, a necessidade de edifícios com ns para a venda das mercadorias n m tempo em q e os artesãos eram também comerciantes e a excl são de tais edifícios de pessoais não q alificadas, a oposição dos interesses das diferentes profissões, a necessidade de proteger m trabalho aprendido com esforço e a organização fe dal de todo o país foram a ca sa de os trabalhadores se nirem em corporações. Não desejamos aprof ndar aq i ais múltiplas modificações do sistema das corporações introd zidas pelos desenvolvimentos históricos lteriores. O êxodo dos servos para as cidades prosseg i sem q alq er interr pção d rante toda a idade média. Estes servos, perseg idos no campo pelos se s senhores, chegavam às cidades onde encontravam ma com nidade organizada contra a q al eram impotentes e no interior da q al lhes era necessário aceitar a sit ação q e lhes atrib íam o q e era conseqüência da necessidade q e havia do se trabalho e do interesse dos se s concorrentes organizados da cidade. Estes trabalhadores, chegando à cidade isolados, n nca conseg iram constit ir ma força, pois o o se trabalho era da competência de ma dada corporação o devia ser aprendido, o então os mestres dessa corporação s bmetiam-nos às s as leis o organizavam-nos de acordo com os se s interesses, o o se trabalho não exigia q alq er aprendizagem, não era da competência de q alq er corporação, era m trabalho do jornaleiros e, neste caso, n nca chegavam a constit ir ma organização mantendo-se como ma plebe inorganizada. A necessidade do trabalho à jornada nas cidades crio a plebe. Estas cidades formavam verdadeiras «associações» provocadas pelas necessidades imediatas, pelas preoc pações de proteção da propriedade, e estavam a m ltiplicar os meios de prod ção e os meios de defesa dos se s membros individ almente considerados. A plebe destas cidades, compondo-se de indivíd os desconhecidos ns dos o tros e q e chegavam à cidade separadamente, não tinha q alq er organização q e lhe permitisse enfrentar m poder já organizado, eq ipado para a g erra e q e os vigiava invejosamente; e isto explica q e ela fosse privada de q alq er poder. Os companheiros e aprendizes estavam organizados em cada profissão da forma q e melhor servia os interesses dos mestres (66), as relações patriarcais q e existiam entre elas e os mestres conferiam a estes últimos m poder d plo. Por m lado, tinham ma infl ência direta sobre toda a vida dos oficiais; por o tro lado, pelo fato de estas relações representarem ma verdadeira ligação entre os companheiros q e trabalhavam para m mesmo mestre, estes constit íam m bloco frente aos 30

companheiros ligados a o tros mestres, o q e os separava; e em último l gar, os companheiros já estavam ligados ao regime existente pelo- simples fato de terem interesse em chegar a mestres. Por conseqüência, enq anto a plebe se lançava, pelo menos de vez em q ando, em motins contra toda a ordem m nicipal, motins esses q e, dada a s a impotência eram perfeitamente inoperantes, os oficiais n nca ltrapassaram peq enas rebeliões no interior de corporações isoladas, como existem aliás em q alq er regime corporativo. As grandes s blevações :da idade média partiram todas do campo, e todas elas falharam devido à dispersão dos camponeses e à inc lt ra q e era a s a conseqüência. Nas cidades, o capital era m capital nat ral q e consistia em alojamento, instr mentos e ma clientela nat ral hereditária, e transmitia-se necessariamente de pais 'para filhos dado o estado ainda embrionário das trocas e a falta de circ lação q e. impossibilitava a realização desse capital. Contrariamente ao capital moderno, o dessa época não podia ser avaliado em dinheiro e não era indiferente q e ele fosse aplicado neste o naq ele investimento: tratava-se de m capital ligado diretamente ao trabalho determinado do se poss idor, inseparável deste trabalho, o seja, de m capital ligado a m estado. Nas cidades, a divisão do trabalho efet ava-se ainda de ma forma perfeitamente espontânea entre as diferentes corporações mas não existia entre os operários tomados isoladamente no interior das próprias corporações. Cada trabalhador devia estar apto a exec tar todo m ciclo de trabalhos; devia poder fazer t do o q e podia ser feito com os se s instr mentos; as trocas restritas, as po cas ligações existentes entre as diversas cidades, a raridade da pop lação e o tipo de necessidade não favoreciam ma divisão de trabalho desenvolvida, e é por isso q e q em desejava tornar-se mestre devia conhecer a s a profissão a f ndo. Devido a isto, encontra-se ainda nos artesãos da Idade Média m interesse pelo se trabalho partic lar e pela habilidade nesse trabalho q e podia até elevar-se a m certo sentido artístico. E é também por isso q e cada artesão da Idade Média se dava inteiramente ao se trabalho; s jeitava-se sentimentalmente a ele e estava--lhe m ito mais s bordinado do q e o trabalhador moderno para o q al o se trabalho é perfeitamente indiferente. O seqüente desenvolvimento da divisão de trabalho trad zi -se pela separação entre a prod ção e o comércio, a formação de ma classe partic lar de comerciantes, separação essa q e já era m fato nas cidades antigas (o caso dos J de s, entre o tros), e q e depressa s rgi nas cidades de formação recente. Isto implicava a possibilidade de ma ligação comercial q e ltrapassava os arredores mais próximos e a realização desta possibilidade dependia dos meios de com nicação existentes, do estado da seg rança pública no campo, o q al era ainda condicionado pelas relações políticas (sabe-se q e, d rante toda a Idade Média, os comerciantes viajavam em caravanas armadas); dependia também das necessidades do território acessível ao comércio, necessidades c jo gra de desenvolvimento era determinado, em cada caso, pelo nível de civilização. A constit ição de ma classe partic lar q e se entregava apenas ao comércio e o alargamento do comércio para além dos arredores imediatos da cidade graças aos negociantes, fizeram s rgir imediatamente ma ação recíproca entre a prod ção e o comércio. As cidades entram (67) em relações entre si, transportam-se de rna cidade para o tra instr mentos novos e a divisão da prod ção e do comércio 31

s scita rapidamente ma nova divisão da prod ção entre as diferentes cidades, ficando cada ma a explorar predominantemente m determinado ramo da indústria. Os limites anteriores começam po co a po co a desaparecer. O fato de as forças prod tivas adq iridas n ma dada localidade, sobret do as invenções, se perderem o não, para o desenvolvimento lterior, dependia nicamente da extensão das trocas. Enq anto não existem ainda relações comerciais para além da vizinhança imediata, é forçoso realizar a mesma invenção em cada localidade, e bastam p ros acasos tais como o aparecimento de povos bárbaros e mesmo as g erras normais para obrigar m país q e tem forças prod tivas e necessidades desenvolvidas a partir novamente do nada. No início da história, era necessário criar todos os dias cada invenção e fazê-lo em cada localidade de ma forma independente. O exemplo dos fenícios mostra-nos até q e ponto as forças prod tivas desenvolvidas mesmo com m comércio relativamente po co vasto, são s sceptíveis de ma destr ição total, pois a maior parte das s as invenções desapareceram em res ltado de a nação ter sido eliminada do comércio e conq istada por Alexandre, o q e provoco a s a decadência. O mesmo acontece na Idade Média com a pint ra do vidro, por exemplo. A d ração das forças prod tivas adq iridas só é asseg rada q ando o comércio adq ire ma extensão m ndial q e tem por base a grande indústria e q ando todas as nações são arrastadas para a l ta da concorrência. A divisão do trabalho entre as diferentes cidades teve como primeira conseqüência o nascimento das man fat ras, ramos da prod ção q e escapavam ao sistema corporativo. O primeiro s rto de man fat ras - na Itália- e mais tarde na Flandres - teve como condição histórica prévia o comércio com as o tras nações. Nos o tros países - a Inglaterra e a França, por exemplo - as man fat ras limitaram-se nos se s começos ao mercado interno. Além das condições prévias já indicadas, as man fat ras necessitam ainda, para se estabelecerem, de ma já elevada concentração da pop lação - sobret do nos campos - e de capital q e nesse momento se começava a ac m lar n m peq eno número de mãos, cm parte nas corporações apesar dos reg lamentos administrativos, e em parte nos comerciantes. O trabalho q e mais depressa se mostro s sceptível de desenvolvimento foi aq ele q e implicava o emprego de ma máq ina, por m ito r dimentar q e ela fosse. A tecelagem, q e os camponeses efet avam até então nos campos, à margem do se trabalho, para arranjarem o vest ário de q e necessitavam, foi o primeiro trabalho q e recebe m imp lso e teve m maior desenvolvimento graças à extensão das relações comerciais. A tecelagem foi a primeira e, d rante m ito tempo, a principal atividade man fat reira. A proc ra de fazendas para confeccionar o vest ário, q e a mentava proporcionalmente ao acréscimo da pop lação, o início da ac m lação e da mobilização do capital primitivo graças a ma circ lação acelerada, a necessidade de l xo q e daí res lto e q e favorecem sobret do a extensão progressiva do comércio, deram à tecelagem tanto no q e respeita à q antidade como à q alidade, m imp lso q e arranco à forma de prod ção anterior. Ao lado dos camponeses q e teciam para satisfazer as s as necessidades pessoais, q e aliás contin aram a s bsistir e alinda hoje se encontram, nasce nas cidades ma nova classe de tecelões c jos panos eram destinados a todo o mercado- interno e, m itas vezes, aos mercados externos. 32

A tecelagem, trabalho q e exige po ca habilidade na maior parte dos casos e q e se s bdivide depressa n ma infinidade de ramos, era nat ralmente refratária às cadeias da corporação. Devido a isto, foi sobret do praticada nas aldeias e nos povoados sem organização corporativa q e se transformaram po co a po co em cidades, e até nas cidades mais florescentes de cada país. Com o aparecimento da man fat ra libertada da corporação, as relações de propriedade transformaram-se também imediatamente. O primeiro passo em frente para ltrapassar o capital- primitivo ligado a m estado foi marcado pelo aparecimento dos comerciantes q e poss íam m capital móvel portanto m capital no sentido moderno do termo, tanto q anto era possível nas condições de vida do tempo. O seg ndo progresso foi marcado pela man fat ra q e mobilizo por s a vez ma grande massa do capital primitivo e a mento de m modo geral a massa do capital móvel relativamente ao capital primitivo. A man fat ra torno -se sim ltaneamente m rec rso para os camponeses contra as corporações q e os excl íam o lhes pagavam bastante mal, do mesmo modo q e o trora essas mesmas corporações lhes tinham servido de refúgio contra os proprietários de terras. O início da laboração man fat reira foi marcado sim ltaneamente por m período de vagab ndagem ca sado pelo desaparecimento das comitivas armadas dos senhores fe dais e pelo licenciamento dos exércitos q e os reis tinham tilizado contra os se s vassalos, pelos progressos da agric lt ra e a transformação de terras de trabalho em pastes. Daq i se concl i q e a vagab ndagem estava intimamente ligada à decomposição do fe dalismo. A partir do séc. XIII encontramos alg ns períodos esporádicos em q e este fenômeno se verificava, mas só nos finais do séc lo. XV e princípios do séc lo XVI poderemos encontrar ma vagab ndagem permanente e generalizada. Os vagab ndos eram em tal n mero q e o rei Henriq e VIII de Inglaterra. entre o tros. mando enforcar 72 000 e mesmo assim só ma miséria extrema os levo a trabalhar, depois de enormes dific ldades e de ma longa resistência. A rápida prosperidade das man fat ras, sobret do na Inglaterra. absorve -os progressivamente. Com o advento da man fat ra, as diferentes nações entraram em concorrência n ma l ta comercial q e se efet o através de g erras, de direitos alfandegários e de proibições, enq anto anteriormente só existiam trocas inofensivas entre as nações. O comércio passa a ter m significado político. A man fat ra cond zi sim ltaneamente a ma modificação das relações entre trabalhador e empregador. Nas corporações, as relações patriarcais entre os oficiais e o mestre s bsistiam; na man fat ra, foram s bstit ídas por relações monetárias entre o trabalhador e o capitalista, as q ais, nos campos e nas peq enas cidades, ainda mantinham traços de patriarcalisrno, mas q e os perderam q ase totalmente nas cidades, sobret do nas man fat reiras de ma certa importância. A man fat ra e o movimento da prod ção sofreram m imp lso prodigioso devido à expansão do comércio q e cond zi à descoberta da América e do caminho marítimo para a Índia. Os novos prod tos importados das Índias, e principalmente o o ro e a prata q e entraram em circ lação, transformaram inteiramente a sit ação recíproca das classes sociais e desferiram m r de golpe na propriedade f ndiária fe dal e nos trabalhadores; as expedições dos avent reiros, a 33

colonização, e acima de t do o fato de os mercados adq irirem a amplit de de mercados m ndiais, o q e se torna agora possível e cada dia toma maiores proporções, provocaram ma nova fase do desenvolvimento histórico; mas não vemos por ora necessidade de nos deter aq i. A colonização dos países recémdescobertos fornece m alimento novo à l ta comercial a q e as nações se entregavam e, conseq entemente, esta l ta adq iri ma extensão e m encarniçamento ainda maiores. A expansão do comércio e da man fat ra aceleraram a ac m lação do capital móvel, ao passo q e, nas corporações q e não recebiam estím lo para a mentar a s a prod ção, o capital primitivo permanecia estável o até dimin ía. O comércio e a man fat ra criaram a grande b rg esia; nas corporações, verifico se ma concentração da peq ena b rg esia q e deixo de ab ndar nas cidades como anteriormente, para se s bmeter ao domínio dos grandes comerciantes e dos man fact riers (68) Daq i res lto o declínio das corporações a partir do momento em q e entraram em contato com a man fat ra. As relações comerciais entre as nações revestiram dois aspectos diferentes no período a q e nos referimos. De início, a fraca q antidade de o ro e de prata em circ lação determino a proibição de exportar esses metais; a necessidade de oc par a crescente pop lação das cidades torno necessária a indústria, normalmente importada do estrangeiro, e essa indústria não podia dispensar os privilégios q e eram concedidos não somente contra a concorrência interna, mas sobret do contra a concorrência externa. Nestas primeiras disposições, incl i -se o alargamento do privilégio corporativo local a toda a nação. Os direitos alfandegários têm a s a origem nos direitos q e os senhores fe dais imp nham aos mercadores q e atravessavam o se território a tit lo de resgate da pilhagem: estes direitos foram mais tarde impostos pelas cidades e, com o aparecimento dos Estados modernos, constit íram a forma mais fácil de permitir ao- fisco armazenar dinheiro. Estas medidas revestiam-se de m novo significado com o aparecimento do o ro e da prata americanos nos mercados e rope s, com o progressivo desenvolvimento da indústria, o rápido imp lso do comércio e as s as conseqüências, a prosperidade da b rg esia fora das corporações e a importância crescente do dinheiro. O Estado, para o q al se tornava dia a dia mais difícil dispensar o dinheiro, manteve a interdição de exportar o ro e prata, nicamente por considerações fiscais; os b rg eses, c jo objetivo principal era agora o de açambarcar a grande massa de dinheiro novamente lançada no mercado, encontravam-se plenamente satisfeitos; os privilégios existentes tornaram-se ma fonte de receitas para o governo e foram vendidos a troco de dinheiro; na legislação das alfândegas apareceram os direitos à exportação q e, pondo m obstác lo no caminho da indústria, tinham m fim p ramente fiscal. O seg ndo período inicio -se em meados do séc lo XVII e d ro q ase até ao fim do séc lo XVIII. O comércio e a navegação tinham-se desenvolvido mais rapidamente do q e a man fat ra, q e desempenhava m papel sec ndário; as colônias transformaram-se grad almente em grandes cons midores; à c sta de longos combates, as diferentes nações partilharam entre si o mercado m ndial' q e se abria. Este período começa com as leis sobre a navegação (69) e os monopólios 34

coloniais. Evito -se, tanto q anto possível, por meio de tarifas, proibições e tratados, q e as diversas nações p dessem fazer concorrência mas às o tras; e, em ltima instância, foram as g erras, e sobret do as g erras marítimas, q e serviram para cond zir a l ta da concorrência e decidir do se res ltado. A nação mais poderosa no mar, a Inglaterra, conservo a primazia no comércio e na man fat ra. Já aq i se verificava ma concentração n m único país. A man fat ra obtinha garantias constantes no mercado nacional através de direitos protetores. da concessão de monopólios no mercado colonial, e, para o exterior, mediante alfândegas diferenciais. Favorecia-se a transformação da matéria br ta prod zida no próprio pais (lã e linho em Inglaterra, seda em França); interdito -se a exportação da matéria-prima prod zida no local (lã rim Inglaterra) e negligencio -se o dific lto -se a da matéria importada (algodão em Inglaterra). A nação q e poss ía a s premacia no comércio marítimo e o poder colonial asseg ro também nat ralmente a maior extensão q antitativa e q alitativa da man fat ra. A man fat ra não podia de forma alg ma dispensar proteção, na medida em q e a menor alteração verificada no tros países a podia levar à perda do se mercado e, conseq entemente à r ína; pois se é fácil introd zi-la n m país em condições m po co favoráveis é ig almente fácil destr í-la. Por o tro lado, pela forma como era praticada no campo, sobret do no séc lo XVIII, a man fat ra encontra-se tão intimamente ligada às condições de vida de ma grande massa de indivíd os q e nenh m país pode arriscar-se a pôr a s a existência em jogo pela introd ção da livre concorrência nesse campo. Na medida em q e atinge a exportação, passa por isso a depender inteiramente da extensão o da limitação do comércio e exerce sobre ele ma cação recíproca m ito fraca. Dai, a s a importância sec ndária... (70) e a infl ência dos comerciantes no séc lo XVIII. Foram os comerciantes, e m ito partic larmente os armadores, q e, mais do q e q aisq er o tros, insistiram na proteção do Estado e nos monopólios; é certo q e os man fat reiros pediram e obtiveram também esta proteção, mas cederam sempre o passo aos comerciantes no q e se refere à importância política. As cidades comerciais, e os portos em partic lar, alcançaram m relativo gra de civilização e tornaram-se cidades da grande b rg esia enq anto nas cidades ind striais s bsisti mais o espírito peq eno-b rg ês. Cf. Aikin (71) por exemplo. O séc lo XVIII foi o séc lo do comércio. Pinto (72) di-lo expressamente «Le commerce faia !a marotte d siècle» (73) e: "dep is q elq e temps il n'est pl s q estion q e de commerce, de navigation et de marine" (74) O movimento do capital, se bem q e notavelmente acelerado, manifestava relativamente ao comércio ma maior lentidão, a divisão do mercado m ndial em frações isoladas, em q e cada ma era explorada por ma nação partic lar, a eliminação da concorrência entre nações, a inépcia da própria prod ção e o sistema financeiro q e mal ltrapassara o primeiro estádio do se desenvolvimento, entravavam consideravelmente a circ lação. Daq i adveio m espírito mercador de ma mesq inhez sórdida q e mac lava todos os comerciantes e todo o modo de exploração comercial. Em comparação com os man fat reiros e mais ainda com os artesãos, eram a bem dizer grandes b rg eses: comparados aos comerciantes e ind striais do período seg inte, permanecem peq eno-b rg eses. Cf. Adam Smith (75) 35

Este período é ig almente caracterizado pelo levantamento da interdição de exportar o o re e a prata, pelo nascimento do comércio do dinheiro, dos bancos, das dívidas de Estado, do papel-moeda, das espec lações sobre os f ndos e as ações, da agiotagem sobre todos os artigos, do desenvolvimento do sistema monetário em geral. O capital perde por s a vez ma grande parte do caráter nat ral q e lhe era ainda inerente. A concentração do comércio e da indústria n m único país, a Inglaterra, tal como se desenvolve sem interr pção no séc lo XVII, crio progressivamente para esse país m mercado m ndial razoável e s scito por isso ma proc ra dos prod tos ingleses man fat rados q e as forçais prod tiva. ind striais anteriores já não podiam satisfazer. Esta proc ra q e ltrapassava as forças prod tivas foi a força motriz q e s scito o terceiro período da propriedade privada desde a Idade Média, criando a grande ind stria a tilização das forças nat rais para fins ind striais, o maq inismo e a divisão do trabalho mais intensiva. As o tras condições desta nova fase, tais como a liberdade de concorrência dentro da nação, o aperfeiçoamento da mecânica teórica, etc., já existiam em Inglaterra (a mecânica, aperfeiçoada por Newton, era aliás a ciência mais pop lar em França e em Inglaterra no séc lo XVIII). (Q anto à livre concorrência dentro da própria nação, foi necessária ma revol ção em toda a parte para a conseg ir - em 1640 e em 1688 em Inglaterra, em 1789 em França.) A concorrência obrigo rapidamente todos os países q e pretendiam conservar o se papel histórica a proteger as s as man fat ras através de novas medidas alfandegárias (pois as antigas já não prestavam q alq er a xilio contra a grande indústria) e a introd zir po co depois a grande indústria acompanhada de tarifas protetoras. Apesar destas medidas de proteção, a grande indústria torno a concorrência niversal (ela representa a liberdade comercial prática, e as alfândegas protetoras são para ela apenas m paliativo, ma arma defensiva no interior da liberdade do comércio), estabelece os meios de com nicação e o mercado m ndial moderno (76), coloco o comércio sob o se domínio, transformo todo o capital em capital ind strial e de assim origem à circ lação (aperfeiçoamento do sistema monetário) e à rápida centralização dos capitais. Através da concorrência niversal, constrange todos os indivíd os a ma tensão máxima da s a energia. Aniq ilo o mais possível a ideologia, a religião, a moral, etc., e sempre q e isso não lhe era possível, transformo -as em flagrantes mentiras. Foi ela q e crio verdadeiramente a história m ndial na medida em q e fez depender do m ndo inteiro cada nação civilizada e, para satisfação das s as necessidades, cada indivíd o dessa nação, destr indo o caráter excl sivo das diversas nações q e era até então nat ral. S bordino a ciência da nat reza ao capital e retiro à divisão do trabalho a s a última aparência de fenômeno nat ral. Destr i , na medida do possível, todos os elementos nat rais no interior do trabalho e conseg i dissolver todas as relações nat rais para as transformar em relações monetárias. Em vez de cidades nascidas nat ralmente, crio as grandes cidades ind striais modernas q e se desenvolveram como se se tratasse de cog melos. Onde q er q e penetrasse destr ía o artesanato e, de ma forma geral, todos os anteriores estádios da indústria. Completo a vitória da cidade sobre o campo. [A s a condição primordial (77)] é o sistema a tomático, O se desenvolvimento crio m conj nto de forças prod tivas para as q ais a propriedade privada se 36

transformo tanto n m obstác lo como a corporação o tinha sido para a man fat ra, e assim como a peq ena exploração r ral o fora ig almente para o artesanato em vias de desenvolvimento. Estas forças prod tivas q e, na propriedade privada, conheciam m desenvolvimento excl sivamente nilateral, acabaram por se transformar, na maioria dos casos, em forças destr tivas, ao ponto de grande parte delas não encontrar a mínima possibilidade de tilização sob o se regime. Crio por todo o lado as mesmas relações entre as classes da sociedade, destr indo por isso o caráter partic 1ar das diferentes nacionalidades. E finalmente, enq anto a b rg esia de cada nação conserva ainda interesses nacionais partic lares, a grande b rg esia s rge com ma classe c jos interesses são os mesmos em todas as nações e para a q al a nacionalidade deixa de existir; esta classe desembaraça-se verdadeiramente do m ndo antigo e entra sim ltaneamente em oposição com ele. Não são apenas as relações com o capitalismo q e ela torna ins portáveis para o operário, mas também o próprio trabalho. É evidente q e a grande indústria não atinge o mesmo gra de aperfeiçoamento em todas as aglomerações de m mesmo país. Mas este fato não trava o movimento de classe do proletariado, na medida em q e os proletários engendrados pela grande indústria se colocam à cabeça desse movimento e arrastam consigo as massas, até porq e os trabalhadores excl ídos da grande indústria se encontram colocados n ma sit ação ainda pior do q e a dos próprios trabalhadores da grande indústria. Os países onde se desenvolve ma grande indústria at am de ig al modo sobre os países pl s o moins (78) desprovidos de indústria, devido ao fato de estes últimos se verem arrastados pelo comércio m ndial no decorrer da l ta levada a cabo pela concorrência niversal. Estas diversas formas constit em sim ltaneamente formas da organização do trabalho e da propriedade. Verifica-se q e. para cada período, e sempre q e as necessidades o tornaram imperioso, se concretizo efetivamente ma nião das forças prod tivas existentes.

Esta contradição entre as forças prod tivas e a forma de troca q e, como vimos, já se prod zi diversas vezes no decorrer da história até aos nossos dias, sem todavia comprometer a s a base f ndamental, trad zi -se necessariamente, cm cada m dos casos, n ma revol ção, revestindo ao mesmo tempo diversas formas acessórias tais como todo m sem número de conflitos, choq es de diferentes classes, contradições da consciência, l ta ideológica, l ta política, etc. De m ponto de vista limitado, é possível destacar ma. destas formas acessórias e considerá-la como bases dessas revol ções, coisa tanto mais fácil porq anto OS indivíd os de q e partiam as revol ções tinham eles próprios il sões sobre a s a atividade consoante o se gra de c lt ra e o estádio de desenvolvimento histórico.

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Logo, e de acordo com a nossa concepção, todos os conflitos da história têm a s a origem na contradição entre as forças prod tivas e o modo de trocas. Não é, aliás, necessário q e esta contradição seja levada a m extremo n m determinado país para aí provocar conflitos. A concorrência com países c ja indústria se encontra mais desenvolvida, concorrência provocada pela extensão do comércio internacional, basta para dar origem a ma contradição deste tipo, mesmo nos países onde a indústria está menos desenvolvida (por exemplo, o aparecimento de m proletariado latente na Alemanha provocado pela concorrência- da indústria inglesa).

A concorrência isola os indivíd os ns dos o tros, não apenas os b rg eses, mas também, e mais ainda, os proletários, se bem q e os concentre. É por este motivo q e decorre sempre m longo período antes q e estes indivíd os se possam nir, abstraindo do fato de q e - se se pretender q e a s a nião não seja p ramente local - esta exige previamente a constr ção dos meios necessários, pela grande indústria, tais como as grandes cidades ind striais e as com nicações rápidas e baratas, razões por q e só depois de longas l tas se torna possível vencer q alq er força organizada com indivíd os isolados e vivendo em condições q e recriam q otidianamente este isolamento. Exigir o contrário eq ivaleria a exigir q e a concorrência não devesse existir em determinada época histórica o q e os indivíd os inventassem condições sobre as q ais não têm q alq er controle enq anto indivíd os isolados.

Constr ção das habitações. É evidente q e, para os selvagens, é normal cada família ter a s a gr ta o a s a choça própria, do mesmo modo q e é normal para os nômadas q e cada família poss a ma tenda. Esta economia doméstica separada, torna-se ainda mais indispensável com o desenvolvimento da propriedade privada. Para os povos agric ltores, a economia doméstica com nitária é tão impossível como o c ltivo solo em com m. A constr ção das cidades constit i de fato m enorme progresso. Em todos os períodos anteriores, era no entanto impossível a s pressão da economia separada inseparável da s pressão da propriedade privada, pela simples razão de haver carência de condições materiais. O estabelecimento de ma economia doméstica com nitária tem por condições prévias o desenvolvimento da maq inaria, da tilização- das forças nat rais e de o tras n merosas forças prod tivas tais como cond tas de ág a, il minação a gás, aq ecimento a vapor, etc., s pressão da oposição cidadecampo. Sem a existência destas condições nem a economia em com m 38

constit iria ma força prod tiva nova, pois faltar-lhe-ia ma base material e repo saria apenas sobre rna base teórica, isto é, seria ma simples fantasia cond zindo apenas a rna economia monacal- o q e era possível como o prova o agr pamento em cidades e a constr ção de edifícios com ns para determinados fins partic lares (prisões, casernas, etc.). É evidente q e a s pressão da economia separada é inseparável da abolição. da família. A frase: «aq ilo q e cada m é deve-o ao Estado», q e se encontra freqüentemente em São Max, eqüivale no f ndo à afirmação de q e o b rg ês é m exemplar da espécie b rg esa, o q e press põe a existência da classe dos b rg eses antes dos indivíd os q e a constit em. Na Idade Média, os b rg eses eram constrangidos a nir-se, em cada cidade, contra a nobreza r ral para defenderem a pele; a expansão do comércio e o estabelecimento das com nicações levaram cada cidade a conhecer o tras cidades q e tinham feito tri nfar os mesmos interesses L tando contra a mesma oposição (79) A classe b rg esa só m ito lentamente se formo a partir das n merosas b rg esias locais das diversas cidades. A oposição às relações existentes, assim como o modo de trabalho condicionado por esta oposição, transformaram sim ltaneamente as condições de vida de cada b rg ês em partic lar, em condições de vida com ns a todos os b rg eses e independentes de cada indivíd o isolado (80) Os b rg eses criaram essas condições na medida em q e se separaram da associação fe dal, e foram criados por elas na medida em q e eram determinados pela s a oposição à fe dalidade existente. Com o estabelecimento das ligações entre as diversas cidades, essas condições com ns transformaram-se cm condições de classe. As mesmas condições, a mesma oposição, os mesmos interesses, deveriam também, grosso modo, fazer s rgir os mesmos cost mes em todo o lado. Mesmo a b rg esia só se desenvolve po co a po co, j ntamente com as condições q e lhe são próprias; divide-se por s a vez em diferentes frações, consoante a divisão cio trabalho, e acaba por absorver no se seio todas as classes poss idoras preexistentes (transformando entretanto n ma nova classe, o proletariado, a maioria da classe não poss idora q e existia antes dela e ma parte das classes até aí poss idoras (81) na medida em q e toda a propriedade existente é convertida em capital comercial o ind strial. Os indivíd os isolados formam ma classe pelo fato de terem de encetar ma l ta com m contra ma o tra classe; q anto ao resto, acabam por ser inimigos na concorrência. Além disso, a classe torna-se por s a vez independente dos indivíd os, de modo q e estes últimos encontram as s as condições de vida previamente estabelecidas e recebem da s a classe, completamente delineada, a s a posição na vida j ntamente com o se desenvolvimento pessoal; estão, pois, s bordinados à s a classe. Trata-se do mesmo fenômeno antes existente na s bordinação dos indivíd os isolados à divisão do trabalho; e este fenômeno só pode ser s primido se for s primida a propriedade privada e o próprio trabalho. Indicamos m itas vezes como é q e esta s bordinação dos indivíd os à s a classe acaba por constit ir sim ltaneamente a s bordinação a todas as espécies de representações, etc. Se considerarmos, do ponto de vista filosófico, o desenvolvimento dos indivíd os 39

nas (82) condições de existência com m das ordens e das classes q e se s cedem historicamente o nas representações gerais q e por isso lhes são impostas, é de fato possível imaginar facilmente q e o Gênero o o Homem se desenvolveram nesses indivíd os o q e eles. desenvolveram o Homem: visão imaginária q e traz à história sérias afrontas. É então possível compreender estas diferentes ordens e classes como especificações da expressão geral, como s bdivisões do Gênero, como fases de desenvolvimento do Homem. Esta s bordinação dos indivíd os a determinadas classes não pode acabar enq anto não existir ma classe q e já não tenha necessidade de fazer prevalecer m interesse de classe partic lar contra a classe dominante.

A transformação das forças pessoais (relações) em forças objetivas, através da divisão do trabalho, não pode ser abolida extirpando do cérebro essa representação geral, mas nicamente através de ma nova s bmissão das forças objetivas e a abolição da divisão do trabalho por parte dos indivíd os. Ora isto não é possível sem a com nidade (83)é somente em com nidade [com o tros q e cada] indivíd o tem os meios necessários para desenvolver as s as fac ldades em.todos os sentidos; a liberdade pessoal só é, portanto, possível na com nidade. Nos s cedâneos de com nidades q e até agora existiram, no Estado, etc., a liberdade pessoal só existia para os indivíd os q e se tinham desenvolvido nas condições da classe dominante e somente na medida em q e eram indivíd os dessa classe. A com nidade aparente, anteriormente constit ída pelos indivíd os, adq ire sempre perante eles ma existência independente e, sim ltaneamente, porq e significa a nião de ma classe face a ma o tra, representa não apenas ma com nidade il sória para a classe dominada, mas também ma nova cadeia. Na com nidade real, os indivíd os adq irem a s a liberdade sim ltaneamente com a s a associação, graças a esta associação e dentro dela. Os indivíd os partiram sempre de si mesmos, não certamente do indivíd o "p ro" no sentido dos ideólogos, mas de si mesmos no âmbito das s as condições e das s as relações históricas dadas. Mas verifica-se no dec rso do desenvolvimento histórico, e precisamente pela independência q e adq irem as relações sociais, fr to inevitável da divisão do trabalho, q e existe rna diferença entre a vida de cada indivíd o na medida em q e é pessoal, e a s a vida enq anto s bordinada a m q alq er ramo do trabalho e às condições inerentes a esse ramo (não se deve concl ir, a partir daq i. q e o rendeiro o o capitalista, por exemplo, deixem de ser pessoas; mas a s a personalidade é condicionada por relações de classe m ito bem determinadas e esta diferença só se manifesta por oposição a ma o tra classe e só se lhes apresenta no dia em q e caem em bancarrota). Na ordem (e mais ainda na tribo), este fato encontra-se oc lto; por exemplo, m nobre contin a a ser sempre nobre, m rot rier (84) será sempre m rot rier, abstraindo das s as o tras relações; trata-se de ma q alidade inseparável da s a individ alidade. A diferença entre o indivíd o pessoal oposto ao indivíd o na s a q alidade de 40

membro de ma classe o a contingência das s as condições de existência, só se manifestam com a classe q e é m prod to da b rg esia. Apenas a concorrência e a l ta dos indivíd os entre si engendra e desenvolve essa contingência enq anto tal. Por conseg inte, na representação, os indivíd os são mais livres sob o domínio da b rg esia do q e anteriormente porq e as s as condições de existência lhes são contingentes; na realidade, eles são nat ralmente menos livres porq e se encontram m ito mais s bordinados a m poder objetivo. Relativamente à ordem, a diferença s rge sobret do na oposição entre a b rg esia e proletariado. Q ando a ordem dos cidadãos das cidades, as corporações, etc., s rgiram perante a nobreza da terra, as s as condições de existência, propriedade mobiliária e trabalho artesanal, q e já tinham existido de forma latente antes de se terem separado da associação fe dal, apareceram como ma coisa positiva q e se fez valer contra a propriedade f ndiária fe dal e q e, para começar, tomo por s a vez a forma fe dal à s a maneira. Os servos f gitivos consideravam sem dúvida o se estado de servidão precedente como ma coisa contingente à s a personalidade: q anto a isto, agiam simplesmente como o' faz q alq er classe q e se liberta de ma cadeia e, deste modo, não se libertavam como classe mais isoladamente. Além disso, não saíam do domínio da organização por ordens, tendo apenas formado ma nova ordem e conservado o se modo de trabalho anterior na s a nova sit ação, realizando este modo de trabalho de forma a libertá-lo dos laços do passado q e já não correspondiam ao estádio de desenvolvimento q e tinham atingido. Pelo contrário. as condições de vida próprias dos proletários, o trabalho e. portanto. todas as condições de existência da sociedade at al, transformaram-se para eles em q alq er coisa de contingente, q e os proletários isolados não podem controlar nem tão-po co q alq er organização social. A contradição entre... (85) a personalidade do proletário em partic lar e as condições de vida q e lhe são impostas, q er dizer, o trabalho, é-lhes perfeitamente perceptível tanto mais q e tem sido sacrificado desde a s a mais tenra j vent de e não poderá alcançar, dentro da s a classe, as condições q e lhe permitiriam passar para o tra classe. N. B: - Não esq eçamos q e a necessidade de s bsistir, em q e se encontravam os servos, e a impossibilidade de exploração em larga escala, q e cond zi à repartição dos loteamentos (86) entre os servos, red ziram m ito depressa as obrigações destes para com o senhor fe dal a ma determinada média de contrib ições em espécie e de corveias; isto dava ao servo a possibilidade- de ac m lar bens móveis, favorecia a s a evasão da propriedade do senhor e davalhe a perspectiva de conseg ir ir para a cidade como cidadão; daí res lto ma hierarq ização entre os próprios servos, de tal modo q e aq eles q e conseg em evadir-se são já semib rg eses. É assim evidente q e os vilãos conhecedores de m ofício tinham o máximo de possibilidades de adq irir bens móveis. Logo, enq anto os servos f gitivos apenas pretendiam desenvolver livremente as s as condições de existência já estabelecidas e fazê-las valer, mas conseg iam q ando m ito o trabalho livre, os proletários, se pretendem afirmar-se como pessoas, devem abolir a s a própria condição de existência anterior, q e é sim ltaneamente a de toda a sociedade até aos nossos dias, isto é, devem abolir o trabalho. Por este motivo, eles encontram-se em oposição direta à forma q e os 41

indivíd os cia sociedade escolheram até hoje para expressão de conj nto, q er dizer, em oposição ao Estado,sendo-lhes necessário derr bar esse Estado para realizar a s a personalidade.

Podemos concl ir de todo o desenvolvimento histórico até aos nossos dias q e (87) as relações coletivas em q e entram os indivíd os de ma classe, e q e sempre foram condicionadas pelos se s interesses com ns relativamente a terceiros, constit íam sempre ma com nidade q e englobava esses indivíd os nicamente enq anto indivíd os médios, na medida em q e viviam nas condições de vida da mesma classe; trata-se portanto de relações em q e das não participam enq anto indivíd os, mas sim enq anto membros de ma classe. Por o tro lado, na com nidade dos proletários revol cionários q e põem sob o se controle todas as s as condições de existência e as dos o tros membros da sociedade, prod z-se o inverso: os indivíd os participam enq anto indivíd os, E (bem entendido, com a condição de q e a associação dos indivíd os opere no q adro das forças prod tivas q e se s põem já desenvolvidas é esta re nião q e coloca sob o se controle as condições do livre desenvolvimento dos indivíd os e do so movimento, enq anto até aí elas tinham sido abandonadas ao acaso e adotado ma existência a tônoma perante os indivíd os, devido precisamente à existência da s a separação como indivíd os e da necessidade da s a nião, implicada pela divisão do trabalho, mas transformada n m laço estranho devido à s a separação enq anto indivíd os. A associação até aq i conhecida não era de forma alg ma a nião vol ntária (q e nos é.por exemplo, apresentada no Contrato (88)mas ma nião necessária baseada em condições no interior das q ais os indivíd os desfr tavam da contingência (comparar, por exemplo, a formação do Estado da América do Norte e as repúblicas da América do S l). Este direito de poder desfr tar tranqüilamente da contingência em certas condições constit i aq ilo q e até hoje se designava por liberdade pessoal. - Estas condições de existência são nat ralmente as forças prod tivas e os modos de troca de cada período.

O com nismo disting e-se de todos os movimentos q e o precederam pelo fato de alterar a base das relações de prod ção e de troca anteriores e de, pela primeira vez, tratar as condições nat rais prévias corno criações dos homens q e nos antecederam, despojando-as da s a aparência nat ral e s bmetendo-as ao poder dos indivíd os nidos. A organização q e proclama é, por isso mesmo, essencialmente econômica: é a criação material das condições dessa nião; transforma as condições existentes nas condições da nião. O estado de coisas assim criado constit i precisamente a base real q e torna impossível t do o q e existe independentemente dos indivíd os - pois esse estado de coisas existente é p ra e simplesmente m prod to das anteriores relações dos indivíd os entre si. 42

Deste modo, os com nistas tratam praticamente como fatores inorgânicos as condições criadas antes deles pela prod ção e o comércio. Isto não significa q e considerem q e a razão de ser o a intenção das gerações anteriores foi de lhes fornecer bases materiais, o q e pensem terem sido essas condições consideradas inorgânicas por aq eles q e as criaram. A diferença entre o indivíd o pessoal e o indivíd o contingente não constit i ma distinção concept al, mas m fato histórico. Esta distinção tem m sentido diferente em épocas diferentes: por exemplo, a ordem, enq anto contingência para o indivíd o no séc lo XVIII, assim como pl s o moins (89) a- família. É ma distinção q e não necessita de ser feita por nós, pois cada época se encarrega de a fazer a partir dos diferentes elementos q e herda da época anterior, fazendo-o não a partir de m conceito mas sob a pressão dos conflitos materiais da vida. Aq ilo q e n ma época lterior s rge como contingente por oposição à época anterior, o mesmo entre os elementos herdados dessa época anterior, é ni modo de trocas q e corresponde a m determinado desenvolvimento das forças prod tivas. A relação entre forças prod tivas e formas de troca é a relação entre o modo de trocas e (90) a ação o a atividade dos indivíd os. (A forma básica dessa atividade (91) é nat ralmente a forma material de q e depende q alq er o tra forma intelect al, política, religiosa, etc. É certo q e a diferente forma adq irida pela vida material é em cada ocasião dependente das necessidades já desenvolvidas, necessidades essas c ja prod ção e satisfação constit em m processo histórico impossível de detectar nos carneiros o nos cães [arg mento capital de Stirner advers s hominem (92) de pôr os cabelos em pé] se bem q e os carneiros e os cães, na s a forma at al sejam. malgré e x (93) prod tos de m processo histórico.) Antes de a contradição se manifestar, as condições em q e os indivíd os se relacionam entre si são condições inerentes à s a individ alidade; não lhes são de forma alg ma exteriores e. além disso, permitem por si sós q e esses indivíd os determinados, vivendo em condições determinadas, prod zam a s a vida material e t do o q e dela decorre; são portanto condições da s a manifestação ativa dei si, prod zidas por essa. manifestação de si (94) Por conseg inte, as condições determinadas em q e os indivíd os prod zem antes de a contradição se manifestar correspondem à s a limitação efetiva, à s a existência limitada; este caráter limitado só se revela com o aparecimento da contradição e existe, por isso, para a geração lterior. Esta condição aparece assim como m entravei acidental, atrib i-se conseq entemente à época anterior a consciência de q e constit ía m entrave. Estas diferentes condições, q e s rgem primeiramente como condições da manifestação de si, e mais tarde como se s obstác los, formam em toda a evol ção histórica ma seqüência coerente de modos de troca c jo laço de nião é a s bstit ição da forma de trocas anterior, q e se tornara m obstác lo, por ma nova forma q e corresponde às forças- prod tivas mais desenvolvidas e, por isso mesmo ao modo mais aperfeiçoado da atividade dos indivíd os. forma q e à son to r (95) se transforma n m obstác lo e é então s bstit ída por o tra. Na medida em q e, para cada estádio, essas condições correspondem ao desenvolvimento sim ltâneo das forças prod tivas, a s a história é também a história das forças prod tivas q e se desenvolvem e são retomadas por cada nova geração, e é conseq entemente a história do desenvolvimento das forças dos próprios 43

indivíd os. Este desenvolvimento, prod zindo-se nat ralmente, isto é, não estando s bordinado a m plano do conj nto estabelecido por indivíd os associados livremente, parte de localidades diferentes, de tribos, de nações, de ramos de trabalho distintos, etc., cada m deles se desenvolvendo primeiro independentemente dos o tros e apenas estabelecendo relações entre si a po co e po co. Progride, aliás, lentamente: os diferentes estádios e interesses n nca são complemente ltrapassados, mas apenas s bordinados ao interesse q e tri nfa, ao lado do q al se arrastam ainda d rante séc los. Daí res lta a existência de diferentes gra s de desenvolvimento entre os indivíd os de rna mesma nação, mesmo se abstrairmos das s as condições financeiras: e também o fato de m interesse anterior, c jo modo de trocas partic lar se encontra já s plantado por m o tro correspondente a m interesse posterior, contin ar ainda d rante m ito tempo, na com nidade aparente, em poder de ma força tradicional q e se torno a tônoma relativamente aos indivíd os (Estado, direito): só ma revol ção conseg e, em última instância, q ebrar essa força. Também assim se explica o motivo pelo q al a consciência, ao preoc par-se com aspectos sing lares q e são passíveis de ma síntese mais geral, pode por vezes ltrapassar aparentemente as relações empíricas contemporâneas, de tal modo q e, nas l tas de - m período posterior, seja licito tilizar-se as concl sões a q e possam ter chegado teóricos anteriores. Pelo contrário, em países como a América do Norte, c ja existência se inicia n m período histórico já desenvolvido, o desenvolvimento processa-se com rapidez. Tais países têm apenas como condição nat ral prévia os indivíd os q e aí se estabelecem e q e para ai foram como reação aos modos de prod ção dos velhos países, q e já não correspondiam às s as necessidades. Estes países começam pois com os indivíd os mais evol ídos do velho m ndo, e por conseg inte com o modo de trocas mais desenvolvido, correspondente a esses indivíd os, mesmo antes de este sistema de trocas se ter conseg ido impor nos velhos países. É o caso de todas as colônias q e não foram simples bases militares o comerciais, tais como Cartago, ais colônias gregas e a Islândia nos séc los XI e XII. Verificase m caso análogo q ando, como res ltado de conq ista, se leva para o país conq istado o modo de trocas q e se desenvolvera n m o tro solo; enq anto no se país do origem esta forma se encontrava ainda em choq e com os interesses e as condições de vida das épocas precedentes, aq i, pelo contrário. pode e deve implantar-se totalmente e sem q aisq er entraves ao conq istador (a Inglaterra e Nápoles depois da conq ista normanda, alt ra em q e conheceram a forma mais acabada da organização fe dal).

A conq ista, como fato, parece estar em contradição com toda esta concepção da história. Até hoje, tem-se feito da violência, cia g erra, da pilhagem, do banditismo. etc.. a força motriz da história. Como nos vemos aq i obrigados a limitar-nos aos pontos capitais, consideraremos apenas m exemplo 44

verdadeiramente flagrante. q e é o da destr ição de ma velha civilização por m povo bárbaro e a formação conj nta de ma estr t ra social a partir do zero (Roma e os Bárbaros, o fe dalismo e a Gália, o Império do Oriente e os T rcos). Para o povo bárbaro conq istador, a g erra é ainda, tal como atrás dissemos, m modo normal de relação tanto mais zelosamente praticado q anto mais imperiosa se torna a necessidade de novos meios de prod ção devido ao a mento da pop lação e ao modo de prod ção tradicional, r dimentar e único possível, desse povo. Em Itália, pelo contrário, assiste-se à concentração da propriedade f ndiária realizada por herança, por compra e ainda por endividamento; e isto porq e a extrema dissol ção dos cost mes e a escassez dos casamentos originavam a progressiva extinção das velhas famílias, acabando os se s bens por cair nas mãos de m peq eno número delas. Alem disso, tal propriedade f ndiária foi transformada em pastagens. transformação essa provocada, para além das ca sas econômicas habit ais válidas ainda nos nossos dias, pela importação de cereais pilhados o exigidos a tít lo de trib to o a conseqüente falta de cons midores de trigo italiano q e isso implicava. Devido a estas circ nstâncias, a pop lação livre desaparece totalmente e os próprios escravos ameaçavam abandonar a s a sit ação, tendo de ser constantemente s bstit ídos. A escravat ra contin ava a ser a base' de toda a prod ção. Os plebe s, colocados entre os homens livres e os escravos, n nca conseg iram ltrapassar a condição de L mpenproleiariat (96) De resto, Roma n nca ltrapasso o estádio de cidade; encontrava-se ligada às províncias por laços q ase excl sivamente políticos q e, bem entendido, poderiam ser q ebrados por acontecimentos políticos.

É m ito s al a idéia de q e na história t do se res mi até agora a tomadas de poder. Os bárbaros apoderaram-se do Império romano, e é assim explicada- a passagem do m ndo antigo ao fe dalismo. Mas, q anto a esta conq ista dos bárbaros, é necessário saber se a nação de q e se apoderaram tinha desenvolvido forças prod tivas ind striais, como acontece nos povos modernos, o se as s as forças prod tivas repo savam nicamente na s a nião e (97) na vida em com nidade. A tomada de poder é, além disso, condicionada pelo objeto q e se apropria. Ning ém se pode apoderar da fort na de m banq eiro, q e consiste em papéis, sem se s bmeter às condições de prod ção e de circ lação do país conq istado. S cede o mesmo com todo o capital ind strial de m país ind strial moderno. Finalmente, q ando n ma região s bmetida já não há mais nada para conq istar, é necessário q e se comece a prod zir. Dada esta necessidade, q e m ito cedo se manifesta, a forma de com nidade adotada pelos conq istadores deve estar em concordância com o estado de desenvolvimento das forças prod tivas q e encontram o , se tal não acontecer, deve transformarse em f nção das forças prod tivas. Isto explica m fato q e parece ter-se verificado por toda a parte na época q e se seg i às grandes invasões: os vassalos converteram-se em senhores e os conq istadores adotaram rapidamente 45

a líng a, a c lt ra e os cost mes do país conq istado. O fe dalismo não foi de forma alg ma trazido da Alemanha na s a forma acabada; teve a s a origem na organização militar dos exércitos d rante a própria conq ista. Esta organização desenvolve -se depois da conq ista sob o impacto das forças prod tivas encontradas no país conq istado, só então se transformando no fe dalismo propriamente dito. O fracasso das tentativas levadas a cabo para impor o tras formas nascidas de reminiscências da antiga Roma (Carlos Magno, por exemplo) mostra-nos até q e ponto a forma fe dal era condicionada pelas forças prod tivas. A contin ar.

Na grande indústria e na concorrência, todas as condições de existência, determinações e condicionalismos dos indivíd os se baseiam nas seg intes d as formas: propriedade privada e trabalho. Com o dinheiro, todas as formas de troca, assim como a própria troca, se apresentam aos indivíd os como contingentes. É a própria nat reza do dinheiro q e nos leva a pensar q e todas as relações anteriores eram apenas relações de indivíd os vivendo em determinadas condições, e não relações entre indivíd os enq anto indivíd os. Essas condições red zem-se a: trabalho ac m lado o propriedade privada, por m lado, e trabalho real, por o tro. O desaparecimento de ma dessas condições faz com q e a troca seja interrompida. Os próprios economistas modernos, como por exemplo Sismondi. Chérb liez (98) etc., opõem I'associatíon des individ s à l'association des capita x (99) Por o tro lado, os indivíd os são completamente s bordinados à divisão do trabalho e ficam por isso mesmo colocados n ma sit ação de dependência total ns dos o tros. Na medida em q e se opõe ao trabalho no seio deste, a propriedade privada nasce e desenvolve-se a partir da necessidade de ac m lação e, embora conserve inicialmente a forma da com nidade, aproximase po co a po co, no se desenvolvimento lterior, da forma moderna da propriedade privada. Logo, a divisão do trabalho implica ig almente a divisão das condições de trabalho, instr mentos e materiais e, com essa divisão, a fragmentação do capital ac m lado entre diversos proprietários; por conseg inte, implica também a separação entre capital e trabalho, assim como entre diversas formas da propriedade. Q anto mais aperfeiçoada estiver a divisão do trabalho, maior é a ac m lação e mais acent ada é essa separação O próprio trabalho só pode s bsistir à c sta dessa separação.

(Energia pessoal dos indivíd os de diferentes nações Alemães e Americanos -- energia devida ao cr zamento de raças - daí o cretinismo dos Alemães verdadeiros cretinos em França, Inglaterra, etc., dos povos estrangeiros transplantados para m território evol ído e para m local 46

inteiramente novo na América; na Alemanha a pop lação primitiva não teve a mínima reação).

Encontramo-nos, portanto, perante dois fatos. Primeiro, as forças prod tivas apresentam-se como completamente independentes e separadas dos indivíd os, corno m m ndo à margem destes, o q e se deve ao fato de os indivíd os. a q em elas pertencem efetivamente, existirem disseminados e em oposição ns aos o tros, se bem q e essas forças só sejam reais no comércio e na interdependência desses indivíd os. Logo, existe por m lado m conj nto de forças prod tivas q e adq iriram, de certo modo, ma forma objetiva e já não são para os indivíd os as s as próprias forças, mas as da propriedade privada e, portanto, dos indivíd os, mas apenas na medida em q e forem proprietários privados. Em nenh m período anterior as forças prod tivas tinham revestido esta forma indiferente às relações dos indivíd os enq anto indivíd os, pois estas relações eram ainda limitadas. Por o tro lado, observa-se ma oposição a essas forças prod tivas por parte da maioria dos indivíd os de q em elas se tinham destacado e q e, por estarem despojadas de todo o conteúdo real da s a vida, se converteram em indivíd os abstratos; mas é por isso mesmo e só então q e estes ficaram em condições de se relacionarem ns com os o tros como indivíd os. O trabalho, único laço q e os ne ainda às forças prod tivas e à s a própria existência, perde para eles toda a aparência de manifestação de si e só lhes conserva a vida definhando-a. Enq anto em épocas anteriores a manifestação de si e a prod ção- da vida material eram apenas separadas pelo simples fato de competirem a pessoas diferentes e de a prod ção da vida material ser ainda considerada como ma manifestação de si. ma atividade de ordem inferior devido ao caráter limitado dos próprios indivíd os, hoje, manifestação de si e prod ção da vida material estão de tal modo separadas q e a vida, material é considerada como fim e a prod ção da vida material, q er dizer, o trabalho, como meio (agora a única forma possível, embora negativa, da manifestação de si). Chegamos pois ao ponto- de os indivíd os se verem obrigados a apropriarem-se da totalidade das forças prod tivas existentes, não apenas para conseg irem manifestar o se e , mas sobret do para asseg rar a s a existência. Esta apropriação é, antes de t do, condicionada pelo objeto a apropriar, neste caso as forças prod tivas desenvolvidas ao ponto de constit írem ma totalidade e existindo nicamente no âmbito das trocas m ndiais. Sob este âng lo, esta apropriação deve necessariamente apresentar m caráter niversal correspondente às forças prod tivas e às trocas. A apropriação destas forças consiste no desenvolvimento das fac ldades individ ais q e de alg m modo correspondem aos instr mentos materiais de prod ção. Por isso mesmo, a apropriação de ma totalidade do instr mentos de prod ção constit i já o desenvolvimento de ma totalidade de fac ldades nos próprios indivíd os. Esta apropriação é ainda condicionada pelos indivíd os q e se apropriam. Só os proletários da época at al, totalmente excl ídos de q alq er manifestação de si, 47

se encontram em condições de poderem alcançar ma manifestação de si total, não limitada, q e consiste na apropriação de ma totalidade de forças prod tivas e no desenvolvimento de ma totalidade de fac ldades q e isso implica. Todas as apropriações revol cionárias anteriores foram limitadas; os indivíd os c ja manifestação de si era limitada por m instr mento de prod ção limitado e trocas limitadas, apropriavam-se desse instr mento de prod ção limitado e só conseg iam, desse modo, atingir ma nova limitação. Apropriavam-se do se instr mento de prod ção mas contin avam s bordinados à divisão do trabalho e ao se próprio instr mento de prod ção. Em todas as apropriações anteriores havia ma s bordinação de ma massa de indivíd os a m único instr mento de prod ção; na apropriação pelos proletários, é ma massa de instr mentos de prod ção q e é necessariamente s bordinada a cada indivíd o, ficando a propriedade s bordinada a todos eles. As trocas m ndiais modernas só podem estar s bordinadas aos indivíd os se o estiverem a todos. A apropriação é também condicionada pela forma partic lar q e deve necessariamente revestir. Com efeito, só poderá ser levada a cabo mediante ma nião q e, dado o caráter do próprio proletariado, é obrigatoriamente' niversal; só se efet ará através de ma revol ção q e, por m lado, derr bará o poder do modo de prod ção e de troca anterior assim como o poder da estr t ra social precedente, e q e por o tro lado desenvolverá o caráter niversal do proletariado e a energia q e lhe é necessária para cons mar essa apropriação. Trata-se portanto de ma revol ção em q e o proletariado se libertará de t do o q e ainda lhe resta da s a posição social anterior. É apenas nesta fase q e a manifestação de si coincide com a vida material; essa fase corresponde à transformação dos indivíd os em indivíd os completos e à s peração de t do o q e lhes foi originariamente imposto pela nat reza; corresponde-lhe a transformação do trabalho em manifestação de si e a metamorfose das relações até então condicionadas em relações dos indivíd os enq anto indivíd os. Com a apropriação da totalidade das forças prod tivas pelos indivíd os nidos, é abolida a propriedade privada. Enq anto na história anterior, cada condição partic lar s rgia sempre como acidental, agora é o isolamento dos próprios indivíd os, o l cro privado de cada m, q e se torna acidental. Aos indivíd os já não s bordinados à divisão do trabalho, os filósofos representaram-nos como m ideal a q e ap seram a designação de «Homem»; e compreenderam todo o processo q e acabamos de expor como sendo o desenvolvimento do «Homem». S bstit íram Os indivíd os existentes em cada época da história passada pelo «Homem» e apresentaram-no como a força da história. Todo o- processo foi portanto compreendido como processo de a toalienação do «Homem», o q e se deve essencialmente ao- fato de o indivíd o médio do período lterior ter sido sempre s bstit ído pelo do período anterior, ao mesmo tempo q e se atrib ía a este a consciência lterior. Graças a esta inversão, q e omite as condições reais, foi possível converter toda a história n m processo de desenvolvimento da consciência.

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A sociedade civil abarca o conj nto das relações materiais dos indivíd os no interior de m determinado estádio de desenvolvimento das forças prod tivas. Encerra o conj nto da vida comercial e ind strial existente n ma dada fase e ltrapassa por isso mesmo o Estado e a nação, se bem q e deva afirmar-se no exterior como nacionalidade e organizar-se no interior como Estado, O termo sociedade civil s rgi no séc lo XVIII, q ando as relações de propriedade se desligaram da com nidade antiga e medieval. A sociedade civil enq anto tal só se desenvolve com a b rg esia; todavia, a organização social diretamente res ltante da prod ção e do comércio, e q e constit i sempre a base do Estado e do resto da s perestr t ra idealista, tem sido constantemente designada pelo mesmo nome. Relações do Estado e do Direito com a Propriedade A primeira forma da propriedade é, tanto no m ndo antigo como na idade média, a propriedade tribal, principalmente condicionada entre os Romanos pela g erra, e entre os Germanos, pela criação de gado. Para os povos antigos (100) (não esq eçamos q e n ma mesma cidade co-habitavam diversas tribos), a propriedade tribal aparece corno propriedade do Estado e o direito do indivíd o a desfr tá-la como ma simples possessio, a q al, no entanto, à semelhança da propriedade tribal, se limita à propriedade da terra. A propriedade privada propriamente dita começa. tanto para os antigos como para os povos modernos, com a propriedade mobiliária, - (Escravat ra e com nidade) (domini m ex j re q irit m (101) Para os povos q e saem da Idade Média, a propriedade tribal evol i passando» por diferentes estádios - propriedade f ndiária fe dal, propriedade mobiliária corporativa, capital de man fat ra - até ao capital moderno, condicionado pela grande indústria e a concorrência niversal, q e representa a propriedade privada no estado p ro, despojada de q alq er aparência de com nidade e tendo excl ído toda a ação do Estado sobre o desenvolvimento da propriedade. É a esta propriedade privada moderna q e corresponde o Estado moderno, adq irido po co a po co pelos proprietários privados através dos impostos, inteiramente caído nas s as mãos pelo sistema da dívida pública e c ja existência depende excl sivamente, pelo jogo da alta é da baixa dos valores do Estado na Bolsa, do crédito comercial q e lhe concedem os proprietários privados, os b rg eses. A b rg esia, por ser já ma classe e não ma simples ordem, é constrangida a organizar-se à escala nacional e já não excl sivamente n m plano local, e a dar ma forma niversal aos se s interesses com ns. Dado q e a propriedade privada se emancipo da com nidade, o Estado adq iri ma existência partic lar j nto da sociedade- civil e fora dela; mas esse Estado não é mais do q e a forma de organização q e os b rg eses constit em pela necessidade de garantirem m t amente a s a propriedade e os se s interesses, tanto no exterior corno no interior. A independência do Estado só existe hoje nos países menos desenvolvidos onde as ordens ainda não se desenvolveram ao ponto de constit írem classes e onde ainda desempenham m certo papel; países esses 49

em q e existe rna sit ação híbrida e onde, conseq entemente, nenh ma- parte da pop lação pode dominar as o tras. É m ito partic larmente o caso da Alemanha, ao passo q e o exemplo mais acabado de Estado moderno é a América do Norte. Os escritores franceses, ingleses e americanos modernos afirmam todos, sem excepção, q e o Estado só existe devido à propriedade privada, idéia essa q e acabo por ser aceite pela consciência com m. Sendo portanto o Estado a forma através da q al os indivíd os de ma classe dominante fazem valer os se s interesses com ns e na q al se res me toda a sociedade civil de ma época, concl i-se q e todas as instit ições públicas têm o Estado como mediador e adq irem através dele ma forma política. Daí a il são de q e a lei repo sa sobre a vontade e, melhor ainda, sobre ma vontade livre, desligada da s a base concreta. O mesmo acontece com o direito q e é por s a vez red zido à lei. O direito privado desenvolve-se, conj ntamente com a propriedade privada, como res ltado da dissol ção da com nidade nat ral. Entre os Romanos, o desenvolvimento da propriedade privada e do direito privado não teve q alq er conseqüência ind strial o comercial pelo fato de o se modo de prod ção não se ter modificado (102) Nos povos modernos, onde a com nidade fe dal foi dissolvida pela indústria e o comércio, o nascimento da propriedade privada e do direito privado marco o início de ma nova fase s sceptível de m desenvolvimento lterior. Amalfi (103) a primeira cidade da Idade Média a ter m comércio marítimo considerável, foi também a primeira a criar o direito marítimo. E em Itália, em primeiro l gar, tal como mais tarde no tros países, q ando o comércio e a indústria cond ziram a propriedade privada a m desenvolvimento considerável.retomo -se imediatamente o direito privado dos Romanos e elevo -se este à categoria de a toridade. Mais tarde, q ando a b rg esia adq iri poder s ficiente para q e os príncipes se preoc passem com os se s interesses e tilizassem essa b rg esia como instr mento para derr bar a classe fe dal, começo em todos os países como em França, no séc lo XVI o verdadeiro desenvolvimento do direito, q e em todos eles, à excepção da Inglaterra, tomo como base o direito romano. Mesmo em Inglaterra foram introd zidos, para aperfeiçoar o direito privado, alg ns princípios do direito romano (partic larmente no q e se refere à propriedade mobiliária). (Não esq eçamos q e o direito, tal como a religião, não poss i ma história própria.) O direito privado exprime as relações de propriedade existentes como o res ltado de ma vontade geral. O próprio j s tendi et ab tendi (104) exprime, por m lado, o fato de a propriedade privada se tornar completamente independente da com nidade e, por o tro, a il são de q e essa propriedade privada repo sa sobre a simples vontade privada, sobre a livre disposição das coisas. Na prática, o ab tti (105) tem limitações econômicas bem determinadas para o proprietário privado se este não q iser q e a s a propriedade, e com ela o se j s ab tendi, passe para o tras mãos; pois, no fim de contas, a coisa, nada é, considerada nicamente nas s as relações com a s a vontade, e só se transforma n ma coisa, n ma propriedade real (n ma relação, naq ilo a q e os filósofos chamam ma idéia), através do comércio e independentemente do direito. Esta il são j rídica, q e red z o direito 50

à simples vontade, cond z fatalmente mente, na seqüência do desenvolvimento das relações de propriedade. à possibilidade de q alq er pessoa ostentar m tít lo j rídico de propriedade sem efetivamente poss ir essa propriedade. S ponhamos, por exemplo, q e m terreno deixa de ser rentável devido à concorrência - o se proprietário conservará sem dúvida alg ma o tít lo j rídico da propriedade, assim como o se j s tendi et ab tendi. Mas nada poderá fazer com ele nem nada poss irá de fato se não disp ser de capital s ficiente para c ltivar o se terreno. É esta mesma il são q e explica o fato de, para os j ristas, assim como para todos os códigos j rídicos, as relações entre os indivíd os celebrada por contratos, por exemplo, s rgirem como algo fort ito e de, a se ver, as relações deste tipo [poderem] o não ser aceites na medida em q e o se conteúdo repo sa inteiramente sobre a vontade arbitrária e individ al das partes contratantes. De cada vez q e o desenvolvimento da indústria e dó comércio crio novas formas de troca, por exemplo companhias de seg ros e o tras, o direito vi -se reg larmente obrigado a integrá-las nos modos de aq isição da propriedade.

Infl ência (106) da divisão do trabalho sobre a ciência. Papel da repressão no Estado, no direito, na moral, etc.. É necessário q e a lei constit a ma expressão da b rg esia precisamente por esta dominar como classe. Ciência da nat reza e história. Não há história da política, do direito, da ciência, etc., da arte, da religião, etc.

Razão por q e os ideólogos põem t do às avessas. Homens de religião, j ristas, políticos. J ristas, políticos (himens de Estado em geral), moralistas, homens de religião. A propósito desta s bdivisão ideológica no interior de ma classe: I. a tonomia da profissão como conseqüência da divisão do trabalho: cada q al considera a s a profissão como verdadeira. Sobre a ligação do se trabalho com a realidade, il dem-se necessariamente dada a nat reza desse trabalho. Em j rispr dência, em política, etc., essas relações transformam-se - na consciência - em conceitos; como não se elevam acima dessas relações, os conceitos q e sobre elas poss em são conceitos rígidos: o j iz, por exemplo, pelo fato de aplicar o código, considera a legislação como verdadeiro motor ativo. Cada m respeita a s a mercadoria pois ela está em relação com o niversal. Idéia do direito. Idéia do Estado. Na consciência v lgar o ass nto é posto às avessas.

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A religião é em primeira análise consciência da transcendência, [consciência q e] nasce da obrigação real. Exprimir isto de ma forma mais pop lar. A tradição para o direito, a religião, etc.

Os indivíd os sempre partiram de si mesmos, partem sempre de si mesmos. As s as relações são relações q e correspondem ao processo real da s a vida. A q e se deve o fato de as s as relações ascenderem à a tonomia e se chocarem com eles próprios? De os poderes dos indivíd os se tornarem todos-poderosos perante esses mesmos indivíd os? N ma palavra: deve-se à divisão do trabalho, c jo gra depende da força prod tiva desenvolvida em cada momento. Propriedade f ndiária. Propriedade com nitária. Fe dal Moderna. Propriedade das ordens da sociedade. Propriedade man fat raria. Capital ind strial.

( A partir daq i, A Ideologia Alemã toma o aspecto de m comentário de textos, o q e explica as n merosas citações das obras de São Br no (Ba er) e de São Max (Stirner))

NOTAS
1. [Passagem cortada no man scrito:] Nenh ma diferença especifica disting e o idealismo alemão da Ideologia de todos os o tros povos. Esta última considera ig almente q e o m ndo é dominado por idéias, q e estas e os conceitos são princípios determinantes, q e o mistério do m ndo material, apenas acessível aos filósofos, é constit ído por determinadas idéias. Hegel levo ao máximo o idealismo positivo. Para ele, o m ndo material não se limitara a metamorfosear-se n m m ndo de idéias e a história n ma história de idéias. Hegel não se contenta com o registo dos fatos do pensamento; proc ra também analisar o ato de prod ção. Q ando são obrigados a sair do se m ndo de sonhos, os filósofos alemães protestam contra o m ndo das idéias q e lhes [...] a representação do [m ndo] real, físico Todos os críticos alemães afirmam q e as idéias, representações e conceitos

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dominaram e determinaram até agora os homens reais e q e o m ndo real é m prod to do m ndo das Ideias. Todos pensam q e assim acontece até agora, mas q e a sit ação se vai modificar; e é aq i q e se diferenciam entre si, pois têm opiniões diferentes sobre a forma Como se deve libertar o m ndo dos homens, o q al, seg ndo eles, gemeria sob o peso das s as próprias idéias fixas, e sobre aq ilo q e cada m considera como idéia fixa. Mas todos acreditam no domínio das idéias e j lgam q e o se raciocínio provocará necessariamente a q eda do estado de coisas existente, q er pelo simples poder do se pensamento individ al q er por tentarem conq istar a consciência de todos.A crença de q e o m ndo real é o prod to do m ndo ideal, de q e o m ndo das idéias [...] Al cinados pelo m ndo hegeliano das idéias, q e se torno o deles, os filósofos alemães protestam contra o domínio dos pensamentos, idéias e representações q e até agora, no se parecer, o melhor, de acordo com a il são de Hegel, deram origem ao m ndo real, o determinaram, o dominaram. Exalam m último protesto e s c mbem [...] No sistema de Hegel, as Ideias, pensamentos e conceitos prod ziram, determinaram e dominaram a vida real dos homens, o se m ndo material, as s as relações reais. Os se s discíp los revoltados assenhorearam-se deste post lado [...] 2. David Friedrlch Stra ss (1808-1874), filósofo alemão. 3. Generais de Alexandre da Macedónia q e, após a s a morte, se entregaram a ma l ta encarniçada a fim de atingirem o poder. 4. [Passagem cortada no man scrito:] O m ndo exterior profano não se apercebe evidentemente de nada; nenh m destes acontecimentos q e revol cionaram o m ndo conseg i exceder os limites de m processo de decomposição do espírito absol to. 5. [Passagem cortada no man scrito:] O crítico, esse ordenador de casamentos e f nerais, não poderia nat ralmente estar a sente; de fato, enq anto resíd os das grandes g erras de libertação, 6. Neste caso: resíd o. 7. [Passagem cortada no man scrito:] (e da peq enez nacional). 8. [Passagem cortada no man scrito:] por essa razão q e faremos preceder a critica individ al dos diversos representantes deste movimento de alg mas anotações gerais (as q ais bastarão para caracterizar o nosso ponto de vista critico e f ndamentá-lo tanto q anto necessário. Se opomos estas anotações a Fe erbach, é por ser ele o único a constit ir m efetivo progresso, o único c jas obras podem ser est dadas de bonne foi *); tais anotações esclarecerão os press postos ideológicos q e lhes são com ns. *. De boa fé; em francês no texto original. 9. [Passagem cortada no man scrito:] e q e apenas proc ram atingir ma modificação da consciência dominante. 10. [Passagem cortada no man scrito:] Apenas conhecemos ma ciência, a da história. Esta pode ser examinada sob dois aspectos; podemos dividi-la em história da nat reza e história dos homens. Porém, estes dois aspectos não são separáveis; enq anto existirem homens, a s a história e a da nat reza condicionar-se-ão reciprocamente. A história da nat reza, aq ilo q e se designa por ciência da nat reza, não nos interessa aq i; pelo contrário, é-nos necessário analisar em pormenor a história dos homens, pois, com efeito, q ase toda ~ 53

ideologia se red z a ma falsa concepção dessa história ~ p ro e simples abstrair dela. A própria ideologia é somente m dos aspectos dessa história, 11. [Passagem cortada no man scrito:] O primeiro ato histórico desses indivíd os, através do q al se disting em dos animais, não é o fato de pensarem, mas sim o de prod zirem os se s meios de existência. 12. [Passagem cortada no man scrito:] Ora este estado de coisas não condiciona apenas a organização q e emana da nat reza, a organização primitiva dos homens, principalmente no q e se refere às diferenças de raça; condiciona ig almente todo o se desenvolvimento o não desenvolvimento lterior. 13. [Passagem cortada no man scrito:] entre os Plebe s romanos encontramos em primeiro l gar peq enos proprietários de terra, ao q e se seg e a constit ição embrionária de m proletariado, tendência q e aliás não se desenvolve devido à s a posição intermédia entre cidadãos poss idores e escravos. 14. Licini s: trib no do povo q e edito em 367, j ntamente com Sexti s, leis q e favoreciam os plebe s, e seg ndo as q ais nenh m cidadão romano tinha o direito de poss ir mais do q e ma determinada extensão de terras pertencentes ao Estado. 15. [Passagem 'cortada no man scrito:] em relações de prod ção determinadas. 16. [Passagem cortada no man scrito:] q e se atém apenas aos dados reais. 17. [Passagem cortada no man scrito:] As representações aceites por estes Indivíd os são idéias q er sobre as s as relações com a nat reza, q er sobre as relações q e estabelece entre si o q er sobre a s a. própria nat reza. ~ evidente q e, em todos estes casos, tais representações constit em a expressão consciente - real o imaginária - das s as relações e das s a atividades reais, da s a prod ção, do se comércio, do se (organização) comportamento político e social, Só é defensável a hipótese inversa se s põe m o tro espirito, m espírito partic lar, para além do espirito dos indivíd os reais, condicionados materialmente, Se a expressão consciente das condições de vida reais destes indivíd os é imaginária, se nas s as representações consideram a realidade invertida, este fenômeno é ainda ma conseq ência do se modo de atividade material limitado e das relações sociais deficientes q e dele res ltam. 18. [Passagem cortada no man scrito:] e, para sermos precisos, os homens tais como são condicionados pelo modo de prod ção da s a vida material, pelo se comércio material e o se desenvolvimento lterior na estr t ra social e política. 19. Câmara esc ra. 20. [Passagem cortada no man scrito:] a proc rar a interdependência real, prática, dessas diferentes estratificações. 21. [Passagem cortada no man scrito:] antes da expressão 'é certo': na Sagrada Família, foi convenientemente ref tada a idéia de q e estes santos filósofos e teólogos, ao escreverem alg mas v lgaridades sobre o espírito absol to, teriam criado a "não-a tonomia dos indivíd os". Como se o indivíd o, q er dizer, todo o ser h mano, «deixasse de ser a tônomo»indivíd o,dependência estivesse realmente dissolvido «no Espírito absol to» a partir do momento em q e alg ns pobres espec ladores dessem a conhecer estas ninharias ao «Indivíd o», dandolhe ordem para «se dissolver» imediatamente «no Espírito absol to» sem a mais peq ena hesitação! É de notar q e se esses merceeiros p deram chegar a tais manias filosóficas não o conseg iram devido à «dependência, à não-a tonomia do 54

indivíd o», mas por ca sa da miséria da sit ação social. 22. Primeira máq ina de fiação a tomática. 23. Marx tinha escrito primeiro: em q alidade e q antidade s ficientes; este adjetivo foi riscado e s bstit ído por vollständig. 24. [Man scrito deteriorado:] As palavras entre parêntesis não são legíveis no original. 25. [Variante no man scrito original:] trata-se de rna l ta q e nos traz novos res ltados é. massa dos homens; a l ta da Alemanha... [Passagem cortada no man scrito original:] São Br no dá-nos ma "Característica de L dwig Fe erbach", isto é, rna versão revista e corrigida de m artigo já p blicado nos Nordde tsche Blätter. Dado o caráter sagrado em q e nós próprios... • Fe erbach é descrito como defensor da "S bstância", com o objetivo de dar maior relevo à "Consciência de si" ba erianas bstância. Aliás, é já m hábito: desde há alg m tempo q e este a tor se limita a dizer de t do e de todos q e são a «S bstância>, No dec rso desta trans bstanciação de Fe erbach, o nosso santo homem salta diretamente dos escritos de Fe erbach para a Essência do Cristianismo, passando sobre Bayle e Leibniz. Não menciona o artigo de Fe erbach contra a filosofia "positiva" Incl ído nos Hallische Jahrbücher, pela simples razão de Fe erbachs bstância absol taaí desmascarar, face aos representantes positivos da «s bstância,, toda a ciência da consciência de si «absol ta, n ma época em q e São Br no ainda espec lava * sobre a Imac lada Concepção e onde se exprimia m ito mais claramente... do q e ... alg ma vez o fizera... A seq ência deste texto é apenas ma variante de ma passagem do capit lo II (S. Br no). *Início de frase cortado. 26. Faltam as folhas paginadas por Marx com os números 3, 4, 5, 6 e 7. 27. [Variante no man scrito:] «concepção» teórica. 28. [Nota de Engels:] O erro de Fe erbach não reside no fato de s bordinar o q e é visível a olho n , a aparência sensível. A realidade sensível observada graças a m exame mais aprof ndado do estado de coisas concreto; consiste, pelo contrário, no fato de, em última instância, não se poder assenhorear da materialidade sem a considerar com os «olhos>, Isto é, através dos «óc los» do filósofo. 29. [Variante no man scrito original:] q e é em cada época histórica o res ltado da atividade de toda ma série de gerações. 30. Br no Ba er: «Característica de L dwig Fe erbach», Wigand's Vieteljahrsschrift,, 1845, t. III. 31. Al são a m verso do Fa sto de Goethe. 32. [Passagem cortada no man scrito:] Se apesar de t do examinamos aq i a história m po co mais detidamente, é pelo fato de os Alemães, ao o virem as palavras hlstória» e "histórico", terem o hábito de pensar em todas as coisas possíveis e imagináveis menos na realidade. São Br no, «esse orador versado na eloq ência sagrada», é disso m brilhante exemplo. 33. [Nota de Marx:] Os homens têm ma história pelo fato de serem obrigados a prod zir a s a vida e de terem de o fazer de m determinado modo: esta necessidade é ma conseq ência da s a organização física; o mesmo acontece com a s a consciência. [Variante no man scrito:] apercebemo-nos de q e, entre o tras coisas, o homem tem "espirito", e q e esse "espirito" se "manifesta" como 55

consciência. 34. [Frase cortada no man scrito:] a minha consciência é a minha relação com o q e me rodeia. 35. [Nota de Marx:] Compreende-se imediatamente q e esta religião nat ral o este tipo de relações com a nat reza estão condicionados pela forma da sociedade e vice-versa. Neste caso, como em q alq er o tro, a Identidade entre o homem e a nat reza toma ig almente esta forma, o seja, o comportamento limitado dos homens perante a nat reza condiciona o comportamento limitado dos homens entre si e este condiciona por s a vez as s as relações limitadas com a nat reza, precisamente porq e a nat reza mal foi modificada pela história. 36. [Nota de Marx:] Religião. Os Alemães no q e se refere à ideologia enq anto tal. 37. [Passagem cortada no man scrito atividade e pensamento, isto é, atividade sem pensamento e pensamento sem atividade. 38. Termos do vocab lário dos jovens-hegelianos e de Stirner, em partic lar. 39. [Passagem cortada no man scrito:] Esta expressão Idealista das limitações económicas existentes é não só teórica, como também existe na consciência prática; isto significa q e a consciência q e se emancipa e q e entra em contradição com o modo de prod ção existente não constit i apenas religiões e filosofias, mas também Estados. 40. Os Anais franco-alemâes eram ma revista editada em Paris por Marx e A. R ge. Só foi p blicado o primeiro número, em Fevereiro de 1844, q e continha dois artigos de Marx: Sobre a q estão j daica,, «Contrib ição à critica da filosofia do direito de Hegel e m longo artigo de Engeis: «Esboço de ma critica da economia política. As divergências entre Marx e R ge impediram o prosseg imento desta p blicação. Em 1845, em Francfort-sobre-Meno, aparece a obra de Marx e Engels intit lada a Sagrada Familia, o Crítica da Crítica crítica. Contra Br no Ba er e consortes. 41. Ba er * pretendia-se o campeão de ma escola filosófica critica,. * Ba er, Br no (1809-1882): Teólogo, historiador da religião e p blicista alemão. Hegeliano de esq erda q e, em 1842, perde a cátedra na Universidade de Bona devido aos se s escritos radicais. Uni -se mais tarde aos conservadores e apoio a reação pr ssiana. 42. [Passagem cortada no man scrito:] e q anto à propriedade, q e foi Inicialmente ma instit ição criada pelos próprios homens, dá em breve à sociedade ma característica própria q e de forma alg ma foi desejada pelos se s a tores iniciais, perfeitamente visível para q em não se tenha s bmetido definitivamente à «Consciência de si, o ao Único,. 43. [Passagem cortada no man scrito:] devem ser pensadas em f nção da realidade material. 44. [Passagem cortada no man scrito:] press põe portanto q e a história niversal tenha ma existência empírica prática. 45. A expressão alemã é bürgerliche Gesellschaft, q e poderá além disso significar «sociedade b rg esa». 46. [Nota marginal de Marx:] Comércio [Verkehr] e força prod tiva. 47. [Passagem cortada no man scrito:] São MAX Stirner passeia-se levando a história m ndial às costas, comendo-a e bebendo-a todos os dias como 56

antigamente se fazia com o corpo e o sang e de nosso senhor Jes s Cristo, e a história niversal prod -lo q otidianamente, a ele, o Único, q e é o se prod to por necessitar de comer, beber e vestir-se; as citações contidas no Único (na obra), etc., assim como a polêmica de São MAX contra Hess e o tras pessoas afastadas, demonstra como também no plano espirit al ele é prod zido pela história m ndial. Daq i se depreende:q e, na história m ndial, os indivíd os são tão poss idores como os elementos de q alq er o tra Associação stirneana de est dantes e de cost reiras livres 48. [Passagem cortada no man scrito:] por isso «o conceito (1) da personalidade (2) implica (3) de ma forma geral -(4) q e este s rja com todos os se s limites, (conseg e-o admiravelmente) e seja levado «a abolir (5) de novo (6) a limitação q e introd z (7) (não por si mesma, nem de forma geral, mas apenas pelo se conceito) «através da s a essência (8) niversal (9), a q al é apenas o res ltado da a to-diferenciação (10) interna da s a atividade», págs., 87-8& 49. [Nota de Marx:] cada etapa de desenvolvimento das forças prod tivas serve de base ao domínio de ma determinada classe. 50. [Nota marginal de Marx: constit ída por pessoas q e estão interessadas em manter o at al estado de prod ção. 51. [Passagem cortada no man scrito] forma moderna da atividade sob a q al a dominação das 52. [Passagem cortada no man scrito:] Já há alg m tempo q e todos os com nistas, tanto na França como na Inglaterra o na Alemanha, estão de acordo sobre a necessidade desta revol ção; no entanto, São Br no contin a calmamente o se sonho e pensa, q e se se admite o «h manismo real», o seja o com nismo, «em vez do espirit alismo» (q e já não é j stificável), é apenas para q e aq ele ganhe maior respeito. Então- contin a o sonho - «será necessário q e nos s rja a salvação, q e o cé baixe à terra e q e esta seja o Cé » (o nosso do to teólogo contin a a não conseg ir prescindir do cé ). «E assim brilharão a alegria e a felicidade para todo o sempre, no meio das celestes harmonias, (pág. 140). 53. Al são às teorias de Ba er e de Stirner. 54. De 1838 a 1841, foi editada na Prússia ma revista intit lada Anais de Halle da ciência e arte alemãs, sob a direção de Arnold R ge e de Theodor Echtermeyer. Ameaçada de interdição na Prússia, a revista m do -se para a Saxónia intit lando-se, entre 1841 e 1843, Anais alemães da ciência e da arte. Finalmente, em 1843, o governo proibi para toda a Alemanha a saída da revista. 55. Al sões feitas respectivamente a Ba er, Fe erbach e Stirner. 56. Canto nacionalista de Nicolas Beker. 57. Jakob Veneday (1805-1971), politlco alemão de esq erdas. 58. Marx refere-se aq i a Max Stlrner. 59. Wigand's Vierteljahrsschrift, revista dos jovens-hegelianos editada em Leipzig de 1844 a 1845. 60. Obra de Fe erbach 61. [Passagem cortada no man scrito:] Normalmente, a classe dominante j lga serem estes conceitos q em verdadeiramente reina, e só Os disting e das Ideias dominantes das épocas anteriores apresentando-os como verdades eternas. Estes «conceitos dominantes» terão ma forma tanto mais geral e generalizada 57

q anto mais a classe dominante é obrigada a apresentar os se s interesses como interesses de todos os membros da sociedade. 62. [Variante no man scrito:] de representar, no plano prático, m interesse partic lar como interesse com m a todos, e, no plano teórico, como Interesse niversal. 63. Em inglês no original: Lojista. 64. Falta o início deste caderno. Considerando a paginação de Marx, deverão faltar q atro páginas. 65. Em francês no original. 66. [Passagem cortada no man scrito:] estavam m lto divididos, pois os oficiais dos vários mestres op nham-se ns aos o tros no seio de ma mesma profissão. 67. [Passagem cortada no man scrito:] saindo do se isolamento 68. Em francês no original 69. Leis editadas por Cromwell em 1651 e renovadas mais tarde. Estip lavam q e a maioria das mercadorias importadas da E ropa, da Rússia o da T rq ia ~ó deviam ser transportadas por navios Ingleses o dos países exportadores. A cabotagem ao longo das costas inglesas devia ser feita excl sivamente por barcos ingleses. Estas leis, destinadas a favorecer a marinha inglesa, eram sobret do dirigidas contra a Holanda; foram abolidas entre 1793 e 1854. 70. [Passagem deteriorada no man scrito.] 71. AIKIN, John (1747-1822): médico Inglês q e foi sim ltaneamente historiador. 72. PINTO, Isaac (1715-1787): espec lador e economista holandês. As- citações do texto pertencem à «Carta sobre a rivalidade do comércio» da s a obra: Tratado da circ lação e do crédito. Amesterdão, 1771. 73. Em francês no original. 74. Em francês no original. 75. A tor conhecido por Marx nesta época através da s a obra intit lada: Investigação sobre a nat reza e as ca sas da riq eza das nações. 76. [Passagem riscada no man scrito:] e de origem à rápida circ lação e concentração dos capitais. 77. Passagem deteriorada no man scrito. 78. Em francês no original: mais o menos. 79. [Variante no man scrito:] cond zi à nião de várias cidades, o q e se explicava pela identidade dos se s interesses perante os senhores fe dais. 80. [Passagem cortada no man scrito:] tornando-se o conj nto destas condições de vida Individ ais as condições de existência com ns de ma classe. 81. [Nota de Marx:] absorve primeiro os setores de trabalho diretamente ligados ao Estado, e depois todas as profissões mais o menos ideológicas. 82. [Passagem cortada no man scrito:] nas s as condições de existência em parte dadas e em parte res ltando de m desenvolvimento dessas condições dadas. 83. [Passagem cortada no man scrito:] e sem o completo e livre desenvolvimento do indivíd o q e ela implica. 84. Em francês no texto original. 85. Passagem deteriorada no man scrito. 86. Parcelas. 87. [Passagem cortada no man scrito:] os indivíd os q e se libertaram em cada época histórica apen:is contin aram a desenvolver as condições de existência já 58

presentes, q e já lhes eram dadas. 88. Obra de Jean-Jacq es Ro ssea , 89. Em francês no original: mais o menos. 90. [Palavra cortada no man scrito:] manifestaçao de si, Selbstbetãtig ng. 91. Idem. 92. Contra o homem. 93. Em francês no original: sem o q ererem. 94. [Nota marginal de Marx: Prod ção do próprio modo de trocas. 95. Em francês no original: por s a vez. 96. Significado literal: proletariado andrajoso. Elementos marginais à classe do proletariado rbano, miseráveis, não organizados. 97. [Cortado no man scrito:] cooperação tanto q anto ela é possível. 98. Sismondi 1773-1S42) economista S íço q e critica o capitalismo de m ponto de vista peq eno-b rg ês. Cherb liez (1797-1869 )- discíp lo de Sismondi q e mist ro às idéias deste noções extraídas de Ricardo 99. Em francês no original... a associação dos indivíd os à associação dos capitais. 100. [Passagem cortada no man scrito:] (em partic lar, Roma e Esparta). 101. Propriedade de m cidadão romano de velha estirpe. 102. [Passagem cortada no man scrito:] e esta evol ção não foi provocada por ma extensão da indústria e do comércio. 103. Cidade italiana sit ada ao S l de Nápoles. Nos séc los X e XI, era m porto florescente e o se direito marítimo foi adoptado por toda a Itália. 104. Direito de sar e de ab sar. 105. Direito de ab sar. 106. Encontram-se aq i agr padas notas m ito s márias incl ídas nas d as primeiras páginas do man scrito.

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