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Energia Eolica - Gerador Eolico Com Alternador

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Sistema de frenado para generadores eólicos, en portugués, buenas imágenes. http://energiasalternativas.foroargentina.net/forum

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04/09/2015

PROJETO BOLSAS IEL-SEBRAE-CNPq PARA O APOIO AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

RELATÓRIO FINAL

LIMITADOR DE ROTAÇÃO PARA GERADOR EÓLICO

Empresa: ELETROVENTO LTDA. Aluno Bolsista: OLAVO LUPPI SILVA Prof. Orientador: PABLO SIQUEIRA MEIRELLES

Introdução
A empresa
A Eletrovento é uma empresa criada em outubro de 2001, com o auxílio do programa de Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp – INCAMP. Seu objetivo é produzir geradores eólicos de pequeno porte, visando principalmente o mercado rural e zonas que estão distantes da rede elétrica.

Objeto de estudo
Gerador eólico é um dispositivo que converte a energia cinética do ar em movimento (vento) em energia elétrica. Esta, por sua vez pode ser armazenada em baterias ou jogada diretamente na rede. Isto é conseguido pois a força do vento faz girar uma hélice cujo eixo está ligado a um alternador elétrico. O funcionamento constante desse alternador é responsável pela produção da energia elétrica de forma semelhante ao que acontece com o alternador de um automóvel. O desenvolvimento de um gerador eólico é uma tarefa que envolve diversos ramos da engenharia. O presente trabalho trata sobre o projeto de um mecanismo responsável por limitar a velocidade de rotação da hélice quando submetida a ventos intensos. A principal função desse mecanismo é preservar a integridade estrutural do equipamento quando este está submetido a condições de ventos fortes como em tempestades e vendavais. Com o seu emprego, pode-se projetar geradores mais leves; que não só facilitam sua instalação e manutenção, como também otimizam a produção de energia em um regime de ventos fracos (entre 5km/h e 20km/h); o que representa a faixa de velocidade do vento que ocorre durante a maior parte do tempo.

Planejamento do projeto
Para desenvolver este projeto, foi contratado, através do Programa de Bolsas IEL-SEBRAE-CNPq para o Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico de Micro e Pequenas Empresas, o aluno Olavo Luppi Silva, cursando o 4º ano de Engenharia Mecânica na Unicamp; sob a orientação do professor Dr. Pablo Siqueira Meireles do Departamento de Mecânica Computacional da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp. O cronograma foi planejado dentro de um horizonte de seis meses de atividades, cujas tarefas a serem realizadas nesse período eram: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Revisão bibliográfica Análise de aplicabilidade Definição da configuração do equipamento Análise e simulações Dimensionamento Construção do protótipo Testes finais

Tipos de geradores eólicos
Basicamente existem dois tipos de geradores eólicos: os de grande porte, que podem ter uma potência de 100kW à 2000kW ou mais, e os de pequeno porte que vão de 0,5kW até 5kW. Os primeiros, em geral jogam toda a energia que produzem diretamente na rede elétrica e por isso têm de trabalhar na mesma freqüência da rede (50Hz ou 60Hz). Isto faz com que seja necessário que a hélice se mantenha a uma rotação constante durante todo o tempo de operação, independente das variações instantâneas, diárias ou sazonais da velocidade do vento. Para que isto seja possível, usa-se sofisticados sistemas de controle – em especial, o controle do ângulo de ataque da hélice – a partir de sensores que medem a velocidade do vento e mandam um sinal para atuadores eletromecânicos para que girem a hélice, modificando assim o seu ângulo de ataque. Todo este sistema encarece, tanto

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o projeto, quanto a construção do gerador eólico, e só se justifica quando estamos tratando de geradores de grande porte. Nosso projeto é voltado para um gerador eólico de 1kW (portanto de pequeno porte), o que é suficiente para abastecer um pequeno estabelecimento comercial ou residência; que podem estar em locais onde não haja rede elétrica, tais como fazendas, ilhas, etc. Com este tipo de gerador, por ser de baixa potência, é possível armazenar a energia produzida em um banco de baterias de automóvel. Isto faz com que seja desejável que o rotor gire na máxima velocidade possível, até que se atinja a amperagem máxima que o sistema elétrico do gerador possa suportar. Em termos práticos, isto significa que quanto mais rápido girar a hélice, maior é a quantidade de energia armazenada nas baterias. Porém, a hélice não pode girar em velocidades muito elevadas por dois motivos: primeiro porque às tensões internas existentes no material da hélice poderiam superar as tensões de ruptura, o que ocasionaria a sua quebra; e segundo porque estaríamos produzindo energia numa amperagem superior ao que o alternador fosse capaz de suportar. Como se pretende utilizar um alternador de automóvel, para baratear os custos do equipamento,. isto se torna um fator limitante e daí vem a importância do projeto do limitador de velocidade em um gerador eólico que estará em breve disponível no mercado.

Métodos de se fazer a limitação de velocidade
Atuação mecânica x aerodinâmica
As principais formas de parar o rotor de um gerador eólico são através de ação mecânica (freios) ou utilizando-se princípios aerodinâmicos. Dispositivos mecânicos agem a partir do atrito entre pinças (ou sapatas) com um disco preso ao eixo de rotação do rotor. Esses dispositivos têm a desvantagem de dissipar uma enorme quantidade de calor quando estão em operação e por isso são utilizados quase que exclusivamente em geradores de grande porte como segundo ou terceiro mecanismo de parada; que só entram em ação quando o mecanismo principal falha. Já os mecanismos que utilizam princípios aerodinâmicos estão baseados na 2ª lei de Newton, aplicada ao movimento de rotação: Eq. 1

τ

=m⋅α

Portanto, para que seja atingida uma desaceleração, esses mecanismos procuram diminuir o torque que o vento impõe sobre as hélices do rotor. O torque, por sua vez, é definido como: O termo FL(r) representa a chamada força de sustentação que é a responsável por fazer a hélice girar. A força de sustentação, por sua vez, é definida como:

τ 1 F L  r = ⋅C L⋅ρ 2
• • • •

=∫ F L  r ⋅r⋅dr
0

R

Eq. 2 Eq. 3

⋅Ah  r ⋅V 2  r 
a

Como se pode perceber, a força de sustentação, depende de vários parâmetros, a saber: CL : Coeficiente de sustentação: constante adimensional determinada experimentalmente para cada perfil de hélice e que varia de acordo com o ângulo de ataque; ρ: Densidade do ar; Ah(r): Área da hélice projetada sobre o plano perpendicular à direção do vento. Va(r): Velocidade aparente do vento em relação à hélice.

Como é difícil termos controle sobre a densidade do ar e a velocidade do vento, os mecanismos aerodinâmicos procuram atuar fazendo-se variar a área da hélice projetada sobre o plano perpendicular à direção do vento e o coeficiente de sustentação, a partir da alteração do ângulo de ataque. Existe ainda uma terceira forma, que é a de provocar uma turbulência, a partir do descolamento da camada limite da superfície da hélice (stall), de tal forma que a equação anterior não seja mais válida.

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Métodos aerodinâmicos
Métodos que alteram o ângulo de ataque: Neste sistema, – chamado de Pitch Control – existe um mecanismo, (geralmente acionado por motor) que faz com que as pás sejam rotacionadas de forma que o ângulo de ataque da asa seja modificado. O objetivo é deixar a corda paralela à direção do vento (posição de embandeiramento = ângulo de ataque: 0º), de tal forma que a sustentação seja nula e o arrasto, mínimo. Métodos que alteram a área do rotor projetada sobre a direção do vento: Os principais métodos aerodinâmicos que limitam a velocidade do rotor a partir da diminuição da área projetada do rotor em relação à direção do vento, são três, conhecidos como: umbrella control, yaw control e teetering control. No primeiro, existe um mecanismo que permite que as hélices se dobrem para trás, como um guarda-chuva, quando o vento ultrapassa a velocidade indicada. No segundo, todo o conjunto rotor + eixo + gerador é rotacionado 90º, em torno do eixo vertical, de forma que o plano de rotação do rotor fique paralelo à direção do vento. O terceiro método é parecido com o segundo, exceto pela rotação, que se dá em torno do eixo horizontal, de tal forma que o “nariz” do rotor fique apontando para cima. Métodos que provocam o descolamento da camada limite: Uma das formas de se provocar o descolamento da camada limite é fazer um projeto cuidadoso de tal forma a induzir uma deformação controlada da hélice (em geral deseja-se uma deformação torcional) quando as forças de arrasto e sustentação aerodinâmica atingem um nível compatível com a velocidade máxima desejada. Este método, também chamado de Passive Stall Control, na prática, também acaba alterando o ângulo de ataque, porém, a variação angular é bem menor do que no Pitch Control porque, para se atingir a condição de descolamento (stall) basta rotacionar levemente a hélice de forma a deixá-la “espalmada” em relação ao vento. Este mesmo princípio também é usado de forma ativa (Active Stall Control), utilizando-se hélices mais rígidas, quando algum mecanismo ou motor promove esta pequena rotação. Pode-se ainda provocar o stall e a conseqüente turbulência, a partir de flaps – como aqueles utilizados em aviões – ou ainda pela torção apenas da ponta da pá.

Características desejadas no limitador de rotação
Olhando para as necessidades do gerador eólico de 1kW da Eletrovento, listamos as seguintes características que nos guiaram ao pensar na solução para o presente mecanismo limitador de velocidade. • • • • Deve entrar em ação quanto a rotação do eixo atingir um nível tal que esteja produzindo energia na máxima amperagem que o sistema elétrico suporta; Deve ser capaz de impedir que a velocidade de rotação do rotor não ultrapasse um certo limite que comprometa a integridade estrutural do equipamento. Deve ter um custo de fabricação e manutenção baixos, e por isso, logo de início, foram descartadas todas as soluções que utilizam dispositivos eletro-eletrônicos; Deve ter total independência dos dispositivos elétricos do gerador, pois uma eventual falha neles poderia remover a força eletro-motriz que o gerador impõe sobre o rotor, levando-o a girar a uma velocidade excessiva, mesmo em ventos não muito fortes. Deve ser de construção robusta afim de minimizar a necessidade de freqüente lubrificação, reposição de peças, etc. porque o fato de estar situado no alto de uma torre de cerca de 15m; dificulta sua manutenção. Diminuir, o quanto for possível, o número de partes móveis e/ou partes que estão submetidas a esforços cíclicos que induzem falhas por fadiga. Diminuir, o quanto for possível, o peso total do equipamento visto que este estará situado no alto de uma torre o que encarece o projeto da mesma e dificulta a instalação do equipamento.

• •

Com base nestas características que o limitador de velocidade deve ter e nas informações coletadas a partir da pesquisa bibliográfica sobre os tipos de limitadores existentes, resolvemos que a melhor opção seria adotar o método Active Stall Control, com acionamento mecânico. Neste método, com uma rotação de cerca de

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20º nas hélices, o vento não consegue fornecer o torque suficiente para manter o rotor girando e ele tende a desacelerar a partir dos atritos internos existentes. Pelo fato de termos que usar um acinamento mecânico, pensamos que seria interessante, utilizarmos os efeitos inerciais. Porém, diferentemente de outros equipamentos que utilizam contrapesos, resolvemos utilizar a própria hélice como massa de inércia responsável pelo acionamento do mecanismo de torção.

Os princípios de funcionamento do mecanismo
Regulador de Watt
O dispositivo projetado para o limitador de velocidade do gerador eólico foi inspirado em um mecanismo inventado por James Watt, no séc. XVIII, e que teve uma enorme importância na revolução industrial. Este mecanismo permitia regular a velocidade de uma máquina a vapor a partir da liberação da pressão existente dentro da caldeira. O mecanismo consiste em um eixo vertical girante preso a duas hastes articuladas que têm duas massas presas às suas extremidades. Estas hastes, por sua vez, também estão presas a duas hastes que na outra extremidade se prendem em uma bucha que desliza pelo eixo vertical. Entre a bucha e o batente superior do regulador de Watt, está uma mola de Figura 1: Regulador de Watt, mostrando compressão. Quando o eixo começa a girar, as massas – acionamento da válvula da tubulação a vapor por efeito da força centrífuga – tendem a subir, e esse movimento desloca a bucha para cima. Desta forma, conseguia-se transformar um movimento rotativo em um movimento de translação. Por fim, esta bucha era acoplada a uma haste que era responsável por fazer a abertura das válvulas da tubulação de vapor.

Pantógrafo
No mecanismo que projetamos, podemos observar que existe um comportamento semelhante; pois as hélices estão girando a uma certa velocidade e desejamos que elas se torçam quando a velocidade de rotação ultrapassar um certo patamar. Neste caso, o próprio peso das hélices estaria fazendo o papel das massas inerciais do regulador de Watt. A forma que encontramos para implementar isso foi adaptar o mecanismo de Watt, fazendo com que as duas extremidades A e B da figura 1 estivessem livres para deslizar enquanto a hélice estaria presa ao ponto C, como se fosse uma espécie de pantógrafo. Com isso, a hélice tenderia a se deslocar radialmente em relação ao eixo de rotação do rotor, quando a força centrífuga delas fosse tal que ultrapassasse a força de pré carga da mola. Porém, tal como está mostrado nas figuras 2 e 3, o mecanismo estaria fazendo apenas parte do que se deseja. Quando a força centrífuga da hélices chegasse a um certo ponto, elas tenderiam a puxar as hastes do pantógrafo (vermelhas) e estas, por sua vez, puxariam a bucha (azul) para próximo do disco de sustentação (verde), deformando, assim, as molas. As molas, mostradas na figura 3, seriam responsáveis por manter as hastes do pantógrafo sempre tracionadas a partir de uma pré-carga dada à mola quando o mecanismo é montado.

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Figura 3: Detalhe do mecanismo de pantógrafo.

Figura 2: Vista geral do mecanismo de pantógrafo do rotor.

Barras de torção
Falta, ainda, implementar uma outra parte do mecanismo que consiga impor às hélices um movimento de torção, à medida que elas se desloquem radialmente. Isso foi conseguido com a introdução de mais um par de hastes de torção (magenta) para cada hélice. As hastes de torção são fixadas ao disco de sustentação e a um pino que atravessa a base da hélice (verde). Dessa forma, criando um acoplamento rotular em cada extremidade da barra de torção, esta faz com que a hélice só possa se deslocar radialmente, se ela se torcer. O desenho abaixo mostra uma versão simplificada do mecanismo, quando ainda estudávamos a possibilidade de torcer a hélice para a posição de embandeiramento (corda paralela à direção do vento). Mais tarde – como será visto nos desenhos finais – resolvemos mudar o sentido de torção da hélice de tal Figura 4: Mecanismo simplificado das forma que, na posição do mecanismo acionado, a hélice barras de torção juntamente com o pantógrafo. fique espalmada em relação ao vento (corda perpendicular à direção do vento). Isto foi conseguido apenas modificando a posição do pino que atravessa a hélice.

Parafuso de ajuste
Um dos elementos chave para o bom funcionamento desse mecanismo é a força de pré-carga da mola; pois a velocidade de rotação em que o mecanismo começa a agir depende dela diretamente. A força de pré-carga, por sua vez depende da constante da mola (K) e da deflexão inicial (xi). Eq. 4

F pc =K⋅x i

Para que fosse possível fazer um ajuste da força de pré-carga, sem precisar alterar o tamanho das peças (no caso, das hastes do pantógrafo), foi introduzido o “parafuso de ajuste”. Esta peça é um parafuso com rosca na face externa e um furo do mesmo diâmetro que o eixo. A bucha, por sua vez, também teria uma rosca (interna) para receber este parafuso. A mola agora estaria encostada sobre o parafuso e não mais sobre a bucha. Isto permitiria que se modificasse o comprimento da mola (aumentando ou diminuindo a sua pré-carga) sem modificar a posição da bucha relativa ao eixo.

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Modelo final do mecanismo
Entre a conceituação inicial até a definição do projeto final do mecanismo tivemos que fazer algumas alterações. Dentre elas, a mais importante, foi a substituição de rótulas por juntas universais. Rótulas são dispositivos de acoplamento encontrados no mercado, que permitem rotação sobre os três eixos ortogonais mas impedem a translação sobre esses três eixos. Como pode ser visto nos desenhos preliminares apresentados na seção anterior, estávamos prevendo utilizar uma rótula em cada uma das extremidades das barras do pantógrafo e das barras de torção. Portanto, seriam utilizadas ao todo 24 rótulas. Devido ao custo dessas rótulas no mercado tivemos que Figura 5: Rótulas e juntas universais utilizadas no mecanismo abandonar esta idéia e pensar em outra solução, de torção da hélice. pois seu uso, tal como estava previsto, encareceria desnecessariamente o produto final. A solução encontrada foi substituir 18 das 24 rótulas por juntas universais, mantendo apenas aquelas que seriam utilizadas no mecanismo de torção da hélice. Essas juntas universais são dispositivos mecânicos simples, que têm dois graus de liberdade de rotação e que podem ser usinados facilmente a partir de barras de aço disponíveis no mercado.

Mecanismo de torção e do pantógrafo
Feitas as modificações necessárias no projeto para poder comportar o uso das juntas universais, o mecanismo de torção (para uma única hélice) ficou como mostra a figura 5. Repare que ao tentar “puxar” a hélice para cima, as rótulas presas às hastes fixadas à hélice obrigam que esta sofra uma pequena torção. O deslocamento radial da Hélice é guiado por um cilindro (Guia da Hélice) preso à Hélice e que desliza dentro do furo existente no Disco de Sustentação. Testes realizados com a hélice já existente e operando em outros protótipos da Eletrovento, mostraram que uma rotação de 20º é o suficiente para que criar a turbulência desejada para diminuir sua velocidade. Como critério de projeto adotamos que o máximo deslocamento radial da Hélice seria 20mm, e que nesta posição, ela estaria rotacionada em 20. A figura 6 mostra como ficou o mecanismo do pantógrafo – responsável pelo movimento radial da Hélice – isolado do mecanismo de torção. Para tornar sua compreensão mais clara, as hélices foram ocultadas. Neste mecanismo, o Parafuso Prisioneiro, se fixa à Guia da Hélice e à Hélice, atravessando o furo da Barra Giratória. Esta é montada com folga em relação ao parafuso prisioneiro, de tal forma que quando a hélice girar a Barra Giratória não desalinhe as Hastes do Pantógrafo em relação ao Eixo.

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Figura 6: Mecanismo do pantógrafo responsável por promover e guiar o movimento de translação (radial) da hélice.

Cálculos e Dimensionamento do mecanismo
Velocidade máxima de rotação
O principal fator limitante da velocidade de rotação é a máxima amperagem que o sistema elétrico do gerador eólico é capaz de suportar. O alternador utilizado consegue gerar no máximo 90A a 3000RPM. Sendo que ele não pode girar a uma velocidade superior a 3750 RPM. A relação de transmissão utilizada atualmente é de 1:15. Portanto, a velocidade máxima inicial que o mecanismo deve começar a atuar é 200 RPM (aproximadamente 21 rad/s) e a velocidade que o mecanismo deve estar completamente acionado é de 250 RPM (aproximadamente 26 rad/s).

Tip Speed Ratio (TSR)
Tip Speed Ratio é uma grandeza adimensional, que depende das características aerodinâmicas da hélice. Ela é definida como a razão entre a velocidade linear da ponta da hélice e a velocidade do vento. Portanto, conhecendo-se o raio da hélice e dispondo-se de um anemômetro para medir a velocidade do vento e de um tacômetro para medir a velocidade de rotação do eixo do rotor, é possível determinar experimentalmente o TSR. No nosso caso, a Eletrovento mediu o TSR de um protótipo que se encontra em operação que utiliza as mesmas hélices que serão utilizadas no protótipo que iremos construir e nos forneceu o valor de TSR = 3,8.

TSR=

ω VV

⋅R

Eq. 5

Como conhecemos o raio da hélice (R = 1,8 m) e já determinamos a velocidade de rotação em que o mecanismo deve começar a agir, podemos agora calcular a velocidade do vento em que o mecanismo projetado começa a rotacionar a hélice.

VV=

21⋅1,8  rad / s ⋅m ≃9, 92 [ m / s ]≃37 , 7[ km / h ] 3,8 1

[

]

Eq. 6

Analogamente, concluímos que a hélice estará totalmente espalmada para ventos superiores a 45 km/h.

Dimensionamento da Mola
O cálculo mais importante que dever ser feito para que o mecanismo projetado possa funcionar adequadamente, é o correto dimensionamento das molas. Isto envolve determinar: • • Módulo de rigidez da mola (K); Força de pré-carga (Fpc) necessária para impedir que a mola comece a se deslocar antes de 200 RPM;

8

• • • •

Deflexão inicial (xPC) correspondente à pré-carga que será regulada pelo Parafuso de Ajuste; Comprimento da mola a 200 RPM (Li), antes do mecanismo começar a agir; Comprimento da mola a 250 RPM (Lf), quando o mecanismo estiver completamente acionado. Comprimento livre da mola (L)

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Geometria O primeiro passo para realizar esses cálculos é verificar a geometria do equipamento e calcular de quanto será o deslocamento da Bucha quando a Guia da Hélice sobe 20mm. A figura 7 representa a geometria da Haste do Pantógrafo na configuração não acionada (preto) e na configuração do mecanismo acionado (azul). As linhas em vermelho representam de quanto foi o deslocamento da Bucha (Δx ) e o deslocamento da Guia da Hélice (Δy).

Figura 7: Diagrama que representa a geometria da Haste do Pantógrafo. As grandezas envolvidas no cálculo da geometria do pantógrafo, são: • • • • • • • LHP = 125 mm: Comprimento da haste do pantógrafo desde o centro de um pino até o centro do outro pino; θ = 31º: Ângulo entre a haste do pantógrafo e o eixo na configuração não acionada; y = Projeção de LHP sobre o eixo vertical, medida no protótipo virtual (modelo tridimensional do programa de CAD). Δy= 20 mm: Aumento vertical máximo quando o mecanismo está completamente acionado x = Projeção de LHP sobre o eixo horizontal, medida no protótipo virtual. Δx= ? mm: Deslocamento horizontal da bucha quando o mecanismo está completamente acionado Δθ = ? mm: Incremento angular da haste do pantógrafo quando o mecanismo está completamente acionado

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Interpretando-se a geometria do pantógrafo como um triângulo retângulo conforme mostra a figura 7, podemos determinar o valor do deslocamento Δx, a partir das grandezas conhecidas, resolvendo as seguintes equações:

yΔy =L HP⋅sen  θ
Eq. 7

Δθ Δθ
Eq. 8

xΔx =L HP⋅cos θ

Resolvendo essas duas equações, encontramos que Δx = 15,0 mm e Δθ = 11,8º. Diagrama de Corpo Livre As forças envolvidas nos principais elementos do mecanismo, isto é, aquelas que suportam esforços mecânicos que dão sustentação ao mesmo, estão descritas nos diagramas de corpo livre da hélice (figura 9) e da bucha (figura 8). Relação de grandezas conhecidas envolvidas nos DCL´s

Figura 8: Diagrama de corpo livre da hélice. • • • • • • • •

Figura 9: Diagrama de corpo livre da bucha

rCG = 0,900 m: Distância da base da hélice até o seu centro geométrico. LGH = 0,090 m: Comprimento da Guia da Hélice que corre por dentro do furo do Disco de Sustentação e se fixa na base da hélice. θ = 31º: Ângulo entre a haste do pantógrafo e o eixo na configuração não acionada; θ + Δθ= 42,8º: Ângulo entre a haste do pantógrafo e o eixo na configuração acionada; μ= 0,6: Coeficiente de atrito (estático) entre superfícies aço/aço [1]; m = 2,875 kg: Massa da hélice; R = 1,8 m: Raio da hélice; Ah = 0,22 m2: Área superficial de cada hélice projetada sobre seu plano de rotação. Onde foi necessário utilizar uma expressão da área em função do raio, adotou-se a expressão Ah(r)=(11/90)*r, que quando integrada de 0 a 1,8 nos dá o valor da área total.

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• • • • • • • • •

ρ = 1,19 kg/m3: Densidade do ar a 25ºC e 1 atm [2]. CDi = 0,8: Coeficiente de arrasto da hélice em condições normais de operação considerando o perfil NACA 4412 [3]; CDf = 2: Coeficiente de arrasto da hélice na condição do mecanismo completamente acionado. Aproximação feita a partir do coeficiente de arrasto de uma placa retangular [2]; ωi = 200 RPM = 21 rad/s: Velocidade de rotação da hélice quando o mecanismo começa a ser acionado; ωf = 250 RPM = 26 rad/s: Velocidade de rotação da hélice quando o mecanismo está acionado completamente; FCPi = m ωi2 rCG = 786 N: Força centrífuga atuando na hélice quando o mecanismo começa a ser acionado; FCPf = m ωf2 rCG = 1222 N: Força centrífuga atuando na hélice quando o mecanismo está acionado completamente; Fdi = 68,4 N : Força de arrasto total do vento quando o mecanismo começa a ser acionado; Fdf = 264,0 N: Força de arrasto total do vento quando o mecanismo está acionado completamente;

Quanto à força de arrasto do vento (FD), devemos fazer um comentário adicional, pois ela pode ser interpretada como sendo um carregamento distribuído que varia ao longo do raio da hélice segundo a expressão:

1 F D  r = ⋅C D⋅ρ 2

⋅Ah  r ⋅V 2  r 
a

Eq. 9

A Eq. 8 depende da velocidade aparente do vento em relação à hélice (Va). É possível manipular a Eq. 8 e de tal forma a deixá-la em função da velocidade do vento e do TSR: Como FD(r) representa um carregamento distribuído ao longo do raio da hélice, devemos calcular o seu valor total (Fd), a partir de sua integral. Assumindo, para simplificar os cálculos, que a distribuição da pressão ao longo da pá é uniforme, e que sua geometria é aproximadamente simétrica, vamos admitir que a resultante da força de arrasto passa pelo centro geométrico da hélice (rCG), tal como mostra a figura 9.

1 F D  r = ⋅C D⋅ρ 2
Eq. 10

⋅Ah  r ⋅V 2⋅ 1TSR⋅
v

r R

2

1 F d = ⋅ F D  r ⋅dr ∫ R 0

R

Eq. 11

Substituindo os valores e realizando os cálculos, encontramos que a força de arrasto que o vento impõe quando o mecanismo deve começar a se movimentar é de 68,5 N e quando ele está completamente acionado é de 264,0 N Relação das grandezas desconhecidas envolvidas nos DCL´s: • Rai e Rbi: Reações dos apoios na condição inicial. • • • • • Raf e Rbf: Reações dos apoios na condição final. Ti: Tração nas Hastes do Pantógrafo na condição inicial. Tf: Tração nas Hastes do Pantógrafo na condição final. Fmi: Força da mola na condição inicial (correspondente à força de pré-carga). Fmf: Força da mola na condição final.

Equações de equilíbrio Na condição inicial, em que a hélice está girando a 200 RPM mas ainda encontra-se retraída, podemos determinar as seguintes equações a partir da análise do diagrama de corpo livre da hélice e da bucha.

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Fazendo o somatório das forças que atuam na hélice na direção X, temos:

F d R a −R b =0 F CP −F at −a −F at −b −2 T⋅sen  θ
Eq. 13

Eq. 12

Fazendo o somatório das forças que atuam na hélice na direção Y, temos

=0

Porém, como sabemos que a força de atrito é o produto da normal com o coeficiente de atrito, e que a normal, neste caso são as próprias reações Ra e Rb, podemos escrever a equação anterior como:

F CP −μ

 R a R b −2 T⋅sen  θ
Eq. 14

Fazendo o somatório dos momentos que atuam na hélice em relação ao seu centro geométrico, temos:

R a⋅ r CG L GH −R b⋅r CG =0
Fazendo o somatório das forças que atuam na bucha na direção X, temos:

Eq. 15

3 T⋅cos θ

−F m =0

Eq. 16

Manipulando essas quatro equações podemos derivar as expressões para a tração na Haste do Pantógrafo (T) e a força da mola (Fm)

F CP − T=

μ r CG

⋅F D ⋅ 2⋅L GH −r CG  

Eq. 18

Eq. 17

2⋅sen  θ F m =3 T⋅cos θ

Desta forma, considerando-se os valores iniciais e finais das incógnitas destas equações, que correspondem a FCPi, FDi, θ e FCPf, FDf, θ + Δθ, respectivamente; encontramos os valores das trações e forças na mola nas condições inicial e final. • • • • Ti = 682 N Tf = 1322 N Fmi = 682 N Fmf = 3102 N

Pela lei de Hooke, sabemos que a diferença entre os valores Fmf e Fmi, é igual ao produto da rigidez da mola (K) pela deflexão sofrida Δx.

F mf −F mi =K⋅Δx
Daí tiramos que a rigidez da mola é K=161334 N/m. Com essa rigidez e a força inicial da mola que corresponde à força de pré-carga, calculamos que a deflexão inicial será de aproximadamente 4mm.

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Conclusão
Dentre as tarefas que haviam sido propostas para esse projeto, fizemos a definição do mecanismo limitador de velocidade do gerador eólico a partir da pesquisa feita (revisão bibliográfica) dos métodos existentes para tal fim. Tomamos a decisão de construir um modelo baseado nas forças inerciais. Mecanismos desse tipo já existem, porém não encontramos nenhum que se utilize do próprio peso das hélices como massa inercial. Como o esboço do mecanismo definido, fizemos o dimensionamento e a construção de um protótipo virtual, utilizando os programas de CAD Inventor e Mechanical Desktop. A partir desse protótipo virtual pudemos verificar a existência de eventuais erros de projeto e corrigi-los. A análise do protótipo virtual também sugeriu que, as próximas hélices a serem produzidas pela Eletrovento deverão ter uma pequena alteração em sua base, de tal forma a possibilitar que as rótulas do mecanismo de torção fiquem o mais próximas do seu eixo de torção. Como o dimensionamento e a finalização do protótipo virtual foram terminados na semana de entrega desse relatório, não houve ainda tempo para se construir o protótipo real e realizar a validação experimental. Esta, começará, assim que a empresa disponibilizar os recursos para a construção do protótipo. Eventuais ajustes nas dimensões sugeridas poderão ser introduzidas em função dos resultados experimentais a serem obtidos.

Bibliografia
[1] – MERIAN, J.L. e KRAIGE, L.G. – Mecânica, Dinâmica, 4ª ed. Ed. LTC [2] – FOX, R,.W e McDONALD, A.T – Introdução a mecânica dos fluidos, 5ª ed. Ed. LTC. [3] – ABBOT e DOENHOFF – Theory of Wing Sections [4] – http://www.windpower.org [5] – http://www.otherpower.com [6] – http://www.windmission.dk [7] – http://www.engr.utk.edu/~rbond/airfoil.html

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