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A confecção de máscaras em arteterapia aplicado à crianças hospitalizadas

A confecção de máscaras em arteterapia aplicado à crianças hospitalizadas

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Material enviado ao Portal Banco Cultural pela Profª Ana Cláudia Afonso Valladares (FEN-UFG) - Coordenadora do Conselho Editorial da Revista Científica de Arteterapia Cores da Vida e presidente da Associação Brasil Central de Arteterapia (ABCA)

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12/15/2012

VALLADARES, A. C. A; SOUZA, L. P.; FUSSI, F. E. C.; MUNARI, D. B. A máscara como recurso expressivo de crianças hospitalizadas. In: Mendes, I. A. C.; Carvalho, E. C, (Org.

) Comunicação como meio de promover saúde. Ribeirão Preto: Fundação Instituto de Enfermagem, v.5, p.197-201, 2000. ISBN: 85-314-0036-8.

“A MÁSCARA COMO RECURSO EXPRESSIVO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS”*1 VALLADARES, Ana Cláudia A**; SOUZA, Leila P.***; FUSSI, F. E.; MUNARI, D. B. RESUMO Através das contribuições das máscaras ao processo arteterapêutico, os símbolos inconscientes transitam pela consciência. Deste modo, contribuem para a expansão de toda a estrutura psíquica do ser humano, objetivando resgatar a qualidade de vida do indivíduo. Por isso, poderá ser de grande produtividade terapêutica, especialmente daquelas crianças enfermas e hospitalizadas. Os objetivos deste trabalho são apresentar subsídios teórico-práticos para os trabalhos de confecção da máscaras junto a crianças hospitalizadas; e de ilustrar e discutir casos de confecção de máscaras com grupo de crianças hospitalizadas. Optamos por um estudo com abordagem qualitativa, realizado na Clínica Pediátrica do Hospital das Clínicas de Goiânia, em acompanhamento coletivo. A população constituiu-se de trinta crianças hospitalizadas na faixa de cinco a doze anos. A análise dos dados ocorreu com base na mudança comportamental dos enfermos frente à confecção das máscaras e à criação dos personagens. A confecção das máscaras resgata os encantos íntimos destas crianças, trazendo à luz de sua consciência o que estava oculto pela dor e estresse vivenciados pela doença, hospitalização e tratamento. A máscara ajuda-lhes a retomar seu equilíbrio psíquico, fortalecendo seu lado saudável de viver. ABSTRACT Through the masks’contributions at Art-therapy process, the unconscious symbols travel trough conscious. This way, they contribute to the expansion of the hole human being psychic structure, the objective is rescue the individual life quality. These could be of great therapy production, especially of that sick and hospitalize children. The objectives of this work are to present the teorical and pratical subsidies relative to the application of masks confection with hospitalize children; and illustrate and discuss masks confections’cases with hospitalize children’s group. We choose a qualitative boarding study, realized at Hospital das Clínicas’Pediatric Clinic, at Goiânia, with group accompaniment. Thirty hospitalize children between five to twelve years old is the target population. The dice analysis happened on the support of the sick behavior changes front the masks confection and at characters creation. The
* Pesquisa financiada/ CNPq, vinculada ao Núcleo de Est. E Pesq. Em Saúde Integral/ FEN/UFG. ** Arteterapeuta e Coordenadora do Curso de Especialização em Arteterapia/UFG. *** Arteterapeuta, Arte-Educadora da Secretaria Municipal de Educação em Goiânia – Goiás.

masks confection rescue the hospitalize children intimate appeal, bringing to their conscious what was occult because of pain and stress disease, hospitalize and treatment experience. The mask helps to recover the psychic balance, making stronger the healthy side of living. Colocação do Problema: A arte é um registro vivo da história da humanidade. As primeiras manifestações da arte surgiram na pré-história junto a existência humana. Originalmente, a arte tinha um aspecto mágico, onde as pinturas das cavernas ou as máscaras feitas de peles de animais usadas pelo homem primitivo camuflavam o caçador, atraindo ou matando suas presas. A arte, assim como as máscaras nela inseridas, sempre estiveram presentes em todas as culturas e são manifestações de costumes, religiões e outros temas ligados à vida do ser humano e da história da humanidade. Ora estavam a serviço da vida cotidiana, como instrumento de uma técnica mágica ou como continuação da realidade; ora representavam algo profano ou sagrado, que espantavam os maus espíritos; ou ora representavam apenas algo decorativo. A arteterapia é uma modalidade de trabalho terapêutico que utiliza a arte, em todas as suas manifestações expressivas, como instrumento do processo terapêutico onde o indivíduo expressa suas imagens internas e inconscientes através de uma experiência artística. E é, por conseguinte, compreendida como ato de expressar, de comunicar e de criar, que leva a processos de desenvolvimento, transformação e auto-conhecimento (Pain & Jarreau, 1996). Em arteterapia com abordagem junguiana, a conduta é fornecer materiais expressivos diversos e adequados para a criação de símbolos presentes no universo imagético singular de cada cliente. Esse universo traduz-se em produções simbólicas que retratam estruturas psíquicas internas, do inconsciente pessoal e coletivo. Jung (1964) conceitua como inconsciente pessoal as camadas mais superficiais, aquelas que bloqueiam recordações penosas ocorridas no decorrer da vida. O inconsciente coletivo se refere às camadas mais profundas deste universo e são estruturas psíquicas comuns a todos os homens. Este processo, como cita Philippini (1995:4-5) colabora para a compreensão e resolução de estados afetivos conflituados, favorecendo a estruturação e expansão da personalidade através da criação. Dentre os vários recursos expressivos usados em Arteterapia, este trabalho visa aprofundar na utilização das máscaras. Algo fascinante para todos, objeto que disfarça, que simula e transforma. O próprio vocábulo "persona" provém do latim persona, que originalmente significa máscara, a pessoa que se transforma em outro ser. A máscara então, pode ser definida como uma cobertura, um disfarce, colocada sobre o rosto para dissimulá-lo ou substituído por outro artificial, criando assim a ilusão. A máscara corresponde ao estado rudimentar da consciência em que não há distinção absoluta entre ser e parecer e em que a modificação da aparência determina a modificação da própria essência (Chevalier & Gheerbrant ,1996:597). Como assinala Lexiron (1990:136) a máscara é uma forma muito antiga e expressiva usada freqüentemente para encobrir o rosto; servia para assustar os inimigos e era utilizada nas práticas mágicas para representar espíritos e poderes personificados de animais e homens, acentuando quase sempre, de maneira evidente, determinados traços estereotipados do caráter. A máscara está freqüentemente associada aos princípios básicos do teatro, como refere Amaral (1996:33) a máscara, como o teatro, amplia conceitos, exagera fatos, amplia a vida, mostra algo além do que aparenta.

Este termo máscara, ou persona, também é empregado dentro da psicologia analítica para caracterizar a função desempenhada por alguém na sociedade ou sua posição social. O termo está associado ao sistema de adaptação ou à maneira pela qual se dá a comunicação com o mundo. Cada estado, ou cada profissão, por exemplo, possui sua persona característica... Pode-se dizer, sem exagero, que a persona é aquilo que uma pessoa é verdadeiramente, mas o que nos mesmos e outros pensam que somos (Jung apud Jaffé, 1975:357). Assim, através da confecção de máscaras em Arteterapia, com suas inúmeras possibilidades, surgirão os símbolos necessários para a compreensão e transformação dos conteúdos inconscientes que representam. Pelas contribuições potenciais das máscaras ao processo arteterapêutico, os símbolos inconscientes transitarão para a consciência. Deste modo, contribuirão para a expansão de toda a estrutura psíquica do ser humano, objetivando resgatar a qualidade de vida do indivíduo. Por isso, poderá ser de grande produtividade terapêutica, especialmente com crianças enfermas e hospitalizadas. A doença, a hospitalização e o tratamento constituem uma "crise" na vida da criança e afetam tanto o lado físico, como o psíquico e social da mesma, determinando distúrbios comportamentais diversos, criando entraves ao desenvolvimento normal, como assinala Angerami (1996). Esses processos envolvem a perda da autonomia, a separação de pessoas e objetos significativos, a interrupção de hábitos cotidianos, além de ter que obrigatoriamente lidar com procedimentos dolorosos etc. Nestas circunstâncias, a máscara em Arteterapia não é utilizada apenas como recurso teatral, educacional ou como forma de divertir ou distrair, mas especialmente como forma de expressar conteúdos internos conflitantes. Assim, procura-se resgatar o ajustamento emocional e conseqüentemente físico e emocional da criança, contribuindo também para reduzir a atmosfera geradora de tensão e angústia no ambiente pediátrico hospitalar, por ser algo lúdico. Este trabalho é importante para profissionais da área de enfermagem, pois desconhece-se a existência de estudos que tratem da máscara junto a crianças no ambiente hospitalar. Tendo em vista que a equipe de enfermagem permanece um tempo maior com o grupo de crianças hospitalizadas, consequentemente, esses profissionais percebem, com mais intensidade, suas necessidades e anseios. Este trabalho é parte do projeto de pesquisa: “Pesquisando Caminhos para a Prevenção da Saúde Mental na Assistência em Saúde e na Formação de Recursos Humanos”. Objetivos: Os objetivos deste trabalho foram - Apresentar subsídios teórico-práticos para os trabalhos de confecção de máscaras junto a crianças hospitalizadas; - Ilustrar e discutir casos de confecção de máscaras com grupos de crianças hospitalizadas. Metodologia: Optamos por um estudo descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa. Foi desenvolvido a partir de atividades artísticas desenvolvidas na Clínica Pediátrica do Hospital das Clínicas de Goiânia / Goiás, nos períodos de 30-05-98 à 28-07-99.

Constituiu-se sempre de acompanhamento coletivo em sessões de Arteterapia não consecutivas e com grupos distintos. A população-alvo constituiu-se de catorze crianças de ambos os sexos, com idades entre dois e doze anos. Em relação a escolaridade houve variação o analfabeto ao primeiro grau incompleto. O nível sócio-econômico era baixo. Ambas as crianças encontrava-se hospitalizadas e estavam acompanhadas por cuidadores durante o processo de hospitalização e apresentavam casos clínicos diversos. De acordo com o momento do processo terapêutico propunha-se à criança a construção de máscaras como forma de expressar-se diante de sua problemática. Esta proposta era feita de maneira simples e livre, mas sempre após a temática trazida naquela sessão específica, como por exemplo a leitura de um conto de fadas. A forma de conduzir a dinâmica era absolutamente natural e espontânea, tanto por parte dos profissionais da saúde como por parte dos enfermos. O que mais importava era proporcionar à criança a oportunidade de criação das máscaras a partir de histórias e, posteriormente, a dramatização dos personagens criados como forma de exteriorizar os seus conteúdos internos. Na coleta de dados, todo o comportamento e reação da criança era observado de forma estruturada, desde a forma de sua aceitação ou não da proposta, suas expressões e/ou verbalizações, a escolha e manipulação dos materiais utilizados e o processo de elaboração do produto artístico. Após o término das sessões, registravam-se as observações por escrito na tentativa de ser extremamente fiéis aos seus conteúdos manifestos, facilitando uma posterior análise mais criteriosa. A análise dos dados ocorreu com base na confecção das máscaras e na mudança comportamental dos enfermos frente à criação dos personagens. O Comitê de Ética em Pesquisa Médica Humana e Animal H/UFG, analisou e aprovou este Protocolo de Pesquisa, bem como o termo de consentimento livre e esclarecido. E estes foram considerados em acordo com os princípios éticos vigentes, tendo sido, portanto, aprovado para sua realização. Resultados e Análise dos Dados: Os casos atendidos serão descritos a seguir: Caso A Idade: 6 anos Sexo: F Era uma criança tímida, falava pouco, mas demonstrava ser carinhosa e alegre. Na primeira sessão, iniciou a confecção de uma máscara de um gato que pintou na sessão seguinte, utilizando várias cores. No início, apresentou-se calada e apreensiva, mas foi visível sua alegria e tranqüilidade por ter construído algo seu e poder utilizá-lo ativamente durante a dramatização em sessões subsequentes. Caso B Idade: 8 anos Sexo: M Era uma criança tímida, mas comunicativa e sempre demostrava muito interesse durante as sessões. Sua primeira máscara, independente da história contada, foi a do super herói Batman. Em outras sessões, escolheu criar um leão que pintou de amarelo e com a juba de verde; durante a construção e acabamento das máscaras, ficou bastante concentrado na atividade, pedindo para

ficar numa mesa mais afastado. Na última sessão, após escutar a história, pediu para construir uma máscara de pássaro, que pintou metade de verde e a outra metade, de vermelho. Ao término das sessões, sempre apresentava-se contente com sua produção e demonstrava alegria e segurança em suas condutas. Caso C Idade: 3 anos Sexo: M Era uma criança curiosa, interessada e carinhosa e sempre participou das atividades apresentando muita alegria. Sua primeira máscara foi a construção de um gato e apesar de ser uma criança bastante irrequieta, conseguiu confeccionar e pintar criativamente a sua máscara. Na segunda sessão, escolheu um outro personagem o pato, necessitou de ajuda, mas ficou durante toda a sessão tranqüilo, permanecendo sentado absorto em sua construção. A pintura do pato foi realizada na sessão subsequente juntamente com sua dramatização. A cada sessão realizada demostrava mais alegria e carinho pelos profissionais condutores das sessões. Caso D Idade: 12 anos Sexo: M Era uma criança tranqüila mas demonstrava muita insegurança em suas condutas. A máscara que construiu foi a de uma borboleta azul com pintas vermelhas, utilizada em sessões subseqüentes para dramatização. Durante o decorrer das sessões, demonstrou muita alegria e segurança ao escolher o tipo de máscara, as cores, como também apresentou-se bastante compenetrado durante a atividade artística. Caso E Idade: 11 anos Sexo: M Era uma criança tímida mas prestativa. Na escolha do personagem que iria construir, não teve dúvidas escolheu a figura de um tigre bem valente. No decorrer das sessões, participou ativamente, demonstrando alegria e falando bastante. Caso F Idade: 9 anos Sexo: M Era uma criança aparentemente triste e insegura mas demonstrava interesse em participar das atividades. O personagem escolhido para a construção da máscara foi um leão. No decorrer da sessão, apresentou compenetração e tranqüilidade. Sua máscara foi utilizada na sessão seguinte por outro paciente para a dramatização. Caso G Idade: 12 anos Sexo: F Era uma criança que demonstrava alegria e segurança em suas ações. Após contar uma história, a criança escolheu imediatamente a figura de um leão para construir sua máscara. Durante todo o processo permaneceu atenta e exigente em sua criação. Quando pediu um papel para confeccionar a juba do leão, não aceitou que a mesma fosse na cor branca e sim amarela, pois a

cor branca simbolizaria para ela, velhice e fraqueza. Ao término da sessão, apresentava-se alegre e tranqüila. Caso H Idade: 8 anos Sexo: M Era uma criança prestativa durante as sessões. Após a história contada, escolheu criar um gato e o pintou de várias cores e de forma simétrica na máscara. Relatou ter gostado de construir a máscara e desejava fazer outras. Nas sessões seguintes, decidiu montar um coelho branco, depois um porco vermelho. Sempre após a confecção dos personagens, pôde-se observar mais tranqüilidade e alegria em seus atos. Caso I Idade: 8 anos Sexo: M Era uma criança alegre e bastante inquieta. Na primeira sessão, mencionou gostar de pato mas optou por fazer um coelho colorido. Em outras sessões, optou por fazer uma onça, uma borboleta e um pássaro. A criança apresentou-se alegre ao final das sessões. Caso J Idade: 4 anos Sexo: F Era uma criança que sempre apresentava vontade em participar das atividades artísticas apesar de estar em oxigenoterapia e necessitar da ajuda de sua mãe para realizar as atividades propostas. Em sua primeira sessão, construiu um porco e apresentou-se alegre com o personagem pronto. Na sessão subseqüente, estava nervosa e não se alimentou por falta de vontade. Aos poucos, começou a se sentir melhor. Ao final, apresentou-se mais tranqüila e pediu para se alimentar. Caso K Idade: 12 anos Sexo: M Era uma criança segura em seus atos, rapidamente escolheu confeccionar um tucano. Ao final da sessão, estava bastante orgulhoso de sua máscara. Em outra sessão, montou um tigre e apresentou-se bastante falante ao final da sessão. Caso L Idade: 10 anos Sexo: F Era uma criança muito calada, participou com tranqüilidade das sessões. Sua primeira máscara foi de um gato cinza, depois, de um pássaro vermelho. No final das sessões, percebia-se que estava mais solta, mais falante e alegre. Caso M Idade: 8 anos Sexo: F Era uma criança que inicialmente apresentava-se calada e tímida, mas prestativa. Aos poucos, foi se soltando, especialmente após o término dos trabalhos. Os seus trabalhos foram a construção de

um gato colorido, depois de um coelho com orelhas vermelhas e uma borboleta colorida. A paciente apresentou feições mais alegres e tranqüilas. Caso N Idade: 10 anos Sexo: F Era uma criança tranqüila e calada, mas reclamando de dores na primeira sessão. Criou um coelho, mas não conseguiu terminá-lo. Na sessão seguinte, estava mais falante e alegre e confeccionou um coelho cinza e um pássaro amarelo. Conclusões: As crianças internadas formam um contingente significativo nos hospitais gerais. Destas crianças, grande parte está, e provavelmente continuará, desenvolvendo bloqueios no seu crescimento normal, devido às tendências apresentadas nos atendimentos terapêuticos atuais, expressos através de reações de apatia, isolamento, tristeza, hipoatividade e impotência. No que se refere aos casos específicos aqui apresentados, constatou-se que estas crianças, enfermas em um processo terapêutico, ao construírem máscaras, puderam resgatar aspectos mais saudáveis e estruturantes da personalidade. Isso reforça a afirmativa de que é possível minimizar os aspectos desfavoráveis da hospitalização. Verificou-se ainda que as crianças hospitalizadas, quando colocadas frente a materiais de caráter lúdico e potencialmente expressivos, como as máscaras, manifestam-se criativamente. Esse fato foi demonstrado pela produção final e pela significação simbólica dados a ela, conforme a percepção individual sempre atinente a seus conteúdos próprios. Este processo evidenciou-se pela mudança de comportamento e manifestou-se por um melhor equilíbrio emocional das crianças ao término das sessões. Observou-se que cada criança, construindo suas máscaras, lidou melhor com suas fantasias latentes bloqueados pelo processo de hospitalização. Esse processo assemelha-se a um ritual mágico onde, em alguns instantes, a criança pode ser transportada para um mundo específico, só seu. A construção das máscaras, por ser um exercício de caráter lúdico, ganha sentido nos ambientes hospitalares, favorecendo ainda, a reconstrução dela própria, através de sonhos e do criar com materiais expressivos, passando da reflexão à sua prática de vida. A possibilidade dessa criança manifestar, refletir e confrontar-se com diversas questões que lhe são pertinentes ao processo de vida, doença, internação e tratamento, podem favorecer uma melhor elaboração e, conseqüentemente, adaptação à condição de ser ou estar doente. A máscara resgata os encantos íntimos dessas crianças, trazendo à luz de sua consciência o que estava oculto pela dor e estresse vivenciados na doença, hospitalização e tratamento. A máscara as ajuda a retomar seu equilíbrio psíquico, fortalecendo seu lado mais saudável de viver. Importa destacar, então, a chance da construção das máscaras como co-participante na elaboração da imaginação e fantasias internas e dissolução de bloqueios emocionais dessa clientela. A manipulação, criação e construção de personagens é, necessariamente, ponto de relevante importância na mudança de comportamento dessas crianças. Nesta perspectiva, o atendimento à criança hospitalizada implica não apenas o atendimento ao aspecto biológico da doença, mas o resgate a um ser autônomo e criativo, proporcionando oportunidades de desenvolvimento em todos os seus aspectos biopsicossocial. Estas estratégias objetivam a prevenção, remediação e recuperação da saúde do enfermo com

menos sofrimento e proporcionando-lhe uma vida mais saudável dentro de um ambiente tão adverso. Referências Bibliográficas: 1- ANGERAMI, V. A et al. E a psicologia entrou no hospital. São Paulo, Pioneira, 1996; 2- AMARAL, A M. Teatro de formas animadas. São Paulo, Edusp, 1996; 3- CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A Dicionário de símbolos. 10 ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1996; 4- JAFÉ, A Memórias, sonhos e reflexões. 14 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975; 5- JUNG, C. G. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1964; 6- LEXIKON, H. Dicionário de símbolo. São Paulo, Cultrix, 1990; 7- PAIN, S.; JARREAU, G. Teoria e técnica da arteterapia. A compreensão do sujeito. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996; 8- PHILIPPINI, A. Universo Junguiano e Arteterapia. In: Imagens da transformação. Rio de Janeiro, v. 2, n. 2: 4-11, ago. 1995.

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