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Microfinanças – Estudo de Caso AMODER

Microfinanças – Estudo de Caso AMODER

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Microfinanças. Um Estudo de Caso: AMODER em Moçambique.
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Micro nanças Um estudo de caso: Amoder em Moçambique

MICROFINANÇAS
– Um estudo de caso: Amoder em Moçambique

Este trabalho representa apenas o ponto de vista dos seus autores e não pode, em qualquer circunstância, ser considerado a posição o cial ou um compromisso formal por parte da Comissão Européia.

oikos: Micro-Finanças em Moçambique / Março 2006

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Índice

1. Microfinanças / Microcrédito como estratégia na luta contra a Pobreza e a Exclusão Social em Moçambique 1.1. Origem da Microfinança e do Microcrédito 1.2. Microfinanças em Moçambique 1.3. Enquadramento legal da Microfinanças e do Microcrédito em Moçambique 1.4. Impacto do Microcrédito em Moçambique

2. AMODER – Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural 2.1. Introdução 2.2. Situação do Desenvolvimento Humano e Económico da Província de Niassa 2.3. Estrutura Organizacional da AMODER 2.3.1. Missão e Objectivos da AMODER 2.3.2. Tipos de actividades de crédito desenvolvidas pela AMODER 2.3.3. Factores que influenciaram nas actividades de organização entre os anos 2003 e 2004 2.4. Situação da Carteira da AMODER em 2003 e 2004

3. Conclusão 4. Referências Bibliográficas

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1. Microfinanças / Microcrédito como Estratégia na luta contra a Pobreza e Exclusão Social em Moçambique

1.1 Origem da Microfinança e Microcrédito Existe uma série de actividades com uma lógica de funcionamento semelhante ao microcrédito, embora tenham a ver com outro tipo de serviços financeiros, pertencendo, assim, à esfera microfinança, tal como o microcrédito. Interessa, assim, esclarecer os conceitos de microcrédito e de microfinança, de modo a evitar a confusão entre os conceitos. Por microfinanças entende-se como a concessão de um conjunto de serviços financeiros de pequena escala a famílias pobres que podem assumir a forma de pequenas poupanças, créditos, seguros, transferências e de capital de risco. O microfinança, num sentido lato, pressupõe a atribuição de serviços como: a concessão de microcrédito ou de pequenos empréstimos (podendo ser mesmo de taxa zero ou com baixas taxas de juro); a constituição das relações informais entre credores e investidores; a concessão de garantias (de grupo ou de poupança obrigatória); a promoção de pequenas poupanças com taxas de juro atractivas; a constituição de micro seguros, como mecanismo de salvaguarda para as famílias mais pobres; a concessão de financiamentos de força de trabalho ou em géneros a iniciativas produtivas; entre e outras. E por microcrédito, entende-se exclusivamente a concessão de empréstimos, de pequeno montante, que se destinam a promoção do aumento de rendimentos, à criação de emprego e ao alívio da pobreza dos seus beneficiários, bem como o financiamento do arranque ou da expansão de microempresas ou simplesmente de pequenas actividade de geradoras de rendimento. Apesar de microcrédito não criar imediatamente um potencial económico, este é um meio para atingir, pois os serviços de crédito proporcionam-lhes a utilização de capital antecipado para o consumo ou para investimento em actividades produtivas, impelindo os beneficiários a utilizar o seu potencial humano em actividades mais lucrativas, que promovem geração de rendimentos. O conceito de Microcrédito nasceu no Bangladesh, nos finais dos anos 70, com o Professor de Economia Rural, Muhammad Yunus e o Grameen Bank (Índia), “O Banco das ideias” que tinha como premissa básica, a criação de um sistema bancário baseado no

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mutualismo, na confiança, participação e criatividade, concedendo empréstimos de baixo valor a pequenos empreendedores informais e micro-empresas sem acesso ao sistema de crédito tradicional, principalmente, por não oferecerem garantias reais. O Microcrédito, muitas vezes e utilizado para designar instrumentos diversos como o crédito agrícola ou rural, o crédito cooperativo, o crédito ao consumo, crédito e empréstimos associativos ou mutualistas. Segundo Muhammad Yunus e o Grameen Bank, existem varias classificações e categorias de Micro-Crédito, cujas características são: • • • • Promover o crédito como um direito do Homem; Conceder crédito dirigido aos pobres, especialmente mulheres, tendo por missão ajudar as famílias pobres a ultrapassar o limiar da pobreza; Basear-se na confiança e não em garantias reais ou contratos judicialmente accionáveis; Créditos concedidos para a criação de auto-emprego através de actividades geradoras de rendimentos, bem como à habitação para os pobres, por oposição ao crédito ao consumo; Desafiar os bancos convencionais que rejeitam os pobres por não os considerar dignos de um crédito, o Grameen rejeita a sua metodologia e criou a sua própria metodologia; Providenciar serviços ao domicílio baseado no princípio de que o banco deve ir ao encontro dos indivíduos; Para obter um empréstimo, o tomador tem de integrar um grupo de beneficiários; Todos os empréstimos podem ser concedidos sucessivamente. Um novo empréstimo é concedido quando o anterior é reembolsável; Geralmente, estes empréstimos são concedidos por organizações sem fins lucrativos. Os bancos hoje em dia, já começam a admitir que o microcrédito é viável, desde que as capacidades da pessoa em causa sejam acima da média, tenha um excelente projecto de negócio e um eficaz acompanhamento durante os primeiros períodos do negócio, podendo a curto prazo ter sucesso e gerar rendimentos que permitam pagar os empréstimos contraídos. O Microcrédito deve ser encarado como instrumento e ferramenta do combate à exclusão social e como factor impulsionador de desenvolvimento. O Microcrédito é particularmente destinado a quem não possui garantias que possam servir de colateral ao empréstimo envolvido. Cabe à Sociedade civil, Bancos, Governos e Organizações Não Governamentais mentalizarem- -se de que um projecto de Microcrédito não é uma iniciativa de solidariedade, mas sim um projecto que aposta no

• • • •

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espírito empreendedor e de inovação das pessoas economicamente excluídas no âmbito de uma estratégia de responsabilidade social. Vantagens do Microcrédito SOCIAL Promove a iniciativa comercial Promove a mentalidade da verdade, compromisso e responsabilidade Promove a diminuição da taxa de desemprego e exclusão social Promove uma boa imagem dos bancos Promove a formação qualificante dos beneficiários Promove estratégias e medidas alternativas para as pessoas desempregadas, inactivas e reformadas POLITICAS EMPREENDEDORAS Cria novas empresas Cria novos Negócios Cria novos empregos Cria a sustentabilidade e prosperidade das populações desfavorecidas Cria a produtividade, inovação nos respectivos sector a investir Cria a competitividade e crescimento da economia local e nacional

1. 2. Microfinanças em Moçambique Em Moçambique as microfinanças emergiram aquando do estabelecimento relativo do clima de paz. Apesar do sucesso das experiências do Grammen Bank (Bangladesh), Banco Sol (Bolívia) e Rakiat na Indonésia, os empreendedores em Moçambique pouco acreditavam no desenvolvimento desta actividade no país. Consequentemente, quando a World Relief anunciou em 1993 que iria começar uma operação de pequenos bancos nas vilas com intenção de atingir o mais pobre dos pobres, os investidores encararam a ideia com muito cepticismo (De Vletter, 1999:2). Nesta fase, as microfinanças eram uma variável pouco valorizada associada à transição das Organizações não governamentais dos programas de emergência para programas de desenvolvimento que tipicamente abrangiam um número integrado de componentes, tais como treinamento para negócios, crédito (habitualmente subsidiado), treinamento de habilidades e extensão agrícola. Nos anos 90, o IRAM (Institute de Recherche d’Aplications dês Methodes de Dévelopment) estuda a possibilidade de iniciar um programa sustentável de microfinanças em oikos: Micro-Finanças em Moçambique / Março 2006 5

certas províncias e um programa piloto envolvendo instituições de Microcrédito de grupos solidários foi estabelecido em 1997 em Maputo. Um ou dois anos depois da experiência da World Relief, a organização humanitária CARE começou com um programa de grupos solidários emprestando dinheiro às pessoas em várias cidades de Moçambique.1 A partir desta época, as microfinanças tornaram-se reconhecidas como uma ferramenta eficiente para o desenvolvimento, as ONG´S testemunharam resultados impressionantes, deixando (as microfinanças) de ser pouco valorizadas e vistas como uma variável minimalista dos programas de desenvolvimento, passando a uma estratégia prioritária em Moçambique. Com a adopção do Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta (PARPA), em Moçambique todas as estratégias políticas e programas governamentais prosseguem o objectivo central de redução da pobreza absoluta, através de esforços de promoção do desenvolvimento económico e social. É papel do Estado o fomento das infra-estruturas humanas e físicas e institucionais e de provisão dos serviços básicos que criem um ambiente favorável e indutor de expansão da iniciativa, acção e investimento privados. Por esta via, ampliam-se as possibilidades do necessário crescimento económico e inclusivo, que é um factor crítico para o aumento do emprego e, consequentemente, para o progresso sustentável na redução da pobreza. Os pobres precisam de facto de quaisquer serviços financeiros de empréstimo ou poupança para suster as suas necessidades, mas questões ligadas ao nível cultural e fracas habilitações literárias tornam difícil o acesso às instituições formais financeiras para resolver suas necessidades. É neste contexto que surge o microcrédito, como uma das formas ou fonte de solução do problema de falta de acesso aos serviços financeiros para as pessoas pobres, através de pequenos empréstimos concedidos a este grupo. As microfinanças não são uma solução para o combate à pobreza, mas sim uma alternativa para os pobres contra a exclusão social e o acesso ao dinheiro, é este segundo aspecto que irá por via das actividades a serem desenvolvidas, ajudar aos pobres a serem auto-suficientes. O combate à pobreza passa também pela capacidade dos pobres poderem poupar, e assim poderem realizar micro empreendimentos e investimentos.

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O sucesso da experiência da World Relief ultrapassou todas as expectativas mesmo as mais pessimistas, a organização registou taxas de reembolso e de cumprimento dos procedimentos na casa dos 100% por parte de seus beneficiários, e sentiu até a necessidade de aumentar o volume do crédito.

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Dada a falta de poupanças que esta camada tem vindo a manifestar, o microcrédito torna-se alternativa para o aumento do rendimento, do qual uma parte poderá ser para o consumo e outra para a poupança, que resultará em investimentos em futuras actividades. O conceito de Microfinança nasce em 1995, tendo como intervenientes principais a AJM actualmente Secretaria da Cooperação Internacional (SCI) e a Cooperação Suíça para pesquisa das formas tradicionais de crédito e de poupança em Moçambique, tendo como missão primária, o apoio ao lançamento de um projecto-piloto de Micro-Crédito para futuros micro-empresário, tendo como sector alvo a Educação e Saúde, consoante os resultados e eficácia das actividades realizadas, passaria-se para uma Instituição vocacionada ao sector da Micro-Finanças2. A 13 de Outubro, é promulgado o Decreto do Conselho de Ministro nº 53/98 que autoriza a abertura da primeira Instituição de Micro-Finanças em Moçambique (Tchuma), tendo como capital social Três Mil Milhões de Meticais e como accionistas institucionais o Fundo de Desenvolvimento Comunitário (FDC) e a SCI. Actualmente, o Novo Banco é a maior Instituição de Microfinanças a operar em Moçambique, mais especificamente na área do Microcrédito3. O Novo Banco detém cerca de 19% do total dos clientes das Micro-Finanças e 46% do total da respectiva carteira de crédito. Seguem-se o SOCREMO e TCHUMA que completam a lista das instituições de Microfinanças operando numa base comercial. No âmbito do projecto do Centro para a Promoção de Serviços Financeiros Rurais foi concedida ao Novo Banco uma facilidade de um fundo de crédito no valor de dois Milhões de dólares americanos, com o intuito de possibilitar a expansão da sua carteira de créditos. À semelhança de outras Instituição de Microfinanças o Novo Banco está a expandir a sua presença e actividades a outras regiões do país, nomeadamente para a Beira, Nampula e Chimoio. A sua carteira de clientes inclui pequenas e médias empresas dos sectores da construção, panificação, confecções, cabeleireiros, mobiliários e aviários. Duas outras instituições de Microcrédito, ligadas a ONG´s operam na província de Quelimane, com destaque para a Karela “Enriquecer na língua local” que concede empréstimos a grupos de quatro ou cinco mulheres com rendimentos baixos e incertos que se dedicam à pesca e ao comércio de peixe, à apanha e comércio de frutos ou serviços de
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Veja-se Africa.sapo.pt www.cpsfr.org.mz

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transporte de pessoas de bicicletas entre o campo e a cidade. O valor máximo por cada empréstimo é de 500 mil Meticais (menos de 20 Euros), por prazos de 16 semanas e com reembolsos semanais. Em Moçambique, o sector de Microfinanças é ainda muito deficitário, em 2005 apenas contava com 55000 clientes e uma carteira de 15,4 milhões de USD4. Moçambique é um país em fraco desenvolvimento; isto deve-se ao facto de Moçambique possuir um sistema financeiro pouco desenvolvido, um défice de crescimento e graves disparidades sectoriais e espaciais entre Maputo e o resto do país. A conjuntura financeira está marcada por uma redução da desvalorização do metical e por uma progressiva meticalização da economia. No que diz respeito a créditos bancários, as taxas de juros praticadas pelos bancos são bastantes elevadas e situam-se na ordem dos 31%, criando na maior parte das vezes o sentimento de exclusão social por parte das famílias e pessoas que não possuíam garantias financeiras e patrimoniais para recorrerem o credito tradicional. O sector bancário formal caracteriza-se por uma forte concentração de quatro bancos (BIM, Banco Austral, BCI, Standard Bank) que concentram 93% do activo. No sector informal as famílias tem optado pela prática do (xitique)5, em detrimento do depósitos nos Bancos. È conveniente que as Instituições Financeiras moçambicanas, criem mecanismos, estratégias e politicas de aliciamento dos clientes rurais, uma vez que 85% da população activa se encontra no meio rural, as populações rurais representam 78% da população moçambicana e 57% da população dispõe de uma poupança. Sendo assim, as instituições financeiras, deveriam favorecer o acesso aos serviços e produtos financeiros das populações rurais que até ao momento se encontram mal servidas. Cabe à Microfinança tomar um papel preponderante no contexto politico, social e económico, favorecendo o equilíbrio, igualdade e a distribuição da riqueza pelo país, e por outro lado permitindo o desenvolvimento autónomo e sustentável das comunidades desfavorecidas e excluídas da sociedade.

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www.cpsfr.org.mz São sistemas informais de depósitos em pequena escala que existem em Moçambique, especialmente nas zonas rurais, que providenciam às populações rurais o acesso as poupanças geradas localmente e funcionam como uma certa alavanca em períodos de desequilíbrios económicos.

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Em Moçambique, o sector das Microfinanças é caracterizado pela presença de vários actores e doadores que investem no sector. O Banco de Moçambique tem desempenhando o papel de Entidade meramente reguladora e fiscalizadora. Os Operadores de Microfinanças regem-se pelo Regulamento das Microfinanças (RMFs)6. Em Moçambique, a Caixa Comunitária de Crédito e Poupança (CCCP) e o Novo Banco são as Instituições Financeiras que apresentam maior número de clientes, tendo as duas mais de 7000 clientes, isto deve-se à metodologia utilizada por elas, no que concerne à CCCP, tem optado por uma politica de empréstimos em que privilegia as associações constituídas por grupos solidários, reduzindo assim o grau de risco. A Amoder, embora esteja no sector a longos anos, a sua carteira de clientes e muito reduzida, isto deve-se ao facto da Amoder promover a concessão de crédito para a realização de iniciativa local às pequenas e médias empresas (PME´s), privadas e nacionais quer sejam individuais, associações ou cooperativas, desde que estajam legalmente constituídas. A Amoder, tem utilizado uma estratégia de colocação de crédito no sector das PME´s, excluindo nesta fase o financiamento de micro-empresas rurais, a não ser que se estabeleçam parcerias com as ONG´s locais ou outras formas associativas, esta estratégia baseia-se no facto de existirem altos custos operacionais, limitados resultados, ausência de economia de escala e pela dispersão geográfica que não permite o acompanhamento conveniente do crédito. Em Moçambique, como em qualquer outro país em vias de desenvolvimento, as mulheres são alvos fáceis da exclusão social, uma vez que ainda existem alguns preconceitos no seio das sociedades africanas. Mas em Moçambique, cabe ao sector da Microfinanças ajudar a contornar a situação conforme ilustra o gráfico acima. A elevada taxa de mulheres, pode ser um indicativo que as Instituições de Microfinanças estão abranger as camadas mais pobres e desfavorecidas de Moçambique, ao mesmo tempo que está a ter um impacto na melhoria das condições de vida dos agregados familiares, em particular dos agregados chefiados por mulheres. São motivos para esta maior canalização de microcrédito para as pessoas de sexo feminino, o seguinte:
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Banco de Moçambique.www.bancomoc.mz, Regulamento das Micro-Finanças, Decreto nº 57/2004, de 10 de Dezembro.

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• Por razões genéticas e sociais, as mulheres têm menos oportunidades de emprego no sector formal e em face disso, elas dedicam-se, para além, de actividade domésticas a outras de rendimento mas de pequena escala (auto-emprego). • A maior parte delas desenvolvem as suas actividades dentro do sector informal, e sobretudo, a actividade comercial, que por sinal é a que apresenta as maiores taxas de giro do capital. • As mulheres apresentam uma menor taxa de delinquência, comparativamente aos homens cujas as taxas de reembolsos são muito baixas. As mulheres a quem está a ser atribuída a igualdade de acesso ao sistema de financiamento do Microcrédito, não só tem provado que são pessoas idóneas e cumpridoras nos reembolsos, como excelente micro-empresárias. Em consequência, elevaram o seu estatuto, diminuíram a dependência em relação aos seus maridos, investiram nas suas casas e reforçaram a nutrição dos seus filhos. A maior parte destas mulheres são comerciantes informais, pequeno micro-empresárias do sector industrial e de algumas organizações ligadas ao sector de prestação de serviços. Os rácios da carteira de risco, para a maior parte das Instituições de Micro-Finanças em Moçambique, tem estado a diminuir, desde o ano 2000, contudo, ainda não estão nos índices recomendáveis pelo Manual de boas práticas. As boas práticas, definem 1% como a parcela de carteira em risco para prazos de mais de 90 dias, este gráfico ilustra de forma visível como as IFM se posicionam, sendo que, a MEDA consegui alcançar 1,1% da carteira de risco em 2001, o que significa um indicador, no cumprimento da normas das boas praticas vigentes. A Socremo apresenta-se como a melhor IFM em termos de gestão de carteira, enquanto que a AMODER, possui a pior qualidade de carteira, com rácios a variarem entre os 18% para mais de 30 dias e 59 para mais de 90 dias.

1.3. Enquadramento legal da Microfinança e Microcrédito em Moçambique O enquadramento legal das Micro-Finanças em Moçambique pode ser caracterizado de duas maneiras distintas: Micro-Finanças autorizadas a captar depósitos e Micro-Finanças autorizado apenas a conceder crédito.

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Quanto às Micro-Finanças autorizadas a captar depósitos, ou seja a realização de operações bancárias restritas, nos termos definidos pela lei 9/2004 (lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras) de momento ainda não carece de uma legislação específica (em preparação). Em relação às Microfinanças autorizado apenas a conceder crédito hoje estão regulamentadas pelo Decreto nº47/98 de 22 de Setembro e pelo aviso 1/GGBM/99, que fixa fundos mínimos a afectar no exercício das Microfinanças. Foi estabelecido no Decreto nº 47/98 um montante de 50 Milhões para Entidades autorizadas a desenvolver actividade de Micro-Finanças, o montante dos créditos não pode exceder ao valor declarado ao BM, alocado à sua actividade, devendo aplicar taxas de juros livres. Micro-Finanças em Moçambique é caracterizado como actividade que consiste na prestação de serviços financeiros essencialmente em operações de reduzida e média dimensão7. Em Moçambique, os operadores de Microfinanças ou Instituições de Microfinanças (IMF), caracterizam-se por serem Entidades Singulares ou Colectivas que se dedicam, com carácter habitual e profissional à actividade de Microfinanças. No que concerne a supervisão ou controlo, cabe ao Banco de Moçambique (BM) realizálas, para tal o BM executa supervisão prudencial8 e supervisão monitorizada9. 1. 4. Impacto do Microcrédito em Moçambique O Microcrédito tem desempenhado um papel activo no combate a redução do índice de incidência da pobreza, neste momento o impacto é mais notório nas zonas rurais, onde a taxa passou de 70,5%, para 54,6%10, esta redução reflecte-se no melhoramento das condições de vida da população, sobretudo na provisão dos serviços sociais básicos. Actualmente, 70,5% dos agregados familiares tem um mercado ao alcance em menos de uma hora de caminhada. Em Moçambique observa-se o crescimento do movimento de cidadãos das zonas rurais para a cidade, e o aumento dos níveis de desemprego e
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Banco de Moçambique.www.bancomoc.mz, Regulamento das Micro-Finanças, Decreto nº 57/2004, de 10 de Fevereiro. 8 Supervisão centrada na fiscalização e acompanhamento do cumprimento de normas de natureza prudencial, nomeadamente sobre rácios de solvabilidade, reservas obrigatórias, limites de risco, tendo em vista a protecção do sistema financeiro como um todo e segurança dos fundos públicos em cada Instituição. 9 Mero acompanhamento da prestação de serviços financeiros por operadores de microfinanças que não seja Instituições de crédito nem Sociedades financeiras, focalizadas na recepção de informação sobre serviços financeiros por eles realizados, para fins estatísticos. 10 Veja-se www.bip.gov.mz , Relatório anual de sua Excelência Joaquim Alberto Chissano, Presidente de Moçambique

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pobreza. O Governo moçambicano tem efectuado um esforço acrescido, no sentido de criar mecanismos de promoção de emprego através de acções de formação Profissional e de desenvolvimento de pequenos projectos de geração de rendimentos. A implementação de estratégias da Comercialização Agrícola tem permitido a identificação dos problemas rurais e o plano de soluções multisectoriais que vão desde a reabilitação de vias de acesso, à recolha e compilação de informações sobre mercados, preços dos produtos agrícolas e a sua disseminação em línguas locais com o uso das rádios comunitárias. Sendo assim, esperam-se resultados positivos de modo que possam contribuir de forma eficaz e eficiente na vida quotidiana dos camponeses, tendo estes a possibilidade de adquirir alguns conhecimentos fundamentais para uma melhor compreensão da sua actividade produtiva e para a elevação do seu nível de vida. Constituem esforços notórios no sector da Agricultura o lançamento de programas do arroz, soja e o fomento da fruticultura, no sector pesqueiro o desenvolvimento da aquacultura. No contexto económico em que Moçambique se encontra, exige-se uma maior articulação entre as IMF e o governo, uma vez que as populações rurais já começam a exigir estabelecimentos bancários nos seus distritos e localidades para guardarem as suas poupanças quando conseguem comercializar parte da sua produção. Reclamam por melhores vias rodoviárias, serviços públicos e por um melhor abastecimento da água, energia e comunicações de forma que possam assegurar o escoamento dos seus excedentes agrícolas.

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Parte II 2. AMODER – Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural 2. 1. Introdução O estudo apresenta algumas das contribuições do microcrédito na redução de pobreza em Moçambique no geral e em Niassa em particular. Niassa, situa-se no norte de Moçambique e tem uma superfície total de 120.074 Km². Faz fronteira internamente com as províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia; e externamente faz fronteira com Malawi e Tanzânia. Niassa possui uma densidade populacional de 1.027.179 dos quais 505.179 são homens e 521.853 são mulheres, apesar de ser a província que possui a maior extensão territorial nota-se um défice no que concerne a densidade populacional. Metodologicamente recorreu-se a amostragem e, a principal técnica de recolha de informações usada foi a dos inquéritos submetidos a 60 beneficiários de microcrédito na província de Niassa, concretamente na cidade de Lichinga, distrito de Cuamba e distrito de Mandimba, cruzando-se depois com a informação recolhida junto de 6 operadores de microcrédito. As instituições de microcrédito privilegiam apenas o crédito de curto prazo, destinado maioritariamente para o sector comercial, num país onde a agricultura é a base da economia e a maior parte da população reside nas zonas rurais. Niassa é uma província onde a maioria da sua população vive nas zonas rurais e tem um alto potencial agrícola devido à boa qualidade dos solos e às chuvas regulares.

2. 2. Situação do Desenvolvimento Humano e Económico de Niassa De acordo com o relatório do Desenvolvimento Humano de Moçambique 1999 (RDHM99) o índice de desenvolvimento humano (IDH) de Niassa para 1998 foi estimado em 0,227. Niassa é uma província localizada no norte de Moçambique, actualmente é a quarta província com o melhor índice de IDH em Moçambique, mas com melhor (IDH) entre as províncias da região norte (Ministério de Plano e Finanças, 10:200). A província de Niassa representa 16% da superfície total do país, sendo por isso a maior província de Moçambique. Em contrapartida, Niassa possui a menor população. Com uma população estimada em 849 mil habitantes em 1999. A zona rural em Niassa é a mais povoada, comportando cerca de 76,61% dos habitantes da população total da província, da popu-

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lação pobre na província 77,86% vive na zona rural e 22,14% vive na zona urbana (Ministério de Plano e Finanças, 2000). Entre 1996 e 1998, a economia da província de Niassa produziu cerca de 2,6% do produto interno bruto (PIB) nacional. A agricultura contribuiu com cerca de 51% da produção da província de Niassa, seguindo-se o comércio com 14%, a indústria manufactureira com 7%, os transportes e comunicação com 6%, e as florestas com 4%. Em termos de PIB per capita, a economia de Niassa cresceu de 97 US$, em 1996, para 128US$, em 1998, ou seja, um crescimento económico médio de 15% ao ano, em termos nominais, e 14% em termos reais. Do ponto de vista da estratégia da redução da pobreza, esta grande dependência da população da agricultura e a fraca actividade terciária e industrial são preocupantes. A província tem um alto potencial agrícola devido a boa qualidade dos solos e as chuvas regulares, e é caracterizada por um clima tropical húmido. A agricultura é a principal actividade da província e em grande parte as culturas estão sujeitas à acção de animais selvagens (elefantes, macacos, porcos de mato), o que afecta bastante a segurança alimentar da população. A província de Niassa possui as zonas de economia alimentar, onde as famílias conseguem mais ou menos da mesma maneira alimentarem-se e obterem um rendimento: Zona produtiva Centro-Norte (distritos de Cuamba, Mecanhelas, Mandimba, Metarica, Maúa e Nipepe). Esta é a zona muito produtiva com o milho, mapira, mandioca, feijão, amendoim e o arroz como principais culturas alimentares. Existem culturas de rendimento como algodão, tabaco, cana-de-açúcar, banana e alguns distritos o girassol. A pecuária, a pesca e caça são praticadas como actividade secundárias. Zona Noroeste (distritos de N´gauma, Lichinga, Muembe, Sanga e Lago). Esta zona também tem boas condições de produção agrícola, com muita produção de batata reno, batata-doce e feijão, alem de culturas produzidas em toda província (mandioca, milho, mapira, e pouco amendoim e arroz). As principais culturas de rendimento, alem da batata e feijão, são o tabaco e a cana-de-açúcar. A pesca é uma actividade muito importante para as famílias que vivem nas margens dos rios do Lago Niassa. Zona Norte Isolada (distritos de Mavago, Majune, Marrupa e Mecula). É uma zona pouco habitada, as condições para a produção agrícola são boas, mas perde-se grande parte das culturas devido aos estragos provocados pelos animais selvagens. As principais cul-

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turas alimentares são: milho, mandioca e arroz. As culturas de rendimento são tabaco e cana-de-açúcar cultivada por poucas famílias. A pesca é praticada nos rios em todos os distritos. A existência de infra-estruturas sociais numa região e o acesso à população dessa região, contribui para o seu bem-estar social. As vias de acesso são importantes por garantirem uma maior comunicação entre diferentes zonas da região, permitindo deste modo uma melhor circulação da população assim como de bens e serviços. A rede comercial é pouco desenvolvida na província, com a excepção de alguns distritos como Lichinga, Cuamba e os distritos fronteiriços com Malawi (Mecanhelas e Mandimba), sendo a situação muito problemática nos distritos do interior, Mecula, Mavago, Majune, Marrupa e Nipepe. A principal causa dos problemas comerciais apontam-se as péssimas condições das vias de acesso, principalmente no tempo das chuvas, assim como a inexistência ou destruição das infra-estruturas físicas (mercados e lojas), e a falta de capital para reabilitação e investimento nos negócios. Apesar de existirem condições favoráveis para a produção agrícola em quase toda a província, as famílias pobres em geral só produzem o suficiente para 6 a 8 meses. O resto do ano trabalham em troca de comida, compram ou recebem donativos, consomem frutos silvestres e reduzem o número das refeições. Fora da produção as principais fontes de rendimento são o ganho-ganho, venda de bebidas alcoólicas e produtos artesanais para as famílias pobres; e o comércio e emprego para as famílias médias e ricas.

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2. 3. Estrutura Organizacional da AMODER A AMODER, Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural, foi fundada em Setembro de 1993, é uma pessoa colectiva que não tem por fim o lucro económico dos associados, dotada de personalidade jurídica, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, regendo-se pelos presentes estatutos, pelo respectivo regulamentos externos e demais legislação aplicável. Os fundos da AMODER acumulados provêm principalmente de doações e fornecimentos de roupa usada pela comunidade dos Países Nórdicos, remetida para Moçambique pela ONG Sueca “SOLIDARIEDADE PRÁTICA”. Outros financiadores para programas específicos são a União Europeia, a Embaixada Real da Dinamarca, a Embaixada da Irlanda e a Oxfam Bélgica. Sob a direcção da AMODER funciona um fundo de Desenvolvimento Rural denominado FADER, que executa os programas de financiamento estabelecidos pela Associação, e a Unidade de selecção de Roupa, que é responsável pela recepção e venda da roupa usada. A partir de 1998 a AMODER criou Gabinete de Estudo para o apoio à preparação, análise e avaliação dos seus programas de financiamento. A organização da AMODER adapta-se às condições da actividade da associação, nomeadamente no que se refere ao tipo e quantidade de membros, ao tipo e dispersão geográfica dos projectos que financia e aos seus empreendimento de suporte económico. Inicialmente a base da gestão diária da AMODER era o seu Conselho de Direcção, que procurava semanalmente produzir as decisões necessárias ao funcionamento da associação. Contudo, este tipo de administração mostrou-se insuficiente para atender às solicitações exigidas por uma fase de montagem do projecto, e também para dar resposta ao acompanhamento do desenvolvimento do FADER, órgão que deu corpo principal à realização dos objectivos da AMODER. Um director executivo com poderes de decisão para a resolução das referidas situações, actuando de forma mais permanente, foi uma solução mais eficiente para estas questões, libertando as decisões do Conselho de Direcção para os assuntos de carácter de orientação. A área administrativa no interior da organização é orientada por um técnico que tem as seguintes funções: • Preparação das sessões de Conselho da Direcção;

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• • • • •

Gestão do orçamento; Gestão das relações com outras instituições; Gestão das relações entre os membros; Gestão dos meios e do pessoal; Organização da correspondência, arquivo e secretariado.

As Representações da AMODER A AMODER, tem a sua sede em Maputo. Nos casos em que a AMODER geriu de forma directa o financiamento de projectos, mostrou a experiência que havia necessidade de estabelecer representações dispondo de meios adequados ao seu funcionamento. A criação destas representações a nível dos locais em que a AMODER previa a actuar dependeu essencialmente da possibilidade ou não de encontrar parceiros no terreno que se encarregassem das acções de apoio à recuperação da rede comercial rural. Inicialmente a AMODER concentrou as suas acções nas províncias de Cabo Delgado, Zambézia, Nampula, Tete e Niassa. Posteriormente concentrou-se nas províncias de Inhambane e Gaza. Não foi possível cobrir todo o país, porém, o custo para o estabelecimento e para o funcionamento (salários para técnicos e pessoal de apoio, combustível e manutenção de viatura, subsidio de deslocação, telefone, material de escritório, etc.) de cada representação era muito elevado. O quadro a baixo indica os distritos em que actuam em cada província:

As representações da AMODER Províncias Distritos Cabo Delgado Montepuez, Namuno, Balama, Chiúre, Ancuabe e Macomia Niassa Cuamba, Mandimba, Mecanhelas, Nipepe, Maúa, Metarica, Marrupa e Mecula Zambézia Alto Molócue, Gilé ao longo da estrada de Alto Molócue a Mocuba Tete Angónia, Macanga, Moatize e Tsangano Inhambane Massinga, Vilanculos, Funhalouro e Mabote Gaza Chókwe e Guijá Nampula Malema e Ribaúe Membros da AMODER A edificação da AMODER iniciou com um grupo inicial de 10 membros, havendo-se admitidos mais 2 membros que desenvolveram trabalhos no interior da própria AMO-

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DER durante os primeiros anos de arranque, introduziu-se posteriormente as regras para as admissões regulares dos membros. Até ao final de 2004, a AMODER tinha 63 trabalhadores com a seguinte distribuição:

Números de trabalhadores da AMODER Local Sede Inhambane Tete Zambézia Nampula Niassa – Cuamba Niassa – Lichinga Cabo – Delgado Total Nº de trabalhadores 17 9 8 3 4 8 3 11 63

Os membros podem ser pessoas que, por suas inspirações, pelas suas experiências profissionais, académicas ou vivências, professem de ideias compatíveis com os objectivos da AMODER; como também podem ser membros efectivos da AMODER as instituições que detenham interesses de vulto no desenvolvimento rural.

2. 3. 1. Missão e Objectivos da AMODER AMODER é uma Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural, foi fundada em Setembro de 1993, é uma pessoa colectiva que não tem por fim o lucro económico dos associados, dotada de personalidade jurídica, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, regendo-se pelos presentes estatutos, pelo respectivo regulamento interno e demais legislação aplicável. Tendo como missão fundamental a de fomentar o desenvolvimento do país através de financiamentos a projectos de actividades no meio rural.

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A AMODER definiu como principais objectivos os seguintes:

• Contribuir no esforço global em que o país está empenhado que visa a normalização e melhoria das condições de vida e do aumento dos níveis de produção e autosuficiência alimentar da população rural; • Identificar, promover e financiar projectos de iniciativa e execução local; • Prestar assistência financeira aos programas de aprovisionamento de factores de produção e de produtos de incentivo ao incremento da comercialização agrícola, bem como aos programas que tenham uma perspectiva social, económico e ecológico com impacto a longo prazo; • Captar financiamento dentro e fora do país para a execução de projectos locais.

AMODER, uma ONG nacional, com experiência na gestão de fundos próprios e de fundos de doadores para crédito à comercialização agrícola, tendo as suas operações concentradas nas regiões de alto potenciais agrícolas na zona Norte do país. No caso da comercialização agrícola o financiamento pode também beneficiar as grandes empresas de comercialização (grossistas), com o objectivo de completar o ciclo de comercialização garantindo desta forma o escoamento e venda dos produtos dos pequenos e médios mutuários de créditos. Os créditos são sobretudo de curto prazo (comercialização agrícola em especial) e investimentos na criação de pequenas indústrias locais. A prática diz que os prazos de investimento não têm ultrapassado os três anos. A taxa de juros da AMODER varia entre 28% a 60% ao ano, calculadas num processo de juros compostos, com periodicidade mensal. O nível de juros praticado é revisto anualmente, reflectindo os níveis praticados no mercado pela banca comercial. Existe bonificação, a partir do segundo crédito, para os bons clientes. A taxa de juro é determinada em função do tipo de financiamento, cliente e garantias oferecidas.

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2. 3. 2. Tipos de actividades de créditos desenvolvidas na AMODER A actividade de crédito da AMODER durante o ano de 2003 e 2004 por província e por actividade

A tabela que se segue apresenta de uma forma resumida os tipos de actividades realizadas, o número e o valor de créditos concedidos, valor médio do crédito concedido, fundos desembolsados, reembolsos e taxas de juro durante o ano de 2003 e 2004, por cada província onde actua AMODER.

Actividades desenvolvidas e crédito concedido (em milhões de meticais)
Cabo Cuamba Nampula Delgado N.º de Créditos Concedidos Valor dos Créditos Concedidos Comercialização (médios) Comercialização (peq.) Fundo de Maneio Transporte Pequena Indústria Comercialização de Pescado Reserva Outros programas Valor Médio do Crédito Concedido Fundos Desembolsados Reembolsos Juros de créditos 151 9.637,5 3.640 2.377,5 2.740 430 0 450 0 63,8 9.267,5 10.199,4 2.447,4 75 2.824,7 555 842,7 1.325 0 37 0 65 37,7 2.739,7 4.128,9 1.126,3 104 7.755 1.315 3.610 110 200 2.520 0 0 74,6 7.053 8.579,8 1.518 Zambézia 35 2.340 450 1.120 420 350 0 0 0 66,9 2.330 2.263,1 661,2 Tete Inhambane Chókwe 54 3.850 150 150 2.353 725 337 0 135 71,3 3.445 3.890,6 1.251,8 81 3.867 0 0 3.767 0 0 0 100 47,7 3.939 3.498,7 984,1 40 Total real Total real 2004 2003 540 511 Real 04/03(%) 106% 79% 65% 129% 111% 175% 35% 64% 15% 75% 82% 134% 123%

965 31.239,2 39.645,9 0 0 700 0 0 0 265 24 6.110 8.100,2 9.340 6.285

11.415 10.260,5 1.705 2.894 450 565 57,9 975 8.225 700 3.860,4 77,6 36.607

1.085 29.859,1

814,2 33.374,8 24.925,2 175,8 8.164,5 6.625,8

Fonte: Relatório de actividade da AMODER em 2004

Interpretação da tabela: Como a tabela demonstra que os créditos concedidos em 2004 foram inferiores em relação o ano de 2003 em 21%, em termos de valor, mas representou um acréscimo de 6% em termos de número.

Em termos de créditos concedidos Durante o ano de 2004, foram recebidos 809 pedidos de crédito, menos 11 do que os recebidos em 2003. Do total de pedidos recebidos, dos quais 44% foram apresentados

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por antigos mutuários, foram aprovados 540 créditos no valor total de 31.239,2 milhões de meticais, o correspondente a 67% da procura manifestada, índice superior ao realizado em 2003, em 5 pontos percentuais. As principais razoes da reprovação dos 269 pedidos foram a falta de experiência dos proponentes em termos de negócios, a falta de garantias e a inviabilidade dos negócios para que os que se pretendia os empréstimos. Em 2004, a região que teve a maior parte dos créditos, quer em termos de valor, quer em termos de número foi a representação de Cabo Delgado, pois, teve um aumento de 78% e 47% no número e no valor de créditos concedidos respectivamente. Esta posição deveu-se a uma melhoria da sua carteira, que resultou numa maior rotação dos fundos disponíveis. Deveu-se também ao aperfeiçoamento dos métodos de analise e processamento dos pedidos, mas essencialmente ao trabalho realizado pelos assistentes de crédito, contratados em regime parcial e posicionados nos diferentes distritos. Nampula, que em 2003 esteve na primeira posição, ficou em segundo lugar em 2005. A província de Inhambane posicionou-se em terceiro lugar graças a uma melhor aplicação dos fundos disponibilizados pela Embaixada da Irlanda em 2003, alargando-se a base de clientes bem como as actividades financeiras.

Em termos de actividade A distribuição em relação as actividades manteve-se em relação o ano de 2003, isto é, a comercialização agrícola continuou a absorver a maior percentagem dos fundos, seguida do fundo de maneio para o comércio geral, com a pequena industria em terceiro lugar e o transporte em quarto lugar.

Em termos do grupo alvo O valor médio dos créditos concedidos foi de 57,9% milhões de meticais, inferior ao de 2003 que foi de 77,6 milhões de meticais. Os clientes de sexo feminino absorveram 14% do total dos créditos concedidos em termos de numero e 115 em termos de valor, tendo o restante sido absorvido para os clientes do sexo masculino. O crédito aos clientes do sexo feminino representou um acréscimo de 2.6 pontos percentuais em termos de número e 2,2 pontos percentuais em termos de valor, em relação aos créditos concedidos em 2003.

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Em termos de valor e número Em termos de número, a maior parte dos créditos concedidos, 52% foi de valores individuais situados entre os 20 e 75 milhões, mas estes absorveram apenas 27% do valor total de créditos concedidos. Já em termos de valor a maior porção de financiamentos concedidos, foi para créditos acima de 300 milhões de meticais, que em termos de número corresponderam apenas a 5%.

Em termos de desembolsos e reembolsos Ainda que os desembolsos em 2004 (29.859,1 milhões de meticais) tenha sido bastante inferior ao de 2003 (36.607,4 milhões de meticais), os reembolsos (capital e juros) obtidos em 2004 (33.374,8 milhões de meticais) foram bastante superior aos de 2003 (24.925,2 milhões de meticais) mercê de entrada em cobrança do grande volume de créditos desembolsados no ano anterior em como do melhoramento da monitoria dos créditos concedidos. Tal como no caso dos créditos concedidos, a representação de Cabo Delgado foi a que realizou um maior volume de reembolsos, seguindo-se a de Nampula. É de referir que de todo o modo os reembolsos em 2004 foram afectados por um baixo nível de reembolso dos créditos à comercialização, causado pelas dificuldades de colocação dos produtos comercializados no mercado.

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2.3. Três factores que influenciaram as actividades da organização entre os anos 2003 e 2004

A) Factores que influenciaram positivamente nas actividades da organização:
• • Mercados favoráveis para as culturas de gergelim, feijão boere e amendoim; Uma maior disponibilidade de fundos para créditos provenientes dos programas com o Ministério de Indústria e Comércio (MIC), Comissão Europeia, República da Irlanda, HIVOS, Oxfam-Bélgica e Malonda; • O desenrolar do projecto de desenvolvimento institucional da AMODER que exigiu de todos um maior esforço de trabalho especialmente nos momentos de sobreposição de calendário com as actividade de financiamento; • Crescimento das operações da AMODER na província de Nampula.

B) Factores que influenciaram negativamente nas actividades da organização: • A baixa produção agrícola em 2003 relativamente às estimativas iniciais e ao ano anterior (2002) devido essencialmente à irregularidade das chuvas. Em 2004 houve aumento de produção agrícola de quase todos os produtos em relação à campanha anterior, mas teve-se a dificuldade de colocação do milho, feijões e amendoim por saturação do mercado interno e regional (Malawi11, principal destino das exportações); • A tomada de posições unilaterais da parte de alguns doadores que dificultaram o prosseguimento normal dos programas, na sequência de algumas alegações contidas nas avaliações independentes realizadas durante o ano de 2003; • O aumento da concorrência com o alargamento das actividades do GAPI e do Novo Banco especialmente nas províncias de Nampula e Niassa; • O aumento da taxa de inflação de 9.1% em 2002 para 13.8% em 2003 contra uma inflação planificada de 8.3 e posteriormente corrigida para 10.8%, devido essencialmente ao fortalecimento do Rand12, ao aumento dos preços do petróleo no mercado internacional e à redução da produção interna. • A demora no processamento da informação sobre crédito e contabilidade porque até finais de 2004 ainda não tinham um pacote informático adequado, o que criou enormes transtornos em termos de produção de informação para gestão bem como
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País vizinho que faz fronteira com a província de Niassa Moeda oficial da África do Sul

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para o processo de prestação de contas quer para entidades internas como para entidades externas; • A demora na finalização das contas e respectivas auditorias, o que ditou a não realização da sessão da Assembleia Geral de sócios, o que por sua vez gerou um atraso nas actividades dela dependentes, como foi o caso da capacitação institucional; • Em 2004 houve uma menor entrada de fundos externos comparativamente a 2003.

2. 4. Situação da carteira da AMODER EM 2003 E 2004 O valor da carteira de crédito activa (capital em divida) no fim de 2003 ascende a 35.178,2 milhões de meticais correspondentes a 669 créditos, o valor da carteira é superior à final de 2002 em 25%. Em 31 de Dezembro de 2004, o valor da carteira cifrou-se em 31.971,8 milhões de meticais o que ficou a dever-se essencialmente a um menor volume de desembolsos durante o ano de 2004. Entre 1994 a 2002 foram abatidos 328 créditos considerados incobráveis no valor de 13.008,5 milhões de meticais, processo esse que não se realizou em anos anteriores devido aos problemas com o sistema informático. Os abates correspondem a 49% da carteira em termos de número e a 37% em termos de valor. No final de 2004 foram abatidos 152 créditos considerados incobráveis com o valor total em dívida (capital) de 5.492,4 milhões. Em termos absolutos este valor é inferior ao dos abates realizados em 2003 em 58%, mas em termos comparativos é bastante superior se atendermos a que os abates de 2003 correspondiam a um período de 5 anos durante o qual não se fizera nenhum abate por razões ligadas ao sistema de informação. Em 2003 as maiores percentagens de abate verificaram-se nas províncias de Zambézia e Gaza, enquanto que em 2004 as maiores percentagens de abate verificaram-se nas províncias de Tete, Inhambane e Cabo Delgado. Tanto em 2003 como em 2004, a carteira em risco (créditos com atraso superior a 90 dias) não pôde ser analisada de forma global pelo facto de a zona norte, englobando as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia e a sul, englobando as províncias de Tete, Inhambane e Gaza terem procedimentos de cálculo diferentes. Enquanto que a zona sul usava o pacote LSF que calcula o atraso em função do valor da divida vencida não paga, a zona norte usava uma folha de cálculo que determina o atraso do

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crédito em função da última data de pagamento, independentemente do valor em dívida. A carteira em risco (créditos com atraso superior a 90 dias) não foi possível ser analisada porque a zona norte, englobando as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia e a zona sul, englobando as províncias de Tete, Inhambane e Gaza usavam pacotes informáticos diferentes e tinham procedimentos de cálculo também diferentes. Enquanto que na zona sul usava o pacote LFS que calcula o atraso em função do valor em divida vencida não paga, a zona norte usa usava uma folha de cálculo que determina o atraso do crédito em função da última data de pagamento, independentemente do valor em dívida. No final de 2003, a carteira em risco na zona norte situava-se em 13,6% em termos de número de créditos e de 8,8% em termos de valor, valores que se aproximam dos 10% aceitáveis para a indústria financeira. As representações de Pemba e Cuamba são as que revelam os maiores índices de risco, a província da Zambézia apesar de apresentar índices dentro dos aceitáveis 10%, teve também um grande índice de abates de créditos incobráveis. Na zona sul, a carteira em risco situava-se em 41% em termos de número de créditos e em 32% em termos de valor, valores estes bastante acima dos níveis aceitáveis. No final de 2004, a carteira em risco na zona norte situava-se em 22,4% em termos de número de créditos e 13,5% em termos de valor, valores superiores aos conseguidos em 2003. Os aumentos verificaram-se nas representações de Cuamba, Nampula e Zambézia enquanto que desceu ligeiramente na representação de Cabo Delgado. Na zona sul, a carteira em risco situava-se 37,4% em termos de número de créditos e em 31,3% em termos de valor, índices superiores aos verificados em 2003 e bastante acima dos aceitáveis 10%, apesar de a percentagem de abates ter sido grande.

As tabelas que se seguem resumem a situação da carteira em risco separadamente para cada uma das zonas nos finais de 2003 e 2004:

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Situação da carteira em risco da AMODER no fim de 2003
Actividade Carteira de crédito 31.12.03 (capital) Valor de crédito abatido % dos abates sobre o total % dos abates sobre a carteira activa (em Nº) % dos abates sobre a carteira activa (em valor) Carteira em risco (atraso> 90 dias) Zona Norte – Nº Carteira em risco (atraso> 90 dias) Zona Sul – Nº -Carteira em risco Zona Norte – % Valor Carteira em risco Zona Sul – % Valor Cabo Delgado 8.372,3 3.880,3 29,8% 56% 46,3% 21,6% _ 12,1% _ Cuamba 4.041,1 2.246,4 19,7% 56% 63,5% 12% _ 11% _ Nampula 9.434,3 6,6 0,1% 0.9% 0,1% 9,6% _ 5% _ Zambézia 1.863 2.246,0 17,3% 117,9% 120,6% 9% _ 7,9% _ Tete 5.347,5 1.862,4 14,3% 19.7% 34,8% _ 41% _ 46,5% Inambane 5.855 1.130,0 8,7% 52,3% 19,3% _ 46,9% _ 20,3% Chókwe 265,0 1.316,8 10,1% 184,2% 497% _ 0% _ 0% T. Real 03 35.178,2 13.008,3 100% 49% 37% 13,6% 41% 8,8% 32%

Fonte: Relatório de actividade da AMODER de 2003.

Situação da carteira em risco da AMODER no fim de 2004
Actividade Carteira de crédito 31.12.04 (capital) Valor de crédito abatido % dos abates sobre o total % dos abates sobre a carteira activa (em Nº) % dos abates sobre a carteira activa (em valor) Carteira em risco (atraso> 90 dias) Zona Norte – Nº Carteira em risco (atraso> 90 dias) Zona Sul – Nº Carteira em risco Zona Norte – Valor Carteira em risco Zona Sul – Valor Grau de reembolso Cabo Delgado 8.971,7 916 16,7% 2,7% 2,9% 24% _ 11,4% _ 62% Cuamba 3.516,9 261 4,8% 1,9% 0,8% 18,5% _ 13,1% _ 59% Nampula 9.129,9 295 5,4% 1,5% 0,92% 24,2% _ 14,5% _ 56% Zambézia 2.398,3 211 3,8% 1,9% 0,7% 21,7% _ 17,9% _ 49% Tete 3.226,4 2.728,5 49,7% 7,9% 8,5% _ 44,2% _ 22,2% 36% Inhambane 3.955,4 1.080,6 19,7% 6,7% 3,4% _ 42,4% _ 42,9% 42% Chókwe 773,4 0 0% 02% 0% _ 17,2% _ 9,7% 70% T.Real 04 31.971,8 5.492,4 100% 23% 17% 22,4% 37,4% 13,5% 31,3% 52%

Fonte: Relatório de actividade da AMODER de 2004

Causas da baixa taxa de reembolso Além dos factores que influenciaram negativamente nas actividades da AMODER, atrás citados, juntam-se as causas: • Até ao fim de 2004 não havia sido abatido os créditos de facto incobráveis devido a diferenças de tratamento informático entre a zona norte e sul do país, uma vez que no zonal sul usava o pacote LFS que calcula o atraso em função do valor da dívida vencida não paga e a zona norte usava uma folha de cálculo que determina o atraso do crédito em função da última data de pagamento, independentemente do valor em dívida;

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• Os beneficiários do microcrédito muitas vezes não conseguem fazer o pagamento das suas prestações dentro dos prazos estabelecidos porque o desenvolvimento das suas actividades depende das péssimas condições das vias de acesso, principalmente no tempo das chuvas, assim como a inexistência ou destruição das infra-estruturas físicas (mercado e loja) para o caso de Cuamba por exemplo; • Para o caso de Niassa a rede bancária é bastante fraca, existindo em Cuamba somente um banco (BIM) e nos restantes distritos em que a AMODER opera não possuem nenhum banco. Este problema dificulta também o pagamento das prestações por parte dos seus beneficiários dentro do prazo.

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3. CONCLUSÃO O Microcrédito concretiza uma possibilidade de criação de riqueza, e mais valias na economia nacional, na produtividade e no emprego. A criação de um projecto de Microcrédito dá resposta a uma dificuldade estrutural de natureza social, política, cultural e a aversão ao risco. Infelizmente, ainda existe em Moçambique, uma noção de que as pessoas que começam pequenos negócios não são merecedoras de tanta admiração como as que seguem carreiras continuadas, no sector público ou no sector privado. Este preconceito só se conseguirá ultrapassar com um acentuado esforço de educação e continuidade ao longo das gerações. Moçambique precisa de apostar mais na formação, informação e capacidade de financiamento: são os três aspectos base para conseguir apoiar de facto as pessoas empreendedoras, que procuram empréstimos e alternativas fora do sector bancário. Por outro lado existe um excesso de burocracia na criação e gestão corrente de microempresas. O Microcrédito, é ser encarado como um instrumento que visa criar um ambiente que permita às pessoas relacionarem-se com um parceiro comercial e com as Instituições financeiras, providenciando não só o financiamento, mas também a informação e o apoio para desenvolver o seu próprio negócio e construir algo que mais tarde seja um contributo para economia moçambicana. Em Moçambique, existem ainda alguns entraves, barreiras e problemas no sector do microcrédito13: • • Poucas Instituições de Microfinanças formalizadas; As Instituições de Microfinanças sem orientação comercial e contabilidade organizada têm menos assistência técnica, e são menos contemplada que as restantes; • As Instituições de Microfinanças estão longe de terem inteira sustentabilidade institucional; • Défice de política de investimento em formação de recursos humanos, com medidas de reciclagem e cursos avançados em determinados segmentos; • Dificuldade na criação de capacidade local em Microfinanças para captar o grande fluxo de dinheiro nas zonas rurais e sectores informais, bem como aumento do raio de acção no combate à pobreza e exclusão social;

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www.microfinmoz.gov.mz, seminário sobre projectos de capacitação no sector do micro finanças.

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Falta de Politicas de sustentabilidade financeira mais fortes que possam ser combinadas com politicas de redução de escala de empréstimo;

A legislação moçambicana não tem um papel mais activo e positivo sobre o mercado, na criação de condições legais para que os riscos sejam menores, e a sua expansão pelas áreas rurais esteja mais facilitada;

Nas zonas rurais, existe um défice muito elevado de estruturas e serviços financeiros, o conceito de serviços financeiros é mais abrangente e complexo do que o conceito de Microfinanças.

Em Moçambique, particularmente em Niassa, a pobreza não se resume apenas à falta de acesso à escola ou à saúde. Nas zonas rurais, estas infraestruturais encontram-se distantes das zonas residenciais, mas o principal constrangimento que os habitantes destes locais têm enfrentando é a falta de uma fonte de rendimentos que lhes permita ter recursos financeiros suficientes para o financiamento das múltiplas necessidades que lhes aparecem. Os serviços financeiros moçambicanos rurais encontram-se numa fase de decadência estrutural e legal, uma vez que existe um acentuado abandono por parte da banca comercial das zonas rurais, um reduzido número de Instituições de Microfinanças sendo ainda menor o número de instituições envolvidas em Finanças rurais, um modesto volume global de negócios e de clientes, possui uma qualidade variável, o seu impacto é limitado e existe uma dispersão nos esforços individualizados dos doadores e público. Em síntese os problemas das Instituições financeiras rurais podem ser agrupados nas seguintes categorias: • • • • Problemas financeiros (adequação de recursos ao seu volume e preços); Problemas de base legal e técnicos; Falta de recursos humanos com as competências específicas nestas matérias; Existência de um défice na capacidade de liderança e gestão dos recursos à Postos à disposição • • Inexistência de estudo estatístico do mercado a investir e clientes alvo; Pouca diversidade institucional.

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O presente estudo constatou que há pessoas em situação de doença que não têm conseguido comprar os medicamentos que lhes são recomendados pelos médicos, optando às vezes por comprar nos mercados informais, ou mesmo não se tratando. De facto, este serviço financeiro tem ajudado um certo tipo de clientes e os seus resultados dependem das situações individuais dos seus beneficiários, um crédito pode criar mais empregos aos membros do mesmo agregado. Nas zonas rurais de Niassa, os clientes de microcrédito com um nível de investimento considerável registam melhorias assinaláveis, não se sucedendo o mesmo com os pequenos clientes que se tornaram dependentes contínuos, dado o facto das suas actividades serem excessivamente pequenas, pelo que para estes últimos o microcrédito não tem sido a solução que se esperava para a redução dos seus níveis de pobreza e de dependência. Os principais constrangimentos que o microcrédito apresenta para o desenvolvimento destas pessoas são o baixo valor do empréstimo, curto prazo de reembolso e elevadas taxas de juro, factores que tornam impossível a aplicação destes montantes para a expansão das suas actividades e da produção. Para ajudar os pobres não se devia usar apenas o microcrédito, deve-se estender os serviços às poupanças e também ao seguro. Os beneficiários do microcrédito apresentam uma ligação com a instituição até certo ponto viciada, pelo ciclo empréstimoinvestimento-pagamento, e não conseguem guardar nem para si nem para os seus os resultados do seu negócio. Esta situação coloca-os praticamente pobres, mas como fonte de renda, a ideia do microcrédito devia ter como fim torná-los auto-suficientes. Os resultados do trabalho permitem constatar que de facto o microcrédito contribui directa e indirectamente para a promoção do bem-estar, permitindo criar ou manter em média duas vagas e meia de emprego por cada beneficiário, o que aumenta o rendimento e melhora o nível de vida dos beneficiários, tornando-se numa considerável contribuição para os objectivos de combate e redução da pobreza em Moçambique definidos no programa do Governo

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Soluções e algumas propostas a serem tomadas pelas Instituições de Microfinanças . • Mais e melhores instituições financeiras e de Microcrédito; • • • Melhor capacidade institucional pública e privada; Maior volume global de negócios e de clientes; Melhor qualidade e diversidade dos produtos e serviços financeiros disponibilizados quer pela banca comercial quer pelas Microfinanças; • Maior eficiência e sustentabilidade das instituições de Microfinanças, para tal devem realizar um esforço nas áreas da formação e informação (metodologias e técnicas racionais).

Para um pais como Moçambique, os bancos deveriam utilizar critérios metodologias fidedignas específicas, com a avaliação dos riscos baseada em: • • Estudos técnicos dos fluxos de caixa do negócio do empreendedor; Avaliação socioeconómica que inclui uma avaliação do contexto social e familiar do empreendedor; • • Uma análise a vontade ou prospecção a pagar; Deveria existir na estrutura das instituições de crédito um agente de crédito que faça a promoção e análise do risco e outro que fosse responsável pela recuperação do crédito. As microempresas em Moçambique, têm enfrentado alguns constrangimentos de ordem financeira, e muitas vezes não existem mecanismos de acesso aos mercados e existem grandes dificuldades de aquisição de componentes tecnológicas, a mão-deobra é pouco qualificada. No contexto moçambicano ter sucesso em Microfinanças é alcançar maior número de clientes e existir uma rentabilidade e permanência no tempo. As instituições de microcrédito em Niassa para além de privilegiar apenas o crédito de curto prazo, destinado maioritariamente para o sector comercial, deveriam também privilegiar o crédito a longo prazo, destinado aos camponeses, uma vez que a actividade agrícola é a base de sobrevivência da província. Niassa é uma província onde a maioria da sua população vive nas zonas rurais e tem um alto potencial agrícola devido à boa qualidade dos solos e às chuvas regulares.

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De um modo geral os beneficiários mostram sinais de terem ultrapassado dificuldades diárias desde que iniciaram a sua ligação com o microcrédito. Este produto apesar de ser valioso, não pode ser assumido como sendo uma solução para os problemas da pobreza, pelo que precisa-se sim é de que na sua aplicação a esta camada sejam avaliados os tipos de serviços que cada um possa precisar, de modo a direccioná-lo correctamente e para que a sustentabilidade da instituição seja garantida e para que os pobres participem e não se sintam excluídos de qualquer processo que lhes possa ajudar a aliviar a sua situação de pobreza, os políticos devem formular leis que abram espaço à participação. Perante a necessidade de se encontrar estratégias e instrumentos eficientes e eficazes de combate à pobreza em Moçambique, dado o papel relativo do microcrédito através da concessão de crédito às pessoas pobres e economicamente activas, contribuindo para a geração de algum rendimento para a sua sobrevivência, este estudo não oferece uma resposta acabada sobre a matéria. Pretendemos assim lançar apenas algumas luzes e abrir espaço para outros estudos mais aprofundados, que permitam um maior enquadramento destes nos programas de combate à pobreza em curso no país e contribuir para a redução dos constrangimentos que a actual relação entre as instituições e os beneficiários apresenta.

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4. Referências Bibliográficas

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Dauto, B. U.(2000) Constituição da República de Moçambique. Maputo.

Matlaba, E. H. Z. (2002) Análise da gestão de recursos humanos nas Forças Armadas de Moçambique – no contexto da organização que aprende. Maputo, 198 p. Dissertação (Mestrado) – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. www.Ine.gov.mz 2006 www.geolingua.org/paises moçambique.htm Africa. Sapo.pt www.cpsfr.org.mz www.bancomoc.mz www.microfinmoz.gov.moz

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