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Direito Penal - 05ª aula - 01.10.2008

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05/10/2014

Assuntos Tratados 1º Horário Extinção da Punibilidade (continuação) 2º Horário Prescrição 1º HORÁRIO EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (continuação) Art.

107 do CP Morte - Morte do agente: trata-se de vício da inexistência, não sendo hipótese de nulidade absoluta − certidão falsa não produz efeito e não há ofensa a coisa julgada. - STF (2ª T) HC 84.525/MG, 3/12/04 e (1ª T) HC 60095/RJ, 17/12/82; informativo STF 370; STJ (5ª T) HC 31234/MG, 09/02/04.

Graça, Anistia, Indulto (G.A.I.) - Anistia: própria (fase da PP) e imprópria (fase da PE); condicionada e incondicionada; geral (beneficia a todos) e parcial (beneficia os não reincidentes). Exemplo de anistia, vide Lei 6.683/79. Nucci observa que, embora tratada como causa extintiva da punibilidade, é excludente da tipicidade. Abolitio Criminis Lei nova que retira o caráter ilícito da conduta. A lei 11.106, de 29/03/2005, revogou os artigos 217 (crime de sedução), 220 (rapto consensual) e 240 (adultério), todos do CP. O art. 219 (rapto violento) não foi revogado; o que estava disposto ali, agora está disposto no art. 148, § 1, IV do CP, houve uma reclassificação penal; neste, não houve abolitio criminis. A fonte de produção de abolitio criminis é a lei (Congresso Nacional). Pode acontecer na fase da pretensão punitiva e na fase na pretensão executória. Ocorrendo na fase da pretensão executória, é necessário observar o artigo 2º do CP, o réu volta a ser primário. Mas a abolitio criminis não atinge os efeitos extrapenais. Macete Anistia = Abolitis Anistia → fonte de produção é a lei (art. 48, VIII da CF). Pode ocorrer na fase da pretensão punitiva (própria) e na fase da pretensão executória (imprópria). Ocorrendo na fase da pretensão executória, volta a ser primário. Continua a sentença condenatória a ter efeitos extrapenais (para civil). Obs.: ocorrendo abolitio criminis o tipo penal desaparece, não há mais tipicidade. Ocorrendo Anistia o tipo penal permanece; a conduta é que desaparece. Indulto (gênero)

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Espécies: - individual → chamado de Graça. O réu faz requerimento para o Presidente da República. - coletivo → chamado de Indulto. O Presidente o concede a certo número de presos que preenchem os requisitos. Indulto ≠ Abolitis Indulto → a fonte é decreto (art. 84, XII da CF), inventado para a fase da pretensão executória; o réu é reincidente. Continuam a ocorrer efeitos extrapenais. A diferença marcante entre indulto e graça, segundo a LEP (art. 178) é que o indulto coletivo, depois de produzido por decreto do Presidente da República, pode ser concedido de ofício pelo juiz. Essa possibilidade não existe no indulto individual. Obs.: no art. 5º, XLII, da CF diz que não cabe Graça e Anistia, portanto, como não proibiu o indulto, este é permitido. Lei 8.072/90, art. 2º, I (crime hediondos), proibiu indulto, graça, anistia. Lei 9.457/97 (crime de tortura) não cabe graça ou anistia, mas pode ser concedido indulto.

Privada Prescrição Decadência → inércia da vítima em exercer seu direito à queixa-crime ou à representação Perempção → punição pela desídia do autor (art. 60 do CPC) Renúncia (conforme o CP) → a vítima expressa ou tacitamente manifesta-se por não dar continuidade ao processo.∗ Perdão do ofendido → ato bilateral, depende de aceitação do querelado. SIM SIM

Pública Condicionada SIM SIM

Pública Incondicionada SIM NÃO

SIM

NÃO

NÃO

SIM

NÃO

NÃO

SIM

NÃO

NÃO

Obs.: prescrição ocorre contra menor.

A Lei 9.099/95, art. 74, § único, excepciona o Código Penal, pois aceita a renúncia (causa de extinção da punibilidade) na ação penal pública condicionada.

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Prescrição Decadência Perempção Renúncia Perdão do ofendido

Inquérito SIM SIM NÃO SIM NÃO

Ação penal SIM NÃO SIM NÃO SIM

Execução SIM NÃO NÃO NÃO NÃO

Lei 11.340/06 (Maria da Penha), art. 16 → a renúncia só pode ocorrer em juízo. Retratação → tem que vim expressa na lei. O agente pode voltar atrás nos casos possíveis. Exemplo, crimes contra honra: calúnia e difamação (ferem a honra objetiva, mas somente quando ação penal for privada). O art. 143 do CP utiliza o termo isento de pena. Macete: o termo “isento de pena”, quando utilizado na parte geral, é exclusão da culpabilidade Ex.: art. 20, § 1; art. 21; art. 26; art. 28, § 1. Se esse termo estiver na parte especial, não será exclusão da culpabilidade, pois, se está na parte especial, é crime (fato típico, antijurídico e culpável). Exemplos - art. 143 → natureza jurídica é extinção da punibilidade; - art. 181→ escusa absolutória; - art. 348, § 2 → escusa absolutória. Retratação: - na lei de Imprensa (Lei 5.250/67) → cabe em todos os crimes contra a honra (calúnia, difamação, injúria); - no Código Eleitoral (Lei 4.737/65) → não cabe em nenhum caso, porque a lei não fez menção. Obs.: art. 342, § 2 do CP → a extinção da punibilidade se estende ao eventual partícipe, desde que a retração seja feita antes da sentença do processo. Retratação no falso testemunho alcança o partícipe, conforme Nucci (p. 494). Retração nos crimes contra honra. Art. 143, CP (isento de pena); arts. 20, § 1º; 21, 26 e 28, § 1º, do CP.

Lei 11.106/05 é novatio legis in pejus, ou seja, revoga causa extintiva. Não pode retroagir para prejudicar. Perdão judicial → só é permitido quando a lei admitir, deve vir expresso. Embora, exista a expressão “juiz pode deixar de aplicar a pena”, isso não é faculdade do juiz, é obrigação. Obs.: concedido o perdão judicial o agente, o agente será primário, pois esta causa de extinção da punibilidade é concedida na sentença (na fase da pretensão punitiva). Esta sentença não vale para maus antecedentes e também não forma título executório. 2º HORÁRIO Continuação de causa extintiva de punibilidade

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Casos de perdão judicial Perdão judicial: hipóteses no CP, art. 121, § 5º; 129, § 8º; art. 140, § 1º, I e II; art. 176, § único; art. 180, § 5º; art. 242, § único; art. 249, § 2º. Legislação Especial art. 22, § único. Lei 5.250/67; arts. 8º e 39, § 2º da LCP; art. 326, § 1º. Lei 4.737/65; art. 29, § 2º. Lei 9.605/98; art. 1º, § 5º. Lei 9.613/98; art. 13. Lei 9.807/99. Vide item 98 da exposição de motivos da Lei 7.209/84. Prescrição → decurso de tempo em razão da inércia do Estado que não consegue condenar o agente (prescrição da pretensão punitiva) ou não é capaz de fazer cumprir a pena (prescrição da pretensão executória). Casos de imprescritibilidade: - art. 5º, XLII da CF (prática de racismo – Lei 7.716/89). Obs.: crime de injuria racial prescreve. - art.5, XLIV da CF. Obs.: crime de terrorismo prescreve. Hipótese da pretensão punitiva Espécies da pretensão punitiva: - propriamente dita → trabalha com a pena abstrata; - Retroativa → pena concreta; - Superveniente, também chamada de intercorrente, posterior, subseqüente (sofreu alteração pela Lei 11.596 de 30/11/07) → pena concreta; - prescrição da pretensão executória. Obs.: existe uma prescrição que sempre aparecer em prova, conhecida por Prescrição Retroativa Antecipada; Prescrição pela pena virtual; Prescrição pela pena ideal; Prescrição pela pena hipotética; Prescrição pela pena presumida; Prescrição pela pena em perspectiva; Prescrição pela pena imaginária; Prescrição pela pena imaginária; Prescrição prognose prescricional; Prescrição pela pena prognose. Essa prescrição não goza de aceitação no STJ e STF (deve-se colocar falso). Regras Gerais CP − art. 115 São reduzidos pela metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). É aplicada em qualquer cálculo prescricional. A idade de 18 anos estabelecida no Direito Civil não modifica a idade estabelecida no art. 115 do CP, pois essa norma é norma de proteção, exige revogação expressa. Apesar de a Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso) estabelecer que idosa é a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos quanto à prescrição, não houve modificação no art. 115; continua sendo de 70 anos a idade para obter a redução pela metade do prazo prescricional. Esse é o entendimento do STF.

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Quando o CP não utilizar a palavra idoso (norma penal em branco → buscar o sentido no Estatuto do Idoso) e se referir à idade, deve-se observar a idade estabelecida no CP. Quando o Estatuto do Idoso quis alterar o CP, ele o fez expressamente. Art. 115, CP e Lei 10.741/03 – STF (1ª T), HC 89969/RJ, 05/10/07: “A completude e o caráter especial da norma do artigo 115 do Código Penal excluem a observação do Estatuto do Idoso − Lei nº 10.741/03 −, no que revela, como faixa etária a ser considerada, a representada por sessenta anos de vida”.

STF (1ª T), HC 86320/SP, 24/11/06; (2ª T), HC 84909/MG, 06/05/05: “O lapso prescricional somente se reduz à metade se o agente tiver setenta anos na data da sentença condenatória (art. 115, CP)”. STJ (5ª T), RHC 16856/RJ, 20/06/05 e (5ª T), HC 37752/BA, 21/02/05: “O art. 1º do Estatuto do Idoso não alterou o art. 115 do Código Penal, que prevê a redução do prazo prescricional para o réu com mais de 70 (setenta) anos na data da sentença. Precedente”. Art. 119 do CP → Concurso de Crimes (arts. 69, 70, 71 do CP). No concurso de crime (material, formal e continuado), a prescrição deverá ser examinada separadamente, sendo impossível a reunião da penas. Art. 116 do CP → Causas Impeditivas (para CP) ou Suspensivas (para Doutrina) Causas suspensivas (fluxo de da prescrição para) que não estão no CP: - Art. 86 da CF → caput diz que o Presidente da República pode ser processado. No § 4 do mesmo artigo, é dito que não se pode ser processado por atos estranhos ao exercício de sua função. - Segundo o entendimento do STF, pelo princípio da simetria (imunidade processual dos Deputados e Senadores), deve-se fazer interpretação conforme a Constituição; fica suspensa a prescrição para os crimes cometidos, estranhos ao exercício de sua função, pelo Presidente da República, tendo este, portanto, uma imunidade temporária. - Art. 53, § 5 da CF→ Deputados e Senadores. - Art. 27, § 1 da CF→ Deputados Estaduais. - Art. 32, § 3 da CF→ Deputado Distrital. - Art. 366 do CP → adequação à nova realidade do CPP. Hoje o réu é citado para apresentar defesa prévia (art. 396-A do CPP), se ele não comparece na prévia e nem constitui advogado, quando citado por edital, fica suspensa a prescrição. Quanto ao tempo que a prescrição pode ficar suspensa, ainda não se tem um posicionamento. - Art. 368 do CPP → carta rogatória. - Art. 89, § 6º, da Lei 9.099/95 → durante a suspensão do processo. - Art. 9º, § 1 da Lei (PAES) → com o parcelamento de débito tributário, fica suspensa a pretensão punitiva, a prescrição não corre. Causas de suspensão do art. 116 do CP CP − art. 116
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [questão prejudicial] II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Parágrafo único (...) [causa suspensiva da prescrição executória].

Causas Interruptivas da prescrição Causas interruptivas fora do CP: Art. 182, parágrafo único da Lei 11.101/05 → decretação de falência interrompe (zera o prazo) a prescrição. Art. 117 do CP Inciso I: recebimento da peça acusatória → defesa preliminar da lei de drogas acontece antes do recebimento da denúncia; não se aplica este inciso. Na defesa prévia, se já recebeu a denúncia, aplica-se este inciso. Inciso II: Publicação da sentença de pronúncia. Inciso III: Decisão confirmatória da pronúncia (Recurso em Sentido Estrito). Inciso IV: Pela publicação da sentença condenatória ou acórdãos recorríveis (Lei 11.592/07). Publicação do acórdão condenatório recorrível → o informativo 499 do STF não tratou o tema. 117, I − interrupção na data do despacho (LOZANO JR., p. 115 e STF RT 472/410) vs. na data da publicação do despacho (DAMÁSIO, p. 77; NUCCI, p. 510). 117, I – despacho anulado – desaparece o efeito interruptivo – STF GC 69, 047 24.4.92; STJ 5ª T, HC 35545/SP, 08/08/05; NUCCI, p. 510; DAMÁSIO, LOZANO JR. e BITENCOURT. 117, I − aditamento para incluir novo crime – interrompe-se – LOZANO JR., p. 121 e DAMÁSIO, p. 78; STF 2ª T, HC 71.316, 23/2/96. 117, I − aditamento para incluir comparsa – não se interrompe (DAMÁSIO, p. 79; art. 117, § 1º) vs. interrompe (LOZANO JR., p. 121) e STJ 5ª T, AgRg, no Ag 679771/SC, 14/8/2006. 117, II – publicação – LOZANO JR. e DAMÁSIO, p. 80. 117, III – Sessão – DAMÁSIO, p. 81. 117, IV – nova redação − pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis (Redação dada pela Lei nº 11.596, de 2007). 117, IV – publicação – NUCCI, p. 511; LOZANO JR., p. 127; DAMÁSIO, p. 81. 117, IV – anulada – perde-se o efeito – DAMÁSIO, p. 82; NUCCI, p. 512. 117, IV – concurso de pessoas – absolutória e condenatória – interrompe-se em relação a todos. 117, IV – acórdão que agrava pena – interrompe (STF 1ª T, HC 67.944, 20/3/1992 e STJ 5ª T, EDcl no REsp 121228/DF, 28/8/2000) vs. não interrompe (LOZANO, p. 129; DAMÁSIO, p. 83; NUCCI, p. 511). O acórdão confirmatório da condenação, ainda que se reduzindo a pena, não constitui causa interruptiva (LOZANO JR., 130p.). STJ 5ª T, HC 16191/SC, 30/8/04; 5ª T, HC 31880/RJ, 31/05/04; 6ª T, Resp 3007006, 30/09/02. 117, VI − Reincidência e interrupção do prazo – data do novo crime condicionada à condenação definitiva (LOZANO JR., p. 234; NUCCI, p. 512; DAMÁSIO, p. 108; NORONHA) vs. data do trânsito em julgado (DELMANTO; FRAGOSO; MIRABETE; ZAFFARONI).

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Obs.: prescrição da pena de multa, na área federal, tem que acompanhar o prazo de cinco anos; quem executa é a Fazenda Pública.

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