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Direito Penal - Teoria Do Crime - 01ª Aula - 12.08.2008

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05/10/2014

Assuntos tratados 1º horário Infração penal Conceito de crime: formal, material, analítico 2º Horário Estudo do conceito analítico de crime

: Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade Conduta. Sujeito ativo Referência 1º HORÁRIO

TEORIA DO CRIME 1. Infração penal No Brasil, adotamos uma classificação bipartida. Por força do Decreto-Lei 3.914/41 (Lei de Introdução ao Código Penal), a infração penal seria o gênero do qual temos duas espécies: crime (ou delito) e contravenção. O art. 1º do LICP diferencia crime da contravenção no tocante à sanção. Enquanto crime pode ser apenado com reclusão, detenção e/ou multa; a contravenção só poderá ser punida com prisão simples e/ou multa. Assim, concluímos que crime é mais grave que contravenção penal.

Crime Infração Penal Contravenção Penal

Diferenças entre uma e outra: art.1º da lei de introdução ao Código Penal. Crime: a) Reclusão, detenção e multa; b) Contravenção: prisão simples e/ou multa. 2. Conceito de crime a) Conceito material de crime: considera-se o bem jurídico protegido, levando-se em conta o princípio da insignificância (termo cunhado por Klaus Roxin, para quem o direito penal não se preocupa com migalhas). Crime seria o comportamento humano que vem a ofender um bem penalmente protegido. b) Conceito formal de crime: considera-se a lei penal. Crime é o comportamento que viola a lei penal. Aqui, reforça o princípio da reserva legal, princípio da intervenção mínima: garantismo social; principio da irretroatividade, principio da fragmentariedade, analogia (para favorecer, sim; para prejudicar, não), Princípio da ultima ratio. Todo comportamento contrário à lei, que ofenda um bem jurídico. Pelo principio da insignificância (ou crime de bagatela) não serão crimes os comportamentos insignificantes, que não ofendam efetivamente o bem jurídico.

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O STF entende não ser possível aplicar o principio da insignificância à lei de drogas. Também não se aplica o princípio da insignificância quando na prática do crime houver violência a pessoa. No conceito forma, também temos a questão da analogia e da interpretação analógica: - Analogia: comparam-se duas condutas e aplica em uma delas a norma referente à outra conduta. Ou seja, há uma lei pra a situação A e temos uma situação B que se aproxima muito da situação A. Nesse caso, utiliza-se a lei feita para A na situação B. Ela só pode ser utilizada a favor do réu. - Interpretação analógica: “a lei diz menos do que queria”. O legislador cria mecanismo genérico e é feita a adequação da conduta a essa regra genérica. Esta sempre pode existir no direito penal mesmo que venha a prejudicar o réu. c) Conceito analítico ou estratificado: - Conceito bipartido de crime: crime seria um fato típico e antijurídico. Obs.: aqui culpabilidade seria pressuposto de pena. - Conceito tripartite de crime: crime seria um fato típico, antijurídico e culpável (é o conceito majoritariamente aceito). - Conceito quadripartite de crime: crime seria um fato típico, antijurídico, culpável e punível. Assim, majoritariamente entende-se como crime: crime = fato típico + ilícito + culpável. c.1. Fato Típico: O fato típico é composto por: 1) Conduta; 2) Resultado; 3) Nexo causal; 4) Tipicidade. Assim, no fato típico encontramos esses quatro elementos, sendo que, faltando um deles, o fato não será típico, a saber: c.2. Antijuridicidade: revela que não basta que o fato seja típico, ele tem de ser também antijurídico. A antijuridicidade é a ilicitude do fato. Fato antijurídico é aquele ilícito. Excludentes de ilicitude (art. 23, CP): 1) Legítima Defesa; 2) Estado de Necessidade; 3) Exercício Regular de um Direito. A antijuridicidade é a conduta que vai de encontro ao ordenamento jurídico lesando-o. Podem ser as causas de excludentes de ilicitude divididas em: - Legais → são previstas na lei. Dividem-se em genéricas (art. 23 do CP) e específicas (art. 128 do CP como exemplo). - Supralegais → Ex.: consentimento do ofendido. O professor observa que para tal causa ser válida, deve haver os seguintes pressupostos: a) capacidade de consentimento; b) dever ser o bem jurídico disponível (bens jurídicos que interessam exclusivamente ao indivíduo); c) o consentimento deve ser anterior ou contemporâneo ao ato lesivo. Atenção: se o consentimento da vítima não afetar o verbo do tipo, será considerado excludente supralegal de ilicitude, caso contrário será uma causa de exclusão de tipicidade (ex.: caso de consentimento no caso do art. 213 do CP).

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c.3. Culpabilidade: nada tem a ver com dolo e culpa. Trata-se de culpabilidade em sentido amplo, no sentido de censura ou reprovação, são seus elementos: - imputabilidade possibilidade de imputar a alguém a prática de um crime. A alguns a lei exclui de responderem pela prática do crime; são os inimputáveis, a saber: a) menores de 18 anos (art. 228, CF e art. 27, CP); b) doentes mentais (art. 26, caput, CP); c) embriaguez completa, acidental proveniente de caso fortuito e força maior (art. 28, 1º, CP); - potencial conhecimento da ilicitude art. 21, CP. O artigo 3º da LICC e art. 21, CP dizem que ninguém pode alegar desconhecer a lei. Obs.: Erro de Direito e Erro de Proibição é a forma de descaracterizar a idéia de reprovação. O sujeito sabe o que está fazendo, mas não sabe que aquilo que está fazendo é proibido por lei. Ex.: sujeito que achou uma carteira de dinheiro na rua e se apoderou da mesma por pensar que “achado não é roubado”. - Exigibilidade de conduta diversa art. 22, CP, aquele que age sob coação moral irresistível ou em obediência à ordem não manifestadamente ilegal (este caso é conhecido como “obediência hierárquica”). 2º HORÁRIO 3. Análise do conceito analítico de crime Fato típico Conduta a) O que é? Conduta é o comportamento descrito no tipo penal. b) Qual predicado mais importante? A conduta deve ser necessariamente voluntária. c) A conduta não será voluntária quando decorrer de: Movimentos reflexos; Força irresistível; Estado de inconsciência (ex.: hipnose, sonambulismo); Coação física irresistível; Caso fortuito e força maior.

d) Formas de exteriorização da conduta: como o agente pode desenvolver a conduta? Pode ser por ação (crimes comissivos), por omissão/inação (crimes omissivos) ou por ação e omissão (crime misto. Ex.: art. 169, II, CP). Os crimes omissivos por sua vez podem ser próprios (ou puros) e impróprios (ou comissivos por omissão). Naqueles, há uma tem tipologia própria, ou seja, descrição na lei da forma de omissão, ex.: art. 135, art. 229 todos do CP. Na verdade, são crimes de mera-conduta, pois o legislador apenas descreveu a conduta sem fazer alusão ao resultado naturalístico. E sendo de mera conduta, não admitem tentativa. Esses crimes representam uma quebra do dever geral de proteção. Obs.: Mera conduta: só descreve a conduta. Formais ou de consumação antecipada: a lei descreve um resultado, mas o crime se consuma exclusivamente com a conduta, se ocorrer o resultado será ele mero exaurimento. Já os crimes omissivos impróprios serão sempre crimes que exigem um resultado, admitindo assim, a tentativa. Eles não têm tipologia própria, ou seja, devemos conjugar o crime com a previsão de garantidor do art. 13, § 2º, CP. A expressão crime comissivo por omissão decorre do

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fato de que são idealizados para serem praticados por ação, mas que são, na realidade, praticados por omissão. Esse crime representa a quebra do dever especial de proteção. Para que tenhamos o dever especial de agir, há a exigência dos seguintes requisitos: 1. Dever de agir → garantidor; 2. Poder de agir → condição física que possibilita o agir; 3. Evitabilidade do resultado → o agente só responderá pelo resultado se for comprovado que este não teria ocorrido se ele tivesse agido. Ou seja, o comportamento dele evitaria a produção do resultado. Crimes omissivos próprios ou puros tem tipologia própria crime de mera conduta não admite tentativa quebra do dever geral de cuidado
Art. 13 (...) Relevância da omissão § 2º − A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; [exemplo do carcereiro que não presta socorro ao detento que clamava por ajuda] b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; [exemplo daquele que se compromete a olhar a criança enquanto seu pai vai mergulhar no mar] c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. [exemplo do trote em calouros de medicina em SP]

Crimes omissivos impróprios ou impuros não tem tipologia própria crime de resultado admite tentativa quebra do dever especial de cuidado.

A imputação pelo artigo 13 pode ser tanto dolosa como culposa dependendo do que o agente quis ao se omitir. Se ele quis o resultado será doloso e, se não queria, será culposo. - Crime culposo comissivo: o exemplo do servir água infectada sem saber. Qual a tipificação? Nesse caso a doutrina manda tipificar conforme a conduta mais próxima. Como a conduta mais próxima da vítima foi dar a água, logo, vai ser culposo comissivo - Crime comissivo por omissão: exemplo do que coloca um remédio no meio de confetes e o vê sendo servido a uma criança e se omite. Nesse caso a conduta mais próxima é a omissão. - Art. 121, § 4: (exemplo de abrir a porta rápido atingindo quem estava do outro lado e vendo esta agonizando vai embora) há duas condutas, a primeira, de abrir a porta (comissiva) e a segunda (omissiva). Nesse caso, observa-se a questão da conduta mais próxima e por isso será homicídio culposo com aumento de pena. Obs.: art. 121, § 4º, essa regra é especial e prevalece sobre o geral. Da mesma forma, temos o art. 129, § 7º, CP. 4. Sujeito ativo e passivo Sujeito ativo Pessoa Jurídica: Alguns, com base na Teoria da Ficção e com fundamento no art. 173, § 5º, CF, dizem que não é possível punir criminalmente a pessoa jurídica. Outros, com base na Teoria da Realidade e com

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fundamento no art. 225, § 3º, CF, dizem que haveria previsão para punição de pessoa jurídica. Obs.: a Lei 9.605 nos seus artigos 21 e ss. prevêem pena de multa e prestação de serviços. Teorias da pessoa jurídica: Ficção - 80% da doutrina a aceita com fundamento no art. 173, § 5º, CF; dizem que não é possível punir criminalmente a pessoa jurídica; Orgânica: as pessoas jurídicas têm vida própria independente dos seus quadros sociais. Assim, poderia a PJ cometer crimes. Ex: art. 225, § 3º, CF; Teoria da realidade: adotada no Brasil, segundo o art. 173, § 5º, CR/88 (para os que a admitem) e art. 226, § 3º, CR/88 (para os que não a admitem).

Em caso de banco é admitido que a pessoa jurídica pratica crime, em consonância com a Lei nº. 9.605/98. Não se pune a pessoa jurídica isoladamente, deve haver a punição dos agentes que agem em nome daquela. Direito de intervenção (por Hassamer) → Mescla entre direito penal e direito administrativo Malgrado a resposta afirmativa sobre a responsabilidade penal da pessoa jurídica, ela só se presta para os crimes previstos na CR/88. Classificação dos crimes em razão da qualidade do sujeito ativo: - Crimes comuns: qualquer pessoa pode praticá-lo. Ex.: art. 121, CP. - Crimes próprios: apenas determinada categoria de pessoas podem praticá-lo, mas admitem a co-autoria. Ex.: art. 312, CP, pode ser praticado apenas por funcionário público, que será o “intrameio”, o eventual terceiro; co-autor será “extrameio”. São divididos em: a) Puros: se houver a retirada da qualificação especial utilizada pelo legislador, a conduta se transforma em conduta atípica. Art. 321 do CP. b) Impuro: são delitos essenciais em sentido amplo. Art. 351 do CP. - Crimes de mão própria: exige uma qualificação especial do agente, não se permitindo coautoria, apenas a participação. Ex.: art. 342, art. 124, CP. Situações do SA frente às normas permissivas - Art. 128, I e II – só beneficia o médico; assim, se a enfermeira fizer aborto, mesmo que seja para salvar a gestante, ela não será beneficiada pelo art. 128, I. - Art.142, I – só beneficia a parte e seus procuradores. - Art. 181, I, III – Chamamos de excusas absolutórias que se aplica apenas aos cônjuges e filhos. Obs.: menor de 18 anos não é SA de crime e, sim, de ato infracional. Normas penais permissivas → gerais: utilizada por qualquer indivíduo; especiais: utilizadas apenas por determinados indivíduos previstos na própria norma. Referência BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de penal comentado. TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios básicos de direito penal.

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