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Apostila Pro Labore

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06/26/2015

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Após a apresentação da Contestação pelo Réu, o Autor terá o direito de se manifestar acerca das
alegações trazidas na peça de defesa. A peça cabível para referida manifestação do Autor é chamada de
RÉPLICA ou IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO.

A previsão legal está contida no Artigo 326 do CPC e o prazo para sua apresentação é de 10(dez)

dias.

A réplica será necessária na medida em que o Réu sustentar questão de caráter impeditivo,
modificativo ou extintivo de direito do autor ou, ainda alegar preliminares em sua contestação.

Fatos impeditivos e extintivos são aqueles que podem conduzir à improcedência total dos pedidos
do Autor e os fatos modificativos podem determinar que os pedidos do autor não sejam acolhidos em sua
totalidade. Em razão disso, sob a luz do principio do contraditório, é que conferido ao autor da demanda o
direito de manifestação através de Impugnação à Contestação.

Ao elaborar a Réplica, é importante se ater ao combate dos fatos sustentados pelo Réu em defesa,
sendo defeso inovar nos pedidos já feitos na inicial. A Impugnação é, também, mais uma oportunidade para se
reiterar aquilo que já foi pedido na peça de ingresso.

PRÁTICA CÍVEL

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(Exame de Ordem OAB/CESPE - 2010.1) Júlia ajuizou ação sob o rito ordinário, distribuída à 34.ª Vara de
Família de São Paulo – SP, com o objetivo de ver declarada a existência de união estável que alega ter
mantido, de 1989 a 2005, com Jonas, já falecido. Arrolou a autora, no polo passivo da lide, o nome dos
herdeiros de Jonas, que, devidamente citados, apresentaram contestação no prazo legal.

Preliminarmente, os réus alegaram que:

• o pedido seria juridicamente impossível, sob o argumento de que Jonas, apesar de não viver
mais com sua esposa havia vinte anos, ainda era casado com ela, mãe dos réus, quando falecera,
algo que inviabilizaria a declaração da união estável, por ser inaceitável admiti-la com pessoa
casada;

• a autora não teria interesse de agir, sob o argumento de que Jonas não deixara pensão de
qualquer origem, sendo inútil a ela a simples declaração;

• o pedido encontraria óbice na coisa julgada, sob o fundamento de que, em oportunidade
anterior, a autora ajuizara, contra os réus, ação possessória na qual, alegando ter sido
companheira do falecido, pretendia ser mantida na posse de imóvel pertencente ao último, tendo
sido o julgamento dessa ação desfavorável a ela, sob a fundamentação de que não teria ocorrido a
união estável;

• haveria litispendência, sob o argumento de que já tramitava, na 1.ª Vara de Órfãos e Sucessões
de São Paulo – SP, ação de inventário dos bens deixados pelo falecido, devendo necessariamente
ser discutido naquela sede qualquer tema relativo a interesse do espólio, visto que o juízo do
inventário atrai os processos em que o espólio é réu.

No mérito, os réus aduziram que Jonas era homem dado a vários relacionamentos e, apesar de ter
convivido com a autora sob o mesmo teto, tinha uma namorada em cidade vizinha, com a qual se encontrava,
regularmente, uma vez por semana, no período da tarde.

Considerando as matérias suscitadas na defesa, o juiz conferiu à autora, mediante intimação feita
em 21/9/20XX (segunda-feira), prazo para manifestação.

Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por
Júlia, redija a peça processual cabível em face das alegações apresentadas na contestação. Date o documento
no último dia de prazo.

______________________

A seguir, nossa resolução.

EXCELENTISSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 34ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE
SÃO PAULO - SP

Autos nº ................

JÚLIA, já devidamente qualificada nos autos da AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO
ESTÁVEL
movida em face..., vem, respeitosamente, perante V. Exa., através de seu procurador infra-assinado,
apresentar sua IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO, pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

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I.

RESUMO DOS FATOS

A presente demanda refere-se a AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL pela
qual a autora pleiteia ver reconhecida a relação que viveu com Jonas, seu companheiro já falecido, entre o
período de 1989 a 2005.

Os Réus, filhos de Jonas, foram devidamente citados e apresentaram contestação através da qual
pugnam pela improcedência dos pedidos, além de argüirem, em sede preliminar questões prejudiciais de
mérito.

Desta forma, a Autora vem aos autos para impugnar o que fora sustentado, conforme razões a

seguir.

II.

PRELIMINAR DE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO

Sustem os Réus, preliminarmente, que o pedido seria juridicamente impossível ante ao fato de
que o Sr. Jonas ainda era casado com sua esposa, muito embora não mais vivesse com a mesma há mais de 20
(vinte) anos. Desta sorte, a União Estável restaria prejudicada uma vez que não poderia haver reconhecimento
de referida relação haja vista a existência de casamento civil pré-existente.

No entanto, nenhuma razão assiste aos Réus.

No caso em tela, não há que se falar em impossibilidade jurídica do pedido, uma vez que os
pedidos da autora são perfeitamente admitidos pelo ordenamento jurídico brasileiro no mesmo passo em
que não recaem quaisquer vedações sobre o direito pretendido.

Ocorre que os Réus invocam o Art. 1.521, inciso VI do CC/2002 que é taxativo ao dizer que não
podem casar as pessoas já casadas. No entanto, esqueceram-se da norma contida no Art. 1723, § 1º a qual
é cristalina ao estabelecer que o impedimento do Inciso VI do Art. 1.521 não se aplicará se a pessoa
casada se achar SEPARADA DE FATO.

Ora! Os próprios Réus admitem em sua defesa que o Sr. Jonas já não vivia mais com sua esposa
há mais de 20 anos. Tem-se aí típico caso de separação de fato, motivo pelo qual não há que se falar em
qualquer tipo de impedimento.

Eis que, portanto, fica cabalmente demonstrada a possibilidade jurídica do pedido não merecendo
prosperar a presente preliminar, razão pela qual fica desde já impugnada.

III. DA PRELIMINAR SOBRE AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR

Os réus alegam que não haveria interesse de agir por parte da autora pelo simples fato de que o de
cujus
não deixou qualquer tipo de pensão, razão pela qual a pestação jurisdicional que se invoca seria
inócua.

Mais uma vez, a razão não está do lado dos Réus.

Isto porque, a declaração de União Estável não visa apenas a questão envolvendo a condição de
beneficiária de pensão como aduzem os Réus. É direito da companheira a participação no patrimônio
construído durante a União.

Não bastasse tal fato, é direito da companheira obter para si sentença declaratória acerca de uma
relação jurídica que verdadeiramente existiu.

Assim, não há que se falar em ausência de interesse de agir por parte da autora, oportunidade na

qual impugna-se a preliminar em comento.

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IV. DA PRELIMINAR DE COISA JULGADA

Em outra preliminar levantada pelos Réus, discute-se a tese de que haveria prejudicial de mérito
envolvendo a coisa julgada. No entanto, tal entendimento não é o mais correto que deve ser adotado ao caso
em tela.

Ocorre que em oportunidade anterior a autora chegou a ajuizar, contra os mesmos Réus, Ação
Possessória vindicando ser mantida na posse do imóvel de seu companheiro, pai dos Réus. Ato contínuo,
referida demanda foi julgada Improcedente, contendo a sentença fundamentação embasada no fato de que,
àquela época, não estava demonstrada a existência de União Estável.

Note-se que a causa de pedir e os pedidos daquela demanda não versavam sobre União Estável
em si, mas apenas questão envolvendo direito possessório, que nada tem a ver com o pleito do presente
processo.

Neste diapasão, não há que se falar em identidade de pedidos e causa de pedir entre as duas ações
e tampouco coisa julgada formal e material que possa se constituir fato extintivo da presente demanda. Em
outros termos, fica fácil concluir que não existe a menor correlação entre um processo e outro, razão pela qual
não existe coisa julgada que diz respeito ao pedido de reconhecimento e declaração de União Estável.

Desta forma, resta impugnada a preliminar de coisa julgada.

V.

DA PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA

Por derradeiro, os Réus suscitaram preliminarmente que haveria ocorrência de litispendência haja
vista que se encontra em trâmite na 1ª Vara de Sucessões de São Paulo, processo de inventário dos bens
deixados por Jonas.

Logo de início fica fácil verificar que não existe a menor chance de ocorrência de litispendência.
As duas ações possuem pedidos, partes e causa de pedir distintas uma da outra. Ademais, é cediço que ao
passo que o processo de Inventário é de competência da Vara de Sucessões, o pedido de reconhecimento de
União Estável é de competência da Vara de Família. Desta forma não poderia ocorrer sequer atração do foro
justamente por se tratar de duas ações bem distintas.

Portanto, estando afastada a hipótese do ar. 301, §§ 1º e 3º do CPC, não há que se falar em
litispendência restando, pois, impugnada a prelininar.

VI. DO MÉRITO - DA UNIÃO ESTÁVEL

Quanto ao mérito, os réus tentam conduzir Vossa Excelência ao entendimento equivocado de que
o Sr. Jonas era homem dado a vários relacionamentos e, apesar de ter convivido com a autora sob o mesmo
teto, tinha uma namorada em cidade vizinha, com a qual se encontrava, regularmente, uma vez por semana, no
período da tarde.

Data maxima venia, tal alegação não é capaz de desconstituir o bom direito que acompanha a
Autora. Convém ressaltar que o art. 1.723 do Código Civil de 2002, prevê o reconhecimento da União Estável
entre o homem e a mulher, como entidade familiar, desde que haja convivência pública, contínua e duradoura
e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

E é este exatamente o caso em tela no qual a autora e o Sr. Jonas relacionaram-se de forma
pública, contínua, duradoura e com o objetivo de constituição de família, durante anos a fio, restando como
infundadas as alegações de outros relacionamentos, até mesmo porque nenhuma prova foi produzida neste
sentido.

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E ainda que se comprovassem tais relacionamentos, em nada mudaria a situação de União Estável
da Autora com Jonas, pois estas supostas relações não tinham os contornos de uma União Estável. Logo, tais
supostos relacionamentos não poderiam, jamais, desconstituir a relação da Autora com Jonas. Ora! Os
próprios réus confessaram em sua contestação que os supostos namoros de Jonas eram ocasionais, por
períodos curtos e “apenas na parte da tarde”.

Por fim, restou apenas a conclusão de que não merecem acolhida as razões de defesa dos Réus,
pois em momento algum trouxeram fato realmente relevante ao combate da lide. Muito pelo contrário, ficou
ainda mais evidente que a pretensão da autora é robusta e verdadeira. Nenhuma prova, inclusive, foi produzida
pelos Réus, o que apenas demonstra a fragilidade de suas alegações.

Neste espeque, reitera-se os pedidos formulados na inicial pugnando-se pela procedência total dos

pedidos da autora.

VII. PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante de todo o exposto, a Autora impugna as preliminares suscitadas, batendo-se pelo não
acolhimento das mesmas. Por derradeiro, reitera pela total procedência dos seus pedidos já devidamente
formulados na Petição Inicial.

Termos em que,

Pede deferimento.

São Paulo, 01 de outubro de 20....

(obs: a data de 01 de outubro é proposital haja vista que a questão pedia que se protocolizasse a

Impugnação no último dia do prazo).

Advogado...OAB...

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