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A Guarda Negra e seu culto à Princesa Isabel

Mais um episódio apagado pela República...

Alguns dos que preservaram a memória: Fonte: http://guardanegra.blogspot.com.br/ http://guardanegracapoeira.comunidades.net/index.php Vários grupos de capoeira accessíveis no YouTube
http://www.youtube.com/results?search_query=Guarda+Negra&oq=Guarda+Negra&gs_l=youtubereduced.12..0l2.377437.377437.0.378736.1.1.0.0.0.0.423.423.4-1.1.0...0.0...1ac.2.znyMnq9lPIA

Este artigo apresenta a formação da Guarda Negra por um grupo de negros que praticavam a capoeira e agiam com violência para com o Partido Republicano na cidade do Rio de Janeiro entre 1888 e 1890. O objetivo do grupo era apoiar a Monarquia e impedir a República no Brasil. O medo de uma grande rebelião escrava foi comentado pela historiadora Célia Marinho de Azevedo (1987) que concluiu em sua obra “Onda Negra, medo Branco” que a pressão política para o fim da escravidão estava relacionada ao receio de uma revolta de negros semelhante aos embates entre escravos e brancos no Haiti.

A população urbana vivia em constante apreensão com estes grupos que adentravam a corte e se integravam às milícias de capoeiristas. Estes grupos se confrontaram entre si nas ruas da cidade do Rio de Janeiro durante o período de crise na sociedade escravista, ou seja, entre os anos de 1850 com o fim do tráfico negreiro até o advento da República em 1889. O recrutamento era feito, de acordo com os interesses políticos da região a qual pertenciam os negros e mestiços na cidade do Rio de Janeiro. Para ilustrar este domínio, na década de 1870, Soares (1994, p.80) comentou que o controle das ruas do Rio de Janeiro era dividido entre as milícias de capoeiras que repartiam entre si o domínio das zonas urbanas e rurais, conforme o domicilio e o local de trabalho de negros, escravos de ganho e libertos. Essas milícias recebiam libertos que atuaram na Guerra do Paraguai e retornaram em 1870 com patentes do exército, mas sem prestigio social. Com o fim da escravidão, as milícias de capoeiras mudaram suas relações com os partidos políticos, pela introdução de membros do Partido Liberal ao inexpressivo Partido Republicano. A abolição da Escravidão e a ascensão de nova milícia – A Guarda Negra Os abolicionistas como José do Patrocínio tentaram apaziguar as tensões entre os grupos sociais ao publicar artigos exaltando as qualidades dos ex-cativos como forma de inserir no imaginário popular as virtudes que os mesmos poderiam adquirir como cidadão com a emancipação. Para a Confederação e José do Patrocínio era necessário mudar a mentalidade da população carioca que associavam os ex-escravos aos grupos de de capoeiras e à violência urbana. Para que a sociedade passasse a acreditar que o negro criminoso era vitima da ignorância ligada ao cativeiro cuja correção de sua índole violência seria feita pela educação e monitoramento de suas ações individuais e coletivas. Tudo isso visando o apaziguamento das tensões sociais entre ex-escravos e elite urbana. Para ele, a integração do negro passava pela proteção das instituições políticas ao apoiar o Império no terceiro reinado e ao educar os exescravos para o trabalho assalariado tanto nas fazendas quanto no meio urbano. O fortalecimento do Partido Republicano levou o gabinete de João Alfredo de Oliveira (Partido Conservador) a dar apoio direto às milícias de capoeiras da região da Lapa e Santana que formaria a temida Guarda Negra. Ela foi reunida por José do Patrocínio, em 25 de setembro de 1888, na redação do jornal Cidade do Rio, como um grupo de proteção à Monarquia diante dos exaltados discursos de republicanos nos comícios ao redor da cidade..

No entanto, a formação da Guarda Negra foi posterior as rivalidades internas e a maioria dos membros se reuniram em torno do Partido Conservador por sua gratidão à Princesa Isabel e o gabinete João Alfredo. A Guarda Negra da Redentora Dessa união surgiu a Guarda Negra da Redentora. E o inicio de uma campanha para dar aos ex-escravos educação e alfabetização para se adaptarem à liberdade e se integrarem à sociedade. A integração seria pelo trabalho no comércio urbano ou nas áreas rurais como assalariados, seguindo as orientações da Confederação Abolicionista. As versões de historiadores sobre a origem da Guarda Negra Houve várias versões sobre a formação de milícias negras no Rio de Janeiro e em outras províncias como Maranhão, Amazonas e Bahia. O segundo foi à milícia de brancos e negros alforriados reunidos pelo gabinete de João Alfredo, que repetia a forma empregada pelo Partido Conservador, contra os inimigos políticos do regime monárquico. O grupo deveria agir de forma clandestina para que espalhasse o medo entre os adversários e permitir ao Partido Conservador incorporar a camada popular mais pobre a sua tutela. Foi formada a irmandade negra, a Sociedade Recreativa Habitante da Lua, na região de Santana, que jurava defender a Monarquia e obedecia a compromissos solenes e rituais de devoção à PrincesaIsabel, com sessões secretas e juramentos sagrados, baseado na Bíblia. A violação do segredo dessa irmandade levava à expulsão ou à morte dos culpados. Sociedade Beneficente Isabel A Redentora O grupo esperava o advento do terceiro reinado e deveria reagir a qualquer ameaça pessoal à Princesa Isabel. O Isabelismo motivou o grupo a agregar novos adeptos quando a irmandade mudou de nome para Sociedade Beneficente Isabel A Redentora, cujos dados sobre a origem do grupo e seus membros ainda estão ocultos. Para Maria Lúcia Rangel Ricci (1990) os idealizadores da Guarda Negra foram os abolicionistas mais exaltados, como José do Patrocínio, que queriam combater a influência do Partido Republicano perante a população do Rio de Janeiro. Patrocínio queria que a ideologia de proteção à Redentora Isabel, construída por esse grupo, se estendesse para as demais províncias do Império. A Guarda Negra, segundo Robert Daibert Júnior (2004), foi uma milícia política com ares religiosos. Seus membros comportavam-se com turbulência e tinham como principal foco de ação desestabilizar as conferências republicanas. Os republicanos consideravam os membros da

Guarda Negra um bando de marginais liderados por negros ressentidos com sua inferioridade na sociedade carioca. Seus associados consideraram a data de 13 de maio como um marco da libertação dos cativos no Brasil e juraram defender a pessoa que promoveu a extinção da escravidão, a Princesa Isabel. Os estatutos da Guarda Negra ordenavam que os negros só trabalhassem em fazendas cujos proprietários não fossem hostis à Princesa Isabel e apoiassem o Terceiro Reinado. Patrocínio solicitou o apoio da Confederação Abolicionista à Guarda Negra, para que suas idéias fossem divulgadas nas demais províncias do Brasil para o que contava também com o apoio da imprensa. No entanto, os republicanos não aceitaram a formação de milícia armadas apoiadas por abolicionistas e o Isabelismo de Patrocínio. Em seus jornais como Província de São Paulo, Gazeta da Tarde e O Paiz criticaram a postura da Confederação Abolicionista de aceitar semelhante ideia e apoiar o fanatismo de Patrocínio. As criticas á Guarda Negra Os discursos de repúdio à Guarda Negra pelos republicanos defendiam a ideia de que uma nova nação necessitava de ter povo civilizado e moderno. Essas idéias estavam embutidas nas propagandas republicanas e nos discursos de Silva Jardim que defendiam que a modernização da cidade do Rio de Janeiro era incompatível com a presença de libertos circulando entre os membros da elite branca. Esses discursos racistas eram aplaudidos pelos brancos e rejeitados pelos negros. O partido republicano não teve a adesão ou o apoio de capoeiras por causa de sua ideologia escravista e racista. Os membros do partido, compostos por fazendeiros escravistas e positivistas não admitiam ter qualquer ligação com mulatos ou mestiços. Por outro lado, os monarquistas e os membros do Partido Conservador se defenderam das criticas republicanas associar as ações do grupo a postura de benevolência dos negros para com futura imperatriz do Brasil. Para os conservadores, os integrantes da Guarda Negra eram negros agradecidos pelo ato da Princesa Isabel no dia 13 de Maio. Do cativeiro, a Guarda Negra surgiu como um apoio à Monarquia, que lhes inspirava lealdade e gratidão. Para Patrocínio, neste dia os negros deixaram de ser coisas, para começarem a ser homens, algo que as instituições não poderiam negar com base nas leis vinculadas aos princípios de liberdade, Igualdade e Fraternidade, com base no amor e na gratidão, conforme artigo publicado no jornal Cidade do Rio em 05 de janeiro de 1889. Patrocínio acrescentou em seu artigo em 16 de janeiro de 1889, que os republicanos de 14 de maio estavam incomodados com a existência da

Guarda Negra. Para impopularizar essa corporação, dizem os pseudo democratas que ela tem por fim armar os negros contra os brancos. Alguns meses após a publicação desse artigo Clarindo de Almeida, chefe do grupo, concedeu uma entrevista ao jornal Gazeta de Noticias, onde dizia qual era sua proposta e do grupo. Ele comentava que os cidadãos negros eram patriotas gratos à Monarquia e à Princesa Isabel pela liberdade. Criticou a violência sofrida pelos negros e que era atribuída ao Partido Republicano. Finalizava dizendo que a Guarda Negra não era responsável pela anarquia nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Patrocínio escreveu um artigo de protesto contra o redator do Diário de Noticias, Rui Barbosa, ao dizer que a primitiva Guarda Negra era composta de homens livres, trabalhadores dignos de respeito, pelo elevado sentimento que os congregava entre si e a sociedade que os estavam acolhendo. O político Rui Barbosa foi o principal crítico da formação da Guarda Negra e do envolvimento de José do Patrocínio com esse grupo. Ele não concordava com a atuação de uma milícia composta por ex-escravos liderados por negros abolicionistas, pois acreditavam que os negros não precisavam de tutores para ser inseridos na sociedade carioca como cidadãos. Para os republicanos como Rui Barbosa, a Guarda Negra foi organizada pelo governo imperial para combater os opositores do regime monárquico. Os propósitos do grupo, segundo os republicanos, eram provocar atritos que levariam a um confronto dos negros com a sociedade branca. As criticas de Barbosa apresenta contradições já que suas ações políticas também apresentam as marcas de um paternalismo excludente ao propor medidas de educação para os negros.Essa medidas incluíam a criação de fazendas agrícolas para alfabetização e ensino de profissões manuais para os ex-escravos. O projeto educativo de Barbosa visava o confinamento de negros no interior para evitar o contato com a elite branca do meio urbano e os imigrantes que adentravam as capitais do Império – Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto diminuiria o número de ex-escravos nas cidades, já que a elite escravocrata tinha receio de revoltas e do aumento da violência, pela grande concentração de negros nestes locais. O temor era oriundo da convivência cotidiana com os capoeiristas e as ações violentas da policia em repressão a estes grupos. Patrocínio defendia a Guarda Negra, afirmando que o grupo combatia a influência republicana, de forma pacifica, mas que se fosse necessário, faria uma barreira de proteção à Regente, aparando todas as ofensas e ameaças contra ela.

Por isso, a estratégia de associar as milícias de capoeiras à Guarda Negra foi uma estratégia de resistência a qualquer movimento contra a Monarquia, recorrendo a extremos, como a violência, para isso. O grupo tinha uma ideologia, construída pelos monarquistas, de defesa do terceiro reinado, pois temiam a vitória republicana, devido à doença do Imperador D.Pedro II. Os monarquistas temiam o despreparo de Isabel nas questões políticas e o fim da Monarquia. Em resposta ao Partido Republicano, Patrocínio argumentou que o objetivo da Guarda Negra, na sua formação inicial, era defender a vida da Princesa Isabel, por causa dos discursos reacionários de Silva Jardim, membro do partido, que pretendiam eliminar a Família Imperial e implantar a República, da mesma maneira que a Revolução Francesa. No entanto, a adesão cada vez maior à causa da Redentora pelos negros suscitava um novo temor da elite e da imprensa: uma milícia negra nas ruas do Rio de Janeiro. Esse temor foi materializado no final do ano de 1888, quando a insegurança se instalou na Corte Imperial e os negros foram hostilizados por parte da população carioca. A polícia tentava coibir os atentados aos negros e aos republicanos, nos comícios nas ruas do Rio de Janeiro. Patrocínio apontou, no Cidade do Rio, que as agressões à população negra eram estimuladas pelos fazendeiros escravistas. Dizia-se dizia, ainda, que não era do interesse da Guarda Negra provocar a anarquia na sociedade carioca, mas combater a instituição representada pelos escravistas - Partido Republicano - pelos trezentos anos de escravidão. No Diário de Noticias, Rui Barbosa, ao comentar sobre a violência no comício de dezembro de 1888, dizia que a Guarda Negra era a conseqüência de todos os séculos de cativeiro a que foram submetidos os negros. O estimulo à violência era culpa da Princesa Isabel que havia libertado o negro como um ato humanitário, mas não podia prever as conseqüências que a Abolição traria para a sociedade carioca. Na província do Rio de janeiro, os simpatizantes da Guarda Negra ficaram decepcionados com seus atos violentos nos comícios republicanos. Os abolicionistas, como André Rebouças, foi um dos que reprovaram a postura de Patrocínio em criar o grupo e permitir que o mesmo se entregasse a um fanatismo que geraria mais violência e crítica dos republicanos aos monarquistas. A observação de Rebouças foi com base nos distúrbios que agravaram as rixas entre os republicanos e a Guarda Negra nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Os jornais republicanos, diante desses distúrbios, apontaram a Guarda Negra como responsável direta por atos violentos contra o Partido Republicano.

O governo imperial foi acusado de incapaz de controlar a milícia, que supostamente, protegia a Princesa Isabel dos males republicanos. Para Rui Barbosa e Silva Jardim, a Guarda Negra foi instrumento de repressão do Estado Imperial para impedir o advento da Republica. Augusto Oliveira Mattos (2009) aponta que, no ocaso do Império, os republicanos e monarquistas usaram a Guarda Negra para travarem batalhas em busca de hegemonia em meio à crise monárquica. A formação da milícia de ex-escravos proporcionou aos monarquistas a oportunidade para utilizar a Guarda Negra para punir os descontentes com a Monarquia. A poderosa ideologia do Isabelismo, tão bem construída por Patrocínio, fez com que os libertos extrapolassem os estatutos do grupo e ameaçassem a ordem social. Novo ato de violência, em 14 de julho de 1889 alterou a posição de Patrocínio perante a imprensa carioca. Nesse comício, os republicanos homenageavam os cem anos da Revolução Francesa e da Queda da Bastilha, na França. Os republicanos organizaram um cortejo onde desfilaram os estandartes do Centro Republicano da Escola Politécnica da Faculdade de Medicina, em que se liam homenagens à França. O cortejo foi um ataque direto ao regime monárquico, tendo acabado em conflito e pancadaria, quando o cortejo se deparou, a alguns quarteirões, com o grupo de negros capoeiras. A Guarda Negra invadiu o local, promovendo violência e destruição. Os republicanos foram atacados pelo grupo de capoeiras, que declaravam morte aos simpatizantes pela República. O grupo agrediu e feriu também as pessoas que estavam na Escola Politécnica assistindo á manifestação dos republicanos. Em nota no Cidade do Rio, Patrocínio reconheceu que o grupo foi responsável por desorganizar os festejos do centenário da Revolução Francesa na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Dizia-se horrorizado pelos atos de Guarda Negra e admitiu que embora nunca aconselhasse a violência reconheceu que alguns membros do grupo se excederam no embate com os correligionários do Partido Republicano. No artigo Aos Homens de Cor, Patrocínio dizia que a violência era fruto da má influência dos negros republicanos que estimulara os membros da Guarda Negra a desferir todo o ódio pelos escravistas nos comícios republicanos. Tentava acusar os negros republicanos de promover atos violentos para caluniar o grupo que era pacifico. O aumento dos confrontos entre a Guarda Negra e a policia elevou o número de negros e mulatos de presos em função das brigas nas ruas, apesar de não constar nos autos todos os registros de ocorrências de

graves conflitos ou prisões de todos os membros da Guarda Negra, mas de negros bêbados e capoeiras violentos. A repressão às milícias da Guarda Negra e o inicio da República Os boatos sobre a saúde do imperador D.Pedro II e a inexperiência política da Princesa Isabel levaram à adesão dos militares e fazendeiros na conspiração para mudanças no regime monarquista. A pressão republicana sobre o gabinete abolicionista de João Alfredo levou à formação de um novo gabinete com o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, e com a proposta de reformas no Estado Imperial. Em Setembro de 1889, D. Pedro II dissolveu o gabinete de João Alfredo em meio à crise entre os cafeicultores e o monarca, pela ausência de indenização aos fazendeiros pelos escravos libertados através da Lei Áurea. O Golpe Militar de 15 de Novembro Após o advento da República as milícias de capoeiras fora sendo dissolvidas pouco a pouco, por causa da repressão e do aumento das prisões. Osvaldo Orico (1977, p.215) diz que “o golpe militar de 15 de novembro operou o milagre desejado: sacudiu o alicerce e fez desabar a cariátide negra que devia servir de coluna mestra ao advento do terceiro reinado”.

A população carioca viu a Proclamação da República mais como um desfile militar do que de mudança de um novo regime. O povo assistiu às mudanças políticas, segundo José Murilo de Carvalho (1987), bestializado e sem reação ao banimento da família imperial. Patrocínio se distanciou dos amigos monarquistas, pois não havia sentido em proteger ou defender a causa monárquica, já que não existia mais a Monarquia. Em apoio aos golpistas, Patrocínio decidiu colocar o jornal Cidade do Rio à disposição do governo provisório e do Partido Republicano. Com este gesto, perdeu amigos e colaboradores monarquistas que apoiaram suas idéias de lealdade à Princesa Isabel e repúdio aos republicanos. Os republicanos, ao assumirem o governo, trataram de apagar todos os resquícios do antigo regime no Brasil. A imprensa foi controlada e a censura imposta. Os jornais monarquistas foram fechados e seus donos presos por ordem do governo. A segurança e a ordem eram necessárias nas ruas da capital do Rio de Janeiro. O exército foi posto nas ruas para evitar badernas e motins de monarquistas descontentes com o banimento da família Imperial.

O advento da República foi o inicio do banimento das milícias dos capoeira para as prisões na Ilha de Fernando de Noronha. O principal responsável por esta repressão foi o chefe de policia João Batista Sampaio Ferraz que conhecia os grupos, bem como a área de atuação dos capoeiras na freguesia do Glória e no Campo do Santana. A ação policial contra os grupos de capoeiras durou entre 1889 a 1890 com inúmeras deportações como forma para impedir a intervenção do Partido Conservador (extinto) e de políticos que apoiavam os capoeiras. Essa ação tinha o intuito de desarticular os grupos e por fim ao domínio das milícias na cidade do Rio de Janeiro a partir de 1890. Isso foi somente o inicio de ações que visou o banimento dos grupos e o fim da criminalidade atribuída à capoeira nas ruas do Rio de Janeiro. A preocupação dos republicanos em apagar a memória de Isabel como heroína da Abolição e marginalizar os grupos de capoeiras demonstravam os receios do Partido Republicano em ter que intervir em conflitos entre brancos e negros. O partido não queria uma guerra civil ou uma resistência de uma parte da elite a favor da Monarquia. A inércia popular nos remete a pensar porque a Guarda Negra não fez nada para evitar o banimento da família real, por que não enfrentou as tropas militares ou impediu a instalação da República. Nas pesquisas sobre o golpe republicano, há um grande silêncio da imprensa carioca sobre a reação da Guarda Negra e de seus membros ao golpe de 15 de novembro de 1889. Desde o último ataque aos comícios republicanos, em julho de 1889, não houve mais nenhuma ocorrência violenta do grupo nas ruas do Rio de Janeiro, que fossem relatados pela imprensa. Houve, de fato, uma total desarticulação com a repressão imposta pela policia e pelo Gabinete Ouro Preto, devido às criticas da imprensa a violência dos capoeiras. O afastamento de Patrocínio e de alguns membros do Partido Conservador enfraqueceram as milícias. Não há ainda, de acordo com as fontes consultadas, informações sobre a detenção do chefe da Guarda Negra, Clarindo de Almeida ou o afastamento dos negros das milícias por causa da reação igualmente violenta dos republicanos nos comícios nas ruas do Rio de Janeiro. A repressão de Sampaio Ferraz foi apontada como o fim da capoeira politizada oriunda do Império e do domínio político do Partido Conservador na Corte. O culto às Princesa Isabel e os louvores à Monarquia foram instantaneamente esquecidos com a formação do gabinete de Visconde de Ouro Preto, em julho, e o golpe de 15 de novembro de 1889.