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O primeiro exame de qualificação do vestibular UERJ está muito perto, já será dia 22 de

junho. Então as dicas que pretendo dar até lá são as curtíssimo prazo. Esse mecete por
exemplo, serve para todos, até os que não estudaram nada até agora. Vamos aprender
“chutar” nas questões de múltipla escolha, mas com catigoria!

Eu preciso explicar o que é chute? Todos sabemos que é quando não sabemos a resposta
numa questão, é escolhemos uma qualquer, para ver o que dá. Isso é chutar. Se tivermos
“sorte” poderemos acertar. Mas como todo jogo de sorte, a probabilidade joga contra o
candidato.

Geralmente a probabilidade é de 20%, porque o mais comum é termos provas com 5


alternativas, de “A” a “E”. Porém nosso amado vestibular UERJ nos dá a moleza de
serem somente 4 alternativas possíveis, de “A” a “D”. Ou seja, suas chances num chute
“cego” sobem para 25%! Entende agora porque eu adoro a prova da UERJ?

E podemos aumentar ainda mais a probabilidade de acerto, utilizando a técnica do


“chute consciente”. Pode ser chamada também de chute técnico ou simplesmente
“técnica do chute”. O nome não vem o caso, o importante é que funciona.

Talvez você até já conhecia - e utilizava - o que vou descrever aqui. Extraí do excelente
livro Como Passar em Provas e Concursos, do William Douglas.

A técnica do chute consiste basicamente em analisarmos racionalmente as alternativas


da questão. Os critérios mais importantes a serem analisados são: as divergências, a
estatística, as semelhanças, a eliminação de hipóteses absurdas e a eliminação das
respostas generalizadoras. As menos importantes e que usaremos em último caso será o
“critério da letra A” e a “cara do cartão de respostas”. Vamos falar sobre cada um.

Antes, um aviso: trabalharemos com probabilidades, ou seja, tendência, chance e


tentativa de acerto. Nem sempre a resposta certa será a que a técnica indicar. Por isso
negritei tendência ao longo do texto.

Estatística

A tendência é que no rol de respostas, um elemento correto esteja repetido várias vezes.
A intenção do examinador é não facilitar a vida do candidato. Não fosse assim, bastaria
identificar o tal elemento correto e pronto, mataríamos a questão.

Exemplo:
A ( ) papel e pedra
B ( ) tesoura e pedra
C ( ) papel e pau
D ( ) papel e tesoura
E ( ) tesoura a algodão

Repare que a resposta que mais se repete é “papel e tesoura”, por isso a resposta “D”
tende a ser a mais correta.

Semelhança
Quando duas ou mais respostas assemelham-se muito, a tendência é que uma delas seja
a correta. Aqui a intenção da banca é confundir quem sabe um pouco mais.

Exemplo:
A ( ) 15,5
B ( ) 16,7
C ( ) 18,5
D ( ) 19,5
E ( ) 19,7

A tendência é que a D ou E sejam as corretas. Repare também que aplicando o critério


da estatística (acima) a tendência é confirmada: D ou E por causa do “19,” e D por
causa do “,5″.

Eliminação das hipóteses absurdas

Acredito que esta seja a mais utilizada. Nas questões, pelo menos uma das respostas é
absurda. Eliminando-se uma resposta absurda no vestibular UERJ sua probabilidade de
acerto sobe de 25% para 33%. Eliminando mais uma, sobe para 50%!

A técnica consiste em desconfiar de tudo que atente contra a lógica, os princípios ou o


bom senso. Aquela resposta não lhe parece bem? Soa mal ou sente que está esquisito?
Você pode estar certo. Essa resposta tende a estar errada.

Eliminação das generalizadoras

Cuidado com as respostas que generalizam sobre algum assunto. Como diz o ditado,
“toda regra tem sua exceção”. Então se for chutar, elimine as alternativas com palavras
que não abram espaços para exceções. Veja alguns exemplos:

todo(a)(os)(as), tudo, total, totalmente, completo, completamente, só, somente, pleno,


plenamente, incondicional, incondicionalmente, simplesmente, puramente, integral,
integralmente, ocasional, ocasionalmente, definitivamente, nenhum(a), ninguém,
nunca, perfeitamente, sempre, sem exceções, jamais

Como disse antes, eliminando-se uma resposta no vestibular UERJ sua probabilidade de
acerto sobe de 25% para 33%. Eliminando duas, sobe para 50%!

Divergências

Podemos ter assuntos controvertidos numa questão, principalmente as de Humanas:


História e Geografia. Essas disciplinas podem ter abordagens diferenciadas segundo a
convicção político ideológico doutrinária do autor.

A técnica, nesse caso, consiste em chutar segundo o que pensa a banca examinadora e a
bibliografia indicada por ela. Abordei de forma mais aprofundada sobre essa técnica
aqui. O posicionamento da banca da UERJ é de esquerda e mostrei como podemos tirar
proveito disso.
As técnicas mais importantes são essas que eu falei. Ainda assim, se tudo o mais falhar,
ainda tenho duas dicas, porém bem menos confiáveis. Só as use em último caso, se as
técnicas acima não puderem ser aplicadas ou como confirmação delas.

A letra “A”

Como é a primeira opção, o examinador tende a colocar a resposta certa em outras


alternativas, para não apresentá-la logo de cara. Na letra A banca gosta de colocar as
respostas “cascas de banana”.

Então, quando não souber a resposta e for chutar, e as técnicas mais confiáveis não
funcionarem, você pode evitar a letra A.

A cara do cartão de respostas

O examinador também tende a não colocar todas as respostas na mesma letra. Senão o
candidato que chutasse todas as questões numa determinada letra, se estivesse com
sorte, seria aprovado. Logo, se olhando para o cartão de respostas reparar um menor
número de uma das letras, mais chance existe de a resposta ser essa letra.

Por exemplo, você está em dúvida entre a B e a C. Mas, olhando para o cartão de
respostas, você vê que as duas questões anteriores e também nas duas posteriores você
marcou B. Então você pode tentar na C. Ou então a maioria das respostas são A, C e D.
Existe uma probabilidade que a outra seja B. Mas atenção: só use essa técnica em
último caso!

Mas Alexandre, a banca, sabedora de que existem essas técnicas, não pode inverter
seu comportamento?
Pode! Mas é muito difícil. Primeiro porque ela tem que levar em consideração a média
das pessoas (vai por mim, a maioria não usa as técnicas). Segundo porque, se não seguir
as regras que falei acima, estará facilitando a vida de quem sabe alguma coisa. Ou seja,
o examinador não tem muita saída.

Então, não subestime a técnica do chute. Ela é uma atividade tão inteligente quanto
estudar e responder, e é uma ferramenta que pode te diferenciar dos demais candidatos.
Esteja preparado também para, quando tudo o mais falhar, ter essa carta na manga
quando for marcar o X.

O ideal é que o candidato esteja sempre preparado para responder todas as questões
conscientemente e nunca precise chutar. Passar em um concurso público chutando todas
as questões é estatisticamente muito mais difícil do que acertar na loteria.

Mas quase sempre tem uma ou outra questão que o candidato não faz a menor idéia de
qual resposta é a certa, nesses casos não resta outra alternativa a não ser chutar mesmo.

Para isso se o candidato souber algumas técnicas, pode acabar aumentando a


probabilidade de acertar essas questões no chute:

1º Dica - Eliminação
Primeiramente o candidato deve verificar se existe alguma questão com uma resposta
absurda ou visivelmente errada, pode parecer simples, mas isso aumenta muito a sua
probabilidade de acertar. Por exemplo: em uma questão com 5 alternativas, a
probabilidade de acerto é de 20%, caso seja eliminado uma alternativa a probabilidade
aumenta para 25%.

2º Dica - Repetição
Verifique se há respostas que se repetem, caso existam, estas tendem a ser as corretas.
Por exemplo:
A) Cachorro e Cavalo
B) Vaca e Gato
C) Gato e Cachorro
D) Gato e Macaco
E) Cachorro e Macaco
Note que as palavas Gato e Cachorro aparecem mais vezes em todas as alternativas,
então provavelmente a resposta correta é a C, pois reúne as palavras mais citadas.

3º Dica - Semelhança
Geralmente o examinador tende a tentar confundir o candidato
colocando alternativas parecidas ou próximas da resposta correta. Com isso as
alternativas que são muito semelhante a outras provavelmente conterão a alternativa
correta. Por exemplo:
A) 10,8
B) 15,2
C) 15,5
D) 18,2
E) 20,5
Nesse caso a alternativa B é semelhante ou próxima da C, então provavelmente uma das
duas é a correta.

4º Dica - Generalização
Desconfie de toda alternativa que generaliza um determinado assunto, aqui vale a
máxima que toda regra tem a sua exceção, quando houver alternativas desse tipo elas
tem maior probabilidade de estarem erradas. Segue alguns exemplos de palavras que
generalizam assuntos: nunca, jamais, sempre, completamente, incondicional, ninguém,
todos, definitivamente e total.

5º Dica - Distribuição
Essa dica não é tão eficiente quanto as primeiras, mas pode ajudar em alguns
casos. Estatísticamente, a banca examinadora tende a distribuir igualmente as respostas
conforme a quantidade de alternativas e questões da prova. Por exemplo, se cada
questão contém 5 alternativas e a prova contém 50 questões, provavelmente o
examinador colocará 10 alternativas A, 10 B, 10 C, 10 D e 10 E. Então, quando for
chutar, vale a pena contar quantas respostas já foram assinaladas para cada alternativa, a
que tiver menos respostas deve ser o palpite. Mas caso tenha já muitas respostas erradas
na prova, essa dica não funcionará bem.

Essas 5 dicas são comprovadamente eficientes, pois quando são aplicadas, aumentam
muito a probabilidade de acertos ao invés de chutar sem nenhum critério. As próximas
duas dicas não são baseados em fundamentos estatísticos comprovados, mas existem
muitos boatos que elas também funcionam:
6º Dica - Letra A
Muito se diz que o examinador que está elaborando a questão não gosta de colocar a
resposta logo na primeira alternativa pois dá a impressão que está facilitando muito a
vida do candidato, então segundo essa teoria na dúvida não chute na A.

7º Dica - Letra C
Ao contrário da letra A, dizem que geralmente o examinador tem a tendência de colocar
mais respostas C, então na dúvida deve sempre optar por ela, além disso, os mais
religiosos e supersticiosos acreditam que a letra C, por ser a primeira letra de Cristo,
pode ajudar a quem precisa e merece.

Bom, estatístas e boatos a parte, estude sempre para não ter que precisar chutar. Boa
Sorte!