P. 1
Filosofia Para Adolescentes

Filosofia Para Adolescentes

4.75

|Views: 39.193|Likes:
Publicado porantonio
Na função de professor de adolescentes, procurei organizar um conjunto de aulas mais próximas da curiosidade deles e da necessidade que o professor tem de transmitir noções de filosofia, a partir de algumas experiências já vividas em sala de aula.
Na função de professor de adolescentes, procurei organizar um conjunto de aulas mais próximas da curiosidade deles e da necessidade que o professor tem de transmitir noções de filosofia, a partir de algumas experiências já vividas em sala de aula.

More info:

Published by: antonio on Feb 01, 2009
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

05/12/2015

pdf

original

Antonio Jaques de Matos

FILOSOFIA PARA ADOLESCENTES
(SEM ACADEMICISMOS)


Prefácio

É da natureza humana querer explicar tudo a sua volta, talvez, como
pensava Nietzsche, para evitar surpresas desagradáveis, mas, também, porque,
isso, nos dá grande satisfação, como pensava 24 séculos atrás, Aristóteles. É o
que nos propomos fazer neste livro em relação ao ensino de filosofia para
adolescentes. Um desafio que é em um primeiro momento assustador, mas,
depois, recompensador, porque é da natureza humana querer se comunicar bem
com os outros, embora nem sempre consiga e este desejo inclui a efetivação da
comunicação entre professor e alunos adolescentes.
O ensino de filosofia para adolescentes tem sido deixado de lado como
menos importante para os filósofos, uma atividade paralela, no máximo, sem
importância. O problema é que os doutores em filosofia, fechados em suas salas,
nada mais fazem do que repetir o que os antigos escreveram e, no máximo, tiram
palavras mais difíceis dos textos, mas mantém a ênfase na divulgação da
cronologia dos períodos filosóficos como se fosse importante saber quem veio
depois de quem. Às vezes, destacam temas, mas numa linguagem que o
adolescente médio não entende ou se entende, não relaciona a sua curta
experiência de vida. E a causa reside no fato destes professores desempenharem
nas suas universidades de origem apenas a atividade de tradutor de idiomas, para
tentar descobrir algum detalhe que tenha passado despercebido de Aristóteles, de
um Kant ou outro pensador; lá, o senso crítico é como um ser vivo que morre na
casca, sem nenhuma chance de se viabilizar. Mas, por senso crítico não queremos
dizer apenas pedir a opinião de um aluno. Certa vez, ouvi dois alunos falando que o
professor fez uma prova onde pedia a opinião do aluno e vi que os dois caíram na
risada. Dar nota apenas pela opinião? Sim e não. Sim, mas não somente por isso:
é preciso uma opinião justificada em motivos, de preferência após uma visualização
de duas ou mais alternativas e, então, decidir por uma delas, explicando o por quê
da escolha. Isto é fazer uso da racionalidade!
Há vantagens em ensinar jovens a filosofar (tarefa dividida com a Ciência):
isto amplia a capacidade de perceber o mundo a sua volta. Especificamente a
Filosofia, ela trata daquelas perguntas mais difíceis que vão além das perguntas
que os cientistas fazem. Estes últimos não perguntam se o espaço existe, mas os
filósofos, sim, pois se o espaço existe este universo está em algum espaço? E este
espaço está em algum ou alguns outros, em uma quantidade infinita? Kant, por
exemplo, defendeu a tese de que o espaço é um sentido interno, não real.
Geralmente as perguntas mais fáceis são relacionadas ao senso comum, como os
ditados e crenças populares. Por que vai chover? Porque, respondem, meu joelho
dói. Mas, por que a dor é anterior à chuva? Não sei, dizem eles. Já a ciência pode
dar um passo além: a mudança de pressão atmosférica afeta a sensibilidade dos
nervos de um joelho que tenha sido operado ou lesionado que estão mais perto da
superfície da pele. E a filosofia perguntará: o que é dor? Tudo está determinado? O
que é a gravidade que mantém um oceano atmosférico sobre nossas cabeças?
Dois objetos chegam realmente juntos ao chão, independente da massa? Por que
então a lua nunca caiu sobre a Terra? Não seriam necessários relógios cada vez
mais precisos (e uma série sem fim deles) para procurar uma diferença
pequeníssima entre os dois objetos? Etc.
A desvantagem é que ensinar filosofia seria algo muito precoce para a cabeça
dos adolescentes. Mas, não vemos nisso um problema. A questão central é saber
qual a formação necessária que deve ter um professor para dar aulas de filosofia.
Pergunto isso, pois houve uma estagiária que me substituiu e se saiu melhor do
que eu. Suas aulas davam espaço aos alunos para exporem suas juvenis idéias.
Mas, isto é filosofar? Em parte, sim, ter idéias próprias é importante, mas não é
tudo. Como não recorrer aos pensadores antigos quando eles têm uma opinião
melhor que as nossas? Mas, como compatibilizar estas duas visões? Talvez
apenas depois (e esta idéia a estagiária me ensinou, também) que as opiniões se
esgotarem. De qualquer maneira um professor de filosofia completo ou quase
completo (ninguém é completo) é aquele que tiver bom conhecimento dos
pensadores antigos (ou melhor, dos pensamentos antigos) e, melhor ainda, tiver
desenvolvido seus próprios pensamentos quando aqueles pensamentos antigos se
mostrarem frágeis, limitados. Lembro-me de que os alunos para ironizar a mim ou a
minhas aulas perguntavam: o que é a chuva? O que é um tombo?, pois eu sempre
pergunto sobre tudo. Se daqui a dez ou vinte anos eles se lembrarem disso, de um
professor que os chateava perguntando sobre coisas que ele achavam óbvias,
banais, então eu terei feito o meu trabalho. Há uma definição muito simples de
filosofia: ensinar a perguntar os porquês das coisas; por que os próprios filósofos
não a praticam?
Aliás, há um professor, Girardelli, que defende que a filosofia é a
desbanalização do banal. Eu acrescento: mostrar que o banal é complexo, isto é,
aquilo que as pessoas pensam e fazem como verdadeiro e correto, e, mostrar,
também, que o complexo, as coisas que as pessoas crêem ser incognoscíveis, é
banal, explicável. Ou, em outras palavras, o superficial é profundo e o profundo,
superficial. E para perceber isto é preciso se distanciar ou mais ou menos o que
Nietzsche escreveu: tomar a decisão, triste, de abandonar a cidade para enxergar o
topo dos seus prédios.
E, para que serve a escola? Dizem que ela é reflexo da sociedade: em uma
sociedade onde todos fazem tudo, os mais novos aprenderiam direto com os
adultos (por exemplo: nas sociedade indígenas ou pequenos agrupamentos
humanos isolados); em uma sociedade especializada ou com divisão de trabalho,
levamos os jovens à escola. Mas, isto é insuficiente? Pensamos que não, pois a
escola se propõe a dar uma visão ampla de mundo e, para tal perspectiva, é
preciso uma curiosidade sobre tudo que naturalmente ultrapassará os limites de
uma tribo (ainda que sejam bons selvagens, como pensava Jean-Jacques
Rousseau, queremos viver em um lugar onde as condições de sobrevivência só
garantem a vida de umas seis mil pessoas?), ou, na proposta capitalista, a escola
seria mera fornecedora de mão de obra. Queremos formar um ser completo, idéia
que o próprio Rousseau defendeu e, também, Schiller e, antes deles, Platão e
Aristóteles. Por que não pensar a escola não como reflexo, mas uma visão futura,
utópica mesmo, de uma sociedade ideal?
Não sei se me aproximo dos teóricos do pensamento crítico, pois
acreditamos que o senso crítico é importante para defender nossas idéias ou
reconhecer argumentos melhores do que os nossos, mas entendemos que a
escola, antes disso, procura diminuir aqueles desejos sexuais (concupiscência) e
a preguiça (ou fazemos isto e a escola tem este papel ou valerá a “lei do mais
forte”, queremos esta lei vigorando? Somos, sim, amigo Nietzsche, niilistas ou
pragmáticos?), freqüentes nos jovens e, ainda, os desejos materiais, enfim, o que
chamamos (apressadamente) de egoísmo (apenas quando são excessivos), mais
ativos nos mais jovens, que estão mais próximos deles e os incitam
constantemente. O que não significa que não devamos falar sobre: certa vez, eles
me perguntaram se eu era virgem?, por que eu era solteiro?, me deram o apelido
de um filme de comédia – “o virgem de 40 anos”. Em geral, eles depreciam os mais
velhos e em resposta a isto eu disse que o sexo que os adolescentes praticam é
parecido com o dos coelhos: eles fazem rápido e várias vezes. Falar sobre sexo é
instrutivo, os ajudará no futuro a serem melhores parceiros: disse-lhes, por
exemplo, que os filmes pornôs são úteis pois ensinam posições diferentes para
fazer sexo com quem amamos. Dependendo do nível de renda familiar, é comum o
uso de um vocabulário chulo, que devemos trocar por expressões científicas: ter
relações sexuais em vez de “bimbar” ou “trepar”, dizer testículos em vez de bolas,
vagina em vez de boceta ou perereca, pênis em vez de “pau”, “pica”, etc,
expressões que menosprezam a beleza envolvida em um processo natural, ainda
que a intenção deles não seja ver o outro como um objeto de sua satisfação
pessoal, é, em geral, assim que eles se comportam: sem pensar no outro como
alguém com sentimentos. Não queremos uma sociedade assim. Estamos
ensinando valores, dirão? Sim. E isto é errado? Quando se libera totalmente a
sexualidade juvenil uma das conseqüências é a banalização do corpo, o que inclui
gravidez precoce. Pensar assim é ser conservador? É curioso que, normalmente,
se atribua a conservadores a defesa do controle populacional; ocorre, contudo, que
com menos pessoas no mundo, haverá mais empregos e maiores salários, salários
que não podem ser altos por simples decreto governamental.
Sem sombra de dúvida, contudo, é o nosso dever mostrar a eles que cada um
de nós quer “vender” ou convencer os demais de nossos valores e os valores
vigentes são, na verdade, aqueles valores de pessoas ou grupos que prevaleceram
sobre outros, como uma seleção natural, não da espécie, mas dos valores.
Deve-se levar em conta, também, a sobrecarga de conteúdos sobre os
estudantes: é útil que se estude assuntos mais diversos para estimular a
curiosidade por todas as coisas, mas a quantidade não deve ser excessiva. Em
países como o Japão os alunos chegam às universidades estressados ou, como
preferimos, “exaustos mentalmente”, talvez por falta de minerais ou talvez se
deva às exigências sem sentido e diferente dos anos anteriores, eles já não
aceitam as regras que não sejam racionalmente justificadas. Lembro-me que na
faculdade não havia espaço para a crítica das teorias, apenas o seu “jesuítico” ou
“medieval” estudo. Não que isso não seja importante, mas por que falar tão pouco
durante um semestre inteiro sobre um parágrafo extraído de texto de um pensador,
sem qualquer crítica, pressupondo-o como verdade definitiva. Talvez a indisciplina
dos alunos seja um sinal, um efeito, de uma exaustão mental.
É difícil saber a causa principal entre tantas candidatas. Em uma aula no final
do ano de 2008, parei para pedir silêncio (não conseguia falar, nem ouvir alunos,
era uma aula onde, em círculo, debateríamos filmes sobre o amor, um tema que
não lhe é estranho!) e desta vez, diferente das muitas outras anteriores, expressei
o quanto aquilo me fazia mal, que aquele comportamento era insuportável para o
professor. Uma aluna disse que conversavam muito, porque eu, professor, não me
impunha (ora, é preciso gritar com eles para que se comportem, eles mesmo
precisam de limites e pedem-no ao professor!); outro aluno, disse que eu não era
bom professor e, então, eu pedi que ele fosse à secretaria da educação se queixar,
mas que não ficasse em aula importunando; via-se claramente que é uma geração
descontente com tudo e com todos – outros professores (mais experientes que eu)
já tinham adquirido o hábito de abandonar a sala quando a conversa era excessiva
e outros costumavam mandar os alunos para fora da sala de aula. A própria
secretaria estadual (ausente) rejeitara que se expulsasse ou, antes, suspendesse
alunos, mas não dava outras alternativas. Aquela mesma aluna me perguntou se
eu era autista, pois eu olhava para cima quando falava; não havia percebido isto,
mas procurei uma causa: (a) estava para ter um AVC pela indisciplina deles? (b)
pedia a Deus que mandasse um raio sobre mim? (c) Há, sim, a velha “navalha de
Ocham”, a alternativa mais simples, em geral, é a mais provável: minhas lentes de
contato, não sei por que causa, ficavam secas ou meus olhos não produziam
suficiente lágrimas para os lubrificarem! Na aula seguinte, como a aluna se
comportava mal, batia repetidas vezes na mesa e associei aquele comportamento
anormal ao de um portador de síndrome de Down e perguntei-lhe se ela tinha tal
doença? Há adolescentes gostam de incomodar pelo prazer de incomodar ou para
chamar atenção, como certos animais que gritam para marcar território. É errado
agir assim? Não, contra a irracionalidade às vezes devemos agir
irracionalmente!
Observei, também, uma certa insensibilidade: quando continuam
conversando na mesma altura da voz do professor, mesmo percebendo que o
professor está pedindo que colaborem com ele e, em alguns casos, mesmo quando
o professor está rouco! Por que se comportam assim? Não sentem compaixão
pelos outros? Ou não isto não lhes foi ensinado? Se esta hipótese estiver correta,
então, faz mais sentido ainda a “domesticação” desta condição que lembra a de
animais selvagens. É claro que punição não adianta: ou saem da aula e passam
um tempo isolados (biblioteca, por exemplo), ou, como fizeram com as meninas–
lobo da Índia, joga-se algo para elas para conquistarmos sua atenção. Medidas
frias, dirão? Certamente é isto que dirão muitos psicólogos e pedagogos.
Porquê? Porque eles ficam um período com os alunos e não 80 dias por ano!
Muitos professores crêem que a causa da indisciplina é a desestruturação
das famílias e a falta de afeto. Concordamos, em parte, mas vemos muitos alunos
abraçados, cumprimentando-se, trocando beijos no rosto, sem segundas intenções,
o que indicaria que tentam suprir aquilo que faltou na infância. Há, ainda, muito
comum, um menosprezo da família pela educação e isto pode interferir na
maneira como o adolescente enxerga a escola.
Outra hipótese da indisciplina é, que algumas pessoas já mencionaram: os
meios de comunicação bombardeiam a cabeça dos jovens, os jogo, as músicas on-
line, os celulares, ou seja, a tecnologia, faz com que eles recebam um bombardeio
de informações, mal conseguindo digeri-las completamente e, logo, passando de
uma fonte para outra. A educação (leia-se: os educadores) se ressentem disso,
pois não podemos fornecer a mesma quantidade e nem devemos, pois é a
qualidade que deve-se enfatizar; ocorre que, o pouco do que nós professores
informamos não atrai facilmente a atenção deles. É preciso, então, melhorar a
maneira como se leva os conteúdos aos alunos. Certa vez, li no quadro a matéria
do professor anterior: ele encheu os alunos com textos para copiarem, como se
quisesse apenas faze-los calar a boca.
Como ensinar sobre as estruturas intracelulares apenas com palavras, um
ensino monótono? Outro professor escreveu sobre um poeta português que
ninguém conhece, mais para preencher o tempo de suas aulas; poderia ter
aproveitado para pedir que os alunos construíssem suas próprias poesias! A
questão é que ainda torturamos nossos alunos, um resquício do ensino medieval,
uma tortura psicológica, não física, embora, para nós, seja também física, porém,
microscópica, interna.
Pensamos que o problema estivesse no fato de que os jovens de quinze a
dezoito possuírem alguma deficiência no seu desenvolvimento mental, pois nos
chamou muito nossa atenção o fato de eles precisarem muito tocar as coisas como
condição para aprenderem, etapa que Piaget relacionou a adolescentes de onze
anos e não de quinze, embora as crianças estudadas fossem as Austríacas, de
uma sociedade economicamente melhor estruturada. Mas, eles dominam as novas
tecnologias mais do que nós adultos e mesmo um pequeno atraso mental pode ser
atribuído por professores desmotivados e falta de afeto, mencionada no parágrafo
anterior.
Listemos as causas da indisciplina possíveis:
(a) exaustão mental por excesso de informações, o que faz deles insensível
aos pedidos do professor?
(b) falta de autoridade por parte do professor?
(c) desestruturação familiar e falta de afeto?
(d) falta de autoridade, primeiro, na família?
(e) desprazer no conteúdo dado em aula em comparação com as novas
tecnologias (televisão, celular, internet)?
(f) má alimentação e poucas horas de sono?

Outra descoberta interessante é que perto do final do ano quando os alunos
já têm nota para passar por média (60% da nota máxima), eles não prestam
atenção mais na aula; aí não resta outra coisa ao professor exceto entrar no ritmo
discente, a menos que fizéssemos provas muito difíceis no início do ano de
maneira que no final eles precisassem prestar atenção, mas isto é vingança!
Se é que podemos definir o que é ensinar a filosofia em poucas palavras
dizemos que ela: (1) procura ampliar a percepção do aluno, a ver o todo de um
problema e não apenas o seu ponto de vista ou como lhe ensinaram a pensar; (2)
buscar causas para os fatos, pois não basta apenas compreender o todo se não
identificarmos o processo pelo qual algo se tornou o que presentemente é. Para
cumprir (1) e (2) não precisa torturar os alunos, nem enchê-los de informações que
serão esquecidas logo que eles saírem da sala ou do colégio. É um erro que
cometemos, mas o essencial não é nunca errar, mas não persistir no erro. Mas, se
quisermos definir filosofia em uma frase: “é a busca das causas primeiras e não
das mais imediatas”, por exemplo, por que buscamos prazer? Pois isto nos torna
felizes (resposta ou causa imediata). Por que nos torna felizes? Porque preenche
nossas necessidades. (causa mais distante) Por quê? Porque nosso organismo é
avesso a necessidades e somos feitos para sentir completude. Por quê? Deus
quis? Ou tentamos voltar a uma situação anterior onde não sentimos falta alguma,
quando éramos feto? (esta uma causa mais distante ainda e talvez possa ser
chamada de causa primeira, mas alguém poderia perguntar por que a vida fetal é
assim? E que perguntasse isto não estaria errado, pelo contrário).
Pensamos nas férias de 2008 em fazer uma aula onde os alunos trouxessem
suas curiosidades para nós filosofarmos. Não sei se por timidez poucos falaram ou
se estavam acostumados a aulas em que os professores lhes apresentassem
exercícios e a eles coubesse apenas dar a resposta que estava lá no texto.
Desistimos de uma aula assim, talvez porque necessitássemos de uma fonte de
informação como ter um computador conectado à internet para cada aluno ou
grupos de alunos. Poderíamos ter pedido desde o primeiro dia de aula: tragam
assuntos ou um assunto, pois neste trimestre você se dedicará a investigar um
tema escolhido por você. Mas, e depois? Traria de casa mais informações?
Perguntaria a outras pessoas? Ou pesquisaria prontas as respostas em algum
lugar? Seria interessante deixar os alunos livres para aprenderem e investigarem
sobre um assunto, como futebol ou música. Poderiam relatar seus avanços aos
demais colegas. Ainda não abandonamos este sonho. Talvez devêssemos propor
uma aula um pouco diferente, do tipo “desafie o professor: pergunte algo que ele
não saiba!”. Evidente que há muito que eu não sei, mas posso lembrar de teorias
dos filósofos ou as minhas próprias (tenho um livro no google books: “the myths of
time, ego and laws”) e como a filosofia deve ser útil para a vida, se espera que o
professor tenha aprendido algo da filosofia que tenha validade para a sua vida e,
por que não para a vida dos alunos? De qualquer modo, esta idéia é apenas um
projeto e por ser apenas um projeto é que desenvolvemos estas 80 aulas abaixo,
para que não sejamos surpreendidos, novamente, caso a idéia de uma “filosofia
livre” onde haja liberdade para pensar (sem conteúdos previamente planejados e
impostos aos alunos) não tenha aceitação pelos próprios estudantes – penso que
não é fácil a alguém escravizado decidir pegar ou não pegar as chaves de seus
grilhões!
Pergunto-me qual o futuro da escola? Se ela faz com que os alunos pensem
menos nos desejos do corpo, abandonando excessos, em prol de pensar em como
podemos ser úteis à coletividade, na qual nos incluímos, podemos fazer isso sem
escolas? Qualquer que seja a resposta, isto não se faz sem contato com outras
pessoas. Pode ser fragmentado (aprender com vizinhos, em excursões,
acampamentos, etc), mas não poderá nunca ser à distância, a menos que a
Neurologia consiga fazer o que acho que a escola faz ou ajuda a fazer: ampliar a
capacidade de perceber o mundo ou, mais especificamente, quebrar ligações
excessivas entre neurônios, pois, em nossa opinião, só assim podemos perder a
atenção a detalhes e ampliar nossa percepção, ou seja, em vez de ficarmos só
preocupados ou interessados conosco, com as coisas que acontecem a mim ou
com as pessoas mais próximas, passamos a incorporar uma boa parcela das
outras pessoas e compreender o significado de cidade, país, mundo, universo.
Encontramos na internet uma charge representando o filósofo. Será que esta
imagem faz justiça a todos os filósofos ou somente a alguns pseudo-pensadores,
que não têm idéias próprias e não passam de papagaios que repetem o que os
outros disseram ou escreveram? Creio que não. Certa vez um aluno disse que
ninguém tinha amor por ser professor, era algo profissional. Respondi que se fosse
profissional, poderia, diante da indisciplina deles, ao longo do ano todo,
simplesmente, não me estressar e deixar um trabalho qualquer no quadro para que
eles fizessem, em vez de tentar dialogar com eles, filosofar com eles, buscarmos
causas juntos!

Plano de Aulas de filosofia
Antonio Jaques de Matos

Aula 1: Para que serve a escola? O que faremos juntos neste ano?
O que vocês esperam da escola?
Aula 2: o que é filosofia e a necessidade dos porquês.
Aula 3: filosofia estuda tudo ou o todo?
Aula 4: o que pensam os filósofos? (Youtube 1)
Aula 5: as crianças e os porquês: elaborar 20 perguntas.
Aula 6: Mitos (Youtube2 ou retroprojetor).
Aula 7: a coruja, símbolo da filosofia.
Aula 8: construção de uma linha do tempo.
Aula 9 - 12: exercício de causalidade com jornais, revistas, etc.
Aula 13-22: 1
o
trabalho: Filosofar através das músicas preferidas.
Aula 23: Sócrates.
Aula 24: exercício sobre Sócrates e a explicação do 2
o
trabalho de
autoconhecimento.
Aula 25: Teoria sobre a mente: Freud.
Aula 26: Estudo sobre Ilusão de ótica e mensagem subliminar: :
exercício prático.
Aula 27: a interpretação dos sonhos.
Aula 28: Angústia, medo e ansiedade.
Aula 29: Quais causas determinaram minha personalidade?
Aula 30: Filosofar através de livros e filmes sobre o amor.
Aula 31: casais sem filhos e a perpetuação da espécie?
Aula 32: o Futebol e a paixão.
Aula 33-36: Entrega do trabalho sobre o autoconhecimento.
Aula 37: Leitura do texto sobre a vida de Buda.
Aula 38: a felicidade reside no prazer? Há um sentido para a vida?
Aula 39: À procura de coisas belas: fotos com celular?
Aula 40: De que são feitas as coisas?
Aula 41: Qual a sua opinião sobre de que são feitas as coisas?
Aula 42: Há um mundo eterno? Estudo de Platão.
Aula 43: Platão e o mito da caverna.
Aula 44: Desenhe Deus, alma e destino.
Aula 45: Há livre-arbítrio?
Aula 46: um medidor de bondade?
Aula 47: como nos tornamos bons? E por que ser bom?
Aula 48: exercício de dilemas éticos ou aulas de etiqueta?
Aula 49: bioética: vida e morte.
Aula 50-51: documentário: O Inferno de Dante.
Aula 52: violência.
Aula 53: elaboração de um jornal sobre o tema da violência.
Aula 54: julgamento: têm os animais direito à vida?
Aula 55: introdução ao assunto “tempo” e “eternidade”.
Aula 56-60: como será o futuro? Comidas, saúde, transporte e
governo.
Aula 61: as empresas têm filosofia?
Aula 62: cooperativismo.
Aula 63: o sentido da visão.
Aula 64: o sentido do olfato.
Aula 65: o sentido do tato.
Aula 66: o sentido do paladar.
Aula 67: o sentido da audição.
Aula 68: os limites da razão.
Aula 69: o pensamento tem uma ordem?
Aula 70: dois testes de inteligência.
Aula 71: exercícios de lógica humana.
Aula 72: quadrado lógico
Aula 73: Explicação do 3
o
trabalho “faça algo para mudar o mundo”.
Aula 74-75: vídeo “V de vingança”, política, tirania, anarquismo, e
cidadania.
Aula 76-77: Apresentação do 3
o
trabalho “faça algo para mudar o
mundo”.
Aula 78: Documentário: O segredo.
Aula –79: 4
o
trabalho: fixe objetivos para toda a vida.
Aula 80: fechamento do ano e notas.

Não esqueça: o dia Mundial da Filosofia foi instituído pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco). Todos os anos ele é comemorado na terceira quinta-feira
do mês de novembro
Aula 1: Para que serve a escola? O que
faremos juntos neste ano? O que vocês
esperam da escola?

(A) REGRAS GERAIS DA DISCIPLINA DE
FILOSOFIA:
(A1) A previsão é de realizarmos 80 aulas, sendo divididas em __25__ no 1
o
trimestre,
__26__ no 2
o
trimestre e __31__ no 3
o
trimestre.

(A2) As notas são distribuídas da seguinte forma:

Trabalhos
parciais
(mínimo 2)

Prova
final

Recuperação
Sócio-
participativo

Total
1
o
trimestre 10 14 24 1 25
2
o
trimestre 12 16 28 2 30
3
o
trimestre 19 24 43 2 45


(A3) O professor dispõe do planejamento dos conteúdos a serem lecionado no ano para
enviar por E-MAIL, que inclui os TEXTOS que serão utilizados nos trabalhos parciais e nas
provas.
PROF>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>¯ ALUNO

(A4) Um modo de estimular os alunos a terem os textos é dar-lhes pontos
(A5) o professor é formado pela UFRGS, turma de 2007 (levar xerox diploma) e tem
um livro no GOOGLE BOOKS:
Relatório de 30 de Agosto de 2007 a 19 de Dezembro de 2008
ISBN Título do livro Visitas Visita com leitura de alguma página Páginas lidas
9788590729303 The myths of time, ego and laws 552 549 1,427
Totais 552 549 1,427
Médias 552 549 1,427

entreguem os trabalhos sempre na data marcada! ,
pois a responsabilidade é uma qualidade que devemos valorizar e estimular.

E, anotem as notas dos trabalhos de todos trimestres,
Pois o professor não as divulgará no final do ano, devido a um total de 9 turmas com 40
alunos em cada totaliza 360 alunos!

Procurem não dormir tarde, para estarem dispostos na aula!

4 Vamos filosofar? Poderemos fazer
uso dos Períodos de Aula para debater questões que surgirem na escola,
na cidade, estado, país e mundo, estimulando que cada aluno filosofe
sobre um tema livre.

(B) TEORIAS SOBRE A EXISTÊNCIA DA ESCOLA
No Egito quando as escolas surgiram e as bibliotecas, passando pela Grécia e Roma
antigas a tarefa número um das educação era a formação do HOMEM INTEGRAL,
Isto é, na formação do seu corpo, pela ginástica, da mente, pela filosofia e pelas ciências e da
moral e dos sentimentos, pela música e pelas artes. Educação vem EDUCERE, extrair as
potencialidades que estão dentro de cada pessoa. E escola, palavra grega, que significa
lazer, alegria, tem relação como o prazer da contemplação ou da ação, da descoberta.
Na Grécia antiga, não existia avocação específica de professor: um filósofo e um
ferreiro que fossem mestres viviam com seus colegas e seus aprendizes aprendiam de seu
trabalho manual eou intelectual,sem se aperceber (GADOTTI. História das idéias pedagógicas).
John Dewey lembra que “a história está marcada por teorias opostas sobre
a educação: uns defendem que educar é desenvolver de dentro para fora, outros, de fora para
dentro; educação se baseia em dotes naturais, outros dizem que ela deve vencer as inclinações
naturais e substitui-las por hábitos adquiridos por pressão externa”.
Jean-Jacques Rousseau escreveu na obra Emílio, que “na ordem social
todos os lugares estão marcados, cada um deve ser educado para o seu”, na ordem natural, os
selvagens, a sua vocação é ser homem. Quer se destine à carreira militar, à religiosa ou à
advocacia pouco me importa. Antes, da vocação dos pais, a natureza chama-o para a vida
humana. Viver é o ofício que lhe quero ensinar”. Para ele, nascemos bons e a vida em sociedade
nos corrompe.
Em seus Discursos pedagógicos, o filósofo Hegel define: (1) que a família é o lugar do
sentimento, onde você vale pelo que é (há laços de sangue); (2) na vida em sociedade,você vale
pelo que você faz. (um professor vale se ele sabe dar aula). (3) Já a escola é o momento em que
nos aproximamos da vida social, experimentamos como vai ser no futuro.
Lembremos que a escola existe, porque os governos queriam e ainda querem uma
população alfabetizada e informada (função: transmissão da cultura). Um
importante político RUI BARBOSA em seus discursos no século XIX,após proclamação da
república, já mencionava a distância do Brasil para a civilizada e desenvolvida Europa e falava
sobre a necessidade da educação.
Para Durkheim os adultos exercem a educação (uma ação) sobre as gerações ainda
não preparadas para a vida social. Nascemos , diz ele, egoístas e a educação nos civiliza.
Hoje em dia se procura dar conhecimentos visando a uma cultura geral para que
todos tenham acesso às conquistas da humanidade, não formar em um trabalho único,
mas oferecer recursos para se adaptar a diferentes tarefas (as formas de produção do
mundo estão em constante mudança) e depois, então, ingressem em uma escola onde se
especializarão em uma profissão técnica.
Podemos tentar, mas com dificuldade imaginar-nos sem escola: tal como as pessoas que
vivem e moram na rua, um sem-teto? Dois exemplos que utilizamos em aula: o presidente do
Brasil (Luis Inácio Lula da Silva) e dos Estados Unidos (Barack Obama) são pessoas que,
com educação, progrediram e assumiram posições de liderança!
Há uma relação entre escolarização e renda econômica. No Brasil, em 1997, havia 31,6%
de analfabetos, em 2007, são 23%, 50% no Nordeste, com meio salário mínimo per capita.

A escola parece ter como objetivo disciplinar o caráter da pessoa, estimulando o
uso do pensamento e deixando de lado outros prazeres e desejos materiais, como se
vê na divisão que Platão fez da mente ou da alma humana:
Intelectiva = razão ( cabeça)
Irascível = coragem e raiva (coração)
Concupiscível -= desejos carnais (sexo, fome, sono, segurança, etc)

Há basicamente três grandes escolas pedagógicas (sobre como ensinar):
Tradicional
O professor impõe sua autoridade, o
conhecimento como verdades definitivas
(DOGMAS) e o aluno permanece passivo, o
professor fala e o aluno escuta, escreve,
memoriza e, no dia da prova, responde às
perguntas com as informações antes
aprendidas. Para citar um exemplo: o ensino
do Talmud pelos judeus requeria repetir 400
vezes os trechos não entendidos.
Rousseau critica a educação que cobra
apenas a memorização: “é indício de azia e
indigestão vomitar a carne tal qual foi
engolida”.
Se o aluno não aprende é porque ele não
quer. E uma resposta diferente da do
professor é considerada um erro
Aqui inclui-se as escolas técnicas que
formam especialistas capazes de aplicar
Liberal
O aluno tem
liberdade de
aprender o que lhe
interessa mais.
Há escolas nos
Estados Unidos
onde o aluno entra
no horário que
quiser e passa o
tempo estudando
sozinho ou com
outros alunos e o
professor é
apenas um
conselheiro
quando o aluno
precisar dele.
Coloca-se à
Socialista
A escola é espaço para
professor e aluno tomarem
consciência do seu papel
político, de organizarem (por
meio do diálogo e debates) o
conhecimento para
entenderem o quanto são
explorados pelo capitalismo.
As aulas tomam como ponto
de partida temas que mais
preocupam a comunidade
escolar, tais como,
desemprego, violência, etc.
Há, também, uma escola que
se chama Crítica Social dos
conteúdos: que defende que
devemos aprender os
conteúdos que a classe que
métodos e instrumentos que lhes foram
ensinados.
Na educação antiga era costume punir
fisicamente com vara, bater na palma da
mão com um pedaço de madeira ou ajoelhar
em milho seco. Também Rousseau: “a
disciplina rigorosa da maior parte dos
colégios (fazem deles) verdadeiras prisões”
disposição dos
alunos meios para
eles aprenderem,
o que inclui idas a
museus. Mas, o
conhecimento é
secundário, não é
o mais importante.
governa e tem riquezas
aprende para que possamos
competir de igual para igual
ou mesmo supera-los. Os
conhecimentos chamados de
cultura universal são refletidos
a partir do olhar crítico do
professor e dos alunos e do
contexto em que eles vivem.
¬ para Kant, a educação tira o homem da animalidade, disciplina seus
instintos animais (civilizar ou domesticar) e humaniza o homem.
=Ivan Illich afirma no texto “os conhecimentos são adquiridos fora da
escola” que os alunos são, pela escola, levados a confundir ensino com aprendizado, diploma
com competência, fluência no falar com dizer algo novo, tratamento médico com cuidar da saúde,
proteção policial com segurança, etc. Há a ilusão de que quase tudo que se aprende é resultado
do ensino, só que, para ele, ela é apenas espaço de confinamento. A maior parte da
aprendizagem ocorre por acaso, como quem aprende um idioma, quando viaja para um país
estrangeiro ou as pessoas que lêem muito: isto se deve a atividades fora da escola.
= Herbert McLuhan: “Chegará o dia em que as crianças aprenderão muito
mais e com maior rapidez em contato com o mundo exterior do que no recinto
da escola”... “o meio urbano explode de energia e uma massa de informações diversas,
insistentes, irreversíveis”
¬ Pensadores como Michel Foucault defendem que a escola surgiu como um modo
obrigatório de fazer com que as populações fossem obedientes às igrejas e depois aos
governos,, primeiro, sob uma obediência cega e ameaças físicas, depois, por meio de disciplina e
persuasão.
Moacir Gadotti observa que o maior problema da escola foi “não ter sido
capaz de construir o universal partindo do particular. Tentou inverter o
processo, impondo valores e conteúdos universais sem partir da prática social e cultural
do aluno, sem levar em conta a sua identidade e diferença”. Por exemplo: estudo de frações
no cozimento de arroz, em uma cozinha da escola, ou porcentagem a partir da
semeadura na horta escolar ou fazer uma tenda indígena, experiências em
laboratório etc.
E a escola do futuro? Cada aluno com um computador a sua frente, realizando
pesquisas sobre um assunto que lhe interessa e ao professor restando a função de auxílio
quando requisitado? E a presença do adulto junto aos alunos, não é importante por si
só?? E o professor-intelectual com teorias próprias,não estimulará os alunos a
conceberem suas teorias??

g Em nossas aulas procuraremos seguir os seguintes passos:
sensibilização – problematização – investigação - criação
de conceitos. Partiremos de uma música, de uma imagem, leitura de um jornal,
etc; depois, faremos perguntas, identificaremos os problemas, investigaremos os
conteúdos, de diversas perspectivas. O aluno, então, estará apto a elaborar
sozinho ou em grupo um texto ou outro meio de expor suas reflexões/conclusões.

Pesquisa
Público-alvo? _______________________
Local: ( ) colégio ( ) shopping ( ) ________
Entrevistados (idade/
sexo)
Problema a ser investigado :______________
Pergunta: _____________________________
01
02
03
04
05

. Tarefa para a próxima aula ou na rua: Perguntas aos parentes ou alunos
mais velhos o que é, para eles Filosofia?

Um texto oportuno para o início do ano é o que trata da importância do silêncio, pelo menos,
naqueles momentos onde ele seja adequado:

A sabedoria do silêncio. RAYMUNDO DE LIMA (Revista Espaço Acadêmico, nº.
62, julho de 2006 )
Para ler e compreender um texto filosófico ou teológico, um poema, é preciso silêncio. Há
músicas que só podem ser ouvidas sob um fundo de silêncio. Os retiros espirituais são
importantes para capacitar as pessoas a conviverem melhor consigo mesmas; aprender a
controlar a inquietação de nossa alma, rumo à ascese. Não “treinar” o silêncio é se entregar à
fala vazia ou boba, reforçando um estilo sustentado na ignorância.
Os professores do ensino fundamental e médio, atualmente, reclamam que na sala de aula
passam mais tempo pedindo silêncio aos alunos do que ensinando. Apesar dos sinais de
barbárie na escola contemporânea, pouco se tem feito para impedir o seu avanço. Que fazer se
os especialistas em educação se limitam a rotina de produção teórica abstracionista, e os
responsáveis pelo sistema educacional continuam fugindo do compromisso de fazer “dialética do
concreto” com o cotidiano das relações humanas na escola e na universidade? Onde está o
equilíbrio entre conhecimento e sabedoria na formação dos professores para o futuro? Quem
educará os pais para melhor educar os filhos?
Um dos efeitos da “geração net” é não respeitar os espaços cujo silêncio é quase obrigatório.
Além de não suportar o silêncio necessário para introspecção, a “geração net” não tem paciência
de seguir o fio condutor de uma conversa. Quanto mais jovem, mais rapidamente passa de um
tema para outro ou troca de interlocutor como quem aperta o botão do controle remoto da TV.
Mais do que impaciência, tais atitudes podem também revelar intolerância e desrespeito para
com o próximo e falta de sintonia com o ambiente. Como imaginam que “mandam no pedaço”,
crianças e adolescentes se acham no direito de interromper a conversa dos adultos por motivo
fútil. Os adultos, por sua vez, fingem que aceitam a atitude grosseira, ou se acovardam, deixando
de exercer a autoridade de educadores, cujo resultado previsível é a incivilidade. Muitas pessoas
estão deixando de freqüentar os cinemas para evitar constrangimentos com platéias mal
educadas, barulhentas, parecendo estar mais interessadas em comer pipoca e dar arrotos de
refrigerantes do que assistir ao filme em silêncio.
O historiador Peter Burke observa que essa inclinação para romper a romper com o silêncio
necessário de uma aula, nos países latinos, talvez viria de costume cultural de “tentar ouvir
muitas pessoas falando ao mesmo tempo”. Ao contrário do costume anglo-saxônico que exige
total silêncio da audiência, o palestrante para público latino-americano deve estar preparado para
discorrer seu assunto tendo como ruído de fundo o zumbido de vozes.
Curiosamente, ele seria considerado mal educado ou impolido se pedir silêncio, deixando
transparecer certa irritação para com os verdadeiros mal educados. Burke observa que existe um
“acordo público” que nos induz ficarmos em silêncio em certas ocasiões. Num velório, solenidade,
audiência pública, culto religioso, concerto musical, durante a execução do Hino Nacional, o
silêncio é sinal de respeito e sintonia espiritual. Devemos evitar falar, ainda que baixinho, para
não causar constrangimentos em ambientes sociais necessariamente silenciosos. O silêncio é
natural porque faz parte da função biológica, quando estamos num banheiro, tentando dormir; ou
psicológica, quando nos entregamos à introspecção; ou social, quando esperamos nossa vez,
numa fila, cortejo fúnebre.
O “silêncio é um dos elementos essenciais em todas as religiões”, observa G. Mensching. Há
variedades de silêncio sagrado: pessoal, comunal, o ‘silêncio eleito’ dos monges e freiras de
clausura, a oração silenciosa ou ‘mental’. “O silêncio religioso é um misto de respeito por uma
divindade; uma técnica para abrir o ouvido interior; e um sentido de inadequação de palavras
para descrever as realidades espirituais”, escreve P. Burke.
É preciso “saber ficar em silêncio”, sentenciava La Rochefoucault. Os mal educados ignoram
o sentido ético, estético, cultural, moral, jurídico e psicológico do silêncio. Assim como o sábio e o
monge escolhem ficar mais tempo em silêncio – meditando, orando – podemos inferir que os
verdadeiramente civilizados e comprometidos com a sabedoria são propensos a conversas
intercaladas com o silêncio da prudência ao dizer e esperar o outro revelar seu ponto de vista.
Existe o “silêncio localista” das igrejas, bibliotecas, museus e hospitais. Recebe um olhar de
reprovação e um discreto psiu quem desrespeitar o silêncio necessário para rezar, estudar,
apreciar, ouvir uma palestra, ou visitar um enfermo. Portanto, precisa ser reeducado aquele que
desrespeita os locais de silêncio. A pessoa que fala pelos cotovelos palavras vazias, que sofre de
incontinência verbal monopolizando a palavra, poderia receber benefícios incalculáveis
psicanálise. É preciso compreender que excesso de palavras cansa, irrita, chateia, e termina
boicotando a harmonização do ambiente social e comprometendo a própria imagem do falante
compulsivo.
Vários ditados populares dão importância ao silêncio: “Deus nos deu uma boca e dois ouvidos
para que possamos menos falar e mais ouvir”; “Manter a boca fechada e os olhos bem abertos”,
diz uma versão italiana; “Em boca fechada não entra mosca”, dizem os espanhóis e portugueses.
Os comerciantes europeus inventaram a metáfora “o silêncio é de ouro e palavra é de prata”. O
provérbio árabe “cada palavra que tu falas é uma espada que te ameaças” induz a prudência e o
cálculo sobre o que, como e em que ocasião falar. Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como
uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas. “Diante de tanta ignorância
respondo com meu silêncio”, encurtava Rui Barbosa.
Entretanto, diante da intolerância, do racismo e dos fundamentalismos, devemos ficar em
silêncio? Nessas situações, o bom senso entende que “o dever do intelectual é romper o silêncio,
ainda que sua voz seja abafada pelos poderosos e seus cúmplices de plantão”. “O grande
cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo;
não denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a maneira mais vil de protegê-lo; e
proteger o crime é mil vezes pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever e o
silêncio é um crime”.

Aula 2: o que é filosofia e a necessidade
dos porquês.
Esperar pelos alunos que tragam definições por eles pesquisadas. Podemos realizar
durante o período uma saída para a rua, nas imediações da escola, para entrevistar as pessoas e
saber delas O que é filosofia?. Depois, acrescentar outras, dos pensadores antigos.

TALES: filosofia é o estudo da natureza de
que as coisas são feitas, para ele, são feitas
de água. Ele, também, previu colheitas de
oliveiras, de acordo com a previsão do tempo
e alugou prensas para as pessoas, ganhando
muito dinheiro.
Pitágoras: Inventou a palavra filosofia
(amiga da sabedoria) e filósofo(amigo da
sabedoria), isto é, aquele que busca o
conhecimento das coisas. Foi, também,
matemático: é dele o teorema que leva seu
nome.
Sócrates: a filosofia nos faz examinar a
vida em todos os seus aspectos e isso nos
torna sábio e ético e a posse da sabedoria é a
melhor vida.
Aristipo: a filosofia é uma atividade que
nos dá coragem para defender nossas idéias.
Platão: a filosofia é a atividade superior do
ser humano que o distancia da vida material e
o aproxima do mundo divino.
Aristóteles: a Filosofia é a ciência da
verdade que trata da ética, lógica, da natureza
e da matemática.
Diógenes: a filosofia fortalece o espírito
fazendo-o suportar as piores dores.
Epicuro:a filosofia é o estudo dos objetos
celestes e da morte. Ela cura os males da
alma, assim como, a medicina cura os males
do corpo.
Taciano: a filosofia é uma porção de
teorias confusas que se opõem e que não
explicam nada.
Tertuliano: a filosofia é a doutrina dos
homens e dos demônios, pecadora, pois
intenta falar sobre os decretos divinos.
Marco Aurélio: Só a filosofia pode nos
guiar nossa deus interior livre de danos mais
forte que os prazeres e mágoas, nada
fazendo de enganos.
John de Salsbury: A filosofia nos ensina a
atacar e defender idéias, ela eleva nossa
inteligência, amplia e torna mais profunda a
visão, especialmente quando elmos os
pensadores antigos.
Jean-Jacques Rousseau: a verdadeira
filosofia que ensina a viver junto da natureza,
onde está a verdadeira sabedoria e não nos
livros.
Kant: Filosofia consiste em filosofar sobre
os limites dos nossos pensamentos e do
mundo e quais verdades a nossa razão pode
conhecer.
Hegel: Filosofia deve buscar a unidade
que jaz na adversidade. Ela não é
sonambulismo, mas um estágio desenvolvido
de consciência.
David Hume: a filosofia ensina a ver os
diversos aspectos que podem ser, por nós,
observados e que freqüentemente nos
escapam.
Karl Marx: a filosofia não deve apenas
interpretar o mundo, mas transforma-lo,
reconhecendo conflitos e superando-os,
estabelecendo o governo dos trabalhadores.
Nietzsche: a filosofia, através da arte,
supera a limitada condição humana, nos
tornando super-homens; aos demais, o
rebanho, restará a ilusão da moral e de uma
vida após a morte.
Henry Bérgson: a filosofia não reúne os
conhecimentos das ciências, pelo contrário,
ela fundamenta o conhecimento das ciências.
William James: A filosofia não enche
barriga, mas todos têm curiosidade de saber
se “somos realmente livres”, “se Deus já sabe
o que faremos”, etc.
Wittgenstein: a tarefa da filosofia é a de
tornar claras as frases que usamos,
especialmente as frases científicas. As
palavras disfarçam nossos pensamentos,
como uma roupa que disfarça os contornos do
corpo.
Heidegger: a filosofia é guardiã da razão.
Ela é uma ciência teórica que investiga o
fundamento de todas as coisas. É por meio da
palavra que tudo é revelado.
Merleau-Ponty: Cabe à filosofia ensinar a
ver bem ou reaprender a ver o mundo.
Will Durant: Filosofia é o estudo da
experiência como um todo, já as ciências,
estudam partes do todo.
Marc Sautet: a filosofia retrocede ao
passado em uma situação de crise para
encontrar as causas e origem.
John Campbell: Filosofar é pensar em
câmera lenta. Ela pára, descreve e valoriza os
movimentos que normalmente fazemos em
grande velocidade.
Marilena Chauí: a filosofia reflete sobre as
religiões, as ciências, a arte, a história e a
política para buscar origens, significados,
forma e conteúdo.
Mathew Lipman: a função da
filosofia é desenvolver a capacidade
crítica de adultos e crianças.


· Proposta 2: realizar um bingo, para aprender brincando as tese anteriores. O jogo se
realizará a partir da distribuição para cada aluno de uma cartela com 6 teorias (de 6 filósofos).
Como temos cerca de 27 teorias (dispostas de 3 em 3), podemos fazer 36 combinações, segundo
a fórmula de análise combinatória: C
n,k
= n! / k!(n-k)!, sendo que n = total de teorias,
k= o número de teorias em cada cartela e “!” representa que um número deverá ser multiplicado
por si e por todos os outros números abaixo dele, por exemplo: “9!” significa 9x8x7x6x5x4x3x2x1=
362.880. Assim, Cn,k = 9! / 2! (9-2)! = 9! / 2! (7!) = 362.880/ 2 x 5040 = 36

Aula 3: filosofia estuda tudo ou o todo?
Pedir-lhes que me auxiliem em responder a questão se a filosofia estuda tudo
ou o todo? O problema é que esta aula poderá causar mais confusão do que
esclarecimento; pipocará na mente dos alunos duas palavras que não são tão claras,
mesmo para mim: eu disse em 2008 que a filosofia estuda tudo, mas não expliquei
que o “tudo” não é todo o conhecimento ou o dom da onisciência. O “tudo” é a
totalidade das coisas, sendo que suas partes não são tão importantes. Por exemplo:
posso estudar o homem, seu comportamento, mas não preciso entender seus
órgãos internos. Um exercício prático a ser realizado nesta aula ou na
próxima é pedir que alunos vão ao pátio e peguem objetos naturais ou industriais e
reflitam sobre o objeto como um todo, mas, ainda, o objeto é um todo independente
ou se relaciona com outros objetos? Que objetos ele se relaciona? Se for uma lata
de refrigerante, ela dependeu de alguém que a encheu com o conteúdo, alguém que
a transportou, alguém que extraiu o metal do subsolo, etc. Neste exercício o aluno
identificará a série de causas e efeitos que relacionam um objeto a outros ou seres
vivos entre si.

÷ Peguemos a imagem de um carro inteiro e outra com o carro desmontado:
o todo já não é mais visível e a ênfase está nas partes expostas, ou seja, todas as
peças ou o “tudo”. Novamente vemos o todo, o carro organizado. De que se
preocupa a filosofia, com o todo ou com as partes? Ela é o estudo de tudo ou do
todo? Podemos filosofar sobre um carro, por exemplo, ou ele é objeto apenas das
ciências, como o Design e engenharia mecânica e eletrônica?

Aula 4: o que pensam os filósofos?
(Youtube 1)
Nossa proposta é apresentar na sala de vídeo da escola vídeos do
YOUTUBE, especialmente uma série veiculada na tevê - SER OU NÃOSER
-, apresentada pela filósofa Viviane Mosé.

Obs: como baixar um vídeo do Youtube? Na internet encontram-se sites onde se pode baixar o
software “VDownloader”, através do qual se baixa com facilidade os vídeos do YOUTUBE. O que é necessário é copiar
o URL do respectivo vídeo, o seu endereço. O vídeo, do computador, se copia para um CD e, este, pode ser exibido
em um DVD.

Caso não consigamos usar a sala, podemos apresentar exemplos de teorias sobre os mais
variados temas tirados de nosso livro Curso de Filosofia Temática:

Heráclito: tudo está constantemente mudando: não somos os mesmos, não entramos duas
vezes no mesmo rio, porque na segunda vez já não somos os mesmos e nem o rio é o mesmo.
Parmênides: aquilo que é, é e não pode não-ser. Assim, só há um ser, sendo o movimento
uma ilusão, esteúnico ser é imóvel, infinito, eterno.
Demócrito: Defendeu a existência de átomos. O que permaneceria se um corpo fosse
divisível, sem fim, em partes cada vez menores? Seriam compostos de pontos sem dimensão?
Corpos com dimensão seriam constituídos de elementos sem dimensão? Se adicionássemos ou
subtraíssemos um destes pontos ao corpo, ele não teria nenhuma alteração em seu tamanho! E,
ainda, o que garantiria que os corpos permanecessem e não simplesmente desaparecessem?
Al Gazali: uma chama não é a causa da queima de um chumaço de algodão; é na presença
dos dois que ocorre a combustão. A idéia de que a chama é a causa do algodão queimar é uma
ilusão.
Epicuro: por que Deus não acaba com o mal? Apresenta as possíveis alternativas: (a)
Deus quer impedir o mal, mas não pode, (b) pode, mas não quer, (c) nem quer e nem pode e (d)
quer e pode. Se Ele quer, mas não pode, é “impotente”. Se pode e não quer, é “invejoso”. Se nem
quer e nem pode, é tanto “impotente”, quanto “invejoso” e, por isso, nem mesmo Deus é. Mas, se
quer e pode, por que, então, não impede o mal? Entende Epicuro que o que chamamos de bem e
mal, dependem e “repousam” apenas em nossa sensibilidade, pois conforme a circunstância, algo
bom pode causar algo mau e vice-versa. Mesmo a justiça que nasce da natureza, não passa de um
contrato, uma convenção, vantajosa às partes.
Protágoras: Embora Platão e outros filósofos os criticassem, reconheciam Protágoras
como um dos maiores mestres em retórica. É dele a frase “o homem é a medida de todas as
coisas, das que são e das que não são”, sendo que a verdade é relativa à opinião de cada pessoa.
Sócrates: Acreditava que os deuses nada precisavam; por isso, quanto menos ele
precisasse, mais próximo estaria dos deuses. A sua noção de felicidade se distancia dos
sentimentos, quando ele diz que quando bebemos, porque temos sede, estamos dizendo, ao
mesmo tempo, que sentimos prazer com sofrimento. Dizia que quanto menos precisar, mais
felizes seremos.
Platão: Elaborou uma doutrina em que ele crê na existência de dois mundos, um eterno e o
outro, perecível, temporal, físico e mutável. Este último, uma simples imitação do primeiro. E, o que
somos? Uma matéria na qual foi posta uma forma, humana, existente eternamente em um mundo,
também, eterno. Sobre a alma, especificamente, Platão disse que ela possui três partes: uma
racional ou intelectiva, localizada na cabeça; outra, irascível, na região do coração; e, ainda, uma
outra, concupiscível, na região do umbigo e fígado - “insaciável”. Em todas as pessoas, uma das
partes da alma predomina: no guerreiro, por exemplo, é a parte irascível que prevalece; por meio
dela é que nós nos exaltamos. Nos filósofos, prevalece a intelectiva. E nos demais, a
concupiscível. Para Platão, as três partes da alma devem estar em equilíbrio - a virtude da
temperança - , evitando os excessos.
Santo Agostinho: Nosso nascimento e crescimento visam a alcançar a “perfeição divina” e
uma vez “perfeitas”, não permanecem aí e, por mais que se “esforcem por existir” e quanto mais
rápido crescem, mais depressa acabam por “não existir”, envelhecendo e morrendo
São Tomás de Aquino: os anjos são pura forma, sem matéria, eles não raciocinam, pois
aprendem instantaneamente.
René Descartes: de onde tiramos as idéias de perfeição e infinito se tudo a
nossa volta é imperfeito e finito? Deus põe estas idéias em nossa mente.
Thomas Hobbes: Por que há diferença nas paixões dos indivíduos? Para ele,
isto se deve à diferença dos corpos, da educação e dos costumes recebidos. É esta
diferença que produzirá diferentes talentos nas pessoas e pela mesma causa,
haverá pessoas com “maior ou menor desejo” em relação ao poder, dinheiro, saber e
honra. Há uma tese sobre a loucura: para ele, ela consiste em um excesso de
paixão. Quando há uma ausência de desejos ou paixões, ele diz que “é como estar
morto”. A natureza humana é representada pela “cupidez natural” e pela “razão
natural”, esta última se esforça em tentar que os homens, através de pactos entre si,
evitem a “morte violenta”, que é vista por todos como o mal supremo – somos somos
naturalmente egoístas, o “homem é o lobo do homem”.
John Locke: nada está em nossa mente que não tenha passado pelos sentidos. A
idéia de duração, por exemplo, surge quando percebemos duas ou mais sensações.
David Hume: de onde tiramos a idéia de que somos um “eu”, se tudo o que percebemos
são sensações fragmentadas: estou sentado, ouço o telefone tocar, ligo a tevê, caio no sono?
Kant: a forma não está nas coisas, a forma da gota não está na gota, todas as gotas
parecem ter a mesma forma, mas é a mente que cria a forma.
Schiller Escreveu que dois instintos são primários em nós: a fome e o amor.
Schopenhauer: Para ele, só a dor é real. Pergunta: por que envelhecemos? Para que,
assim, “a morte não seja tão pesada” e sem “sequer ser sentida”. Observou, também, que só
aqueles que passam dos noventa anos, experimentam a “eutanásia” (do grego “boa morte”), aqui,
significando uma “morte calma”, quando morrem sem estarem doentes, quase sempre quando se
encontram sentados e depois da refeição.
Nietzsche: "E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária
solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la
ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e
cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida
há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar
entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência
será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e
rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um
instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se
esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te
triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras
vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar
de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna
confirmação e chancela?"»
Henri Bergson: Definiu a matéria como uma “fina película entre o homem e Deus”.
Enquanto não a investigamos, Deus se manifesta nela.
Jean-Paul Sartre: a eternidade que procuramos não é a vida que dure eternamente, mas o
descanso da consciência (um desligamento total)
Karl Popper: a história da humanidade não é a história dos generais, dos presidentes, a
história dos livros de história que valorizam apenas umas poucas pessoas, mas a história de cada
ser humano e a história de todos os homens.

- Mais importante que decorar ou entender estas e outras teorias será elaborar
críticas que ajudarão a confirmar as teorias ou rejeitá-las.

Aula 5: as crianças e os porquês: elaborar
20 perguntas.
Uma quinta sugestão, minha preferência pessoal: observar que a filosofia, hoje
em dia, parece ter se restringido ao estudo dos textos antigos, deixando para as
ciências a descoberta de respostas às nossas dúvidas e mistérios. Contudo, sendo
ela um exercício individual sua tarefa nunca terminará: cada pessoa deve buscar
sozinha fazer e responder questões que mais lhe despertam a curiosidade. É curioso
como as crianças bombardeiam os adultos com perguntando sobre os
porquês das coisas, com as mais variadas e intrigantes perguntas: por que o
céu é azul? Por que chove para baixo? Por que o pai veste calças e mãe saia e usa
maquiagem? Etc. Dizem que elas querem saber a que sexo devem imitar; acho uma
explicação estreita, típica das ciências; elas querem saber o que é este mundo no
qual elas foram colocadas. Devemos voltar a ser crianças, que maravilham-
se, espantar-se com qualquer coisa que se deparam e é esta conduta que nos
tornará sábios e o sábio não é aquele que sabe mais do que os médicos sobre as
doenças nem mais que os generais sobre guerras, mas o que tem uma
compreensão mais ampla do que as especialidades, cuja percepção é sempre
estreita sobre a sua área e ignorante sobre as demais áreas. Queremos formar um
ser humano completo e não um especialista como bem escreveu Schiller,
no século XIX, e a filosofia (para Schiller, a arte) contribui para formar um ser
incompleto. Por isso, a filosofia ainda pulsa! Uma proposta é estimular o exercício
dos porquês, ainda que não tenhamos todas as respostas.
Poderia distinguir a filosofia das outras áreas de conhecimento humano. Um
exercício simples é pedir-lhes que em grupo formulem algo como vinte a trinta
perguntas entre simples e difíceis sobre um tema que interesse aos estudantes
(como, por exemplo, Orkut), em grupo para dividir a tarefa árdua. Depois, com a
ajuda do professor, irão classificar quais perguntas se enquadram nas questões que
interessam a filósofos (as mais difíceis e que tratam de perspectivas amplas), quais a
cientistas, religiosos e pessoas comuns, seus valores pessoais e tradições culturais.
¨ Outro exercício pode ser o de distinguir que frase pertence à ciência, à
filosofia, à religião, aos mitos, ao folclore, à arte e ao senso comum, conhecimento
comum à maioria das pessoas:
(1) No princípio era o caos,o vazio, o vasto abismo, onde nada podia existir.
Dessa oca imensidão surgiram a noite negra e a morte. Da muda união deles nasceu
o amor.
(2) Há possibilidades de sermos livres: não há causas no mundo, é só uma
idéia ilusória de nossa mente e temos algo divino dentro de nós que é a causa de si
mesmo e, assim, isto provaria, também, que somos imortais.
(3) os primeiros transplantes de coração foram feitos em animais como
bezerros e carneiros, para que não fosse preciso pôr a vida humana em risco, se o
corpo rejeitasse o órgão doado.
(4) “quem desdenha quer comprar”
(5) “quem ri por último rimelhor”
(6) O todo sem aparte não é o todo, a parte sem o todo não é parte; mas se a
parte faz o todo, sendo parte,não se diga que é parte, sendo o todo... (Gregório de
Matos, séc. 17).

@ Poderemos, também, apresentar aos alunos fotografias de uma paisagem
em seus 360 graus, para que façam perguntas sobre elas e, assim, observar a
capacidade de percepção ampla ou limitada de cada aluno; tenho para mim que a
capacidade de filosofar requer um tipo de percepção ampla, mas, também,
detalhada, nesta ordem.

Com uso de imagens, especialmente aquelas que dão um panorama de 380
O

pediremos aos alunos que anotem aspectos observados nas imagens que mais
chamam as suas atenções. O objetivo disto é mostrar que de um modo diferente,
cada pessoa tem uma atenção, também, diferente. Observaremos, ainda, quais
delas têm uma percepção que se prende a detalhes e quais têm percepção que é
atenta à totalidade da fotografia. Mostrar-lhes que a filosofia se prende ao todo da
experiência e não a uma parte.
Não estou dizendo que alguns alunos têm um tipo de percepção (ou acuidade)
e outros, têm outra. Nós, humanos, temos ambas, ou melhor, elas são extremos de
uma linha contínua de possíveis graus de percepção. Ocorre que acreditamos (teoria
nossa) que pessoas com grau muito atento a detalhes (objetos singulares, que vêem
uma parte de um fotografia ou de uma experiência real) tenderão a agir com pouca
informação, destacadamente, de acordo com seus desejos mais imediatos, enquanto
as pessoas que têm atenção voltada para toda a imagem, tenderão a serem mais
reflexivas. E se a tarefa da escola é estimular a reflexão, pois, assim, as pessoas
serão mais racionais e menos passionais, então exercícios como este são sempre
bem-vindos.
Mas, dirão, e os psicopatas, que calculam seus crimes, observam todo o
cenário, antes de agirem? Primeiro, o planejamento que eles fazem não é tão amplo,
pois restringem-se a encontrar uma vítima para satisfazer sua atenção por detalhes,
como fazer o outro sentir dor (em geral, eles não gostam de sentir dor, aliás, quem
gosta?) e, portanto, a curiosidade deles é sobre detalhes, pormenores, extrair
tecidos, órgãos da vítima (sabemos disso pelos filme de Hollywood e, aqueles, por
relatos que foram transformados em livros e roteiros, é bom deixar bem claro!).
A seguir apresentamos duas fotografias panorâmicas para serem utilizadas em
aula (Lower Manhattan from Staten Island Ferry Jan 2006.jpg, Wikipédia) e
(http://www.en-foto.com, com os trabalhos do fotógrafo Éderson Nunes), com
imagens de Nova Iorque e do lago Guaíba, em Porto Alegre.
Dentre as observações que os alunos poderão fazer listamos algumas,
conforme a percepção deles:


Percepção estreita Percepção ampla
- observar diferenças nas alturas - o que há atrás dos prédios?
dos prédios
- identificar o rio - perguntar que cidade é esta?
- identificar o céu, que está dia - ela está em uma ilha?
- parece haver um porto ali - em que país ela se localiza?
- não enxergo pessoas, onde
estão?
- há uma ponte: ela leva para que
lugar?
- Há shopping Center ali? - por que a foto foi tirada desta
distância?

A segunda fotografia é da margem do lago Guaíba em Porto Alegre, minha
cidade natal. O que se pode esperar dos alunos? Que perguntem o que há na outra
margem, mesmo que não conheçam a cidade? Onde vai dar este lago? , dentre as
perguntas que revelam uma percepção ampla. Já perguntas como “o que há dentro
do prédio?” ou “o que as pessoas estarão conversando?” revela uma percepção
estreita.

. Teste: Exercício: perguntar aos alunos:
(a) quem vê o Jornal Nacional?
(b) que ou quais programas científicos eles assistem na tevê? Pedir que registrem as
informações obtidas nestes programas.

Aula 6: Mitos (Youtube2 ou retroprojetor).
Apresentar alguns vídeos tirados do YOUTUBE (muito visto pelos alunos)
com imagens relacionados à Mitologia e à Filosofia Grega antiga.
Em vez de vídeos podemos apresentar imagens extraídas da internet sobre o
surgimento da filosofia na Grécia, os pensadores chineses, os pré-socráticos até os
dias de hoje,gravadas em um CD para apresenta-las em um aparelho de DVD.

= Nietzsche, influenciado pelo romantismo, interpreta a cultura clássica grega como um
embate de impulsos contrários: o dionisíaco, ligado à exarcebação dos sentidos, à embriaguez
extática e mística e à supremacia amoral dos instintos, cuja figura é Dionísio, deus do vinho,
da dança e da música, e o apolíneo, face ligada à perfeição, à medida das formas e das ações, à
palavra e ao pensamento humanos (logos), representada pelo deus Apolo. Segundo
Nietzsche, a vitalidade da cultura e do homem grego, atestadas pelo surgimento da tragédia,
deveu-se ao desenvolvimento de ambas as forças, e o adoecimento da mesma sobreveio ao
advento do homem racional, cuja marca é a figura de Sócrates, que pôs fim à afirmação do
homem trágico e desencaminhou a cultura ocidental, que acabou vítima do cristianismo durante
séculos.
Aula 7: a coruja, símbolo da filosofia.

Domingo, 9 de Abril de 2006
Coruja e filosofia - o que fazem juntas?
A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva. Minerva é uma deusa romana. Seu
equivalente grego é Athena. A deusa Athena é filha predileta do deus dos deuses,
Zeus, e da deusa Metis, cujo nome significa "conselheira", e que indica a posse de
uma sabedoria prática. Athena não nasceu de parto normal. Zeus engoliu a esposa,
Metis, para se safar do filho que, pensava ele, poderia destroná-lo, aliás como ele
próprio fez com seu pai, Cronos. O nascimento de Athena se dá de um modo
especial: após uma grande dor de cabeça, Zeus teve sua fronte aberta por um de
seus filhos, e daí espirrou Athena, já forte e grande.
Athena seria a protetora natural de Athenas – uma vez que estava ligada à idéia
de cuidado com as habilidades manuais, com as artes em geral, com a guerra
enquanto capacidade de proteção e, enfim, com a sabedoria, ou seja, tudo que
deveria comandar uma cidade. Todavia, foi desafiada por Poseidon, que também
desejava ser o protetor da cidade de Atenas. Os deuses em reunião decretaram
que ficaria com a cidade aquele que produzisse algo de mais útil aos mortais.
Poseidon fez o cavalo, Athena fez a oliva. A vitória foi concedida a Athena.
A disputa clássica na vida de Athena, no entanto, foi contra uma mortal – Arachne,
talvez uma princesa, mas que aparece na mitologia como um tipo de doméstica.
Arachne tecia muito bem, maravilhosamente, a ponto de dizerem que a própria
deusa das habilidades, Athena, a havia ensinado. Mas Arachne negava tal fato e
retrucava que poderia produzir uma rede muito superior a qualquer coisa que
Athena fizesse. E assim desafiou a deusa.
Athena transformou-se em uma velha e foi procurar Arachne, para aconselhá-la a
não desafiar um deus. Mas Arachne ficou furiosa, e manteve seu desafio. E então
veio o confronto. Ambas teceram rapidamente, mostrando uma habilidade incrível, e
a própria disputa se fez de modo tão fantástico que parecia uma homenagem ao
trabalho. No produto de Athena, as figuras tecidas mostravam os deuses,
imponentes, mas desgostosos com a presunção dos mortais. No produto de
Arachne, as figuras exemplificavam erros dos deuses – tudo em forma de deboche.
O resultado foi que Athena não suportou o insulto, e se insurgiu contra Arachne.
Quando foi para colocar fim na vida de Arachne sentiu piedade (piedade grega, não
cristã, é claro) e a poupou, deixando-a viver como um estranho animal – a aranha.
O mito tem como objetivo mostrar a criação da aranha, é claro. Mas, como sempre,
fornece mais leituras: mostra Athena como compreensiva aos erros humanos: um
deus que não fosse Athena não se daria ao luxo de virar uma mortal para,
sutilmente, persuadir um outro mortal de não insultá-lo. Assim, com tal
característica, Athena era de fato a condutora da cidade de Athenas, que recebeu
tal nome por causa dela. Inspirados em Athena, os cidadãos gregos daquela cidade
aprenderiam a se comportar diante das leis urbanas, deveriam tomar as melhores
decisões, evitar conflitos e se proteger, ordenadamente – inclusive através da
guerra – contra inimigos externos.
A imagem de Athena povoou as mentes de alguns filósofos. Platão, ao falar de
Athena, a tomou como protetora dos artesãos, ressaltando o caráter da deusa
enquanto não somente uma guerreira e conselheira, mas efetivamente como aquela
que, desde o momento que deu a oliveira aos mortais, estava preocupada em
honrar a sabedoria prática, a habilidade de usar as mãos em articulação com o
cérebro. Talvez Marx, ao falar que o pior engenheiro é ainda melhor que a melhor
das aranhas, estivesse pensando, de fato, em Arachne. Mas certamente é com
Hegel que Athena se imortalizou para nós modernos, finalmente, na sua ligação
com a filosofia. É claro que predominou seu nome romano, Minerva. E mais que a
própria deusa, a coruja ficou no centro da história. A frase de Hegel, que diz que a
Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer, alude ao papel da filosofia.
Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da
razão, após os acontecimentos que haviam de acontecer realmente acontecerem.
Antes que "prever para prover", que é um lema de Comte e, portanto, do espírito
cientificista, Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da
postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois
da história, ela mostra que esta não foi em vão.
Quando dizemos, com William James, que cada filosofia é o temperamento do
filósofo que a criou, podemos então caminhar mais um pouco e dizer que Marx e
Hegel aparecem como os que melhor encarnaram a própria psicologia de Athena
para tecerem suas filosofias. Marx e Hegel, cada um com sua própria psicologia,
seus temperamentos, captaram o espírito de Athena para fazerem disso espelhos
para suas filosofias. Pois, afinal, Athena detinha com suas duas facetas o espírito
de suas filosofias: de um lado, Athena era a protetora de uma democracia de
artesãos, de outro, a racionalizadora das decisões urbanas. Portanto, Marx e Hegel,
em essência! Mas sabemos que, de fato, o símbolo da filosofia ficou sendo a coruja,
não Athena. Poderia ser outro animal, e não a coruja, o mascote de Athena? E
como mascote da filosofia, o que indica?
A coruja não é bela. Platão era tido como belo, mas Sócrates era horrível. A
coruja não é adepta de uma visão unidirecional, ela gira a cabeça quase que
completamente, vendo todos os lados. Platão era adepto de uma visão unificadora,
mas Sócrates era quase um perspectivista. Platão ensinava em uma escola que,
muitas vezes, foi oficial. Mas Sócrates ensinava nas ruas. Foi acusado e condenado
por seduzir os jovens, por roubá-los da Cidade, da Pólis. A coruja, por sua vez, é a
ave de rapina par excellence, e apanha os descuidados – na noite. Os leva da
cidade, para seu ninho. E então, dá para entender, agora, o que é que coruja e
filosofia fazem juntas? Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo


Aula 8: construção de uma linha do tempo.
Refletiremos sobre os principais acontecimentos ocorridos na história humana,
as datas mais lembradas e incluiremos as datas de nossos nascimentos, também.
Com isso podemos mostrar (o que Karl Popper mostrou antes de nós) que a história
não é a história de uns poucos, mas de todos nós.

G
r
é
c
i
a

a
n
t
i
g
a

T
a
l
e
s

5
8
5

a
C

P
i
t
á
g
o
r
a
s

5
3
0

a
C

H
e
r
á
c
l
i
t
o

5
0
0
a
C

P
a
r
m
ê
n
i
d
e
s

5
3
0
-
4
6
0
a
C

P
r
o
t
á
g
o
r
a
s

4
9
0
a
C

D
e
m
ó
c
r
i
t
o

4
6
0
a
C

E
m
p
é
d
o
c
l
e
s

4
5
0
a
C

S
ó
c
r
a
t
e
s

4
9
9
a
C

P
l
a
t
ã
o

3
4
7
a
C

A
r
i
s
t
ó
t
e
l
e
s

3
8
4
a
C

J
e
s
u
s

C
r
i
s
t
o

a
n
o

1

R
o
m
a

M
a
r
c
o

A
u
r
é
l
i
o

1
2
1
-
1
8
0
d
C

I
d
a
d
e

M
é
d
i
a

S
a
n
t
o

A
g
o
s
t
i
n
h
o

3
5
4
d
C

S
ã
o

T
o
m
á
s

d
e

A
q
u
i
n
o

1
2
2
4
d
C

R
e
n
a
s
c
i
m
e
n
t
o

R
e
n
é

D
e
s
c
a
r
t
e
s

1
5
9
6
d
C

I
l
u
m
i
n
i
s
m
o

J
o
h
n

L
o
c
k
e

1
6
3
2

d
C

D
a
v
i
d

H
u
m
e

1
7
1
1
d
C

K
a
n
t

1
7
2
4
-
1
8
0
4
d
C

H
e
g
e
l

1
7
7
0
-
1
8
3
1
d
C

N
i
e
t
z
s
c
h
e

1
8
4
4
-
1
9
0
0
d
C

K
a
r
l

M
a
r
x

1
8
1
8
-
1
8
8
3
d
C

S
é
c
u
l
o

X
X

B
e
r
t
r
a
n
d

R
u
s
s
e
l
l

1
8
7
2
-
1
9
7
0

W
i
t
t
g
e
n
s
t
e
i
n

1
9
2
1

J
e
a
n
-
P
a
u
l

S
a
r
t
r
e

1
9
8
0



Se sobrar tempo (olha ele aí, de novo, o que quer que seja, um Deus Cronos ou uma força
externa ao universo – alguém já saiu para fora do universo para comprovar esta tese? ou, então,
uma força interna, em nossa mente?), podemos propor que os alunos pensem em uma nova forma
de calendário à semelhança de Augusto Comte que estabeleceu o ano 1 a partir da revolução
francesa. Que evento importante tomaríamos côo ano 1 de um novo calendário a ser utilizado por
toda a humanidade?

Aula 9 - 12: exercício de causalidade com
jornais, revistas, etc.
Vejamos: para investigar o todo, como fazemos? Sugerimos a continuação da tarefa dada
na aula anterior: a busca de causas. O professor trará ou os próprios alunos trarão jornais e
revistas e escolherão uma notícia. Depois, identificarão uma série de causas que produziram estes
acontecimentos.
O professor chamará atenção dos alunos para o fato de a filosofia geralmente trata das
causas mais “longínquas”, distantes ou como se tornaram conhecidas, as “causas primeiras”. A
religião também trata delas e as ciências permanecem nas causas mais recentes ou imediatas.
Esta questão pode ser problematizada (questionada) aos alunos e não dada facilmente pelo
professor.
Estes exercícios repetidos de buscar causas e efeitos são úteis para que os alunos tornem
hábito perguntar pelos motivos e pelas conseqüências de cada decisão que
algum ser humano tomou em algum momento antes. Se conseguirmos que eles se habituem a
perguntar antes de agir, identificar possíveis explicações e possíveis efeitos em cada ação humana
(individual e coletiva, de nossa parte e da parte dos outros), isto, em nossa opinião, basta para
reconhecer que eles aprenderam a filosofar. Lembramos de alunos que no corredor da escola, me
paravam e perguntavam qualquer coisa e tão logo eu respondia, perguntavam novamente e diante
de outra resposta continuavam perguntando sobre o por quê desta última resposta; é divertido, pois
nos força a buscar uma causa ainda mais antiga em uma série sem fim de causas, exceto se
recorremos a um primeiro ser ou a um universo eterno...

Podemos fazer uso (no final destas 4 aulas) de revistas de FILOSOFIA
buscando causas para nossas crenças, sobre o tempo, a maldade, o trabalho, os
sistemas econômicos, etc.
Neste exercício se tratará implícita e tacitamente, também, da questão ética (além da
Metafísica, ou seja, a busca por um primeiro ser, bem como, a busca por um fim ou sentido da
nossa existência e, ainda, da Epistemologia, ou seja, da investigação científica e filosófica que visa
explicar o mundo e solucionar os problemas práticos de nossa existência), pois fazer o bem
envolve identificar os motivos certos e justos para uma ação, bem como, antever os efeitos de
nossos atos, a curto, médio e longo prazo.
Convém explicar com detalhe o que o professor deseja. Que tomem um fato e a partir da
notícia relatada identificar as causas que produziram aquele fato e, ainda, os
efeitos que o fato produzirá no futuro, sendo este fato, também, uma causa dos acontecimentos
seguintes. Uma das perguntas éticas consiste em tentar responder: é possível prever os resultados
futuros de nossos atos presentes? Como podemos minimizar os erros? Talvez aqui valha David
Hume (com seu método indutivo: na maior parte das vezes causas semelhantes conduziram a
efeitos semelhantes) e Descartes (com sua Moral provisória, isto é, seguir o que a maioria faz).
Assim, uma definição de filosofia: busca das causas primeiras. De onde viemos?
De nossos pais. E nossos pais? Dos pais deles e assim passamos pelos bisavos, tataravôs, etc,
até Adão e Eva e a criação do mundo ou a um ancestral comum com os macacos e, antes, aos
pequenos mamíferos quadrúpedes que se entoucavam para não serem comidos pelos dinossauros
e, ainda antes, dos répteis, anfíbios, peixes e as primeiras formas de vida unicelular e, antes, a um
sopa de elementos químicos catalisados pela atmosfera com gases de enxofre e metano mais a
eletricidade dos relâmpagos? E o tempo, uma força externa ao universo ou um sentido dentro de
nossa mente? E o livre-arbítrio, isento de causas externas ou efeito das experiências anteriores
que vivemos?
Listemos as causas da indisciplina possíveis: (a) exaustão mental por
excesso de informações, o que faz deles insensível aos pedidos do professor? falta de autoridade
por parte do professor? desestruturação familiar e falta de afeto? falta de autoridade, primeiro, na
família? desprazer no conteúdo dado em aula em comparação com as novas tecnologias
(televisão, celular, internet)? má alimentação e poucas horas de sono?
É oportuno citar Aristóteles e a teoria das causas: conhecer uma coisa é conhecer a
sua causa ou causa, pois ele identifica quatro tipos ou cinco (se acrescentarmos a causa
acidental):

Aristóteles: as quatro causas.
Conhecer uma coisa, diz Aristóteles, é conhecer a sua causa. Como descobrimos a causa
de algo? Primeiro, nos deparamos com algo que existe - entrarmos em contato acidental com esta
coisa. Em segundo lugar, parte-se para definições - uma fórmula que nos apresenta a causa
(essência) de uma coisa (obra: Tópicos: I,5). Depois, procuramos substituir os termos da definição
por palavras que nos sejam familiares. Por exemplo: um homem é definido como “animal racional”.
E isto porque o reconhecemos dentro do gênero animal e, ao identificar entre as espécies
existentes no gênero, o classificamos dentro da espécie humana, que se caracteriza pela
racionalidade.
Aristóteles enumera ao todo, quatro causas: (1) causa formal – também chamada de causa
primeira, forma definida ou essencial, como vimos no parágrafo anterior (obra: Segundos
analíticos: II, 10); (2) causa material – diz respeito à matéria da qual o objeto ou ser é feito. Para
ele, a mulher era a responsável pela causa material do filho. A menstruação seria a matéria que
não se tornou feto; (3) “causa eficiente” - uma fonte (ou potência) responsável por uma mudança.
Os pais são a causa da existência de um filho, por exemplo (Metafísica: 14,2). Um outro exemplo,
do próprio Aristóteles: “por que um bebê engatinha, em vez de caminhar? Por que a sua parte
superior é mais longa e pesada que a parte de baixo” (Sobre o andar dos animais: parte 11); (4) a
causa final - um fim determinado a que todas as coisas visam atingir. O ser humano, segundo o
filósofo, tem por fim o uso da razão, do pensamento. Há, ainda, a causa acidental. refere-se
àqueles aspectos que não pertencem à essência dos seres e das coisas, sendo que estes têm uma
causa indeterminada, própria da variabilidade (quantitativa e qualitativa) da matéria, como ao
plantar uma árvore, encontrar um tesouro, alguém que vai ao mercado fazer compras e encontra
uma pessoa que lhe deve dinheiro e que lhe paga o débito. (Extraído do livro: CURSO DE
FILOSOFIA TEMÁTICA, de Antonio Matos)

¡ Além do uso de jornais, faremos o exercício com edições da revista
Filosofia, a partir dos textos publicados. Este exercício poderá ser feito em dupla.

Duas notas importantes:

David Hume opõe-se à existência de causas gerais, apenas particulares. Não saberemos se
o sol vai nascer amanhã, escreveu ele, exceto que há uma probabilidade disto ocorrer, baseada
em nossas experiências passadas e no hábito que se desenvolveu em nós a partir de experiências
repetidas e memorizadas, como em seu exemplo das bolas de bilhar, onde casualmente uma
primeira bola está presente quando se inicia o movimento de outra, ambos movimentos distintos
um do outro (livro: Tratado da natureza humana: p. 82). O máximo que podemos fazer é definir
regras gerais com base nas experiências particulares, como, por exemplo, as causas originadas
pela ação da "gravidade" – que, até hoje, não admitiu exceção. Em resumo: todos os nossos
raciocínios sobre causa e efeito são derivados de nosso costume, uma crença que se origina “mais
propriamente nos sentidos e não na parte intelectiva de nossa natureza” (Tratado: p. 75-6, 183).

George Moore escreveu que encontramo-nos, em toda ação, diante da dificuldade de saber
se as conseqüências (efeitos) produzirão “o maior valor futuro”. Máximas como “não mentir” ou
“não matar” também não podem ser garantidas como as melhores alternativas; pode ser que no
futuro que seja melhor o extermínio de toda a nossa espécie, por exemplo, embora, hoje, seja um
mal restringir a vontade de viver dos homens. Como fazer escolhas? Devemos seguir aquelas
escolhas que foram feitas pela maior parte das pessoas, em vez de nos arriscarmos a nossos
julgamentos isoladamente.

Atividade extra-classe: visita ao Museu de
Ciências:
Sugerimos a visita ao museu de ciências da Pontifícia Universidade Católica e que é uma
oportunidade para observarmos as relações de causa e efeito sob o ponto de vista da
ciência.

Instituto Estadual Dom Diogo de Souza Porto Alegre, ___de novembro de 2008.

Prezado (a) pai, mãe ou responsável:
Vimos por meio desta pedir a autorização de V.Sa. para levar o (a) aluno (a):
___________________________ _______________________________ ao Museu
de Ciências da PUC (localizado na Av. Ipiranga, 6681, Porto Alegre ) no próximo dia
5 de dezembro (sexta-feira), durante o horário de aula (7h30 ao meio-dia). Para o
deslocamento (ida e volta) faremos uso do transporte coletivo (linha T4, da Carris),
cujo terminal fica na rua Dom Diogo de Souza (atrás da rua Adão Baino).
Eu_____________________________ autorizo meu filho (a) a ir ao Museu da
PUC,

________________ _________________ _________________
Pai, mãe ou Professor Vice-Diretora
Responsável Antonio Jaques Eliane




Instituto Estadual Dom Diogo de Souza
Prezado (a) Professor (a): ________________
No próximo dia 5 de dezembro durante o turno da manhã os alunos da turma 212 visitarão o
Museu de Ciências da PUC.
Pedimos licença de V.Sa. para utilizarmo-nos do seu período de aula para a realização da
atividade extra-classe e aproveitamos a oportunidade para convidarmo-lo (a) para ir conosco.
Obs.: O ingresso para o Museu é de R$8 e faremos uso da linha T4 para nosso transporte.

Aula 13-22: 1
o
trabalho: Filosofar através
das músicas preferidas.
Este trabalho é importantíssimo para quebrar o gelo ou a distância que separa
as gerações (do professor e dos alunos), além de estimular a tolerância às
preferências (musicais) dos outros. Em geral, o aluno vê o professor como alguém
que diz-lhe coisas sem sentido ou que não está preocupado com suas opiniões ou
algo semelhante ao que Locke pensou: “suas mentes são folhas de papel em
branco”. Pode-se aprender muito das experiências dos estudantes, embora
possamos contribuir para lhes mostrar que nossos pensamentos são geralmente
superficiais sobre as coisas.
Um método para nos aprofundarmos mais naquilo que a vida nos mostra
diariamente é fazer perguntas difíceis. Normalmente, as perguntas filosóficas
encontram-se aí: quando uma música fala do tempo, perguntamos “o que é o
tempo?”, por que às vezes ele passa rápido e outras, lento? Se uma música fala de
amor, qual é a linha que separa o amor da paixão? Dizemos que amamos alguém,
mas a ponto de dar a própria vida pelo outro? Pode-se debater os significados da
palavra “amor” e observar que ele muda muito. E mais: não é preciso estar antes
apaixonado para depois amar? Alguém que ama não deve ser também apaixonado
por quem ama? Pode-se usar analogias: o amor é um riacho e a paixão uma
cachoeira? Mas, de onde sai esta água e por que sua quantidade varia? Etc. Mais do
que respostas definitivas, a filosofia pode oferecer alternativas, respostas possíveis
de serem aquelas que responderão às perguntas que formulamos.
Um outro conteúdo (oculto, como diria a escola da pedagogia Crítica) a ser
lecionado é a da aceitação da diferença, isto é, ser capaz de ouvir estilos de música
que não é do seu gosto, mas por respeito às outras pessoas e suas preferências.
Uma atividade como esta ensina muito sobre tolerância, uma real tolerância, não
aquela velha tolerância: ouço todos os estilos desde que prevaleça o meu!
Uma última sugestão: não permita que os alunos ouçam várias músicas, uma
atrás da outra, senão eles não vão querer filosofar sobre elas. Cobre deles e de cada
um por vez suas reflexões. Esta é a grande contribuição que os filósofos podem dar
à humanidade. Não que as pessoas não saibam pensar (elas aprendem com a vida
em sociedade), mas não pensam em profundidade e esta é a tarefa e o legado da
filosofia.
Nas músicas ocorre algo parecido com o que ocorre na literatura: em geral, os
compositores não filosofam sobre aquilo que dizem, mas apenas dizem de acordo
com o senso comum. Há exceções: ouvimos a música “pais e filhos”, onde se diz
que os filhos culpam seus pais por seus fracassos, dizem que seus pais não os
entendem, mas, os filhos, é quem não entendem os pais, porque os pais são
crianças, também (entendemos por “crianças”, seres que, também, são inexperientes
no mundo, que estão aprendendo sobre o mundo e sabem apenas um pouco mais
do que seus filhos). Surpreende-me esta explicação e não encontrei-a em nenhum
filósofo e olha que li dezenas de obras.

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que
aconteceu
Ela se jogou da janela do
quinto andar
Nada fácil de entender

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um
pesadelo
Só vou voltar depois das
três

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

(chorus)
É preciso amar as
pessoas
Como se não houvesse
amanhã
Por que se você parar pra
pensar
Na verdade não há

Me diz por que o céu é
azul
Explica a grande fúria do
mundo
São meus filhos que
tomam conta de mim

Eu moro com a minha
mãe
Mas meu pai vem me
visitar
Eu moro na rua não tenho
ninguém
Eu moro em qualquer
lugar
Já morei em tanta casa
que nem me lembro mais
Eu moro com os meus
pais

(chorus)
É preciso amar as
pessoas
Como se não houvesse
amanhã
Por que se você parar pra
pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
não lhe entendem
Mas você não entende
seus pais
Você culpa seus pais por
tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?

Na música seguinte, pudemos perguntar aos alunos várias questões: 1) se a felicidade é
algo que escapa de nós e vai embora... para onde? 2) o pensamento faz a gente voar?

CAETANO VELOSO - FELICIDADE
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando
começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa
a pensar

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
(mais rápido)

A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando
começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa
a pensar

Felicidade...

Outra música do mesmo cantor que, aliás, também é formado em Filosofia. Ela fala das
pessoas – “gente”. Fala da vida como um mistério, onde tudo está conectado (“estrelas estão no
olhar”), que há um determinismo (“o amor, Eros, te elegeu para amar...”), de que há um sentido
para a vida (“gente é para brilhar, não para morrer de fome” e “gente quer ser feliz”), que há uma
força interna que nos guia, mas que podemos não segui-la (“não traia nunca essa força ... que
mora em seu coração”) e, entre outras coisas, que somos parte de algo maior (“gente, espelho de
estrelas, reflexo do esplendor”).

Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem
se tantas são
Cada, estrela se espanta
à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas
estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
pra amar
Marina, Bethânia, Dolores,
Renata, Leilinha,
Suzana, Dedé
Gente viva, brilhando estrelas
na noite
Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca
essa força não
Essa força que mora em seu
coração
Gente lavando roupa
amassando pão
Gente pobre arrancando a vida
com a mão
No coração da mata gente quer
prosseguir
Quer durar, quer crescer,
gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano,
Moreno, Francisco,
Gilberto, João
Gente é pra brilhar,
não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
de anil
Gente, não entendo gente nada
nos viu
Gente espelho de estrelas,
reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
doce mistério
Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem
se tantas são
Cada, estrela se espanta
à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas
estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
pra amar
Marina, Bethânia, Dolores,
Renata, Leilinha,
Suzana, Dedé
Gente viva, brilhando estrelas
na noite
Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca
essa força não
Essa força que mora em seu
coração
Gente lavando roupa
amassando pão
Gente pobre arrancando a vida
com a mão
No coração da mata gente quer
prosseguir
Quer durar, quer crescer,
gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano,
Moreno, Francisco,
Gilberto, João
Gente é pra brilhar,
não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
de anil
Gente, não entendo gente nada
nos viu
Gente espelho de estrelas,
reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
doce mistério


Uma última questão: decidimos punir os alunos que não levaram a sério esta tarefa e não
prestavam atenção aos colegas: fizemos uma avaliação e muitos vieram saber como filosofar com
música, algo que já tínhamos repetido bastante nas aulas anteriores. Apresentei-lhes uma música
conhecida: “Parabéns pra você, Nesta data querida, Muitas felicidades Muitos anos de vida!”. O
surpreendente é que a maioria deles apenas explicou o que a música queria dizer e poucos
filosofaram como lhes sugeri: elaborem perguntas difíceis de responder, geralmente estas são as
perguntas filosóficas. Houve uns três alunos de uns trinta que se revelaram filósofos: eles se
perguntaram por que as pessoas desejam felicidade a alguém, lhe está faltando ou será que já não
a possuem? Por que dão “parabéns”, palavra que se usa depois que uma pessoa faz algo bem
feito? Outro aluno criticou a data, pois ficar mais velho nos entristece e um outro, criticou a data
relacionando-a a motivos comerciais. Expliquei-lhes na aula seguinte que a melodia (a música) é
de uma música norte-americana “Good morning to all” (Bom dia pra você, Bom dia pra você, bom
dia queridas crianças, bom dia para todos!), composta pelas professoras de uma escola infantil
Patty e Mildred Hill, em 1893 (Estados Unidos) e depois registrada em nome de Preston Orem.
Mas a letra, na versão brasileira, foi autoria de uma paulistana, Bertha Celeste Homem de Mello,
que venceu um concurso em 1942, patrocinado pela Rádio Tupi (RJ), que queria uma letra que se
adequasse ao original norte-americano de “happy birthday to you”. Fins comerciais? Pode-se
pensar que uma festa de aniversário (A palavra aniversário vem do Latim “anniversariu” e parece,
pela pesquisa que eu fiz, que significa “aquilo que volta todos os anos” ou “o dia em que se faz um
ano, uma volta da Terra ao redor do Sol”) influencia as pessoas a irem a lojas comprar presentes,
sim, mas os únicos que têm dinheiro em mente são os atuais proprietários da canção que dizem
que têm direitos sobre a execução até 2030!
Encontrei uma aluna que tinha a mesma opinião que a minha (aliás foi ela quem disse
primeiro) : ela questionou o uso de “parabéns”, até porque, na China, os filhos é que agradecem
aos pais por ter lhe dado a vida. Além disso, uma data específica de aniversário pressupõe que
naquele dia voltamos ao dia em que nascemos, mas, segundo, os astrônomos, a Terra e o sol ao
redor do qual ela gira, e todo o universo estão em expansão e, então, não voltamos mais àquele
dia. Uma aluna, aliás, matou a charada dizendo que é uma data simbólica - que símbolo fortíssimo!
Está bem reconheço que a data é simbólica, mas por que um dia para nos sentirmos felizes?
Lembrei mais tarde que os “Testemunhas de Jeová” não comemoram aniversários (além de
Natal, Páscoa e Carnaval) : seu motivo é que são “formas sutis de idolatria, adoração”. De nossa
parte, podemos dizer: que é idolatria à ignorância, pois por que a cada ano devemos ficar felizes,
em uma data específica, que sequer é o mesmo dia em que nascemos? Mais: é, também, uma
idolatria ao “eu”, porque tampouco somos os mesmos a vida toda!
Em outras turmas apresentei, também, uma música infantil muito antiga paralelamente
(nada é simultâneo!) com sua versão atualizada, ecológica:

Atirei o pau no gato, tô, tô
mas o gato, tô, tô
não morreu, reu, reu
dona Chica, cá, cá
assustou-se, se
do berrô, do berrô que o gato
deu
MIAU!
Não atire o pau no ga-to,to
porque isto-to,to
não se faz, faz, faz
O gatinho,nho
É nosso amigo,go
Não devemos maltratar os
animais
jamais!

Como filosofaram? Muitos perguntaram sobre as sete vidas dos gatos, outros, se o gato
mereceu ou não ser maltratado, outros, condenaram o ato e viram com bons olhos a nova versão.
De minha parte, penso que eles poderiam ter perguntado se era um tigre, algumas vezes chamado
de “gato” ou por que essas músicas antigas são violentas, etc.

Aula 23: Sócrates.
Há, também, embora possa ser entediante (120 minutos!) aos alunos, um DVD, dirigido por
Roberto Rosselini sobre a parte final da vida de Sócrates, com destaque para a sua despedida.
Quando assistimos pela primeira a este DVD, notamos que podemos exibi-lo aos alunos a partir da
quinta cena, quando Sócrates é avisado de que há uma acusação contra ele no tribunal ateniense.
Até esta cena decorrem cerca de 50 minutos, faltando, portanto, 70 minutos, mas que mostram
Sócrates dialogando sobre o que é a beleza e o que é a impiedade, características fundamentais
da arte praticada por Sócrates, incluindo sua condenação e despedida quando bebe cicuta e
morre, sem temer a morte, pois ela ou é um sono sem sonhos, ou é um encontro com
aqueles sábios e poetas célebres já falecidos.
Nesta aula podemos exercitar a leitura com um texto de uma página (não mais do que isto)
onde se apresente resumidamente trechos da obra “Apologia de Sócrates”. É uma tarefa árdua,
sim, distante da vida deles, sim, mas ler é o meio para adquirir vocabulário e não podemos abrir
mão disso.
A seguir um resumo da defesa de Sócrates perante o tribunal de Atenas:

Apologia de Sócrates (escrita por Platão)

Primeira Parte - Sócrates apresenta sua defesa
O que vós, cidadão atenienses, haveis sentido, com o manejo dos meus acusadores, não sei;
certo é que eu, devido a eles, quase me esquecia de mim mesmo, tão persuasivamente falavam.
Contudo, não disseram, eu o afirmo, nada de verdadeiro. Mas, entre as muitas mentiras que
divulgaram, uma, acima de todas, eu admiro: aquela pela qual disseram que deveis ter cuidado
para não serdes enganados por mim, como homem hábil no falar. Essa me parece a sua maior
imprudência, se, todavia, não denominam "hábil no falar" aquele que diz a verdade.
De onde nasceram tais calunias? Se não tivesses te ocupado em alguma coisa diversa das
coisas que fazem os outros, na verdade não terias ganho tal fama e não teriam nascido acusações
(...) Porque eu, cidadãos atenienses, se conquistei esse nome, foi por alguma sabedoria. Que
sabedoria é essa? Aquela que é, talvez propriamente, a sabedoria humana. É, em realidade,
arriscado ser sábio nela(...) Conheceis bem Xenofonte. Uma vez, indo a Delfos, ousou interrogar o
oráculo a respeito disso e perguntou-lhe, pois, se havia alguém mais sábio que Sócrates. Ora, a
pitonisa respondeu que não havia ninguém mais sábio (...) E fiquei por muito tempo em dúvida
sobre o que pudesse dizer; depois de grande fadiga resolvi buscar a significação do seguinte
modo: Fui a um daqueles detentores da sabedoria, com a intenção de refutar, por meio dele, sem
dúvida, o oráculo, e, com tais provas, opor-lhe a minha resposta: Este é mais sábio que eu,
enquanto tu dizias que eu sou o mais sábio. Examinando um dos políticos, este de quem eu
experimentava essa impressão. - e falando com ele, afigurou-se-me que esse homem parecia
sábio a muitos outros e principalmente a si mesmo, mas não era sábio. Procurei demonstrar-lhe
que ele parecia sábio sem o ser. Daí me veio o ódio dele e de muitos dos presentes (...) Depois, fui
aos poetas trágicos, convencido de que, entre esses, eu seria de fato apanhado como mais
ignorante do que eles (...) Em poucas palavras direi que não faziam por sabedoria aquilo que
faziam, mas por certa natural inclinação e intuição, assim como os adivinhos e em verdade,
embora digam muitas e belas coisas, não sabem nada daquilo que dizem. ... Também fui aos
artífices, porque estava persuadido de que, por assim dizer, nada sabiam, e, ao contrário, tenho
que dizer que os achei instruídos em muitas e belas coisas. Em verdade, nisso me enganei: eles,
de fato, sabiam aquilo que eu não sabia e eram muito mais sábios do que eu. Mas, cidadãos
atenienses, parece-me que também os artífices tinham o mesmo defeito dos poetas: pelo fato de
exercitar bem a própria arte, cada um pretendia ser sapientíssimo também nas outras coisas de
maior importância, e esse erro obscurecia o seu saber. Assim, eu ia interrogando a mim mesmo,
a respeito do que disse o oráculo, se devia mesmo permanecer como sou, nem sábio da sua
sabedoria, nem ignorante da sua ignorância, ou ter ambas as coisas, como eles o têm.
Agora procurarei defender-me de Meleto... Diz a acusação - comete crime corrompendo os
jovens e não considerando como deuses os deuses que a cidade considera, porém outras
divindades novas. ... Meleto é quem comete crime, porque brinca com as coisas graves.
- E, agora, dize-me, por Zeus, Meleto: que é melhor: viver entre virtuosos cidadãos ou entre
malvados? Responde, meu caro, não te pergunto uma coisa difícil. Não fazem os malvados alguma
maldade aos que são seus vizinhos, e alguns benefícios os bons? - Certamente. - E haverá
quem prefira receber malefícios a ser auxiliado por aqueles que estão com ele? Responde, porque
também a lei manda responder. Há os que gostam de ser prejudicados. -Não, por certo... - Mas,
ou não os corrompo, ou, se os corrompo, é involuntariamente, e em ambos os casos mentiste. E,
se os corrompo involuntariamente, não há leis que mandem trazer aqui alguém, por tais fatos
involuntários, mas há as que mandam conduzi-lo em particular, instruindo-o, advertindo-o. - Assim,
pois, Meleto, por estes mesmos deuses, de que agora está falando, fala ainda mais claro, a mim e
aos outros. Não consigo entender se dizes que eu ensino a creditar que existem certos deuses - e
em verdade creio que existem deuses, e não sou de todo ateu, nem sou culpado de tal erro - mas
não são os da cidade, porém outros, e disso exatamente me acusam, dizendo que eu creio em
outros deuses. Ou dizes que eu mesmo não creio inteiramente nos deuses e que ensino isso aos
outros? Eu digo isso, que não acreditas inteiramente nos deuses... Tu dizes, pois, que eu creio e
ensino coisas demoníacas, sejam novas, sejam velhas; portanto, segundo o teu raciocínio, eu creio
que há coisas demoníacas e o juraste na tua acusação. Ora, se creio que há coisas demoníacas,
certo é absolutamente necessário que eu creia também na existência dos demônios. Não é assim?
Assim é: estou certo de que o admites, porque não respondes. E não temo em apreço os demônios
como deuses ou filho de deuses? Sim, ou não? - Sim, é certo. - Se, pois, creio na existência dos
demônios, como dizes, se os demônios são uma espécie de deuses, isso seria propor que não
acredito nos deuses, e depois, que, ao contrário, creio nos deuses, porque ao menos creio na
existência dos demônios.
Mas nunca fui mestre de ninguém: se, pois, alguém mostrou desejoso da minha presença
quando eu falava, e acudiam à minha procura jovens e velhos, [33 b] nunca me recusei a ninguém.
Nunca, ao menos, falei de dinheiro; mas igualmente me presto a me interrogar os ricos e os
pobres, quando alguém, respondendo, quer ouvir o que digo. e se algum deles se torna melhor, ou
não se torna não posso ser responsável, pois que não prometi, nem dei, nesse sentido, nenhum
ensinamento. E, se alguém afirmar que aprendeu ou ouviu de mim, em particular, qualquer coisa
de diverso do que disse a todos os outros, sabei bem que não diz a verdade.
Segunda Parte - Sócrates é condenado e sugere sua sentença
Eles pedem, pois, para mim, a pena de morte (dos 501 juízes, 280 a favor e 220 contra). Pois
bem, atenienses, que contraproposta vos farei eu? (...) Ora, é possível que alguém pergunte: -
Sócrates, não poderias tu viver longe da pátria, calado e em paz? Eis justamente o que é mais
difícil fazer aceitar a alguns dentre vós: se digo que seria desobedecer ao deus e que, por essa
razão, eu não poderia ficar tranqüilo, não me acreditaríeis, supondo que tal afirmação é, de minha
parte, uma fingida candura. Se, ao contrário, digo que o maior bem para um homem é justamente
este, falar todos os dias sobre a virtude e os outros argumentos sobre os quais me ouvistes
raciocinar, examinando a mim mesmo e aos outros, e, que uma vida sem esse exame não é digna
de ser vivida.
Terceira Parte - Sócrates se despede do tribunal
... Estamos longe de pensar que a morte é um mal. Porque morrer é uma ou outra destas duas
coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer
que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma,
uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um
sono, a morte seria um maravilhoso presente (...) Se, ao contrário, a morte é como uma passagem
deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram todos os mortos, qual o
bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este? Que preço não serieis capazes de pagar,
para conversar com Orfeu, Museu, Hesíodo e Homero?

Aula 24: explicação do 2
o
trabalho de
autoconhecimento.
Algo bastante característico da condição humana a ser testado nesta experiência diz
respeito a termos desejos crescentes e quase sem fim. Dei o meu próprio exemplo aos alunos: eu
consumia muito refrigerante, não conseguia fazer uma refeição sem eles, me dei conta de que
havia me tornado um escravo daquela bebida, então, decidi ficar sem consumi-la e quando voltei
ao velho hábito, tinha reduzido o consumo a 350ml por dia e não o quase 1 litro que eu consumia.
Naquela época procurei substituir o refrigerante por sucos; era tanta a dependência que eu comprei
latas de vários sucos diferentes, mas ainda sentia vontade do refrigerante. Mas, hoje, sei que
posso diminuir a quantidade para um mínimo, vencendo a tendência natural de um desejo
crescente. Mas, não precisa fazer como uma atriz de tevê que leva com ela chocolate, mas apenas
o cheira! Mais tarde, redescobri por que é tão difícil abandonar refrigerantes: algo óbvio, o gás que
dá um diferencial àquelas bebidas, sem ele elas não são nada. Aliás, os sucos naturais só vão se
comparar ou superar às bebidas artificiais, quando se adicionar ao primeiro grupo: gás carbônico!

Outra questão importante a debater é a que se refere à experiência da fome: quem tem uma
família que garanta suas necessidades, incluindo a alimentação, nunca experimentou o que é
sentir fome, pois está condicionado (sim, como os animais) a se alimentar em excesso. Ora, o que
se aprenderá com a fome, perguntarão? A dar valor ao que tem e não comer e beber tão rápido e
em grande quantidade a ponto de não mais sentir o que come e o que bebe. Desprezamos cada
momento da vida e entendemos (equivocadamente) que viver é viver apressado, imerso no caos
de estímulos. Recentemente cientistas chegaram à conclusão a partir da observação de dois
grupos de camundongos que, para surpresa de todos, aqueles que comiam pouco, viviam mais
que o outro grupo, que comiam muito; é como se o corpo, por falta de alimentos, precisasse
trabalhar melhor, ainda que com menos “combustível”. Neste ponto o Budismo está correto, pois
incita-nos a permanecermos no momento presente, em uma experiência onde o tempo passa
devagar ou parece mesmo inexistir – não é esta experiência que eles chamam de encontrar o
divino em nós? Não que concordemos cem por cento com eles, temos uma teoria que defende que
estes momentos de paz ocorrem porque acessamos as memórias fetais. De qualquer modo,
através desta mudança de percepção se alcança uma paz interna. Ainda que não exista um
silêncio completo, o cérebro bombardeado por estímulos externos contínuos, não tem tempo para
trabalhar e procurar as informações que pedimos a ele. Lembra o leitor aquelas vezes quando
precisou lembrar de um nome de uma pessoa ou de um endereço e não conseguiu e só mais
tarde, minutos, horas ou até dias depois é que a informação surgiu... como se viesse do nada?
Não, veio do cérebro.
É oportuno lembrar René Descartes (“Paixões da alma”), define a paixão como um
movimento que vem do corpo e informa à alma o que ele precisa. Quando é forte demais, sugere
que pensemos em outras coisas, do contrário, cabe à alma expressar sua vontade: seguir o corpo
ou não., até porque o autoconhecimento é incompleto se fica limitado ao conhecimento
da personalidade e não do corpo.
Descartes listou seis paixões (emoções) primitivas (originais):
- a admiração (uma súbita surpresa da alma diante de objetos que lhe parecem raros e
extraordinários),
- o amor (uma emoção da alma que nos incita a nos unirmos voluntariamente a objetos que nos
parecem convenientes),
- o ódio (uma emoção da alma que nos incita ao contrário, a nos separamos de objetos
nocivos),
- o desejo (uma agitação da alma que nos dispõe a querer para o futuro coisas convenientes),
- a alegria (uma agradável emoção da alma, em que ela experimenta de um bem que é seu) e
- a tristeza (um abatimento diante de impressões vindas do cérebro de algo mal ou defeituoso).

Descartes explica a origem dessas paixões a partir de movimentos dos órgãos do corpo. Por
exemplo: “aconteceu no começo de nossa vida que o sangue contido nas veias era um alimento
bastante conveniente ... e que não havia necessidade de procurar (outro) alimento”. Isto incitou a alma
à paixão da alegria e fez com que os orifícios do coração se abrissem mais do que de costume e
fizessem com que os (impulsos nervosos) fluíssem com abundância ao cérebro.” Mais adiante: “como a
alegria nos faz corar? ... porque abrindo as comportas do coração, faz com que o sangue corra mais
depressa, inflando as partes do rosto”. Já como a tristeza nos faz empalidecer? “Ela estreita os orifícios
do coração, faz com que o sangue corra mais lentamente, torne-se mais frio e espesso, ocupa menos
espaço, se afasta das veias mais distantes, como as do rosto ”. Há, também, a explicação sobre a
origem do riso: “o riso consiste em que o sangue que vem da cavidade direita do coração infla os
pulmões súbita e repetidas vezes, o que faz com que o ar neles contido seja obrigado a sair com força
pela respiração, formando uma voz incompreensível”.

u Tarefa : procure identificar estas paixões (emoções) na segunda avaliação que o professor irá
propor a seguir. Procure, também, questionar se elas são realmente seis? O us e há outras emoções
mais básicas?

Tive um professor com doutorado nos Estados Unidos que disse que se um aluno viesse
fazer o curso de filosofia para conhecer a si mesmo, ele teria feito a escolha errada, pois se alguém
quiser se autoconhecer deve ir a um psicólogo ou psiquiatra. Esta é uma resposta tentadora: quem
sabe um dia existam computadores que digam a nós o que nós somos! O que fazem os
pepsicólogos, profissionais que têm um gás no início e depois nos damos conta de que não
passam de água com açúcar, como os refrigerantes? Eles não mostram os métodos que usam,
pois se o fizessem nos daríamos conta de que tais métodos já foram usados antes por ... filósofos!
Claro que há a divisão da mente em três (id-ego-superego), mas esta é uma hipótese, não uma
resposta definitiva. Aquele professor – como muitos outros – era erudito, mas não sábio.

segunda grande avaliação: Para uma segunda grande avaliação o professor
pode pedir um trabalho que requer grande esforço: abra mão de algo que você faz de ruim ou de
excessivo por uma semana. É conveniente lembrá-los com alguma constância do prazo de entrega
e apresentações aos demais colegas, sob a forma verbal e de um trabalho escrito. Devemos
destacar a eles que a busca do autoconhecimento (tarefa fundamental para Sócrates) serve meio
para o aperfeiçoamento pessoal, o controle das emoções violentas e o desenvolvimento da
sabedoria. E é este o objetivo do presente trabalho.

Na primeira vez que realizamos este exercício a receptividade foi muito boa; os alunos
disseram (na primeira vez não pedimos nenhuma prova, como fotografias ou bilhetes escritos por
familiares, o que teria sido mais interessante e à prova de mentiras!) que por mais difícil que tenha
sido abrir mão por uma semana de doces ou orkut (site de relacionamentos), seus pais notaram (e
até estranharam) sua persistência e logo que acabou o período, embora muitos sentissem vontade
de voltar a fazer aquilo que tinham abandonado, apenas uma pequena parcela voltou a fazer na
mesma intensidade que antes.
Não sei se foi bom o que fiz, mas chamei os “auto-indulgentes”, “intemperantes”, de “almas
fracas”, que são dominados por seus desejos (segundo Platão, são as que visam apenas uma
partes da alma: a raiva ou os desejos da carne), uma análise, digamos, clássica da
mente humana, filosófica e psicanalítica. Ocorre que nossa opinião é de que não somos livres para
decidir, o que ocorre é que às vezes nos entediamos com nosso vícios, enquanto muitos mantém-
se neles, prisioneiros da caverna da sua própria mente. Como foi o professor quem os estimulou,
ele foi uma causa externa a suposta vontade do aluno e se no futuro eles lembrarem deste
exercício será porque: (1) eles se entediaram com seu duradouro vício e (2) há neles um resquício
(memória) de que aquela experiência realizada na disciplina de filosofia foi interessante e
despertou uma sensação muito boa. Sem falar que outras pessoas poderão influenciá-los, por
exemplo, incitando-os a uma nova dieta, criticando-os por um programa de tv que estejam
assistindo, etc.
Uma sugestão aos “marinheiros de primeira viagem” ou abstinência (o que não é
inteiramente verdade, pois muitas alunas fazem dietas, o que envolve o risco – grave - de anorexia
e muitos alunos deixam de fazer o que gostam por censura dos pais) é mostra-lhes que deixar um
bilhete visível para você mesmo é um apoio útil na realização desta tarefa, como o exemplo
que desenhamos aqui. O curioso disto é que estamos lembrando a nós mesmos o que nós
decidimos deixar de fazer, mas que, em algum momento, podemos impulsivamente, voltar a fazer –
o “eu” realmente existe ou somos apenas a soma de nossos desejos e nossas memórias?
Algo bastante característico da condição humana a ser testado nesta experiência diz
respeito a termos desejos crescentes e quase sem fim. Dei o meu próprio exemplo aos alunos: eu
consumia muito refrigerante, não conseguia fazer uma refeição sem eles, me dei conta de que
havia me tornado um escravo daquela bebida, então, decidi ficar sem consumi-la e quando voltei
ao velho hábito, tinha reduzido o consumo a 350ml por dia e não o quase 1 litro que eu consumia.
Podemos falar aos alunos de um filme muito interessante: 40 dias e 40 noites, onde um jovem,
decepcionado por ser traído pela namorada, resolve ficar 40 dias sem sexo, resistindo às
“tentações” da carne, freqüentes nesta época da vida
Aula 25: Teoria sobre a mente: Freud.
Vejamos, então, por onde começar. Sigmund Freud pensava que a mente estivesse dividida
em três, id – desejos primitivos (instintos ou pulsões, palavra preferida por Freud, postas em nós
como? Herança genética? Posto por Deus, para evitar que nos autodestruamos?) de sono, sede,
fome, sexo, segurança; superego - os valores sociais, regras morais, costumes, interiorizados em
nossa memória (menino não chora, menina não brinca de carrinho, não pegar o que não é seu, etc)
e o ego (nosso eu, nós mesmos, será que somos os mesmos?) ou o juiz que decide seguir o id ou
o superego.
Dito isto, passemos para a tarefa: quem já não se sentiu espremido (angustiado) entre os
desejos e os deveres? Pediremos, então, que citem cinco (5) exemplos pessoais em que o “ego”
decidiu em favor do “superego”, cinco exemplos, em favor do “id” e outros cinco (5) em favor dos
dois... Como? Aqui entra um exercício dialético, isto é, de tentar conciliar elementos que se opõem
e parecem inconciliáveis.
Por que não propomos o estudo da divisão do cérebro feita pelos neurologistas e pedimos
para os alunos compararem-na com as teorias de outros pensadores como Hume e Kant, por
exemplo? É que é difícil falar sobre o que não vemos, especialmente para os adolescentes. Mas,
pode-se citar as teses do funcionamento do pensamento, a partir da contigüidade dos fatos com a
associação das idéias e lembranças, bem como, a divisão da mente em vontade, razão e
entendimento de Kant quando estudarmos a tese do id,ego e superego de Freud. Ainda: pode-se
pedir que os alunos diferenciem razão de irracionalidade. Podemos pedir que distingam
irracionalidade dos instintos e que reflitam sobre tese de Kant de que os instintos são melhores
guias que a razão.

Uma última questão: devemos oferecer aos alunos uma explicação do funcionamento mental
alternativa a de Freud, qual seja, a de que não há um conflito interno (uma luta de boxe),
mas uma “corrida” interna para que um desejo predomine, como uma corrida de cavalos, onde
vencerá o mais veloz e com mais força muscular. Esta tese se assemelha aos primeiros escritos
freudianos, nos quais ele disse que na mente parecia haver múltiplas consciências, “eus” tentando
se exteriorizar e quando um deles conseguia, os outros ficavam incógnitos e não tinham
consciência dele. René Descartes, no século XVI, defendeu, também, que não havia conflito entre
as partes da alma, embora muitas vezes o corpo levava a alma a fazer aquilo que o corpo queria,
tal a violência de um desejo. Descartes se contradiz? O corpo não puxa para um lado, enquanto a
alma, para o outro? Uma possível solução é pensar que não há uma alma, como um soberano
com uma vontade dentro de nós, um “eu” ou “ego”, mas, apenas, corpo com desejos que
irrompem.

Podemos comparar a teoria de Freud a de outros pensadores e cientistas:
¬ ¬¬ ¬ René Descartes: somos uma coisa que pensa. E desta certeza não podemos, segundo
ele, ter qualquer dúvida, porque, para duvidar, precisamos... pensar! O homem é “um espírito que
usa um corpo”, mas, não existe sem este último.
¬ Abraão Maslow: hierarquia das necessidades humanas

auto-realização ( moralidade, criatividade, aceitação dos fatos)
estima (auto-estima, confiança, respeito dos outros e pelos outros)
amor (amizade, família, intimidade sexual)
Segurança (corpo, saúde, propriedade, valores, emprego, família)
Fisiológicas (respirar, comer, beber, fazer sexo, excretar)

¬ Jean-Piaget e sua teoria do desenvolvimento mental e a contribuição da escola: a
criança inicia sua inteligência pelo nível sensório-motor (até 2 anos), manipulando objetos, pré-
operacional (2 a 6 anos), operatório concreto (7 a 11 anos), números, conservação de volume, e, a
partir dos 12 anos, deduções lógicas podem ser feitas sem o apoio de objetos concretos.

Aula 26: Estudo sobre Ilusão de ótica e
mensagens subliminares: exercício prático.
Apresentação de figuras que vistas sob diferentes perspectivas apresentam outras imagens
além daquelas que imediatamente observamos. Podemos oferecer e pedir que relacionem esta
aula no estudo sobre a mente humana. Nossa expectativa foi um pouco frustrada: muitos não
gostaram das figuras geométricas e preferiram as imagens de rostos e figuras humanas. De
qualquer modo, os alunos deram uma explicação interessante: se você mudar de lugar, enxergará
como linhas retas, por exemplo, uma figura cujas linhas pareçam tortas. Outro aluno disse que
nossos olhos não se movem e, então, lembramos para eles de uma experiência científica em que
uma câmera filma os olhos de uma pessoa e observa que eles, na realidade, se mexem mais do
que somos capazes de perceber. Ok, mas isso só responde a uma parte da pergunta e não por
que o cérebro percebe uma perspectiva e não a outra ou outras? Eis alguns exemplos de ilusão de
ótica (http://www.ophtasurf.com):

É interessante que o professor organize um arquivo com uma série de figuras que contenham
efeitos ópticos. Esta é uma aula que prende a atenção dos alunos, além de estimulá-los a buscar
respostas por que nossa mente percebe na figura outros desenhos escondidos. Uma aula assim
pode ser realizada em um outro lugar, onde exista um aparelho de DVD (que leia imagens “jpeg”),
um antigo retroprojetor ou um “data-show”, se a escola tiver um.
Uma sugestão de um aluno foi a apresentação de imagens relacionadas às chamadas
“mensagens subliminares”. Não sei se é o ideal, pois reafirma a ignorância sobre questões que, por
medo, associamos a demônio e a outras fantasias. Porém, como devemos aprender a fazer do
limão, limonada, podemos, também, questionar os alunos sobre dois pontos:
(a) nós, também, emitimos mensagens escondidas para as outras pessoas? Por exemplo:
quando mentimos para elas? Ou, os dois sexos gesticulam involuntariamente uns para os outros,
como quando as mulheres mexem os cabelos e mostram a nuca (sinais, para a ciência, de que têm
interesse no sexo oposto)?
(b) o inconsciente. Tem ele um papel na assimilação destas mensagens? Lembramos de
nossa educação: como meus pais se preocupavam muito com os filhos e faziam tudo por eles,
crescemos perfeccionistas, como se não quiséssemos decepcioná-los agindo de uma maneira que
poderia produzir um efeito errado.

Há um exercício prático que realizei em aula: pedi a uma aluna uma revista emprestada e dela
copiei um parágrafo, como algo assim: “...Já que citar nomes e eventos reais vai acabar gerando
discussão, portanto vou basear toda minha lista em ‘arquétipos’ comuns, que podem facilmente ser
encontradas no Twitter. Se você sentir ofendido, foi mal, mas a carapuça serviu”. Então, invertemos
letra por letra do fim para o início: “uivres açuparac a sam lam iof
odidnefo ritnes ecove es rettiwt on sadartnocne res
etnemlicaf medop que snumoc sopiteuqra me atsil ahnim
adot raesab uov otnatrop oassucsid odnareg rabaca iav
siaer sotneve e semon ratic que aj”. Não sei qual foi a reação deles, mas
provavelmente, sentiram que (1) estes textos podem não dizer nada, a menos que nossa
imaginação junte palavras e (2) como saber quando a que momento no tempo a mensagem se
refere: ontem, um século atrás, daqui a vinte anos?
No texto da primeira vez em que fiz este tipo de exercício mostrava algumas palavras “são
sepé” (uma cidade), “rop” (que uma aluna viu como o estilo de música “hip hop” e mais algo
parecido com “omnius” (todos) e, ainda, “adil” que eu interpretei como “ardil”, enquanto uma aluna,
lembrou o nome de um parente dela. Minha conclusão: pela mensagem supostamente ali contida
haveria, em breve, uma festa em São Sepé, com músicas de Hip hop
e todos cairiam numa armadilha!

Aula 27: a interpretação dos sonhos.
Fizemos uma aula em que levamos aos alunos explicações tiradas de um site na internet,
mas, não sei se a turma era difícil ou se eles precisavam de um desafio, isto é, eles mesmos
explicarem seus sonhos. Assim, mudaremos a metodologia da aula: pediremos que cada aluno
pense ou conte um sonho e depois tente explica-lo a partir da teoria de Freud sobre a mente.
Imaginemos um exemplo pessoal: se sonhei com um parente falecido, o que significa, que seu
espírito quer se comunicar comigo? Para Freud, não. Que desejos podem estar envolvidos aí? E
que valores sociais, também, podem ser deduzidos desta experiência? Vejamos: se o parente é de
quem gostamos, então há saudade envolvida, o que é bom, pois não esquecemos daqueles que
não estão mais conosco. Se ele ou ela está distante e não nos reconhece? Há um medo pessoal
de que ele ou ela nos esqueça? Ou em vida não o ou a esquecemos? Aí, o desejo estaria
misturado a uma censura (superego!). Não devemos censurar os alunos que sonharem sonhos
relacionados à sexualidade, antes apenas corrigir o uso de palavras pornográficas por termos
científicos.
Uma aula assim é melhor do que aquela que fizemos pela primeira vez na qual pedimos que
os alunos relatassem seus sonhos e com base em informações de um site fornecemos a eles as
interpretações prontas. Lemos que conhecer os sonhos é uma forma de se autoconhecer. Um
pouco difícil, pois se podemos conhecer o que nos agrada e nos amedronta, fica mais difícil saber
as causas por trás destas imagens. Temos uma teoria que explica o que são os sonhos: são o
nosso próprio cérebro pensando, mas visto pelo lado de dentro, quando dormimos; a mesma coisa
ocorre quando estamos acordados, mas só os pensamentos mais fortes predominam e se
sucedem. Uma pista de que estamos certos? Os especialistas em neurologia descobriram que o
lugar onde os sonhos surgem é o mesmo lugar da nossa atenção, da memória e das emoções!

Por fim, queremos citar um episódio do dr. “House” (na verdade, dois) muito interessante
onde ele sofre um acidente, mas não lembra o que aconteceu. Então, ele precisa dar a mente
pistas, palavras, imagens para que estas remetam-no àquelas memórias esquecidas. Ele não sabe
como apareceu em uma boate, ele está sem suas chaves e sua moto. O que aconteceu? Ele,
então, pede que estimulem diretamente seu cérebro, com remédios ou eletrochoque, nas áreas da
memória. Aparece-lhe a imagem de uma mulher com uma jóia no pescoço, um âmbar (seiva de
árvores fossilizada, muitas com insetos dentro). Com muito esforço ele acaba lembrando que
estava no ônibus que sofreu o acidente com uma namorada do seu colega de trabalho que tinha
ido busca-lo em um bar, pois o barman havia confiscado suas chaves, pois ele tinha bebido muito.
Esta moça se chamava Amber e ela estava com falência dos órgãos, pois ingeriu um remédio para
o resfriado que, não poderia ser filtrada pelos rins (danificados no acidente) e permaneceu no
corpo. O que foi feito para que “House” relembrasse de todos ou de quase todos os fatos?
Acessou-se o inconsciente, ou melhor, as memórias daquele acidente que tinham sido bem
guardadas no cérebro, por causa do choque do acidente.

Aula 28: Angústia, medo e ansiedade.
Uma diferença interessante é a que lemos em um trabalho de Psicologia e Psicanálise: diz
que medo é quando reagimos a algo desconhecido ou que sabemos que pode nos causar dor,
ansiedade é quando imaginamos que algo ruim possa nos acontecer e angústia é quando sequer
sabemos a causa que está nos “apertando” não física, mas emocionalmente. Roer unha é
um dos sinais de angústia ou de ansiedade?

Filósofos do século XX também deram suas contribuições: para Jean-Paul Sartre
a angústia era a prova de que somos livres, pois é quando estamos angustiados que deparamos
com a possibilidade de fazer uma escolha em detrimento de outras; já Heidegger, a
angústia é o momento em que o ser percebe que suas aspirações não se realizaram, um momento
ou momentos em que nos damos conta de que somos aquilo que os outros desejaram que
fôssemos, de um lado o desejo de ser e de outro, o medo de não-ser.
Podemos pedir que cada aluno apresente uma experiência distinta para cada tipo de
sentimento. Ainda: lembremos aos alunos que falar sobre o que nos entristece é um método muito
útil para diminuir nossos medos, angústias e ansiedades; o método psicanalítico de Freud foi
definido por uma paciente como “limpeza de chaminé”, sendo a chaminé nosso corpo e mente! Há
outros métodos que não usam conversação como, por exemplo, jogos virtuais que recriam o
ambiente de guerra vivido por um soldado, de um modo que ele relembre aos poucos as
experiências dolorosas que ele viveu.
A revista Superinteressante de outubro de 2008, assim como, outras revistas divulgou uma
reportagem sobre ansiedade, preocupação de nossa sociedade.

Há um texto muito bom sobre o consumismo, onde uma criança pede para o seu pai
dinheiro para ir ao shopping comprar alguma coisa e o seu pai pergunta que objeto ele quer
comprar e ele responde que não sabe, mas sabe que quer comprar algo. Isto prova o desejo de
gastar que muitas vezes não está acompanhado do desejo por um objeto específico
(www.mundojovem.com.br: junho de 2007). Em outro texto (jornal Zerohora, 29 de junho de 2008,
a jornalista Martha Medeiros escreveu uma crônica (“Compro, logo existo”), relata que mesmo
sendo uma consumidora moderada, certa vez e deparou em Buenos Aires com artigos que
encontraria em sua cidade, Porto Alegre. Diz ela: “teve um momento em que me vi dentro de uma
loja revirando cabides e me deu um estalo: o que estou fazendo aqui? Que ânsia é esta de
aproveitar os preços? tenho que aproveitar a cidade, meu tempo livre, minha companhia...”. ela,
mais adiante observa que há uma paixão por artigos e outra por comprar, não importando o quê.
Vinte e cinco séculos antes, Sócrates já disse “quanta coisa de que não preciso”, ao caminhar em
uma feira de artigos de luxo, na praça pública de Atenas.
Mas, uma questão relevante é saber o que é necessário e o que é supérfluo?
Há uma charge do Jornal Pioneiro de 29/10/2008 onde se vê uma criança diante da tevê ouvindo
mais uma notícia sobre crise econômica e ela diz algo assim: “xi! Acabou minhas bolachas
recheadas”.

Quando falarmos de Freud, não podemos deixar de falar em sexualidade, até
porque há muita ansiedade na vida sexual, mas, há, também, a sua discutível (e motivo de
reflexão) tese sobre a origem da hetero e da homossexualidade, que repousaria na aceitação ou
rejeição do pênis, tanto pelo homem quanto pela mulher (se uma mulher não aceita se submeter ao
pênis, ela se tornaria lésbica), bem como, o complexo de Édipo, quando o menino e a menina vê
no seu pai e na sua mãe o seu primeiro namorado ou namorada (já vi maridos chamando sua
esposa de “mãe” e elas, chamando-os de “pai”).

Aula 29: quais causas determinaram
minha personalidade?

Listar as qualidades e os defeitos de cada pessoa. O que é a essência de alguém? Se o
corpo muda a personalidade ou a alma permaneceria a mesma? Nosso comportamento não muda,
é o mesmo ao longo da vida? Quais foram as causas que fizeram você ser o que é: você sozinho?
Sua família, amigos, os momentos tristes e felizes?
Citar Heráclito (Não entramos duas vezes no mesmo rio, pois não é o mesmo rio e nós
já não somos os mesmos), a ciência (a cada 6 anos nossas células são substituídas totalmente) e
David Hume (o “eu” é uma ilusão, um prédio destruído pode ser reconstruído à semelhança do
anterior e, por isso, nos parecerá o mesmo prédio se não soubermos que foi destruído ou um barco
repintado parecerá o barco original...).
Certa vez, uma aluna me surpreendeu, pois apesar – disse ela – do corpo mudar, nossa
personalidade permanece a mesma. Eu retruquei – ainda grogue pela positiva “pancada”, surpreso
pela rara demonstração de vida inteligência, perguntando se nossa personalidade, também, não
mudava? Depois, li uma revista (Superinteressante, edição 248) onde psicólogos diziam que a
personalidade, também, muda; não só ao longo da vida, mas, quando nos
relacionamos com pessoas diferentes: somos irmão, pai, filho, vizinho, estranho, aparentamos
agressividade, para uns, amabilidade, para outros, e variamos de comportamento mesmo com a
mesma pessoa. Podemos testar esta teoria: perguntando a eles se o que são hoje difere do que
foram anos atrás e se tratar as pessoas diferentemente (por exemplo, um parente e um estranho)
significa mudar de personalidade?
Uma outra questão a ser perguntada, tem a ver com os estudos de Freud: ele lembra de
uma paciente cuja irmã veio a falecer e ela mesma se surpreendeu quando lhe surgiu um
pensamento: “agora, seu cunhado estava livre” (solteiro). Há uma parte de nós que pensa coisas
que não diríamos em voz alta? O inconsciente, o que é? Um animal enjaulado, como
diria Nietzsche? Uma parte de nós, escondida?
De um modo mais próximo dos alunos propomos a seguinte tarefa:

Se você fosse um (uma) .......
você seria?

Música:
Árvore:
Cor:
País estrangeiro:
Número:
Carro:
Filme:
Comida:
Peça a um amigo de turma que responda as
questões anteriores e depois compare-as:

Música:
Árvore:
Cor:
País estrangeiro:
Número:
Carro:
Filme:
Comida:
Sentimento: Sentimento:

Outro exercício, semelhante ao anterior:

Que carro você seria?
(Quem é você?) Uma super máquina ou
aquele carrão caindo aos pedaços? Faça o
teste e descubra! É só somar a quantidade
separada de letras A, B e C e conferir o
resultado no final.

1. Quando você dorme:
A) Na hora que deita, desliga do mundo e só
acorda no dia seguinte.
B) Demora até se ajeitar na cama, mas depois
embala.
C) Vira, chuta, fala, ronca, é uma coisa louca a
sua noite de sono.

2. Ao andar pela calçada:
A) Não gosta de ninguém pela frente, vai
cortando todo mundo.
B) Segue seu caminho, sem se importar com
muita coisa.
C) É daquele que sempre está contra o fluxo e
tropeça nas coisas.

3. Na hora de xavecar alguém:
A) Você mira e vai, confiante.
B) Gagueja um pouco, mas depois chega
junto.
C) Não tem conversa, já chega no já é ou já
era?

4. O resultado dos seus últimos exames
médicos:
A) Disse que você tem uma saúde de ferro.
B) Afirmou que aquela grave doença era só
uma alergia.
C) Não foi dos mais animadores...

5. Na hora de se arrumar você:
A) Entra em seu closet mega organizado.
B) Puxa qualquer calça e camiseta do armário.
C) Tem certeza de que já nasceu pronto.

6. Como está o seu corpo?
A) Saudável, sarado, tudo em cima.
B) Aquela coisa toda, nem lá, nem cá.
C) Redondo, largado, uma lástima.

7. Sua característica mais marcante é:
A) Uma? Mas são tantas...
B) A timidez, sem dúvida.
C) A truculência.

8. Qual a sua música favorita?
A) Born to be Wild, do Steppenwolf.
B) Fuscão Preto, de e Artilio Versuti e Jeca
Mineiro.
C) Qualquer uma da trilha sonora de Carga
Pesada.

9. Suas roupas são:
A) Importadas, impecáveis, caríssimas.
B) Dessas lojas de departamentos, todas meio
marrom.
C) Herança de algum parente que emagreceu.

10. Em uma briga você:
A) Tenta sempre cair fora sem escândalo.
B) Tenta contornar a situação e acalmar tudo
na conversa.
C) Desce o braço em quem tiver pela frente.

Você seria:

Mais respostas A: Um Porsche, aquele carro
com uma potência incrível, design inovador, o
sonho de consumo de todo mundo e alvo dos
olhares quando passa. Mas precisa ter
dinheiro para conseguir pôr as mãos em um
desses, né?

Mais respostas B: Um Fusca, que nem bem é
antigo, nem bem é velho, nem é novo, nem é
bom, nem é ruim...Todo mundo já teve um e
nutre aquele carinho, boas lembranças. E o
visual retrô, vamos combinar, é um charme!

Mais respostas C: Um caminhão, todo
truculento, que não liga para quem está do
lado e se bobearem passa por cima, sem dó
nem piedade. O que interessa é chegar logo e entregar a carga, sem simpatia, sem conversa.

Mas, o melhor exercício na minha opinião é pedir que o aluno liste suas qualidades e
defeitos e procure relembrar (aqui se assemelha à tese de Platão da reminiscência) quando
adquiriu tais características. Isto é importante por duas razões: (1) perceber que não somos
um ser imutável, mas constantemente mutável e (2) tentarmos (o que envolve esforço e
riscos) mudar aquilo que está atrapalhando nosso aperfeiçoamento pessoal. Aliás, sobre a questão
(1), certa vez, um aluno me surpreendeu: ele perguntou de que adiantava saber as causas que
faziam ou fizeram nós termos esta personalidade, as qualidades e defeitos que temos? Minha
resposta: saber as causas pode fazer com que possamos alterar o comportamento
quando ele for ruim para nós e/ou para os outros. Ele continuou cético. Na aula seguinte, falei
sobre os médicos que buscam a cura de uma doença: como eles fazem isso, senão
através da descoberta da causa ou das causas que produziram a doença? Outra justificativa:
quantos casamentos acabam em divórcio porque um dos cônjuges descobre que a outra
pessoa não é o que ele ou ela gostaria que fosse? Poderíamos evitar isto se refletíssemos antes
de escolher uma pessoa para viver com ele ou ela por muitos anos e terem filhos juntos? Ou como
disse Russell, quando a névoa através da qual o apaixonado vê o outro baixar...
Vimos na internet a terapia do espelho: isto nos faz perguntar: a psicologia substitui a
filosofia? É como perguntar: a lipoaspiração substitui alguém que faz sua própria dieta? Os
conselhos médicos substituem as regras passadas de pai para filho, de avó para neto? Mas,
podemos refletir sobre o espelho: ele revela o que somos? Certa vez vi a imagem do
cachorro refletida no espelho e seu corpo me pareceu mais comprido. O espelho é um olhar
mais objetivo? Talvez.

Terapia do espelho exercita o autoconhecimento e não custa nada O método só exige um
espelho, uma cadeira e vontade de transformação O desafio tem exatamente o seu tamanho e,
para vencê-lo, só tem um jeito: encarar de frente. Esta é a proposta de um modelo simples e
gratuito! de terapia: o hábito diário de se olhar no espelho. Mas a gente não está falando daquela
ajeitadinha rápida no cabelo ou do retoque rápido no batom enquanto o trânsito não anda. A idéia é
sentar-se confortavelmente e passar um tempo a sós com você mesmo, analisando as suas
qualidades e refletindo sobre tudo aquilo quevocê gostaria de transformar , afirma a psicóloga
Adriana Araújo, especializada em hipnose e colunista do MinhaVida. A seguir, ela ensina como
usar o método a favor do auto-conhecimento e mostra tudo o que você ganha em cultivar a prática
do questionamento constante.
Pergunte: nem que você queira, é impossível harmonizar todos os aspectos de uma vez. Divida
sua vida em alguns aspectos. A psicóloga sugere pensar em assuntos profissionais; temas
familiares; relacionamentos; lazer e saúde. Reflita sobre o que você deseja em cada um desses
campos e pergunte-se: o que posso fazer para realizar meus sonhos? Estou no caminho certo para
chegar lá? Só de formular essas dúvidas, você já consegue perceber o quanto está ou não
alinhada aos próprios objetivos. Muitas vezes, o dia-a-dia vai consumindo nosso tempo e, quando
notamos, estamos seguindo uma trilha que não tem nada a ver com nossas aspirações .
Olhe nos olhos: o espelho não está na sua frente à toa. Encontre um lugar calmo e, de
preferência, com privacidade. Use o silêncio para entrar em contato com suas fraquezas e
potencialidades, analisando o quanto elas andam se perdendo nas obrigações cotidianas.
Aceite-se como um todo: no começo, é normal focar sua atenção naquela espinha atrevida, no
cabelo que está desbotando ou na barriguinha saliente. Mas, com tempo, condicione o
pensamento e aprenda a olhar o todo, e não as partes e os defeitos. Depois de assumir que aquela
imagem completa representa você, sua auto-estima vai decolar. Isso porque fica mais fácil
perceber que os problemas são apenas pequenos grãos, perdidos em tantas outras qualidades.Vá
além da aparência: cuidado com a autocrítica exagerada. Insatisfações emocionais e estéticas
acompanham a gente durante toda a vida. Não é o caso de se conformar com elas, mas sim de
fazer as pazes consigo e erguer a cabeça, consciente de que está se esforçando paa mudar tudo
aquilo que incomoda.
Equilibre os sentimentos: chore se sentir vontade. E caia na gargalhada em seguida, caso isso
seja mais forte do que você. Não tenha vergonha de si mesmo e nem das suas emoções. Aproveite
para perceber por que elas surgem, o que significam e dê vazão. O espelho está ali, imóvel e à sua
disposição, lembrando que tudo aquilo faz parte de uma pessoa: você. Entender é o primeiro passo
para modificar.
Vasculhe a alma: trabalhe um olhar reflexivo de si mesmo, começando no espelho e tentando
expandi-lo para todos os momentos da sua vida. Pense nos seus desejos, nas suas vontades e
relacione tudo isso com as suas atitudes. O quanto os seus hábitos traduzem os seus
pensamentos, de fato? Se alguém listasse as suas últimas decisões, você conseguiria se
reconhecer nelas?
Sintonia: fazer boas perguntas diante do espelho é essencial, porque são elas que vão
encaminhar suas atitudes dali para frente. Mas você precisa entrar em sintonia com as respostas
que essas perguntas produzem. Descobrir que um relacionamento não traz aquilo que você deseja,
mas insistir nele por medo de ficar só, só vai produzir ainda mais angústias. Então, mais do que se
olhar no espelho, considere as verdades que você passa a enxergar.
Treine: o método é simples e de graça. Mas, seguido corretamente, pode provocar a exaustão
(tanto emocional quanto intelectual). No começo, a psicóloga recomenda que você faça este
exercício diariamente, antes de dormir e ao acordar. Notando, entretanto, que o desgaste está
excessivo, reduza o ritmo e respeite as suas necessidades. Dar ouvidos a elas é sinal de que você
já começou a prestar atenção em si mesmo.
Um texto da revista Superinteressante (janeiro de 2008) sobre a origem
das personalidades pode apoiar a investigação dos alunos sobre as causas que originaram as
suas personalidades:

O que faz de você, você?
É possível mudar nosso jeito de ser?
Sim. Na verdade, mudamos nossa personalidade a toda hora. Agimos de modos diferentes com
pessoas de idade, sexo ou posição social diferentes. Você já deve ter passado pela sensação de
ser amigável e inteligente com alguém que o deixa confortável e agir do modo contrário com quem
o desafia. Além disso, a nossa personalidade depende do que os outros acham: você pode ser
chato para uma pessoa, mas gente boa ou confiável para quem o conhece melhor. O homem tem
tantos eus quantos são os indivíduos que o reconhecem, disse em 1890 o psicólogo William
James, um dos primeiros a estudar a personalidade.
Mas é claro que há comportamentos e atitudes que são muito difíceis de largar. Somente 10%
das pessoas com pontes de safena mudam hábitos alimentares e deixam o sedentarismo. As
outras acabam morrendo de ataque cardíaco simplesmente porque não conseguem mudar. Muitas
vezes um pai que bate na mulher e nos filhos promete a si mesmo parar com as agressões, mas
não consegue.

A genética determina o comportamento?
Não. O nosso DNA possibilita e favorece determinados tipos de comportamento, mas não
determina nada. A genética não é um destino, não determina o que você vai ser. Ela oferece
predisposições.
Traços de personalidade são idéias, conceitos culturais: dependem dos olhos de outros e da
cultura de um lugar e de uma época para aparecerem e ganharem um nome. O que é inteligência,
pedofilia, má educação ou timidez no Brasil pode ganhar nomes bem diferentes no Japão, por
exemplo. Por isso, não dá para encontrar a personalidade pura no DNA. Mas a nossa herança
genética pode, sim, influenciar o funcionamento do corpo, que, numa cultura ou em outra, resulta
em comportamentos diferentes. As principais descobertas dos geneticistas do comportamento
relacionam os genes à regulação de mecanismos fisiológicos que mudam o comportamento, como
impulsividade, vício de determinadas substâncias e memorização.

Os pais influenciam a personalidade dos filhos?
Sim, mas a influência é imprevisível. Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud, e até
antes deles, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa. São
os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de
regras morais, castigos e convenções da civilização. Com essa premissa, Freud foi, ao lado de
Darwin, um dos grandes pensadores do século 19 a abalar a idéia de Deus, mostrando que as
noções de pecado e culpa são transmitidas pelos pais e podem ser a causa de vários dos nossos
problemas. Do conflito entre os nossos desejos e culpas, sairiam traços de personalidade (como a
timidez, a vergonha), recalques inconscientes e fraquezas que nos acompanham vida afora. Freud
vai mais longe: para ele, o jeito com que meninos e meninas lidam com a figura do pai e da mãe é
essencial para definir a sexualidade da pessoa.
Até o ponto que a genética permite, um bebê recém-nascido é como um molde de argila
flexível. O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira
como agirá no futuro. Ao nascer, vai demorar meses até conceber idéias básicas, como a de ser
distinto das coisas ao redor. Aos poucos, porém, vai se dar conta e que consegue mover algumas
dessas coisas seus braços e pernas e que outros seres fazem o mesmo. Assim, a partir do outro, o
bebê começa a ter a noção de eu, de que é um indivíduo. Conforme interage com os adultos, a
criança se molda ao mundo em que nasceu. Se os adultos ao redor forem lobos ou cavalos,
passará a vida toda uivando ou relinchando e bebendo água com a língua, como aconteceu como
o Selvagem de Aveyron, garoto encontrado na França em 1799 que viveu a infância isolado na
floresta e por volta dos 12 anos trotava, farejando e se alimentado de raízes. Ou então as indianas
Kamala e Amala, dos anos 20. Acolhidas por lobos quando recém-nascidas, elas andavam de
quatro, tinham horror à luz e passavam a noite uivando. Entre lobos ou humanos, a criança
aprende o que pode ou não fazer. Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais
depressa. Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando. Quando joga um
objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca. Também começa a diferenciar
sentimentos: o que achava ser dor, começa a receber nomes diferentes como fome, ciúme, medo.

As amizades influenciam?
Muito mais do que imaginamos. Em 1998, a psicóloga americana Judith Rich Harris causou
uma revolução nas teorias da personalidade ao afirmar que o convívio com os pais é só um dos
fatores que influenciam a personalidade dos filhos e um dos menos importantes. No livro Diga-me
com Quem Andas..., ela fala que as relações horizontais dos 6 aos 16 anos da criança com seus
pares, o grupo de amigos da escola ou da vizinhança são o grande definidor da personalidade
adulta. A teoria de Judith explicaria por que pais normais, que seguiram sempre as regras da boa
educação, deparam com um filho criminoso. Talvez nossos avós não estivessem errados ao se
preocupar tanto com as más companhias. A teoria também tem uma conseqüência aterradora: de
que a educação teria pouquíssimo efeito sobre os filhos. Eles não se tornam o que os pais querem
que sejam mas o que os amigos querem. Se é assim, então como educar os filhos?
O psicólogo Thomas Kindermann descobriu que crianças de um mesmo grupo tinham notas e
atitudes parecidas na escola. Se fizer parte de um grupo em que o desempenho escolar é
importante, a criança se estimula a ter melhores notas. Se não conseguir, é provável que vá para
outra panelinha, dos esportistas, por exemplo, que não consideram as notas uma coisa superlegal.

Por que os irmãos são tão diferentes?
Ninguém sabe exatamente. Irmãos siameses são um exemplo de que nem o ambiente nem a
biologia conseguem explicar completamente a personalidade. O lar é um fator importante para
fazer irmãos se diferenciar entre si. Uma pesquisa da Universidade de Minnesota descobriu que
gêmeos idênticos são mais parecidos quando criados em ambientes separados.
Muita gente explica a personalidade de alguém pela ordem de nascimento ou pela diferença de
idade entre os irmãos. O senso comum diz que os primôgenitos são mais independentes; os do
meio, rebeldes; os últimos, precoces. O historiador Frank Sulloway, da Universidade da Califórnia,
tem estudos nessa linha. Ele analisou a ordem de nascimento de mais de 6 mil personalidades
mundiais e concluiu que os filhos mais velhos são mais conservadores, já os mais novos são os
criativos e revolucionários é 18 vezes mais fácil achar um revolucionário caçula que um
primogênito. A pesquisa contribui para o que se chama de Teoria dos Nichos, tese mais aceita para
explicar a diferença entre irmãos. Em casa, a criança procura desempenhar um papel diferente dos
irmãos mais velhos. Se um irmão se destaca como esportista, ela pode se apegar mais aos livros.
Se um é mais apegado à mãe, a filha do meio pode ser mais independente.
Steven Pinker, psicólogo evolucionista e professor da Universidade Harvard, acredita que a
variação de personalidade se resume numa palavra: acaso. Falo de acasos como um bebê que cai
de cabeça no chão sem querer, um vírus que ele pega, um pensamento que deixe uma impressão
permanente. Esses fatores podem ter uma influência tão grande no que somos quanto os genes,
uma influência muito maior do que os pais, afirma ele no livro Tábula Rasa.

Tipos de personalidade:
O gordinho engraçado: se não é o mais bonito ou o mais forte do grupo, conquista o carinho e a
atenção de todos de outro jeito: contando piadas.
A bonita e burra: a moça que nasce mais bonita que a média pode ter mais carinho dos pais
(que tratam cada filho de forma diferente) e ser facilmente aceita entre os amigos. Mas essa
herança pode ter um lado ruim: atraindo a atenção pela beleza,ela talvez não desenvolva
artimanhas para se destaca, correndo risco de ficar vazia e desinteressante.
O tímido e inteligente: por que algumas pessoas são abertas e sociáveis enquanto outras são
quietas e tímidas? Uma explicação é o jeito com que nossos pais nos ensinam os sentimentos. O
rapaz inteligente e introvertido pode ter aprendido com o pai a ser frio e distante.

¨Ao escolhermos uma profissão, devemos ficar atentos para um fato: há pessoas que não se deixam levar por promessas de bens
materiais, não se prendem a regras e gostam de serem pioneiros (são idealistas: professores, escritores, músicos, etc), outros são
curiosos, organizados e individualistas (são pesquisadores: astrônomos, químicos, arqueólogos, etc), outros são práticos, agem e
não gostam de planejar muito (são ativos: militar, biólogo, Eletricista, etc) e outros são líderes naturais, motivando outros a
trabalhar em equipe (são administradores: advogados, engenheiros, programador de computador, etc). O que faz com que sejam
tão diferentes a ponto de escolherem profissões tão diferentes?

Teste de sobrevivência:

Objetivo: OBSERVAR SE A PESSOA TRABALHA MELHOR SOZINHA OU EM GRUPO, DE ACORDO COM O SEU
NÚMERO DE ACERTOS.

Você e mais um grupo de amigos estão perdidos no interior de um grande Deserto africano, a 50km de uma grande
jazida de minério de ferro. O relógio marca 12 Horas. O termômetro indica uma temperatura de 42º C. Só existem 15
objetos disponíveis para ajudá-los.

Classifique estes objetos por ordem de importância; numerando-os de 1 (o mais importante) a 15 (o menos importante).

( ) Óculos Escuros
( ) Lanterna e 4 Pilhas
( ) Carta Aérea
( ) Canivete
( ) Bússola Magnética
( ) Capa de Chuva (Plástica)
( ) Caixa de Primeiros Socorros
( ) 1 Pára-Quedas
( ) 4 Litros de Vodka
( ) 1 Litro de Água (Por Pessoa)
( ) Pistola Automática 765
( ) 1 Pacote de 500 Gramas de Sal
( ) Livro Sobre “Animais do Deserto”
( ) Espelho de Bolso
( ) Agasalho (Tipo Sobretudo)

CLASSIFICAÇÃO REAL

1- ESPELHO DE BOLSO para dar sinal;
2- AGASALHO (Tipo Sobretudo) para proteger da perda de água por evaporação;
3- ÁGUA (1L por Pessoa) para recuperar a perda por evaporação;
4- LANTERNA (4 Pilhas) para dar sinal e como recipiente de água;
5- PÁRA-QUEDAS para proteção noturna;
6- CANIVETE para escavar e cortar cactos;
7- CAPA DE CHUVA (Plástica) para guardar água de eventual chuva;
8- PISTOLA AUTOMÁTICA 765 para dar sinal e usar como martelo;
9- ÓCULOS ESCUROS para proteger os olhos;
10- CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS porque o Deserto é asséptico;
11- BÚSSOLA MAGNÉTICA para usar o espelho e como sinal;
12- CARTA AÉREA serve como papel higiênico;
13- LIVRO tem o mesmo uso; pois comida gasta sal e desidrata;
14- VODKA (4 Litros) para acender o fogo ou resfriar o corpo;
15- SAL (500 Gramas) é melhor não usar; pois desidrata

Na obra “A Retórica”, de Aristóteles, ele trata da diferença entre a personalidade (caráter)
dos mais jovens e dos mais velhos:

Caráter dos jovens Caráter dos velhos
- Mais propensos aos desejos do corpo,
especialmente os amorosos, que não conseguem
dominar
- são inconstantes e depressa se entediam do que
desejaram
têm vontades violentas, mas de curta duração
- são coléricos, irritadiços, ambiciosos, não toleram
ser desprezados
- indignam-se quando se acham vítimas da
injustiça
- gostam de honras e de vitórias, são ávidos de
superioridade
- índole antes boa do que má, por não terem
testemunhado muitas ações más
- são crédulos, porque não foram muito enganados
- cheios de sorridentes esperanças tais quais os
que beberam muito vinho,sentem calor como
aqueles
- o porvir é longo e o passado, curto
- corajosos, pois mais fácil se encolerizam, ignoram
o medo e esperam um êxito feliz
- se envergonham, pois não há nada belo fora da
lei
- são magnânimos (julgam-se dignos de altos
feitos), pois não tiveram experiência das
necessidades da existência
- preferem o belo ao útil, pois guiam-se mais pelo
seu caráter do que por cálculos
- gostam mais nessa idade dos amigos , sentem
prazer em viver em sociedade
- suas faltas são as mais graves e violentas, pois
tudo fazem em excesso, amam em excesso,
odeiam em excesso
- pensam que sabem tudo e defendem com
valentia suas opiniões
- as injustiças que cometem são causas por
descomedimento, não por maldade
- têm compaixão porque são humildes
- supõem que todos os homens são virtuosos e
melhores do que realmente são;
gostam de rir e gracejar, porque o gracejo é uma
espécie de insolência polida.
O romano Marco Fábio Quintilhano escreveu
que as criançasnão vão muito longe, mas vão
depressa! .
- em tudo avançam com cautela, revelam
menos forçado que deveriam
- têm opiniões, mas nunca certezas,nunca
deixam de acrescentar um “talvez”
têm mau caráter, pois são desconfiados e foi
a experiência que lhes ensinou isto
- amam como se um dia fossem odiar e
odeiam como se um dia devessem amar
- não desejam coisas grandes,mas o bastante
para viver
-mesquinhos, pois seus bens são
indispensáveis para viver e porque a
experiência lês ensinou as dificuldades em os
adquirir e a facilidade em perdê-los
- são tímidos e tudo lhe é motivo de medo.
- são apegados à vida, pois o que lhes falta é
o que mais desejam
- são excessivamente egoístas
- procuram o útil (bem em relação a nós) e
não o bem em si
- mais inclinados ao cinismo que à vergonha,
desprezam o que dirão aos outros
- menos propensos a esperar
- vivem de recordações mais que de
esperanças, por isso, são faladores,passam o
tempo repisando com palavras as lembranças
do passado, é este o maior prazer que
experimentam
- irritam-se com facilidade, mas sem violência
- quanto aos desejos, uns já os abandonaram,
outros, são desprovidos de vigor
- mantém o amor ao ganho, daí darem a
impressão de serem temperantes
(equilibrados), na verdade seus desejos
afrouxaram,mas estão cheios de cobiça.
- obedecem mais ao cálculo que à índole
(caráter) natural, pois o cálculo visa o útil e a
índole, à virtude.
- têm compaixão por fraqueza, pois pensam
que isto também vai acontecer com eles, daí
andarem sempre se lamuriando e não
gostarem nem de rir, nem de gracejar
São listadas, também, as características dos adultos: têm um caráter intermediário entre os
jovens e os velhos,não são nem excessivamente confiantes, nem temerosos exagerados, nem a
confiança, nem a desconfiança são gerais, inspiram-se de preferência pela verdade, Não vivem
exclusivamente para o belo, nem para o útil, não são sovinas, nem esbanjadores. Neles a
temperança vai acompanhada da coragem, ao passo que nos jovens e nos velhos elas estão
separadas. Todas as vantagens que a juventude e a velhice têm separadas se encontram reunidas
na idade adulta,sem as desvantagens. A idade madurado corpo vai dos 30 a 35 anos; para a
alma, situa-se nos 49 anos.

Aula 30: Filosofar através de livros e
filmes sobre o amor.

"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal." e "Há sempre alguma loucura
no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura." NIETZSCHE

“O coração tem razões que a própria razão desconhece” (PASCAL)

Aliás, o que é amor? As palavras aceitam os significados que atribuímos a ela, certo. Mas,
há boas teorias que podemos consultar:
• Aristófanes contou a lenda dos seres que tinham os dois sexos (andróginos), mas que por
se rebelarem com os deuses, tiveram seus corpos cortados em duas partes e, por isso, cada uma
delas procura a outra para retornar à condição (ainda que temporária) daquele ser completo de
onde se originaram.
• Platão defende que amar é um sentimento que surge em nós pelo conhecimento que temos
da totalidade da outra pessoa e não por alguma de suas partes do corpo do outro (um desejo
físico).
• René Descartes definiu de um modo claro o que “amar” pode ser: é (a) gostar do outro
tanto quanto gostamos de nós mesmos (amor); (b) é gostar mais do outro do que de nós mesmos
(devoção), que, segundo Descartes deveríamos ter para com o rei e Deus. Quando chego nesta
parte, pergunto: qual dos alunos se atiraria na frente de um carro para salvar sua namorada?
Nenhum deles, respondem ; Ou, (c) gostar mais de nós do que do outro (afeição). Estas distinções
o tempo (leia-se a cultura) não apaga!

O que significa amor platônico? Um amor distante. Idealizado. Há amores ideais? Há três
questões a serem investigadas: C Quais as características que você idealiza na
outra pessoa? Iguais as suas ou opostas? Por que algumas características são preferidas por nós?
Amamos o que conhecemos, como escreveu Agostinho? Mas, de onde conhecemos? De outra
vida? Desta? De que experiências anteriores? C O que dá certo na vida real: um casal igual ou
com características opostas?
Primeiramente, proporemos o seguinte exercício: semelhante aos retratos falados que a
polícia faz, pediremos aos alunos que identifiquem partes de um rosto, partir de cada elemento
individualmente e, então, pediremos que nos digam por que escolheram cada elemento que
compõe o rosto? Refletir sobre isto. Poderá fazer com que se dêem conta de que tais escolhas são
feitas ao longo da vida, a partir dos relacionamentos que vivemos com as pessoas, especialmente
aquelas que tiveram algum significado em nossa vida.

Tarefa próxima aula: conhecer um site (http://flashface.ctapt.de) no qual se pode
construir um rosto, um tipo ideal, com as características que você aprecia no sexo oposto.

Uma aluna, de 2008, duvidou da possibilidade de explicarmos o por quê de gostarmos de
uma pessoa. É curioso como eles remetem ao desconhecido as explicações das suas dúvidas.
Quando perguntei, antes, por que tinham a personalidade que tem, muitos responderam apenas
“porque sim” ou “porque o destino quis assim” o que me mostra o quanto de misticismo herdamos
da influência católica e africana – é mais fácil apelar ao sobrenatural para entender a vida que
temos e o que somos. Com muito custo mostrei àquela primeira aluna que há, pelo menos, uma
teoria sobre como escolhemos alguém ou duas:
(1
a
teoria, Agostiniana) você escolhe alguém parecido com as pessoas com quem você teve
relacionamentos no passado (em um programa de tevê, Globo Repórter, mostrou certa vez uma
psicóloga explicando a escolha que um homem por uma mulher com determinadas características
que eram, ele não sabia, semelhantes às da irmã dele);
(2
a
teoria, Schopenhaueriana) escolhemos o que nos falta. Se um homem ou uma mulher
tem baixa estatura e teme críticas da sociedade, ele ou ela escolherá alguém com uma estatura
mais alta ou vice-versa. Se tem pele muito branca, poderá escolher amar alguém de pele mais
escura e vice-versa. E isto vale para outras características. Fica evidente que são explicações
naturais, não sobrenaturais.

Outra maneira é simplesmente pedir que nos reunirmos em um grande grupo para falar de
nossos relacionamentos, o que implica abrir um pouco de nossa privacidade, o que não é fácil, mas
os alunos gostam disso, este método prende suas atenções e faz com que atinjamos nosso
propósito que é saber se temos mais chances de ser felizes com uma pessoa parecida conosco ou
diferente de nós? Também, com este exercício, buscaremos motivos como “por que me interesso
mais por pessoas mais extrovertidas?”, por exemplo, ou “por pessoas de um certo tipo físico”? A
idéia de usar retrato falado é tão somente para apresentar-lhes algo diferente, mas o objetivo é o
mesmo.
Lembramos de dois fatos que marcaram minha vida amorosa:
(1) minha primeira professora, meu segundo amor, depois da mãe da gente, era afetuosa,
exigente e tinha cabelos curtos. Até hoje, eu tenho especial admiração por mulheres com cabelos
curtos;
(2) lembro de quanto tempo ficamos apaixonados por uma colega de colégio (da 5
a
série até
o 1
o
ano (cinco longos anos!) e, então, ela nos deu o fora, dizendo que gostava de mim como
amigo!) , mas por que me apaixonei por ela, se ela é tão diferente de mim, sociável, eu, um
eremita? Fazendo um exercício de reminiscência (método platônico), recordamos que vimos uma
atriz na tevê (Cristina Müllins), desempenhando um papel emocionante (a Santinha que fez
milagres quando criança e se apaixonou por um peão de boiadeiro, José Eleutério) e em seguida
conhecemos esta colega de colégio e associamos uma imagem com a outra! Assim, me apaixonei
por uma pessoa parecida com uma atriz!
Até há pouco tempo me perguntava se havia no mundo uma única pessoa para
amar para sempre (algo como a procura pelo “sapo encantado”). Se cada pessoa é diferente
ao longo da vida, não permanecendo a mesma, como podemos buscar aquela pessoa ideal – em
qual dos momentos temporários? Vê-se que a pessoa ideal não existe, é um esboço de uma
pessoa, uma linha geral apenas!
Outra proposta: refletir sobre sites de encontros: ao escolher certas
características do outro, por que as escolhemos e não outras? Estimule-os a buscar causas
(explicações) para cada escolha que fazemos.

Yahoo. Encontros
Crie o seu perfil:
Sua intenção: ( ) Relacionamento/Romance sério ( ) sexo ( ) amizade/diversão ( )
Relacionamento/Romance casual
Obs.: aqui omitimos as perguntas que o site faz, pois são as mesmas de quem procuramos
(abaixo).

Características de quem procuro:
Busco: ( ) mulher ( ) homem ( ) ambos
Idade: ( ) mínima ( ) máxima
Distância: ( ) todos os países ( ) no meu país ( ) no meu estado ( ) na minha cidade
Altura entre: _________ e ___________
Peso entre : _________ e ___________
Físico: ( ) magro ( ) médio ( ) em forma ( )pouco acima do peso ( ) muito acima ( ) musculoso (
) pequeno
Tom de pele: ( )Tanto Faz ( )Branco/Caucasiano ( ) Asiático ( )Pardo/Mulato ( )Negro/Afro-
descendente ( ) Outros
Estado civil: ( ) solteiro sozinho ( )solteiro namorando ( ) casado ( )separado ( ) divorciado ( )
viúvo
Religião: ( ) espiritual sem religião ( ) Cristão Católico ( ) Judaica ( ) Espírita ( ) Budista ( )
Evangélico ( ) Agnóstico
( ) Ateu ( ) Espiritual, mas sem religião ( ) Adventista Cristão ( ) Protestante ( ) Hindu ( )
Muçulmano ( ) Outros
Quanto à prática religiosa: ( )Tanto faz ( ) praticante eventual ( ) praticante dedicado ( ) Não
praticante
Filhos, hoje: ( ) não tenho ( ) moro com eles ( ) não moro com eles
Filhos no Futuro: ( ) não sei se desejo ter ( ) quero ter ( ) não quero ter
Renda mensal: ( ) prefiro não dizer ( ) até 1 mil ( ) 1 mil a 2.500 ( ) 2500-5 mil ( ) 5 mil – 10
mil ( ) 10mil–20mil
( ) 20 mil-30 mil ( ) acima 30 mil
Formação: ( ) Ensino Médio ( ) Técnico/profissionalizante ( ) superior cursando ( ) superior
completo ( ) superior incompleto ( ) pós-graduado ( ) pós-doutorado
Fumo: ( ) não fumo ( ) ocasionalmente ( ) regularmente

Sugerimos nesta aula dois exercícios: (1
o
) observar uma série de fotografias de pessoas e
pedir que coloquem algumas (quatro ou cinco) em ordem de beleza. Este exercício ensina muito:
que o belo não é uma questão de escolher algo em detrimento de muitas outras alternativas, mas
uma certa graduação que vai de algo menos belo até algo extremamente belo ou talvez alcance o
conceito que Kant entendia por “sublime” e que via separado das coisas belas. Lembrar um
exemplo familiar no qual alguém estava indeciso entre duas pessoas com diferentes características
física e de personalidade para amar. Amamos o que nos falta? A sociedade interfere? Lembrar
Santo Agostinho e Schopenhauer: para o primeiro, “ninguém ama o que não conhece” e, portanto,
buscamos alguém com características que previamente conhecemos (mas, de onde conhecemos?)
e, para o segundo, buscamos alguém que nos complete e, assim, alguém de baixa estatura
procurará alguém mais alto ou alguém erudito se dará melhor com alguém mais grosseiro e vice-
versa. Qual dos dois está certo? Sugerimos, ainda, que se repita umas duas ou três vezes este
mesmo exercício, para que o aluno perceba algo que percebemos sozinhos: que as nossas
preferências mudam de acordo com nosso presente humor. Podemos pedir que eles teorizem
sobre isso. O que acontece na mente para que nossas escolhas mudem?
(2
o
) repetir o mesmo exercício anterior, mas, agora, com atenção aos objetos de nosso uso
cotidiano: bebidas, roupas, músicas, estabelecendo uma hierarquia, graus que vai do que menos
gostamos até o que mais gostamos. O objetivo aqui é fazer o aluno refletir sobre os motivos de
suas preferências e aversões.

Aula 31: casais sem filhos e a
perpetuação da espécie?
Há dois assuntos que têm relação com o amor e paixão e que podemos acrescentar ao
nosso presente estudo: um sobre casais sem filhos e outro sobre a paixão do futebol.

Casais sem filhos
Nos EUA, casais sem filhos e que trabalham podem ser chamados de DINKS. A denominação é
usada para casais de dupla renda e sem filhos. O termo passou a ser usado no período dos anos
80 e é hoje um subproduto da era YUPPIE -- gente com mais dinheiro para gastar do que seus pais
ou famílias com filhos. Isto não significa que são ricos.

Aumenta a proporção de casais sem filhos
De 1997 a 2007, número de casais sem filhos passou de 12,9% para 16%.
Taxa de fecundidade passou de 2,54 filhos para 1,95, no mesmo período.

JERRY STEINBERG
Ter filho para quê?
Professor canadense diz que os casais procriam por inércia e uniões sem filhos são mais felizes e fazem bem ao
planeta
Texto de Paula Mageste

O canadense Jerry Steinberg, de 57 anos, vai logo avisando que gosta de crianças. Mas não em tempo integral.
Gastou sua cota de "paternidade" ajudando a criar os dois irmãos, sendo monitor de acampamento e seguindo a
carreira de professor - dá aulas de inglês para estrangeiros. A gota d'água foi namorar três mulheres que tinham filhos.
Desistiu de formar a própria prole ao ver que o cotidiano que inclui pequenos é cheio de limitações. "Não se pode ter
uma conversa séria às 3 da tarde ou fazer amor às 10 da manhã", diz.

Steinberg sentiu-se isolado em sua decisão e percebeu que estava perdendo os amigos. Eles começavam a ter filhos,
mudavam o rumo na vida e faziam novas amizades em função das crianças. Foi então, há 19 anos, que surgiu a idéia
de fundar um clube de "pessoas sem filhos", o No Kidding. Hoje, são 77 filiais em quatro países, totalizando 8 mil
associados. "Vi que não apenas não estou sozinho, como estou em ótima companhia."

ÉPOCA - Não ter filhos não é impedir o ciclo natural da vida?
Jerry Steinberg - E por acaso nós levamos uma vida "natural"? Não estamos mais numa sociedade agrária, em que a
criança era mão-de-obra barata na fazenda. Mais de 80% da população mundial vive em grandes cidades. As crianças
não são mais um ativo, mas um rombo em seu tempo, em sua energia e em suas finanças. Ter filhos, hoje, na maioria
dos casos, é conseqüência natural de sexo sem proteção. Com a contracepção moderna, pessoas responsáveis terão
filhos apenas se quiserem. Nossos avós não tinham escolha, e às vezes acabavam com uma penca de crianças sem
ao menos poder mantê-las. Nós temos controle sobre nossa fertilidade e devemos exercê-lo.

ÉPOCA - Não é muito egoísta a decisão de não ter filhos?
Steinberg - É. Mas as pessoas têm filhos por razões bastante egoístas: por prazer, para cuidar delas na velhice, para
ter alguém para amar e amá-las de volta, para viver coisas que não puderam viver quando eram crianças, para exercer
poder sobre alguém, dar continuidade ao nome da família. O que é mais egoísta que fazer um minieu? É vaidade.

ÉPOCA - Qual porcentagem da população tem filhos por motivos que o senhor considera corretos?
Steinberg - A maioria das pessoas tem filhos sem motivo, sem pensar. A resposta que sempre ouço é que aconteceu
sem planejamento. Acho irresponsável, tolo e egoísta. Crianças são muito preciosas para vir ao mundo por acidente.

ÉPOCA - O senhor acha que as pessoas que optam por ter filhos devem ser questionadas, assim como ocorre com
aquelas que escolhem não procriar?
Steinberg - É claro! A situação hoje é muito unilateral. Os casais que optam por não ter filhos precisam se justificar o
tempo todo, para a família, para os amigos e até para estranhos. Enquanto isso, lemos nos jornais todos os dias sobre
pessoas que nunca deveriam ter procriado. Vemos crianças abandonadas, negligenciadas, que sofrem abuso, pais que
largam a família e não pagam pensão nem querem ver o filho.

ÉPOCA - Por outro lado, a maternidade e a paternidade não são dons naturais, intrínsecos ao ser humano?
Steinberg - De modo algum. Ser boa mãe ou bom pai requer muito conhecimento, dom, habilidade, paciência, energia
e tempo. Se você não tem isso, quais são suas chances reais de sucesso? Parece-me que as pessoas gastam mais
tempo pensando que sapato comprar que em se querem ou não ter filhos. É uma vergonha.

ÉPOCA - Ter filhos não pode ser uma forma de dividir as coisas boas que um casal construiu?
Steinberg - Pode, mas em muitos casos é uma desculpa para o fracasso pessoal. Muita gente abandona as
aspirações de carreira ou de hobby porque tem de sustentar os filhos. Depois, cobra isso da criança, busca realização
por meio dela. É muito cruel exigir que o filho tome conta dos negócios da família. Talvez ele não tenha nem interesse
nem competência. No fim, é uma pena para todos.

ÉPOCA - Qual é o impacto de filhos na vida de um casal?
Steinberg - Uma tremenda perda de liberdade. Não se pode mais fazer o que se quer, quando se quer. A
espontaneidade morre. Perdem-se tempo, energia, dinheiro. Custa cerca de US$ 200 mil criar alguém do nascimento
aos 18 anos. Sem faculdade. Muitas vezes um casal rompe por problemas financeiros. Portanto, se você não tem uma
situação confortável e resolve ter filhos, está procurando encrenca. Sem falar no fato de os pais discordarem sobre
como cuidar dos filhos. Não tê-los dá ao casal menos motivos para conflitos.

ÉPOCA - Mas então não seria melhor rever a forma como se educam os filhos em vez de resolver não tê-los?
Steinberg - Há um problema no modelo adotado pela classe média. Antes os pais ditavam as regras, mas a mesa
virou e agora são as crianças que mandam nos pais. Elas fazem o que querem em locais públicos e os pais se omitem,
numa situação desagradável para os outros.

ÉPOCA - Filho ajuda o casamento?
Steinberg - Os padres dizem que filhos são uma ponte entre marido e mulher. Na verdade, eles são um abismo. O
marido passa para segundo plano, sente-se preterido e acaba buscando outra mulher. Tive acesso a vários estudos
que mostram que relacionamentos sem filhos são mais sólidos e duram mais. O romance morre quando as crianças
nascem.

ÉPOCA - O senhor também defende aquela tese aparentemente fajuta de que não ter filhos é uma decisão
ecologicamente correta?
Steinberg - Não tem nada de fajuto nessa teoria. A quantidade de terra arável, de água potável e de espaço habitável
está limitada no planeta. As pessoas estão sendo forçadas a viver confinadas ou em locais inundáveis ou secos. Não
há pasto. A maioria da população está em centros urbanos, e isso cria vários problemas. Não se produz nada na
cidade, tudo tem de vir de fora. Aí há trânsito. Além disso, existe uma questão psicológica: quanto mais gente viver em
áreas superpopulosas, maior serão a agressividade e a violência. Estamos sob tremenda pressão.

ÉPOCA - A tecnologia e o urbanismo não poderão solucionar esses problemas?
Steinberg - Não há tecnologia que resolva isso. Hoje levamos uma hora para chegar ao mesmo lugar a que antes
chegávamos em dez minutos. Daqui a 20 ou 40 anos, vamos levar três horas. É loucura, tem de haver um limite. Os
animais são mais sábios. Quando ficam confinados, com pouco alimento, se reproduzem menos. Humanos não fazem
isso. Metade das pessoas deste planeta está morrendo de fome ou de sede. E continuamos procriando a taxas
recordes. Em apenas 40 anos, dobramos a população de 3 bilhões para 6 bilhões. Onde vamos parar? Será preciso
uma terceira guerra mundial ou epidemias como a Aids para nos colocar de novo em patamares suportáveis?

ÉPOCA - O que acha do aborto?
Steinberg - Com boa contracepção, as pessoas só têm filhos se os querem e podem sustentá-los. Caso contrário, o
aborto se torna uma opção. Prevenir gravidez indesejada evita abortos.

ÉPOCA - Pessoas sem filhos não evoluem menos? Steinberg - Não, ao contrário. A maioria das pessoas sem filhos
que conheço é muito ativa em sua comunidade, faz trabalho voluntário. O foco de quem tem filhos fica mais estreito: é
o lar. Se determinado problema não afeta diretamente seus filhos, não se envolve.

ÉPOCA - Quem tem filhos acaba abrindo mão de algo realmente importante?
Steinberg - Sair para uma cerveja com amigos não é alta prioridade. Mas muita gente precisa parar de estudar ou
encurtar os planos para trabalhar. As aspirações de carreira podem ficar limitadas. Muitas vezes quem tem filho chega
tarde ao trabalho e sai cedo, passa tempo no telefone falando com as crianças ou resolvendo problemas relativos a
elas. Isso pode contribuir para que seja preterido na hora de uma promoção.

ÉPOCA - Por que ainda vemos com estranheza quem opta por não ter filhos?
Steinberg - Mudanças levam tempo. A aceitação de estilos de vida alternativos demora. Há 50 anos era inconcebível
viver junto sem casar. Era pecado. O mesmo valia para mães solteiras ou uniões inter-raciais. Hoje em dia casais
homossexuais adotam crianças ou fazem fertilização para ter os próprios filhos. Vamos chegar a um ponto em que não
procriar também será aceito. Quem, em seu juízo perfeito, insistiria que tenha filhos uma pessoa que não quer, não
tem como bancar e não saberá criar adequadamente uma criança?

ÉPOCA - Como responder à clássica pergunta "Você não vai ter filhos"?
Steinberg - Alguns membros do No Kidding respondem que não podem ter filhos. Acham que a pena que isso
desperta é mais suportável que a indignação. Se alguém insiste comigo, eu digo: "Então tá, você me convenceu. Vou
ter dez filhos e, se não der certo, mando para sua casa para você criar".

Aula 32: o Futebol e a paixão.

Por que sofrer com o futebol?
Por que sofrer com mais uma derrota do Inter? Porque tenho paixão pelo Inter. Mas a resposta
não me satisfaz. Por que eu deveria sentir paixão por um time de futebol? É verdade que também
não compreendo bem porque eu sinto paixão por uma mulher que estuda os Diálogos sobre a
Religião Natural de Hume. Porém isso é menos incompreensível. Na paixão amorosa há elementos
biológicos. Eu sei pouco sobre a razão de sentir paixão por essa mulher, mas sei que há uma
razão para sentir paixão por mulheres. Agora, sentir paixão por um clube de futebol ... Nenhum
jogador do Inter sabe da minha existência. O presidente do clube não sabe que eu existo. Eu não
consigo estabelecer nexos causais com o Inter. Se torcer por sua vitória, isso não terá efeito. Se
quiser que troquem de jogador, poderei gritar no estádio (mas vou raríssimas vezes ao Beira-Rio -
é claro que, quando estive em Porto Alegre, não perdi a oportunidade de assistir ao jogo contra o
Vasco).
Talvez alguém acredite que a torcida conduza seu time à vitória quando canta e “empurra” o
time para o ataque. Mas essa idéia não me agrada, pois eu tenho de me dissolver na torcida para
poder acreditar em tal efeito. E não me agrada ter uma compreensão tão pequena das razões por
que fico triste quando o Inter perde.
Logo a pós o jogo do Flamengo, ontem, nem consegui olhar para os gols do início da rodada
que a TV anunciava. Não seria mais sensato uma decisão como esta: “não darei mais a mínima
atenção ao futebol”. Imaginem, se estou escrevendo um texto sobre os móbiles no Cânon da
Crítica da Razão Pura e faço uma pausa para ouvir o jogo do Inter e ele perde, certamente
também perderei meu entusiasmo com o texto e minhas fracas inspirações intelectuais fugirão! É
claro que poderia estender isso à paixão amorosa. Mas eu interajo verdadeiramente com o objeto
de minha paixão amorosa. Se ela diz não me querer, eu posso gritar bem perto de seus ouvidos,
ou se isso não for possível, encher sua caixa de e-mails com mensagens chorosas, importuná-la
com ligações. Mas com o Inter, nem se trata dele não me querer, pois ele, num certo sentido, nem
sabe que eu existo. E eu sofro tanto!

Questionário:
(1) Que comparação o filósofo faz entre a paixão pelo futebol e a paixão por uma mulher?
(2) Qual é o objeto da paixão do autor, o time, o técnico, etc ?
(3) Por que a paixão dele não é ser parte da torcida?
(4) Na sentença “É claro que poderia estender isso à paixão amorosa”, o que significa
“isso”?
(5) Dê a sua opinião sobre a causa da paixão futebolística.

Depois de alguns dias, após jogar futebol com alunos na escola, me dei conta de algumas
coisas: (1) quando jogamos, os movimentos são tão rápidos que não dá “tempo” para pensar,
apenas reagir! (2) que o futebol reproduz as caçadas aos mamutes ou algo parecido, como
guerrear, por necessidade e prazer de fazer em grupo algo que não conseguiríamos sozinhos. Esta
conclusão não é filosófica, é antropológica e talvez algum cientista já a tenha posto no papel, mas
não deixa de dar grande satisfação chegar a ela por meio das próprias pernas ou... neurônios!

Aula 33-36: Entrega do trabalho sobre o
autoconhecimento.
Comentários e apresentações de alunos para o grande grupo. Do que abriram mão? Se
conseguiram ficar em abstinência por uma semana? Que sensações surgiram? Voltou a consumir
na mesma quantidade ou menos? Mudou seu hábito? Podemos falar sobre o hábito segundo
David Hume (ações repetidas várias vezes) e Sigmund Freud (o automatismo do inconsciente).
Citar o exemplo do automóvel: quando já se dirige há algum tempo, não se pára para pensar
nas mudanças de marcha ou de velocidade; elas são feitas automaticamente. Que outros
exemplos existem de comportamentos automáticos? Sonambulismo? Vale para explicar o
hábito (condicionamento, automatismo, atos repetidos) compará-lo com uma enxurrada que
passa por um terreno e escava-o, aumentando sua profundidade; por qual caminho passarão
novas águas? Por aquele caminho marcado anteriormente. E nossas depressões e nervosismos:
não parecem águas represadas a ponto de comprometer nosso comportamento normal?

Aula 37: Leitura do texto sobre a vida de
Buda.
O que é central em Buda é a sua busca pelo autoconhecimento: ele abriu mão das coisas
que lhe causavam dor, mas, também, daquelas que lhe causavam prazer, buscando afastar-se dos
desejos intermináveis que tanto nos atormentam e que nos escravizam. E mais do que isto: por
trás da experiência vivida por Buda está a crença de que quando buscamos muito coisas que nos
dão prazer acabamos sofrendo muito, também.
Pedir que alunos comparem esta experiência de Buda com as que eles próprios realizaram.
Sugerimos que esta aula seja meditativa. Um bom lugar para isso é sentar sob uma grande árvore;
não custa lembrar aos alunos que um espécime assim deve ter uns trinta anos ou mais, uma razão
a mais para o respeito e a introspecção. Contudo, da experiência que temos, sabemos que poucos
fecharão os olhos e procurarão não pensar em nada ou apenas no fluxo de sua respiração (pensar
o mínimo ou apenas o momento presente é o caminho para alcançarmos o mundo eterno, o
nirvana). Ainda sim, vale a pena a tentativa, até para se afastar da sala de concreto na qual
procuramos inspirar os alunos a terem desejo de conhecer as coisas do mundo, paradoxal, não?
Em futuras aulas veremos os sentidos e podemos levantar a questão: eles são um caminho
errôneo para conhecer a essência das coisas, como pensa os seguidores do budismo?
Eis alguns trechos do texto extraído da revista Superinteressante (O iluminado, escrito por
Caco de Paula):

- “Há 3 000 anos começaram a se formar as principais filosofias e religiões que organizaram as
visões de mundo do homem contemporâneo. Alguns filósofos, como o alemão Karl Jaspers, dão a
essa época o nome de Era Axial. Axial diz respeito a eixo. Foi, portanto, quando o homem
começou a buscar o seu eixo. Ou, segundo Jaspers, quando passamos a prestar atenção em nós
mesmos. A Era Axial estende-se entre os séculos VIII e II a.C.”;
- “O certo é que todos os sábios desse período parecem seguir um caminho comum quando
conclamam seus contemporâneos a radicais mudanças em suas vidas. Do século VIII ao VI a.C. os
profetas de Israel reformaram o antigo paganismo hebreu. Na China dos séculos VI e V a.C.,
Confúcio e Lao-Tsé chacoalhavam as velhas tradições religiosas. Na Pérsia, o monoteísmo
desenvolvido por Zoroastro expandiu-se e influenciou outras religiões. No século V a.C., Sócrates e
Platão encorajavam os gregos a questionar até mesmo as verdades que pareciam mais evidentes.
- “A Índia também passou por grandes transformações. Sua cultura foi dominada pelos arianos,
antigos povos nômades que teriam migrado da Ásia Central 4 000 anos antes. A sociedade ariana
dividia-se em castas: brahmins, os sacerdotes; ksatriyas, os guerreiros e governantes; vaisyas, os
camponeses e criadores de gado; e sudras, os escravos ou marginais. Na Índia dessa época,
surgiu uma revolta contra esses sacerdotes e seus rituais – que incluíam sangrentos sacrifícios de
animais, procurando afastar-se desses rituais e buscar outro tipo de sacrifício, mais interno, de
renúncia às coisas do mundo”;
- “É nessa Índia em ebulição espiritual que surge Sidarta Gautama, o Buda. Era um aristocrata,
da casta ksatrya, a dos guerreiros e governantes. Seu pai, Shudodhana, era o rei do clã dos
sakyas. Vem daí o outro nome pelo qual Sidarta se tornaria conhecido: Sakyamuni, ou "o sábio
silencioso dos sakyas". O pai de Sidarta, temendo que se cumprisse uma profecia segundo a qual
ele se tornaria um homem santo, cercou-o de luxos e prazeres, acreditando que se o mantivesse
ignorante sobre o sofrimento do mundo, iria afastá-lo do caminho espiritual. Aos 16 anos, escolheu-
se uma noiva para ele, a bela Yashodhara, com quem teria um filho, Rahula”.
- “Pouca coisa mudaria na sua vida até os 29 anos. Apesar de todo o luxo, Sidarta sentia-se
infeliz. Certo dia, contra a vontade do pai, saiu para passear fora do palácio e se surpreendeu com
quatro cenas que o tirariam para sempre daquela vida de prazeres: (1
o
) viu um velho arqueado, de
pele enrugada, movendo-se com dificuldade. Depois, avistou um doente que sofria dores terríveis.
Mais tarde, cruzou seu caminho um cortejo fúnebre. Um morto era carregado por amigos e
parentes que choravam sua perda. Foi um choque e tanto para alguém que sempre vivera
protegido, sem se dar conta de que tudo que nasce também se degenera, envelhece e morre. (4
o
)
a visão de um mendigo errante, esmolando por comida. Apesar da sua pobreza, tinha porte ereto,
feições radiantes e expressão de profunda serenidade. Sidarta determinou-se a também abraçar
uma vida santa e a buscar uma resposta para o sofrimento que viu no mundo”;
- “Sidarta abandonou o palácio enquanto todos dormiam. Saiu de fininho, sem ao menos se
despedir da mulher e do seu pequeno filho. O príncipe logo aprendeu a dormir no chão e a esmolar
por comida. Além da mendicância, a vida de filósofo-andarilho (ou sramana) incluía práticas de
meditação. Na sua busca, ele se aproximou de dois famosos mestres e rapidamente chegou aos
últimos estágios de absorção contemplativa propostos por eles. Mas ainda não atingira a suprema
realização que buscava”.
- “Dedicou-se então à autoflagelação: um rígido controle dos sentidos desenvolve a
autodisciplina e transfere o máximo de energia corporal para a atividade mental. Durante seis anos,
Sidarta experimentou privações e dores. Mudou radicalmente a alimentação, ampliando o período
entre as refeições. De uma por dia, passou a uma a cada dois dias, três, quatro, até alimentar-se
somente a cada 15 dias. Depois, diminuiu a quantidade até chegar à ração diária de um único grão
de arroz. Simultaneamente, fazia experiências psicológicas, analisando em si mesmo certas
emoções que, acreditava, só poderia eliminar completamente se as observasse em profundidade.
Para analisar o medo e meditar sobre a impermanência, passava noites deitado entre cadáveres e
esqueletos num cemitério. Ainda assim, não alcançara sua realização final. O próprio Sidarta
descreve os efeitos dos jejuns: "Quando eu pensava estar tocando a pele do meu abdomem, era a
minha coluna que eu segurava". Abandonou essas práticas quando já era quase só pele e ossos.
Sua experiência provou que a autoflagelação embota a mente em vez de favorecê-la”.
- “Ele intuiu, então, que o caminho para a libertação não estava nos excessos de ascetismo,
nem nos da sensualidade, mas em um ponto de equilíbrio entre eles. Vem daí a expressão
"caminho do meio", um dos pilares do Budismo. Sidarta voltou a comer. Segundo conta-se, uma
porção de arroz e leite oferecida por uma jovem que o encontrou quase morto à beira de um rio.
Dias depois, recuperado, preparou um assento de capim sob uma figueira – que ficaria conhecida
como a árvore bodhi, ou árvore da iluminação – na região de Bodhgaya, no norte da Índia. Decidiu
então que ou atingiria a iluminação ali ou morreria”;
- “A essência dos ensinamentos budistas está nas práticas meditativas, que se fundam em
tradições anteriores ao próprio Buda. Na meditação busca-se cessar a atividade mental
ininterrupta, na qual pensamentos e fantasias bloqueiam a experiência direta e intuitiva. Na maior
parte do tempo alimentamos pensamentos que podem nos deixar ansiosos, frustrados, com
mágoa, raiva, ressentimento ou medo. Tragada por esse vórtice de sensações, nossa atenção
perde o foco. É por isso que, muitas vezes, comemos sem sentir o sabor do alimento, olhamos
uma pessoa sem vê-la de fato.”
- “Mesmo para um alto praticante como ele, surgiram obstáculos. São imagens que simbolizam
os obscuros medos reprimidos, fragmentos de memória, dúvidas, fantasias e outros conteúdos
mentais tão persistentes e familiares a quem já tenha tentado alguma prática meditativa. Sidarta
transpôs esses obstáculos permanecendo imóvel diante das investidas de Mara, deus indiano da
morte.. Mas há uma pista nas técnicas para lidar com esses conteúdos mentais. Uma delas é a
meditação de ponto único. Nela, a observação concentra-se em um objeto específico (a respiração,
por exemplo), controlando ou suspendendo temporariamente o fluxo dispersivo de pensamentos.
Assim, Sidarta tornou-se um Buda ("o Desperto" ou "o Iluminado") numa noite de lua cheia no mês
de maio, quando tinha 35 anos. Morreu por volta de 483 a.C., depois de um acesso de disenteria
que teria sido causado pela ingestão de carne de porco. Há algo menos divino – ou tão
demasiadamente humano – do que morrer de dor de barriga?”
- “A grande novidade trazida por Buda em sua época foi a idéia de que a vida espiritual, como
capacidade de conhecer a si mesmo, não tem nada a ver com as restrições de casta impostas
pelos brâmanes. Buda diz que todos os seres humanos têm vislumbres de iluminação. Isso
acontece nos momentos em que aquele insistente e auto-referente "eu" não interfere, quando a
mente não se prende ao passado, não sonha com o futuro e se envolve apenas com o momento
presente. Esses vívidos momentos de ligação com o aqui-e-agora contrastam com a mente
habitual. Eles surgem como relances fugidios, mas podem também ser voluntariamente induzidos
pelo processo meditativo. Aí está o fim do sofrimento, a iluminação, o nirvana.
- “Quando ele é representado como um asceta esquelético, refere-se ao Sidarta da fase pré-
Buda. Quando mostrado como um meditador sereno, é o Buda Sakyamuni. Se a figura for a de um
sujeito gorducho e sorridente, quase sempre trata-se de uma divindade local, geralmente símbolo
de prosperidade, na China e no Japão. Vêm do Tibete as famosas imagens de budas em abraços
sexuais com suas consortes, um símbolo da unidade entre iluminação e sabedoria. Apesar do
grande florescimento que teve em sua terra natal, o Budismo foi varrido da Índia em decorrência
das invasões dos hunos no século V d.C. e dos islâmicos nos séculos XII e XIII”.
-“O Budismo só penetraria no Ocidente a partir do século XIX, com o estudo das culturas da
Índia e a publicação de O Mundo como Vontade e Idéia. Nesse livro, o alemão Arthur
Schopenhauer (1788-1860), que influenciaria muitos outros filósofos, como Friedrich Nietzsche,
mergulha nos ensinamentos budistas. O Budismo também chegou à Europa e à América junto com
os imigrantes chineses e, depois, japoneses”.
- “Um grande motivo de estranhamento – e de fascínio – causado pelo Budismo talvez seja a
idéia de um caminho espiritual que depende, em última instância, apenas do esforço de cada
pessoa. O Budismo sustenta que o mundo é uma projeção da mente e que, portanto, o homem não
poderá encontrar no exterior aquilo que não possua dentro de si mesmo”.


Aula 38: a felicidade reside no prazer? Há
um sentido para a vida?
Fala-se que nossa sociedade é muito hedonista. Fizemos uma aula em que,
juntos, listamos a série de tarefas que realizamos durante a semana: levantar cedo,
pegar transporte para a escola ou ir de bicicleta (meu caso), estudar por quatro
horas, voltar para casa, almoçar, fazer tarefas domésticas ou ir trabalhar à tarde,
voltar de transporte coletivo, preparar o jantar, assistir um pouco de tevê e ir dormir.
Onde está a vida cheia de hedonismo? Percebemos que a felicidade como busca de
prazer é raríssima. É útil construir uma linha do tempo coletiva ou individual. Nela
observamos que o espaço para o prazer é pequeno e não raro inexistente! De outra
parte, só vemos trabalho árduo e sofrimento: desde a obrigação de vir à escola, as
poucas matérias interessantes até o próprio ensino que faz uso de dor (não mais
física, como ajoelhar em grãos de milho, como nos século XIX e XX) psicológica,
como ameaçar repetir o ano ou ser censurado na frente dos outros colegas, para que
o aluno preste atenção às aulas.

6
h

a
c
o
r
d
a
r

7
h
3
0

i
n
í
c
i
o

a
u
l
a
s

1
0
h

r
e
c
r
e
i
o

1
2
h

f
i
m

a
u
l
a
s

1
3
h
3
0

c
o
r
r
i
g
i
r

t
r
a
b
a
l
h
o
s

1
5
h

i
r
a

b
a
n
c
o

1
6
h

s
u
p
e
r
m
e
r
c
a
d
o

1
7
h

a
c
a
d
e
m
i
a

1
8
h

b
a
n
h
o

1
9
h

a
s
s
i
s
t
i
r

t
e
v
ê

2
0
h

p
r
e
p
a
r
a
r

o

j
a
n
t
a
r

2
2
h

a
s
s
i
s
t
i
r

t
e
v
ê

2
3
h

i
r

d
o
r
m
i
r



Fala-se, também, que a felicidade não está nos bens materiais, mas podemos
viver sem eles? Ainda que seu consumo seja mínimo, não podemos abrir mão. Karl
Marx opondo-se a Hegel observou que é a condição econômica que guia os
espíritos, nossas escolhas. Podemos pensar que excesso é danoso, basta ver
aquelas pessoas que dedicam-se mais a ganhar dinheiro do que gasta-lo. Ainda
mais em um país injusto como é o Brasil e muitos outros em que uma minoria possui
muito e a maioria possui quase nada. Não devemos, como povo, assemelharmo-nos
aos outros, em uma vida sem excessos? Há muitas pesquisas que tratam disto:
nelas se observa que as pessoas de classe média (intermediária entre a pobreza e a
riqueza) se manifestam mais felizes e o segredo (se é que é segredo) é que este
grupo da população tem bens que garantem uma condição digna.
De qualquer modo, ainda que não tenhamos intenção de reprovar aqueles que
visam o prazer como felicidade, convém, contudo, perguntar: qual é a melhor vida: a
que satisfaz às necessidades de um indivíduo ou à que produz algo para milhões de
indivíduos e, neste ponto, a vida de um filósofo, de um cientista ou de um líder
político e religioso, parecerá a melhor vida! Um exemplo foi Einstein: não se tem
notícia de que fosse obcecado por bens materiais ou visse a felicidade no prazer;
suas descobertas ajudaram a humanidade: a teoria da relatividade, o efeito
fotoelétrico e a fissão nuclear , além de sua atividade política contra o uso da energia
nuclear para fins militares.
É interessante citar Sócrates e Diógenes para quem a vida feliz é uma vida
simples e ela se encontra no exercício da filosofia, não na posse de bens – “quanta
coisa de que não preciso”, diziam eles. Ao olharem uma criança bebendo água com
as duas palmas da mãos, jogaram fora sua caneca, algo supérfluo, para a felicidade
deles.
Há um texto de Platão, chamado de “Philebo”, muito interessante, onde ele
discute qual é a melhor vida, de prazer,de dor ou um terceiro estado, de ausência de
dor?
A maior parte das pessoas crê que o maior bem seja o prazer. Já os mais cultos, crêem que
o bem seja o conhecimento. Mas, para Platão,o bem (a felicidade) reside na posse da virtude e da
sabedoria. São elas as verdadeiras riquezas, bem mais valiosas que o ouro e a prata.
No diálogo “Philebo”, Platão discute sobre qual o modo de vida é o melhor: o que dá
destaque ao prazer, ao conhecimento ou haverá um outro? Primeiro (1
o
), ele busca conciliar o
prazer com a sabedoria: de que adianta buscar o prazer se não tivermos memória para recordá-lo?
E como nos sentiríamos ao ter conhecimento e memória das coisas, mas sem prazer? Impossível.
Assim, Platão sugere que se procure o bem em uma vida mista, como uma pessoa que nem vive
só de mel, nem só de água, mas uma mistura de ambos.
Mais adiante, no seu livro , o filósofo conclui que a sabedoria e a inteligência (2
o
) superam o
prazer, pois a nossa mente participa de uma mente maior, ordenadora de todo o cosmo e (3
o
) que
alguns prazeres são apenas uma dor que cessa e mesmo aqueles prazeres “puros”, específicos da
parte intelectiva da alma - indolores, inconscientes, involuntários – que resultam da atividade da
memória,como quando apreciamos a beleza das cores e das formas, não são “belos em si
mesmos”, mas apenas acompanham as virtudes, como a coragem, a temperança, etc.
Já na obra “A República”, Platão escreveu que os prazeres mais elevados estão submetidos
à alma e à razão.O prazer só aparece em nós como uma conseqüência, após surgir no corpo uma
necessidade, a alma, então, busca “preencher” o que está vazio, ausente, como quando estamos
com sede ou fome. Assim, diante de uma dor, a alma se esforça para retornar à harmonia original
que foi dissolvida. Na mesma obra, ele acrescenta uma importante característica da vida divina: ela
é uma vida sem prazer, nem dor, chamada de estado neutro (ou no grego medétera, nenhuma
das duas, alternativas anteriores), vida desejada pelos filósofos. É esta a melhor vida, porque ela é
uma vida perfeita e eterna, vivida pelos deuses e é ela que devemos buscar!
Perguntas:
(1) para a maioria das pessoas qual é a melhor vida?
(2) qual é o maior bem para as pessoas mais cultas?
(3) em um primeiro momento Platão aceita que o prazer e o conhecimento sejam ambos
procuradoscomo um bem por nós. Que argumento ele utiliza?
(4) que tipo de vida mista é sugerida por Platão?
(5) por que Platão crê que a sabedoria e a inteligência superam o prazer?
(6) Quais são os tipos de prazer, para Platão?
(7) Dê um exemplo de como o prazer está submetido à alma humana?
(8) Por que o prazer só aparece em nós quando sentimos alguma dor?
(9) O que é o estado neutro?
(10) Para os filósofos, o bem (a felicidade) é encontrada em uma vida mista (misturada) ou
em uma vida em que se vive um estado neutro? Por quê?

 Tenho uma teoria sobre a felicidade e por que ela não reside no
prazer: imaginemos que as necessidades são como baldes vazios que
precisam ser preenchidos: uma vez preenchidos, a dor (ou a necessidade cessa,
ainda que temporariamente), mas e o prazer, onde está? Ele só pode ser os pingos
que aparecem quando o balde transborda. Pouco, não? Além do mais, se o prazer é
aquilo que buscamos na vida, quando sentimos prazer pela primeira vez o que
buscávamos, se não conhecíamos o prazer? Uma conseqüência desta experiência
mental é que além do prazer e da dor, há, também, um outro terceiro estado – como
Platão chamou – que consiste na ausência da dor, mas que ainda não é pó prazer e
que foi traduzido, nas línguas modernas como “estado neutro”.

¬ Uma tarefa prática ¬ Calcule a quantidade de felicidade (prazer,
para Jeremy Bentham) envolvida em uma ação que desejamos realizar:

Escolha 1: ______________
Quantidade de prazer envolvido
Critérios para julgamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Valor
escolhido
Quão intenso é o prazer?
Quão duradouro é o prazer?
Quão certo é o prazer?
A que distância está?
Gerará prazeres adicionais?
Este prazer é livre de dor?
Quantas outras pessoas serão
beneficiadas por este ato?


Escolha 2: _______________

Quantidade de prazer envolvido
Critérios para julgamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Valor
escolhido
Quão intenso é o prazer?
Quão duradouro é o prazer?
Quão certo é o prazer?
A que distância está?
Gerará prazeres adicionais?
Este prazer é livre de dor?
Quantas outras pessoas serão
beneficiadas por este ato?


E há um sentido para a vida? Leia algumas das teorias e decida
quem está com a verdade?

Para o chinês Lao-Tsé, o sentido reside
em fugir do pensar, tese oposta à de...
... Pascal: toda a nossa dignidade reside no pensamento.
Também Sócrates pensava assim: a vida que não é
examinada, pensada, não merece ser vivida.

Para Thomas Hobbes, o sentido está
em ter poder,
para Marco Aurélio, imperador romano, sugere que não
estimulemos conflitos – “todos somos amigos”.

Para Epicuro, o sentido
está nos prazere s, já
para ...
Diógenes, está em fugirmos dos prazeres. Também Hegel diz algo
parecido: “somos espírito s finitos amarrados à matéria” e é negando
nossa condição natural que podemos alcançar o absoluto, o infinito.

Como Hegel, Kant acrescentará que o sentido
nada tem a ver com nossa felicidade pessoal: o
fim reside no bom uso da nossa razão e da
nossa vontade e, como elas são capazes de se
realizarem de infinitas maneiras, isto prova que
há uma vida infinita esperando por nós. Tese
não muito diferente dos pensadores vinculados a
religiões, como Santo Agostinho e São Tomás
de Aquino.
Mas, Nietzsche se oporá a eles dizendo
algo que não podem provar,por isso, são
niilistas, defendem o nada após a morte.Só o
que existe, diz ele, é este mundo e nossa
vontade de exercer o poder natural, de se
elevar sobre os demais, de viver esta
vida,pois há grande possibilidade de que ela
se repita infinitas vezes!

Para Aristóteles, nós temos uma
essência, somos animais racionais e
nosso fim é exercitar a razão.
Para Jean-Paul Sartre, não há um sentido, nós é que
o construímos, pois nós estamos construindo a nós
mesmos constantemente.

Com um crânio de um bobo da corte que o carregava nas costas na infância, Hamlet medita
sobre a mortalidade: "SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO: SERÁ MAIS NOBRE EM NOSSO
ESPÍRITO SOFRER PEDRAS E SETAS COM QUE A FORTUNA, ENFURECIDA, NOS ALVEJA,
OU INSURGIR-NOS CONTRA UM MAR DE PROVOCAÇÕES E EM LUTA PÔR-LHES FIM?”. Este
trecho questiona o SENTIDO DA VIDA. Ele é parte da peça cuja história envolve Hamlet, filho do
rei da Dinamarca que é supostamente picado por uma serpente, mas que, segundo Hamlet, fora
assassinado por seu irmão, Cláudio, que casou-se coma rainha viúva,mãe de Hamlet. O fantasma
do rei encontra Hamlet e clama por vingança. Hamlet pensa ser o demônio. Mais tarde, finge
insanidade para acusar Cláudio de assassinato. Então, recruta uma companhia teatral para
encenar uma história: o assassinato do rei. Cláudio, angustiado, levanta-se no início do espetáculo.
Hamlet o vê rezando e preparando-se para matá-lo, mas evita fazê-lo, pois levaria a alma do
arrependido para o céu. Discutindo com a rainha, sua mãe, Hamlet apunhala o conselheiro do rei
atrás da cortina, pensando se tratar do rei. Ofélia, a mulher que nutria amor por Hamlet,
enlouquece por se sentir rejeitada e, também, pela morte de seu pai, Apolônio, se mata afogada, o
que enfurece seu irmã, Laertes e o rei, Cláudio, que planejam um abriga de espadas contra
Hamlet, usando um florete envenenado e, em uma segunda alternativa, uma taça de vinho
envenenado. A luta começa no cemitério quando chega o cortejo com o corpo de Ofélia; então, é
interrompida, para recomeçar mais tarde. Na luta Hamlet é atingido por Laertes com a espada
envenenada, mas, também, atinge-o quando pega a espada das mãos do outro. Então, perto da
morte, Laertes confessa a conspiração junto com Cláudio para o assassinato do pai de Hamlet e,
este, enfurecido mata Cláudio com a espada e o força a beber o vinho, também,
envenenado,vingando a morte do rei (Hamlet, de Shakespeare)

No filme “O guia dos mochileiros da galáxia”, o sentido da vida é o número 42, resposta
para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais que foi obtida após um período
de sete milhões e meio de anos de processamento de um supercomputador gigante chamado de
“pensador profundo”, que havia sido construído por uma raça de seres hiperinteligentes.

No desenho Os simpsons, no episódio “Homer, o herético”, Deus fala a Homer qual é o
sentido da vida, mas a conversa é interrompida pelos créditos.

No livro O alquimista, Paulo Coelho apresenta o significado da vida como uma jornada
individual para encontrar o caminho de cada um, similar ao que é definido pelo budismo como a
“”4
a
verdade nobre”: este livro narra a história de um jovem pastor que, após ter um sonho repetido,
decide partir em uma busca do auto-conhecimento, e se vê lançado em uma jornada em busca de
mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos. Ele metaforicamente cita o
caminho do apóstolo Santiago, que partira da Espanha (dos montes da Andaluzia) impulsionado
pelo desejo de encontrar um, tesouro que viu nos sonhos, chegando ao Egito onde descobre que
o tesouro sempre esteve nos montes da Andaluzia bem no seu nariz, e sobretudo descobre que
sua viagem de muito lhe serviu, pois entendeu a alma do mundo e agora é feliz
consigo mesmo, pois enxerga o que realmente pode lhe fazer feliz e, assim, sua alma se
acalma sabendo que tem tudo o que sempre quis,o que antes era impossível, porque não entendia
seu coração, nem os sinais do universo e não sabia o que desejava. Mas, na verdade, o tesouro
maior que ele conseguiu nesta caminhada não foi material, mas o que ele aprendeu,
conquistou e sentiu durante a jornada.

Uma dica: identificar em dicionários o que significa SENTIDO? Pode-se desenvolver esta
aula na Biblioteca da escola g:
Na Wikipédia:
(1) Sentido – um órgão que recebe estímulos externos, como luz, sons, cheiros, tato e paladar
pelos seres vivos.
(2) Sentido - Significado, do ponto de vista do idioma.
(3) Sentido - coerência, ou organização.
(4) Sentido - nas ciências exatas, é um dos componentes da orientação de um vetor (por
exemplo direita, esquerda, para cima ou para baixo).
(5) Sentido - um comando militar, depois do qual a pessoa deve ficar em pé, reta, com os
braços abaixados e juntos do corpo.
No site: www.Dicionariodeportuguês.com:
Sentido: adj. Magoado, melindrado, ressentido: a deslealdade deixou-me sentido. Impregnado
de sentimento: palavras sentidas. / Pesaroso, triste, compungido: um olhar sentido ; S.m.
Faculdade de receber impressões externas por meio de órgãos sensoriais: o sentido da visão.
Faculdade de sentir ou perceber: o sentido divinatório. / Significado, acepção: o sentido da frase.
Direção.

O texto a seguir procura mostrar a partir da teoria da evolução de Charles Darwin que o ser
humano não é mais do que uma máquina a serviço dos genes, estes, sim, os verdadeiros,
senhores. Fazemos tudo por causa deles e não há um sentido para a vida, exceto cumprir os
objetivos que já estão inscritos nos genes. O que você acha disto, da teoria do gene egoísta?
Homens procurariam ter várias parceiras para espalhar seus genes, mas as mulheres, não.
Não poderíamos falar do átomo egoísta? Ou do elétron egoísta? Ou do universo inteiro como
egoísta, se o vazio for uma ilusão, tudo é uma coisa só!

Revista Superinteressante (junho de 2007)
... Planeta Terra, 4 bilhões de anos atrás. Um mundo adolescente, infestado por vulcões,
meteoritos e tempestades violentas. No mar desse inferno, moléculas de carbono encontraram um
porto seguro. E começaram a se juntar, formando cadeias cada vez mais longas e complexas. Uma
hora, como quem não quer nada, apareceu um estranho nesse ninho. Um acidente da natureza.
Era uma molécula capaz de se replicar, de sugar matéria orgânica do ambiente e usar como
matéria-prima para produzir cópias dela mesma. Motivo? Nenhum: ela fazia réplicas por fazer e
pronto. Vai entender... Essa aparição foi algo tão improvável quanto se esta revista (que também é
feita de cadeias de carbono) comesse seus dedos agora e, a partir dos átomos da sua carne, pele
e ossos, construísse uma cópia dela mesma. Improvável, mas foi exatamente o que aconteceu
naquele dia. E não havia nada ali para conter o apetite da monstruosa molécula.
Ainda mais porque arranjar matéria-prima, ou seja, “comida”, nesse oceano primitivo era
fácil: bastava “pescar” nutrientes na água. Assim ela cresceu e se multiplicou. Mas tinha um
problema: nem sempre as réplicas saíam perfeitas. Às vezes acontecia um erro de cópia aqui,
outro ali. Surgiam aberrações. “Um livro e tanto escreveria o capelão do Diabo sobre os trabalhos
desastrados, esbanjadores, ineficientes e terrivelmente cruéis da natureza!”, escreveria Darwin
sobre esse processo bilhões de anos depois. Esses erros aconteciam bem de vez em quando: um
a cada milhão de réplicas. Mas tempo é o que não falta nesse mundo. Então eles foram se
acumulando mais e mais. Só que alguns não davam em aberrações. Muito pelo contrário. Algumas
réplicas nasciam com uma mutação que as fazia se multiplicar mais em menos tempo. E não
demorou para essas mutantes mais férteis dominarem o mar. Só isso já é um tipo de seleção
natural. Mas a regra de Darwin só deu as caras para valer quando aconteceu o inevitável: o mundo
ficou pequeno para tantos replicadores. Com a superpopulação, os ingredientes de que eles
precisavam para fazer suas cópias rarearam. Era a primeira crise de fome no planeta.
A saída? Ir para a briga. Mas estamos falando de moléculas, que não têm lá muito poder de
decisão. Foi aí que provavelmente surgiu uma mutação inédita, que permitia a algumas moléculas
comer outros replicadores. Assim elas conseguiam eficiência total: arranjavam almoço e
eliminavam rivais ao mesmo tempo. Mas o domínio não duraria para sempre. Com o tempo
surgiram mutantes com capa protetora natural. Com essa armadura, dava para comer os rivais
sem o risco de ser comido. Nasciam as primeiras células do mundo. “Os replicadores deixavam de
meramente existir e começavam a fazer contêineres para eles, veículos para que pudessem
continuar vivos. Os que sobreviveram foram os que construíram ‘máquinas de sobrevivência’ para
si”, escreveu o mais notório dos neodarwinistas, o zoólogo Richard Dawkins, da Universidade de
Oxford, na Inglaterra.
Não demorou para virem células mutantes ainda mais terríveis contra as rivais. Elas tinham
o poder de juntar forças com outras células e atacar unidas. E de fazer cópias de si mesmas numa
tacada só, como se todas fossem uma única molécula. Surgiam os primeiros seres multicelulares.
E eles ficaram cada vez mais complexos: suas células passaram a assumir funções distintas
para operar sua máquina de sobrevivência. Faziam como soldados num tanque de guerra: umas
ficavam a cargo da locomoção, na forma de nadadeiras; outras, dos “satélites” para encontrar
comida (visão, olfato).
E o progresso nunca parou. Tanto que hoje boa parte dos replicadores vive em “robôs”
imensos, feitos de milhares de trilhões de células. Agora os chamamos de genes, e eles estão
dentro de nós. Somos sua máquina de sobrevivência.
Sangue do meu sangue
Você é uma máquina de sobrevivência dos seus genes, que o usam para se reproduzir. Ok.
Mas o que aconteceria se esses genes tivessem construído um cérebro capaz de detectar cópias
deles em outro corpo? O seguinte: eles também lutariam pela sobrevivência desse corpo. Fariam
você se sentir aliviado com bem-estar dele.
O fato é que os genes construíram esse sistema de detecção. Todos os cérebros têm isso
em algum grau. E o altruísmo puro é exatamente o que acontece quando dois animais são
parentes próximos.
Existe uma chance em duas de que qualquer um dos seus genes esteja no seu irmão ou no
seu filho. E 1 em 8 de que esteja em um primo. Sendo assim, o que o neodarwinismo diz é: você
não “ama” seus filhos e irmãos. São seus genes que vêem neles maneiras de se perpetuar. E é por
isso que você os ajuda. O geneticista John Haldane (1892-1964), um dos pioneiros do
neodarwinismo, quis deixar isso claro quando lhe perguntaram se ele daria a vida por um irmão. A
resposta: “Não. Mas daria por 2 irmãos ou 8 primos”.
O mesmo vale para quando nos apaixonamos. Se você ama alguém, quer ter filhos com
essa pessoa, quer colocar seus replicadores ali e se esfolar para cuidar dos rebentos. Aí, para o
futuro dos genes, sua vida só faz sentido se aquela pessoa existir. E o sentimento é tão poderoso
que parece eterno enquanto dura.
Outra coisa que determina a hierarquia entre parentes é a expectativa de que eles se
reproduzam. Daí os pais se sacrificarem mais pelos filhos do que os filhos pelos pais.
A evolução do Universo
Falando em lado de fora, e o lado de fora? A evolução seria um fenômeno circunscrito à vida
na Terra ou algo universal, como as leis da física? O físico Lee Smolin, do Perimeter Institute, no
Canadá, fica com a opção número 2.
Smolin mandou as regras de Darwin para o espaço. Literalmente: criou uma teoria que
aplica a seleção natural ao Universo inteiro. E foi além. Para ele (e outros físicos), nosso Universo
é só mais um entre bilhões e bilhões. Todos juntos num Cosmos imensurável que podemos
chamar de Multiverso. Nesse cenário, os universos são os indivíduos, os replicadores. Cada um
lutando para fazer mais e mais cópias de si mesmo.
Bom, este Universo aqui começou quando toda matéria, tempo e espaço que conhecemos
estavam espremidos em algo infinitamente pequeno. Esse pontinho explodiu no “dia” do big-bang,
há 13,7 bilhões de anos, e agora estamos aqui. Mas tem uma coisa: existem alguns lugares no
Universo em que tudo também está espremido desse jeito agora mesmo. São os buracos negros,
que sugam tudo o que está à volta deles, inclusive tempo e espaço. Por isso, Smolin imagina que
dentro de cada buraco negro há um big-bang acontecendo. E os buracos seriam como “gametas”
cósmicos: dariam à luz novos universos, parecidos com o “pai”. Então Smolin considera que as
“espécies” mais bem-sucedidas no Multiverso são justamente as que produzem mais buracos
negros – a “prole” delas vai ser seguramente maior.
Lembre-se que buracos negros são estrelas mortas. E daí? Daí que, quanto maior for o
número de estrelas, maior vai ser o de “gametas”. Mais: as nuvens de matéria onde as estrelas
nascem precisam ser bem frias (por motivos que só teríamos como explicar com uma página
inteira, e bem chata). Bom, e sabe que tipo de coisa é o que há de melhor para esfriar essas
nuvens cósmicas? Moléculas de carbono. Elas mesmas, as que deram o pontapé inicial na vida por
aqui. Quanto mais delas houver por aí, mais “filhos” um Universo vai gerar. E nós, os descendentes
dessas moléculas, seríamos um mero subproduto da verdadeira seleção natural, a do Cosmos.
Parece desolador, mas, se for isso mesmo, podemos nos orgulhar de saber que as leis de Darwin
governam tudo isso.
Ou até mais do que isso. Baruch Spinoza, um filósofo holandês do século 17, defendia que
Deus e Universo são apenas dois nomes para uma coisa só; que o Criador não é exatamente um
criador, mas a grande regra que move o Cosmos. Se você gosta desse ponto de vista (Albert
Einstein gostava) pode dizer tranqüilamente: Charles Darwin não matou Deus.
Só descobriu onde ele estava.

Aula 39: À procura de coisas belas: fotos
com celular?
De nossa experiência, observamos que metade da turma não presta atenção às obras de
arte apresentadas (é preciso ter um sentido estético desenvolvido ou, em nosso entendimento,
uma percepção ampla ou como diz o ditado “enxergar um palmo além do próprio nariz”),
ultrapassando nossos desejos habituais, algo raro como o diamante. O que é paradoxal, pois os
jovens têm uma mente nova, aberta a novas experiências!
O que fazer, então? Uma ida a um museu? Uma Bienal? Propomos uma tarefa prática: pedir
que os alunos vão ao pátio da escola recolher objetos que acreditam ser belos. Depois, em aula
faremos uma exposição e pediremos que justifiquem, digam por quê o objeto é belo e definam o
que é a beleza? È ela uma arma? A arte muda o mundo?

Aula 40: De que são feitas as coisas?
Uma aula expositiva embora difícil de realizar (os adolescentes de hoje têm aversão ao
diálogo com adultos), é necessária.
Podemos começar a aula perguntando: de que são feitas as coisas. Dirão os alunos, muito
provavelmente, que são feitas de moléculas e, estas, de átomos, dirão eles, com aquela expressão
de completa sabedoria que todo adolescente tem e de reprovação pelo fato do professor
importuná-los com algo tão óbvio... Convém não esquecer que já fomos assim e muitos de nós
continua acreditando nisso ainda hoje! Mas, esta resposta é deles, realmente ou foi dada por outro
adulto? Alguém viu por si mesmo uma molécula ou um átomo? Ouvimos dizer, sim, como quando
ouvimos dizer que a Bíblia é a palavra de Deus, não porque tenhamos sido testemunhas disso,
mas porque alguém ouviu de outro que ouviu de outro que... Deus lhe disse pessoalmente. A
dúvida é a primeira etapa de um método de investigação.
Vamos mais longe: e os átomos, de que são feitos? Prótons, nêutrons e elétrons. E estes?
Podemos citar as descobertas da Física: os quarks, os mésons, os bósons, etc. E não seriam cada
um desses elementos cumes de uma cadeia interligada de montanhas (a foto mostra átomos de
Xenônio fotografados por um microscópio onde os átomos parecem picos, ligados na base). Aqui,
podemos debater também se o vazio é algo real ou apenas uma porção do universo que não
enxergamos, como uma sala aparentemente vazia, mas cheia de ar. E o espaço? Vazio ou
preenchido por algum elemento invisível, como o éter, de eterno, sugerido por alguns pensadores
antigos (à espera de um instrumento óptico mais aprimorado que o perceba)? Um pouco de poesia:
não dirão os peixes que há vazio a sua volta? Não somos como peixes em um aquário ou em uma
lagoa?
Outra questão filosófica importante: algum dia vai chegar ao fim esta investigação ou sempre
encontraremos algo ainda menor, como as matrioshkas russas, bonecas que dentro trazem
bonecas quase idênticas, mas menores? Como nesta idade eles são muito sensíveis (emocionais,
mas também sensório-motores, isto é, precisam tocar nos objetos) podemos confeccionar um
objeto (ou os próprios alunos) que tem outros dentro de si, porém menores: pode ser vestir roupas
uma por cima da outra, esferas com outras dentro ou “matrioshkas”, ora bolas!
Uma foto de átomos, feita pela IBM, com um microscópio eletrônico mostra que os
átomos não estão realmente separados, mas parecem cadeias de montanhas, onde apenas vemos
o cume!

Decifre o código
1- Em + o
2- volta completa da Terra ao redor do sol
3- 600 aC
4- em +a
5- região onde vive o povo citado na expressão: “contentar ____e troianos” ou “isto é
um presente de _____”
6- letra que vem depois de “r” + o verbo “urgir” no pretérito perfeito do indicativo, 3
a

pessoa do singular
7- artigo definido, feminino
8- classe de seres vivos + título do livro “O mundo de _______” (nome feminino que
significa sábia ou sabedoria)
9- primeiro filósofo, um teorema da matemática leva seu nome.
10-verbo “ver”, no pretérito imperfeito do indicativo, 3
a
pessoa singular
11- símbolo do óxido de enxofre, mas invertido
12- 0,1,2,3,4,5,6,7, são uma seqüência de ___?
13- preposição que indica lugar (dentro de)
14- feminino de todos
15- artigo definido feminino plural
16- um dos heróis do quarteto fantástico, feito de pedra (passar para o plural)
17- Talião sem iaô + es
18- verbo “ver”, no pretérito imperfeito do indicativo, 3
a
pessoa singular
19- artigo definido feminino, singular
20- mineral que compõe 70% dos nossos corpos
21- comer no presente indicativo, 1
a
pessoa, singular
22- artigo definido masculino, singular
23- “L” + menta (masculino, se existisse)
24- contrário de supérfluo
25- Anarquia sem “rquia” + táxi sem “ta” + mandar sem “dar” + dromedário sem
“medário”21- verbo “ver”, no pretérito imperfeito do indicativo, 3
a
pessoa singular
26- artigo definido, masculino, singular
27- no vácuo não há .....?
28- preposição que indica lugar (dentro de)
29- onipotente é um ser ______poderoso.
30- “place” em português é.....
31- a banda ____passou (há minutos atrás) (2 letras)
32- preposição que indica lugar (dentro de) + parte inferior do corpo humano (2 letras)
+ sentir a dor do outro (2 letras) + bicicleta sem o “bici” e o “ta” + a letra “s”
33 – verbo da frase “o goleiro d________ o pênalti”, no pretérito imperfeito do
indicativo, 3
a
pessoa do singular
34- conjunção integrante
35- chamamos os bombeiros quando há ___(4 letras) , _____mineral com gás ou sem,
nome do planeta________ e: há ___rarefeito no topo do Everest
36- verbo que forma a palavra constituição, no presente do indicativo, terceira pessoa
do plural.
37- feminino de todos
38- artigo definido feminino plural
39- um dos heróis do quarteto fantástico, feito de pedra (passar para o plural)

Resposta: No ano de 600 antes de Cristo, na região Grécia surgiu a filosofia. Pitágoras via os números em todas as coisas;
Tales via a água como o elemento fundamental; Anaximandro, o ar em todo lugar; já Empédocles, defendia que fogo, água, terra e
ar constituem todas as coisas.

Devemos incentivá-los a pensar nos efeitos de cada teoria: (a) se há um primeiro elemento
indivisível quem os fez? Existiu eternamente? (b) se não há, como pôde ter existido o universo?
Podemos sob a forma de cartões, como um jogo de SUPERTRUNFO, mostrar aos alunos os pré-
socráticos e pedir-lhes que ajudem os pensadores a defender suas teorias: como podemos ajudar
Tales e sua crença de que tudo é feito de água, Pitágoras, tudo é feito de números (nossos
documentos que o digam, carteira de identidade, registros funcionais, senhas bancárias, etc),
Anaximandro, tudo é feito de algo invisível, Anaxímenes, de ar, Empédocles (fogo, terra, ar e
água). Podemos propor um debate ou até um julgamento onde uma parte da turma critica uma
teoria, enquanto outra a apóia.

Aula 41: Qual a sua opinião sobre de que
são feitas as coisas?
Pedir que os alunos exponham a sua teoria sobre de que são feitas as coisas,
sob a forma de dez (10) motivos claramente apresentados. Deverão dizer se há
vazio, se há elementos fundamentais indivisíveis, etc, abordando os conteúdos
expostos. Para concluir esta reflexão podemos realizar um tribunal onde um grupo
defenda um elemento fundamental e outro grupo defenda outro elemento
fundamental. Ou, então, um grupo defenda que há elementos fundamentando todas
as coisas.
Aula 42: Há um mundo eterno? Estudo de
Platão.
Quando se estuda o mito da caverna de Platão não se fala, em geral, aos alunos do que ele
trata: há quem relacione aos dias de hoje, a alienação das pessoas das questões e problemas
sociais, o que é algo positivo e, há alunos que pensam que se trata de uma história real que explica
como viviam os homens antigos que foram escravizados. O que acontece é que ainda que o
primeiro ponto de vista seja uma comparação muito interessante, ainda assim, não revela o que
Platão queria dizer.
Como abordar um dos mais difíceis temas filosóficos? No primeiro ano de ensino de filosofia
para adolescentes, mostramos para eles a questão platônica de saber se há neste mundo físico,
material, círculos perfeitos ou linhas retas. Muitos deles se voluntariaram para trazer microscópio,
outros iam mandar e-mails para oftalmologistas depois que surgiu uma dúvida se os olhos
humanos não seriam exemplos de esferas perfeitas, mas, o entusiasmo logo arrefeceu, talvez
porque eles sejam movidos pela expectativa de ganhar notas. De qualquer modo, este exemplo
seria apenas um para tentar provar a existência de dois mundos. No século XVI, René Descartes
reutilizou o argumento da perfeição (embora nada a nossa volta seja perfeito) e, além dele,
argumento de que trazemos em nós a idéia de infinito (embora nada a nossa volta seja infinito). De
onde tiramos estas idéias, então, perguntou ele? Seriam marcas de Deus em nossa mente.
Imaginamos uma aula arqueológica. No dia anterior o professor dá aos alunos um mapa de
onde estaria enterrada uma urna de madeira com um texto antigo com algumas revelações (pode-
se usar letras gregas, mas palavras em linguagem compreensível) . Neste texto poderá estar
escrito: “Não há neste mundo nada perfeito e nada infinito. Nem um círculo é perfeito, nem uma
linha reta sequer. O reino das coisas perfeitas está no reino dos céus. Tudo que te cerca é ilusão
ou imitação do mundo divino. Quem não concordar é um prisioneiro de uma caverna”.

“Ναο Ηά ηεςτε Μµηδο ηαδα Ρεrfειτο ε ηαδα
Ιηfιηιτο. Νεµ uµ kírkυλο έ pεrfειτο, ηεµ uµα
λιηhα έ pεrfειτα. Ο λugαr δας cοιςας pεrfειτας
έ o rειηο δος kέuς. Τuδο quε τε cεrcα έ ιλuςαο
οu iµιταçαο δο µuηδο ∆ιυιηο. Quεµ ηαο
koηkorδαr έ uµ prιςιοηειrο δε uµα kαvεrηα”
(Ρλαταο)

Uma questão que propusemos em aula: vemos o mundo como ele é? A resposta quase em
uníssono foi: sim. Mas, perguntei, vemos as moléculas e os átomos? Resposta geral: não. Então,
continuei, a imagem da árvore é apenas uma parte do que aquilo lá fora é.
Encontramos na internet uma explicação sucinta do mito da caverna: “PLATÃO COM SUA
METÁFORA DO MITO DA CAVERNA SAI DAS SOMBRAS (OPINIÃO) E VAI À LUZ DA RAZÃO,
DEPOIS VOLTA E CONVENCE OS SEUS”.

Aula 43: Platão e o mito da caverna.
Há, também, uma história em quadrinhos que associa a teoria à alienação das pessoas que
assistem excessivamente à televisão.
Leitura de trechos do texto, histórias em quadrinhos feitas a partir do livro de Platão.
Reflexão dos motivos que fizeram o autor escrever esta história: mostrar os dois mundos, destacar
a alienação de seus contemporâneos em relação às questões fundamentais da vida. E hoje em
dia? Por que nos tornamos passivos e preferimos ver a vida através da tevê? Mas, é a tevê a
grande vilã? Que outras experiências cotidianas lembrariam a vida dentro da
caverna, no mito de Platão? A publicidade, ela nos faz querer algo que não queremos? Os
enganos dos sentidos? Nossos preconceitos?

Aula 44: Desenhe Deus, a alma e destino.
Ao pedir este exercício queremos provocar no aluno que ele manifeste suas crenças e pense
sobre as origens delas: vieram de sua religião (desenhará um velho simpático barbudo, sentado
em um trono?), de seus pais, de um aprendizado pessoal independente (desenharia o mundo,
efeito de uma inteligência universal e causa primeira ou representará como um vazio na folha ou
uma cor brilhante e cegante)? Ou, ambos, como um evento sucedendo o outro ou simultâneos? É
o mundo co-eterno com um Deus ou, de acordo com o panteísmo, como o dos estóicos, o cosmos
é Deus, do contrário, como escreveu Origens, antes do mundo Deus não seria tão poderoso como
veio a ser posteriormente ou, nas palavras de Santo Agostinho, sobre o que Deus fazia antes de
criar o mundo: preparava o inferno para quem faz este tipo de pergunta? Ele é o que há de mais
simples: mais simples que uma bactéria? Como um mundo imperfeito pode sair de algo perfeito? E
o mundo veio do nada ou, como acreditava São Tomás de Aquino: não se trata de uma causa
material, uma fonte de onde tudo saiu, mas uma causa eficiente, isto é, antes não havia nada e
Deus criou o mundo a partir de uma emanação (transbordamento) de Si mesmo, tese que se
assemelha a de Escoto Eriúgena, da teofania – o mundo é Deus que se torna finito, pois, somente
assim, Ele pode conhecer a si mesmo.
Vejamos algumas teses com mais atenção:

As 5 provas de São Tomás de Aquino:
(1
a
) é preciso que exista um primeiro motor (tese aristotélica) que ponha todas as
coisas em movimento, pois podemos dizer que eu me movo porque eu fiz um esforço
para vencer a gravidade meus pés, mas sem gravidade tampouco me moveria
sozinho. E a Terra, não precisa da gravidade do sol? E o sol, da galáxia? E a Via-
Láctea? E o universo inteiro com todas as galáxias? Deve haver um Deus que põe
todas estas coisas em movimento;
(2
a
) há no mundo uma série de causas sem que seja possível que uma coisa seja
a causa de si mesma – ninguém se pôs no mundo, viemos de nossos pais e mães e
eles de seus pais e nossos avós de nossos bisavós e, gerações antes, dos homens
das cavernas e, eles por sua vez, de mamíferos que mal ficavam em pé e, eles, de
mamíferos quadrúpedes e eles de répteis, anfíbios, peixes, até seres unicelulares e
antes... Deus?;
(3
a
) há coisas que poderiam não existir, que nascem e morrem. É preciso que
Deus exista para dar origem às coisas contingentes (temporárias) como nós todos,
mortais;
(4
a
) todas as coisas se organizam em graus, assim como o fogo é o grau máximo
do calor (na época de Aquino) ou na fusão nuclear na superfície do sol ou, maior, em
certos experimentos que nós realizamos na Terra, com plasma que atinge 10
12
(1
trilhão) de Kelvin, também, entre os seres haveria graduação: desde os vegetais,
animais, seres humanos, anjos até Deus;
(5
o
) há objetos que ainda que não tenham inteligência possuem um movimento
que visa a alguma finalidade e esta inteligência e este fim é Deus. Aqui, como mais
tarde em Leibniz, Aquino crê que a força da gravidade (até hoje uma questão não
resolvida – para Aristóteles são as coisas que se movem, para Newton, os objetos se
atraem, mesmo separados pelo vazio e, para Einstein, os corpos deformam o espaço
vazio a sua volta) seja prova desta inteligência superior.

E a alma, como a desenharia? Uma aura ao redor do corpo? Um espírito localizado em
alguma parte da cabeça? E as assombrações ou o próprio destino, uma força invisível que nos
empurraria em alguma direção preestabelecida ou escrita no livro do universo? Aliás, quando se
fala de alma se diz que ela é uma força sutil, mais sutil que o vento; mas, então, como é possível
algo mais fraco que o vento (como uma brisa) nos empurrar? Do que sabemos, só um furacão
mudaria nosso rumo! Uma oportunidade que se pode aproveitar nesta aula: torna-la uma
“vernissage” (uma exposição de arte, uma pré-estréia) com a exposição dos trabalho dos alunos
para ouvir a opinião dos alunos e, se necessário, a opinião do professor.
E as fotos de auras (foto kirlan), revelariam a alma? Mas se as pedras também têm aura,
têm elas alma?

Podem citar as diversas teorias filosóficas:
- passando por Aristóteles (a alma é a forma do corpo, pois ela não pode ocupar o mesmo
lugar que o corpo)
- Orígenes defendeu a tese de que Deus e o mundo são co-eternos, pois se existisse
Deus sem o mundo, criado depois de Deus, então, Deus não teria sido,antes da criação do mundo,
tão poderoso quanto veio a ser depôs da criação;Deus teria sofrido uma mudança, algo não
aceitável para um Deus!
- até Descartes (a alma não é a fonte da vida, pois, se fosse, ela seria culpada pela morte do
corpo, pois o que é a morte? É quando aquilo que mantém o corpo vivo, abandona-o? É a alma
que o abandona? Ou são os órgãos do corpo que falham?) e pedir que eles apresentem
argumentos contrários ou a favor delas.
Ou estaria certo Demócrito quando disse que era o corpo que deveria processar a alma no
tribunal por maus tratos?
- a aposta de Pascal: ARTIGO II

Livro: PENSAMENTOS (ART. II, O QUE É MAIS VANTAJOSO: ACREDITAR OU NÃO
ACREDITAR NA RELIGIÃO CRISTÃ?)
Nossa alma está lançada no corpo, no qual acha número, tempo, dimensões. Raciocina
sobre isso e lhe dá o nome de natureza, necessidade, sem poder acreditar em outra coisa.
A unidade agregada ao infinito em nada o aumenta, do mesmo modo que um pé a uma
medida infinita. O finito se aniquila em presença do infinito e se torna um simples zero. Assim o
nosso espírito diante de Deus; assim a nossa justiça diante da justiça divina.
Não há tão grande desproporção entre a nossa justiça e a de Deus como entre a unidade
e o infinito.
É preciso que a justiça de Deus seja enorme como a sua misericórdia: ora, a justiça para
com os réprobos é menos enorme e deve aliviar menos do que a misericórdia para com os
eleitos.
Sabemos que há um infinito e ignoramos a sua natureza, assim como sabemos que é
falso que os números sejam finitos; é, pois, verdade que há um infinito em número, mas não
sabemos o que ele é. É falso que seja par, é falso que seja ímpar; porque, acrescentando-lhe a
unidade, ele não muda de natureza: no entanto, é um número, e todo número é par ou é ímpar;
isso é verdadeiro para todos os números finitos.
Pode-se, pois, saber que existe um Deus sem saber o que ele é.
Conhecemos, pois, a existência e a natureza do finito, porque somos finitos e extensos
como ele.
Conhecemos a existência do infinito e ignoramos sua natureza, porque ele tem extensão
como nós, mas não tem limites como nós. Não conhecemos, porém, nem a existência nem a
natureza de Deus, porque ele não tem extensão nem limites.
Mas, pela fé, conhecemos sua existência; pela glória, conheceremos sua natureza. Ora,
já mostrei que não se pode conhecer bem a existência de uma coisa sem conhecer a sua
natureza.
Falemos, agora, segundo as luzes naturais.
Se há um Deus, ele é infinitamente incompreensível, de vez que, não tendo nem partes
nem limites, nenhuma relação possui conosco: somos, pois, incapazes de conhecer não só o
que ele é, como também se ele é. Assim sendo, quem ousará empreender resolver essa
questão? Não somos nós, que nenhuma relação temos com ele.
Quem, pois, censurará os cristãos por não poderem dar satisfação de sua crença, eles
que professam uma religião de que não podem dar satisfação? Expondo-a ao mundo, eles
declaram que isso é uma tolice, stultitiam. No entanto, vós vos lastimais porque eles não a
provam! Se a provassem, faltariam à sua palavra; é por não terem provas que não lhes falta o
senso. Sim; mas, embora isso escuse os que assim a oferecem e os livre da censura de
produzi-la sem razão, não escusa os que a recebem.
Examinemos, pois, esse ponto, e digamos: Deus é, ou não é. Mas, para que lado
penderemos? A razão nada pode determinar ai. Há um caos infinito que nos separa. Na
extremidade dessa distância infinita, joga-se cara ou coroa. Que apostareis? Pela razão, não
podeis fazer nem uma nem outra coisa; pela razão, não podeis defender nem uma nem outra
coisa.
Não acuseis, pois, de falsidade os que fizeram uma escolha, pois nada sabeis disso.
"Não: mas, eu os acusarei de terem feito, não essa escolha, mas uma escolha; porque, embora
o que prefere coroa e o outro estejam igualmente em falta, ambos estão em falta: o justo é não
apostar".
Sim, mas é preciso apostar: isso não é voluntário; sois obrigados a isso; (e apostar que
Deus é, é apostar que ele não é). Que tomareis, pois? Vejamos, já que é preciso escolher,
vejamos o que menos vos interessa: tendes duas coisas que perder, o verdadeiro e o bem, e
duas coisas que empenhar, vossa razão e vossa vontade, vosso conhecimento e vossa
beatitude; e vossa natureza tem duas coisas que evitar, o erro e a miséria. Vossa razão não é
mais atingida, desde que é preciso necessariamente escolher, escolhendo um dentre os dois.
Eis um ponto liquidado; mas, vossa beatitude?
Pesemos o ganho e a perda, preferindo coroa, que é Deus. Estimemos as duas
hipóteses: se ganhardes, ganhareis tudo; se perderdes, nada perdereis. Apostai, pois, que ele
é, sem hesitar. Isso é admirável: sim, é preciso apostar, mas, talvez eu aposte demais.
Vejamos. Uma vez que é tal a incerteza do ganho e da perda, se só tivésseis que
apostar duas vidas por uma, ainda poderíeis apostar. Mas, se devessem ser ganhas três, seria
preciso jogar (desde que tendes necessidade de jogar) e seríeis imprudente quando, forçado a
jogar, não arriscásseis vossa vida para ganhar três num jogo em que é tamanha a incerteza da
perda e do ganho. Há, porém, uma eternidade de vida e de felicidade; e, assim sendo, quando
houvesse uma infinidade de probabilidades, das quais somente uma fosse por vós, ainda teríeis
razão em apostar um para ter dois, e agiríeis mal, quando obrigado a jogar, se recusásseis
jogar uma vida contra três num jogo em que, numa infinidade de probabilidades, há uma por
vós, havendo uma infinidade de vida infinitamente feliz que ganhar. Mas, há aqui uma infinidade
de vida infinitamente feliz que ganhar, uma probabilidade de ganho contra uma porção finita de
probabilidades de perda, e o que jogais é finito. Jogo é jogo: sempre onde há o infinito e onde
não há infinidade de probabilidades de perda contra a de ganho, não há que hesitar, é preciso
dar tudo; e, assim, quando se é forçado a jogar, é preciso renunciar à razão, para conservar a
vida e não arriscá-la pelo ganho infinito tão prestes a chegar quanto a perda do nada.
Por conseguinte, de nada serve dizer que é incerto ganhar-se e que é certo arriscar-se, e
que a infinita distância entre a certeza do que se expõe e a incerteza do que se deve ganhar
iguala o bem finito, que certamente se expõe, ao infinito incerto. Não é assim: todo jogador
arrisca com certeza para ganhar incertamente o finito, sem pecar contra a razão. Não há
infinidade de distância entre essa certeza do que se expõe e a incerteza do ganho; isso é falso.
Há, na verdade, infinidade entre a certeza de ganhar e a certeza de perder. Mas, a incerteza de
ganhar é proporcional à certeza do que se arrisca, segundo a proporção das probabilidades de
ganho e de perda; de onde se conclui que, havendo tantas probabilidades de um lado como do
outro, a aposta deve ser igual; e, então, a certeza do que se expõe é igual à incerteza do
ganho; bem longe está de ser infinitamente distante. E, assim, a nossa proposição é de uma
força infinita, quando há o finito que arriscar num jogo em que há tantas probabilidades de
ganho como de perda, e o infinito que ganhar. Isso é demonstrativo; e, se os homens são
capazes de algumas verdades, essa é uma delas.
Eu o declaro e o confesso. Mas, não haverá ainda um meio de ver o segredo do jogo?
Sim, a Escritura, e o resto, etc.
Sim; mas, tenho as mãos atadas e a boca muda; forçam-me a apostar, e não estou em
liberdade; não me soltam, e sou feito de tal maneira que não posso crer. Que quereis, pois, que
eu faça?
É verdade. Mas, conhecei ao menos a vossa impotência para crer, já que a razão a isso
vos conduz, e que todavia não o podeis; trabalhai, pois, não para vos convencerdes pelo
aumento das provas de Deus, mas pela diminuição das vossas paixões. Quereis chegar à fé,
mas ignorais o caminho; quereis curar-vos da infidelidade, mas pedis os remédios: aprendei
com os que estiveram atados como vós e que apostam agora todo o seu bem; são pessoas que
se curaram do mal de que desejais curar-vos. Segui a maneira pela qual começaram: fazendo
como se acreditassem, tomando água benta, mandando dizer missas, etc. Naturalmente, isso
vos fará crer e vos embrutecerá. Mas, é o que receio. E porquê? que tendes que perder?

Ou, ainda: como duas coisas tão diferentes estariam ligadas: alma e corpo, há uma cola
universal que os agrupa? E o perispírito dos espíritas, de que é feito para colar corpo e alma? Ele
não teria que ser feito de ambos ou um pouco de cada? Mas, o que ligaria estas suas duas partes:
mortal e eterna? Não parece água e óleo? Não seria mais correto pensar que alma e corpo são
graus de uma mesma substância?
Podemos citar a tese de Guilherme de Ockham (“a navalha de Occam”): "a
explicação mais simples é normalmente a mais correta".

Questões científicas podem ser, também, abordadas: quando ocorre a morte (fim do
funcionamento cerebral?), quando surge a vida, união espermatozóide com o óvulo?, somos os
mesmos apesar de a cada sete anos nossas células serem substituídas?

E por que não falar sobre o livro “Mênon”, de Platão que recorda o diálogo em que Sócrates
apresenta a teoria da reminiscência de que a alma de todos traz consigo o conhecimento divino
que contemplou antes de vir para o corpo? Para provar isto Sócrates chama um escravo e pede-
lhe que resolva um problema matemático, ainda que nunca tenha freqüentado a escola: “qual é a
área de um quadrado de 2 pés?”. O escravo responde: “duas vezes dois pés dá quatro”. Esse uma
figura for o equivalente a duas áreas da primeira, pergunta Sócrates? O escravo: “terá oito pés.
Então, Sócrates o corrige: “são 16, não 8!””. E este erro, explica, decorre do fato da alma demorar a
se lembrar do que ela já sabia. Depois, ele pediu ao escravo que identificasse qual é o tamanho do
lado de um quadrado de oito pés de área e o escravo responde”3”, errando novamente, pois 3
vezes três são nove e não oito. Prosseguindo na investigação Sócrates divide um quadrado de 16
pés de área (4 vezes 4) em quatro figuras, desenhando uma diagonal que passa por cada uma
delas de modo que um novo quadrado foi desenhado dentro daquele primeiro, de 16 pés, cujo
lado, agora, é de 8 pés, quantidade procurada pelo escravo.



2x2=4







Área 8?


4x4 = 16


3x3= 9




Outro assunto muito atual: como superar a batalha entre o darwinismo e o
criacionismo? Qual está certo? O darwinismo defende que os mamíferos
vieram dos répteis, estes dos anfíbios, aqueles dos peixes, mas parece haver
lacunas entre cada grupo de animais. Se descendemos de um ancestral comum com
gorilas, chimpanzés, orangotangos, por que tal ancestral não existe mais? Porque os
fósseis são raros? E os fetos de diferentes animais parecem no início da vida
idênticos, prova da teoria da evolução? Há espécies (saímos de uma mesma
fôrma?). Uma prova da seleção natural não seriam os embriões parecidos de diferentes
animais, como peixes, salamandras, tartarugas, galinhas, porcos, bois, coelhos e homens?
Há um texto muito interessante sobre a experiência espiritual da atriz Maitê Proença que
não encontrou Deus em uma religião, mas a partir do nascimento da sua filha:

Maitê Proença - Revista Época nº 397
Deus surgiu na minha vida aos 6 anos de idade, e chegou junto com o pecado. Filha de pais
ateus, até então, eu não havia sido apresentada a uma coisa nem outra. Um dia colocaram-me
num colégio de freiras no qual rapidamente fui atualizada sobre essas questões importantes da
vida. Ali aprendi que algumas faltas eram mais graves que outras.
Matar, por exemplo. Mas eu nunca matei ninguém…
Ah, é? E, quando você caminha, o que acontece com todas aquelas formigas que vão sendo
pisoteadas? Assustada, passei meses andando de cabeça baixa para evitar tamanho pecado.
Trocaram-me de colégio. Passou-se um ano, e surgiu o assunto da primeira comunhão.
Você não vai fazer?
Não sei, o que é isso?
É para Deus te perdoar dos pecados.
Ahn…
Em casa, minha mãe tirava dúvidas a sua maneira: Deus é como Papai Noel, só existe para
quem acredita nele. E ela sabia que eu já não acreditava. Assim, pulamos a primeira comunhão.
Aí minha mãe morreu, meu pai pirou, e por coincidência fui parar numa hospedaria para filhos
de missionários luteranos americanos, espalhados pelo Brasil.
Ali se rezava antes de cada refeição, e, à noite, por uma hora de fervor, cantavam-se hinos de
louvor a Cristo.
Éramos 30 meninas e meninos, de 5 a18 anos, cuidados por um casal que viera de Minnesota
com a missão de manter a fé daqueles pirralhos custasse o que custasse.
Meu caso deu certo trabalho.
Eu não fazia parte da turma, não tinha fé alguma, e era imprescindível integrar-me às crianças
cristãs antes que elas se integrassem a meus modos pagãos.
Acontece que aquela gente era muito boa, e eu andava numa carência infinita.
Então, com o amor que me dedicaram, demorou pouco para que eu me bandeasse de armas
e bagagem, pensamentos e espírito para onde a seta luterana apontava.
Aos 16, cansei dessa vida, discuti com o responsável da hospedaria e fui bater na porta de
uma igreja Católica.
Você é padre, não é? Pois eu sou órfã, e não tenho onde morar.
Padre Xico me convidou para morar na torre da igreja, e ali me instalei por um par de anos.
No térreo ficava a sala de estar. O sacerdote morava no 1º andar, o segundo piso servia para
hospedar bispos e monsenhores, e no terceiro ficava meu quarto.
Certa vez aconteceu um show do Vinicius e Toquinho na cidade, e eu fui conferir.
Ao final do espetáculo, fui cumprimentar os artistas, e Toquinho se ofereceu para me levar em
casa. Quando pedi que estacionasse na porta da igreja, o moço não entendeu nada.
Você mora com o padre?Moro.
E você dá para o padre?
Não, o padre é casto, e eu sou virgem - não dou para ninguém.
As segundas intenções que levaram Toquinho a me acompanhar, tão gentilmente, até minha
casa morreram ali. Anos depois, já atriz, eu contei essa história para ele, e ambos demos boas
risadas.
A vida foi seguindo. Levou-me para a Europa…
…e dali para a Ásia, numa peregrinação que duraram dois anos. Eu ia a pé, de carona, como
desse - e ia conhecendo bem a gente local. Quando se viaja pobre, precisa-se das pessoas, da
generosidade delas, de suas gentilezas.
Nessa troca diária em que eu também tinha de estar disponível, conheci muita gente boa e
simples. E gente simples tem religião. Pelas pessoas, e não por interesse em suas crenças, fui
novamente levada a Deus.
Agora Ele ganhava várias faces, e as formas de louvá-Lo eram múltiplas e sempre muito
fervorosas. Assim, fui percebendo que Deus não dava a mínima se a gente queria chamá-lo de
Buda, Maomé, Oxalá ou Jesus.
Deus não cabia numa caixinha, nem na minha compreensão, e isso de certa forma me
confortava. Então, quando mais tarde a vida apertou e minhas pessoas começaram a morrer muito
pela segunda vez - amigos, meu pai e meu irmão se mataram - e minha solidão precisava de um
amor sobrenatural para sará-la, lembrei de Deus, e fui procurá-lo.
Quando encontrei, Ele era um Deus maduro e generoso, que me curou por inteiro, e, como
que para me separar definitivamente de todo mal, ainda me deu uma filha de presente.
Eu que tentava havia dez anos, sem nenhum problema físico, só consegui engravidar quando
virei uma pessoa completa, ou seja, de espiritualidade plena.
Não vou contar, porque não cabe aqui, como se deram os milagres de minha vida, mas esse
de minha filha aconteceu exatamente nessas circunstâncias. O Deus que hoje reconheço é doce,
tolerante, compreensivo e infinitamente bom. É Ele quem me orienta e me encaminha todos os dias
em cada momento.
Olhando para trás e lembrando de tantas ocasiões em que poderia ter desistido de tudo, mas
não o fiz, percebo que sempre houve um clarão no fim de cada túnel, e que essa luz dava sentido a
todos os aspectos e minha caminhada.
Antes, apenas, eu não sabia que a luz tinha um nome. Hoje eu sei.



Aula 45: Há livre-arbítrio?
Nesta aula propomos estudar as divertidas leis de murphy ou variações dela. Segundo a
Wikipédia, a lei de Murphy é “oriunda do resultado de um teste de tolerância à força “g” (gravidade)
por humanos, feito pelo engenheiro aeroespacial norte-americano Edward A. Murphy. Ele deveria
apresentar os resultados do teste; contudo, os sensores que deveriam registrá-lo falharam
exatamente na hora”. Acreditamos que assim poderemos abordar uma questão relevante e árdua -
se somos ou não livres - de um modo mais fácil.
As 100 melhores Leis de Murphy
1. Se alguma coisa pode dar errado, dará. E
mais, dará errado da pior
maneira, no pior momento e de modo que cause
o maior dano possível.

2. Um atalho é sempre a distância mais longa
entre dois pontos.

3. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil
quanto a explicação do
manual.

4. Tudo leva mais tempo do que todo o tempo
que você tem disponível.

5. Se há possibilidade de várias coisas darem
errado, todas darão - ou a que
causar mais prejuízo.

6. Se você perceber que uma coisa pode dar
errada de 4 maneiras e conseguir
driblá-las, uma quinta surgirá do nada.

7. Seja qual for o resultado, haverá sempre
alguém para:
a) interpretá-lo mal. b) falsificá-lo. c) dizer que já
o tinha previsto em
seu último relatório.

8. Quando um trabalho é mal feito, qualquer
tentativa de melhorá-lo piora.

9. Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em
série.

10. Toda vez que se menciona alguma coisa: se
é bom, acaba; se é ruim,
acontece.

11. Em qualquer fórmula, as constantes
(especialmente as registradas nos
manuais de engenharia) deverão ser
consideradas variáveis.

12. As peças que exigem maior manutenção
ficarão no local mais inacessível
do aparelho.

13. Se você tem alguma coisa há muito tempo,
pode jogar fora. Se você jogar
fora alguma coisa que tem há muito tempo, vai
precisar dela logo, logo.

14. Você sempre encontra aquilo que não está
procurando.

15. Quando te ligam: a) se você tem caneta, não
tem papel. b) se tem papel
não tem caneta. c) se tem ambos ninguém liga.

16. A Natureza está sempre à favor da falha.

17. Entre dois acontecimentos prováveis,
sempre acontece um improvável.

18. Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de
tirar.

19. Mesmo o objeto mais inanimado tem
movimento suficiente para ficar na sua
frente e provocar uma canelada.

20. Qualquer esforço para se agarrar um objeto
em queda provocará mais
destruição do que se deixássemos o objeto cair
naturalmente.

21. A única falta que o juiz de futebol apita com
absoluta certeza é aquela
em que ele está absolutamente errado.

22. Por mais bem feito que seja o seu trabalho,
o patrão sempre achará onde
criticá-lo.

23. Nenhum patrão mantém um empregado que
está certo o tempo todo.

24. Toda solução cria novos problemas.

25. Quando político fala em corrupção, os
verbos são sempre usados no
passado.

26. Você nunca vai pegar engarrafamento ou
sinal fechado se saiu cedo demais
para algum lugar.

27. Os assuntos mais simples são aqueles dos
quais você não entende nada.

28. Dois monólogos não fazem um diálogo.

29. Se você é capaz de distinguir entre o bom e
o mal conselho, então você
não precisa de conselho.

30. Ninguém ficará batendo na sua porta, ou
telefonando para você, se não
houver trabalho algum a ser feito.

31. O trabalho mais chato é também o que
menos paga.

32. Errar é humano. Perdoar não é a política da
empresa.

33. Toda a idéia revolucionária provoca três
estágios: 1º. é impossível -
não perca meu tempo. 2º. é possível, mas não
vale o esforço 3º. eu sempre
disse que era uma boa idéia.

34. A informação que obriga a uma mudança
radical no projeto sempre chega ao
projetista depois do trabalho terminado,
executado e funcionando
maravilhosamente (também conhecida como
síndrome do: "Porra! Mas só
agora!!!").

35. Um homem com um relógio sabe a hora
certa. Um homem com dois relógios
sabe apenas a média.

36. Inteligência tem limite. Burrice não.

37. Seis fases de um projeto: Entusiasmo;
Desilusão; Pânico; Busca dos
culpados; Punição dos inocentes; Glória aos não
participantes.

38. Conversas sérias, que são necessárias, só
acontecem quando você está com
pressa.
39. Não se dorme até que os filhos façam cinco
anos.

40. Não se dorme depois que eles fazem quinze.

41. O orçamento necessário é sempre o dobro
do previsto. O tempo necessário
é o triplo.

42. As variáveis variam menos que as
constantes.

43. Pais que te amam não te deixam fazer nada.
Pais liberais, não estão nem
ai para você.

44. Entregas de caminhão que normalmente
levam um dia levarão cinco quando
você depender da entrega.

45. O único filho que ronca é o que quer dormir
com você.

46. Assim que tiver esgotado todas as suas
possibilidades e confessado seu
fracasso, haverá uma solução simples e óbvia,
claramente visível a qualquer
outro idiota.

47. Qualquer programa quando começa a
funcionar já está obsoleto.

48. Nenhuma bola vai parar em um vaso que
você odeia.

49. Só quando um programa já está sendo
usado há seis meses, é que se
descobre um erro fundamental.

50. Crianças nunca ficam quietas para tirar
fotos, e ficam absolutamente
imóveis diante de uma câmera filmadora.

51. Nenhuma criança limpa quer colo.

52. A ferramenta quando cai no chão sempre
rola para o canto mais
inacessível do aposento. A caminho do canto, a
ferramenta acerta primeiro o
seu dedão.

53. Guia prático para a ciência moderna: a) Se
se mexe, pertence à biologia.
b) Se fede, pertence à química. c) Se não
funciona, pertence à física. d) Se
ninguém entende, é matemática. e) Se não faz
sentido, é psicologia.

54. O vírus que seu computador pegou, só ataca
os arquivos que não tem
cópia.

55. O número de exceções sempre ultrapassa o
numero de regras. E há sempre
exceções às exceções já estabelecidas.

56. Seja qual for o defeito do seu computador,
ele vai desaparecer na frente
de um técnico, retornando assim que ele se
retirar.

57. Se ela está te dando mole, é feia. Se é
bonita, está acompanhada. Se
está sozinha, você está acompanhado.

58. Se o curso que você desejava fazer só tem n
vagas, pode ter certeza de
que você será o candidato n + 1 a tentar se
matricular.

59. Oitenta por cento do exame final que você
prestará, será baseado na
única aula que você perdeu, baseada no único
livro que você não leu.

60. Cada professor parte do pressuposto de que
você não tem mais o que
fazer, senão estudar a matéria dele.

61. A citação mais valiosa para a sua redação
será aquela em que você não
consegue lembrar o nome do autor.

62. Caras legais são feios. Caras bonitos não
são legais. Caras bonitos e
legais são gays.

63. A maioria dos trabalhos manuais exigem três
mãos para serem executados.

64. As porcas que sobraram de um trabalho
nunca se encaixam nos parafusos
que também sobraram.

65. Quanto mais cuidadosamente você planejar
um trabalho, maior será sua
confusão mental quando algo der errado.

66. Tudo é possível. Apenas não muito provável.

67. Em qualquer circuito eletrônico, o
componente de vida mais curta será
instalado no lugar de mais difícil acesso.

68. Qualquer desenho de circuito eletrônico irá
conter: uma peça obsoleta,
duas impossíveis de encontrar, e três ainda
sendo testadas.

69. O dia de hoje foi realmente necessário?

70. A luz no fim do túnel, é o trem vindo na sua
direção.

71. A vida é uma droga. E você ainda reencarna.

72. Se está escrito "Tamanho Único", é porque
não serve em ninguém.

73. Se o sapato serve, é feio!

74. Nunca há horas suficientes em um dia, mas
sempre há muitos dias antes do
sábado.

75. Todo corpo mergulhado numa banheira faz
tocar o telefone.

76. A beleza está à flor da pele, mas a feiúra vai
até o osso!

77. A informação mais necessária é sempre a
menos disponível.

78. A probabilidade do pão cair com o lado da
manteiga virado para baixo é
proporcional ao valor do carpete.

79. Confiança é aquele sentimento que você tem
antes de compreender a
situação.

80. A fila do lado sempre anda mais rápido.

81. Nada é tão ruim que não possa piorar.

82. O material é danificado segundo a proporção
direta do seu valor.

83. Se você está se sentindo bem, não se
preocupe. Isso passa.

84. No ciclismo, não importa para onde você vai;
é sempre morro acima e
contra o vento.

85. Por mais tomadas que se tenham em casa,
os móveis estão sempre na
frente.

86. Existem dois tipos de esparadrapo: o que
não gruda, e o que não sai.

87. Uma pessoa saudável é aquela que não foi
suficientemente examinada.

88. Você sabe que é um dia ruim quando: O sol
nasce no oeste; você pula da
cama e erra o chão; o passarinho cantando lá
fora é um urubu; seu bichinho
de cerâmica te morde.

89. Por que será que números errados nunca
estão ocupados?

90. Mas você nunca vai usar todo esse espaço
de Winchester!

91. Se você não está confuso, não está
prestando atenção.

92. Na guerra, o inimigo ataca em duas
ocasiões: quando ele está preparado,
e quando você não está.

93. Tudo que começa bem, termina mal. Tudo
que começa mal, termina pior.

94. Amigos vêm e se vão, inimigos se
acumulam.

95. "Pilhas não incluídas"

96. Você só precisará de um documento
quando, espontaneamente, ele se mover
do lugar que você o deixou para o lugar onde
você não irá encontrá-lo.

97. As crianças são incríveis. Em geral, elas
repetem palavra por palavra
aquilo que você não deveria ter dito.

98. Uma maneira de se parar um cavalo de
corrida é apostar nele.

99. Toda partícula que voa sempre encontra um
olho.

100. Um morro nunca desce.


Há algumas questões que podemos incluir no debate:
- somos livres de todas as causas externas?
- Fomos nós quem desenhou nossas roupas, celulares, escolheu os materiais e
alimentos que consumimos?
- E as leis da física: somos livres delas, também? Os pensamentos não seguem a lei
da gravidade?
- E as causas internas, dentro de nós, como as operações do inconsciente?
- Onde está o “eu” (um homenzinho escondido no cérebro, com um outro homenzinho
dentro, ainda menor?) que decide entre uma de algumas alternativas?
- Para Nietzsche a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino
necessitante.
- Recentemente foi divulgado o resultado de uma pesquisa científica realizada no
Centro Bernstein de Neurociência (reportagem da revista Superinteressante, p. 40 de setembro
de 2008, cujo título é “o livre-arbítrio não existe”) que mostra que quando pensamos que nós
decidimos, por exemplo, sair às 9h para trabalhar, nosso cérebro 10 segundos antes já está
decidindo quando sair e cinco segundos antes a parte que controla nossos movimentos está ativa
de maneira que se pode saber antes o que a pessoa irá fazer a seguir.

Mapa do cérebro:
Lobo frontal (frente): controla o movimento e produz a fala
Lobo parietal (em cima): recebe e processa informações a partir dos sentidos
Lobo occipital (atrás) : controla a visão
Cerebelo (abaixo do cérebro): controla o tônus muscular e os movimentos
Medula:área de passagens dos nervos, regula funções automáticas como
respiração.
Tálamo (centro): regula a sensibilidade
Hipocampo: (um pouco abaixo do tálamo): centro da memória
Amígdala (na frente do hipocampo): gera emoções a partir das percepções e
pensamentos.
Córtex: recobre os quatro lobos nos dois hemisférios.

Uma aluna da turma 223 do ano de 2008, na qual leciono religião, apresentou uma
interessante objeção a esta teoria: quando respondemos algo instantaneamente, sem que
tenhamos 10 segundos para pensar? Neste caso, também não pensamos, respondi. E fiz uma
experiência: perguntei para alguém qual era sua cor preferida: ela disse azul. Aqui, também, disse
eu, não há espaço para pensar e a resposta saiu imediata, pois (1
o
) eu não deixei tempo para
refletir e (2
o
) a cor azul é a que ela mais gostava mesmo e não havia outra que se igualasse à cor
azul; aliás, ela estava usando uma sombra (pensei que se chamasse rímel) nos olhos desta cor.

Temos uma teoria sobre liberdade ou para provar que não há um momento em que
escolhemos livremente entre duas ou mais coisas: se ser livre é poder escolher entre duas ou mais
alternativas que se apresentem ao mesmo tempo a nós, então isto nunca acontece, pois, por
exemplo, escolher entre azul e amarelo vistas ao mesmo tempo ou juntas é, na realidade, não
perceber nem azul nem o amarelo, mas uma combinação de ambos, verde. Aqui podemos usar
folhas de celofane (transparentes e coloridas) onde mostramos a combinação das cores, ainda
mais porque entendemos que despertar o senso estético é imprescindível para a vida em
sociedade (aprender ou habituar-se a ver beleza em tudo), como bem disse Schiler em sua “Carta
sobre a educação estética do homem”. Ou, nas palavras de Nietzsche: o homem cientista é a
continuação do homem artista (e, acréscimo nosso. O homem estético é a continuação do homem
filósofo).


azul


+

amarelo

=

Verde!

Agora, por que ainda dizemos que somos livres? Em que sentido isto é correto. Se existe a
palavra “livre” ela deve se referir a algo. O que é este algo? Para Thomas Hobbes, ser livre é não
estar preso por ferros. Há liberdade de pensamento? Se sim, há, também, o seu oposto: pode um
pensamento estar ou ser aprisionado? Aqui, estamos fazendo “filosofia da linguagem” e podemos
dar uma pequena introdução, embora os alunos não precisem saber que se trata de “filosofia da
linguagem”, não é preciso encher a cabeça com tanto preciosismo.

Podemos, também, pedir-lhes que eles construam seus próprios exemplos a favor e
contra a idéia de liberdade ou livre-arbítrio e o exemplo do professor pode
aparecer entre os exemplos apresentados.

Para quem defende que somos livres, podem argumentar que a mente é
distinta do cérebro e a consciência não está em nenhuma parte do cérebro! Ela, a
consciência, não parece ser algo fisiológica, uma função do corpo, pois, se fosse, ela
teria que ser ora voluntária, ora involuntária, mas não podemos parar de ter
consciência.

Aula 46: um medidor de bondade?
Podemos, então, nesta aula, perguntar se há pessoas totalmente boas e se podemos
construir um medidor de bondade ou, pelo menos, imaginar um, como aqueles detectores de
mentira ou, ainda, adaptar um medidor de glicose (haverá relação entre o açúcar e a mentira?,
pura especulação!): quanto somos bons? 30% das vezes em que nos relacionamos com os outros
ou 70%? Mesmo que não se chegue a algo concreto, creio que vale só pela diversão e pelas
idéias criativas que, sei que surgirão. Podemos chamar de mal uma pessoa que quase não tem
nada bom dentro de si. Existe alguém com 0% de bondade? uma aluna vinculada à religião católica
lembrou em aula que o mal é a ausência do bem, assim como, a escuridão é a ausência da luz.
Mais tarde, lembramos que os répteis enxergam a luz infravermelha, que corresponde ao calor
dos corpos; assim, para esses animais há luz onde sob nosso ponto de vista, há só escuridão!
Encontramos na internet um vídeo que ironiza o momento em que as pessoas chegam no
céu e têm que se pensarem em uma balança – um medidor de bondade (the Good-O-Meter), onde
a seta tende ao lado mau ou ao lado bom, de acordo com os peso de seus atos. No vídeo Jesus
intercede por uma pessoa, o que eles chamam de a graça divina. Há, também, um site
(http://homokaasu.org/gematriculator) em que se pode medir se um texto é bom ou mau!, com base
no critério do número de palavras que começam por vogais dividido por sete (o número da
perfeição divina), segundo eles, um “incontestável argumento de que Deus está presente no texto”.

Quando realizarem a construção do medidor de bondade, observemos se há extremos. Aí,
encaixa bem a teoria aristotélica de que o bem está em um meio-termo ou termo médio entre os
extremos de excesso e insuficiência:
São apresentadas as virtudes morais, segundo Aristóteles:
(1) coragem - um meio-termo entre o medo e a certeza. O corajoso não teme a morte
quando se vê frente a um ato nobre. Agirá visando as honras que receberá. Ele teme, sim, mas
apenas no momento certo, pelos motivos certos. Quem teme mais do que deve, chama-se
“covarde” e quem teme menos, é “temerário, impulsivo, sanguíneo”. Difere da crença de Sócrates,
rejeitando que a coragem signifique conhecimento, pois um soldado tem o treino, sabe atacar e
defender-se e usa melhor as armas do que alguém corajoso. Nem mesmo o corajoso é aquele que
compete melhor. Crê, também, que o corajoso prefira a morte, mesmo estando em desvantagem; a
fuga lhe é “degradante” (Ética: III,8);
(2) temperança - diz respeito ao uso adequado dos prazeres do corpo, especialmente os do
tato e do gosto. Aquele que excede é “auto-indulgente” ou incontinente. Não há um nome para
quem é insuficiente na realização dos prazeres, pois é raro isto ocorrer. É preciso, acrescenta, que
os nossos apetites estejam em harmonia com nosso “princípio racional”, a razão; (3) liberalidade -
é o meio-termo em relação ao uso da riqueza. O virtuoso é aquele que quando dá parte de sua
riqueza, faz às pessoas certas, na quantidade e momentos certos.Os vícios são encontrados na
“prodigalidade”, o excesso, dar mais do que deveria dar e na “mesquinharia”, insuficiência, em dar
menos do que poderia;
(4) magnificência - a virtude da grandeza, suntuosidade, relacionada àqueles patrocínios a
grandes espetáculos ou, então, a gastos particulares. É semelhante a da liberalidade, exceto pelo
fato de se tratar do modo como a pessoa gasta a usa riqueza - “todo magnificente é liberal, mas
nem todo liberal é magnificente”. Os que se excedem são chamados de “vulgares” e os que gastam
menos do que deveriam, “avarentos”.
(5) magnanimidade - Na obra “Retórica” (I,9), esta virtude é definida como aquela que nos
faz agir bem para com os outros em uma “grande escala”. Na obra “Ética a Nicômaco” (IV,3),
Aristóteles, considera a pessoa magnânima aquela que deseja grandes coisas e está à altura para
alcançá-las. Aqueles que se excedem, isto é, aspiram a grandes ações, sem estar a altura delas,
são chamados de “pretensiosos”; os que aspiram menos do que deveriam, “pusilânimes”, isto é,
medrosos, de ânimo fraco;
(6) orgulho - ou “amor-próprio”. O orgulhoso é o que pensa em si mesmo como “merecedor
de grandes coisas”. Em geral, é capaz de lembrar o que fez pelos outros - apenas aquelas “mais
notáveis”, pois não tem uma longa memória, mas não o que os outros fizeram por ele. Os vícios se
encontram na “humildade indevida” - na insuficiência de orgulho - e na “vaidade” - um excesso. O
orgulho está relacionado à conquista de honras que, acrescenta o filósofo, é o maior bem externo,
quando ocorrem em grande escala;
(7) bom temperamento - Também chamado de boa moderação ou cordialidade. Encontra-se
no meio-termo entre o excesso, “a irascibilidade”, e a falta - sem um nome, específico. Observa
que há pessoas de “sangue quente” que se irritam facilmente com coisas que não deveriam se
irritar e cuja raiva cessa, rapidamente. Há as “coléricas”, que ficam irritadas por qualquer motivo.
Há as “mal-humoradas”, mais difíceis de acalmar, mantêm a raiva por mais tempo, pois retêm o
sentimento, que é substituído por uma sensação de prazer, quando elas expressam sua raiva.
Reconhece, também, que é difícil saber onde reside o meio-termo. Há pessoas, especialmente
governantes, que são “bravos”, mas são tidos como “varonis” e capazes de governar;
(8) sinceridade - aquele que ama a verdade e vê a mentira como um mal. Os que se
excedem são “presunçosos” e os que agem insuficientemente, são “fanfarrões”;
(9) espirituosidade - Necessária para os momentos de lazer, intervalo do trabalho. Quando
alguém se excede é dito “bufão” e quando em insuficiência, é rude, grosseiro, “inútil” para viver em
sociedade;
(10) vergonha - Não sabe Aristóteles, se é uma virtude ou apenas um sentimento, um “medo
da desonra”, muito comum entre os jovens, pois é um período em que eles cometem muitos erros.
É, em geral, louvado, exceto quando cometido por pessoa de mais idade;
(11) justiça - a mais completa virtude, pois sua prática requer uma interação com as outras
pessoas. A ação justa é um meio-termo entre “agir injustamente” e “sofrer injustiça” (Ética a
Nicômaco: V,1).

Aula 47: como nos tornamos bons? E por
que ser bom?
Podemos perguntar aos alunos por que somos bons ou fazemos o bem? Depois que vimos
o filme “Hancock”, perguntei à classe pelos motivos que fizeram no filme o personagem
ajudar as outras pessoas, já que ele possuía superpoderes? Entre várias respostas eles disseram:
porque queremos ser respeitados pelos outros, porque, assim, nos sentimos bem, etc.
Infelizmente, estava tão obcecado em transmitir as teorias dos pensadores antigos que não dei o
justo valor às respostas deles!
É claro que nós poderemos acrescentar as teorias filosóficas, mas para completar as
lacunas não tratadas pelos alunos como, por exemplo, de que fazemos o bem para ir para junto a
Deus (segundo Platão), a razão calcula um meio-termo entre os excessos e as carências (segundo
Aristóteles) e o certo e o errado só existem se são previstos em leis dos homens (segundo Thomas
Hobbes), mas nem é necessário citar os nomes. Não podemos esquecer de Aristóteles, Kant e
Stuart Mill, para quem ser ético é, respectivamente, uma capacidade desenvolvida nas ações
éticas, na descoberta pela razão de uma lei (imperativo) moral e uma ação que visa o bem (e uma
vantagem) comum, social.
Um exercício que realizamos no passado foi o de pedir que dada uma situação como, por
exemplo, achar uma carteira com dinheiro na rua, saber se ficar com o dinheiro é ilegal, imoral ou
antiético, segundo Platão, Aristóteles e Thomas Hobbes. Repare o leitor que trazemos um hábito
difícil de ser eliminado: dar aulas como na Universidade, onde o professor expõe teorias de
pensadores reconhecidamente sábios, mas que, para os adolescentes, não significam nada. Insistir
neste tipo de aula é um erro.

Quais são as principais teorias por que devemos ser éticos? Para Sócrates (quem
cultiva a sabedoria se torna bom, a melhor vida é a do sábio), para Platão (uma alma boa vai para
junto de Deus e quando ela vaia julamento após a vida, mostra-se despida e as marcasda maldade
são visíveis perante os juízes), para Aristóteles, a virtude é uma disposição da alma que se
adquire e desenvolve nas nossas ações diárias em sociedade, para Thomas Hobbes (a
lei determina o certo e o errado; o pensador fala, também, sobre o valor (honra) de um ser
humano é o seu preço o tanto que lhe será pago pelo uso de seu poder, por exemplo, um
comandante de soldados em uma guerra tem um valor alto ou um juiz incorruptível, em tempo de
paz); para Kant, a razão concebe suas próprias leis morais (age de modo que tua ação possa
ser exemplo para os outros), para Stuart Mill, é bom que as pessoas respeitem-se uns aos
outros, pois todos ganham com isso e Nietzsche, não podemos esquecer, diz que a moral é
criação dos fracos para controlar os fortes.
De qualquer modo, creio que, por experiência própria, nossos alunos têm uma boa idéia do
que é ser ético: uma vez fui com uma bandeira de um partido político. Além de despertar a ira em
uma colega de trabalho, um aluno me disse que aquela tinha sido uma atitude antiética da minha
parte; senti-me bem por ele ser tão franco comigo! O que é ético para eles: no caso daquele aluno
é não influenciar os alunos, ainda que não votassem e ainda que não prestassem atenção às
minhas aulas! (eram turmas muito difíceis que não respeitavam quando o professor queria falar e
nem mesmo quando um deles queria falar!).

O texto Mênon, de Platão é brilhante investigação para saber se nascemos bons,
somos bons como resultado da educação ou através da vivência prática. Em um primeiro momento
Sócrates pede a Mênon uma definição de “virtude”. Aristóteles, anos mais tarde, se
oporá a esta tese: ser bom não requer saber o que é o bem.

(Local. uma praça pública em Atenas.)
Mênon: - Estarias disposto a dizer-me, Sócrates, se a virtude pode ser ensinada? Ou se
pode ser adquirida pelo exercício? Ou quem sabe se não é nem ensinável nem adquirível pela
prática, mas recebida de nossa própria natureza? Ou, talvez, de outra qualquer maneira?
Sócrates: ... "Muita honra me fazes, estrangeiro, a ponto de me julgares sabedor de se a
virtude é ensinável ou se ela adquire de outro modo. Na realidade, confesso-te que não sei nem se
a virtude pode ser
ensinada, nem se não pode; para dizer tudo, não sei sequer o que é a virtude!" ... Ou acaso
te parece possível que alguém, não sabendo quem é Mênon, possa não obstante saber como ele
é, se belo ou rico, se é nobre ou não? Achas que isso seria possível?
Mênon: - Não. Mas, é mesmo verdade, Sócrates, que ignoras o que seja a virtude? Queres
que espalhemos isso em nossa terra? (2) Sócrates: - E não só isso, Mênon - mas que também
jamais encontrei uma pessoa
que o soubesse!
Mênon: - Como! Não te encontraste com Górgias (sofista) quando ele esteve por aqui?
Sócrates: - Encontrei-me.
Mênon: - E julgaste que ele não o sabia?
Sócrates: - Não me recordo bem, caro Mênon, nem te posso relatar que impressão recebi
naqueles tempos ao ouvi-lo. Pode muito bem ser que o soubesse, e que tu também saibas o que
ele dizia. Recorda-me, pois, o que ele ensinava; ou, melhor, dize-me tu mesmo o que é a virtude,
pois, segundo penso, participas de seu modo de ver.
Mênon: - Não é difícil dizê-lo, caro Sócrates. Em primeiro lugar, se desejas saber o que é a
virtude do homem, aqui a tens: ser capaz de bem dirigir o Estado; e, quando estiver administrando,
fazer bem aos amigos e mal aos inimigos, sempre evitando o mal para si mesmo. Se queres saber
qual a virtude da
mulher, não é difícil dizer que ela deve bem administrar a casa, cuidar da família, e sempre
obedecer ao marido. Há ainda uma virtude própria às crianças de um ou de outro sexo; outra
própria ao velho; a que convém ao homem livre, outra ao escravo. Há muitos gêneros de virtudes e
não faltam as definições.
Jamais te sentirás embaraçado quando te vires na necessidade de dizer o que é a virtude:
conforme a ação, conforme a idade, conforme o trabalho, há uma virtude particular. E tenho,
ademais, caro Sócrates, a convicção de que o mesmo se pode dizer do vício.
Sócrates: - Como sou feliz, caro Mênon, e que sorte a minha! Eu que procurava uma
só virtude, acabo de encontrar em ti um enxame de virtudes! Entretanto, já que falamos de
enxames: se eu te perguntasse: "que é a abelha?" e tu me respondesse: "as abelhas são
numerosas e várias" - que haverias de replicar se em seguida eu te perguntasse: "afirmas que elas
são numerosas e várias?" Ou não haverias, pelo contrário, de dizer que não é como abelhas que
elas diferem umas das outras, mas, sim, por outras cousas, como por exemplo pela beleza, ou pelo
tamanho, ou por qualquer outro característico do mesmo gênero?...
... Pois o mesmo se dá com as virtudes. Por mais numerosas e várias que sejam, haverá
sempre um certo caráter geral, que as abranje a todas e por força do qual elas são virtudes. É este
caráter geral que se deve ter em vista, para se saber o que é a virtude. Compreendes o que digo?
Mênon: Sim, creio compreender o objeto da questão mas não ainda tão claramente
como eu o desejaria.
Sócrates: - É unicamente a propósito da virtude, caro Mênon, que tens a opinião de que seja
uma para o homem, outra para a mulher, outra para outro qualquer, ou pensas da mesma forma no
que concerne à saúde, ou ao tamanho, ou à força? Crês que a saúde seja uma para o homem,
outra para a mulher, e assim por diante, ou, pelo contrário, que a noção da saúde como saúde é a
mesma em toda parte, tanto para o homem como para qualquer outro objeto?
Mênon: - A saúde me parece ser a mesma cousa tanto para o homem como para a mulher.
... Parece-me, contudo, caso Sócrates, que para a virtude não vale a mesma regra que para as
demais cousas!
Sócrates: - Como!? Acaso não acabaste de dizer que virtude do homem é administrar bem o
Estado, e da mulher, administrar bem uma casa?
Mênon: - Sim, disse.
Sócrates: - É possível administrar-se bem uma cidade, ou uma casa, ou o que quer que
seja, se não se age sábia e justamente?
Mênon: - Certamente que não.
Sócrates: - E administrar com justiça e com sabedoria, não será aplicar justiça e sabedoria à
administração?
Mênon: - É certo.
Sócrates: - Logo, os dois, homem e mulher, para serem virtuosos, precisam das mesmas
qualidades: justiça e sabedoria... Pois bem; se a virtude de todos é a mesma, procura lembrar-te e
dizer-me de que, modo Górgias define a virtude, e tu com ele.
Mênon: - Se o que desejas é uma definição única, aplicável a todos os casos, ei-la; a virtude
é a capacidade de governar homens.
Sócrates: - É isso de fato o que ando a procurar. Mas tu crês, meu caro Mênon, que é
próprio da virtude de uma criança e de um escravo governar o seu amo? E achas que uma pessoa
que governa é ainda escrava?
Mênon: - Não, Sócrates, não o creio.
Sócrates: Isso seria, com efeito muito estranho, meu caro amigo! Todavia, repara mais no
seguinte: dizes que virtude é capacidade de governar; mas não deveríamos acrescentar: "com
justiça" e não de outro modo?
Mênon: - De fato, devemos. A justiça é virtude, meu caro Sócrates!
Sócrates: - Como? Ela é a virtude, ou uma virtude?
Mênon: - Que queres dizer?
Sócrates: - O que diria para um objeto qualquer. Olha, por exemplo, direi que o circulo é uma
figura, e não que é a figura, porque há muitas outras figuras além dele.
Mênon: - Tens razão. Quer-me também parecer que nem só a justiça é virtude, mas
que há muitas outras.
Sócrates: - E quais são? Dize! Se queres, enumerarei as outras figuras; e tu, as outras
virtudes!
Mênon: - Creio que a coragem é uma virtude, assim como também a inteligência, e a
sabedoria, a generosidade, e muitas outras.
Sócrates: - Estamos a caminhar inutilmente em volta do mesmo ponto, caro Mênon!
Procurando uma virtude, vamos encontrar muitas virtudes, mas não descobrimos ainda a virtude,
que abrange as demais.

Até aqui Sócrates procura mostrar que conhecer o que é a virtude requer defini-la, chegar a
uma idéia geral, não apenas citar exemplos particulares de pessoas virtuosas. Agora,
apresentaremos os argumentos utilizados para responder à pergunta: Como nos
tornamos bons? A virtude é natural ou é ensinada?

A resposta de Sócrates: natural, não é, pois se alguns de nós fossem naturalmente
bonsosrecolheríamos e os guardaríamos na Acrópole.se ela pode ser ensinada,significaria que ela
é uma ciência, mas nunca observamosprofessores que ensinassem a virtude e mesmo homens
muito virtuosos, como o político Péricles, não conseguiu ensinar seu filho a ser virtuoso como ele
foi. Conclue, então,que avirtude não é ensinadae nem é natural;ela é uma “espécie de juízo”ou
opinião, oumelhor, um”instinto dado por Deus” a uma pessoa.

Para Aristóteles, não importa definir o que é virtude ou a bondade, o que importa é realizar
atos bons, assim como, é realizando atos corajosos que nos tornamos corajosos. Quem está com a
razão, Sócrates ou Aristóteles?

No século XVIII e XX esta questão retorna ao debate com Jean-Jacques Rousseau e Emile
Durkheim: para o primeiro “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe” e , para o segundo, “”o
homem nasce egoísta e a educação poderá torna-lo solidário”. Quem tem razão?

Aula 48 exercício de dilemas éticos ou
aulas de etiqueta?
Queremos propor algumas situações hipotéticas que requererão escolhas por parte de
nossos alunos:
(a) certa vez um monge estava se servindo de carne em um buffet e o filósofo Peter Singer
perguntou se o budismo não defendia o vegetarianismo. O monge respondeu que não devemos
matar os animais para a nossa satisfação, mas naquele caso a carne não tinha sido preparada
para ele. O que você acha disso?
(b) Um bando de pessoas (cinco) assaltou um povoado vizinho e roubou todos o seu
dinheiro (cinco mil). Uma das pessoas do bando ficou com sentimento de culpa e propôs aos
outros integrantes que cada um tirasse uma pequena parte e não todo o dinheiro na próxima vez.
No robô seguinte cada um pegou apenas uma 20% do dinheiro de cada habitante.
(c) Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. Mas você tem
a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele
atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando1? E se tivesse que
matar 1 milhão para salvar 5 milhões? (Revista Superinteressante: 253; jun.2008)
(d) por que salvamos uma pessoa que se acidenta na estrada diante de nós e não fazemos
o mesmo em relação a milhões de pessoas que morrem por ano na África? (Revista
Superinteressante: 253; jun.2008) Segundo o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD), dados de 2006-7, todos os dias, 800 milhões de pessoas adormecem
com fome, sendo 300 milhões delas crianças...
(e) Você achou uma carteira no chão de uma loja e dentro havia uma nota de R$50. E
agora? Lembrar Kant: quero que minha ação seja um exemplo para todas as outras pessoas
seguirem?

Para o filósofo e psicólogo evolutivo Joshua Greene, da Universidade Harvard: “Nossos
ancestrais não evoluíram num ambiente em que poderiam salvar vidas do outro lado do mundo. Da
forma como nosso cérebro é construído, pessoas próximas ativam nosso botão emocional,
enquanto as distantes desaparecem na mente”. O que você acha disso? Ele está certo?

Uma alternativa é propor uma aula de etiqueta (pequena ética). Esta será uma aula bem
prática: interpretaremos em aula as regras mais comuns de etiqueta, como se tivéssemos em um
restaurante. Como devemos nos comportar? Como usar os talheres? Podemos pedir ajuda para as
alunas – as mulheres sabem mais dessas coisas ou recorrer a um livro ou, ainda, a reportagens
em jornais. Será uma aula prazerosa, com certeza; imaginemos os alunos, com aquelas poses,
escolhendo o talher correto, fingindo que come um prato caríssimo, que puxa a cadeira para sua
companhia, etc.
Devemos, contudo, ficar atentos para não esquecer o ensino de filosofia:
- Pergunte aos alunos que outras regras existem na sociedade? Dê pistas se preciso:
legislações (leis escritas pelo poder Executivo e aprovadas pelos parlamentos), costumes e
mandamentos religiosos, e, o mais difícil de lembrar-se, o sentimento de que algo está certo ou
está errado.
- Podemos ir além e perguntar o que acontece se cada uma destas regras não forem
seguidas? Se forem as leis escritas, prisão, se as leis divinas, inferno, se o sentimento interno,
surgirá a culpa ou, então, os olhares de censura da família e dos grupos sociais aos quais
pertençamos.

A seguir apresentamos a Declaração dos direitos dos homens. Ao adotar a Declaração
Universal dos Direitos do Homem, no dia 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações
Unidas - ONU quer deixar para trás todos os horrores que o mundo viveu com a Segunda Guerra
Mundial.

Declaração Universal dos Direitos do Homem
PREÂMBULO
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da familia humana e
seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que
ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de
liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,
Considerando ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o
homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,
Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e
da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade
mais ampla, Considerando que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com
as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância
desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância
para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do
Homem como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que
cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do
ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância
universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos
territórios sob sua jurisdição.
ARTIGO 1
Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e
devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
ARTIGO 2
I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração
sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra
natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do
país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem
governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
ARTIGO 3
Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
ARTIGO 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos
em todas as suas formas.
ARTIGO 5
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
ARTIGO 6
Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
ARTIGO 7
Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem
direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer
incitamento a tal discriminação.
ARTIGO 8
Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos
que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
ARTIGO 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
ARTIGO 10
Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal
independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação
criminal contra ele.
ARTIGO 11
I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua
culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido
asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa.
II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituiam delito
perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que,
no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
ARTIGO 12
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua
correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei
contra tais interferências ou ataques.
ARTIGO 13
I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
ARTIGO 14
I) Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de
direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
ARTIGO 15
I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
ARTIGO 16
I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o
direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua
duração e sua dissolução.
II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do
Estado.
ARTIGO 17
I) Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. II) Ninguém será
arbitrariamente privado de sua propriedade.
ARTIGO 18
Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade
de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela
prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
ARTIGO 19
Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios,
independentemente de fronteiras.
ARTIGO 20
I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
ARTIGO 21
I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de
representantes livremente escolhidos.
II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições
periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a
liberdade de voto.
ARTIGO 22
Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço
nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos
direitos econômicos, sociais e culturais indipensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua
personalidade.
ARTIGO 23
I) Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de
trabalho e à proteção contra o desemprego.
II) Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure,
assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão,
se necessário, outros meios de proteção social.
IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
ARTIGO 24
Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a
férias remuneradas periódicas.
ARTIGO 25
I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem
estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à seguranca em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de
meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.Artigo 25
I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem
estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à seguranca em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de
meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
ARTIGO 26
I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e
fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnic rofissional será acessível a todos,
bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá
a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará
as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
ARTIGO 27
I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e
de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.
II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer
produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
ARTIGO 28
Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades
estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
ARTIGO 29
I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua
personalidade é possível.
II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações
determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos
direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-
estar de uma sociedade democrática.
III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos
objetivos e princípios das Nações Unidas.
ARTIGO 30
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer
Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à
destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.


Aula 49: Bioética: vida e morte

Em síntese, Bioética trata desde a vida até a morte: a partir de que momento
um ser tem direitos? Podemos fazer aborto? Com base no direito do feto ou do corpo
da grávida? Podemos fazer eutanásia, por que a pessoa está sofrendo? O que é
dor? Podemos usar células extraídas de feto para curar as doenças de pessoas
adultas? Podemos clonar seres humanos para tirar deles órgãos para curar nossas
doenças (como se vê no filme A Ilha)?
Vejamos com atenção às seguintes teorias que estabelecem o momento do
surgimento da vida:

Aborto é assassinato? Pesquisar células-tronco é brincar com pequenos seres humanos?
Manipular embriõesé crime? Polêmicas como essas só se resolverão ao determinarmos quando,
de fato, começa a vida humana.
Ninguém é capaz sequer de explicar o que é vida. Só no Aurélio há 18 tentativas.
Saber onde começa a vida é uma pergunta antiga. Tão velha quanto a arte de perguntar – a
questão despertou o interesse, por exemplo, do grego Platão, um dos pais da filosofia. Em seu livro
República, Platão defendeu a interrupção da gestação em todas as mulheres que engravidassem
após os 40 anos. Por trás da afirmação estava a idéia de que casais deveriam gerar filhos para o
Estado durante um determinado período. Mas quando a mulher chegasse a idade avançada, essa
função cessava e a indicação era clara: o aborto. Para Platão, não havia problema ético algum
nesse ato. Ele acreditava que a alma entrava no corpo apenas no momento do nascimento.
Contemporâneo e pupilo de Platão, Aristóteles afirmava que o feto tinha, sim, vida. E
estabelecia até a data do início: o primeiro movimento no útero materno. No feto do sexo
masculino, essa manifestação aconteceria no 40º dia de gestação. No feminino, apenas no 90º dia
– Aristóteles acreditava que as mulheres eram física e intelectualmente inferiores aos homens e,
por isso, se desenvolviam mais lentamente. Como naquela época não era possível determinar o
sexo do feto, o pensamento aristotélico defendia que o aborto deveria ser permitido apenas até o
40º dia da gestação.
Sêneca, um dos filósofos mais importantes da época, contou que era comum mulheres
induzirem o aborto com o objetivo de preservar a beleza do corpo. Além disso, quando um
habitante de Roma se opunha ao aborto era para obedecer à vontade do pai, que não queria ser
privado de um filho a quem ele tinha direito.
E assim foi por um bom tempo – até o ano de 1588, quando o papa Sixto 5º condenou a
interrupção da gravidez, sob pena de excomunhão. Nascia aí a condenação do Vaticano ao aborto,
você deve estar pensando. Errado. O sucessor de Sixto, Gregório 9º, voltou atrás na lei e
determinou que o embrião não formado não poderia ser considerado ser humano e, portanto,
abortar era diferente de cometer um homicídio. Essa visão perdurou até 1869, no papado de Pio
9º, quando a Igreja novamente mudou de posição.
Como cientistas e teólogos não conseguiam concordar sobre o momento exato, Pio 9º decidiu
que o correto seria não correr riscos e proteger o ser humano a partir da hipótese mais precoce, ou
seja, a da concepção na união do óvulo com o espermatozóide.
Que bom se fosse tão simples assim. Hoje sabemos que não existe um momento único em que
acontece a fecundação. O encontro do óvulo com o espermatozóide não é instantâneo. Em um
primeiro momento, o espermatozóide penetra no óvulo, deixando sua cauda para fora. Horas
depois, o espermatozóide já está dentro do óvulo, mas os dois ainda são coisas distintas.
Atualmente, os pesquisadores preferem enxergar a fertilização como um processo que ocorre em
um período de 12 a 24 horas.
A teoria da fecundação como início de vida sofre um abalo quando se leva em consideração
que o embrião pode dar origem a dois ou mais embriões até 14 ou 15 dias após a fertilização.
Como uma pessoa pode surgir na fecundação se depois ela se transforma em 2 ou 3 indivíduos? E
tem mais complicação. É bem provável que o embrião nunca passe de um amontoado de células.
Depois de fecundado numa das trompas, ele precisa percorrer um longo caminho até se fixar na
parede do útero. Estima-se que mais de 50% dos óvulos fertilizados não tenham sucesso nessa
missão e sejam abortados espontaneamente, expelidos com a menstruação.
Além dessa visão conhecida como "genética", há pelo menos outras 4 grandes correntes
científicas que apontam uma linha divisória para o início da vida. Uma delas estabelece que a vida
humana se origina na gastrulação – estágio que ocorre no início da 3ª semana de gravidez, depois
que o embrião, formado por 3 camadas distintas de células, chega ao útero da mãe. Nesse ponto,
o embrião, que é menor que uma cabeça de alfinete, é um indivíduo único que não pode mais dar
origem a duas ou mais pessoas. Ou seja, a partir desse momento, ele seria um ser humano.
Para complicar ainda mais, há uma terceira corrente científica defendendo que para saber o
que é vida, basta entender o que é morte. E países como o Brasil e os EUA definem a morte como
a ausência de ondas cerebrais. A vida começaria, portanto, com o aparecimento dos primeiros
sinais de atividade cerebral. E quando eles surgem? Bem, isso é outra polêmica. Existem duas
hipóteses para a resposta. A primeira diz que já na 8ª semana de gravidez o embrião – do tamanho
de uma jabuticaba – possui versões primitivas de todos os sistemas de órgãos básicos do corpo
humano, incluindo o sistema nervoso. Na 5ª semana, os primeiros neurônios começam a aparecer;
na 6ª semana, as primeiras sinapses podem ser reconhecidas; e com 7,5 semanas o embrião
apresenta os primeiros reflexos em resposta a estímulos. Assim, na 8ª semana, o feto – que já tem
as feições faciais mais ou menos definidas, com mãos, pés e dedinhos – tem um circuito básico de
3 neurônios, a base de um sistema nervoso necessário para o pensamento racional.
A segunda hipótese aponta para a 20ª semana, quando a mulher consegue sentir os primeiros
movimentos do feto, capaz de se sentar de pernas cruzadas, chutar, dar cotoveladas e até fazer
caretas. É nessa fase que o tálamo, a central de distribuição de sinais sensoriais dentro do cérebro,
está pronto.
Apesar da discordância em relação ao momento exato do início da vida humana, os defensores
da visão neurológica querem dizer a mesma coisa: somente quando as primeiras conexões neurais
são estabelecidas no córtex cerebral do feto ele se torna um ser humano. Depois, a formação
dessas vias neurais resultará na aquisição da "humanidade".
Para o filósofo Peter Singer, da Universidade de Princeton, nos EUA, levado às últimas
conseqüências o critério da autoconsciência pode ser usado para considerar o infanticídio
moralmente aceitável em algumas situações. Segundo ele, é lícito exterminar a vida de um
embrião, feto, feto sem cérebro ou até de um recém-nascido extremamente debilitado se levarmos
em conta que o bebê não têm consciência de si, sentido de futuro ou capacidade de se relacionar
com os demais.
Em julho de 2004, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar liberando o aborto de
fetos anencéfalos no país. A decisão final da Justiça, que pode legalizar definitivamente o aborto
de anencéfalos no Brasil, deve sair a qualquer momento.

E a morte, quando ocorre? Precisamos saber quando ela acontece para pode tirar órgãos
para transplante, do contrário estaríamos salvando uma pessoa e matando outra!

Quando ocorre a morte? Diversos métodos foraminventados paradeterminaro momento em que
uma pessoa morre, especialmente porque as pessoas tinham medo de serem enterradas vivas:
Em 1740, o anatomista francês Jacques-Bénigne Winslow publicou artigo levantando dúvidas
sobre como comprovar que alguém estava de fato morto.
Em 1785, o médico britânico William Tossach provou que um homem afogado (e dito morto)
poderia ser ressuscitado ao encher seus pulmões de ar.
A técnica do médico francês Jean Baptiste Vincent Laborde consistia em puxar a língua do
defunto por 3 horas. Mais tarde, ele inventaria uma máquina à manivela que executava a tarefa.
A maioria dos médicos da época mantinha-se fiel à antiga técnica de verificação de morte: a
putrefação. Na Alemanha, cidades construíam câmaras mortuárias onde os cadáveres eram
vigiados e mantidos até começarem a apodrecer.
Em 1846, o francês Eugene Bouchut ganhou um prêmio da Academia de Ciências
de Paris Sua proposta: observar durante 10 minutos 3 sinais da morte – ausência da
respiração, dos batimentos cardíacos e da circulação.
Já no final do século 19 o legista Paul Brouardel verificou que o coração de
pessoas decapitadas continuava a bater por até uma hora. Concluiu, então, que a
morte não era uma questão de coração e pulmão, mas de sistema nervoso central.
Ou seja, é impossível que um indivíduo sobreviva sem cabeça, ainda que seu
coração funcione. A observação de dano ao sistema nervoso central foi somada à
tríade: se, sob um forte feixe de luz, a pupila estiver dilatada, quer dizer que as
funções neurológicas não existem mais. É sinal de morte.
Em 1957, um grupo de médicos franceses foi ao Vaticano pedir ajuda. O papa Pio 12
respondeu 3 dias depois. "A morte não é território da Igreja", afirmou no texto O Prolongamento da
Vida. "Cabe aos médicos dar sua definição."
Em 1968, um comitê foi formado na Universidade de Harvard para estabelecer critérios mínimos
de morte. O grupo determinou que a parada total e irreversível das funções encefálicas. A idéia é
que existe um ponto a partir do qual a destruição das células do tronco cerebral é de tal ordem que
o indivíduo não tem mais como se recuperar (Se o sangue deixar de fluir no cérebro por mais de 4
minutos, os neurônios do córtex param de funcionar e a pessoa deixa de sentir e pensar.). Esse
momento engloba toda a atividade encefálica, não apenas lesões que deixam uma pessoa em
coma ou inconsciente para sempre.
Meses antes, o primeiro transplante de coração havia sido feito na África do Sul. Diagnosticar a
morte com o máximo de antecedência, portanto, possibilitaria manter tecidos e órgãos intactos.
Um jovem chega à UTI de um pronto-socorro com trauma de crânio causado por um acidente
de carro. Os médicos logo se dão conta de que seu caso é irrecuperável. Mesmo assim, somente
profissionais da neurologia podem protocolar esse tipo de óbito.
Quando entra na sala, o neurocirurgião começa a buscar algum reflexo cerebral. O primeiro
exame consiste no velho teste da sensibilidade das pupilas, seguido de uma puxada suave do tubo
de respiração do paciente. Em pessoas com o cérebro ativo, essa ação provoca tosse ou vômitos.
Depois, o médico faz o teste dos "olhos de boneca", virando a cabeça para o lado para ver se os
olhos acompanham o movimento ou ficam parados, como se fossem de brinquedo. Outro exame é
ainda mais estranho: colocar soro gelado em um dos ouvidos do paciente. Se os olhos desviarem
para o lado contrário da água, ainda existe algum sinal de vida cerebral. Se nenhuma das
tentativas der resultado, passa-se ao teste de apnéia: o médico desconecta o ventilador que
mantém a respiração para ver se há tentativa de buscar ar por conta própria. Se a taxa de oxigênio
no sangue começa a baixar, os médicos rapidamente reconectam o aparelho. Mas certos de que o
tronco encefálico, responsável pelo ato involuntário da respiração, não funciona mais.
Diversos estudos apontam os riscos da apnéia, que poderia provocar queda de pressão,
reduzindo o fluxo sanguíneo no cérebro e, eventualmente, matando pacientes recuperáveis.
anestesista britânico David Hill preferiria ver a apnéia substituída pela hipotermia, que resfria o
corpo para 33 ºC por até 24 horas na tentativa de recuperar alguma atividade cerebral. Esse
tratamento, porém, é considerado caro, pode deteriorar a qualidade do órgão que será doado.
Além da apnéia, há exames toxicológicos: é preciso ter certeza que o sistema nervoso não está
em pane pela ingestão de álcool, barbitúricos ou analgésicos. Também é feita uma angiografia, a
radiografia de 4 vasos cerebrais em busca de algum fluxo sanguíneo. Se as respostas são
negativas, o trabalho do neurocirurgião está encerrado, mas não, ele ainda não pode assinar o
óbito dizendo que o jovem do carro está morto. Pela lei, todo o procedimento tem de ser repetido
pelo menos 6 horas depois.

Se os parentes concordarem, médicos voltam para a UTI, onde o corpo, legalmente morto há
algumas horas, respira por aparelhos, tem o coração batendo e órgãos vitais perfeitos. Aquela
pessoa nunca mais vai sentir, ver ou ter algum traço de pensamento racional, mas, quando o bisturi
penetrar na pele, é possível que ela dê um pulo. Parece filme de terror, não? Trata-se do "efeito
lazaróide" (de Lázaro, aquele que Jesus ressuscitou). Não significa que a pessoa teve alguma dor:
é apenas um reflexo da medula espinhal. Por isso, alguns médicos costumam aplicar anestesia
geral antes da operação. Mas espera aí: se a pessoa já está morta, por que anestesiá-la?
Após a retirada dos órgãos, os aparelhos são finalmente desligados. O sangue começa a parar,
o coração dá as últimas batidas, as células deixam de se reproduzir. Depois de 3 horas, ainda é
possível fazer um braço se contrair com estímulos elétricos. Só então o corpo do jovem que se
acidentou com um carro fica duro, pálido e frio, aquilo que as pessoas geralmente aceitam como
morte.
Com ajuda de um respirador, o coração pode ser mantido batendo e o sangue circulando. E
apesar de clinicamente morto, o paciente pode suar e reagir a cortes. Mas se os aparelhos forem
retirados, coração e respiração param. O sangue pára de circular e as células deixam de se
reproduzir. Com o fim da circulação, o sangue começa a coagular nos órgãos e tecidos, deixando-
os inviáveis para transplantes. Algumas exceções: as córneas, que podem ser retiradas até 3
horas, e os ossos, que resistem até 6 horas após o fim da respiração.
Cerca de 3 horas após a parada cardíaca, o corpo toma o aspecto conhecido como morte. O
fim da circulação deixa a pele pálida. O sangue estaciona, produzindo a rigidez cadavérica, que
começa no pescoço e termina nos pés. O calor do corpo cai cerca de 1
o
C por hora, até ser
regulado pela temperatura ambiente. O corpo começa a se comportar como um objeto físico. A
membrana das células não funciona mais e o cadáver começa a perder água. Dezoito horas depois
da parada cardíaca, as bactérias começam a decompor o cadáver e iniciam a putrefação. Depois
de 8 semanas, resta apenas o esqueleto.
É correto deixar de socorrer um bebê que ainda respira? Devo ajudar a matar meu irmão que
não quer ficar para sempre imóvel numa cama? A questão é especialmente difícil para os médicos.
Ficamos entre duas opções: sermos assassinos ou torturadores", diz Almeida, da Unifesp. A lei no
Brasil encara como homicídio a eutanásia, o ato deliberado de apressar o fim de quem está
morrendo. A ortotanásia, a "morte no momento certo", é considerada omissão de socorro e tem
pena de 1 a 6 meses de prisão. Apesar disso, a ortotanásia é freqüentemente praticada. O médico
retira os aparelhos e deixa o doente seguir seu curso de morte. Outros médicos, diante de
pacientes terminais que sofrem dores atrozes, aplicam sedativos acima do limiar tóxico, sabendo
que isso resultará em morte".
O caso da americana Terri Schiavo (em Estado vegetativo há 15 anos, teve danificado o córtex,
a "casca" do cérebro, região responsável pelo raciocínio, movimentos voluntários e sentidos, não
senti, nem tem memória ou consciência de si, mas a atividade automática do corpo continua
normal. Os olhos mantêm-se abertos, há respiração e até choro involuntário) é o melhor exemplo.
Após os tribunais americanos decidirem pela retirada dos tubos de alimentação, Terri levou 13 dias
para morrer de fome e de sede. "Seria bem mais ético aplicar uma injeção letal para reduzir não o
sofrimento dela, que era incapaz de sentir, mas da família e dos médicos que a trataram por tanto
tempo", afirma Almeida.
Uma lei sancionada pelo então governador Mário Covas em 1999 estabelece o direito de um
doente recusar o prolongamento de sua agonia e optar pelo local da morte. O próprio Covas, que
morreu de câncer, beneficiou-se dessa lei. O papa João Paulo 2º fez a mesma escolha. Silenciado
pelo mal de Parkinson, morreu em seu apartamento no Palácio Apostólico.

Há outro texto, também, sobre a morte. Podemos comparar os dois, identificar semelhanças
e diferenças entre eles, um texto científico e outro, filosófico.

“Pensar a morte”. Luiz Carlos Susin (professor da PUCRS)
Os antigos filósofos epicuristas, que davam receitas para viver com o máximo de prazer e
equilíbrio esta curta vida que nos cabe, queriam despreocupar seus ouvintes com a leviana
fórmula: “quando você está, a morte não está; quando a morte está, você não está”. É claro que
isso não resolve a morte de quem amamos e a dor que sofremos por uma perda irreparável.
Uma vaca é mortal, mas não sabe e, por isso, não se preocupa, não se angustia, é símbolo
de tranqüilidade. Mas, nós sabemos que vamos morrer e, por isso, nos pré-ocupamos. Quase tudo
ou talvez tudo o que fazemos tem sua razão última e secreta neste fato: somos mortais. Nossas
lutas com a saúde e a medicina, nosso cuidado com vestir e morar, nossa profissão, economia,
organizações, talvez toda a nossa cultura, provém dessa luta com a morte inevitável que
procuramos adiar.
A morte revela nosso “fim”, ou seja, nossa limitação, finitude humana. Humilha, por isso, nossos
pensamentos, sobretudo o pensamento de que somos seres livres, de que a liberdade é o valor
mais alto de nossas vidas, que nos distingue como humanos e pela qual vale a pena lutar. Muitos
até morreram pela liberdade. No entanto, a morte torna nosso pensamento sobrecarregado,
pesado, “preso” e o pensamento se mistura com angústia e agonia. Um filósofo moderno, Martin
Heidegger, ficou célebre por sua curta definição de ser humano: “ser-para-a-morte”. No entanto,
segundo ele, a morte e a finitude que ela revela cruamente, nos permite antecipar uma decisão
vital: ela mostra o “nada” sobre o qual dança a nossa liberdade finita, sem raízes. Podemos, assim,
assumir esta vida limitada como única forma de ser autenticamente livres.
Desejo de imortalidade
Os filósofos anteriores,porém,sobretudo o grande Platão, tomaram uma direção contrária: pela
alma nós somos imortais, embora pelo corpo sejamos mortais. É o “dualismo” de corpo/ alma,
como forma de solução.a alma participaria da esfera divina e imortal por sua forma espiritual,
incorpórea.Na verdade, isso é mais uma opinião, pois que de nós sabe o que é puramente
espiritual, uma vez que tudo em nós, até os sentimentos mais espirituais têm uma base corporal?
Nós não sabemos o que é ser fora do corpo, apesar de todos os esforços exotéricos. É duro ser
autêntico e reconhecer, como fez Heidegger, de que não podemos saber se somos imortais nem
pela alma e que o dualismo grego é antes furto de um desejo. Este desejo de imortalidade pode
estar nas religiões, na filosofia, na ciência, na tecnologia, em tudo o que fazemos. Nós queremos
ser felizes e para garantir a felicidade “para sempre”, desejamos a imortalidade. Se não é imortal, a
felicidade não vale a pena,o balanço de custo-benefício faz o peso da balança afundar nos custos.
Mas desejar ser imortal não é prova de que somos de fato imortais. E a morte dos que amamos
revela o contrário, abre o abismo da morte em que mergulha o amor,um amor que quer ser “para
sempre” e, por isso mesmo, é o que há de mais doloroso na catástrofe da morte.
Gabriel Garcia Marques, prêmio Nobel de Literatura, afirmou que há apenas dois assuntos
pelos quais vale a pena a literatura: amor e morte. Tanto o amor como a morte se encontram como
os maiores inimigos na grande trama e batalha que decide a vida no seu extremo. A ficarmos com
os Cânticos dos cânticos, da Bíblia, o amor é o único capaz de enfrentar a morte de frente, porque
“o amor é forte como a morte”. De certa forma, “amar é morrer”, por que o amor nos joga para fora
de nós mesmos em direção a quem amamos. E exatamente por isso, quando a morte nos toca e
nos aniquila, não nos encontra mais em nós mesmos, não porque já não somos, como pensavam
os epicuristas, mas porque estamos na pessoa amada. A morte não consegue aniquilar o amor,
nem sequer tocá-lo, pois é próprio do amor fazer morrer para si mesmo antes mesmo da morte,
habitando e se abrigando em quem se ama...

Outras histórias sobre morte associadas aos povos e suas culturas:

* Há muito tempo, no Tibete, uma mulher viu seu filho, ainda bebê, adoecer e morrer em seus
braços, sem que ela nada pudesse fazer. Desesperada, saiu pelas ruas implorando que alguém a
ajudasse a encontrar um remédio que pudesse curar a morte do filho. Como ninguém podia ajudá-
la, a mulher procurou um mestre budista, colocou o corpo da criança a seus pés e falou sobre a
profunda tristeza que a estava abatendo. O mestre, então, respondeu que havia, sim, uma solução
para a sua dor. Ela deveria voltar à cidade e trazer para ele uma semente de mostarda nascida em
uma casa onde nunca tivesse ocorrido uma perda. A mulher partiu, exultante, em busca da
semente. Foi de casa em casa. Sempre ouvindo as mesmas respostas. "Muita gente já morreu
nessa casa"; "Desculpe, já houve morte em nossa família"; "Aqui nós já perdemos um bebê
também." Depois de vencer a cidade inteira sem conseguir a semente de mostarda pedida pelo
mestre, a mulher compreendeu a lição. Voltou a ele e disse: "O sofrimento me cegou a ponto de eu
imaginar que era a única pessoa que sofria nas mãos da morte".
* Em certas ordens religiosas católicas, os monges, ao se encontrarem nos corredores do
mosteiro, costumam dizer uns aos outros: "Memento mori", uma expressão latina que significa
"lembre-se de que vai morrer". A saudação – que é o contraponto de "Carpe diem" ("aproveite o
dia") – funciona como um exercício espiritual de aceitação gradual e diária da morte, vendo-a como
uma conseqüência da própria vida e também de preparação para o momento em que ela
acontecer. O contrário disso é o culto ao ego, ao "pequeno eu" que há dentro de cada um de nós,
manifestado na não-aceitação do curso natural dos acontecimentos, quando ele não ocorre como
gostaríamos. E que está presente no indivíduo que tenta se colocar sempre acima do todo a que
pertence. Ao não conseguir fazê-lo, esse "eu" sofre exagerada e desnecessariamente para aceitar
a parte que lhe cabe.
* Uma história antiga ajuda a entender melhor esse processo de pequenas aprendizagens – e
como muitos de nós o ignoram. Um dia, há muito tempo, um homem resolveu fazer um trato com a
Morte. Prometeu a ela que não ofereceria resistência quando sua hora chegasse. Mas pediu, em
troca, que fosse avisado com antecedência porque queria ter tempo suficiente para terminar todas
as suas tarefas. O acordo foi feito. Tempos depois, houve um acidente grave na cidade e muitos
amigos do homem morreram. Anos mais tarde, um vizinho próximo faleceu. Em seguida, foi a vez
de um tio. Até que o homem ficou doente e, em alguns meses, encontrou-se com a Morte. Ela tinha
vindo buscá-lo. Revoltado, reclamou: "Eu pedi que você me avisasse quando viria e não recebi um
sinal!" Ao que a Morte respondeu: "A morte dos seus amigos, do seu vizinho, do seu tio não
bastaram?"
Para quem busca na filosofia maneiras de lidar melhor com a morte, as reflexões finais do
filósofo grego Sócrates – condenado a tomar cicuta, um veneno letal –, realizadas no século V
a.C., representam um excelente exercício de aceitação. "Porque morrer é uma ou outra destas
duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do
que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a
alma, uma migração deste lugar para outro", afirmou Sócrates. Em outras palavras: para quem não
acredita na continuação da vida, a morte é o nada, é a ausência completa de angústias e
desesperos, é o fim das aflições. E para quem acredita na continuação da vida, a morte é a
passagem desta existência para outra melhor. De qualquer modo, a dor estaria na vida e não na
morte.
Quando chegou o momento de beber o veneno, Sócrates disse a seus discípulos, numa última
lição: "Mas já é hora de irmos: eu para a morte e vocês para viverem. Mas quem vai para melhor
sorte é segredo, exceto para Deus."
Mesmo no mundo ocidental, no entanto, sobrevivem tradições que, ao festejar a morte,
celebram a vida. O "Dia dos Mortos", no México, é um exemplo disso. "Ainda existem aldeias que
desenterram os mortos nesse dia. Trata-se de um costume indígena milenar. As refeições são
feitas no cemitério e as crianças ganham doces e bombons em forma de caveiras", diz o historiador
Leandro Karnal, professor de História da América na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp). "No interior do país, sobrevive a prática de conversar com os mortos para colocá-los a
par do que aconteceu durante o ano." As famílias preparam altares para seus falecidos e neles
colocam os objetos de predileção do parente morto: livros, cigarros, comidas, fotografias.
* atitude de festejar a morte também está presente na cultura japonesa. "Povoado do Moinho",
o último episódio do filme Sonhos (1992), do diretor japonês Akira Kurosawa, exibe o confronto
entre a antiga concepção de morte, expressa nos ritos funerários do vilarejo, e a nova,
ocidentalizada, representada por um forasteiro que assiste à cerimônia. O cortejo segue, alegre,
pelas ruas do povoado. Crianças, jovens e adultos cantam e dançam durante todo o trajeto do
enterro. Eles celebram a morte de uma das mulheres mais velhas da aldeia. O clima de festa
surpreende o forasteiro, acostumado – como nós – à atmosfera sombria de boa parte da liturgia
funerária ocidental. Um velhinho centenário, então, explica ao rapaz que é uma honra encontrar a
morte depois de uma existência tão plena como a daquela mulher.
* A morte já foi vista de modo mais familiar pelo Ocidente. E não faz tanto tempo assim.
Até meados do século passado, era costume morrer em casa, cercado por parentes. "A família
reunia-se em volta do leito para ouvir a última palavra daquele que estava morrendo", afirma o
historiador Eduardo Basto de Albuquerque, da Universidade Estadual Paulista, em Rio Claro. "Era
um momento de despedida." Não se ocultava das crianças a morte como se faz atualmente. O
velório também era, na maioria das vezes, realizado em casa – tradição que ainda sobrevive em
algumas cidades do interior do Brasil. "Existiam comidas típicas para a ocasião. Os parentes
preparavam alguns pratos para receber os conhecidos que participavam do enterro”.

Aula 50-51: O Inferno de Dante.
Quando se fala de bem e mal vem à mente a imagem do demônio, um anjo caído, que
rebelou-se contra Deus (porque a divindade dava mais atenção aos símios humanos do que aos
anjos; aliás, por que lúcifer se uniria aos humanos contra Deus?, uma trégua com aqueles que ele
rejeita?), o que sugere uma primeira questão: uma alma sem corpo? Além disso, há um inferno, um
lugar físico? E a afirmação do falecido papa João Paulo II de que o inferno é um estado emocional
que a própria pessoa se coloca? Após assistirmos ao documentário do Discovery Channel sobre a
obra Inferno, do escritor renascentista Dante Alighieri, podemos reforças os assuntos apresentados
com um jogo: alunos versus alunas para ver quem entendeu os assuntos tratados: os círculos do
inferno, a diferença entre fraqueza e maldade, o inferno como um lugar frio, sem a luz divina,
Dante, poeta e político exilado de sua cidade acabou escrevendo esta obra para refletir sobre sua
própria experiência dolorosa, etc.
Há uma entrevista feita com um pesquisador norte-americano - Henry Kelly, da
Universidade da Califórnia à revista Época – que escreveu um livro onde expõe a tese de que o
demônio, antes de ser contrário a Deus, é um auxiliar Dele para nos testar. Além disso, se já não
fosse suficiente, relembra que a tese do pecado original teve origem com Santo Agostinho, no
século IV dC. Quando lemos a história de Jó e toda a sua resignação diante das desgraças que o
afligiam, não percebemos que a tese daquele professor fazia sentido: no texto bíblico fala
claramente que Deus permitiu que o demônio testasse Jô para provar que este era fiel ao criador.
Há, também, algumas religiões que negam o inferno como um lugar físico (A igreja
Congregacionista, Presbiteriana), há os adventistas que negam ainda o purgatório e os
Testemunhas de Jeová que atribuem o nome “lúcifer”, conforme leitura da Bíblia, ao rei da
Babilônia, Nabucodonosor, que não podem deixar de serem citadas.
Ao fim do vídeo fizemos um jogo entre alunos e alunas para que competissem respondendo
a questões sobre o que assistiram.

- Propomos que a turma se divida em dois grupos (pode ser masculino e feminino,
por exemplo) e cada um deles formule cerca de 10 questões sobre o filme. A cada resposta certa,
o grupo receberá “x” pontos, a cada resposta errada, perderá “x” pontos ou não receberá nenhum.



Aula 52: violência.
Há um texto da revista Superinteressante que trata das causas possíveis do
surgimento de psicopatas:

Mente que mata: Por que certas pessoas não conseguem conter o impulso
violento que há em todos nós? O que leva alguns criminosos a ser tão cruéis?
Saiba o que diz a ciência. (extraído da revista Superinteressante/ abril de 2002)

Quem nunca teve vontade de esganar alguém? Por mais zen que possa parecer, ninguém está
livre do arrebatador impulso para a violência. "Assim como em outros animais, a violência faz parte
do ser humano", diz Márcia Regina da Costa, professora de Antropologia da PUC de São Paulo.
"Assim como ocorre com os nossos desejos sexuais, a vida em sociedade exige a repressão de
alguns instintos", afirma o psicólogo paulista Antônio Carlos Amador Pereira, especialista em
desenvolvimento psíquico de adolescentes e adultos. Ou seja: por mais vontade que tenha de
agredir alguém, você tem que renunciar a esse desejo para viver em grupo. "Essa é a diferença
entre a vida selvagem e a civilização".
Mas como explicar os crimes perversos que foram planejados com a tranqüilidade de quem
prepara uma refeição? O que se passa na mente de um seqüestrador que agiu teoricamente em
busca de dinheiro mas que não se conteve e estuprou e queimou sua refém? Segundo a medicina,
psicopatas são, na verdade, portadores do distúrbio de personalidade anti-social."A prevalência
desse distúrbio na população é estimada em 2,5%".Segundo essa proporção, o Brasil teria nada
menos que 4,5 milhões de pessoas nessa condição – o equivalente à soma das populações do
Estado de Mato Grosso e de Sergipe. Muita gente, não? Ainda bem que nem todos os psicopatas
são criminosos cruéis. "Sofrer desse distúrbio não significa necessariamente que a pessoa seja ou
se torne um assassino". Na maioria dos portadores desse transtorno, o comportamento anti-social
se manifesta por traços como egoísmo e falta de escrúpulos. É aquele colega de trabalho que
atropela os outros para subir na vida ou o político que desvia dinheiro de um hospital para crianças
órfãs com câncer para sua conta bancária. "Boa parte dessas pessoas também são psicopatas",
diz Del Nero. "Mas menos de um 1% comete assassinatos cruéis."
O motoboy Francisco de Assis Pereira é um dos que estão nessa lista. Em 1998, ele confessou
ter assassinado dez mulheres no Parque do Estado, em São Paulo. A técnica do "Maníaco do
Parque", como ficou conhecido, era seduzir moças e depois estuprá-las e matá-las por
estrangulamento. Ao confessar seus crimes, Pereira estava com o olhar sereno. Não demonstrou
sinais de emoção ou de arrependimento e disse que, se retornasse às ruas, voltaria a matar. "Os
psicopatas sabem que estão fazendo algo errado", afirma o psiquiatra americano Jonathan Pincus.
"Eles simplesmente não sentem que estão fazendo algo errado."
Mas, afinal, qual a origem desse transtorno? O chamado psicopata nasce assim ou é fruto do
ambiente em que vive? Até hoje, os pesquisadores se dividem. De um lado estão os que procuram
encontrar no cérebro a origem da sociopatia. Uma pesquisa analisou imagens computadorizadas
de cérebros de sociopatas e sugeriu que eles apresentam algumas alterações no córtex frontal, a
parte do cérebro que fica logo abaixo da testa e que é considerada responsável por nossa
capacidade de sentir emoções. Resta saber se essa alteração é genética ou fruto de algum
distúrbio psicológico adquirido.
Do outro lado estão os que acreditam que a insensibilidade dos psicopatas é fruto de um
trauma, como violência ou abuso sexual na infância. Enfim, um problema de software e não de
hardware. Outro ponto polêmico que divide os especialistas é o papel da pobreza na formação de
assassinos frios. "Em regiões pobres, há mais famílias desestruturadas, mais abuso e violência
infantil e, conseqüentemente, mais assassinos frios." Para o psicólogo Antônio Carlos Amador
Pereira, da PUC de São Paulo, esse elo é mais direto: "Viver numa sociedade que celebra o
consumo e se sentir excluído dessa festa é claro que torna uma pessoa muito mais vulnerável ao
ódio e à violência", diz. "Por que você acha que alguns seqüestradores vão direto a um shopping
center depois que recebem o resgate?" Além do consumo, o psicólogo diz que a violência tem
outro atrativo para jovens excluídos: a sensação de poder. "Com uma arma na mão, uma pessoa
se sente uma espécie de Deus, com o poder sobre a vida e a morte de outro ser humano", diz o
psicólogo. "É preciso que a violência deixe de ser encarada como a única forma, ainda que breve,
de viver intensamente."

Quatro tipos de matadores:
TED KACZYNSKI (UNABOMBER)
CRIME - Matou três pessoas e feriu 16 enviando bombas pelo correio a executivos de empresas de tecnologia.
DIAGNÓSTICO - Esquizofrênico. Apesar de ser uma situação rara em alguns casos essa doença mental pode ser o
estopim para a violência.

JEFFREY DAHMER
CRIME - Matou 17 rapazes e comeu seus órgãos.
DIAGNÓSTICO - Psicopata. Dahmer tem todos os traços do portador de distúrbio de personalidade anti-social (o
chamado psicopata). Quando foi preso, em 1991, mostrou os corpos que mutilava e comia sem manifestar emoção.

CHARLES MANSON
CRIME - Participou do assassinato e mutilação de mais de cinco pessoas – entre elas Sharon Tate, mulher do
cineasta Roman Polanski, que estava grávida de oito meses.
DIAGNÓSTICO - Abuso na infância. Não conheceu o pai e a mãe ficou presa por roubo durante boa parte da
infância de Charles.

MATEUS DA COSTA MEIRA
CRIME - Em 1999, disparou uma submetralhadora contra a platéia de um cinema em São Paulo. Três pessoas
morreram e cinco ficaram feridas.
DIAGNÓSTICO - Surto causado por drogas. Mateus tinha consciência do que fazia e não foi considerado psicopata.
Tinha problemas de personalidade e usava cocaína no momento do crime.

Por que as pessoas se drogam?
O sentido de usar drogas varia de cultura para cultura e de momento para momento. Mas, por
trás de todas as nuanças, o interesse do usuário é sempre o mesmo e o mais óbvio possível: a
busca do prazer. E droga dá prazer, não há como negar. Por que, então, algumas pessoas usam
drogas e outras não? E por que algumas pessoas usam uma droga e viciam, e outras não?A droga
dá prazer, mas não para qualquer um. Tem gente que não gosta da sensação de ficar com a
consciência alterada. Essas pessoas não voltarão a usar, porque ninguém fica dependente de algo
que cause desprazer. O que prova que não é o acesso à droga que gera o uso, diz o psiquiatra
Dartiu Xavier.
O conhecimento humano ainda não permite saber, de antemão, quem vai virar dependente de
uma substância. Mas as pistas indicam que os dependentes de droga têm dificuldades em sentir
prazer e encontram nas drogas um alívio para o sofrimento que os atormenta emocionalmente.
O uso precoce é um dos fatores de risco mais importantes. Até os 16 ou 18 anos, a
personalidade do jovem ainda não está desenvolvida, ele ainda está tentando encontrar sua forma
de se relacionar com o mundo. Oferecer a ele uma fonte instantânea de prazer pode ofuscar sua
visão para outros mecanismos saudáveis que, tanto quanto as drogas, têm o poder de alterar sua
consciência e seus sentimentos, como os esportes, os estudos e as atividades artísticas.
Famílias pouco afetivas também povoam o histórico de muitos usuários regulares. É como se o
sujeito possuísse um déficit afetivo, uma sede do prazer negado pela família. Essa lacuna ele vai
ocupar de alguma maneira, muitas vezes com drogas.
Por fim, a prevalência de transtornos psíquicos entre usuários reforça a tese de que as drogas
trazem alívio a quem as consome. Depressão, pânico, distúrbio de atenção e quadros de
ansiedade são mais comuns entre usuários de droga. E, em geral, precedem o uso. Em São Paulo,
uma pesquisa com 523 usuários de drogas identificou que 44% tinham doença depressiva. Desses,
77% já sofriam de depressão antes do contato com drogas. Ou seja: o uso de drogas
é conseqüência e não causa desse desequilíbrio, desse desespero emocional.
A pressão social também favorece o uso de drogas. Mas não se trata, aqui, da influência de
más companhias e, sim, de algumas das mensagens transmitidas à sociedade. Entre outros
recados, ensina-se às crianças que a felicidade está ligada ao consumo e que a tristeza e a solidão
devem ser eliminadas. Estamos dizendo que a felicidade pode ser comprada e que tristeza e
solidão devem ser evitadas a qualquer preço. Se você parar para pensar, a relação doentia entre
consumidores e produtos é igual à que existe entre os dependentes e as drogas, diz Dartiu Xavier.
Para Richard Davenport-Hines, que estudou a relação entre os homens e as drogas ao longo
da história, o ser humano consome drogas porque isso simplesmente faz parte da sua natureza.
Seres humanos precisam ocasionalmente de momentos de fuga da sua existência costumeira.
Alguns escalam montanhas, outros entram para monastérios, outros ficam completamente bêbados
e alguns usam drogas. Não há nada natural em estar sóbrio.
Duelo de idéias:
Por que usar drogas deve constituir um crime

1 Fazem mal à saúde
Maconha provoca câncer, cocaína aumenta as
chances de isquemia e ataque cardíaco. Além
disso, o uso de drogas reduz a auto-estima e
aumenta a chance de depressão

2 Causam dependência
Cocaína, heroína e maconha causam vício com
o uso freqüente. Estatísticas indicam que
até 10% dos usuários de maconha ficam
dependentes

3 Incitam a violência
Na Holanda, 5 000 dos 25 000 dependentes de
drogas são responsáveis por cerca de metade
dos crimes leves. Na Inglaterra, eles respondem
por 32% da atividade criminal

4 As mais leves levam às mais pesadas
Quase todos os usuários de drogas pesadas já
consumiram maconha. O governo americano diz
que fumar maconha aumenta em 56% a chance
de consumo de outra droga

5 Sem punição, o uso vai aumentar
A Holanda liberou o uso de maconha e ele subiu
400%. Nos Estados Unidos, o uso de álcool caiu
50% com a Lei Seca (1920-33) e só voltou ao
nível anterior em 1970

6 Causam prejuízo à sociedade
Usuários de drogas consomem mais recursos do
sistema público de saúde e têm produtividade
menor

7 Pervertem quem as usa
O uso da droga transforma pessoas produtivas
em indolentes, responsáveis em
inconseqüentes, cidadãos em párias
Por que as drogas devem ser descriminalizadas

1 A criminalização faz mal à saúde
Tratar o uso como crime mantém os usuários
longe do serviço de saúde. E o produto ilegal,
vendido sem controle, é tão perigoso para a
saúde quanto remédio sem bula

2 Repressão não cura dependência
Criminalizar o uso afugenta os usuários
ocasionais, mas não os viciados. E encarcerar
dependentes não os livra da droga. Há tráfico
nas cadeias

3 Criminalidade cairia
A maior parte dos crimes relacionados a drogas
decorre do comércio ilegal, não do uso ou do
efeito psicoativo das substâncias. Além disso, o
tráfico financia a compra de armas

4 As mais leves não levam às mais pesadas
As pesquisas que fazem essa associação não
são conclusivas. Como explicar, por exemplo,
que a maioria das pessoas que usa maconha
não migra para drogas mais pesadas?

5 Descriminalizar reduz os danos
Descriminalizar não significa liberar, apenas
parar de tratar o usuário como criminoso. A
droga pode continuar proibida e o uso pode ser
combatido com campanhas educativas

6 A sociedade nada ganha com a criminalização
Hoje, quem lucra são os produtores, os
traficantes, o mercado financeiro, a indústria de
armas e as forças de repressão

7 Cada um faz o que quer consigo mesmo
Ninguém tem o direito de dizer o que cada
pessoa faz com o próprio corpo, desde que não
cause prejuízo a ninguém

Há algumas idéias que o professor pode mencionar para estimular um debate sobre as
origens da violência: assim como a bondade, segundo Sócrates, isto é, não nasce conosco, nem é
aprendida, a violência teria a mesma origem, seria aprendida a partir das nossas experiências? Um
bebê nasce violento? Em que experiências somos violentos sem nos darmos conta? Há graus de
violência? Alguns dados sobre as meninas-lobo:
Lembro de ter lido na internet que os ratos, camundongos e ratazanas quando em
grande número (superpopulação) devoram seus filhos, matam-se uns aos outros, mutilam-se. Até
que ponto podemos comparar a humanidade a estas superpopulações de animais ditos irracionais?
Vi certa vez meu gato de estimação sentindo dor (estava com obstrução urinária e,
por isso, não conseguia urinar): sua expressão era a mesma que eu observei quando ele se
preparava, anos antes, para brigar com outro gato. Pergunto: a raiva que sentimos por uma pessoa
ou por um fato não é uma sensação de dor?
Um bom filme que mostra as causas da violência urbana e a reação violenta das forças do
Estado para conter a violência marginal (fora da lei) é “tropa de elite”. Na base desta
guerra civil, de um lado está a população desempregada que vê nas drogas um meio de renda e,
de outro, jovens e adultos de classe média e alta, consumidores de drogas.
Quando escrevíamos este texto, ocorreu um fato que entristeceu o país: uma jovem (chamada
Eloá) ficou refém (foto agência Estado) de seu –ex-namorado mais sua amiga de escola (Nayara).
Após quase cinco dias de negociação, ele atirou nas duas, sendo que Eloá não resistiu e morreu.
Isto nos chocou tanto que resolvemos tratar deste fato em sala de aula, buscando junto com os
alunos pelas causas: erro da polícia? o jovem já tinha problemas antes, desde criança?, e
educação familiar, dos seus pais?, quando a primeira briga ocorreu entre os namorados, não
deveriam ter registrado queixas na delegacia? Etc. Tivemos muito boa receptividade dos alunos e,
creio que eles ampliaram os seus diferentes pontos-de-vista, indo além da tendência natural de dar
uma primeira resposta.

E, finalmente, como agir frente à violência? ( )esconder-se ( ) armar-se e vingar-se quando
for oportuno ( ) mudar as leis ( ) suportar as dores ( ) não ostentar bens materiais

Aliás, sobre as leis, podemos debater os principais crimes e suas penas. Por que cada um tem
uma pena diferente? Observemos os crimes relacionados à vida e ao patrimônio: que penas são
maiores? Outras questões podem ser formuladas: filosofar é questionar, fazer perguntas
difíceis de responder!

Código civil (dia 1º de janeiro de 1942), Presidente Getúlio Vargas

Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

Aborto: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
Atentado violento ao pudor Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
Calúnia (falso crime) Pena - detenção, de seis (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Causar epidemia Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos.
Cometer adultério Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses.
Difamação (reputação) Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Dano (Destruir, inutilizar coisa alheia) Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Estelionato (meio fraudulento) Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
Estupro Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
Expor ou abandonar recém-nascido Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
Falsificação, adulteração de alimentos Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Furto (subtrair coisa alheia) Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Homicídio simples Pena - reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
Homicídio qualificado Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Homicídio culposo Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Injúria (ofensa à dignidade) Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Lesão corporal Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
Lesão corporal de natureza grave Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.
Lesão corporal seguida de morte Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Manter casa de prostituição Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Maus-tratos Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
Moeda Falsa Pena - reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa.
Omissão de socorro Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Porte ilegal de arma de fogo Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Receptação Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Roubo (grave ameaça a pessoa) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
Sedução (mulher virgem, menor de 18) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.
Seqüestrar (pedir vantagem ou resgate) Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 20 (vinte) anos. (+ 24h, bando)
Pena - reclusão, de 16 (dezesseis) a 24 anos. (lesão)
Pena - reclusão, de 24 (vinte e quatro) a 30 (trinta) anos. (morte)

Observação: Aristóteles define a lei como “a inteligência sem paixão”. O que
você acha disto? A lei é 100% racional, sem envolver emoções? Para aquele filósofo há 2 tipos de
leis: “os homens vivem sob leis escritas e outras eternas, como quando Sófocles contou a história
de Antígona que, contra o rei Creonte, quis enterrar o irmão, acusado de trair a pátria, realizando
uma lei natural, de prestar honras aos mortos da família”. Qual a sua opinião sobre isto?

Eis dois textos sobre a origem do Estado e dos três poderes:

Para que serve o Estado? Texto Superinteressante (Anarquismo)
No século 17, o Estado nasceu por duas concepções principais. A primeira foi a do inglês
Thomas Hobbes. Ele dizia que os homens viviam no chamado estado de natureza, em que os
temores e as paixões provocavam uma luta de todos contra todos. Para se proteger, não haveria
outra saída que se submeter a um governo com o monopólio da força, que Hobbes comparava com
um monstro da Bíblia chamado Leviatã. É simples: as pessoas abrem mão de parte da liberdade
em troca de proteção.
A segunda concepção vem da Paz de Westphalia, um tratado firmado em 1648 que fez do
Estado a mais importante unidade política da Europa, acima da Igreja e dos indivíduos. "Ao
contrário da barganha indivíduo-Estado pensada por Hobbes, esta era entre os países. Ou seja: eu
reconheço que você existe e não interfiro dentro de suas fronteiras", diz o sociólogo Michael Stohl,
da Universidade de Purdue, EUA. Em outras palavras, os Estados nacionais ganharam soberania.
Hoje, esses dois modelos vivem uma grande crise. O Estado não protege um cidadão contra
o outro, como provam os ataques do PCC em São Paulo. Ao mesmo tempo, a soberania de muitos
países não passa de ficção. Haiti, Somália, Congo e vários outros não conseguem exercer controle
nem fornecer serviços em amplas partes de seu território. Nem os superestados, como os EUA e
os países da União Européia, exercem o controle do passado. "No fim do século 19, a rainha da
Inglaterra governava 20% do território e da população do planeta", diz o sociólogo Fareed
Zacharia, editor da revista Foreign Affairs. Nessa época, a supremacia era feita na base de navios
e telégrafos; hoje, com os aviões e a internet, os Estados já não cercam as pessoas como antes.
"A tecnologia permite que os indivíduos driblem o controle do fluxo de produtos, dinheiro e
informação", diz a cientista política americana Janice Thompson no livro Mercenaries, Pirates and
Sovereigns ("Mercenários, Piratas e Soberanos", inédito no Brasil).
O Estado também não é um guardião de identidade nacional. A interação entre pessoas de
diferentes países está levando à construção da chamada identidade cosmopolita. "Além de se
considerar cidadãos de um país, muita gente se identifica com outros valores. A identidade
nacional não desaparece, mas convive com uma nova, numa espécie de dupla nacionalidade", diz
Kathryn Sikkink, da Universidade de Minnesota.
Essa crise já se reflete nos governos e nas pessoas. Na Suíça, a figura do vereador dá lugar
à do conselheiro voluntário, mais envolvido com a comunidade. Outros exemplos mostram que as
pessoas já não querem depender do governo para resolver problemas como luz, água, tipo de
educação e segurança. Em setembro, 10 mil pessoas assistiram a um show de rap para festejar os
34 anos da favela Godói, em São Paulo. Não havia um só policial para tomar conta: os próprios
moradores revistaram as pessoas na entrada. Duas semanas depois, 34 artistas transformaram
uma biblioteca pública meio abandonada, a Adelpha Figueiredo, em uma belíssima galeria de arte,
onde funciona o Projeto Pari. Detalhe: a exposição não tem curador.

Os três poderes. Escrito por Márcio Zoratto Gastaldo (revista Mundo Jovem)
O que é poder? Inicialmente, devemos definir que o poder aqui tratado é o direito de
deliberar, agir e mandar. As palavras “autoridade”, “soberania”, “império”, “domínio” e “influência”
são todas sinônimos desse conceito. A teoria da tripartição dos poderes surgiu de Aristóteles, na
sua obra “Política”. No século XVII, John Locke reconheceu a importância das três funções
distintas no poder estatal, no “Segundo tratado sobre o governo civil”.
Foi Charles de Secondat ou Barão de Montesquieu, no entanto, quem consagrou a teoria.
Ele escreveu, em 1748, o livro “O espírito das Leis” que, “segundo uma experiência eterna, todo
homem tende a abusar do poder que lhe foi atribuído, só não o fazendo se encontrar limites à sua
ação”. E, para que ninguém possa abusar do poder é necessário que, pela disposição das coisas,
o poder limite o poder”. Esse sistema de controle entre um poder e outro também é conhecido
como “sistema de freios e contrapesos”.
O artigo 2
o
de nossa Constituição determina que “são poderes da União, independentes e
harmônicos entre si, o Legislativo,o Executivo e o Judiciário”. Mas, na prática, como isso funciona?
O poder Legislativo tem a função de elaborar as normas jurídicas ou as leis que regem o
povo. Ele é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara de Deputados
(representantes do povo, com mandato de quatro anos) e do Senado federal (representantes dos
Estados e do Distrito Federal, com mandato de oito anos). Nos Estados e municípios, o poder
Legislativo é exercido pela Assembléia Legislativa (deputados estaduais) e pela Câmarade
Vereadores, respectivamente. O poder executivo administra o país de acordo com as leis, fazendo
executa-las pelos diversos órgãos da administração e exigindo seu cumprimento por parte do povo.
É exercido pelo presidente da república, auxiliado pelos ministros de Estado. Nos Estados e
Municípios é exercido, respectivamente, pelo governador e pelo prefeito, ambos auxiliados por
secretários.
O poder judiciário tem a função de julgar e decidir, de acordo com as leis, as questões ou
dissídios entre os indivíduos ou entre indivíduos e as autoridades, fiscalizando a aplicação das leis.
É exercido pelos seguintes órgãos: Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça,
Tribunais Regionais Federais e Juízes federais, Tribunais e juízes do trabalho, Tribunais e juízes
eleitorais, Tribunais e juízes militares e Tribunais e juízes dos Estados e do Distrito Federal.
Para que possa haver harmonia cada poder exerce e sofre limitações. Na realidade, o que
se tem percebido é uma interferência grande de um sobre o outro. Um exemplo disso é a grande
quantidade de Medidas Provisórias, editadaspelo presidente e submetidas ao Congresso Nacional
(em 17 anosdesta Constituição,são mais de 6300 medidas editadas e reeditadas). Em teoria o
controle entre os poderes ocorre da seguinte forma:
* Poder Legislativo: controla o judiciário participando da escolha dosmembros dos tribunais
superiores,julgando os ministros do STF nos crimes de responsabilidade e fiscalizando como é
gerenciado o dinheiro pelo poder Judiciário; controla o Executivojulgando o presidente da
república, o vice e os ministros de Estado,noscrimes de responsabilidade, apreciando as contas do
presidente e dos demais órgãos da administração pública, podendo convocar ministros para
prestar contas e criar comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para apuração de
fatosrelevantes.
* Poder Executivo: controla o Judiciário nomeando ministros do STF e dos demais tribunais
superiores; controla o legislativo participandona elaboração dasleis, através da sanção (aprovação)
ou o veto (rejeição) dos projetos aprovados pelo legislativo e participando da escolhados ministros
do Tribunal de Contas da União.
* Poder Judiciário: controla o Legislativo conferindo a constitucionalidade das leis e atos
administrativos, julgando os membros do congresso Nacional noscrimes comuns e os membros do
Tribunal de Contas da União nos crimes comuns e de responsabilidade; controla o poder executivo
cuidando da constitucionalidade das leis e atos administrativos, julgando o presidente, o vice e os
ministros noscrimes comuns e julgando os ministros, também, noscrimesde responsabilidade,
quando esses não forem conexos com crimes atribuídosao presidente ou ao vice.

É importante lembrar Em 1º de Dezembro de 1955, em Montgomery, no estado
americano do Alabama, Rosa Parks, de 42 anos recusou-se a ceder seu lugar a um homem. O
homem que ela deixou em pé era branco. Rosa Parks foi presa por desobedecer às leis que
estabeleciam a distinção racial, mas a repercussão do caso deu origem a um boicote aos ônibus
coordenado pelo reverendo Martin Luther King. O protesto durou 381 dias e terminou com uma
decisão histórica da Suprema Corte, declarando inconstitucionais todas as formas de segregação
nos ônibus.
O detalhe é que naquele dia, voltando para casa depois de um dia inteiro de trabalho, Rosa se
sentou na área do ônibus destinada aos negros. Mas uma lei local determinava que, se não
houvesse assentos vagos entre os reservados aos brancos (na parte da frente do veículo), estes
podiam ocupar o lugar de um negro. O movimento civil que Rosa Parks detonou foi um dos mais
importantes da história da luta contra o racismo nos Estados Unidos.
As reivindicações eram relativamente modestas: eles queriam ser tratados com
cortesia, sem a obrigação de ceder lugar aos brancos, e pediam a contratação de
motoristas negro. As autoridades não os atenderam. A reação nada teve de pacífica. Houve
casos de constrangimento policial e bombas explodiram em casas de líderes negros. A batalha, no
entanto, seria ganha e marcaria o nascimento de uma liderança negra fundamental.
Viu como um pequeno gesto pode mudar a História? (Fonte: luzdeluma.blogspot.com)

------------------------------------------

Nos anos 1960, jovens americanos queimavam as convocações para ir lutar no Vietnã,
explicando, em atos públicos, porque eram contrários a guerra dos Estados Unidos contra aquele
país. podem-se citar (também) as diversas campanhas do líder indiano Mahatma Gandhi, na
campanha pela independência de seu país. Gandhi incorporou à noção de desobediência civil o
caráter de não-violência. A desobediência civil é feita de atos pacíficos e seus praticantes não
reagem à repressão quando a ela são submetidos.
O argumento filosófico que fundamenta a desobediência civil é o seguinte: o cidadão só tem o
dever moral de obedecer às leis, se os legisladores produzirem leis justas. Em 1849, Henry David
Thoureau escreveu o ensaio sobre “Desobediência civil”, depois que se recusou a pagar impostos
ao país, porque este gastava os recursos em uma guerra injusta contra o México. Assim, ele
substituiu os discursos de protesto por uma ação visando dar exemplo aos outros cidadãos. (Fonte:
blog.itarare.com.Br)

Como surgiram as sociedades?
Para Aristóteles, a primeira (1
a
) forma de sociedade (doméstica) é aquela que se
estabelece entre um homem e uma mulher, que possuem uma casa e um boi. Quando há muitas
famílias, dá-se o nome de (2
a
) “vila” ou “homogalates” (do mesmo leite), pois a vila é, em geral,
composta de descendentes de uma família e, por isso, eram governadas por um rei, porque a
família é governada pelo mais velho, assim como, o marido dá as regras a esposa e aos filhos. E
quando há muitas “vilas” juntas surge a terceira (3
a
) forma de sociedade: a cidade (polis), que é o
fim e a perfeição do governo. Sendo a cidade uma produção da natureza, o próprio homem é um
animal “político”, isto é, é um ser destinado pela natureza a viver em sociedades.
E por quê? Bom, a natureza, diz ele, nada faz em vão (sem um sentido): somos capazes de
falar, ao falar expressamos nossos sentimentos de prazer e dor, dizer o que é justo e o que é
injusto, percebe o que é bom e o que é mau (diferente dos outros animais). É a participação nestes
sentimentos comuns que faz com que desejemos viver em famílias e em cidades. Haveria outro
motivo: a amizade, é ela que conduz os homens a viver em cidades, associações que visam a uma
vida boa, feliz. Já um homem que não vive em sociedade ou é inferior ou é superior aos demais, ou
é um animal selvagem, ou é um deus.
Aristóteles diz mais: a cidade é o todo e as famílias são suas partes, como a mão é parte do
corpo, o todo é anterior que as suas partes e mais importante. E é na vida em uma cidade que se
estabelece o critério do que seja o certo. Tal teoria não difere muito da de Thomas
Hobbes, embora um pensador tenha vivido no século IV aC e este último, no século XVI. Para
Hobbes, é o governante que estabelece o que é o certo e o que é o errado,mas somente a partir da
promulgação das leis!

Uma outra maneira de ver a origem de uma sociedade – a brasileira – é ler o livro “O
povo brasileiro”, do pensador Darcy Ribeiro, em 1996. Eis alguns trechos:

A invasão do Brasil: A revolução mercantil em Portugal e Espanha estimularam à procura por
novas terras, onde extraíssem matéria-prima e riquezas. Tal expansão recebeu o apoio da Igreja
Católica (1454), que via aí a oportunidade de expandir o catolicismo, tarefa que Deus teria dado ao
homem branco. Portugal e Espanha “gastaram gente aos milhões”, “acabaram com florestas,
desmontam morros a procura de minerais (estima-se que foram levados para Europa 3 milhões de
quilates de diamantes e mil toneladas de ouro), “só a classe dirigente permanece a mesma,
predisposta a manter o povo gemendo e produzindo ”, não o que os povos colonizados querem ou
precisam, mas o que eles impõem à massa trabalhadora, que nem mesmo participa da
prosperidade.
Para os índios aqueles homens brancos eram gente do Deus-Sol (o criador ou Maíra), mas esta
visão se dissipa: “como o povo predileto sofre tantas privações?”, se referindo às doenças que os
europeus lhe trouxeram –coqueluche, tuberculose e sarampo, para as quais não tinham anticorpos.
Assim, muitos índios fogem para dentro da mata e outros passam a conviver com os seus novos
senhores. Outros, deitavam em suas redes e se deixavam morrer ali. Aos olhos dos índios, por que
aqueles oriundos do mar precisavam acumular todas as coisas? Temiam que as florestas fossem
acabar? Em troca lhes davam machados, canivetes, espelhos, tesouras, etc. Se uma tribo tinha
uma ferramenta, a tribo do lado fazia uma guerra pra tomá-la.
No ventre das mulheres indígenas começavam a surgir seres que não eram indígenas, meninas
prenhadas pelos homens brancos – e meninos que sabiam que não eram índios... que não eram
europeus. O europeu não aceitava como igual. O que eram? Brasilíndios, rejeitados pelo pai,
europeu, filhos impuros desta terra, e pela mãe, índia. São também chamados de “mamelucos”,
nome que os jesuítas deram aos árabes que tomavam crianças dos pais e as cuidavam em casa.
Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos, dão nome a cada rio...
Eles aprenderam, dominaram parcialmente uma sabedoria que os índios tinham composto em dez
mil anos. Estes mamelucos eram caçadores de índios, para vender ou para serem seus escravos.
“A grande contribuição da cultura portuguesa aqui foi fazer o engenho de açúcar... movido por
mão-de-obra escrava. Por isso, começaram a trazer milhões de escravos da África. Metade morria
na travessia, na brutalidade da chegada, de tristeza, mas milhões deles incorporaram-se ao Brasil”.
O custo do tráfico de escravos nos 300 anos de escravidão foi de 160 milhões de libras-ouro, cerca
de 50% do lucro obtido com a venda do ouro e do açúcar . Os escravos negros vinham para o
Brasil e eram dispersados por esta terra, evitando que um mesmo povo (ou etnia) permanecesse
unido. Embora, iguais na cor, falavam línguas diferentes, o que os força a aprender o português, o
idioma do seu capataz. Em geral, aos 15 anos eram aprisionados como escravos, trocados por
tabaco, aguardente e bugigangas, trabalhavam por 7 a 10 anos seguidos e morriam de cansaço
físico. Sofria vigilância constante e punição atroz. Havia um castigo pedagógico preventivo, mas
também mutilação de dedos, queimaduras, dentes quebrados, 300 chicotadas para matar ou 50
por dia, para sobreviver. Se fugia, era marcado a ferro em brasa, cortado um tendão, tinha uma
bola de ferro amarrada ao pé ou então, era queimado vivo. Eles fizeram este país, construíram ele
inteiro e sempre foram tratados como se fossem o carvão que você joga na fornalha e quando você
precisa mais compra outro”.
“Todos nós somos carne da carne daqueles pretos e índios (torturados) e a mão possessa que
os supliciou”... “A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós
a gente sentida/ sofrida ”... Estima-se que em 3 séculos, o Brasil importou entre 4 a 13 milhões de
africanos. Um e cada quatro, eram mulheres – “eram o luxo que se davam os senhores e o
capatazes, as mucamas, que até se incorporavam à família (ex : Chica da Silva), como ama de
leite. Chegavam a provocar ciúme nas senhoras brancas, que mandavam arrancar seus dentes.
Em 1823, em uma revolta em Pernambuco, organizada por barbeiros, boticários, alfaiates,
artesãos, ferradores, etc, armados de trabucos, uma “multidão de gente livre e pobre” cantava
assim: “marinheiros (portugueses) e caiados (brancos). Todos devem se acabar, porque os pardos
e o pretos, o país hão de habitar”.
As classes sociais no Brasil lembram um funil invertido e não uma pirâmide, como em outros
países. O Patronato, o Patriciado e o Estamento gerencial são as classes dominantes. O
Patronato, empresários que exploram economicamente empregados, O Patriciado, tem poder de
mando devido a seu cargo, como generais, deputados, bispos, líderes sindicais, O Estamento
gerencial de empresas estrangeiras, tecnocratas competentes que controlam a mídia, forma a
opinião pública, elege políticos. Abaixo desta cúpula, estão as classes intermediárias ou os
“setores mais dinâmicos”, são propensas a prestar homenagem às classes dominantes, mantém a
ordem vigente e são constituídas de pequenos oficiais, profissionais liberais, policiais, professores,
baixo-clero, etc. A seguir, vem as classes “subalternas” ou “núcleo mais combativo”, composta por
operários de fábricas, trabalhadores especializados, assalariados rurais, pequenos proprietários,
arrendatários, etc. Preocupam-se em proteger o que conquistaram. Depois, há uma grande massa
de oprimidos, o “componente majoritário” (que predomina), enxadeiros, bóias-frias-, empregadas
domésticas, serviços de limpeza, pequenas prostitutas, biscateiros, delinqüentes, mendigos, etc,
em geral, analfabetos. Para Darcy Ribeiro, os escravos de hoje são essas pessoas
“subassalariados”, que infundem, com sua presença, “pavor e pânico” pela ameaça de insurreição
(revolução) social e só são capazes de “explosões” de revolta, mas, em geral, aceitam seu destino
de miséria, pois são incapazes de se organizarem politicamente, como em sindicatos.
Houve um conflito entre os jesuítas e os mercadores que escravizavam os índios, como “gado
humano”, quase um bicho: e da ameaça de extinção dos índios, jesuítas construíram missões onde
poderiam ensinar o catolicismo. Para Darcy Ribeiro, as missões foram uma primeira experiência
socialista.
Com o desemprego na Europa, no século 19, vêm para cá 7 milhões de pessoas. Quando da
chegada de outros povos imigrantes como italianos, alemães, japoneses, etc, a população
brasileira já era numericamente maciça (quatorze milhões de brasileiros) e definida etnicamente
quando absorveu a cultura e a raça dos imigrantes, diferente dos europeus que foram para a
Argentina caíram em cima do povo argentino, paraguaio e uruguaio que haviam feito seus países,
que eram oitocentos mil, e disso saiu um povo europeizado.
Só não ocorreu secessão (fragmentação, independência dos estados) do Brasil, porque “em
cada unidade regional, havia representações locais da mesma camada dirigente (classe social)”...
“Tal é o Brasil de hoje, na etapa que atravessamos na luta pela existência. Já não há índios
ameaçando seu destino. Também negros desafricanizados se integraram nela com um contingente
diferenciado, mas que não aspira a nenhuma autonomia étnica. O próprio branco vai ficando cada
vez mais moreno e até se orgulha disso”
Pergunta Darcy Ribeiro: “Por que alguns povos, mesmo pobres na etapa Colonial, progrediram
aceleradamente, integrando-se à revolução industrial, enquanto outros se atrasam?”. Sua
explicação: os povos transplantados, como os norte americanos que vieram da Inglaterra, já se
encontram prontos, mas, os povos novos, que vão se construindo mais lentamente, como o Brasil,
com a mistura de índios, negros e brancos. ... Um aglomerado de índios e africanos, reunidos
contra a vontade e a administração local, sob controle dos neo-brasileiros, filhos de europeus e
índias ou negras, dependentes da metrópole (Portugal). Os três séculos de economia agrária no
Brasil “moeram e fundiram as matrizes indígena, negra e européia em uma nova etnia” (p.261). O
povo brasileiro tem “erupções de criatividade”: no culto a Iemanjá, que se cultuava no dia 2 de
fevereiro na Bahia e 8 de março em São Paulo, no RJ, foi alterado para 31/dezembro. Temos a
primeira santa que tem relações sexuais. Isso é uma coisa fantástica! Um povo que é capaz de
inventar uma coisa destas! Nunca houve depois da Grécia! À Iemanjá não se pede a cura da Aids,
mas um amante carinhoso ou que o marido não bata tanto. O negro guardou sobretudo sua
espiritualidade, sua religiosidade, seu sentido musical. (O brasileiro é) um povo singular, capaz de
fazer coisas, por exemplo, a beleza do Carnaval carioca, que é uma criação negra, a maior festa da
Terra!.
O antropólogo identificou nas regiões do Brasil 5 tipos de mestiços ainda existentes hoje:

1. O Brasil Crioulo: representado pelos negros e mulatos na região dos engenhos de açúcar
no nordeste brasileiro, nas terras de Massapé e no recôncavo baiano. Depois da abolição, o ex-
escravo ganhava um pedaço de terra (fica como um agregado da fazenda, em terra dos outros)
para produzir comida e comprar sal, panos e satisfazer necessidades mais elementares. No século
19, a roda d´água e a tração animal são substituídas pela máquina a vapor e os senhores de
engenho são substituídos por empresas bancárias. Em 1963, com a ditadura militar, houve o
retorno ao antigo poder dos senhores das fazendas (patronato), que reagiram ao projeto de
pagamento de salário mínimo, através da elevação do preço do açúcar.

2. O Brasil Caboclo: no século 19 e últimas décadas do séc. 20, foram para a Amazônia 500
mil nordestinos (fugindo da seca) para trabalhar com extração de látex (borracha) das seringueiras
e, por isso, mais da metade dos caboclos que já viviam deste trabalho, foram desalojados para as
cidades de Belém e Manaus, perdendo-se a sabedoria milenar de viver nas florestas que eles
herdaram dos índios. Em cada seringal, os mestres ensinam a sangrar a árvore sem matá-la,
colher o látex e depois defumá-lo em bolas de borracha. Em cada 10-15 km raramente se encontra
200 seringueiras. Percorre-se, ainda hoje, duas vezes por dia uma mesma estrada: de madrugada
para sangrar as árvores e ajustar as tigelas ao tronco e na segunda vez, para vertê-las num galão
que levará para o rancho. Depois, trabalha na tarefa de coagulação do látex. Além de coletor,
dedicava-se à caça e à pesca e protegia-se das flechas dos índios.
Nos primeiros anos da presença dos portugueses na Amazônia, índios são escravizados para
buscarem na mata as “drogas da mata”, as especiarias, os produtos que a floresta oferece, como
cacau, cravo, canela, urucu, baunilha, açafrão, salsa parrilha, sementes, casacas, tubérculos, óleos
e resinas - eles “foram o saber, o nervo e o músculo dessa sociedade parasitária”. E isto porque
nenhum colonizador sobreviveria na mata sem esses índios que eram “seus olhos, mãos e pés”.
Há também a extração de minérios como manganês, no Amapá, e Cassiterita, em Rondônia e
na Amazônia, exploradas por uma multinacional americana – a Bethlehem Steel, cujo custo pago
por ela é apenas aquele que ela gasta para extrair e transportar o minério. Militares alemães
sugeriram a Hitler que a conquistasse, como importante ponto para a expansão germânica. Os
Estados Unidos propuseram à ditadura militar brasileira o uso da Amazônia por 99 anos para
estudos.

3. O Brasil Sertanejo: No sertão encontra-se uma vegetação rara confinada de um lado pela
floresta da costa do atlântico, pela Amazônia e ao sul pela zona da mata. Nas faixas de florestas,
há palmeiras de buriti, carnaúba, babaçu, pastos raros e arbustos com troncos tortuosos devido a
irregularidade das chuvas. A criação de gado nesta região fornece carne, couro e bois para serviço
e transporte, animais trazidos de Cabo Verde, pelos portugueses, pertencendo inicialmente aos
engenhos e depois a criadores especializados. Os vaqueiros naquela época davam conta do
rebanho e como pagamento separavam 1 cabeça de gado para ele e três para o dono.
O trabalho de pastoreio moldou o homem e o gado da região: ambos diminuíram de tamanho,
tornando-se ossudos e secos de carne. Hoje, enquanto o gado cresce, alcançando ossatura mais
ampla e recebe tratamento, o vaqueiro e sua família, não. Apesar das enormes somas de dinheiro
que vem do governo federal, para ajudar os flagelados pela seca, são os “coronéis” (fazendeiros
que monopolizam a terra) que se apropriam dos recursos, “mais comovido pela perda dos eu
gado... do que pelo trabalhador sertanejo”. Estas somas de dinheiro vão para a construção de
estradas e para açudes para o gado passar e beber água. Os sertanejos permanecem itinerantes,
pois vivendo por dez anos em uma propriedade, eles teriam direito a ela, mas dependeriam de um
registro no cartório, que fica distante e caro. Em contraste, políticos estaduais concedem facilmente
milhões de terras a donos que nunca as viram e que um dia desalojam sertanejos que viviam nelas
(isto chama-se “grilhagem”).
Diante de tanta miséria, o sertanejo que vive isolado no interior (diferente do que vive no litoral),
tem uma visão fatalista e conservadora sobre sua vidaPeriodicamente, anunciavam a vinda do
messias –diziam “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. Um dos acontecimentos mais
trágicos ocorreu em Canudos, sob a liderança de Antônio Conselheiro, um profeta e reformador
social, era visto pelos fazendeiros como subversivo, que poderia estimular a mão-de-obra a
abandonar as fazendas e reivindicar a divisão das terras. Lá chegaram a 1000 casas. Outro
fenômeno que surge no sertão é o cangaço: uma forma de banditismo, formado por jagunços, que
surgiu nas fazendas.

4. O Brasil Caipira: São os homens que dirigiam as bandeiras (exploração que adentrava ao
interior do Brasil), e a população paulista (mamelucos). Cada um deles possuía uma indiada cativa
para o cultivo da mandioca, feijão, milho, abóbora, tubérculos, tabaco, urucu, pimenta, caçadas e
pesca. Lá só se falava a língua tupi. Dormiam em redes, usavam gamelas, porongos, peneiras
como as que os índios usavam, além de armas, candeias de óleo. Consumiam rapadura e pinga.
Cada família fiava e tecia algodão para as roupas de uso diário e para os camisolões e ceroulas,
para os homens e blusas largas e saias compridas, para as mulheres. Andavam descalços, de
chinelas ou de alpargatas. Não queriam apenas existir, como os índios, mas estabelecer vínculos
mercantis externos e aspirar a se tornar uma camada dominante, adquirindo artigos de luxo e
poder de influência e mando. Por um século e meio venderam mais de 300 mil índios para os
engenhos de açúcar.
As bandeiras serviam, também, mas para explorar ouro e diamantes. O padre Calógeras avalia
que 1400 toneladas de ouro e 3 milhões de quilates de diamantes foram levados do Brasil-Colônia.
Do ouro extraído por Portugal quase todo foi para a Inglaterra, para pagar as suas importações,
ouro que financiou a indústria inglesa. Um novo tipo social surgia: o garimpeiro, que explorava
clandestinamente o diamante, monopólio de Portugal.
Quando Monteiro Lobato (além do sítio do pica-pau amarelo) criou o personagem Jeca Tatu , o
fez como um “piolho da terra”, uma praga incendiária que atiçava fogo à mata, destruindo as
riquezas florestais para plantar roçados, uma caricatura do caipira, destacando a preguiça, a
verminose e o desalento que o faz responder sempre: “não paga a pena” a qualquer proposta de
trabalho que lhe faziam (ou entregava 50% da produção ao patrão ou trabalhava por conta própria,
pagando pelo uso da terra, com 1/3 da colheita. Outra saída: ir para as cidades, marginalizando-se
lá). O que Lobato fez foi descrever o caipira sob o ponto de vista de um intelectual e fazendeiro,
diante da experiência amarga de encaixar os caipiras no seu “sistema”. O que Monteiro Lobato não
viu foi o traumatismo cultural, o caipira marginalizado pelo despojo de suas terras, como um
produto residual natural do latifúndio agro-exportador. Somente mais tarde é que o escritor
compreendeu e defendeu a reforma agrária.
Outro tipo humano surgido foi o dos bóias-frias que vivem em condições piores do que as que
vivem os caipiras, cerca de 5 milhões de pessoas à espera da posse de terras em que possam
trabalhar. Eles estão presentes mais nos canaviais do que nas fazendas de café, isto porque os
cafezais precisam de muita gente apenas na derrubada da mata e nos 4 primeiros anos. Depois, só
nas colheitas.

5. O Brasil Sulino: Foi a expansão dos paulistas ocupando a região sul do Brasil, antes
dominada pelos espanhóis, a causa que anexou esta região ao Brasil. No começo do século 18,
paulistas e curitibanos vêm para cá, instalarem-se como criadores de cavalos e muares e recrutam
os gaúchos para o trato do gado. Sobre os gaúchos (população de mestiços), estes surgem,
segundo Darcy Ribeiro, dos filhos e filhas entre espanhóis e portugueses com as índias guaranis.
Havia um dito popular: “esta indiada é toda gaúcha”. Dedicavam-se ao gado que se multiplicava
naturalmente nas duas margens do rio da prata e que foram trazidos pelos jesuítas. Com o
esgotamento das minas de ouro e diamante e a pouca procura por gado do Sul, foi introduzida aqui
a técnica do charque, trazida pelos cearenses. Já a imagem do gaúcho montado em cavalo brioso,
com bombacha, botas, sombreiro, pala vistosa, revolver, adaga, dinheiro na guaiaca, boleadeiras,
lenço no pescoço, faixa na cintura e esporas chilenas, diz Darcy Ribeiro, ou é a imagem do patrão,
fantasiado de homem do campo, ou é de alguém que integra algum clube urbano (centro nativista)
e não passa de folclore. Já o “gaúcho novo”, será o peão empregado que cuida do gado, agora,
mal pago, come menos e vive maltrapilho. Apesar disso, o peão de estância é um privilegiado em
comparação com os biscateiros, os que vivem em terrenos baldios, os subocupados, que arranjam
trabalhos esporadicamente, em tosquias ou esticar os arames, todos eles chamados de “gaúchos-
a-pé”. Já os que vivem como autônomos rurais, lavram o terreno dos outros, pelo regime de
“parceria”.
Mas, não se pode dizer que o povo do Sul tivesse origem apenas paulista. Havia, também
lavradores vindos das ilhas dos Açores em Portugal, que ocuparam a região litorânea, com lavoura:
milho, mandioca, feijões, abóboras, etc, enquanto outros fugiram desta “caipirização” cultivando
trigo, os gaúchos, nos campos da fronteira, com o pastoreio e os gringos, descendentes dos
imigrantes europeus, viviam isolados do resto da sociedade, o que fez com que o governo
brasileiro exigisse o ensino do idioma e os recrutasse os gringos para o exército. Com a
distribuição legal de terras (sesmarias), em Rio grande, Pelotas, Viamão e missões, as invernadas
se tornam estâncias e o estancieiro se faz “caudilho”, contra ataque dos castelhanos,
acrescentando gado de outras bandas. Mais tarde, o estancieiro se tornará patrão, dono de
matadouros e frigoríficos. Os imensos campos livres do passado, agora, são retângulos, todos com
donos. Entre as instâncias há imensos corredores de aramados divisórios.
As dores do parto:
Nosso destino é nos unificarmos com todos os latino-americanos por nossa oposição comum ao
mesmo antagonista, a América anglo-saxônica, para fundarmos, tal como ocorre na comunidade
européia, a nação latino-americana sonhada por Bolívar. Hoje somos quinhentos milhões, amanhã
seremos um bilhão, contingente suficiente para encarar a latinidade em face dos blocos chineses,
eslavos, árabes e neobritânicos.
Somos povos novos ainda na luta para fazermos a nós mesmos como um gênero humano novo
que nunca existiu antes. O Brasil é já a maior das nações neolatinas, com magnitude populacional
e começa a sê-lo também por sua criatividade artística e cultural. Precisa agora sê-lo no domínio
da tecnologia da futura civilização, para se fazer potência econômica, de progresso auto-
sustentado. Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização,
mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma, mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque
incorpora em si mais humanidade, mais generosa, porque aberta à convivência com todas as
nações e todas as culturas e porque está assentada na mais bela e luminosa província da terra.

Tabelas extraídas da obra “O povo brasileiro”, escrita por Darcy Ribeiro (1996)

Tabela 1 1500 1600 1700 1800
Brancos, neo-
brasileiros ou
pardos

-

50 mil

150 mil

2 milhões
escravos - 30 mil 150 mil 1,5 milhões
Índios integrados - 120 mil 200 mil 500 mil
Índios isolados 5 milhões 4 milhões 2 milhões 1 milhão
totais 5 milhões 4,2 milhões 2,5 milhões 5 milhões

Tabela 4 (crescimento população segundo a cor)
1872 % 1890 % 1940 % 1950 % 1990 %
Branco 3.854 38 6.302 44 26.206 63 32.027 62 81.407 55
Preto 1.976 20 2.098 15 6.644 15 5.692 11 7.264 5
Pardos 4.262 42 5.934 41 8.760 21 13.786 26 57.822 39
Totais 9.930 100 14.333 100 41.236 100 51.922 100 147.306 100

Ano População Urbana População Rural
1940 12,8 milhões 28,3 milhões
1980 80,5 milhões 38,6 milhões
1995 110,9 milhões 35,8 milhões

Tabela 5 (imigrantes europeus) :
Períodos portugueses italianos espanhóis Japoneses Alemães Total
1851-1885 237 128 17 - 59 441
1886-1900 278 911 187 - 23 1.398
1901-1915 462 323 258 14 39 1.096
1916-1930 365 128 118 85 81 777
1931-1945 105 19 10 88 25 247
1946-1990 285 110 104 42 23 564
1.732 1.619 694 229 250 4.523

1
a
Tarefa . a partir da leitura dos trechos da obra de Darcy Ribeiro: (1)
enumerar os povos que contribuíram para o surgimento do povo brasileiro, suas condições
originais e atuais; (2) identificar os tipos regionais existentes ainda hoje e suas principais
características.

2
a
Tarefa . a partir da leitura dos trechos da obra de Darcy Ribeiro: (1)
enumerar os povos que contribuíram para o surgimento do povo brasileiro, suas condições
originais e atuais; (2) identificar os tipos regionais existentes ainda hoje e suas principais
características.

: a partir de programas governamentais, que instituíram assistência financeira a família
de baixa renda (1 em cada 4 famílias no Brasil), bem como, o aumento dos salários e do crédito
bancário, observou-se uma mudança na divisão social:

Classes Ano 2002 Ano 2008
A/B 13% 15,5% (renda maior que
R$4.591)
C 44% 52% (de R$1.065 a 4.591)
D 12,5% 14% (R$768 – 1.064)
E 30,5% 18,5% (menos que R$ 768)

mUma alternativa é assistir a vídeos no youtube sobre O Povo Brasileiro, a partir da
obra de Darcy Ribeiro, onde se destacam as três etnias que formaram o Brasil: a tupi, a Lusa e a
africana e os povos formados delas: os crioulos, os sertanejos, os caboclos, os caipiras e os
sulinos.

Aula 53: elaboração de um jornal sobre o
tema da violência.
± Um recurso pedagógico muito apreciado pelos alunos reside na elaboração de um jornal, a
partir das opiniões construídas pelos alunos. Eles valorizam muito ter seus nomes e idéias
publicadas e distribuídas aos demais colegas de outras turmas.

± Tarefa para a próxima aula: pedir aos alunos que tragam relógios
antigos ou atuais para uma exposição na aula:

Aula 54: julgamento: têm os animais
direito à vida?
Há argumentos a favor e contra tirar a vida dos animais: as leis tendem a protege-los (como
a declaração dos direitos dos animais da Unesco, órgão da ONU, organização das nações unidas),
mas não são estendidas a sacrifícios em rituais religiosos,por exemplo, ou no consumo exagerado,
como em churrascos, onde se come mais do que se precisa.Entre os filósofos,São Tomás de
Aquino e René Descartes, observa-se, respectivamente,as teses de que Deus fez os animais para
os seres humanos e que os animais não têm alma,são como máquinas.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais - UNESCO
Artigo 1º
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Artigo 2º
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado. 2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar
os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao
serviço dos animais 3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
Artigo 3º
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis. 2.Se for necessário matar um
animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
Artigo 4º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente
natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir. 2.toda a privação de liberdade, mesmo
que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Artigo 5º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o
direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua
espécie. 2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem
com fins mercantis é contrária a este direito.
Artigo 6º
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida
conforme a sua longevidade natural. 2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Artigo 7º
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a
uma alimentação reparadora e ao repouso.
Artigo 8º
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do
animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de
experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo 9º
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto
sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Artigo 10º
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem. 2.As exibições de animais e os
espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo 11º
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a
vida.
Artigo 12º
1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um
crime contra a espécie. 2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Artigo 13º
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito. 2.As cenas de violência de que os animais são vítimas
devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado
aos direitos do animal.
Artigo 14º
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível
governamental. 2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

Tarefa: a turma se organizará em grupos a favor e contra o direito dos animais
à vida, decidirá quem serão o juiz, as testemunhas e o banco de jurados. Além disso, os
advogados listarão argumentos a serem utilizados por eles e procurarão antecipar as tese dos
advogados contrários.

Aula 55: introdução ao assunto “tempo” e
“eternidade”.
Podemos propor uma exposição de relógios e mencionar curiosidades sobre o tempo, como
o padrão internacional de um dia com 24 horas versus outro padrão (abandonado) de 20horas,
tempo como imagem móvel da eternidade, as teorias de Platão a Stephen Hawking que defendem
que o universo se parasse de se expandir começaria a retrair e o tempo retroceder, as teorias de
que só o presente existe, de que o universo pode ser cíclico (e, por isso, ele se repetiria), a crença
de que a eternidade é sempre presente, uma duração infinita, imutável, e por último, mas não
menos importante, os paradoxos de Zenão, do tempo e do espaço (Mas, se o tempo é feito de
partes, horas, dias, minutos, segundos, décadas, como erroneamente fomos ensinados a acreditar,
então Zenão estará certo e as coisas estão paradas no tempo, pois não podemos nos movimentar,
porque precisaremos passar por cada uma das infinitas partes em que o tempo está dividido).

Zenão: uma flecha arremessada na direção e sentido de um alvo não está em movimento,
pois em cada instante ela está parada e o movimento total não pode ser a soma de vários instantes
parados.

As teorias de Aristóteles e Santo agostinho devem ser citadas: se o passado já passou,
então não existe mais e se o futuro é o que virá, então, ainda não é, não existe. Logo, só o
presente existe. O passado, portanto, só existe na memória e o futuro em nossas expectativas. A
alma (ou a mente) distende-se, move-se entre suas lembranças e seus sonhos. Mas, e a
eternidade não é um eterno presente? Dirão que na eternidade tudo é imutável. É oportuno
lembrar Platão: ao criticar Parmênides que pensava que o uno era imutável, não percebeu os
pensamentos são coisas que se movem e, por isso, nem tudo é imutável, a menos que se creia
que uma divindade não pense, até porque pensamos porque temos dúvidas!

Santo Agostinho: é célebre a resposta que dá sobre o que é o tempo: “Se ninguém me
perguntar, eu sei. Mas, se me perguntarem, eu já não sei”. Então, lembra de uma anedota comum
à sua época, para os que perguntavam o que Deus fazia antes de criar o universo e o tempo: Ele
preparava o inferno para quem faz este tipo de pergunta. Falando sério, para ele, o tempo não está
no movimento dos astros, pois se os astros parassem, mas a roda do oleiro continuasse a rodar,
ainda teríamos como medir o tempo das voltas da roda, para saber se ocorrem em intervalos iguais
ou não. Defende Agostinho que o tempo só passou a existir após a criação do universo. Na
eternidade de Deus, “nada se mede pelo tempo”, tudo é simultâneo e nada é sucessivo (obra:
Confissões: livro XI, cap.11). Está claro, para ele, que nem o passado e nem o futuro existem.
Seria mais apropriado dizer que existem três tempos: o “presente do passado” (a memória), o
“presente do presente” (nossa visão) e o “presente do futuro” (esperança). Há, também, disse
Agostinho, três tempos, o presente, o passado e o futuro, como as pessoas “ordinariamente e
abusivamente usam”. Ele não se opõe, nem se importa e nem critica que utilizemos estes termos,
desde que “não julguemos” que o futuro já exista ou que o passado ainda exista.

Pode-se citar, também, e até propor uma exibição de filmes como o Dejà vú que fala de
uma máquina do tempo que dobra o espaço (vazio?) em torno do planeta e aproxima no presente o
que aconteceu seis dias antes e os paradoxos de se construir uma máquina que voltasse no
passado e se matarmos a nós mesmos, mais jovem, como teríamos construído a tal máquina (o
paradoxo dos gêmeos de Einstein)? Dobrar o espaço significa algo parecido como pôr uma bola de
boliche sobre uma cama: o lençol e o colchão são deformados, não por causa do peso da bola,
mas de sua massa; a gravidade, assim, não é, pela teoria de Einstein (diferente das teorias da
gravidade de Aristóteles – o que é feito de terra move-se para baixo e o que é feito de fogo e ar
move-se para cima, um movimento natural em cada objeto, atuando de dentro para fora e Newton
– corpos se atraem uns aos outros mesmo separados), uma força que puxa os objetos para baixo,
mas um espaço deformado que faz com que a lua, por exemplo, percorra o caminho ao redor da
Terra. Há, também a teoria de que os corpos trocam partículas entre si, grávitons; é isso que
chamaríamos. Há, também, os filmes “De volta para o futuro” ou “Em algum lugar do
passado”, em que o protagonista apenas com o pensamento viaja no tempo.
Um texto sobre o tempo, extraído de um programa de televisão (Fantástico – rede Globo),
do dia 1
o
de janeiro de 2006:

Tempo, uma invenção do homem.
(Programa do Fantástico/Rede Globo, do dia 01/01/2006)

Será que o tempo funciona da mesma maneira para todo mundo? Será que tempo é apenas
uma ilusão? O tempo é um mistério. E um assunto para a filósofa Viviane Mosé.
Maria tem apenas dez anos, mas o seu dia-a-dia é bastante acelerado. Ela tem aulas de
piano, pilates, violino, alemão e inglês. “Sem a minha rotina, ia ficar meio angustiada, ia ser meio
chato ficar à toa, sabe?”, comenta a menina.
Maria convive de uma forma aparentemente tranqüila com o excesso de compromissos e
responsabilidades. Para ela, é natural fazer várias coisas ao mesmo tempo:
“Não me vejo sem esses compromissos, não me vejo sem a minha rotina. É bom ter o tempo
ocupado, ter coisa para fazer, bastante coisa. Eu gosto”.
Ela faz parte de uma geração que vive uma outra experiência de tempo. Um tempo que
parece correr cada vez mais depressa.
“Acho que o dia com 24 horas é muito pouco, devia ter mais horas, para eu me ocupar mais,
fazer mais coisas”, diz.
Você viu no último domingo que o tempo do relógio é uma invenção do homem para organizar
a vida em sociedade. A divisão entre horas, minutos e segundos, passado, presente e futuro não
existe na natureza.
“O relógio no Ocidente se disseminou, se distribuiu e passou a organizar o tempo do trabalho,
passou a organizar as atividades humanas”, afirma o físico Luiz Alberto de Oliveira, do Centro
Brasileiro de Pesquisas Físicas.

E nós passamos a achar que o tempo do relógio é o próprio tempo do mundo, das coisas, quando
não é. Mas se não está no relógio, onde está o tempo?
“Existem dias que você fala assim: ‘Poxa, o tempo passou rápido’. Tem outros dias que você
fala assim: ‘Poxa, o tempo não quer passar’”, diz a dona-de-casa Vera Lúcia Rosa.
Você já reparou que o tempo dos velhos não é o mesmo dos jovens? O tempo das grandes
cidades não é o mesmo das cidades do interior?
“É como se a nossa vida fosse cada vez mais cheia, mais densa, mais condensada de
atividades, de acontecimentos”, comenta Luiz Alberto de Oliveira.
Crianças e jovens da era digital, dos clipes, games e computadores têm uma experiência de
tempo muito mais acelerada do que seus pais tiveram no passado.
Hoje, a nossa experiência de tempo está profundamente marcada pela tecnologia, pela
internet, pelo mundo virtual. Conectados em uma grande rede, podemos estar em vários lugares ao
mesmo tempo. Isso faz nascer um novo tipo de presente - um agora planetário. Em toda parte e
em todo lugar é sempre "agora".
“O que acontece no Japão, nós testemunhamos praticamente sem retardo. Temos cada vez
mais mundo nos acessando. Cada vez mais mundo acessível a nós”, diz o físico.
A cada dia, mais acontecimentos cabem dentro de um mesmo tempo. É o que vive Maria,
com suas diversas atividades. Isso é responsável pela aceleração extraordinária que nós
experimentamos.
A física hoje considera que não existe apenas o tempo convencional, do relógio, e sim vários
tempos. A internet permite um deles, mas existem outros.
Você viu domingo passado que o filósofo Santo Agostinho dizia que o tempo foge, escapa de
nós. Mas para o filósofo francês Henri Bergson, ao contrário, o tempo pode ser alargado,
estendido. Pode ser vivido como duração.
Para ele, não conseguimos nos relacionar diretamente com o tempo porque usamos a
inteligência, e não a intuição. A nossa inteligência divide o tempo em partes iguais e fixas - horas,
minutos e segundos do relógio. Mas com isso deixamos de vivenciar a passagem de um momento
para outro, a duração do instante.
Para facilitar nossa compreensão, vamos pensar em um rio. Ele muda o tempo inteiro, mas
ainda assim podemos perceber a sua continuidade, sua duração. Mas se dividirmos o rio em várias
partes, ele vai deixar de ser um rio. Da mesma forma, o tempo. Quando dividimos o tempo em
hora, minuto, segundo, perdemos o fluxo, a continuidade, a totalidade do tempo. Perdemos a
duração do instante, do presente. Dessa forma, deixamos de viver o mais íntimo e essencial do
mundo.
O relojoeiro Jan Josef Drabeck aprendeu desde cedo a importância de cada segundo. Ele
literalmente vive do tempo. “Desde pequeno com esse som de tique-taque, relógios de pulso, de
parede”.
O ofício é tradição de família: seu avô já trabalhava com relógios na Europa. Mais de 40 anos
de atividade deram a Jan outra visão sobre o tempo. Para ele, a ansiedade nos rouba o instante.
“Todas as pessoas hoje não conseguem mais se situar em cada momento que elas estão.
Elas não estão ali. O tempo foge”, opina o relojoeiro.
A arte, para Bergson, permite uma outra experiência do tempo.
“O ator, no processo de criação, é Deus. Ele tem o poder de lidar com o tempo. O ator é um
duplo. É quase como o jogo do ventríloquo, ou da marionete. Quer dizer, o ator está sempre
manipulando o tempo, ele está conduzindo o espectador”, teoriza o ator Luís Mello.
Na arte, os ponteiros do relógio podem correr para trás. As leis do tempo, como conhecemos,
deixam de valer. O instante poético rompe com o instante do nosso cotidiano. Era o que pensava o
filósofo francês Gaston Bachelard.
“O poeta vive outro tempo quando está fazendo poesia. É um tempo desconstruído, um tempo
que não tem sujeito, verbo e predicado; início, meio e fim”, diz o poeta Chacal. “O barato e a onda
é o tempo em suspensão. É muito bom exercitar isso, para você não achar que o tempo é essa
coisa que nos escraviza, que nos martiriza”.
“Se você conseguir, pelo menos aos poucos, ter consciência desse tempo e tentar, como na
arte, ali no momento, criar esse tempo para você como pessoa, pessoa comum, que vai à
farmácia, que vai ao supermercado... Você consegue um tempo de andar pelas ruas, tempo de
olhar. Observar as coisas”, opina Luís Mello.
“O tempo do embrião talvez não seja o mesmo tempo do ancião. Talvez o tempo da ira e da
alegria não sejam rigorosamente os mesmos. Talvez haja uma revolução para se fazer na
experiência do tempo. Talvez seja necessário fazer uma reengenharia do tempo”, diz o físico.



Extraído do livro: Os mitos do tempo, do ego e das leis, escrito pelo professor Antonio
Jaques de Matos

§7. A origem da duração na memória.
Como já dissemos antes, pareceu-nos difícil crer que “tempo” rápido ou lento ou “duração”
rápida ou lenta, fosse tão somente uma ilusão ou um produto de nossa subjetividade. Nossa
primeira busca consistiu em reconstituir o que ocorre em cada uma destas duas percepções
“anormais” do tempo ou duração.
Rememorando nossas próprias experiências, relembramos que, quando a duração parece
rápida – ou curta, como diria Aristóteles -, geralmente, estamos vivendo alguma experiência em
que não percebemos o que está ou estava diante de nós; por outro lado, quando percebemos que
a duração se arrasta, é longa, em geral, ela parece ocorrer quando o objeto – ou uma experiência
completa - que afeta nossa percepção, nos aparece como uma série de sensações repetidas. Uma
vez alcançado estas observações, nossa investigação estancou ali mesmo. Lembramos, então,
que René Descartes, na obra “As paixões da alma”, escrevera que o processo de rememorar uma
experiência passada, requer a passagem pela memória dos “espíritos animais” – o que equivale,
hoje, aos impulsos elétricos – para que, então, nossas lembranças fossem trazidas à nossa
consciência. Embora a explicação deixe a desejar - mais parece um mito antigo -, ainda assim,
serviu para nos mostrar que a memória poderia ser algo orgânico e, se o fosse, então seu
funcionamento poderia ser comparado a o de outros órgãos do corpo.
Convém pararmos um pouco esta investigação, para explicar ao leitor por que cremos que é
na memória que surge o que chamamos de duração. Há uma justificativa teórica e outra prática. Já
falamos, antes, sobre a tese de Locke, que acreditava que a duração surgisse na sucessão de
nossas idéias e, não havendo, para ele, nada dentro de nossa mente exceto a memória, era lá que
surgiria a duração. No século XIX, Franz Brentano, desenvolveria a tese da “associação
imaginária”, não muito diferente do que Leibniz, séculos antes, já havia especulado: a de que a
duração surge a partir de uma primeira sensação, sendo que a sua percepção é instantânea e, só
posteriormente, a partir das sensações seguintes, surgirá em nós a percepção de duração. É claro
que nestes dois últimos pensadores não há qualquer referência à memória. Por isso, uma
experiência prática foi decisiva: nossa curiosidade foi despertada quando víamos pela segunda vez
um mesmo filme e percebemos que na vez seguinte o filme parecia ter passado mais rápido do que
na primeira vez. Ora, estava claro que a memória estava envolvida no surgimento da duração!
Rejeitamos de imediato, por ser tão pouco crível, teses como a de Platão, de que
relembramos as experiências vividas antes da alma vir para o corpo, no mundo divino ou, ainda, a
de Santo Agostinho, de que a memória é uma das faculdades da alma, mesmo porque há
dificuldade de conciliar duas naturezas, uma supostamente divina e a outra humana. O que as
ligaria, se são como água e óleo, imiscíveis? Então, para nossa surpresa, recomeçamos a
investigação sobre o que é a duração. Para isso, comparamos a memória com um órgão do corpo,
como o estômago. O que acontece em seu funcionamento? Quando temos fome, podemos nos
alimentar menos, igual ou além do que o volume do estômago permite. É claro que podemos
aumentar a sua capacidade, em função de sua elasticidade, mas isto não se faz de modo tão
imediato.
O que nos interessa no momento é saber se a comparação com a memória poderia nos ser
útil. Tendo a memória, também, uma capacidade – do contrário, teríamos que supô-la infinita, tese
que a nossa vida diária refutaria como absurda, diante de tantos problemas mnemônicos que
temos -, precisaríamos saber o que ocorre e porque ocorre dentro dela isto que chamamos de
duração. Se no estômago há as três situações descritas antes, também, no órgão – físico -
responsável pela memória deveria haver semelhantes situações: dependendo da quantidade de
alimentos – menor, igual ou maior que a capacidade do estômago – continuaríamos ou não a sentir
fome. Já na memória, o alimento é substituído por sensações. E, na relação, entre a retenção
destas sensações e a capacidade da memória de retê-las é que – especulamos - surgiria o
fenômeno da “duração”. Assim, nos aproximamos passo a passo da seguinte resposta: se a
quantidade ou qualidade das sensações fosse insuficiente para reconhecermos o objeto que afeta
nossa percepção, uma dor na memória persistiria (não no cérebro, pois ele nada sente); se a
quantidade ou qualidade fosse idêntica, a dor cessaria e um prazer – como acontece com o
estômago – surgiria; ou, finalmente, se a quantidade ou qualidade fosse superior à capacidade,
outra dor surgirá – como, também, ocorre no estômago, quando o sentimos “pesado”, após
consumirmos muita quantidade de alimentos.
Outro exemplo que mostra que a duração se forma dentro de nossa mente: como sabemos
que teremos tempo (duração) suficiente quando vamos atravessar a rua e evitar ser atropelado por
um carro que venha em nossa direção? Não é porque saibamos a duração final do movimento do
carro, mas porque dadas as séries de imagens do veículo, surge em nós a duração do movimento
do carro e, então, comparamos com a duração de nosso movimento que, se menor, decidiremos
atravessar a rua.
§8. A definição de duração. Mas se o cérebro não sente dor...
De um modo simples, duração consistiria em dois tipos de dor localizada na memória no
processo de retenção das sensações. Uma dor por insuficiência e outra por excesso de sensações.

Aula 56-60: como será o futuro? Comidas,
saúde, transporte e governo.
Um outro exercício especialmente para pensar o futuro é pedir que os alunos imaginem
como vão ser os objetos no futuro: telefones, carros, alimentos ou, melhor, que objetos existirão
para satisfazer nossas necessidades de locomoção, comunicação, fome e sede, etc. Este exercício
serve para estimular a capacidade crítica, fazendo-os pensar além do seu cotidiano e levá-los a
darem-se conta de que eles são agentes da construção do futuro. As aulas, penso eu, se
desenvolverão melhor se dividirmos cada momento para cada necessidade. Por exemplo:
Aula 1 – bebidas, refrigerantes, bebidas alcoólicas, isotônicos
Aula 2 – meios de comunicação – desde celulares, outdoors interativos, televisão, internet.
Existirão daqui a 100 anos?
Aula 3 – saúde, corpo, doenças, tratamentos (já há vasos sanitários que analisam urina),
engenharia genética (que bicho você gostaria ou quer ser?). pode-se aqui imaginar que uma
infusão de genes possa mudar nossa aparência: o que gostaríamos de ser? Ter o mesmo corpo,
de outra cor ou transparente para ver a saúde interna?, ter mais braços, asas ou nadadeiras e
guelras? E o amor? As pessoas casarão? Serão monogâmicas? Um banco de dados escolherá o
par ideal? Etc.
Aula 4 – meios de locomoção carros ou veículos para uma pessoa vestir? Pode-se pedir que
desenhem e depois exponham no quadro. Muitos alunos gostam de desenhar e não há quem não
aprecie ver desenhos.
Aula 5- sociedade ideal – política: haverá democracia?, as pessoas votarão sem sair de
casa, haverá três poderes, as pessoas usarão dinheiro? Haverá cadeias?, Haverá empregos? O
ideal é deixar que eles tragam suas idéias, ao professor cabendo apenas apresentar-lhes uma
folha em branco. Depois, sim, o professor pode trazer suas idéias ou melhor pode junto com eles
mostrar-lhes que também tem idéias sobre o futuro.
Uma estagiária, em 2008, apresentou uma aula muito interessante: coincidindo com
eleições, ela formou partidos políticos e pediu que cada um esboçasse um plano de governo!
O importante é que, ao fim do exercício, perguntemos: quais são as evidências de que no
futuro as coisas serão realmente assim? Qual é o método (o caminho) que cada aluno utilizou para
chegar a cada uma das suas conclusões, quais a s causas que o levarão a identificar futuros
efeitos?

Aula 61: as empresas têm filosofia?
Por acaso, estávamos em uma lanchonete fast-food e na toalha estava
impressa a filosofia da empresa. Ora, esta é uma forma de aproximar o estudante da
filosofia, mostrando-lhe o quanto ela é prática e faz parte de nossas vidas, ainda que
não nos demos conta disso, tão facilmente. Podemos perguntar a eles: o que é a
filosofia de empresas? Conjunto de regras, valores de conduta, objetivos que
pretendem alcançar respeitando clientes, funcionários e acionistas, exposição de
metas, etc.
Vejamos exemplos de filosofias de empresas:

Habibs

Quando a rede Habib’s inaugurou em 1988 sua primeira loja na
Rua Cerro Corá em São Paulo, certamente o mercado de
alimentação não imaginaria o crescimento vertiginoso por qual o
Habib’s iria trilhar nas últimas duas décadas, alcançando a marca
atual de 305 endereços distribuídos pelo Brasil e 150 milhões de
consumidores, o que colocou o Habib´s como a maior rede de fast
food genuinamente nacional. Essa posição, resultado do nível de
profissionalização que o Habib’s instituiu em seu segmento e das
constantes e necessárias inovações para atender plenamente o
cliente, esteve sempre aliada ao trinômio de preços baixos,
variedade e alta performance em qualidade, características que
ilustram perfeitamente a filosofia da empresa, duas vezes
premiada como: Melhor franquia pela ABF (Associação Brasileira
de Franquia), cinco prêmios “Consumidor Moderno de excelência
em serviços ao cliente” e três vezes eleita melhor fast food com o
“Prêmio Alshop Visa”, conhecido como o Oscar do Varejo no
segmento fast food.

Gradiente Nossa essência é a fonte de inspiração para os nossos negócios e
diz muito sobre quem somos.
Visão É o nosso objetivo, o que nos motiva a desenvolver as melhores soluções
para o entretenimento de nossos consumidores.
"Onde houver olhos querendo ver o novo, onde houver ouvidos querendo ouvir o
melhor, onde houver corações e mentes buscando interação e emoção: esse é o
lugar da Gradiente."
Missão
É o modo como encaramos o desafio de encantar nossos consumidores com
nossos produtos e serviços. "Em um mundo onde a velocidade das mudanças é
cada vez maior, expandiremos a força e o valor da Gradiente, sendo os mais
rápidos, os mais atentos, aqueles que sempre sabem captar e se antecipar às
necessidades e desejos das pessoas. Faremos isso utilizando o melhor da
tecnologia e das parcerias, desenvolvendo talentos, produzindo encantamento,
trazendo inovação e tornando a vida das pessoas melhor a cada produto e serviço
Gradiente."
Valores
São os fundamentos éticos da nossa empresa; refletem a nossa cultura, aquilo
que somos e no que acreditamos. "Somos uma empresa comprometida com o
encantamento dos nossos consumidores. Pautamos nossas relações pela ética
porque acreditamos e respeitamos as pessoas. A integridade é o nosso padrão
de conduta. Somos empreendedores, inovadores e temos a excelência como
meta.
Tudo isso fundamenta nossa solidez, credibilidade e nossa crença no Brasil."

Texaco
Visão
A essência da Filosofia da Chevron é a nossa visão: ser a empresa global de energia
mais admirada graças à sua gente, às suas parcerias e ao seu desempenho.

Nossa visão consiste em:
• Fornecermos produtos do setor de energia vitais para o progresso econômico
sustentável e para o desenvolvimento humano em todo o mundo;
• Sermos pessoas e uma organização com um nível superior de competência e
comprometimento;
• Sermos a parceria preferida;
• Apresentarmos um desempenho de categoria internacional;
Sermos admirados por todas as pessoas que têm interesse na empresa -
investidores, clientes, governos dos países nos quais atuamos, comunidades locais e
nossos funcionários - não apenas em relação aos objetivos que atingimos, mas
também em como os realizamos.
Valores
Integridade
Somos honestos com os outros e com nós mesmos. Observamos os mais altos
padrões éticos em todas as nossas transações comerciais. Cumprimos o que
prometemos. Aceitamos as responsabilidades e nos responsabilizamos por nosso
trabalho e nossas ações.
Confiança
Confiamos, respeitamos e apoiamo-nos mutuamente, esforçando-nos para merecer
a confiança de nossos colegas e parceiros.
Diversidade
Respeitamos e aprendemos com as culturas dos países em que atuamos.
Valorizamos e respeitamos a individualidade e a variedade de perspectivas e
talentos que nos proporcionam. Nosso ambiente de trabalho é agregador e receptivo
a diversidade de indivíduos, idéias, aptidões e experiências.
Criatividade
Buscamos novas oportunidades e soluções fora do comum. Usamos nossa
criatividade para encontrarmos soluções práticas e inovadoras para solucionar os
problemas. Nossa experiência, tecnologia e perseverança nos permitem superar
desafios e agregar valor ao negócio.
Parceria
Assumimos um compromisso absoluto no sentido de sermos bons parceiros,
concentrando-nos no estabelecimento de relações produtivas, colaborativas,
mutuamente vantajosas, baseadas na confiança e na cooperação, com governos,
outras empresas, nossos clientes, nossas comunidades e entre nós.
Proteção às pessoas e ao meio ambiente
Priorizamos a saúde e segurança de nossa mão-de-obra, a proteção de nossos
ativos e do meio ambiente. Almejamos ser uma empresa admirada por seu nível de
desempenho de categoria internacional através da aplicação disciplinada de nosso
Sistema de Gestão da Excelência Operacional.
Alto nível de desempenho
Assumimos o compromisso de excelência em tudo o que fazemos, e empenhamo-
nos em melhorar constantemente. Dedicamo-nos com entusiasmo a obter resultados
que superem as expectativas - as nossas e as de terceiros. Buscamos nossos
resultados com energia e senso de urgência.

Faber Castell

Filosofia
O respeito ao individuo e ao meio ambiente estão presentes na Faber-Castell desde
sua fundação
Desde sua fundação a Faber-Castell tem pautado suas ações por um grande
respeito ao ser humano e ao meio ambiente e sabe o quanto essa postura é
importante para garantir um futuro saudável para as próximas gerações.
As iniciativas da Faber-Castell hoje, no Brasil e no mundo, são reflexos da vocação
histórica da empresa de atuar com total responsabilidade social. Uma filosofia que
está explícita em seus valores, incorporada na cultura de seus colaboradores e que,
assim, deverá se perpetuar por centenas de anos mais.
Para esta empresa a responsabilidade socioambiental não se resume a uma
iniciativa isolada ou sazonal, mas em um processo contínuo que nasceu há mais de
240 anos.
A qualidade superior sempre fez parte da história da Faber-Castell nos produtos, nos
cuidados com o meio ambiente, na postura ética e socialmente responsável. Por
isso, a Faber-Castell é a companhia para você escrever a sua história.

Wal Mart
O Wal-Mart é mais do que apenas o maior varejista do mundo. É uma força
econômica, um fenômeno cultural e o alvo de muitas controvérsias. Tudo começou
com uma simples filosofia do fundador Sam Walton: oferecer aos compradores
preços mais baixos do que eles pudessem encontrar em qualquer outro lugar.
Ele exigia que seus funcionários também mantivessem as despesas o mais baixo
possível.

Outra possibilidade é falar sobre as empresas que fazem parte de campanhas como as
relacionadas ao movimento vegetariano, com cuidado para não convencê-los, mesmo porque uma
mudança de dieta deve ser acompanhada por um médico. Há uma religião, Adventista, que possui
fábricas de comida vegetariana, cuja marca é SUPERBOM. Poder-se-ia apresentar aos
alunos para eles provarem estes alimentos: conhecemos e consumimos um bife feito de soja e,
também, uma maionese sem ovos, tudo para promover a conscientização (de
religiosos, mas, também, de ateus) para disseminar o respeito aos animais, criaturas divinas, para
uns, ou, seres que devemos respeitar e cuja vida é um direito inviolável, para outros. Acredito que
muita da importância que se atribui à escola é levar aos alunos novos pontos de vista que eles não
conheceriam normalmente, especialmente porque eles não têm curiosidade suficiente para acessar
um canal de tv sobre Ciências, por exemplo.
Realizamos uma “prova” do bife vegetal entre alunos de ensino religioso da turma
223 em 2008: todos mostraram interesse, mas na hora da degustação a maioria fez cara de nojo
(muitos disseram que parecia comida de gato!) e poucos realmente ingeriram o alimento. Depois
disso, evitamos repetir a experiência em outra turma – além do produto ser caro, não vale a pena
oferecê-lo se os alunos provavelmente o colocarão no lixo. Sugiro, então, que se use a cozinha da
escola para preparar algum alimento com “proteína de soja” in natura, grossa ou miúda e fazer com
eles ajudem no preparo.

Aula 62: cooperativismo.
A teoria de Karl Marx está por trás da revolução socialista e comunista e, também, nas
idéias do cooperativismo.

Manifesto do Partido Comunista, publicado em 1848, por Karl Marx e Friedrich Engels:
“Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas, proprietários dos meios de
produção que empregam trabalho assalariado. Por proletariado compreende-se a classe de
trabalhadores assalariados que, privados de meios de produção próprios, se vêem obrigados a
vender a sua força de trabalho para poder existir”.
INTRODUÇÃO: Um fantasma ronda a Europa - o fantasma do comunismo. Todas as
potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e a czar,
Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha... O comunismo já é
reconhecido como força por todas as potências da Europa. É tempo de os comunistas exporem, à
face do mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do
próprio partido à lenda do espectro do comunismo.
PARTE 1 - BURGUESES E PROLETÁRIOS: A história de todas as sociedades que
existiram até nossos dias tem sido a história das lutas da classes... Nas primeiras épocas
verificamos quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma
escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus,
escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, mestres, oficiais e servos, e, em cada uma
destas classes, gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da
sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. A sociedade divide-se ... em duas
grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado... (E) O governo do estado
moderno não é se não um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa.
A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e
encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus
servidores assalariados.
A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os
instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as
relações sociais... Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos
em toda parte.
Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso
dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações
mais bárbaras.
Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da
China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de
morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a
abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um
mundo à sua imagem e semelhança.
A burguesia submeteu o campo à cidade. Criou grandes centros urbanos; aumentou
prodigiosamente a população das cidades em relação à dos campos e, com isso, arrancou uma
grande parte da população do embrutecimento da vida rural.
Com o desenvolvimento da burguesia, isto é, do capital, desenvolve-se também o
proletariado, a classe dos operários modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho e que
só o encontram na medida em que este aumenta o capital. Esses operários, constrangidos a
vender-se diariamente, são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro; em
conseqüência, estão sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as flutuações do
mercado.
O crescente emprego de máquinas e a divisão do trabalho, despojando o trabalho do
operário de seu caráter autônomo, tiraram-lhe todo atrativo. O produtor passa a um simples
apêndice da máquina e só se requer dele a operação mais simples, mais monótona; mais fácil de
apreender. Desse modo, o custo do operário se reduz, quase exclusivamente, aos meios de
manutenção que lhe são necessários para viver e procriar.
... Além disso... frações inteiras da classe dominante, em conseqüência do desenvolvimento
da indústria são precipitadas no proletariado, ou ameaçadas, pelo menos, em suas condições de
existência. Também elas trazem ao proletariado numerosos elementos de educação.
PARTE 2 - PROLETÁRIOS E COMUNISTAS: ... A Revolução Francesa, por exemplo, aboliu
a propriedade feudal em proveito da propriedade burguesa. O que caracteriza o comunismo não é
a abolição da propriedade geral, mas a abolição da propriedade burguesa. Censuram-nos, a nós
comunistas, o querer abolir a propriedade pessoalmente adquirida, fruto do trabalho do indivíduo,
propriedade que se declara ser base de toda liberdade, de toda atividade, de toda independência
individual. Pretende-se falar da propriedade do pequeno burguês, do pequeno camponês, forma de
propriedade anterior à propriedade burguesa? Não precisamos aboli-la, porque o progresso da
indústria já a aboliu e continua a aboli-la diariamente. Ou por ventura pretende-se falar da
propriedade privada atual, da propriedade burguesa? ... O capital é um produto coletivo: só
pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade, e
mesmo, em última instância, pelos esforços combinados de todos os membros da sociedade. O
capital não é, pois, uma força pessoal; é uma força social.
Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas em vossa sociedade a
propriedade privada está abolida para nove décimos de seus membros. E é precisamente porque
não existe para estes nove décimos que ela existe para vós.
... Nos países mais adiantados, as seguintes medidas poderão geralmente ser postas:
1. Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do
Estado;
2. Imposto fortemente progressivo;
3. Abolição do direito de herança;
4. Confiscação da propriedade de todos os emigrados e sediciosos;
5. Centralização do crédito nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital
do Estado e com o monopólio exclusivo;
6. Centralizarão, nas mãos do Estado, de todos os meios de transporte;
7. Multiplicação das fábricas e dos instrumentos de produção pertencentes ao Estado,
arroteamento das terras incultas e melhoramento das terras cultivadas, segundo um plano geral;
8. Trabalho obrigatório para todos, organização de exércitos industriais, particularmente para
a agricultura;
9. Combinação do trabalho agrícola e industrial, medidas tendentes a fazer desaparecer
gradualmente a distinção entre a cidade e o campo;
l0. Educação pública e gratuita de todas as crianças, abolição do trabalho das crianças nas
fábricas, tal como é praticado hoje. Combinação da educação com a produção material etc.
Em lugar da antiga sociedade burguesa, com suas classes e antagonismos de classes,
surge uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre
desenvolvimento de todos.
PARTE 4 - POSIÇÃO DOS COMUNISTAS DIANTE DOS DIVERSOS PARTIDOS DE
OPOSIÇÃO
... Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam
abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem
social existente. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Os
proletários nada têm a perder a não ser suas algemas. Têm um mundo a ganhar. PROLETÁRIOS
DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

¬ Friedrich Engels lembra a influência de Charles Darwin sobre Karl Marx e que,
este último, disse que tinha feito no campo da economia a descoberta que Darwin tinha feito
no campo da biologia.

Aula 63: o sentido da visão.
No filme “Ensaio sobre a cegueira” pessoas de uma sociedade inteira, que antes viam
normalmente, perdem a visão. Passam a viver com limitações até então impensáveis. Baseada no
livro de José Saramago, segundo ele mesmo, trata-se da cegueira da razão humana, o medo que
temos de refletir sobre o que está errado e está bem na nossa frente! Curioso que uma
organização de cegos norte-americana boicotou o lançamento do filme, o que, para nós, prova a
decadência da inteligência daquele povo, causada pela falência da educação.
Eis alguns trechos do livro de José Saramago:

- "Quando o médico e o velho da venda preta entraram na camarata com a comida, não
viram, não podiam ver, sete mulheres nuas, a cega das insônias estendida na cama, limpa como
nunca estivera em toda a sua vida, enquanto outra mulher lavava, uma por uma, as suas
companheiras, e depois a si própria."
• "Não lhe parece que deveríamos comunicar ao ministério o que se está a passar, Por
enquanto acho prematuro, pense no alarme público que iria causar uma notícia destas, com mil
diabos, a cegueira não se pega, A morte também não se pega, e apesar disso todos morremos."
• "Quando o director veio ao telefone, Então, que se passa, o médico perguntou-lhe se estava
só, se não havia gente por perto que pudesse ouvir, da telefonista não havia que recear, tinha mas
que fazer que escutar conversas sobre oftalmopatias, a ela apenas a ginecologia lhe interessava."
• "O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos
no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a
falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui. Então
perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira.
Ninguém lhe soube responder."
• "Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que
melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos,
cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou,
agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a
ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu
soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar
do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam"
"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres
que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que
vêem, Cegos que, vendo, não vêem" Ensaio sobre a cegueira (José Saramago).

Bem, propomos que os alunos em duplas realizem a tarefa alternadamente de serem os
cegos e os guias e que andem pelo colégio, mesmo por caminhos mais difíceis e depois relatem o
que sentiram. Dirão que a visão é importante, lhe darão mais valor e respeitarão os que não a têm.
Sobre as cores: o preto é ou não a soma de todas as cores? Ou é o branco, como
pensava Issac Newton? Talvez ambos: o preto, pela sobreposição das cores e o branco, pela
sucessão delas? Basta você pegar tinta e misturá-las: dá preto, não branco. A luz pode ser
decomposta em todas as cores, mas ela não é branca, parece-me transparente! Alunos disseram
que ponto uma cor ao lado da outra em um circulo e girando este círculo veremos a cor branca,
mas isso é uma sucessão de cores, onde perdemos o foco em cada uma, como se a mente não
podendo percebe-las individualmente, percebe uma coisa só, como se estivesse fora de foco!
Aliás, não será que as próprias cores sejam idealizações das mentes humanas? Talvez não
exista preto ou branco; o universo mais escuro pode conter alguma radiação que nossos
olhos e nossos instrumentos ainda não percebem! Outra questão que levantei em aula: a soma
dos alunos da turma 217 pode ser: (a) a quantidade total de alunos, por exemplo, 25, ou, ainda, (b)
a quantidade total de corpos misturados uns sobre os outros (tétrico, eu sei!). Uma soma conserva
os elementos, a outra, os destrói, portanto, não são somas idênticas!
Há uma propaganda (incentivando a doação de córneas) na televisão que mostrava
pessoas em momentos felizes, abraçando alguém, comemorando uma vitória, etc, e que dizia mais
ou menos assim: que nos melhores momentos da vida fechamos os nossos olhos e, assim, não
precisamos deles para as emoções que só o coração sente. Há sempre algo de verdadeiro em
tudo o que as pessoas dizem e, em certo sentido, fechamos os olhos, mas, talvez, não porque,
assim, possamos sentir melhor o que está acontecendo, mas simplesmente porque qualquer objeto
que se aproxime de nosso rosto provocará uma reação automática de fechamento das pestanas.
Porém, pode-se supor, ainda, que sem enxergar damos mais atenção a quem, por exemplo,
estamos abraçando.
Podemos fazer um caminho oposto ao que inicialmente propusemos: em vez de tentarmos
experimentar a ausência da visão, podemos desenvolvê-la, estimular os alunos a perceber tons de
cores que nunca tinham percebido. Na Wikipédia encontramos a “psicologia das
cores”, assunto que podemos trabalhar em aula: podemos pedir que eles encontrem no pátio
objetos com cores incomuns ou um máximo de variedades de cores. Depois, com auxílio da
Wikipédia podemos analisar se cada cor tem uma personalidade. Diz o texto: “Na cultura ocidental,
as cores podem ter alguns significados, alguns estudiosos afirmam que podem provocar
lembranças e sensações às pessoas”. Podemos perguntar: é só na cultura ocidental? E na
oriental? Lá, por exemplo, o luto é representado pela cor branca. Dizem que as cores verde, lilás e
vermelha despertam a fome? O Mcdonalds usa as cores amarela e vermelha em seus restaurantes
em todo o mundo.

• Cinza: elegância, humildade, respeito, reverência, sutileza;
• Vermelho: paixão, força, energia, amor, liderança, masculinidade, alegria (China), perigo,
fogo, raiva, revolução, "pare";
• Azul: harmonia, confidência, conservadorismo, austeridade, monotonia, dependência,
tecnologia, liberdade;
• Ciano: tranqüilidade, paz, sossego, limpeza, frescura;
• Verde: natureza, primavera, fertilidade, juventude, desenvolvimento, riqueza, dinheiro
(Estados Unidos), boa sorte, ciúmes, ganância, esperança;
• Amarelo:velocidade, concentração, optimismo, alegria, felicidade, idealismo, riqueza (ouro),
fraqueza, dinheiro;
• Magenta: luxúria, sofisticação, sensualidade, feminilidade, desejo;
• Violeta: espiritualidade, criatividade, realeza, sabedoria, resplandecência, dor;
• Alaranjado: energia, criatividade, equilíbrio, entusiasmo, ludismo;
• Branco: pureza, inocência, reverência, paz, simplicidade, esterilidade, rendição;
• Preto: poder, modernidade, sofisticação, formalidade, morte, medo, anonimato, raiva,
mistério, azar;
• Castanho: sólido, seguro, calmo, natureza, rústico, estabilidade, estagnação, peso,
aspereza.

Encontrei duas experiências interessantes em um site (www.colegiosaofrancisco.com.br)
além de uma experiência pessoal que podemos chamar de “enigmas” e deixar que eles
descubram as explicações:
1
a
) com o uso de uma lanterna sobre a parte externa da pálpebra direita é possível ao olho
(ou ao cérebro) ver os vasos sanguíneos e isto só não é possível com freqüência pois (a
explicação dos cientistas) o cérebro só percebe coisas em movimento e os vasos encontram-se
parados.
2
a
) construa um canudo de 15cm com uma folha de papel e olho com um olho aberto um
objeto qualquer, mantendo o outro olho fechado. Depois, coloque sua mão no canudo perto do seu
rosto e abra os dois olhos: verá a imagem completa do objeto, pois o cérebro fundiu as imagens do
olho esquerdo e do direito.
Uma terceira experiência – vivida por mim é, pelo menos, curiosa: certo dia, quando acordei,
desci as escadas e me deparei com um objeto que eu não consegui identificar, pois estava ainda
sonolento: à primeira vista pareceu um vômito (algo comum quando se tem dois cães em casa),
mas segundos ou uma fração de segundo, percebi que se tratava de um osso que um dos cães
havia em um canto da casa. Um evento banal, dirão. Mas, para um filósofo de verdade, a vida é um
acontecimento tão extraordinário que nada pode ser banal! Aquela frase de Aristófanes – “nada é
estranho ao sábio” deveria ser alterada para “nada é banal ao sábio”, pois há coisas que são
estranhas, sim, incompreensíveis, embora, em geral, o que é difícil para a maioria das pessoas é
fácil para os filósofos, pelo menos quando eles formulam suas hipóteses, o que não significa que
encontraram as respostas. E o oposto, também, é correto: o que é fácil para a maioria, é difícil
para o sábio. Bem, como podemos solucionar este problema? Pensamos, primeiramente, que
tínhamos descoberto uma prova de que é a mente que projeta imagens dos objetos que,
ilusoriamente, estariam lá fora, no suposto mundo real. Apareceu-nos que foi a nossa mente que
escolheu “projetar” a imagem de um osso em vez da imagem de um vômito. Depois, surgiu-nos
uma segunda hipótese (aliás, é curioso: surge-nos, projeta-nos diante de nós): é que não sabendo
que objeto era e não estando com os sentidos e a percepção alertas, aquela imagem de vômito
veio da memória, como uma alternativa para solucionar nossa dúvida (“que objeto era aquele?”) e,
somente a seguir, é que percebemos a imagem do objeto real, um osso. Houve, de fato, uma
projeção, sim, de uma imagem da memória que dominou nossa atenção, imagem que reproduzia
até as cores e texturas do chão e das paredes e que, depois, foi substituída pela imagem real. Esta
é a hipótese na qual preferimos acreditar.
3
o
) há um pequeno arbusto chamado cientificamente de “Brunfelsia pauciflora”
(chamadas em língua inglesa de de “yesterday-today-and-tomorrow”, ontem, hoje e amanhã), cujas
flores abrem na cor lilás, tornam-se lavandas e finalmente brancas. Uma pergunta que se pode
fazer aos alunos é: “se ela produz um único tipo de flor como há flores de três cores?”.

Aula 64: o sentido do olfato.
Um outro filme tão interessante quanto o anterior é “Perfume”, onde um rapaz desde o
seu nascimento é submetido a diversos cheiros, o que o faz bastante sensível a aromas e
excelente perfumista. Só que, em vez de extrair perfumes de plantas, ele se torna obcecado pelo
cheiro da pele de belas mulheres. À procura do perfume perfeito, ele as mata.
Este exercício procura despertar a sensibilidade para o olfato. Propomos que os alunos
tragam perfumes de casa para compartilhar cheiros com os seus colegas. Identificarão se os
perfumes contêm elementos em sua composição, compartilharão experiências e opiniões. Ao
professor caberá ofertar pedaços de papéis pequenos sobre os quais serão dispersos os perfumes
para que os demais alunos possam cheirá-los também.
Caso eles esqueçam de trazer os perfumes (sinal de desmotivação com a aula), basta o
professor deixá-los livres em toda a área do colégio para que descubram cheiros belos ou
desagradáveis. Nestas duas últimas aulas, já se adquirirá experiência razoável para debater sobre
o tema da beleza, mas podemos prosseguir com os outros sentidos: tato, gosto e audição.
Procuramos incentivá-los a cheirar os objetos mais estranhos, até um pássaro morto, mas eles se
mostraram reticentes. Além disso, a área da escola não permitiu encontrar objetos interessantes e
os alunos restringiram sua pesquisa a duas árvores. Antes que eles as destruam totalmente é
preferível que o professor traga de casa cheiros para serem identificados – há lojas que vendem
aromatizadores de ambiente, por exemplo.

É interessante o professor folhear jornais e revistas para levar aos alunos notícias sobre
descobertas científicas: pesquisadores da universidade de Mannheim (Alemanha) testaram borrifar
cheiros agradáveis ou não nos travesseiros com os quais as pessoas dormiam. Muitas delas
tiveram sonhos agradáveis (quando o cheiro era de flores) e outras, desagradáveis (quando o
cheiro era, também, desagradável).
E os cães: por que eles lambem a perna da gente (ou objetos quaisquer) antes de cheirá-la
? Faça um suspense e se eles não oferecerem hipóteses (escreva alternativas (a), (b), (c), (d) no
quadro), responda: é para que aquela substância que interessou o cão pela primeira vez seja
dissolvida na água (saliva), liberando, assim, uma maior quantidade da mesma substância!
Falando em cão ou cães: mais de um deles, pertencentes à minha família, tinham o hábito de
esfregar o rosto em carniças de animais. O cheiro lhes parecia agradável, mesmo que para nós
pareça horrível? Como é possível? Tendo eles faro mais apurado, imagino que eles possam
identificar elementos naquele cheiro e lhes pareça harmonioso, mas não para nós, um mau cheiro
indistinto. Será por que remete-nos à lembrança de doenças, assim, como não cheiramos fezes,
nem urina?
Revista Superinteressante (Janeiro de 1998)
Os primeiros seres, que viviam nas profundezas dos oceanos, certamente só
possuíam esse sentido (OLFATO), com o qual localizavam a comida, descobriam os
parentes e evitavam os inimigos. O cérebro tinha apenas centros olfativos, que interpretavam os
odores, e centros motores, que controlavam os movimentos. Quanto mais as espécies foram
evoluindo, diminuía o tamanho da área cerebral especializada no olfato, chamada rinencéfalo, que
cedeu espaço para outras estruturas especializadas. No homem, por exemplo, uma área do
rinencéfalo foi ocupada pelo uncus, a parte do cérebro que controla as reações motoras do
organismo diante das emoções, como tremer de medo.
No final das contas, o nariz do homem acabou perdendo para qualquer focinho de
animal. No ser humano, as células olfativas cobrem uma área de 10 centímetros quadrados do
nariz; já no cachorro, essas células ocupam 25 centímetros quadrados; e no tubarão, 60. Enquanto
o homem, para perceber o cheiro do ácido acético presente no vinagre precisa de 500 milhões de
moléculas dessa substância por metro cúbico de ar, o cão pode sentir o mesmo cheiro com apenas
200 mil moléculas.

Aula 65: o sentido do tato.
Até aqui, tínhamos apresentado exercícios sobre a visão e o olfato. Mas, tínhamos dúvidas
sobre como apresentar os demais sentidos. Por isso, é útil perguntar aos alunos, pedir-lhes
sugestões.
Lembramos que um exercício de dinâmica de grupo realizado na faculdade e que pode ser
relacionado ao sentido do tato foi o seguinte: pessoas fazem exercícios com o objetivo de
estabelecerem laços de afeto: desde abraços até carregar um membro do grupo ou segurá-lo
enquanto ele cai para trás. Lembrar que nas cidades grandes as pessoas são geralmente frias em
relação às outras. No filme Crash, fala-se que as pessoas não se tocam mais, só quando sofrem
acidentes.
Uma outra idéia que tivemos: levar para a sala de aula cinco (5) sacos plásticos escuros
com objetos dentro desde fiação elétrica ou cabo de computador, vela, suporte para papel
higiênico, colher de plástico, etc. estes exercícios se propõem a despertar a sensibilidade dos
alunos, desenvolver a concentração, reconhecer a importância de cada sentido e suas limitações e
debater sobre a inter-relação dos sentidos na compreensão do mundo.
Foi uma boa aula, que pena que a maioria não é assim: os alunos se interessaram em
descobrir o que havia dentro dos sacos plásticos (quatro no total, suficiente para preencher o
tempo de 50 minutos), não houve conversa em um nível que prejudicasse a fala do professor. Foi
muito interessante esta experiência: creio que fizemos juntos algumas descobertas: é mais fácil
identificar um objeto usando as duas mãos que uma apenas. Por quê, perguntamos a eles? Duas
mãos informam melhor o tamanho do objeto. Mas, por quê? (indo mais longe na questão). Eu tive
que sugerir uma tese (não sei se a neurologia tem teoria semelhante!): é que para lembrar de um
objeto precisamos das suas três dimensões. Eles já haviam dado outra pista: de que, com duas
mãos, perceberíamos mais rapidamente, o objeto e sua forma. Assim, não só precisamos das três
dimensões, mas que elas sejam percebidas quase simultaneamente.
Não foram raro os casos de alunos que confundiram um objeto com outro: um cabo elétrico
de computador com um cabo de televisão ou uma caneta com o suporte para papel higiênico. É
uma pena que eles tenham perdido (por culpa da escola) a curiosidade natural de buscar o por
quê das coisas (e, também, a excessiva conversa!). Quando pedi que filosofassem sobre a
experiência eles apenas listaram os objetos que tinham reconhecido.
Uma alternativa é pedir que, em vez de darem o nome do objeto, eles o desenhem, o que
exige mais exatidão do que o uso das palavras (dizer que é uma peneira é menos preciso que dizer
o tamanho dos furos, apenas com o dedo!).
De longe, o maior conhecimento que adquirimos foi o de tocarmos nas mãos uns dos
outros; a escola não precisa ser fria como as relações sociais são, em que as pessoas mal
encostam umas nas outras. Lembro de uma falha minha: não apertar mão no início do ano dos
alunos, pois eu dizia a eles que não sabia se eles tinham lavado as mãos, especialmente os alunos
e, além disso, eu não queria demonstrar muita intimidade, pois poderia perder o controle e a
disciplina condições para poder dar uma mínima aula.
Um aluno relacionou a experiência do tato à da cegueira, imaginando como seria difícil ser
cego, outra aluna, observou o quanto a imaginação nos pega sustos, pois ela estava com medo de
enfiar a mão dentro do saco, pois poderia haver lá dentro algum bicho. Por quê? Temos um medo
natural ou desconfiança em relação ao professor? Ou a imaginação nos oferece respostas diante
do aparente vazio ou ausência de um objeto?

Além disso tudo, falamos, ainda, da história da jovem Helen Keller (27 de junho de 1880 – 1
de junho de 1968), exemplo de superação que merece ser citado: ela ficou cega aos dois anos de
idade e, pouco depois, surda.

Nem por isso deixou de estudar e chegou a se formar em Filosofia. Aprendeu as letras
quando alguém as escrevia na palma de sua mão e, depois, relacionava as palavras tocando nos
objetos. Se a lição envolvia aprender o que é água, ficava assim: primeiro, alguém com os dedos
escrevia na palma da mão dela, letra por letra: á+g+u+a (ou w+a+t+e+r, Helen ela norte-
americana) e, depois, molhava a sua mão com água e, por aí em diante, para cada objeto.
Outra questão que despertará debate diz respeito à sinestesia. Em um blog
(http://www.sinestesia.co.uk), encontramos Patrícia Müller que relata sua condição: “Eu sou
sinesteta de várias modalidades, mas predominantemente das modalidades 1) léxica>gustatória e
2) léxica>olfativa, formas menos comuns de sinestesia. Ela acrescenta que a sinestesia não se
trata de uma doença, apenas um processo que ocorre nos neurônios, que causa a mistura de
sensações diferentes – “Alguns sinestetas “vêem” sons, outros sentem o sabor de palavras ou
formas, o cheiro dos objetos que tocam, enxergam imagens ao ingerir certos alimentos, e outras
misturas de sensações”.

Por fim, é útil citar as qualidades primárias (a forma, a quantidade ou o número das coisas)
e secundárias (as sensações que existem em nossa mente, como a dor, as cores, o quente e o
frio) de John Locke. Especificamente sobre a forma, o que ela é? Existe separada da matéria,
como pensava Platão e mesmo São Tomás de Aquino na Idade Média, a ponto de dizer que os
anjos só têm forma e não matéria? Um chafariz tem uma forma real ou ela surge na nossa mente a
partir da imagem das gotas d’água, sendo a água uma substância material como outras? E a forma
humana? Saímos de uma mesma fôrma?
Ponto de vista semelhante é o de Nietzsche: para ele, a forma foi “inventada por nós”.
Ele defende (frag. 9(144)) que somos nós que criamos as noções de “coisa”, “sujeito”, “predicado”,
“substância”, “forma”, “finalidade”, embora estas noções não existam realmente, pois sempre surge
“algo novo”, que tão somente tem uma aparência semelhante com as coisas que o antecederam,
uma vã tentativa de “fixarmos o mundo” como algo verdadeiro, idêntico (Fragmentos finais: Unb,
p.73).

Pensamos em falar aqui da espécie humana ou da forma humana? A forma está no ser
humano, em cada um de nós? Saímos de uma mesma forma? Aliás, há uma espécie? Nosso DNA
é a causa da espécie? Temos 46 pares? (aliás, há três seres vivos que têm o mesmo número de
DNA e não são da mesma espécie: o rato branco, o macaco rhesus e a planta aveia!). Um aluno
defendeu, brilhantemente, que o nosso DNA tem uma combinação específica que nos faz humanos
(dizem que ele é 95% parecido com o dos chimpanzés, exceto por 5%). Mas, mesmo assim, o DNA
dos “humanos” não é igual, há diferenças e se houver uma única basta para dizer que somos
parecidos, mas distintos uns dos outros. Na minha modesta opinião, só gêmeos poderiam fazer
parte de uma espécie, pois têm, segundo a ciência, o mesmo DNA. Há um argumento que uso em
aulas, mas que é mal compreendido: é que quando os alunos dizem que ser humano é ter 23 pares
de cromossomos nos núcleos das células, eu pergunto: e as pessoas portadoras da
síndrome de Down? Elas têm um cromossomo a mais no 23
o
par. Estão, por isso, fora
da dita “espécie humana”?
Mas, se você respondeu sim a uma ou mais das perguntas anteriores, responda-me por que,
então, as crianças-lobo (na foto uma delas, Amala, resgatada de uma alcatéia em outubro de 1921,
na Índia, com sua irmã, Kamala) parecem se comportar como lobos e não como humanos?

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Amala e Kamala, também conhecidas como as meninas lobo, foram duas crianças
selvagens encontradas na Índia no ano de 1920. A primeira delas tinha um ano e meio e faleceu
um ano mais tarde. Kamala, no entanto, já tinha oito anos de idade, e viveu até 1929.
Em 1920, o reverendo Singh encontrou, em uma caverna, duas crianças que viviam entre lobos.
Suas idades presumíveis eram de 2 e 8 anos. Deram-lhes os nomes de Amala e Kamala,
respectivamente. Após encontrá-las, o rev. Singh levou-as para o orfanato que mantinha na cidade
de Midnapore. Foi lá que ele iniciou o penoso processo de socialização das duas meninas-lobo.
Elas não falavam, não sorriam, andavam de quatro, uivavam para a lua e sua visão era melhor à
noite do que de dia. Amala, a mais jovem, morreu um ano após ser encontrada. Kamala viveu por
mais oito anos sem, contudo, aprender a falar, ler, usar o banheiro ou a ter qualquer
comportamento que pudesse ser considerado próprio de seres humanos. A única emoção que
demonstrou em todos esses anos foi algumas lágrimas que caíram de seus olhos, no dia em que
Amala morreu.

Aula 66: o sentido do paladar.
Meus alunos me corrigiram: não é o sentido do gosto, mas, sim, do paladar. E
eles sabiam mais do que eu quais papilas gustativas reconhecem o amargo e a
doçura das coisas.
Pode-se refazer um teste antigo: esconder os rótulos de dois refrigerantes e
testar se os alunos são capazes de identificar as marcas. De um modo divertido,
pode-se aprender se o sentido do gosto é igual em todos e se não, por que não é?
Como desenvolvê-lo? Outra possibilidade: apresentar chocolates ao leite e amargo e
perguntar sobre as diferenças observadas, sem recorrer a rótulos ou embalagens.
Esta última experiência não saiu tão boa quanto eu imaginava: eu não estabeleci
critérios, eu não defini quantas linhas o trabalho deveria conter e o resultado foi
péssimo: alunos escreveram que um chocolate era mais claro e o outro, mais escuro;
erraram quilômetros da proposta original, pois eles escreveram sobre a aparência
(visual) e não gustativa da experiência vivida. Depôs, quando devolvi os trabalhos
corrigidos e dei zero para quase todos, percebi que eu também merecia zero.
Na aula seguinte, tentei mostra a eles que deveriam fazer silêncio (algo raro na
idade deles) para se ter mais chance de perceber gostos que não percebemos
facilmente. Fiz o exercício sozinho, disse que o chocolate sólido dificulta sentir gosto
(paladar), é preciso quebrá-lo, derretê-lo na boca (sempre levam para o lado sexual,
temo que boa parte deles permaneça indisciplinado por toda a vida, caóticos e que
repitam o que seus pais fizeram: construir famílias desestruturadas com filhos, como
eles, indisciplinados que, por sua vez, repitam os seus pais,...). o que mais dizer do
chocolate? Lembrei de outros gostos: canela, baunilha. Nem tudo é derrota: houve
alunos que lembraram de sensações que eu não lembrei: o gosto do leite ou, ainda,
sentiram um gosto de queimado no chocolate amargo.

Na parte detrás da língua reconhece o gosto amargo
Nas partes laterais, os gostos ácidos
Na ponta o doce e um pouco atrás da ponta, o salgado

Ocorreu um fato desagradável no final desta aula, mas que nos ensinou muito:
depois que mostramos aos alunos como queríamos o exercício, um ou dois alunos
abriram nossa pasta e roubaram um pedaço grande do chocolate que havíamos
trazido (lembre o leitor que na aula anterior os alunos puderam degustar dois tipos
de chocolate e nesta aula, o professor). Isto nos mostrou o quanto de imaturidade há
em alguns alunos, uma limitada capacidade de perceber além dos seus desejos e
uma ilimitada falta de consideração com o professor. Resultado: fiz uma queixa à
direção e eles foram ameaçados de prisão (dois deles eram maiores de idade);
havia, ainda, um terceiro que levou a culpa pelos dois primeiros. Que tipo de vida
familiar eles têm que os leva a fazer coisas deste tipo sem levar em conta o esforço
do professor para apresentar uma aula mais atraente?
Uma pequena correção para as futuras aulas sobre o estudo das sensações:
talvez seja a de propor que cada um experimente diversos gostos: a acidez do limão,
o doce do mel, a acidez, o amargo do chocolate e o salgado do sal. Pode parecer
estranho, mas e provar água? Podemos provar diversas águas minerais, as
adocicadas e a água da torneira: são todas insípidas? Certa vez ouvi um químico
dizendo que isto não é correto: não há como tirar todo o gosto, o cheiro e a cor. Nós,
filósofos, podemos perguntar: por que só há quatro gostos?
Outras idéias de exercícios de paladar:
(a) apresentar aos alunos em dois recipientes uma colher de café de açúcar
branco e outra de açúcar dietético (com uma quantidade de aspartame) e pedir que
identifiquem se as duas substâncias são a mesma ou se há diferenças e se houver,
em que difeririam. Apenas no final da experiência o professor dirá do que se tratam
as substâncias ou, então, pode pedir na metade do teste que digam qual é açúcar e
qual é adoçante artificial. É preciso que o profesor planeje a quantidade certa para
que nenhum aluno fique sem experimentar: se temos 500gr de açúcar com
aspartame, devemos dividi-lo por 40 alunos ou seja, 12 gramas e meia por aluno, o
que dá um a porção pequena, mas suficiente para que ele sinta o gosto. Esta
experiências são importantes por diversas razões: ensinar aos alunos a degustar
pequenas quantidades, descobrindo que não é o excesso de consumo que nos dará
todo o conhecimento sobre as coisas, mas a atenção aos detalhes.
Quando fizemos este exercício em algumas turmas em 2008, surgiu uma
opinião interessante: eles disseram (filosofaram) que havia dois tipos de granulações
de açúcar distintas, um era maior e outro menor, mas, alertei-os de que isto era uma
sensação referente ao tato, da língua, mas não era uma sensação vinda do paladar,
este mede se algo é pouco ou muito doce, por exemplo, mas não o tamanho daquilo
que é doce!
(b) na década de 80 do século passado, os refrigerantes a empresa Pepsi
resolveu realizar um teste em que oferecia provas de Coca-cola e da Pepsi, sem
mostrar o rótulo e pedia que os consumidores identificassem qual copo continha
Coca-cola e qual, Pepsi e o mais surpreendente foi que as pessoas não distinguiam
uma da outra! Em geral, a Coca é mais amarga que a Pepsi, o que é estranho, pois
se sabe que em cada 300ml de Coca-cola há cerca de seis colheres de sopa de
açúcar branco, substância inútil que rouba nutrientes do corpo quando é
metabolizada em nosso organismo. Aqui, também, é preciso calcular a quantidade
correta: se são 40 alunos por turma, então, devemos dar uma prova de uns 50 ml,
quantidade mínima, mas suficiente (mesmo porque o professor não tem muito
dinheiro para pagar refrigerantes para, por exemplo, 9 turmas; o ideal é que estes
exercícios sejam feitos ao longo do ano e não em uma mesma época!). Assim, se
cada aluno receber 100ml de refrigerante multiplicado pelos 40 alunos dá 4 litros ou
2l de Coca-cola e 2 de Pepsi. Podemos brincar com eles e, em algumas turmas,
oferecer apenas Coca-cola ou apenas Pepsi, para ver como reagem à experiência e
se saem bem ou não.
(c) identificar os sabores em balas: há algumas que têm cores variados e
gostos de frutas, o que cria um ambiente de voltar a ser criança: aquela curiosidade
natural acompanhada de sorrisos e olhos brilhando! Contudo, podemos substituir as
substâncias artificiais testadas por sucos naturais e frutas. Estaremos ensinando os
alunos, duplamente!
Há, aquela mesma aluna que visitou o museu de ciências da PUC e que a
citamos antes, encontrou um outro experimento interessante: lá, eles pediam que os
visitantes relacionassem os nomes de substâncias a seus gostos, como identificar
“canela” a sua respectiva substância.
Podemos ainda, mostrar aos alunos através da imagem de diversas variações
do refrigerante Coca-cola que são produzidos no mundo: com limão, sem cafeína,
com adição de vitaminas B, com gosto de café, cereja, etc, para que eles reflitam
porque há sabores diferentes em diferentes partes do mundo, por que não chegaram
ainda aqui, em nosso país, Brasil, e pensar, também, que outros sabores
ainda não desenvolvidos poderiam ser desenvolvidos?
Coca-cola sem cafeína
Coca-cola light sem cafeína
Coca cereja
Coca cereja preta e baunilha
Efervescente com essência de café
Diet com Splenda
Cocadiet com vitamina B3,B6, B12, zinco e magnésio.

É muito oportuno lembrar experiências pessoais: quantos de nós se maravilha
em provar um refrigerante novo ou comer pizza, mas após muitas experiências
semelhantes sentimo-nos enjoados e entediados. Por que isto acontece? O
que experiências repetidas provocam em nossos cérebros? Tenho uma teoria que
defende que a duração das coisas é uma dor que surge na memória a partir de
experiências repetidas: as sensações vão sendo guardadas na memória até que
aquele lugar fique cheio das mesmas sensações, o que provocaria uma dor por
excesso de sensações na memória. Como é apenas uma teoria, não quero
importuná-los sobre isto, mas, ainda assim, podemos como um dançarino que gira
em volta da sua parceira, procurar observar o ponto de vista dos estudantes para
saber se esta teoria está em conformidade com as sensações entediantes que eles
relatarão.
Para finalizar, da Wikipédia extraímos algumas curiosidades: O sabor não tem
só que ver só com o gosto, mas também com o aroma do que se tem na boca. É por
isso que, quando estamos resfriados, a comida nos parece sem sabor, embora o
seu paladar continue presente. Algumas teorias consideram um quinto gosto
primário: o umami. Umami é uma palavra japonesa que significa «com um bom gosto
de carne» e se aplica à detecção de glutamatos. Quem me dera poder viver em uma
época onde em vez do quadro o professor disponha de uma tela ligada a internet!

Aula 67: o sentido da audição.
Podemos dar atenção especial àqueles sons que não prestamos atenção
normalmente: uma gota d’água, um inseto, a redução da conversa para ouvir o
silêncio. Destacar o fato de que os aparelhos de som que usamos contribuem para
isolar-nos dos outros e prejudicar nossa audição.
Ou podemos experimentar tapar os ouvidos, experimentando como seria se
fôssemos surdos, mas fizemos isto e o algodão não foi suficiente. Quando
perguntamos aos alunos como poderíamos desenvolver o sentido da audição, eles
preferiram escutar músicas preferidas e identificar nelas os diferentes instrumentos
musicais utilizados. É útil levar imagens deles para que a identificação seja facilitada.
A primeira aula em que realizamos este projeto foi um fracasso.
Há alguns motivos: a falta de habilitação do professor em instrumentos musicais o
que pensamos seria complementada pela experiência dos alunos, o que foi feito,
mas sem grande entusiasmo, especialmente quando ouviram estilos de música
diferentes do seus gostos; necessidade de ver os músicos tocando os instrumentos
para facilitar o reconhecimento, embora o professor tivesse levado fotografias
ampliadas dos instrumentos. De qualquer modo, houve a possibilidade de insistir na
defesa da tolerância, isto é, de ouvir os estilos mesmo que não gostemos deles, por
respeito a quem gosta, foi possível distinguir, por exemplo, que a chamada música
popular brasileira usa menos instrumentos ou, pelo menos, assim nos pareceu, que
o pagode que, aliás, não deixa de ser, também, uma música popular, embora não
seja clássica, há muito prestigiada, pelo menos, pelos principais meios de
comunicação (poderão dizer, a música da burguesia, mas sabemos que há muitos
de esquerda que as apreciavam e apreciam, inclusive os músicos são de esquerda).
O professor acrescentou, ainda, que embora os alunos tenham aversão por estilos
diferentes dos deles, há uma origem comum por trás dos dois estilos: o pagode vem
do samba e este vem da música africana e a música popular brasileira (MPB) tem
entre seus intérpretes cantores que vem da Bahia e a música baiana foi fortemente
influenciada, também, pela africana através dos escravos levados para lá.
Em uma próxima vez, provavelmente faremos: (1) um exercício em que o aluno
saia para o pátio e procure sons curiosos e até construir instrumentos com materiais
que encontre a sua volta ou, então, em vez de ouvir músicas, se assista um show
gravado em DVD, pois a imagem facilita mais a identificação dos instrumentos ou,
ainda, o mais improvável, (2) que o professor se instrua em um curso de música,
pois, neste caso, ao professor só restará dar uma aula – monótona sobre teoria da
música, o que não estimulará os alunos a pensarem por si mesmos. Mas viver é
aprender e não tomamos como derrota definitiva esta aula mal sucedida.
Outra forma é a da rádio-novela, em que pessoas dentro de um estúdio,
compõem uma história e utilizam objetos para imitar sons, como lâminas de metal
para o som de relâmpagos, cascas de frutas secas para cascos de cavalos, etc.

Últimas questões sobre os sentidos:
C qual o grau de importância de cada um deles, qual é o mais importante?;
C qual deles surgiu primeiro, tomando a teoria da evolução de Darwin como
correta? Sobre esta pergunta, não encontramos uma resposta científica, apenas
lemos algo sobre seres ou células primitivas ciliadas, uma forma de tato, e o
aparecimento de estruturas fotossensíveis em organismos muito antigos. Mas, de
qualquer modo, a ciência também especula e podemos fazê-lo também na filosofia,
até porque a primeira etapa do método científico (formular hipóteses) corresponde à
atividade que o filósofo desempenha (especular, formular respostas para nossas
mais difíceis questões).
C Se cada um deles tem deficiência, como as superamos e obtemos um
conhecimento perfeito sobre as coisas? Um sentido ajuda o outro em suas
fraquezas, se completando um ao outro? Dei um exemplo de duas pessoas
deficientes apoiando-se: isto as faria superar a deficiência? Deixariam de ser
deficientes?
Quando começamos estas experiências com os sentidos, não sabíamos onde
iríamos chegar, mas me dou conta, hoje, que fiz eu mesmo descobertas: ou a razão
é algo distinto e diferente dos sentidos ou ela mesma é um sentido, porém interno,
mas, então, terá que ser um sentido que percebe os cinco sentidos ou, ainda, que
todos os sentidos são formas de tato e a razão é uma forma de tato, interno. Ou
quando sentimos, por exemplo, um gosto, não é a língua que o sente, mas a razão e
é ela que é capaz ou incapaz de perceber o gosto de remédio do aspartame, por
exemplo. E tal dedução se deveu ao fato de que havia duas maneiras de provar o
açúcar: com o dedo, pondo-o na ponta da língua (área que reconhece... açúcares)
ou, então, com o dedo, mas espalhando sobre toda a língua (ou virando o copo
plástico para dentro da boca, espalhando sobre a língua) e, neste caso, se
descobriria o gosto amargo do adoçante artificial.

Para Santo Agostinho “no interior do homem mora a verdade” e
René Descartes, Deus garante que o que vemos com clareza seja verdadeiro.

C perguntar aos alunos como conhecemos um objeto ou um ser vivo? Pedindo-
lhes que descrevam uma cena qualquer, por exemplo: vejo uma planta, vejo sua cor,
sinto a textura da folha, depois cheiro a flor. Observa-se aqui que há uma série de
percepções que nos fornecem sensações distintas que percorrem caminhos
distintos e vão se unir dentro da mente. Mas, lá dentro, estarão mesmo unidas? O
que “cola” tais sensações ou elas se mantêm próximas, mas ainda assim,
separadas, surgindo diante de nós a idéia de um ser (pergunta feita no século XVII
por David Hume), uma unidade, no exemplo, uma planta? Peguemos a idéia de
cavalo alado: temos a imagem de asas unida a de cavalo, mas ninguém nunca viu tal
criatura? É a imaginação que une e recorta certas imagens? E a nossa própria
imagem, não seria uma colagem da imaginação? Sei que debater isto é algo
complexo demais, mas podemos voltar à questão das primeiras aulas: o que é o
todo, a soma das partes? Mas, e as partes, não são sensações na nossa mente? E o
que são as sensações: um dado real externo? São as cores independentes de
nossos cérebros? É a forma, também, algo real?

Aula 68: os limites da razão.

Um texto interessante é o que trata da razão: o que é ela? Tema indispensável após o
estudo dos sentidos.

LIMITE DA RAZÃO Viviane Mosé (Programa do Fantástico de 18/09/2005)
Uma pergunta: o homem pode saber tudo? Até onde o pensamento é capaz de nos levar?
Prepare-se para uma viagem rumo aos limites da razão! Quem vai nos guiar nesta aventura é a
filósofa Viviane Mosé.
Você já tentou pensar sobre o infinito? Será que é possível conhecer tudo? O infinito cabe
num enquadramento? O filósofo alemão Kant, que viveu no século 18, tentou encontrar resposta
para essas perguntas, saber qual o limite da razão. Para Kant, o conhecimento nasce da
experiência que temos do mundo. Mas essa experiência, antes de chegar a nós, passa primeiro
por um filtro. Pense numa máquina fotográfica.
Há mais de 30 anos, o fotógrafo de jornal Custódio Coimbra sai todos os dias em busca de um
retrato do Rio. As lentes de sua máquina tentam delimitar o melhor enquadramento, capaz de
traduzir a cidade para milhares de leitores em todo o Brasil. “Eu sou meio que um captador de
emoções”, diz Custódio. “Num dia estou numa chacina. No outro dia, estou no Maracanã. Escuto
um grito de dor, escuto um grito de alegria”. A nossa percepção também é uma lente que enquadra
e delimita a realidade, como a máquina do fotógrafo. As fotos que Custódio tira primeiro se
imprimem na lente de seus olhos. “Eu fotografo primeiro sem a máquina. Depois eu uso o
equipamento como instrumento pra chegar no produto final”, explica o fotógrafo.
Todas as sensações que experimentamos e os pensamentos que temos, segundo Kant,
passam pelo filtro do nosso corpo - os cinco sentidos e o sistema nervoso central. Somos um
aparelho de percepções. Esse aparelho determina a forma como percebemos a realidade.
Agora, pense nas lentes de um supermicroscópio. Elas nos levam a um mundo invisível a olho nu.
“A gente trabalha para observar detalhes da estrutura atômica dos materiais”, afirma Daniel Ugarte,
professor da Unicamp.
O microscópio eletrônico é capaz de ampliar a imagem de um átomo até dez milhões de
vezes! “Se pensarmos numa formiga, pequenininha, de cozinha, tem um milímetro. Se
aumentarmos ela dez milhões de vezes, essa formiga passaria a ser um monstro de dez
quilômetros de comprimento”.
As lentes também são capazes de guiar nossa visão até galáxias muito distantes. O telescópio de
um observatório em Minas Gerais funciona como um superolho humano, capaz de focalizar
estrelas e planetas a milhões de anos-luz.
“Eu, particularmente, estudo estrelas que são jovens, mas que estão aqui na vizinhança solar,
estrelas recém-formadas. Formaram-se há uns dez milhões de anos, mas é muito pouco tempo na
escala astronômica”, diz o astrônomo do Laboratório Nacional de Astrofísica Carlos Alberto Torres.
Cada lente, seja a do microscópio, do telescópio, ou a do nosso olho, impõe uma perspectiva, uma
visão de mundo diferente. Se tivéssemos um olho de telescópio, veríamos o céu, mas não
veríamos as coisas que estão aqui perto. Se tivéssemos um olho de microscópio, veríamos as
micropartículas e não veríamos as outras coisas. Nosso olho, então, fica no meio disso.
Da mesma maneira, Kant acreditava que nossa razão também tem uma espécie de lente, de filtro,
que dá sentido ao que percebemos. Essa lente é a noção de tempo e espaço. Ao contrário do que
a gente pensa, o tempo e o espaço não existem fora de nós. Eles estão na nossa consciência. O
mundo não tem ordem. A ordem que a gente percebe é produto da razão.
Nossa razão produz recortes da realidade, assim como uma câmera fotográfica. Uma foto
mostra um recorte da realidade. Infinitas coisas estão acontecendo ao redor da foto. Ela recorta,
enquadra, fixa e, de uma certa forma, emoldura uma realidade. Nossa capacidade de perceber é
sempre limitada. Kant acreditava que não podemos conhecer tudo, apenas o que é possível de ser
captado por nosso aparelho de perceber, de ver, ouvir, sentir. A alma é mortal ou imortal? Deus
existe? O universo é finito ou infinito? Se a razão é um recorte, um enquadramento, como conhecer
Deus, o ilimitado, o infinito?
Kant dizia que o homem jamais seria capaz de chegar a um conhecimento seguro sobre
essas perguntas. Isso não quer dizer que estas perguntas não possam ser feitas. Se fosse assim,
não existiria ciência ou filosofia. Mas as respostas estão além do que a razão pode conceber.
Nunca seremos capazes de saber como as coisas são na realidade. Só podemos saber como elas
se mostram a nós. Como o Rio de Janeiro que a gente vê pela lente de Custódio Coimbra. “É uma
cidade que eu amo, um povo que eu adoro, então eu saio em busca dessa atmosfera”, diz o
fotógrafo.

Aula 69: o pensamento tem ordem?
Incorremos em um erro gigantesco: pedimos que os alunos classificassem
certos fatos em método dedutivo, indutivo ou analogia, mas, sabemos, que isto
entrou por um ouvido e saiu pelo outro e se perguntássemos de novo, não
lembrariam! Longe da obrigação de seguir o professor orientador de nosso trabalho
final (de estágio em uma escola) no curso de licenciatura em Filosofia, sentimo-nos
confortáveis em abandonar a lógica para adolescentes, mesmo porque – como
disse John Locke – já trazemos a lógica dentro de nós e isto pode ser facilmente
comprovado nos nossos alunos; o que falta é uma certa calma para não se
apressarem em suas conclusões; mas, ela já está lá, dentro de suas cabeças!
Um fato muito interessante foi uma conversa entre um lógico e uma criança:
interessado em fazê-la descobrir os estudos da lógica, ela foi quem lhe deu uma aula
ao dizer que não sabe o que ela vai pensar, exceto no momento em que ela pensa e
não, antes. Para nós fica claríssimo que não somos uma coisa – ou uma alma - que
pensa. As descobertas de Freud sobre o caráter involuntário – inconsciente - do
pensamento, prova a mesma coisa: boa parte dos pensamentos são realizados
escondidos dentro de nosso cérebro e só os conhecemos quando se mostram
prontos diante de nós. Um exemplo disso: podemos comparar uma câmera com o
nosso cérebro e observar que nós, também, focamos imagens próximas e
desfocamos aquelas mais distantes e vice-versa; esta questão é importante para
reconhecer que a forma dos objetos surge quando perdemos o foco nos seus
detalhes!

Semelhanças entre o
ser humano e um
computador

·

X

¯
CORPO





CÉREBRO





Uma proposta de atividade prática é pedir que os alunos comparem o cérebro
a um computador: o que há de comum? E o que há de diferente? Neste exercício
podemos aprender muito não examinando diretamente nossa mente, mas seus
efeitos, a capacidade inventiva humana (o que lembra a tese de São Tomás de
Aquino: não conhecemos a essência de Deus diretamente, mas apenas por meio de
seus efeitos, a criação do mundo) . Além de informativo, será, certamente, divertido:
a que órgão do corpo humano se comparará a cada peça do computador? Neste
mesmo exercício aproveitaremos para tratar da questão da inteligência: o que ela é?
Onde reside? E o célebre jogo de xadrez entre o computador e um homem? Isto põe
em xeque o monopólio da inteligência ao homem? Haverá um dia em que
computadores serão tão inteligentes quanto nós? E os animais, têm, também,
inteligência? O que é preciso para ter uma inteligência? Pensar, memorizar, sentir,
falar, expressar pensamentos?
Um texto introdutório ao estudo da lógica é o seguinte:

O pai da Lógica (programa do fantástico – rede globo)
21.08.2005
Conheça as idéias do filósofo grego Aristóteles, que estudou os conceitos de lógica e
raciocínio.
Uma família de Natal inventou uma língua maluca para se comunicar, um dialeto que não se
parece com nada do que você já ouviu antes. Será que isso tem lógica? E o que esse idioma
inventado tem a ver com a Filosofia? Tudo!
“Sete gombe pra maezta.” Russo? “Kudermente tombe kundermebre!” Japonês?
“Ebnaskdedkkenjej fuki six! Canjães! Canjães!” Está de trás para frente? Você consegue decifrar o
que são essas frases?
Conheça Cloe, Rosemeire, Beethoven, Célia, Daniela e Christian. Ou melhor:
Klomberenteranchente, Kombezente, Bentertombe, Cetekitaens, Dasnisix e Christikisixzaens. É a
família Padilha e seu estranho código secreto!
O código é uma brincadeira que Célia Padilha e as duas irmãs aprenderam na adolescência.
“Eu pratico desde os meus 12 anos. Muitas pessoas perguntavam se era alemão. E a gente não
ligava, continuava no código, dando show mesmo”, conta Célia. “Tem gente que pergunta se nós
estamos falando mal de alguém”, conta Cloe Padilha, filha de Célia.
Esse código faz sentido? Para eles, sim. E você sabe por que a família Padilha se entende,
mesmo nessa língua tão estranha? Porque a conversa deles segue as regras da lógica.
A palavra "lógica" é muito comum no nosso dia-a-dia. Todo mundo diz "é lógico!" quando não
tem dúvida sobre alguma coisa. Ou seja, quando o que é dito faz sentido. Pensar logicamente é
uma coisa que está incutida em todas as pessoas, na feira, na sua cabeça, na sua casa.
Essa é uma tradição de pensamento que teve origem na Grécia Antiga. O filósofo grego
Aristóteles (384-322 a.C.) é considerado o “Pai da lógica”.
No último episódio, mostramos que o filósofo Platão dividiu o mundo em dois. O primeiro é o
nosso, onde tudo é ilusão. O segundo é o das idéias, o mundo do pensamento e da verdade.
Aristóteles era discípulo de Platão, mas não pensava como seu mestre: não existe separação.
Verdade e aparência estão aqui, ao nosso redor. Mas como diferenciar uma da outra? Na filosofia
de Aristóteles, um dos caminhos para a verdade é a linguagem, desde que obedeça as leis da
lógica.
“A lógica está na lei, a lógica também está na boa argumentação. A boa argumentação é
fundamental para a gente chegar no justo. Mas não a argumentação só da oratória e do discurso
vazio. A argumentação fundamentada na prova do processo”, afirma a juíza Andréa Pachá.
Sempre que conversamos com alguém, usamos argumentos para expor e defender nossos
pontos de vista. E o que é um argumento? Nada mais do que um discurso em que encadeamos
afirmações, como os elos de uma corrente, de maneira a chegar a uma conclusão.
A base de todo discurso lógico é um raciocínio muito simples: Todo homem é mortal. Flávio é
um homem. Então, Flávio é mortal. A gente nem se dá conta, mas usa essa forma de raciocinar
toda hora. Sempre obedecemos a algumas regras. Uma das mais importantes é a "não-
contradição".
Não se pode dizer que uma coisa é uma coisa e ao mesmo tempo não é. Isso é chamado de
princípio de contradição, ou de "não-contradição". Nós só podemos, logicamente, afirmar uma
coisa, e não o seu oposto. Afirmar uma coisa e o seu oposto quebra completamente o raciocínio, o
princípio lógico trazido por Aristóteles.
Para a lógica, não importa o que está sendo dito, mas como. Ela é a forma da linguagem, não
o conteúdo. Para o filósofo alemão Nietzsche, a lógica é a escravidão da linguagem, porque ela
pré-determina os caminhos por onde a linguagem pode passar. Mais ou menos como trilhos de
bonde.
Podemos pensar o bonde como nosso raciocínio e a lógica como os trilhos, que tem a função
de nos levar a uma determinada estação. Essa estação é a verdade. Mas será que tudo só pode
ser pensado por meio de argumentos lógicos?
Pode-se dizer que alguém está e não está em um lugar ao mesmo tempo? Teoricamente,
não. Mas sim, podemos dizer isso. Porque se pode estar fisicamente em algum lugar, mas com a
cabeça longe dali. Ou seja, ficar sem lógica não é tão absurdo assim.
Você já imaginou lógica em uma relação de casal? O que agora é amor, daqui a um segundo
pode se transformar em ódio. E mesmo odiando, você não deixa de amar. Será que em uma
discussão você não pode ter e não ter razão ao mesmo tempo? Como manter um discurso lógico
diante dos afetos, que são quase sempre contraditórios?
Sem a lógica, a linguagem seria como o código da família Padilha para todos nós:
incompreensível. Por outro lado, quando a gente se prende a regras muito rígidas, corre o risco de
bloquear o pensamento. Pensar é mais do que seguir o correto. Pensar é criar.


Aula 70: dois testes de inteligência.
Propomos um jogo desafiante: dividiremos a turma em dois grupos, um dos
fumantes ou que pararam há pouco e outro grupo, dos não-fumantes.
Submeteremos ambos os grupos a testes de qi (lógica) e buscaremos saber qual
grupo se sairá melhor e saberemos de antemão qual foi a causa do sucesso de um
grupo e o fracasso de outro: o cigarro!

CONSUMIDORES DE CIGARRO
Este exercício abordará questões como inteligência, mas, ainda, método
científico (quando se procura uma variável a ser testada, mantendo as demais
idênticas ou semelhantes em ambos os grupos testados), mostraremos aos
estudantes como se testa uma hipótese (se o cigarro afeta a capacidade de pensar).
Evidente que poderão perguntar (e isso será ótimo) se não há outras variáveis a
serem avaliadas, como se as pessoas fumantes são fumantes, porque são rebeldes
e se forem rebeldes, não gostam de estudar e, isto, seria uma causa para uma
menor nota nos testes e não o hábito de fumar!
´Outra questão é sobre o consumo de bebidas alcoólicas: lembro que eu parei de
beber cerveja e vinho, ainda que eu fizesse socialmente, após um debate no Rio Grande do Sul
sobre uma lei que reduzia o imposto sobre vinho, bebida produzida aqui. Ocorre que o Conselho
regional de Medicina se opôs à lei, pois, disseram eles, mesmo contra alguns médicos que indicam
o consumo moderado de vinho, que bebidas alcoólicas são drogas e não alimentos, como queriam
os defensores da lei. Assim, foi preciso que eu ouvisse a opinião de médicos para chegar à
conclusão de que as bebidas nos fazem mal. Não percebia isto quando a consumia. Se
observarmos bem, o que é uma bebida alcoólica? É uma mistura de álcool (que usamos para
limpar vidros, matar bactérias e mover automóveis) acrescida de água e algum suco natural (uva
ou grão de cevada). Por que as pessoas submetem seus corpos a tamanha tortura? Isto me lembra
Demócrito que disse que se o corpo pudesse levar a alma a um tribunal o faria devido a falta de
cuidados da alma com o corpo! Em geral, as pessoas menosprezam o corpo, provavelmente
porque não sabem como cuida-lo ou têm preguiça de fazê-lo.

Outro teste: comparar INTELIGÊNCIAS DOS HOMENS COM
A DAS MULHERES. Em geral, os homens se saem melhor em testes de
lógica (e se candidatam a curso de engenharia e física), que revela um tipo de
inteligência, a abstrata. Pode-se aproveitar a oportunidade e brincar (e aprender e
adquirir tolerância às diferenças): os homens em geral são mais lentos na tomada de
decisão, já as mulheres são mais hábeis na comunicação interpessoal.

(teste 1): Continue a seqüência:
1) 1322543210, 1344543210, 1366543210, ... = 1388543210
2) 1234678125, 1236784125, 1237846125, ...= 1238467125 ()
3) 2938204185, 3938204184, 4938204183,... = 5938204182 (o 1
o
par de
números é acrescido de 10 unidades e do último par é subtraída 1 unidade)
4) 4356787874, 4361787879, 4366787884, ... = 4371787889 (o 2
o
e o último
par de números são acrescidos de cinco unidades)
5) 4564310041, 4575533341, 4586756641, ... = 4597979941 (os pares das
extremidades não mudam, os números do interior alteram-se assim: aos dois
primeiros é acrescido 1 unidade, aos 1 números seguintes são uma seqüência de
números ímpares e os dois últimos ou penúltimos, se quiser, são acrescidas 3
unidades)

(teste 2): Continue a seqüência:
(1) Um avião com 100 pessoas a bordo caiu junto à fronteira de Espanha. A
cabina da Primeira Classe caiu em Espanha, a cabina principal caiu no lado
português.
Qual país têm a obrigação de enterrar os 18 sobreviventes portugueses que
viajavam em Primeira Classe?
( ) Portugal
( ) Espanha
( ) Nenhum
( ) O país onde está registrado o avião

(2) qual figura de qual letra preenche o quadrado vazio?


(3) Qual figura de qual letra completa o espaço onde está o ponto de
interrogação?



(4) o número de quadrinhos claros na figura que ocupa a 10
a
posição é:

(5) Que palavra não pertence ao grupo?
( ) prata ( ) platina ( ) ouro ( ) marfim

(6) Qual figura não pertence ao grupo?


Podemos, também, reunir todas as reflexões e chegar a uma definição do que é inteligência.
Pode-se falar, também, das diferentes (múltiplas) inteligências (teoria de Howard Gardner), e da
diferença entre razão e irracionalidade (Há uma matéria de um jornal sobre a crise financeira norte-
americana, cujo título é “momento é de irracionalidade”).

· É comum em nossas universidades o estudo de uma lógica que eu chamo
de lógica robótica, pois esta é sua principal aplicação. Podem dizer que aprender
lógica, suas operações de dedução melhoram a capacidade de pensar. Tenho
dúvidas, porque sempre fui um aluno abaixo da média em lógica e mesmo assim
desenvolvi teorias filosóficas inéditas (para quem quiser, tenho um livro no Google
books).
Onde está o prazer em exercícios que tentam aumentar a capacidade e
velocidade do pensamento com rotinas que lembram programas de computador? Um
exemplo: “Você está em frente a 2 portas. Uma, conduz a um tesouro, outra, a uma
sala vazia. Cosme e Damião as guradam. Ambos podem dizer “verdadeiro”, sempre
mentir ou um diz a verdade e o outro mente. Não sabemos. Podemos fazer 3
perguntas:
P1: o outro guarda é da mesma natureza que você?
P2: você é o guarda da porta que leva ao tesouro?
P3: o outro guarda é o mentiroso?
P4: você fala a verdade?
A seqüência de perguntas que nos levarão à porta certa é:
(a) P2 a Cosme, p2 a Damião e p3 a Damião;
(b) P3 a Damião, P2 a Cosme e P3 a Cosme;
(c) P3 a Cosme, P2 a Damião, P4 a Cosme;
(d) P1 a Cosme, P1 a Damião, P2 a Cosme;
(e) P4 a Cosme, P1 a Cosme, P2 a Damião.
A propósito, dizem que a resposta certa é a letra (D).

Outro teste, menos “neurótico” ou obsessivo é o seguinte:
A sentença seguinte é “v” . A sentença anterior é falsa. E a resposta é que “não
há solução”. Por que fazer isto com as pessoas? Pode-se afirmar que são as
pessoas que criam estes desafios, que trazemos dentro de nós monstros e sábios ou
monstros sábios como a Esfinge que interpelou Édipo, rei de Tebas. Pode ser, mas
por que não oferecer ajuda?
Do que dissemos antes, não significa que não tenhamos tentado ensinar a
lógica formal (robótica). Exceção ao ensino da tabela de verdade, que seria
impossível ensinar a alunos que mal sabem escrever. Além disso, tais tabelas têm
uma concepção que vou chamar de antinatural: quando diz que mesmo se o
antecedente de uma sentença for falso, a sentença será verdadeira se o seu
conseqüente for verdadeiro. Por exemplo: Se chove, então o chão está molhado.
Dizem os lógicos que “Se A, então B”. Ou, ainda que A seja falso, desde que B seja
verdadeiro, a sentença será verdadeira. Mas, não há sentença alguma ou nexo
causal. Há, na verdade, apenas uma sentença, que se refere a algo real, ocorrido, o
resto ou, precisamente, o que veio antes, a falsidade é fruto da imaginação. Não há
coisas falsas existentes! Quanto ao aspecto de que essas mesmas tabelas trazem
em si a crença nas relações de causa e efeito, de tal tese, não discordamos.
Queremos apresentar em detalhe uma tentativa que realizamos para aproximar
os alunos das tabelas de verdade: selecionamos um exercício que constou com
parte de uma prova nacional de matemática. Dizia assim: “se a temperatura está
abaixo de 5
o
C, há nevoeiro. Se há nevoeiro, os aviões não decolam. Assim, também
é verdade a sentença...”
(a) se não há nevoeiro, os aviões decolam.
(b) se não há nevoeiro, a temperatura está igual ou acima de 5
o
C.
(c) se os aviões não decolam, então há nevoeiro.
(d) se há nevoeiro, então a temperatura está abaixo de 5
o
C.
(e) se a temperatura está igual ou abaixo de 5
o
C, os aviões decolam.
Eu, como meus alunos, tendemos a achar que todas as alternativas estão
certas. Por quê? Por que é estupidez dizer a um ser humano que o pensamento tem
uma ordem! Então, para concordar com as tabelas de verdade, o que eu fiz? Criei
uma regra, a partir da observação da ordem dos acontecimentos da sentença que
está no enunciado e, depois, da negação daqueles mesmos acontecimentos:

Temperatura 5
o
C ¬ Há nevoeiro ¬ aviões não voam
Temperatura diferente de 5
o
C ÷ Sem nevoeiro ÷ aviões decolam

Com base neste quadro, submetemos cada alternativa a regra (do quadro
anterior) para ver se elas estão ou não em conformidade:
(a) a ordem certa seria: os aviões decolam se não há nevoeiro (ver sentido da
flecha “÷”)
(b) esta é a certa: sem nevoeiro a temperatura é diferente de 5
o
C.
(c) o certo seria dizer “se há nevoeiro, eles não voam”, pois os aviões podem
não decolar por outros motivos.
(d) é o contrário: primeiro a temperatura deve estar abaixo de 5
o
C, depois
surge o nevoeiro.
(e) é errada, pois a temperatura afeta primeiro o nevoeiro e não a decolagem
dos aviões.

Mostrei, também, para eles outros exemplos mais fáceis:

(1) “Se depois do avô vem o pai e depois dele o filho, então”:
( A ) se na há o avô, não há o filho?
( B ) se não veio o filho é porque não veio o avô?
( C ) se não veio o filho é porque não veio o pai?

Com o sistema de flechas, fica assim:
Avô ¬ pai ¬ filho
Sem avô ÷ sem pai ÷ sem filho

(2) Depois do 1, vem o 2, depois do 2 vem o 3, assim:
( A ) Se não veio o 1 é porque não veio o 3?
( B ) se não veio o 3 é porque não veio o 1?
( C ) se não veio o 3 é porque não veio o 2?
Com o sistema de flechas, fica assim:
1 ¬ 2 ¬ 3
Sem 1 ÷ sem 2 ÷ sem 3

(3) Se corremos, ficamos saudáveis. Se ficamos saudáveis, não vamos para o
hospital. Assim,
( A ) se não corremos, não ficamos saudáveis.
( B ) se não corremos, vamos ao hospital.
( C ) Vamos ao hospital, se não estamos saudáveis

Com o sistema de flechas, fica assim:
Correr ¬ ficar saudável ¬ não hospital
Não Correr ÷ não saudável ÷ ir ao hospital

Para todas as questões (1), (2) e (3), a resposta é “C”.
Deixo este exercício neste livro, pois já caiu um semelhante em uma prova de
concurso público, uma boa oportunidade de emprego para os nossos alunos.
Há uma série de pequenos exercícios que realizamos dois anos seguidos e
são interessantes para fazer os alunos refletirem demoradamente sobre relações: há
quatro crianças para as quais devemos relacionar quatro diferentes animais de
estimação e nos são dadas pistas: o animal de Bobi não pode voar, o animal de Cal
tem pêlos e o de Debi, também e o animal de Debi não late. Assim, vai-se
completando um quadro como o seguinte:
Pássaro Gato Cachorro Peixe
Amy
Bobi
Cal
Debi

Há outros: quatro crianças nasceram em diferentes países. Encontre quem
nasceu em qual país, segundo as seguintes pistas: Ana nasceu na Europa, a língua
de Debi não é o inglês, Ben não é das Américas e Cal não é do hemisfério norte (é
interessante lembrar os alunos que o hemisfério citado é o que está ao norte do
Equador!).

França Reino Unido EUA Argentina
Ana
Ben
Cal
Debi

Por fim, há um teste bem mais difícil, atribuído a Einstein, encontrado em toda
a internet, difícil porque não há pistas suficientes e, a certa altura, é preciso
improvisar, isto é, arriscar pôr informações em um lugar e ver se não surge alguma
inconsistência com a planilha como um todo. De qualquer modo a acresceremos a
seguir:
1. Há 5 casas de diferentes cores;
2. Em cada casa mora uma pessoa de uma diferente nacionalidade;
3. Esses 5 proprietários bebem diferentes bebidas, fumam diferentes tipos de
cigarros e têm um certo animal de estimação;
4. Nenhum deles têm o mesmo animal, fumam o mesmo cigarro ou bebem a
mesma bebida.

A Questão é a seguinte: Quem tem um peixe como animal de estimação?

1ª Casa 2ª Casa 3ª Casa 4ª Casa 5ª Casa
Cor
Nacionalidade
Bebida
Cigarro
Animal

Dicas
O Inglês vive na casa Vermelha.
O Sueco tem Cachorros como animais de estimação.
O Dinamarquês bebe Chá.
A casa Verde fica do lado esquerdo da casa Branca.
O homem que vive na casa Verde bebe Café.
O homem que fuma Pall Mall cria Pássaros.
O homem que vive na casa Amarela fuma Dunhill.
O homem que vive na casa do meio bebe Leite.
O Norueguês vive na primeira casa.
O homem que fuma Blends vive ao lado do que tem Gatos.
O homem que cria Cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill.
O homem que fuma BlueMaster bebe Cerveja.
O Alemão fuma Prince.
O Norueguês vive ao lado da casa Azul.
O homem que fuma Blends é vizinho do que bebe Água.

As respostas que eu encontrei foram as seguintes:

1ª Casa 2ª Casa 3ª Casa 4ª Casa 5ª Casa
amarela azul vermelha verde branca
Norueguês Dinamarquês Inglês Sueco Alemão
Água Chá Leite Café Cerveja
Dunhill Blend Pall Mall Prince Blue
Master
Gato Cavalo Pássaro Cão Peixe

No exercício anterior reforçamos nossa linha de argumentação: há no mundo pessoas
assim, onde cada indivíduo consome itens diferentes dos outros, tem casa de cores distintas,
hábitos diferentes e animais, também, diferentes?
Há um outro tipo de exercícios que envolvem falácias, porém, de um modo engraçado:
(A) Deus ajuda quem cedo madruga
Quem cedo madruga, dorme à
tarde
Quem dorme à tarde, não dorme à
noite
Quem não dorme ànoite,
sainabalada
Conclusão: deus ajuda quem
sainabalada

(B) Deus é amor
o amor é cego
Steve wonder é cego
Logo, Steve wonder é Deus

(C) Hoje em dia os trabalhadores não
têm tempo para nada
Já os vagabundos... têm todo o
tempo do mundo
Tempo é dinheiro
Logo, os vagabundos têm mais
dinheiro do que os trabalhadores

(D) Imagine um pedaço de queijo
suíço, daqueles bem cheios de
buracos
Quanto mais queijo, mais buracos
Cada buraco ocupa o lugar onde
haveria queijo
Assim, quanto mais buracos,
menos queijo
Quanto mais queijos, mais buracos
e quanto mais buracos, menos
queijo
Logo, quanto mais queijo, menos
queijo
(E) Disseram-me que eu sou ninguém
Ninguém é perfeito
Logo, eu sou perfeito
Mas, só Deus é perfeito
Portanto se Steve Wonder é Deus,
eu sou Steve Wonder
Meu Deus, eu estou cego!

(F) quando bebemos ficamos bêbados
quando estamos bêbados,
dormimos
quando dormimos, não cometemos
pecados
quando não cometemos pecados,
vamos para o céu
então, vamos beber para ir para o
céu!

(G) Existem biscoitos feitos de água e
sal.
O mar é feito de água e sal
Logo, o mar é um biscoitão

(G) Toda regra tem exceção
Isto é uma regra
Logo, deveria ter exceção
Portanto, nem toda regra tem
exceção

(H) todos os cães são mamíferos,
todos os gatos são mamíferos,
portanto, todos os gatos são cães

Aula 71: Exercícios de “lógica humana”.
Então, como ficamos? Sugiro testes de lógica diferentes...que vamos chamar
de “lógica humana”, isto é, feita para humanos resolverem, fundada em problemas
que humanos se depararão em suas vidas diárias:

Teste Alfa: um dia o cão de minha família defecou fezes muito duras, que
pareciam pedras. O que aconteceu com ele? Podemos dar pistas aos alunos e
esperar por suas perguntas:
- Ele vai só passear na rua? não, alguém o acompanha e ninguém o viu
comendo areia;
- A comida dele é seca? Não e ele ao mastigar produz saliva que umidifica o
alimento.
- Há em casa areia nos fundos? Não, era apartamento.
- Há vasos de plantas? Não, apenas nas janelas onde ele não alcança.
- Ninguém deixou cair nada no chão, com argila, terra, farinha de trigo, cacos de
vidro, etc? Não.
- Há outros bichos morando na mesma casa? Sim, há um gato. Aqui está a
solução que espero eles cheguem sozinhos: o gato tem uma caixa de areia (grãos
de argila) , nela ele defeca e o cão teve acesso a esta caixa e resolveu comer alguns
grãos.
Aliás, se o leitor permite que eu faça uma interrupção aqui para lembrar por
que não damos tanta importância ao estudo dos métodos dedutivo e indutivo: nesta
história das fezes do cão, onde estão os métodos lógicos? Partimos de alguma lei?
Todos os seres comem? Ok, mas ela é importante para resolver o dilema? Parece-
nos que não. Tomamos diversos casos particulares de cães e examinamos suas
fezes? Também não. Primeiro de tudo: partimos de um efeito e buscamos uma
causa, algo totalmente diferente de uma dedução e indução que partem da
identificação de causas até efeitos e, além disso, apenas no que diz respeito à areia,
isto pode ser chamado de analogia, pois as fezes pareciam ser compostas de areia e
em casa só havia areia na caixa do gato. Não sei se os próprios filósofos e lógicos
sabem como realmente pensamos ou apenas querem apresentar um pensamento
ideal!

Teste beta: outra experiência curiosa e, até agora insolúvel: quando nos
mudamos para uma nova casa, a vizinha do lado reclamou de um cheiro de gás no
seu banheiro. Eis algumas pistas:
- em ambas as casas (construídas com tijolos porosos) os banheiros não têm
janelas e os cheiros e vapores do banho saem por uma ventilação comum que sobe
até o telhado, tão comum que podemos ouvir os vizinhos tomarem banho através
daquela comunicação de saída de ar, mas entrada de sons. Mas, segundo a planta
das casas deve haver (não sabemos) um exaustor eólico no telhado para ambas as
casas que deveria remover o mal cheiro;
- Os banheiros ficam no segundo andar;
- No térreo ou primeiro andar, fica o aparelho que aquece a água que vai de
cano antigo até o banheiro;
- O aparelho funciona assim: um botijão de gás (que fica no pátio, fora da casa)
libera o gás que dentro do aparelho (que também está fora da casa, nos fundos) é
queimado e aquece a tubulação de água; somente a água quente sobe até o
segundo andar;
- Um segundo botijão, que, também está do lado de fora da casa leva através
de um encanamento gás até a cozinha que fica ao lado do pátio. No fogão, o gás é
queimado e as panelas com alimentos são aquecidas.
Onde está a solução? Não sabemos. Uma explicação: (a) o cano que levam o
gás do pátio até o fogão pode ter sido mal instalado e, por isso, terem se rompido em
alguma parte, o que faria com que o gás infiltra-se pelos tijolos porosos até o
banheiro, no segundo andar; contudo, na época em que escrevíamos este texto,
chamamos um técnico em aquecedores e perguntamos se ele já tinha visto algo
assim ocorrer e sua resposta, foi que se isto ocorresse, o gás seria constantemente
sentido, uma vez que ele estaria ininterruptamente se infiltrando nos tijolos. Outra
explicação (b) é que os gases (produzidos por humanos) do banheiro não estejam
saindo pelo duto até o telhado, pois ou não temos um exaustor eólico, ou ele não
está funcionando e, assim, os gases vão parar no banheiro da vizinha, daí a
reclamação. Aquele mesmo técnico tinha outra hipótese (c): de que o cheiro de cloro
a uma temperatura alta da água produziria o cheiro do gás sentido pelos vizinhos e,
algumas vezes, por nós mesmos. Aceitamos qualquer das duas soluções.
Pensamos, como solução se o cheiro continuasse a ser sentido pela vizinha,
em ligar o botijão de gás direto ao fogão, para saber se não havia infiltração pelas
paredes e pôr um outro botijão ligado ao aquecedor, no pátio. Mais recentemente,
porém, a vizinha trocou uma válvula do seu próprio aquecedor – parecia que a fonte
do gás estava em sua própria casa ou teria sido apenas mais um capítulo desta
novela? Semanas depois, após tomar banho, senti um cheiro de gás e segui-o com o
nariz até... o ralo do chuveiro. Era forte e vinha dali. Como o encanamento vai para a
rua, pode ser o cheiro do esgoto ou de algo em decomposição?

Teste gama:
Foi publicado na revista Época (7 de julho de 2008): “Numa cidade americana, 18
adolescentes ficaram grávidas. Pacto? Omissão dos adultos?”.
Tal fato lembra o filme “Juno”, uma adolescente que aos 16 anos engravida na
primeira transa. Quando a barriga e os enjôos aparecem ela dá a notícia aos pais e
rapidamente fala que encontrou um casal perfeito para a adoção do seu filho, sem se
dar conta dos momentos angustiantes que ela viverá.
Na cidade de Gloucester (EUA), 18 adolescentes de uma escola pública
engravidaram quase ao mesmo tempo, todas abaixo de 16 anos,
( ) Seria o efeito Juno, como definiu a imprensa?
( ) teria sido um pacto para engravidar, como sugeriu o diretor da escola, pois
todas elas eram amigas e ficaram felizes com a gravidez e, por isso, não adiantaria
fornecer aos jovens anticoncepcionais e camisinhas?

Resposta (possível, não definitiva): “investigações mostraram que o pacto não
existiu”. Por trás da epidemia de bebês está a glamorização da gravidez provocada
em parte pelo filme JUNO, mas, principalmente, a falta de atenção dos pais e
educadores: em março o médico da escola sugeriu a distribuição de pílulas
anticoncepcionais e camisinhas - até aquele momento eram 10 grávidas. Diante da
recusa mais a eliminação de parte das aulas de educação sexual, resultaria em um
problema sério: logo, eram 15 grávidas e depois 18. Quanto ao pacto, houve, sim,
dizem, mas posterior a gravidez: um pacto de apoiarem-se para criarem juntas os
filhos. Uma creche foi aberta na escola e um comitê organizado para debater
medidas para controle da natalidade – “precisamos nos precaver para que isto não
aconteça de novo”, disse a prefeita da cidade.

Teste delta: Como conciliar dormir no verão com temperatura agradável sem suar
e sem ser atacado por mosquitos?
Como os itens abaixo podem ser combinados da forma mais econômica para
resolver o problema?
( ) instalar uma tela na janela
( ) comprar um aparelho elétrico com veneno para mosquitos
( ) comprar um ar-condicionado
( ) passar repelente na pele
( ) deixar porta do quarto aberta
( ) deixar porta do quarto fechada

Aula 72: quadrado lógico
Há um tipo de exercício que não gostaríamos de abrir mão: o quadrado
mágico. Contudo, os estudantes se sentiram perdidos quando trabalharam com ele.
O quadrado mágico tem origem na Idade Média, pelos lógicos daquela época. É, na
verdade, um recurso mnemônico muito útil para sabermos quando contradizemos
alguém ou apenas dizemos algo contrário ao que a outra pessoa disse
anteriormente. O problema é que, para adolescentes, contradição e contrário não
são tão importantes.

Universais
positivas (U+)

÷ contrárias ¬
Universais
negativas (U-)

÷

s
u
b
a
l
t
e
r
n
a
s



R 7
Se você ligar as
setas em diagonal,
encontrará frases
contraditórias

v N


÷

s
u
b
a
l
t
e
r
n
a
s

Existenciais
positivas (E+)

÷ contrárias ¬
Existenciais
positivas (E-)

Houve algo positivo quando fizemos este exercício: quando dissemos que a
frase “todos os homens são mortais” é contradita pela “Jesus não é mortal”, alunos
questionaram se Jesus era mesmo imortal, pois seu corpo, também, morreu. Mas
tais questões podem, também, serem debatidas no capítulo sobre Deus, alma, etc.

Podemos citar Aristóteles: como acontecem os atos morais, perguntou ele? Em nossa
mente, realizamos um silogismo, uma dedução, ou ainda, uma série de passos que se iniciam por
uma primeira premissa, válida universalmente, uma segunda premissa que se refere a fatos
particulares e que, juntas, nos conduzem a uma conclusão. Na última etapa, a nossa alma deve
afirmar o que foi concluído - ou negar - e, então agir.
Dá, então, o seguinte exemplo: dadas as premissas:
- “tudo o que é doce deve ser provado” e “aquilo é doce”, segue-se a conclusão de que a
- “pessoa que não é impedida de comer doce, deve provar aquilo que é doce”.
Se a premissa (universal), que está em nossa mente, nos recomenda não provar o doce,
mas, ao lado dela, há outra premissa (também universal) dizendo que devemos provar o doce,
pode ocorrer que sejamos levados a escolher a segunda alternativa. Isto é comum em pessoas
ditas “incontinentes” - que se deixam levar pela parte irracional de suas almas - e isto ocorre que as
suas conclusões não são propriamente conhecimentos - e nem mesmo a primeira premissa é
universal -, mas, simples opiniões.



Aula 73: Explicação do 3
o
trabalho “faça
algo para mudar o mundo”.
Organize uma campanha em grupo de três alunos visando convencer outras
pessoas a participarem. Pode ser uma campanha inédita ou a participação em uma
Organização Não Governamental. Pode confeccionar uma camiseta, faixas,
panfletos ou, então, mandar a mensagem por e-mail. Deixei livre, apenas dei
exemplos bizarros (como: abasteça um carro e vá até Washington protestar contra
George Bush, aliás, prova viva de que o homem descende dos primatas! Ou, então,
proteste contra os casacos de pele ficando nu, coisa que sei que eles não fariam)
para que eles tivessem idéias originais. Prazo: um mês.
Antes de tudo o professor deve dar o exemplo: em 2008, colocamos uma
bandeira de um partido político na bicicleta, apesar de oposições que apareceram
entre colegas de trabalho e ameaças de que eu poderia ser demitido (como ensinar
os alunos a se expressarem livremente!, até porque o estatuto dos funcionários,
artigo 178, proíbe atividades político-partidárias no local e horário de trabalho e das
7h30 ao meio-dia eu estava dando aula!), comprei um microfone portátil para dar
melhor as aulas e diminuir a conversa epidêmica em todo o colégio e sugeri a
compra de microfones portáteis à descrente e incompetente direção da escola, além
de outros projetos, como levar os alunos a museus e cinemas. E, também, ir de
bicicleta para o colégio, evitando tomar ônibus e contribuindo para reduzir a emissão
de gases na atmosfera e tentando convencer os outros a fazer isto também, embora
não explicitamente, pela timidez, mas, sim, pelo exemplo.

Útil contar a história do beija-flor que queria apagar o incêndio na floresta,
enquanto os outros animais zombavam dele. Sua resposta? Estou fazendo a minha
parte!

4 Devemos, contudo cuidar para que os alunos não inventem histórias.
Pedi-lhes que apenas fotografasse os alunos do grupo incentivando pessoas a se
integrar à campanha e muitos nada fizeram senão eles mesmos trazendo roupas de
casa ou pagando um pastel para um sem-teto.

Aula 74-75: vídeo “V de vingança”, política,
tirania, anarquismo, cidadania.

"Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos." Nietzsche

Vi alguns alunos chorando ao final deste filme. Ele trata de diversas questões importantes:
aceitação da diferença, o papel dos indivíduos nas transformações sociais, o determinismo e a
liberdade, governos que tomam decisões em nome do povo, mas sem a participação do povo, o
risco de se definir democracia como governo da maioria oprimindo a minoria, a existência de um
governo que manipula a informação e faz o que quer sem prestar contas (tirania), etc.
Podemos propor o seguinte debate: até onde pode ir um governo? Deve governar sozinho? O
povo deve participar apenas na eleição? Há outras formas de participação? A lei tem limites ou
decide sobre toda a nossa vida? Podemos citar frases, como a de Nietzsche: “Um político divide os
seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos".
Houve uma tirania real, o nazismo:
... A propaganda nazi colocava os soldados alemães na posição desse super-homem e,
segundo Peter Scholl-Latour, o livro "Assim Falou Zaratustra" era dado a ler aos soldados na frente
de batalha, para motivar o exército. Isto também já acontecera na Primeira Guerra Mundial. Como
dizia Heidegger, ele próprio nietzscheano e nazista, “na Alemanha se era contra ou a favor de
Nietzsche”.Todavia, Nietzsche era explicitamente contra o movimento anti-semita, posteriormente
promovido por Adolf Hitler e seus partidários.
...A este respeito pode-se ler a posição do filósofo: “Antes direi no ouvido dos psicólogos,
supondo que desejem algum dia estudar de perto o ressentimento: hoje esta planta floresce do
modo mais esplêndido entre os anarquistas e anti-semitas (anti-judeus): aliás onde
sempre floresceu, na sombra, como a violeta, embora com outro cheiro.”... “tampouco me agradam
esses novos especuladores em idealismo, os anti-semitas, que hoje reviram os olhos de modo
cristão-ariano-homem-de-bem, e, através do abuso exasperante do mais barato meio de agitação,
a afetação moral, buscam incitar o gado de chifres que há no povo...” (in Genealogia da Moral)
(Nietzsche - Wikipédia).

Um livro muito educativo é o de ficção cientifica: “Admirável mundo novo”, de
Aldous Huxley, ambientado em uma sociedade do futuro onde as pessoas nascem em laboratórios
(não mais em úteros) e há três classes de pessoas de acordo com a quantidade de oxigênio que se
dá aos fetos, umas mais desenvolvidas que terão cargos de administração e outras, que terão os
trabalhos manuais mais simples e de menor remuneração. Além disso, os prazeres foram
proibidos, em benefício do progresso. O que eles, alunos, pensam disto? Será este o nosso futuro?
Ou já é o nosso presente?

Há dois temas que podem ser abordados como alternativas ou complementos ao estudo sobre
política:
(a) positivismo: escola filosófica que acredita que a humanidade alcançou um estágio que
ultrapassa a infância (teológica) e a adolescência (metafísica) e visa ao domínio da razão como
critério para a tomada de decisões, embora seu pensador principal, Augusto Comte tenha
transformado a doutrina em religião da humanidade, humanidade endeusada em uma figura
feminina. Situada em um momento histórico em que era preciso afirmar o método científico como
critério de busca de verdades em oposição à solução medieval escolástica, que misturava fé com
razão, tinha por lema “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, cujas duas
últimas sentenças estão na bandeira do Brasil e lema da pátria.

Da wikipédia extraímos as testes gerais do positivismo:
O Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como
desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade
Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande
marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência
humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a
metafísica. A humanidade passou por três estágios evolutivos: (1
o
) teológico: busca
explicações em um ser sobrenatural (Deus); (2
o
) Metafísico: explicações racionais
sem apelo a um Deus, mas a conceitos abstratos, inalcançáveis; (3
o
) positivo:
conhecimento parte de observações, experiência e matemática, na procura pelas leis
da natureza.
O positivismo influenciou a proclamação da república (e a queda da Monarquia)
no Brasil, destacando-se Benjamim Constant (militar), Euclides da Cunha (escritor),
Cândido Rondon (expandiu o território brasileiro), Lindolfo Collor (leis trabalhistas),
Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e Getúlio Vargas.
Depois do golpe que tirou Deodoro da Fonseca do poder (1
o
presidente do Brasil),
no Rio grande do sul, o governo de Júlio de Castilhos (que redigiu sozinho a
Constituição estadual e disputou eleições sem concorrentes) sofreu resistência por
parte dos federalistas (partido de Gaspar Martins, seus seguidores eram os
maragatos), o que produziu uma guerra civil (1893-1895) , vencida pelos pica-paus
ou chimangos (seguidores de Castilhos). A paz foi assinada na cidade de Pedras
Altas, no dia 23 de agosto de 1895.
Durante a guerra civil gaúcha, ocorreram 10.000 mortes e a prática da degola de
prisioneiros (a vítima tinha os pés e as mãos amarrados, a cabeça para trás e a faca
era passada de orelha a orelha, como se faz com ovelhas). Em novembro de 1893, o
maragato Adão Latorre mandou degolar 300 pica-paus, contidos em um cercado de
gado, conhecido depois por “o potreiro das almas”, perto de Bagé, hoje Hulha Negra.
Em 5 de abril, no Combate do Boi Preto há a degola de 250 maragatos em
represália. Algumas vezes, a degola era antecedida por castração. Dentre as
explicações estão: o ressentimento de ambos os lados, desavenças pessoais e o
caráter rude do homem da campanha acostumado a sacrificar o gado, além da
incapacidade militar e logística de manter prisioneiros encarcerados, alimentados e
poupar munição.
A bandeira do Brasil se seguisse o lema completo do positivismo teria como lema:
AMOR POR BASE, ORDEM POR MEIO E PROGRESSO
POR FIM.

(b) o anarquismo.

Anarquia - Aqui e agora? Revista Superinteressante (Eduardo Szklarz)
Que tal viver em um mundo sem hierarquia e sem leis, sem governos nem papas? No século
19, os anarquistas imaginaram uma sociedade assim. Os indivíduos se encontrariam acima dos
Estados, criando e dividindo produtos entre si. Salvo algumas experiências efêmeras, o
anarquismo nunca virou realidade. Será? Hoje, a Wikipedia é a maior enciclopédia do mundo
graças ao esforço coletivo dos internautas. Como prega o anarquismo, ela foi formada pelos
próprios leitores, que escreveram e editaram verbetes. No ano passado, os brasileiros dividiram
entre si mais de 1 bilhão de arquivos de música e levaram milhões de vídeos a sites de conteúdo
coletivo como o YouTube (que reúne 100 milhões de vídeos grátis – 65 mil vídeos novos por dia. A
gravadora Warner se associou ao YouTube para distribuir discos; as TVs CBS e NBS também
fizeram acordos para difundir seus seriados). Artistas e bandas famosas ... declararam suas
músicas de uso público, como fariam os anarquistas. Já se fala em “copyleft” (deixar copiar) em
vez do “copyright” (direito de propriedade). O Linux, um sistema aberto alternativo ao monopólio do
Windows que inaugurou a onda dos produtos feitos por voluntários e distribuídos de graça. Era o
início do chamado movimento software livre. Para o cientista de computação Jaron Lanier, que
popularizou o termo "realidade virtual", a colaboração planetária acaba com a criatividade individual
para formar uma massa sem rosto, que ele chama de "maoismo digital" (em alusão ao regime do
ditador chinês Mao Tsé-tung). Para ele, esse esforço coletivo acaba reproduzindo a vida rotineira
de uma colméia e nivelando por baixo o produto final. Fora da realidade virtual, está na moda
proteger os animais e deixar de comer carne – bandeiras lançadas pelos pensadores libertários do
século 19. Estamos vivendo em um mundo anarquista?
A princípio, não. "O poder do Estado pode estar menor, mas não foi substituído pelo poder
popular", diz o historiador britânico Michael Eaude. Além disso, o espírito comunitário e os
movimentos baseados no esforço coletivo sempre existiram. A coisa só mudou no século 18,
quando a diferença entre sociedade civil e Estado ficou clara. Foi quando a
Revolução Francesa desbancou o rei, guilhotinou os nobres e ceifou o poder da Igreja. A partir de
então, conceitos esquecidos, como democracia, igualdade e liberdade, ganharam força. As
pessoas se deram conta de que Estado é uma coisa, sociedade é outra. E se a sociedade se
apoderasse do governo? E se pudesse viver sem ele? Com essas idéias na cabeça, o povo saiu às
ruas de toda a Europa do século 19, se organizando em torno de duas ideologias principais:
Uma era a do alemão Karl Marx, que via na luta de classes a raiz de problemas como pobreza e
violência. Para Marx, a dominação de classes desapareceria só depois que os revolucionários
tomassem o poder e transferissem a propriedade para a esfera coletiva. Algo como confiscar todos
os bens e dividi-los entre todos. Já o francês Joseph Proudhon pensava diferente. No livro O Que É
a Propriedade?, ele afirmou que "a propriedade é um roubo" e "os governos são a maldição de
Deus". Ou seja: Proudhon condenava a propriedade privada do mesmo jeito que Marx, mas
rejeitava qualquer forma de Estado, mesmo com os trabalhadores no comando. "Como buscam o
poder, todos os partidos são variantes do absolutismo", dizia. Em 1872, seus seguidores romperam
com os marxistas durante o Congresso de Saint-Imier, na Suíça. "Eles deixaram claro que a
destruição de qualquer poder político era o primeiro dever do proletariado", diz o escritor argentino
Eduardo Colombo no livro La Voluntad del Pueblo ("A Vontade do Povo", inédito no Brasil). O
segundo passo seria a associação dos indivíduos por meio de cooperativas operárias, que em
conjunto formariam uma federação. Várias federações conduziriam à sonhada sociedade libertária,
livre de opressão. Para as cooperativas saírem do papel, Proudhon apostava num tal Banco do
Povo, que emprestaria com juro mínimo para que o pessoal levasse adiante seu negócio sem
depender de patrão. Na linguagem anarquista, essa prática é chamada de mutualismo. O Banco do
Povo até chegou a ser criado, mas nunca funcionou direito por causa da língua solta de seu
fundador. Proudhon vivia criticando o governo de Napoleão 3º em artigos de jornais. Acabou preso.
Mas o caminho já estava aberto para outros libertários. Um deles foi o russo Mikhail
Bakunin, que adicionou pimenta revolucionária na receita anarquista. "Destruir para criar!", bradava
o grandalhão enquanto fugia das tropas do czar Alexandre 2º. No manuscrito Deus e o Estado,
Bakunin denunciava os absurdos cometidos em nome do criador: "Se Deus existe, então o homem
é escravo. Mas o homem pode e deve ser livre; portanto, Deus não existe". Bakunin concordava
com Marx sobre a idéia de dividir fábricas, empresas e fazendas entre todos. Mas dizia que ela não
deveria ser feita por uma autoridade, e sim por uma decisão do povo, de baixo para cima.
Com ou sem diferenças, os anarquistas trataram de colocar suas idéias em prática. Alguns
foram para o movimento operário, influenciando os trabalhadores e todo o pensamento de
esquerda que segue até hoje. Outros decidiram também criar sociedades perfeitas a partir do zero
em lugares distantes como o Brasil. "A anarquia não começaria numa data marcada, mas como um
processo contínuo à medida que o homem evoluísse e deixasse o mundo animal". Essa é a lógica
anarquista: se a sociedade é um produto natural, então o homem não precisa de nenhum fator
externo para viver em harmonia. Portanto, todos aqueles que tentam impor leis e governos são
inimigos. Mas será que funciona? "Seus seguidores podiam estar de acordo com seus objetivos
básicos, mas tinham profundas divergências quanto às táticas para atingi-los", afirma o escritor
canadense George Woodcock, autor do livro Anarquistas. Nada mais natural: uma ideologia que é
contra o poder não podia mesmo ter uma liderança ou um ideário unificado.
O escritor russo Leon Tolstoi pregava a resistência não violenta contra o Estado, enquanto
o italiano Errico Malatesta defendia a greve geral e a expropriação de terras. Já o anarquista russo
Sergei Nietchaiev não queria saber de papo: o negócio era partir pro ataque. Em seu Catecismo
Revolucionário, ele conclamava seu séqüito a cometer todos os assassinatos necessários e a
roubar para financiar as operações supostamente libertárias. Foi quando começaram a pipocar
bombas contra nobres, políticos e delegados na Europa. Uma figurinha temida da época foi o
francês Jean Ravachol, que detonava dinamite nas casas dos juízes. Ravachol acabou na
guilhotina, mas seus simpatizantes mataram vários líderes. A partir de 1894, em menos de 20
anos, anarquistas mataram dois primeiros-ministros espanhóis, o rei Humberto da Itália, a
imperatriz Elizabeth da Áustria, o presidente francês Sadi Carnot e, em 1901, até mesmo o
presidente dos EUA, William McKinley. Os parlamentos responderam com leis antianarquistas, e a
polícia os tratou como bandidos comuns – cristalizando a noção de que anarquismo é sinônimo de
caos. Muitos acabaram acusados injustamente.
"Podemos rastreá-los hoje em grupos individualistas e anticlericais, estéticas de vanguarda,
direitos humanos, no pacifismo, no movimento pelo uso prazeroso do corpo e nos protetores dos
animais" ... "A idéia dos contratos entre pessoas é linda, mas ingênua. Sempre vai ter quem se
aproveita dos contratos dos mais fracos", diz Antonio Martino, professor de ciência da legislação da
Universidade de Pisa. "Para resolução pacífica de conflitos, nada melhor que regulamentar. E o
ideal é ter sanções." Mesmo assim, as idéias libertárias influenciaram o mundo. Talvez você não
perceba, mas várias práticas do seu dia-a-dia também derivam dessa fonte. Você estudou em
salas mistas, com meninos e meninas? Pois turmas assim eram comuns nas escolas anarquistas
do fim do século 19. Por acaso está pensando em juntar com o namorado? Saiba que o amor livre
(a livre união entre as pessoas sem casamento ou contrato) era um dos refrões libertários mais de
100 anos atrás.
A internet também alenta o traço anarquista de terror. É certo que anarquistas e jihadistas
têm metas opostas: uns querem abolir o Estado, outros buscam implantar um Estado ainda mais
autoritário, a teocracia. Mas os métodos coincidem. "Para jihadistas, leia-se anarquistas",
estampou uma reportagem especial da revista inglesa The Economist no ano passado. Os dois
grupos usam a "propaganda pela ação". Kropotkyn dizia que um ato vale mais que 1000 panfletos.
Bin Laden não tem dúvida disso: atos como os dele surgiram na história moderna com os
revolucionários de esquerda.
Para o bem ou para o mal, os dias de hoje herdaram vários traços do anarquismo. Mas isso não
significa que estamos caminhando para uma sociedade sem chefes ou governo. "Boa parte do
poder do Estado tem sido ocupado pelas multinacionais. E ninguém imagina que um dia viveremos
sem comércio ou dinheiro. A sociedade precisa de certa ordem para evitar a barbárie, e o
autogoverno é o caminho mais rápido para a barbárie", diz o cientista político Marcus Figueiredo,
do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). O problema é que, na história, o
Estado já resultou em barbáries maiores que as que a anarquia poderia tornar possível. O cientista
político Rudolph Rummel, da Universidade do Havaí, coletou o número de assassinatos que os
Estados cometeram no século 20. Na ponta do lápis: 170 milhões. Os mais mortíferos foram URSS
(62 milhões), China (35 milhões) e Alemanha nazista (21 milhões).

Aula 76-77: Apresentações do 3
o
trabalho
“faça algo para mudar o mundo”.

Em geral, eles não gostam de apresentar , mas, uma vez que fizemos poucos
trabalhos onde eles precisavam falar em público e como falar em público é útil para a
vida futura, vale a pena insistir neste tipo de apresentação.
Há um outro motivo: fazer com que a filosofia deixe de teorizar sobre o mundo
e ajude a transformar o mundo, conselho do filósofo Karl Marx, Outro Karl, só
que Popper, destacou a contribuição de Marx: mostrar que a pobreza não é uma
dádiva de Deus ou parte da ordem e perfeição do mundo (apesar de muitos
acreditarem que a natureza supria continuamente os ricos de mão-de-obra oriunda
das classes pobres).
Para evitar dúvidas é aconselhável pedir:
( ) trabalho escrito com a proposta da campanha,
( ) quais alunos participaram,
( ) qual foi o período da campanha,
( ) provas (com fotografias ou abaixo-assinados) das pessoas que
participaram, que não deve incluir os próprios alunos.

Aula 78: Documentário: O segredo.
A apresentação deste documentário será útil para o exercício seguinte quando
pediremos aos alunos que listem objetivos que pretendem realizar ao longo de toda
a sua vida. Há boas contribuições neste filme: (1) a tese de que o universo é algo
consciente (à semelhança da tese dos estóicos de que o cosmos é um animal
racional) e que ele responde aos nossos desejos, desde que os visualizemos
(embora para os estóicos nós seríamos tão somente atores desempenhando um
roteiro prévio, não decidido por nenhum de nós) e (2) de que devemos fixar metas
para as nossas vidas, ir atrás delas e, para isso, podemos “reprogramar” o cérebro (e
suas ligações neurológicas) com sugestões positivas e não negativas.

Aula 79: 4
o
trabalho: fixe objetivos para
toda a vida.
Nesta aula, proporemos que os alunos listem 10 objetivos para a vida,
individualmente. Depois, que todos comentem, sem citar nomes, trocando as listas
uns com os outros, os principais objetivos fixados. Surpreenderemo-nos, certamente,
com os mais variados objetivos que aparecerão, alguns mais viáveis do que outros,
mas esta será uma oportunidade de reafirmar a disposição individual para fazer algo
importante na nossa vida e na dos outros.
Uma alternativa à tarefa anterior, que reconhecemos um pouco mórbida para
adolescentes e mesmo para adultos, é pedir que escrevam seu próprio obituário,
a partir de exemplos reais tirados de jornais. A experiência é chocante, sabemos,
mas serve para endurecer o espírito, amadurecê-lo e, para isso, uma experiência
emocionalmente intensa e triste é oportuna, ainda que dirigida a adolescentes.
Ocorre que na turma em que realizamos esta tarefa (turma 223/ 2008) três a
quatro alunos acompanhados de seus familiares foram se queixar da tarefa e, por
isso, evitaremos repeti-la em aula, o que não nos impedirá de falar sobre ela para
que os alunos: (1) reduzam o medo da morte e preparem-se para ela vivendo a vida
intensamente, especialmente em qualidade e não tanto em quantidade – como disse
Sêneca: na está em nosso controle quanto viveremos mas quão bem viveremos. (2)
façam planos para toda a vida, compreendendo a sua finitude, mas procurando
realizar-se (como indivíduo e, também, cidadão) o mais plenamente possível durante
este período.

Antonio Jaques de Matos
Morreu no dia 17 de setembro de 2173, com duzentos anos, o detentor do recorde
mundial de longevidade, o professor e filósofo Antonio Jaques de Matos, atropelado quando ia para o
trabalho em sua bicicleta movida a energia solar. Dizia que queria morrer no dia em que nasceu, embora isto
não fosse possível, pois a Terra nunca voltaria àquele ponto de partida, mas porque isto simbolizava parte da
sua doutrina, de que o universo é predominantemente cíclico. Foi Prêmio Nobel de Física por ter descoberto
que o tempo não é real e a duração das coisas é uma dor sutil produzida na memória a partir da percepção
de repetidas sensações. Abriu uma escola de filosofia, mas continuava lecionando na escola pública onde
começou a trabalhar. Disse que queria aperfeiçoar o ensino para os adolescentes. Há sempre uma
possibilidade de dar uma aula melhor que a anterior. Presidente do Brasil em um único mandato, liderou a
resistência e a vitória das nações livres contra a ditadura dos Estados Cristãos da América, estatizou a
extração de madeira, apoiou as pesquisas para a obtenção de alimento direto do CO2 da atmosfera,
reintegrou à vida social um grupo de ambientalistas que por alteração genética haviam fundido seu “dna” ao
de árvores, pássaros e tigres e ajudou na construção da primeira máquina antigravidade, o que lhe deu o seu
segundo prêmio Nobel de Física e ao fim de sua gestão, a Lua e o planeta Marte já estavam colonizados. Em
seu governo aprovou a lei que exige teste psicotécnico para quem quer ser pai e casar. Sua tese de que
somos Deus e não precisamos rezar para nós mesmos causou-lhe o rompimento com a Igreja Muçulmana
de Roma. Monogâmico convicto, deixa uma viúva, seu tipo ideal, como enfatizava, dois filhos, dezenas de
árvores e livros on-line gratuitos, porque nenhuma editora o aceitou em vida: “Curso de Filosofia temática”,
“Os Mitos dos tempo, do ego e das leis”, “Filosofia para adolescentes” e “Arte filosófica”.
Dizia que, diante de uma doença grave, a morte era uma amiga. Seu corpo foi cremado ontem e
espalhado sobre a galáxia onde nasceu.

Aula 80: fechamento do ano e notas.
Esperamos que este tenha sido um bom ano, do qual nos lembremos com
saudades. Espero, também, que os alunos não esqueçam da filosofia: a atividade de
se fazer por quês, os mais distantes possíveis!

Conclusão
Nossa presente proposta não é um trabalho acabado, antes um esboço de
planos de aulas, um guia para quem quer percorrer o caminho que leva a Filosofia
até os adolescentes. Antes de tudo, o professor precisará se interessar por todos os
assuntos que a filosofia abordou nos últimos séculos e continuará abordando, não,
apenas, memorizando-os, mas construindo opiniões fundamentadas sobre eles,
especialmente a partir da relação que se possa fazer entre as teorias e as
experiências que vivemos em nossas vidas, o que contribuirá para o
desenvolvimento de suas próprias teses, quando as já existentes se mostrarem
insuficientes.
O professor precisará, também, estar aberto a mudanças. Para isso, sugerimos
que ele aceite e estimule a vinda de estagiários (de filosofia ou outras áreas, como a
pedagogia), para que fique mais fácil oxigenar sua mente e propor novas
metodologias mais próximas dos adolescentes e, ouça as sugestões dos alunos,
que, em geral, desejariam aulas que se aproximassem de suas vidas e de seus
gostos. Aliás, é muito comum que uma aula seja bem recebida por uma turma, mas
não por outra, isto é, seja um sucesso na turma 213 e um grande fracasso na 214.
Poderia pensar que cada turma tem uma personalidade, uma consciência coletiva
(como certa vez especulou Freud ou como Jung acreditava), mas o que ocorre é que
há lideranças que dão o tom, ou seja, definem o comportamento da turma, o restante
dos alunos os seguem. As más lideranças (bagunceiras, imaturas), estas, deveriam
ficar na biblioteca, mas isto depende o quanto a direção da escola se sensibiliza em
ajudar os professores, coisa rara!
Não há nada de errado em reconhecer suas limitações em sua didática, pois
há uma natural distância entre a filosofia que aprendemos nas Universidades e os
interesses juvenis, fato que nos estimulou a escrever este livro e que deve preocupar
quem ensina filosofia, não importando que idade tem aquele que a estuda – se é
criança, jovem ou ancião: é preciso, como escreveu Kant, descermos das altas torres
do que o próprio pensamento abstrato constrói, ainda que a vida seja, tal como
pensava Platão, um retorno à caverna para esclarecer aqueles que não vêem a
essência das coisas, com todos os riscos inerentes a esta árdua tarefa, o que não
significa a posse da verdade suprema, mas a posse de um número maior de
perspectivas, que possam nos mostrar que há perguntas mais difíceis e respostas
mais completas que nem pensávamos que existissem! [fim]

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->