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03 - Pessoa Idosa - Proteção e Cuidados

03 - Pessoa Idosa - Proteção e Cuidados

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- Núcleo de Promoção de Políticas para Pessoas Idosas
- Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos
- Coordenação de Promoção de Direitos Humanos
- Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos

Afinal, o que é envelhecimento?
O envelhecimento é um processo ocasionado por alterações moleculares e celulares, que resultam em perdas funcionais progressivas dos órgãos e do organismo como um todo. Esse declínio se torna perceptível ao final da etapa reprodutiva, apesar das perdas funcionais do organismo começar a ocorrer bem antes. É frequente, as pessoas não se darem conta de que o envelhecimento é para todos, indiscriminadamente, sem atentar para classe social, etnia, escolaridade, gênero, entre outros.

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- Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos
- Coordenação de Promoção de Direitos Humanos
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Afinal, o que é envelhecimento?
O envelhecimento é um processo ocasionado por alterações moleculares e celulares, que resultam em perdas funcionais progressivas dos órgãos e do organismo como um todo. Esse declínio se torna perceptível ao final da etapa reprodutiva, apesar das perdas funcionais do organismo começar a ocorrer bem antes. É frequente, as pessoas não se darem conta de que o envelhecimento é para todos, indiscriminadamente, sem atentar para classe social, etnia, escolaridade, gênero, entre outros.

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PE SOA DO PR TEÇAO E eu DADOS

I ••• \

\ aBahia·
TERRA DE TODOS NÓS

Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos HUmanos
/

Núcleo de Promoção de Políticas para Pessoas Idosas • Coordenação de Promoção de Direitos Humanos
I

Superintendência de Apoio

e Defesa

aos Direitos Humanos

Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos

Elaboração: Maria Emilia Oliveira de Santana Rodrigues Tânia Maria Maltez

Participação Especial: Fabiana Mattos (S]CDH) Helena Patáro N ovaes (SESAB) José Leôncio Brito (SEDES) Márcia Costa Misi (S]CDH) Mônica Bittencourt (S]CDH) Sandla Santos (SESAB) Tânia Maria Borges (S]CDH)

Revisão: Einar Lima (S]CD H)

Programação visual e editoração eletrônica: Marcela Assis (S]CDH)

Sumário

Apresentação..................... 1. Introdução.............................................................................. 2. Envelhecimento da população......................................................... 3. Mitos do envelhecimento.................................................................. 4. Direitos da pessoa idosa.................................................................... 5. Problemas enfrentados pela pessoa idosa 6. Violência contra a pessoa idosa :............ ~............................. :...

07 09 11 14 19 22 24 29

7. Pessoa idosa: envelhecimento ativo: informações e dicas

8. Pessoa idosa: proteção e cuidados - dicas para a prevenção da violência contra pessoás idosas.·.............................................................. 9. Considerações finais !............. 34 39

10. Informações e telefones úteis para denúncias e esclarecimentos sobre as questões que envolvem as pessoas idosas............................. Referências -................................................................ 41 47

Apresentação

Eu não deipor esta mudança) tão simples) tão certa) tãofácil- Em que espelhoficou perdida a minha face? Cecília Meireles

"Em que espelho ficou perdida a minha face?" (Cecilia Meireles) Essa pergunta de Cecilia Meireles pode ser feita por qualquer outra pessoa que envelheceu e não se deu conta disso. .Afinal, o que é envelhecimento?

o envelhecimento

é um processo ocasionado por alterações moleculares e
<

celulares, que resultam em perdas funcionais progressivas dos órgãos e do organismo como um todo. Esse declínio se torna perceptível ao final da etapa reprodutiva,'apesar das, perdas funcionais do organismo começar

a

ocorrer bem antes. É frequente, as pessoas não se darem conta de que o envelhecimento é para todos, indis~riminadamente, sem atentar para classe social, etnia, escolaridade, gênero, entre outros.

o Governo
Direitos

do Estado da Bahia, através da Secretaria daJustiça, Cidadania e . (SJCDH), organizou este documento intitulado:

Humanos

Pessoa Idosa: Proteção e Cuidados, objetivando socializar informações e conhecimentos sobre o processo natural do envelhecimento humano. Objetiva-se com isso que as pessoas sejam respeitadas em cada ciclo da vida e cooperem para màior conscientização da população sobre a importância da contribuição dada pela pessoa idosa na sociedade brasileira.
r

Aqui, o leitor encontra breves conhecimentos

sobre as questões do

·

'

envelhecimento; resumido levantamento sobre os direitos da pessoa idosa; algumas informações sobre a violência contra esse segmento; bem como orientações e estratégias elaboradas e divulgadas, com finalidade de ,
.

mobilizar a atenção e a defesa da pessoa idosa. Alguns conteúdos foram construidos nas Oficinas para multiplicadores, realizadas na SJCDH, em fevereiro e março de 2008, essas oficinas bem como a-implantação do NUDH - Núcleo Especializado no Atendimento à Pessoa Idosa fazem parte do Projeto de Implantação do Centro
I

Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa. Participaram das Oficinas, pessoas de vários órgãos e entidades que atendem as pessoas idosas, como também representantes das Secretarias Estaduais: Justiça, Cidadania e Direitos Humanos - SJCDH, Saúde - SESAB e Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza - SEDES, que produziram, de forma participativa e coletiva, a seleção de materiais: textos, poemas, músicas e construção de slides para serem desenvolvidos nas Capacitaç?es para profissionais que atuam na área do segmento idoso, especificamente, no enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. Espera-se que as noções organizadas nesse exemplar sejam divulgadas, discutidas e ampliadas em grupos que defendam e protejam as pessoas idosas.

1.

Introdução ((5aber viver é a grande sabedoria . Que eupossa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E mefazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando". Cora Coralina

Como Cora Coralina, "Saber viver é a grande sabedoria", para que as pessoas possam dignificar a sua condição de ser humano, independente de ser mulher ou homem. E para quem vive, inevitavelmente, quem vive muitos e muitos anos, só tem um caminho: envelhecer. E esse envelhecer traz uma 'série de preocupações para todos.

o processo

de envelhecimento

e a velhice são temas que inquietam. os

homens desde asprimeiras civilizações. No entanto, somente no século:XX é que esses temas passaram a ser investigados com maior densidade, em estudos e pesquisas. Nessa perspectiva, o Brasil também associa suas ações cientificas e a partir dos resultados alcançados,' busca encontrar alternativas efetivas para o atendimento ao segmento idoso. Vale salientar que nosso país, mantendo .similaridade aos diversos países latino-americanos, vem atravessando um processo de envelhecimento populacional rápido e intenso. De 6,3% das pessoas com 60 anos ou mais da população total em 1980, com a probabilidade de em 2.025, essas passarão a significar 14%, em números absolutos; transformando-se maiores populações de idosos do mundo. Com essa demanda significativa,as ações desenvolvidas pelos poderes públicos que visam à atenção, defesa e proteção das pessoas idosas são fundamentais e imprescindíveis, a fim de que se possam definir políticas públicas que atendam em uma das

digna e plenamente este segmento. Políticas públicas significando ligações profundas com o conceito de cidadania, pensadas como o conjunto das liberdades individuais expressas pelos direitos civis(NERI, 2005). Dessa forma, o compromisso institucional, firmado pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, para este segmento, está, sendo baseado na construção de intervenções interinstitucionais que objetivem proporcionar uma vida honrada a todos aqueles que envelhecem em nosso estado. Várias ações vêm sendo realizadas pela SJCDH atendendo ao, seu
I

compromisso com essa faixa da população, entre as quais: manutenção e fortalecimento do Conselho Estadual da Pessoa Idosa; capacitações para
, ,

comunidades voltadas à defesa da Pessoa Idosa; criação do Núcleo de Direitos da Pessoa Idosa - NUDH - Idoso; capacitação e encontros com setores que atendem pessoas idosas asiladas. Nesse' documento, serão introduzidas na primeira -parte: breves

informações sobre o processo de envelhecimento levantamento de alguns problemas enfrentados

das pessoas em geral; pelas pessoas idosas,

alguns dados sobre os direitos instituidos para essa parcela da população; sugeridos de forma generalizada; questões de violência e sua prevenção. Na segunda -parte, serão fornecidas dicas para orientar as pessoas idosas e suas famílias nas questões levantadas, bem como, ' dicas de espaços que atendem e defendem o segmento idoso na Bahia. Lembra-se, ainda, que nesse documento muitas outras informações

poderam ser incorporadas, não tendo ele, pois, a pretensão de concluir o tema, mesmo porque envelhecimento é um~ questão universal, modificável, crescente e mutável de acordo com as circunstâncias de vida de uma população. E as questões advindas desse processo atingem a todos, embora de forma diferenciada. Uma dessas diferenças está pautada na mesma crença de Cora Coralina, que diz: "Saber viver é a grande sabedoria!" E saber viver se integra ao saber envelhecer. Assim, saber envelhecer também é uma grande sabedoria!

2.

'Envelhecimento da população Recria tua vida) sempre, sempre... Cora Coralina

o envelhecimento

da população é U!Íl dos aspectos mais importantes de um

povo, visto que suas questões se alargam em todos os setores da vida de um país. O povo precisa recriar a Vida sempre, para que o processo de envelhecer aconteça com serenidade, tenacidade e estabilidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são considerados idosos 9S indivíduos çom 65 anos ou mais. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, porém, o limite de idade para a fase da velhice é de 60 anos; conforme dispositivo da Lei 8842, de janeiro de 1994. Ainda segundo a OMS, só no Brasil; está prevista uma população de mais de ·32 milhões de idosos, projetada para 2025 e, além disso conforme esse organismo internacional, o,país será o quinto ou sexto em população idosa do planeta. Esse crescimento da população idosa, no entanto, não veio sendo 'acompanhado, na horizontalidade do segmento idoso. Observando as questões demográficas, baseado nas informações com a implantação de políticas públicas especiais, como também com uma significativa organização soci~l

constantes no-Censo 2000, o Estado: da Bahia apresentou 1.161.021 idosos. Isso ratifica as projeções da Superintendência Sociais da Bama/SEI, econômico adverso. , Já é concordante e cientificamente estudado que o envelhecimento da para o' período de Estudos Econômicos e caracterizando esse

,i991-2020,

processo pela rapidez com que vem ocorrendo, em um contexto sócio- .

população afeta as ações públicas em todas as áreas de uma nação, um estado, um município, entre as quais: no campo cultural.social; econômicofinanceiro; de saúde; de previdência social; de empregabilidade; no setor de ,
'

transportes públicos, de acessibilidade e locomoção, entre outros. Muitas vezes essas questões são colocadas como prejuizos para os demais segmentos da população em geral, ao se avaliar que muitas ações só beneficiam diretamente o segmento idoso. Às vezes, até as propostas são consideradas como desnecessárias por uma parcela da população. Uma postura equivocada e desrespeitosa. Todos independente de faix-aetária, gênero, etnia, condição social têm direitos que precisam ser preservados. Inclusive a parcela da população que é idosa. ' Dessa forma, com todas essas interferências nos variados setores e segmentos da população, o envelhecer no Brasil pode ser avaliado como um grande desafio, tanto para as pessoas que envelhecem, como para a sociedade e para os poderes públicos.
,

Desafio denotando aposta, conforme significação trazida por Aurélio. Aposta enquanto um contrato de ajustes, onde cada envolvido, sociedade em geral, população idosa e poderes públicos têm responsabilidades e direitos. Responsabilidades das pessoas qu~ envelhecem, traduzidas em cuidados pessoais, cuidados familiares e busca de seus direitos, sendo apoiadas pelos poderes públicos e por toda a sociedade. Responsabilidades dos poderes públicos que devem-instituir e defender os benefícios básicos de atenção, defesa e manutenção do respeito às pessoas idosas. Também responsabilidades da sociedade civil que deve se unir na luta em prol da efetivação dos direitos dos mais velhos. Se desafio é aposta, e se envelhecer é um desafio, envelhecer também é uma grande aposta. É uma aposta no direito de envelhecer com dignidade, direito esse que deve incluir todas as pessoas indistintamente. Assim, envelhecer é uma aposta que as pessoas fazem ao cumprir as condições de ajuste de vida que lhe são propiciadas. A partir do princípio de que Q envelhecimento é um processo que acontece na vida de todos os seres: humanos, animais, vegetais, sendo único, p~ticular, próprio de cada ser,conclui-seque só envelhecequem vive.E só envelhecebem

quem se cuida e é cuidado pela família,pela sociedade e pelo p<?derpúblico. Ainda vale ressaltar que o envelhecimento populacional no Brasil se

caracteriza com uma. velocidade intensa, num público com despreparo social, com problemas de renda e pouca escolarização. Igualmente envelhecimento psicológicas, traz no seu bojo- a palavra velhice. Velhice,

como um fenômeno biológico, determinado por algumas conse-quências sociais e culturais, tendo uma dimensão existencial, que modifica a relação do indivíduo com o tempo, portanto, sua relação com o mundo e com sua própria história. Como é um tema importante, a pesquisa relativa à velhice, ao velho processo de envelhecimento, predominantemente,

e ao

tanto no Brasil como no mundo, ocorre,

na área das ciências da saúde, com significante E são esses

participação das ciências biológicas. Também as ciências humanas e as sociais aplicadas exercem função respeitável nesses estudos. públicos, pelas comunidades e pelas famílias. Assim, com. a contribuição da área científica, observa-se que a população brasileira vem passando por um processo de envelhecimento rápido, em função da melhoria das condições de saúde e do consequente aumento da expectativa de vida. No entanto, também é analisado que muitas vezes o processo de envelhecimento é acompanhado pelo declínio das capacidades físicas e cognitivas dos idosos, de acordo com suas características de vida. A partir desse especialmente cenário, percebe-se no Brasil, dando que' as questões de envelhecer condições
-

que mostram os caminhos que precisam ser percorridos pelos poderes

-

dignamente devem ser ampliadas, defendidas e instituídas efetivamente, às pessoas envelhecentes fundamentais para uma velhice respeitada. É vital ampliar a consciência da população brasileira sobre o envelhecere a continuidade da busca de recursos para manutenção da saúde, no processo de envelhecimento, que ao mesmo tempo fortaleça e dê ferramentas ao

segmento idoso para suas lutas por cidadania e justiça social. Precisa-se
~
'

.

instrumentalizar a sociedade, proporcionando

conhecimentos

científicos, em

sociais e jurídicos, assim como buscar universalidade do direito de cidadãos de todas as idades à proteção social, quando 'esses se encontrarem situação de vulnerabilidade.

3.

Mitos do envelhecimento .... velhice) isso não existe! Há apenas pessoas menos jovens do que as outras, e nada

mais. Para a sociedade) a velhice aparece como uma espécie de segredo vergonhoso) do qual é indecentefalar. Sobre a mulher; a criança) o adolescente) existe em todas as áreas uma .,
,

abundante literatura/fora das obras especializadas) as alusões à velhice são muito raras. Simone de Beauvoir A velhice pode ser definida como um efeito funcional com modificações progressivas no organismo. Também algumas dificuldades vividas pelas pessoas que envelhecem são decorrentes da necessidade delas se adaptarem ao meio físico e social em que vivem. Com isso, nesse período, elas podem ficar mais vulneráveis em relação à vida e às doenças. As formas de conceituar e tratar os assuntos relacionados às sigllificações da velhice podem levar à criação de alguns mitos do envelhecimento, cristalizados na sociedade, especificamente, na brasileira. Quantas coisas são ditas que o velho não faz ou faz, não sabe ou sabe, não aprende, não vive ou até vive, não quer ou até mesmo quer? Muitos nãos são colocados e com eles, . . observa-se uma carga negativa intensa que possivelmente pode mostrar um lado da história: a discriminação. Os mitos do envelhecimento são construções culturais sobre a vida das

pessoas que envelhecem que se difundem no imaginário social e traduzem os sentidos da velhice em uma sociedade. Assim, ao listar os mitos.objetivase a possibilidade de reflexão e discussão sobre eles, desmistificando-os

junto a todas as pessoas, especialmente as que-lidam com pessoas idosas, e inclusive elas mesmas.

-.
Mito 1. A Velhice é tempo de doença

)

Um dos mitos recorrentes no processo de envelhecimento é considerar que es~e tempo é tempo das doença~; Apesar de um grande número de pe~soas idosas chegarem à velhice em más condições de saúde e com perdas funcionais consideráveis, não se pode afirmar que velhice seja sinônimo de doença. Enfermidades acontecem em qualquer tempo da vida, e não exclusivamente durante a fase da velhice.

Mito 2. A pessoa idosa volta a ser criança

'

Comum se' ouvir de pessoas que convivem com idosos que eles ou elas voltaram a ser crianças. Também é corriqueiro se observar um tratamento infantilizado pensando-se na convivência que estar com. pessoas afago, idosas, optando-se. por e carinho,
~

tratamento 'em que podem estar escondidos conceitos discriminatórios, fazendo dando
atenção

considerando que são formas afetuosas de tratá-las.

,
ciclo e cada fase tem suas peculiaridades e necessidades.

A pessoá idosa precisa ser tratada corp respeito, polidez, civilidadee atenção, e não com frases e adjetivos que as qualifiquem como criança, vez que a vida é um

Mito 3. A velhice é a melhor idade
\

.

Muito popular a utilização da expressão - a melhor idade - para o tempo da velhice. Grupos são deno~ados para pessoas' idosas também como grupos da melhor idade, projetos se utilizam' dessa expressão para se

denominarem. No entanto, pode-se dizer que toda idade tpode ser a melhor idade. Ser melhor ou pior depende da, pessoa que está vivendo. Mario Quintana, em seu poema A idade de ser feliz, já dizia: "Existe somente uma idade para a gente ser feliz, / somente uma época na vida de cada pessoa em

que é possível sonhar e fazer planos/ e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos". Ele conclui: "Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE / e' tem a duração do' instante que passa" (Quintana). Essas palavras de Quintana levam a uma reflexão importante melhor idade, é idade de ser feliz. e mostram que toda idade é

Mito 4. A Velhice é sintoma de perda de autonomia e da capacidade funcional Um outro mito real é considerar a velhice como tempo exclusivo de redução da autonomia e da capacidade funcional. A autonomia considerada como a capacidade das pessoas tomarem decisões em sua vida; e a capacidade funcional definida como a habilidade de auto cuidado e de atendimento às necessidades básicas diárias, ou seja, do desempenho das atividades de vida diária. Realmente no tempo da velhice, a depender das condições da pessoa que envelhece, pode haver a perda da autonomia e da capacidade funcional. Contudo, as pessoas velhaspodem ser autônomas e capazes de gerir as suas vidas, Dessa forma, para que isso aconteça, a família deve estimular as capacidades de pessoas idosas que são -aptas . a desenvolver instrumentais atividades básicas e da vida diária, mesmo que tenham idades avançadas. O

estímulo à autonomia e à independência da pes soa idosa é condição sine qua non para a manutenção da sua independência física e comportamental.

Mito 5. A Velhice é tempo de vida totalmente negativo Um dos mitos que se sustentam até hoje, e frequentemente é comentado pelas próprias pessoas idosas, é a negatividade que circunda a velhice. A negatividade que ronda os mais velhos é fruto das questões de falta de saúde, questões de falta de apoio social e familiar .. Sugere-se que as pessoas idosas sejam mantidas socialmente ativas e com

.

papéis bem definidos e respeitados em suas famílias.

Mito 6. As pessoas idosas só gostam de bingo e baile A necessidade de pertencer aos grupos sociais: grupo familiar, grupo de
.

.

amigos, grupo de igreja, grupo de ex-colegas, é inerente a todo ser humano . . Na pessoa idosa, essa necessidade é mais evidente, principalmente por diminuir seus relacionamentos sociais, restringindo-se na maioria das vezes, à família e aos amigos íntimos. Assim, as pessoas idosas gostam de estar com outr,as pessoas, gostam de estar em grupo; no entanto, não só em atividade de bingo ou de bailes, mas em atividades sociais que promovam a sua interação no mundo e ampliem seus conhecimentos.

Mito 7. As pessoas idosas são ranzinzas Esse mito é também muito comum de se observar. Frequentemente as pessoas idosas são denominadas de ranzinzas, mal-humoradas, rabugentas, impertinentes, por não terem facilidade de abrir mão de seus modos de perceber o mundo. Importante trabalhar com as pessoas idosas, as questões de relações

interpessoais, o auto conhecimento e o respeito às posturas do outro, para , que esses estigmas sejam modificados.

Mito 8. Na velhice, as pessoas perdem a memória A memória é uma das partes da função cognitiva da inteligência. Ela exerce importante influência sobre a autonomia e a independência na vida cotidiana. A perda da memória "atribuída às pessoas idosas é um mito que precisa ser enfrentado. Já foi observado empírica e cientificamente que existe uma redução na memória das pessoas idosas denominada, memória recente. No entanto, a ideia do envelhecimento como determinante único e implacável no declínio

da memória precisa ser desmistificada, levando essas pessoas a perceberem que problemas de memória não ocorrem somente com elas, mas podem acontecer em qualquer fase da vida. A proposta é otimizar de forma prática e dinâmica a prevenção dos déficits cognitivos decorrentes do processo de -envelhecimento, que pode ser realizada em grupos de pessoas idosas. Cada mito citado precisa ser refletido, pois certamente nele se encontram. significações da velhice que foram introjetadas culturalmente e promovem a discriminação da pessoa idosa na sociedade. Essas questões a serem desmistificadas, devem ser abordadas com o propósito de uma melhor assistência à pessoa idosa. Não se pretendeu descrever todos os mitos em relação ao envelhecimento, buscou-se apenas exemplificar alguns deles. Assim sendo, deve-se, através da desmistificação dos sentidos negativos da velhice, entendê-Ia, como uma etapa da vida onde acontecem modificações que afetam a relação do ~ndivíduo c?m o ,meio, dentro de um tempo. Modificações variadas nós aspectos fisiológicos, sociais e até mesmo econômico-financeiros, negativas. decorrentes mas que não são necessárias e exclusivamente sobre essas modificações e a,s. questões O conhecimento

-

das' mesmas devem ser objetos de estudos, pesquisas e

trabalhos de formação profissional e educacional, para se buscar novos paradigmas e novas formas de conviver com os problemas surgidos. Outro aspecto que deve ser pontuado.comum
\

às pessoa~ idosas, independente de

sua classe social, é considerar a velhice como um processo continuo de perdas e de ausência de papéis sociais, incluindo-se nessas a perda do seu papel maior no núcleo familiar. As pessoas idosas devem manter os seus' papéis sociais, na família e na sociedade, importantes relações intergeracionais e do seu estar no mundo.
\

na construção das

A seguir, será apresentado um levantamento resumido sobre os direitos da pessoa idosa instituídos no Brasil.

18

4.

Direitos da pessoa idosa Aprende o mais simples! Pra aqueles Cujo tempo chegou Nunca é tarde de mais! Aprende o abc, não chega) mas Aprende-o! E não te enfades! Começa! Tens de saber tudo! Tens de tomar a chefia! \ Bertold Brecht

o idoso goza

de todos os direitos fundamentais

inerentes àpessoa humana) sem

prquízo da proteção integral de que trata esta Lei) assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios) todas as oportunidades efacilidades) para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.
O idosogoza de todos os direitosfundamentais inerentes à pessoa humana) semprquízo

da proteção integral de que trata esta Lei) assegurando-se-lhe, por lei oupor outros meios, todas as oportunidades efaaãdades, para preservação de sua saúdefísica e mental e seu
,

aperfeiçoamento moral, inteleaual; espiritual e social, em condiçõesde liberdade e dignidade. Artigo 2°. Estatuto do Idoso

''Aprende o mais simples!" diz Brecht. Talvez não tão simples sejam os direitos das pessoas idosas no Brasil. No entanto, pode-se dizer que são de primeira linha, apesar de terem sido defendidos num tempo em que as necessidades já estavam acumuladas significativamente. Ao se pesquisar sobre a base legal que defende o envelhecimento que denotam os avanços alcançados, entre os quais: Constituição Federal-lei promulgada em 05 de outubro de 1988. e a

cidadania das pessoas mais velhas no Brasil, e.ncontram-se leis e projetos

Lei N°. 8.842 de 04/01/1994-políticaNacional

do Idoso.

. Portaria MS 1.395/1999 - Política Nacional de Saúde do Idoso. . Lei 8842 de 04 de Janeiro de 1994 - DO U de 5/1/94 2002 - Efetivação

do Conselho Nacional do Idoso. Lei N°. 10.741 de01/10/2003-EstatutodoIdoso.
-

I Conferência Nacional de Proteção Construindo . RENADL 2006.

e Defesa da Pessoa Idosa -

a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa -

II Conferência Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa Construindo a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa RENADL 2009.

Breves comentários
,

.-

A PolíticaNacional para o Idoso implantou-se, por Lei n°. 8842, em 1994, sendo regulamentada dois ar:os após, em 1996, e até hoje sem se efetivar plenamente. Anos antes, a organização social do idoso surgiu timidamente, ?a década de 80. Tudo isso favoreceu a situação atual, em que os direitos da pessoa idosa, muitas vezes não são conhecidos, reconhecidos e instituídos plenamente, até mesmo pelos próprios interessados. A velhice, embora já apontada nos anos 60/70, como um fenômeno demográfico e social, só tomou visibilidade nos anos 90. Na década de 80, as instituições voltadas ao segmento idoso, em particular, entidades científicas, ANG e SBGG, e o SESC, realizaram ações importantes para discussões e debates sobre a questão do envelhecimento em todo território nacional. Essas ações mobilizaram o segmento, . dando oportunidade .da proliferação de cartas de' apelo, cartas públicas abertas, que visavam à implantação de políticas sociais e a criação de Conselhos de Idosos.

Em 2002, foi organizado efetivado promulgada o Conselho

o Plano Internacional Nacional do Idoso.

para o Envelhecimento Em seguida, - Estatuto

e

em 2003, foi do Idoso, que

a Lei N°. 10.741 De 01/10/2003

ampara os idosos e as idosas no Brasil.

o Estatuto
proclamado Estatuto

do Idoso é a lei que protege pelo Presidente estudos

as pessoas idosas no Brasil, e foi Luis Inácio Lula da Silva. O da para a e ideias de muitos estudiosos

da República,

é fruto de discussões, é uma conquista

área. Também fundamentais,

de- todos aqueles que contribulram

sua efetivação. Organizado

através de sete títulos, entre os quais: os direitos ao idoso, o
-

as medidas de proteção, a política de atendimento não é sua formatação,
J

acesso à justiça. O mais importante que ele traz de definir necessitam Quanto direitos

é a possibilidade brasileiros que

e deveres

dos cidadãos de vida.

ser apoiados em seu crepúsculo observa-se

ao seu cumprimento,

que ainda acontece timidamente.

Ressalta-se que já se conseguiu alguns ganhos; entretanto, há necessidade de muitas batalhas e de mais mãos juntas, de todos - aqueles que já envelheceram ou que estão envelhecendo - congregando toda -a sociedade para continuar a com o que está posto luta em busca de conhecimento, respeito e compromisso

legalmente no Estatuto do .idoso e na Política Nacional do Idoso. A população especialmente conhecimento em geral, e o segmento idoso, em particular, devem conhecer e nas políticas públicas já amparadas, a partir da divulgação, no país. o Estatuto do do poderão no Estatuto do Idoso. Somente

buscar efetivar os direitos defendidos e da compreensão

dessa lei, é que os brasileiros

realmente tomar consciência Portanto,

da questão do envelhecimento

as pessoas idosas .devem conhecer, e di~ar

Idoso, sobretudo ape~ar do

quanto aos seus aspectos positivos, pois eles precisam ter de promulgado, o Estatuto ainda enfrenta o

consciência de seus direitos para exercê-los e reivindicá-Ios, mesmo porque, tempo desconhecimento e a falta de aplicabilidade em alguns setores.

5.

Problemas enfrentados pela pessoa idosa

A~ me pergunto: mas quem sou eu e que velho habita em mim? Sou) incontestavelmente) um ser humano em busca do seu desenvolvimento) caminhos e respostas que garantam a qualidade de vida. Sou uma envelhescente e) ao mesmo tempo) um agente-traniformador por formação e escolha. Profi. Ms.Vera Silvia Frangella

J

Que caminhos levam as pessoas idosas a uma qualidade de vida digna e respeitosa? Certamente caminhos que vão diametralmenté contra as ações de violência, contra as injustiças, contra o desrespeito, enfim, contra tudo que lhes causa problemas. Os problemas en~rentados pelas pessoas idosas sao de ordem diversa. Problemas sociais, problemas familiares e intergeracionais, problemas de saúde, problemas econômico-financeiros, problemas de direitos não atendidos; enfim, problemas em todas as áreas. Um dos obstáculos mais intensos e que vem expandindo seu raio de

amplitude é a questão da violência contra o segmento idoso. As estatísticas estão cada dia mais avolumadas, com casos que crescem assustádoramente e de forma cada vez mais cruel.' A violência contra a pessoa idosa acontece, sobretudo, pela desigualdade social e sua natureza se enfronha nas manifestações de pobreza, de miséria e de discriminação; nas relações interpessoais, que se referem às interações e relações cotidianas;' e na atuação institucional q~e "dizrespeito à aplicação ou à omissão de direitos na gestão das políticas sociais. Essas formas de violência se manifestam, portanto, no espaço público, familiar, cultural e institucional. Ainda, as violências contra pessoas idosas se constituem como causas de óbito, ocupando um lugar significativo na mortalidade. Os jornais e revistas frequentemente mostram casos e estatísticas de atos de

violência contra pessoas idosas. O cenário é cada vez mais expandido, fazendo-se necessário o desenvolvimento garantir o efetivo encaminhamento de políticas públicas voltadas especificamente ao segmento idoso, a fim de criar mecanismos que possam. e a solução das queixas sobre abusos, maus tratos, violências e negligências que afetam as pessoas idosas. Além da violência, questões de políticas públicas que não beneficiam a população idosa, também podem ser consideradas como problemas para o segmento. Outras dificuldades que podem ser indicadas são as questões familiares de desatenção e falta de cuidado para com seus idosos. As famílias, vivendo as modificações estruturais dos novos tempos, já não cuidam de seus velhos e velhas como antigamente. As mulheres, notórias cuidadoras de seus familiares mais velhos, buscam novos caminhos, especialmente os do trabalho, como forma de ascensão social e melhoria de renda familiar. A sociedade também não encontra soluções condignas para o atendimento das
)

pessoas idosas que não dispõem de condições de manutenção de cuidadores
,

particulares. Tudo isso gera o descuido e o desassossego dos mais velhos.
..
.,

Outros graves obstáculos que afetam a pessoa idosa são as questões de falta de saúde que, às vezes, advêm do próprio processo de envelhecimento. As doenças que acometem os idosos, muitas vezes não podem ser tratadas convenientemente por questões econômico-financeiras e estruturais do sistema público de saúde. Com todos esses problémas elencados,
O"

segmento

idoso

segue

vivenciando situações desconfortáveis e até desumanas. No próximo bloco, trata-se especificamente da questão da violência contra a pessoa idosa, vez que ela abarca variados aspectos, entre os qUals: familiares, culturais e institucionais.

6.

Violência contra a pessoa idosa Antes de mim vieram os velhos Osjovens vieram depois de mim E estamos todos aqui No meio do caminho dessa vida Vinda antes de nós E estamos todos a sós. Arnaldo Antunes
> '

A origem e as manifestações da violência são fenômenos sócio-históricos que acompanham toda a experiência. da .humanidade. O Relatório mundial sobre violência e saúde dá OMS (2002) diz que "talvez a violência sempre tenha participado da experiência humana. Seu impacto pode ser visto de várias formas, em diversas partes do mundo". A violência se constitui no uso de palavras ou ações que ferem as pessoas. Como disse Antunes, "estamos todos aqui", envolvidos nas questões de violência, sofrendo seus efeitos. Entretanto, também se sabe.que a violência pode ser evitada. Não se pode considerar que apesar da violência sempre ter estado presente no mundo-não se tem que aceitá-Ia como parte inevitável da condição humana. Retomando o Relatório mundial sobre violência e saúde da OMS (2002), encontra-se a definição da violência como:

o uso intencional

da força física ou do poderreal ou em ameaça, contra si

próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento
, -

ou privação. A definição do resultado

utilizada pela Organização Mundial da Saúde associa intencionalidade com a prática do ato propriamente dito, independentemente produzido. Os incidentes não intencionais - tais como a maioria das lesões de trânsito e queimaduras acidentais - estão excluidos da definição. (OMS, 2002, p.27). Em relação à violência contra o idoso, pode-se definir corno "um ato (único ou

repetido) ou omissão que lhe cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança". (Rede Internacional de. Prevenção dos Maus Tratos contra o Idoso -1995). A violência é um ato de acometimento ou omissão, intencional ou involuntário. No entanto, toda violência é intencional e essa intencio-nalidade a diferencia do acidente, de uma ação ocasional.

o abuso

pode ser de natureza física ou psicológica ou pode envolver maus que pode se apresentar como lesão ou dor, perda ou

tratos de ordem financeira ou material. Assim, todo o tipo de abuso, resulta . em sofrimento violação dos direitos humanos e uma red~ção na qualidade de vida do idoso. (SAN CHES, 2008). N o Brasil, o medo e a insegurança provocados pela violência,

indistintamente de faixa etária, atingiram tais proporções que se torna difícil dimensionar a própria violência .. Assim, práticas e situações de violência afetam toda a população,

principalmente as pessoas que vivem num país marcado pela desigualdade social. Nesse cenário, a população idosa está inserida como uma das que mais sofre os maus tratos. A violência pode ser associada às políticas públicas não concretizadas para aqueles com idade avançada e com mais vulncrabilidade, bem como à falta de efetividade dos direitos humanos e universais. Ainda utilizando informações apresentadas no _Relatório mundial sobre

violência e saúde, há vários tipos de violência, propostos em três grandes categorias, de acordo com quem comete o ato de violência: Violência dirigida a si mesmo (auto-infligida); Violência interpessoal; Violência coletiva.

Violência auto-infligida É subdividida em comportamento inclui pensamentos suicida e auto-abuso. O primeiro de suicídio - também suicidas, tentativas

chamados de "parassuicídio" ou "autolesão deliberada" em alguns países - e suicídios completados. inclui atos como a automutilação. Violência .interpessoal A violência interpessoal é dividida em duas subcategorias: . Violência da família e de parceiro(a) íntimo(a) - ou seja, violência que ocorre em grande parte entre os membros da família e parceiros íntimos, normalmente, mas não exclusivamente, dentro de casa . . Violência comunitária - violência que ocorre entre pessoas sem O auto-abuso, por outro lado,

laços de parentesco (consangüíneo ou não), e que podem conhecerse (conhecidos) ou não (estranhos), geralmente fora de casa. O primeiro grupo inclui formas de violência, tais como, abuso .infantil, violência praticada por parceiro íntimo e abuso contra os idosos. O segundo grupo inclui violência juvenil, atos aleatórios de violência, estupro ou ataque sexual por estranhos, bem como a violência em grupos institucionais, trabalho, prisões e asilos. Violência coletiva A violência coletiva é subdividida em violência social, política e econômica. Diferentemente das outras duas categorias, as . . subcategorias de violência coletiva sugerem a existência de motivos possíveis para a violência cometidà pelos grandes grupos de pessoas ou pelos Estados. A violência coletiva cometida para seguir uma determinada agenda social inclui, por exemplo, crimes de ódio tais -como escolas, locais de

/

.

cometidos por grupos organizados, atos terroristas e violência de multidões. A violência política inclui guerras e conflitos dé violência

pertinentes, violência do Estado e atos semelhantes realizados por grupos maiores. A violência -económica inclui ataques de grupos maiores motivados pelo ganho econômico, tais como ataques realizados visando a interromper a atividade econômica, negar acesso a serviços essenciais ou criar segmentaçôes e fragmentações econômicas. É claro que os atos cometidos por grupos maiores podem ter diversos motivos. (OMS, 2002, p. 28). Além dessas informações sobre a tipologia da violência, podem-se colocar outras terminologias, entre as .quais: violência institucional; violência doméstica; e violência estrutural. A violência institucional está presente na prestação de serviços públicos ou privados que não respeitam os direitos e a dignidade da pessoa idosa. Acontece em variadas situações, entre as quais: profissionais despreparados, com sobrecarga de trabalho; escassez de recursos materiais; falta de controle e fiscalização nos órgãos e entidades que prestam serviços às pessoas idosas; e falta de acessibilidade nos locais que atendem a esse público. A violência doméstica está evidente nos abusos e negligências que se reproduzem na família, por choque de gerações, por problemas de espaço físico, por dificuldades econômico-financeiras e na manutenção dos mitos que permeiam o imaginário social em relação ao idoso. A violência estrutural se expressa pela miséria, má distribuição de renda, exploração e falta de condições mínimas para uma vida digna. Deste modo, a violência contra a pessoa idosa é essencialmente uma violência social e difusa que decorre das relações entre as pessoas, dos conflitos e das lutas pelo poder, do domínio do mais fraco pelo mais forte; e das falhas no sistema político em proteger as populações mais vulneráveis. Segundo Minayo (2006), no eixo temático sobre Violência contra Idosos: "internacionalmente se estabeleceram algumas categorias e tipologias para designar os vários tipos de violências mais praticadas contra a população idosa": ''Abuso físico, maus tratos físicos ou violência física são expressões que se

referem ao uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar-lhes dor, incapacidade ou morte",
/

· ''Abuso psicológico, violência psicológica ou maus tratos psicológicos correspondem a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar os idosos, humilhá-los, restringir sua liberdade ou isolá-los do convívio social". · ''Abuso sexual, violência sexual são termos que se referem ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional, utilizando p,essoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças".
)

· ''Abandono é uma forma de violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que necessite de proteção". · "Negligência refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos, por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma das formas de violência contra os idosos mais presente no país. Ela se manifesta, frequentemente, associada a outros e sociais, em abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais ou incapacidade". ''Abuso financeiro e econômico consiste na exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou ao uso não consentido por eles de seus recursos financeiros e patrimoniais. Esse tipo de violência ocorre, sobretudo, no âmbito familiar". ''Auto-negligência diz respeito à conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, pela recusa deprover cuidados necessários a si mesma". ''A classificação e a. conceituação
I

particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência

aqui descritas estão oficializadas no

documento de Política Nacional de Redução de Acidentes e Violências do Ministério da Saúde (2001)". (MINAYO; 2006).

Ainda no trabalho de Sanches (2008), encontram-se informações sobre o mapa da violência divulgado pela OMS (2002). Nessa divulgação, a Organização Mundial da Saúde "identifica algumas características como fatores de risco: relações familiares desgastadas, idosos dependentes, dificuldades financeiras, isolamento social, fatores culturais e socioeconôrnicos, distribuição de heranças e migração dos jovens

(deixando idosos sozinhos)". Para finalizar essa breve colocação sobre violência, Sanches (2008) também diz que: "A violência contra os idosos, se ignorada, provocará o fim das histórias passadas e a prospecção de um triste futuro para o envelhecimento mundial". Então, as informações sobre as formas de violência devem ser divulgadas nos espaços frequentados por todos e especialmente, pelos próprios idosos, a fim de que sejam buscadas soluções de enfrentamento.

7.

Pessoa idosa: envelhecimento ativo: informações e dicas NADA

É IMPOSSÍVEL

DE MUDAR

Desconftai do mais trivial, Nd aparência singela) E examinai, sobretudo) o que parece habitual Suplicamos expressamente: Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, Pois em tempo de desordem sangrenta) De confusão organizada) de arbitrariedade consciente) De humanidade desumanisada, Nada deveparecer natural Nada deveparecer impossível de mudar. Bertold Brecht
\

O envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida-que as pessoas envelhecem, segundo a Organização Mundial

da Saúde (1997). Com essa "aparência singela", define-se esse processo que engloba. aspectos de uma "humanidade desumanizada" como disse Brecht. A promoção de um envelhecimento ~tivo é tarefa complexa que inclui a

conquista de uma boa qualidade de vida e o amplo acesso a serviços que favoreçam a população lidar com suas questões da melhor maneira possível, considerando os conhecimentos atualmente disponíveis. Alguns aspectos são de terminantes para um envelhecimento ativo:

participação, saúde e segurança.

Participação: · Propiciar educação e oportunidades de aprendizado ao longo da vida. · Incentivar a participação integral de idosos na vida familiar e comunitária. · Reconhecer e permitir . atividades voluntárias, a participação ativa das pessoas idosas em

-

atividades de desenvolvimento preferências e capacidades.

econômico, trabalho formal e informal e com suas "necessidades individuais,

de acordo

Saúde: Prevenir e reduzir a sobrecarga de doenças (comorbidades). · Promover espaços seguros (acessibilidade). Reduzir fatores d~ risco associados às doenças e aumenta~ fatores que possibilitem a manutenção da capacidade funcional. Desenvolver linhas de cuidados em saúde. · Apoiar cuidados formais e informais. Segurança: · Assegurar proteção, segura1\ça e dignidade aos idosos. · Reduzir iniquidades dos direitos à segurança. Justiça social. Acesso aos direitos. Para que o envelhecimento ocorra de-forma plena e digna, considera-se que três marcos estejam em sintonia plena: a própria pessoa idosa, a família e a comunidade. Se esses elementos estiverem buscando atitudes e ações que sejam complementares para um envelhecimento ativo, possivelmente os desafios para uma velhice digna sejam alcançados. Algumas dicas podem ser utilizadas por cada pessoa idosa, para que ela envelheça de forma saudável e benéfica: Conhecimento cada vez mais aprofundado de si mesmo. · Cuidados com a própria saúde. · Promoção de relacionamentos intergeracionais respeitosos. · Realização sistemática de exercícios físicos. Cuidados com uma alimentação saudável diariamente.·

.

Manutenção

de uma atuação social útil -. que requer a manutenção entre os diferentes de uma e.

A família é uma criação do ser humano relação profunda de plena reciprocidade

elementos

gerações. Isso, porém, nem sempre está presente. A pessoa idosa, muitas vezes, não consegue desempenhar um papel de relevância na sl7avida familiar. construidos (SANCHES, 2008). Nesse contexto, muitos são os sentimentos compreensão

na convivência entre a pessoa idosa e seus familiares. O afeto, a ajuda mútua e a são aspectos essenciais que devem existir no relacionamento junto a seus entes queridos. Por outro pessoa idosa/ fanúlia. Assim, o convívio se torna agradável e as pessoas idosas conseguem viverde forma harmoniosa podendo levar a desentendimentos Em relação aos procedimentos forma apropriada e proveitosa lado, em muitos casos, identifica-se que tal convivência apresenta turbulências, e desgastes no relacionament? que devem ser vivenciados e as relações -, de laços fraternais e respeitosos entre os componentes da
I

pelas famílias, envelheçam de sejam.

algumas dicas podem ser utilizadas, para que seus membros positivas: · Manutenção família.

intergeracionais

\

· Fortalecimento

dos vínculos intergeracionais,

estreitando

as ligações de

amizade e afetividade. Respeito pessoa idosa. · Cuidado e atenção frequentes, de acordo com as necessidades que

à diversidade

das questões

que surgem nas rela,ções com a

surgem nas situações familiares. Apoio social, mantendo esteja inserida plenamente. · Respeito aos valores financeiros autonomia para despesas e gastos. recebidos pela pessoa idosa, dando-lhe diálogos e. atividades em que a pessoa idosa

Vale ainda ressaltar que o respeito àvelhice começa na infância, dessa forma, há necessidade do fortalecimento dos vínculos intergeracionais, sobretudo. em se tratando de crianças, para que 8: velhice seja plenamente respeitada. Além' disso, a comunidade também

um dos principais espaços de

integração de necessidades e forças para buscar as intervenções adequadas aos problemas vivenciados pelos seus participantes idosos. A comunidade deve manter: Respeito aos contextos e influências culturais. Reconhecimento à importância das diferenças entre gêneros. Desenvolvimento pessoas idosas. Também a comunidade, precisa estar solidária aos problemas enfrentados pelas pessoas idosas, abrindo espaços de compartilha-mento seus componentes. de suas dificuldades e busca de alternativas para as soluções mais apropriadas aos' de' atividades comunitárias que congreguem as

o

que as comunidades podem fazer para propiciar ,

um.e-"'velhecimento

ativo e respeitoso para o segmento idoso?'

Desenvolver atividades e ações que respeitem as individualidades de cada pessoa que envelhece, evitando generalizações, lembrando processo de envelhecimento proporcionar oportunidade de desenvolvimento que o é particular- e i~exorável ao ser. Também das aptidões das pessoas

idosas e apromoção de sua estimulação biopsicossocial, Organizar grupos e tratar as pessoas idosas como sujeitos capazes e sadios, impedindo inclusive a sua infantilização. Criar mecanismos que ofereçam cuidados específicos para cada faixa
, etária.

. Divulgar informações que preservem a independência e autonomia das

pessoas idosas. Organizar-se em redes de apoio aos que necessitam de cuidados e atenção. Enfim, as comunidades, como base da sociedade civil, devem se associar em defesa dos direitos da pessoa idosa, fortalecendo e apoiando o atendimento de políticas públicas concernentes comunidade ao segmento idoso. Portanto, as três representações vivendo em sintoma plena - a pessoa idosa, a família e a podem seguir em envelhecimento de sua população com bem-estar, saúde e justiça social.

8.

Pessoa idosa: proteção e cuidados - dicas para a prevenção da

violência contra pessoas idosas A alegria não chega apenas no encontro do achado) . mas fazparte doprocesso da busca. Paulo Freire

o processo
caracterizado

de busca para proteção e cuidados da pessoa idosa deve ser pelo respeito, pela persistência, pela criatividade, pela

autonomia, e também pela "alegria", conforme Paulo Freire, pois ela "faz parte do processo da busca". A seguir, serão apresentadas algumas dicas para a prevenção da

violência contra pessoas idosas. A violência ao provocar efeitos na saúde física e mental da população, uma vez que debilita a saúde, torna-se uma epidemia (SANCHES, 2008). ,As estratégias para enfrentar essa "epidemia" devem ser, variadas e buscadas tanto pelas, pessoas idosas, quanto pelas famílias, sociedade e poderes públicos. A seguir são listadas algumas estratégias para o enfrentamento da violência contra a pessoa idosa:

· Respeitar a vítima e conquistar a sua confiança. Assegurar a confidencialidade. Respeitar as decisões da pessoa idosa. Confrontar a resistência à intervenção. Promover a expressão dos sentimentos da vítima. Articular com a Rede de Suporte (nas áreas social, jurídica e de saúde). Além disso, outras manifestações -..,. de violência acontecem pela própria

vulnerabilidade das pessoas idosas, que facilita a aplicação de alguns golpes frequentes a esse segmento. A seguir, algumas 'orientações para se prevenir contra golpes. Dicas de prevenção contra golpes

o que deve fazer a pessoa

idosa para evitar os golpes:

Golpes em agênci~s bancárias e em caixas eletrônicos: · Ir ao banco ou caixa eletrônico, sempre acompanhada por outra pessoa. Buscar auxílio de um (a) funcionário '(a) do banco que apresente uma identificação visível. · Ter cuidado especial, no caixa, ao digitar a senha. Procurar

cuidadosamente uma posição do corpo que cubra o teclado, evitando que alguém veja o número da combinação. · Conferir sempre o dinheiro ainda no caixa, evitando fazê-lo fora da agência. · Guardar o número da senha separado do cartão.
,

Utilizar caixas eletrônicos localizados na parte interna das agências

bancárias

ou em locais movimentados

(shoppings,

por

exemplo),

preferencialmente durante o dia . . ' Outros golpes relacionados ao uso de cartões' em agências bancárias e em caixas eletrônicos: O golpe de solicitar informações para o recadastramento é feito por

estelionatário / a que liga para a vítima e se diz representante do banco no qual ela possui conta. Ele/ ela-induz a vítima a fazer seu.recadastramento bancário, solicitando os números da sua agência,. conta e senha. Com

mecanismos variados, o/a golpista consegue ter acesso às informações . prestadas, podendo movimentar a conta e sacar o dinheiro da vítima. . Também em caixas eletrônicos, o/a golpista pode utilizar produtos que prendam o cartão magnético da vítima e
0-

'

mesmo fique preso no caixa

eletrônico. Com .essa estratégia, o/a golpista observa de longe a vítima digitar a sua senha do cartão, e quando ela desiste de usar a máquina e deixa o cartão, ele (ela) o retira disponível na contacorrente
e

movimenta à conta, .sacando todo o dinheiro d~ vítima.

Ainda tem o- golpe' do cartão engolido pelo caixa eletrônico: o/a golpista coloca no caixa eletrônico Um dispositivo que prende o cartão magnético da vítima e fixa um aviso feito por ele (ela)mesmo, com informações de telefones fa~sospara contatos. Ao ver o cartão retido; a vítima pede informações; através dos telefones falsos informados. A vítima utiliza esse telefone, sendo atendida por outro estelionatário; este se faz passar por funcionário do banco e solicita informações da conta. A vítima fornece
D

número da sua conta e a sua senha

numérica, sendo orientada a procurar uma agência bancária. para formalizar o extravio do ~artão. O golpe se efetiva com o saque do dinheiro que está na conta. Ainda dentre os golpes já relacionados, há outros que merecem igual , destaque e cuidado, como o da procuração (onde o golpista induz a pessoa idosa a passar seus bens para o seu nome) e o da venda de imóveis ilegais.
I

..

Qualquer procuração feita por uma \pessoa idosa deve ser em nome de alguém de sua plena confiança. Mesmo procedimento feito no momento especializados procurados. e conhecidos também deve ser de venda e de compra de imóveis. Os serviços da pessoa idosa são os que devem ser

Golpes em vias públicas: · Em via pública, a pessoa idosa deve caminhar sempre acompanhada por alguém.
~

· Também é interessante que os trajetos utilizados sejam diferentes e em horários variados. · Andar em locais bem iluminados. · Evitar levar quantia considerável de dinheiro na bolsa, deixando à mão o suficiente para despesas pequenas. Usar jóias e relógios em locais mais seguros. /

Golpes relacionados à falsa aposentadoria: ,
.

Normalmente contribuinte identifica conhecimento

nesse tipo de golpe, é essencial que a vítima não seja da Previdência Social.

O que acontece: o/a golpista se
e demonstra
l

como

fiscal

da Previdência

apropriado

sobre assuntos previdenciários.

Ele/ela

se prontifica a

conseguir aposentado~ia para a vítima, dizendo que is~o ,pode acontecer mesmo que ela não tenha contribuído mensalmente para a previdência. A vítima, ,ao aceitar a proposta, passou de um golpe. Outras dicas em relação à violência contra pessoa idosa: paga várias _parcelas em dinheiro pelo "auxilio" e 0/ a golpista desaparece, quando avitima percebe que tudo não

Em relação à violência institucional, públicos ou privados normalmente desrespeitos podem: . Utilizar as fichas e anotações informando sobre profissionais

durante a prestação de serviços a falta de respeito aos direitos e a

dignidade da pessoa idosa são observadas. As pessoas que sofrem esses

de satisfação do cliente ou usuário, despreparados para atender as pess?as

idosas; sobre sobrecarga de trabalho dos profissionais; sobre escassez de recursos materiais; sobre falta de controle e fiscalização; e sobre falta de acessibilidade física dos locaisde atendimento. Procurar os serviços de proteção dos direitos da pessoa idosa. . Denunciar abusos observados serviços públicos e ou privados. Em relação à violência doméstica, presente em abusos e negligências familiares, que se reproduzem por choque de gerações, por problemas de em atendi-mentos à pessoa idosa nos

.

.

espaço físico, por dificuldades financeiras e pelo imaginário social em relação ao idoso, também é necessário que se busque apoio e proteção. Em qualquer situação de violência, existem órgãos governamentais e da sociedade civil organizada que prestam atendimento e defendem os direitos da pessoa idosa. Procure esses órgãos e preste queixa sobre o que lhe aconteceu. Em algumas situações de violência contra a 'pessoa idosa, muitas vezes as mesmas resultam em problemas de saúde. Caso isso aconteça, procure os espaços governamentais que tratam desse tipo de ocorrência. Onde buscar apoio de saúde em casos de violência? · Em Unidades Básicas de Saúde. · Em Postos de Saúde. · Em Centros de Referência, que embora não façam o atendimento, podem encaminhar e devem notificar a situação.-

· Em casos de urgência e emergência, em h?spitais da rede pública. Após apresentar noções e dicas sobre as questões de violência, algumas outras informações e telefones úteis de locais, entidades e órgãos que defendem e auxiliamas pessoas idosas serão trazidas no próximo capítulo.

9.

Considerações

finais Se temos de esperar, que sf!japara colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear; então que seja para produzir milhões de sorrisos) de solidariedade e amizade. Cora Coralina

Espera-se também que as sementes plantadas nas décadas anteriores e na atualidade frutifiquem ações de políticas públicas, para tornar o envelhecimento um tempo de dignidade para todos indistintamente. Ao considerar o processo de envelhecimento como um fenômeno recente e crescente no .Brasil, conclui-se que ele requer cuidados e tomadas de atitudes governamentais com a adoção de políticas públicas que atendam a um contingente cada vez maior de pessoas. Também a sociedade civil necessita tomar posições mais contundentes em relação à sua organização e compromisso com os seus componentes que já viveram os momentos produtivos, agregando valores, riquezas e conhecimentos e envelheceram.
-

Nessa mesma linha de pensamento, também as famílias precisam adotar atitudes, no sentido de exigir a efetivação das políticas públicas que atendam às demandas desta faixa da população. Além de buscarem formas mais adequadas, dignas e respeitosas de tratar os seus velhos e velhas.

Como em qualquer etapa da vida, a pessoa. idosa deseja equidade, tratamento digno, independente de raça, sexo.ietnia, deficiência 'e situação econômica. Que o respeito à pessoa idosa seja incentivado na família e na sociedade e que esse material seja aproveitado nas discussões sobre as questões do envelhecimento e dos direitos da pessoa idosa no Brasil e, especialmente, na Bahia!

10.

Informações e telefones úteis para denúncias e esclaréciqu~ envolvem as pessoas idosas:

mentos sobre as questões Salvador/BA.

OS ESTATUTOS DO HOMEM (A.TO INSTlTUCIONAL PERMANENTE)
.

Artigo I .Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida) e de mãos dadas) marcharemos todos pela vida verdadeira. Thiago de Mello Com as Informações coletadas, acredita-se que a marcha da sociedade é em busca da efetivação dos direitos da pessoa idosa. Esses subsídios devem ser passados a todas as famílias, às comunidades, aos grupos e às entidades que atendam às pessoas idosas. Junto a cada espaço de atendimento, foram colocadas breves informações sobre os mesmos, bem como seus endereços e telefones.

1.Núcleo de Direitos Humanos da Pessoa Idosa - NUDH Idoso O NUDH - Idoso é um projeto da Secretaria da Justiça, Cidadania e o. Projeto do Centro Integrado em Defesa da Pessoa

Direitos Humanos que funciona na Casa do Aposentado e foi criado em 2009, integrando Idosa. Atende todas as pessoas idosas que sofrerem atos de violência, prestando serviços sociais, jurídicos, psicológicos e de encaminhamentos. Endereço: Rua da Mangueira, 55 - Mouraria, Nazaré. Salvador/Ba. Telefone: (71) 3321-5238 Fax: (71) 3321-3846 www.sjcdh.ba.gov.br

2. Casa do.Aposentado do.Estado. da Bahia A Casa do Aposentado própria do Estado da Bahia é uma entidade da sociedade n°. 55, Salvador, Bahia. Atende aos

civil organizada que congrega pessoas aposentadas. Funciona em sede na Rua da Mouraria, aposentados nas áreas jurídica, social e lúdica. Endereço: Rua da Mangueira, 55 - Mouraria, N azaré. Salvador/Ba. Telefone: (71) 3321-5238 Fax: (71) 3321-3846 • www.asaprev-ba.cotn.br

3.

Centro. de Referência

Estadual de Atenção. à Saúde do. Idoso.

CREASIjSalvador

o CREASI

é

U1Íl

centro de referência de atenção à .saúde do idoso que

funciona em Salvador e atende às pessoas idosas .na área de saúde. O acesso aos usuários acontece diariamente e o paciente dirige-se ao SAME para ser .cadastrado, em seguida, é encaminhado à enfermaria para avaliação. Se o usuário atender aos critérios para admissão, então é conduzido ao serviço de Geriatria. Caso contrário, é encaminhado para outra Unidade. Endereço: Avenida ACM, si n° - Iguatemi - Salvador I Ba. CAS - Centro de Atenção à Saúde Prof. Dr, José Maria de Magalhães Netto, CEP: 40.820-000 / Telefone: (71) 3354-3211 13160 I (71) 3358-2273 , . Fax: (71) 3270-5730 www.saude.ba.gov.br/creasi/

I 3270-5750

4. Conselho Estadual do.Idoso O Conselho Estadual do Idoso - CEI, criado pela Lei n". 6.675, de 08 de setembro de 1994, é um órgão de direito público, vinculado à estrutura da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, e tem por finalidade assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, interação e participação efetiva na sociedade. É composto por

treze membros indicados pelas diversas entidades e órgãos que lidam com os direitos da pessoa idosà. Endereço: 4a Avenida, n°. 100,2° andar - Centro Administrativo da Bahia,
I •

salvador/Ba. CEP: 41.745-002 Telefone: (71) 3115-4134 Fax: (71) 713115-4172 www.sjcdh.ba.gov.br/conselho_idoso.htm
I /

5. Conselho Municipal do Idoso de Salvador.

,

O Conselho Municipal do Idoso - Salvador foi instituído pela Lei n". 6.760, de 18 de julho de 2005. É também um órgão norrnativoIigado à Secretaria Municipal dó Desenvolvimento Social e composto por 16 (dezesseis) membros, guardada paridade entre representantes de instituições oficiais e entidades da sociedade civil. . Endereço: Largo dos Aflitos, n015 - Centro, Salvador/Ba. CEP:40.060-046 . . Telefone: (71) 3328-2578 Fax: (71) 3328-2578 www.setad.salvador.ba.gov.br . ,<

6.

Defe'nsoria 'Pública do Estado da Bahia - Núcleo Especial de à Pessoa Idosa

Atendimento

A Defensoria Publica do Estado da Bahia é uma instituição independente que existe para garantir esse direito gratuitamente. A Defensoria oferece defesa e orientação jurídica aos necessitados, visando, com a promoção do exercício da cidadania, da democracia e dos direitos humanos, a inclusão social e o desenvolvimento' humano. A Defensoria garante aos' seus assistidos a representação perante a Justiça, por meio dos defensores públicos, que poderão, conforme o caso, propor ações, acionar acusados,

.

fazer defesas, atuar junto às unidades prisionais e ao consumidor, dar orientações, fazer acordos, conciliações e termos de conduta, entre outras medidas. A Defensoria pode prestar seus serviços de assistência jurídica às associações de bairro e organizações, desde que essas comprovem não terem condições de pagar as despesas do processo, propondo ações civis públicas. Enderéço: Casa de Acesso à Justiça 02 - Rua José Duarte, 56 - Tororó. Salvador/Ba. Horários.Z" a 4a feira (8h às 11h). Agendamento por tel.: (71) 3116-0510 / 0518, ou pessoalmente. Exceto nos casos de saúde em que não é necessário o agendamento prévio. www.defensoria.ba.gov.br •

7. Delegacia Especial de atendimento ao Idoso
.
'

A Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (DEATI) é um órgão vinculado à Secretaria Estadual de Segurança Pública e já contabilizou milhares de ocorrências policiais, a maioria registrada por vítimas de agressões físicas, maus-tratos e abandono, praticados, principalmente, por integrantes da própria família interessados no dinheiro da aposentadoria ou de outra fonte de renda. Maltratar pessoas com idade igualou superior a 60 anos é crime previsto no Estatuto do Idoso, e a punição pode variar de dois meses a 12 anos de prisão. A unidade funciona em regime de plantão e oferece alojamento para permanência temporária da vítima, em casos de necessidade. As queixas mais comuns encaminhadas à delegacia são: apropriação de cartões bancários; uso indevido dos benefícios de pensão ou aposentadoria; ameaças e maus tratos. Endereço: Rua do Salete, 19, Barris, Salvador/Ba. Te!.: (71) 3117-6080 www.ssp.ba.gov.br

.

8. Fórum Permanente em Defesa das Questões da Pessoa Idosa O Fórum Permanente em Defesa do Idoso foi fundado em 27 de janeiro de 2004 e agrega várias entidades parceiras, no desenvolvimento de atividades que visam basicamente mobilizar ~ opinião pública em defesa dos direitos dos idosos, como também está voltado para a divulgação e concretização da legislação vige~te para o idoso. Este Fórum tem como sede a Casa do Aposentado e a Associação dos Pensionistas e Aposentados da Previdência Social da Bahia, ASAPREV /BA. Endereço: Rua da Mangueira, 55 -eMouraria, Nazaré. Salvador/Ba. Tel.: (71) 3321-5238 Fax: (71) 3321-3846 wwwasaprev-ba.com.br

9.

Ministério Público - Grupo de Atuação Especial de Defesa dos

Idosos (GEIDO). O Ministério PÚblico define-se como órgão constitucional autônomo,

inserido entre as funções essenciais à prestação jurisdicional, incumbido de zelar pela defesa da ordem jurídica, dos interesses sociais e individuais indisponíveis e'do próprio regime democrático. No Ministério Público, foi criado um espaço institucional para atender à pessoa idosa - Grupo de Atuação Especial de Defesa dos Idosos (GEIDO). As queixas recebidas são relacionadas ao desrespeito aos direitos dos idosos. Uma das principais é a falta de educação e de falta de respeito de motoristas, cobradores e dos usuários do transporte coletivo, que desconsideram as determinações do Estatuto do Idoso. Endereço: AvenidaJoanaAngélica, CEP: 40050-002. Tel.: (71) 3103-6400 www.mp.ba.gov.br 1312, Nazaré- Salvador/Ba.

10.

Sociedade Brasileira

de Geriatria e Gerontologia - SBGG -

Seção Bahia A SBGG.é uma associação civil, sem.fins lucrativos, q~e tem como obje~vo principal congregar médicos e·outros profissionais de nível superior que se interessem pela Ge.riatria e Gerontologia, estimulando e apoiando

o

desenvolvimento e a divulgação do conheci~ento capacitação permanente dos seus associados.

científico na área do e a

envelhecimento. Além disso, visa .a promover o aprimoramento

Endereço: Rua Baependi, 162 - 3° andat - Prédio da ABM.Salvador /BA.
Te1.: (71) 3245-3093 www.sbgg.org.br
) r

.

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