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Luís Vaz de Camões

Luís Vaz de Camões “ Os Lusíadas “ Índice 0

Os Lusíadas

Índice

Introdução Portugal no século XVI

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Contexto

político-social..............................................................................................

Contexto Económico Renascimento Arte renascentista

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1

3

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4

5

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  • .......................................................................................................

Arquitectura

  • Escultura .............................................................................................................

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  • Pintura.................................................................................................................

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Música

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  • ..................................................................................................................

Dança

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Literatura

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  • .................................................................................................................

Teatro

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Vida de Luís de Camões

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Obras .............................................................................................................................. Os Lusíadas

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  • O Género Épico

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  • Estrutura da Obra

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Estrutura Interna:

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Estrutura Externa:

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Figuras de estilo da Obra

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Conclusão Bibliografia .....................................................................................................................

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Introdução

Este trabalho é feito no âmbito da disciplina de Português e o tema a tratar é acerca de Luís Vaz de Camões, que irá retratar não só sua a vida, como também a época em que viveu e ainda a sua grande obra “Os Lusíadas”. Luís de Camões é considerado o maior poeta português. Como iremos abordar mais à frente, em 1572, escreveu Os Lusíadas, a sua principal obra que retrata na sua maioria os descobrimentos. A sua cultura é caracterizada por uma convicta adesão aos modelos renascentistas e parte da sua grande experiência foi adquirida nas viagens por mares e continentes desconhecidos. A estrutura do trabalho deverá ser a mais correcta possível, consoante as datas e acontecimentos. Começará pela época em que Luís de Camões viveu, indicando os diversos conteúdos da mesma, nomeadamente a política, a sociedade, a economia, a arte, e assim sucessivamente. De seguida, falar-se-á da sua vida, e por fim da sua grandiosa obra. Com este trabalho pretendo adquirir novos conhecimentos sobre este poeta e que espero conseguir superar os meus objectivos.

Portugal no século XVI

Contexto político-social

Em 1521 Inicia-se o longo reinado de D. João III. Portugal vive ainda a euforia das realizações marítimas, do tempo de D. Manuel, O Venturoso. D. João III surge como o continuador de uma política expansionista, para a qual lhe vão faltando as estruturas de apoio necessárias. A Inquisição e o tratamento pouco acolhedor dado a muitos dos pensadores estrangeiros atraídos a Portugal pela fama da corte portuguesa não facilita a existência de muitos humanistas no país. A sociedade portuguesa, principalmente a classe nobre, vê-se na quase total dependência do rei. Do monarca depende para concessão de qualquer mercê, seja nobre ou mercador. Ao rei acorrem os povos a apresentar as suas queixas, nas poucas cortes que convoca. A coroa domina no campo comercial através do seu monopólio: é ela a maior proprietária. Desta interferência só se

vai libertando o clero, pois constitui o apoio do rei para a efectuação da sua política absoluta. Durante muitos anos, os Portugueses só se deslocavam ao Brasil para trazer o pau-brasil e aves exóticas. Em 1530, no reinado de D. João III, iniciou-se a colonização do Brasil. O rei dividiu o Brasil em capitanias e entregou cada uma delas a um “capitão donatário” com a obrigação de a defender, povoar e aproveitar os seus

recursos naturais. Em 1550, Portugal assiste ao findar do governo de D. João III e à impossibilidade de manter um império tão extenso. Não podendo conservar o monopólio dos mares, desmoronam-se as bases com que o país se guindara ao primeiro plano, entre as nações europeias, em décadas anteriores. Em 1568, D. Sebastião assumiu o governo do Reino, com apenas 14

anos.

A partir de 1570, com o agravamento da crise do comércio do Oriente, muitos portugueses passaram a defender a conquista de um império no Norte de África. O projecto entusiasmou o jovem rei D. Sebastião. Em 1578, à frente de um numeroso exército, partiu para Marrocos. A expedição ao Norte de África teve consequências desastrosas. Os portugueses são vencidos pelos muçulmanos na batalha de Alcácer Quibir, e o rei D. Sebastião morre. A morte de D. Sebastião abriu uma grande crise política, porque o rei não tinha filhos nem irmãos. A coroa foi entregue ao seu tio-avô, o cardeal D. Henrique, já de idade muito avançada. Quando, em 1580, o cardeal D. Henrique morreu sem sucesso, foram alguns netos de D. Manuel I que apareceram como principais pretendentes ao trono: D. Filipe II, rei de Espanha, D. António, prior do Crato e D. Catarina, duquesa de Bragança. Mais uma vez, à semelhança do que aconteceu na crise de sucessão de 1383, a população dividiu-se:

O povo, que não queria que o Reino perdesse a independência, apoiava D. António, prior do Crato; A nobreza, a burguesia e o alto clero apoiavam D. Filipe II de Espanha e esperavam, com isso, conseguir privilégios e riqueza. Nesse mesmo ano, por morte do cardeal D. Henrique, Filipe II enviou tropas para Portugal, a fim de impor os seus direitos ao trono. O prior Crato tentou resistir. Mas o seu pequeno e desorganizado exército foi vencido na batalha de Alcântara, em 25 de Agosto, nos arredores de Lisboa.

Contexto Económico

O comércio era a grande base da economia portuguesa. No entanto, o país pouco produzia e, pelo contrário, aumentava a sua dependência quanto à prata que, originária da América do Sul, chegava à Espanha em enormes quantidades. Este metal cada vez se torna mais necessário para alimentar o comércio com o Oriente. A ausência de empresas manufactureiras obriga Portugal à total compra de produtos, para os quais se fornecia a matéria-prima, que vai chegando dos vários pontos do Império. Os portugueses depararam-se com grandes dificuldades para manter o Império e o comércio do Oriente. Os territórios que dominavam, muito vastos e dispersos, estavam constantemente sujeitos aos ataques de Muçulmanos e de outros povos. As viagens pela rota do Cabo, devido aos naufrágios, muito frequentes, e aos ataques dos corsários, no Atlântico, acarretavam enormes perdas em vidas, navios e mercadorias. Na segunda metade do século XVI, a situação agravou-se. As rotas do Levante voltaram a reanimar-se, fazendo chegar de novo à Europa toneladas de especiarias, que faziam concorrência às que eram trazidas pelos Portugueses. Por sua vez, alguns povos europeus Franceses, Ingleses e Holandeses -, desejosos de disputar o domínio colonial e marítimo dos países ibéricos, redobraram os seus ataques contra os territórios portugueses e, em especial, contra os navios provenientes da Índia. O comércio da rota do Cabo entrou assim numa grave crise. Face à queda dos lucros, os monarcas portugueses viram-se obrigados a contrair empréstimos junto dos banqueiros estrangeiros, ficando o Estado profundamente endividado.

Renascimento

O Renascimento (termo proveniente de «renascer») foi um vasto movimento de renovação intelectual e artística e de transformação da mentalidade, que se alargou ao longo dos séculos XV e XVI. Começou a manifestar-se na Itália, mais precisamente em Florença, e depois difundiu-se por toda a Europa, sobretudo nas cidades ricas como Flandres, Inglaterra, França e Espanha. Caracteriza-se essencialmente por dois aspectos fundamentais: o interesse pelo saber e o interesse pela cultura. Estes ideais, provenientes dos antigos Gregos e Romanos, marcaram fortemente este período, de grandes descobertas e explorações, com notáveis avanços na Ciência e na Astronomia. Deixa de existir uma mentalidade teocêntrica (que colocava Deus no centro da reflexão humana) e passa a existir uma mentalidade antropocêntrica (que via o homem como centro). O estilo renascentista teve vários modelos clássicos, como a arquitectura, a dança, a escultura, a literatura, a música e a pintura. A inspiração dos modelos clássicos construiu a característica fundamental do estilo renascentista, o classicismo. Através do Classicismo, os homens do Renascimento encaravam o mundo greco-romano como um modelo para a sua sociedade contemporânea, buscando aplicar na realidade quotidiana aquilo que consideravam pertencer ao mundo das ideias.

Arte renascentista

A arte renascentista adquire um valor próprio: deixa de ser um veículo generalizado da religiosidade para se tornar uma forma pessoal de expressão estética. Mais do que imitar os antigos, os artistas renascentistas procuravam criar formas consistentes com a aparência do mundo real.

  • Arquitectura

A arquitectura renascentista caracteriza-se pela utilização de um conjunto de elementos fundamentais inspirados na arquitectura greco-romana:

as ordens (dórica, jónica e coríntia), o arco de volta perfeita, o frontão, a abóbada de berço, a cúpula, etc. Esta arquitectura está bastante comprometida com uma visão-de-mundo assente em dois pilares: o Classicismo e o Humanismo. Neste sentido, a arquitectura passou a, cada vez mais, tentar concretizar conceitos clássicos como a Beleza. À medida que a arquitectura do renascimento foi alastrando ao resto da Europa, adquiriu muitas vezes um carácter nacionalista ou regionalista, distinguindo-se pela adopção de elementos dos estilos indígenas.

A Natureza era vista como a criação máxima de Deus, o elemento mais próximo da perfeição (atingindo, portanto, o ideal de Perfeição procurado pela estética Clássica). Assim, a busca de inspiração nas formas da Natureza, tal qual propõe o Clássico, não só se justifica como passa a ser um valor em si mesmo. A característica mais evidente desta nova arquitectura é a impressão de horizontalidade (por oposição ao gótico) definida pelas cornijas, frisos e balaustradas. Predomina um equilíbrio que é absolutamente geométrico para o qual contribui a simetria presente na distribuição dos volumes. Brunelleschi foi o primeiro grande arquitecto do Renascimento, responsável, entre muitas outras, pela construção de grande parte Catedral de Santa Maria das Flores em Florença, nomeadamente da sua grande cúpula. Esta obra serviria de inspiração a quase todos os outros arquitectos, nomeadamente Bramante que construiu a Basílica de S. Pedro em Roma e Miguel Ângelo, responsável pela enorme cúpula dessa catedral. Em Portugal, por exemplo, a arquitectura gótica teve uma fase final, nos reinados de D. Manuel I e de D. João III, a que chamamos gótico-manuelino. Neste tipo de edifícios, os elementos estruturais continuam a ser os da arquitectura gótica mas a decoração revela uma certa originalidade. Os monumentos manuelinos mais significativos são o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, e o Convento de Cristo, em Tomar.

Torre de Convento Belém de Cristo Mosteiro dos Jerónimos
Torre
de
Convento
Belém
de Cristo
Mosteiro dos Jerónimos
  • Escultura

Basílica de S. Pedro

Pode-se dizer que a escultura é a forma de expressão artística que melhor representa o renascimento, no sentido humanista. Na escultura renascentista, desempenham um papel decisivo, o estudo das proporções antigas e a inclusão da perspectiva geométrica. As figuras, que até então estavam relegadas ao plano de meros elementos decorativos da arquitectura, vão adquirindo pouco a pouco total independência e a obra,

colocada em cima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos possíveis. Destacam-se dois elementos: a expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas e as expressões das figuras, reflectindo os seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, o nu volta a ser utilizado reflectindo o naturalismo. Ao mesmo tempo que se torna independente da arquitectura, a escultura adquire importância e tamanho. A reflexão disso são as primeiras estátuas equestres que dominam as praças italianas e os grandiosos monumentos funerários que coroam as igrejas. Encontramos várias obras retratando elementos mitológicos, como o Baco, de Miguel Ângelo, assim como o busto ou as tumbas de mecenas, reis e papas.

Neste estilo artístico destacam-se nomes como Nicolau de Chanterenne (act. 1516-1551), João de Ruão (act. 1528-1580) e Filipe Hodart (act. 1529-

1536).

colocada em cima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos possíveis. Destacam-se dois

Baco

  • Pintura

colocada em cima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos possíveis. Destacam-se dois

Pietá

A pintura do Renascimento distingue-se por uma grande preocupação com o equilíbrio da composição, isto é, com a distribuição ordenada das formas. Outra característica fundamental é o naturalismo. Não se pode dizer que a pintura renascentista seja um estilo de verdadeira acepção do termo, mas antes uma arte variada definida pelas individualidades que lhe transmitiram características estilísticas, técnicas e estéticas, distintas. A pintura renascentista caracteriza-se ainda pela introdução a novos temas. O retrato foi um dos temas favoritos do Renascimento, como reflexo do individualismo da época. Tal como por toda a Europa, também em Portugal se pintou segundo os modelos clássicos e foram utilizadas as novas técnicas: pintura a óleo e perspectiva. No entanto, é flagrante a influência da pintura do Norte da Europa, devido às estreitas relações económicas e políticas que ligam a Flandres a Portugal. O mais notável exemplar da pintura portuguesa são os painéis de S. Vicente de Fora, políptico atribuído a Nuno Gonçalves.

Neste estilo artístico destacam-se Vasco Fernandes (1475-1542), considerado o principal nome da pintura portuguesa quinhentista e que, por ser tão importante, ficou conhecido por Grão Vasco; Cristóvão de Figueiredo (act. 1515-1543) e Gregório Lopes (1490-1550), sendo considerado um dos pintores mais significativos do século XVI. Dos italianos os mais importantes foram Botticelli, autor dos mais belos quadros do Renascimento, Leonardo Da Vinci, o famoso pintor da Gioconda, Miguel Ângelo, cuja obra-prima são os frescos da Capela Sistina e Rafael, autor das imagens de Virgem com o Menino.

Neste estilo artístico destacam-se Vasco Fernandes (1475-1542), considerado o principal nome da pintura portuguesa quinhentista e

Gioconda

A Primavera
A Primavera
 
     
 

A Primavera

Virgem com o Menino

  • Música

A música renascentista revela um interesse muito mais vivo pelo profano, integrando-se, assim, na corrente de laicização que o Renascimento incentivava, mas é igualmente curioso constatar que as obras de maior destaque foram compostas para a Igreja. A linha que distingue a música profana da sacra é ténue, tanto na estrutura como na própria forma textual. O que define exactamente o aspecto sacro ou profano é o conteúdo e a função do reportório. É de estilo polifónico, ou seja, possui várias melodias tocadas ou cantadas ao mesmo tempo. Era escrita nos modos medievais, mas com muitas modulações, transposições, alterações cromáticas e até micro tonais, nos géneros medievais e sob a supervisão da Igreja Católica, orientando os padres- compositores. Os compositores passaram a ter um interesse muito mais vivo pela música profana (música não religiosa), inclusive em escrever peças para instrumentos, já não usados somente para acompanhar vozes. No entanto, os maiores tesouros musicais renascentistas foram compostos para a igreja, num

estilo descrito como polifonia coral ou policoral e cantados sem acompanhamento de instrumentos. Os compositores que mais se destacaram foram Manuel Mendes, António Carreira, Duarte Lobo, Filipe de Magalhães, Fr. Manuel Cardoso, João Lourenço, entre outros, que compunham tanto música litúrgica, como música profana e instrumental.

  • Dança

Com o Renascimento, grandes modificações ocorreram com a dança. Surgiram as expressões teatrais com o objectivo de educar o povo por intermédio da religião. Eram as danças teatrais. A partir delas, passaram a ser utilizados elementos macabros, como fantoches com membros enormes, que representavam os demónios. Com isso, a Igreja interveio de forma austera, reprimindo todas essas manifestações de dança, pois as mesmas representavam, aos seus olhos, os demónios utilizando elementos macabros.

  • Literatura

A literatura do Renascimento caracteriza-se pela inspiração nos modelos clássicos. Deu destaque à personalidade individual. Novas formas, como os

ensaios e as biografias, tornaram-se importantes. A maior parte da literatura medieval foi escrita em latim. Os escritores renascentistas começaram a adoptar línguas genuínas, como o francês e o italiano. A literatura renascentista foi marcada pela consolidação do capitalismo mercantilista (século XV a meados do século XVI) e é muito livre em relação às imposições morais, levando a uma atitude de epicurismo e busca de uma moral naturalista. Nasce uma atitude antropocêntrica, semelhante à da Antiguidade clássica, em oposição ao teocentrismo medieval. A natureza é o modelo básico para o conhecimento humano. Nos finais do século XVI, na Inglaterra, William Shakespeare afirma-se como um dos maiores dramaturgos de todos os tempos; em Espanha, Miguel de Cervantes escreve uma das obras-primas da literatura mundial, D. Quixote de la Mancha; em Portugal surge um dos grandes poetas universais, Luís de Camões, autor de Os Lusíadas. Esta activa produção literária e humanista pôde ser divulgada graças à imprensa. A imprensa permitiu fazer livros mais baratos e em maior quantidade, contribuindo assim para o acesso à cultura de um número cada vez maior de pessoas.

  • Teatro

Ao nível do teatro, o Renascimento tenta recriar o drama clássico não só porque as formas e os métodos não eram verdadeiramente compreendidos, como também poderiam ser adoptados e aplicados a práticas e técnicas contemporâneas. O teatro Renascentista adquiriu uma forma completamente

nova reabilitando alguns aspectos da época clássica vindo a ser conhecido como Neoclassicismo. As primeiras peças eram em latim, baseadas nos modelos romanos apesar da teoria dramática ter sido redescoberta através da Poética de Aristóteles. Este drama não envolvia formas religiosas ou quaisquer práticas populares, sendo eminentemente de cariz académico e pouco energético, quase sempre representado por sociedades académicas ou em festivais de corte. As formas e as regras desenvolvidas neste período vincaram as formas do drama europeu por alguns séculos. Um dos conceitos mais importantes da arte Renascentista era a verosimilhança, a aparência da verdade. Desta forma os conteúdos de Plautus serviram de base a dois dos dramaturgos da Renascença Italiana do século XVI: Ludovico Ariosto e Ângelo Beolco que usam situações do quotidiano italiano nas suas peças dando-lhes um tom mais realista e natural obtido a partir da observação directa das pessoas. Outro dos géneros com grande popularidade entre a nobreza italiana no final do século XVI era a forma pastoral, um género de dramatização clássica sofisticada em cenários onde imperavam ninfas, mágicos e pastores. As elaboradas exibições cénicas e histórias alegóricas dos intermezzi combinados com a tentativa de recriar as produções clássicas levam à criação da ópera no final do século XVI. Apesar do drama Neoclássico ter uma audiência restrita e seleccionada, a ópera rapidamente se tornou popular e com um grande poder político. Era dada uma grande importância aos aspectos visuais da ópera, não só ao nível dos actores como do cenário, podendo ser exploradas novas perspectivas. À medida que o cenário se tornava mais opulento também a forma do espaço se ia alterando para melhor o acolher. O melhor exemplo de um teatro adequado à ópera foi o Teatro Farnese em Parma (1618-28). Em 1637 foi aberta ao público a primeira ópera de Veneza alargando-se depois também a Viena de Áustria. Enquanto a elite da época Neoclássica se dedicava ao drama, o público em geral via-se envolto pela commedia dell’arte uma vibrante forma de teatro popular de improviso, que emerge de várias outras formas populares do século XVI.

Os grandes autores deste teatro renascentista foram, para além de Shakespeare, Lope de Vega e Marlowe, Beaumont, Fletcher ou Ben Jonson, entre outros.

Vida de Luís de Camões

Luís Vaz de Camões terá nascido possivelmente em Lisboa, a 4 de

Fevereiro de 1524 e faleceu aos 56 anos, também em Lisboa, a 10 de Junho de 1580. É o nome do mais célebre dos escritores portugueses. É considerado o maior poeta português; nunca existiu, nem em Portugal nem em qualquer outra parte do mundo, poeta algum que igualasse nem muito menos superasse a dedicação que Camões deu à sua pátria por meio de uma tão próspera obra

épica como são “Os Lusíadas”. Apesar de ter sido um grande poeta, foi também

um grande patriota e um grande soldado. Defendeu Portugal tanto nas guerras em África como na Ásia. Era filho de Simão Vaz de Camões (descendente de um fidalgo galego que veio para Portugal no tempo de D. Fernando) e de Ana de Sá Macedo. A

sua família era de origem galega, embora há muito fixada em Portugal e, ao que tudo parece indicar, embora a questão se mantenha controversa, Camões pertencia à pequena nobreza. Um dos documentos oficiais que se lhe refere, a carta de perdão datada de 1553, dá-o como «cavaleiro fidalgo» da Casa Real. A situação de nobre não constituía qualquer garantia económica. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama. Era um fidalgo pobre, de família arruinada e teve uma infância cheia de privações. Em 1527, devido à grande epidemia da peste, D. João III e a Corte foram para Coimbra, e Simão Vaz de Camões acompanhou o rei, com a sua mulher e o seu filho que tinha apenas 3 anos. Quando D. João III regressou a Lisboa, esta família manteve-se em Coimbra em companhia de um familiar, D. Bento de Camões, cónego de Santa Cruz. ais tarde, devido ao estado precário da sua casa, Simão Vaz de Camões partiu para a Índia em busca de melhor fortuna, deixando a sua mulher sozinha com o filho, sendo ela auxiliada pelo cunhado, que se tornou protector do seu sobrinho. É educado em Lisboa por dominicanos e jesuítas. Vive um período em Coimbra, e em 1534, com 10 anos de idade, foi matriculado num dos colégios de Santa Cruz, onde seguiu o curso de artes. O tio, D. Bento de Camões, é prior do Mosteiro e chanceler da Universidade. Era esse mesmo tio sacerdote e sábio que o auxiliava nos estudos, mas ainda antes de Luís de Camões acabar o seu curso, partiu para Lisboa, talvez para conhecer melhor a principal cidade do seu país visto gostar imenso da História de Portugal. Nesta altura a Universidade tanto se localizava ora em Lisboa ora em Coimbra, por isso quando ele voltou para Coimbra, em 1537, Luís Vaz matriculou-se em Teologia. Em 1541, aos 17 anos, conseguiu licença para deixar as aulas de Teologia, e seguir o curso de Filosofia. Dominava a literatura clássica da Grécia e Roma, lê latim, sabe italiano e escreve castelhano. Reinava D. João III e, como Camões era fidalgo, podia frequentar as festas e saraus da corte no palácio real, e foi lá que conheceu aquela que ele queria que viesse a ser a sua esposa, D. Catarina de Ataíde.

Em 1545, devido à relação amorosa que tinha com D. Catarina de Ataíde, dama da Rainha, teve que abandonar a corte de D. João III e foi exilado por ordem do rei para o Ribatejo (Constância), onde permaneceu durante dois anos até que se alistou como soldado e partiu para Ceuta, onde em combate, perde o olho direito. Em 1551, regressou a Lisboa, e voltou à vida de boémia.

Em 1552, na sequência de uma desordem ocorrida no Rossio, em dia do Corpo de Deus, agrediu e feriu com a espada um funcionário da Cavalariça Real, Gonçalo Borges, o que lhe custou um ano de prisão no Tronco. Diz-se que

foi nesse ano de prisão que Camões compôs o primeiro canto da sua obra “Os Lusíadas”.

No ano seguinte foi posto em liberdade por ter sido perdoado pelo ofendido, por ter pedido perdão ao rei e como promessa de embarcar para a Índia como simples homem de guerra. Além de provável condição de libertação, é bem possível que Camões tenha visto nesta aventura a mais comum entre os portugueses de então uma forma de ganhar a vida ou mesmo de enriquecer. Aliás, uma das poucas compatíveis com a sua condição social de fidalgo, a quem os preconceitos vedavam o exercício de outras profissões. A 24 de Março de 1553, o poeta parte para a Índia na armada de Fernão Álvares Cabral, na nau S. bento. Chegou a Goa, capital portuguesa na Índia, seis meses depois e tomou parte da expedição organizada pelo Vice-Rei D. Afonso de Noronha contra o Rei de Chembé. Na Índia, presta serviço militar durante três anos e participa em importantes expedições guerreiras: ao Malabar e ao estreito de Meca, onde

escreve a Canção «Junto de um seco, fero, estéril monte».

Em Fevereiro de 1554, parte novamente sob o comando de D. Fernando de Meneses. Desta vez em perseguição a navios mouros que comercializavam entre a Índia e o Egipto, prejudicando o monopólio

mercantil dos portugueses. Em 1556, é nomeado provedor-mor em Macau de defuntos e ausentes e aí escreveu seis dos Cantos da sua grande obra. Aí conheceu Jau António, companheiro que esteve sempre com ele até à morte e lhe fez companhia enquanto cantava em seis cantos os feitos dos portugueses numa gruta em frente ao mar. Na viagem de regresso a Goa, por fins de 1558, a sua embarcação naufragou na foz do rio Mekong. Salvou-se nadando com um braço e erguendo com o outro o manuscrito d’Os Lusíadas, a sua tão próspera obra, certamente já em adiantada fase de elaboração. No naufrágio viu morrer a sua

“Dinamene”, rapariga chinesa que se lhe tinha afeiçoado.

Em Setembro de 1560, chegou a Goa, onde acabou novamente preso pelo governador Francisco Barreto, acusado de desviar em seu favor bens sobre os quais estava encarregado de esconder. É libertado pelo Vice-Rei Francisco Coutinho, Conde de Redondo, a quem suplicou em versos que o livrasse da prisão. Em 1567, depois de anos no Oriente e premido por dificuldades económicas, Camões conhece Pêro Barreto. Nomeado capitão para Moçambique, Barreto promete-lhe um emprego e adianta-lhe o pagamento da passagem, mas em breve entra em conflito com ele e fica preso por dívidas.

Nessa altura, trabalhava na revisão d’Os Lusíadas e na composição de um livro que continha muita poesia, filosofia e outras ciências ao qual chamou Parnaso de Luís de Camões. Esse livro foi-lhe roubado e nunca mais apareceu o que, em parte, explica que não tenha publicado a lírica em vida.

Em 1569, regressou a Lisboa na nau Santa Clara, quando reinava D. Manuel I, tendo os seus amigos pago as dívidas e comprado o passaporte. Trouxe consigo Jau, um escravo javanês que comprou em Moçambique, e os dez cantos d’Os Lusíadas. Na capital portuguesa vai viver com a mãe, na Mouraria. Em 1572, publicou pela primeira vez Os Lusíadas, conseguindo uma censura excepcionalmente benévola. Esta publicação melhorou um pouco as suas condições de vida. Como retribuição pelos serviços prestados na Índia e pela redacção da epopeia nacional, D. Sebastião concede-lhe uma pensão anual de 15 mil reis que só recebeu durante três anos, pois acaba por morrer e que mesmo assim não o impediu de viver na miséria. Em 1579, a peste arruína Lisboa. O autor d’Os Lusíadas está muito fraco, mas insiste em escrever. Remete uma carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada. "Enfim acabarei a vida e

verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".

O resto da vida viveu miseravelmente junto da sua mãe e do escravo, pois o seu pai e o seu tio já tinham falecido. A 10 de Junho de 1589, morreu, numa casa pobre da calçada de Santana. Morreu na miséria, vivendo de esmolas que se dizia terem sido angariadas pelo seu fiel criado Jau. O seu enterro teve de ser feito a expensas de uma instituição de beneficência, a Companhia dos Cortesãos. O seu corpo é sepultado num canto qualquer da banda de fora do cemitério do Convento de Santana. Foi enterrado numa campa rasa onde um fidalgo seu amigo, D. Gonçalo Coutinho, mandou gravar uma lápide com a

citação: “Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu.”

O seu túmulo encontra-se no Mosteiro dos Jerónimos. A comemoração do dia da sua morte é actualmente relembrada como o

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, sendo feriado

nacional. Descobriu-se, através do calão conceituoso, retorcido e sarcástico, um homem que escreve ao sabor de uma irónica despreocupação, vivendo apenas do destino, boémio e desregrado. Divide-se entre as amantes (sem pruridos sobre a qualidade das mulheres com quem priva) e a estroinice de bandos de rufiões, ansiosos por rixas de taberna ou brigas de rua onde possam dar largas ao espírito valentão, sem preocupações com a nobreza das causas por que se batem.

Obras

Apesar de ter escrito sobretudo poemas, Camões também escreveu algumas comédias, como por exemplo: Os Anfitriões, El-Rei Seleuco e Filodemo. Estas comédias ocupam um lugar à parte no teatro quinhentista, pois cada uma delas tinha uma vida e um estilo próprios. No entanto, estas comédias seguiram o estilo dos poemas de Camões e falavam essencialmente de problemas psicomorais e da filosofia do amor. Além d’Os Lusíadas, Camões escreveu ainda alguns sonetos, odes, canções, redondilhas e ainda cartas que nos dão a conhecer as convivências literárias e boémias de Lisboa. Conhecem-se várias obras líricas do poeta: a ode Aquele único exemplo, dedicada ao Conde do Redondo, o soneto Vós, ó ninfas da gangética espessura

e a elegia Despois que Magalhães teve tecida.

As Rimas são a primeira edição da lírica, feita a partir de cancioneiros manuscritos, em 1595. O tema do Amor está presente em toda a poesia camoniana e assume-se como o princípio fundamental da existência. Apesar de ter sido bastante criticado nos sécs. XVII e XVIII Camões é hoje considerado, tal como disse um amigo seu, «o príncipe dos poetas».

Obras

• 1572- Os Lusíadas (texto completo)

Lírica

• 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver • 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente • 1595 - Verdes são os campos • 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades? • 1595 - Sobolos rios que vão • 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia • 1595 - Alma minha gentil, que te partiste • 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades • 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso

Teatro

• 1587 - El-Rei Seleuco • 1587 - Auto de Filodemo • 1587 – Anfitriões

Os Lusíadas

Os Lusíadas No séc. XVI, o sonho de todo o poeta era criar uma epopeia à

No séc. XVI, o sonho de todo o poeta era criar uma epopeia à imitação de Virgílio e Homero. Para isso, o tema mais escolhido neste século foi, logicamente, os Descobrimentos, que naquela altura era um assunto nacional e até universal, o que despertou vários escritores para este tema.

Depois de vários autores terem dado o seu contributo a este assunto e se ter formado uma opinião nacional, faltava apenas um poeta génio que tornasse este assunto imortal. Para Camões era necessário escrever uma obra que imortalizasse «certos feitos mais dignos de memória, de modo a salvá-los do esquecimento» e é aí que surge Os Lusíadas. Esta foi a função de Camões que escreveu “Os Lusíadas” para homenagear os grandes nomes dos Descobrimentos e para mostrar que a vida fora de Portugal não era nenhum mar de rosas. A obra “Os Lusíadas”, é uma epopeia que narra e glorifica os feitos heróicos portugueses. É considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. Pela grandeza da concepção, realismo das descrições e lirismo de vários episódios, conhecimento técnico, literário, histórico e geográfico, “Os Lusíadas” é uma das obras mais importantes do Renascimento. Para a sua obra escolheu a viagem de Vasco da Gama como acção principal, baseando-se em relatos pormenorizados. Mas na viagem de Vasco da Gama, o Poeta não encontrou um enredo e sim uma sequência cronológica e isso não bastava para escrever uma epopeia. Por isso, utilizou um enredo mitológico que lhe forneceu protótipos de uma intriga entre deuses apaixonados; portanto, em paralelo à viagem de Vasco da Gama, decorre um outro plano de narrativa que corresponde à intervenção dos Deuses no Olimpo. Nesta obra, os deuses, tal como os homens, choram, amam, desejam, lutam, ou seja, parecem ser de carne e osso. Nesta epopeia tudo acontece como se fossem os deuses a ter poder sobre todas as forças que movimentam o mundo. No entanto, a ficção mitológica dissolve-se um pouco no desenlace da epopeia. N’Os Lusíadas confere-se um próprio realismo e é a amostra escrita das maravilhas do mundo, ao contrário de muitas outras obras. Nesta epopeia, Camões não só recriou factos históricos, como também descreveu pormenorizadamente regiões, situações estranhas e fenómenos naturais mal conhecidos.

  • O Género Épico

O género épico remonta à antiguidade grego e latina sendo os seus expoentes máximos Homero e Virgílio.

Para perceber a obra épica de Camões é necessário conhecer o conceito de Epopeia. A epopeia é um género narrativo em verso, que visa realçar feitos grandiosos de heróis fora do comum, reais ou lendários, individual ou colectivo e de interesse nacional ou social. Como qualquer narrativa tem uma acção que envolve personagens situadas num determinado espaço e tempo. No entanto, a narrativa épica tem características específicas. A característica de todas as epopeias é a utilização de um estilo elevado, correspondente à grandiosidade do assunto, e que se traduz na selecção vocabular, na construção frásica extremamente elaborada e na abundante utilização de recursos estilísticos. A epopeia remonta à Antiguidade grega e latina e tem como exponentes máximos a Ilíada e a Odisseia, poemas gregos atribuídos a Homero, poema de Roma da autoria de Virgílio.

  • Estrutura da Obra

Quanto à estrutura da obra, esta pode-se dividir em três partes: a estrutura interna, a estrutura externa e a estrutura da narração.

Estrutura Interna:

A estrutura interna relaciona-se com o conteúdo do texto. Esta obra mostra ser uma epopeia clássica ao dividir-se em quatro partes:

  • Proposição introdução, apresentação do assunto e dos heróis;

  • Invocação o poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, e pede-lhes inspiração para escrever;

  • Dedicatória o poeta dedica a obra ao rei D. Sebastião;

  • Narração a narrativa da viagem, in media res, partindo do meio da acção para voltar atrás no tempo e explicar o que aconteceu até ao momento na viagem de Vasco da Gama e na história de Portugal, e depois prosseguir na linha temporal.

Por fim, há um epílogo a concluir a obra.

Os planos temáticos da obra são:

Plano da Viagem: a acção central do poema é a viagem de Vasco da

Gama; Plano da História de Portugal: são relatados episódios da história dos

portugueses; Plano do Poeta: Camões refere-se a si mesmo enquanto poeta e

admirador do povo e dos heróis portugueses; Plano da Mitologia: são descritas as influências e as intervenções dos deuses da mitologia greco-romana na acção dos heróis.

Estrutura Externa:

A estrutura externa refere-se à análise formal do poema: número de estrofes, número de versos por estrofe, número de sílabas métricas, tipos de rimas, ritmo, figuras de estilo, etc. Assim:

  • Os Lusíadas estão divididos em dez partes, liricamente chamadas de cantos;

  • Cada canto possui um número variável de estrofes, que, no total, somam 1102 e 8816 versos.

  • As estrofes são todas oitavas, tendo portanto oito versos;

  • Cada verso é constituído por dez sílabas métricas (decassílabo), na sua maioria heróicas (acentuadas nas sextas e décimas sílabas), obedecendo ao esquema rimático “abababcc” (rimas cruzadas nos seis primeiros versos, e emparelhadas, nos dois últimos).

Figuras de estilo da Obra

Aliteração - Repetição de um ou mais fonemas consonânticos para intensificar e aumentar a expressividade:

Ex.: "Sois senhor superno" (I, 10).

Anáfora - Repetição (de que resulta sobressair o que se repete) de uma palavra ou de um membro de frase:

Ex.: "Vistes que, com grandíssima ousadia Vistes aquela insana fantasia Vistes, e ainda vemos cada dia," (VI, 29).

Anástrofe - Inversão da ordem das palavras correlatas, antepondo-se o determinante (proposição + substantivo) ao determinado ou ao complemento do verbo.

Ex.: "Qual vermelhas as armas faz de brancas;" (VI, 64).

Antítese - Confronto de dois elementos ou ideias antagónicas, no intuito de reforçar a mensagem:

Ex.: "Tanto de meu estado me acho incerto, Que em vivo ardor tremendo estou frio."

Antonomásia - Utilização de um nome sugestivo, grandioso ou não, em vez do nome próprio:

Ex.: "O sábio Grego

...

// O troiano

...

"

(=Ulisses) (I, 3).

Apóstrofe - Apelo do autor, através de interrupções, invocando pessoas ausentes, coisas ou ideias sob forma exclamativa:

Ex.: "E tu, nobre Lisboa, que no mundo

...

"

(III, 57).

Comparação - Aproximação entre dois termos ou expressões através de uma partícula comparativa (como), levando à compreensão mais profunda do primeiro termo:

Ex.: "Qual aos gritos…// Tal do rei…" (III, 47-48).

Epifonema - Exclamação sentenciosa a concluir uma narrativa ou um discurso:

Ex.: "Mísera sorte! Estranha condição!" (IV, 104).

Eufemismo - Expressão que atenua ou modifica o sentido violento, mau ou desonesto da narrativa:

Ex.: "Tirar Inês ao mundo determina," (III, 23).

Gradação - Ordenação das ideias em escala crescente ou decrescente:

Ex.: "Horrendo, fero, ingente e temeroso" (IV, 28) - Crescente.

"Com mortes, gritos, sangue e cutiladas" (IV, 42) - Decrescente.

Hendíadis - Utilização de dois substantivos coordenados em vez de um substantivo seguido de um complemento determinativo ou dum adjectivo:

Ex.: "Cujo pecado e desobediência" (= Cujo pecado de desobediência) (IV, 98).

Hipérbato - Inversão violenta da posição dos membros de uma frase:

Ex.: "

...

os

duros/Casos que Adamastor contou, futuros" (V, 60).

Hipérbole - Exagero de qualquer realidade para a tornar mais saliente, exagero este que serve para ferir o pensamento quando tomada à letra:

Ex.: "Que a vivos medo, e a mortos faz espanto,".

Ironia - Exprime o contrário do que as palavras ou frases significam, para que se compreenda ou a estupidez ou a fraqueza que se pretende castigar após se verificar a discordância:

Ex.: "Oulá, Veloso amigo, aquele outeiro (

...

)

Por me lembrar que estáveis cá sem mim;" (V, 35).

Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro objecto ou outra ideia - ligados aqueles por uma analogia. A metáfora é num único, os dois termos da comparação sem a partícula comparativa (como):

"Tomai as rédeas vós do reino vosso:" (I, 15).

Onomatopeia - Representação auditiva ou visual pelos sons das palavras, além do respectivo sentido: tentativa de imitação dos ruídos naturais através dos fonemas da linguagem:

Ex.: "Polas concavidades retumbando." (III, 107).

Perífrase - Expressão por diversas palavras daquilo que se poderia dizer mais concisamente ou apenas por uma palavra:

Ex.: "Pelo neto gentil do velho Atlante." (=Mercúrio) (I, 20).

Personificação - Atribuição de qualidades, atributos e impulsos humanos a seres inanimados e a animais irracionais.

Ex.: "Os altos promontórios o choraram," (III, 84).

Sinédoque - Consiste em tomar o todo pela parte e a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural:

Ex.: "Que da Ocidental praia Lusitana" (=Portugal) (I,1).

Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro
Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro

Conclusão

Após a realização do trabalho, posso concluir, face à obra de Luís de Camões, “Os Lusíadas”, que foi escrita para homenagear os grandes nomes dos Descobrimentos e mostrar que a vida fora de Portugal não era nada fácil. Esta obra retrata as maravilhas do Mundo, ao contrário de muitas outras obras. O poeta recriou factos históricos e descreveu também algumas regiões por onde passou. No que diz respeito à época em que viveu, sabe-se que o país estava em crise económica. O trabalho foi realizado com sucesso, pois havia muita informação sobre o poeta Luís Vaz de Camões, e portanto, acho que consegui atingir os objectivos propostos. Contudo, tive algumas dificuldades, nomeadamente na parte de seleccionar a informação necessária porque, apesar de haver muita informação, havia muitas contradições sobre a vida do poeta. O trabalho foi feito a partir de pesquisa na Internet e em livros.