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-A

CONQUISTA DE GOA,

POR

AFFONSO DE ALBU-QUERQUE;

Com a qual fe fun-d·ou o lmperio Lufitano na A-fta:

POEMA EPICO;

QUE

A'

MAGESTADE

DO

~ugufio,

j\fagnànimo,

e Poderofo

MONARCA

JOSEPH I.

·R .E I

.DE PORTUGAL, E DOS ALGARVES

Pela maõ

Do Illufl:riffimo, e Excellentifiimo

SENHOR

DUQUE REGEDOR

DEDICA

FllANCISCO DE PINA,

E

DE MELLO

Jvlo{o

Fidalgo

da

·Cafa

Real,

e

Academico tia Academia Relll '

 

da

l-!ijhri-a Portugueza.

----COIMBRA:

No Real Collcgio cas

Arre·s d-a Companhia de JESUS Anno de 1759-

c~m todas as /irtnfaS nt,d)àr·jase

AO ILLUSTRISSIMO,

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D On1 Pedro Henrique

de Bragança , Sou-

fà, Tavares, l\lafcarenhas , da Silva , pri-

meiro Duque de Lafoens, terceiro 1v1ar-

qués de Arronches , feptimo Conde {de Miranda ;

e das V illas de

l\ liranda do Corvo, J arn1elo , 1~o!goflnho , Soufa, Jlodentes , Vouga , e Oliveira do Bairro : Com-

Senhor do Concelho de Lafoens ,

nlendador das con1mendas de S. Vicente de Vil-

la franca de Xira, de Santa Maria da Goleg2n, de

l\1aria de

N.

Senhora

das

Olalhas ,

de

Santa

l\1armeleiro, das Ervagens na Ilha de S. ~ligrel,

de S. Salvador

de Guilhelbreu, de Mainhos, de Santa Maria do Efpinhal, de Santa Maria de Alvito, de N. Se- nhora da Gra~a de Alpalhaó , de Santa l'vlaria de

de

de- S. l\1 artir~ho

~linhotaes ,

Ni-

'Nifa, de Santa Maria de Ares, dos Difimos dos moinhos da Ilha da Madeira , e Aflores , da Al- caidaria mor de Thon1ar , todas na Ordem de Chriilo: Herdeiro da Commenda hereditaria de Soufa da Ordem de San-tiago ; Alcaide mor de Arronches, Thomar, e Alpalhaó; Provedor da Ca:- pella do Infante Dom Henrique ; Padroeiro do

Convento de Santa Catherina Capella mo r de S. Don1ingos

Abbadias de S. Joaó de Lobrigos, de Santo

de Riba mar , da

de

Aveiro , e das

Andre da Varzea de Ovelha. &c

&c. &c,

J.

\.

I LL U STRISSIMO,

E

.

EXCELLENTISSIMO

SENI-IOR.

A

I1zda

qtte a 'profi11raa

Capacidade de Y. E.

fe ti11ha enzpregado e11t ejludos tnais fubli-

nzes, do qt~efe t·epttta o da Poezia e111 hu1n Rei110, que, co1n o rttido das nr111as, atetJzorizou o focegtJ das letras, ejlott certo de que r. E. traõ de[cot1hefa o valor , qtte cojltt11taõ dar às Epopeias todas as Naçoe11s polidas, e a .ila1zg/orin, que t·ecebenz de ha- ver aigtt1n enJgetzho e11tre e/las , que cotifiga ejla difficil enljJreza, vetzcettdo aqttella trabalhofo difli- culdade , que ~e1n C01lcebido os fobios pelo 11111i.r ar- dilo empettho do efpirito hu111atzo.

Me11os as forfas, qtle oatrevl111ento , 111e ./e- varaõ a ejle gra11de arrojo co11'l o nzetl Triutnpho da Religiaõ, qtte agora repito, [e11l 111e aportar da 11tefina te111eridade co11J a Co11ljttijla de Goa ; lt11Z-

~brtJ-.

----

hrltdq r_le q11e ejl(l_ e[d .,a 1nelh~r acçt~Õ,que. ti11baõ os

Portttgul!zes para htlm Pocn1a beroico ; jJois foi a

que i11jlituio o l1n_peri;J Lujitanq 11a Ajia. Por jobrigaçaõ, por áireito, e-por di'Vida í1aÓ

. fe podia dedicar efl:l obrtJfo 1faÕ a br11n REI, que taif heroica1nente ·illuflra efle tnefrno do1ni11io : 11em ett poderia defcobrir JYiecenas rnais qualificado , qtte gttia.lfe efla o./ferta aos refplandores do Thro11o :

A 1ni11ha cegtteira 11u! dcs/u e11tre a nut!ti-

,nbraria

daó de tantas luze.r, fe T 7 . E. qut' J'or todos os lados

ejlà cercado de hzuna bene'Vola claridade

tar .o.r

ajji1n 11a

pe./Jott, co1no 11a fabidoria , 11aÕfe dignaffi de alelz-

tneus ~~-·e_;~lttlqJ' p(ljfrJs , parn h11aÕ; efinorecer

·enz". tao.:j~_bertl~~il·.iJl[t!rti.: 4 E:~·a pre~if~.--e11fi1iarnJe

prÍ1neiro 11a do.r J'es ae v ,E. p{ji·a fe 1h10 C01J'7Jerter

o· rapio e11t 'precipício~·E;í ~Jàojõper~pndoi]tte Y. E.

me f!!npa~e, '!!as que perl1~i~!'L_que j"é iflftJ/rc tt JJií-

llhq ~~-edu~!zcta ,,r~ozn .~s

fltas ~r4ett.r.· Deos gtttlrl~e :~

V. E.

1ntt1tos. t1Juzos •. · .hlo11te n1or. o Velho, a I 2 ae

Fevereiro de I7, ·7· . ·"t-.J· ~-J -.; ~- '·\•' ;;).\. ) 1.--l '.J" "
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Duque , e tneu Senhor,
B. A. M. D. V. E.
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· ~Joranci.fêo· d~,,·Pilta, e de Mel/o.

9

DA EPOPEIA.

O

Prolegomeno do meu

Cf"riumpho da Religiaõ dei

a

con~ecer 1.1

balbwtcmente o que era a Epopeia , conforme as Regras de Arilloteles, e de Horacio, e as obferv2çocm, que lhe fzeraõ o&

feus Expofitures. Depois difto me

vier;tÕ à maõ os quatro to-

~ mos t:!J Cours de belles lttlres ,_ ou principa ele la litttrature do

A bbade Ie Battcux; e no

ticular da .Epopeia, com algttm;&s rdlexoens, que per fertm n.€JlllS con:mu-

as me pareceu dalh1s agora ao meu Leitor, em que eu farei' i!lgllmas adver- iencias~ aonde melhor me pare<er. Le Battcux, confronta"ndo a Hiftori2, com a Epopeia, ciz que aquella fe defiina à verdade, e cHa ao fingimento: Quando a HiHoria tem lhlü fincc- ram:nte como foraõ os fucceflos,tem cumprido com tudo o que del1a fe p(Jdia

efperc.r; porem que a Epopeia naú fe cinge a cites limites ; pnque deye en-

cantar o Leitor com

principio do ú·gundo torr:o _ achei hum tr~té!do rar-

excitarlhe a tua aJmirc.~aõ, ()CCLlpar-

Jhe ao mefmo tempo o feu difcurfo, a fm: imm;agin2pú, ü {eu l:.fpiritt,, pr.c- trarlhe o Coraçaõ, arrcbat2rlhe os femidos; e fazer com que a aln a fe (1Cllha

co:no em hun. extafis deleiu: vel ' que fe por algum inffante íc imcnc 111 ptr, Jej.i para renovar efie deleite com maior \'Ívacid2de.

- A Hi!l:oria nos poem óiante dos olhos os fuccdfos, fem algum intento

de nos agradar pela finrrutaridade das czufas, ou dos meios : N tlla naú fe e:.cha

as

fuas

ficçoens,

h

01ais do 'lue huma reprczent2.çaõ d·Js temros , e dos hcmens ,- c u!'l·ia Ima- gem da inconflancia, e do cttpricho, fcrmada com taõ repetida~, e mLt:n.e- ravei-s variaçoens, que parece huma obra do acafo, e da fortuna. E a Ep<,r<:ia oaõ refere ruuitas acçoens, mas- huma fó: Efla c:cçaú dele fer d1emia!mcnte tJtiJ, e proveitofa , ou (para ufa r óos mefmos tenr.r:s de lc Battcux) rleve Ú:r interdJànt~ , e capâz de ganhar todo o o:~gr<Jd(l , e goflo Go Leitor. panes deíta acçaú (e h e doutrina de Arifiotele'i) haõ de ftr c< e concordes. As fu<.s caufas, poflo que nzõ feja(, \'erdt>.dcir~s , la·· prccifo que fe façaõ verofirneis: -As perfonaget1s , qt entraú a fali ar na Epopt ia ( a que chamamos Dramas ) devem fer ditlinguidas pelos feu~ c-uéléltrts: Os fcus

cofiumes dl.!vem fer proprios,

penfamentos: E <k tudo ifio fe deve fa2.er hum todo, ordenado, t propmcio• nado perfeitamente com todas as fuas partes. Em fim a Hifl:oria naõ nos moílra fe naõ as caufas naturaes, e nur.ca fe remonta alem da~ forças, ou da prudencia human<s: A Epcp.eia he a né.rraçaú, que faz hun!a intelligencia CeJefte, a qual naõ conhece as caufas naturt~es ~

J!laS alcanç-a todos os impulfos, com que as fobrenaturaer; iií[c.em, vu n•ovc m

os intentos

o

.

nctrto:.d_:;:-:~

e

e foilidos femprc cm todas as fuas p2-tios , e

humanos ,

para produzirfe a ac~aô , que he o (Jbjetlo do P(Jtma

heroico. E fc) com clh primeira vill:a fe reconhece de hcma parte na Hiflf'ria huma narraçaõ de diverfas acçocns , com a expofiçaõ das fuas caufas natura-

es;

:

10

es; e da outra, fe \'ê n"l Epopeia, tambem h uma narraçaü ; mas de huma

acçaó, e alem d.t'i caul".ls naturacs a d.ts fobrenatur:1es , llue movem toda a fa- --

brica do Poema. Sobre efta grande differença quer o mefmo le Batteux que a 'Hifiori;a fe

por

defina por lmmtz flarrafaÕ

verdadci,·a dn; acfaenr naturaer ;

e a Epopeia,

huma n_'lrrnfa? poetica de b11ma acfa; m{lravilhifa.

Efta acç<~õ fe percebe em naú fc:r aquelle coí1urne, a que os Philofophos chamaéi IJabita, 11cm nenhum d:~. quelles affeélos, a que elles chamaõ pai.:k·oens. O mais Velho dos Horacim ama a. gloria de Roma : eisaqui hum habito: Enfurecefe, porque lhe varece que fuõ\ lrmaã perturba efia gloria com as fuas lagrimas: Eisaqui huma paiKa;: Arrebatado de{te furor, a mata: Eis- aqui ao que fe chama acfaÕ:o hahit1 he o principio remoto da acçaõ; e a paixaõ,

o proximo; e a mefma acçaú te executa com mais, ou menos vivacid<ide, fe- gundo o ímpeto, ou s moderaçaõ, que recebe dos feus princípios. Elle E"'emplo nos a conhecer a acçaõ delte Poema. Era grande o amor, que tinha à gloria da Naçaú Affonlo de Albuquerque: aqui ternos o habito, ou o principio remoto: Efte amor o fez conceber a paixaã de Efiahe lecer o noífo Imperio na Afia: aqui efiá o principio proximo: Hum, e outr~ principiQ_ o fez. execwtar a Conquifta de Goa: Eis aqui a acfaÕ da rninhá Epopeia. Todoi tem convindo em que efta acçaõ feja huma ; porque fe folrem d-uas, ou mais, fe dividiria entre ellas o coraçaü, e lhe produziriaõ movimelt• tos incertos: H\ outraç razoem para que a acçaõ feja unica ; porem eíi:a me parece a mai~ concludente.

A unidade da acçaõ diz o mefmo le Batteux (e cuido que com bom fun

damento) que depende toda da Prop'.ftfaã do Poema. Homero diffe n:1 IJiada qtte' cantava a càlera de Achilles: tudo o que produzio dia cõ.lera: tudo o quer para ella concorreu, tudo o que ella obrou, e confeguio, tudo entra nef- ta mefma unidade.

Se Vir~ilio dilfelfe que cantava a deíefperaç~õde Dido , devia acabar a

Eneida com a morte defia Rainha; porem como dilfe que cantava hum Herôe que viera da Troia a infiituir hum novo Imperio nas praias Latinas, naõ po-- dia acabar o feu Poenu, fenaõ com a morte de Turno. Eu proponho que canto hum Valar que dominou o AhyfmD , Dfado, 1 Q m'lrtt, para fundar D lmperio Lujitano na Afia; E affim todas as desgraças • que houve na Conquifbt de Goa: todas as mtq ui nas, que moveu o Inferno pa ra impedilla: todos os. horrores,, que reprezentou a morte para defvanecella, defde o infl:ame que o Herôe fe pôz no mar com eíle intento, ate con(eguillo, tudo pertence à unidade da Conquiíla.

Pode dizer alguem que fe bafl:a a PropoJifaÕ para produzir a unidadt; ctue fe verificarà a puadoxa de fe reputar por huma fõ acfaÕ , fe eu dilfer 1

que canto as acçl)ens do Povo

Rorn mo : Porem ~qui he neceffario faber,

que ha muita diverlida_de entre acfaÕ, e fojeito: Hum fojeitD pode fer hum , c

c:onter ern fi multa5 ac~oens ; com tuda co1uo naú fallamoi aqui de fojtitD

mas

II

mas (omtnte de hum a O(fOÕ, dizemos, que da Pr~Pifrroõ cltfi a , «! m~õ ~~qud; )e he que depemle a unidade. He verdade ')Ue túda a acçaú pede fer frgtito; mas nem tudo o fujeito contem em fi huma fó lirfaÕ.

alu:ra a fua tmidade com os Epi;odios. Os Epifidi~s f~õ hu-

mas partes do Poema fubon.linados à acçaõ principal : ()U como dizem c-utros,_ huns modos da mcfma acçaõ com que ella fe amplifica , e fc lhe a fua de- vida grarH~eza. A colera de Achilles na Ilíada , e o db.bdecimento t.le Eneas n.1 ltalia, fe na\> tiveraõ eflas nwdificaçorns, fe poderia reduzir a Jlltnos de mil verfoo; qualquer deHes dois Poemas. Servem tambem os Epi.fodi&s, pela fua varied;.~de, de fa~ercm deleitavcl a leitura da Epopt:ia. Affim como nella tiveraõ as maquinas a fua Origem, das Tragedtas, tambem os Epifodios das I•:picas procederaõ thlquellrs Poemas Dtamaticos:

O Epijõttio na 3ntigmdade era huma nanaç<l.é>, fcpar;ada da(jue!!cs hym1ws t que fe cantavzú no theatro em obfequio dos Drofes; t btm que p{)r efta cau-

fa devera fe1· o Epifot/i(J nas Epopeias outra muraçaõ muito oifiinéta da Fa·

bula: hc preci{o advertir, que ~fla difiinçaú naú ha de fn taõ db~nh•, GUC naó concorde de alguma fone com o ohjello da A Eneida v.g. fempre feria Epopeia, :ainda Gue naú tivtfle os .Epifodi- ()S de Nifo, e de Eurialo, e dos Sacrificios de Evandro: com tudo a tf1•pre- za, que tomaraõ eflc:s dois amigos , de d~r pane a lneas, pelo 111tio .Jo ar-

Troianos, e o õtd1ar lncas

yaial dos Latinos, do aperto, em que db't':.~ó os

a Evandro, quando lhe foi pedir o focorro , na acçaõ do facrifitio , flaú fó

joga baHanu:mente com a acc;2õ principal; porem 11aú lhe fica d1talllw, que o Poeta narrafl'e o infeliz fuccdlo daquelle intento; e era sarr.brm muito llê\tu-

ral, que F:vandro referiffe a Enc;~~ o princi-pio daqutlla

Defies dois exemplos fe pode COJilltCCr (jU.ilfS f2ú os .EpiftrJi,s, CJUe ro- dem fer prop-rios, ou alheios da Fabula: E inda dlim cu quizcra que o l.fiJ6-

Efla naó

fagrada

cernr.cnia

tiio fahifle de algum fucceffo hiflurico naquella E pica , que tem o Herue, ~a

acçaõ Vcrdadeira; e que

mantfaJS, ou que imiralfe as cmprczas dos Cavaleiros and.antes, en1 que me p::u-ece que cah.io o 1,affo. Por naõ me agradar db dcn1afiacla licença de poe- tizar, a que ft: pode chamar abufo dv fingirnenco , he que introd&~ú f>S meus Epifodi(;s, fem aqt~ellas axtrav4!gancia-s ; (omo por e·xempl" o q\le fe fu11da na repugnancia, que tinha Gonçalo de Stqucira para hi-r à Conqui.fla Ele Goa:

naõ fofle daquellcs, que os F rancezcs d12n1éJÚ Ro.-

Procurei hu.n fundamento vervfimil defl:a <:oncradiçaõ,. e íobre ella fe formou () Epifo.dia do Eremita da Ilha de Santa Helena.

~lo infuT-

to, que pertendeu f~~er ás Efcnvas,tambern he fuccdfu hiflvrico; e fobre ef-

te fucceflo fe irw-entuu o Epifodio dos amores,. e tragt~ia ~~ AH"i, e Ele :Fatima.

Da mefma hiftoúa confia IJaÕ fó o fentimeJlto , qwe tne to\la a a;mada, mas toda a Lufitania da morte de Dom AntoS~io de NoJ()fllla ~ e para o f2zu, ~u &'eprczentar mais vi"vo,e p:ahetico,be que fe fingto o Epi_fol{iO' de Amali·mha &c.

E fe os Epifodios ficaõ mais naturaes, e veromm€'"ts, fe fe tiraõ CDS fu€- cdfos hifioricos ac~õ piin,ipal, pate,iam~ pela mefma raz.éW,. e \":ollgrue~

O Cailigo, que deu Affonfo de Albuq.uerEJtle a Rui Dias,

(la

12

c1.1,

que f~ di>.trUif: rn:.JÍt•l na.; plrte:; prin~pa'!:i da fua verdadeira (v;nmetria, CG.

lU:> 'll! p:.ul!c_~ q·J;: fez Fraacifco v~lltClire na fua H~nriade, coma fe poJe ver

d.u refl

qT: cfh fe naõ devia· de>hgurttr <te tal. f,>rte , com as ficc,Jen5 do ~oeta,

='<

>>!!H,

tp'.!

th~ tiz

11')

PmL:go ncno do

l'riumpho

,fa Religi.1õ~

E p~r e:l.! motiv:> fe.npre Íe6uirei a cJpini<tõ , que a fabul.1 lia Epo-

for

peicl, t1!:1d J

!rJ1.Iei.ra, e nlQ fmta{bo , a conferve o Po~ta ,

quanto

lhe

po:li--:el_,q~llÍi J,\ m':!f.nt fJne, que a pr·>~ncr11 o3 hilhJriadore~; c: ei,:; aqui ara-

fucce{:.

pua que combirp.Ja

c.>n~:c:!f.:: o I~!itor,.b:! n que_ ell:ivet1~ adornada dJquelle traje, com q a cof-

za\J, p >rq .1:! fui n:>:anJo pelo corp~ deite Poema

f~J5 d!

C ,,q,Jilb. de

G H,

a

p

todos os

H~Úa

principaes

com a Hifloria ,

a

tu,ua enf~itar, ou m1~nificar a Epopeia.

-

O Epijàdia deve fer tarubem proporcionado, ·e_ mais breve, do q_ue ex-

tenlo; pois ainda qu!! os _Ep~(odioi fazem hum corpo maior , que o da Fabula; porque elles he que daó a d~vida ext~nfaó ao Poema, com tudo nenhum dos EpifodiiJJ por fi, deve moll:ru que o acceíf.Jrio exced~ o principal. Se a~ f-.1as

circtmflmcias n;!ceffiurem de mai:; alguma profu(aó, fi! deve repartir o Epi· folio, pua o acJ.tnr em outro canto, porque atli.u ficarà mais agradavel, e o L!!tor fe intet=~!T.:rà mais na l_eitura defejando ver o firn elo fucceffo: Etta re-

tragedia de

fi.!:< f~z. re,urtir neíl·.! Pu~.nl o epifoJio dos G~~lntes ., e o da

Alfi, e de Fatim:~. Deve•n os Epi.fodiru fer tambem differentes: Huns amo- roEn, outro-; patheticoi, outros alegres-, funebres ., horrorofos &c. c fahindoíe

. naó fó atte:d~nd.J à variedade, p3i"em a lev.\r v leitor commovido, com diffe- rentes afFd8"Ji: dif[e no meu Prolegomeno ; qwe os jogos, que introduzia Vir:?;ilio nas Exequi:u de Anchiífes , foraõ para vari;n• da tri!leza, e horri· biliJ.ide, que tinha produzido a tragedia de Dido. O Epifodio, diz tambem lc Batteux,que deve feguir o tom geral do Poema: Por ella razaõ naõ defcrc:- ve o mef.no Po:!tJ. 03 amJres de Dido, como os de Gallo; porqae aquelJa era Rainha, e elle, pafior. A gr.a.nde~a da acçaõ parece que fe naó pode regular pelos Poemas de H nter:.,, p::>i-> cada hum delles contem mais de quinze mil verfos: Adver- te L·tfa,l. que a:; l'ragedias dos Gregoi eraó de huma tal proporçaõ, que po- dd[: reprez'!ntar à rne:n0ria to~a. a fua fabrica , apenas fe acabavaü de re- ~itar, afim de que logo alli ff; julg.lffe a fua bondade, ou os feus defeitos! e~­ lnd.t q•Je fe p'Jífi dar maior extenfaó na Epopeia, pgrque he Poema que íe le, e em qu~ o L~itor p•Jde fazer a feu arbítrio varias paufas, e reflexuens, o que fe na:> lU reprez;!ittaça õ dos Poemas Dramaticos ; com tudo quinze mil verfos he h·vtu prod1giofa quantidade para 'fUC o leitor poff.1 confervar fem- pre nella o m~fm'l appetite, e defejo , com que principiou .a fua leitura.

. Virgilio attendendo talvez a naó cal!far fafiio ao Leitor , cuido que

pô:z na fua En~id.1 a deli da grandeza, q irnit6>u o Ta.!l~),, e o. notlo Camoens.

A acça:>, nau deve ter O"randeza , mas integridade; pois nenhuma

c .naú hi que1.-, du,·ide que na Epopeia .fe

de h11·n Epifodi, v. g. funebre, naó fe

lhe deve feguir hum

.Epifodio trifie,

co!z.1 o.d.! f~rp~rfeita,Íl:.1n el!ai 0

dev-e pw.;ur•r !l maior perfe,ÇAÕ; por fer o mali

fublime esforço,. que fe po-,

de

de efperar do tn;enho numano.

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eus

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CU OS,

r.-2> propoem

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primeiro modv comm•.Jmmente

c faz interetlàr todos os

fid.1lle,

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. Jeve o-ranJc, c mtc&ra, mas utal , e que fé!ça wtca efiar nel_-

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o.a, e amave •

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nau ea 'tores· 10 · Hei duas mo.dos -. de - mtcrdtar _ para a te1zer g<J

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a lliefma natureza . da accao: · outro . uos · nt'XO$; . ou

que defeJamos ver vencados ,

~los c~~ove: o

<1U defi!talÍos :

'

fi:

fegun~o excua.a no a "·lUtO•

.

.

ampuhos do no~o dtfeJo

O mqdo, que. nos C!Jmove, contem ~m h

du·c~·fos m_terdf~~: O mte-

reile v. 2; •. da. N~1cat,: Hum Roman_o prec1famente fc hav.aa de-mt-erdfõtr na

Hum Por-

tutTuez fc interdfa nas Luhadas pela grande glona, que refulta a Portugal do <kfcobrimento da India: E por efta mefma caufa _devia· eu litperar, que todos os meus Nacionaes fe interefl"affem tdmbem. ue-fle Poema; pois-a Conquifia

Eneida,~porq~e lh~ refere: ~e illufha.o fundamen~o da

fua_origem

de Goa foi a que fundou o no~o lmp~riu na At~1: Porem ja naõ ha defl_a _c~f­

ta de Portuaueze:;.

e efie interef1e ainàa he naais_extenfu:~ Qu-alquer. bom Catholico- fe deve ir.te~

retlàr no Poem.a do Tafio; pois todcs devem eflimar·o triumpho, ·que alcançou·

naquelle tempo a hreja- com a r.eftauraçaõ da fanta Lidade. E por.ifio mef• nw fe havia de dli~1ar o meu Triumpho d;a-Re-ligiaú: Pore-m fe·os Ecddiê}f t1co.s o criticaraõ., o.ue po!lo eu e!"perar. dos SC?culcJts?

penetra,, mas· comprehende

mais os Efriritos hum~ncs-, qu<~lhc o da humanidade ;. porlJue quafi tcdos os homens· romaõ hum genero de interefle nas-desgr-aças alhe-ia~,.para reconhe-

cer, ou aliviar: com e-ltes exemplc,s-, as fuas-. l\ths com li-cença <.lu Seuhor

Alem uo mterd1~ da-.Naç_ac·, ha oombem o da Rehgrau;

tambea;

outro interefle, que naú

f6

_

Je Hatteux, que dà a primaf.~ a.efte gc:-nero de intudfe, rareciame que ·tin.:.

tes fe dc\'ici procurar.

Alem ditlo pertende e!l~ author que- eíte·s inte-rd~es- íe dnú·, unir na acçaõ do Poema E~c<>,.por·fa huma obrõt de go!to , e juntame-nte politica , hitlorica, Thcologic&l, c moral,.e que fe achau·r.:unidos na Iliada, e na Odyf;.

fea. N aõ diz, o porque., mas eu o direi. Une-fe o interefle da Na\.1ô, porque os dois P(lemas de· Homero tra- taõ das acçoens dcs Principes Gregos~-U ne-fe o interd1e da Religiaõ; porque toda a Theolog.i.l.uos IJo!atras tirou udlas düas Epopeias: Une-fe o inte- rdlc da humaraidade,.porque a-lliada efià fundada em huma paixaõ, qual foi

a colera de Achilles; e a Odylfea nas defgraç.as , e trzbõllhos de Ulyflcs , e õ

efla parte acref-

n~ acçaú principa-l-da~ Tragedias, que na das Eroprias~

modo com que os venc~u a·fua paeiencia,.e fabedoria. Por

centa '! mefmc? le Batteux qu-e excede muito. o Poeta Grego ao Latino; por- que o anterretle, que refuha ·da Eneida (6 pertence aos Rcwano'; e o d<J Jlia-

dõJ,_ e <?dyífea a todos os hon;e·ns. P?re.~ eu naõ eflcu por efia philofClphia:

O metmo le .Batteux confefla que V aro-aho reprezt-nta no (eu Herôe hum ho-

mem perfeito: Piedofo para com os De~,fes,e para feu Pai, amente ele fua mu- J~er, e de feu filho, e dos feus companheiros, ea te bcmfeitor dos feus inimi-

gos: Bíavo guerreiro, fabio Legislador; bom Senhor, bPnl ·Pai , e bom Rei

.E cllas qualidades ninguem pode negar, que perte11çav a

todos gs homens--;

lo-

I4-

lo6o llll f.tõ o:; R "l11100S rornellte os que fe interefTaõ na Eneida, mas por ef ta parte t.1nto fe podem interefiàr na Eneida, como na IlliaJa, c na Odyífe21.

Naõ ignoro que os Romanos tem o interefie

jílfticular

da gloria ,

que deu

Virgílio à ll.t.l N açaõ; poreru

fc

os

ou!·ros h.omens naõ tem A ada com

eíle in-

tercfle., tem muito com o do exemplo, c~n• qllle diz le lhtteux que o Poeta nos propoem em Eneas hum homem perfeito.

Mas ainda feguinde o concei·to ~efie autnor 110 interetfe da hwnanida- de, tem muita ~itf.!rença o qtte fe tira da Odyífea , que o que fe pode tirar da. lliaJa: Porque muito ruais util nos ferá o exemplo de Ulyffes , p-ara apren- dermos que o melho-r modo de vencer o:; trabalhos, e as defgraças he a conf- tancia, a paciencia, e a fabedoril\, que he a màxima moral , que fe pode tirar defra Epopeia, do que o exemplo, <p.sc nos p-ropoem de Ach~lles na Hiada, a onde fó encontramo; num moço ar.rehatado , e infofádo, concebendo hum

inexoravel dliiftut(} de lhe tom:ar o feu General Agamenon

tirnulo qlle o obrigou ~ fepara.rfe dG carnpo dos Gregos , oeixando-os expof- tos às irrLJpçoerts dos Troi&Aos, e defemp<tr;mJo a caufa <:ommua, e 2 otrenfa, e jurarnent\J de t~ia ;(' Grecia ptlr h•1ma pa1xaú part{cular. E elle cxempl_o AaÜ po,ie dar algt~rn irnerelfe a nenhtun ho nem b3m , mas a'1udles , que fare;n ta.õ tefhrrudns, e ferozes , c·0m·1 eHe far:nofu Hero.! da Uittda , e cuido que nenhum c.uupeaú ;,1fig;ne qt1crerà im.itar efi:a paerii impaciencia áo Con- quifrador de Troia ; e menos fe d~ve -confentir efte indigno projedo nas E- popeias, porque a Fabula deve íer Exemplar, e di:?;na de fer imüaJa. _ rf,, Ü,; defenfores de Homero dizem que e!!e pintara a Acltillcs c-om a i-

a fu;~. e(-cra\•a: Ef-.

deia , que fe tillha naqueHe tempo dos Herôes, que era o de fercAl teme- rarios, robufros, forte5., coit:ricos , infofridos &c:. Pu:rern cíta repofia f~riaboa para os igr1ounte•; pois nenhun, 'douto defconhece que em todaç <iS id.1des teve a virtude, e o vicio a me(ma figura. AinJa no primeiro fecu!o d•l lVlun- do fe conheceu muito bem que o f't:r •iunfo, e benêvolo era virtude, c que era

furiufo: N aú hi melhor teUemunb.o defia \'erclade, que

vicio o fer colerico, e

o exemplo de Abel ., e de C~im. Homero fe contndiz nos feus dois Poemas, c he hum ·reparo, que a- inda naõ vi em a1~u;u dos feus .Expofitores. Na Iliada conA:itue a virtude na ferocidad(! , deli1~nho ., colera , e inexora h11idade à e Achiiles: Na Od yHea a dcfcreve na. fagacidade " e tolerancia. oe Ulylfes. A \' irwd-= , e o acerto naú tem fe naú hum camiAho ; quem a procura por dois aralhos i1á de ,·ir a dar em hum monte fohtario, fem al~uma Tambem fe deve advenrr que n fim principal das e:popeias hc pro- pornos acçoens fublimes, maravilhofas, e exemplares para ddlas fazerrn,)i huma b()a imit.1«;al"1; e efias acçoens pur fi mefmas efta(, perfuaJindo qlle tem melhor defempcnho no!' impul(o:o heroicos , que nos ap.tÍxona(ios. Por cuja razaõ me parece, ço1n lice(IC;a de l'Vlonfenhor le Batteux , (}Ue o interefle da humanidade pertence mai:J aos EpifodifJs , que a acçàõ priricipal ; e qu_e nefia. part:.= antes fe·f~guifle a Virgilio, que a Hurne~o, fe áffim o collfente 1\llaJama.

l

Dlllcier; Eu por mim tanto me_ int~r~ífa~ei vendQ en

~ pai·xoens nos Epijodios-, c o

Como na Fabula.

r-

,:)

Ben. intertfl~mte he na Fneida a dt'_rgr::ça_de_Dtdo, e a de

Nifu, e Eurialo: No Tallo o prant~ dt: Tancrt.do :_l\o JH ilo Can~L~_mo a tra-

gedi a de D.

poll":aú eH ar

ior part~ dos homens d1rao que fe commovem lllíliS com d.as pcuxuer.~, l}UC com a ccJlera de AchiU.es.

n1a1s v1·vos ~~a~·ahul~ , que nos EJ-ijuu~s , e p~t~lln•~> ~u~ a ma-

lgn_ez ~e CaHr~; e nav alcanço a. r~z;.~ ~c~ que dtes IJlt~rdfes

EH e

i-nterefle .da humanidade di•.!ide

o

H f

trido

le Baueux un diverfo~

ramos; e diz: que qual~uer ddles· puJe í'er. O·ubjt principal.,_ e p~rti<=ular de

algum genere de Podja, A prova àdle conceito he que a Epcpe1a pr~roe~1

t>bjeétos beroicm, e ~1aravil~fos, a. os .q.uaes r;ws comm_ove pela zdnuraçao:

Q.!Je a rrragedia nos mrercfla pela atroctdaP

JlOS com a compaixaõ , e fufpendendonos- con1 o. pavor: Que a Comedta nos agrada pela fingularidade das interprczas ,. e dos cof!ume~: Que a Podia_ ~af­ toril (a que chama~ws Bucolica) nos encanta com a fua doçura e ~mphc•da· de, e com o repouzo, de· que fe acompanha-: De forte- que a· Ep~pc•a nos ad-

Jnira, a ~rragedia nos entriftece, a Comedia nos alegra, a Bucolic;a nos ferc:~1a.

a erig~m de todos clles generos de Podra,

:lo

e

dos aconte<i:.ll11e!lt0S, cham.ando-

:E como a Epopeia he a l\1ai~ e

~ue deve indu ir em fi todos- d~es inwrefles::

Depois de Virgilio admir2r v.-g. o Leitor com a.colera de Juno, que

faz defatar os ventos. contra a ar.mad.a de Encas,

cegou dia tempeftade, pafla a reprezentar os horrorrs da Tr:agedia em huma Cidade faquc:iada., e abra~ada· pelos i•1imigos , e nf)s ~mcr-es de hun1a Prin- ~ezói, l]lle fe mata a !I mef.ma pda ingratidaú do r~u :UT1~nte: E a feu tempo

&.lefC:reve o def'Canço de h.uma \·ida ruftic?. Gom o Epifodifl· cle .Evandro. De

f.orte <JUe para fer Poeta· 'rrag.ic;'o ( t:onclue o mtf-tro author) cu

Bucolico, naÕ· he necdlàrio mais. que hum ~em~ro d~ Poefi<s; mas para fer

Poeta Epico,. he pr.ecifo f~rtatio

Tudo !Jlo, que pede Ie Batteux na Epopeia , mo p:trcee oue dtarà fa- tisfeit? na. Conquifia de Goa. J.>t:>is pelo t:}tJe refpeita à admiraça(;, tflmos a! maq~1~1as,. Gom que· o Inferno fe e!: força c:om taõ horrendos a1 bitf'io!', contra

a feltculadE- da, cmpr(lza, e o modo com que o Ceo def\'ér:eoe, (I inuflliza to- dos efi.es. horr~rofos impulfos. Temos- par·:.l· a T'r2gedia n;Õ os horwr~s da ex.pugnaçao de Goa, ma!. os• da infelicidade- dos <~moresde Alfi e de Fati• ma,. o. la!limofo cxi.to·, que tiveraõ os Affellos da Princcza Amalintha e os do compare d~s coffarios. 7'emos para a Buco1ica a clcfcripfàõ da C";fa de

C< n1 ic o, ou

que G flC"·der- de Ntptuno fo-

c

,e fe1lo em gràa'"eminente •.

-Campo· da

Ramha de G~rzopaó,.e a vida ca~peflre dos Gigantes;

feus coflumes fe logra alguma· parte do

eomico •.

c

na dos

~

O f~gundo.modo de-.intereffar, que he o <JUe fe tir'a dos obfi2culo~,que

huma

ve 1 • qut> o pn- · . deve to~

.e opp~em a empr~:l!

quando ao He~oe fe prepara quafi

naõ

he

m~nos r.

fi

ido que o em todas as

H

efpectahnente.

JnvencJvel contradu]ao. a os ftus pm1e8os

·

H

me•~do.

parti o nos d acontec•mentQs da

pr.opon

h

a

•r-n · e certo q_ue o Ec1tor- apenas· principia a ler o Poema

.

J

'

".

fc

FaBuJa;

e

pede

3

.

1: 0 a r.,z·-

u

e .orte, que o mefmo

le1ror tome

interrffe

'

eroe ,. .~

~r

·-

fua~; fel·

dades :. Para dlo he necdfario fazello ama\·el·pelas fu.s virtude$·,. e faz~rc;:-

que

t5

que a .a.cçaü feja tligna de

neHa

exercite.

N

fei

fe· Homero fe~

qu~

as

muito amavel o feu ·Achilles, e o feu Ulylfes, ne~ Virgílio o feu Eneas: Ji no meu Prolegomeno toquei efh matena. Eu fe vilfe hum homem coleri- co, feroz, e que fempre queria que valeíle a -fua, e que .pertendelfe dominar a. vontade Jos outros, e que intentafle levar tudo às cutiladas , efiimando me-,

nos a razaú, do que a força, como pinta ao feu Herôe o Poeta Grego., pare- cerne que em nada me intercffaria pela fua .felicidade' nem menos pela do Herôe da OJyffea , quando pelo contrar.io fe me reprezentalfe que -elle era outro hnmcm cheio d-= aílucia:;, e de intrincadas ideias , que era impenetra-

vel a fua alma a O'i feus mais intimos amigos., que tinha huma ·coiza na lin•

e fi.,fria, naú para exercitar a

goa, outr .1 no cr.naça0; e q•te tudl) diflimulava.,

virtude da tolcrAncta, nus ((~ para confeguir os fc:us intentos. Lembrame a

~ora o q:.:~ Jiz L·Jiz U1h0a em hum dos feus Sonetos.:

tirare con· animo -tan fuerte JJd la_ço, en <Jue mi cuello fe cautrvâ , Q.•e .O me R hoje; o le roml'a la \'tolencia::

Y ello tambie11 por ti, que es ofenderte :Ser tuyo, e fer tan vil; que ·tor,pe '·iva, Infamando el amor con .la paciencia:

Q (ofrimento tem feus limites; e 'fe hum "homem f'Ode fervi} em fofrer !J<lnnt

'infulto ~"l:H confervar o empenho des Jeu-; afFeétos., que ·.fará cm admittir ·hu- ma tolerancia., 'lue poJe fer ·incompatiYel com a heroi.cidade! E peJo que

, depois de lhe pedir a Vid1, nem 1-u inj(rJilrça de in·vadtr -num Reino-, Ç,Ue por neahum direi.to lhe pertenci.a. Tudo ifto para mim he muito n:enos, ÇJ_ue a horrível ingratidal",_, ~·Je pr.atic0u com a f~.Ja Bemfeitor~. E.fia he a maior in- dignidade~ .elll que roce -cahir hum Hetôe ; C' .fcmpre direi que aonde hà in- gratidaü., na}) pode ha\·~r He~oifmo: o D~q.uc ·<Je ~1arl~erough .foi feitura do Duque de l: Hrk, .Jrmao de Carlos II~ Rt·• oe h1glater-ra , '}Ue fuccedeu a feu lrmaú na-coroa com o nome de Jaq~:;es H; e p0r fe apartar dos feus in.terdfes, .e feguir os do P.~rlament0 v.0ltandolc c0nt.r3 o feu bf'mfeitor, .perdeu o c~ra­

com ~ue Eneas matou a Turno,

toca a Virgilin, naõ f<~.·lloj.á na atrociJade

-Ller de HenJe, fem o tJailer cor~i:eguN· com ·toti•s aquellas façanhas., .que ex- . ccuto·J o feu -vnlor., e peric1a m-ilit.11· CGntra os FrJncezes. Depois da fua mor-

ruulher er.crnizar a fua memor-~a com .hi!Jr.n elo-

gio; ·e o!Ferecct! P.t~ma grande Lnnma .d,e dinheiro -ao .famof~ Pope para que

_lho fizelfe. Pope attenclel'iilo ao que ünha obrzdo -o Duque com o feu Prínci-

tte, per-tendeu a UtHi}'ll';T,Q {ua

pe;

refponJeu que wlarl hornugh

na ii e ra homem de Elor!io.

Os que intenr~w defcul.p01r a \'i.rgil:io po-r aqucll; ingra·tidaü, dizem

cle Cana~o pnr decreto dos Deofes, e qne naó

que Enea:; fera ohri~ad(o)a f"

\·l;}ir

.efiav 1 na ftJa ma(:) o deixu de of'le,lecerl-he: mas quanto a mim naõ dize111

l!ada a propofiro; parque elbwa •~a maõ do Poeta im•cntar outro Et)iJodia, que · .naõ obrig.lff~ ao feu Herôe a ver{e em taõ grande aperto , como o de fer in- &ra•

.i,_

. metter hum crime taõ indefculpavel ? Se ~Eneas pode .ficar defculp;ido pela obediencia, deve ficar condemnado o Num c pelo decreto: E V irgilio, pofi? o ·cafo nefies termos , naõ fó fez o feu Herôe ingrato , ruas os feus Deofes · m juftos, c por qualquer parte fica criminofo o penfamento deite Poeta.

na

Empreza, que o naõ affull:e., nem -profperidade, que o naõ alegre ; e nefies re- petidos, e alternados impulfos , fc lhe fingira que todas as ac·çoens faõ menos

_ Os obftaculos a que oo E-picos chamaõ nextJS , e a~ fol~·çoens-, com -que fe defataõ, vaõ notados neUe Poema; e huma , e outra coiza he que leva fufpenfo o Leitor a te o fim da Empreza: Para con_fcguir a .admiraçaõ (diz o

rnefmo le Batteux) e para arreba-tar a alma, he per-cito que os no:os , que _fe propozerem 20 Herôe., fe_jaõ de huma difficuldade extraordinaria , e que pâ~e- . ~a que necdlitaõ de huma força fobreJlatural para os vencer, o. que naõ obf tante configue o Ht:rôe o triumplw. E cuido que a!fim o temos praticado ·na Conqui1la de Goa: O Herôe naõ fo combateu a Contradiçaõ de _algl!ns dos Capitaens, que te oppunhaõ à empreza; porem difputou a-s forças do mais po- -clerofo Príncipe do Reino de Decan, e de numa populofa Cidade I forte , e

rr.·

'

.E~e~s a co-··

gr~o, t)U oerobediente.

·E que Dt"idade_ JuRa- poderia ·obrigar .a

_

lnterefTado o Leitor na felicidade do Herôe, naõ

ha-;:er à obfiaculo

.,

_ ·

.

1 ~,

• ,

tio Herôe, do que fuas.

·

muni-da -com muita artelharia ,

e .com h uma

gua.rniçaõ de nove mil homens~

~ompofta de Naçoens guerreiras, e ferozes; naõ tendo ma-is, que mil , e qui- nhentos Portuguezes , e trezentos l\1alabures. Combateu ig.ualme.nte com a fome., e com os defafires., .e .fatalidades., :que fofreu nefta Conquítta, naõ fenda

~os menores a intempefliv.a morte de feu fobrinho Dom Antonio de Noronha; -e refiflio finalmente :a todo o poder do lnfen10, e tudo ifio deu fundamento a

.dizermos na nofià Pt·op-ofifa? que elle dominara

A' vifia de tantas diffi.culdades nimguem poderia imélginar .que a .Empreza fe confeguifle, e daqui he que_ procede aquella adruira.çaü, .que o dito Ie Batteu_x pert(:nde nas Epopeias; porque, diz eiJe, que quanro mais fe reprefentar que a

Em preza fe naõ pode confeguir, e com efteito fe .confegue , maior admiraça& nos darà e Poema. - Efta admiraçaõ (e funda tambem naque-llas idei-a!!, a que os MeChes rehamaú o maravil!Jojo da Ep\ca. A parte mais fabida de.He maraúlbcfo confif- te nas maquinas, como fe conhece pelã introduça-0 dos Deofes nos Poemas de Homero, e de Virgilio. O~ Poetas catholicos naõ tem dla licença, <:onfor- lne a melhor opiniaõ dós Críticos modernos; por n~õ fer Yerofimrl·, nem de- <entc, como diz Lufan, 9ue bumCapitaõ Catholico Qbedeça v. g. a hum a or- dei~l de] uno, -~u de .Jup1ter, que lhe traga lris , ou 1\.1ercurio~ Em 1ugar das Dc1d_ades gent~hcas podemos ufar de Intelligcncias Angelicas , de demonios,

.1\tdgJCos &c. E efte g~nero Je maquinéls podem produz• r o -7li01-a'uilhcjô muito m,clhor que o dos am•gos, com tanto que n•Jnca exceda o n·rvfimil : Afiçaõ

ha de fer ~e fo~te., que;

fiço~ns;Eu d~1 a ler o Ep1foclto _lle Alfi a hurna pefloa intelligente; e depoii

p~r~~a. verdad-e, bem que h<1ja verdades., <fUe p:uecem

o

A-byfmo,

tJ Fado, -e -a morte.

de hdo me ptrguntou fe era fing1do, ou vcrdadc:iru ! Eu lhe Ji11c que fingi- doi

. ·s

I

~

.

doi e· acrercentou : ·Mal" nnpt·tgllt!D

,

EpifodiD· tm naõfi r, hfllorito!, Entaõ. me

.

p~receu q?e

eítava verofimil; pois- qna-ndo a fi~çaõ be taú natural,

que pare:-.

ce fuccefio,

le pode reputar com toda-s as qHa.lida.des ~ q.ue fe ptocuraõ ndles

Poeücos.

fingimentos

·

Atguns, que tem ouvido falJar cm Peripecias,. e Epignofts , fem tal- ve'l. conhecerem o que ifio- figaifica, prefumern que faõ indifpenfaveis nas E-

popeias: e a verdade he, que íe reputaõ por taõ pauco precifas, que aiflda eflz_ por decidir fe a Epica fic-ará mais perfeita , ou com ella'i., ou fem ~lias. A 0-

difTea tem Peripeci~, e Epignoiis; porem nenhuma

que bafta para fe fa·ber q-ue o- Poema fe· pode fazer ~ ou de bum a ou de outra forte. Nefle poema finalmente fe defcobrirá huma Efpecie de Peripecia na fa hida, que fez Affonfo de Aibuquerque de Goa remediando eft:a infelicidade com ficar triumphante na· Empreza. Tambem eHá hafiantemen~e clata a E- pignof1s de Amali-ntha , pois foi conh~cida depois da fua morte. ., , . Finalmente há huma--grande queihó entre os Epicos-te a.Ailt:goria he effenciaJl·à Ep-opeia. O Padre le Boffu fufienta , com toda~ as fuas forças , 1. affirmat~va, e he certo que· efle Padre foi- hum dos grandfs er.gcnbos cle .França, e o q·ue adquirio mai-or opiniav nos eftudos. poeticos: porem o ref~rida te Batteux comp-ate efl:~ opiniaú- com razoens, que me parec~m condudentep., afTentando que a Alleg-oria naü tem nada com :a Epoyeia-> E'~ para fazer a fi- gura dê ~lemon· ncfta ccnt~nda, · naõ dechro agora fe efle Poema. tem, cu naõ tem Aliegoria: deixo ao meu Leitor efia ·av.erigu~çaõ. Só. lhe poderei d~­ zer 'lue torno muitos infiftem (e entre elles o m~::fmo le B01Tu) que o Poema fe deve fundar ao menos em huma màxima moral·, que na(, deixa de a ter: a Con<Juilta de Goa:· ~•em reparar nas grandes. d-ifficuldades , que t~,·e e!\a grande Emprez:1, nas forças com que o Inferno a- impedio, e o empenho cosn que o C~o deratou taõ inv·en-ii\·eis obflaculos, f:::.Gihn~nte pode reconhecer â

dclbs fe acha na Ilíada , ci

~

;quel_la màxirua, q_ue nos p~~~oem o A.poftolo ad. Rom. Cp •. 8. v. 31.

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Si DeliS pro _11obis ,

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fjltis coutra 11~l

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Nec m:lgis fxpreffi

vultu~ per ahenea

ftgna ,

Qu:~m per vatis opus, mores, animiqtat 'lirorunl Claro.rum apparent. - ----- - -

.l-lorat. Epij!. Jb. 2. Epijlol. r. ad CtZfar. ~lugujl.

Vixere fortes nnte Agamemnona .lvfulti: ted omr.es illacrimahi1es llrgentur; ignptique Longa Noéb; : carent qui.1 vate Sacro.

I

A CONQUISTA

DE GOA.

Poetna Epico.

CANTO I.

C Anto o infigne valor de hutn braço forte,

~Ie dpminãdo o Abyfn1o,o Fado,e a Morte,

Com irnpàvido esforço, e tnais que htunano,

Fundou no Oriente o Imperio Lufitano. Infpirame, O) divina lntelligencia , . Aquella foberana preeminencia De hurn alto influxo, de hum feliz decoro,

·

Apenas fabio o meu

A

'Tâumpho da Religiaõ,

Com

grit:1raõ os Criticos com hu~

mas vozes, fem eco, convertendofe as palavras em Onom~topeias , dizendo que a efte Poema naõ fe podia chamar heroico, porque a Fabula e o Herôe eraõ fantafiicos; fero advertirem que o de\·erem fer verdadeiros , ou Guimeri- cos adhuc fub judia /is t.jl; e que efia queítaõ efiava por h uma e cutra parte em tanto equilibrio, como a demanda, que teve Prothagoras com o Difcipulo; pois nem hum Tribunal taõ douto, como a Academia da Crufca, fe atreveu a decidilia.

Difleraõ mais que o dito Poema fe achava mui defcarriado pela falta de epi- fodios tragicos , patluticor , troticor &c. como fe fe podeífe enfeitar huma fan- ta, com os mefmos adornos de huma Flora? Differaõ mais outras coi7.as, de que eu naõ fiz caío, pois eraõ menos critica do Potma, do que prova do pouco, que fabia clefies efiudos quem fe regulafa

mais pelo feu gofto, que

pela5 regras dQs ~efices.

_,

.

A Conquifla de Goa.

Comque acendes o efiimulo canoro :

lnfundeme hum efpirito eloquente; Hum luminofo impulfo ., hum genio. ardente:

Le1nbrame as caufas , que me occulta a fama :

l)efcobrenle o defiino , expoemme a chama , Qye encheu de tanto arrojo o ardor inviél:o Entre os horrores do mortal confliéto Paia illufl:rar o templo da mem~rta:

Faze nas minhas clàulülas notoria Aquella direçaõ , com que a oufadia Levou taó grande empreza à luz do dia , Banhando de huma nova claridàde .

Os glo~iofos tropheos de Heroici~ade.

Moverer,fi de me M ijla loquerentur.

E

Cdfo ,fi Leeiius fapims ,fi alter CatD ,fi duo ScipiDnes

·rambem houve quem diíre que

hum affumpto rengiofo naõ fe podia levar

para o Poema Epi": Trifh:, e indigno penfamento de hum Catholico ,

hum Ecclefiafrico, qual foi efie Critico!

e de

S,: hum figundo H?mero (diz o Abb. Le Batteux Princ. de la Litterat. P. 2.

Re-

arr.

n. 6. )

viejp hoje ao Mundo, naõ deixaria de achar na Hijlot·ia

da

ligia? humo materia capaz de

exercitar oftu genio.

.

.

.

Fmalmente houve Poeta ( e dos bons do noffo Remo) que nao gofiou ( dt•

~ia ell.! ) que eu

A ji!va fe faz co~n verfo'i peq•.tenos e grandes, e no Triumpho Ja Religia;

naõ verfo pequeno, porque todos faõ heroicos, quaes fe chamaõ os _de onze

fylbbas: A 1/rte de Arifl:oteles~ e de Horacio , que faõ os textos, naõ tmpoena O.Jtra }<!i n·n. verfo3 d:!s Epicas, mais, do que fejaõhexametrtJs , que faõ ~s que

c;:orrct"flll Jem ao> nolf H

fizelf.! o

meu

Poema em jifua. Aqui

bafia negar o fuppofto.

hmduafyllabos: fer efte verfo

de

confoantes · mter-

polados, ou fe:-ruidl)S, he eleiçaõ do Poeta. Ariofto, Talfo, e Camoens , que faõ os qtie p~derndar algum exemplo ás Epi,·ar vulgares~fizeraõ os feus Poe- 11UI1 e.n oitavas. D~·lte,. a quem os Italianos chamaõ divino, fez o feu em_ ter- cetcJs; Voltaire fez. a fua Henriade em verfo de confoantes feguidos; M1lton

fez o fl!u Paraiz, perdid:~em verfo folto; e o mefmo fez, Jeronymo ·C9Jtereal no ku PDema da b6italha do Lepanto.

Cattto I.

E Vos, 0' REI, mais alto , e níais piedoío , Qte. os .Cjue adornaó no affento n1agefiofo A fronte, com o circulo brilhante; Qte ardendo entre a efineralda vegetante Fâz inda mais fublin1e a luz fi1oren1a ,

Qte fe anitn'\, e fe adora no

V os , o l\lonarca , defle

.1.

diaden1a :

novo ln1perio ,

Qte, lobre a adtniraçau de outro heinifrherio,

Fundou htuna invencive1

fortaleza,

l 1 ara all\.unpto da gloria Portugutza :

Vos que -dais con1 o Nome aquelle alento, Qlc efpera a forte no feliz aug~1ento

A

2

De

Mas em fim aqui tem, e teráõ ag~ra eftes Senhores outro Poema com o Herôe, e com a Fabula verdadeira, e com tanta multiJaõ, e differen'{a -de Epi- fodios , que em lugar de lhe chamarem pth)~lico, talvez que lhe chamem hydropico. Tambem nn;-, temos Fabula re1igiofa , fim militar, que hc o que elles defejaõ. Com tudo eftou c:erto, em que femprc fe há de fallar, ainda quan- do naõ houveffe que dizer. Suppofto que clifie bafiante fobre os preceitos defta qualidaJe- de Poema'S no Prolegomeno do Tt·iumpha, naõ deixarei de fazer aqui <>lgumas notas, aonde me parecerem neceffarias para a boa intelligencia da obr,.•

P

R

O

P

O

S I

C,

A O.

B Em fe fabe que neJla fe naú deve nomear o Herõe pelo feu nome: efia he a pratica commua, mas pode fl!r alterada c:om o exernpio de Homero na.

fua Ilíada.

Tambem fe naõ deve expreflàr claramente a Fabula, porem daJla a Cúnhe- cer pelas ~uas qualidades. Eítas faõ as regr.as commuas da Pr(lpofiçaõ: as ef- ·

peciaes ( d1z Lufan na fua

~heia de toda a pompa, e affcél:açaõ. Le Batteux

bmples, dara, e fem prefumpçaõ, nem ornato : ene precctito he tirado da Ár/8 poetica de Horacio, quando _cQnderona ao poe.t~CycJio pela in.ch;.~aõcom que

Pottic. Jib. 4· cap. x.) fe reduzem a que fcja livre, e

tK"mbem quer '-lue el1a feja

~ropoz o feu Poema.

·

4

A Co11qt~ijla de Go~1.

De hun1 Reino , e1n que o Pentàgono fagrado

1\iofira qu-e foi por Deos edjficado :

Ouv.i bc11ignan~ente o acorde n.údo

De hti~-1~r~.:trico clan1or ; pois fendo ouvido Na ~énlinencia do Throno , onde confu G.1 , Se atreve hoje a fttbir a minha Ivlufa, Poae _atcançar no rapto, a c.1ue me entrego Q~Ie attenda o Indo aos ecos do Mondego ·

An1parado o cl~ritn no voffil Nome

Con::r~: o dc1cuido, que as acçoens confon-.e,

-

'

1

1

Farei que o objeéto,

e

a vôz

que n1e deflina

Ao cun1e da 1\Iorada cryfl-alina ,

Rettmlbe, convertendo a penna en1 lan~n,

Nos eter~os cfpaços da len1brança.

Vi-

Seguindo eâa doutrina reduzimos 3 noffa PropofifaÕ a qua-tre veFfos claros, fingeios, e terminantes. J:í houve quem amplificou a fua Propojiçaõ., dizen-

do que HaÕ cantava nem ifto, nem aquillo, nem dl:outro, nem aqueloutro; e fe

nos diffeHe o que queria, c naõ o que naõ queria cantar, nos deixaria mais fa

ti5feitl}5, e menos ;;:.rncfinados.

I

N

V

O

C

A

C,

A

O.

T

OJo~ a jul:;a~ por in~ifpen~avel n.~sEpicas ; p~is C_?nfMme ? referido Lu-

f.in, com ) o .?oct.l !u d~ d1z'::r c01fas extr:aordmanas , e mllagrofJs , e a

o.:cl!ta:>,. h:! prccifo ter hurna Dc~dade, que lhas communi•

a-s rraõ pode "kançar : I fio· mefmo

m::ior· p;l;·te

L·ll.H

. G'le-; p .lr!pc íe

f

qu~ por fi mef.na

~~~s

l~lrn.:=m

cliz L~ B.ttte·J:c, c C:h:i f.\Ú lS f: pahvrJs: Depois dtl pnpo.JifaÕ invo,·a o Poea

dos fuccejfos .'- que ptr-

ta 'nm, D!-·"Jh,!J.le, que li~ revae m caufas fohrenaturaes

u~!I· rc/trir:. r:.'/.! na} 1

~;1! (falia Je Virgiho) faber humu.1a.'nentt? aquzi!o, qut' ft

pd:[.o 111 G-·o íi!J;·t· o ejla~::lt.cimmt1 r!~Eruas em ltalia ; porijfo pede à .ilir~(aqu1

Pr_opififa'Q eftá cfl:abelecida

Cathalico5 invocaraõ como Homero , e

A-

Vir~ili.l a:; D::iJ d.!.> ~en~ilicas, e.n

/h; diJ.1: :\laf.t m.ha cauf<\--; m-!,1nra:

fo'1r-! cflt J·J'-ltrin 1-:

ri·J i:

M·lit•x;. Poet:t3

A

minhl

ta-mbem cahio o nilfl:1 Camocns.

>,

t~ c:) ·r.L f) fx:1j oj \>ri:n:!ir·">'>, q te ft: arl.lítaraj delta

q:

fuperftiça.G: exem-

pl~, q·J~ f~ d;v.: fe~lir e.ntoJ.ij J) E;)]pei:u

Chriftans.

_-

.

~

V

Ca11to ·I.

,

;

c

(

T Ibrando * ah~fl:ea do fatal Tridente Entre os liqt:idos pàramos do Oriente,

J

5

l.

Tempo havia que Affonfo dominava _ :Ca undlYao-a foberba a furia brava, r

E expondov ao golfo as màquinas redondas ,

l\1ais , que batia , profperav~ as ondas.

n

-~r

No profundo efrlendor da inviél:a ideia Se lhe finge a extenfaó, em que rodeia De tanto afpeélo o circulo falobre , Para ver fe _o d~fejo lhe defcobre ···r 19 ?.v ·' Cidade, ou Fortaleza, onde levante at H uma àigna cabeça ao n1ilitante ,-

* Fihrando a hqflta &c.

A

3

r

Ro-

~t\qui fe dá principio à Fabula "do Potma.

Se efta fe há de principiar peJo meio, a que fe chama ordem artificial, ou pe-

Jo principio, a que fe chama ordem natural he huma queftaõ bem rixada entre os Epi,·os. Porem huma, e outra ordem tem bons defenfores: Ã lliada eHá coru a -,rdun natural: a Eneida com a artijiâal:

te-râ-

authore5, e exemp1os em feu abono. - Deixo ao meu Leitor a averiguaçaü de qual deltas duas ordens me vali nef-

Qlzlquer deUas duas ordens -(diz Lufan ) que queira ·feguir o Poeta,

tc Poema.

'

Seja a acçaõ principiada de huma, ou de outra forte dizem os Mellres que ella deve ter pr~ncipio, meio, e fim, e huma proporcionada grandeza: que de- ve U•uhem fer Iliufhe,grande, maravilhofa, verntimil,inteira, huma, e de hum Herôe, exemplar, e digna de fer imitada: eftas qualid.ade5 ríeceffitavaó de huma larga expofiçaõ, que naõ pocle caber na brevidade de humas notas. Di- r:i fó 2.lguma coifa , fubre :a uniclacle da 4'lcçaõ , em que ha n1uita difputa ert · tre os profc!fores; e n~õ direi mais que o que d1z o rcfuido Le Battcux no-lu~

gar fupracitado,

n.

6

A

Couquijla

de

Go;1.

Robufl:o corpo , que as nadantes quilhas No eni:~io das tnais altas maravilhas Tinhaõ formado en1 giro vagabundo Sob\c o efpanto,· e pavor de hum novo n1undo.

O Principe 1'artareo ~ percebendo

Os projeél:os do Herôe; e naó podendo Sofrer que a Lei da Graca defcancaffe

;)

:1

Sobre tantas viélorias; e que achaffe

O zello Lufitano hum firme alfento

A taó illuftre, religiofo intento ;

Do gremio infan1e da cruel lVlegera

Saltava enfurecido

à opaca efphera ,

Onde fe forja em 1 fopros

A horrenda agitaçaó, que in1pelle os ares-,

Irritada nos globos tenebrofos,

circulares

Etn

A unidade da acç:i~ (diz el!e A.} procede da mtf~a propofifa'Q do Jogeito: tl!a

ht l.jUrJ anuncia ofim cio Poeta, a que a.f!igna o principi() , e a que fixa o ttrmo.

Remeto o -.·neu Leitor para o mais que elle diz fobrc efta màteria : Eu

di-

~o na =ninha Prcpifrfa"3 que canto aqucJle valor, que fundou o noffi) Impe-

_rio na A:l.a: donde· fe fegue que

tudo o que fuccedeu, e concorreu nefia fun-

tlafo~ , ou fej:1 F2bul~o, ou Epifoàio oepende do que eflá propofto, e por con- fcqucncia une em hu;n fogeit:o toda a fábrica do argumento.

O Pri;;cipe 'Tartare~ &,·. As Tragedia, (los Gregos e L1tinos tinhaõ por afium?to hum415 vezes as acç<Jens dos Dcofes , outr~s as dus homens ; e c:la3 craõ as q11e obravaú os Príncipes , e Capitaens iníignes. Tnmbem as houve com a miftur.i.i de humas , e outr2.s Perfonao-ens. ~·ndo os Deofes apr-a•eciaõ nO: Theatro fcmpre eraõ conduzidos na qudlas máqtJtnas que vu -

donde veio O ch;am~rt>mfe mtlquinas ás Íntro •

~

1:>

.

l

-

o-

e

umente

cna:TiàffiO:'i

tram?ias ;

duçoens defh:; DeidaJes : nome que paliou par;~ as Ep~pews ; po1s a Jmataç~.o

.

,

.

.

da$ Trag,dia; inth>duziraõ tambem

os homens com

o~ D:ofes.

Eilas D:t-

ua·

Etn que habíta

dos

Ca11to I.

genios procellofos

7

A

jntàufla n1tlltidaô ,

que a mefn1a

Furia,

Co1n a

cauda, arrancou da excelfa

Cu ria.

A penas

pelo ~àrcere in~ipefl:o

l'e tanta fomDra , ou hahto funefio

E11tra o clragaó; e a chan1a , que o

fuffocn;

·Lhe

acende

a

vifl:a ,

lhe horroriza a . boca ,

Quando das nuvens o infeliz caminho Se fecha em hun1 ligeiro reden1oinho ~ ctle as nevoas formaó , com tren1endo impulfo ,·

· }J o trocei deite efcàndalo convulfo.

.1

Por entre os negros , ràpidos aífombros ; Afientados os genios fobre os hotnbros Dos indon1itos ventos , efperavaó O horror das exprefloens, que preparavaó As grandes iras da ferôz ferpente :

Entaó , defde o lugar mais eminente,

. 11iilurado nos

càufl:icos atrozes,

Vomita o torpe arrojo defias vozes:

Sereis vos por ventura aquelle errante; Defpenhado efquadraó , que a cada infrante

A

4

Alte-

dades _nos Poemas de

Homero,

e de

\'irgi!io f~õ as que movem :ii acçoens

dos_ Homen:;: De forte que na Epica podemos coufid~r.allas, como caufa:, pri· meaus, e as accnens humanas , como caufas fcounclas que n~õ f41ZÍ2Õ mais

l1ue cxeculi:lrem o que as outr~~Ls dcterminavaõ,

'

e iufluii4v.

o

·

Deitas Deidades

ln•·

8

A

Co11tjttijla de Goa.

Altera tanta plàcida campanha Con1 o. , barbaro alento , em que Horrivelmente gen1e, o Mar fe

Treme o Ceo ,

pulfa a Terra ,

a montanha

.

.

Irrita,

o vento grita?

Sereis vos as ~~erriveis poteflades, Q1e excitaó as fataes calanlidades , Com qtie a efphera fe arroja fobre o Mundo? Sufientais inda o efpirito iracundo , Con1 que moveis nas furias n1ais violentas A colera indomavel das torn1entas?

Pois como corifentls hâ tantos annos Qle a arrogante foberba dos Htunanos En1 detprezo do vo1lo antigo empenho

t

I

Pre-

h umas e:~õcontr;~ias~-outras pr()picias á ~mpreza;o q-ue fez dizer a Ovídio:

I

Mukiber in Trojam, pro Troja fiabat Apotlo:

lEqua

Venus

Teucris ,

.

Palias

iníqua fuit. &c.

.

~

E ne{b differença de impulfos he que fe formava toda

S{)luraõ.

o

a fabrica do Potma.

A tudo o que fe punha co.ntra a ernpreza fe chamava Nixo; e tudo o que

for~ava eíte 1zexo, fe chamava

Havia r.exo principal , e mxos fubordinados:

princi-pal ,

.

na ~~ezda ,

v. g.

foi a colera do Juno,que por todo o Poenza a ,·emos oppofbt ;;tO.~il:abeltclmen­ to de Eneas na lta)ia: os nexas fubordinaJos faõ os amores de Du1o,

a emula~

çaõ de ·rurno, e tudo o mais., que dilatava, ou contradizia a empreza. A in-

troduçaõ de(l-as maquinm, ou Deidades gentilicas feguiraõ ,

fer.n algu=:na _con-

:fideraçaõ, os Poetas Cathulicos, atê que o raflo arrancou tfia fuperíhçao da1 Epicos Chriíbns.

Ctl11tO

I.

9

Prefuma don1inar n) htun fraco lenho Tantos n1ares occultos , defcobrindo A carranca do Tauro, o horror do Indo?

Naó chegou a -irritatfe o Tormentorio De taó ardu& atnbicaó ? N fez notorio A efie oufado ·Gatna o infaufio alento De taó cego, taó louco atrevimento? Se htun penhafco naó fofre efia ouf:1dia, Con1o a quereis fofrer? A-; luz do dia , Deflle o pàllido Ocafo , quantas vezes Ten1 paflàdo o furor dos Portuguezes Somente con1 o fi1bito confelho De expor na Afia os raios do Evangelho?

:)

E vos o tendes vifio co1n paciencia ?

~1em tal

podera crer ?

Q1e negligencia

He efia deHe horrlfico dorninio , ~1e tendes fobre os ares? Se o defmio

!)cfia

Depüis do Taífo naõ confentem os Críticos que fe introd.Jzaú De(1fes fan · tafticos nas Epop~ias. Porem como, fem as máquinas , hcari:lÕ dtes Pom~as infipi<fos' t= rerderiaõ huma das fuas dltnciaes qualidades, qual he o mm-m'Í- Hofo, em lugar dos Deofes propicias, querem que fej? ritos A ngelicos; e em lugar dos m:llcvolo5, o demooio, e r,s magicas. Eila he a razaó, porque o mdino demonio he o nexo. princip1l defle Poema;. e os ne · xos fubordinados tudo o que elle fez pelo magico Alfararni ,. pdas tempeHa- drs, e outras acçoens, com que fe oppunha á Conqui;la de Goa. As folu<;o- ens JeHcs nexos vieraõ pelos rogos, que faz :ao Omnipotente o A poftolo das Indi~s, Patrono da cmpreza.

he t'ta!mente fim a/guTJi inte-

õ

os s~ntos, e os Ef~i­

l/uma acfaÕ, fem nexo , (diz Le Battcux n.6.)

njfe; pc-rqtte o nt:l(o l'e a drjficzt!dade que Í1Tita as pai.voms ,

e que faz mover iJS

gra11dn virtudrs.

IO

A

'

Co1Jfjttijla ele Goa.

'

Deíl:a atrevida gente naó paliara

De andar errante pelo golfo , achara l\1enor dan1no no intento; porem hoje Confentir poderemos que .fe arroje A fc firn1ar no tha!atno da aurora, Tren1olando a bandeira vencedora, E que o golfo vadeie, as ondas cerque

O íoberbo valor defie Albuquerque ,

Para confiituir nefie hemifpherio Huma nova cabel5a ao Lufo L'llperio ?

N :10 he noffa efia vafi3. l\1onarquia ?

Naó

reina en1 huma parte a làolatria,

_ Na outra a torpe lei de Mafamede?

Pois como haven1os de fofrer que ~ofiJede

Agora a Lei

Entre o pavor de tanta nevoa grollà ,

A pezar dos intrepidos alfanges ,

P\ omano

da Graça ?

E que

fer poilà.

o Hydafpe, Portuguez o Ganges?

Defatai , defatai deffa Officina , A onde fe prepara , e fe fulmina A colera' que nlove' e irrita os ventos To do o imtnenfo furor dos Elementos :

Caia fc)bre efiàs màauinas boiantes A indigna~aó Etherea: Os navegantes Flu-

~

Canto I.

II

Flun1em nas efcumas en1poladas :

Dos troncos , e das Yellas defiroçadas Naõ fiaucn1 da borrafca nos arrojos 1\1a1s que as trifies relíquias dos defpojos , Sen1 ±iagtncnto, que firva de fuftragio Nos mlferos aipeclos do naufragio.

.

~

Apenas dava fitn ao horrendo grito

O ind()lnito tyranno do Cocyto ,,

Q1ando começa com fragor immenfo t

A gen1er toda a

Em que a chufma tàtal fe encarcerava Rebenta na exprclfaõ da infania brava, -1

Parecendo no horror do esforço adverfo ~1e os eixos fe encurvavaõ do Univerfo.

efphera; e o globo denfo ,

Defce no mefn1o infiante ao golfo inchado O formidavel n1onfiro, e transformado

Na effigie de Neptuno, o plauíl:ro occura :

Reprezenta htLma horrivel catadupa

O

n1ar cm cada impuHo: entre os abalos

Dos ceruleos , maritimos cavallos Começa a borbulhar o abyfmo horrendo Nas profundas cavernas : Vem defccndo As iras de htuna, e ou~ra potefiade : Atfe-

~

.

t Efia tempeftade movida pelo demonio) he o primeiro IJÇX§ ~a acçaõ.

IZ

A Co1zquijla de Goa.

Affeél:a a enonne, e efcura ·magefiade Luzbel no verde coche ; e anciofo aguarda

Ü effeito , COlll que a colera bafi-arda

De tanta furia

Sobre as n~lferas nàos fe precipita. ~

atrôz ,

que o odio incita,

Os pilotos , que ao longe perceberaó

Os roncos , cotn que as ondas prometeraó

A indignada tormenta , todos chn1aó

~e fe encolheffe o paru1o : Os ventos bramaó

nefl:e mefmo ten1po

taó ferozes,

Q~1e os filvos confundidos com as vozes Dos trifl:es , affufl:ados marinheiros , N aó poderaó , nen1 inda os mais ligeiros Amainaren1 as Vellas ; pois as forças . Do Noto , do Aquilaó , e do Auilro , deraó T aó repentinan1ente fobre os mafl:os , Sobre as vergas , e enxarcias , que partidas N) hun1 infiante fe viraó , con1 as vidas

De quantos nefie fUbito alboroto A) vôz obedeceraó do piloto.

Ao choque horrendo do violento golpe Bateu nas ondas de hurna , e de outra

o robufio conado : pelo

Entra furiofo o n1ar : fetn acordo

bordo

banda

Sobre

Sobre os rotos calàbres difcorria n A aflon1brada efquipagen1: 1norre o dia Entre a feia carranca do Orizonte :

Em toda- a parte abria a ctherea f(Jnte Os caudolofos vlnculos : ** as nuvens Nos medonhos relan1pagos n~ais trifie Disforme, carregada , e ten1erofc1. Reproduzen1 a fombra tenebroià:

O incendio a cada infiante fuhninado Contra as ondas por hun1 , por outro lado Nos groíleiros vapores repartido, Parecia que etn gefto denegrido Formava, con1 efcàndalo luzente, Em cada horrendo itnpulfo huma ferpente De fiilfureas efcan1as , .que nas azas Batendo as roxas , fulnlinantes brazas , Pertende ao feio ardor das jgneas plutnas Introduzir a chama nas efcu1nas. {

V acilàvaó os Orbes com os ecos * Dos enorrr~~s trovoens , que refleél:iaõ

, ·r

I

- N

r os coe.cavos do n1ar; e correfponde

.

-

No

** Eripiunt fubito nubes ccelumque , djenlque

Teucrorum fX ocllhs: lJOnto nux incl!b~!t <itra f/irgil. /Eneid. iiil. 1. 17. 92.

"* Com os ecos tlos mormrs trovoms.

E_corrtftondL· o rjl_rondo ao fogo vogor

1ntonuere p()li-; & crcbris

micat rgnibt:s ~thef.

'

·A Cotzquifla de 1.:ioa.

No mefmo infiante o efrrondo ao fogo vago , Q!e igualmente confpira a tanto efirago : · l\'ienos a aceza polvora retarda A infufrivel repofia da bo1nbarda:

Menos fero fe exprin1e o ardente efroiro , Con1 que h1ie o terrifico peloiro Do atacado canhaó , que a voz tremenda , Etn que a efphera os horrores recon11liend~

T aó atroz , e inclemente grita o ltune Da excelfa indignaçaó , que fe prelitme , Qte entre o imn1enío fi·agor da furia brava Toda a n1áquina etherea fe quebrava.

O colerico mar , que em fi naó cabe Con1 taó inchado alento , jà naó fabe Onde acon11node a n1ultidaó cerulea Das impellidas agoas: ~Humas vezes As enrola, outra as quebra: Em altos montes

As ajunta ,

e defpenha ao 1nefmo infiante :

A poppa trifie , a quilha naufragante

 

Agora toca t

com as rotas vellas

Na

Rumas 7Jt'Zts as mrola &c.

Em altos mGntts &c.

 

--- Infequitur cumulo préeruptus aqu~emons.

 

Hi

fummo

in fluélu

pendent: his unda dehifcens