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Ouvidoria de Saúde Modulo III

Ouvidoria de Saúde Modulo III

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Saude
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Published by: Angela Ferreira Camandona Correa on Dec 18, 2012
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Unidade 3: Saúde e Responsabilidade

Belo Horizonte, Junho de 2012.
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Créditos
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais/Ouvidoria de Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais/Assessoria de Gestão Estratégica e Inovação. O conteúdo desta publicação foi desenvolvido e aperfeiçoado pela equipe do Canal Minas Saúde e especialistas do assunto indicados pela área demandante do curso.

Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais Ouvidoria de Saúde

Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Assessoria de Gestão Estratégica e Inovação

Canal Minas Saúde

Ficha Catalográfica
MINAS GERAIS. Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Curso de Extensão em Ouvidoria de Saúde. Unidade 3: Saúde e Responsabilidade. Belo Horizonte, Minas Gerais, 2012.

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Nesta unidade 3, vamos abordar quais são os nossos Direitos e Responsabilidades para a efetivação do direito à saúde.

Antes

de

começarmos

esta

reflexão,

vamos

conferir

os

objetivos

de

aprendizagem ao estudarmos esse tema?

Analisar o papel do Estado brasileiro na efetivação do direito à saúde.

Analisar o direito à saúde e a responsabilidade do indivíduo, da família, das empresas e da sociedade.

Assinalar deveres e direitos de todos os envolvidos na saúde pública.

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O Direito à Saúde e a Responsabilidade do Estado Brasileiro

A

saúde

passou

a

ser

protegida

juridicamente, nos Estados Modernos, por meio de um conjunto normativo que a reconhece como Direito de todos e dever do Estado e que estabelece uma série de obrigações aos agentes

públicos e aos cidadãos para a plena realização desse Direito. A proteção do direito à saúde surgiu junto com o desenvolvimento dos Estados Democráticos de Direito. O Estado Democrático de Direito representa a garantia primeira para que o direito à saúde seja uma realidade. Somente em um ambiente de proteção dos direitos humanos é que o Direito à saúde poderá ser respeitado em sua plenitude. A proteção do direito à saúde, portanto, somente será efetiva no âmbito de um Estado Democrático de Direito, onde vigoram o Constitucionalismo, a proteção aos direitos humanos e o respeito aos princípios democráticos. Nesse contexto, a saúde foi reconhecida como um Direito humano social, expressamente previsto na Constituição brasileira (arts. 6º e 196) e por diversos instrumentos normativos internacionais, notadamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. A nossa Constituição, em seu artigo 196, expressamente destaca:

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A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Para garantir esse direito, por meio da Constituição Federal de 1988, foi instituída uma estrutura política complexa e abrangente para o sistema de saúde brasileiro, com a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalta-se que o reconhecimento da saúde como um direito humano fundamental deu origem a uma série de normas e decisões jurídicas que têm o escopo de garantir esse importante direito. Desde a Constituição Federal, passando por normas definidas em Tratados Internacionais, em Leis Internas brasileiras e em normas infralegais, encontraremos diversos instrumentos jurídiconormativos que tratam de vários aspectos relacionados com o Direito à saúde, sempre voltados a garantir o Direito à saúde de cada indivíduo e da sociedade. Esse aparato normativo dá origem à necessidade de uma interpretação sistêmica e lógica, bem como exige das autoridades públicas um dever de agir que se concretiza através de decisões — a execução de uma política pública, a normatização de um setor da saúde, uma decisão judicial visando garantir um tratamento etc.. Podemos perceber, dessa forma, que a saúde, como um direito social que é, exige do Estado a adoção de medidas concretas para a sua promoção, proteção e recuperação, tais como a construção de hospitais, a adoção de programas de vacinação, a contratação de médicos, etc. Por outro lado, deve-se ter em vista que o direito à saúde também é um direito oponível ao Estado por meio de ação judicial, pois permite que um cidadão ou a coletividade exijam que o Estado adote medidas específicas em benefício da sua saúde ou que o Estado se abstenha de adotar ações que possam causar prejuízos à saúde individual ou coletiva — por exemplo, não poluir o ambiente.
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O Direito à saúde é, portanto, um direito fundamental da sociedade brasileira necessário para o desenvolvimento do país. Por essa razão, as ações e serviços de saúde, no Brasil, são de relevância pública e devem estar sujeitos aos mecanismos de controle social de uma democracia, para evitar eventuais abusos a esse direito. Através do regime democrático, os cidadãos escolhem aqueles que serão seus representantes para o exercício do Poder, ou, em determinados casos, exercem o Poder de forma direta, através dos canais diretos de participação popular da comunidade nas políticas do Estado. Nesse caso, podese citar o exemplo das ouvidorias e dos Conselhos e Conferências de saúde e até de instituições jurídicas como o Ministério Público.

É importante ressaltar que os governos representativos devem, assim, executar políticas que busquem a promoção e proteção dos direitos humanos, sendo que, qualquer política que não tenha essa finalidade torna-se, imediatamente, uma política inconstitucional (ou ilegal), por ser contrária aos interesses dos cidadãos que compõem o Estado.

A implantação de uma gestão democrática dos serviços de saúde é um desafio a ser enfrentado pelo Estado. O Brasil tem avançado muito nesse sentido, com instituições como a Conferência de Saúde e os Conselhos de Saúde (Lei nº 8142, de 1990), mas a democracia sanitária ainda tem muito a evoluir. A plena realização do Direito à saúde depende diretamente da atuação do Estado, já que a promoção, proteção e recuperação da saúde dependem sempre, de uma determinada ação a ser tomada pelos órgãos Estatais, seja essa ação de cunho legislativo: elaboração de leis voltadas à proteção do Direito à saúde; executivo: execução de políticas públicas, como vigilância sanitária, atendimento clínico ou
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hospitalar, regulamentação e aplicação de alguma lei, fornecimento de medicamentos; ou judicial: exercício da jurisdição quando um cidadão se sentir lesado no seu Direito à saúde.

A boa execução de políticas de saúde e a plena realização do Direito à saúde dependem, portanto, de uma correta interpretação desse Direito, que está diretamente associada à aplicação integral do princípio da participação da comunidade na gestão das políticas públicas de saúde, compreendendo a participação na elaboração, regulamentação normativa e execução das políticas públicas.

O Direito à Saúde e a Responsabilidade do Indivíduo, da Família, das Empresas e da Sociedade
Vamos discutir um pouco sobre o Direito à Saúde e a Responsabilidade do Indivíduo, da Família, das Empresas e da Sociedade.

A responsabilidade pelo direito à saúde no Brasil não se limita à atuação do Estado, mas se estende a todas as pessoas. Conforme estabelecido na Lei nº 8080 de 1990, em seu art. 2º “o dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade”. Todos possuem deveres com relação à proteção da saúde – sejam eles deveres individuais, coletivos ou sociais.
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A proteção à saúde exige que cada indivíduo se comporte de forma responsável de acordo com seus deveres. A responsabilidade atinge tanto os comportamentos privados e íntimos do indivíduo quanto os seus comportamentos sociais e públicos. Cumpre ressaltar que o indivíduo possui uma responsabilidade que só é dele, relacionada aos comportamentos considerados saudáveis: acidentes alimentares, cuidados básicos para evitar hábitos exercícios

domésticos, prática regular

bons de

físicos, hábitos higiênicos apropriados etc. A sociedade traça, por meio do Direito, os limites objetivos entre o que concerne exclusivamente a opção individual para a preservação da saúde individual e o que concerne a toda a sociedade. Debates sobre a liberação do uso de drogas ou sobre o limite de velocidade em rodovias, por exemplo, sempre são desenvolvidos de acordo com o princípio da responsabilidade. Sempre que a sociedade considerar que uma determinada conduta deve ser proibida ou condicionada a razão de segurança, o Direito irá estabelecer os limites objetivos da responsabilidade e definir as obrigações de cada pessoa perante a sociedade e o Estado. O princípio da responsabilidade obriga todas as pessoas a responderem pelos próprios atos ou ainda pelos atos dos outros quando responsáveis solidariamente – pais, mães e responsáveis legais. Com relação ao papel da família na proteção do direito à saúde cabe citar, por exemplo, que no caso de indivíduos menores de idade, a Constituição da República, em seu artigo 227, expressa que é dever da família, além da sociedade e do Estado, assegurá-los, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
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convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Isso se torna relevante quando lembramos que a saúde, longe de ser apenas ausência de doenças ou enfermidades, configura-se no estado de completo bem estar físico, mental e social. No que tange à responsabilidade das empresas perante o direito à saúde da população, podemos destacar, por exemplo, a responsabilidade de prestar informações suficientes e adequadas sobre os riscos sanitários de seus produtos e processos de produção. A violação do dever de responsabilidade enseja a aplicação de sanções pelo Estado, que por meio de seus agentes públicos aciona os seus órgãos competentes para que estes apurem a existência da violação e a sua autoria. Comprovadas a existência da violação ao dever de responsabilidade e a sua autoria, caberá às autoridades competentes iniciar um processo para a condenação do autor às penas previstas em Lei. Esse processo de apuração de responsabilidades pode ser administrativo - quando realizado por autoridades administrativas, no âmbito interno de órgãos públicos – ou judiciário – quando realizado no âmbito do poder judiciário. Em qualquer caso, a aplicação da sanção deverá observar os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Destaca-se que a responsabilidade assume múltiplas faces: ela pode ser sanitária, civil, penal, administrativa ou profissional/disciplinar. Em todas essas dimensões da responsabilidade existem normas jurídicas que foram criadas para a proteção da saúde. Tendo em vista o exposto, o Direito à saúde, para ser plenamente realizado, deve contar com a participação dos indivíduos, das empresas, da sociedade e do
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Estado. Neste processo de construção coletiva, compete ao Estado um papel fundamental.

Direitos dos Usuários do SUS e o Papel das Ouvidorias para a Concretização do Direito à Saúde
Conforme já exposto, como um direito social que é, o Direito à saúde exige do Estado a adoção de medidas concretas para a sua promoção, proteção e recuperação. Dentro dessa premissa, os gestores de saúde, bem como todos os colaboradores envolvidos com atenção à saúde devem zelar pela qualidade dos serviços prestados à população.

Em linhas gerais, segundo a Carta dos direitos dos usuários da saúde, divulgada pelo Ministério da Saúde, são direitos do cidadão:     ter acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde; ter um tratamento adequado e efetivo para seu problema; ter atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação; ter um atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e seus direitos.

É importante ressaltar que todo o cidadão tem o direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos. Além daqueles, cabe destacar o direito dos usuários do SUS à informação e ao diálogo com os gestores da saúde pública. Esse direito está diretamente relacionado com a razão de existência das ouvidorias de saúde. Toda pessoa tem direito à informação sobre os serviços de saúde e aos diversos mecanismos de participação. Conforme o artigo 7º da Portaria do Ministério da Saúde nº
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1820/2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários do SUS, o usuário tem o direito à informação, com linguagem e meios de comunicação adequados, sobre: I - o direito à saúde, o funcionamento dos serviços de saúde e sobre o SUS; II - os mecanismos de participação da sociedade na formulação, acompanhamento e fiscalização das políticas e da gestão do SUS; III - as ações de vigilância à saúde coletiva compreendendo a vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental; e IV - a interferência das relações e das condições sociais, econômicas, culturais, e ambientais na situação da saúde das pessoas e da coletividade. Ainda segundo o mesmo artigo da referida Portaria, os órgãos de saúde deverão informar às pessoas sobre a rede SUS mediante os diversos meios de comunicação, bem como nos serviços de saúde que compõem essa rede de participação popular, em relação a: I - endereços; II - telefones; III - horários de funcionamento; e IV - ações e procedimentos disponíveis. As informações prestadas à população devem ser claras, para propiciar a compreensão por toda e qualquer pessoa. Diante dos aspectos aqui apresentados, é possível inferir que o acesso à informação é um fator determinante para efetivação do Direito à saúde. É por isso
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que a Lei nº 8080 de 1990 estabelece que as ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o SUS são desenvolvidos de acordo com o princípio do direito à informação às pessoas assistidas sobre sua saúde, e também de acordo com o princípio da divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário. Ressalta-se nesse contexto, a importância das ouvidorias que, ao fornecerem informações adequadas sobre os serviços de saúde disponibilizados à população e ao serem também instrumento de participação da sociedade na administração pública, contribuem, de forma substancial, para a concretização desse direito.

Chegamos ao final dessa unidade! Se desejar aprofundar mais sobre o assunto, consulte as referências indicadas a seguir.

Conteudista
Karina Alves Ramos

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REFERÊNCIAS
AITH, Fernando. Curso de direito sanitário; a proteção do direito à saúde no Brasil. São Paulo: QuartierLatin, 2007

LEITURAS COMPLEMENTARES Direito sanitário por Fernando Aith. Disponível em:

<http://lucapeconsultores.com/artigos/direito_sanitario.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2012

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