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Ficha analítica

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Sociologia
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Ficha Analítica

Teorias Sociológicas II

Universidade da Beira Interior Ana Raquel Pires Rodrigues, nº 29052 08-06-2012

embora de maneira não intencional. o terceiro grupo seria criado para proteger a comunidade contra perigos intencionais. tais como quartéis e escolas internas. A sociedade procura modos para “educar” os indivíduos que são considerados como não socializáveis. uma equipe dirigente. todas elas obrigadas a fazer as mesmas coisas em conjunto. Mas. tais como cegos. por último. e o bem-estar das pessoas assim isoladas não constitui problema imediato. onde um grupo numeroso de internados vive a tempo inteiro e. hospitais para doentes mentais e leprososários. dividiu-as em cinco grupos: o primeiro grupo seria criado para cuidar de pessoas que. o segundo seria criado para cuidar de pessoas consideradas incapazes de cuidar de si mesmas e que são também uma ameaça para a comunidade. são incapazes e inofensivas. se caracterizam por serem estabelecimentos fechados que funcionam em regime de internação. o quarto grupo seria criado com a intenção de realizar de modo mais adequado alguma tarefa de trabalho e que se justificam apenas através de tais fundamentos instrumentais. de modo mais aprofundado. o quinto. órfãos. Quando Goffman foi estudar. tais como mosteiros e conventos. seria a criação de estabelecimentos destinados a servir de refúgio do mundo. o aspeto central das instituições totais pode ser descrito com a rutura das barreiras e a união das três esferas da vida: dormir. Como eram realizadas no mesmo local e sob uma única autoridade e cada fase da atividade diária do participante é realizada na companhia imediata de um grupo grande de pessoas. Descreva e explique os traços principais que caracterizam as instituições totais. tais como sanatórios para tuberculosos. em horários rigorosamente prédeterminados por um sistema de regras formais explicitas e um grupo de funcionários. velhos. segundo se pensa. segundo Goffman. tais como cadeias e penitenciárias. Quando as pessoas se movimentam em grupo podem ser . exerce o gerenciamento administrativo da vida na instituição. Com esse intuito surgiram as instituições totais que. brincar e trabalhar. embora muitas vezes sirvam também como locais de instrução para religiosos.1. as instituições totais.

2. Os internados de instituições totais têm todo o dia determinado e todas as suas necessidades essenciais são planejadas pela equipe dirigente. Referindo-se ao conceito de instituição total e aos resultados da investigação efetuada por Goffman. dar a impressão de que o “poder” seja uma instituição. assim como as relações entre eles. no qual qualquer incentivo dado ao trabalho não terá a significação estrutural que tem no mundo externo. dirigentes e internos. gerando uma incompatibilidade entre as instituições totais e a estrutura básica de pagamento pelo trabalho na nossa sociedade. Identificam-se os opressores e os oprimidos. estrutura ou certa potência que um grupo detém em prejuízo de outro. um recluso permanecerá revoltado relativamente a um internamento julgado injusto. Esta interpretação da experiência constitui-se nas interações quotidianas entre as pessoas que participam na vida da instituição e os seus . Como instituição totalitária um hospital psiquiátrico estabelece o quadro estrutural das experiências daqueles que aí vivem ou aí trabalham. Cada qual interpretará à sua maneira esta situação. ao passo que um outro o detestará. cuja atividade principal é a vigilância. onde o tempo integral do internado é colocado à disposição da equipe dirigente. Um dado enfermeiro gostará do seu trabalho. Goffman já revela que “poder” é substancialmente relação e que são os lugares que compõem a sua dinâmica. caracterizados pela equipe dirigente e pelo grupo dos internados. enquanto um outro lhe concederá mais facilmente uma razão. Uma das ideias-chave do interacionismo simbólico é que os indivíduos não são meros agentes passivos das instituições e estruturas sociais. Por exemplo. Outra característica refere-se ao trabalho dos internados. Apesar da separação dos dois grupos. fundamente a afirmação anterior.supervisionadas por uma única pessoa. funcionando como uma espécie de escravidão. Os primeiros modelam e os segundos são objetos de procedimentos modeladores.

que se liga facilmente Goffman á corrente sociológica do interacionismo simbólico.comportamentos às interpretações e comportamentos dos outros. Goffman. Interação social. na sua análise. incluindo os mais aberrantes e poder ordenar uma série de observações desencontradas como visão de conjunto coerente. Vai logo debruçar-se sobre as características das instituições totalitárias em geral e em particular sobre a maneira como elas modelam a existência daqueles que aí se encontram. leva em conjunto. contextualizando-os com os exemplos retirados da pesquisa de Goffman: Estatuto social. exercem uns sobre os outros. papel social. Goffman utiliza o conceito de instituição totalitária como painel de análise da experiência concreta dos reclusos no asilo psiquiátrico. Fale (não basta uma definição …) dos seguintes conceitos. Dito isto. Esta corrente concede uma grande importância à maneira como as interações quotidianas produzem as situações sociais. situação social. “eu” ou “ego”. 3. Goffman toma principalmente em conta as interações face-a-face. uma interação constitui a influência que os indivíduos que participam num dado contexto. uma vida reclusa cujas modalidades são explícitas e reguladas. No sentido amplo do termo. Instituição totalitária é um lugar de residência e de trabalho onde um grande número de indivíduos. insiste nas técnicas de mortificação e de despersonalização postas em prática em todas as instituições totalitárias para despojar o individuo da sua personalidade anterior. É pela própria estrutura da instituição totalitária que ela vai dar conta dos comportamentos observáveis. É por isto. modificar a imagem que . como num hospital. colocados na mesma situação. rituais/técnicas de mortificação. Para esta corrente. os atores que estão numa determinada situação social interpretam esta situação e gerem-na em função das suas interpretações elaboradas nestas próprias interações.

Na prisão.possuía de si próprio e dos outros. sempre justificados em nome de princípios como a higiene. a adoção de comportamentos adequados é encorajada por um eficaz “sistema de privilégios”. O estatuto corresponde à posição reconhecida a um individuo num determinado sistema social. O papel corresponde ao conjunto de direitos e de obrigações ligadas ao estatuto. que em grande parte fornece aos reclusos uma nova personalidade e consagra a rutura com o mundo anterior. o pessoal e os superiores exigem dos reclusos uma atitude submissa e de deferência. tais como a reserva aos caloiros ou o batismo caracterizados de rituais de submissão indicam cruamente que eles devem em primeiro lugar fazer-se pequenos. no asilo ou nas forças armadas. as obrigações são forçosamente numerosas e muito constrangedoras. confissões em grupo. Segundo Goffman. Violações de intimidade. o recluso não permanece inteiramente passivo e desarmado perante os constrangimentos impostos pela constituição. antes de revestirem o seu novo estatuto e de serem plenamente admitidos no seu novo universo. é uma longa lista das técnicas de mortificação e de despersonalização. Em todas as instituições totalitárias. Goffman . Nas instituições totalitárias. mesmo nas prisões os detidos aprendem rapidamente os “expedientes” e os truques que lhes permitem obter satisfações autorizadas por meios proibidos. Por exemplo. a fim de levar o recluso a abandonar a sua personalidade anterior e a assumir a que convém a uma longa permanência na instituição totalitária. a segurança. Porém. nas forças armadas um isolamento rápido contribui para a coesão do grupo e para a aquisição de uma nova identidade coletiva. aviltamentos diversos. Cerimónias de admissão. a saúde. uma vez que os reclusos não beneficiam já de um conjunto de direitos normalmente adquiridos no exterior. endossar-lhe um novo estatuto e conformálo ao seu novo papel. o recluso perde provisória ou definitivamente os estatutos que tinha anteriormente e reveste-se como de detido. o amor de Deus ou a Pátria. de doente mental ou de soldado.

O conceito de carreira reside na sua ambiguidade. Elas ocupam um lugar central nas suas análises pois o recluso acaba por ver nisso a prova de que ainda é dono das suas ações no meio onde está inserido. O termo carreira está reservado à atuação de quem pretende aproveitar as possibilidades de promoção oferecido por qualquer profissão respeitada mas. por outro lado refere-se à situação do individuo. Cada recluso tenta adaptar-se como pode às diferentes situações que são vividas na instituição. umas vezes fá-los desviando-se das adaptações secundárias. ao seu género de vida e entra assim no quadro das relações sociais. de interação e de situação social permite ultrapassar algumas dicotomias da análise sociológica: subjetivo/objetivo. individual/coletivo. também é empregue para qualificar o contexto social no qual se desenrola a vida de qualquer individuo. ou ego. do processo de transformação da maneira pela qual o recluso representa os outros e reconstrói progressivamente um novo universo adequado ao contexto de instituição total. Por um lado aplica-se às significações íntimas que cada qual mantém preciosa e secretamente. O conceito de identidade autoriza um movimento de vaivém do privado . uma função chave nos processos de estruturação do eu. às sua relações de direito. 4. como a imagem de si mesmo e o sentimento da sua própria identidade. alguns reclusos instalam-se mesmo na situação e procuram acumular todas as benesses que é possível arrancar á instituição. O conceito de carreira permite a Goffman dar conta da experiência do asilo e.chama a estas práticas adaptações secundárias. Autonomia ou liberdade de ação individual versus determinismo ou condicionamento exercido pelas estruturas ou instituições sociais. mais rigorosamente. de “eu”. Explique como o conceito de carreira (do doente mental).

Por outro lado. o recluso tenta salvaguardar uma parte de autonomia gerindo o que Goffman chama uma distância ao papel desemprenhado. isto é. A própria construção de identidade pessoal é sempre influenciada pelo meio ou pelos outros significativos. Dominada e despojado da sua personalidade anterior pela instituição. É condicionado pelo controle social exercido sobre o recluso por aqueles que o enquadram e pela maneira como ele próprio integra a nova identidade que a instituição lhe impõe. do eu ao seu ambiente social. muitas vezes com o pé atrás. O eu que se pode aqui definir como a representação pelo individuo de si próprio enquanto sujeito aparece profundamente maleável. Este ensaio é uma tentativa para abordar o estudo do eu sob o ângulo da instituição. as adaptações secundárias visam preservar algo do desígnio da instituição e da sua tendência para reduzir os seus membros a um único papel descrito. A distância ao papel desempenhado corresponde ao que na linguagem corrente se designa por reserva. O conceito de carreira pode aplicar-se de modo construtivo a todas as experiências sociais com uma certa duração em quadros institucionais fortemente estruturados. o de doente. na vida da instituição. É por isso que a maior parte dos reclusos se compromete minimamente. o recluso nem por isso deixa de elaborar um sistema de defesa destinado a salvaguardar uma parte de autonomia. Permitem ao recluso reafirmar a sua integridade e a sua dignidade para com e contra tudo.ao público. Goffman vê nisso um elemento central na . um estado de espirito e uma atitude que consiste em mostrar a si mesmo e eventualmente aos outros que a sus personalidade não se reduz aos papeis prescritos. por mínima que seja. de soldado ou de detido passivo. Muitas vezes percecionadas pelos quadros da instituição como atitudes negativas. Prender-se-á sobretudo aos aspetos morais da carreira. que dispensa o recurso abusivo às declarações do individuo sobre si mesmo ou sobre a ideia que faz da sua personagem.

. capaz de adotar uma posição intermédia entre a identificação e a oposição à instituição. Segundo Goffman há sempre uma autonomia individual e sob a perspetiva da sociologia o individuo é um ser capaz de distanciação. como se identifica com eles e como atrofia se eles não lhe fazem chegar o apoio emocional que espera. Os sociólogos tiveram sempre o cuidado em mostrar como o individuo é modelado pelos grupos.construção do eu.

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