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Sindicato

dos Professores da Zona Sul

Exmº Senhor
Presidente do
Conselho Executivo

Caro(a) Colega,

Dirigimos esta carta a todos os Presidentes dos Conselhos


Executivos do Algarve, não só porque grande parte são nossos
associados mas, acima de tudo, porque todos são professores.

Ainda e também porque, se os professores contam com o apoio


jurídico fornecido pelos seus sindicatos, a DGRHE e as DRE.s
contam com os seus próprios serviços jurídicos, as Escolas e quem
as gere, encontram-se desacompanhadas de um aconselhamento
directo e próprio, que defenda juridicamente a tão apregoada
quanto esporádica autonomia.
Não ignoram os PCEs a situação real em que se encontram as suas
Escolas, bem como os estados de alma dos seus professores, tão
decisivos para o sucesso educativo.
Alguns poderão ocultá-la superiormente, outros assumem-na
frontalmente mas procurando todos gerir a situação profundamente
delicada em que foram colocados.

O Decreto Regulamentar nº 1-A/2009 (significativa numeração), não


“implanta” unicamente a versão “simplex” de um Modelo de
Avaliação absolutamente fracassado.
De uma forma verdadeiramente perversa e na impossibilidade de
convencer Escolas e professores, recentra toda a responsabilidade
do processo avaliativo na figura do PCE, tentando, em simultâneo,
fidelizá-lo numa antecipação grosseira do modelo preconizado pelo
D.L. nº 75/2008.

Assim, por força de um mísero artigo (11º), equipas de gestão,


eleitas democraticamente, enquanto tal, descobrem que deixaram
de o ser, sem serem ouvidas nem achadas.
Compreende-se, por isso, alguma precipitação no cumprimento não
só das “emanações” legalizadas do ME, mas também dos
conselhos verbais, mais ou menos cautelosos, de quem lhes
garante as “costas quentes”, enquanto os empurra para a assunção
de responsabilidades que não lhes cabem.
No sentido de os salvaguardar nessa responsabilidade,
desejaríamos realçar algumas situações:

1 – Muito embora a maioria das Escolas tenham utilizado o modelo


de “despacho”, proposto pelos seus “representantes” ao
Conselho de Escolas, com maiores ou menores alterações, a
fixação do calendário previsto no artº 2º do D. R. nº 1-A/2009,
não assume as características jurídicas de uma ordem, pelo
que os professores, que não entreguem os seus Objectivos
Individuais, não incorrem em qualquer tipo de incumprimento.
Não podem assim ser notificados como tal.
Também o prolongamento do prazo de entrega, usado na
notificação, não decorre de qualquer obrigação legal, sendo
mesmo juridicamente duvidoso e enquadrando-se, quanto
muito, na autonomia de gestão do processo avaliativo.

2 – As “consequências” assumidas nessa mesma notificação e que


variam de escola para escola e terão de ser juridicamente
entendidas como exclusiva responsabilidade dos PCEs
Nada os obriga, assim, a declarar se vão ou não definir
Objectivos Individuais para o professor, e menos ainda a
assumir que poderão recusar proceder à avaliação; decisão,
essa sim, que poderia implicar a não contagem do tempo de
serviço e levar os professores a recorrer aos tribunais, por falta
de fundamento legal de tal decisão.

3 – Como todos percebemos, a resposta da DGRHE às perguntas


dos PCEs não tem consistência jurídica, sendo ilusória a
ligação feita entre a “não entrega dos OI” e as consequências
da não avaliação.
É a posição que não compromete a tutela e que remete para as
DREs o trabalho de “persuasão” dos PCEs.
Assim o compreendeu também o próprio presidente do
conselho de escolas (Expresso, 31 de Janeiro), ao recusar
assumir tal interpretação.

4 – O restante texto é ainda mais cínico: ao assumir que todos os


normativos são de carácter geral e meramente indicativos,
remete para a exclusiva responsabilidade do PCE todas as
decisões respeitantes à ADD, obedecendo unicamente à
legislação em vigor, a saber:

DL nº 15/2007 (ECD), Dec Reg nº 15/2008, Dec. Reg. nº 11/2008 e


Dec Reg nº 1-A/2009, pelo que também a reescrita, pela DGRHE,
das fases do processo de avaliação, pretendendo considerar a
“entrega de Objectivos” a primeira, constitui apenas mais um
grosseiro atentado à legislação em vigor.

Colega, remetemos-lhe também a informação do que estamos a


difundir junto dos professores e que completa a nossa interpretação
jurídica deste malfadado processo.
Certos de que, como todos nós, considera aberrante toda esta
tentativa de implementação do Modelo de Avaliação, recusado pela
esmagadora maioria dos professores e que não serve os interesses
da Educação e da Escola Pública Portuguesa.
Certos, também, de que recusará formas ínvias de pressão, que só
contribuiriam, em última análise, para colocar em causa a qualidade
do desempenho da escola, em relação aos seus objectivos
fundamentais: instruir e educar os seus alunos.

Com os nossos melhores cumprimentos.

Faro, 6 de Fevereiro de 2009

‘A Direcção do SPZS/FENPROF

Rui Sousa

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