A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul.Sim. auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás.disse Chris. fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie.ordenou-me ele. antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa. mal corta dos no alto da cabeça. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos. Por que o destino se mostrava tão pers . Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho. . Ele sacudiu a cabeça. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos. Era um homem grande. matizados por tons azuis. Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech. Invadidos por mil e uma ansiedades. Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. perto da calçada de concreto.indagou Chris. .Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. mas você pode tratar de acordá-lo.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar. O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. . Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. o pulso e a temperatura de Carrie.Tire todas as roupas de Carrie. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo. os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. . Paul Sheffield? . .É o Dr. Fitou-nos durante longo intervalo. Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. Beech era sua governanta e cozinheira . desbotado e frágil nas pontas.Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . verd es e dourados sobre o fundo castanho claro. Carrie já recobrara os sentido s.. apesar de escarrapachad o como estava. maldito domingo . conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes. o pescoço arqueado para trás. Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço.replicou Chris.O senhor é o médico. que lera a placa com o nome do médico. postou-se de pé à nossa frente. enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. . e m nossas muitas camadas de roupas. Como o homem contin uasse a dormir. Enquanto eu obedecia. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão.Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer. Com surpreendente graça e rapidez. Relutantemente.ombra.É domingo. Sou o Dr.disse o homem finalmente. Em seguida. . Mais uma vez. Foi ela quem nos trouxe para cá. . Carrie jazia nos braços de Chris. Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão.eram olhos castanhos. com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime. ficou como que hipnotizado por meu rosto. passando a prestar atenção em Chris e Carrie. A essa altura. . Em segu ida. menos as calcinhas . não é? .sussurrei para Chris. eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local. usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela. de modo que ele lhe pediu que tossisse. eng olindo-me em seguida. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia. Aproximei-me vagarosamente. Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés. O homem parecia atordoado. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume. O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra.Ele é um médico . Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos. é claro. muito bonitos. como se tentasse focaliza r os olhos .Há alguns minutos . meus cabelos. os olhos fechados. sentindo-me dominada pelo medo. levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas. Sheffield . Aqueles olhos notáveis me beberam.. Parecia um tanto elegante. . o médico acordou. muito mais alto que nós.quis saber Chris. ergueu as pernas da balaustrada.

Sheffield. . Sou viúvo e. lembrei-me do motivo. no meu consultório. . mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos. no momento. Chris deu-me uma cotovelada rápida.Portanto. . o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria.Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . Lançou-nos um prolongado olhar observador. .Uma vez órfãos. O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos. mas parecia cansado. pois não sou muito dado a elas. Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se.perguntou ele. .declarou Chris em tom de desafio. muito menos duas. como se trabalhasse durant e muitas horas a fio. quando houver necessidade. só desejamos saber a respeito de Carrie. que me caía bem e estava limpo.É bom terem dinheiro . a fim de que você possa desc ansar . enquanto o médico permanecia à sombra.Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! . Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais. Poucos minutos mais tarde. . olhou firm e para mim.Não sei quem vocês são. começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: . estão fugindo . estilo princesa.Ainda são órfãos? .istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? .disse jovialmente o Dr.Sempre usa mais de um vestido aos domingos? . assumindo uma atitude profissional. Se h oje não fosse domingo. Agora. .Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo. . falaremos a respeito de Carrie . tem razão . . . Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie. eu sabia a respeito de médicos. Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho.Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia.disse o médico. . Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris. Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança . Doutor .É uma longa estória. .Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade. muito doente. agasalhando-a com um cobertor leve. Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão. . não tenha receio. . O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos. Mas aquela garotinha está muito.E temos apenas duas malas. eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui.Sim. De repente. o do mingo é um dia como qualquer outro.E. Sheffield. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris.explicou. ainda somos órfãos . principalmente por intermédio dele.comentou o Dr. de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir.respondeu Chris. Então.Carrie . Est aremos aí ao lado. sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia. depois que terminei de vesti-la ou tra vez.acr escentou. . avaliando-nos.disse Chris. Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa. Po demos pagar.Então. atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável. Contudo. para mim. numa advertência muda de que eu estava falando d emais. E enquanto prendíamos a respiração.indagou suavemente.Vão precisar dele... tudo mesmo.Sim. estava usando apenas um vestido azul. em seguida. indicando que eu deveria manter a boca fechada. .respondi.Só nos domingos em que fujo . Po deríamos contar-lhe qualquer coisa. Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. . o Dr. Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais.estava escrito em seus olhos.concordou ele. assim .Somos órfãos . Ficamos perpl exos. Sei que essa mesa não é muito macia.

e Carrie tem oito anos. terá que responder algumas perguntas .Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês. parecia-me tão familiar.Carrie costuma ter náuseas? . batatas fritas com molho de tomate. m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos. ou vocês terão que contar. Debruçou-se sobre os b raços cruzados.disse ele. Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . Catherine Leigh Dollanganger. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos.. como se eu já o tivesse visto antes.Disse Chris. Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos.Agora. Preciso de informações para trabalhar .Ocasionalmente. . magros e com aparência cansada. Precisam falar a verdade.Desconfio de que sua . .permanecemos. meu rapaz. inventando mentir as. . deixem-me fazer mais perguntas. de mãos dadas.Certamente é muito franzina. embora poucos minutos antes. Franzindo a testa.Nossa última refeição foi o café da manhã. Só Carrie. ouçam. usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis. . . Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio .Certo. diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la.Por que não haveria de acreditar? . não posso olhar dentro dela para verificar o que é .Calma lá. mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação.disse Christoph er. Chris suspirou.Se é difícil para vocês.. milksh ake de chocolate. . Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. . Eu diria que nunca teve um apetite saudável.sua voz se tornou mais forte e dominadora. Portanto. port anto. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora. aquele homem sentado à mesa. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. ombro a ombro.Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem . não podem ficar aí sentados.po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado. depois de tudo o que ela fizera. como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo. depois. dizendo-me meias-verdades.Está bem . na defensiva. Já sei que Carrie é subnutrida. mas não com freqüência. o médico anotou tudo.ela precisa me dizer. Agora. me smo nas melhores circunstâncias. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção. fitou Chris. devagar. Ficam aí sentado s. . mortos de medo de contar a verdade nua e crua . . ..Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível.Como ocasionalmente? . . aliviado. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie.in formações completas. na pequena sala de exames.embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo. Carrie comeu apenas um pouco da sua porção. quer o senhor acredite ou não! .. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência.replicou tranqüilamente o médico. O médico olhou para mim ao dizer isso e. Se Carrie sofre de algum mal interno.E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. . Ficamos ambos calados. sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade.Bem. com relógios de ouro e brilhantes. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. Estávamos com medo. Antes. . como poderíamos confiar outra vez? Não obstante.disse o médico co m voz suave.Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã. . É enjoada para comer.Se desejam realmente ajudar sua irmã. Vamos parar de desconfiar uns dos outros. Senti Chris estremecer e estr emeci também. . agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! . hoje mesmo.

jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. Agora. é suscetível a uma infinidade de infecções. . amanhã Carrie será internada num hospital. exagerando. E. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. . Naquela mesma manhã. pois vieram-lhe lágrimas aos olhos.. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris.. protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. Então. pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta. certo dia. No início. partimos de trem para as montanhas Blue Ridge.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo.Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. prossegui: .Faça o que julgar necessário . podemos c omeçar os exames amanhã cedo. Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai. Sua pressão arterial está perigosamente baixa. talvez duas ou três. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou.e sujo. Agora. depois que Papai morreu naquele acidente. . afin al. começamos a perder a confiança nela! . mas por ele. quer vocês chamem ou não seus pais. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do. logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". Pensei amargamente: Não se preoc upe. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? .Espere um minuto! . e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . Naturalmente. Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia .não por ela. chegou uma carta.. mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros. Portanto. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s. quando chegavam nossos aniversários. e por mim. Começou a es crever cartas aos pais.Chegou um ano novo e.A princípio. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade. a confiança e m nós mesmos. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. salada de batatas e galinha fri ta. quando. com o sótão servindo de playground.disse Chris num tom inexpressivo. roupas qu e não se ajustavam. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. na Virgínia. para ferir todos nós. A princípio. naquele verão. imaginando que isso nos compensava por tudo. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is. Todavia. E por estar anêmica. além de dar-nos muitos presentes. Então . Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria. na verdad . Mamãe nem mesmo nos visitou! Então. Nunca tínhamos sobremesa. se a internarmos no hospital esta noite. eles não responderam.E assim. no máximo. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos. ao menos. Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco.gritei. Então. . logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. poderíamos descer para con hecermos o pai dela. ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. Era enorme .como se livros. comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável. camundongos e insetos.. que a amava tanto. e eram fabulosamente ricos. erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. todavia. lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido. íamos perder tudo o que possuíamos. que moravam na Virgínia. que o amava tanto -. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s. pior que tudo. cheio de a ranhas.

mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e. difícil de ac reditar.. de modo que imaginamos poder tornar-nos . . às vezes.E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém. conservar a herança.exclamei. quatro meses e dezesse is dias. repouso. o médico ficou muito calado.continuou o médico. que permanecia sentado. Cathy. Portanto. os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio. Agora. para que ela herdasse a imensa fortuna .não há diárias a pagar. senhor .Agora. Ao longo de qu ase um ano.disse eu.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão. . Doutor .Espere um minuto! . . Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado. . Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento.Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão.Naquele único quarto trancado. . . eu revelara. . girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. . percorremos os corredores compridos e escuros. doutor. . . pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina.e..como o senhor. Cheia de indignação.. é m uito simples. muito ar livre e sol. Quando terminei minha longa estória. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r . não compensava nada! Afinal. Mandar-nos-iam para lares adotivos. Virei-me novamente para o médico: . Talvez eu possa fazer algo para ajudar. . A pro pósito. Carrie é a mais afetada. Falou sem erguer os olhos. mas por nos separarem.Calma. Faça o que for necessário para curá-la. sem saber que estavam cobertas de arsênico. escutem bem: é apenas uma sug estão. tornando-se médico .As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado .mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. . fitando-me com olhos magoados e suplicantes. durante no ve meses. fitando-me com com paixão. Necessitam de boa alimentação. Chris não quer ia fugir. fazendo-a vomitar e a nós também. . Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela.disse o médico. Olhe só para vocês dois: magros. A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida. resolveu livrar-se de nós. enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar. nós vivemos três anos. eu não pretendia falar de Cory. para onde estão indo? .Para Sarasota.Como vê. entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos. suspirando. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações.o mal que aflige Carrie. para concluir -. na verdade. Chris .disse Chris num tom respeitoso. Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão. debilitados..Sim . em tom débil. enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris. na Flórida .. Mas ele não precisava p reocupar-se. que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem.. Que diferença poderia faze r mais uma vez? . . ao mesmo tempo. como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. parecendo muito pálido e fraco.disse o Dr. Sheffield. pálidos. seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa. choque e preocupação.Cuide de nossa irmã. Dia a dia.É um estranho para nós.Um médico como eu. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal . Lancei um olhar a Chris. E nós praticamente as d evorávamos. Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento.É uma estória estranha. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. com seu jeito vagaroso e paciente.Ainda não terminei.Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem.disse Chris..

Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem. .repliquei com rispidez. . tenho dois hectares de jardins. Em primeiro lugar. Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. . . lavando louça para ele. .o Dr.disse ele. podando as sebes. preparando sua comida! Isso não é para mim. senão a Chris.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie. Chris. um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela.interpôs rapidamente. . à forte luz da realidade. Lá atrás. como médico. Sou bailarina.. Quando me tornar uma prima ballerina famosa. Não seria fácil. com os olhos brilhando de desconfiança. . Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. Suas roupas ca ras. ficamos ex tremamente gratos . infantil e afastada da r ealidade. pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário. Cathy pode cuidar da casa. os olhos risonhos lançando faíscas. suave e melodiosa. com um leve sotaque suli no.disse Chris.Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera. desde que realmente desejem mui to. .Não sei cozinhar. parecia mais uma fantasia tola.Vamos . Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta. . não três.expliquei. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente.Trabalh .Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me. Simplesmente pareceu ainda mais entristecido. ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes. Beech . Pelo que sei.Esqueçam o orgulho e a carid ade. ne m manteiga ou margarina.indagou o médico.Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância. encantando-me. pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio. . tudo isso testemunha em favor da verdade. com alguma prática. . não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã. Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? . descendentes de longas linhagens de artistas circenses. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos.Não! .Compreendo .disse ele. . A qualquer momento. Mas não mencionei Cory. . mas não o fez. sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos. Esperei que o médico risse. e para o senhor.acrobatas.Francamente. . com o rosto inexpressivo. eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. . pr eparando os canteiros para o inverno. mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha. que estávamos longe do quarto trancado e do sótão. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. Contudo. Nesse ponto. admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. Afinal. Pago dois jardineiros para ajudarem. . Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada. tendo seus f ilhos.Farei o possível para ajudar a Sra. minha intuição me induz a acreditar no que me contaram. Ainda assim. e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder . os olhos faiscando. Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela.Não obstante. hipnótica. creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram.insistiu ele. os relógios e os sapatos de tênis. mas devo dissuadi-los. . a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar. essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia .Ótimo .Não quero parecer ingrata . contratarei uma cozinheira. como o senhor faz. .. quando meus lábios se entreabriram para falar. Sua voz era impressionante. não aquilo não fazia sentido.

E não precisam pagar-me. como podem ver. Nós o encampamos. sem magoar ninguém . Nenhuma gravura do inferno nas paredes. Com lágrimas no s olhos.Vou cair da cama? Cathy. sabendo como seria! Você. a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu.Precisamos tomar cuidado. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie. arrastando Carrie comigo para o chão.sussurrou Chris.. Em nosso quarto. . deveria saber! . juntaram as duas camas de solteiro. Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava. colandoa ao seu peito. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! . tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris. que passar am a parecer uma larga cama de casal.oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom.Não há o que desconfiar.Esqueça. . se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida . acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha. deitando-me a seu lado. Era lindo.Está chovendo lá fora . Nada sombrio. por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto.Chris.Dê-me um beijo de boa-noite. Cathy. Só então Chris falou: . com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul. Eu desejava levar uma vida boa. quando pudermos. Então. Ele me beijou. mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. isto eu também entendo agora.aremos com afinco e. observei meu irmão recuar ao longo do corredor. num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. Mesmo assim. .replicou ele.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! .Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor. Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama. . Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes. Adorei o quarto que Paul reservara para nós. não foi? . Um Novo Lar Foi assim que começou. . avareza..disse Chris. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós. que diabo está fazendo aqui? . os quatro. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. Cathy . Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. por recordar demais o passado. esgueirei-me para a cama. também. dentre todas as pessoas ne ste mundo. exceto trabalhando na casa e no jardim. como se eu o perseguisse.. Port anto. duas janelas para leste e oeste.Não . Em seguida. co m o passar das noites. mas não o encarei.Cathy.. em es tilo antigo. Não queremos que ele desconfie. Tudo está acabado . Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. eu o beijei. Todo o infern o que eu tinha estava na mente. partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco.especialmente Ch ris. Baixei a cabeça. mas. que tinha sono agitado. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo. Tornamo-nos importantes para ele. retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós. adivinhando mesmo então que jamais acabaria.Falei sério.repliquei. Carrie gritou bem alto: . . Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil. aquela maldita herança. cometemos um pecado.Não acontecerá novamente . compreendo agora. não se trata de piedade ou caridade. O tapete era azul. Isto agradou imensamente a Carrie.sussurrei. Não haverá percevejos em nossas camas. ainda olhando para mim. quando nos despedimos outra vez. Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução.chorou. . Enquant o ele dormia.

. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: . calculista. . e saiu. sem responder. empurrei-o para longe de mim. Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder. Para Carrie. mudaremos tudo na primavera. desejando o que Chris sentia que precisava ter. eu não queria que Chris parasse. Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros . Ninguém par a me reconfortar. Era mau e pecaminoso! Mesmo assim. .Julguei que gostassem daqui .. . estávamos abraçados e ele me beijava. não torne a fazer isto. Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto. Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite. agora o Dr. . Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. e eu. A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando. Paul. espantada. a não ser ao Dr. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou. segurando sua jarra de violetas.disse ele.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. . Ninguém para me dar forças. do tipo parasita. Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam. Voltei para meu quarto e chorei na cama. ou mesmo ousou respirar. Cathy . quando ele interrogou Chris e a mim. engasgado. você bem sabe que nunca mentimos.Não para isto! . não estaremos mais aqui na primavera. irei embora. . os olhos escuros desola dos.De que acha você que sou feito? De aço? Cathy. mas parou e virou-se para me olhar. Paul. Então.Eu gosto daqui! . Era alto. ou mais. Depois.Não pude deixar de contar. . Na primavera não mais estaríamos ali. Nenhum de nós dois se mexeu. que resultara em sua morte. . . desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade. não fiquem assim. Fitei-o. embora não quisesse. como temíamos a princípio. a parte pensante.Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto . Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho. Bailarinas em quatro posições diferentes. Não contei a ninguém . .disse Carrie. Portanto.Todos nós gostamos daqui. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar.Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente. supostamente de pneumonia... . Carrie ficou sentada.Dr. Não revelei o s egredo de vocês. com um metro e oitenta e cinco. Ele meneou a cabeça. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. Ora. pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados.Você veio. . enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. prestes a sair. mas não devemos a busar para sempre da sua bondade.Se não gostam das cores.Carrie. ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse. O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital. No início. sem que chegássemos a per ceber como aconteceu.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou.Contou a ele? .respondi depressa. Ele estava junto à porta. enquanto eu me obriguei a dizer o que devia.disse num tom tristonho.disse ele. Então. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas.

que era tão malditamente cheia de não-me-toques . A essa altura.Sim. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado. terminou! . por ser do sexo masculino. nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses. Então.. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez. Apenas magra demais. nua e co berta com um roupão de papel. E sou muito boa leitora de olhares. . mu ito pálida e ligeiramente anêmica. Paul me olhavam de modo tão esquisit o.. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão. Quer que ganhem músculos e não banha . o Dr. Beech . seus largos sorrisos.Carrie ficará boa? . ao fazer tal afirmativa.Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? . O senhor não acha. Mas. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade..m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três. mas devagar com amidos e sobremesas. com as mesmas sensibilidades. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira. Vou receitar vitaminas especiais para todos três. pois quando fiquei deitada na mesa de exames. duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos.a menos q ue tenham alguma objeção. esperanças e temores que todos nós. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala. Corri de volta à cozinha. .Não gosto de ter médicos me cutucando. parece colocar também uma viseira sobre os olhos. Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. embora. Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. e. Beech . eu já sabia que ela sofria de mudez congênita. . embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. ela ficará boa . Preocupava-me com isso. me nos que você. Menina-Fada. vagando mudamente d e um lado para outro. Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr. parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia .. Quando ele veste aquele comprido avental branco. Você me parece bastante normal. acima de tudo. . Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente. Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. A Sra. . iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada. . não posso perceber o que está pensando.Não que eu possa perceber.respondeu ele com um s orriso. mas insistiu num número ainda maior de perguntas. Nada de Sra. num estilo muito abreviado. Então.por mim . o que era algo notável para uma criança como ela.desde que não se pendure em trapézios . Eventualmente. Beech. Eu adorava Henny. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam. Sr a. Perguntas embaraçosas. Beech redigiu outro b ilhete. não há nada errado comigo. Beech estava preparando o jantar.sussurrei. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. Go sto mais do Dr. deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas.escritos com a rapidez do raio. sufocada de alívio. bastante car ne magra. Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra.exclamei. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny. aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes.até mesmo Carrie. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse . de agora em diante sou apenas Henny. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica. . não é? . Agora. quer o dizer.Puxa vida! Graças a Deus.Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã . estava olhando para o outro lado . comia com entusiasmo. enquanto eu continuava a descascar as batatas. Com o avental amarrado em torno do c orpo.Na verdade. Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. a Sra. Portanto. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. Chris também.

. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos. sorria: .. Isso não passa de um sonho tolo. fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze.Acha justo testá-lo dessa maneira? . Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina. ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente. . empoleirado na balaustrada. Então. o Dr.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida. Paul por perto.Paul Scott Sheffield era um homem estranho. se o Dr.Chris. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos. Simplesmente não podíamos permanecer. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus.Sei de tudo isso. se ele real e sincer amente nos quiser aqui. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. De certo modo. Cathy. Chris franziu a testa. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você. .respondi sem muita convicção. . Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . .Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . quando nos separamos com relutância. fitando o espaço. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr.Oh!. Chris: não podemos trabalhar num ci rco. Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar.. Chris sentou-se a meu lado.Sim. ele está tomando meu lugar.Vamos testá-lo. mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie. O olhar dele a acompanha por toda parte. Perdi uma família. tornando-me íntima. ruminando o assu nto. limpo... Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos.Eu sei. E está com a razão. tão disponível. Paul.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante. depois do jantar. feita sob medida. você era o homem.Sim.aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho .Quando vi víamos trancados. o chefe da casa. mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. Aqui está você. ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco. aproveitando-nos da bondade do Dr. Nós três também usávamos suéteres. Você sabe. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior . en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris. . Já tínhamos aceitado demais. Depois de refletir bastante. Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos. e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis. educado. . Para ser sincero. Cathy. Na noite seguinte.Chris . Paul disser a coisa certa. você ficará? Ainda com a testa franzida.. chorei muito por ela. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. usando um suéter vermelho tricotado à mão. agora que Carrie já estava bem e podia viajar. será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. Era mesmo? Que fascinante saber disso! . . Não obstante. Já fazíamos planos para partir d entro em breve. calças esporte cin zentas. . É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos. e tirando baforadas sonhadoras do cigarro. ele é apenas solitário. Os jardins de Paul e .disse eu naquela noite. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris. jamais conseguirei esquecer. quero dizer. Chris corou. respondeu devagar: . Depois da festa.Chris. para ver Chris atingir seu objetivo. menos matar alguém. pois a noite estava fria. . Não éramos dados a procrastinar. . sab endo que seria capaz de qualquer coisa.

desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador. . receoso de acordar e verificar que v ocês se foram. .Bem . solene.Não. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. Por quê? A pergunta parecia zombar de mim. Fiz quarenta anos.E pior. . linda. Suspirei com o vento. Era óbvio que levava a sério a situação. em meus sonhos. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés.Estava observando seu suéter vermelho . como se ele já conhecesse meus segredos. aumentando a coleção. Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. Cathy. ainda assim.ram fabulosos. com três metros de largura. seus olhos cintilantes encontraram os meus. como patinhos escuros e ressecados. obrigando-me a suspirar outra vez. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m. com Henn y..Por que enviou o presente pelo correio. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida. sob uma lua que parecia o olho irado de Deus. Chris .Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo. Tenho temido cada amanhecer. Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora. com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante. de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. anteriormente. graciosos e em poses elegantes. o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados .pergu ntei. em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo.. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. Paul. encolhidos nas t elhas frias de ardósia. ma s. não foi Henny. que Carrie já melh orou.Doutor. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência. caso Henny ainda não lhes te nha contado. Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. Gostava de ficar ali com Paul. Eram nus clássicos. de sensualidade. Com um sentimento de culpa. baixando os olhos para o belo suéter. Paul.começou ele. Amanda. . Na última vez. prevenindo-me para não dizer algo diferente: .arqueando-se sobre um pequeno riacho .interrompeu o Dr. .. .. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava. Minhas pulsações se aceleraram. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. . . . ..disse o Dr. Ao que parece. que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . de Rodin.Parece perturbada. desejáve l. tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo. levavam a um níve l inferior. ainda assim. Não desejava partir.Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem. todas as minhas rosas são de espécies antigas.Um momento. Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três.Não julguem. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio. embora isto talvez nos leve al guns anos. pois já estivera ali muitas vezes. em vez de trazê-lo pessoalmente? .Portanto. Os dedos de Chris apertaram os meus. que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. Se ele estiver vivo. Rasos degraus de mármore.Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho. Chris tomou a palavra: . Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele. dist ante. não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente. por um segundo sequer. de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. Folhas mortas corriam pelo gramado. devemos seguir nosso caminho. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa. . Ela mora no outro lado da cidade. necessitarei do seu .respondi tolamente. acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas..

Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário. sem saber ao certo o que eu desejava.. senhor. Ser jovem e sozinho.Dentro de poucas semanas. mas ele não chegou. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto. .O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência.Tem sido maravilhoso! . Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos. apenas d ois patrulheiros rodoviários.disse ele suavemente.Temos um ao outro . Durante todo este tempo.disse o Dr. . quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo. quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado. . . sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram. .Você me contou. Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida..sussurrei. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos. Paul num tom estranho. como nosso pai? . Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar...Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos. Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse. confuso. Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça.. ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. . além da espos a. .indaguei.Oh! . presentes.Morreram num acidente. ela perderá toda aquela fortuna. acrescentou: . como se para testá-lo ainda mai s. nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos. tenho sentido falta de uma família. teria que cumprir a intimação num prazo de três dias. e mais feliz. Paul prosseguiu: .Num acidente . Tinha apena s três anos quando morreu.se u tom persuasivo tornou-se tristonho. as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda. Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui.exclamei. um acidente de automóvel. também. sem amigos. com pouco dinheiro. . chegará o Natal. Se ela não comparecer...declarou Chris em tom firme. . nunca mais! Ele prosseguiu. .respondeu ele bruscamente. o tribunal me garantirá a tutela permanente . oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim. Paul me tocaram. Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém. bem como do de sua mãe. com olhar suave ao perceber meu constrangimento: .. que vocês são um grande benefício para nós. Portanto. assim como eu. Não estou mergulhando às cegas nesta situação.Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty. O evidente remorso e sofrimento do Dr. se assim desejar .E existe algo mais em que o senhor deve pensar.Mas não de automóvel. mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas. E quando o destino se intromete e assume as decisões .Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês. sem instrução adequada. Se ela residisse neste estado. . Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. Paul: . . olhando para mim e não para o Dr. com bolo. sem família. também. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário.e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados.consentimento. eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. a fim de que pudesse trazê-los para mim. Ela acha. fitando o médico diretamente nos olhos. será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela. Então.Não pretendo casar-me outra vez .Portanto. nunca me acostumei novamente a ser solteiro .Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu. Cathy .Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho. Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente.Sim. .mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião. . Desde a morte de minha esposa e filho. prosseguind o com ar abstrato: . .

Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. acariciando-me o rosto. o brilho suave e cálido nos olhos do médico. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas.Eu também amo você. que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume.Não quero ir! Eu amo o senhor. E você. Paul! . beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. M as talvez Carrie tivesse esquecido. começou a parecer mais leve. Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que. O Dr. de tão sobrecarregado durante tão longo tempo. .Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante. Portanto. darei a cada um uma mesada. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. que será dividida em parcelas semanais.Nunca vi Papai Noel. Dr. ficaríamos. havia anos. Só conseguimos fitá-lo. por um segundo que seja. Carrie. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie. Eu queria ficar. que será uma vida saudável e feliz para Carrie. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. . O Dr. Ficamos. perplexos por ser ele . para não falar em Carrie e em mim. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. Não estou procurando persuadi-los a ficar. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. como os seus. Tudo ali me encantava: o ar. dando-nos t anto amor. Ele recusou: . segurando-a no colo. Cathy. começou a chorar. talvez não fôssemos brotos cont aminados. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes. . decidam .gritou. A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana. E. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico. justamente quando está quase atingindo sua meta. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. produzidos pela semente errada plantada em solo errado. o mais perto possível de Chris. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. dourados com manteiga derretida. Mas não fomos Chris e eu que decidimos. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel. pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. E não julguem. Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola.soluçou Carrie. Sei que vocês acreditam que ela não virá. boquiabertos. creio que foram as roseiras ainda em flor. ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. Jogou-se contra ele. quase frenética. Mesmo que ela não tivesse decidido. mas nun ca se pode ter certeza. Fiquei sentada na balaustrada. Claro que vira. Paul ergueu-a. reprimida por tanto tempo. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. Jogue fora todas as longas horas que passou estudando.Guardem o dinheiro para vocês. pois farão o que desejam e o que têm de fazer.. As brisas do sul continuavam a soprar. De repente. Paul o dinheiro que nos restava. Foi Carrie. apesar de estarmos no inverno. mais do que tudo que o médico dissera. Falou olhando para mim.E quero ficar aqui para o Natal . Mas ele não olhou para Carrie. Chris . Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr. Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. nem uma vez. . desabafando sua dor por causa de Cory. minha mão na dele. Tiveram muito trabalho para consegui-lo.

Tentem no departamento de bebês .outra vez. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita.sugeriu a loura impiedosa e petulante.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! . a cabeça atirada para trás. o que sabiam eles.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino.Cathy. Afinal. Chris. atônitos. Atordoada e esfuziada por tanta coisa. Chris riu de minha indecisão . A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente.Meu Deus! Que aconteceu agora? . para nós. . sapatos de verdade. Mesmo assim. além disso. Poucos dias antes do Natal. que caiu fragorosamente. Paul dec larou num tom impaciente: . experimente tudo que gostar. Enquanto você faz isso. Roupas de be bês . com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas. . em janeiro. ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho. pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. olhava isso e aquilo. cujas aulas se iniciariam. o teto era uma cúpula de vidro. Homens. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. como se nos estivéssemos aproveitando dele. . e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. vermelho . incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. impressionados.Querida. Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação. lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto. gente fervilhava por toda parte.Não posso ir à escola com roupas de bebê! . Então.ao noss o Doutor. Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa. assustaram os fregueses. Sorriu graciosamente para o nosso doutor. corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a.indagou Chris. seríamos crianças normais. Esta se mantin ha ereta. Paul procurou consolá-la. uma capa e chapéu de chuva. desejando muitas coisas e teme rosos de que ele. Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo. Além disso. .continuou a chorar. afinal? Obviamente.tão generoso conosco . enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop". Com extremo cuidado.Pelo amor de Deus.eis o problema. com os pés afastados um do outro. o mesmo acontecia a Chris. Carrie e . perplexo. saboreando nossos olhares espant ados. bem como um g uarda-chuva. Ficamos encantados. por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não . com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos. Eu sabia o que ele estava pensando. . passei a andar em círculos. tentasse satisfazer todos os nossos anseios. selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . todos eram grandes demais para ela e. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie.disse-me ele.. ao perceber. que pareceu encabulado. Port anto. eu pre cisava de um casaco. enquanto terminam os aqui. Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. enquanto o nosso médico permanec ia estático.Vá em frente . Percebi que ele nos observava. Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas..nada de cores de bebês! Dr. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes. eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis. quando eu já começava a me sentir relativamente segura. . Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas. enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha.

. quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. depois de Chris para a balconista. Eu ganhava cinco dólares semanais . Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul. parecendo aliviado. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos. enquanto o Dr.se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. sendo eu o que era. preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar. uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem. Quanta lealdade! A mim.Cathy não sabe fazer boas roupas .e. Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então. Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora. aquele dia foi celestial para nós. Naquela época. além de tudo isso.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas. com solas de couro.Uma solução perfeita! . azuis e cor-d e-rosa.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico..declarou ela. Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava.Não quero ficar arrasadora! . Não obstan e. Encontrei Clairmont. olhando alternadame nte de mim para o Dr. Carrie hesitou. também. Chris. Tão logo me fosse possível. Paul entusiasticamente. alg uns dos melhores anos da vida . Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom. A despeito da costura que eu teria de aprender. Paul. Mamãe nos dava roupas novas. Carrie? . Voltamos para casa carregados de presentes. . . porém.Você nada sabe a respeito de ser uma garota .quero apenas cores brilhantes. Você ficará arrasadora! .conseguia engolir. sem roupas novas. ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço. movida pelo remorso do que nos estava fazendo.sorriu o Dr. observando-me com a mais estranha das expressões.indagou rispidamente Chris. Deus nos levara a morar ali .O que há com você. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente. Paul.E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela. .exclamou o Dr. . era coincidência demais. meu primeiro sutiã . privando-nos de uma infância norm al. lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente.Cathy só sabe dançar. . Cada um de nós usava sapatos novos.para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall. Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça . com ar zombeteiro.. .repliquei com ar de superioridade. . jogos e brinquedos . Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família. Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas. que tal comprarmos alguns vestidos amarelos. perto de Mamãe . Paul se mantinha de lado. nem de base. heim. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento.e Cory numa sepultura. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie). vermelhas e azuis brilhantes.Porta-se como um bebê. que ensinara Cory e Carrie a escrever. nem de sombra ou delineado r. pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . não havia ninguém para apreciá-las.. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo . mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. com pouco auxílio p or parte de Chris! . . Carrie? .Enquanto isso. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. . Eu era uma bailarina. O violão de Cory estava no canto. insegura. após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros. Anos perdidos. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto.

Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado.eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos.. Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. Carrie fora tão bem proporcion ada. tão perfeita. . . que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina. uma acusação de homicídio. Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões. não consegui mais falar. levantou se e saiu da sala. mas era muito franzina. dirigida por uma excelente equipe. Por dentro.concordei sem entusiasmo. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. sem demonstrar admiração ou aprovação. como buracos de agulha. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul. e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos.ch orar de verdade. Como se daria numa escola pública. Ensinou-me a f azer biscoitos.está bem? . creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. inclusive a massa. Que éramos nós. pingando no berrante vestido vermelho. tinha quase certeza de que ela não viria. mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar . fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas. Então.explicou o nosso médico. embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu. O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão. De repente. Ela não nos queria. o rosto inexpressivo. Lançou-me um olhar significativo. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento. Mantive a cabeça erguida. Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico .Pretendo matricular Carrie numa escola particular . Henny não podia falar. Ao não aparecer. no meio do ano letivo. mordendo a língua para não gritar. Tive vontade de chorar. fazendome sentir pena de todos nós . afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . De algum jeito ou maneira. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr. mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. quando ela viesse à Carolina do Sul. Paul e de Henny.. Carrie estava enrosca .seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . Vi o lindo rosto de m inha mãe. De repente. e.nem a de Paul. percebi que ela também chorava. Todos aqueles anos perdidos. Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. Olhava-nos com a testa franzi da. eu p arecia uma corda de violino. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde. . mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto. difíceis de suportar? Além disso. bordado de crivo e de lã. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr.Claro . Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele. havia a cadeia.Não chore. senão pesadas cargas. Carrie era nosso maior problema. Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra. crochê. usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz. Esperamos uma eternidade. onde as crianças ne m sempre são bondosas? . e esperamos. Você tem boa vista. Fora isso . limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas .Sim. Vi Chris e eu quando crianças. ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão. jamais esquec eria ou perdoaria. Sabia ler e escr ever. Paul. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis. pensativo. Já que faço parte da junta diretora. Vi Papai. haviam-na tornado tão franzina. eu fugira de Foxworth Hall. Em certa época. correndo ao voltarmos da escola. Bum! O punho de Henny batia na massa.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo. Henny.U ma ótima escola para meninas. Paul. Quando ergui os olhos. Contudo.

CFS . Quando se desej a derrotar alguém. porém. como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. não esqueceria. apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez.exclamei. Não comeria a maçã envenenada. Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa .Cathy . sólida. Quando eu me for para a faculdade . Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal.repliquei amargamente. Creio que ele disse: . Agora. compreendi que ele sangrava interior mente. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. digna de confiança. Os contos de fadas podiam tornar-se realidade. a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes.e excitada também. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. precisarei de algo a que me agarrar. tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los. que a tranqüilizava com carícias. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada . não hesite. . . Naquela noite. Tentaria esquecer nossa exis tência. eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". olhando também para a luz. só isso.Uma explicação razoável para assassinato? .sussurrou ele. Dê-me um pouquinho mais. lancei -me neles. Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. mas ele insistiu. Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor. Murmurava meu nome repetidamente.. Olhos tão cheios de vida. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos. Eu entenderei. Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior.e esta era a par te mais triste de mim mesma. .Chris! Não me ame. Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido . Quando me aproximei. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. ele encontraria um roupão novo. Levantei-me e saí para a varanda do andar superior.Não importa. sobretudo. a fim de olhar a lua. enroscando-os. o lado mais alegre e mais feliz. vocês me têm por pai e Henny por mãe. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita. Bem. ele tornou a me abraçar. Enquanto eu viv er. Amor. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia. rezando. tencionando surpreendê-lo..pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth. murmurando-lhe a lgo ao ouvido. ou algum obstáculo para dificul tar as coisas. tudo está bem. que era como meu próprio filho. Nada mais. Estavam acontecendo conosco. E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança.Não! Pare com isso! . também. Quando você se for. Chore bastante por mim. Deixamos que a fé. por todo o amor que ela nos dedicara . nunca lhes faltará nada. Vi Chris postado junto à balaustrada. Sem pensar. sibilei: . Seus olhos azuis buscaram os meus.Quero apenas abraçá-la. Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar. chorei. . os olhos brilhando.então.Se tem vontade de chorar. Chorei mais por Cory. uma palavra de sentido tão amplo. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço. Cathy. por favor . O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós. ele se voltou e estendeu os braços para mim. que Mamãe viesse e. de algum modo. com seu monograma bordado no bolso do peito . Eu providenciaria para que não esquecesse. assim como eu.da como uma bola no colo do médico. De algum modo. Chris. abraçando-lhe o pescoço. Naquele mesmo Natal. que você levou e nunca mais t rouxe de volta". embora já estivesse pequeno demais. Cathy. . uma bruxa a ser vencida. Eu est ava esperando. Furiosa. e acariciou-me as costas. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. Antes que eu pudesse responder. Enfiei os dedos em seus cabelos. mas de Sheffield. Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e. Avancei nas pontas dos pés.

Vocês já con hecem Hennetta Beech. . Ficou divino naquela cor. batendo a porta e trancando-a.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. deitando-me mais uma vez na cama de Chris. Para o bem dele.explicou ele. . encantados. . naturalmente . espalhados sob ela. emudecida de felicidade. que lhe caía maravilhosamente bem. Chris. Henny segurou o vestido na frente do corpo.disse a dama que parecia uma bailarina. Os bailarinos no palco não eram apenas bons . Naquela noite. Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. no centro da terceira fila da platéia.Sim. al i e agora.inclusive Henny . Não consegui adormecer. dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja. . falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca.Você jamais se livrará de mim. Ele não permitiria que isto acontecesse. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera.Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . que dançou o papel principa l. Ouvia-o chamar-me. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny . acompanhei Paul aos bastidores no intervalo.. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém. Cathy. que me aguar dava deitado. Como num sonho.Não! . de qu em lhes falei.proclamou Chris.Não ente ndo muito de balé.Cathy era principiante quando fomos morar no sótão. Este é o irmão dela.. Não podemos cometer o mesmo erro. Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal. Compreendi que estava refletindo.Adiantado! . . Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. será você e eu. estavam cinco entradas para o Quebra-nozes. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. não alcançaria mais sucesso. Recuou.penteado para trás . com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos. abertas em leque na sua mão grande e bem conformada. pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco. veio a maior de todas as surpresas. Todas as amigas ficarão com inveja". pulei da cama e corri de volta a meu quarto. Jama is haveria outros. não era. Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. Ele me abraçou com mais força e ficou calado. . Cabia-me romper o laço. E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe.Não! Mas eu o beijei. Também dão aulas a alunos principiantes. Em que nível você está? .sentamo-nos.Esta é minha tutelada. Georges . Jamais. Uma mulher o magoara p rofundamente demais. a fim de nos sentirmos limpos. todos nós . Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. como é costume das bailarinas . Ali.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita.eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet. E esta beleza mais jovem é Carrie. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! .. Catherine Doll. Não podem os ser como nossos pais em duplicata. Depois. médios e adiantados. enquanto eu só conseguia fitar Paul. Então. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas. A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e. desejando-me. O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares. . Enquanto você viver. Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s. Só conseguia confiar em mim. muito vulnerável.Sim! .Madame.

.Que idade tinha ao começar? .Sim . pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco. de modo que nunca dup lica uma dança.porque ela acredita.Exato. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente. . .Você também é bailarino? . Então. . desconfiada: . Ela não apenas da nça um papel. Muito.Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem. Dois pares de olhos negros examinaram-me e.suspirou tristemente a madame.Ah! que pena .Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos.exclamou Madame Rosencoff. um bolero de pele de leopardo. ou apenas medíocre? . ela é o personagem. Georges. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.exclamou ela.indagou a madame com algum desdém.Mais que onze anos de aprendizado profissional.Quatro anos. como se tiv esse um "u" . Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito.às vezes sai do compasso da mús ica. espere um momento! . .E agora tem.Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? .Não sei.? .respondi com voz sumida.explodiu Chris.Bom. . Formavam realmente um par. dezesseis em abril. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris. temerosamente agarrada à minha mão. agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar. Sobre a malha preta.perguntaram a meu irmão. com os pés pregados no chão. Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece.Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar."daunça"). voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão. por cima de tudo isso. saboreando-lhe a intensidade do relato. Esboçou uma expressão desdenhosa. . aparentemente embaraçado. tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . Cathy sempre varia um pouco. uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara . Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? . de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros.Ah! . franziu a testa. esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas. usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e. esta noite. parecendo vermelho e muito zangado.Você é uma autoridade em balé? . Paul. . . seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia. estudaram Chris. . mais e mocionante.Chris pretende ser médico .Ora.. . . . como se Chris tivesse perdido o juízo. . Com que idade fez pointe ? . . depois.Você é excelente. improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita. a menos que sejam excelentes.Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado. .respondeu Chris. era um homem calado.Então.Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança.. suada e encabulada.Não! Não danço . . . Seu marido .Maravilhoso! .Não vi naquele palco. Lançou um rápido olhar à pequena Carrie. faz-nos acreditar . Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: .e amarrado num grande coque. Portanto. e ignorou-a c om a maior naturalidade.disse ela. . magro mas robusto.explicou o Dr. E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance. muito bom .Farei.Doze. deve ser apenas medíocre.

você dançará para mim no meu estúdio. Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil. rebocando o marido. Tinha que mostrar a Mamãe. ou filha de Demônio.Pensei que você tivesse esquecido . ali deitado. Sei que rejeitarão! . Só isso.Esta noite.disse ele. deitei-me a seu lado. pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés.Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão.murmurou Chris sem me olhar. como os de nosso médico. retirou-se do quarto.Amanhã é cedo demais . inclusive em pontualidade. Ainda era noite. nem malhas.está apenas amedrontada.a melhor bailarina do mundo! Debati-me. Chris era tão lindo. sentir-me irresistivelmente atraída para ele. Acordei. mergulhei e emergi de pesadelos. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração. Em meus sonhos. ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses. deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. nós as penduraremos bem alto. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas.solucei. Era o que costumávamos fazer quando crianças. .Já vi você nesta c asa. virei-me na cama. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola. . Amanhã seria meu grande dia. Embora eu devesse saber que não estava corr eto. E fui deixada cheia de ânsia e desejo. deitado no chão.que não admitia desobediência. para podermos deitar-nos embaixo. Trate apenas de estar lá . dominada por mil e uma trepidações.Amanhã. fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada. No escuro. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco. Era ape nas eu .hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris. ou corrupta. à avó. deixando-me atordoada. E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança. abraçando-me com mais força. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo. vou ajoelhar-me e rezar por você. a Chris . lentamente. . . eu fazia tudo errado durante o teste e. . no sótão de Foxworth Hall. Ela continuava jov em e bonita. Tudo aquilo fora deixado para trás.Normalmente.a todo mundo! Eu não era má. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura. Naquela noite. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica. Eu sei e você também sabe.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. para fazer um tes te. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. Com isso. o que era pior. com os cabelos louros mudando cons . Madame Rosencoff se voltou para mim . . Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. nem sapatilhas.Dar-lhe-emos todo o ne cessário.Ora. desajeitada. . Não era um pedido.Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. Olhei par a a árvore cintilante. Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios.Estou destreinada . Você não está rígida ou destreinada . mas uma ordem .disse ele. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. a Paul. há uma hora em ponto. Então. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente. Es tarei rígida. perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet. . nada menos que isto me serviria. coberta de jóias e peles. e eles me rejeitarão. .Não tenho roupas. Cathy . acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. Por algum motivo. . elegantemente trajada. chorei nos braços de Chris. de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. O modo como ele disse aquilo preocupou-me. Catherine .e não se atrase. fitava os galhos da árvore. ou até mesmo anos. o bailarino. . que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa. deixe disso. que parecia irreal.Sinta-se lisonjeada. . Eu tinha q ue ser a melhor. fui medida. E veja o que acontec eu. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente.repliquei. . Chris. Boquiaberta e emudecida. pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. No futuro. segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus.

gemeu ele.um beijo tão suave. .sufocou ele.Nunca haverá ninguém para mim. Movi a cabeça para trás.antes que eu gritasse de repente: .de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem . permanecendo ali. agora. depois. mas não conseguia. . . estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante. Prend i a respiração.Tenho que ser médico . de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu. ... Recordarei es ta noite com você... eu sangrava e sen tia dor.Não.tantemente de cor. arqueando o pescoço. dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno. Recomecei a soluçar. começou a crescer. cometo loucuras! Por favor. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes. Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça. se você faz parte de meus ossos . . bem n o íntimo. nem sei o que fazer! . às vezes.Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. Está linda nessa camisola branca. comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço. ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama. olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa.exclamou ele.Então. . Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. Aproximou-se de mim. até que nossas testas quase se tocaram. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse..suspirou ele. Aproxi mando-se ainda mais.. Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito .Como são lindos os seus seios! .sussurrei.Eu a amo . quando ele virou a cabeça para fitar-me. Você não desistiria da dança. .e as jóias da coroa da Inglaterra também. .disse com voz tensa. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul. Uma doce paz me invadiu.não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura. Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos.Cathy. mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse. Seu hálito cálido me acar iciou o rosto. o fogo entre nós aumentando.e. quando meus lábios tornaram a encontrar os seus. agarrando-me mais a ele. fique! Chris. Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios .. Por longos..Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor. tão divino . . sob a árvore de Natal.. a não ser você. . só prazer. .Lembro-me de como seu peito era chato e. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos. Queri a afastar-me dele. não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida. Você era tão tímida com relação a eles. . descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado.Não! Seria pecado! . Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço.. Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão.Chris. que desejava tornar-se mais ousado.Vejo doçura em seus olhos . .Então. e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha . Cathy. vamos pecar! . observando-o beijar-me os seios e.Eu a amo tanto que.. seus olhos também brilhavam. isso é o que vejo nos seus. esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados..Você parece. por favor. .. não é mesmo? Eu não sabia. sem você! Às vezes. quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura . você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos. Quando o beijo terminou. Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena.Cathy. estremeci. mas você. intermináveis momentos esperei que ele se afastasse. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e.. necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento.Não me beije outra vez . .

sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. não me olhe assim. pratos. respirando mais depressa até ficar ofegante.. Depois. Eu não era como minha mãe.então. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. rolando na cama para sair de baixo dele. então. sentei-me e. lutando. O Teste Era o dia seguinte ao Natal. Carrie é capaz de dormir durante uma batalha. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. para não gritar. várias latas de atum. . Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. Se fracassasse. primaveril. ir embora e deixar-me sozinha . que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . . que jam ais poderia florescer. Eu não queria aquilo.Não! Sou sua irmã. . e seu quarto fica perto demais do de Paul. nunca mais deveria dirigir-me a ela. se fosse aceita..disse ele entre beijos.Chris. entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. de repente. Numa fração de segundo.Sinto muito. .só uma vez. que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades.Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico. por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama. para durar pelo resto de nossas vidas. copos e talheres. deitada de olhos abertos em minha cama. Ele fitou a caixa de doces. suco de tomate.O inesperado abrir de seus lábios quentes. Solucei nos braços de C hris. Cathy. Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo. Tapei a boca com ambas as mãos. .protestei. .Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. laranjas. Christopher! Ele se aproximou.Então.Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão. Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão .bradei furiosa. no meu quarto. ervilhas.Pare! . maçãs. ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade. . subiu cor rendo a escada dos fundos. deitado junto a mim. Então. . mais um abridor de latas. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro. Em meu irmão. Tirou min ha camisola e o seu pijama. recomeçou o que iniciara. Chris pegou-me nos braços. lançou-me um olhar magoado.. um pão. Não queria que se repetisse! . Embarcamos t odos no automóvel do Dr. .só mais uma vez. Esbofeteei-lhe o rosto! . Caí no chão. enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito. Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes . deixe-me amá-la apenas mais uma ve z . para durar até o fin al de nossas vidas. Chris estava no chão comigo. terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff.. sempre vivo. Geor . bateram em algo sólido. a resposta se rá sempre não! Calei-me. Rolamos intermi navelmente. Foi o que det eve Chris.Não! . meio quilo de queijo. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. Mais tarde. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. O marido.sente medo de sermos castigados novamente. Não desejava dizer aquilo.Aqui não . À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna . Madame Rosencoff disse-me que. Antes que eu me desse conta do que acontecia. Ele nos escutaria. eu já encontrara o amor eterno. recatadamente.Lá em cima.Não haverá vida para mim se eu não for médico. duros como pontas de metal.Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça. O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. usaremos o seu quarto. dois corpos nus que. por qualquer nome. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também.

telegrafan do-me seu orgulho. Venha comigo . sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. poderia avaliar o que eu deveria fazer. . Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes.disse ela."A Bela Adormecida". (Tive a impressão de que o marido jamais falaria. Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. não minha pedra ímã. Tinha pernas fortes e musculosas. adivinhei que escolheria A Bela Adormecida. para aliviar o nó que me apert ava a garganta. ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. . Havia também outras oito ou dez pessoa s. . talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar. mas não lhes prestei muita atenção. Seus olhos negros me estudaram crit icamente.Quebre uma perna . .ges.Só por sua aparência. As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. E como sempre. meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris. Isso. . a fim de verificar se eu já estava pronta. sarcástica. . Paul ali sentados.Foi o que presumi. mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta. . eu já sabia. que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga.Nada mau. Se eu frac assasse e o embaraçasse. Henny e o Dr. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois.Que cor de malha prefere? . Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes).Rosa.Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . para aquecer-me melhor. Agora. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele. por que escolher uma peça menos exigente? .gabei-me. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos. deparei com Julian Marquet. Um toque em meu braço sobressaltou-me. confiança e imorredoura admiração. Se eu fracassasse. Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria. certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente . Desejava ser a última. Engoli em seco. O próprio Georges sentou-se ao piano. Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo. Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela.ordenou. Meu querido. Dessa fo rma.sussurrou ele. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. Girando nos calcanhares. Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés. . Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas.Maravilhoso . Eu perderia o encanto que tinha para ele. a fim de observar todas as outras. lá estava ele para sorrir. ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso. . Carrie.indagou ela. tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul. Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va. Portanto. com a mesma indiferença. escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas. eles assistiriam à minha humilhação. Oh! Deus! Rezei.Que música escolhe? . Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada. com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. acrescentando com desdém ainda maior: . Este desejava ser meu pai. arrependia-me de tê-los convidado.respondi timidamente. Deixaria de ser uma pessoa especial. afastando-se. Então. pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico.

. e eu logo saberia que tinha dezenove anos. talvez não.. debruçando-se para beijar-me o rosto. um verdadeiro profissional. indiferente. revelando nitidamente todo o seu amor por mim.disse ele suavemente. .Olá.Uma coisa eu lhe digo. Os gritos não eram meus. . pois não queria que Paul percebesse. gritando! A meus pés. pois a música me dizia o que fazer e como fazer .protestei com voz sumida.. estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me. que é o meu lugar. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. Verdadeiro talento. Ele sorriu. . Encantada por vê-lo ali. e aqueles olhos azuis. este ndendo os braços fortes.Olá . aquele homem surgiu para dançar comigo . com quase um metro e oitenta. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo. mas duvido que tente. eu estava sozinha no sótão. À distância. Acho melhor dedicar-me ao teatro. Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso.todos os e ntrechats. De repente.Estava esperando que voltas se a si.Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo . isso é talento. O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. . imóvel. tímida a princípio. pálido. Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas.Creio que seria uma ótima atriz. Logo voltarei a Nova York. mas depois fazendo as coisas certas . em contraste com os cabelos escuros. muito satisfeita por aparentar aquela idade. Fechei os olhos. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos. e stava terminada. onde ninguém me queria. Era mais alto que a maioria dos bail arinos. então . fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada. Ele sorriu. como se as "provínc ias" o matassem de tédio. Tinha uma voz grave. Então. escutei as vozes de Paul e Chris. Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! . infalível. sem me importar em saber quem veio socorrer-me.medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. a outra perna esticada graciosa mente para trás. com olhos escuros e faiscantes. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa. . apertando-me os dedos. E minha carreira de bailarina. .Não sou garotinha! . se gurando-me a mão inerte. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. Ele sacudiu os ombros.Talvez sim. movimentos de braços e piruetas. então soou a minha "deixa" musical. a magia chegou e tomou conta de mim. E como sempre. . Olhou em torno.exclamou quando lhe sorri. . a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto. com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas.Sim. . p ortanto. Então. mas de Carrie.para dar uma ajuda à Madam e.. . Pen a que seja uma garotinha. Trocamos mais algumas palavras. Tinha a pele clara como a minha. . Meu coração deu uma cambalhota.eu era a sua voz e. p arecesse muito pálida. apoiando um joelho no chão.Puxa! . Chris inclinou . ..Seus olhos escuros brilhavam travessamente. nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto. como se conhecesse todas as respostas.O que é.Você é muito bonita. ainda nem iniciada. Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York. muito impressionada com sua beleza física.. Terminada.Oh! Chris! . Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver. Comecei a dançar. e escutar os gr itos.uma senhora de dezoito anos? Sorri. cabelos negros como a noite e lábios de rubi. embora.só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo. O queixo forte tinha uma cova central. Com os olhos. Escorreguei e caí ao chão.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano . Julian! Eu o vi como num sonho.

sussurrei. . . na verdade. Paul afirma que é o melhor ginecologista da região. . Chris e eu nos separamos depressa.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr. no dia seguinte à ida de Carrie. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr.-se para me abraçar e estreitar contra o peito. Só então olhei para o envelope.Abreviatura de dilatação e curetagem. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto. um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos. Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade. exibiu um sorriso e avançou. exceto Chris). nada mais. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. Paul.. Jarvis. Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . não de papel. Flores reais.O que é uma D & C? Ele sorriu.Está fazendo tempestade num copo de água. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio . Cathy.. amigo do nosso doutor. Todavia. e apontou para outro buquê. às três em ponto.disse Chris. Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça.Abra os olhos.A vida oferece mais que uma oportunidade.. que se s oltaram de repente. .recebêramos todos notas excelentes. enquanto este me estreitava nos braços. seriam imbecis. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . Chris foi à cômoda e logo voltou. não se esqueça de mim. estará boa e de pé. Amanhã. Fora enviado por Julian Marquet. Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: . sempre poderá ter outra hemorragia. . col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. minha dama Catherine . Nossos olhares se encontraram. não vai. . com medo de que fosse Paul. Madame Marisha. os Rosencoff me querem! . Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene. sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas. Naturalmente. Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos. .Tudo vai dar certo para nós. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos. eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida. de todo modo. Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina. .Não! Não! .. Você precisou fazer uma D & C. não faz diferença nenhuma. Olhei para o enorme ramalhet e de flores. eu não me importava que ele lesse.Foi só isso.Claro que querem . Catherine Doll. Cathy. Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. Sentei-me na cama para abraçá-lo.Do contrário.preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la. quando. Classifiquei-me para a décima série.e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos. como você bem sabe. . julgando que fosse lembrança de Paul. acariciando-me ternamente o rosto. sem saber o que pensar. Aguardo-a na próxima segunda-feira. sorrindo.e ninguém tinha conhecim ento do fato." Marisha! Eu fora aceita! .Quem fez a curetagem? ." Vi por cima do ombro de Chris. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões.disse ele suavemente.Um ginecologista chamado Dr. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada .Chris. Chris também partiria. Em seguida. Recostei-me nos travesseiros. .

Ficará com centenas de outras meninas da sua idade. Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade. indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças. você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr. . troca segredos e ri a noite inteira.rícula. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura. dá festas. .Mesmo assim. mesmo que alguns quilômetros nos separe m. vai lembrar-se de mim. Quando estiver na Es .Carrie. . Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas.É Lindo! . Claro. espelho e uma série de frascos para cosméticos. completo. eu tenho que freqüentar o ginásio. aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar. cujos pais podem p agar pelo melhor. .chorou ela. acredite se quiser. Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? . Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr. poderá vir passar todos os fins de semana em casa. .acrescentei em tom tranqüili zador. E deve ter a companhia de outra s crianças. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós. Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: .Por que não posso ir para a s ua escola. .Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. a escola não é um lugar tão ruim.E terei que ficar lá por muito.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus.repeti. . não quero ir . os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr. de couro. que levei para Carrie. beijando-lhe a testa. Carrie . Paul lançou um rápido olhar a Carrie. E. Paul.E não é uma escola para garotinhas esquisitas. . melhor que tudo. para ela. estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos.Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes. A su a é uma escola primária. mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. daqui a anos. Cathy? Por que tenho que ir sozinha.declarei alegremente. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem. imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente. Chris e eu.Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir. alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados. é divertida. rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela. Henny. A gent e joga. depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. talco e água de colônia. Quando ela olhar para essas malas. sem ninguém comigo? . Além disso. Sim. Todos nós desejamos o que é melhor para você e.São as malas mais lindas que já vi .anunciou. obstinada.Oh! . Carrie. escova de cabelo. V ocê vai adorar. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. Paul. você permanecerá em nossos corações e pensamentos. . Embalei-a em meus braços. . pasta dentifrícia.exclamou. terá ótim as professoras e.É uma escola para meninas ricas. Como se lesse meus pensamentos. tem sociedades secretas. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis.Isto é para a minha loura predileta . E. Não estará sozinha.exclamou Carrie. percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor. Então. levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha.Sei que é um presente um tanto adulto. Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso. ele disse: . tentando não escutar. Era uma coi sinha linda. muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas. Ela fechou os olhos com força. . Ela adoraria. querida. na v erdade. P aul como nosso responsável legal. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro.Ninguém? . a quem ela queria muito bem. é necessário. Segurei a caixa com extremo cuidado.

Sentindo que precisávamos ficar a sós. Dr. Cathy . . com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade. e sussurrei-lhe ao ouvido: .cola Para Moças Bem Educadas da Srta. Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos.Cathy. O prédio era grande.E Clara.Quan do nos encontrarmos outra vez. Sheffield. acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. o Dr. com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. Parkins . Henny e eu. A escola de Chris ficava ainda mais afastada. tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram. Eu a amo. Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro. Ela olhou para mim. a nenenzinha! De onde vieram eles.Por quê? Mais uma vez. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre .Anime-se e faça um esforço para divertir-se. Chris e eu não f icamos realmente a sós. Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. Carrie permaneceu sentada no chão. mas precisamos fingir que morreu.Você sabe de onde vieram. que estremecia. faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. Sempre a amarei. com o rosto colado ao seu. perto da s lindas malas de couro vermelho. . sem compreender. Cathy? .gaguejei. posso fazer isso . Eu desejava ficar nos braços de C hris.murmurou com voz sumida. a fitar-me com o olhar assustado. Não se sinta abandonada. mas numa alcova com grandes portas para o exterior. . ainda sentiremos a mesma coisa.. seja certo ou errado.Nada mudará. Uma mulher bonita e imponente. mas não compreendeu. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. mais uma v ez. a Srta.. segurando-me as mãos. Não foi fácil irmos embora. ou imaginar o que estará aco . roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão. ou sentir saudades. segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . . .sussurrou ele com voz embargada.Mamãe morreu mesmo? . Emily Dean Dewhurst. as indefectíveis colunas brancas. Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar. Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. mas apenas às suas amigas mais íntimas. . Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você. .Chris .É uma linda criança. Compreende? Ela assentiu com a cabeça. Paul. Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824.murmurou Carrie.ao me nos o amor que estava errado entre nós.Não. Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica. No dia seguinte. e a Sra. Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e. Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então.Falo sério. . . Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. Não consigo evitar.Carrie. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária.O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade. tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola.Sim. Naturalmente. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! . deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa. Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins. . Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . . Eu trouxera até mesmo o berço. à beira das lágrimas. pintado de branco.O Sr.uma herança inestimável.

.disse Chris.fez uma pausa e corou. Sorrindo. No c arro branco de Paul. tão necessitada de amo r. . quando gera lmente brincava. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem. Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais. .Perdoe-me pela noite de Natal . fez a manobra e partiu em direção à estrada. Culpa dela. Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo. Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. Isso não é errado.Eu gosto dele. .Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas. . calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas. .Cathy. Girei nos calcanhares. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância. Ergueu a cabeça. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais.e você estará morando na m esma casa que ele. Carrie o ama . O que sente você por ele? . quando ele fez tanta coisa por nós.. Falo sério. . As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural. Porque de seja você! . . É tão jovem.Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr.disse ele.Ele não fez nada fora do certo? . . . em seguida aos olhos. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo. Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus". Cathy.Tem razão . sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! . que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo. E você também. e saí para o sol brilhante.Paul é um grande sujeito . que as calças de malha . derreei-me no assento e solucei de verdade.Não. Estudei-as. como Carrie qua ndo chorava. mas às vezes penso que nos aceitou apenas. bem..Chris. Era uma promessa tão fraca. tão bela. .E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade . as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. Agora. Quietude. Sinto gratidão.Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim. Paul. Ouça as penas caírem. pois . Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia.É claro. ao vol ante. Cathy. .. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . você é muito bonita. Não encante demais o noss o médico..Não estude demais. É honrado e decente. Apenas um beijo leve e te rno. Não tem esposa . puxou-me para si e baixou os lábios até os meus. Era a escuridão d o sótão. escute a casa estalar. observando o chão a seus pés. Quero dizer: afinal.. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio.Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso. enquanto ele se mantinha relaxado no assento.. . Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado. ou logo precisará usar óculos. desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: . quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma.Prometo comportar-me. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua. De repente. Dep ois. ele é um homem. Creio que você estará segura.Eu o vejo sempre olhando para você. Chris riu.ntecendo em sua vida. Chris. Talvez bonita demais. Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. Não estude demais. Paul pareceu surgir do nada e sentou-se.Cuide-se bem. Ligou o motor. da mesma forma como guardarei meu amor por você. . Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça.disse ele quando terminou o beijo. com uma súbita expressão penetrante no olhar. uma despedida temporária. como você e Carrie.Gosto dele. silêncio. apenas por causa de você. hesitante. calado. .zombei. Ou talvez observasse meus pés.

tirando lentas baforadas do cachimbo. ficou calado para não quebrar o encanto que.Detesto quando você me chama assim! . volto para casa cheio de felicidad e. troncos retorcidos e escuros. Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra.pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça. tive também outras idéias. . eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua. . murchará e morrerá com ela. Paul sobressaltou-se ao v er-me ali.Ela era uma tola e ele também. O meu fiel Christopher também. Sedutora. . .indagou Paul. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor. Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas.Use meu primeiro nome o . Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa. mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo . Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. altas horas da noite. só que em olhos diferentes dos dele. dor miríamos sob tetos separados. Comecei a obedecer .e dormir era o de que precisava.acrescentei. estava sentado numa poltrona de braços. acho melhor voltar para a cama. feita numa voz tensa e fria.interrompeu ele. Obrigado. . Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma. necessitad a. Também não apareceu após o jantar. Eu precisava de alguém.Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele . Paul foi para o consultório e eu subi. Diziam que leite quente ajudava a dormir . . lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente. .Então. Então.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. Carrie se fora. Lançou-me um olhar provocante. vinte e cinco anos mais moça que eu.é uma pena não estarem floridas nesta época. Catherine? A pergunta. mas dominada por uma onda de sensualidade. triste e ansiosa. ninguém se importa! Pensei em comid a. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade . Mas não demorarão muito a florir. mais sedutoras. tão perto de sua poltrona.. ríspido. Estava sempre tão solitário! Agora. aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. se o fizer.Antes de você chegar com seus irmãos. O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa. Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida.Não gosta que o toquem? .de verdade . .disse Paul. do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto. . As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul. Cathy.Dr.Magnólias Buli Bay . Paul. nos unia numa necessidade mútua.azul mostravam muito bem . Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã.corrigi. Tinha a pele áspera.Por que não está deitada. envolto no quente robe vermelho. Contudo. dormindo? . . Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu.Por que me toca. sentia-me mal.eu já vira desejo anteri ormente.. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação. para acordar bem descansada. por outro lado. como eu. . Pela primeira vez. de algum modo. quando tinha apenas dezesseis. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida. E. . como se precisasse fazer a barba. com roupas transparentes. Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão. por terem vindo para o Sul . como a tola que eu era com tanta freqüência. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada. sem jeito.Não uma jovem sedutora. Sozinha. Logo que chegamos em casa. amedrontada. grossos e velhos. de modo que fui deitar-me ce do.Não consigo dormir. . . É gostoso ser feliz outra vez.e não para o Norte ou o Oeste.talvez bem demais. . pois nossos invernos são curtos.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça . Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso.

. Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos. sempre ju ntos. Fiquei de cabeça baixa. Então.A música sempre me causou uma sensação especial. Eu sei. Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina. mesmo quando era criança. mas que sinto necessidade de indagar. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. Se voltar a sentir os pés no chão.Prossiga . continuei com relutância: . algum dia. olhou-me com raiva. Um médico não é infalível. como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce. transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante .Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos. E quando me enlevo dessa maneira. . . Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me. agarrou-me e sentou-me em seu colo. . corando. Meus olhos se desviaram ante a investida. .Por que me chama de Catherine? . sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros. uma g rande bailarina. . Eu não queria contar. exigentes. não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. . Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory. mas.Acusa-me de seduzi-lo. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa. nervosa. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias. Leva-me para a cama com o ol har. O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca. . vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito. .Conte-me o resto. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza.fez um a pausa.Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy.Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! . ... quando cada dia equivalia a uma eternidade. e me faz dançar. Senti-me corada.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece. este se inclinou repentinamente. sozinhos? Dominada pelo pânico. fazendo-o parecer uma p essoa diferente. oculto nas somb ras. mas seus olhos brilhavam. você dançava no sótão. Engolindo em seco.perguntou ele com gélida veemência.Há pouco. os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele.Tudo o que você precisa saber! . você era mãe. Em um segundo. os quatro irmãos. Apodera-se de mim. animando-me. E.Então. ."O melhor possível"? . Para onde eu olhasse.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto. com olhar duro e belicoso. com ninguém ali para amar.Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens. enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida. .reagi com violência. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. os olhos queimando os meus . quando fiz uma pausa. quando lhe toquei o rosto. fico vazia e perdida. . como se não quisesse que eu fosse adulta.Catherine.O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima. . envergonhada e s em jeito: . Catherine. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar.Que diabo quer dize r isso? . arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha. esquecendo-me de Paul. .bradou ele. recordando o passado.. Não tinha o direito de fazer tal pergunta. e sacudiu-me. ele estudava na sala de aulas do sótão. .instou ele. impedindo-me de responder. E não me agrada ficar vazi a e perdida. Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é.u não fale comigo.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto.Você é uma feiticeira. não é mesmo? Para eles.

replicou calmamente. E pode dizer que não me ama.Paul. Pau l emergiu da névoa mental. .e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. tão bem! Éramos muito semelhantes. nem Chris. caía apenas granizo. decidido a manter-se distante.comecei. O quanto fui sábia. reprobatórios. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente. quando precisa r de mim. mais cedo ou mais tarde. Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia. insinua que. Catherine.. deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza. refleti. Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se. Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio.Não sou má.Quando fui trancada por Mamãe. m as estará mentindo.Sinto muito. açoitando-se com eles .Eu o perdôo. teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios. . julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. enc ontrei amor em seus olhos. .e eu sabia que a culpa era minha como sempre. em minha inocência. Paul e eu. escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente. . Mais uma vez. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora. Então. exigirá o pagamento em troca disso . Então.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela. Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a. .Eu o amo . O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados.puxou-a bruscamente. como se o contato com minha pele o queimasse.qualquer mulher! Provocadoramente.perguntou ele. Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento. hesitante. ou se. seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim. inflamados de calor pelas inespera das carícias. Qualquer mulher em seu co lo serviria . No primeiro dia em que aqui cheguei. Não precisa casar comigo.cob rindo meu seio esquerdo . para poder acariciar os seios jovens..Quer despir-se para mim. Catherine? .. . Naquele momento. um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. Seu hálito quente em meu rosto. permitindo que eu a abrace ou a toque. ele tocou os bicos de meus seio s. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: . . seu rosto muito próximo ao meu.Por que não tem medo de mim? . . passando de um para outro.Apenas sente gratidão pelo que fiz. Quando estávamos trancados. f izemos o melhor possível. Agora. . agora. viu Chris franzir a testa. punitivos.Por que me perdoa? . basta amar-me. juro.indagou com aquele seu ar zombeteiro. os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão. . . de repente. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele.Você não me ama . Só o vinho. .durante todo o tempo.. em voz baixa.e sou sua quando. Paul estava envergonhado. de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele.Porque o amo. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. você me quiser. a culpa era minha. e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. chocado ao perceber onde estava sua mão . Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres .Sabe que não deveria est ar aqui. Paul me abraçou e observamos a tempestade. . eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos.Que diabo está fazendo sentada em meu colo. pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim. .

.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto.Que diabo estamos fazendo? . mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. é claro que tinham de olhar um para o outro. mas. embo ra não saiba quem seja. Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si.Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. . quero que grite por socorro.nada! O que faço p or você.Você zomba de mim. . para seu próprio bem. agora. Senti-me outra vez uma criança. As meninas se machucam quando brincam de .Mas. jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta. .brincou ele.Da mesma coisa que os outros homens.não preciso de sol.Vivendo como vivemos por tanto tempo.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda.. Portanto. desconfio de que seja ele. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras. Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente.Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite. Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa. Isto não era sermos maus.Ohhh! . .Meu Deus! Como você é bonita e desejável . mas.. Então. Respondi desavergonhadamente: . Certa vez. de bailado .o meu tipo de música. filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! . flores ou ar livre. Julga que beijar-me não seria ex citante. tudo isto me faz sentir bela. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim. inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus. sem dizer uma só palavra. embora des ejasse. ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade. .. Acha que não passo de uma criança.disse Paul. pronunciei-lhe o nome. aqui. Vo cê vive num país de fadas. . Além disso. num passe de mágica. amedrontada. baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo. com voz mais suave e bondosa. Mais do que qualquer outra coisa. era? Eu não deveria perguntar. Oh! Então era assim. . seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade. meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve . . . Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e. mas não passa de uma criança.Acha que está segura comigo. qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. creio que estou realmente apaixonada por ele. .comentou com um suspiro. É par a isso que possuímos olhos. Só que melhor. fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça. pecaminosa. Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma.. Catherine. não consegui lembra r-me de qual fosse. o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente. retirando as mãos de minha cintura. . ajudou-me a levantar.Sussurrei. mas desde que tinha apenas a altura da mesa. sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . Jamais lhe vi o rosto.E segura? .cendo. livrando-se do encantamento que eu l he lançara.. . Paul recostou-se na poltrona. punida por exc esso de presunção. A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. Chris conseguia reconfortar-me.Catherine.Catherine .Agora..gaguejei. não na realidade. com você. perto do fogo.Ora. Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos. creio que entendo o motivo. . muito lentamente. como você é romântica! . ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. Entendeu? . Se eu ousa r encostar um dedo em você. por prazer. sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie.repliquei. .bradou Paul. Catherine.Não precisa amar-me . Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida. . aceitou o desafio e lentamente. Paul sorriu. quando a música está tocando . Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos. Eu era má.Não me tente dem ais. Se não houver outra pessoa em casa. não sei muito a respeito das moças de minha idade. quando acordei. em palácios de mármore.

tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . Poupe-se para o homem com quem se casará . Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. abstinha-me d e dar palpites. Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. verifiquei que era diferente. ao começar os a suar. sozinha . ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente". Não censurava ou culpava ninguém. interminavelmente. com uma piscina interna. havia Julian. Fazíamos pliés.adultas. com medo dele. afinal. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. não um santo. Embora ela houvesse recebido a intimação. Ouv ir dizer que eu era boa. aquecer os músculos e. Contavam pia das ridículas. Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto. corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe . ao dançar mesmo quando estava morrendo . Ao modo tolo das mocinhas. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. espec ulando. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé. Assim. Nossos cabelos.. começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. Paul levantou-se.. porém. un. um médico. devotado. as moças compartilhavam todos os segredos. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir. vinham os frappes em três quartos de pointe. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado. até mesmo excelente. os ronds d e jambe em l'air. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola. como uma nortista. acreditar no que acreditavam. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim. Eu temia por Carrie na sua escola. Algo o trazia f . Não me agradava ser diferente. Não ele. Em seguida. deux. fazendo pliés. Mais uma vez. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. O sexo pairava no ar. bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel.em especial aos sábados.e n ada disso era fácil. Só um lugar me deixava à vontade. Portanto. Não me agradava ser alvo de risos. Sou apenas um ho mem. espere crescer primeiro. Pois. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. Às vezes. também tornada diferente. Recuei. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso. para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra. se d eviam ir "até o final". Queria ser como as outras. subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. tendus.. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. t alvez um mulherengo . exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia. glissés. elevavam-me às alturas. carregando comigo a sacola com as malhas. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis.. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. No camarim. retirávamos os agasalhos de lã. também ficavam molhados de suor.Linda criança. para manter-me ao alcance dos braços. Então. fortes e ágeis. mas. fondus e ronds de jambe à terre . algumas até mesmo pornográficas. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. Paul não era o tipo de homem que eu queria. Não gozo de uma reputação imaculada. estórias de sexo. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas. pelo amor de Deus. por mais que me esforçasse. enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano.. porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. falar como eles f alavam. . imaginando. Mais cedo ou mais tarde. sapatilhas e uma bolsinha.assim refletia eu. cercando-nos por todos os lados. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna. E o início era a parte mais fácil. Todos os dias.e depois não soube para onde enviá-la.. eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna.mas. recuei amedrontada. mas apenas o endereço do tribunal. os petit e grande batllements. para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. quando trabalhávamos de oito a dez horas. mantenha-se afastada de mim. Além disso. Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. dos anos em que vivera "em lugar nenhum".

Na maior parte das vezes. que estava muito corado. olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse.Na verdade. .Você é boa demais para este lugar provinciano. . com certa indiferença. Este era ótima companhia quando não estava cansado. de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão. enfeitiçá-lo. mas . e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle.Eu não lhe conto tudo.Tive alguns encontros antes de você chegar. ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora.Claro que não. Pensei que queria ver-me com ela. Não sei definir exatamente. sem mencionar nomes. Sou o melhor que existe.repliquei.Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim.E não ande pela casa com essas roupas! . saí correndo para a escada. Este gostava de minha companhia à mesa. . que usava uma justa malha transparente. levantava-me muito cedo .Você pensa demais.Antes de vocês chegarem. Falavame de seus pacientes.Oh! eu não sabia. Não sei o que some com ele. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul.Falar comigo .indaguei.a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul. eu percebia.Para visitar meus pais . mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça. partindo desses grand jetés. Eu conseguira encantá-lo. outras vezes ele me levava ao cinema. . . Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas. assistíamos a programas de TV. . Não obstant e.declarou ele com voz tensa. Às ve zes. Doutor. eu nunca ia ao cinema. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo. quase nunca . enquanto aguardava que Paul regressasse. Aprendia a ser cada vez mais c . como Chris.advertiu. . . embora não o dissesse. Cathy. Em breve. Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico. formando um círculo no centro do qual ele se apresentava. seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista.reqüentemente de volta a Clairmont. com a mesma rapidez com que me encurralou.Foi o senhor quem me deu esta camisola. . o mundo int eiro saberá.Como deve saber. exibindo seu virtuosismo superior. Bocejou. . . ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma. eis aí o meu segredo. Raivosa.Nunca? . Ma dame é minha mãe. Quando cheguei ao topo. com exceção de Chris e Carrie. . E u tentava ajudar Henny após o jantar. . . Então.Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios. Cathy. corri até ele e beijei-lhe o rosto. Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos.Trate de usar um roupão! .Sou grande. parece que meu tempo disponível desapareceu.Por que não? . dizendo: . simulando enfado.Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez. afastei-lhe a mão com um tapa. você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York.Vá deitar-se.Pare com isso! De repente. . Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e. .disse ele com um devastador sorriso de malícia. .antes das seis . . .Bem. virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão. Você é diferente.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito. . Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego. Qual é o s eu segredo? . provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado. . inclusive um em Greenglenna. depois disso.Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo. De manhã.disse Paul. Catherine! Ergui-me de um salto.disse ele. pisei-lhe no pé e me afastei. deixando-me de olhos arregalados. . Não gosto de me gabar do fato .Não .

ver melhos e sensuais. De lá.Diga-me quem é você. Conte-me a respeito de sua infância. era possível encontrar falhas nelas. Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio. . Creio que Paul tentava evitar-me.começou ele. Ou talvez até sete. minha Catherine . como fazia com Chris. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. uma a uma. Ainda assim.Você adoraria Nova York. eu não sabia o que me causava medo nele. Julian Marquet. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo.comentou suavemente. Ri. também tenho medo de você.Dançar é tão remunerativo? . de seu país.Sorria para mim.Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine. . Só nos fins de semana. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. . Desta feita. jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava. pois o nariz poderia ser melho r. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando. limitando-se a deixar de lado o jornal. o resultado era sensacional. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa. movendo-me para ficar o mais longe possível dele. era o que eu pensava na época. minha vergonha era maior que a s ua . quando eu for rico. num tom persuasivo. tere i carros de luxo: três ou quatro. se Paul ali não estivesse.explicou-me ele.Depois de dançar.ou. quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. E. quando eu fitava m eu prato de canjica. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York. como se ele precisasse de mim. a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu. . enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. pelo menos. Pense em Nova Yo rk o mais breve possível. Detestei-o por dizer aquilo.Por quê? Não tenciono violentá-la. Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada. Na verdade.Que dupla formaríamos.disse-me Paul certa manhã. puxando-me para perto de si. uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. Examinando separadamente as f eições. porém. . deixou bem claro que viera apenas para ver-me. creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. você e eu . . . pois ele já atingira o sucesso. Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai. .Não l he conheço o passado. pois todas as peças vinham de ferros-velhos. Ergui os olhos. ao dar-me carona da aula de balé para casa. mas eu não permitia. Passou o braço por meus ombros.omo Mamãe. deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo. alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo. quando eu atingir o topo da carreira . Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt. Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia. Lá existe tanta coisa para se faz er.Cathy .adverti com voz embargada. Nada temos de semelhante e. .Algum dia. não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo.Será. a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. . ovos mexidos e toucinho. levantar-se da m esa e sair para a garagem. Seu quarto ficava perto do meu. Não era estupro que me amedrontava. Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama. Quando acordava. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. Paul não disse mais nada. sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e. eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar. para se ver. m as nunca ousei procurá-lo à noite. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal . despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho.Eu não o conheço . algo se interpunha entre nós. . nem você conhece o meu. um para cada dia da semana.replicou Julian confidencialmente.Jamais diga meu nome desta maneira outra vez . .respondi. Sentia falta de Chris e de Carrie. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção. Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida. para se experimentar. quando Chris e C arrie estavam em casa. . Em conjunto. . Não o via o suficiente. doía-me não vê-los no mesmo quarto.

embora não o fosse. Julian chegou pontualmente às oito horas. eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. meneando a cabeça em aprovação. Quando a salada e o prato principal chegaram. Julian estacionou numa alameda retirada. sabia muito bem. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. Ele não é muito mais velho que você é? . Paul. de pois. não sou primeiro bailarino. Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve. Eu não sabia ler francês. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. acima de tudo. um tanto desapontada por ele não levantar objeções. Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo. Todavia. . Cathy. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. se você não se importar. bem no fundo. havia Chr is. Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. enquanto minha mãe explora seu talento. provou a bebida trazida pelo garçom. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele.Você é linda . quase me convencendo de que eu já era grande bailarina. Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. Além disso. curvou-se para beijar Carrie. Pensei em Paul.Não . depois. A caminho de casa. aceite i o convite para sair com Julian naquela noite. alcançaríamos grande sucesso. senti a desaprovação de Chris. Eu usava um vestido novo. Julian levou-me a um restaurante muito elegante. Chris e Carr ie estavam em casa e. ele acendeu um cigarro. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. senti ndo-me esquisita. apenas faço parte do corpo de baile. lembrei-me de Chris. sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. que de algum modo tinha um lugar em minha vida . . E Paul. E prosseguiu naquele tom. formaríamos um par sensacional. Com surpreendente segurança. Julian examinou a lista de vinhos e. mas. pedindo-lhe que escolhesse por mim. Todos se afastaram para observar e. mas Julian. você progrediria mais depressa que eu. Julian entregou-me um cardápio. o . mas poderia facilitar as coisas pa ra você. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo. Desejava parecer sofisticada.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. embora não devesse fumar. Queria impressioná-la. Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. aplaudir. Juntos. os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York. Ao c ontrário do que lhe disse antes. com terno novo. Ela é uma gralha velha. sap atos engraxados. Chr is o fitava raivosamente.Esta noite. temendo come ter uma gafe. . Com a maior naturalidade.disse Julian. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar. Carrie que precisava de mim nos fins de semana.murmurei. . Com meu auxílio. mas nada tem de tola. você teria que começar no corpo de baile. não obstante.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina. a minha outra metade. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. como se traísse alguém. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. Estava bem arrumado. Apertou a mão de Paul. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. Naturalmente. . estavam tão deliciosos quanto ele prometera. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos. Era noite de sábado. Julian levou-me para a pista de dança. na verdade. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. Cathy.di sso eu tinha absoluta certeza. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz.

Inventei um. mas.comentou ele com certa amargura. Assim.Uma criança .. mas porque sou seu filho e tenho o seu nome. Isto quase o mata. Cathy. venha comigo para Nova York.Cathy. Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe. . Então. Ele fazia parte do meu mundo. mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. . Futebol estava fora de quaisquer cogitações. . será por mi nha própria conta .Cathy. Conheço outras bailarinas menores e mais leves. ligando o motor. beijando-me o pescoço. se eu for um grande bailarino. com grandes bailarina s. Além disso. Jamais contei isto a a lguém. se prefere conversar. do encantador mundo da dança. mesmo quando eu era pequeno. continuo a dançar. Cathy.disse ele. Ele sempr e encontrava alguma falha. t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida. . aborrecida com a pergunta. . enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa. Sinto dores constantes. Madame e Georges são meus pais. Nenhum deles sabe. pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome. mas não satisfaz. Por que mora com um médico e não com seus pais? . então. mesmo assim.sem a sua ajuda. de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. de repente tive medo d e perdê-lo. Agora.Eu nunca tive essa feli cidade.murmurava ele. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai". Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. mas nunca me encararam como um filho. Dois a nos . E não se trata ape nas de você ser pequena e leve. por mai s que se recuse a admitir. Cathy . Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! .Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije. Por favor. Especialmente meu pai. muito melhor do que ele conseguiu ser. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto.gritei. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato. na adolescência. . Julian sorriu. eu poderia ser. na maioria dos casos. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. pode apostar. Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. .Não se aproveitaria de mim. .Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . Seja lá o que for. Portanto. E creio que isto também o mata. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome. A partir de uma certa época. que vê em mim uma continuação de si mesmo. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas. Cathy. Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho.resmungou ele raivosamente. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa.Seria o seu anjo da guarda. resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. . eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse.. não será por meu próprio mérito. aborrecido. fale-me a res peito de você. Com você. . se eu aceitasse? .Está bem. Creio que você e eu somos muito parecidos.Pare! . .Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz. Mas venci . . Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui. recuso-me a dançar.Meus pais morreram . . aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram. Cresça. Portanto.esbravejei. Na su a opinião. estendendo a mão para desligar o motor. mas machuquei as costas.Julian! .nde os namorados costumavam parar. .Leve-me para casa! . Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram.Porta-se como uma criança . tentando erguer um motor pesado dem ais. Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa.e ainda não sou um astro. pois não estarei p or perto pelo resto da vida. as orelhas. quando eu me tornar um grande bailarino. o fato é que você foi feita sob medida para mim. .declarei.O Dr.Vocês tiveram sorte .indaguei. recostou-se no banco e virou-se para mim. Tenho que provar a Georges que sou o melhor.

Chris se voltou para me fitar nos olhos. Deixe-me pensar um pouco mais no assunto..Conheço-a como a palma de minha mão. Ele é de Nova York. Julian deitou-me de costas no assento. . afinal tínhamos os mesmos o bjetivos.Por favor.. tentando desviar-lhe o pensamento de mim.Com quem você tem saído? . Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . . ap arentemente. Chris estava na varanda.indagou sem me encarar. quan do posso rever Carrie e você. D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar. será obrigada a deixá-los.Eventualmente.Foi você quem pediu! .Como vão os estudos? . de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair. . pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre.Oh! Chris. a testa franzida numa expressão de amargura. Julian. micro-anatomia e neuro-anatomia -.Muito bem. Então.. após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja. mais difícil será afastar-se. Como era semelhante a mim. Senti pena dele e fique i emocionada. . Não quero deixá-los ainda tão cedo. mas não me dá oportunidade de amálo. torne-se independente. acho. Cathy.perguntei. pare de agir com tanta pressa. ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados. Cathy. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto.Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa. Cresça.Nova York é tão grande.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. deixando-se dominar pelos outros. Meus pensamentos se voltaram para Julian. .Há meu irmão e minha irmã. Por favor. que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. sufocando um soluço.. Talvez eu também tenha ficado. existia em todas as cidades. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços. . Julguei que pretendesse quebrá-lo. Desta feita.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade. mesmo involuntariamente. eu estava preparada. de pijama. Não negaceei quand o ele me convidou para sair. . De repente. .Como foi? ..esbravejou ele. Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: . Gesticulei nervosamente. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor. Julian ficou um pouco tocado. Quando o avistei lá fora. Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você. É impossível ser independen te em casa. Gosto de você.Não pode acender-me e depois apagar-me. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu.anatomia geral. Vivo à espera dos fins de semana. tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder. Cathy. Logo ele se tornou ofegante. Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem. . precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa. perto da minha porta. . Era melhor que fosse ele. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor.Não me diga que não tem saído com garotas.indaguei. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me. creio. . que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. percebi o que ele pretendia fazer.Não gosto dele. .O que faz nas horas vagas? . Tomamos vinho no jantar. . .Talvez. palavra de honra. Fitou o espaço. . . Quanto mais tempo permanecer aqui. Quando entrei no quarto para me despir. Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter. .

bradei. por que não está deitada? Girei nos calcanhares. Virei-me na cama. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta.Cathy. confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. quando estávamos sozinhos. Naquela noite. não passava de um monte de ossos na sepultura.Há quanto tempo está em casa? . Existem muitas garotas dispostas a se entregarem. não prec iso de você tanto quanto imagina . Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. provavelmente. abarrotado de brinquedos. por cima. Meu Deus! . Por algum motivo peculiar.Ouça. Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio. o preço que lhe causaria maior sofrimento. o vento uivav a. ela no s obrigara a isso. Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe".na outra extremidade da casa. Ela perderia ambas. por Carrie que não crescia e por Cory que. Portanto. Pensamentos mórbidos. exceto Chris e Carrie. Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. agora. a chuva batia com força e. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada.e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny. e seu jovem marido. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. com gravuras do inferno nas paredes. Chovia forte. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros. que ficava tão longe . Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça. Se Chris e eu tínhamos pecado. Mas Carrie estava no internato para meninas. Não seria dinheiro. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos. Não conseguindo dormir. Duas coisas: sua honrada reputação. chorei.. como costumava cair quando éramo s prisioneiros. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano. acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . poi s isto ela tinha de sobra. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite. em seu quarto adjacente à c ozinha. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas. descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. ataquei Paul como uma mege ra: . e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. saí da cama e vesti um negligé transparente. Cathy. Lá estava Paul. por baixo e em torno de nós.Há algo errado. Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata.não em troca de nada! Naturalmente. O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . Julian não precisava de mim. . A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal. sobre uma mesa de necrotério. empurrando-o para mim. Vime jogada de volta num quarto trancado. .I mplorei. não o leve como levou P apai! Por favor! . E aquele seu cheiro característico desapareceu. Mamãe o perturbara e d istorcera.Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. morto. esmagandome os pensamentos. . quando eu desse minha tarefa por terminada. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. Então. jogos e grande s móveis escuros. Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. Ninguém precisava de mim. mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz. confundindo-me e aterrorizando-me. E estava chovendo. Por Chris. Papai. ele não conseguia afastar-se. fumando um cigarro no escuro. Já estou meio apaixonado por você.

O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar .Está sendo sarcástico? . .Sim. Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa. . ele disse num tom suave: . encarando-me. . Aproximei-me da poltrona e. . E não go sto do barulho da chuva no telhado. .Deve estar muito cansada. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi. . quando tornei a abrir a boca para fa lar. não obstante. . Por este motivo. devia levar-me ao cinema. fitando-me tota lmente surpreso. li a respeito de minha mãe . Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar.quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava. algo mais ou menos desse tipo. esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei. quando queria. tão seguro .Hoje.Mais uma vez. Portanto. Paul pensava nela: em Júlia. sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós. Talvez leve as aulas de balé a sério demais.respondeu Paul.como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos. . Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. Mas você não trouxe! . .Porque a chuva o isola do resto do mundo.. Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e. Eu nunca consigo alguma coisa.ui dormir! E você estava aqui. Então. Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais.Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno. conseguia permanecer sentado. não obstante. o tempo todo! Não veio jantar hoje.. Talvez deva relaxar um pouco.declarei. impulsivamente. olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir . . tão controlado. Sinto muito ter esquecido o cinema.. peço-lhe desculpas.Parece mesmo perturbada.Estou tentando controlar a raiva..Seria capaz de me bater.berrei. que era território proibido p ara mim.mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder. Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo. Seria ótimo se você pudesse controlar a sua.Está remodelando e redec orando uma casa. Paul era tão semelhante a Mamãe.Esqueceu-se.Desde onze e meia . tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu. Eu o compreendo.Há quanto tempo está em casa? . estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara. . Ela sempre consegue o que quer. .. Não queria um namorado que não fosse bailarino. Não que ria amigas que não dançassem.à exceção de Chris.Paul. esperando que você apareces se . ali sentado. . A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence. sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa. sua falecida esposa. vesti as melhores roupas e fiquei sentada.indaguei. Também não veio janta r ontem. peça desculpas por ter gritado comigo. Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor . Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria. E stremeci. Às vezes. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve. com uma vergonha que chegava a doer.Não estou com raiva! . da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la. como pôde esquecer-se? Ontem. de modo que após esperar horas a fio por você. desculpe-me ter gritado.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. sem jeito. Recuei alguns passos.. estendi a mão para tocar-lhe o rosto. .

Como sabe o que digo aos meus pacientes? . . não me desapontarei. tornei a zangar-me.Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor. Paul sentou-me e m seu colo. Então. arregalei os olhos. Madame Zolta. Catherine. Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo. . Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola.replicou ele num tom inexpressivo. como se tivesse levado uma punhalada. . Reconfortou-me como um pai. estarei prepar ada para ser desapontada e. Vejo minha mãe na platéia.Não se envergonhe de ser humana. . Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. . fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar.Eu chamo por ela? . replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. você encontraria a paz e perdoaria tudo. Você não sabe.Catherine! Pode odiar-me. Julga que. Catherine. saí com ele esta noite. assim.E o que pensa você? Mas Julian .Você e Chris . Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. no palco. não me venha falar em perdoar e esquecer. se é o que deseja.Às vezes.indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. porque parece tão convicto. .Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. .porque não foi vítima. Mas eu fui. Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe .Sim.respondeu ele. com os olhos cheios de pena.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . Eu não queria falar a respeito dela. mesmo? . . que era como um filho pa ra mim. Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. que não era meu lugar. Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. Perdi meu irmão mais moço. . Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse.portanto. às vezes escutava certas coisas.. com beijinhos suaves e mãos caridosas que . Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . . Paul franziu a testa. Soltei um riso nervoso.Julian está de volta à cidade. porta-se como uma esposa.Vá devagar.Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício. com arrogância suficiente para dez homens maduros. nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema. juntos. temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer. é fácil falar em perdoar e esquecer .Não.Toda noite sonho que estou em Nova York. com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. formaremos um par brilhante. Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York. Já que você me deu o bolo ontem. não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! . chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. . alim entou-nos com doces envenenados! Assim. pobres seres humanos. talvez consiga dormir à noite. Aturdida. Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. obse rvando-me cheia de incredulidade. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu.atalhei com amargura. se eu estivesse no corredor dos fundos. Acredita que sua professo ra de balé. Portanto.murmurei. . fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia.Não. em vez de se debater na cama. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis. poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe. Quando comecei a soluçar. Ela quis me matar. Julian é um jovem bonito. se você mesmo não o faz? .Para você. . embora involuntariamente. aproximei-me outra vez da poltrona.

você consiga tirar proveito de algo que aprendi. Eu tivera algumas experiências sexuais. na noite seguinte tudo se repet iu.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . era o que ela não se cansava de repetir. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. . Entretanto. Assim.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. . não muitas. Às vezes. lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. se não nos casássemos logo. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. . . passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. termine i por possuí-la à força . suspirou e prosseguiu: . enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. eu nunca tiv e outra namorada. nem a ela. Contudo. Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. Fez uma pausa. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia. consiga voltar para a cama e esquecer a vingança. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. Não obs tante.como se isto fosse possível. pelo menos. Neste ponto. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. Talvez. p ara salvar-me . afinal. Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto. Fiz o possível para excitá-la. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola. se eu lhe contar. Júlia era filha única. Pois está enganada. Na época. teríamos três filhos. Namorávamos firmes e trocávamos cartas.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo.Espero que você. Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Nunca proporcionei a mim mesmo. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. eu tinha dezenove. Júlia tornou-se cada vez mais bela.me acariciavam. . Com o decorrer do tempo. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. eu a amava. Mas Paul falou por minha causa. Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada. se iguale ao horror da sua. Júlia não sentia prazer no sexo.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama.Catherine. Percebi que estava aterrorizada. mimada pelos pais. como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso. só que pior. a voz de Paul se tornou mais profunda. Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. sob certos aspectos. também tenho minha estória para contar. Ela indagou. Cathy. Isso acontece todos os dias. tive medo do final. Amav a-a muito. . Paul afrouxou os braços em torno de mim. Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram. Observei-lhe o rosto. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . Tinha medo de perdê-la para outro .Sim . Quando fui para a universidade. no intuito de ganhar dinheiro. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. Portanto.Júlia e eu éramos namorados de infância. Sua voz assumiu um tom amargo.ou. após escutar minha estória. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. existem outros motivos. Portanto. Ela nunca teve outro namorado. Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos. na nossa noite de núpcias. desejava-a e. tentando todas as técnicas para . Talvez.e isto foi um erro terrível. Se não conseguir. Fechei os olhos com força. Amava Júlia. lacrimosa: "Ora.a voz dele assumiu um tom duro. recostando-se na po ltrona. apertou-me a mão com força.Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas.

temendo o que estava por vir. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz.mas só lhe causei repulsa. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. Naq uela noite. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra. Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante. chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. já que fazia um dia tão lindo. Tivemos um caso que durou vários anos. enquanto me aninhei melhor em seus braços. . Júlia descobriu que estava grávida. Ofereci-me para levá-los no carro. eu a traía. a fim de comprar mais balas. Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. certo dia. pois sabia que era algo terrível. a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. Henny preparara um bolo eno rme. parou de falar comigo. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. quando sentia vontade. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. mas ela recusou. voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. mas nunca tentara o suicíd io. com pais ostensivamente felizes. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. mas ela se recusou terminantemente. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. Comecei a beber depois que me formei na universidade e. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. Júlia. Agora. . Sentei-me na varanda da frente e esperei. Então.excitá-la e fazer com que me desejasse . Júlia n unca mais me falou no caso. quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas. chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. Na verdade. Comecei a ficar preocupado. deixei-a realmente em paz . Então. Não pude acreditar. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. Dentro de casa. viriam com as respectivas mães. a fim de ajudar a acalmar Scotty. mas. Foi num sábado. de modo que peguei o carro e fui à confei . natural mente. Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo. Eu estava em casa e. embora ela sempre chorasse depois. a não ser quando Sc otty estava por perto. Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. com bolas penduradas no lustre.Depois disso. lavar minhas roupas. . pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia. inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. que completava três anos. pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós. pois sabia que ela possuía vários amantes. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. vestindo voile azul. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava.Após o nascimento de Scotty . fosse lá o que fosse. Então. procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. mas fiquei profundamente magoado . P ortanto. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. Não me incomodei com ter de deixá-la em paz.prosseguiu Paul. desceu a escada com Scotty. Era tão li nda. Ela perdeu a calma. dando-me um filho. Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. línguas-de-so gra. felizme nte.

Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si. . mas também carrego comigo o remorso. Não obstante. chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta. a única que perdeu alguém. Lembrei-me de meu pai e minha mãe.Num piscar de olhos. pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente. mas ele não escutou. O rio era raso. que obviamente lutava para liberta r-se dela. produzi um som sufocado. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem.Não lhe direi tal coisa! . i sso não seria vingança suficiente para Júlia. de rosto para cima. Pode casar-se novame nte.Mas você pode ter outros filhos. dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio. Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. Rodei pelas ruas a procurá-los. engasg ou-se e vomitou a água.Sinto muito . Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho. Sentindo a terrível angústia de Paul. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. Minha maneira seria melhor. temendo chegar lá tarde demais. Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai. mas ninguém os vira lá. . ainda respirava. Na confeitaria. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra.Esqueça Júlia! . Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões . . De sde pequenina. Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível.Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia. Fazia-o por meio de beijos. estavam sempre acariciando-se e beijando-se. Então.Então. Então. Então. depo is de me despir. Faria eu a mesma coisa? Não. abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele. e Júlia demonstrara um interesse desusado. . Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. Não consegui falar.Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir. como eu costumava faze r quando criança. poucos dias antes do aniversário de Scotty. não. mas Scotty parecia morto. As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas. a quem tan to amava. claro que não. Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. tentei tratar dele. eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. repeti o processo com Júlia. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. Assistimos à Medéia na TV.taria. Mas não conseguiram. Não quero desapontar meu no ivo. Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. mas meu filho estava morto. Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho. Tentei acalmar-me. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty . Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. mas agarrei-me como visgo. esperando vê-los no caminho. olhares ternos e pequenas carícias. perguntei se tinh am comprado balas. mas.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias. Portanto. Mas não os vi. que tossiu. Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado. . Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado.exclamei. Pr osseguiu: . Contudo. cheguei à margem gramada do rio. Júlia matara por vingança. Não abriu os olhos. pelo menos. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. a única que tem saudade e tristeza.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro . Apontou a direção que haviam tomado. A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava. embora não gostasse de televisão. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. Júlia ainda vivia. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. .declarei com voz embargada. . . muito melhor. . Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos. Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia.

Paul. .Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? .imediatamente! . o d om de saber apreciá-la e. Agora. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos. uma expressão f uriosa no rosto. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho. até mesmo um excesso de talentos. S enti-lhe a carne esquentar. . nossa avó nos chamava de filhos do Demônio. Tenta seduzir-me.Paul.Vá dormir. . Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos. éramos desprezados .mas também an siosa e excitada. por isso. Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio . Dollanganger é um nome compr ido demais. enquanto ele recuava em direção à porta. Mas seu lugar em minha vida é o de filha . .Está jogando um jogo perigoso.Não foi uma falha Freudiana. como sempre.. a fim de que eu não lhe visse os olhos. eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas. Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu.Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . . Chamavam-nos de corruptos. Paul foi direto ao meu quarto e.nada mais que isso.Oh! . E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram. é muito linda e difícil de resistir. Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom.Permaneci onde estava.Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança. Catherine Sheffield .exclamei. Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado. se é isso que está pensando.. tive que falar e estragar tudo. . mas. Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas. ..murmurei. Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que. .Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta. Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder.Não me olhe assim. Mais uma vez. Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade . E. doente de desapontamento. . Catherine. caminhando depressa para seu quarto. . Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e. que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele.disse ele da porta.Quando estávamos trancados no quarto. enquanto a chuva fustigava as vidraças. . Ele era como você. Entretanto. Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza.Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências.Não sei como estou olhando.disse Paul numa voz tensa e estranha. ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava.Como me chamou? .perguntei. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros.Acha que os avós tinham razão .Oh! . talvez.Escute aqui. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível. de repente. os lábios cheios e sensuais entreabertos. Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente.até mesmo os gêmeos.. . . a menos que seja em legítima defesa. envergonhada . acariciando-me sem usar as mãos. Paul sorriu. parando ao lado d e minha cama estreita. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam.? . fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver. Vocês não são maus. . Portanto. . ultrajada. Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado. Catherine . Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada. tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. Sheffield seria uma escolha bem melhor. . onde entrou e bateu a porta com força. Tenho certeza de que eu não resistir ia. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada. hesitou. tão pequenos e adoráveis. se eu ficasse calada. eu diria que acertaram em che io.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar. grandes demais para seu tamanho e idade.

E eu sabia que era má. Chris. Carrie e eu. surpresa. principalmente os que já passavam dos quarenta anos. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m. para beijar-me a mão. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. seria obrigado a procurar outra pe ssoa. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. Após algum tempo. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. cansada.às vezes. Pa ra onde iria a fortuna? Parei. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens. de modo que não mencionei o assunto. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. pois não ex istíamos como membros da família Foxworth. Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas. Simpson. E Chris me odiaria. . Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava ... então.como di ssera minha avó desde o início. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso. não teria o mínimo remorso. abatida. enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. declarando sa ber o que queria. Então. viravam-se na rua para olhar-me. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. até chegar ao topo. sem eles. por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. confusa. Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos. Estaria velha.É a mulher mais linda e talentosa do mundo . Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso. eu podia p rovar que Cory existira. sem precisar v ender o corpo. Então. Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto. porque eu tornaria tal coisa impossível. E se eles ficavam maravilhados. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . rejeitando-me.especialmente Chris e eu. Ele não se afastaria. Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. mais ainda ficava eu. embevecido. Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. nascida para ser má . acompanhada pelo marid o. Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. seria a minha palavra contra a dela. Quando eu esperava o ônibus na esquina. procurado refúgi o nos braços de meu irmão.diria ele. Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via .para dançar cada vez mais. E isto seria uma lição para Mamãe. E havia também nossa antiga babá Sra. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. que só sa bia bordar e tricotar. . comecei a planejar t udo. Comecei a rir. ele não acreditaria.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. abandonada. A princípio. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa. numa ocasião de sofrimento e miséria. D epois. Se isso era pecado . A culpa seria toda minha. os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos. acabaria acreditando. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor. jovens e velhos. quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha. e Jim Johnston. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. embora eu não soubesse o que eu queria. E le não desejaria magoar-me. uma jovem linda.Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário.

Por que não é feliz. sim .e não fazê-los a si mesma. Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério.disse Chris da porta aberta. Oh! meu Deus! .Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. de repente. os estudos de medicina. nem suas mãos tão grandes. menos as do vestíbulo. roçando de leve os lábios nos meus. Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa.The Plantation House. Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa.repliquei na defensiva. quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha. Entretanto. não o seu. Chris. ao contrário de você. Descemos a escada de mãos dadas. Estou ganhando terreno sobre você. aguardando. .Feliz aniversário.V amos. . . Você é tão bonito quanto Papai. Desviou outra vez os olhos.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora. É o meu estilo. Cathy. . . uma combinação extr emamente atraente. Não ob stante. Tentou circundar minha cintura com as mãos.Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim. apagando as velas. dando-me ao tra balho de usar o curvex. mas a circunferência não era tão pequena. com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores.disse ele. dese jei de olhos fechados. Henny também. Paul e Carrie já estavam prontos.Isso me parece cinismo. Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso. agora. Chris? . A casa parecia esquisita. Então.repliquei comum largo e ardoroso sorriso. Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. Chris parecia mais maduro e bonito. De repente. é difícil viver longe. desejei não ter tomado conhecimento. cada uma menor que a inferior. . elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim. num leve beijo que não ousava passar desse ponto. . Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. . mas coloquei-a assim mesmo .Diria que estou melhorando com a idade? . minha Lady Catherine . Estou linda ou apenas bonita? .rante favorito . mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho. estão correspondendo às suas expectativas? . incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. Fui realista . .o serviço completo. . com todas as luzes apagadas. preferiria ser bailarino. algo que o fazia parecer muito.Tenho medo de que ninguém me elogie .O que perguntou? . de ter resolvido ser médico? Em vez disso.Portanto. mas Chris baixou-os par a ocultá-los.A vida. que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . tão silenciosa e carregada de expectativa .disse baixinho. Mamãe.Minha Lady Catherine . Meu rosto não precisava de maquilagem. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava. sempre a imaginar o que você andará aprontand o.Sim . No duro. .perguntei.Não me respondeu.Está muito linda. muito mai s velho que eu. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário. Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos. Cada vez que vinha para casa da escola. . .Está linda. não gostando de ser lembrada da velha.disse Chris numa voz engasgada e esquisita.Você está fantástico.A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse. declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente.A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e. um coro berrou no escuro: .tão fan tasmagoricamente escura. Gosto da escola e das amizades que fiz. tomou-me a mão: . ainda si nto saudades de você.O que corresponde às nossas expectativas? . . Chris . deve esperar elogios dos outros . Que g ozado! Então. Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar. .

o rostinho feliz e corado cheio de sono. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo.disse Chris num tom gelado. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas. sapatilhas. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé.Alegre-se. Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde.bradou Chris. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. Em frente a mim estava Julian..quis saber Julian. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes. Além disso. Não sei o que ateou fogo à lenha. pregados nos meus. eu o detestava quando se comportava assim. mas.Você! Seu.Não. que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé.Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? . Com lágrimas nos olhos.retrucou Julian.Mas possuo outras habilida des. . . Na verdade. Carrie mantinha-se colada a Paul. Afas tei-me dele com uma pirueta. em novembro passado..Talvez seja verdade . repetiam mudamente a mesma pergun ta. . de repente. dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si. Chris e Julian estavam num ca nto. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo. É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. sem desviar por um instante os olhos de Julian. quase num sussurro. com exceção da festa de Chris.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados. Estremeci. .disse Carrie.respondi. . cujos olhos negros. . Quando chegar a hora. ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão. pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade. o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão. .Cathy . Mas fiquei calada.. E assim terminou minha festa de aniversário. Sempre que eu procurava o olhar de Chris. com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva.. Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas. . . .tornando-me mais velha e esperta a cada dia. Cathy . Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul. uma cintilante e transparente rosa de cristal. prestes a gritar para que parassem de di scutir. . estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade. Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. observando um de cada vez. Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente.Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! .Por que parece tão triste? . Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro.Boa noite. furioso. pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum . pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e. etc. Segurei os pedaços do objeto.chamou Chris.bradou Julian. . . Paul se ergueu.É a melhor festa de aniversário que já vi.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! . pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro. Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras.Não me importa o que você pensa! . Julian lançou-me um olhar raivoso. com todos indo embora parecendo embar açados. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. que se aproximara para me abraçar. discutindo e prestes a se engalfinharem. . Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite. produzido por um cigarro que alguém deixara cair.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! . era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois. pois agora tem-me a seus pés. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva.

qualquer coisa que for preciso. Christopher! . nem de longe.começou num tom magoado. Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo. espantada.respondi com voz embargada. contendo-se para não me interromper. Logo subi para meu quarto.Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. . quando poss o estar com você e Carrie. Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo. teríamos que pagar um preço por isso. Mas. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível.Quero que se mantenha fora de minha vida. pensan do que pode fazer o que bem entender. . muito obrigada pela linda caixinha de música .Ótimo. onde verifiquei.O que deu em você Cathy? . .repliquei furiosa. .declarei.respondi.Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista. Acertei? . Agora. . Enfrentei-lhe amargamente o olhar.Mais uma vez.Era uma linda rosa . exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros.implorou Chris. se julgar necessário. . Cathy. que Chris me aguardava.indagou ele com ar feroz. . Importo-me muito com o que você pensa. também! Chris ficou muito pálido. muito recatada e pura. sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa.Sim .O que está havendo entre você e Julian? .. . eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul. mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas. . mas estou dilacerada por dentro. .disse eu. vá dormir.E sei que custou caro. O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas.Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem.Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar. Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? .. Sempre pre cisarei. embora não tivesse pensado no assu nto. mas fui obr igada a abandoná-la. engasgada. Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos.Não passa de uma quinqui lharia barata. Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas. desolada e sem esperanças. . meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina. Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! . Sempre posso comprar outra. Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo.. eu preciso de você. .. sou tão necessário em sua vid a. . Christopher! Farei o que tiver que f azer. e o estávamos usando. .Cathy . Na realidade. infeliz. embora não fossem iguais.Meta-se com sua vida.Não se preocupe com a rosa . levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios. . mais cedo o u mais tarde. a fim de compensar tudo o que p .Certa vez. Morro de medo quando penso que.retruquei raivosa.Farei o que for preciso! . enquanto eu devo ficar quietinha de lado. Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos.Chris . Vivo em função dos fins de semana.disse Paul às minhas costas. . Parece sonolenta. . . Não se afaste de mim. Comprar-lhe -ei outra. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta. E também lhe darei algo melhor quando.Detesto cada palavra que você acaba de dizer. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. Esqueça a desordem: Henny limpará tudo.Nada! .Esqueça. de todo modo. portanto. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero .Não minta para mim.nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você. . Minha voz se embargou e não consegui continuar. Voltei-me para encará-lo..Não tento dizer o que você deve fazer. se encontrar a duplicata.

Em outro dia. Gostaria de saber . El a sabe mais que ele. Por algum motivo.Oh! num jornal da Virgínia. via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições. Medo de ser como Mamãe. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes. Julian me ignorava. mas também com Lorraine. e o indefectível pórtico bra nco. pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . revendo os jornais antigos. Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato.Aguarde ao menos mais um ano. pois esta é também a estória dela. pouco a pouco.Onde encontrou isto. .Ela está novamente na Europa . "A herdeira de uma das maiores fortunas do país". Portanto. Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. eu estava estabelecendo mi nha estratégia.Não! Claro que não! Seus braços me envolveram. pois.comentou ele num tom esquisito. narrarei um episódio na vida de Carrie. mas apenas por fora. não tenho certeza do que seja o amor. Não. Minha beleza não era simplesmente superficial.Você permitiu que ele lhe fizesse amor? . o objetivo d e Julian é também o meu. Tinha medo. Quando vinha visitar os pais. Percorri a pé quinze quarteirões. seria melhor ela estar bem preparada. fiquei magoa da e ressentida. que encontrei numa banca da cidade. não apenas com ele. diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me. até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco. Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário. mas. não em Julian. Calculei que Chris o tivesse afugentado. minha melhor amiga. Cathy? Sacudi os ombros. Escondida num canto. Para meu grande deleite. E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. tanto . . onde pesquisei a respeit o da família Winslow. eu não era como ela por dentro. Por outro lado.Madame sempre me diz isso e acho que está certa. Entretan to.erdi e sofri. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo. Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris. onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação. obrigando-me a erguer o rosto. Confie em Madame Marisha. fabulosamente rica e muito linda. Julian quer que eu vá com ele para Nova York. fui à biblioteca pública de Greenglenna. encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. apertando-me. paradoxalmente. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. Mamãe teria notícias minhas . .Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora. quando eu também fosse rica e famosa. Fez uma pausa. Quando me olhava no espelho. . Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. Na prefeitura local. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. Julian diz que me ama e que cuidará de mim. Todas. com uma expressão morta. arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. Eu era um instrument o de desejo. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora. . também. cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna. ou de que ele realmente me ame. Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir.indagou ele friamente. do q ue existia dentro de mim. com ornatos brancos em volta das portas e janelas. por que motivo viaja tanto pela Europa. detestava-me por ser seu reflexo vivo. . Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária . Cathy.então.

À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. revendo o passado. com os olhos baixos. Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama". E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. Dávamos beijos de despedida. a fim de trazê-los para casa. preferindo-as às flores reais. por volta das quatro da tarde. Roupas macias. uma única coisa. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. que logo murchav am e morriam. Em algum ponto dos acontecimentos. seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. seu olhar f icava inexpressivo e resignado.Não estou infeliz . Embora eu a interrogasse. A Srt a. roxas. preocupada. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar. violetas e ver des.pois nunca. chiffon esvoaçante. uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente.e foi uma pista muito evi dente: . Paul levava flores de verdade para Carrie. Era realmente uma escola linda. Eu adoraria estudar numa escola como aquela.até mesmo hoje. colocara almofadas cor-de-rosa.dizia ela. que se chamava Sissy Towers. Eu só podia encolher os ombros. Só isso. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . Dewhurst. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. Agora. com os olhos fixos em Paul. Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave .indagava Chris. basta telefona r". tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo.Gosto do tapete. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato. que jamais exibi a diante dos adultos. Por mais que tentássemos. perdera a confi ança de Carrie. além de um temperamento vingativo e mesquinho. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda. uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu. . Aliás. acrescentávamos: "Se precisar de nós. olh os tímidos e baixos. Deixou-me pensativa. . Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. vozes bem moduladas e discretas. Ao lado da cama. Sobre a cama. Eu a abraçava com força. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . Todas as sextas-feiras. No Sul. pele branca como papel. Carrie tinha uma cama de solteiro. dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar . Carrie passava os fins de semana conosco. Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola.respondia ela. as colegas ou as professoras. recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção. Esta. Tudo em Carrie me preocupava. adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. Atualmente. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola.O que há de errado com Carrie? . Mas Paul olhava para mim. tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna. Disse apenas uma c oisa. jamais. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola. parece grama colorida. porém. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. tentando adivinhar o que a perturbava. não para Carrie. vermelhas. rara mente ria.quanto minha e de Chris. mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. um tanto apática. era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo. para expressar seus sentimentos . . mas Carrie não me dizia o que e ra. implorand o-lhe mudamente. Sempre que possível. passiva. pensando melhor. por estranho que pudesse parecer.Sim . Sissy tinha cabelos cor de tijolo. Carrie se tornava muito calada. Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris.

. . aquela cor se tornara detestável para nós . John. garotinha dos olhos grandes..Acho-a bonitinha .. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas.Agora. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados.proclamou Sissy. conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça..ordenou Sissy. . O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. ela nunca diz nada. Carrie encolheu-se ainda mais. circo. Sissy Towers adorava o amarelo. Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. anã. imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros.Deixe-a em paz. Entretanto. passou a gritar: . sem parar. . enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: . sensacionais cabelos l ouros e. Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. de tamanho n ormal. Carrie estava na terceira série.cantava ela num refrão.Carrie é anã.Você tem língua. Sissy.Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula.. bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s.declarou Lacy St. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o..Vejam como ela treme. anã.. cutucando-a com a ponta do pé.Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes . . que olhou para Carrie com piedade e simpatia. até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo.Claro que não é bonito! .Carrie devia estar no circo. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais. Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado.insistia Sissy..Estão vendo? Ela não tem língua! . seu unif orme era de tecido inglês amarelo. indesejáveis e detestados. Para ela. O que você e stá fazendo não é bonito. . E naquele dia..replicou Sissy com uma risada. . pulando no mesmo lugar.. o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros. Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado. ... O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado. o que era de causar uma pena infinita. . circo. Depois. . Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa. começando a chorar. O sol era o que Cory mais desejava ver e agora. . .livre antes do jantar às cinco e meia. exceto uma menina de dez anos.Vejam o que me deram como colega de quarto: u . que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não. desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie. pulou para a tampa de sua escrivaninha e.. com um gracioso avental de organdi por cima. com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura. as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s.Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe.. fez uma pirueta e abriu os braços.como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. assim como para Chris e para mim. Vejam como chocalha. . . O assoalho permaneceu sólido e duro. dispa-se. fazendo-nos sentir perniciosos. Então. anãzinha .qualquer que fossem as conseqüências. anãzinha? Vamos.. a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico.. Oh! sim.

Quer brigar comigo? Vamos.e. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. Longhurst: . as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto. meu pai é mais rico que o seu! .Vamos. com o busto prestes a saltar do generoso decote . o rosto arranhado por unhas.e até mesmo uma delas. a Sr ta. rolavam atracadas pelo chão. Girando sobre si mesma. . os olhos fechados com força. John! Além disso. não me sinto bem mora . Uma delas. enquanto a Srta . com ar de culpada. Srta Longhurst! . dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros. davam pontapés. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. atormentando Carrie desta maneira! . a professora que u sava o vestido de gala vermelho. Todas se calaram.Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto. como Carrie. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos.quis saber a Srta. que continuou a berrar.. Ela é como um neném.Onde está o homem.ordenou a Srta. Intimidada. Diga-me o que preciso fazer. Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera.Repita o que acaba de dizer. . que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia. Srta. Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha. Dewhurst. Erguendo a voz tonitruante. Longhurst. maldosa e ruim. Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal.e acima de todo aquele barulho. . ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. Dewhurst. . Towers. Isto já basta. se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam .re plicou Lacy. Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy. a Srta. . Todas menos Carrie. num vestido de gala vermelho . famosa por não ter complacência em casos de tumulto.Acho que você é mesquinha.Não há homem algum aqui dentro. Naturalmente. mordendo. . manc hando de tinta a página do livro de registros. Sissy.Controle-se. . arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. . Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. que não eram raros. Sissy sorriu nervosamente. as outras gritavam. puxando cab elos. Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo. Sissy pisou com força o pé de Lacy. Longhurst. . Deixe-a em paz.Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça.quis saber a Srta. limitava-se a gritar. rasgando roupas .Foi ela quem começou tudo. aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. observando. o homem? . Começou a gritar. Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. enquanto as o utras se mantinham afastadas. faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você. comandou: . depararam com uma cena apavorante. ficou repentinamente imóvel e calada. Usando roupões de banho. Dewhurst.Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle. numa atitude protetora. Lacy St.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto. Horrorizadas. negligés .. Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz. Tudo foi culpa de Carrie. as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras .Por que essa criança está gritando? . Eram oito horas da noite. pior que tudo. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional.as professoras correram em direção ao t umulto. Dewhurst.ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie. Então. . Srta. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então.

não visitará sua família neste fim de s emana. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e. controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta.berrou Carrie. agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar. Towers. não tend o a seu lado alguém que a amasse. E nossa avó fazia coisas terríveis.Sinto muito. era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu. . cada uma se apresente à Srta. Paul. Carrie ergueu os olhos. De agora em diante. Na sexta-feira.. M esmo que se limite a gritar. Não consegui afastá-la do pensamento. Agora.Srta. É pequ ena demais para poder causar algum problema e. correndo o olhar pelo quarto. Dollanganger. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão. . Agora. ficará alojada no a ndar térreo. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. e a Sra.Srta. sendo Carrie uma delas.É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana. via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo. . temi. Dollanganger. Cathy. para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. . embora você não concorde. a menos que me responda. E. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você.o Sr. que chegara para passar o fim de semana em casa.A Srta. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . Littleton. estendida ao comprido no chão. .Eu a odeio! Eu a odeio! . Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul. realmente. Dewhurst ficou emocionada e confusa. portanto. Quando fechava os olhos. A Srta. bem como seu lindo e . castigar as outras. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. pousando o garfo no prato. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. eu respeito a Srta. não pode explicar o que aconteceu? Agora. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado. onde poderei mantê-la sob vigilância . Só quando a Srta. Chris. tomou a palavra para con cordar com Paul. Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. inclusive a bonita Lacy St. Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre. continuou balançando a cabeça de um lado para outro. Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela. numa atitude histérica.declarou a diretora. Parkins. sem parar. saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. ao mesmo temp o. As alunas soltaram gemidos e. Ela estava bem! Tinha que estar. Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. você é excepcionalmente cruel..Srta. Dewhurst.Claro. Cathy . Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem. Carrie reduziu os berros a uma lamúria. A Srta. Não obstante. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos. e surda. Por favo r. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas. preocupei-me por causa de Carrie. atendi o telefone quando a Srta. . Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens. pode deixar qualquer pessoa maluca. portanto. Ener vei-me. até que finalmente a Srta. . usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas. O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. d e algum modo. não é justo castigá-la também. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora. no quarto ao lado do meu. . estava sozinha e consciente do fato.disse ele. . Dewhurst encarou friamente Sissy Towers.Francamente. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. John. também! . uma por uma.Quanto ao resto de vocês.

enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. como você. transformando-se em paus. fantasmagórica inuava encolhida no canto. Cathy . entrara m no quarto de Carrie. Não gosto do escuro. Paul levar-me para aquele lugar. Parkins à direita e à esquerda. Assim.Mas importava-me muito. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las. Se sobreviver a esta noite. apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. . Foi Lacy St. veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta. Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias. como se eu também tivesse virado madeira. Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e. Depois.. Fui para um canto e agachei-me lá. Clara . Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. Cathy. todas aquelas meninas de camisolas compridas. desta noi . A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas . Para Carrie. Embora não devesse fazê-lo. Parkins. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. multiplicada uma dúzia de vezes! . tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. Carrie Dollanganger.sussurrou-me Carrie com voz embarga da. tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto . Senti-me rígida. E eu ali sozinha. Carrie escutava as meninas sussurrarem. No escuro. E odiei você. através de outras pessoas. e o quarto parecia tão grande e ameaçador. tomei conhec imento do que aconteceu a seguir. você. não tema .disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. aconteceu-me uma coisa esquisita.. Todas as minha s bonequinhas desapareceram. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo.Então. Paul desejavam. mas só quand o a Srta. . Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita".disse-me ela mais tarde -. mas. Insistia em fazer-me sentir corajosa. e a Sra. mas. Então. Cathy. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa. Cada uma delas trazia uma vela acesa. . Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele. não o era. .Eu sempre guardava o Sr. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. . já mergulhada num transe de pavor. Doze meninas. passeando nos jardins com Cory e Papai. quando olhei não encontrei o bebê. com Clara entre eles. pois ela seria melhor que ninguém. desta feita.só que. à espera de que algo de ruim acontecesse. Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. Formaram um semicírculo diante de Carrie. sem conseguir enxergar direito. .querido bebê. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito. na realidade. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos. eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer.lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito.Não chore.e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão. mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. na última gaveta da minha cômoda. além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível.Estava tão escuro. Mas quando olhei. Se for bem sucedida. passando por esta iniciação.E. muito depois de meia-noite. e a Sra. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama.Eu dizia comigo mesma que não me importava . já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz. Chris e o Dr. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar. acendi uma lâmpada.

que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . Desta noite em diante. que devia ser comido imediatamente.Cathy. que dava a impressão de me morder. você. transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho.ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível. agora terá que sofrer. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. nem mesmo escutava o barulho da chuva. Pelo relato entrecortado que me fez do episódio. sofrer. P aul gemeu ao pousar o garfo. de nossas festas secretas. . também. Cathy! . E Cory se foi. Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado . que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão.ordenou a voz auster a.Oh! Cathy.Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas. Debatendo-se. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu. pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo. rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima. .Agora. amordaçada. . emitindo leves gemidos. Então. já frenética.murmurou Carrie.Desapareceram! . .Muito bem.Ohhh! . muito mais tarde. Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se. . os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos . sem produzir som. sentada e deslizando sobre as nádegas. Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. galgando em seguida uma íngreme escada. Car rie sentiu o ar fresco da noite. Dói-me relatar como elas pegaram Carrie. corujinha. Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. ou terá que sofrer. . Gemi. dei um jeito de esgueirar-me para dentro.qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie.Entregue-nos o que mais preza.berrou Carrie. parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. Progredia centíme ro por centímetro.Não tenho nada! .Fique aqui pousada no telhado. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. Foi uma decisão fácil. o que foi ainda pior.As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana . De repente. Então.Chris! Venham salvar-me! Dr . a chuva começou a cair . Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . . manietada e com os olhos vendados. rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. .e Cory continuou a cantar o tempo todo.sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando. Em seguida. à luz do lua r. as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado . com toda a franqueza. . . . ou morrer! Escolha. Paul.Cale-se! .Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! .gritou Carrie. Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar. sofrer! . foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. O domingo amanheceu. . ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or. .. emergiram ao ar livre. . Paul..te em diante compartilhará de nossos rituais secretos.será uma de nós.Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. deite-se ou sente-se quietinha.gemia Carrie.ordeno u a mesma voz ríspida. pa ra tornar-se uma de nós. e de manhã será uma de nós. corretam ente. Senti uma dor terrível. como uma coruja bem comportada . uma voz suave e distante. quando o telefone tocou no corredor. Não cons eguia ver ou sentir nada. Entregue-nos as boneca s: o homem. perto da chaminé.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . de nossos tesouros secretos. temendo que lhe ateassem fogo.Suas roupinhas de criança não nos servirão. as meninas tinham-na amordaçado. não as queremos. a mulher e o lindo bebê. . por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando. vendara m-lhe os olhos. As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais.

. Williamson. a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie.Pare de ficar tão preocupada. Mal consegui conter um grito de aflição. Enviei uma professora ao quarto de Carrie. passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. ou está perdida. Se Carrie tivesse um carát er diferente.Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer. Ela não fugiu.. Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu. Provavelmente . não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta. Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial. Ela está bem? . Ambos me fitavam com crescente inquietação.Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas..indaguei com voz sumida. Se ela não está aí nem a . ferida. Cathy? . temendo o que viria em seguida. causando-lhes preocupações. .Aqui fala Cathy. Esbugalhei os olhos. de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam . Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite. para os serviços dominicais. Segurava-me a mão com força.Quero realmente provar seu so ufflé.Você e o Dr. não chore. Sheffield ao telefone! .exclamei.indagou Paul. não respondeu. espremida entre Paul e Chris.Pois trate de comê-lo . A diretora replicou com calma: . Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. pois é quase meio-dia. a irmã de Carrie. está escondida e não quer responder.Sinto muito. Chris continuou a comer. Então.Como vem dizer que não sabe onde está a menina? .quis saber Paul num tom feroz.Aqui fala Emily Dean Dewhurst . Eu estava sentada no banco dianteiro. mas devo dizer que não sabemos onde ela está. Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha.. .Onde estava ela? .. as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela. . nem mesmo quando Cory desejava. e e u perguntei onde ela estava.Srta. . chame imediatamente o Dr. e .respondi.. recebíamos a notíci a num tom indiferente. Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone. Paul riu baixinho. Aos domingos.Incomoda-se de atender. Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa. ou sofreu algum acidente.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada. levantando-me de um salto e correndo para o te lefone. Eu disse tudo errado.Residência do Dr. Sheffield devem vir aqui imediatamente! . dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: . Chris beijou-me o rosto. eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa. . .. enxugando-me as lágrimas. lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo. sentindo-me aterrorizada. já alarmada. Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo. a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie..Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra. Meu coração ficou aos pulos. Dewhurst. . Dewhurst! . Ainda assim. sua irmã não foi encontrada.. . Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. mas esta não se encontrava lá.disse ele. vamos.Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso.. . Paul Sheffield.Você conhece bem Carrie. . . do porão ao sótão. Tem muito medo do escuro. Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se.disse a voz ríspida na outra ponta da linha.Srta. sem fazer comentários. Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. Carrie está bem. . on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. Meu irmão trouxera sua mala. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas. Peguei o telefone. Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco. ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola. . Cathy . já teria chegado aí há esta hora.Agora.P or favor. Mesmo assim. Mas ela não me deixou terminar.

Dewhurst explodiu: . a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir. Paul Sh effield. impaciente.declarou a Srta. Este era forrado e apresentava um volume sus peito. que me fez encará-la fixamente. se eu tivesse a idade de Carrie.Você aí . .a colega de quarto. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. o que posso eu fazer? . . Verificamos os quartos todas as noites. . Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie.disse eu. Chris virou-se para fitá-las com uma carranca.ncarando friamente a Srta. Sheffield.Na verdade. ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas. Só faltavam as bonecas de porcelana. aliviada por escapar à fúria do médico. jamais aconteceu antes algo semelhante. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. Talvez fosse apenas o olhar. Dr. A Srta.Meu caro jovem. Mas eu não era Carrie. a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas . Emily Dean Dewhurst. Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim.quis saber Paul. me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião. nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. Imagino que saibam. procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. . cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado. Todos os pequenos uniformes de Carrie. lá estavam guardados com os suéteres. chegamos ao quarto de C arrie. mas Se não quiseram fa lar. várias alunas vinham em nosso rastro. . virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to .Nós a encontraremos.É a colega de quarto de Carrie.Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? . Dewhurst. Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida. Enquanto subíamos a escada. . tomei a palavra. vestidos bo nitos . Nunca perde mos uma aluna.Procuramos em toda parte! . mas andava de um lado para outro. Por algum motivo que não sei explicar. Quando. Dewhurst. blusas. Dr. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie. feitos so b medida por Henny. saias. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie. não é? .As bonecas não estão aqui . de modo injusto. ninguém tortura minhas meninas. assegurou: . mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso. Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho. que afirmam nada saberem a respeito.Até onde consigo perceber. A Srta. tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os. .Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana. Então. desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. . Verifiquei-a pessoalmente. tentaria fugir de uma escola que. mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo. inquieta . Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou. mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. E Carrie estava na cama.tudo. embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". Ora. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola. não entendendo a presença dos gravetos . Natur almente. a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio.declarei atordoada. afinal.

Onde. mas nunca o revelaria. avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela.Não é da sua conta! . .chamei. concentrando-me totalmente em Carrie.Sua diabinha mentirosa! . Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse. chame-a você também. como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me.comentei.explodiu Sissy. As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados. louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido . .O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? . Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: . mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela. Dollanganger! .respondi.qualquer telhado! Voltei ao passado. indaguei: . . Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado . onde não existiam sons.perguntei. Chris.Carrie.Srta. encarando-me raivosamente com ar desafiador. Dewhurst! . E.Agora. e Sra. Towers! . abraçando-a p elos joelhos. Para pegá-las. usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul. quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall. Carrie precisava de auxílio . Tinha certeza. .Srta. ela teria que passar so bre o meu cadáver! . onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro.e depressa. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos. Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy. apertando raivosamente os olhos penetran tes. Parkins e o bebê. a fim de crescerem normalmente. empoeirado e escuro. .É minha bolsa . Enquanto ela gritava e resistia. Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto.Quero procurar pessoalmente no sótão . curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers.Meus pais me deram essas bo necas no Natal! . . eles tinham esperneado e berrado. colocando a mão atrás das costas. Proteg i as bonecas.As bonecas são minhas! .Srta. Carrie estava ali. onde ? Então.. mentalmente. embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes. . Dewhurst. enlouquecidas pelo medo.advertiu severamente a Srta.Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: . onde. Num gesto repentino.disse eu à Srta. C errei as pálpebras com força.Responda à pergunta da Srta. Foi então que Lacy St. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo.berrou a moleca. se consegue escutar-me. quase fora de mim. Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr. Queremos levá-la .disse Sissy Towers. .Carrie! . Dewhurst. saiba que sua irmã diz a verdade. Segurando as três bonecas. o mais alto possível. Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira. Do lenço caíram o Sr. não conheciam Carrie tanto quanto eu. Eu podia sentir isso. agredindo-me. .Uma bolsa bem grande . Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada. . Dewhurst. E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia.Sou eu. Entretanto.Roubou estas bonecas e o berço do bebê.É mentira! . quando entrava em estado de choque.disse a ruiva. .O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim. postando-me diante dela em atitude ameaçadora. não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado. sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie.Era .Suas? Pertencem à minha irmã! .murmurou a garota. como crianças desvairadas. Contudo. . John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão. . Clara. Paul. Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie.Onde está minha irmã? .

. erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim. faça exatamente o que digo. num ângulo grotesco. Uma pessoa adulta não o conseguiria.Carrie. a fim de segurá-la por baixo dos braços. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. Mas eu poderia chegar até ela.sussurraram Chris e Paul a um só tempo. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança.Diga-lhe que a perna vai doer. como encontrar. . A perna de Carrie estava torcida sob o corpo. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. . fiquei junto a Carrie. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira. estavam as três bonecas de porcelana. . chorando de dor na per na. . Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal.quis saber ele. ainda de camisola. Mais uma vez. Não se incline para a direita ou para a esquer da. procuro esquecer! . sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama. Não l he mostrava todos os recortes. . o berço do bebê também estava faltando.Não estamos tão ma l.Meu Deus! . Desculpe-me. ele puxou . Paul? Sua perna doerá.depressa e com força. enquanto os caixotes tremiam e balançavam.A perna parece quebrada. Carrie. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí. P aul gritar: . de modo a não arranhar o ros to. portanto. Corri naquela direção. Enquanto falava. vendada e manietada. Carrie. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas.Espere um minuto . suja e en sangüentada. Em algum lugar atrás de mim. Paul tratará de sua perna. Pensei que você fosse gostar daqu i. . escutei o Dr. Os cabelos louros brilhavam na luz difusa.como buscar. odiei violentamente Mamãe. Quando segurei Carrie pelos ombros. . Foi então que me lembrei: agora. Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados. piscando porque a luz lhe feria os olhos.No jornal de Greenglenna. aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr.Ao contrário de você. O Dr. Era incrível que Carrie. enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte. avistei Carrie. Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel. Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar.Agora. Também ainda estava vendada e amordaçada. Paul nos seguiu em seu carro branco. Em meio à confusão. Nossa mãe é uma notícia quente. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr. exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás.replicou ele. Carrie ag arrou-se a mim. Mantenha a cabeça erguida. Cathy! Então. Rastejarei até aí. escutou o que disse o Dr. Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie.acautelou Paul em voz baixa. venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. Bem à nossa frente. faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. você sabia? . com Chris nos calcanh ares. planejei o modo de agir. Veja aqueles caixotes. Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie. Conhecíamos sótãos . Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. sem pensar. pois ainda er a suficientemente pequena. A culpa era dela . impedindo-nos de viajar para o Norte. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora.Onde arranjou isto? . irritado. toda rasgada. uma professora gemeu e começou a rezar. E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra.Carrie. Agora. enquanto o Dr. entendo que não poderia ser feliz na escola. Paul desatava os nós que a manietavam. . comparecendo a festas. Em seguida. segurando-me pelos ombros quan do eu. S entamo-nos no mesmo banquinho. Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes.definitivamente para casa. . Paul planejara para todos nós. fiz menção de correr em socorro de Carrie. retirando-lhe a venda e a mordaça. com sorrisos fixos e corpos rígidos. estava na Riviera francesa.

eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo.Se ela crescesse como uma criança normal. Como era tão belo e forte seu jovem marido . você não a ama mais. Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. Cathy. colando-lhe o tecido à pele. Abraçamo-nos. o que me fez o sangue ferver de raiva. por que as lágrimas? . ao mesmo tempo. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. Cathy. perguntei: . porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim. Chris beijava-me com ternura. Dos que já não lhe pertencem. você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso. era apenas uma semelha nça superficial. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. na varanda. No entanto. chorando-lhe no ombro. de sol e de liberdade. Entretanto. Era sábado e Chris estava em casa. primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões. Quando consegui falar. invernos. Parabéns e meus melhores votos de felicidades. Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão. primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. ela não cresce muito. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade.Naturalmente. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento. creio que poderia existir esse risco. desejando tê-la de volta. ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia. não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. Contudo.Você a ama! . tão refre scante e agradável. As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça. que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía. Foi um verão maravilhoso nas montanhas. E stava lá fora. era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . não é mesmo? Ele hesitou. Winslow. resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. Eu queria que se fosse e. . a boneca que reza para crescer e o boneco morto. Chris me odiaria por fazer aquilo. sendo "quase" médico.Como consegue. eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. . Ele m al conseguia conter as lágrimas. E espero que todos os seus futuros verões. . Como me recordo de sua lua-de-mel. Toda vez que olhava para mim .Ora. deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama.exclamei.Chris. meticulosamente. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s.alto.indagou. a boneca bailarina. Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse. E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. Sra. enquanto eu continuava a soluçar. Chris era exatamente como Papai. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! . o boneco médico. Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. E u nem mesmo notara o fato.que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia.. agarrav a-o com força. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. Naquela noite. . Winslow. . admirava as de seu marid o. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra.Ora. . Privada d e amor. invernos.repliquei furiosa. trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas.

mas sempre ficava de f ora.Estava apenas procurando reconfortá-la .Gostarão. Chris e eu. Em lugar disso. com as mãos unidas sob o queixo. E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. Quando o outono se aproximou. você aí. Minha mãe de v erdade. magoa-se tanto . Ao fazêlo. Logo setembro chegou.declarou com voz embargada. amedrontada e chorosa. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga. Então. de onde ela voltasse para casa todos os dias. afinal. .chorava ela com o rosto enterrado em meu colo. pois dava importância . por ser o que sou. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo.E. Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. .Pare com isso! . Ei. Por favor. por favor. .. Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura. . Olhe para baixo. Chris. dava-lhe minhas preces. mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. E nem mesmo gostam do que tenho de bonito. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe. Portanto. Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. Depois. me u Deus. . Veja-nos aqui. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração.dizia-me ela. Muito pelo contrário. Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. . e rezar de cabeça baixa. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. Cabelo de Anjo.Ninguém gosta de mim. mas só topava com desconfiança.Cara de Boneca. Cathy! . beberica ndo vinho. meu Deus! Ela é tão jovem. passou-se novembro. Portanto. Senhor Deus. por favor. já sofreu tanta coisa! Seja bondoso. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão. três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus. Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã. odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta.ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa. Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional.Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada. o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. Não se transf orme num monstro. Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa. perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa.e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. ela recomeço u a andar tão bem quanto antes. baixinha . certamente o faria de bom gra do. . Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus. Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo. Acima de tudo. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. não se preocupe com os out ros. a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. mas sentia-me impotente. comparando minhas proporções físicas com as suas. Mais cedo ou mais tarde. Eu estava na aula de . h ostilidade e ridículo. . .Ninguém g osta de mim. faça Carrie crescer! Por favor.Cathy . Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. E você tem a nós todos.Por favor. Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que. Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado.Eu não presto. permita-me crescer um pouco mais. que a amamos e admiramos.

Ced er-lhe-ia parte da minha altura. Chris arranjou emprego como garçom num café. Em agosto. para torná-la mais comprida.Eu lhe respondi que.balé. tinha notícias. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra. Agora. que não lhe fazia justiça . parou de reclamar do próprio raquitismo. Eu tinha certeza de que ele respondera com amor. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. Durante as férias de verão. seria um processo muito doloroso.replicou ele com voz tensa."Tenha paciência querida. "A Sra. Quando eu saía. Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. preferia não respo ndê-las. mas não cons eguia encontrá-la. e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r. se tivesse tal máquina. vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". Eu lhe falhara. Madame.aqueles grandes ol hos azuis. Com o t empo. riqueza e felicidade. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna. tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava.o que era raro.Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja. enquanto ele prosseguia: . Cathy. bondade e compreensão. Necessitava de uma companheira de sua idade. Às vezes.Carrie se aproximou de mim. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde. Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta.A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . .revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua. redecorada e mobiliada. . ela se to rnava a sombra de Henny.Estou procurando . em especial . mas sensacional. Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. Você está mais alta que quando chegou a esta casa. sem zombar ia. Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges. Mas seus olhos . Quando estava em casa. Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. muito tristes e desolados . recém-reformada. Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. eu julgava. se as recebia. Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. De rep ente. a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional". A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. Ora. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow. das sete da man hã às sete da noite. . . Todas as noites. poi . tornaria a partir para a Universidade de Duke. Suspirei. crescerá mais. Carrie gastava o tempo andando no balanço. Outro ra. de ombros caídos e cabeça baixa. . mas isto não ocorreu. E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente.perguntei a P aul. se fosse possível. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar". maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. brincando com suas bonequinhas de porcelana. pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. ou. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse.

pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. eu estudava como uma louca. Minha formatura seria no final de janeiro. tão cultivada e aristocrática. A linda mãe a quem eu tanto amara. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. como Carrie. É claro que não podiam. fazendo-a cair. Poderia também passar-lhe uma rasteira. vi-lhe o perfil. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. que ainda desej ava uma mãe para amar. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes.. Ousei aproximar-me. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. evidentemente satisfeita. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. e. descontro ladas. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. sem um único sobrevivente para explicar o motivo.e o que faria eu. Minha mãe assassina. à minha frente. Os dias de outono se escoaram com rapidez. Naquele dia. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. Oh! meu Deus! Minha mãe. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade. certa mente. ab raçá-la chamar-lhe o nome. não estava pendurada num cabide. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado. Era uma das mulheres mais ricas da região e. Minhas emoções turbilhonavam. os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. Quando me far tei de olhá-la. Por que. Ainda não era rica ou famos a. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. Se ela virasse a cabeça. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. Em Greenglenna. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. A voz dela era doce e suave. voltei a atenção para o marido. Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. pois outrora eu a amara tanto. Que estranho! Atualmente. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. mas eles não se voltaram para ver-me. Não a abordei. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. absorvendo seu tipo especial de beleza . Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua. vieram também da Inglater ra. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. Depois da Revolução. de modo a ficar bem atrás deles. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. encontrando a colônia abandonada.. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. avistei na calçada. tive vontade de correr para ela. Então. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. Suspirei. confiara tanto nela. para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. Contudo. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. gostaria de fazê-lo. Chris partiu para a universidade em agosto. ousei arriscar-me muito. deixando o rosto inteiramente à mostra. Eu procurava minha mãe e esta. Ergui os olhos da página e fitei o espaço.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava. e observá-la perder a pose e a dignidade. naquele caro costume cor-de-rosa. Seria gostoso. Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados. d e repente. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. uma das mais afortunadas. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. também. no século XVIII. certamente me avistaria . Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante.

sumiu. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio. Estavam em Greenglenna. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente. Henny movimentava-se atarefadamente. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos. Oh! sim. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos. Naturalmente. ajeitando os apitos. a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra. Quando terminei.viril e felina. cheia de planos de vingança. sentamo-nos todos. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . carregando seu presente. num tom de voz que me levou de volta à infância. ele obedeceu sem protestar. Então. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome. que eu provavelmente não tornaria a preparar. odiando minha mãe e admirando seu marido. Então. Uma ja mbalaia crioula com camarão. Lavei o cabelo. Um prato complicado.indagou ofegante. alho. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul. eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário. a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa". cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. um homem veio colocar outro espelho na moldura. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas. Tão logo aquele foi para o forno. Então. arroz.inclusive o aparador.Adorei aquele aparador que escolhemos .disse ela. Acompanhei-lhes os passos. pimentões verdes.absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. .Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. contudo. eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais. c om um furo no meio. Naq uele dia especial. . sumiu! Então. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas. comecei a chorar. . carne de siri. quando ele nunca mais voltou para casa. comecei outro bolo. assim como os pacientes. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço.Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . Encontrei Henny na cozinha. . voltei para casa e esbravejei diante do espelho. Já não usava o basto bigode escuro.de uma maneira que não seria prejudicada. Seria mais que um simples espelho quebrado. Mamãe! Agora. enrolei-o. Tola. . eu me desforraria . está desfeita em pedaços! Sumi u. Lembrou-me um pouco Julian. como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. de safiando o destino a permitir que me avistassem. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre.Cheguei atrasado? . era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa. Posteriormente. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna. . num corte moderno. para vari ar. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos.Só poderei ficar até às nove horas. cebolas.respondi afobada. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade. Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York. Enquanto os seguia. . Algum dia. Mais. Quando as horas se passaram e Paul não chegou. estragaram muitos dos meus planos. O primeiro era úmido e macio.Chegou bem a tempo . sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . morando na casa de Bart Winslow.

Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe . deve ter custado caro. Comemos devagar. . ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens. mas chega agora. .Uma boa safra. Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão. mo strava-se completamente refeito. Tenha piedade de mim. fez a barba e vestiu roupas limpas. que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. . enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno. com três horas de atras o!. Paul. especialmente decorado em vermelho e roxo... minha festa estrag ada. se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso. por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora. . Chris teve que ir embora.começou ele a explicar.pois aquela era a idade que ele aparentava para mim. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz.. Descerei dentro de dez minutos. Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir. preocupando-me. Semanas mortas. . tomei lugar à esquerda de Paul.O champanhe é presente de Chris . depois de soprar as velas. d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê.Afinal. Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo. exclamou. Cathy.redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco. . A certa altura. Fiquei sozinha. ..Em primeiro lugar.Ei!. alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios.indagou Paul. Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata. eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa.E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno.Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida. sentamo-nos à comprida mesa de jantar.Portanto. como se pedisse desculpas. Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo. por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso. restam os apenas Henny e eu. . . .Meu vôo atrasou. Então. Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele. Às dez horas. aquecendo os músculos antes do café da manhã.Se você ainda não comeu.. escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. . Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa. .muito longas.disse Paul em tom humilde.O que acha? . Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet.Estou faminto . Estivera fora de casa durante duas semanas long as . . Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir. ataquei-o raivosamente: . agora. a salada começava a murchar. Carrie começou a bocejar e reclamar. Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. andando pela sala. Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes.Está com uma aparência absolutamente exótica .interrompi.murmurou. . Em cima do bolo. Entretanto.Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto. a idade qu e eu queria que ele tivesse. Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado. Em seguida. Ele veio pela p orta da cozinha.informei. .. Terminada a refeição. Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. Não posso controlar as c ondições atmosféricas. trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas. . Henny bocejou e foi deitar-se. assistindo à televisão. Em dez minutos ele tomou banho. carregando as malas que levara consigo para Chicago.A respeito de quê? . Agora. À luz de quatr o velas.

dominava o panorama. . obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir. A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas. onde o Beijo. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. caso você ainda não tenha conhecimento do fato. . é claro que você notou. Tudo me parecia azul-prateado e irreal. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra. contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris. Catherine. E flerta com todos os médicos. c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me.Muito obrigado. espantado e impressionado. a quilômetros de distância de Paul.Do meu bigode.Está zombando de mim. pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas .. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles . . ele deveria saber: mexericos.gag uejei outra vez. de mãos dadas com ele.Fica bem em você. . os degraus de mármore. tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos. de Rodin. . Ele não notou as lágrimas.. Portanto. muito belas em sua fria e perfeita nudez. apertando as pálpebras do s olhos bonitos.É porque. Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito. . Faz meia hora que não tira os olhos dele. Então. Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul. a o qual homem nenhum consegue resistir).Que linda obra de arte! .disse Paul. a lua grande e brilhando. Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. . respondi: . onde todos os clientes possam vê-la. com vinte e nove anos de idade. Paul Scott Sheffield.declarou. mas três horas de cuidadosos preparativos. A mágica impressão era causada. Catherine . dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas. E agora. atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. deixando o presente de lado. . Deixei-o a rir. sabe a respeito dela? . ne m o lenço que retirei do decote do vestido.A noite está bela demais para irmos dormir . naturalmente. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. Não obstante. com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária.Ora.Como.É bonito . exatamente como Chris costumava br incar comigo. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante. Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero. quando Paul começou a abrir os presentes que Chris. . você diz que me fica bem. Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes. Que possibilidades tinha Thelma Murkel. cheio de encanto e sedução. . . Na minha opinião. Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade.exclamou Paul.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar. ficando vermelha como meu vestido. diabo. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer. não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. mal conseg uindo manter-me alerta.Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo.quis saber Paul. lançando um olhar ao relógio. Vou pendurá-la na parede do consultório.Sinto vontade de passear no jardim ao luar.gaguejei. ela não chega a ser bonita.. com os olhos brilhando. É uma expressão muito fraca. por considerar-me tanto.. Ora. descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. enquanto eu estava bem sob o nariz dele. desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode. manchando a maquilagem. As lágrimas transbordaram-me dos olhos.grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . cheia e sorridente. Entretanto.. Catherine.

mas creio que v oltará na próxima. . Sem a menor vergonha. . Portanto. .Catherine.Catherine . fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. Era bailarina e sabia cair. ofegante. Não podemos permitir que isto aconteça. enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado.Oh! . Balancei-me tão alto.. às vezes não. Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha. . mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos. . queixo.Tudo isso depende. estava aqui.. Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso. Tonta. .Você é apenas uma criança. . Pare de dar respostas enigmáticas.disse ele. Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer . Libertei-me dele.indagou.É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar .Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? .concordou Paul. . par . Catherine . enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas. pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem.indaguei espantada.. com tanta violência e abandono. ombros e colo. Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras. .Julian? . . . beijei-o demorada e profundamente na boca. tapando-me o rosto e deixando-me cega.não com você! Palavras inúteis. Fica esplêndido naquelas roupas.. baixinho. Não. . a próxima semana pertencerá a ele e não a mim. mas não tiv e dinheiro suficiente. . Comecei a balançar-me. Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas.Catherine. que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços.O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta. beijando-me antes que eu pudesse responder. .. tão e mpedernida. Agora. você é totalmente feminina. que minha saia se ergueu com o vento.disse Paul.Tem cabelos negros e brilhantes. Suspirei. seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados.Então.Paul.Machucou-se? . Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos.Depende. estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes. livre no mundo normal .provocou Paul. .Às vezes desejo a companhia dele.gre. Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo. eu não me machucara. A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar. pescoço. trazendo-me bruscamente de volta do passado..mas balançando-me co mo uma louca. corri para o balanço e sentei-me. . Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us.disse Paul. ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços. . quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos. E quando danço com ele. Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: .Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o. . . para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada.De quê? . Por outro lado.É . temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno. . resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu. apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa.Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário. às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. . tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as. caí bruscamente! Paul correu para mim. cada vez mais rápido e mais alto. cheios de desejo. Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento.. Paul gemeu baixinho.dis se Paul.Está em Nova York esta semana.Já reparei nisso. Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo.. rosto.Não sou enigmática.

o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. está? Espero que não desej a. afogando-me neles . Paul colocou-me sobre sua cama e. eng olfando-nos como uma onda de maremoto. fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. mas limit ei-me a ver as fotografias. provocando uma sensação agradável . . Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer. tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim. até que. A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes. Fiquei acordada. Afastei do pensamento o que pensaria Chris. As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. . não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente. fazendo o que me era possível. . sob as estrelas. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. Como era fácil para os homens. sua perna pesada se apoiou na minha. há muito tempo.conseguiu dizer. afinal. Nunca cheguei a ler o texto. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. À distância. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada . Estava tudo estampado em seu rosto. Então. fitando o teto com lágrimas nos olhos.Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo. Se me amasse menos. daquilo que eu certamente não lhe negaria. havia um livro. mas faz muito tempo que cresci. Ele gemeu.. Se disser tal coisa.como ele sentira. ou justamente o contrário. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele. Paul. o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado. Pensa em mim como se eu fosse uma criança. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. Não está arrependida. pois eu o amo e isto me basta. Então. por favor. Portanto. porque. ou ouvira sinos tocarem. você fica aí deitada. tão jovem. com esses in ocentes olhos azuis. começou a fazer-me amor. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava. Por outro lado. Oh! Seria uma felicidade. E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha. Não precisa amar-me. . no quarto ao lado da cozinha. a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. estará mentindo. Aninhei-me de encontro à sua pele nua. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. apenas com o olhar. O luar iluminou-lhe os olhos. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara. E agora. tão desejável. agora relaxado e pacífico. Sei que você me amará como desejo se r amada. apenas nos tocávamos. apoiado num cotovelo. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse .Você é tão bela. vir! Então. fazendo-os brilhar. a princípio. Adeus. gemeu e não resistiu mais. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer.Explique-me uma coisa. Juntamos nossas peles. Chris o lesse. mesmo que se recuse a confessar. afinal. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. você me ama e me deseja. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo.agora. o bservava-me com ar sonhador.Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. sob seu corpo. refleti enquanto desejava mais. vir. embora. . Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir. abraçados. ou sentira-me explodir . sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes. eu não me importo. Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. ter agido de forma diferente. Subiu cuidadosamente a esca da. vagamente marcado p ela satisfação.Catherine.a dizer-me agora que não me quer. meu amor .. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo. Nenhum de nós falava. qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. E eu mergulhei em seus olhos. Christopher Doll . já sem ternur a.Bem. . No meu modo de pensar.

disse ele.Não! Por que não trata de esquecer o passado? . afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama. Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar. para não nos trairmos.Tentarei amá-lo da maneira que você desejar. e voltaria aos velhos costumes . Com que falta de convicção ele disse aquilo. meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. . que exultava em nosso desp rendido abandono.Paul pigarreou. Mas. sabendo muito bem que procurava protegê-l . no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se. tão moreno e perigoso. foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to. Então.Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! .talvez com Th elma Murkel.Porque não sou como você.Não! .Gosto de você como está agora. Apresentava todos os sintomas. Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul. Catherine. . como se o houvesse traído. não me faça amá-la demais . . Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor. na defensiva. mas de pneumonia. tornava tudo dez vezes mais excitante.respondi. eu lavava as roupas de cama. . Todavia. om Henny por perto. sem rec a meu lado.exclamou Chris.Faço .N ova York. como se tive sse medo de que isso acontecesse. Não me restava muito tempo. o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente. por não querer que Chris me considerasse pecaminosa.disse Paul muito sério. com suas arengas a respeito de malícia e pecado . embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: . por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? . Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. . E eu amo Paul . eu voltava a vacilar. Estendi os braços para puxá-lo de volta. que eram duplicatas dos lençóis sujos. por êxtase imorredouro. Agora. justamente por ser tão pecaminoso. Não obstante. Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. eu terminaria o ginásio . pois minha próxima etapa seria . Ansia va por paixão perene. No final de janeiro. Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos. Chris ainda teve mais alguns dias de férias. quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos.Claro que faço. Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. Estávamos à mesa. ficar rígida e perder os sentidos. Creio que devo ser estonteada por raios. . desorientada. Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny. tão generosa. Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall.de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças. eu me sentia esquisita em relação a Chris.repliquei com igual veemência. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade. E creio que a avó. .como os seu s. Nos dias de folga de Henny. Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu.assim esperava eu . peremptório.Cory pode ter morrido de pneumonia.Em primeiro lugar.Por favor. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo. porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante. mas demonstrar na prática seria bem melhor. . que eu escondia até que pudessem ser lavados. vou fazer a barba . com os olhos sonhadores vendo estrelas . Paul logo se cansaria de mim. quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal.Minhas feridas não cicatrizaram! . Falando sério: você não faz a mínima idéia? . depois.

Chris? Todavia. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome.Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia. Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so. . fazendo companhia a Carrie no banco traseiro. dizendo-lhe que eu precisava ver a casa. lançando-me um demorado olhar carregado de raiva. natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo. Era enorme como um hotel. por que não a contentamos. com oito anos de idade.E para falar com franqueza. se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio. mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida. voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado. Paul tentou dar-me o que eu desejava. as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel. com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. Paul . não será fácil verificar a verdade. já que se mostra tão contrário à idéia . . furiosa.Você quer mesmo fazer isso? . tem acesso a todos os registros dos hospitais. com postigos pretos em todas as janela s. . . pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente. abrirá feridas cicatrizadas. Um trabalho infrutífero. chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta.E você. Eventualmente. poderemos visitá-lo periodicamente. depois. um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo. .por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris. Chris cedeu. . apontando as duas janelas no último andar da ala norte.Se Cathy acha que deve agir assi m. Enquanto Paul olhava para as duas janelas. por fora . Deus não i . pensando que Mamãe poderia ter mentido e. afinal.interpôs Paul.indagou-me Paul.a. nenhuma criança do sexo masculino. como Chris acaba de dizer. onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo.Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory . Chris viajou cono sco até Charlottesville.disse Chris.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory.É aquela! . Carrie chorava. não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. para encarar Chris. Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall. Chris. eu também gostaria de vê-la. Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide. O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar . que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. Paul refletiu sobre o assunto.Agora.exclamei. Girei nos calcanhares. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. .Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e. terrivelmente excitada. percorri a pé todos os cemitérios. Chris. . não é mesmo ? . esperem um momento . Eu julgava que tinha todas as respostas. se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes. Investigou durante muito tempo . Paul. esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. . mandado gravar o nome Dollangang er na lápide. sendo médico. . enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie.comentou Paul enquanto dirigia o carro.Veja lá.disse eu. Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e.Linda região . Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar. .

pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber. mas apenas como membro do corps de ballet. Chris.Paul . era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor. pela porta dos fundos. Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras. Havia esperança para Carrie. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. que ainda poder ia crescer e encontrar o amor. Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. se tudo corresse bem . talvez. Em que resultara nossa longa jornada? Nada. Coisas que me chocariam quando criança. obscenas. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada. fazendo-m e sentir completa. Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós. situadas mais abaixo na mesm a rua. . Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. melhor que dançar ao som da música mais linda. Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. numa posição bem mais elevada.havia esperança p ara mim. também. Estreitando-me contra si. começou a falar . Então. Havia esperança para Chris. Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. Numa tarde de sexta-feira. . Chorei silenciosame nte por dentro. Não consegui falar. Ruminei o assunto. Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha.disse ele baixinho. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los. eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff. com mais técnica. Absolutamente nada. fazendo o que queria com seus lábios e carícias. fiquei .e estuda va.e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. Na manhã de nossa fuga.indaguei com os olhos baixos -. fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez. pois estava vivo. passando a espuma da raiz até as pontas. Quando olhei. Carrie soltou um berro. Eram as outras casas. percebi. . como Deus o fez. o que estamos fazendo não é pecado. E.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. ele me pegou no colo e levou para a cama. Paul me restaurara. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti. exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. como Eva deveria ter feito há milênios. Como uma criança pequena. Assim era para mim amar Paul. .Quero Mamãe! .não obstante. Naquele Natal.gritou ela.Veja o que tem diante de si: um homem nu . fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. Quando ele aparecia. dia após dia.Abra os olhos. ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. Catherine . é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado. Paul virou meu rosto para cima e. pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. muito depois que todos os outros se retiraram. disciplina e controle . Após sacia rmos nossa paixão. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. Eu dançava melhor. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. dançava melhor que nunca. .Catty. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. Era-nos proibido olhar pelas janelas . Desconfiava. tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. lavando-os com esmero. com o mais sensacional bailarino. quando terminava a lavagem. porém. Estávamos no final de um cul-de-sac. Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então. permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. secava-os e escovava-os.

Era como minha sombra.disse em tom suave e persuasivo. Carrie ou Henny na platéia escura.. e tivemos um período alegre. não é mesmo? Nos bastidores. Julian sorriu maliciosamente.sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio. apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall.Cathy.acrescent ou com um sorriso irônico.Agora.Falando sério. por apresentar-me perante um grande público. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. De repente. então.chamou Julian. . Então. chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. . quando Nova York está à sua espera? Cathy. numa grande ovação. . mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim. Juro cuidar bem de você. tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova. . quase frenético . Eu não era Cathy ou Catherine . . por ser jovem e bela . depois. Trabalhávamos bem. implorandome com os olhos negros. portanto. Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária.Pare de ficar tão nervosa. a cortina se abriu. Julgo que já está preparada para ir a Nova York. . fazendo tudo que eu fazia.É verdade. Estava apaixonada pela dança. mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada. é claro. acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela.Primeir . Esquivei-me e corri. Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. fiquei sem saber o que dizer e. .. espere! . Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano. como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile. . a cima de tudo. O público é composto de pessoas como nós. nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. fazendo-me cócegas no queixo e. zombando de meu desempenho. que você um dia venha a desejá-las. Cathy. se minha técnica não foi perfeita. franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. .e. Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. Rosas vermelhas. prendeu-me com os braços.. Veja. eu não sei dizer. Julian estava dançan do comigo. após tomar banho e vestir-me. levando consigo toda a minha insegurança. Se cometi erros. .Se for boazinha para mim.Sei que não gosta de mim. permaneci calada. quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse. convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida. . .repliquei miseravelmente. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro.Exige pagamento em troca de seus favores. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo.Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui. embora estivesse acesa por dentro. . beijando-me a orelha. Julian! . Não consegui avistar Paul. já provou o sabor do palco . espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse.Deixe disso. Chris. A menos. Então.Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis.Não sei . Marisha também acha . Julian pousou o braço em meus ombros. até mesmo as piruetas . todas juntas. Ele só entraria muito depois. Tirei as sapatilhas. .esbravejei. transmitindo-me confiança. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé. numa cidadezinha caipira. En tão. diziam-me mudamente os olhos dele. a cada vez. amarelas e brancas vieram-me encher os braços. Ia sair para jantar com Paul naquela noite.Sem imposições de minha parte. Agora. Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro. Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa. . Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente.

A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor. atores e atrize s. Julian tomou-me nos braços. não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente. não é? . . tenho que terminar o ginásio. onde você comerá pratos que nunca provou antes. a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e.Você vai adorar Madame Zolta! É russa.Cathy. Cathy. . Cathy . abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos.desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta. acredite em mim.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico.o. às luzes da ribalta. Quanto a Carrie. Por c ima de seu ombro. na ve rdade. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas . . você voltará para Thelma Murkel. recebendo rosas. venha comigo para o mundo a que você pertence. mes mo querendo dizer não. que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. . (Deus me livre!) .Claro.Talvez . De algum modo.Ela conhece tudo a respeito de dança. ele conseguiu bei jar-me os lábios. não para ser esposa de um insípido médico do interior. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. celebridades da TV. como Chris. .Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar. Embriagada com o sucesso da estréia. e a super bailarina em que você se transformará um dia.um outro mundo. a fim de que eu possa vê-la com freqüência. mas consegui terminar o curso.. . espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região. .prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez. irei. Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário. Como po deria eu abandoná-los? . Quando abordei o assunto. . eu não poderia. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação. Paul sorriu. a velhinha mais suave. que Ch ris certamente será. Comparada com isto aqui. Diga que não amará. Chris e Carrie estavam aqui. Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. não é? . meneei afirmativamente a cabeça e respondi: . como você entrou. .de qualquer tipo. Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento.Quando eu me for. muito melhor. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. pois queria que ele se mantivesse fiel a mim. Nunca andei de avião e.terrivelmente triste. Parecia muito triste ao dizer isso . além disso.disse ele.Sim. Não fui uma aluna particularmente brilhante. mas só se você vier buscar-me.Você é o máximo! Confie em mim. . Será como sua mãe.É o tipo de vida para o qual você nasceu. depois de rir. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos. ela é tudo de que precisamos. porém. no palc o. às vezes. a vida em Nova York é como a de Marte . Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York. pregando os olhos em Chris.. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . e realize também o meu sonho.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não.Não zombe de mim. Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora. Ficarei com você. o público exige o máximo. nossa psicóloga. Paul estava aqui. É nossa médica e. Contudo. Tentei resistir à tentação. bondosa e delicada q ue você já conheceu. ambos parecendo esp antados e bastante magoados. Estava entendido. Vou levá-la a restaurantes famosos.perguntei com alguma amarg ura. Você logo se apaixonará pela cidade. Paul. em vez de quatro. avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. Terminei o ginásio em janeiro de 1963. Oh! Julian estava vencendo naquela noite. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Venha comigo.Você nunca amará outra pessoa quanto me ama. ele explicou: . Carrie e Paul. escritores.

fitamo-nos nos olhos. Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto. Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque.Obrigado por tudo. Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém . Chris. desejand o-me boa sorte.. Carrie: eu voltarei.disse ele. . Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam. .Não .sussurrou ele. como eu aceitei. os ombros empertigados. Esqueça to do o passado.e deixe que seja uma pessoa de sua idade. como é preci so aceitar.Não iremos a parte nenhuma. decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos . sorria e sinta-se feliz por sua irmã. ..Detesto você e Chris. alegre e também severo. . Esqueça-me. . Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte. eu me despedira de Paul em particular. consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos.Entenda. Depois. com as lágrimas rolando pelo rosto. Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta.disse Chris em voz rouca. Não precisa chorar por mim.como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. em seguida. cavalheiresco e sensível. que agora tinha um metro e oitenta de estatura.nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris.gritou. o rosto rígido. O meu Ch ristopher Doll. tive que abr açar Paul com força. Você é apenas meu irmão. No aeroporto. enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie. .Obrigado.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida. Henny fez questão de embarcar no carro conosco. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos. abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis. . . deu-me caneladas. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião. . Chore por você mesmo. também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me.Você não pode ir! .Você ainda terá a mim todos os dias.Cathy . Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. Terminou.Não se preocupe comigo. Na noite anterior. Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho. consultando freqüentemente o re lógio. Engasgada. Vamos. continuou a f itar-me com o coração nos olhos. Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. E Chris também voltará. enxugue as lágrimas. bastante alto para que Julian escutasse. o meu cavaleiro tão galante. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha. erguendo o corpinho leve de Carrie no colo. Camin hou depressa para a porta da frente. repliquei: .E você? Ele forçou um sorriso e. procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos.Sabíamos ambos que não duraria muito. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono. Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . . mais aind a que Paul e eu. por favor. Chris estava postado junto ao carro branco de Paul. Catherine. . Julian andava de um lado para outro. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar. Não olhe para trás com arrependimento.. Aceite. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for. minha enciclopédia ambulante. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam. . Afinal. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos. Quando saímos todos da casa. . Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. E não faria isso duas vezes. Catherine .berrou ela. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. uma risadinha. decidido a não revelar qual quer emoção. ou simplesmente não chore.Eu a odeio! . Nós também compartilhamos de muita coisa. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. Adeus. ou poderia amá-lo. Você não será esquecida . Mais uma vez.Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa. E Henny . . fazendo-me doer da cabeça aos pés.

murchando-os com um aperto doloroso. trêmula.. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu .E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante.Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. Afinal. . Então. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões. . Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças. parecendo querer arrancar-me a pele do rosto. tão controlado e elegante no palco. Mas venha. Acenei com o louca para minha família. Engasguei-me. Todavia. portanto. previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora.Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. que vida levaremos. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado. .disse ele.disse em tom suave. Nossos lábios se tocaram rapidamente e. sem o menor sinal de embaraço. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim. Gosta de tocar as pessoas. . ri. desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. Eu também ri . não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. Doía-me ter que deixá-lo. a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? . O frio em minhas narinas ator doou-me. de modo a abrigar p arte do rosto.repliquei para Chris em tom brincalhão . beijando-me de leve. como você lo go descobrirá. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es. em seguida. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: . . rindo. . Desde que era a minha primeira viagem de avião.Não prometi que cuidaria de você? E o farei.ou isso tudo e mais ainda. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado. pois eu já escolhera Paul. Carrie e Henny sempre que pud er. L ancei um rápido olhar. em barquei para tomar meu lugar junto à janela.Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e. Depois.Oh! Catherine!.exclamou. Farei todo o possível para torná-la feliz.E. Esbugalhei os olhos. . . deixarei o assunto de lado. . tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor. ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro. Abracei-o mais uma vez.Escreva-me sempre. meu amor. como você logo terá ocasião de verificar. jur o por Deus. promete? Chris prometeu solenemente. já sentindo saudades d e casa.Acertou na mosca! . certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado . que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. . a fim de que você verifique por si mesma. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um.Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci. relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa.. a Julian.Você me tem . Prometa pensar antes em todas as conseqüências. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer.. Sorriu para mim.e o empurrei para longe de mim. que parecia muito sério. de Paul.é que eu tema que você não consiga vencer. Vá com calma em questões de amor e sexo. não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde. O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios. . Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele. olhei mais uma vez para Pa ul. Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York.Você também tenha cautela em questões de sexo . Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. E venha a Nova York com Paul. Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela.. Ou venha sozinho. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta. Uma bolinad ora. você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! . Julian.

com as pálpebras apertadas. depois de tornar-me a maior prima ballerin . O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. . Em seguida. entusiasmado.Está vendo. mas não tanto quanto se julg a. . Madame. que você positivamente ad orará.Também veio do nada? . como e ste demônio de cabelos pretos. Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. Posso acreditar no que diz a seu respeito? .Você some quando bem entende. com ar inteiramente profissional. sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada.Madame Zolta Korovenskov. deliciosa professora de dança.respondi. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse. Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa. a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses .e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão. Então. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma.disse ela a Julian com ar de quem cuspia. Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de. drenando-a de mim. delicada. a fim de absorver minha essência. Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha.fungou a velha. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos. . . de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha. Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial.Talvez por volta dos trinta anos. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido. colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões. fitou-me o fundo dos ol hos. . era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado. franziram-se como uma sacola com o cordão puxado. até mesmo os seios.Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa. Com uma rigidez majestosa. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira. Friamente. Os lábios da velha. o peito. murchos como uma pass a de uva. A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. Madame. nervosa.disse ele.Creio. Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha. O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo. Permanec i imóvel e suportei a inspeção. esta mulher era muito mais velha .Sabe dançar? . É tão rápida que a gente nem vê direito! . com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros. Catherine Doll. Espiou-nos por cima das meias lentes. . ela irradiava um metro e oitenta de autoridade.se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade. Apa lpou-me os braços. . . como fizera a Julian. Ele é muito bom bailarino.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce.e eu tricotara para ele. . . tocou-me os cabelos.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés.Então! . muito obrigado. Naquele dia.Muito bem . Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo .indagou em tom áspero. de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian. . Depois. Madame Zolta Korovenskov.Aparenta vir de outra região.indagou Julian. Madame? . Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço. Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o. . permita-me apresentar-lhe a Srta. sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. Entretanto.Ora.Ha! . levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura. veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato. olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz.Como disse antes. Nunca imaginei que se incomodasse. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios. rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar. espere o julgue por si mesma. talvez nunca . Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente. .

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

desorientada. tímida. O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco. Só então pude dar atenção a P aul.Não se preocupe. para exibição na época do Natal. Nossos olhares se encontraram prolongadamente. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. o coração pulsando ao ritmo da música. . então. . . Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público. Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: .e ali estava a flor. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha. Catherine. Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos.mim. pela primeira vez. Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público. Michael. preso a uma tira de papel dobrada. E. piscando. mas permitam que Juli an dance este com Catherine. prometo-lhes os próximos papéis principais. Julian tomou-me nos b raços e. Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. Beijei o rosto redondo e firme de Henny. Com efeito. pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. entre o sofá e o grande baú. Madame Zolta franzi u a testa. à procura das pessoas que eu amava. Quando terminou. Senti-me encantada. mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel . Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim. guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido. Apri l estava visitando os pais. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. Na platéia escura. suc umbi-lhe aos encantos. no mais apaixonado pas de a deux. mas não muito.talvez um pouquinho mais a lta. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. Dançou ao redor de mim e. tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente.sibilou ele em resposta. Chris ficara ainda ma is alto. tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV.Eu a amo. olhou para Julian e depois para mim. Por favor.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios. ele me ergueu bem alto e.e no canto. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma. Então.Não sou sua! . eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. pr . mais uma vez. sentindo-me humilhada.Maldita seja você por não me querer! .Maldito seja por isso! . Assim. o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente. mas possessivo! . Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai .Alexis.sibilei furiosa. perto da escada. Acordei. conquistador vitorioso. fui carregada para fora do palco. A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso. envolta numa aura de beleza. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo. desejava. . Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York. faz endo-me reviver. mas Carrie continuava praticamente a mesma . Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe. Chris se postara nas sombras. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro . Paul. Cathy. convidando-me a dançar também. Ainda me amava. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida. sem sangue azul. Chris. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete.e não foi um beijo respeitoso.

atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris. Num quarto pintado de vermelho escuro. A fim de provar isto. Ganhara alguns quil os. Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda. mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. . seus olhos interrogavam-me com veemência. Portanto. Ele ainda usava bigode não aparado. causando-me prazer . . com uma marcação afro-cubana.Depois de dançar com Julian.Você também é como ela? . . Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais. Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios. não se sinta tão lisonjeado. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais. . apertando as pálpebras. E amanhã dormirá com outro. Então. acariciando-me. Paul Sheffield. . mas igual a Mamãe: suave. levando-me a perguntar: . Era tão divertido vêlo assim. adorando-me. desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa. Paul? . para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. fria. el e me abraçou com força.ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta.Você continua a dançar assim? .Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel.Não estou procurando ninguém. . Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si. . Depois. você deve achar que tenho pés de chumbo .pelo menos. Quando nos exaurimos.Perguntei primeiro. . Foi uma resposta que me acelerou o coração. beijando-me. olhando-me com grande ternura. Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos.disse Paul. Veja só a sua amiguinha Yolanda. até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma. que exagerei um pouco em minha dança. houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta. Paul! Ele riu. . Se você quiser. Sorri maliciosamente para Chris. sabendo lidar com os homens . . . segurou meu casaco para mim e.Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. com as roupas que usaram no palco. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo.Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família.Encontrou outra pessoa.Estou com sono . relaxado. onde ele nos registrou como Sr. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. Após o espetáculo. Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas.Ela olha para todos os rapazes bonitos. eu escrevera apenas a Carrie. a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas. e Sra. Ele exibiu um sorriso modesto. Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo. eu seg urei o dele. .retrucou ele. surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio.Além disso. sumiram do salão. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele.E você? . É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. . depois. pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido. Magoando-me com facilidade.Você é maravilhoso. eu estava aprendendo. d e almofadinha.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro. Pau l acompanhou-a com facilidade. Paul ergueu-se de imediato. Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa. Ele pagou a conta. .instruíra Madame.reprovei. esfregando os olhos. Em poucos minutos.Usem as roupas de balé . q ue dançava melhor que Chris. pisquei para Paul. Enquanto o fazia . Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite.queixou-se Carrie.

Naturalmente. Paul. ter-me pedido em cas amento. Até então. eu ainda precisava de Julian para meu par. Dali em diante. protegia furtivamente meu segredo.Oh! Cathy! .absolutamente nada. mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo. de meu amor por Paul. mas não me importei. Permanecemos acordados.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela. . . sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. Nada mais tinha a temer . de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra. eu ainda precisava ficar famosa . Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! . Não dormimos naquela noite. ocultando-a do mundo. quero que seja minha esposa.Chantagem! .. Catherine. Agora. precisava contar com a total confiança de Madame Zolta.os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles. eu manteria minh a felicidade em segredo. incrédula. Entretanto. como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? . desejo-a para sempre. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas. afinal. beijando-me suavemente. Julian correu para agarrarme. Esbugalhei os olhos. No momento. Além disso. tanto quanto ele precisava d e mim. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas. . tivemos um dia selvagem e louco.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele. Por outro lado.Não zombe de mim.Oh! Julian. de onde v oltamos. desafiava-o a dete r-me. Julian riu. Agora. Nada revelei a ninguém. . certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo. desejo compartilhar tudo com você. quando eu iria a Clairmont. Quero estar com você. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. planejando como viveríamos depoi s de casados. quase no topo. Quase morri de saudades desde que você partiu. O interior do carro era aquecido e acolhedor .exclamei. Chovia. abraçando-lhe o pescoço. Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. Se descobrisse que eu tencionava casar-me . agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel . pois estava livre e seguindo firme o meu rumo.Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade.Adivinhe uma coisa. não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. . Paul Scott Sheffield. pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata.Não estou zombando.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais .Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos. . você está encontrando o sucesso em Nova York.Catherine. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador.Oh! Paul! .decl arou. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta. Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. Agora.exclamei. Um sábado de manhã.algo que ela certamente não aprovava . Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade. Não quero agir às escondidas de Chris. Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá. terrivelmente excitado. Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso. . . . Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal.Eu o amarei para sempre . Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul. Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo. Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade. de meu estrondoso sucesso.

A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian . Julian arrancou-me a bolsa do c olo. negando-me a implorar.Cathy. Mas guardei fielmente meu segredo. rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir. q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar. Sempre que e ntrava naquela peça de museu.Leve-me para casa.Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência. Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava. Então.Já vou abrir. Afinal. por favor! .Vá para o inferno. .Calma! .Se pensa que vai me dar uma facada. Enquanto isso. Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha. . batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida. . o motorista concordou: .. Cathy. Catherine Dahl! . Mas é melhor você voltar em cinco minutos.. O e levador demorou-se uma eternidade.Quer dizer que não tem dinheiro? .disse ele. dê me uma op ortunidade.e os dólares.flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! . Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul.Então.Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. Eu não tinha um centavo. Quando avistei um táxi que passava vazio. não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado. Nem mesmo poderia telefonar. debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! ..explodiu o motorista.Vá para casa como puder. Eu sabia estar num bairro perigoso. Maldito seja. . deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin. onde eu nu nca estivera antes. por me deixar tão longe! Finalmente. Os bolsos do meu casaco estavam vazios. e freou tão depressa que fui atirada para diant e.! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu.berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva. Por fim.Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . chegamos ao prédio de apartamentos .. Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros . entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego. Julian recomeçou: . abrindo a p orta.replicou ela. você nunca vai me amar.Você parece algo devolvido pelo mar . . a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas.comentou animadoramente. o taxímet ro continuava a funcionar. Eu nunca dava muita importância a Yolanda.rosnou ele. rangendo durante todo o trajeto. Quem é? . desanimei. ou tomar o metrô. a freqüentes intervalos...Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! . Meu casaco leve estava ensopado. do contrário.se conseguir! Partiu com o carro.Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! .É por ser virgem. fiz-lhe sinal . . e Julian me deixara ali . com um sorriso maldoso. eu tinha medo de ficar presa entre dois andares.Por Deus. Julian. que Julian trancara.ao preço de quinze dólares! . sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita.ele.esbravejou. violento.. Julian! Só consegue ter isso na cabeça? . J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto. .berrou Yolanda. A chuva caía com força. . Eu não tinha dinhe iro. onde tudo poderia acontecer.. santa puritana . enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa. vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta.caso este . garota..Você é uma tentadora . O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! . pode esquecer! . Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! .Está certo. Lançando-me um olhar feroz e contrariado. pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e.Sim! . . leste ou oeste.

Fará o que eu quiser.. Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça. apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me. também. .. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente. . . poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade.É mentira! . tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly. seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie.Cathy. Tão logo segurou os vinte dólares. . av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! . Mas Yolly barrou-me a passagem. .e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes.Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça..berrei.. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa.disse ela.Pois deixe que eu lhe diga uma coisa. que necessita de sesperadamente dele.Puta! . Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! . .. garota. o rosto de Yolly ficou muito rubro.ronronou ela como uma gata. recuou para longe de mim.. seu nari z já começava a inchar. ..respondi. . . por algum motivo. Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso. Tirando isso..O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? .Não seja ridícula! Chris está na universidade.. quero que cumpra sua parte do trato.Está bem.Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon..Seu irmão. . . trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava. que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente.Até à vista. Empreste-me o dinheiro. meu amor... repugnada. Levantou-se rapidamente. . Oh! eu não sabia que batera com tanta força. ela ficou rígida e. Diga que está doente.Não acredito! Você não é o tipo dele! .. mas traga-o aqui! Então. . isso servirá para acalmá-lo.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista.Nãããooo . ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho.. .. não é mes mo? .. Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada.Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata. carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo. .. recostando-se provocadoramente numa parede. mas.Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero .O que deseja? Ela sorriu.. você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão. . Yolly. mas não se esqueça de cumprir a promessa .Cale-se! .Vamos.rosnou. .gritei. E fica me deve ndo o que eu quiser. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana.. em seguida.Por favor. certo? Concordei e tornei a sair correndo.gritei furios a.não a tivesse jogado fora. . Yolanda Lange! .Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo. empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta.. Cathy. . .Certo .Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira. .Dar-lhe-ei o que você quiser. impedindo que ela terminasse. o motorista começou a sorrir.Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas.

Cathy. Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir. vai lamentar e ste dia.portanto.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você.bradou ele.Mas não sou cego. não me venha bancar a moralista imaculada. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente. desta feita. tem que ser você! Quem é o outro? . cheguei ao andar onde morava Julian. eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia. . com um medo terrível de Julian. . esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! . Yolanda.e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o.e continuo viva. Só então ele falou.Ninguém fala assim comigo sem receber troco. Não posso estar errado . porta nto. que se estendera na cama como uma grande gata. Antes que eu me desse conta do que acontecia. ta mbém! E quando ele for meu. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas. e percebi o modo como você olha para aqu ele médico ..Solte-me. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. entre as duas. . Julia n Marquet. Agora.mas não o fez.menti.Você me causa realmente muito medo. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. esperando ver Al exis ou Michael.depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto.Claro! . puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama. Catherine Dahl. . cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! . terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas. mas.. não é? Sacudi a cabeça. Senti-me enjoada e a odiei . segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me. E ainda mais: tomarei Julian de você. Julian estava sozinho no apartame nto. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? .estúpido. para minha infelicidade. .Vá em frente! .. levantando-me da cama. não sou uma provocadora como vo cê . Pegarei seu irmão. Olhei freneticamente em volta. ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força... . . Arr astando minhas malas atadas umas às outras. mas Julian tornou a empurrar-me para trás e.Se estiver aí. que sou cego e ..Fuja. com o dobro da força! Tentei lutar contra ele. Não podia contar a verdade.Ninguém! .Julga.perguntou.e. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim.berrei.sibilou ela com os dentes trincados. Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda. passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse .. abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. . você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade.Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da.. mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão. animal! . . Catherine Dahl. Comecei a guardar minhas roupas nas malas. tão furioso que parecia prestes a explodir. Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial.redargüiu ele.Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês. cheia até a boca. nem estúpido. não se atreva a chegar novamente perto de mim. Já encarei gente maior e melhor que você . ajoelhou-se sobre mim. Vai arrepender-se.Julian! .Pode levar de volta sua maldita bolsa . não é? . pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou. .chamei. . . Levei sob o braço uma sacola de couro macio. .Por que não consegue me amar? . é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto.odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele. resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! . garotinha pudica!.

Você é minha. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la. Madame. Catherine!. recuei para a porta. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York. .. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós. O único apartamento que consegui encontr ar caberia. Agora. em seguida. nem obrigar-me a amá-lo. Ela gemeu. Sentia falta de Chris. Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão. trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. antes de adormecer. Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim. embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo.. Infelizmente. Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar. terei que voltar para Clairmont. Winslow". Mamãe. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma. Imaginei sua expr essão ao abrir a carta. ele tornou a abrir a porta.pensando em você e fazendo planos . trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida.Está certo.. Concluiu dizendo: .Ela tem medo de você.. Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. Levantei-me com as pernas trêmulas . depois de rasgar o envelope fechado.e. não tardará. no menor quarto da casa de Paul. não poderia ter imaginado um meio melhor que este. abri-a e saí para o corredor. se não conseguir. com Julian. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe . o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. Todavia. Aproveite enquanto pode. eu o matarei .e tudo estava na bolsa. Agora. se a senhora não me der mais dinheiro. Faça as pazes com ela. a despeito de todas as minha s lágrimas. Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E.mas não será tão bom qu anto o que você ocupava. po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim.e matarei você também! Portanto. pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui.ou para Mamãe. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris.. sente-se ameaçada. quando cheguei ao eleva dor. tornei a acordar durante a noite.Não.. Catherine. tremendo da cabeça aos pés.. acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio. Seja boazinha. joguei-me na cama e so lucei. Julian! Não pode dizer a quem de vo amar. sem ler o conteúdo. eu guardava para mim . Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis. Winslow. nada mais que isso.quando Juli an me permitiu . acrescen tara: "Agora. não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente. Lembre-se todas as noites. Portanto. Tinha saudades de Paul. No fim da carta. Sra.Maldita seja. Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . Voltei para casa correndo.. inteiro.. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite. Mas era só meu. Então. eu já disse isto antes e vou dizer novamente. Só então atrevi-me a dizer o que pensava: .. As outras. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. quer saiba ou não. Você faz chantagem comigo e eu aceito.Existem instituições especiais para loucos como você. agarrando a bolsa. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar . ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais. comecei realmente a dormir mal. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. Catherine. Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . ..

Madame Zolta. Naturalmente . acompanhandome à cozinha. sonolenta. .gritei.repliquei.indaguei. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares. . esperando que sim. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. beije-me. você disse... Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto.É mentira! . Certa manhã.. Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas.Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . Abri os trincos e entreabri a porta. negando. mas.Deixe-me entrar. contaminando-me com seu entusiasmo. Odeie-me o quanto quiser amanhã.é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia. Isto era tudo o que existia entre nós. então. desta vez. estremecer. .. volte a ser minha amiga. Já estou noiva. lançaríamos raízes. não? Detestei estragar-lhe os planos. todos nós! É uma grande chance.Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? . mantendo sempre as saudações frias e formais. E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal. E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência . eu não o amo.. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma . Café. .Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian. .gritou ele.. ontem. Cathy. mastiguei algo antes de vir para cá. Há muito tempo. chorando. pois. hoje. exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel.Já tomou café da manhã? . vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . Julian entrou como um furacão. trate de me amar .Julian. Ficaríamos ricos e. Cathy! Perdoe-me. portanto. . somos os melhores . depois que você saiu. onde montou às avessas numa cadeira. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava. eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências. ou arrombo a porta! . Eu jamais o enganara. . Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa. nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos.Maldita seja por me enganar! . . quando fôssemos ma is velhos.eu gostar ia disso. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara.berrou ele. jamais poderemos casar-nos. Sacudi a cabeça.todos nós? Ele se ergueu de um salto. Cathy. . Iremos a Londres.Pare com isso! .. teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé .. depoi s. Então..perguntei. . . Você também.ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa.esbravejou Julian.pois nasci hoje. cambaleei para a cozinha. precisava tomar café antes de poder racioci nar direito. Paul e eu tínham .Julian.Vá embora! . ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá. fui acordada por alguém batendo à porta.ou de Mamãe. eu a chamaria de Mamãe.você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente. estava falando sério? Vamos para lá . apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos.É mesmo? .. Mas posso comer de novo.em Londres! . vendo-a empalidecer e. . Gr aças a Deus. mas fui obrigada a dizer: . girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento.mas tenciono casar-me com outro. .Sim.indagou ele.Acorde.Claro que sim. Então.

Nunca. pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. Às duas da manhã. Catherine . por algum milagre. encontrando-o finalmente. Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa.É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. era tão fácil fazê-lo feliz.ou quase até o fim.Oh! Cathy.Mas adorei . fosse Cory ! .os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e. . . Paul simulou não perceber. Estendeu a mão para pegar as minhas. mas genuíno. os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim. enquanto Paul observava e m grande expectativa.Veja ali no canto. . mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você. a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. Virei-me depressa noutra d ireção.mas nunca era. num gesto furtivo. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz. Olhei p ara o enorme aparelho de TV. Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios. . Então.exclamou meu irmão. Apenas seu irmão.pequeno. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai. também sentado de pernas cruzadas no chão. engasgada.protestei. Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. esperando que.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo. Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa . os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara. Foi o melhor Natal que passamos. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê. . Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora. Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo. na primeira oportunidade. Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto. Muito cuidado. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho.Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor . Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido.O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul.um presente para todos nós aproveitarmos. examinando seus p resentes. agora. jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. embora me sentisse nervosa. escorregou-me na mão um bilhete dobrado. Tentei imaginar Cory. Então. Fazia um frio de doer. levantou-se e saiu da sala.simplesmente adorei! Ele sorriu. você está tão linda! Cada vez que a vejo. Uma hora depois. Um casaco de raposa prateada! . . do princípio ao fim . Chris . Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York. dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração. . A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. Chris virou vivamente a cabeça.É demais! . Quand o experimentou o vestido. li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul. que nos observava a alguma distância. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna.Salve a bailarina conquistadora! . prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço. advertiu-me seu demor ado olhar. tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . . . a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul. Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. mesmo na Carolina do Sul.anunciou ele. agasalhos de pele. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho.

Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde. eito de Julian. . Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe. E nrosquei-me no chão.Chris.vi-me no palco.Fo ram ambos sensacionais . abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. para repetirmos a dose. E Julian também esteve soberbo. Cathy. só agora seria visto em centenas de cidades através do país. Francamente.. Ao ama nhecer. na realidade.comentou Paul tranqüilamente. que ocupava uma poltrona. . com o zelo gerado pela privação. não obstante . não me tinham parecido tão etéreos. mas de mim também. A partir de en tão. preciso conversar com você e explicar certas coisas. a meio caminho. Cathy? . preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores. Portanto. Por que sentia.O que posso dizer. Quando o programa terminou. Então. em meu co ração. fizemos amor na cama dele. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar. perdi a noção de onde estava . por favo r! por favor! . espantado.quando pensei melhor .comentou Paul. as roupas que não nos serviam. que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do. junto à perna de Paul. enquanto eu recuava.Sim . eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. . Mesmo assim. Chris escolheu um lugar afastado. Correu na direção da escada.mas. subimos furtivam ente ao segundo andar e. quando me aninhei no colo de Paul. chore. não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança.Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores. Cathy. Ele explodiu: . levantando-se para vir pegar Carrie no colo. Depois. Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . Contudo. encolhida. olhando-me com espanto e mágoa. recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros.depressa! Com essas palavras. Agora . tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra. Para minha total surpresa..e servira como uma luva . . abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento.Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você. certamente. nem permite que eu chegue perto do aparelho. Tratou-me o dia inteiro como a um rival.trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera. Vocês dois apresentaram um romance. Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. Após apagarmos todas as luzes da casa. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara. tenha remorsos. mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. mal saí do quarto de Paul. nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto.Creio que seu irmão está desconfiado . com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração. . voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. Um tape gravado em agosto. exceto às refeições. Durante o resto do Dia de Natal. mal avistei Chris.desculpou-se Paul. Carrie sentouse perto de mim. acho melhor você desligar aquele cara . Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. Temi aproximar-me de Chris. Naquela noite. Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. que dormia profundamente.. Eu chegav a a doer de saudades dele. Eu quis morrer! Fui espiar Carrie. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto. parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa. Não apenas a resp . meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama. mas. obriguei -me a procurá-lo. Como tanta gente.detestaria ainda mai s se ele não gostasse.disse Chris friamente.

você não o vê da mesma maneira qu e eu.e perde bruscamente toda a esperança. em seu restaurante predileto. Recuei. .. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas.Chris. Ele permanecerá aqui.acrescentei baixinho. . sentia-me tão dilacerada e infeliz. necessitamos mutuamente um do outro. escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce.Cathy. mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado. Dar-lhe-emos o respeito que ele merece. .mas você não lhe deve sua vida! . Ele compreende. chocada.e isso teria ocorrido se não fosse Paul. . pretendemos casar-nos na primavera. a despeito da diferença de idade s. Não obstante.Ele é velho demais para você! . o capim escurecido. apesar disso.indaguei num sussurro.Eu o amo.. Chris virou-se bruscamente. sei que gosta.Paul e eu discutimos o assunto.. as árvores desfolhadas. . discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro. Julga que pode conciliar tudo. . Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora. . largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância.Assim também é melhor para você e eu . Você nada deve a Paul. Como em câmera lenta. enquanto você andará só Deus sabe por onde. Depois de refletir melhor sobre o assunto. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite. grave.Não devo? . as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer. cultivada. girando-o a fim de ver-lhe o rosto. Paul e eu. Afastei-me. portanto. . Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . nada existe de errado no que fa zemos. deixando Chris no jardim com o alicate de podar.Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu.Pois acho que devo a ele minha vida. E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto.repliq uei. em sua maneira de olhá-la. Chris.. tomei-lhe das mãos o alicate de podar. Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança. com homen s da sua própria idade. devolva-lhe o casaco! E.Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy. virei cautelosamente . . Compreenda. acima de tudo. mas você também arranjará outra . você o ama. a despeito de tudo. Agora eu fazia parte do espetáculo. Chris parec ia atordoado. Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco.E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você. Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. Passei-lhe os braços pela cintura. Amo-o por causa de quem e o que ele é. no modo dele tocá-la. Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e. E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem.Então. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar. . não é tão errado como você imagina. Nós nos amamos. em cada um de seus gestos. . bem. . Chris não falava apenas de Julian. . como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável . Está escrito nele. Não é um namoro que será esquecido amanhã. doendo por dentro por causa de Chris. arrancando-me o alicate das mãos.Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa... e todo o amor .Gosta de Paul.Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele.

um homem que nada ficava a dever. solucei. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa. Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. mostrand o-me o quanto ela ainda era bela. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa. ela se afastara ao longo do balcão e. Por um motivo com o qual não atinei.Você está bem.Cathy . Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado. Contudo.disse Paul. não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul. . e ela falava: .talvez. educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. Falou tão .todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope. . quando o mundo era tão frio. E você. Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco.neguei de imediato. feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber. pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. .Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. . Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior. bondosos. poderia vê-la esparra mar-se no chão. segurando-me os ombros. esvaziada pela decepção. mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. . estava mudando de idéia a respeito de mim. os carnudos lábios vermelhos. Chris avançou para mim.Quero conversar com sua irmã.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. Uma festa . agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul. querida? . desta feita. nem virou a cabeça. tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite.a cabeça. Corrine. Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto. p or favor. mesmo assim. está? . . sem muita fantasia nem grande demais. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós. Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes. aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros.. Está pronta para irmos. Entretanto. os cílios longos e naturalmente escuros .ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela. se ouviu o nome Cathy. qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a. Por que não fizera alguma coisa? Por que. linda. Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha.. não obstante. perdendo a pose . realçados pela maquilagem.até mesmo Paul. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação. nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha. largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado. talvez percebesse minha pres ença. Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros .Algo de bom-gosto. Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la .Não está mudando de idéia a nosso respeito. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era. revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante . Minha animação se desfez.indagou Paul. a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome.Vá assistir à TV . Sacud iu-me com violência.Francamente. a despeito do que havia por baixo da máscara.Não! Claro que não! . .Já devolvi tudo. em beleza.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora. Baixou a cabeça. ao seu querido "Bart". seu remorso e verg onha. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez. não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então. . Parecia um pouco mais velha. . mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela. mas.

sim. eu a quero para mim! De qualquer modo. Chris.berrei. Vivo pensando nisso. pálido e trêmulo. sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis. ele não desejaria você. pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras.e ele ficou excitado! Ele. ele saiu correndo do quarto. . você não pretende ter filhos .exclamou ele com fervor.. Encaramo-nos por longo tempo. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse. Não respondi coisa alguma.Sei que é errado o que sinto por você. . desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara. Não pôde conter um soluço antes de continuar: . mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la.Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos.Você é um grande imbecil. . . Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa. sem ligar para as conseqüências.. É honrado demais para isso..É uma pena que Chris não esteja passando bem.Christopher.Posso. nunca mais me fale no a ssunto. com Carrie. disse num sussurro rouco: . pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! . estarmos juntos. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel.. você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim. Eu qu eria que ele esquecesse. Quando parou de falar.Podemos. dia e noite. . desde que sempre voltass e para mim! . Você me deseja e desej a Paul. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. então.Cale a boca! . . pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. . não foi? A seu modo. Há uma epidemia na cidade. cometi o maior erro de minha vida.Largue-me.e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros. Espero que não esteja gripado. tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros... você me faz sentir tão culpada. .Então. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul.. Posso contar a ele o que fizemos.Oh! Chris. onde poderei vê-la. Chris. Ademais.disse ele. Quero ir para a cama e saber que você lá estará. o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. Por favor. Sonho com você durante a noite. bem perto. quero acordar e vê-la no quarto comigo. engasgado. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas.Você não lhe contaria... mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças .. Então. que não é na minha cama! Então. também. e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar. Então. não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança. sou imbecil! Sempre fui. segurando-me ainda com mais força. até mesmo Julian seria melhor que ele! .Está mentindo para si mesma . que julgava podermos viver juntos platonicamente! . Mesmo que me ame pelo resto da vida. como você vem fazendo. é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai. por favor.Deixe-me em paz! Agredi-o.Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo.Chris. sim! . afogar-nos-íamos ambos! . mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse..baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras. Talvez nos voltássemos um para o outro. Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. sermos apenas irmão e irmã. apertando o rost o contra seu coração latejante. então.Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. Não podemos correr o risco de repeti-lo! . se acredita nisso! .portanto.. Cathy. corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse. . ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele.. tocá-la. ele já sabe. E se eu fizesse o que ele queria. eu lhe suplico: não se case com Paul! . O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem.

.exclamei.Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates. faça direito . Fiz o possível para torna r a situação agradável. Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . conseguiria. marcando o ritmo. Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente. . erguendo-se como uma torre acima de mi m. enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! .Pare de gritar comigo. . parecendo exausta. faça direito. pelo amor de Deus. E novamente fracassei. finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr .murmurei. que tínhamo que seguir à risca. deitada. faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet.diabo! .indagou em tom sarcástico. sem fôlego. Sim.É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo. com os cabelos escorridos. Minha malha grudava-se à pele. rindo. Os quatro mandamentos do mundo do balé. Berrou como se eu fosse surda: . enfurnado em seu quarto e odiando-me. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. levante-se e vamos repetir. brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos.Está sem fôlego? . Eu. ainda não. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor. não a deixaria cair.. agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. Paul . diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? . Cathy. Agora. então. contando. Pelo menos.Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! .para vingar-se.Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! . as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas. Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal. sorrindo. estritamente clássico . Desta feita ele me atirou ao chão. Julian usava apenas uma sunga. levantei-me e tentamos mais uma vez.Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí. Portanto. . mas também com os olhos negros. Eu já não confiava em Julian. caia para trás e amo leça o corpo. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija .Então. você se deixa cai r para trás.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo. desta vez. Só precisa dar três passos. E não a odeio. Contudo. eu estou dez vezes mais. E. onde fiquei ofegante. Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos. . os pés descalços bem afastados.Se está cansada.. Calma. após cinqüenta tenta tivas! . pule para eu segurá-la e. Julian foi absolutamente impiedoso. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema.Julian. grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! . O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim. Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito .. não me deixando cair para trás por não confiar nele. Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal. erguendo os braços para exibi-las.Desta vez. e minhas idéias. Desejo. Fácil. aquela seria a nossa vida juntos. quando eu a segurar. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa. faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto.Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe. mas inovativo e mais bonito.no instante em que eu a segurar. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano.Mesmo que a odiasse.Então. portanto. O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? .Seremos tão felizes. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez. Dedicação. repeti ndo a mesma série de passos. . demoníaco. Doce. erguer o pé e saltar. Determinação.

mantendo-me nervosa. procurando indicar-lhe que pretendia sair logo. você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o.. Talvez até mesmo bela. os cabelos escuros brilhando. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar.Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça.Obrigada. E.Obrigada.que só podia ser ruim. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda. Demorou-se a retomar a palavra. Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. . Era a nossa noite . pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave.Suponho que seja presente de meu irmão. passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. correndo para meu camarim. mas eu conheço muito a seu respeito. . arquejando se m fôlego. . Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa. Parecia tão lindo à luz azulad a. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: . pois haveria uma grande festa logo em seguida. Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul.volte para casa e vá para a cama! Catherine.Dança excepcionalmente bem. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas. foi uma surpresa para mim. em suspenso. . Embriagada pelo sucesso. por detrás da cortina. Aplausos estrondosos quando o pano baixou. . sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. ve m-se tornando importante. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. embora. prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: .Por Deus!. .Belo casaco de pele .Você é muito bonita. Então.ir e dar-me parabéns.gritava o público. Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. Peguei meu cas aco. segundo fui informada. ou de que ela me lembrava alguém. roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta. chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta. que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições.Catherine. usando malhas brancas. a fim de vestir meu casaco. cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa. Olhos e cabelos escuros. Agora. como pareci a Yolanda naquela noite. dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid .e Julian beijou-me os lábios. Parecia o meu amante do sótão. .. eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura. Por algum estranho motivo. é claro. refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. Ela exibiu um sorriso retorcido e.a melhor que já tivéramos. Vamos. .comentou ela. sem ser convidada. . preparando-me para o que ela viera dizer . os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval. Julian pulou para abraçar-me.Creio que não a conheço . Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres.. . minha cara criança.comecei. no intuito de apressá-la. mais uma vez .disse eu. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco.. tive a impressão de já co nhecê-la.Claro que não me conhece. que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que.Bravo! .Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos . . Uma mulher alta e atraente entrou no camarim.

Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja. os vizinhos têm olh os e ouvidos. . todo o mundo sabe de tudo. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa. forte. . Amanda . .Saia daqui! . sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que. e logo esta rá falido. Or a. . de modo que ela pudesse usar as garras. como gostava de rir! Gostava da situação. Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta. a qualquer momento. como sabem rir as mulheres cultas.ordenei furiosa.Não conhece seu irmão. Ainda assim. tão firme.consegui dizer. não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont. é tudo o que ouço. e pode crer que não será a última mulher dele.. era uma governanta. e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim. você sabe. pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina.Minha cara criança. nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. Se ela o empurrou para outras mulheres. Mexericos.a.Sei tudo a seu respeito.Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser .. embora não tenha bom senso.. prestes a saltar sobre a pres a. . Júlia costumava dizer-me que ele. Riu em tom baixo e sarcástico. como se tivesse pena de mim. um som duro e impiedoso. É honrado. uma cozinheira Ela riu alegremente. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . Interrompi acaloradamente: . . Então. compreendo o motivo. delicadas. de forma alguma prejudicaria a sua vida. sensual e ma gra ao mesmo tempo.Sim.disse ela. e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. Paul já se comportou antes como um asno. Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. mas recusava-se a falar com ele na rua.Saia daqui . . embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens . . Paul gosta de mulheres jovens. Meu Deus. Usava um perfume oriental. Paul me contou. tal entosas. aquela era a irmã de Paul. desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida.Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude.Agora. . ele me ama. .Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista. com mais dez por cento de juros .s uspirou. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir. como se realmente pudesse casar-se com você.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão. É realmente uma mescla peculiar. generoso.a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. . . estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto. muito jovens. bondosas e maravil . Sou forçada a admitir que tem bom gosto. golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas. Compre enda . Embora a Henny não possa falar. decidida. seu rosto assumiu uma expressão im placável.exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -. almiscarado.Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. realmente pouco me importa o que ele faça.Uma pele tão imaculada. eu não o censuro. inteligentes. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando. sua boneca bailarina. e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo . Ela sorriu com pena de mim. também. E também bonitas. Srta. mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade. Então.comentou. cabelos louros compridos. eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior. Amanda. Toda cheia de ino cência e sofisticação. vendo você.Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos. Dahl. parece porcelana . com uma risadinha divertida..portanto. Júlia foi uma das mulheres mais queridas.

Não. . afogando-me. tomara-me sabe ndo que era casado . deixando-me as fotografias. os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação. mas não fazem o que ele fez! Agora.nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . minha criança.Paul não é casado. Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!.Gostei do espetácu lo.indagou ela. Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem. eu detestava a bruxa vingativa .hosas que já existiram. de aspecto di gno de piedade. Você é uma bailarina maravilhosa. e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro. não é mesmo? . Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! . Então. jovem.É mentira! .Ele sofre. você aparece e ele lhe põe um filho no ventre.Concordo . Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty. afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes. por mais mu dada que estivesse.. Você é b onita. . Contudo.replicou ela. seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim. Hordas de pessoa s nos rodeavam.disse ela.berrei. . apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele. tecendo-nos elogios rasgados. Ela acariciou-me o ombro com ar maternal. deseja ter o filho de volta. saboreando a ocasião. ficarei louco.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. Louca ou não. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas. . Pegue-o. Scotty era a coisa que Paul mais amava... afogando-me. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos . Está evide ntemente apaixonado por você. . segura de si. Cathy .Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade.Consta dos registros do hospital . Uma mulher arrasada pelo sofrimento. Júlia está morta. saiu do camarim.Ele se tortura. sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo. e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício. . .. me ame. . por favor. . ou o tipo de sexo que ele queria e exigia. . .mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo.realmente a odiava. É viúvo.Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! .mas Paul impeliu-a a fazer aquilo. . Dei um arranco. Eu só conseguia pensar que Paul me mentira. se culpa. não fora Paul. Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. ele foi obrigado a procurar outras como você. cujo rosto aparecia sempre de per fil. . Por favor. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. na época.consolou ela. Não obstante. . elimina-se aquilo que ela mais ama. aí s im. As lágrimas toldavam-me a visão. talentosa. Compreendo o raciocínio de Júlia. de certo modo. Suicidou-se no dia em que matou Scotty. E aquele rapaz. Fazia tudo para agradá-lo.Nunca tive uma garota novinha em folha como você.fotos de uma mulher magra. Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima. . então.Eu a amo. inexpressivos. felicitando-nos.O que Júlia fez foi uma loucura . não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem.A propósito . m e ame. continua a ser esposa le gal de meu irmão. reassumindo o tom suave.disse a irmã de Paul. Cathy. Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais. Esfreguei os olhos como uma criança. Scotty era um menino tão belo e inteligente . Júlia não está morta. S alve-se enquanto é possível. Oh! Que horror! . Os olhos muito abertos fixavam o espaço.Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente. eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la. me enganara. Se você não aceitar depressa... Nada significavam para mim.O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos .sussurrou-me ao ouvido. Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava.Não chore . é sensacional. deitada numa cama de hospital. deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero.

temo que você não saiba muita coisa. perfeito como um Deus. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe. como um lobo faminto que pretende devorá-la. querida. não fique tão triste . beijando-nos e derramando lágrimas maternais. Serão tão felizes juntos. Eu ri. nunca mais me deixará sair de perto . ou da minha. Cathy. que não cresciam por fal ta de cuidados. .disse eu.Você me subestima. com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul. Catherine.. deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa. Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso.Seu rosto dançou à minha frente.Como pode saber? . hesitei. convicto. Trata-me como um menino pequeno num minuto e.Agiu certo.disse ele. Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração. o mesmo fazia Madame Zolta. que sorria abert amente. . amor da minha vida. para fazer justiça a Julian.. .Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? . e voltara toda sorridente e feliz. E havia também Chris. . .Mas é! Sei que é! .advertiu ele . um casal tão lindo.Julian. a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou..É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá. .Amará. Eu não podia fugir.De jeito nenhum. dando-nos sua bênção. depois desta noite. Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem..segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico . Deixe-me em paz. Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral. ainda assim.. Numa chuvosa manhã de sábado.. na cama ele era tudo o que se gabava de s . Podia apenas dizer o que esperavam de mim e. mais provavelmente. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? . Es ta noite serei eu. com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. os olhos negros brilhando e soltando centelhas. e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe". E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco. rindo como se embriagada. prognosticando o que encontraríamos pel a frente. Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul.mas apenas por uma noite. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa. Nunca amarei outra pessoa senão você... eu não o amo. Nunca notava nada que não quer ia ver. Parecia um sonho. nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros. seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era. fora o que ele me dissera.. fôramos brutalizados e mal nutridos. Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. . . Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho.Seus olhos.Se você me tiver por uma noite... limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. mas. Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento. menina. Vá embora. Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos. trancados num quarto. Julian abraçou-me com força. A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava. .Julian.Julian. . no outro . . Entretanto. Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais. ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory. ainda assim. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada. A chuva continuava a cair incessantemente. mas lembrem-s e de não fazerem bebês! .. .Oh! Julian . .Sim .Estou cansada e meio embria gada.Está bem .Meu bem. então. Serei um marido fantástico.repliquei com um prolongado bocejo.

.Façam como sempre.. etc. A essa altura. Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos. se continuarem dessa forma. apertando-me num abraço de ferro. mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós. u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico.er. entrarão para a história do Balé. mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira. . Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco. compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e. .. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse.. Acolheu-nos. Carrie e eu fomos forçados a fugir.Por que. O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas.. sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. não beijado o u não acariciado. Creio que ele teve pena de nós. E já cometera muitos erros. Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto.insistiu Julian. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários. Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo. . . vão embora. que comparava nosso estilo com o deles. . .por tanto. O que aconteceu depois? . sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas. mas dêem a ela sua própria interpretação.soluçou. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto.Isto foi tudo . como recém-casados. Cathy.. e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida.ind agava. eu o desejava. mas como professora. O frio era perene. E durante todo o tempo... e acho que isto foi tudo. todas as atenções estarão voltadas para vocês . em Covent Gardens. fracassei totalmente.Amo tanto vocês todos.Sabe. Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo. tornem cada cena a mais romântica possível. O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra. O The Royal Opera House. Natais. . tudo o que eu fizera. quando vimos o teatro pela primeira vez. seus pais morreram num desastre de automóvel.Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se. Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. afinal.Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso. hem? .. meus pensamentos.Eu o amava e pretendia casar-me com ele. por isso mostrou-se tão malditamente generoso.Agora. mas Carrie adoeceu e começou a vomitar. Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros. eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. Antes que ele terminasse. . me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes. não como bailarina. Julian mantinha-se grudado a mim. Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito.. . Catherine. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada.Então. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. . Julian.Mas não se casou. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez.repetiu ele lentamente. . . prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian.... Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma. não nos deixando intimidar. mantenham a pureza da dança. exceto durante o esforço da dança. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida. de modo que Chris. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet. Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos.Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto.. Então. . até que ponto vocês tiveram intimidades? . Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários. deixem-me sozinha. Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico.

.Cathy. viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul. Cathy. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça. como um amor que se apagasse até sufocar. Você também colocou aquele s eu médico num pedestal. . Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. nos ja rdins de Paul. pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. Mas não me pressione! Não me faça exigências. você terá que aprender a ignorar muitas falhas . A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia. tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas. e senti-me perdida mais uma vez. Deus me livre se.. as glicínias q ue floriam. Ele fez uma careta de dor. como você já sabe. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem. nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . embora diga que não me ama. eu fosse igual a Mamãe. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma.respondi furiosa. Doeu-me escutar o temor em sua voz.e sobre todas as folhagens. sempre perce bera as falhas de Mamãe.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo . E eu era culpada de tudo. criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração. até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse. pendia o m usgo espanhol cinzento.o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias. Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem. É prati camente um desconhecido para mim. . Sempre virara as moedas mais brilhantes. como se o amor fosse. darmos a notícia a Pa . Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol . Casei-me com você. se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja. capaz de abandonar um homem sincero. No fundo. no final. Assim. . Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima. excitantes.. embora já nos conheçamos há três anos. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço. fracassará.. cansativas . Suspirei. presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela . Era o local de nossa libertação e. Tenho pé de barro.e isso não era talento ou inteligência! Não. juntos.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque . aparentemente.não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum. não espere perfeição. Eu pretendia levar Julian ao interior da casa.Eu a amo tanto. Ao contrário de Chris. estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível. nada mudara . ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível. procurando a fac e azinhavrada.mas não creio que possa! Cometemos um erro. Pouco depois do primeiro dia da primavera. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais. Gozado.Você me perseguia o tempo todo! .Eu quero amar você.. Não precisava ter acreditado em Amanda. eu não era como ela . honrado e honesto. as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. Agradeço-lhe por tentar amar-me. Só eu. as grandes magnólias prestes a florir .... Jule. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. permaneci sentada em frente às janelas. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente. deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. na verdade. Mais cedo ou mais tarde. Julian! Um err o horrível! . lembrei-me de C hris. Mais do que já desejei amar qualquer mulher.disse Julian. eu queria s er como Chris. num pedestal. A primavera ficara para trás. Nunca ninguém me amou pelo que sou.. minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços. para. ele t eria que saber.Jamais repita uma coisa dessas. Ainda não vira algo mais belo.

. não foi? Só quer saber de dançar. mas quando você não escre veu o Dr. fitando-me c om ar de censura. enquanto Carrie permanecia calada no chão. Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho. Julian simplesmente anuiu com a cabeça. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão. Paul ergueu-se e caminhou para mim. Parecia uma linda bonequinha. Ninguém me escutou abrir a porta. o olhar preso ao meu. Um tanto trêmula. Poderia te r telefonado antes. Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama.Você parece diferente .Cathy. . E não precisa da família qu ando está dançando. tentar ler-lhe os pensamentos. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. Toquei-o de modo hesitante. o s pés descalços. tinha necessidade de ver-l he o rosto. ao mesmo tempo. Naquela época. . jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona. me machuca! Parecia tão bonita. carinhoso.Catherine? . então. avancei para abrir a porta principal com minha chave. os tornozelos cruzados. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível. virou o rosto na minha direção. seu blusão vermelho de vel udo piquê... Ele bocejou. É cansativo ter que dançar todos os dias e.. presu mi . seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar. para variar.Perde u peso. esqueceu-se de nós.talvez comigo.disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave. enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados. após sal tarmos do ônibus. sonhando.É você? Carrie escutou a pergunta. erguendo a mão para tapar o s lábios. Por algum motivo.respondi distraidamente. sobre ele. estava com quarent a e três. Cochilava. Julguei que ele fosse di scutir. Como se eu não passasse de uma aparição.repliquei num sussurro rouco. também se movimentava de um lado para outro. preciso de minha família. . fresca e bem alimentada. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento. Dormitando levemente. erguendo-a bem no alto. com o olhar fix o em Paul. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão. Abraçamo-nos e beijamo-n os.. A perda de peso caía-lhe melhor que em mim. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? . diante do aparelho de TV em cores e da lareira.mas não pude.. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: ..Mais ou menos isso. agora..murmurou.Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? .o bigode que ele deixara crescer só para me agradar.ul .indaguei. observar-lhe os olhos.. O bigode parecia mais escuro e espesso . Contudo. tentando adivinhar o que ele pensava. . Não obstante.Você também parece mais magro . acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo. Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav . Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. E parece cansada. . A cabeça. ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente. Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada. Então. Carrie . . .Sim. . Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana.Ai! Assim. sabendo que já não me pertencia . ao lado da poltrona.Oh! Cathy. Paul achou melhor esperarmos. Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. Concordando. . sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse.Sofri quando parou de me escrever todos os dias. ou enviado um telegrama. Mesmo dormindo. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul. levantou-se de um salto e correu para mim. Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. Paul estava esparramado em sua poltrona predileta. Paul tinha quarenta anos. fitou-me estonteado.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala. Mas jovem dançarino talvez não so breviva. A notícia de meu casamento com Julian! . . não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local. Um homem já sofre. não chore mais. Então. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa.Sim.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. aborrecido. Tudo correrá bem Você verá. Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido. comecei a chorar baixinho.lamuriei-me. . nunca se adap tará a seu tipo de vida. . metendo-m e a brincar com uma jovem .e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso. . faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa. Voltarei antes de vocês parti rem. Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto. ele depende de mim. creia-me! Henny sacudiu os ombros largos. tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la.gritei.ordenei. Não é meu cliente.indagou ele. de modo que me surpreendi com sua reação. Levarei Carrie comigo. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito. Em seus braços. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo. Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses.Fique aqui e espere! . rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa.. .. Enxugue as lágrimas. .quis saber Julian. Agora. Então. Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente . de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco. muito doente. mesmo que corresse atrás dele. levantou-se depressa e partiu em direção à casa. Carrie é como se fosse do meu próprio sangue.O que lhe diz ela? . você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha.rto viver sem alguém que me ame. Falo u-me por meio de gestos e. Naquele momento. Além disso. Mordeu nervosamente o lábio inferior. Naquele momento. Deixe-a ficar comigo e Henny. sobreviverá à decepção.disse Paul. Paul entrou na sala com as malas e se . galgando a escada como se voasse.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo. muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul.Você me ama um pouquinho. onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer. sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. Cathy. . Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. afinal.Por quê? . indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. Mãos escuras. Sinto-me tão ignorado! .Cathy. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama. fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas . forte. .Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora.O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio. angustiada. movimentou rapidamente as mãos: .É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai. . Não creio que tenha muito tempo de vida .Georges está doente? . . Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. Então. .Escute! .Henny! .Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. Henny apareceu na varanda e. mais ou menos para saber notícias de Julian e você. com sua mímica rápida como o raio. não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. Entrei no quarto de Paul.Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama . . mas procuro visitá-lo sempre que possível.

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

meu superior ou amo.. então. meu carcereiro. até mesmo agora.Chris. acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico. O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas. eu não me importava.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco.muito malvado. mas era capaz de domá-lo. simultaneamente. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte. não desejo magoá-la. Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la . Juventude clama por juventude e Julian era jovem . . Chris brilhava na escola preparatória e. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. E tem mais: também não morro de amores por seu irmão. Sua irmã é legal. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. Dividiríamos tudo pela metade.. Eu já o vi olhar para você e. exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa. estou pouco ligando para Yolanda. e se desapontara tanto com o pai.declarou Julian. . tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana. Era primavera e as aves gorjeavam. . Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. pois compreendi que fora terrivelmente ferido. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. co mo eu também fora.replicou Chris. .Eu não chamaria exatamente de "detestar". Além disso.Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer. ele não vai me afastar de você . obscura. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa. Veio de avião a Nova York. Meu irmão fitou-me de modo estranho. explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park. Não sou cego ou estúpido. Chame de ciúmes.e encantador. teimoso.Está bem. Mas não se esqueça .sposa: acho que você gosta demais dele. .Cathy.Você é a melhor coi sa que já me aconteceu. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. nunca fora de meu campo de visão. numa radiante manhã ensolarada. Nem Chris. eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. terminando a refeição. no quarto ano. E não furtivamente. baixei a cabeça. ele me tocou. embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. um bailarino talentoso . Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. . como um filho único que necessita sse de mimos constantes. Talvez Paul tivesse razão. às escondidas. cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde. Caty. . quando resolvia sê-lo. Quero tê-la a meu lado o tempo todo. da mesma forma que minha mãe me decepcionara.replic . Mas trate de manter-se distante de Yolanda. Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. Às vezes bebo demais e. de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores.. eventualmente. .aquele médico de quem você foi noi va. nem Carrie. sei que seu marido me detesta. bonito.Está certo. Chris. Mas seja lá como for. Preciso de você para me manter na linha. Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse. pois ela só lhe poderá causar encrencas. nem muito menos . E Julian precisava de mim. Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. Cathy. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . Naquele momento. compartilhando em termos de igualdade. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda.. No momento.Claro que ficaria . cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. fico malvado . completando o quarto ano da escola prepar atória e. coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos.Eu a amo como um louco . E. ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina.

portanto. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory.Já não uso sutiã de treinamento. tínhamos os papéis principais. nunca muda. talvez ainda mais que estes. . Cathy. parecendo deleitada. assumindo um tom muito sério. Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. .indaguei em voz tensa.Não quero você dormindo sob meu teto! .Olá. trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . será impossível nota r a diferença .Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar. . Era uma piada que costumávamos repetir. Não obstant e. . O que é? Sacudi os ombros. . Desanimada.A primeira coisa que notei foi seu busto.uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade. a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. era um elogio de alguém que ela tanto admirava. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito. Não sabia o que era. que deveria estar ao lado dela. outras vezes dançávamos papéis secundários e. Então chegou minha vez de abraçar Carrie. trocamos novidades. em cer as ocasiões. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto. partindo de Julian. jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser. . até que ela me segredou.esbravejou Julian. . O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir. depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite. Quando Carrie completou quinze anos. correu pa ra tomá-la nos braços. da nçávamos como parte do corps de ballet. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina.Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? . Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos.Ora. rindo. apertando-a com força. veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York. .Cathy . Chris passou três anos sem voltar a Nova York. porém. Carrie ficaria profundamente ofendida. abraçando-o pelo pescoço. voltei para assistir à aul a com Julian e.replicou ela.perguntou Carrie. ganhei um de verdade! . choramos.Como vai Paul? . fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: . Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo.sussurrei em resposta. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. Às vezes. decaíamos.cumprimentou. Chris pegara a minha mão. como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta. . como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco.Eu sei ..Cathy. Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. Julian foi o primeiro a avistá-la. Na minha opinião. Se Cory ainda estivesse vivo. não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu. . fazendo questão de beijar-lhe o rosto. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas.Conseguiu ver meus seios? Não . colocando os críticos em polvorosa e. minha linda cunhada! .É mesmo? . depois. tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa. . . . Carrie o adora e é adorada por ele.Não se atreva a me chamar de Fadinha! . pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo. pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma.ou Chris.disse Chris. E na verdade. . Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação..Paul é Paul. teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos. Entr etanto. Soltando um grito.Não gosto de você.

Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie. Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico. alcançando-nos em Barcelona. havia um membro de minha família qu e Julian aceitava. querido. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. na primeira vez que ela viera sozinha. impaciente. Cinco anos e três meses de vida conjugal . relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé. Você também ficaria. Contudo..a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. viajamos de cidade em cidade. Cathy! . Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos. Portanto.É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso. Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris. . gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento.Por favor. julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. Era como se eu. Pelo menos. Duas semanas era tempo suficiente. adorand o o lindo panorama. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. . Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo. Os meses pareceram voar.É um papel difícil para você. . . Protestei.Ora..pensei que aparecessem tanto. pessoalmente. a primavera pela qual tanto esperávamos chegou . como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina. claro que aparecem . Julian e eu estávamos em Barcelona. e.Ora.afirmou Julian. sobretudo. Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme. Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian. sabendo o qu e ele continha . em maio. O envelope atravessara a Espanha atrás de nós. Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. adoramos a música e a dança esp anholas. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris. . deixe disso. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur . o preço seria a inda menor. vamos. Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos . Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. . um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV.e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido.Na verdade. Madame Zolta sugerira as fér ias. em maio. mas queriam nossa presença agora.afinal! . algum temp o antes. mas que me causava dores de cabeça. Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso. Estava ma rcado para junho. afinal. e um tape de TV não levava muito t empo. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. Estará cansada e precisará de tempo para repousar.mas. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. Após a refeição noturna. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento. sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava. Usando um carro alugado." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado.replicou Julian.alguns dos quais já se tornavam realidade. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha. tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas.

que não co nsegue viver sem a sua presença. Julian .Excetuando eu. levantando-se e pegando-me pelo braço. Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: .Que diabo! Não! .disse Julian.portanto. desde que pudesse ir à formatura de C hris. o que só acontecia quando a dor era muito forte . Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado. mas sou incapaz disso . meias e gravatas. Sem dizer uma palavra. não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado. Todavia.Chris é meu único irmão. com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras. . suas malhas de ensaio. Cathy. a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele. pois beijavame o corpo todo. acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. opinar sobre as roupas que usava no palco . semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol. como não quer saber dela. Franzindo a testa. sua mãe. .Já estou farto de tanto escutar Chris isto. Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: . não tem quem ligue para você a não ser.Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. . Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo .Não quero mais falar no assunto .Não tente escapulir às escondidas . com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. po is nunca participou de nada . emburrado e sozinho.explodiu ele.Eu vou. que a adora. Paul! Agora. eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora. Julian se aproximou para ajudar-me e. vamos dormir. Estou cansado.Escute bem uma coisa. mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua. De qualquer maneira . Fique com o marido que precisa de você.como ocorria ocasionalmente. Fechei os olhos. tal vez. tornei-me se u senhor e soberano . recusava-se terminantemente a permitir que .Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã.repliquei friamente. Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr. embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. pois não tomei parte no ato. . você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! .foi a resposta brusca. . mundano. fui inform ada de que seria uma noite de amor . Tinha que escolher s eus ternos. Quando me decidia a iss o. de sexo. onde comecei a des pir-me. quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto.Venha. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. mas não importou realmente. permiti que ele me puxasse até o quarto. elegante.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família. re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. O que ele me fez foi espantoso. Depois. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava.Não me ameace. Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura. . Não obstante. embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las. não sua escrava! . minha amada esposa: quando se casou comigo. E est a era uma delas. desta maneira.exceto no sexo. desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador. E aind a não estou disposto a fazê-lo. Zombava de mim. mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! . Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! . E. Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão. ficará ao meu lado até que eu a mande embora.e me mantém afastada para que eu também não participe. mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado. é Paul isto. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim. camisas.advertiu Julian com voz abafada. .se por tantos anos.Você nunca me fala do passado! . brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e. M as.ou melhor. Ou pode ficar aqui. . desta vez. Talvez você consiga aprender idiomas através de discos.

eu ficara magoada. Parece ridículo. . indagando com naturalidade: . existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta.Se elas não se importam. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira. Julian. Para você. Julian parou a um passo de distância. Cathy .murmurou ele. . E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. Sorri. mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite. que eu era a única. logo que descobrira a verdade.Está zangada porque não atingimos o topo da profissão. completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa. mas talvez os dois . Comemos em silêncio. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. lemb ravam-me prostitutas. se sabe o que é melhor para você. Cometi a tolice de sorrir. . .Pare de ficar ajoelhado. Ele avançou devagar. cheirando a sabone te e loção de barba. Cathy. que tinha mania de lingerie preta. o que fará desta vez? Sorridente. recém-barbeado. limpo. Ele avançou raivosamente para mim.. Julian. Sorriu e esbofeteou-me de leve. Tanto quanto você é perito e m obrigar.Qual é o problema. . queridinha. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado. Julian foi cruel.. Desafiou-me a morder a isca. mantive-me de cabeça erguida. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. então Julian voltava para mim. fará exatamente o que eu mandar. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras. . e minha própria mãe. . Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir. Para mim. servi-lhe café e respondi: .Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. ele merece. tendo voltado ao normal.Desculpe-me. Naquela noite. moreno e despreocupado. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse.Direi a todo mundo que você está doente. Sou perita em odiar.Agora.Não farei um juramento tão injusto. Você já devia saber mui to bem. sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas. E agora. à sua maneira exótica.ou ainda pior. ou mesmo dar um telefonema. E não poderá fugir às escondidas de mim. Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. para serem jogado s fora quando sujos. Agora. Nem torradas. . era o homem . Além disso. está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. um omelete de queijo. dizendo-me que me amava.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo. Então.Cathy. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito. Contudo.Bom dia querido. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel.. malvado e vingativo. . não me interesso por livros ou museus. Julian. Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar. como você. n em manteiga. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte. A princípio. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados. deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas..eu cuidasse da economia doméstica. Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã. com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. o que fi z obedientemente. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos. não sei como me divertir excet o dançando. que n ecessitava de mim. Equimoses apareceriam e além disso. eu também não me incomodo. . Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele. dê-lhe uma oportunidade.exceto no ego. a esta altura. forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor.

Naturalmente. peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra. .Cathy. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. . Uma hora após o café da manhã. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo.Alegro-me por você ter vindo . da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. Se Julian estivesse acordado naquele momento. fazer o discurso como orador da turma.Está procurando cabelos brancos? .brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade. Então. partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el.Eu o amo. E Julian também deveria estar presente. .É uma pena Julian não poder acompanhá-la. torna-a ainda mais bela. sempre esperando revê-la. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. . Enfiei rapidamente roupas nas malas. Paul. Esperando. O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. ela está na cidade. . eu fizera o que precisava. Ele respirava de maneira profunda e regular. olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe. Nossos olhares se encontraram e fixaram. Eu não via Paul há três anos. talvez. Embora eu o t ivesse drogado. encarando-o. Lembrei-me também de nossa mãe. mas o fato é que o fez. Sentar-me junto a Paul. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto. na Carolina do Norte. Quando tornei a fitar o palco. temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. Obrigando-me a afastar o pensamento dela.Ele também teve muita pena disso . Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los. claro que sim! Estava louco de nervosismo. passaria o dia inteiro colado a mim. com um l eve sorriso. Sabe. hesitei. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e.Ora. Por s . pouco depois. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. em seguida. Henny e Carrie também derramaram lágrimas. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. encaminhei-me à garagem. Sim.repliquei.Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . hoje você ainda não disse que me ama. sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão. pronto para subir à tribuna. com meu passaporte no bolso. Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". . Julian.declarou. Francamente. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. Bartholomew Winslow. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade. com demasiada admiração. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis. Gosto de s eu penteado. . avi stei Chris lá em cima. C athy. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim. Ainda não me considero pronto para ficar grisalho. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair. Com o rosto erguido para mi m. que deveria ali estar para ver tudo aquilo. . enquanto Julian dormia na cama. Todavia. está magra demais. que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . imaginando se teria agido corretamente. O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez.mais bonito que eu já vira.Se encontrar algum.

. se Carrie atingisse uma estatura normal. pintada por encomenda. tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. Aparentemente. Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera.como fazíamos desde crianças . quando ficava sozinha.Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo. Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. . também era frágil. Infelizmente . . em nossa mesa. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio..Não. . parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava.. embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. Na verdade.prolongava o prazer de recebê-lo. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma . porém. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do.disse ele.mas algum dia ainda seria. Chris. Vi-o novamente nas som bras do sótão.. marcarei as consultas.. realmente . Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar. Havíamos participado indire tamente de tantos romances. representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna. embora eu fosse de opinião contrária. Observando Chris. unimo-nos numa comunhão silenciosa. e voltara-se para mim. Carrie ta garelava sem parar. Desde pequenos. a coisa era muito dife rente. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. em seguida. . novinha em folha.Ele queria vir. aos dez anos de idade. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. pois sempre tentávamos enganar um ao outro.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica.e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. .explicou Paul. Cathy . Vi-o no quarto trancado.obre todas as cabeças que nos separavam. Chris limitou-se a r ir. . para rebater a bola por cima da cerc a e. só poderei ficar aqui dois dias. Além disso.se Cory não morresse. Mais tarde.O resto da coleção será enviado para você a domicílio. Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele . Olhei para Paul.adivinhou Chris. Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam .. só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr. . Entretanto. toda pintada de vermelho! O Dr. poderia parecer extravagante no consultório. . Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. como tive o cuidado de advertir. Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios.Não consegui carregar mais que seis . Chris e a mim. acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos.Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto. São mais livros .menti. manterei os arquiv os em dia. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los.Livros! . acertadamente. compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos. Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele. sua ca ma a um metro da minha. quase sem fôlego. enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido.O Dr. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina . a fim de chegarmos juntos em casa. . De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. Vi-o manejar um bastão de beisebol.. Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel. Paul.informou Carrie . deitados nos velhos colchões manchados no sótão. cada qual pr ocurando as palavras adequadas. cuidarei da contabilidade . E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone. se nossa mãe não nos at raiçoasse. lançando-me um sorriso encorajador. Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. quase escondido naquele espaço imenso. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos.e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação.

Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou. Certa vez. Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela .Está vendo aquela janela no segundo andar. Eu gostava delas todas. suspirava por um microscópio John Cuff. poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota. as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos . falando sério: .acrescentou. Chris. e não devia! . . . após todos aqueles anos. também.. e darei uma deixa. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho. .Você saía muito? .Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar.Bem.Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato.Que belo brinquedo você me deu . .Isso não é da sua conta . se é isso que des eja saber.Oh! diabo. Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto. sufocado de emoção. E não é original. . Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo . anatomia.e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico. Estudávamos juntos e. Quand .Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina . a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank. Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim. .. biologia.respondeu Chris.Eu amo uma garota .Os camundongos morrem cedo? . .Oh! .1675-1840".em especial.Conheci-a durante a vida inteira. Nada foi fácil. embora não se tenha apaixonad o. Christopher Doll. era exatamente aquilo que eu desejava saber.. . declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo.. precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão.replicou ele em tom despreocupado.. ou aranha. . devo começar a enumerar uma por uma. E funciona. Cathy. quando saíamos com garotas. apesar de tudo. que o fez parecer novamente um menino. levaria várias horas. Entretanto. Agora. eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian. Declarei com voz sumida: . mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff. íamos juntos também. quando fomos para Foxworth Hall. Cathy.Caso decida divertir-se nas horas vagas. além das roupas. Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade.. Você não devia ter gastado tanto. .Não está respondendo à minha pergunta. . po rém. Paul. um camundongo chamado Mickey. .indagou Paul.Concedo-lhe apenas um palpite.Deu-me um sorriso engraçado. vivêramos num mundo diferente quando crianças.. tomando cuidado para não rasgar o papel bonito . . Tanta coisa para aprende r: física. .. foi uma fortuna.Só nos fins de semana. Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara.suspirei. ma ntidos numa prisão. certamente.. chave e alça de bronze polido.disse Chris com voz áspera. Com quem você saía? Existia. E. alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si.e não posso fazer isso. . .. Antes. O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana. toda vez que Chris matava uma mosca. Sim. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la. que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho. . Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. ou existe.Mas fiz questão.Nunca esperei possuir um des tes. Sim. . sonhador. Por que usara aquele tom suave. pelo nome? Assim. de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos . o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. e mais uma lista interminável de matérias. química.murmurou.Creio que é.

olhando a lua. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa. Esqueça-se de mim.. bancando a virtuosa! . Port anto... por Deus. Sem a menor dúvida.Não me ame.. Uma vida doce e fácil. excitouse de todos os modos possíveis. afastando-me rapidamente de si. mas tente matar meu amor depois que ele começou! . ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem. Se m problemas. observando-nos e condenando-nos pelo que éramos..Cathy. encantei-me novamente com a casa e os jardins. ele recuou. então! . . quero odiá-la.e agora não consigo fazer que saia.Cathy. Chris prendeu a respiração. chego a pensar que você é igual à nossa mãe. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. então. . . Eu não que ria corresponder. acordo para tirar-lh e piche dos cabelos. caso se cortassem.. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris. . chamando-me o nom e. mas não consegui evitar. não demorarei muito a aco mpanhá-la.o vou dormir. Chris. cercada de todo acolhimento e conforto. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian. naquele sonho. que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. às vezes.não seu. ela disse q ue a lua era o olho de Deus. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros. E se você morrer antes de mim. como se procurasse provas qu e me incriminassem.aquele rosto que também me perseguia. Em seguida. Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. eu jamais conseguiria odiá-la . Não sou santa. convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família. se você me acompanhasse. .. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos. Ele sorriu com ironia. que tipo de mulher é você. Pross eguiu: . tentando conduz ir-me a seu quarto... Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. . Então. anjo. Então. parecendo magoado. sonho com ela dançando acima de minha cama. Entretanto.Não mereço estar lá dentro. como meio de castigar-me. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. como o dela t ambém dói.Pare! .Odeie-me. é problema meu .Poderíamos levá-la conosco.Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e. refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros. Julguei que ele estivesse brincando de desejar. juro que não fiz. Permaneci onde estava. Não fiz nada.E deixaria Carrie? . gritando quando tem pesadelos.. E. sem mencionar Carrie.gritei. afinal? Correspondeu aos meus beijos. Não era tão bela. Cathy. e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite. boa ou má. . Lá chegando.Às vezes. tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. como fazíamos quando crianças. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul. A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais. Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei. nem um anjo. e agora tira o corpo fora. Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta .. à noite.Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. eis a garota que me persegue e governa. .Santa. com os lábios em meus cabelos.Cathy.Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você. . E. acordo sentindo o corpo inteiro doer.gemeu Chris.Eu fiz exatamente como você. filha do Demônio. abracei-o e fitei-lh e o rosto .replicou Chris com um sorriso amargo. beijando-me o rosto. espero que agora você esteja satisfeita. Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. Deve haver algo esquisito em mim. Às vezes. Cathy. . lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me. você bem deveria saber. . você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte.. movimentando-me como num sonho. . Virei-me.

disse com ar indiferente. mais uma vez. Veja. exigente.. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. vestida de preto. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. aparentemente separou-se.Traz um artigo que talvez lhe interesse . enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança. caso não fosse.. faminta. não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. Que Julian ficasse com Yolanda.não com sua espinha machucada.não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida.exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me. Encaminhou-se para mim. e. poderia ser apenas mais um alarme falso. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda.. Pela primeira vez. a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro. queria que eu tomasse todas as decisões. . deixando-me muda a olhar para a po rta fechada. cujas regras eram tão irregulares. Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e.de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam.Cathy.Catherine! . Certo dia. Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando. E u continuava tentando provar meu próprio valor. mas mudei de idéia. Madame Zolta a trataria com mais justiça. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. nossas celebridades locais . Corre m rumores de que a Srta. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão. Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente. A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo. em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso. Não me importava. Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu. Não poderia erguer Yola nda com facilidade . o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das. co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada. Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se .Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. Que fizesse papel de tolo. no final. como sempre. Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino. No resto do tempo.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: . para que. dançando Giselle num grande especial de TV. Do fundo do coração. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar. Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos. Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. . egoísta. . Então corri para dentro de casa. O artigo ia mais além. conseguisse ne gar a acusação feita pela avó. Avó. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . Não! Eu não era igual a Mamãe . Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário. tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida. Então: .. Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: . s ubi ao meu quarto. Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa.Nada! Meu irmão ficou calado por um momento. Talvez não estive sse grávida. Com música de balé na cabeça. pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas.dentre muitas outras . Então. rápida e graciosa. que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano.

nunca mais volta ram às boas. De perto.Eu era mais velha que Georges quando nos casamos. ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar.Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! .nunca! . Julian significou d ois golpes contra Georges. com algum as mechas escuras. ela rosnou. trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida. que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . Os cabelos negros estavam agora quase brancos.indagou. Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe. . trate de ficar caladinha aí na cadeira.continuou. todavia. mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse. . mas sempre o mantivemos conosco.. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama. até um belo dia d . ansiosos pelos aplausos. .Agora. . avançando para mim. desde o início.Como é bom rever seu lindo rosto. Apoiando os braços no espaldar. eu nunca . Ela fez uma carranca. venha. pela adulação. . E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande. colocando-a de modo a poder c avalgá-la. quanto mais tentávamos. Um dia.Fomos rígidos com ele. como Julian era boquirroto! . Passamos muitas noites abraçados na cama. Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho. Portanto. conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! .Sabe. com expressão tristonha e sonhadora . . suavizou-se e acrescentou: . .replicou com rispidez.Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu. Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação. Catherine. como um passarinho. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto. Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho. eu lhe dava toda a minha atenção. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber. fiquei grávida. atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás.repliquei com muita calma..Não se preocupe comigo.Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora. golpeou-me com seu olhar penetrante. enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido. mas mesmo assim.Por que se esconde nas sombras? . você bem sabe que não pode ser deixado sozinho. . . Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor. perfe itos como nunca tinham sido. poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece.só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança.. isto eu admito.Se meu marido já não m e quer como par. Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro. Então.Agora. Então. . G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso. Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório. Madame . Fez outra pausa e virou a cabeça. percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges. de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante . E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. tenho certeza de que outros me desejarão. Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . .Agora.deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. mostrando dentes mais alvos que antes. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa.Na verdade. Oh! sim.. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção.

Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. quando. cheios de suav idade e admiração. Abandona-o. ministra-lhe drogas e foge. mas estou disposta a voltar e tent ar. onde estaria você? Sem ele . Não sei por que motivo tive essa impressão.. Talvez sempre o tenha amado. fazendo um jogo de mulhe r astuciosa. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas . nem Deus . oferecendo-se. não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente. dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos.repliquei fatigada.Você chegou. Julian competindo com o pai.e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto. ele diz que você não o ama. não o quer. Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. postando-se diante de mi m: . vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho. fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu. Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. . só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai.Não sou mãe dele. Quanto mais decidida você estava a vencer. você era igual a Julian. Recuei em direção à porta. com as pernas fracas e trêmulas.muitas delas . quer esquecê-la! E quando o conseguir. Prometo agir melhor.e Natal.Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas. . A seu próprio modo. julga que odeia você! Agora. Todavia. não passava de uma criança! E agora. que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele.Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. que nunca o amou! Port anto.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. você o aba ndonou num país estrangeiro.Sim! Sim! . com meu ódio por minha mãe. Então. nem padre. Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual. na verdade. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer. procurando ir embora. agindo como se não ligasse. Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim. juntos. cujo idioma ele não sabe falar. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele. mas ainda precisando comprovar meu valor.mas. tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade. Parou mais uma vez.Madame. e eu competindo com minha mãe. Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas. amou-o quando dançava com ele. ainda assim. por acaso você estaria em Nova York.. estará dizendo claramente que não o ama. Considerei-a inteligente. você. admirou-o. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas. percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. se ficar calada.principalme nte por pensar que magoaria meu filho. fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . criando os fil hos daquele médico. foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. você era indiferente. Julian viu você! .. como um gato de rua arrepiado. entretanto. está louca! Bata-lhe na cara.berrou com voz esganiçada. quando não estava m dançando. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. sem entender que vencera e era o melhor.. que me obrigava a cometer loucuras. Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha. mais dete rminado ele estava a possuí-la. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens .. ch ute-lhe o traseiro.. não precisa dele! . de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . . apenas não conseguia aceitar o fato. . Então. De repente. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo. Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois. eu. quase sem fôlego: .Se o ama. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo.

muito mais leve. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. Num gesto automático. esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la. embora soube sse que Julian ficaria furioso. como sempre. O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu. .Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. Ri.. Quando conseguir salvá-lo.indaguei sonolenta. mas não o av istei.Também estou procurando. na metade posterior da platéia.Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível. Agora. Que seja muito em breve. e . Diga-lhe. Carrie chorou. .Sim . tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme. . Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem. achando graça no seu jeito. caso as cois as corram bem.Chris .Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina. antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria. Oh! estava maravilhoso na justa malha branca. apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. é para seu próprio bem. Chris carregava minhas duas malas pesadas.Pobre criança.resmungou ele. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim. Julian deve estar ensaiando no teatro. Catherine.Claro . Vá depressa .respondeu ele. . Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris. Paul e Henny. O diretor. . pois este fincou pé: ..exclamou-me Chris ao ouvido. mantenha-se à distância. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total. salvar-se-á também.Puxa! . tão sonolento quanto eu. Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho. satisfeita de tê-lo perto de mim.Agora. E eu também tive culpa. .. . Teremos que ensaiar muitas vezes. se fui dura com você. enquanto eu levava a sua. ele o disse muitas vezes. deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração. Entramos na platéia escura. Chris. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele.A esta hora. as câmeras de T V em posição. . Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. Mas Georges se manteve em silêncio.replicou Chris num tom sombrio. Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie . com o Georges. Paul se manteve afastado. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores. prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. O palco estava brilhantemente iluminado. A mim. co m agasalhos de lã vermelha nas pernas. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho. Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? . em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa. Na verdade. e nem mesmo permita que ele o veja. Embora eu tremesse de frio. O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado. Você precisa evitar que meu filho se destrua. Procurei por Julian. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço. Ajeitei-me numa posição confortável. digno de ser amado pelo que era como pessoa. Disse em tom consolador: . Estávamos ambos cansados. . você será melhor bailarino que eu. atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. Não é perigoso. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa . eu sempre soube.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco.Você é mesmo uma ótima companheira de viagem . ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente. o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila..

concordei..Marquet! . Sorri.é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência. . dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela. Dahl.. . se me deixar cair. . arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele. .Corta! . Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto. vamos tentar mais uma vez. julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora.sussurrei . fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil.esbravejou Julian! Não sou eu. é ela! Sempre salta antes da hora! . Então. é claro..disse o diretor. Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas. Lange. Não obstante. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas. em breve ficaria se m par. pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles.É apenas a cobertura da Srt a.refiro-me a você também. Mesmo eu. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! . Agora.Maldito! . Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você.Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: .. Ou melhor. eu entraria em ação.Então. . impaciente. Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta. tensa. indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . Perversamente.Com licença. Lange . na primeira fila.chamou ela com grande entusiasmo. um minuto. A despeito de m im mesma. aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos. Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. preste atenção a sua dei xa. até então.Está bem ..Srta. tudo dava errado.Sim .Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras. procurando acalmá-la. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco. Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia. pois eu também precisava de disciplina. Chris . aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo. Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo. sentada quase no fundo da platéia. Enquanto isso.Ei. Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! . famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena.Ei. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido. Catherine! . Tudo estará bem. Marquet. .chamou o diretor.Eu! . Cathy. Gesticulando.berrou o diretor. apronte-se. obser vando a cena como uma águia. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! . Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção. então. Obv iamente. Desta vez. você. Os olhos negros me viram sentada.Faz-me parecer desajeitada. sentindo-me tão exausta quanto eles. quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi. A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e. pondo-se de pé e olhando. sarcástico. que fazia todo mundo perder tanto tempo. Yol anda escorregava e quase caía. que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda. sempre com maus resultados. de um para o ou tro. o resultado foi igualmente desajeitado. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé. O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. . Lá na frente. . .disse o diretor.. você não estava tão doente. pude escutar as imprecações de Yolanda. comecei a ter pena de Julian. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! . ela sibilou: .Eu também.berrou ela. não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta. usando uma malha vermelha. Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda.

não sabe ser razoável! Logo ficará louco.Madame . quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? ..Você não me ama . Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem. diretamente sobre meus pés.Olá . tarde demais para salvar-me. Então. meu coração querido. ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco. Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância. um demônio. olhando para os pés que inchavam rapidamente. Em breve estava pronta. . Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco. Empalidec eu de dor.mas apenas por breve instante. tentei focalizá-lo. caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. se não tornar a ver seu rosto.Não está dizendo a verdade . Como poderiam cortar a cena. Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys. empurrando-a com tanta força que ela caiu. esperando tudo dele. utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias . nunca me amou.. Yolanda tentou deter-me. sozinha. bem? . pulou muito a lto e desceu com toda força. você verá quem dançará Giselle comigo. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor.Agora.Maldito seja ele por fazer isto! . Chris correu do auditório escuro para socorrer-me. dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras. .Você é um bruto maldoso e sem consideração.. e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida.. deixei-me cair no palco.berrou o diretor. ajoelhando-se para desca . Agora. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros. quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. Ou melhor: logo nós fica remos loucos.replicou ela cruelmente. sei que você a detesta. Julian interrompeu a seqüência do balé.indaguei -.disse Julian com amargura.Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? . especialmente minha esposa.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz. Então. . . Meu amor .Portanto. se fizemos tudo com tanta perfeição? . Ao invés disso.. Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar. Portanto. Julian é impossível! É um furacão.Nunca me amou. Estonteada. .repliquei. tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos.. fazendo um perfeito "colar de pérolas". . . sem parar de acomp anhar o ritmo da música. enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco. Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . minha amada Catherine. de repente. Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores. mas não bastou. boneca bailarina: ninguém me abandona. Por mais que eu fize sse ou dissesse. .Intervalo! . amor. ele exibiu um sorriso malévolo. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama. por isso a escolhi.Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. calcei as sapatilhas. Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos.Seu marido. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios.tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia.disse ele com grande frieza. Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim. Agora. meu amor . Certamente não será você.Você foi substituída . Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem.Sim. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada. .vociferou meu irmão. Hesitei nas coxias escuras. Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle. vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e.Escute bem uma coisa.. O alívio brilhou n os olhos negros de Julian . agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você.

Nossa sala! Que desastre! oh! Deus. tornou a pegar-me cuidadosamente no colo.. Graças a Deus. E Chris não pronunciou uma palavra. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos. afastando-se para examinar os outros cômodos. soluçando e fungando. Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado.Leve Catherine para o nosso ortopedista . Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira. para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo . Mas não disse do que dependia.. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás.Ficará boa. . chegando-me até o joelho.. Esbugalhei os olhos. .. Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. . olhei em volta. . tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. . Depois. Olhou de perto para Chris.Simplesmente vândalos. Em meus pensamento s. confiante. do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde. .objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos .Você poderá ou não voltar a dançar. boquiaberta. . rasgado da moldura.disse Chris em voz baixa.graças à sua perícia incomum. tentou mover-me os dedos. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas. que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede.quis saber ela. deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar. Atemorizada.ordenou Madame Zolta. Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente. Cathy. . revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito.. Mas aquele marido imbec il. nem u ma só palavra.Claro que voltará a dançar . Já que ele se mostrava tão calado. abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto.Vândalos . Mantive os o lhos fechados com força.Tenha calma . azul e roxo que ostentavam.Você é o irmão de Catherine.aconselhou. enquanto eu me derreei sobre as almofadas. enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso.Lev e-a depressa para o médico. Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé. Você vai precisar de um ortopedista. Meu irmão tentava mostrar-se profissional. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados. Com extremo cuidado. T udo que era bom e caro. Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente.. Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas.mas não cons eguia. Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim. tudo depende. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. muito querido . com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé. as cúpulas rasgadas em tiras. atirado no chão. Então. perguntei a Chris. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito. as armações de arame retorcidas.. Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. causador de toda essa encrenca? . os dedos maiores foram poupa dos. os médicos preferem ser exageradamente pessimistas. a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação. Portanto. Temos seguro contra acidentes.lçar-me as sapatilhas e examinar os pés. mas gritei ao sentir a dor terrível . beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s. basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados.. Sorriu.Às vezes. . Desajeitadamente. Os abajures espalhados pelo chão.tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! . distante .replicou ele.

Alguém dentro de mim gritava incessantemente . pensávamos que toda a alegria ficara no passado.começou ele.murmurei com voz sumida. Além disso.Maldito seja ele!.Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó.Sim. Naquel a época.disse ele. . jamais. . tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos. . mas não encontrou o brilhante. . . estudava-me o rosto. com o rosto muito composto. .o ódio estava próximo.perguntei. dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião. Fechando os olhos. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo.exclamou Chris. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos. Haviam-me injetado sedativos. pois eu lhe darei mais e melh ores.Cathy. vi Chris como outrora. e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. o vento uiv ava.Você está b em? Parece prestes a desmaiar.. ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas. amedrontador. Sentia-me zonza. Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia.Chris. . Lançou-me um olhar confuso e preocupado. .Julian . A qualquer momento. Chris. E sou médico.Sim .. no present e. tornando as sombras suaves e arroxeadas.. Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu. . Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo. Sim. éramos pequenos. Quanto ao anel que foi presente de Paul. "Sinto m uito. .. não se menospreze. E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul. na qual colocara lençóis limpos. porém. Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . baixinho. .pedi em voz sonolenta e preguiçosa.acrescentei com amargura.Lembro-me.Tolos? Não acho que fôssemos tolos. E quando adormeci. Ainda zonza. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. quando acordar. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto.como no sótão. os anéis esmagados.Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um.. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol . Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho. tolos e confiantes demais. quase indife rente.Cathy . O aro de platina estava transformado num ova l disforme. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. ele deve ter-me carregado para a cama. Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia. Você atingiu sua meta e é médico . Eu. ainda não sou uma prima ballerina . as pulseiras deformadas. . mas apenas normais. minha querida. de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. mas quantos foram? . Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo . Nunca.ia ser o diabo! . Ainda será uma prima ballerina! . Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences. mais uma vez -. para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. sentado na beira da cama. Estava sempre presente quando eu necessitava dele. declarando-se arrependido. guardando no bolso o aro de platina.Deve ter sido ele.Oh! como Julian devia odiar-me. sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha. dizendo e fazendo o que era mais adequado.Não sei o que pensar. O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates. desorientada e um tanto indiferente. . Logo adormecerá e esquecerá tudo isto. Quando acordei. Ele nunca me bateu sem chorar depois. por favor . você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? . Chris procurou. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados.. Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu. fiz questão de não olhar.disse Chris. julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava. os colares arrebentados. hesitante. passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante.Não fique assim. deixando intactas as coisas de Julian. eu a levarei embora daqui.Cathy .afirmou Chris calorosa . meu único amor. quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio. mais tarde.

Preguiçosamente. defendendo o que havia de bom em Julian e .. há muito tempo. Desorientada. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas. fique à distância e deixe as palavras por minha conta.mente.. virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos..Já seria. Mas. pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. .desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. Você sabe que seremos bons pais. causando-me dor e depois desculpando-se. Não teremos filhos.. O s cabelos não eram fortes e crespos. Ele não me quer perto de você. . foi apenas para fazer-me entender isso. senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto.. Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida.Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar.Não me mande parar . Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram.. cuidarei disso. Sorriu para animar-me. Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono. .murmurou ele. Julian me ama e necessi ta de mim. seria dez vezes mais violento. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. não se mova . tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas. Na verdade. . acariciando-me.. Eu estava sonolenta. E agora eu entendo.exclamou Chris. e viveremos juntos como marido e mulher. Além di sso. como os meus. fazendo-me s oltar um grito de dor. quando Julian chegar. Oh! meu Deus. Prometo não dormir e. levantarei e não me meter ei na conversa. abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros. . . que àquela hora já deveria es tar em casa.Cathy. Sem minha presença para controlá-lo. Portanto. .Pare! Mas ele perdera o controle. eu o amo. você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian.. de volta à nossa casa.. a face e. Chris. . mas sedosos e finos. ou drogado. Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto. dolorida e preocupada com Julian. Suspirei.A vida inteira só tive frustr ações. Só então percebi. onde ninguém nos conheça.. tão logo ele abrir a porta. sabe que nos ama mos . fazendo-me amor com um abandono sel vagem.que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s . Como num sonho..Eu a amo muito. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas. Quando você foi trocar de roupa no camarim.Então fique. .. . Além disso.Além disso. Fez uma pausa antes de acrescentar: . pois costumava agir ass im. como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava.escutei-o dizer. mas é sempre você. Portanto.. Não quero que Julian chegue e o encontre aqui.Chris! . E não posso abandoná-lo. . cobrindo de beijos ardentes meu rosto.Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta.Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la. julguei por um instante que se tratasse de Julian. finalmente. eu a amo tanto! . quando ele pode chegar em casa bêbado. Chris.disse Chris.. . sem prestar a tenção. . está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez.. a boca. sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance..Ele não toma tóxicos! . se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos.Entende? . que nunca poderei possuir! Cathy. beijando-me os cabelos.não s ei por que motivo . Se ele me bateu algumas vezes. enquanto el e não chega.exclamei. não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. Tento amar outras. pescoço e o bus to que desnudara-se. Podemos adotar crianças. . desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras. l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante. À sua maneira.protestei. você. escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir.Você precisa ir embora. as pálpebras.

Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse.. é a mim que você quer .. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente.. por favor. Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona. Sentou-se na beira da cama. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. vou ter um filho com Julian .. batendo a porta.e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar. Chris. mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar. estou esperando um filho de Julian. só abraçá-la. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame. então. e me deixou sozinha. espantado. deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias.. Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone.mas é um amor sem perspectivas e. ergueu o rosto para encarar-me. liberte-me. Ju lian e eu vamos ter um filho. Mas não! Não haveria "se algum dia". . curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos. Chris saiu. . tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes. .Quero o filho de Julian . Deveria ter sido melhor esposa. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça. começou a chorar. E nós pagaríam os se algum dia.Chris. não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian.. . envolveu-nos. .e com uma dúzia de outros homens. agora. Sra. A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco . Acordei sobressaltada. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos. sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos. se algum dia me amou. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe.Sra. Sou eu.. parecia que eu o esbofeteara.. recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé.Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? . esfregando os olhos. ele não teria necessidade daquelas garotinhas. . . Traga consigo seus documentos de seguro.Christopher.. Eu sempre amar ei você . por esse motivo. Julian Marquet? Despertei um pouco mais.Alô? . . .. e este seguirá sozinho o caminho da fama.Cathy. De repente. embora não visse minha expressão de recusa....indagou Chris. carteira de identidade e quaisquer . pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne.Sim. apenas você e eu. Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont.Poderia vir o mais rápido possível. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia. Cathy! Primeiro Paul.declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu.. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta. . escutou-me a voz.. um bebê.porque o amo. O silêncio. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios.como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos.mas eram pessoas de celofane transparente. Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes .. portanto.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la. desisto dele. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia.. estendi a mão para atender. recusava-se a escutar meus débeis prote stos. Mesmo que eu nunca mais volte a dançar. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. e nossos gêmeos. Pela maneira como ele recuou.. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. Então. . onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos. desejo que tudo voltasse a ser como antes. Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e. depois Julian. lá em cima..Você sempre me derrota. que ambos conhecíamos bem. perto da balaustrada do balcão. Às vezes. encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. demorei-me lá mais do que pretendia. Portanto.. De repente. Bart parou de dançar. terei o filho de Julian . o segundo marido de minha mãe.

Chris e eu chegamos ao h ospital. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento.Se ele tem o utros parentes. . estava colocado numa po sição peculiar. Então.respondi. Afinal. no hospital. Ela. aparentemente insensível . Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade .ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar. e tinha onze anos de idade. e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto.responderam com a maior calma. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia.Estou aqui. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. . O rosto pálido apresentava cortes e equimoses..declarava.Não morra. Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço. não tive uma só noite completa de descanso. eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a.Seu estado é crítico. também engessado. chorava em meus braços. Marquet . normalmente tão cheios e vermelhos. E se isso a contecesse. Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro. .É melhor ele morrer agora . aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido. Os dias se passaram.e os grandes também. oferecerem o consolo possível. Cathy querida . como costuma acontecer quando a morte está tão perto. Marquet?. Os lábios. Ele exibiu um leve sorriso irônico. Sra. baixando os olhos para a perna sob tração. . Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si.Você não teria tamanha sorte.. .dados médicos disponíveis. voltou para mim os olh os negros.sussurrava-lhe. que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril. sugerimos que sejam avisados. Incapaz de virar a cabeça. por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital. Eu não estava no aparelho. onde poderia ver-me e reconhecer-me. .. . Chris telefonou para Madame Marisha. . mas sua voz era tão pastosa. arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo. Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la.Olá. sobretudo. sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: . Sabia que você precisaria de mim. onde podia cochilar a intervalos.Julian .. pareciam tão pálidos quanto o rosto. Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos .Chris! Chris! . O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. Pensei que nunca mais acordaria . após horas a fio na sala de recuperação. .disse ele. Tod avia. Falava. Alugu ei um quarto ao lado do dele.. Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza.. por volta de mei o-dia. Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. O braço esquerdo fraturado.Preferia morrer a estar assim. Oh! não minta . .Olá. Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield. pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava.Diga-me outra vez que ele voltará a dançar.. . Ainda está no aparelho? Não. na Pensilvânia. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta.Ele vai viver? . sonhador. Sra.um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. Olhava-me com olhos sem brilho. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" . fora de foco. Encontrava-me de volta a Gladstone. . rouca de tanto repetir a frase. Julian foi trazido para baixo.e ela chorava.É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida.berrei..

.Sim. gente como nós.Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. sentindo todo o peso da tristeza.Se tornar a sê-lo. portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa.Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. Não pertencemos à raça humana. como se não quisesse responder.De todo modo.. . Tenho sido infiel repetidas vezes. A medula não foi rompida. Cathy. . acariciei-lhe o peito.disse eu. A cama era dura e não permitia movimento do doente. sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora.O que somos.Eu o fiz infeliz? Ele piscou. Com a mão livre. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido. . talvez mais que apenas alguns.Maldito seja por destruir nosso apartamento! . dispensando-me..Saia e deixe-me em paz.. . . eu o amo. .. não temos filhos . Você pode requerer o divórcio. pingando em Julian.Sim.Gente como nós? . pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro. Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também. esmagada ou mesmo afetada. . satisfeito. Tivemos alguns bons momentos. . Idiotas que dançam. Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade.Jule. Não obstante. .Está mentindo .. . Todavia. filhos não servem par a gente como nós.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras. não resta nada para ninguém.. então? . Julian tinha um braço são. As lágrimas me corriam pelo rosto. palavra de honra. Na verda de.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam.Não totalmente infeliz. você sabe.ou me lhor. tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo. no que restava deles. Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? . .Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro. . ... você não está paralisado. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu.Graças a Deus.Não somos reais. . mas insisti até forçá-lo a dizer: .vociferei quando consegui falar . temendo que ele falasse a verdade. Senti-me doente. Não quero ouvir o que você tem a dizer . que poderia estender para abraçar-me. foi Yolanda.Bem. furiosa. Mas eu assisti.Julian.Não. Chorei. arranco-lhe o coração! . têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real. Por isso. Portanto. . . Estou cansado . Nem sua mão em meu peito.Não fui eu quem estragou suas coisas. .disse com amargura.Nem teremos. sonolento e amargo. . preferimos a fantasia.não agora. Mas estava enganada. agora pouco me importa. permaneceu e stendido ao longo do corpo. recus . ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa. estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . mas eu não estava disposta a ser dispensada. por assim dizer. eu não sabia. Caia fora enquanto pode. Este fechou os olhos. Quando eu era criança.disse Julian. caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade.Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos. Eu não presto.Julian .Só alguns? . da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto. .Bonecos que dançam.Vá embora. Você não sabia? . Bocejou. E ncontra-se apenas em estado de choque. Pensava amar outra pessoa. nada mais.

Ele próprio. com uma abertura para a agulha chegar à veia. e vale muito a pena viv er por esse filho. Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian. Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde. Nada. Não feche os olhos.solucei. contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância.Oh! Deus! . fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian. fingindo não escu tar. . . mas o tubo fora cortado! .Se não fosse dessa maneira. . Acordei bem cedo n a manhã seguinte. eu não sabia. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an. Em seguida.. E lá estava eu. mesmo que você não me ame mais.... Não sei por que razão. . e agora está morto. de volta e xatamente ao ponto inicial. Aturdida. Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome.. O nível do líq uido baixava depressa. Eu devia ter previsto e prevenido. mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. indiferente. Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica.O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa. . quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . Debrucei-me para beijar-lhe os lábios. sorrindo piedosamente para todos. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos.atalhei.disse ela com voz sumida. Cathy. com suas estátuas de santos e anjos de mármore. Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu. .. . . ele praticamente cuspiu as palavras: .. No quarto ao lado. A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada. O número quatorze não dá mais sorte que o t reze. O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia... Chris.Catherine .. . olhei para o frasco pendente.. Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira.perguntou rispidamente Chris à enfermeira. . na minha opinião. Estou esperando um filho s eu.Eu o amo.como eu os odiava! Condescendiam conosco. Por favor.ou o que eu julgava que ele queria.Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava. Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. Chris passou a noite inteira abraçado a mim. todos sorrindo docemente. que se mantiveram duros. enquanto eles ali permane ceriam durante séculos. Rápido demais. enquanto ele tentava orientar-se.Ele próprio cortou o tubo .Juro que não me lembro d e a ter perdido. O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian.Chris .Aconselho-a a livrar-se desse bebê. acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira..queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas. sem reação. Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian. amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé".E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais. Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian. Cemitérios. porque vai ser pai . . Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã.. contraídos. que c omeçava a tremer. nós. de frágil carne e osso. . Julian ..Pare! Você me enoja! . Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado.. morto.disse Paul. Dormia profundamente.murmurei. que nos podíamos enlutar e chorar.Deve ter caído do meu bolso . Julian foi sepultado ao lado do pai.Está certo . ele arranjaria ou tra.ando-se a ver ou escutar. .Onde ele conseguiu a tesoura? . que vivíamos. Voltei para sacudir Chris e acordá-lo. não permita que seja tarde demais. Paul. tão piedosos e tão sóbrios .suspirou Chris.disse-lhe eu. .Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração.. Ao entrar. mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria . Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração.

tinha que tomar muito leite e vitaminas. Dentro de mim. depois que seu bebê nascer. todo seu.Não se demore m uito aqui fora.. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida. . a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. Não olhei para ver ificar quem era. balançando-me na cadeira pred ileta de Paul. vier ao mundo. Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro. pois terá um filho que será exatamente como ele! . minha. co m rebeldes cabelos negros. como interno no Hospital Clairmon t. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê.disse baixinho -.. pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha. mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite. pensando na criança em meu útero. Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. Julian não está morto. não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha. . Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o..Cathy . Chris também estará lá. Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer.. Compreendiam-me.. . Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora. Mais tarde. Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus.disse Paul suavemente. . sentado no banquinho escamoteável.Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade. Ele me tocou. Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu. portanto.Está esperando um filho de Julian? ..Seu quarto está exatamente como antes. Quando ch amasse por sua mãe. eu ouviria música de balé todos os dia s. .Boa noite. evitando-me o olhar. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente. Menino ou menina. pois já sabia. Nunca.respondi. poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé.exclamou. ensinando-o a dançar.Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar. muito bela.Deus. não vingativos. E ter pensamentos positivos.. se for um menino não fare i objeções. sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior. detesto vê-la aí sentada.Agora. levantando-me para entrar em casa.Talvez seja uma menina. que jamais seria negligenciado. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro.exclamou Madame Marisha. que se preparava para descer a escada. Ainda é muito jovem. ou sobrinha. Paul .? .Agora não. . alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e. c aso não se importe. . permita-me ficar num lugar mais próximo. Madame . estendendo a mão para pe gar a minha. Preciso de tempo.Duke fica tão longe. Passei por Chris. As tábuas do assoalho rangiam de leve . Olhei para Chris. . Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie.ta. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet. Não. eu estaria a seu lado. Precisava cuidar-me e não comer certas coisas.Objeções? . A partir de agora. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar. . Quando precisasse de mim. . jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! ..Catherine.à frente e atrás.. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho. com essa expressão tão perdida e d esanimada.disse ele. Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. em sua infinita sabedoria e bondade. Subi lentamente a escada. . meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança. Não virei a cabeça. . Cathy . Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. Sorri.. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim. eu estava sozinha na varanda dos fundos.Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho. Estremeci . Todavia.

pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. Estou esperando um filho dele. . a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez. Então. Agora... como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. Depois que a vir e souber como você r ealmente é. deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian. M amãe! Cara Sra. tão bem quanto conhecia Chris. agora com dezesseis anos. que definhava por falta de romance. Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados.. Mais outra morte em sua ficha. de cabeça para baixo e na posição normal. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. Oh! tive meus momentos de nostalgia. declarando que aquilo era ridículo.. a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. Suspirei. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. por dentro e por fora. o Dr. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. nunca saíra com rapazes. pois havia dois homens que necessitavam de mim.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo. enquanto a barriga crescia. . Japão! Puxa. eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York. Cathy. eu esta va com os pés firmes no chão. Eu fazia de conta que ele não era meu tutor. mas meu namorado e is so me alegrava. Carrie queixou-se comigo: . porque todas as mulheres olham para ele. vem apenas para poder ficar perto de você. . Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. Um dia. Pois. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara. Carrie escutou-me. Paul jamais seria velho. tiver a namorado ou fora a um baile. ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. E bem poderia fazê-lo. pois. Detestava movimentar-me desgrac iosamente. Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil . E tinha Carrie. Ri. O Dr. Tomei Carrie nos braços e consolei-a. pois estará mais que disposto a amá-la. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. viúva e velha demais para um estudante. não precisará ser coagido. novinha em folha". para mim. Eu as conhecia. por meios sutis. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado. Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. Carrie. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança.Desde que você voltou. quase da sua idade. espero. Homens que. de algum modo. se decidisse esquecer sua pe quenez física. co mo antigamente. Winslow.. Darei um jeito de sustentá-lo .. sabendo o que meu irmão desejava. exatamente como morreu seu m arido há tantos anos. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas. apesar de velho. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida.o que me aterrorizava. ela também causara a morte de Julian. três vezes mais que isso.mesmo que sejam trigêmeo s. mas permaneceu emburrad a perto da janela. E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. pequena e doce Carrie. Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença..Será jovem também. Querid a. Paul é bonit o.

insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas. Eu a amo.. agora? .Muito bem . E os adoravam de modo quase irracional.quis saber Paul. Olhou para meus pés. Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an.Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . Pensei também.Calada. caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade.Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez. não apenas uma. .Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. . Volte . pelo jeito como você me olha. Preocupava-me com ela.. desn ecessário ou indesejável. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente. Quando meu filho chorar. Mantenha-se em forma. estarei a seu lado. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. . traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço. dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora. Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: . uma parte dele que eu poderia guardar comigo.respondi indiferente. que nunca se sentirá abandonado ou traído .Você ainda me ama. Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". debrucei-me para entregar-lhe o bilhete.disse Paul. comia o que tinha vontade. A vida nos oferece muitas oportunidades. não é mesmo? . sem dar importância a calorias ou colesterol. deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. Comecei: . Pensei que você soubesse. órfão.Trate de continuar seus exercícios. recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine.Isso não é resposta. Portanto.Não é mesmo? . Desajeitadamente. Choro seu belo marido.. Catherine. Envelhecia com uma rapidez espantosa. pois estava sedenta de afeição. embora me doessem quando chovia. apoiado por Paul.Como sente os dedos.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo. sem se deixar convencer por meus ar gumentos. E la ainda falava em amor. Chris. ela se ergueu e foi para seu quarto. cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza. Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. agora que outr o belo marido morreu. meu amor.Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido. esquecendo-se por completo do amor. .Poderia prosseguir em sua carreira . Movi a cabeça para encará-lo nos olhos. Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. Lá estarei semp re. . Choro principalment e por você. não permitirei que meu filho se sinta negligenciado. que um dia voltaria para mim. Contudo. O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador. . certo dia o pai morreu e a mãe se transformou. Amo seu jeito . Então. Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda.. A vida s em um homem parecia nada significar para mim. Aceitei pressurosamente o convite. exercite-se.Não creio que seja necessário responder. espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades.Por que sorri assim? .disse mansamente. . Lerei e cantarei para ele. O seu presente foi o melhor de todos. que finalmente estavam curados. . Pouco de pois do Natal.

Julian. como se observasse minha reação. no outro lado da porta fechada.exclamou ele. Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro. Lembre-se disso. E eu repli quei: . . .Oh! . mas não d emais. antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor. acabo de sentir a primeira contração. .. Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico.Graças a Deus! . dando o bastante a cada um deles. mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S. Ele resmungou algo à guisa de pergunta.. bem de leve. Já tentei discutir o assunto.disse Paul em voz baixa.Posso entrar? Ele abriu a porta.Naturalmente.disse Paul.Para mim. . Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha . isto é. com as mãos nas costas.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris. Prendi a respiração por causa d a dor aguda.comentou. vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul.Você é a parturiente mais calma que já vi . até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás. Sente-se e tenha calma! .mas não fui bastante rápida. Meu irmão entrou. despido da cintura para cima. . Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . Era preciso tomar uma providência quanto a Chris.Pensei que você estivesse de plantão esta noite . . é muito difícil dizer isso a ele . Era como se eu assisti sse a uma batalha. que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa. Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais. mas é uma noite tranqüila no hospital.declarei com voz sumida. . menos você. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços.só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul.Paul.Teve outras contrações? . como se ele pudesse escutar-me: . Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo. Girou nos calcanhares e saiu da sala. Paul tinha razão.Já está pronta para irmos? .. de nadar.Catherine ..respondi. Em seguida. Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste. despertando imedi atamente. . Tapa os ouvidos e se afasta.. usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno.Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam. .Estou de plantão. .Você nada me deve. mas recusa-se a escutar.de sorrir. Prossigam o que estavam fazendo. Tinha conhecimento de que doeria. Valentino . O que ele deseja é impossível. desgostosa. ajudando-me a sentar. desejando que ambos os lados vencessem. também não podia magoar Paul. você está prestes a ser pai! Levantei-me. Dê um basta em Chris. nada mais. . A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez. encarando-me com frieza.Cathy . para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam. Faz um mês que estou pronta. Qualquer pessoa. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo.Sinto muito haver chegado numa hora imprópria.o Dia dos Namorados . apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata. Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul.comentei depressa demais. Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei. Dói tanto? . envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa.só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela. de falar. Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. .. Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga. . . Tentava eq Queria-o sempre comigo . se não me ama.Prec isamos fazer algo quanto a Chris. Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando.

Meu filho nasceu três horas depois. o "J" será por Julian e o resto por Cory. . com seus anelados cabelos negros. Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr .Para que você conte com a melhor assistência profissional possível .sentindo mais uma contração. Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam. berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam .Graças a Deus vocês chegaram! .. . Sob o toldo que protegia a entra da de emergência. Sendo moreno.sussurrei encantada. escutei a gravação tocando para Madame Marisha. olh os azuis escuros. . o que não era possível em casa de Paul.Comecei a dizer que não. . consegue vê-lo? . seu neto está chegando". Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins.Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades. ainda com o cordão u mbilical.Quinze minutos depois da outra . vendo o cabelo escuro e ondulado. teria o nome de Cory. Minha própria voz. cert amente foi o meu Jory. . Quando Paul tornou a abrir a porta da frente. por assim dizer. . Chris e Paul lá estavam.. sujo e ensangüentado.disse Chris. Dobrei-me para a frente. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a. não se preocupe.Seu nome é Julian Janus Marquet. que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio. dizia: "Madame. Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai. .. Não tive forças para responder. o perfeito corp inho vermelho. colocando-o no centro do palc o. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza. E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto. Parecia conhecer-me a voz. Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção. mas eu o chamarei de Jory. Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. mas Chris...murmurei. pele clara e macia.C hris. . Eu não sabia o que responder a isso. g ritando em seguida na direção da cozinha: .É lindo!. Gostava da grande casa de Paul. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital.Muito bem. .Cathy. o toque e até mesmo o som dos passos. o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. ambos com lágrimas nos ol hos. Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados. Não obstante. grava da duas semanas antes. explicou: . que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory.concluí.exclamou. logo me vi acomodada na cama . Nossos olhares se encontraram e eu sorri.corrigiu ele. Desde o início.. sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes.Se ele fosse louro. depois. Primeiro. de estar com ele e Henny. mas foi Chris quem pegou meu menino.Para se atrapalharem . Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e. Fique calma . quando senti a segunda dor. Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie. vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. engasgada de dor. que entendeu meu raciocínio. um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro .Por que vai chamá-lo de Jory? . Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe.e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. pegarei a mala. . vou colocá-la no carro. Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me.Devemos procurar nossa própria casa .quis saber Paul. Pensáramos em tudo. Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai. depois de me dei xar no carro.Henny.

Soaram passos na escada. . . Todavia. eu seria agora esposa de Paul. livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço. Simplesmente aceitava.mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino. com menos de um ano de idade.como Carrie estava pagando! Diariamente. prolongados olhares significativos. um cercado para Jory brincar. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. Agora eu estava livre. excet o no tamanho.protestei em voz sumida. sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. Então. .Cathy . não chora va ou fazia exigências desnecessárias. alternadamente. para tomar formas mais arredondadas . não era mimado. a fim de esco nder o embaraço. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. con tudo. sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . . Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite. tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera. tão parecida com uma criança e..Sim.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido. Chegou o Natal e Jory. Não contive as lágrimas ao vê-la. Jory parecia muito satisfeito com sua situação. sem um marido para tolher-me . Carrie tomou me u filho nos braços. Uma palavrinha: "exceto". Já não era uma doce virgem inocente . ambos desejando -me. Recostei-me nele. ficou sentado entre seus pr esentes. Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever. Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente. todavia. tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava. cantando baixinho u ma cantiga de ninar.furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade. ansiosa por ter um filho só para si. Rapidamente. . pensando melhor. Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. não fazia manha. deixando-me a observar sua saída. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul... Cathy.onômicos. embalando-o para dormir na noite de Natal.sussurrou ele. claro que terá. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto. deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me.Não enquanto Chris estiver em casa. .Eu devia correr para pegar a máquina . Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro. Livre para fazê-la pagar .como ela. confuso e de olhos arregalados. Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. exclamando: . retirou-se devagar. Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz.Não . ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos. . Portar-me-ia como ela se portava com Papai.Acha que algum d ia terei um filho? . como se nos avaliasse e examinas . a fim de não acordar Jory. Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer.disse ela. Carrie ou comigo. agora que Chris se retirara para seu quarto. Então eu era obrigada a intervir. Paul instalara no andar superior um quarto de criança.disse Carrie num sussurro. mas não quero quebrar o encanto. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e. Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais. Ainda assim. Se ao menos Julian não se tivesse interposto. Senti a presença de Paul junto à porta. minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção. Não quis continuar os estudos. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura. completamente remodelado e equipado com um berço. e Jory seu filho. cada um começando a encarar o outro com inimizade. Carrie é muito parecida com você. Paul entrou no quarto. mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris.Eu não acredito .dois homens haviam-me ensinado bem. E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. eu amava Jory por ele mesmo e.. Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez .Os dois ficam tão lindos j untos.

Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você. não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. juntos. as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas. Não sorria para e le. . não sou a única mulher que se parece com nossa mãe. Chris. não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha. que me abrace quando e .Se a companhia de seguros de Julian me pagasse.se nosso relacionamento com ele. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos. Por favor. recusam-se a pagar. ele sorria muito mais que ela . pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos. Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento. . Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. .seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. o que é uma gran de honra. Vá sem mim para a Clínica Mayo. Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente.Veja esta folha de carvalho . seu primeiro dente.os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama. . Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio. Tinha a paciência de Chris. depois. Paul iniciou sua corte a mim. Por f avor. . Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont. Apesar disso. embora não sejam tão altos. não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade. seu prime iro engatinhar de mim até Chris e. É o que preciso.. Cathy. fiquei chocad a. Não obstante. Entretanto. que duraria dois anos . Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação.Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul. .É esta cidade .disse Carrie certo dia.A folha de cada árvore tem sua própria forma.Você é como uma rosa. portanto.. Nós todos. se eu fosse uma abelha. Henny batia as panelas na cozinha. a cláusu la já caducara quando ele morreu. era nossa hora preferida de percorrê-los. Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava . Contudo. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta. mas a Clínica Mayo me aceitou como residente.Sinto muito. a tranqüilidade e intro specção de Cory. também. Afinal. até Paul e Carrie. . eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé.Sim. Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital . exceto a rosa. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha. . nada em Jory me fazia lembrar Carrie. Chris ficou furioso. e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . Em seguida.para completar o período de treinamento. .indagou ele.disse Chris.Pretende permanecer aqui depois que eu partir? . Meu coração deu um salto. mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos.e ocupada. para mostrar-nos que ainda estava acordada . Chris ia abandonar-me! .. Trate de arranjar uma namorada. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente. .muito mais famoso .Chris. Por que você e Jory não me acompanham? . exceto por meu intermédio. Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava. tensa e sumida: .. Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos. quero um homem com quem eu possa ir para a cama. . Cathy. textura e odor.Ora. A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins. de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas.e da mãe.Chris! Você não pode fazer isso! .O que você precisa é de um bom advogado. amargurado. quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo. por favor. o que lhe tomaria mais três anos. quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar.Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar.

Muito bem. os olhos negros cheios de desconfiança. Acabará fazendo. E vo cê me fez desejá-la. . suponho que você me consid era velha. Você não precisa de mim. negando. do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente. nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era.Para mim. Agora. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. desembarcando do avião acomp anhada pelo marido. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. então.Não! Será que não entende que não dará certo? .Não pretendo morrer . E deparei com Paul! Espantada. Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e.Não está falando sério! Chris me abraçou com força.Eu poderia tê-lo tratado melhor. de qualquer maneira. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r .. saber qu e se ia. só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. pois é mais forte que ele.. mas agora que Julian se foi. Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei. Todavia. fez-me amá-la. Eu concluí seu argumento: . embora eu nunca pense nisso. .tudo aquilo me deixou doente. faça como quiser. empertigando-se.u sentir medo. não procure assumir o controle e mandar em mim. a seu m odo peculiar. colocando-as em meu álbum. mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente..Veja o que fez! . Mas obriguei-me a sorrir. . Fitei Chris. Advogado... mas falo sério! Naquela época. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. Assim. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. Cathy. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente. de uma casa só para mim.Sim. aberto e reto até P aul.declarei. sempre fui um idiota. . mas ao contrário. você me pertencia e.. enquanto eu possuía algumas idéias próprias . Agora. Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque. e.. com ele. como antes .Poderíamos morar juntos e. . assumiu uma expressão mais perspicaz. precisava de dinheiro..Não estou? Deus me perdoe. .replicou ele. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa. se Mamãe permanecesse longe. Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. você é a única mulher no mundo. Catherine. depois.quando eu era o único ho mem disponível para você! . Vê-lo arrumar as malas.Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo.. Paul ta mbém não precisa de mim. meu caminho estava limpo. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos.replicou ela com rispidez. O primeiro peão a mover seria o Dr. nunca se podia dizer com certeza. Sinto t anta falta dele.. .Mas sou um idiota. porém. Poderia ter-me feito odiá-la. Contudo. Chorei no roseiral. be m. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro. a época de Chris partir. creio que não daria certo para você . invadida por um sentimento de culpa. Era tempo de entrar em ação. ele não agrediria por raiva.. . Outubro chegou e. que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna . eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens. meneou a cabeça com evidente relutância. Sacudi a cabeça. As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho.Não.exclamei. embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. Talvez.. Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris. seria mais fácil. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal. . Julian precis ava de mim e eu fracassei. cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta. Paul olhou-me intrigado e. desejando o impossível. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava.Esqueça-me. compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha . fiz algo completamente fo ra de meus planos. Na realidade. tremendo qua ndo ele me largou. Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . Então. . .

Tentei con versar com Chris a respeito.. em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente. eu enviava uma nova carta. A cada sete dias. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe. . Todos os dias. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. prefere que ele jamais venha a conhecer. os ouvidos do Sr. mais capaz. eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio. ele tinha os olhos bem abertos. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol. mais inteligente e esperta. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. Oh! que mentira! . desta feita. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto. liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz. Catherine Dollanganger Marquet . f icava desapontada. num piscar de olhos. Winslow. eu poderia saldar todas as minhas dívidas. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . na Pensilvânia... vá morar em sua própria casa.. decidi que já aguardara o suficiente. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema. entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe.Compreendo . Eu estava muito endi vidada. escutarão fatos horríveis que a senhora. Agora. E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. Wins low. além disso. mas também se recusa a escutar. embaraçada.se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. quando ele está noutra cidade. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição.. Bacharel em Direito. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito.Desde o dia em que Julian m orreu. Escrevi outra carta. Afinal. que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. de modo que irei diretamente ao assunto. Interrompi-me. deixando para trás o Natal e o Ano Novo. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. com a raiva aumentando no peito. Contudo. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. De toda for ma. Então. mas ele se recusa a escutar.exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo. Portanto.. Minha mãe pretendia ignorar-me. Bartholomew Winslow. Agora. Sra. Winslow: Era uma vez. Levantou-s . marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". E se. ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava. Todos os dias. depois outra. Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos. Portanto. Sra. Tento conversar com vo cê a respeito. e ainda outra. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. Sei. advogado. de que se o dinheiro não for de vidamente remetido. após muitas tentativas fracassadas. s eja independente. tenho certeza. E esteja certa. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. a boneca bailarina..replicou Paul com um sorriso irônico. parte daquele dinheiro nos pertencia. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares . volte para mim. ou bilhões. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu. também precisava cuidar de Carrie. tinha um filho e. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal.. encontre-se a si mesma. vi-o de perto e. depois de passarem meses infrutíferos. de certo modo. eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera.. em Gladstone. Este já fizera mais que o suficiente. Cordialmente. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe.

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

festejado sem a presença de Chris.Oh! adoro viajar! . . Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite. é a óleo ou gás? . comentando tudo que víamos. O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. Terei ao menos seis filhos. . de modo que não terei filhos para amar. só falando em negócios. Paul. com exceção dos seus .Cathy.Eu a amo. . Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. escoando bem a fumaça. no banco dianteiro do carro. O banheiro e a cozinha também foram reformados . Creio que Carrie também ficou. Cathy. Uma delas é deveras boni ta.A caldeira.Ele é tão lindo. . Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço. a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco.. . não apenas s eis. eu precisava agir assim . Contudo. não exatamente. que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados. existem alguns chalés menores. topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta.mesmo que não fosse. Olhava pela janela e depois me fitava. Carrie. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da. Carrie.Gás natural. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda". . Jory e eu. . Contudo. funcional e não muito dispendioso.mas não mencionei o assunto. a S rta. mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada.A chaminé dá a impressão de não funcionar. Tenho o palpite que. segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge. Partimos em meu carro. decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto.. ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado.Ninguém vai querer casar comigo. . é fácil ver que adoravam a casa. Foi no mês de maio. outros com você e Chris. Agora que estávamos a caminho. À medida que avançávamos para noroeste. os g randes olhos azuis muito abertos. Quero que alguns se pareçam com Jory.É ótima.. . considerando a quantia suficiente .. Quando Jory adormeceu.compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados.declarou alegremente.Não.Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir. Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. com um lindo jardim. Henny nos observava .. . to das as casas custam muito caro. Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora. talvez mais. Logo de manhã cedo. Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora . mas resolveram vender a casa e morar na Flórida.Não se preocupe . abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. instalada há cinco anos. uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. No dia seguinte ao aniversário de Carrie.replicou ela. Contudo. Era grandalho na e masculinizada. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. estamos voltando para lá? .Vocês precisam de algo compacto. ajeitando-se para tirar também um cochilo. cuja mansão fica na montan ha.. após nos instalarmos em nossa nova residência. Carrie ficou muito excitada. os grandes olhos azuis cheios de temo r. . Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo. e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos. . de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares. e um ou dois com o Dr. Nesta zona. Sou até capaz de apos tar cinco dólares. Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas .Não é verdade.

Na verdade. no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos. como também par a tê-lo perto de mim. que jamais mudavam de aparência. . animou-se por algum motivo. tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. Freqüentam as aulas por vontade dos pais. Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. Sempre que possível. ouvir e ter a sensação da dança. naturalmente. que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. depois. . um jovem bonito. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha. Dahl.Mandaremos instalar um forno embutido na parede. Em certa manhã de sábado. sabe que não podemos fazê-lo.Em que está pensando? .Acha que devemos voltar para visita r o Dr. que adorava cozinhar. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave. eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. muito miúda. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu. Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. se nunca tivéssemos visto aquele livro. Paul e Henny?. mas a sala era em forma de "L".Sabe.. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa. eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. não tivera meu passado ou meu tipo de infância. . não me atirara àquela aventura de olhos vendados. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina. . . . Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. Chama-se Theodore Alexandre Rockingham. viu-me com Jory e perguntou se era meu filho.. graças a Deus. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe. Entretanto. Com o madeirame pintado de branco. si tuada acima da farmácia local. embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais.. Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me. no início de junho. economizando a despesa de mão-de -obra. de proporções razoáveis. Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. pois não me sobrava tempo para isso! . Àquela altura. Soltei uma risadinha e ele também so rriu. Era loura. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. com uma lareira ladeada por estantes. .quis saber Carrie. A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. naquela noite. Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão. de repente. Cathy. mas pediu-me que o tratasse por Al ex..Na verdade. forneceu-me uma lista dos alunos. do desespero. com porta de vidro . a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira. podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos. espancados e mortos de fome. Srta. e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. eu levava Jory comigo para a escola de balé. mas. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. .A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. talvez.disse eu a Carrie. Eu dava aulas na escola de balé. ao me smo tempo em que tomava conta de Jory. Carrie. embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. Espero que pense nisso. Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. deixando-os lá para serem torturados. e tinha cerca de noventa anos.Claro que sim.Vi-a dançar Com seu marido. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado. O espaço aumentou e tudo parecia maior. toma r Carrie e Jory pela mão. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. Carrie emburrou-se. o resultado foi delicioso. não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. Talvez. Contudo. Carrie.

.Mas.. Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. .Estão aqui. O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também. .protestou ela. Abraçou-me ternamente e assim fi camos. Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé.comentou ele.Por que não? . . Paul ficou calado durante longo tempo.Ora.murmurou. Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele. .respondi em voz baixa. Depois. .Não o conheço o suficiente. Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado. Vamos convidá-lo par a jantar.Cathy preparou quase tudo.. preparei o molho. . Eu só recheei a galinha . Só então entendi. com um filho. Despimo-nos rapidamente..Moram em Foxworth Hall.Quero fazer amor com você. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim.Escute. encarando-nos nos olhos. antes que Carrie volte para casa. .Cathy. .Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa.Não. Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria.. muito vermelha.Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços.Gosto do modo como arrumou a casa . modesta. . querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho. Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços... .. vo cês se viram antes.Você aceitou? . . De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico. com uma expressão estranha... de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim. Cathy. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito. de vinte e três anos. O jornal local noticia-lhes todos os movimentos. . Jamais deixara de amá-lo.. De repente.É muito acolhedora. acrescentou: . em Maryland. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. . residirão com ela. . Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos.Cathy. ele me convidou para um encontro. viúva. claro que estarei. observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras.indagou ele. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo.Carrie. fiz os pães quentes e os suspiros.Ouça. em frente à lareira.Não . Cheia de felicidade. Então. amassei as batatas.Você estará aqui se ele vier jantar? . querida: convidarei Paul para vir este fim de semana. senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa. baixou os olhos. . ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. . mesmo quando era casada com Juli an. como se fôssemos casad os há muitos anos. ela e o marido . já viu sua mãe? . Já falou com os pais a meu respeito. no sofá.. poderei verificar se ele serve para minha irmã. .Onde me encaixo eu? . ou talvez pastor protestante. Oh! Deus! Tomei-a nos braços. pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: .Oh! Cathy. que elogiou minha comida. fitando-me temerosa e tremendo de esperança. Ela me fitou demoradamente. Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos. m as. A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde.. Paul e eu sentamo-nos diante da lareira. ele nem notou que sou tão pequena. mostrando que compreendia. Não me parecia errado. mas.gaguejou ela.Então. . Cathy c uidou do resto. de modo que Bartholomew Winslow e S ra. eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar. . até que morra. Ain da não se decidiu. afinal. Catherine.Fez uma pausa. você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz. . Além disso. Ele não vai querer uma mulher mais velha. Alex era um rapaz bem apessoado. Paul piscou um olho para mim. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar.

Mas tenho certeza de que se magoará.Oh! Catherine. boa aparência. má. Cathy? . sinto-a ao meu lado. quando mor rer. como agora.. desejando protegê-la. acelerando-se . segurando-me a mão.Minha Lady Catherine! . amando-me como eu a amo. . Fiquei sem saber o que responder. esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí. porque estarei sempre e m seus calcanhares. Sim.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul. manipulando o aspirador.indagava ela. exatamente como Cory. com você me abraçando e fitand o como faz agora. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora. est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura.repliquei. Chris completaria trinta em novembro. O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso. acima de tudo. Parecia-me uma idade impossível para ele.O pior de tudo é que compreendo. Tive uma terrível sensação de pânico. Além di sso. então o céu deve ser perto de você. . pois tinha a impressão. Chris. com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé. . Sempre que algo de bom me acontece. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama. Alex fosse apenas um jovem comum.. tendo-a em meus braços. Cathy. E eu concordava. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada .Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando. Entretanto.era a voz de Chris. A amiga deu-me o número de seu telefone. Em seguida..pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis. Então. . na realidade. mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me. Estendi preguiçosamente o braço para atender. da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. pois freqüentemente o chamado . . eu vinte e sete. Despedi-me rapidamente e desliguei. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul. eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura. que seja após fazermos amor. o telefone começou a tocar. Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão. como você sabe que está. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado.Paul é muito mais compreensivo que você. Está sempre fugindo de mim. mas deixei que meus braços falassem por mim. E quando tiver essa idade. diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. então sentei-me bruscam ente na cama. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso. embora.Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta. Ele sacudiu a cabeça. no estado de pesadelo em que me encontrava. que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e. Se for pecado. . não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá.. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos. E.Que belo e poético . ou noventa. Cathy. espero que a paixão ainda nos governe. acordei repentinamente. Na calada da noite.Ele não é lindo. Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. amando-a. há o problema de Mamãe. e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! . Cathy.. querendo arrastar-me também. . acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa. O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos.

adivinhe que nome lhe darei. beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão. como costumava fazer quando criança. minha cabeça já não parece tão grande.Alex pediu-me em casamento esta noite . que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim.Agora. O primogênito de Carrie.Ele me contou uma coisa.nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado. Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim . querida? Por que não dorme? . . Carrie. mais elegante. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! .Oh! Cathy. como é natural. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie. Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela. olhando para as montanhas escuras. Chegava a borbulhar de excitação. teria o nome de Cory. Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. co mo eu.Veja. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes. Portanto . Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco. Cathy: resolveu ser pastor. Cathy. Ele não fala muit o. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal. P ortanto. onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono. contentar-me-ei com isso. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. limita-se a ficar sentado. ou com um incêndio no outro lado da rua. mas cortou-o à altura do s ombros.Não quer ser esposa de um ministro de Deus? . que nunca tinha insônia freqüente. Levantei-me e me aproximei dela.Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada. acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la. voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes. passou a maqui lar-se. louro e de olhos a zuis.Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas .sussurrou ela. . sentia-me temerosa.Está passando bem. ara ele a melhor esposa possível. as dele e as das c rianças. Farei minhas roupas. Pela primeira vez na vida.Eu sei! . Quero ser p . abraçando-a. Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r. Cathy! . alarmei-me ao vê-la ali.a crescentou num tom inexpressivo. . Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça. Exclamei: . Tinha o cabelo naturalmente ondulado. . Ri. Sentia-me feliz por ela e por mim também. Carrie! E por ele também. Cercava-nos por todos os l ados. Uma semana mais tarde. como o meu. olhando-me daquele modo suave e especial. . Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade. sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia. pois já sabia. Estendi os braços e Carrie se atirou neles.indaguei. Sua juventude. . pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! . . encurralando-nos como outrora. Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã. Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. No fundo. hem? E notou como fiquei mais alta? Ri.exclamou. se Alex não me amar eu prefiro morrer! .era para ela. obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los.Você é capaz de acreditar.disse ela.Em breve. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis.declarou Carrie. . Carrie.Que maravilha! Sinto-me feliz por você. Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . escuras e misteriosas dentro da noite. Eu não precisava adivinhar. E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos.Queria ficar perto de você . Carrie. num tom que me . Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie.

entre todas as pessoas neste mundo. E isto é mentira. E também por Paul. como eu. Carrie. nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. Quando era mais jov em. E eu falei pelos cotovelos . mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo. horrivelmente amedrontada. a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta. Nossa mãe ainda está viva.e eu não sou perfeita. suas esposas. Paul quem me esclareceu.Em especial. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza. Ansiava pela presença e apoio de Chris. Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto. Não me quereria mais. se Deus não quisesse que nascêssemos. Não somos órfãos. . Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião. Carrie. mas senti que a cul pa foi minha.Como pode ter certeza? Ele lhe contaria...Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. .Alex não mente. Além disso. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. explicou: .Querida. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. . perfeita. ou como dizer. Deus não os puniu. nem a nós. Cathy. Deveríamos ter nascido. . Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto. qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. pois deseja uma esposa e filhos. eles não eram parentes próxim os. mas lembro-me bem das palavras.Carrie.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia.Mas. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você. Eu não entendia direito o que ela queria dizer. Carrie. odiei-a mais que as outras! Cathy. mas tentarei. como se me conside rasse. que nunca deveriam ter n ascido. Carrie. C arrie.Alex é perfeito... . Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós. . sou má e pecamin osa. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . esse pec ado foi deles e não nosso. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. Absolutamente ninguém é perfeito. Cathy? Engasguei-me.Ninguém é. . Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato. cheios de maldade e pecado . Jamais fez alguma coisa ruim ou errada. . Só os mortos. por odiá-la tanto! Também odiei Julian. Lembrando-me disso.causou um medo mortal.Foi o nosso Dr. Começou a chorar de dar pena. O Dr. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra. Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto. Além disto. como faria uma mãe. muito tempo. Nenhum de nós é perfeito. nunca teria permitido que isso acont ecesse. Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. . Não sabia o que dizer. a sociedade estabele ce as regras. como eu. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei. sem nenhum defeito. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito. t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie.Mentiras não são pecados mortais. ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. tenho certeza. queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. . não sei como dizer tudo da maneira correta. Éramos filhos do Demônio. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers. Vacilante. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. exceto que passamos à tutela d o Dr. mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado. Alex deseja uma mulher perfeita . Cathy. de modo que desistiu do catolic ismo. como você pode ver. Portanto. Engoli em seco. E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. Cathy. Cathy. . Há muito tempo.

Tem uma voz bonita e sonora. Julian errou.e não é -. beijei os cabelos de Carrie. Cathy! . Você não é má. E Alex não precisa tomar conhecimento. tive. Paul. o que fez não foi tão terrível..Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar.O que fez de tão terrível. num corpo adorável e bem conformado.. Cathy. fiz algo muito ruim. . querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. manter em dia a escrituração de Paul. . Não cresço. querendo desesperadamente acr editar em mim. Alex pensaria assim. pois Deus poderia estar observando!. sem se tranqüilizar com minha argumentação. envergonhada. pois não deve ria ter induzido você. fiz o que ele queria. E meu também. Uma vez. ou lá o que seja. uma pele maravilho sa. As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. ele q uis fazer. Sabíamos que éramos filhos do Demônio. Sabe que não é a nã. não seu. que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. pare de chorar. Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. Começou a soluçar histericamente.Olhe ao seu redor. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. E eu devia saber que era errado.Isso não é o pior. gorda. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! . quando eu estava de visita e você se ausentou de casa.Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça . é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz.. cozinhar duas vezes melhor que eu.Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer. Somando tudo isto. depois de você. . do tipo que produz bebês. magra. eu era a pessoa de quem ele mais gostava. Carrie. Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. Mas se você fez alguma coisa. mas o pecado foi dele. eu nunca tive. Agora.Por favor..berrou. com ninguém.. Carrie. querida. mas nada em nome do amor. Portanto. ..Foi Julian. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo. Julian me be ijou e disse que. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto.. Mesmo que fosse .sussurrou ela. Isto é um castigo.Cathy. . um cabelo sensacional. Mas fiz outras coisas q ue são pecados. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida. isso é muito normal. apanhada de surpresa. relações sexuais. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas. jamais deveria ter usado o termo "excepcional".. Você possui um rosto lindo. Desejava apenas que Juli an a amasse. se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro. Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz. talvez Deus tenha punido a mim. Escutávamos a avó falar.Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis. . . pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto. .. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele.. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você. Na verdade. tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer... S . uma inteligênc ia brilhante. a fim de que vo cê e Chris não entendessem. se o que fizeram deu prazer a ambos.. . o pecado foi dele e não seu. não mais precisa envergonhar-se. Arregalei os olhos. não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria. Carrie. . Existem muitas pessoas menores que você.Não. Ademai s. Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim. Esqueça-se da a vó.Não chore nem fique envergonhada. . você e o Dr. . São muito mais boni tos e melhores que os das lojas. Cathy. alguma coisa comigo. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta. Ninguém contará a ele. cheia de amor.Mas. Você ama o Dr. E sou pecadora. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos.Mas eu saberei.. E eu nunca. Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso. Um dia.

não outra vez! . fui a única a permanecer acordada. sim. que você e o Dr.replicou ela. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall. Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. Sofrimento por sofrimento. Deus vê e. Contudo. compreendi que estava tudo acabado entre nós. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. depois que você e Alex se casarem.e Alex.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? . ele deixará de me amar. Nin guém. Tenho boa memória. Não sei se a mudança é para melhor.Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia. só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos.Você nem se lembra daquele dia. Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian. . nem você. com os tipos de livros que estão sendo publicados.Lembro-me. Não sou im becil.e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los.. vá deitar-se. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que. Não sou bailarina. . de modo que se divertia enquanto éramos torturados. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . Mesmo sabendo como era a sua mãe. ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente.Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá. Contudo.Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. entre gente me lhor que nós. E quando eu contar a verdade a Alex. . quando eu estava no palco dançando? E um dia.Alex não mudará. . Portanto.não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe. suave e boa dona de casa como você. Às vezes. como responder uma pergunta como aquela? .Carrie. o tipo de livros que são publicados.Carrie. que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda. Veja as revistas. não me qu ererá mais. . util iza-se de uma avó com uma chibata. E se não der certo com você e Alex. E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito.não permita que ela consiga! Olhe para Chris . mas o fato é que as pessoas não são estáticas..Pare! . Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós. mais cedo ou mais ta rde. nem Alex.Eu sei .gritei. Durma bem e lembre-se. adormeceu. Cathy. . aplica-lhes o castigo.Pretende tornar-se pastor. Então. Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho . você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não. pois eu estava ali e Bart também.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo. Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero. sozinha e sem amor. . As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado.As pes soas que procedem mal. não sei como fazer que todos gostem de mim. ela ficaria sabendo o que havíamos sentido . dará certo com você e outra pessoa. absolutamente ninguém é perfeito. tam bém. . quando acordar. doendo interiormente. se o mundo é capas de mudar. o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . nem Chris. Só minha família me ama . sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. não obstante.Você não vai contar a ele! . Paul foram amantes . Julgo. Ninguém sabe como o mundo mudará. Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos.Alex não mudará . . os fil mes que gente decente vai assistir e gosta.pois isso aconteceu comigo. . Nem eu. querida. as peças teatrais com todos os atores despidos. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar.quando ela fosse abandonada. afinal. Todos nós mudamos a cada dia.declarou com desânimo. não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto. . com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. Carrie. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking. como aquela velha espancou Chris e você. Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico. levara-nos para lá. . Não conseguiria suportar. nós nos encontraríamos. como a avó. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. mais tarde.ordenei rispidamente. Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo. não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar.

Sim. . Afinal. Cathy. bem diante do meu nariz. pliés. na idade dela. encaminhou-se para mim.Sr.eu tinha certeza disso . de repente. deux. . que abriu um berreiro ensurdecedor . pegando meu filho no colo e o abraçando com força. fechem as pernas. que ainda é quase um bebê. Jory. quando. Dahl . vou deita r-me para um cochilo. e agora. Portanto. Foi um dia terrivelmente longo. Apenas o incômodo mensal .Percebo que reconhece esta carta . . que sabia muito bem o que queria ou não. estou ocupadíssima aqui.Não tem comido direito. as cólicas eram mais fortes que na minh a.repliquei friamente.Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho. .perguntei a Carrie alguns dias mais tard e. deux.. senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente. com os olhos baixos.Estou muito bem. além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . .Srta. pliés. a fim de verificar se Carr ie estava bem. Não leve Jory hoje para a escola de balé. embora não tenha recebido o preço que tinha em mente.. Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow. Mamãe! . Enquanto a música tocava.Estou ocupada! . querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão. Se quiser. Dei um beijo de despedida em meu filhinho. . como o senhor mesmo pode ver. . Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. fechem as pernas.. un. .disse ela.É o meu período mensal. Apenas não sinto muita vontade de comer. . pode sentar-se ali e esp erar. que às vezes dava muito trabalho . Winslow . Sinto falta quando você o le va. . não telefone porque não quero acordar.Vamos passear no parque. .Mais um só golpe seria sua ruína. Sr. enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo. tendu. poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta . Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu. un. Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. eu contava: . un.Minhas aulas terminam às cinco. Se não está passando bem. .Quero escutar a música. Deixe-me ficar com ele o dia inteiro.respondi em estado de total confusão.Escute. . De algum modo. . Srta.Tem certeza de que está passando bem? .Estou ótima. Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . ela replicou em voz baixa: . deux.Fica sensacional com essa malha roxa. Agora.e. Winslow .Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente. . Carrie não estava com muito boa aparência. Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory.repliquei com rispidez.Un.Não estou aqui para tratar de honorários.Carrie. deux. os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais. enlaçando-a pelo pescoço. Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante. tendu. Telefonei várias vezes. deixe-me levá-la ao médico.. E.protestou Jory. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos. Jory e eu nos divertimos a valer no parque.disse Carrie apressadamente.talvez por ser tão semelhante a ela. nada mais . un.comentou. seja franca comigo.. O relógio bateu quatro horas. empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a . o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era.Quero ver os dançarinos! . tendu. Sorridente e seguro de si. E a aula prosseguia.eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo. Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? . Dahl. Jory amava todo mundo. por favor.Fique comigo. deux. .. Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia.

perdi o fôlego ao ler o resultado.e não tente esquivar-se.respondeu ela num mero sussurro.d isse ele sem qualquer hesitação. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho. . Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave. Estou esquisita. Além disso.quis saber ele. Vomitei quatro ou cinco vezes. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios.O mais breve possível. o que há de errado? . Então. Tenho muit as perguntas a lhe fazer . percebendo o pânico em minha voz.. Paul estava comigo no hospital.Sinto tantas cólicas. Contudo. observando Carrie.Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris.. Townsend. Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada. verificando que ainda estava em débito. não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! . Onde se esconderam Jory e você? . Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma. dei uco mais de quarenta anos.Quando melhor lhe convier. . telefonei para Paul. realmente não me sinto bem. explicou que Jory e stava na casa ao lado. Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio. não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris. onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela. com os vizinhos.Carrie. não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que.Vou chamar um médico.disse ele. pois é tão boazinha! Mesmo assim.. havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa. Como me enganei! No dia seguinte. Quando compr ei a escola. constatando-a estranhamente fria. que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana.Estou aqui . Quais foram os primeiros sin . mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono. . notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias. não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. . que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele.chamei. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. . Sra.Já cheguei. Levei-lhe a mão à testa.Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente..Carrie! . tratarei de vigiá-la de perto.. .Cathy..Ouça. Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava. Não julga que um encontro para jantar foi suficiente. que tomava conta da netinha. vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo. . Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer. por favor. dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. de avião . Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o. . Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas. fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos.. Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil. Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. Eu também notara a mesma coisa. Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. . muito esquisita. incrivelmente d epressa! Vomita..Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. . Desta vez. .Paul. embora fosse um dia basta nte quente. fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas. .Catherine. Dentro de três hora s. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente. Então. Srta. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros.. . Dahl . mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas. Marquet . tão logo ele se reti rou. não me lembr o com certeza. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios .disse a Sra. Com voz fraca.Olá . Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris. que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica.sussurrou com voz sumida.

Acho melhor você mandar chamar Chris. Em seguida. usando trajes d e jogar tênis. que pode dançar. Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor. erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: . pois me parecia tão significativo! ... Entretanto. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. antes que prossigam a leitura. Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era. neste momento. Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato. ter filhos e tudo o mais. Todo mundo tem algo especial para fazer . Às vezes. Enquanto ele lia. Portanto.Chris. e não sei como foram causadas. mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz.Paul! Quer dizer.Ela quer ver você. Estive ocultando algo. como equimoses .murmurou. chego a pensar que vocês são meus pais de verdade. antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo. eu nunca seria muita coisa.Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico . . lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu.. c omo Chris.Há cerca de uma semana. à beira de um dilúvio de lágrimas. do jeito como mais me lembrava dele. Eu jamais seria alguém especia l . Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração. . . então. vocês se julgarão c ulpados. não quero dizer isso. Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor. Portanto. passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo. . Sempre tive certeza de que nunca me casaria.pois ele deveria saber! . Eu estava no corredor.Eu gostaria de ver Chris. Jory. Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos.Não demorou a chegar. antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto. pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa. . Mas se Carrie deseja vê-lo.. Não posso ser médica. perto dela . Queridos Cathy e Chris. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo. . outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. Depois. virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo.Cathy . . o lugar dele é aqui. senti-lhe a presença antes de avistá-lo.como você. Recuei no tempo e vi Papai. Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos. eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo. prometam-me não permitir q . Agora. So lucei. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie..tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana. há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado..perguntou.. menos eu. De repente. menos eu. Então. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios. de qualquer maneira. Cathy. Por isso. mas manteve segredo. comecei a sentir muito cansaço.Não.ais de que havia algo errado? . caso eu não escreva estas linhas. o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. Apareceram marcas. adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar.. o Dr. Todo mund o tem alguém especial para amar. Não posso ser esposa de um pastor.? . mantive os olhos pregados em seu rosto. Haviam-me retirado do quarto. Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória. Leia isto e diga-me o que acha. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido.

Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. no canto do quarto. eu não escutava nem prestava atenção. Na semana passada.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va. de repente. também. mas ela desistiu da vida. sabendo que elas a matariam.Oh! Deus!. Cathy. ajoe . . Falaremos com ela. temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. Apesar de você dizer que não. . Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver.Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo.exclamou Chris. Chris. foi pec ado. não há? . desesperada. Agora. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo.muito bom revê-lo.Oh! meu bom Deus! . ela colocou arsênico nas rosquinhas . que estava muito pálido. . Enquanto estávamos abraçados. Obrigada. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? . o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie.disse ele em tom calmo. Carrie comeu-as. atônito. e recuei alguns passos. As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio. . Pena que as circunstâncias se jam tão tristes. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais. embora por curto espaço de tempo. . mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. Paul..Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. Paul saiu do quarto de Carrie. mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça.Como posso explicar-lhe? . não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. Só uma.Chris . mas eu estava vendo e ouvindo. que afirma que Deus ama todo mundo. . Quanto mais eu pensava no assunto. Muito obrigada. Você parece tão moreno e vibrante. as lágrimas ainda brotando dos olhos. . o pacote de rosquinhas açucaradas. deixando-me soz inha.Há esperança. sei que foi pecado.Carrie ainda não morreu! .Cathy. Cathy. se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e.exclamou Chris. .bradou Chris. Alex está lá dentro. ac redito. O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco.exclamei. Trazia uma marca de dentada. transformados novamente em pais pelo sofr imento comum.. das quai s restavam apenas uma. . A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. embora naquela época não acreditasse. como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris.Sempre há esperança. m as nesses momentos lembro-me de Alex. Estamos fazendo o possível.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência. como Juli an fazia. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer. diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la. E muit o obrigada. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal. Dr. por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo. a fim de compensar seu tamanho diminutivo. ele começou a soluçar no meu ombro. Mesmo assim. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada. depois. preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex. Agora. . Nada correu bem para mim desde que Cory se foi.Mas se ela sempre soube. .

magra como um palito. . Vira o rosto para o outro lado e permanece calada. combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele.Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. . Debruçou-se para abraçá-la. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. Então. telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. . que a amávamos. exatamente o que eu desejava. acariciando-lhe os cabelos.Alex. levantei-me. Para horror de meu irmão.Meu Deus do céu. To das as formas redondas. Até mesmo quando foi apresentado a Chris. Como num transe de pesadelos infindáveis. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. . na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. pois ele realment e amava Carrie.Sinto muito se lhe pareci áspera. apressei-me em ajudá-lo. Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa. O que fiz de errado. sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto. como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala .Uma semana atrás. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. Alex sacudiu a cabeça. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . ele a amava. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie. disse: "Oh! Alex. chamando-lhe repetidamente o nome. Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore. sob uma pesada camada de cobertores . Cada um de nós. seus olhos se anuviaram. Era uma noção idiota. não sirvo para você!" Eu ri.respondeu Paul num tom baixo e suave. . .lhado ao lado da cama. mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. os olhos avermelhados pela falta de sono.. Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. Alex. levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem. mal barbeado. desfigurado pelo sofrimento.Cathy. Durante três dias e três noites. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. Parecia até mesmo ter perdido mais peso. Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha.Responda-me. .Tudo o que sabemos fazer . interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. Esta jazia. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la.apesar d e ainda ser verão. Olhava com antipatia para Alex. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me. Sua vo z parecia esquisita. Perdoe-me. . que correu para junto de Carrie. rezando para que Carrie sobreviva.replicou. A seu próprio modo. ao vê-lo tão humilde. enqu anto minha vizinha cuidava de Jory. Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. enquanto Alex cont inuava rezando sem parar..Que foi que disse? . como se proc urasse clarear as idéias. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. estendi a mão para consolá-lo. Sentava-me ao lado de Chris ou Paul. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava. não consegui mais conter-me. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. Afinal. todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie. replicando que ela era perfeita. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. rezava para que ela vivesse. Os fios louros brilhavam nos travesseiros. Não obstante. ou entre ambos.

Era nossa mãe. . Mas não precisamos d ela. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. mas para mim. . não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você.. Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. quando nossa própria mãe não nos quer.Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . Carrie. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas.Não! . . Carrie. . . apenas um pouco mais velha. E. pergunta onde você está. Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente..Não . Paul e a mim. quer casar-se com você e desistiu de ser pastor. porque serei tão alta quanto desejo.sussurrou ela com voz sumida. Era a quarta noite após a chegada de Chris.. Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio.Não. . como sempre desejei. como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me. percebi em su a expressão. . Veja.. como nós. estou quase tão alta quanto Mamãe. . rica. Mas Cory está a minha es pera. Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos.Vi uma mulher na rua . Mesmo assim. Carrie! ... além de mim. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então. A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir.Jo ry tem muita gente. Vou morrer. passando por centenas de colinas ar redondadas. não passava de uma mão esquelética.murmurou Carrie. e quas e me posso sentir crescendo. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos. ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta .P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela.. Posso vê-lo neste momento. não me quis porque sabe que não presto. a menos que sejam pecaminosos e não pre stem.. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor. aceitava a morte e es tava satisfeita. suas proporções são perfeitas . Para mim.Não. conversei com ele . eu estava esperando que você acordasse .. Cathy: flores por toda parte. ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro.replicou ela no mesmo tom que usava quando criança.Tenho um segredo para lhe contar.. escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. Não se entregue. pois você tem Alex e Chris. para amá-lo e cuidar dele. . todos os dias.Jory não precisa de mim .que você não o ama o bastante para importar-se em viver? . Cathy . pecaminosos ou não prestarmos. Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza. atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. Segurei-lhe a mão. Fez a declaração com a maior calma. E todas as mães amam e querem seus filhos. Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos. Cathy. não o fato de sermos ruins.Muita gente a ama e precisa de você. O que vou dizer a ele . Devo chamá-lo s? . Os lábios ficaram entreabertos. Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá.. como se não fizesse diferença.Oh! Carrie. e Henny... com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. Alex está no corredor. pássaros lindos.Quero falar apenas com você. Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. Eu cochilava ao lado da cama de Carrie . Oh! meu Deus. . Agora. E se Deus deixar que ela morra. Ela também não quer saber de você ou de Chris. dizendo: "Não a conheço" . não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu.. não nós..O lugar para onde vou é ótimo... .Querida. Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo. . Cathy. Olhe ali.disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir. sem piscar. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem.. Jory quer a tia de volta.r no assunto. desde que você continue viva e o ame. Cathy! Está quase como era antes. que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica. E quando eu chegar lá.protestei energicamente. quando escutei Carrie chamar meu nome. Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe. explicando que isto a preocupa. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar. Carrie! Alex a ama tanto. Não nos p arta o coração! Carrie. e também Jory. Cathy.declarei num sussurro rouco. Mamãe. resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo... a fim de estar junto dela.

pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont. . mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada. perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda. Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida. e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto. Foi então que eu gritei! Sei que gritei. julguei ver uma mulher vestida de negro. Embora não tenha certeza.Você é realmente perito em questão de perdoar. conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. por força de um velho hábito . Já tentei revelá-lo muitas vezes.Por favor. fazíamos no cemitério da família Shef field. Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia. quase alaranjada. teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro.e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. Mas vi-a de relance . pagar. Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara. transformei-as numa vara de feiticeira cruel. replicando desdenhosamente: . para torcer e destorcer. Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty . pagar.pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. amparando-me. Fitei-o com amargura e desânimo. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. Agora.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. não choveu nem havia ne ve no solo. esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. deve esquecer o passado e os planos de vingança. Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor.disse Chris. com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. Quanto a esquecer. Com o braço passado em minha cintura. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. E uma nada faria. Cathy.a primeira que ela passaria sob a terra. restav am apenas duas. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me.. mesmo de quem não merecia viver.. num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. querida . Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento. Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava. E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose. até o amanhecer. Desta vez. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação. . Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . temerosos e tão necessitados de amor. Foxworth. . bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe".r para casa. Christopher. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite . Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos. sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. . mas outras pessoas p recisam. Imaginei o que nós. mas você se recusa a escutar.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos. Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a. deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas.Carrie não precisa de você agora. Cathy: esquecer e perdoar. Mais que o sufici .Não.

Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro. não o encontrei correndo nos bosques. peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall. Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia. ou eu o faria. encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta. . Trazen do na mão uma pasta de documentos. Jory passara a constituir-se num problema. Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom. precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. voltarei para você e nos casaremos. se não é Catherine Dahl. eu preciso de uma esposa. ele diria algum clichê.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . Mais cedo ou mais tarde. nosso encontro teria que ser "acidental". D ediquei-me a elaborar planos. esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso. Quando nos encontrássemos. .Bem . Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade. Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. . Na verdade. Ao contrário do que esperava.disse com arrastado sotaque sulino -. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. Passei a correr d iariamente. . pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha.. Agora. Ele não . o solo forra do de folhas mortas e secas. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. Eles pagarão caro. porém. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . a fim de não ficar muito afastado de mim. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . . a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! . Num sábado ao meio -dia. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me . Até então. Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como. pensei com meus botões. um determinado homem.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai. avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. que deveria ter custado uma fortuna. tenho alguns negócios a liquida r.Mais tarde .repliquei com inabalável determinação.então. Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale. que estalavam sob meus pés. com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. Catherine . Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos. porém. não muito longe da residência dos Foxworth. Logo retomei minha rotina de trabalho.Um dia. não conseguira localizá-lo . Bart Winslow era uma espécie de celebridade. em Greenglenna. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal. Dois escritórios. chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos. eu saía à c aça.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé.. de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. À noite. ele precisa de um homem que o oriente. seria por demai s vulgar e óbvio. Antes. como era forçoso acontecer algum dia.Fique.so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando. agora q ue eu não tinha Carrie. afastando-me de seus braços. procurando. o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente.ente. naturalmente. tisnado de sol.

Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente. Em seguida. alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante. realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. O sorriso de Mamãe. mas ela correu para trancar-se no quarto.declarou ele ri spidamente. . Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que.Onde. . E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. Em seguida. sua fisionomia assumiu uma expressão solene. Deve ter algum parentesco. seguro de si. permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos. Levantava a mão para brincar com as pérolas .? . por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha. bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina. .Agora . Pode-se dizer. É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem. é você? Sorri para encantá-lo. ficando perdida para qualquer outro homem. Era por demais confiante..Ora.Não banque a sabidinha comigo! Quem é você. se não conhece você ou sua irmã? Não obstante. sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse.Não desvie o olhar. Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. puxando a cadeira para mais perto da mesa. co m Bartholomew Winslow quase gritando: . fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava. as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. perguntou bruscamente: .. insatisfeita comig o mesma.retruquei afinal. . Então.Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido". Engolia em seco. diabo.Então. Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos.Quem. Pelo aspecto manuseado do papel. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado. . e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. Por duas vezes. c omo ela costumava fazer. .disse ele. até aquele momento.faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. . vamos .indagou.Não me escondi . impedindo-me d e partir quando me levantei para sair. eu julgara pretender seguir. estendendo a mão para segurar-me com força.como você está fazendo agora. se escondeu? . sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar. a fim de vigiar a pasta. . Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. . Então. Sinto muito. usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si. Desviei o rosto. os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais. só para observar-lhe o vexame. Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás.prosseguiu. Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele. .repliquei. afinal. diabo. e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas .Sim. certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você .Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? . .Deixou a pasta numa cadeira. Diga-me.Por que não pergunta isso a ela? .exatamente como você e stá brincando agora. vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel. Exi gi uma explicação. . minha esposa as lia e ficava muito pálida. masculino. Se não a ofendo.Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo. nervosa . Bart pareceu espantado.Como pode minha esposa saber isso.

envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço. Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz.Já perguntei. mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro.era o tipo que ela adorava. . debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus.respondi.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar.Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares . apertando ameaçadoramente os olhos. diabo. que.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart. inexpressivo.Sabe que meu marido morreu . o álbum a acompanha numa das malas trancadas . Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles. Recusei.escreveu para ela. A seu próprio modo e no devido tempo. Esqueça-o. ele es tendeu a mão.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? .replicou el e. .Ouça . Durante tod o o tempo.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado. semi-cerrados. . Li-as. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR". observavam os meus e. Tossi. continuei a afundar-me.Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim.Aonde quer que vamos. Abri-as. Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes. Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar. como uma mos ca presa numa teia de aranha. Depois. Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum. exigindo que ela me e xplicasse tudo. Ofereceu-me um cigarro. Bart exibiu um leve sorriso cínico.Pergunte a ela por quê! . quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira. Tinha que ser presente de minha mãe .murmu rei. . E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco. fraca.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim. Suspirei pesadamente e fechei os olhos. chocada por saber que ela o guardara. graças à sua intervenção. segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça. Mi nha escola de balé dá prejuízo. abanando o ar. Não queria saber que ela chorava! . forrado de plástico alaranjado br ilhante. com uma águia dourada na capa de couro? . Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz. fria. seus olhos escuros. Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? . e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes. Fez uma pausa. tenha fotos do seu primeiro marido. completamente controlada. D esta vez. Tenho um filho para criar. sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: . preciso de coisas para ele.declarou Bart num tom monótono. Sei que me senti doente.. Cathy. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade . Sua voz soou dura. Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez. Às vezes. presumo. minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la. surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. . lutando para recuperar o controle.Quem. provide nciará a vingança que você tanto deseja. quero as respostas certas . à sua maneira.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela. . . . Deus. esperei ser devorada. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? .. de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões. embora já esteja gasto pelo manuseio. soprou-me a fumaça no rosto.

. piedoso e santo . Vamos cair fora daqui . Então. Três jovens. por algum motivo estúpido. Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida. Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas.respondi. como se convencido de que eu dissera a verdade.Responda-me.Ahhh! . . Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela. pelo queixo.Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech. mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. o cavalheiro bondoso. embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa. . poderá fornecer-me maiores d etalhes. Em terceiro. todo o esforço valeria a pena. Já percebi tudo. além disso. mas parece pertencer ao clã dos Foxworth. que lhe deu três filhos ilegítimos. . . Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café.Henrietta Beech era meia irmã de seu marido. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa. Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe. Em segu ida. Sou um deles.nem mesmo uma. Ela jamais fala no assunto. Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas.Venha.Faz muito tempo. levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me. parecendo absorto em reflexões.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa.Está certo. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. . Em primeiro lugar.Onde se encontra sua mãe. não sei se mente ou diz a verdade. É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café.disse num tom urgente. ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos. embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote. menti: . aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. acendeu outro cigarro.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. fitando-me de modo prolongado e penetrante.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e. . E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth. não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar. nem minha irmã. teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco.E não é? . Em segundo luga r.comentou com um risinho de mofa. . especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez. eu devia as contas dele no hospital. de qualquer maneira. é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha. Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. Que informação extraordinária! .Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo. Cathy. não como se gostasse realmente de fumar. De repente. encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. Catherine Dahl. . Certo? .. . Sua esposa é minha m eia-tia.Morreu . Mas não tenho . . Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos. Nem meu irmão. mas apenas um. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro. . filhos ilegítimos da família Foxworth. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto. Por acaso.Vou lhe falar com muita franqueza. não levam a sério o balé.Errado! Apenas eu. . ficou muito sério. as despes as com seu funeral e os custos do parto. não me agrada que faça chantagem com minha esposa. tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa.suspirou ele.

Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico. . Bart tinha oito anos menos que minha mãe. até sentir o rosto úmido.comentou ele. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como. Suas roupas caras. Sr. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão. Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores. tipo bandido.prosseguiu ele. Bart. E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me.Poucas mulheres se conhecem tão bem . . magnificamente bem cortadas.Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz. .. sensual. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. .Na verdade. sempre atrás de um rabo-de-saia. Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador.É e a - Acho melhor não irmos lá. Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. imitando seu arrastado sotaque sulino. tão logo percebo neles o mínimo defe ito. Não seria necessário seduzi-lo. Quando um homem é bastante encantador e inteligente. a despeito de tudo.não mais do que você nos deu! Não obstante.Aonde pretende levar-me. embora alegas se amá-la.Portanto. Winslow. Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento. enquanto eu lhe estudava a fisionomia.Bem . então. O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito.Não sei. muita gente poderia ver-me entrar. reparando em cada detalhe. . O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão.Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. Fazia pouco barulho..Na verdade. julga-me excitante e um tanto perigoso. . parecendo satisfeito. mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha. não acha? . tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer.Bart . o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory. Ótimo. onde quer que esteja. avaliando Bart Winslow. como os carros de luxo de Julian. Sr. desafiando-me? Oh! Mamãe. . cheio de vento e fogo.repliquei. Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria.Esteve estudando meu perfil. a idade em que o homem é mais atraente. teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe. Agora. sem pedestal de santo. Por que. deixo de gostar deles e me torno indiferente. seus olhos brilhavam tanto.A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada. . Minha vida fora cheia de homens bonitos.Então deve satisfazer-se com facilidade. . Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam . deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . Winslow? . Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador. . Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal. quando queria. Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. em ri tmo de staccato. enquanto eu permanecia sentada no carro.corrigiu ele. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado.... levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir.A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos . quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito. . o que sign ificava que estava com quarenta. Ele mesmo o faria. como Paul.. sou muito difícil de contentar.replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar. . que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto. recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa.

replicou ele. Venha andar um pouco comigo. Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora. .de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. até que consegui con vencê-la do contrário. adquiria tudo que lhe vinha à mente.acreditem se quiserem .Bart.por algum tempo. Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro..Entretanto. pelo menos. estu pro e corrupção. Costumava ser. que até hoje tem-se esquivado de mim. . ele me avaliava da mesma maneira. mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho. então.Noite linda .Sinto a mesma coisa. Afastavam-me dela e me amedrontavam. . numa outra noite. Quando me casei com ela.indaguei.Como pôde pensar assim? .comentou ele. E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. não poderia ser. trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho . Em breve.mais ainda que a primavera. Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. em verdadeiras orgias de compras. Na realid ade. nada mais tínhamos para desejar . Eu lhe lembraria tanto a esposa. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro . . Virou-se para sorrir com um encanto jovial. p ois correrá perigo se cometer algum engano! E. tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum. faça tudo certo. Catherine Dahl. . para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! . É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares. Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério.Não sei.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel. . como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida. sumiria.repliquei. . mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes. desejo confrontar-me com novos mistérios. Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam. Creio que ela também pensava assim.Déjà vu . Começamos a caminhar. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem. O outono é tão cheio de paixão . há quinze anos. julguei que fosse como você. e tudo estaria terminado. Por sua expressão espantada e levemente embaraçada. Ingressamos na faculdade jovens e idealistas.É a minha estação predileta. enquanto eu o aquilatava..Você é uma romântica. Proceda com calma. quando crianças.. de enfrentar coisas confu sas. com ele me guiando habi lmente ao longo . Contudo. sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações.Você não é? .Por que mudou? . Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era. roubo. .Parece poético . Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia. . Sinais vermelhos piscavam-me na mente.exceto um filho.declarei. E ela não podia ter filhos. se quisermos prestar para alguma coisa.e lutar muito. quando tudo fica explicável. Eu também já senti essa necessidade de mistérios. em sua companhia. abandonando-me. . a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? . brinquedos e móveis infantis. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também.Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . Cathy .Porque ela era como você. de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar. Então. . quando rapaz. Senti-me impelido a trazê-la aqui. Cathy. não sei se o mesmo ocorre com você. creio que ele estava surpre so.da. . dela saímos cétic os e empedernidos. não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. Saltei do carro e Bart me tomou a mão. . de ter alguém a quem idolatrar. herdou todos aqueles milhões e.. Em breve. comecei a importarme demais. sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. Então.

freqüentemente. .Os trens já não passam por esta linha. quando a temperatura devia passar de quarenta graus. senti falta. E também a m andavam para lá no inverno . Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite. eu tinha em mente outro tipo de ho norários. todos os sótãos são iguais. tinha apenas vinte e sete anos. perto da janel a. repetida milhares de vezes. . Em seu caso particular. Sentamo-nos ali.A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. Então. ago . Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça. mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. Tomava pílulas para dormir. Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. que lhe revelei tanto a meu Bart. como todos os nossos amigos. na Carolina do Sul. à guisa de castigo.Se não for suficiente. . acendendo outro cigarro. respeito.Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! . com tanta falta de consideração. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. faça-me o favor de não dizer agora.Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim. chamada Greenglenna . basta ver um para conhecer todos . Então. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro. Fin almente. Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei. agora que tenh o tanto à minha disposição. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard.. chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . Então. . Além disso. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . perturbando-lhes o sono. Pretende.. Aquela música me intrigava e. os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que. . hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. de q ue ano? Sabia que ela já fora casada. Cathy explicou Bart. fale-me um pouco de você. Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato. até mesmo no verão.Não. Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima. embora sentisse frio. percorrendo o mundo com a esposa. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. Ansiava por tornar a escutá-la. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas. . Quando a música paro u de tocar. Ela me contou que.Você é bem abelhuda. passava o tempo todo agachada no chão.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado. respirando o ar frio das montanhas. de mod o que ressonava profundamente. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. A propósito.respondeu E agora. não tenho mais duzentos para dar-lhe. Mas trata-se de uma velha estória. quando a mencionei. apitavam durante a noite.Ora. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação. Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente. Na época.protestei acaloradament e. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu. A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente. pare com isso. revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno. porém. .Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal. .Alguma vez você subiu para ver o sótão? . gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. Tive vontade. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. lançando-me um rápido sorriso malicioso. um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha.

abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes .Isso pode causar um feio arranhão . .inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora.seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias. Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé. E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada. Meus dedos descontrolados t raíram-me. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado. sorriu. então. fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a.Sim.Agora.Mary tem um papai.indagou Jory. Naquele instante. pronta para cravá-la nele. espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos. eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. ansioso por se . Nossos olhares se cruzaram demoradamente. para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. . Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta. devolver-lhe-ei a tesourinha. até ficarmos ambos acalorados e ofegantes . enfiando-se em seus bastos cabelos escuros. quando ele lá chegasse. Pedante. Embora ele procurasse beijar-me os lábios. apunhale-me no coração. . . Avançou para abraçar-me outra vez. Quando você saltar do carro à porta de casa. para onde quer que voltasse a ca beça . abracei-lhe o pescoço. mas. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? . Diante do meu chalé. moldando meu corpo ao seu. Ele sorriu. . estendeu a mão e tirou-me a tesoura. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco. só conseguiu e ncontrar-me o rosto. Você é maravilhoso! Jory riu. exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. a fim de alcançar minha bolsa para que.Leve-me para casa.Sim.e. mas levantei-me e corri em direção ao carro. Jory..Bem. Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. faça o pior que puder: fure-me os olhos. Jory.. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia. pequena Srta. como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia. . satisfeito.todas menos Jory. durou.zombou. eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto. Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . contra a minha vontade. Bart agarrou-me com força e brutalidade.. . durou muito. Jory. . O beijo durou.disse. Aquele beijo já começou.E não gosto de arranhões. Você está dançando! . bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja . é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz.Sou bom bailarino? . mas ele foi embora para o céu. ele me devolveu a tesoura. . Será melhor assim.Você tinha um papai.Vou levá-la para casa . Os papais eram importantes no seu mundo. mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. Bart chegou. Sem dizer uma palavra. num domingo de manhã cedo. escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome.para a direita ou esquerda. para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo. exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. pois todas as c rianças da escola maternal tinham um .mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você. mamãe! ..ra.Eu amo você.Estou dançando? .

obstinada como Carrie. cru el e envergonhada. você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. De quatro. . Peço a Deus que não se arr ependa. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado. Só nós. aproximando-me p ara abraçá-lo. Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados. . Meneei levemente a cabeça.Tirei folga no fim de semana. perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes. Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem.. . . isto é. Seria ótimo p oder morar aqui. com o mais cativante dos sorrisos. .disse ele.. . o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça. como outrora.Não vamos brigar.Fui o melhor médico residente no hospital e. pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana.Talvez. Senti-me mesquinha.explicou ele. Isto a incomodaria muito? . Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso. . Virei-me para o outro l ado. estou preocupada com Paul. ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas. Agora. Eu nem precisava perguntar. . sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos . .Sim. Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções.Seja bonzinho e aceite-me como sou . se me permitir.Está certo.Tem recebido notícias de Paul? . Antes. Sejamos amigos e aliados.Cathy. Sentei-me com o olhar fix o no chão.Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência.Como está o meu Jory? . . Tenho minha própria vida.Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. Farei o que preciso fazer . limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante. .replicou severamente Chris. incomodar-me-ia demais.Eu sei. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração. .por que haveria de escolher você? Não respondi. ou acha que deve ser.Ainda não tomei o café da manhã.Você é meu papai. a fim de evitar que Chris me visse os olhos. Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso. . Julguei que sempre se mantivesse em contato com você. Meu irmão riu.Não . recolocando Jory no chão. após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas.Chris. Seja como você prefere. com você e Jory. a fim de passá-lo com você. o que gostaria de almoçar? .. Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris. . Então.. Tio Chris? .exatamente como você. .indaguei. olhando em volta e tornand o a encarar-me. pois já sei. deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo. divido um quarto com outro residente.Eu estava apenas tentando. Chris.Claro que fará.Quer fazer o favor de mudar de assunto? .r acolhido nos braços fortes e másculos. Christopher. . minha querida irmã.No hospital.Viajou para outro congresso médico. .Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito.repliquei sorrindo. restamos apenas nós dois. como sempre . Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos. . Empertiguei-me ante a sugestão.indagou Chris. Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude. como recompensa. ganhei um fim de s emana de folga . . Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade .Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos. . . .

Quem lhe contou? .. deu meia-volta para encarar-me. acima de tudo. conf uso. mesmo em setembro. espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira.. quando ele e eu fazíamos papel de pais. graças a Deus. .Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto . ele virou vivamente a cabeça. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. . . deitado de lado. amedrontado. passeamos pelos bosques. a fim de olharmos p ara a imensa mansão. Sem falar. eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto.. Chris. . Cathy. Ouvi dizer que se encontra no Texas. Conversávamos muito pouco. É perigoso afaste-se dele.indagou. Quero confrontá-la com a verdade. quando comple tasse quatro anos.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias. se tem necessidade de um home m em sua vida.come ntou... Parecia-me tão bom tê-lo à mesa. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto. onde olhamos para o menino adorm ecido. ergueu Jory dos ombros. que marcava onze horas. Chris já se fora. Daí em diante. ele se parece mais com você do que com Julian . Após a refeição. de verdade. pousando -o no chão.Mamãe. Chorei um pouco. . também. dan do a Jory o pai que precisava. e. tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. diante de Bart.. Volte para Paul e case-se com ele. Dando-me as costas. Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. às sete horas. ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão. . . Então. Em seguida. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas.indagou Chris. E você pode ficar aqui cem anos. comia de tudo. com voz embargada. mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé. Fazendo o melhor possível. magoado. . A despeit o de mim mesma. Paul dissera o mesmo. Parecia exausto.Maldita seja. quando os dias ainda eram quentes. bocej ei. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor. Jory foi montado nos ombros de Chris. ele me acompanhou ao quarto de Jory. por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista. As noites nas montanhas eram frias.Durma bem e não seja mordido pelos percevejos.Já é hora de dormir.Não é suficiente. . .Mamãe está lá? . que precisa acordar tão cedo aman hã. o dia passou depressa. imaginei Chris como um pai para Jory. Especialmente para você. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente. Quando acordei. Christopher Doll .Então. Em seguida. tudo o que estava ao nosso alcance . ao terminar o q ue tinha que fazer. Naquele sótão.Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça.Boa-noite. . dormiu no quarto que fora de Carrie. abriu a p orta do quarto. embora ele me observasse os mínimos movimentos. Cathy.quando éramos apenas crianças . . Tive vontade de dizer-lhe que. como costumava acontecer antes.Quando está dormindo. Mas permaneci calada. Jory.. Paramos juntos.sussurrou Ch ris. .Não. Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar. Alertado.

Como eu pe nsava desde criança. Duas listras verticais. em solidariedade. que cedeu sob o peso do corpo. ele também dói. engasgando-se. Entretanto. Winslow . naturalmente. E Mamãe não irá trabalhar hoje. . estava bem . com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina. ajoelhando-se a meu lado. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja. Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. O de stino não me poderia iludir para sempre. penetrando num pinheiral mais denso.Espere. Ri com o poder que sentia po ssuir.Foi o maldito joelho. a essa altura. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo. a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio. Só que desta vez estava machucada de verdade. . naturalmente.Não devo demorar mais que uma hora. Então. esgarçado um tendão . Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e. .outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. Uma vez.. Sr. Cathy! . sentindo muita dor. Onde sente dor? Eu quis responder que. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. do contrário não chegará perto de mim. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro.Tudo bem. torci o jo elho. obrigando-me a prestar atenção ao solo.respondi. quando a turma inteira estivesse reunida. O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. os músculos longos e ágeis..Olá.Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas. A trilha mal era visível e muito sinuosa. transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. Mamãe sente saudades de seu tio Chris. fui . Jory. Ofegante. Como teria de ser. como se brotasse do solo. cintura e gola sanfonados. e abri os braços. . A fim de acelerá-los. exceto quando se trata de um tombo inesperado. tomei uma bifurcação à direit a.pois as bailarinas sabem cair. . Felizmente. desciam ao longo das costuras laterais das calças. por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido. sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas. fazendo uma pirueta. L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante. mais cedo ou mais tarde. Desta feita. as folhas mortas amaciaram-me a queda. As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono. minha mãe não podia vencer invariavelmente. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. uma ama rela e outra laranja. virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . magoando-me de muitas maneiras. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha. abetos e espruces. já deverei estar de volta.Machucou-se? Parece tão pálida. Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo. que nunca usara antes. Não me voltei para olhar. . ele gritou: . deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. Levantei-me de imediato e continuei a correr..Corre depressa demais! Era Bart Winslow.. meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas. Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça. e tendo punhos.. de modo que aumentei a velocidade. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno. apertando ainda mais o passo. Meus planos caminhavam devagar demais.Pare de correr.chamou uma forte voz masculina. Alguém corria atrás de mim. o remorso e a vergonha. mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto. parti correndo pelas trilhas.

.Aqui estava eu. .. . com um brilho de malícia no olhar.Está brincando! . se pudesse ver seu joelho.Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa. Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante.Você quer brigar quando de sejo ser amistoso.Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho. encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira.E você a deixa sozinha.Nada que eu goste de mencionar. Minha sogra tenta falar. Agindo assim.o que é muito raro . . para variar.indagou ele. que eu não tenho a menor idéia de qual seja. num jogo ent re homem e mulher. cortando-me a gengiva. .pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando. morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar .Claro que sim. Embora não seja capaz de correr como o vento. É seguro? . po is meu joelho direito reagiu imediatamente. Ele soltou uma risadinha confiante. também tenho minha peq uena coleção de truques.Por que veio morar aqui. Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho. . deixan do-me seguir o meu.Não fica sozinha. Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? . perto de mim? Eu ri.Meus joelhos também funcionam bem.obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar.como todos os homens cheios de convencimento . hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. de modo que posso distinguir só pelo tato. apertando as pálpebra s. perfeitamente funcional. insisti: .resp ondi com ar inocente.. dentro de casa e ao ar livre . como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar.Sim. desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção. poderia julgar melhor. .Como pode saber? . . . presumindo .respondeu ele.Estou falando sério. Ele sorriu. brincando de gato-e-rato..A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? . e se ergueu disposto a aceitar o desafio.Agora. . estamos discutindo .que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher. de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante..a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente.Arrogante. Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável . desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato. mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim.A dor sempre me causa antagonismo. . e você demonstra tanto antagonismo. Tem Nova York e sua cidade natal.Por que se porta de modo tão detestável comigo? . franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem. Olhou-me detidamente. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! .disse ele. recebemos mais atenção. foi você. É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz.Parabéns. Não lhe acontece o mesmo? . . . . feliz por revê-la. Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo . Seja boazinha comigo. Diga que se sente alegre por rever-me.E você não precisava aceitar. Cont udo. além de uma equipe de empregados .Quando sofro . .Aposto que tem. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher. Uma noite. E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio.Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa. gosto de todas as espécies de esportes. desapontado. caso eu também quisesse.Um pouco. . mas veio para cá . .mostro-me delicado e humilde.indaguei. Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo. . depois ajudou-me a ficar em pé. não obstante. . sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito.

os olhos escuros faiscando. evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência. lacônico..Ótimo. creio que isto lhe dá satisfação. Portanto.Você a chama de Sra..Irei hoje . acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse. fui ao bar. No verão. Agora. Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. Dahl.Às vezes. mais cedo ou mais tarde. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m.Fico muito solitária. meramente por pertencer à natureza humana. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. como cabia bem a um bo m advogado. Depois do jantar.Então. . A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia.Qual é sua fraqueza. que faça questão de mostrar-se.. cinzentos como gra nito. Uma curiosidade avassaladora me invadiu. Bart. ambos rimos sim ultaneamente. pois nunca o es cutara. Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo. o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície.replicou afinal.A senha é discrição. A essa altura.. imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados. mas não posso ter certeza. como se arquitetássemos uma conspiração. até que minha mulher volte para casa.tão logo tivesse mais uma pequena informação: . negligenciada ou roubada. até o som de música suave enchia o ambiente).replicou ele de imediato. m as persisti. poderemos conhecer-nos melhor. . estou encarregado de verificar que a Sra. Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade. é claro. Pude imaginar a avó. a babá. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo. Depois que Emma. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los.Com gelo? . eu podia estabelecer o s planos definitivos . . t enho pena de vê-la no estado atual. Então. Sr. Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto. . A menos. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. . Bart já me dissera tudo o que eu queria saber.Chamo-a de Olívia! . o que eu descobr iria por mim mesma.Quando voltará sua esposa? . . enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. jantar e tomar vinho com ele. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre. não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. mimá-lo. você parece uma megera. jantamos por volta de cinco e mei a. onde me ocupei com a preparação d as bebidas. Quis saber o nome da avó.. cada fio no devido lugar.Logo que me casei. . vai para casa. Winslow. fixo numa expressão .. . trato-a pelo nome de batismo. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue.Nosso horário gira em torno do menino. Srta. Agora. Portanto. . porque o olhar que trocamos foi muito demorado.Uísque. tenho apenas a companhia de meu filhinho. se atravessar o bosque nos fundos de sua casa. por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? . Chegarei às sete e me ia para um drinque. É. Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma. nosso horário de jantar é às cinco.fria como gelo. Bart? . .. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo.. que os dias são mais curtos.Puro.A propósito.. . Seu rosto parece f eito de pedra. mas agora.Por que quer saber? . Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça. Tin ha os cabelos meticulosamente penteados. Em seguida.

debruçando-se sobre a pequena mesa console. você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. adiciona ndo uma pequena dose de vodca. exibiu um sorriso atraente. E.Exatamente o motivo pelo qual vim aqui . Antes de nos apresentarmos no palco.Uma bailarina russa me ensinou. dando-lhe as costas.Uma segunda partida.. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. não importa como seja servido. que era deliberadamente gracioso e eficiente. . qual será a recompensa? .Uísque é uísque. .Não comece a imaginar coisa. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido.. um pouco de suco de limão. Como poderia eu fracassar? Após o jantar.Bart observava-me cada movimento..repliquei no meu tom mais altane iro. ambos nos curvávamos para pegar o talher e.Tomei banho. . Então. Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre. Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando. . quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã. diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? . a fim de jantarmos à luz de velas.jogar xadrez! .. . encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira. . como num passe de mági ca. fiz a barba. A luz das velas refletia-s e em seus olhos. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas. verificáv amos quem era o mais rápido. devastador. temos que co mer muito pouco. nada temos de delicadas ou el egantes. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais.exclamou Bart. encaminhei-me sedutoramente para ele. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão. O roteiro fora escrito há muitos a nos. após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas. . fazendo-os brilhar diabolicamente.. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. Ganhei dele todas as vezes. Isto é. Ele sorriu. A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água. O que está tomando? A essa altura. A intervalos. Após conversarmos alguns minutos. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco. preparei para mim um leve coquetel de frutas. trancada num quarto. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata. para jo gar xadrez! Em seguida. vesti meu melhor terno.Cathy. Sim. desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou..disse eu num tom suave. . lançando -me um olhar duro. interiormen te. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. passeando ou fazendo compras.Em geral.A galinha está deliciosa . não gosto de galinha. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois. chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem.declarou. satisfeita com a expres são de seu rosto. Então.Quando eu ganhar a segunda partida. quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas. .. qual a recompensa? . Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia.. homem convencido . é feito com laranja recém-espremida. Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: . Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu. cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna. após um espetáculo.Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas. Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando. . Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne. senti-me no palco. Sentei-me em frente a Bart.Bem. Mamãe.Desculpe-me quanto aos copos . . desde a sandália prateada até a metade da coxa.Se eu ganhar. quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos. Batizei-o de "Deleite de Donzela". Agora. rindo.

Todos os seus problemas são muito simples.. porém... quando ele vai dormir e estou sozinha. infindável silêncio. julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? . jogaremos a "negra".Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança. Chris.Engana-se..Não está sendo honesta consigo mesma .disse baixinho.Não. agora. .Não sei. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz. Soltei um riso curto e amargo. Entretanto. Tomando-me pela mão. Garotinha s de quem eles precisam cuidar . Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me. tentando ocultar o rosto. que me será revelada em algum ponto de minha vida...Claro que sabe . só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente.replicou Bart. Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina.aquele que você jamais esquecerá. para alegrar uma viagem longa e solitária. Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar. Bart. . mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça.Se você ganhar duas partidas. é claro.. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados".pois já não acredito que dure muito tempo. Um prolongado.Depois que eu ganhar a "negra". . Sou idiota.Cathy. pelo menos atualmente. . Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro.começou Bart. . Cathy . Não sei como encher os me us dias. Oh! Chris estava certo: com Bart. Do contrário..Ligue a música. nunca terminando. . que não sofra ao perdêla . fez-me virar a cabeça. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira. . eu não estaria aqui. é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. enquanto cont inuávamos dançando. . e vivo à procura do pedaço que ficou faltando. minha frágil proteção se esfacela e. espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo. Então. Alguma coisa fácil e romântica.quando sei que. . Então. mas resolvi tentar. eu fora além de minhas possibilidades. . Naquele dia. levo u-me à sala de visitas. realmente. então. na minha vida pessoal. . Com estudada deliberação. E. um pouco de mulher sedutora. Quando eu era jovem. . Torno a recompor -me. bailarina .Por que está chorando. apenas começando.declarou suavemente Bart. mais uma vez . E tudo continua assim. Nada de passos complic ados. sempre sendo furada no centro.. E não fique aí. não sei o que fazer de mim mesm a. cheia de esperanças e a spirações.. quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira.Vamos dançar.. só compra va música clássica ou de balé. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho. depois.Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei. lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris. meu sangue escorre com as lágrimas que derramo. . diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida. roçando o rosto escanhoado no meu.Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres. . .Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando. simbolicamente. .insistiu Bart.Então. Sou como uma rosca.Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo. Cathy? . pois não sei por que motivo você está aqui. Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa. sorrindo com tant a confiança. . na verdade. porém. qual a recompensa? . convenço-me de que existe uma razão para tudo. Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada.solucei. Só precisa de alguém . não sabia. Parei de mexer os pés e funguei. contudo. . prossigo.Mas serei o último e o mais importante . fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei. um pouco de anjo. veio o silêncio. E quando consigo alguma coisa que desejo. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. não imaginava que me magoaria com tanta freqüência.indagou Bart suavemente. Espero demais e. de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s. te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim.

Movimentava-se para penetrar-me. talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores. Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos. . eu necessito de um filho. Sua li bido inflamou-se.ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! . aqui estou. Bart possuía-me sem usar o coração. por Deus. puxan do-me com força de encontro a si. Todavia. No escuro. bai larina. refleti. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo. Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos. Bart jogou-se para a frente. enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas.Cathy. Com a mão livre. carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama.. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar.como eu. quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto . que ele puxou por minhas pernas abaixo.Vá para casa! .repliquei amargurada.. será minha até uma semana antes do Natal.como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico . Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate. . de modo . . E não acredito que alguém realmente a conheça.declarou Bart incisivamente. Não a conheço. mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais. Se Jory precisa de um pai.Você tem uma esposa a quem ama . sabendo que nada poderia dizer em protesto . Entretanto. agora. . Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços. mas o fogo se apagou. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. zombando de mim. ocasionalmente. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você. Portanto. pega ndo-me pela cintura. Ela que fique com seus segredos e lágrimas.Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais.e. minha linda sedutora. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. fiquei apenas com a meia-calça. A essa altura . Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a. apagou as luzes. Lutei para levantar-me.. pare com isso! Veja de que modo está vestida. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. Em seguida.Os homens também mentem . prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. disposto e pronto para ser seduzido. Afastei-o bruscamente de mim. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço. mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado.bradei. empurrando Bart. bem amarrada.a firma que nem a conhecerei quando ela voltar . se formos juntos p ara a cama. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem.Pelo menos. ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer. limitei-me a vociferar: . erguendo-me e carregando-me sobre o ombro.do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante. Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso.Agora. Agora. até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. Um dos dois ganha o jogo. Ela é uma trouxa de segredos. obrigá-lo a perseguir-me e. dormimos j untos. mas ele a tampou com uma das mãos. que necessita de alguém como você. Convidou-me para jantar por um motivo. Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. e não me permite verificar o que há lá dent ro. inflamá-lo.. . Seduziu-m e na primeira vez em que a vi .Tenho uma esposa e. .

inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos. . Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia. prepare o bif e à Wellington com uma salada mista.Oh! . pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância. e musse de chocolate para sobremesa. bateu-me uma continência.. Sem assinatura.. E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil. forçando o corpo para cima a fim de livrar-me. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder . Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração .Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. não passa de um brutamontes. Por várias vezes. retorcer-me.disse. com ar indiferente. Era u m estabelecimento que usava o método Montessori..Minha esposa diz freqüentemente o mesmo . nua. fec hando desavergonhadamente a braguilha. Você está chorando. . à mesma hora. tive oportunidade de gritar. . se você me tratar bem. Não faz mal. cheio de talento. Você teve um pesadelo.Não se sente feliz.Suma-se daqui!. Oh! O meu Jory tinha tu do . mas não foi por pena de mim. quando o levei comigo par a a escola de balé.Oh! Mamãe. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. usando apenas as meias.Mamãe. sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim.. veja só! Eu enxugara as lágrimas . Mamãe não está chorando. . continuei a debater-me. aninhando-o em meus braços.menos um pai. poderei queimá-las da maneira mais agradável possível . Ao diabo com ele! Comecei a chorar... Do tip o de talo comprido.que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa.pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã.. Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar. sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente.. mas também ofegava. deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. é um homem morto! Aliás. mais an imal que humano! . . Penetrou-me. Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha. sob o peso de seu corpo. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria. Sorriu. Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças. deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se. apertando-me os dedos até estalarem. Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma .respondeu ele. nem mesmo é um homem. .Amanhã.Tenho uma arma! . acariciava.até mesmo no banheiro. Mamãe está bem. . satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! . fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. Jory tomou a decisão por mim: . isto é.. de uma inteligência brilhante. querido.. Depois do almoço. Saiu..e não me refi ro a correr pelos bosques.berrei. Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado. . Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira. imitando minha voz.(era mentira). expl orava-me o corpo.mas ele me beijava.Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava. exatamente como você gostou. E passarei a noite aqui. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap .Mas ela gosta.. fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . batendo a porta da frente com força. zombeteiro.e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito. assumiu uma atitude séria. Jory adorou.Querido. Quando ficou despido. Se me de r muitas calorias. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto.Estou tremendo de medo! Em seguida. . . Amanhã. vinham numa embalagem da loja de flores. estou com medo. Contudo.

Você não bate quando pego aí. de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda. Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada .Não gosto do seu tipo de rosas . Às cinco e meia. calada. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus.. hesitante. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory. . algum dia. cujos olhos estavam esbugalhados.. que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas. às sete e meia. Fui esperá-lo à saída da escola. a fim de indagar se eu gostara das rosas. . claro que não. tentarei compreender. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. s ob a influência de Deus.Não. Mamãe.. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo. No interior desta. Bart teve a ousadia de vir naquela noite.Eu sempre o amarei.. agora.Eu sei. A caminho do chalé. olho por olho. Olho por olho. portanto. No prato vazio. naquela época? . acenando quando me afastei no carro.apontou timidamente par a meu seio. . e também comprava selos. . . . Jory. . um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa. Faze com os outros o que far ias contigo. Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim. . Nem a s rosas naturais. Portanto. Amei-a antes mesmo de conhecê-la.Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo. não constituía um presente dele. eu não seria como a avó . .disse ele. cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior.Oh! apenas um lugar macio. de modo que precisei assinar um recibo. como prometera. Ele estava na agência postal. Não obstan te. dentro da qual havia outra caixa menor. A encomenda era registrada.idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do.. e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui. Nada de coquetéis ou conversas amáveis.com efeito. portanto meu amor não tem motivos ou intenções. Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes. parecendo deveras preocupado.Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela. ainda tão pequenas.Você me batia.. estavam na caixa ao lado do prato dele. aí . Nenhum de nós dois dissera uma palavra. . logo que se acomodou a meu lado no carro. fique à vontade: vá em frente e pegue. muito aliviado. Parti. Jory esticou a mãozinha. Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. E se às vezes você for mau. deixa ndo-o a observar-me . se quer tentar. bem como travessas de p rata. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço. Jory sorriu. mais perto de Deus que o resto do mundo? Então.Eu também a amo. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado.ou minha mãe. O pacote conti nha uma caixa. entregando-o a mim. Exibiu-me um sor riso encantador. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara. Porque você me ama mesmo quando sou mau. convidei-o a entrar e conduzi-o. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela. Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro.. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe. .Jory. eu o amo. O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . Como se explicava que crianças.eis o motivo pelo qual eu ali estava. Mande-me embora e obedecerei . .. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da. Os bebês costumam mamar nos seios das mães. Sim. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã. Em seguida. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada. . Jory ter ia também um pai.respondeu ele.indagou ele. parecendo um tanto triste e desapontado. todos viviam cheios de medo. Seria a mãe perfeita e. Mamãe . Em seguida. à mesa do jantar..repliquei rispidamente. Sim..Mamãe .

repliquei. que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas.É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. . Como sobremesa.e detesto aquele tipo de vestido! . . . Bart lançou-me um olhar duro e faiscante. tênis sujos. escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada. Sou liberada apenas em relação a alguns homens.. porque eles próprios são tímidos. .Não era vermelho. Franzindo o cenho. . A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto.Agora. Carrancudo. mas cor-de-rosa! Além disso. Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. antes de mandar-me embora.Sua poesia tem algo que me é familiar. Bart. tudo é seu. .Isso é evidente .declarei em tom de gozação.Engana-se. mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante. incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga. jóias.Eu a compus há apenas alguns minutos.admitiu ele com um sorriso travesso.Não sou chauvinista . abriu-a com um puxão. antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias. Poesia não foi minha matéria predileta na escola. depois. ocultava o filé à Wellington.Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e.Ao menos. . deixando-as cair ao longo do rosto.Preveni-a de que sou advogado e não poeta. . .Você me obrigou a fazer o que fiz! .Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. Esper ava tudo de você. como você fez ontem.De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas. o que explica o toq ue um tanto estranho. eloqüente. despr ezo-as tanto quanto as agressivas. . medrosos e temem uma mulher agressiva! . Sirva-se à vontade. muito interessada em sua expressão facial. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente. como é possível que lhe pareça familiar? . homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas.. ostensivamente. poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . murmurou: . Quanto às mulheres passivas. servi-lhe bis coitinhos com formato de animais. passivas e estúpidas. que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós. medroso. os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga. E quando estiver rígido e frio numa sepultura. fitando-me os olhos com ar desafiador.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! . estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. C ontudo. Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. Por que usou aquele tipo de vestido? .. guardei um pouco para você.Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa. amala-ei ainda mais depois de morto . Bart estava trajado com ex trema elegância. . Primeiro. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara. que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! .Fiz o possível . desalinhadas. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. Saiba porém. o ar de desapontamento . mas com um toque um pouco estranho. então. E levando em consideração que já jantei.. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo. a fim de tornar-me mais at raente. A descrença em seu olhar.. rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. . você está vendo o cardápio predileto de Jory . Em vinte e quatro horas. ou coisa nenhuma semelhante. Existem outros a quem s ou capaz de adorar. mas certamente você não o é. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite.Não sou tímido. idolatrar e servir como uma escrava. ela se transformara numa colegial adolescente! .Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas.protestou ele. Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens.dis se ele. ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade. desde que suficientemente bo m para nós. parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa.

e. Paul. Fitei-lhe o rosto. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo . Desliguei a mente. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. a única que ficava bem alto na encost a da montanha. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul.repliqu ei. e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. Por que você não vem. não obstante. Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. morto. depois em legato. Então. sacudi a cabeça.. Eu sabia. outra vez. as mãos c ruzadas sobre o peito. me tratava como um verdadeiro ama nte. levou-me às estrelas. vinha o aroma de rosas naturais. agora. havia a a vó. Mamãe. Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. a grande distância. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo. que apenas pa recia muito triste. sonhei com Julian. com a v oz. antes de começar a subir vagarosamente. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito. Bart fez-me erguer o rosto para o seu. pode ir embora . O travesseiro estava molhado de lágrimas.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. . excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo. Julian quase não tinha ca belos no corpo. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. Bart veio depressa em direção à porta.então vi Chris no interior da caixinha. eu nunca mais o veria. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. Contudo. Finalmente eu lhes atendera o chamado. E agora que já viu. escutei alguém chamando por mim. Desta feita. como se pretendesse sair. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. um por um. quando ela regressasse. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. roçou de leve os lábios nos meus. Por força de um vel ho hábito. Com um leve sorriso. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele. Oh!. deixando-o cair naturalmente. De leve. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. . Então. meu desejo era ser tocada como um violino. Atrás do ja . De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. Sentime como se a avó nos observasse. os olhos fechados. E quando ergui os olhos. Não servimos um para o outro. passando a um crescendo. Quando dormi. recebi e dei até adormecermos abraçados. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva. erguendo-me da mesa. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho. pois e u não o quero. E Julian nun ca me beijara os pés. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. que também tinha que pagar. dedilha da em pianíssimo em andamento largo. acusando-me com os ol hos negros. Além disso. Girava sem parar. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. tinha cer teza . arquitetando meus planos. Dias a fio eu ia observá-la.. que se abria para um jardim cercado. tornando a explodir mais uma e . Volte para sua mulher.. ainda. saí com ele para o ar frio da manhã. dominando todas as demais como um castelo medieval.Você me está vendo como sou ao natural. Sem aguardar a permissão. não acreditando em suas palavras.Eu a amo. Ela que fique com você.assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! .. eu sabia que ele não me amava. Bar t beijou-me os artelhos. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. a caminh o do trabalho. onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro.

Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. Alterou-os dúzias de vezes. Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca. você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: . embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. encantadora. . acrescentou: .até lá. terno. E. sob a aparência havia um coração de pedra. cada um de nós encarregado de uma f unção específica. sou novamente. era uma mulher delicada. Eu a a mo e a odeio. Voltará antes do Natal. erótico e totalmente satisfatório. retirando outro. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro. Nunca.Naturalmente que era advogado praticante. aquela gente não tem mais sonhos a comprar. Julguei que eu foss e seu único advogado. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável.Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. . Portanto. você disse que a amava. perde as inspirações. sou ambivalente e tenho ressentimentos. mesmo que não seja verdade. Ele ficava porque ela o amava. Ri-se sempre das mesmas piadas. Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. Todas as mulheres são monstros para os homens e.Aquele pai dela também era um mistério.respondi. Não se incomoda com iss o? . todas as muralhas misteriosas ruirão. Portanto. mas ele possuía outros seis. afirma o contrário. . obr igando-o a permanecer.Sempre foi um mistério para mim. . encontra-se se mpre a mesma pessoa.Ótimo .Então. tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. porém. incl uindo um membro da família. Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow. sem dar atenção à minha interrupção: . Tocada. agora. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa. . bailarina. Ocas ionalmente. como você. gelei q uando ele anunciou um dia.respondi. termina s implesmente entediada. . ao vê-lo.Bart.Daremos um jeito. O jet set. Foi esta a resposta clara. E continuei a comer minha salada. . De repente. Quand o a conheci.rdim. . encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce. Um homem pr ecisa fazer algo útil. Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. que tenha um significado. A minha era redigir seus testamentos. para elas mesmas. adicionando codicilos como um possess o. e não tente fazer comigo o que ela fez. porque não consegui . Agora.Logo que me conheceu.que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo. Ele prosseguiu. Somos nossas piores inimigas. meu amor . na hora do almoço: . juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também . diga que me ama. Todavia. tão louco quanto sou agora por você.Bart. ela mudou. mas mudou. a "gente charmos a" . na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido.Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? . faça o favor de ocultar sua faceta de megera.Você é mesmo uma mulher incrível! . selvagem. mastigando com violência. sucinta. você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela.Falando francamente. ta lvez. que me faz l embrar dela. Não obstante. . menos saúde. Depois . delicada. atrevi-me a dizer: . mas. embora conservasse a sanidade mental até morrer. Cathy.Ela telefonou hoje de manhã.Às vezes. O último codicilo foi o pior de todos. Bart pareceu-me um menino tristonho. .Ela me ama.Não faça tempestade num copo d água.Em breve. existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores.

Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. podiam adquirir. Sorri ante sua expressão de espanto. Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. utilizando-me de todos os caminhos ocultos.Carma. Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás. tão lindos aos cinco anos de idade. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den . quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. uma menina assustada. os bustos de mármore. robusto.o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. Fazia muit os anos. apenas para economizar alguns míseros dólares . para fazer companhia à sogra. . Era q uinta-feira. tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança. admirando os quadros a óleo.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. Um dia. os enormes lampiões. havia um balcão no segundo pavimento. que tanto haviam perdido. o corpo grosso. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago. Por quê? . cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. para verificar qual era a sensação. esgueirei-me até Foxworth Hall. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. Além daquela porta fechada. Continuei a avançar sem pressa.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho. e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile. o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. observando avidament e os belos móveis antigos. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. Mais uma vez . Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca. usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. Chegando à porta dos fundos. Vi tam bém a segunda noite. marca das por vergões vermelhos e sangrentos. aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade. poderoso. pois era o dia de folga. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. Todos os criados estariam na cidade. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. ainda crianças. mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos .Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. pareceu-me que já a beijara antes. estava a avó-bruxa. ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos. ta mbém. erguendo-se sobre nós como uma torre. do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão. Afinal. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente. cap azes de avareza em pequenas coisas.

mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. expulsando dele a piedade. Lembra-se de mim? Sou Cathy. com grande cautela. os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. no futuro. Então. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa.. que chorava e berrava. abri-a com todo o cuidado. Tentou falar para e xpulsar-me. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. revelando que ela era quase totalmente calva. Com a maior naturalidade. entretanto.. bati com a vara na pa lma da outra mão. averme . pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto. de olhos fechados. O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo.Avó. Usava malha branca. mesmo reunidos como estavam. pude cumprimentá-la com amabilidade: . se us olhos também se abriram lentamente. Chegava lá todos os dias. A avó jazia. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea. estava à beira do sono. Aparentemente. como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. revi-me diante do espelho. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. maldoso. Agora. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. ainda por cima. Então.. chegando-lhe ao abdômen inchado. Ainda assim. Viera exercer vingança. que ainda surgiria um a ocasião. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas. sentei-me para descalçar as botas e.apenas um pequeno tufo. abismada. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche. agora. muito satisfeita. depois. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta. pelo contrário. às seis e meia da manhã. Olhos cinzentos. Apronte-se. Estava com medo! Glória. Oh! como parecia envelhecida! Magra. a avó tinha um metro e oitenta de estatura. Eu. filha do Demônio! Fora.e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . ainda mais indefesa . Outrora. não conseguira estragar. mãe de quatro filhos. Que prazer tenho em revê-la. pecaminoso. Soltei os cabelos. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. aproximei-me da porta. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. abatida . Agora. quando a porta se abriu. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração. parei junto à porta. esbugalharam-se. não o que era agora: uma velha doente e calva. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. Então. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo . dizendo baixinho: . com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. com o couro cabeludo à mostra.Boa-tarde. no dia em que ela me surrara.tes que procuravam mordê-la. f ora! Fora. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria. Em seguida.meus cabelos.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. Se pudesse. Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. c alcei ás sapatilhas de cetim branco. ela gritaria: Saia de minha casa. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. e eu me sentia satisfeita.. Um a to vergonhoso. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo. na alta cama de hospital. querida Avó. desbotados e úmidos. Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. A avó me reconhecera. afinal. pois ela jamais tivera pena de nós. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. jazia na mesma cama que ele. totalmente despida . Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. os dedos o ssudos e nodosos.

Avó. porém. Mesmo assim. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. ouça bem o que ela fez . onde nos sentávamos para tomar sol. Carrie também está morta. Deleitei-me. foi o que fez. portanto. . A avó jamais gostara de nós.. nunca deixou de sentir-lhe a falta. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. Jamais se recobrou da morte do irmão. fazen do-me tremer as mãos. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco. como também para mostrá-los a você e nossa mãe. Ela se mexeu um pouco. Pobre Carrie. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio.lhados e cercados por pés-de-galinha.. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie. menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. A vingança me brilhava nos olhos. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles. Delic iei-me observando-lhe o medo. sabendo que aquilo doía.. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie. Apaixonaram-se e iam casar-se. Depois. comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea. E. por acaso. Portanto. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe.por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera.Veja bem. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo ..Avó. Nossa mãe. envelhecendo. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu. nem os nossos. depressão e falta de coragem para pros seguir. murchando. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo. na raiva. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! .e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus. porém. nos dera à luz.Lembra-se da segunda noite. Cory morreu e você sabe. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. mas os gêmeos tinham pavor da altura. Guardeios não apenas para mim e Chris. Revi Carrie em seu leito de morte. numa teia de linhas que se cruzavam. Não. Prossegui num tom de cântico religioso: . Agora. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?. pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. Carrie ficou abalada. agora murchos e miúdos. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino.. como sofreu por causa de Cory. a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. Agora..Sim. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. at irou Cory longe com um tapa. Um medo profundo. por incrível que pareça. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. Agora. Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. Lábios finos e retorcidos. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar. cuidara de nós. com golas debruadas de crochê branco. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. Chris e eu subíamos ao telhado.. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas.. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. percebo que ainda não sabia disso. Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável. . . pois vocês duas mataram Carrie. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas. querida.

meu pai lhe passou a perna. a quem você também de testava. velha. Só o prese nte interessava . no começo. erguendo bem as p ernas. não foi? Roubou lhe sua filha única. . você nunca pronuncio u nossos nomes. Não obstante. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança. seus únicos netos.Não são lindos cabelos. Contudo. desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo. querida Avó. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie. Contudo. apaixonou-se pela esposa mais moça do pai.declarei.e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. você jamais te ve piedade de nós. esse dia chegou. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora. Por isso mandou buscá-lo. que veio a ser nosso pai. descontrolada. A esposa dele. Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai. portant o. Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim. exibindo-lhe minha grande agilidade. pois trago cada uma delas gravada na lembrança. sobre o corpo rígido da velha. Dancei e rodopiei em cima da cama. deu-lhe tudo do melhor. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma.. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas. Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações. como ocorrera com Carri e. Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha. em vez disso . . O seu marido. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. tão transparente que permitia ver as veias . colocando-nos à sua mercê. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido . induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia. a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. que não machucava . . o meio-tio se casou com a meia-sobrinha. Malcolm. Um chico te macio. porque o pai gostava mais dela do que de você. exibindo o corpo bem conformado e jovem. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases.Devo-lhe isso. agora. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i . Nunca a emocionamos.Agora.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente. o seu marido! Embora tivesse sido. Avó! . quan do Alicia teve um filho. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor.e a vara em minha mão. minha mãe. Lembra-se? Pulei para cima da cama. joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. Assim.e. meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado. E todas a s outras coisas.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida.declarei. pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. ela fez um esforço para encolher-se. da nuca aos calcanhares. rindo ao vê-la tentar esquivar-se. parei diante da velha e vociferei: . .Sim. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes. Educou-o. como se o passado já não importasse. não é mesmo? Embora tenhamos tentado. Depois. mesmo assim. .Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar . Também isso eu lhe devo.e também do seu marido quando jovem.e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa.. E ntão. Mas. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas.

com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha. Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . escuros.O que farei primeiro? . Minha consciência pairava perto do teto. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana.Querida Avó .provoquei. Durante o tempo todo. agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. Sem dúvi da. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. a té as axilas. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. .. Espantada. estendida a meus pés. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente. Uma cicatriz antiga. com as mãos nos quadris. livre de qualquer escrúpulo. empurrei-o para cima. jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada.Agora. deixando -a descoberta. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente. flácida e enrugada que a cercava. Você poderia ter usado cera qu ente. Como não há no momento. embora suas nádegas fossem chatas. Não gostei de mim mesma. Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo. gra ndes. . debruçando-me para observá-la melhor -. A brancura pastosa da pele era enrugad a. velha.. naturalmente. mas apenas a franja. desafiando-me a agredi-la . tendo perdido o gosto da v ingança. violenta e vingativa. Tinha que ficar nua. maliciosos e impl acáveis. observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé. os bicos bem embaixo.indaguei. agradável de olhar . pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. pois surtiria o mesmo resultado. como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. . a tornar-se ainda menor.indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador.contudo. por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios. como se falasse comigo mesma. Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo. creio que serei obrigada a usar cera derretida. aberto apenas nas costa s. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido. De repente.Oh! Queri da Avó. Ela usava um tipo de camisolão de hospital. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. Chris e eu também. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. Só pode permanecer deitada e sofrer. a pele imaculad a. manchados e encaroçados. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. Sim. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais .Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. enrolada em minha cabeça . Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. Um traje esquisito. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados. . Isso é mais amor do que você já conheceu.. estava todo o cabelo comprido que ele salvou. Portan to. Avó.declarei em tom inexpressivo.. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura.os contornos suaves e firmes. sem preocupação com delicadeza. arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam. abaixei-me cruelmente. O corpo jovem é um a coisa bela. Suspirei. flácidas e brancas demais. pálida e mais brilhante que a pele bran ca. Por baixo daquela toalha. do que dizia nem do que fazia ou sentia. O quanto desejei que cons eguisse falar! .Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . como obrigara Mamãe. velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche. os músculos ágeis e rijos. vou açoitá-la . pois você não pode falar nem escr ever. Sem a menor piedade. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto. Em seguida. Nua.desafiando-me. eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. marcada pelas estrias da gravidez. . As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama.

Eu era uma Foxworth de pai e mãe. coragem! Mate-me.ele tomava café da manhã.. que completaria quatro anos em fevereiro . pisando com força e fitando os pés. abertos. que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy. ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. Agora. Ele fumava. . além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. Vamos. Deixei cair seis ou sete gotas. deixando escapar um som da garganta. só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . . Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados.Não. Virei-a na cama. gota a gota. lentamente. Piscar uma vez significa sim. dis tintas e elegantes como a mansão. Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva. agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. contudo. ou poder ser. emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão. enquanto eu continu ava a soluçar. Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona. deveria ter fósforos ou isqueiro. Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. não obstante. mas ela piscou os olhos duas vezes.indagou meu filhinho. Depois. procurando na mesa de trabalho usada por B art. almoçava e jantava con osco. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa. ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. Então.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca.irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer . Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara. Cobria-me de presentes . sentindo-me um pouco doente.exclamei. querendo dizer não.Você é meu papai? . mate-me! Eu a desafio: vamos logo . Tão logo Jory saiu para o jardim. depois.Oh! . passando para a primeira sala de visita s que encontrei. não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco. . . Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei. com papel higiênico para limpá-la. Voltei correndo. Comece i a chorar. Acendi um a vela. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se. deixei-a queimar um pouco e. Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. Num frenesi de fúria. a fim de saber se foi alguém que ela conhece. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu.paga para ser amante de Bart .e fazia o mesmo com meu filho. Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal. em seu cabel o e couro cabeludo. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie. fitavam-me sem expressão. Seus olhos cinzentos. levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta. ou algum dos criados. Interroguei Olívia. Voltei correndo p ara apanhá-la. As velas tinham cor de marfim. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. . mas bem gostaria de ser. os olhos de aço da velha exprimiam terror. Em seguida. m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. Deus al terara o molde e eu não cabia nele.Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . portanto. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa. A enfermeira não sabe explicar.. Ela estava certa: eu era covarde. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local. Agora eu era uma mulher sustentada . Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie. mas não fazia diferença. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite. os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som. antes de não conseguir mais su portar aquilo. de modo que a cera quente e derretida escorreu.

. Todo mundo sabia. . eu me apaixonara loucamente por ele. naturalmente. Agradeci o elogio. Bart exibiu-me um sorriso brilhante. abotoando um minúsculo sutiã. por si. Segundo o entusiástico relato de Bart. Prim eiro suspirei.Bem . . . maravilhosos! Ela está linda e . Voltou a ser como outrora: a mulher suave.num tom que desmentia o sentido das palavras. . só para informar-nos de q ue estava nevando. Permanecemos abraçados após fazermos amor. O problema não é seu. Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou. como uma i diota. de aparência mais jov em.Já foi muito magoada. quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste.e dela. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera.exclamo u. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo. Quando a gente ama.comentou. libertei-me com relutância de seu abr aço. Dei-lhe as costas numa atitude recatada. antes de lhe dar um último beijo de despedida . enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes . por que você está aqui comigo.agora. não é mesmo. Eu sabia que teria que levantar-me logo. acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores.Eu não disse que ela está tão sensaciona l.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! . querida. afinal. com quem me casei.que diabo! . já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente. Depositou-me na cama e começou a d espir-me. Os primeiros flocos de neve começavam a cair. que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela. ela mudou enquanto esteve no Texas. .Neste caso. .Cathy. .disse Bart.ausente havia tanto tempo . de algum modo. para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama. Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart . Cathy? Não quero que sofra ainda mais. pois. Tinha que saber. como o sol surgindo após uma temp estade. . é meu . Além disso. sei disso.indagou ele. . por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares. s em desejar que isto acontecesse. carinhosa. então. arrastando ainda mais o sotaque sulino. Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles. .re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela. espantada.retruquei. .Você possui um lindo traseiro . não é mesmo. sua esposa . pois os mexericos corriam pela ci dade.Cathy. desejaria construir um boneco de neve. você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o . Você brinca co migo. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco.A circulação é deficiente. uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa. zangado.Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . . não dei a perceber que conseguia fazê-lo. e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas.Como pode saber se não falo sério? . isto constitui. depois beijei Bart e. Quando você evita o assunto de divórcio. a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto. Em seguida. mas agora está terminado. Atirei-lhe um sapato.Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais.Não se preocupe. Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração..Permita-me explicar como sei. diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou. Teria que ser.

Winslow. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante. . Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai.Não tenho filhos. Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão.Já sou velha demais para aprender . Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles. ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela.. Você também dança? Ela suspirou. sentei-me perto das janelas. perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir.Você é bonita. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. Sra. ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço.cumprimentou-a. mas não tão linda. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer. se a sua decisão foi correta.Não sou bailarina. . enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos. . Então. . vindo e m minha direção. Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim. Sorri e recobrei a confiança em mim mesma. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata.. . Tinha os olhos marejados de lágrimas. Falou sério. . como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. recuando. Mas ela recuou a mão.. É parecida com você.quis saber Jory. com a verdade estampada nos olhos escuros. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome. . prendi a respiração. certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal.. que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. avistei um homem que se esgueirava através do bosque. gracioso e encantador.insistiu Jory. Nunca! .. .vencera! Por mero acaso. A ausência de um período menstrual nada provava . eu sempre fora uma tola. Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol . Era um me nino lindo. Jory perguntou: .Olá .Não é. olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. de que rea lmente estava grávida.Não . Mas. preocupado ao ver-lhe as lágrimas. Portanto. Renegar-me-ia como renegara Carr ie.exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza.Determinadas mulheres não merecem ter filhos. Ele me amava! De verdade!.. . como minha mamãe. tratei-a como ela me tratou com indiferença. Ela é bailarina. preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão. . mais cedo ou mais tarde.murmurou ela. Partiu como uma rainha. lançou-me um olhar. através de pequenos detalhes.Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . não . como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio.que seja..Algumas mulheres como a senhora. Eu vencera . contar-lhe-ia que estava po r ser pai. percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho.Mamãe. O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta. Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . Não obstante. No crepúsculo daquela tarde.Minha mamãe pode ensinar você a dançar. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam. derrubando a jarra de flores de cima da mesa. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha.sussurrou ela. de cabeça erguida. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo.Minha mamãe tem um casaco de peles. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor. Ela me a vistou e estremeceu. fingindo não me conhecer. Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado. Preferi não fazer comentários. tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o.replicou ela num sussurro trêmulo..Não . Virando-se.. . que atraía a atenção de todas as pessoas. não duas desconhecidas. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer. Veja. Mas eu não er a Carrie. . Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. O próprio temp o lhe mostrará. por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela. Então. mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado. de todo modo.

Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora. Nada precisa muda r porque minha mulher regressou. sinto-me incapaz de separar as duas. . Mesmo quando eu tinha raiv a dela. atualmente. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras. .. Quero você sempre perto de mim. Ele pareceu furioso. continuava a amá-la.Em sua vida? Não se refere. mas é verdade. De todo modo. Às vezes. q uando tudo terminasse. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se. E meu fil ho também. Portanto. Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e.Vai desfiar! . Que tipo de jogo você faz agora? . tem que saber de tudo. Foi ele quem redigiu o testam ento. cobriu o rosto com as mãos. Cathy. de modo que nunca saberei o que acontece com ele. na realidade. Quando ela se mostrava detestável. depois que eu me for.Explique exatam ente o que quer dizer.Meu Deus! . é como costumava ser quando a conheci. Eu a amo e também amo minha esposa..Você planejou tudo isto desde o início. A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e..tas espalhados pelo chão. fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe.protestei.Eu a amo. Então.. Agora. eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu. considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. Bart. Deus me perdoe. mas não deixava de amar a ela. tricotando um agasalho de bebê. virou-se para mim. Mantinha a mão livre às costas. sinto-me grato. . Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala. Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. procurando reassumir o controle da situação. mais corretamente.. você estará d efinitivamente excluído de minha vida. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena. agora já passou da idade de ser mãe. fitando-me nos olhos. desanimada.Cathy.Ouça .ponderou Bart. você disse que não precisávamos tomar precauções. ou ela. Quero ter um filho seu. . irei embora para muito longe . depois recompôs-se e implorou: .casar-me com você? . por isso. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho . . . Seja qual for o motivo.exclamou. com o punho cerrado. Dê-me um beijo de despedida. Cathy. . tornou-se capaz de ser m ais delicada.Muito bem. Natu ralmente. e com você! Fui peremptória: . mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. Por favor. não me venha com frases de duplo sentido. ela voltou diferente e. Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris . à periferia da sua vida? Pela primeira vez. mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal.Seja razoável.. O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança. Do contrário. talvez não. . posso cair fora. Ficarei.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo. Cathy.Não. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso.o que significa que seu filho irá comigo. Como já lhe contei. chocado pela descoberta. Em seguida. descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. Nesse caso. mas cresceu e transformou-se em .quando.Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . com o braço apoiado no aparador. . tem que saber! Bart postou-se junto à lareira.Que diabo está querendo fazer comigo. Fiz minhas próprias previsões. escutei um tom de humildade na voz de Bart: .E não havia necessidade.

até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada. lamentando o fato de sempre falar demais. Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado.Está bem! . Hesitante.exclamou Jory. Ficavam adoráveis nas . fi nalmente. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde. Bart. Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. porém. Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação.Maldita seja por levar-me na brincadeira! . Ela precisa de mim! . onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar. os brilhantes olhos azuis do v elho. Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney. com penteado igu al e rosto mais jovem. Oh! sim. Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática.Agora. Não só o a parei. Sinto-me bem na sua companhia. pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda. mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara . saiu do chalé num rompante de fúria. tir de Bart Winslow. mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho. . e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes.. .Pegue outra vez seu cabelo comprido . Christopher Doll. era exatamente esse meu objetivo.respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade. agora. contristado. transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa . c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal.Oh! Mamãe! . sinto que não posso mais viver sem você.implorou. Antes disso. avós e amigos. Gosto de estar a seu lado.explodiu ele. havia quinze anos. Quando você desis . Em seguida. sempre me mantend o na expectativa. sempre divertido. nem quero passar por pert o de você! . tristonha. O penteado caiu-me muito bem. Fiquei sozinha.algo muito maior e profundo. da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara.e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto. pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. Suas palavras me provocam lágrimas. Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou.explodi .Seu cabelo caiu. ou caminhando pelos bosques.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher . Emma. tornarei a vê-la.não naquele Natal especial. Mas não poderia competir com a própria filha. o chiffon verde mais claro para a saia. Eu sabia que ela ainda era muit o bonita. Gosto do jeit o como você me trata. tocando-me o rosto ao passar por mim. telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond. mas não deixarei escapar a minha! Adeus. incrédulo. . . cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente.Cathy . Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e. Escolhi o tom exato de veludo verde e. . . Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo.e dez vezes mais inteligência. apenas sentado e conver sando. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la. minha oportunidade se apresentava: num vestido igual. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço. Agora.Você deveria ser ator. você nem parece minha m amãe! Não parecia. como de costume. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal .. Começou a chorar. Portanto. Tinha a mesma força e beleza que ela . depois. . em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart.

que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. enquanto Emma observava de um canto.Pensei que ficaria solitário sem meus tios. junte-os em cachos no alto da cabeça. Estou me divertindo muito.quis saber Jory. Emma.Puxa. os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. Depois.e eles compareceram. Fiz questão de verif icar. . radiante de felicidade. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes. que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele. logo que chegarmos em casa. dançando no palco com tanto entusiasmo. Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. Bart e Papai Noel. com sal tos de dez centímetros. Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade. . E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você. . O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo . Em breve eu também as possuiria. Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade.eis aí o motivo. muito corado.Por quê? . e Sra. Até mesmo o perfume era o mesmo. carrancuda.. não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. arrancou repetidos aplausos da platéia. . mas eu fiquei. eu faria as surpresas e desferiria os golpes. Hoje. Bart parecia feliz. certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros. Portanto. afastando-os do rosto. . Bar tholomew Winslow. o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite . Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. Antes das cinco da manhã. cobrindo-me de elogios. bailarina.roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. não com ela. com cinco centímetros de largura. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. com um aroma de jardim do Oriente.O que será? .Porque não poderia deixar de amá-lo . combinando com a bolsinha de prata. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve. Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração.Posso abrir agora? . Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante. Ind ubitavelmente. Girei diante do espelho. Na minha opinião. Em algum ponto de minha vida. Henny." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite.Oh!. o Sr. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes.pelo estilo do penteado. . na mansão.Ondule-os suavemente. que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo. Mas não fique i. Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom. vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon.Por quê? .exclamou. Quando ela terminou. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara.como acontecera com as dela . Espalhados por toda a sala. o destino teria que estar do meu lado. Eu julgav a que fosse naquela noite. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada. Queria Bart a meu lado. Ele não ficou solitário. eu exercia algum controle sobre Bart. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila. . . minha mãe. Mamãe! . E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. experimentando a sensação de ser min ha mãe. almiscarado. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda.. A doce infantilidade de Jory. dev e ter sido Maria Antonieta. Chris. .Claro.Porque ama você. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. peguei a estola de peles q . com o poder que ela exercia sobre os homens. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas .indagou Jory. As sandálias eram finas correias prateadas.

desejei controlar minha própria vi da. por achar-me linda. mas não sou tão cruel. Henny . Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros. durma outra vez e sonhe com cois as boas. Brigara violentamente com Bart por causa disso. Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo. . tornei a beijá-lo e disse que sim. acima de tudo. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe. quando eu tinha doze anos. encaminhei-me para meu carro. Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito.Eu o amo. Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. Desta vez.sussurrei. . triste e sonhadora. . sob certo aspecto era o que eu faria. que passaria a noite com Jory. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. dei uma última espiada em J ory. P erdoe sua mãe. Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota. ficarão. Revelações Pouco depois das dez horas. querido. está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: . Desejo-lhe felicidades.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . Jory . . Alegre-se com o bebê. embora não tivesse recebido convite para a festa. Cathy. Fora escrito num festivo papel vermelho. E. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. antes de ir para um lugar melhor. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho.Traga um papai para ajudar-nos. Sentindo-me novamente resoluta. Henny está cansada.Oh! Mamãe. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall. como um anjo. lembre-se de que Henny lhe quis bem. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa.. Digo-lhe agora.. Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . Olhe em volta. E se você não tornar a ver Henny neste mundo. Macia como plumas. não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa. Tinha que fazer o que precisava ser feito. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo.Obrigada. Então. Querida Filha-Fada. com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny. não importava o que acontecess e. a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe. Henny está velha. o segredo simples para viver f eliz. sacudi o s ombros. De quem logo estará no céu. a paz e o amor voltarão para você. a nev e começou a cair. Amanhã faremos um boneco de neve. que viera no mesmo envelope. Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso. reuni toda a minha hesitante coragem. Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado. Cathy. Catherine . Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma. utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . Olhei para o céu cinzento e ameaçador. Agora. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final.ue Bart me dera.Ora. Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. tão semelhante aos olhos da avó. . mesmo se um dia ela lhe fez mal. que dormia encolhido de lado. É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. veja quem precisa mais de você e não poderá errar. como se fosse sua próp ria filha. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris.

Com a maior cautela. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. coloquei no chão. disse comigo mesma. Naquela ocasião. sem ser observada. Consultei novamente o relógio. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. controlada. com a caminha menor. A orq uestra tocava uma melodia de Natal. Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. justamente como uma Cinderela ao inverso. quinze anos atrás. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes.tantos anos antes para esgueirar-me. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria. Cedo demais. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. Como num sonho. Corri ao quarto de vestir de minha mãe. Ajoelhando-me. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho. Agora. deixando tudo como antes. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. não sentia f rustração. verifica ndo que tudo continuava como antes. Batia depressa demais. surpresa. Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. sem apresentarem a mínima dobra. espanto ou frustração.mas meu coração parecia não me caber no peito. perfei tamente arrumadas. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido. E. Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. diante de mim. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais.nunca mais. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal. Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. também no mesmo formato. A chave de mad eira ainda servia na fechadura . Sorrindo amargamente com meus botões. Ora. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . já não era rosa-morango. As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. Naquela noite. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. com a porta trancada. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. aos pés. com uma ferocidade exagerada. Precisava manter-me calma. Olhei em volta. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. um barulho excessivo. coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. Veja bem.fora trocado por outro. pulsando co m inusitada excitação. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. Dez e meia. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. apertando mãos e beijando rostos. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. penetrei de volta em minha infân cia. pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. que me chegava de leve aos ouvidos. Não exatamente ig ual. mas quase . era novo. mantendo-me nas sombras. diferente. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. mas de um leve tom de ameixa. Mirei-me no espelho. sem ter quem me apoiasse. por incrível que pudesse parecer. representado pelas três reproduções de o . Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . a grande prateleira forrada d e veludo verde. A casa de bonecas.

encaminhei-me ao armário embutido . todos eles de estanho. A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. junto com inúmera s caixas de velas grossas. querendo sair dali. empoeirado. se agira assim. quando deveria ter pensado melhor. Minha imaginação. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. só isso. Tínhamos vários castiçais. passando até por debaixo da mobília. rindo. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. fantasmagórico. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro. bem como Clara. e. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. e as flores gigantescas nas paredes. Foram encontrados por nós num velho baú. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço. escuro. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha.bras-primas de mestres renascentistas. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. Um milhão de v ezes. empurrada por mãos invisíveis. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. Parkins. Ainda estavam lá. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas. mas algo muito melhor. Não podia me dar ao luxo de chor ar. Não. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. Perto do toca-discos.. qua ndo queimavam.e ali estava ele. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. pois exalavam um cheiro desagradável. ou pior! Veneno. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr. no quarto da criança. que se abria para a escada íng reme. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe. ansiando por sol e ar livre. ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos. Sobressaltei-me. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. o bebê. o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos.tudo desbotado. o que estragaria a maquilagem. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado. Então. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas... para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. e Sra. então com apenas cinc o anos. andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. curtas e mal acabadas. refleti com meus botões. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . Oh! que fora feito da ferrovia. estreita e escura. Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. a fim de poder notar a sua f alta e. minha vontade era chorar como uma criança. A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança . Os fantasmas despertaram. o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. embora também estivesse cinzenta e desbotada. sonolentos e bocejantes .não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro. Tive a impressão de escutar um riso infantil. natur almente. Ela levara seu intento até o fim .. Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. quando não conseguíssemos apresentá-lo. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie . Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. Não obstante. Contudo. no escuro. espantoso e ameaça dor. de coisa velha. O tempo parara naquele local. Subi ao sótão gigante sco. móbiles que se moviam nas correntes de ar. dúzias deles. chorando. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede. com cheiro de podre.

Soou a última badalada da meia-noite. se melhantes às de Carrie. nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . Agora. esperavam avistar Papai Noel. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me. quando lidava com realidade e não com fantasia. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. Seus cabelos louro s. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição.pois a música parara d e tocar -. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados. de volta a mim. Ahhh!. certamente. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade.. Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. mas era apenas eu. embaraço e colapso total! .disse eu para todos em voz alta e clara. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido. mas conseguia não perder a pose. imaginei-me como a Fada Lilás..e que acorrera . de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes. Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram. À distância. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. Agora. que haviam comparecido àque la festa de Natal. Carrie e eu. estaquei. pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção. pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte. embelezando-a ainda mais. Lentamente. curtos como eu jamais os vira antes. Ela tremia da cabeça aos pés. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática. Assim. tentando enfiar as pernas sob ela. tenho certeza.Feliz Natal! .. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena. desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva. a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão... vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. Desabava outra tempestade violenta.. com a pele iluminada pelas jóias faiscantes. Apenas eu. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. parecia muito jovem e linda. mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer .. Desta maneira. (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana. agora. Em seu vestido de lamé vermelho. Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory.. minha mãe virou-se ligeiramente. pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. poderia observar melhor seu espanto. E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século. Co mo ela olhava fixamente para mim. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite. Enquanto eu aguardava sentada. postei-me no centro do balcão do segundo andar. fugir. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão.mais velhos. usando o mesmo vestido de gala e. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. Cory. Até mesmo reconheci alguns deles . Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. como fora minha mãe tantos anos antes. o vento começou a soprar lá fora. quando cheguei ao penúltimo degrau. atraindo os que se encontravam em outros salões . tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e. Christopher. Comecei a descer a esc adaria. Enqu anto os convidados olhavam para cima.no futuro. e talv ez houvesse derramamento de sangue). que ecoou como a tromb eta de um arauto. muito juntos.. Ali. Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei. em seguida. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos.. num silêncio mortal . senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer. somos apenas três . estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto. Com ela.fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes. depois.

é também uma atriz de enorme talento.Gostaria de apresentar-me . venha dançar comigo. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar. . mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim. Enquanto todos aguardavam. Cathy. indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. forçou-me a proceder como fiz em seguida. você e ela perderão tudo. tive um irmão e uma irmã mais moços. em quem acreditar e.acrescentou Bart. E. como acabam de verificar por si mesmos.sibilou Bart.respondi com a maior calma. Winslow . está tudo explicado.. distante e esquisito.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava. torna ndo-a um pouco diferente. Serão obrigados a devolver tudo o que compraram. nunca. a Sra. Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas. . . Não sei por que motivo. após tão sensacional apresentação dramática. irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth. há quinze anos. resolvi dar-lhes o que desejavam. Entretanto. mas Ba rt se encaminhou para mim.Venha. . a fim de fazer-me escutar perfeitamente. tenho tanta pe . Ora.Sim. muito men os. . Bart . Christopher Foxworth. anuviando-lhe o olhar. filha mais velha da Sra. . . o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas. Na verdade. tenho também um irmão mais velho. Outrora. Cathy é parenta distante de minha es posa e. quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. como a maioria de vocês se recorda. Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota..Sr. Todo o dinheiro e i nvestimentos.Olhe bem para mim. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia.deseja mostrar seus dotes de dançarina. .declarei num tom agudo. Bartholo mew Winslow que. O choque aturdiu-o. como talvez vocês já saibam. arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa.convidei -. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas.Minhas senhoras e cavalheiros . Bart ficou visivelmente abalado.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl. Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. Quando a música recomeçou. querido Bart. . Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa. que hoje é médico. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento. Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão.m às dúzias. Este deserdou a filha. gêmeos. . nos menores detalhes. parecendo tão estranho. que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido. Mesmo assim. imóveis e calados. lá em cima. sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. Éramos ratos de sótão.Naquela festa de Natal. E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória.Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem. interrompi-me. Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. que nasceram quando eu tinha sete anos. e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. Julian Marquet. Em seguida. enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte. nunca descíamos. como reagir.Sua putinha atrevida! . exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. Decerto . por que inventou tantas mentiras? . aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas. que pareciam não saber o que pensar. ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga. igualmente chamado Christopher. a única herdeira q ue lhe restava. foi anteriormente casada com meu pai.Idiota é você.Sou Catherine Leigh Foxworth.Bravos. na qual você trabalha. Cory e Carrie estão mortos. Cathy! .exclamou. . porque foram. Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? . continuei: . Nosso local de brincar era o sótão e nunca.

. Você não estava sonhando. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças. mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! . Todas as manhãs bem cedo. Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes. o mordomo. pare! Não me faça odiar minha mulher! .Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la.na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar. Então.declarou. raquíticos. .Conheço a combinação do segredo . suspirou ele. deitei-me naquela ime nsa cama de cisne. Nosso playground era o sótão. parecendo doente e prestes a vomitar.Esse vestido que você está usando. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses..Meu caro Bart. . Bart.prossegui.Os números da data em que el a nasceu. Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. e duas imensas ponch eiras de prata. permita-me convencê-lo melhor. fui eu.prossegui suavemente. Seus lábios exibiam um sorriso fixo. Bart. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem. a fim de herdar toda a fortuna. não est ava na copa.Está inventan do tudo isso . ano após ano. mas sua voz tinha um tom de dúvida. o rosto dele bem perto do meu.Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica.. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou. você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. por favor! Se está mentindo.É mentira . uma vez. mas e ra Chris. E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia. . Manteve-nos trancados à espera da morte do pai. . . os olhos esgazeados. não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite. simulando achar graça. Os gêmeos quase não se alimentavam.disse ele. . E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira.Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! . Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. . embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável. com a caminha igual aos pés. Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões. Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda. . seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente. invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede.Por que não odiá-la? Ela merece . Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora.. com enormes olhos assustados. uma fonte de onde jorrava champanha. quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John. . . Foi ela mesma quem me contou. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós. Bart sacudiu a cabeça. Foi você quem redigiu o testamento. .Então. ..corrigiu ele. ou algo semelhante. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar. Ela é minha mãe.. tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro. ..Cathy. em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. Na ocas ião. num tom esquisito e desprovido de sinceridade. Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo. quando eu tinha doze anos.Sim. os garçons trajados de preto e vermelho. disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar". Nossas refeições eram enjoativas."Como criar seus próprios bordados" . sempr e frias ou apenas mornas.Nãooo.Certa vez. Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta. Ficaram tão pequenos.. parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe. Quem o beijou fui eu. . E.

carregado de uma raiva terrível. com um pesado suspiro. extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente.. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse.as unhas em riste tentando ..Sim. A essa altura.berrei. se descontrolara. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. indesejável e detestado. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. não mais para mim. pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias. A princípio. sentindo-se negligenciado. compramos um quilo daquelas balas em Vermont.não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares.berrou. com os braços estendidos para a frente.e . . todos olhavam para ela. subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel. . o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos.. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto. Decoramos o local com flores de pap el. Contudo. em especial os sexos opostos. Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos. mas aquilo continuou interminavelmente. E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai. inclusive quando eu já morava aqui. sempre cheia de pose e arro gância. contudo. Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar. . você se parece com ela! Talvez seja sua filha. Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem. doen tios. porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação. Você tinha uma irmã e dois irmãos . quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont.. como se estivesse cega. até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia. E. E se isso lhe parece muito tempo. Vivemos ano após ano num quarto escuro. .antes das seis e meia. confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. os dias eram como meses e os meses pareciam anos. Cathy. já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar.Sim. Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. . não importa q ualquer outra coisa que você me diga. . Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer.Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground.Isso é bem do tipo dela. à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. E também ha via uma outra regra. dormíamos um bocado. o rosto lívido . E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai. obedecemos. que via todas as ra mificações. .No início. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos . a fim de o alegrarmos para os gêmeos. A princípio. Ela. caia fora e nunca mais volte! Agora. viveram trancados lá em c ima? . sem receber luz solar. embora nossa mãe.dura nte todo aquele tempo. nossas refeições se tornaram cada vez piores. se minhas palavras fossem verdadeiras. quietos como ratos de sótão. seja franca . Ocupávamos o tempo jogando. levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime.Pare! Cambaleou alguns passos.Oh! Deus! . mas minha mãe soltou um grito agudo: . em cada palavra que ela pronunciava. sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto. Fomos ficando magros. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. alimentava-nos razoavelmente bem. po rém.Três anos e quase cinco meses. acreditamos em nossa mãe. . sem luz. depois.Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora. recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas.Ouçam todos! .totalmente franca. rezávamos muito. .Cathy. caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo. ficando trêmula.É mentira! . Bart lançou-me um olhar ameaçador.exclamou ele. ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall.

Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: .Sim. Podem ficar até quando quiserem. Ela est ava mais pesada do que antes. Deu-me uma ordem ríspida: . Uma enfermeira lhe fazia companhia.disse a enfermeira. A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas. A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim. Tudo isto. continuem a festa. sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto. Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido.Cathy. E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela. senhor . Foxworth quiser de itar-se. Mas logo raciocine . como deveria. Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro. . tão logo a enfermeira fechou a porta. a minhoca. . A cadeira fora colocada perto da lareira.Sra.Faça o favor de deixar a sala e a Sra. trocando sussurros e olhando para nós. desalmada e brutal. totalmente descontrolado. Portanto. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim. Sentia-me estranhamente solitária. cr uel. . Não era um pedido.Como pôde ser tão egoísta. Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. minha mãe fechou os olhos. os quais manteve prisioneiros. saindo em seguida. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. a lesma deformada. depoi s. se fizere m o favor de perdoar-me. por mais que viesse a ganhar com isso.Então. senhor . escondidos no sótão. mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. Normalmente. comam. ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca.Basta tocar a campainha quando a Sra. Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . . .iguais aos meus. Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado. . Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro. tentar envenená-los com arsênico? Derreada. mas parecia uma pluma nos braços dele. vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível.disse Bart. sobretudo. muito grato pela sensacional apresentação. Vamos terminar isto de uma vez por todas. Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê .rugiu ele. bebam e divirtam-se à vontade. Bart pegou minha mãe. quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . . mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações. Obedeci .disse Bart. Corrine. Foxworth fic ará conosco. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido. exibir a chave de madeira feita por Chri s. Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto.disse ao chegar à porta. é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra. Cathy. na defensiva. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? . a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. as mãos pálidas e trêmulas de desespero. aos dos gêmeos.declarou.um grande segredo. Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. a despeito de tudo que eu afirmasse. Poderia des crever as flores no sótão.arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa. inerte numa poltrona de couro. mas uma ordem. Mallory . de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. indefe sa. A Srta. a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e.Muito bem . implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo .Sinto muito.Mais uma vez. Minha mãe se agarrou a ele. aos de Chris. como também contra a esposa.

Bart olhou para a esposa e.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. Com crueldade e grande satisfação.Cathy . . .Sabe mais uma coisa. sente-se antes que eu a empurre! Obedeci. Alega que ela é culpada de homicídio. foi destruído num incêndio. . . chorando e dizendo que nunca me viu. Pode encolher-se. responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida.. você teria escapado de todo e qualquer cast igo. Magoava-me realmente vê-la chorar. Mamãe? Vamos. acrescentei: . Entretanto. ela merecia.é is so que você deseja? .mas seu pai lhe passou a perna. se isso é o que ainda fazem neste Estado. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las .i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado.. Sem aqueles documentos. Sim. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. Ergui os . mentindo. afirmando que o levariam para o hospital. contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão. E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . depois. Bart apertou as pálpebras.e também de Cory e Carrie. para a mãe dela.portanto. Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo.. ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa. minha mãe sussurrou: . olhando primeiro para ela e depois para mim. não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica. ainda olhando para a esposa. . mentindo. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora. Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas. Lembra-se do camundongo de estimação de Cory. John Amos Jackson. E Bart também. .disse ele. . atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: .Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa. Não. pois aquele cartório em Gladstone. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. de assassinato premeditado . Suspirei. Mamãe. Após breve pausa.Quero apenas justiça. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico. acostumada a representar diversos papéis.Exceto quando assisti ao balé. descobrir a verdade. . pois sou atriz e. dizendo que Cory morrera de pneumonia. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. Então. nada mais. não é mesmo? . você nunca s oube fazer nada direito.sussurrou minha mãe.É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. que já morreram! . Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou. ficou tão doente que morreu . Se você conseguir provar tais afirmações.Mentindo.Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . na Pensilvânia. talvez. Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e. Entr eguei-as a Bart. Contudo. Pouco depois. descuidada. extravagante em relação a tudo .ordenou Bart.disse ela com voz forte. negando a ex istência de Chris . Foi muito descuido de sua parte.Querida mãe. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos. torno u a fitar a esposa. Agora.. Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar. preservar aquelas pro vas. portanto. Mamãe. sorri para minha mãe. cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas.. conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. . há dez anos. a fim de matar os camundongos. se gostou um pouquinho de mim. em Nova York. você sempre foi estouvada. com os olhos ainda mais apertados e ladinos. pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. ele continuaria a acreditar em v ocê.Está mentindo .Nunca vi você em minha vida . Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros .Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo.Corrine.. se algum dia você me amou. sem dúvida. ela irá a julgamento por homicídio doloso ... com a maior calma. Não ob stante. você fica aí sentada. eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. querida e amantíssima Mãe.

No início.Sim . aqui embaixo. nem por um segundo.replicou Mamãe. .prosseguiu ela. também. não acreditei que ele falasse sério. . Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. e suas constantes acusações contra mim. jogando. Então. encarando-a. mas achei uma solução! .prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo. ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula..Ela? . imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e. Cathy? . enqua nto vocês ficavam lá em cima. um som duro como diamante cortando vidro. lançando um olhar furioso à avó. . brincando e decorando o sótão. Eu chorava. junto com minha mãe. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você. com a cabeça majestosament e erguida.olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões. meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família. a hera nça. E depois que aqui chega mos. q uando eu não podia libertá-los! Quando. . Sempre me odiou.disse ela à velha na cadeira de rodas. dia após dia. Então. arqui tetando. indagava maliciosamente. . a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem. com ar muito astucioso.A avó aceitou o plano? . durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. recomeçando a descontrolar-se.seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. Bart.Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir. Portanto. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito. ele me dizia que vocês eram crianças malévolas. Mamãe . meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . Depois. como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. porque me odiava.e ele ria.E você também. ergui-me de um salto.. mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. meus filhos e o dinheiro também. planejando. Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta.o mais ultrajante pe . Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. Pois eu a engane i.Será que não compreende? . quando meu marido morreu naquele acidente. com o dinheiro. . A cada dia. Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende. "Eles nunca deviam ter n ascido. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações. invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem. atraídos à armadilha. Então. com meus filhos e. claro que ele sabia.Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa. mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . .Todos me achavam estúpida.indaguei.e eu o amava tanto.Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você. disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio . . ao mesmo tempo. não g ostando dos filhos.depois marido . Ele me amou demais quando fui criança. a quem ela favorecia mais que a mim.Ela fazia tudo que ele manda sse.Enganei-o também. sob seu controle. os olhos fixos em Bart. . . à sua mer cê! Planejou. tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. .Eu não lhe podia contar. postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. não é mesmo?". voltou-se furiosamente contra mim: . Malcolm Foxworth! Em seguida. implorava. juntos. Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você. . uma linda loura desprovida de cérebro.Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. filhas do Demônio. Certa noite. Duvidava de suas palavras.exclamou ela. taradas. Queria fazê-lo. excitada. ajoelhava-me para suplicar . após tudo o que ela já fizera? .disse Bart num tom gelado. virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: . que mereciam ser destruídas. julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me.Sim.E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. Mas sabia.Corrine . meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo.

se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho. Pode ficar aí sentada. Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai.. Então. . fixos.Que tipo de homem julga que sou. livres para levarem uma vida normal.. . vociferando contra mim e meus filhos. Os dedos ossudos . ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima. ele cont inuou vivo. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. . Corrine.indagou com amargura.. afinal. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os. enga nando-o quanto a meus filhos ... e.Não odiaria se compreendesse. Corrine. Cathy .Bart. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro.. Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. E cada vez que eu ia a seu qua rto. .Corrine . Especialmente você. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse. vocês me imploravam liberdade. . Desviou desesperadamente o olhar. a fim de lhe causar a morte. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. Passou a implorar-me piedade: . .Querida Mãe. despida de toda a antiga pose majestosa. nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. não estou mentindo.cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar. Agora. não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido... Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço. Mesmo assim.especialmente você! . os punhos cerrados. como se não possuísse mais o esqueleto. Confesso que lhe menti no passado. Portanto. e não me casei com você por dinheiro. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança. Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos. Minha mãe ficava sentada por perto.. a frente alta do vestido de gala. ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos. Então.Su a filha tem razão.Sei que me odeia. de prazer. a essa altura. Não sou um monstro. assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria. .interpôs Bart num tom estéril. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender. eu a odeio.Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia.Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! . chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos . derrotada e alqueb rada. atingindo o que lhe estivesse ao al cance..implorou ela. ou era? .mas não estou mentindo agora.indaguei. por favor. Olhou alternadamente para cada um de nós. recém restaurado.bradou ela.a velha der reada na cadeira de rodas. . minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos. porque ele estava muito debilitado e. Entretanto.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas. desferia bengaladas. passei a provocá-los.Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. Mãe.E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? .Cathy . como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas. sarcástica. . virou-se para sua mãe . Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! . . mas. Naquele brilhante vestido vermelho. Mantinha as mãos às costas.mas como poderei acreditar.Sim. Eu a amava. Emiti um riso duro e cheio de amargura. como se lhe tivessem removido o coração. . seu rosto delicado e lindo. Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe.. Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados. ademais. procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre.. chegando às veze s a gritar comigo.

pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia. .e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas. Começou a falar num tom desapaixonado. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. Cathy. sua mais severa juíza. Fui estúpida. que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. que a e ncarava de modo muito esquisito. olhando para ela.Bart. Aqueles imutáveis olhos cinzentos. Cathy. O a . E Cory tinha resfriados sucessivos. Na verdade. Meu pai insistia em negar seu consentime nto. quem mais insistia comigo. . que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações. não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. Christopher me amava. o mordomo. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava. especialmente Cory. causando-me remorso e vergonha quan do. logo que seu pai morreu. Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. porém. tentei fazer o melhor possível por vocês. como se discutisse uma terceira pessoa. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera. . Contudo. que a fitava de forma severa implacável. Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes . Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. confiava em mim. E. Utilizei um pouco de arsênico. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. . o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim.Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. no início. apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso.po is a verdadeira vencedora era eu. Rezava par a que. contra o modo pelo qual instavam comigo. eu tentava fazer por eles o melhor possível. ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. nunca.Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento. além da alergia. sempre que me resolvia a fazê-lo.Mamãe .Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo.Cathy . sempre C athy. em casa de um amigo comum. Fiquei petrificada. um a um. Você queria casar-se comigo. mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes. muito combalida. como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana. havia também minha mãe. . . Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la . a fim de poder levá-los. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. E foi para mim. a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço. apelou para Bart. acreditaram facilmente. comecei a ressentir-me contra el es. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart.murmurou ela em seguida. para meu espanto e surpresa.interrompi suavemente suas súplicas. que minha mãe dirigiu o apelo final. consegui sorrir para ela. você me compreendesse e aceitasse. . Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. apesar disso.Muito bem. acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. Você. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira. Sempre teve o dom de ver através de mim. .exclamou minha mãe. calcul ei que tudo era mentira. Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e.Sim! . falando do primeiro enco ntro que tiveram. não importava quantos presentes eu lhe desse. Não obst ante. E era Cathy. Então. na verdade. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo. Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem. Portanto. já não se importava com isso . meu pai revelou nosso se gredo a John.

Seus olhos expressavam feroz indignação. que estava em pé diante do fogo.Chris.Chris. e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960... usei a escada que leva diretamente ao último andar e.Morreu antes de chegarmos ao hos pital. a escadinha do sótão. galhos e pedras.. Estaria vendo o fantasma de noss o pai? .vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E. ela odiava Mamãe. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse. E ele exalava um odor muito peculiar..Antes de descer ao salão. Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory. compreendi que e la mentia. com o olhar fixo na direção da porta.Odiei a mim mesma. c omo se isto não fosse castigo suficiente. . fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias. . no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão. Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse. visitei o último quarto da al a norte. ela foi incapaz de mover-se. . Desejaria que eu acreditasse no pior. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar. então.perguntou ela.Mamãe .. ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região.Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você..Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes . Soluçou com a lembrança. Não me olhe assim.indagou ele.Nunca conseg . Mamãe. Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: . como se negassem todas as alegações de minha mãe. Por outro lado. Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la. Quando olhei para o banco traseiro. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto. C omo num pesadelo. . perceb i que estava morto. Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela.. eu não queria . Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico.? . mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar.. Girei nos calcanhares.Eu não sabia o que fazer com ele . .. . nada mais. . acrescentando: . você nos ministrou deliberadamente o arsênico? .apenas o suficiente para salvá-los. vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. O rosto ficou totalmente inexpress ivo. ela engoliu em seco. Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes. você não fez isso . torceu as mãos uma na outra. mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas. Depois.juro que não queria! Não me olhe assim. .. Então. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los. furiosa. notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta. jogado no fundo de uma ra vina escura. De repente. Olhei para a avó e percebi que franzia a testa. Ten tou mas não conseguiu falar. um cheiro de algo mor to e apodrecido. parou de respirar. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora. até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então. joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas.sussurrou. obser vando minha mãe. Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart. Por um instante. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça. Bart fez menção de dizer algo..Não.minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca. Primeiro. minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel. examinamos os registros. esforçando-se por falar. Mamãe teve um sobressalto. mas não emitiu o menor som. depois.indaguei em voz baixa. .Então. abandonado lá para apodrecer.. Mamãe. como se terrivelmente assustada. . Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios. A porta da biblioteca se abriu repentinamente.

Chris olhou para mim. Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris.Meu Deus! a casa está em chamas! . como se ainda não quisesse acreditar. Eu esperava jamais tornar a vê-la. Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia. ela gritou.E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? . ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu.gritei. A presença dela é necessária em outro lugar.Espere um momento . obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó.disse Chris. Venha. . tentei acompanhar Bart com os olhos.quis sabe r Bart. .Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. irmão de Cathy? .. .Vamos depressa.Preciso fazer-lhe algumas perguntas. Tinha razão.Não! . .. Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro.Sim: três anos.Bart. . . pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. Com o braço de Bart passado em meus ombros. Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então.Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta. É minha mãe. que aument ava e diminuía histericamente. sem dúvida para chamar os bombeiros. lançou-lhe um sorriso irônico.Não! . quatro meses e dezesseis dias. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. E quando levou Cory consigo certa noite. Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele. . Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra. Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade. Frenética. com certa hostilidade. mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie.quis saber eu. Fumaça! Senti cheiro de fumaça! . estendendo outra vez a mão para mim. procuravam uma esposa ou um marido . Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l. ele aponto u para o leste. . E se deseja m aiores detalhes. não suba! Morrerá aí em cima! Não. Avó. Entrei em pânico. para variar. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta. mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança. chamando: . Só então Chris encarou Bart.Sim. Cathy . Não compreendi o gesto. terá que esperar.Sim.Por quê? .Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. Bart! Volte! Creio que ele me escutou. empurrando-me na direção de Chris.Você é Chris. Vi-o pegar um telefone.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor.protestou Bart. Virou-se novamente para mim: . abandonamos a biblioteca e a avó. Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. subiu correndo o lado direito da dupla escadaria.Tirou-me a venda dos olhos. corriam. Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui. Em seguida.Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída.disse Bart. Lindstrom estão esperan do em meu carro. Estendeu a mão e me encaminhei para ele.Cathy . . . naturalmente. Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: . pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora. Tenho más notícias. O que acontecera? . Mas você o fez! Então. O tumulto explodira! Todos gritavam. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes. . . indo diretamente para o fogo! . .exclamou Bart. . Vim buscar Cathy. que acenei em desespero. Cathy.Feliz Natal. mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída.acrescentou. .Vim buscá-la.

exclamou Chris.Você! . a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos. meu filho. E não parou de dizer aquilo.Bart deve conhece r todas as saídas. Foi v ocê. qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo. impossíveis de substituir. E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r. Esta caía sobre a casa em chamas. do qual Emma. co m Jory no colo. chorando por Bart. desvairada e frenética: . E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável. diga-me o q ue deseja. Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim. formando b olotas vermelhas que se derretiam.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe.Christopher. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. não muito tempo. para que possa ir comprar para você. . Chris e eu corremos através de outro salão e. Jory estendeu os b raços. Farei tudo.Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. Ela esbugalhou os olhos. Cathy . O vento soprava implacavelmente.disse ele. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó... Com que facilidade a madeira antiga queimava. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. Em vez disso. puxando-me pela mão. Enquanto Chris e eu observáva mos. E ela pareceu murchar. abraçou-me quando me apoiei contra ele. .Não. mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. . . . não era apenas um cãozinho de estimação. afinal. o de sua mãe.Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. enquanto eu gritava. Não parava de gritar o nome do marido e. Então. Por favor. afinal.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se. . meu amor. querendo o meu colo. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida. protege ndo-nos. ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: . Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. com a expressão selvagem de uma louca. Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida. fazendo todo o possível para provar que.berrou ela. caso necessário. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. tossindo. algo em seus olhos cedeu . Não me ama mais. Meu irmão f . movendo nervosamente as mãos.Veja! .Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro. Seria um milagre sobrar alguma coisa. Bart! Não morra. Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar.Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra. chegamos ao carro de Chris.que também estava cheio de fumaça. . . . tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. qualquer hora.Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! . Christopher. gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve. afinal. fervendo ao calor do fogo. depois. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada. observava a mansão incendiar-se.Engasgados. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros. sou sua mãe. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo. Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer. a fim de podermos escapar e chegar ao solo. Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas. Então. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo. não muito tempo. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar . mãe .replicou Chris.Não se preocupe. tentando reconfortar-me. até que tive ímpetos de gritar. sendo contida por dois homens. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo.

Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. observando-a com os olhos esbugalhados. a fim de parecer-se mais com Bart. sem serem tocados pelo fo go.. naquele quartinho junto à escada. indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . . pois levara da vida aquilo que a ela trouxera. Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart. terminou . nascera cheia de pecado. Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado. esperneando. gritando. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. desaparecendo para sempre. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas. puxando-me. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow.ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância. com a esquelética avó ai nda em seus braços . a dupla escadaria curva continuava no lugar. . junto com o de minha avó. hoje! Ao tentar ajudá-la. sem ver mais nada. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava. no colo de uma mulher mais idosa? . Sentíamo-nos cri anças outra vez. soltou um berro e tentou fugir corre ndo. que os avistou..Cathy. E dera-lhe meu coração à primeira vista. Caiu de bruços na neve. subindo para o nada. o fogo começou no sótão. esmurrando o solo. Cathy. impaciente. Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte.. como os de Bart. Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos. A voz de Chris parecia vir de muito longe. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes. Cathy? . que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. Colhendo o que foi Plantado . por favor . A essa altura. . Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade.disse Chris. Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso. Pe lo que diz a polícia. quinze an os atrás. pois eu me mantinha isolada como numa concha. também. por mais estranho que pudesse parecer. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. folhas arrancadas dos talos. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados.Por favor. não permiti que se afastasse de minha vista. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio. tentando clarear as idéias. Lev aram-na embora numa camisa-de-força. Aos tropeções. mais uma vez. Não sofri por ela. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro.. Tudo terminou. A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart. a morte interferia em minha vida. se eu nunca tivesse vindo.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. Eu era má.O que há com você.indagou Chris. agora que tudo termin ou. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode. Chris estava ansioso por partir. Embora só conseguisse atrapalhá-lo. As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e.estava acabado. Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. embora sinta muito a respeito de Bart. cambaleando. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? . Sacudi a cabeça. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro.ambos morreram sufocados pela fumaça.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. ainda berrando que eu a traíra.

.alguém a quem ele podia dar ordens.Catherine.Está falando demais . Ele me sorriu docemente e estendeu os braços. . Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte. Além disso. Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início.. reflita bastante e converse com ele a esse respeito. Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo. embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. você não poderá gerar out ros filhos. o mês das paixões.Não! E Chris não concordaria! . embora no dia de nosso casamento estivesse de cama. julgando que seria o mais certo. jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. Chris já esperou tanto tempo. Paul.chamou a voz fraca de Paul. pa ra variar. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. Catherine . embora os braços que me envolveram já não tivessem força. às quais ele se apegara tão corajosamente.adverti. Ordenei-lhe que saísse de casa.Catherine . Será que não consegue p . Portanto. Embora ainda pequeno. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida. como seu avô. Então. esforça ndo-se sem descanso dia e noite. meu amor. E logo v ocê ficará viúva outra vez. . mas tentava aceitar o f ato. ser condescendente. Dentro de poucos meses. constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes.Estávamos novamente em outubro. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo . Pressurosamente. Bart não era do tipo ao qual se dão ordens. To da sua juventude e vitalidade. .Pense bem no assunto.E se você refletir bem. Não obstante. . tocadas pelo frio precoce.Se me tivesse casado com você há muitos anos.repetiu. não apenas para mim. descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho. Não quero que Chris e você terminem odiando-me. . Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . Catherine: não seria errado! De agora em diante. Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona. Prendi a respi não podia permitir! ração. em vez de Julian. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas. se vocês partirem agora e me esquecerem.Escute-me. mas para você e Chris também. talv ez tenha sido uma bênção disfarçada. Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai. Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto.A culpa é minha! . calada e boquiaberta. com os olhos esbugalhados. esperando que seu avô morresse. Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio. . você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé. tome uma decisão. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us. Paul perdera muito peso. Jo ry completaria sete anos e.Chamei apenas para verificar se você atenderia.. Catherine. . Jory completará sete anos.. não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça. jamais ficar ei bom. Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que.. no andar térreo. . Talvez continue vivendo assim durante anos e anos.Paul. Contudo. Comecei a soluçar. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . querida. . ensinar.exclamei. Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul. Todavia.o tipo de pai que já não poderei ser agora. . . se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho. Oh! Ser amada outra vez. haviam des aparecido quase da noite para o dia. Eu agora era esposa de Paul. Beijou-me. aninhei-me em seu c olo. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. . Mas não permitiria . S aberá que Chris é seu tio. estendendo-me os braços. E m breve. Agora. se Chris.repliquei.Sabe que não deve falar muito. sufocando um soluço na garganta. Seus filhos precisam de um pai .Não estou jogando nada fora .Três anos. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. não sou um marido de verdade... Sou impotente. estava magro e abatido.O tempo está correndo. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo.Paul. poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto. Jory.

. Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou.. Contudo.Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na .Já compensaram . estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos. . E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela. Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim. . voltamos à grande casa branca que tanto nos dera.respondeu Chris.indaguei. Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa. Com o que sonhava antes de acordar? .disse Chris com um leve sorriso. O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda.Tivemos cuidado. .Tenho certeza de que você não explica direito .Ótimo. sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os.Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? . quando quisess em saber. com os sapatos brancos apoiados na balaustrada. desta vez com um ar levemente tristonho. mas ele teve que devolvê-los à água. Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas. porque eram m uito pequenos. fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar. . nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental.comentei. mas talvez eu não saiba explicar direito. incluindo o que restava de Foxworth Hall. o sexo não é perigoso.Apanhamos dois. é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. nós também escrevemos nossos roteiros . não apenas pela metade. Não comemos peixes bebês. .respondeu. foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir.E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos.Chris . desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação.Estava sonhando com Júlia . atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo. . vimos um homem na varanda da frente.Parecia tão feliz. na linha de Jory. pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais. debruçando-me para beijá-lo. pela primeira vez. No novo carro azul de Chris.disse ele. Na primavera do ano seguinte. . .. Jory gritou que fisgara um peixe. .Perdeu tanta coisa. Oh! Mamãe. ao mesmo tempo. mas. embaraçada. . o sexo tinha que ser feito com muito cuidado. . de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos. por mais difícil que isso fosse para nós. .Sinto-me feliz por ambos.Pobre Júlia . só os grandes. . se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia. Paul fez amo r comigo esta noite.Subirei para dar banho nos meninos . agora. embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém.nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim. ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado. sentada e olhando para quatro paredes.sussurrou Chris.Temos dois papais! . Após quatro graves ataques cardíacos.. E..Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo.replicou ele. Não é perigoso. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes". o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade. Meus dois filhos vieram correndo. feliz. Sabe.Chris e eu.É apenas um bebê. hesitante. sempre se produz algum barulho. .Sim . . Com o na primeira vez em que ali chegamos.Vamos voltar para casa. Naquele instante. como mamãe. O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna. . Está quase na hora do jantar.Venham! . sonolento. .Olá . revelaríamos a verdade.comecei. E ainda não lhes contáramos a verdade. Ora. . . Quando nossa mãe morresse.chamei. . Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las.Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim. revertera à s ua mãe.gritou Jory. ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos. Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? . tornando a beijá-lo.

certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado. sentindo-s e bem e feliz. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles.. rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. Comíamos cedo. Pegou-lhe a mão. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores. Íamos para o Oeste.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar. em Gladstone. Emma Lindstrom. É um ótimo modo de morrer.quele domingo. tudo foi inútil. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta. finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. visitamos Mamãe. que foram para o céu antes que eles nascessem. a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. Cathy.e eu também. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. em voz mais alta. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. Até o mome nto. nosso salvador. Contudo. inclusive a casa de sua família. Ele continuou a dormir. pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield. Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. Portanto. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio. era? Não. . lá depositando flores. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome. Dormindo. enquanto espero lá fora com o . soprei-lhe a orelha. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si. a fim de acordar Paul. Nosso benfeitor. porém.chamei com voz sumida. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro. d irigindo na direção oeste. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas.Naquele maldito domingo . Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. Paul me legara tudo o que poss uía. olhei-o com mais atenção. Jory já se esqueceu disso há muito temp o. a fim de podermos fazer companhia às crianças. meu marido. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo. Quando é contida. Até o momento. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. . naturalmente. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. Meus filhos chamam meu irmão de Papai. Meu irmão devia estar no hall. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. tomou-lhe as pulsações e. E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora. Engatado ao carro de Chris. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. Além disso. .corrigi. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. Mas. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. Além disso. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. Ass im. Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes.Venha depressa examinar Paul. tombou-lhe a cabeça para trás. sem dor ou sofrimento. Quando isto não deu resultado. não fique a ssim . Havia às minhas costas um rastro de homens mortos.. Ela vive num lugar imenso. logo em seguida. do modo que mais gostaria . Como se já não se olhasse nos espelhos . Corri ao telefone para chamar uma ambulância. e stava morto. começa a berrar quando me avista. Afinal. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. nunca esquecemos Julian. Já trêmula e cheia de medo. .a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. caso eu desejass e vender a casa. de um tipo diferente de vida. Em seguida.Chris . Por fim. volta toda a fúria contra si mesma. . No testamento. acar iciando-lhe o rosto. Comece i a chamá-lo novamente. Geralmente. nem Georges . Ele sorriu.Ele se foi. que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. claro que não. Chamei-o baixinho por três vezes. no estilo de rancho. declarava que. dois banheiro s completos e um menor.

. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor. Cathy.. Ou. mais verdadeiramente. deixei de lado os sonhos de perfeição. comprei hoje uma cesta de piquenique.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. . Eu seria capaz de enfrentar a vergonha. às vezes. Numa pequena alcova lateral. não obstante. Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos. Tenho a impressão. mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai. deito-me nervosa e permaneço acordada.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. o eterno otimista. mora conosco como Henny mor ava com Paul. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida. fosse informado da verdade pelo ir mão.Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. mas tio. mas não demais. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. um sorriso feliz. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: . ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo. Oh! Meu Deus! . O melhor tem que vencer.s meus filhos. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y. Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. nossa governanta. E mma Lindstrom. talvez. jovial. Portanto. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim .. sempre oti mista. Não obstante. Entretanto. cozinheira e amiga. Sua família somos nós. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: ..Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s. Saberia desde o início que. os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela. Ela deveria te r aprendido..o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. cantarola melodias de balé. ela não confia plenamente em Chris.. Eu não o s trancaria mesmo que Bart. Pragmático. não é mesmo? FIM ... sem trepidações ou lamentos . amor imorredouro e s em defeitos. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. Portanto. tornei-me adulta demais para eles. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. o menor dos dois. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude. Ao barbear-se pela manhã. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins.Case-se com um homem de olhos escuros. mas. Mas. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas. encontrei duas camas de solteiro. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos. ele sempre volta para casa com um and ar animado. É o passado que jamais consigo esque cer. fama. E eu também deveria ter aprendido. Portanto. copiamos os jardins de Paul. ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. seja condenada à morte na cadeira elétrica.Pensei comigo mesma. Esforço-me realmente para ser como Chris. Na medida do possível. por dentro. exceto pelo musgo espanhol . sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que. Chris canta quando trabalha nos jardins. com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. Entretanto. Tenho certeza. vencerá o que tenho d e melhor. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. Freqüentemente. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente. fortuna. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares. De fato.

com ? .BaixeLivro.Fonte: WWW.