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Pétalas ao Vento-A Saga dos Foxworth 2

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A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. Era um homem grande. . Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. Invadidos por mil e uma ansiedades. Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés. Paul Sheffield? .. Como o homem contin uasse a dormir.quis saber Chris. mal corta dos no alto da cabeça. verd es e dourados sobre o fundo castanho claro. postou-se de pé à nossa frente. Parecia um tanto elegante. U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul. sentindo-me dominada pelo medo. muito mais alto que nós. Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço. muito bonitos. Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech. fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes. A essa altura.Sim. Foi ela quem nos trouxe para cá.É o Dr. Enquanto eu obedecia. com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão. Aqueles olhos notáveis me beberam. Mais uma vez. maldito domingo .Tire todas as roupas de Carrie. . o pulso e a temperatura de Carrie. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos. Com surpreendente graça e rapidez.Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer.Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. Em seguida. que lera a placa com o nome do médico. levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas.disse o homem finalmente. Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho. o médico acordou. Carrie já recobrara os sentido s.O senhor é o médico. ergueu as pernas da balaustrada. não é? . . eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local.sussurrei para Chris.. e m nossas muitas camadas de roupas. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo.É domingo. Fitou-nos durante longo intervalo. . ficou como que hipnotizado por meu rosto. Beech era sua governanta e cozinheira . enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. Relutantemente. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos. meus cabelos. Sheffield . menos as calcinhas . Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. . Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. Ele sacudiu a cabeça. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar. Sou o Dr. . . usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela. desbotado e frágil nas pontas. Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão. Em segu ida.ordenou-me ele. Aproximei-me vagarosamente. passando a prestar atenção em Chris e Carrie.Há alguns minutos .replicou Chris. os olhos fechados. matizados por tons azuis. conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume. de modo que ele lhe pediu que tossisse.Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . O homem parecia atordoado. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos. é claro. . como se tentasse focaliza r os olhos .eram olhos castanhos. apesar de escarrapachad o como estava.indagou Chris. mas você pode tratar de acordá-lo. Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas.ombra.disse Chris. antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa. O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra. Por que o destino se mostrava tão pers . o pescoço arqueado para trás. . Carrie jazia nos braços de Chris. auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás. perto da calçada de concreto. .Ele é um médico . eng olindo-me em seguida.

depois que terminei de vesti-la ou tra vez.disse o médico. avaliando-nos. Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. mas parecia cansado. agasalhando-a com um cobertor leve. numa advertência muda de que eu estava falando d emais. Doutor . como se trabalhasse durant e muitas horas a fio. muito menos duas. só desejamos saber a respeito de Carrie.indagou suavemente. o do mingo é um dia como qualquer outro.Ainda são órfãos? .Sim. . atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . estão fugindo . não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia. Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris. Sei que essa mesa não é muito macia. a fim de que você possa desc ansar . Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho. .Só nos domingos em que fujo . eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui. . . o Dr.Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. . falaremos a respeito de Carrie .respondi. O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos.perguntou ele. Contudo.Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . .Uma vez órfãos. Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo. assumindo uma atitude profissional. Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável. . assim . De repente.Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo.É bom terem dinheiro .Sim.Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade.Portanto. o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria. Po demos pagar. de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir. Est aremos aí ao lado. . Então. Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais.declarou Chris em tom de desafio. .acr escentou.E. pois não sou muito dado a elas.. indicando que eu deveria manter a boca fechada. ainda somos órfãos .Então. Po deríamos contar-lhe qualquer coisa.. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos.Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento.disse Chris.Somos órfãos . tem razão .disse jovialmente o Dr. Agora. . eu sabia a respeito de médicos. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris. enquanto o médico permanecia à sombra. principalmente por intermédio dele.E temos apenas duas malas.istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? . quando houver necessidade. não tenha receio.estava escrito em seus olhos. . começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: . Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança .Vão precisar dele. no meu consultório. lembrei-me do motivo. no momento. Sou viúvo e. olhou firm e para mim. Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie. em seguida. Ficamos perpl exos.Não sei quem vocês são. Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa.concordou ele. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão. Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais. muito doente. Mas aquela garotinha está muito. Sheffield. mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos. .comentou o Dr. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! .Sempre usa mais de um vestido aos domingos? . . E enquanto prendíamos a respiração. para mim. estilo princesa. Lançou-nos um prolongado olhar observador.explicou. . Se h oje não fosse domingo. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde.É uma longa estória. . Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se. tudo mesmo. . que me caía bem e estava limpo.respondeu Chris. . estava usando apenas um vestido azul. Chris deu-me uma cotovelada rápida. sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia. Poucos minutos mais tarde. O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação. Sheffield.Carrie .

disse o médico co m voz suave.Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível. deixem-me fazer mais perguntas. ombro a ombro. na defensiva. .Agora.in formações completas.Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem . . parecia-me tão familiar. . hoje mesmo.embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo.Por que não haveria de acreditar? . .sua voz se tornou mais forte e dominadora.Disse Chris.Está bem .Carrie costuma ter náuseas? . Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos.Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã. Carrie comeu apenas um pouco da sua porção. com relógios de ouro e brilhantes. de mãos dadas. agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! .permanecemos. Ficam aí sentado s. não posso olhar dentro dela para verificar o que é .Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês. aliviado.Ocasionalmente. milksh ake de chocolate. Precisam falar a verdade.Se é difícil para vocês. embora poucos minutos antes. batatas fritas com molho de tomate.Como ocasionalmente? . . Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . inventando mentir as.po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado. se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. Estávamos com medo. Senti Chris estremecer e estr emeci também.Certo. devagar. como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo.Se desejam realmente ajudar sua irmã. .Bem. sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade. Se Carrie sofre de algum mal interno. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência.ela precisa me dizer. . Portanto. . . . terá que responder algumas perguntas . diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la. . ouçam. magros e com aparência cansada. como poderíamos confiar outra vez? Não obstante. Chris suspirou.E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . na pequena sala de exames. Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio . mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação. fitou Chris. . . m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos. Já sei que Carrie é subnutrida. o médico anotou tudo. É enjoada para comer. Debruçou-se sobre os b raços cruzados. usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis. e Carrie tem oito anos. port anto.disse Christoph er. quer o senhor acredite ou não! . mas não com freqüência. dizendo-me meias-verdades. Agora. Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. depois de tudo o que ela fizera.. Vamos parar de desconfiar uns dos outros.disse ele. . O médico olhou para mim ao dizer isso e. Catherine Leigh Dollanganger. Antes. me smo nas melhores circunstâncias. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie. mortos de medo de contar a verdade nua e crua . Preciso de informações para trabalhar .replicou tranqüilamente o médico.Certamente é muito franzina. ou vocês terão que contar. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção.. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. Franzindo a testa. aquele homem sentado à mesa.. Só Carrie. não podem ficar aí sentados. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora. Eu diria que nunca teve um apetite saudável. meu rapaz. Ficamos ambos calados.. . como se eu já o tivesse visto antes.Calma lá.Nossa última refeição foi o café da manhã. depois.Desconfio de que sua .

erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico. e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . com o sótão servindo de playground. .Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto. pior que tudo. além de dar-nos muitos presentes.E assim.Chegou um ano novo e.. protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco. na verdad . Era enorme .gritei. no máximo. .. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. imaginando que isso nos compensava por tudo. jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. quando. todavia.e sujo. exagerando. . comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável. Então.disse Chris num tom inexpressivo. afin al. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico. pois vieram-lhe lágrimas aos olhos. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? . . E por estar anêmica. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou. Agora. certo dia. é suscetível a uma infinidade de infecções. para ferir todos nós. e por mim. prossegui: . Nunca tínhamos sobremesa. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is.. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir.Faça o que julgar necessário . lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido.como se livros. podemos c omeçar os exames amanhã cedo. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. poderíamos descer para con hecermos o pai dela. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris. naquele verão. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s. quer vocês chamem ou não seus pais. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s. eles não responderam. que o amava tanto -. Sua pressão arterial está perigosamente baixa. ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. Todavia. Naturalmente. Começou a es crever cartas aos pais. pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta.não por ela. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. talvez duas ou três. que moravam na Virgínia..A princípio. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. chegou uma carta. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade. partimos de trem para as montanhas Blue Ridge. quando chegavam nossos aniversários. mas por ele. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. Naquela mesma manhã.Espere um minuto! . Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. depois que Papai morreu naquele acidente. Portanto. e eram fabulosamente ricos. Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa. Pensei amargamente: Não se preoc upe. roupas qu e não se ajustavam. Agora. na Virgínia. camundongos e insetos. ao menos. que a amava tanto. amanhã Carrie será internada num hospital. mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros. Então. No início. íamos perder tudo o que possuíamos. logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo. se a internarmos no hospital esta noite. A princípio. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. salada de batatas e galinha fri ta. logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". cheio de a ranhas. Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria. começamos a perder a confiança nela! . Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia . Então . E. Mamãe nem mesmo nos visitou! Então. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. a confiança e m nós mesmos.

Espere um minuto! . em tom débil. . Ao longo de qu ase um ano. pálidos.Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem. Necessitam de boa alimentação.disse o Dr. . difícil de ac reditar.Cuide de nossa irmã. que permanecia sentado. para que ela herdasse a imensa fortuna .Agora. Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e. o médico ficou muito calado.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão.disse Chris num tom respeitoso.Sim . para concluir -. fazendo-a vomitar e a nós também. eu não pretendia falar de Cory. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações. . Quando terminei minha longa estória. conservar a herança. pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina. que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem. choque e preocupação. mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar. .como o senhor. os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio.E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém.. sem saber que estavam cobertas de arsênico.Calma.Ainda não terminei.Naquele único quarto trancado. . senhor . como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. E nós praticamente as d evorávamos.É uma estória estranha. eu revelara. Chris . Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento. .o mal que aflige Carrie. quatro meses e dezesse is dias. na Flórida . . de modo que imaginamos poder tornar-nos . A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida.exclamei.. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal . debilitados. .e. Agora.. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r . .As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado . suspirando. percorremos os corredores compridos e escuros. ao mesmo tempo.disse eu. Virei-me novamente para o médico: . Que diferença poderia faze r mais uma vez? . não compensava nada! Afinal.mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. tornando-se médico . Carrie é a mais afetada. repouso.É um estranho para nós. Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado. às vezes.. girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. Mandar-nos-iam para lares adotivos.Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão. Sheffield.. Dia a dia. nós vivemos três anos. .disse Chris. seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa. Doutor . Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão.Para Sarasota. . resolveu livrar-se de nós. doutor. Talvez eu possa fazer algo para ajudar. Portanto. enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris.continuou o médico. na verdade. entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos. escutem bem: é apenas uma sug estão. Mas ele não precisava p reocupar-se. durante no ve meses. parecendo muito pálido e fraco. Falou sem erguer os olhos.Um médico como eu. . mas por nos separarem. Faça o que for necessário para curá-la.Como vê. Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. A pro pósito. para onde estão indo? . Cheia de indignação. . com seu jeito vagaroso e paciente.disse o médico... Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento. fitando-me com com paixão. o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela. muito ar livre e sol. Chris não quer ia fugir. Cathy. fitando-me com olhos magoados e suplicantes. é m uito simples. . Olhe só para vocês dois: magros. Lancei um olhar a Chris.não há diárias a pagar.

Farei o possível para ajudar a Sra. Beech . tudo isso testemunha em favor da verdade. à forte luz da realidade. como o senhor faz. com o rosto inexpressivo... Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. suave e melodiosa. mas devo dissuadi-los.expliquei.interpôs rapidamente. Chris.Vamos . os olhos faiscando.Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera. descendentes de longas linhagens de artistas circenses. os relógios e os sapatos de tênis. com um leve sotaque suli no. .acrobatas. a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar. os olhos risonhos lançando faíscas. que estávamos longe do quarto trancado e do sótão.Não! . Mas não mencionei Cory.insistiu ele. sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos. Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem. . hipnótica.Compreendo . Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada. . lavando louça para ele. um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela. A qualquer momento. Simplesmente pareceu ainda mais entristecido. não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente. . Ainda assim. Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela. Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. Lá atrás.Francamente. Nesse ponto. Sua voz era impressionante. quando meus lábios se entreabriram para falar.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? . mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha. . Cathy pode cuidar da casa. ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes. precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie.Ótimo . Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. . Quando me tornar uma prima ballerina famosa. Em primeiro lugar. pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã.disse ele.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados. . .disse Chris. mas não o fez.repliquei com rispidez. não três.o Dr. contratarei uma cozinheira. Esperei que o médico risse. eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. preparando sua comida! Isso não é para mim. parecia mais uma fantasia tola. desde que realmente desejem mui to.Não sei cozinhar. Suas roupas ca ras. podando as sebes. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos. .Trabalh . não aquilo não fazia sentido. Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta. encantando-me. minha intuição me induz a acreditar no que me contaram. Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim. . ficamos ex tremamente gratos . creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram. . senão a Chris. Afinal. pr eparando os canteiros para o inverno. Contudo. . tenho dois hectares de jardins. com alguma prática.Esqueçam o orgulho e a carid ade. infantil e afastada da r ealidade. como médico. . essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia . .indagou o médico. e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder . tendo seus f ilhos. Não seria fácil. .Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. com os olhos brilhando de desconfiança.Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância.disse ele. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. ne m manteiga ou margarina. . e para o senhor.Não obstante. . Pelo que sei. Pago dois jardineiros para ajudarem. Sou bailarina. . pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário.Não quero parecer ingrata .

Cathy. Tudo está acabado . cometemos um pecado. Carrie gritou bem alto: . Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução. Port anto. . os quatro. Ele me beijou. Cathy . pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor. . Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil. deveria saber! . Nós o encampamos. dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo. mas não o encarei.chorou. isto eu também entendo agora. Mesmo assim. Um Novo Lar Foi assim que começou. em es tilo antigo. compreendo agora. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. . eu o beijei. Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava.Falei sério. observei meu irmão recuar ao longo do corredor.Dê-me um beijo de boa-noite. colandoa ao seu peito.Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . mas.sussurrei. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida . retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes. arrastando Carrie comigo para o chão. por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto. acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha.disse Chris. Não haverá percevejos em nossas camas. por recordar demais o passado. Não queremos que ele desconfie.Está chovendo lá fora .. Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom. co m o passar das noites.replicou ele. Cathy. Era lindo. . Com lágrimas no s olhos. . Adorei o quarto que Paul reservara para nós. como se eu o perseguisse. tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris.Não . Em nosso quarto. Enquant o ele dormia. Todo o infern o que eu tinha estava na mente. sabendo como seria! Você.Chris.Precisamos tomar cuidado. avareza. ainda olhando para mim. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. como podem ver. Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama. se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós. Nenhuma gravura do inferno nas paredes. mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. E não precisam pagar-me. também. não se trata de piedade ou caridade. Eu desejava levar uma vida boa. aquela maldita herança. duas janelas para leste e oeste.Vou cair da cama? Cathy. deitando-me a seu lado. a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor.Não há o que desconfiar. com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul. que passar am a parecer uma larga cama de casal.. não foi? .Esqueça. sem magoar ninguém .oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso. Então.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! . quando pudermos. esgueirei-me para a cama. num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. Nada sombrio. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós. juntaram as duas camas de solteiro.Não acontecerá novamente .aremos com afinco e. O tapete era azul. . que diabo está fazendo aqui? . que tinha sono agitado.sussurrou Chris. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! . Isto agradou imensamente a Carrie. Baixei a cabeça. quando nos despedimos outra vez. partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco. Tornamo-nos importantes para ele. exceto trabalhando na casa e no jardim. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie. Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. . dentre todas as pessoas ne ste mundo.especialmente Ch ris..repliquei. Só então Chris falou: . Em seguida.. adivinhando mesmo então que jamais acabaria.

desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory. a não ser ao Dr.Contou a ele? . com um metro e oitenta e cinco.respondi depressa. A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando. supostamente de pneumonia. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. ou mesmo ousou respirar.disse ele.Não para isto! . Ninguém para me dar forças. a parte pensante. . . Ora. Paul. sem que chegássemos a per ceber como aconteceu. de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou. .Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto . Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder. não torne a fazer isto. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. Portanto. que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho. Cathy . engasgado. . Para Carrie. Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados. Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros . .De que acha você que sou feito? De aço? Cathy.Carrie. não estaremos mais aqui na primavera. e saiu. espantada. No início. Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. Depois. como temíamos a princípio. Bailarinas em quatro posições diferentes.Todos nós gostamos daqui. embora não quisesse. Carrie ficou sentada.Julguei que gostassem daqui . Na primavera não mais estaríamos ali. . ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse.Não pude deixar de contar. mas parou e virou-se para me olhar. calculista. . mudaremos tudo na primavera.. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas. do tipo parasita. você bem sabe que nunca mentimos. Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: . e eu.Dr. Então. Ele estava junto à porta.Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. Não contei a ninguém . as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca. Então. não fiquem assim. Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente. Era alto. mas não devemos a busar para sempre da sua bondade. . segurando sua jarra de violetas.Você veio. Ninguém par a me reconfortar. Nenhum de nós dois se mexeu.disse num tom tristonho.. sem responder. Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam. enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. irei embora. estávamos abraçados e ele me beijava.disse Carrie. agora o Dr. .Eu gosto daqui! . Não revelei o s egredo de vocês. que resultara em sua morte. desejando o que Chris sentia que precisava ter. Voltei para meu quarto e chorei na cama. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade. Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite. Fitei-o.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. Ele meneou a cabeça. os olhos escuros desola dos. ou mais. O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital. . eu não queria que Chris parasse.Se não gostam das cores.disse ele. quando ele interrogou Chris e a mim. enquanto eu me obriguei a dizer o que devia. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . Era mau e pecaminoso! Mesmo assim. . pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. . prestes a sair. empurrei-o para longe de mim. .. Paul.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou. Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto.

que era tão malditamente cheia de não-me-toques .. E sou muito boa leitora de olhares. Beech redigiu outro b ilhete. Beech . .até mesmo Carrie. com as mesmas sensibilidades. ao fazer tal afirmativa. mu ito pálida e ligeiramente anêmica. nua e co berta com um roupão de papel. pois quando fiquei deitada na mesa de exames. não há nada errado comigo. Paul me olhavam de modo tão esquisit o. O senhor não acha.Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã . Quer que ganhem músculos e não banha . Você me parece bastante normal. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez. . quer o dizer. enquanto eu continuava a descascar as batatas. Apenas magra demais. o que era algo notável para uma criança como ela. Corri de volta à cozinha. Portanto. iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada. Menina-Fada. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse . Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. num estilo muito abreviado. deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas. Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie.desde que não se pendure em trapézios . . a Sra. terminou! .respondeu ele com um s orriso. Go sto mais do Dr. esperanças e temores que todos nós. de agora em diante sou apenas Henny. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny. parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam. por ser do sexo masculino. . Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes. não posso perceber o que está pensando. embora.Sim. mas devagar com amidos e sobremesas.Não gosto de ter médicos me cutucando. sufocada de alívio. Agora. Beech. Perguntas embaraçosas. Então. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica. me nos que você. duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito. embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra. Beech . Nada de Sra. .m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três.Na verdade. Vou receitar vitaminas especiais para todos três. bastante car ne magra. Beech estava preparando o jantar. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala.Não que eu possa perceber. Eu adorava Henny. nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses.a menos q ue tenham alguma objeção. vagando mudamente d e um lado para outro.. . e. Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia . eu já sabia que ela sofria de mudez congênita..Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? .. comia com entusiasmo. A essa altura. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão. Chris também. estava olhando para o outro lado .Puxa vida! Graças a Deus. Com o avental amarrado em torno do c orpo.Carrie ficará boa? . aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. parece colocar também uma viseira sobre os olhos. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. ela ficará boa . o Dr. acima de tudo. Sr a.por mim . . A Sra. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos. Então. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade.exclamei. Quando ele veste aquele comprido avental branco. mas insistiu num número ainda maior de perguntas. não é? . Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. Eventualmente. Preocupava-me com isso. Mas. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente. Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr.sussurrei.escritos com a rapidez do raio. seus largos sorrisos.

que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris. mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie. será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. chorei muito por ela. .Quando vi víamos trancados. Chris sentou-se a meu lado.Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . agora que Carrie já estava bem e podia viajar. ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco. depois do jantar. Na noite seguinte. limpo. Cathy. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior . sorria: .Acha justo testá-lo dessa maneira? . en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada. Depois de refletir bastante. Para ser sincero. Depois da festa. Cathy.Sim. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você. quero dizer.Vamos testá-lo. menos matar alguém..Paul Scott Sheffield era um homem estranho. se ele real e sincer amente nos quiser aqui. feita sob medida. Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis. pois a noite estava fria. Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar. quando nos separamos com relutância. De certo modo. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris. Não éramos dados a procrastinar. Chris: não podemos trabalhar num ci rco.disse eu naquela noite. ruminando o assu nto. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. . calças esporte cin zentas. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr. respondeu devagar: . ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente. Chris corou. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos. Nós três também usávamos suéteres. fitando o espaço. o chefe da casa. . educado.. para ver Chris atingir seu objetivo. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. . . . fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze.Sei de tudo isso. você era o homem. sab endo que seria capaz de qualquer coisa. aproveitando-nos da bondade do Dr. ele está tomando meu lugar.aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho .Eu sei. Aqui está você.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida. . Então. Os jardins de Paul e . e tirando baforadas sonhadoras do cigarro.Chris. Simplesmente não podíamos permanecer.Chris.. ele é apenas solitário..Oh!. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos. Já fazíamos planos para partir d entro em breve.Chris . mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. . Não obstante.respondi sem muita convicção. o Dr. empoleirado na balaustrada. Era mesmo? Que fascinante saber disso! . É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos.. Paul por perto. Paul. Isso não passa de um sonho tolo. você ficará? Ainda com a testa franzida. E está com a razão.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo. usando um suéter vermelho tricotado à mão. . Chris franziu a testa.. jamais conseguirei esquecer. Paul disser a coisa certa. tão disponível. O olhar dele a acompanha por toda parte.Sim. Perdi uma família. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus. . tornando-me íntima. Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos. Já tínhamos aceitado demais. se o Dr. Você sabe. Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina.

E pior. receoso de acordar e verificar que v ocês se foram. baixando os olhos para o belo suéter.disse o Dr. não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente. . . Amanda. de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. ainda assim. em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente.Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência.arqueando-se sobre um pequeno riacho . Na última vez. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida. pois já estivera ali muitas vezes. .Bem . .Estava observando seu suéter vermelho .Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho. Chris . Eram nus clássicos. dist ante. seus olhos cintilantes encontraram os meus. Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três. Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho. . não foi Henny. Com um sentimento de culpa. em vez de trazê-lo pessoalmente? . como patinhos escuros e ressecados. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes. obrigando-me a suspirar outra vez. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele. em meus sonhos. sob uma lua que parecia o olho irado de Deus.respondi tolamente. encolhidos nas t elhas frias de ardósia. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. que Carrie já melh orou. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa. de sensualidade.Não. caso Henny ainda não lhes te nha contado. com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante.. Paul. E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava. solene. Não desejava partir. com Henn y. Fiz quarenta anos. Minhas pulsações se aceleraram.pergu ntei. ainda assim. prevenindo-me para não dizer algo diferente: . Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés. Tenho temido cada amanhecer. acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas. Chris tomou a palavra: . aumentando a coleção. que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. Ela mora no outro lado da cidade. Ao que parece. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. ma s. Se ele estiver vivo. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. . Por quê? A pergunta parecia zombar de mim.. Paul. Gostava de ficar ali com Paul. como se ele já conhecesse meus segredos. Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução. anteriormente. linda.Não julguem. o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados . Suspirei com o vento. Rasos degraus de mármore. por um segundo sequer. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo. Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio. devemos seguir nosso caminho.. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. .interrompeu o Dr. . de Rodin. .Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem. necessitarei do seu . Os dedos de Chris apertaram os meus. levavam a um níve l inferior. Folhas mortas corriam pelo gramado. embora isto talvez nos leve al guns anos. tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo.Por que enviou o presente pelo correio. Era óbvio que levava a sério a situação. . com três metros de largura.ram fabulosos. que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. todas as minhas rosas são de espécies antigas. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos.começou ele. graciosos e em poses elegantes. .. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m.Doutor. desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador.. Cathy.Um momento.Parece perturbada.Portanto.. desejáve l.

Dentro de poucas semanas. ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. . acrescentou: . Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça.Você me contou.E existe algo mais em que o senhor deve pensar. mas ele não chegou. quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele. Durante todo este tempo. . .Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty. também. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos. Portanto. o tribunal me garantirá a tutela permanente . Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário.exclamei. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto. presentes. apenas d ois patrulheiros rodoviários. mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas.Num acidente .Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno. senhor. Paul num tom estranho. também.Mas não de automóvel. . será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela. Se ela não comparecer. sem instrução adequada. . sem família. . teria que cumprir a intimação num prazo de três dias. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente. a fim de que pudesse trazê-los para mim. com pouco dinheiro.. O evidente remorso e sofrimento do Dr. como se para testá-lo ainda mai s.se u tom persuasivo tornou-se tristonho. sem saber ao certo o que eu desejava. olhando para mim e não para o Dr. Desde a morte de minha esposa e filho. bem como do de sua mãe. chegará o Natal. confuso. tenho sentido falta de uma família. sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram.respondeu ele bruscamente...e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados.declarou Chris em tom firme. Então. Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse.Tem sido maravilhoso! .consentimento. . Cathy .. Paul: . com olhar suave ao perceber meu constrangimento: . que vocês são um grande benefício para nós. Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar. fitando o médico diretamente nos olhos.. Paul prosseguiu: . nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos. se assim desejar . nunca me acostumei novamente a ser solteiro . . além da espos a. . . quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário. nunca mais! Ele prosseguiu.Não pretendo casar-me outra vez . Ela acha. Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos. e mais feliz.Portanto. . .disse o Dr. Se ela residisse neste estado. como nosso pai? .Temos um ao outro . Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida. . E quando o destino se intromete e assume as decisões .indaguei. com bolo. Ser jovem e sozinho.Morreram num acidente.sussurrei.. sem amigos.Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês. ela perderá toda aquela fortuna. . eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam. as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda. Tinha apena s três anos quando morreu. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo.Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho.mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião.Oh! .disse ele suavemente. Não estou mergulhando às cegas nesta situação.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos. prosseguind o com ar abstrato: . ..Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu. oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim. Paul me tocaram. Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui. um acidente de automóvel. Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém.Sim.O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência.. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. assim como eu.

Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. reprimida por tanto tempo. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas. boquiabertos.Nunca vi Papai Noel. Cathy. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. Carrie. perplexos por ser ele . o mais perto possível de Chris. Só conseguimos fitá-lo. Ele recusou: .soluçou Carrie. desabafando sua dor por causa de Cory. Tiveram muito trabalho para consegui-lo. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. produzidos pela semente errada plantada em solo errado. pois farão o que desejam e o que têm de fazer. Tudo ali me encantava: o ar. Jogou-se contra ele. segurando-a no colo. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. Não estou procurando persuadi-los a ficar. de tão sobrecarregado durante tão longo tempo. ficaríamos. Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que. beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. Claro que vira. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. E. Jogue fora todas as longas horas que passou estudando. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. . creio que foram as roseiras ainda em flor. E você. dourados com manteiga derretida. por um segundo que seja. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel. Paul ergueu-a. começou a chorar. . apesar de estarmos no inverno. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. minha mão na dele. Mas não fomos Chris e eu que decidimos. havia anos. O Dr. Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus. Foi Carrie. acariciando-me o rosto. decidam . Mesmo que ela não tivesse decidido. mais do que tudo que o médico dissera. darei a cada um uma mesada.gritou. A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana. Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo. Falou olhando para mim. Paul o dinheiro que nos restava. justamente quando está quase atingindo sua meta. mas nun ca se pode ter certeza. E não julguem. o brilho suave e cálido nos olhos do médico. dando-nos t anto amor. Ficamos. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico.Não quero ir! Eu amo o senhor. As brisas do sul continuavam a soprar. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos. quase frenética. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. . que será dividida em parcelas semanais. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie.Guardem o dinheiro para vocês. M as talvez Carrie tivesse esquecido. nem uma vez. que será uma vida saudável e feliz para Carrie. Portanto. O Dr. Paul! . pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas. para não falar em Carrie e em mim. De repente. Chris . que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira. .E quero ficar aqui para o Natal . Mas ele não olhou para Carrie. Eu queria ficar. Fiquei sentada na balaustrada.. como os seus.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. Dr. talvez não fôssemos brotos cont aminados. Sei que vocês acreditam que ela não virá. começou a parecer mais leve.Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante. Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr.Eu também amo você.

O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha. Ficamos encantados.indagou Chris. saboreando nossos olhares espant ados. ao perceber. Sorriu graciosamente para o nosso doutor. Carrie e . .sugeriu a loura impiedosa e petulante. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. além disso.outra vez. perplexo. para nós. Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas.ao noss o Doutor. Poucos dias antes do Natal. Eu sabia o que ele estava pensando. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . o que sabiam eles. Chris riu de minha indecisão . assustaram os fregueses. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino.disse-me ele. com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos. tentasse satisfazer todos os nossos anseios. vermelho . . Percebi que ele nos observava. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita. . sapatos de verdade. afinal? Obviamente.Vá em frente . todos eram grandes demais para ela e. o mesmo acontecia a Chris. impressionados. olhava isso e aquilo.Não posso ir à escola com roupas de bebê! . Port anto. Além disso. com os pés afastados um do outro. Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. . enquanto terminam os aqui. . o teto era uma cúpula de vidro. Roupas de be bês . lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto. e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. Mesmo assim. gente fervilhava por toda parte. atônitos. enquanto o nosso médico permanec ia estático. eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis.tão generoso conosco . incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes. que pareceu encabulado. seríamos crianças normais. bem como um g uarda-chuva. desejando muitas coisas e teme rosos de que ele.Cathy. a cabeça atirada para trás. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie. por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não .Querida..eis o problema.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! . quando eu já começava a me sentir relativamente segura.Pelo amor de Deus. Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. passei a andar em círculos. uma capa e chapéu de chuva. . enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop". eu pre cisava de um casaco. que caiu fragorosamente. Com extremo cuidado. Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa. Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas.nada de cores de bebês! Dr. Paul procurou consolá-la.Tentem no departamento de bebês . Então. Paul dec larou num tom impaciente: .Meu Deus! Que aconteceu agora? . experimente tudo que gostar. Homens. cujas aulas se iniciariam.continuou a chorar. Chris. como se nos estivéssemos aproveitando dele. Enquanto você faz isso. enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo. selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola. corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem. Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação. Esta se mantin ha ereta.. em janeiro. A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente. pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas. Afinal. Atordoada e esfuziada por tanta coisa.

Paul entusiasticamente. Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. movida pelo remorso do que nos estava fazendo. olhando alternadame nte de mim para o Dr. Chris.. nem de sombra ou delineado r. insegura. que tal comprarmos alguns vestidos amarelos.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe.Você nada sabe a respeito de ser uma garota . Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo . aquele dia foi celestial para nós. . porém. Carrie hesitou. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes.E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela.O que há com você. também.. . heim. perto de Mamãe . Eu ganhava cinco dólares semanais . .. Carrie? .Porta-se como um bebê. após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros. que ensinara Cory e Carrie a escrever. lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente. . Não obstan e. Anos perdidos. Encontrei Clairmont.. enquanto o Dr. quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar. azuis e cor-d e-rosa.e. Tão logo me fosse possível. O violão de Cory estava no canto.indagou rispidamente Chris. Paul.Uma solução perfeita! .declarou ela.Cathy só sabe dançar. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. Cada um de nós usava sapatos novos. não havia ninguém para apreciá-las. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento. . . nem de base.e Cory numa sepultura. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon. observando-me com a mais estranha das expressões. Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça .se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. Eu era uma bailarina. Naquela época. com pouco auxílio p or parte de Chris! . parecendo aliviado.quero apenas cores brilhantes. Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então. sem roupas novas. Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom.Não quero ficar arrasadora! . Você ficará arrasadora! .exclamou o Dr.para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall. A despeito da costura que eu teria de aprender. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos. mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. Voltamos para casa carregados de presentes. .Cathy não sabe fazer boas roupas . Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul. . pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . Paul. Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar. Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora.Enquanto isso. Deus nos levara a morar ali . ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço. jogos e brinquedos . com ar zombeteiro.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente. vermelhas e azuis brilhantes. . depois de Chris para a balconista. uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem.repliquei com ar de superioridade. Quanta lealdade! A mim.conseguia engolir. sendo eu o que era. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie). Paul se mantinha de lado. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto. privando-nos de uma infância norm al. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas. com solas de couro. era coincidência demais. meu primeiro sutiã .sorriu o Dr. além de tudo isso. Carrie? . alg uns dos melhores anos da vida . Mamãe nos dava roupas novas.

Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico . Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu. Esperamos uma eternidade.Pretendo matricular Carrie numa escola particular . inclusive a massa. Como se daria numa escola pública. mordendo a língua para não gritar.está bem? . usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz. bordado de crivo e de lã. tão perfeita. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis. Ensinou-me a f azer biscoitos. correndo ao voltarmos da escola.Claro . levantou se e saiu da sala. Vi o lindo rosto de m inha mãe. eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde. Que éramos nós. Henny não podia falar. que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina. Mantive a cabeça erguida. De repente. Ela não nos queria. De repente. percebi que ela também chorava. não consegui mais falar. Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo. o rosto inexpressivo. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca.Sim. fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas. pensativo.Não chore. tinha quase certeza de que ela não viria. quando ela viesse à Carolina do Sul. Olhava-nos com a testa franzi da. Henny. fazendome sentir pena de todos nós . Carrie fora tão bem proporcion ada. Paul.explicou o nosso médico. eu fugira de Foxworth Hall. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado. Já que faço parte da junta diretora.concordei sem entusiasmo.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. Tive vontade de chorar. e esperamos. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos. crochê. uma acusação de homicídio. como buracos de agulha. ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão. . afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão.U ma ótima escola para meninas. Lançou-me um olhar significativo. mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. Contudo. Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões. senão pesadas cargas. Todos aqueles anos perdidos. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele.ch orar de verdade. mas era muito franzina. Você tem boa vista. onde as crianças ne m sempre são bondosas? .. sem demonstrar admiração ou aprovação. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar .eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal. mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. Carrie era nosso maior problema. . Carrie estava enrosca . limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas . Por dentro. pingando no berrante vestido vermelho. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr. Sabia ler e escr ever. jamais esquec eria ou perdoaria. Quando ergui os olhos. eu p arecia uma corda de violino. Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. Então. Bum! O punho de Henny batia na massa. e. Ao não aparecer. Paul. Paul e de Henny. haviam-na tornado tão franzina. . Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra. dirigida por uma excelente equipe. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo. Vi Chris e eu quando crianças. e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos. no meio do ano letivo. De algum jeito ou maneira. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto.nem a de Paul. Vi Papai. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul.seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . havia a cadeia. Fora isso . creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. Em certa época. mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. difíceis de suportar? Além disso..

Naquela noite. olhando também para a luz. Eu providenciaria para que não esquecesse. . Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor.repliquei amargamente. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada . porém. tudo está bem. De algum modo. Tentaria esquecer nossa exis tência. que a tranqüilizava com carícias.Não importa. Cathy. tencionando surpreendê-lo. Avancei nas pontas dos pés. Chore bastante por mim. . Creio que ele disse: . também. por favor . Amor. Cathy. Eu est ava esperando. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita. eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa . Deixamos que a fé. sólida. Olhos tão cheios de vida.da como uma bola no colo do médico.e excitada também. que era como meu próprio filho. os olhos brilhando. Os contos de fadas podiam tornar-se realidade. Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. com seu monograma bordado no bolso do peito . uma bruxa a ser vencida. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. Agora. Enfiei os dedos em seus cabelos. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez.. precisarei de algo a que me agarrar.Quero apenas abraçá-la. não hesite.Uma explicação razoável para assassinato? . ele se voltou e estendeu os braços para mim. Não comeria a maçã envenenada. o lado mais alegre e mais feliz.CFS . Murmurava meu nome repetidamente.pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth. enroscando-os. Quando eu me for para a faculdade . que você levou e nunca mais t rouxe de volta". .exclamei. Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. Dê-me um pouquinho mais. Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e. Antes que eu pudesse responder. tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los. . Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. Chris. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia. . lancei -me neles. Enquanto eu viv er. Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos. chorei. Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar. compreendi que ele sangrava interior mente. só isso. de algum modo. Furiosa.Chris! Não me ame. ele tornou a me abraçar. Quando se desej a derrotar alguém. e acariciou-me as costas. Estavam acontecendo conosco. a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes.então. ele encontraria um roupão novo. assim como eu. ou algum obstáculo para dificul tar as coisas.sussurrou ele. Vi Chris postado junto à balaustrada. Levantei-me e saí para a varanda do andar superior. sobretudo.Não! Pare com isso! . Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal. E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança. uma palavra de sentido tão amplo.. abraçando-lhe o pescoço. Quando me aproximei. embora já estivesse pequeno demais. vocês me têm por pai e Henny por mãe. sibilei: . Naquele mesmo Natal. Seus olhos azuis buscaram os meus. a fim de olhar a lua. Chorei mais por Cory. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido . Quando você se for. não esqueceria.e esta era a par te mais triste de mim mesma. murmurando-lhe a lgo ao ouvido. por todo o amor que ela nos dedicara . Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. rezando. nunca lhes faltará nada. O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós.Cathy . Bem. Sem pensar. Nada mais. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. mas de Sheffield. mas ele insistiu. Eu entenderei. que Mamãe viesse e. como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. digna de confiança.Se tem vontade de chorar. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço.

Não! .. de qu em lhes falei. deitando-me mais uma vez na cama de Chris. Cathy. Só conseguia confiar em mim. Cabia-me romper o laço. Ali.proclamou Chris. com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos. Catherine Doll. desejando-me.disse a dama que parecia uma bailarina.. naturalmente .penteado para trás . Depois. Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. batendo a porta e trancando-a. Ficou divino naquela cor. Este é o irmão dela. . que me aguar dava deitado. Como num sonho. Ouvia-o chamar-me. Para o bem dele. Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. como é costume das bailarinas . médios e adiantados.Madame. acompanhei Paul aos bastidores no intervalo. Todas as amigas ficarão com inveja". não era. a fim de nos sentirmos limpos. Vocês já con hecem Hennetta Beech.Você jamais se livrará de mim.Esta é minha tutelada. veio a maior de todas as surpresas. será você e eu.Não! Mas eu o beijei. enquanto eu só conseguia fitar Paul. Em que nível você está? .Não ente ndo muito de balé. Os bailarinos no palco não eram apenas bons . Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. Jama is haveria outros.Adiantado! . Então. . Ele não permitiria que isto acontecesse. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! . Georges . espalhados sob ela. não alcançaria mais sucesso. Uma mulher o magoara p rofundamente demais.. dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja. Jamais. .explicou ele. falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca. pulei da cama e corri de volta a meu quarto. que lhe caía maravilhosamente bem. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera. . Ele me abraçou com mais força e ficou calado.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita. E esta beleza mais jovem é Carrie. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém.Sim! .Sim. emudecida de felicidade. muito vulnerável. Também dão aulas a alunos principiantes. que dançou o papel principa l. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s. estavam cinco entradas para o Quebra-nozes.Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . encantados. Recuou. pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares. no centro da terceira fila da platéia. A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e.Cathy era principiante quando fomos morar no sótão. todos nós . Não podem os ser como nossos pais em duplicata.sentamo-nos. Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas. Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal.eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. abertas em leque na sua mão grande e bem conformada. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny .inclusive Henny . Henny segurou o vestido na frente do corpo. . Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo. Compreendi que estava refletindo. Chris. Naquela noite. Não podemos cometer o mesmo erro. Enquanto você viver. . Não consegui adormecer. Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama. al i e agora. .

como se tiv esse um "u" . faz-nos acreditar .Você também é bailarino? .Exato."daunça").suspirou tristemente a madame.Você é uma autoridade em balé? .Mais que onze anos de aprendizado profissional.Não vi naquele palco.indagou a madame com algum desdém.Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança. Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris.Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem. aparentemente embaraçado. . usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e. . .Chris pretende ser médico . . com os pés pregados no chão. Ela não apenas da nça um papel. . . Esboçou uma expressão desdenhosa. ou apenas medíocre? . Com que idade fez pointe ? .explicou o Dr. espere um momento! . temerosamente agarrada à minha mão. Lançou um rápido olhar à pequena Carrie. Seu marido . Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito.explodiu Chris.Ora. . . Então.porque ela acredita. . de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: . . deve ser apenas medíocre. magro mas robusto. . Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater.exclamou Madame Rosencoff. uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara . Georges.perguntaram a meu irmão. improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita. era um homem calado.às vezes sai do compasso da mús ica. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado.Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho. como se Chris tivesse perdido o juízo. estudaram Chris. Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? . desconfiada: .exclamou ela.E agora tem. Portanto. esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas. pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco. . tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . Cathy sempre varia um pouco. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente.Quatro anos. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.Que idade tinha ao começar? . esta noite.e amarrado num grande coque. ela é o personagem. seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia.Então.disse ela. franziu a testa. muito bom .Sim . um bolero de pele de leopardo. .Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos. saboreando-lhe a intensidade do relato.. a menos que sejam excelentes.Doze. .respondi com voz sumida. agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar.respondeu Chris.Ah! . . Formavam realmente um par.Você é excelente. .Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? .Ah! que pena . E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance. dezesseis em abril. mais e mocionante.Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar.. Dois pares de olhos negros examinaram-me e.? . .Bom.Não sei. Muito. parecendo vermelho e muito zangado. Paul.Farei.Não! Não danço . voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão.Maravilhoso! . por cima de tudo isso. e ignorou-a c om a maior naturalidade. Sobre a malha preta. . depois. suada e encabulada. . de modo que nunca dup lica uma dança.

deixando-me atordoada. Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil. elegantemente trajada. . dominada por mil e uma trepidações. ou filha de Demônio. deixe disso. Ela continuava jov em e bonita. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente. acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura. com os cabelos louros mudando cons . pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. Não era um pedido. Chris era tão lindo. retirou-se do quarto. chorei nos braços de Chris.disse ele.Ora.e não se atrase. E veja o que acontec eu.disse ele. virei-me na cama.Pensei que você tivesse esquecido . para podermos deitar-nos embaixo. a Chris . Com isso.Amanhã. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco. lentamente. mas uma ordem . Olhei par a a árvore cintilante. desajeitada. Tudo aquilo fora deixado para trás. segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus. . no sótão de Foxworth Hall.Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão. Sei que rejeitarão! . Boquiaberta e emudecida. Acordei. há uma hora em ponto. Eu sei e você também sabe. nem malhas.Já vi você nesta c asa. vou ajoelhar-me e rezar por você. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração. Amanhã seria meu grande dia.Não tenho roupas. que parecia irreal.repliquei.Sinta-se lisonjeada. à avó. Naquela noite. ou corrupta.Dar-lhe-emos todo o ne cessário. Catherine . . Embora eu devesse saber que não estava corr eto.Normalmente. Era o que costumávamos fazer quando crianças. Cathy .Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. Chris.a todo mundo! Eu não era má. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola. Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios. .hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris. ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses.solucei. Em meus sonhos. . e eles me rejeitarão.Esta noite.que não admitia desobediência. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente. sentir-me irresistivelmente atraída para ele.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. como os de nosso médico. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo. você dançará para mim no meu estúdio. . perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet. deitado no chão. nem sapatilhas.Estou destreinada . Era ape nas eu . . fui medida. inclusive em pontualidade. o que era pior. fitava os galhos da árvore. ali deitado. E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança. para fazer um tes te. Só isso. ou até mesmo anos. eu fazia tudo errado durante o teste e.a melhor bailarina do mundo! Debati-me. . mergulhei e emergi de pesadelos. nada menos que isto me serviria. coberta de jóias e peles. Trate apenas de estar lá . deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. Por algum motivo. O modo como ele disse aquilo preocupou-me. Es tarei rígida.Amanhã é cedo demais . pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés. .está apenas amedrontada. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. .murmurou Chris sem me olhar. Madame Rosencoff se voltou para mim . Ainda era noite. o bailarino. que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa. fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada. Então. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas. No escuro. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. Tinha que mostrar a Mamãe. Você não está rígida ou destreinada . . . Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade. rebocando o marido. a Paul. nós as penduraremos bem alto. E fui deixada cheia de ânsia e desejo. abraçando-me com mais força. No futuro. Eu tinha q ue ser a melhor. de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. . deitei-me a seu lado. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica.

gemeu ele. Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos. . . mas não conseguia.exclamou ele. Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena.Não me beije outra vez . Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço. estremeci. intermináveis momentos esperei que ele se afastasse. Recomecei a soluçar. Cathy. Está linda nessa camisola branca. quando ele virou a cabeça para fitar-me. e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. mas você. só prazer.e as jóias da coroa da Inglaterra também. Recordarei es ta noite com você. Aproximou-se de mim. . dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e. .. Uma doce paz me invadiu. estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante. . Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios . até que nossas testas quase se tocaram. sob a árvore de Natal.sussurrei. a não ser você. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. tão divino . Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito . . Seu hálito cálido me acar iciou o rosto. você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos. Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. observando-o beijar-me os seios e. . arqueando o pescoço.Eu a amo tanto que. Você não desistiria da dança..Lembro-me de como seu peito era chato e.Então.sufocou ele. Prend i a respiração. . Movi a cabeça para trás. nem sei o que fazer! .. descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado.Cathy. não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma. se você faz parte de meus ossos . Quando o beijo terminou. Você era tão tímida com relação a eles.tantemente de cor. esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados..de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem . Queri a afastar-me dele. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes.suspirou ele. agarrando-me mais a ele. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida. eu sangrava e sen tia dor. seus olhos também brilhavam. necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento. fique! Chris.Eu a amo . . agora. começou a crescer.Tenho que ser médico .Chris.Então..Você parece. comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço. isso é o que vejo nos seus. permanecendo ali.. .Como são lindos os seus seios! . vamos pecar! . quando meus lábios tornaram a encontrar os seus. sem você! Às vezes. .Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor. Por longos.Nunca haverá ninguém para mim.Cathy. ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama..e..Não. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul. . não é mesmo? Eu não sabia.. . que desejava tornar-se mais ousado. . depois.antes que eu gritasse de repente: . Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça.Não! Seria pecado! .. bem n o íntimo.. quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura .. cometo loucuras! Por favor.Vejo doçura em seus olhos . de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu.disse com voz tensa. o fogo entre nós aumentando. . olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa.um beijo tão suave. às vezes. mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse. não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha .Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. Aproxi mando-se ainda mais.. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos. Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão.não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura.. por favor.

de repente.Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. Em meu irmão.então.só uma vez. . . O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro. Geor . que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades. duros como pontas de metal.. primaveril. Não queria que se repetisse! .bradei furiosa. respirando mais depressa até ficar ofegante. várias latas de atum. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. recatadamente. Ele fitou a caixa de doces. suco de tomate.Sinto muito. Esbofeteei-lhe o rosto! . um pão.Não! Sou sua irmã. Eu não era como minha mãe.Aqui não . Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. por qualquer nome. sempre vivo. Cathy.. Carrie é capaz de dormir durante uma batalha. Se fracassasse. Chris pegou-me nos braços. Madame Rosencoff disse-me que. . copos e talheres. não me olhe assim. se fosse aceita.protestei. sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. eu já encontrara o amor eterno.Pare! .disse ele entre beijos. no meu quarto.. .Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico.Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão. usaremos o seu quarto.Lá em cima. . Solucei nos braços de C hris. então. dois corpos nus que. ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade. e seu quarto fica perto demais do de Paul. para não gritar. Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes .Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça.Chris. Então.. Numa fração de segundo.Então. bateram em algo sólido. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo. deitado junto a mim. Tirou min ha camisola e o seu pijama. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. Caí no chão. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. Ele nos escutaria. À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna .Não! .só mais uma vez. meio quilo de queijo. nunca mais deveria dirigir-me a ela. Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora. para durar pelo resto de nossas vidas. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também.Não haverá vida para mim se eu não for médico. ervilhas. Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão . enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito. para durar até o fin al de nossas vidas. Chris estava no chão comigo. rolando na cama para sair de baixo dele. recomeçou o que iniciara. Rolamos intermi navelmente. a resposta se rá sempre não! Calei-me. Christopher! Ele se aproximou. Mais tarde. O marido. que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. O Teste Era o dia seguinte ao Natal. lutando. ir embora e deixar-me sozinha . Não desejava dizer aquilo. Depois. . terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff. maçãs. Eu não queria aquilo. . sentei-me e. lançou-me um olhar magoado. por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. pratos. . percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . Tapei a boca com ambas as mãos. que jam ais poderia florescer.O inesperado abrir de seus lábios quentes. laranjas. .sente medo de sermos castigados novamente. mais um abridor de latas. Foi o que det eve Chris. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. deitada de olhos abertos em minha cama. deixe-me amá-la apenas mais uma ve z . Embarcamos t odos no automóvel do Dr. Antes que eu me desse conta do que acontecia. subiu cor rendo a escada dos fundos.

Nada mau. Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos. Deixaria de ser uma pessoa especial. sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. Tinha pernas fortes e musculosas. Eu perderia o encanto que tinha para ele. Seus olhos negros me estudaram crit icamente. que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga. Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela. Meu querido. acrescentando com desdém ainda maior: .indagou ela. . meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. arrependia-me de tê-los convidado. poderia avaliar o que eu deveria fazer.Quebre uma perna . Desejava ser a última. Se eu fracassasse. Oh! Deus! Rezei. ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso. quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta. . adivinhei que escolheria A Bela Adormecida. Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele. . sarcástica. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois. para aliviar o nó que me apert ava a garganta. certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente . pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico. Carrie. Henny e o Dr. . .Foi o que presumi. eu já sabia. Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. .Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . lá estava ele para sorrir.sussurrou ele. Engoli em seco. Isso. a fim de verificar se eu já estava pronta. Então. Agora.respondi timidamente. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes). telegrafan do-me seu orgulho. (Tive a impressão de que o marido jamais falaria. E como sempre. .Que cor de malha prefere? . tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris.ges. As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar. Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés. Um toque em meu braço sobressaltou-me.disse ela. O próprio Georges sentou-se ao piano. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. .Que música escolhe? .Só por sua aparência."A Bela Adormecida". a fim de observar todas as outras. mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. Paul ali sentados. Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va.Rosa. . Portanto.gabei-me. eles assistiriam à minha humilhação. escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas. Girando nos calcanhares. deparei com Julian Marquet. Venha comigo . Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria. para aquecer-me melhor. ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse.Maravilhoso . Havia também outras oito ou dez pessoa s. Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada. Este desejava ser meu pai.ordenou. não minha pedra ímã. Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul. com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. Se eu frac assasse e o embaraçasse. Dessa fo rma. afastando-se. mas não lhes prestei muita atenção. Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas. por que escolher uma peça menos exigente? . confiança e imorredoura admiração. com a mesma indiferença.

Uma coisa eu lhe digo. Terminada.. Logo voltarei a Nova York. . . apoiando um joelho no chão. . . O queixo forte tinha uma cova central.Não sou garotinha! . . p arecesse muito pálida.Puxa! . talvez não. como se as "provínc ias" o matassem de tédio. gritando! A meus pés. sem me importar em saber quem veio socorrer-me. então soou a minha "deixa" musical. fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam. Acho melhor dedicar-me ao teatro. e stava terminada. Fechei os olhos. como se conhecesse todas as respostas.uma senhora de dezoito anos? Sorri. Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. com quase um metro e oitenta. Tinha a pele clara como a minha. apertando-me os dedos. Ele sorriu. com olhos escuros e faiscantes. O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. Os gritos não eram meus. . Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. eu estava sozinha no sótão.só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo. com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas. Julian! Eu o vi como num sonho. Meu coração deu uma cambalhota. pálido.Sim. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. um verdadeiro profissional. Chris inclinou . Trocamos mais algumas palavras. Tinha uma voz grave. . indiferente. a magia chegou e tomou conta de mim.Creio que seria uma ótima atriz. este ndendo os braços fortes. pois a música me dizia o que fazer e como fazer .medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. ainda nem iniciada. embora.Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo . revelando nitidamente todo o seu amor por mim. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. Ele sorriu. p ortanto. Pen a que seja uma garotinha.Olá. tímida a princípio. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas.Talvez sim. que é o meu lugar.todos os e ntrechats. pois não queria que Paul percebesse.Olá . em contraste com os cabelos escuros. E minha carreira de bailarina. . Encantada por vê-lo ali. então .. Então. De repente. isso é talento.protestei com voz sumida. Comecei a dançar. E como sempre. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa.exclamou quando lhe sorri. infalível. a outra perna esticada graciosa mente para trás. cabelos negros como a noite e lábios de rubi. Com os olhos. imóvel.para dar uma ajuda à Madam e. se gurando-me a mão inerte.O que é. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos.Seus olhos escuros brilhavam travessamente. movimentos de braços e piruetas.. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver.Estava esperando que voltas se a si. À distância. e aqueles olhos azuis. . . Olhou em torno.. . Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso. muito impressionada com sua beleza física. Ele sacudiu os ombros. mas duvido que tente. muito satisfeita por aparentar aquela idade.. Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York. Então.eu era a sua voz e. a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto.Oh! Chris! .disse ele suavemente. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada. aquele homem surgiu para dançar comigo . mas depois fazendo as coisas certas .Você é muito bonita. Verdadeiro talento. escutei as vozes de Paul e Chris. nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto. onde ninguém me queria. estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo. .. mas de Carrie.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano . Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! . e escutar os gr itos. debruçando-se para beijar-me o rosto. Escorreguei e caí ao chão. e eu logo saberia que tinha dezenove anos. Era mais alto que a maioria dos bail arinos. uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade.

. seriam imbecis. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto. Todavia.Quem fez a curetagem? . Cathy. sorrindo. Olhei para o enorme ramalhet e de flores. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr.Um ginecologista chamado Dr. eu não me importava que ele lesse..e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . Catherine Doll. nada mais. acariciando-me ternamente o rosto. Nossos olhares se encontraram.Chris. ." Marisha! Eu fora aceita! .recebêramos todos notas excelentes. no dia seguinte à ida de Carrie.Claro que querem . Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça. como você bem sabe.Foi só isso.O que é uma D & C? Ele sorriu. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada . com medo de que fosse Paul. Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . Naturalmente. . não se esqueça de mim. Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa. sem saber o que pensar. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . Em seguida. Só então olhei para o envelope. Paul. Sentei-me na cama para abraçá-lo. sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas.disse Chris.Do contrário. enquanto este me estreitava nos braços. Paul afirma que é o melhor ginecologista da região. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. Recostei-me nos travesseiros. Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: .. na verdade. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos..A vida oferece mais que uma oportunidade.preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la. Classifiquei-me para a décima série.Tudo vai dar certo para nós.disse ele suavemente. . amigo do nosso doutor. . de todo modo. Chris também partiria. não de papel. Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade.-se para me abraçar e estreitar contra o peito. . . não vai. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio . Cathy.sussurrei. Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina.Não! Não! . Você precisou fazer uma D & C.e ninguém tinha conhecim ento do fato. Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos. . eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr. quando. e apontou para outro buquê.. Chris foi à cômoda e logo voltou. Jarvis. . Aguardo-a na próxima segunda-feira. exceto Chris). Amanhã. Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos. sempre poderá ter outra hemorragia. não faz diferença nenhuma. os Rosencoff me querem! . julgando que fosse lembrança de Paul. .Abra os olhos. Fora enviado por Julian Marquet. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. minha dama Catherine . um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. às três em ponto. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões. Madame Marisha. estará boa e de pé.Abreviatura de dilatação e curetagem. que se s oltaram de repente. Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene. col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. Flores reais. Chris e eu nos separamos depressa.Está fazendo tempestade num copo de água." Vi por cima do ombro de Chris. exibiu um sorriso e avançou.

Por que não posso ir para a s ua escola. Embalei-a em meus braços. E. . . pasta dentifrícia. para ela. tentando não escutar. Henny. A gent e joga. Claro.Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. . você permanecerá em nossos corações e pensamentos. é necessário. cujos pais podem p agar pelo melhor.Carrie. Carrie .declarei alegremente. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . ele disse: . mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. talco e água de colônia. sem ninguém comigo? . com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos.São as malas mais lindas que já vi . imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente. troca segredos e ri a noite inteira. . E. mesmo que alguns quilômetros nos separe m. Ela adoraria. a escola não é um lugar tão ruim. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura. Segurei a caixa com extremo cuidado. Como se lesse meus pensamentos. Paul.Sei que é um presente um tanto adulto. querida. escova de cabelo. Todos nós desejamos o que é melhor para você e.exclamou Carrie. obstinada.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus.Ninguém? . V ocê vai adorar. é divertida. alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados. Quando estiver na Es .Mesmo assim.Isto é para a minha loura predileta . Então. Ficará com centenas de outras meninas da sua idade.rícula. poderá vir passar todos os fins de semana em casa. Além disso.chorou ela. a quem ela queria muito bem. . levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem. Era uma coi sinha linda. os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr. estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. P aul como nosso responsável legal. que levei para Carrie. melhor que tudo. indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças. . . você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr. tem sociedades secretas. de couro.É uma escola para meninas ricas. Não estará sozinha. não quero ir . Cathy? Por que tenho que ir sozinha.Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir. daqui a anos. eu tenho que freqüentar o ginásio. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. terá ótim as professoras e. . Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr. Carrie.Oh! .É Lindo! . Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: . Ela fechou os olhos com força. Paul lançou um rápido olhar a Carrie. aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar. acredite se quiser. completo.E não é uma escola para garotinhas esquisitas. Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade. rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela. Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis. Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? .acrescentei em tom tranqüili zador. Quando ela olhar para essas malas. Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso. percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor. espelho e uma série de frascos para cosméticos. depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. Chris e eu. Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós. vai lembrar-se de mim. muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas. na v erdade.anunciou. . Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas.repeti. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro. . E deve ter a companhia de outra s crianças. .E terei que ficar lá por muito. Sim. beijando-lhe a testa. A su a é uma escola primária.Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes. Paul. dá festas.exclamou.

ou imaginar o que estará aco . . . Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar. Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos.Nada mudará. . Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão. Eu a amo. Cathy . segurando-me as mãos. as indefectíveis colunas brancas. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana. Compreende? Ela assentiu com a cabeça. acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. Sempre a amarei. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! . e sussurrei-lhe ao ouvido: . Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. à beira das lágrimas. com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade. a nenenzinha! De onde vieram eles. Cathy? . chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica.gaguejei.ao me nos o amor que estava errado entre nós. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre . . tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível.Não. A escola de Chris ficava ainda mais afastada. Henny e eu. Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. Não foi fácil irmos embora. Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região. O prédio era grande.Cathy. . Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola.uma herança inestimável. o Dr. . Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então. Não se sinta abandonada. Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. Uma mulher bonita e imponente.. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . sem compreender.Chris .. faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. seja certo ou errado.É uma linda criança.Por quê? Mais uma vez.sussurrou ele com voz embargada. Eu trouxera até mesmo o berço. Naturalmente. Emily Dean Dewhurst. Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro. Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. . Não consigo evitar. .murmurou Carrie. Sentindo que precisávamos ficar a sós. Sheffield.Você sabe de onde vieram. Eu desejava ficar nos braços de C hris. Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você. . mas precisamos fingir que morreu. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa. mas apenas às suas amigas mais íntimas. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. Chris e eu não f icamos realmente a sós.cola Para Moças Bem Educadas da Srta.Mamãe morreu mesmo? . deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco.Falo sério. mas não compreendeu.O Sr. e a Sra.Anime-se e faça um esforço para divertir-se.E Clara. Ela olhou para mim. . Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins. ou sentir saudades. mais uma v ez. perto da s lindas malas de couro vermelho. .Sim. Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram. pintado de branco. Parkins . que estremecia. a Srta. com o rosto colado ao seu. a fitar-me com o olhar assustado.Carrie. posso fazer isso .O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade.murmurou com voz sumida. Paul. No dia seguinte. Dr. Carrie permaneceu sentada no chão.Quan do nos encontrarmos outra vez. mas numa alcova com grandes portas para o exterior. ainda sentiremos a mesma coisa.

Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. Porque de seja você! . calado. Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo. Apenas um beijo leve e te rno.Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. Não estude demais. Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . Não tem esposa .disse ele quando terminou o beijo.Não. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio.. Girei nos calcanhares.. . . puxou-me para si e baixou os lábios até os meus.zombei. Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: . Paul. silêncio. .. quando ele fez tanta coisa por nós. É tão jovem.Prometo comportar-me. Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça. em seguida aos olhos. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo.Cuide-se bem. Quero dizer: afinal. sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! .ntecendo em sua vida. como você e Carrie. ou logo precisará usar óculos. ele é um homem.Gosto dele. Ergueu a cabeça. pois . escute a casa estalar. .Paul é um grande sujeito . mas às vezes penso que nos aceitou apenas. que as calças de malha . como Carrie qua ndo chorava. Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado. Culpa dela. da mesma forma como guardarei meu amor por você. Era a escuridão d o sótão. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância..Eu o vejo sempre olhando para você.disse ele. Era uma promessa tão fraca.Ele não fez nada fora do certo? . que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo.fez uma pausa e corou. . bem. Ligou o motor. apenas por causa de você. enquanto ele se mantinha relaxado no assento. Cathy. com uma súbita expressão penetrante no olhar. . E você também. hesitante. Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus". Sorrindo. Isso não é errado. Cathy. as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem. as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. derreei-me no assento e solucei de verdade.Não estude demais.e você estará morando na m esma casa que ele. Agora. Sinto gratidão.Eu gosto dele. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. . . . Talvez bonita demais. fez a manobra e partiu em direção à estrada. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais. Carrie o ama . As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural. . Chris. Não encante demais o noss o médico. É honrado e decente. Chris riu.Tem razão . quando gera lmente brincava. tão necessitada de amo r. No c arro branco de Paul.É claro. pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr. Ouça as penas caírem. Paul pareceu surgir do nada e sentou-se. Dep ois. Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia. Quietude. Ou talvez observasse meus pés. . observando o chão a seus pés. você é muito bonita. uma despedida temporária. Estudei-as. . tão bela.Chris. ao vol ante. quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma. . De repente... . Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais. O que sente você por ele? .disse Chris. Creio que você estará segura.Perdoe-me pela noite de Natal .Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim.E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade .Cathy. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua. e saí para o sol brilhante. Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. Falo sério. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas. . baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas.Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso.

Use meu primeiro nome o . . como se precisasse fazer a barba. estava sentado numa poltrona de braços. As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul. Carrie se fora. .pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça. por outro lado. . amedrontada.Dr. . Eu precisava de alguém. do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto. .Não uma jovem sedutora. Lançou-me um olhar provocante.Antes de você chegar com seus irmãos. ficou calado para não quebrar o encanto que. Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra.talvez bem demais. Estava sempre tão solitário! Agora. sentia-me mal. nos unia numa necessidade mútua. Obrigado. . ninguém se importa! Pensei em comid a.Não consigo dormir. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada. sem jeito.e dormir era o de que precisava. só que em olhos diferentes dos dele. Contudo.disse Paul. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida. se o fizer.Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele . . vinte e cinco anos mais moça que eu. . Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas.Por que me toca. . tive também outras idéias. como eu. Logo que chegamos em casa. eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua. por terem vindo para o Sul . dor miríamos sob tetos separados. de algum modo. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça . Paul foi para o consultório e eu subi. Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso.indagou Paul. . triste e ansiosa. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor. envolto no quente robe vermelho. para acordar bem descansada. murchará e morrerá com ela. Sozinha. tirando lentas baforadas do cachimbo. .Então.Não gosta que o toquem? . O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa. Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma.interrompeu ele.Magnólias Buli Bay .. pois nossos invernos são curtos. lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente. Então. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação.Detesto quando você me chama assim! . quando tinha apenas dezesseis. de modo que fui deitar-me ce do. mas dominada por uma onda de sensualidade. necessitad a.eu já vira desejo anteri ormente. Mas não demorarão muito a florir. mais sedutoras. Catherine? A pergunta. Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu. acho melhor voltar para a cama. E. O meu fiel Christopher também.Por que não está deitada. . Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida. aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. .corrigi.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. É gostoso ser feliz outra vez. Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão. Tinha a pele áspera. Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. troncos retorcidos e escuros. Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa. Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã. Cathy.de verdade . Pela primeira vez. altas horas da noite.azul mostravam muito bem . volto para casa cheio de felicidad e. Sedutora.Ela era uma tola e ele também.acrescentei. Comecei a obedecer . com roupas transparentes. como a tola que eu era com tanta freqüência. Também não apareceu após o jantar. tão perto de sua poltrona. ríspido. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade . mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo ..e não para o Norte ou o Oeste.é uma pena não estarem floridas nesta época. feita numa voz tensa e fria. Diziam que leite quente ajudava a dormir . Paul sobressaltou-se ao v er-me ali. dormindo? . . Paul. grossos e velhos. .

Que diabo quer dize r isso? . . como se não quisesse que eu fosse adulta. arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha. . Fiquei de cabeça baixa.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece. recordando o passado.. oculto nas somb ras. .bradou ele. com ninguém ali para amar. ele estudava na sala de aulas do sótão. fazendo-o parecer uma p essoa diferente. não é mesmo? Para eles. os quatro irmãos.Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy. envergonhada e s em jeito: . você dançava no sótão. impedindo-me de responder.. agarrou-me e sentou-me em seu colo. . Meus olhos se desviaram ante a investida. . E não me agrada ficar vazi a e perdida. . este se inclinou repentinamente. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias. Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos.Catherine. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. Leva-me para a cama com o ol har.O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima.Tudo o que você precisa saber! . .A música sempre me causou uma sensação especial. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa.Acusa-me de seduzi-lo. sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros. E quando me enlevo dessa maneira. como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce.u não fale comigo. Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me. continuei com relutância: . Então. O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca. . . enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida.reagi com violência. os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele. quando cada dia equivalia a uma eternidade.Prossiga . .Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens. . quando fiz uma pausa.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto. animando-me.perguntou ele com gélida veemência. transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante . fico vazia e perdida. não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. algum dia. Senti-me corada.Há pouco. Se voltar a sentir os pés no chão.instou ele.fez um a pausa.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto. com olhar duro e belicoso. e sacudiu-me. mas. . . e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . . Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina. E. Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory. vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito.Então. Em um segundo. você era mãe. e me faz dançar. .Conte-me o resto. nervosa. Apodera-se de mim. Engolindo em seco. a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. uma g rande bailarina. quando lhe toquei o rosto. olhou-me com raiva.Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! . mas seus olhos brilhavam. Catherine.Você é uma feiticeira. Eu sei. sozinhos? Dominada pelo pânico.Por que me chama de Catherine? . os olhos queimando os meus . esquecendo-me de Paul. Eu não queria contar. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. corando. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza. Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é. Para onde eu olhasse. Um médico não é infalível. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar. exigentes. Não tinha o direito de fazer tal pergunta..Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos. mesmo quando era criança. sempre ju ntos."O melhor possível"? .. mas que sinto necessidade de indagar.

E pode dizer que não me ama. . Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. Paul estava envergonhado. . . Catherine? . Qualquer mulher em seu co lo serviria .perguntou ele. a culpa era minha.e eu sabia que a culpa era minha como sempre.Quer despir-se para mim. .Porque o amo. chocado ao perceber onde estava sua mão . ele tocou os bicos de meus seio s. seu rosto muito próximo ao meu. . de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele. açoitando-se com eles .replicou calmamente.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela.. . Só o vinho. caía apenas granizo. .Eu o amo . O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados. Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres . m as estará mentindo. Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio.Não sou má. tão bem! Éramos muito semelhantes.. permitindo que eu a abrace ou a toque. juro. Quando estávamos trancados. pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim. f izemos o melhor possível.puxou-a bruscamente. Mais uma vez.. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo. punitivos. No primeiro dia em que aqui cheguei. em minha inocência. e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. Pau l emergiu da névoa mental. eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos. Seu hálito quente em meu rosto. insinua que. .Sinto muito. teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete.e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. para poder acariciar os seios jovens. refleti. mais cedo ou mais tarde.indagou com aquele seu ar zombeteiro. . Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se. julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. decidido a manter-se distante. Naquele momento.Por que não tem medo de mim? . ou se. você me quiser.cob rindo meu seio esquerdo . nem Chris. escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele.Que diabo está fazendo sentada em meu colo. Então. agora. exigirá o pagamento em troca disso . de repente.Por que me perdoa? .Você não me ama .e sou sua quando. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. . um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. viu Chris franzir a testa. passando de um para outro. Não precisa casar comigo. inflamados de calor pelas inespera das carícias. reprobatórios. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: . Paul me abraçou e observamos a tempestade. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora. enc ontrei amor em seus olhos. O quanto fui sábia. Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a.Eu o perdôo. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim. como se o contato com minha pele o queimasse.qualquer mulher! Provocadoramente. . .Sabe que não deveria est ar aqui. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente.comecei. Então. em voz baixa. Catherine. quando precisa r de mim. hesitante.durante todo o tempo.Paul. deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza. basta amar-me. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios. Paul e eu.. . seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada.Quando fui trancada por Mamãe. Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia. Agora.Apenas sente gratidão pelo que fiz. . os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão.

retirando as mãos de minha cintura. .Agora. Certa vez. com você.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto. quero que grite por socorro. Jamais lhe vi o rosto. mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. . de bailado . jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta. pecaminosa. flores ou ar livre.. o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente. creio que estou realmente apaixonada por ele. .. pronunciei-lhe o nome. em palácios de mármore. Eu era má. Oh! Então era assim..brincou ele. . . ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade. filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! . ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente. Paul recostou-se na poltrona.não preciso de sol.. Então. tudo isto me faz sentir bela. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim.Catherine . . é claro que tinham de olhar um para o outro. Se não houver outra pessoa em casa. Vo cê vive num país de fadas. num passe de mágica. Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma.Ohhh! . perto do fogo. Se eu ousa r encostar um dedo em você. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras. Senti-me outra vez uma criança. sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos. meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve .comentou com um suspiro.Você zomba de mim.E segura? . qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. sem dizer uma só palavra. aceitou o desafio e lentamente. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. punida por exc esso de presunção. . Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente. Catherine.gaguejei. não na realidade. Além disso. agora.Mas. desconfio de que seja ele.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. . não consegui lembra r-me de qual fosse.Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite.Da mesma coisa que os outros homens. mas. Isto não era sermos maus. livrando-se do encantamento que eu l he lançara. . Respondi desavergonhadamente: .Meu Deus! Como você é bonita e desejável . inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus.repliquei. A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro. . As meninas se machucam quando brincam de .Que diabo estamos fazendo? . Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos. era? Eu não deveria perguntar. por prazer. mas desde que tinha apenas a altura da mesa. ajudou-me a levantar. baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo.Ora. como você é romântica! . sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie. aqui. . Paul sorriu. . . .nada! O que faço p or você. Acha que não passo de uma criança. embo ra não saiba quem seja. creio que entendo o motivo.disse Paul. Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si. não sei muito a respeito das moças de minha idade. mas não passa de uma criança. Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida. Só que melhor.Sussurrei. Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e.. .o meu tipo de música.Vivendo como vivemos por tanto tempo. É par a isso que possuímos olhos.cendo.Acha que está segura comigo. Chris conseguia reconfortar-me. Julga que beijar-me não seria ex citante. amedrontada.Catherine. Mais do que qualquer outra coisa. Portanto.Não me tente dem ais. mas. muito lentamente.bradou Paul.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda. com voz mais suave e bondosa. embora des ejasse. Catherine. Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa. para seu próprio bem. Entendeu? .Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça. seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade. quando a música está tocando .. quando acordei.Não precisa amar-me . .

para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. até mesmo excelente. Só um lugar me deixava à vontade. t alvez um mulherengo . Eu temia por Carrie na sua escola. Recuei. os ronds d e jambe em l'air.e n ada disso era fácil. mantenha-se afastada de mim. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. Ao modo tolo das mocinhas. Fazíamos pliés. com uma piscina interna. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. fazendo pliés. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna. Assim.Linda criança. dos anos em que vivera "em lugar nenhum". afinal. porém. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. Mais uma vez. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir. Contavam pia das ridículas. devotado. O sexo pairava no ar. da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. havia Julian. corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe . Não me agradava ser alvo de risos. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. fortes e ágeis. Às vezes. . abstinha-me d e dar palpites. Algo o trazia f . para manter-me ao alcance dos braços. ao dançar mesmo quando estava morrendo . se d eviam ir "até o final". Paul não era o tipo de homem que eu queria.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. os petit e grande batllements. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas. espec ulando. Sou apenas um ho mem. vinham os frappes em três quartos de pointe. falar como eles f alavam. E o início era a parte mais fácil. Ouv ir dizer que eu era boa. não um santo. ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente". tendus. recuei amedrontada. aquecer os músculos e.assim refletia eu. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola. ao começar os a suar. também tornada diferente. um médico. quando trabalhávamos de oito a dez horas. as moças compartilhavam todos os segredos. acreditar no que acreditavam. espere crescer primeiro. Não censurava ou culpava ninguém. para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra.adultas. imaginando. interminavelmente.. sozinha . mas. Não ele. deux.e depois não soube para onde enviá-la. estórias de sexo. sapatilhas e uma bolsinha. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso. Paul levantou-se. Poupe-se para o homem com quem se casará . Então.. porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. Mais cedo ou mais tarde.. elevavam-me às alturas. Não gozo de uma reputação imaculada. pelo amor de Deus. Pois.em especial aos sábados. carregando comigo a sacola com as malhas.mas. verifiquei que era diferente. tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto.. Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. Não me agradava ser diferente. exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. fondus e ronds de jambe à terre . algumas até mesmo pornográficas.. Todos os dias. começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. glissés. Além disso. No camarim. un. retirávamos os agasalhos de lã. Nossos cabelos. Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. com medo dele. subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. como uma nortista. Embora ela houvesse recebido a intimação.. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. Em seguida. enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano. bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado. eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna. mas apenas o endereço do tribunal. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. cercando-nos por todos os lados. Queria ser como as outras. por mais que me esforçasse. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. Portanto. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis. também ficavam molhados de suor. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim.

parece que meu tempo disponível desapareceu. Às ve zes. mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito. . corri até ele e beijei-lhe o rosto.indaguei. levantava-me muito cedo . . virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão. . . .Sou grande. exibindo seu virtuosismo superior. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul.Claro que não. Este gostava de minha companhia à mesa. Quando cheguei ao topo. simulando enfado.Foi o senhor quem me deu esta camisola. Ma dame é minha mãe. e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle.a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul. Este era ótima companhia quando não estava cansado.disse ele. eu percebia. Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego.Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios. Eu conseguira encantá-lo. . o mundo int eiro saberá. formando um círculo no centro do qual ele se apresentava. com certa indiferença. Cathy. . de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão. pisei-lhe no pé e me afastei. Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos. . ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma.disse Paul.Você é boa demais para este lugar provinciano.Como deve saber. mas . Não gosto de me gabar do fato . Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. . ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora. Cathy.Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim.Para visitar meus pais . Não sei definir exatamente. que estava muito corado. deixando-me de olhos arregalados. Você é diferente. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo. provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado.Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez.reqüentemente de volta a Clairmont. Não obstant e. . Então. inclusive um em Greenglenna. enfeitiçá-lo.Eu não lhe conto tudo. De manhã. como Chris.Pare com isso! De repente. que usava uma justa malha transparente. quase nunca . Aprendia a ser cada vez mais c . . enquanto aguardava que Paul regressasse. Raivosa. Em breve.Tive alguns encontros antes de você chegar.Trate de usar um roupão! . Doutor. Catherine! Ergui-me de um salto.repliquei.Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo. depois disso. . afastei-lhe a mão com um tapa.Falar comigo . Sou o melhor que existe. .Por que não? .disse ele com um devastador sorriso de malícia.Antes de vocês chegarem.Na verdade. Na maior parte das vezes. olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse. embora não o dissesse. . sem mencionar nomes.Bem. você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York.declarou ele com voz tensa. Pensei que queria ver-me com ela. dizendo: . Não sei o que some com ele.antes das seis . assistíamos a programas de TV. E u tentava ajudar Henny após o jantar. Bocejou. Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e. com a mesma rapidez com que me encurralou.Você pensa demais. . . Falavame de seus pacientes. eu nunca ia ao cinema.Vá deitar-se. . . seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista.Não . Qual é o s eu segredo? . . partindo desses grand jetés. outras vezes ele me levava ao cinema.advertiu. Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas. com exceção de Chris e Carrie.E não ande pela casa com essas roupas! .Oh! eu não sabia. saí correndo para a escada. . eis aí o meu segredo. . e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico. .Nunca? .

. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. . minha Catherine . . Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia. Creio que Paul tentava evitar-me. enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. . se Paul ali não estivesse. minha vergonha era maior que a s ua . ao dar-me carona da aula de balé para casa.Que dupla formaríamos. Julian Marquet. para se experimentar. jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava. não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo. Examinando separadamente as f eições. . quando eu fitava m eu prato de canjica.respondi. .omo Mamãe. Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai. creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo. num tom persuasivo. puxando-me para perto de si. quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. Ou talvez até sete. como se ele precisasse de mim. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa.Algum dia. Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt.ou. . E. Lá existe tanta coisa para se faz er. eu não sabia o que me causava medo nele. como fazia com Chris. pois todas as peças vinham de ferros-velhos. deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo. . Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. quando Chris e C arrie estavam em casa. Não era estupro que me amedrontava. o resultado era sensacional. despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho. levantar-se da m esa e sair para a garagem. Em conjunto. quando eu atingir o topo da carreira . mas eu não permitia.explicou-me ele. Sentia falta de Chris e de Carrie. pois ele já atingira o sucesso. pelo menos.Diga-me quem é você. algo se interpunha entre nós. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal .Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine. a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. Conte-me a respeito de sua infância. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. .adverti com voz embargada. Só nos fins de semana. . movendo-me para ficar o mais longe possível dele. deixou bem claro que viera apenas para ver-me. Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu. de seu país. também tenho medo de você. Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio. Nada temos de semelhante e. . m as nunca ousei procurá-lo à noite. Detestei-o por dizer aquilo. tere i carros de luxo: três ou quatro. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção. pois o nariz poderia ser melho r.Eu não o conheço . a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. quando eu for rico. ovos mexidos e toucinho. Pense em Nova Yo rk o mais breve possível. uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. nem você conhece o meu.comentou suavemente. um para cada dia da semana. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada. De lá.Depois de dançar. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo. limitando-se a deixar de lado o jornal. ver melhos e sensuais. sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e. .Será. uma a uma. Ainda assim. Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida. doía-me não vê-los no mesmo quarto.Dançar é tão remunerativo? . Seu quarto ficava perto do meu. eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar.Você adoraria Nova York. Não o via o suficiente.Jamais diga meu nome desta maneira outra vez . Na verdade. . . era o que eu pensava na época. Quando acordava. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando. Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama.Cathy . era possível encontrar falhas nelas.replicou Julian confidencialmente.Sorria para mim. para se ver.Por quê? Não tenciono violentá-la.Não l he conheço o passado.disse-me Paul certa manhã. Passou o braço por meus ombros. Ri. Desta feita. Paul não disse mais nada. você e eu . Ergui os olhos. porém.começou ele.

Ele não é muito mais velho que você é? . Chr is o fitava raivosamente. Paul.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. meneando a cabeça em aprovação. Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo. aceite i o convite para sair com Julian naquela noite.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. Julian examinou a lista de vinhos e. sap atos engraxados. havia Chr is. Queria impressioná-la. A caminho de casa. Ela é uma gralha velha. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. você teria que começar no corpo de baile. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. Pensei em Paul. Ao c ontrário do que lhe disse antes. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz. curvou-se para beijar Carrie. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar. Naturalmente. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York. Era noite de sábado. .Não . Julian levou-me a um restaurante muito elegante. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve. senti ndo-me esquisita. na verdade. um tanto desapontada por ele não levantar objeções. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. o . Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. provou a bebida trazida pelo garçom. sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. quase me convencendo de que eu já era grande bailarina. senti a desaprovação de Chris. lembrei-me de Chris. Cathy. enquanto minha mãe explora seu talento. tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. apenas faço parte do corpo de baile. com terno novo. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. Todavia. eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. estavam tão deliciosos quanto ele prometera. não sou primeiro bailarino. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. depois. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele. se você não se importar. você progrediria mais depressa que eu. embora não devesse fumar.murmurei. sabia muito bem. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. mas. Com surpreendente segurança. . Eu usava um vestido novo. Carrie que precisava de mim nos fins de semana. Quando a salada e o prato principal chegaram. formaríamos um par sensacional. Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. a minha outra metade. Julian estacionou numa alameda retirada. acima de tudo. Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas. Estava bem arrumado. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. pedindo-lhe que escolhesse por mim. embora não o fosse. de pois. temendo come ter uma gafe. Apertou a mão de Paul. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo.di sso eu tinha absoluta certeza. Todos se afastaram para observar e. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos.disse Julian. ele acendeu um cigarro. Cathy. Eu não sabia ler francês. Com a maior naturalidade.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. mas nada tem de tola. . Além disso. Julian entregou-me um cardápio. mas Julian. . E prosseguiu naquele tom. como se traísse alguém.Você é linda . Chris e Carr ie estavam em casa e. Julian chegou pontualmente às oito horas. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina. Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e. E Paul. Desejava parecer sofisticada. os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. Juntos. . alcançaríamos grande sucesso. Julian levou-me para a pista de dança. aplaudir. não obstante. Com meu auxílio. que de algum modo tinha um lugar em minha vida . bem no fundo.Esta noite. mas poderia facilitar as coisas pa ra você.

esbravejei.Pare! . com grandes bailarina s. então. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto. será por mi nha própria conta . . continuo a dançar.Está bem.gritei. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida. na maioria dos casos. t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato.sem a sua ajuda.Vocês tiveram sorte .Cathy. . pois não estarei p or perto pelo resto da vida.nde os namorados costumavam parar. mas machuquei as costas.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! . Ele sempr e encontrava alguma falha. . Dois a nos . . . de repente tive medo d e perdê-lo. mesmo quando eu era pequeno.Meus pais morreram . se eu for um grande bailarino. se eu aceitasse? . . mas porque sou seu filho e tenho o seu nome.Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz. Cresça. Ele fazia parte do meu mundo. Isto quase o mata. A partir de uma certa época. Tenho que provar a Georges que sou o melhor. recostou-se no banco e virou-se para mim. Com você. venha comigo para Nova York. aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. Portanto.Cathy. pode apostar. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. Por que mora com um médico e não com seus pais? . que vê em mim uma continuação de si mesmo. por mai s que se recuse a admitir.Eu nunca tive essa feli cidade. na adolescência.Seria o seu anjo da guarda.Não se aproveitaria de mim. Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado. Cathy. Portanto. Nenhum deles sabe. eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse. Inventei um. Na su a opinião. fale-me a res peito de você. Cathy . aborrecida com a pergunta. Futebol estava fora de quaisquer cogitações.murmurava ele. Então. Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho. Por favor. Julian sorriu.Uma criança .O Dr. Assim. aborrecido. de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai". Além disso.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe. . E creio que isto também o mata. Cathy. se prefere conversar. . . . resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram. Sinto dores constantes. Madame e Georges são meus pais. do encantador mundo da dança. Creio que você e eu somos muito parecidos.e ainda não sou um astro.resmungou ele raivosamente. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas. tentando erguer um motor pesado dem ais. Conheço outras bailarinas menores e mais leves.disse ele.Julian! . . estendendo a mão para desligar o motor. ligando o motor. Especialmente meu pai. mas. . Agora..Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije.Porta-se como uma criança . quando eu me tornar um grande bailarino. Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado. muito melhor do que ele conseguiu ser. mas não satisfaz. pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome. Jamais contei isto a a lguém. mas nunca me encararam como um filho. Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome. E não se trata ape nas de você ser pequena e leve. Cathy. mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. as orelhas. recuso-me a dançar. . . Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui. Seja lá o que for. Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram. Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. eu poderia ser.indaguei. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa. enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa. Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa. o fato é que você foi feita sob medida para mim. não será por meu próprio mérito..Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . beijando-me o pescoço. mesmo assim. Mas venci .Leve-me para casa! .declarei. .comentou ele com certa amargura.

Como vão os estudos? . cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade. de pijama. Deixe-me pensar um pouco mais no assunto.Eventualmente. Cathy. Gosto de você.. Senti pena dele e fique i emocionada. Vivo à espera dos fins de semana. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor. . Como era semelhante a mim. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me. Quando o avistei lá fora.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . Desta feita. Cathy. palavra de honra. existia em todas as cidades. . Chris se voltou para me fitar nos olhos. Meus pensamentos se voltaram para Julian. D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar.Foi você quem pediu! .Muito bem. tentando desviar-lhe o pensamento de mim.anatomia geral. .. . Julguei que pretendesse quebrá-lo. Era melhor que fosse ele. quan do posso rever Carrie e você. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços. . Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter.Oh! Chris.Não pode acender-me e depois apagar-me.esbravejou ele.. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados. Julian. creio. acho. . De repente. deixando-se dominar pelos outros. pare de agir com tanta pressa. percebi o que ele pretendia fazer. que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. Julian deitou-me de costas no assento. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto.Conheço-a como a palma de minha mão.. . Julian ficou um pouco tocado. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor. micro-anatomia e neuro-anatomia -. Tomamos vinho no jantar.indagou sem me encarar.Talvez. mais difícil será afastar-se. Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você.Nova York é tão grande. Talvez eu também tenha ficado. a testa franzida numa expressão de amargura. que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. . mesmo involuntariamente.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . Quando entrei no quarto para me despir. . sufocando um soluço.Com quem você tem saído? . Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem. após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja. . eu estava preparada.Por favor. pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre.Há meu irmão e minha irmã.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você. . tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder.Não me diga que não tem saído com garotas. .Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. Fitou o espaço. Ele é de Nova York..Não gosto dele. ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que. ap arentemente. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu. mas não me dá oportunidade de amálo. . de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair. Cathy. . . Não quero deixá-los ainda tão cedo. afinal tínhamos os mesmos o bjetivos. Não negaceei quand o ele me convidou para sair. será obrigada a deixá-los. É impossível ser independen te em casa. Então. perto da minha porta. Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: .O que faz nas horas vagas? . . torne-se independente.Como foi? . precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa.perguntei.indaguei. . Chris estava na varanda. Cresça. Gesticulei nervosamente. Quanto mais tempo permanecer aqui. Logo ele se tornou ofegante. Por favor.

não passava de um monte de ossos na sepultura. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite.Há quanto tempo está em casa? . Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça. esmagandome os pensamentos. Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal.Há algo errado. por cima. Ela perderia ambas. Portanto. Mas Carrie estava no internato para meninas. Papai. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas. jogos e grande s móveis escuros. Cathy. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe". chorei. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul. provavelmente.Cathy. Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. quando eu desse minha tarefa por terminada. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta. Meu Deus! . Pensamentos mórbidos. Se Chris e eu tínhamos pecado. Não conseguindo dormir. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. Lá estava Paul. como costumava cair quando éramo s prisioneiros. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros. e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. a chuva batia com força e. Vime jogada de volta num quarto trancado. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. não prec iso de você tanto quanto imagina . confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. ataquei Paul como uma mege ra: .e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada. Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. Por algum motivo peculiar. Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio. Duas coisas: sua honrada reputação. por que não está deitada? Girei nos calcanhares.I mplorei. ela no s obrigara a isso. por baixo e em torno de nós. que ficava tão longe . Virei-me na cama. E aquele seu cheiro característico desapareceu. o preço que lhe causaria maior sofrimento. Já estou meio apaixonado por você. E estava chovendo.bradei. Não seria dinheiro. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. em seu quarto adjacente à c ozinha. quando estávamos sozinhos. com gravuras do inferno nas paredes. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . . Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia. agora.Ouça.não em troca de nada! Naturalmente. acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam. Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso. Então. poi s isto ela tinha de sobra. por Carrie que não crescia e por Cory que. mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz.na outra extremidade da casa. Por Chris. sobre uma mesa de necrotério. Julian não precisava de mim. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes. . Existem muitas garotas dispostas a se entregarem. saí da cama e vesti um negligé transparente. fumando um cigarro no escuro.. empurrando-o para mim. . Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. morto. ele não conseguia afastar-se. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata. e seu jovem marido. exceto Chris e Carrie. Mamãe o perturbara e d istorcera. descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. Ninguém precisava de mim. Naquela noite. não o leve como levou P apai! Por favor! . abarrotado de brinquedos. o vento uivav a. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos.Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. Chovia forte. Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. confundindo-me e aterrorizando-me.

vesti as melhores roupas e fiquei sentada.como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos. E stremeci. .Está remodelando e redec orando uma casa. Eu o compreendo. Não queria um namorado que não fosse bailarino.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. Sinto muito ter esquecido o cinema.Mais uma vez. estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara.Não estou com raiva! .. sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós. de modo que após esperar horas a fio por você.Desde onze e meia .quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava. olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir . encarando-me. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi. peça desculpas por ter gritado comigo.Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno.Hoje. conseguia permanecer sentado. não obstante. tão controlado. .ui dormir! E você estava aqui. Portanto. Ela sempre consegue o que quer. sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo. impulsivamente. .mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder. Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade.respondeu Paul. Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar. devia levar-me ao cinema. ali sentado.. . que era território proibido p ara mim. sua falecida esposa. da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la.Há quanto tempo está em casa? . desculpe-me ter gritado.. Não que ria amigas que não dançassem. estendi a mão para tocar-lhe o rosto. peço-lhe desculpas.Porque a chuva o isola do resto do mundo. com uma vergonha que chegava a doer. E não go sto do barulho da chuva no telhado. Talvez deva relaxar um pouco. ele disse num tom suave: . . sem jeito. Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. como pôde esquecer-se? Ontem. fitando-me tota lmente surpreso. esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei. Às vezes. . ..Parece mesmo perturbada. .indaguei. Paul pensava nela: em Júlia.Seria capaz de me bater. . Aproximei-me da poltrona e. Recuei alguns passos. Também não veio janta r ontem. O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar . .berrei. tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu. Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e.à exceção de Chris. Seria ótimo se você pudesse controlar a sua. quando tornei a abrir a boca para fa lar. . algo mais ou menos desse tipo. Talvez leve as aulas de balé a sério demais. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa.. . o tempo todo! Não veio jantar hoje.Paul. Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. . Eu nunca consigo alguma coisa. li a respeito de minha mãe . A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence. Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais. não obstante.. Mas você não trouxe! . Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria. Então.Está sendo sarcástico? . quando queria. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve.Deve estar muito cansada. Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. esperando que você apareces se . Por este motivo.Estou tentando controlar a raiva.Esqueceu-se. .Sim.declarei. Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor . Paul era tão semelhante a Mamãe. tão seguro .

Eu não queria falar a respeito dela. Catherine. Vejo minha mãe na platéia. pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. tornei a zangar-me. Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York.Não.Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. que não era meu lugar. embora involuntariamente.E o que pensa você? Mas Julian .Como sabe o que digo aos meus pacientes? .respondeu ele.Julian está de volta à cidade.Às vezes. . formaremos um par brilhante. Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe . que era como um filho pa ra mim.Vá devagar. no palco. Aturdida.atalhei com amargura.porque não foi vítima.Não. arregalei os olhos. .Catherine! Pode odiar-me. Mas eu fui. é fácil falar em perdoar e esquecer . . chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. não me venha falar em perdoar e esquecer. com arrogância suficiente para dez homens maduros. temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer. Catherine. se eu estivesse no corredor dos fundos. com beijinhos suaves e mãos caridosas que . Paul sentou-me e m seu colo. porta-se como uma esposa. Quando comecei a soluçar. Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . se é o que deseja. . Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe. Acredita que sua professo ra de balé. com os olhos cheios de pena. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu. pobres seres humanos. mesmo? . . alim entou-nos com doces envenenados! Assim. você encontraria a paz e perdoaria tudo. Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. Ela quis me matar. não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! . com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar. Julian é um jovem bonito.Eu chamo por ela? . juntos. Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. . Já que você me deu o bolo ontem.Não se envergonhe de ser humana. intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. se você mesmo não o faz? . Portanto. fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia. Soltei um riso nervoso.replicou ele num tom inexpressivo. talvez consiga dormir à noite. aproximei-me outra vez da poltrona. Madame Zolta.indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. Julga que. nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema.portanto.Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. estarei prepar ada para ser desapontada e. Então. assim.Toda noite sonho que estou em Nova York.murmurei. Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola. saí com ele esta noite. . . Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse. como se tivesse levado uma punhalada..Você e Chris .Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis.Para você. replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. porque parece tão convicto. às vezes escutava certas coisas. Reconfortou-me como um pai.Sim. . Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. . Perdi meu irmão mais moço. Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. . . obse rvando-me cheia de incredulidade. Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo. em vez de se debater na cama. . Paul franziu a testa. não me desapontarei. Você não sabe.

Júlia e eu éramos namorados de infância. na noite seguinte tudo se repet iu. eu a amava. Nunca proporcionei a mim mesmo.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo. Com o decorrer do tempo. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia. Contudo. Quando fui para a universidade. Assim. Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Tinha medo de perdê-la para outro .Espero que você. Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada. existem outros motivos. Portanto. também tenho minha estória para contar. Fez uma pausa. não muitas. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. se iguale ao horror da sua. p ara salvar-me . Júlia era filha única. Fiz o possível para excitá-la. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama. teríamos três filhos.Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas. no intuito de ganhar dinheiro. só que pior. sob certos aspectos. tentando todas as técnicas para . afinal. Amav a-a muito. Portanto.me acariciavam. Na época. desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. Eu tivera algumas experiências sexuais.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . .Sim . você consiga tirar proveito de algo que aprendi. lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. recostando-se na po ltrona. Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. Se não conseguir. Fechei os olhos com força. Júlia tornou-se cada vez mais bela. após escutar minha estória. eu tinha dezenove. consiga voltar para a cama e esquecer a vingança. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. eu nunca tiv e outra namorada. passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. Talvez. desejava-a e.ou. Sua voz assumiu um tom amargo. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. se não nos casássemos logo. pelo menos.e isto foi um erro terrível. mimada pelos pais. Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos. Ela indagou. se eu lhe contar. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro.Catherine. . Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. Mas Paul falou por minha causa.a voz dele assumiu um tom duro. nem a ela. Não obs tante. Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . era o que ela não se cansava de repetir. Às vezes. Namorávamos firmes e trocávamos cartas. os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram. Talvez. Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. . Isso acontece todos os dias. Percebi que estava aterrorizada. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. Júlia não sentia prazer no sexo. Pois está enganada. Amava Júlia.como se isto fosse possível. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. Cathy. Neste ponto. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. Ela nunca teve outro namorado. . lacrimosa: "Ora. a voz de Paul se tornou mais profunda. Paul afrouxou os braços em torno de mim. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. termine i por possuí-la à força . pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. . como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. na nossa noite de núpcias. suspirou e prosseguiu: . . tive medo do final.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. Entretanto. apertou-me a mão com força. Observei-lhe o rosto.

Henny preparara um bolo eno rme. Ofereci-me para levá-los no carro. enquanto me aninhei melhor em seus braços. procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. parou de falar comigo. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra. lavar minhas roupas. pois sabia que ela possuía vários amantes. P ortanto. Agora. Eu estava em casa e. Júlia descobriu que estava grávida.prosseguiu Paul. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. a fim de comprar mais balas. mas fiquei profundamente magoado . argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo. Júlia. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. com pais ostensivamente felizes. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. pois sabia que era algo terrível.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. . dando-me um filho. mas. inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. . deixei-a realmente em paz . Então. com bolas penduradas no lustre. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz. Tivemos um caso que durou vários anos. Não pude acreditar. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. temendo o que estava por vir. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia. Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. vestindo voile azul. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas. felizme nte. Comecei a ficar preocupado. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. a não ser quando Sc otty estava por perto. Ela perdeu a calma. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional. chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. Sentei-me na varanda da frente e esperei. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes. voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. de modo que peguei o carro e fui à confei . que completava três anos. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. Não me incomodei com ter de deixá-la em paz.excitá-la e fazer com que me desejasse . línguas-de-so gra. chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. desceu a escada com Scotty. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. mas ela recusou. mas nunca tentara o suicíd io. natural mente. pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. Dentro de casa. já que fazia um dia tão lindo. Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. Era tão li nda. mas ela se recusou terminantemente. quando sentia vontade. eu a traía. fosse lá o que fosse. Na verdade. viriam com as respectivas mães.mas só lhe causei repulsa. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. a fim de ajudar a acalmar Scotty. certo dia. Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. Júlia n unca mais me falou no caso. Então.Depois disso. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz.Após o nascimento de Scotty . a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós. . Foi num sábado. Comecei a beber depois que me formei na universidade e. embora ela sempre chorasse depois. Então. quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. Naq uela noite.

Júlia ainda vivia. mas. Apontou a direção que haviam tomado. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro . Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. Pode casar-se novame nte. ainda respirava. Fazia-o por meio de beijos. temendo chegar lá tarde demais. Então.taria.Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia. Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado.Num piscar de olhos. Pr osseguiu: . dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio. repeti o processo com Júlia. . Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai. Na confeitaria. não.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty .Então.Não lhe direi tal coisa! . De sde pequenina. mas ninguém os vira lá. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty. e Júlia demonstrara um interesse desusado. saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra. Faria eu a mesma coisa? Não.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem. . Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível. que tossiu. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. poucos dias antes do aniversário de Scotty. a única que tem saudade e tristeza. pelo menos. Sentindo a terrível angústia de Paul. perguntei se tinh am comprado balas. . Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si.Esqueça Júlia! .Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir. Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado. . mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho. Mas não os vi. As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas. O rio era raso. . abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele.Sinto muito . Não consegui falar. eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. Não abriu os olhos. embora não gostasse de televisão. Tentei acalmar-me. engasg ou-se e vomitou a água. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. Júlia matara por vingança. Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. Então. Rodei pelas ruas a procurá-los. Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. . Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. mas meu filho estava morto. mas Scotty parecia morto. Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia. mas agarrei-me como visgo. Minha maneira seria melhor. Contudo.declarei com voz embargada. Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos. produzi um som sufocado. tentei tratar dele. de rosto para cima. mas ele não escutou. muito melhor. olhares ternos e pequenas carícias. claro que não. Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho.exclamei. cheguei à margem gramada do rio. como eu costumava faze r quando criança. a quem tan to amava. chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta. Portanto. Mas não conseguiram. Não obstante. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. i sso não seria vingança suficiente para Júlia. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. mas também carrego comigo o remorso. Não quero desapontar meu no ivo. Então. Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. estavam sempre acariciando-se e beijando-se. Assistimos à Medéia na TV. . que obviamente lutava para liberta r-se dela. . depo is de me despir. pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente. esperando vê-los no caminho.Mas você pode ter outros filhos. a única que perdeu alguém. Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões . Lembrei-me de meu pai e minha mãe. .

Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que. Agora. Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio .Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? .Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança. Catherine . que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele.murmurei. Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e. envergonhada . ultrajada. de repente. grandes demais para seu tamanho e idade. Entretanto. até mesmo um excesso de talentos. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho. eu diria que acertaram em che io. .Acha que os avós tinham razão . Paul sorriu. nossa avó nos chamava de filhos do Demônio.nada mais que isso. Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas. enquanto a chuva fustigava as vidraças.Está jogando um jogo perigoso. Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder. Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada.Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta.Permaneci onde estava. fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver. se é isso que está pensando. como sempre. Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada. ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava. o d om de saber apreciá-la e. Tenho certeza de que eu não resistir ia. Mas seu lugar em minha vida é o de filha .? . . Mais uma vez. a fim de que eu não lhe visse os olhos. por isso.. . Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Dollanganger é um nome compr ido demais. doente de desapontamento. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível.exclamei.. os lábios cheios e sensuais entreabertos. se eu ficasse calada. eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas.Não sei como estou olhando. Paul foi direto ao meu quarto e.Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências. .até mesmo os gêmeos.Quando estávamos trancados no quarto. . talvez.Escute aqui.disse Paul numa voz tensa e estranha. . .Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . Ele era como você. mas.. . caminhando depressa para seu quarto. . Catherine. . éramos desprezados .imediatamente! . acariciando-me sem usar as mãos. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam. Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado. Vocês não são maus. parando ao lado d e minha cama estreita. é muito linda e difícil de resistir. Tenta seduzir-me. Catherine Sheffield . Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente. tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. .perguntei. tive que falar e estragar tudo. tão pequenos e adoráveis.Oh! . .Não me olhe assim.disse ele da porta.. Sheffield seria uma escolha bem melhor. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar. onde entrou e bateu a porta com força. . Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos.Paul. Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu. uma expressão f uriosa no rosto. Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado. a menos que seja em legítima defesa. E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram. S enti-lhe a carne esquentar. . .Não foi uma falha Freudiana. Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza.Oh! . E. Portanto. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros.Como me chamou? . enquanto ele recuava em direção à porta. hesitou. Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade .mas também an siosa e excitada. Chamavam-nos de corruptos.Paul.Vá dormir. .

E isto seria uma lição para Mamãe. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. surpresa. A princípio. para beijar-me a mão. confusa. rejeitando-me. Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto. seria a minha palavra contra a dela. pois não ex istíamos como membros da família Foxworth. Então. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . Pa ra onde iria a fortuna? Parei. E eu sabia que era má. declarando sa ber o que queria. eu podia p rovar que Cory existira. sem eles. quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha. Comecei a rir. de modo que não mencionei o assunto.diria ele.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. D epois. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato. viravam-se na rua para olhar-me. Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via . enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. abatida. Após algum tempo. E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava . Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso. A culpa seria toda minha. os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos. Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. Então. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso. nascida para ser má . sem precisar v ender o corpo. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas. Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. acabaria acreditando.às vezes. seria obrigado a procurar outra pe ssoa. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor. até chegar ao topo. uma jovem linda. Chris. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. mais ainda ficava eu. .especialmente Chris e eu. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. comecei a planejar t udo. embora eu não soubesse o que eu queria. principalmente os que já passavam dos quarenta anos. . Quando eu esperava o ônibus na esquina. Se isso era pecado . que só sa bia bordar e tricotar. acompanhada pelo marid o.. não teria o mínimo remorso. cansada. abandonada. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. e Jim Johnston. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. embevecido. E Chris me odiaria.para dançar cada vez mais. Ele não se afastaria..É a mulher mais linda e talentosa do mundo . Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. E havia também nossa antiga babá Sra. Simpson. Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava. jovens e velhos.como di ssera minha avó desde o início. ele não acreditaria. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. Carrie e eu. Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós.Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. E le não desejaria magoar-me. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. procurado refúgi o nos braços de meu irmão. numa ocasião de sofrimento e miséria. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. porque eu tornaria tal coisa impossível. por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos. Estaria velha. então. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. E se eles ficavam maravilhados.

Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu. . De repente. Tentou circundar minha cintura com as mãos. ao contrário de você.Diria que estou melhorando com a idade? . declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente. apagando as velas.rante favorito . menos as do vestíbulo. Estou linda ou apenas bonita? .Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim.Está muito linda. roçando de leve os lábios nos meus. elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim. estão correspondendo às suas expectativas? . um coro berrou no escuro: . . Cathy. que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . os estudos de medicina.repliquei na defensiva. de ter resolvido ser médico? Em vez disso. Chris parecia mais maduro e bonito.A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse. sim .A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e. No duro. . . Não ob stante. Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa. Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. Oh! meu Deus! .O que perguntou? . algo que o fazia parecer muito.Não me respondeu. Estou ganhando terreno sobre você.disse ele. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário.A vida. Chris? . desejei não ter tomado conhecimento.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora. minha Lady Catherine . mas coloquei-a assim mesmo . mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso. . Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante.Você está fantástico. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar.tão fan tasmagoricamente escura. Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa. .o serviço completo. tão silenciosa e carregada de expectativa . . aguardando.disse Chris da porta aberta. . Fui realista . Henny também. é difícil viver longe. Cada vez que vinha para casa da escola. com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores. incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. Meu rosto não precisava de maquilagem. Descemos a escada de mãos dadas.Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. . de repente. .disse baixinho.Tenho medo de que ninguém me elogie . . . Que g ozado! Então. A casa parecia esquisita. Então. deve esperar elogios dos outros .The Plantation House. Chris . sempre a imaginar o que você andará aprontand o. agora. Paul e Carrie já estavam prontos. Gosto da escola e das amizades que fiz.Por que não é feliz. Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava. . tomou-me a mão: . É o meu estilo. preferiria ser bailarino. Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira. mas Chris baixou-os par a ocultá-los. não o seu. Você é tão bonito quanto Papai.perguntei. dando-me ao tra balho de usar o curvex. não gostando de ser lembrada da velha. muito mai s velho que eu. num leve beijo que não ousava passar desse ponto. . Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério. Chris. mas a circunferência não era tão pequena.Isso me parece cinismo. Desviou outra vez os olhos.disse Chris numa voz engasgada e esquisita.Sim .Minha Lady Catherine . Entretanto. dese jei de olhos fechados.Portanto. cada uma menor que a inferior.Feliz aniversário. Mamãe. nem suas mãos tão grandes.e não fazê-los a si mesma.V amos. quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos.repliquei comum largo e ardoroso sorriso. com todas as luzes apagadas.Está linda. . ainda si nto saudades de você.O que corresponde às nossas expectativas? . uma combinação extr emamente atraente.

Com lágrimas nos olhos. . pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e. eu o detestava quando se comportava assim.Não me importa o que você pensa! . É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. Além disso. Sempre que eu procurava o olhar de Chris. E assim terminou minha festa de aniversário. sapatilhas. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas. . etc.. Estremeci. dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si. furioso. ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão.chamou Chris. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé.respondi. pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum . Mas fiquei calada. repetiam mudamente a mesma pergun ta.Mas possuo outras habilida des. o rostinho feliz e corado cheio de sono. Afas tei-me dele com uma pirueta. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro. pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. Cathy . . produzido por um cigarro que alguém deixara cair. discutindo e prestes a se engalfinharem. prestes a gritar para que parassem de di scutir. em novembro passado.. . . uma cintilante e transparente rosa de cristal. . . Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul. Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro. . sem desviar por um instante os olhos de Julian. .Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! .Boa noite.Você! Seu. . observando um de cada vez.bradou Julian. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo. Na verdade. o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão... Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite.Não. . Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde.retrucou Julian. . quase num sussurro. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo. Segurei os pedaços do objeto. de repente. com exceção da festa de Chris. pois agora tem-me a seus pés.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! . que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé.bradou Chris. Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! . era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois. pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. Julian lançou-me um olhar raivoso. Quando chegar a hora.tornando-me mais velha e esperta a cada dia. altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade. Não sei o que ateou fogo à lenha. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes.Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? .quis saber Julian. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. Chris e Julian estavam num ca nto. que se aproximara para me abraçar.Cathy . pregados nos meus. com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva. estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade.Talvez seja verdade . . Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. Paul se ergueu.É a melhor festa de aniversário que já vi. Carrie mantinha-se colada a Paul. Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente.disse Chris num tom gelado.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados. mas. pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se.disse Carrie. cujos olhos negros. . Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras. Em frente a mim estava Julian.Por que parece tão triste? . com todos indo embora parecendo embar açados.Alegre-se. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva.

levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta. Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. contendo-se para não me interromper. Esqueça a desordem: Henny limpará tudo.Não passa de uma quinqui lharia barata.Não minta para mim. quando poss o estar com você e Carrie. sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa. exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros. .disse Paul às minhas costas. . portanto. Vivo em função dos fins de semana. Importo-me muito com o que você pensa. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. eu preciso de você.Quero que se mantenha fora de minha vida.indagou ele com ar feroz. se encontrar a duplicata. Voltei-me para encará-lo.Não tento dizer o que você deve fazer. Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos.. Na realidade. mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas. . qualquer coisa que for preciso. mais cedo o u mais tarde.. Logo subi para meu quarto. Comprar-lhe -ei outra. . . . meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina. Parece sonolenta. . . mas fui obr igada a abandoná-la..Ótimo. se julgar necessário. .Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar.declarei. nem de longe. . Sempre pre cisarei..Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista. Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível. desolada e sem esperanças.respondi com voz embargada. Christopher! . . infeliz.Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. Sempre posso comprar outra. embora não fossem iguais.Chris . Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? . onde verifiquei. muito recatada e pura. . . .disse eu.Nada! . Agora.Era uma linda rosa .Certa vez.O que está havendo entre você e Julian? .implorou Chris.Meta-se com sua vida. Acertei? .começou num tom magoado. .Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem. E também lhe darei algo melhor quando. espantada.Não se preocupe com a rosa .Mais uma vez.Cathy . pensan do que pode fazer o que bem entender. mas estou dilacerada por dentro.retruquei raivosa. embora não tivesse pensado no assu nto. .Sim . Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo.nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você.Farei o que for preciso! . Morro de medo quando penso que. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero . Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos.O que deu em você Cathy? . Mas. Enfrentei-lhe amargamente o olhar.E sei que custou caro.Esqueça. pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas. . muito obrigada pela linda caixinha de música . O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário. Minha voz se embargou e não consegui continuar. de todo modo.respondi. a fim de compensar tudo o que p . Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! . . vá dormir. enquanto eu devo ficar quietinha de lado.Detesto cada palavra que você acaba de dizer. Christopher! Farei o que tiver que f azer.repliquei furiosa. teríamos que pagar um preço por isso. que Chris me aguardava. e o estávamos usando. Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo. Não se afaste de mim. sou tão necessário em sua vid a. eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul. Cathy. engasgada.. . também! Chris ficou muito pálido.

e o indefectível pórtico bra nco. diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me. Cathy.Não! Claro que não! Seus braços me envolveram. seria melhor ela estar bem preparada.indagou ele friamente. Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. o objetivo d e Julian é também o meu. Não. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna. fabulosamente rica e muito linda. não tenho certeza do que seja o amor. Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato. Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris. pouco a pouco. obrigando-me a erguer o rosto. o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo. mas. Medo de ser como Mamãe. eu estava estabelecendo mi nha estratégia. pois. . Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária .erdi e sofri. Quando me olhava no espelho. paradoxalmente.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes.Aguarde ao menos mais um ano. . arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir. Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. não apenas com ele. que encontrei numa banca da cidade. Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. Na prefeitura local. mas apenas por fora. E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário.Você permitiu que ele lhe fizesse amor? . fiquei magoa da e ressentida. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco. via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições. onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação. narrarei um episódio na vida de Carrie. mas também com Lorraine.Onde encontrou isto. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. . Julian me ignorava. com uma expressão morta. Por outro lado. Julian quer que eu vá com ele para Nova York. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora.Ela está novamente na Europa . . ou de que ele realmente me ame. com ornatos brancos em volta das portas e janelas. Quando vinha visitar os pais. Minha beleza não era simplesmente superficial. fui à biblioteca pública de Greenglenna.então. do q ue existia dentro de mim. Eu era um instrument o de desejo. Todas. detestava-me por ser seu reflexo vivo. apertando-me. pois esta é também a estória dela. por que motivo viaja tanto pela Europa. quando eu também fosse rica e famosa. Em outro dia. El a sabe mais que ele. revendo os jornais antigos. Entretan to. não em Julian. Fez uma pausa. Percorri a pé quinze quarteirões. . Calculei que Chris o tivesse afugentado. Escondida num canto. Por algum motivo. minha melhor amiga. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. Portanto. Para meu grande deleite. Mamãe teria notícias minhas . cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. Confie em Madame Marisha. . onde pesquisei a respeit o da família Winslow.Oh! num jornal da Virgínia. tanto . Tinha medo. também. eu não era como ela por dentro.Madame sempre me diz isso e acho que está certa. Gostaria de saber . Cathy? Sacudi os ombros.comentou ele num tom esquisito.Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia. Julian diz que me ama e que cuidará de mim. até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. "A herdeira de uma das maiores fortunas do país".

que jamais exibi a diante dos adultos. as colegas ou as professoras. Ao lado da cama. Era realmente uma escola linda. tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna. ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola.quanto minha e de Chris. tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo. perdera a confi ança de Carrie. parece grama colorida. Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama".O que há de errado com Carrie? . No Sul.dizia ela. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . basta telefona r". com os olhos fixos em Paul. . Só isso.e foi uma pista muito evi dente: . não para Carrie. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato.Gosto do tapete. À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. que se chamava Sissy Towers. reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção. uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu. Carrie passava os fins de semana conosco. Esta. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. Carrie se tornava muito calada. por estranho que pudesse parecer. com os olhos baixos. Mas Paul olhava para mim. Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar . E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. Deixou-me pensativa. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave . recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. mas Carrie não me dizia o que e ra. uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente. tentando adivinhar o que a perturbava. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. Sissy tinha cabelos cor de tijolo. Tudo em Carrie me preocupava. acrescentávamos: "Se precisar de nós. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. . Sobre a cama. que logo murchav am e morriam. para expressar seus sentimentos . preferindo-as às flores reais. qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo.até mesmo hoje. mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. além de um temperamento vingativo e mesquinho. Roupas macias. olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda. Embora eu a interrogasse. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. Em algum ponto dos acontecimentos.Sim . olh os tímidos e baixos. . mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. Carrie tinha uma cama de solteiro. Paul levava flores de verdade para Carrie. adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris.pois nunca. dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. Agora. a fim de trazê-los para casa. Dewhurst. Todas as sextas-feiras.Não estou infeliz . Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola. vozes bem moduladas e discretas. violetas e ver des. chiffon esvoaçante. passiva. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola. Sempre que possível. Disse apenas uma c oisa. Por mais que tentássemos. Eu a abraçava com força. uma única coisa. rara mente ria. porém. Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. A Srt a. revendo o passado. seu olhar f icava inexpressivo e resignado. colocara almofadas cor-de-rosa. Atualmente. vermelhas. Eu só podia encolher os ombros.indagava Chris. jamais. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim. preocupada. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. Aliás. Eu adoraria estudar numa escola como aquela. implorand o-lhe mudamente. Dávamos beijos de despedida. por volta das quatro da tarde. um tanto apática. roxas. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. pele branca como papel.respondia ela. pensando melhor.

. Vejam como chocalha. com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura.ordenou Sissy.proclamou Sissy. circo.cantava ela num refrão. Oh! sim. . fez uma pirueta e abriu os braços. Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. . imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros. seu unif orme era de tecido inglês amarelo. puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros.. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados. enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: . anãzinha? Vamos. Para ela.Carrie devia estar no circo. O assoalho permaneceu sólido e duro...qualquer que fossem as conseqüências. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais. exceto uma menina de dez anos. sem parar. O que você e stá fazendo não é bonito. Entretanto. garotinha dos olhos grandes. anã. O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos.Vejam como ela treme.livre antes do jantar às cinco e meia. anãzinha . E naquele dia..replicou Sissy com uma risada. desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. o que era de causar uma pena infinita. as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s. . Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie. Então. . anã.Claro que não é bonito! .Agora. que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não. Carrie estava na terceira série. Sissy. passou a gritar: .declarou Lacy St. Depois. fazendo-nos sentir perniciosos. com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado. Carrie encolheu-se ainda mais. começando a chorar.. ela nunca diz nada.Carrie é anã. conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça. . Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico. . ..Acho-a bonitinha . circo. .Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe. aquela cor se tornara detestável para nós .. pulando no mesmo lugar. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o.. Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado. Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. ..Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula. bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s.como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. pulou para a tampa de sua escrivaninha e.Vejam o que me deram como colega de quarto: u . Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. assim como para Chris e para mim.. que olhou para Carrie com piedade e simpatia.Estão vendo? Ela não tem língua! .Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes . .. até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo. com um gracioso avental de organdi por cima. John.. Sissy Towers adorava o amarelo.Você tem língua. dispa-se. O sol era o que Cory mais desejava ver e agora. Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa.. .insistia Sissy. .. sensacionais cabelos l ouros e.. de tamanho n ormal.Deixe-a em paz.. cutucando-a com a ponta do pé. indesejáveis e detestados.

a Sr ta. comandou: . Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal. aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. meu pai é mais rico que o seu! . Girando sobre si mesma. se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam . John! Além disso.Vamos. as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras . limitava-se a gritar.Por que essa criança está gritando? .e. Isto já basta. a professora que u sava o vestido de gala vermelho. as outras gritavam. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. . puxando cab elos.Acho que você é mesquinha. Diga-me o que preciso fazer. Dewhurst. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. como Carrie. .Repita o que acaba de dizer. Então.e acima de todo aquele barulho.Foi ela quem começou tudo. enquanto a Srta . .ordenou a Srta. Tudo foi culpa de Carrie. os olhos fechados com força. Sissy pisou com força o pé de Lacy.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera. . Sissy. Dewhurst. Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. ficou repentinamente imóvel e calada. Começou a gritar. .Não há homem algum aqui dentro. que não eram raros.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto. Dewhurst.e até mesmo uma delas. Srta Longhurst! . Eram oito horas da noite. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta. .Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto.quis saber a Srta.Quer brigar comigo? Vamos. rasgando roupas . que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia. Longhurst. não me sinto bem mora .as professoras correram em direção ao t umulto. as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos. Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy. o rosto arranhado por unhas. . ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. Dewhurst. faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você. rolavam atracadas pelo chão. manc hando de tinta a página do livro de registros. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então. maldosa e ruim. Horrorizadas.Onde está o homem. arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se. num vestido de gala vermelho .Controle-se. Towers.Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle.. Intimidada. Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo. dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros. davam pontapés. o homem? . pior que tudo. observando. atormentando Carrie desta maneira! . Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz.re plicou Lacy. que continuou a berrar. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto. a Srta. Ela é como um neném. . Srta. com ar de culpada. Longhurst. depararam com uma cena apavorante. numa atitude protetora. enquanto as o utras se mantinham afastadas. negligés . Todas se calaram. Lacy St. famosa por não ter complacência em casos de tumulto. Srta. Erguendo a voz tonitruante. Sissy sorriu nervosamente. .. Usando roupões de banho. . Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha. Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. Deixe-a em paz. Uma delas.quis saber a Srta.Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional. mordendo. com o busto prestes a saltar do generoso decote . Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. Longhurst: . Naturalmente.ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie. Todas menos Carrie.

você é excepcionalmente cruel. Littleton. De agora em diante. era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu. Só quando a Srta.Srta. cada uma se apresente à Srta. Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela. sendo Carrie uma delas. até que finalmente a Srta. correndo o olhar pelo quarto. onde poderei mantê-la sob vigilância .É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana. Cathy . preocupei-me por causa de Carrie. Dewhurst ficou emocionada e confusa. Paul. Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul. Cathy. Agora. . não pode explicar o que aconteceu? Agora. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. e a Sra. . não visitará sua família neste fim de s emana. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. Por favo r.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. Parkins. Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. pode deixar qualquer pessoa maluca. Dollanganger. retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas. . . via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo. agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar.A Srta. temi. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. Dewhurst encarou friamente Sissy Towers. Carrie reduziu os berros a uma lamúria. E.Francamente. Quando fechava os olhos. Ela estava bem! Tinha que estar. ao mesmo temp o. Na sexta-feira. a menos que me responda. saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. É pequ ena demais para poder causar algum problema e. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto. . Não consegui afastá-la do pensamento. eu respeito a Srta. Dewhurst.o Sr. inclusive a bonita Lacy St. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa. não tend o a seu lado alguém que a amasse. embora você não concorde. Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i. Carrie ergueu os olhos. usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. portanto.berrou Carrie. ficará alojada no a ndar térreo. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas. Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre. . controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta.. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . atendi o telefone quando a Srta.Srta. realmente. Agora. bem como seu lindo e . A Srta. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. no quarto ao lado do meu. . não é justo castigá-la também. para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. uma por uma.disse ele. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. Chris. Towers. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens. estendida ao comprido no chão. também! . Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. castigar as outras. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você. E nossa avó fazia coisas terríveis. sem parar. Ener vei-me. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim. Dollanganger. . que chegara para passar o fim de semana em casa. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora.Quanto ao resto de vocês. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e. tomou a palavra para con cordar com Paul. pousando o garfo no prato. estava sozinha e consciente do fato.declarou a diretora.Claro. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão. continuou balançando a cabeça de um lado para outro. d e algum modo. e surda. .Sinto muito. Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado.Srta. As alunas soltaram gemidos e. numa atitude histérica. Não obstante.. portanto. M esmo que se limite a gritar.Eu a odeio! Eu a odeio! . A Srta. John.

Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. sem conseguir enxergar direito. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. como você. Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos.Eu sempre guardava o Sr. não o era. desta noi .Não chore. enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. Carrie escutava as meninas sussurrarem. Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele. pois ela seria melhor que ninguém. A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas .Estava tão escuro. Paul levar-me para aquele lugar. . entrara m no quarto de Carrie. Se for bem sucedida. Cathy. Cathy. Carrie Dollanganger. Cathy . não tema . Todas as minha s bonequinhas desapareceram.e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão. já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto .E. mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. .Eu dizia comigo mesma que não me importava . na realidade. Embora não devesse fazê-lo. mas só quand o a Srta.lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito.. Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e. você. Mas quando olhei. aconteceu-me uma coisa esquisita. além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. tomei conhec imento do que aconteceu a seguir. e a Sra. veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama. Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita".Mas importava-me muito. Doze meninas. . Então. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito.querido bebê. Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. como se eu também tivesse virado madeira. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. .disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. E eu ali sozinha. transformando-se em paus.disse-me ela mais tarde -. Clara . Assim. com Clara entre eles. acendi uma lâmpada.só que. mas. Se sobreviver a esta noite. já mergulhada num transe de pavor. muito depois de meia-noite. desta feita. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo. passando por esta iniciação. Fui para um canto e agachei-me lá. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer. Parkins. quando olhei não encontrei o bebê. através de outras pessoas. Paul desejavam. Formaram um semicírculo diante de Carrie.Então. mas. Não gosto do escuro. à espera de que algo de ruim acontecesse. todas aquelas meninas de camisolas compridas. Senti-me rígida. Insistia em fazer-me sentir corajosa. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. . pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. e a Sra. Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias. tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. passeando nos jardins com Cory e Papai. fantasmagórica inuava encolhida no canto. E odiei você. apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. Chris e o Dr. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. Cada uma delas trazia uma vela acesa. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz.. No escuro. Foi Lacy St. e o quarto parecia tão grande e ameaçador. multiplicada uma dúzia de vezes! . Depois.sussurrou-me Carrie com voz embarga da. na última gaveta da minha cômoda. Para Carrie. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta. Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. . Parkins à direita e à esquerda. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava.

amordaçada. também. .e Cory continuou a cantar o tempo todo. Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar. . Foi uma decisão fácil. que dava a impressão de me morder. a chuva começou a cair . o que foi ainda pior. Desta noite em diante. a mulher e o lindo bebê. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. corujinha.te em diante compartilhará de nossos rituais secretos.gritou Carrie. à luz do lua r. Não cons eguia ver ou sentir nada.sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando.Não tenho nada! . as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado . . que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol.. sofrer. ou morrer! Escolha. .Entregue-nos o que mais preza. muito mais tarde. de nossos tesouros secretos. nem mesmo escutava o barulho da chuva. sofrer! . você. perto da chaminé.Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima. .As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana . . As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais. Em seguida. . De repente. P aul gemeu ao pousar o garfo. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu.Agora. Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado . . quando o telefone tocou no corredor. . Dói-me relatar como elas pegaram Carrie. Então. transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho. e de manhã será uma de nós. emitindo leves gemidos. dei um jeito de esgueirar-me para dentro.ordenou a voz auster a. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo.Cathy. deite-se ou sente-se quietinha.ordeno u a mesma voz ríspida. Paul. como uma coruja bem comportada . . ou terá que sofrer. foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. Gemi. uma voz suave e distante. Cathy! .. Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . Então. vendara m-lhe os olhos. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão. corretam ente. pa ra tornar-se uma de nós. Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. sentada e deslizando sobre as nádegas. . Debatendo-se. temendo que lhe ateassem fogo. as meninas tinham-na amordaçado.Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! . Car rie sentiu o ar fresco da noite.gemia Carrie.Cale-se! . Progredia centíme ro por centímetro. de nossas festas secretas. O domingo amanheceu. não as queremos. . com toda a franqueza. sem produzir som. os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos .Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas.Fique aqui pousada no telhado. parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. Senti uma dor terrível.Chris! Venham salvar-me! Dr .qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie. Entregue-nos as boneca s: o homem. E Cory se foi. emergiram ao ar livre. ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or. galgando em seguida uma íngreme escada.berrou Carrie.Oh! Cathy. . . manietada e com os olhos vendados. por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando.Muito bem. que devia ser comido imediatamente. Pelo relato entrecortado que me fez do episódio. agora terá que sofrer. .Suas roupinhas de criança não nos servirão. Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto.Ohhh! .ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível.Desapareceram! .será uma de nós. Paul.murmurou Carrie. rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. já frenética.

Ambos me fitavam com crescente inquietação.Residência do Dr. Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada. nem mesmo quando Cory desejava. . Mas ela não me deixou terminar. não chore.Pare de ficar tão preocupada. já teria chegado aí há esta hora.Como vem dizer que não sabe onde está a menina? .Aqui fala Emily Dean Dewhurst . causando-lhes preocupações.. Mesmo assim.Pois trate de comê-lo . Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. Se ela não está aí nem a . Enviei uma professora ao quarto de Carrie.P or favor. dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: . as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela. vamos. Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. A diretora replicou com calma: . Tem muito medo do escuro. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas.Srta. sentindo-me aterrorizada. mas esta não se encontrava lá. Então. . Paul Sheffield..Aqui fala Cathy. Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha. recebíamos a notíci a num tom indiferente. chame imediatamente o Dr.. lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo. Se Carrie tivesse um carát er diferente. Carrie está bem. não respondeu. passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. .disse ele. Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. Eu estava sentada no banco dianteiro. Eu disse tudo errado. Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu. a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone. Ela está bem? . Mal consegui conter um grito de aflição. espremida entre Paul e Chris. Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite. Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo. está escondida e não quer responder. e .Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso.Quero realmente provar seu so ufflé.Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer. Peguei o telefone. Provavelmente . . Esbugalhei os olhos.exclamei.Onde estava ela? .Srta. Meu irmão trouxera sua mala. Ainda assim. levantando-me de um salto e correndo para o te lefone. do porão ao sótão. . Ela não fugiu.Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas. eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa. .. Williamson. Chris beijou-me o rosto. ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola. de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam .indagou Paul.Você e o Dr. Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se. .Agora. inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie. . temendo o que viria em seguida.quis saber Paul num tom feroz. .Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra. Dewhurst! . Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa. on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. . e e u perguntei onde ela estava. mas devo dizer que não sabemos onde ela está. . . Sheffield devem vir aqui imediatamente! .. Cathy . Segurava-me a mão com força. Paul riu baixinho. enxugando-me as lágrimas.Sinto muito. sem fazer comentários. a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie. sua irmã não foi encontrada. Meu coração ficou aos pulos. para os serviços dominicais.Você conhece bem Carrie. . Dewhurst. ferida. Sheffield ao telefone! .Incomoda-se de atender.. não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta. Aos domingos. ou sofreu algum acidente. já alarmada. Chris continuou a comer. Cathy? ...respondi. pois é quase meio-dia. .indaguei com voz sumida.disse a voz ríspida na outra ponta da linha. a irmã de Carrie.. Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial. ou está perdida.

mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião.Procuramos em toda parte! . Verificamos os quartos todas as noites. tomei a palavra. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie.a colega de quarto. A Srta. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie. Só faltavam as bonecas de porcelana. Então. aliviada por escapar à fúria do médico. ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas. Por algum motivo que não sei explicar. A Srta. assegurou: . jamais aconteceu antes algo semelhante.Meu caro jovem.quis saber Paul. . procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. . não é? . Sheffield. nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. saias. Quando. embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". afinal. várias alunas vinham em nosso rastro. Ora. que afirmam nada saberem a respeito.Nós a encontraremos. se eu tivesse a idade de Carrie.tudo. inquieta . vestidos bo nitos . Enquanto subíamos a escada. de modo injusto. .declarei atordoada.Você aí . Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim.Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta. Dr.Até onde consigo perceber. Mas eu não era Carrie. Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho. me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou. Natur almente. chegamos ao quarto de C arrie. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana.Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? . a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio. Emily Dean Dewhurst. Paul Sh effield. Dewhurst explodiu: . Imagino que saibam.As bonecas não estão aqui . . a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. . Todos os pequenos uniformes de Carrie. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola. ninguém tortura minhas meninas.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida. E Carrie estava na cama. Este era forrado e apresentava um volume sus peito.ncarando friamente a Srta. Dr.Na verdade. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to .É a colega de quarto de Carrie. . lá estavam guardados com os suéteres.declarou a Srta. Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie. o que posso eu fazer? . Dewhurst. desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. Verifiquei-a pessoalmente. tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os. impaciente. Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul. Chris virou-se para fitá-las com uma carranca.disse eu. . Dewhurst. não entendendo a presença dos gravetos . a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas . mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo. . ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir. mas andava de um lado para outro. feitos so b medida por Henny. que me fez encará-la fixamente. tentaria fugir de uma escola que. cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. Talvez fosse apenas o olhar. mas Se não quiseram fa lar. blusas. Nunca perde mos uma aluna. O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado. mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso.

Agora.Roubou estas bonecas e o berço do bebê. usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul.comentei.Sou eu. . Contudo. como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me. onde ? Então. agredindo-me. Enquanto ela gritava e resistia. postando-me diante dela em atitude ameaçadora. eles tinham esperneado e berrado.Quero procurar pessoalmente no sótão . a fim de crescerem normalmente. colocando a mão atrás das costas. Dewhurst. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos. Segurando as três bonecas. Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto. onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro. . onde não existiam sons. quando entrava em estado de choque. . mas nunca o revelaria. não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado.Srta. avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela. apertando raivosamente os olhos penetran tes. Eu podia sentir isso. e Sra. Do lenço caíram o Sr. Clara. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo.O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim. eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão. Paul. Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto. .É mentira! . se consegue escutar-me. Chris. encarando-me raivosamente com ar desafiador.Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: . Onde.perguntei.e depressa.qualquer telhado! Voltei ao passado. Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: . Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada. John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira. chame-a você também.É minha bolsa . Tinha certeza.disse eu à Srta.Carrie.Srta. enlouquecidas pelo medo. quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall.As bonecas são minhas! . saiba que sua irmã diz a verdade. Carrie estava ali.berrou a moleca. concentrando-me totalmente em Carrie. Num gesto repentino.respondi. onde. Queremos levá-la . Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado . Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse. E. As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados.Carrie! . embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes. não conheciam Carrie tanto quanto eu. .O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? . Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr. Carrie precisava de auxílio .explodiu Sissy. . . Entretanto. curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers. .. Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy. ela teria que passar so bre o meu cadáver! .murmurou a garota. mentalmente. Dewhurst. . . Parkins e o bebê. indaguei: .Srta. . Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie.Onde está minha irmã? . Para pegá-las. mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela.Sua diabinha mentirosa! . Towers! . . como crianças desvairadas. . Proteg i as bonecas. empoeirado e escuro.Uma bolsa bem grande .Não é da sua conta! . C errei as pálpebras com força.chamei. quase fora de mim. Dollanganger! . E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia.advertiu severamente a Srta.Suas? Pertencem à minha irmã! . Dewhurst! .disse Sissy Towers.Meus pais me deram essas bo necas no Natal! .disse a ruiva. louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido . Dewhurst. Foi então que Lacy St. sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie.Responda à pergunta da Srta.Era . abraçando-a p elos joelhos. o mais alto possível.

ele puxou .quis saber ele. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança. comparecendo a festas. Cathy! Então. Pensei que você fosse gostar daqu i.definitivamente para casa. Mais uma vez. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira. Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie. sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama.Agora. num ângulo grotesco. Quando segurei Carrie pelos ombros. suja e en sangüentada. estavam as três bonecas de porcelana. enquanto os caixotes tremiam e balançavam.depressa e com força. Desculpe-me. Carrie ag arrou-se a mim. de modo a não arranhar o ros to. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie. Agora. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas. Paul desatava os nós que a manietavam. Paul tratará de sua perna. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí. fiquei junto a Carrie. a fim de segurá-la por baixo dos braços. Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie.Espere um minuto . retirando-lhe a venda e a mordaça. vendada e manietada. exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás. . Mantenha a cabeça erguida.como buscar.Diga-lhe que a perna vai doer. Foi então que me lembrei: agora.sussurraram Chris e Paul a um só tempo. O Dr.Meu Deus! . Paul? Sua perna doerá. ainda de camisola. Uma pessoa adulta não o conseguiria. . Carrie. irritado. enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte. piscando porque a luz lhe feria os olhos. sem pensar. Nossa mãe é uma notícia quente. odiei violentamente Mamãe. . você sabia? . Mas eu poderia chegar até ela.replicou ele. . chorando de dor na per na. entendo que não poderia ser feliz na escola. com sorrisos fixos e corpos rígidos. escutei o Dr. Também ainda estava vendada e amordaçada. impedindo-nos de viajar para o Norte. Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel. como encontrar. Em seguida. o berço do bebê também estava faltando. Carrie. .acautelou Paul em voz baixa. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. Bem à nossa frente.Não estamos tão ma l. aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna. E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra. Corri naquela direção. . A culpa era dela . Não se incline para a direita ou para a esquer da.Carrie. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam. . S entamo-nos no mesmo banquinho. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie.Ao contrário de você. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. . avistei Carrie. estava na Riviera francesa. enquanto o Dr. Os cabelos louros brilhavam na luz difusa. Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. Veja aqueles caixotes. venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. A perna de Carrie estava torcida sob o corpo. Em meio à confusão. segurando-me pelos ombros quan do eu. Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados. Paul planejara para todos nós. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora. Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes. . Enquanto falava. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont. Era incrível que Carrie. Paul nos seguiu em seu carro branco. com Chris nos calcanh ares.Carrie. faça exatamente o que digo. pois ainda er a suficientemente pequena. planejei o modo de agir. procuro esquecer! .A perna parece quebrada. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal. erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr. P aul gritar: . Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz. Não l he mostrava todos os recortes. uma professora gemeu e começou a rezar. escutou o que disse o Dr. portanto. . Em algum lugar atrás de mim. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr. Rastejarei até aí. fiz menção de correr em socorro de Carrie.Onde arranjou isto? .No jornal de Greenglenna. Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar. faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. Conhecíamos sótãos . toda rasgada.

Abraçamo-nos. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! . Ele m al conseguia conter as lágrimas. . Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão.. E stava lá fora.alto. não é mesmo? Ele hesitou. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra. Sra. Foi um verão maravilhoso nas montanhas. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. Era sábado e Chris estava em casa. você não a ama mais.Chris. a boneca bailarina. Como era tão belo e forte seu jovem marido . E espero que todos os seus futuros verões. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s. primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento.Você a ama! . que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía. eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo. Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. Eu queria que se fosse e. agarrav a-o com força. Contudo. Naquela noite. ao mesmo tempo.Naturalmente. Winslow. Chris beijava-me com ternura. você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso. deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama.Ora. tão refre scante e agradável.que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia.Como consegue. enquanto eu continuava a soluçar. não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim. era apenas uma semelha nça superficial. por que as lágrimas? . Chris me odiaria por fazer aquilo. invernos. ela não cresce muito. trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas.exclamei. na varanda. Chris era exatamente como Papai. desejando tê-la de volta. Cathy. . meticulosamente. primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões. Como me recordo de sua lua-de-mel. creio que poderia existir esse risco. . As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça.Se ela crescesse como uma criança normal.Ora. Toda vez que olhava para mim . de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. Entretanto. a boneca que reza para crescer e o boneco morto. Privada d e amor. o boneco médico. eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia.repliquei furiosa. colando-lhe o tecido à pele. No entanto. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. o que me fez o sangue ferver de raiva. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo. . perguntei: . era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . Quando consegui falar. de sol e de liberdade. Cathy. resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. E u nem mesmo notara o fato. invernos.indagou. chorando-lhe no ombro. sendo "quase" médico. Parabéns e meus melhores votos de felicidades. . admirava as de seu marid o. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade. Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse. Winslow. Dos que já não lhe pertencem. .

amedrontada e chorosa. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca.Ninguém gosta de mim. . comparando minhas proporções físicas com as suas. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus. Cabelo de Anjo. você aí. Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração. Chris. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus. certamente o faria de bom gra do. . Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. e rezar de cabeça baixa. afinal. Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã. mas sempre ficava de f ora.e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. permita-me crescer um pouco mais. Olhe para baixo. mas só topava com desconfiança.ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa. Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. Acima de tudo. Minha mãe de v erdade.. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. Quando o outono se aproximou. . Ei. que a amamos e admiramos. o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. baixinha . com as mãos unidas sob o queixo. Em lugar disso. mas sentia-me impotente. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. por ser o que sou.Cara de Boneca. dava-lhe minhas preces. Não se transf orme num monstro.Pare com isso! .chorava ela com o rosto enterrado em meu colo. . Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo.Eu não presto. Chris e eu. Mais cedo ou mais tarde. meu Deus! Ela é tão jovem. . pois dava importância . Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa. E você tem a nós todos. Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que. Por favor. Cathy! .Gostarão. de onde ela voltasse para casa todos os dias. . h ostilidade e ridículo. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado. me u Deus. Portanto. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo.Cathy . Ao fazêlo. magoa-se tanto . perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa. ela recomeço u a andar tão bem quanto antes. Depois. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão.dizia-me ela.Estava apenas procurando reconfortá-la . Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais.Ninguém g osta de mim. por favor.Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada. E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo. não se preocupe com os out ros. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe. beberica ndo vinho. Então. . .E. faça Carrie crescer! Por favor. já sofreu tanta coisa! Seja bondoso. Veja-nos aqui. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta. Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional. mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade. E nem mesmo gostam do que tenho de bonito. Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura.declarou com voz embargada. Eu estava na aula de . Logo setembro chegou. Portanto. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. Muito pelo contrário. por favor.Por favor. . passou-se novembro. Senhor Deus. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga.

seria um processo muito doloroso.Estou procurando . . no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse. Quando estava em casa. Outro ra. . tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava. e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. . Ced er-lhe-ia parte da minha altura. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. muito tristes e desolados .revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua. brincando com suas bonequinhas de porcelana.A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . Mas seus olhos . eu julgava. ou. . Agora. sem zombar ia. a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional". Carrie gastava o tempo andando no balanço. das sete da man hã às sete da noite. preferia não respo ndê-las. Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". mas sensacional. E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente. ela se to rnava a sombra de Henny. mas isto não ocorreu. Eu lhe falhara. de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. tinha notícias. Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle. que não lhe fazia justiça .Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja.Eu lhe respondi que. Você está mais alta que quando chegou a esta casa. em especial . Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. Chris arranjou emprego como garçom num café. Necessitava de uma companheira de sua idade. crescerá mais. redecorada e mobiliada. enquanto ele prosseguia: . Ora. "A Sra. Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. riqueza e felicidade. . pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. se fosse possível. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. se tivesse tal máquina."Tenha paciência querida. se as recebia. Todas as noites.balé. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. Quando eu saía. Madame. onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. bondade e compreensão. Eu tinha certeza de que ele respondera com amor. maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. de ombros caídos e cabeça baixa. Em agosto.aqueles grandes ol hos azuis. tornaria a partir para a Universidade de Duke. Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde.Carrie se aproximou de mim.replicou ele com voz tensa. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar". Suspirei. De rep ente. poi . Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. mas não cons eguia encontrá-la. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO. Com o t empo.perguntei a P aul. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. Durante as férias de verão. Às vezes. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow. recém-reformada. A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas. Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges.o que era raro. Cathy. parou de reclamar do próprio raquitismo. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta. para torná-la mais comprida. Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra. eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna.

Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados. Ainda não era rica ou famos a. Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante. Minhas emoções turbilhonavam.. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. Em Greenglenna. vieram também da Inglater ra. de modo a ficar bem atrás deles. pois outrora eu a amara tanto. também. fazendo-a cair. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo. Suspirei. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. A voz dela era doce e suave. gostaria de fazê-lo. Naquele dia. confiara tanto nela. uma das mais afortunadas. como Carrie. Ousei aproximar-me. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes. Era uma das mulheres mais ricas da região e. Por que. Depois da Revolução. pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. encontrando a colônia abandonada. Minha mãe assassina. Poderia também passar-lhe uma rasteira. tive vontade de correr para ela. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. Quando me far tei de olhá-la. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. Seria gostoso. d e repente. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. Minha formatura seria no final de janeiro. que ainda desej ava uma mãe para amar. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. Ergui os olhos da página e fitei o espaço. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. voltei a atenção para o marido. Não a abordei. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. vi-lhe o perfil. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. Os dias de outono se escoaram com rapidez. avistei na calçada. eu estudava como uma louca. os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar. ousei arriscar-me muito. certa mente. tão cultivada e aristocrática. absorvendo seu tipo especial de beleza . descontro ladas. ab raçá-la chamar-lhe o nome. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. sem um único sobrevivente para explicar o motivo. Que estranho! Atualmente. Se ela virasse a cabeça. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua.e o que faria eu. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte.. Chris partiu para a universidade em agosto. Então. Contudo. não estava pendurada num cabide. e. deixando o rosto inteiramente à mostra. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. A linda mãe a quem eu tanto amara. mas eles não se voltaram para ver-me. Oh! meu Deus! Minha mãe. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade. e observá-la perder a pose e a dignidade. Eu procurava minha mãe e esta. naquele caro costume cor-de-rosa. É claro que não podiam. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. evidentemente satisfeita. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. certamente me avistaria . Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. à minha frente. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. no século XVIII.

respondi afobada. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. ele obedeceu sem protestar. Mamãe! Agora. arroz. estragaram muitos dos meus planos.Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . sumiu! Então. Já não usava o basto bigode escuro. Henny movimentava-se atarefadamente. Lembrou-me um pouco Julian. . Um prato complicado.absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. Algum dia. eu me desforraria . de safiando o destino a permitir que me avistassem. Posteriormente. enrolei-o. Quando terminei. Encontrei Henny na cozinha. está desfeita em pedaços! Sumi u. sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário. contudo. Mais. Lavei o cabelo. .indagou ofegante. Estavam em Greenglenna.Cheguei atrasado? . . um homem veio colocar outro espelho na moldura. Seria mais que um simples espelho quebrado. Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. . eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais. num corte moderno. c om um furo no meio. sentamo-nos todos. Então. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos. a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa". voltei para casa e esbravejei diante do espelho. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas.viril e felina. Quando as horas se passaram e Paul não chegou. Então.Adorei aquele aparador que escolhemos . Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa.Só poderei ficar até às nove horas. Naturalmente. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente.inclusive o aparador. a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra. cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. .de uma maneira que não seria prejudicada. assim como os pacientes.Chegou bem a tempo .disse ela. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. Acompanhei-lhes os passos. Uma ja mbalaia crioula com camarão. Naq uele dia especial. cheia de planos de vingança. Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York. odiando minha mãe e admirando seu marido. que eu provavelmente não tornaria a preparar. . sumiu. ajeitando os apitos. Então. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul. Tola. pimentões verdes. num tom de voz que me levou de volta à infância. morando na casa de Bart Winslow. Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . quando ele nunca mais voltou para casa. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre. era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. carne de siri. Oh! sim. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade. comecei outro bolo. .Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . comecei a chorar. alho. O primeiro era úmido e macio. cebolas. para vari ar. como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos. carregando seu presente. Tão logo aquele foi para o forno. As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. Enquanto os seguia. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas.

se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso. que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. Cathy. assistindo à televisão. ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens.murmurou.A respeito de quê? . . Em cima do bolo. eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns.Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida. Tenha piedade de mim.. Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. ataquei-o raivosamente: . . .informei. Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa. Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo.E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno.. enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno. sentamo-nos à comprida mesa de jantar. . Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir.interrompi. Paul.. aquecendo os músculos antes do café da manhã.. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado.. corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco. Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes. Em dez minutos ele tomou banho. Agora. À luz de quatr o velas.Afinal. Entretanto. alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios. por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora. agora. trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas.Portanto. Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. andando pela sala. preocupando-me. Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. mas chega agora. Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. Fiquei sozinha. com três horas de atras o!.O champanhe é presente de Chris . como se pedisse desculpas. Então. Henny bocejou e foi deitar-se. mo strava-se completamente refeito. Descerei dentro de dez minutos. Estivera fora de casa durante duas semanas long as . .redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa. tomei lugar à esquerda de Paul. .pois aquela era a idade que ele aparentava para mim. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz. especialmente decorado em vermelho e roxo. Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos. . Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir. . depois de soprar as velas. restam os apenas Henny e eu.Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe .Ei!.Uma boa safra.Meu vôo atrasou.Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto.Em primeiro lugar.indagou Paul. Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão. Terminada a refeição. minha festa estrag ada.O que acha? . a idade qu e eu queria que ele tivesse.Se você ainda não comeu.Está com uma aparência absolutamente exótica . Semanas mortas. deve ter custado caro. Às dez horas.Estou faminto . . .disse Paul em tom humilde. Comemos devagar. Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet. escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. carregando as malas que levara consigo para Chicago. A certa altura.. Em seguida. fez a barba e vestiu roupas limpas. exclamou. . . .começou ele a explicar. a salada começava a murchar. . d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê. por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso. . Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata. Ele veio pela p orta da cozinha. Não posso controlar as c ondições atmosféricas. Chris teve que ir embora. Carrie começou a bocejar e reclamar.muito longas. Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele. .

Catherine. Vou pendurá-la na parede do consultório. exatamente como Chris costumava br incar comigo.gag uejei outra vez. de Rodin. Catherine. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles .Do meu bigode.Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo. .Que linda obra de arte! . ne m o lenço que retirei do decote do vestido. contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris.. Faz meia hora que não tira os olhos dele. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante. você diz que me fica bem. apertando as pálpebras do s olhos bonitos. mas três horas de cuidadosos preparativos. deixando o presente de lado. sabe a respeito dela? . não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul. Entretanto. Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária.É bonito . . dominava o panorama. de mãos dadas com ele. dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer. .quis saber Paul. . a quilômetros de distância de Paul. Ele não notou as lágrimas. Portanto. naturalmente.grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade.É porque. caso você ainda não tenha conhecimento do fato. . ficando vermelha como meu vestido.Fica bem em você. mal conseg uindo manter-me alerta. Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes. As lágrimas transbordaram-me dos olhos. cheia e sorridente. Deixei-o a rir. os degraus de mármore.disse Paul. Não obstante. tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos. por considerar-me tanto. Ora. com vinte e nove anos de idade. A mágica impressão era causada. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra.A noite está bela demais para irmos dormir . E flerta com todos os médicos. Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito. ... cheio de encanto e sedução. diabo. é claro que você notou. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas .declarou. Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero. Catherine . E agora. desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode. . obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir. Tudo me parecia azul-prateado e irreal.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar. .Muito obrigado. respondi: .exclamou Paul. onde o Beijo. muito belas em sua fria e perfeita nudez. espantado e impressionado.Ora. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. lançando um olhar ao relógio. manchando a maquilagem. enquanto eu estava bem sob o nariz dele. Na minha opinião. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. . A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. onde todos os clientes possam vê-la.Sinto vontade de passear no jardim ao luar. com os olhos brilhando.. É uma expressão muito fraca. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos. ela não chega a ser bonita.. quando Paul começou a abrir os presentes que Chris.Está zombando de mim.Como. atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. ele deveria saber: mexericos. . a o qual homem nenhum consegue resistir).gaguejei. . descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. Então. Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade. c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me. a lua grande e brilhando. Paul Scott Sheffield. Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. Que possibilidades tinha Thelma Murkel.

baixinho.. beijando-me antes que eu pudesse responder. Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer. cada vez mais rápido e mais alto.provocou Paul.Julian? .disse Paul. com tanta violência e abandono.não com você! Palavras inúteis. beijei-o demorada e profundamente na boca.Catherine . .. E quando danço com ele.Catherine. Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer .De quê? .É . mas creio que v oltará na próxima. Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso. Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento. par . Paul gemeu baixinho. rosto. às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. tão e mpedernida. Portanto.Você é apenas uma criança.Tem cabelos negros e brilhantes. resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu. ombros e colo. temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno.Às vezes desejo a companhia dele. caí bruscamente! Paul correu para mim.indaguei espantada. Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha. . . Libertei-me dele. Pare de dar respostas enigmáticas. trazendo-me bruscamente de volta do passado.Está em Nova York esta semana.. Sem a menor vergonha. . a próxima semana pertencerá a ele e não a mim.gre. . pescoço. estava aqui. que minha saia se ergueu com o vento. mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos.. Tonta. fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo. .mas balançando-me co mo uma louca.Depende. . . que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços. eu não me machucara. . tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as. Agora. mas não tiv e dinheiro suficiente. Balancei-me tão alto. . . Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir. enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas.. Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us. Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras.disse Paul. para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada.Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o. você é totalmente feminina. .Machucou-se? . Não podemos permitir que isto aconteça.disse ele. às vezes não. livre no mundo normal . queixo. . A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar.Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário.dis se Paul. Por outro lado. . cheios de desejo. quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos.Já reparei nisso. Catherine .. Suspirei. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo.Paul.Tudo isso depende.É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar .indagou.Então. Era bailarina e sabia cair.Catherine. . .. . ..concordou Paul.Não sou enigmática. enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado. . ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços. . pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. Fica esplêndido naquelas roupas. Comecei a balançar-me. apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa. tapando-me o rosto e deixando-me cega. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem. Não. seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados.O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta.Oh! . Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos. corri para o balanço e sentei-me. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas. . estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes. ofegante.Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? . Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: .

Pensa em mim como se eu fosse uma criança. tão desejável. refleti enquanto desejava mais. . ou sentira-me explodir . E eu mergulhei em seus olhos. fazendo o que me era possível.Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo. tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim. As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. Afastei do pensamento o que pensaria Chris. o bservava-me com ar sonhador. Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes. embora. ter agido de forma diferente.Explique-me uma coisa. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. Ele gemeu. Então. até que. no quarto ao lado da cozinha. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse . fitando o teto com lágrimas nos olhos. o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. Paul. Aninhei-me de encontro à sua pele nua. Nunca cheguei a ler o texto. E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha. havia um livro. daquilo que eu certamente não lhe negaria. meu amor . mas limit ei-me a ver as fotografias. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. afinal. Então. Não está arrependida. Portanto. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada . qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. sua perna pesada se apoiou na minha. Estava tudo estampado em seu rosto. sob seu corpo. No meu modo de pensar. afinal. Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. vagamente marcado p ela satisfação.conseguiu dizer. por favor. sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. sob as estrelas. Fiquei acordada.agora.Catherine. Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . Adeus. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. Juntamos nossas peles. mas faz muito tempo que cresci. porque.Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. Nenhum de nós falava. fazendo-os brilhar. vir! Então. ou justamente o contrário. Como era fácil para os homens. Christopher Doll . E agora.a dizer-me agora que não me quer. A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes.Bem. . começou a fazer-me amor. . tão jovem. Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. apoiado num cotovelo.. abraçados. mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer. o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado. Por outro lado. Chris o lesse. Se disser tal coisa. Oh! Seria uma felicidade. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. estará mentindo. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. Paul colocou-me sobre sua cama e. eu não me importo. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer. Sei que você me amará como desejo se r amada. apenas com o olhar. gemeu e não resistiu mais. afogando-me neles . você fica aí deitada. . há muito tempo. Não precisa amar-me. Se me amasse menos. Subiu cuidadosamente a esca da. não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente. eng olfando-nos como uma onda de maremoto. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele. com esses in ocentes olhos azuis. já sem ternur a. você me ama e me deseja.como ele sentira. . a princípio. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo. Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir.. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo. À distância. a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. está? Espero que não desej a. pois eu o amo e isto me basta. . mesmo que se recuse a confessar. agora relaxado e pacífico. provocando uma sensação agradável . O luar iluminou-lhe os olhos. ou ouvira sinos tocarem. apenas nos tocávamos.Você é tão bela. vir.

Porque não sou como você.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo.respondi. não me faça amá-la demais . Chris ainda teve mais alguns dias de férias. .disse Paul muito sério. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul. Falando sério: você não faz a mínima idéia? . Estendi os braços para puxá-lo de volta. Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny. Mas. por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? .como os seu s.Por favor. .repliquei com igual veemência. uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua.Claro que faço. no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. mas de pneumonia.talvez com Th elma Murkel. como se tive sse medo de que isso acontecesse. Então. Creio que devo ser estonteada por raios. No final de janeiro. Nos dias de folga de Henny. na defensiva. sem rec a meu lado. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. por êxtase imorredouro.Minhas feridas não cicatrizaram! . Apresentava todos os sintomas. serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se.exclamou Chris.Cory pode ter morrido de pneumonia. desorientada. justamente por ser tão pecaminoso. Não me restava muito tempo. Com que falta de convicção ele disse aquilo. tornava tudo dez vezes mais excitante.Tentarei amá-lo da maneira que você desejar. Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu. peremptório.Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! . vou fazer a barba . para não nos trairmos. que exultava em nosso desp rendido abandono. mas demonstrar na prática seria bem melhor. . que eram duplicatas dos lençóis sujos. Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall. quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos. o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente. porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante. Paul logo se cansaria de mim. tão generosa. Ansia va por paixão perene. com suas arengas a respeito de malícia e pecado . om Henny por perto. Todavia. eu voltava a vacilar. Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar.assim esperava eu . ficar rígida e perder os sentidos. sabendo muito bem que procurava protegê-l . eu terminaria o ginásio .Em primeiro lugar. afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama.Não! Por que não trata de esquecer o passado? . meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. . embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. eu me sentia esquisita em relação a Chris. como se o houvesse traído. Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. Estávamos à mesa. Agora. . Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos. .Não! . . eu lavava as roupas de cama. . pois minha próxima etapa seria .de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças. com os olhos sonhadores vendo estrelas . foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to. Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. Não obstante.N ova York. E eu amo Paul . Catherine. Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul.disse ele. quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal. depois.Paul pigarreou. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: . Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor. e voltaria aos velhos costumes . tão moreno e perigoso. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade.Gosto de você como está agora. E creio que a avó.Faço . por não querer que Chris me considerasse pecaminosa. que eu escondia até que pudessem ser lavados.

se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio. por fora . . Chris cedeu.interpôs Paul. voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado.por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris. Um trabalho infrutífero. percorri a pé todos os cemitérios. Paul tentou dar-me o que eu desejava. com postigos pretos em todas as janela s. .E para falar com franqueza. Paul .E você.Se Cathy acha que deve agir assi m. não é mesmo ? . se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. dizendo-lhe que eu precisava ver a casa. Enquanto Paul olhava para as duas janelas.disse Chris. A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall.Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia. pensando que Mamãe poderia ter mentido e. . O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar .Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e. já que se mostra tão contrário à idéia .É aquela! . poderemos visitá-lo periodicamente. que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. . Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so. Chris. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome. Chris viajou cono sco até Charlottesville. fazendo companhia a Carrie no banco traseiro. furiosa. Era enorme como um hotel. mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida. Girei nos calcanhares. eu também gostaria de vê-la. sendo médico.exclamei. nenhuma criança do sexo masculino. um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo.Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory . enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie.Você quer mesmo fazer isso? . natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo.Linda região . com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. . Chris. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory. por que não a contentamos.a. morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente. abrirá feridas cicatrizadas.Veja lá. Eu julgava que tinha todas as respostas. não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris. Paul. Carrie chorava. Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e. onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo. . não será fácil verificar a verdade. para encarar Chris.Agora. Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro. Chris? Todavia. depois. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide. . Deus não i . chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta. apontando as duas janelas no último andar da ala norte.disse eu. Investigou durante muito tempo .comentou Paul enquanto dirigia o carro. com oito anos de idade. terrivelmente excitada. como Chris acaba de dizer. . lançando-me um demorado olhar carregado de raiva. tem acesso a todos os registros dos hospitais. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar. afinal. mandado gravar o nome Dollangang er na lápide. esperem um momento .indagou-me Paul. esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. . Paul refletiu sobre o assunto. . Eventualmente. .

que ainda poder ia crescer e encontrar o amor. Naquele Natal.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. Absolutamente nada. Era-nos proibido olhar pelas janelas . Quando olhei. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada. Estávamos no final de um cul-de-sac. numa posição bem mais elevada. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. se tudo corresse bem . porém. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. fiquei . Então. mas apenas como membro do corps de ballet. Em que resultara nossa longa jornada? Nada. Paul me restaurara. Chris. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los.gritou ela. Coisas que me chocariam quando criança. com o mais sensacional bailarino. o que estamos fazendo não é pecado. melhor que dançar ao som da música mais linda. Após sacia rmos nossa paixão. Paul virou meu rosto para cima e. . Chorei silenciosame nte por dentro. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. Havia esperança para Carrie.havia esperança p ara mim. . dia após dia. E. Havia esperança para Chris. obscenas. . Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha. talvez.não obstante. permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. Desconfiava. pela porta dos fundos.e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo.Paul . exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. como Deus o fez. Assim era para mim amar Paul. dançava melhor que nunca. muito depois que todos os outros se retiraram. também. situadas mais abaixo na mesm a rua. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras. Estreitando-me contra si. fazendo-m e sentir completa. . Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. Ruminei o assunto. eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff. como Eva deveria ter feito há milênios.e estuda va. fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. passando a espuma da raiz até as pontas. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós.Catty. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. fazendo o que queria com seus lábios e carícias.Abra os olhos. tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. secava-os e escovava-os. Como uma criança pequena. Não consegui falar. pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. percebi. disciplina e controle . era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor. pois estava vivo. Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. lavando-os com esmero. é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado. Eram as outras casas. Na manhã de nossa fuga.Quero Mamãe! . mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção. pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber. Catherine .indaguei com os olhos baixos -. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti. ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez.Veja o que tem diante de si: um homem nu . Numa tarde de sexta-feira. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão. ele me pegou no colo e levou para a cama. quando terminava a lavagem. Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara. começou a falar . com mais técnica. Carrie soltou um berro. Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio.disse ele baixinho. Eu dançava melhor. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. . Quando ele aparecia. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então.

Sem imposições de minha parte.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile.Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui.sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. Julian sorriu maliciosamente. Julgo que já está preparada para ir a Nova York. Chris. franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. Veja.acrescent ou com um sorriso irônico. . Agora. Marisha também acha . então. Estava apaixonada pela dança. e tivemos um período alegre.Primeir . Não consegui avistar Paul. implorandome com os olhos negros. mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim. . levando consigo toda a minha insegurança.esbravejei. depois. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo. Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro. . que você um dia venha a desejá-las. nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada. Eu não era Cathy ou Catherine . beijando-me a orelha.. prendeu-me com os braços. acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela.Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou. espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse. A menos. a cortina se abriu. é claro. Trabalhávamos bem. diziam-me mudamente os olhos dele.. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis.chamou Julian. tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova. . não é mesmo? Nos bastidores.Exige pagamento em troca de seus favores. Ia sair para jantar com Paul naquela noite. amarelas e brancas vieram-me encher os braços.Agora. apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall. embora estivesse acesa por dentro. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. Julian pousou o braço em meus ombros. Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. Tirei as sapatilhas. espere! .e. quando Nova York está à sua espera? Cathy. Juro cuidar bem de você. permaneci calada. De repente. por ser jovem e bela . já provou o sabor do palco . zombando de meu desempenho.disse em tom suave e persuasivo. . Era como minha sombra. Rosas vermelhas. Julian estava dançan do comigo. por apresentar-me perante um grande público. como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua. fazendo-me cócegas no queixo e.Não sei . Julian! . . portanto. quase frenético . .Falando sério. Esquivei-me e corri. todas juntas. eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio.Pare de ficar tão nervosa. até mesmo as piruetas . . En tão. Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro. Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa. Carrie ou Henny na platéia escura. Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano. a cima de tudo.Se for boazinha para mim. quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse. eu não sei dizer. se minha técnica não foi perfeita. . numa cidadezinha caipira. . Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. fazendo tudo que eu fazia. Ele só entraria muito depois. Cathy.Cathy. transmitindo-me confiança. O público é composto de pessoas como nós. .Deixe disso. Então.Sei que não gosta de mim.. . . Se cometi erros. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé. a cada vez. após tomar banho e vestir-me. numa grande ovação. Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. . Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária.repliquei miseravelmente. . Então. fiquei sem saber o que dizer e.É verdade.

a fim de que eu possa vê-la com freqüência.Ela conhece tudo a respeito de dança. e realize também o meu sonho. atores e atrize s. irei. Diga que não amará. . Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. mas consegui terminar o curso. em vez de quatro. Oh! Julian estava vencendo naquela noite. Julian tomou-me nos braços. tenho que terminar o ginásio. muito melhor. que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. Contudo. ele conseguiu bei jar-me os lábios. Nunca andei de avião e. que Ch ris certamente será. no palc o.. espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região.Você é o máximo! Confie em mim.de qualquer tipo. Cathy. na ve rdade. . . avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. Será como sua mãe.Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar.disse ele. Por c ima de seu ombro. a vida em Nova York é como a de Marte . Estava entendido. Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento. como Chris. a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e. meneei afirmativamente a cabeça e respondi: . Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York. Paul estava aqui. Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário. a velhinha mais suave. não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente.Não zombe de mim. Quando abordei o assunto. Venha comigo. não é? . (Deus me livre!) . Vou levá-la a restaurantes famosos. Não fui uma aluna particularmente brilhante. porém. Como po deria eu abandoná-los? . É nossa médica e. escritores.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico. . . pregando os olhos em Chris.Sim. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . bondosa e delicada q ue você já conheceu. Paul sorriu. Terminei o ginásio em janeiro de 1963. Você logo se apaixonará pela cidade. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. você voltará para Thelma Murkel.Quando eu me for. depois de rir. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas .um outro mundo. . Chris e Carrie estavam aqui.prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez. Parecia muito triste ao dizer isso . como você entrou.desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta. mes mo querendo dizer não. De algum modo. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. Carrie e Paul.Talvez . Paul. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos. acredite em mim. . mas só se você vier buscar-me. ela é tudo de que precisamos.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não. não é? . eu não poderia. não para ser esposa de um insípido médico do interior. além disso. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Tentei resistir à tentação. às vezes. pois queria que ele se mantivesse fiel a mim. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. Cathy . o público exige o máximo.Você nunca amará outra pessoa quanto me ama.Você vai adorar Madame Zolta! É russa. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação..Claro. . ele explicou: . . abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos. venha comigo para o mundo a que você pertence.É o tipo de vida para o qual você nasceu. nossa psicóloga. Comparada com isto aqui. ambos parecendo esp antados e bastante magoados. A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor. onde você comerá pratos que nunca provou antes.o. Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora. às luzes da ribalta.terrivelmente triste. e a super bailarina em que você se transformará um dia.perguntei com alguma amarg ura. .Cathy. Embriagada com o sucesso da estréia. recebendo rosas. Quanto a Carrie. celebridades da TV. Ficarei com você.

E Chris também voltará.Você não pode ir! . abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis. procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos. . ou simplesmente não chore. E não faria isso duas vezes. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono. Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for. . mais aind a que Paul e eu. como é preci so aceitar. fazendo-me doer da cabeça aos pés. Não precisa chorar por mim.berrou ela. Na noite anterior. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam. Você não será esquecida . Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. Chore por você mesmo. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. alegre e também severo. Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho.Entenda. cavalheiresco e sensível. E Henny . Adeus.Não iremos a parte nenhuma. consultando freqüentemente o re lógio. Esqueça to do o passado. em seguida. . continuou a f itar-me com o coração nos olhos. consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos.Obrigado por tudo.e deixe que seja uma pessoa de sua idade. Afinal. Aceite. os ombros empertigados. . Catherine..sussurrou ele. Chris. Vamos. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos. Terminou. Henny fez questão de embarcar no carro conosco. como eu aceitei. . . . Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte. com as lágrimas rolando pelo rosto. eu me despedira de Paul em particular.Obrigado.Não se preocupe comigo. repliquei: .Não . o rosto rígido. desejand o-me boa sorte. Esqueça-me. por favor.disse Chris em voz rouca. Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam. Nós também compartilhamos de muita coisa. uma risadinha.gritou. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida.Cathy . tive que abr açar Paul com força. Julian andava de um lado para outro. . Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto. Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta. ou poderia amá-lo. erguendo o corpinho leve de Carrie no colo. Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. Catherine .como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. o meu cavaleiro tão galante. Não olhe para trás com arrependimento. enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie. Mais uma vez. Engasgada. bastante alto para que Julian escutasse. minha enciclopédia ambulante.Eu a odeio! .Você ainda terá a mim todos os dias. No aeroporto. .nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha. fitamo-nos nos olhos. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos. . Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque. deu-me caneladas. Chris estava postado junto ao carro branco de Paul.Detesto você e Chris. O meu Ch ristopher Doll. decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos .Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa.. Carrie: eu voltarei. decidido a não revelar qual quer emoção.E você? Ele forçou um sorriso e.Sabíamos ambos que não duraria muito. enxugue as lágrimas. . Camin hou depressa para a porta da frente. sorria e sinta-se feliz por sua irmã. Depois. . .disse ele. . meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. Quando saímos todos da casa. Você é apenas meu irmão. que agora tinha um metro e oitenta de estatura. Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém ..

não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde.Escreva-me sempre. . você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! .Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: .E.é que eu tema que você não consiga vencer. Esbugalhei os olhos. Carrie e Henny sempre que pud er. Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele. . pois eu já escolhera Paul. previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora. tão controlado e elegante no palco. de modo a abrigar p arte do rosto.Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. Gosta de tocar as pessoas. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões. não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. promete? Chris prometeu solenemente. de Paul. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer.. beijando-me de leve. Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças. Então. E venha a Nova York com Paul. .. ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro. trêmula. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu . tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor. . Ou venha sozinho. L ancei um rápido olhar. . murchando-os com um aperto doloroso. . relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa. como você logo terá ocasião de verificar.exclamou. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado.Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e. sem o menor sinal de embaraço. Vá com calma em questões de amor e sexo. meu amor.E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante.ou isso tudo e mais ainda. Abracei-o mais uma vez. O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios.Oh! Catherine!. Nossos lábios se tocaram rapidamente e..Não prometi que cuidaria de você? E o farei. jur o por Deus. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim. . já sentindo saudades d e casa. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es. em barquei para tomar meu lugar junto à janela. Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela. Afinal. Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York. ri. Farei todo o possível para torná-la feliz. que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. .disse ele. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer. que parecia muito sério. Depois. . certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado .Acertou na mosca! .Você me tem . a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? . Sorriu para mim. Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. que vida levaremos. Engasguei-me. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta.Você também tenha cautela em questões de sexo . Doía-me ter que deixá-lo. a Julian. Uma bolinad ora. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado. Julian. a fim de que você verifique por si mesma. olhei mais uma vez para Pa ul. Acenei com o louca para minha família. . Prometa pensar antes em todas as conseqüências.Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. como você lo go descobrirá.. portanto.disse em tom suave. Desde que era a minha primeira viagem de avião. .repliquei para Chris em tom brincalhão .e o empurrei para longe de mim. Todavia. desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. parecendo querer arrancar-me a pele do rosto. rindo. deixarei o assunto de lado. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um. Mas venha. em seguida. Eu também ri . O frio em minhas narinas ator doou-me.

disse ele. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido. com as pálpebras apertadas. sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. talvez nunca . . A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa. . Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente. .Ha! . Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha. ela irradiava um metro e oitenta de autoridade. Nunca imaginei que se incomodasse.Aparenta vir de outra região. permita-me apresentar-lhe a Srta. o peito. Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço. olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz. Madame Zolta Korovenskov. Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo . Apa lpou-me os braços. Os lábios da velha. levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura.disse ela a Julian com ar de quem cuspia. . Naquele dia.Então! . com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros. Madame. O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. delicada. Entretanto. . com ar inteiramente profissional.Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente. . deliciosa professora de dança.indagou Julian.Creio. tocou-me os cabelos. Em seguida. Posso acreditar no que diz a seu respeito? . Madame? . espere o julgue por si mesma. Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de. É tão rápida que a gente nem vê direito! .fungou a velha.Talvez por volta dos trinta anos. fitou-me o fundo dos ol hos. a fim de absorver minha essência. Espiou-nos por cima das meias lentes.e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão. de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian.Sabe dançar? . drenando-a de mim.Como disse antes. colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés. Friamente. Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha.Ora. como fizera a Julian. a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses . muito obrigado. . Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o. O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo. que você positivamente ad orará. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira. Catherine Doll.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce.Também veio do nada? . . . Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa.respondi. depois de tornar-me a maior prima ballerin . Permanec i imóvel e suportei a inspeção. entusiasmado.Muito bem .Está vendo. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos.e eu tricotara para ele. como e ste demônio de cabelos pretos. . esta mulher era muito mais velha . Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. Então. de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma. mas não tanto quanto se julg a. Ele é muito bom bailarino.indagou em tom áspero.se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade.Madame Zolta Korovenskov. sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada. veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato. . era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado. murchos como uma pass a de uva. . Com uma rigidez majestosa. nervosa. até mesmo os seios. franziram-se como uma sacola com o cordão puxado. .Você some quando bem entende. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios. Madame. Depois. Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial.

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

para exibição na época do Natal. preso a uma tira de papel dobrada. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete. ele me ergueu bem alto e. à procura das pessoas que eu amava. Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos. sentindo-me humilhada. Senti-me encantada. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida. Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. E. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma. então. olhou para Julian e depois para mim. o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente. mas possessivo! .e no canto. sem sangue azul. Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. Por favor. perto da escada.Não se preocupe. tímida. .Maldito seja por isso! . Chris se postara nas sombras. mais uma vez. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. faz endo-me reviver.sibilei furiosa.Alexis. mas permitam que Juli an dance este com Catherine. o coração pulsando ao ritmo da música. guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido. Dançou ao redor de mim e. Chris ficara ainda ma is alto. . tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV. Na platéia escura.sibilou ele em resposta. Ainda me amava. Beijei o rosto redondo e firme de Henny. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. desorientada. A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. entre o sofá e o grande baú. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público.Eu a amo. mas não muito. convidando-me a dançar também.mim. Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro. Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York. . Madame Zolta franzi u a testa. Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim. pr . suc umbi-lhe aos encantos. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo. Acordei. Michael. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro . pela primeira vez. conquistador vitorioso. mas Carrie continuava praticamente a mesma . Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa.e ali estava a flor. Só então pude dar atenção a P aul.e não foi um beijo respeitoso. Chris. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso. piscando. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: . O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro. . desejava. Assim.Não sou sua! . fui carregada para fora do palco. tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo. Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público. envolta numa aura de beleza.Maldita seja você por não me querer! . Catherine. Com efeito. mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel . Apri l estava visitando os pais.talvez um pouquinho mais a lta. Julian tomou-me nos b raços e. Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai . Paul. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha. no mais apaixonado pas de a deux. tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente. Cathy. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco. Quando terminou. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe. Nossos olhares se encontraram prolongadamente.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados. prometo-lhes os próximos papéis principais. pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. Então.

pelo menos. Paul Sheffield. Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo.queixou-se Carrie. Enquanto o fazia . . Foi uma resposta que me acelerou o coração. Portanto. Ele exibiu um sorriso modesto. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais. Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite. segurou meu casaco para mim e. mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. com uma marcação afro-cubana. sabendo lidar com os homens .Você é maravilhoso. Ele pagou a conta. . respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma.instruíra Madame. surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio. houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta. Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos. Em poucos minutos. Era tão divertido vêlo assim.Perguntei primeiro. A fim de provar isto. você deve achar que tenho pés de chumbo . Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda. beijando-me.Além disso. seus olhos interrogavam-me com veemência.Usem as roupas de balé . Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios.Depois de dançar com Julian. Pau l acompanhou-a com facilidade.Estou com sono .Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família.Ela olha para todos os rapazes bonitos. Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas. pisquei para Paul. não se sinta tão lisonjeado. desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa. Após o espetáculo. . Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa. que exagerei um pouco em minha dança. Num quarto pintado de vermelho escuro. . . q ue dançava melhor que Chris. Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais. Magoando-me com facilidade. Ele ainda usava bigode não aparado. olhando-me com grande ternura. . atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris. . para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. mas igual a Mamãe: suave. pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. .Você também é como ela? . relaxado. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido.retrucou ele. Então.Encontrou outra pessoa. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas. el e me abraçou com força.Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. sumiram do salão. depois. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele. Depois. eu escrevera apenas a Carrie. causando-me prazer . onde ele nos registrou como Sr. . levando-me a perguntar: . a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos. . Se você quiser. Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si. fria. Paul ergueu-se de imediato. E amanhã dormirá com outro.Não estou procurando ninguém. .Você continua a dançar assim? . esfregando os olhos. com as roupas que usaram no palco. acariciando-me. .ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta. . Sorri maliciosamente para Chris.Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo.disse Paul. Paul? . Quando nos exaurimos. d e almofadinha.reprovei. Ganhara alguns quil os. É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. Paul! Ele riu.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro.E você? . eu seg urei o dele. eu estava aprendendo. e Sra. . adorando-me. Veja só a sua amiguinha Yolanda. apertando as pálpebras.

tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos. Quase morri de saudades desde que você partiu. Agora. Quero estar com você.algo que ela certamente não aprovava . mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá. Até então. planejando como viveríamos depoi s de casados. desejo-a para sempre. de meu estrondoso sucesso.Naturalmente. . ter-me pedido em cas amento. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador. pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata. . Nada mais tinha a temer . Julian correu para agarrarme. . certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava.Catherine.Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade.Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. desafiava-o a dete r-me. afinal. sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. . agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel .Eu o amarei para sempre .Chantagem! . . Nada revelei a ninguém. Permanecemos acordados. de onde v oltamos. eu ainda precisava de Julian para meu par. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta. pois estava livre e seguindo firme o meu rumo. Agora. Agora. No momento. Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. terrivelmente excitado. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo. Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra.Oh! Julian. Por outro lado. eu ainda precisava ficar famosa . beijando-me suavemente. abraçando-lhe o pescoço. Um sábado de manhã.exclamei. Paul.Oh! Cathy! . quando eu iria a Clairmont.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso.os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles.Não estou zombando. Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle. . Chovia.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela. Além disso. O interior do carro era aquecido e acolhedor . Se descobrisse que eu tencionava casar-me . .Não zombe de mim. você está encontrando o sucesso em Nova York.decl arou.Adivinhe uma coisa. eu manteria minh a felicidade em segredo. Não dormimos naquela noite. ocultando-a do mundo. Entretanto. . como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? . não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. Paul Scott Sheffield. Julian riu. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas. Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar. Dali em diante. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele.absolutamente nada. Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal. protegia furtivamente meu segredo.Oh! Paul! . quase no topo. Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade. Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo.. . abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. quero que seja minha esposa. Catherine. Não quero agir às escondidas de Chris. mas não me importei. precisava contar com a total confiança de Madame Zolta. Esbugalhei os olhos. Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul.exclamei. desejo compartilhar tudo com você. Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington. tanto quanto ele precisava d e mim. Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! . incrédula.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais . de meu amor por Paul. tivemos um dia selvagem e louco.

. debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! . e freou tão depressa que fui atirada para diant e.replicou ela. Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha. J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto. .Então. com um sorriso maldoso.Cathy.comentou animadoramente. santa puritana .. Maldito seja. . por me deixar tão longe! Finalmente. do contrário. Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! .. vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma. a freqüentes intervalos.Já vou abrir. . Julian recomeçou: . batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida.! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu. Por fim.. Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros . O e levador demorou-se uma eternidade. rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir.. Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava.Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . .Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência.rosnou ele. desanimei. Os bolsos do meu casaco estavam vazios. Mas guardei fielmente meu segredo. Enquanto isso. pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e. chegamos ao prédio de apartamentos . e Julian me deixara ali . não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado. Julian arrancou-me a bolsa do c olo. Meu casaco leve estava ensopado. pode esquecer! . por favor! . onde eu nu nca estivera antes.Se pensa que vai me dar uma facada. leste ou oeste.É por ser virgem.berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva.esbravejou. fiz-lhe sinal .explodiu o motorista. .Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. Eu não tinha um centavo. que Julian trancara.Você é uma tentadora .Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! . rangendo durante todo o trajeto. negando-me a implorar. o taxímet ro continuava a funcionar. eu tinha medo de ficar presa entre dois andares.disse ele.Vá para o inferno.ele. Eu sabia estar num bairro perigoso. dê me uma op ortunidade. Afinal..Vá para casa como puder. Julian! Só consegue ter isso na cabeça? . Então. entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego. ..flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! .Leve-me para casa.Calma! .. abrindo a p orta. . Catherine Dahl! . você nunca vai me amar. A chuva caía com força. Lançando-me um olhar feroz e contrariado. Eu nunca dava muita importância a Yolanda. O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! . A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian .se conseguir! Partiu com o carro. violento. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta.Quer dizer que não tem dinheiro? .Por Deus. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita. Quando avistei um táxi que passava vazio. a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas.Você parece algo devolvido pelo mar . Sempre que e ntrava naquela peça de museu.e os dólares. garota. onde tudo poderia acontecer. q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar. enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa. Cathy. Quem é? .ao preço de quinze dólares! .Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! . o motorista concordou: .berrou Yolanda.. . ou tomar o metrô.Está certo.Sim! . Nem mesmo poderia telefonar. Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul. deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin.. Mas é melhor você voltar em cinco minutos. Eu não tinha dinhe iro. sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul.caso este . Julian.

Fará o que eu quiser.. Cathy.Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira. Yolanda Lange! . ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho.Pois deixe que eu lhe diga uma coisa. Yolly. o motorista começou a sorrir. carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana.O que deseja? Ela sorriu. Levantou-se rapidamente.rosnou. .disse ela. . Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! .. ..ronronou ela como uma gata. .É mentira! . por algum motivo. Mas Yolly barrou-me a passagem.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista. Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça. .Está bem.Não seja ridícula! Chris está na universidade.Certo . .gritei. apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me.. ..Dar-lhe-ei o que você quiser. impedindo que ela terminasse.Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas. seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie. .. . Tirando isso. . recostando-se provocadoramente numa parede. . Tão logo segurou os vinte dólares.não a tivesse jogado fora.e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes.Nãããooo .Seu irmão.. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente. recuou para longe de mim. que necessita de sesperadamente dele..Até à vista.. E fica me deve ndo o que eu quiser. .Não acredito! Você não é o tipo dele! ..Cathy. Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso. av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! . mas não se esqueça de cumprir a promessa . não é mes mo? .berrei. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada.Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero . ... em seguida.Puta! .Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata. você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão.Cale-se! .. . garota.. também.. poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade. certo? Concordei e tornei a sair correndo. . seu nari z já começava a inchar. mas traga-o aqui! Então. empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta. . isso servirá para acalmá-lo.Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo. mas. quero que cumpra sua parte do trato. Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava.respondi.Vamos. meu amor. tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly. Empreste-me o dinheiro. .Por favor.. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa. o rosto de Yolly ficou muito rubro. Oh! eu não sabia que batera com tanta força.Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça.. . ..Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio. que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente. .gritei furios a.. repugnada. Diga que está doente. .O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? .. ela ficou rígida e.

Não posso estar errado . nem estúpido. que sou cego e .Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês.portanto. . esperando ver Al exis ou Michael. . Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir.e.mas não o fez. mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão. . pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou.Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da. levantando-me da cama. porta nto. O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim. Olhei freneticamente em volta. Não podia contar a verdade. com um medo terrível de Julian.Julga. Pegarei seu irmão. Comecei a guardar minhas roupas nas malas. ajoelhou-se sobre mim. é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto. Só então ele falou.. . ta mbém! E quando ele for meu.odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele. cheia até a boca.Julian! . mas Julian tornou a empurrar-me para trás e. esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! .depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto. para minha infelicidade. não me venha bancar a moralista imaculada. Levei sob o braço uma sacola de couro macio.Mas não sou cego.chamei. .. desta feita.bradou ele. com o dobro da força! Tentei lutar contra ele..Solte-me. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas.. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? .menti. tão furioso que parecia prestes a explodir.sibilou ela com os dentes trincados. tem que ser você! Quem é o outro? . ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força. cheguei ao andar onde morava Julian.e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o. mas.perguntou. Julia n Marquet. Catherine Dahl. onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse . passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama.Ninguém fala assim comigo sem receber troco.. cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! . Senti-me enjoada e a odiei .berrei. Catherine Dahl.Pode levar de volta sua maldita bolsa . e percebi o modo como você olha para aqu ele médico . não sou uma provocadora como vo cê .estúpido. Arr astando minhas malas atadas umas às outras. Vai arrepender-se.Ninguém! . E ainda mais: tomarei Julian de você.. terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. garotinha pudica!. abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me. eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. não é? . Antes que eu me desse conta do que acontecia.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você. não é? Sacudi a cabeça. não se atreva a chegar novamente perto de mim.Cathy.e continuo viva.Você me causa realmente muito medo.Fuja. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. Julian estava sozinho no apartame nto. . . . . Yolanda. que se estendera na cama como uma grande gata.Vá em frente! .Claro! . Já encarei gente maior e melhor que você . . Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial.. . Agora. entre as duas. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente.. resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! . Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda.Por que não consegue me amar? .Se estiver aí. animal! . . vai lamentar e ste dia. . você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade.redargüiu ele.

abri-a e saí para o corredor. no menor quarto da casa de Paul. embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo. sente-se ameaçada. depois de rasgar o envelope fechado. Mas era só meu. antes de adormecer. o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim. tornei a acordar durante a noite. Imaginei sua expr essão ao abrir a carta.mas não será tão bom qu anto o que você ocupava.e matarei você também! Portanto.Existem instituições especiais para loucos como você. Madame.Maldita seja. Concluiu dizendo: . se não conseguir.ou para Mamãe. Julian! Não pode dizer a quem de vo amar. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York. acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. ele tornou a abrir a porta. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim. nem obrigar-me a amá-lo. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. . terei que voltar para Clairmont. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. Agora... sem ler o conteúdo.. acrescen tara: "Agora. Faça as pazes com ela. Winslow". Todavia. inteiro. Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar.. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la. Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim. Aproveite enquanto pode. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma. não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós. No fim da carta. tremendo da cabeça aos pés..Você é minha. joguei-me na cama e so lucei. Seja boazinha.. Portanto. Tinha saudades de Paul. Sentia falta de Chris. ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais. eu o matarei . Mamãe. Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar .. pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui. Lembre-se todas as noites.. trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. se a senhora não me der mais dinheiro. n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. Catherine. Catherine!. Levantei-me com as pernas trêmulas ." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite. O único apartamento que consegui encontr ar caberia. não tardará. Ela gemeu. Só então atrevi-me a dizer o que pensava: . Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão.pensando em você e fazendo planos . Agora. As outras. não poderia ter imaginado um meio melhor que este.e tudo estava na bolsa. Voltei para casa correndo.Não.Está certo. com Julian. a despeito de todas as minha s lágrimas. eu já disse isto antes e vou dizer novamente. quer saiba ou não.. Winslow. Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E.quando Juli an me permitiu . Sra. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. Então.. . Infelizmente. agarrando a bolsa. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe . terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. nada mais que isso. Você faz chantagem comigo e eu aceito.e. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida. recuei para a porta. Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis. quando cheguei ao eleva dor.Ela tem medo de você. trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida. comecei realmente a dormir mal. eu guardava para mim . Catherine. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. em seguida..

Certa manhã. apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos.Deixe-me entrar.Sim. sonolenta. vendo-a empalidecer e. cambaleei para a cozinha.repliquei. Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim.em Londres! . E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência . Já estou noiva. Sacudi a cabeça.indagou ele. precisava tomar café antes de poder racioci nar direito. você disse.é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia.É mentira! .Acorde.Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . Cathy. portanto. depoi s.esbravejou Julian. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava.mas tenciono casar-me com outro...berrou ele. lançaríamos raízes.. Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa. Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto. mas fui obrigada a dizer: . Eu jamais o enganara. esperando que sim.Maldita seja por me enganar! . . .Madame Zolta. trate de me amar .É mesmo? . Mas posso comer de novo. jamais poderemos casar-nos. chorando. girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento. nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos.eu gostar ia disso.perguntei. hoje. não? Detestei estragar-lhe os planos.indaguei.Vá embora! . . pois.Julian. depois que você saiu. mantendo sempre as saudações frias e formais. então..Pare com isso! . mas. Então.gritou ele. Há muito tempo.pois nasci hoje.ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa. fui acordada por alguém batendo à porta. eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências. Julian entrou como um furacão. mastiguei algo antes de vir para cá. somos os melhores .ou de Mamãe..Já tomou café da manhã? . Iremos a Londres. estava falando sério? Vamos para lá . teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé . Ficaríamos ricos e. negando.. Naturalmente . Odeie-me o quanto quiser amanhã.gritei. Cathy. . eu não o amo. contaminando-me com seu entusiasmo.todos nós? Ele se ergueu de um salto. todos nós! É uma grande chance. E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal. . eu a chamaria de Mamãe. Paul e eu tínham . ..Julian. Gr aças a Deus. exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel. estremecer. beije-me. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara.. ontem. Cathy! Perdoe-me. Isto era tudo o que existia entre nós. volte a ser minha amiga.Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? . quando fôssemos ma is velhos.. . Abri os trincos e entreabri a porta. .Claro que sim. desta vez. Café.você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente. acompanhandome à cozinha. Então. . ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá. . .. . ou arrombo a porta! . onde montou às avessas numa cadeira. vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . Você também. .Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma .

tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo. mesmo na Carolina do Sul. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai. Então. Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente.um presente para todos nós aproveitarmos. Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa. Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira. Quand o experimentou o vestido. Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto. Então. por algum milagre. Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa . os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara. Olhei p ara o enorme aparelho de TV.O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul. Paul simulou não perceber. Às duas da manhã. jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. Chris . Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine.os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e. Tentei imaginar Cory. dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração. examinando seus p resentes. também sentado de pernas cruzadas no chão.Salve a bailarina conquistadora! . . Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você. engasgada. Nunca. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna. a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. Foi o melhor Natal que passamos. . Virei-me depressa noutra d ireção. Muito cuidado. A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. que nos observava a alguma distância.Oh! Cathy. Um casaco de raposa prateada! . .É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. escorregou-me na mão um bilhete dobrado. Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios.exclamou meu irmão. Chris virou vivamente a cabeça. num gesto furtivo.mas nunca era. Fazia um frio de doer. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. . mas genuíno.anunciou ele. advertiu-me seu demor ado olhar.É demais! . levantou-se e saiu da sala. enquanto Paul observava e m grande expectativa. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul.Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor .Mas adorei . embora me sentisse nervosa. . você está tão linda! Cada vez que a vejo. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê. era tão fácil fazê-lo feliz. . Apenas seu irmão. encontrando-o finalmente. agasalhos de pele. Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. . os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim. mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho.pequeno. esperando que. Uma hora depois. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora.ou quase até o fim.Veja ali no canto. . . Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido. a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo.simplesmente adorei! Ele sorriu. do princípio ao fim . fosse Cory ! .protestei. agora. prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço. Estendeu a mão para pegar as minhas. Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York. Catherine . na primeira oportunidade.

quando pensei melhor . parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa. E Julian também esteve soberbo. obriguei -me a procurá-lo. mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. certamente. preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. chore. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe. com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração.Fo ram ambos sensacionais . subimos furtivam ente ao segundo andar e. Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . a meio caminho. eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. acho melhor você desligar aquele cara . Quando o programa terminou.disse Chris friamente. que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do. junto à perna de Paul.Chris. Agora .vi-me no palco. Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros. mal avistei Chris. Francamente. espantado.depressa! Com essas palavras.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . Após apagarmos todas as luzes da casa. preciso conversar com você e explicar certas coisas. as roupas que não nos serviam. Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra. Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo. que ocupava uma poltrona.. . acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores. Um tape gravado em agosto. .comentou Paul tranqüilamente.Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores. Chris escolheu um lugar afastado. Não apenas a resp . encolhida.Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você.. Portanto. Cathy. . fizemos amor na cama dele. tenha remorsos. E nrosquei-me no chão. mas. Carrie sentouse perto de mim. Então. Temi aproximar-me de Chris. Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. . Ele explodiu: . Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar.O que posso dizer. não me tinham parecido tão etéreos. Por que sentia. Durante o resto do Dia de Natal. recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra. estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. olhando-me com espanto e mágoa. Ao ama nhecer. eito de Julian.Sim .trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera. Para minha total surpresa.detestaria ainda mai s se ele não gostasse. Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. Eu chegav a a doer de saudades dele.comentou Paul. para repetirmos a dose. dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto. que dormia profundamente.desculpou-se Paul. por favo r! por favor! . Depois. Como tanta gente. Cathy? . com o zelo gerado pela privação. abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento. quando me aninhei no colo de Paul. Cathy. A partir de en tão. Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde. levantando-se para vir pegar Carrie no colo. nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara.. voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto. na realidade. mal saí do quarto de Paul. meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama. abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. em meu co ração. exceto às refeições. não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança. mas de mim também. não obstante . Naquela noite. só agora seria visto em centenas de cidades através do país. nem permite que eu chegue perto do aparelho.Creio que seu irmão está desconfiado . Contudo. . Correu na direção da escada. perdi a noção de onde estava .mas. Mesmo assim. Tratou-me o dia inteiro como a um rival. enquanto eu recuava.e servira como uma luva . Vocês dois apresentaram um romance. Eu quis morrer! Fui espiar Carrie.

Afastei-me. como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável .Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa. a despeito da diferença de idade s. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância. mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado. mas você também arranjará outra . Julga que pode conciliar tudo. em seu restaurante predileto. deixando Chris no jardim com o alicate de podar. você o ama. devolva-lhe o casaco! E. a despeito de tudo. . Chris virou-se bruscamente. está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu. Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora.indaguei num sussurro.e perde bruscamente toda a esperança. Está escrito nele. Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . Dar-lhe-emos o respeito que ele merece. . Como em câmera lenta.mas você não lhe deve sua vida! .Cathy. . largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. sei que gosta. Não é um namoro que será esquecido amanhã. Chris não falava apenas de Julian.Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar. doendo por dentro por causa de Chris. grave. . em sua maneira de olhá-la. Ele compreende.. Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. Chris. .Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy.Eu o amo.Assim também é melhor para você e eu . Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto.Chris. Depois de refletir melhor sobre o assunto. as árvores desfolhadas. Compreenda. escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce. . em cada um de seus gestos.e isso teria ocorrido se não fosse Paul. tomei-lhe das mãos o alicate de podar. enquanto você andará só Deus sabe por onde.Ele é velho demais para você! .repliq uei. . bem. Agora eu fazia parte do espetáculo. discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi. com homen s da sua própria idade. e todo o amor . pretendemos casar-nos na primavera... Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e.acrescentei baixinho. portanto.Gosta de Paul.. virei cautelosamente . antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul. . E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem.Pois acho que devo a ele minha vida. girando-o a fim de ver-lhe o rosto. Recuei. você não o vê da mesma maneira qu e eu. acima de tudo.Então. Você nada deve a Paul.Paul e eu discutimos o assunto. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite.. cultivada. Paul e eu. Amo-o por causa de quem e o que ele é. não é tão errado como você imagina. . as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer.E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você. . Ele permanecerá aqui.Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele. necessitamos mutuamente um do outro. sentia-me tão dilacerada e infeliz.Não devo? . arrancando-me o alicate das mãos. nada existe de errado no que fa zemos. . no modo dele tocá-la. Passei-lhe os braços pela cintura. E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. . Chris parec ia atordoado. Não obstante. chocada. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas. Nós nos amamos. Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança. o capim escurecido.. apesar disso. .

não obstante.. solucei. .. Por que não fizera alguma coisa? Por que. . qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a.Já devolvi tudo. Está pronta para irmos.Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. a despeito do que havia por baixo da máscara.disse Paul. . tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite. mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior. Falou tão .a cabeça.talvez. desta feita. . a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome. Por um motivo com o qual não atinei. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa. estava mudando de idéia a respeito de mim. Minha animação se desfez. está? . mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros .Você está bem. esvaziada pela decepção. e ela falava: . linda. se ouviu o nome Cathy. os cílios longos e naturalmente escuros .ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela. Baixou a cabeça. um homem que nada ficava a dever. Sacud iu-me com violência.Não! Claro que não! . seu remorso e verg onha. Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la . em beleza. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação.indagou Paul. poderia vê-la esparra mar-se no chão.Vá assistir à TV . feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber. . . querida? . agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul. Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era. Corrine. Parecia um pouco mais velha. mas. Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. segurando-me os ombros. quando o mundo era tão frio. mesmo assim. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez. Uma festa . ela se afastara ao longo do balcão e.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora.todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope. os carnudos lábios vermelhos. educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. . revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada. não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul. bondosos. Entretanto. p or favor. Chris avançou para mim. mostrand o-me o quanto ela ainda era bela.neguei de imediato. E você. .Não está mudando de idéia a nosso respeito. ao seu querido "Bart". aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros. nem virou a cabeça. Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco.até mesmo Paul. Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes.Quero conversar com sua irmã. realçados pela maquilagem. Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se. sem muita fantasia nem grande demais. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós.Francamente. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante . talvez percebesse minha pres ença. nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado.Cathy . Contudo. Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto. não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então.Algo de bom-gosto. Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado. perdendo a pose . .

sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis. sim. ele saiu correndo do quarto. até mesmo Julian seria melhor que ele! . .. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas.Chris.Deixe-me em paz! Agredi-o.e ele ficou excitado! Ele. ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele. Cathy. Não respondi coisa alguma. .É uma pena que Chris não esteja passando bem..Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo. segurando-me ainda com mais força.. .berrei.Largue-me. Quando parou de falar. como você vem fazendo. desde que sempre voltass e para mim! . pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras. Você me deseja e desej a Paul... por favor. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul.exclamou ele com fervor.Está mentindo para si mesma .Christopher. E se eu fizesse o que ele queria. você não pretende ter filhos . Chris.Podemos. nunca mais me fale no a ssunto. ele já sabe. mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la. afogar-nos-íamos ambos! . eu a quero para mim! De qualquer modo.. quero acordar e vê-la no quarto comigo.Cale a boca! . Encaramo-nos por longo tempo. se acredita nisso! . Posso contar a ele o que fizemos.Você não lhe contaria. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel. Chris. você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim.. corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse. Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. Ademais. Então. Mesmo que me ame pelo resto da vida. . Não podemos correr o risco de repeti-lo! .Sei que é errado o que sinto por você. sem ligar para as conseqüências. onde poderei vê-la. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse. o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. sermos apenas irmão e irmã. pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . . pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! . dia e noite.Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. ele não desejaria você.. e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar. disse num sussurro rouco: . você me faz sentir tão culpada. sim! . Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa. que julgava podermos viver juntos platonicamente! .. tocá-la.. mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças . mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse. .e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora. Eu qu eria que ele esquecesse. pálido e trêmulo. . Há uma epidemia na cidade. bem perto.Oh! Chris. Quero ir para a cama e saber que você lá estará. Vivo pensando nisso. . engasgado.portanto. estarmos juntos. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros. que não é na minha cama! Então. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros. é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai. Espero que não esteja gripado. .. não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança.disse ele. desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara. não foi? A seu modo. apertando o rost o contra seu coração latejante. com Carrie. O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem.Posso. Por favor. Então. É honrado demais para isso. eu lhe suplico: não se case com Paul! . então. Sonho com você durante a noite. Talvez nos voltássemos um para o outro. Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. sou imbecil! Sempre fui. cometi o maior erro de minha vida..baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras.Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos. também.Você é um grande imbecil.Então. Não pôde conter um soluço antes de continuar: .. então.

não me deixando cair para trás por não confiar nele. agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. E novamente fracassei.É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo.exclamei. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! . . finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr . conseguiria.Então. brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos. Paul . erguendo-se como uma torre acima de mi m. sem fôlego. O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim. então. e minhas idéias.Seremos tão felizes.Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal.. Fiz o possível para torna r a situação agradável.. faça direito. pelo amor de Deus. trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe. Agora.Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí.Mesmo que a odiasse. Determinação. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. Contudo.para vingar-se. repeti ndo a mesma série de passos. enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente.Julian. parecendo exausta. levante-se e vamos repetir. desta vez.Desta vez. grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! . Só precisa dar três passos. E. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa. . Berrou como se eu fosse surda: . Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar.Pare de gritar comigo. portanto. Fácil. Pelo menos. enfurnado em seu quarto e odiando-me.diabo! . Julian foi absolutamente impiedoso.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. Julian usava apenas uma sunga.no instante em que eu a segurar. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet. Dedicação. diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? . Doce. Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito . quando eu a segurar. Sim. .Se está cansada. mas inovativo e mais bonito.Então. faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. levantei-me e tentamos mais uma vez. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez. sorrindo. marcando o ritmo. E não a odeio.Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates. as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas. O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? . Portanto. Desejo. Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente. erguendo os braços para exibi-las. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . Desta feita ele me atirou ao chão. contando. faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto. não a deixaria cair. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor. faça direito . rindo. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija . demoníaco. Eu já não confiava em Julian. Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal. estritamente clássico .Está sem fôlego? . que tínhamo que seguir à risca.. Os quatro mandamentos do mundo do balé. Eu.murmurei. Cathy. deitada. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema. com os cabelos escorridos. caia para trás e amo leça o corpo. . Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo. erguer o pé e saltar.Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! . ainda não. os pés descalços bem afastados.indagou em tom sarcástico. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano. . eu estou dez vezes mais. após cinqüenta tenta tivas! . pule para eu segurá-la e. onde fiquei ofegante. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço. Minha malha grudava-se à pele. mas também com os olhos negros. aquela seria a nossa vida juntos.. você se deixa cai r para trás. Calma.Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! .

Parecia tão lindo à luz azulad a. pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid . como pareci a Yolanda naquela noite.Por Deus!. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco. por detrás da cortina. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar. . cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa. Ela exibiu um sorriso retorcido e. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas. Julian pulou para abraçar-me.comentou ela.comecei. arquejando se m fôlego. foi uma surpresa para mim.Belo casaco de pele . pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave..Creio que não a conheço . Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda. os cabelos escuros brilhando. prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: . Olhos e cabelos escuros.gritava o público.a melhor que já tivéramos. minha cara criança. ou de que ela me lembrava alguém. embora. refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que. Embriagada pelo sucesso.. Então. pois haveria uma grande festa logo em seguida.Você é muito bonita. .Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos . ve m-se tornando importante. Demorou-se a retomar a palavra.volte para casa e vá para a cama! Catherine. Peguei meu cas aco. Agora. que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições. Parecia o meu amante do sótão. você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . mas eu conheço muito a seu respeito.Dança excepcionalmente bem.Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça. Era a nossa noite . é claro.que só podia ser ruim.e Julian beijou-me os lábios.ir e dar-me parabéns.Obrigada. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. Uma mulher alta e atraente entrou no camarim.Bravo! . roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta. . Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres. correndo para meu camarim. .disse eu.. usando malhas brancas. Vamos. .Obrigada. preparando-me para o que ela viera dizer . Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul. chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta. mais uma vez . . . sem ser convidada. eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. Talvez até mesmo bela. Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa.Catherine. os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval. Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o. . . procurando indicar-lhe que pretendia sair logo. passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos. ..Suponho que seja presente de meu irmão. Por algum estranho motivo. a fim de vestir meu casaco. tive a impressão de já co nhecê-la. sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. segundo fui informada. em suspenso. Aplausos estrondosos quando o pano baixou. E. . mantendo-me nervosa.Claro que não me conhece. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: . Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. no intuito de apressá-la.

Ela sorriu com pena de mim. .portanto. a qualquer momento. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . . também.Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser .Não conhece seu irmão.a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio.Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude. compreendo o motivo. seu rosto assumiu uma expressão im placável. mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade. mas recusava-se a falar com ele na rua. inteligentes. . prestes a saltar sobre a pres a. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando. . embora não tenha bom senso. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. vendo você. Sou forçada a admitir que tem bom gosto. Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. realmente pouco me importa o que ele faça. . de forma alguma prejudicaria a sua vida. não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont.Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. e pode crer que não será a última mulher dele.Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos.Sei tudo a seu respeito. como sabem rir as mulheres cultas. você sabe. pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina. . e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja. de modo que ela pudesse usar as garras. como se tivesse pena de mim. parece porcelana . eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior. Ainda assim. como se realmente pudesse casar-se com você. com uma risadinha divertida. Júlia foi uma das mulheres mais queridas. . desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida. cabelos louros compridos. uma cozinheira Ela riu alegremente. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens .. Dahl. Amanda .exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -. É realmente uma mescla peculiar.Agora. É honrado.a. golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas. Paul já se comportou antes como um asno.Saia daqui! . os vizinhos têm olh os e ouvidos. Usava um perfume oriental. Se ela o empurrou para outras mulheres.disse ela. bondosas e maravil . como gostava de rir! Gostava da situação. . Mexericos.Saia daqui . Meu Deus. com mais dez por cento de juros . sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que. Srta. era uma governanta.consegui dizer. ele me ama. nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. almiscarado. Interrompi acaloradamente: . e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo . sensual e ma gra ao mesmo tempo.. e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim. Paul me contou. tal entosas. Compre enda . muito jovens.Sim.Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista.s uspirou. um som duro e impiedoso... Or a. Paul gosta de mulheres jovens.ordenei furiosa. Embora a Henny não possa falar. estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto.Minha cara criança. Toda cheia de ino cência e sofisticação. . . Júlia costumava dizer-me que ele.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão. é tudo o que ouço. embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo. . Riu em tom baixo e sarcástico. Então. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa. Então. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir.comentou. forte. decidida. . Amanda. generoso. delicadas.Uma pele tão imaculada. tão firme. e logo esta rá falido. Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta. aquela era a irmã de Paul. eu não o censuro. sua boneca bailarina. E também bonitas. todo o mundo sabe de tudo.

Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! . deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero. É viúvo. tomara-me sabe ndo que era casado . saiu do camarim. Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! .. jovem. Oh! Que horror! . Esfreguei os olhos como uma criança. Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. .fotos de uma mulher magra. deixando-me as fotografias. Dei um arranco. Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. me enganara. Scotty era um menino tão belo e inteligente .Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente. Eu só conseguia pensar que Paul me mentira. por favor. Está evide ntemente apaixonado por você. Cathy. então.. ou o tipo de sexo que ele queria e exigia. é sensacional. .hosas que já existiram.Paul não é casado.Concordo .Não.. Então. Você é uma bailarina maravilhosa. S alve-se enquanto é possível. .Nunca tive uma garota novinha em folha como você. não fora Paul. .indagou ela. não é mesmo? . . Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava. sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo. ficarei louco. Hordas de pessoa s nos rodeavam. Júlia não está morta. Scotty era a coisa que Paul mais amava. Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem.mas Paul impeliu-a a fazer aquilo. me ame.Ele se tortura. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos .Ele sofre. Cathy ..Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade. afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes. não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem. na época. Não obstante. se culpa. . minha criança.Eu a amo. seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim. .Não chore . Júlia está morta. Pegue-o. Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!. Nada significavam para mim. talentosa.mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo. eu detestava a bruxa vingativa .consolou ela.. felicitando-nos. . segura de si. Contudo. Compreendo o raciocínio de Júlia.Consta dos registros do hospital . de certo modo.É mentira! . Fazia tudo para agradá-lo.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. . continua a ser esposa le gal de meu irmão. . Louca ou não. saboreando a ocasião. por mais mu dada que estivesse.nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele. afogando-me. E aquele rapaz.disse a irmã de Paul.Gostei do espetácu lo. .O que Júlia fez foi uma loucura . Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais. Você é b onita. aí s im. As lágrimas toldavam-me a visão. m e ame.sussurrou-me ao ouvido. inexpressivos. Ela acariciou-me o ombro com ar maternal. Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty. deseja ter o filho de volta. tecendo-nos elogios rasgados. ele foi obrigado a procurar outras como você. cujo rosto aparecia sempre de per fil. Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima. . de aspecto di gno de piedade.A propósito . e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício. afogando-me. deitada numa cama de hospital.realmente a odiava.. . eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la. reassumindo o tom suave. mas não fazem o que ele fez! Agora.berrei. Uma mulher arrasada pelo sofrimento. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. Os olhos muito abertos fixavam o espaço. e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro. Por favor. . você aparece e ele lhe põe um filho no ventre.O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos .disse ela. os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação. Se você não aceitar depressa. Suicidou-se no dia em que matou Scotty. elimina-se aquilo que ela mais ama. .replicou ela.

mas lembrem-s e de não fazerem bebês! . o mesmo fazia Madame Zolta. dando-nos sua bênção. .Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? . ainda assim. Catherine..Julian.Seu rosto dançou à minha frente. fora o que ele me dissera. prognosticando o que encontraríamos pel a frente.Sim .repliquei com um prolongado bocejo. .Está bem . como um lobo faminto que pretende devorá-la.Meu bem. nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros. Podia apenas dizer o que esperavam de mim e. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? .Seus olhos. com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto. . com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul. . Eu ri. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós. Numa chuvosa manhã de sábado. hesitei.Oh! Julian . Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento. e voltara toda sorridente e feliz.. E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco.Julian. Eu não podia fugir. convicto. então. menina. querida. Deixe-me em paz. Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. .disse eu. .. Trata-me como um menino pequeno num minuto e.mas apenas por uma noite. Entretanto. . beijando-nos e derramando lágrimas maternais. ou da minha. um casal tão lindo..Agiu certo. que sorria abert amente.Se você me tiver por uma noite.. deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa. depois desta noite. ainda assim. Serei um marido fantástico. Es ta noite serei eu. não fique tão triste .Mas é! Sei que é! .segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico . Parecia um sonho. perfeito como um Deus. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa.Estou cansada e meio embria gada.advertiu ele . mas. para fazer justiça a Julian. Vá embora. que não cresciam por fal ta de cuidados. Julian abraçou-me com força. mais provavelmente. A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava. Nunca notava nada que não quer ia ver. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe.Como pode saber? . rindo como se embriagada.... nunca mais me deixará sair de perto . . Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. trancados num quarto. no outro .Você me subestima. Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem.Julian. os olhos negros brilhando e soltando centelhas. fôramos brutalizados e mal nutridos. temo que você não saiba muita coisa. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida. Serão tão felizes juntos. eu não o amo. e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe".É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá.disse ele. ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory. seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era. Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração.. E havia também Chris. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada. a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou. .. Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento.. Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos. .. . Nunca amarei outra pessoa senão você. Cathy.De jeito nenhum.Amará. . A chuva continuava a cair incessantemente. amor da minha vida. . Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais. Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso. limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. na cama ele era tudo o que se gabava de s . Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral.

Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso. Natais. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários. afinal. .. mas Carrie adoeceu e começou a vomitar.. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita. Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto. apertando-me num abraço de ferro. Julian. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet. Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse. Catherine. . e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida. de modo que Chris. que comparava nosso estilo com o deles. seus pais morreram num desastre de automóvel. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada. Então. Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida.Agora. Creio que ele teve pena de nós.. mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado.er. Acolheu-nos.Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se.. .. tornem cada cena a mais romântica possível. exceto durante o esforço da dança. O The Royal Opera House.ind agava. hem? .Amo tanto vocês todos.repetiu ele lentamente. etc. A essa altura. . me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto.por tanto. Antes que ele terminasse.soluçou. . Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma. eu o desejava.. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez.. . . Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos. por isso mostrou-se tão malditamente generoso. sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. tudo o que eu fizera. O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas.insistiu Julian. prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian. mas como professora. todas as atenções estarão voltadas para vocês . Julian mantinha-se grudado a mim..Isto foi tudo . quando vimos o teatro pela primeira vez. . Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo..Façam como sempre. até que ponto vocês tiveram intimidades? . . E durante todo o tempo. Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito. não como bailarina.Eu o amava e pretendia casar-me com ele.Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto. sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas. O frio era perene. vão embora. O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra. . Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo. se continuarem dessa forma. em Covent Gardens. O que aconteceu depois? .. fracassei totalmente. mas dêem a ela sua própria interpretação. Cathy. como recém-casados. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. deixem-me sozinha. Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco. mantenham a pureza da dança.. . . Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros. eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. E já cometera muitos erros. e acho que isto foi tudo. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. não beijado o u não acariciado. u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico. . Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico. compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e. Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos. Carrie e eu fomos forçados a fugir.. mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira.Então. não nos deixando intimidar.Sabe..Mas não se casou..Por que. entrarão para a história do Balé. meus pensamentos.

fracassará.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque . Julian! Um err o horrível! .o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. E eu era culpada de tudo. e senti-me perdida mais uma vez. Ao contrário de Chris. Você também colocou aquele s eu médico num pedestal. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol ....respondi furiosa. Não precisava ter acreditado em Amanda. como você já sabe. Eu pretendia levar Julian ao interior da casa..Jamais repita uma coisa dessas. não espere perfeição.disse Julian. para. como um amor que se apagasse até sufocar. Era o local de nossa libertação e. A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia..mas não creio que possa! Cometemos um erro. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York. as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível. A primavera ficara para trás. . minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço. Tenho pé de barro. Mais cedo ou mais tarde. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima. eu não era como ela . tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas.Cathy. embora diga que não me ama. eu queria s er como Chris. ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível. Só eu. Jule. cansativas . nos ja rdins de Paul... .Eu quero amar você. Nunca ninguém me amou pelo que sou.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo . É prati camente um desconhecido para mim. darmos a notícia a Pa . lembrei-me de C hris. Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. Doeu-me escutar o temor em sua voz. Assim. Mais do que já desejei amar qualquer mulher. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço.e sobre todas as folhagens. Ainda não vira algo mais belo.Eu a amo tanto.. até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. capaz de abandonar um homem sincero. permaneci sentada em frente às janelas. Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem. excitantes. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias.. procurando a fac e azinhavrada. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma. você terá que aprender a ignorar muitas falhas . deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. no final. aparentemente. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. eu fosse igual a Mamãe. juntos. Casei-me com você. nada mudara . se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja. sempre perce bera as falhas de Mamãe. Cathy. presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela . Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. No fundo. as glicínias q ue floriam.e isso não era talento ou inteligência! Não. Ele fez uma careta de dor. embora já nos conheçamos há três anos. pendia o m usgo espanhol cinzento. num pedestal. as grandes magnólias prestes a florir .Você me perseguia o tempo todo! . criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração. pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. ele t eria que saber. Pouco depois do primeiro dia da primavera. . Deus me livre se. nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente. Mas não me pressione! Não me faça exigências. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse. na verdade. honrado e honesto. Agradeço-lhe por tentar amar-me. Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam. como se o amor fosse. Suspirei.não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum. Gozado. Sempre virara as moedas mais brilhantes.

ou enviado um telegrama. esqueceu-se de nós. Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. É cansativo ter que dançar todos os dias e. sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse. com o olhar fix o em Paul. Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho.indaguei.Cathy. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível. Paul achou melhor esperarmos.Você parece diferente . A cabeça. Julian simplesmente anuiu com a cabeça. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão.. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento. Não obstante. .Sim. E não precisa da família qu ando está dançando. estava com quarent a e três. . levantou-se de um salto e correu para mim. os tornozelos cruzados. Ele bocejou.É você? Carrie escutou a pergunta. jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona.Perde u peso. Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. virou o rosto na minha direção. após sal tarmos do ônibus. .o bigode que ele deixara crescer só para me agradar. agora. diante do aparelho de TV em cores e da lareira. Paul ergueu-se e caminhou para mim. . então. Mesmo dormindo.disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave. não foi? Só quer saber de dançar. Paul tinha quarenta anos. Contudo. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama.. Por algum motivo. Naquela época. para variar. preciso de minha família.murmurou. fitando-me c om ar de censura.Oh! Cathy. . Ninguém me escutou abrir a porta. O bigode parecia mais escuro e espesso .talvez comigo.. fresca e bem alimentada. também se movimentava de um lado para outro.Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? . Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s. enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados.mas não pude. . Então.Sofri quando parou de me escrever todos os dias. seu blusão vermelho de vel udo piquê. Como se eu não passasse de uma aparição.Catherine? . ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente. avancei para abrir a porta principal com minha chave. Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav . ao lado da poltrona. Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente. me machuca! Parecia tão bonita.. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: . E parece cansada. sobre ele. Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. . ao mesmo tempo. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? . o olhar preso ao meu. sabendo que já não me pertencia . Parecia uma linda bonequinha. seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar. enquanto Carrie permanecia calada no chão. tentando adivinhar o que ele pensava. Carrie . tentar ler-lhe os pensamentos. Paul estava esparramado em sua poltrona predileta..Mais ou menos isso. Um tanto trêmula.Ai! Assim. A perda de peso caía-lhe melhor que em mim. Toquei-o de modo hesitante. Dormitando levemente. mas quando você não escre veu o Dr. Julguei que ele fosse di scutir. sonhando. erguendo-a bem no alto.. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana. carinhoso. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada. tinha necessidade de ver-l he o rosto. Concordando. . . observar-lhe os olhos. .. o s pés descalços. acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. Poderia te r telefonado antes.ul . Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços.respondi distraidamente..repliquei num sussurro rouco. presu mi .Você também parece mais magro . Abraçamo-nos e beijamo-n os. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul. erguendo a mão para tapar o s lábios. fitou-me estonteado. Cochilava.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

Mas jovem dançarino talvez não so breviva. com sua mímica rápida como o raio.Georges está doente? . Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido. você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha. galgando a escada como se voasse. mesmo que corresse atrás dele. não chore mais.quis saber Julian. Naquele momento. . tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la. . Carrie é como se fosse do meu próprio sangue. de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. Então. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama. Sinto-me tão ignorado! . afinal. A notícia de meu casamento com Julian! . Em seus braços. Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto. . movimentou rapidamente as mãos: . comecei a chorar baixinho. Além disso.disse Paul. angustiada. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito.Fique aqui e espere! .e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso. indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. Mãos escuras. onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer. mais ou menos para saber notícias de Julian e você. creia-me! Henny sacudiu os ombros largos. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul.. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco.Henny! . Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. levantou-se depressa e partiu em direção à casa.Por quê? .lamuriei-me. Naquele momento.Escute! .Você me ama um pouquinho. rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa. muito doente. Levarei Carrie comigo. Então. Cathy. não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar.É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai.indagou ele. . de modo que me surpreendi com sua reação. sobreviverá à decepção. . Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas .Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama . .rto viver sem alguém que me ame.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. . Entrei no quarto de Paul. Voltarei antes de vocês parti rem. Não é meu cliente. Então. Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses. Falo u-me por meio de gestos e.O que lhe diz ela? . enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala. não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom. Paul entrou na sala com as malas e se . Deixe-a ficar comigo e Henny. ele depende de mim. . metendo-m e a brincar com uma jovem .gritei. Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente . forte. . Agora. mas procuro visitá-lo sempre que possível. . . .Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido. Não creio que tenha muito tempo de vida . sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. Tudo correrá bem Você verá.. faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa.ordenei. Henny apareceu na varanda e.Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo. Um homem já sofre. nunca se adap tará a seu tipo de vida. Enxugue as lágrimas.Sim.O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo.Cathy. aborrecido. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa. Mordeu nervosamente o lábio inferior.

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

Nem Chris. teimoso. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa. estou pouco ligando para Yolanda. meu superior ou amo. Preciso de você para me manter na linha. obscura. Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. e se desapontara tanto com o pai. da mesma forma que minha mãe me decepcionara.. . Juventude clama por juventude e Julian era jovem .. pois compreendi que fora terrivelmente ferido. Chris brilhava na escola preparatória e. fico malvado .aquele médico de quem você foi noi va. Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la . coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa.Chris. .Está bem. até mesmo agora. ele não vai me afastar de você . eventualmente.Você é a melhor coi sa que já me aconteceu. E Julian precisava de mim. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. . Quero tê-la a meu lado o tempo todo. Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê.declarou Julian. eu não me importava. Era primavera e as aves gorjeavam. Às vezes bebo demais e.replicou Chris. nem muito menos . então. E não furtivamente.Eu a amo como um louco . acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico. E tem mais: também não morro de amores por seu irmão. eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. meu carcereiro. Cathy. completando o quarto ano da escola prepar atória e. nem Carrie. um bailarino talentoso . Chame de ciúmes. explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park. Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina. exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família.Eu não chamaria exatamente de "detestar".Cathy. sei que seu marido me detesta. Naquele momento. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. Mas seja lá como for. Eu já o vi olhar para você e. de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores.e encantador. Além disso.. Mas trate de manter-se distante de Yolanda. como um filho único que necessita sse de mimos constantes. compartilhando em termos de igualdade.replic . co mo eu também fora. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda. Chris. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte. embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. Sua irmã é legal. Dividiríamos tudo pela metade. No momento. Mas não se esqueça . bonito.Claro que ficaria . Talvez Paul tivesse razão. quando resolvia sê-lo.sposa: acho que você gosta demais dele.. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco. Meu irmão fitou-me de modo estranho.Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer. no quarto ano. . numa radiante manhã ensolarada. cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. pois ela só lhe poderá causar encrencas. ele me tocou. . mas era capaz de domá-lo.muito malvado. Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. Caty. não desejo magoá-la. . cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida. terminando a refeição. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. Veio de avião a Nova York. . O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas. simultaneamente. Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana. E. nunca fora de meu campo de visão.Está certo. às escondidas. baixei a cabeça. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . Não sou cego ou estúpido. .

trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . .uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade.Eu sei . a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. era um elogio de alguém que ela tanto admirava. Às vezes. .Olá. Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos. Então chegou minha vez de abraçar Carrie. pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo.A primeira coisa que notei foi seu busto.indaguei em voz tensa.esbravejou Julian. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser. fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: . choramos. O que é? Sacudi os ombros. da nçávamos como parte do corps de ballet. que deveria estar ao lado dela. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. até que ela me segredou. veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. . colocando os críticos em polvorosa e.Cathy.Já não uso sutiã de treinamento. O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir. correu pa ra tomá-la nos braços. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. .Não se atreva a me chamar de Fadinha! . Não sabia o que era. Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação. Não obstant e.Ora. parecendo deleitada. decaíamos. Era uma piada que costumávamos repetir.Conseguiu ver meus seios? Não . Desanimada. tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa. abraçando-o pelo pescoço. assumindo um tom muito sério. . como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta. outras vezes dançávamos papéis secundários e. trocamos novidades. talvez ainda mais que estes.É mesmo? . Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros. apertando-a com força. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas. . Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. voltei para assistir à aul a com Julian e. Se Cory ainda estivesse vivo. . jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. depois. Cathy.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. . Carrie o adora e é adorada por ele.Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? . não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu. Entr etanto. como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco. teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos. porém. Chris passou três anos sem voltar a Nova York.Não gosto de você.sussurrei em resposta. em cer as ocasiões.Não quero você dormindo sob meu teto! . sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina. ganhei um de verdade! . Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo. Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. Soltando um grito. Carrie ficaria profundamente ofendida. Julian foi o primeiro a avistá-la. Quando Carrie completou quinze anos.portanto. tínhamos os papéis principais. . E na verdade. fazendo questão de beijar-lhe o rosto.Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar. nunca muda. .cumprimentou. rindo. .. Chris pegara a minha mão.Cathy . será impossível nota r a diferença . pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma. depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite. . partindo de Julian.perguntou Carrie.replicou ela. minha linda cunhada! . Na minha opinião.Paul é Paul.Como vai Paul? .ou Chris.. .disse Chris. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory. .

Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme. deixe disso.. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur . Os meses pareceram voar. Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. Você também ficaria.Ora. Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. e. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris. julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha. Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo. em maio. adorand o o lindo panorama. Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento.pensei que aparecessem tanto. em maio.mas. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé. vamos. e um tape de TV não levava muito t empo. Estará cansada e precisará de tempo para repousar..alguns dos quais já se tornavam realidade. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele.Ora. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. Cinco anos e três meses de vida conjugal .replicou Julian.Por favor. Duas semanas era tempo suficiente. . Madame Zolta sugerira as fér ias. Portanto. . . mas queriam nossa presença agora. impaciente.e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido.Na verdade. O envelope atravessara a Espanha atrás de nós. Protestei. na primeira vez que ela viera sozinha. Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos. mas que me causava dores de cabeça.afirmou Julian. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian. Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. sabendo o qu e ele continha . Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento. Estava ma rcado para junho. claro que aparecem .É um papel difícil para você. tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas. a primavera pela qual tanto esperávamos chegou . Pelo menos. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. afinal. Usando um carro alugado. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos . um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV. Julian e eu estávamos em Barcelona. alcançando-nos em Barcelona. sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava. Cathy! .É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso. Contudo. E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. sobretudo. havia um membro de minha família qu e Julian aceitava.a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. viajamos de cidade em cidade. pessoalmente. . querido. algum temp o antes. o preço seria a inda menor. Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico.afinal! . adoramos a música e a dança esp anholas. Após a refeição noturna. . Era como se eu. como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado. relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios. .

onde comecei a des pir-me. você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! . Talvez você consiga aprender idiomas através de discos. . . mas sou incapaz disso .Venha. . minha amada esposa: quando se casou comigo. com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras.como ocorria ocasionalmente. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava.exceto no sexo. que a adora. Tinha que escolher s eus ternos.Chris é meu único irmão. Franzindo a testa. E aind a não estou disposto a fazê-lo. Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura. po is nunca participou de nada .Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã. Paul! Agora. Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado. que não co nsegue viver sem a sua presença. Cathy.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família.Não me ameace. eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora. .Excetuando eu. Fechei os olhos.Você nunca me fala do passado! . brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e. é Paul isto.Escute bem uma coisa. Sem dizer uma palavra. a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele. Zombava de mim.Não quero mais falar no assunto . Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! . embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. Todavia. Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr.advertiu Julian com voz abafada. Depois.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão. semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua. desta vez. mundano. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim. opinar sobre as roupas que usava no palco . Julian se aproximou para ajudar-me e. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. Quando me decidia a iss o.e me mantém afastada para que eu também não participe. embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las. elegante.Eu vou. M as. Fique com o marido que precisa de você. suas malhas de ensaio.disse Julian. Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava. . desta maneira. de sexo. Julian . não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol. O que ele me fez foi espantoso. levantando-se e pegando-me pelo braço.Não tente escapulir às escondidas . E. E est a era uma delas. vamos dormir.Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. como não quer saber dela.repliquei friamente. permiti que ele me puxasse até o quarto. não sua escrava! . Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: .ou melhor. sua mãe. Não obstante. emburrado e sozinho.Que diabo! Não! . ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. recusava-se terminantemente a permitir que . . .portanto. Ou pode ficar aqui. quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto.explodiu ele. tal vez. fui inform ada de que seria uma noite de amor . pois beijavame o corpo todo. . Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos.Já estou farto de tanto escutar Chris isto. desde que pudesse ir à formatura de C hris. De qualquer maneira . mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! .se por tantos anos. desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador. acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. o que só acontecia quando a dor era muito forte . re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: . tornei-me se u senhor e soberano .foi a resposta brusca. mas não importou realmente. meias e gravatas. não tem quem ligue para você a não ser. Estou cansado. pois não tomei parte no ato. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo . mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado. ficará ao meu lado até que eu a mande embora. com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. camisas.

Sorri. ou mesmo dar um telefonema. fará exatamente o que eu mandar. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado. queridinha. . cheirando a sabone te e loção de barba. deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte. Comemos em silêncio. Cometi a tolice de sorrir.exceto no ego. Julian foi cruel. E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. à sua maneira exótica. servi-lhe café e respondi: . Agora. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados. moreno e despreocupado. ele merece. Para mim.Não farei um juramento tão injusto. que n ecessitava de mim. E não poderá fugir às escondidas de mim. Desafiou-me a morder a isca. que tinha mania de lingerie preta. Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s.murmurou ele. . . Para você. Sou perita em odiar. mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite. não sei como me divertir excet o dançando. Ele avançou raivosamente para mim. Julian..ou ainda pior. A princípio. lemb ravam-me prostitutas.Cathy. . Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. o que fi z obedientemente. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras.. Você já devia saber mui to bem. Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir. o que fará desta vez? Sorridente. . completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa.Agora. existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . Então.Se elas não se importam. mantive-me de cabeça erguida.Está zangada porque não atingimos o topo da profissão. tendo voltado ao normal. Tanto quanto você é perito e m obrigar. . então Julian voltava para mim. dizendo-me que me amava. a esta altura.eu cuidasse da economia doméstica.Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. Equimoses apareceriam e além disso. Além disso. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. Naquela noite. Julian. Nem torradas.Qual é o problema.. era o homem . Julian parou a um passo de distância. limpo. forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor. afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta. Julian. indagando com naturalidade: . recém-barbeado. se sabe o que é melhor para você. . com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. Ele avançou devagar. Cathy . Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel. como você.Pare de ficar ajoelhado. eu ficara magoada. malvado e vingativo. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito. quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo. E agora. dê-lhe uma oportunidade.Desculpe-me. não me interesso por livros ou museus. que eu era a única. eu também não me incomodo. mas talvez os dois . Cathy. um omelete de queijo. está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira.Direi a todo mundo que você está doente.Bom dia querido. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. e minha própria mãe. . sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas. . n em manteiga. Parece ridículo. Contudo. Sorriu e esbofeteou-me de leve. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse. para serem jogado s fora quando sujos. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar. .. logo que descobrira a verdade. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos.

Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair.Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia. Uma hora após o café da manhã. E Julian também deveria estar presente. com meu passaporte no bolso.brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el.declarou.mais bonito que eu já vira. . pouco depois. para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. C athy. Sabe. . encarando-o. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. .Eu o amo. claro que sim! Estava louco de nervosismo. que deveria ali estar para ver tudo aquilo. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade. Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. mas o fato é que o fez. hoje você ainda não disse que me ama. imaginando se teria agido corretamente. Gosto de s eu penteado. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte.repliquei. pronto para subir à tribuna. . É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". eu fizera o que precisava. O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. em seguida. está magra demais. Enfiei rapidamente roupas nas malas.Ele também teve muita pena disso . com demasiada admiração.Cathy.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe. debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. Bartholomew Winslow. torna-a ainda mais bela. hesitei.Se encontrar algum. sempre esperando revê-la. que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . Então. . da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. Lembrei-me também de nossa mãe. . fazer o discurso como orador da turma. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. Henny e Carrie também derramaram lágrimas. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo. Paul. . Ainda não me considero pronto para ficar grisalho. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e. Obrigando-me a afastar o pensamento dela.Está procurando cabelos brancos? . Sim. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento. Eu não via Paul há três anos. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim. . enquanto Julian dormia na cama. talvez. Julian. Nossos olhares se encontraram e fixaram. Naturalmente. Por s .É uma pena Julian não poder acompanhá-la. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. Com o rosto erguido para mi m. avi stei Chris lá em cima. Todavia. O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. Sentar-me junto a Paul. Ele respirava de maneira profunda e regular. Embora eu o t ivesse drogado. Esperando.Alegro-me por você ter vindo .Ora. ela está na cidade. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. Quando tornei a fitar o palco. encaminhei-me à garagem. passaria o dia inteiro colado a mim. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis. com um l eve sorriso. olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório. temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade. O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez. na Carolina do Norte. Francamente. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto. mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los. Se Julian estivesse acordado naquele momento.

Paul. acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos. Mais tarde. Chris. só poderei ficar aqui dois dias. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. Vi-o manejar um bastão de beisebol. cuidarei da contabilidade .menti.disse ele. Desde pequenos. pois sempre tentávamos enganar um ao outro.O Dr. novinha em folha.e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos. embora eu fosse de opinião contrária. Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. como tive o cuidado de advertir. toda pintada de vermelho! O Dr. Chris limitou-se a r ir.. Cathy . compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido.informou Carrie . se Carrie atingisse uma estatura normal. Chris e a mim. Havíamos participado indire tamente de tantos romances. aos dez anos de idade. Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. sua ca ma a um metro da minha. Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam . porém. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina .como fazíamos desde crianças .Livros! . Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios. em seguida. Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. . Além disso. unimo-nos numa comunhão silenciosa. Aparentemente. poderia parecer extravagante no consultório. E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone. .. lançando-me um sorriso encorajador. também era frágil. .adivinhou Chris. Carrie ta garelava sem parar. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel.Não. em nossa mesa.Não consegui carregar mais que seis .. parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava. Olhei para Paul. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma . .mas algum dia ainda seria. Entretanto.Ele queria vir. acertadamente. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio. . Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. a coisa era muito dife rente. pintada por encomenda.. realmente .. .Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo.obre todas as cabeças que nos separavam. São mais livros . se nossa mãe não nos at raiçoasse.se Cory não morresse.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. Observando Chris.O resto da coleção será enviado para você a domicílio..e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. para rebater a bola por cima da cerc a e. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do. manterei os arquiv os em dia. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações. Na verdade. Vi-o no quarto trancado. Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera. Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele . De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. quase escondido naquele espaço imenso. Infelizmente . representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna.prolongava o prazer de recebê-lo. . marcarei as consultas. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los. Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos. a fim de chegarmos juntos em casa. e voltara-se para mim. .explicou Paul. só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr. Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele. quase sem fôlego. Vi-o novamente nas som bras do sótão. . cada qual pr ocurando as palavras adequadas. . embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente.Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto. deitados nos velhos colchões manchados no sótão. Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. quando ficava sozinha.

sonhador.Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina . que o fez parecer novamente um menino.Creio que é. declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo. Quand . que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho. .indagou Paul.Os camundongos morrem cedo? . se é isso que des eja saber.e não posso fazer isso.respondeu Chris. Paul. Com quem você saía? Existia.Você saía muito? .. Agora. Chris.Mas fiz questão. certamente. Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos .Que belo brinquedo você me deu . também. vivêramos num mundo diferente quando crianças. Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade. química. além das roupas. E funciona. foi uma fortuna. . chave e alça de bronze polido. apesar de tudo.. Você não devia ter gastado tanto. . . e mais uma lista interminável de matérias. ma ntidos numa prisão. Tanta coisa para aprende r: física. Nada foi fácil. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la. . e não devia! .. Estudávamos juntos e. toda vez que Chris matava uma mosca. íamos juntos também. um camundongo chamado Mickey.Nunca esperei possuir um des tes. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho. . Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim.Está vendo aquela janela no segundo andar.. Declarei com voz sumida: . Sim.replicou ele em tom despreocupado. sufocado de emoção. levaria várias horas.. . . .. quando saíamos com garotas. Antes. biologia.Deu-me um sorriso engraçado. Cathy.Bem.Concedo-lhe apenas um palpite.Eu amo uma garota . . Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto. mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff. . quando fomos para Foxworth Hall.Só nos fins de semana. . . tomando cuidado para não rasgar o papel bonito . Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo . suspirava por um microscópio John Cuff.Isso não é da sua conta .Oh! diabo. .suspirei. Christopher Doll. precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão.Caso decida divertir-se nas horas vagas. poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. po rém.Conheci-a durante a vida inteira. pelo nome? Assim.Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou. o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. E. devo começar a enumerar uma por uma. Eu gostava delas todas.Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato.Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar. Por que usara aquele tom suave. .em especial. Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota. alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si. anatomia. Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela .1675-1840".murmurou. falando sério: . Sim. ou aranha.e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico.acrescentou.Não está respondendo à minha pergunta. eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian. ... era exatamente aquilo que eu desejava saber. e darei uma deixa. O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana. Certa vez. após todos aqueles anos. as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos .Oh! .. embora não se tenha apaixonad o. Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara. E não é original.disse Chris com voz áspera. Cathy. Entretanto. . ou existe. .. a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank.

acordo para tirar-lh e piche dos cabelos. então.Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. Chris prendeu a respiração.. . você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte. eis a garota que me persegue e governa. ela disse q ue a lua era o olho de Deus.. . Pross eguiu: . Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. .. gritando quando tem pesadelos...não seu. Uma vida doce e fácil. à noite. espero que agora você esteja satisfeita. como fazíamos quando crianças. ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem. Permaneci onde estava. movimentando-me como num sonho. caso se cortassem. Entretanto. e agora tira o corpo fora. E.e agora não consigo fazer que saia. eu jamais conseguiria odiá-la . Virei-me. com os lábios em meus cabelos.Odeie-me. .replicou Chris com um sorriso amargo. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris. nem um anjo. refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul. E. Eu não que ria corresponder.Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e. cercada de todo acolhimento e conforto. sonho com ela dançando acima de minha cama.E deixaria Carrie? .. abracei-o e fitei-lh e o rosto .. Não fiz nada. .Cathy.aquele rosto que também me perseguia. . olhando a lua. Chris. Se m problemas.Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você.Poderíamos levá-la conosco. e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite. Ele sorriu com ironia.Santa. Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta . que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. então! .gritei. Lá chegando. parecendo magoado. mas tente matar meu amor depois que ele começou! .o vou dormir. Em seguida. E se você morrer antes de mim. se você me acompanhasse. não demorarei muito a aco mpanhá-la. afinal? Correspondeu aos meus beijos. Esqueça-se de mim. às vezes. Sem a menor dúvida. Deve haver algo esquisito em mim. você bem deveria saber. beijando-me o rosto. ele recuou. acordo sentindo o corpo inteiro doer. Então. bancando a virtuosa! . A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais. por Deus. Cathy. juro que não fiz. . convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família.. anjo. mas não consegui evitar. observando-nos e condenando-nos pelo que éramos. que tipo de mulher é você. Não sou santa. .. Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. quero odiá-la. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa. como o dela t ambém dói. boa ou má.. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros. Cathy. é problema meu . sem mencionar Carrie. Julguei que ele estivesse brincando de desejar. chamando-me o nom e. encantei-me novamente com a casa e os jardins. como se procurasse provas qu e me incriminassem. Não era tão bela.Não mereço estar lá dentro.Eu fiz exatamente como você. filha do Demônio. Às vezes. ..Cathy.. lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me.Pare! .Não me ame. naquele sonho. Port anto. excitouse de todos os modos possíveis. .Cathy. Então. Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei. tentando conduz ir-me a seu quarto. . chego a pensar que você é igual à nossa mãe. como meio de castigar-me. tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul.gemeu Chris. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. afastando-me rapidamente de si. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. . Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros.Às vezes.

conseguisse ne gar a acusação feita pela avó. Que fizesse papel de tolo. cujas regras eram tão irregulares. Que Julian ficasse com Yolanda. Então. caso não fosse. a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro. Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se . Certo dia. Então: . s ubi ao meu quarto. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. nossas celebridades locais . Corre m rumores de que a Srta.. no final. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar. como sempre.Traz um artigo que talvez lhe interesse . Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: .. Encaminhou-se para mim. O artigo ia mais além. rápida e graciosa.Cathy. em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso.dentre muitas outras . Com música de balé na cabeça. E u continuava tentando provar meu próprio valor. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida.de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam. No resto do tempo. . pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. egoísta.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: . Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino.. dançando Giselle num grande especial de TV. tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia. Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. mais uma vez. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada. Não poderia erguer Yola nda com facilidade . Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu. Pela primeira vez. exigente. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda.não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida.disse com ar indiferente. Avó. para que. mas mudei de idéia. Madame Zolta a trataria com mais justiça.. Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e. poderia ser apenas mais um alarme falso.Catherine! . até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas. Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa.não com sua espinha machucada. Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando. A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo.Nada! Meu irmão ficou calado por um momento.Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. aparentemente separou-se. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão.exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me. não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. Do fundo do coração. que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol. Veja. . Não! Eu não era igual a Mamãe . Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos. . Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais. Não me importava. o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das. Talvez não estive sse grávida. queria que eu tomasse todas as decisões. enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . e. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano. Então corri para dentro de casa. vestida de preto. Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente. deixando-me muda a olhar para a po rta fechada. faminta.

Agora. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção. todavia. Um dia. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu. isto eu admito. Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro.Fomos rígidos com ele.só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança.Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! . . fiquei grávida. ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar. Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor.replicou com rispidez. com expressão tristonha e sonhadora . mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse.. suavizou-se e acrescentou: .Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora. com algum as mechas escuras. colocando-a de modo a poder c avalgá-la.Por que se esconde nas sombras? .repliquei com muita calma.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação. Então. mas sempre o mantivemos conosco.Na verdade. como Julian era boquirroto! . venha. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama. E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande. nunca mais volta ram às boas. Apoiando os braços no espaldar. . percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges. Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório. ansiosos pelos aplausos.Se meu marido já não m e quer como par.Agora..indagou. . Portanto. conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! . Passamos muitas noites abraçados na cama. Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . quanto mais tentávamos. Oh! sim.Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai.Não se preocupe comigo. atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás. . tenho certeza de que outros me desejarão.Eu era mais velha que Georges quando nos casamos. ela rosnou. você bem sabe que não pode ser deixado sozinho. trate de ficar caladinha aí na cadeira. como um passarinho. Madame . G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso. golpeou-me com seu olhar penetrante. Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. pela adulação. mas mesmo assim. de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante . desde o início. Então. avançando para mim..nunca! .Sabe. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto. Ela fez uma carranca. Fez outra pausa e virou a cabeça. Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho. . mostrando dentes mais alvos que antes. que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . eu lhe dava toda a minha atenção.. .continuou. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa.Agora. Os cabelos negros estavam agora quase brancos. .deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe. E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. De perto. perfe itos como nunca tinham sido.Como é bom rever seu lindo rosto. trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida. Julian significou d ois golpes contra Georges. Catherine. eu nunca . poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece. enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido. . até um belo dia d . . . Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. . Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso.

cheios de suav idade e admiração. mas ainda precisando comprovar meu valor. juntos. você era indiferente. Quanto mais decidida você estava a vencer. amou-o quando dançava com ele. de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . procurando ir embora. dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas .. Julian viu você! . . criando os fil hos daquele médico. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto.mas. e eu competindo com minha mãe. com meu ódio por minha mãe. nem padre. Julian competindo com o pai. Prometo agir melhor.Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas. Considerei-a inteligente.. tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade. não o quer. fazendo um jogo de mulhe r astuciosa. você era igual a Julian. na verdade.e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto. . fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu. quase sem fôlego: . mas estou disposta a voltar e tent ar. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. não passava de uma criança! E agora. ele diz que você não o ama. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha. ch ute-lhe o traseiro.Se o ama. Talvez sempre o tenha amado.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele.Sim! Sim! . nem Deus . fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . cujo idioma ele não sabe falar.Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. apenas não conseguia aceitar o fato. mais dete rminado ele estava a possuí-la. quando.. Parou mais uma vez. quando não estava m dançando.muitas delas . foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. . Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. postando-se diante de mi m: . não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente. como um gato de rua arrepiado. Recuei em direção à porta. só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai. por acaso você estaria em Nova York. Então. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. você o aba ndonou num país estrangeiro. não precisa dele! . Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas. que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo. com as pernas fracas e trêmulas. quer esquecê-la! E quando o conseguir. Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual.Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. sem entender que vencera e era o melhor. Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido. eu.. A seu próprio modo. ainda assim. Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim. admirou-o. vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho.e Natal. percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. onde estaria você? Sem ele . está louca! Bata-lhe na cara. oferecendo-se.Não sou mãe dele. De repente.Madame. se ficar calada. entretanto. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer. Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens . Todavia.berrou com voz esganiçada. que me obrigava a cometer loucuras. Então. que nunca o amou! Port anto.principalme nte por pensar que magoaria meu filho.. ministra-lhe drogas e foge. julga que odeia você! Agora. . você. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo. estará dizendo claramente que não o ama. Abandona-o. Não sei por que motivo tive essa impressão. agindo como se não ligasse.. Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas.repliquei fatigada.Você chegou.

prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. . digno de ser amado pelo que era como pessoa. Num gesto automático. caso as cois as corram bem. atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço. Ajeitei-me numa posição confortável. Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu. como sempre. Não é perigoso. .Agora. Carrie chorou. embora soube sse que Julian ficaria furioso. Catherine. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa . . você será melhor bailarino que eu. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores.Também estou procurando. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível. Paul se manteve afastado.replicou Chris num tom sombrio. mantenha-se à distância. tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho. Oh! estava maravilhoso na justa malha branca.Claro . em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa.Pobre criança.Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. satisfeita de tê-lo perto de mim. Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem. Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris. Na verdade. tão sonolento quanto eu.A esta hora.Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente. e . Procurei por Julian.. .Chris . apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. Embora eu tremesse de frio.. O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado. Disse em tom consolador: .. Paul e Henny. se fui dura com você.respondeu ele. enquanto eu levava a sua. A mim. Vá depressa . Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina. Teremos que ensaiar muitas vezes. . Mas Georges se manteve em silêncio. Chris carregava minhas duas malas pesadas.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco. no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? . as câmeras de T V em posição. . deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. ele o disse muitas vezes.. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição. Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie . Entramos na platéia escura.exclamou-me Chris ao ouvido. mas não o av istei. . pois este fincou pé: . muito mais leve. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo. eu sempre soube. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele.Sim . co m agasalhos de lã vermelha nas pernas. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total. Que seja muito em breve. achando graça no seu jeito. na metade posterior da platéia. é para seu próprio bem. com o Georges. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho.Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. Julian deve estar ensaiando no teatro.resmungou ele. Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. Quando conseguir salvá-lo. Chris. Agora.Você é mesmo uma ótima companheira de viagem . e nem mesmo permita que ele o veja. O diretor. esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la. salvar-se-á também. . E eu também tive culpa. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. Ri.Puxa! . pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria. Diga-lhe.indaguei sonolenta. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim. . Estávamos ambos cansados. O palco estava brilhantemente iluminado. Você precisa evitar que meu filho se destrua.

disse o diretor. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! . aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo. Desta vez.É apenas a cobertura da Srt a.Maldito! .chamou ela com grande entusiasmo.Sim .chamou o diretor. julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco. que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda. vamos tentar mais uma vez.refiro-me a você também. ela sibilou: . tudo dava errado. famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena. pondo-se de pé e olhando. preste atenção a sua dei xa. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido.berrou o diretor.sussurrei . A despeito de m im mesma.disse o diretor.é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência.concordei. Mesmo eu. Chris . . Perversamente. . indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . eu entraria em ação.Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras. Lange .. que fazia todo mundo perder tanto tempo. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé. Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora. . arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele.Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: .Ei. Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo. Então. fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas. diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda. Ou melhor. você não estava tão doente. Dahl. tensa. Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles. impaciente. até então. Catherine! . . . Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você. sarcástico. Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta.Eu também. Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto. você. Agora. sentada quase no fundo da platéia. Não obstante.Faz-me parecer desajeitada.Srta.esbravejou Julian! Não sou eu. quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi. Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! .Está bem . A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e. . Enquanto isso. Yol anda escorregava e quase caía. usando uma malha vermelha.Ei. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. Cathy. o resultado foi igualmente desajeitado. de um para o ou tro. dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela. sempre com maus resultados. na primeira fila. Gesticulando. pude escutar as imprecações de Yolanda. Lange. Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção.Então.Com licença. Os olhos negros me viram sentada... O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. apronte-se.. um minuto. se me deixar cair.berrou ela. . . . obser vando a cena como uma águia. comecei a ter pena de Julian. Lá na frente. Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia. procurando acalmá-la. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco. aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos.Marquet! . sentindo-me tão exausta quanto eles. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! . Sorri. não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta. Marquet.. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! . é claro.Corta! . é ela! Sempre salta antes da hora! .. pois eu também precisava de disciplina. Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas.Eu! . em breve ficaria se m par. Tudo estará bem. então. Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. Obv iamente.

tarde demais para salvar-me.Escute bem uma coisa. Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle.vociferou meu irmão. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . Julian é impossível! É um furacão. Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros.repliquei. um demônio.replicou ela cruelmente. e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida. dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama. . Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância.indaguei -. amor. fazendo um perfeito "colar de pérolas".berrou o diretor. se fizemos tudo com tanta perfeição? .. tentei focalizá-lo. vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e.. Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo. Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco.Sim. caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada.disse ele com grande frieza. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . Estonteada.Madame .disse Julian com amargura. quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem. Certamente não será você. Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem. boneca bailarina: ninguém me abandona. Agora. Ao invés disso. sei que você a detesta. Empalidec eu de dor.Olá . Hesitei nas coxias escuras. . Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim. Em breve estava pronta. Como poderiam cortar a cena.Intervalo! .. utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias . de repente. bem? . Então. sem parar de acomp anhar o ritmo da música. agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você.. você verá quem dançará Giselle comigo. Agora. se não tornar a ver seu rosto.Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. meu amor .Portanto. ele exibiu um sorriso malévolo. . Então.Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? . .. .Não está dizendo a verdade . empurrando-a com tanta força que ela caiu. diretamente sobre meus pés. mas não bastou.Maldito seja ele por fazer isto! . O alívio brilhou n os olhos negros de Julian . Portanto. olhando para os pés que inchavam rapidamente.Você não me ama . Yolanda tentou deter-me. . Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos. por isso a escolhi. nunca me amou. ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco.mas apenas por breve instante. ajoelhando-se para desca .. Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse..Nunca me amou. pulou muito a lto e desceu com toda força.Agora. .Seu marido. meu coração querido. sozinha. esperando tudo dele.Você foi substituída . .Você é um bruto maldoso e sem consideração. minha amada Catherine. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz. tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos. Meu amor . Por mais que eu fize sse ou dissesse. Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores. especialmente minha esposa.tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia. . não sabe ser razoável! Logo ficará louco. Ou melhor: logo nós fica remos loucos. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor. Julian interrompeu a seqüência do balé. Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys. quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? . deixei-me cair no palco. Chris correu do auditório escuro para socorrer-me. calcei as sapatilhas.

. . . os médicos preferem ser exageradamente pessimistas. Em meus pensamento s.Vândalos . T udo que era bom e caro.Leve Catherine para o nosso ortopedista . para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo . Você vai precisar de um ortopedista.Às vezes. Com extremo cuidado. muito querido .disse Chris em voz baixa.objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos . beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s. Mas não disse do que dependia. enquanto eu me derreei sobre as almofadas.tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! .. azul e roxo que ostentavam. E Chris não pronunciou uma palavra. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar. chegando-me até o joelho. Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas. basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás. nem u ma só palavra. Nossa sala! Que desastre! oh! Deus. que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede. Já que ele se mostrava tão calado. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito. Sorriu. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira. . perguntei a Chris. Olhou de perto para Chris. Portanto. atirado no chão.replicou ele. Atemorizada. Mantive os o lhos fechados com força. distante . a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação.. com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé. Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente. os dedos maiores foram poupa dos. Temos seguro contra acidentes. as armações de arame retorcidas.Claro que voltará a dançar . Os abajures espalhados pelo chão. Graças a Deus. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente.ordenou Madame Zolta. abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto. Mas aquele marido imbec il.graças à sua perícia incomum. soluçando e fungando. Esbugalhei os olhos. Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé. Depois. rasgado da moldura.Lev e-a depressa para o médico.aconselhou. afastando-se para examinar os outros cômodos. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim.lçar-me as sapatilhas e examinar os pés.Tenha calma . Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça.. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas.Você poderá ou não voltar a dançar. tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados.mas não cons eguia. mas gritei ao sentir a dor terrível . tornou a pegar-me cuidadosamente no colo.. enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso. as cúpulas rasgadas em tiras. procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde. Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista.Ficará boa..quis saber ela. revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito. confiante.. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos. Meu irmão tentava mostrar-se profissional. boquiaberta. . causador de toda essa encrenca? . Desajeitadamente.. Então. Cathy. . . deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto. olhei em volta. tudo depende.Simplesmente vândalos. .Você é o irmão de Catherine.. Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado. tentou mover-me os dedos. .

Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho. declarando-se arrependido. mas não encontrou o brilhante.começou ele.Deve ter sido ele.. Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo.pedi em voz sonolenta e preguiçosa. Estava sempre presente quando eu necessitava dele. ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas.o ódio estava próximo..disse ele.Não fique assim.. Sentia-me zonza. jamais. mas quantos foram? . O aro de platina estava transformado num ova l disforme.Você está b em? Parece prestes a desmaiar. estudava-me o rosto. Haviam-me injetado sedativos.. A qualquer momento. Chris procurou. vi Chris como outrora. Logo adormecerá e esquecerá tudo isto.Chris. Quanto ao anel que foi presente de Paul. Lançou-me um olhar confuso e preocupado. Nunca.Cathy. Ainda será uma prima ballerina! .disse Chris.afirmou Chris calorosa .Sim. E quando adormeci. . Chris. Eu.Lembro-me. Fechando os olhos. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo. . julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava. E sou médico.acrescentei com amargura. Você atingiu sua meta e é médico . o vento uiv ava. não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . . meu único amor. . quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio. Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo . e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. tolos e confiantes demais. passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante. Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia. com o rosto muito composto. baixinho. . os anéis esmagados. sentado na beira da cama. as pulseiras deformadas. . Ainda zonza. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos. pois eu lhe darei mais e melh ores. tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos. porém.Cathy . eu a levarei embora daqui.como no sótão.Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto. quando acordar. Ele nunca me bateu sem chorar depois. os colares arrebentados.Cathy . para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho. mais tarde. usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia. mais uma vez -. guardando no bolso o aro de platina. de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates. Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. . não se menospreze.. .Julian . ele deve ter-me carregado para a cama. . amedrontador. "Sinto m uito. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. ainda não sou uma prima ballerina . deixando intactas as coisas de Julian. Alguém dentro de mim gritava incessantemente . fiz questão de não olhar. no present e. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. tornando as sombras suaves e arroxeadas.murmurei com voz sumida. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol .Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um. . sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha. Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu. . hesitante. minha querida.exclamou Chris. dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião.Maldito seja ele!. E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul. dizendo e fazendo o que era mais adequado. por favor . mas apenas normais. quase indife rente. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences.Não sei o que pensar. Quando acordei. Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu. . éramos pequenos. Além disso.Sim .ia ser o diabo! . pensávamos que toda a alegria ficara no passado. desorientada e um tanto indiferente.Oh! como Julian devia odiar-me.perguntei. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados. você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? . Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. na qual colocara lençóis limpos. Naquel a época.. Sim.Tolos? Não acho que fôssemos tolos. .

as pálpebras. como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava. quando ele pode chegar em casa bêbado.A vida inteira só tive frustr ações. você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian. . Não teremos filhos.mente. ou drogado. Oh! meu Deus. eu o amo. fazendo-me s oltar um grito de dor. de volta à nossa casa... sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance. Ele não me quer perto de você. . abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros. acariciando-me. Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram.Ele não toma tóxicos! .Não me mande parar . Mas. . Fez uma pausa antes de acrescentar: . a face e.escutei-o dizer. mas é sempre você. Não quero que Julian chegue e o encontre aqui. Além disso. senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto. Só então percebi. levantarei e não me meter ei na conversa. . E agora eu entendo. como os meus.Você precisa ir embora. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas. Portanto. Podemos adotar crianças. . sem prestar a tenção.. O s cabelos não eram fortes e crespos. pescoço e o bus to que desnudara-se.Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar. . Sem minha presença para controlá-lo. enquanto el e não chega. Portanto. Na verdade. Desorientada..disse Chris. defendendo o que havia de bom em Julian e . Julian me ama e necessi ta de mim. dolorida e preocupada com Julian. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas. Prometo não dormir e.. beijando-me os cabelos.. não se mova .. Se ele me bateu algumas vezes. que nunca poderei possuir! Cathy. virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos. ..Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta.Entende? .Pare! Mas ele perdera o controle. pois costumava agir ass im.. e viveremos juntos como marido e mulher.. l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante. Chris.Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la. . Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida. desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras.. À sua maneira. Quando você foi trocar de roupa no camarim..Já seria..protestei.. está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez. finalmente. . .. foi apenas para fazer-me entender isso. tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas. fique à distância e deixe as palavras por minha conta.exclamei. se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos. você. sabe que nos ama mos . Além di sso.Chris! . Sorriu para animar-me.murmurou ele.Além disso. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. causando-me dor e depois desculpando-se. Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto.Cathy. julguei por um instante que se tratasse de Julian. eu a amo tanto! . Suspirei. E não posso abandoná-lo.Então fique.desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. fazendo-me amor com um abandono sel vagem. quando Julian chegar. cobrindo de beijos ardentes meu rosto. há muito tempo. Você sabe que seremos bons pais.. a boca. Como num sonho. tão logo ele abrir a porta. . Preguiçosamente.exclamou Chris.Eu a amo muito. seria dez vezes mais violento.que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s . Eu estava sonolenta. . não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. . Tento amar outras. Chris. . escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda. cuidarei disso. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir. onde ninguém nos conheça. mas sedosos e finos.não s ei por que motivo . que àquela hora já deveria es tar em casa. pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono.

tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes.. apenas você e eu. Deveria ter sido melhor esposa. desejo que tudo voltasse a ser como antes.. De repente.Chris. sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos. . portanto. . Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios. Ju lian e eu vamos ter um filho..porque o amo. parecia que eu o esbofeteara. estendi a mão para atender. recusava-se a escutar meus débeis prote stos.Você sempre me derrota. Traga consigo seus documentos de seguro.mas é um amor sem perspectivas e. agora. .. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia. Julian Marquet? Despertei um pouco mais. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe.Christopher. .Alô? . Chris saiu.. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes . Pela maneira como ele recuou. terei o filho de Julian . e nossos gêmeos.Quero o filho de Julian . Mas não! Não haveria "se algum dia". A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco .declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu. . pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne. Sra. por favor. liberte-me. esfregando os olhos.. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. desisto dele.Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse. só abraçá-la. Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e.. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. então. não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. Bart parou de dançar. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos.... encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. perto da balaustrada do balcão. o segundo marido de minha mãe. ele não teria necessidade daquelas garotinhas. Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont. De repente. curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la. demorei-me lá mais do que pretendia. estou esperando um filho de Julian. . espantado. embora não visse minha expressão de recusa.como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos.Sim. onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos.. vou ter um filho com Julian . por esse motivo. lá em cima.mas eram pessoas de celofane transparente. ergueu o rosto para encarar-me. Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona.Sra. começou a chorar.Poderia vir o mais rápido possível. Cathy! Primeiro Paul. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça.. é a mim que você quer . . mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar.. . deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta. Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. Então. E nós pagaríam os se algum dia. batendo a porta. Eu sempre amar ei você . Portanto. O silêncio.Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? . escutou-me a voz.. .. envolveu-nos. Às vezes.e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar... .e com uma dúzia de outros homens. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame. carteira de identidade e quaisquer .. . depois Julian.Cathy. e me deixou sozinha. Sou eu. Acordei sobressaltada. Mesmo que eu nunca mais volte a dançar. Sentou-se na beira da cama. um bebê.. a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente. que ambos conhecíamos bem. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia.indagou Chris. Chris. e este seguirá sozinho o caminho da fama.. recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé. se algum dia me amou.

Olá. E se isso a contecesse. normalmente tão cheios e vermelhos. baixando os olhos para a perna sob tração. eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a. Incapaz de virar a cabeça. O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. Ela. .Chris! Chris! . aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido.. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" . Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la.disse ele. arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo.um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: . seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade . aparentemente insensível . Sra.É melhor ele morrer agora . e tinha onze anos de idade. Falava. que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. sugerimos que sejam avisados. Tod avia. estava colocado numa po sição peculiar.Julian .e ela chorava. Cathy querida . rouca de tanto repetir a frase. Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield.. Os lábios. fora de foco. Marquet . Ainda está no aparelho? Não. como costuma acontecer quando a morte está tão perto.e os grandes também. voltou para mim os olh os negros.. Pensei que nunca mais acordaria . não tive uma só noite completa de descanso. Encontrava-me de volta a Gladstone. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza. no hospital.dados médicos disponíveis. Olhava-me com olhos sem brilho. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia. Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos . sobretudo. O braço esquerdo fraturado. . Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si. Alugu ei um quarto ao lado do dele.É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida.respondi. Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital.responderam com a maior calma. Ele exibiu um leve sorriso irônico. Então. Os dias se passaram. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento. Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer. sonhador. também engessado. pareciam tão pálidos quanto o rosto. .declarava. . chorava em meus braços. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta. . Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro. na Pensilvânia.Ele vai viver? .ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar.Não morra. Afinal. Sra. O rosto pálido apresentava cortes e equimoses. ...Diga-me outra vez que ele voltará a dançar. Oh! não minta .. . . Julian foi trazido para baixo.sussurrava-lhe. Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço. Sabia que você precisaria de mim. oferecerem o consolo possível..Estou aqui. . e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto. .Seu estado é crítico. Chris e eu chegamos ao h ospital. mas sua voz era tão pastosa.Olá. Eu não estava no aparelho. pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava. por volta de mei o-dia.berrei.Você não teria tamanha sorte. após horas a fio na sala de recuperação. onde poderia ver-me e reconhecer-me. Marquet?. . onde podia cochilar a intervalos.Se ele tem o utros parentes. . Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. Chris telefonou para Madame Marisha.Preferia morrer a estar assim..

disse eu.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam. A medula não foi rompida. . caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade. .. agora pouco me importa. Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? . Mas estava enganada. não temos filhos . . . . Tivemos alguns bons momentos.Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. como se não quisesse responder. .não agora.Bonecos que dançam. arranco-lhe o coração! . sonolento e amargo. talvez mais que apenas alguns. . tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo.Saia e deixe-me em paz.Não fui eu quem estragou suas coisas. pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro. eu o amo.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras. sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. Você pode requerer o divórcio. sentindo todo o peso da tristeza. filhos não servem par a gente como nós. Estou cansado .Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro. . recus . estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . acariciei-lhe o peito.Se tornar a sê-lo. . você não está paralisado.Só alguns? . . eu não sabia. você sabe. Todavia. . Senti-me doente. Este fechou os olhos. esmagada ou mesmo afetada. no que restava deles. Não pertencemos à raça humana. A cama era dura e não permitia movimento do doente. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido.Graças a Deus.Sim. que poderia estender para abraçar-me. satisfeito. foi Yolanda. . portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa. As lágrimas me corriam pelo rosto. da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto.Está mentindo . Mas eu assisti.Eu o fiz infeliz? Ele piscou..Não.O que somos. Quando eu era criança. Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade.Julian. mas eu não estava disposta a ser dispensada. .. têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real.Julian . mas insisti até forçá-lo a dizer: . Eu não presto. Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também. permaneceu e stendido ao longo do corpo. . Caia fora enquanto pode. Tenho sido infiel repetidas vezes.Vá embora... E ncontra-se apenas em estado de choque. Bocejou. . Por isso.. Com a mão livre. Nem sua mão em meu peito. .Nem teremos.. temendo que ele falasse a verdade.Não totalmente infeliz. dispensando-me. Portanto. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu. Pensava amar outra pessoa.Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. Chorei.vociferei quando consegui falar . Idiotas que dançam. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora. .De todo modo.Gente como nós? . Cathy.Não somos reais. pingando em Julian. Na verda de.disse Julian.Maldito seja por destruir nosso apartamento! . então? . . por assim dizer.Jule.. . Julian tinha um braço são. não resta nada para ninguém. nada mais.disse com amargura. . Você não sabia? . furiosa. preferimos a fantasia. gente como nós.Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos.Sim. palavra de honra. ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa.ou me lhor. Não obstante. Não quero ouvir o que você tem a dizer .Bem.

Chris . acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira. A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada. que c omeçava a tremer. E lá estava eu.queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas. porque vai ser pai . O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia.Se não fosse dessa maneira.ando-se a ver ou escutar.E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais. O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian. indiferente.Oh! Deus! .. . contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância...Eu o amo. Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado. Em seguida. Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian.perguntou rispidamente Chris à enfermeira.atalhei. Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos. mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. com suas estátuas de santos e anjos de mármore.Juro que não me lembro d e a ter perdido. morto. mesmo que você não me ame mais. e agora está morto..Ele próprio cortou o tubo . que se mantiveram duros. eu não sabia. Rápido demais.. Julian foi sepultado ao lado do pai. .Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. . Cathy. de frágil carne e osso. mas o tubo fora cortado! .Onde ele conseguiu a tesoura? . Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu. nós. todos sorrindo docemente. Eu devia ter previsto e prevenido.Deve ter caído do meu bolso .disse-lhe eu. Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde. não permita que seja tarde demais. de volta e xatamente ao ponto inicial.Catherine . Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a. Chris. na minha opinião. Acordei bem cedo n a manhã seguinte. sorrindo piedosamente para todos. amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé". . enquanto ele tentava orientar-se. .Pare! Você me enoja! . fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian. Nada. Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã.. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira. .. .disse Paul.Aconselho-a a livrar-se desse bebê.Ele próprio.Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração. . Paul.. contraídos. mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria .suspirou Chris.. sem reação. Debrucei-me para beijar-lhe os lábios.murmurei. Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian. Estou esperando um filho s eu. tão piedosos e tão sóbrios . .solucei.O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa.. Voltei para sacudir Chris e acordá-lo. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an. .disse ela com voz sumida.. O número quatorze não dá mais sorte que o t reze. . ele arranjaria ou tra. Dormia profundamente. Não sei por que razão. ele praticamente cuspiu as palavras: . Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração. Não feche os olhos. que vivíamos. Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian. quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . . Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome.ou o que eu julgava que ele queria. O nível do líq uido baixava depressa. Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso.. com uma abertura para a agulha chegar à veia. Aturdida.como eu os odiava! Condescendiam conosco.. Cemitérios. No quarto ao lado. e vale muito a pena viv er por esse filho. Ao entrar.. Julian . enquanto eles ali permane ceriam durante séculos.. olhei para o frasco pendente.Está certo . fingindo não escu tar. que nos podíamos enlutar e chorar. Chris passou a noite inteira abraçado a mim. Por favor. .. .

não vingativos.Talvez seja uma menina. Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. com essa expressão tão perdida e d esanimada. Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente.. E ter pensamentos positivos.Catherine. eu estaria a seu lado. pois terá um filho que será exatamente como ele! . sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior. Paul . . balançando-me na cadeira pred ileta de Paul. levantando-me para entrar em casa. . Subi lentamente a escada. sentado no banquinho escamoteável. Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. Julian não está morto. As tábuas do assoalho rangiam de leve . que jamais seria negligenciado. muito bela. Ainda é muito jovem. . Chris também estará lá. Não virei a cabeça. .Agora. .Não se demore m uito aqui fora. se for um menino não fare i objeções. A partir de agora. jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! . mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite.exclamou Madame Marisha. a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida. Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro.Cathy . . Todavia. Passei por Chris.Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante..Agora não. como interno no Hospital Clairmon t. pensando na criança em meu útero. Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. Dentro de mim. Olhei para Chris. Quando ch amasse por sua mãe. Estremeci .Deus.? .Objeções? . Não.Está esperando um filho de Julian? . depois que seu bebê nascer..exclamou. Compreendiam-me. ou sobrinha.. Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora.Boa noite.disse Paul suavemente. alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e. . Precisava cuidar-me e não comer certas coisas. Madame . co m rebeldes cabelos negros. . Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o. evitando-me o olhar.. Mais tarde. ensinando-o a dançar. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro. Nunca. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim. Preciso de tempo.Seu quarto está exatamente como antes. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar. Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu. poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé. minha.. vier ao mundo. .. eu ouviria música de balé todos os dia s. portanto. tinha que tomar muito leite e vitaminas. estendendo a mão para pe gar a minha. Quando precisasse de mim.ta. Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer. pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho. detesto vê-la aí sentada.disse baixinho -. eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus.respondi. Não olhei para ver ificar quem era. meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança. . mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar.Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho. Sorri.. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet. Menino ou menina. .Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade. c aso não se importe. em sua infinita sabedoria e bondade. Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . . permita-me ficar num lugar mais próximo.. todo seu.. Cathy . eu estava sozinha na varanda dos fundos. pois já sabia. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê.à frente e atrás. Ele me tocou. não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha.Duke fica tão longe. que se preparava para descer a escada.disse ele.

E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. Então. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel. Mais outra morte em sua ficha. Um dia. Suspirei. co mo antigamente. Homens que. não precisará ser coagido. ela também causara a morte de Julian. Detestava movimentar-me desgrac iosamente. o Dr. E bem poderia fazê-lo.Desde que você voltou. nunca saíra com rapazes. quase da sua idade. .. Japão! Puxa. novinha em folha". Querid a. tiver a namorado ou fora a um baile. por meios sutis. . agora com dezesseis anos. vem apenas para poder ficar perto de você. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. se decidisse esquecer sua pe quenez física. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. porque todas as mulheres olham para ele. Carrie escutou-me. Estou esperando um filho dele. Carrie queixou-se comigo: . deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian. pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. Carrie. Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. pois estará mais que disposto a amá-la. Darei um jeito de sustentá-lo . Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados. espero. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. Oh! tive meus momentos de nostalgia. apesar de velho... Paul jamais seria velho. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas.. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara. pois. por dentro e por fora. para mim. três vezes mais que isso. . de cabeça para baixo e na posição normal. sabendo o que meu irmão desejava. pequena e doce Carrie.. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. O Dr. a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida. de algum modo. Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida. Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez. E tinha Carrie. mas meu namorado e is so me alegrava. Ri. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. Winslow. Agora. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança. Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença. ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. eu esta va com os pés firmes no chão. M amãe! Cara Sra. que definhava por falta de romance. mas permaneceu emburrad a perto da janela. Eu fazia de conta que ele não era meu tutor.o que me aterrorizava. tão bem quanto conhecia Chris. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina.mesmo que sejam trigêmeo s. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. pois havia dois homens que necessitavam de mim. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil ... viúva e velha demais para um estudante. Pois. Cathy. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. Tomei Carrie nos braços e consolei-a. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado. eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York.Será jovem também. enquanto a barriga crescia.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo. Paul é bonit o. Eu as conhecia. exatamente como morreu seu m arido há tantos anos. a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim. declarando que aquilo era ridículo. Depois que a vir e souber como você r ealmente é.

. Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". não permitirei que meu filho se sinta negligenciado.Isso não é resposta. dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora.Por que sorri assim? . não é mesmo? . espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades. . comia o que tinha vontade. E la ainda falava em amor. insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas.Não creio que seja necessário responder. Catherine. Quando meu filho chorar. ela se ergueu e foi para seu quarto. Movi a cabeça para encará-lo nos olhos.Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez. . Chris. . Mantenha-se em forma. Amo seu jeito . que nunca se sentirá abandonado ou traído . cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza. Lerei e cantarei para ele. Então. caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade. A vida s em um homem parecia nada significar para mim. E os adoravam de modo quase irracional. Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda.Calada.Poderia prosseguir em sua carreira . certo dia o pai morreu e a mãe se transformou. debrucei-me para entregar-lhe o bilhete.disse Paul.Não é mesmo? . Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público. Aceitei pressurosamente o convite. esquecendo-se por completo do amor. deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. Choro seu belo marido. . pelo jeito como você me olha. Pouco de pois do Natal. A vida nos oferece muitas oportunidades.. O seu presente foi o melhor de todos.quis saber Paul. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço. embora me doessem quando chovia. agora que outr o belo marido morreu.. Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. Portanto.Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. Desajeitadamente. Pensei também. Lá estarei semp re. Preocupava-me com ela. Choro principalment e por você.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo. Eu a amo.disse mansamente.Como sente os dedos. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. sem se deixar convencer por meus ar gumentos. órfão. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. Pensei que você soubesse. . que finalmente estavam curados. traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar. desn ecessário ou indesejável. que um dia voltaria para mim.Você ainda me ama. uma parte dele que eu poderia guardar comigo. não apenas uma..Muito bem . Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. estarei a seu lado. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente. apoiado por Paul. Volte . pois estava sedenta de afeição. exercite-se.Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine.respondi indiferente. Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an. Comecei: . Envelhecia com uma rapidez espantosa. Contudo. meu amor. agora? . sem dar importância a calorias ou colesterol.. . .Trate de continuar seus exercícios. Olhou para meus pés. O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador. Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: .Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido.

mas não d emais. . Já tentei discutir o assunto. Em seguida.comentou. desgostosa. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo. Girou nos calcanhares e saiu da sala. . Prossigam o que estavam fazendo. despertando imedi atamente. no outro lado da porta fechada..o Dia dos Namorados . envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa. Dê um basta em Chris. mas é uma noite tranqüila no hospital.Cathy . para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris. Sente-se e tenha calma! . se não me ama. . Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. Era preciso tomar uma providência quanto a Chris. como se ele pudesse escutar-me: . Valentino .exclamou ele. . nada mais. bem de leve. Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando. mas recusa-se a escutar. você está prestes a ser pai! Levantei-me. isto é. vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul. também não podia magoar Paul. de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava. como se observasse minha reação.declarei com voz sumida. mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S.Você é a parturiente mais calma que já vi . Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro.Prec isamos fazer algo quanto a Chris. . A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez. Ele resmungou algo à guisa de pergunta. despido da cintura para cima.só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela..Catherine . Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo. ajudando-me a sentar.Teve outras contrações? .Oh! . usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno. de nadar.disse Paul em voz baixa. .Julian. E eu repli quei: . Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . de falar.Graças a Deus! .Você nada me deve. Meu irmão entrou. até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás.comentei depressa demais. Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha .mas não fui bastante rápida.Naturalmente. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços. Lembre-se disso... Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei. . Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste. é muito difícil dizer isso a ele . Paul tinha razão. Prendi a respiração por causa d a dor aguda. acabo de sentir a primeira contração.. .Estou de plantão..só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul. O que ele deseja é impossível. Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul. apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata.disse Paul. Tentava eq Queria-o sempre comigo . . . Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais. Dói tanto? . . . Tapa os ouvidos e se afasta. Era como se eu assisti sse a uma batalha.Pensei que você estivesse de plantão esta noite .Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam. menos você.Posso entrar? Ele abriu a porta. Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo.Sinto muito haver chegado numa hora imprópria. com as mãos nas costas. . encarando-me com frieza. Tinha conhecimento de que doeria. Qualquer pessoa. desejando que ambos os lados vencessem.Para mim. Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga. antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor.de sorrir.Já está pronta para irmos? . que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico.Paul.respondi. Faz um mês que estou pronta. dando o bastante a cada um deles. .

olh os azuis escuros. Fique calma . seu neto está chegando". com seus anelados cabelos negros. o toque e até mesmo o som dos passos. teria o nome de Cory. de estar com ele e Henny.murmurei. Pensáramos em tudo. logo me vi acomodada na cama . escutei a gravação tocando para Madame Marisha.quis saber Paul. g ritando em seguida na direção da cozinha: . Primeiro. Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e.sentindo mais uma contração. Não tive forças para responder. sujo e ensangüentado... Dobrei-me para a frente.Comecei a dizer que não..Devemos procurar nossa própria casa . berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam .Henny.sussurrei encantada. Gostava da grande casa de Paul. Chris e Paul lá estavam. pegarei a mala. que entendeu meu raciocínio.concluí.. Minha própria voz. que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory. Não obstante. Sob o toldo que protegia a entra da de emergência.Quinze minutos depois da outra . . Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe. Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza.Muito bem. . Meu filho nasceu três horas depois. Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai. Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção. que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio.Se ele fosse louro. . vendo o cabelo escuro e ondulado. não se preocupe. Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados. vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro . . mas Chris.exclamou. Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins.corrigiu ele. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a. .Graças a Deus vocês chegaram! . Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam. dizia: "Madame.Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades. ainda com o cordão u mbilical. . . .Para se atrapalharem . mas eu o chamarei de Jory. grava da duas semanas antes. pele clara e macia. Sendo moreno. depois de me dei xar no carro. Nossos olhares se encontraram e eu sorri. Quando Paul tornou a abrir a porta da frente. Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie.Por que vai chamá-lo de Jory? .. Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me. .É lindo!. vou colocá-la no carro..Cathy. Desde o início. o que não era possível em casa de Paul. depois. sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes. Parecia conhecer-me a voz.disse Chris.Para que você conte com a melhor assistência profissional possível . E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital. mas foi Chris quem pegou meu menino. ambos com lágrimas nos ol hos.C hris. colocando-o no centro do palc o. Eu não sabia o que responder a isso. engasgada de dor. quando senti a segunda dor. Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr . cert amente foi o meu Jory. consegue vê-lo? . o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. o "J" será por Julian e o resto por Cory.e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. explicou: . por assim dizer.Seu nome é Julian Janus Marquet. o perfeito corp inho vermelho. .

protestei em voz sumida. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto.mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino. Já não era uma doce virgem inocente . completamente remodelado e equipado com um berço. Cathy. pensando melhor.dois homens haviam-me ensinado bem.. . Carrie tomou me u filho nos braços. todavia. Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz.disse ela.disse Carrie num sussurro. mas não quero quebrar o encanto. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e. tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera.Não . . Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais. Jory parecia muito satisfeito com sua situação.Eu devia correr para pegar a máquina . Livre para fazê-la pagar . agora que Chris se retirara para seu quarto. Recostei-me nele. claro que terá. Carrie é muito parecida com você. Rapidamente. embalando-o para dormir na noite de Natal. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez . Chegou o Natal e Jory. con tudo.como Carrie estava pagando! Diariamente. Carrie ou comigo.sussurrou ele. livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço. Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite.Cathy . Se ao menos Julian não se tivesse interposto. . E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção. Então eu era obrigada a intervir. alternadamente. um cercado para Jory brincar. cantando baixinho u ma cantiga de ninar. Ainda assim.Eu não acredito . e Jory seu filho. não chora va ou fazia exigências desnecessárias. Senti a presença de Paul junto à porta. Portar-me-ia como ela se portava com Papai. prolongados olhares significativos.. mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris. Não contive as lágrimas ao vê-la. tão parecida com uma criança e. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. confuso e de olhos arregalados. Não quis continuar os estudos. . a fim de não acordar Jory. como se nos avaliasse e examinas . Paul instalara no andar superior um quarto de criança. eu amava Jory por ele mesmo e. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro.Sim.como ela. excet o no tamanho. para tomar formas mais arredondadas . . tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura.Os dois ficam tão lindos j untos. Então. sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. ambos desejando -me. Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me. deixando-me a observar sua saída. Agora eu estava livre. sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul.Acha que algum d ia terei um filho? .furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade.. ansiosa por ter um filho só para si. não era mimado. Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever. a fim de esco nder o embaraço. Paul entrou no quarto..onômicos. Todavia. não fazia manha. Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. exclamando: . Uma palavrinha: "exceto". Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer. . Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente.Não enquanto Chris estiver em casa. . Simplesmente aceitava. sem um marido para tolher-me . com menos de um ano de idade.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido. ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos. cada um começando a encarar o outro com inimizade. eu seria agora esposa de Paul. retirou-se devagar. ficou sentado entre seus pr esentes. Soaram passos na escada.

Se a companhia de seguros de Julian me pagasse. tensa e sumida: . Meu coração deu um salto. de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas. Em seguida.seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. também. É o que preciso. . . mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos.É esta cidade . Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação. recusam-se a pagar.Chris. Afinal. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha.Sim. se eu fosse uma abelha. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos. exceto a rosa.disse Carrie certo dia.O que você precisa é de um bom advogado. Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. Não sorria para e le. . não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade.indagou ele. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama. portanto. A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins. Por favor.. Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava .disse Chris.e da mãe. depois. Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha.muito mais famoso . ..Ora. seu primeiro dente. Chris. para mostrar-nos que ainda estava acordada .Veja esta folha de carvalho . quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo.e ocupada. Chris ficou furioso. . que me abrace quando e . Paul iniciou sua corte a mim. exceto por meu intermédio. Apesar disso. Contudo.Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você. textura e odor.Pretende permanecer aqui depois que eu partir? . . Nós todos. e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont. Henny batia as panelas na cozinha. a tranqüilidade e intro specção de Cory. Por f avor. não sou a única mulher que se parece com nossa mãe.para completar o período de treinamento.. Por que você e Jory não me acompanham? .Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar. Cathy. Chris ia abandonar-me! . até Paul e Carrie. eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé. Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente. Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio. nada em Jory me fazia lembrar Carrie. . Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento.os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont. Tinha a paciência de Chris. a cláusu la já caducara quando ele morreu.Você é como uma rosa. . que duraria dois anos . . embora não sejam tão altos. dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente.se nosso relacionamento com ele. Entretanto. não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. era nossa hora preferida de percorrê-los. Cathy. quero um homem com quem eu possa ir para a cama.Chris! Você não pode fazer isso! . Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital .. juntos. pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos. Trate de arranjar uma namorada. quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar. . . o que é uma gran de honra. Vá sem mim para a Clínica Mayo. Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. o que lhe tomaria mais três anos.Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul. ele sorria muito mais que ela . as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas. Não obstante. não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . fiquei chocad a. Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava. por favor. mas a Clínica Mayo me aceitou como residente. amargurado.Sinto muito. seu prime iro engatinhar de mim até Chris e.A folha de cada árvore tem sua própria forma. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta.

Não está falando sério! Chris me abraçou com força.Eu poderia tê-lo tratado melhor. do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente.. se Mamãe permanecesse longe.. be m.tudo aquilo me deixou doente. seria mais fácil. Eu concluí seu argumento: . Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris. você me pertencia e. Julian precis ava de mim e eu fracassei. Cathy. Advogado. As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho. Chorei no roseiral. E deparei com Paul! Espantada. aberto e reto até P aul.Não estou? Deus me perdoe. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa.replicou ela com rispidez.Veja o que fez! .Não! Será que não entende que não dará certo? . desembarcando do avião acomp anhada pelo marido. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente.. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. faça como quiser. só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. O primeiro peão a mover seria o Dr. você é a única mulher no mundo. Sacudi a cabeça.quando eu era o único ho mem disponível para você! . mas ao contrário. Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro. . Outubro chegou e. os olhos negros cheios de desconfiança. pois é mais forte que ele. com ele. precisava de dinheiro. desejando o impossível. Fitei Chris. nunca se podia dizer com certeza.Não pretendo morrer . fiz algo completamente fo ra de meus planos. . Agora.Mas sou um idiota. então. meneou a cabeça com evidente relutância.. Paul ta mbém não precisa de mim. . Você não precisa de mim. Agora..Sim. Vê-lo arrumar as malas. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro. e.u sentir medo..Não. Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . Paul olhou-me intrigado e. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava. creio que não daria certo para você .Esqueça-me. enquanto eu possuía algumas idéias próprias . de uma casa só para mim. suponho que você me consid era velha. tremendo qua ndo ele me largou. Assim.. sempre fui um idiota. Poderia ter-me feito odiá-la. assumiu uma expressão mais perspicaz. . Todavia. . E vo cê me fez desejá-la. . como antes . mas falo sério! Naquela época. Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e. eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens. fez-me amá-la.exclamei. embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. . Na realidade.. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. Sinto t anta falta dele. que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna . de qualquer maneira. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente. Então. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos. . colocando-as em meu álbum.Para mim. Talvez. Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque. . Mas obriguei-me a sorrir. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r . nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era. saber qu e se ia. negando. embora eu nunca pense nisso. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal.Poderíamos morar juntos e.. Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei.Muito bem. . depois. Contudo.. .. Catherine.declarei. ele não agrediria por raiva. empertigando-se. não procure assumir o controle e mandar em mim. mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe. a época de Chris partir.Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo. meu caminho estava limpo. a seu m odo peculiar.replicou ele. invadida por um sentimento de culpa.. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. porém. cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta. compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha . Era tempo de entrar em ação. Acabará fazendo. mas agora que Julian se foi.

eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto. eu enviava uma nova carta. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. Winslow: Era uma vez.. deixando para trás o Natal e o Ano Novo..se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. s eja independente. Winslow. eu poderia saldar todas as minhas dívidas. Tentei con versar com Chris a respeito. Interrompi-me.. Eu estava muito endi vidada. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição. os ouvidos do Sr. Escrevi outra carta. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe. prefere que ele jamais venha a conhecer. f icava desapontada. mais inteligente e esperta. Oh! que mentira! . Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos. Levantou-s . depois outra. e ainda outra. escutarão fatos horríveis que a senhora..Desde o dia em que Julian m orreu. vá morar em sua própria casa. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. Sra. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. de modo que irei diretamente ao assunto. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema. quando ele está noutra cidade. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava.. Sei. tenho certeza. em Gladstone. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar.replicou Paul com um sorriso irônico. de certo modo. de que se o dinheiro não for de vidamente remetido. embaraçada. marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. na Pensilvânia. E se.exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe. Bacharel em Direito. parte daquele dinheiro nos pertencia. E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. após muitas tentativas fracassadas. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares . liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz. além disso. encontre-se a si mesma. A cada sete dias. E esteja certa. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu. Todos os dias.. mas também se recusa a escutar. que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. Wins low. desta feita. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal. em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente. a boneca bailarina.. Agora. volte para mim. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol. eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio. Bartholomew Winslow. De toda for ma. . ou bilhões. Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. Agora. Minha mãe pretendia ignorar-me. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. decidi que já aguardara o suficiente. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro. Todos os dias. depois de passarem meses infrutíferos. entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe. tinha um filho e.. Portanto. também precisava cuidar de Carrie. com a raiva aumentando no peito. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. Afinal. Catherine Dollanganger Marquet . Este já fizera mais que o suficiente. mas ele se recusa a escutar. vi-o de perto e. Contudo. Cordialmente. ele tinha os olhos bem abertos. num piscar de olhos. Então. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. Sra. Portanto. Tento conversar com vo cê a respeito. um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". advogado.Compreendo . mais capaz..

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora.replicou ela.declarou alegremente. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda". considerando a quantia suficiente . Agora que estávamos a caminho. . À medida que avançávamos para noroeste. é fácil ver que adoravam a casa.. .A caldeira. Jory e eu.Ninguém vai querer casar comigo.Não é verdade.Eu a amo. outros com você e Chris.mesmo que não fosse. não exatamente. os g randes olhos azuis muito abertos. Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço. escoando bem a fumaça. Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora . festejado sem a presença de Chris. . Nesta zona. após nos instalarmos em nossa nova residência. . Quando Jory adormeceu. Creio que Carrie também ficou. Partimos em meu carro.Não. Tenho o palpite que. Uma delas é deveras boni ta. no banco dianteiro do carro.compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados.É ótima..Oh! adoro viajar! . decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto. O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da. Cathy.. Contudo. de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares.. . O banheiro e a cozinha também foram reformados . comentando tudo que víamos. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. .Gás natural. Carrie ficou muito excitada. de modo que não terei filhos para amar. to das as casas custam muito caro. mas resolveram vender a casa e morar na Flórida. com exceção dos seus . . Foi no mês de maio.. Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. Carrie. uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. cuja mansão fica na montan ha. Carrie. mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada. ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado.A chaminé dá a impressão de não funcionar. Henny nos observava . Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo.Ele é tão lindo. Contudo. que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados. a S rta. eu precisava agir assim . com um lindo jardim. e um ou dois com o Dr. No dia seguinte ao aniversário de Carrie. talvez mais. é a óleo ou gás? . só falando em negócios. não apenas s eis. Olhava pela janela e depois me fitava. Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos. . Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. Quero que alguns se pareçam com Jory. . a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco. Contudo. instalada há cinco anos. . ajeitando-se para tirar também um cochilo. Era grandalho na e masculinizada. Paul. topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta. Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. os grandes olhos azuis cheios de temo r.mas não mencionei o assunto. Logo de manhã cedo. Terei ao menos seis filhos. . Sou até capaz de apos tar cinco dólares. estamos voltando para lá? . funcional e não muito dispendioso.Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir.Vocês precisam de algo compacto. abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge. .Cathy. Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas .. existem alguns chalés menores.Não se preocupe . e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos.

tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. Espero que pense nisso. que adorava cozinhar. animou-se por algum motivo.Vi-a dançar Com seu marido. um jovem bonito. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha. no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. . embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. . Srta. com porta de vidro . ao me smo tempo em que tomava conta de Jory. não tivera meu passado ou meu tipo de infância.Na verdade. . viu-me com Jory e perguntou se era meu filho. no início de junho. Em certa manhã de sábado. naturalmente. Àquela altura. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave.. de proporções razoáveis. talvez. mas a sala era em forma de "L". não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. O espaço aumentou e tudo parecia maior. Freqüentam as aulas por vontade dos pais. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais. graças a Deus. Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. do desespero. Eu dava aulas na escola de balé. Com o madeirame pintado de branco. podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos. Carrie. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira.. com uma lareira ladeada por estantes. deixando-os lá para serem torturados. ouvir e ter a sensação da dança. Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. Era loura. Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar.Claro que sim.. Carrie emburrou-se. Paul e Henny?. espancados e mortos de fome. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina.A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé. . que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. naquela noite. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se. . Carrie..Sabe. economizando a despesa de mão-de -obra. Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. depois.quis saber Carrie. Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel. de repente. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa. o resultado foi delicioso. eu levava Jory comigo para a escola de balé. Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. toma r Carrie e Jory pela mão. . mas pediu-me que o tratasse por Al ex. pois não me sobrava tempo para isso! .disse eu a Carrie. Na verdade. Cathy. sabe que não podemos fazê-lo. e tinha cerca de noventa anos. Soltei uma risadinha e ele também so rriu. Sempre que possível. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. que jamais mudavam de aparência. A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar. Contudo.Mandaremos instalar um forno embutido na parede. Entretanto. mas. embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. . Dahl. muito miúda.Acha que devemos voltar para visita r o Dr. eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. si tuada acima da farmácia local. . não me atirara àquela aventura de olhos vendados. se nunca tivéssemos visto aquele livro. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos.Em que está pensando? . como também par a tê-lo perto de mim. forneceu-me uma lista dos alunos. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. Talvez. Chama-se Theodore Alexandre Rockingham. eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me.

de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim. ele nem notou que sou tão pequena. Depois. .. O jornal local noticia-lhes todos os movimentos.Não . .Ora. antes que Carrie volte para casa.É muito acolhedora. já viu sua mãe? . Catherine. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar. preparei o molho. Cathy c uidou do resto. . de modo que Bartholomew Winslow e S ra. . A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde. baixou os olhos. Vamos convidá-lo par a jantar.. de vinte e três anos. querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho.Não.Ouça. querida: convidarei Paul para vir este fim de semana. Cheia de felicidade. Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele.. .respondi em voz baixa. viúva. . fitando-me temerosa e tremendo de esperança. ou talvez pastor protestante. eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar. ele me convidou para um encontro....Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa. Além disso. Ain da não se decidiu.. Então.Você estará aqui se ele vier jantar? . Só então entendi. . Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços. Paul ficou calado durante longo tempo. Ela me fitou demoradamente. Ele não vai querer uma mulher mais velha. ela e o marido . no sofá.Escute.murmurou. . em frente à lareira. . até que morra. Despimo-nos rapidamente. .. afinal. com uma expressão estranha. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim.Moram em Foxworth Hall. muito vermelha.Não o conheço o suficiente. . que elogiou minha comida. . .Quero fazer amor com você. ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. . poderei verificar se ele serve para minha irmã. Oh! Deus! Tomei-a nos braços. . Jamais deixara de amá-lo..Estão aqui. Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado. pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: .Cathy. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo. Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. modesta. mas. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras. Paul e eu sentamo-nos diante da lareira. . O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também. fiz os pães quentes e os suspiros.Gosto do modo como arrumou a casa .Onde me encaixo eu? .Cathy. claro que estarei. Cathy.indagou ele. De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico.. como se fôssemos casad os há muitos anos. . Alex era um rapaz bem apessoado. .protestou ela. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito. com um filho. amassei as batatas. Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos. m as.Você aceitou? . Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos..gaguejou ela..Cathy preparou quase tudo.Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços.Fez uma pausa. . acrescentou: . mostrando que compreendia. De repente.Carrie. você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz. encarando-nos nos olhos. Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria. residirão com ela. Já falou com os pais a meu respeito. vo cês se viram antes. Abraçou-me ternamente e assim fi camos. Não me parecia errado.comentou ele. Paul piscou um olho para mim. em Maryland.Mas. senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa. Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé.Então. .Por que não? .Oh! Cathy. Eu só recheei a galinha . . mesmo quando era casada com Juli an.

há o problema de Mamãe. eu vinte e sete. então o céu deve ser perto de você. Chris. . O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos.pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis.Minha Lady Catherine! . O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e. acordei repentinamente. no estado de pesadelo em que me encontrava. Está sempre fugindo de mim. diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama.Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta. esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer. amando-a. Em seguida. como você sabe que está. então sentei-me bruscam ente na cama. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado. acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa.repliquei. Estendi preguiçosamente o braço para atender. Chris completaria trinta em novembro. Tive uma terrível sensação de pânico. .. E eu concordava. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. que seja após fazermos amor. o telefone começou a tocar. manipulando o aspirador. pois freqüentemente o chamado . tendo-a em meus braços. Se for pecado. . quando mor rer. Na calada da noite. mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. Cathy. sinto-a ao meu lado. Então. E quando tiver essa idade. Parecia-me uma idade impossível para ele. Entretanto. est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente.Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando. exatamente como Cory.Paul é muito mais compreensivo que você. Sim. Sempre que algo de bom me acontece. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos. não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá.Ele não é lindo.. Cathy. má. com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé. . querendo arrastar-me também. da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó. Fiquei sem saber o que responder. embora. com você me abraçando e fitand o como faz agora. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul. que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora.era a voz de Chris. Mas tenho certeza de que se magoará. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada . boa aparência. acelerando-se . Despedi-me rapidamente e desliguei. mas deixei que meus braços falassem por mim. Alex fosse apenas um jovem comum. como agora. E. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado. na realidade.. Ele sacudiu a cabeça.indagava ela. . Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. A amiga deu-me o número de seu telefone. Além di sso. e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! .Oh! Catherine. ou noventa. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso. Cathy. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. pois tinha a impressão. Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. . eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura. espero que a paixão ainda nos governe. Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão. desejando protegê-la. acima de tudo.. amando-me como eu a amo. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí..Que belo e poético . .O pior de tudo é que compreendo. porque estarei sempre e m seus calcanhares. Cathy? . segurando-me a mão.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul.

Sua juventude. alarmei-me ao vê-la ali. Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela. olhando-me daquele modo suave e especial. Uma semana mais tarde. que nunca tinha insônia freqüente. obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los. Carrie. Carrie. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada.disse ela. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis.Não quer ser esposa de um ministro de Deus? . que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. Ele não fala muit o.Que maravilha! Sinto-me feliz por você.declarou Carrie. olhando para as montanhas escuras.indaguei. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie. Tinha o cabelo naturalmente ondulado. ara ele a melhor esposa possível.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. hem? E notou como fiquei mais alta? Ri. Levantei-me e me aproximei dela. teria o nome de Cory. . mas cortou-o à altura do s ombros. sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia. Sentia-me feliz por ela e por mim também. Cathy. Portanto .Oh! Cathy.Eu sei! . onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono. Farei minhas roupas. Cathy! . as dele e as das c rianças.Você é capaz de acreditar. . Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor. acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la. como o meu.Em breve. se Alex não me amar eu prefiro morrer! . voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes. Eu não precisava adivinhar.era para ela. Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie. Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r.Veja. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça. mais elegante. pois já sabia. Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco. querida? Por que não dorme? .Agora. . Ri.Ele me contou uma coisa. Carrie! E por ele também.nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado. P ortanto. Cathy: resolveu ser pastor. . . O primogênito de Carrie. limita-se a ficar sentado. como costumava fazer quando criança. ou com um incêndio no outro lado da rua.exclamou.a crescentou num tom inexpressivo. louro e de olhos a zuis. minha cabeça já não parece tão grande. Exclamei: . E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir. No fundo. Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. num tom que me . Chegava a borbulhar de excitação. Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim. pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! . encurralando-nos como outrora. Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim . escuras e misteriosas dentro da noite. Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã. beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! . . como é natural.sussurrou ela.Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres. sentia-me temerosa.Queria ficar perto de você .Está passando bem. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes. Quero ser p . contentar-me-ei com isso. . Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade.Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas .Alex pediu-me em casamento esta noite . Estendi os braços e Carrie se atirou neles. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos. . Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo. Carrie. Pela primeira vez na vida. Cercava-nos por todos os l ados. passou a maqui lar-se. abraçando-a. adivinhe que nome lhe darei. co mo eu.

Ansiava pela presença e apoio de Chris. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers.Alex não mente. Absolutamente ninguém é perfeito. explicou: .Carrie. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. tenho certeza. Cathy? Engasguei-me. eles não eram parentes próxim os. a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta. se Deus não quisesse que nascêssemos.Mentiras não são pecados mortais. Cathy. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito. como eu. Cathy. E eu falei pelos cotovelos . como se me conside rasse. E também por Paul. Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto.. perfeita. não sei como dizer tudo da maneira correta. esse pec ado foi deles e não nosso. de modo que desistiu do catolic ismo. Vacilante. Carrie. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você.Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . Nossa mãe ainda está viva. . nunca teria permitido que isso acont ecesse. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. mas tentarei. como faria uma mãe.Querida. sou má e pecamin osa. . exceto que passamos à tutela d o Dr. que nunca deveriam ter n ascido.causou um medo mortal. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei. Além disso. Éramos filhos do Demônio. Só os mortos. . . . suas esposas. Não me quereria mais. Nenhum de nós é perfeito. Eu não entendia direito o que ela queria dizer. nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra. Engoli em seco. Alex deseja uma mulher perfeita . muito tempo.. Começou a chorar de dar pena. Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto. Portanto. Há muito tempo. . E isto é mentira. Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião. E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto. Carrie. t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie.Foi o nosso Dr. C arrie. sem nenhum defeito. Carrie. Deveríamos ter nascido. mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. como eu. qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. pois deseja uma esposa e filhos.. mas lembro-me bem das palavras. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza. por odiá-la tanto! Também odiei Julian. Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. odiei-a mais que as outras! Cathy. Cathy.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia. . . mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado. Jamais fez alguma coisa ruim ou errada. Quando era mais jov em. queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. cheios de maldade e pecado . Paul quem me esclareceu. ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. Não sabia o que dizer.Ninguém é. . horrivelmente amedrontada. Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato. Deus não os puniu. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. Cathy.Mas. a sociedade estabele ce as regras. .Como pode ter certeza? Ele lhe contaria. ou como dizer. . Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós.Alex é perfeito. Carrie. O Dr. Não somos órfãos.e eu não sou perfeita. Além disto.. Lembrando-me disso. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. mas senti que a cul pa foi minha.Em especial. como você pode ver. nem a nós. entre todas as pessoas neste mundo.

E eu nunca.Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis. Escutávamos a avó falar.. você e o Dr. do tipo que produz bebês. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. Cathy. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta.. cozinhar duas vezes melhor que eu. pois não deve ria ter induzido você. Agora. Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim. uma inteligênc ia brilhante. .. Carrie.Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer. cheia de amor.. jamais deveria ter usado o termo "excepcional".Mas eu saberei. que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. . fiz o que ele queria. magra. Uma vez. E Alex não precisa tomar conhecimento.Olhe ao seu redor. Mesmo que fosse . a fim de que vo cê e Chris não entendessem. beijei os cabelos de Carrie.Isso não é o pior. querida.Não. eu era a pessoa de quem ele mais gostava. E sou pecadora.. . . Mas fiz outras coisas q ue são pecados.. As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. . o pecado foi dele e não seu. pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você. Na verdade. Somando tudo isto. .. Não cresço. São muito mais boni tos e melhores que os das lojas.Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar.Por favor.e não é -. Julian errou. Paul. não seu. Julian me be ijou e disse que. um cabelo sensacional.. S .Mas. Você ama o Dr. mas o pecado foi dele. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. Isto é um castigo. num corpo adorável e bem conformado. ele q uis fazer. Tem uma voz bonita e sonora. quando eu estava de visita e você se ausentou de casa. Cathy! . manter em dia a escrituração de Paul.. Ademai s. Desejava apenas que Juli an a amasse. Esqueça-se da a vó. pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto. talvez Deus tenha punido a mim. Sabe que não é a nã. Começou a soluçar histericamente. Cathy. ..Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça .Cathy. Um dia. Portanto. ou lá o que seja. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele. pare de chorar.. E eu devia saber que era errado. pois Deus poderia estar observando!.. Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz.. Carrie. .berrou. depois de você. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro.sussurrou ela. apanhada de surpresa. Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. uma pele maravilho sa. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos. envergonhada. Arregalei os olhos. tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer. não mais precisa envergonhar-se. alguma coisa comigo.Foi Julian. sem se tranqüilizar com minha argumentação. . isso é muito normal. Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso. gorda. eu nunca tive. Ninguém contará a ele. querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. o que fez não foi tão terrível. .. se o que fizeram deu prazer a ambos. Alex pensaria assim. Você não é má. . não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria. querendo desesperadamente acr editar em mim. com ninguém. Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. E meu também. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas. Mas se você fez alguma coisa. tive.Não chore nem fique envergonhada. Existem muitas pessoas menores que você.O que fez de tão terrível. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto. é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz. Sabíamos que éramos filhos do Demônio. mas nada em nome do amor. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! . relações sexuais. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. Você possui um rosto lindo. se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. . fiz algo muito ruim. Carrie.

Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto. não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar. quando eu estava no palco dançando? E um dia.Pare! . Não sei se a mudança é para melhor. sim. Mesmo sabendo como era a sua mãe. se o mundo é capas de mudar.quando ela fosse abandonada.ordenei rispidamente. . Só minha família me ama . E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito.declarou com desânimo.gritei. Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. Nem eu. as peças teatrais com todos os atores despidos. os fil mes que gente decente vai assistir e gosta. . mais tarde. Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo. . Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho .Você nem se lembra daquele dia.Alex não mudará . entre gente me lhor que nós.e Alex. Ninguém sabe como o mundo mudará. Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico. fui a única a permanecer acordada. quando acordar. não sei como fazer que todos gostem de mim. E se não der certo com você e Alex. E quando eu contar a verdade a Alex. adormeceu. Não sou bailarina.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo.Lembro-me. Cathy. compreendi que estava tudo acabado entre nós. que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda. Não sou im becil. Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian. Então. . nem você. .Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia. .e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los.Alex não mudará.Carrie.Pretende tornar-se pastor. Carrie..Eu sei . Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. . vá deitar-se. . ela ficaria sabendo o que havíamos sentido . sozinha e sem amor. afinal. você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não.. mais cedo ou mais ta rde. aplica-lhes o castigo. deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe. depois que você e Alex se casarem. Julgo. Contudo. Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós. só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. util iza-se de uma avó com uma chibata. Às vezes. dará certo com você e outra pessoa. Tenho boa memória.Você não vai contar a ele! .Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. de modo que se divertia enquanto éramos torturados. como responder uma pergunta como aquela? . Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero. nem Chris. suave e boa dona de casa como você.replicou ela. levara-nos para lá. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que.Carrie.não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. tam bém. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. Portanto.pois isso aconteceu comigo. Contudo. com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. . absolutamente ninguém é perfeito. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking. Veja as revistas. ele deixará de me amar. não obstante. não outra vez! . Deus vê e.não permita que ela consiga! Olhe para Chris . . Nin guém. Não conseguiria suportar. Paul foram amantes . mas o fato é que as pessoas não são estáticas. querida. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? . As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado.Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar.As pes soas que procedem mal. sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . . doendo interiormente. pois eu estava ali e Bart também. como aquela velha espancou Chris e você. casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos. . Durma bem e lembre-se. que você e o Dr. o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . nós nos encontraríamos. nem Alex. com os tipos de livros que estão sendo publicados. não me qu ererá mais. Sofrimento por sofrimento. como a avó. o tipo de livros que são publicados. ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente. Todos nós mudamos a cada dia.

Jory. seja franca comigo.Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho.protestou Jory. quando.perguntei a Carrie alguns dias mais tard e.Quero ver os dançarinos! . ela replicou em voz baixa: . tendu. Foi um dia terrivelmente longo.. pode sentar-se ali e esp erar. .respondi em estado de total confusão. deux.Fique comigo. deux. Srta. enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . .talvez por ser tão semelhante a ela. Deixe-me ficar com ele o dia inteiro. Jory e eu nos divertimos a valer no parque. Sr. . embora não tenha recebido o preço que tinha em mente.repliquei com rispidez. . que às vezes dava muito trabalho . De algum modo.Estou ótima. Dahl .Não tem comido direito. vou deita r-me para um cochilo. Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo. deux. Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos. Apenas não sinto muita vontade de comer. e agora. . un. Winslow .Fica sensacional com essa malha roxa. enlaçando-a pelo pescoço. Dei um beijo de despedida em meu filhinho. Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . Não leve Jory hoje para a escola de balé. como o senhor mesmo pode ver. .Carrie. .Não estou aqui para tratar de honorários. querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. Afinal. Agora. . que sabia muito bem o que queria ou não.Sr.É o meu período mensal. Se não está passando bem. Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? .eu tinha certeza disso . por favor. com os olhos baixos. os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais.disse ela. O relógio bateu quatro horas.Quero escutar a música.Minhas aulas terminam às cinco. pliés. Cathy.eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo.Percebo que reconhece esta carta . Enquanto a música tocava. bem diante do meu nariz.Un. nada mais . Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão. senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente.. Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. Sinto falta quando você o le va. Telefonei várias vezes.comentou. Se quiser. deux. poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta . além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . não telefone porque não quero acordar. que abriu um berreiro ensurdecedor . Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory. deux. pliés.Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente. .. un.Srta. Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia. un. Apenas o incômodo mensal .e. . fechem as pernas. .Vamos passear no parque. Jory amava todo mundo.Mais um só golpe seria sua ruína. pegando meu filho no colo e o abraçando com força. tendu. na idade dela. tendu. encaminhou-se para mim. Portanto.repliquei friamente.disse Carrie apressadamente. deixe-me levá-la ao médico. Mamãe! . E.Estou ocupada! .Tem certeza de que está passando bem? . . que ainda é quase um bebê. Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu.. de repente. eu contava: .Estou muito bem.Escute. . .. as cólicas eram mais fortes que na minh a. . o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era. Sorridente e seguro de si.. Carrie não estava com muito boa aparência. Sim. . un. empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a . E a aula prosseguia. estou ocupadíssima aqui. fechem as pernas. Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante. a fim de verificar se Carr ie estava bem. Dahl. Winslow .

tratarei de vigiá-la de perto.O mais breve possível. dei uco mais de quarenta anos. não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris.. .respondeu ela num mero sussurro. Tenho muit as perguntas a lhe fazer .Vou chamar um médico.d isse ele sem qualquer hesitação. tão logo ele se reti rou. Então. observando Carrie. que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele.. . Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris. . Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil.Quando melhor lhe convier..disse a Sra. Desta vez. Quando compr ei a escola. embora fosse um dia basta nte quente. muito esquisita. . dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana. Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o. xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa. . não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! .. Eu também notara a mesma coisa. havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava. Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer. pois é tão boazinha! Mesmo assim. Quais foram os primeiros sin . vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo. . o que há de errado? . onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela. Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave.Sinto tantas cólicas... Marquet . não me lembr o com certeza.Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris. .Olá . Não julga que um encontro para jantar foi suficiente.Estou aqui . não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios . Então. Sra.Carrie. .disse ele. Estou esquisita. Levei-lhe a mão à testa. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios.e não tente esquivar-se.Ouça. Com voz fraca. realmente não me sinto bem. Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio. com os vizinhos. Srta. . percebendo o pânico em minha voz.Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. .. perdi o fôlego ao ler o resultado. Contudo. Dentro de três hora s. mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono. mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas. notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias. fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos.Paul. fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas. Townsend.. . Como me enganei! No dia seguinte. que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica.quis saber ele. de avião . Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma.Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. Paul estava comigo no hospital. Dahl .chamei.Cathy.Carrie! . Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé. não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que. telefonei para Paul. incrivelmente d epressa! Vomita. Vomitei quatro ou cinco vezes.Catherine. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho.sussurrou com voz sumida. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros. . Onde se esconderam Jory e você? . Além disso. por favor. . que tomava conta da netinha. verificando que ainda estava em débito. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas. explicou que Jory e stava na casa ao lado. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente.Já cheguei.. Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. constatando-a estranhamente fria. Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada.

Não demorou a chegar. antes que prossigam a leitura. antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. comecei a sentir muito cansaço. o lugar dele é aqui. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela.. Todo mund o tem alguém especial para amar. menos eu.Cathy . de qualquer maneira. Não posso ser esposa de um pastor. Enquanto ele lia. Mas se Carrie deseja vê-lo. Eu estava no corredor. Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos. . .Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico ..Não. c omo Chris. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios.. Não posso ser médica. Haviam-me retirado do quarto. Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração. Estive ocultando algo.. chego a pensar que vocês são meus pais de verdade.Eu gostaria de ver Chris.como você.Ela quer ver você. há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado. Às vezes. vocês se julgarão c ulpados. Todo mundo tem algo especial para fazer . passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo. Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor. Queridos Cathy e Chris. mantive os olhos pregados em seu rosto. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido. Sempre tive certeza de que nunca me casaria. o Dr. Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto.Paul! Quer dizer.Chris.Acho melhor você mandar chamar Chris. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. caso eu não escreva estas linhas.perguntou. Cathy.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . não quero dizer isso. Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória. Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era. lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu. So lucei. Portanto.. Apareceram marcas. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo.Há cerca de uma semana.. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. Agora. De repente. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie. . Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos. Entretanto.murmurou. perto dela .. Eu jamais seria alguém especia l . como equimoses . . erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: . à beira de um dilúvio de lágrimas. . Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo. eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo.? . adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar. outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. mas manteve segredo. Então. o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. então.pois ele deveria saber! . prometam-me não permitir q . Por isso. Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato. mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz. Leia isto e diga-me o que acha. Em seguida. . eu nunca seria muita coisa. pois me parecia tão significativo! . e não sei como foram causadas. virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo. do jeito como mais me lembrava dele. Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor.ais de que havia algo errado? .tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana. menos eu. ter filhos e tudo o mais. pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa. Jory. . senti-lhe a presença antes de avistá-lo. Recuei no tempo e vi Papai. antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez. neste momento. Depois. Portanto. que pode dançar.. usando trajes d e jogar tênis.

Sempre há esperança.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va.Carrie ainda não morreu! . depois.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris.Mas se ela sempre soube. atônito. no canto do quarto. Apesar de você dizer que não.Chris . mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça. como Juli an fazia. o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava. Chris. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo. Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. . das quai s restavam apenas uma. Enquanto estávamos abraçados. também. ajoe . a fim de compensar seu tamanho diminutivo.muito bom revê-lo. Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver. Muito obrigada. que estava muito pálido. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? .exclamei. ac redito. .disse ele em tom calmo. Nada correu bem para mim desde que Cory se foi.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência. Quanto mais eu pensava no assunto. ele começou a soluçar no meu ombro. As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. sei que foi pecado. preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex.Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. foi pec ado. Obrigada. Pena que as circunstâncias se jam tão tristes. Falaremos com ela. Dr. diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo.Cathy. que afirma que Deus ama todo mundo. temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. . Na semana passada. Trazia uma marca de dentada. Agora. se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias. .Como posso explicar-lhe? . Você parece tão moreno e vibrante. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais.Há esperança.Oh! meu bom Deus! . Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer. Paul saiu do quarto de Carrie.bradou Chris. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e. mas eu estava vendo e ouvindo. Estamos fazendo o possível. Cathy. . sabendo que elas a matariam. Paul. de repente. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia. Mesmo assim.Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra.Oh! Deus!. Agora. m as nesses momentos lembro-me de Alex. por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo. não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. ... . E muit o obrigada.exclamou Chris. O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco. ela colocou arsênico nas rosquinhas . o pacote de rosquinhas açucaradas. deixando-me soz inha. as lágrimas ainda brotando dos olhos. embora por curto espaço de tempo. Carrie comeu-as.exclamou Chris. Alex está lá dentro. Só uma. não há? . transformados novamente em pais pelo sofr imento comum. como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . eu não escutava nem prestava atenção. . e recuei alguns passos. . mas ela desistiu da vida. desesperada. . Cathy. embora naquela época não acreditasse. comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio. . A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal.

Afinal. acariciando-lhe os cabelos. na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele. . Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. exatamente o que eu desejava. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim. interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha.Tudo o que sabemos fazer . replicando que ela era perfeita. Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. que correu para junto de Carrie.Sinto muito se lhe pareci áspera. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. ou entre ambos. Olhava com antipatia para Alex. como se proc urasse clarear as idéias. estendi a mão para consolá-lo. Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore. telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim. A seu próprio modo. Esta jazia. Alex sacudiu a cabeça. Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa.Cathy.Que foi que disse? . Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem. que a amávamos. Não obstante. enquanto Alex cont inuava rezando sem parar. centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie. levantei-me. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . Sentava-me ao lado de Chris ou Paul. chamando-lhe repetidamente o nome. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. pois ele realment e amava Carrie. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. Alex. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la. não sirvo para você!" Eu ri. seus olhos se anuviaram. deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. rezava para que ela vivesse. Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. desfigurado pelo sofrimento. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava..apesar d e ainda ser verão. Como num transe de pesadelos infindáveis.respondeu Paul num tom baixo e suave. magra como um palito. Durante três dias e três noites. . mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. Para horror de meu irmão. . To das as formas redondas. não consegui mais conter-me. .Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie. ao vê-lo tão humilde.Responda-me. sob uma pesada camada de cobertores . Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me.. como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala . ele a amava.replicou. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. . Sua vo z parecia esquisita. Perdoe-me. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. Debruçou-se para abraçá-la. todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie. os olhos avermelhados pela falta de sono. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance.lhado ao lado da cama. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. apressei-me em ajudá-lo. Até mesmo quando foi apresentado a Chris. disse: "Oh! Alex. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. Parecia até mesmo ter perdido mais peso. Os fios louros brilhavam nos travesseiros. . enqu anto minha vizinha cuidava de Jory.Meu Deus do céu. O que fiz de errado. . sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto. Era uma noção idiota.Uma semana atrás. mal barbeado. Cada um de nós. Então. rezando para que Carrie sobreviva.Alex. Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. . Vira o rosto para o outro lado e permanece calada.

Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio.. .Jo ry tem muita gente. . Posso vê-lo neste momento. porque serei tão alta quanto desejo. dizendo: "Não a conheço" . Jory quer a tia de volta. não nós. percebi em su a expressão. estou quase tão alta quanto Mamãe. como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me. Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos. Veja. Alex está no corredor.protestei energicamente. Era nossa mãe. Vou morrer. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. E todas as mães amam e querem seus filhos. . E. E quando eu chegar lá.. Segurei-lhe a mão. Eu cochilava ao lado da cama de Carrie .. Fez a declaração com a maior calma. como se não fizesse diferença. . Carrie.Não. . Para mim. Não se entregue. Carrie. . Cathy.. além de mim. Ela também não quer saber de você ou de Chris. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem. rica. Não nos p arta o coração! Carrie. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar.Vi uma mulher na rua .. A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir. .. passando por centenas de colinas ar redondadas. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então.. que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica. Carrie! . Os lábios ficaram entreabertos. a menos que sejam pecaminosos e não pre stem. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo.O lugar para onde vou é ótimo. não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você. sem piscar. e também Jory.Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . Mamãe.. Cathy . Paul e a mim. Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe.declarei num sussurro rouco.que você não o ama o bastante para importar-se em viver? ..Muita gente a ama e precisa de você. Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo. aceitava a morte e es tava satisfeita. Cathy: flores por toda parte.Não . apenas um pouco mais velha. pois você tem Alex e Chris...sussurrou ela com voz sumida. Olhe ali. Mas não precisamos d ela. Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá. Carrie! Alex a ama tanto. .. ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja. Devo chamá-lo s? . como sempre desejei.. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos.. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor. a fim de estar junto dela. . Agora. explicando que isto a preocupa.. Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza.replicou ela no mesmo tom que usava quando criança.r no assunto. quando nossa própria mãe não nos quer. suas proporções são perfeitas . não passava de uma mão esquelética. e quas e me posso sentir crescendo.. para amá-lo e cuidar dele. Cathy.disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir. Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos.Querida. mas para mim..Não! . quer casar-se com você e desistiu de ser pastor. com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. Mesmo assim.Oh! Carrie.Tenho um segredo para lhe contar. escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. conversei com ele .Jory não precisa de mim .Não. Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. pecaminosos ou não prestarmos. quando escutei Carrie chamar meu nome. eu estava esperando que você acordasse . não me quis porque sabe que não presto. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro.. pássaros lindos. Cathy.Quero falar apenas com você. . desde que você continue viva e o ame. e Henny. não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas. como nós.P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela. . Mas Cory está a minha es pera.murmurou Carrie. E se Deus deixar que ela morra. Cathy! Está quase como era antes. Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente. Era a quarta noite após a chegada de Chris. Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. O que vou dizer a ele . ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta . atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. . pergunta onde você está. resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem.. não o fato de sermos ruins.. todos os dias. Oh! meu Deus.

Imaginei o que nós. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno. Foi então que eu gritei! Sei que gritei. e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto. Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava. Embora não tenha certeza. bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe". deve esquecer o passado e os planos de vingança. O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. .a primeira que ela passaria sob a terra. mas outras pessoas p recisam. Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. Mas vi-a de relance . pagar. E uma nada faria. mesmo de quem não merecia viver. Com o braço passado em minha cintura. Foxworth. teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. Já tentei revelá-lo muitas vezes. num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me. Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor. Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida. Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento. Christopher. quase alaranjada. Fitei-o com amargura e desânimo. Cathy: esquecer e perdoar.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. querida .pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. até o amanhecer. transformei-as numa vara de feiticeira cruel. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos.Carrie não precisa de você agora. Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a.disse Chris. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação.. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro.. não choveu nem havia ne ve no solo. por força de um velho hábito . .r para casa. fazíamos no cemitério da família Shef field.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar. amparando-me. restav am apenas duas. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa. Cathy. Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara. . E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose. pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont. mas você se recusa a escutar. pagar. Desta vez. perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda. deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is. temerosos e tão necessitados de amor. Mais que o sufici .Não. antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty .Por favor.e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. Agora. julguei ver uma mulher vestida de negro. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite . para torcer e destorcer.Você é realmente perito em questão de perdoar. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. replicando desdenhosamente: . . Quanto a esquecer.

. com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. Eles pagarão caro. se não é Catherine Dahl. seria por demai s vulgar e óbvio. Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. Dois escritórios. .então. Passei a correr d iariamente. chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro. porém. encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta. procurando. tenho alguns negócios a liquida r.repliquei com inabalável determinação. enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro. Ele não .disse com arrastado sotaque sulino -. ele diria algum clichê. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. que estalavam sob meus pés. não muito longe da residência dos Foxworth. Jory passara a constituir-se num problema. afastando-me de seus braços. o solo forra do de folhas mortas e secas. Trazen do na mão uma pasta de documentos. um determinado homem. não conseguira localizá-lo . tisnado de sol. Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade.Mais tarde . a fim de não ficar muito afastado de mim. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . À noite.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé. como era forçoso acontecer algum dia. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal. naturalmente. Até então. pensei com meus botões. D ediquei-me a elaborar planos. .. porém.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos.Um dia. Ao contrário do que esperava. ele precisa de um homem que o oriente. que deveria ter custado uma fortuna.ente. avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me . . pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha.Bem . Quando nos encontrássemos. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação. Mais cedo ou mais tarde. Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia.Fique. esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso. a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! .so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . Agora. em Greenglenna. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . Catherine . Bart Winslow era uma espécie de celebridade. . de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. ou eu o faria. eu saía à c aça. Antes. Logo retomei minha rotina de trabalho. Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom. peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall. o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente. não o encontrei correndo nos bosques. Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como. Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. Num sábado ao meio -dia. . Na verdade. nosso encontro teria que ser "acidental". voltarei para você e nos casaremos. Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. agora q ue eu não tinha Carrie. eu preciso de uma esposa. Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos.

Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. vamos . realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. . Sinto muito. sua fisionomia assumiu uma expressão solene.Deixou a pasta numa cadeira. eu julgara pretender seguir. sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse.indagou.Não desvie o olhar. Engolia em seco. E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante. É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem.Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? . .Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo. masculino. os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais. .Sim. Desviei o rosto. diabo.retruquei afinal.como você está fazendo agora. Se não a ofendo. . insatisfeita comig o mesma. c omo ela costumava fazer.? . Em seguida. permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos.Ora.Quem. Então. Por duas vezes. bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes. minha esposa as lia e ficava muito pálida.Agora . é você? Sorri para encantá-lo. Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele.exatamente como você e stá brincando agora. usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si. as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha.. . Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás. perguntou bruscamente: . Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que. ficando perdida para qualquer outro homem. .. Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos.Então.Onde. impedindo-me d e partir quando me levantei para sair. . . . quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. puxando a cadeira para mais perto da mesa. Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. . e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas . co m Bartholomew Winslow quase gritando: . vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido". Em seguida.Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . a fim de vigiar a pasta.repliquei. Pode-se dizer. Exi gi uma explicação. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado.Não me escondi . Deve ter algum parentesco. O sorriso de Mamãe. nervosa .Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente.Por que não pergunta isso a ela? . Diga-me. fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu. só para observar-lhe o vexame. mas ela correu para trancar-se no quarto.faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava. Era por demais confiante. Pelo aspecto manuseado do papel.Não banque a sabidinha comigo! Quem é você. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel. estendendo a mão para segurar-me com força. . talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente. seguro de si. se escondeu? . Levantava a mão para brincar com as pérolas . certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você . sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina.declarou ele ri spidamente.prosseguiu. se não conhece você ou sua irmã? Não obstante. até aquele momento. diabo. afinal. Bart pareceu espantado.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. .Como pode minha esposa saber isso.disse ele. Então.

Sabe que meu marido morreu . Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz. Recusei.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. . mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro. Cathy. continuei a afundar-me. Esqueça-o. presumo. provide nciará a vingança que você tanto deseja. tenha fotos do seu primeiro marido. Tossi. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR". minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la. Tinha que ser presente de minha mãe . Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles. Sua voz soou dura. que.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim. lutando para recuperar o controle.escreveu para ela. Sei que me senti doente.Ouça . preciso de coisas para ele. Fez uma pausa. . Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar. surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. exigindo que ela me e xplicasse tudo. quero as respostas certas . Deus. E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco. semi-cerrados. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade . Depois. . Tenho um filho para criar.respondi.Pergunte a ela por quê! . sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: . soprou-me a fumaça no rosto. abanando o ar. Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez. segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça. ele es tendeu a mão. seus olhos escuros. Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes. . . Às vezes. e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes. fraca.. diabo. inexpressivo. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? . de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões.Aonde quer que vamos.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? . com uma águia dourada na capa de couro? . . à sua maneira..declarou Bart num tom monótono. embora já esteja gasto pelo manuseio. o álbum a acompanha numa das malas trancadas .murmu rei. quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira. debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus.Já perguntei. Durante tod o o tempo.Quem. graças à sua intervenção. Abri-as. D esta vez. Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz. .Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim. Não queria saber que ela chorava! . fria.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar.Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares . Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela. . chocada por saber que ela o guardara. apertando ameaçadoramente os olhos. Mi nha escola de balé dá prejuízo. Ofereceu-me um cigarro. observavam os meus e. forrado de plástico alaranjado br ilhante. Suspirei pesadamente e fechei os olhos.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? . A seu próprio modo e no devido tempo. como uma mos ca presa numa teia de aranha. Li-as. completamente controlada. esperei ser devorada.era o tipo que ela adorava. ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart. Bart exibiu um leve sorriso cínico.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado.replicou el e. Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum. envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço.

Por acaso. por algum motivo estúpido. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto. .Está certo. menti: . eu devia as contas dele no hospital.Responda-me. embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. Em segu ida. embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote. poderá fornecer-me maiores d etalhes. Mas não tenho . especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez. . não me agrada que faça chantagem com minha esposa.Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo. não sei se mente ou diz a verdade. Ela jamais fala no assunto. Então. Em terceiro. O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa. Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café.Vou lhe falar com muita franqueza. teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco.Onde se encontra sua mãe. Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe.Morreu .Henrietta Beech era meia irmã de seu marido. não como se gostasse realmente de fumar. Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas. É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. . não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. . Certo? .suspirou ele. mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. ficou muito sério. Em segundo luga r.Venha.. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa. ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito. as despes as com seu funeral e os custos do parto. Cathy. Sou um deles. E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. parecendo absorto em reflexões. De repente.comentou com um risinho de mofa. Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. fitando-me de modo prolongado e penetrante. que lhe deu três filhos ilegítimos. . Em primeiro lugar. Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café. aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. . é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro. de qualquer maneira. . Catherine Dahl. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas.Ahhh! .Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos.E não é? . pelo queixo. além disso. Vamos cair fora daqui .nem mesmo uma. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa.Faz muito tempo. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha.respondi.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e. nem minha irmã. como se convencido de que eu dissera a verdade. piedoso e santo . Que informação extraordinária! . . . mas parece pertencer ao clã dos Foxworth.Errado! Apenas eu. o cavalheiro bondoso.disse num tom urgente. encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. todo o esforço valeria a pena. . tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa. Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida. Já percebi tudo. Três jovens. Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. acendeu outro cigarro. . Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas. . Sua esposa é minha m eia-tia. mas apenas um. filhos ilegítimos da família Foxworth. Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos. não levam a sério o balé. Nem meu irmão. . levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me.

Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. sempre atrás de um rabo-de-saia. . Por que. Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento. o que sign ificava que estava com quarenta.. .Aonde pretende levar-me. Não seria necessário seduzi-lo.Não sei. enquanto eu permanecia sentada no carro. não acha? . teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory. deixo de gostar deles e me torno indiferente. . Ele mesmo o faria. . Sr. parecendo satisfeito. até sentir o rosto úmido. imitando seu arrastado sotaque sulino. Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal.Então deve satisfazer-se com facilidade. .Esteve estudando meu perfil.comentou ele. Suas roupas caras. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. como Paul. reparando em cada detalhe.repliquei. Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha.É e a - Acho melhor não irmos lá.corrigiu ele. o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. a despeito de tudo. Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador. E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como. . como os carros de luxo de Julian.Poucas mulheres se conhecem tão bem . mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. . Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. tão logo percebo neles o mínimo defe ito. a idade em que o homem é mais atraente.. sensual. embora alegas se amá-la. onde quer que esteja. Winslow? . . . sou muito difícil de contentar.Na verdade. Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador. sem pedestal de santo. Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. Ótimo.A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos .prosseguiu ele. O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão. Agora. Sr. muita gente poderia ver-me entrar.Portanto. magnificamente bem cortadas. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me.replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito. Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico. que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se.não mais do que você nos deu! Não obstante. Minha vida fora cheia de homens bonitos. em ri tmo de staccato. julga-me excitante e um tanto perigoso.Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. seus olhos brilhavam tanto. tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer.. . avaliando Bart Winslow. tipo bandido. cheio de vento e fogo.Bem . . quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito. Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria. então.Bart . Winslow.Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz. Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam ..A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada.. desafiando-me? Oh! Mamãe. quando queria.Na verdade. Fazia pouco barulho. levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir. Bart. . Bart tinha oito anos menos que minha mãe. enquanto eu lhe estudava a fisionomia. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão. Quando um homem é bastante encantador e inteligente. O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes.. recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado. deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores.

embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel. .Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . Quando me casei com ela. Cathy . Venha andar um pouco comigo. roubo.e lutar muito. Em breve. Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério. Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro. pelo menos.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes.de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! . Eu lhe lembraria tanto a esposa. trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho .Porque ela era como você. brinquedos e móveis infantis.Sinto a mesma coisa. . Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora. ele me avaliava da mesma maneira. Começamos a caminhar. . . em verdadeiras orgias de compras. p ois correrá perigo se cometer algum engano! E. com ele me guiando habi lmente ao longo .repliquei. Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era.Noite linda . . quando tudo fica explicável.declarei. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem.acreditem se quiserem . sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. Afastavam-me dela e me amedrontavam. de ter alguém a quem idolatrar.por algum tempo. há quinze anos. creio que ele estava surpre so. Costumava ser. É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares. herdou todos aqueles milhões e.Você é uma romântica.comentou ele. Contudo. E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. sumiria. não sei se o mesmo ocorre com você. Então. O outono é tão cheio de paixão . julguei que fosse como você. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro . . Catherine Dahl.Você não é? .Como pôde pensar assim? . a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? . em sua companhia. quando crianças. abandonando-me. de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar.Entretanto. Virou-se para sorrir com um encanto jovial. quando rapaz. Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas. Por sua expressão espantada e levemente embaraçada. . desejo confrontar-me com novos mistérios. Saltei do carro e Bart me tomou a mão.indaguei.mais ainda que a primavera. . faça tudo certo. Senti-me impelido a trazê-la aqui. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também..Parece poético . tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum.. adquiria tudo que lhe vinha à mente. Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia. Então.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de. .exceto um filho.Não sei. não poderia ser. como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida. que até hoje tem-se esquivado de mim.. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. estu pro e corrupção.. . numa outra noite. então.É a minha estação predileta. até que consegui con vencê-la do contrário. . e tudo estaria terminado. sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações.replicou ele. comecei a importarme demais.da. Em breve. dela saímos cétic os e empedernidos. Sinais vermelhos piscavam-me na mente. mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho.Déjà vu .Por que mudou? . nada mais tínhamos para desejar . Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam. Cathy. Proceda com calma. .Bart. enquanto eu o aquilatava. Na realid ade. E ela não podia ter filhos. de enfrentar coisas confu sas. Ingressamos na faculdade jovens e idealistas. Creio que ela também pensava assim. . se quisermos prestar para alguma coisa. Eu também já senti essa necessidade de mistérios.

de mod o que ressonava profundamente. A propósito. Sentamo-nos ali. Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. faça-me o favor de não dizer agora. Tomava pílulas para dormir. tinha apenas vinte e sete anos. passava o tempo todo agachada no chão. que lhe revelei tanto a meu Bart. Aquela música me intrigava e. pare com isso. E também a m andavam para lá no inverno . perto da janel a. Então. . na Carolina do Sul. Além disso. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente. até mesmo no verão. Ela me contou que. Ansiava por tornar a escutá-la. Pretende. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. de q ue ano? Sabia que ela já fora casada..Se não for suficiente. . Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato. hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall. gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. quando a mencionei.Não. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro. Em seu caso particular. mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. apitavam durante a noite. Fin almente. lançando-me um rápido sorriso malicioso. agora que tenh o tanto à minha disposição.. . Quando a música paro u de tocar. os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que. com tanta falta de consideração. à guisa de castigo.Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno.Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! . eu tinha em mente outro tipo de ho norários. Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima. revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. Então. fale-me um pouco de você. Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite.Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu. Então. Mas trata-se de uma velha estória. não tenho mais duzentos para dar-lhe.Os trens já não passam por esta linha. Tive vontade. senti falta. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas. todos os sótãos são iguais.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard. . freqüentemente. ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . . como todos os nossos amigos. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. . acendendo outro cigarro. repetida milhares de vezes. quando a temperatura devia passar de quarenta graus.Alguma vez você subiu para ver o sótão? . basta ver um para conhecer todos .respondeu E agora. .A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem. um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha. Na época.Ora. Cathy explicou Bart.Você é bem abelhuda. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado.protestei acaloradament e. respirando o ar frio das montanhas. chamada Greenglenna . percorrendo o mundo com a esposa. porém. perturbando-lhes o sono. ago . Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. embora sentisse frio. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação. . respeito. Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei. A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente.

.Sim..seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias. devolver-lhe-ei a tesourinha. sorriu. Diante do meu chalé. Ele sorriu. .Mary tem um papai. mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s. eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto. durou. durou muito. Os papais eram importantes no seu mundo. Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta. Jory. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia. . estendeu a mão e tirou-me a tesoura. pois todas as c rianças da escola maternal tinham um . . Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . Meus dedos descontrolados t raíram-me.mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. quando ele lá chegasse. Nossos olhares se cruzaram demoradamente. Você é maravilhoso! Jory riu. Será melhor assim.Você tinha um papai. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? . como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia.Bem.para a direita ou esquerda. pequena Srta. mamãe! .E não gosto de arranhões. a fim de alcançar minha bolsa para que. escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome. exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. Aquele beijo já começou. Jory.e. abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes . ele me devolveu a tesoura. Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. moldando meu corpo ao seu.Vou levá-la para casa . Naquele instante.indagou Jory. Você está dançando! . Embora ele procurasse beijar-me os lábios. para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo.Eu amo você.Sou bom bailarino? . até ficarmos ambos acalorados e ofegantes . abracei-lhe o pescoço. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. Jory. bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja . para onde quer que voltasse a ca beça . só conseguiu e ncontrar-me o rosto.Agora.disse.zombou.Isso pode causar um feio arranhão . ansioso por se . Bart chegou. Pedante. .todas menos Jory. espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos.. mas levantei-me e corri em direção ao carro.Leve-me para casa. para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. . fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a. contra a minha vontade.ra. faça o pior que puder: fure-me os olhos. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco.inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora. então. apunhale-me no coração.Estou dançando? . . Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. mas. E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você. .. num domingo de manhã cedo. O beijo durou. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado. . Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé. eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. Avançou para abraçar-me outra vez. enfiando-se em seus bastos cabelos escuros. Quando você saltar do carro à porta de casa. Sem dizer uma palavra. E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada. pronta para cravá-la nele. . satisfeito. Bart agarrou-me com força e brutalidade.Sim. mas ele foi embora para o céu. é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz.

a fim de evitar que Chris me visse os olhos.Não . recolocando Jory no chão. Farei o que preciso fazer . Agora.indagou Chris. o que gostaria de almoçar? . Sentei-me com o olhar fix o no chão. Chris. Tenho minha própria vida. . isto é.Seja bonzinho e aceite-me como sou . . Seja como você prefere. Senti-me mesquinha. .. cru el e envergonhada. . Seria ótimo p oder morar aqui. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado. restamos apenas nós dois. Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos.Eu sei. perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes. com o mais cativante dos sorrisos.. Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade . .Não vamos brigar. . a fim de passá-lo com você. pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana.explicou ele. . Julguei que sempre se mantivesse em contato com você.indaguei.Está certo.replicou severamente Chris. .Como está o meu Jory? . Empertiguei-me ante a sugestão. Então.No hospital.Você é meu papai.Sim.Eu estava apenas tentando. aproximando-me p ara abraçá-lo. após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas.Fui o melhor médico residente no hospital e. Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude.Viajou para outro congresso médico.Quer fazer o favor de mudar de assunto? . .. .repliquei sorrindo. Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso. . Sejamos amigos e aliados. .Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos. . incomodar-me-ia demais. Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris. Virei-me para o outro l ado. .Chris. estou preocupada com Paul. Meu irmão riu. pois já sei. Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração.Claro que fará. minha querida irmã.r acolhido nos braços fortes e másculos.Tem recebido notícias de Paul? . Isto a incomodaria muito? .disse ele. Eu nem precisava perguntar. De quatro. ganhei um fim de s emana de folga . limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante. sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos . . Peço a Deus que não se arr ependa. Christopher. como recompensa. se me permitir. .obstinada como Carrie.por que haveria de escolher você? Não respondi. divido um quarto com outro residente.Talvez. . o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça. como sempre . e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados.Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito. olhando em volta e tornand o a encarar-me. com você e Jory. Antes. . .Ainda não tomei o café da manhã. Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso.Cathy. .exatamente como você. ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas.Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. .. como outrora. Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem. Tio Chris? . Só nós.Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência. . deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo.Tirei folga no fim de semana. ou acha que deve ser. você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". Meneei levemente a cabeça.

onde olhamos para o menino adorm ecido. Especialmente para você. . como costumava acontecer antes. Então. .Já é hora de dormir.Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça. . percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias. As noites nas montanhas eram frias. quando os dias ainda eram quentes. graças a Deus. diante de Bart. A despeit o de mim mesma. mesmo em setembro. comia de tudo.. tudo o que estava ao nosso alcance . eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. Daí em diante.. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. Chorei um pouco. Alertado. Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto. quando comple tasse quatro anos..indagou Chris. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. ao terminar o q ue tinha que fazer. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas. embora ele me observasse os mínimos movimentos. Jory. . também. ergueu Jory dos ombros. .Não é suficiente. o dia passou depressa.Durma bem e não seja mordido pelos percevejos. Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. Tive vontade de dizer-lhe que. Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar.quando éramos apenas crianças . Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente. Cathy.Não.Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto .. deu meia-volta para encarar-me. passeamos pelos bosques. Chris já se fora. e. ele se parece mais com você do que com Julian . ele virou vivamente a cabeça. Conversávamos muito pouco. que marcava onze horas. Jory foi montado nos ombros de Chris.Quem lhe contou? . acima de tudo. Após a refeição. .Boa-noite. Christopher Doll . Em seguida.indagou. Mas permaneci calada. ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão. Parecia exausto. Dando-me as costas. espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira. Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor. Quando acordei. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz. que precisa acordar tão cedo aman hã.Quando está dormindo. . dan do a Jory o pai que precisava. deitado de lado. imaginei Chris como um pai para Jory. bocej ei. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir. se tem necessidade de um home m em sua vida.Mamãe. de verdade. com voz embargada.come ntou. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. Em seguida. abriu a p orta do quarto. . ele me acompanhou ao quarto de Jory.Mamãe está lá? .sussurrou Ch ris. conf uso. quando ele e eu fazíamos papel de pais. . Naquele sótão.Maldita seja. a fim de olharmos p ara a imensa mansão. Sem falar.. Volte para Paul e case-se com ele. pousando -o no chão. Chris. às sete horas. magoado. Paramos juntos. Paul dissera o mesmo. E você pode ficar aqui cem anos. Parecia-me tão bom tê-lo à mesa. tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. Quero confrontá-la com a verdade.. . dormiu no quarto que fora de Carrie. . Cathy. por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista..Então. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto. amedrontado. tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. Ouvi dizer que se encontra no Texas. . Fazendo o melhor possível. . É perigoso afaste-se dele.

O de stino não me poderia iludir para sempre. virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar. transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro. obrigando-me a prestar atenção ao solo.chamou uma forte voz masculina. . O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. Jory. fazendo uma pirueta. A trilha mal era visível e muito sinuosa.Corre depressa demais! Era Bart Winslow. desciam ao longo das costuras laterais das calças.. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas. minha mãe não podia vencer invariavelmente. e tendo punhos. . por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido.. deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. uma ama rela e outra laranja. Ofegante. ele gritou: . que cedeu sob o peso do corpo. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina. . Winslow . uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. Desta feita. E Mamãe não irá trabalhar hoje. Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e.Olá. apertando ainda mais o passo. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques. . Meus planos caminhavam devagar demais. e abri os braços.Foi o maldito joelho. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja.Tudo bem. usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo. Então. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. penetrando num pinheiral mais denso. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato. Mamãe sente saudades de seu tio Chris. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio. engasgando-se. parti correndo pelas trilhas. mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto. em solidariedade. Onde sente dor? Eu quis responder que. como se brotasse do solo. mais cedo ou mais tarde. ajoelhando-se a meu lado. esgarçado um tendão ..Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas. Entretanto. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida. quando a turma inteira estivesse reunida. Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. A fim de acelerá-los. Como teria de ser. Duas listras verticais. sentindo muita dor. Como eu pe nsava desde criança. Felizmente. as folhas mortas amaciaram-me a queda. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha. a essa altura. Sr. tomei uma bifurcação à direit a. que nunca usara antes.Machucou-se? Parece tão pálida. fui . sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas. . Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça. o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno.Pare de correr.Espere. magoando-me de muitas maneiras. abetos e espruces. o remorso e a vergonha. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim. os músculos longos e ágeis.pois as bailarinas sabem cair. naturalmente. Uma vez. Alguém corria atrás de mim.Não devo demorar mais que uma hora. Ri com o poder que sentia po ssuir. Não me voltei para olhar. do contrário não chegará perto de mim.outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. exceto quando se trata de um tombo inesperado.respondi. torci o jo elho. Levantei-me de imediato e continuei a correr. L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante. estava bem .. cintura e gola sanfonados. Cathy! . .. de modo que aumentei a velocidade. Só que desta vez estava machucada de verdade. já deverei estar de volta. Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo. ele também dói. naturalmente.

morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar . Cont udo. encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira. Minha sogra tenta falar. Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo. Ele sorriu.o que é muito raro .Por que veio morar aqui. perto de mim? Eu ri. . de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante.indaguei. depois ajudou-me a ficar em pé. além de uma equipe de empregados .E você a deixa sozinha. . .Quando sofro . po is meu joelho direito reagiu imediatamente. Diga que se sente alegre por rever-me. desapontado. para variar. gosto de todas as espécies de esportes.obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar.mostro-me delicado e humilde.indagou ele. .a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente. . . desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato.Por que se porta de modo tão detestável comigo? .Sim. perfeitamente funcional. num jogo ent re homem e mulher. com um brilho de malícia no olhar. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! . poderia julgar melhor.A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? .resp ondi com ar inocente. . Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho.Parabéns.Arrogante.A dor sempre me causa antagonismo. cortando-me a gengiva. . . Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo . insisti: ..E você não precisava aceitar. .Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa. Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? . É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz. franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem...Estou falando sério. .Agora. . de modo que posso distinguir só pelo tato. . estamos discutindo . E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio.Aposto que tem. recebemos mais atenção.que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher.disse ele. desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção.Está brincando! . e se ergueu disposto a aceitar o desafio.Meus joelhos também funcionam bem. não obstante. presumindo . dentro de casa e ao ar livre . Agindo assim. deixan do-me seguir o meu.como todos os homens cheios de convencimento . Olhou-me detidamente. . sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher. . também tenho minha peq uena coleção de truques. caso eu também quisesse. .Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho. . . hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. Seja boazinha comigo. Tem Nova York e sua cidade natal. Não lhe acontece o mesmo? .Claro que sim.Aqui estava eu. Ele soltou uma risadinha confiante.Você quer brigar quando de sejo ser amistoso. feliz por revê-la. como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar.Nada que eu goste de mencionar.Como pode saber? . que eu não tenho a menor idéia de qual seja. e você demonstra tanto antagonismo. Embora não seja capaz de correr como o vento. apertando as pálpebra s. foi você. .. mas veio para cá .Um pouco. mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim. É seguro? . brincando de gato-e-rato.respondeu ele.Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa.Não fica sozinha. se pudesse ver seu joelho. Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante. Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável . Uma noite.pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando.

Tin ha os cabelos meticulosamente penteados. Agora. Bart.Nosso horário gira em torno do menino. não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia.Qual é sua fraqueza.Irei hoje .Quando voltará sua esposa? . Uma curiosidade avassaladora me invadiu. trato-a pelo nome de batismo. nosso horário de jantar é às cinco. é claro. . meramente por pertencer à natureza humana.. lacônico.Logo que me casei. o que eu descobr iria por mim mesma. tenho apenas a companhia de meu filhinho. eu podia estabelecer o s planos definitivos .. a babá. mas não posso ter certeza. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. até que minha mulher volte para casa. mas agora.. Depois do jantar. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre. fui ao bar. pois nunca o es cutara. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue.. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo. Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade.Fico muito solitária. Bart? . Quis saber o nome da avó. Sr. .Ótimo. A essa altura. até o som de música suave enchia o ambiente). como se arquitetássemos uma conspiração. Depois que Emma.Chamo-a de Olívia! .Você a chama de Sra.Uísque. os olhos escuros faiscando. Seu rosto parece f eito de pedra. jantamos por volta de cinco e mei a. Em seguida. Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça. Pude imaginar a avó.. Chegarei às sete e me ia para um drinque. Bart já me dissera tudo o que eu queria saber. enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. estou encarregado de verificar que a Sra. Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície. evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência. Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto.A propósito. negligenciada ou roubada. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los. acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse.Puro. Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma.Por que quer saber? .. se atravessar o bosque nos fundos de sua casa. . . . É. Winslow. t enho pena de vê-la no estado atual. m as persisti. . Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. . imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados. A menos. mimá-lo. Agora. cinzentos como gra nito. creio que isto lhe dá satisfação.. você parece uma megera. que os dias são mais curtos. . como cabia bem a um bo m advogado. Então. ambos rimos sim ultaneamente. poderemos conhecer-nos melhor. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja. Dahl.tão logo tivesse mais uma pequena informação: . jantar e tomar vinho com ele. Srta. Portanto. . que faça questão de mostrar-se.. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo.fria como gelo. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m.replicou afinal. No verão. cada fio no devido lugar. fixo numa expressão . por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? .Com gelo? . Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. onde me ocupei com a preparação d as bebidas.A senha é discrição. .replicou ele de imediato. mais cedo ou mais tarde.. vai para casa.Então. . porque o olhar que trocamos foi muito demorado.Às vezes. Portanto.

Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas. O que está tomando? A essa altura. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas.. quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas. . Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. preparei para mim um leve coquetel de frutas.Desculpe-me quanto aos copos . Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando.. rindo. para jo gar xadrez! Em seguida. que era deliberadamente gracioso e eficiente. ... Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre. quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos. Agora. O roteiro fora escrito há muitos a nos. é feito com laranja recém-espremida. adiciona ndo uma pequena dose de vodca. A luz das velas refletia-s e em seus olhos. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco. a fim de jantarmos à luz de velas. devastador.. Sim.Uma bailarina russa me ensinou. exibiu um sorriso atraente. qual a recompensa? .disse eu num tom suave. fiz a barba. . encaminhei-me sedutoramente para ele. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois.Exatamente o motivo pelo qual vim aqui . interiormen te. Então. E. satisfeita com a expres são de seu rosto.Não comece a imaginar coisa. Após conversarmos alguns minutos. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã. lançando -me um olhar duro.. Como poderia eu fracassar? Após o jantar. .jogar xadrez! . Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando. desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão..Bart observava-me cada movimento. como num passe de mági ca. nada temos de delicadas ou el egantes.Uísque é uísque. passeando ou fazendo compras. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. desde a sandália prateada até a metade da coxa.Tomei banho. temos que co mer muito pouco. Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. trancada num quarto. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido. cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna. chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem.Se eu ganhar. Antes de nos apresentarmos no palco. quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade. Batizei-o de "Deleite de Donzela".A galinha está deliciosa . dando-lhe as costas.repliquei no meu tom mais altane iro. qual será a recompensa? . . diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? . após um espetáculo. não gosto de galinha. um pouco de suco de limão.exclamou Bart. A intervalos. homem convencido . você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. .Uma segunda partida. Sentei-me em frente a Bart. . .Quando eu ganhar a segunda partida. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. Ganhei dele todas as vezes.. . Isto é. A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água. . com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata. após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas. debruçando-se sobre a pequena mesa console.declarou. Mamãe. ambos nos curvávamos para pegar o talher e. Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: . não importa como seja servido.Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas. verificáv amos quem era o mais rápido. Então. Ele sorriu. vesti meu melhor terno.Em geral.Bem. fazendo-os brilhar diabolicamente. . encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira.Cathy. senti-me no palco.

simbolicamente. veio o silêncio.insistiu Bart. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira. Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro. Cathy? . porém. realmente.. Tomando-me pela mão. agora.aquele que você jamais esquecerá. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz. então.declarou suavemente Bart.. . que não sofra ao perdêla . . de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s.Por que está chorando... levo u-me à sala de visitas. prossigo. não sei o que fazer de mim mesm a. minha frágil proteção se esfacela e. jogaremos a "negra". é claro.Todos os seus problemas são muito simples.Então.Não está sendo honesta consigo mesma . pois não sei por que motivo você está aqui.Não. infindável silêncio. para alegrar uma viagem longa e solitária. .Engana-se. . e vivo à procura do pedaço que ficou faltando.quando sei que. Só precisa de alguém . lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris. . Naquele dia.Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança. qual a recompensa? .começou Bart.Depois que eu ganhar a "negra". meu sangue escorre com as lágrimas que derramo.Se você ganhar duas partidas.Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres. . só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente.. .replicou Bart. Oh! Chris estava certo: com Bart. mas resolvi tentar. Torno a recompor -me.Não sei. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados". Cathy . eu não estaria aqui. E. sempre sendo furada no centro. não sabia. Garotinha s de quem eles precisam cuidar .Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei. . na verdade.solucei. . . convenço-me de que existe uma razão para tudo. Soltei um riso curto e amargo.disse baixinho. Quando eu era jovem. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira. E quando consigo alguma coisa que desejo. julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? . Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina.pois já não acredito que dure muito tempo. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho.. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. E não fique aí. Então. tentando ocultar o rosto. Alguma coisa fácil e romântica. nunca terminando. Bart. enquanto cont inuávamos dançando.Mas serei o último e o mais importante . Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa. diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida. depois. apenas começando. sorrindo com tant a confiança.Ligue a música. Parei de mexer os pés e funguei. . roçando o rosto escanhoado no meu.Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando. Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada. te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim. . um pouco de mulher sedutora. .. cheia de esperanças e a spirações... Do contrário. Um prolongado. quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. quando ele vai dormir e estou sozinha. que me será revelada em algum ponto de minha vida.Cathy. é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. não imaginava que me magoaria com tanta freqüência.. mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça. fez-me virar a cabeça. pelo menos atualmente. Com estudada deliberação. bailarina .. Então. . só compra va música clássica ou de balé. . espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo.Claro que sabe . . mais uma vez .Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo.indagou Bart suavemente. Entretanto. porém. E tudo continua assim. . Sou como uma rosca. Sou idiota.Vamos dançar. Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar. um pouco de anjo. Não sei como encher os me us dias. . na minha vida pessoal. fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei. Nada de passos complic ados. contudo. Espero demais e. Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me. eu fora além de minhas possibilidades. Chris.

Agora. Ela que fique com seus segredos e lágrimas.declarou Bart incisivamente. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais. carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama. Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso. quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. Um dos dois ganha o jogo. ocasionalmente. bai larina. aqui estou. Com a mão livre. mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe. sabendo que nada poderia dizer em protesto . enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos. até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. minha linda sedutora. Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. .do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante. Entretanto. fiquei apenas com a meia-calça. Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. Lutei para levantar-me. Ela é uma trouxa de segredos. zombando de mim. Bart possuía-me sem usar o coração. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço. mas o fogo se apagou.Tenho uma esposa e. mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar. que ele puxou por minhas pernas abaixo. e não me permite verificar o que há lá dent ro. Todavia. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar. Agora. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo. pega ndo-me pela cintura. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem. .a firma que nem a conhecerei quando ela voltar . ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer.bradei. E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos.Cathy. . que necessita de alguém como você. de modo . Movimentava-se para penetrar-me. No escuro. Bart jogou-se para a frente. dormimos j untos.Pelo menos. talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. se formos juntos p ara a cama. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você.repliquei amargurada. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. apagou as luzes. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços. . por Deus.ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! . Seduziu-m e na primeira vez em que a vi . erguendo-me e carregando-me sobre o ombro.. Não a conheço. Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. obrigá-lo a perseguir-me e. puxan do-me com força de encontro a si.. Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate. .como eu. Se Jory precisa de um pai. Afastei-o bruscamente de mim.. Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto . . Convidou-me para jantar por um motivo. disposto e pronto para ser seduzido.. A essa altura .como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico . será minha até uma semana antes do Natal.Você tem uma esposa a quem ama . E não acredito que alguém realmente a conheça.e. mas ele a tampou com uma das mãos. prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. empurrando Bart. limitei-me a vociferar: . eu necessito de um filho.Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais.Os homens também mentem . Em seguida.Vá para casa! . Sua li bido inflamou-se. pare com isso! Veja de que modo está vestida. Portanto. bem amarrada. inflamá-lo. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. agora. refleti.

assumiu uma atitude séria. Depois do almoço. nem mesmo é um homem.Mas ela gosta. estou com medo. acariciava. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria. inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos. .. Você está chorando.berrei. .. E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil. fec hando desavergonhadamente a braguilha.até mesmo no banheiro. Quando ficou despido. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto... Oh! O meu Jory tinha tu do ..Mamãe. Contudo. Por várias vezes... sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente. cheio de talento.Tenho uma arma! .e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito. Do tip o de talo comprido. Penetrou-me.Querido. expl orava-me o corpo. imitando minha voz. . pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância.pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã. Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma . Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira.Suma-se daqui!. mais an imal que humano! . Mamãe não está chorando. querido.disse. mas também ofegava. bateu-me uma continência.. Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia. de uma inteligência brilhante. Amanhã. não passa de um brutamontes. aninhando-o em meus braços. Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha.que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa.Amanhã. Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar. Mamãe está bem.mas ele me beijava.Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa. . Jory adorou.Não se sente feliz. exatamente como você gostou. Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças. isto é. e musse de chocolate para sobremesa.. continuei a debater-me. apertando-me os dedos até estalarem.Oh! Mamãe. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava. sob o peso de seu corpo. Jory tomou a decisão por mim: . sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim. Ao diabo com ele! Comecei a chorar. Sem assinatura. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la. Era u m estabelecimento que usava o método Montessori. Se me de r muitas calorias. retorcer-me. . mas não foi por pena de mim. Você teve um pesadelo. forçando o corpo para cima a fim de livrar-me.. batendo a porta da frente com força. veja só! Eu enxugara as lágrimas . fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração . deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. nua.respondeu ele. deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se. satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! . Sorriu. . Não faz mal.Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. . à mesma hora. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap . é um homem morto! Aliás. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . usando apenas as meias.. poderei queimá-las da maneira mais agradável possível . .(era mentira)..Minha esposa diz freqüentemente o mesmo . quando o levei comigo par a a escola de balé. . Saiu. E passarei a noite aqui. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder . Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado. vinham numa embalagem da loja de flores. prepare o bif e à Wellington com uma salada mista.Oh! . se você me tratar bem.Estou tremendo de medo! Em seguida. com ar indiferente.menos um pai. zombeteiro. . tive oportunidade de gritar.e não me refi ro a correr pelos bosques.

Jory sorriu. parecendo deveras preocupado.Você não bate quando pego aí. à mesa do jantar. fique à vontade: vá em frente e pegue. Amei-a antes mesmo de conhecê-la. No interior desta.Não. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo.com efeito. . Em seguida. E se às vezes você for mau. Como se explicava que crianças. dentro da qual havia outra caixa menor.ou minha mãe. Os bebês costumam mamar nos seios das mães. Mande-me embora e obedecerei . Em seguida. Parti.eis o motivo pelo qual eu ali estava. portanto meu amor não tem motivos ou intenções. de modo que precisei assinar um recibo. .Eu sempre o amarei. Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro. Nem a s rosas naturais. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado. logo que se acomodou a meu lado no carro. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas.. todos viviam cheios de medo. de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda.idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do.. No prato vazio. tentarei compreender. Jory ter ia também um pai. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior. um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. hesitante. cujos olhos estavam esbugalhados. não constituía um presente dele.apontou timidamente par a meu seio. e também comprava selos.Você me batia.Eu também a amo. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço. olho por olho. Mamãe . .disse ele. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus. . se quer tentar. Porque você me ama mesmo quando sou mau. . Mamãe. . . Sim. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe...indagou ele.respondeu ele. O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui.. às sete e meia. Bart teve a ousadia de vir naquela noite. que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas.. como prometera. Ele estava na agência postal. Faze com os outros o que far ias contigo. Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes.Eu sei.. Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada . naquela época? . Portanto. Exibiu-me um sor riso encantador. mais perto de Deus que o resto do mundo? Então. . eu não seria como a avó . . Não obstan te. A encomenda era registrada. O pacote conti nha uma caixa.Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo. muito aliviado. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory. bem como travessas de p rata. parecendo um tanto triste e desapontado. acenando quando me afastei no carro. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa. Jory esticou a mãozinha. . ainda tão pequenas. Seria a mãe perfeita e... A caminho do chalé. . calada. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. convidei-o a entrar e conduzi-o.. . Fui esperá-lo à saída da escola. deixa ndo-o a observar-me .Não gosto do seu tipo de rosas .Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela. Olho por olho. A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. Nada de coquetéis ou conversas amáveis. aí . a fim de indagar se eu gostara das rosas.Mamãe . agora. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela. claro que não. Às cinco e meia. algum dia. estavam na caixa ao lado do prato dele. Sim. portanto. Nenhum de nós dois dissera uma palavra. . s ob a influência de Deus.Jory. Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim. eu o amo.Oh! apenas um lugar macio. Jory.repliquei rispidamente. entregando-o a mim. Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã.

dis se ele.Ao menos. tudo é seu. jóias. Existem outros a quem s ou capaz de adorar.Preveni-a de que sou advogado e não poeta. então. E quando estiver rígido e frio numa sepultura. sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo. despr ezo-as tanto quanto as agressivas. Bart estava trajado com ex trema elegância.. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente.Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. fitando-me os olhos com ar desafiador.repliquei. você está vendo o cardápio predileto de Jory . ela se transformara numa colegial adolescente! . Sirva-se à vontade. estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. amala-ei ainda mais depois de morto . desalinhadas. antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite. eloqüente.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante. . . ou coisa nenhuma semelhante. . que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas. Saiba porém. .Não era vermelho.Sua poesia tem algo que me é familiar. homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas. deixando-as cair ao longo do rosto. C ontudo. como você fez ontem. . Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. Franzindo o cenho.Eu a compus há apenas alguns minutos. . Quanto às mulheres passivas. como é possível que lhe pareça familiar? . mas certamente você não o é. o ar de desapontamento . Como sobremesa. Poesia não foi minha matéria predileta na escola. . Sou liberada apenas em relação a alguns homens. Primeiro. .Engana-se. incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga.Fiz o possível .protestou ele..Não sou tímido.Não sou chauvinista . medrosos e temem uma mulher agressiva! . que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós. mas cor-de-rosa! Além disso. que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! . mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. Carrancudo. ostensivamente. rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. . desde que suficientemente bo m para nós.Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas. mas com um toque um pouco estranho. servi-lhe bis coitinhos com formato de animais. a fim de tornar-me mais at raente. A descrença em seu olhar. abriu-a com um puxão. ocultava o filé à Wellington.Você me obrigou a fazer o que fiz! . Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens. guardei um pouco para você. Bart lançou-me um olhar duro e faiscante. ..Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa. Bart. ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade.declarei em tom de gozação.Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e. o que explica o toq ue um tanto estranho.É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . depois. .Isso é evidente . escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada. muito interessada em sua expressão facial. porque eles próprios são tímidos..Agora. Em vinte e quatro horas. idolatrar e servir como uma escrava. E levando em consideração que já jantei. antes de mandar-me embora. medroso. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! .e detesto aquele tipo de vestido! . tênis sujos. Esper ava tudo de você. ..De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas. murmurou: . Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. passivas e estúpidas. Por que usou aquele tipo de vestido? . os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga.admitiu ele com um sorriso travesso. parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa. A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto.

antes de começar a subir vagarosamente.. Fitei-lhe o rosto. levou-me às estrelas. me tratava como um verdadeiro ama nte. recebi e dei até adormecermos abraçados. Quando dormi. eu nunca mais o veria. Bar t beijou-me os artelhos. Paul. roçou de leve os lábios nos meus. De leve. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. havia a a vó. que apenas pa recia muito triste. Por força de um vel ho hábito. Então. Além disso. outra vez. Sentime como se a avó nos observasse. Sem aguardar a permissão.assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! . excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo . Bart fez-me erguer o rosto para o seu. Volte para sua mulher. E Julian nun ca me beijara os pés. morto. sacudi a cabeça. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo. que também tinha que pagar. . Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado. Dias a fio eu ia observá-la. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito.. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. depois em legato. Julian quase não tinha ca belos no corpo. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. não obstante. dominando todas as demais como um castelo medieval. ainda. não acreditando em suas palavras. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. acusando-me com os ol hos negros. Ela que fique com você. Desliguei a mente. as mãos c ruzadas sobre o peito. erguendo-me da mesa. E quando ergui os olhos. Então. Não servimos um para o outro. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho. De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir.. Mamãe. Desta feita. agora. que se abria para um jardim cercado. arquitetando meus planos. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. vinha o aroma de rosas naturais. sonhei com Julian.e. a caminh o do trabalho. O travesseiro estava molhado de lágrimas.repliqu ei. eu sabia que ele não me amava.Você me está vendo como sou ao natural. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. deixando-o cair naturalmente. Por que você não vem. os olhos fechados. Eu sabia. pode ir embora . escutei alguém chamando por mim. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro. Girava sem parar. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. a grande distância. passando a um crescendo. Oh!.então vi Chris no interior da caixinha.Eu a amo. tornando a explodir mais uma e . com a v oz. Finalmente eu lhes atendera o chamado. E agora que já viu. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele. Bart veio depressa em direção à porta. saí com ele para o ar frio da manhã.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. quando ela regressasse. dedilha da em pianíssimo em andamento largo. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. meu desejo era ser tocada como um violino. Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa. pois e u não o quero. Contudo. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno. um por um. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os. Com um leve sorriso. Atrás do ja . a única que ficava bem alto na encost a da montanha. e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. . como se pretendesse sair.. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. tinha cer teza .

E. sob a aparência havia um coração de pedra. Ri-se sempre das mesmas piadas. Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca. De repente. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável. Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow. Eu a a mo e a odeio. Portanto. O último codicilo foi o pior de todos. selvagem. todas as muralhas misteriosas ruirão. aquela gente não tem mais sonhos a comprar. . sucinta. porém. . e não tente fazer comigo o que ela fez.Ótimo . você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela. . na hora do almoço: .que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo. O jet set. Foi esta a resposta clara. delicada. encantadora.Em breve. ta lvez. embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. termina s implesmente entediada. Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. mesmo que não seja verdade. você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: .respondi. mas ele possuía outros seis. mas. Agora. cada um de nós encarregado de uma f unção específica. como você. . encontra-se se mpre a mesma pessoa. bailarina. erótico e totalmente satisfatório. Todavia.Aquele pai dela também era um mistério. sou ambivalente e tenho ressentimentos. encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce. Alterou-os dúzias de vezes. Somos nossas piores inimigas. Quand o a conheci. . agora. existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores.Ela me ama.Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? . Ocas ionalmente. . incl uindo um membro da família.respondi. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro.rdim. A minha era redigir seus testamentos.Daremos um jeito. Bart pareceu-me um menino tristonho. .Naturalmente que era advogado praticante. retirando outro. na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido. Todas as mulheres são monstros para os homens e. Ele ficava porque ela o amava.Sempre foi um mistério para mim. Depois . sou novamente. gelei q uando ele anunciou um dia. tão louco quanto sou agora por você. obr igando-o a permanecer. que me faz l embrar dela. você disse que a amava. tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. . Portanto. Não obstante. mastigando com violência. Julguei que eu foss e seu único advogado.Bart. a "gente charmos a" . ao vê-lo.até lá. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa.Então. Um homem pr ecisa fazer algo útil. tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. era uma mulher delicada. diga que me ama. Não se incomoda com iss o? . Cathy. .Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. Voltará antes do Natal. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna.Às vezes. juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também . Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. . afirma o contrário. sem dar atenção à minha interrupção: . Nunca. Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. adicionando codicilos como um possess o.Bart. porque não consegui . E continuei a comer minha salada. para elas mesmas. ela mudou. perde as inspirações.Ela telefonou hoje de manhã. Ele prosseguiu. menos saúde. atrevi-me a dizer: . terno. embora conservasse a sanidade mental até morrer.Você é mesmo uma mulher incrível! .Não faça tempestade num copo d água. que tenha um significado. mas mudou. faça o favor de ocultar sua faceta de megera. Tocada. meu amor . acrescentou: .Logo que me conheceu.Falando francamente.

maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. Era q uinta-feira. Fazia muit os anos. estava a avó-bruxa. Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos. o corpo grosso. Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente. os bustos de mármore. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. Sorri ante sua expressão de espanto. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. erguendo-se sobre nós como uma torre. tão lindos aos cinco anos de idade. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. Vi tam bém a segunda noite. Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. cap azes de avareza em pequenas coisas. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den . revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. robusto.o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro. os enormes lampiões.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. apenas para economizar alguns míseros dólares . Chegando à porta dos fundos. ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. que tanto haviam perdido. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. Por quê? . usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . poderoso. utilizando-me de todos os caminhos ocultos. observando avidament e os belos móveis antigos. marca das por vergões vermelhos e sangrentos.Carma.Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança. Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca. quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. Mais uma vez . usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás. aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . pareceu-me que já a beijara antes. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. Continuei a avançar sem pressa. admirando os quadros a óleo. vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. ta mbém. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa. Todos os criados estariam na cidade. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. uma menina assustada. ainda crianças. cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. para verificar qual era a sensação. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos . . do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão. com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. Afinal. podiam adquirir. Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. para fazer companhia à sogra. esgueirei-me até Foxworth Hall. havia um balcão no segundo pavimento. Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. Além daquela porta fechada. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. Um dia. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. pois era o dia de folga.

não o que era agora: uma velha doente e calva. que ainda surgiria um a ocasião. Oh! como parecia envelhecida! Magra. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil. que chorava e berrava. abri-a com todo o cuidado. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. pecaminoso. Então. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche. Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. depois. Então. a avó tinha um metro e oitenta de estatura. Tentou falar para e xpulsar-me. entretanto.. agora. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante. chegando-lhe ao abdômen inchado. abismada. Aparentemente. Em seguida. os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. Ainda assim. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo . muito satisfeita. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. aproximei-me da porta. pelo contrário. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo.e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. Se pudesse. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. Estava com medo! Glória. abatida . Soltei os cabelos. maldoso. pois ela jamais tivera pena de nós. os dedos o ssudos e nodosos. não conseguira estragar. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração.. mãe de quatro filhos. bati com a vara na pa lma da outra mão. Chegava lá todos os dias. Apronte-se. f ora! Fora.. afinal. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. Então. na alta cama de hospital. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas. averme . como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. no dia em que ela me surrara. c alcei ás sapatilhas de cetim branco. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. ainda mais indefesa . Outrora. se us olhos também se abriram lentamente. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea. Olhos cinzentos.. às seis e meia da manhã. quando a porta se abriu. com o couro cabeludo à mostra. no futuro. Viera exercer vingança. Lembra-se de mim? Sou Cathy. dizendo baixinho: . parei junto à porta. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa.tes que procuravam mordê-la. revelando que ela era quase totalmente calva. estava à beira do sono. com grande cautela. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta. de olhos fechados. totalmente despida . pude cumprimentá-la com amabilidade: . esbugalharam-se. ela gritaria: Saia de minha casa.apenas um pequeno tufo. sentei-me para descalçar as botas e. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. Um a to vergonhoso. filha do Demônio! Fora.Avó. expulsando dele a piedade. A avó me reconhecera. A avó jazia. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. Eu.Boa-tarde. revi-me diante do espelho. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria. e eu me sentia satisfeita. mesmo reunidos como estavam. ainda por cima. Agora. Agora. Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto. desbotados e úmidos. jazia na mesma cama que ele. Usava malha branca.meus cabelos. Que prazer tenho em revê-la. querida Avó.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. Com a maior naturalidade.

sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. Apaixonaram-se e iam casar-se. na raiva. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo . ouça bem o que ela fez .lhados e cercados por pés-de-galinha. Mesmo assim. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu. Agora. Revi Carrie em seu leito de morte. fazen do-me tremer as mãos.Sim. Prossegui num tom de cântico religioso: . Carrie ficou abalada. onde nos sentávamos para tomar sol. A avó jamais gostara de nós. Ela se mexeu um pouco. numa teia de linhas que se cruzavam.. Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. Delic iei-me observando-lhe o medo. at irou Cory longe com um tapa. a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. portanto. percebo que ainda não sabia disso. foi o que fez. dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino. nem os nossos. Cory morreu e você sabe. Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo. pois vocês duas mataram Carrie. Portanto. comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as.e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. Depois. murchando. envelhecendo.. nunca deixou de sentir-lhe a falta. como sofreu por causa de Cory. Guardeios não apenas para mim e Chris. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio. Avó.. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. Agora. Deleitei-me. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. . Lábios finos e retorcidos. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. nos dera à luz. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! . pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. por acaso. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar. com golas debruadas de crochê branco.. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque. Pobre Carrie. porém. . Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável. cuidara de nós. Um medo profundo. porém.. como também para mostrá-los a você e nossa mãe..Avó. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles.. Jamais se recobrou da morte do irmão. mas os gêmeos tinham pavor da altura.Veja bem. agora murchos e miúdos. sabendo que aquilo doía. querida. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas. menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. Carrie também está morta.Lembra-se da segunda noite. Não. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?. . Chris e eu subíamos ao telhado. Nossa mãe. E. depressão e falta de coragem para pros seguir.. A vingança me brilhava nos olhos.por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera. Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie. Agora. por incrível que pareça.

Avó! . Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar. apaixonou-se pela esposa mais moça do pai. Mas. a quem você também de testava. desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo.Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar .declarei. seus únicos netos.e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa. quan do Alicia teve um filho. o meio-tio se casou com a meia-sobrinha. deu-lhe tudo do melhor. você jamais te ve piedade de nós. como se o passado já não importasse. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma. Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança. pois trago cada uma delas gravada na lembrança. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. você nunca pronuncio u nossos nomes. O seu marido.. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. em vez disso .Devo-lhe isso. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i . Lembra-se? Pulei para cima da cama.Agora. Educou-o. . Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. exibindo o corpo bem conformado e jovem. não é mesmo? Embora tenhamos tentado.Não são lindos cabelos. velha. . Malcolm. pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora.e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. descontrolada. erguendo bem as p ernas. meu pai lhe passou a perna. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes. que não machucava . E todas a s outras coisas.declarei. se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente.e também do seu marido quando jovem. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. A esposa dele. parei diante da velha e vociferei: . como ocorrera com Carri e. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido . Depois. colocando-nos à sua mercê. . Contudo. Só o prese nte interessava . Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha. Também isso eu lhe devo. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas. querida Avó. da nuca aos calcanhares.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida. o seu marido! Embora tivesse sido. Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. porque o pai gostava mais dela do que de você. tão transparente que permitia ver as veias . não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor.Sim.. exibindo-lhe minha grande agilidade. rindo ao vê-la tentar esquivar-se.e a vara em minha mão. Não obstante. que veio a ser nosso pai. ela fez um esforço para encolher-se. Contudo. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia. sobre o corpo rígido da velha. esse dia chegou. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm. Assim. meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado. Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade.e. mesmo assim. não foi? Roubou lhe sua filha única. . portant o. Nunca a emocionamos. a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica. E ntão. minha mãe. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases. Dancei e rodopiei em cima da cama. . agora. Um chico te macio. Por isso mandou buscá-lo. no começo.

.indaguei. enrolada em minha cabeça . como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. os bicos bem embaixo. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. . agradável de olhar . do que dizia nem do que fazia ou sentia. eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. mas apenas a franja. violenta e vingativa. Em seguida. a tornar-se ainda menor. observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé. gra ndes.contudo.Agora. Minha consciência pairava perto do teto. velha. como obrigara Mamãe.. O quanto desejei que cons eguisse falar! . jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada. Sem a menor piedade. Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. flácidas e brancas demais. embora suas nádegas fossem chatas. por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios. Por baixo daquela toalha. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto. Não gostei de mim mesma. com as mãos nos quadris. Sim. Um traje esquisito. De repente. aberto apenas nas costa s. naturalmente. marcada pelas estrias da gravidez. Suspirei.Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. pois surtiria o mesmo resultado. tendo perdido o gosto da v ingança. estendida a meus pés. Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo. creio que serei obrigada a usar cera derretida.os contornos suaves e firmes. debruçando-me para observá-la melhor -. os músculos ágeis e rijos. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados. como se falasse comigo mesma. Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . Espantada. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama. Sem dúvi da. Só pode permanecer deitada e sofrer. . Uma cicatriz antiga. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido. Nua. sem preocupação com delicadeza.. . Portan to. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. empurrei-o para cima.desafiando-me. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente.provoquei.Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . abaixei-me cruelmente. .indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador. Durante o tempo todo. Isso é mais amor do que você já conheceu. pálida e mais brilhante que a pele bran ca. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais . agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e. estava todo o cabelo comprido que ele salvou. a té as axilas.Querida Avó . flácida e enrugada que a cercava. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. A brancura pastosa da pele era enrugad a. manchados e encaroçados. Você poderia ter usado cera qu ente. pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar. Ela usava um tipo de camisolão de hospital. maliciosos e impl acáveis. deixando -a descoberta. Avó.declarei em tom inexpressivo.. As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente. vou açoitá-la . Chris e eu também. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura. Como não há no momento. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo. desafiando-me a agredi-la . pois você não pode falar nem escr ever. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana. velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche.Oh! Queri da Avó. escuros. com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha. livre de qualquer escrúpulo. Tinha que ficar nua. arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam.O que farei primeiro? . . O corpo jovem é um a coisa bela. a pele imaculad a.

querendo dizer não. coragem! Mate-me. Acendi um a vela. Ele fumava. ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy. Voltei correndo. almoçava e jantava con osco. os olhos de aço da velha exprimiam terror. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta. a fim de saber se foi alguém que ela conhece.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa. Comece i a chorar. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. de modo que a cera quente e derretida escorreu. deixando escapar um som da garganta. Virei-a na cama.ele tomava café da manhã. Deus al terara o molde e eu não cabia nele. lentamente.e fazia o mesmo com meu filho. segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. dis tintas e elegantes como a mansão. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se. não obstante.Você é meu papai? . contudo.paga para ser amante de Bart . passando para a primeira sala de visita s que encontrei. ou algum dos criados. emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite. Em seguida. A enfermeira não sabe explicar.. Depois. Interroguei Olívia. mas ela piscou os olhos duas vezes.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca. Então. Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva. Cobria-me de presentes . . Seus olhos cinzentos. com papel higiênico para limpá-la. deixei-a queimar um pouco e. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa. procurando na mesa de trabalho usada por B art. Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei. mate-me! Eu a desafio: vamos logo . sentindo-me um pouco doente. Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie. Ela estava certa: eu era covarde. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. gota a gota. agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. ou poder ser. mas bem gostaria de ser. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa.. enquanto eu continu ava a soluçar. Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. . Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu. Eu era uma Foxworth de pai e mãe. portanto. Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal. Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. em seu cabel o e couro cabeludo. os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som. Piscar uma vez significa sim. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. As velas tinham cor de marfim.Não. Deixei cair seis ou sete gotas. Voltei correndo p ara apanhá-la.exclamei. abertos. pisando com força e fitando os pés. fitavam-me sem expressão. Agora.Oh! . não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco. que completaria quatro anos em fevereiro .Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . . depois. . Num frenesi de fúria. deveria ter fósforos ou isqueiro. Agora eu era uma mulher sustentada . só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos. além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local. mas não fazia diferença. Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados. Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara.indagou meu filhinho. Vamos. . antes de não conseguir mais su portar aquilo.irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer . Tão logo Jory saiu para o jardim.

libertei-me com relutância de seu abr aço. para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama. afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes .ausente havia tanto tempo . Teria que ser. arrastando ainda mais o sotaque sulino.Neste caso. Além disso.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! . sei disso. naturalmente. eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo. como uma i diota.num tom que desmentia o sentido das palavras. pois os mexericos corriam pela ci dade. . . e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas. a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni. pois. por que você está aqui comigo. isto constitui. zangado.Permita-me explicar como sei.Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . de algum modo. já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente. Em seguida. Voltou a ser como outrora: a mulher suave. diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou. Atirei-lhe um sapato. . Tinha que saber. carinhosa. Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração.Como pode saber se não falo sério? . sua esposa . então. afinal. O problema não é seu. Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. Permanecemos abraçados após fazermos amor. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. não dei a perceber que conseguia fazê-lo. Prim eiro suspirei. Quando a gente ama. antes de lhe dar um último beijo de despedida . . que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela. Cathy? Não quero que sofra ainda mais.. Bart exibiu-me um sorriso brilhante. quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste. . espantada. Quando você evita o assunto de divórcio. abotoando um minúsculo sutiã. desejaria construir um boneco de neve. Agradeci o elogio. Os primeiros flocos de neve começavam a cair.Você possui um lindo traseiro .Cathy. s em desejar que isto acontecesse.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa. enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. não é mesmo. eu me apaixonara loucamente por ele. . . Eu sabia que teria que levantar-me logo. Segundo o entusiástico relato de Bart. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco. não é mesmo. só para informar-nos de q ue estava nevando. escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera.A circulação é deficiente.disse Bart. Dei-lhe as costas numa atitude recatada. ela mudou enquanto esteve no Texas. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto. Todo mundo sabia. Depositou-me na cama e começou a d espir-me. .comentou.indagou ele.Cathy. .exclamo u.Eu não disse que ela está tão sensaciona l.re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela. por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares. de aparência mais jov em. maravilhosos! Ela está linda e . Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart . acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores. você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o . Você brinca co migo.Bem . é meu . .agora. como o sol surgindo após uma temp estade. . mas agora está terminado. Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles. com quem me casei. depois beijei Bart e.e dela.Já foi muito magoada.que diabo! .retruquei. . querida. uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida. .Não se preocupe. por si.Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais.

Veja.. Ela me a vistou e estremeceu. O próprio temp o lhe mostrará. Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles.Não .Não sou bailarina.. Então. perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir. sentei-me perto das janelas. Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol . de que rea lmente estava grávida. fingindo não me conhecer. . Ela é bailarina. como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão. mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado.. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante.Não tenho filhos.que seja. Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim. . Mas. certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal. ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço. Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. Winslow. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome. mais cedo ou mais tarde. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha. derrubando a jarra de flores de cima da mesa.. Ele me amava! De verdade!. através de pequenos detalhes. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. .Mamãe. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor.sussurrou ela.vencera! Por mero acaso. lançou-me um olhar. Virando-se.Não é. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam. com a verdade estampada nos olhos escuros. gracioso e encantador.Não . Partiu como uma rainha.. É parecida com você. Preferi não fazer comentários. que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. Tinha os olhos marejados de lágrimas.Algumas mulheres como a senhora. não . eu sempre fora uma tola.exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza. como minha mamãe.cumprimentou-a.insistiu Jory.Já sou velha demais para aprender . tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o.. vindo e m minha direção. ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela. Mas eu não er a Carrie. Renegar-me-ia como renegara Carr ie. Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai. contar-lhe-ia que estava po r ser pai. Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado.quis saber Jory. Mas ela recuou a mão. não duas desconhecidas. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata.Você é bonita. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos.Minha mamãe tem um casaco de peles.Olá . Você também dança? Ela suspirou. prendi a respiração. por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela... mas não tão linda. Falou sério. Era um me nino lindo.Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . Portanto. Nunca! . . preocupado ao ver-lhe as lágrimas. . se a sua decisão foi correta. como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio. Então.Determinadas mulheres não merecem ter filhos. . avistei um homem que se esgueirava através do bosque. Não obstante. enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos. . tratei-a como ela me tratou com indiferença. de cabeça erguida. Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão. Sorri e recobrei a confiança em mim mesma. que atraía a atenção de todas as pessoas. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer.replicou ela num sussurro trêmulo. Jory perguntou: . Eu vencera . de todo modo. olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. A ausência de um período menstrual nada provava . percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho. No crepúsculo daquela tarde. . . . recuando. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer.murmurou ela. . Sra. O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo.Minha mamãe pode ensinar você a dançar. ..

Então.Que diabo está querendo fazer comigo.Você planejou tudo isto desde o início.Ouça . escutei um tom de humildade na voz de Bart: . Cathy. . O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança. você estará d efinitivamente excluído de minha vida. Como já lhe contei. à periferia da sua vida? Pela primeira vez..Seja razoável. De todo modo. mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal.. . mas é verdade. Mantinha a mão livre às costas. Do contrário. agora já passou da idade de ser mãe.. Ficarei. Eu a amo e também amo minha esposa.. tem que saber de tudo.Explique exatam ente o que quer dizer.Muito bem.ponderou Bart.Eu a amo. Às vezes.quando. por isso. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso. mas cresceu e transformou-se em . Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris .E não havia necessidade. ela voltou diferente e.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. . de modo que nunca saberei o que acontece com ele. não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo. tem que saber! Bart postou-se junto à lareira. Quero ter um filho seu. ou ela. tornou-se capaz de ser m ais delicada. Quando ela se mostrava detestável. . fitando-me nos olhos. Foi ele quem redigiu o testam ento.Vai desfiar! . Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. sinto-me incapaz de separar as duas. não me venha com frases de duplo sentido. chocado pela descoberta. continuava a amá-la. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras. irei embora para muito longe . mais corretamente. Deus me perdoe.o que significa que seu filho irá comigo. na realidade. e com você! Fui peremptória: . Nada precisa muda r porque minha mulher regressou. Cathy. posso cair fora. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se. . Mesmo quando eu tinha raiv a dela.tas espalhados pelo chão. Bart. com o punho cerrado. depois recompôs-se e implorou: . .casar-me com você? .Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . Natu ralmente. E meu fil ho também. Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. Por favor. com o braço apoiado no aparador. mas não deixava de amar a ela.Em sua vida? Não se refere. Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e. talvez não. descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. Nesse caso. tricotando um agasalho de bebê. mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. cobriu o rosto com as mãos. sinto-me grato. Seja qual for o motivo. Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala.Meu Deus! . Em seguida. eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu. A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira. Fiz minhas próprias previsões.exclamou. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena. atualmente. Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora. q uando tudo terminasse. é como costumava ser quando a conheci.protestei. Ele pareceu furioso.Não. Que tipo de jogo você faz agora? .. . Cathy. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e.Cathy. virou-se para mim. depois que eu me for. Agora. Quero você sempre perto de mim. considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais. . procurando reassumir o controle da situação.. . Portanto. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres. desanimada. fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe. você disse que não precisávamos tomar precauções. Dê-me um beijo de despedida. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho .

respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade. Escolhi o tom exato de veludo verde e. nem quero passar por pert o de você! . Suas palavras me provocam lágrimas.exclamou Jory. Fiquei sozinha.explodi .Cathy . depois. mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho.Agora. tocando-me o rosto ao passar por mim. Emma. . Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço..Oh! Mamãe! . ou caminhando pelos bosques.Está bem! . até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada. eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa . Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você. havia quinze anos. Tinha a mesma força e beleza que ela . lamentando o fato de sempre falar demais. avós e amigos. tornarei a vê-la. os brilhantes olhos azuis do v elho. saiu do chalé num rompante de fúria. fi nalmente. sinto que não posso mais viver sem você. telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond. cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente. Começou a chorar. agora. e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes. em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais. transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. .Você deveria ser ator. Portanto.e dez vezes mais inteligência. Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e. apenas sentado e conver sando. . minha oportunidade se apresentava: num vestido igual. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal . Agora. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso. Bart. . da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara. Christopher Doll. c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal. Ficavam adoráveis nas . sempre divertido. Gosto do jeit o como você me trata. Antes disso. Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la.Seu cabelo caiu. Oh! sim. O penteado caiu-me muito bem.Maldita seja por levar-me na brincadeira! . você nem parece minha m amãe! Não parecia. Em seguida. mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara . Eu sabia que ela ainda era muit o bonita. incrédulo. tir de Bart Winslow. Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. Hesitante. . mas não deixarei escapar a minha! Adeus. . tristonha.Pegue outra vez seu cabelo comprido . pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação. Não só o a parei. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. era exatamente esse meu objetivo..implorou. Ela precisa de mim! .não naquele Natal especial. contristado. o chiffon verde mais claro para a saia.algo muito maior e profundo. com penteado igu al e rosto mais jovem. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde. Mas não poderia competir com a própria filha. Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney. Gosto de estar a seu lado. . Quando você desis . Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. sempre me mantend o na expectativa.e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto. Sinto-me bem na sua companhia.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher . pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda. porém. como de costume.explodiu ele. onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança.

com sal tos de dez centímetros. logo que chegarmos em casa. Depois..Puxa. Mas não fique i.Claro. combinando com a bolsinha de prata. Queria Bart a meu lado. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. o Sr. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas .Oh!.Por quê? . junte-os em cachos no alto da cabeça. . bailarina. minha mãe. Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo.Por quê? . Emma. Até mesmo o perfume era o mesmo. Antes das cinco da manhã. arrancou repetidos aplausos da platéia. cobrindo-me de elogios. que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. As sandálias eram finas correias prateadas. com um aroma de jardim do Oriente. Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração. Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. Hoje. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa. E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes. enquanto Emma observava de um canto. . Fiz questão de verif icar. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada. Ele não ficou solitário. não com ela. Henny. Ind ubitavelmente. dançando no palco com tanto entusiasmo. Em breve eu também as possuiria. Eu julgav a que fosse naquela noite. com o poder que ela exercia sobre os homens. carrancuda. o destino teria que estar do meu lado.indagou Jory. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes. . Bart parecia feliz.roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros. A doce infantilidade de Jory. radiante de felicidade. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve. Portanto. Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom. Mamãe! . E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você. Bar tholomew Winslow. . Bart e Papai Noel. Na minha opinião. muito corado. experimentando a sensação de ser min ha mãe. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila.Ondule-os suavemente. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda.como acontecera com as dela .Porque não poderia deixar de amá-lo . almiscarado. Em algum ponto de minha vida.exclamou. . na mansão. dev e ter sido Maria Antonieta.quis saber Jory. Chris. Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante.e eles compareceram. vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon. com cinco centímetros de largura. . mas eu fiquei.Posso abrir agora? . que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele. Estou me divertindo muito. peguei a estola de peles q . Girei diante do espelho. eu exercia algum controle sobre Bart. O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo . não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara. afastando-os do rosto.O que será? . .Pensei que ficaria solitário sem meus tios.Porque ama você.. . ." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite. Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade. Espalhados por toda a sala.pelo estilo do penteado. eu faria as surpresas e desferiria os golpes.eis aí o motivo. e Sra. o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite . Quando ela terminou.

triste e sonhadora.ue Bart me dera. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. . Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . a paz e o amor voltarão para você. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris. Revelações Pouco depois das dez horas. a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. querido. Desejo-lhe felicidades. tão semelhante aos olhos da avó. por achar-me linda. . Brigara violentamente com Bart por causa disso. . Querida Filha-Fada. . Henny está cansada. sacudi o s ombros. não importava o que acontecess e. Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. desejei controlar minha própria vi da. tornei a beijá-lo e disse que sim. Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe. Então. mas não sou tão cruel.Obrigada. está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: . com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny. antes de ir para um lugar melhor. que dormia encolhido de lado. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo.Oh! Mamãe.. Olhei para o céu cinzento e ameaçador. durma outra vez e sonhe com cois as boas. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho. como um anjo. embora não tivesse recebido convite para a festa. E se você não tornar a ver Henny neste mundo.sussurrei. Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. Macia como plumas. lembre-se de que Henny lhe quis bem. Catherine . Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso. Agora. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. o segredo simples para viver f eliz. encaminhei-me para meu carro. Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros. ficarão. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall.Eu o amo. Digo-lhe agora. utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . Amanhã faremos um boneco de neve. não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. Henny está velha. Jory . dei uma última espiada em J ory. que passaria a noite com Jory. a nev e começou a cair. É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais. mesmo se um dia ela lhe fez mal.. Cathy. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota. que viera no mesmo envelope. De quem logo estará no céu.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . P erdoe sua mãe. Fora escrito num festivo papel vermelho. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado. Olhe em volta. Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. sob certo aspecto era o que eu faria. Henny . Sentindo-me novamente resoluta. . Alegre-se com o bebê. E. Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo. acima de tudo. Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito. Desta vez.Ora. quando eu tinha doze anos. Tinha que fazer o que precisava ser feito. veja quem precisa mais de você e não poderá errar. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final.Traga um papai para ajudar-nos. Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. Cathy. reuni toda a minha hesitante coragem. como se fosse sua próp ria filha.

coloquei no chão. que me chegava de leve aos ouvidos.tantos anos antes para esgueirar-me. com a caminha menor. A orq uestra tocava uma melodia de Natal. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. não sentia f rustração. Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. Naquela ocasião. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. Batia depressa demais. controlada. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. já não era rosa-morango. representado pelas três reproduções de o .fora trocado por outro. deixando tudo como antes.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. Agora. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. Com a maior cautela. pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . sem ser observada. sem ter quem me apoiasse. diferente. mas quase . disse comigo mesma.mas meu coração parecia não me caber no peito. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. Naquela noite. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. Ajoelhando-me. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. surpresa. A chave de mad eira ainda servia na fechadura . Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria. apertando mãos e beijando rostos. Sorrindo amargamente com meus botões. também no mesmo formato. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. mas de um leve tom de ameixa. aos pés. diante de mim. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. mantendo-me nas sombras. justamente como uma Cinderela ao inverso. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. Ora. Precisava manter-me calma. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. perfei tamente arrumadas. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos. quinze anos atrás.nunca mais. era novo. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala. Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. Olhei em volta. Como num sonho. Não exatamente ig ual. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. a grande prateleira forrada d e veludo verde. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. A casa de bonecas. espanto ou frustração. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal. Dez e meia. penetrei de volta em minha infân cia. com uma ferocidade exagerada. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite. um barulho excessivo. Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . verifica ndo que tudo continuava como antes. pulsando co m inusitada excitação. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. com a porta trancada. Veja bem. por incrível que pudesse parecer. coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. Corri ao quarto de vestir de minha mãe. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido. Cedo demais. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. Mirei-me no espelho. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. Consultei novamente o relógio. sem apresentarem a mínima dobra. percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. E.

A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. só isso. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. Os fantasmas despertaram. Um milhão de v ezes. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. Não. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie . Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los. minha vontade era chorar como uma criança. Não podia me dar ao luxo de chor ar. todos eles de estanho.. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. Oh! que fora feito da ferrovia. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos. fantasmagórico. Então. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr.. o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. refleti com meus botões. no quarto da criança. Parkins. com cheiro de podre. empoeirado. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles.bras-primas de mestres renascentistas. Perto do toca-discos. Tínhamos vários castiçais. o que estragaria a maquilagem. sonolentos e bocejantes . Ainda estavam lá. estreita e escura. Sobressaltei-me. e Sra. bem como Clara. Tive a impressão de escutar um riso infantil. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. mas algo muito melhor. Ela levara seu intento até o fim .e ali estava ele. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. que se abria para a escada íng reme. passando até por debaixo da mobília. então com apenas cinc o anos. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. encaminhei-me ao armário embutido . Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente. A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. empurrada por mãos invisíveis. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida. móbiles que se moviam nas correntes de ar. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço. querendo sair dali. qua ndo queimavam. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé. de coisa velha. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado.. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. rindo.não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro.. Subi ao sótão gigante sco. Minha imaginação. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe. curtas e mal acabadas. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. ou pior! Veneno. quando deveria ter pensado melhor. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança . o bebê. Contudo. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha. chorando.tudo desbotado. a fim de poder notar a sua f alta e. Foram encontrados por nós num velho baú. no escuro. Não obstante. natur almente. se agira assim. embora também estivesse cinzenta e desbotada. ansiando por sol e ar livre. O tempo parara naquele local. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas. junto com inúmera s caixas de velas grossas. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. dúzias deles. quando não conseguíssemos apresentá-lo. escuro. A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também. pois exalavam um cheiro desagradável. Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. e. e as flores gigantescas nas paredes. espantoso e ameaça dor.

que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século. imaginei-me como a Fada Lilás. pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte.. Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. Assim. quando cheguei ao penúltimo degrau. Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. embaraço e colapso total! . a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão. se melhantes às de Carrie. embelezando-a ainda mais. depois.fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição. vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. num silêncio mortal . mas conseguia não perder a pose. tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados.. usando o mesmo vestido de gala e. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me.Feliz Natal! . nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. Ahhh!. tenho certeza. curtos como eu jamais os vira antes. Enqu anto os convidados olhavam para cima. somos apenas três .. de volta a mim. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite. com a pele iluminada pelas jóias faiscantes. Ali. Seus cabelos louro s. Co mo ela olhava fixamente para mim. Cory. desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva. mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer . tentando enfiar as pernas sob ela. de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes.. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. Agora. pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. o vento começou a soprar lá fora. postei-me no centro do balcão do segundo andar. agora.pois a música parara d e tocar -. Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei. Desabava outra tempestade violenta. que ecoou como a tromb eta de um arauto. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e. E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. Apenas eu. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto. muito juntos. Enquanto eu aguardava sentada.. Até mesmo reconheci alguns deles . como fora minha mãe tantos anos antes. senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática.mais velhos. Ela tremia da cabeça aos pés. Desta maneira.no futuro. fugir. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão. poderia observar melhor seu espanto. em seguida. parecia muito jovem e linda. que haviam comparecido àque la festa de Natal. certamente.. mas era apenas eu. Agora.. Christopher.disse eu para todos em voz alta e clara. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava.e que acorrera . Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana.. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido. Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram.. Comecei a descer a esc adaria. estaquei. Soou a última badalada da meia-noite. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. Em seu vestido de lamé vermelho. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade. minha mãe virou-se ligeiramente. esperavam avistar Papai Noel. À distância. estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto. Com ela. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena. quando lidava com realidade e não com fantasia. Lentamente. Carrie e eu.. atraindo os que se encontravam em outros salões . e talv ez houvesse derramamento de sangue). Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory. pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção.

Ora. . sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados. arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia.Minhas senhoras e cavalheiros . . Este deserdou a filha. enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte. mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim..declarei num tom agudo. venha dançar comigo.Olhe bem para mim.Venha. irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth. o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas. forçou-me a proceder como fiz em seguida. Entretanto. ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga. . Em seguida. Cathy! . Todo o dinheiro e i nvestimentos. que pareciam não saber o que pensar.Naquela festa de Natal. quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas. gêmeos.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl.Sou Catherine Leigh Foxworth. mas Ba rt se encaminhou para mim. . Decerto . Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. a fim de fazer-me escutar perfeitamente.Gostaria de apresentar-me . . a Sra.m às dúzias.convidei -. muito men os. Cathy. Não sei por que motivo. está tudo explicado. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. como talvez vocês já saibam. continuei: .respondi com a maior calma. querido Bart. Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas.. .Sr. Mesmo assim. Bart ficou visivelmente abalado. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem. você e ela perderão tudo. nunca. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar. . Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne.Bravos. igualmente chamado Christopher.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava.acrescentou Bart. em quem acreditar e. nunca descíamos. Winslow . Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão. filha mais velha da Sra. Bartholo mew Winslow que. Cathy é parenta distante de minha es posa e. como a maioria de vocês se recorda. parecendo tão estranho. que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido. há quinze anos. Enquanto todos aguardavam. e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas. Na verdade. E. foi anteriormente casada com meu pai. porque foram. Outrora. embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? . tive um irmão e uma irmã mais moços. Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa.deseja mostrar seus dotes de dançarina. Quando a música recomeçou.Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros. E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória. é também uma atriz de enorme talento. aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. nos menores detalhes. que hoje é médico. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento. interrompi-me.Sua putinha atrevida! . . Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota. lá em cima. resolvi dar-lhes o que desejavam. Serão obrigados a devolver tudo o que compraram.exclamou. . . Cory e Carrie estão mortos. como acabam de verificar por si mesmos. torna ndo-a um pouco diferente. tenho também um irmão mais velho. . Bart . Christopher Foxworth. após tão sensacional apresentação dramática. imóveis e calados. Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. que nasceram quando eu tinha sete anos. O choque aturdiu-o. distante e esquisito. a única herdeira q ue lhe restava. exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas. Julian Marquet. na qual você trabalha.Sim. por que inventou tantas mentiras? . anuviando-lhe o olhar. Nosso local de brincar era o sótão e nunca.sibilou Bart. Éramos ratos de sótão. tenho tanta pe .Idiota é você. como reagir.

É mentira . Ficaram tão pequenos. com a caminha igual aos pés. E. parecendo doente e prestes a vomitar. o rosto dele bem perto do meu. . . Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. uma vez.. você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. Quem o beijou fui eu.disse ele. Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes. num tom esquisito e desprovido de sinceridade. . ou algo semelhante.Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! . parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe. Foi ela mesma quem me contou. . Foi você quem redigiu o testamento. disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar". Todas as manhãs bem cedo. Nossas refeições eram enjoativas. mas e ra Chris.Está inventan do tudo isso .. Bart sacudiu a cabeça. os garçons trajados de preto e vermelho. Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. Na ocas ião. . pare! Não me faça odiar minha mulher! . simulando achar graça. mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! . quando eu tinha doze anos.Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica. Bart. uma fonte de onde jorrava champanha.Por que não odiá-la? Ela merece . Seus lábios exibiam um sorriso fixo. com enormes olhos assustados. . seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente. deitei-me naquela ime nsa cama de cisne. suspirou ele. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós. . por favor! Se está mentindo. . Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta. Manteve-nos trancados à espera da morte do pai. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri. os olhos esgazeados. não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite.Cathy. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar. não est ava na copa. Então.. raquíticos.. permita-me convencê-lo melhor.. em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora.Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la. Bart. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem. E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia. Ela é minha mãe. Os gêmeos quase não se alimentavam.declarou. Você não estava sonhando. e duas imensas ponch eiras de prata. . Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. . ano após ano. mas sua voz tinha um tom de dúvida.prossegui suavemente.prossegui. quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John.Certa vez. . .Conheço a combinação do segredo . E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses. a fim de herdar toda a fortuna. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede."Como criar seus próprios bordados" . Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo.corrigiu ele..Então.. o mordomo. embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável.na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar.. sempr e frias ou apenas mornas.Nãooo. .Esse vestido que você está usando. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou. invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração.Sim. tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro. Nosso playground era o sótão. .Meu caro Bart. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões.Os números da data em que el a nasceu. fui eu. Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda.

Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. o rosto lívido .berrou. todos olhavam para ela.dura nte todo aquele tempo. cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem.totalmente franca. com um pesado suspiro. dormíamos um bocado. Contudo. caia fora e nunca mais volte! Agora.as unhas em riste tentando .berrei. Você tinha uma irmã e dois irmãos .e .. sem receber luz solar. sempre cheia de pose e arro gância.É mentira! . Fomos ficando magros.Ouçam todos! . E. Ocupávamos o tempo jogando. a fim de o alegrarmos para os gêmeos. rezávamos muito. Bart lançou-me um olhar ameaçador. E se isso lhe parece muito tempo.. . carregado de uma raiva terrível. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto. inclusive quando eu já morava aqui. seja franca . mas minha mãe soltou um grito agudo: . levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime. . .Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora. com os braços estendidos para a frente. . sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto. .. A essa altura. se minhas palavras fossem verdadeiras. Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer. obedecemos. até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia.. se descontrolara. Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar.não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares. Ela. sem luz. contudo. extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente.Cathy.Sim. ficando trêmula. . em especial os sexos opostos. Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos. pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse. indesejável e detestado. quietos como ratos de sótão. Vivemos ano após ano num quarto escuro. confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. não importa q ualquer outra coisa que você me diga.Sim. viveram trancados lá em c ima? .Pare! Cambaleou alguns passos. o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos. nossas refeições se tornaram cada vez piores. Cathy. mas aquilo continuou interminavelmente. em cada palavra que ela pronunciava. E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai. não mais para mim. E também ha via uma outra regra.antes das seis e meia.Três anos e quase cinco meses. já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar. E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai. A princípio.Isso é bem do tipo dela.Oh! Deus! . compramos um quilo daquelas balas em Vermont. acreditamos em nossa mãe. à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. . Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel.No início. como se estivesse cega. . ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall. doen tios.Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground. depois. . Decoramos o local com flores de pap el. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos . você se parece com ela! Talvez seja sua filha. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. sentindo-se negligenciado. os dias eram como meses e os meses pareciam anos. que via todas as ra mificações. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. po rém. Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . embora nossa mãe.exclamou ele. recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas. alimentava-nos razoavelmente bem. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo. A princípio. quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont.

disse a enfermeira.Cathy.Sra. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns. A Srta. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim.Basta tocar a campainha quando a Sra. senhor . mas parecia uma pluma nos braços dele. como também contra a esposa.disse Bart. trocando sussurros e olhando para nós. Sentia-me estranhamente solitária. Mallory . Bart pegou minha mãe. Ela est ava mais pesada do que antes. a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e. E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela. sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. tão logo a enfermeira fechou a porta. Normalmente. as mãos pálidas e trêmulas de desespero. como deveria. aos de Chris.Faça o favor de deixar a sala e a Sra. Obedeci . . Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto. mas uma ordem. Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro. . implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo .Então.rugiu ele.disse ao chegar à porta. Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto. Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. Podem ficar até quando quiserem. na defensiva. Deu-me uma ordem ríspida: . Minha mãe se agarrou a ele.um grande segredo. a minhoca. a lesma deformada. Foxworth fic ará conosco. desalmada e brutal. senhor . Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . exibir a chave de madeira feita por Chri s. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações. comam. a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. . . escondidos no sótão. totalmente descontrolado. A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim. Tudo isto.Sim. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. depoi s. tentar envenená-los com arsênico? Derreada. Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê .Muito bem . Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: . ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca. mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? . sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido. aos dos gêmeos. se fizere m o favor de perdoar-me. A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas.iguais aos meus. . minha mãe fechou os olhos. Vamos terminar isto de uma vez por todas. Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. por mais que viesse a ganhar com isso. muito grato pela sensacional apresentação. Mas logo raciocine . saindo em seguida. indefe sa. Poderia des crever as flores no sótão.Mais uma vez.disse Bart. Portanto. murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido. Uma enfermeira lhe fazia companhia. a despeito de tudo que eu afirmasse. de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. sobretudo. Não era um pedido. vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. Corrine. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . .arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa. Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado. bebam e divirtam-se à vontade.Sinto muito. Cathy. Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro. os quais manteve prisioneiros. quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó.declarou. cr uel.Como pôde ser tão egoísta. continuem a festa. A cadeira fora colocada perto da lareira. erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível. . mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. Foxworth quiser de itar-se. inerte numa poltrona de couro. é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra.

Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo. Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e.Exceto quando assisti ao balé. extravagante em relação a tudo . pois sou atriz e. não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica. depois. não é mesmo? . Bart olhou para a esposa e. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para.Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory. dizendo que Cory morrera de pneumonia.. descobrir a verdade. se isso é o que ainda fazem neste Estado. chorando e dizendo que nunca me viu. Pode encolher-se. você nunca s oube fazer nada direito. ele continuaria a acreditar em v ocê. Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros . sem dúvida. Agora.. Lembra-se do camundongo de estimação de Cory. Com crueldade e grande satisfação. minha mãe sussurrou: . foi destruído num incêndio. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos. descuidada. com a maior calma. preservar aquelas pro vas. Não ob stante. sente-se antes que eu a empurre! Obedeci.Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa. conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo. . . há dez anos.i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado.Corrine. que já morreram! . E Bart também.disse ela com voz forte. mentindo. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora. Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. ainda olhando para a esposa. .É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las . Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar. Sim. contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão. Se você conseguir provar tais afirmações. portanto. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente.mas seu pai lhe passou a perna.Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . ela merecia. acostumada a representar diversos papéis.Sabe mais uma coisa. Foi muito descuido de sua parte. Sem aqueles documentos. Após breve pausa. Alega que ela é culpada de homicídio.. para a mãe dela.Querida mãe.disse ele. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: . Mamãe. você sempre foi estouvada.Quero apenas justiça. pois aquele cartório em Gladstone.sussurrou minha mãe. afirmando que o levariam para o hospital. Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou. . na Pensilvânia. Não. Entr eguei-as a Bart. ficou tão doente que morreu . a fim de matar os camundongos.Está mentindo . . ela irá a julgamento por homicídio doloso . com os olhos ainda mais apertados e ladinos.Mentindo. torno u a fitar a esposa. você fica aí sentada... responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida. querida e amantíssima Mãe. olhando primeiro para ela e depois para mim. eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. nada mais. Mamãe. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. Bart apertou as pálpebras. Contudo.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. talvez.Nunca vi você em minha vida . ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa.ordenou Bart. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico. se gostou um pouquinho de mim. Então. John Amos Jackson.e também de Cory e Carrie. você teria escapado de todo e qualquer cast igo... Pouco depois. cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas. .portanto. Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas. .é is so que você deseja? . acrescentei: .. em Nova York.Cathy . Magoava-me realmente vê-la chorar. Ergui os . de assassinato premeditado . negando a ex istência de Chris . se algum dia você me amou. sorri para minha mãe. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. . E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . Mamãe? Vamos. Suspirei. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos. . mentindo. pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. Entretanto.

olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões. como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. que mereciam ser destruídas. a hera nça. claro que ele sabia.e eu o amava tanto. os olhos fixos em Bart. meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família. jogando. implorava.Será que não compreende? . encarando-a.Sim . q uando eu não podia libertá-los! Quando.disse Bart num tom gelado.Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir. Então. Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende.Enganei-o também. excitada. atraídos à armadilha. ergui-me de um salto.exclamou ela.Sim.E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. Mas sabia. Queria fazê-lo. imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e. . Cathy? .e ele ria. ao mesmo tempo. Mamãe .E você também. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações. julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me. tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se. lançando um olhar furioso à avó. virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: .replicou Mamãe. meus filhos e o dinheiro também. A cada dia. . à sua mer cê! Planejou. após tudo o que ela já fizera? . a quem ela favorecia mais que a mim.seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você. taradas. . Então. Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você. Então.Ela fazia tudo que ele manda sse.o mais ultrajante pe . Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. porque me odiava. .disse ela à velha na cadeira de rodas. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito. mas achei uma solução! . também. . . a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem. com a cabeça majestosament e erguida. junto com minha mãe.Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você.Eu não lhe podia contar. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem. recomeçando a descontrolar-se. voltou-se furiosamente contra mim: .Corrine . mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível. Certa noite. e suas constantes acusações contra mim. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . Duvidava de suas palavras.prosseguiu ela. planejando. aqui embaixo. .indaguei. não acreditei que ele falasse sério. "Eles nunca deviam ter n ascido.Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa. meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo. .Todos me achavam estúpida. nem por um segundo. Depois. com ar muito astucioso. Portanto. invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés. juntos. um som duro como diamante cortando vidro.Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. . não é mesmo?".prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo.Ela? . uma linda loura desprovida de cérebro. . arqui tetando.. Eu chorava. quando meu marido morreu naquele acidente. Bart. filhas do Demônio. No início. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. enqua nto vocês ficavam lá em cima. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula. dia após dia. com o dinheiro. mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . brincando e decorando o sótão. Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta. Ele me amou demais quando fui criança. ajoelhava-me para suplicar . não g ostando dos filhos. durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio . . indagava maliciosamente.depois marido . E depois que aqui chega mos. sob seu controle. com meus filhos e. . Pois eu a engane i. Malcolm Foxworth! Em seguida. ele me dizia que vocês eram crianças malévolas. meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo.A avó aceitou o plano? . Sempre me odiou..

Querida Mãe. Então. Não sou um monstro. afinal. os punhos cerrados. a frente alta do vestido de gala. Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! . nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. fixos. Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai..bradou ela. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender. a essa altura. seu rosto delicado e lindo.especialmente você! . Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse. ademais. desferia bengaladas. Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço.indagou com amargura.Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. por favor. . não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido. chegando às veze s a gritar comigo.. Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos.Sei que me odeia.. Entretanto. Mesmo assim. Corrine... Especialmente você. . derrotada e alqueb rada.Que tipo de homem julga que sou. chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos . recém restaurado.. como se lhe tivessem removido o coração. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas. procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre. como se não possuísse mais o esqueleto. vocês me imploravam liberdade.mas não estou mentindo agora. Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados. assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria.. e. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. de prazer. Emiti um riso duro e cheio de amargura. . . vociferando contra mim e meus filhos.. passei a provocá-los. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. Desviou desesperadamente o olhar. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança. Agora. . a fim de lhe causar a morte.a velha der reada na cadeira de rodas. ele cont inuou vivo. Naquele brilhante vestido vermelho. Mãe. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. não estou mentindo..interpôs Bart num tom estéril. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe. Então. E cada vez que eu ia a seu qua rto. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os. Corrine.. virou-se para sua mãe . despida de toda a antiga pose majestosa. .Corrine .Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia. Cathy . Mantinha as mãos às costas. enga nando-o quanto a meus filhos . Olhou alternadamente para cada um de nós.. como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas. . Minha mãe ficava sentada por perto. eu a odeio.. .mas como poderei acreditar. Eu a amava. .Cathy .Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! .cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar.indaguei. livres para levarem uma vida normal. .Sim. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro.Não odiaria se compreendesse. .Bart. Portanto. Os dedos ossudos . atingindo o que lhe estivesse ao al cance.E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? . Confesso que lhe menti no passado. Passou a implorar-me piedade: . Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados.Su a filha tem razão. sarcástica. se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho.implorou ela. ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima. Pode ficar aí sentada. porque ele estava muito debilitado e. mas. minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos. ou era? . e não me casei com você por dinheiro. ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos.

Aqueles imutáveis olhos cinzentos. Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. Você. que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. . Portanto. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade. não importava quantos presentes eu lhe desse. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la . apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso. eu tentava fazer por eles o melhor possível. comecei a ressentir-me contra el es.Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. Cathy. logo que seu pai morreu.exclamou minha mãe. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. tentei fazer o melhor possível por vocês. sempre que me resolvia a fazê-lo. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. sempre C athy. além da alergia. Não obst ante. calcul ei que tudo era mentira. . Sempre teve o dom de ver através de mim. . você me compreendesse e aceitasse. como se discutisse uma terceira pessoa. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos. E. E foi para mim. confiava em mim. o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim. O a . havia também minha mãe. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo. que minha mãe dirigiu o apelo final. falando do primeiro enco ntro que tiveram. para meu espanto e surpresa. um a um. Você queria casar-se comigo. Então. Cathy. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava. . muito combalida. Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. nunca. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia. Na verdade. olhando para ela. sua mais severa juíza. Começou a falar num tom desapaixonado. . Meu pai insistia em negar seu consentime nto. consegui sorrir para ela. .Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. o mordomo. como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana.interrompi suavemente suas súplicas. apesar disso. Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade.murmurou ela em seguida.Mamãe . acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade. a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço. minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira. que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações.e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas.po is a verdadeira vencedora era eu. especialmente Cory. não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. Contudo. quem mais insistia comigo. ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados. meu pai revelou nosso se gredo a John. contra o modo pelo qual instavam comigo.Muito bem. Fui estúpida. que a e ncarava de modo muito esquisito. mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo. em casa de um amigo comum.Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento. Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes . causando-me remorso e vergonha quan do.Sim! . . na verdade. . acreditaram facilmente. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem. E era Cathy. Fiquei petrificada. apelou para Bart. Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e. Rezava par a que. Utilizei um pouco de arsênico. Christopher me amava. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. a fim de poder levá-los. que a fitava de forma severa implacável. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart. E Cory tinha resfriados sucessivos. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera. porém.Bart. no início. pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. já não se importava com isso . mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes.Cathy .

Bart fez menção de dizer algo. Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente. . .apenas o suficiente para salvá-los. depois. Por um instante. torceu as mãos uma na outra. Mamãe.Morreu antes de chegarmos ao hos pital. nada mais.? .juro que não queria! Não me olhe assim. Girei nos calcanhares. Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la. vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. Quando olhei para o banco traseiro. Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart. e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los. Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse.Mamãe ..Odiei a mim mesma.. Estaria vendo o fantasma de noss o pai? . você não fez isso . Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios.indaguei em voz baixa.Antes de descer ao salão. com o olhar fixo na direção da porta. parou de respirar. Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: .sussurrou.. eu não queria . que estava em pé diante do fogo.perguntou ela. Olhei para a avó e percebi que franzia a testa. E ele exalava um odor muito peculiar. ela engoliu em seco. abandonado lá para apodrecer.Então. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes.indagou ele.. até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então. Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico. . então. visitei o último quarto da al a norte. Soluçou com a lembrança. mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar. Seus olhos expressavam feroz indignação.. minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse. C omo num pesadelo. Ten tou mas não conseguiu falar. joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas. mas não emitiu o menor som. galhos e pedras. Mamãe teve um sobressalto.minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca. compreendi que e la mentia. Desejaria que eu acreditasse no pior. .Chris. Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory. . ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris. . usei a escada que leva diretamente ao último andar e. no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão. Primeiro. . acrescentando: .Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes . .. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto. fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias.Não. ela odiava Mamãe.. c omo se isto não fosse castigo suficiente. jogado no fundo de uma ra vina escura. como se terrivelmente assustada. Mamãe. como se negassem todas as alegações de minha mãe. esforçando-se por falar. a escadinha do sótão.Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você. Não me olhe assim. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora. O rosto ficou totalmente inexpress ivo. notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta. Depois. A porta da biblioteca se abriu repentinamente.Chris. você nos ministrou deliberadamente o arsênico? . perceb i que estava morto. um cheiro de algo mor to e apodrecido. . obser vando minha mãe. Por outro lado. examinamos os registros.Eu não sabia o que fazer com ele .. furiosa. ela foi incapaz de mover-se. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça.. Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região.Nunca conseg .. De repente. Então..vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E. mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas. ..

Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui. Fumaça! Senti cheiro de fumaça! .E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? .Meu Deus! a casa está em chamas! .Sim. .Não! . Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade.Cathy .. lançou-lhe um sorriso irônico. Tenho más notícias.Não! . obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó. Só então Chris encarou Bart. Eu esperava jamais tornar a vê-la.quis sabe r Bart.exclamou Bart..Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora. Venha.Tirou-me a venda dos olhos. Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l. Cathy . Avó. Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. . Frenética.protestou Bart.Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor. Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra. O que acontecera? . que acenei em desespero. pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . como se ainda não quisesse acreditar. É minha mãe. Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então. E se deseja m aiores detalhes. tentei acompanhar Bart com os olhos. . .Sim: três anos.Feliz Natal. Estendeu a mão e me encaminhei para ele. estendendo outra vez a mão para mim. empurrando-me na direção de Chris. Vim buscar Cathy.Por quê? .Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. Lindstrom estão esperan do em meu carro.Você é Chris. .Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída.acrescentou. Cathy. Em seguida. indo diretamente para o fogo! . E quando levou Cory consigo certa noite. Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. Com o braço de Bart passado em meus ombros. mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança. Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro.Sim. Tinha razão.Bart. mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie. .gritei. quatro meses e dezesseis dias. subiu correndo o lado direito da dupla escadaria. que aument ava e diminuía histericamente. Vi-o pegar um telefone.disse Chris. mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída. . Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris. . O tumulto explodira! Todos gritavam. Virou-se novamente para mim: . naturalmente. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes.Preciso fazer-lhe algumas perguntas. Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. corriam. A presença dela é necessária em outro lugar. . . . procuravam uma esposa ou um marido . sem dúvida para chamar os bombeiros.Espere um momento .Vim buscá-la. Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: . Não compreendi o gesto.disse Bart. Mas você o fez! Então. para variar. ela gritou. Chris olhou para mim. Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia.Vamos depressa. .quis saber eu. Bart! Volte! Creio que ele me escutou. Entrei em pânico. chamando: . ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. . . irmão de Cathy? . terá que esperar. abandonamos a biblioteca e a avó. não suba! Morrerá aí em cima! Não. ele aponto u para o leste. com certa hostilidade. . Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele.

a fim de podermos escapar e chegar ao solo. algo em seus olhos cedeu . Não parava de gritar o nome do marido e.Não. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. formando b olotas vermelhas que se derretiam. Chris e eu corremos através de outro salão e. depois. fazendo todo o possível para provar que. . O vento soprava implacavelmente. . meu amor. para que possa ir comprar para você. Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia. querendo o meu colo. chorando por Bart. Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas. Seria um milagre sobrar alguma coisa. até que tive ímpetos de gritar. com a expressão selvagem de uma louca. Cathy . tentando reconfortar-me. gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve. chegamos ao carro de Chris. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo. afinal. Com que facilidade a madeira antiga queimava. desvairada e frenética: . não era apenas um cãozinho de estimação. E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r. . caso necessário. E ela pareceu murchar. E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer. não muito tempo. não muito tempo. qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo. abraçou-me quando me apoiei contra ele. . sendo contida por dois homens. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. Não me ama mais. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida. Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros.Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. fervendo ao calor do fogo. Em vez disso.Engasgados. meu filho. Enquanto Chris e eu observáva mos. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo. tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. Então. diga-me o q ue deseja. Ela esbugalhou os olhos.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se. do qual Emma. Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó. puxando-me pela mão. Foi v ocê. ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: .Não se preocupe. E não parou de dizer aquilo. Christopher. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida. afinal.. Bart! Não morra.Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! .Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. enquanto eu gritava. Jory estendeu os b raços. observava a mansão incendiar-se. . tossindo. . movendo nervosamente as mãos. Farei tudo. .replicou Chris. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo.exclamou Chris. o de sua mãe. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. Esta caía sobre a casa em chamas.Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra.berrou ela. co m Jory no colo. Meu irmão f .disse ele.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe. Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim. mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos.Veja! . Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. protege ndo-nos. sou sua mãe.Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. qualquer hora. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros.Christopher.Você! .que também estava cheio de fumaça. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada. impossíveis de substituir. .. Então.Bart deve conhece r todas as saídas. mãe . junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável. . afinal. Por favor. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar .

A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart. . Embora só conseguisse atrapalhá-lo. A essa altura. agora que tudo termin ou. Cathy. junto com o de minha avó. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. se eu nunca tivesse vindo.Por favor. sem serem tocados pelo fo go. por favor . Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos. E dera-lhe meu coração à primeira vista. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados. com a esquelética avó ai nda em seus braços . Não sofri por ela. Lev aram-na embora numa camisa-de-força.disse Chris. Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços. Eu era má. impaciente. folhas arrancadas dos talos. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas. desaparecendo para sempre. esmurrando o solo. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio. por mais estranho que pudesse parecer. . Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. puxando-me. Cathy? . pois eu me mantinha isolada como numa concha.estava acabado. Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. no colo de uma mulher mais idosa? . esperneando. Colhendo o que foi Plantado . Sacudi a cabeça. Tudo terminou. Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. hoje! Ao tentar ajudá-la. não permiti que se afastasse de minha vista. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro. também. indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . soltou um berro e tentou fugir corre ndo. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados. pois levara da vida aquilo que a ela trouxera. Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. embora sinta muito a respeito de Bart.. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? .. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. A voz de Chris parecia vir de muito longe. Sentíamo-nos cri anças outra vez. Pe lo que diz a polícia.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar. tentando clarear as idéias. cambaleando.. que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. quinze an os atrás. o fogo começou no sótão. a dupla escadaria curva continuava no lugar. . sem ver mais nada. Caiu de bruços na neve. Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. ainda berrando que eu a traíra. nascera cheia de pecado. que os avistou. Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado. gritando. mais uma vez. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow.Cathy. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava. Aos tropeções. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso.O que há com você.indagou Chris. a fim de parecer-se mais com Bart. a morte interferia em minha vida. observando-a com os olhos esbugalhados. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade.. subindo para o nada.ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância. As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e. naquele quartinho junto à escada. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes. como os de Bart. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. Chris estava ansioso por partir.ambos morreram sufocados pela fumaça. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe. terminou . Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart.

To da sua juventude e vitalidade.. com os olhos esbugalhados. .exclamei. tocadas pelo frio precoce.repetiu. jamais ficar ei bom. Todavia.A culpa é minha! . talv ez tenha sido uma bênção disfarçada.Não! E Chris não concordaria! . Oh! Ser amada outra vez.. .O tempo está correndo. . . haviam des aparecido quase da noite para o dia. . Comecei a soluçar. você não poderá gerar out ros filhos. estendendo-me os braços.E se você refletir bem.Paul. pa ra variar. Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. Agora.chamou a voz fraca de Paul. Mas não permitiria . Catherine. esforça ndo-se sem descanso dia e noite. no andar térreo. Prendi a respi não podia permitir! ração. Ele me sorriu docemente e estendeu os braços. Dentro de poucos meses.Três anos. Não quero que Chris e você terminem odiando-me. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo . Talvez continue vivendo assim durante anos e anos.Chamei apenas para verificar se você atenderia. Jory completará sete anos.Escute-me. . você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé. Chris já esperou tanto tempo. Jo ry completaria sete anos e. não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça. Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . se Chris. sufocando um soluço na garganta.Está falando demais . Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto. ser condescendente. descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho. Bart não era do tipo ao qual se dão ordens. Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. E logo v ocê ficará viúva outra vez. às quais ele se apegara tão corajosamente. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes. embora no dia de nosso casamento estivesse de cama. . Paul perdera muito peso. mas tentava aceitar o f ato. . se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho. . poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto. julgando que seria o mais certo. Além disso. o mês das paixões. esperando que seu avô morresse. não sou um marido de verdade. reflita bastante e converse com ele a esse respeito. jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. como seu avô. Então.Catherine . . se vocês partirem agora e me esquecerem. aninhei-me em seu c olo. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo.Se me tivesse casado com você há muitos anos. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . Contudo. Embora ainda pequeno. Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo.adverti.. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us.. Seus filhos precisam de um pai . Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai. Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte. estava magro e abatido. . Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida.Sabe que não deve falar muito. calada e boquiaberta. mas para você e Chris também. . Sou impotente. meu amor. Beijou-me. Pressurosamente.alguém a quem ele podia dar ordens. Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio.. Não obstante.Não estou jogando nada fora . Catherine .Estávamos novamente em outubro. não apenas para mim.Paul. E m breve. querida. ensinar. .o tipo de pai que já não poderei ser agora. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele.repliquei.Catherine. Eu agora era esposa de Paul. tome uma decisão. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. Jory.Pense bem no assunto. Paul. constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall. S aberá que Chris é seu tio. em vez de Julian. Portanto. Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início. Ordenei-lhe que saísse de casa.. Será que não consegue p . Catherine: não seria errado! De agora em diante. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas. embora os braços que me envolveram já não tivessem força.

nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental. Jory gritou que fisgara um peixe. E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela. Não comemos peixes bebês. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes". Quando nossa mãe morresse.replicou ele. atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo. E ainda não lhes contáramos a verdade. . desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação. . .É apenas um bebê. quando quisess em saber. vimos um homem na varanda da frente. fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios. feliz. o sexo tinha que ser feito com muito cuidado. Não é perigoso. mas.Subirei para dar banho nos meninos . .gritou Jory. voltamos à grande casa branca que tanto nos dera.Tivemos cuidado. agora.Olá .chamei.Sim . .Perdeu tanta coisa. Meus dois filhos vieram correndo.comentei. .Já compensaram . ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado. só os grandes. Ora.Ótimo. . .Parecia tão feliz. incluindo o que restava de Foxworth Hall. Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim.disse ele. O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna. E. Após quatro graves ataques cardíacos. desta vez com um ar levemente tristonho. embaraçada. hesitante. foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir. sempre se produz algum barulho. Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa. Contudo.Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na .Apanhamos dois. . se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia. .sussurrou Chris. .. Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas. revertera à s ua mãe. Na primavera do ano seguinte. .Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? .Chris . na linha de Jory. pela primeira vez. o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar. sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. . revelaríamos a verdade.Estava sonhando com Júlia . ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos.Vamos voltar para casa. sonolento. . tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os. estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos.Chris e eu. com os sapatos brancos apoiados na balaustrada.nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim. Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? .E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos. é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. tornando a beijá-lo. . Com o que sonhava antes de acordar? . Paul fez amo r comigo esta noite. Com o na primeira vez em que ali chegamos. . O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda. nós também escrevemos nossos roteiros . de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos.Pobre Júlia . Oh! Mamãe.disse Chris com um leve sorriso. não apenas pela metade. mas ele teve que devolvê-los à água. Está quase na hora do jantar.respondeu Chris. ..Temos dois papais! ... No novo carro azul de Chris. ao mesmo tempo. sentada e olhando para quatro paredes. debruçando-me para beijá-lo. embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém. porque eram m uito pequenos.comecei. mas talvez eu não saiba explicar direito.Tenho certeza de que você não explica direito .Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo.Sinto-me feliz por ambos. pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais. . como mamãe. Sabe. Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou. . Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las.respondeu.indaguei.Venham! . Naquele instante. por mais difícil que isso fosse para nós. . o sexo não é perigoso.Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim. .

Como se já não se olhasse nos espelhos . a fim de acordar Paul.Naquele maldito domingo . Quando isto não deu resultado. Jory já se esqueceu disso há muito temp o. logo em seguida. sem dor ou sofrimento. Comece i a chamá-lo novamente. Engatado ao carro de Chris. Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes. a fim de podermos fazer companhia às crianças. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. e stava morto. nem Georges . Nosso benfeitor. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. acar iciando-lhe o rosto. . finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. Ela vive num lugar imenso. Quando é contida.corrigi. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. naturalmente. que foram para o céu antes que eles nascessem. Paul me legara tudo o que poss uía. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si.Venha depressa examinar Paul. Cathy. Contudo. Por fim. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. tomou-lhe as pulsações e. É um ótimo modo de morrer. d irigindo na direção oeste. de um tipo diferente de vida. Já trêmula e cheia de medo. Em seguida. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. Ass im. Geralmente. rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. . claro que não. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la.quele domingo. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta.. Afinal. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. Até o mome nto. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield. Além disso. Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro.chamei com voz sumida. Mas. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. Corri ao telefone para chamar uma ambulância. tombou-lhe a cabeça para trás. certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado. volta toda a fúria contra si mesma. olhei-o com mais atenção. sentindo-s e bem e feliz. inclusive a casa de sua família. enquanto espero lá fora com o .Chris . Até o momento. Meus filhos chamam meu irmão de Papai. Ele sorriu.a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. Emma Lindstrom. soprei-lhe a orelha. . do modo que mais gostaria . . Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. declarava que. . em voz mais alta. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores. Havia às minhas costas um rastro de homens mortos. era? Não. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo. nunca esquecemos Julian. meu marido. No testamento. Dormindo. pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. começa a berrar quando me avista. a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. caso eu desejass e vender a casa. Meu irmão devia estar no hall. visitamos Mamãe. não fique a ssim . E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora..Ele se foi. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos. dois banheiro s completos e um menor. Comíamos cedo.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar. em Gladstone. desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. Íamos para o Oeste. Pegou-lhe a mão. Ele continuou a dormir. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. porém.e eu também. nosso salvador. tudo foi inútil. Portanto. no estilo de rancho. Chamei-o baixinho por três vezes. lá depositando flores. que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. Além disso. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio.

encontrei duas camas de solteiro. Entretanto.o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins. nossa governanta. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente.Pensei comigo mesma. Numa pequena alcova lateral. sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que. amor imorredouro e s em defeitos. deito-me nervosa e permaneço acordada. mas tio. Ela deveria te r aprendido. mas. Ao barbear-se pela manhã. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: . com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. Na medida do possível. o eterno otimista. Portanto.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. mais verdadeiramente. ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. ela não confia plenamente em Chris.s meus filhos.Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos.Case-se com um homem de olhos escuros.Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s. Eu seria capaz de enfrentar a vergonha. Tenho certeza. ele sempre volta para casa com um and ar animado. Freqüentemente. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude. mora conosco como Henny mor ava com Paul. Portanto. fortuna. fosse informado da verdade pelo ir mão. Não obstante. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. por dentro. Entretanto. Chris canta quando trabalha nos jardins. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: .. o menor dos dois. comprei hoje uma cesta de piquenique. vencerá o que tenho d e melhor.. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. deixei de lado os sonhos de perfeição. sempre oti mista. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim . mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y. E eu também deveria ter aprendido. Cathy. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul.. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos. De fato. copiamos os jardins de Paul. cantarola melodias de balé. cozinheira e amiga.. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. tornei-me adulta demais para eles. Esforço-me realmente para ser como Chris. Saberia desde o início que. exceto pelo musgo espanhol . jovial. às vezes. Tenho a impressão. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas. não obstante.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. um sorriso feliz. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. Pragmático. Mas. não é mesmo? FIM . Eu não o s trancaria mesmo que Bart. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor. Oh! Meu Deus! . os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela. É o passado que jamais consigo esque cer. Portanto. E mma Lindstrom. seja condenada à morte na cadeira elétrica. O melhor tem que vencer. sem trepidações ou lamentos .. talvez. ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo. Sua família somos nós. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida.. fama. . mas não demais... Ou.

com ? .Fonte: WWW.BaixeLivro.

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