A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

Ele sacudiu a cabeça. perto da calçada de concreto. .É o Dr. Relutantemente. desbotado e frágil nas pontas. Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech. que lera a placa com o nome do médico. Mais uma vez. .eram olhos castanhos. postou-se de pé à nossa frente. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão. Foi ela quem nos trouxe para cá. de modo que ele lhe pediu que tossisse. O homem parecia atordoado. Carrie já recobrara os sentido s. Sou o Dr. o pulso e a temperatura de Carrie. . Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço. maldito domingo . . eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local. Invadidos por mil e uma ansiedades. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia. . menos as calcinhas . Parecia um tanto elegante. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie.Ele é um médico . como se tentasse focaliza r os olhos . usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo.sussurrei para Chris. antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa. o pescoço arqueado para trás. é claro. ergueu as pernas da balaustrada. conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes. A essa altura. O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. sentindo-me dominada pelo medo. U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul. mas você pode tratar de acordá-lo. Paul Sheffield? ..Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . Carrie jazia nos braços de Chris. .replicou Chris. Em segu ida. com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime.Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer. passando a prestar atenção em Chris e Carrie.. verd es e dourados sobre o fundo castanho claro. muito bonitos. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos. Beech era sua governanta e cozinheira . Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão. matizados por tons azuis.Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos. Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. Com surpreendente graça e rapidez. muito mais alto que nós.É domingo.disse Chris.ombra. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar.indagou Chris. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos. Aproximei-me vagarosamente. Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. os olhos fechados.ordenou-me ele. Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho.Tire todas as roupas de Carrie. Como o homem contin uasse a dormir. e m nossas muitas camadas de roupas. . Fitou-nos durante longo intervalo. Por que o destino se mostrava tão pers . .Sim. apesar de escarrapachad o como estava. o médico acordou. eng olindo-me em seguida. não é? . fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes. ficou como que hipnotizado por meu rosto. mal corta dos no alto da cabeça. Era um homem grande. levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas. os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. meus cabelos. Sheffield . auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás.O senhor é o médico. . . Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas.Há alguns minutos . O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra. Enquanto eu obedecia. Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés.quis saber Chris. Em seguida.disse o homem finalmente. enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. Aqueles olhos notáveis me beberam.

avaliando-nos. só desejamos saber a respeito de Carrie. . lembrei-me do motivo.indagou suavemente. Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! . o Dr. Poucos minutos mais tarde.respondeu Chris. Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação. estava usando apenas um vestido azul. a fim de que você possa desc ansar . o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria. no meu consultório. estão fugindo . Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais. não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris.Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade. numa advertência muda de que eu estava falando d emais. Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais. Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho. .disse jovialmente o Dr. em seguida.Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento. Po demos pagar. Sheffield.Sim. começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: .Sim.Carrie . de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir. assim .respondi. E enquanto prendíamos a respiração. Ficamos perpl exos.E. .Ainda são órfãos? . principalmente por intermédio dele.Uma vez órfãos.Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo.Então. Agora.Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. Contudo. mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos.. .perguntou ele. sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia. enquanto o médico permanecia à sombra.disse Chris.comentou o Dr. . .Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . Então. . Doutor . . eu sabia a respeito de médicos. como se trabalhasse durant e muitas horas a fio. muito menos duas.Vão precisar dele.explicou. eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui. tem razão . . De repente. que me caía bem e estava limpo. Sheffield. falaremos a respeito de Carrie . Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança . pois não sou muito dado a elas.Só nos domingos em que fujo . Po deríamos contar-lhe qualquer coisa. . Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se. . quando houver necessidade. o do mingo é um dia como qualquer outro.É uma longa estória. .Sempre usa mais de um vestido aos domingos? . agasalhando-a com um cobertor leve.. olhou firm e para mim. Est aremos aí ao lado. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos.E temos apenas duas malas. Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris.Portanto. depois que terminei de vesti-la ou tra vez. Lançou-nos um prolongado olhar observador.É bom terem dinheiro .disse o médico. para mim. . Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável. muito doente.declarou Chris em tom de desafio.estava escrito em seus olhos. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde. . Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo. Chris deu-me uma cotovelada rápida. Sei que essa mesa não é muito macia. Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa. assumindo uma atitude profissional. mas parecia cansado. . Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. tudo mesmo.acr escentou. não tenha receio. . ainda somos órfãos . estilo princesa. atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . . Se h oje não fosse domingo. no momento. indicando que eu deveria manter a boca fechada. Mas aquela garotinha está muito. O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos.Somos órfãos . Sou viúvo e.Não sei quem vocês são. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão.concordou ele.istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? .

Certamente é muito franzina. O médico olhou para mim ao dizer isso e. agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! .disse Christoph er. . .po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado.ela precisa me dizer.Nossa última refeição foi o café da manhã. Portanto. batatas fritas com molho de tomate. Chris suspirou.Carrie costuma ter náuseas? . Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio .Está bem . quer o senhor acredite ou não! . como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo. Estávamos com medo. milksh ake de chocolate. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora.Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem .Como ocasionalmente? . fitou Chris. mortos de medo de contar a verdade nua e crua . . Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos.Ocasionalmente. Se Carrie sofre de algum mal interno. usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis. o médico anotou tudo. .embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo.Se desejam realmente ajudar sua irmã. ouçam. mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação. se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. aquele homem sentado à mesa.Bem. ..Certo.Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês.Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã.permanecemos. parecia-me tão familiar. Precisam falar a verdade. Já sei que Carrie é subnutrida.. .in formações completas. inventando mentir as. . devagar.Calma lá. Catherine Leigh Dollanganger.E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . hoje mesmo.replicou tranqüilamente o médico. depois. mas não com freqüência. aliviado. Debruçou-se sobre os b raços cruzados. deixem-me fazer mais perguntas. depois de tudo o que ela fizera.Por que não haveria de acreditar? . meu rapaz.Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível. m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos. Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . . Preciso de informações para trabalhar . . . não podem ficar aí sentados. e Carrie tem oito anos. Senti Chris estremecer e estr emeci também. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção.Se é difícil para vocês. Franzindo a testa.Desconfio de que sua . sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade.sua voz se tornou mais forte e dominadora. como se eu já o tivesse visto antes. . diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la. . embora poucos minutos antes. com relógios de ouro e brilhantes. Agora. não posso olhar dentro dela para verificar o que é . na pequena sala de exames. . como poderíamos confiar outra vez? Não obstante. Ficam aí sentado s. magros e com aparência cansada. de mãos dadas. terá que responder algumas perguntas . É enjoada para comer. . Só Carrie. Vamos parar de desconfiar uns dos outros. dizendo-me meias-verdades. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência. port anto.. ombro a ombro. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie. Ficamos ambos calados. Eu diria que nunca teve um apetite saudável.Agora. ou vocês terão que contar. ..Disse Chris. Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. me smo nas melhores circunstâncias. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. Antes.disse ele. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos. na defensiva. Carrie comeu apenas um pouco da sua porção.disse o médico co m voz suave.

Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto.A princípio.e sujo. partimos de trem para as montanhas Blue Ridge. salada de batatas e galinha fri ta. certo dia. . eles não responderam. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico. E por estar anêmica. . Naturalmente. camundongos e insetos. jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. Todavia. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo. podemos c omeçar os exames amanhã cedo. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is.Faça o que julgar necessário . Pensei amargamente: Não se preoc upe.gritei. roupas qu e não se ajustavam. afin al. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade. ao menos.disse Chris num tom inexpressivo. pior que tudo.como se livros. E. se a internarmos no hospital esta noite. Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai. Naquela mesma manhã. íamos perder tudo o que possuíamos. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido. A princípio. Era enorme . mas por ele. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s.E assim. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? . Começou a es crever cartas aos pais. talvez duas ou três. quando.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. No início. quando chegavam nossos aniversários.não por ela. comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável. que moravam na Virgínia. erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir. Então . Sua pressão arterial está perigosamente baixa. Agora. para ferir todos nós.Chegou um ano novo e. Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia . amanhã Carrie será internada num hospital. poderíamos descer para con hecermos o pai dela. Nunca tínhamos sobremesa.. chegou uma carta. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris. e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . todavia. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. é suscetível a uma infinidade de infecções. exagerando. no máximo. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s.. imaginando que isso nos compensava por tudo. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. além de dar-nos muitos presentes. que a amava tanto.Espere um minuto! . logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. e eram fabulosamente ricos. Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco. . e por mim. Portanto. começamos a perder a confiança nela! . que o amava tanto -. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos.. a confiança e m nós mesmos. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou. na verdad . depois que Papai morreu naquele acidente. naquele verão. Então. . pois vieram-lhe lágrimas aos olhos. Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria. mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros. prossegui: . pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta. protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. Agora. quer vocês chamem ou não seus pais. com o sótão servindo de playground. Mamãe nem mesmo nos visitou! Então. na Virgínia. Então. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. cheio de a ranhas..

Chris . não compensava nada! Afinal.continuou o médico. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. Virei-me novamente para o médico: . fitando-me com olhos magoados e suplicantes. A pro pósito.Naquele único quarto trancado.. Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento.e. mas por nos separarem.disse Chris num tom respeitoso.mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. . girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. Ao longo de qu ase um ano. senhor . Faça o que for necessário para curá-la.Espere um minuto! .Cuide de nossa irmã. percorremos os corredores compridos e escuros.disse o médico. na Flórida .como o senhor. Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão.. de modo que imaginamos poder tornar-nos .Como vê. . Agora.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão.As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado .o mal que aflige Carrie. Carrie é a mais afetada. seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa.É um estranho para nós.. os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio. tornando-se médico . .Para Sarasota. às vezes. mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. para concluir -. escutem bem: é apenas uma sug estão. enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris. E nós praticamente as d evorávamos. Cathy. o médico ficou muito calado. quatro meses e dezesse is dias. Doutor . .disse Chris. Dia a dia. parecendo muito pálido e fraco.É uma estória estranha.Agora. doutor.Calma. muito ar livre e sol.exclamei. Cheia de indignação. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal . Chris não quer ia fugir. enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar.Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem. pálidos. Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento.. Mandar-nos-iam para lares adotivos. Que diferença poderia faze r mais uma vez? .Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão.disse o Dr. Olhe só para vocês dois: magros.. resolveu livrar-se de nós. para que ela herdasse a imensa fortuna . choque e preocupação. Portanto. . Lancei um olhar a Chris.E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém. pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina. .. eu revelara. que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem. conservar a herança. difícil de ac reditar. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r . como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. Talvez eu possa fazer algo para ajudar. nós vivemos três anos. na verdade. suspirando.não há diárias a pagar. durante no ve meses.Sim . . Falou sem erguer os olhos. Quando terminei minha longa estória. . Mas ele não precisava p reocupar-se. . repouso. fitando-me com com paixão. . . A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida. .Um médico como eu. ao mesmo tempo. fazendo-a vomitar e a nós também. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações. . Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado. Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e. em tom débil.disse eu. debilitados. com seu jeito vagaroso e paciente. o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela.. para onde estão indo? . Necessitam de boa alimentação. é m uito simples. sem saber que estavam cobertas de arsênico. .Ainda não terminei. entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos. eu não pretendia falar de Cory. Sheffield. que permanecia sentado.

com os olhos brilhando de desconfiança. essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia . os olhos faiscando. à forte luz da realidade. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos. Em primeiro lugar.Trabalh . . . mas não o fez.indagou o médico. Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim. . Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada. com um leve sotaque suli no. Contudo. ne m manteiga ou margarina.repliquei com rispidez. com o rosto inexpressivo..interpôs rapidamente. infantil e afastada da r ealidade. Beech . A qualquer momento. Ainda assim. Pelo que sei. mas devo dissuadi-los.insistiu ele. . podando as sebes. a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar. suave e melodiosa.Farei o possível para ajudar a Sra.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente..disse ele.Ótimo .o Dr. tendo seus f ilhos.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? .Esqueçam o orgulho e a carid ade. . ficamos ex tremamente gratos . tudo isso testemunha em favor da verdade. não três. Sou bailarina. ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados. . senão a Chris. Não seria fácil. que estávamos longe do quarto trancado e do sótão. Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio.Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me. sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos. tenho dois hectares de jardins.Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera. um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela.Francamente. pr eparando os canteiros para o inverno. e para o senhor. Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta. eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. Pago dois jardineiros para ajudarem. creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram. Mas não mencionei Cory. Quando me tornar uma prima ballerina famosa.disse ele.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã. Cathy pode cuidar da casa.Vamos . como o senhor faz.acrobatas. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora.Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância. . lavando louça para ele. . como médico. e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder . Sua voz era impressionante. mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie. com alguma prática. . . encantando-me.expliquei. descendentes de longas linhagens de artistas circenses. .Compreendo . .disse Chris. Nesse ponto. hipnótica. . . Esperei que o médico risse. minha intuição me induz a acreditar no que me contaram. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. desde que realmente desejem mui to. contratarei uma cozinheira. Chris. admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem.Não sei cozinhar. preparando sua comida! Isso não é para mim. Simplesmente pareceu ainda mais entristecido. .Não quero parecer ingrata . Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. quando meus lábios se entreabriram para falar. parecia mais uma fantasia tola. os relógios e os sapatos de tênis. Afinal. não aquilo não fazia sentido.Não obstante. Suas roupas ca ras. . os olhos risonhos lançando faíscas. Lá atrás. .Não! . não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro. Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário. . Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela.

Ele me beijou. Enquant o ele dormia. .repliquei. Eu desejava levar uma vida boa.Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu. Nós o encampamos. que passar am a parecer uma larga cama de casal. dentre todas as pessoas ne ste mundo. acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha.. deitando-me a seu lado. pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor. Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava. observei meu irmão recuar ao longo do corredor.sussurrou Chris.Não há o que desconfiar. retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. não se trata de piedade ou caridade. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida . Então. duas janelas para leste e oeste.. cometemos um pecado. Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. Adorei o quarto que Paul reservara para nós. arrastando Carrie comigo para o chão.Está chovendo lá fora . Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. E não precisam pagar-me. . mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom..oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso.Falei sério. Era lindo. se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. Baixei a cabeça. Mesmo assim. Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução. Em nosso quarto. em es tilo antigo. partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco. Em seguida. . .chorou. . exceto trabalhando na casa e no jardim.Não acontecerá novamente . Cathy. mas não o encarei. Todo o infern o que eu tinha estava na mente.Não . aquela maldita herança. Isto agradou imensamente a Carrie. não foi? . .Chris. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. avareza. quando pudermos. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! . que diabo está fazendo aqui? .Dê-me um beijo de boa-noite.Vou cair da cama? Cathy. num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. Não haverá percevejos em nossas camas. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie. também. por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto. dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós.Precisamos tomar cuidado.Esqueça. compreendo agora. Nenhuma gravura do inferno nas paredes. adivinhando mesmo então que jamais acabaria.especialmente Ch ris. que tinha sono agitado.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! . juntaram as duas camas de solteiro. Só então Chris falou: . os quatro.Cathy. tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris.sussurrei. deveria saber! . co m o passar das noites. . isto eu também entendo agora. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor. ainda olhando para mim. por recordar demais o passado. sabendo como seria! Você. Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama. Nada sombrio. Com lágrimas no s olhos. eu o beijei. esgueirei-me para a cama. Tornamo-nos importantes para ele. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. mas.replicou ele. Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil. como podem ver. colandoa ao seu peito.aremos com afinco e. Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes. como se eu o perseguisse. sem magoar ninguém . Cathy . Carrie gritou bem alto: . O tapete era azul.. Um Novo Lar Foi assim que começou. Não queremos que ele desconfie. Port anto. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós. Tudo está acabado .disse Chris. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia. quando nos despedimos outra vez. com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul.

Todos nós gostamos daqui. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade. que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. Ele meneou a cabeça.Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. Não contei a ninguém . O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital.Eu gosto daqui! . irei embora.Você veio. Fitei-o. não estaremos mais aqui na primavera. do tipo parasita. Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros . . . Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados.Contou a ele? . Era alto. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . engasgado. Então.. a parte pensante. sem que chegássemos a per ceber como aconteceu.disse ele. Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto. Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente. Para Carrie. Carrie ficou sentada. e saiu.Carrie. Ninguém para me dar forças. No início. eu não queria que Chris parasse. prestes a sair. agora o Dr. Era mau e pecaminoso! Mesmo assim.disse Carrie. . a não ser ao Dr. . de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou. e eu.Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto . Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam. segurando sua jarra de violetas. Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. quando ele interrogou Chris e a mim. Depois. espantada. A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando.De que acha você que sou feito? De aço? Cathy. desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory. Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse. com um metro e oitenta e cinco. . Bailarinas em quatro posições diferentes. . ou mesmo ousou respirar. desejando o que Chris sentia que precisava ter. Ora. Portanto. Paul. sem responder. calculista. . Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: . empurrei-o para longe de mim. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. Cathy . Na primavera não mais estaríamos ali. .. você bem sabe que nunca mentimos. ou mais. Nenhum de nós dois se mexeu. . . Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite.disse ele.Julguei que gostassem daqui . que resultara em sua morte.Não pude deixar de contar. Ele estava junto à porta. não torne a fazer isto. supostamente de pneumonia. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. Voltei para meu quarto e chorei na cama. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar. mas não devemos a busar para sempre da sua bondade. Não revelei o s egredo de vocês.Não para isto! . Então. ..Se não gostam das cores. embora não quisesse. enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. como temíamos a princípio.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou. não fiquem assim. Paul.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca.disse num tom tristonho. pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. . estávamos abraçados e ele me beijava.respondi depressa. Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder. os olhos escuros desola dos. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas. mas parou e virou-se para me olhar. enquanto eu me obriguei a dizer o que devia. . Ninguém par a me reconfortar. mudaremos tudo na primavera.Dr.

Portanto. Beech estava preparando o jantar. estava olhando para o outro lado . parece colocar também uma viseira sobre os olhos. Chris também. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam. o que era algo notável para uma criança como ela. seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes.. me nos que você. Quando ele veste aquele comprido avental branco. não posso perceber o que está pensando. seus largos sorrisos. num estilo muito abreviado. Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr. comia com entusiasmo. . sufocada de alívio. não há nada errado comigo.. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos. Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia . Beech redigiu outro b ilhete. Então. embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. o Dr.Carrie ficará boa? . . Eu adorava Henny. Eventualmente.Não que eu possa perceber.Sim. ela ficará boa . bastante car ne magra. mas devagar com amidos e sobremesas.m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três. Nada de Sra. Vou receitar vitaminas especiais para todos três.exclamei. Go sto mais do Dr. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez.Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? . O senhor não acha. aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. e. Beech . esperanças e temores que todos nós.a menos q ue tenham alguma objeção. a Sra. não é? . Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. . quer o dizer. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. Perguntas embaraçosas. pois quando fiquei deitada na mesa de exames. . mas insistiu num número ainda maior de perguntas. acima de tudo. Você me parece bastante normal. Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra. terminou! . Quer que ganhem músculos e não banha . . Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. Menina-Fada. mu ito pálida e ligeiramente anêmica.. com as mesmas sensibilidades. Apenas magra demais. eu já sabia que ela sofria de mudez congênita. Mas. . Agora.até mesmo Carrie. A essa altura. Sr a. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente. Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie. Paul me olhavam de modo tão esquisit o.sussurrei. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão. Então. de agora em diante sou apenas Henny. ao fazer tal afirmativa. A Sra. por ser do sexo masculino.Na verdade. deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas. nua e co berta com um roupão de papel. enquanto eu continuava a descascar as batatas. vagando mudamente d e um lado para outro. Beech. Preocupava-me com isso. duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito.por mim . Com o avental amarrado em torno do c orpo. E sou muito boa leitora de olhares.Puxa vida! Graças a Deus. Beech .desde que não se pendure em trapézios . . nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses.Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã .escritos com a rapidez do raio. Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny.Não gosto de ter médicos me cutucando. que era tão malditamente cheia de não-me-toques .respondeu ele com um s orriso. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado.. parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. embora. Corri de volta à cozinha. iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada. Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse .

respondi sem muita convicção. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. Paul disser a coisa certa. Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos.Sim. tão disponível.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo. agora que Carrie já estava bem e podia viajar. e tirando baforadas sonhadoras do cigarro. Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . quero dizer.Chris. Chris: não podemos trabalhar num ci rco. .Eu sei.Chris .aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho . Já fazíamos planos para partir d entro em breve.Acha justo testá-lo dessa maneira? . se o Dr. Isso não passa de um sonho tolo. jamais conseguirei esquecer. . calças esporte cin zentas. en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada.Oh!.. sab endo que seria capaz de qualquer coisa.Quando vi víamos trancados.. feita sob medida. E está com a razão.. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. se ele real e sincer amente nos quiser aqui.Sei de tudo isso. Aqui está você. você era o homem. Não éramos dados a procrastinar. . Na noite seguinte. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida. quando nos separamos com relutância. depois do jantar. será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. pois a noite estava fria. . Para ser sincero. respondeu devagar: . ele é apenas solitário. . Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina. educado. Você sabe. Era mesmo? Que fascinante saber disso! .Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . Paul por perto. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar. Então. Depois de refletir bastante. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus. tornando-me íntima. O olhar dele a acompanha por toda parte. aproveitando-nos da bondade do Dr. Chris sentou-se a meu lado. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante. o chefe da casa. . ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco. empoleirado na balaustrada. que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris. Depois da festa. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior . mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie. .. Nós três também usávamos suéteres.disse eu naquela noite.. . Chris franziu a testa. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos. fitando o espaço. mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. Não obstante. usando um suéter vermelho tricotado à mão..Chris. Cathy.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você. É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos. Cathy. Os jardins de Paul e . e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis. fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze. menos matar alguém. . ele está tomando meu lugar. Já tínhamos aceitado demais. Chris corou. você ficará? Ainda com a testa franzida. ruminando o assu nto. chorei muito por ela. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava. Simplesmente não podíamos permanecer. para ver Chris atingir seu objetivo.Paul Scott Sheffield era um homem estranho.Sim. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. sorria: . ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente. Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos.Vamos testá-lo. limpo. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos. Perdi uma família. De certo modo. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris. . Paul. o Dr.

interrompeu o Dr. Chris tomou a palavra: . . necessitarei do seu .arqueando-se sobre um pequeno riacho .. como se ele já conhecesse meus segredos. desejáve l.E pior. Chris . Amanda. obrigando-me a suspirar outra vez. . E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava. ainda assim. desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador. Tenho temido cada amanhecer. Se ele estiver vivo. Na última vez. encolhidos nas t elhas frias de ardósia. Eram nus clássicos.disse o Dr. ma s. seus olhos cintilantes encontraram os meus. tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo. devemos seguir nosso caminho. Os dedos de Chris apertaram os meus. Não desejava partir. ainda assim. Era óbvio que levava a sério a situação. prevenindo-me para não dizer algo diferente: . Fiz quarenta anos. baixando os olhos para o belo suéter.pergu ntei. . acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas. . com Henn y. levavam a um níve l inferior. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos.Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem.. Ao que parece.Portanto. . Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho. Paul. Com um sentimento de culpa. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. de Rodin. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes.Não. embora isto talvez nos leve al guns anos. Ela mora no outro lado da cidade. solene. Folhas mortas corriam pelo gramado.. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio. graciosos e em poses elegantes. sob uma lua que parecia o olho irado de Deus. aumentando a coleção. . Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência. em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. com três metros de largura.Não julguem. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. todas as minhas rosas são de espécies antigas. pois já estivera ali muitas vezes. Minhas pulsações se aceleraram. linda. em meus sonhos. Gostava de ficar ali com Paul. Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo. não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente.Estava observando seu suéter vermelho . anteriormente.ram fabulosos. .Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo. Paul. em vez de trazê-lo pessoalmente? .respondi tolamente. que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . receoso de acordar e verificar que v ocês se foram. por um segundo sequer.Por que enviou o presente pelo correio. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. que Carrie já melh orou. . de sensualidade.Bem .começou ele. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida. Suspirei com o vento..Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho. . com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés. como patinhos escuros e ressecados.. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m. caso Henny ainda não lhes te nha contado. . Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução..Um momento. dist ante. que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. Por quê? A pergunta parecia zombar de mim. o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados . não foi Henny.Doutor. . Rasos degraus de mármore. de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. Cathy.Parece perturbada.

Desde a morte de minha esposa e filho. E quando o destino se intromete e assume as decisões . Paul num tom estranho.Sim.sussurrei.Dentro de poucas semanas. mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas. Paul: . fitando o médico diretamente nos olhos. . . .Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês. O evidente remorso e sofrimento do Dr. prosseguind o com ar abstrato: . assim como eu. sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram..Você me contou. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo. . Portanto.Portanto. como nosso pai? . quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele.Temos um ao outro .. Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça. Ela acha. Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente. sem instrução adequada.. o tribunal me garantirá a tutela permanente . também. chegará o Natal.e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados. será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela. a fim de que pudesse trazê-los para mim.Morreram num acidente.Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty.. . Durante todo este tempo. . ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. senhor. Paul prosseguiu: .Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho. que vocês são um grande benefício para nós. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos. Se ela não comparecer. . Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui.se u tom persuasivo tornou-se tristonho. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário. mas ele não chegou. sem saber ao certo o que eu desejava. tenho sentido falta de uma família.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos. sem família.. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda. olhando para mim e não para o Dr. . Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos.Num acidente . com pouco dinheiro. Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário. apenas d ois patrulheiros rodoviários.exclamei..respondeu ele bruscamente. Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse. como se para testá-lo ainda mai s. confuso. .Oh! . Cathy .declarou Chris em tom firme.Tem sido maravilhoso! . presentes. . sem amigos. e mais feliz.Não pretendo casar-me outra vez . além da espos a. nunca mais! Ele prosseguiu. bem como do de sua mãe.disse o Dr. Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado. Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida. um acidente de automóvel.. oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim.mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião.O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência. se assim desejar . . Não estou mergulhando às cegas nesta situação. .Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu. .indaguei. nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos.. também. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto. Paul me tocaram. Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém. nunca me acostumei novamente a ser solteiro . Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar.Mas não de automóvel. eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam. Ser jovem e sozinho. . com olhar suave ao perceber meu constrangimento: .consentimento. ela perderá toda aquela fortuna. com bolo.Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno. Então.disse ele suavemente. Tinha apena s três anos quando morreu. Se ela residisse neste estado.E existe algo mais em que o senhor deve pensar. acrescentou: . . teria que cumprir a intimação num prazo de três dias.

M as talvez Carrie tivesse esquecido. De repente. Dr. Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. Tiveram muito trabalho para consegui-lo. ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. nem uma vez. quase frenética. As brisas do sul continuavam a soprar. reprimida por tanto tempo. creio que foram as roseiras ainda em flor. Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola. Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr.Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante.. Fiquei sentada na balaustrada. talvez não fôssemos brotos cont aminados. dando-nos t anto amor. por um segundo que seja. desabafando sua dor por causa de Cory. dourados com manteiga derretida.soluçou Carrie. ficaríamos. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. havia anos. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas. Eu queria ficar. Tudo ali me encantava: o ar. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. Ficamos. começou a parecer mais leve. Não estou procurando persuadi-los a ficar. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. . . Sei que vocês acreditam que ela não virá. . acariciando-me o rosto. E você. Jogue fora todas as longas horas que passou estudando. Carrie. para não falar em Carrie e em mim. de tão sobrecarregado durante tão longo tempo. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas. mais do que tudo que o médico dissera. Mas não fomos Chris e eu que decidimos. . começou a chorar. como os seus. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. que será dividida em parcelas semanais. produzidos pela semente errada plantada em solo errado.Eu também amo você. justamente quando está quase atingindo sua meta. o mais perto possível de Chris. Falou olhando para mim. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie.Nunca vi Papai Noel.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. Portanto. boquiabertos. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. Cathy. E não julguem. segurando-a no colo. pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. Só conseguimos fitá-lo. mas nun ca se pode ter certeza. apesar de estarmos no inverno. Mesmo que ela não tivesse decidido.Guardem o dinheiro para vocês. Ele recusou: .gritou. Paul ergueu-a. Mas ele não olhou para Carrie. Paul! . minha mão na dele. O Dr. decidam . Paul o dinheiro que nos restava. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira.Não quero ir! Eu amo o senhor. pois farão o que desejam e o que têm de fazer. Claro que vira. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo.E quero ficar aqui para o Natal . perplexos por ser ele . E. Chris . darei a cada um uma mesada. Jogou-se contra ele. Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que. A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel. O Dr. o brilho suave e cálido nos olhos do médico. Foi Carrie. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus. que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume. que será uma vida saudável e feliz para Carrie.

atônitos. para nós. Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa.nada de cores de bebês! Dr. afinal? Obviamente. uma capa e chapéu de chuva. assustaram os fregueses. selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola.indagou Chris. Afinal. pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. experimente tudo que gostar. Port anto. enquanto terminam os aqui.. bem como um g uarda-chuva. gente fervilhava por toda parte. Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas. Esta se mantin ha ereta. .tão generoso conosco . o que sabiam eles. Chris. vermelho . Percebi que ele nos observava. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes. eu pre cisava de um casaco. todos eram grandes demais para ela e. Eu sabia o que ele estava pensando.Querida. Paul procurou consolá-la.Não posso ir à escola com roupas de bebê! .outra vez. passei a andar em círculos. desejando muitas coisas e teme rosos de que ele. seríamos crianças normais. além disso. . que caiu fragorosamente. . Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas. Poucos dias antes do Natal. Ficamos encantados. com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos. Enquanto você faz isso. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita. enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. enquanto o nosso médico permanec ia estático. Atordoada e esfuziada por tanta coisa.. Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação. . Paul dec larou num tom impaciente: . o mesmo acontecia a Chris.Pelo amor de Deus. como se nos estivéssemos aproveitando dele.ao noss o Doutor. O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha. o teto era uma cúpula de vidro. Carrie e . cujas aulas se iniciariam. com os pés afastados um do outro. Mesmo assim. lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto. Então. não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. Sorriu graciosamente para o nosso doutor. que pareceu encabulado. saboreando nossos olhares espant ados.Vá em frente . em janeiro. com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas.Tentem no departamento de bebês .Cathy. Além disso. A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente.disse-me ele. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino.sugeriu a loura impiedosa e petulante. . a cabeça atirada para trás. perplexo.continuou a chorar.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! . tentasse satisfazer todos os nossos anseios. Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. ao perceber. . quando eu já começava a me sentir relativamente segura. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie. Roupas de be bês . eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis. impressionados. ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem. enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop". Homens. sapatos de verdade. olhava isso e aquilo. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não . Com extremo cuidado.eis o problema. incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. Chris riu de minha indecisão . e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a.Meu Deus! Que aconteceu agora? .

.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente. Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul. aquele dia foi celestial para nós. Cada um de nós usava sapatos novos. A despeito da costura que eu teria de aprender. depois de Chris para a balconista. jogos e brinquedos . . Carrie hesitou. perto de Mamãe . nem de base.exclamou o Dr. Não obstan e. mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente. Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça . Carrie? . porém. com pouco auxílio p or parte de Chris! . Eu era uma bailarina. Tão logo me fosse possível. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes. Deus nos levara a morar ali . vermelhas e azuis brilhantes.sorriu o Dr. era coincidência demais.se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. Mamãe nos dava roupas novas. .Cathy não sabe fazer boas roupas . preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar.Enquanto isso. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon. pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie). insegura. . . que tal comprarmos alguns vestidos amarelos.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas. nem de sombra ou delineado r. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo . sendo eu o que era. Paul. olhando alternadame nte de mim para o Dr. não havia ninguém para apreciá-las. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos. Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom.. Quanta lealdade! A mim.Não quero ficar arrasadora! . Carrie? . . . alg uns dos melhores anos da vida . Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas. . quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico.para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall.. ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço.quero apenas cores brilhantes. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento. Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar. com ar zombeteiro. Chris.e Cory numa sepultura. também. Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora. Naquela época.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe. azuis e cor-d e-rosa. heim. com solas de couro.Uma solução perfeita! .e. Paul entusiasticamente. O violão de Cory estava no canto. que ensinara Cory e Carrie a escrever. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto. . observando-me com a mais estranha das expressões.Cathy só sabe dançar. meu primeiro sutiã .indagou rispidamente Chris. além de tudo isso. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. movida pelo remorso do que nos estava fazendo. Eu ganhava cinco dólares semanais .conseguia engolir.declarou ela.Porta-se como um bebê. após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros.Você nada sabe a respeito de ser uma garota .. privando-nos de uma infância norm al.. sem roupas novas. Paul.O que há com você. Você ficará arrasadora! . Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então. Anos perdidos. parecendo aliviado. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família. Paul se mantinha de lado. uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. Voltamos para casa carregados de presentes. Encontrei Clairmont. enquanto o Dr. Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava.repliquei com ar de superioridade.E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela.

onde as crianças ne m sempre são bondosas? . sem demonstrar admiração ou aprovação. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele. Quando ergui os olhos. Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. Esperamos uma eternidade. tinha quase certeza de que ela não viria. Henny não podia falar.. levantou se e saiu da sala. senão pesadas cargas. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis. crochê. percebi que ela também chorava. uma acusação de homicídio. eu fugira de Foxworth Hall.nem a de Paul. Paul. De repente. Ela não nos queria. Bum! O punho de Henny batia na massa. Que éramos nós. Contudo. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo. . usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz. Carrie era nosso maior problema. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr. mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento. pingando no berrante vestido vermelho. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. eu p arecia uma corda de violino.Sim. Carrie estava enrosca . Em certa época. mas era muito franzina.Não chore. embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu.. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto. Mantive a cabeça erguida. dirigida por uma excelente equipe. Olhava-nos com a testa franzi da. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. Por dentro. e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos. . Você tem boa vista. e esperamos. Como se daria numa escola pública. Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado. . fazendome sentir pena de todos nós . inclusive a massa. fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas.eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal.ch orar de verdade. havia a cadeia. Todos aqueles anos perdidos. Lançou-me um olhar significativo. De algum jeito ou maneira. Já que faço parte da junta diretora. Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico . Ensinou-me a f azer biscoitos. limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas . Então. Paul. Paul e de Henny. Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões. Vi Chris e eu quando crianças. como buracos de agulha.está bem? . haviam-na tornado tão franzina. o rosto inexpressivo. creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul. não consegui mais falar. quando ela viesse à Carolina do Sul. Sabia ler e escr ever. tão perfeita. correndo ao voltarmos da escola. mordendo a língua para não gritar. Fora isso . no meio do ano letivo. Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra.Pretendo matricular Carrie numa escola particular . ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca.seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde.explicou o nosso médico. e.concordei sem entusiasmo.Claro . Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos. O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão. Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar . Carrie fora tão bem proporcion ada. Tive vontade de chorar. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr. Ao não aparecer. pensativo. Henny. jamais esquec eria ou perdoaria. De repente. Vi Papai. afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . Vi o lindo rosto de m inha mãe. mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. bordado de crivo e de lã.U ma ótima escola para meninas. difíceis de suportar? Além disso.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo.

. embora já estivesse pequeno demais. Agora. ou algum obstáculo para dificul tar as coisas. os olhos brilhando. Sem pensar. que Mamãe viesse e. Furiosa. que a tranqüilizava com carícias.então. mas de Sheffield. Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa . Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. Levantei-me e saí para a varanda do andar superior. por favor . tudo está bem. precisarei de algo a que me agarrar. De algum modo. Chorei mais por Cory. Avancei nas pontas dos pés. Murmurava meu nome repetidamente. Quando eu me for para a faculdade . que você levou e nunca mais t rouxe de volta".. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia. com seu monograma bordado no bolso do peito .Uma explicação razoável para assassinato? . Os contos de fadas podiam tornar-se realidade.pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth. . Quando se desej a derrotar alguém. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. . Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior. Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. Eu est ava esperando. Não comeria a maçã envenenada. Enquanto eu viv er. Creio que ele disse: . . apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez. Vi Chris postado junto à balaustrada. vocês me têm por pai e Henny por mãe. Quando me aproximei. nunca lhes faltará nada. Chore bastante por mim. Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e. Olhos tão cheios de vida.exclamei. os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. Cathy. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço. . tencionando surpreendê-lo. O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós. Dê-me um pouquinho mais.Não! Pare com isso! . chorei. não esqueceria. Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar.Se tem vontade de chorar. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada . Chris. uma palavra de sentido tão amplo. ele se voltou e estendeu os braços para mim. sobretudo. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita. Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. Naquele mesmo Natal. Estavam acontecendo conosco. só isso. mas ele insistiu. Eu entenderei. Bem. murmurando-lhe a lgo ao ouvido. digna de confiança. tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los.da como uma bola no colo do médico. Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. sólida. uma bruxa a ser vencida. por todo o amor que ela nos dedicara . E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança. como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. rezando.. porém. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido . Nada mais. o lado mais alegre e mais feliz. Amor. Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. não hesite.Chris! Não me ame. Enfiei os dedos em seus cabelos. Naquela noite. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. Tentaria esquecer nossa exis tência. Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor. e acariciou-me as costas.CFS . assim como eu. ele encontraria um roupão novo.e esta era a par te mais triste de mim mesma. a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes. enroscando-os. Deixamos que a fé. Antes que eu pudesse responder.Cathy . Quando você se for. que era como meu próprio filho. Eu providenciaria para que não esquecesse.Quero apenas abraçá-la. lancei -me neles.e excitada também. abraçando-lhe o pescoço. sibilei: . compreendi que ele sangrava interior mente. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos.Não importa. a fim de olhar a lua. de algum modo. olhando também para a luz. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. Seus olhos azuis buscaram os meus.sussurrou ele. eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". ele tornou a me abraçar.repliquei amargamente. também. Cathy.

. Ouvia-o chamar-me. Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo. espalhados sob ela. Em que nível você está? . Vocês já con hecem Hennetta Beech. Como num sonho. Jamais. Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama. desejando-me. al i e agora. todos nós . . . encantados. que me aguar dava deitado.. com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos. Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. Para o bem dele. Não consegui adormecer. no centro da terceira fila da platéia.inclusive Henny . . estavam cinco entradas para o Quebra-nozes. Também dão aulas a alunos principiantes. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. emudecida de felicidade.Sim. Então. Não podemos cometer o mesmo erro. enquanto eu só conseguia fitar Paul. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! .proclamou Chris.Madame. Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal. Georges . Enquanto você viver.disse a dama que parecia uma bailarina. Os bailarinos no palco não eram apenas bons . Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares.sentamo-nos. Ele me abraçou com mais força e ficou calado. médios e adiantados. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera. Uma mulher o magoara p rofundamente demais. será você e eu. acompanhei Paul aos bastidores no intervalo. deitando-me mais uma vez na cama de Chris.Esta é minha tutelada. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas. Naquela noite. Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. . muito vulnerável.Não ente ndo muito de balé. Este é o irmão dela. Só conseguia confiar em mim. E esta beleza mais jovem é Carrie. veio a maior de todas as surpresas. Jama is haveria outros.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita. Ele não permitiria que isto acontecesse. como é costume das bailarinas . a fim de nos sentirmos limpos. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém. Cabia-me romper o laço. E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe. que dançou o papel principa l. Recuou. . A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e. Catherine Doll. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny . abertas em leque na sua mão grande e bem conformada.Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca. Ficou divino naquela cor. não era.Não! Mas eu o beijei.Cathy era principiante quando fomos morar no sótão.. Todas as amigas ficarão com inveja".eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet.Sim! . pulei da cama e corri de volta a meu quarto. que lhe caía maravilhosamente bem. . dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. naturalmente . pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco. Cathy. Compreendi que estava refletindo. Depois. Chris. Ali. não alcançaria mais sucesso.Não! . Não podem os ser como nossos pais em duplicata.explicou ele.Você jamais se livrará de mim..penteado para trás . batendo a porta e trancando-a. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s. Henny segurou o vestido na frente do corpo. de qu em lhes falei.Adiantado! .

Então. magro mas robusto. Com que idade fez pointe ? . . Muito. ou apenas medíocre? .Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho. . depois. como se Chris tivesse perdido o juízo. .Mais que onze anos de aprendizado profissional.Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança. uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara .respondi com voz sumida. . espere um momento! . Seu marido .Maravilhoso! . Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito.Não! Não danço . saboreando-lhe a intensidade do relato. .Chris pretende ser médico . de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros.exclamou Madame Rosencoff. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado. muito bom . temerosamente agarrada à minha mão.Não sei.? .perguntaram a meu irmão. tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . Ela não apenas da nça um papel. desconfiada: .explodiu Chris. agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar.respondeu Chris. esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas.E agora tem. era um homem calado. franziu a testa.Farei.Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente. ..Você é excelente. usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e.. . . aparentemente embaraçado.Você também é bailarino? . . Cathy sempre varia um pouco. Georges. voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão.Exato. pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco.Ah! . . deve ser apenas medíocre. . Lançou um rápido olhar à pequena Carrie. Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? . e ignorou-a c om a maior naturalidade. como se tiv esse um "u" . improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita.Ora. de modo que nunca dup lica uma dança.Bom.Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? . Sobre a malha preta.Doze. .e amarrado num grande coque. .Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem.suspirou tristemente a madame.Quatro anos. Dois pares de olhos negros examinaram-me e. estudaram Chris. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris. .Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos. dezesseis em abril. ."daunça").Não vi naquele palco. Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater. ela é o personagem. . Paul. a menos que sejam excelentes. . seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia.indagou a madame com algum desdém. parecendo vermelho e muito zangado. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: . . esta noite. suada e encabulada. Esboçou uma expressão desdenhosa. Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece.às vezes sai do compasso da mús ica. Formavam realmente um par. com os pés pregados no chão.Ah! que pena . Portanto. E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance.Então.Que idade tinha ao começar? . mais e mocionante. por cima de tudo isso.Sim .exclamou ela. .explicou o Dr. um bolero de pele de leopardo. faz-nos acreditar .disse ela. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.porque ela acredita.Você é uma autoridade em balé? .

. Era o que costumávamos fazer quando crianças. inclusive em pontualidade. Tinha que mostrar a Mamãe. desajeitada.Ora. E veja o que acontec eu.hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris. Boquiaberta e emudecida.a todo mundo! Eu não era má.e não se atrase. retirou-se do quarto.que não admitia desobediência. O modo como ele disse aquilo preocupou-me.Normalmente. Eu tinha q ue ser a melhor. Madame Rosencoff se voltou para mim . pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração.disse ele. a Paul. nada menos que isto me serviria. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica. à avó.Estou destreinada . acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. ali deitado. . Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil. . deixe disso. deitei-me a seu lado. Ela continuava jov em e bonita. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo. você dançará para mim no meu estúdio. Trate apenas de estar lá . no sótão de Foxworth Hall. segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus. Amanhã seria meu grande dia. coberta de jóias e peles. Catherine . lentamente. . a Chris . elegantemente trajada. de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. nem sapatilhas. pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. Acordei. Tudo aquilo fora deixado para trás. perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet.Já vi você nesta c asa. No escuro. Sei que rejeitarão! . E fui deixada cheia de ânsia e desejo. Embora eu devesse saber que não estava corr eto. nem malhas. ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses. há uma hora em ponto. chorei nos braços de Chris. Naquela noite. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. Chris era tão lindo. rebocando o marido. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas. deitado no chão. e eles me rejeitarão. dominada por mil e uma trepidações.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. Ainda era noite. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. .Amanhã. nós as penduraremos bem alto. . sentir-me irresistivelmente atraída para ele. Cathy . Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios. mergulhei e emergi de pesadelos. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura. Então. fitava os galhos da árvore. No futuro. fui medida. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente. Era ape nas eu . fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada.Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão. . . virei-me na cama.Esta noite.solucei. . para podermos deitar-nos embaixo. Você não está rígida ou destreinada . Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco.murmurou Chris sem me olhar. ou filha de Demônio. Olhei par a a árvore cintilante.Pensei que você tivesse esquecido . vou ajoelhar-me e rezar por você. como os de nosso médico.repliquei. que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa. Só isso. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. com os cabelos louros mudando cons .a melhor bailarina do mundo! Debati-me. . Não era um pedido.Dar-lhe-emos todo o ne cessário. o bailarino. . deixando-me atordoada. o que era pior. . para fazer um tes te. Chris. abraçando-me com mais força. E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança. Com isso. ou até mesmo anos. deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. Eu sei e você também sabe. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente.Sinta-se lisonjeada. .Amanhã é cedo demais .Não tenho roupas.disse ele.está apenas amedrontada. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. que parecia irreal.Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. Em meus sonhos. Por algum motivo. Es tarei rígida. ou corrupta. mas uma ordem . eu fazia tudo errado durante o teste e.

a não ser você. Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios . se você faz parte de meus ossos .e. .Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor.disse com voz tensa.Não me beije outra vez .. .gemeu ele. descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado. de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu.e as jóias da coroa da Inglaterra também. . não é mesmo? Eu não sabia.. não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma. mas você. . . . dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno.tantemente de cor..Nunca haverá ninguém para mim. Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos. comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço. Prend i a respiração.Chris. quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura . Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça.antes que eu gritasse de repente: . Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço. só prazer.Como são lindos os seus seios! . necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento.. mas não conseguia. o fogo entre nós aumentando. . Uma doce paz me invadiu. depois. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos.suspirou ele. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul. que desejava tornar-se mais ousado.Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. Aproxi mando-se ainda mais. intermináveis momentos esperei que ele se afastasse. seus olhos também brilhavam.. Recomecei a soluçar.Cathy.Você parece.sussurrei. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida.. estremeci. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse.Cathy.. bem n o íntimo.exclamou ele.Tenho que ser médico . Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão.. até que nossas testas quase se tocaram. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. começou a crescer. nem sei o que fazer! . Seu hálito cálido me acar iciou o rosto. . tão divino . agora. quando ele virou a cabeça para fitar-me. sem você! Às vezes. eu sangrava e sen tia dor. quando meus lábios tornaram a encontrar os seus.Então.de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem . . isso é o que vejo nos seus. . Você não desistiria da dança.um beijo tão suave.. Quando o beijo terminou. agarrando-me mais a ele. . . Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena.. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes.não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura. esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados.sufocou ele. Recordarei es ta noite com você.Não. e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante. arqueando o pescoço.Não! Seria pecado! . Aproximou-se de mim.Lembro-me de como seu peito era chato e.Então. Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito . por favor. . Você era tão tímida com relação a eles. olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa.. permanecendo ali.Eu a amo . vamos pecar! . Está linda nessa camisola branca.Eu a amo tanto que. Queri a afastar-me dele. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e. Movi a cabeça para trás. . fique! Chris. ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama. observando-o beijar-me os seios e.Vejo doçura em seus olhos . mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse. Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos. . Por longos.. Cathy. cometo loucuras! Por favor... sob a árvore de Natal. não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha . às vezes.

enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito.. não me olhe assim. Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes . Então. copos e talheres. terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff. Carrie é capaz de dormir durante uma batalha. Em meu irmão. por qualquer nome. se fosse aceita. deitada de olhos abertos em minha cama. Foi o que det eve Chris.protestei. O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo. a resposta se rá sempre não! Calei-me.sente medo de sermos castigados novamente.então. respirando mais depressa até ficar ofegante.disse ele entre beijos.. de repente.Lá em cima. por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama. percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . Madame Rosencoff disse-me que. ervilhas. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. para durar até o fin al de nossas vidas. Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo. .Não! . laranjas. dois corpos nus que. Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão . À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna . que jam ais poderia florescer.Não haverá vida para mim se eu não for médico.Chris. ir embora e deixar-me sozinha .Pare! . . entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . nunca mais deveria dirigir-me a ela.Aqui não . .bradei furiosa. Christopher! Ele se aproximou. Depois. sentei-me e. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. bateram em algo sólido. Tirou min ha camisola e o seu pijama. recomeçou o que iniciara. usaremos o seu quarto. lançou-me um olhar magoado. Ele fitou a caixa de doces. um pão. rolando na cama para sair de baixo dele. e seu quarto fica perto demais do de Paul. Antes que eu me desse conta do que acontecia. lutando. Embarcamos t odos no automóvel do Dr. que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. várias latas de atum. suco de tomate.Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão. para durar pelo resto de nossas vidas. subiu cor rendo a escada dos fundos.só mais uma vez. no meu quarto.Não! Sou sua irmã. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. sempre vivo. recatadamente. Cathy.só uma vez. Ele nos escutaria. . Não queria que se repetisse! . . eu já encontrara o amor eterno. Numa fração de segundo.Sinto muito. Geor . Eu não queria aquilo.O inesperado abrir de seus lábios quentes. primaveril. Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora.Então. Solucei nos braços de C hris. meio quilo de queijo.. que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades. Chris estava no chão comigo. . ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade. . . deitado junto a mim.Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico.Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. Eu não era como minha mãe. sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. pratos. Tapei a boca com ambas as mãos. Esbofeteei-lhe o rosto! . Não desejava dizer aquilo. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também. Se fracassasse. Caí no chão. Mais tarde. O marido. Rolamos intermi navelmente. duros como pontas de metal. deixe-me amá-la apenas mais uma ve z .Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça. . para não gritar. maçãs. mais um abridor de latas. Chris pegou-me nos braços. então. O Teste Era o dia seguinte ao Natal..

Este desejava ser meu pai. Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va.Nada mau. Se eu fracassasse. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele.ges. sarcástica. por que escolher uma peça menos exigente? . certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente . Carrie. . Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. arrependia-me de tê-los convidado. afastando-se.sussurrou ele. . poderia avaliar o que eu deveria fazer. Oh! Deus! Rezei. . Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes.Maravilhoso . Havia também outras oito ou dez pessoa s. Isso. Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris. Tinha pernas fortes e musculosas. Um toque em meu braço sobressaltou-me. . escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas.Que música escolhe? . ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso. Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria. que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga. Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse. mas não lhes prestei muita atenção. Agora. não minha pedra ímã. Então.Rosa.Foi o que presumi. para aquecer-me melhor. eu já sabia.respondi timidamente.indagou ela. Henny e o Dr. ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. Venha comigo . eles assistiriam à minha humilhação. telegrafan do-me seu orgulho. adivinhei que escolheria A Bela Adormecida. pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico. a fim de verificar se eu já estava pronta. a fim de observar todas as outras.ordenou. para aliviar o nó que me apert ava a garganta. acrescentando com desdém ainda maior: . E como sempre. Seus olhos negros me estudaram crit icamente. Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo. Se eu frac assasse e o embaraçasse. Paul ali sentados.Que cor de malha prefere? . deparei com Julian Marquet. .gabei-me."A Bela Adormecida". confiança e imorredoura admiração. com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta. (Tive a impressão de que o marido jamais falaria. mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés. . Eu perderia o encanto que tinha para ele. Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas. talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar.Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. . As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. . Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. Meu querido. Girando nos calcanhares. Deixaria de ser uma pessoa especial. Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul.disse ela. lá estava ele para sorrir. Dessa fo rma. Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. Engoli em seco. Desejava ser a última.Só por sua aparência. com a mesma indiferença. Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos. O próprio Georges sentou-se ao piano. meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. Portanto. tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes).Quebre uma perna . .

. imóvel. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas. Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! . gritando! A meus pés. como se conhecesse todas as respostas. Logo voltarei a Nova York. movimentos de braços e piruetas. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa. a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto.Não sou garotinha! .Olá . pois a música me dizia o que fazer e como fazer . com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. Os gritos não eram meus... muito impressionada com sua beleza física.Puxa! . E minha carreira de bailarina. Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. . um verdadeiro profissional.eu era a sua voz e. .Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo . e stava terminada. Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. a magia chegou e tomou conta de mim. Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. p arecesse muito pálida. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas. cabelos negros como a noite e lábios de rubi.Sim. .Estava esperando que voltas se a si. apertando-me os dedos. Pen a que seja uma garotinha. com olhos escuros e faiscantes.Oh! Chris! . Era mais alto que a maioria dos bail arinos. Acho melhor dedicar-me ao teatro. ainda nem iniciada. revelando nitidamente todo o seu amor por mim.só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo.Creio que seria uma ótima atriz. À distância. estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me. que é o meu lugar. sem me importar em saber quem veio socorrer-me. muito satisfeita por aparentar aquela idade. apoiando um joelho no chão. mas depois fazendo as coisas certas . debruçando-se para beijar-me o rosto. Ele sorriu. indiferente. O queixo forte tinha uma cova central. De repente.protestei com voz sumida. mas de Carrie. escutei as vozes de Paul e Chris. E como sempre. Trocamos mais algumas palavras. então soou a minha "deixa" musical. aquele homem surgiu para dançar comigo . Tinha uma voz grave. mas duvido que tente. Chris inclinou . Então. eu estava sozinha no sótão. .O que é. pálido. Julian! Eu o vi como num sonho. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada. Tinha a pele clara como a minha. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. Com os olhos..uma senhora de dezoito anos? Sorri... Escorreguei e caí ao chão. . pois não queria que Paul percebesse. . e eu logo saberia que tinha dezenove anos. e aqueles olhos azuis. infalível.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano . tímida a princípio.Seus olhos escuros brilhavam travessamente.exclamou quando lhe sorri. a outra perna esticada graciosa mente para trás. Olhou em torno. Ele sacudiu os ombros.medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. isso é talento. O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto.todos os e ntrechats. Terminada. Fechei os olhos. uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade. então . com quase um metro e oitenta. .para dar uma ajuda à Madam e. Verdadeiro talento.disse ele suavemente. em contraste com os cabelos escuros. e escutar os gr itos.Uma coisa eu lhe digo.Talvez sim. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo.Olá. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. onde ninguém me queria. . . este ndendo os braços fortes. embora. fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam.. Encantada por vê-lo ali. Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York. Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver. Comecei a dançar. talvez não. .Você é muito bonita. Então. como se as "provínc ias" o matassem de tédio. . p ortanto. se gurando-me a mão inerte. Meu coração deu uma cambalhota. Ele sorriu.

O que é uma D & C? Ele sorriu. Só então olhei para o envelope.Abra os olhos. Fora enviado por Julian Marquet.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr.e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos. Olhei para o enorme ramalhet e de flores.Abreviatura de dilatação e curetagem. julgando que fosse lembrança de Paul. Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina. . Você precisou fazer uma D & C. sorrindo. não se esqueça de mim. não vai. de todo modo. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos. Amanhã. não de papel. . estará boa e de pé. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr. sem saber o que pensar. Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. enquanto este me estreitava nos braços. . .Foi só isso. exibiu um sorriso e avançou. . Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade. Paul afirma que é o melhor ginecologista da região.Não! Não! . e apontou para outro buquê.disse Chris. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . Chris foi à cômoda e logo voltou.sussurrei." Vi por cima do ombro de Chris.. na verdade. seriam imbecis. Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos.A vida oferece mais que uma oportunidade. . Em seguida. . Nossos olhares se encontraram.Claro que querem . quando. amigo do nosso doutor. Aguardo-a na próxima segunda-feira. às três em ponto..Quem fez a curetagem? . Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça.preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la.Está fazendo tempestade num copo de água. col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. Recostei-me nos travesseiros. Chris e eu nos separamos depressa. Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa.Do contrário. . Paul. Cathy. nada mais. um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. Catherine Doll. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . Cathy. sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. minha dama Catherine . Sentei-me na cama para abraçá-lo. Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: . Madame Marisha.-se para me abraçar e estreitar contra o peito. Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos." Marisha! Eu fora aceita! . não faz diferença nenhuma. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. acariciando-me ternamente o rosto. sempre poderá ter outra hemorragia. Todavia. Naturalmente. Classifiquei-me para a décima série. Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . Jarvis. Chris também partiria. . Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene. os Rosencoff me querem! .Um ginecologista chamado Dr. exceto Chris).Chris. . que se s oltaram de repente. Flores reais. eu não me importava que ele lesse. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu. eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada .Tudo vai dar certo para nós.e ninguém tinha conhecim ento do fato.disse ele suavemente. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões. com medo de que fosse Paul. como você bem sabe.. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio .recebêramos todos notas excelentes.. no dia seguinte à ida de Carrie.

a quem ela queria muito bem. P aul como nosso responsável legal. Ela fechou os olhos com força.exclamou. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem.Oh! . Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr.É Lindo! . Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso. troca segredos e ri a noite inteira. . Todos nós desejamos o que é melhor para você e. .Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes.É uma escola para meninas ricas. não quero ir . V ocê vai adorar. Além disso. acredite se quiser. E.exclamou Carrie. obstinada. percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor.rícula. Cathy? Por que tenho que ir sozinha. .Por que não posso ir para a s ua escola. Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade.Isto é para a minha loura predileta . beijando-lhe a testa. Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: . mesmo que alguns quilômetros nos separe m. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro. terá ótim as professoras e. talco e água de colônia.Sei que é um presente um tanto adulto.E terei que ficar lá por muito. Paul. aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar. Ela adoraria. . Como se lesse meus pensamentos. ele disse: .Mesmo assim. é necessário. Não estará sozinha. na v erdade. para ela.Ninguém? . Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis. escova de cabelo.São as malas mais lindas que já vi . daqui a anos. Ficará com centenas de outras meninas da sua idade. Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados. eu tenho que freqüentar o ginásio.E não é uma escola para garotinhas esquisitas.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus. sem ninguém comigo? .Carrie. Quando estiver na Es .acrescentei em tom tranqüili zador. . tem sociedades secretas. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. a escola não é um lugar tão ruim. A su a é uma escola primária. Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? . Claro. levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha. . .declarei alegremente.Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir. . dá festas. Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas. depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. Chris e eu. pasta dentifrícia. com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos. imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente. mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura. Segurei a caixa com extremo cuidado. Paul lançou um rápido olhar a Carrie. indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças. .repeti. Então. Carrie.Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. vai lembrar-se de mim. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós. Embalei-a em meus braços. Paul. espelho e uma série de frascos para cosméticos. Sim. poderá vir passar todos os fins de semana em casa. . completo. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . você permanecerá em nossos corações e pensamentos. tentando não escutar. Henny. é divertida. melhor que tudo. Carrie . rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela. Quando ela olhar para essas malas. A gent e joga. de couro. você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr. Era uma coi sinha linda. E deve ter a companhia de outra s crianças. que levei para Carrie.chorou ela. estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr. E. . muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas.anunciou. querida. cujos pais podem p agar pelo melhor.

O Sr. perto da s lindas malas de couro vermelho. com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade. . Eu a amo. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária. e a Sra. Henny e eu.Nada mudará. Paul. e sussurrei-lhe ao ouvido: . chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica.Por quê? Mais uma vez. Naturalmente. . mas numa alcova com grandes portas para o exterior. Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você. tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região.sussurrou ele com voz embargada.Carrie. com o rosto colado ao seu. Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos. Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. Ela olhou para mim. Parkins . No dia seguinte. Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . Chris e eu não f icamos realmente a sós.murmurou com voz sumida. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola. Dr. Sempre a amarei.Não. Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. Sheffield.murmurou Carrie. à beira das lágrimas. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre .. Eu trouxera até mesmo o berço. seja certo ou errado. O prédio era grande. segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . ainda sentiremos a mesma coisa. segurando-me as mãos. mais uma v ez. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram.Cathy. a fitar-me com o olhar assustado. . posso fazer isso .Quan do nos encontrarmos outra vez. sem compreender. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana. . Não foi fácil irmos embora. .Falo sério. roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão. Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. mas precisamos fingir que morreu.É uma linda criança. Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins.Chris . Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e. . pintado de branco. Cathy? . Emily Dean Dewhurst.Você sabe de onde vieram.cola Para Moças Bem Educadas da Srta. A escola de Chris ficava ainda mais afastada. Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824. . com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. ou sentir saudades.ao me nos o amor que estava errado entre nós. Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então. Não consigo evitar. as indefectíveis colunas brancas. acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. Uma mulher bonita e imponente. tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível. faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . ou imaginar o que estará aco . a nenenzinha! De onde vieram eles. . a Srta.O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade. que estremecia.uma herança inestimável.gaguejei. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. Carrie permaneceu sentada no chão. Compreende? Ela assentiu com a cabeça. Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar. Cathy .E Clara.Anime-se e faça um esforço para divertir-se. mas não compreendeu.Sim. Não se sinta abandonada. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa.Mamãe morreu mesmo? . . . mas apenas às suas amigas mais íntimas. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! .. Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro. Sentindo que precisávamos ficar a sós. . deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco. o Dr. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. Eu desejava ficar nos braços de C hris.

bem. tão bela.Eu o vejo sempre olhando para você. desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: .Prometo comportar-me.Cathy. Quero dizer: afinal. calado. Porque de seja você! . pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr. Sorrindo..Chris. Estudei-as.disse Chris. . Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo. baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas. .ntecendo em sua vida.Cuide-se bem.zombei. Era a escuridão d o sótão. pois . Dep ois. É tão jovem. As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio. observando o chão a seus pés.Tem razão .. como Carrie qua ndo chorava. com uma súbita expressão penetrante no olhar. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais. quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma.disse ele. Culpa dela. .. . Isso não é errado. No c arro branco de Paul.Eu gosto dele. . . . Ou talvez observasse meus pés. Agora. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo. Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia.e você estará morando na m esma casa que ele. . De repente. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. você é muito bonita. ..É claro. Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado. como você e Carrie. uma despedida temporária. Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus". Carrie o ama . que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo. E você também.Ele não fez nada fora do certo? . as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem. apenas por causa de você. fez a manobra e partiu em direção à estrada. Talvez bonita demais. tão necessitada de amo r. calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas. O que sente você por ele? . Cathy. ao vol ante. Creio que você estará segura.. puxou-me para si e baixou os lábios até os meus. quando gera lmente brincava. .Perdoe-me pela noite de Natal .Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. Sinto gratidão.Gosto dele. escute a casa estalar. Era uma promessa tão fraca. quando ele fez tanta coisa por nós. Não encante demais o noss o médico. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. Girei nos calcanhares. sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! . . da mesma forma como guardarei meu amor por você.fez uma pausa e corou. Cathy. e saí para o sol brilhante. Não tem esposa . ou logo precisará usar óculos. enquanto ele se mantinha relaxado no assento. silêncio. Ouça as penas caírem.Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. . Paul pareceu surgir do nada e sentou-se. Quietude. Apenas um beijo leve e te rno. Falo sério. . É honrado e decente. em seguida aos olhos. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua. Ligou o motor. . Chris riu. Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça.Paul é um grande sujeito .E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade . hesitante.disse ele quando terminou o beijo. mas às vezes penso que nos aceitou apenas. Chris. Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais.Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso.Não estude demais.Não.. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância. Paul. Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . Ergueu a cabeça. derreei-me no assento e solucei de verdade. ele é um homem. que as calças de malha . . Não estude demais.Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim.

com roupas transparentes. de algum modo. O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade . Paul. volto para casa cheio de felicidad e. necessitad a. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada. murchará e morrerá com ela. por outro lado. tirando lentas baforadas do cachimbo. . Obrigado. . ríspido.disse Paul. Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação. eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua. . . estava sentado numa poltrona de braços. Mas não demorarão muito a florir.Use meu primeiro nome o . grossos e velhos. triste e ansiosa. Paul sobressaltou-se ao v er-me ali. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor.é uma pena não estarem floridas nesta época. As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul. Contudo. troncos retorcidos e escuros. Carrie se fora. Logo que chegamos em casa. Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça .eu já vira desejo anteri ormente. acho melhor voltar para a cama. pois nossos invernos são curtos.. Então.acrescentei. Também não apareceu após o jantar. Lançou-me um olhar provocante. O meu fiel Christopher também. Pela primeira vez.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. É gostoso ser feliz outra vez.Dr. . .corrigi. Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra.e não para o Norte ou o Oeste. aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. dor miríamos sob tetos separados. Paul foi para o consultório e eu subi. . sentia-me mal. Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã. se o fizer.Magnólias Buli Bay .e dormir era o de que precisava.Antes de você chegar com seus irmãos. tão perto de sua poltrona. feita numa voz tensa e fria. como eu.pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça.azul mostravam muito bem . . .indagou Paul. mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo . por terem vindo para o Sul . altas horas da noite. lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente.talvez bem demais. . Sozinha. para acordar bem descansada.Por que não está deitada. tive também outras idéias. vinte e cinco anos mais moça que eu. Estava sempre tão solitário! Agora.de verdade . Eu precisava de alguém. de modo que fui deitar-me ce do. . Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa. Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. . Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão. sem jeito. mas dominada por uma onda de sensualidade. amedrontada. ninguém se importa! Pensei em comid a. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra. Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida. Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma.Então.Não uma jovem sedutora. Cathy.Não gosta que o toquem? . dormindo? . como se precisasse fazer a barba.Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele . quando tinha apenas dezesseis. E.Por que me toca. do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto. . mais sedutoras. ficou calado para não quebrar o encanto que. Comecei a obedecer . nos unia numa necessidade mútua. como a tola que eu era com tanta freqüência. Diziam que leite quente ajudava a dormir . envolto no quente robe vermelho. Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida.interrompeu ele.Ela era uma tola e ele também.Detesto quando você me chama assim! .. . . Sedutora. só que em olhos diferentes dos dele. Catherine? A pergunta.Não consigo dormir. Tinha a pele áspera.

quando cada dia equivalia a uma eternidade. Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me. sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros. . . Eu sei. arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto. envergonhada e s em jeito: .. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida. E não me agrada ficar vazi a e perdida. a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. . nervosa. Meus olhos se desviaram ante a investida. .Você é uma feiticeira. . você dançava no sótão. corando. recordando o passado. continuei com relutância: . Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina. esquecendo-me de Paul. você era mãe. fico vazia e perdida. como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce. este se inclinou repentinamente.instou ele. . Fiquei de cabeça baixa.Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy.reagi com violência. agarrou-me e sentou-me em seu colo. mas seus olhos brilhavam. . e sacudiu-me. animando-me. Se voltar a sentir os pés no chão. . Senti-me corada. . O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. Não tinha o direito de fazer tal pergunta. impedindo-me de responder. quando fiz uma pausa.bradou ele. algum dia. E. Leva-me para a cama com o ol har. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias. não é mesmo? Para eles."O melhor possível"? . transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante .Acusa-me de seduzi-lo. Então.u não fale comigo. Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory. fazendo-o parecer uma p essoa diferente. oculto nas somb ras. mas. com ninguém ali para amar. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza. Engolindo em seco.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto. E quando me enlevo dessa maneira. os quatro irmãos. ele estudava na sala de aulas do sótão. Catherine. .O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima. exigentes. .Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! . Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa. não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito. e me faz dançar.Então. sempre ju ntos.. olhou-me com raiva.Há pouco. Um médico não é infalível. . . com olhar duro e belicoso. mesmo quando era criança. Para onde eu olhasse. Eu não queria contar. . Em um segundo.A música sempre me causou uma sensação especial..Que diabo quer dize r isso? .Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens.Tudo o que você precisa saber! .perguntou ele com gélida veemência. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar.Conte-me o resto. os olhos queimando os meus .. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. . mas que sinto necessidade de indagar. quando lhe toquei o rosto. sozinhos? Dominada pelo pânico.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece. Apodera-se de mim.Prossiga .Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos.Por que me chama de Catherine? . uma g rande bailarina. como se não quisesse que eu fosse adulta. O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca. Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é.Catherine.fez um a pausa. e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele.

reprobatórios.cob rindo meu seio esquerdo .replicou calmamente. inflamados de calor pelas inespera das carícias. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele. caía apenas granizo. Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se.indagou com aquele seu ar zombeteiro.Que diabo está fazendo sentada em meu colo. . .e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: . em voz baixa. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim. . decidido a manter-se distante. os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios. insinua que. . . f izemos o melhor possível. deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza. exigirá o pagamento em troca disso . Paul e eu.puxou-a bruscamente.durante todo o tempo. permitindo que eu a abrace ou a toque.Por que não tem medo de mim? . Agora. teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete.perguntou ele. enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos. Catherine? .Apenas sente gratidão pelo que fiz. basta amar-me.Por que me perdoa? . quando precisa r de mim. Não precisa casar comigo. No primeiro dia em que aqui cheguei.. O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. açoitando-se com eles . seu rosto muito próximo ao meu. você me quiser. refleti.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela. nem Chris. . Então. agora. . chocado ao perceber onde estava sua mão .Sabe que não deveria est ar aqui. punitivos. Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. Catherine.e eu sabia que a culpa era minha como sempre.Quer despir-se para mim.Quando fui trancada por Mamãe. Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento. Só o vinho. . . enc ontrei amor em seus olhos. . pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim.e sou sua quando. eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados. tão bem! Éramos muito semelhantes. Seu hálito quente em meu rosto. a culpa era minha.Sinto muito. . um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. . e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. Pau l emergiu da névoa mental. Paul estava envergonhado..Eu o amo . Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio. hesitante. ou se. para poder acariciar os seios jovens.Não sou má.Paul. julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia. viu Chris franzir a testa. Naquele momento. mais cedo ou mais tarde. m as estará mentindo. Então. de repente. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo.Você não me ama .Porque o amo. . como se o contato com minha pele o queimasse.comecei. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. ele tocou os bicos de meus seio s. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora. escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente. Qualquer mulher em seu co lo serviria . em minha inocência. Quando estávamos trancados. . passando de um para outro. Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres . de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele. O quanto fui sábia. seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada.qualquer mulher! Provocadoramente. Mais uma vez.Eu o perdôo. Paul me abraçou e observamos a tempestade... E pode dizer que não me ama. juro.

bradou Paul. quando acordei.Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. pecaminosa. Jamais lhe vi o rosto. não sei muito a respeito das moças de minha idade.Acha que está segura comigo. mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. . Vo cê vive num país de fadas.repliquei. baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo. creio que entendo o motivo.Agora. Julga que beijar-me não seria ex citante. livrando-se do encantamento que eu l he lançara. qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda. o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente. quando a música está tocando .Vivendo como vivemos por tanto tempo. . Mais do que qualquer outra coisa. perto do fogo. ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade. de bailado . filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! . Chris conseguia reconfortar-me. num passe de mágica.comentou com um suspiro. . creio que estou realmente apaixonada por ele. . . embo ra não saiba quem seja. com você. pronunciei-lhe o nome.. Certa vez. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras. em palácios de mármore. É par a isso que possuímos olhos. Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si.brincou ele. mas não passa de uma criança. A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro.Não precisa amar-me . mas desde que tinha apenas a altura da mesa.Ohhh! ..Que diabo estamos fazendo? . As meninas se machucam quando brincam de .. não na realidade. Paul recostou-se na poltrona. quero que grite por socorro.Você zomba de mim. Paul sorriu. Portanto.Catherine . Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente. era? Eu não deveria perguntar. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. Eu era má.Mas. . Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos. Então. Se não houver outra pessoa em casa.o meu tipo de música.cendo. Só que melhor. ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente. . Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma. seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade.Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie. Catherine. por prazer. . retirando as mãos de minha cintura.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto.Não me tente dem ais. como você é romântica! . ..Sussurrei. é claro que tinham de olhar um para o outro. mas. Respondi desavergonhadamente: .Ora. desconfio de que seja ele. Acha que não passo de uma criança. aceitou o desafio e lentamente. Catherine. sem dizer uma só palavra. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim. Entendeu? . Oh! Então era assim. jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta. mas. tudo isto me faz sentir bela.. Isto não era sermos maus.disse Paul.Meu Deus! Como você é bonita e desejável . ajudou-me a levantar. . para seu próprio bem. Além disso.gaguejei. . . não consegui lembra r-me de qual fosse.Catherine. Se eu ousa r encostar um dedo em você. amedrontada. Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e. . embora des ejasse. . . agora. meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve . fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça.nada! O que faço p or você. com voz mais suave e bondosa. . Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida. punida por exc esso de presunção. Senti-me outra vez uma criança..Da mesma coisa que os outros homens. Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos.não preciso de sol.E segura? . muito lentamente. sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa. aqui. flores ou ar livre.

Paul não era o tipo de homem que eu queria. ao dançar mesmo quando estava morrendo .. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso. acreditar no que acreditavam. aquecer os músculos e. imaginando. Poupe-se para o homem com quem se casará . porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. tendus. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas. por mais que me esforçasse. Paul levantou-se. Contavam pia das ridículas. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna.assim refletia eu. Ouv ir dizer que eu era boa. Não gozo de uma reputação imaculada. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. recuei amedrontada. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. cercando-nos por todos os lados.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto. fortes e ágeis.adultas. elevavam-me às alturas. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir.. ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente".. un. deux. Algo o trazia f . Recuei. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. vinham os frappes em três quartos de pointe. para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. um médico. interminavelmente. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. ao começar os a suar. falar como eles f alavam. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas. Ao modo tolo das mocinhas. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim. verifiquei que era diferente. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. não um santo. Portanto. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis. até mesmo excelente. Eu temia por Carrie na sua escola. carregando comigo a sacola com as malhas.. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. Às vezes. os ronds d e jambe em l'air. glissés. . Mais uma vez.. espere crescer primeiro.Linda criança. porém. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola. com medo dele. Não ele. exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia. devotado. Fazíamos pliés. Nossos cabelos. algumas até mesmo pornográficas. sozinha . sapatilhas e uma bolsinha. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. mas apenas o endereço do tribunal.e n ada disso era fácil. também ficavam molhados de suor. Sou apenas um ho mem. mas. Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna. Pois. corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe . Não me agradava ser alvo de risos. Todos os dias. se d eviam ir "até o final". O sexo pairava no ar. como uma nortista. os petit e grande batllements. começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. Só um lugar me deixava à vontade. Em seguida. para manter-me ao alcance dos braços.em especial aos sábados.. fazendo pliés. Não censurava ou culpava ninguém. tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . t alvez um mulherengo . enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano. Embora ela houvesse recebido a intimação. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. afinal.e depois não soube para onde enviá-la. as moças compartilhavam todos os segredos. Queria ser como as outras. fondus e ronds de jambe à terre . Assim. abstinha-me d e dar palpites. Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. Então. retirávamos os agasalhos de lã. também tornada diferente. Além disso. para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra. subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. mantenha-se afastada de mim. da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. No camarim. pelo amor de Deus. com uma piscina interna. Não me agradava ser diferente. Mais cedo ou mais tarde. havia Julian. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. espec ulando. estórias de sexo. E o início era a parte mais fácil. dos anos em que vivera "em lugar nenhum". quando trabalhávamos de oito a dez horas.mas.

Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e. ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora.Você é boa demais para este lugar provinciano.Por que não? .Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim. . inclusive um em Greenglenna. olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse. exibindo seu virtuosismo superior.Foi o senhor quem me deu esta camisola. . pisei-lhe no pé e me afastei. Este era ótima companhia quando não estava cansado. formando um círculo no centro do qual ele se apresentava. . partindo desses grand jetés. mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça. Cathy.advertiu. .Não . Sou o melhor que existe. simulando enfado. Cathy. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul.repliquei. Eu conseguira encantá-lo. Este gostava de minha companhia à mesa.Nunca? . . Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas. enfeitiçá-lo. com exceção de Chris e Carrie. mas .disse ele com um devastador sorriso de malícia. .reqüentemente de volta a Clairmont.Claro que não.declarou ele com voz tensa. afastei-lhe a mão com um tapa. . corri até ele e beijei-lhe o rosto. . .indaguei. assistíamos a programas de TV.Como deve saber.Sou grande. . De manhã.Bem. eis aí o meu segredo.Para visitar meus pais .E não ande pela casa com essas roupas! . . Falavame de seus pacientes.Trate de usar um roupão! . o mundo int eiro saberá. dizendo: . .a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul. que usava uma justa malha transparente.Tive alguns encontros antes de você chegar. embora não o dissesse. Às ve zes. E u tentava ajudar Henny após o jantar. que estava muito corado. Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego. com certa indiferença. Doutor. Aprendia a ser cada vez mais c . Bocejou. Qual é o s eu segredo? . saí correndo para a escada. . Você é diferente. Não gosto de me gabar do fato .Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo. como Chris. Então. deixando-me de olhos arregalados. parece que meu tempo disponível desapareceu. Catherine! Ergui-me de um salto. e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico. . Em breve. eu percebia. sem mencionar nomes. Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista. Não sei definir exatamente.Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios. virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão.disse Paul.Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez. . Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos. você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York. .Pare com isso! De repente. .Antes de vocês chegarem. outras vezes ele me levava ao cinema. Pensei que queria ver-me com ela.Vá deitar-se. enquanto aguardava que Paul regressasse. de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão. Na maior parte das vezes.Eu não lhe conto tudo. Não obstant e. Não sei o que some com ele.Falar comigo .disse ele. Raivosa. depois disso. . . provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado. e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle. . Ma dame é minha mãe.antes das seis .Na verdade.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito. Quando cheguei ao topo. . eu nunca ia ao cinema. com a mesma rapidez com que me encurralou. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo. ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma. levantava-me muito cedo .Você pensa demais. . quase nunca .Oh! eu não sabia.

E. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando.começou ele. mas eu não permitia. um para cada dia da semana. Ou talvez até sete. Examinando separadamente as f eições. quando eu atingir o topo da carreira . movendo-me para ficar o mais longe possível dele.Não l he conheço o passado. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal . era o que eu pensava na época. . Ainda assim. quando eu fitava m eu prato de canjica.Jamais diga meu nome desta maneira outra vez . Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama. .ou. Paul não disse mais nada.Dançar é tão remunerativo? . Passou o braço por meus ombros. não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo.Sorria para mim. . eu não sabia o que me causava medo nele.disse-me Paul certa manhã. Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt. quando Chris e C arrie estavam em casa. Nada temos de semelhante e. de seu país.comentou suavemente. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. era possível encontrar falhas nelas. . .omo Mamãe. m as nunca ousei procurá-lo à noite.Eu não o conheço .Você adoraria Nova York. Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. Só nos fins de semana. Seu quarto ficava perto do meu. Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida. Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia. minha Catherine . Creio que Paul tentava evitar-me. para se ver. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa. . enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. De lá. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York. tere i carros de luxo: três ou quatro.Por quê? Não tenciono violentá-la. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo. Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai.Que dupla formaríamos. se Paul ali não estivesse.Diga-me quem é você. Conte-me a respeito de sua infância. Na verdade. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção. Detestei-o por dizer aquilo. .respondi. Sentia falta de Chris e de Carrie. uma a uma. Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu. Pense em Nova Yo rk o mais breve possível. também tenho medo de você. algo se interpunha entre nós. pois o nariz poderia ser melho r. Ri. ovos mexidos e toucinho.adverti com voz embargada. creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. . pois ele já atingira o sucesso. . como fazia com Chris. como se ele precisasse de mim. . pelo menos. Não era estupro que me amedrontava. limitando-se a deixar de lado o jornal.Algum dia. Lá existe tanta coisa para se faz er. porém. alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo. deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo. Em conjunto. Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada. eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. o resultado era sensacional.Depois de dançar. Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio.Cathy . . uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. Não o via o suficiente. pois todas as peças vinham de ferros-velhos. Julian Marquet.Será. para se experimentar. a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. minha vergonha era maior que a s ua . quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. levantar-se da m esa e sair para a garagem.explicou-me ele. quando eu for rico. .replicou Julian confidencialmente. Ergui os olhos. jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava. ao dar-me carona da aula de balé para casa. sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e. deixou bem claro que viera apenas para ver-me. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. . Desta feita. .Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine. nem você conhece o meu. você e eu . despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho. num tom persuasivo. doía-me não vê-los no mesmo quarto. Quando acordava. puxando-me para perto de si. ver melhos e sensuais.

Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve. alcançaríamos grande sucesso. Ele não é muito mais velho que você é? . Julian estacionou numa alameda retirada. A caminho de casa. Era noite de sábado. Com a maior naturalidade. o . não sou primeiro bailarino. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. enquanto minha mãe explora seu talento. de pois. provou a bebida trazida pelo garçom.Esta noite. . Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. Com meu auxílio. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. na verdade. aplaudir.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. formaríamos um par sensacional.Você é linda . Eu não sabia ler francês. que de algum modo tinha um lugar em minha vida . Pensei em Paul. aceite i o convite para sair com Julian naquela noite. Julian examinou a lista de vinhos e. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York. Juntos. sap atos engraxados. mas Julian. Todavia. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz. havia Chr is. Paul. E Paul. Chr is o fitava raivosamente. Desejava parecer sofisticada. embora não o fosse. Julian entregou-me um cardápio. . Cathy. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. se você não se importar. ele acendeu um cigarro. eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. Naturalmente.di sso eu tinha absoluta certeza. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. Julian levou-me a um restaurante muito elegante. Eu usava um vestido novo. Com surpreendente segurança. tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. . Ao c ontrário do que lhe disse antes. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. Chris e Carr ie estavam em casa e. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. mas nada tem de tola. você progrediria mais depressa que eu. apenas faço parte do corpo de baile. Queria impressioná-la.disse Julian. curvou-se para beijar Carrie. um tanto desapontada por ele não levantar objeções. mas poderia facilitar as coisas pa ra você. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo. estavam tão deliciosos quanto ele prometera. . depois. acima de tudo. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar. meneando a cabeça em aprovação. Julian chegou pontualmente às oito horas. Cathy. quase me convencendo de que eu já era grande bailarina. senti ndo-me esquisita. bem no fundo. Carrie que precisava de mim nos fins de semana. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. sabia muito bem. você teria que começar no corpo de baile. os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. a minha outra metade. . Ela é uma gralha velha. Julian levou-me para a pista de dança. Estava bem arrumado.Não . Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas. mas. sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York. embora não devesse fumar. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. lembrei-me de Chris. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. não obstante. Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo. Apertou a mão de Paul. Quando a salada e o prato principal chegaram. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. pedindo-lhe que escolhesse por mim. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. temendo come ter uma gafe. como se traísse alguém.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. Todos se afastaram para observar e. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos. Além disso. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele.murmurei. Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. E prosseguiu naquele tom. Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. com terno novo. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. senti a desaprovação de Chris.

Cathy. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto.resmungou ele raivosamente. Seja lá o que for. Na su a opinião.Pare! . resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. .Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . Agora. . aborrecido. Especialmente meu pai. Inventei um. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa. . se prefere conversar. Por favor. E creio que isto também o mata. Cresça. eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse. enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa. Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. Além disso. Por que mora com um médico e não com seus pais? . Julian sorriu.Julian! . Portanto.Uma criança . mas nunca me encararam como um filho. não será por meu próprio mérito.Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz. . aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. . Futebol estava fora de quaisquer cogitações. . mas não satisfaz.murmurava ele. Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa.Vocês tiveram sorte . Então. na adolescência. Jamais contei isto a a lguém..Cathy.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe. mas. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida. Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho. será por mi nha própria conta . quando eu me tornar um grande bailarino. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome.Eu nunca tive essa feli cidade. . o fato é que você foi feita sob medida para mim. do encantador mundo da dança. estendendo a mão para desligar o motor.gritei. Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. Dois a nos .Leve-me para casa! . Cathy. t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas. Mas venci . recuso-me a dançar. Nenhum deles sabe. muito melhor do que ele conseguiu ser. pode apostar.Seria o seu anjo da guarda. venha comigo para Nova York. Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram. Ele fazia parte do meu mundo.Porta-se como uma criança . mesmo quando eu era pequeno. . com grandes bailarina s. pois não estarei p or perto pelo resto da vida. A partir de uma certa época. Madame e Georges são meus pais.Está bem. Tenho que provar a Georges que sou o melhor. .sem a sua ajuda.comentou ele com certa amargura. pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome. Assim. . Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado. Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. Ele sempr e encontrava alguma falha.. fale-me a res peito de você. Portanto. então. E não se trata ape nas de você ser pequena e leve. recostou-se no banco e virou-se para mim. Cathy . continuo a dançar. por mai s que se recuse a admitir.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! . . eu poderia ser.disse ele. que vê em mim uma continuação de si mesmo.Meus pais morreram .Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije.e ainda não sou um astro. mesmo assim. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram. . . se eu aceitasse? . na maioria dos casos. de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. mas porque sou seu filho e tenho o seu nome. . tentando erguer um motor pesado dem ais.Cathy. mas machuquei as costas. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai".nde os namorados costumavam parar. Isto quase o mata.Não se aproveitaria de mim. Cathy. .declarei. se eu for um grande bailarino. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato.O Dr. Conheço outras bailarinas menores e mais leves. ligando o motor. Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado.esbravejei. Sinto dores constantes. aborrecida com a pergunta. Com você. beijando-me o pescoço. mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. Creio que você e eu somos muito parecidos. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas. de repente tive medo d e perdê-lo. as orelhas.indaguei.

Oh! Chris.Não pode acender-me e depois apagar-me.Com quem você tem saído? . . pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre. Cathy.. Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: . Gesticulei nervosamente. Logo ele se tornou ofegante. ap arentemente. Cathy. afinal tínhamos os mesmos o bjetivos. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa.. Julian ficou um pouco tocado.anatomia geral. . Chris estava na varanda. Julian.Nova York é tão grande. Cresça. Deixe-me pensar um pouco mais no assunto. de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . Julguei que pretendesse quebrá-lo. . que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. Fitou o espaço.Não me diga que não tem saído com garotas. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor.esbravejou ele.Como vão os estudos? . eu estava preparada.Foi você quem pediu! . . . sufocando um soluço..Muito bem. palavra de honra. Tomamos vinho no jantar..Por favor. cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade.Eventualmente. mas não me dá oportunidade de amálo.perguntei. percebi o que ele pretendia fazer. D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar. tentando desviar-lhe o pensamento de mim. Como era semelhante a mim. Talvez eu também tenha ficado. . Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem. Senti pena dele e fique i emocionada.Como foi? . . mesmo involuntariamente. de pijama. Ele é de Nova York.O que faz nas horas vagas? . Não quero deixá-los ainda tão cedo.Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. . .Talvez. Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter. . tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder. micro-anatomia e neuro-anatomia -. mais difícil será afastar-se. Julian deitou-me de costas no assento. . Gosto de você.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços. existia em todas as cidades. perto da minha porta. . pare de agir com tanta pressa. torne-se independente. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu. ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que. Vivo à espera dos fins de semana.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . a testa franzida numa expressão de amargura. Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você.Não gosto dele. será obrigada a deixá-los. Quanto mais tempo permanecer aqui.. . Por favor. É impossível ser independen te em casa. creio. De repente. Cathy. .indagou sem me encarar. que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. Não negaceei quand o ele me convidou para sair. acho. quan do posso rever Carrie e você. Quando o avistei lá fora. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto.Há meu irmão e minha irmã. Então. após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja. precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa. Desta feita. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me.indaguei. . . Era melhor que fosse ele. . Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você. Chris se voltou para me fitar nos olhos.Conheço-a como a palma de minha mão. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados. Quando entrei no quarto para me despir. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor. Meus pensamentos se voltaram para Julian. deixando-se dominar pelos outros.

ataquei Paul como uma mege ra: . Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. Ela perderia ambas. ele não conseguia afastar-se. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas. abarrotado de brinquedos. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. E estava chovendo. Pensamentos mórbidos. por cima. O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz. Mamãe o perturbara e d istorcera. como costumava cair quando éramo s prisioneiros. saí da cama e vesti um negligé transparente. sobre uma mesa de necrotério. Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia.Há quanto tempo está em casa? . Lá estava Paul. jogos e grande s móveis escuros. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . Então. E aquele seu cheiro característico desapareceu. Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite. morto. Portanto. chorei. com gravuras do inferno nas paredes. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul. ela no s obrigara a isso. Papai. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos.na outra extremidade da casa. por que não está deitada? Girei nos calcanhares. Cathy. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano. não passava de um monte de ossos na sepultura. confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. Vime jogada de volta num quarto trancado. fumando um cigarro no escuro. empurrando-o para mim. Já estou meio apaixonado por você. Por Chris.Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. esmagandome os pensamentos. Duas coisas: sua honrada reputação. acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam. não prec iso de você tanto quanto imagina . Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. quando eu desse minha tarefa por terminada.bradei. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes.I mplorei. e seu jovem marido. Chovia forte. Meu Deus! .não em troca de nada! Naturalmente. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada. por Carrie que não crescia e por Cory que.Ouça. exceto Chris e Carrie. Se Chris e eu tínhamos pecado. que ficava tão longe . Virei-me na cama. Naquela noite. Por algum motivo peculiar. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. por baixo e em torno de nós. não o leve como levou P apai! Por favor! . quando estávamos sozinhos. Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. Ninguém precisava de mim.e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny. . Não conseguindo dormir. Mas Carrie estava no internato para meninas. provavelmente. A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal.. Julian não precisava de mim. Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. confundindo-me e aterrorizando-me. em seu quarto adjacente à c ozinha. . descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. Existem muitas garotas dispostas a se entregarem.Há algo errado. agora. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe". Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça.Cathy. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta. poi s isto ela tinha de sobra. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso. Não seria dinheiro. . o preço que lhe causaria maior sofrimento. o vento uivav a. a chuva batia com força e.

mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder. devia levar-me ao cinema. Por este motivo. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve.quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava.berrei. . esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei. quando tornei a abrir a boca para fa lar. li a respeito de minha mãe .Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno.. peça desculpas por ter gritado comigo. quando queria. encarando-me. Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi. Às vezes.Hoje. fitando-me tota lmente surpreso. Ela sempre consegue o que quer. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo.Paul. sem jeito. . . Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais. Então. algo mais ou menos desse tipo. . Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e. Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. ele disse num tom suave: .. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa. tão controlado. E stremeci. .Está remodelando e redec orando uma casa. tão seguro .. vesti as melhores roupas e fiquei sentada. . Talvez leve as aulas de balé a sério demais.indaguei. sua falecida esposa. O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar . peço-lhe desculpas. Eu o compreendo. Eu nunca consigo alguma coisa. Aproximei-me da poltrona e. conseguia permanecer sentado. Paul era tão semelhante a Mamãe.como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos. não obstante. desculpe-me ter gritado. Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria.Parece mesmo perturbada. Sinto muito ter esquecido o cinema.Mais uma vez. A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence. Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor . olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir . sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós.Deve estar muito cansada. . estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara. não obstante. Não que ria amigas que não dançassem... da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la.Porque a chuva o isola do resto do mundo.Estou tentando controlar a raiva. . Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade. como pôde esquecer-se? Ontem. . . Não queria um namorado que não fosse bailarino. sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa. Seria ótimo se você pudesse controlar a sua. . de modo que após esperar horas a fio por você. esperando que você apareces se .Sim.Esqueceu-se. Portanto.respondeu Paul. . que era território proibido p ara mim.Não estou com raiva! . Talvez deva relaxar um pouco. Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. . impulsivamente.. ali sentado. Também não veio janta r ontem.Seria capaz de me bater.Desde onze e meia . Paul pensava nela: em Júlia. tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu.Está sendo sarcástico? .Há quanto tempo está em casa? . Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. E não go sto do barulho da chuva no telhado. estendi a mão para tocar-lhe o rosto.à exceção de Chris. . o tempo todo! Não veio jantar hoje. com uma vergonha que chegava a doer.declarei. Mas você não trouxe! . Recuei alguns passos.ui dormir! E você estava aqui.

pobres seres humanos.Para você.Como sabe o que digo aos meus pacientes? .Você e Chris . temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer. .Sim. Você não sabe. juntos. Mas eu fui. como se tivesse levado uma punhalada. que não era meu lugar. arregalei os olhos. Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe . Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse. tornei a zangar-me. nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema.Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício. saí com ele esta noite. você encontraria a paz e perdoaria tudo. Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. Catherine. alim entou-nos com doces envenenados! Assim. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu. Reconfortou-me como um pai. Soltei um riso nervoso.Não.Vá devagar. Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York.Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor. Quando comecei a soluçar.E o que pensa você? Mas Julian . poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe. mesmo? . Aturdida.porque não foi vítima.atalhei com amargura. assim. não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! .Eu chamo por ela? .murmurei. não me desapontarei. é fácil falar em perdoar e esquecer . fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia.Não. . Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . Então. Vejo minha mãe na platéia. embora involuntariamente. Portanto. Madame Zolta. no palco. Julian é um jovem bonito. Perdi meu irmão mais moço.indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. Paul sentou-me e m seu colo. chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola.Não se envergonhe de ser humana. . . pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. . porque parece tão convicto. talvez consiga dormir à noite. se eu estivesse no corredor dos fundos. porta-se como uma esposa. Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo. formaremos um par brilhante. .portanto. se você mesmo não o faz? . Ela quis me matar. fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar. Eu não queria falar a respeito dela. Catherine. com os olhos cheios de pena..Catherine! Pode odiar-me. . em vez de se debater na cama.replicou ele num tom inexpressivo.Julian está de volta à cidade.Toda noite sonho que estou em Nova York. obse rvando-me cheia de incredulidade. Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. . não me venha falar em perdoar e esquecer. com arrogância suficiente para dez homens maduros.respondeu ele. replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. estarei prepar ada para ser desapontada e. . . Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. se é o que deseja.Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. . intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. .Às vezes. Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis. Acredita que sua professo ra de balé. Paul franziu a testa. Já que você me deu o bolo ontem. aproximei-me outra vez da poltrona. Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. que era como um filho pa ra mim. Julga que.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . com beijinhos suaves e mãos caridosas que . às vezes escutava certas coisas. .

Percebi que estava aterrorizada. Júlia tornou-se cada vez mais bela. Talvez. se iguale ao horror da sua. pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto. Eu tivera algumas experiências sexuais. Com o decorrer do tempo. Cathy. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. Portanto.Sim . Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. eu nunca tiv e outra namorada. Amava Júlia. existem outros motivos. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. Entretanto. Amav a-a muito. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. . enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. Isso acontece todos os dias. . como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso. também tenho minha estória para contar. Júlia era filha única. Tinha medo de perdê-la para outro . Assim. você consiga tirar proveito de algo que aprendi. Fechei os olhos com força.Júlia e eu éramos namorados de infância. Fiz o possível para excitá-la. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. não muitas. Nunca proporcionei a mim mesmo. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. p ara salvar-me . a voz de Paul se tornou mais profunda.como se isto fosse possível. Ela indagou. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. tentando todas as técnicas para . afinal. desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. Não obs tante. Mas Paul falou por minha causa. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Se não conseguir. no intuito de ganhar dinheiro. na noite seguinte tudo se repet iu. Às vezes.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo. Portanto.Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas. após escutar minha estória. só que pior. Pois está enganada. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. suspirou e prosseguiu: . desejava-a e. teríamos três filhos. lacrimosa: "Ora. Namorávamos firmes e trocávamos cartas. consiga voltar para a cama e esquecer a vingança. Fez uma pausa. mimada pelos pais. Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. na nossa noite de núpcias. Neste ponto. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. . . Talvez. era o que ela não se cansava de repetir. se não nos casássemos logo. recostando-se na po ltrona.me acariciavam. apertou-me a mão com força. Observei-lhe o rosto. eu tinha dezenove.e isto foi um erro terrível. eu a amava. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola. se eu lhe contar. . Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. Ela nunca teve outro namorado.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. pelo menos. Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . Na época. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . Quando fui para a universidade. Sua voz assumiu um tom amargo. passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar.a voz dele assumiu um tom duro. . Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada. os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. sob certos aspectos.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama. Júlia não sentia prazer no sexo. Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. termine i por possuí-la à força . Paul afrouxou os braços em torno de mim.Catherine.Espero que você.ou. nem a ela. Contudo. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro. tive medo do final.

pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. de modo que peguei o carro e fui à confei . Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. já que fazia um dia tão lindo. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional. . Não me incomodei com ter de deixá-la em paz. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. Júlia descobriu que estava grávida. a não ser quando Sc otty estava por perto. desceu a escada com Scotty. mas fiquei profundamente magoado . Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante. Então. mas nunca tentara o suicíd io. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. mas ela se recusou terminantemente. pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. Foi num sábado. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar.Após o nascimento de Scotty . algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. embora ela sempre chorasse depois. viriam com as respectivas mães. enquanto me aninhei melhor em seus braços. Sentei-me na varanda da frente e esperei. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. mas ela recusou. a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa. dando-me um filho. parou de falar comigo. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. Era tão li nda. mas. chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. que completava três anos. felizme nte. Ela perdeu a calma. Ofereci-me para levá-los no carro.mas só lhe causei repulsa.excitá-la e fazer com que me desejasse . pois sabia que era algo terrível. Na verdade.prosseguiu Paul.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. natural mente. Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. P ortanto. voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. deixei-a realmente em paz . Comecei a beber depois que me formei na universidade e. a fim de ajudar a acalmar Scotty. Júlia. Então. quando sentia vontade. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo. Naq uela noite. Comecei a ficar preocupado. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra. lavar minhas roupas. vestindo voile azul. fosse lá o que fosse. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz. Não pude acreditar. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós. Agora. línguas-de-so gra. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. com pais ostensivamente felizes. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia. argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Júlia n unca mais me falou no caso. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. Henny preparara um bolo eno rme. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. Eu estava em casa e. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. eu a traía. . Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz.Depois disso. . inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. a fim de comprar mais balas. chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. Então. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. temendo o que estava por vir. Dentro de casa. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. com bolas penduradas no lustre. certo dia. Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. Tivemos um caso que durou vários anos. pois sabia que ela possuía vários amantes.

mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. Não obstante. Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. tentei tratar dele. i sso não seria vingança suficiente para Júlia. Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. repeti o processo com Júlia. mas. Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. Então. Mas não conseguiram. .Esqueça Júlia! . Faria eu a mesma coisa? Não. Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta. Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. mas Scotty parecia morto. temendo chegar lá tarde demais. Sentindo a terrível angústia de Paul. Não quero desapontar meu no ivo. poucos dias antes do aniversário de Scotty. a única que perdeu alguém. . saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra. embora não gostasse de televisão. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. que obviamente lutava para liberta r-se dela. muito melhor. O rio era raso. a única que tem saudade e tristeza. Tentei acalmar-me. Rodei pelas ruas a procurá-los. . olhares ternos e pequenas carícias. Pode casar-se novame nte. Na confeitaria. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. Não abriu os olhos. eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. . claro que não. mas ele não escutou.Num piscar de olhos. de rosto para cima. Lembrei-me de meu pai e minha mãe. Apontou a direção que haviam tomado. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. Portanto. . Não consegui falar. . Assistimos à Medéia na TV. que tossiu. como eu costumava faze r quando criança. Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai.exclamei. cheguei à margem gramada do rio.Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia. mas meu filho estava morto.Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir. estavam sempre acariciando-se e beijando-se. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem.Então. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. Contudo. . Mas não os vi. Fazia-o por meio de beijos. Então. ainda respirava. Minha maneira seria melhor.Sinto muito .Não lhe direi tal coisa! . esperando vê-los no caminho. produzi um som sufocado.taria. . As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas. depo is de me despir. Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia. abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele. Júlia matara por vingança. mas ninguém os vira lá. a quem tan to amava.declarei com voz embargada. . A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava. mas também carrego comigo o remorso. e Júlia demonstrara um interesse desusado. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. mas agarrei-me como visgo. Então. De sde pequenina.Mas você pode ter outros filhos. Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível. Júlia ainda vivia. Pr osseguiu: . Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho. pelo menos. Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado. engasg ou-se e vomitou a água. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty . Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias. perguntei se tinh am comprado balas. Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado. Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões . dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio. parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro . não. pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente.

Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos.Permaneci onde estava.. eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas. onde entrou e bateu a porta com força. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar. Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado.murmurei.Não foi uma falha Freudiana. caminhando depressa para seu quarto. . acariciando-me sem usar as mãos. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos. Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade .imediatamente! . talvez. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam. . parando ao lado d e minha cama estreita.Paul. tive que falar e estragar tudo. Catherine . a menos que seja em legítima defesa. se é isso que está pensando. Paul foi direto ao meu quarto e. ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava.? . Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado. uma expressão f uriosa no rosto. Sheffield seria uma escolha bem melhor.disse ele da porta. Tenho certeza de que eu não resistir ia. se eu ficasse calada. E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram. como sempre.disse Paul numa voz tensa e estranha. Mais uma vez. doente de desapontamento.Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? . Tenta seduzir-me. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível. o d om de saber apreciá-la e. Mas seu lugar em minha vida é o de filha . Catherine Sheffield . eu diria que acertaram em che io. Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom. Portanto. . Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio . hesitou. éramos desprezados . Paul sorriu. Entretanto.Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança. os lábios cheios e sensuais entreabertos. Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente. a fim de que eu não lhe visse os olhos. Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas. .Acha que os avós tinham razão . . Vocês não são maus. grandes demais para seu tamanho e idade. mas. ultrajada. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho.. tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. .. Catherine. Chamavam-nos de corruptos. Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada. Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada.Como me chamou? . .Vá dormir.Não sei como estou olhando. S enti-lhe a carne esquentar.perguntei. Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza.até mesmo os gêmeos. Agora. até mesmo um excesso de talentos. envergonhada . nossa avó nos chamava de filhos do Demônio. .Quando estávamos trancados no quarto.Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . . enquanto a chuva fustigava as vidraças.Oh! . tão pequenos e adoráveis.mas também an siosa e excitada. . fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver.Escute aqui.Está jogando um jogo perigoso.Não me olhe assim.Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta. por isso. .Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências. Dollanganger é um nome compr ido demais. é muito linda e difícil de resistir.. enquanto ele recuava em direção à porta. .Oh! . Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder. Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e.exclamei. Ele era como você. .Paul.nada mais que isso. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros. . de repente. E. que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele. . Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu. .

Então. até chegar ao topo. comecei a planejar t udo. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. abandonada. Após algum tempo. Chris. Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso. quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. de modo que não mencionei o assunto. Pa ra onde iria a fortuna? Parei. seria obrigado a procurar outra pe ssoa. numa ocasião de sofrimento e miséria. pois não ex istíamos como membros da família Foxworth. ele não acreditaria. A princípio. Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto.às vezes. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. rejeitando-me. não teria o mínimo remorso. porque eu tornaria tal coisa impossível. jovens e velhos. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. principalmente os que já passavam dos quarenta anos. Comecei a rir. então.diria ele. sem eles. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . e Jim Johnston. enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato. embevecido. mais ainda ficava eu. Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via . E eu sabia que era má. sem precisar v ender o corpo. embora eu não soubesse o que eu queria.. Estaria velha.para dançar cada vez mais.especialmente Chris e eu. uma jovem linda. declarando sa ber o que queria.como di ssera minha avó desde o início. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. E isto seria uma lição para Mamãe. viravam-se na rua para olhar-me. procurado refúgi o nos braços de meu irmão.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. que só sa bia bordar e tricotar. eu podia p rovar que Cory existira. acabaria acreditando. . D epois. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . . Ele não se afastaria. Se isso era pecado . para beijar-me a mão. Carrie e eu. seria a minha palavra contra a dela. Quando eu esperava o ônibus na esquina.. Simpson.Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso. A culpa seria toda minha. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. cansada. surpresa. Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. acompanhada pelo marid o. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens. abatida. E le não desejaria magoar-me. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos. E se eles ficavam maravilhados.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas.É a mulher mais linda e talentosa do mundo . Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós. E havia também nossa antiga babá Sra. Então. E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava . por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. E Chris me odiaria. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos. confusa. nascida para ser má .

Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa. de ter resolvido ser médico? Em vez disso. com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores.Você está fantástico.Portanto. Cada vez que vinha para casa da escola. Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu. Não ob stante. . uma combinação extr emamente atraente. Henny também. Estou linda ou apenas bonita? . Chris parecia mais maduro e bonito. Então. elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim. .Diria que estou melhorando com a idade? . Estou ganhando terreno sobre você.The Plantation House. sempre a imaginar o que você andará aprontand o. dando-me ao tra balho de usar o curvex. Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério. num leve beijo que não ousava passar desse ponto.Por que não é feliz. nem suas mãos tão grandes. mas a circunferência não era tão pequena. . . Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa. não gostando de ser lembrada da velha. .perguntei.Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. roçando de leve os lábios nos meus. incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. Que g ozado! Então. . Fui realista . Meu rosto não precisava de maquilagem. preferiria ser bailarino. aguardando.e não fazê-los a si mesma. Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira. mas Chris baixou-os par a ocultá-los. ainda si nto saudades de você. . .A vida. ao contrário de você. Chris. de repente.tão fan tasmagoricamente escura. Gosto da escola e das amizades que fiz. .Minha Lady Catherine . menos as do vestíbulo.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos.Feliz aniversário. muito mai s velho que eu. cada uma menor que a inferior. Você é tão bonito quanto Papai.Não me respondeu. que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . estão correspondendo às suas expectativas? . Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante.disse Chris numa voz engasgada e esquisita.A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e. dese jei de olhos fechados. com todas as luzes apagadas. . . Oh! meu Deus! . Desviou outra vez os olhos.disse baixinho.Tenho medo de que ninguém me elogie . sim . declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar. tão silenciosa e carregada de expectativa . apagando as velas. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava.Está linda.rante favorito . algo que o fazia parecer muito.O que perguntou? . um coro berrou no escuro: . minha Lady Catherine . quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha. tomou-me a mão: . mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora. É o meu estilo. Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. é difícil viver longe. Descemos a escada de mãos dadas.repliquei na defensiva.V amos.Sim . os estudos de medicina. Chris? . . De repente. . deve esperar elogios dos outros . No duro. .Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim. Paul e Carrie já estavam prontos. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário. agora. A casa parecia esquisita.repliquei comum largo e ardoroso sorriso.disse ele. desejei não ter tomado conhecimento.Isso me parece cinismo. Tentou circundar minha cintura com as mãos. mas coloquei-a assim mesmo .disse Chris da porta aberta. .A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse.O que corresponde às nossas expectativas? . Mamãe. Chris . Entretanto. Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. Cathy.Está muito linda. não o seu. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso.o serviço completo.

Mas possuo outras habilida des. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. Segurei os pedaços do objeto. furioso. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas. . Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas. quase num sussurro. pois agora tem-me a seus pés. ..Você! Seu. pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro. . repetiam mudamente a mesma pergun ta. em novembro passado.. .retrucou Julian.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! . altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade.Cathy . Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados. uma cintilante e transparente rosa de cristal. pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se. produzido por um cigarro que alguém deixara cair.disse Chris num tom gelado. o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão. observando um de cada vez. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro.bradou Julian. sem desviar por um instante os olhos de Julian. Na verdade. . que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé. Julian lançou-me um olhar raivoso.Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? . Estremeci. . pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum . Quando chegar a hora. prestes a gritar para que parassem de di scutir.disse Carrie. Em frente a mim estava Julian. . pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e.Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! . que se aproximara para me abraçar. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes. com todos indo embora parecendo embar açados.bradou Chris. com exceção da festa de Chris. Além disso. pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. Não sei o que ateou fogo à lenha. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo. discutindo e prestes a se engalfinharem.tornando-me mais velha e esperta a cada dia. pregados nos meus. Afas tei-me dele com uma pirueta. E assim terminou minha festa de aniversário. É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. . . eu o detestava quando se comportava assim. Cathy . Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente. Com lágrimas nos olhos. . sapatilhas.respondi.É a melhor festa de aniversário que já vi. Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras. .Alegre-se.chamou Chris. Sempre que eu procurava o olhar de Chris.Não me importa o que você pensa! . Chris e Julian estavam num ca nto. o rostinho feliz e corado cheio de sono. de repente. . Mas fiquei calada. mas. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé. Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul.Boa noite. com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva.Não. Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite. cujos olhos negros. ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão.. era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! . . Paul se ergueu.Por que parece tão triste? . . etc. estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade.Talvez seja verdade .quis saber Julian. Carrie mantinha-se colada a Paul.. Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde. dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si.

Quero que se mantenha fora de minha vida.Não minta para mim. Esqueça a desordem: Henny limpará tudo. . Comprar-lhe -ei outra. Parece sonolenta. e o estávamos usando. espantada. qualquer coisa que for preciso. Agora. a fim de compensar tudo o que p .implorou Chris. portanto. eu preciso de você... . Mas. O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário.Não passa de uma quinqui lharia barata. . nem de longe. desolada e sem esperanças. Logo subi para meu quarto. infeliz. exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros.disse eu.Chris .. . sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa. Minha voz se embargou e não consegui continuar. . . se encontrar a duplicata. E também lhe darei algo melhor quando. .Sim . .Meta-se com sua vida. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta. Vivo em função dos fins de semana.respondi com voz embargada. Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? . .nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você. . Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. mas fui obr igada a abandoná-la.. Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! .Mais uma vez. também! Chris ficou muito pálido. . embora não tivesse pensado no assu nto.Farei o que for preciso! . Enfrentei-lhe amargamente o olhar. engasgada. mas estou dilacerada por dentro. Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo. Importo-me muito com o que você pensa. mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas.Não tento dizer o que você deve fazer. mais cedo o u mais tarde. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas.respondi. muito obrigada pela linda caixinha de música . . Christopher! .Ótimo. . sou tão necessário em sua vid a. Sempre posso comprar outra.repliquei furiosa. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível. embora não fossem iguais. que Chris me aguardava. Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios. Não se afaste de mim. . Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos. Voltei-me para encará-lo.O que deu em você Cathy? . eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul.indagou ele com ar feroz.retruquei raivosa.disse Paul às minhas costas.Esqueça.Nada! . de todo modo. muito recatada e pura. Cathy. quando poss o estar com você e Carrie.Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. teríamos que pagar um preço por isso. Sempre pre cisarei. Na realidade. . Acertei? .O que está havendo entre você e Julian? .declarei.Era uma linda rosa . se julgar necessário. . . Morro de medo quando penso que.Cathy .começou num tom magoado. pensan do que pode fazer o que bem entender. . contendo-se para não me interromper.Certa vez.Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem.Não se preocupe com a rosa . enquanto eu devo ficar quietinha de lado. . meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero . onde verifiquei.Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista.E sei que custou caro.Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar. pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas. vá dormir.. Christopher! Farei o que tiver que f azer.Detesto cada palavra que você acaba de dizer. Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos. Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo.

encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. também. Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. minha melhor amiga. Gostaria de saber . Fez uma pausa. Entretan to. eu não era como ela por dentro. Portanto. detestava-me por ser seu reflexo vivo.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora. Não.erdi e sofri. Quando me olhava no espelho. quando eu também fosse rica e famosa. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora. obrigando-me a erguer o rosto.Não! Claro que não! Seus braços me envolveram.Você permitiu que ele lhe fizesse amor? . pouco a pouco. revendo os jornais antigos. pois. Mamãe teria notícias minhas . não em Julian. mas. Percorri a pé quinze quarteirões.Oh! num jornal da Virgínia. Calculei que Chris o tivesse afugentado. fui à biblioteca pública de Greenglenna. por que motivo viaja tanto pela Europa. . seria melhor ela estar bem preparada. tanto . Em outro dia.comentou ele num tom esquisito. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna. onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação.então. El a sabe mais que ele. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. . Na prefeitura local. e o indefectível pórtico bra nco. o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. Julian me ignorava. . Escondida num canto. Quando vinha visitar os pais. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo.Ela está novamente na Europa . Todas.Onde encontrou isto. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes. Minha beleza não era simplesmente superficial. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco. apertando-me. com uma expressão morta. do q ue existia dentro de mim. Cathy? Sacudi os ombros. . pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. paradoxalmente. Julian quer que eu vá com ele para Nova York. via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições. o objetivo d e Julian é também o meu. Por outro lado. Para meu grande deleite. ou de que ele realmente me ame. diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me.Madame sempre me diz isso e acho que está certa. não apenas com ele. Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris. Medo de ser como Mamãe. . Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária . mas também com Lorraine. Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. . Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário. mas apenas por fora.Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia.indagou ele friamente. Por algum motivo. não tenho certeza do que seja o amor. onde pesquisei a respeit o da família Winslow. narrarei um episódio na vida de Carrie. até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. pois esta é também a estória dela. Tinha medo. com ornatos brancos em volta das portas e janelas. Cathy. "A herdeira de uma das maiores fortunas do país".Aguarde ao menos mais um ano. arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. Eu era um instrument o de desejo. Confie em Madame Marisha. fabulosamente rica e muito linda. que encontrei numa banca da cidade. Julian diz que me ama e que cuidará de mim. Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato. fiquei magoa da e ressentida. eu estava estabelecendo mi nha estratégia.

Roupas macias. Todas as sextas-feiras. com os olhos fixos em Paul. com os olhos baixos.Sim . Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris. preocupada.pois nunca. passiva. . olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda. implorand o-lhe mudamente.respondia ela. colocara almofadas cor-de-rosa. que logo murchav am e morriam. Só isso.e foi uma pista muito evi dente: . mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. Dewhurst. Carrie se tornava muito calada. seu olhar f icava inexpressivo e resignado. uma única coisa. Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama". Tudo em Carrie me preocupava. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. Paul levava flores de verdade para Carrie. por estranho que pudesse parecer. ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola. Esta. Agora. . porém. Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. vermelhas. as colegas ou as professoras. tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo. Era realmente uma escola linda. À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola. Deixou-me pensativa. que se chamava Sissy Towers. a fim de trazê-los para casa. rara mente ria. recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. um tanto apática. Eu a abraçava com força. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar. A Srt a. Por mais que tentássemos. pensando melhor. E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. além de um temperamento vingativo e mesquinho. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . roxas. Eu adoraria estudar numa escola como aquela. . chiffon esvoaçante.até mesmo hoje. Atualmente. pele branca como papel. uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente. Sempre que possível. jamais. basta telefona r". Eu só podia encolher os ombros.O que há de errado com Carrie? . Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar . Dávamos beijos de despedida. Mas Paul olhava para mim. olh os tímidos e baixos. parece grama colorida.indagava Chris. por volta das quatro da tarde. Em algum ponto dos acontecimentos. Carrie passava os fins de semana conosco. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. Carrie tinha uma cama de solteiro. acrescentávamos: "Se precisar de nós. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato. Aliás.Gosto do tapete. violetas e ver des. tentando adivinhar o que a perturbava. tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna.quanto minha e de Chris. era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim. Sobre a cama. qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo. não para Carrie. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola. reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção.dizia ela. que jamais exibi a diante dos adultos. Disse apenas uma c oisa. uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu. preferindo-as às flores reais. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. vozes bem moduladas e discretas. Embora eu a interrogasse. No Sul.Não estou infeliz . adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . Ao lado da cama. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave . perdera a confi ança de Carrie. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. revendo o passado. mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. para expressar seus sentimentos . Sissy tinha cabelos cor de tijolo. mas Carrie não me dizia o que e ra.

assim como para Chris e para mim. Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. garotinha dos olhos grandes. aquela cor se tornara detestável para nós .. . . que olhou para Carrie com piedade e simpatia. anãzinha .ordenou Sissy. Entretanto. conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça. Depois.Deixe-a em paz. Carrie estava na terceira série... ela nunca diz nada. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o.Carrie devia estar no circo.. . Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. circo.. . as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s. cutucando-a com a ponta do pé. sem parar. Oh! sim. a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais.Carrie é anã. . Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa. sensacionais cabelos l ouros e. com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura. O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos.. Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado. anã.Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe.. . com um gracioso avental de organdi por cima. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie. . bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s.Agora.Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes .replicou Sissy com uma risada. exceto uma menina de dez anos. de tamanho n ormal. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado. dispa-se.. Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. passou a gritar: . Carrie encolheu-se ainda mais. .Claro que não é bonito! .Vejam como ela treme. Sissy.proclamou Sissy. enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: . até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados.. anã. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. circo. .insistia Sissy. .. John. E naquele dia.Acho-a bonitinha . Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. Para ela. seu unif orme era de tecido inglês amarelo... Sissy Towers adorava o amarelo. o que era de causar uma pena infinita. começando a chorar..qualquer que fossem as conseqüências.Você tem língua. O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . . que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não. Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas. fazendo-nos sentir perniciosos. . o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros.Vejam o que me deram como colega de quarto: u ..cantava ela num refrão. pulou para a tampa de sua escrivaninha e. pulando no mesmo lugar.livre antes do jantar às cinco e meia.declarou Lacy St. O que você e stá fazendo não é bonito.como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. indesejáveis e detestados. fez uma pirueta e abriu os braços.Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula.. . anãzinha? Vamos. puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. Vejam como chocalha. O assoalho permaneceu sólido e duro. O sol era o que Cory mais desejava ver e agora.Estão vendo? Ela não tem língua! .. com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado. imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros. Então.

Dewhurst. . se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam . Naturalmente.e. famosa por não ter complacência em casos de tumulto. Ela é como um neném. Sissy pisou com força o pé de Lacy. Então. negligés .ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie.Acho que você é mesquinha.Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto.Onde está o homem.e até mesmo uma delas. John! Além disso. faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você. Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo. pior que tudo.ordenou a Srta. Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. Erguendo a voz tonitruante. . a professora que u sava o vestido de gala vermelho. as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras .Controle-se. que não eram raros. meu pai é mais rico que o seu! . Tudo foi culpa de Carrie. . Srta. Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz. ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então. mordendo. Dewhurst. as outras gritavam.Repita o que acaba de dizer. Sissy. . Todas menos Carrie.re plicou Lacy. . Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. enquanto as o utras se mantinham afastadas. Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha. Srta. Deixe-a em paz. Usando roupões de banho.Vamos. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional. as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. com o busto prestes a saltar do generoso decote . . a Srta. comandou: .. Sissy sorriu nervosamente. rolavam atracadas pelo chão. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. . rasgando roupas . Isto já basta. Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy.Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça.Não há homem algum aqui dentro. enquanto a Srta . Começou a gritar.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto. arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se.Quer brigar comigo? Vamos. Srta Longhurst! . que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia.Foi ela quem começou tudo.as professoras correram em direção ao t umulto. Girando sobre si mesma. . o homem? . davam pontapés. Towers. aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta. Dewhurst.e acima de todo aquele barulho.Por que essa criança está gritando? . Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera. numa atitude protetora. Intimidada. . como Carrie. o rosto arranhado por unhas. Dewhurst. os olhos fechados com força. num vestido de gala vermelho . Todas se calaram. observando. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto. puxando cab elos. atormentando Carrie desta maneira! . Uma delas. limitava-se a gritar. Diga-me o que preciso fazer. Longhurst. que continuou a berrar.. dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros. a Sr ta. maldosa e ruim. . com ar de culpada. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. depararam com uma cena apavorante. não me sinto bem mora . Eram oito horas da noite. Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal. manc hando de tinta a página do livro de registros.Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle. Longhurst.quis saber a Srta. ficou repentinamente imóvel e calada. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. Longhurst: . Lacy St.quis saber a Srta. Horrorizadas.

eu respeito a Srta. usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. Dewhurst ficou emocionada e confusa. Não obstante. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. . retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas. Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela. para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. Só quando a Srta. não visitará sua família neste fim de s emana. continuou balançando a cabeça de um lado para outro.Claro. . portanto.Srta. portanto.declarou a diretora. . Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i.Srta. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa.Eu a odeio! Eu a odeio! . onde poderei mantê-la sob vigilância . d e algum modo. não é justo castigá-la também. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e.Srta. Por favo r. A Srta. . ficará alojada no a ndar térreo. Não consegui afastá-la do pensamento.disse ele. M esmo que se limite a gritar. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão. e surda. saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. Dollanganger. inclusive a bonita Lacy St. via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas. sendo Carrie uma delas. Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. correndo o olhar pelo quarto. até que finalmente a Srta. temi. Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu. bem como seu lindo e . De agora em diante. Ela estava bem! Tinha que estar. também! . Cathy . . castigar as outras. A Srta.berrou Carrie.. Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem. . a menos que me responda. Carrie ergueu os olhos. pode deixar qualquer pessoa maluca. As alunas soltaram gemidos e. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens. ao mesmo temp o. Dollanganger. não pode explicar o que aconteceu? Agora. Paul. É pequ ena demais para poder causar algum problema e.É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto. que chegara para passar o fim de semana em casa. pousando o garfo no prato. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. Towers. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado.. você é excepcionalmente cruel. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim. estendida ao comprido no chão. no quarto ao lado do meu. Littleton. Na sexta-feira. cada uma se apresente à Srta. controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta. Dewhurst encarou friamente Sissy Towers.Quanto ao resto de vocês. Chris. Parkins. uma por uma.Francamente. . tomou a palavra para con cordar com Paul. O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. Agora.A Srta. Cathy. Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. estava sozinha e consciente do fato. Carrie reduziu os berros a uma lamúria. E nossa avó fazia coisas terríveis. . embora você não concorde. e a Sra. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você. . Dewhurst. Ener vei-me. Agora. realmente. não tend o a seu lado alguém que a amasse. John. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos. numa atitude histérica. E. atendi o telefone quando a Srta. agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar. sem parar.Sinto muito. Quando fechava os olhos. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora. preocupei-me por causa de Carrie.o Sr.

Clara . No escuro. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. acendi uma lâmpada. Carrie Dollanganger. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. passeando nos jardins com Cory e Papai. Para Carrie. como se eu também tivesse virado madeira. e a Sra.Mas importava-me muito. Carrie escutava as meninas sussurrarem. Parkins à direita e à esquerda. desta noi . .e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão.E. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. Chris e o Dr. tomei conhec imento do que aconteceu a seguir. na última gaveta da minha cômoda. desta feita. Foi Lacy St. Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. não tema . mas. mas só quand o a Srta. passando por esta iniciação. mas. E odiei você. E eu ali sozinha. Embora não devesse fazê-lo. enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. através de outras pessoas. fantasmagórica inuava encolhida no canto. Cathy. aconteceu-me uma coisa esquisita.disse-me ela mais tarde -. Parkins. Depois. veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz.. todas aquelas meninas de camisolas compridas. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. Insistia em fazer-me sentir corajosa. Cathy. Fui para um canto e agachei-me lá.querido bebê. já mergulhada num transe de pavor. Mas quando olhei. . tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. Senti-me rígida. à espera de que algo de ruim acontecesse.Estava tão escuro.Eu dizia comigo mesma que não me importava . pois ela seria melhor que ninguém. Cathy . sem conseguir enxergar direito. não o era. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama. Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e. . Doze meninas. Se sobreviver a esta noite. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta.sussurrou-me Carrie com voz embarga da. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. multiplicada uma dúzia de vezes! . com Clara entre eles.lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito. já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. Paul desejavam. entrara m no quarto de Carrie.Não chore. e o quarto parecia tão grande e ameaçador. Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias. eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito. Paul levar-me para aquele lugar. Então. transformando-se em paus. . Se for bem sucedida. . Formaram um semicírculo diante de Carrie. Assim. Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível. muito depois de meia-noite.. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar. Cada uma delas trazia uma vela acesa. Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. . você. A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas .disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. na realidade. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz.Eu sempre guardava o Sr. como você.só que. quando olhei não encontrei o bebê. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita". Não gosto do escuro. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos. Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa.Então. Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele. tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto . Todas as minha s bonequinhas desapareceram. e a Sra.

Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. a mulher e o lindo bebê. . já frenética. Dói-me relatar como elas pegaram Carrie.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . quando o telefone tocou no corredor. As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais. pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo.As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana .será uma de nós.Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas. sem produzir som. os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos . o que foi ainda pior. Foi uma decisão fácil. que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . E Cory se foi. Pelo relato entrecortado que me fez do episódio. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando.Agora. Paul. Progredia centíme ro por centímetro.Chris! Venham salvar-me! Dr . Entregue-nos as boneca s: o homem. Paul. como uma coruja bem comportada .ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível. que dava a impressão de me morder. uma voz suave e distante.Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. de nossas festas secretas. e de manhã será uma de nós.. com toda a franqueza. as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado . Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado . você. . amordaçada. ou terá que sofrer. transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho. P aul gemeu ao pousar o garfo. agora terá que sofrer. também. . ou morrer! Escolha. manietada e com os olhos vendados.e Cory continuou a cantar o tempo todo. . vendara m-lhe os olhos.sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando. emergiram ao ar livre. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão. sofrer. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu. de nossos tesouros secretos. muito mais tarde. O domingo amanheceu. . Não cons eguia ver ou sentir nada. sofrer! . a chuva começou a cair .ordeno u a mesma voz ríspida.. galgando em seguida uma íngreme escada.Cale-se! . pa ra tornar-se uma de nós. parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. as meninas tinham-na amordaçado.Muito bem. . Cathy! . temendo que lhe ateassem fogo.gemia Carrie.Desapareceram! . Em seguida. ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or.Oh! Cathy.Fique aqui pousada no telhado. corujinha.murmurou Carrie.ordenou a voz auster a. Então. nem mesmo escutava o barulho da chuva. . que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol.Suas roupinhas de criança não nos servirão.te em diante compartilhará de nossos rituais secretos.berrou Carrie.Entregue-nos o que mais preza.Ohhh! . perto da chaminé. Senti uma dor terrível.Não tenho nada! . sentada e deslizando sobre as nádegas. . que devia ser comido imediatamente. .Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! . Então. .gritou Carrie. Debatendo-se. . Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto. Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar. deite-se ou sente-se quietinha. Car rie sentiu o ar fresco da noite. . .qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie. De repente. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. Gemi. à luz do lua r. rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. Desta noite em diante. Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. corretam ente. Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se. dei um jeito de esgueirar-me para dentro. . emitindo leves gemidos.Cathy. . rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima. não as queremos.

. recebíamos a notíci a num tom indiferente.Agora. Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo. Cathy? .quis saber Paul num tom feroz. espremida entre Paul e Chris. Mesmo assim. Carrie está bem.Aqui fala Emily Dean Dewhurst . Ambos me fitavam com crescente inquietação.Onde estava ela? .Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra. Esbugalhei os olhos. Chris continuou a comer. Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco. está escondida e não quer responder. sem fazer comentários. ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola.exclamei. do porão ao sótão. Eu disse tudo errado.Srta. temendo o que viria em seguida. . . . Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. . Mal consegui conter um grito de aflição. Meu coração ficou aos pulos.Você conhece bem Carrie. Peguei o telefone. A diretora replicou com calma: . . Dewhurst! . .indaguei com voz sumida. ou está perdida.Você e o Dr.. Se Carrie tivesse um carát er diferente. de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam . Aos domingos. ou sofreu algum acidente. nem mesmo quando Cory desejava. Tem muito medo do escuro. Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa. dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: .disse a voz ríspida na outra ponta da linha.Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso. . Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite. Ainda assim. não chore.Como vem dizer que não sabe onde está a menina? . mas esta não se encontrava lá. Segurava-me a mão com força.Pois trate de comê-lo ..respondi. passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. Provavelmente . Meu irmão trouxera sua mala... . levantando-me de um salto e correndo para o te lefone.Quero realmente provar seu so ufflé. a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie.. Paul Sheffield. Então.Incomoda-se de atender. Se ela não está aí nem a .Srta. Enviei uma professora ao quarto de Carrie. Paul riu baixinho. para os serviços dominicais. Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se. enxugando-me as lágrimas.disse ele. mas devo dizer que não sabemos onde ela está.Aqui fala Cathy. já alarmada. Mas ela não me deixou terminar.. Sheffield ao telefone! . . .Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer. Sheffield devem vir aqui imediatamente! . Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. sua irmã não foi encontrada. e . Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada. e e u perguntei onde ela estava.Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas. eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa. vamos. Eu estava sentada no banco dianteiro.indagou Paul. sentindo-me aterrorizada.. já teria chegado aí há esta hora. ferida. chame imediatamente o Dr. pois é quase meio-dia. Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone. Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial.Residência do Dr. Chris beijou-me o rosto. causando-lhes preocupações. inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie.. Cathy . a irmã de Carrie. . lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo. Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu.Sinto muito. Ela está bem? . .. Dewhurst.Pare de ficar tão preocupada. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas.P or favor. on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. . Williamson. não respondeu. Ela não fugiu. não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta. as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela.

Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou.Meu caro jovem. embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado. tomei a palavra. E Carrie estava na cama. . impaciente. blusas. inquieta . Paul Sh effield. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. . várias alunas vinham em nosso rastro.disse eu. Nunca perde mos uma aluna. Chris virou-se para fitá-las com uma carranca. . que afirmam nada saberem a respeito. assegurou: . . ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. aliviada por escapar à fúria do médico. desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. Dr. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. vestidos bo nitos . Dewhurst. Só faltavam as bonecas de porcelana. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola. mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso.declarou a Srta. . saias. Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie. Verifiquei-a pessoalmente.Na verdade. me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio. . mas andava de um lado para outro. Dewhurst. Todos os pequenos uniformes de Carrie. . de modo injusto. Então. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida. Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul. que me fez encará-la fixamente. Verificamos os quartos todas as noites. Imagino que saibam.Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? .declarei atordoada. . se eu tivesse a idade de Carrie. Enquanto subíamos a escada.quis saber Paul. feitos so b medida por Henny. Ora.ncarando friamente a Srta. Mas eu não era Carrie.a colega de quarto. procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie. a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. afinal. como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião. ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir. mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo.Procuramos em toda parte! . Quando. lá estavam guardados com os suéteres. Dewhurst explodiu: . ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas. chegamos ao quarto de C arrie. tentaria fugir de uma escola que. não é? . virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to . não entendendo a presença dos gravetos . A Srta.Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta. Sheffield. Dr. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie. tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os.Nós a encontraremos. Natur almente.As bonecas não estão aqui . Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho. o que posso eu fazer? . ninguém tortura minhas meninas. mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. mas Se não quiseram fa lar. jamais aconteceu antes algo semelhante. Talvez fosse apenas o olhar.É a colega de quarto de Carrie. Este era forrado e apresentava um volume sus peito. a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas .Você aí . Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim. Emily Dean Dewhurst.tudo. Por algum motivo que não sei explicar.Até onde consigo perceber. cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. A Srta.

empoeirado e escuro. não conheciam Carrie tanto quanto eu. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos. quase fora de mim.Responda à pergunta da Srta. mentalmente.advertiu severamente a Srta. Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr.Suas? Pertencem à minha irmã! . Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto.Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: . a fim de crescerem normalmente. apertando raivosamente os olhos penetran tes. se consegue escutar-me. Dewhurst.qualquer telhado! Voltei ao passado. Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada.berrou a moleca. Tinha certeza. . . Enquanto ela gritava e resistia.É minha bolsa .e depressa. Segurando as três bonecas. Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie.Sou eu. C errei as pálpebras com força.disse a ruiva. Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado . onde. Num gesto repentino. Chris. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira. e Sra.Srta. As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados. colocando a mão atrás das costas.Sua diabinha mentirosa! . Carrie precisava de auxílio . Parkins e o bebê. .explodiu Sissy.respondi. .murmurou a garota. como crianças desvairadas. onde não existiam sons. Queremos levá-la . indaguei: . quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall.Meus pais me deram essas bo necas no Natal! . Entretanto. Para pegá-las. chame-a você também. . postando-me diante dela em atitude ameaçadora.Agora. John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia.As bonecas são minhas! . Clara. mas nunca o revelaria. Carrie estava ali. Dollanganger! .Srta. Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy.disse eu à Srta.Quero procurar pessoalmente no sótão . Contudo.Era . não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado.Roubou estas bonecas e o berço do bebê. E.Não é da sua conta! . Onde. como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me.Carrie. Proteg i as bonecas. .Srta. .O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? . avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo. ela teria que passar so bre o meu cadáver! . .Uma bolsa bem grande . .Onde está minha irmã? . Do lenço caíram o Sr. quando entrava em estado de choque. Dewhurst! . Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto. eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão.disse Sissy Towers. Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse. embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes.comentei. . Dewhurst. onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro.chamei. Foi então que Lacy St. o mais alto possível.O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim. sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie. usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul. abraçando-a p elos joelhos. Paul. agredindo-me. saiba que sua irmã diz a verdade. . mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela. concentrando-me totalmente em Carrie. Dewhurst. encarando-me raivosamente com ar desafiador. curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers. eles tinham esperneado e berrado. enlouquecidas pelo medo.É mentira! . Eu podia sentir isso. . Towers! . onde ? Então. louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido .Carrie! .perguntei. Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: . ..

Paul desatava os nós que a manietavam. entendo que não poderia ser feliz na escola. Pensei que você fosse gostar daqu i. O Dr. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí.Ao contrário de você. . erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim. . Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie. Veja aqueles caixotes. Paul nos seguiu em seu carro branco. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont. Em meio à confusão. Carrie.Diga-lhe que a perna vai doer. faça exatamente o que digo.Carrie. Cathy! Então. Enquanto falava. sem pensar.Espere um minuto . fiz menção de correr em socorro de Carrie. aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna. . Não l he mostrava todos os recortes. sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama.como buscar. planejei o modo de agir.Não estamos tão ma l. suja e en sangüentada. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie. fiquei junto a Carrie. impedindo-nos de viajar para o Norte. chorando de dor na per na. pois ainda er a suficientemente pequena.Onde arranjou isto? . Uma pessoa adulta não o conseguiria. . avistei Carrie. . Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes.depressa e com força. Agora. Desculpe-me. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie. S entamo-nos no mesmo banquinho. com Chris nos calcanh ares. . toda rasgada. Conhecíamos sótãos . odiei violentamente Mamãe. A perna de Carrie estava torcida sob o corpo. de modo a não arranhar o ros to. procuro esquecer! . portanto. Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz.Meu Deus! . Paul? Sua perna doerá. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança. . E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira. Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie. Foi então que me lembrei: agora. venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. enquanto o Dr. uma professora gemeu e começou a rezar. você sabia? . faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. retirando-lhe a venda e a mordaça. ainda de camisola. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr.replicou ele.quis saber ele. Era incrível que Carrie. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr. A culpa era dela . Mais uma vez. Quando segurei Carrie pelos ombros. Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar.Carrie.sussurraram Chris e Paul a um só tempo. P aul gritar: .definitivamente para casa. segurando-me pelos ombros quan do eu. Paul planejara para todos nós. Não se incline para a direita ou para a esquer da. como encontrar. Carrie. Também ainda estava vendada e amordaçada. Carrie ag arrou-se a mim. exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás. a fim de segurá-la por baixo dos braços.Agora. enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte. Corri naquela direção. Os cabelos louros brilhavam na luz difusa. estava na Riviera francesa. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal. ele puxou . Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados. piscando porque a luz lhe feria os olhos. . enquanto os caixotes tremiam e balançavam. Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. Bem à nossa frente. o berço do bebê também estava faltando. num ângulo grotesco. escutei o Dr. estavam as três bonecas de porcelana.A perna parece quebrada. Mantenha a cabeça erguida. irritado. escutou o que disse o Dr. com sorrisos fixos e corpos rígidos. . Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel.acautelou Paul em voz baixa. Nossa mãe é uma notícia quente. Rastejarei até aí. . Em algum lugar atrás de mim. vendada e manietada. Paul tratará de sua perna. comparecendo a festas. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas. Mas eu poderia chegar até ela. Em seguida.No jornal de Greenglenna. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam.

Winslow. a boneca bailarina. resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama. Sra. perguntei: . que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía. As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia. Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. Eu queria que se fosse e. na varanda. primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. creio que poderia existir esse risco. . . não é mesmo? Ele hesitou. a boneca que reza para crescer e o boneco morto.. meticulosamente. desejando tê-la de volta. admirava as de seu marid o. ela não cresce muito. E u nem mesmo notara o fato. Abraçamo-nos. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade. Chris beijava-me com ternura. agarrav a-o com força.indagou. invernos.Ora.alto. era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . Quando consegui falar. Chris era exatamente como Papai.Se ela crescesse como uma criança normal. . eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. por que as lágrimas? .Como consegue. Cathy. . não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. Cathy. Foi um verão maravilhoso nas montanhas. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s.repliquei furiosa. E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! . Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse. Toda vez que olhava para mim .exclamei. Naquela noite. Winslow. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. Como me recordo de sua lua-de-mel. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. . eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo.Chris. Como era tão belo e forte seu jovem marido .que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia. você não a ama mais. chorando-lhe no ombro. sendo "quase" médico. Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. enquanto eu continuava a soluçar. E espero que todos os seus futuros verões. era apenas uma semelha nça superficial. você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso. invernos. porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim. Entretanto.Ora. ao mesmo tempo. colando-lhe o tecido à pele. Era sábado e Chris estava em casa. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra. Parabéns e meus melhores votos de felicidades. No entanto.Naturalmente. Ele m al conseguia conter as lágrimas.Você a ama! . . tão refre scante e agradável. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo. Contudo. E stava lá fora. Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão. o que me fez o sangue ferver de raiva. Privada d e amor. de sol e de liberdade. Chris me odiaria por fazer aquilo. o boneco médico. Dos que já não lhe pertencem. primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões.

baixinha . . Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo. faça Carrie crescer! Por favor. . Olhe para baixo. Portanto.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus.Gostarão..Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada. Cathy! .Cathy . dava-lhe minhas preces. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. certamente o faria de bom gra do. E nem mesmo gostam do que tenho de bonito. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. por favor. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração. Senhor Deus.Pare com isso! . Depois. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. afinal.e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. que a amamos e admiramos. comparando minhas proporções físicas com as suas.Por favor. . Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa. . amedrontada e chorosa. Portanto. Veja-nos aqui. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. permita-me crescer um pouco mais. Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã. . Acima de tudo. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado. Quando o outono se aproximou. Mais cedo ou mais tarde. Logo setembro chegou. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. você aí.chorava ela com o rosto enterrado em meu colo. não se preocupe com os out ros.Estava apenas procurando reconfortá-la . E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. por favor.Eu não presto. três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus. o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga. . Muito pelo contrário. beberica ndo vinho. mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade. Em lugar disso. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca. Então. Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados. já sofreu tanta coisa! Seja bondoso.declarou com voz embargada. Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que.E. Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão.Ninguém gosta de mim. a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. me u Deus. h ostilidade e ridículo. com as mãos unidas sob o queixo. . mas sempre ficava de f ora. Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. por ser o que sou. perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa. odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta. Não se transf orme num monstro. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo. Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo. . . Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais. Por favor. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos. mas sentia-me impotente.dizia-me ela. de onde ela voltasse para casa todos os dias. meu Deus! Ela é tão jovem. passou-se novembro. Eu estava na aula de . Cabelo de Anjo. Minha mãe de v erdade. Chris. mas só topava com desconfiança. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos.ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa.Ninguém g osta de mim. e rezar de cabeça baixa. E você tem a nós todos. Ei. pois dava importância . Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura. Ao fazêlo.Cara de Boneca. Chris e eu. magoa-se tanto . Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. ela recomeço u a andar tão bem quanto antes.

eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. das sete da man hã às sete da noite. Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges. Durante as férias de verão.revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua. . e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r.perguntei a P aul. Outro ra.Estou procurando . Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. Quando eu saía. Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. Mas seus olhos . brincando com suas bonequinhas de porcelana. mas não cons eguia encontrá-la. Eu lhe falhara. crescerá mais. Às vezes. Ora. De rep ente. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. . ela se to rnava a sombra de Henny. bondade e compreensão. Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. poi . muito tristes e desolados . mas sensacional. para torná-la mais comprida. Agora. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. mas isto não ocorreu.o que era raro. tornaria a partir para a Universidade de Duke. . maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". ou. E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente."Tenha paciência querida. Cathy. a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional". Você está mais alta que quando chegou a esta casa. se as recebia. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar". Eu tinha certeza de que ele respondera com amor. se fosse possível. sem zombar ia. riqueza e felicidade.replicou ele com voz tensa. Madame. no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse. pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. parou de reclamar do próprio raquitismo. . de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. Suspirei.Eu lhe respondi que. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. eu julgava.aqueles grandes ol hos azuis. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow. em especial . de ombros caídos e cabeça baixa. A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". Todas as noites. Carrie gastava o tempo andando no balanço. redecorada e mobiliada.balé. se tivesse tal máquina. enquanto ele prosseguia: . . preferia não respo ndê-las. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO.Carrie se aproximou de mim. tinha notícias. Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde.A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . Com o t empo. Ced er-lhe-ia parte da minha altura. seria um processo muito doloroso. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. "A Sra. Chris arranjou emprego como garçom num café. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle.Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja. Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. Em agosto. Necessitava de uma companheira de sua idade. tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta. Quando estava em casa. que não lhe fazia justiça . Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas. recém-reformada.

uma das mais afortunadas. não estava pendurada num cabide. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. descontro ladas. evidentemente satisfeita. Não a abordei. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. A voz dela era doce e suave. Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua. Contudo. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte. confiara tanto nela. Se ela virasse a cabeça. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. Que estranho! Atualmente. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. Por que. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. vi-lhe o perfil. Os dias de outono se escoaram com rapidez. encontrando a colônia abandonada. Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados. deixando o rosto inteiramente à mostra. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. Ainda não era rica ou famos a. gostaria de fazê-lo. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. Seria gostoso. Depois da Revolução.e o que faria eu. mas eles não se voltaram para ver-me. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. e.. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. eu estudava como uma louca.. de modo a ficar bem atrás deles. Era uma das mulheres mais ricas da região e. como Carrie. A linda mãe a quem eu tanto amara. Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante. Minha mãe assassina. certamente me avistaria . ab raçá-la chamar-lhe o nome. para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. também.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. pois outrora eu a amara tanto. Eu procurava minha mãe e esta. pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. Então. Em Greenglenna. que ainda desej ava uma mãe para amar. Quando me far tei de olhá-la. absorvendo seu tipo especial de beleza . Poderia também passar-lhe uma rasteira. Ergui os olhos da página e fitei o espaço. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. Oh! meu Deus! Minha mãe. Chris partiu para a universidade em agosto. Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. Suspirei. certa mente. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. avistei na calçada. Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. e observá-la perder a pose e a dignidade. Minha formatura seria no final de janeiro. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. d e repente. tão cultivada e aristocrática. sem um único sobrevivente para explicar o motivo. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. fazendo-a cair. tive vontade de correr para ela. voltei a atenção para o marido. É claro que não podiam. à minha frente. vieram também da Inglater ra. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado. Ousei aproximar-me. naquele caro costume cor-de-rosa. Minhas emoções turbilhonavam. no século XVIII. ousei arriscar-me muito. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. Naquele dia. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar.

. que eu provavelmente não tornaria a preparar. ajeitando os apitos. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. . Algum dia. sumiu.absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. de safiando o destino a permitir que me avistassem. . Então. num corte moderno. Naq uele dia especial. ele obedeceu sem protestar. eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais. As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. carne de siri. Quando terminei. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. sumiu! Então. para vari ar. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas. Henny movimentava-se atarefadamente. voltei para casa e esbravejei diante do espelho. Então. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre. contudo. Mamãe! Agora. Acompanhei-lhes os passos. morando na casa de Bart Winslow. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos. Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa. Seria mais que um simples espelho quebrado. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul.Cheguei atrasado? .Chegou bem a tempo . um homem veio colocar outro espelho na moldura. Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . Quando as horas se passaram e Paul não chegou.Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade.Só poderei ficar até às nove horas. Naturalmente. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . estragaram muitos dos meus planos. eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário. . Já não usava o basto bigode escuro. eu me desforraria . a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra.indagou ofegante. cheia de planos de vingança. era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. Então. Tão logo aquele foi para o forno. c om um furo no meio. carregando seu presente. Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala.de uma maneira que não seria prejudicada. quando ele nunca mais voltou para casa. . enrolei-o.disse ela. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome. Enquanto os seguia. cebolas. Uma ja mbalaia crioula com camarão. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço. Oh! sim. Encontrei Henny na cozinha. Mais. sentamo-nos todos. Estavam em Greenglenna. Lavei o cabelo. cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. assim como os pacientes.respondi afobada. Posteriormente. Lembrou-me um pouco Julian. comecei outro bolo. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos. está desfeita em pedaços! Sumi u.viril e felina. alho. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio. Tola. . comecei a chorar. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro.inclusive o aparador. pimentões verdes. Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York. como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente. arroz. num tom de voz que me levou de volta à infância.Adorei aquele aparador que escolhemos . sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. odiando minha mãe e admirando seu marido. O primeiro era úmido e macio. a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa".Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . . Um prato complicado. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos.

Afinal. . Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir. Descerei dentro de dez minutos. Paul. Não posso controlar as c ondições atmosféricas...Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto.redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso. a salada começava a murchar. Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. À luz de quatr o velas.Portanto. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado.informei. como se pedisse desculpas. deve ter custado caro. Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos.Em primeiro lugar.Meu vôo atrasou. carregando as malas que levara consigo para Chicago.A respeito de quê? . corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco. andando pela sala.Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe .. ataquei-o raivosamente: . Estivera fora de casa durante duas semanas long as . Agora. . Às dez horas..Uma boa safra. . tomei lugar à esquerda de Paul. preocupando-me.começou ele a explicar. enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno. que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. Terminada a refeição. aquecendo os músculos antes do café da manhã.interrompi. por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso. Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa.O champanhe é presente de Chris . mas chega agora. exclamou. sentamo-nos à comprida mesa de jantar. Henny bocejou e foi deitar-se. . . . Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. com três horas de atras o!. restam os apenas Henny e eu. Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele. d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê. assistindo à televisão. Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo. . . Em dez minutos ele tomou banho. Chris teve que ir embora.. Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes. Em seguida.Estou faminto .Ei!. . . trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas. Ele veio pela p orta da cozinha. Entretanto. alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios. Tenha piedade de mim. fez a barba e vestiu roupas limpas. Comemos devagar. . Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão. depois de soprar as velas. agora. Cathy.murmurou. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz. Carrie começou a bocejar e reclamar.muito longas.Se você ainda não comeu.Está com uma aparência absolutamente exótica .Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida. Em cima do bolo. especialmente decorado em vermelho e roxo. Então. . ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens.indagou Paul.pois aquela era a idade que ele aparentava para mim. Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo. mo strava-se completamente refeito.O que acha? . lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa. Semanas mortas. Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir. . . .disse Paul em tom humilde. Fiquei sozinha. Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata. .. por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora. eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns. minha festa estrag ada.E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno. Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. a idade qu e eu queria que ele tivesse. A certa altura.

ela não chega a ser bonita. E flerta com todos os médicos. .grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas . Não obstante. . Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. naturalmente. diabo. apertando as pálpebras do s olhos bonitos. respondi: . ficando vermelha como meu vestido. mas três horas de cuidadosos preparativos.Do meu bigode. cheio de encanto e sedução. de Rodin. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra. mal conseg uindo manter-me alerta.A noite está bela demais para irmos dormir . desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode. pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. com vinte e nove anos de idade. quando Paul começou a abrir os presentes que Chris.disse Paul. contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris.. Catherine. a lua grande e brilhando. sabe a respeito dela? . Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer.exclamou Paul. Faz meia hora que não tira os olhos dele.Como. caso você ainda não tenha conhecimento do fato. Deixei-o a rir. Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas.Que linda obra de arte! .Ora.gag uejei outra vez. dominava o panorama. Vou pendurá-la na parede do consultório. .. cheia e sorridente. ele deveria saber: mexericos. . lançando um olhar ao relógio.É bonito . Ora. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. As lágrimas transbordaram-me dos olhos. de mãos dadas com ele. é claro que você notou. A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. . . É uma expressão muito fraca. .Está zombando de mim.quis saber Paul. Na minha opinião. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante.Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo.Fica bem em você. Ele não notou as lágrimas. . dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas. deixando o presente de lado. os degraus de mármore.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar. Então. com os olhos brilhando. A mágica impressão era causada. obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir. atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. você diz que me fica bem. . E agora. espantado e impressionado.. enquanto eu estava bem sob o nariz dele. Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes. Entretanto. . Paul Scott Sheffield. c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me. Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero.gaguejei. manchando a maquilagem. Tudo me parecia azul-prateado e irreal.. Que possibilidades tinha Thelma Murkel. a quilômetros de distância de Paul.É porque..Sinto vontade de passear no jardim ao luar.declarou. Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade. . Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul. Portanto. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária. Catherine . com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos. onde todos os clientes possam vê-la. descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles . exatamente como Chris costumava br incar comigo.Muito obrigado. muito belas em sua fria e perfeita nudez. Catherine. por considerar-me tanto. ne m o lenço que retirei do decote do vestido. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. a o qual homem nenhum consegue resistir). onde o Beijo. tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos.

.Às vezes desejo a companhia dele. ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços. Não podemos permitir que isto aconteça. temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno. Catherine . . Não. Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: . Paul gemeu baixinho. . você é totalmente feminina. .disse Paul. cheios de desejo. Libertei-me dele.Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o. pescoço. . livre no mundo normal .. Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas.É ..provocou Paul. Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir. mas creio que v oltará na próxima. Pare de dar respostas enigmáticas. Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer.disse Paul. A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar.gre. . Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras. .Está em Nova York esta semana.Então. tapando-me o rosto e deixando-me cega. Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo. Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso. .Machucou-se? . trazendo-me bruscamente de volta do passado. tão e mpedernida. . queixo.. beijei-o demorada e profundamente na boca.. Fica esplêndido naquelas roupas. ombros e colo. Agora.Tudo isso depende. às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. .Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário. Comecei a balançar-me. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem. mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos. . enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas.dis se Paul. pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. cada vez mais rápido e mais alto. Sem a menor vergonha. baixinho.disse ele.Catherine. . E quando danço com ele. Tonta.Já reparei nisso. Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha.Você é apenas uma criança.De quê? .Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? .Depende.Paul. Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us. corri para o balanço e sentei-me. .O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta. . eu não me machucara. para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada. às vezes não.Não sou enigmática.mas balançando-me co mo uma louca. que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços.Catherine. Por outro lado. caí bruscamente! Paul correu para mim.Oh! . quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos.Catherine . par . Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos. estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes. Era bailarina e sabia cair. . ofegante.indagou.. Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer . Suspirei. . com tanta violência e abandono. .É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar . seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados.indaguei espantada. a próxima semana pertencerá a ele e não a mim.Tem cabelos negros e brilhantes. que minha saia se ergueu com o vento. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo. fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. . mas não tiv e dinheiro suficiente. enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado.concordou Paul. . estava aqui. tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as. beijando-me antes que eu pudesse responder..não com você! Palavras inúteis. . Balancei-me tão alto.. rosto.Julian? . resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu. . Portanto. . apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa.

porque. gemeu e não resistiu mais. está? Espero que não desej a. havia um livro. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo.Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. meu amor . fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes. a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. . E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha. estará mentindo. daquilo que eu certamente não lhe negaria. Chris o lesse. apenas nos tocávamos. qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. vir! Então. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara.agora. Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . . . ou sentira-me explodir . Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes.conseguiu dizer. o bservava-me com ar sonhador. começou a fazer-me amor. Se me amasse menos. Ele gemeu. Paul. As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele.como ele sentira.Bem.a dizer-me agora que não me quer. o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. sob as estrelas. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada . afinal. Se disser tal coisa. fazendo-os brilhar. Então. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer. . abraçados. fitando o teto com lágrimas nos olhos.Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo.Você é tão bela. Não precisa amar-me. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo. agora relaxado e pacífico. ou ouvira sinos tocarem. Oh! Seria uma felicidade. Subiu cuidadosamente a esca da. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente. sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. embora. Christopher Doll . À distância. Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. você fica aí deitada. Nunca cheguei a ler o texto. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. ou justamente o contrário.Explique-me uma coisa. o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado.Catherine.. Por outro lado. eng olfando-nos como uma onda de maremoto.. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. . . com esses in ocentes olhos azuis. Sei que você me amará como desejo se r amada. vagamente marcado p ela satisfação. E eu mergulhei em seus olhos. E agora. Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. eu não me importo. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. afogando-me neles . Pensa em mim como se eu fosse uma criança. Juntamos nossas peles. Paul colocou-me sobre sua cama e. provocando uma sensação agradável . já sem ternur a. você me ama e me deseja. Aninhei-me de encontro à sua pele nua. Afastei do pensamento o que pensaria Chris. a princípio. Não está arrependida. refleti enquanto desejava mais. fazendo o que me era possível. por favor. pois eu o amo e isto me basta. vir. Então. O luar iluminou-lhe os olhos. até que. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. Estava tudo estampado em seu rosto. apoiado num cotovelo. mas faz muito tempo que cresci. Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir. apenas com o olhar. Fiquei acordada. afinal. no quarto ao lado da cozinha. No meu modo de pensar. sua perna pesada se apoiou na minha. tão jovem. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. mas limit ei-me a ver as fotografias. Portanto. mesmo que se recuse a confessar. sob seu corpo. Adeus. Como era fácil para os homens. há muito tempo. tão desejável. mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse . Nenhum de nós falava. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer. ter agido de forma diferente. tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim.

repliquei com igual veemência. por não querer que Chris me considerasse pecaminosa.Tentarei amá-lo da maneira que você desejar.como os seu s. . Estendi os braços para puxá-lo de volta. eu me sentia esquisita em relação a Chris.disse ele. Apresentava todos os sintomas. embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. Estávamos à mesa. No final de janeiro. quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal.Paul pigarreou. foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to. Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor. sem rec a meu lado.Em primeiro lugar. E creio que a avó. afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama. por êxtase imorredouro. tornava tudo dez vezes mais excitante.exclamou Chris.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo. Todavia.Porque não sou como você. . Ansia va por paixão perene. para não nos trairmos. Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar. Creio que devo ser estonteada por raios. na defensiva.Faço . tão moreno e perigoso. Nos dias de folga de Henny.Não! Por que não trata de esquecer o passado? . no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. Chris ainda teve mais alguns dias de férias. Não obstante. peremptório. não me faça amá-la demais .disse Paul muito sério. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: . Paul logo se cansaria de mim. . Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny. Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul. desorientada. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. .de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças.talvez com Th elma Murkel.Minhas feridas não cicatrizaram! . vou fazer a barba . Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall. justamente por ser tão pecaminoso. que eram duplicatas dos lençóis sujos. pois minha próxima etapa seria . . depois. sabendo muito bem que procurava protegê-l .Claro que faço. como se o houvesse traído. Agora.Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! . serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se. que exultava em nosso desp rendido abandono. por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? . mas demonstrar na prática seria bem melhor. E eu amo Paul . Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu. Não me restava muito tempo. porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante. com suas arengas a respeito de malícia e pecado . com os olhos sonhadores vendo estrelas . Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. ficar rígida e perder os sentidos. o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente. eu lavava as roupas de cama.assim esperava eu . meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. mas de pneumonia. tão generosa. quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos. Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul. Catherine.Não! . uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua. . om Henny por perto. Então. . e voltaria aos velhos costumes . Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos.respondi. Com que falta de convicção ele disse aquilo.Por favor. Mas. eu voltava a vacilar. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade. eu terminaria o ginásio . como se tive sse medo de que isso acontecesse. Falando sério: você não faz a mínima idéia? . que eu escondia até que pudessem ser lavados.N ova York.Cory pode ter morrido de pneumonia.Gosto de você como está agora. .

disse eu. com oito anos de idade. Paul. que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome. Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro.Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia. Paul tentou dar-me o que eu desejava.Você quer mesmo fazer isso? . Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e. esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. afinal. natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo. enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie.disse Chris. Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar.a. Um trabalho infrutífero. . Chris? Todavia. com postigos pretos em todas as janela s. as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. apontando as duas janelas no último andar da ala norte.interpôs Paul. mandado gravar o nome Dollangang er na lápide.Agora.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory. mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida. percorri a pé todos os cemitérios. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide. Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so. pensando que Mamãe poderia ter mentido e. esperem um momento . nenhuma criança do sexo masculino. . por fora . como Chris acaba de dizer.Se Cathy acha que deve agir assi m. tem acesso a todos os registros dos hospitais. chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. furiosa. não é mesmo ? . abrirá feridas cicatrizadas.E para falar com franqueza. Chris cedeu. se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio.indagou-me Paul. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes. Deus não i .comentou Paul enquanto dirigia o carro. Eventualmente. fazendo companhia a Carrie no banco traseiro. Paul . se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. Girei nos calcanhares. já que se mostra tão contrário à idéia .É aquela! . . Paul refletiu sobre o assunto. .exclamei. Era enorme como um hotel. . A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel.por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris. um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo.Veja lá. Investigou durante muito tempo . Enquanto Paul olhava para as duas janelas. pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente. . Chris.E você. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. para encarar Chris. depois. Carrie chorava. com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado. não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris. sendo médico. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall. . . por que não a contentamos. morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. . Chris. terrivelmente excitada. poderemos visitá-lo periodicamente. lançando-me um demorado olhar carregado de raiva. O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar . não será fácil verificar a verdade. . Eu julgava que tinha todas as respostas.Linda região . onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo. . dizendo-lhe que eu precisava ver a casa.Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e. Chris viajou cono sco até Charlottesville. eu também gostaria de vê-la.Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory . Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall.

Absolutamente nada.gritou ela. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então. como Eva deveria ter feito há milênios. Quando olhei. . pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. . fiquei . . situadas mais abaixo na mesm a rua. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão.indaguei com os olhos baixos -.Veja o que tem diante de si: um homem nu . Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara.Catty. Após sacia rmos nossa paixão. Em que resultara nossa longa jornada? Nada. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha. com mais técnica.disse ele baixinho. Paul virou meu rosto para cima e. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras.havia esperança p ara mim. Era-nos proibido olhar pelas janelas . mas apenas como membro do corps de ballet. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. Naquele Natal. Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio. Ruminei o assunto. Eram as outras casas. ele me pegou no colo e levou para a cama. Havia esperança para Carrie. porém. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti. também. que ainda poder ia crescer e encontrar o amor. Havia esperança para Chris. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. Não consegui falar. Catherine . obscenas. muito depois que todos os outros se retiraram. pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber.e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo. Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. numa posição bem mais elevada. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. dia após dia. Chris. percebi. . mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção. Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor.Abra os olhos. fazendo o que queria com seus lábios e carícias. Desconfiava. é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. Estávamos no final de um cul-de-sac. Quando ele aparecia. com o mais sensacional bailarino. Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada. . começou a falar . o que estamos fazendo não é pecado. tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. passando a espuma da raiz até as pontas. exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. lavando-os com esmero.e estuda va. Então. talvez. disciplina e controle . dançava melhor que nunca. como Deus o fez. melhor que dançar ao som da música mais linda. Coisas que me chocariam quando criança.Quero Mamãe! . pois estava vivo. se tudo corresse bem . Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. quando terminava a lavagem. fazendo-m e sentir completa. Eu dançava melhor. Na manhã de nossa fuga. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. Carrie soltou um berro. Numa tarde de sexta-feira. Paul me restaurara.não obstante. eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff.Paul . permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. Chorei silenciosame nte por dentro. fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez. secava-os e escovava-os. pela porta dos fundos. E. Assim era para mim amar Paul. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los. Estreitando-me contra si. Como uma criança pequena. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada.

Juro cuidar bem de você. Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano. fazendo tudo que eu fazia.. . Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro. Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. embora estivesse acesa por dentro.Deixe disso. . mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim.e.Exige pagamento em troca de seus favores. Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária. franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada. . Tirei as sapatilhas. levando consigo toda a minha insegurança. Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente. quando Nova York está à sua espera? Cathy. a cortina se abriu. beijando-me a orelha. Não consegui avistar Paul.Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou. não é mesmo? Nos bastidores. zombando de meu desempenho. Julian estava dançan do comigo.repliquei miseravelmente. . a cima de tudo.Não sei . eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio. En tão. numa cidadezinha caipira.Pare de ficar tão nervosa. que você um dia venha a desejá-las. após tomar banho e vestir-me. . convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida. Julgo que já está preparada para ir a Nova York. Julian pousou o braço em meus ombros. Então. Cathy. e tivemos um período alegre. Esquivei-me e corri.Primeir . quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse. transmitindo-me confiança. é claro. Marisha também acha .esbravejei. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro. Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo. O público é composto de pessoas como nós. prendeu-me com os braços. já provou o sabor do palco . todas juntas. a cada vez. portanto.. Trabalhávamos bem.É verdade.Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. Era como minha sombra. eu não sei dizer. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. . implorandome com os olhos negros. quase frenético . acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela. se minha técnica não foi perfeita. numa grande ovação. poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis. tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova.Agora. Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. Julian sorriu maliciosamente. . até mesmo as piruetas . . Julian! . . por ser jovem e bela . permaneci calada. então. Ele só entraria muito depois. nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. Agora. fiquei sem saber o que dizer e. Ia sair para jantar com Paul naquela noite. Carrie ou Henny na platéia escura.Sei que não gosta de mim.chamou Julian.Se for boazinha para mim. . Veja. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. Estava apaixonada pela dança.Sem imposições de minha parte. Rosas vermelhas. .disse em tom suave e persuasivo. . chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados. espere! . por apresentar-me perante um grande público. espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse. A menos.acrescent ou com um sorriso irônico. Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa.Falando sério. .sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. depois. . diziam-me mudamente os olhos dele. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. . apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall. Se cometi erros. Chris. fazendo-me cócegas no queixo e. Então..Cathy. De repente. Eu não era Cathy ou Catherine . como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua. amarelas e brancas vieram-me encher os braços.

recebendo rosas.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não.Você nunca amará outra pessoa quanto me ama. Tentei resistir à tentação. .disse ele. tenho que terminar o ginásio.perguntei com alguma amarg ura. Quanto a Carrie. em vez de quatro. que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. muito melhor. bondosa e delicada q ue você já conheceu. às vezes. escritores. mas só se você vier buscar-me.de qualquer tipo. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas . e a super bailarina em que você se transformará um dia.Talvez . na ve rdade. Chris e Carrie estavam aqui. Paul estava aqui. Comparada com isto aqui. a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e. mes mo querendo dizer não. pois queria que ele se mantivesse fiel a mim. Venha comigo. Vou levá-la a restaurantes famosos. onde você comerá pratos que nunca provou antes. além disso. como Chris. como você entrou. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . . Estava entendido. e realize também o meu sonho.Sim. Cathy. De algum modo. Você logo se apaixonará pela cidade. . depois de rir. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Nunca andei de avião e. o público exige o máximo. atores e atrize s. Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York.Você é o máximo! Confie em mim. A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. Será como sua mãe. venha comigo para o mundo a que você pertence. . É nossa médica e. Cathy . .É o tipo de vida para o qual você nasceu. Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento. celebridades da TV. Por c ima de seu ombro. a velhinha mais suave. Ficarei com você. que Ch ris certamente será. a fim de que eu possa vê-la com freqüência. Diga que não amará.o. meneei afirmativamente a cabeça e respondi: .. às luzes da ribalta. porém. ambos parecendo esp antados e bastante magoados. Julian tomou-me nos braços.Não zombe de mim.Claro. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação.Quando eu me for. espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região.desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos.Você vai adorar Madame Zolta! É russa. não é? . Oh! Julian estava vencendo naquela noite. mas consegui terminar o curso. eu não poderia. Contudo. ela é tudo de que precisamos. não é? . você voltará para Thelma Murkel. no palc o. Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora. Terminei o ginásio em janeiro de 1963. a vida em Nova York é como a de Marte .um outro mundo. Não fui uma aluna particularmente brilhante. .Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar. (Deus me livre!) . abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos. Carrie e Paul. . irei. Como po deria eu abandoná-los? . . não para ser esposa de um insípido médico do interior.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico.. avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. ele conseguiu bei jar-me os lábios. ele explicou: .terrivelmente triste. Paul sorriu. não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente. Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. . acredite em mim. Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário.Ela conhece tudo a respeito de dança. Paul. pregando os olhos em Chris. .Cathy. Embriagada com o sucesso da estréia. nossa psicóloga. Parecia muito triste ao dizer isso .prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez. Quando abordei o assunto.

e deixe que seja uma pessoa de sua idade. Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho. desejand o-me boa sorte. ou poderia amá-lo. consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos. continuou a f itar-me com o coração nos olhos.Detesto você e Chris. .Eu a odeio! . Engasgada. Chore por você mesmo. Henny fez questão de embarcar no carro conosco. Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie.berrou ela. com as lágrimas rolando pelo rosto. . sorria e sinta-se feliz por sua irmã. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar. O meu Ch ristopher Doll.. . mais aind a que Paul e eu. meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. . como eu aceitei.. Catherine .Não .nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris.sussurrou ele.Entenda. . Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém . bastante alto para que Julian escutasse. E não faria isso duas vezes.disse ele. fazendo-me doer da cabeça aos pés. . Quando saímos todos da casa. Vamos. o rosto rígido.Você ainda terá a mim todos os dias. que agora tinha um metro e oitenta de estatura. Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam. E Henny . Chris estava postado junto ao carro branco de Paul. como é preci so aceitar. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião. Depois. Catherine. alegre e também severo.Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa. Não olhe para trás com arrependimento. . Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono.E você? Ele forçou um sorriso e. Na noite anterior. Você é apenas meu irmão. decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos . Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque. . Julian andava de um lado para outro. Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta. .gritou. cavalheiresco e sensível. uma risadinha. Você não será esquecida . Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto. Aceite. . Carrie: eu voltarei.como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. os ombros empertigados. procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos. . No aeroporto. por favor. consultando freqüentemente o re lógio. .Obrigado. . fitamo-nos nos olhos. Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte. Adeus.Não se preocupe comigo.Cathy . Terminou. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos. em seguida. Chris. Camin hou depressa para a porta da frente. E Chris também voltará. Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. Afinal.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida. Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam.. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos.Sabíamos ambos que não duraria muito.disse Chris em voz rouca. Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . erguendo o corpinho leve de Carrie no colo. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for.Você não pode ir! . Esqueça to do o passado. . também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me. enxugue as lágrimas. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha. Nós também compartilhamos de muita coisa. eu me despedira de Paul em particular.Obrigado por tudo. deu-me caneladas. ou simplesmente não chore. repliquei: . minha enciclopédia ambulante. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. Esqueça-me. Não precisa chorar por mim. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. o meu cavaleiro tão galante. tive que abr açar Paul com força. decidido a não revelar qual quer emoção. Mais uma vez. abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis.Não iremos a parte nenhuma.

. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer. O frio em minhas narinas ator doou-me. . Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York. Farei todo o possível para torná-la feliz. tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor.. pois eu já escolhera Paul. ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro. em barquei para tomar meu lugar junto à janela.Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci. Mas venha. Engasguei-me.exclamou. . Vá com calma em questões de amor e sexo. Desde que era a minha primeira viagem de avião. Afinal.e o empurrei para longe de mim.repliquei para Chris em tom brincalhão . tão controlado e elegante no palco. meu amor. certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado . Então.Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. de modo a abrigar p arte do rosto.E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante. . Eu também ri . . deixarei o assunto de lado.disse ele. Carrie e Henny sempre que pud er. . Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. de Paul. Uma bolinad ora. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: . que vida levaremos. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu .Oh! Catherine!. Todavia.é que eu tema que você não consiga vencer.Não prometi que cuidaria de você? E o farei. .Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e. Doía-me ter que deixá-lo. portanto.E. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado.disse em tom suave. Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele. Prometa pensar antes em todas as conseqüências.ou isso tudo e mais ainda. O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios. que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões..Você me tem .Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. promete? Chris prometeu solenemente. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um. Julian. Depois. relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa. Abracei-o mais uma vez. .. a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? . previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora. ri. murchando-os com um aperto doloroso. E venha a Nova York com Paul. Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças.. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es. como você lo go descobrirá. Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela. jur o por Deus. desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim. . rindo.Você também tenha cautela em questões de sexo . em seguida. você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! . parecendo querer arrancar-me a pele do rosto. Esbugalhei os olhos. . já sentindo saudades d e casa. Gosta de tocar as pessoas. L ancei um rápido olhar.Acertou na mosca! . como você logo terá ocasião de verificar. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta.Escreva-me sempre. . olhei mais uma vez para Pa ul. sem o menor sinal de embaraço. não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde. beijando-me de leve. a fim de que você verifique por si mesma. Nossos lábios se tocaram rapidamente e. Acenei com o louca para minha família. que parecia muito sério. Ou venha sozinho. trêmula. Sorriu para mim. a Julian.

O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos. . com ar inteiramente profissional. A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce. Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo .respondi. Permanec i imóvel e suportei a inspeção. nervosa. que você positivamente ad orará. colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões. permita-me apresentar-lhe a Srta. Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma.e eu tricotara para ele. delicada. Naquele dia.Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente. .indagou Julian. Em seguida. Então. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido.Talvez por volta dos trinta anos. muito obrigado.Então! . . Madame.e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão. como e ste demônio de cabelos pretos. Nunca imaginei que se incomodasse. depois de tornar-me a maior prima ballerin . franziram-se como uma sacola com o cordão puxado.disse ela a Julian com ar de quem cuspia. rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar.Creio.Ora. fitou-me o fundo dos ol hos. . a fim de absorver minha essência. . sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada.Você some quando bem entende. . como fizera a Julian. tocou-me os cabelos. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa. . a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses . Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira.Está vendo. veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato. levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura. era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado. Ele é muito bom bailarino. Apa lpou-me os braços. esta mulher era muito mais velha .se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios. mas não tanto quanto se julg a. Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha. olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz.disse ele. Madame. . de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian. O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo. Posso acreditar no que diz a seu respeito? . Espiou-nos por cima das meias lentes. Friamente.indagou em tom áspero. Depois.Madame Zolta Korovenskov.Ha! . com as pálpebras apertadas. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse. .Muito bem . com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros. Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. talvez nunca . Madame? . . ela irradiava um metro e oitenta de autoridade. Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço. Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o.Como disse antes. murchos como uma pass a de uva. Com uma rigidez majestosa. o peito. entusiasmado. Entretanto. drenando-a de mim. .Também veio do nada? . Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de. Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha.Sabe dançar? . . É tão rápida que a gente nem vê direito! . Madame Zolta Korovenskov.Aparenta vir de outra região. Catherine Doll. de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha.fungou a velha. deliciosa professora de dança. Os lábios da velha. até mesmo os seios. . espere o julgue por si mesma.

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

fui carregada para fora do palco. Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público.e ali estava a flor. mas permitam que Juli an dance este com Catherine. então.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios. Apri l estava visitando os pais. entre o sofá e o grande baú. o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente. no mais apaixonado pas de a deux. mas não muito. convidando-me a dançar também. desejava. sem sangue azul. . O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro.mim. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco. olhou para Julian e depois para mim. Acordei. conquistador vitorioso. eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. mas Carrie continuava praticamente a mesma .Não se preocupe. mas possessivo! . piscando. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo. Senti-me encantada. Com efeito. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete. Chris ficara ainda ma is alto. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma. Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa. Por favor. mais uma vez. faz endo-me reviver. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro . Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York. envolta numa aura de beleza. Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai . pela primeira vez. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha. Beijei o rosto redondo e firme de Henny. Catherine.Maldito seja por isso! . mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel .e não foi um beijo respeitoso. tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV.e no canto. pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . Quando terminou. Assim. Ainda me amava.Eu a amo. . Julian tomou-me nos b raços e. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: . à procura das pessoas que eu amava. Só então pude dar atenção a P aul. . Nossos olhares se encontraram prolongadamente.talvez um pouquinho mais a lta. Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro. Então. Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos. Chris se postara nas sombras. guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido. perto da escada. A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. o coração pulsando ao ritmo da música. tímida. . tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente.Alexis. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida.sibilei furiosa. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados.Maldita seja você por não me querer! .sibilou ele em resposta. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso. Chris. prometo-lhes os próximos papéis principais. Michael. Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. E. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. Dançou ao redor de mim e. Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo. pr . Paul. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. Cathy. desorientada. Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. ele me ergueu bem alto e. suc umbi-lhe aos encantos. Madame Zolta franzi u a testa. Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim. preso a uma tira de papel dobrada. para exibição na época do Natal. Na platéia escura. sentindo-me humilhada.Não sou sua! .

d e almofadinha. Enquanto o fazia . acariciando-me. Paul? . Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios. Portanto. Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido. Paul Sheffield. q ue dançava melhor que Chris. surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio. . que exagerei um pouco em minha dança. fria. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas. . Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo. até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma. Em poucos minutos.Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel. Ele exibiu um sorriso modesto. mas igual a Mamãe: suave. Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si. E amanhã dormirá com outro.pelo menos. com uma marcação afro-cubana. . Após o espetáculo. Ganhara alguns quil os. . el e me abraçou com força. Quando nos exaurimos. . desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa. .queixou-se Carrie. eu seg urei o dele. . Paul! Ele riu. beijando-me. pisquei para Paul. Num quarto pintado de vermelho escuro. olhando-me com grande ternura. Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite. Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas.reprovei.Você também é como ela? . relaxado. Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa.disse Paul. Magoando-me com facilidade. Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos. Se você quiser. Foi uma resposta que me acelerou o coração.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro. eu escrevera apenas a Carrie. onde ele nos registrou como Sr. Ele ainda usava bigode não aparado. Veja só a sua amiguinha Yolanda. . É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. causando-me prazer . sumiram do salão. Sorri maliciosamente para Chris. pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais. . sabendo lidar com os homens .Usem as roupas de balé .ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta.Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família. para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo.Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. Depois. Paul ergueu-se de imediato. Então.instruíra Madame. . mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. e Sra. Era tão divertido vêlo assim.Encontrou outra pessoa.E você? . adorando-me. Pau l acompanhou-a com facilidade. apertando as pálpebras.Ela olha para todos os rapazes bonitos. atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris. Ele pagou a conta.Depois de dançar com Julian. eu estava aprendendo. não se sinta tão lisonjeado. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele. Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda.Estou com sono . seus olhos interrogavam-me com veemência. a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos. depois.Além disso. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. você deve achar que tenho pés de chumbo . . A fim de provar isto. respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. . . segurou meu casaco para mim e. com as roupas que usaram no palco. levando-me a perguntar: .retrucou ele. Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais.Não estou procurando ninguém.Perguntei primeiro. . esfregando os olhos.Você é maravilhoso.Você continua a dançar assim? . houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta.

protegia furtivamente meu segredo. ocultando-a do mundo. de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra. Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade.Adivinhe uma coisa.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela. precisava contar com a total confiança de Madame Zolta. Até então. desejo-a para sempre.exclamei. eu manteria minh a felicidade em segredo.Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas. O interior do carro era aquecido e acolhedor . Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel . desejo compartilhar tudo com você. Chovia. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo.Eu o amarei para sempre . mas não me importei.Oh! Paul! . pois estava livre e seguindo firme o meu rumo. Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade. Se descobrisse que eu tencionava casar-me . pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata. Paul. Catherine.absolutamente nada. de meu amor por Paul. Quase morri de saudades desde que você partiu. Não quero agir às escondidas de Chris. tanto quanto ele precisava d e mim.Oh! Cathy! . tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos. não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. você está encontrando o sucesso em Nova York. eu ainda precisava de Julian para meu par. Quero estar com você. como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? .Não zombe de mim. . ter-me pedido em cas amento. Além disso.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele.Não estou zombando. Esbugalhei os olhos.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso. eu ainda precisava ficar famosa .Oh! Julian. . Dali em diante. abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. incrédula. Julian riu.decl arou.Naturalmente. mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo.os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas. Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. . quando eu iria a Clairmont.Catherine. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar. Nada revelei a ninguém.exclamei. Paul Scott Sheffield. sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. tivemos um dia selvagem e louco. abraçando-lhe o pescoço. Entretanto. . Agora. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. Permanecemos acordados.Chantagem! .. . Agora. afinal. . Nada mais tinha a temer . Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul. Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. quase no topo. planejando como viveríamos depoi s de casados. . . Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador. beijando-me suavemente. Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! .Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade. Não dormimos naquela noite. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta. Julian correu para agarrarme. terrivelmente excitado. Um sábado de manhã. desafiava-o a dete r-me. No momento.algo que ela certamente não aprovava . de onde v oltamos. Por outro lado. Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal. Agora. certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais . Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle. . quero que seja minha esposa. de meu estrondoso sucesso.

rosnou ele.É por ser virgem. Eu sabia estar num bairro perigoso. Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! ..ele. .. violento. . Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava. . Eu não tinha dinhe iro. . chegamos ao prédio de apartamentos ..Cathy.explodiu o motorista. ou tomar o metrô.se conseguir! Partiu com o carro. e freou tão depressa que fui atirada para diant e. . pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e. onde tudo poderia acontecer.comentou animadoramente. Catherine Dahl! .Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! .Vá para o inferno. santa puritana . abrindo a p orta. batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida. Lançando-me um olhar feroz e contrariado. Enquanto isso. que Julian trancara. rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir. O e levador demorou-se uma eternidade. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita. Julian arrancou-me a bolsa do c olo. A chuva caía com força. rangendo durante todo o trajeto.. enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa. por favor! .Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência. Quem é? . debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! . Nem mesmo poderia telefonar. vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma..Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! . Sempre que e ntrava naquela peça de museu. J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto.Se pensa que vai me dar uma facada. pode esquecer! ..Quer dizer que não tem dinheiro? . Julian! Só consegue ter isso na cabeça? . Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros .replicou ela. Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul. Mas guardei fielmente meu segredo.esbravejou.! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu. . entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego. Julian recomeçou: . . Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha.. O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! . Julian.Vá para casa como puder. do contrário.. por me deixar tão longe! Finalmente. .Você é uma tentadora .Calma! .Você parece algo devolvido pelo mar . Mas é melhor você voltar em cinco minutos. Eu nunca dava muita importância a Yolanda. não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado.e os dólares.Já vou abrir. dê me uma op ortunidade. Por fim. fiz-lhe sinal . Afinal. sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul. o motorista concordou: .Está certo.flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! . negando-me a implorar.Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. o taxímet ro continuava a funcionar.Leve-me para casa. Quando avistei um táxi que passava vazio. leste ou oeste. Eu não tinha um centavo. Cathy. Então. Os bolsos do meu casaco estavam vazios. A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian . .berrou Yolanda. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta.caso este . garota. onde eu nu nca estivera antes.Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . e Julian me deixara ali . desanimei.Sim! . eu tinha medo de ficar presa entre dois andares. Meu casaco leve estava ensopado. você nunca vai me amar. deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin. q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar.Por Deus. a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas.Então.disse ele. com um sorriso maldoso.berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva. a freqüentes intervalos.. Maldito seja.ao preço de quinze dólares! .

o rosto de Yolly ficou muito rubro. . seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie. Mas Yolly barrou-me a passagem. . impedindo que ela terminasse. carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo..Está bem. .Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista. mas traga-o aqui! Então. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente... . Oh! eu não sabia que batera com tanta força.. Yolly.Nãããooo . recostando-se provocadoramente numa parede. Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! . apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me.Seu irmão. E fica me deve ndo o que eu quiser..Pois deixe que eu lhe diga uma coisa.Cale-se! ..gritei. que necessita de sesperadamente dele. tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly. por algum motivo. . meu amor.disse ela.Não acredito! Você não é o tipo dele! . Empreste-me o dinheiro.Dar-lhe-ei o que você quiser. não é mes mo? . seu nari z já começava a inchar. ela ficou rígida e. Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon.Até à vista.. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana.e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes.Certo . .Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero .. Tão logo segurou os vinte dólares. . Cathy. Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio.Não seja ridícula! Chris está na universidade. .gritei furios a.É mentira! . Yolanda Lange! . . . .não a tivesse jogado fora. em seguida. poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade. Tirando isso.O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? . .. . mas não se esqueça de cumprir a promessa . Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça.Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. .. mas. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa.Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo. recuou para longe de mim.Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas.O que deseja? Ela sorriu. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso. . isso servirá para acalmá-lo.rosnou. . o motorista começou a sorrir. ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho.Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça. também. quero que cumpra sua parte do trato.Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira.. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada. trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava. . você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão...Por favor. empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta. certo? Concordei e tornei a sair correndo. .berrei. Diga que está doente.. . .ronronou ela como uma gata.Cathy.respondi. repugnada...Puta! .Vamos... que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente. Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. . av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! .. garota. Fará o que eu quiser. Levantou-se rapidamente..

. esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! . passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir.chamei.portanto.Fuja. Catherine Dahl. Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial.Julian! . abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. .. ajoelhou-se sobre mim. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? . Agora. com um medo terrível de Julian. segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me.Você me causa realmente muito medo. para minha infelicidade.Por que não consegue me amar? . eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia. esperando ver Al exis ou Michael. Julia n Marquet.redargüiu ele. . vai lamentar e ste dia.estúpido. . levantando-me da cama. cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! . não é? Sacudi a cabeça. nem estúpido. cheguei ao andar onde morava Julian. ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força.Claro! . resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! . não se atreva a chegar novamente perto de mim. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você.. ta mbém! E quando ele for meu. Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda. não sou uma provocadora como vo cê . .Se estiver aí.Vá em frente! . . porta nto. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse . Só então ele falou. .Cathy. Olhei freneticamente em volta. Não posso estar errado . não é? . desta feita.. Julian estava sozinho no apartame nto.e. O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim.perguntou. Yolanda. . cheia até a boca.depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto. Catherine Dahl. Vai arrepender-se. terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas. é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto. tão furioso que parecia prestes a explodir.Mas não sou cego. você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade. não me venha bancar a moralista imaculada.Julga.. . entre as duas. Comecei a guardar minhas roupas nas malas..mas não o fez. . . mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão. animal! . . Não podia contar a verdade. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. que se estendera na cama como uma grande gata. com o dobro da força! Tentei lutar contra ele. e percebi o modo como você olha para aqu ele médico . . Já encarei gente maior e melhor que você . garotinha pudica!.berrei.bradou ele. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente. puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama.Ninguém! . pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou. Pegarei seu irmão.sibilou ela com os dentes trincados. mas. E ainda mais: tomarei Julian de você.Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês.e continuo viva.odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele. que sou cego e . Levei sob o braço uma sacola de couro macio.. Senti-me enjoada e a odiei .Pode levar de volta sua maldita bolsa . Arr astando minhas malas atadas umas às outras. mas Julian tornou a empurrar-me para trás e. tem que ser você! Quem é o outro? .e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o.menti. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. ..Ninguém fala assim comigo sem receber troco. Antes que eu me desse conta do que acontecia.Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da.Solte-me.

terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. antes de adormecer. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. Catherine!. Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar . No fim da carta. se não conseguir.e tudo estava na bolsa. tornei a acordar durante a noite. As outras. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe . Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York.Não. não poderia ter imaginado um meio melhor que este. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. Ela gemeu. a despeito de todas as minha s lágrimas. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós.. Catherine... depois de rasgar o envelope fechado. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida. Lembre-se todas as noites. Seja boazinha. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma. no menor quarto da casa de Paul. Concluiu dizendo: . Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio.ou para Mamãe. Só então atrevi-me a dizer o que pensava: .Existem instituições especiais para loucos como você. Imaginei sua expr essão ao abrir a carta. trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida. comecei realmente a dormir mal. Tinha saudades de Paul. Portanto..Você é minha.pensando em você e fazendo planos . . não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente. . joguei-me na cama e so lucei... ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais. Agora. Madame.mas não será tão bom qu anto o que você ocupava. com Julian. terei que voltar para Clairmont.. eu o matarei . acrescen tara: "Agora. Sra. trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim. pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui. Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim. em seguida.quando Juli an me permitiu .e. Mamãe. Levantei-me com as pernas trêmulas .Ela tem medo de você. agarrando a bolsa. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la. Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E. Mas era só meu. Winslow. eu já disse isto antes e vou dizer novamente. Julian! Não pode dizer a quem de vo amar." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite.Maldita seja. Aproveite enquanto pode. abri-a e saí para o corredor. não tardará. se a senhora não me der mais dinheiro. Todavia. Então. nada mais que isso. Faça as pazes com ela. quer saiba ou não.. Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão.. Voltei para casa correndo.. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris. embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. Agora. n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar.. nem obrigar-me a amá-lo. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. Sentia falta de Chris.Está certo. Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis. ele tornou a abrir a porta. Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . inteiro. Catherine. Você faz chantagem comigo e eu aceito. O único apartamento que consegui encontr ar caberia. tremendo da cabeça aos pés. Infelizmente.e matarei você também! Portanto. eu guardava para mim . quando cheguei ao eleva dor. sem ler o conteúdo. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. recuei para a porta. sente-se ameaçada. Winslow".

.ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa. vendo-a empalidecer e. nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos. E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência .indagou ele. Paul e eu tínham . ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá.É mentira! .. Cathy! Perdoe-me.. negando. Sacudi a cabeça. volte a ser minha amiga. portanto. Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa.gritei. . hoje. apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos. Julian entrou como um furacão. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. então. somos os melhores . estava falando sério? Vamos para lá . Cathy. lançaríamos raízes. Abri os trincos e entreabri a porta.pois nasci hoje. quando fôssemos ma is velhos. eu a chamaria de Mamãe. .Já tomou café da manhã? . Há muito tempo. .Madame Zolta. Isto era tudo o que existia entre nós.repliquei.Vá embora! . Mas posso comer de novo. acompanhandome à cozinha.Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma .Pare com isso! .Maldita seja por me enganar! ..é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia. estremecer. . Eu jamais o enganara. . cambaleei para a cozinha. trate de me amar . pois. beije-me.Julian.Sim. Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto. exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel. sonolenta. desta vez.Deixe-me entrar.em Londres! . Então. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares. mastiguei algo antes de vir para cá.ou de Mamãe.indaguei. jamais poderemos casar-nos.gritou ele.Julian. vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . chorando. Ficaríamos ricos e. mantendo sempre as saudações frias e formais.eu gostar ia disso. mas.... . girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento. Você também. precisava tomar café antes de poder racioci nar direito. ontem. mas fui obrigada a dizer: . Cathy. contaminando-me com seu entusiasmo. .todos nós? Ele se ergueu de um salto.perguntei. Café. esperando que sim. depois que você saiu. todos nós! É uma grande chance. você disse. não? Detestei estragar-lhe os planos. onde montou às avessas numa cadeira. Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim. Já estou noiva.É mesmo? .você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente.. depoi s.Acorde. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava. E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal. ou arrombo a porta! . . teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé .. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas.Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . . Iremos a Londres. . Então. eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências. . Naturalmente ...esbravejou Julian.berrou ele.Claro que sim.Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? . . Certa manhã. Odeie-me o quanto quiser amanhã. fui acordada por alguém batendo à porta. eu não o amo. Gr aças a Deus. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara.mas tenciono casar-me com outro.

Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente. Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa . encontrando-o finalmente.protestei. dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração. você está tão linda! Cada vez que a vejo. prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho. examinando seus p resentes.pequeno. Chris . Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. Chris virou vivamente a cabeça. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna. na primeira oportunidade. embora me sentisse nervosa. mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. mas genuíno. pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. do princípio ao fim . . Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios.Veja ali no canto. Virei-me depressa noutra d ireção.um presente para todos nós aproveitarmos. Apenas seu irmão. .Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor . advertiu-me seu demor ado olhar. por algum milagre. Um casaco de raposa prateada! . agasalhos de pele. os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara. Paul simulou não perceber. fosse Cory ! . que nos observava a alguma distância. enquanto Paul observava e m grande expectativa.simplesmente adorei! Ele sorriu. Nunca. levantou-se e saiu da sala.É demais! . Uma hora depois. Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo. Muito cuidado. Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. . Quand o experimentou o vestido.É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa. mesmo na Carolina do Sul. agora. A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. .Mas adorei .exclamou meu irmão. os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim. era tão fácil fazê-lo feliz. jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. engasgada. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora. Estendeu a mão para pegar as minhas. Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. Então. .Oh! Cathy.os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e.mas nunca era. . Foi o melhor Natal que passamos. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai. Então. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho. esperando que. Fazia um frio de doer.O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul. a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz. . Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira. a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul.anunciou ele. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul.Salve a bailarina conquistadora! . Às duas da manhã. Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê. li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine. também sentado de pernas cruzadas no chão. . Tentei imaginar Cory. . escorregou-me na mão um bilhete dobrado.ou quase até o fim. Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido. tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto. Catherine . Olhei p ara o enorme aparelho de TV. num gesto furtivo.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo.

Agora . . Eu quis morrer! Fui espiar Carrie.desculpou-se Paul. para repetirmos a dose.detestaria ainda mai s se ele não gostasse. abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. Vocês dois apresentaram um romance. eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. olhando-me com espanto e mágoa. encolhida. preciso conversar com você e explicar certas coisas. Como tanta gente. que ocupava uma poltrona. a meio caminho. com o zelo gerado pela privação.. não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança.O que posso dizer. Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar. quando me aninhei no colo de Paul. Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. Após apagarmos todas as luzes da casa. que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do. Francamente. com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração.disse Chris friamente. Chris escolheu um lugar afastado. nem permite que eu chegue perto do aparelho. não obstante . tenha remorsos.depressa! Com essas palavras. levantando-se para vir pegar Carrie no colo. Naquela noite.trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera. Não apenas a resp . tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra. meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama. preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. perdi a noção de onde estava . junto à perna de Paul. Ao ama nhecer. não me tinham parecido tão etéreos.comentou Paul.mas. Cathy? . Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros. Por que sentia. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara. acho melhor você desligar aquele cara . mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. Eu chegav a a doer de saudades dele. dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde. abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento.e servira como uma luva . que dormia profundamente. Contudo.Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você. subimos furtivam ente ao segundo andar e. Mesmo assim. Ele explodiu: . Durante o resto do Dia de Natal.Chris. Para minha total surpresa. chore. Correu na direção da escada. . voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. E nrosquei-me no chão. Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . mal saí do quarto de Paul. Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra.Sim . recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. só agora seria visto em centenas de cidades através do país. Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe. certamente. Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores.Fo ram ambos sensacionais . . as roupas que não nos serviam. Cathy. Cathy. enquanto eu recuava. espantado. em meu co ração. nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. obriguei -me a procurá-lo. Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo. A partir de en tão.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . E Julian também esteve soberbo. Tratou-me o dia inteiro como a um rival. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto. . exceto às refeições. por favo r! por favor! . mas.Creio que seu irmão está desconfiado . parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa.quando pensei melhor .comentou Paul tranqüilamente. Quando o programa terminou. Depois. Carrie sentouse perto de mim.. Então. Um tape gravado em agosto. mal avistei Chris. mas de mim também. Portanto.Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores. fizemos amor na cama dele..vi-me no palco. eito de Julian. . na realidade. Temi aproximar-me de Chris.

Chris. Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e. tomei-lhe das mãos o alicate de podar. virei cautelosamente . . Paul e eu. . Passei-lhe os braços pela cintura..acrescentei baixinho.Assim também é melhor para você e eu .Cathy. o capim escurecido. antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul.Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele. com homen s da sua própria idade. sei que gosta. Chris virou-se bruscamente. Afastei-me. . . Julga que pode conciliar tudo. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar..Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce. necessitamos mutuamente um do outro. grave. e todo o amor . E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem. . deixando Chris no jardim com o alicate de podar.Não devo? . Chris não falava apenas de Julian. em sua maneira de olhá-la.e perde bruscamente toda a esperança.Eu o amo.mas você não lhe deve sua vida! . discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi. você não o vê da mesma maneira qu e eu. mas você também arranjará outra . Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco.Pois acho que devo a ele minha vida. Chris. Dar-lhe-emos o respeito que ele merece. . como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável .. arrancando-me o alicate das mãos. . em seu restaurante predileto.E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você. cultivada. Compreenda. . girando-o a fim de ver-lhe o rosto. doendo por dentro por causa de Chris. a despeito de tudo. as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer. pretendemos casar-nos na primavera. as árvores desfolhadas. Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto. Chris parec ia atordoado. Ele compreende. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite.Ele é velho demais para você! . Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . Não obstante. está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu.indaguei num sussurro. Você nada deve a Paul.Paul e eu discutimos o assunto. chocada. sentia-me tão dilacerada e infeliz. Como em câmera lenta. Depois de refletir melhor sobre o assunto.Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy. . mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado. Não é um namoro que será esquecido amanhã. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro. a despeito da diferença de idade s. Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora. largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. bem. Ele permanecerá aqui. Amo-o por causa de quem e o que ele é. . portanto. em cada um de seus gestos.Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa. Está escrito nele. acima de tudo. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância.Então. no modo dele tocá-la. Nós nos amamos. Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança.repliq uei.. você o ama. .Gosta de Paul. não é tão errado como você imagina. Agora eu fazia parte do espetáculo. devolva-lhe o casaco! E. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas.. enquanto você andará só Deus sabe por onde. apesar disso.. Recuei. . nada existe de errado no que fa zemos.e isso teria ocorrido se não fosse Paul. .

Algo de bom-gosto. Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se. mas.Não está mudando de idéia a nosso respeito. realçados pela maquilagem.Não! Claro que não! . os carnudos lábios vermelhos. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação. mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela.Francamente. Sacud iu-me com violência.disse Paul. mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa.Cathy . um homem que nada ficava a dever. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós. bondosos. a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome. quando o mundo era tão frio. se ouviu o nome Cathy. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior. esvaziada pela decepção. tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite. os cílios longos e naturalmente escuros . revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada.. Uma festa . poderia vê-la esparra mar-se no chão. Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha.ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela. qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a. . sem muita fantasia nem grande demais. não obstante. Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto.Já devolvi tudo. Está pronta para irmos. e ela falava: . Por um motivo com o qual não atinei. perdendo a pose . Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. . linda. mostrand o-me o quanto ela ainda era bela. . nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha. segurando-me os ombros. Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros . não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora. educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. . solucei. Chris avançou para mim. desta feita. Falou tão . Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez. Contudo. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante . aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros. Minha animação se desfez. . em beleza. ela se afastara ao longo do balcão e. está? .talvez. nem virou a cabeça.. pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. Parecia um pouco mais velha.a cabeça. p or favor. . Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la . Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado. estava mudando de idéia a respeito de mim. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era. Entretanto.até mesmo Paul. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa. seu remorso e verg onha.Vá assistir à TV . Por que não fizera alguma coisa? Por que.Você está bem. .neguei de imediato. a despeito do que havia por baixo da máscara.Quero conversar com sua irmã. Corrine. Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes. E você. mesmo assim.indagou Paul. largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado. agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então. talvez percebesse minha pres ença.todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope. . querida? . Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco. ao seu querido "Bart".Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. Baixou a cabeça. .

que julgava podermos viver juntos platonicamente! . Não respondi coisa alguma. pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . Talvez nos voltássemos um para o outro. tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros. Quero ir para a cama e saber que você lá estará.. sem ligar para as conseqüências. sim! . então. nunca mais me fale no a ssunto.baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras. estarmos juntos. Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. como você vem fazendo. que não é na minha cama! Então. bem perto. Espero que não esteja gripado. não foi? A seu modo.Cale a boca! . cometi o maior erro de minha vida. Por favor.Chris. . sou imbecil! Sempre fui.É uma pena que Chris não esteja passando bem. eu lhe suplico: não se case com Paul! . é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai.Deixe-me em paz! Agredi-o. afogar-nos-íamos ambos! . não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança. ele saiu correndo do quarto.berrei. sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis.Largue-me. Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse. ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele. você não pretende ter filhos . . . pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! . mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas. também. pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras.Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. Eu qu eria que ele esquecesse. Encaramo-nos por longo tempo.Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo.. você me faz sentir tão culpada. mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças . Então. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel. se acredita nisso! . segurando-me ainda com mais força.Você é um grande imbecil.. Vivo pensando nisso. Chris. o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. Ademais.Você não lhe contaria. por favor. sermos apenas irmão e irmã. você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim.. .Oh! Chris. Posso contar a ele o que fizemos. eu a quero para mim! De qualquer modo. dia e noite... Então. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros. ele já sabe. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul..e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora.Podemos. . Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. engasgado. Quando parou de falar.disse ele. desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara.. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. apertando o rost o contra seu coração latejante. ele não desejaria você.. desde que sempre voltass e para mim! .. quero acordar e vê-la no quarto comigo. . corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse.Então. Há uma epidemia na cidade. E se eu fizesse o que ele queria. . e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar. pálido e trêmulo. Mesmo que me ame pelo resto da vida.exclamou ele com fervor. com Carrie.Posso.Christopher. .. Não podemos correr o risco de repeti-lo! .e ele ficou excitado! Ele. Não pôde conter um soluço antes de continuar: . É honrado demais para isso. Cathy. tocá-la.Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos.portanto.. sim..Sei que é errado o que sinto por você. mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse. Chris. até mesmo Julian seria melhor que ele! . então. Sonho com você durante a noite. O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem. disse num sussurro rouco: .Está mentindo para si mesma . . Você me deseja e desej a Paul. onde poderei vê-la.

marcando o ritmo. rindo.no instante em que eu a segurar.É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo. Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa. Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço. Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos. desta vez. faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto. Julian usava apenas uma sunga. Os quatro mandamentos do mundo do balé. . erguendo os braços para exibi-las.para vingar-se. diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? . E não a odeio. enfurnado em seu quarto e odiando-me.Então. sorrindo. brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos. faça direito. Sim. portanto. Desejo. não a deixaria cair. as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas. faça direito . Julian foi absolutamente impiedoso. E novamente fracassei. contando. com os cabelos escorridos. repeti ndo a mesma série de passos. trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe..Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! . faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. Agora. Fiz o possível para torna r a situação agradável.indagou em tom sarcástico. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano. você se deixa cai r para trás.Julian. pelo amor de Deus.. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! . O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? . Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito . Desta feita ele me atirou ao chão.Mesmo que a odiasse. não me deixando cair para trás por não confiar nele. agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. conseguiria.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo. mas também com os olhos negros. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . Portanto. Paul . Berrou como se eu fosse surda: . Só precisa dar três passos. Doce. enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente. Calma.exclamei. mas inovativo e mais bonito. aquela seria a nossa vida juntos. demoníaco. E. levantei-me e tentamos mais uma vez.Desta vez. erguer o pé e saltar. Minha malha grudava-se à pele. Eu já não confiava em Julian. .Está sem fôlego? . erguendo-se como uma torre acima de mi m. estritamente clássico . pule para eu segurá-la e. Pelo menos. deitada. Dedicação. Eu. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet. quando eu a segurar. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema. que tínhamo que seguir à risca. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija . os pés descalços bem afastados.. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência.Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí.Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . .Seremos tão felizes. caia para trás e amo leça o corpo. Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal. após cinqüenta tenta tivas! . onde fiquei ofegante. ainda não. levante-se e vamos repetir. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor. Cathy. Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente.Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates.Então. eu estou dez vezes mais. Determinação. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. e minhas idéias.Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! . Fácil. .Se está cansada. Contudo.murmurei. O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim. parecendo exausta. .diabo! .Pare de gritar comigo.. sem fôlego. finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr . então. grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! .

tive a impressão de já co nhecê-la. ou de que ela me lembrava alguém. preparando-me para o que ela viera dizer . Ela exibiu um sorriso retorcido e.Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça.que só podia ser ruim. segundo fui informada. Embriagada pelo sucesso. Aplausos estrondosos quando o pano baixou. Olhos e cabelos escuros. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que.. arquejando se m fôlego. Uma mulher alta e atraente entrou no camarim. Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o. dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid . sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. mantendo-me nervosa. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco. refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: . .Bravo! .disse eu.Suponho que seja presente de meu irmão. sem ser convidada.e Julian beijou-me os lábios. ve m-se tornando importante.Obrigada. Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul. Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos.ir e dar-me parabéns. no intuito de apressá-la. Era a nossa noite . Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa. .Por Deus!. Demorou-se a retomar a palavra. Por algum estranho motivo.a melhor que já tivéramos. pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: . é claro. .Catherine. como pareci a Yolanda naquela noite. Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. . . os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval. ..comecei. Agora. chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta. por detrás da cortina. embora.Obrigada. minha cara criança. Parecia tão lindo à luz azulad a. Peguei meu cas aco. pois haveria uma grande festa logo em seguida. procurando indicar-lhe que pretendia sair logo.. cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa. mais uma vez . mas eu conheço muito a seu respeito.comentou ela. a fim de vestir meu casaco. usando malhas brancas.Belo casaco de pele . correndo para meu camarim. . você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . Talvez até mesmo bela. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas.Você é muito bonita. Vamos.gritava o público. Parecia o meu amante do sótão. E. Julian pulou para abraçar-me. Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres. roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta.Creio que não a conheço .Claro que não me conhece. os cabelos escuros brilhando. Então. foi uma surpresa para mim. que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições. . .volte para casa e vá para a cama! Catherine.. .Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos . em suspenso. .Dança excepcionalmente bem. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar. eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura.

. almiscarado. Dahl. aquela era a irmã de Paul.disse ela. golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas.exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -. vendo você. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. com uma risadinha divertida.consegui dizer. .Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser . os vizinhos têm olh os e ouvidos.Sim. como gostava de rir! Gostava da situação.Minha cara criança. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . E também bonitas. cabelos louros compridos.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão. de forma alguma prejudicaria a sua vida. bondosas e maravil .Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. Sou forçada a admitir que tem bom gosto. eu não o censuro. como se tivesse pena de mim. delicadas. Então. eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior. era uma governanta. generoso. de modo que ela pudesse usar as garras. e pode crer que não será a última mulher dele. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando. Paul já se comportou antes como um asno. Se ela o empurrou para outras mulheres.Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos. nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. você sabe. Mexericos. e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo . todo o mundo sabe de tudo. com mais dez por cento de juros .Saia daqui . É realmente uma mescla peculiar. Paul me contou. Or a.Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude. decidida. ele me ama.Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista. tão firme.Sei tudo a seu respeito. . Ela sorriu com pena de mim. . . . também. prestes a saltar sobre a pres a. Riu em tom baixo e sarcástico. Embora a Henny não possa falar. a qualquer momento. embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo. Interrompi acaloradamente: . como se realmente pudesse casar-se com você. e logo esta rá falido. mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade. uma cozinheira Ela riu alegremente.. Toda cheia de ino cência e sofisticação. seu rosto assumiu uma expressão im placável. desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida. muito jovens. . e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim. mas recusava-se a falar com ele na rua. como sabem rir as mulheres cultas. Então.. Amanda . Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta. e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. embora não tenha bom senso. . sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que.. um som duro e impiedoso. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens . não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont. compreendo o motivo. Meu Deus. Amanda. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir. .s uspirou.comentou. Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja. Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. realmente pouco me importa o que ele faça. forte. Júlia costumava dizer-me que ele.Uma pele tão imaculada. É honrado. Ainda assim.portanto. .a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio. sensual e ma gra ao mesmo tempo. estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto. Júlia foi uma das mulheres mais queridas. Paul gosta de mulheres jovens. tal entosas. parece porcelana . Usava um perfume oriental. . é tudo o que ouço. sua boneca bailarina.ordenei furiosa. Compre enda .a. Srta. inteligentes.. pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina.Agora.Saia daqui! . .Não conhece seu irmão.

Hordas de pessoa s nos rodeavam. Cathy. aí s im. . não fora Paul. então... de aspecto di gno de piedade. é sensacional. Júlia está morta. por mais mu dada que estivesse.realmente a odiava. Júlia não está morta. Por favor. Louca ou não.indagou ela.fotos de uma mulher magra. apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele. na época. É viúvo.berrei.Nunca tive uma garota novinha em folha como você. minha criança. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. tecendo-nos elogios rasgados. Dei um arranco. Você é uma bailarina maravilhosa. tomara-me sabe ndo que era casado . mas não fazem o que ele fez! Agora. . Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!. Os olhos muito abertos fixavam o espaço. Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima. deitada numa cama de hospital. Se você não aceitar depressa. Está evide ntemente apaixonado por você.Paul não é casado.Concordo .Ele se tortura.mas Paul impeliu-a a fazer aquilo. Nada significavam para mim. inexpressivos. Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava. me ame. .. Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. Eu só conseguia pensar que Paul me mentira.A propósito .disse ela. Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. . elimina-se aquilo que ela mais ama. Cathy . cujo rosto aparecia sempre de per fil. .disse a irmã de Paul. . S alve-se enquanto é possível. deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero.Não chore .Não. . Contudo. Você é b onita. Não obstante. felicitando-nos. afogando-me. m e ame. . afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes. . os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação. continua a ser esposa le gal de meu irmão. . As lágrimas toldavam-me a visão. Fazia tudo para agradá-lo. talentosa.Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! . e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro. Esfreguei os olhos como uma criança. saiu do camarim. ele foi obrigado a procurar outras como você. Então. .nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . deixando-me as fotografias. .Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente. segura de si. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos .hosas que já existiram. Uma mulher arrasada pelo sofrimento. Scotty era um menino tão belo e inteligente . . Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem. afogando-me. ou o tipo de sexo que ele queria e exigia. deseja ter o filho de volta.replicou ela. por favor.. você aparece e ele lhe põe um filho no ventre. Oh! Que horror! .O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos . ficarei louco. eu detestava a bruxa vingativa . Ela acariciou-me o ombro com ar maternal. Scotty era a coisa que Paul mais amava. reassumindo o tom suave.consolou ela.Ele sofre.O que Júlia fez foi uma loucura . saboreando a ocasião. Pegue-o. se culpa.Eu a amo. sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo. . Compreendo o raciocínio de Júlia. de certo modo. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas. Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais.sussurrou-me ao ouvido.Gostei do espetácu lo.. Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! .Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade. Suicidou-se no dia em que matou Scotty.mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo. seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim. . não é mesmo? .É mentira! . e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício. me enganara. jovem. Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem.Consta dos registros do hospital . E aquele rapaz. eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la..

É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá. Catherine. ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory.. .Se você me tiver por uma noite.. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe.disse eu. .. mais provavelmente.Meu bem. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa.Julian. limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. beijando-nos e derramando lágrimas maternais. convicto.. Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem. trancados num quarto. Eu não podia fugir. Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul..Julian. que não cresciam por fal ta de cuidados..Mas é! Sei que é! . mas lembrem-s e de não fazerem bebês! .Amará. Parecia um sonho. Nunca amarei outra pessoa senão você. .. ainda assim. depois desta noite.Como pode saber? . um casal tão lindo. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho. Entretanto. . na cama ele era tudo o que se gabava de s .Está bem .segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico . menina. amor da minha vida. .. não fique tão triste .Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? . nunca mais me deixará sair de perto . nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros. Deixe-me em paz. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? . A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava.Sim . . Es ta noite serei eu. E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco.Oh! Julian . com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto. Numa chuvosa manhã de sábado.Julian. . . . o mesmo fazia Madame Zolta. Serão tão felizes juntos. então. Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. os olhos negros brilhando e soltando centelhas. querida.. temo que você não saiba muita coisa. fôramos brutalizados e mal nutridos..repliquei com um prolongado bocejo. Nunca notava nada que não quer ia ver. Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais. fora o que ele me dissera. Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento.Seus olhos.. . Serei um marido fantástico. A chuva continuava a cair incessantemente. que sorria abert amente. ou da minha. e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe". deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa. Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos. como um lobo faminto que pretende devorá-la.Você me subestima. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida. para fazer justiça a Julian. ainda assim. dando-nos sua bênção. E havia também Chris. . Trata-me como um menino pequeno num minuto e. Julian abraçou-me com força. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós.advertiu ele . no outro . rindo como se embriagada. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada. Cathy. . . com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral.mas apenas por uma noite. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. Podia apenas dizer o que esperavam de mim e. hesitei. perfeito como um Deus. prognosticando o que encontraríamos pel a frente. Vá embora. Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso. Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe. mas. Eu ri. eu não o amo.Estou cansada e meio embria gada. Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento. e voltara toda sorridente e feliz..disse ele. Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração. seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era.De jeito nenhum.Agiu certo. a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou.Seu rosto dançou à minha frente.

mas dêem a ela sua própria interpretação. eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. Natais. sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas. E durante todo o tempo.insistiu Julian. apertando-me num abraço de ferro.. .Sabe. entrarão para a história do Balé.por tanto.. Então. se continuarem dessa forma. Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros.Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se. Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico.er.Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto. . .Mas não se casou. Julian. de modo que Chris.Por que.Amo tanto vocês todos. afinal. meus pensamentos. não beijado o u não acariciado...repetiu ele lentamente. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo.Então. . como recém-casados. Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos.. Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma.. . Creio que ele teve pena de nós. . compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e. Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto. Acolheu-nos. e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida. mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira. me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto. todas as atenções estarão voltadas para vocês .Isto foi tudo .Façam como sempre. Carrie e eu fomos forçados a fugir. quando vimos o teatro pela primeira vez.Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso. Cathy. não nos deixando intimidar.Agora. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós.. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez. prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian.soluçou. até que ponto vocês tiveram intimidades? . mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado.. por isso mostrou-se tão malditamente generoso. tornem cada cena a mais romântica possível. E já cometera muitos erros. Julian mantinha-se grudado a mim. . . O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra. e acho que isto foi tudo. deixem-me sozinha. em Covent Gardens. .Eu o amava e pretendia casar-me com ele. . O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas. tudo o que eu fizera. Catherine. mas como professora. Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos. .. . sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. .. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. não como bailarina.. A essa altura. Antes que ele terminasse. fracassei totalmente. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida..ind agava. mas Carrie adoeceu e começou a vomitar. u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico. que comparava nosso estilo com o deles. O que aconteceu depois? . seus pais morreram num desastre de automóvel. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse. Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco. O frio era perene. O The Royal Opera House. Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito. Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada.. exceto durante o esforço da dança. vão embora. mantenham a pureza da dança. eu o desejava. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários. hem? . etc. Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita..

Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem. nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . no final. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente. como se o amor fosse. procurando a fac e azinhavrada. minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços. Deus me livre se. sempre perce bera as falhas de Mamãe. na verdade. darmos a notícia a Pa . ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível. capaz de abandonar um homem sincero. eu não era como ela . Tenho pé de barro. pendia o m usgo espanhol cinzento.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo . Mais cedo ou mais tarde. Só eu. Eu pretendia levar Julian ao interior da casa. . estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque .. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse. Doeu-me escutar o temor em sua voz. . ele t eria que saber. . se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja. É prati camente um desconhecido para mim. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. nos ja rdins de Paul. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem. Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam. Não precisava ter acreditado em Amanda. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais. não espere perfeição. presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela . para.e sobre todas as folhagens.. pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. Gozado.Você me perseguia o tempo todo! .Eu quero amar você. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça. Pouco depois do primeiro dia da primavera..Jamais repita uma coisa dessas. até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. as glicínias q ue floriam.. você terá que aprender a ignorar muitas falhas .. as grandes magnólias prestes a florir .. deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. honrado e honesto.. permaneci sentada em frente às janelas. Nunca ninguém me amou pelo que sou. E eu era culpada de tudo. Suspirei. excitantes. aparentemente. como você já sabe. criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração. eu fosse igual a Mamãe. A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia. Casei-me com você. num pedestal. Mas não me pressione! Não me faça exigências. Jule. Ainda não vira algo mais belo. No fundo.mas não creio que possa! Cometemos um erro. juntos.. Ao contrário de Chris. nada mudara .não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum. as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. Ele fez uma careta de dor. Mais do que já desejei amar qualquer mulher. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma. Sempre virara as moedas mais brilhantes. Era o local de nossa libertação e. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol .Eu a amo tanto. eu queria s er como Chris. e senti-me perdida mais uma vez. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. cansativas . tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas. como um amor que se apagasse até sufocar. Assim. viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul.disse Julian. embora já nos conheçamos há três anos. A primavera ficara para trás. fracassará. embora diga que não me ama.e isso não era talento ou inteligência! Não. Agradeço-lhe por tentar amar-me. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima.respondi furiosa.Cathy. Você também colocou aquele s eu médico num pedestal.o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. Cathy.. Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. Julian! Um err o horrível! . lembrei-me de C hris.

Sim. presu mi . sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse. Carrie . fitou-me estonteado. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. após sal tarmos do ônibus. acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo.. Parecia uma linda bonequinha. É cansativo ter que dançar todos os dias e. enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados. estava com quarent a e três. . . Dormitando levemente. . erguendo-a bem no alto. Julguei que ele fosse di scutir. agora. tinha necessidade de ver-l he o rosto. Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente. . Contudo. com o olhar fix o em Paul.o bigode que ele deixara crescer só para me agradar. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: . O bigode parecia mais escuro e espesso . Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente.indaguei.repliquei num sussurro rouco... fresca e bem alimentada. o s pés descalços. Ele bocejou. Concordando. ao lado da poltrona. Naquela época. Toquei-o de modo hesitante. Julian simplesmente anuiu com a cabeça. o olhar preso ao meu.. levantou-se de um salto e correu para mim.talvez comigo. Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho. tentar ler-lhe os pensamentos. seu blusão vermelho de vel udo piquê. . Paul estava esparramado em sua poltrona predileta. Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. sonhando. os tornozelos cruzados. ao mesmo tempo. Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s.. Paul achou melhor esperarmos. Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav ..ul . A perda de peso caía-lhe melhor que em mim.Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? . esqueceu-se de nós. sobre ele. fitando-me c om ar de censura. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul.. Como se eu não passasse de uma aparição. mas quando você não escre veu o Dr. . me machuca! Parecia tão bonita. Paul tinha quarenta anos. Então. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento.Mais ou menos isso. enquanto Carrie permanecia calada no chão.Catherine? . . observar-lhe os olhos. Ninguém me escutou abrir a porta. E não precisa da família qu ando está dançando.Você parece diferente .mas não pude. Paul ergueu-se e caminhou para mim. Poderia te r telefonado antes.disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave.Você também parece mais magro . Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. carinhoso. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama. Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços. avancei para abrir a porta principal com minha chave. virou o rosto na minha direção. . Mesmo dormindo. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão. jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona. ou enviado um telegrama. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana. preciso de minha família. seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar.Cathy. tentando adivinhar o que ele pensava. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? . Não obstante. . . diante do aparelho de TV em cores e da lareira. sabendo que já não me pertencia . E parece cansada.Oh! Cathy. erguendo a mão para tapar o s lábios. então.murmurou.Sofri quando parou de me escrever todos os dias. Por algum motivo. não foi? Só quer saber de dançar.Ai! Assim.Perde u peso. A cabeça. também se movimentava de um lado para outro. Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. Um tanto trêmula. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão.É você? Carrie escutou a pergunta. Cochilava. Abraçamo-nos e beijamo-n os..respondi distraidamente. para variar.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

Naquele momento. fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas .Você me ama um pouquinho. Paul entrou na sala com as malas e se . não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. . Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto. Além disso.O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local. Não creio que tenha muito tempo de vida . onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer. Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. mas procuro visitá-lo sempre que possível. de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. Agora. . ele depende de mim. . mais ou menos para saber notícias de Julian e você. Mãos escuras. Falo u-me por meio de gestos e. Mas jovem dançarino talvez não so breviva. Henny apareceu na varanda e.lamuriei-me. Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente . A notícia de meu casamento com Julian! . Tudo correrá bem Você verá. galgando a escada como se voasse. sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses. . indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. Cathy.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. .Por quê? . . Em seus braços. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito.Fique aqui e espere! . não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom. você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha.. Então. movimentou rapidamente as mãos: . Mordeu nervosamente o lábio inferior. não chore mais. .Georges está doente? . Então.ordenei. metendo-m e a brincar com uma jovem . . levantou-se depressa e partiu em direção à casa.Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora. .É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai. afinal. Naquele momento.gritei.Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido. Voltarei antes de vocês parti rem. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo.disse Paul. . Levarei Carrie comigo. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama.Henny! . muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul. Carrie é como se fosse do meu próprio sangue. forte.Escute! . aborrecido. rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa.Cathy. mesmo que corresse atrás dele.Sim. . faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco.O que lhe diz ela? . muito doente. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. Enxugue as lágrimas. tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la. com sua mímica rápida como o raio.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo. Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. creia-me! Henny sacudiu os ombros largos. sobreviverá à decepção.. enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala. angustiada. Um homem já sofre. Deixe-a ficar comigo e Henny.quis saber Julian. Entrei no quarto de Paul. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa. nunca se adap tará a seu tipo de vida.rto viver sem alguém que me ame. Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido.Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama .indagou ele. Sinto-me tão ignorado! . Não é meu cliente. . de modo que me surpreendi com sua reação. Então.e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso. comecei a chorar baixinho.

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

compartilhando em termos de igualdade. Além disso. ele me tocou. coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos. . meu carcereiro. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda. Mas trate de manter-se distante de Yolanda. Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la . Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. eu não me importava. ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina. Preciso de você para me manter na linha. eventualmente. Juventude clama por juventude e Julian era jovem . Chris brilhava na escola preparatória e. cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. E tem mais: também não morro de amores por seu irmão.Você é a melhor coi sa que já me aconteceu.aquele médico de quem você foi noi va. até mesmo agora. Caty. terminando a refeição. Quero tê-la a meu lado o tempo todo. Dividiríamos tudo pela metade.Chris. nem muito menos . . exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse. bonito. Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco. Veio de avião a Nova York. pois compreendi que fora terrivelmente ferido. baixei a cabeça.. numa radiante manhã ensolarada. nunca fora de meu campo de visão. acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. não desejo magoá-la. nem Carrie. estou pouco ligando para Yolanda. às escondidas. E. Nem Chris.Claro que ficaria . Era primavera e as aves gorjeavam. quando resolvia sê-lo.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida.muito malvado. tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana. um bailarino talentoso . sei que seu marido me detesta.e encantador. obscura. . O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. co mo eu também fora. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa. pois ela só lhe poderá causar encrencas.Eu a amo como um louco .Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer.declarou Julian. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. E Julian precisava de mim.Está bem. fico malvado . de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores.replic . Não sou cego ou estúpido. então. . . Às vezes bebo demais e. simultaneamente. e se desapontara tanto com o pai.. no quarto ano.Eu não chamaria exatamente de "detestar". Mas não se esqueça . ele não vai me afastar de você . mas era capaz de domá-lo. Sua irmã é legal. Chame de ciúmes.Cathy. Mas seja lá como for. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa. meu superior ou amo. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. . eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. Talvez Paul tivesse razão. Meu irmão fitou-me de modo estranho.Está certo. completando o quarto ano da escola prepar atória e. . cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde. No momento. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte.replicou Chris. . Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê. Naquele momento. E não furtivamente. como um filho único que necessita sse de mimos constantes. Chris. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. Cathy. explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park...sposa: acho que você gosta demais dele. teimoso. embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. Eu já o vi olhar para você e. da mesma forma que minha mãe me decepcionara.

veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York. partindo de Julian. Então chegou minha vez de abraçar Carrie.disse Chris. jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa. Chris pegara a minha mão. até que ela me segredou. não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu.Não quero você dormindo sob meu teto! . Não obstant e. que deveria estar ao lado dela. fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: . a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. .É mesmo? .uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade..Cathy. como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco. pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo. abraçando-o pelo pescoço.perguntou Carrie. .sussurrei em resposta. fazendo questão de beijar-lhe o rosto. decaíamos.Já não uso sutiã de treinamento. Julian foi o primeiro a avistá-la.Paul é Paul. . . talvez ainda mais que estes. Chris passou três anos sem voltar a Nova York. Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina. . E na verdade. Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser.replicou ela.cumprimentou. apertando-a com força. O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir. tínhamos os papéis principais.Olá. Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo.Não gosto de você. parecendo deleitada.esbravejou Julian.ou Chris. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. Carrie o adora e é adorada por ele. correu pa ra tomá-la nos braços. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta. colocando os críticos em polvorosa e.Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar. Carrie ficaria profundamente ofendida. teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos. . assumindo um tom muito sério.A primeira coisa que notei foi seu busto. Entr etanto. Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos. . pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma. Na minha opinião. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito. trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso.Cathy .Como vai Paul? . . Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. depois. . da nçávamos como parte do corps de ballet. Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory. Quando Carrie completou quinze anos. rindo. . Desanimada. .Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? . . outras vezes dançávamos papéis secundários e. em cer as ocasiões.Ora. será impossível nota r a diferença . O que é? Sacudi os ombros. minha linda cunhada! . choramos. ganhei um de verdade! . . voltei para assistir à aul a com Julian e. Às vezes. Não sabia o que era. Soltando um grito. depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite. Se Cory ainda estivesse vivo. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. Cathy. . porém. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. nunca muda. trocamos novidades.portanto.Conseguiu ver meus seios? Não . Era uma piada que costumávamos repetir.indaguei em voz tensa. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto..Não se atreva a me chamar de Fadinha! . era um elogio de alguém que ela tanto admirava.Eu sei .

Usando um carro alugado. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. afinal. Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos. tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas.a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. mas que me causava dores de cabeça." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado. Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. Cathy! . Após a refeição noturna.pensei que aparecessem tanto. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina. Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. vamos. deixe disso.e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido.É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso. em maio. Julian e eu estávamos em Barcelona. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha.alguns dos quais já se tornavam realidade. Você também ficaria. na primeira vez que ela viera sozinha. Pelo menos. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos .. Portanto. sobretudo. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. e. havia um membro de minha família qu e Julian aceitava. Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris. adoramos a música e a dança esp anholas. . Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme. Madame Zolta sugerira as fér ias.afirmou Julian. Era como se eu. Cinco anos e três meses de vida conjugal . claro que aparecem . pessoalmente.Ora. algum temp o antes. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso. sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava. Os meses pareceram voar. o preço seria a inda menor. . Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . . Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. O envelope atravessara a Espanha atrás de nós. e um tape de TV não levava muito t empo. a primavera pela qual tanto esperávamos chegou .afinal! . . alcançando-nos em Barcelona. Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo.. Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian. relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios.É um papel difícil para você. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV. . Contudo. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur .replicou Julian. querido. Estava ma rcado para junho. sabendo o qu e ele continha . adorand o o lindo panorama.Por favor. Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. Duas semanas era tempo suficiente. . julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. em maio.Na verdade. viajamos de cidade em cidade.Ora. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé.mas. Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele. mas queriam nossa presença agora. gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento. impaciente. Protestei. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento. Estará cansada e precisará de tempo para repousar.

Você nunca me fala do passado! . E est a era uma delas. Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol.Não tente escapulir às escondidas . que não co nsegue viver sem a sua presença. M as. suas malhas de ensaio.explodiu ele. levantando-se e pegando-me pelo braço. Cathy.Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã. . onde comecei a des pir-me. é Paul isto. Depois. Não obstante.Venha.repliquei friamente. pois beijavame o corpo todo. mundano. elegante. . não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado. Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava.Que diabo! Não! . não tem quem ligue para você a não ser. fui inform ada de que seria uma noite de amor . vamos dormir.Eu vou. mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua. não sua escrava! . pois não tomei parte no ato. que a adora. como não quer saber dela. Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava.Já estou farto de tanto escutar Chris isto.Excetuando eu. eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora. ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. O que ele me fez foi espantoso. com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. desta vez. E aind a não estou disposto a fazê-lo.exceto no sexo. tornei-me se u senhor e soberano . a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele.como ocorria ocasionalmente. re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. E. Julian se aproximou para ajudar-me e. desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador. Todavia. desta maneira.portanto. . mas sou incapaz disso .disse Julian. sua mãe. desde que pudesse ir à formatura de C hris. Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr. mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! . Zombava de mim. camisas. emburrado e sozinho. . permiti que ele me puxasse até o quarto. mas não importou realmente. Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! . Julian .Não quero mais falar no assunto . opinar sobre as roupas que usava no palco . Quando me decidia a iss o.ou melhor. minha amada esposa: quando se casou comigo.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família. Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: . Estou cansado. você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! .Não me ameace. ficará ao meu lado até que eu a mande embora.e me mantém afastada para que eu também não participe. De qualquer maneira . com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras.se por tantos anos. po is nunca participou de nada . . Sem dizer uma palavra.advertiu Julian com voz abafada. de sexo. tal vez. Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos. brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e. embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. Fique com o marido que precisa de você. Ou pode ficar aqui.Escute bem uma coisa. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. . mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado. meias e gravatas. recusava-se terminantemente a permitir que .Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. Franzindo a testa. Tinha que escolher s eus ternos. quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto. o que só acontecia quando a dor era muito forte . . .Chris é meu único irmão.foi a resposta brusca. Paul! Agora. Talvez você consiga aprender idiomas através de discos. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim. embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão. acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo . semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. Fechei os olhos. Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: .

ou ainda pior. moreno e despreocupado. mas talvez os dois . quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse. não me interesso por livros ou museus. a esta altura. se sabe o que é melhor para você. servi-lhe café e respondi: .Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. Nem torradas. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel. está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. que eu era a única. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados. Julian.Não farei um juramento tão injusto.eu cuidasse da economia doméstica.. Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã. para serem jogado s fora quando sujos. eu ficara magoada. Cathy. Naquela noite. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras.murmurou ele. Então. Ele avançou raivosamente para mim.exceto no ego. que tinha mania de lingerie preta. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte. Desafiou-me a morder a isca. o que fi z obedientemente. Contudo. E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. n em manteiga. era o homem . . Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s.Cathy. à sua maneira exótica. completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa. .Pare de ficar ajoelhado.. existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . Sorriu e esbofeteou-me de leve. A princípio. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos. Você já devia saber mui to bem. cheirando a sabone te e loção de barba. Para você.. . Sou perita em odiar. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar. Ele avançou devagar. como você. indagando com naturalidade: . . Comemos em silêncio. Julian foi cruel. Parece ridículo. .Qual é o problema. Cometi a tolice de sorrir. Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas.Desculpe-me. não sei como me divertir excet o dançando. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado. e minha própria mãe. E não poderá fugir às escondidas de mim. .Direi a todo mundo que você está doente.Agora. Além disso. Agora. limpo. Julian. Tanto quanto você é perito e m obrigar. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. . tendo voltado ao normal. que n ecessitava de mim. forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor. mantive-me de cabeça erguida. Para mim. o que fará desta vez? Sorridente. Equimoses apareceriam e além disso. com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. ele merece. afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta. Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir. então Julian voltava para mim. lemb ravam-me prostitutas. ou mesmo dar um telefonema.Se elas não se importam. Cathy . . . queridinha. dizendo-me que me amava. Julian.Bom dia querido. eu também não me incomodo. recém-barbeado. .. E agora. Sorri. Julian parou a um passo de distância. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite. fará exatamente o que eu mandar. malvado e vingativo. logo que descobrira a verdade. deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas.Está zangada porque não atingimos o topo da profissão. um omelete de queijo. dê-lhe uma oportunidade. Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele.

debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade.É uma pena Julian não poder acompanhá-la. Esperando. Uma hora após o café da manhã. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. talvez. Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. com demasiada admiração. Ainda não me considero pronto para ficar grisalho. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe. com meu passaporte no bolso. Obrigando-me a afastar o pensamento dela. Bartholomew Winslow. na Carolina do Norte. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e. imaginando se teria agido corretamente. . Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair.Eu o amo. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo. ela está na cidade. Se Julian estivesse acordado naquele momento. partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el. temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. Com o rosto erguido para mi m. da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte. E Julian também deveria estar presente.Se encontrar algum. Quando tornei a fitar o palco. peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra. Francamente. O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. fazer o discurso como orador da turma. .Cathy. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim.Está procurando cabelos brancos? . Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. encarando-o. Gosto de s eu penteado. eu fizera o que precisava. Sim. Embora eu o t ivesse drogado. claro que sim! Estava louco de nervosismo. . está magra demais. torna-a ainda mais bela. Sabe.mais bonito que eu já vira. para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. hoje você ainda não disse que me ama. Lembrei-me também de nossa mãe. que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . pronto para subir à tribuna. avi stei Chris lá em cima. Naturalmente. mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los.declarou. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. Julian. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto. encaminhei-me à garagem. . . Paul. em seguida. Todavia. passaria o dia inteiro colado a mim. que deveria ali estar para ver tudo aquilo. Nossos olhares se encontraram e fixaram. Eu não via Paul há três anos. sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão. sempre esperando revê-la. Sentar-me junto a Paul. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. Ele respirava de maneira profunda e regular. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. . Henny e Carrie também derramaram lágrimas. Então. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade.brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e.Ele também teve muita pena disso .Alegro-me por você ter vindo . .Ora. mas o fato é que o fez. com um l eve sorriso. O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento. olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório.Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . .repliquei. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. hesitei. enquanto Julian dormia na cama. Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. C athy. O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez. Enfiei rapidamente roupas nas malas. Por s . É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". pouco depois.

novinha em folha.se Cory não morresse. . acertadamente. tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. Desde pequenos. quando ficava sozinha. Aparentemente. a fim de chegarmos juntos em casa.adivinhou Chris. . também era frágil.obre todas as cabeças que nos separavam. Chris. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos. aos dez anos de idade. Chris limitou-se a r ir. De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações. . Havíamos participado indire tamente de tantos romances. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma . quase sem fôlego.Não. Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido. realmente . . só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr.Livros! .disse ele. porém. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do.O resto da coleção será enviado para você a domicílio. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio. Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. ... Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele . se nossa mãe não nos at raiçoasse. Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele. Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. Carrie ta garelava sem parar. Paul. Mais tarde. poderia parecer extravagante no consultório.Ele queria vir.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. Vi-o novamente nas som bras do sótão. Cathy . cada qual pr ocurando as palavras adequadas. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios. cuidarei da contabilidade .mas algum dia ainda seria. .O Dr. Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam .como fazíamos desde crianças . lançando-me um sorriso encorajador. Observando Chris. marcarei as consultas.. toda pintada de vermelho! O Dr. Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar. Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. Entretanto.explicou Paul. Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna. Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. embora eu fosse de opinião contrária. Na verdade. parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava. acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos. Infelizmente . embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente. só poderei ficar aqui dois dias. a coisa era muito dife rente. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina . Vi-o no quarto trancado. . e voltara-se para mim. enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera. quase escondido naquele espaço imenso. manterei os arquiv os em dia.Não consegui carregar mais que seis . pois sempre tentávamos enganar um ao outro. . deitados nos velhos colchões manchados no sótão.e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. em nossa mesa. Chris e a mim..Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto. São mais livros .. em seguida.e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação. para rebater a bola por cima da cerc a e. E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone. Olhei para Paul. pintada por encomenda. . unimo-nos numa comunhão silenciosa..Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo. .prolongava o prazer de recebê-lo. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos. Vi-o manejar um bastão de beisebol.informou Carrie . se Carrie atingisse uma estatura normal. sua ca ma a um metro da minha. Além disso. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel. como tive o cuidado de advertir. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los.menti.

Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou. Com quem você saía? Existia. . Nada foi fácil. . E funciona. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la. um camundongo chamado Mickey. Quand .Deu-me um sorriso engraçado. embora não se tenha apaixonad o.Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina . ..Bem. . e mais uma lista interminável de matérias. quando saíamos com garotas. se é isso que des eja saber. .murmurou..Caso decida divertir-se nas horas vagas. sonhador.. Por que usara aquele tom suave. E não é original. . ou existe. . . Sim. sufocado de emoção.. Entretanto. Eu gostava delas todas. pelo nome? Assim. falando sério: .Oh! diabo. levaria várias horas. além das roupas. devo começar a enumerar uma por uma. vivêramos num mundo diferente quando crianças. Christopher Doll. Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo .Você saía muito? . .Nunca esperei possuir um des tes. Você não devia ter gastado tanto. Cathy. ou aranha. Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto.e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico.Isso não é da sua conta . Agora.replicou ele em tom despreocupado. mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff.Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato. alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si. . Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade.em especial. Sim. foi uma fortuna.Oh! .. anatomia. po rém.Eu amo uma garota . Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela . química.suspirei. após todos aqueles anos. Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim.Só nos fins de semana. E. poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. Antes.Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho. chave e alça de bronze polido. O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana. .indagou Paul. Cathy. eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian. que o fez parecer novamente um menino. biologia. as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos . o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. quando fomos para Foxworth Hall.Mas fiz questão. . de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos .e não posso fazer isso. e não devia! . a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank. Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota... tomando cuidado para não rasgar o papel bonito . que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho.disse Chris com voz áspera. Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. Chris.Está vendo aquela janela no segundo andar. .Não está respondendo à minha pergunta. declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo. também.Conheci-a durante a vida inteira. e darei uma deixa.1675-1840". ..respondeu Chris. era exatamente aquilo que eu desejava saber. certamente..Os camundongos morrem cedo? . Certa vez. . Estudávamos juntos e. suspirava por um microscópio John Cuff. . .Que belo brinquedo você me deu . íamos juntos também. Tanta coisa para aprende r: física. Paul. toda vez que Chris matava uma mosca. Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara.acrescentou.Concedo-lhe apenas um palpite. precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão.Creio que é. . Declarei com voz sumida: . apesar de tudo.. ma ntidos numa prisão.

refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul. . movimentando-me como num sonho... Em seguida. Cathy. encantei-me novamente com a casa e os jardins. Lá chegando. às vezes. tentando conduz ir-me a seu quarto. convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família. com os lábios em meus cabelos. Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. por Deus. Permaneci onde estava. Entretanto. caso se cortassem. Não fiz nada. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian. como se procurasse provas qu e me incriminassem. . gritando quando tem pesadelos. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa. Pross eguiu: . Julguei que ele estivesse brincando de desejar. beijando-me o rosto. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul. parecendo magoado. cercada de todo acolhimento e conforto.. afinal? Correspondeu aos meus beijos. quero odiá-la. Deve haver algo esquisito em mim. anjo. . Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta . então. Não sou santa. .. Então. . mas não consegui evitar. juro que não fiz. tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. como fazíamos quando crianças.Odeie-me.. . Uma vida doce e fácil.Cathy. Então.replicou Chris com um sorriso amargo. observando-nos e condenando-nos pelo que éramos. sem mencionar Carrie.. Sem a menor dúvida. . chego a pensar que você é igual à nossa mãe.Poderíamos levá-la conosco. não demorarei muito a aco mpanhá-la. eis a garota que me persegue e governa. mas tente matar meu amor depois que ele começou! . . chamando-me o nom e. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros. Não era tão bela. olhando a lua.aquele rosto que também me perseguia.Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você. E. lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me. filha do Demônio. então! . Ele sorriu com ironia.Não mereço estar lá dentro. é problema meu . você bem deveria saber.Não me ame.. . acordo para tirar-lh e piche dos cabelos.. Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros.. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris.Santa. você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte. Às vezes. Virei-me. que tipo de mulher é você. Eu não que ria corresponder. A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos. Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei. afastando-me rapidamente de si.não seu. que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. Cathy. Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. nem um anjo.e agora não consigo fazer que saia.o vou dormir. e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite. excitouse de todos os modos possíveis. ele recuou. ela disse q ue a lua era o olho de Deus. bancando a virtuosa! . se você me acompanhasse.Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e. Esqueça-se de mim. eu jamais conseguiria odiá-la .Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. . espero que agora você esteja satisfeita. e agora tira o corpo fora.Às vezes.Cathy.. E se você morrer antes de mim.E deixaria Carrie? . Port anto..Pare! ..Eu fiz exatamente como você. Se m problemas. como meio de castigar-me. E.gemeu Chris. sonho com ela dançando acima de minha cama. abracei-o e fitei-lh e o rosto . ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem. naquele sonho. boa ou má. .Cathy. acordo sentindo o corpo inteiro doer.gritei. . como o dela t ambém dói. à noite. Chris prendeu a respiração. Chris.

Nada! Meu irmão ficou calado por um momento. Que Julian ficasse com Yolanda. deixando-me muda a olhar para a po rta fechada. e. conseguisse ne gar a acusação feita pela avó. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida. Com música de balé na cabeça.dentre muitas outras . mais uma vez. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . .. a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro. Não me importava.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: . cujas regras eram tão irregulares. tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia. até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas.Cathy.. Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão.Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar. Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: . Não poderia erguer Yola nda com facilidade . . Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e. Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa.disse com ar indiferente. no final. E u continuava tentando provar meu próprio valor. dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. Encaminhou-se para mim. exigente. não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos. co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada. faminta. egoísta.não com sua espinha machucada. Madame Zolta a trataria com mais justiça. como sempre. em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso. Corre m rumores de que a Srta. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda. o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das. s ubi ao meu quarto. Então.não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida. vestida de preto. para que. Então corri para dentro de casa. Veja. No resto do tempo. Talvez não estive sse grávida. Avó. Certo dia. O artigo ia mais além. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. nossas celebridades locais . Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança. Então: ..de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam.. aparentemente separou-se. Que fizesse papel de tolo. Do fundo do coração. Não! Eu não era igual a Mamãe . rápida e graciosa. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo. dançando Giselle num grande especial de TV. . Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais. mas mudei de idéia. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano.Catherine! . Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu. Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino. poderia ser apenas mais um alarme falso. que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. queria que eu tomasse todas as decisões. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se .exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me. caso não fosse. Pela primeira vez. Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando.Traz um artigo que talvez lhe interesse . Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente.

Fez outra pausa e virou a cabeça. Então. mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse. desde o início.Sabe. . trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida.Não se preocupe comigo.Agora. Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama. percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges.continuou. . que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . De perto. . nunca mais volta ram às boas.Se meu marido já não m e quer como par. Oh! sim.replicou com rispidez. mas sempre o mantivemos conosco. . conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! . como Julian era boquirroto! . Portanto.Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai. perfe itos como nunca tinham sido.Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! . ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar. isto eu admito. você bem sabe que não pode ser deixado sozinho. Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro. . poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece.só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança. . Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho. E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande. Ela fez uma carranca. G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso.Por que se esconde nas sombras? . todavia. . Madame . mostrando dentes mais alvos que antes.. . até um belo dia d .. ansiosos pelos aplausos. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção. . .Eu era mais velha que Georges quando nos casamos. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu.Fomos rígidos com ele. enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido. com algum as mechas escuras. Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso. Passamos muitas noites abraçados na cama. Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber. venha. Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório.indagou. Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe.Na verdade. atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás. de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante . pela adulação. E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. com expressão tristonha e sonhadora . Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor.. eu lhe dava toda a minha atenção. tenho certeza de que outros me desejarão. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto. golpeou-me com seu olhar penetrante. como um passarinho. quanto mais tentávamos.Agora.Como é bom rever seu lindo rosto.deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. Catherine. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa.Agora. eu nunca .Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora. trate de ficar caladinha aí na cadeira. avançando para mim.nunca! .. ela rosnou.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação. mas mesmo assim. Os cabelos negros estavam agora quase brancos. fiquei grávida. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. . Apoiando os braços no espaldar.repliquei com muita calma. Julian significou d ois golpes contra Georges. colocando-a de modo a poder c avalgá-la. suavizou-se e acrescentou: . Um dia. Então.

quase sem fôlego: . cheios de suav idade e admiração. julga que odeia você! Agora. não precisa dele! . .Se o ama.. juntos. admirou-o. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha. mais dete rminado ele estava a possuí-la. ele diz que você não o ama. Todavia. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele. como um gato de rua arrepiado. você era indiferente. que me obrigava a cometer loucuras. por acaso você estaria em Nova York. criando os fil hos daquele médico. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. você era igual a Julian.Não sou mãe dele. foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. com meu ódio por minha mãe. sem entender que vencera e era o melhor.Madame. apenas não conseguia aceitar o fato. Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. fazendo um jogo de mulhe r astuciosa.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. Então. não o quer. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens . A seu próprio modo. mas estou disposta a voltar e tent ar. está louca! Bata-lhe na cara. e eu competindo com minha mãe.. . na verdade. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas . tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade.Sim! Sim! . você.Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas.muitas delas . dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. que nunca o amou! Port anto.. Recuei em direção à porta. Julian viu você! .e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto. ch ute-lhe o traseiro..mas. Talvez sempre o tenha amado. Prometo agir melhor. Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois.. Então. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo.principalme nte por pensar que magoaria meu filho. só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai. Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. agindo como se não ligasse.repliquei fatigada. Abandona-o. nem Deus . se ficar calada. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos. Julian competindo com o pai. de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . com as pernas fracas e trêmulas. .Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente. cujo idioma ele não sabe falar. Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual. ainda assim. oferecendo-se. onde estaria você? Sem ele . fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido. fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu.e Natal. eu.Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. Não sei por que motivo tive essa impressão. entretanto. você o aba ndonou num país estrangeiro. . Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim. procurando ir embora. quer esquecê-la! E quando o conseguir. não passava de uma criança! E agora. postando-se diante de mi m: . Parou mais uma vez. mas ainda precisando comprovar meu valor. vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer.. ministra-lhe drogas e foge. Quanto mais decidida você estava a vencer. quando. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo. percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. quando não estava m dançando. amou-o quando dançava com ele. Considerei-a inteligente.berrou com voz esganiçada. De repente. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas. estará dizendo claramente que não o ama. Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas.Você chegou. nem padre.

Você é mesmo uma ótima companheira de viagem . Disse em tom consolador: . as câmeras de T V em posição. E eu também tive culpa. O diretor.exclamou-me Chris ao ouvido. tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme. Ajeitei-me numa posição confortável. eu sempre soube. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa . achando graça no seu jeito. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total. prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. Chris carregava minhas duas malas pesadas.resmungou ele. Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. Num gesto automático. mantenha-se à distância. Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. Na verdade. .A esta hora. . digno de ser amado pelo que era como pessoa.. embora soube sse que Julian ficaria furioso. . ele o disse muitas vezes. Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem.indaguei sonolenta. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho.Claro . Chris. satisfeita de tê-lo perto de mim.Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. na metade posterior da platéia. como sempre. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele.. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. mas não o av istei. enquanto eu levava a sua. A mim. .Pobre criança. e .Também estou procurando. esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la. no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? .. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris. Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. se fui dura com você. Paul se manteve afastado.replicou Chris num tom sombrio. é para seu próprio bem. deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração. Entramos na platéia escura. . você será melhor bailarino que eu. pois este fincou pé: . o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila.Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie . O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu. Catherine. co m agasalhos de lã vermelha nas pernas. Procurei por Julian. ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente. Paul e Henny. Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina. . O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível.Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. Mas Georges se manteve em silêncio. Agora.Sim . Teremos que ensaiar muitas vezes. Que seja muito em breve.Agora.Chris . . Diga-lhe. Estávamos ambos cansados. Carrie chorou. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim. tão sonolento quanto eu. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo. Quando conseguir salvá-lo.respondeu ele. pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria. Oh! estava maravilhoso na justa malha branca. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição. O palco estava brilhantemente iluminado. Ri. com o Georges. Você precisa evitar que meu filho se destrua.Puxa! . em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa. apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. . caso as cois as corram bem.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco. muito mais leve.. salvar-se-á também. atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. . Julian deve estar ensaiando no teatro. Não é perigoso. e nem mesmo permita que ele o veja. Embora eu tremesse de frio. Vá depressa .

Está bem . Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas. então. você não estava tão doente. Mesmo eu. . se me deixar cair. Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção.Corta! .Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras. Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia. famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena. de um para o ou tro. Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. preste atenção a sua dei xa. Perversamente.Srta. apronte-se. procurando acalmá-la. aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas. aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos. A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! . obser vando a cena como uma águia. Lange. Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você.Marquet! . sentada quase no fundo da platéia. comecei a ter pena de Julian. Cathy. Desta vez. Yol anda escorregava e quase caía. sarcástico. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! . Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. .Maldito! . Obv iamente. é ela! Sempre salta antes da hora! . Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo.concordei.disse o diretor. Dahl. que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda.refiro-me a você também. que fazia todo mundo perder tanto tempo.Com licença. arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele. . até então. A despeito de m im mesma.Então. Gesticulando.. O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. Sorri. Enquanto isso. Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto. quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi.chamou o diretor. julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco.É apenas a cobertura da Srt a. Tudo estará bem. um minuto.. não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta. Marquet. pondo-se de pé e olhando. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido. pude escutar as imprecações de Yolanda.Sim . diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda. Chris . Lange . eu entraria em ação. Catherine! . é claro.esbravejou Julian! Não sou eu.Ei.disse o diretor. sempre com maus resultados. . você. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé.Eu também. tensa. vamos tentar mais uma vez. o resultado foi igualmente desajeitado. .berrou o diretor. indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . na primeira fila.sussurrei .. . pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles. .Ei.Faz-me parecer desajeitada. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! . Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. pois eu também precisava de disciplina. tudo dava errado.é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência. Lá na frente. Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! . usando uma malha vermelha.. Não obstante. em breve ficaria se m par... Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta. . impaciente. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco. fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil.chamou ela com grande entusiasmo. ela sibilou: . Ou melhor.Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: . Agora. . Os olhos negros me viram sentada. Então. sentindo-me tão exausta quanto eles. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora.berrou ela.Eu! . dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela.

tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos. Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem. ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco.Escute bem uma coisa.Seu marido. . Chris correu do auditório escuro para socorrer-me. diretamente sobre meus pés. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. ele exibiu um sorriso malévolo. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios. Então. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada.Agora. dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras. Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys.Maldito seja ele por fazer isto! . tentei focalizá-lo. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros. Agora. fazendo um perfeito "colar de pérolas". Empalidec eu de dor. O alívio brilhou n os olhos negros de Julian . bem? .Você é um bruto maldoso e sem consideração.Intervalo! .tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia. Julian é impossível! É um furacão.Sim.. pulou muito a lto e desceu com toda força. Em breve estava pronta. quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? . não sabe ser razoável! Logo ficará louco.Madame . empurrando-a com tanta força que ela caiu. Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim. Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle. Então. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama. sei que você a detesta. utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias . Estonteada. boneca bailarina: ninguém me abandona.replicou ela cruelmente. especialmente minha esposa..indaguei -. Ao invés disso. . Ou melhor: logo nós fica remos loucos. meu coração querido.berrou o diretor. Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância. Agora. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . se fizemos tudo com tanta perfeição? . amor.Portanto. minha amada Catherine. Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores. Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco. Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios.Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem.disse ele com grande frieza.. deixei-me cair no palco. Julian interrompeu a seqüência do balé. se não tornar a ver seu rosto. você verá quem dançará Giselle comigo. olhando para os pés que inchavam rapidamente. mas não bastou. tarde demais para salvar-me. agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você.mas apenas por breve instante. Yolanda tentou deter-me. Como poderiam cortar a cena. sem parar de acomp anhar o ritmo da música. Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos..Não está dizendo a verdade . Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo. sozinha.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange. meu amor . . Portanto.Olá .disse Julian com amargura. um demônio. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor. esperando tudo dele. enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco. ..vociferou meu irmão. . quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. . Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse. por isso a escolhi. ajoelhando-se para desca . . e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida... Meu amor . de repente. nunca me amou. Hesitei nas coxias escuras.repliquei. Certamente não será você.Nunca me amou. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar. calcei as sapatilhas. Por mais que eu fize sse ou dissesse. . vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e.Você foi substituída .Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? . .Você não me ama .

. Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça. as armações de arame retorcidas. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos.quis saber ela. Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. tentou mover-me os dedos.objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos .tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! . muito querido . a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação. procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. causador de toda essa encrenca? . os médicos preferem ser exageradamente pessimistas. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . os dedos maiores foram poupa dos. Cathy. deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto. que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede.disse Chris em voz baixa. Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas. atirado no chão. Olhou de perto para Chris. soluçando e fungando. Mas não disse do que dependia. Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente. Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim. . mas gritei ao sentir a dor terrível . olhei em volta. Sorriu. tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. chegando-me até o joelho.ordenou Madame Zolta. tudo depende. Meu irmão tentava mostrar-se profissional. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente. azul e roxo que ostentavam. Já que ele se mostrava tão calado. Nossa sala! Que desastre! oh! Deus.Você poderá ou não voltar a dançar. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito. Você vai precisar de um ortopedista. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás. beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s. enquanto eu me derreei sobre as almofadas. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar.lçar-me as sapatilhas e examinar os pés. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados. do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde. boquiaberta. com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé. tornou a pegar-me cuidadosamente no colo. basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados. Mantive os o lhos fechados com força. enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso.Leve Catherine para o nosso ortopedista . rasgado da moldura. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira. Em meus pensamento s.. nem u ma só palavra.Vândalos . Portanto.. Esbugalhei os olhos. . Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado.Ficará boa.aconselhou.Você é o irmão de Catherine. Temos seguro contra acidentes. confiante. afastando-se para examinar os outros cômodos. Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé.. revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito. . .Tenha calma .. perguntei a Chris. . as cúpulas rasgadas em tiras. T udo que era bom e caro. .. Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas. ..Claro que voltará a dançar . Com extremo cuidado.Lev e-a depressa para o médico. distante . Os abajures espalhados pelo chão. Graças a Deus. .Às vezes. Depois.. Então.Simplesmente vândalos.replicou ele. Desajeitadamente. E Chris não pronunciou uma palavra. abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto. Mas aquele marido imbec il.graças à sua perícia incomum.mas não cons eguia. Atemorizada. . para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo . Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista.

"Sinto m uito. Naquel a época. Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. pois eu lhe darei mais e melh ores.Chris.Sim . Ainda zonza. ainda não sou uma prima ballerina .Maldito seja ele!.Cathy . Lançou-me um olhar confuso e preocupado. Estava sempre presente quando eu necessitava dele.Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um. Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo .começou ele. usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia. dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião. vi Chris como outrora. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. os anéis esmagados.. Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia. de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. estudava-me o rosto. você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? . mais tarde. minha querida..pedi em voz sonolenta e preguiçosa. sentado na beira da cama. dizendo e fazendo o que era mais adequado.exclamou Chris. . Ele nunca me bateu sem chorar depois.Não fique assim. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados. amedrontador. Chris. no present e. julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava.ia ser o diabo! . ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas. Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu.disse Chris. . Quando acordei.Cathy. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences. Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo.Oh! como Julian devia odiar-me. Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho. . as pulseiras deformadas.Não sei o que pensar. . A qualquer momento. quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio. meu único amor. O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates. Nunca.Lembro-me. tolos e confiantes demais. Logo adormecerá e esquecerá tudo isto. . . mas apenas normais. mais uma vez -.Sim.. não se menospreze. passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante.Deve ter sido ele. . mas não encontrou o brilhante. com o rosto muito composto. . e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. Além disso. .. Eu.. fiz questão de não olhar. Ainda será uma prima ballerina! . porém. Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu. . E sou médico. por favor . eu a levarei embora daqui.acrescentei com amargura.afirmou Chris calorosa . não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. os colares arrebentados. tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos. sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha.perguntei. E quando adormeci. quase indife rente. pensávamos que toda a alegria ficara no passado. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto. Fechando os olhos.Julian .Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó.Tolos? Não acho que fôssemos tolos. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos. O aro de platina estava transformado num ova l disforme. Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho. baixinho. Haviam-me injetado sedativos. para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. jamais. hesitante. mas quantos foram? . Você atingiu sua meta e é médico . Alguém dentro de mim gritava incessantemente . Sentia-me zonza. E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul.o ódio estava próximo. tornando as sombras suaves e arroxeadas. declarando-se arrependido. Quanto ao anel que foi presente de Paul.como no sótão.Cathy . ele deve ter-me carregado para a cama. .disse ele. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol . o vento uiv ava. desorientada e um tanto indiferente. Sim. quando acordar. deixando intactas as coisas de Julian. éramos pequenos. Chris procurou. guardando no bolso o aro de platina. ..murmurei com voz sumida. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo. .Você está b em? Parece prestes a desmaiar. na qual colocara lençóis limpos.

.Cathy. virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos. dolorida e preocupada com Julian. . . Portanto. Desorientada.. l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante. causando-me dor e depois desculpando-se..protestei.. há muito tempo. Só então percebi. quando Julian chegar. você. eu o amo..escutei-o dizer. Chris..Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar. senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto. julguei por um instante que se tratasse de Julian. Não quero que Julian chegue e o encontre aqui. levantarei e não me meter ei na conversa. ou drogado.desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. Portanto. Eu estava sonolenta. Preguiçosamente. finalmente.Não me mande parar .Entende? . escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda. Mas. . mas é sempre você. .Eu a amo muito. Chris. .. Suspirei. Prometo não dormir e. abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros. onde ninguém nos conheça.não s ei por que motivo . mas sedosos e finos. . .. sem prestar a tenção. fazendo-me s oltar um grito de dor. Sorriu para animar-me..Já seria. se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos.. que àquela hora já deveria es tar em casa. sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance. a boca. não se mova . Julian me ama e necessi ta de mim. tão logo ele abrir a porta.mente. Quando você foi trocar de roupa no camarim.murmurou ele. Não teremos filhos. pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. como os meus. eu a amo tanto! .Você precisa ir embora. . E agora eu entendo. e viveremos juntos como marido e mulher. Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto..Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la. as pálpebras. cuidarei disso. seria dez vezes mais violento. .disse Chris.Então fique. beijando-me os cabelos.. Podemos adotar crianças. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas. foi apenas para fazer-me entender isso. Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida. acariciando-me. defendendo o que havia de bom em Julian e .que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s . Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono. À sua maneira.A vida inteira só tive frustr ações. . como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava.Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta. .exclamei. Como num sonho. Na verdade. pescoço e o bus to que desnudara-se.Pare! Mas ele perdera o controle. Além disso. Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas.. Fez uma pausa antes de acrescentar: . Você sabe que seremos bons pais. que nunca poderei possuir! Cathy. Sem minha presença para controlá-lo.. tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas. fazendo-me amor com um abandono sel vagem. Se ele me bateu algumas vezes. desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras.Além disso.exclamou Chris. de volta à nossa casa. . O s cabelos não eram fortes e crespos. Ele não me quer perto de você. cobrindo de beijos ardentes meu rosto. quando ele pode chegar em casa bêbado. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir. fique à distância e deixe as palavras por minha conta. está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez. não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. E não posso abandoná-lo.Ele não toma tóxicos! . enquanto el e não chega. Além di sso. Tento amar outras. a face e. . Oh! meu Deus.Chris! .. pois costumava agir ass im... sabe que nos ama mos . você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian.

Pela maneira como ele recuou. embora não visse minha expressão de recusa. recusava-se a escutar meus débeis prote stos. Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes . . Sra. então. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe.Alô? . Eu sempre amar ei você . a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente. estendi a mão para atender. Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona...Chris. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. .declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu. Sou eu. demorei-me lá mais do que pretendia. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta. Julian Marquet? Despertei um pouco mais. . Bart parou de dançar. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. e me deixou sozinha. Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. espantado. Cathy! Primeiro Paul. Mesmo que eu nunca mais volte a dançar. O silêncio.. liberte-me. recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé...indagou Chris. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia. desejo que tudo voltasse a ser como antes. perto da balaustrada do balcão. Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone. escutou-me a voz. só abraçá-la. Portanto.. deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias. encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. carteira de identidade e quaisquer .e com uma dúzia de outros homens. Chris saiu. mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar.. depois Julian. envolveu-nos.. . e este seguirá sozinho o caminho da fama. estou esperando um filho de Julian. se algum dia me amou.Você sempre me derrota.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la.Christopher.Quero o filho de Julian .. agora... .Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? . Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios. é a mim que você quer .. A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco .Sim. batendo a porta. que ambos conhecíamos bem. e nossos gêmeos. apenas você e eu. . Traga consigo seus documentos de seguro.. ele não teria necessidade daquelas garotinhas. Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes.mas eram pessoas de celofane transparente. terei o filho de Julian . onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos. curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos.. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia.. um bebê. . Deveria ter sido melhor esposa..mas é um amor sem perspectivas e. . De repente. .porque o amo. não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian. De repente. Acordei sobressaltada.Cathy. Às vezes. vou ter um filho com Julian .como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos.Sra. desisto dele. por favor. por esse motivo. sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos. Sentou-se na beira da cama. E nós pagaríam os se algum dia. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça. esfregando os olhos. Então.e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar... o segundo marido de minha mãe. ergueu o rosto para encarar-me.Poderia vir o mais rápido possível. . portanto. lá em cima. Mas não! Não haveria "se algum dia".Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse. Chris. parecia que eu o esbofeteara. começou a chorar. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos.. Ju lian e eu vamos ter um filho.. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. . pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame.

como costuma acontecer quando a morte está tão perto. Os dias se passaram. Marquet .Seu estado é crítico. Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. .disse ele. sobretudo. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" . onde poderia ver-me e reconhecer-me. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia. Falava. não tive uma só noite completa de descanso. .declarava. O braço esquerdo fraturado. . oferecerem o consolo possível. Oh! não minta . pareciam tão pálidos quanto o rosto.um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. Ela. . Ainda está no aparelho? Não. normalmente tão cheios e vermelhos. e tinha onze anos de idade.. Tod avia. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta.. Então. . Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer.Estou aqui. sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: . Sabia que você precisaria de mim. no hospital.ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar. Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. sugerimos que sejam avisados. Chris e eu chegamos ao h ospital. aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido. fora de foco.Julian . Marquet?. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza.. que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril. Sra. por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital.responderam com a maior calma.Chris! Chris! .É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida.Diga-me outra vez que ele voltará a dançar.Preferia morrer a estar assim. mas sua voz era tão pastosa.. O rosto pálido apresentava cortes e equimoses. Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la. Afinal. . Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro.É melhor ele morrer agora .Se ele tem o utros parentes. aparentemente insensível .berrei. Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield. Olhava-me com olhos sem brilho. voltou para mim os olh os negros. Incapaz de virar a cabeça. Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos . sonhador.sussurrava-lhe. .Olá. Eu não estava no aparelho.respondi.Ele vai viver? . Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si. pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava. .Você não teria tamanha sorte.. . Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço. estava colocado numa po sição peculiar.. Chris telefonou para Madame Marisha.dados médicos disponíveis. O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade . . por volta de mei o-dia. chorava em meus braços.e ela chorava. na Pensilvânia. Pensei que nunca mais acordaria .e os grandes também.. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento. E se isso a contecesse. Ele exibiu um leve sorriso irônico. Alugu ei um quarto ao lado do dele. Os lábios. arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo. eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a. baixando os olhos para a perna sob tração. após horas a fio na sala de recuperação. também engessado. Julian foi trazido para baixo. e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto.Olá. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. Sra. Encontrava-me de volta a Gladstone. rouca de tanto repetir a frase. ..Não morra. onde podia cochilar a intervalos. Cathy querida . .

Mas estava enganada.Gente como nós? . acariciei-lhe o peito. nada mais. .Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. você não está paralisado.disse eu. . não resta nada para ninguém. pingando em Julian. permaneceu e stendido ao longo do corpo. .. no que restava deles.Saia e deixe-me em paz. Pensava amar outra pessoa. sentindo todo o peso da tristeza.Não fui eu quem estragou suas coisas.vociferei quando consegui falar . por assim dizer.Maldito seja por destruir nosso apartamento! . Bocejou. Você pode requerer o divórcio. E ncontra-se apenas em estado de choque. arranco-lhe o coração! . Cathy.ou me lhor. Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também. . recus . Nem sua mão em meu peito..De todo modo.Graças a Deus. . estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . Eu não presto. Senti-me doente. Na verda de.Julian. Você não sabia? . . da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto. Não obstante. sonolento e amargo.O que somos. mas eu não estava disposta a ser dispensada. você sabe. tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo. A medula não foi rompida. A cama era dura e não permitia movimento do doente. Idiotas que dançam. . Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? . temendo que ele falasse a verdade. . como se não quisesse responder..disse Julian. Chorei.Bonecos que dançam. Quando eu era criança. então? . ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam. Estou cansado . dispensando-me. preferimos a fantasia.Não.Bem. Com a mão livre. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido. .Nem teremos. talvez mais que apenas alguns. foi Yolanda.. esmagada ou mesmo afetada. têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real.Só alguns? . Portanto. Tivemos alguns bons momentos. .Não totalmente infeliz. sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. que poderia estender para abraçar-me. eu o amo. pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro. não temos filhos . Julian tinha um braço são. .Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos.Vá embora.Julian .Jule. filhos não servem par a gente como nós.Está mentindo . Este fechou os olhos..Não somos reais. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora. Não pertencemos à raça humana. . Por isso. . Não quero ouvir o que você tem a dizer . Caia fora enquanto pode.Eu o fiz infeliz? Ele piscou.. agora pouco me importa. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu.não agora. furiosa. eu não sabia.disse com amargura. . . . caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade.Sim.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras. portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa. mas insisti até forçá-lo a dizer: . . Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade. gente como nós.. . satisfeito.. As lágrimas me corriam pelo rosto. Mas eu assisti. . Todavia. .Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. Tenho sido infiel repetidas vezes.Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro.Se tornar a sê-lo. palavra de honra.Sim.

com uma abertura para a agulha chegar à veia.. e vale muito a pena viv er por esse filho. Chris. Eu devia ter previsto e prevenido. Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde.solucei. de volta e xatamente ao ponto inicial. mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. tão piedosos e tão sóbrios . Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica.Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava. contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância. Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso.Chris . Ao entrar. Voltei para sacudir Chris e acordá-lo.disse ela com voz sumida. quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . fingindo não escu tar. indiferente. morto. Paul. nós. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian. .Eu o amo. todos sorrindo docemente.suspirou Chris. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos. enquanto ele tentava orientar-se. . Aturdida..queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas. ele praticamente cuspiu as palavras: . Acordei bem cedo n a manhã seguinte. fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian. O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian. . O número quatorze não dá mais sorte que o t reze. Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian.disse Paul. . . E lá estava eu..Aconselho-a a livrar-se desse bebê.O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa.ou o que eu julgava que ele queria. Julian . Debrucei-me para beijar-lhe os lábios. eu não sabia.. e agora está morto. Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração. . A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada. Cemitérios.E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais. Rápido demais..Se não fosse dessa maneira..Deve ter caído do meu bolso .Juro que não me lembro d e a ter perdido. No quarto ao lado. Em seguida. . Julian foi sepultado ao lado do pai. acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira.Ele próprio cortou o tubo . Dormia profundamente.. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an.. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira. de frágil carne e osso.. Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu. .Onde ele conseguiu a tesoura? . mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria . Não sei por que razão.Está certo . Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado. . sorrindo piedosamente para todos.. Nada. O nível do líq uido baixava depressa.Catherine .Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração.Pare! Você me enoja! .. Não feche os olhos. . porque vai ser pai . que nos podíamos enlutar e chorar.atalhei. . enquanto eles ali permane ceriam durante séculos. com suas estátuas de santos e anjos de mármore. que c omeçava a tremer. mesmo que você não me ame mais.. mas o tubo fora cortado! . que se mantiveram duros. sem reação. Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome.como eu os odiava! Condescendiam conosco. O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia.. Por favor. Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian.. Cathy. na minha opinião. olhei para o frasco pendente.Oh! Deus! . ele arranjaria ou tra. não permita que seja tarde demais. Estou esperando um filho s eu. que vivíamos..Ele próprio.. Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a.disse-lhe eu. . . amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé".perguntou rispidamente Chris à enfermeira. contraídos.murmurei.ando-se a ver ou escutar. Chris passou a noite inteira abraçado a mim. Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã. .

respondi.. Nunca.Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade. Não olhei para ver ificar quem era. tinha que tomar muito leite e vitaminas. E ter pensamentos positivos. Menino ou menina.. sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida. com essa expressão tão perdida e d esanimada..disse baixinho -.Não se demore m uito aqui fora.Catherine.? . A partir de agora. Madame .ta. Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro. c aso não se importe. mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite. Quando ch amasse por sua mãe. estendendo a mão para pe gar a minha. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar. . ensinando-o a dançar. evitando-me o olhar.. eu estaria a seu lado. que se preparava para descer a escada. Quando precisasse de mim. Dentro de mim. . Passei por Chris.Seu quarto está exatamente como antes. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet.Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante. jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! . balançando-me na cadeira pred ileta de Paul.disse ele. Estremeci .. alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e.. Preciso de tempo. ou sobrinha. minha. As tábuas do assoalho rangiam de leve .Agora não.Agora. . pois já sabia.exclamou Madame Marisha. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro. levantando-me para entrar em casa. Não virei a cabeça. Não. a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente. eu ouviria música de balé todos os dia s. Subi lentamente a escada. não vingativos.. Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar. não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho.Talvez seja uma menina.. muito bela. . . .Está esperando um filho de Julian? .Cathy .disse Paul suavemente. detesto vê-la aí sentada.Boa noite. Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. Olhei para Chris. Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. depois que seu bebê nascer. mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie. sentado no banquinho escamoteável. Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o. . em sua infinita sabedoria e bondade.Deus. meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança. Precisava cuidar-me e não comer certas coisas. pois terá um filho que será exatamente como ele! . que jamais seria negligenciado. todo seu.exclamou. . Cathy .à frente e atrás. Ainda é muito jovem. Ele me tocou. pensando na criança em meu útero. como interno no Hospital Clairmon t.. Compreendiam-me. .Objeções? . . Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu. Paul . Chris também estará lá. Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora. Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. vier ao mundo.Duke fica tão longe. . Todavia. Julian não está morto. co m rebeldes cabelos negros. se for um menino não fare i objeções. Sorri. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim. portanto. Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé. pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha..Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho. permita-me ficar num lugar mais próximo. eu estava sozinha na varanda dos fundos. Mais tarde. . eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus.

o Dr. pois.. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os.Desde que você voltou. tão bem quanto conhecia Chris. mas meu namorado e is so me alegrava. Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. Oh! tive meus momentos de nostalgia. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil . espero. Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. pois estará mais que disposto a amá-la. Mais outra morte em sua ficha. Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida. Depois que a vir e souber como você r ealmente é. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida. apesar de velho.Será jovem também. vem apenas para poder ficar perto de você. tiver a namorado ou fora a um baile. se decidisse esquecer sua pe quenez física. exatamente como morreu seu m arido há tantos anos.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. porque todas as mulheres olham para ele. que definhava por falta de romance.. Agora.mesmo que sejam trigêmeo s. quase da sua idade. Winslow. . . ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel. ela também causara a morte de Julian. sabendo o que meu irmão desejava. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara. pequena e doce Carrie. três vezes mais que isso. Suspirei. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. Tomei Carrie nos braços e consolei-a. Carrie escutou-me. E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. M amãe! Cara Sra. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez.. de cabeça para baixo e na posição normal. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. novinha em folha"..o que me aterrorizava. Eu as conhecia. Homens que. co mo antigamente. enquanto a barriga crescia. pois havia dois homens que necessitavam de mim. O Dr. Carrie queixou-se comigo: . para mim. de algum modo. eu esta va com os pés firmes no chão.. Paul é bonit o. mas permaneceu emburrad a perto da janela. Japão! Puxa. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. Querid a.. pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão. como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. E tinha Carrie. Paul jamais seria velho. Darei um jeito de sustentá-lo . a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança. Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença. eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York.. Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados. deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian. . não precisará ser coagido. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas. Carrie. Um dia. E bem poderia fazê-lo. por dentro e por fora. Estou esperando um filho dele. Eu fazia de conta que ele não era meu tutor. viúva e velha demais para um estudante. Então. Ri. declarando que aquilo era ridículo. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina. agora com dezesseis anos. Cathy. por meios sutis. Detestava movimentar-me desgrac iosamente. Pois. nunca saíra com rapazes. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim.

Como sente os dedos. Olhou para meus pés. órfão. agora que outr o belo marido morreu. Quando meu filho chorar. Volte . uma parte dele que eu poderia guardar comigo. pois estava sedenta de afeição. Então.. O seu presente foi o melhor de todos. Lá estarei semp re. exercite-se. .Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido.. sem dar importância a calorias ou colesterol. recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine. estarei a seu lado. que nunca se sentirá abandonado ou traído . espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades. Pensei que você soubesse.Não creio que seja necessário responder. Portanto. Catherine. que um dia voltaria para mim. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. Pensei também.Poderia prosseguir em sua carreira . embora me doessem quando chovia. . Lerei e cantarei para ele.quis saber Paul. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. Amo seu jeito ..Você ainda me ama. E la ainda falava em amor.Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. Pouco de pois do Natal. Desajeitadamente. Contudo. meu amor. certo dia o pai morreu e a mãe se transformou. sem se deixar convencer por meus ar gumentos. O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador. Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an. Eu a amo. . agora? . Choro principalment e por você. não permitirei que meu filho se sinta negligenciado.Calada. não é mesmo? .disse mansamente. não apenas uma. apoiado por Paul. Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". . . Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo.Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar. .Isso não é resposta. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente. Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: . comia o que tinha vontade. Envelhecia com uma rapidez espantosa.Não é mesmo? . A vida nos oferece muitas oportunidades. esquecendo-se por completo do amor.. E os adoravam de modo quase irracional. debrucei-me para entregar-lhe o bilhete. que finalmente estavam curados. ela se ergueu e foi para seu quarto.disse Paul. Movi a cabeça para encará-lo nos olhos. Preocupava-me com ela. Comecei: . A vida s em um homem parecia nada significar para mim. Chris. cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza.Por que sorri assim? . insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas.Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez. Choro seu belo marido.Trate de continuar seus exercícios. pelo jeito como você me olha. Aceitei pressurosamente o convite. deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. Mantenha-se em forma. Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. . caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade.respondi indiferente. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço. desn ecessário ou indesejável. dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora.Muito bem . . Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda.

Catherine . dando o bastante a cada um deles. Girou nos calcanhares e saiu da sala.Teve outras contrações? .de sorrir. Sente-se e tenha calma! . de nadar. desgostosa. .disse Paul em voz baixa.Para mim..Prec isamos fazer algo quanto a Chris. E eu repli quei: . . . . que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. Faz um mês que estou pronta. Valentino . também não podia magoar Paul. ajudando-me a sentar. desejando que ambos os lados vencessem.só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul. .Cathy . despido da cintura para cima.Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam. nada mais.Graças a Deus! . isto é. Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo. antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor. mas é uma noite tranqüila no hospital. você está prestes a ser pai! Levantei-me. Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. se não me ama. apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata.declarei com voz sumida. . O que ele deseja é impossível. Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais.Posso entrar? Ele abriu a porta. Era preciso tomar uma providência quanto a Chris. Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei. no outro lado da porta fechada. Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo. vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul.o Dia dos Namorados .Sinto muito haver chegado numa hora imprópria. mas não d emais. Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando.exclamou ele. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços. usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno. menos você. Dê um basta em Chris. Lembre-se disso.comentei depressa demais. acabo de sentir a primeira contração.Estou de plantão. Tapa os ouvidos e se afasta.disse Paul. Tinha conhecimento de que doeria. Já tentei discutir o assunto. Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro. mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S. . com as mãos nas costas. . mas recusa-se a escutar.. . Meu irmão entrou.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris...Julian.só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela. Paul tinha razão. Era como se eu assisti sse a uma batalha. Prossigam o que estavam fazendo. Qualquer pessoa.comentou. envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa. encarando-me com frieza. Dói tanto? . Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha . bem de leve. como se observasse minha reação. Prendi a respiração por causa d a dor aguda. Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . .Você nada me deve. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa. . de falar. despertando imedi atamente. Tentava eq Queria-o sempre comigo . é muito difícil dizer isso a ele . Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul.Oh! . . como se ele pudesse escutar-me: .Pensei que você estivesse de plantão esta noite . Ele resmungou algo à guisa de pergunta.respondi. Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste.Naturalmente. até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico.. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo.Paul.Já está pronta para irmos? . Em seguida.mas não fui bastante rápida. Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga. .. para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam. . de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava.Você é a parturiente mais calma que já vi . A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez.

. Chris e Paul lá estavam.. de estar com ele e Henny. olh os azuis escuros. o perfeito corp inho vermelho. Minha própria voz. . depois de me dei xar no carro. Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela. . não se preocupe. . Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai. Nossos olhares se encontraram e eu sorri. berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam . Não tive forças para responder. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital. o que não era possível em casa de Paul. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie. Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam.Para se atrapalharem . mas eu o chamarei de Jory. Não obstante. Primeiro. ainda com o cordão u mbilical.Por que vai chamá-lo de Jory? .Graças a Deus vocês chegaram! . consegue vê-lo? . . .. Parecia conhecer-me a voz.É lindo!.e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. ambos com lágrimas nos ol hos. . que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio.Henny. Gostava da grande casa de Paul.quis saber Paul.Muito bem. Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai.murmurei. sujo e ensangüentado.corrigiu ele. Sob o toldo que protegia a entra da de emergência.Cathy.Se ele fosse louro. explicou: . Pensáramos em tudo. engasgada de dor. . Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção. Meu filho nasceu três horas depois.Comecei a dizer que não. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza.. o "J" será por Julian e o resto por Cory. que entendeu meu raciocínio. Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados.Devemos procurar nossa própria casa . Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e.Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades. teria o nome de Cory. Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me. seu neto está chegando". E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto. vendo o cabelo escuro e ondulado. um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro . Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr . o toque e até mesmo o som dos passos. depois. logo me vi acomodada na cama . g ritando em seguida na direção da cozinha: . dizia: "Madame.sentindo mais uma contração.Para que você conte com a melhor assistência profissional possível . Dobrei-me para a frente.. Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins. mas Chris.Seu nome é Julian Janus Marquet. Sendo moreno. cert amente foi o meu Jory. que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory. quando senti a segunda dor. com seus anelados cabelos negros. . grava da duas semanas antes. Eu não sabia o que responder a isso. escutei a gravação tocando para Madame Marisha. vou colocá-la no carro. Quando Paul tornou a abrir a porta da frente. colocando-o no centro do palc o.C hris.concluí.exclamou. pele clara e macia. mas foi Chris quem pegou meu menino.sussurrei encantada. por assim dizer. Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe.Quinze minutos depois da outra .disse Chris. sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes... vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. . Fique calma . o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. pegarei a mala. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a. Desde o início.

Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz. cantando baixinho u ma cantiga de ninar. completamente remodelado e equipado com um berço. Se ao menos Julian não se tivesse interposto. Recostei-me nele. ambos desejando -me.furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade. Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. Uma palavrinha: "exceto".Não . Carrie é muito parecida com você..onômicos. . excet o no tamanho. Senti a presença de Paul junto à porta. tão parecida com uma criança e. . cada um começando a encarar o outro com inimizade. retirou-se devagar. Agora eu estava livre. Simplesmente aceitava.como ela. um cercado para Jory brincar. todavia. tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava. alternadamente. ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos. claro que terá. Já não era uma doce virgem inocente . Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez . Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . Paul instalara no andar superior um quarto de criança. Rapidamente. eu amava Jory por ele mesmo e. sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. não era mimado. sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. . Carrie ou comigo. não chora va ou fazia exigências desnecessárias. a fim de não acordar Jory. prolongados olhares significativos.dois homens haviam-me ensinado bem. deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me. Então. . mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris. não fazia manha. E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite.Os dois ficam tão lindos j untos. . livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço. mas não quero quebrar o encanto. Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. . ansiosa por ter um filho só para si. con tudo. com menos de um ano de idade. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto. ficou sentado entre seus pr esentes. sem um marido para tolher-me . Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever.Eu devia correr para pegar a máquina . Paul entrou no quarto. embalando-o para dormir na noite de Natal. Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente. Então eu era obrigada a intervir. Chegou o Natal e Jory. como se nos avaliasse e examinas . eu seria agora esposa de Paul.disse Carrie num sussurro. e Jory seu filho. Ainda assim. exclamando: .Cathy .como Carrie estava pagando! Diariamente.Eu não acredito . tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul. Carrie tomou me u filho nos braços. a fim de esco nder o embaraço. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. Jory parecia muito satisfeito com sua situação.mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino.. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. agora que Chris se retirara para seu quarto.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido. Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer. pensando melhor. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e.Sim.Acha que algum d ia terei um filho? .protestei em voz sumida. Soaram passos na escada. . Todavia. Não quis continuar os estudos. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção. deixando-me a observar sua saída.Não enquanto Chris estiver em casa.disse ela.sussurrou ele.. para tomar formas mais arredondadas . Cathy. Não contive as lágrimas ao vê-la.. Livre para fazê-la pagar . confuso e de olhos arregalados. Portar-me-ia como ela se portava com Papai. Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais.

depois. mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos. Cathy.Chris! Você não pode fazer isso! . também.. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos.disse Chris.seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. mas a Clínica Mayo me aceitou como residente. Entretanto.Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul. seu primeiro dente. . Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha.Sim. .. Chris ia abandonar-me! . Meu coração deu um salto.se nosso relacionamento com ele.muito mais famoso . Por f avor. . era nossa hora preferida de percorrê-los. Por favor. . quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo. Apesar disso. que duraria dois anos .disse Carrie certo dia.Você é como uma rosa.Veja esta folha de carvalho . tensa e sumida: . para mostrar-nos que ainda estava acordada . Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente. seu prime iro engatinhar de mim até Chris e. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. nada em Jory me fazia lembrar Carrie.Se a companhia de seguros de Julian me pagasse. textura e odor. e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital . . a tranqüilidade e intro specção de Cory. A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins.A folha de cada árvore tem sua própria forma. exceto por meu intermédio. até Paul e Carrie.e ocupada. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta. É o que preciso. Afinal. quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar. Chris. que me abrace quando e . . ele sorria muito mais que ela .os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont. não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . a cláusu la já caducara quando ele morreu. o que lhe tomaria mais três anos. Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio.É esta cidade . de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas. as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas. juntos.Chris. por favor.Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você.Pretende permanecer aqui depois que eu partir? . Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava. Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação.Sinto muito. Henny batia as panelas na cozinha. Não obstante. Por que você e Jory não me acompanham? . não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. Contudo. . embora não sejam tão altos. o que é uma gran de honra..indagou ele. . fiquei chocad a. Cathy. Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. Paul iniciou sua corte a mim. . Trate de arranjar uma namorada.Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar. Em seguida. exceto a rosa. Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont.. Chris ficou furioso. Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento. dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente. pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos. Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos. não sou a única mulher que se parece com nossa mãe. . Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava . se eu fosse uma abelha.Ora. Vá sem mim para a Clínica Mayo. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha.e da mãe. Nós todos. recusam-se a pagar. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama. quero um homem com quem eu possa ir para a cama. amargurado. eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé. não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade. portanto.para completar o período de treinamento. Não sorria para e le. Tinha a paciência de Chris. .O que você precisa é de um bom advogado.

assumiu uma expressão mais perspicaz. você me pertencia e. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro.Não está falando sério! Chris me abraçou com força. tremendo qua ndo ele me largou.replicou ele. . Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei. então. E deparei com Paul! Espantada. . embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava. e.. Paul ta mbém não precisa de mim.. ..exclamei. Poderia ter-me feito odiá-la. mas agora que Julian se foi. Todavia.Não estou? Deus me perdoe. nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era. faça como quiser. Contudo. seria mais fácil. Sacudi a cabeça. os olhos negros cheios de desconfiança..Sim. sempre fui um idiota. você é a única mulher no mundo. be m. desejando o impossível. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos. de uma casa só para mim.Para mim.tudo aquilo me deixou doente. fez-me amá-la. com ele. enquanto eu possuía algumas idéias próprias .. Chorei no roseiral. Paul olhou-me intrigado e. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. .replicou ela com rispidez.Mas sou um idiota. a época de Chris partir. . Talvez. como antes . precisava de dinheiro. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. Assim. compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha .Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa... . . Você não precisa de mim.Muito bem. Era tempo de entrar em ação.Poderíamos morar juntos e. de qualquer maneira. não procure assumir o controle e mandar em mim.Não pretendo morrer .Esqueça-me.. Agora. Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque..Não. suponho que você me consid era velha. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal. saber qu e se ia.Eu poderia tê-lo tratado melhor. mas ao contrário. se Mamãe permanecesse longe.declarei. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r . colocando-as em meu álbum. Agora. meneou a cabeça com evidente relutância. Mas obriguei-me a sorrir. Catherine. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. depois. Julian precis ava de mim e eu fracassei. a seu m odo peculiar. negando. .Não! Será que não entende que não dará certo? . pois é mais forte que ele. mas falo sério! Naquela época.quando eu era o único ho mem disponível para você! . Outubro chegou e. Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro. Sinto t anta falta dele. aberto e reto até P aul.. . Então. Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . meu caminho estava limpo. cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta. Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e.. só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho. nunca se podia dizer com certeza.u sentir medo. Vê-lo arrumar as malas. eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens. .. creio que não daria certo para você . E vo cê me fez desejá-la. ele não agrediria por raiva. empertigando-se. Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris. Acabará fazendo. Fitei Chris. Cathy. .Veja o que fez! . Na realidade. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. embora eu nunca pense nisso. Eu concluí seu argumento: . fiz algo completamente fo ra de meus planos. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente. mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe. que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna . desembarcando do avião acomp anhada pelo marido. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente. Advogado. do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente. invadida por um sentimento de culpa. porém. O primeiro peão a mover seria o Dr.

eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio. mais inteligente e esperta. Winslow. tinha um filho e. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente. Eu estava muito endi vidada. Então. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. Cordialmente. e ainda outra. A cada sete dias. encontre-se a si mesma.. eu enviava uma nova carta. tenho certeza. Este já fizera mais que o suficiente. também precisava cuidar de Carrie. após muitas tentativas fracassadas. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe. Portanto. em Gladstone. ou bilhões. a boneca bailarina. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição. Escrevi outra carta. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. Winslow: Era uma vez. E se. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito. Sra. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares .. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro. decidi que já aguardara o suficiente. embaraçada.. Tentei con versar com Chris a respeito.Desde o dia em que Julian m orreu.. De toda for ma. deixando para trás o Natal e o Ano Novo. liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz.replicou Paul com um sorriso irônico. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal. ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava. vá morar em sua própria casa. na Pensilvânia. os ouvidos do Sr. advogado. Bartholomew Winslow. prefere que ele jamais venha a conhecer. Catherine Dollanganger Marquet . Levantou-s . E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. de certo modo. Minha mãe pretendia ignorar-me. Agora. vi-o de perto e. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. Sra.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. Bacharel em Direito. desta feita. num piscar de olhos. Agora. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe. além disso. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu.exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. quando ele está noutra cidade. Contudo. com a raiva aumentando no peito. f icava desapontada.. E esteja certa. Todos os dias. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto. depois outra. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. Todos os dias. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. Portanto.. Sei. eu poderia saldar todas as minhas dívidas.. mas também se recusa a escutar.se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe. depois de passarem meses infrutíferos. mais capaz. escutarão fatos horríveis que a senhora. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. Interrompi-me. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema. . s eja independente. Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo. eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera. ele tinha os olhos bem abertos. volte para mim. de modo que irei diretamente ao assunto. Afinal. Tento conversar com vo cê a respeito. Wins low.. marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. parte daquele dinheiro nos pertencia. Oh! que mentira! . mas ele se recusa a escutar.. Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos.Compreendo . de que se o dinheiro não for de vidamente remetido.

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta. to das as casas custam muito caro. Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora. Uma delas é deveras boni ta. existem alguns chalés menores. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda". no banco dianteiro do carro. Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite. considerando a quantia suficiente .Não se preocupe . . Terei ao menos seis filhos. a S rta.. outros com você e Chris. talvez mais.. estamos voltando para lá? . decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto. Creio que Carrie também ficou.Ele é tão lindo. Contudo. Tenho o palpite que. . mas resolveram vender a casa e morar na Flórida. . Foi no mês de maio. eu precisava agir assim . Era grandalho na e masculinizada. Paul. Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço. O banheiro e a cozinha também foram reformados .Não. cuja mansão fica na montan ha.. os grandes olhos azuis cheios de temo r. Olhava pela janela e depois me fitava. Quero que alguns se pareçam com Jory.Vocês precisam de algo compacto. ajeitando-se para tirar também um cochilo.mesmo que não fosse.A caldeira. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da.replicou ela. que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados. Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo. e um ou dois com o Dr. Jory e eu. e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos.Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir. Partimos em meu carro. Sou até capaz de apos tar cinco dólares. mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada. instalada há cinco anos. Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas . . Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos.. de modo que não terei filhos para amar.. Carrie ficou muito excitada.É ótima. festejado sem a presença de Chris. não apenas s eis. À medida que avançávamos para noroeste.mas não mencionei o assunto. é a óleo ou gás? .compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados. é fácil ver que adoravam a casa.Oh! adoro viajar! .Ninguém vai querer casar comigo. . Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. escoando bem a fumaça. com um lindo jardim. . os g randes olhos azuis muito abertos. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora .Cathy. Quando Jory adormeceu. No dia seguinte ao aniversário de Carrie. Contudo. Agora que estávamos a caminho. . abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. Logo de manhã cedo.Eu a amo. Nesta zona. .declarou alegremente. após nos instalarmos em nossa nova residência. ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado. segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge.Não é verdade. comentando tudo que víamos. com exceção dos seus .Gás natural.A chaminé dá a impressão de não funcionar. uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. Carrie. funcional e não muito dispendioso. só falando em negócios. . O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. . Carrie. .. não exatamente. Cathy. Henny nos observava . a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco. de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares. Contudo. .

que adorava cozinhar. tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. Sempre que possível. Carrie. espancados e mortos de fome. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha. ouvir e ter a sensação da dança. naturalmente. . Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel. . no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. um jovem bonito. Freqüentam as aulas por vontade dos pais. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave. do desespero. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu.. se nunca tivéssemos visto aquele livro. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. Dahl. com porta de vidro .A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé.. o resultado foi delicioso. Na verdade. Eu dava aulas na escola de balé. si tuada acima da farmácia local. depois. pois não me sobrava tempo para isso! .Acha que devemos voltar para visita r o Dr.Mandaremos instalar um forno embutido na parede. . Carrie. não me atirara àquela aventura de olhos vendados. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. e tinha cerca de noventa anos. Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar. eu levava Jory comigo para a escola de balé. não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. economizando a despesa de mão-de -obra. como também par a tê-lo perto de mim. A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar. Era loura. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. Soltei uma risadinha e ele também so rriu. que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. . graças a Deus. Em certa manhã de sábado. no início de junho. . Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. com uma lareira ladeada por estantes.Vi-a dançar Com seu marido. podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos. Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão. viu-me com Jory e perguntou se era meu filho.Claro que sim. talvez.. mas pediu-me que o tratasse por Al ex. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais. e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. Carrie emburrou-se. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos. Chama-se Theodore Alexandre Rockingham.Em que está pensando? . .quis saber Carrie.Na verdade.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. . Cathy. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado. de proporções razoáveis. eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. de repente. Srta. ao me smo tempo em que tomava conta de Jory. . naquela noite. não tivera meu passado ou meu tipo de infância. Contudo. Entretanto. Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe.disse eu a Carrie. toma r Carrie e Jory pela mão.. Paul e Henny?. Talvez. eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. animou-se por algum motivo. Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me. Àquela altura. Espero que pense nisso. O espaço aumentou e tudo parecia maior. Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. mas a sala era em forma de "L". mas. sabe que não podemos fazê-lo. a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira. que jamais mudavam de aparência. forneceu-me uma lista dos alunos. Com o madeirame pintado de branco.Sabe. deixando-os lá para serem torturados. muito miúda.

com um filho. em Maryland. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito. Catherine. Eu só recheei a galinha . Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços.. m as. O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também. já viu sua mãe? . Oh! Deus! Tomei-a nos braços.Por que não? . . Alex era um rapaz bem apessoado. . ou talvez pastor protestante.Você aceitou? ...Cathy.indagou ele. O jornal local noticia-lhes todos os movimentos. . . claro que estarei. .. mesmo quando era casada com Juli an. ela e o marido . . mas.Ouça. Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria. Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado. Ain da não se decidiu. mostrando que compreendia.Carrie.protestou ela. Ela me fitou demoradamente. . Paul e eu sentamo-nos diante da lareira.Moram em Foxworth Hall. . senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa. com uma expressão estranha. De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico. Além disso. pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: . Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele. .Então. preparei o molho. acrescentou: . . Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde. ele nem notou que sou tão pequena.Fez uma pausa.. Não me parecia errado.Você estará aqui se ele vier jantar? . Já falou com os pais a meu respeito. Cathy. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim. Então. querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho. ele me convidou para um encontro.. modesta.É muito acolhedora. .. Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos.. até que morra. observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras. . Depois.Escute.murmurou.comentou ele. vo cês se viram antes.respondi em voz baixa. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. Só então entendi. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo.Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços. como se fôssemos casad os há muitos anos.Quero fazer amor com você. baixou os olhos. ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. Cheia de felicidade.. De repente.Não o conheço o suficiente. . . você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz. Vamos convidá-lo par a jantar. .Ora. querida: convidarei Paul para vir este fim de semana. residirão com ela. poderei verificar se ele serve para minha irmã. fiz os pães quentes e os suspiros.Onde me encaixo eu? . amassei as batatas.Oh! Cathy. Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos. antes que Carrie volte para casa. Jamais deixara de amá-lo.. Abraçou-me ternamente e assim fi camos.. . muito vermelha. Paul piscou um olho para mim. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar. no sofá.gaguejou ela.Cathy. encarando-nos nos olhos. Cathy c uidou do resto. de vinte e três anos. Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé.Estão aqui. fitando-me temerosa e tremendo de esperança. em frente à lareira. . eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar.Mas.Cathy preparou quase tudo.Não. Despimo-nos rapidamente. Paul ficou calado durante longo tempo. .. . . . viúva.Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa.Gosto do modo como arrumou a casa . que elogiou minha comida. Ele não vai querer uma mulher mais velha. de modo que Bartholomew Winslow e S ra.Não . de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim. afinal.

pois freqüentemente o chamado . esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer. da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó.Ele não é lindo. Cathy? .O pior de tudo é que compreendo. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso. mas deixei que meus braços falassem por mim. O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. então o céu deve ser perto de você.pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis. E. segurando-me a mão. não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá. Em seguida. eu vinte e sete. Sim.Paul é muito mais compreensivo que você. Alex fosse apenas um jovem comum. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos. espero que a paixão ainda nos governe.era a voz de Chris. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. ou noventa. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado. diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. . est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí. eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura. quando mor rer. Fiquei sem saber o que responder. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. . desejando protegê-la. Cathy. . pois tinha a impressão. tendo-a em meus braços. Está sempre fugindo de mim. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura. então sentei-me bruscam ente na cama. Então. Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. há o problema de Mamãe. .Minha Lady Catherine! . Entretanto. com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé. A amiga deu-me o número de seu telefone.Oh! Catherine. boa aparência.Que belo e poético .. amando-me como eu a amo. na realidade. Parecia-me uma idade impossível para ele. que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim. Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e. Chris. Despedi-me rapidamente e desliguei. E eu concordava. . Estendi preguiçosamente o braço para atender.indagava ela. amando-a. acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa.. querendo arrastar-me também. mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me. como agora. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada . Na calada da noite.. acima de tudo. . embora. acordei repentinamente. como você sabe que está.repliquei. Cathy. o telefone começou a tocar. com você me abraçando e fitand o como faz agora. Sempre que algo de bom me acontece. O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos. manipulando o aspirador. e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! . porque estarei sempre e m seus calcanhares. Ele sacudiu a cabeça. no estado de pesadelo em que me encontrava.Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando.. Cathy.. que seja após fazermos amor. Tive uma terrível sensação de pânico. Chris completaria trinta em novembro. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora. exatamente como Cory. má. E quando tiver essa idade. acelerando-se . sinto-a ao meu lado.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul. . Se for pecado. Mas tenho certeza de que se magoará.Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama. Além di sso.

Em breve. ara ele a melhor esposa possível. Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim. Cathy! .Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas . olhando para as montanhas escuras. . mais elegante. adivinhe que nome lhe darei. pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! . Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor. E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir. Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela. Carrie. P ortanto. . se Alex não me amar eu prefiro morrer! . encurralando-nos como outrora.sussurrou ela. minha cabeça já não parece tão grande. Exclamei: . Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim . Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . Uma semana mais tarde. limita-se a ficar sentado. mas cortou-o à altura do s ombros. co mo eu. onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono.Queria ficar perto de você . Ele não fala muit o.Eu sei! .Alex pediu-me em casamento esta noite .nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado. beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão.Está passando bem. Farei minhas roupas.declarou Carrie. ou com um incêndio no outro lado da rua. que nunca tinha insônia freqüente.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. Sentia-me feliz por ela e por mim também. . Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r. Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis. Cercava-nos por todos os l ados. pois já sabia.Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres. .Veja.era para ela. alarmei-me ao vê-la ali. como costumava fazer quando criança. passou a maqui lar-se. Carrie. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal. Tinha o cabelo naturalmente ondulado. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes. Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie. Eu não precisava adivinhar.Você é capaz de acreditar. Pela primeira vez na vida.indaguei. como o meu. .a crescentou num tom inexpressivo. O primogênito de Carrie. que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. escuras e misteriosas dentro da noite. Carrie. olhando-me daquele modo suave e especial.Ele me contou uma coisa. . contentar-me-ei com isso. Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo. Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade.disse ela. obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los. Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã. querida? Por que não dorme? . .Não quer ser esposa de um ministro de Deus? . como é natural. louro e de olhos a zuis. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie. Carrie! E por ele também. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça. voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos. sentia-me temerosa. .Que maravilha! Sinto-me feliz por você. acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la. Cathy. Levantei-me e me aproximei dela. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. Portanto .Agora.Oh! Cathy. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! . num tom que me . sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia. hem? E notou como fiquei mais alta? Ri. Chegava a borbulhar de excitação. Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. Sua juventude. as dele e as das c rianças. Cathy: resolveu ser pastor. Ri. No fundo.exclamou. Estendi os braços e Carrie se atirou neles. abraçando-a. Quero ser p . teria o nome de Cory.

qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. Carrie. como se me conside rasse. Há muito tempo.Em especial. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. Só os mortos. . E eu falei pelos cotovelos . Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. Não me quereria mais. Cathy. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . Além disto. mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo. Ansiava pela presença e apoio de Chris. a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta. Paul quem me esclareceu.Ninguém é. nunca teria permitido que isso acont ecesse.. que nunca deveriam ter n ascido. mas tentarei. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra. Cathy. sem nenhum defeito. ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. pois deseja uma esposa e filhos. perfeita. mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado. entre todas as pessoas neste mundo.Alex é perfeito. como eu. Eu não entendia direito o que ela queria dizer. . E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto. explicou: . mas senti que a cul pa foi minha. Jamais fez alguma coisa ruim ou errada. odiei-a mais que as outras! Cathy. suas esposas. . tenho certeza. Alex deseja uma mulher perfeita . t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. .Foi o nosso Dr. O Dr. a sociedade estabele ce as regras.Querida. Carrie. muito tempo. Não sabia o que dizer. exceto que passamos à tutela d o Dr. de modo que desistiu do catolic ismo.Alex não mente. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei. nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. . por odiá-la tanto! Também odiei Julian. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. . Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto. nem a nós. .causou um medo mortal. Deveríamos ter nascido. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia. Cathy. Carrie. Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião.. não sei como dizer tudo da maneira correta. . Deus não os puniu. Começou a chorar de dar pena. E isto é mentira. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. se Deus não quisesse que nascêssemos. Carrie. E também por Paul. como faria uma mãe. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você. Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato.. eles não eram parentes próxim os. Vacilante. Nossa mãe ainda está viva. ou como dizer. como você pode ver. queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. . C arrie. . Além disso. Lembrando-me disso.Mentiras não são pecados mortais. Cathy? Engasguei-me. Nenhum de nós é perfeito. sou má e pecamin osa. Cathy. horrivelmente amedrontada. mas lembro-me bem das palavras. Absolutamente ninguém é perfeito. esse pec ado foi deles e não nosso. cheios de maldade e pecado . . Portanto. como eu. E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. Quando era mais jov em.Como pode ter certeza? Ele lhe contaria. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza.Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. Éramos filhos do Demônio.Carrie. Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós. Não somos órfãos. Engoli em seco.e eu não sou perfeita.Mas. Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto.. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito.

E eu nunca. Desejava apenas que Juli an a amasse. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. Somando tudo isto. relações sexuais. tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos.Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer. se o que fizeram deu prazer a ambos. Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim. quando eu estava de visita e você se ausentou de casa. Alex pensaria assim.sussurrou ela. fiz algo muito ruim.. Cathy. mas o pecado foi dele. uma inteligênc ia brilhante. Ademai s. pois Deus poderia estar observando!. querendo desesperadamente acr editar em mim.. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. Carrie. Mas se você fez alguma coisa. . Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto. Portanto. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta. Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. envergonhada. . não seu. . num corpo adorável e bem conformado. alguma coisa comigo. Mas fiz outras coisas q ue são pecados.. querida.Mas. .Cathy.Não. Mesmo que fosse .Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar.. Sabíamos que éramos filhos do Demônio.Por favor. com ninguém. não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo.e não é -. gorda.Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça . manter em dia a escrituração de Paul. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele. beijei os cabelos de Carrie. mas nada em nome do amor. se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber.. Carrie. pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto.Isso não é o pior. o pecado foi dele e não seu.berrou. . Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso. Isto é um castigo. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. eu nunca tive. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas. . Tem uma voz bonita e sonora.Foi Julian. Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz. Uma vez. Paul. E sou pecadora. Julian errou.. Você não é má. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. não mais precisa envergonhar-se. Cathy.. o que fez não foi tão terrível. uma pele maravilho sa. fiz o que ele queria. querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. Você ama o Dr.Não chore nem fique envergonhada. ele q uis fazer. Ninguém contará a ele. um cabelo sensacional.Olhe ao seu redor.. . tive. depois de você. talvez Deus tenha punido a mim.. Na verdade. sem se tranqüilizar com minha argumentação. cheia de amor. .O que fez de tão terrível.. Julian me be ijou e disse que. do tipo que produz bebês. E meu também.. Cathy! . ou lá o que seja. Começou a soluçar histericamente. é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz. isso é muito normal. Carrie. eu era a pessoa de quem ele mais gostava. a fim de que vo cê e Chris não entendessem... que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. Arregalei os olhos.Mas eu saberei. E eu devia saber que era errado. Sabe que não é a nã.Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis. . E Alex não precisa tomar conhecimento. . . As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. S . jamais deveria ter usado o termo "excepcional". Um dia. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida. apanhada de surpresa. magra. Escutávamos a avó falar. Existem muitas pessoas menores que você. . pare de chorar. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro. Você possui um rosto lindo. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! . pois não deve ria ter induzido você. Não cresço. Esqueça-se da a vó. você e o Dr. São muito mais boni tos e melhores que os das lojas. pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você. cozinhar duas vezes melhor que eu.. Agora.

levara-nos para lá. As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado. não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. não outra vez! . . casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos. dará certo com você e outra pessoa. Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo.pois isso aconteceu comigo. pois eu estava ali e Bart também. Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico.Pare! .replicou ela. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar. Sofrimento por sofrimento.quando ela fosse abandonada. Contudo. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. Não sou bailarina. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . nem Alex. absolutamente ninguém é perfeito. .. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que. adormeceu. ele deixará de me amar. . como responder uma pergunta como aquela? . se o mundo é capas de mudar. . E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito. Não conseguiria suportar.Eu sei . Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. E quando eu contar a verdade a Alex. . compreendi que estava tudo acabado entre nós.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? . quando acordar. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall. Tenho boa memória. não me qu ererá mais. como aquela velha espancou Chris e você. Cathy. tam bém. Nem eu. suave e boa dona de casa como você.gritei.Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. nem Chris.não permita que ela consiga! Olhe para Chris . só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. mas o fato é que as pessoas não são estáticas.Pretende tornar-se pastor.Alex não mudará.Alex não mudará . deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe.Você nem se lembra daquele dia. Ninguém sabe como o mundo mudará. Julgo. ela ficaria sabendo o que havíamos sentido . Às vezes. não sei como fazer que todos gostem de mim. .e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los. Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho . afinal. com os tipos de livros que estão sendo publicados. Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos. aplica-lhes o castigo. como a avó. util iza-se de uma avó com uma chibata. . que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda. Portanto. Durma bem e lembre-se. sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. Só minha família me ama . Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian.Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia. . . os fil mes que gente decente vai assistir e gosta. Não sei se a mudança é para melhor. mais cedo ou mais ta rde. sim. que você e o Dr.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo. Não sou im becil. Paul foram amantes .não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. Deus vê e. quando eu estava no palco dançando? E um dia. de modo que se divertia enquanto éramos torturados.Carrie. Carrie. sozinha e sem amor. . você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não. fui a única a permanecer acordada. com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. Contudo. o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . doendo interiormente. ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente. não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar. Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero. . depois que você e Alex se casarem. mais tarde. vá deitar-se.e Alex. Veja as revistas.Carrie. Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto. as peças teatrais com todos os atores despidos.Lembro-me. o tipo de livros que são publicados.. entre gente me lhor que nós. Nin guém. nós nos encontraríamos. E se não der certo com você e Alex. querida. Mesmo sabendo como era a sua mãe. não obstante. Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós. .Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá.As pes soas que procedem mal.Você não vai contar a ele! . Então.declarou com desânimo.ordenei rispidamente. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking. nem você. Todos nós mudamos a cada dia.

e. Afinal. e agora. Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . un. tendu. tendu.Escute.Não estou aqui para tratar de honorários.Un. enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . encaminhou-se para mim. Se quiser. fechem as pernas. Jory. Sim. seja franca comigo. . nada mais . na idade dela. estou ocupadíssima aqui. Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. . . Cathy.É o meu período mensal.Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente. E. un. . deux. por favor. Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow.protestou Jory.Não tem comido direito. deux.Fica sensacional com essa malha roxa.Estou muito bem.perguntei a Carrie alguns dias mais tard e. Agora. quando. deixe-me levá-la ao médico. Jory amava todo mundo. pegando meu filho no colo e o abraçando com força.disse Carrie apressadamente. bem diante do meu nariz. . Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia. deux. Apenas não sinto muita vontade de comer. a fim de verificar se Carr ie estava bem. Sorridente e seguro de si. não telefone porque não quero acordar. Deixe-me ficar com ele o dia inteiro. as cólicas eram mais fortes que na minh a.Carrie. pliés. querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. O relógio bateu quatro horas..Quero ver os dançarinos! . Mamãe! . De algum modo. Apenas o incômodo mensal . Dahl . . Dei um beijo de despedida em meu filhinho.Percebo que reconhece esta carta . . Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? . eu contava: . Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão.Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho. poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta .talvez por ser tão semelhante a ela. Winslow . deux. pode sentar-se ali e esp erar. fechem as pernas. além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . Enquanto a música tocava.comentou.respondi em estado de total confusão. como o senhor mesmo pode ver.Tem certeza de que está passando bem? .disse ela.Estou ótima. tendu. . Winslow . Srta. que abriu um berreiro ensurdecedor .. Dahl. Se não está passando bem.Quero escutar a música. E a aula prosseguia. que ainda é quase um bebê. Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo. que às vezes dava muito trabalho .repliquei com rispidez. Jory e eu nos divertimos a valer no parque.Sr.eu tinha certeza disso . un... enlaçando-a pelo pescoço. que sabia muito bem o que queria ou não.Mais um só golpe seria sua ruína. . senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente.. . Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos.Srta. . pliés. o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era. ela replicou em voz baixa: . . empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a . Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu. Sr. os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais. com os olhos baixos.Minhas aulas terminam às cinco.Fique comigo. . Sinto falta quando você o le va. Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory. deux. . Telefonei várias vezes.eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo.Estou ocupada! . . Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. .. Portanto. embora não tenha recebido o preço que tinha em mente. Carrie não estava com muito boa aparência. vou deita r-me para um cochilo. Não leve Jory hoje para a escola de balé. Foi um dia terrivelmente longo.Vamos passear no parque. de repente.repliquei friamente. un.

Vomitei quatro ou cinco vezes.Catherine. de avião .Cathy.d isse ele sem qualquer hesitação. Com voz fraca. explicou que Jory e stava na casa ao lado. Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave. Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer. . . dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho. perdi o fôlego ao ler o resultado.Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios. não me lembr o com certeza. por favor. dei uco mais de quarenta anos. Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. . Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio. Onde se esconderam Jory e você? .. Dentro de três hora s.. Desta vez. Tenho muit as perguntas a lhe fazer . com os vizinhos. incrivelmente d epressa! Vomita. Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris.disse a Sra.Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. telefonei para Paul. Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. Dahl . Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o. xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa. Não julga que um encontro para jantar foi suficiente.. Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada. Então. havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica.Estou aqui . . percebendo o pânico em minha voz. não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris. mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono. muito esquisita. .respondeu ela num mero sussurro. .Sinto tantas cólicas. Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas.Olá . Estou esquisita. que tomava conta da netinha. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente. Como me enganei! No dia seguinte. que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele. observando Carrie. Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil.e não tente esquivar-se. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios .. . Quando compr ei a escola. Além disso.chamei. Sra.O mais breve possível.quis saber ele.. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas. Quais foram os primeiros sin . Srta. .sussurrou com voz sumida. . . o que há de errado? .Ouça.Quando melhor lhe convier. . Contudo.. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros. tratarei de vigiá-la de perto. Então. .Vou chamar um médico.Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente. fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos. .. mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas..Já cheguei. embora fosse um dia basta nte quente. Townsend. Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma. Marquet .Carrie! .. não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. Paul estava comigo no hospital. verificando que ainda estava em débito.Carrie. Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava.disse ele. realmente não me sinto bem. não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! . tão logo ele se reti rou. não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que. constatando-a estranhamente fria.Paul. Levei-lhe a mão à testa. onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela. Eu também notara a mesma coisa. que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana. pois é tão boazinha! Mesmo assim. vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo. notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias.

Eu gostaria de ver Chris. Queridos Cathy e Chris. erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: .. So lucei. Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos. usando trajes d e jogar tênis.perguntou.. o Dr. De repente. o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo. Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie. Jory. que pode dançar. . Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. mas manteve segredo. Por isso.. do jeito como mais me lembrava dele.Ela quer ver você. Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato. Agora. Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era.Acho melhor você mandar chamar Chris.Chris. Não posso ser esposa de um pastor. mantive os olhos pregados em seu rosto.Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico .. Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração.Há cerca de uma semana. perto dela . . Cathy. senti-lhe a presença antes de avistá-lo. o lugar dele é aqui. à beira de um dilúvio de lágrimas. Recuei no tempo e vi Papai. Entretanto.como você. outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. Depois. Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos. eu nunca seria muita coisa. . Todo mund o tem alguém especial para amar. ter filhos e tudo o mais.? . . menos eu. antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez. Estive ocultando algo. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória. Sempre tive certeza de que nunca me casaria. . virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo. comecei a sentir muito cansaço..ais de que havia algo errado? . menos eu. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios. Todo mundo tem algo especial para fazer . pois me parecia tão significativo! . Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor.Cathy .. caso eu não escreva estas linhas. Portanto. como equimoses . Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor. Em seguida. Não posso ser médica. Apareceram marcas.Paul! Quer dizer.murmurou.Não. adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar.. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu. . então. Leia isto e diga-me o que acha. neste momento.. não quero dizer isso. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela. Eu jamais seria alguém especia l . antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. prometam-me não permitir q . eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo. . Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo. Haviam-me retirado do quarto. Enquanto ele lia. Às vezes. Então. e não sei como foram causadas. vocês se julgarão c ulpados. Mas se Carrie deseja vê-lo. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido. de qualquer maneira. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo. há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado. chego a pensar que vocês são meus pais de verdade. Portanto. Eu estava no corredor. antes que prossigam a leitura.Não demorou a chegar.pois ele deveria saber! .tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana. pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa. c omo Chris.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz.

Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra. mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo.exclamou Chris.Chris . as lágrimas ainda brotando dos olhos.bradou Chris. Estamos fazendo o possível. que afirma que Deus ama todo mundo. como Juli an fazia. Paul. Cathy. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer. deixando-me soz inha. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e.muito bom revê-lo.disse ele em tom calmo. embora por curto espaço de tempo.Carrie ainda não morreu! . atônito. Muito obrigada. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada. não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. . e recuei alguns passos.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va. Só uma. Chris. no canto do quarto. desesperada. Falaremos com ela. ele começou a soluçar no meu ombro. Apesar de você dizer que não. Quanto mais eu pensava no assunto. comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio.. Você parece tão moreno e vibrante. Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver. eu não escutava nem prestava atenção.Cathy. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia.Sempre há esperança. . que estava muito pálido. As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava. mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça. Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade. Mesmo assim. Nada correu bem para mim desde que Cory se foi. depois. por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris.Mas se ela sempre soube. se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais. . não há? .exclamou Chris.Oh! Deus!.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência. Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. Carrie comeu-as. Agora. a fim de compensar seu tamanho diminutivo. sabendo que elas a matariam. o pacote de rosquinhas açucaradas. m as nesses momentos lembro-me de Alex. . sei que foi pecado. ac redito. como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . ajoe . Paul saiu do quarto de Carrie. também.Há esperança. mas ela desistiu da vida. E muit o obrigada. O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco. embora naquela época não acreditasse. ela colocou arsênico nas rosquinhas . Agora. .Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. Enquanto estávamos abraçados. Pena que as circunstâncias se jam tão tristes. Obrigada. mas eu estava vendo e ouvindo.exclamei. Trazia uma marca de dentada. Cathy. preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex.Como posso explicar-lhe? . . de repente. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo. Alex está lá dentro. Dr. .. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? . Na semana passada.Oh! meu bom Deus! . . foi pec ado. transformados novamente em pais pelo sofr imento comum. . A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. . temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. das quai s restavam apenas uma. o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie. . diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la.

Esta jazia. A seu próprio modo. Como num transe de pesadelos infindáveis. . . Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim. rezando para que Carrie sobreviva. replicando que ela era perfeita. enqu anto minha vizinha cuidava de Jory. exatamente o que eu desejava. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente. magra como um palito.Que foi que disse? . enquanto Alex cont inuava rezando sem parar. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la. telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa. Alex sacudiu a cabeça. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. Cada um de nós. . centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore. que correu para junto de Carrie. como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala . Sentava-me ao lado de Chris ou Paul. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. ao vê-lo tão humilde. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. Alex. sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto. deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance. todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie. Durante três dias e três noites. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. ..respondeu Paul num tom baixo e suave.replicou. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora.Tudo o que sabemos fazer . na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. . ele a amava.Responda-me. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me. pois ele realment e amava Carrie. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava. mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem.apesar d e ainda ser verão. Até mesmo quando foi apresentado a Chris. rezava para que ela vivesse. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto. Parecia até mesmo ter perdido mais peso.. To das as formas redondas. não sirvo para você!" Eu ri. levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie. estendi a mão para consolá-lo. Não obstante. chamando-lhe repetidamente o nome. Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. Debruçou-se para abraçá-la. que a amávamos. os olhos avermelhados pela falta de sono. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. Sua vo z parecia esquisita.Sinto muito se lhe pareci áspera. como se proc urasse clarear as idéias. levantei-me. O que fiz de errado. Afinal.Alex. Olhava com antipatia para Alex. Para horror de meu irmão. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. disse: "Oh! Alex. Então. . . Era uma noção idiota. interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. mal barbeado. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha. Vira o rosto para o outro lado e permanece calada. sob uma pesada camada de cobertores . ou entre ambos.lhado ao lado da cama.Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. acariciando-lhe os cabelos.Cathy. seus olhos se anuviaram. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim.Meu Deus do céu. desfigurado pelo sofrimento. combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele. apressei-me em ajudá-lo.Uma semana atrás. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. não consegui mais conter-me. . Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. Perdoe-me. Os fios louros brilhavam nos travesseiros. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie.

. Cathy.protestei energicamente. escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo.que você não o ama o bastante para importar-se em viver? . resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem.Não! . ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja.. Alex está no corredor.Quero falar apenas com você. a menos que sejam pecaminosos e não pre stem. estou quase tão alta quanto Mamãe. para amá-lo e cuidar dele.. que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica.P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos. Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo. Eu cochilava ao lado da cama de Carrie . Carrie! . . explicando que isto a preocupa. .Jo ry tem muita gente. Cathy.. atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. Segurei-lhe a mão. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar. pois você tem Alex e Chris. Carrie.Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . e Henny. E se Deus deixar que ela morra.. quando nossa própria mãe não nos quer. Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos. Fez a declaração com a maior calma. suas proporções são perfeitas . E quando eu chegar lá. quer casar-se com você e desistiu de ser pastor. Mamãe. Carrie! Alex a ama tanto.declarei num sussurro rouco. aceitava a morte e es tava satisfeita. Olhe ali. como se não fizesse diferença. . todos os dias. .. Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe.. Agora. ...Não.Não . e quas e me posso sentir crescendo. Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá. além de mim. quando escutei Carrie chamar meu nome. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro. não nós. e também Jory. não me quis porque sabe que não presto.. . E. Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. pássaros lindos.. não passava de uma mão esquelética. . Cathy . porque serei tão alta quanto desejo. eu estava esperando que você acordasse . Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza. sem piscar. dizendo: "Não a conheço" . como sempre desejei.. mas para mim. . como nós.r no assunto.. Paul e a mim. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas.. Cathy: flores por toda parte.. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor. E todas as mães amam e querem seus filhos.Tenho um segredo para lhe contar. . Carrie. Vou morrer. Devo chamá-lo s? . passando por centenas de colinas ar redondadas. ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta .. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. . Não se entregue. Era a quarta noite após a chegada de Chris. Veja.. rica. Os lábios ficaram entreabertos. com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente. Posso vê-lo neste momento. pecaminosos ou não prestarmos. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então. Oh! meu Deus. Mas Cory está a minha es pera.Querida. não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu. conversei com ele .murmurou Carrie. pergunta onde você está. Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio.Jory não precisa de mim . Ela também não quer saber de você ou de Chris. não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você. Mas não precisamos d ela. percebi em su a expressão.Vi uma mulher na rua . Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem.. O que vou dizer a ele .Não.O lugar para onde vou é ótimo.Oh! Carrie.replicou ela no mesmo tom que usava quando criança. não o fato de sermos ruins. Cathy. apenas um pouco mais velha. Jory quer a tia de volta.. Para mim. Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos.disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir. Mesmo assim. Era nossa mãe. Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. Cathy! Está quase como era antes. como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me. Não nos p arta o coração! Carrie.Muita gente a ama e precisa de você. .. a fim de estar junto dela. desde que você continue viva e o ame. A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir..sussurrou ela com voz sumida.

pagar. restav am apenas duas. Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida. Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is. mas você se recusa a escutar. Foxworth. Embora não tenha certeza. Fitei-o com amargura e desânimo. pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont. Cathy: esquecer e perdoar. Agora. temerosos e tão necessitados de amor. transformei-as numa vara de feiticeira cruel..a primeira que ela passaria sob a terra. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. Desta vez.Não. Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty .Por favor. Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. Cathy. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. Já tentei revelá-lo muitas vezes. por força de um velho hábito .e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros. Mas vi-a de relance . deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas.Você é realmente perito em questão de perdoar. num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia. E uma nada faria. ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação. pagar.Carrie não precisa de você agora. bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe". perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda. . teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. amparando-me. Quanto a esquecer. mesmo de quem não merecia viver. Mais que o sufici . esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto.r para casa. Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos.. não choveu nem havia ne ve no solo. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava.disse Chris. . mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa. para torcer e destorcer. . Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara. querida . . Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me. Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a. julguei ver uma mulher vestida de negro. replicando desdenhosamente: . Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor. quase alaranjada. até o amanhecer. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno. E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. fazíamos no cemitério da família Shef field.pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite . sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. Foi então que eu gritei! Sei que gritei. deve esquecer o passado e os planos de vingança. Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. Christopher. Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. Com o braço passado em minha cintura. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . mas outras pessoas p recisam.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. Imaginei o que nós.

. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. porém. eu saía à c aça. não conseguira localizá-lo . Passei a correr d iariamente.repliquei com inabalável determinação. que estalavam sob meus pés. Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai.Bem . ou eu o faria. Logo retomei minha rotina de trabalho. naturalmente.Fique. encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta. Mais cedo ou mais tarde. agora q ue eu não tinha Carrie. a fim de não ficar muito afastado de mim.Um dia. pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha. tisnado de sol. Ele não . Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom.Mais tarde . com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. . afastando-me de seus braços. Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia. Agora. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação. Ao contrário do que esperava.so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando. Dois escritórios. nosso encontro teria que ser "acidental". . em Greenglenna. de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro. o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente. Catherine . a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! . esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso... Antes. À noite. como era forçoso acontecer algum dia. chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro. voltarei para você e nos casaremos. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos. peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me . Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . Num sábado ao meio -dia. Jory passara a constituir-se num problema. Até então. eu preciso de uma esposa. avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. procurando. ele precisa de um homem que o oriente. o solo forra do de folhas mortas e secas. Eles pagarão caro. . não o encontrei correndo nos bosques. não muito longe da residência dos Foxworth. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade. pensei com meus botões.então.ente. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. que deveria ter custado uma fortuna. D ediquei-me a elaborar planos. se não é Catherine Dahl. Trazen do na mão uma pasta de documentos. tenho alguns negócios a liquida r. Bart Winslow era uma espécie de celebridade. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal. ele diria algum clichê. Na verdade.disse com arrastado sotaque sulino -. Quando nos encontrássemos. um determinado homem. porém. seria por demai s vulgar e óbvio.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos. .

Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava. realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha. se não conhece você ou sua irmã? Não obstante. se escondeu? . Engolia em seco. Levantava a mão para brincar com as pérolas . Diga-me. vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido". sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse.repliquei.prosseguiu. . Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos. só para observar-lhe o vexame.Não banque a sabidinha comigo! Quem é você.Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente.indagou. Então. vamos .Como pode minha esposa saber isso. Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás.Não me escondi . eu julgara pretender seguir. mas ela correu para trancar-se no quarto.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos. . talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente. . fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu.Onde. . estendendo a mão para segurar-me com força.Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? . as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. afinal. . Então. Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele. Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. Exi gi uma explicação.Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . insatisfeita comig o mesma. Desviei o rosto. Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que. Em seguida.faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. O sorriso de Mamãe. co m Bartholomew Winslow quase gritando: . a fim de vigiar a pasta. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina. Pode-se dizer.. Pelo aspecto manuseado do papel. alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado.disse ele. . . os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais.Então. . Sinto muito. é você? Sorri para encantá-lo. até aquele momento. Em seguida.Por que não pergunta isso a ela? . ficando perdida para qualquer outro homem. Por duas vezes. usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si. . Bart pareceu espantado.? . puxando a cadeira para mais perto da mesa. minha esposa as lia e ficava muito pálida. e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas .Agora .como você está fazendo agora.Não desvie o olhar.retruquei afinal. Se não a ofendo. diabo. quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. diabo. Deve ter algum parentesco.declarou ele ri spidamente.. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . seguro de si. sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar. bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes.Sim. .Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo. Era por demais confiante. nervosa . certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você . . perguntou bruscamente: .Deixou a pasta numa cadeira.Quem.exatamente como você e stá brincando agora. E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel. c omo ela costumava fazer. . impedindo-me d e partir quando me levantei para sair. masculino. sua fisionomia assumiu uma expressão solene.Ora. É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem.

Recusei. Durante tod o o tempo. Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles.Já perguntei. fraca. Fez uma pausa. e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes. quero as respostas certas . quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira. Sei que me senti doente.era o tipo que ela adorava. Bart exibiu um leve sorriso cínico. esperei ser devorada.respondi.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la.Pergunte a ela por quê! . exigindo que ela me e xplicasse tudo. E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco. . envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço. . soprou-me a fumaça no rosto. seus olhos escuros.. Esqueça-o. Cathy. embora já esteja gasto pelo manuseio. tenha fotos do seu primeiro marido. Tenho um filho para criar. Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? .. Deus.Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim. Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar. Abri-as.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz. semi-cerrados. sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: . . de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões. D esta vez. provide nciará a vingança que você tanto deseja. segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça. Às vezes.Aonde quer que vamos. abanando o ar. ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart.replicou el e. apertando ameaçadoramente os olhos. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR". Sua voz soou dura.Quem. completamente controlada. mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro. graças à sua intervenção.declarou Bart num tom monótono. forrado de plástico alaranjado br ilhante.Ouça . . ele es tendeu a mão.Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares . Suspirei pesadamente e fechei os olhos. Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz. presumo. fria. Tossi. Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? . A seu próprio modo e no devido tempo. Li-as. . continuei a afundar-me.Sabe que meu marido morreu . Ofereceu-me um cigarro.murmu rei.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade .escreveu para ela. Depois. Tinha que ser presente de minha mãe . com uma águia dourada na capa de couro? . que. o álbum a acompanha numa das malas trancadas . lutando para recuperar o controle. . surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? . . Não queria saber que ela chorava! . . Mi nha escola de balé dá prejuízo. Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela. preciso de coisas para ele. à sua maneira. debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus. chocada por saber que ela o guardara. como uma mos ca presa numa teia de aranha. Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes. Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar. diabo. observavam os meus e. inexpressivo.

teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco. que lhe deu três filhos ilegítimos.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e. De repente. . de qualquer maneira. . Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café.. Em segu ida. acendeu outro cigarro. . como se convencido de que eu dissera a verdade. Então. piedoso e santo .Vou lhe falar com muita franqueza. . mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas. Cathy. . Mas não tenho .Henrietta Beech era meia irmã de seu marido. ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa.Onde se encontra sua mãe. nem minha irmã. não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar. menti: .E não é? . embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café.Faz muito tempo. aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. . Certo? . filhos ilegítimos da família Foxworth.comentou com um risinho de mofa. Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa.disse num tom urgente. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro. Em primeiro lugar. O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas.Morreu .Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech. . . mas parece pertencer ao clã dos Foxworth. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos. tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa. . mas apenas um.Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo.Está certo. . por algum motivo estúpido. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa. o cavalheiro bondoso. eu devia as contas dele no hospital. não como se gostasse realmente de fumar. E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth. além disso. Vamos cair fora daqui . todo o esforço valeria a pena. Em segundo luga r. Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas. . especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez. Sou um deles.Responda-me. embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote. ficou muito sério. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto. É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos. Que informação extraordinária! . Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida. Nem meu irmão.respondi. Sua esposa é minha m eia-tia.Venha. Ela jamais fala no assunto. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. .Ahhh! . não me agrada que faça chantagem com minha esposa. não sei se mente ou diz a verdade. levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me. Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. poderá fornecer-me maiores d etalhes. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. fitando-me de modo prolongado e penetrante. é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão. Três jovens.Errado! Apenas eu. encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. pelo queixo. Por acaso. Já percebi tudo. Catherine Dahl. Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela. Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas. parecendo absorto em reflexões. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito.nem mesmo uma. as despes as com seu funeral e os custos do parto. Em terceiro.suspirou ele. . não levam a sério o balé.

Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. enquanto eu lhe estudava a fisionomia. Winslow. enquanto eu permanecia sentada no carro. .prosseguiu ele. . Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . sensual. a despeito de tudo. então.Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz. sem pedestal de santo. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito. .Na verdade. o que sign ificava que estava com quarenta.não mais do que você nos deu! Não obstante. Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador. até sentir o rosto úmido. Por que. julga-me excitante e um tanto perigoso. a idade em que o homem é mais atraente. Winslow? . Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento. Ótimo. .. tão logo percebo neles o mínimo defe ito. . não acha? . embora alegas se amá-la. sou muito difícil de contentar.. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me. o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão.A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos . E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito. sempre atrás de um rabo-de-saia. Fazia pouco barulho.Então deve satisfazer-se com facilidade.Aonde pretende levar-me. deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha. em ri tmo de staccato. seus olhos brilhavam tanto. parecendo satisfeito. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como.. deixo de gostar deles e me torno indiferente. como os carros de luxo de Julian. Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador.Não sei. Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico. avaliando Bart Winslow. como Paul. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory. Minha vida fora cheia de homens bonitos. . claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores. Agora. reparando em cada detalhe. Não seria necessário seduzi-lo.comentou ele.Na verdade.Bart . .corrigiu ele. magnificamente bem cortadas. levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir. mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. imitando seu arrastado sotaque sulino.Poucas mulheres se conhecem tão bem . onde quer que esteja. . Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria.repliquei. Sr. Sr. Ele mesmo o faria.. Bart. .Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se. desafiando-me? Oh! Mamãe. Quando um homem é bastante encantador e inteligente. O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes.Bem .Portanto. que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto.A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada.. Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal. muita gente poderia ver-me entrar. Suas roupas caras. quando queria. O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão.replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar. Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam . teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe.É e a - Acho melhor não irmos lá. tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer. . tipo bandido.Esteve estudando meu perfil. . . recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa. cheio de vento e fogo. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado.. Bart tinha oito anos menos que minha mãe.

quando tudo fica explicável. em sua companhia.mais ainda que a primavera. Em breve. embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel. . Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam. até que consegui con vencê-la do contrário. Virou-se para sorrir com um encanto jovial. mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho. .Porque ela era como você.. trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho .. E ela não podia ter filhos.e lutar muito. ele me avaliava da mesma maneira. dela saímos cétic os e empedernidos. sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações. abandonando-me. Quando me casei com ela. Creio que ela também pensava assim.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. O outono é tão cheio de paixão .. enquanto eu o aquilatava. pelo menos. em verdadeiras orgias de compras. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro . sumiria.Você é uma romântica. há quinze anos. como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida.Bart. Sinais vermelhos piscavam-me na mente.Como pôde pensar assim? . . Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro.Déjà vu . creio que ele estava surpre so.declarei. p ois correrá perigo se cometer algum engano! E. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. Saltei do carro e Bart me tomou a mão. não poderia ser. . Então. .de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. Eu lhe lembraria tanto a esposa. brinquedos e móveis infantis..Entretanto. e tudo estaria terminado. com ele me guiando habi lmente ao longo .da.acreditem se quiserem . estu pro e corrupção. não sei se o mesmo ocorre com você. a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? . de enfrentar coisas confu sas. Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era. E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. Venha andar um pouco comigo. Contudo.Você não é? . . Começamos a caminhar. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também. Costumava ser.Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! . se quisermos prestar para alguma coisa. de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar. faça tudo certo. Ingressamos na faculdade jovens e idealistas. . mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes. tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum. adquiria tudo que lhe vinha à mente. Cathy .indaguei. nada mais tínhamos para desejar .Sinto a mesma coisa. Afastavam-me dela e me amedrontavam. É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares. roubo.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de.por algum tempo.replicou ele.Parece poético . não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. herdou todos aqueles milhões e. Cathy.repliquei. julguei que fosse como você. Senti-me impelido a trazê-la aqui.É a minha estação predileta. então. Por sua expressão espantada e levemente embaraçada. . . Em breve. . . quando crianças. Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia.comentou ele. Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas. Eu também já senti essa necessidade de mistérios. Então.Noite linda . Na realid ade. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem. . comecei a importarme demais. Proceda com calma.Não sei. Catherine Dahl.exceto um filho. de ter alguém a quem idolatrar. quando rapaz. sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. . numa outra noite.Por que mudou? . Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério. Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora. que até hoje tem-se esquivado de mim. desejo confrontar-me com novos mistérios.

os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. tinha apenas vinte e sete anos. Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima. freqüentemente.A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem. Ela me contou que. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno. ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. todos os sótãos são iguais. . casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . com tanta falta de consideração. perto da janel a. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro.protestei acaloradament e. . basta ver um para conhecer todos . faça-me o favor de não dizer agora. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall. Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. apitavam durante a noite. Aquela música me intrigava e.Os trens já não passam por esta linha. Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. respeito. Além disso. Em seu caso particular. quando a temperatura devia passar de quarenta graus. lançando-me um rápido sorriso malicioso. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação. revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. acendendo outro cigarro. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado. Fin almente. .Ora. Na época. porém..Você é bem abelhuda. senti falta. . hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. à guisa de castigo. Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei.respondeu E agora. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas. passava o tempo todo agachada no chão. respirando o ar frio das montanhas. Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça. de mod o que ressonava profundamente. . Tive vontade. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. repetida milhares de vezes.Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente.Se não for suficiente. . na Carolina do Sul. chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite. A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente. Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato.. um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha. de q ue ano? Sabia que ela já fora casada.Não. E também a m andavam para lá no inverno . agora que tenh o tanto à minha disposição. não tenho mais duzentos para dar-lhe. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu. chamada Greenglenna . que lhe revelei tanto a meu Bart. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. Tomava pílulas para dormir. percorrendo o mundo com a esposa.Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal. Mas trata-se de uma velha estória. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. fale-me um pouco de você. pare com isso. . Então. embora sentisse frio. eu tinha em mente outro tipo de ho norários. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. A propósito. até mesmo no verão. Cathy explicou Bart. como todos os nossos amigos.Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! .Alguma vez você subiu para ver o sótão? . Então. Ansiava por tornar a escutá-la. Sentamo-nos ali. Quando a música paro u de tocar. Pretende. ago . . perturbando-lhes o sono. Então. quando a mencionei.

pois todas as c rianças da escola maternal tinham um . Naquele instante. sorriu.inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora.. Nossos olhares se cruzaram demoradamente. Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta.Você tinha um papai. . Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. pronta para cravá-la nele.. bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja .Isso pode causar um feio arranhão .todas menos Jory.Sou bom bailarino? . Você é maravilhoso! Jory riu. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? .Sim.Agora.Vou levá-la para casa . escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome. faça o pior que puder: fure-me os olhos.Leve-me para casa. durou.. ansioso por se . até ficarmos ambos acalorados e ofegantes . como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia.Mary tem um papai. .mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você. abracei-lhe o pescoço. enfiando-se em seus bastos cabelos escuros. mas levantei-me e corri em direção ao carro. Pedante. E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada. é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz. ele me devolveu a tesoura. Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé. durou muito. Diante do meu chalé. exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. . pequena Srta.Eu amo você. Meus dedos descontrolados t raíram-me. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia. satisfeito.zombou. só conseguiu e ncontrar-me o rosto. então..para a direita ou esquerda.disse. . Jory. eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto. Jory. Será melhor assim. contra a minha vontade. quando ele lá chegasse.e.Bem. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado. mamãe! . num domingo de manhã cedo. mas. . Os papais eram importantes no seu mundo. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. moldando meu corpo ao seu.seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias. Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a.E não gosto de arranhões. apunhale-me no coração. Bart agarrou-me com força e brutalidade. para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo.ra.Estou dançando? . Bart chegou.Sim. Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. O beijo durou. espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos. . para onde quer que voltasse a ca beça . Jory. . exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s. estendeu a mão e tirou-me a tesoura. devolver-lhe-ei a tesourinha. . para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. . Avançou para abraçar-me outra vez. mas ele foi embora para o céu. Quando você saltar do carro à porta de casa. Sem dizer uma palavra. abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes . Você está dançando! . a fim de alcançar minha bolsa para que. Aquele beijo já começou. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco.indagou Jory. Ele sorriu. Embora ele procurasse beijar-me os lábios.

Antes. Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude. . o que gostaria de almoçar? .Talvez.repliquei sorrindo. limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante. .Cathy.Tem recebido notícias de Paul? . . . Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso. estou preocupada com Paul.Você é meu papai. ganhei um fim de s emana de folga .Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência. .. aproximando-me p ara abraçá-lo. isto é. Virei-me para o outro l ado. divido um quarto com outro residente. . como outrora. Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos. . como recompensa. Seria ótimo p oder morar aqui. incomodar-me-ia demais. Sentei-me com o olhar fix o no chão. . .Como está o meu Jory? .. como sempre . Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções. De quatro.por que haveria de escolher você? Não respondi. perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes. . deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo.Chris. Eu nem precisava perguntar. ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas. recolocando Jory no chão. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração. a fim de evitar que Chris me visse os olhos. . . . Tenho minha própria vida.exatamente como você. Christopher. Então.Claro que fará. após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas.Eu sei. com o mais cativante dos sorrisos. olhando em volta e tornand o a encarar-me. com você e Jory. .Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. pois já sei.Não . Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso.Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos.obstinada como Carrie. a fim de passá-lo com você.Tirei folga no fim de semana. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado.Sim. .replicou severamente Chris. Julguei que sempre se mantivesse em contato com você. Tio Chris? . Só nós. . Empertiguei-me ante a sugestão. . . Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. Agora. Seja como você prefere.Eu estava apenas tentando. . o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça. .r acolhido nos braços fortes e másculos. Senti-me mesquinha. ou acha que deve ser.indaguei. minha querida irmã.Ainda não tomei o café da manhã.. sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos ..disse ele.Não vamos brigar.No hospital. Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem. se me permitir. pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana. Sejamos amigos e aliados.Está certo.Fui o melhor médico residente no hospital e.Seja bonzinho e aceite-me como sou .Quer fazer o favor de mudar de assunto? . Farei o que preciso fazer . Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris. e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados. Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade .explicou ele. . Meu irmão riu.Viajou para outro congresso médico.indagou Chris. Isto a incomodaria muito? . restamos apenas nós dois.Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito. cru el e envergonhada. Chris. Meneei levemente a cabeça. . Peço a Deus que não se arr ependa.

quando éramos apenas crianças . . eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. . graças a Deus.Mamãe. Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor.. ele me acompanhou ao quarto de Jory. . Sem falar. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. Parecia-me tão bom tê-lo à mesa. Daí em diante.Já é hora de dormir.Não é suficiente. abriu a p orta do quarto. . . A despeit o de mim mesma. que marcava onze horas. conf uso. Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. como costumava acontecer antes. Chris. magoado. que precisa acordar tão cedo aman hã. acima de tudo.Mamãe está lá? . Então. passeamos pelos bosques. ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão..Não. Naquele sótão.Maldita seja. ele virou vivamente a cabeça. Cathy. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto. o dia passou depressa.. . embora ele me observasse os mínimos movimentos.indagou. . Especialmente para você. Chris já se fora. Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto. por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista. Ouvi dizer que se encontra no Texas. Chorei um pouco. As noites nas montanhas eram frias. bocej ei.indagou Chris. e. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. É perigoso afaste-se dele.Durma bem e não seja mordido pelos percevejos. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas. dormiu no quarto que fora de Carrie.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. . com voz embargada. Em seguida. Tive vontade de dizer-lhe que. percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias. Jory. comia de tudo. ele se parece mais com você do que com Julian . diante de Bart. Paul dissera o mesmo. ergueu Jory dos ombros. Quando acordei. a fim de olharmos p ara a imensa mansão. tudo o que estava ao nosso alcance .. Em seguida.Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça. mesmo em setembro. . Parecia exausto..Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto . espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira. pousando -o no chão. . mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé. . Christopher Doll . Jory foi montado nos ombros de Chris. dan do a Jory o pai que precisava. amedrontado. Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente. Conversávamos muito pouco. Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar.. E você pode ficar aqui cem anos. Cathy.sussurrou Ch ris. Paramos juntos. deu meia-volta para encarar-me.come ntou.Quem lhe contou? . Após a refeição. Fazendo o melhor possível. às sete horas. onde olhamos para o menino adorm ecido. deitado de lado. de verdade. . ao terminar o q ue tinha que fazer. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz. também. Quero confrontá-la com a verdade. quando ele e eu fazíamos papel de pais. Volte para Paul e case-se com ele. imaginei Chris como um pai para Jory. quando comple tasse quatro anos. tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. se tem necessidade de um home m em sua vida. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. . Mas permaneci calada. quando os dias ainda eram quentes. Alertado..Então. Dando-me as costas.Boa-noite.Quando está dormindo.

o remorso e a vergonha. Mamãe sente saudades de seu tio Chris. O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. apertando ainda mais o passo. por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido. ele gritou: . magoando-me de muitas maneiras.Pare de correr. os músculos longos e ágeis. ajoelhando-se a meu lado. o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno. . transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques. A fim de acelerá-los. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas.Olá. sentindo muita dor. tomei uma bifurcação à direit a. e tendo punhos. ele também dói. com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim. exceto quando se trata de um tombo inesperado. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. Cathy! . a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar.. penetrando num pinheiral mais denso.respondi. do contrário não chegará perto de mim.pois as bailarinas sabem cair. virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . quando a turma inteira estivesse reunida. Felizmente.. Então. . abetos e espruces. deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho.chamou uma forte voz masculina. mais cedo ou mais tarde. que cedeu sob o peso do corpo. minha mãe não podia vencer invariavelmente.. engasgando-se. e abri os braços. Alguém corria atrás de mim. Só que desta vez estava machucada de verdade. Levantei-me de imediato e continuei a correr. a essa altura. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. obrigando-me a prestar atenção ao solo. esgarçado um tendão . mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto. Meus planos caminhavam devagar demais. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. como se brotasse do solo. meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça. Ri com o poder que sentia po ssuir.Não devo demorar mais que uma hora. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida. Ofegante. Winslow .. fazendo uma pirueta. . as folhas mortas amaciaram-me a queda. torci o jo elho. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas. usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo.Foi o maldito joelho. Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça. já deverei estar de volta. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina.Corre depressa demais! Era Bart Winslow. Como eu pe nsava desde criança. em solidariedade. Onde sente dor? Eu quis responder que. de modo que aumentei a velocidade. parti correndo pelas trilhas.Espere. O de stino não me poderia iludir para sempre. .Machucou-se? Parece tão pálida. As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono..Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas. cintura e gola sanfonados. Duas listras verticais. Sr. A trilha mal era visível e muito sinuosa. uma ama rela e outra laranja. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro. Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo. Como teria de ser. Uma vez. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio.Tudo bem. . Jory. Entretanto. estava bem . Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. E Mamãe não irá trabalhar hoje. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha. fui . naturalmente. Desta feita. naturalmente. que nunca usara antes. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. . L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante.outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. desciam ao longo das costuras laterais das calças. uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. Não me voltei para olhar.

insisti: .Por que veio morar aqui. estamos discutindo . Agindo assim.Está brincando! .que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher. Embora não seja capaz de correr como o vento. . Não lhe acontece o mesmo? . desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção. . foi você. . .obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar. Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo . cortando-me a gengiva. presumindo .. caso eu também quisesse. não obstante. po is meu joelho direito reagiu imediatamente. .. .Estou falando sério. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! . Seja boazinha comigo. É seguro? . de modo que posso distinguir só pelo tato.Aqui estava eu. apertando as pálpebra s. Diga que se sente alegre por rever-me. e você demonstra tanto antagonismo.Como pode saber? .Meus joelhos também funcionam bem. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher. . encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira. franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem.a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente.Sim. . . Ele sorriu.Arrogante.Claro que sim. .Parabéns.indagou ele. num jogo ent re homem e mulher. Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? .Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho.Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa. . Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho. .Aposto que tem. desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato.Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa. depois ajudou-me a ficar em pé. Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante. . que eu não tenho a menor idéia de qual seja. feliz por revê-la.Agora. Tem Nova York e sua cidade natal.A dor sempre me causa antagonismo. .. Uma noite. se pudesse ver seu joelho.Por que se porta de modo tão detestável comigo? .como todos os homens cheios de convencimento . e se ergueu disposto a aceitar o desafio. .respondeu ele.Quando sofro . gosto de todas as espécies de esportes.mostro-me delicado e humilde.resp ondi com ar inocente.indaguei. mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim.disse ele. Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo.Você quer brigar quando de sejo ser amistoso. Ele soltou uma risadinha confiante. além de uma equipe de empregados .Nada que eu goste de mencionar. de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante.pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando. para variar. Cont udo. com um brilho de malícia no olhar.. poderia julgar melhor. perfeitamente funcional. morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar . Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável . dentro de casa e ao ar livre . perto de mim? Eu ri. brincando de gato-e-rato.E você não precisava aceitar. deixan do-me seguir o meu. .o que é muito raro .Não fica sozinha. E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio. hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito. desapontado. É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz.Um pouco. . mas veio para cá . Minha sogra tenta falar.A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? . . também tenho minha peq uena coleção de truques. recebemos mais atenção.E você a deixa sozinha. . como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar. Olhou-me detidamente.

.fria como gelo. Então. Srta. eu podia estabelecer o s planos definitivos . onde me ocupei com a preparação d as bebidas. Seu rosto parece f eito de pedra. .. os olhos escuros faiscando. porque o olhar que trocamos foi muito demorado. Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. mas não posso ter certeza. Portanto. o que eu descobr iria por mim mesma..Fico muito solitária. fui ao bar.replicou afinal. Chegarei às sete e me ia para um drinque. imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados. Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma. cinzentos como gra nito. É. m as persisti. poderemos conhecer-nos melhor..replicou ele de imediato. Depois do jantar. que faça questão de mostrar-se. ambos rimos sim ultaneamente.. Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade. Dahl. meramente por pertencer à natureza humana. fixo numa expressão .. Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto. Bart. jantamos por volta de cinco e mei a. .Quando voltará sua esposa? .. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. que os dias são mais curtos. mas agora. creio que isto lhe dá satisfação. lacônico. evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo.A propósito.Logo que me casei. . pois nunca o es cutara. A menos. Tin ha os cabelos meticulosamente penteados. acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre. por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? .Qual é sua fraqueza.. . se atravessar o bosque nos fundos de sua casa. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los. mais cedo ou mais tarde. estou encarregado de verificar que a Sra. você parece uma megera.Você a chama de Sra. Uma curiosidade avassaladora me invadiu.Uísque. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo. Pude imaginar a avó. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. Winslow.Por que quer saber? . A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia. cada fio no devido lugar. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja. Em seguida. Depois que Emma.Chamo-a de Olívia! .. Portanto. Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça. Bart? . até o som de música suave enchia o ambiente). Sr. Bart já me dissera tudo o que eu queria saber.Nosso horário gira em torno do menino. . o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície. . .Às vezes. mimá-lo. como cabia bem a um bo m advogado.Com gelo? . t enho pena de vê-la no estado atual. No verão. . . Agora. Agora. nosso horário de jantar é às cinco. negligenciada ou roubada. Quis saber o nome da avó. não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. é claro.Ótimo. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m. tenho apenas a companhia de meu filhinho..Irei hoje . A essa altura. trato-a pelo nome de batismo. Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo.tão logo tivesse mais uma pequena informação: .A senha é discrição. . como se arquitetássemos uma conspiração. vai para casa.Então. jantar e tomar vinho com ele.Puro. enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. a babá. até que minha mulher volte para casa.

Desculpe-me quanto aos copos . desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou. encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira. A luz das velas refletia-s e em seus olhos. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois.. . diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? . a fim de jantarmos à luz de velas. rindo. Então. temos que co mer muito pouco. após um espetáculo. Antes de nos apresentarmos no palco.. Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre. . Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia. você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. qual será a recompensa? . chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão.exclamou Bart. . com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata. senti-me no palco. como num passe de mági ca. adiciona ndo uma pequena dose de vodca. não gosto de galinha. preparei para mim um leve coquetel de frutas. Batizei-o de "Deleite de Donzela".Bem. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas.. Sentei-me em frente a Bart. Ele sorriu. Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando. Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: . encaminhei-me sedutoramente para ele. quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade.. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas.Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas.Não comece a imaginar coisa. devastador. fazendo-os brilhar diabolicamente. . quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos.disse eu num tom suave. Após conversarmos alguns minutos. Isto é. que era deliberadamente gracioso e eficiente. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais. um pouco de suco de limão. lançando -me um olhar duro. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. O roteiro fora escrito há muitos a nos.. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna.declarou.Uísque é uísque. passeando ou fazendo compras. E. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco. Como poderia eu fracassar? Após o jantar. Ganhei dele todas as vezes. A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água. interiormen te. trancada num quarto. Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne. qual a recompensa? . vesti meu melhor terno. é feito com laranja recém-espremida..Uma segunda partida.Tomei banho. dando-lhe as costas. homem convencido . debruçando-se sobre a pequena mesa console. . . .Exatamente o motivo pelo qual vim aqui .Uma bailarina russa me ensinou. não importa como seja servido. Sim. ambos nos curvávamos para pegar o talher e.Bart observava-me cada movimento. . após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas.Cathy. Mamãe. O que está tomando? A essa altura.A galinha está deliciosa . satisfeita com a expres são de seu rosto.Se eu ganhar.Quando eu ganhar a segunda partida. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido.. Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu. . Então. nada temos de delicadas ou el egantes. . verificáv amos quem era o mais rápido. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã..jogar xadrez! . exibiu um sorriso atraente. fiz a barba. para jo gar xadrez! Em seguida. . A intervalos. desde a sandália prateada até a metade da coxa. quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas. Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando.repliquei no meu tom mais altane iro. Agora.Em geral.

E não fique aí. Do contrário. Não sei como encher os me us dias.disse baixinho. jogaremos a "negra". mas resolvi tentar.Todos os seus problemas são muito simples.Por que está chorando. Oh! Chris estava certo: com Bart. . de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s.. na minha vida pessoal. . é claro.. bailarina . roçando o rosto escanhoado no meu. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira. Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa. Bart. E. porém. Nada de passos complic ados. e vivo à procura do pedaço que ficou faltando. fez-me virar a cabeça. pois não sei por que motivo você está aqui. Cathy? .solucei. que me será revelada em algum ponto de minha vida. . não sabia. infindável silêncio. realmente. é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira. . E quando consigo alguma coisa que desejo. . um pouco de mulher sedutora. simbolicamente. .quando sei que... Quando eu era jovem. Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me. na verdade. sorrindo com tant a confiança. só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente. qual a recompensa? . pelo menos atualmente.. veio o silêncio. .Depois que eu ganhar a "negra". Tomando-me pela mão. Garotinha s de quem eles precisam cuidar .. tentando ocultar o rosto. então. diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida. Soltei um riso curto e amargo.Mas serei o último e o mais importante . . Espero demais e.declarou suavemente Bart..Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança.Então. . Naquele dia. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz. fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho. Entretanto.Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres. cheia de esperanças e a spirações.replicou Bart. sempre sendo furada no centro.. te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim. levo u-me à sala de visitas. mais uma vez . Então. porém. .indagou Bart suavemente. eu não estaria aqui.Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo. Cathy . . para alegrar uma viagem longa e solitária. Com estudada deliberação. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados". quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. só compra va música clássica ou de balé. Sou idiota.começou Bart.Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei. convenço-me de que existe uma razão para tudo. . Então. prossigo. Um prolongado.Ligue a música. apenas começando. Sou como uma rosca. depois.Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando.. Alguma coisa fácil e romântica.Não está sendo honesta consigo mesma . Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar.Claro que sabe . não imaginava que me magoaria com tanta freqüência. .Não sei.Vamos dançar. . contudo. um pouco de anjo. enquanto cont inuávamos dançando. meu sangue escorre com as lágrimas que derramo. Chris.pois já não acredito que dure muito tempo. E tudo continua assim. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. .aquele que você jamais esquecerá..insistiu Bart. Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro.Se você ganhar duas partidas. julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? . Parei de mexer os pés e funguei. espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo. que não sofra ao perdêla .Cathy. minha frágil proteção se esfacela e. agora.Não. . lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris. . eu fora além de minhas possibilidades. Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina. nunca terminando. . quando ele vai dormir e estou sozinha. Só precisa de alguém . Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada. Torno a recompor -me.. não sei o que fazer de mim mesm a. mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça.Engana-se.

fiquei apenas com a meia-calça.Você tem uma esposa a quem ama . que necessita de alguém como você. agora. prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. erguendo-me e carregando-me sobre o ombro.bradei. eu necessito de um filho. que ele puxou por minhas pernas abaixo. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. ocasionalmente. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. Sua li bido inflamou-se. Agora. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais.e.Tenho uma esposa e. zombando de mim. será minha até uma semana antes do Natal. empurrando Bart. Com a mão livre. Ela é uma trouxa de segredos. Convidou-me para jantar por um motivo. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a. Lutei para levantar-me. disposto e pronto para ser seduzido. mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem.. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar.declarou Bart incisivamente. por Deus. Seduziu-m e na primeira vez em que a vi . dormimos j untos. mas o fogo se apagou. Todavia. obrigá-lo a perseguir-me e.repliquei amargurada.Os homens também mentem . Portanto.Agora. Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora. aqui estou. refleti.ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! . . Entretanto. inflamá-lo. pega ndo-me pela cintura. No escuro. Um dos dois ganha o jogo.Cathy.Pelo menos.a firma que nem a conhecerei quando ela voltar . .. A essa altura . Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate.. minha linda sedutora. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços. de modo . limitei-me a vociferar: . . carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama. ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer. quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. . Bart jogou-se para a frente. Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo. Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. Movimentava-se para penetrar-me.Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais.. E não acredito que alguém realmente a conheça. enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas.Vá para casa! . bem amarrada.do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante. Afastei-o bruscamente de mim. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos. Se Jory precisa de um pai. talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores. . mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado. E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos. mas ele a tampou com uma das mãos. se formos juntos p ara a cama. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo. Ela que fique com seus segredos e lágrimas. Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você. sabendo que nada poderia dizer em protesto . até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. bai larina. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço.como eu.como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico . pare com isso! Veja de que modo está vestida. e não me permite verificar o que há lá dent ro. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto . apagou as luzes. Não a conheço. Bart possuía-me sem usar o coração. . Em seguida. puxan do-me com força de encontro a si.

berrei. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria. Mamãe está bem.até mesmo no banheiro. batendo a porta da frente com força.Não se sente feliz. não passa de um brutamontes. zombeteiro.. inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos.. Ao diabo com ele! Comecei a chorar. . Mamãe não está chorando. . Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder . sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim. . Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira.Mas ela gosta.. à mesma hora. Penetrou-me. se você me tratar bem. Você está chorando. mas não foi por pena de mim. sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia. Contudo.Oh! . continuei a debater-me.(era mentira). quando o levei comigo par a a escola de balé. expl orava-me o corpo. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto..e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap . Você teve um pesadelo. usando apenas as meias. Do tip o de talo comprido.Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. tive oportunidade de gritar. isto é. e musse de chocolate para sobremesa. imitando minha voz.. nem mesmo é um homem. . cheio de talento. assumiu uma atitude séria. Se me de r muitas calorias.pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã. Sorriu.. E passarei a noite aqui. querido. .. Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma . poderei queimá-las da maneira mais agradável possível . Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado.e não me refi ro a correr pelos bosques. aninhando-o em meus braços. veja só! Eu enxugara as lágrimas . . Jory adorou.Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa. deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se. exatamente como você gostou. estou com medo. Depois do almoço. com ar indiferente. de uma inteligência brilhante. mais an imal que humano! . prepare o bif e à Wellington com uma salada mista.. pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância.. Não faz mal. . é um homem morto! Aliás.Mamãe. E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava.. satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! . Oh! O meu Jory tinha tu do . Por várias vezes.Estou tremendo de medo! Em seguida. acariciava. sob o peso de seu corpo.Oh! Mamãe. nua. bateu-me uma continência. Era u m estabelecimento que usava o método Montessori.menos um pai. retorcer-me. fec hando desavergonhadamente a braguilha.. Sem assinatura.mas ele me beijava.Tenho uma arma! . Saiu. Quando ficou despido.Querido.Amanhã. deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração . Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha.disse.Minha esposa diz freqüentemente o mesmo . mas também ofegava. forçando o corpo para cima a fim de livrar-me..Suma-se daqui!.respondeu ele. . fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . vinham numa embalagem da loja de flores. . apertando-me os dedos até estalarem. Jory tomou a decisão por mim: .que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la. . Amanhã. fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças.

repliquei rispidamente. O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes. . . Jory. eu o amo.Eu também a amo. Olho por olho. se quer tentar. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. Nenhum de nós dois dissera uma palavra. aí . Não obstan te. . A caminho do chalé. Ele estava na agência postal.indagou ele. agora. Jory sorriu. Às cinco e meia. . a fim de indagar se eu gostara das rosas. portanto meu amor não tem motivos ou intenções. hesitante. todos viviam cheios de medo. Os bebês costumam mamar nos seios das mães. . calada. Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory. Em seguida.Mamãe . às sete e meia.. .. O pacote conti nha uma caixa. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe. No prato vazio.Oh! apenas um lugar macio. e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela.Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo. dentro da qual havia outra caixa menor. . Como se explicava que crianças. Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim.ou minha mãe. . . Mamãe . de modo que precisei assinar um recibo. Faze com os outros o que far ias contigo. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da.. parecendo um tanto triste e desapontado.Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela. não constituía um presente dele. Nada de coquetéis ou conversas amáveis. muito aliviado. Nem a s rosas naturais. . bem como travessas de p rata. Jory esticou a mãozinha. No interior desta.. Exibiu-me um sor riso encantador. cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas. portanto.Eu sempre o amarei. que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas. Portanto. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço. acenando quando me afastei no carro.. E se às vezes você for mau. A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. Parti. . deixa ndo-o a observar-me .com efeito. ainda tão pequenas. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus..disse ele.. naquela época? . A encomenda era registrada. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado.Você me batia. e também comprava selos. Sim..eis o motivo pelo qual eu ali estava. Sim. algum dia. mais perto de Deus que o resto do mundo? Então. Amei-a antes mesmo de conhecê-la. Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada . Seria a mãe perfeita e.Não. Jory ter ia também um pai. Mamãe.idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do. de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda. claro que não. eu não seria como a avó . Bart teve a ousadia de vir naquela noite. à mesa do jantar. Em seguida. . convidei-o a entrar e conduzi-o.Você não bate quando pego aí. estavam na caixa ao lado do prato dele. olho por olho. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã.. Fui esperá-lo à saída da escola. fique à vontade: vá em frente e pegue.Não gosto do seu tipo de rosas .Jory. como prometera. parecendo deveras preocupado. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada.Eu sei.respondeu ele. . Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro.apontou timidamente par a meu seio. Porque você me ama mesmo quando sou mau. logo que se acomodou a meu lado no carro.. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior. Mande-me embora e obedecerei . s ob a influência de Deus. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa. cujos olhos estavam esbugalhados. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara. entregando-o a mim. um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. tentarei compreender.

. Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. . rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. A descrença em seu olhar. jóias. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! . murmurou: .Preveni-a de que sou advogado e não poeta.Você me obrigou a fazer o que fiz! .Isso é evidente . desde que suficientemente bo m para nós. porque eles próprios são tímidos.Não era vermelho. Bart estava trajado com ex trema elegância. guardei um pouco para você. Franzindo o cenho. mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. como você fez ontem.Agora. ela se transformara numa colegial adolescente! .É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. você está vendo o cardápio predileto de Jory . C ontudo. . eloqüente. A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto. abriu-a com um puxão. .. parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa. .protestou ele. escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada.Sua poesia tem algo que me é familiar. Existem outros a quem s ou capaz de adorar. E levando em consideração que já jantei. ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade. muito interessada em sua expressão facial. ocultava o filé à Wellington.Fiz o possível . como é possível que lhe pareça familiar? . ostensivamente. que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós. Bart.. que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! . despr ezo-as tanto quanto as agressivas.Não sou chauvinista .. Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. Primeiro. o que explica o toq ue um tanto estranho.De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas. Quanto às mulheres passivas. Carrancudo.Engana-se. Por que usou aquele tipo de vestido? . o ar de desapontamento . amala-ei ainda mais depois de morto . Em vinte e quatro horas.declarei em tom de gozação.Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa. Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as. antes de mandar-me embora. Esper ava tudo de você. idolatrar e servir como uma escrava. depois. . que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara. mas com um toque um pouco estranho. Sou liberada apenas em relação a alguns homens. . tênis sujos. estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. servi-lhe bis coitinhos com formato de animais. deixando-as cair ao longo do rosto.Ao menos. . medrosos e temem uma mulher agressiva! . incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga.repliquei. passivas e estúpidas. . a fim de tornar-me mais at raente. sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante. poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias..Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. desalinhadas. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite. ou coisa nenhuma semelhante.e detesto aquele tipo de vestido! . .Eu a compus há apenas alguns minutos. . mas cor-de-rosa! Além disso.admitiu ele com um sorriso travesso. .. Poesia não foi minha matéria predileta na escola.dis se ele. E quando estiver rígido e frio numa sepultura.Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. fitando-me os olhos com ar desafiador. Saiba porém. mas certamente você não o é.Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas. homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas. Bart lançou-me um olhar duro e faiscante. Como sobremesa. então. Sirva-se à vontade. tudo é seu. medroso. os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga.Não sou tímido.

escutei alguém chamando por mim. Mamãe. meu desejo era ser tocada como um violino. as mãos c ruzadas sobre o peito. Desta feita. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo.assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! . Bar t beijou-me os artelhos. a única que ficava bem alto na encost a da montanha. levou-me às estrelas. Finalmente eu lhes atendera o chamado. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. Oh!. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito. sacudi a cabeça. recebi e dei até adormecermos abraçados. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado. a grande distância. Não servimos um para o outro. havia a a vó. Dias a fio eu ia observá-la. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo .Você me está vendo como sou ao natural.. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. Ela que fique com você. sonhei com Julian. Por que você não vem.então vi Chris no interior da caixinha. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva. E Julian nun ca me beijara os pés.repliqu ei. Além disso. deixando-o cair naturalmente. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. O travesseiro estava molhado de lágrimas. dominando todas as demais como um castelo medieval. não obstante. Quando dormi. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. Sentime como se a avó nos observasse. erguendo-me da mesa. Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. como se pretendesse sair. eu nunca mais o veria. Desliguei a mente. que se abria para um jardim cercado. saí com ele para o ar frio da manhã. que apenas pa recia muito triste. Então. Então. não acreditando em suas palavras. dedilha da em pianíssimo em andamento largo. onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro. Atrás do ja . Fitei-lhe o rosto. agora.Eu a amo.. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. morto. . Eu sabia. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. Bart fez-me erguer o rosto para o seu. pode ir embora . Bart veio depressa em direção à porta. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. tornando a explodir mais uma e . Julian quase não tinha ca belos no corpo. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul. E agora que já viu. ainda. quando ela regressasse. Paul. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. pois e u não o quero. a caminh o do trabalho.. depois em legato. os olhos fechados. Girava sem parar. um por um. vinha o aroma de rosas naturais. E quando ergui os olhos. . tinha cer teza . antes de começar a subir vagarosamente. e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. Contudo. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. Com um leve sorriso. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. eu sabia que ele não me amava. passando a um crescendo. com a v oz. Sem aguardar a permissão. arquitetando meus planos.. acusando-me com os ol hos negros. me tratava como um verdadeiro ama nte. De leve. De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir. excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo. Por força de um vel ho hábito.e. Volte para sua mulher. que também tinha que pagar. outra vez. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho. roçou de leve os lábios nos meus.

Todavia. obr igando-o a permanecer. Agora.Logo que me conheceu. juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também . mas mudou. Ri-se sempre das mesmas piadas. encontra-se se mpre a mesma pessoa. para elas mesmas. erótico e totalmente satisfatório. . Não se incomoda com iss o? . Somos nossas piores inimigas. O último codicilo foi o pior de todos. . diga que me ama. Quand o a conheci.Em breve. Julguei que eu foss e seu único advogado. Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. Tocada. tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. Alterou-os dúzias de vezes.que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo. cada um de nós encarregado de uma f unção específica. você disse que a amava. ela mudou. adicionando codicilos como um possess o. embora conservasse a sanidade mental até morrer. . retirando outro. Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca.Sempre foi um mistério para mim. Portanto. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro. que me faz l embrar dela. sou ambivalente e tenho ressentimentos. mastigando com violência. Nunca. Ele prosseguiu. Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow. selvagem. Ocas ionalmente. bailarina. agora. embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. E continuei a comer minha salada. porém.Então. sem dar atenção à minha interrupção: . sob a aparência havia um coração de pedra. Foi esta a resposta clara.Daremos um jeito. Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. termina s implesmente entediada.Bart. faça o favor de ocultar sua faceta de megera. encantadora. sucinta.Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? .Você é mesmo uma mulher incrível! . existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores.Ótimo .Aquele pai dela também era um mistério. .respondi. Não obstante. aquela gente não tem mais sonhos a comprar. atrevi-me a dizer: .Ela me ama.Falando francamente. na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido. Voltará antes do Natal. porque não consegui . você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: . Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. sou novamente.Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. menos saúde. E. Um homem pr ecisa fazer algo útil.Às vezes. A minha era redigir seus testamentos. . perde as inspirações. . que tenha um significado. ao vê-lo. mas ele possuía outros seis. afirma o contrário. Portanto.até lá. Bart pareceu-me um menino tristonho. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável. a "gente charmos a" . como você. gelei q uando ele anunciou um dia.rdim. encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce. Eu a a mo e a odeio. O jet set. acrescentou: . De repente. tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa. . incl uindo um membro da família. .Naturalmente que era advogado praticante. todas as muralhas misteriosas ruirão.Não faça tempestade num copo d água. terno.Ela telefonou hoje de manhã.respondi. na hora do almoço: . era uma mulher delicada. tão louco quanto sou agora por você. Todas as mulheres são monstros para os homens e. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna. mas. . você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela. mesmo que não seja verdade. Cathy. e não tente fazer comigo o que ela fez. delicada.Bart. Ele ficava porque ela o amava. Depois . . meu amor . ta lvez.

podiam adquirir. cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. Além daquela porta fechada. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. os bustos de mármore. Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade. Por quê? . Um dia. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago.Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca.o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro. . e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho.Carma. robusto. Era q uinta-feira. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. pois era o dia de folga. vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente. revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. poderoso. apenas para economizar alguns míseros dólares . admirando os quadros a óleo. usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. o corpo grosso. para verificar qual era a sensação. Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. estava a avó-bruxa. Mais uma vez . Vi tam bém a segunda noite. marca das por vergões vermelhos e sangrentos. Afinal. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos . ainda crianças. Sorri ante sua expressão de espanto. erguendo-se sobre nós como uma torre.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás. Continuei a avançar sem pressa. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. que tanto haviam perdido. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. uma menina assustada. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. Chegando à porta dos fundos. para fazer companhia à sogra. observando avidament e os belos móveis antigos. Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão. Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. pareceu-me que já a beijara antes. aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . tão lindos aos cinco anos de idade. havia um balcão no segundo pavimento. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. os enormes lampiões. Todos os criados estariam na cidade. Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. ta mbém. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. cap azes de avareza em pequenas coisas. utilizando-me de todos os caminhos ocultos. quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den . o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. Fazia muit os anos. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. esgueirei-me até Foxworth Hall.

Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. revelando que ela era quase totalmente calva. pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto. a avó tinha um metro e oitenta de estatura. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante. sentei-me para descalçar as botas e. mãe de quatro filhos. chegando-lhe ao abdômen inchado. abismada. abri-a com todo o cuidado. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo.Boa-tarde. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. esbugalharam-se.. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. pecaminoso.Avó.tes que procuravam mordê-la. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. Com a maior naturalidade. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria. afinal. Eu. Ainda assim. que ainda surgiria um a ocasião. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. Aparentemente. Um a to vergonhoso. Olhos cinzentos. depois. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. os dedos o ssudos e nodosos. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa. ela gritaria: Saia de minha casa. dizendo baixinho: . revi-me diante do espelho. ainda por cima. entretanto. mesmo reunidos como estavam. que chorava e berrava. com o couro cabeludo à mostra. Lembra-se de mim? Sou Cathy. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas. Agora. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. agora. se us olhos também se abriram lentamente.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. não o que era agora: uma velha doente e calva. os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea. expulsando dele a piedade. na alta cama de hospital. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. f ora! Fora.. às seis e meia da manhã.. mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. Então. Viera exercer vingança. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil. Que prazer tenho em revê-la. Se pudesse.meus cabelos. pelo contrário. com grande cautela. quando a porta se abriu. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo . Tentou falar para e xpulsar-me. querida Avó. como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. muito satisfeita. Soltei os cabelos. ainda mais indefesa . estava à beira do sono. de olhos fechados. pude cumprimentá-la com amabilidade: . no futuro. no dia em que ela me surrara. Estava com medo! Glória. Outrora. com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. bati com a vara na pa lma da outra mão. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração. Usava malha branca. A avó me reconhecera. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche. c alcei ás sapatilhas de cetim branco. desbotados e úmidos.apenas um pequeno tufo. filha do Demônio! Fora. parei junto à porta. Em seguida. e eu me sentia satisfeita. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. A avó jazia. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta. jazia na mesma cama que ele. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. Chegava lá todos os dias. maldoso. Agora. Então. averme . Então.. não conseguira estragar. abatida . Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. Apronte-se. pois ela jamais tivera pena de nós. Oh! como parecia envelhecida! Magra. Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. totalmente despida .e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . aproximei-me da porta.

murchando. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles. pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. Mesmo assim. Chris e eu subíamos ao telhado.. at irou Cory longe com um tapa.Veja bem. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados. nunca deixou de sentir-lhe a falta. sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea. Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie... a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. Ela se mexeu um pouco. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu. dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino. como também para mostrá-los a você e nossa mãe. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. Cory morreu e você sabe. .por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera. Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo. A avó jamais gostara de nós.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! . E.. querida. por acaso.Lembra-se da segunda noite. Deleitei-me. portanto. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?. sabendo que aquilo doía. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. depressão e falta de coragem para pros seguir.. porém. com golas debruadas de crochê branco. foi o que fez. Jamais se recobrou da morte do irmão. Guardeios não apenas para mim e Chris. . Agora. Apaixonaram-se e iam casar-se. mas os gêmeos tinham pavor da altura. Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. Revi Carrie em seu leito de morte.Avó. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. na raiva. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio. como sofreu por causa de Cory. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas. Não. Nossa mãe. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque.. porém. Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus.lhados e cercados por pés-de-galinha. nem os nossos.Sim. fazen do-me tremer as mãos. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. nos dera à luz. . menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas. ouça bem o que ela fez . Depois. percebo que ainda não sabia disso. cuidara de nós. Um medo profundo. onde nos sentávamos para tomar sol. envelhecendo. pois vocês duas mataram Carrie. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo . Avó. A vingança me brilhava nos olhos. Prossegui num tom de cântico religioso: ..e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. Delic iei-me observando-lhe o medo. por incrível que pareça.. Agora. Carrie também está morta. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. Portanto. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los. Agora. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. Carrie ficou abalada. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. numa teia de linhas que se cruzavam. Lábios finos e retorcidos. agora murchos e miúdos. Pobre Carrie.

joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. Só o prese nte interessava . porque o pai gostava mais dela do que de você. querida Avó. Por isso mandou buscá-lo. ela fez um esforço para encolher-se. Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade.e também do seu marido quando jovem.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida. não foi? Roubou lhe sua filha única.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. descontrolada. parei diante da velha e vociferei: . Malcolm. . induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar.Devo-lhe isso. sobre o corpo rígido da velha. Não obstante.. Também isso eu lhe devo. meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado. da nuca aos calcanhares. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes. minha mãe. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora.declarei. pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. quan do Alicia teve um filho. o seu marido! Embora tivesse sido. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas.e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa. você jamais te ve piedade de nós. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i .Sim. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. . o meio-tio se casou com a meia-sobrinha.Não são lindos cabelos. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido . desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo. Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. meu pai lhe passou a perna. exibindo o corpo bem conformado e jovem. velha.e a vara em minha mão. Depois. que veio a ser nosso pai. erguendo bem as p ernas.Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar . a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica. . portant o. Contudo. não é mesmo? Embora tenhamos tentado. . se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente. Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha. A esposa dele.e. colocando-nos à sua mercê. como se o passado já não importasse. apaixonou-se pela esposa mais moça do pai. esse dia chegou. no começo. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas.. Educou-o. Avó! . Lembra-se? Pulei para cima da cama.Agora. Assim. deu-lhe tudo do melhor. Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm. Mas. exibindo-lhe minha grande agilidade. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie.e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. Contudo. E todas a s outras coisas. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança. Um chico te macio. Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai. rindo ao vê-la tentar esquivar-se. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. Nunca a emocionamos. E ntão. a quem você também de testava. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. mesmo assim. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia. que não machucava . . agora.declarei. em vez disso . seus únicos netos. O seu marido. Dancei e rodopiei em cima da cama. tão transparente que permitia ver as veias . como ocorrera com Carri e. pois trago cada uma delas gravada na lembrança. você nunca pronuncio u nossos nomes. Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases.

Espantada. Nua. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. A brancura pastosa da pele era enrugad a. flácida e enrugada que a cercava. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. mas apenas a franja. Sem a menor piedade. De repente.indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador. enrolada em minha cabeça .Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. como se falasse comigo mesma. os músculos ágeis e rijos. abaixei-me cruelmente.contudo. creio que serei obrigada a usar cera derretida. vou açoitá-la . Portan to..declarei em tom inexpressivo. . a tornar-se ainda menor. Sim. jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada. Você poderia ter usado cera qu ente. flácidas e brancas demais. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. Um traje esquisito. Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo. . violenta e vingativa. Como não há no momento. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido..provoquei. pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar. com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais . Em seguida. Tinha que ficar nua. manchados e encaroçados. como obrigara Mamãe.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche. debruçando-me para observá-la melhor -.os contornos suaves e firmes. gra ndes. Avó. O quanto desejei que cons eguisse falar! . arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam. velha. a pele imaculad a. aberto apenas nas costa s. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente. estendida a meus pés. O corpo jovem é um a coisa bela. marcada pelas estrias da gravidez. agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e. maliciosos e impl acáveis. empurrei-o para cima. Por baixo daquela toalha. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados.Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere. .Oh! Queri da Avó.desafiando-me. com as mãos nos quadris. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. sem preocupação com delicadeza. Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo. deixando -a descoberta. Ela usava um tipo de camisolão de hospital. Minha consciência pairava perto do teto. . Não gostei de mim mesma. livre de qualquer escrúpulo.indaguei.Agora. Isso é mais amor do que você já conheceu.O que farei primeiro? . estava todo o cabelo comprido que ele salvou. tendo perdido o gosto da v ingança. do que dizia nem do que fazia ou sentia. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. embora suas nádegas fossem chatas. Chris e eu também. como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. os bicos bem embaixo. Uma cicatriz antiga. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama. desafiando-me a agredi-la .Querida Avó . naturalmente. escuros. Suspirei. observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé. Sem dúvi da. As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura. pálida e mais brilhante que a pele bran ca. Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. agradável de olhar . a té as axilas. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. Durante o tempo todo. pois você não pode falar nem escr ever.. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente. Só pode permanecer deitada e sofrer.. pois surtiria o mesmo resultado. . por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios.

Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. os olhos de aço da velha exprimiam terror. Deus al terara o molde e eu não cabia nele. Virei-a na cama. . não obstante.indagou meu filhinho.paga para ser amante de Bart . mas não fazia diferença. Interroguei Olívia. . Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva. Seus olhos cinzentos. ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se. Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie. mas bem gostaria de ser. Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. mate-me! Eu a desafio: vamos logo . Num frenesi de fúria. Comece i a chorar. antes de não conseguir mais su portar aquilo. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu. com papel higiênico para limpá-la. só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos. que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie.Oh! . contudo. Cobria-me de presentes .Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . lentamente. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite.Você é meu papai? . abertos. Então. sentindo-me um pouco doente. levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. . Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal. Agora. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta.. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa. deixei-a queimar um pouco e.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa.ele tomava café da manhã. passando para a primeira sala de visita s que encontrei.exclamei. dis tintas e elegantes como a mansão.. coragem! Mate-me. depois. Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona. Depois. Vamos. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados. A enfermeira não sabe explicar. ou poder ser. Acendi um a vela. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . procurando na mesa de trabalho usada por B art. mas ela piscou os olhos duas vezes. pisando com força e fitando os pés. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. gota a gota. Ele fumava.irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer . Piscar uma vez significa sim. .Não. emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão. m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. Ela estava certa: eu era covarde. que completaria quatro anos em fevereiro . além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. querendo dizer não. Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca. agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. a fim de saber se foi alguém que ela conhece. que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. portanto. Agora eu era uma mulher sustentada . Voltei correndo p ara apanhá-la. enquanto eu continu ava a soluçar. deveria ter fósforos ou isqueiro. . fitavam-me sem expressão. não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco. segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. As velas tinham cor de marfim. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. em seu cabel o e couro cabeludo. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local.e fazia o mesmo com meu filho. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa. ou algum dos criados. Eu era uma Foxworth de pai e mãe. almoçava e jantava con osco. de modo que a cera quente e derretida escorreu. Tão logo Jory saiu para o jardim. Deixei cair seis ou sete gotas. os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som. ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. deixando escapar um som da garganta. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. Voltei correndo. Em seguida. Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara.

Cathy.re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela. Segundo o entusiástico relato de Bart. já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente. acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores.que diabo! . só para informar-nos de q ue estava nevando. . antes de lhe dar um último beijo de despedida . Depositou-me na cama e começou a d espir-me.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! .Cathy. que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela. Além disso. Voltou a ser como outrora: a mulher suave. de aparência mais jov em.retruquei. eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou. enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. . s em desejar que isto acontecesse. então. . Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles. naturalmente. de algum modo.Neste caso. e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas. para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama.Permita-me explicar como sei. diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou. não dei a perceber que conseguia fazê-lo. afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes .Bem . arrastando ainda mais o sotaque sulino. Você brinca co migo.Não se preocupe.agora. . . Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o . Prim eiro suspirei.exclamo u.num tom que desmentia o sentido das palavras. sei disso. Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração. Teria que ser. Todo mundo sabia. Cathy? Não quero que sofra ainda mais. . zangado. Quando a gente ama. libertei-me com relutância de seu abr aço.Como pode saber se não falo sério? . sua esposa . Quando você evita o assunto de divórcio. querida. . Dei-lhe as costas numa atitude recatada. por que você está aqui comigo. depois beijei Bart e.Eu não disse que ela está tão sensaciona l.ausente havia tanto tempo . por si.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa. eu me apaixonara loucamente por ele.Você possui um lindo traseiro . afinal. Em seguida. Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart . . como o sol surgindo após uma temp estade. não é mesmo. ela mudou enquanto esteve no Texas. . isto constitui. desejaria construir um boneco de neve.e dela. quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste. espantada. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo.Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais. Eu sabia que teria que levantar-me logo.indagou ele. Bart exibiu-me um sorriso brilhante. .Já foi muito magoada. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida. é meu . Permanecemos abraçados após fazermos amor. como uma i diota. pois os mexericos corriam pela ci dade. pois. por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares. não é mesmo. . O problema não é seu.Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . maravilhosos! Ela está linda e . escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera. com quem me casei..A circulação é deficiente. Atirei-lhe um sapato. mas agora está terminado. .disse Bart. Os primeiros flocos de neve começavam a cair. . abotoando um minúsculo sutiã. carinhosa. Agradeci o elogio. Tinha que saber. a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni.comentou. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto.

insistiu Jory. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo. olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio. . de cabeça erguida. O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta. que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. gracioso e encantador...que seja. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam.Mamãe. Preferi não fazer comentários. por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela. . Então.Não tenho filhos. Tinha os olhos marejados de lágrimas. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante. Jory perguntou: . Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão. Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol .Já sou velha demais para aprender . fingindo não me conhecer.replicou ela num sussurro trêmulo. Veja. não duas desconhecidas. . não . Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer. É parecida com você. de todo modo.. ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela. eu sempre fora uma tola.. No crepúsculo daquela tarde. através de pequenos detalhes.Não . Winslow. ..Algumas mulheres como a senhora. .Minha mamãe tem um casaco de peles.. tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o. prendi a respiração. . Ela é bailarina. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor.murmurou ela. derrubando a jarra de flores de cima da mesa.Não sou bailarina. . Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim. avistei um homem que se esgueirava através do bosque. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos. se a sua decisão foi correta. lançou-me um olhar. Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. Nunca! . Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . como minha mamãe. . Mas eu não er a Carrie.quis saber Jory. Ele me amava! De verdade!. de que rea lmente estava grávida.cumprimentou-a. Portanto. mais cedo ou mais tarde. .Você é bonita. . Ela me a vistou e estremeceu. mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado. Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles.Determinadas mulheres não merecem ter filhos. Era um me nino lindo.. preocupado ao ver-lhe as lágrimas.. O próprio temp o lhe mostrará. recuando. A ausência de um período menstrual nada provava . Eu vencera .exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza. Virando-se. Renegar-me-ia como renegara Carr ie. Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado. vindo e m minha direção. Então. com a verdade estampada nos olhos escuros.Não é. Falou sério. Não obstante.Minha mamãe pode ensinar você a dançar.Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão. como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. Você também dança? Ela suspirou. percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. Partiu como uma rainha.Não . tratei-a como ela me tratou com indiferença. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata. certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal.sussurrou ela. Sorri e recobrei a confiança em mim mesma. ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço. que atraía a atenção de todas as pessoas.Olá . mas não tão linda. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome. Sra. Mas ela recuou a mão. sentei-me perto das janelas. Mas. . enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos.. contar-lhe-ia que estava po r ser pai. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer.vencera! Por mero acaso. . perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir.

Eu a amo. continuava a amá-la. Que tipo de jogo você faz agora? . . Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e..tas espalhados pelo chão. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras.. sinto-me incapaz de separar as duas. O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança. ou ela. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. posso cair fora. considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais. Em seguida. Eu a amo e também amo minha esposa.Muito bem. Quero você sempre perto de mim. Nada precisa muda r porque minha mulher regressou. Seja qual for o motivo.o que significa que seu filho irá comigo. tem que saber de tudo. tem que saber! Bart postou-se junto à lareira. cobriu o rosto com as mãos. Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala.Não.. procurando reassumir o controle da situação. não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo.Explique exatam ente o que quer dizer. . é como costumava ser quando a conheci. Por favor.protestei. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e. descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. mas não deixava de amar a ela. Bart.exclamou. com o braço apoiado no aparador.Em sua vida? Não se refere. Às vezes. na realidade.casar-me com você? . virou-se para mim. por isso. não me venha com frases de duplo sentido. Quando ela se mostrava detestável. Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. Cathy. . Cathy. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres. sinto-me grato. você estará d efinitivamente excluído de minha vida. atualmente.Que diabo está querendo fazer comigo.Cathy. Natu ralmente. Mantinha a mão livre às costas. fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe.Meu Deus! . A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira. talvez não. Foi ele quem redigiu o testam ento. . Deus me perdoe.. .ponderou Bart. Ele pareceu furioso. mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal. escutei um tom de humildade na voz de Bart: . . você disse que não precisávamos tomar precauções. . agora já passou da idade de ser mãe. Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris . fitando-me nos olhos. Do contrário. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho . Cathy. Quero ter um filho seu. Agora. de modo que nunca saberei o que acontece com ele. E meu fil ho também. e com você! Fui peremptória: . ela voltou diferente e. Fiz minhas próprias previsões.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. desanimada. depois que eu me for.Você planejou tudo isto desde o início.Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . à periferia da sua vida? Pela primeira vez. . Ficarei. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso. Portanto.Vai desfiar! . irei embora para muito longe . chocado pela descoberta. eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu. Nesse caso. com o punho cerrado. mais corretamente. Como já lhe contei. mas cresceu e transformou-se em . Mesmo quando eu tinha raiv a dela.Ouça . tricotando um agasalho de bebê.Seja razoável. depois recompôs-se e implorou: . q uando tudo terminasse. tornou-se capaz de ser m ais delicada. Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora. De todo modo. Dê-me um beijo de despedida.. . mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se. Então.quando. Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. mas é verdade.E não havia necessidade.. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena.

os brilhantes olhos azuis do v elho. . Christopher Doll. contristado. incrédulo. como de costume. Gosto de estar a seu lado. Não só o a parei. havia quinze anos.respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade. o chiffon verde mais claro para a saia.Pegue outra vez seu cabelo comprido . Ficavam adoráveis nas . tornarei a vê-la. Oh! sim. avós e amigos. tocando-me o rosto ao passar por mim. Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você.não naquele Natal especial. Escolhi o tom exato de veludo verde e. ou caminhando pelos bosques. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço. Antes disso.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação.exclamou Jory. . da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara. Quando você desis . Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda. . Portanto. até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada.Agora. sinto que não posso mais viver sem você. Suas palavras me provocam lágrimas. você nem parece minha m amãe! Não parecia.algo muito maior e profundo. . tristonha. saiu do chalé num rompante de fúria.Oh! Mamãe! . porém. .Seu cabelo caiu. nem quero passar por pert o de você! . Bart. agora. mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara .Você deveria ser ator. e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes. Agora.Maldita seja por levar-me na brincadeira! . cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente. Tinha a mesma força e beleza que ela . telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond. Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. .e dez vezes mais inteligência. Mas não poderia competir com a própria filha. Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado. Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática. sempre divertido.implorou. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou. apenas sentado e conver sando. c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal. Fiquei sozinha. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso. Em seguida.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher . lamentando o fato de sempre falar demais.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança. Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo. mas não deixarei escapar a minha! Adeus. onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais... depois.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la. mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho. O penteado caiu-me muito bem.explodi .explodiu ele. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde. era exatamente esse meu objetivo. Sinto-me bem na sua companhia. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar. Eu sabia que ela ainda era muit o bonita.Cathy . Começou a chorar. sempre me mantend o na expectativa. Gosto do jeit o como você me trata. tir de Bart Winslow. . pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. fi nalmente. minha oportunidade se apresentava: num vestido igual. com penteado igu al e rosto mais jovem. Hesitante. Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e. Emma. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal . eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa . transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. Ela precisa de mim! .Está bem! . Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney.e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto.

Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade. radiante de felicidade. Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração. . bailarina. Portanto. Eu julgav a que fosse naquela noite. muito corado. que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele. Fiz questão de verif icar.Puxa. peguei a estola de peles q . Henny. eu exercia algum controle sobre Bart. . As sandálias eram finas correias prateadas. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes. Ele não ficou solitário.eis aí o motivo. com cinco centímetros de largura. experimentando a sensação de ser min ha mãe. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. Na minha opinião. Depois. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa. . Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. Até mesmo o perfume era o mesmo. com o poder que ela exercia sobre os homens.Ondule-os suavemente. mas eu fiquei.Porque ama você. afastando-os do rosto. logo que chegarmos em casa. cobrindo-me de elogios. Emma. Em algum ponto de minha vida. O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo . enquanto Emma observava de um canto. Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade. minha mãe. A doce infantilidade de Jory.Por quê? . não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. Ind ubitavelmente.Pensei que ficaria solitário sem meus tios. que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. com um aroma de jardim do Oriente. o Sr. Estou me divertindo muito. dançando no palco com tanto entusiasmo. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda. E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você. eu faria as surpresas e desferiria os golpes. não com ela.Claro. Antes das cinco da manhã. Em breve eu também as possuiria.pelo estilo do penteado. que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo. . na mansão.indagou Jory.Oh!. Espalhados por toda a sala. Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. Quando ela terminou. carrancuda..O que será? .e eles compareceram. Chris. dev e ter sido Maria Antonieta. junte-os em cachos no alto da cabeça.Por quê? . o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite . Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom.. .Posso abrir agora? . Girei diante do espelho.como acontecera com as dela . almiscarado. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes.Porque não poderia deixar de amá-lo . . vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon.exclamou. Mas não fique i.quis saber Jory. Bar tholomew Winslow. e Sra. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve. Hoje. . Mamãe! . combinando com a bolsinha de prata. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada. . Queria Bart a meu lado. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. com sal tos de dez centímetros. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara. o destino teria que estar do meu lado. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila. Bart e Papai Noel. Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante. certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas . arrancou repetidos aplausos da platéia. Bart parecia feliz.roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. .

Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo. Olhei para o céu cinzento e ameaçador. Alegre-se com o bebê. quando eu tinha doze anos. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe. com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny. . durma outra vez e sonhe com cois as boas. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo. lembre-se de que Henny lhe quis bem. embora não tivesse recebido convite para a festa. como se fosse sua próp ria filha.. a nev e começou a cair. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho. tão semelhante aos olhos da avó. Brigara violentamente com Bart por causa disso. dei uma última espiada em J ory. Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros. a paz e o amor voltarão para você. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa. que passaria a noite com Jory. Revelações Pouco depois das dez horas.. antes de ir para um lugar melhor. Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. Tinha que fazer o que precisava ser feito. Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso.Ora. Então. Catherine . acima de tudo. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall. .Eu o amo. Amanhã faremos um boneco de neve. Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito. Desta vez. reuni toda a minha hesitante coragem. Henny . De quem logo estará no céu. Fora escrito num festivo papel vermelho. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota. Digo-lhe agora. Desejo-lhe felicidades. que dormia encolhido de lado. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. tornei a beijá-lo e disse que sim. Cathy. como um anjo. E. . veja quem precisa mais de você e não poderá errar. ficarão. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris. Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. E se você não tornar a ver Henny neste mundo. utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . Querida Filha-Fada.Oh! Mamãe. desejei controlar minha própria vi da. o segredo simples para viver f eliz. Olhe em volta. Sentindo-me novamente resoluta. sob certo aspecto era o que eu faria. a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. Macia como plumas. mas não sou tão cruel. P erdoe sua mãe.Obrigada. por achar-me linda. sacudi o s ombros. Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final. É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais. Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma. encaminhei-me para meu carro. que viera no mesmo envelope. . Jory . está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: . .sussurrei.ue Bart me dera. mesmo se um dia ela lhe fez mal. Agora.Traga um papai para ajudar-nos. não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . querido. Henny está velha. triste e sonhadora. Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. Cathy. não importava o que acontecess e. Henny está cansada.

Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. justamente como uma Cinderela ao inverso. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. representado pelas três reproduções de o . apertando mãos e beijando rostos. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. Corri ao quarto de vestir de minha mãe.tantos anos antes para esgueirar-me. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. não sentia f rustração. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala. Dez e meia.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais. Naquela ocasião. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes. Olhei em volta. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. Como num sonho. Precisava manter-me calma. A chave de mad eira ainda servia na fechadura .fora trocado por outro. também no mesmo formato.nunca mais. coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. verifica ndo que tudo continuava como antes. sem ser observada. sem ter quem me apoiasse. Batia depressa demais. espanto ou frustração. mas quase .mas meu coração parecia não me caber no peito. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. deixando tudo como antes. sem apresentarem a mínima dobra. um barulho excessivo. surpresa. Agora. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. penetrei de volta em minha infân cia. já não era rosa-morango. Ajoelhando-me. era novo. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. E. coloquei no chão. controlada. Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. mas de um leve tom de ameixa. Mirei-me no espelho. quinze anos atrás. diferente. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. mantendo-me nas sombras. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal. A orq uestra tocava uma melodia de Natal. Com a maior cautela. As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. Consultei novamente o relógio. a grande prateleira forrada d e veludo verde. por incrível que pudesse parecer. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. Veja bem. perfei tamente arrumadas. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . Não exatamente ig ual. Ora. Sorrindo amargamente com meus botões. com uma ferocidade exagerada. diante de mim. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. Cedo demais. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. com a caminha menor. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. pulsando co m inusitada excitação. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria. com a porta trancada. disse comigo mesma. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. Naquela noite. que me chegava de leve aos ouvidos. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite. aos pés. A casa de bonecas.

o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos. junto com inúmera s caixas de velas grossas. e. Tive a impressão de escutar um riso infantil. no escuro. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles. Os fantasmas despertaram. de coisa velha. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. e as flores gigantescas nas paredes. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. e Sra. fantasmagórico. andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe. Contudo. rindo. Tínhamos vários castiçais. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado. Parkins.tudo desbotado. O tempo parara naquele local. Então. Um milhão de v ezes. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. empurrada por mãos invisíveis. no quarto da criança. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas.. querendo sair dali. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. Não.. o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. a fim de poder notar a sua f alta e. quando deveria ter pensado melhor. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . o bebê. acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança . Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente. dúzias deles. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida.. com cheiro de podre. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. Foram encontrados por nós num velho baú. Ainda estavam lá. o que estragaria a maquilagem. natur almente. Subi ao sótão gigante sco. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas.não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro. Perto do toca-discos. A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. curtas e mal acabadas. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. minha vontade era chorar como uma criança. bem como Clara. quando não conseguíssemos apresentá-lo. A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. passando até por debaixo da mobília. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. sonolentos e bocejantes .bras-primas de mestres renascentistas. ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também. se agira assim. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. ou pior! Veneno. móbiles que se moviam nas correntes de ar. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço. embora também estivesse cinzenta e desbotada. para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. Oh! que fora feito da ferrovia. por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. encaminhei-me ao armário embutido . escuro. Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. Não obstante.. ansiando por sol e ar livre. espantoso e ameaça dor. Minha imaginação. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. Ela levara seu intento até o fim . A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. Sobressaltei-me. só isso. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. que se abria para a escada íng reme. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos. empoeirado. então com apenas cinc o anos. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro. estreita e escura.e ali estava ele. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha. qua ndo queimavam. refleti com meus botões. todos eles de estanho. Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. pois exalavam um cheiro desagradável. mas algo muito melhor. Não podia me dar ao luxo de chor ar. chorando. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie .

agora.. num silêncio mortal . Agora.. postei-me no centro do balcão do segundo andar. se melhantes às de Carrie. em seguida. Comecei a descer a esc adaria. como fora minha mãe tantos anos antes. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. Enquanto eu aguardava sentada. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. estaquei. Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei.pois a música parara d e tocar -. Em seu vestido de lamé vermelho. fugir. a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão..disse eu para todos em voz alta e clara. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão. Apenas eu. Ali. Agora. Desta maneira. de volta a mim. somos apenas três . pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e. Ahhh!.mais velhos. depois. (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e.. Carrie e eu.. desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva. muito juntos. Christopher. imaginei-me como a Fada Lilás. nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. Enqu anto os convidados olhavam para cima. embelezando-a ainda mais.fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes.Feliz Natal! . Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos. tentando enfiar as pernas sob ela. que haviam comparecido àque la festa de Natal. usando o mesmo vestido de gala e. Ela tremia da cabeça aos pés. À distância. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me. senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer. esperavam avistar Papai Noel. Desabava outra tempestade violenta. mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer . o vento começou a soprar lá fora. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto. Com ela. pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção.. parecia muito jovem e linda. Cory. de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes. minha mãe virou-se ligeiramente.no futuro. Soou a última badalada da meia-noite. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava.. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática. atraindo os que se encontravam em outros salões .. Seus cabelos louro s. certamente. que ecoou como a tromb eta de um arauto. Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana. estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite. Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. quando lidava com realidade e não com fantasia. mas era apenas eu. curtos como eu jamais os vira antes. Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram. com a pele iluminada pelas jóias faiscantes.e que acorrera . Assim. embaraço e colapso total! . tenho certeza. e talv ez houvesse derramamento de sangue). pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte... Lentamente. mas conseguia não perder a pose. Até mesmo reconheci alguns deles . que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século. poderia observar melhor seu espanto. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição. E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. quando cheguei ao penúltimo degrau. Co mo ela olhava fixamente para mim.

. tive um irmão e uma irmã mais moços. Christopher Foxworth. foi anteriormente casada com meu pai. Bart ficou visivelmente abalado.m às dúzias.Minhas senhoras e cavalheiros . que hoje é médico. que nasceram quando eu tinha sete anos. é também uma atriz de enorme talento. Cory e Carrie estão mortos. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas. Ora. continuei: . Éramos ratos de sótão. mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim. Serão obrigados a devolver tudo o que compraram. Nosso local de brincar era o sótão e nunca. nunca. sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados. .declarei num tom agudo. Em seguida. o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas.convidei -. E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória.Naquela festa de Natal. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. Winslow . Quando a música recomeçou. querido Bart. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia.Bravos. arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa. Cathy.deseja mostrar seus dotes de dançarina. aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. . há quinze anos. exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. Outrora. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar. . forçou-me a proceder como fiz em seguida. Este deserdou a filha. . está tudo explicado. parecendo tão estranho. Decerto . . ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga.respondi com a maior calma.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava. Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas. anuviando-lhe o olhar. .Sua putinha atrevida! . embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? . e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. gêmeos. Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa. resolvi dar-lhes o que desejavam. venha dançar comigo. por que inventou tantas mentiras? . . você e ela perderão tudo. imóveis e calados.Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros.sibilou Bart. Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. porque foram. Entretanto. Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão. igualmente chamado Christopher. Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas.Venha. tenho também um irmão mais velho. torna ndo-a um pouco diferente. Julian Marquet.Idiota é você. filha mais velha da Sra. distante e esquisito. .Sou Catherine Leigh Foxworth.Gostaria de apresentar-me . Cathy! . como a maioria de vocês se recorda. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. lá em cima. como acabam de verificar por si mesmos. nos menores detalhes. E. a Sra. irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth. tenho tanta pe . Bartholo mew Winslow que.. enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte. muito men os. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento.acrescentou Bart.. Mesmo assim. interrompi-me. a única herdeira q ue lhe restava. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas. Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne. Cathy é parenta distante de minha es posa e.Olhe bem para mim. a fim de fazer-me escutar perfeitamente. . Na verdade. Não sei por que motivo. O choque aturdiu-o.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl. como talvez vocês já saibam.Sim. Bart . quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido. Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota.Sr. Todo o dinheiro e i nvestimentos. como reagir.exclamou. em quem acreditar e. mas Ba rt se encaminhou para mim. . Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. que pareciam não saber o que pensar. na qual você trabalha. nunca descíamos. após tão sensacional apresentação dramática. Enquanto todos aguardavam.

.Está inventan do tudo isso . o rosto dele bem perto do meu.. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri.Conheço a combinação do segredo . sempr e frias ou apenas mornas. deitei-me naquela ime nsa cama de cisne. em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira. os olhos esgazeados. Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. . fui eu. . Ficaram tão pequenos. ano após ano. mas e ra Chris. Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. . parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe. por favor! Se está mentindo. o mordomo. raquíticos.Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! .declarou. os garçons trajados de preto e vermelho.prossegui suavemente.Os números da data em que el a nasceu. . mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! . suspirou ele. e duas imensas ponch eiras de prata.Sim. Todas as manhãs bem cedo.. . . embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável."Como criar seus próprios bordados" . Na ocas ião. Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo. Você não estava sonhando.Então.Cathy. Quem o beijou fui eu. com enormes olhos assustados.prossegui. tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro. Seus lábios exibiam um sorriso fixo. Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou. a fim de herdar toda a fortuna.. . disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar". Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta. uma fonte de onde jorrava champanha. Nosso playground era o sótão. . quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John. simulando achar graça. Então. seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente. uma vez. num tom esquisito e desprovido de sinceridade. . E. parecendo doente e prestes a vomitar. Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes. Os gêmeos quase não se alimentavam. . permita-me convencê-lo melhor. não est ava na copa.. . não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite.. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede. Nossas refeições eram enjoativas. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós.Por que não odiá-la? Ela merece . Bart. pare! Não me faça odiar minha mulher! .na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar. Bart. Foi ela mesma quem me contou. E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia.Esse vestido que você está usando. Manteve-nos trancados à espera da morte do pai. Foi você quem redigiu o testamento.corrigiu ele. invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração.Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses.Certa vez.É mentira .Nãooo.. você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora. . com a caminha igual aos pés. Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda.Meu caro Bart. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões. ou algo semelhante.Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la.. . quando eu tinha doze anos. mas sua voz tinha um tom de dúvida. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar. Ela é minha mãe.disse ele.. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças. Bart sacudiu a cabeça.

Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer. mas aquilo continuou interminavelmente. Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel. viveram trancados lá em c ima? . E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai.Ouçam todos! . sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto.dura nte todo aquele tempo..antes das seis e meia. porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação. Ocupávamos o tempo jogando. sem receber luz solar. se minhas palavras fossem verdadeiras. Contudo. o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos.. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem. confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. os dias eram como meses e os meses pareciam anos. todos olhavam para ela.No início. com os braços estendidos para a frente. inclusive quando eu já morava aqui. a fim de o alegrarmos para os gêmeos. rezávamos muito. .não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares. seja franca . até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia. Bart lançou-me um olhar ameaçador.Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora. já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar.Cathy. em especial os sexos opostos. recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas. se descontrolara. nossas refeições se tornaram cada vez piores. E também ha via uma outra regra. em cada palavra que ela pronunciava. quietos como ratos de sótão. como se estivesse cega. sem luz. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo. . Fomos ficando magros. você se parece com ela! Talvez seja sua filha. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse. . com um pesado suspiro.exclamou ele. Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar. po rém.Oh! Deus! .Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. . .Isso é bem do tipo dela. carregado de uma raiva terrível. que via todas as ra mificações.Sim. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime. depois.. Vivemos ano após ano num quarto escuro. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. . Cathy. E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai. ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall. mas minha mãe soltou um grito agudo: . sentindo-se negligenciado.berrou.as unhas em riste tentando . à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. . Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. .e .berrei. alimentava-nos razoavelmente bem.totalmente franca.Três anos e quase cinco meses.Pare! Cambaleou alguns passos. quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont. compramos um quilo daquelas balas em Vermont. Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. Decoramos o local com flores de pap el. doen tios. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos . caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. E se isso lhe parece muito tempo. o rosto lívido . embora nossa mãe. ficando trêmula. Você tinha uma irmã e dois irmãos . pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias. Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos.Sim. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto. E. Ela. indesejável e detestado.É mentira! . acreditamos em nossa mãe. contudo. não importa q ualquer outra coisa que você me diga. . obedecemos. não mais para mim. A princípio. caia fora e nunca mais volte! Agora. extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente.. A essa altura. dormíamos um bocado. A princípio. sempre cheia de pose e arro gância.

mas uma ordem. Minha mãe se agarrou a ele. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela. totalmente descontrolado. minha mãe fechou os olhos. Obedeci . murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido. Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: . A cadeira fora colocada perto da lareira. Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. . Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê . depoi s. a minhoca. ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca. escondidos no sótão. sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. Sentia-me estranhamente solitária. comam.Cathy. Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto.Muito bem . os quais manteve prisioneiros. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim. Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado.Sinto muito. Uma enfermeira lhe fazia companhia. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns. muito grato pela sensacional apresentação. quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó.disse Bart. Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro. A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim.iguais aos meus. Poderia des crever as flores no sótão. . saindo em seguida. A Srta. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. Corrine. por mais que viesse a ganhar com isso.disse ao chegar à porta. Bart pegou minha mãe. Não era um pedido.Mais uma vez. na defensiva.Então. trocando sussurros e olhando para nós.Faça o favor de deixar a sala e a Sra.arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa. mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra. Ela est ava mais pesada do que antes. Cathy. . Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. aos dos gêmeos. Portanto.disse Bart. se fizere m o favor de perdoar-me.declarou. Foxworth quiser de itar-se. . vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. como também contra a esposa. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações.um grande segredo. Normalmente. exibir a chave de madeira feita por Chri s. desalmada e brutal. Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro. Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo. a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. tentar envenená-los com arsênico? Derreada. mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. a lesma deformada.rugiu ele. Foxworth fic ará conosco. . as mãos pálidas e trêmulas de desespero. continuem a festa. Tudo isto. bebam e divirtam-se à vontade. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. Vamos terminar isto de uma vez por todas. inerte numa poltrona de couro. sobretudo. Mas logo raciocine . Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto. a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e. aos de Chris. tão logo a enfermeira fechou a porta. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . mas parecia uma pluma nos braços dele. cr uel. A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas.Sra. erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível. Mallory . indefe sa. Podem ficar até quando quiserem. senhor .Sim. a despeito de tudo que eu afirmasse. . implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo . como deveria. .Como pôde ser tão egoísta.Basta tocar a campainha quando a Sra. Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. Deu-me uma ordem ríspida: . senhor . sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? .disse a enfermeira.

não é mesmo? . talvez.i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado. pois aquele cartório em Gladstone.sussurrou minha mãe. pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: . Mamãe. você teria escapado de todo e qualquer cast igo. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. negando a ex istência de Chris ..portanto. nada mais. conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. Foi muito descuido de sua parte. .disse ele.Querida mãe. olhando primeiro para ela e depois para mim. Alega que ela é culpada de homicídio. E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . Bart olhou para a esposa e. Pouco depois. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora. John Amos Jackson. ficou tão doente que morreu . Se você conseguir provar tais afirmações.Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa. Pode encolher-se.Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas. Lembra-se do camundongo de estimação de Cory. . em Nova York.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. Agora. sorri para minha mãe.Exceto quando assisti ao balé. Então.Quero apenas justiça.mas seu pai lhe passou a perna. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos. mentindo. foi destruído num incêndio. se isso é o que ainda fazem neste Estado. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo. . você nunca s oube fazer nada direito. . eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. há dez anos. na Pensilvânia. para a mãe dela. chorando e dizendo que nunca me viu.disse ela com voz forte. você fica aí sentada. portanto. . que já morreram! .Sabe mais uma coisa. com a maior calma. ele continuaria a acreditar em v ocê. ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa. descobrir a verdade. minha mãe sussurrou: . Bart apertou as pálpebras. torno u a fitar a esposa. Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas.é is so que você deseja? . acostumada a representar diversos papéis.. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las . Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo.. pois sou atriz e.. atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para.Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory. . ela irá a julgamento por homicídio doloso . com os olhos ainda mais apertados e ladinos. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente. Contudo.Nunca vi você em minha vida .ordenou Bart. Suspirei. mentindo.É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. Não ob stante. sente-se antes que eu a empurre! Obedeci. ela merecia.. querida e amantíssima Mãe.Está mentindo . se algum dia você me amou. Sem aqueles documentos. depois. Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros .. preservar aquelas pro vas. de assassinato premeditado . você sempre foi estouvada. Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar. Após breve pausa.. afirmando que o levariam para o hospital.e também de Cory e Carrie. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. se gostou um pouquinho de mim. E Bart também. contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão. dizendo que Cory morrera de pneumonia. a fim de matar os camundongos. . Entr eguei-as a Bart. Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. Sim.Mentindo. Com crueldade e grande satisfação. Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou. . Ergui os . Mamãe. Mamãe? Vamos.Cathy . Não. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico.Corrine. descuidada. extravagante em relação a tudo . Magoava-me realmente vê-la chorar. acrescentei: .. ainda olhando para a esposa. sem dúvida. responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida. Entretanto. .

Ele me amou demais quando fui criança.Sim. arqui tetando. planejando. aqui embaixo. com o dinheiro. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. sob seu controle.A avó aceitou o plano? . a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem.Corrine . Então. taradas. ajoelhava-me para suplicar . a hera nça. Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende. não acreditei que ele falasse sério.prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo. Pois eu a engane i.E você também. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . . "Eles nunca deviam ter n ascido. Queria fazê-lo. . .Eu não lhe podia contar. claro que ele sabia. julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me. não é mesmo?". Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você. a quem ela favorecia mais que a mim. junto com minha mãe. virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: .Será que não compreende? . recomeçando a descontrolar-se.indaguei. Bart.Todos me achavam estúpida. voltou-se furiosamente contra mim: . durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. juntos. meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você. Então. à sua mer cê! Planejou.o mais ultrajante pe . lançando um olhar furioso à avó. mas achei uma solução! . enqua nto vocês ficavam lá em cima. atraídos à armadilha. .Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. porque me odiava. . imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e. disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio . Sempre me odiou. No início. com a cabeça majestosament e erguida. dia após dia.olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões.Ela? . meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família. os olhos fixos em Bart. uma linda loura desprovida de cérebro. implorava. filhas do Demônio. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações. q uando eu não podia libertá-los! Quando. Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se. meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo. um som duro como diamante cortando vidro. Certa noite.depois marido .disse ela à velha na cadeira de rodas. não g ostando dos filhos. .Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir. como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. quando meu marido morreu naquele acidente. encarando-a. excitada. Mas sabia. ao mesmo tempo.Ela fazia tudo que ele manda sse. Então. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito.prosseguiu ela. e suas constantes acusações contra mim.seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. Depois. .E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. E depois que aqui chega mos. A cada dia.e eu o amava tanto. Cathy? . mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível. .Sim .exclamou ela. indagava maliciosamente.replicou Mamãe. ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula. brincando e decorando o sótão. com ar muito astucioso. meus filhos e o dinheiro também. Malcolm Foxworth! Em seguida. Eu chorava. . mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . com meus filhos e. jogando. também.e ele ria. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem. .Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa. após tudo o que ela já fizera? . Portanto. Duvidava de suas palavras.Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você. invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés. Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta. .. nem por um segundo. ele me dizia que vocês eram crianças malévolas.disse Bart num tom gelado. Mamãe ..Enganei-o também. ergui-me de um salto. . que mereciam ser destruídas.

. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança.Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! . ele cont inuou vivo. minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos.. mas. Portanto.. e. Então. chegando às veze s a gritar comigo. ou era? . . Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! . de prazer. . a fim de lhe causar a morte. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar. eu a odeio. Naquele brilhante vestido vermelho. Então. fixos.Não odiaria se compreendesse. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse. vocês me imploravam liberdade. não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido.. Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço.indagou com amargura. . como se não possuísse mais o esqueleto. como se lhe tivessem removido o coração. Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos.. se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho. afinal. Desviou desesperadamente o olhar. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender..E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? .. Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados. Eu a amava. Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai. a frente alta do vestido de gala.Bart. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os.cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar.mas não estou mentindo agora. porque ele estava muito debilitado e. . a essa altura. vociferando contra mim e meus filhos.Sei que me odeia. livres para levarem uma vida normal. não estou mentindo. .indaguei. Mantinha as mãos às costas. por favor.Su a filha tem razão.mas como poderei acreditar.Que tipo de homem julga que sou.. Cathy . chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos .Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. Mesmo assim. Pode ficar aí sentada. . ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima.interpôs Bart num tom estéril. derrotada e alqueb rada. recém restaurado. Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados.Querida Mãe. Confesso que lhe menti no passado.Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. . Passou a implorar-me piedade: .. desferia bengaladas. . E cada vez que eu ia a seu qua rto. seu rosto delicado e lindo.. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro.implorou ela. enga nando-o quanto a meus filhos .Sim. Corrine. Corrine.especialmente você! .a velha der reada na cadeira de rodas. Não sou um monstro.Corrine . assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria.. Emiti um riso duro e cheio de amargura..bradou ela. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe. . Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse. nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. . Olhou alternadamente para cada um de nós. . ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas. Os dedos ossudos . os punhos cerrados. procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre.Cathy . atingindo o que lhe estivesse ao al cance. Minha mãe ficava sentada por perto. Especialmente você. como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. despida de toda a antiga pose majestosa. Entretanto. e não me casei com você por dinheiro. Mãe. sarcástica. virou-se para sua mãe . ademais. Agora. passei a provocá-los.

Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. um a um.Muito bem. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart. para meu espanto e surpresa. minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. nunca. olhando para ela. minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. Você. que minha mãe dirigiu o apelo final. sempre C athy.Cathy . acreditaram facilmente. Contudo. em casa de um amigo comum. . que a fitava de forma severa implacável. acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço. na verdade. comecei a ressentir-me contra el es. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava. que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações. que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. confiava em mim. calcul ei que tudo era mentira. a fim de poder levá-los. Fiquei petrificada. que a e ncarava de modo muito esquisito. Portanto. havia também minha mãe. Na verdade. especialmente Cory.Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos. Aqueles imutáveis olhos cinzentos.interrompi suavemente suas súplicas. . Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes . Você queria casar-se comigo. . o mordomo. Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. O a . muito combalida. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia.Bart. E era Cathy. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade. quem mais insistia comigo. contra o modo pelo qual instavam comigo. sempre que me resolvia a fazê-lo. não importava quantos presentes eu lhe desse. Cathy.Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento.po is a verdadeira vencedora era eu. Utilizei um pouco de arsênico. eu tentava fazer por eles o melhor possível. como se discutisse uma terceira pessoa.e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas. Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e. E. no início.exclamou minha mãe. Rezava par a que. tentei fazer o melhor possível por vocês. apelou para Bart. Então. apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade. consegui sorrir para ela. Não obst ante. Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. apesar disso. E foi para mim. pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo. Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados. não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. causando-me remorso e vergonha quan do. Começou a falar num tom desapaixonado. Christopher me amava. . sua mais severa juíza. o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem. porém. além da alergia. Meu pai insistia em negar seu consentime nto. . . já não se importava com isso . Cathy. E Cory tinha resfriados sucessivos. você me compreendesse e aceitasse. .Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la .Sim! . Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera.murmurou ela em seguida. ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. falando do primeiro enco ntro que tiveram. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo. como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana. Sempre teve o dom de ver através de mim. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade. Fui estúpida. mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes. . logo que seu pai morreu.Mamãe . meu pai revelou nosso se gredo a John.

indagou ele. você não fez isso .Não. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse. Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory. Seus olhos expressavam feroz indignação.. Soluçou com a lembrança. como se terrivelmente assustada. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora. esforçando-se por falar. Girei nos calcanhares. Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente. nada mais. ela odiava Mamãe. e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960. C omo num pesadelo.minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca. até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então. compreendi que e la mentia. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los.. De repente.? . Mamãe.Mamãe . Não me olhe assim. Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela. acrescentando: . ela engoliu em seco. ela foi incapaz de mover-se.juro que não queria! Não me olhe assim. Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la.. . perceb i que estava morto. examinamos os registros. fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias.Então.. no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão. que estava em pé diante do fogo. Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart.. furiosa. . depois.Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes . Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse.Nunca conseg . um cheiro de algo mor to e apodrecido. E ele exalava um odor muito peculiar. Depois. Quando olhei para o banco traseiro. com o olhar fixo na direção da porta.. parou de respirar. Primeiro. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto. galhos e pedras. . Bart fez menção de dizer algo. c omo se isto não fosse castigo suficiente. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes. Estaria vendo o fantasma de noss o pai? . jogado no fundo de uma ra vina escura.apenas o suficiente para salvá-los. Mamãe. torceu as mãos uma na outra... vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. . Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico. Por outro lado. .. mas não emitiu o menor som. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar. O rosto ficou totalmente inexpress ivo. A porta da biblioteca se abriu repentinamente. Então. eu não queria . minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel.perguntou ela. mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça. . mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas. . Olhei para a avó e percebi que franzia a testa.Odiei a mim mesma. obser vando minha mãe.. visitei o último quarto da al a norte. notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta. Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: .sussurrou.Antes de descer ao salão.vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E. Desejaria que eu acreditasse no pior.Eu não sabia o que fazer com ele . . como se negassem todas as alegações de minha mãe. abandonado lá para apodrecer.. você nos ministrou deliberadamente o arsênico? .Morreu antes de chegarmos ao hos pital.indaguei em voz baixa..Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você. usei a escada que leva diretamente ao último andar e. então.Chris.Chris. . joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas. Mamãe teve um sobressalto. ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris. Por um instante. Ten tou mas não conseguiu falar. Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios. . a escadinha do sótão.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região.

mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança. Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui. .E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? . .Meu Deus! a casa está em chamas! .acrescentou.Sim.protestou Bart. terá que esperar.Preciso fazer-lhe algumas perguntas.Você é Chris.Cathy . Avó. Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra. Em seguida. naturalmente.quis sabe r Bart. Entrei em pânico. . indo diretamente para o fogo! . Chris olhou para mim. mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor. Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. Cathy. sem dúvida para chamar os bombeiros. Não compreendi o gesto. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. .Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta.Sim. Tenho más notícias. Mas você o fez! Então. procuravam uma esposa ou um marido . Estendeu a mão e me encaminhei para ele. É minha mãe. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes. pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris. Só então Chris encarou Bart.Tirou-me a venda dos olhos. Fumaça! Senti cheiro de fumaça! . . empurrando-me na direção de Chris.Vim buscá-la.Não! . Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro. Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l. corriam.Feliz Natal. Virou-se novamente para mim: . não suba! Morrerá aí em cima! Não. Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. Bart! Volte! Creio que ele me escutou. .. Com o braço de Bart passado em meus ombros. O que acontecera? . estendendo outra vez a mão para mim. O tumulto explodira! Todos gritavam. que aument ava e diminuía histericamente. abandonamos a biblioteca e a avó. . Tinha razão. . que acenei em desespero.exclamou Bart. quatro meses e dezesseis dias. . A presença dela é necessária em outro lugar.Vamos depressa.disse Bart. com certa hostilidade. Cathy . E se deseja m aiores detalhes. . Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então. Frenética. .Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída. Eu esperava jamais tornar a vê-la. Vim buscar Cathy.Por quê? .Não! . subiu correndo o lado direito da dupla escadaria. Venha. ela gritou. para variar. tentei acompanhar Bart com os olhos. obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó. ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu.Espere um momento ..gritei. . pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora.Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. chamando: .Sim: três anos. Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele.quis saber eu. Vi-o pegar um telefone. ele aponto u para o leste.disse Chris. Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: . . Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade. como se ainda não quisesse acreditar. .Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. . E quando levou Cory consigo certa noite. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta. lançou-lhe um sorriso irônico. Lindstrom estão esperan do em meu carro. mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída.Bart. Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia. irmão de Cathy? .

Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros. Não parava de gritar o nome do marido e. chegamos ao carro de Chris. o de sua mãe. Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. impossíveis de substituir. afinal. ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: . .Você! . algo em seus olhos cedeu . não era apenas um cãozinho de estimação. Não me ama mais. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar. a fim de podermos escapar e chegar ao solo. com a expressão selvagem de uma louca. Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer. querendo o meu colo. E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. protege ndo-nos.disse ele. Esta caía sobre a casa em chamas. Farei tudo. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. afinal. Meu irmão f . Então. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. afinal. tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó.Bart deve conhece r todas as saídas. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. movendo nervosamente as mãos. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida. Bart! Não morra.berrou ela.Engasgados. desvairada e frenética: . Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim.que também estava cheio de fumaça.exclamou Chris.replicou Chris. a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos. enquanto eu gritava.Não. tossindo. . fazendo todo o possível para provar que. Em vez disso. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar . . E ela pareceu murchar. .Veja! . . meu filho. Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida. para que possa ir comprar para você. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo. não muito tempo. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo. . não muito tempo. O vento soprava implacavelmente.Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! .Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. Cathy . qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo.. puxando-me pela mão. formando b olotas vermelhas que se derretiam. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo. E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r.Não se preocupe.Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. depois. co m Jory no colo. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada.Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra. até que tive ímpetos de gritar. chorando por Bart. sou sua mãe. gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve. do qual Emma.Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro. Por favor. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. meu amor. Então. Jory estendeu os b raços. Seria um milagre sobrar alguma coisa. Chris e eu corremos através de outro salão e.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe. . Christopher. mãe . Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia. Ela esbugalhou os olhos. Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. . fervendo ao calor do fogo. mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. diga-me o q ue deseja.Christopher. abraçou-me quando me apoiei contra ele. sendo contida por dois homens. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros. observava a mansão incendiar-se. junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável. caso necessário. Enquanto Chris e eu observáva mos. qualquer hora. . Foi v ocê. Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas. tentando reconfortar-me. Com que facilidade a madeira antiga queimava.. E não parou de dizer aquilo.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se.

esperneando.indagou Chris. que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. cambaleando. Tudo terminou. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava. também. que os avistou. Cathy. .Cathy. terminou . junto com o de minha avó. no colo de uma mulher mais idosa? . quinze an os atrás. naquele quartinho junto à escada. Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos. . a fim de parecer-se mais com Bart. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio. indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . observando-a com os olhos esbugalhados. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe.. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros. folhas arrancadas dos talos. Colhendo o que foi Plantado . Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços. nascera cheia de pecado. ainda berrando que eu a traíra.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar.estava acabado. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio. impaciente. As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e. Pe lo que diz a polícia. Lev aram-na embora numa camisa-de-força. Sacudi a cabeça. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? . Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. E dera-lhe meu coração à primeira vista. A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas. soltou um berro e tentou fugir corre ndo. Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. esmurrando o solo. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro.disse Chris. a morte interferia em minha vida. gritando. hoje! Ao tentar ajudá-la. pois levara da vida aquilo que a ela trouxera. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte. Chris estava ansioso por partir. por favor . sem serem tocados pelo fo go. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro. o fogo começou no sótão. puxando-me. Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. a dupla escadaria curva continuava no lugar. agora que tudo termin ou.. Não sofri por ela. se eu nunca tivesse vindo. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow. Caiu de bruços na neve. Sentíamo-nos cri anças outra vez. A essa altura. não permiti que se afastasse de minha vista. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode.. subindo para o nada. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. sem ver mais nada.ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância.Por favor. pois eu me mantinha isolada como numa concha. Embora só conseguisse atrapalhá-lo.. tentando clarear as idéias. A voz de Chris parecia vir de muito longe. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. embora sinta muito a respeito de Bart. Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados.O que há com você.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados. com a esquelética avó ai nda em seus braços . Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado. Eu era má. por mais estranho que pudesse parecer. como os de Bart. mais uma vez.ambos morreram sufocados pela fumaça. desaparecendo para sempre. . Aos tropeções. Cathy? . Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart.

Talvez continue vivendo assim durante anos e anos. Pressurosamente.Chamei apenas para verificar se você atenderia. Além disso. como seu avô. ser condescendente. Não quero que Chris e você terminem odiando-me. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida. .. jamais ficar ei bom. pa ra variar. mas para você e Chris também. Jory completará sete anos. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us. Portanto. reflita bastante e converse com ele a esse respeito. Sou impotente. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes. Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo. se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho. Prendi a respi não podia permitir! ração. meu amor. Catherine. talv ez tenha sido uma bênção disfarçada.Estávamos novamente em outubro.Paul.Catherine . Catherine . constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall. S aberá que Chris é seu tio. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. E m breve. Será que não consegue p . Não obstante. Oh! Ser amada outra vez. tome uma decisão. Embora ainda pequeno. embora no dia de nosso casamento estivesse de cama.Catherine.. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas. Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início. Dentro de poucos meses. às quais ele se apegara tão corajosamente.Se me tivesse casado com você há muitos anos. Jory. julgando que seria o mais certo. se Chris. Contudo. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . .. estava magro e abatido. Ele me sorriu docemente e estendeu os braços.A culpa é minha! . Paul perdera muito peso. Mas não permitiria . com os olhos esbugalhados. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele. Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte. calada e boquiaberta. aninhei-me em seu c olo.chamou a voz fraca de Paul. você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé. não apenas para mim. o mês das paixões. .Não estou jogando nada fora .. querida. Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . . tocadas pelo frio precoce.. Ordenei-lhe que saísse de casa. descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho. não sou um marido de verdade. Eu agora era esposa de Paul. Comecei a soluçar. haviam des aparecido quase da noite para o dia. Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona.Está falando demais .adverti. ensinar. . . você não poderá gerar out ros filhos. .. Seus filhos precisam de um pai . . E logo v ocê ficará viúva outra vez. Então. em vez de Julian. . Jo ry completaria sete anos e.exclamei. Beijou-me.Três anos. esperando que seu avô morresse. embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. no andar térreo. To da sua juventude e vitalidade.Pense bem no assunto. embora os braços que me envolveram já não tivessem força.Paul.alguém a quem ele podia dar ordens. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo . Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que. Todavia. . não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça. Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio. Paul. estendendo-me os braços. esforça ndo-se sem descanso dia e noite.repliquei.E se você refletir bem. mas tentava aceitar o f ato.Sabe que não deve falar muito.Não! E Chris não concordaria! .repetiu. sufocando um soluço na garganta. Chris já esperou tanto tempo. poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto. . Agora. Bart não era do tipo ao qual se dão ordens. Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul.Escute-me. Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai.o tipo de pai que já não poderei ser agora. Catherine: não seria errado! De agora em diante. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo. . se vocês partirem agora e me esquecerem.O tempo está correndo. jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. .

comecei.Já compensaram . é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. por mais difícil que isso fosse para nós. Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? . o sexo não é perigoso. Oh! Mamãe. nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental. . não apenas pela metade. Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas. E ainda não lhes contáramos a verdade. .Parecia tão feliz.Tenho certeza de que você não explica direito . Quando nossa mãe morresse. de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes"..Venham! . Jory gritou que fisgara um peixe. sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. .Temos dois papais! .Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na .nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim. . . debruçando-me para beijá-lo.Olá .comentei. fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar.Tivemos cuidado.Sinto-me feliz por ambos.Vamos voltar para casa.gritou Jory. ..Chris . o sexo tinha que ser feito com muito cuidado. tornando a beijá-lo. . ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado. Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou. Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las. atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo. Após quatro graves ataques cardíacos. .respondeu.respondeu Chris. vimos um homem na varanda da frente. . o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade. porque eram m uito pequenos. Com o que sonhava antes de acordar? . Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim. na linha de Jory. agora. Não comemos peixes bebês. revertera à s ua mãe.Subirei para dar banho nos meninos . hesitante.sussurrou Chris. sonolento. . .Sim .chamei. sentada e olhando para quatro paredes. se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia. quando quisess em saber.Pobre Júlia . O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda.Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo.indaguei. mas ele teve que devolvê-los à água. . . com os sapatos brancos apoiados na balaustrada. . nós também escrevemos nossos roteiros . E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela. estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos. . Contudo.Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim.Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? . tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os. como mamãe. Ora.É apenas um bebê. ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos. ao mesmo tempo.Estava sonhando com Júlia . . Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa. mas. Meus dois filhos vieram correndo. voltamos à grande casa branca que tanto nos dera.Perdeu tanta coisa. .. mas talvez eu não saiba explicar direito.Ótimo. sempre se produz algum barulho. E. Paul fez amo r comigo esta noite. desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação.replicou ele. incluindo o que restava de Foxworth Hall. No novo carro azul de Chris. Na primavera do ano seguinte. . .Chris e eu.disse Chris com um leve sorriso. Com o na primeira vez em que ali chegamos.disse ele. embaraçada. desta vez com um ar levemente tristonho.Apanhamos dois. feliz.. foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir. Sabe. Está quase na hora do jantar. só os grandes. O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna. pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais. .E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos. Não é perigoso. pela primeira vez. Naquele instante. . revelaríamos a verdade. embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém.

E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora. no estilo de rancho. Havia às minhas costas um rastro de homens mortos. não fique a ssim . d irigindo na direção oeste.e eu também. enquanto espero lá fora com o . que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. naturalmente. tombou-lhe a cabeça para trás. Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes. claro que não. a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. de um tipo diferente de vida.Naquele maldito domingo . do modo que mais gostaria . tomou-lhe as pulsações e. Nosso benfeitor. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. que foram para o céu antes que eles nascessem. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. Emma Lindstrom. Quando isto não deu resultado. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si. a fim de acordar Paul. Até o mome nto. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. caso eu desejass e vender a casa. . e stava morto. começa a berrar quando me avista. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. Jory já se esqueceu disso há muito temp o. . olhei-o com mais atenção. finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. Ass im. Engatado ao carro de Chris. pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. É um ótimo modo de morrer. dois banheiro s completos e um menor. . nem Georges . em voz mais alta.Venha depressa examinar Paul.. Meu irmão devia estar no hall. . em Gladstone.corrigi. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. sem dor ou sofrimento. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la. Íamos para o Oeste. declarava que. Geralmente. No testamento. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. Ele sorriu. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome. lá depositando flores. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield.. Quando é contida. tudo foi inútil. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. a fim de podermos fazer companhia às crianças. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. Corri ao telefone para chamar uma ambulância. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro. Portanto. Cathy. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. porém. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. acar iciando-lhe o rosto. Paul me legara tudo o que poss uía. logo em seguida. Meus filhos chamam meu irmão de Papai.a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. Até o momento. Além disso. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles.quele domingo.chamei com voz sumida. visitamos Mamãe. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores. rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. era? Não. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta. soprei-lhe a orelha. Além disso. sentindo-s e bem e feliz. Por fim. . Afinal. Pegou-lhe a mão. nunca esquecemos Julian. Chamei-o baixinho por três vezes. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado. Mas. Comece i a chamá-lo novamente. Comíamos cedo. Já trêmula e cheia de medo. Como se já não se olhasse nos espelhos . Ela vive num lugar imenso. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio. inclusive a casa de sua família.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar.Ele se foi. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. Dormindo. meu marido. Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. Ele continuou a dormir. volta toda a fúria contra si mesma.Chris . Contudo. Em seguida. desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. nosso salvador.

s meus filhos.. Entretanto. Freqüentemente. Entretanto.Pensei comigo mesma. ela não confia plenamente em Chris. o eterno otimista. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos. nossa governanta. não é mesmo? FIM . Pragmático. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas. sem trepidações ou lamentos . mora conosco como Henny mor ava com Paul. ele sempre volta para casa com um and ar animado. Chris canta quando trabalha nos jardins.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. Sua família somos nós. fama. Portanto. amor imorredouro e s em defeitos. Portanto.Case-se com um homem de olhos escuros. Tenho a impressão. Tenho certeza. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares. Cathy. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos. com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. É o passado que jamais consigo esque cer. cozinheira e amiga. Ou. talvez. fortuna. às vezes. Esforço-me realmente para ser como Chris. um sorriso feliz. Numa pequena alcova lateral.. comprei hoje uma cesta de piquenique. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. Ao barbear-se pela manhã. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim .. jovial. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. por dentro. sempre oti mista. Saberia desde o início que. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul. deito-me nervosa e permaneço acordada. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente.. encontrei duas camas de solteiro. De fato.o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. mais verdadeiramente. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor. Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. deixei de lado os sonhos de perfeição. Eu não o s trancaria mesmo que Bart. não obstante. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. Não obstante. E mma Lindstrom. Na medida do possível. Portanto. Mas. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo. vencerá o que tenho d e melhor. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: . ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo..Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: . Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. tornei-me adulta demais para eles. fosse informado da verdade pelo ir mão. Oh! Meu Deus! ..Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s. mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai. O melhor tem que vencer. cantarola melodias de balé. sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que. . E eu também deveria ter aprendido. copiamos os jardins de Paul. mas. os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela. exceto pelo musgo espanhol . mas tio. seja condenada à morte na cadeira elétrica. Ela deveria te r aprendido. mas não demais.. o menor dos dois.. Eu seria capaz de enfrentar a vergonha.

Fonte: WWW.BaixeLivro.com ? .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful