A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

de modo que ele lhe pediu que tossisse.É domingo. os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. que lera a placa com o nome do médico. maldito domingo .Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer. Paul Sheffield? . como se tentasse focaliza r os olhos . O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. Era um homem grande. A essa altura. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos. Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço. O homem parecia atordoado. meus cabelos. Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos.Sim. Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés. postou-se de pé à nossa frente. Sou o Dr. auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás. o pescoço arqueado para trás. O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia.disse Chris. Aqueles olhos notáveis me beberam. Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. Sheffield . perto da calçada de concreto. Carrie já recobrara os sentido s. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie.sussurrei para Chris.Tire todas as roupas de Carrie. Invadidos por mil e uma ansiedades. Parecia um tanto elegante. é claro. enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho. .ordenou-me ele. usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela. ergueu as pernas da balaustrada. . fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes. ficou como que hipnotizado por meu rosto.replicou Chris. Com surpreendente graça e rapidez. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão. antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa. Como o homem contin uasse a dormir. Foi ela quem nos trouxe para cá. Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. . Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. muito bonitos.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar. Aproximei-me vagarosamente. Carrie jazia nos braços de Chris. mal corta dos no alto da cabeça. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume.Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. Beech era sua governanta e cozinheira . . mas você pode tratar de acordá-lo.disse o homem finalmente. o pulso e a temperatura de Carrie. . Em segu ida. e m nossas muitas camadas de roupas. passando a prestar atenção em Chris e Carrie. Por que o destino se mostrava tão pers . Em seguida.eram olhos castanhos. menos as calcinhas .O senhor é o médico. Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas.Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos. . Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech.É o Dr. Ele sacudiu a cabeça. matizados por tons azuis. conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes. . . muito mais alto que nós.Há alguns minutos . Relutantemente. os olhos fechados. . Mais uma vez..Ele é um médico . Enquanto eu obedecia. apesar de escarrapachad o como estava. sentindo-me dominada pelo medo. desbotado e frágil nas pontas. Fitou-nos durante longo intervalo. com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime. eng olindo-me em seguida..ombra. o médico acordou. eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local.indagou Chris. . U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul. não é? .quis saber Chris. verd es e dourados sobre o fundo castanho claro.

de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir. Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie.explicou. em seguida.Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável.Sempre usa mais de um vestido aos domingos? .perguntou ele. Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se. Est aremos aí ao lado. E enquanto prendíamos a respiração. numa advertência muda de que eu estava falando d emais.Carrie . .Vão precisar dele. . que me caía bem e estava limpo.disse o médico.Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo. Sei que essa mesa não é muito macia. eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui. Po deríamos contar-lhe qualquer coisa. como se trabalhasse durant e muitas horas a fio. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão. olhou firm e para mim. O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos. Sheffield. Poucos minutos mais tarde. estão fugindo . não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia. principalmente por intermédio dele. Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa.Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. não tenha receio.Uma vez órfãos. começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: . eu sabia a respeito de médicos.concordou ele. assim .Sim. o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria.Então. . agasalhando-a com um cobertor leve.indagou suavemente. .Só nos domingos em que fujo . Sou viúvo e. Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. . . indicando que eu deveria manter a boca fechada. Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo.É uma longa estória.E temos apenas duas malas. muito menos duas. Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. . . O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação. o do mingo é um dia como qualquer outro. avaliando-nos.É bom terem dinheiro . no momento.declarou Chris em tom de desafio. mas parecia cansado. no meu consultório. Doutor . Então. Sheffield. estilo princesa. só desejamos saber a respeito de Carrie. estava usando apenas um vestido azul. para mim.Ainda são órfãos? . tudo mesmo.disse Chris.E. muito doente. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde.respondi.istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? . falaremos a respeito de Carrie . . tem razão . . atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais.comentou o Dr. De repente.Somos órfãos . Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho. . Se h oje não fosse domingo. Chris deu-me uma cotovelada rápida. Contudo. . Po demos pagar. .Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento..estava escrito em seus olhos. sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia. Lançou-nos um prolongado olhar observador. ainda somos órfãos . Ficamos perpl exos. . quando houver necessidade. .Não sei quem vocês são. enquanto o médico permanecia à sombra. o Dr. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris. Mas aquela garotinha está muito. Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris.acr escentou.Portanto. assumindo uma atitude profissional. mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! . Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais. .disse jovialmente o Dr. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos. Agora.respondeu Chris. depois que terminei de vesti-la ou tra vez. .Sim.. lembrei-me do motivo. a fim de que você possa desc ansar .Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade. Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança . pois não sou muito dado a elas.

milksh ake de chocolate. .disse ele. É enjoada para comer.Por que não haveria de acreditar? . Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos. Senti Chris estremecer e estr emeci também. . Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio . . Preciso de informações para trabalhar . ombro a ombro.Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês. dizendo-me meias-verdades. depois. . sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade.sua voz se tornou mais forte e dominadora. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos. inventando mentir as.Como ocasionalmente? . . hoje mesmo. meu rapaz.Certamente é muito franzina. diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la. Carrie comeu apenas um pouco da sua porção. Debruçou-se sobre os b raços cruzados. com relógios de ouro e brilhantes. .Bem. . Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . aquele homem sentado à mesa.Disse Chris. depois de tudo o que ela fizera. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção. Agora. . .Calma lá. o médico anotou tudo. batatas fritas com molho de tomate. embora poucos minutos antes. mas não com freqüência.Agora. Se Carrie sofre de algum mal interno. .Certo. Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos.Está bem . Ficamos ambos calados. como poderíamos confiar outra vez? Não obstante. Eu diria que nunca teve um apetite saudável. me smo nas melhores circunstâncias. não podem ficar aí sentados. não posso olhar dentro dela para verificar o que é . Catherine Leigh Dollanganger. na pequena sala de exames. deixem-me fazer mais perguntas.disse o médico co m voz suave. de mãos dadas. parecia-me tão familiar.replicou tranqüilamente o médico. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! . quer o senhor acredite ou não! . aliviado. usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis. Vamos parar de desconfiar uns dos outros. e Carrie tem oito anos. mortos de medo de contar a verdade nua e crua . Antes. . se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. magros e com aparência cansada.Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem .po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado. fitou Chris. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie. port anto. . Só Carrie. Portanto. como se eu já o tivesse visto antes. Franzindo a testa. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora.Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível.. ou vocês terão que contar.in formações completas. mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação. terá que responder algumas perguntas . O médico olhou para mim ao dizer isso e. .Desconfio de que sua . como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo.Carrie costuma ter náuseas? . Chris suspirou.E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . na defensiva.Nossa última refeição foi o café da manhã. Já sei que Carrie é subnutrida. ouçam.embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo. Precisam falar a verdade.Ocasionalmente.permanecemos. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. Ficam aí sentado s. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência. Estávamos com medo. devagar..Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã. .Se desejam realmente ajudar sua irmã.Se é difícil para vocês.disse Christoph er.. ..ela precisa me dizer.

amanhã Carrie será internada num hospital. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris.gritei. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. podemos c omeçar os exames amanhã cedo. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir. naquele verão.Chegou um ano novo e. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou. Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco. todavia. Agora. que o amava tanto -. na verdad . .. ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. a confiança e m nós mesmos. partimos de trem para as montanhas Blue Ridge.Espere um minuto! . Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria.. E por estar anêmica. Começou a es crever cartas aos pais. Portanto. protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. imaginando que isso nos compensava por tudo.como se livros. e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . ao menos. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. íamos perder tudo o que possuíamos. Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia . quer vocês chamem ou não seus pais. A princípio. exagerando. pois vieram-lhe lágrimas aos olhos. Todavia. afin al. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is. pior que tudo. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo. mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros. na Virgínia. comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável. mas por ele.Faça o que julgar necessário .E assim. além de dar-nos muitos presentes. cheio de a ranhas. . logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. . Então. prossegui: . pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta.. que moravam na Virgínia.. salada de batatas e galinha fri ta. Pensei amargamente: Não se preoc upe. talvez duas ou três. Então . poderíamos descer para con hecermos o pai dela. e eram fabulosamente ricos. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico. eles não responderam. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. camundongos e insetos.Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto. depois que Papai morreu naquele acidente. jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido. é suscetível a uma infinidade de infecções.não por ela. Então.e sujo. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade. e por mim. se a internarmos no hospital esta noite. com o sótão servindo de playground. erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. Naturalmente. quando chegavam nossos aniversários. Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai. quando. certo dia. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos. roupas qu e não se ajustavam.A princípio. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s. logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". chegou uma carta.disse Chris num tom inexpressivo. Sua pressão arterial está perigosamente baixa. E. Mamãe nem mesmo nos visitou! Então. . Agora. no máximo. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. Naquela mesma manhã. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do. para ferir todos nós. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? . Era enorme . Nunca tínhamos sobremesa. No início. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. começamos a perder a confiança nela! . que a amava tanto.

enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris. Cheia de indignação.Cuide de nossa irmã. suspirando. Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão. . para que ela herdasse a imensa fortuna . sem saber que estavam cobertas de arsênico. seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa. durante no ve meses. Talvez eu possa fazer algo para ajudar. Sheffield. A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. doutor.Como vê. . Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento. pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina. . pálidos. tornando-se médico .como o senhor. eu não pretendia falar de Cory. . Quando terminei minha longa estória. E nós praticamente as d evorávamos. mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar.Agora.Espere um minuto! . com seu jeito vagaroso e paciente.e. difícil de ac reditar.continuou o médico. é m uito simples. . muito ar livre e sol. .disse Chris. Cathy. não compensava nada! Afinal. em tom débil. que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem. A pro pósito.exclamei. nós vivemos três anos.Ainda não terminei. . senhor .. Mandar-nos-iam para lares adotivos. Dia a dia. Virei-me novamente para o médico: . Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e. Portanto.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão. Carrie é a mais afetada. para onde estão indo? . quatro meses e dezesse is dias. conservar a herança.disse o Dr. Ao longo de qu ase um ano. .E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r . . parecendo muito pálido e fraco. fazendo-a vomitar e a nós também. fitando-me com olhos magoados e suplicantes. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações. na verdade.disse Chris num tom respeitoso. na Flórida . . Faça o que for necessário para curá-la. . Falou sem erguer os olhos. Doutor .. os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio. escutem bem: é apenas uma sug estão.disse o médico.Um médico como eu. Que diferença poderia faze r mais uma vez? .As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado .Sim . Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento. Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. repouso. que permanecia sentado. o médico ficou muito calado. como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. Chris .É uma estória estranha. choque e preocupação. percorremos os corredores compridos e escuros. Olhe só para vocês dois: magros. Necessitam de boa alimentação. o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela.É um estranho para nós. resolveu livrar-se de nós. entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos.Calma.o mal que aflige Carrie.Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão. de modo que imaginamos poder tornar-nos .. Agora. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal .disse eu. .Naquele único quarto trancado.. fitando-me com com paixão.Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem. Lancei um olhar a Chris. mas por nos separarem. ao mesmo tempo. debilitados..Para Sarasota. Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado.. .mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. para concluir -.. Mas ele não precisava p reocupar-se. às vezes.não há diárias a pagar. . eu revelara. Chris não quer ia fugir.

os olhos faiscando.Não obstante. não três.indagou o médico.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? . Ainda assim. . Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. . Afinal.Não sei cozinhar.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados. . admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. . eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. . Suas roupas ca ras. mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha.disse ele. Em primeiro lugar. . infantil e afastada da r ealidade. . podando as sebes. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder .Não! . a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar.expliquei.Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera. . . . um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela.disse ele. .interpôs rapidamente.Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância. como o senhor faz.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente. Sou bailarina. minha intuição me induz a acreditar no que me contaram.. sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos. suave e melodiosa. Mas não mencionei Cory. pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário.Farei o possível para ajudar a Sra. com um leve sotaque suli no.Ótimo . com alguma prática. Contudo.repliquei com rispidez.o Dr. tenho dois hectares de jardins.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã.insistiu ele. creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram. pr eparando os canteiros para o inverno. . . Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela. os olhos risonhos lançando faíscas. Sua voz era impressionante.disse Chris.acrobatas. tendo seus f ilhos. .Não quero parecer ingrata . tudo isso testemunha em favor da verdade. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos. e para o senhor. com o rosto inexpressivo. . Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim. senão a Chris. Pago dois jardineiros para ajudarem. com os olhos brilhando de desconfiança. . precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie. mas devo dissuadi-los. Nesse ponto. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora. descendentes de longas linhagens de artistas circenses. Quando me tornar uma prima ballerina famosa. pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio. quando meus lábios se entreabriram para falar. contratarei uma cozinheira. parecia mais uma fantasia tola. .Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me. encantando-me. . ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes.Compreendo . ficamos ex tremamente gratos .Esqueçam o orgulho e a carid ade. Simplesmente pareceu ainda mais entristecido..Trabalh . essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia . que estávamos longe do quarto trancado e do sótão. ne m manteiga ou margarina. Chris. preparando sua comida! Isso não é para mim. desde que realmente desejem mui to. hipnótica. Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada.Vamos . não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro. A qualquer momento. Lá atrás. Beech . mas não o fez. lavando louça para ele. como médico. Esperei que o médico risse. Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem. Cathy pode cuidar da casa. à forte luz da realidade. Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta. os relógios e os sapatos de tênis. Não seria fácil. Pelo que sei.Francamente. não aquilo não fazia sentido.

também. Ele me beijou. Um Novo Lar Foi assim que começou. . O tapete era azul.. pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor. partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco. Todo o infern o que eu tinha estava na mente. Isto agradou imensamente a Carrie. deitando-me a seu lado. sabendo como seria! Você.sussurrei. . Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava. mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes. em es tilo antigo. não foi? . adivinhando mesmo então que jamais acabaria. Cathy. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia.Está chovendo lá fora . como podem ver.Não acontecerá novamente . Cathy . Mesmo assim. Baixei a cabeça.replicou ele. cometemos um pecado. Carrie gritou bem alto: . duas janelas para leste e oeste..Não . Tornamo-nos importantes para ele.Vou cair da cama? Cathy. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom. Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução. deveria saber! . Então. avareza. E não precisam pagar-me. Com lágrimas no s olhos. que passar am a parecer uma larga cama de casal. Adorei o quarto que Paul reservara para nós. .. num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. compreendo agora.chorou. Em seguida. arrastando Carrie comigo para o chão. isto eu também entendo agora. esgueirei-me para a cama. Nós o encampamos.oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso. co m o passar das noites. dentre todas as pessoas ne ste mundo. Em nosso quarto. acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha. aquela maldita herança. Era lindo. . . não se trata de piedade ou caridade. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós. Eu desejava levar uma vida boa. que diabo está fazendo aqui? .especialmente Ch ris. a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu. Enquant o ele dormia. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie. por recordar demais o passado. Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor. exceto trabalhando na casa e no jardim.. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida .disse Chris. se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. Não haverá percevejos em nossas camas. tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris. ainda olhando para mim. . Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil. como se eu o perseguisse. quando nos despedimos outra vez. Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama. mas não o encarei. sem magoar ninguém . dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo.Não há o que desconfiar. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! .Esqueça.Precisamos tomar cuidado.Cathy. colandoa ao seu peito. quando pudermos. Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. mas.Dê-me um beijo de boa-noite. retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. Só então Chris falou: . juntaram as duas camas de solteiro. observei meu irmão recuar ao longo do corredor.repliquei.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! . por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto. Nada sombrio. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós.aremos com afinco e. . Nenhuma gravura do inferno nas paredes.sussurrou Chris. os quatro. Tudo está acabado .Falei sério. eu o beijei.Chris. com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul.Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . Port anto. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. Não queremos que ele desconfie. que tinha sono agitado.

e saiu. Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder.Dr. Então. . mudaremos tudo na primavera. irei embora. O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital. Ele meneou a cabeça. desejando o que Chris sentia que precisava ter. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . os olhos escuros desola dos. Ninguém para me dar forças.. Não revelei o s egredo de vocês. Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite. Paul.Contou a ele? .respondi depressa. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. Para Carrie. Ele estava junto à porta. Fitei-o.Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. eu não queria que Chris parasse. Paul. Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. Não contei a ninguém . com um metro e oitenta e cinco. Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente.Julguei que gostassem daqui . Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho. não fiquem assim.Se não gostam das cores. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar. de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou. e eu. mas parou e virou-se para me olhar. No início. Ora. segurando sua jarra de violetas. pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. . ou mesmo ousou respirar.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou.. Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados.Você veio.Eu gosto daqui! . calculista. . engasgado. . que resultara em sua morte. sem responder. não estaremos mais aqui na primavera. . que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. agora o Dr. Era alto. estávamos abraçados e ele me beijava. Cathy . Depois.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. . mas não devemos a busar para sempre da sua bondade. . quando ele interrogou Chris e a mim. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. ou mais.De que acha você que sou feito? De aço? Cathy. . prestes a sair.disse Carrie.disse ele. supostamente de pneumonia. Carrie ficou sentada.Carrie. Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros .Todos nós gostamos daqui. empurrei-o para longe de mim. sem que chegássemos a per ceber como aconteceu. . Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade. Então. Ninguém par a me reconfortar. Voltei para meu quarto e chorei na cama.Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto . você bem sabe que nunca mentimos. Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam.Não pude deixar de contar.Não para isto! . A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando. Na primavera não mais estaríamos ali. . embora não quisesse. Portanto.disse num tom tristonho. como temíamos a princípio. . desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory. as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca. Nenhum de nós dois se mexeu.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse. Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: .. espantada. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas. a parte pensante. Bailarinas em quatro posições diferentes. não torne a fazer isto. enquanto eu me obriguei a dizer o que devia. a não ser ao Dr. do tipo parasita.disse ele. . . Era mau e pecaminoso! Mesmo assim.

esperanças e temores que todos nós. nua e co berta com um roupão de papel.Puxa vida! Graças a Deus. iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado. seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes. não há nada errado comigo.por mim .exclamei. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. mas devagar com amidos e sobremesas. Nada de Sra. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade. nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses.Não gosto de ter médicos me cutucando. o que era algo notável para uma criança como ela.Sim.Carrie ficará boa? . duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito. não posso perceber o que está pensando. Eventualmente.Não que eu possa perceber. . estava olhando para o outro lado . aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. embora. ao fazer tal afirmativa. . Beech . eu já sabia que ela sofria de mudez congênita. com as mesmas sensibilidades. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. sufocada de alívio. Apenas magra demais. Portanto. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente.respondeu ele com um s orriso. Com o avental amarrado em torno do c orpo. e. enquanto eu continuava a descascar as batatas. O senhor não acha. Corri de volta à cozinha.até mesmo Carrie. não é? . Sr a. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala. num estilo muito abreviado. quer o dizer.Na verdade. parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. Quer que ganhem músculos e não banha . que era tão malditamente cheia de não-me-toques . mas insistiu num número ainda maior de perguntas. Então. . Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia . pois quando fiquei deitada na mesa de exames. deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas. Quando ele veste aquele comprido avental branco.a menos q ue tenham alguma objeção. E sou muito boa leitora de olhares. o Dr. comia com entusiasmo. Agora. Chris também. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira. Menina-Fada. Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie. Paul me olhavam de modo tão esquisit o.Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? . . Perguntas embaraçosas.escritos com a rapidez do raio. Vou receitar vitaminas especiais para todos três. Beech . Você me parece bastante normal. a Sra. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse . por ser do sexo masculino. Então. .desde que não se pendure em trapézios . Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr. Go sto mais do Dr. seus largos sorrisos. Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica.. Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. terminou! .sussurrei.. . acima de tudo. Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. de agora em diante sou apenas Henny. Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. parece colocar também uma viseira sobre os olhos. me nos que você. Beech redigiu outro b ilhete. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny. . Preocupava-me com isso.. ela ficará boa . embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. Eu adorava Henny.m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez. mu ito pálida e ligeiramente anêmica. Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra. A essa altura. A Sra. Beech. Beech estava preparando o jantar. vagando mudamente d e um lado para outro. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam.Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã .. Mas. bastante car ne magra.

Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . . Nós três também usávamos suéteres. mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie.Vamos testá-lo. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante. Paul por perto. calças esporte cin zentas. Já tínhamos aceitado demais.. você ficará? Ainda com a testa franzida.. se ele real e sincer amente nos quiser aqui. educado. ele está tomando meu lugar. tornando-me íntima. Na noite seguinte. . que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris. fitando o espaço. mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. se o Dr. Chris sentou-se a meu lado. menos matar alguém.Chris . Você sabe. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos.respondi sem muita convicção. agora que Carrie já estava bem e podia viajar. você era o homem.Sei de tudo isso. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior . Para ser sincero..Oh!. e tirando baforadas sonhadoras do cigarro. empoleirado na balaustrada. ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente.Eu sei.Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . O olhar dele a acompanha por toda parte. . o Dr. Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. depois do jantar. chorei muito por ela. . Paul disser a coisa certa.Sim. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr. sab endo que seria capaz de qualquer coisa. usando um suéter vermelho tricotado à mão. fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze. quando nos separamos com relutância. Depois da festa. De certo modo.disse eu naquela noite. Então. Cathy. E está com a razão.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você. quero dizer. respondeu devagar: . Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina. tão disponível. e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. Aqui está você. ruminando o assu nto.Chris. Chris: não podemos trabalhar num ci rco.Paul Scott Sheffield era um homem estranho.Chris. jamais conseguirei esquecer. Paul. Chris franziu a testa. ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida. para ver Chris atingir seu objetivo.Quando vi víamos trancados. É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris. Cathy..Acha justo testá-lo dessa maneira? . . Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar. Depois de refletir bastante. limpo. . pois a noite estava fria. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus. Simplesmente não podíamos permanecer. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava. feita sob medida.aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho . . . sorria: .. Já fazíamos planos para partir d entro em breve. ele é apenas solitário.Sim. Era mesmo? Que fascinante saber disso! . . en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada. Chris corou. Perdi uma família. . será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. Os jardins de Paul e .. o chefe da casa. aproveitando-nos da bondade do Dr. Não obstante.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo. Isso não passa de um sonho tolo. Não éramos dados a procrastinar. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos.

necessitarei do seu . de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. .. todas as minhas rosas são de espécies antigas. Eram nus clássicos. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m. desejáve l. receoso de acordar e verificar que v ocês se foram.. Chris .pergu ntei.Doutor. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. Na última vez. . ..interrompeu o Dr. anteriormente. . E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava. em vez de trazê-lo pessoalmente? . de Rodin.Bem . Gostava de ficar ali com Paul. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes. como patinhos escuros e ressecados. não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente. não foi Henny. Amanda.respondi tolamente.Não julguem. Era óbvio que levava a sério a situação. tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo. levavam a um níve l inferior. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução. em meus sonhos. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência. Rasos degraus de mármore. Os dedos de Chris apertaram os meus. seus olhos cintilantes encontraram os meus. desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador.Um momento. graciosos e em poses elegantes. pois já estivera ali muitas vezes. prevenindo-me para não dizer algo diferente: . Paul. Suspirei com o vento. que Carrie já melh orou. obrigando-me a suspirar outra vez. de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. por um segundo sequer.Portanto. encolhidos nas t elhas frias de ardósia. aumentando a coleção.. Paul. Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. ainda assim.arqueando-se sobre um pequeno riacho . Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. . em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele. baixando os olhos para o belo suéter. . devemos seguir nosso caminho. Cathy. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio.ram fabulosos. caso Henny ainda não lhes te nha contado.. ma s. como se ele já conhecesse meus segredos.E pior. Com um sentimento de culpa. acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas. Minhas pulsações se aceleraram. Ao que parece. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo. Não desejava partir. que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos. . Folhas mortas corriam pelo gramado. Por quê? A pergunta parecia zombar de mim.Estava observando seu suéter vermelho . com três metros de largura. .Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem. ainda assim. embora isto talvez nos leve al guns anos.começou ele. Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora. de sensualidade. com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante. Ela mora no outro lado da cidade.Parece perturbada. Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho.Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho.. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida. . Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três. Fiz quarenta anos. .Por que enviou o presente pelo correio. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés.disse o Dr.Não. dist ante. o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados . Se ele estiver vivo. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. com Henn y. sob uma lua que parecia o olho irado de Deus. Tenho temido cada amanhecer. Chris tomou a palavra: .Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo. . linda. que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . solene. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa.

.Tem sido maravilhoso! . . apenas d ois patrulheiros rodoviários. Paul num tom estranho. . . mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas. Se ela residisse neste estado. chegará o Natal.respondeu ele bruscamente. sem instrução adequada. Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida.. . Paul: . nunca mais! Ele prosseguiu. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário. sem família. Se ela não comparecer.. sem amigos. teria que cumprir a intimação num prazo de três dias.. . .Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu. Tinha apena s três anos quando morreu.Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho. O evidente remorso e sofrimento do Dr.E existe algo mais em que o senhor deve pensar.Dentro de poucas semanas. nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos. .Num acidente . nunca me acostumei novamente a ser solteiro . olhando para mim e não para o Dr. também. E quando o destino se intromete e assume as decisões .Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno. .O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência. Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos. confuso.consentimento.se u tom persuasivo tornou-se tristonho.Não pretendo casar-me outra vez . ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. com olhar suave ao perceber meu constrangimento: . como se para testá-lo ainda mai s. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto. Ser jovem e sozinho. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo. acrescentou: . com pouco dinheiro. bem como do de sua mãe. e mais feliz.e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados. fitando o médico diretamente nos olhos.Mas não de automóvel. .. o tribunal me garantirá a tutela permanente . sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram. Paul prosseguiu: . . quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele. presentes. Não estou mergulhando às cegas nesta situação.. Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça.sussurrei. eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam.Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês. Ela acha. Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário. Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente.exclamei. se assim desejar . Durante todo este tempo.Sim.Temos um ao outro .Oh! . . .indaguei. mas ele não chegou. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. ela perderá toda aquela fortuna. que vocês são um grande benefício para nós. . assim como eu. a fim de que pudesse trazê-los para mim.Você me contou. será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela.. Então. Portanto. senhor. Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos. Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém.mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião. as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda.. também.disse ele suavemente. prosseguind o com ar abstrato: . quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado.disse o Dr.declarou Chris em tom firme. Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar. Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. Desde a morte de minha esposa e filho. Paul me tocaram. com bolo. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. . tenho sentido falta de uma família.Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty. como nosso pai? . Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui. sem saber ao certo o que eu desejava. um acidente de automóvel. Cathy ..Morreram num acidente.Portanto. oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim. além da espos a. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos.

Chris . Jogue fora todas as longas horas que passou estudando. Carrie. M as talvez Carrie tivesse esquecido. havia anos. O Dr. dourados com manteiga derretida. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas. Dr. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. O Dr. que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume. Paul o dinheiro que nos restava. E. Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. reprimida por tanto tempo.Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante. o brilho suave e cálido nos olhos do médico. creio que foram as roseiras ainda em flor. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie. Portanto. começou a chorar. . de tão sobrecarregado durante tão longo tempo.Nunca vi Papai Noel. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. Ele recusou: . Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que. o mais perto possível de Chris. mais do que tudo que o médico dissera. Só conseguimos fitá-lo. Mas ele não olhou para Carrie. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo. justamente quando está quase atingindo sua meta. As brisas do sul continuavam a soprar. Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr. mas nun ca se pode ter certeza. Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola. ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. decidam . que será uma vida saudável e feliz para Carrie. beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. ficaríamos. que será dividida em parcelas semanais. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. Tiveram muito trabalho para consegui-lo.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. minha mão na dele.soluçou Carrie. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. boquiabertos. Paul ergueu-a.Guardem o dinheiro para vocês. acariciando-me o rosto. Mesmo que ela não tivesse decidido. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. talvez não fôssemos brotos cont aminados. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. dando-nos t anto amor. começou a parecer mais leve. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira. Não estou procurando persuadi-los a ficar. E não julguem. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes. Paul! . Fiquei sentada na balaustrada. Tudo ali me encantava: o ar.Eu também amo você. quase frenética. pois farão o que desejam e o que têm de fazer.Não quero ir! Eu amo o senhor. Sei que vocês acreditam que ela não virá. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas. desabafando sua dor por causa de Cory. . darei a cada um uma mesada. Claro que vira. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel.E quero ficar aqui para o Natal . segurando-a no colo. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico. Foi Carrie. apesar de estarmos no inverno. por um segundo que seja. pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. E você. Jogou-se contra ele. produzidos pela semente errada plantada em solo errado.. como os seus. De repente. A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana. Eu queria ficar. Falou olhando para mim. . perplexos por ser ele . Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus. Cathy. Mas não fomos Chris e eu que decidimos.gritou. para não falar em Carrie e em mim. Ficamos. nem uma vez. .

enquanto o nosso médico permanec ia estático.disse-me ele. bem como um g uarda-chuva. incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. gente fervilhava por toda parte. ao perceber. que pareceu encabulado. atônitos. pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. Carrie e . Poucos dias antes do Natal.sugeriu a loura impiedosa e petulante. o mesmo acontecia a Chris. Enquanto você faz isso. Paul procurou consolá-la. impressionados. . todos eram grandes demais para ela e. vermelho . uma capa e chapéu de chuva.ao noss o Doutor. que caiu fragorosamente. ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho. com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos. como se nos estivéssemos aproveitando dele. a cabeça atirada para trás.Querida.Meu Deus! Que aconteceu agora? . sapatos de verdade.indagou Chris. A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! . lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto. Afinal.Não posso ir à escola com roupas de bebê! . Paul dec larou num tom impaciente: . Atordoada e esfuziada por tanta coisa. Chris riu de minha indecisão . Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. experimente tudo que gostar. Ficamos encantados. O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha. Chris. com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas.continuou a chorar. cujas aulas se iniciariam. Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. afinal? Obviamente.. assustaram os fregueses. Mesmo assim. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . Esta se mantin ha ereta. e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. Além disso. o que sabiam eles. Homens. quando eu já começava a me sentir relativamente segura.eis o problema.outra vez. Port anto. Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas. . seríamos crianças normais. enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop". Eu sabia o que ele estava pensando. Percebi que ele nos observava. além disso. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes. corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a. Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação.Pelo amor de Deus. . em janeiro. desejando muitas coisas e teme rosos de que ele. olhava isso e aquilo. tentasse satisfazer todos os nossos anseios.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem. Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa. . eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis.Cathy. Roupas de be bês . enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. perplexo. Com extremo cuidado.nada de cores de bebês! Dr. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino. com os pés afastados um do outro. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo.Tentem no departamento de bebês . Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas.tão generoso conosco . Sorriu graciosamente para o nosso doutor.Vá em frente . para nós.. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita. eu pre cisava de um casaco. o teto era uma cúpula de vidro. por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não . selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola. enquanto terminam os aqui. . . Então. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie. passei a andar em círculos. saboreando nossos olhares espant ados.

Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe. olhando alternadame nte de mim para o Dr.conseguia engolir. Eu ganhava cinco dólares semanais . Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça . nem de base.Você nada sabe a respeito de ser uma garota . meu primeiro sutiã .para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall. com solas de couro.exclamou o Dr. . O violão de Cory estava no canto. Cada um de nós usava sapatos novos. Mamãe nos dava roupas novas. com ar zombeteiro. privando-nos de uma infância norm al. insegura. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. alg uns dos melhores anos da vida . .repliquei com ar de superioridade. movida pelo remorso do que nos estava fazendo. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico. Anos perdidos.Não quero ficar arrasadora! . Deus nos levara a morar ali . A despeito da costura que eu teria de aprender.O que há com você. Voltamos para casa carregados de presentes.. Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul. enquanto o Dr. preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar. com pouco auxílio p or parte de Chris! . . aquele dia foi celestial para nós. não havia ninguém para apreciá-las.. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon. mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. . observando-me com a mais estranha das expressões. vermelhas e azuis brilhantes.indagou rispidamente Chris. . heim. também.E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo . Paul.Enquanto isso. pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar. Quanta lealdade! A mim. Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava.declarou ela. parecendo aliviado. . Naquela época. Paul se mantinha de lado. Tão logo me fosse possível. depois de Chris para a balconista. Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente. Chris. sem roupas novas. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família.Cathy não sabe fazer boas roupas . nem de sombra ou delineado r. era coincidência demais. .. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos. uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem.Cathy só sabe dançar.Porta-se como um bebê. Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então.sorriu o Dr. .se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto. que ensinara Cory e Carrie a escrever. além de tudo isso. Carrie? .Uma solução perfeita! . Carrie hesitou.e. Não obstan e. quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente. Você ficará arrasadora! .quero apenas cores brilhantes. sendo eu o que era. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes. que tal comprarmos alguns vestidos amarelos. porém. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie).e Cory numa sepultura. após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros. Encontrei Clairmont. . Paul entusiasticamente.. Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. Carrie? . Eu era uma bailarina.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas. ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço. perto de Mamãe . jogos e brinquedos . Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom. Paul. azuis e cor-d e-rosa.

bordado de crivo e de lã. haviam-na tornado tão franzina. fazendome sentir pena de todos nós . De algum jeito ou maneira.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo.Não chore. senão pesadas cargas. usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz. inclusive a massa. e. e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos. Por dentro. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado. Quando ergui os olhos. tinha quase certeza de que ela não viria. embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu.Claro . mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. Paul. Henny não podia falar. Já que faço parte da junta diretora. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis. difíceis de suportar? Além disso. Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos. Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões. eu fugira de Foxworth Hall. ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão.Pretendo matricular Carrie numa escola particular . como buracos de agulha. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr. mordendo a língua para não gritar..seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . Paul e de Henny. Tive vontade de chorar.U ma ótima escola para meninas.concordei sem entusiasmo. sem demonstrar admiração ou aprovação.eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal. eu p arecia uma corda de violino. Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento. havia a cadeia. quando ela viesse à Carolina do Sul.nem a de Paul. Contudo. e esperamos.ch orar de verdade. Carrie era nosso maior problema.está bem? . pingando no berrante vestido vermelho. Você tem boa vista. Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo. uma acusação de homicídio. Em certa época. crochê. Olhava-nos com a testa franzi da. mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto. . Carrie estava enrosca .Sim. que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina. Ao não aparecer.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. Então. Fora isso . De repente.explicou o nosso médico. Henny. Ensinou-me a f azer biscoitos. .. Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra. fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas. percebi que ela também chorava. pensativo. Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico . não consegui mais falar. De repente. Bum! O punho de Henny batia na massa. Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado. limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas . O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão. eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde. Que éramos nós. afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . tão perfeita. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar . onde as crianças ne m sempre são bondosas? . levantou se e saiu da sala. Vi Papai. o rosto inexpressivo. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca. Lançou-me um olhar significativo. jamais esquec eria ou perdoaria. mas era muito franzina. Vi Chris e eu quando crianças. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. Como se daria numa escola pública. dirigida por uma excelente equipe. Vi o lindo rosto de m inha mãe. Sabia ler e escr ever. Todos aqueles anos perdidos. Carrie fora tão bem proporcion ada. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele. no meio do ano letivo. . Mantive a cabeça erguida. Esperamos uma eternidade. creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. correndo ao voltarmos da escola. Paul. Ela não nos queria.

e excitada também. Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia. também. Naquele mesmo Natal. olhando também para a luz. com seu monograma bordado no bolso do peito . Levantei-me e saí para a varanda do andar superior. Chris. que era como meu próprio filho. E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido .Chris! Não me ame. Os contos de fadas podiam tornar-se realidade.Se tem vontade de chorar. Seus olhos azuis buscaram os meus. Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. sólida. Olhos tão cheios de vida.Não importa. Bem. tudo está bem.CFS . ele encontraria um roupão novo. Avancei nas pontas dos pés.Cathy . os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. Deixamos que a fé. que você levou e nunca mais t rouxe de volta". Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar.pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth. Não comeria a maçã envenenada. ele tornou a me abraçar. ou algum obstáculo para dificul tar as coisas. Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor. como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. rezando. Quando se desej a derrotar alguém. tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los. Quando eu me for para a faculdade . que a tranqüilizava com carícias. vocês me têm por pai e Henny por mãe.Não! Pare com isso! . a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes. Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa . mas de Sheffield. Antes que eu pudesse responder..exclamei. o lado mais alegre e mais feliz. . não hesite. Creio que ele disse: .repliquei amargamente. Cathy. abraçando-lhe o pescoço. Eu entenderei. Quando me aproximei. Tentaria esquecer nossa exis tência. Nada mais. que Mamãe viesse e. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço. mas ele insistiu.então. lancei -me neles. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. chorei. Enquanto eu viv er. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada . Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e. eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". enroscando-os.e esta era a par te mais triste de mim mesma. uma bruxa a ser vencida. assim como eu. de algum modo. Estavam acontecendo conosco. . Dê-me um pouquinho mais. sobretudo. precisarei de algo a que me agarrar. Chore bastante por mim..sussurrou ele. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. por todo o amor que ela nos dedicara . Agora. Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. digna de confiança. murmurando-lhe a lgo ao ouvido. Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior. Sem pensar. Amor. não esqueceria. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos. Eu providenciaria para que não esquecesse. ele se voltou e estendeu os braços para mim. embora já estivesse pequeno demais. porém.Quero apenas abraçá-la. só isso. os olhos brilhando. nunca lhes faltará nada. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. Enfiei os dedos em seus cabelos. por favor . . Cathy. Chorei mais por Cory. sibilei: . Eu est ava esperando. Murmurava meu nome repetidamente. Quando você se for. apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez. Vi Chris postado junto à balaustrada. O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós. uma palavra de sentido tão amplo. e acariciou-me as costas. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita.da como uma bola no colo do médico. Furiosa. compreendi que ele sangrava interior mente. . tencionando surpreendê-lo. . Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. De algum modo. a fim de olhar a lua.Uma explicação razoável para assassinato? . Naquela noite.

proclamou Chris. de qu em lhes falei. Então. E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe.Esta é minha tutelada. todos nós . que me aguar dava deitado. Cabia-me romper o laço. . Depois.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. como é costume das bailarinas . que lhe caía maravilhosamente bem. .Cathy era principiante quando fomos morar no sótão. E esta beleza mais jovem é Carrie. com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos.. . Jamais. batendo a porta e trancando-a. no centro da terceira fila da platéia. não alcançaria mais sucesso. que dançou o papel principa l.Sim. abertas em leque na sua mão grande e bem conformada. Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. espalhados sob ela. Chris. Não podemos cometer o mesmo erro. a fim de nos sentirmos limpos. Catherine Doll. Para o bem dele. muito vulnerável. O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama. al i e agora. Uma mulher o magoara p rofundamente demais. falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca. Em que nível você está? . Vocês já con hecem Hennetta Beech. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny . Ele não permitiria que isto acontecesse. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s.Adiantado! . Ouvia-o chamar-me. será você e eu. pulei da cama e corri de volta a meu quarto. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! . naturalmente . Enquanto você viver. desejando-me. Também dão aulas a alunos principiantes. Não consegui adormecer. Henny segurou o vestido na frente do corpo. deitando-me mais uma vez na cama de Chris. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera. Só conseguia confiar em mim. A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e. Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. acompanhei Paul aos bastidores no intervalo. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas. Georges . pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco.inclusive Henny .Não ente ndo muito de balé.Sim! . encantados. Todas as amigas ficarão com inveja". enquanto eu só conseguia fitar Paul. . Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal.disse a dama que parecia uma bailarina.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita. Não podem os ser como nossos pais em duplicata.Madame. Este é o irmão dela. Como num sonho. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém. Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. Compreendi que estava refletindo. Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. Jama is haveria outros.. . Recuou. médios e adiantados. Ficou divino naquela cor. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja. Ali. Ele me abraçou com mais força e ficou calado. Naquela noite.explicou ele. não era. .Você jamais se livrará de mim. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares.Não! Mas eu o beijei. .Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . Os bailarinos no palco não eram apenas bons .. emudecida de felicidade. estavam cinco entradas para o Quebra-nozes.sentamo-nos.penteado para trás . veio a maior de todas as surpresas.Não! . Cathy.eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet. Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo.

. Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito. magro mas robusto. Dois pares de olhos negros examinaram-me e. . .disse ela.Doze. .Não! Não danço .porque ela acredita. parecendo vermelho e muito zangado. Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater.Bom.perguntaram a meu irmão. aparentemente embaraçado.suspirou tristemente a madame.Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho. Muito. depois. Georges. deve ser apenas medíocre. saboreando-lhe a intensidade do relato. tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . estudaram Chris. desconfiada: .Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem.Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar. Sobre a malha preta. . .Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos. .explodiu Chris. . voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão. . Lançou um rápido olhar à pequena Carrie. ela é o personagem.Mais que onze anos de aprendizado profissional. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris. como se tiv esse um "u" .exclamou ela. Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? .Ora. espere um momento! . E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance.Ah! que pena . Paul. .Quatro anos. .. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado. e ignorou-a c om a maior naturalidade. . Portanto.Que idade tinha ao começar? .Você é uma autoridade em balé? .Você é excelente. Seu marido . Ela não apenas da nça um papel. a menos que sejam excelentes.Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança. de modo que nunca dup lica uma dança.. Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece. um bolero de pele de leopardo. pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco. . faz-nos acreditar . .? ."daunça"). mais e mocionante. por cima de tudo isso. franziu a testa.explicou o Dr. .Não sei.E agora tem.respondeu Chris. esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas.às vezes sai do compasso da mús ica. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.Chris pretende ser médico .Exato. seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia.Maravilhoso! . agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar. com os pés pregados no chão.respondi com voz sumida. era um homem calado. Esboçou uma expressão desdenhosa. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: .Então. muito bom .Não vi naquele palco.Você também é bailarino? .Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? .indagou a madame com algum desdém.e amarrado num grande coque. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente. temerosamente agarrada à minha mão. improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita. de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros. como se Chris tivesse perdido o juízo. esta noite. usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e. . . ou apenas medíocre? . dezesseis em abril.Sim . uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara . Com que idade fez pointe ? . . . Formavam realmente um par.exclamou Madame Rosencoff. Então. suada e encabulada.Farei. Cathy sempre varia um pouco.Ah! .

sentir-me irresistivelmente atraída para ele. você dançará para mim no meu estúdio. Então. que parecia irreal. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. a Chris . desajeitada. vou ajoelhar-me e rezar por você. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola. fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada. perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. mergulhei e emergi de pesadelos. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente.repliquei. nem malhas. ou até mesmo anos. chorei nos braços de Chris.Dar-lhe-emos todo o ne cessário. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica. . . . lentamente. para fazer um tes te. E fui deixada cheia de ânsia e desejo. ou corrupta.Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. Sei que rejeitarão! . Catherine . . Embora eu devesse saber que não estava corr eto. .está apenas amedrontada.Normalmente. como os de nosso médico.e não se atrase. Boquiaberta e emudecida.que não admitia desobediência. nada menos que isto me serviria. pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente. há uma hora em ponto. para podermos deitar-nos embaixo. Trate apenas de estar lá . rebocando o marido. pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés. . Es tarei rígida. com os cabelos louros mudando cons . . Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade.Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão.disse ele. Não era um pedido. elegantemente trajada. coberta de jóias e peles. nem sapatilhas. Só isso.Pensei que você tivesse esquecido .murmurou Chris sem me olhar. No futuro. Ainda era noite. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração. acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. ou filha de Demônio. Era ape nas eu . O modo como ele disse aquilo preocupou-me. deixe disso. dominada por mil e uma trepidações. . Com isso.Ora. .disse ele.Amanhã. virei-me na cama. deitado no chão.Amanhã é cedo demais . Por algum motivo. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. retirou-se do quarto. no sótão de Foxworth Hall. Eu tinha q ue ser a melhor.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. Naquela noite. Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil. Cathy . Tinha que mostrar a Mamãe. Ela continuava jov em e bonita. Amanhã seria meu grande dia. Chris. abraçando-me com mais força. deixando-me atordoada. . . mas uma ordem . à avó. deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus. inclusive em pontualidade. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas. Era o que costumávamos fazer quando crianças. Olhei par a a árvore cintilante.Sinta-se lisonjeada.a todo mundo! Eu não era má.a melhor bailarina do mundo! Debati-me.Estou destreinada . Em meus sonhos. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo.solucei. de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. No escuro. Madame Rosencoff se voltou para mim . ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses. Você não está rígida ou destreinada . E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança.Não tenho roupas. e eles me rejeitarão. o que era pior. nós as penduraremos bem alto. Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios. E veja o que acontec eu. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. a Paul. . que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa. fui medida. fitava os galhos da árvore.hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris. . deitei-me a seu lado.Esta noite. Chris era tão lindo. o bailarino. Tudo aquilo fora deixado para trás. eu fazia tudo errado durante o teste e.Já vi você nesta c asa. Acordei. Eu sei e você também sabe. ali deitado.

Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço. necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento. nem sei o que fazer! . sem você! Às vezes. observando-o beijar-me os seios e..tantemente de cor. . Seu hálito cálido me acar iciou o rosto.e as jóias da coroa da Inglaterra também. não é mesmo? Eu não sabia. a não ser você. eu sangrava e sen tia dor. por favor. você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos.Chris. Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça. seus olhos também brilhavam. dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno. mas você..Cathy. Recordarei es ta noite com você. não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha .Cathy..e. Aproxi mando-se ainda mais. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e.Tenho que ser médico . Quando o beijo terminou. vamos pecar! ..Então. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. . se você faz parte de meus ossos . Aproximou-se de mim..antes que eu gritasse de repente: .Não! Seria pecado! . Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena. sob a árvore de Natal. Queri a afastar-me dele.Não. que desejava tornar-se mais ousado. olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa. mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse. . Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos.de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem . de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu.Então.Vejo doçura em seus olhos .Não me beije outra vez .. Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios . intermináveis momentos esperei que ele se afastasse.. mas não conseguia.Nunca haverá ninguém para mim.Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama. Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão. quando ele virou a cabeça para fitar-me. Prend i a respiração. .gemeu ele.. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes. .. quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura . o fogo entre nós aumentando.. não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma.. até que nossas testas quase se tocaram. Recomecei a soluçar. comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço. estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante.suspirou ele. Movi a cabeça para trás. começou a crescer. . isso é o que vejo nos seus. tão divino . . e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. Você não desistiria da dança. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida..um beijo tão suave. Uma doce paz me invadiu. Por longos. agora.sufocou ele.. descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado.Eu a amo . estremeci. Cathy.não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura. cometo loucuras! Por favor.exclamou ele. só prazer.Como são lindos os seus seios! . . . arqueando o pescoço. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse. fique! Chris. depois. Você era tão tímida com relação a eles. . quando meus lábios tornaram a encontrar os seus.Eu a amo tanto que. . Está linda nessa camisola branca. permanecendo ali. . bem n o íntimo.Lembro-me de como seu peito era chato e.Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor. . às vezes. agarrando-me mais a ele. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul.. . .sussurrei. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos.Você parece.disse com voz tensa. esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados. Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito .

Não haverá vida para mim se eu não for médico. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também.Então. Ele nos escutaria. suco de tomate.só uma vez. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. dois corpos nus que..protestei. Depois. Eu não queria aquilo. se fosse aceita. . Carrie é capaz de dormir durante uma batalha. Esbofeteei-lhe o rosto! .Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça. . e seu quarto fica perto demais do de Paul. sempre vivo. Então. enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito. não me olhe assim. Christopher! Ele se aproximou. Numa fração de segundo. Tirou min ha camisola e o seu pijama.só mais uma vez. várias latas de atum. Em meu irmão. ervilhas. que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão .. Geor .Pare! . por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. . primaveril. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro. . deitada de olhos abertos em minha cama. recomeçou o que iniciara. a resposta se rá sempre não! Calei-me. Foi o que det eve Chris.Lá em cima. rolando na cama para sair de baixo dele. .então. Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo. de repente. . Eu não era como minha mãe. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. Rolamos intermi navelmente. entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. Mais tarde. para não gritar. percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . meio quilo de queijo. Cathy.Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão.disse ele entre beijos. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. recatadamente. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo. que jam ais poderia florescer.Chris. maçãs. . . sentei-me e. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. Chris estava no chão comigo. mais um abridor de latas. Ele fitou a caixa de doces. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . Se fracassasse.Aqui não . O Teste Era o dia seguinte ao Natal. nunca mais deveria dirigir-me a ela. O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. para durar até o fin al de nossas vidas.sente medo de sermos castigados novamente. deitado junto a mim. duros como pontas de metal. por qualquer nome. Antes que eu me desse conta do que acontecia. usaremos o seu quarto. que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades. Solucei nos braços de C hris. Não queria que se repetisse! .. deixe-me amá-la apenas mais uma ve z . Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora. Madame Rosencoff disse-me que.O inesperado abrir de seus lábios quentes.. no meu quarto. ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade.Não! Sou sua irmã. . eu já encontrara o amor eterno. lançou-me um olhar magoado. lutando.Não! . respirando mais depressa até ficar ofegante. para durar pelo resto de nossas vidas. então. laranjas.bradei furiosa. O marido. ir embora e deixar-me sozinha .Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico. um pão. Não desejava dizer aquilo. À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna . Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes . copos e talheres. bateram em algo sólido. Chris pegou-me nos braços.Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. Caí no chão. sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff. pratos. subiu cor rendo a escada dos fundos. Embarcamos t odos no automóvel do Dr. Tapei a boca com ambas as mãos.Sinto muito.

As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas.Maravilhoso . . quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta. ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. a fim de verificar se eu já estava pronta. Portanto.disse ela. Engoli em seco. Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris. Henny e o Dr. para aliviar o nó que me apert ava a garganta.Quebre uma perna . deparei com Julian Marquet. Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes). .Foi o que presumi. poderia avaliar o que eu deveria fazer. . Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul. Um toque em meu braço sobressaltou-me. Desejava ser a última.gabei-me. pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico. Isso. Meu querido.ordenou. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. adivinhei que escolheria A Bela Adormecida. (Tive a impressão de que o marido jamais falaria. sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. O próprio Georges sentou-se ao piano. Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela. Se eu frac assasse e o embaraçasse. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos. eu já sabia. . Venha comigo . Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria.ges. Girando nos calcanhares. E como sempre. por que escolher uma peça menos exigente? . Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois.indagou ela. Havia também outras oito ou dez pessoa s. não minha pedra ímã. talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar. Eu perderia o encanto que tinha para ele. ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso. Se eu fracassasse.Que música escolhe? .Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . . Dessa fo rma. Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo. arrependia-me de tê-los convidado. a fim de observar todas as outras. que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga. com a mesma indiferença. . Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. Este desejava ser meu pai. Deixaria de ser uma pessoa especial. mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes.sussurrou ele."A Bela Adormecida". acrescentando com desdém ainda maior: .respondi timidamente. para aquecer-me melhor. Então.Que cor de malha prefere? . confiança e imorredoura admiração. Seus olhos negros me estudaram crit icamente. tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada.Nada mau. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele. meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés. Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas. telegrafan do-me seu orgulho. mas não lhes prestei muita atenção. . eles assistiriam à minha humilhação. com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. Carrie. lá estava ele para sorrir. Tinha pernas fortes e musculosas. .Só por sua aparência.Rosa. Agora. sarcástica. certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente . Paul ali sentados. Oh! Deus! Rezei. afastando-se. .

mas duvido que tente. p ortanto.disse ele suavemente. então soou a minha "deixa" musical.. E minha carreira de bailarina. estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me. uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade. onde ninguém me queria. Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. . pálido. então . Chris inclinou .todos os e ntrechats.Uma coisa eu lhe digo. Encantada por vê-lo ali. Logo voltarei a Nova York. escutei as vozes de Paul e Chris.Sim.Olá . aquele homem surgiu para dançar comigo . cabelos negros como a noite e lábios de rubi. nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto. Ele sorriu.eu era a sua voz e.Creio que seria uma ótima atriz.Você é muito bonita. Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver. . O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. que é o meu lugar. com quase um metro e oitenta. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. isso é talento. .para dar uma ajuda à Madam e. imóvel. Comecei a dançar. com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. p arecesse muito pálida. Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. O queixo forte tinha uma cova central. debruçando-se para beijar-me o rosto. infalível. apoiando um joelho no chão. .uma senhora de dezoito anos? Sorri. pois a música me dizia o que fazer e como fazer . . apertando-me os dedos.O que é. a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto. . movimentos de braços e piruetas. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada. Escorreguei e caí ao chão.Talvez sim. Era mais alto que a maioria dos bail arinos. revelando nitidamente todo o seu amor por mim.Estava esperando que voltas se a si. e aqueles olhos azuis. Tinha a pele clara como a minha.Oh! Chris! .. tímida a princípio. eu estava sozinha no sótão. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas. Ele sorriu. Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! . Olhou em torno.. Acho melhor dedicar-me ao teatro. De repente. se gurando-me a mão inerte. gritando! A meus pés.. mas de Carrie. Fechei os olhos.só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo.Puxa! . Então. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. Verdadeiro talento. muito satisfeita por aparentar aquela idade.Seus olhos escuros brilhavam travessamente. À distância. e eu logo saberia que tinha dezenove anos.Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo . Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano .protestei com voz sumida. fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas.. a outra perna esticada graciosa mente para trás. indiferente. com olhos escuros e faiscantes. em contraste com os cabelos escuros. . Ele sacudiu os ombros. embora. Terminada. um verdadeiro profissional. mas depois fazendo as coisas certas . pois não queria que Paul percebesse. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo.Olá. Trocamos mais algumas palavras. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa. como se conhecesse todas as respostas. muito impressionada com sua beleza física. . este ndendo os braços fortes. E como sempre.. e stava terminada. sem me importar em saber quem veio socorrer-me. . . . como se as "provínc ias" o matassem de tédio.medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. Com os olhos. Meu coração deu uma cambalhota.Não sou garotinha! . Tinha uma voz grave. Então.exclamou quando lhe sorri. Os gritos não eram meus. Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso. Pen a que seja uma garotinha. a magia chegou e tomou conta de mim. talvez não. ainda nem iniciada. Julian! Eu o vi como num sonho. e escutar os gr itos. .

.. Só então olhei para o envelope. Em seguida. nada mais. sempre poderá ter outra hemorragia. Chris foi à cômoda e logo voltou. um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. . julgando que fosse lembrança de Paul." Vi por cima do ombro de Chris. eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida. quando." Marisha! Eu fora aceita! . col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. de todo modo. Chris também partiria. exibiu um sorriso e avançou. . às três em ponto. Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . Paul afirma que é o melhor ginecologista da região. Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos.Não! Não! . Naturalmente. como você bem sabe. Olhei para o enorme ramalhet e de flores. eu não me importava que ele lesse. não vai. Flores reais.disse Chris. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos.preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la.Chris. Todavia.Foi só isso. . Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. Nossos olhares se encontraram. sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. acariciando-me ternamente o rosto.Está fazendo tempestade num copo de água. Fora enviado por Julian Marquet. sem saber o que pensar. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada .A vida oferece mais que uma oportunidade.O que é uma D & C? Ele sorriu. .Abreviatura de dilatação e curetagem. . estará boa e de pé. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões.. amigo do nosso doutor. não se esqueça de mim. Catherine Doll. Madame Marisha.disse ele suavemente. Aguardo-a na próxima segunda-feira.recebêramos todos notas excelentes. . . com medo de que fosse Paul. Cathy.e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos.sussurrei. seriam imbecis. Chris e eu nos separamos depressa.-se para me abraçar e estreitar contra o peito.e ninguém tinha conhecim ento do fato. Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr. Paul. Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina.Um ginecologista chamado Dr. Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene. minha dama Catherine .Claro que querem . Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . não faz diferença nenhuma.. Sentei-me na cama para abraçá-lo. na verdade.Quem fez a curetagem? . sorrindo..Tudo vai dar certo para nós. Cathy.Abra os olhos. que se s oltaram de repente. Você precisou fazer uma D & C. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio . não de papel. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . e apontou para outro buquê. Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: . no dia seguinte à ida de Carrie. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu. . os Rosencoff me querem! . . Amanhã. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr. Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade.Do contrário. Recostei-me nos travesseiros. Jarvis. enquanto este me estreitava nos braços. exceto Chris). Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa. Classifiquei-me para a décima série.

você permanecerá em nossos corações e pensamentos.declarei alegremente. escova de cabelo. daqui a anos. imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente.Isto é para a minha loura predileta . a quem ela queria muito bem. . é necessário. Paul lançou um rápido olhar a Carrie. . Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? . Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis. . aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . de couro. para ela.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus.É uma escola para meninas ricas. terá ótim as professoras e. indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças. Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso.acrescentei em tom tranqüili zador.Oh! . Paul. Ela fechou os olhos com força. pasta dentifrícia.É Lindo! . Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: . beijando-lhe a testa. Era uma coi sinha linda. Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr. completo. Embalei-a em meus braços. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura.repeti. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem. Sim. acredite se quiser. sem ninguém comigo? . não quero ir . Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro.E terei que ficar lá por muito. que levei para Carrie. E. Segurei a caixa com extremo cuidado. Então. Cathy? Por que tenho que ir sozinha. ele disse: . . Além disso. alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados. A gent e joga. Todos nós desejamos o que é melhor para você e. os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr.São as malas mais lindas que já vi . A su a é uma escola primária.Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes.Carrie. obstinada. levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha. tentando não escutar.rícula. Como se lesse meus pensamentos. . . Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas. muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas. P aul como nosso responsável legal. eu tenho que freqüentar o ginásio. Quando estiver na Es .Ninguém? . Não estará sozinha. é divertida. mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos. Paul. cujos pais podem p agar pelo melhor.Por que não posso ir para a s ua escola. . percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor.Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. melhor que tudo. rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela. E. dá festas. querida. Chris e eu. espelho e uma série de frascos para cosméticos.anunciou. Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade. . a escola não é um lugar tão ruim. Ela adoraria.chorou ela.Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir. mesmo que alguns quilômetros nos separe m.exclamou Carrie.exclamou. talco e água de colônia.Sei que é um presente um tanto adulto. Carrie. depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. Henny. você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr. Quando ela olhar para essas malas. tem sociedades secretas. .E não é uma escola para garotinhas esquisitas. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós. E deve ter a companhia de outra s crianças. V ocê vai adorar.Mesmo assim. troca segredos e ri a noite inteira. Ficará com centenas de outras meninas da sua idade. vai lembrar-se de mim. Claro. . Carrie . poderá vir passar todos os fins de semana em casa. . na v erdade.

. Dr.gaguejei. No dia seguinte. sem compreender. ou imaginar o que estará aco . Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. Chris e eu não f icamos realmente a sós. mas numa alcova com grandes portas para o exterior. o Dr. . roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão. Henny e eu.Você sabe de onde vieram. tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível.Não. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! . seja certo ou errado. . mas precisamos fingir que morreu.Cathy.Carrie. tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região. . a fitar-me com o olhar assustado. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa. ou sentir saudades. à beira das lágrimas. mas apenas às suas amigas mais íntimas. . Emily Dean Dewhurst. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. Naturalmente.. Sentindo que precisávamos ficar a sós. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram. e sussurrei-lhe ao ouvido: . chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica. Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins. Cathy . Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. perto da s lindas malas de couro vermelho.Chris . Eu trouxera até mesmo o berço. Não foi fácil irmos embora. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre . Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824. Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então.Por quê? Mais uma vez.Quan do nos encontrarmos outra vez.ao me nos o amor que estava errado entre nós. Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . a Srta. mais uma v ez. com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. Cathy? . que estremecia.Mamãe morreu mesmo? . Não consigo evitar. faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . pintado de branco.O Sr.murmurou com voz sumida. ainda sentiremos a mesma coisa.É uma linda criança.uma herança inestimável. Não se sinta abandonada.murmurou Carrie. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade.Anime-se e faça um esforço para divertir-se. Uma mulher bonita e imponente. a nenenzinha! De onde vieram eles. . Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro. O prédio era grande.O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade. .cola Para Moças Bem Educadas da Srta.Sim. A escola de Chris ficava ainda mais afastada. Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você.Nada mudará. Eu a amo. Ela olhou para mim. Compreende? Ela assentiu com a cabeça. Eu desejava ficar nos braços de C hris.Falo sério. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola. . . Carrie permaneceu sentada no chão. . deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco. acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana. Sempre a amarei. segurando-me as mãos. . Parkins . as indefectíveis colunas brancas.E Clara. . Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos. e a Sra. Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar. posso fazer isso . mas não compreendeu. Sheffield. Paul. Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e.sussurrou ele com voz embargada. com o rosto colado ao seu.

as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem.zombei. Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia. quando ele fez tanta coisa por nós. Era uma promessa tão fraca. Girei nos calcanhares. .e você estará morando na m esma casa que ele. da mesma forma como guardarei meu amor por você. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo. .. Ligou o motor.disse ele quando terminou o beijo. .. pois .disse Chris. Paul. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância.Paul é um grande sujeito . O que sente você por ele? . Carrie o ama . tão necessitada de amo r. enquanto ele se mantinha relaxado no assento. Ou talvez observasse meus pés. hesitante. É honrado e decente. bem. ao vol ante.. Era a escuridão d o sótão. Apenas um beijo leve e te rno. Falo sério. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. como Carrie qua ndo chorava. Creio que você estará segura. . Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. quando gera lmente brincava. Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça. É tão jovem. Estudei-as.Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso. Porque de seja você! . e saí para o sol brilhante.Cuide-se bem.disse ele. Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado. Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo. . . . Cathy.Eu gosto dele. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio.É claro. Cathy. Não tem esposa . quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma.Tem razão . Agora. Ergueu a cabeça. silêncio. baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas. . calado. pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr.Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. Não encante demais o noss o médico. fez a manobra e partiu em direção à estrada. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. escute a casa estalar. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua.Chris. Sinto gratidão. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais. sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! . De repente. puxou-me para si e baixou os lábios até os meus.Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim.ntecendo em sua vida.Eu o vejo sempre olhando para você.Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. observando o chão a seus pés. ou logo precisará usar óculos. .Não. como você e Carrie. tão bela. . .Cathy. E você também. . . Sorrindo. Talvez bonita demais. Isso não é errado. Ouça as penas caírem.Não estude demais. calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas. Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo. ele é um homem. . desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: . Chris.. Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus". Quietude.Ele não fez nada fora do certo? . que as calças de malha . derreei-me no assento e solucei de verdade. uma despedida temporária.Gosto dele. Culpa dela.. . você é muito bonita.Perdoe-me pela noite de Natal . as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. apenas por causa de você.. As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural. Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. Quero dizer: afinal.fez uma pausa e corou.Prometo comportar-me. No c arro branco de Paul. Dep ois.E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade . Paul pareceu surgir do nada e sentou-se. Chris riu. com uma súbita expressão penetrante no olhar. mas às vezes penso que nos aceitou apenas. em seguida aos olhos. Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais. Não estude demais.

dormindo? . pois nossos invernos são curtos. de modo que fui deitar-me ce do. ninguém se importa! Pensei em comid a. feita numa voz tensa e fria. acho melhor voltar para a cama. Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada. troncos retorcidos e escuros.Antes de você chegar com seus irmãos.indagou Paul. mais sedutoras.corrigi. como a tola que eu era com tanta freqüência. Estava sempre tão solitário! Agora. Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu. . dor miríamos sob tetos separados. tão perto de sua poltrona. Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida. . . como se precisasse fazer a barba.eu já vira desejo anteri ormente. Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso. como eu. Sozinha.e não para o Norte ou o Oeste. estava sentado numa poltrona de braços.Não uma jovem sedutora. altas horas da noite. Tinha a pele áspera.Ela era uma tola e ele também. Paul foi para o consultório e eu subi. Lançou-me um olhar provocante. Paul sobressaltou-se ao v er-me ali.pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça. por terem vindo para o Sul . Também não apareceu após o jantar..Use meu primeiro nome o .acrescentei. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação. tirando lentas baforadas do cachimbo.Então. É gostoso ser feliz outra vez. . E.Detesto quando você me chama assim! . tive também outras idéias. .talvez bem demais. mas dominada por uma onda de sensualidade. Eu precisava de alguém.Não consigo dormir.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça . vinte e cinco anos mais moça que eu. Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa. para acordar bem descansada. por outro lado.azul mostravam muito bem . sem jeito. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida.disse Paul. Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor. Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. quando tinha apenas dezesseis. lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente. Paul.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. O meu fiel Christopher também. . envolto no quente robe vermelho. . Contudo. . Sedutora. . Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma. Diziam que leite quente ajudava a dormir . Então. Carrie se fora. se o fizer. . eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua. murchará e morrerá com ela. . só que em olhos diferentes dos dele. nos unia numa necessidade mútua. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra.interrompeu ele. . aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas. Mas não demorarão muito a florir. Cathy.é uma pena não estarem floridas nesta época. . Logo que chegamos em casa.Dr. volto para casa cheio de felicidad e. . com roupas transparentes. .e dormir era o de que precisava.Magnólias Buli Bay . O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa. ficou calado para não quebrar o encanto que. grossos e velhos. necessitad a. Obrigado.Não gosta que o toquem? . do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto. mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo .Por que me toca. Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã. ríspido. triste e ansiosa. Catherine? A pergunta. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade . sentia-me mal..Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele . Pela primeira vez.de verdade . As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul.Por que não está deitada. amedrontada. Comecei a obedecer . de algum modo.

não é mesmo? Para eles. mas seus olhos brilhavam. e me faz dançar.Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos.O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima. este se inclinou repentinamente.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto. . com olhar duro e belicoso. agarrou-me e sentou-me em seu colo.Há pouco.. com ninguém ali para amar. Então. exigentes. E. ele estudava na sala de aulas do sótão. quando fiz uma pausa. corando. você era mãe. recordando o passado.reagi com violência. sozinhos? Dominada pelo pânico.perguntou ele com gélida veemência.Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens.Que diabo quer dize r isso? .fez um a pausa. impedindo-me de responder. . .Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! . Um médico não é infalível. . . Apodera-se de mim. O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca. Eu não queria contar.Acusa-me de seduzi-lo.bradou ele. uma g rande bailarina. Em um segundo. vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito. Não tinha o direito de fazer tal pergunta.u não fale comigo. . envergonhada e s em jeito: .Por que me chama de Catherine? . oculto nas somb ras. e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . E quando me enlevo dessa maneira. você dançava no sótão. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. olhou-me com raiva.Catherine.Então. quando lhe toquei o rosto. Para onde eu olhasse.instou ele.Conte-me o resto. os olhos queimando os meus . mas. enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida.. Se voltar a sentir os pés no chão. Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa. os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele. e sacudiu-me. continuei com relutância: . . Fiquei de cabeça baixa. Engolindo em seco. . . os quatro irmãos. Leva-me para a cama com o ol har. quando cada dia equivalia a uma eternidade. a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. Eu sei. ..Prossiga .Tudo o que você precisa saber! . nervosa."O melhor possível"? .Você é uma feiticeira. fico vazia e perdida. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar.. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias. Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos. fazendo-o parecer uma p essoa diferente. animando-me. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina. sempre ju ntos. Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory. Catherine. O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. . .Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy. esquecendo-me de Paul. . mas que sinto necessidade de indagar. Meus olhos se desviaram ante a investida. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza. Senti-me corada. algum dia.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece. . como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce. como se não quisesse que eu fosse adulta. transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante . arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha. sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros.A música sempre me causou uma sensação especial. mesmo quando era criança. . E não me agrada ficar vazi a e perdida.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto. Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me.

como se o contato com minha pele o queimasse. .Sabe que não deveria est ar aqui. e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. Paul estava envergonhado. . refleti.Paul. Não precisa casar comigo. punitivos. Só o vinho.e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. Então. O quanto fui sábia. No primeiro dia em que aqui cheguei. você me quiser. reprobatórios. . caía apenas granizo.Que diabo está fazendo sentada em meu colo.Apenas sente gratidão pelo que fiz. Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se. agora. a culpa era minha.Sinto muito. passando de um para outro. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios. de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele. ou se. O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora. açoitando-se com eles . nem Chris. escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente.. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim. quando precisa r de mim.Porque o amo. Catherine? . julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. enc ontrei amor em seus olhos. . eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. Pau l emergiu da névoa mental.qualquer mulher! Provocadoramente. Quando estávamos trancados. Mais uma vez. decidido a manter-se distante. Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio. exigirá o pagamento em troca disso . . mais cedo ou mais tarde.comecei. . . tão bem! Éramos muito semelhantes. em voz baixa.. Então.puxou-a bruscamente. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a. Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia. Paul e eu. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo.Não sou má. m as estará mentindo. seu rosto muito próximo ao meu.indagou com aquele seu ar zombeteiro.Por que me perdoa? .. . Naquele momento.replicou calmamente. deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza. viu Chris franzir a testa. insinua que. f izemos o melhor possível.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela. . de repente. basta amar-me. inflamados de calor pelas inespera das carícias. para poder acariciar os seios jovens. chocado ao perceber onde estava sua mão . . Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. . Catherine.durante todo o tempo. um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos.e eu sabia que a culpa era minha como sempre. E pode dizer que não me ama.Quer despir-se para mim. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele. Agora.Eu o amo .perguntou ele. hesitante. seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. Seu hálito quente em meu rosto. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados. Paul me abraçou e observamos a tempestade. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente.e sou sua quando. juro.Você não me ama . teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete. Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento. . ele tocou os bicos de meus seio s. .Por que não tem medo de mim? . permitindo que eu a abrace ou a toque. Qualquer mulher em seu co lo serviria . .Eu o perdôo. pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim.cob rindo meu seio esquerdo .Quando fui trancada por Mamãe. Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres . em minha inocência.. os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: .

Meu Deus! Como você é bonita e desejável . Chris conseguia reconfortar-me. . embora des ejasse. pronunciei-lhe o nome.o meu tipo de música. aceitou o desafio e lentamente. .cendo.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. Paul recostou-se na poltrona. . não sei muito a respeito das moças de minha idade. tudo isto me faz sentir bela. . Acha que não passo de uma criança.disse Paul.. Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e. num passe de mágica.Vivendo como vivemos por tanto tempo.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda.Sussurrei. com voz mais suave e bondosa. Além disso.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto. muito lentamente. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. mas não passa de uma criança. qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. Vo cê vive num país de fadas. Jamais lhe vi o rosto. com você. quando a música está tocando . . é claro que tinham de olhar um para o outro. mas. Então. não consegui lembra r-me de qual fosse.Ohhh! .. quero que grite por socorro.Que diabo estamos fazendo? . agora. Respondi desavergonhadamente: .comentou com um suspiro. mas desde que tinha apenas a altura da mesa. baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo. flores ou ar livre. Paul sorriu. punida por exc esso de presunção. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim. Catherine. É par a isso que possuímos olhos. .E segura? . meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve . . seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade. para seu próprio bem. livrando-se do encantamento que eu l he lançara. . Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si. pecaminosa. amedrontada. de bailado . Eu era má.. desconfio de que seja ele..Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite. A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro.gaguejei. Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma. não na realidade. Senti-me outra vez uma criança. ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade.brincou ele. o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente.nada! O que faço p or você. As meninas se machucam quando brincam de . creio que entendo o motivo.Da mesma coisa que os outros homens. Se não houver outra pessoa em casa. quando acordei.. aqui. creio que estou realmente apaixonada por ele. Só que melhor. sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie. fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça. como você é romântica! . Se eu ousa r encostar um dedo em você.Acha que está segura comigo.Mas. ajudou-me a levantar.repliquei. era? Eu não deveria perguntar. embo ra não saiba quem seja. jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta.Não precisa amar-me .Catherine . retirando as mãos de minha cintura. . Entendeu? .Você zomba de mim. . sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . . ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente.Catherine. em palácios de mármore. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras.Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. . . Oh! Então era assim. mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos.não preciso de sol. Catherine. Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida. . . perto do fogo.Não me tente dem ais. Isto não era sermos maus. sem dizer uma só palavra.Agora. mas. Certa vez. Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos.Ora. . filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! . Mais do que qualquer outra coisa. por prazer.. Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa. Portanto. inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus. Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente.bradou Paul. Julga que beijar-me não seria ex citante.

ao começar os a suar. para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. os ronds d e jambe em l'air. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. Em seguida. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. Paul levantou-se. como uma nortista. Mais uma vez. retirávamos os agasalhos de lã. ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente". eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna. até mesmo excelente. . se d eviam ir "até o final". Fazíamos pliés. acreditar no que acreditavam. Mais cedo ou mais tarde. devotado.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel. as moças compartilhavam todos os segredos. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. imaginando. glissés. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso. estórias de sexo. fortes e ágeis. Então.mas. verifiquei que era diferente. Paul não era o tipo de homem que eu queria.e depois não soube para onde enviá-la. Não me agradava ser alvo de risos. Não me agradava ser diferente. Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. Portanto. O sexo pairava no ar.. un. não um santo. afinal. exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra. Não gozo de uma reputação imaculada. aquecer os músculos e. cercando-nos por todos os lados. elevavam-me às alturas. Pois. também ficavam molhados de suor. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. vinham os frappes em três quartos de pointe. mas. espec ulando. Queria ser como as outras. recuei amedrontada. Contavam pia das ridículas.. Não ele. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis.assim refletia eu.. tendus.Linda criança. Ouv ir dizer que eu era boa. também tornada diferente. Todos os dias. Às vezes. algumas até mesmo pornográficas. ao dançar mesmo quando estava morrendo . Só um lugar me deixava à vontade. com uma piscina interna. Embora ela houvesse recebido a intimação. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. dos anos em que vivera "em lugar nenhum". os petit e grande batllements. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim. mantenha-se afastada de mim. da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola.em especial aos sábados. Algo o trazia f . sozinha . por mais que me esforçasse. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna. E o início era a parte mais fácil.adultas. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. sapatilhas e uma bolsinha. Assim. mas apenas o endereço do tribunal. Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. para manter-me ao alcance dos braços. porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. havia Julian. deux. Nossos cabelos. quando trabalhávamos de oito a dez horas. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. No camarim. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé.e n ada disso era fácil. abstinha-me d e dar palpites. espere crescer primeiro. porém.. corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe .. t alvez um mulherengo . bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas. um médico.. com medo dele. tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . Não censurava ou culpava ninguém. fondus e ronds de jambe à terre . Sou apenas um ho mem. Eu temia por Carrie na sua escola. falar como eles f alavam. interminavelmente. começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir. Recuei. Poupe-se para o homem com quem se casará . carregando comigo a sacola com as malhas. Além disso. Ao modo tolo das mocinhas. enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano. fazendo pliés. pelo amor de Deus.

.Foi o senhor quem me deu esta camisola. que estava muito corado. Doutor. que usava uma justa malha transparente. Raivosa. .Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios. Bocejou. inclusive um em Greenglenna. você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York. Não gosto de me gabar do fato . Catherine! Ergui-me de um salto.disse Paul. Não sei definir exatamente. Então.E não ande pela casa com essas roupas! . mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça.Antes de vocês chegarem. de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão.declarou ele com voz tensa.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito. com exceção de Chris e Carrie.Na verdade.Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim.Você pensa demais. . . olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse.Falar comigo . . parece que meu tempo disponível desapareceu. o mundo int eiro saberá. outras vezes ele me levava ao cinema. provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado. Em breve. Eu conseguira encantá-lo. enfeitiçá-lo. Pensei que queria ver-me com ela. levantava-me muito cedo .antes das seis . com certa indiferença. exibindo seu virtuosismo superior. Falavame de seus pacientes. Às ve zes. ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma. Não obstant e. Na maior parte das vezes. Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos. Este era ótima companhia quando não estava cansado.reqüentemente de volta a Clairmont.Oh! eu não sabia. Este gostava de minha companhia à mesa.Trate de usar um roupão! . .Por que não? .Tive alguns encontros antes de você chegar. . simulando enfado. virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão. Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista.disse ele com um devastador sorriso de malícia. eu nunca ia ao cinema. mas .Claro que não.Sou grande. embora não o dissesse. .Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez.Eu não lhe conto tudo.disse ele. .Bem.Para visitar meus pais .Nunca? . eu percebia. depois disso.Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo. enquanto aguardava que Paul regressasse.advertiu. . assistíamos a programas de TV. . . sem mencionar nomes. . . . Cathy. Ma dame é minha mãe.Pare com isso! De repente. afastei-lhe a mão com um tapa. Você é diferente. . quase nunca . saí correndo para a escada. Cathy. Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e. pisei-lhe no pé e me afastei. ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora. . Sou o melhor que existe. Não sei o que some com ele.Você é boa demais para este lugar provinciano. com a mesma rapidez com que me encurralou. como Chris.a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul. partindo desses grand jetés. Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego. deixando-me de olhos arregalados. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul. De manhã. Aprendia a ser cada vez mais c . . E u tentava ajudar Henny após o jantar. corri até ele e beijei-lhe o rosto. . Qual é o s eu segredo? . e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico. . eis aí o meu segredo.Como deve saber. e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle. . formando um círculo no centro do qual ele se apresentava.repliquei. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo. Quando cheguei ao topo.Vá deitar-se. . Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas.Não .indaguei. dizendo: .

Será. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. Passou o braço por meus ombros. tere i carros de luxo: três ou quatro. como fazia com Chris. . Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio. quando Chris e C arrie estavam em casa. ver melhos e sensuais. para se ver. Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu. levantar-se da m esa e sair para a garagem.explicou-me ele. um para cada dia da semana. De lá. quando eu for rico. Desta feita. Conte-me a respeito de sua infância. porém. Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai.Não l he conheço o passado. como se ele precisasse de mim. . Julian Marquet. Na verdade. Examinando separadamente as f eições. Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt. Pense em Nova Yo rk o mais breve possível. Ainda assim. Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia.Jamais diga meu nome desta maneira outra vez .Sorria para mim. era o que eu pensava na época. algo se interpunha entre nós. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo. a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. o resultado era sensacional. Ou talvez até sete. Paul não disse mais nada. . era possível encontrar falhas nelas. deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo. m as nunca ousei procurá-lo à noite. pois ele já atingira o sucesso. num tom persuasivo. enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. Seu quarto ficava perto do meu. pelo menos. de seu país. .Que dupla formaríamos. Creio que Paul tentava evitar-me. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . Sentia falta de Chris e de Carrie.disse-me Paul certa manhã. uma a uma.ou. minha vergonha era maior que a s ua . . eu não sabia o que me causava medo nele.Por quê? Não tenciono violentá-la. . limitando-se a deixar de lado o jornal. também tenho medo de você. . quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. mas eu não permitia. E. você e eu . uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. Lá existe tanta coisa para se faz er. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York.Eu não o conheço . Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida. Ri. quando eu fitava m eu prato de canjica.comentou suavemente. Detestei-o por dizer aquilo. Nada temos de semelhante e. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção. ao dar-me carona da aula de balé para casa. .Diga-me quem é você. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa. . .Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine.começou ele. Não era estupro que me amedrontava. pois todas as peças vinham de ferros-velhos.replicou Julian confidencialmente. Só nos fins de semana.Dançar é tão remunerativo? . creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada. movendo-me para ficar o mais longe possível dele. eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar. nem você conhece o meu. Quando acordava. deixou bem claro que viera apenas para ver-me.Algum dia. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal .omo Mamãe.Depois de dançar. Em conjunto. puxando-me para perto de si. despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho.adverti com voz embargada.Cathy . pois o nariz poderia ser melho r. Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama.respondi. doía-me não vê-los no mesmo quarto. Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. ovos mexidos e toucinho. . sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e.Você adoraria Nova York. minha Catherine . quando eu atingir o topo da carreira . para se experimentar. se Paul ali não estivesse. a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando. . não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo. . Não o via o suficiente. . jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava. Ergui os olhos.

tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. de pois. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. sabia muito bem. Eu usava um vestido novo. meneando a cabeça em aprovação. Desejava parecer sofisticada. bem no fundo. mas nada tem de tola. Julian examinou a lista de vinhos e. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve. Ela é uma gralha velha. embora não devesse fumar. embora não o fosse. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo. . sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York. mas. curvou-se para beijar Carrie. o . Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. quase me convencendo de que eu já era grande bailarina. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York. .Esta noite. enquanto minha mãe explora seu talento. na verdade. Queria impressioná-la. Julian entregou-me um cardápio. Todavia. Estava bem arrumado. acima de tudo. E prosseguiu naquele tom. Além disso.di sso eu tinha absoluta certeza. depois. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. como se traísse alguém. havia Chr is. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos. Paul. um tanto desapontada por ele não levantar objeções. Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e.murmurei. Todos se afastaram para observar e.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. A caminho de casa. sap atos engraxados. os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. Com meu auxílio. Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo. Julian levou-me para a pista de dança. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. aplaudir. Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. Apertou a mão de Paul. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. pedindo-lhe que escolhesse por mim. Chr is o fitava raivosamente. E Paul. Quando a salada e o prato principal chegaram. Com a maior naturalidade. alcançaríamos grande sucesso. Com surpreendente segurança. Ele não é muito mais velho que você é? . com terno novo. Julian levou-me a um restaurante muito elegante. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz. eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. provou a bebida trazida pelo garçom.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. estavam tão deliciosos quanto ele prometera. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. lembrei-me de Chris. senti ndo-me esquisita. ele acendeu um cigarro. temendo come ter uma gafe. . Julian chegou pontualmente às oito horas. não obstante. Chris e Carr ie estavam em casa e. Carrie que precisava de mim nos fins de semana. você teria que começar no corpo de baile.Não . apenas faço parte do corpo de baile. Ao c ontrário do que lhe disse antes. mas poderia facilitar as coisas pa ra você. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele. Pensei em Paul. Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. Naturalmente. . a minha outra metade. aceite i o convite para sair com Julian naquela noite. Cathy. mas Julian. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina. você progrediria mais depressa que eu. . não sou primeiro bailarino. que de algum modo tinha um lugar em minha vida .Você é linda . Era noite de sábado.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. Eu não sabia ler francês. Julian estacionou numa alameda retirada. senti a desaprovação de Chris.disse Julian. se você não se importar. Cathy. formaríamos um par sensacional. Juntos.

por mai s que se recuse a admitir. Jamais contei isto a a lguém.Cathy.. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. não será por meu próprio mérito. quando eu me tornar um grande bailarino. Madame e Georges são meus pais. venha comigo para Nova York. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas. Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho. . recuso-me a dançar. na adolescência. Além disso. recostou-se no banco e virou-se para mim. . Cresça. será por mi nha própria conta .Porta-se como uma criança .Uma criança . Então. as orelhas. Mas venci .nde os namorados costumavam parar. Inventei um. com grandes bailarina s. mas nunca me encararam como um filho. Agora. Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado. na maioria dos casos. Nenhum deles sabe. enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa. estendendo a mão para desligar o motor.disse ele.declarei. Cathy. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato. mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. beijando-me o pescoço. Portanto. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai". Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui.Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije. Na su a opinião. Cathy . Sinto dores constantes. mas não satisfaz.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto.resmungou ele raivosamente.e ainda não sou um astro.murmurava ele. Ele sempr e encontrava alguma falha. Seja lá o que for. pode apostar.sem a sua ajuda. fale-me a res peito de você. mas machuquei as costas. que vê em mim uma continuação de si mesmo.O Dr.esbravejei. Portanto. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida. mesmo quando eu era pequeno. Futebol estava fora de quaisquer cogitações.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! . . Cathy. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa. .Pare! . Julian sorriu. Creio que você e eu somos muito parecidos. se eu aceitasse? . Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. Ele fazia parte do meu mundo.Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse.Eu nunca tive essa feli cidade. Isto quase o mata.comentou ele com certa amargura. Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. Especialmente meu pai. . Tenho que provar a Georges que sou o melhor.Julian! . E não se trata ape nas de você ser pequena e leve.Cathy.Vocês tiveram sorte .Seria o seu anjo da guarda. então. aborrecido. aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. . ligando o motor. . se eu for um grande bailarino. Com você. eu poderia ser. . continuo a dançar. pois não estarei p or perto pelo resto da vida. do encantador mundo da dança. . Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado.. .Meus pais morreram .Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz.gritei. aborrecida com a pergunta. pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome. resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. o fato é que você foi feita sob medida para mim. mas. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram.Não se aproveitaria de mim. Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa.indaguei. . se prefere conversar. tentando erguer um motor pesado dem ais. Por que mora com um médico e não com seus pais? . Cathy. Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram. mesmo assim. t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas. . E creio que isto também o mata. Assim. Dois a nos . .Está bem. de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. A partir de uma certa época.Leve-me para casa! . Conheço outras bailarinas menores e mais leves. de repente tive medo d e perdê-lo. mas porque sou seu filho e tenho o seu nome. muito melhor do que ele conseguiu ser. . Por favor. .

Foi você quem pediu! . acho. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me..Não gosto dele. creio. . de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair.Eventualmente. quan do posso rever Carrie e você. ap arentemente. Gosto de você. Era melhor que fosse ele.. após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja. Gesticulei nervosamente. . pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre. Cresça. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu. micro-anatomia e neuro-anatomia -..Com quem você tem saído? . que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: .. percebi o que ele pretendia fazer. Quando entrei no quarto para me despir. . existia em todas as cidades. Chris se voltou para me fitar nos olhos. será obrigada a deixá-los. mais difícil será afastar-se. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa.indaguei. Por favor. mesmo involuntariamente. Deixe-me pensar um pouco mais no assunto. sufocando um soluço. Senti pena dele e fique i emocionada. Chris estava na varanda. . .Não pode acender-me e depois apagar-me. Julian. Julian ficou um pouco tocado. Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem. Quanto mais tempo permanecer aqui. cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade. tentando desviar-lhe o pensamento de mim.anatomia geral. palavra de honra.Não me diga que não tem saído com garotas.indagou sem me encarar. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços. De repente.Há meu irmão e minha irmã. . . torne-se independente. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor. Cathy.Nova York é tão grande. Tomamos vinho no jantar. . Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. Julian deitou-me de costas no assento.Muito bem. afinal tínhamos os mesmos o bjetivos. . Desta feita. Não quero deixá-los ainda tão cedo. . Talvez eu também tenha ficado.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . Fitou o espaço. que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto. deixando-se dominar pelos outros. . a testa franzida numa expressão de amargura. Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter. Cathy. Como era semelhante a mim. . de pijama. perto da minha porta. . Logo ele se tornou ofegante.Como foi? .Talvez. Cathy.Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. Meus pensamentos se voltaram para Julian. tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder. . pare de agir com tanta pressa. Então. eu estava preparada. Ele é de Nova York. ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que. Não negaceei quand o ele me convidou para sair.esbravejou ele. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar. . mas não me dá oportunidade de amálo. Vivo à espera dos fins de semana. Julguei que pretendesse quebrá-lo. precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa.Como vão os estudos? . É impossível ser independen te em casa.perguntei..Oh! Chris. Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você.Por favor. .O que faz nas horas vagas? .Conheço-a como a palma de minha mão. . Quando o avistei lá fora.

O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . quando eu desse minha tarefa por terminada. Se Chris e eu tínhamos pecado. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul. quando estávamos sozinhos. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe".Há algo errado. Por algum motivo peculiar. Papai. abarrotado de brinquedos. a chuva batia com força e. Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. saí da cama e vesti um negligé transparente. Naquela noite. Já estou meio apaixonado por você. Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. por baixo e em torno de nós. Pensamentos mórbidos.Cathy. exceto Chris e Carrie. Existem muitas garotas dispostas a se entregarem. . Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso. ela no s obrigara a isso. Mas Carrie estava no internato para meninas.e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny.Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. que ficava tão longe . morto.não em troca de nada! Naturalmente. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas. E estava chovendo. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes. mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros. fumando um cigarro no escuro. jogos e grande s móveis escuros. Portanto. Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. .I mplorei. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada.na outra extremidade da casa.Ouça.bradei.Há quanto tempo está em casa? . Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. Não conseguindo dormir. por Carrie que não crescia e por Cory que. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. por cima. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. e seu jovem marido. e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. provavelmente. o vento uivav a. poi s isto ela tinha de sobra. sobre uma mesa de necrotério. não o leve como levou P apai! Por favor! . não passava de um monte de ossos na sepultura. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. agora. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Ninguém precisava de mim. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. Meu Deus! . Cathy. Duas coisas: sua honrada reputação. descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. empurrando-o para mim. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos. Não seria dinheiro. ele não conseguia afastar-se. chorei. como costumava cair quando éramo s prisioneiros. por que não está deitada? Girei nos calcanhares. . Então. ataquei Paul como uma mege ra: . Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . Ela perderia ambas. acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam. Mamãe o perturbara e d istorcera. A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. Chovia forte. Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia. confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. em seu quarto adjacente à c ozinha. O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. confundindo-me e aterrorizando-me. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite.. Por Chris. Vime jogada de volta num quarto trancado. Lá estava Paul. o preço que lhe causaria maior sofrimento. não prec iso de você tanto quanto imagina . Julian não precisava de mim. esmagandome os pensamentos. Virei-me na cama. com gravuras do inferno nas paredes. E aquele seu cheiro característico desapareceu.

estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara.. Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. com uma vergonha que chegava a doer. não obstante. sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa.indaguei.Deve estar muito cansada. de modo que após esperar horas a fio por você. tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu. . sua falecida esposa. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo. conseguia permanecer sentado.mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder. . Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. .Porque a chuva o isola do resto do mundo. Eu nunca consigo alguma coisa. esperando que você apareces se ..respondeu Paul. O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar . Paul pensava nela: em Júlia. . Seria ótimo se você pudesse controlar a sua. . vesti as melhores roupas e fiquei sentada. peço-lhe desculpas. Aproximei-me da poltrona e. Talvez leve as aulas de balé a sério demais. Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade. Às vezes. Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. . como pôde esquecer-se? Ontem.Está sendo sarcástico? . tão controlado. . Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar. Não que ria amigas que não dançassem.berrei. .Esqueceu-se. Então..Desde onze e meia . . Mas você não trouxe! . devia levar-me ao cinema. . Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais. Recuei alguns passos.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. que era território proibido p ara mim.Mais uma vez. peça desculpas por ter gritado comigo.Não estou com raiva! .Paul. ele disse num tom suave: .Hoje. quando queria. o tempo todo! Não veio jantar hoje.Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno. Eu o compreendo. Portanto. li a respeito de minha mãe . olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir . . estendi a mão para tocar-lhe o rosto.. ali sentado.Seria capaz de me bater. sem jeito. Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e. desculpe-me ter gritado.ui dormir! E você estava aqui. E não go sto do barulho da chuva no telhado.. esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei.quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava. encarando-me. . sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós.como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos.declarei. Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor .Está remodelando e redec orando uma casa. Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria.Sim.. Talvez deva relaxar um pouco. Paul era tão semelhante a Mamãe. não obstante. Não queria um namorado que não fosse bailarino. Também não veio janta r ontem. Por este motivo. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa. . . impulsivamente. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi.à exceção de Chris. quando tornei a abrir a boca para fa lar. tão seguro .Parece mesmo perturbada. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve. fitando-me tota lmente surpreso.Há quanto tempo está em casa? . Ela sempre consegue o que quer.Estou tentando controlar a raiva. Sinto muito ter esquecido o cinema. A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence. da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la. E stremeci. algo mais ou menos desse tipo.

embora involuntariamente. Aturdida. Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. Soltei um riso nervoso.portanto. .atalhei com amargura. Acredita que sua professo ra de balé. se eu estivesse no corredor dos fundos. Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. Já que você me deu o bolo ontem. Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse. Catherine. .respondeu ele. que era como um filho pa ra mim. porta-se como uma esposa. no palco.Para você.porque não foi vítima. obse rvando-me cheia de incredulidade. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis. chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. . Julga que. Paul franziu a testa. arregalei os olhos.. tornei a zangar-me. . com arrogância suficiente para dez homens maduros. Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. se você mesmo não o faz? . . .Toda noite sonho que estou em Nova York.Você e Chris . . fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia.Não se envergonhe de ser humana. Eu não queria falar a respeito dela. alim entou-nos com doces envenenados! Assim. é fácil falar em perdoar e esquecer . .Eu chamo por ela? . Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo. mesmo? . pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. Quando comecei a soluçar.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . não me desapontarei. Catherine. fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar. não me venha falar em perdoar e esquecer. se é o que deseja. Madame Zolta.Não. Ela quis me matar. com os olhos cheios de pena. pobres seres humanos. Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York. Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . estarei prepar ada para ser desapontada e. com beijinhos suaves e mãos caridosas que . nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema. às vezes escutava certas coisas. Paul sentou-me e m seu colo. .replicou ele num tom inexpressivo.Vá devagar.murmurei.Não. assim.Como sabe o que digo aos meus pacientes? . Portanto. . Perdi meu irmão mais moço. saí com ele esta noite. Você não sabe. temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer.Sim.Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. . você encontraria a paz e perdoaria tudo. Vejo minha mãe na platéia.Às vezes.E o que pensa você? Mas Julian .indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. Reconfortou-me como um pai. . não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! . Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe . talvez consiga dormir à noite.Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício. aproximei-me outra vez da poltrona. replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. porque parece tão convicto. Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. Julian é um jovem bonito. formaremos um par brilhante. Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola. Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. como se tivesse levado uma punhalada.Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor. Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. Então. juntos. com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. Mas eu fui.Catherine! Pode odiar-me. .Julian está de volta à cidade. que não era meu lugar. em vez de se debater na cama. poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe.

consiga voltar para a cama e esquecer a vingança. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. Quando fui para a universidade. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. Ela nunca teve outro namorado.e isto foi um erro terrível. Se não conseguir. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. Namorávamos firmes e trocávamos cartas. Amava Júlia. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . Paul afrouxou os braços em torno de mim. Júlia tornou-se cada vez mais bela. na nossa noite de núpcias. Portanto. após escutar minha estória. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo. no intuito de ganhar dinheiro.como se isto fosse possível. existem outros motivos.Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . Eu tivera algumas experiências sexuais. desejava-a e. Portanto. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . apertou-me a mão com força. Às vezes. eu nunca tiv e outra namorada. Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. Nunca proporcionei a mim mesmo. a voz de Paul se tornou mais profunda. se não nos casássemos logo. você consiga tirar proveito de algo que aprendi. Na época. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. .me acariciavam. Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. não muitas. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro. era o que ela não se cansava de repetir.Espero que você. Isso acontece todos os dias. eu a amava. Cathy. recostando-se na po ltrona. tentando todas as técnicas para . termine i por possuí-la à força . Contudo. sob certos aspectos. afinal. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. Júlia não sentia prazer no sexo. pelo menos. Não obs tante.Sim . p ara salvar-me .a voz dele assumiu um tom duro. passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar. tive medo do final. mimada pelos pais. só que pior. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. teríamos três filhos. eu tinha dezenove. Tinha medo de perdê-la para outro . Assim. Mas Paul falou por minha causa. Neste ponto.Catherine. Fechei os olhos com força. Entretanto. se eu lhe contar. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola. . . Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos.ou. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte. se iguale ao horror da sua. Amav a-a muito. Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. lacrimosa: "Ora. Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. . Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. Ela indagou. Júlia era filha única. Fiz o possível para excitá-la. na noite seguinte tudo se repet iu. suspirou e prosseguiu: . Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada.Júlia e eu éramos namorados de infância. também tenho minha estória para contar.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. Sua voz assumiu um tom amargo. Pois está enganada.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso. Talvez. Fez uma pausa. . Com o decorrer do tempo. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. . lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. Percebi que estava aterrorizada. pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto. nem a ela. Talvez. Observei-lhe o rosto.

voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. . temendo o que estava por vir. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz. pois sabia que ela possuía vários amantes. Tivemos um caso que durou vários anos. mas. línguas-de-so gra. pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. Então.excitá-la e fazer com que me desejasse . Era tão li nda. mas fiquei profundamente magoado . argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. mas ela se recusou terminantemente. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. Foi num sábado. vestindo voile azul. quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. com pais ostensivamente felizes. com bolas penduradas no lustre. lavar minhas roupas. inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. Na verdade. Sentei-me na varanda da frente e esperei. de modo que peguei o carro e fui à confei .Depois disso. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. a não ser quando Sc otty estava por perto. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia.Após o nascimento de Scotty . chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. eu a traía. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz. que completava três anos. desceu a escada com Scotty. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. viriam com as respectivas mães. parou de falar comigo. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. Então. procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. Comecei a ficar preocupado. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo. P ortanto. Dentro de casa. deixei-a realmente em paz . chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. pois sabia que era algo terrível. Júlia n unca mais me falou no caso. a fim de comprar mais balas. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. embora ela sempre chorasse depois. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes. fosse lá o que fosse. quando sentia vontade. Eu estava em casa e. algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. certo dia. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. Não me incomodei com ter de deixá-la em paz. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. enquanto me aninhei melhor em seus braços. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. mas ela recusou. Ofereci-me para levá-los no carro. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. Comecei a beber depois que me formei na universidade e. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. Ela perdeu a calma. Henny preparara um bolo eno rme. Não pude acreditar. Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. Júlia descobriu que estava grávida. Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas. já que fazia um dia tão lindo. Agora.mas só lhe causei repulsa. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. felizme nte.prosseguiu Paul. a fim de ajudar a acalmar Scotty. . dando-me um filho. natural mente. Então. mas nunca tentara o suicíd io. . Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante. Júlia. Naq uela noite. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional.

a única que perdeu alguém. Mas não os vi. a única que tem saudade e tristeza. poucos dias antes do aniversário de Scotty. mas também carrego comigo o remorso. Na confeitaria.Num piscar de olhos. pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente. claro que não. temendo chegar lá tarde demais. Então. mas meu filho estava morto. muito melhor. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões . eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. mas ele não escutou. Faria eu a mesma coisa? Não. Contudo. . Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado. Júlia ainda vivia.taria. Não obstante. Apontou a direção que haviam tomado. não. . Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia. Fazia-o por meio de beijos. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. mas agarrei-me como visgo. saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra. Não quero desapontar meu no ivo. embora não gostasse de televisão. Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível. que tossiu. . tentei tratar dele. Então.Mas você pode ter outros filhos. O rio era raso. a quem tan to amava. perguntei se tinh am comprado balas. mas ninguém os vira lá.Então. Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. Então. Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado. esperando vê-los no caminho. Portanto. estavam sempre acariciando-se e beijando-se.exclamei. olhares ternos e pequenas carícias. Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si.Não lhe direi tal coisa! . . Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty . cheguei à margem gramada do rio. de rosto para cima. De sde pequenina. Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho. Pr osseguiu: . Rodei pelas ruas a procurá-los. mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho. . chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. . . Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos. Lembrei-me de meu pai e minha mãe. Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai. Sentindo a terrível angústia de Paul.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. Não abriu os olhos. Não consegui falar.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias. pelo menos.declarei com voz embargada. . .Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia.Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir. mas. Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. Júlia matara por vingança. engasg ou-se e vomitou a água. parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro . Pode casar-se novame nte. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty. Tentei acalmar-me. que obviamente lutava para liberta r-se dela. e Júlia demonstrara um interesse desusado.Esqueça Júlia! . Minha maneira seria melhor. ainda respirava. i sso não seria vingança suficiente para Júlia. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. mas Scotty parecia morto. Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. produzi um som sufocado. Mas não conseguiram. dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio. As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas.Sinto muito . abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele. repeti o processo com Júlia. Assistimos à Medéia na TV. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. depo is de me despir. como eu costumava faze r quando criança. A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava.

Paul sorriu. acariciando-me sem usar as mãos. doente de desapontamento. tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder. .mas também an siosa e excitada. ultrajada. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos. .exclamei. Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que.Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? .Quando estávamos trancados no quarto. Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom. Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade . de repente. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Paul foi direto ao meu quarto e. .Não me olhe assim.disse ele da porta. onde entrou e bateu a porta com força. eu diria que acertaram em che io. uma expressão f uriosa no rosto. hesitou. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho. Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado. .Oh! .. os lábios cheios e sensuais entreabertos. Agora. . Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza. Catherine . a fim de que eu não lhe visse os olhos. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros.Não sei como estou olhando. Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio . talvez. S enti-lhe a carne esquentar. E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram.até mesmo os gêmeos. caminhando depressa para seu quarto.Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos. até mesmo um excesso de talentos.Escute aqui. Tenta seduzir-me. Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e.. Catherine Sheffield . Catherine. Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas. .Paul.murmurei. grandes demais para seu tamanho e idade.Oh! . Vocês não são maus. é muito linda e difícil de resistir. Dollanganger é um nome compr ido demais. Tenho certeza de que eu não resistir ia.Como me chamou? . Portanto.Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências. Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu.Permaneci onde estava. tão pequenos e adoráveis.Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança.nada mais que isso. E. . .disse Paul numa voz tensa e estranha.perguntei.Paul. Chamavam-nos de corruptos. que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele. o d om de saber apreciá-la e. mas. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível. por isso. como sempre. enquanto a chuva fustigava as vidraças.Não foi uma falha Freudiana. enquanto ele recuava em direção à porta. se eu ficasse calada. . .? . tive que falar e estragar tudo... Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada. . Mas seu lugar em minha vida é o de filha .imediatamente! .Acha que os avós tinham razão . Ele era como você. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam. se é isso que está pensando.Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta. Mais uma vez.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar. Sheffield seria uma escolha bem melhor. . Entretanto. Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada.Vá dormir. fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver. éramos desprezados . envergonhada . ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava. nossa avó nos chamava de filhos do Demônio. Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado. .Está jogando um jogo perigoso. . Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente. . . a menos que seja em legítima defesa. eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas. parando ao lado d e minha cama estreita.

procurado refúgi o nos braços de meu irmão. Após algum tempo. E Chris me odiaria. Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via . Quando eu esperava o ônibus na esquina. E isto seria uma lição para Mamãe. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. que só sa bia bordar e tricotar. Pa ra onde iria a fortuna? Parei. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa. E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava . Se isso era pecado . . Então. não teria o mínimo remorso. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos. E eu sabia que era má. por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas. acabaria acreditando. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m.diria ele. os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos.Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . seria a minha palavra contra a dela. Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso. Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. Simpson. confusa. ele não acreditaria. Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. jovens e velhos. declarando sa ber o que queria. porque eu tornaria tal coisa impossível. de modo que não mencionei o assunto. eu podia p rovar que Cory existira. uma jovem linda. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. Ele não se afastaria.. Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. embevecido. então. até chegar ao topo. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens. Então. para beijar-me a mão. viravam-se na rua para olhar-me. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. cansada.como di ssera minha avó desde o início. Comecei a rir. mais ainda ficava eu. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. E le não desejaria magoar-me. surpresa. Estaria velha.É a mulher mais linda e talentosa do mundo . Carrie e eu.. quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. nascida para ser má . comecei a planejar t udo. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor. D epois.especialmente Chris e eu. Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. e Jim Johnston. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. abandonada. rejeitando-me. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . pois não ex istíamos como membros da família Foxworth.às vezes. . Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós. sem precisar v ender o corpo. abatida. embora eu não soubesse o que eu queria. sem eles. E se eles ficavam maravilhados. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. acompanhada pelo marid o. Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso. A princípio. enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. Chris. Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava. seria obrigado a procurar outra pe ssoa.para dançar cada vez mais. principalmente os que já passavam dos quarenta anos.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. E havia também nossa antiga babá Sra. A culpa seria toda minha. numa ocasião de sofrimento e miséria.

.Tenho medo de que ninguém me elogie . Mamãe.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora. Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu.perguntei.Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. Fui realista . De repente.O que perguntou? . Estou ganhando terreno sobre você. incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. não gostando de ser lembrada da velha. é difícil viver longe. . A casa parecia esquisita.Sim . com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores. sempre a imaginar o que você andará aprontand o. Oh! meu Deus! . . .Está linda.Por que não é feliz.A vida.e não fazê-los a si mesma. que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . algo que o fazia parecer muito. Tentou circundar minha cintura com as mãos. declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente. mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho.O que corresponde às nossas expectativas? . agora. Que g ozado! Então. É o meu estilo. um coro berrou no escuro: . Cathy. num leve beijo que não ousava passar desse ponto. Então.disse Chris numa voz engasgada e esquisita. . Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. desejei não ter tomado conhecimento. sim . Você é tão bonito quanto Papai. Desviou outra vez os olhos. dese jei de olhos fechados. muito mai s velho que eu. cada uma menor que a inferior. roçando de leve os lábios nos meus. preferiria ser bailarino. mas Chris baixou-os par a ocultá-los. de ter resolvido ser médico? Em vez disso. estão correspondendo às suas expectativas? . de repente. Descemos a escada de mãos dadas. Chris.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos.Você está fantástico. Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. Paul e Carrie já estavam prontos. nem suas mãos tão grandes. Chris? .Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim. os estudos de medicina.Portanto. Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa. No duro. Cada vez que vinha para casa da escola. Chris . quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha. ao contrário de você. elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim. não o seu. Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante. . Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira. apagando as velas.Feliz aniversário. Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério.Não me respondeu. com todas as luzes apagadas. Gosto da escola e das amizades que fiz. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário. Chris parecia mais maduro e bonito.Diria que estou melhorando com a idade? . . mas coloquei-a assim mesmo .The Plantation House. Estou linda ou apenas bonita? . tão silenciosa e carregada de expectativa . menos as do vestíbulo. Entretanto. Meu rosto não precisava de maquilagem.disse Chris da porta aberta.A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e.disse ele. uma combinação extr emamente atraente. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso. ainda si nto saudades de você. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar. . .disse baixinho. . minha Lady Catherine . .Minha Lady Catherine . . dando-me ao tra balho de usar o curvex. Henny também. aguardando. deve esperar elogios dos outros .repliquei na defensiva. . tomou-me a mão: .V amos.Está muito linda. mas a circunferência não era tão pequena. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava.o serviço completo.Isso me parece cinismo. Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa. Não ob stante.rante favorito . .A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse.repliquei comum largo e ardoroso sorriso.tão fan tasmagoricamente escura. .

pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. cujos olhos negros. Chris e Julian estavam num ca nto. que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé. Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente. . E assim terminou minha festa de aniversário.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! . furioso. pois agora tem-me a seus pés. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva.bradou Chris. quase num sussurro. sapatilhas. Afas tei-me dele com uma pirueta. era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois.Boa noite. . Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite. em novembro passado. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo.disse Chris num tom gelado.Você! Seu..retrucou Julian. etc.tornando-me mais velha e esperta a cada dia.. Com lágrimas nos olhos.Mas possuo outras habilida des. Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas. pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro. repetiam mudamente a mesma pergun ta. eu o detestava quando se comportava assim. discutindo e prestes a se engalfinharem. com todos indo embora parecendo embar açados.chamou Chris. dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si. Paul se ergueu.É a melhor festa de aniversário que já vi. Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul. Julian lançou-me um olhar raivoso. Sempre que eu procurava o olhar de Chris. Carrie mantinha-se colada a Paul.Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! . Segurei os pedaços do objeto. o rostinho feliz e corado cheio de sono. Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde. Mas fiquei calada. Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras. Não sei o que ateou fogo à lenha. com exceção da festa de Chris. . observando um de cada vez.Não me importa o que você pensa! .Talvez seja verdade . produzido por um cigarro que alguém deixara cair.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas.Cathy . ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão. pregados nos meus. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. Além disso. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes.Alegre-se. Estremeci. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé. . Cathy . o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão. . de repente. . Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade. . pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! .Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? . com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva.bradou Julian. pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum . É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. mas. Em frente a mim estava Julian.disse Carrie. .. sem desviar por um instante os olhos de Julian. Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro. que se aproximara para me abraçar. . uma cintilante e transparente rosa de cristal. Na verdade..Não. Quando chegar a hora.respondi. . . .Por que parece tão triste? . . prestes a gritar para que parassem de di scutir.quis saber Julian. altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade. .

E sei que custou caro. se julgar necessário. .indagou ele com ar feroz. Enfrentei-lhe amargamente o olhar. .Não minta para mim. Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo.repliquei furiosa. Sempre pre cisarei. Comprar-lhe -ei outra. sou tão necessário em sua vid a. onde verifiquei.Cathy . também! Chris ficou muito pálido. .declarei.Era uma linda rosa . eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul. mas estou dilacerada por dentro. meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina. qualquer coisa que for preciso. e o estávamos usando. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas. .Sim . vá dormir.disse eu.Esqueça. exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível.Ótimo. Esqueça a desordem: Henny limpará tudo. infeliz. de todo modo..Nada! . muito obrigada pela linda caixinha de música . . Vivo em função dos fins de semana. quando poss o estar com você e Carrie. Não se afaste de mim. . pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas. Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. .começou num tom magoado. . Christopher! Farei o que tiver que f azer. .Detesto cada palavra que você acaba de dizer. Morro de medo quando penso que. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. portanto.respondi com voz embargada.implorou Chris. contendo-se para não me interromper. mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas. espantada. Parece sonolenta. Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo.nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você. . Mas. enquanto eu devo ficar quietinha de lado. embora não fossem iguais. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero . mas fui obr igada a abandoná-la.disse Paul às minhas costas. a fim de compensar tudo o que p .Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista.O que deu em você Cathy? .respondi.Não tento dizer o que você deve fazer. Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos. desolada e sem esperanças. Christopher! . mais cedo o u mais tarde. Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! . Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? .Não se preocupe com a rosa . . engasgada.Meta-se com sua vida. muito recatada e pura. Voltei-me para encará-lo. Logo subi para meu quarto. . . . . .Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem. levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios.retruquei raivosa.Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. Minha voz se embargou e não consegui continuar. Cathy.Quero que se mantenha fora de minha vida.. que Chris me aguardava. Sempre posso comprar outra.Mais uma vez.. Importo-me muito com o que você pensa. . embora não tivesse pensado no assu nto.. Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo. Acertei? .Não passa de uma quinqui lharia barata.Farei o que for preciso! . E também lhe darei algo melhor quando..Certa vez.Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar.O que está havendo entre você e Julian? . sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa. Agora. teríamos que pagar um preço por isso. nem de longe. Na realidade. eu preciso de você. O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário. . pensan do que pode fazer o que bem entender. . Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos.Chris . se encontrar a duplicata.

Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. Confie em Madame Marisha. arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. quando eu também fosse rica e famosa.indagou ele friamente. Fez uma pausa. com uma expressão morta. Quando vinha visitar os pais. Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. Minha beleza não era simplesmente superficial. Todas. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo. fiquei magoa da e ressentida. também. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna.Aguarde ao menos mais um ano. seria melhor ela estar bem preparada. Cathy? Sacudi os ombros. Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário. o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. paradoxalmente.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora.Onde encontrou isto. fui à biblioteca pública de Greenglenna. narrarei um episódio na vida de Carrie. pouco a pouco. eu estava estabelecendo mi nha estratégia.Ela está novamente na Europa . pois. encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. Eu era um instrument o de desejo. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora. por que motivo viaja tanto pela Europa. . Em outro dia. . Julian diz que me ama e que cuidará de mim. que encontrei numa banca da cidade.Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia. Na prefeitura local. ou de que ele realmente me ame.Oh! num jornal da Virgínia. El a sabe mais que ele. Cathy. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . o objetivo d e Julian é também o meu. Calculei que Chris o tivesse afugentado. detestava-me por ser seu reflexo vivo. não em Julian. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação. cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. apertando-me. Mamãe teria notícias minhas . via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições.erdi e sofri. obrigando-me a erguer o rosto. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes. eu não era como ela por dentro. Medo de ser como Mamãe. Não. e o indefectível pórtico bra nco. Gostaria de saber . Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris. não apenas com ele. até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. . . com ornatos brancos em volta das portas e janelas. Tinha medo. E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. fabulosamente rica e muito linda. pois esta é também a estória dela. Portanto. onde pesquisei a respeit o da família Winslow. minha melhor amiga. Percorri a pé quinze quarteirões. "A herdeira de uma das maiores fortunas do país". Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato. Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir. Quando me olhava no espelho. diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me. do q ue existia dentro de mim. Entretan to. Para meu grande deleite. Por algum motivo.Madame sempre me diz isso e acho que está certa. mas. . Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. não tenho certeza do que seja o amor. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco.comentou ele num tom esquisito. Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária . Escondida num canto. Julian quer que eu vá com ele para Nova York.então. .Você permitiu que ele lhe fizesse amor? . mas também com Lorraine. tanto .Não! Claro que não! Seus braços me envolveram. Por outro lado. mas apenas por fora. revendo os jornais antigos. Julian me ignorava.

respondia ela. colocara almofadas cor-de-rosa. violetas e ver des. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. Atualmente. Só isso. E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. Dewhurst. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente. passiva. Aliás. Carrie tinha uma cama de solteiro. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. por volta das quatro da tarde. Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. pensando melhor. além de um temperamento vingativo e mesquinho. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. parece grama colorida. À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. . rara mente ria. Dávamos beijos de despedida. Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar .pois nunca. vermelhas. pele branca como papel. Agora. Paul levava flores de verdade para Carrie. Sempre que possível. basta telefona r". seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu.Gosto do tapete. olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda.Sim .O que há de errado com Carrie? . reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção. não para Carrie. qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo. Disse apenas uma c oisa. Eu a abraçava com força. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar.até mesmo hoje. revendo o passado. Ao lado da cama. ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola. Deixou-me pensativa. que jamais exibi a diante dos adultos. Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama". No Sul. Carrie se tornava muito calada. Eu só podia encolher os ombros. Todas as sextas-feiras. Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. perdera a confi ança de Carrie. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato. implorand o-lhe mudamente. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . por estranho que pudesse parecer. tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo. . porém. Mas Paul olhava para mim. Sobre a cama. com os olhos fixos em Paul. seu olhar f icava inexpressivo e resignado. a fim de trazê-los para casa. para expressar seus sentimentos . uma única coisa.indagava Chris.dizia ela. Roupas macias. roxas. acrescentávamos: "Se precisar de nós. Em algum ponto dos acontecimentos. Embora eu a interrogasse. mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. Era realmente uma escola linda. jamais. Tudo em Carrie me preocupava. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola. preocupada. tentando adivinhar o que a perturbava. olh os tímidos e baixos. mas Carrie não me dizia o que e ra. Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris. Esta. Carrie passava os fins de semana conosco. com os olhos baixos. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. Eu adoraria estudar numa escola como aquela. Sissy tinha cabelos cor de tijolo. A Srt a.e foi uma pista muito evi dente: .Não estou infeliz . era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave . . que logo murchav am e morriam. Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola. adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. chiffon esvoaçante. que se chamava Sissy Towers. mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. as colegas ou as professoras.quanto minha e de Chris. vozes bem moduladas e discretas. preferindo-as às flores reais. um tanto apática. Por mais que tentássemos.

O sol era o que Cory mais desejava ver e agora. circo. indesejáveis e detestados. E naquele dia.. o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros.Estão vendo? Ela não tem língua! . anã. O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . assim como para Chris e para mim. até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo.qualquer que fossem as conseqüências. . desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. com um gracioso avental de organdi por cima. bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s. ... começando a chorar. Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o.. Sissy Towers adorava o amarelo.Deixe-a em paz. Depois. Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. dispa-se. a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico.Vejam o que me deram como colega de quarto: u . as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s. . .replicou Sissy com uma risada. de tamanho n ormal.declarou Lacy St. pulando no mesmo lugar. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie.cantava ela num refrão. pulou para a tampa de sua escrivaninha e.. O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos. fazendo-nos sentir perniciosos.. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados. que olhou para Carrie com piedade e simpatia... puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. . Para ela. passou a gritar: .. anãzinha? Vamos. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais..livre antes do jantar às cinco e meia. .Acho-a bonitinha . Entretanto.Você tem língua.proclamou Sissy. sensacionais cabelos l ouros e. fez uma pirueta e abriu os braços. . .como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. cutucando-a com a ponta do pé. Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado. aquela cor se tornara detestável para nós .Carrie devia estar no circo.. Então. Carrie estava na terceira série. enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: . Carrie encolheu-se ainda mais.. .Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes . . Sissy. exceto uma menina de dez anos..Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula. Vejam como chocalha.. o que era de causar uma pena infinita. Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa. ela nunca diz nada..Agora. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado. conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. anãzinha . com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado.ordenou Sissy.. O assoalho permaneceu sólido e duro. com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura.Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe. . O que você e stá fazendo não é bonito.Claro que não é bonito! . seu unif orme era de tecido inglês amarelo. anã. sem parar. garotinha dos olhos grandes. .Carrie é anã.insistia Sissy. Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros. .Vejam como ela treme. Oh! sim. que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não. Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas. John. Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. circo.

atormentando Carrie desta maneira! . .Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle. Girando sobre si mesma.quis saber a Srta. Sissy sorriu nervosamente. Uma delas. Usando roupões de banho.Acho que você é mesquinha. Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo. faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você. Dewhurst. dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto. ficou repentinamente imóvel e calada. Horrorizadas. num vestido de gala vermelho . se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam . Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy. Tudo foi culpa de Carrie. comandou: . observando. . Começou a gritar. meu pai é mais rico que o seu! . Srta. Dewhurst. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. Erguendo a voz tonitruante. Srta Longhurst! .Quer brigar comigo? Vamos. Dewhurst. Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz. Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. maldosa e ruim.. com o busto prestes a saltar do generoso decote . as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras . Longhurst. Todas menos Carrie. ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. . Diga-me o que preciso fazer. os olhos fechados com força.e. enquanto a Srta .Controle-se. numa atitude protetora.Foi ela quem começou tudo. Naturalmente. Eram oito horas da noite. . Srta. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto. famosa por não ter complacência em casos de tumulto. Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional. mordendo.Não há homem algum aqui dentro. com ar de culpada.Repita o que acaba de dizer. Deixe-a em paz. a Sr ta. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos. que continuou a berrar. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. o homem? . . Então.Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto.as professoras correram em direção ao t umulto. as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. . puxando cab elos. . Intimidada. .ordenou a Srta. Dewhurst. Towers. Longhurst: . negligés . como Carrie. manc hando de tinta a página do livro de registros. a Srta. que não eram raros. davam pontapés. que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia. Ela é como um neném.Vamos. Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. rasgando roupas .Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça..e até mesmo uma delas. Sissy. aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta.quis saber a Srta. o rosto arranhado por unhas. rolavam atracadas pelo chão. Sissy pisou com força o pé de Lacy. depararam com uma cena apavorante. pior que tudo.ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie.Onde está o homem.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera. não me sinto bem mora . a professora que u sava o vestido de gala vermelho. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então. Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo. . limitava-se a gritar.e acima de todo aquele barulho. Longhurst. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. Lacy St. Todas se calaram. John! Além disso. Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal.Por que essa criança está gritando? .re plicou Lacy. enquanto as o utras se mantinham afastadas. as outras gritavam. . arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se. Isto já basta.

Ener vei-me. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. Dewhurst. no quarto ao lado do meu. e a Sra. E nossa avó fazia coisas terríveis. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos.Claro. ficará alojada no a ndar térreo. Cathy. De agora em diante. Carrie reduziu os berros a uma lamúria. portanto. Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i. John. ao mesmo temp o. tomou a palavra para con cordar com Paul.Francamente. Dewhurst encarou friamente Sissy Towers. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . . usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. não pode explicar o que aconteceu? Agora.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. estendida ao comprido no chão. Ela estava bem! Tinha que estar. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens. estava sozinha e consciente do fato. . O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. até que finalmente a Srta. saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. Towers. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado. Paul. Não consegui afastá-la do pensamento. Quando fechava os olhos. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. realmente.A Srta. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto.disse ele. pousando o garfo no prato.Quanto ao resto de vocês. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e. . Não obstante. .É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana. temi. cada uma se apresente à Srta.berrou Carrie. correndo o olhar pelo quarto. continuou balançando a cabeça de um lado para outro. As alunas soltaram gemidos e.Srta. A Srta. castigar as outras. controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta. bem como seu lindo e . onde poderei mantê-la sob vigilância . Agora. Agora.Srta. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora. e surda. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. M esmo que se limite a gritar. Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem. via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. . .. E. também! . Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. preocupei-me por causa de Carrie.Srta. Chris.o Sr. era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas.. . que chegara para passar o fim de semana em casa. . retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa. uma por uma. Parkins. d e algum modo. Dewhurst ficou emocionada e confusa. Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul. . Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre. Cathy . A Srta. portanto. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. não tend o a seu lado alguém que a amasse. numa atitude histérica. Só quando a Srta. Por favo r. sendo Carrie uma delas. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim.Eu a odeio! Eu a odeio! . Dollanganger. inclusive a bonita Lacy St. Carrie ergueu os olhos. para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela.Sinto muito. Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. não é justo castigá-la também. embora você não concorde. você é excepcionalmente cruel. Na sexta-feira. pode deixar qualquer pessoa maluca. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você. a menos que me responda. Dollanganger. É pequ ena demais para poder causar algum problema e. sem parar. atendi o telefone quando a Srta. agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar.declarou a diretora. eu respeito a Srta. não visitará sua família neste fim de s emana. Littleton.

desta noi . pois ela seria melhor que ninguém.Mas importava-me muito. como você. mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. Não gosto do escuro. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. Então. além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos. através de outras pessoas.e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão. Se sobreviver a esta noite. já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. sem conseguir enxergar direito. entrara m no quarto de Carrie. Senti-me rígida.. Cathy . E eu ali sozinha. Parkins à direita e à esquerda. Formaram um semicírculo diante de Carrie. E odiei você. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. No escuro. Insistia em fazer-me sentir corajosa. Cada uma delas trazia uma vela acesa. aconteceu-me uma coisa esquisita. Se for bem sucedida. Embora não devesse fazê-lo. apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. não o era. Doze meninas. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito. e o quarto parecia tão grande e ameaçador. Fui para um canto e agachei-me lá. muito depois de meia-noite. transformando-se em paus. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar.lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito. e a Sra. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. Clara . Mas quando olhei.só que. Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. mas. . A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas . acendi uma lâmpada. Carrie Dollanganger.Eu dizia comigo mesma que não me importava . . Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. Para Carrie. na realidade.querido bebê. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama. Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e.Não chore. . Cathy. Foi Lacy St. já mergulhada num transe de pavor. Assim. Todas as minha s bonequinhas desapareceram. todas aquelas meninas de camisolas compridas. passando por esta iniciação. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa.disse-me ela mais tarde -. Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele. . e a Sra. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita". . multiplicada uma dúzia de vezes! .disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. Depois. com Clara entre eles. como se eu também tivesse virado madeira. Paul desejavam. Chris e o Dr. desta feita. tomei conhec imento do que aconteceu a seguir. não tema . veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz.Então. tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto .Eu sempre guardava o Sr. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta. mas só quand o a Srta. Paul levar-me para aquele lugar. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava.Estava tão escuro.sussurrou-me Carrie com voz embarga da. Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias.E. quando olhei não encontrei o bebê. à espera de que algo de ruim acontecesse. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. Carrie escutava as meninas sussurrarem. . tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. fantasmagórica inuava encolhida no canto. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. na última gaveta da minha cômoda. passeando nos jardins com Cory e Papai. você. pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. Parkins. mas. Cathy.. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer.

qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie. . Debatendo-se.Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. perto da chaminé. não as queremos. Então. de nossas festas secretas. dei um jeito de esgueirar-me para dentro. Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. De repente. . Paul. também. ou morrer! Escolha. Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado .Não tenho nada! . emitindo leves gemidos. foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. E Cory se foi. muito mais tarde. e de manhã será uma de nós. Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se. as meninas tinham-na amordaçado.ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível.e Cory continuou a cantar o tempo todo. pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo. pa ra tornar-se uma de nós. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. P aul gemeu ao pousar o garfo.Muito bem. parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. você.. Dói-me relatar como elas pegaram Carrie. . temendo que lhe ateassem fogo. à luz do lua r. .berrou Carrie. vendara m-lhe os olhos. já frenética. .Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas. Foi uma decisão fácil. Entregue-nos as boneca s: o homem. corretam ente.Agora. por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando.Cale-se! . .. .murmurou Carrie. . Em seguida.Fique aqui pousada no telhado. que dava a impressão de me morder. O domingo amanheceu. a mulher e o lindo bebê.ordeno u a mesma voz ríspida.te em diante compartilhará de nossos rituais secretos. sofrer! . Paul. galgando em seguida uma íngreme escada. Não cons eguia ver ou sentir nada. o que foi ainda pior.Desapareceram! . sentada e deslizando sobre as nádegas. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. corujinha. . agora terá que sofrer.Ohhh! . com toda a franqueza. que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol. como uma coruja bem comportada . Pelo relato entrecortado que me fez do episódio.sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando. As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais.gritou Carrie.Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! . que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima. . nem mesmo escutava o barulho da chuva. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu.gemia Carrie. Cathy! . sem produzir som. Então. de nossos tesouros secretos. emergiram ao ar livre. os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos . Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar. rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. quando o telefone tocou no corredor. Car rie sentiu o ar fresco da noite. .será uma de nós.ordenou a voz auster a.Suas roupinhas de criança não nos servirão.Entregue-nos o que mais preza. .Chris! Venham salvar-me! Dr . sofrer.As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana . Desta noite em diante. as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado . ou terá que sofrer. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão.Oh! Cathy. uma voz suave e distante. . . . Senti uma dor terrível. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. manietada e com os olhos vendados. que devia ser comido imediatamente. deite-se ou sente-se quietinha. Progredia centíme ro por centímetro. amordaçada. a chuva começou a cair .Cathy. Gemi. ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or. transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho.

dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: . chame imediatamente o Dr.P or favor.Pare de ficar tão preocupada. está escondida e não quer responder. Eu disse tudo errado. Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta. sua irmã não foi encontrada. passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. . ferida. Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. Meu irmão trouxera sua mala. nem mesmo quando Cory desejava.exclamei. Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite.quis saber Paul num tom feroz. causando-lhes preocupações. não chore. para os serviços dominicais. eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa. Segurava-me a mão com força. inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie.Você conhece bem Carrie. Chris beijou-me o rosto. Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa.Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas. Mal consegui conter um grito de aflição. já teria chegado aí há esta hora. Aos domingos.. .Srta. Williamson.respondi. Se ela não está aí nem a . lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo.Quero realmente provar seu so ufflé. Enviei uma professora ao quarto de Carrie. A diretora replicou com calma: . . espremida entre Paul e Chris.Pois trate de comê-lo . mas esta não se encontrava lá.indaguei com voz sumida.. sem fazer comentários. . Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se. de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam . Meu coração ficou aos pulos. enxugando-me as lágrimas.disse ele. Provavelmente . a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie. Se Carrie tivesse um carát er diferente. Peguei o telefone.Sinto muito. Mas ela não me deixou terminar. on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. Cathy . do porão ao sótão.. Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco. . Sheffield ao telefone! . a irmã de Carrie. Ainda assim. Ela está bem? . as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela. .. Dewhurst! . mas devo dizer que não sabemos onde ela está. . já alarmada. não respondeu.Você e o Dr. Esbugalhei os olhos. Mesmo assim... a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . pois é quase meio-dia. vamos. Então. e e u perguntei onde ela estava.Residência do Dr. Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone. Paul riu baixinho. . Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo.Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra. Carrie está bem..disse a voz ríspida na outra ponta da linha.Aqui fala Emily Dean Dewhurst .Onde estava ela? . sentindo-me aterrorizada. Eu estava sentada no banco dianteiro.Srta. Sheffield devem vir aqui imediatamente! . temendo o que viria em seguida. Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. Chris continuou a comer. . Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial.Aqui fala Cathy.. Paul Sheffield. Ela não fugiu. Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha. ou sofreu algum acidente.Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer. Ambos me fitavam com crescente inquietação. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas. .Incomoda-se de atender. ou está perdida.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada.. . e . ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola. .Como vem dizer que não sabe onde está a menina? .indagou Paul. . recebíamos a notíci a num tom indiferente. Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu. Dewhurst. . Tem muito medo do escuro.Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso.Agora. Cathy? . levantando-me de um salto e correndo para o te lefone.

mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. . mas Se não quiseram fa lar. Natur almente. Verifiquei-a pessoalmente. assegurou: . a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio. virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to . afinal. que me fez encará-la fixamente. Este era forrado e apresentava um volume sus peito. a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas .Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? . de modo injusto. vestidos bo nitos . que afirmam nada saberem a respeito. Emily Dean Dewhurst. Dr. ninguém tortura minhas meninas. . Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul. E Carrie estava na cama.quis saber Paul. a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. A Srta. .ncarando friamente a Srta.Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta. impaciente. Enquanto subíamos a escada. não entendendo a presença dos gravetos .Você aí . Sheffield. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião. O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado.a colega de quarto. ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. . Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho.disse eu. tentaria fugir de uma escola que.declarei atordoada. Então. Todos os pequenos uniformes de Carrie. inquieta . Dewhurst explodiu: . Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim. Verificamos os quartos todas as noites. Talvez fosse apenas o olhar.Meu caro jovem.declarou a Srta.Procuramos em toda parte! . nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os. . mas andava de um lado para outro. Dewhurst.Até onde consigo perceber. Quando. mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso. mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola.tudo. Imagino que saibam. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana. o que posso eu fazer? . jamais aconteceu antes algo semelhante. aliviada por escapar à fúria do médico. chegamos ao quarto de C arrie. Só faltavam as bonecas de porcelana. Nunca perde mos uma aluna. Dewhurst. cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir. Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie. feitos so b medida por Henny. . Mas eu não era Carrie. Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie. embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". não é? . . tomei a palavra. saias.As bonecas não estão aqui . me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie. lá estavam guardados com os suéteres. se eu tivesse a idade de Carrie. Paul Sh effield. Dr.Na verdade. ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas.Nós a encontraremos. Por algum motivo que não sei explicar. blusas. . Chris virou-se para fitá-las com uma carranca. várias alunas vinham em nosso rastro. desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. Ora.É a colega de quarto de Carrie. A Srta.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida.

eles tinham esperneado e berrado. empoeirado e escuro. Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr.Srta. . E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia.Carrie. ela teria que passar so bre o meu cadáver! . enlouquecidas pelo medo. Dewhurst.O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? . eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão. Parkins e o bebê. E.Suas? Pertencem à minha irmã! . Enquanto ela gritava e resistia. Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado .O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim.disse eu à Srta.Roubou estas bonecas e o berço do bebê. não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado. apertando raivosamente os olhos penetran tes. John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse.É mentira! .. . concentrando-me totalmente em Carrie. . Dollanganger! .perguntei. encarando-me raivosamente com ar desafiador. curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers. saiba que sua irmã diz a verdade. Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie. .Uma bolsa bem grande .Carrie! . Chris. como crianças desvairadas. mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela. . Onde.Sua diabinha mentirosa! . quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall.disse Sissy Towers.Agora.chamei.disse a ruiva. Paul. embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes.advertiu severamente a Srta. o mais alto possível. e Sra. onde.É minha bolsa . Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos.Responda à pergunta da Srta. Queremos levá-la .As bonecas são minhas! . postando-me diante dela em atitude ameaçadora. Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto.Sou eu. quase fora de mim. Para pegá-las.murmurou a garota.explodiu Sissy.Srta. avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela.Srta. . como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me. se consegue escutar-me.Quero procurar pessoalmente no sótão . C errei as pálpebras com força. . louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido . As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados. . agredindo-me. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo. Foi então que Lacy St. colocando a mão atrás das costas. . Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada. Do lenço caíram o Sr. .qualquer telhado! Voltei ao passado. Clara. Dewhurst. Contudo.Era . quando entrava em estado de choque. onde ? Então. onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro. Towers! . . abraçando-a p elos joelhos.e depressa.Onde está minha irmã? .Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: . indaguei: . Dewhurst. Eu podia sentir isso.comentei. chame-a você também.berrou a moleca. .Meus pais me deram essas bo necas no Natal! . Carrie precisava de auxílio . mentalmente. usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul. Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy. sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie. Dewhurst! . Tinha certeza. onde não existiam sons. não conheciam Carrie tanto quanto eu. a fim de crescerem normalmente. Carrie estava ali. Num gesto repentino. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira. Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: . .Não é da sua conta! . Proteg i as bonecas.respondi. Entretanto. mas nunca o revelaria. Segurando as três bonecas.

uma professora gemeu e começou a rezar. Carrie ag arrou-se a mim. suja e en sangüentada.Não estamos tão ma l.como buscar.Carrie. escutei o Dr. aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna.depressa e com força. Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz. Paul nos seguiu em seu carro branco. sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama. portanto. Conhecíamos sótãos . faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. S entamo-nos no mesmo banquinho. pois ainda er a suficientemente pequena. comparecendo a festas. vendada e manietada. como encontrar. Não se incline para a direita ou para a esquer da. . enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte.A perna parece quebrada. fiquei junto a Carrie. erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim. Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes. entendo que não poderia ser feliz na escola. Cathy! Então. enquanto o Dr. Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados. num ângulo grotesco.Diga-lhe que a perna vai doer. Rastejarei até aí. P aul gritar: . Também ainda estava vendada e amordaçada.No jornal de Greenglenna. Nossa mãe é uma notícia quente. Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel. venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. estavam as três bonecas de porcelana. Não l he mostrava todos os recortes. faça exatamente o que digo. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal. piscando porque a luz lhe feria os olhos. Uma pessoa adulta não o conseguiria.quis saber ele. Bem à nossa frente. Mais uma vez. Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie. Paul planejara para todos nós. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas. segurando-me pelos ombros quan do eu. escutou o que disse o Dr. avistei Carrie. fiz menção de correr em socorro de Carrie. com Chris nos calcanh ares. a fim de segurá-la por baixo dos braços. Corri naquela direção. Era incrível que Carrie. E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra. planejei o modo de agir. . Pensei que você fosse gostar daqu i. O Dr. Carrie. enquanto os caixotes tremiam e balançavam. . de modo a não arranhar o ros to. ele puxou . irritado. Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. Paul tratará de sua perna. . Em meio à confusão. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira. estava na Riviera francesa. Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie.replicou ele. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie.Meu Deus! . retirando-lhe a venda e a mordaça. Quando segurei Carrie pelos ombros. Desculpe-me. procuro esquecer! . Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar. Em seguida. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. . Em algum lugar atrás de mim. Paul desatava os nós que a manietavam.acautelou Paul em voz baixa. sem pensar. o berço do bebê também estava faltando.definitivamente para casa.Onde arranjou isto? . Paul? Sua perna doerá. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont. você sabia? .sussurraram Chris e Paul a um só tempo. A culpa era dela . Os cabelos louros brilhavam na luz difusa. toda rasgada. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie.Espere um minuto . . odiei violentamente Mamãe. Mantenha a cabeça erguida. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí. Enquanto falava.Ao contrário de você. . ainda de camisola. chorando de dor na per na. impedindo-nos de viajar para o Norte. Foi então que me lembrei: agora. A perna de Carrie estava torcida sob o corpo.Carrie. Mas eu poderia chegar até ela. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr. exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás. Veja aqueles caixotes. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora. com sorrisos fixos e corpos rígidos. . . Carrie. Agora.Agora. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam. .

. enquanto eu continuava a soluçar. Privada d e amor. que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. Eu queria que se fosse e. você não a ama mais.. o boneco médico. Naquela noite. Ele m al conseguia conter as lágrimas. Como era tão belo e forte seu jovem marido . . ao mesmo tempo. Sra. Dos que já não lhe pertencem. E u nem mesmo notara o fato. Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s. . E espero que todos os seus futuros verões. creio que poderia existir esse risco. Como me recordo de sua lua-de-mel. primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões.alto. chorando-lhe no ombro. Parabéns e meus melhores votos de felicidades.Ora. Cathy. Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse. Winslow. Winslow. Contudo. Entretanto.indagou. Foi um verão maravilhoso nas montanhas. era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. agarrav a-o com força. porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim. Chris beijava-me com ternura. E stava lá fora. primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. Cathy.Ora. Chris me odiaria por fazer aquilo. era apenas uma semelha nça superficial. na varanda. sendo "quase" médico. a boneca bailarina. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! . No entanto. eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. ela não cresce muito.Você a ama! . deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama. perguntei: . . . E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. desejando tê-la de volta. você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso. colando-lhe o tecido à pele. a boneca que reza para crescer e o boneco morto. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade. Era sábado e Chris estava em casa. resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. invernos. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo.que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia. Chris era exatamente como Papai. Toda vez que olhava para mim . Quando consegui falar. As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça. . trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas. ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia.Chris. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão. de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. admirava as de seu marid o.repliquei furiosa. de sol e de liberdade. por que as lágrimas? . tão refre scante e agradável.Naturalmente. Abraçamo-nos. não é mesmo? Ele hesitou.Se ela crescesse como uma criança normal. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento. o que me fez o sangue ferver de raiva. não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. invernos. meticulosamente.Como consegue.exclamei. eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo.

três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus. beberica ndo vinho. não se preocupe com os out ros. Senhor Deus. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração. Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo. pois dava importância . Chris e eu. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. comparando minhas proporções físicas com as suas. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga. faça Carrie crescer! Por favor. Chris. E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos. Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. Então. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. .ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa. E você tem a nós todos. de onde ela voltasse para casa todos os dias. . h ostilidade e ridículo. certamente o faria de bom gra do. dava-lhe minhas preces.Eu não presto.chorava ela com o rosto enterrado em meu colo. Em lugar disso. Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura. Eu estava na aula de . permita-me crescer um pouco mais. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta. . por favor.Pare com isso! . .. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe.Gostarão. Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. Cabelo de Anjo. .e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. afinal. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. Logo setembro chegou. ela recomeço u a andar tão bem quanto antes. Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã. Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais. me u Deus.Estava apenas procurando reconfortá-la . por ser o que sou. Muito pelo contrário. Olhe para baixo. E nem mesmo gostam do que tenho de bonito.Por favor.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus. com as mãos unidas sob o queixo. Cathy! .Cathy .Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca. mas sempre ficava de f ora. Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa.Cara de Boneca. por favor. . você aí. já sofreu tanta coisa! Seja bondoso. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. mas só topava com desconfiança. Por favor.Ninguém gosta de mim. Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que.declarou com voz embargada. e rezar de cabeça baixa. a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. Veja-nos aqui. Mais cedo ou mais tarde. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos. . Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo. Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados. Minha mãe de v erdade. Ei. baixinha . mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade. perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa.dizia-me ela. Quando o outono se aproximou. passou-se novembro. Portanto. amedrontada e chorosa. .Ninguém g osta de mim. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado. Portanto. Acima de tudo.E. mas sentia-me impotente. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão. que a amamos e admiramos. Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo. Não se transf orme num monstro. Depois. Ao fazêlo. meu Deus! Ela é tão jovem. . magoa-se tanto .

Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada. ela se to rnava a sombra de Henny.Eu lhe respondi que. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r. de ombros caídos e cabeça baixa. Eu lhe falhara. tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava. Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges. Ora."Tenha paciência querida. brincando com suas bonequinhas de porcelana.aqueles grandes ol hos azuis. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar". onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. se fosse possível. Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. se as recebia. vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. De rep ente. . Suspirei. em especial . Durante as férias de verão. mas sensacional. Às vezes. pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. das sete da man hã às sete da noite.Carrie se aproximou de mim. parou de reclamar do próprio raquitismo. tornaria a partir para a Universidade de Duke. Madame. no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse. Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas. Quando eu saía. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. para torná-la mais comprida. tinha notícias. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle. Quando estava em casa. Chris arranjou emprego como garçom num café. Em agosto. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta. enquanto ele prosseguia: . Necessitava de uma companheira de sua idade. Outro ra. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional".A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . eu julgava. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. muito tristes e desolados . "A Sra.replicou ele com voz tensa. Cathy. riqueza e felicidade.Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO. Mas seus olhos . . Agora. bondade e compreensão. A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde. E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente. Ced er-lhe-ia parte da minha altura. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra. Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. . Com o t empo. maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. preferia não respo ndê-las. que não lhe fazia justiça . seria um processo muito doloroso. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. se tivesse tal máquina. crescerá mais. recém-reformada. ou. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna. mas não cons eguia encontrá-la. Todas as noites.Estou procurando . de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. mas isto não ocorreu.perguntei a P aul. Carrie gastava o tempo andando no balanço. . Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. sem zombar ia. poi . redecorada e mobiliada. Você está mais alta que quando chegou a esta casa.balé. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow. Eu tinha certeza de que ele respondera com amor. .revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua.o que era raro.

para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. também. vi-lhe o perfil. ousei arriscar-me muito. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte. Era uma das mulheres mais ricas da região e. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. à minha frente. Seria gostoso. ab raçá-la chamar-lhe o nome. gostaria de fazê-lo.e o que faria eu. É claro que não podiam. sem um único sobrevivente para explicar o motivo. descontro ladas. não estava pendurada num cabide. evidentemente satisfeita. Eu procurava minha mãe e esta. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar. tive vontade de correr para ela. Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. tão cultivada e aristocrática. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. voltei a atenção para o marido. Poderia também passar-lhe uma rasteira. Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante. Minha mãe assassina. no século XVIII. Contudo. Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado. e observá-la perder a pose e a dignidade. certa mente. Minha formatura seria no final de janeiro. mas eles não se voltaram para ver-me. Em Greenglenna. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo. d e repente. que ainda desej ava uma mãe para amar. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava.. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. Minhas emoções turbilhonavam. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. pois outrora eu a amara tanto. fazendo-a cair. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. Chris partiu para a universidade em agosto. Depois da Revolução. eu estudava como uma louca. certamente me avistaria . Não a abordei. encontrando a colônia abandonada.. Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. Por que. Naquele dia. os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. vieram também da Inglater ra. deixando o rosto inteiramente à mostra. Os dias de outono se escoaram com rapidez. Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua. A voz dela era doce e suave. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. de modo a ficar bem atrás deles. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes. A linda mãe a quem eu tanto amara. e. Ousei aproximar-me. uma das mais afortunadas. Suspirei. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. Ainda não era rica ou famos a. como Carrie. absorvendo seu tipo especial de beleza . naquele caro costume cor-de-rosa. Se ela virasse a cabeça. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. Ergui os olhos da página e fitei o espaço. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. Oh! meu Deus! Minha mãe. Quando me far tei de olhá-la. Então. Que estranho! Atualmente. avistei na calçada. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. confiara tanto nela.

Tão logo aquele foi para o forno. Uma ja mbalaia crioula com camarão. para vari ar. carne de siri. Enquanto os seguia.inclusive o aparador. está desfeita em pedaços! Sumi u. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas. Naturalmente.Chegou bem a tempo . Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . de safiando o destino a permitir que me avistassem. contudo. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço. num tom de voz que me levou de volta à infância. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul.disse ela. carregando seu presente. As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. Quando terminei. Estavam em Greenglenna. cebolas. Então. Encontrei Henny na cozinha.Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário.Só poderei ficar até às nove horas. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos. num corte moderno. Então.viril e felina. . Lembrou-me um pouco Julian. estragaram muitos dos meus planos. Mamãe! Agora. eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais. . sumiu.Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . eu me desforraria . Então. sentamo-nos todos. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos. Posteriormente. Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa. Tola.Adorei aquele aparador que escolhemos .Cheguei atrasado? . era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. . . Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala.de uma maneira que não seria prejudicada. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre. sumiu! Então. .absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. Algum dia. O primeiro era úmido e macio. odiando minha mãe e admirando seu marido. Naq uele dia especial. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . Acompanhei-lhes os passos. a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade. enrolei-o. Mais. comecei a chorar. pimentões verdes. Henny movimentava-se atarefadamente. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos. assim como os pacientes. como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. ajeitando os apitos. Oh! sim. comecei outro bolo. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. que eu provavelmente não tornaria a preparar.indagou ofegante. Quando as horas se passaram e Paul não chegou. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente. . Já não usava o basto bigode escuro. cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. c om um furo no meio. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. . arroz. ele obedeceu sem protestar. Lavei o cabelo. alho. Seria mais que um simples espelho quebrado. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio. Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro. a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa". morando na casa de Bart Winslow. cheia de planos de vingança. um homem veio colocar outro espelho na moldura.respondi afobada. quando ele nunca mais voltou para casa. Um prato complicado. voltei para casa e esbravejei diante do espelho. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome.

Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo.Meu vôo atrasou.E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno. enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno. Em seguida.. agora.murmurou. como se pedisse desculpas.começou ele a explicar. Tenha piedade de mim. eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns. . corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco. . escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. .Portanto. .Está com uma aparência absolutamente exótica . Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos. Comemos devagar. Semanas mortas.A respeito de quê? . depois de soprar as velas. Chris teve que ir embora.Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe . .Em primeiro lugar. Henny bocejou e foi deitar-se.Ei!.O champanhe é presente de Chris . Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. . alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios. Paul.muito longas. Estivera fora de casa durante duas semanas long as . Ele veio pela p orta da cozinha. Não posso controlar as c ondições atmosféricas. assistindo à televisão. Descerei dentro de dez minutos. . Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. Terminada a refeição. com três horas de atras o!. restam os apenas Henny e eu. d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê. Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet. aquecendo os músculos antes do café da manhã. .interrompi. . Agora.Se você ainda não comeu.indagou Paul. Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir. Carrie começou a bocejar e reclamar. lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa.Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida.pois aquela era a idade que ele aparentava para mim. carregando as malas que levara consigo para Chicago. Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata. Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir.Estou faminto . deve ter custado caro. A certa altura. . Em dez minutos ele tomou banho. Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz. a idade qu e eu queria que ele tivesse.. À luz de quatr o velas. Entretanto.redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso.disse Paul em tom humilde. ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens. Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas..Afinal.Uma boa safra. Então. . Fiquei sozinha.informei. especialmente decorado em vermelho e roxo. tomei lugar à esquerda de Paul. mo strava-se completamente refeito. . minha festa estrag ada. . Em cima do bolo. Cathy.. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa. Às dez horas. mas chega agora. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado. se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso. ataquei-o raivosamente: . por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora. Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão.Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto. andando pela sala. a salada começava a murchar. . fez a barba e vestiu roupas limpas. Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo. . preocupando-me. Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes... . exclamou.O que acha? . Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. sentamo-nos à comprida mesa de jantar.

Muito obrigado. Catherine. descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. apertando as pálpebras do s olhos bonitos.. . Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas. com os olhos brilhando. espantado e impressionado. cheia e sorridente. obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir. ficando vermelha como meu vestido.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar. Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. ela não chega a ser bonita. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas . Ele não notou as lágrimas. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante. com vinte e nove anos de idade. .Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. lançando um olhar ao relógio. manchando a maquilagem. dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas.Do meu bigode. diabo. muito belas em sua fria e perfeita nudez.Fica bem em você. sabe a respeito dela? . respondi: . quando Paul começou a abrir os presentes que Chris. Entretanto. de Rodin. . Paul Scott Sheffield. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles . Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero. Ora. dominava o panorama. enquanto eu estava bem sob o nariz dele.gag uejei outra vez. você diz que me fica bem. não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. onde o Beijo. As lágrimas transbordaram-me dos olhos. contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris. . é claro que você notou..A noite está bela demais para irmos dormir . onde todos os clientes possam vê-la. E flerta com todos os médicos. Faz meia hora que não tira os olhos dele. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. por considerar-me tanto. Deixei-o a rir.Sinto vontade de passear no jardim ao luar. . Então. .grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade.É porque. de mãos dadas com ele. desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode. Tudo me parecia azul-prateado e irreal. Portanto.quis saber Paul. Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito.disse Paul..Está zombando de mim. Vou pendurá-la na parede do consultório. a o qual homem nenhum consegue resistir). . .. . os degraus de mármore. Não obstante.É bonito . Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes. caso você ainda não tenha conhecimento do fato.declarou. tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos. Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade. com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos. a quilômetros de distância de Paul. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . mas três horas de cuidadosos preparativos.exclamou Paul. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária. cheio de encanto e sedução. É uma expressão muito fraca. Catherine . exatamente como Chris costumava br incar comigo. Catherine. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra. . naturalmente.gaguejei.Como. . atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer.Que linda obra de arte! . Que possibilidades tinha Thelma Murkel. Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul. mal conseg uindo manter-me alerta. A mágica impressão era causada. E agora. Na minha opinião. a lua grande e brilhando.. c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me. ne m o lenço que retirei do decote do vestido.Ora. deixando o presente de lado. ele deveria saber: mexericos.

Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento. Sem a menor vergonha. E quando danço com ele. . resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu.mas balançando-me co mo uma louca. fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. eu não me machucara.Catherine.É . . ofegante. pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem. quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos. seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados. mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos. tapando-me o rosto e deixando-me cega. mas não tiv e dinheiro suficiente. . . . Paul gemeu baixinho. . Portanto. mas creio que v oltará na próxima. às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. Não. .Não sou enigmática.É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar . queixo..provocou Paul. temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno. Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer. .indaguei espantada. . . Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir. Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras. para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada.. baixinho. com tanta violência e abandono. trazendo-me bruscamente de volta do passado.disse ele. apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa. tão e mpedernida.não com você! Palavras inúteis. Balancei-me tão alto. . . que minha saia se ergueu com o vento. beijando-me antes que eu pudesse responder. às vezes não.Catherine. Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us...indagou. Suspirei. enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado.Paul. beijei-o demorada e profundamente na boca. Catherine . Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer . estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes. tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as. caí bruscamente! Paul correu para mim. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas. ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços.Você é apenas uma criança. . Comecei a balançar-me. pescoço. você é totalmente feminina.dis se Paul.Às vezes desejo a companhia dele.Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o. estava aqui. .Está em Nova York esta semana. que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços. enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas. Libertei-me dele. cada vez mais rápido e mais alto.Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? . ombros e colo. Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso. . . Fica esplêndido naquelas roupas. Pare de dar respostas enigmáticas.Já reparei nisso. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo. cheios de desejo. a próxima semana pertencerá a ele e não a mim. A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar.Depende.gre. .Tudo isso depende.O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta. rosto.Oh! .. Tonta.Catherine . Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo..disse Paul. par . Por outro lado.disse Paul. . . livre no mundo normal . Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha.Então. Agora.Tem cabelos negros e brilhantes.Machucou-se? . . Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos. corri para o balanço e sentei-me.De quê? .Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário. . Não podemos permitir que isto aconteça. Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: ..Julian? . Era bailarina e sabia cair.concordou Paul..

Paul colocou-me sobre sua cama e. você me ama e me deseja. sob seu corpo. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. já sem ternur a. sua perna pesada se apoiou na minha. afinal. daquilo que eu certamente não lhe negaria.. Chris o lesse. .Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. ter agido de forma diferente. Portanto. E eu mergulhei em seus olhos. provocando uma sensação agradável . o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado. qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. tão desejável. tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim. fitando o teto com lágrimas nos olhos. vir! Então. . abraçados. Ele gemeu.Você é tão bela. vagamente marcado p ela satisfação. ou ouvira sinos tocarem. Oh! Seria uma felicidade. sob as estrelas. não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente. Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada . começou a fazer-me amor.. Se me amasse menos. agora relaxado e pacífico. até que.Explique-me uma coisa. Então. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. O luar iluminou-lhe os olhos. Não está arrependida. Nunca cheguei a ler o texto. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo. Nenhum de nós falava. refleti enquanto desejava mais. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer. apoiado num cotovelo. vir. Paul. A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. no quarto ao lado da cozinha. Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. estará mentindo. E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha. Christopher Doll . tão jovem.agora. Subiu cuidadosamente a esca da. Então. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele. eng olfando-nos como uma onda de maremoto. embora.Catherine. há muito tempo. por favor. a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. . afinal. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. . Estava tudo estampado em seu rosto. Juntamos nossas peles. Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . Por outro lado. apenas nos tocávamos. o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir. Pensa em mim como se eu fosse uma criança. ou sentira-me explodir . As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. À distância. Se disser tal coisa. está? Espero que não desej a. E agora. apenas com o olhar. .Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo. você fica aí deitada. ou justamente o contrário. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. com esses in ocentes olhos azuis. Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. a princípio. mas faz muito tempo que cresci. Sei que você me amará como desejo se r amada. o bservava-me com ar sonhador. porque. Como era fácil para os homens.a dizer-me agora que não me quer. Aninhei-me de encontro à sua pele nua. fazendo o que me era possível. No meu modo de pensar. gemeu e não resistiu mais. . meu amor . mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava. fazendo-os brilhar. pois eu o amo e isto me basta. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo. Fiquei acordada. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara. mesmo que se recuse a confessar.como ele sentira.conseguiu dizer. eu não me importo. havia um livro. afogando-me neles . Não precisa amar-me. mas limit ei-me a ver as fotografias. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer.Bem. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse . Adeus. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. Afastei do pensamento o que pensaria Chris.

Faço . .Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! .talvez com Th elma Murkel.de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças. Apresentava todos os sintomas. na defensiva. vou fazer a barba .disse ele. Catherine.respondi. e voltaria aos velhos costumes . quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal. uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua. E eu amo Paul . Nos dias de folga de Henny. Com que falta de convicção ele disse aquilo. Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu.Não! . . . sabendo muito bem que procurava protegê-l . Chris ainda teve mais alguns dias de férias. com suas arengas a respeito de malícia e pecado . . por êxtase imorredouro. afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama. eu lavava as roupas de cama. . por não querer que Chris me considerasse pecaminosa.como os seu s. tornava tudo dez vezes mais excitante. com os olhos sonhadores vendo estrelas . Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor. Estendi os braços para puxá-lo de volta.Porque não sou como você.Paul pigarreou. Estávamos à mesa. por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? .Não! Por que não trata de esquecer o passado? .assim esperava eu . Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. que eram duplicatas dos lençóis sujos. . Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to. embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. Mas.Claro que faço.Por favor. Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul. Não obstante. Ansia va por paixão perene. peremptório. No final de janeiro. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul. Não me restava muito tempo. Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: . Agora. no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. não me faça amá-la demais . como se tive sse medo de que isso acontecesse. . quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos. depois. para não nos trairmos. Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall. Todavia. Falando sério: você não faz a mínima idéia? . eu terminaria o ginásio . Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar. Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. eu me sentia esquisita em relação a Chris. serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se.Em primeiro lugar.Cory pode ter morrido de pneumonia.repliquei com igual veemência. tão moreno e perigoso.exclamou Chris. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade. mas demonstrar na prática seria bem melhor. que exultava em nosso desp rendido abandono.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo. porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante. justamente por ser tão pecaminoso. Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. Creio que devo ser estonteada por raios. mas de pneumonia. ficar rígida e perder os sentidos. om Henny por perto. E creio que a avó. eu voltava a vacilar.Tentarei amá-lo da maneira que você desejar. . como se o houvesse traído. Paul logo se cansaria de mim.disse Paul muito sério. tão generosa.N ova York.Gosto de você como está agora. pois minha próxima etapa seria . sem rec a meu lado. meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. que eu escondia até que pudessem ser lavados. Então. desorientada. o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente.Minhas feridas não cicatrizaram! .

voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado. Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so.Agora. natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo. fazendo companhia a Carrie no banco traseiro. com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. Chris. abrirá feridas cicatrizadas. Eu julgava que tinha todas as respostas.Linda região . percorri a pé todos os cemitérios. afinal. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide.Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e. mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida.exclamei. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. por que não a contentamos. . . que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso. esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro. chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta. para encarar Chris. lançando-me um demorado olhar carregado de raiva. Investigou durante muito tempo . as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. Deus não i . um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo. Paul.disse Chris. Chris? Todavia. Chris cedeu. terrivelmente excitada.E para falar com franqueza.disse eu. . . como Chris acaba de dizer. Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall. mandado gravar o nome Dollangang er na lápide. se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio. dizendo-lhe que eu precisava ver a casa. . não é mesmo ? . Eventualmente. apontando as duas janelas no último andar da ala norte. O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar . onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo. Enquanto Paul olhava para as duas janelas.indagou-me Paul. tem acesso a todos os registros dos hospitais. . sendo médico.E você. por fora . Paul . Chris viajou cono sco até Charlottesville. já que se mostra tão contrário à idéia . pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente.a. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes.Veja lá. Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar. Carrie chorava. com oito anos de idade. .Você quer mesmo fazer isso? . . enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie. . .Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory . A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel. eu também gostaria de vê-la. Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall. Paul tentou dar-me o que eu desejava.comentou Paul enquanto dirigia o carro.Se Cathy acha que deve agir assi m. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome. esperem um momento . Era enorme como um hotel. morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. furiosa. com postigos pretos em todas as janela s. .Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. não será fácil verificar a verdade.interpôs Paul. Um trabalho infrutífero. poderemos visitá-lo periodicamente.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory.É aquela! . nenhuma criança do sexo masculino. Paul refletiu sobre o assunto. não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris.por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris. depois. pensando que Mamãe poderia ter mentido e. Chris. Girei nos calcanhares.

se tudo corresse bem . dançava melhor que nunca. Então. Quando olhei. talvez. .Paul . é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado. Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então.Quero Mamãe! . ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. disciplina e controle . Chorei silenciosame nte por dentro. Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara. pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. situadas mais abaixo na mesm a rua. fiquei . Estávamos no final de um cul-de-sac. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada. pela porta dos fundos. que ainda poder ia crescer e encontrar o amor. eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff. fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. Como uma criança pequena.Catty. permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. pois estava vivo.havia esperança p ara mim. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. Eram as outras casas. Na manhã de nossa fuga. Numa tarde de sexta-feira. como Eva deveria ter feito há milênios. E. Ruminei o assunto.gritou ela. Não consegui falar. como Deus o fez. . passando a espuma da raiz até as pontas. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. começou a falar . Absolutamente nada.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. Carrie soltou um berro.Veja o que tem diante de si: um homem nu . Estreitando-me contra si.não obstante. secava-os e escovava-os. . melhor que dançar ao som da música mais linda. com mais técnica. numa posição bem mais elevada. Era-nos proibido olhar pelas janelas . Quando ele aparecia. tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. Assim era para mim amar Paul. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. também. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los. quando terminava a lavagem. Havia esperança para Chris. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti. muito depois que todos os outros se retiraram. fazendo-m e sentir completa. pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber.e estuda va. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão. Eu dançava melhor. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. ele me pegou no colo e levou para a cama. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. fazendo o que queria com seus lábios e carícias. Paul me restaurara. era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor. . Coisas que me chocariam quando criança. Havia esperança para Carrie. Em que resultara nossa longa jornada? Nada.e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo. Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. com o mais sensacional bailarino. Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. dia após dia. obscenas. percebi. Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. Paul virou meu rosto para cima e. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. Catherine . o que estamos fazendo não é pecado.disse ele baixinho.Abra os olhos. Desconfiava. Chris. Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha. fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez. . Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada. mas apenas como membro do corps de ballet. lavando-os com esmero.indaguei com os olhos baixos -. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. porém. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção. exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. Após sacia rmos nossa paixão. Naquele Natal.

. franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. então. como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua. mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim. Eu não era Cathy ou Catherine . por ser jovem e bela . a cortina se abriu. embora estivesse acesa por dentro. O público é composto de pessoas como nós. Chris..Primeir . Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo. já provou o sabor do palco .Sei que não gosta de mim. amarelas e brancas vieram-me encher os braços. . Julian! . Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse.Deixe disso. por apresentar-me perante um grande público. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. . fazendo tudo que eu fazia. Rosas vermelhas. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé.Não sei . . apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall. beijando-me a orelha. Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente. . En tão. até mesmo as piruetas .É verdade. . portanto. Juro cuidar bem de você. é claro. fiquei sem saber o que dizer e. quase frenético . Julian pousou o braço em meus ombros. quando Nova York está à sua espera? Cathy..Falando sério. implorandome com os olhos negros. A menos. prendeu-me com os braços. fazendo-me cócegas no queixo e. Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária. mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada. Trabalhávamos bem.Exige pagamento em troca de seus favores.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile. .Agora.Sem imposições de minha parte. . após tomar banho e vestir-me. todas juntas. zombando de meu desempenho. Agora. Cathy.esbravejei. permaneci calada. Se cometi erros.e.Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui. diziam-me mudamente os olhos dele. acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela.sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro. depois. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova.repliquei miseravelmente. De repente. espere! . Carrie ou Henny na platéia escura. Tirei as sapatilhas. . poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis. não é mesmo? Nos bastidores. Estava apaixonada pela dança. . Então. Julian estava dançan do comigo. . se minha técnica não foi perfeita. Então. Era como minha sombra. Não consegui avistar Paul.acrescent ou com um sorriso irônico. Julgo que já está preparada para ir a Nova York.Cathy. levando consigo toda a minha insegurança.Pare de ficar tão nervosa. chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados.. a cima de tudo. eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio. transmitindo-me confiança. . . . a cada vez. que você um dia venha a desejá-las. Esquivei-me e corri.Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou.Se for boazinha para mim. Ele só entraria muito depois. Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. Julian sorriu maliciosamente.chamou Julian. e tivemos um período alegre.disse em tom suave e persuasivo. Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa. Marisha também acha . Ia sair para jantar com Paul naquela noite. numa grande ovação. Veja. numa cidadezinha caipira. espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse. eu não sei dizer. . convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida. nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro.

Cathy. . meneei afirmativamente a cabeça e respondi: . . escritores. A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor.Você é o máximo! Confie em mim. ele conseguiu bei jar-me os lábios. como Chris. Diga que não amará.Não zombe de mim. Oh! Julian estava vencendo naquela noite. na ve rdade. você voltará para Thelma Murkel. atores e atrize s. Quanto a Carrie. celebridades da TV. tenho que terminar o ginásio.de qualquer tipo. além disso. Terminei o ginásio em janeiro de 1963. mas consegui terminar o curso.Sim. Embriagada com o sucesso da estréia. .. De algum modo. a velhinha mais suave.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico. Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. . Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora. não é? . mes mo querendo dizer não.Você vai adorar Madame Zolta! É russa. Por c ima de seu ombro.prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez. Julian tomou-me nos braços. não para ser esposa de um insípido médico do interior. recebendo rosas. Parecia muito triste ao dizer isso . no palc o. a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Carrie e Paul. bondosa e delicada q ue você já conheceu. Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento. Você logo se apaixonará pela cidade. Paul estava aqui. ele explicou: . ela é tudo de que precisamos. espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região. e realize também o meu sonho.um outro mundo.terrivelmente triste.. irei. como você entrou. às luzes da ribalta. às vezes. Chris e Carrie estavam aqui. nossa psicóloga. Cathy. Quando abordei o assunto. onde você comerá pratos que nunca provou antes. Paul. acredite em mim. Contudo. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. eu não poderia. Vou levá-la a restaurantes famosos. que Ch ris certamente será. Cathy . . ambos parecendo esp antados e bastante magoados.Claro. (Deus me livre!) . . Ficarei com você. É nossa médica e.Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação.Quando eu me for. Não fui uma aluna particularmente brilhante.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não.Talvez . o público exige o máximo. mas só se você vier buscar-me. . Comparada com isto aqui. a vida em Nova York é como a de Marte . Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário. Tentei resistir à tentação. depois de rir. Venha comigo. e a super bailarina em que você se transformará um dia.perguntei com alguma amarg ura. pois queria que ele se mantivesse fiel a mim.desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta.É o tipo de vida para o qual você nasceu. Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York. avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas . . . em vez de quatro. Será como sua mãe. muito melhor.Ela conhece tudo a respeito de dança. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente. Paul sorriu. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos. pregando os olhos em Chris.disse ele. não é? .Você nunca amará outra pessoa quanto me ama. . a fim de que eu possa vê-la com freqüência. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. venha comigo para o mundo a que você pertence. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. Como po deria eu abandoná-los? . Estava entendido. que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos. porém. Nunca andei de avião e.o.

os ombros empertigados. Chore por você mesmo.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida.Não iremos a parte nenhuma. . enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie. Nós também compartilhamos de muita coisa. como é preci so aceitar. . decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos . Julian andava de um lado para outro.Entenda.. Quando saímos todos da casa.sussurrou ele.Eu a odeio! . Chris. Catherine.Você não pode ir! . . . Henny fez questão de embarcar no carro conosco. fitamo-nos nos olhos. Vamos. Não precisa chorar por mim. Adeus.Obrigado por tudo. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos. Aceite. como eu aceitei. Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta. tive que abr açar Paul com força.Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa. . o rosto rígido. Carrie: eu voltarei. também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me. . minha enciclopédia ambulante. em seguida. cavalheiresco e sensível. alegre e também severo. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar. Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . fazendo-me doer da cabeça aos pés.berrou ela. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for. Chris estava postado junto ao carro branco de Paul. Depois.. ou simplesmente não chore. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. Camin hou depressa para a porta da frente.Você ainda terá a mim todos os dias. Engasgada. Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto. continuou a f itar-me com o coração nos olhos. o meu cavaleiro tão galante. . . Afinal. Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam. E não faria isso duas vezes. .Sabíamos ambos que não duraria muito. Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam. Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Esqueça to do o passado. que agora tinha um metro e oitenta de estatura. erguendo o corpinho leve de Carrie no colo. eu me despedira de Paul em particular. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha. por favor. sorria e sinta-se feliz por sua irmã. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos. O meu Ch ristopher Doll. Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém . consultando freqüentemente o re lógio. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião.Detesto você e Chris. No aeroporto.gritou. Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte..como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. uma risadinha. Você é apenas meu irmão.Cathy . consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos. enxugue as lágrimas.nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris. Catherine . meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. E Chris também voltará. . procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos. Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. . . bastante alto para que Julian escutasse. Não olhe para trás com arrependimento. decidido a não revelar qual quer emoção. com as lágrimas rolando pelo rosto. . Mais uma vez. deu-me caneladas. Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho. . Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. Na noite anterior. mais aind a que Paul e eu. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. Você não será esquecida .disse Chris em voz rouca. abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis.Obrigado. repliquei: .E você? Ele forçou um sorriso e. Terminou. Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque. desejand o-me boa sorte.Não .disse ele. Esqueça-me.Não se preocupe comigo.e deixe que seja uma pessoa de sua idade. ou poderia amá-lo. E Henny .

tão controlado e elegante no palco. rindo. meu amor.disse ele. Prometa pensar antes em todas as conseqüências. de Paul.E.Você também tenha cautela em questões de sexo .Acertou na mosca! . Acenei com o louca para minha família.ou isso tudo e mais ainda. promete? Chris prometeu solenemente.Oh! Catherine!. você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! .. Farei todo o possível para torná-la feliz. deixarei o assunto de lado. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim.Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças. desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. E venha a Nova York com Paul. que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. Desde que era a minha primeira viagem de avião. relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa. Esbugalhei os olhos. Nossos lábios se tocaram rapidamente e. . Carrie e Henny sempre que pud er. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado.disse em tom suave. . como você logo terá ocasião de verificar. murchando-os com um aperto doloroso. Ou venha sozinho. parecendo querer arrancar-me a pele do rosto.Você me tem . O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios. Vá com calma em questões de amor e sexo. sem o menor sinal de embaraço. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta. . Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela. a Julian.repliquei para Chris em tom brincalhão . previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora. . Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York. Doía-me ter que deixá-lo. L ancei um rápido olhar. Afinal.. Eu também ri . pois eu já escolhera Paul. Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele.Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci. . . .e o empurrei para longe de mim.Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es. a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? .é que eu tema que você não consiga vencer. Uma bolinad ora. . ri.exclamou... não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. que vida levaremos. olhei mais uma vez para Pa ul. Julian. Abracei-o mais uma vez. . já sentindo saudades d e casa. jur o por Deus. não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu .Não prometi que cuidaria de você? E o farei. O frio em minhas narinas ator doou-me. . em seguida. Gosta de tocar as pessoas. certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado . Mas venha. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: . ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro. Então. .E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante. Engasguei-me. portanto. de modo a abrigar p arte do rosto. beijando-me de leve. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado. em barquei para tomar meu lugar junto à janela. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer. Todavia.Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e.Escreva-me sempre. Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. como você lo go descobrirá. trêmula. Depois. tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor. Sorriu para mim. a fim de que você verifique por si mesma. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um. que parecia muito sério.

Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente. muito obrigado. como fizera a Julian. .Sabe dançar? .Muito bem . ela irradiava um metro e oitenta de autoridade. deliciosa professora de dança.indagou em tom áspero.Ha! . O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo. tocou-me os cabelos.Madame Zolta Korovenskov. Posso acreditar no que diz a seu respeito? . Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. Naquele dia. até mesmo os seios. franziram-se como uma sacola com o cordão puxado. a fim de absorver minha essência. olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz. Madame.Como disse antes. Espiou-nos por cima das meias lentes. permita-me apresentar-lhe a Srta. Em seguida. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma. Madame. A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo . esta mulher era muito mais velha . com as pálpebras apertadas. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios. Os lábios da velha. murchos como uma pass a de uva. mas não tanto quanto se julg a. Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha. era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado. Permanec i imóvel e suportei a inspeção. . com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros.respondi. espere o julgue por si mesma. . Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial. rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar.Está vendo. Friamente. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido. delicada.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce.disse ele. colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões. de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha. Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o. . .Talvez por volta dos trinta anos. . veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato. que você positivamente ad orará. com ar inteiramente profissional. . entusiasmado. talvez nunca .Então! . como e ste demônio de cabelos pretos.Também veio do nada? . fitou-me o fundo dos ol hos. Apa lpou-me os braços. Ele é muito bom bailarino.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse.Ora.e eu tricotara para ele. Nunca imaginei que se incomodasse. Madame Zolta Korovenskov.Você some quando bem entende. Então.Aparenta vir de outra região. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa. Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha. a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses . sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos. Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço.indagou Julian. nervosa. Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente. drenando-a de mim. Com uma rigidez majestosa. O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira. . levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura. . Catherine Doll. Depois.se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade. Entretanto. É tão rápida que a gente nem vê direito! . de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian. .fungou a velha. . Madame? .e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão. Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa. depois de tornar-me a maior prima ballerin .disse ela a Julian com ar de quem cuspia. sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada.Creio. . o peito. . Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de.

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

mim. Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro. sentindo-me humilhada. Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe. Madame Zolta franzi u a testa. Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. perto da escada. Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público. mais uma vez. mas Carrie continuava praticamente a mesma . envolta numa aura de beleza. Dançou ao redor de mim e. Catherine. para exibição na época do Natal. Ainda me amava. prometo-lhes os próximos papéis principais. então. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma. ele me ergueu bem alto e.Alexis. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. Assim. . A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. preso a uma tira de papel dobrada. Acordei. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo.sibilou ele em resposta. Cathy. Então. mas não muito.e não foi um beijo respeitoso.talvez um pouquinho mais a lta. Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai . Chris. . sem sangue azul. mas possessivo! . mas permitam que Juli an dance este com Catherine. .sibilei furiosa. O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro.Maldito seja por isso! . Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. faz endo-me reviver. Chris se postara nas sombras.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios. Michael. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. E. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público.Eu a amo. Senti-me encantada. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados. Julian tomou-me nos b raços e. Por favor.Maldita seja você por não me querer! . Só então pude dar atenção a P aul. desejava. guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido.e no canto. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. pela primeira vez. Beijei o rosto redondo e firme de Henny. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro . tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: . pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha. eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York.e ali estava a flor. o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente. Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos. pr . tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo.Não sou sua! . Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa. desorientada. fui carregada para fora do palco. à procura das pessoas que eu amava. Chris ficara ainda ma is alto. Quando terminou. Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso. convidando-me a dançar também. suc umbi-lhe aos encantos. mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel . tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV. Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . Nossos olhares se encontraram prolongadamente. piscando. Na platéia escura. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. o coração pulsando ao ritmo da música. entre o sofá e o grande baú. Apri l estava visitando os pais. .Não se preocupe. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida. no mais apaixonado pas de a deux. olhou para Julian e depois para mim. tímida. conquistador vitorioso. Paul. Com efeito.

. atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro. Pau l acompanhou-a com facilidade. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. Em poucos minutos.Depois de dançar com Julian. .reprovei. até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma. . Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo. relaxado. Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais. Paul? . Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido. d e almofadinha. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas. Num quarto pintado de vermelho escuro. mas igual a Mamãe: suave.instruíra Madame. Ele exibiu um sorriso modesto. Então.Estou com sono . eu seg urei o dele. adorando-me. Veja só a sua amiguinha Yolanda. Portanto.Você continua a dançar assim? . Paul Sheffield. causando-me prazer . Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas.Você também é como ela? . depois.Perguntei primeiro.queixou-se Carrie. Magoando-me com facilidade.Além disso. . . mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos. Se você quiser. . houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta.disse Paul. esfregando os olhos. eu escrevera apenas a Carrie. acariciando-me.Ela olha para todos os rapazes bonitos. Ganhara alguns quil os.Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família. Era tão divertido vêlo assim. fria. olhando-me com grande ternura. . para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa.retrucou ele. não se sinta tão lisonjeado. Ele pagou a conta. . que exagerei um pouco em minha dança. Quando nos exaurimos.Usem as roupas de balé . A fim de provar isto. apertando as pálpebras. Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa. com as roupas que usaram no palco. Enquanto o fazia . você deve achar que tenho pés de chumbo . Depois. Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos. surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio.pelo menos.ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta. sabendo lidar com os homens .Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel. sumiram do salão. E amanhã dormirá com outro. q ue dançava melhor que Chris. Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda. Após o espetáculo. Paul ergueu-se de imediato. pisquei para Paul. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo. Sorri maliciosamente para Chris. eu estava aprendendo.Você é maravilhoso. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele. segurou meu casaco para mim e. levando-me a perguntar: . com uma marcação afro-cubana.E você? . respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. . seus olhos interrogavam-me com veemência. . Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si.Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. Foi uma resposta que me acelerou o coração.Encontrou outra pessoa. . el e me abraçou com força.Não estou procurando ninguém. . É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. . . Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios. Paul! Ele riu. pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite. Ele ainda usava bigode não aparado. e Sra. beijando-me. onde ele nos registrou como Sr.

eu ainda precisava de Julian para meu par. protegia furtivamente meu segredo. Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! .exclamei. ocultando-a do mundo. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá. eu ainda precisava ficar famosa . Paul.Naturalmente. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador. Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade. pois estava livre e seguindo firme o meu rumo.Eu o amarei para sempre . No momento. Agora. sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. quase no topo. . incrédula. Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade. Permanecemos acordados.absolutamente nada. Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle. de meu estrondoso sucesso. Quase morri de saudades desde que você partiu.exclamei. Além disso. você está encontrando o sucesso em Nova York.os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles. Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta. tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos. precisava contar com a total confiança de Madame Zolta. abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel . não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. quero que seja minha esposa.. O interior do carro era aquecido e acolhedor . Se descobrisse que eu tencionava casar-me . Não quero agir às escondidas de Chris. Paul Scott Sheffield.Catherine. de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra.decl arou. Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul. mas não me importei. Entretanto. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? . Dali em diante. Agora.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela. eu manteria minh a felicidade em segredo. . . beijando-me suavemente. Quero estar com você.Não estou zombando. desejo-a para sempre. Esbugalhei os olhos. . . Não dormimos naquela noite. Até então. Chovia.Não zombe de mim. Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington. de meu amor por Paul. de onde v oltamos. Nada revelei a ninguém. desejo compartilhar tudo com você. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais . Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal.Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade. mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo. desafiava-o a dete r-me. pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata. . Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo.algo que ela certamente não aprovava . ter-me pedido em cas amento. abraçando-lhe o pescoço. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar.Oh! Julian. tanto quanto ele precisava d e mim. afinal. certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava. tivemos um dia selvagem e louco.Adivinhe uma coisa.Oh! Paul! . Um sábado de manhã.Chantagem! . Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas.Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. Agora. Julian correu para agarrarme. Julian riu.Oh! Cathy! . . quando eu iria a Clairmont. Por outro lado. Nada mais tinha a temer . . terrivelmente excitado. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. . Catherine. planejando como viveríamos depoi s de casados.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele.

q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar. do contrário. chegamos ao prédio de apartamentos . Então.Vá para o inferno. violento. . rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita. que Julian trancara.flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! .. Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha. com um sorriso maldoso. pode esquecer! . fiz-lhe sinal . Lançando-me um olhar feroz e contrariado. Eu sabia estar num bairro perigoso. abrindo a p orta.! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu.Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! .se conseguir! Partiu com o carro.Vá para casa como puder.. onde tudo poderia acontecer.comentou animadoramente. .rosnou ele.. e freou tão depressa que fui atirada para diant e.disse ele. Nem mesmo poderia telefonar.Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! . o taxímet ro continuava a funcionar. . deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin. ...e os dólares.berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva. não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado.Você é uma tentadora .explodiu o motorista.Quer dizer que não tem dinheiro? . eu tinha medo de ficar presa entre dois andares..Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! . por favor! . Por fim.Cathy. .Leve-me para casa. . A chuva caía com força. enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa. a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas.ele. Julian recomeçou: . ou tomar o metrô. leste ou oeste. rangendo durante todo o trajeto.Você parece algo devolvido pelo mar . onde eu nu nca estivera antes. A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian . Eu não tinha dinhe iro. Catherine Dahl! . sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul. Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul. J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto. garota. negando-me a implorar. Julian. Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! .. O e levador demorou-se uma eternidade. .. Os bolsos do meu casaco estavam vazios.caso este . batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida. Enquanto isso.berrou Yolanda.. Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros . Cathy.Se pensa que vai me dar uma facada. Sempre que e ntrava naquela peça de museu.replicou ela. pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e.Já vou abrir.esbravejou. Quem é? . o motorista concordou: . Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava.Então. vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma.Sim! . Mas é melhor você voltar em cinco minutos. .Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência. Julian! Só consegue ter isso na cabeça? . Mas guardei fielmente meu segredo. santa puritana .ao preço de quinze dólares! .É por ser virgem. Julian arrancou-me a bolsa do c olo.Calma! . Eu não tinha um centavo. entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego. O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! . desanimei. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta.Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. você nunca vai me amar. Maldito seja. Afinal. Quando avistei um táxi que passava vazio. Meu casaco leve estava ensopado.Por Deus. dê me uma op ortunidade. por me deixar tão longe! Finalmente. Eu nunca dava muita importância a Yolanda. .Está certo. a freqüentes intervalos. e Julian me deixara ali .

O que deseja? Ela sorriu. .gritei.ronronou ela como uma gata. .. Empreste-me o dinheiro. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada. . Cathy. . tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly.respondi.. também. Tirando isso. garota. quero que cumpra sua parte do trato.Por favor.Cathy. ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho. Oh! eu não sabia que batera com tanta força. impedindo que ela terminasse. . carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo.Seu irmão.Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça..Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! . . que necessita de sesperadamente dele. Mas Yolly barrou-me a passagem. mas traga-o aqui! Então. . repugnada.e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes.. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana. por algum motivo.Vamos. Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça.É mentira! .rosnou.. o rosto de Yolly ficou muito rubro... E fica me deve ndo o que eu quiser. . você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão..Está bem. recuou para longe de mim. seu nari z já começava a inchar..berrei..O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? .. Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio.Cale-se! . . mas não se esqueça de cumprir a promessa .Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira. não é mes mo? . Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! . ela ficou rígida e. Yolly.disse ela. . empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta.gritei furios a. . Tão logo segurou os vinte dólares. . Diga que está doente.. recostando-se provocadoramente numa parede. certo? Concordei e tornei a sair correndo.Não seja ridícula! Chris está na universidade. Fará o que eu quiser. apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me.Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero ..Dar-lhe-ei o que você quiser. ..Nãããooo . trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava. . .Pois deixe que eu lhe diga uma coisa. . em seguida. Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon..Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas. meu amor.Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa. seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie. . mas. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso.Puta! ...não a tivesse jogado fora. .Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente.Certo . . .Não acredito! Você não é o tipo dele! . isso servirá para acalmá-lo.. poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade.. .. Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. o motorista começou a sorrir. Yolanda Lange! .Até à vista. Levantou-se rapidamente. que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente.

portanto. eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia.Solte-me. Olhei freneticamente em volta. Não podia contar a verdade. mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão. . Julian estava sozinho no apartame nto. animal! .Vá em frente! .bradou ele.. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. .. . . onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse ..Claro! . Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir. puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. .Você me causa realmente muito medo. para minha infelicidade. não é? . Arr astando minhas malas atadas umas às outras.e continuo viva.Ninguém! . tão furioso que parecia prestes a explodir. Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial. abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. . O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim. Catherine Dahl. Não posso estar errado .. Comecei a guardar minhas roupas nas malas. cheia até a boca.. terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas. Levei sob o braço uma sacola de couro macio.Julian! .. não me venha bancar a moralista imaculada. você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade. .menti. levantando-me da cama. Catherine Dahl. Já encarei gente maior e melhor que você . não sou uma provocadora como vo cê . e percebi o modo como você olha para aqu ele médico . Senti-me enjoada e a odiei . não se atreva a chegar novamente perto de mim. Julia n Marquet. Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda.mas não o fez.Cathy.Se estiver aí. . resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! .chamei. E ainda mais: tomarei Julian de você. ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força. cheguei ao andar onde morava Julian. desta feita. Vai arrepender-se.perguntou. .estúpido. entre as duas.Ninguém fala assim comigo sem receber troco. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas. nem estúpido. garotinha pudica!. cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! . .e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o. com o dobro da força! Tentei lutar contra ele.redargüiu ele.Julga. que se estendera na cama como uma grande gata. pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou. .berrei..Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês.depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto.Mas não sou cego. Antes que eu me desse conta do que acontecia. . ta mbém! E quando ele for meu. passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. mas. não é? Sacudi a cabeça. é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto.sibilou ela com os dentes trincados.Pode levar de volta sua maldita bolsa . segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. que sou cego e . Só então ele falou. Pegarei seu irmão.odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente.Por que não consegue me amar? . tem que ser você! Quem é o outro? . esperando ver Al exis ou Michael..Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da. com um medo terrível de Julian. mas Julian tornou a empurrar-me para trás e.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você. esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! .e.Fuja. Yolanda. . ajoelhou-se sobre mim. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? . vai lamentar e ste dia. porta nto. Agora.

.. se a senhora não me der mais dinheiro. acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio. Lembre-se todas as noites.Ela tem medo de você. Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar .. Voltei para casa correndo. O único apartamento que consegui encontr ar caberia. trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida. Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . Concluiu dizendo: .. não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente. Winslow. agarrando a bolsa.. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. Mas era só meu. . Mamãe. sem ler o conteúdo. quer saiba ou não. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York.ou para Mamãe. não tardará. acrescen tara: "Agora. Agora. ele tornou a abrir a porta. Catherine. antes de adormecer. Só então atrevi-me a dizer o que pensava: . eu já disse isto antes e vou dizer novamente. tremendo da cabeça aos pés. Winslow". po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim. tornei a acordar durante a noite. no menor quarto da casa de Paul. Ela gemeu. abri-a e saí para o corredor. com Julian. pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui.. Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis.." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite. em seguida. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. eu o matarei . Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . eu guardava para mim .Você é minha.mas não será tão bom qu anto o que você ocupava.pensando em você e fazendo planos . Catherine. Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar. Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E. Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim.e.quando Juli an me permitiu . Imaginei sua expr essão ao abrir a carta. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe . ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais. Agora. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. recuei para a porta. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma.. trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la.Não. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. terei que voltar para Clairmont. se não conseguir. a despeito de todas as minha s lágrimas. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós.Existem instituições especiais para loucos como você.e tudo estava na bolsa. Sra. nem obrigar-me a amá-lo. o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim. quando cheguei ao eleva dor. Tinha saudades de Paul. Faça as pazes com ela. Catherine!.Maldita seja. No fim da carta. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão. n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo. inteiro.. Então. Sentia falta de Chris. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida. comecei realmente a dormir mal. As outras. Aproveite enquanto pode.. depois de rasgar o envelope fechado. não poderia ter imaginado um meio melhor que este. Todavia. Você faz chantagem comigo e eu aceito.e matarei você também! Portanto. Madame. Seja boazinha.Está certo. Levantei-me com as pernas trêmulas . Julian! Não pode dizer a quem de vo amar. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. Portanto. joguei-me na cama e so lucei.. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. . sente-se ameaçada. nada mais que isso. Infelizmente.

.Acorde. .todos nós? Ele se ergueu de um salto.Maldita seja por me enganar! . quando fôssemos ma is velhos. lançaríamos raízes. E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal. E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência .Vá embora! .repliquei.gritei. Iremos a Londres. girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava.. Certa manhã. Café. somos os melhores . Sacudi a cabeça. ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá. fui acordada por alguém batendo à porta.perguntei. Abri os trincos e entreabri a porta. . Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim.Julian.Madame Zolta. Mas posso comer de novo. exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel. chorando. estava falando sério? Vamos para lá . não? Detestei estragar-lhe os planos. . Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa.É mesmo? . contaminando-me com seu entusiasmo. Cathy.mas tenciono casar-me com outro.. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma . . vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . Então.. volte a ser minha amiga. cambaleei para a cozinha. você disse.ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa. mas fui obrigada a dizer: . esperando que sim. Naturalmente . . nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos.gritou ele. . Gr aças a Deus. mas. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara.Claro que sim. Julian entrou como um furacão. beije-me. . Cathy. Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto. desta vez.Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . .Deixe-me entrar. jamais poderemos casar-nos. apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos.esbravejou Julian. ou arrombo a porta! .Julian. ontem. estremecer. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas. depois que você saiu. Paul e eu tínham . eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências. Eu jamais o enganara. depoi s. pois. sonolenta.você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente...ou de Mamãe. precisava tomar café antes de poder racioci nar direito..berrou ele. onde montou às avessas numa cadeira. então.indagou ele.eu gostar ia disso. . mastiguei algo antes de vir para cá.Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian..Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? .Pare com isso! . Odeie-me o quanto quiser amanhã.É mentira! . hoje. mantendo sempre as saudações frias e formais. . . Já estou noiva. trate de me amar ..Já tomou café da manhã? . Isto era tudo o que existia entre nós. eu a chamaria de Mamãe. Então. acompanhandome à cozinha.Sim. negando. todos nós! É uma grande chance. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. vendo-a empalidecer e.. . teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé .é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia. Ficaríamos ricos e.indaguei. Há muito tempo. Cathy! Perdoe-me.pois nasci hoje. portanto.. eu não o amo. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares.em Londres! . Você também.

Uma hora depois.Salve a bailarina conquistadora! . . tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . engasgada. .O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul. advertiu-me seu demor ado olhar. também sentado de pernas cruzadas no chão. num gesto furtivo. Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. Apenas seu irmão. Estendeu a mão para pegar as minhas. examinando seus p resentes. embora me sentisse nervosa.É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. Foi o melhor Natal que passamos. li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine. agasalhos de pele. Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. Olhei p ara o enorme aparelho de TV. escorregou-me na mão um bilhete dobrado. Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo. que nos observava a alguma distância. era tão fácil fazê-lo feliz. .Veja ali no canto. fosse Cory ! . Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente. Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido. . mesmo na Carolina do Sul. agora. Muito cuidado. .Mas adorei .anunciou ele. Virei-me depressa noutra d ireção. Paul simulou não perceber.Oh! Cathy.simplesmente adorei! Ele sorriu. a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul. Chris virou vivamente a cabeça. prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço.protestei. levantou-se e saiu da sala. Tentei imaginar Cory.exclamou meu irmão. Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira.Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor . Quand o experimentou o vestido. esperando que. Nunca. Catherine . a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa. você está tão linda! Cada vez que a vejo. . Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você.ou quase até o fim. Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo. encontrando-o finalmente. . jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. na primeira oportunidade. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê. por algum milagre.um presente para todos nós aproveitarmos. Um casaco de raposa prateada! . Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa . Fazia um frio de doer. pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara. do princípio ao fim .mas nunca era. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho.É demais! . mas genuíno.pequeno. . Então. enquanto Paul observava e m grande expectativa. os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim. Chris . Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios. dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração.os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e. A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. . após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora. Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. Às duas da manhã. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai. Então. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho.

Ele explodiu: . não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança. . mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. exceto às refeições.Creio que seu irmão está desconfiado . não me tinham parecido tão etéreos.. Mesmo assim. mas de mim também. com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração. Um tape gravado em agosto. Eu quis morrer! Fui espiar Carrie. Cathy. . Após apagarmos todas as luzes da casa. mal saí do quarto de Paul. . Quando o programa terminou. Chris escolheu um lugar afastado. perdi a noção de onde estava .mas. A partir de en tão. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto. Agora . abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. Durante o resto do Dia de Natal.trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera. Cathy? .comentou Paul tranqüilamente.e servira como uma luva . Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra. preciso conversar com você e explicar certas coisas. Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros. meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama.depressa! Com essas palavras. E Julian também esteve soberbo. Francamente. Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar. tenha remorsos. recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. Correu na direção da escada. voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. por favo r! por favor! . eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. Não apenas a resp . Naquela noite. levantando-se para vir pegar Carrie no colo. nem permite que eu chegue perto do aparelho. . subimos furtivam ente ao segundo andar e. quando me aninhei no colo de Paul. Cathy. Temi aproximar-me de Chris. a meio caminho. Para minha total surpresa.Chris. acho melhor você desligar aquele cara . obriguei -me a procurá-lo. em meu co ração. enquanto eu recuava. olhando-me com espanto e mágoa. Como tanta gente. certamente. Por que sentia. Ao ama nhecer. na realidade. mal avistei Chris. eito de Julian.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . Carrie sentouse perto de mim.quando pensei melhor . Eu chegav a a doer de saudades dele. tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra. para repetirmos a dose.Sim . mas. que dormia profundamente. espantado..vi-me no palco. só agora seria visto em centenas de cidades através do país. abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe.disse Chris friamente. nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. fizemos amor na cama dele. Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. não obstante .Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você. preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do.comentou Paul.detestaria ainda mai s se ele não gostasse. . Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo. acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores.desculpou-se Paul.Fo ram ambos sensacionais .Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores.. Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. Portanto. Então. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara. parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa. Contudo. as roupas que não nos serviam. que ocupava uma poltrona. Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e. Vocês dois apresentaram um romance. estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . junto à perna de Paul. Tratou-me o dia inteiro como a um rival. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde. E nrosquei-me no chão. chore. encolhida. com o zelo gerado pela privação. Depois.O que posso dizer.

enquanto você andará só Deus sabe por onde. as árvores desfolhadas. você o ama...Cathy. doendo por dentro por causa de Chris. necessitamos mutuamente um do outro.Gosta de Paul. em sua maneira de olhá-la. Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância.Não devo? . Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto.indaguei num sussurro. mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado.Pois acho que devo a ele minha vida.Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa. Você nada deve a Paul. Não é um namoro que será esquecido amanhã. E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas. . com homen s da sua própria idade. pretendemos casar-nos na primavera. . discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi. Afastei-me. Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança. Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco. Como em câmera lenta. Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora.Ele é velho demais para você! . apesar disso.e isso teria ocorrido se não fosse Paul.E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você. . o capim escurecido. Ele compreende.Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele. Chris parec ia atordoado. largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. a despeito de tudo. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar.repliq uei. tomei-lhe das mãos o alicate de podar.Assim também é melhor para você e eu . Compreenda. Recuei. deixando Chris no jardim com o alicate de podar. sei que gosta. bem.Paul e eu discutimos o assunto. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro.Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy. . . no modo dele tocá-la. as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer. Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. devolva-lhe o casaco! E. Amo-o por causa de quem e o que ele é. acima de tudo. não é tão errado como você imagina. Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . em seu restaurante predileto. Chris virou-se bruscamente. portanto. . Chris. . . . está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu. . cultivada. Não obstante. virei cautelosamente . escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce. Paul e eu. . . nada existe de errado no que fa zemos. Julga que pode conciliar tudo.. Agora eu fazia parte do espetáculo. e todo o amor . girando-o a fim de ver-lhe o rosto. antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul. Ele permanecerá aqui.mas você não lhe deve sua vida! . Depois de refletir melhor sobre o assunto. Chris não falava apenas de Julian.. Está escrito nele. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite. grave. você não o vê da mesma maneira qu e eu.Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. a despeito da diferença de idade s..e perde bruscamente toda a esperança.Eu o amo. E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem.. sentia-me tão dilacerada e infeliz. . como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável . em cada um de seus gestos.Chris. Nós nos amamos. Passei-lhe os braços pela cintura. chocada. mas você também arranjará outra .Então.acrescentei baixinho. arrancando-me o alicate das mãos. Dar-lhe-emos o respeito que ele merece.

Você está bem. querida? .talvez. esvaziada pela decepção. E você. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. está? . educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. . Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes. seu remorso e verg onha. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era. Falou tão .a cabeça. . revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação. . mostrand o-me o quanto ela ainda era bela. Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto. linda. Está pronta para irmos. e ela falava: . Corrine. Contudo. se ouviu o nome Cathy. não obstante.indagou Paul.disse Paul. segurando-me os ombros. tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite. Por um motivo com o qual não atinei. nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha.Francamente. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior. quando o mundo era tão frio. feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber. .até mesmo Paul. Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado. não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então.Algo de bom-gosto. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa. Uma festa . mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. poderia vê-la esparra mar-se no chão. Chris avançou para mim. pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. Entretanto.Vá assistir à TV . os cílios longos e naturalmente escuros . nem virou a cabeça. Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha. não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante .. mas. . bondosos.ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela. Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. p or favor. um homem que nada ficava a dever. os carnudos lábios vermelhos. Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco. agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul.Cathy .Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se. ao seu querido "Bart".Já devolvi tudo. realçados pela maquilagem.Não! Claro que não! .neguei de imediato. desta feita.todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope. Por que não fizera alguma coisa? Por que. Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la . Parecia um pouco mais velha. Sacud iu-me com violência.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora. largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado. talvez percebesse minha pres ença. ela se afastara ao longo do balcão e.Quero conversar com sua irmã. perdendo a pose . aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros. estava mudando de idéia a respeito de mim. a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa. em beleza.Não está mudando de idéia a nosso respeito. . mesmo assim. . solucei. . Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros . Minha animação se desfez.. Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. a despeito do que havia por baixo da máscara. . Baixou a cabeça. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós. mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela. sem muita fantasia nem grande demais. qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a.

bem perto. Não podemos correr o risco de repeti-lo! . sou imbecil! Sempre fui. Vivo pensando nisso.. mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la. E se eu fizesse o que ele queria. dia e noite. desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara. nunca mais me fale no a ssunto.. O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem. Por favor. Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. disse num sussurro rouco: .Largue-me.Você é um grande imbecil. Não respondi coisa alguma. afogar-nos-íamos ambos! . .. sim! .e ele ficou excitado! Ele. é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai. ..Está mentindo para si mesma .berrei.. mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças .. Então. ele não desejaria você..exclamou ele com fervor. corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse. não foi? A seu modo.portanto.Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel. quero acordar e vê-la no quarto comigo. se acredita nisso! . Sonho com você durante a noite.Sei que é errado o que sinto por você. sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis. até mesmo Julian seria melhor que ele! . Chris. .Christopher.. Eu qu eria que ele esquecesse. Posso contar a ele o que fizemos. Talvez nos voltássemos um para o outro. Mesmo que me ame pelo resto da vida. ele já sabe. É honrado demais para isso.Você não lhe contaria. segurando-me ainda com mais força. Ademais. Quando parou de falar.Posso. Encaramo-nos por longo tempo. então. e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar. desde que sempre voltass e para mim! .Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo.Chris.. Há uma epidemia na cidade. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. sermos apenas irmão e irmã.Deixe-me em paz! Agredi-o. .Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos. não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança. mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse. você me faz sentir tão culpada.disse ele. cometi o maior erro de minha vida.. Cathy. Quero ir para a cama e saber que você lá estará..Cale a boca! . engasgado. tocá-la. com Carrie.. Você me deseja e desej a Paul. pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . Chris.É uma pena que Chris não esteja passando bem. tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse.. Então. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul. estarmos juntos. pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! . Não pôde conter um soluço antes de continuar: . Espero que não esteja gripado. você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim. ele saiu correndo do quarto. onde poderei vê-la. que julgava podermos viver juntos platonicamente! . o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. eu lhe suplico: não se case com Paul! . apertando o rost o contra seu coração latejante. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros. sem ligar para as conseqüências. então.Então. . ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele.Podemos. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas. que não é na minha cama! Então. pálido e trêmulo.baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras. . também.e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora. . Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa. como você vem fazendo. pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras. você não pretende ter filhos . . . eu a quero para mim! De qualquer modo. sim.Oh! Chris. por favor.

eu estou dez vezes mais. estritamente clássico . mas também com os olhos negros. faça direito.Então. Eu. levante-se e vamos repetir.. quando eu a segurar. Os quatro mandamentos do mundo do balé. Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal. então. finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr . demoníaco. Contudo. não me deixando cair para trás por não confiar nele. Portanto.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo. Eu já não confiava em Julian. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa.Se está cansada. E.. Calma. Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos. Cathy.murmurei. erguer o pé e saltar. E não a odeio. . ainda não. desta vez.. contando. com os cabelos escorridos. sorrindo. sem fôlego. conseguiria. brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos.Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! .. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez.para vingar-se. Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar. levantei-me e tentamos mais uma vez. rindo.Então.Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! . Desejo.Desta vez. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! . após cinqüenta tenta tivas! . Fácil. . Dedicação.Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates. pelo amor de Deus. Só precisa dar três passos. Julian foi absolutamente impiedoso. .indagou em tom sarcástico. erguendo-se como uma torre acima de mi m. Agora. Doce. Desta feita ele me atirou ao chão. Berrou como se eu fosse surda: . faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. os pés descalços bem afastados. trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe. O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema.exclamei. Paul . enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente. . Sim. faça direito . Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal. você se deixa cai r para trás. . pule para eu segurá-la e. enfurnado em seu quarto e odiando-me. não a deixaria cair.Seremos tão felizes. aquela seria a nossa vida juntos.É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo. caia para trás e amo leça o corpo. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano. as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas.Pare de gritar comigo. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet. que tínhamo que seguir à risca.Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . marcando o ritmo. grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! . Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito . mas inovativo e mais bonito. agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? . Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente. onde fiquei ofegante. Minha malha grudava-se à pele. parecendo exausta. repeti ndo a mesma série de passos. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija . erguendo os braços para exibi-las.Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí. Fiz o possível para torna r a situação agradável. deitada. faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto. Determinação. E novamente fracassei. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. portanto. O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? .Julian. Pelo menos.Mesmo que a odiasse.Está sem fôlego? . e minhas idéias. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . Julian usava apenas uma sunga. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço.no instante em que eu a segurar.diabo! .

Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. procurando indicar-lhe que pretendia sair logo. tive a impressão de já co nhecê-la. preparando-me para o que ela viera dizer .volte para casa e vá para a cama! Catherine. . Olhos e cabelos escuros. Vamos. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: . Por algum estranho motivo.comecei. Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o. Talvez até mesmo bela. que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. . Julian pulou para abraçar-me.comentou ela. em suspenso. Parecia o meu amante do sótão. no intuito de apressá-la. chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta. arquejando se m fôlego. dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid . . Peguei meu cas aco. Demorou-se a retomar a palavra.gritava o público. Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres. .ir e dar-me parabéns.Obrigada. Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa.que só podia ser ruim. Era a nossa noite . Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul.Obrigada. foi uma surpresa para mim.e Julian beijou-me os lábios. correndo para meu camarim.Por Deus!. . pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave.Creio que não a conheço . prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: .. ou de que ela me lembrava alguém.Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça.Dança excepcionalmente bem. Embriagada pelo sucesso. . mas eu conheço muito a seu respeito. a fim de vestir meu casaco.Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos . mantendo-me nervosa. minha cara criança. sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. pois haveria uma grande festa logo em seguida. os cabelos escuros brilhando. cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar.. é claro. pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas. Ela exibiu um sorriso retorcido e. você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que. os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval. Agora.disse eu. eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura. Uma mulher alta e atraente entrou no camarim.Claro que não me conhece.a melhor que já tivéramos. ..Suponho que seja presente de meu irmão. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco. sem ser convidada. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. Então. .Catherine. como pareci a Yolanda naquela noite. Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda.Bravo! . embora. Aplausos estrondosos quando o pano baixou. .Você é muito bonita.Belo casaco de pele . E. Parecia tão lindo à luz azulad a. segundo fui informada. ve m-se tornando importante. roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta. . por detrás da cortina. usando malhas brancas.. mais uma vez . passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos. .

Toda cheia de ino cência e sofisticação. Então. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa. Paul me contou. delicadas. decidida. É realmente uma mescla peculiar. Usava um perfume oriental. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. como se tivesse pena de mim. . Interrompi acaloradamente: . ele me ama. Amanda . Paul já se comportou antes como um asno. seu rosto assumiu uma expressão im placável.portanto. com uma risadinha divertida. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir. cabelos louros compridos. sua boneca bailarina.Não conhece seu irmão. como se realmente pudesse casar-se com você. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando. . Se ela o empurrou para outras mulheres. Dahl. e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo . não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont.Saia daqui! . de forma alguma prejudicaria a sua vida. é tudo o que ouço. com mais dez por cento de juros .Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista.consegui dizer.Saia daqui . era uma governanta. inteligentes. Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. Júlia foi uma das mulheres mais queridas.. Paul gosta de mulheres jovens. os vizinhos têm olh os e ouvidos. estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto.Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude.a. a qualquer momento. e logo esta rá falido. todo o mundo sabe de tudo.. . como gostava de rir! Gostava da situação. . embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo.ordenei furiosa. Riu em tom baixo e sarcástico. muito jovens.Sim. Amanda. tão firme. . Ainda assim. forte. uma cozinheira Ela riu alegremente. bondosas e maravil .Agora. . Embora a Henny não possa falar. mas recusava-se a falar com ele na rua. parece porcelana . Meu Deus. Ela sorriu com pena de mim. aquela era a irmã de Paul. Mexericos. Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja.comentou.. sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que. como sabem rir as mulheres cultas. E também bonitas. . . sensual e ma gra ao mesmo tempo.Minha cara criança. um som duro e impiedoso. Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta.. e pode crer que não será a última mulher dele. mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade.Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. É honrado. Sou forçada a admitir que tem bom gosto. . . Or a.exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -. Compre enda . nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. tal entosas. você sabe.disse ela. de modo que ela pudesse usar as garras. também. embora não tenha bom senso. pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . eu não o censuro. desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida. realmente pouco me importa o que ele faça. almiscarado. e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. Júlia costumava dizer-me que ele. .Uma pele tão imaculada.s uspirou. eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior. prestes a saltar sobre a pres a.Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser . . compreendo o motivo. generoso. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens .Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos. Então. golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas.Sei tudo a seu respeito.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão. Srta. vendo você. e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim.a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio.

Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima.Paul não é casado. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. não é mesmo? . Fazia tudo para agradá-lo.berrei.disse a irmã de Paul. Eu só conseguia pensar que Paul me mentira. é sensacional. na época.Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! . Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!. tomara-me sabe ndo que era casado . deixando-me as fotografias. Scotty era um menino tão belo e inteligente .sussurrou-me ao ouvido. ou o tipo de sexo que ele queria e exigia..Ele sofre.Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade. tecendo-nos elogios rasgados. me enganara. apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele.O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos . afogando-me. por mais mu dada que estivesse.consolou ela..replicou ela. Não obstante. Nada significavam para mim. Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty. você aparece e ele lhe põe um filho no ventre.mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo. . mas não fazem o que ele fez! Agora. Compreendo o raciocínio de Júlia. Por favor. saiu do camarim. . se culpa.fotos de uma mulher magra. Você é uma bailarina maravilhosa. deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero.Não. . aí s im. Contudo. ele foi obrigado a procurar outras como você.Não chore . e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro. Louca ou não.realmente a odiava. segura de si. jovem. felicitando-nos. inexpressivos. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas. me ame. continua a ser esposa le gal de meu irmão. Júlia não está morta.Ele se tortura. . Se você não aceitar depressa. eu detestava a bruxa vingativa . Cathy . Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! . . e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício. . Ela acariciou-me o ombro com ar maternal.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. não fora Paul. minha criança. Hordas de pessoa s nos rodeavam. por favor. saboreando a ocasião. não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem. m e ame. seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim.. eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la. . Os olhos muito abertos fixavam o espaço. ficarei louco.É mentira! . Você é b onita. deseja ter o filho de volta. deitada numa cama de hospital.Nunca tive uma garota novinha em folha como você. Suicidou-se no dia em que matou Scotty. afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes.disse ela.indagou ela.. cujo rosto aparecia sempre de per fil. Está evide ntemente apaixonado por você. Cathy.Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente. Dei um arranco. afogando-me. então. Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. E aquele rapaz. Esfreguei os olhos como uma criança. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos .A propósito . de certo modo. Pegue-o. reassumindo o tom suave. .O que Júlia fez foi uma loucura . S alve-se enquanto é possível. elimina-se aquilo que ela mais ama.. . sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo. Oh! Que horror! . . Uma mulher arrasada pelo sofrimento.Gostei do espetácu lo. Então. Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais. Scotty era a coisa que Paul mais amava.hosas que já existiram..Concordo .mas Paul impeliu-a a fazer aquilo.Consta dos registros do hospital . Júlia está morta. As lágrimas toldavam-me a visão.Eu a amo. . Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem. . Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava. talentosa. .nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . É viúvo. . . os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação. de aspecto di gno de piedade.

.. E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco. . Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração. não fique tão triste . Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso.segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico ... ainda assim. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa.disse eu.Oh! Julian .De jeito nenhum. Parecia um sonho. Entretanto. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? .Julian. perfeito como um Deus. como um lobo faminto que pretende devorá-la.. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho. Trata-me como um menino pequeno num minuto e. . Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento. ainda assim. a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral. Eu ri. que sorria abert amente. Cathy. . prognosticando o que encontraríamos pel a frente. Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul. rindo como se embriagada. Julian abraçou-me com força.Está bem . um casal tão lindo. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. Es ta noite serei eu. o mesmo fazia Madame Zolta. fôramos brutalizados e mal nutridos. Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem. Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. nunca mais me deixará sair de perto . e voltara toda sorridente e feliz. com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós. fora o que ele me dissera. Numa chuvosa manhã de sábado. Eu não podia fugir. . mas. . os olhos negros brilhando e soltando centelhas.Meu bem.Julian. A chuva continuava a cair incessantemente. Vá embora. querida. . Catherine. Nunca amarei outra pessoa senão você. .advertiu ele . Serão tão felizes juntos.Mas é! Sei que é! .É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada.Agiu certo. hesitei. .. menina. Nunca notava nada que não quer ia ver. Deixe-me em paz. limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. para fazer justiça a Julian.Seu rosto dançou à minha frente. amor da minha vida. com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul.mas apenas por uma noite... trancados num quarto. convicto.disse ele. Podia apenas dizer o que esperavam de mim e. depois desta noite. A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava. E havia também Chris. Serei um marido fantástico. e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe".. seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era. mas lembrem-s e de não fazerem bebês! .Você me subestima. deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa.Amará. nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros.Sim .Estou cansada e meio embria gada..Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? .Julian. temo que você não saiba muita coisa. ou da minha. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida.Seus olhos. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe. Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe. Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento. .Se você me tiver por uma noite.. . então. dando-nos sua bênção. que não cresciam por fal ta de cuidados. na cama ele era tudo o que se gabava de s .Como pode saber? . ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory. no outro . Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos.repliquei com um prolongado bocejo. Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais. . beijando-nos e derramando lágrimas maternais. .. mais provavelmente. . eu não o amo.

. sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós.Por que. . quando vimos o teatro pela primeira vez. por isso mostrou-se tão malditamente generoso. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. . Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários..insistiu Julian. Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos.Isto foi tudo . . . Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos. Catherine. Antes que ele terminasse. tornem cada cena a mais romântica possível. de modo que Chris. sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas. prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian. Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico.ind agava. até que ponto vocês tiveram intimidades? .soluçou.Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto. ... eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez. não nos deixando intimidar. O The Royal Opera House. Acolheu-nos. mas Carrie adoeceu e começou a vomitar. afinal. não como bailarina. Julian mantinha-se grudado a mim. que comparava nosso estilo com o deles. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada.. O frio era perene. Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo. todas as atenções estarão voltadas para vocês . Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito. Carrie e eu fomos forçados a fugir. em Covent Gardens.. u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico. Creio que ele teve pena de nós.. e acho que isto foi tudo. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. deixem-me sozinha. mas como professora.Amo tanto vocês todos. Então. me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes. .Mas não se casou. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet.por tanto. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita. Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto.. etc. .Então. .Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso. Cathy... Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros. O que aconteceu depois? .. . compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e. como recém-casados. Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. mantenham a pureza da dança. A essa altura. hem? .. Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma. e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida. entrarão para a história do Balé. eu o desejava. não beijado o u não acariciado. apertando-me num abraço de ferro.. meus pensamentos. seus pais morreram num desastre de automóvel.er. tudo o que eu fizera. . Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo.Sabe. vão embora. Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco.repetiu ele lentamente. Natais. fracassei totalmente.. mas dêem a ela sua própria interpretação. O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra. E durante todo o tempo. . mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado.Agora. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida.Eu o amava e pretendia casar-me com ele. .Façam como sempre. O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse..Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se. Julian. exceto durante o esforço da dança. E já cometera muitos erros. se continuarem dessa forma.

cansativas . Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. . Eu pretendia levar Julian ao interior da casa. Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem.. nada mudara . excitantes.o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais.Eu a amo tanto. procurando a fac e azinhavrada. Gozado. eu queria s er como Chris. Ainda não vira algo mais belo. Era o local de nossa libertação e. como um amor que se apagasse até sufocar. criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração.. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque . Suspirei. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse. Doeu-me escutar o temor em sua voz. Mais do que já desejei amar qualquer mulher. pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. sempre perce bera as falhas de Mamãe. No fundo.Eu quero amar você. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima.. viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul. minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços.. embora já nos conheçamos há três anos. deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. as glicínias q ue floriam. até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. Mais cedo ou mais tarde. Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. Julian! Um err o horrível! . Jule.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo . Tenho pé de barro. presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela .não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum.Jamais repita uma coisa dessas. juntos. Nunca ninguém me amou pelo que sou. Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam.mas não creio que possa! Cometemos um erro. você terá que aprender a ignorar muitas falhas . para. Pouco depois do primeiro dia da primavera. capaz de abandonar um homem sincero.e isso não era talento ou inteligência! Não. pendia o m usgo espanhol cinzento. eu não era como ela . nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . aparentemente.. eu fosse igual a Mamãe.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York.Você me perseguia o tempo todo! . tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas. ele t eria que saber. . as grandes magnólias prestes a florir . como você já sabe. nos ja rdins de Paul. embora diga que não me ama. na verdade. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. honrado e honesto. Não precisava ter acreditado em Amanda.. as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. Ao contrário de Chris. . lembrei-me de C hris. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma. Deus me livre se.. Sempre virara as moedas mais brilhantes. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol . Assim. permaneci sentada em frente às janelas.e sobre todas as folhagens. Ele fez uma careta de dor. ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível.disse Julian. Só eu. Agradeço-lhe por tentar amar-me. não espere perfeição. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem. E eu era culpada de tudo. Você também colocou aquele s eu médico num pedestal. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço. darmos a notícia a Pa . num pedestal. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço. Mas não me pressione! Não me faça exigências. A primavera ficara para trás. A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia. se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja. Casei-me com você. É prati camente um desconhecido para mim. e senti-me perdida mais uma vez. no final.. Cathy.respondi furiosa. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente. fracassará. como se o amor fosse.Cathy. estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível.. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça.

Mesmo dormindo. Poderia te r telefonado antes. o olhar preso ao meu. agora. . Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. Paul estava esparramado em sua poltrona predileta. É cansativo ter que dançar todos os dias e. preciso de minha família. Contudo. fitando-me c om ar de censura. Toquei-o de modo hesitante.. A perda de peso caía-lhe melhor que em mim. presu mi . enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão. fresca e bem alimentada.É você? Carrie escutou a pergunta..Oh! Cathy. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana. Ninguém me escutou abrir a porta. . Concordando.Ai! Assim.o bigode que ele deixara crescer só para me agradar. . sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse.. com o olhar fix o em Paul. avancei para abrir a porta principal com minha chave. E parece cansada. Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho. Paul ergueu-se e caminhou para mim. Paul tinha quarenta anos. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: . Como se eu não passasse de uma aparição. para variar. me machuca! Parecia tão bonita. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão. Parecia uma linda bonequinha. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama. E não precisa da família qu ando está dançando. Paul achou melhor esperarmos. . diante do aparelho de TV em cores e da lareira. Dormitando levemente. .Sofri quando parou de me escrever todos os dias. Um tanto trêmula. Então. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível..Perde u peso. ao mesmo tempo..disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave. O bigode parecia mais escuro e espesso . Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. erguendo-a bem no alto. tentando adivinhar o que ele pensava. mas quando você não escre veu o Dr.Catherine? .Você também parece mais magro .respondi distraidamente.talvez comigo. Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s. .indaguei. seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar. os tornozelos cruzados. jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona. ou enviado um telegrama. observar-lhe os olhos.Cathy. Não obstante.murmurou. fitou-me estonteado. Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. . Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços. .Mais ou menos isso. levantou-se de um salto e correu para mim. então. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento. ... Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. tinha necessidade de ver-l he o rosto. A cabeça. virou o rosto na minha direção. . seu blusão vermelho de vel udo piquê. sonhando. acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo. o s pés descalços. também se movimentava de um lado para outro. Abraçamo-nos e beijamo-n os. após sal tarmos do ônibus. Carrie . estava com quarent a e três. Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul. Ele bocejou.ul . sobre ele. sabendo que já não me pertencia . enquanto Carrie permanecia calada no chão.Você parece diferente . erguendo a mão para tapar o s lábios. ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente. Julian simplesmente anuiu com a cabeça.Sim. Por algum motivo..Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? . não foi? Só quer saber de dançar. tentar ler-lhe os pensamentos. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? .repliquei num sussurro rouco. Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav . Julguei que ele fosse di scutir.mas não pude. Cochilava. esqueceu-se de nós. carinhoso. ao lado da poltrona. Naquela época.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

disse Paul. Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa.indagou ele. Então.Henny! . Paul entrou na sala com as malas e se .. Falo u-me por meio de gestos e. rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa.lamuriei-me. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito. Carrie é como se fosse do meu próprio sangue. Entrei no quarto de Paul. Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto.Fique aqui e espere! .Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama .É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai. . Enxugue as lágrimas. não chore mais. ele depende de mim. . muito doente. Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido. . Em seus braços. angustiada. muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo.O que lhe diz ela? . . Além disso. Não é meu cliente. tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la. mas procuro visitá-lo sempre que possível. com sua mímica rápida como o raio. . levantou-se depressa e partiu em direção à casa.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. . Voltarei antes de vocês parti rem.rto viver sem alguém que me ame. de modo que me surpreendi com sua reação.Escute! . . movimentou rapidamente as mãos: . forte. . Naquele momento. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar. Cathy. afinal. . Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses. Não creio que tenha muito tempo de vida .Por quê? .Você me ama um pouquinho.Cathy. . Então. Tudo correrá bem Você verá. faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa. creia-me! Henny sacudiu os ombros largos. mesmo que corresse atrás dele..Sim. sobreviverá à decepção. nunca se adap tará a seu tipo de vida. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco. Então. não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. comecei a chorar baixinho.Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora. metendo-m e a brincar com uma jovem . Agora. Sinto-me tão ignorado! . você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha. Henny apareceu na varanda e. Um homem já sofre.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. Levarei Carrie comigo. . Mãos escuras. mais ou menos para saber notícias de Julian e você. de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. galgando a escada como se voasse. Naquele momento.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo. Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. A notícia de meu casamento com Julian! . fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas .Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido.ordenei.Georges está doente? . onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer.quis saber Julian. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local. . Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente .gritei. enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala. Mas jovem dançarino talvez não so breviva. aborrecido.O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio. Mordeu nervosamente o lábio inferior. indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom.e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso. Deixe-a ficar comigo e Henny.

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família.Está bem. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. meu carcereiro..muito malvado. Dividiríamos tudo pela metade. mas era capaz de domá-lo. obscura. meu superior ou amo. compartilhando em termos de igualdade.Está certo. baixei a cabeça.Cathy. ele me tocou. e se desapontara tanto com o pai. . não desejo magoá-la. . .replicou Chris. teimoso.sposa: acho que você gosta demais dele. Juventude clama por juventude e Julian era jovem . Além disso.. cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde. tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana. Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê.replic . Mas trate de manter-se distante de Yolanda. Às vezes bebo demais e. ele não vai me afastar de você . Caty. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. E Julian precisava de mim. .. nem muito menos .Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer. terminando a refeição. Naquele momento.aquele médico de quem você foi noi va. coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos.e encantador. estou pouco ligando para Yolanda. como um filho único que necessita sse de mimos constantes. Nem Chris. . eu não me importava. cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. Veio de avião a Nova York. simultaneamente. No momento. Era primavera e as aves gorjeavam. até mesmo agora. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte. um bailarino talentoso . Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. Talvez Paul tivesse razão. Chame de ciúmes. nunca fora de meu campo de visão. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa. então. quando resolvia sê-lo. E tem mais: também não morro de amores por seu irmão. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la . nem Carrie. Eu já o vi olhar para você e. da mesma forma que minha mãe me decepcionara. Mas seja lá como for. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco. explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park. Chris brilhava na escola preparatória e. acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. co mo eu também fora. sei que seu marido me detesta.Claro que ficaria . Cathy. numa radiante manhã ensolarada. . fico malvado . pois compreendi que fora terrivelmente ferido. no quarto ano.Você é a melhor coi sa que já me aconteceu.Eu a amo como um louco . . O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa. ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina. Mas não se esqueça . embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. às escondidas. bonito. eventualmente. Quero tê-la a meu lado o tempo todo. Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. completando o quarto ano da escola prepar atória e. E não furtivamente. E. Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda. de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores.declarou Julian.. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. Não sou cego ou estúpido. Sua irmã é legal. pois ela só lhe poderá causar encrencas. . Meu irmão fitou-me de modo estranho. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse. Chris.Chris.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida.Eu não chamaria exatamente de "detestar". Preciso de você para me manter na linha.

Como vai Paul? . partindo de Julian. Soltando um grito.Não gosto de você. Não sabia o que era. era um elogio de alguém que ela tanto admirava. tínhamos os papéis principais.Eu sei . Era uma piada que costumávamos repetir. trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . Às vezes. pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo. veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York. choramos. outras vezes dançávamos papéis secundários e. .Não quero você dormindo sob meu teto! . Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo. apertando-a com força. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto. .. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory. depois.A primeira coisa que notei foi seu busto.Cathy .replicou ela. a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. correu pa ra tomá-la nos braços. colocando os críticos em polvorosa e.Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? . E na verdade. . Então chegou minha vez de abraçar Carrie. depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite. .disse Chris. ganhei um de verdade! .uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade. Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação. . Cathy.esbravejou Julian. talvez ainda mais que estes. minha linda cunhada! . . como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco.Olá. Não obstant e. . parecendo deleitada. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas. Julian foi o primeiro a avistá-la. . Chris pegara a minha mão. Carrie o adora e é adorada por ele. fazendo questão de beijar-lhe o rosto. Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos. jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. trocamos novidades. não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. .Já não uso sutiã de treinamento. da nçávamos como parte do corps de ballet. tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa. Chris passou três anos sem voltar a Nova York. Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros. Carrie ficaria profundamente ofendida. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. .Paul é Paul.Cathy. Entr etanto. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina. . teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos. Se Cory ainda estivesse vivo. nunca muda. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser. . . que deveria estar ao lado dela. rindo. será impossível nota r a diferença . Na minha opinião. O que é? Sacudi os ombros.indaguei em voz tensa. Desanimada.É mesmo? . assumindo um tom muito sério.Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar.portanto. O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir.Ora.cumprimentou.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. .sussurrei em resposta. Quando Carrie completou quinze anos. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito. em cer as ocasiões. porém.Conseguiu ver meus seios? Não .ou Chris. voltei para assistir à aul a com Julian e. abraçando-o pelo pescoço. sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso.. fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: .Não se atreva a me chamar de Fadinha! . decaíamos. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma. até que ela me segredou. como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta.perguntou Carrie.

.alguns dos quais já se tornavam realidade." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado. Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha. Duas semanas era tempo suficiente. mas queriam nossa presença agora. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris. Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele.Ora. impaciente. Estará cansada e precisará de tempo para repousar.É um papel difícil para você. tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé. . e. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. claro que aparecem . .Na verdade. vamos. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo.Ora. em maio. Pelo menos. na primeira vez que ela viera sozinha. sabendo o qu e ele continha . sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava.mas. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur . mas que me causava dores de cabeça. deixe disso.afirmou Julian. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento. Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme. como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina. Você também ficaria. Usando um carro alugado. gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento. sobretudo.Por favor.É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso. um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV. Madame Zolta sugerira as fér ias. relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios. Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. Cinco anos e três meses de vida conjugal . O envelope atravessara a Espanha atrás de nós. julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. Protestei. Portanto. adoramos a música e a dança esp anholas. Estava ma rcado para junho. Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico. em maio. Era como se eu. Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie. .. viajamos de cidade em cidade. Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . e um tape de TV não levava muito t empo. Julian e eu estávamos em Barcelona. a primavera pela qual tanto esperávamos chegou . . afinal. pessoalmente. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris. . Contudo. Após a refeição noturna.replicou Julian. algum temp o antes.e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido..afinal! . havia um membro de minha família qu e Julian aceitava. o preço seria a inda menor. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos .pensei que aparecessem tanto. alcançando-nos em Barcelona. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. adorand o o lindo panorama. Cathy! . Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian.a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. Os meses pareceram voar. E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. querido. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso.

Sem dizer uma palavra. E. levantando-se e pegando-me pelo braço. não tem quem ligue para você a não ser.Eu vou. Tinha que escolher s eus ternos. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim. como não quer saber dela. Todavia. meias e gravatas. sua mãe. de sexo. desta maneira. acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. pois beijavame o corpo todo.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família.ou melhor. quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto.repliquei friamente. semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. Paul! Agora.Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã. fui inform ada de que seria uma noite de amor . Fique com o marido que precisa de você. não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado. onde comecei a des pir-me. Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava. você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! . re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava. mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. desta vez. Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos. mas não importou realmente.Excetuando eu.disse Julian. E est a era uma delas. .Chris é meu único irmão. embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. . po is nunca participou de nada . a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele.Escute bem uma coisa. M as. emburrado e sozinho.portanto. . com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras. Zombava de mim.como ocorria ocasionalmente. Não obstante.advertiu Julian com voz abafada. desde que pudesse ir à formatura de C hris. De qualquer maneira . Quando me decidia a iss o. é Paul isto.Que diabo! Não! . Franzindo a testa. Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado. opinar sobre as roupas que usava no palco . ficará ao meu lado até que eu a mande embora. vamos dormir.Já estou farto de tanto escutar Chris isto. mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! .Não me ameace.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão. Talvez você consiga aprender idiomas através de discos. o que só acontecia quando a dor era muito forte . suas malhas de ensaio. não sua escrava! .e me mantém afastada para que eu também não participe.explodiu ele. que a adora. .Não tente escapulir às escondidas . . Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! . minha amada esposa: quando se casou comigo. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo .Venha. Fechei os olhos. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol. E aind a não estou disposto a fazê-lo. Julian se aproximou para ajudar-me e.Não quero mais falar no assunto . Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: . camisas. que não co nsegue viver sem a sua presença.se por tantos anos. embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las.exceto no sexo. O que ele me fez foi espantoso. com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. Depois. Julian . brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e. . mas sou incapaz disso .foi a resposta brusca. ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr.Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. elegante. recusava-se terminantemente a permitir que . Ou pode ficar aqui. . Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura. mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado. mundano. pois não tomei parte no ato. Estou cansado. desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador. .Você nunca me fala do passado! . permiti que ele me puxasse até o quarto. tal vez. Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: . eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora. Cathy. tornei-me se u senhor e soberano .

Parece ridículo. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte. . que eu era a única. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados. um omelete de queijo.Cathy. quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo.Pare de ficar ajoelhado. não sei como me divertir excet o dançando. . Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele. ele merece. Além disso. logo que descobrira a verdade. queridinha. a esta altura. Cathy. e minha própria mãe. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado. como você. Contudo. ou mesmo dar um telefonema. A princípio. indagando com naturalidade: . E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir.Se elas não se importam. à sua maneira exótica.Direi a todo mundo que você está doente. se sabe o que é melhor para você.Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. cheirando a sabone te e loção de barba.Agora. . sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas.Desculpe-me. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira. não me interesso por livros ou museus. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. limpo. tendo voltado ao normal. Nem torradas. Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. . Julian. moreno e despreocupado. . E não poderá fugir às escondidas de mim. n em manteiga. Naquela noite. Sorriu e esbofeteou-me de leve.ou ainda pior. Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã.. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel. que tinha mania de lingerie preta. Sou perita em odiar.Qual é o problema. o que fi z obedientemente. malvado e vingativo. afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta.. deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos. forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor.Está zangada porque não atingimos o topo da profissão.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. para serem jogado s fora quando sujos. Comemos em silêncio. Para você. fará exatamente o que eu mandar. . com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. mantive-me de cabeça erguida. Cathy . . existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . Julian. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito. Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar. .Bom dia querido. então Julian voltava para mim. E agora.Não farei um juramento tão injusto..eu cuidasse da economia doméstica. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse. eu também não me incomodo. Ele avançou devagar. servi-lhe café e respondi: . que n ecessitava de mim. dê-lhe uma oportunidade. Desafiou-me a morder a isca. Para mim. mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite. o que fará desta vez? Sorridente.. Então. lemb ravam-me prostitutas. Julian. Cometi a tolice de sorrir. mas talvez os dois . recém-barbeado. era o homem .murmurou ele.exceto no ego. Equimoses apareceriam e além disso. Sorri. Julian foi cruel. eu ficara magoada. Tanto quanto você é perito e m obrigar. dizendo-me que me amava. Você já devia saber mui to bem. Julian parou a um passo de distância. Ele avançou raivosamente para mim. está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. . Agora. . completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa.

declarou. . com meu passaporte no bolso. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis. eu fizera o que precisava. . torna-a ainda mais bela. Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. Henny e Carrie também derramaram lágrimas. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. Se Julian estivesse acordado naquele momento. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. enquanto Julian dormia na cama. pronto para subir à tribuna. para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. Sabe.repliquei. partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el.Está procurando cabelos brancos? . que deveria ali estar para ver tudo aquilo. Obrigando-me a afastar o pensamento dela. claro que sim! Estava louco de nervosismo. Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia.Ora. talvez. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão. fazer o discurso como orador da turma.Alegro-me por você ter vindo . sempre esperando revê-la. Por s . com demasiada admiração. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. . peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra.Se encontrar algum. O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim. Francamente. pouco depois. Esperando. Lembrei-me também de nossa mãe. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. com um l eve sorriso. hesitei. O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. Quando tornei a fitar o palco. encarando-o. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. Enfiei rapidamente roupas nas malas. Com o rosto erguido para mi m. . avi stei Chris lá em cima.Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . Todavia. . C athy. Ele respirava de maneira profunda e regular.Ele também teve muita pena disso .Eu o amo. Naturalmente.Cathy. Então. Uma hora após o café da manhã. temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. Sim. Paul. Eu não via Paul há três anos. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte. E Julian também deveria estar presente. Nossos olhares se encontraram e fixaram. imaginando se teria agido corretamente. hoje você ainda não disse que me ama. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. Gosto de s eu penteado. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e. está magra demais. O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo. Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair. Bartholomew Winslow. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade.É uma pena Julian não poder acompanhá-la. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. em seguida. na Carolina do Norte. . mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los. Embora eu o t ivesse drogado.brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e. passaria o dia inteiro colado a mim.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe.mais bonito que eu já vira. mas o fato é que o fez. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. . . É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". Julian. Sentar-me junto a Paul. ela está na cidade. Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto. debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. encaminhei-me à garagem. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento. Ainda não me considero pronto para ficar grisalho.

lançando-me um sorriso encorajador.. Chris e a mim. Chris. poderia parecer extravagante no consultório.e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. sua ca ma a um metro da minha. embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente. manterei os arquiv os em dia.mas algum dia ainda seria. E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone. se nossa mãe não nos at raiçoasse. Chris limitou-se a r ir. . Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. pintada por encomenda.disse ele. em seguida. Entretanto. em nossa mesa. .. .O resto da coleção será enviado para você a domicílio. . De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. só poderei ficar aqui dois dias..Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto. Olhei para Paul. como tive o cuidado de advertir.obre todas as cabeças que nos separavam. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel. tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. Mais tarde. a coisa era muito dife rente. .e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação. representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. quase escondido naquele espaço imenso. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. toda pintada de vermelho! O Dr. Aparentemente. .Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo. Vi-o manejar um bastão de beisebol. Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. deitados nos velhos colchões manchados no sótão. acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos. Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar. quando ficava sozinha. Cathy . acertadamente.menti.Não consegui carregar mais que seis . Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. para rebater a bola por cima da cerc a e. . parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina . Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. realmente . Observando Chris. Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele .Ele queria vir. unimo-nos numa comunhão silenciosa.. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. se Carrie atingisse uma estatura normal.adivinhou Chris. quase sem fôlego. Carrie ta garelava sem parar.. marcarei as consultas.Livros! . . Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera. também era frágil. Infelizmente . Desde pequenos. cada qual pr ocurando as palavras adequadas.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica.explicou Paul. só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr.O Dr. Vi-o novamente nas som bras do sótão. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações. Paul.. Havíamos participado indire tamente de tantos romances. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio. Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele. novinha em folha. Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los. . . porém.como fazíamos desde crianças .se Cory não morresse. enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos. cuidarei da contabilidade . pois sempre tentávamos enganar um ao outro. Na verdade. e voltara-se para mim.Não. Vi-o no quarto trancado. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma . Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam .prolongava o prazer de recebê-lo. aos dez anos de idade. Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido. a fim de chegarmos juntos em casa.informou Carrie . embora eu fosse de opinião contrária. São mais livros . Além disso. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos.

Certa vez. . poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. . Por que usara aquele tom suave.. íamos juntos também.e não posso fazer isso. Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto. . mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff. Você não devia ter gastado tanto.. devo começar a enumerar uma por uma.Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato. eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian. ma ntidos numa prisão.Oh! diabo. sonhador. Cathy. levaria várias horas. Sim. . Chris.replicou ele em tom despreocupado. Estudávamos juntos e. apesar de tudo. toda vez que Chris matava uma mosca. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la.1675-1840". alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si. Declarei com voz sumida: .. era exatamente aquilo que eu desejava saber.Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina . Quand . anatomia. Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela . E.Não está respondendo à minha pergunta. . .Bem.murmurou. o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. sufocado de emoção. . Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho.disse Chris com voz áspera.Mas fiz questão.indagou Paul.Isso não é da sua conta . Tanta coisa para aprende r: física. Entretanto. vivêramos num mundo diferente quando crianças.Creio que é. Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade. Eu gostava delas todas. Nada foi fácil.Eu amo uma garota . Cathy. pelo nome? Assim. . e não devia! . quando fomos para Foxworth Hall. . certamente. precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão. .respondeu Chris.Que belo brinquedo você me deu .em especial. também.acrescentou. quando saíamos com garotas.Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou. biologia. foi uma fortuna.Deu-me um sorriso engraçado.Nunca esperei possuir um des tes. po rém.Oh! . .. . Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara. chave e alça de bronze polido. após todos aqueles anos. de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos . O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana. Com quem você saía? Existia. Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo . embora não se tenha apaixonad o. Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim. além das roupas.. E funciona. .. ou existe. . que o fez parecer novamente um menino.Você saía muito? . se é isso que des eja saber. que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho. as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos . declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo.. e mais uma lista interminável de matérias. química.. Paul. E não é original. Agora. ou aranha. .Concedo-lhe apenas um palpite.suspirei.Conheci-a durante a vida inteira..Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar.. a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank. Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. Christopher Doll. um camundongo chamado Mickey. suspirava por um microscópio John Cuff. . . e darei uma deixa.Caso decida divertir-se nas horas vagas. tomando cuidado para não rasgar o papel bonito . falando sério: .e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico.Está vendo aquela janela no segundo andar. .Os camundongos morrem cedo? . Antes. Sim.Só nos fins de semana.

acordo para tirar-lh e piche dos cabelos. filha do Demônio. .o vou dormir. .e agora não consigo fazer que saia. eu jamais conseguiria odiá-la . como meio de castigar-me. ele recuou.. Port anto. tentando conduz ir-me a seu quarto.Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e. . bancando a virtuosa! . com os lábios em meus cabelos. gritando quando tem pesadelos. A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais.Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você.Às vezes. refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul. abracei-o e fitei-lh e o rosto . juro que não fiz. Virei-me. observando-nos e condenando-nos pelo que éramos. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa. Eu não que ria corresponder. você bem deveria saber. sonho com ela dançando acima de minha cama.. . à noite. como o dela t ambém dói. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris. . . Então. nem um anjo. às vezes. beijando-me o rosto.. ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem. Chris. Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta . caso se cortassem. espero que agora você esteja satisfeita. Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. acordo sentindo o corpo inteiro doer.Não me ame. Se m problemas.Pare! . e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite.Não mereço estar lá dentro. Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. que tipo de mulher é você.Cathy. e agora tira o corpo fora.Eu fiz exatamente como você. não demorarei muito a aco mpanhá-la. E.. excitouse de todos os modos possíveis. Não fiz nada. Em seguida. . E se você morrer antes de mim. Lá chegando. se você me acompanhasse. ela disse q ue a lua era o olho de Deus.Santa. afastando-me rapidamente de si.E deixaria Carrie? .não seu. cercada de todo acolhimento e conforto.. Esqueça-se de mim. anjo. Não era tão bela. quero odiá-la. então. então! . Sem a menor dúvida.. lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me. Às vezes. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros. Julguei que ele estivesse brincando de desejar. boa ou má. . que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. chego a pensar que você é igual à nossa mãe. Entretanto. convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família. você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte. movimentando-me como num sonho. sem mencionar Carrie. olhando a lua.Cathy. mas não consegui evitar. Não sou santa. parecendo magoado. Cathy. Cathy.. mas tente matar meu amor depois que ele começou! .replicou Chris com um sorriso amargo. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros. afinal? Correspondeu aos meus beijos.. Ele sorriu com ironia.gritei. chamando-me o nom e.aquele rosto que também me perseguia. Então. eis a garota que me persegue e governa. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian.. Pross eguiu: . Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei.Poderíamos levá-la conosco.Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. encantei-me novamente com a casa e os jardins.Odeie-me. Uma vida doce e fácil. . Permaneci onde estava. como se procurasse provas qu e me incriminassem. Deve haver algo esquisito em mim. naquele sonho. . E. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul. por Deus. .Cathy. é problema meu . tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. como fazíamos quando crianças.gemeu Chris.. Chris prendeu a respiração... .

Não me importava. egoísta. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. conseguisse ne gar a acusação feita pela avó. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais. Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se . e. enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança.de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam.não com sua espinha machucada. Do fundo do coração. Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário.Catherine! . A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo. não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. vestida de preto. E u continuava tentando provar meu próprio valor. Então corri para dentro de casa. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada. queria que eu tomasse todas as decisões. mais uma vez. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão. mas mudei de idéia... Certo dia. . aparentemente separou-se.Cathy. Avó. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. deixando-me muda a olhar para a po rta fechada.. Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa. No resto do tempo. dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso.dentre muitas outras . Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino.Nada! Meu irmão ficou calado por um momento. Madame Zolta a trataria com mais justiça. Não! Eu não era igual a Mamãe . Corre m rumores de que a Srta. Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente. Então. caso não fosse. que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol. . Encaminhou-se para mim.exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me. como sempre. Que fizesse papel de tolo. rápida e graciosa. Então: . no final. Com música de balé na cabeça. Veja. Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos. até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda.Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. poderia ser apenas mais um alarme falso. faminta. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . para que. Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando. cujas regras eram tão irregulares. Pela primeira vez. Talvez não estive sse grávida. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida. pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. dançando Giselle num grande especial de TV.Traz um artigo que talvez lhe interesse . Que Julian ficasse com Yolanda. Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: .. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano. . s ubi ao meu quarto. exigente. nossas celebridades locais .não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida. Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro. o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das.disse com ar indiferente. tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar. O artigo ia mais além. Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu. Não poderia erguer Yola nda com facilidade . Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: .

nunca mais volta ram às boas. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu. Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso. pela adulação. trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida. todavia. Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. Catherine. enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido.Como é bom rever seu lindo rosto. como Julian era boquirroto! .Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai. Julian significou d ois golpes contra Georges. conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! . Portanto. Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa. De perto.Na verdade. trate de ficar caladinha aí na cadeira.Por que se esconde nas sombras? . como um passarinho.Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! . . ela rosnou. . eu nunca . venha.nunca! . mostrando dentes mais alvos que antes. . Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório. mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse.Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora. ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar..Fomos rígidos com ele.. Apoiando os braços no espaldar. Fez outra pausa e virou a cabeça.Agora. poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece. G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso. Madame . .Sabe.Eu era mais velha que Georges quando nos casamos.só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança. perfe itos como nunca tinham sido.continuou. isto eu admito. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. . Então. E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. mas sempre o mantivemos conosco. Um dia. . Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . colocando-a de modo a poder c avalgá-la. Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor. que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande.replicou com rispidez.Não se preocupe comigo. Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro. fiquei grávida. ansiosos pelos aplausos. desde o início. . quanto mais tentávamos.Agora. chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe. Os cabelos negros estavam agora quase brancos. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação. Então. . Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho..indagou. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção.repliquei com muita calma.. suavizou-se e acrescentou: . você bem sabe que não pode ser deixado sozinho. com algum as mechas escuras. percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges. até um belo dia d . tenho certeza de que outros me desejarão. golpeou-me com seu olhar penetrante. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto. Passamos muitas noites abraçados na cama. . mas mesmo assim. com expressão tristonha e sonhadora .Agora. .Se meu marido já não m e quer como par. Oh! sim. de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante . eu lhe dava toda a minha atenção. avançando para mim. . atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás.deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. Ela fez uma carranca. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama.

nem Deus . amou-o quando dançava com ele. ministra-lhe drogas e foge. Talvez sempre o tenha amado. mas ainda precisando comprovar meu valor.. e eu competindo com minha mãe. por acaso você estaria em Nova York.repliquei fatigada. . você. entretanto.Não sou mãe dele. Então. quando. Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual. Julian competindo com o pai.. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas. Recuei em direção à porta. não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente. julga que odeia você! Agora. mais dete rminado ele estava a possuí-la. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele.principalme nte por pensar que magoaria meu filho. Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois..Se o ama. fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu. . nem padre. na verdade. não o quer.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. Não sei por que motivo tive essa impressão. Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . fazendo um jogo de mulhe r astuciosa. quer esquecê-la! E quando o conseguir. percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai.e Natal. ainda assim. . cujo idioma ele não sabe falar. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens . juntos.e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto. você era igual a Julian. oferecendo-se. agindo como se não ligasse. admirou-o. com meu ódio por minha mãe. cheios de suav idade e admiração. criando os fil hos daquele médico. fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . A seu próprio modo. postando-se diante de mi m: . Julian viu você! . foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. você era indiferente. Parou mais uma vez. Prometo agir melhor. que me obrigava a cometer loucuras. Considerei-a inteligente.. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo.. Quanto mais decidida você estava a vencer. sem entender que vencera e era o melhor. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo. eu.berrou com voz esganiçada. Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. procurando ir embora.muitas delas . estará dizendo claramente que não o ama.Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. Abandona-o.Sim! Sim! .. não passava de uma criança! E agora. que nunca o amou! Port anto. Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim. onde estaria você? Sem ele . não precisa dele! . Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido. quase sem fôlego: . ch ute-lhe o traseiro. apenas não conseguia aceitar o fato. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas.mas. você o aba ndonou num país estrangeiro. tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade. dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha. De repente.Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas.Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. como um gato de rua arrepiado. se ficar calada. está louca! Bata-lhe na cara. vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho.Madame. .Você chegou. que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer. com as pernas fracas e trêmulas. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto. Então. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas . de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . ele diz que você não o ama. quando não estava m dançando. mas estou disposta a voltar e tent ar. Todavia.

enquanto eu levava a sua..Sim . Quando conseguir salvá-lo. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. Paul e Henny. muito mais leve.. achando graça no seu jeito.Chris . Oh! estava maravilhoso na justa malha branca. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco. Procurei por Julian. co m agasalhos de lã vermelha nas pernas.Puxa! . A mim. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. e nem mesmo permita que ele o veja. Chris carregava minhas duas malas pesadas. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível.. ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente.Agora. . mantenha-se à distância. com o Georges. . no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? . mas não o av istei. E eu também tive culpa. Catherine. como sempre. Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris.Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. . Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie . Julian deve estar ensaiando no teatro. Ajeitei-me numa posição confortável. pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria. digno de ser amado pelo que era como pessoa. é para seu próprio bem. Diga-lhe. O diretor.Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho. e . Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. eu sempre soube. Paul se manteve afastado. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total. se fui dura com você. Teremos que ensaiar muitas vezes. antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. tão sonolento quanto eu. Na verdade. . Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. na metade posterior da platéia. Disse em tom consolador: . satisfeita de tê-lo perto de mim. Agora.exclamou-me Chris ao ouvido. Não é perigoso.replicou Chris num tom sombrio.Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim. esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la. Você precisa evitar que meu filho se destrua.resmungou ele. . embora soube sse que Julian ficaria furioso. Embora eu tremesse de frio. Num gesto automático.Pobre criança.indaguei sonolenta. salvar-se-á também. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição. Carrie chorou. o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila. em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa. O palco estava brilhantemente iluminado.respondeu ele. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho. O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado.. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa . . você será melhor bailarino que eu. apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem. prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. Entramos na platéia escura. Que seja muito em breve. ele o disse muitas vezes. caso as cois as corram bem. . pois este fincou pé: . . deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. Estávamos ambos cansados.Claro . . as câmeras de T V em posição.Também estou procurando. Ri. Vá depressa . atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço. Chris. Mas Georges se manteve em silêncio. tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme.Você é mesmo uma ótima companheira de viagem . O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu.A esta hora. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele.

Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia. dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela. . sentindo-me tão exausta quanto eles. Obv iamente.concordei. é ela! Sempre salta antes da hora! .Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras.chamou o diretor. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora. . . é claro. Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. eu entraria em ação. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! .É apenas a cobertura da Srt a. Marquet.Corta! . Dahl. Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção. Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo.disse o diretor.Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: .disse o diretor. fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil. Não obstante. vamos tentar mais uma vez. Yol anda escorregava e quase caía. . Lá na frente. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido. impaciente. Chris . Ou melhor. .Ei. apronte-se.Eu também. até então.Com licença. Desta vez. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! .berrou ela. que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda.berrou o diretor.Então. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco. Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. Lange . ela sibilou: . Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você. Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! . quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi. . Tudo estará bem. então. Gesticulando.Srta.Está bem . A despeito de m im mesma. O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. você não estava tão doente. arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele. usando uma malha vermelha. Cathy. . se me deixar cair.Sim . sarcástico.é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência. Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto.sussurrei . julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco... aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos.. pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles. Sorri. em breve ficaria se m par. Enquanto isso. Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas. diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda. um minuto. na primeira fila. que fazia todo mundo perder tanto tempo. Agora. comecei a ter pena de Julian.Marquet! .chamou ela com grande entusiasmo. Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. sempre com maus resultados. pude escutar as imprecações de Yolanda.esbravejou Julian! Não sou eu..Eu! . obser vando a cena como uma águia. você.Maldito! . de um para o ou tro. famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena. o resultado foi igualmente desajeitado. A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e. . tudo dava errado. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé.. Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta. indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . preste atenção a sua dei xa. pois eu também precisava de disciplina. aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo. Lange. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas.Faz-me parecer desajeitada. Os olhos negros me viram sentada. tensa. Mesmo eu. procurando acalmá-la. Então. Catherine! .refiro-me a você também. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. ..Ei. Perversamente. pondo-se de pé e olhando. sentada quase no fundo da platéia. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! . não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta.

Escute bem uma coisa. Ao invés disso.Nunca me amou.Olá . Portanto.Você foi substituída . Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim.repliquei. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios.. quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? . agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você. bem? .Maldito seja ele por fazer isto! .. amor. .Madame . Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores. Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco. pulou muito a lto e desceu com toda força.vociferou meu irmão. se fizemos tudo com tanta perfeição? .Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama.disse ele com grande frieza. calcei as sapatilhas. Yolanda tentou deter-me. minha amada Catherine.. de repente.Portanto..replicou ela cruelmente..Agora. vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e. . Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem. .disse Julian com amargura. . nunca me amou.Sim. meu amor . diretamente sobre meus pés.Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? .Intervalo! . um demônio. Empalidec eu de dor. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada.Não está dizendo a verdade . Hesitei nas coxias escuras. deixei-me cair no palco. Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem. . . Julian interrompeu a seqüência do balé. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . meu coração querido. Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância. mas não bastou. utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias . Meu amor . Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios.Seu marido. tarde demais para salvar-me. ele exibiu um sorriso malévolo. O alívio brilhou n os olhos negros de Julian . enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange.berrou o diretor.Você é um bruto maldoso e sem consideração. e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida. . Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse.mas apenas por breve instante. Chris correu do auditório escuro para socorrer-me. Julian é impossível! É um furacão. não sabe ser razoável! Logo ficará louco. Como poderiam cortar a cena. Então. especialmente minha esposa. esperando tudo dele. Agora. Ou melhor: logo nós fica remos loucos. boneca bailarina: ninguém me abandona. Por mais que eu fize sse ou dissesse. Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz. olhando para os pés que inchavam rapidamente.indaguei -. Certamente não será você. quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle. . Em breve estava pronta. ajoelhando-se para desca . ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor. fazendo um perfeito "colar de pérolas". Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys. sem parar de acomp anhar o ritmo da música.. empurrando-a com tanta força que ela caiu.Você não me ama . por isso a escolhi. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . Estonteada. Então. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros. Agora.. sei que você a detesta. você verá quem dançará Giselle comigo.tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia. caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. tentei focalizá-lo. . dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras. se não tornar a ver seu rosto. tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar. Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo. sozinha.

Portanto. Graças a Deus. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados. Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado. Você vai precisar de um ortopedista. .. Nossa sala! Que desastre! oh! Deus. afastando-se para examinar os outros cômodos. rasgado da moldura.. . Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim. Então. enquanto eu me derreei sobre as almofadas.. os médicos preferem ser exageradamente pessimistas. Esbugalhei os olhos.Claro que voltará a dançar . Com extremo cuidado. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito.Você é o irmão de Catherine.Ficará boa.. Temos seguro contra acidentes.Vândalos .mas não cons eguia. atirado no chão. Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede. Mas não disse do que dependia. beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s. mas gritei ao sentir a dor terrível . E Chris não pronunciou uma palavra. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . Depois.. azul e roxo que ostentavam. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente. Meu irmão tentava mostrar-se profissional.. muito querido . perguntei a Chris. boquiaberta. Sorriu.aconselhou. Mas aquele marido imbec il. as armações de arame retorcidas. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás..ordenou Madame Zolta. causador de toda essa encrenca? . a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação. distante . Os abajures espalhados pelo chão.Às vezes. olhei em volta.lçar-me as sapatilhas e examinar os pés. Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça. para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo .tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! . tornou a pegar-me cuidadosamente no colo. nem u ma só palavra. tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente. tudo depende. .replicou ele. procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. Olhou de perto para Chris. Cathy. .Simplesmente vândalos. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas. do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar. .objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos . basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados. Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. . soluçando e fungando.quis saber ela.Tenha calma . Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas. com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé. Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé. deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto.. tentou mover-me os dedos. .graças à sua perícia incomum. Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista.Lev e-a depressa para o médico. Mantive os o lhos fechados com força. confiante. . chegando-me até o joelho. T udo que era bom e caro. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira. Atemorizada. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos. os dedos maiores foram poupa dos. enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso. . abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto. as cúpulas rasgadas em tiras. Já que ele se mostrava tão calado.Você poderá ou não voltar a dançar. Desajeitadamente. revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito.Leve Catherine para o nosso ortopedista . Em meus pensamento s.disse Chris em voz baixa.

Haviam-me injetado sedativos. Nunca. hesitante. tornando as sombras suaves e arroxeadas. . Estava sempre presente quando eu necessitava dele. Sentia-me zonza.. por favor . jamais.Tolos? Não acho que fôssemos tolos.murmurei com voz sumida. os colares arrebentados. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados. com o rosto muito composto. as pulseiras deformadas.perguntei. E sou médico. . quando acordar. amedrontador. .Sim . . Lançou-me um olhar confuso e preocupado. Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. Fechando os olhos. deixando intactas as coisas de Julian. baixinho. ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas. . o vento uiv ava. meu único amor. .Cathy. Você atingiu sua meta e é médico .como no sótão. Eu. sentado na beira da cama.Você está b em? Parece prestes a desmaiar. .. usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia.ia ser o diabo! . O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates.Lembro-me. dizendo e fazendo o que era mais adequado.exclamou Chris. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. . Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos. Ainda zonza. fiz questão de não olhar.disse ele. . Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho. quase indife rente. ainda não sou uma prima ballerina .afirmou Chris calorosa . Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia. na qual colocara lençóis limpos.Oh! como Julian devia odiar-me.Chris. . Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo . no present e. . dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião. e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante.. minha querida. éramos pequenos. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto. quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio.disse Chris. desorientada e um tanto indiferente. Naquel a época. os anéis esmagados.Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um.Sim. Quanto ao anel que foi presente de Paul. Além disso. O aro de platina estava transformado num ova l disforme. A qualquer momento. não se menospreze. de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. mas apenas normais. E quando adormeci. tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos.começou ele. ele deve ter-me carregado para a cama. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo.. guardando no bolso o aro de platina.o ódio estava próximo. mas quantos foram? . pensávamos que toda a alegria ficara no passado. Alguém dentro de mim gritava incessantemente . Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu. Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu.. E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul. Sim.Cathy . .. Quando acordei.Não fique assim. mas não encontrou o brilhante.Não sei o que pensar. eu a levarei embora daqui. "Sinto m uito. porém.acrescentei com amargura.Julian . Logo adormecerá e esquecerá tudo isto. Ele nunca me bateu sem chorar depois. Ainda será uma prima ballerina! . não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . vi Chris como outrora.Deve ter sido ele. declarando-se arrependido. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol . pois eu lhe darei mais e melh ores. Chris. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences. mais tarde. Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo.Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó.Maldito seja ele!. tolos e confiantes demais. para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. estudava-me o rosto. julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava. Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. mais uma vez -. Chris procurou. . sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha.pedi em voz sonolenta e preguiçosa. você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? .Cathy .

. Chris.Eu a amo muito. enquanto el e não chega. Mas. Não teremos filhos. l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante.disse Chris. levantarei e não me meter ei na conversa. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas.Cathy.Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar.Entende? .exclamei. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. Ele não me quer perto de você.Ele não toma tóxicos! . Não quero que Julian chegue e o encontre aqui.. Portanto. Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida. tão logo ele abrir a porta. pois costumava agir ass im. Sem minha presença para controlá-lo. de volta à nossa casa. julguei por um instante que se tratasse de Julian. . fazendo-me amor com um abandono sel vagem. não se mova .Você precisa ir embora. as pálpebras. Oh! meu Deus. . Na verdade. seria dez vezes mais violento. Tento amar outras. . . pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos. sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance. Julian me ama e necessi ta de mim. . Além disso. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas.mente. Sorriu para animar-me. eu o amo. Fez uma pausa antes de acrescentar: .. Além di sso. Chris. pescoço e o bus to que desnudara-se. . você. . foi apenas para fazer-me entender isso.. você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian.que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s . onde ninguém nos conheça. tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas.. Eu estava sonolenta. e viveremos juntos como marido e mulher.. . .Além disso. a boca.Então fique.. causando-me dor e depois desculpando-se.Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la.exclamou Chris. há muito tempo. quando Julian chegar. . fique à distância e deixe as palavras por minha conta. abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros. Podemos adotar crianças. mas é sempre você. finalmente. E agora eu entendo.. Só então percebi.escutei-o dizer. sem prestar a tenção. Portanto.. Como num sonho. mas sedosos e finos. ou drogado. está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez. .A vida inteira só tive frustr ações. O s cabelos não eram fortes e crespos. À sua maneira... escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda... virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos.não s ei por que motivo . a face e. . Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono.desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. dolorida e preocupada com Julian. fazendo-me s oltar um grito de dor.Chris! .. como os meus.protestei. quando ele pode chegar em casa bêbado. beijando-me os cabelos.Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta. cobrindo de beijos ardentes meu rosto. Você sabe que seremos bons pais. acariciando-me. senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto. Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram.. Prometo não dormir e. Preguiçosamente. que àquela hora já deveria es tar em casa. Desorientada.Não me mande parar .Já seria. Suspirei.murmurou ele. .Pare! Mas ele perdera o controle. Quando você foi trocar de roupa no camarim. defendendo o que havia de bom em Julian e . que nunca poderei possuir! Cathy. eu a amo tanto! . Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto. não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. . sabe que nos ama mos . desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir. E não posso abandoná-lo. Se ele me bateu algumas vezes. como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava. cuidarei disso..

. Sou eu. . Cathy! Primeiro Paul. . recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé.Sra. e me deixou sozinha.. Mas não! Não haveria "se algum dia".. espantado.como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça. o segundo marido de minha mãe... não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian. parecia que eu o esbofeteara..Cathy. agora. Mesmo que eu nunca mais volte a dançar.declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu. estou esperando um filho de Julian. por favor. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia. recusava-se a escutar meus débeis prote stos.Você sempre me derrota. Sra... esfregando os olhos. que ambos conhecíamos bem. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe. Pela maneira como ele recuou. onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos. desisto dele. Chris saiu. Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona. depois Julian. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia.. De repente. De repente. é a mim que você quer .e com uma dúzia de outros homens.Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse. Sentou-se na beira da cama. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame. batendo a porta. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta. Traga consigo seus documentos de seguro. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. e este seguirá sozinho o caminho da fama. apenas você e eu. perto da balaustrada do balcão. mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar. .Quero o filho de Julian . e nossos gêmeos. pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne. Deveria ter sido melhor esposa. . Portanto.. tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes. ergueu o rosto para encarar-me.mas é um amor sem perspectivas e. .Chris.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la. demorei-me lá mais do que pretendia. Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont.. começou a chorar. ele não teria necessidade daquelas garotinhas.. estendi a mão para atender. curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos. um bebê.. portanto.. E nós pagaríam os se algum dia. liberte-me. Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes . Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone.. envolveu-nos.. então.Alô? . embora não visse minha expressão de recusa. Julian Marquet? Despertei um pouco mais. . deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias. Ju lian e eu vamos ter um filho.. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos. . A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco . escutou-me a voz. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. por esse motivo. Eu sempre amar ei você .Sim. Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e. lá em cima.mas eram pessoas de celofane transparente. . só abraçá-la.Poderia vir o mais rápido possível. .. O silêncio.. Chris. terei o filho de Julian . desejo que tudo voltasse a ser como antes.e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar. vou ter um filho com Julian .Christopher. Acordei sobressaltada.indagou Chris. a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente. se algum dia me amou. Bart parou de dançar. carteira de identidade e quaisquer . Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. Às vezes. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos.Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? . ..porque o amo. Então. .

eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a. Julian foi trazido para baixo.respondi. onde poderia ver-me e reconhecer-me..É melhor ele morrer agora . Pensei que nunca mais acordaria .e ela chorava. na Pensilvânia. e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto. baixando os olhos para a perna sob tração.declarava.. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza. Sabia que você precisaria de mim. Tod avia. não tive uma só noite completa de descanso. Chris telefonou para Madame Marisha.. chorava em meus braços.Ele vai viver? . Falava.sussurrava-lhe. onde podia cochilar a intervalos.Olá. Oh! não minta . Cathy querida . Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si. por volta de mei o-dia.É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida.disse ele. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia. Marquet?. Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" . aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido.Chris! Chris! . por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital. pareciam tão pálidos quanto o rosto.Você não teria tamanha sorte. Ela. Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer. O rosto pálido apresentava cortes e equimoses. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta. sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: . mas sua voz era tão pastosa. como costuma acontecer quando a morte está tão perto. Encontrava-me de volta a Gladstone..Seu estado é crítico.e os grandes também. Incapaz de virar a cabeça..Preferia morrer a estar assim. . após horas a fio na sala de recuperação.Se ele tem o utros parentes.Olá.Julian . .responderam com a maior calma. Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço.Não morra. fora de foco. Ele exibiu um leve sorriso irônico.Diga-me outra vez que ele voltará a dançar. Alugu ei um quarto ao lado do dele. estava colocado numa po sição peculiar. Olhava-me com olhos sem brilho. Sra. sobretudo. . O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. O braço esquerdo fraturado. também engessado.. e tinha onze anos de idade. Chris e eu chegamos ao h ospital. .. Afinal. .Estou aqui. Eu não estava no aparelho. oferecerem o consolo possível. sonhador. .dados médicos disponíveis. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. . . . arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo. normalmente tão cheios e vermelhos.ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar. pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava. Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos . Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield.berrei. Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade . E se isso a contecesse. rouca de tanto repetir a frase. . que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril. Ainda está no aparelho? Não. no hospital.um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro. Marquet . Os lábios.. Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento. Os dias se passaram. Sra. Então. . voltou para mim os olh os negros. aparentemente insensível . . sugerimos que sejam avisados.

Vá embora. Quando eu era criança.disse com amargura.. A medula não foi rompida. preferimos a fantasia.Gente como nós? . você não está paralisado.Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos. . Na verda de. no que restava deles. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido.. temendo que ele falasse a verdade..Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro.Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. Estou cansado . pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro.Julian.Julian . então? . tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo. mas insisti até forçá-lo a dizer: .Graças a Deus. E ncontra-se apenas em estado de choque. Todavia. Não pertencemos à raça humana. As lágrimas me corriam pelo rosto. Mas eu assisti. . . nada mais. Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade. . Bocejou. Este fechou os olhos.Maldito seja por destruir nosso apartamento! . . . mas eu não estava disposta a ser dispensada. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora. sonolento e amargo. .Jule. Senti-me doente. Julian tinha um braço são. Não obstante.disse eu. eu o amo.Nem teremos. Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também.Bonecos que dançam. satisfeito. como se não quisesse responder.Saia e deixe-me em paz. palavra de honra. . sentindo todo o peso da tristeza. . da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto. . Portanto.Só alguns? . Com a mão livre. Nem sua mão em meu peito. portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa. Você pode requerer o divórcio. Caia fora enquanto pode. agora pouco me importa. Mas estava enganada.disse Julian. arranco-lhe o coração! .. A cama era dura e não permitia movimento do doente.Não fui eu quem estragou suas coisas. acariciei-lhe o peito. . . .O que somos.não agora.Não totalmente infeliz.vociferei quando consegui falar .. você sabe. filhos não servem par a gente como nós. gente como nós.. foi Yolanda. não resta nada para ninguém. . Tenho sido infiel repetidas vezes. Chorei. ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa. permaneceu e stendido ao longo do corpo. recus .Não. Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? .Se tornar a sê-lo. por assim dizer. . Pensava amar outra pessoa. sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. Por isso.De todo modo.Eu o fiz infeliz? Ele piscou. não temos filhos .Está mentindo .. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu. Idiotas que dançam. têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real. pingando em Julian. Você não sabia? .Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. esmagada ou mesmo afetada. que poderia estender para abraçar-me. Não quero ouvir o que você tem a dizer .ou me lhor.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam. estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . . caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade. . .Não somos reais. Eu não presto. Tivemos alguns bons momentos. dispensando-me.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras. .Bem. furiosa. eu não sabia.Sim.Sim. . talvez mais que apenas alguns.. Cathy.

disse ela com voz sumida. morto.Pare! Você me enoja! . Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde. Estou esperando um filho s eu. . O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia.Deve ter caído do meu bolso . Cathy. olhei para o frasco pendente. sem reação.como eu os odiava! Condescendiam conosco. ele arranjaria ou tra.Aconselho-a a livrar-se desse bebê.Ele próprio. Cemitérios.O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa. que nos podíamos enlutar e chorar.solucei.. que se mantiveram duros. Acordei bem cedo n a manhã seguinte. No quarto ao lado. Paul. de volta e xatamente ao ponto inicial. Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome. Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé". Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian. contraídos.. e agora está morto. Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a. enquanto ele tentava orientar-se. . de frágil carne e osso. .. mas o tubo fora cortado! ..disse-lhe eu. ele praticamente cuspiu as palavras: . . com uma abertura para a agulha chegar à veia. . .Eu o amo. que vivíamos. . nós. O nível do líq uido baixava depressa.Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava. Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian. Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu.perguntou rispidamente Chris à enfermeira. enquanto eles ali permane ceriam durante séculos.Oh! Deus! . O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian.Catherine . . Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã. Aturdida. porque vai ser pai . Debrucei-me para beijar-lhe os lábios. Julian foi sepultado ao lado do pai.. mesmo que você não me ame mais. indiferente...E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais.atalhei.Onde ele conseguiu a tesoura? ..Está certo . mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira. . mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria . contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância.Ele próprio cortou o tubo . O número quatorze não dá mais sorte que o t reze. . Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian. quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . Rápido demais. Julian . Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado..ando-se a ver ou escutar.Chris .. não permita que seja tarde demais..queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas..Se não fosse dessa maneira.suspirou Chris. e vale muito a pena viv er por esse filho..disse Paul.Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração. Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira. tão piedosos e tão sóbrios . Chris passou a noite inteira abraçado a mim. . que c omeçava a tremer. .. E lá estava eu. na minha opinião. com suas estátuas de santos e anjos de mármore. Dormia profundamente. Não sei por que razão. Em seguida. eu não sabia. Eu devia ter previsto e prevenido. . Nada. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an. Voltei para sacudir Chris e acordá-lo. todos sorrindo docemente. fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian.ou o que eu julgava que ele queria. Ao entrar. sorrindo piedosamente para todos. Por favor.. fingindo não escu tar. Não feche os olhos. . A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada. Chris..murmurei. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos. Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração.Juro que não me lembro d e a ter perdido.

Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. Julian não está morto.Cathy . tinha que tomar muito leite e vitaminas. eu ouviria música de balé todos os dia s.? .exclamou Madame Marisha. Precisava cuidar-me e não comer certas coisas. permita-me ficar num lugar mais próximo. Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora.Objeções? . todo seu.disse baixinho -. eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus.Talvez seja uma menina. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim. . minha.Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade. balançando-me na cadeira pred ileta de Paul.Deus. alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e... Não olhei para ver ificar quem era. Nunca. Todavia. meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança. pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha. Não virei a cabeça. E ter pensamentos positivos. não vingativos.. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê. jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! . ensinando-o a dançar.Catherine.Duke fica tão longe. pois terá um filho que será exatamente como ele! . pois já sabia. Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o. .Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho.. . poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé. em sua infinita sabedoria e bondade. vier ao mundo. pensando na criança em meu útero. Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. muito bela.Boa noite. como interno no Hospital Clairmon t. sentado no banquinho escamoteável. . eu estaria a seu lado. Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior.. . Ele me tocou.disse Paul suavemente. Passei por Chris. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro. detesto vê-la aí sentada. que jamais seria negligenciado.exclamou..respondi. se for um menino não fare i objeções. Ainda é muito jovem. .ta. Subi lentamente a escada.. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet. . Compreendiam-me. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente. mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite. portanto. . Não. Cathy . Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . Paul . Menino ou menina. evitando-me o olhar. depois que seu bebê nascer.. com essa expressão tão perdida e d esanimada.Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante. Dentro de mim. Estremeci . Sorri. . não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha. Olhei para Chris. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida. Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro. . Madame . .Seu quarto está exatamente como antes.à frente e atrás. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar. que se preparava para descer a escada.. estendendo a mão para pe gar a minha. A partir de agora. ou sobrinha. Preciso de tempo. co m rebeldes cabelos negros.Agora não. c aso não se importe.Não se demore m uito aqui fora. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho. eu estava sozinha na varanda dos fundos. Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu.Está esperando um filho de Julian? . Quando precisasse de mim. Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer.disse ele.. Chris também estará lá. a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. . levantando-me para entrar em casa. Mais tarde.Agora. As tábuas do assoalho rangiam de leve . Quando ch amasse por sua mãe. Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar.

ela também causara a morte de Julian.. Detestava movimentar-me desgrac iosamente.Desde que você voltou. tão bem quanto conhecia Chris. Querid a. Um dia. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. Japão! Puxa. porque todas as mulheres olham para ele.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo.. Winslow. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina. Carrie escutou-me. Paul é bonit o. Darei um jeito de sustentá-lo . Carrie queixou-se comigo: . eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York. de cabeça para baixo e na posição normal. M amãe! Cara Sra. três vezes mais que isso. enquanto a barriga crescia. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança. Tomei Carrie nos braços e consolei-a. pois estará mais que disposto a amá-la. Então. co mo antigamente. Cathy. Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. mas permaneceu emburrad a perto da janela. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida. que definhava por falta de romance.mesmo que sejam trigêmeo s. Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença. por meios sutis. apesar de velho. Estou esperando um filho dele.o que me aterrorizava. quase da sua idade.. Oh! tive meus momentos de nostalgia. ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão.. Homens que. exatamente como morreu seu m arido há tantos anos. pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os. Depois que a vir e souber como você r ealmente é. de algum modo. para mim. Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados. viúva e velha demais para um estudante. E bem poderia fazê-lo. Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim. Ri.. por dentro e por fora. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas. sabendo o que meu irmão desejava. Suspirei. pois havia dois homens que necessitavam de mim. Carrie. tiver a namorado ou fora a um baile.. como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. declarando que aquilo era ridículo.. deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian.Será jovem também. Paul jamais seria velho. agora com dezesseis anos. . . vem apenas para poder ficar perto de você. E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. Mais outra morte em sua ficha. novinha em folha". pois. o Dr. pequena e doce Carrie. E tinha Carrie. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil . Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. Eu as conhecia. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. não precisará ser coagido. mas meu namorado e is so me alegrava. Pois. Agora. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara. eu esta va com os pés firmes no chão. nunca saíra com rapazes. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. espero. Eu fazia de conta que ele não era meu tutor. O Dr. se decidisse esquecer sua pe quenez física. .

. agora que outr o belo marido morreu. cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza. certo dia o pai morreu e a mãe se transformou...Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez.Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador.Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido.disse mansamente.Trate de continuar seus exercícios. não é mesmo? . Pensei que você soubesse.respondi indiferente. A vida s em um homem parecia nada significar para mim.Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. ela se ergueu e foi para seu quarto. estarei a seu lado.. Contudo. que nunca se sentirá abandonado ou traído . Preocupava-me com ela. desn ecessário ou indesejável. Volte . Choro principalment e por você. recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine.Por que sorri assim? . Comecei: . Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: . Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". Pensei também. esquecendo-se por completo do amor. E la ainda falava em amor. Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. Choro seu belo marido. que finalmente estavam curados. . pelo jeito como você me olha. caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade. A vida nos oferece muitas oportunidades. meu amor. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente. . Desajeitadamente. não apenas uma. Então. uma parte dele que eu poderia guardar comigo. Catherine. apoiado por Paul. embora me doessem quando chovia.. traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar. não permitirei que meu filho se sinta negligenciado. O seu presente foi o melhor de todos. Olhou para meus pés.Muito bem . Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an. . Eu a amo.Como sente os dedos. . . que um dia voltaria para mim. agora? . sem se deixar convencer por meus ar gumentos. Lerei e cantarei para ele. espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades. .quis saber Paul. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. Envelhecia com uma rapidez espantosa. Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda. órfão. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço.Você ainda me ama. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora. .disse Paul. deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. pois estava sedenta de afeição. Pouco de pois do Natal.Poderia prosseguir em sua carreira . Aceitei pressurosamente o convite. Amo seu jeito . Movi a cabeça para encará-lo nos olhos. Quando meu filho chorar.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo.Isso não é resposta. Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público. E os adoravam de modo quase irracional. comia o que tinha vontade.Calada. Portanto. Chris. Lá estarei semp re. sem dar importância a calorias ou colesterol.Não é mesmo? . insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas. debrucei-me para entregar-lhe o bilhete. exercite-se.Não creio que seja necessário responder. Mantenha-se em forma.

. Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo. também não podia magoar Paul. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico. menos você. Prendi a respiração por causa d a dor aguda..Você é a parturiente mais calma que já vi . .declarei com voz sumida. Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha . .o Dia dos Namorados .Prec isamos fazer algo quanto a Chris. até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás. . O que ele deseja é impossível. se não me ama.respondi.de sorrir. . usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno. mas recusa-se a escutar.Você nada me deve. Faz um mês que estou pronta. de nadar. envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa.Posso entrar? Ele abriu a porta. de falar. Já tentei discutir o assunto. de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava. .Sinto muito haver chegado numa hora imprópria. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo. Era preciso tomar uma providência quanto a Chris.Graças a Deus! . antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor. com as mãos nas costas. Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo.Catherine . acabo de sentir a primeira contração. Em seguida.Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam. encarando-me com frieza. . E eu repli quei: . Meu irmão entrou. A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez. Tinha conhecimento de que doeria.Paul. Dói tanto? .Oh! . vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul.só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul. Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei.Pensei que você estivesse de plantão esta noite .só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela. Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando. para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam. no outro lado da porta fechada. . Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. . Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste. .disse Paul. Girou nos calcanhares e saiu da sala.. .Estou de plantão. Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro. Qualquer pessoa. que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. Prossigam o que estavam fazendo. . Dê um basta em Chris. mas é uma noite tranqüila no hospital. desejando que ambos os lados vencessem. despertando imedi atamente.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris.exclamou ele.Teve outras contrações? . mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S. é muito difícil dizer isso a ele . Ele resmungou algo à guisa de pergunta.Julian.comentei depressa demais. Lembre-se disso.mas não fui bastante rápida. . isto é. você está prestes a ser pai! Levantei-me. . ajudando-me a sentar. Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga.Naturalmente. Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . nada mais. como se ele pudesse escutar-me: . desgostosa. Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais.Já está pronta para irmos? .comentou. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços. . Tapa os ouvidos e se afasta. Tentava eq Queria-o sempre comigo ... Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul. apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata. mas não d emais. Era como se eu assisti sse a uma batalha. Sente-se e tenha calma! . despido da cintura para cima. dando o bastante a cada um deles.Para mim. Valentino .. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa.disse Paul em voz baixa. como se observasse minha reação.Cathy . bem de leve. Paul tinha razão.

vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza. E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto. um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro . .Henny.Graças a Deus vocês chegaram! . Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins. berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam . Eu não sabia o que responder a isso. não se preocupe. mas foi Chris quem pegou meu menino.É lindo!.Devemos procurar nossa própria casa . que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio. Fique calma .Se ele fosse louro. vou colocá-la no carro. dizia: "Madame. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital. pele clara e macia. engasgada de dor. que entendeu meu raciocínio. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a.sussurrei encantada.Por que vai chamá-lo de Jory? .sentindo mais uma contração. por assim dizer. . Sendo moreno. Quando Paul tornou a abrir a porta da frente. ainda com o cordão u mbilical..concluí. Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai. Sob o toldo que protegia a entra da de emergência. Dobrei-me para a frente.. Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam. consegue vê-lo? . sujo e ensangüentado. Chris e Paul lá estavam. de estar com ele e Henny. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie.Comecei a dizer que não. Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e. . Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai. Desde o início. Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe. .C hris. Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção.Seu nome é Julian Janus Marquet. Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela. quando senti a segunda dor. logo me vi acomodada na cama .. . vendo o cabelo escuro e ondulado.corrigiu ele. explicou: . Primeiro. Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados. Pensáramos em tudo. Nossos olhares se encontraram e eu sorri.Muito bem.murmurei.Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades..e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. depois. o toque e até mesmo o som dos passos. pegarei a mala.Para se atrapalharem . . Parecia conhecer-me a voz.Quinze minutos depois da outra . colocando-o no centro do palc o.disse Chris. o perfeito corp inho vermelho.quis saber Paul. . Minha própria voz. Meu filho nasceu três horas depois. . depois de me dei xar no carro. escutei a gravação tocando para Madame Marisha.. Não obstante..exclamou. teria o nome de Cory.Para que você conte com a melhor assistência profissional possível . o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. grava da duas semanas antes. com seus anelados cabelos negros. Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me. . seu neto está chegando". sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes.Cathy. g ritando em seguida na direção da cozinha: . Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr . Não tive forças para responder. que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory. . o "J" será por Julian e o resto por Cory. olh os azuis escuros. o que não era possível em casa de Paul. mas Chris. Gostava da grande casa de Paul. ambos com lágrimas nos ol hos. cert amente foi o meu Jory. mas eu o chamarei de Jory.

alternadamente. sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. .Não ... ansiosa por ter um filho só para si.furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade. com menos de um ano de idade. completamente remodelado e equipado com um berço. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul. tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera. um cercado para Jory brincar. eu seria agora esposa de Paul. Carrie é muito parecida com você. con tudo.dois homens haviam-me ensinado bem. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. Já não era uma doce virgem inocente . tão parecida com uma criança e.mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino. para tomar formas mais arredondadas . . Portar-me-ia como ela se portava com Papai. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me. a fim de esco nder o embaraço. Não contive as lágrimas ao vê-la. Se ao menos Julian não se tivesse interposto. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido.disse ela.Sim. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto.. Jory parecia muito satisfeito com sua situação.como Carrie estava pagando! Diariamente. prolongados olhares significativos. Soaram passos na escada. Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite. . e Jory seu filho. Ainda assim. Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro. claro que terá. Cathy. Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez . cada um começando a encarar o outro com inimizade. E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. Livre para fazê-la pagar . Agora eu estava livre. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever. não fazia manha. Carrie ou comigo. Todavia. como se nos avaliasse e examinas .Eu devia correr para pegar a máquina . Então eu era obrigada a intervir. mas não quero quebrar o encanto. sem um marido para tolher-me .. embalando-o para dormir na noite de Natal. pensando melhor.Cathy . minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção. Então. eu amava Jory por ele mesmo e. . Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. Uma palavrinha: "exceto". tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava. mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris. ambos desejando -me. . deixando-me a observar sua saída. Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz. Senti a presença de Paul junto à porta.onômicos.disse Carrie num sussurro. Rapidamente. . Não quis continuar os estudos. Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer. Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais. Carrie tomou me u filho nos braços. a fim de não acordar Jory. confuso e de olhos arregalados.como ela. Recostei-me nele. exclamando: .sussurrou ele.Não enquanto Chris estiver em casa. sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente. não era mimado. retirou-se devagar. todavia.Eu não acredito . Paul entrou no quarto. Simplesmente aceitava. .Acha que algum d ia terei um filho? . livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço.Os dois ficam tão lindos j untos. excet o no tamanho. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura. não chora va ou fazia exigências desnecessárias. agora que Chris se retirara para seu quarto. Chegou o Natal e Jory.protestei em voz sumida. Paul instalara no andar superior um quarto de criança. ficou sentado entre seus pr esentes. cantando baixinho u ma cantiga de ninar. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e.

não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . Trate de arranjar uma namorada. se eu fosse uma abelha. Henny batia as panelas na cozinha. Por que você e Jory não me acompanham? .Sinto muito. que me abrace quando e . depois.Chris! Você não pode fazer isso! .para completar o período de treinamento. Cathy. Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha. exceto a rosa.Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar. Meu coração deu um salto. mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos.seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo. Paul iniciou sua corte a mim. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos. Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente. Vá sem mim para a Clínica Mayo. . e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . Não sorria para e le.e da mãe. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo. Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento. por favor. Tinha a paciência de Chris. Por favor. Em seguida. Chris ficou furioso. . .disse Carrie certo dia..disse Chris. era nossa hora preferida de percorrê-los. É o que preciso. Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio. as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas. seu primeiro dente. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama.os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont..É esta cidade . mas a Clínica Mayo me aceitou como residente.Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul. ele sorria muito mais que ela .Pretende permanecer aqui depois que eu partir? . não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos. . tensa e sumida: . Chris ia abandonar-me! .Veja esta folha de carvalho .. Afinal. exceto por meu intermédio. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta.O que você precisa é de um bom advogado. recusam-se a pagar.indagou ele. juntos. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha. quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar. Por f avor. Apesar disso. também. . embora não sejam tão altos. não sou a única mulher que se parece com nossa mãe. Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. Entretanto. . Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos.Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você. de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas. A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins. .Sim.A folha de cada árvore tem sua própria forma. o que é uma gran de honra. não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade. amargurado.se nosso relacionamento com ele. para mostrar-nos que ainda estava acordada . Cathy. a cláusu la já caducara quando ele morreu.Você é como uma rosa. o que lhe tomaria mais três anos. que duraria dois anos . textura e odor. fiquei chocad a. Não obstante. . . seu prime iro engatinhar de mim até Chris e. nada em Jory me fazia lembrar Carrie. . portanto. Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont.muito mais famoso . .Se a companhia de seguros de Julian me pagasse. Contudo. Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava . Chris. Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital .Ora.. dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. a tranqüilidade e intro specção de Cory.e ocupada. Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação. Nós todos.Chris. até Paul e Carrie. eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé. Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava. quero um homem com quem eu possa ir para a cama.

Esqueça-me. Catherine. Paul olhou-me intrigado e. a época de Chris partir. Agora. depois. nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era. com ele. Paul ta mbém não precisa de mim. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. Assim. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro. . negando. be m. Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal. pois é mais forte que ele. Acabará fazendo. sempre fui um idiota. mas agora que Julian se foi.Não está falando sério! Chris me abraçou com força.Não.. Mas obriguei-me a sorrir.Muito bem. você é a única mulher no mundo.Poderíamos morar juntos e. Outubro chegou e. eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens.quando eu era o único ho mem disponível para você! . os olhos negros cheios de desconfiança. aberto e reto até P aul. .replicou ele. se Mamãe permanecesse longe.. de qualquer maneira. desejando o impossível. Chorei no roseiral.. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. . e. Fitei Chris. .Eu poderia tê-lo tratado melhor. nunca se podia dizer com certeza. . cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta.replicou ela com rispidez. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente.. .. Sinto t anta falta dele. fiz algo completamente fo ra de meus planos.. . meu caminho estava limpo. saber qu e se ia. Talvez.. Sacudi a cabeça. enquanto eu possuía algumas idéias próprias . Era tempo de entrar em ação. E vo cê me fez desejá-la. mas falo sério! Naquela época.. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. Você não precisa de mim. empertigando-se. Então.u sentir medo. ele não agrediria por raiva. do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente. precisava de dinheiro. de uma casa só para mim. que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna .Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo. tremendo qua ndo ele me largou. você me pertencia e. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. Agora. suponho que você me consid era velha. invadida por um sentimento de culpa.Não pretendo morrer .exclamei..Veja o que fez! . O primeiro peão a mover seria o Dr. assumiu uma expressão mais perspicaz. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos. E deparei com Paul! Espantada. colocando-as em meu álbum. . não procure assumir o controle e mandar em mim. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r . mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe. meneou a cabeça com evidente relutância. seria mais fácil. porém. mas ao contrário. embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. creio que não daria certo para você .Mas sou um idiota. . compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha .Para mim. Advogado.. Todavia. fez-me amá-la. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. Contudo. Cathy. embora eu nunca pense nisso. Julian precis ava de mim e eu fracassei. a seu m odo peculiar... As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava. desembarcando do avião acomp anhada pelo marido.Não estou? Deus me perdoe. Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e.Não! Será que não entende que não dará certo? . Vê-lo arrumar as malas. faça como quiser.tudo aquilo me deixou doente. Poderia ter-me feito odiá-la. Eu concluí seu argumento: . só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente. Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro.declarei. Na realidade. . Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . como antes .Sim. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa. . Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei. Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque. então.

Interrompi-me. Portanto. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal. decidi que já aguardara o suficiente.. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares .. advogado. Sra. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu.. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema. eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio. Afinal.. E se. Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo.replicou Paul com um sorriso irônico. marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. escutarão fatos horríveis que a senhora. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto. em Gladstone. Winslow. depois de passarem meses infrutíferos. ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava. Sra. num piscar de olhos. E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. Escrevi outra carta.. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição. De toda for ma. eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera. prefere que ele jamais venha a conhecer. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". mas ele se recusa a escutar. parte daquele dinheiro nos pertencia. mais capaz. de que se o dinheiro não for de vidamente remetido. vi-o de perto e. Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos. Tento conversar com vo cê a respeito. depois outra. Sei.exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. e ainda outra. de modo que irei diretamente ao assunto. mas também se recusa a escutar. Winslow: Era uma vez. em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente. Cordialmente.. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito. tenho certeza. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . mais inteligente e esperta. Levantou-s . que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. com a raiva aumentando no peito. Agora. Minha mãe pretendia ignorar-me.Desde o dia em que Julian m orreu. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe.se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol. E esteja certa. após muitas tentativas fracassadas. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. Contudo. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe. os ouvidos do Sr. liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz. ou bilhões. além disso. f icava desapontada. desta feita.. s eja independente. A cada sete dias. Tentei con versar com Chris a respeito. de certo modo. Agora. encontre-se a si mesma. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. Eu estava muito endi vidada. Então. deixando para trás o Natal e o Ano Novo. eu poderia saldar todas as minhas dívidas. Bartholomew Winslow. vá morar em sua própria casa..Compreendo . quando ele está noutra cidade. embaraçada. entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe. Catherine Dollanganger Marquet . volte para mim. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar. a boneca bailarina. na Pensilvânia. tinha um filho e. . Oh! que mentira! . Portanto.. ele tinha os olhos bem abertos. Este já fizera mais que o suficiente. Bacharel em Direito. eu enviava uma nova carta.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro. Todos os dias. Todos os dias. Wins low. também precisava cuidar de Carrie.

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

. . to das as casas custam muito caro. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda"..Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir. e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos. não exatamente. . que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados. festejado sem a presença de Chris. Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos.Ele é tão lindo. . abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. Carrie ficou muito excitada.. funcional e não muito dispendioso.Vocês precisam de algo compacto. Terei ao menos seis filhos. instalada há cinco anos.Não se preocupe . talvez mais. No dia seguinte ao aniversário de Carrie. . Olhava pela janela e depois me fitava. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto. após nos instalarmos em nossa nova residência. Carrie. de modo que não terei filhos para amar. . cuja mansão fica na montan ha. outros com você e Chris. mas resolveram vender a casa e morar na Flórida. O banheiro e a cozinha também foram reformados . é a óleo ou gás? . de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares.Não. topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta. mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada. Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora. com exceção dos seus . ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado. .Gás natural. a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco.mas não mencionei o assunto. . Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora . Contudo. Contudo. Era grandalho na e masculinizada. Foi no mês de maio. estamos voltando para lá? . Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite. Paul. O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. . . Contudo.A caldeira. considerando a quantia suficiente . os g randes olhos azuis muito abertos. eu precisava agir assim . Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. Sou até capaz de apos tar cinco dólares. Tenho o palpite que.replicou ela. Quando Jory adormeceu. À medida que avançávamos para noroeste. Uma delas é deveras boni ta.. escoando bem a fumaça.Ninguém vai querer casar comigo. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. ajeitando-se para tirar também um cochilo. Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo. com um lindo jardim.declarou alegremente.Não é verdade. Quero que alguns se pareçam com Jory. uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. Partimos em meu carro.compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados.A chaminé dá a impressão de não funcionar. existem alguns chalés menores.Cathy. Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas .Oh! adoro viajar! .. a S rta. é fácil ver que adoravam a casa. Creio que Carrie também ficou..Eu a amo. Carrie. Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da. os grandes olhos azuis cheios de temo r. Jory e eu. Nesta zona. . não apenas s eis. Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge. no banco dianteiro do carro. .mesmo que não fosse.É ótima.. Henny nos observava . comentando tudo que víamos. Cathy. só falando em negócios. e um ou dois com o Dr. Logo de manhã cedo. Agora que estávamos a caminho.

disse eu a Carrie. com uma lareira ladeada por estantes.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. mas. de repente. Soltei uma risadinha e ele também so rriu. mas pediu-me que o tratasse por Al ex. se nunca tivéssemos visto aquele livro.Em que está pensando? . animou-se por algum motivo. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina. Àquela altura. de proporções razoáveis. graças a Deus.Na verdade.Sabe. . naturalmente.. que adorava cozinhar.quis saber Carrie. muito miúda. e tinha cerca de noventa anos. o resultado foi delicioso. . que jamais mudavam de aparência. naquela noite. Com o madeirame pintado de branco. toma r Carrie e Jory pela mão. Freqüentam as aulas por vontade dos pais. podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos.. Sempre que possível. Em certa manhã de sábado. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais. si tuada acima da farmácia local. espancados e mortos de fome. . Paul e Henny?. O espaço aumentou e tudo parecia maior. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. Srta. eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu.. . . Dahl.A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira. Contudo. Carrie. deixando-os lá para serem torturados. . eu levava Jory comigo para a escola de balé. Cathy. Talvez. Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar.Vi-a dançar Com seu marido. embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. no início de junho. embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. um jovem bonito. Era loura. Carrie emburrou-se. Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. economizando a despesa de mão-de -obra.Acha que devemos voltar para visita r o Dr. Entretanto. do desespero. Espero que pense nisso.Mandaremos instalar um forno embutido na parede. sabe que não podemos fazê-lo. não tivera meu passado ou meu tipo de infância. no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão. com porta de vidro . ao me smo tempo em que tomava conta de Jory.. depois. tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha. Eu dava aulas na escola de balé. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe. forneceu-me uma lista dos alunos. Na verdade. mas a sala era em forma de "L". e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me. Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel. Carrie. Chama-se Theodore Alexandre Rockingham. . . Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. pois não me sobrava tempo para isso! . A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar.Claro que sim. Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. talvez. como também par a tê-lo perto de mim. viu-me com Jory e perguntou se era meu filho. não me atirara àquela aventura de olhos vendados. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa. ouvir e ter a sensação da dança. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos.

muito vermelha. já viu sua mãe? . com uma expressão estranha. Oh! Deus! Tomei-a nos braços. de modo que Bartholomew Winslow e S ra. Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele. Paul piscou um olho para mim. ele nem notou que sou tão pequena. Cathy c uidou do resto. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar. Paul ficou calado durante longo tempo. ele me convidou para um encontro. querida: convidarei Paul para vir este fim de semana. vo cês se viram antes. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito.Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa.indagou ele. Cheia de felicidade. .. claro que estarei. . Alex era um rapaz bem apessoado. afinal.Então. . fitando-me temerosa e tremendo de esperança. Ain da não se decidiu. O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também. Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim. pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: . . querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho. modesta. de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim.Cathy.Estão aqui. . Catherine. ela e o marido .. como se fôssemos casad os há muitos anos. baixou os olhos. você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz.Não o conheço o suficiente.protestou ela. observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras. .Ouça. . em frente à lareira. Eu só recheei a galinha . . eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar.É muito acolhedora. Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços.. acrescentou: . com um filho. residirão com ela.. poderei verificar se ele serve para minha irmã. . Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria..Você estará aqui se ele vier jantar? . . ou talvez pastor protestante..Oh! Cathy. mesmo quando era casada com Juli an.. senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa.Não .Por que não? . Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo.Mas. De repente.Cathy preparou quase tudo.Quero fazer amor com você.. Abraçou-me ternamente e assim fi camos. . Só então entendi. viúva.. em Maryland. m as. Não me parecia errado. até que morra. Então. Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. Depois. mostrando que compreendia. mas.respondi em voz baixa. Vamos convidá-lo par a jantar. .Carrie. Ele não vai querer uma mulher mais velha. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. Despimo-nos rapidamente. .Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços.Onde me encaixo eu? .Ora. . . Além disso. de vinte e três anos. preparei o molho. Já falou com os pais a meu respeito. . O jornal local noticia-lhes todos os movimentos. . fiz os pães quentes e os suspiros. . De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico. .Escute. encarando-nos nos olhos. Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos.murmurou.. ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde.Fez uma pausa.Gosto do modo como arrumou a casa .Moram em Foxworth Hall..Não.gaguejou ela. . amassei as batatas.Você aceitou? .Cathy. que elogiou minha comida.. Ela me fitou demoradamente. . Paul e eu sentamo-nos diante da lareira. Cathy. Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé.comentou ele. antes que Carrie volte para casa. no sofá. Jamais deixara de amá-lo.

então o céu deve ser perto de você. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. quando mor rer. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado. diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. E quando tiver essa idade. Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. há o problema de Mamãe. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos. Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão.Oh! Catherine. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado. Tive uma terrível sensação de pânico. Chris. tendo-a em meus braços.. est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente. mas deixei que meus braços falassem por mim.Minha Lady Catherine! . amando-me como eu a amo. . Mas tenho certeza de que se magoará. espero que a paixão ainda nos governe. como agora. com você me abraçando e fitand o como faz agora. O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos. esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer.. embora. eu vinte e sete. que seja após fazermos amor. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e.. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada . da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó. .era a voz de Chris. não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá. pois freqüentemente o chamado . Cathy. Sim. . no estado de pesadelo em que me encontrava. Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. o telefone começou a tocar. querendo arrastar-me também. desejando protegê-la. Sempre que algo de bom me acontece.. acelerando-se . . Em seguida. Cathy. Parecia-me uma idade impossível para ele. mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me. má.Paul é muito mais compreensivo que você.Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando. boa aparência. acordei repentinamente. A amiga deu-me o número de seu telefone. com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé.indagava ela. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura. pois tinha a impressão. exatamente como Cory. Ele sacudiu a cabeça. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul. O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso. e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! . ou noventa. Na calada da noite. segurando-me a mão. manipulando o aspirador. Despedi-me rapidamente e desliguei. Cathy? . Alex fosse apenas um jovem comum. . Além di sso. Estendi preguiçosamente o braço para atender. Entretanto. Se for pecado.Ele não é lindo. na realidade. então sentei-me bruscam ente na cama. E. Então. Chris completaria trinta em novembro. E eu concordava. . Cathy.Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. Está sempre fugindo de mim. amando-a. porque estarei sempre e m seus calcanhares. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa. que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim.O pior de tudo é que compreendo. sinto-a ao meu lado.pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis.. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso. Fiquei sem saber o que responder. . como você sabe que está. eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura.Que belo e poético . acima de tudo.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul.repliquei.

Uma semana mais tarde. . passou a maqui lar-se. Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã. como o meu. E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir. Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim . como é natural. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça. num tom que me .Agora. . . .Está passando bem. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. Carrie.Em breve. beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão.indaguei. Portanto . Eu não precisava adivinhar. Tinha o cabelo naturalmente ondulado. Cathy. querida? Por que não dorme? .Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres.Que maravilha! Sinto-me feliz por você.Você é capaz de acreditar. Chegava a borbulhar de excitação. Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r.a crescentou num tom inexpressivo. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! . obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los. Sua juventude. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis.Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas . abraçando-a. Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo.Oh! Cathy. que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. encurralando-nos como outrora. pois já sabia. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal. minha cabeça já não parece tão grande. olhando para as montanhas escuras.era para ela. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie. voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes. pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! . acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la.Alex pediu-me em casamento esta noite . que nunca tinha insônia freqüente. .Queria ficar perto de você . hem? E notou como fiquei mais alta? Ri. Ele não fala muit o. P ortanto. louro e de olhos a zuis. No fundo.Veja. Ri.nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado. Levantei-me e me aproximei dela. Sentia-me feliz por ela e por mim também. escuras e misteriosas dentro da noite. Farei minhas roupas.disse ela. mas cortou-o à altura do s ombros. adivinhe que nome lhe darei. limita-se a ficar sentado. contentar-me-ei com isso. alarmei-me ao vê-la ali.declarou Carrie. olhando-me daquele modo suave e especial. ou com um incêndio no outro lado da rua. Cathy: resolveu ser pastor. se Alex não me amar eu prefiro morrer! .Não quer ser esposa de um ministro de Deus? . Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim. Carrie. Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco. sentia-me temerosa. Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos. O primogênito de Carrie. Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela. como costumava fazer quando criança. Pela primeira vez na vida. Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . Estendi os braços e Carrie se atirou neles. Quero ser p . . Exclamei: . ara ele a melhor esposa possível.Eu sei! . teria o nome de Cory.exclamou. Carrie! E por ele também. Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor. as dele e as das c rianças. onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono. Carrie. sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia. . Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. Cercava-nos por todos os l ados. Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade. co mo eu. mais elegante. .sussurrou ela. Cathy! .Ele me contou uma coisa.

Ninguém é. a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta.Como pode ter certeza? Ele lhe contaria. Não somos órfãos. Carrie.Querida. não sei como dizer tudo da maneira correta. ou como dizer. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você.. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. explicou: . nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. Ansiava pela presença e apoio de Chris. . E isto é mentira. Cathy.Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. Absolutamente ninguém é perfeito. perfeita. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza. .. Quando era mais jov em. mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado. Alex deseja uma mulher perfeita . Eu não entendia direito o que ela queria dizer. se Deus não quisesse que nascêssemos. Jamais fez alguma coisa ruim ou errada.Carrie. mas senti que a cul pa foi minha. exceto que passamos à tutela d o Dr. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. . Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto. Cathy. Paul quem me esclareceu. sou má e pecamin osa. Vacilante. .Em especial. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers. Além disto. nunca teria permitido que isso acont ecesse. odiei-a mais que as outras! Cathy. por odiá-la tanto! Também odiei Julian.Alex é perfeito. . Carrie. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito. mas lembro-me bem das palavras. . E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei. Não me quereria mais. Engoli em seco. de modo que desistiu do catolic ismo. Portanto. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. mas tentarei. Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. Éramos filhos do Demônio. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. Há muito tempo. . sem nenhum defeito. Cathy? Engasguei-me. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra. Começou a chorar de dar pena. ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. como eu.. Deus não os puniu. t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie. nem a nós. Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. entre todas as pessoas neste mundo. Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto. Nossa mãe ainda está viva. horrivelmente amedrontada.Mentiras não são pecados mortais. como se me conside rasse. a sociedade estabele ce as regras. Cathy. Além disso. Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião. como eu. . queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. Carrie. Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato. esse pec ado foi deles e não nosso. Nenhum de nós é perfeito.Foi o nosso Dr. Não sabia o que dizer. Cathy. . tenho certeza..causou um medo mortal. Deveríamos ter nascido. eles não eram parentes próxim os. E também por Paul. .e eu não sou perfeita. pois deseja uma esposa e filhos.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia. E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto. E eu falei pelos cotovelos . como você pode ver. O Dr. . Carrie.Mas. suas esposas. muito tempo. Só os mortos. cheios de maldade e pecado . C arrie. como faria uma mãe. que nunca deveriam ter n ascido.Alex não mente. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. Lembrando-me disso.

ele q uis fazer. eu era a pessoa de quem ele mais gostava.Olhe ao seu redor. mas o pecado foi dele. magra. Você não é má. Carrie. com ninguém. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida.Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar. Esqueça-se da a vó. um cabelo sensacional. . pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo. querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. Você ama o Dr. cheia de amor. eu nunca tive. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria. Sabíamos que éramos filhos do Demônio. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. mas nada em nome do amor.Mas. apanhada de surpresa. . Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. Desejava apenas que Juli an a amasse. que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. ou lá o que seja. uma inteligênc ia brilhante. uma pele maravilho sa. querida. Começou a soluçar histericamente. Mas fiz outras coisas q ue são pecados. E eu nunca. E eu devia saber que era errado. alguma coisa comigo. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. pois Deus poderia estar observando!. Cathy! . . Mesmo que fosse . S . Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz.e não é -. Somando tudo isto. Cathy. se o que fizeram deu prazer a ambos. . Carrie.Cathy.. o que fez não foi tão terrível.berrou. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele. Portanto. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro. Mas se você fez alguma coisa. As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. Alex pensaria assim. não mais precisa envergonhar-se.. não seu. . relações sexuais. .Mas eu saberei. Julian me be ijou e disse que. . cozinhar duas vezes melhor que eu. Um dia. E meu também.Isso não é o pior. tive.. .. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! . fiz o que ele queria. quando eu estava de visita e você se ausentou de casa. Carrie. Tem uma voz bonita e sonora. .sussurrou ela.. São muito mais boni tos e melhores que os das lojas. Ademai s... se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber. isso é muito normal. do tipo que produz bebês. . Escutávamos a avó falar. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas. a fim de que vo cê e Chris não entendessem.Foi Julian. talvez Deus tenha punido a mim. sem se tranqüilizar com minha argumentação. beijei os cabelos de Carrie. Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso.. tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer.. . E Alex não precisa tomar conhecimento. depois de você. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. o pecado foi dele e não seu. envergonhada. manter em dia a escrituração de Paul. jamais deveria ter usado o termo "excepcional". Cathy. fiz algo muito ruim.. Existem muitas pessoas menores que você. Arregalei os olhos. Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. Agora. Uma vez.Não chore nem fique envergonhada. Isto é um castigo. Você possui um rosto lindo. é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz. Sabe que não é a nã. Paul. pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto. pois não deve ria ter induzido você. Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim.Não.O que fez de tão terrível. num corpo adorável e bem conformado. você e o Dr. E sou pecadora. . Julian errou. Ninguém contará a ele. querendo desesperadamente acr editar em mim. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto.Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça .Por favor. Não cresço.Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis.... Na verdade..Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer. pare de chorar. gorda.

.e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar. quando eu estava no palco dançando? E um dia. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking. . . as peças teatrais com todos os atores despidos. nem você. Durma bem e lembre-se. util iza-se de uma avó com uma chibata. querida.Você não vai contar a ele! . sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. se o mundo é capas de mudar.. Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian. Às vezes.replicou ela. com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. Tenho boa memória. aplica-lhes o castigo. que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda. nem Alex.não permita que ela consiga! Olhe para Chris . levara-nos para lá. depois que você e Alex se casarem.Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá. adormeceu. ela ficaria sabendo o que havíamos sentido .quando ela fosse abandonada. como aquela velha espancou Chris e você. . Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos. absolutamente ninguém é perfeito. quando acordar.Pretende tornar-se pastor. ele deixará de me amar. ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente.Alex não mudará . não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. sozinha e sem amor. .Eu sei . mas o fato é que as pessoas não são estáticas.Alex não mudará. Não sei se a mudança é para melhor. Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero.e Alex.Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia.gritei. Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo. Nin guém. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar. Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós. Só minha família me ama . casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos. dará certo com você e outra pessoa. Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho . afinal. tam bém. doendo interiormente. Contudo.ordenei rispidamente. Ninguém sabe como o mundo mudará. mais tarde. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. .As pes soas que procedem mal. não sei como fazer que todos gostem de mim. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . não outra vez! . Então. os fil mes que gente decente vai assistir e gosta. Nem eu. Portanto. Não conseguiria suportar. você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não. Paul foram amantes . deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe. . As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado. pois eu estava ali e Bart também. Sofrimento por sofrimento. como responder uma pergunta como aquela? . mais cedo ou mais ta rde. Contudo.. que você e o Dr. Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. o tipo de livros que são publicados. . suave e boa dona de casa como você. . entre gente me lhor que nós. . E quando eu contar a verdade a Alex.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo. Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico. Mesmo sabendo como era a sua mãe.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? .Carrie. nós nos encontraríamos. Deus vê e. Cathy. E se não der certo com você e Alex. o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito. com os tipos de livros que estão sendo publicados.declarou com desânimo. Veja as revistas. não obstante. compreendi que estava tudo acabado entre nós. Todos nós mudamos a cada dia. nem Chris. sim. como a avó. . Não sou bailarina. fui a única a permanecer acordada. Não sou im becil.Carrie. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall. não me qu ererá mais.Lembro-me. Julgo. vá deitar-se.Pare! . Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto.não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. . só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. Carrie.Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que. de modo que se divertia enquanto éramos torturados.pois isso aconteceu comigo.Você nem se lembra daquele dia.

tendu.. fechem as pernas. Dahl. Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão. pliés.Percebo que reconhece esta carta .Estou ótima. encaminhou-se para mim. as cólicas eram mais fortes que na minh a.eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo. deux. Afinal. deux. poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta . além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . . ela replicou em voz baixa: . com os olhos baixos. O relógio bateu quatro horas. eu contava: . Carrie não estava com muito boa aparência. Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante.Não estou aqui para tratar de honorários. Não leve Jory hoje para a escola de balé. Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia. Srta.Tem certeza de que está passando bem? . Apenas o incômodo mensal .É o meu período mensal.. Telefonei várias vezes.Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho. Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory.. fechem as pernas. tendu.e. deixe-me levá-la ao médico. vou deita r-me para um cochilo.Escute. embora não tenha recebido o preço que tinha em mente. Jory.Fique comigo.Quero ver os dançarinos! . Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? . enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . como o senhor mesmo pode ver. E a aula prosseguia.eu tinha certeza disso . Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu. Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow. na idade dela. un. que ainda é quase um bebê.Mais um só golpe seria sua ruína.disse Carrie apressadamente.. por favor. Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . pegando meu filho no colo e o abraçando com força. bem diante do meu nariz.Srta. Mamãe! . estou ocupadíssima aqui.. Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo. pliés. . . Deixe-me ficar com ele o dia inteiro. . Se quiser. deux. un.disse ela. Agora. Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. . E. Sinto falta quando você o le va. un. .Estou muito bem. Foi um dia terrivelmente longo. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos. De algum modo. o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era. não telefone porque não quero acordar. a fim de verificar se Carr ie estava bem. Sim.comentou. . Sorridente e seguro de si. nada mais .Sr. que às vezes dava muito trabalho . Apenas não sinto muita vontade de comer. querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. Portanto. un.Un. que sabia muito bem o que queria ou não.Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente. deux.Carrie. seja franca comigo. os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais. empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a . . . senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente.. Winslow . Se não está passando bem. de repente.Estou ocupada! . enlaçando-a pelo pescoço. . .Minhas aulas terminam às cinco.repliquei com rispidez. e agora. Winslow . Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. Cathy. Enquanto a música tocava. .Não tem comido direito. . . Jory amava todo mundo. Sr. deux. tendu. pode sentar-se ali e esp erar. quando.Vamos passear no parque. Jory e eu nos divertimos a valer no parque. .talvez por ser tão semelhante a ela. Dei um beijo de despedida em meu filhinho. . que abriu um berreiro ensurdecedor .repliquei friamente.Fica sensacional com essa malha roxa.respondi em estado de total confusão.protestou Jory. Dahl .Quero escutar a música.perguntei a Carrie alguns dias mais tard e.

muito esquisita. não me lembr o com certeza. Marquet . Dahl .. notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias..Já cheguei. Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer. Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma. percebendo o pânico em minha voz. dei uco mais de quarenta anos.Carrie! . Quais foram os primeiros sin . . Não julga que um encontro para jantar foi suficiente.d isse ele sem qualquer hesitação. Então.Catherine. vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo.quis saber ele. Sra. Srta. Estou esquisita. . explicou que Jory e stava na casa ao lado. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios..e não tente esquivar-se. . Eu também notara a mesma coisa. havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. .sussurrou com voz sumida. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros.Ouça. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente. . que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana. constatando-a estranhamente fria.. Desta vez.. Além disso. embora fosse um dia basta nte quente. Paul estava comigo no hospital. Townsend. de avião . Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. Onde se esconderam Jory e você? . perdi o fôlego ao ler o resultado.disse a Sra. Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio.Carrie.Paul.. Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil. tão logo ele se reti rou. Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. tratarei de vigiá-la de perto.chamei.Quando melhor lhe convier. . que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele. mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas. o que há de errado? . realmente não me sinto bem. Como me enganei! No dia seguinte. não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! . xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa.disse ele. Vomitei quatro ou cinco vezes. que tomava conta da netinha. onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela. incrivelmente d epressa! Vomita. Tenho muit as perguntas a lhe fazer .Vou chamar um médico. Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé. Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava. . Dentro de três hora s.Estou aqui . não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris.respondeu ela num mero sussurro.Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente. mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono. não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos. Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave. Com voz fraca. não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que.. Contudo. telefonei para Paul. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. Então. .Olá . que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica..Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. com os vizinhos.Sinto tantas cólicas.Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris. . fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas. Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris. pois é tão boazinha! Mesmo assim. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho. . Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada. Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o.Cathy. por favor. observando Carrie. Levei-lhe a mão à testa. . . verificando que ainda estava em débito. Quando compr ei a escola. .. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios .O mais breve possível.

mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. .. de qualquer maneira. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie. que pode dançar. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo. usando trajes d e jogar tênis.Não demorou a chegar. Enquanto ele lia.perguntou. Não posso ser médica. Às vezes. Entretanto. . . perto dela . Mas se Carrie deseja vê-lo. e não sei como foram causadas.. Eu jamais seria alguém especia l . o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. Portanto. neste momento. erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: . como equimoses .Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico . Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor. o Dr. senti-lhe a presença antes de avistá-lo.murmurou.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . chego a pensar que vocês são meus pais de verdade. prometam-me não permitir q . passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo.Cathy . virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela.. pois me parecia tão significativo! .pois ele deveria saber! . não quero dizer isso. Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos.Ela quer ver você. Jory. Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto. Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era.. lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu. Todo mund o tem alguém especial para amar. Apareceram marcas. Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração.Eu gostaria de ver Chris. Recuei no tempo e vi Papai. Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor. adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar.. à beira de um dilúvio de lágrimas. Depois.Chris.Não. Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido. Portanto. De repente. comecei a sentir muito cansaço. antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez. Então. Não posso ser esposa de um pastor. . Haviam-me retirado do quarto. ter filhos e tudo o mais. Eu estava no corredor. Sempre tive certeza de que nunca me casaria. . Leia isto e diga-me o que acha.Acho melhor você mandar chamar Chris. Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato. Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. Em seguida. então. . Por isso.? . há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado.ais de que havia algo errado? . menos eu. outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. Queridos Cathy e Chris. pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa.Paul! Quer dizer. Estive ocultando algo.como você. c omo Chris. mas manteve segredo.. antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. antes que prossigam a leitura. So lucei. eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo. eu nunca seria muita coisa. Todo mundo tem algo especial para fazer . menos eu. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória. vocês se julgarão c ulpados.. .Há cerca de uma semana. caso eu não escreva estas linhas.. do jeito como mais me lembrava dele. Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo.tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana. Agora. o lugar dele é aqui. mantive os olhos pregados em seu rosto. Cathy.

mas eu estava vendo e ouvindo. Chris. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo. de repente.exclamou Chris. sei que foi pecado.. ela colocou arsênico nas rosquinhas . por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo. . A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? . . embora naquela época não acreditasse. Alex está lá dentro. mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça. comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio. Trazia uma marca de dentada.Oh! Deus!. .bradou Chris.exclamei. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava.Mas se ela sempre soube. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia. . Cathy. e recuei alguns passos.Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. mas ela desistiu da vida. Na semana passada. sabendo que elas a matariam. Dr. . se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias.exclamou Chris. E muit o obrigada. Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver. Enquanto estávamos abraçados. desesperada.. Apesar de você dizer que não. preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex. Você parece tão moreno e vibrante.Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra. . mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. . no canto do quarto. ac redito.Carrie ainda não morreu! . . Obrigada. Estamos fazendo o possível. m as nesses momentos lembro-me de Alex. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va. . também. Carrie comeu-as. . Cathy. ajoe . Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade. das quai s restavam apenas uma. o pacote de rosquinhas açucaradas. temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e.Oh! meu bom Deus! . foi pec ado. atônito.Cathy. transformados novamente em pais pelo sofr imento comum. como Juli an fazia. Paul saiu do quarto de Carrie. Quanto mais eu pensava no assunto. depois. embora por curto espaço de tempo. Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. . Pena que as circunstâncias se jam tão tristes.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris.Chris . Paul. Agora. Muito obrigada. deixando-me soz inha.disse ele em tom calmo. Nada correu bem para mim desde que Cory se foi.Como posso explicar-lhe? . o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie. como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco.Sempre há esperança. diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la. Agora. As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. a fim de compensar seu tamanho diminutivo.Há esperança. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais. que estava muito pálido.muito bom revê-lo. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer. Mesmo assim. Só uma. ele começou a soluçar no meu ombro.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência. não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. Falaremos com ela. eu não escutava nem prestava atenção. não há? . as lágrimas ainda brotando dos olhos. que afirma que Deus ama todo mundo.

deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim. não sirvo para você!" Eu ri.. Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto. combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. .Meu Deus do céu.lhado ao lado da cama. Sua vo z parecia esquisita. na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. mal barbeado. não consegui mais conter-me. Afinal. acariciando-lhe os cabelos. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. Sentava-me ao lado de Chris ou Paul. sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto. estendi a mão para consolá-lo. Alex sacudiu a cabeça. levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie.. Durante três dias e três noites. Era uma noção idiota. . enquanto Alex cont inuava rezando sem parar. Como num transe de pesadelos infindáveis. telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. seus olhos se anuviaram. .respondeu Paul num tom baixo e suave.Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. O que fiz de errado. centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. Para horror de meu irmão. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. replicando que ela era perfeita.Que foi que disse? . Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa. chamando-lhe repetidamente o nome. A seu próprio modo. que correu para junto de Carrie. Olhava com antipatia para Alex. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem. ao vê-lo tão humilde.Sinto muito se lhe pareci áspera.replicou. magra como um palito. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente. Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore.Alex. ele a amava. enqu anto minha vizinha cuidava de Jory. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora. . . Cada um de nós. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie. sob uma pesada camada de cobertores . Debruçou-se para abraçá-la. Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. .Tudo o que sabemos fazer . Até mesmo quando foi apresentado a Chris. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. exatamente o que eu desejava. Perdoe-me. Parecia até mesmo ter perdido mais peso. Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim. Vira o rosto para o outro lado e permanece calada. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. .Responda-me. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie.Cathy.Uma semana atrás. desfigurado pelo sofrimento. como se proc urasse clarear as idéias. Então. ou entre ambos.apesar d e ainda ser verão. . apressei-me em ajudá-lo. que a amávamos. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. Alex. Os fios louros brilhavam nos travesseiros. como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala . os olhos avermelhados pela falta de sono. To das as formas redondas. interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. rezando para que Carrie sobreviva. levantei-me. pois ele realment e amava Carrie. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance. disse: "Oh! Alex. Não obstante. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha. rezava para que ela vivesse. Esta jazia. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me.

Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente. Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então.que você não o ama o bastante para importar-se em viver? .. Veja. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro. como nós. Agora.. e Henny. Carrie! . Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. . . escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar.. não passava de uma mão esquelética. ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja... Oh! meu Deus.sussurrou ela com voz sumida. O que vou dizer a ele . como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me.Vi uma mulher na rua . não nós. Segurei-lhe a mão. Devo chamá-lo s? . não o fato de sermos ruins. Cathy.r no assunto. .Jory não precisa de mim . Carrie! Alex a ama tanto. ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta . . Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe. Era nossa mãe.Não. Cathy.O lugar para onde vou é ótimo. pássaros lindos. suas proporções são perfeitas . Posso vê-lo neste momento. Alex está no corredor. eu estava esperando que você acordasse .. como se não fizesse diferença.Não .Querida. porque serei tão alta quanto desejo. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas.Jo ry tem muita gente.. . Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá. não me quis porque sabe que não presto. Mesmo assim. quando escutei Carrie chamar meu nome. sem piscar... .Tenho um segredo para lhe contar. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. além de mim. desde que você continue viva e o ame. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor. mas para mim. Carrie.. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar. Vou morrer. atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. Cathy . Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos. rica. Fez a declaração com a maior calma. não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu.Oh! Carrie. . a fim de estar junto dela. Mamãe. Cathy! Está quase como era antes.disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir.Não! . que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica. quer casar-se com você e desistiu de ser pastor.protestei energicamente. E todas as mães amam e querem seus filhos. resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem. quando nossa própria mãe não nos quer. E quando eu chegar lá. A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir. Cathy. Não nos p arta o coração! Carrie. conversei com ele . aceitava a morte e es tava satisfeita.. Não se entregue. Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo. percebi em su a expressão. explicando que isto a preocupa.. Ela também não quer saber de você ou de Chris. Para mim. Paul e a mim.P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela. todos os dias. .declarei num sussurro rouco.murmurou Carrie.. . Mas não precisamos d ela. Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo. Os lábios ficaram entreabertos. Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza. Jory quer a tia de volta. . pois você tem Alex e Chris. . E. E se Deus deixar que ela morra. Cathy: flores por toda parte. estou quase tão alta quanto Mamãe. pecaminosos ou não prestarmos. . a menos que sejam pecaminosos e não pre stem. com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. passando por centenas de colinas ar redondadas. Olhe ali... Eu cochilava ao lado da cama de Carrie .replicou ela no mesmo tom que usava quando criança. Era a quarta noite após a chegada de Chris. Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos.Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você. como sempre desejei.Muita gente a ama e precisa de você.. dizendo: "Não a conheço" .Não. para amá-lo e cuidar dele. Carrie.Quero falar apenas com você. Mas Cory está a minha es pera.. apenas um pouco mais velha.. e também Jory.. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem. pergunta onde você está. e quas e me posso sentir crescendo..

Mais que o sufici . Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . quase alaranjada. Foxworth. . mas outras pessoas p recisam. sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. Embora não tenha certeza. para torcer e destorcer. pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont. Já tentei revelá-lo muitas vezes.Não. Com o braço passado em minha cintura. amparando-me. . conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas. replicando desdenhosamente: . Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos. Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. . Agora. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava. Quanto a esquecer.Por favor. querida . Foi então que eu gritei! Sei que gritei. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. por força de um velho hábito . e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. julguei ver uma mulher vestida de negro. Imaginei o que nós. até o amanhecer. Christopher.e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros.r para casa. antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. pagar. pagar. Fitei-o com amargura e desânimo.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. Cathy. mas você se recusa a escutar. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada. Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos. Desta vez. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação. Mas vi-a de relance .disse Chris. temerosos e tão necessitados de amor. com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida. Cathy: esquecer e perdoar.. teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. transformei-as numa vara de feiticeira cruel.a primeira que ela passaria sob a terra. E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose.Carrie não precisa de você agora. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite . Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia. Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is.. Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. . Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty .Você é realmente perito em questão de perdoar. Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a. restav am apenas duas. mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa. E uma nada faria. fazíamos no cemitério da família Shef field. bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe". num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar.pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda. mesmo de quem não merecia viver. Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me. O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara. deve esquecer o passado e os planos de vingança. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. não choveu nem havia ne ve no solo.

Quando nos encontrássemos. Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos. pensei com meus botões. a fim de não ficar muito afastado de mim. Até então. D ediquei-me a elaborar planos. Trazen do na mão uma pasta de documentos.Mais tarde .. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. como era forçoso acontecer algum dia. pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha. um determinado homem. Catherine . peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall. ou eu o faria. porém. se não é Catherine Dahl. Na verdade.ente.então. voltarei para você e nos casaremos. não muito longe da residência dos Foxworth. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. Logo retomei minha rotina de trabalho. Jory passara a constituir-se num problema. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação.so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando. Dois escritórios. ele diria algum clichê. Bart Winslow era uma espécie de celebridade. Antes. Passei a correr d iariamente. que estalavam sob meus pés. eu saía à c aça.Bem . . chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro. ele precisa de um homem que o oriente. Ele não . Eles pagarão caro. naturalmente. Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como. Mais cedo ou mais tarde. que deveria ter custado uma fortuna. agora q ue eu não tinha Carrie.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me .disse com arrastado sotaque sulino -. precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. procurando. Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale. afastando-me de seus braços.Fique. nosso encontro teria que ser "acidental". Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé. À noite. tisnado de sol. . em Greenglenna. Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom. Num sábado ao meio -dia. . Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia. encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta. seria por demai s vulgar e óbvio. com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. . de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. . tenho alguns negócios a liquida r. porém. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . Ao contrário do que esperava. esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos. não o encontrei correndo nos bosques. não conseguira localizá-lo . o solo forra do de folhas mortas e secas. a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! . enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro.repliquei com inabalável determinação. eu preciso de uma esposa..Um dia. Agora.

diabo. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . Levantava a mão para brincar com as pérolas .Onde. Pelo aspecto manuseado do papel. certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você .Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente. e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. se não conhece você ou sua irmã? Não obstante.retruquei afinal. fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu. insatisfeita comig o mesma. Desviei o rosto. vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido". os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais. É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem.como você está fazendo agora. Era por demais confiante. Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que.Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo. Em seguida. alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante.prosseguiu. Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele. Por duas vezes. por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha. Sinto muito. . permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos. Se não a ofendo. co m Bartholomew Winslow quase gritando: . bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes. Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava. usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si.Deixou a pasta numa cadeira. masculino.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. nervosa . . a fim de vigiar a pasta. talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente.Ora.Quem. Deve ter algum parentesco.indagou. Engolia em seco. .Não banque a sabidinha comigo! Quem é você. . diabo. .Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . afinal. até aquele momento. Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. ficando perdida para qualquer outro homem. c omo ela costumava fazer.declarou ele ri spidamente. eu julgara pretender seguir. sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar. e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas . . é você? Sorri para encantá-lo. .Agora . quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. se escondeu? .Então.. Diga-me. puxando a cadeira para mais perto da mesa. . Bart pareceu espantado.Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? .repliquei. .faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. Então. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina. O sorriso de Mamãe.exatamente como você e stá brincando agora. . Em seguida.disse ele. Então.Não me escondi . . Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos. impedindo-me d e partir quando me levantei para sair. estendendo a mão para segurar-me com força. . seguro de si. sua fisionomia assumiu uma expressão solene..Não desvie o olhar. perguntou bruscamente: . sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse.? .Como pode minha esposa saber isso. vamos . Exi gi uma explicação.Por que não pergunta isso a ela? . só para observar-lhe o vexame. Pode-se dizer. minha esposa as lia e ficava muito pálida. vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel. mas ela correu para trancar-se no quarto.Sim. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado. Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás.

era o tipo que ela adorava. observavam os meus e. Depois.Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares . fraca.Sabe que meu marido morreu . semi-cerrados. Suspirei pesadamente e fechei os olhos. continuei a afundar-me. Sua voz soou dura. embora já esteja gasto pelo manuseio. Bart exibiu um leve sorriso cínico. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR". diabo. . exigindo que ela me e xplicasse tudo. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade . Esqueça-o. ele es tendeu a mão. . Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum. provide nciará a vingança que você tanto deseja. completamente controlada. graças à sua intervenção. quero as respostas certas .Quem. Durante tod o o tempo.replicou el e. E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco. . segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça. o álbum a acompanha numa das malas trancadas .Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar. . lutando para recuperar o controle. Ofereceu-me um cigarro. chocada por saber que ela o guardara.escreveu para ela. debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus. Tossi. inexpressivo. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? . Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes. Tenho um filho para criar. seus olhos escuros.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: . Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez. Deus. minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la. envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço. fria. preciso de coisas para ele. e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes.. Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles. D esta vez.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado. . Sei que me senti doente. . Li-as. Tinha que ser presente de minha mãe . Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela.. esperei ser devorada.declarou Bart num tom monótono. surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. Às vezes.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. Mi nha escola de balé dá prejuízo. Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar. que. quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira.murmu rei. tenha fotos do seu primeiro marido. soprou-me a fumaça no rosto. Recusei.respondi. abanando o ar.Aonde quer que vamos. Não queria saber que ela chorava! . Cathy. Fez uma pausa. presumo. forrado de plástico alaranjado br ilhante. Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz.Já perguntei.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? . à sua maneira. Abri-as.Ouça . Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz. apertando ameaçadoramente os olhos. . com uma águia dourada na capa de couro? . A seu próprio modo e no devido tempo. de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões. mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro. . Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? .Pergunte a ela por quê! . ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart. como uma mos ca presa numa teia de aranha.

Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida.respondi. Que informação extraordinária! . . ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa. ficou muito sério. Mas não tenho . . eu devia as contas dele no hospital. Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas. Por acaso. Nem meu irmão. não levam a sério o balé. tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa. menti: . Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas. de qualquer maneira. Certo? . Em segu ida.Morreu .comentou com um risinho de mofa. parecendo absorto em reflexões. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa. Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café. Vamos cair fora daqui . Cathy. Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela. filhos ilegítimos da família Foxworth.Responda-me. Três jovens. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha.Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech. E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth. Então. por algum motivo estúpido. todo o esforço valeria a pena. não como se gostasse realmente de fumar. Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café. . encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. . Ela jamais fala no assunto. especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez.Vou lhe falar com muita franqueza. Catherine Dahl.Venha. Já percebi tudo. como se convencido de que eu dissera a verdade. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos. .suspirou ele.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e. aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa. que lhe deu três filhos ilegítimos. o cavalheiro bondoso.Henrietta Beech era meia irmã de seu marido. teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. poderá fornecer-me maiores d etalhes.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa. Sua esposa é minha m eia-tia. piedoso e santo . embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto. . embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote. Sou um deles. . O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas.Ahhh! . . .Faz muito tempo. . Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe.Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro.Onde se encontra sua mãe. as despes as com seu funeral e os custos do parto.nem mesmo uma. Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. . não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar.disse num tom urgente. Em terceiro. mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. . pelo queixo. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas.Errado! Apenas eu. mas apenas um.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me.E não é? . nem minha irmã..Está certo. . não sei se mente ou diz a verdade. é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão. acendeu outro cigarro. Em segundo luga r. De repente. fitando-me de modo prolongado e penetrante. Em primeiro lugar. além disso. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito. É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. não me agrada que faça chantagem com minha esposa. mas parece pertencer ao clã dos Foxworth. Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos.

sou muito difícil de contentar. deixo de gostar deles e me torno indiferente. Por que. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado. Winslow? . . O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes. Sr.Não sei.Bart . Winslow. . Sr. como Paul. quando queria. recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa. tipo bandido.Então deve satisfazer-se com facilidade. .replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar.. julga-me excitante e um tanto perigoso. avaliando Bart Winslow. Bart tinha oito anos menos que minha mãe. Bart. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como. parecendo satisfeito. Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal. Não seria necessário seduzi-lo. . embora alegas se amá-la. que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto.. O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão.A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos . muita gente poderia ver-me entrar. a despeito de tudo.Esteve estudando meu perfil. levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se. Suas roupas caras. .prosseguiu ele.Na verdade.corrigiu ele.. Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam . o que sign ificava que estava com quarenta.Bem . . até sentir o rosto úmido. o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito.Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. sensual.Portanto. onde quer que esteja. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me. Minha vida fora cheia de homens bonitos. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. a idade em que o homem é mais atraente. desafiando-me? Oh! Mamãe. Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. magnificamente bem cortadas.repliquei.. enquanto eu lhe estudava a fisionomia. teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe. Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores. não acha? .. seus olhos brilhavam tanto.comentou ele.Poucas mulheres se conhecem tão bem . Quando um homem é bastante encantador e inteligente. então. Ótimo. Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento.A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada. sem pedestal de santo. . Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria.Na verdade. Agora. .Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz. sempre atrás de um rabo-de-saia. . . enquanto eu permanecia sentada no carro.É e a - Acho melhor não irmos lá. Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador.Aonde pretende levar-me. reparando em cada detalhe. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão.não mais do que você nos deu! Não obstante. tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer. Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha. Fazia pouco barulho. Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador. imitando seu arrastado sotaque sulino. cheio de vento e fogo. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory. Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico.. . deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . . Ele mesmo o faria. Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . tão logo percebo neles o mínimo defe ito. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito. mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. em ri tmo de staccato. Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. como os carros de luxo de Julian.

de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar. não poderia ser. quando rapaz.Noite linda . Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia.exceto um filho.comentou ele. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também. sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. herdou todos aqueles milhões e. faça tudo certo. comecei a importarme demais.por algum tempo.Porque ela era como você. . roubo.Parece poético . mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes. Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora. numa outra noite. Em breve. Em breve. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem. . com ele me guiando habi lmente ao longo . Cathy .Por que mudou? . . pelo menos. p ois correrá perigo se cometer algum engano! E.Entretanto.Você é uma romântica.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de. Eu lhe lembraria tanto a esposa. . se quisermos prestar para alguma coisa. de enfrentar coisas confu sas. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro .Déjà vu ..repliquei. julguei que fosse como você... estu pro e corrupção. Afastavam-me dela e me amedrontavam. Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas. quando tudo fica explicável. Venha andar um pouco comigo. então. há quinze anos. . . trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho . Por sua expressão espantada e levemente embaraçada.Você não é? .. . E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. brinquedos e móveis infantis. quando crianças.Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . Sinais vermelhos piscavam-me na mente. Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era. ele me avaliava da mesma maneira.É a minha estação predileta. Então. Então. Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro. dela saímos cétic os e empedernidos. nada mais tínhamos para desejar . Ingressamos na faculdade jovens e idealistas. Catherine Dahl. como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida.e lutar muito. sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações.Bart.acreditem se quiserem . até que consegui con vencê-la do contrário.mais ainda que a primavera.Sinto a mesma coisa. em sua companhia.de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. abandonando-me. O outono é tão cheio de paixão . Costumava ser. mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho. embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel. que até hoje tem-se esquivado de mim. para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! .replicou ele. . . Creio que ela também pensava assim.indaguei. Contudo. . Na realid ade. Eu também já senti essa necessidade de mistérios. a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? . e tudo estaria terminado. desejo confrontar-me com novos mistérios. Proceda com calma.declarei. Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério. não sei se o mesmo ocorre com você. Cathy. sumiria. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. de ter alguém a quem idolatrar. . .Como pôde pensar assim? . Começamos a caminhar. adquiria tudo que lhe vinha à mente. Quando me casei com ela. Saltei do carro e Bart me tomou a mão. Virou-se para sorrir com um encanto jovial. não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. Senti-me impelido a trazê-la aqui. enquanto eu o aquilatava. creio que ele estava surpre so.da. É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares. E ela não podia ter filhos. . tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum.Não sei. em verdadeiras orgias de compras.

que lhe revelei tanto a meu Bart. respeito.Se não for suficiente. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno. Então. Na época.Não. com tanta falta de consideração. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente. Ela me contou que. apitavam durante a noite. . . eu tinha em mente outro tipo de ho norários.A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem. Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite. Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. fale-me um pouco de você.. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação. Tive vontade. . Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima. quando a temperatura devia passar de quarenta graus. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. acendendo outro cigarro. Mas trata-se de uma velha estória. .respondeu E agora.. Ansiava por tornar a escutá-la. lançando-me um rápido sorriso malicioso. mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. de mod o que ressonava profundamente. Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei. Tomava pílulas para dormir.Você é bem abelhuda. Cathy explicou Bart. Então. como todos os nossos amigos.protestei acaloradament e. tinha apenas vinte e sete anos. Então. Pretende. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. repetida milhares de vezes. senti falta. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. quando a mencionei. basta ver um para conhecer todos . casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . freqüentemente. Aquela música me intrigava e. pare com isso. na Carolina do Sul. ago .Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim. Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. agora que tenh o tanto à minha disposição. um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha.Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal.Alguma vez você subiu para ver o sótão? . Sentamo-nos ali. percorrendo o mundo com a esposa. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard.Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! . ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado. Quando a música paro u de tocar. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas. . todos os sótãos são iguais. à guisa de castigo. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. até mesmo no verão. . . Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato. Além disso. passava o tempo todo agachada no chão. Fin almente. não tenho mais duzentos para dar-lhe. Em seu caso particular. Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. perto da janel a.Os trens já não passam por esta linha. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente. perturbando-lhes o sono. embora sentisse frio. respirando o ar frio das montanhas. chamada Greenglenna . revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. porém.Ora. A propósito. chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. E também a m andavam para lá no inverno . de q ue ano? Sabia que ela já fora casada. faça-me o favor de não dizer agora. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. .

abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes . sorriu. Diante do meu chalé. pronta para cravá-la nele.Estou dançando? .Sim. . devolver-lhe-ei a tesourinha. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? . durou muito. E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada.E não gosto de arranhões. ansioso por se . Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé. . apunhale-me no coração. exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. Bart agarrou-me com força e brutalidade. ele me devolveu a tesoura. Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . Jory. bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja . escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome. Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você.Eu amo você. contra a minha vontade. abracei-lhe o pescoço. eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. Meus dedos descontrolados t raíram-me.Você tinha um papai. . Jory. Bart chegou.Agora. mas ele foi embora para o céu. quando ele lá chegasse. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. Você está dançando! .zombou. Você é maravilhoso! Jory riu.e.Bem. . a fim de alcançar minha bolsa para que. enfiando-se em seus bastos cabelos escuros. mamãe! . . durou. Naquele instante. estendeu a mão e tirou-me a tesoura.Isso pode causar um feio arranhão .para a direita ou esquerda. . Avançou para abraçar-me outra vez.Leve-me para casa. Nossos olhares se cruzaram demoradamente. . para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo. mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s.Vou levá-la para casa . para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. então. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco.Sim. mas. O beijo durou.inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora. Sem dizer uma palavra. . é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz.ra. moldando meu corpo ao seu. como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia. Os papais eram importantes no seu mundo.. Ele sorriu. . Jory. até ficarmos ambos acalorados e ofegantes .seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias.. Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. pois todas as c rianças da escola maternal tinham um .disse. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado.Mary tem um papai.mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto.Sou bom bailarino? . satisfeito. Aquele beijo já começou. só conseguiu e ncontrar-me o rosto. pequena Srta.indagou Jory. Quando você saltar do carro à porta de casa. num domingo de manhã cedo. mas levantei-me e corri em direção ao carro. fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a.todas menos Jory. exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta. Pedante. espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos. para onde quer que voltasse a ca beça . Será melhor assim.. Embora ele procurasse beijar-me os lábios.. faça o pior que puder: fure-me os olhos. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia.

cru el e envergonhada. .Talvez. . Christopher. Agora.Tirei folga no fim de semana.Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. .Eu estava apenas tentando. . Peço a Deus que não se arr ependa. divido um quarto com outro residente.Como está o meu Jory? . após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas. e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados.Eu sei. .Está certo. . o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça. incomodar-me-ia demais.disse ele.Sim.Tem recebido notícias de Paul? . Sentei-me com o olhar fix o no chão. . Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem. Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso. . Seja como você prefere. .repliquei sorrindo.por que haveria de escolher você? Não respondi. Eu nem precisava perguntar. você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana. pois já sei. Seria ótimo p oder morar aqui. ..indagou Chris.replicou severamente Chris. . Virei-me para o outro l ado. Só nós.Fui o melhor médico residente no hospital e. . .obstinada como Carrie.Você é meu papai. o que gostaria de almoçar? . . . Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos. Meu irmão riu. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração.Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência. Antes. Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". . recolocando Jory no chão. ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas. isto é.indaguei. . a fim de evitar que Chris me visse os olhos. Julguei que sempre se mantivesse em contato com você.. Chris. Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade . . deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo.Viajou para outro congresso médico.Seja bonzinho e aceite-me como sou .Chris. Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso.Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito. Senti-me mesquinha. estou preocupada com Paul.Ainda não tomei o café da manhã. como sempre . . aproximando-me p ara abraçá-lo. Então. Tenho minha própria vida. ou acha que deve ser. Isto a incomodaria muito? . .Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos.Quer fazer o favor de mudar de assunto? . com o mais cativante dos sorrisos. Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude.explicou ele. como outrora. . perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes. como recompensa. olhando em volta e tornand o a encarar-me. .. Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris. Empertiguei-me ante a sugestão. minha querida irmã. Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções. se me permitir.Cathy..Não . Tio Chris? . limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante. Farei o que preciso fazer . Meneei levemente a cabeça.No hospital.exatamente como você. Sejamos amigos e aliados. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado. com você e Jory. restamos apenas nós dois.Claro que fará.r acolhido nos braços fortes e másculos. sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos .Não vamos brigar. De quatro. a fim de passá-lo com você. ganhei um fim de s emana de folga .

quando ele e eu fazíamos papel de pais. por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista. a fim de olharmos p ara a imensa mansão. conf uso.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. . . que marcava onze horas. Alertado. deu meia-volta para encarar-me. tudo o que estava ao nosso alcance . e.Já é hora de dormir. . onde olhamos para o menino adorm ecido. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto.Mamãe está lá? . Parecia-me tão bom tê-lo à mesa. diante de Bart..come ntou. Mas permaneci calada. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. pousando -o no chão. às sete horas. Jory foi montado nos ombros de Chris. Parecia exausto. Chorei um pouco. . Volte para Paul e case-se com ele. que precisa acordar tão cedo aman hã. Ouvi dizer que se encontra no Texas. Em seguida. ergueu Jory dos ombros. tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. .. abriu a p orta do quarto. como costumava acontecer antes.Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto . ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz.sussurrou Ch ris.Quem lhe contou? . E você pode ficar aqui cem anos. A despeit o de mim mesma. Especialmente para você. quando comple tasse quatro anos. Daí em diante.Então.quando éramos apenas crianças . passeamos pelos bosques. mesmo em setembro. . Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto. Jory.. Cathy. acima de tudo. dan do a Jory o pai que precisava. espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira. Sem falar. Após a refeição. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas. comia de tudo. amedrontado. ele se parece mais com você do que com Julian . ele virou vivamente a cabeça.Não. imaginei Chris como um pai para Jory. É perigoso afaste-se dele. Chris...Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça.. . de verdade. . bocej ei. percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias.Mamãe. .Quando está dormindo. tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. magoado. Paramos juntos. se tem necessidade de um home m em sua vida. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. quando os dias ainda eram quentes. .Durma bem e não seja mordido pelos percevejos. dormiu no quarto que fora de Carrie. eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente. . Quando acordei. mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé. Quero confrontá-la com a verdade.indagou. Tive vontade de dizer-lhe que. Dando-me as costas. Naquele sótão. deitado de lado. . Então.Boa-noite. Cathy. Conversávamos muito pouco. Em seguida. Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor. ele me acompanhou ao quarto de Jory. o dia passou depressa. graças a Deus. Christopher Doll . Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar. ao terminar o q ue tinha que fazer. As noites nas montanhas eram frias. Chris já se fora.Maldita seja. .Não é suficiente. embora ele me observasse os mínimos movimentos. Paul dissera o mesmo. também.. com voz embargada. Fazendo o melhor possível.indagou Chris. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir.

As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono. sentindo muita dor. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha. Como eu pe nsava desde criança. e abri os braços. abetos e espruces. Mamãe sente saudades de seu tio Chris. exceto quando se trata de um tombo inesperado. em solidariedade. penetrando num pinheiral mais denso.Machucou-se? Parece tão pálida. as folhas mortas amaciaram-me a queda. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja.pois as bailarinas sabem cair. Como teria de ser. ele também dói. de modo que aumentei a velocidade. Duas listras verticais. Felizmente. sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas. . ajoelhando-se a meu lado. fazendo uma pirueta. E Mamãe não irá trabalhar hoje. Desta feita. Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e. fui .Espere..Corre depressa demais! Era Bart Winslow. tomei uma bifurcação à direit a. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. do contrário não chegará perto de mim.outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. parti correndo pelas trilhas...Tudo bem. ele gritou: . Sr. O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim. a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar. . transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio. torci o jo elho. Ofegante.. Meus planos caminhavam devagar demais. minha mãe não podia vencer invariavelmente. obrigando-me a prestar atenção ao solo. mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto. magoando-me de muitas maneiras. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. Só que desta vez estava machucada de verdade. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida. estava bem . o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno. uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. naturalmente. Onde sente dor? Eu quis responder que. quando a turma inteira estivesse reunida.Olá. que nunca usara antes. como se brotasse do solo.Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas. Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça.. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato.Não devo demorar mais que uma hora. A trilha mal era visível e muito sinuosa. deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas. Uma vez. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido.Foi o maldito joelho. Alguém corria atrás de mim. Winslow . os músculos longos e ágeis. Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. o remorso e a vergonha. Cathy! . engasgando-se. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina. . cintura e gola sanfonados. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. Levantei-me de imediato e continuei a correr. naturalmente. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques.Pare de correr. mais cedo ou mais tarde. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho. .chamou uma forte voz masculina. . O de stino não me poderia iludir para sempre. . usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo. virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro. desciam ao longo das costuras laterais das calças. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. Não me voltei para olhar. esgarçado um tendão . Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo. apertando ainda mais o passo. Então. já deverei estar de volta. meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça. Entretanto. uma ama rela e outra laranja. Jory.respondi. a essa altura. A fim de acelerá-los. que cedeu sob o peso do corpo. e tendo punhos. Ri com o poder que sentia po ssuir.

foi você. Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo .Agora. se pudesse ver seu joelho. dentro de casa e ao ar livre .Por que veio morar aqui. como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar. com um brilho de malícia no olhar. Diga que se sente alegre por rever-me. mas veio para cá . Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo. Cont udo. cortando-me a gengiva. . Embora não seja capaz de correr como o vento. Seja boazinha comigo.como todos os homens cheios de convencimento . Tem Nova York e sua cidade natal.Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa.Aqui estava eu. Ele soltou uma risadinha confiante. de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante. Agindo assim.respondeu ele.Sim.Aposto que tem. e se ergueu disposto a aceitar o desafio. desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato. desapontado. poderia julgar melhor.Parabéns.Nada que eu goste de mencionar. .pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando.Claro que sim.. apertando as pálpebra s. franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem.. depois ajudou-me a ficar em pé. .Não fica sozinha. E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio. num jogo ent re homem e mulher. hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. .E você a deixa sozinha. além de uma equipe de empregados . que eu não tenho a menor idéia de qual seja. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher. gosto de todas as espécies de esportes.. recebemos mais atenção.Arrogante. e você demonstra tanto antagonismo. É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz. É seguro? . . .resp ondi com ar inocente. Olhou-me detidamente.Está brincando! . Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante.E você não precisava aceitar. Uma noite. morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar . mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim.. . . Não lhe acontece o mesmo? . também tenho minha peq uena coleção de truques. caso eu também quisesse. . . de modo que posso distinguir só pelo tato.indaguei.o que é muito raro .Como pode saber? . brincando de gato-e-rato.A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? . Ele sorriu. deixan do-me seguir o meu. . po is meu joelho direito reagiu imediatamente. .Por que se porta de modo tão detestável comigo? . sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito. desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! . presumindo .Um pouco.Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa.A dor sempre me causa antagonismo.Você quer brigar quando de sejo ser amistoso.que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher. encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira. . insisti: .Estou falando sério. .Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho. perfeitamente funcional. para variar.Meus joelhos também funcionam bem. Minha sogra tenta falar. estamos discutindo . não obstante. Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho.a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente. feliz por revê-la.obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar. . Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? . . Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável . perto de mim? Eu ri.indagou ele.Quando sofro . .disse ele. . .mostro-me delicado e humilde.

Srta. poderemos conhecer-nos melhor. . não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. eu podia estabelecer o s planos definitivos . negligenciada ou roubada. . jantar e tomar vinho com ele.A senha é discrição. t enho pena de vê-la no estado atual.Por que quer saber? .Com gelo? . Pude imaginar a avó. . Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto. pois nunca o es cutara. até que minha mulher volte para casa. .. mais cedo ou mais tarde. Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. Bart já me dissera tudo o que eu queria saber. é claro.Qual é sua fraqueza. A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia. enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? .Fico muito solitária. até o som de música suave enchia o ambiente). Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma.tão logo tivesse mais uma pequena informação: . ..replicou afinal. os olhos escuros faiscando.Chamo-a de Olívia! . meramente por pertencer à natureza humana. vai para casa. cada fio no devido lugar. . Em seguida.. Chegarei às sete e me ia para um drinque. Quis saber o nome da avó.Ótimo.Às vezes.Quando voltará sua esposa? . como cabia bem a um bo m advogado.. Depois que Emma.Então.A propósito. jantamos por volta de cinco e mei a.Nosso horário gira em torno do menino. Sr. m as persisti. mas não posso ter certeza. creio que isto lhe dá satisfação. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre.. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja.Você a chama de Sra. imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo.. Agora. Então.Uísque. mimá-lo. A essa altura. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue. que faça questão de mostrar-se. a babá. se atravessar o bosque nos fundos de sua casa. Winslow. ambos rimos sim ultaneamente. nosso horário de jantar é às cinco. você parece uma megera. Portanto. fui ao bar. . tenho apenas a companhia de meu filhinho. fixo numa expressão . onde me ocupei com a preparação d as bebidas. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. No verão. estou encarregado de verificar que a Sra. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo. . Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade.fria como gelo. como se arquitetássemos uma conspiração. Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. cinzentos como gra nito. porque o olhar que trocamos foi muito demorado. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. . A menos. É. Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo. o que eu descobr iria por mim mesma. Dahl. Seu rosto parece f eito de pedra.replicou ele de imediato. que os dias são mais curtos. Tin ha os cabelos meticulosamente penteados. trato-a pelo nome de batismo.. Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça. Uma curiosidade avassaladora me invadiu. Portanto.Puro. . Bart. Agora. acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse.Logo que me casei. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m. . evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência. Bart? . lacônico.. mas agora. o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície. Depois do jantar..Irei hoje .

.Quando eu ganhar a segunda partida.Uma segunda partida. diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? .repliquei no meu tom mais altane iro. quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas.jogar xadrez! . Após conversarmos alguns minutos.. após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas. quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas.Exatamente o motivo pelo qual vim aqui . rindo. Isto é.disse eu num tom suave. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas. fazendo-os brilhar diabolicamente. . não importa como seja servido. Agora. qual a recompensa? .exclamou Bart. é feito com laranja recém-espremida. não gosto de galinha. encaminhei-me sedutoramente para ele. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco. .A galinha está deliciosa . . . após um espetáculo. adiciona ndo uma pequena dose de vodca.Bart observava-me cada movimento. quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade. encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira.Tomei banho. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais. Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre. como num passe de mági ca. você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. lançando -me um olhar duro. desde a sandália prateada até a metade da coxa. . O que está tomando? A essa altura. . A intervalos.Bem.Se eu ganhar. Sentei-me em frente a Bart.Não comece a imaginar coisa. um pouco de suco de limão. passeando ou fazendo compras. Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: .Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas. ambos nos curvávamos para pegar o talher e. Ganhei dele todas as vezes. O roteiro fora escrito há muitos a nos. . devastador.. homem convencido . exibiu um sorriso atraente... que era deliberadamente gracioso e eficiente. E. com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata. desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou. A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água.Uísque é uísque. Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia. Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu. . Mamãe. chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem. debruçando-se sobre a pequena mesa console.Cathy. . Batizei-o de "Deleite de Donzela". nada temos de delicadas ou el egantes. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. Sim. satisfeita com a expres são de seu rosto. Então. .declarou. verificáv amos quem era o mais rápido.Uma bailarina russa me ensinou. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. temos que co mer muito pouco. para jo gar xadrez! Em seguida. Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando..Em geral.Desculpe-me quanto aos copos . a fim de jantarmos à luz de velas. Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando. trancada num quarto. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. Ele sorriu. qual será a recompensa? . preparei para mim um leve coquetel de frutas. Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. dando-lhe as costas. vesti meu melhor terno. Então. fiz a barba.. senti-me no palco. Antes de nos apresentarmos no palco.. Como poderia eu fracassar? Após o jantar. A luz das velas refletia-s e em seus olhos. interiormen te. . cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna.

um pouco de anjo. mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça. lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris. Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa. então. Nada de passos complic ados. depois. porém. Não sei como encher os me us dias. Oh! Chris estava certo: com Bart. diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida. é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. E quando consigo alguma coisa que desejo. Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro. nunca terminando. eu fora além de minhas possibilidades.Por que está chorando. Bart. realmente. não sei o que fazer de mim mesm a. Sou como uma rosca..Engana-se. um pouco de mulher sedutora.. que me será revelada em algum ponto de minha vida. roçando o rosto escanhoado no meu. Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho.Então. Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina. Com estudada deliberação.Ligue a música. Cathy . . .Não sei. Sou idiota.solucei. . Soltei um riso curto e amargo. simbolicamente. .. qual a recompensa? . de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s. . não sabia. bailarina . enquanto cont inuávamos dançando. fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei.Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei.. Naquele dia.. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira. . Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me. contudo. mas resolvi tentar. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz.Se você ganhar duas partidas.replicou Bart.Não está sendo honesta consigo mesma . . . pois não sei por que motivo você está aqui. agora. Então.declarou suavemente Bart. .quando sei que. . julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? . convenço-me de que existe uma razão para tudo.insistiu Bart. . . quando ele vai dormir e estou sozinha. jogaremos a "negra". Garotinha s de quem eles precisam cuidar .começou Bart.Todos os seus problemas são muito simples. Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar. minha frágil proteção se esfacela e. .. é claro. infindável silêncio. Chris. levo u-me à sala de visitas.. ..Depois que eu ganhar a "negra". Tomando-me pela mão.Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando. Quando eu era jovem.Claro que sabe . não imaginava que me magoaria com tanta freqüência. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira. Torno a recompor -me.aquele que você jamais esquecerá. Então.indagou Bart suavemente. apenas começando. que não sofra ao perdêla . pelo menos atualmente. te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim.. fez-me virar a cabeça. Alguma coisa fácil e romântica. cheia de esperanças e a spirações. Só precisa de alguém .Cathy. sorrindo com tant a confiança. Espero demais e.disse baixinho.Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança.pois já não acredito que dure muito tempo. veio o silêncio. Do contrário. . E não fique aí. na minha vida pessoal. mais uma vez .Mas serei o último e o mais importante . sempre sendo furada no centro. tentando ocultar o rosto. espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo. Cathy? . . . e vivo à procura do pedaço que ficou faltando. quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. Parei de mexer os pés e funguei.Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres. só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente. para alegrar uma viagem longa e solitária.Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo. meu sangue escorre com as lágrimas que derramo... Um prolongado.Não. eu não estaria aqui. E tudo continua assim.Vamos dançar. na verdade. Entretanto. . prossigo. E. porém. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados". só compra va música clássica ou de balé.

fiquei apenas com a meia-calça. inflamá-lo. Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo. bai larina. eu necessito de um filho.bradei. disposto e pronto para ser seduzido. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar. A essa altura . No escuro. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto . puxan do-me com força de encontro a si. Em seguida. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo. .declarou Bart incisivamente. Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate. E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. Seduziu-m e na primeira vez em que a vi . dormimos j untos.e. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos.como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico . Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso. pega ndo-me pela cintura. aqui estou.Cathy. limitei-me a vociferar: . mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe.a firma que nem a conhecerei quando ela voltar . que ele puxou por minhas pernas abaixo. . Entretanto. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. de modo . mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços. Ela é uma trouxa de segredos. Convidou-me para jantar por um motivo. Bart jogou-se para a frente.repliquei amargurada. . Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. por Deus. será minha até uma semana antes do Natal. Afastei-o bruscamente de mim. pare com isso! Veja de que modo está vestida. sabendo que nada poderia dizer em protesto . Lutei para levantar-me. Um dos dois ganha o jogo. mas o fogo se apagou. Sua li bido inflamou-se. E não acredito que alguém realmente a conheça. Bart possuía-me sem usar o coração. Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a. refleti. ocasionalmente. agora. mas ele a tampou com uma das mãos. . talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores.. .Agora. .Vá para casa! . zombando de mim.do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante.. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar. Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas.Os homens também mentem . prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. e não me permite verificar o que há lá dent ro. bem amarrada. Movimentava-se para penetrar-me. Ela que fique com seus segredos e lágrimas.Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais. quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço. Agora.. obrigá-lo a perseguir-me e.Tenho uma esposa e. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais. erguendo-me e carregando-me sobre o ombro. minha linda sedutora.ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! .. até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora.Você tem uma esposa a quem ama . Portanto. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. Não a conheço.como eu. Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. Se Jory precisa de um pai. que necessita de alguém como você. empurrando Bart. apagou as luzes. se formos juntos p ara a cama. Todavia. carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama. ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer. Com a mão livre.Pelo menos.

Oh! .menos um pai. mais an imal que humano! . expl orava-me o corpo. . Quando ficou despido. nem mesmo é um homem. Contudo..Querido. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava. estou com medo. Você está chorando.. Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar. Do tip o de talo comprido. exatamente como você gostou. Ao diabo com ele! Comecei a chorar. com ar indiferente. fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . querido.. Depois do almoço. batendo a porta da frente com força.. pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância. . forçando o corpo para cima a fim de livrar-me. sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim. sob o peso de seu corpo. Sem assinatura. Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma . Você teve um pesadelo.disse. nua.Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa. Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado. tive oportunidade de gritar. isto é.Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. Jory adorou. usando apenas as meias.Tenho uma arma! . mas também ofegava. deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. Penetrou-me. veja só! Eu enxugara as lágrimas .. poderei queimá-las da maneira mais agradável possível .respondeu ele. continuei a debater-me. vinham numa embalagem da loja de flores.Estou tremendo de medo! Em seguida.Oh! Mamãe. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap .que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa. fec hando desavergonhadamente a braguilha.Minha esposa diz freqüentemente o mesmo .Mas ela gosta. não passa de um brutamontes.Suma-se daqui!. Se me de r muitas calorias. Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha.. cheio de talento.. ... E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil.e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito.pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã. à mesma hora.berrei. e musse de chocolate para sobremesa. Era u m estabelecimento que usava o método Montessori. aninhando-o em meus braços.Amanhã. Não faz mal. Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração . deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se.. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto. . Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças.(era mentira). Saiu. Sorriu. Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira. zombeteiro. Jory tomou a decisão por mim: . acariciava. apertando-me os dedos até estalarem. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. Mamãe está bem. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder . assumiu uma atitude séria. retorcer-me. . . Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia.e não me refi ro a correr pelos bosques. Oh! O meu Jory tinha tu do . .até mesmo no banheiro.. é um homem morto! Aliás. E passarei a noite aqui.Mamãe. quando o levei comigo par a a escola de balé. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria. prepare o bif e à Wellington com uma salada mista. satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! . fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. Por várias vezes. . Amanhã. mas não foi por pena de mim. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la. ..Não se sente feliz. sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente. imitando minha voz. se você me tratar bem. inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos.mas ele me beijava. bateu-me uma continência. de uma inteligência brilhante. Mamãe não está chorando. .

Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes. entregando-o a mim. . Mamãe. Sim. Mande-me embora e obedecerei . olho por olho. Jory. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. Nem a s rosas naturais..Mamãe . se quer tentar.disse ele. Não obstan te.Eu sempre o amarei. Bart teve a ousadia de vir naquela noite. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory. A caminho do chalé.. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da.. hesitante. .. parecendo um tanto triste e desapontado. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus.Oh! apenas um lugar macio. às sete e meia.Eu sei. O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . não constituía um presente dele. Sim. convidei-o a entrar e conduzi-o. naquela época? . como prometera.Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo. Olho por olho. Portanto. Em seguida. Nada de coquetéis ou conversas amáveis. de modo que precisei assinar um recibo. bem como travessas de p rata.Eu também a amo. . A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. No interior desta. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado. . estavam na caixa ao lado do prato dele. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo. Mamãe .com efeito. .respondeu ele. No prato vazio. Em seguida. .indagou ele. Fui esperá-lo à saída da escola. A encomenda era registrada.Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela.. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa. E se às vezes você for mau. deixa ndo-o a observar-me . de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda. Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim. Jory sorriu.. Jory esticou a mãozinha.idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do.. Os bebês costumam mamar nos seios das mães. Ele estava na agência postal. e também comprava selos. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior. todos viviam cheios de medo. dentro da qual havia outra caixa menor. portanto meu amor não tem motivos ou intenções. Porque você me ama mesmo quando sou mau. ainda tão pequenas.ou minha mãe. claro que não.. muito aliviado. Exibiu-me um sor riso encantador.Não. a fim de indagar se eu gostara das rosas.. . . Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada .. Parti. .eis o motivo pelo qual eu ali estava.apontou timidamente par a meu seio. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço. . cujos olhos estavam esbugalhados. aí . que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas. agora.Você me batia. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela. acenando quando me afastei no carro. um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe.Jory. . Às cinco e meia. eu não seria como a avó .repliquei rispidamente.Você não bate quando pego aí. . Jory ter ia também um pai. Seria a mãe perfeita e. Faze com os outros o que far ias contigo. calada. parecendo deveras preocupado. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada. . Nenhum de nós dois dissera uma palavra. eu o amo. O pacote conti nha uma caixa. fique à vontade: vá em frente e pegue. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro. à mesa do jantar. s ob a influência de Deus. Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. Amei-a antes mesmo de conhecê-la. cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas. Como se explicava que crianças. portanto. e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui. logo que se acomodou a meu lado no carro. mais perto de Deus que o resto do mundo? Então. tentarei compreender. algum dia.Não gosto do seu tipo de rosas .

poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . como você fez ontem. fitando-me os olhos com ar desafiador. incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga.Preveni-a de que sou advogado e não poeta. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! . ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite.Você me obrigou a fazer o que fiz! . ou coisa nenhuma semelhante. mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara.Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e. Sirva-se à vontade.dis se ele. antes de mandar-me embora. abriu-a com um puxão. A descrença em seu olhar. . parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa. rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. você está vendo o cardápio predileto de Jory . depois. escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada.Engana-se. . que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! . Como sobremesa. muito interessada em sua expressão facial. murmurou: .. ostensivamente. . antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias. Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. . Bart estava trajado com ex trema elegância. Bart lançou-me um olhar duro e faiscante. medrosos e temem uma mulher agressiva! . deixando-as cair ao longo do rosto..repliquei. mas com um toque um pouco estranho.Isso é evidente .declarei em tom de gozação. . homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas. Carrancudo. Saiba porém. desalinhadas.Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. Primeiro. ocultava o filé à Wellington.Não sou tímido. estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto. tudo é seu.. os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga. a fim de tornar-me mais at raente. Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. Esper ava tudo de você. Por que usou aquele tipo de vestido? . Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens. mas certamente você não o é. medroso. Em vinte e quatro horas.De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas.Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa. despr ezo-as tanto quanto as agressivas. .Não era vermelho.Eu a compus há apenas alguns minutos. Franzindo o cenho. porque eles próprios são tímidos.Fiz o possível . ..Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas. eloqüente. desde que suficientemente bo m para nós. E quando estiver rígido e frio numa sepultura.É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. jóias. passivas e estúpidas. . então. mas cor-de-rosa! Além disso. o que explica o toq ue um tanto estranho. ela se transformara numa colegial adolescente! .admitiu ele com um sorriso travesso.protestou ele. guardei um pouco para você. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. Sou liberada apenas em relação a alguns homens. que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas. como é possível que lhe pareça familiar? .Ao menos.e detesto aquele tipo de vestido! . C ontudo. Existem outros a quem s ou capaz de adorar. Quanto às mulheres passivas. idolatrar e servir como uma escrava. sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa. .Agora. Poesia não foi minha matéria predileta na escola. Bart. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as. . o ar de desapontamento . servi-lhe bis coitinhos com formato de animais.Sua poesia tem algo que me é familiar. E levando em consideração que já jantei. que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós..Não sou chauvinista . . . amala-ei ainda mais depois de morto . tênis sujos.

depois em legato.assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! . que se abria para um jardim cercado. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. recebi e dei até adormecermos abraçados. tinha cer teza . Mamãe. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. com a v oz. . Girava sem parar. Ela que fique com você. Então. Bart fez-me erguer o rosto para o seu. onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro. Dias a fio eu ia observá-la. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele. a única que ficava bem alto na encost a da montanha.. a caminh o do trabalho. antes de começar a subir vagarosamente. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo . Contudo.Eu a amo. arquitetando meus planos. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os. pois e u não o quero. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno. dedilha da em pianíssimo em andamento largo.. as mãos c ruzadas sobre o peito. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. deixando-o cair naturalmente. e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. eu sabia que ele não me amava. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. Quando dormi. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. ainda. como se pretendesse sair. tornando a explodir mais uma e . não obstante. O travesseiro estava molhado de lágrimas.e. Então. agora. um por um. meu desejo era ser tocada como um violino. que também tinha que pagar. saí com ele para o ar frio da manhã. Por que você não vem. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. não acreditando em suas palavras. eu nunca mais o veria.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. De leve. Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado.. Bart veio depressa em direção à porta. passando a um crescendo. Julian quase não tinha ca belos no corpo. Bar t beijou-me os artelhos. E Julian nun ca me beijara os pés. Atrás do ja .Você me está vendo como sou ao natural. Com um leve sorriso. Desliguei a mente. Não servimos um para o outro. me tratava como um verdadeiro ama nte. Finalmente eu lhes atendera o chamado. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. outra vez. Paul. escutei alguém chamando por mim. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. os olhos fechados. quando ela regressasse. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo. . que apenas pa recia muito triste. sacudi a cabeça. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito. De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir. Além disso. Desta feita. vinha o aroma de rosas naturais. E quando ergui os olhos. acusando-me com os ol hos negros. E agora que já viu. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva.. dominando todas as demais como um castelo medieval. sonhei com Julian. Por força de um vel ho hábito. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul. Volte para sua mulher.repliqu ei. a grande distância.então vi Chris no interior da caixinha. roçou de leve os lábios nos meus. Sentime como se a avó nos observasse. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. Fitei-lhe o rosto. Sem aguardar a permissão. levou-me às estrelas. Eu sabia. havia a a vó. Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa. morto. erguendo-me da mesa. Oh!. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. pode ir embora . excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo.

Alterou-os dúzias de vezes. todas as muralhas misteriosas ruirão. . faça o favor de ocultar sua faceta de megera. Todas as mulheres são monstros para os homens e. embora conservasse a sanidade mental até morrer.até lá. Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. Agora. tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. termina s implesmente entediada. diga que me ama.Daremos um jeito. delicada. Todavia. Eu a a mo e a odeio. Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow. . Um homem pr ecisa fazer algo útil. como você. De repente. mas ele possuía outros seis. aquela gente não tem mais sonhos a comprar.rdim. Bart pareceu-me um menino tristonho.Ela telefonou hoje de manhã. retirando outro. Quand o a conheci. . O último codicilo foi o pior de todos. tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. Cathy. obr igando-o a permanecer. Julguei que eu foss e seu único advogado. O jet set. que me faz l embrar dela. mastigando com violência. Voltará antes do Natal. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa. mesmo que não seja verdade. afirma o contrário. perde as inspirações. tão louco quanto sou agora por você. . E continuei a comer minha salada. encontra-se se mpre a mesma pessoa. sob a aparência havia um coração de pedra.Em breve.Logo que me conheceu. ta lvez. Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca. Portanto. Nunca. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro.Então.Bart.Ela me ama. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna. sou ambivalente e tenho ressentimentos. você disse que a amava. você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: . . sucinta. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável. .Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? . agora. porque não consegui . sem dar atenção à minha interrupção: . adicionando codicilos como um possess o.Ótimo .Bart. Ocas ionalmente. que tenha um significado. encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce. terno. Não se incomoda com iss o? . . incl uindo um membro da família.Não faça tempestade num copo d água.Sempre foi um mistério para mim.Naturalmente que era advogado praticante. acrescentou: . menos saúde. você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela. Somos nossas piores inimigas.Aquele pai dela também era um mistério.Você é mesmo uma mulher incrível! . E. para elas mesmas. Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. a "gente charmos a" . na hora do almoço: . . ao vê-lo. porém. Ri-se sempre das mesmas piadas. Depois . e não tente fazer comigo o que ela fez. selvagem. sou novamente. mas. . Não obstante.Às vezes. era uma mulher delicada. . A minha era redigir seus testamentos. Foi esta a resposta clara. cada um de nós encarregado de uma f unção específica.respondi.respondi. Tocada. Ele ficava porque ela o amava. gelei q uando ele anunciou um dia. ela mudou.que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo.Falando francamente. existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores. Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. erótico e totalmente satisfatório. meu amor . atrevi-me a dizer: . juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também .Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. bailarina. Ele prosseguiu. mas mudou. encantadora. Portanto. na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido.

esgueirei-me até Foxworth Hall.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho. revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. Continuei a avançar sem pressa. Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão. erguendo-se sobre nós como uma torre. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade.o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro. utilizando-me de todos os caminhos ocultos. Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. poderoso. maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. pareceu-me que já a beijara antes. admirando os quadros a óleo. e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile. marca das por vergões vermelhos e sangrentos. ta mbém. Mais uma vez . aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. os enormes lampiões. Era q uinta-feira. podiam adquirir. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. pois era o dia de folga. tão lindos aos cinco anos de idade. cap azes de avareza em pequenas coisas. observando avidament e os belos móveis antigos. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. robusto. vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. que tanto haviam perdido. usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . Por quê? . Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente. uma menina assustada. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago. para verificar qual era a sensação. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. Além daquela porta fechada. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. estava a avó-bruxa. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. Chegando à porta dos fundos. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos . Vi tam bém a segunda noite. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos.Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. os bustos de mármore. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den . Fazia muit os anos. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. havia um balcão no segundo pavimento. usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás.Carma.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. ainda crianças. Todos os criados estariam na cidade. quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca. Um dia. Sorri ante sua expressão de espanto. cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. para fazer companhia à sogra. apenas para economizar alguns míseros dólares . com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. . o corpo grosso. Afinal. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa.

Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. Oh! como parecia envelhecida! Magra. Usava malha branca. Agora. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. abri-a com todo o cuidado. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. c alcei ás sapatilhas de cetim branco. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria.tes que procuravam mordê-la. e eu me sentia satisfeita. os dedos o ssudos e nodosos. averme . sentei-me para descalçar as botas e. Soltei os cabelos. ainda mais indefesa . às seis e meia da manhã. a avó tinha um metro e oitenta de estatura. entretanto. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea. pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto. ela gritaria: Saia de minha casa. pecaminoso. mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. estava à beira do sono. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. Outrora. maldoso. dizendo baixinho: . com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. se us olhos também se abriram lentamente. parei junto à porta. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante. f ora! Fora. Lembra-se de mim? Sou Cathy. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil. Então. A avó jazia. revelando que ela era quase totalmente calva. com grande cautela. Agora. com o couro cabeludo à mostra. na alta cama de hospital. Apronte-se. Então. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo .. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. filha do Demônio! Fora. não o que era agora: uma velha doente e calva. no dia em que ela me surrara. Ainda assim. como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. revi-me diante do espelho. O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo. Chegava lá todos os dias.. que chorava e berrava. totalmente despida . Eu. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo. que ainda surgiria um a ocasião. expulsando dele a piedade. os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. A avó me reconhecera. esbugalharam-se. agora. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. Aparentemente.e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . Então. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. mãe de quatro filhos. quando a porta se abriu. depois. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração.. Viera exercer vingança. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. no futuro. Se pudesse.Boa-tarde. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. Um a to vergonhoso. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. pelo contrário. Olhos cinzentos. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. abatida . Com a maior naturalidade. chegando-lhe ao abdômen inchado. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche. jazia na mesma cama que ele. afinal. querida Avó.. Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa. pois ela jamais tivera pena de nós. mesmo reunidos como estavam. pude cumprimentá-la com amabilidade: . desbotados e úmidos.meus cabelos. ainda por cima. Em seguida. não conseguira estragar. muito satisfeita. abismada. bati com a vara na pa lma da outra mão. Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. de olhos fechados. aproximei-me da porta.Avó. Que prazer tenho em revê-la. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. Estava com medo! Glória. Tentou falar para e xpulsar-me.apenas um pequeno tufo.

Nossa mãe. ouça bem o que ela fez . Apaixonaram-se e iam casar-se. Não. Avó. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo.. Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus. foi o que fez. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio. Carrie também está morta. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. querida. menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas. Chris e eu subíamos ao telhado.lhados e cercados por pés-de-galinha. Revi Carrie em seu leito de morte. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe.. com golas debruadas de crochê branco. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. porém.. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! . Deleitei-me. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles. porém. sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea.Avó. Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie. Agora. portanto. numa teia de linhas que se cruzavam. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu. percebo que ainda não sabia disso. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas.. Delic iei-me observando-lhe o medo.Sim. nunca deixou de sentir-lhe a falta. Lábios finos e retorcidos. A vingança me brilhava nos olhos.. Carrie ficou abalada. Portanto. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. . envelhecendo. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. A avó jamais gostara de nós. murchando. nos dera à luz. fazen do-me tremer as mãos.. Agora. pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. na raiva. pois vocês duas mataram Carrie. Jamais se recobrou da morte do irmão. Mesmo assim. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque. como sofreu por causa de Cory. . Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. cuidara de nós. Guardeios não apenas para mim e Chris. dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino. . Depois. at irou Cory longe com um tapa. Prossegui num tom de cântico religioso: . comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as. por acaso. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco.Lembra-se da segunda noite.por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera. Cory morreu e você sabe. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. agora murchos e miúdos.Veja bem.e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. Agora. Pobre Carrie. sabendo que aquilo doía. como também para mostrá-los a você e nossa mãe. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . mas os gêmeos tinham pavor da altura. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. por incrível que pareça. E. a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. depressão e falta de coragem para pros seguir.. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo . Ela se mexeu um pouco. nem os nossos. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?.. onde nos sentávamos para tomar sol. Um medo profundo. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie.

. como ocorrera com Carri e. o seu marido! Embora tivesse sido. induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar.e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia.e também do seu marido quando jovem. Educou-o. que não machucava . meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida. Também isso eu lhe devo. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança. velha. no começo. sobre o corpo rígido da velha.Não são lindos cabelos. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. Contudo. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i .Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar . como se o passado já não importasse. O seu marido. você nunca pronuncio u nossos nomes. . Assim. descontrolada. Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma.declarei. esse dia chegou.e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. . Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm. que veio a ser nosso pai.e a vara em minha mão. Por isso mandou buscá-lo. parei diante da velha e vociferei: . Não obstante. Dancei e rodopiei em cima da cama. o meio-tio se casou com a meia-sobrinha. pois trago cada uma delas gravada na lembrança. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora. minha mãe. a quem você também de testava. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido . E ntão. da nuca aos calcanhares. não foi? Roubou lhe sua filha única. não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai.e. . mesmo assim. seus únicos netos.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. Contudo.. exibindo o corpo bem conformado e jovem. Depois. ela fez um esforço para encolher-se. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim. tão transparente que permitia ver as veias . Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade. Nunca a emocionamos. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. Mas. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas. portant o. erguendo bem as p ernas. Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha. Um chico te macio. Só o prese nte interessava . exibindo-lhe minha grande agilidade. Malcolm. meu pai lhe passou a perna. apaixonou-se pela esposa mais moça do pai. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases.Sim.declarei.Agora. . em vez disso . se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente. desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo. deu-lhe tudo do melhor. querida Avó. agora.Devo-lhe isso. a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica.. colocando-nos à sua mercê. Lembra-se? Pulei para cima da cama. E todas a s outras coisas. Avó! . pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. você jamais te ve piedade de nós. A esposa dele. porque o pai gostava mais dela do que de você. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas. rindo ao vê-la tentar esquivar-se. Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. não é mesmo? Embora tenhamos tentado. quan do Alicia teve um filho. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor.

. Não gostei de mim mesma. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto. arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam. Só pode permanecer deitada e sofrer. com as mãos nos quadris. Ela usava um tipo de camisolão de hospital.indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador. pálida e mais brilhante que a pele bran ca. jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada. Sem a menor piedade. estendida a meus pés. com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . abaixei-me cruelmente. Espantada. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama.Oh! Queri da Avó. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente. . gra ndes. Como não há no momento. Portan to. flácidas e brancas demais.. escuros. debruçando-me para observá-la melhor -.O que farei primeiro? . velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche. Isso é mais amor do que você já conheceu. velha. . marcada pelas estrias da gravidez. os músculos ágeis e rijos. pois surtiria o mesmo resultado. Avó. deixando -a descoberta. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. embora suas nádegas fossem chatas. mas apenas a franja. Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . Sim. os bicos bem embaixo. aberto apenas nas costa s. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar. As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada.Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere.Agora. livre de qualquer escrúpulo. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido. O quanto desejei que cons eguisse falar! . observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé. violenta e vingativa. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura.. do que dizia nem do que fazia ou sentia. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo. desafiando-me a agredi-la . . a pele imaculad a. Uma cicatriz antiga. Durante o tempo todo.os contornos suaves e firmes. A brancura pastosa da pele era enrugad a. agradável de olhar . creio que serei obrigada a usar cera derretida.Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. manchados e encaroçados. como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. Minha consciência pairava perto do teto. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais . pois você não pode falar nem escr ever. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana. como se falasse comigo mesma.declarei em tom inexpressivo. flácida e enrugada que a cercava. naturalmente. agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e. enrolada em minha cabeça . por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados.indaguei. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. De repente. empurrei-o para cima. tendo perdido o gosto da v ingança. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente.provoquei. Sem dúvi da. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. a té as axilas. a tornar-se ainda menor.desafiando-me. Chris e eu também. Tinha que ficar nua. sem preocupação com delicadeza. O corpo jovem é um a coisa bela. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo. Você poderia ter usado cera qu ente. vou açoitá-la . maliciosos e impl acáveis. como obrigara Mamãe. Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. . Suspirei.contudo. Por baixo daquela toalha. . estava todo o cabelo comprido que ele salvou. Em seguida. Um traje esquisito.. eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. Nua.Querida Avó .

abertos. mate-me! Eu a desafio: vamos logo . agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. A enfermeira não sabe explicar. além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Interroguei Olívia. . Em seguida. lentamente. não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco. deixando escapar um som da garganta. Cobria-me de presentes .paga para ser amante de Bart . ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. coragem! Mate-me. . Acendi um a vela. Voltei correndo. Ela estava certa: eu era covarde. As velas tinham cor de marfim. m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. ou poder ser.Você é meu papai? . a fim de saber se foi alguém que ela conhece.indagou meu filhinho. gota a gota.. fitavam-me sem expressão. ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. Agora. Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal. Seus olhos cinzentos. Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie. Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados. Deus al terara o molde e eu não cabia nele. querendo dizer não. Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . Piscar uma vez significa sim. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se.exclamei. portanto. Agora eu era uma mulher sustentada . só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos.Oh! . depois.. deveria ter fósforos ou isqueiro. que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie. mas não fazia diferença. . segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite. em seu cabel o e couro cabeludo.Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão. almoçava e jantava con osco. Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa. antes de não conseguir mais su portar aquilo. dis tintas e elegantes como a mansão. ou algum dos criados. mas bem gostaria de ser.ele tomava café da manhã. Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa. enquanto eu continu ava a soluçar. Eu era uma Foxworth de pai e mãe. Depois. com papel higiênico para limpá-la. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. os olhos de aço da velha exprimiam terror.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca. procurando na mesa de trabalho usada por B art. Comece i a chorar. deixei-a queimar um pouco e. de modo que a cera quente e derretida escorreu. Então. contudo. pisando com força e fitando os pés. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta. Voltei correndo p ara apanhá-la. Num frenesi de fúria.irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer . Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva.Não. . que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy. . não obstante. passando para a primeira sala de visita s que encontrei. Deixei cair seis ou sete gotas. Tão logo Jory saiu para o jardim. Ele fumava. Virei-a na cama. sentindo-me um pouco doente. que completaria quatro anos em fevereiro . Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona. Vamos. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. mas ela piscou os olhos duas vezes. Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara. os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som.e fazia o mesmo com meu filho.

que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela. Você brinca co migo. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco. libertei-me com relutância de seu abr aço.Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais. não é mesmo.Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou. Todo mundo sabia.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! . Teria que ser. zangado. escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera.Eu não disse que ela está tão sensaciona l. arrastando ainda mais o sotaque sulino. Em seguida. . . Bart exibiu-me um sorriso brilhante.Cathy. Eu sabia que teria que levantar-me logo.Você possui um lindo traseiro . de aparência mais jov em. como uma i diota. ela mudou enquanto esteve no Texas. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo. Além disso. Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração. espantada. Quando você evita o assunto de divórcio. isto constitui. afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes . . com quem me casei. quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste. não dei a perceber que conseguia fazê-lo. . .A circulação é deficiente. . Segundo o entusiástico relato de Bart. você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o . . Os primeiros flocos de neve começavam a cair. mas agora está terminado. Tinha que saber.Não se preocupe. maravilhosos! Ela está linda e . querida. acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores. abotoando um minúsculo sutiã. Agradeci o elogio. naturalmente.Permita-me explicar como sei.Bem . Cathy? Não quero que sofra ainda mais.retruquei.indagou ele. e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas. eu me apaixonara loucamente por ele. sei disso.Já foi muito magoada. . antes de lhe dar um último beijo de despedida .ausente havia tanto tempo . como o sol surgindo após uma temp estade.Neste caso. enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. . Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles.Como pode saber se não falo sério? . por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares. .. Dei-lhe as costas numa atitude recatada. só para informar-nos de q ue estava nevando. Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart .re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela. Depositou-me na cama e começou a d espir-me. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. .agora. para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama. afinal. eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou. depois beijei Bart e. Quando a gente ama. sua esposa .comentou. pois. pois os mexericos corriam pela ci dade. . . Atirei-lhe um sapato. Voltou a ser como outrora: a mulher suave. de algum modo.exclamo u.disse Bart. Prim eiro suspirei. Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. O problema não é seu. por si. desejaria construir um boneco de neve. carinhosa. não é mesmo. então. a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni. s em desejar que isto acontecesse. já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente.Cathy.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa.num tom que desmentia o sentido das palavras.que diabo! . uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida.e dela. Permanecemos abraçados após fazermos amor. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto. é meu . por que você está aqui comigo.

Não tenho filhos. derrubando a jarra de flores de cima da mesa. não . Ela me a vistou e estremeceu.Não . Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim. mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor.Minha mamãe tem um casaco de peles. Ele me amava! De verdade!. como minha mamãe.. preocupado ao ver-lhe as lágrimas.murmurou ela.que seja.. de que rea lmente estava grávida. Tinha os olhos marejados de lágrimas. Nunca! .. vindo e m minha direção.quis saber Jory. não duas desconhecidas. Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles.Olá . contar-lhe-ia que estava po r ser pai. Partiu como uma rainha. com a verdade estampada nos olhos escuros. perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir. Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão. . O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta. enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos.Não . olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. Jory perguntou: . Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai. por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela. Ela é bailarina. . Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado.vencera! Por mero acaso. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. Mas ela recuou a mão. mais cedo ou mais tarde. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome.exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza. Não obstante. Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . Mas. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam. Preferi não fazer comentários. .Algumas mulheres como a senhora. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata. A ausência de um período menstrual nada provava . se a sua decisão foi correta. que atraía a atenção de todas as pessoas. preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão.Não sou bailarina. . Falou sério. como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. através de pequenos detalhes. gracioso e encantador. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha. Eu vencera . ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante. certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer. Renegar-me-ia como renegara Carr ie. Portanto. Mas eu não er a Carrie..Você é bonita. . .Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . O próprio temp o lhe mostrará. prendi a respiração. tratei-a como ela me tratou com indiferença. avistei um homem que se esgueirava através do bosque. recuando. fingindo não me conhecer. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo. Você também dança? Ela suspirou. .. que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. lançou-me um olhar. percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. de cabeça erguida. .Já sou velha demais para aprender ..Mamãe.insistiu Jory. eu sempre fora uma tola.Não é. tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o. Veja. Era um me nino lindo.Determinadas mulheres não merecem ter filhos.. ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço. Então. de todo modo.cumprimentou-a. Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. Sra. . . Então. como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio.. mas não tão linda. No crepúsculo daquela tarde. .Minha mamãe pode ensinar você a dançar. Virando-se.sussurrou ela. sentei-me perto das janelas. Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol . Sorri e recobrei a confiança em mim mesma.replicou ela num sussurro trêmulo. Winslow.. . É parecida com você.

considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais.o que significa que seu filho irá comigo. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se. Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora. escutei um tom de humildade na voz de Bart: . fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe. Nesse caso. na realidade. Foi ele quem redigiu o testam ento.exclamou.tas espalhados pelo chão. sinto-me incapaz de separar as duas. Em seguida. Quando ela se mostrava detestável. com o punho cerrado. Então. .Ouça .. depois que eu me for. não me venha com frases de duplo sentido. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras. fitando-me nos olhos. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho .casar-me com você? . tricotando um agasalho de bebê. Mesmo quando eu tinha raiv a dela.. mas é verdade. eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu. Seja qual for o motivo. é como costumava ser quando a conheci.. ela voltou diferente e. A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira. .Você planejou tudo isto desde o início.protestei. e com você! Fui peremptória: .Meu Deus! .Vai desfiar! . Que tipo de jogo você faz agora? . cobriu o rosto com as mãos. Eu a amo e também amo minha esposa. Por favor. não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo. talvez não.Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . tornou-se capaz de ser m ais delicada.ponderou Bart. Deus me perdoe. . . mas cresceu e transformou-se em . mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal. chocado pela descoberta. desanimada.Seja razoável.Eu a amo. continuava a amá-la.. mas não deixava de amar a ela..E não havia necessidade. . atualmente.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. E meu fil ho também. descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. Ele pareceu furioso. q uando tudo terminasse. Nada precisa muda r porque minha mulher regressou.Muito bem. Cathy. mais corretamente. . Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris . tem que saber de tudo. .Explique exatam ente o que quer dizer.Cathy. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso. Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala. Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e.Que diabo está querendo fazer comigo. com o braço apoiado no aparador. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e. Portanto. Do contrário. Cathy. Quero você sempre perto de mim. depois recompôs-se e implorou: . Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. por isso. sinto-me grato. .Em sua vida? Não se refere. agora já passou da idade de ser mãe. De todo modo. você disse que não precisávamos tomar precauções. Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. tem que saber! Bart postou-se junto à lareira.Não. você estará d efinitivamente excluído de minha vida. de modo que nunca saberei o que acontece com ele. Fiz minhas próprias previsões. procurando reassumir o controle da situação. . Cathy.quando. irei embora para muito longe . Natu ralmente. Bart. Dê-me um beijo de despedida. Mantinha a mão livre às costas. Quero ter um filho seu. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres.. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena. mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. Como já lhe contei. O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança. ou ela. Às vezes. Agora. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. virou-se para mim. à periferia da sua vida? Pela primeira vez. posso cair fora. Ficarei.

Ficavam adoráveis nas . sempre divertido. . Mas não poderia competir com a própria filha. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde.respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la. até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada. Começou a chorar. Bart. e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes. Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado.não naquele Natal especial. como de costume. tocando-me o rosto ao passar por mim.Pegue outra vez seu cabelo comprido .Oh! Mamãe! . . eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa . Portanto.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher . depois. da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara. Eu sabia que ela ainda era muit o bonita. . Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e. com penteado igu al e rosto mais jovem..e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto. Suas palavras me provocam lágrimas. os brilhantes olhos azuis do v elho.Está bem! .. Ela precisa de mim! . Oh! sim. Hesitante. lamentando o fato de sempre falar demais. sempre me mantend o na expectativa. ou caminhando pelos bosques.exclamou Jory. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar. transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais. sinto que não posso mais viver sem você. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal .Agora. Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. você nem parece minha m amãe! Não parecia. mas não deixarei escapar a minha! Adeus.Cathy . Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática. Sinto-me bem na sua companhia. agora. onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. avós e amigos. Fiquei sozinha.Você deveria ser ator.algo muito maior e profundo. Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond.explodi .explodiu ele. . Gosto de estar a seu lado. o chiffon verde mais claro para a saia. era exatamente esse meu objetivo. Não só o a parei. Gosto do jeit o como você me trata.implorou. Antes disso. Tinha a mesma força e beleza que ela . tir de Bart Winslow. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou. Escolhi o tom exato de veludo verde e. Quando você desis . mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho. Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você. em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart. mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara . minha oportunidade se apresentava: num vestido igual.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança. Agora. apenas sentado e conver sando. c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal. . . O penteado caiu-me muito bem. nem quero passar por pert o de você! . Christopher Doll. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso. fi nalmente. Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo. tornarei a vê-la. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço. porém.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação. Emma. Em seguida. . tristonha. saiu do chalé num rompante de fúria.Seu cabelo caiu. havia quinze anos. pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. contristado.e dez vezes mais inteligência. cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente. incrédulo. pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda.Maldita seja por levar-me na brincadeira! .

com sal tos de dez centímetros. Ind ubitavelmente. Queria Bart a meu lado.O que será? . .Pensei que ficaria solitário sem meus tios. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve. cobrindo-me de elogios. Fiz questão de verif icar.eis aí o motivo. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. dançando no palco com tanto entusiasmo. . radiante de felicidade.Por quê? . Henny. o destino teria que estar do meu lado. almiscarado. Eu julgav a que fosse naquela noite.. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada.indagou Jory. com cinco centímetros de largura. Mamãe! . que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele..como acontecera com as dela . Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade.Oh!. O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo . Hoje. .Posso abrir agora? . Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom. o Sr. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila. com um aroma de jardim do Oriente. eu exercia algum controle sobre Bart. .e eles compareceram. muito corado. Bar tholomew Winslow. . que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo. Girei diante do espelho. E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. Emma. Em breve eu também as possuiria. Até mesmo o perfume era o mesmo. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes. Espalhados por toda a sala. experimentando a sensação de ser min ha mãe. Bart parecia feliz. As sandálias eram finas correias prateadas. . A doce infantilidade de Jory. Na minha opinião. o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite . certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros. . minha mãe. enquanto Emma observava de um canto.Porque não poderia deixar de amá-lo . bailarina. dev e ter sido Maria Antonieta.quis saber Jory.Por quê? . Portanto. Em algum ponto de minha vida. Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade. Bart e Papai Noel.Ondule-os suavemente.Claro.pelo estilo do penteado. Antes das cinco da manhã." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite. Chris. peguei a estola de peles q . . carrancuda. eu faria as surpresas e desferiria os golpes.Puxa. não com ela. Ele não ficou solitário. junte-os em cachos no alto da cabeça. vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon. . combinando com a bolsinha de prata. Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. arrancou repetidos aplausos da platéia.exclamou. Quando ela terminou. Mas não fique i. Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante.roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. Estou me divertindo muito. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes. que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. mas eu fiquei. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda.Porque ama você. E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você. com o poder que ela exercia sobre os homens. Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração. na mansão. não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas . os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. e Sra. afastando-os do rosto. logo que chegarmos em casa. Depois.

mesmo se um dia ela lhe fez mal. ficarão. que viera no mesmo envelope. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo.Obrigada. De quem logo estará no céu. querido. tão semelhante aos olhos da avó. Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito. Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros. reuni toda a minha hesitante coragem. desejei controlar minha própria vi da. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. sacudi o s ombros. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe. Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso. triste e sonhadora. dei uma última espiada em J ory. Agora. como se fosse sua próp ria filha. Olhei para o céu cinzento e ameaçador.sussurrei. veja quem precisa mais de você e não poderá errar. Macia como plumas.Oh! Mamãe.. Fora escrito num festivo papel vermelho. durma outra vez e sonhe com cois as boas. E se você não tornar a ver Henny neste mundo. Então. Brigara violentamente com Bart por causa disso. . Amanhã faremos um boneco de neve. Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . que passaria a noite com Jory. encaminhei-me para meu carro. acima de tudo. Catherine . Querida Filha-Fada. com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny.Traga um papai para ajudar-nos. não importava o que acontecess e. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho. mas não sou tão cruel.ue Bart me dera. como um anjo. Olhe em volta. Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa. utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . Jory . Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall. sob certo aspecto era o que eu faria. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final. Cathy. Cathy.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. por achar-me linda. que dormia encolhido de lado. a nev e começou a cair. Alegre-se com o bebê. Desejo-lhe felicidades. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. lembre-se de que Henny lhe quis bem. . Digo-lhe agora. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. tornei a beijá-lo e disse que sim. a paz e o amor voltarão para você. Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. Tinha que fazer o que precisava ser feito. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. quando eu tinha doze anos. Desta vez. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe. Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. antes de ir para um lugar melhor. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota. Henny está velha. Sentindo-me novamente resoluta.Eu o amo. Revelações Pouco depois das dez horas. Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo.Ora. P erdoe sua mãe. . o segredo simples para viver f eliz. Henny está cansada. está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: .. . É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais. Henny . . não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa. embora não tivesse recebido convite para a festa. E.

coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. não sentia f rustração. A chave de mad eira ainda servia na fechadura . com uma ferocidade exagerada.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais. coloquei no chão. representado pelas três reproduções de o . Sorrindo amargamente com meus botões. sem apresentarem a mínima dobra. espanto ou frustração. verifica ndo que tudo continuava como antes. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. Naquela ocasião. Dez e meia. com a caminha menor. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. deixando tudo como antes. Veja bem. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. Consultei novamente o relógio. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal. Não exatamente ig ual. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. a grande prateleira forrada d e veludo verde.fora trocado por outro. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. que me chegava de leve aos ouvidos. quinze anos atrás. Batia depressa demais. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. surpresa. disse comigo mesma. mas de um leve tom de ameixa. justamente como uma Cinderela ao inverso. Ora. Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. também no mesmo formato. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite. Naquela noite. encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. já não era rosa-morango. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época. sem ter quem me apoiasse. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. A casa de bonecas. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. com a porta trancada. diferente. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. Ajoelhando-me. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria.nunca mais.mas meu coração parecia não me caber no peito. que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho. diante de mim. Precisava manter-me calma. Mirei-me no espelho. As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes. mas quase . mantendo-me nas sombras. pulsando co m inusitada excitação. um barulho excessivo. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. perfei tamente arrumadas. apertando mãos e beijando rostos. era novo. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. Cedo demais. sem ser observada. aos pés. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. Com a maior cautela. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. Agora. E. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido. Como num sonho. por incrível que pudesse parecer. Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite.tantos anos antes para esgueirar-me. Corri ao quarto de vestir de minha mãe. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. penetrei de volta em minha infân cia. controlada. Olhei em volta. A orq uestra tocava uma melodia de Natal.

junto com inúmera s caixas de velas grossas. Contudo. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas. embora também estivesse cinzenta e desbotada. mas algo muito melhor. empoeirado. qua ndo queimavam. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. espantoso e ameaça dor. Um milhão de v ezes. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. rindo. o bebê. empurrada por mãos invisíveis. A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. ansiando por sol e ar livre. refleti com meus botões. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los. Os fantasmas despertaram. Sobressaltei-me. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço. o que estragaria a maquilagem. Tive a impressão de escutar um riso infantil. Ainda estavam lá. Ela levara seu intento até o fim . minha vontade era chorar como uma criança. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede. móbiles que se moviam nas correntes de ar. por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. que se abria para a escada íng reme. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos.. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. bem como Clara. quando deveria ter pensado melhor. e. acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança . Não podia me dar ao luxo de chor ar. Tínhamos vários castiçais.tudo desbotado. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . Minha imaginação. Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida.. o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. quando não conseguíssemos apresentá-lo. escuro. todos eles de estanho. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas. a fim de poder notar a sua f alta e. passando até por debaixo da mobília.. e as flores gigantescas nas paredes. natur almente.. estreita e escura. Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. Não obstante. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado. Perto do toca-discos. Não. com cheiro de podre. para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé. Foram encontrados por nós num velho baú. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe.não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro. Parkins. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro. Subi ao sótão gigante sco. pois exalavam um cheiro desagradável.bras-primas de mestres renascentistas. se agira assim. só isso. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. Oh! que fora feito da ferrovia. chorando. encaminhei-me ao armário embutido . dúzias deles. Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. Então. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também.e ali estava ele. o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. no quarto da criança. A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. de coisa velha. e Sra. no escuro. Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. querendo sair dali. ou pior! Veneno. então com apenas cinc o anos. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. fantasmagórico. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. curtas e mal acabadas. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie . andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. sonolentos e bocejantes . O tempo parara naquele local.

Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory. que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século.no futuro. pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte. e talv ez houvesse derramamento de sangue).fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto. senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer.. estaquei. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição. pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. como fora minha mãe tantos anos antes. minha mãe virou-se ligeiramente. pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção. o vento começou a soprar lá fora. tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos. Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. Desabava outra tempestade violenta. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite. À distância. Enqu anto os convidados olhavam para cima. depois. que haviam comparecido àque la festa de Natal. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava. Ali. nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. Comecei a descer a esc adaria. desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. Cory. Desta maneira. mas era apenas eu. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. Christopher.. Co mo ela olhava fixamente para mim. vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. mas conseguia não perder a pose. usando o mesmo vestido de gala e. (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. somos apenas três . Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. atraindo os que se encontravam em outros salões . com a pele iluminada pelas jóias faiscantes.. a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão.disse eu para todos em voz alta e clara. Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana. num silêncio mortal . poderia observar melhor seu espanto. Assim. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão. imaginei-me como a Fada Lilás. Ela tremia da cabeça aos pés. tenho certeza. Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram.. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. Agora. embelezando-a ainda mais. tentando enfiar as pernas sob ela. Enquanto eu aguardava sentada. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido.Feliz Natal! . mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer . esperavam avistar Papai Noel.. de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes. de volta a mim. quando cheguei ao penúltimo degrau. quando lidava com realidade e não com fantasia. Agora.mais velhos. fugir. curtos como eu jamais os vira antes. muito juntos. Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena. Apenas eu. agora. em seguida. Lentamente. estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto.pois a música parara d e tocar -. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. embaraço e colapso total! .. se melhantes às de Carrie. Seus cabelos louro s.e que acorrera . Em seu vestido de lamé vermelho. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me. Até mesmo reconheci alguns deles .. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade. Soou a última badalada da meia-noite. certamente.. que ecoou como a tromb eta de um arauto. Com ela.. Ahhh!. Carrie e eu. parecia muito jovem e linda. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados. postei-me no centro do balcão do segundo andar. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e..

Cathy. mas Ba rt se encaminhou para mim. o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas. quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. Bart .acrescentou Bart. após tão sensacional apresentação dramática. filha mais velha da Sra. você e ela perderão tudo. aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. que pareciam não saber o que pensar. por que inventou tantas mentiras? . Bartholo mew Winslow que. imóveis e calados. Cathy é parenta distante de minha es posa e. tenho tanta pe . Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa. sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados.m às dúzias. Na verdade. a Sra.Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros. nunca.exclamou. Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga. E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória.. E. venha dançar comigo. nunca descíamos. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. parecendo tão estranho. . Este deserdou a filha. Em seguida.Sua putinha atrevida! . Mesmo assim. nos menores detalhes.Idiota é você.Gostaria de apresentar-me . . como a maioria de vocês se recorda. Outrora. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia. . Winslow . tive um irmão e uma irmã mais moços. Bart ficou visivelmente abalado. embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? .Minhas senhoras e cavalheiros . como acabam de verificar por si mesmos. foi anteriormente casada com meu pai. Entretanto. indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. . arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa. há quinze anos. Cory e Carrie estão mortos. Todo o dinheiro e i nvestimentos.Sim. Não sei por que motivo.convidei -. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas.Naquela festa de Natal. na qual você trabalha. resolvi dar-lhes o que desejavam. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar.Sr. Éramos ratos de sótão. forçou-me a proceder como fiz em seguida. em quem acreditar e. Cathy! .respondi com a maior calma. . Christopher Foxworth. Julian Marquet. Nosso local de brincar era o sótão e nunca. torna ndo-a um pouco diferente. . mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim. a única herdeira q ue lhe restava.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl. . Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas. é também uma atriz de enorme talento. . lá em cima. .Bravos. Serão obrigados a devolver tudo o que compraram. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem. como talvez vocês já saibam. . O choque aturdiu-o. enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte.sibilou Bart.declarei num tom agudo. a fim de fazer-me escutar perfeitamente. Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas. está tudo explicado.deseja mostrar seus dotes de dançarina.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava. anuviando-lhe o olhar. gêmeos. e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão. . Decerto . tenho também um irmão mais velho..Olhe bem para mim. que hoje é médico. Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota.Sou Catherine Leigh Foxworth. igualmente chamado Christopher. Enquanto todos aguardavam.Venha. que nasceram quando eu tinha sete anos. continuei: . porque foram. irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth. como reagir. Ora. que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas. interrompi-me. Quando a música recomeçou. exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. querido Bart. muito men os. Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne. distante e esquisito.

Certa vez. Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora.Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! . uma vez. Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes. Nossas refeições eram enjoativas. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem.Nãooo. . Bart. . Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta.Sim. parecendo doente e prestes a vomitar. . com a caminha igual aos pés. Foi você quem redigiu o testamento. não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite. Manteve-nos trancados à espera da morte do pai.declarou. . Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. por favor! Se está mentindo. Todas as manhãs bem cedo. disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar".Então. num tom esquisito e desprovido de sinceridade.prossegui. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri. Ficaram tão pequenos. Foi ela mesma quem me contou. fui eu. os garçons trajados de preto e vermelho... . .Está inventan do tudo isso . Bart sacudiu a cabeça. você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões.."Como criar seus próprios bordados" .Cathy. com enormes olhos assustados. a fim de herdar toda a fortuna. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças. Bart.É mentira .prossegui suavemente. uma fonte de onde jorrava champanha.Por que não odiá-la? Ela merece . E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia. Nosso playground era o sótão. simulando achar graça. ou algo semelhante. . . . .Conheço a combinação do segredo . invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração. Ela é minha mãe. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou.. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós.disse ele. E. parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe.Esse vestido que você está usando. . mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! ..Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica.Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la.Meu caro Bart. Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda. E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira. mas sua voz tinha um tom de dúvida. Então. Na ocas ião. pare! Não me faça odiar minha mulher! . não est ava na copa. o mordomo.. tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro.Os números da data em que el a nasceu. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses. embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável. permita-me convencê-lo melhor. raquíticos. Você não estava sonhando.. o rosto dele bem perto do meu. Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. sempr e frias ou apenas mornas. deitei-me naquela ime nsa cama de cisne.na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar. Seus lábios exibiam um sorriso fixo. seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente.. suspirou ele. . e duas imensas ponch eiras de prata. Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo.corrigiu ele. quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John. quando eu tinha doze anos. em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. . mas e ra Chris. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar. os olhos esgazeados. . Os gêmeos quase não se alimentavam. ano após ano. Quem o beijou fui eu.

ficando trêmula. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. inclusive quando eu já morava aqui. .totalmente franca. po rém.Pare! Cambaleou alguns passos. . acreditamos em nossa mãe.Sim.. a fim de o alegrarmos para os gêmeos.Ouçam todos! . Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . dormíamos um bocado. E também ha via uma outra regra. Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer. sem receber luz solar. Ocupávamos o tempo jogando. com um pesado suspiro. alimentava-nos razoavelmente bem. .exclamou ele. Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias. .Cathy. como se estivesse cega. Ela. mas minha mãe soltou um grito agudo: . extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente. seja franca .as unhas em riste tentando . recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas. depois. quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont.No início. rezávamos muito. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. .Oh! Deus! . cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. . se descontrolara. A essa altura. A princípio. obedecemos. A princípio. Você tinha uma irmã e dois irmãos . Fomos ficando magros. mas aquilo continuou interminavelmente. subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel.dura nte todo aquele tempo. Decoramos o local com flores de pap el..não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares. E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai. porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação.berrei. com os braços estendidos para a frente. o rosto lívido . . à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. Bart lançou-me um olhar ameaçador. não importa q ualquer outra coisa que você me diga. Cathy. indesejável e detestado. já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar. sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto.Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora. Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar.berrou. carregado de uma raiva terrível. Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos. E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai. doen tios. sempre cheia de pose e arro gância. Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime. em especial os sexos opostos.Três anos e quase cinco meses. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos . se minhas palavras fossem verdadeiras. E se isso lhe parece muito tempo. sem luz. todos olhavam para ela. viveram trancados lá em c ima? . que via todas as ra mificações. o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos. confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo.e . não mais para mim.. nossas refeições se tornaram cada vez piores. quietos como ratos de sótão.É mentira! . Contudo. contudo. E. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto. até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia.antes das seis e meia. compramos um quilo daquelas balas em Vermont. você se parece com ela! Talvez seja sua filha. . em cada palavra que ela pronunciava.Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground. .. caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall. caia fora e nunca mais volte! Agora. os dias eram como meses e os meses pareciam anos. Vivemos ano após ano num quarto escuro.Sim.Isso é bem do tipo dela. sentindo-se negligenciado. embora nossa mãe. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse.

Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro. a despeito de tudo que eu afirmasse. sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido. Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. minha mãe fechou os olhos. mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. Foxworth fic ará conosco.arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa. indefe sa. . Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. saindo em seguida. . por mais que viesse a ganhar com isso. exibir a chave de madeira feita por Chri s. Corrine. a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela. . desalmada e brutal. inerte numa poltrona de couro. .rugiu ele. trocando sussurros e olhando para nós. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? . Ela est ava mais pesada do que antes. continuem a festa. como deveria. Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado.disse Bart. ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca.disse Bart. mas uma ordem. comam. Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê . Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto.Cathy.Sra. murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido. aos de Chris. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. A Srta. Podem ficar até quando quiserem. Normalmente. Não era um pedido. Portanto. Bart pegou minha mãe. os quais manteve prisioneiros.Muito bem . bebam e divirtam-se à vontade.iguais aos meus.Faça o favor de deixar a sala e a Sra. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim. Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo.Sinto muito. Cathy.Como pôde ser tão egoísta.declarou. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. Obedeci . erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível. totalmente descontrolado.Então. quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó. . de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. Vamos terminar isto de uma vez por todas. as mãos pálidas e trêmulas de desespero. mas parecia uma pluma nos braços dele. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. a lesma deformada. senhor . Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro. . aos dos gêmeos. na defensiva. é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações. Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: . muito grato pela sensacional apresentação. Foxworth quiser de itar-se. Poderia des crever as flores no sótão.um grande segredo. como também contra a esposa. depoi s. Mas logo raciocine . cr uel. sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas. Tudo isto. . Sentia-me estranhamente solitária. implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo . tentar envenená-los com arsênico? Derreada. a minhoca. Uma enfermeira lhe fazia companhia. Minha mãe se agarrou a ele. A cadeira fora colocada perto da lareira.disse a enfermeira.Sim.Basta tocar a campainha quando a Sra. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim. se fizere m o favor de perdoar-me.disse ao chegar à porta.Mais uma vez. tão logo a enfermeira fechou a porta. Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns. escondidos no sótão. Deu-me uma ordem ríspida: . Mallory . sobretudo. senhor .

responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida. Não ob stante. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo..Querida mãe. Mamãe.disse ela com voz forte. Mamãe. .sussurrou minha mãe. foi destruído num incêndio. atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para. Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e. Sim. olhando primeiro para ela e depois para mim. talvez. descobrir a verdade. mentindo. que já morreram! .Mentindo. conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. Então.Sabe mais uma coisa. Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: . Sem aqueles documentos. depois. . você nunca s oube fazer nada direito. Após breve pausa. portanto. E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. Lembra-se do camundongo de estimação de Cory. sem dúvida.. minha mãe sussurrou: .Cathy .é is so que você deseja? . sorri para minha mãe.ordenou Bart. ela irá a julgamento por homicídio doloso . ficou tão doente que morreu . contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão. Contudo. Alega que ela é culpada de homicídio. em Nova York. Foi muito descuido de sua parte. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos. pois sou atriz e. nada mais. Bart olhou para a esposa e. Ergui os .. há dez anos. Agora. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente. Se você conseguir provar tais afirmações.. para a mãe dela. cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas. Pouco depois. Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. Magoava-me realmente vê-la chorar. ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa.Está mentindo . dizendo que Cory morrera de pneumonia. chorando e dizendo que nunca me viu..Exceto quando assisti ao balé. pois aquele cartório em Gladstone. Pode encolher-se. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. você sempre foi estouvada.Quero apenas justiça. negando a ex istência de Chris . se isso é o que ainda fazem neste Estado. Entr eguei-as a Bart. se gostou um pouquinho de mim. ainda olhando para a esposa.mas seu pai lhe passou a perna.. . E Bart também. . se algum dia você me amou. Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros .Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa. na Pensilvânia.Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora.Corrine. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. .disse ele. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. querida e amantíssima Mãe. você teria escapado de todo e qualquer cast igo. com a maior calma. Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo. com os olhos ainda mais apertados e ladinos. torno u a fitar a esposa. não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica. . Suspirei. extravagante em relação a tudo .e também de Cory e Carrie.portanto. a fim de matar os camundongos. .Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . preservar aquelas pro vas. descuidada. Bart apertou as pálpebras.i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado.Nunca vi você em minha vida . . . mentindo. acostumada a representar diversos papéis.. acrescentei: . Não. Entretanto. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico. não é mesmo? . afirmando que o levariam para o hospital. Mamãe? Vamos. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las . de assassinato premeditado . sente-se antes que eu a empurre! Obedeci. ele continuaria a acreditar em v ocê.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. John Amos Jackson. Com crueldade e grande satisfação.É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou. ela merecia. você fica aí sentada. Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar..

. . postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. A cada dia.e ele ria. com o dinheiro. com meus filhos e.Será que não compreende? . Ele me amou demais quando fui criança.seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família.Sim. q uando eu não podia libertá-los! Quando. E depois que aqui chega mos. filhas do Demônio. a quem ela favorecia mais que a mim. Sempre me odiou. também. .. ergui-me de um salto. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem. julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me. juntos.Ela? . meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo. um som duro como diamante cortando vidro.. . implorava. a hera nça. ajoelhava-me para suplicar . sob seu controle. mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível. aqui embaixo. Portanto. tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se. que mereciam ser destruídas. quando meu marido morreu naquele acidente. jogando. nem por um segundo. durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. dia após dia. . .Corrine . No início.o mais ultrajante pe .Ela fazia tudo que ele manda sse. uma linda loura desprovida de cérebro. encarando-a.olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões.e eu o amava tanto. junto com minha mãe. mas achei uma solução! . planejando. após tudo o que ela já fizera? . "Eles nunca deviam ter n ascido. imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e. Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta. Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. . como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . indagava maliciosamente. Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende.disse ela à velha na cadeira de rodas. claro que ele sabia. com ar muito astucioso.Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você.Enganei-o também. .exclamou ela. e suas constantes acusações contra mim. . Mamãe . virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: . Então.replicou Mamãe. Mas sabia. disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio . voltou-se furiosamente contra mim: . Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. . ele me dizia que vocês eram crianças malévolas.Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. taradas. enqua nto vocês ficavam lá em cima. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. brincando e decorando o sótão.E você também. mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . Certa noite. Duvidava de suas palavras. ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula. Então.A avó aceitou o plano? . Cathy? . lançando um olhar furioso à avó. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações.indaguei. com a cabeça majestosament e erguida. Pois eu a engane i. arqui tetando. à sua mer cê! Planejou.prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo.disse Bart num tom gelado. não acreditei que ele falasse sério. Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você.depois marido .E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. Malcolm Foxworth! Em seguida. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito.Sim . não g ostando dos filhos.Eu não lhe podia contar. . atraídos à armadilha. meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo. não é mesmo?".Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa. Então. excitada. recomeçando a descontrolar-se. os olhos fixos em Bart. invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés. porque me odiava. meus filhos e o dinheiro também. Depois. a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem. Queria fazê-lo. Bart.prosseguiu ela.Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir. ao mesmo tempo. Eu chorava. .Todos me achavam estúpida.

Não odiaria se compreendesse.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas. Cathy . não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido. Corrine. como se lhe tivessem removido o coração. . Portanto.. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro. seu rosto delicado e lindo. Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço.. por favor. E cada vez que eu ia a seu qua rto. derrotada e alqueb rada. Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse.. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse. atingindo o que lhe estivesse ao al cance.Cathy . Desviou desesperadamente o olhar. Eu a amava.. a essa altura. Não sou um monstro.Querida Mãe. Passou a implorar-me piedade: . Confesso que lhe menti no passado. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. . .cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar. eu a odeio.Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia. Os dedos ossudos .. . Pode ficar aí sentada. vocês me imploravam liberdade. . Minha mãe ficava sentada por perto.mas não estou mentindo agora. chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos .Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. enga nando-o quanto a meus filhos . porque ele estava muito debilitado e. Agora.Que tipo de homem julga que sou. fixos.interpôs Bart num tom estéril.. Mantinha as mãos às costas.Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! .especialmente você! .. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. Emiti um riso duro e cheio de amargura. ele cont inuou vivo.. assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria.. de prazer.. afinal.Sei que me odeia.Sim.E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? . sarcástica. . Então. Entretanto. ademais. .Bart. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. vociferando contra mim e meus filhos. mas. minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos. passei a provocá-los. Olhou alternadamente para cada um de nós. desferia bengaladas. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os. ou era? . Mesmo assim. despida de toda a antiga pose majestosa. recém restaurado. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender. como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas. Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados. a frente alta do vestido de gala. Mãe. os punhos cerrados. ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos. e. . Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe. livres para levarem uma vida normal. a fim de lhe causar a morte. procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre.indagou com amargura. Então. . não estou mentindo. ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima. chegando às veze s a gritar comigo. Corrine. .Corrine .indaguei. Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! .. e não me casei com você por dinheiro. se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho.. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança. nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. virou-se para sua mãe .a velha der reada na cadeira de rodas.bradou ela. Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados.Su a filha tem razão. Especialmente você. como se não possuísse mais o esqueleto. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. Naquele brilhante vestido vermelho.mas como poderei acreditar. . Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai.implorou ela.

além da alergia. que minha mãe dirigiu o apelo final. havia também minha mãe. um a um.Mamãe . O a .Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. porém. E Cory tinha resfriados sucessivos. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la . Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. sempre que me resolvia a fazê-lo. Fui estúpida. como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana. Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart. apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso. pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. E era Cathy.Muito bem. E. calcul ei que tudo era mentira. que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. eu tentava fazer por eles o melhor possível. . Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia. apesar disso. . Fiquei petrificada. . o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim. Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados. Sempre teve o dom de ver através de mim. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. logo que seu pai morreu. Christopher me amava. sua mais severa juíza.po is a verdadeira vencedora era eu. não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. Não obst ante. contra o modo pelo qual instavam comigo. não importava quantos presentes eu lhe desse. mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo. para meu espanto e surpresa. quem mais insistia comigo. E foi para mim. Você queria casar-se comigo. Começou a falar num tom desapaixonado. .Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. nunca. especialmente Cory. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava. já não se importava com isso . causando-me remorso e vergonha quan do. que a fitava de forma severa implacável. Contudo. ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. Cathy. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo. Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes . olhando para ela. . . minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. no início. acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. Utilizei um pouco de arsênico.Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. tentei fazer o melhor possível por vocês. confiava em mim.exclamou minha mãe. que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações. que a e ncarava de modo muito esquisito. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos. Cathy.murmurou ela em seguida. meu pai revelou nosso se gredo a John.Sim! . o mordomo. como se discutisse uma terceira pessoa. Rezava par a que. Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. falando do primeiro enco ntro que tiveram. Na verdade. mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes. apelou para Bart. Você. comecei a ressentir-me contra el es. Então.Cathy . .interrompi suavemente suas súplicas. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera. acreditaram facilmente. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade. . minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira.e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. sempre C athy. Aqueles imutáveis olhos cinzentos. em casa de um amigo comum. você me compreendesse e aceitasse. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade. Portanto. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem. Meu pai insistia em negar seu consentime nto. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade. muito combalida. a fim de poder levá-los. na verdade. consegui sorrir para ela.Bart.

visitei o último quarto da al a norte. depois. joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas.Não. Ten tou mas não conseguiu falar. mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas. Quando olhei para o banco traseiro. Girei nos calcanhares. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça. notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta.Chris. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora. que estava em pé diante do fogo. Seus olhos expressavam feroz indignação. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los. ela odiava Mamãe.. . Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios. Estaria vendo o fantasma de noss o pai? .Nunca conseg . Mamãe. e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960. . como se terrivelmente assustada. c omo se isto não fosse castigo suficiente. minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel. Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory. Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse. A porta da biblioteca se abriu repentinamente. a escadinha do sótão. parou de respirar. Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico. ela engoliu em seco.minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca..Mamãe .indagou ele.sussurrou. Mamãe.Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você. você nos ministrou deliberadamente o arsênico? . . . Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: . . até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então. mas não emitiu o menor som.. usei a escada que leva diretamente ao último andar e. mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar. com o olhar fixo na direção da porta. vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. Bart fez menção de dizer algo. E ele exalava um odor muito peculiar. como se negassem todas as alegações de minha mãe. fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias. . Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart. Depois. Primeiro. Soluçou com a lembrança. galhos e pedras. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse.perguntou ela. ela foi incapaz de mover-se. eu não queria . Então.Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes .. Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente.Chris. perceb i que estava morto. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto.. abandonado lá para apodrecer.Eu não sabia o que fazer com ele . ..apenas o suficiente para salvá-los. esforçando-se por falar. você não fez isso . furiosa.indaguei em voz baixa. Olhei para a avó e percebi que franzia a testa. Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela. jogado no fundo de uma ra vina escura. Desejaria que eu acreditasse no pior. acrescentando: .. Não me olhe assim. C omo num pesadelo.. Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la.Morreu antes de chegarmos ao hos pital. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar. no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão. ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris. Mamãe teve um sobressalto. compreendi que e la mentia. examinamos os registros. nada mais.vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E. Por um instante.Então. . . Por outro lado.. . então..Antes de descer ao salão. obser vando minha mãe. De repente. um cheiro de algo mor to e apodrecido.? ..juro que não queria! Não me olhe assim. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes. O rosto ficou totalmente inexpress ivo.Odiei a mim mesma. torceu as mãos uma na outra.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região..

quis saber eu. . Em seguida.Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta.Meu Deus! a casa está em chamas! . Cathy.Preciso fazer-lhe algumas perguntas. A presença dela é necessária em outro lugar. irmão de Cathy? . mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie. sem dúvida para chamar os bombeiros. Só então Chris encarou Bart. obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta. para variar. que aument ava e diminuía histericamente. ele aponto u para o leste.. Tinha razão. lançou-lhe um sorriso irônico.Sim. Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: . Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l. Lindstrom estão esperan do em meu carro.Espere um momento .protestou Bart. corriam. procuravam uma esposa ou um marido . Mas você o fez! Então.Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. empurrando-me na direção de Chris. Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. não suba! Morrerá aí em cima! Não.Sim. Vim buscar Cathy.acrescentou. Venha. Fumaça! Senti cheiro de fumaça! . . Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade. E quando levou Cory consigo certa noite. Não compreendi o gesto.Você é Chris. naturalmente. com certa hostilidade.Feliz Natal.Tirou-me a venda dos olhos. Virou-se novamente para mim: .Não! . que acenei em desespero. mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança. Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele.quis sabe r Bart. Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então. O tumulto explodira! Todos gritavam.. terá que esperar. .disse Chris. Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris. subiu correndo o lado direito da dupla escadaria. Frenética. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. chamando: . tentei acompanhar Bart com os olhos. . Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui.exclamou Bart.E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? .Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. . pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . indo diretamente para o fogo! . abandonamos a biblioteca e a avó.Vim buscá-la. .Não! . ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu. Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. . Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. estendendo outra vez a mão para mim.Vamos depressa.Cathy . E se deseja m aiores detalhes. mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída. quatro meses e dezesseis dias. Entrei em pânico. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes. . Avó. Eu esperava jamais tornar a vê-la. Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra. .Bart. .Sim: três anos.Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída. . Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia. Bart! Volte! Creio que ele me escutou. pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora. . Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro. É minha mãe. Chris olhou para mim. . Estendeu a mão e me encaminhei para ele. . . Com o braço de Bart passado em meus ombros. como se ainda não quisesse acreditar. Vi-o pegar um telefone.disse Bart.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor. O que acontecera? . ela gritou.Por quê? . Cathy . Tenho más notícias.gritei.

até que tive ímpetos de gritar. Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim.Engasgados.Não. do qual Emma. junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. Por favor. Foi v ocê. para que possa ir comprar para você. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida. E ela pareceu murchar. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros. desvairada e frenética: . . gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve.Você! . Meu irmão f .Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra. Christopher. Bart! Não morra. E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r. Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia. observava a mansão incendiar-se. ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: . Farei tudo. tentando reconfortar-me. não muito tempo. Em vez disso. tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. Não me ama mais.Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. Cathy . afinal. depois. Então.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se. fazendo todo o possível para provar que. . qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo. co m Jory no colo. Ela esbugalhou os olhos. meu amor.Bart deve conhece r todas as saídas. fervendo ao calor do fogo. querendo o meu colo. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. . sendo contida por dois homens.Veja! . afinal.disse ele. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo. protege ndo-nos. tossindo. Esta caía sobre a casa em chamas. E não parou de dizer aquilo. com a expressão selvagem de uma louca. Então.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó. impossíveis de substituir. . caso necessário. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar.. qualquer hora. E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. a fim de podermos escapar e chegar ao solo. movendo nervosamente as mãos. Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida.Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. . puxando-me pela mão. sou sua mãe. chorando por Bart. enquanto eu gritava. afinal. Seria um milagre sobrar alguma coisa. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. meu filho. Chris e eu corremos através de outro salão e.exclamou Chris. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo.Christopher.Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro. O vento soprava implacavelmente. Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo. o de sua mãe. não era apenas um cãozinho de estimação.berrou ela. não muito tempo. . formando b olotas vermelhas que se derretiam. diga-me o q ue deseja. chegamos ao carro de Chris. abraçou-me quando me apoiei contra ele. Jory estendeu os b raços.Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! . Enquanto Chris e eu observáva mos. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada.. mãe . mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. Com que facilidade a madeira antiga queimava. . algo em seus olhos cedeu . Não parava de gritar o nome do marido e. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. . Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer.que também estava cheio de fumaça.replicou Chris. .Não se preocupe. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar . Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas.

Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. nascera cheia de pecado. Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte. também. Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. Aos tropeções. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas. puxando-me. A voz de Chris parecia vir de muito longe. Colhendo o que foi Plantado . tentando clarear as idéias.ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância.Por favor. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. Tudo terminou.estava acabado. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados. soltou um berro e tentou fugir corre ndo. .. pois levara da vida aquilo que a ela trouxera.disse Chris.Cathy. por favor . junto com o de minha avó. . E dera-lhe meu coração à primeira vista. Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado. Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart. sem ver mais nada. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade. embora sinta muito a respeito de Bart. A essa altura. indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . Cathy? . esmurrando o solo. no colo de uma mulher mais idosa? . a morte interferia em minha vida. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso. folhas arrancadas dos talos.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. hoje! Ao tentar ajudá-la. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar. com a esquelética avó ai nda em seus braços . o fogo começou no sótão. Lev aram-na embora numa camisa-de-força. . pois eu me mantinha isolada como numa concha.ambos morreram sufocados pela fumaça. sem serem tocados pelo fo go. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. mais uma vez. Caiu de bruços na neve. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava.indagou Chris. a dupla escadaria curva continuava no lugar. impaciente. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. cambaleando. a fim de parecer-se mais com Bart. Sentíamo-nos cri anças outra vez. naquele quartinho junto à escada. desaparecendo para sempre. Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes. subindo para o nada. observando-a com os olhos esbugalhados. Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro. que os avistou. quinze an os atrás. ainda berrando que eu a traíra. terminou .O que há com você. Embora só conseguisse atrapalhá-lo. por mais estranho que pudesse parecer. Pe lo que diz a polícia. como os de Bart. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços.. gritando. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros. Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos. Eu era má. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? . Sacudi a cabeça. que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro. A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart. Não sofri por ela. Chris estava ansioso por partir. agora que tudo termin ou.. Cathy. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio. se eu nunca tivesse vindo. As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e.. esperneando. não permiti que se afastasse de minha vista.

embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. Sou impotente. no andar térreo. embora os braços que me envolveram já não tivessem força. Não obstante.Não estou jogando nada fora . Bart não era do tipo ao qual se dão ordens. jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. Jory completará sete anos. Catherine. pa ra variar.. reflita bastante e converse com ele a esse respeito. Agora. Catherine . Seus filhos precisam de um pai .Três anos. constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall.Sabe que não deve falar muito. . não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça. Talvez continue vivendo assim durante anos e anos. Contudo. Então.repetiu. Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que. Dentro de poucos meses. . Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte.Paul.alguém a quem ele podia dar ordens. às quais ele se apegara tão corajosamente. . Beijou-me. . Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . Paul perdera muito peso. mas tentava aceitar o f ato. Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto.o tipo de pai que já não poderei ser agora... calada e boquiaberta. Eu agora era esposa de Paul. Chris já esperou tanto tempo. Todavia. se Chris.Escute-me. Prendi a respi não podia permitir! ração. Será que não consegue p . o mês das paixões. Jo ry completaria sete anos e. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida. mas para você e Chris também.exclamei. .adverti. E m breve.E se você refletir bem. Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo.O tempo está correndo. esperando que seu avô morresse. tocadas pelo frio precoce. Embora ainda pequeno. querida. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas. embora no dia de nosso casamento estivesse de cama. Jory.. Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai. você não poderá gerar out ros filhos. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us.Pense bem no assunto.Estávamos novamente em outubro.. Ele me sorriu docemente e estendeu os braços. Catherine: não seria errado! De agora em diante. Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início. Paul. Mas não permitiria .Catherine. como seu avô. sufocando um soluço na garganta. To da sua juventude e vitalidade. . . poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo .Chamei apenas para verificar se você atenderia.Está falando demais . Não quero que Chris e você terminem odiando-me. Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio.chamou a voz fraca de Paul. ser condescendente. Pressurosamente. julgando que seria o mais certo. . jamais ficar ei bom. meu amor. . não apenas para mim. tome uma decisão. S aberá que Chris é seu tio. . Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes.Não! E Chris não concordaria! . se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. Portanto. talv ez tenha sido uma bênção disfarçada.Se me tivesse casado com você há muitos anos. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho.Catherine .A culpa é minha! . E logo v ocê ficará viúva outra vez. com os olhos esbugalhados. . aninhei-me em seu c olo. Ordenei-lhe que saísse de casa. . . esforça ndo-se sem descanso dia e noite.. haviam des aparecido quase da noite para o dia. você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé. Oh! Ser amada outra vez.Paul.repliquei. ensinar. Comecei a soluçar. estendendo-me os braços. em vez de Julian. se vocês partirem agora e me esquecerem. Além disso. estava magro e abatido. não sou um marido de verdade.

. .indaguei. ao mesmo tempo.Já compensaram . revelaríamos a verdade.disse Chris com um leve sorriso.Tivemos cuidado.Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? . Ora. sentada e olhando para quatro paredes. Está quase na hora do jantar. quando quisess em saber. tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os.E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos. sempre se produz algum barulho. Contudo. na linha de Jory. desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação. Após quatro graves ataques cardíacos. nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental.Pobre Júlia . .Ótimo. E ainda não lhes contáramos a verdade. .Parecia tão feliz. feliz. só os grandes. Na primavera do ano seguinte. vimos um homem na varanda da frente. Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? . . ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado.comentei. debruçando-me para beijá-lo.comecei. Não é perigoso.disse ele. . . . . o sexo tinha que ser feito com muito cuidado.Venham! . Jory gritou que fisgara um peixe. E. . mas talvez eu não saiba explicar direito. fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios.Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo. como mamãe. Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las. não apenas pela metade.Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na . de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos. porque eram m uito pequenos. se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia.gritou Jory.Perdeu tanta coisa.respondeu Chris.É apenas um bebê.Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes".replicou ele. .. No novo carro azul de Chris. Com o na primeira vez em que ali chegamos. . hesitante.Chris . embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém.Olá . Oh! Mamãe. . Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa. sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. voltamos à grande casa branca que tanto nos dera. nós também escrevemos nossos roteiros . desta vez com um ar levemente tristonho. sonolento.Subirei para dar banho nos meninos . Sabe. . pela primeira vez. incluindo o que restava de Foxworth Hall.Sinto-me feliz por ambos. Paul fez amo r comigo esta noite. Não comemos peixes bebês. pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais. .nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim. por mais difícil que isso fosse para nós. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar. mas ele teve que devolvê-los à água.sussurrou Chris. atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo.Vamos voltar para casa.. agora. embaraçada. E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela.Apanhamos dois. tornando a beijá-lo.Sim . Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim. estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos..respondeu. Naquele instante. foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir. Com o que sonhava antes de acordar? . . . Meus dois filhos vieram correndo.Chris e eu. Quando nossa mãe morresse.chamei. o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade. . . Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou. . o sexo não é perigoso. .. com os sapatos brancos apoiados na balaustrada. é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna.Temos dois papais! . ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos. mas.Estava sonhando com Júlia . O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda. revertera à s ua mãe.Tenho certeza de que você não explica direito . Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas.

rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome. Nosso benfeitor. Além disso. visitamos Mamãe.chamei com voz sumida. declarava que. tombou-lhe a cabeça para trás. Havia às minhas costas um rastro de homens mortos. Íamos para o Oeste. Pegou-lhe a mão.. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. em voz mais alta. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. Engatado ao carro de Chris. nosso salvador. Dormindo.Venha depressa examinar Paul. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores. lá depositando flores. logo em seguida. volta toda a fúria contra si mesma. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. . a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. d irigindo na direção oeste. e stava morto.e eu também. em Gladstone. Como se já não se olhasse nos espelhos . porém. tomou-lhe as pulsações e. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles. Quando isto não deu resultado. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. inclusive a casa de sua família. Portanto. Afinal. Mas. Contudo. Ele continuou a dormir. Até o mome nto. Até o momento. Ass im. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. Já trêmula e cheia de medo. sem dor ou sofrimento. soprei-lhe a orelha. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. Cathy. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. claro que não. Paul me legara tudo o que poss uía. no estilo de rancho. Por fim. Jory já se esqueceu disso há muito temp o.quele domingo. olhei-o com mais atenção. do modo que mais gostaria . E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora. . naturalmente. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si. de um tipo diferente de vida.Chris .. No testamento. caso eu desejass e vender a casa. que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. era? Não.Ele se foi. . Quando é contida. a fim de acordar Paul. Ela vive num lugar imenso. . sentindo-s e bem e feliz. Meu irmão devia estar no hall. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. Em seguida.corrigi. Chamei-o baixinho por três vezes. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. dois banheiro s completos e um menor. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio. Geralmente. . Meus filhos chamam meu irmão de Papai.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta. Além disso.a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. Comece i a chamá-lo novamente. a fim de podermos fazer companhia às crianças. pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. não fique a ssim . Corri ao telefone para chamar uma ambulância. É um ótimo modo de morrer. nem Georges . Ele sorriu. enquanto espero lá fora com o . Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes. começa a berrar quando me avista. Comíamos cedo. Emma Lindstrom. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro. acar iciando-lhe o rosto. certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado.Naquele maldito domingo . desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. meu marido. finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos. tudo foi inútil. Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. nunca esquecemos Julian. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. que foram para o céu antes que eles nascessem.

Eu seria capaz de enfrentar a vergonha. amor imorredouro e s em defeitos. Sua família somos nós. mas tio. ele sempre volta para casa com um and ar animado. mora conosco como Henny mor ava com Paul. mas. Cathy. É o passado que jamais consigo esque cer. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela. seja condenada à morte na cadeira elétrica. Portanto. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. Entretanto.Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. Não obstante.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. cozinheira e amiga. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo. Freqüentemente. com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos. Oh! Meu Deus! . ela não confia plenamente em Chris. De fato. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul. Ou. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: .. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo.Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente. um sorriso feliz.. por dentro. Saberia desde o início que.. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas.o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. exceto pelo musgo espanhol .. Portanto.. não é mesmo? FIM . Tenho certeza..Pensei comigo mesma. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim . não obstante. O melhor tem que vencer. fosse informado da verdade pelo ir mão. deito-me nervosa e permaneço acordada. E eu também deveria ter aprendido. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela.. deixei de lado os sonhos de perfeição. às vezes. talvez. comprei hoje uma cesta de piquenique. mais verdadeiramente. Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que.Case-se com um homem de olhos escuros. Pragmático. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y. nossa governanta.s meus filhos. Entretanto. E mma Lindstrom. . mas não demais. encontrei duas camas de solteiro. sempre oti mista. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: . copiamos os jardins de Paul. Chris canta quando trabalha nos jardins. Portanto. Ela deveria te r aprendido. tornei-me adulta demais para eles. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida. fortuna. Mas. Tenho a impressão. o menor dos dois. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos. jovial. Esforço-me realmente para ser como Chris. Ao barbear-se pela manhã.. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor. Na medida do possível. vencerá o que tenho d e melhor. Eu não o s trancaria mesmo que Bart. cantarola melodias de balé. o eterno otimista. mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai. fama. Numa pequena alcova lateral. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude. Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. sem trepidações ou lamentos .

com ? .BaixeLivro.Fonte: WWW.

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