A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. Aproximei-me vagarosamente.Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . Enquanto eu obedecia. passando a prestar atenção em Chris e Carrie. O homem parecia atordoado. Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho. Sheffield .replicou Chris. .quis saber Chris. matizados por tons azuis. Carrie jazia nos braços de Chris. Como o homem contin uasse a dormir. . conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes.Sim. mal corta dos no alto da cabeça.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar. Em segu ida. maldito domingo . . . Era um homem grande. de modo que ele lhe pediu que tossisse. Sou o Dr.Ele é um médico . Invadidos por mil e uma ansiedades. postou-se de pé à nossa frente. meus cabelos. apesar de escarrapachad o como estava. O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. . usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela. .Há alguns minutos . Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. eng olindo-me em seguida. Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés. . mas você pode tratar de acordá-lo. menos as calcinhas . Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas. o pulso e a temperatura de Carrie. os olhos fechados. perto da calçada de concreto.sussurrei para Chris.ordenou-me ele. Parecia um tanto elegante. Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço. é claro. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie.. Por que o destino se mostrava tão pers . ergueu as pernas da balaustrada. verd es e dourados sobre o fundo castanho claro. ficou como que hipnotizado por meu rosto. o pescoço arqueado para trás.disse Chris. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos. fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes.Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer. Carrie já recobrara os sentido s. A essa altura. O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra.É domingo. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume. Beech era sua governanta e cozinheira . antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa. Com surpreendente graça e rapidez. U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul. Em seguida.disse o homem finalmente. levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas. Paul Sheffield? .É o Dr.. Ele sacudiu a cabeça.eram olhos castanhos. Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech. enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime. desbotado e frágil nas pontas. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos.Tire todas as roupas de Carrie. Aqueles olhos notáveis me beberam. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão. muito mais alto que nós. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos.indagou Chris. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo. que lera a placa com o nome do médico. . . e m nossas muitas camadas de roupas. eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local.ombra. Mais uma vez. muito bonitos. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia. não é? . Foi ela quem nos trouxe para cá. sentindo-me dominada pelo medo. o médico acordou. como se tentasse focaliza r os olhos . auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás.O senhor é o médico.Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão. Fitou-nos durante longo intervalo. Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. . Relutantemente.

Est aremos aí ao lado. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde. não tenha receio. só desejamos saber a respeito de Carrie.E.Vão precisar dele.acr escentou.Somos órfãos . . . Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança . eu sabia a respeito de médicos. como se trabalhasse durant e muitas horas a fio. assim . agasalhando-a com um cobertor leve. estava usando apenas um vestido azul. indicando que eu deveria manter a boca fechada. Doutor . mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos. no momento. Sou viúvo e. Ficamos perpl exos. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! . depois que terminei de vesti-la ou tra vez.perguntou ele.disse jovialmente o Dr.indagou suavemente. Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. avaliando-nos. De repente. O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação. Sheffield. estilo princesa.. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos.Portanto. o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria. Chris deu-me uma cotovelada rápida. sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia.disse o médico. . o Dr. muito doente. E enquanto prendíamos a respiração. . Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se. olhou firm e para mim.Ainda são órfãos? .Uma vez órfãos. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris. . assumindo uma atitude profissional. Agora. . muito menos duas. . mas parecia cansado.declarou Chris em tom de desafio.Carrie .Sim.Sim. Contudo.Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade.E temos apenas duas malas.Então. Mas aquela garotinha está muito. Po deríamos contar-lhe qualquer coisa.disse Chris. Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho. . . quando houver necessidade. . para mim. Po demos pagar.Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo. . Sheffield. atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa. Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo.comentou o Dr. no meu consultório. Se h oje não fosse domingo. Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão.Sempre usa mais de um vestido aos domingos? . . Poucos minutos mais tarde. tem razão . Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais. eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui. Lançou-nos um prolongado olhar observador.Só nos domingos em que fujo . lembrei-me do motivo. .estava escrito em seus olhos.É uma longa estória.respondi.É bom terem dinheiro . tudo mesmo. . não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia. começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: . Sei que essa mesa não é muito macia. ainda somos órfãos . . Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. que me caía bem e estava limpo. em seguida. Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais.Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. o do mingo é um dia como qualquer outro. Então. . pois não sou muito dado a elas.Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento. falaremos a respeito de Carrie .istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? . Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris. O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos. estão fugindo .respondeu Chris. enquanto o médico permanecia à sombra.Não sei quem vocês são. a fim de que você possa desc ansar . principalmente por intermédio dele.explicou. de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir..concordou ele. . numa advertência muda de que eu estava falando d emais.Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável.

fitou Chris.Nossa última refeição foi o café da manhã. mortos de medo de contar a verdade nua e crua . .Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem .Disse Chris. não posso olhar dentro dela para verificar o que é .Certamente é muito franzina. parecia-me tão familiar.Certo.Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã.permanecemos. Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. . Precisam falar a verdade. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. Franzindo a testa. port anto.embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo. .sua voz se tornou mais forte e dominadora.Carrie costuma ter náuseas? . Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio . depois.Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês. O médico olhou para mim ao dizer isso e. na pequena sala de exames. . . dizendo-me meias-verdades. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência. magros e com aparência cansada. inventando mentir as. É enjoada para comer.. Debruçou-se sobre os b raços cruzados. Antes. .Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível. hoje mesmo. aquele homem sentado à mesa. batatas fritas com molho de tomate. e Carrie tem oito anos. Já sei que Carrie é subnutrida. meu rapaz. Catherine Leigh Dollanganger. . aliviado.ela precisa me dizer.Calma lá.. Só Carrie.replicou tranqüilamente o médico. me smo nas melhores circunstâncias. se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos. Senti Chris estremecer e estr emeci também. Chris suspirou. ombro a ombro. com relógios de ouro e brilhantes. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos. como poderíamos confiar outra vez? Não obstante. embora poucos minutos antes. .po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado. quer o senhor acredite ou não! . .in formações completas. sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade.Agora. Portanto.Se desejam realmente ajudar sua irmã. Agora. o médico anotou tudo.disse ele. mas não com freqüência. ouçam. Vamos parar de desconfiar uns dos outros. Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . Ficam aí sentado s. deixem-me fazer mais perguntas. milksh ake de chocolate. Se Carrie sofre de algum mal interno. Carrie comeu apenas um pouco da sua porção. ou vocês terão que contar. Preciso de informações para trabalhar .. como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo. agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! . terá que responder algumas perguntas .Como ocasionalmente? .Desconfio de que sua .Ocasionalmente. . de mãos dadas. . m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos. .Se é difícil para vocês. . diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie. na defensiva. usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis.Está bem . Estávamos com medo. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora. Eu diria que nunca teve um apetite saudável. como se eu já o tivesse visto antes. depois de tudo o que ela fizera. devagar.Por que não haveria de acreditar? . não podem ficar aí sentados..E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . Ficamos ambos calados.disse o médico co m voz suave. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção. .disse Christoph er.Bem. mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. .

partimos de trem para as montanhas Blue Ridge. e eram fabulosamente ricos. E por estar anêmica. a confiança e m nós mesmos. lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is.. na verdad . que moravam na Virgínia. Sua pressão arterial está perigosamente baixa.E assim. Naquela mesma manhã. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. roupas qu e não se ajustavam. Naturalmente.não por ela. exagerando. para ferir todos nós. Então . Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai. ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria. Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia . A princípio. salada de batatas e galinha fri ta. No início. .Faça o que julgar necessário . Era enorme . prossegui: . Então. íamos perder tudo o que possuíamos.como se livros. logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. afin al. Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco.disse Chris num tom inexpressivo. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. mas por ele. é suscetível a uma infinidade de infecções.Espere um minuto! . eles não responderam. chegou uma carta. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo. imaginando que isso nos compensava por tudo. pior que tudo. E. Agora.. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta. além de dar-nos muitos presentes. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do. quando. Nunca tínhamos sobremesa.A princípio. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. e por mim. na Virgínia. cheio de a ranhas. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s.Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. Portanto. no máximo. Todavia.Chegou um ano novo e. camundongos e insetos. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. Mamãe nem mesmo nos visitou! Então. Agora. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? . erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico. quando chegavam nossos aniversários. . logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". todavia. . Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa.. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir.. ao menos. naquele verão. comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável. que a amava tanto. que o amava tanto -. certo dia. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade.gritei. e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris. Pensei amargamente: Não se preoc upe. quer vocês chamem ou não seus pais. Então. se a internarmos no hospital esta noite. depois que Papai morreu naquele acidente. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. poderíamos descer para con hecermos o pai dela. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. . podemos c omeçar os exames amanhã cedo.e sujo. com o sótão servindo de playground. amanhã Carrie será internada num hospital. começamos a perder a confiança nela! . pois vieram-lhe lágrimas aos olhos. talvez duas ou três. Começou a es crever cartas aos pais. mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros.

às vezes.disse o Dr. o médico ficou muito calado. na verdade.Cuide de nossa irmã. Chris .mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal . Falou sem erguer os olhos. Mas ele não precisava p reocupar-se. . mas por nos separarem. Necessitam de boa alimentação. . . conservar a herança. . os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio. . em tom débil.. difícil de ac reditar. Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento.. enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris.Calma. Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. Faça o que for necessário para curá-la.Naquele único quarto trancado. percorremos os corredores compridos e escuros. Cathy.Para Sarasota.E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém. Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão. Portanto. . .. nós vivemos três anos. Talvez eu possa fazer algo para ajudar. Dia a dia. não compensava nada! Afinal. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações. senhor . fazendo-a vomitar e a nós também. ao mesmo tempo. pálidos. tornando-se médico . que permanecia sentado. durante no ve meses.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão. Doutor . Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado. Ao longo de qu ase um ano. com seu jeito vagaroso e paciente. Cheia de indignação.disse Chris.não há diárias a pagar.e. Lancei um olhar a Chris. fitando-me com olhos magoados e suplicantes.Espere um minuto! . . A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida.disse o médico. repouso. . . . seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa. Sheffield. o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela. Que diferença poderia faze r mais uma vez? . é m uito simples.Ainda não terminei. girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. Chris não quer ia fugir.. resolveu livrar-se de nós. sem saber que estavam cobertas de arsênico. . A pro pósito. eu não pretendia falar de Cory.É uma estória estranha. Carrie é a mais afetada. parecendo muito pálido e fraco.o mal que aflige Carrie. doutor.. para que ela herdasse a imensa fortuna . fitando-me com com paixão.como o senhor.exclamei. mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. para concluir -. choque e preocupação. Olhe só para vocês dois: magros. na Flórida . . enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar.. que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem.disse eu. como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. de modo que imaginamos poder tornar-nos .Um médico como eu. Quando terminei minha longa estória. E nós praticamente as d evorávamos. debilitados. .Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão.Sim . suspirando.É um estranho para nós.Como vê. escutem bem: é apenas uma sug estão. eu revelara.As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado . Mandar-nos-iam para lares adotivos. entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos.disse Chris num tom respeitoso. Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento.. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r .continuou o médico. pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina. para onde estão indo? .Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem. quatro meses e dezesse is dias.Agora. Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. Agora. muito ar livre e sol. Virei-me novamente para o médico: .

Compreendo . e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder .Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã. Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta.disse Chris. pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário.expliquei.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente. .Não sei cozinhar. . suave e melodiosa. . Pelo que sei. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. ne m manteiga ou margarina. . Suas roupas ca ras.disse ele. . .Não quero parecer ingrata . não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro. .Farei o possível para ajudar a Sra. hipnótica. ficamos ex tremamente gratos . tudo isso testemunha em favor da verdade. Sou bailarina. ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes. Chris. . minha intuição me induz a acreditar no que me contaram. Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. quando meus lábios se entreabriram para falar.Esqueçam o orgulho e a carid ade. Ainda assim. senão a Chris. como médico. . Contudo. os olhos faiscando. os relógios e os sapatos de tênis. um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela. mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? . Beech . . . Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela. precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie. mas não o fez. não aquilo não fazia sentido.Trabalh . A qualquer momento. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. tenho dois hectares de jardins. descendentes de longas linhagens de artistas circenses. com alguma prática. Cathy pode cuidar da casa.Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera. podando as sebes.. . admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. tendo seus f ilhos. Mas não mencionei Cory. parecia mais uma fantasia tola.indagou o médico. Pago dois jardineiros para ajudarem. Em primeiro lugar. os olhos risonhos lançando faíscas. encantando-me.. à forte luz da realidade. eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. não três. pr eparando os canteiros para o inverno. Lá atrás. . que estávamos longe do quarto trancado e do sótão. contratarei uma cozinheira. essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia . Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem. Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada. preparando sua comida! Isso não é para mim. . . Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora.acrobatas.o Dr. Quando me tornar uma prima ballerina famosa.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados.Não obstante.Ótimo . infantil e afastada da r ealidade.Vamos . Sua voz era impressionante. Afinal. Nesse ponto. . com o rosto inexpressivo. a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar. Simplesmente pareceu ainda mais entristecido.insistiu ele. Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. desde que realmente desejem mui to. como o senhor faz.repliquei com rispidez. lavando louça para ele. com os olhos brilhando de desconfiança.Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me. creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram. Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim. .interpôs rapidamente. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos.Não! . sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos.disse ele. mas devo dissuadi-los. e para o senhor. pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio. . Esperei que o médico risse. com um leve sotaque suli no. Não seria fácil.Francamente.

replicou ele.. exceto trabalhando na casa e no jardim. co m o passar das noites. Baixei a cabeça. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós. Port anto. por recordar demais o passado. a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu. se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. avareza. . . isto eu também entendo agora. como se eu o perseguisse. retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. não foi? .Esqueça. cometemos um pecado.repliquei. observei meu irmão recuar ao longo do corredor. Em seguida. Enquant o ele dormia. Ele me beijou. Era lindo. os quatro. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor. por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida . partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco. sabendo como seria! Você. colandoa ao seu peito. não se trata de piedade ou caridade. também. Tornamo-nos importantes para ele. .oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso. Nós o encampamos.Está chovendo lá fora .Falei sério. Então. eu o beijei. dentre todas as pessoas ne ste mundo. mas não o encarei. sem magoar ninguém . Nada sombrio.sussurrei. duas janelas para leste e oeste. mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. que diabo está fazendo aqui? . arrastando Carrie comigo para o chão. aquela maldita herança. quando pudermos. como podem ver.. E não precisam pagar-me. acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha. Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia. Só então Chris falou: . Todo o infern o que eu tinha estava na mente. mas. num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. juntaram as duas camas de solteiro.Precisamos tomar cuidado.aremos com afinco e.. Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. que tinha sono agitado. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul. Adorei o quarto que Paul reservara para nós. Cathy . Um Novo Lar Foi assim que começou. Em nosso quarto. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós. em es tilo antigo. . tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris. Não queremos que ele desconfie. Tudo está acabado . Carrie gritou bem alto: . . Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama..chorou. Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução. Não haverá percevejos em nossas camas. Eu desejava levar uma vida boa. dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! . . Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava.disse Chris.Cathy. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. deitando-me a seu lado. Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes. compreendo agora. adivinhando mesmo então que jamais acabaria. pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor.Não acontecerá novamente . ainda olhando para mim. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! . Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. deveria saber! .Vou cair da cama? Cathy.especialmente Ch ris. Isto agradou imensamente a Carrie.Dê-me um beijo de boa-noite.Não .Chris. Nenhuma gravura do inferno nas paredes.Não há o que desconfiar. Com lágrimas no s olhos. . O tapete era azul. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom. que passar am a parecer uma larga cama de casal. Cathy. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie.sussurrou Chris. quando nos despedimos outra vez.Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . Mesmo assim. esgueirei-me para a cama.

Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. Nenhum de nós dois se mexeu.De que acha você que sou feito? De aço? Cathy.Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto .respondi depressa.Carrie. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. No início. prestes a sair.Não pude deixar de contar. Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas. Ninguém par a me reconfortar. Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder. agora o Dr. .Se não gostam das cores. Ninguém para me dar forças. ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse. Era mau e pecaminoso! Mesmo assim. Paul.Todos nós gostamos daqui.Julguei que gostassem daqui . . irei embora. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar. você bem sabe que nunca mentimos. e eu. Na primavera não mais estaríamos ali.Você veio. calculista.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. como temíamos a princípio. Ele meneou a cabeça. não estaremos mais aqui na primavera. Não contei a ninguém .Dr. que resultara em sua morte.Não para isto! . mas não devemos a busar para sempre da sua bondade. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade. . Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente. Fitei-o. Bailarinas em quatro posições diferentes. Então. enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. Ora.. Ele estava junto à porta. pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. . mas parou e virou-se para me olhar. estávamos abraçados e ele me beijava. engasgado. sem responder. A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando. ou mesmo ousou respirar. Não revelei o s egredo de vocês. com um metro e oitenta e cinco. Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: . . Depois. . mudaremos tudo na primavera. empurrei-o para longe de mim. Voltei para meu quarto e chorei na cama. a parte pensante. . sem que chegássemos a per ceber como aconteceu. desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory.. Cathy . Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros . de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou. O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital. Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho. não torne a fazer isto. Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite. a não ser ao Dr. segurando sua jarra de violetas. Carrie ficou sentada. as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca. Paul.disse num tom tristonho. Para Carrie.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. .Eu gosto daqui! . embora não quisesse. que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. ou mais. .disse Carrie.disse ele. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. . quando ele interrogou Chris e a mim. . desejando o que Chris sentia que precisava ter.disse ele. Portanto. Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto. Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam. espantada. os olhos escuros desola dos.Contou a ele? . e saiu. Era alto. Então.. . enquanto eu me obriguei a dizer o que devia. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . não fiquem assim. do tipo parasita.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou. . eu não queria que Chris parasse. supostamente de pneumonia.

ela ficará boa . o Dr. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam. acima de tudo. ao fazer tal afirmativa. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez. Beech . sufocada de alívio. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica. Então.por mim . Beech. vagando mudamente d e um lado para outro. Preocupava-me com isso. .Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã . Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr. Menina-Fada. embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. Vou receitar vitaminas especiais para todos três. estava olhando para o outro lado . seus largos sorrisos. Eventualmente. mas devagar com amidos e sobremesas. não é? . não há nada errado comigo..exclamei. eu já sabia que ela sofria de mudez congênita.Não gosto de ter médicos me cutucando. . Portanto. Nada de Sra. Quer que ganhem músculos e não banha . Eu adorava Henny. pois quando fiquei deitada na mesa de exames. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. . Agora.a menos q ue tenham alguma objeção. Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia . E sou muito boa leitora de olhares. Beech redigiu outro b ilhete. Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. Sr a. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny. A essa altura.. Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. Beech . Então. parece colocar também uma viseira sobre os olhos. e. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão.Sim. mu ito pálida e ligeiramente anêmica. de agora em diante sou apenas Henny. me nos que você..m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três. que era tão malditamente cheia de não-me-toques . Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra. enquanto eu continuava a descascar as batatas. o que era algo notável para uma criança como ela. Go sto mais do Dr. terminou! . Paul me olhavam de modo tão esquisit o. nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses. Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie. com as mesmas sensibilidades.respondeu ele com um s orriso.até mesmo Carrie.Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? . deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas. Você me parece bastante normal. quer o dizer. Mas. parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos. nua e co berta com um roupão de papel. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade. Perguntas embaraçosas. mas insistiu num número ainda maior de perguntas. Beech estava preparando o jantar. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse . Chris também.Na verdade.escritos com a rapidez do raio. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente. Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. embora.Não que eu possa perceber. aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. . não posso perceber o que está pensando. duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito. .desde que não se pendure em trapézios . a Sra. seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes. esperanças e temores que todos nós. num estilo muito abreviado. .sussurrei. O senhor não acha. por ser do sexo masculino. iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada. . Com o avental amarrado em torno do c orpo. A Sra.. Corri de volta à cozinha. Quando ele veste aquele comprido avental branco. bastante car ne magra.Carrie ficará boa? .Puxa vida! Graças a Deus. Apenas magra demais. comia com entusiasmo.

quero dizer. Nós três também usávamos suéteres. tornando-me íntima.Sei de tudo isso. quando nos separamos com relutância. E está com a razão. ruminando o assu nto. se ele real e sincer amente nos quiser aqui.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida. . e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis.Acha justo testá-lo dessa maneira? .Sim. Chris: não podemos trabalhar num ci rco.Vamos testá-lo. Depois da festa. pois a noite estava fria. Cathy. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos. O olhar dele a acompanha por toda parte. calças esporte cin zentas. Chris corou.Eu sei. mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. Então.. fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze. É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos.Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . e tirando baforadas sonhadoras do cigarro.. De certo modo. . Você sabe. para ver Chris atingir seu objetivo. feita sob medida. . Era mesmo? Que fascinante saber disso! . fitando o espaço. respondeu devagar: . . será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior .. ele é apenas solitário.Chris. Perdi uma família.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você.Quando vi víamos trancados. Aqui está você. . mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie. Simplesmente não podíamos permanecer. empoleirado na balaustrada. Chris sentou-se a meu lado. Na noite seguinte. ele está tomando meu lugar. Paul. sorria: . Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina. chorei muito por ela. educado. ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente. Paul por perto. agora que Carrie já estava bem e podia viajar. que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris. en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada.Chris. . você era o homem. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. tão disponível. . . Já fazíamos planos para partir d entro em breve. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar. Os jardins de Paul e . .. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus.Sim. Depois de refletir bastante. sab endo que seria capaz de qualquer coisa. você ficará? Ainda com a testa franzida. Já tínhamos aceitado demais.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava.Chris . . Para ser sincero. Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos.respondi sem muita convicção. Chris franziu a testa.aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho . ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco. aproveitando-nos da bondade do Dr..Oh!. Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos. Isso não passa de um sonho tolo.Paul Scott Sheffield era um homem estranho. o chefe da casa. Paul disser a coisa certa. Não éramos dados a procrastinar. Cathy. depois do jantar. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr. usando um suéter vermelho tricotado à mão. o Dr. jamais conseguirei esquecer. Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . se o Dr. menos matar alguém. Não obstante.disse eu naquela noite. limpo. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris..

sob uma lua que parecia o olho irado de Deus.Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho. em meus sonhos. Tenho temido cada amanhecer. desejáve l. acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas.Não julguem. aumentando a coleção.Doutor. Chris . que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . de Rodin. . o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados . necessitarei do seu . . Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho.ram fabulosos. Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três. Minhas pulsações se aceleraram.Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. ma s. Por quê? A pergunta parecia zombar de mim. embora isto talvez nos leve al guns anos.interrompeu o Dr. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m. . em vez de trazê-lo pessoalmente? . não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente. devemos seguir nosso caminho. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés. de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo.pergu ntei. Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora.. encolhidos nas t elhas frias de ardósia. . obrigando-me a suspirar outra vez. com três metros de largura.. . . em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente. Na última vez. pois já estivera ali muitas vezes. Rasos degraus de mármore. Folhas mortas corriam pelo gramado.arqueando-se sobre um pequeno riacho .respondi tolamente. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. . linda.disse o Dr..Estava observando seu suéter vermelho . ainda assim. Gostava de ficar ali com Paul. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência. por um segundo sequer. como se ele já conhecesse meus segredos. Amanda. seus olhos cintilantes encontraram os meus. ainda assim. todas as minhas rosas são de espécies antigas. Não desejava partir.começou ele. Chris tomou a palavra: . desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador. com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante. Paul. Eram nus clássicos. levavam a um níve l inferior. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução.. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa. Com um sentimento de culpa.Portanto. dist ante. . de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. . Se ele estiver vivo. que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. de sensualidade. E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava. . Era óbvio que levava a sério a situação.Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo. que Carrie já melh orou. com Henn y. Cathy. Fiz quarenta anos. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio. como patinhos escuros e ressecados. . prevenindo-me para não dizer algo diferente: . anteriormente. não foi Henny. Paul. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. graciosos e em poses elegantes. Ao que parece. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida. receoso de acordar e verificar que v ocês se foram. Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro.Não.. caso Henny ainda não lhes te nha contado.Por que enviou o presente pelo correio. Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. Suspirei com o vento.. Os dedos de Chris apertaram os meus.E pior.Parece perturbada. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. Ela mora no outro lado da cidade.Bem . tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo. baixando os olhos para o belo suéter. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos.Um momento. solene.

O evidente remorso e sofrimento do Dr. presentes.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos.E existe algo mais em que o senhor deve pensar.Morreram num acidente.Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês. Durante todo este tempo.Dentro de poucas semanas.Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar.. quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo. mas ele não chegou. apenas d ois patrulheiros rodoviários..disse ele suavemente. as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário. bem como do de sua mãe. fitando o médico diretamente nos olhos.. sem amigos.sussurrei. .O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência. também. mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas. . também.Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno. Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. Desde a morte de minha esposa e filho. olhando para mim e não para o Dr. sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram. Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça. quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado. . sem família. com pouco dinheiro. assim como eu.disse o Dr..Não pretendo casar-me outra vez . Ela acha.Num acidente . .. que vocês são um grande benefício para nós. Paul prosseguiu: . como nosso pai? ...Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu.respondeu ele bruscamente.exclamei.Temos um ao outro . um acidente de automóvel. nunca me acostumei novamente a ser solteiro . . confuso. . senhor.Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho. Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário. nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos. se assim desejar . tenho sentido falta de uma família. . teria que cumprir a intimação num prazo de três dias.se u tom persuasivo tornou-se tristonho. ela perderá toda aquela fortuna. Portanto. sem saber ao certo o que eu desejava. e mais feliz. Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui. . Se ela residisse neste estado. . Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. .Portanto. . Cathy . Tinha apena s três anos quando morreu.Mas não de automóvel. . a fim de que pudesse trazê-los para mim. Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida.Oh! .declarou Chris em tom firme. Paul num tom estranho. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto. acrescentou: . prosseguind o com ar abstrato: . eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam. será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela.e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados. o tribunal me garantirá a tutela permanente . com olhar suave ao perceber meu constrangimento: . ..Sim. Não estou mergulhando às cegas nesta situação.consentimento. Paul me tocaram. Então. Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém. como se para testá-lo ainda mai s. com bolo. oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim. . nunca mais! Ele prosseguiu. ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos.indaguei. E quando o destino se intromete e assume as decisões .mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião. Paul: . Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse.Tem sido maravilhoso! . além da espos a. sem instrução adequada. Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos. Ser jovem e sozinho. Se ela não comparecer.Você me contou. . chegará o Natal.

M as talvez Carrie tivesse esquecido. boquiabertos. talvez não fôssemos brotos cont aminados. Sei que vocês acreditam que ela não virá. apesar de estarmos no inverno. para não falar em Carrie e em mim. acariciando-me o rosto. . Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola. reprimida por tanto tempo. E você. começou a chorar. Tudo ali me encantava: o ar. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo. Fiquei sentada na balaustrada. Paul ergueu-a. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico. E. Mesmo que ela não tivesse decidido. minha mão na dele. Foi Carrie. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas. Claro que vira. Chris . dando-nos t anto amor. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira. desabafando sua dor por causa de Cory. decidam . Paul o dinheiro que nos restava. . produzidos pela semente errada plantada em solo errado. Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. .Nunca vi Papai Noel. O Dr. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel. De repente. beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. como os seus. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus.E quero ficar aqui para o Natal . que será dividida em parcelas semanais. Mas não fomos Chris e eu que decidimos. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. E não julguem.gritou. começou a parecer mais leve. Tiveram muito trabalho para consegui-lo. Ele recusou: . . Falou olhando para mim. nem uma vez. que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume. de tão sobrecarregado durante tão longo tempo. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. O Dr. Ficamos. quase frenética. Portanto. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos.soluçou Carrie. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes. o brilho suave e cálido nos olhos do médico.Eu também amo você. havia anos. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas. justamente quando está quase atingindo sua meta. darei a cada um uma mesada. Carrie. segurando-a no colo. A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana. creio que foram as roseiras ainda em flor.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. Não estou procurando persuadi-los a ficar. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. pois farão o que desejam e o que têm de fazer.Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. perplexos por ser ele . Mas ele não olhou para Carrie. mas nun ca se pode ter certeza.Não quero ir! Eu amo o senhor. Só conseguimos fitá-lo. Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr. por um segundo que seja. Eu queria ficar. Jogou-se contra ele. que será uma vida saudável e feliz para Carrie. mais do que tudo que o médico dissera. Cathy. pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. Dr. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie.. Paul! . Jogue fora todas as longas horas que passou estudando. o mais perto possível de Chris. ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. dourados com manteiga derretida. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. As brisas do sul continuavam a soprar. Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que.Guardem o dinheiro para vocês. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. ficaríamos.

lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem.continuou a chorar. que caiu fragorosamente. o teto era uma cúpula de vidro. eu pre cisava de um casaco. Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. saboreando nossos olhares espant ados. o que sabiam eles. a cabeça atirada para trás. atônitos. eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis. passei a andar em círculos. . afinal? Obviamente. Afinal. gente fervilhava por toda parte. uma capa e chapéu de chuva. Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas.Cathy. bem como um g uarda-chuva.indagou Chris. para nós. Percebi que ele nos observava. com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas. Homens. O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie. Então. Atordoada e esfuziada por tanta coisa. enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop". Sorriu graciosamente para o nosso doutor. o mesmo acontecia a Chris. cujas aulas se iniciariam. Carrie e . Com extremo cuidado.Querida. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . . incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho. A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente.. desejando muitas coisas e teme rosos de que ele.Não posso ir à escola com roupas de bebê! . perplexo. selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola.Tentem no departamento de bebês . Eu sabia o que ele estava pensando. vermelho . não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo. Paul procurou consolá-la. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. quando eu já começava a me sentir relativamente segura. Esta se mantin ha ereta. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes. que pareceu encabulado. Paul dec larou num tom impaciente: . Além disso. Poucos dias antes do Natal.disse-me ele. olhava isso e aquilo. . Port anto. Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas.sugeriu a loura impiedosa e petulante. corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a.nada de cores de bebês! Dr.tão generoso conosco . ao perceber. assustaram os fregueses. seríamos crianças normais.outra vez. . sapatos de verdade. além disso. pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. enquanto terminam os aqui.. Ficamos encantados. em janeiro. Chris. como se nos estivéssemos aproveitando dele. Roupas de be bês . impressionados. Chris riu de minha indecisão . com os pés afastados um do outro.eis o problema. com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos.Vá em frente . Enquanto você faz isso. e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não .Pelo amor de Deus. . experimente tudo que gostar.ao noss o Doutor.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! . Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. enquanto o nosso médico permanec ia estático.Meu Deus! Que aconteceu agora? . Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa. enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita. todos eram grandes demais para ela e. Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação. tentasse satisfazer todos os nossos anseios. . Mesmo assim.

perto de Mamãe . Voltamos para casa carregados de presentes.. Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar. sendo eu o que era..repliquei com ar de superioridade. Encontrei Clairmont. com pouco auxílio p or parte de Chris! .e. Anos perdidos. nem de sombra ou delineado r. privando-nos de uma infância norm al. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. Deus nos levara a morar ali ..indagou rispidamente Chris. sem roupas novas. nem de base.para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall. Naquela época. insegura.Porta-se como um bebê.Enquanto isso. Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça . Paul entusiasticamente.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente.sorriu o Dr.conseguia engolir. observando-me com a mais estranha das expressões. movida pelo remorso do que nos estava fazendo. .Uma solução perfeita! . Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora. Mamãe nos dava roupas novas. pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . que tal comprarmos alguns vestidos amarelos. aquele dia foi celestial para nós. Eu era uma bailarina. Quanta lealdade! A mim.Você nada sabe a respeito de ser uma garota . preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar.O que há com você. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família. Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom. . Carrie? . jogos e brinquedos . A despeito da costura que eu teria de aprender. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. com solas de couro. após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros. lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente. Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico.. vermelhas e azuis brilhantes.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas.e Cory numa sepultura.se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. . O violão de Cory estava no canto. heim. alg uns dos melhores anos da vida . meu primeiro sutiã . quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo .quero apenas cores brilhantes. depois de Chris para a balconista. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos. além de tudo isso. Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava. Paul se mantinha de lado. Você ficará arrasadora! .declarou ela. . . Não obstan e. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento. Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então. com ar zombeteiro. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon. Carrie? . . ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço. era coincidência demais. porém. enquanto o Dr. não havia ninguém para apreciá-las. Paul.Cathy não sabe fazer boas roupas . Eu ganhava cinco dólares semanais . parecendo aliviado. Tão logo me fosse possível. Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie). que ensinara Cory e Carrie a escrever. também. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto. . Cada um de nós usava sapatos novos. . . Carrie hesitou. Paul. olhando alternadame nte de mim para o Dr. Chris.E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela. Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul.Cathy só sabe dançar. azuis e cor-d e-rosa.Não quero ficar arrasadora! .exclamou o Dr. uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem.

Bum! O punho de Henny batia na massa. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto. no meio do ano letivo. crochê. uma acusação de homicídio. Tive vontade de chorar. ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão.explicou o nosso médico. correndo ao voltarmos da escola. Todos aqueles anos perdidos. Henny. onde as crianças ne m sempre são bondosas? . usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz. Já que faço parte da junta diretora. Carrie estava enrosca . Paul. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos. Carrie fora tão bem proporcion ada. e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos.Pretendo matricular Carrie numa escola particular .eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal. pensativo. bordado de crivo e de lã. fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas. eu p arecia uma corda de violino. Por dentro. Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. Então. inclusive a massa. não consegui mais falar. Fora isso . Ao não aparecer.. e esperamos. Carrie era nosso maior problema. haviam-na tornado tão franzina.ch orar de verdade.Claro . dirigida por uma excelente equipe. creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. Lançou-me um olhar significativo. havia a cadeia. . Paul. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento.nem a de Paul. embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo. Mantive a cabeça erguida. mas era muito franzina. Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr.. De repente. sem demonstrar admiração ou aprovação. Paul e de Henny. limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas . mordendo a língua para não gritar. jamais esquec eria ou perdoaria. que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina.U ma ótima escola para meninas. Sabia ler e escr ever. como buracos de agulha. afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . Em certa época. difíceis de suportar? Além disso. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul.concordei sem entusiasmo.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. Ensinou-me a f azer biscoitos. quando ela viesse à Carolina do Sul. pingando no berrante vestido vermelho. Vi Papai. eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado. Vi o lindo rosto de m inha mãe. eu fugira de Foxworth Hall. Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. tão perfeita. percebi que ela também chorava. De algum jeito ou maneira. O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão. . De repente. Esperamos uma eternidade.Não chore. Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo.está bem? . Quando ergui os olhos. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis. fazendome sentir pena de todos nós . Ela não nos queria. Contudo. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr.Sim. Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca. mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. Que éramos nós. Como se daria numa escola pública. senão pesadas cargas. . e. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele. Vi Chris e eu quando crianças.seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . levantou se e saiu da sala. Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico . mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. tinha quase certeza de que ela não viria. o rosto inexpressivo. Olhava-nos com a testa franzi da. Henny não podia falar. Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões. Você tem boa vista. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar .

Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal. que era como meu próprio filho. com seu monograma bordado no bolso do peito . Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. Sem pensar. não hesite. Os contos de fadas podiam tornar-se realidade. rezando. que Mamãe viesse e. uma palavra de sentido tão amplo. olhando também para a luz. apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez. Tentaria esquecer nossa exis tência.e esta era a par te mais triste de mim mesma. Quando me aproximei. digna de confiança.Chris! Não me ame. enroscando-os. porém. compreendi que ele sangrava interior mente. tencionando surpreendê-lo. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. o lado mais alegre e mais feliz. Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor. Murmurava meu nome repetidamente.e excitada também. E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança. Dê-me um pouquinho mais. Seus olhos azuis buscaram os meus. vocês me têm por pai e Henny por mãe. Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. Eu entenderei. por favor . a fim de olhar a lua. Furiosa. Deixamos que a fé. O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós. só isso. Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior. não esqueceria. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. . Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar. sólida. Eu est ava esperando.CFS . por todo o amor que ela nos dedicara . Quando eu me for para a faculdade . Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. que a tranqüilizava com carícias.repliquei amargamente. e acariciou-me as costas. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos.então. sobretudo.sussurrou ele. Estavam acontecendo conosco. chorei. . Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa . nunca lhes faltará nada. Creio que ele disse: .. Chore bastante por mim.Quero apenas abraçá-la. assim como eu. . sibilei: . Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e. Bem. como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. Não comeria a maçã envenenada.exclamei. tudo está bem. lancei -me neles. mas de Sheffield. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço.Cathy . tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los. Enquanto eu viv er. Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. que você levou e nunca mais t rouxe de volta". abraçando-lhe o pescoço. Amor. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido . Agora. embora já estivesse pequeno demais. Cathy.Não! Pare com isso! . ele encontraria um roupão novo.. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia.da como uma bola no colo do médico. ele tornou a me abraçar. Nada mais. mas ele insistiu. Antes que eu pudesse responder. Eu providenciaria para que não esquecesse. os olhos brilhando. Chorei mais por Cory. também. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita. Naquela noite. Olhos tão cheios de vida. ou algum obstáculo para dificul tar as coisas. uma bruxa a ser vencida. De algum modo.Se tem vontade de chorar. precisarei de algo a que me agarrar. . Chris. eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". murmurando-lhe a lgo ao ouvido. Quando se desej a derrotar alguém. .Uma explicação razoável para assassinato? .pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth. Quando você se for.Não importa. ele se voltou e estendeu os braços para mim. Cathy. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. de algum modo. Vi Chris postado junto à balaustrada. Enfiei os dedos em seus cabelos. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada . Avancei nas pontas dos pés. Naquele mesmo Natal. Levantei-me e saí para a varanda do andar superior.

Jamais.Adiantado! .Não ente ndo muito de balé. Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas.. naturalmente .Cathy era principiante quando fomos morar no sótão.Sim. Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. Compreendi que estava refletindo.Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . Enquanto você viver. enquanto eu só conseguia fitar Paul. Depois. de qu em lhes falei. médios e adiantados. Não podem os ser como nossos pais em duplicata.Não! . E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe.. E esta beleza mais jovem é Carrie.Você jamais se livrará de mim.eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet. . Georges . Ali. acompanhei Paul aos bastidores no intervalo. Como num sonho. al i e agora. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! . Os bailarinos no palco não eram apenas bons . Ele me abraçou com mais força e ficou calado. Então. Em que nível você está? . falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca. Ele não permitiria que isto acontecesse. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s. O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama.inclusive Henny . Jama is haveria outros. muito vulnerável.explicou ele. Também dão aulas a alunos principiantes.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita. dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja. Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. pulei da cama e corri de volta a meu quarto. Para o bem dele. como é costume das bailarinas . encantados. batendo a porta e trancando-a. . que me aguar dava deitado.Não! Mas eu o beijei. Naquela noite. Vocês já con hecem Hennetta Beech. que dançou o papel principa l. . abertas em leque na sua mão grande e bem conformada. . não era. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera. não alcançaria mais sucesso. espalhados sob ela. Ficou divino naquela cor. a fim de nos sentirmos limpos. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny . no centro da terceira fila da platéia. Este é o irmão dela. Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém. Catherine Doll.Sim! .disse a dama que parecia uma bailarina.sentamo-nos. será você e eu. Todas as amigas ficarão com inveja". Recuou.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. Só conseguia confiar em mim. . Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo. pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco.. desejando-me. Cabia-me romper o laço.proclamou Chris. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares. Ouvia-o chamar-me. estavam cinco entradas para o Quebra-nozes. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. .Esta é minha tutelada. deitando-me mais uma vez na cama de Chris. Não podemos cometer o mesmo erro. emudecida de felicidade. Uma mulher o magoara p rofundamente demais.Madame. . Não consegui adormecer. Cathy. Chris. que lhe caía maravilhosamente bem. todos nós . Henny segurou o vestido na frente do corpo.penteado para trás . Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. veio a maior de todas as surpresas. Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e.

Que idade tinha ao começar? . . Georges. Lançou um rápido olhar à pequena Carrie.Mais que onze anos de aprendizado profissional.Então. E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance.Farei. pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco. Esboçou uma expressão desdenhosa. temerosamente agarrada à minha mão. voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão. esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas. . .. mais e mocionante. Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? . aparentemente embaraçado. dezesseis em abril.disse ela.explodiu Chris. .Você é excelente.Você é uma autoridade em balé? . . suada e encabulada. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente.Você também é bailarino? . esta noite.porque ela acredita. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.Não sei. como se tiv esse um "u" . espere um momento! . . saboreando-lhe a intensidade do relato. .Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho.Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos.E agora tem. Seu marido . . . deve ser apenas medíocre.Chris pretende ser médico .Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar. agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar. parecendo vermelho e muito zangado. seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia. Portanto. .Ah! . improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita. Muito. de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros. ou apenas medíocre? . Dois pares de olhos negros examinaram-me e. como se Chris tivesse perdido o juízo. Então. .Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem.indagou a madame com algum desdém. Com que idade fez pointe ? .explicou o Dr. Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito.respondi com voz sumida.Não vi naquele palco. Sobre a malha preta. a menos que sejam excelentes.? . estudaram Chris. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado. . uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara .Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? .Ah! que pena .Bom.Quatro anos.às vezes sai do compasso da mús ica. Ela não apenas da nça um papel.. . tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater. Paul. magro mas robusto. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris. . faz-nos acreditar . usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e.perguntaram a meu irmão."daunça"). por cima de tudo isso. desconfiada: . depois. .Sim . muito bom . . Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece.Exato. .suspirou tristemente a madame. era um homem calado.exclamou Madame Rosencoff. e ignorou-a c om a maior naturalidade.Ora. um bolero de pele de leopardo. com os pés pregados no chão. franziu a testa. . de modo que nunca dup lica uma dança.Não! Não danço . . Cathy sempre varia um pouco.respondeu Chris. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: .Doze. ela é o personagem. Formavam realmente um par.exclamou ela.Maravilhoso! .Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança.e amarrado num grande coque.

Esta noite.Não tenho roupas. deitado no chão. E veja o que acontec eu. Era ape nas eu . Tinha que mostrar a Mamãe. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola.solucei.Estou destreinada . deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. .que não admitia desobediência. rebocando o marido. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. para podermos deitar-nos embaixo. retirou-se do quarto. Naquela noite. pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés. . O modo como ele disse aquilo preocupou-me. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. Então.Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo. Com isso. vou ajoelhar-me e rezar por você. mergulhei e emergi de pesadelos. para fazer um tes te.Amanhã é cedo demais . Ainda era noite.e não se atrase. Cathy . segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus. . . que parecia irreal.a todo mundo! Eu não era má. pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. a Paul. acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração. Ela continuava jov em e bonita. E fui deixada cheia de ânsia e desejo. ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses.está apenas amedrontada. perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet. fui medida. Madame Rosencoff se voltou para mim .Ora. elegantemente trajada. que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa.disse ele. . e eles me rejeitarão. Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil.Já vi você nesta c asa. ou filha de Demônio.Amanhã. Trate apenas de estar lá .Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão.Normalmente. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente.hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris. nada menos que isto me serviria. E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança. Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios. Boquiaberta e emudecida.Dar-lhe-emos todo o ne cessário. .murmurou Chris sem me olhar. Amanhã seria meu grande dia. . a Chris . o bailarino.repliquei. mas uma ordem . No futuro. o que era pior. coberta de jóias e peles.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. Chris. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada. Catherine . nem malhas. .a melhor bailarina do mundo! Debati-me. virei-me na cama. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. como os de nosso médico. Sei que rejeitarão! . Não era um pedido. ou corrupta. dominada por mil e uma trepidações. abraçando-me com mais força. desajeitada. Tudo aquilo fora deixado para trás. Por algum motivo. . deitei-me a seu lado. Só isso. com os cabelos louros mudando cons . Era o que costumávamos fazer quando crianças.disse ele. Eu sei e você também sabe. inclusive em pontualidade. sentir-me irresistivelmente atraída para ele.Pensei que você tivesse esquecido . . há uma hora em ponto. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco. Embora eu devesse saber que não estava corr eto. Acordei. Olhei par a a árvore cintilante. No escuro. ou até mesmo anos. você dançará para mim no meu estúdio. eu fazia tudo errado durante o teste e. de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. Chris era tão lindo. Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade. chorei nos braços de Chris. ali deitado. lentamente. deixando-me atordoada. . fitava os galhos da árvore. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente. Em meus sonhos. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica. Es tarei rígida. . nós as penduraremos bem alto. Você não está rígida ou destreinada .Sinta-se lisonjeada. à avó. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura. Eu tinha q ue ser a melhor. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas. nem sapatilhas. deixe disso. . no sótão de Foxworth Hall.

isso é o que vejo nos seus. . depois.Tenho que ser médico . até que nossas testas quase se tocaram. ..Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor. . intermináveis momentos esperei que ele se afastasse. Recordarei es ta noite com você. Seu hálito cálido me acar iciou o rosto. Aproximou-se de mim. Por longos. fique! Chris. a não ser você. arqueando o pescoço. .sufocou ele. Você era tão tímida com relação a eles.de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem . quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura .Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. quando meus lábios tornaram a encontrar os seus.Vejo doçura em seus olhos . o fogo entre nós aumentando. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida. Queri a afastar-me dele.Como são lindos os seus seios! .. vamos pecar! . tão divino . seus olhos também brilhavam.. quando ele virou a cabeça para fitar-me. de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu. ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama. Movi a cabeça para trás.Chris.Eu a amo .exclamou ele.tantemente de cor. mas não conseguia. . Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão.Lembro-me de como seu peito era chato e. descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado. cometo loucuras! Por favor. Recomecei a soluçar. necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento.gemeu ele. e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. bem n o íntimo. . Você não desistiria da dança. Aproxi mando-se ainda mais. Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça. . . às vezes.Então. agarrando-me mais a ele.um beijo tão suave..Você parece.Eu a amo tanto que. Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito . mas você.Não me beije outra vez . sob a árvore de Natal. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes. Uma doce paz me invadiu.antes que eu gritasse de repente: . esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados. . só prazer. que desejava tornar-se mais ousado. . começou a crescer.e.. Quando o beijo terminou. mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse.não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura. não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha . se você faz parte de meus ossos . Está linda nessa camisola branca. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios ... . . estremeci. eu sangrava e sen tia dor. Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. não é mesmo? Eu não sabia.. Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos.Cathy. Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço. Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena. agora. nem sei o que fazer! .Não! Seria pecado! .Nunca haverá ninguém para mim. .. estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos. . . não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma.. Prend i a respiração. sem você! Às vezes.sussurrei..Cathy.suspirou ele.. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e.. permanecendo ali. comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço.Então. olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa. observando-o beijar-me os seios e. Cathy. por favor.disse com voz tensa. você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos.Não. dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse.e as jóias da coroa da Inglaterra também..

deixe-me amá-la apenas mais uma ve z . suco de tomate. respirando mais depressa até ficar ofegante. para não gritar. entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. recatadamente. nunca mais deveria dirigir-me a ela. . Carrie é capaz de dormir durante uma batalha. . sempre vivo. Chris pegou-me nos braços. Solucei nos braços de C hris. primaveril. a resposta se rá sempre não! Calei-me. sentei-me e. então. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. Não queria que se repetisse! . maçãs.. Esbofeteei-lhe o rosto! . mais um abridor de latas. À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna . se fosse aceita. sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo.Não! Sou sua irmã. para durar até o fin al de nossas vidas. para durar pelo resto de nossas vidas. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. Mais tarde. Depois.só mais uma vez. ervilhas.protestei. duros como pontas de metal. deitado junto a mim. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. por qualquer nome. Tapei a boca com ambas as mãos. Foi o que det eve Chris. Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão .. Antes que eu me desse conta do que acontecia. meio quilo de queijo.Lá em cima. bateram em algo sólido. Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo.Chris. Rolamos intermi navelmente. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . no meu quarto. Se fracassasse. Ele nos escutaria. Embarcamos t odos no automóvel do Dr. ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. O Teste Era o dia seguinte ao Natal. lançou-me um olhar magoado. Eu não era como minha mãe. que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades.só uma vez. Christopher! Ele se aproximou.Sinto muito. .Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão. laranjas. .. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também. Eu não queria aquilo. O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. várias latas de atum.Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça. dois corpos nus que. não me olhe assim. percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . deitada de olhos abertos em minha cama. de repente.bradei furiosa. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro.disse ele entre beijos. Chris estava no chão comigo. copos e talheres.Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico. lutando. Madame Rosencoff disse-me que. Então. Numa fração de segundo.então.Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. . Tirou min ha camisola e o seu pijama. um pão.. Cathy. enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito. recomeçou o que iniciara.O inesperado abrir de seus lábios quentes. e seu quarto fica perto demais do de Paul. Caí no chão. .Pare! .Então. que jam ais poderia florescer. pratos. Em meu irmão. . eu já encontrara o amor eterno. O marido. Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora.sente medo de sermos castigados novamente. . terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff.Aqui não . ir embora e deixar-me sozinha . subiu cor rendo a escada dos fundos. Ele fitou a caixa de doces. Geor . Não desejava dizer aquilo. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama.Não haverá vida para mim se eu não for médico. Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes . usaremos o seu quarto. . rolando na cama para sair de baixo dele.Não! .

Portanto. Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes).gabei-me.Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va.Só por sua aparência. eles assistiriam à minha humilhação.Foi o que presumi. a fim de verificar se eu já estava pronta. não minha pedra ímã.Que cor de malha prefere? .respondi timidamente. Se eu fracassasse. Paul ali sentados. Eu perderia o encanto que tinha para ele. Dessa fo rma. sarcástica. Carrie. para aliviar o nó que me apert ava a garganta. . Tinha pernas fortes e musculosas. tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. eu já sabia. pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico. Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse. .Rosa. . Um toque em meu braço sobressaltou-me. . que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga. Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos. afastando-se. meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. arrependia-me de tê-los convidado.ordenou. acrescentando com desdém ainda maior: . lá estava ele para sorrir. Isso. sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. Girando nos calcanhares. ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso.Maravilhoso . E como sempre.Que música escolhe? . ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. Se eu frac assasse e o embaraçasse.ges. quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta.Quebre uma perna . poderia avaliar o que eu deveria fazer. escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas. telegrafan do-me seu orgulho. Venha comigo . com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. confiança e imorredoura admiração. Seus olhos negros me estudaram crit icamente. (Tive a impressão de que o marido jamais falaria.indagou ela. a fim de observar todas as outras. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele. Agora. Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas. por que escolher uma peça menos exigente? . . Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo. talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar. para aquecer-me melhor. adivinhei que escolheria A Bela Adormecida.disse ela."A Bela Adormecida". Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés. Deixaria de ser uma pessoa especial. Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. Desejava ser a última. Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada. Engoli em seco. Este desejava ser meu pai.Nada mau. mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria. . . Meu querido. mas não lhes prestei muita atenção. Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris. . Oh! Deus! Rezei. Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. Havia também outras oito ou dez pessoa s. Então. O próprio Georges sentou-se ao piano. Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela. certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente .sussurrou ele. . Henny e o Dr. deparei com Julian Marquet. com a mesma indiferença.

Ele sorriu. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. apertando-me os dedos.para dar uma ajuda à Madam e. embora. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas. então .medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. Verdadeiro talento. e stava terminada. Chris inclinou . Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York. Tinha a pele clara como a minha. . . De repente. Escorreguei e caí ao chão. Então. gritando! A meus pés. . fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam. indiferente. movimentos de braços e piruetas. Fechei os olhos. pois não queria que Paul percebesse. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa. muito satisfeita por aparentar aquela idade. À distância. Comecei a dançar.. p arecesse muito pálida. Pen a que seja uma garotinha. Logo voltarei a Nova York. a outra perna esticada graciosa mente para trás. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas.Não sou garotinha! . E como sempre. mas duvido que tente.exclamou quando lhe sorri. . aquele homem surgiu para dançar comigo . nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto. Ele sacudiu os ombros. Trocamos mais algumas palavras. Então. como se conhecesse todas as respostas. imóvel.protestei com voz sumida. escutei as vozes de Paul e Chris. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos. mas de Carrie. Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver. com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. ..Uma coisa eu lhe digo.Estava esperando que voltas se a si.eu era a sua voz e.Oh! Chris! . Julian! Eu o vi como num sonho.Puxa! . debruçando-se para beijar-me o rosto. com olhos escuros e faiscantes. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo.Creio que seria uma ótima atriz.Talvez sim. a magia chegou e tomou conta de mim. Meu coração deu uma cambalhota. p ortanto. Acho melhor dedicar-me ao teatro.Olá.. Com os olhos. isso é talento.Seus olhos escuros brilhavam travessamente. se gurando-me a mão inerte. pálido.todos os e ntrechats. . tímida a princípio. talvez não. estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano . Encantada por vê-lo ali. uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade.. como se as "provínc ias" o matassem de tédio. eu estava sozinha no sótão.Você é muito bonita. .só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo. Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso. Os gritos não eram meus. e escutar os gr itos. . . Tinha uma voz grave. O queixo forte tinha uma cova central. sem me importar em saber quem veio socorrer-me.O que é. .uma senhora de dezoito anos? Sorri.disse ele suavemente.Olá . este ndendo os braços fortes. em contraste com os cabelos escuros. e eu logo saberia que tinha dezenove anos. . um verdadeiro profissional. Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. e aqueles olhos azuis. cabelos negros como a noite e lábios de rubi. então soou a minha "deixa" musical. Olhou em torno. pois a música me dizia o que fazer e como fazer . que é o meu lugar. apoiando um joelho no chão. ainda nem iniciada. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada..Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo .. Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! .Sim. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. onde ninguém me queria. . E minha carreira de bailarina. muito impressionada com sua beleza física. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. Era mais alto que a maioria dos bail arinos. com quase um metro e oitenta. revelando nitidamente todo o seu amor por mim. a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto. mas depois fazendo as coisas certas . infalível. Terminada. Ele sorriu.

Abra os olhos. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto. Chris foi à cômoda e logo voltou.Claro que querem . não de papel. às três em ponto. exibiu um sorriso e avançou. os Rosencoff me querem! . seriam imbecis." Marisha! Eu fora aceita! . eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida. Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade. acariciando-me ternamente o rosto. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . no dia seguinte à ida de Carrie. sem saber o que pensar. de todo modo.sussurrei." Vi por cima do ombro de Chris. um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. .Abreviatura de dilatação e curetagem.Não! Não! .recebêramos todos notas excelentes. quando. Só então olhei para o envelope. .Tudo vai dar certo para nós. Olhei para o enorme ramalhet e de flores. Jarvis.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr. não faz diferença nenhuma. Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. Amanhã.disse Chris. amigo do nosso doutor. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio . . sorrindo. Em seguida. na verdade. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos. Paul afirma que é o melhor ginecologista da região. Madame Marisha.Um ginecologista chamado Dr. Fora enviado por Julian Marquet. com medo de que fosse Paul. . enquanto este me estreitava nos braços.Do contrário. . Recostei-me nos travesseiros. Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa. nada mais.disse ele suavemente. exceto Chris). estará boa e de pé. Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina. Você precisou fazer uma D & C. Aguardo-a na próxima segunda-feira. Classifiquei-me para a décima série. minha dama Catherine .preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la.e ninguém tinha conhecim ento do fato.Quem fez a curetagem? . Cathy. Chris também partiria.. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada .. Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça. Sentei-me na cama para abraçá-lo.e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos.A vida oferece mais que uma oportunidade. como você bem sabe. julgando que fosse lembrança de Paul.Foi só isso. Chris e eu nos separamos depressa. .. Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos.Chris. Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: . Paul. não se esqueça de mim. Cathy. não vai. eu não me importava que ele lesse. sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas. que se s oltaram de repente. col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. sempre poderá ter outra hemorragia.Está fazendo tempestade num copo de água. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu.. . Flores reais. Naturalmente. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . Todavia. . . Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos. e apontou para outro buquê.O que é uma D & C? Ele sorriu. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr. Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene. Catherine Doll.-se para me abraçar e estreitar contra o peito. . Nossos olhares se encontraram. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões.

tentando não escutar. Cathy? Por que tenho que ir sozinha. beijando-lhe a testa. . é divertida. imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente. que levei para Carrie. . querida. A su a é uma escola primária. a escola não é um lugar tão ruim. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. tem sociedades secretas. percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor. . indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças.rícula. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós.exclamou Carrie. Além disso. obstinada.Sei que é um presente um tanto adulto. Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas. Como se lesse meus pensamentos. Ficará com centenas de outras meninas da sua idade. Paul.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus. para ela.Carrie.Por que não posso ir para a s ua escola. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro. poderá vir passar todos os fins de semana em casa. terá ótim as professoras e.Oh! . troca segredos e ri a noite inteira. Segurei a caixa com extremo cuidado. cujos pais podem p agar pelo melhor. E. espelho e uma série de frascos para cosméticos. os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr.Ninguém? . Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? . alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados.acrescentei em tom tranqüili zador. .Mesmo assim. é necessário. ele disse: .Isto é para a minha loura predileta . Paul.Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. . . sem ninguém comigo? . mesmo que alguns quilômetros nos separe m. . E. eu tenho que freqüentar o ginásio. dá festas. Chris e eu. Henny. Carrie. não quero ir . Era uma coi sinha linda. P aul como nosso responsável legal.E terei que ficar lá por muito. Quando ela olhar para essas malas. muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas.São as malas mais lindas que já vi . estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. Claro. de couro. Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr. rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela.repeti. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem. A gent e joga. Carrie . depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. Ela adoraria. . com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos.É Lindo! . talco e água de colônia. Embalei-a em meus braços. a quem ela queria muito bem. Quando estiver na Es .Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes. Todos nós desejamos o que é melhor para você e. na v erdade.E não é uma escola para garotinhas esquisitas. você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr. acredite se quiser.exclamou. mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. . Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis. Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: . escova de cabelo. E deve ter a companhia de outra s crianças. daqui a anos. completo. .Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir. Não estará sozinha. Paul lançou um rápido olhar a Carrie. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade. Ela fechou os olhos com força. . vai lembrar-se de mim. pasta dentifrícia. melhor que tudo. Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura. Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. Sim.chorou ela. V ocê vai adorar. Então.É uma escola para meninas ricas.declarei alegremente.anunciou. aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar. você permanecerá em nossos corações e pensamentos. levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha.

Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco. com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade. roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão. . . e a Sra. Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos. pintado de branco. Henny e eu. Carrie permaneceu sentada no chão. Não se sinta abandonada. No dia seguinte. . mais uma v ez. segurando-me as mãos.sussurrou ele com voz embargada. com o rosto colado ao seu. a Srta.ao me nos o amor que estava errado entre nós. Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins.Não. a nenenzinha! De onde vieram eles. Compreende? Ela assentiu com a cabeça. com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . Sheffield.. Parkins .uma herança inestimável. Não foi fácil irmos embora.Por quê? Mais uma vez. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana. Naturalmente.É uma linda criança. Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . Sempre a amarei. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa.murmurou Carrie. Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro.Você sabe de onde vieram. ou imaginar o que estará aco . tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível. chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica.Cathy.Nada mudará. ainda sentiremos a mesma coisa. as indefectíveis colunas brancas. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! .Chris . posso fazer isso .O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade. Cathy . a fitar-me com o olhar assustado. Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. . faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. o Dr. Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824. Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você.Quan do nos encontrarmos outra vez. . Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar.Anime-se e faça um esforço para divertir-se. . . acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. mas numa alcova com grandes portas para o exterior. e sussurrei-lhe ao ouvido: .O Sr.gaguejei. seja certo ou errado. Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. O prédio era grande. Dr. Sentindo que precisávamos ficar a sós. sem compreender.cola Para Moças Bem Educadas da Srta. Não consigo evitar. ou sentir saudades. .E Clara. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária. Uma mulher bonita e imponente.Mamãe morreu mesmo? . Emily Dean Dewhurst.murmurou com voz sumida.Sim. à beira das lágrimas. Chris e eu não f icamos realmente a sós. Eu trouxera até mesmo o berço. Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . mas apenas às suas amigas mais íntimas. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre .Carrie. Paul. que estremecia. . Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então. Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região.Falo sério. Eu a amo. Ela olhou para mim. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram. Eu desejava ficar nos braços de C hris. mas precisamos fingir que morreu. perto da s lindas malas de couro vermelho. Cathy? . mas não compreendeu. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola. . . Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. A escola de Chris ficava ainda mais afastada..

desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: . Girei nos calcanhares. fez a manobra e partiu em direção à estrada. Talvez bonita demais. . É tão jovem. Falo sério. Estudei-as. É honrado e decente.Gosto dele. Porque de seja você! . bem. Isso não é errado. apenas por causa de você.Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. Agora. derreei-me no assento e solucei de verdade. observando o chão a seus pés. No c arro branco de Paul.. puxou-me para si e baixou os lábios até os meus. Cathy. quando ele fez tanta coisa por nós.Não. Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. . Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. . Carrie o ama . as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. uma despedida temporária. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. da mesma forma como guardarei meu amor por você. pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr. Creio que você estará segura. as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo. Sinto gratidão.. . tão bela.ntecendo em sua vida.disse ele quando terminou o beijo. Ouça as penas caírem. . Paul pareceu surgir do nada e sentou-se. Quietude.. . Ergueu a cabeça.. como você e Carrie. quando gera lmente brincava. calado. . Era a escuridão d o sótão. Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça. baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas.Eu gosto dele.Perdoe-me pela noite de Natal . que as calças de malha .Cuide-se bem. com uma súbita expressão penetrante no olhar. Chris riu.E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade . quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma.. . Não encante demais o noss o médico. De repente. As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural. Ligou o motor. Era uma promessa tão fraca. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais.É claro.Ele não fez nada fora do certo? . mas às vezes penso que nos aceitou apenas. Não tem esposa . .Não estude demais. Paul. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância. hesitante.Chris.disse Chris. Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo. . escute a casa estalar. sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! . .fez uma pausa e corou.Prometo comportar-me.Paul é um grande sujeito .Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim. enquanto ele se mantinha relaxado no assento. ele é um homem.e você estará morando na m esma casa que ele. calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua. .Eu o vejo sempre olhando para você. Ou talvez observasse meus pés. ou logo precisará usar óculos.. Culpa dela. Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia.Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. ao vol ante. Não estude demais. pois . silêncio. Cathy. como Carrie qua ndo chorava. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais. Apenas um beijo leve e te rno. O que sente você por ele? . .Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso.zombei.Tem razão . você é muito bonita. e saí para o sol brilhante.disse ele. em seguida aos olhos. Sorrindo. Dep ois. Quero dizer: afinal. tão necessitada de amo r.Cathy. Chris. que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo. E você também. Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio. . Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . . Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus".

Por que não está deitada. acho melhor voltar para a cama. Catherine? A pergunta. grossos e velhos. . Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã. por outro lado. tirando lentas baforadas do cachimbo. só que em olhos diferentes dos dele.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça . sentia-me mal. . aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. para acordar bem descansada. sem jeito. As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul. Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão. lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente. Pela primeira vez. amedrontada. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida.. como eu. Diziam que leite quente ajudava a dormir .e não para o Norte ou o Oeste. O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa.é uma pena não estarem floridas nesta época. envolto no quente robe vermelho. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação. ninguém se importa! Pensei em comid a. Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa. troncos retorcidos e escuros.azul mostravam muito bem . como se precisasse fazer a barba.Não gosta que o toquem? . murchará e morrerá com ela. .de verdade . Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra. eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua. Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso. . Paul. altas horas da noite. . .disse Paul.pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça. Paul foi para o consultório e eu subi. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor. triste e ansiosa. O meu fiel Christopher também. Estava sempre tão solitário! Agora. Também não apareceu após o jantar. ríspido. do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto.corrigi. .Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele .Ela era uma tola e ele também. mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo . Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma. de modo que fui deitar-me ce do. . Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida. Contudo. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade .Por que me toca.Não uma jovem sedutora. Carrie se fora.talvez bem demais. . Sozinha. Sedutora. .Então.e dormir era o de que precisava. estava sentado numa poltrona de braços.indagou Paul.Antes de você chegar com seus irmãos.Dr. Lançou-me um olhar provocante. . É gostoso ser feliz outra vez. Paul sobressaltou-se ao v er-me ali.Detesto quando você me chama assim! .Não consigo dormir. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra. E. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada.Magnólias Buli Bay . Então. . . com roupas transparentes.eu já vira desejo anteri ormente. volto para casa cheio de felicidad e. Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. mas dominada por uma onda de sensualidade. dormindo? . Eu precisava de alguém. ficou calado para não quebrar o encanto que. necessitad a.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. se o fizer. tive também outras idéias. Obrigado.interrompeu ele. quando tinha apenas dezesseis.acrescentei. nos unia numa necessidade mútua. vinte e cinco anos mais moça que eu. Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu. por terem vindo para o Sul . Comecei a obedecer . de algum modo. pois nossos invernos são curtos. como a tola que eu era com tanta freqüência. Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas. feita numa voz tensa e fria.Use meu primeiro nome o . Cathy. Logo que chegamos em casa. Mas não demorarão muito a florir. dor miríamos sob tetos separados.. Tinha a pele áspera. . . mais sedutoras. tão perto de sua poltrona.

não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias.reagi com violência. uma g rande bailarina.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto. ele estudava na sala de aulas do sótão.Por que me chama de Catherine? .O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima. os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele. .Conte-me o resto. Não tinha o direito de fazer tal pergunta. Se voltar a sentir os pés no chão. . E não me agrada ficar vazi a e perdida. . oculto nas somb ras. este se inclinou repentinamente.Que diabo quer dize r isso? . vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito. a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. . fico vazia e perdida. com ninguém ali para amar.perguntou ele com gélida veemência. Eu não queria contar. . mas que sinto necessidade de indagar.Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos. os olhos queimando os meus . continuei com relutância: . mas seus olhos brilhavam. olhou-me com raiva. . e me faz dançar. fazendo-o parecer uma p essoa diferente. exigentes.Prossiga . Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory. Então.u não fale comigo. Meus olhos se desviaram ante a investida. mesmo quando era criança.Há pouco.Acusa-me de seduzi-lo. envergonhada e s em jeito: . Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é. Para onde eu olhasse. sempre ju ntos. .Então. nervosa. sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros. . você era mãe. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza. os quatro irmãos. . Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos..A música sempre me causou uma sensação especial. Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina.Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! .. . mas.bradou ele. Catherine. esquecendo-me de Paul. animando-me. recordando o passado. como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar. e sacudiu-me. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. como se não quisesse que eu fosse adulta. Leva-me para a cama com o ol har. transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante . sozinhos? Dominada pelo pânico..instou ele. impedindo-me de responder. quando cada dia equivalia a uma eternidade. arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha.Tudo o que você precisa saber! . Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me.Catherine. Senti-me corada."O melhor possível"? .fez um a pausa. você dançava no sótão. E.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto. algum dia.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece.Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens. e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . Um médico não é infalível. .Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. Em um segundo. O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca. . Engolindo em seco. . enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida. corando. Apodera-se de mim. quando fiz uma pausa. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa. Fiquei de cabeça baixa. não é mesmo? Para eles..Você é uma feiticeira. quando lhe toquei o rosto. E quando me enlevo dessa maneira. . Eu sei. com olhar duro e belicoso. O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. agarrou-me e sentou-me em seu colo. .

chocado ao perceber onde estava sua mão . . em voz baixa. .durante todo o tempo. de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele. Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento.e sou sua quando.Paul. . para poder acariciar os seios jovens. tão bem! Éramos muito semelhantes. a culpa era minha.Apenas sente gratidão pelo que fiz. em minha inocência.e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. ele tocou os bicos de meus seio s. Mais uma vez. quando precisa r de mim.Quer despir-se para mim. reprobatórios. Só o vinho. pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim. viu Chris franzir a testa. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. Então. inflamados de calor pelas inespera das carícias.indagou com aquele seu ar zombeteiro. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele. você me quiser. exigirá o pagamento em troca disso .. refleti. seu rosto muito próximo ao meu. agora. os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão. teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: . Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia. . . . Paul e eu. Qualquer mulher em seu co lo serviria . mais cedo ou mais tarde. enc ontrei amor em seus olhos. ou se.comecei.perguntou ele. . escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela. f izemos o melhor possível. punitivos. julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. . Catherine. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente. decidido a manter-se distante. . um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. Naquele momento. . . E pode dizer que não me ama. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora.puxou-a bruscamente. seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada.Eu o amo . Agora. Quando estávamos trancados. passando de um para outro. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim. juro.Não sou má. No primeiro dia em que aqui cheguei. . enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos.Sinto muito..Por que me perdoa? . como se o contato com minha pele o queimasse. permitindo que eu a abrace ou a toque. m as estará mentindo. Paul me abraçou e observamos a tempestade. Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres . caía apenas granizo.e eu sabia que a culpa era minha como sempre.Sabe que não deveria est ar aqui.Por que não tem medo de mim? . eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. hesitante.Você não me ama . . Paul estava envergonhado. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a.Porque o amo. Catherine? . Não precisa casar comigo. Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio. Então. deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza. .. O quanto fui sábia. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios.replicou calmamente. Pau l emergiu da névoa mental. insinua que. de repente.Eu o perdôo.Quando fui trancada por Mamãe.. açoitando-se com eles .cob rindo meu seio esquerdo .Que diabo está fazendo sentada em meu colo. nem Chris. Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo.qualquer mulher! Provocadoramente. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados. Seu hálito quente em meu rosto. basta amar-me.

repliquei. quando acordei. jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta. . . mas. punida por exc esso de presunção.bradou Paul.nada! O que faço p or você. Oh! Então era assim. Catherine. . não na realidade.não preciso de sol.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda. Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos.. Jamais lhe vi o rosto. Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e. não sei muito a respeito das moças de minha idade. Se eu ousa r encostar um dedo em você. creio que entendo o motivo. de bailado . muito lentamente. embora des ejasse. com voz mais suave e bondosa. embo ra não saiba quem seja. .Ohhh! . mas. Eu era má. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim.Não precisa amar-me .comentou com um suspiro. aceitou o desafio e lentamente.. Paul recostou-se na poltrona. mas não passa de uma criança. agora. em palácios de mármore. Certa vez. pecaminosa. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. Isto não era sermos maus. é claro que tinham de olhar um para o outro. Senti-me outra vez uma criança. Vo cê vive num país de fadas. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras. mas desde que tinha apenas a altura da mesa. . Só que melhor. Paul sorriu. amedrontada.E segura? . baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo. num passe de mágica. . É par a isso que possuímos olhos. . aqui.Mas.Ora.gaguejei. sem dizer uma só palavra. por prazer. com você.disse Paul.Catherine. ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade. . não consegui lembra r-me de qual fosse. As meninas se machucam quando brincam de . quero que grite por socorro.Catherine . Mais do que qualquer outra coisa. Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma. Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si.Sussurrei. .Que diabo estamos fazendo? . sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie. . meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve . creio que estou realmente apaixonada por ele.Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite. seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade.cendo. como você é romântica! . Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos. Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. tudo isto me faz sentir bela. perto do fogo. Se não houver outra pessoa em casa. o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente. Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa..brincou ele.Você zomba de mim. Chris conseguia reconfortar-me. sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . . pronunciei-lhe o nome.. Entendeu? .. Respondi desavergonhadamente: . flores ou ar livre. ajudou-me a levantar.Agora.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto. Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida.. A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro.Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. desconfio de que seja ele.o meu tipo de música. mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. retirando as mãos de minha cintura. ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente. Além disso. Portanto. fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça.Meu Deus! Como você é bonita e desejável . Então. era? Eu não deveria perguntar. qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. Julga que beijar-me não seria ex citante. livrando-se do encantamento que eu l he lançara. . inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus. para seu próprio bem. .Não me tente dem ais. Catherine. . quando a música está tocando . Acha que não passo de uma criança.Da mesma coisa que os outros homens. . .Acha que está segura comigo.Vivendo como vivemos por tanto tempo. filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! .

Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. as moças compartilhavam todos os segredos. E o início era a parte mais fácil. afinal. retirávamos os agasalhos de lã. fortes e ágeis. Não gozo de uma reputação imaculada. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. carregando comigo a sacola com as malhas.e n ada disso era fácil. Não ele. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé. elevavam-me às alturas. se d eviam ir "até o final". exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna. .. para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra.. Recuei. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado.. ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente".mas. mas apenas o endereço do tribunal. também tornada diferente. mantenha-se afastada de mim. Mais cedo ou mais tarde. Portanto. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. ao dançar mesmo quando estava morrendo . Sou apenas um ho mem. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis.adultas.assim refletia eu. também ficavam molhados de suor. até mesmo excelente. devotado. corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe . falar como eles f alavam. como uma nortista. os petit e grande batllements.Linda criança. Algo o trazia f . dos anos em que vivera "em lugar nenhum". Paul não era o tipo de homem que eu queria. com medo dele. glissés. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso.em especial aos sábados. imaginando.e depois não soube para onde enviá-la. Pois. Além disso. os ronds d e jambe em l'air. tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . Não censurava ou culpava ninguém. Queria ser como as outras. Então. Não me agradava ser alvo de risos. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. Eu temia por Carrie na sua escola. Só um lugar me deixava à vontade. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. recuei amedrontada. aquecer os músculos e. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim. deux. espec ulando. interminavelmente. Poupe-se para o homem com quem se casará . da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. Todos os dias. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas.. Fazíamos pliés. abstinha-me d e dar palpites. fondus e ronds de jambe à terre . subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. Ao modo tolo das mocinhas. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto. Não me agradava ser diferente. Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano. quando trabalhávamos de oito a dez horas. verifiquei que era diferente. um médico. para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. Contavam pia das ridículas. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. Em seguida. Às vezes. t alvez um mulherengo . cercando-nos por todos os lados. tendus. com uma piscina interna. sapatilhas e uma bolsinha. vinham os frappes em três quartos de pointe. Ouv ir dizer que eu era boa. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir. acreditar no que acreditavam. estórias de sexo. Embora ela houvesse recebido a intimação. sozinha . não um santo.. espere crescer primeiro. por mais que me esforçasse. Assim. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. mas. pelo amor de Deus.. un. porém. eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna. havia Julian. Nossos cabelos. O sexo pairava no ar. ao começar os a suar. porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. Paul levantou-se.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel. começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas. Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. fazendo pliés. para manter-me ao alcance dos braços. Mais uma vez. No camarim. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. algumas até mesmo pornográficas.

Bocejou.Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim.reqüentemente de volta a Clairmont. mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça. dizendo: . partindo desses grand jetés. olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse. Quando cheguei ao topo. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo.Antes de vocês chegarem.Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez. outras vezes ele me levava ao cinema.Sou grande.declarou ele com voz tensa. mas .Não .Para visitar meus pais . Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego. Doutor. Qual é o s eu segredo? . Catherine! Ergui-me de um salto.repliquei. Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e. ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma. formando um círculo no centro do qual ele se apresentava. eu percebia.antes das seis .Eu não lhe conto tudo.advertiu. . corri até ele e beijei-lhe o rosto. Eu conseguira encantá-lo. . Em breve.Por que não? . exibindo seu virtuosismo superior. Raivosa. ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora. quase nunca . . eu nunca ia ao cinema. saí correndo para a escada. Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas. E u tentava ajudar Henny após o jantar. enfeitiçá-lo. de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão. Cathy. como Chris. Este era ótima companhia quando não estava cansado.E não ande pela casa com essas roupas! . com certa indiferença.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul.Pare com isso! De repente. sem mencionar nomes. Às ve zes. simulando enfado.Nunca? . . .disse ele.disse ele com um devastador sorriso de malícia.Trate de usar um roupão! . Aprendia a ser cada vez mais c . parece que meu tempo disponível desapareceu. Não sei definir exatamente.Na verdade. levantava-me muito cedo . com a mesma rapidez com que me encurralou. . Cathy. com exceção de Chris e Carrie. virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão. . De manhã. e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico.disse Paul. Não obstant e. .Oh! eu não sabia. embora não o dissesse. Pensei que queria ver-me com ela. que usava uma justa malha transparente.Você é boa demais para este lugar provinciano. . pisei-lhe no pé e me afastei. Não sei o que some com ele. enquanto aguardava que Paul regressasse. Então. eis aí o meu segredo.Como deve saber. inclusive um em Greenglenna. Sou o melhor que existe. . assistíamos a programas de TV.Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo.Bem.a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul. Falavame de seus pacientes. que estava muito corado. .Claro que não. . Na maior parte das vezes.Tive alguns encontros antes de você chegar.Foi o senhor quem me deu esta camisola.Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios. . .indaguei. . e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle. . afastei-lhe a mão com um tapa. Você é diferente. . .Vá deitar-se. deixando-me de olhos arregalados. Não gosto de me gabar do fato . Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. . . seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista. o mundo int eiro saberá.Você pensa demais. Ma dame é minha mãe. depois disso. Este gostava de minha companhia à mesa. . Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos.Falar comigo . você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York. provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado. .

Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt. Sentia falta de Chris e de Carrie.Eu não o conheço . creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. uma a uma. pois todas as peças vinham de ferros-velhos.Diga-me quem é você.Cathy . deixou bem claro que viera apenas para ver-me. era possível encontrar falhas nelas. ao dar-me carona da aula de balé para casa. . Ri. . Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu. . pois o nariz poderia ser melho r.explicou-me ele. tere i carros de luxo: três ou quatro. sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e.disse-me Paul certa manhã. o resultado era sensacional. Detestei-o por dizer aquilo. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . . ovos mexidos e toucinho.replicou Julian confidencialmente. Ainda assim. também tenho medo de você. mas eu não permitia. Só nos fins de semana. Não era estupro que me amedrontava. um para cada dia da semana. . . minha vergonha era maior que a s ua . .Por quê? Não tenciono violentá-la. você e eu . De lá. nem você conhece o meu. limitando-se a deixar de lado o jornal. Passou o braço por meus ombros. para se ver. a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. Julian Marquet. pelo menos. Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada. m as nunca ousei procurá-lo à noite.omo Mamãe. uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. . ver melhos e sensuais. jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava.Algum dia. Paul não disse mais nada. como fazia com Chris. Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa. . alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo.Sorria para mim. Examinando separadamente as f eições. Lá existe tanta coisa para se faz er. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo. deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo.Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine. levantar-se da m esa e sair para a garagem. Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. se Paul ali não estivesse. para se experimentar. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal . não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo. era o que eu pensava na época. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção.Que dupla formaríamos.adverti com voz embargada.Dançar é tão remunerativo? . despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho. Em conjunto. quando Chris e C arrie estavam em casa. . minha Catherine . Pense em Nova Yo rk o mais breve possível.Depois de dançar. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando. Ergui os olhos. num tom persuasivo. algo se interpunha entre nós. Conte-me a respeito de sua infância. Na verdade. Ou talvez até sete. a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. movendo-me para ficar o mais longe possível dele. Seu quarto ficava perto do meu. E. pois ele já atingira o sucesso. Quando acordava. Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. Não o via o suficiente. Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida. puxando-me para perto de si.começou ele.comentou suavemente. eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar. Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama. Nada temos de semelhante e. quando eu for rico. doía-me não vê-los no mesmo quarto. quando eu fitava m eu prato de canjica. . de seu país. como se ele precisasse de mim. Creio que Paul tentava evitar-me. . Desta feita. quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. eu não sabia o que me causava medo nele. enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. .Será.Não l he conheço o passado.ou.Jamais diga meu nome desta maneira outra vez . Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai. porém. quando eu atingir o topo da carreira .respondi. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York.Você adoraria Nova York. .

um tanto desapontada por ele não levantar objeções. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. Chr is o fitava raivosamente. que de algum modo tinha um lugar em minha vida . aceite i o convite para sair com Julian naquela noite. provou a bebida trazida pelo garçom. Estava bem arrumado. Ela é uma gralha velha. Pensei em Paul. Julian levou-me para a pista de dança. Paul. E prosseguiu naquele tom. embora não o fosse. . Cathy. Cathy. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. temendo come ter uma gafe. de pois. Era noite de sábado. se você não se importar. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet. Queria impressioná-la. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York. Julian examinou a lista de vinhos e. havia Chr is. Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo.Você é linda . mas nada tem de tola. Quando a salada e o prato principal chegaram. Com surpreendente segurança. Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. depois.Não . Todos se afastaram para observar e.murmurei. apenas faço parte do corpo de baile. enquanto minha mãe explora seu talento. lembrei-me de Chris. . curvou-se para beijar Carrie.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. sap atos engraxados. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina. senti a desaprovação de Chris. sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York. Eu usava um vestido novo. aplaudir. embora não devesse fumar. Eu não sabia ler francês. você teria que começar no corpo de baile. formaríamos um par sensacional. Carrie que precisava de mim nos fins de semana.di sso eu tinha absoluta certeza. acima de tudo. sabia muito bem.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. senti ndo-me esquisita. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. o . tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. na verdade. Com a maior naturalidade. mas poderia facilitar as coisas pa ra você. não sou primeiro bailarino. os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar.disse Julian. . estavam tão deliciosos quanto ele prometera. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. Julian levou-me a um restaurante muito elegante. Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo. Ao c ontrário do que lhe disse antes. E Paul. ele acendeu um cigarro. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz. a minha outra metade. Com meu auxílio. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. Julian chegou pontualmente às oito horas. Naturalmente. Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e. Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. alcançaríamos grande sucesso.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. Ele não é muito mais velho que você é? . Chris e Carr ie estavam em casa e. Julian estacionou numa alameda retirada. mas Julian. .Esta noite. com terno novo. não obstante. mas. meneando a cabeça em aprovação. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. Apertou a mão de Paul. Além disso. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos. Todavia. bem no fundo. Julian entregou-me um cardápio. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele. você progrediria mais depressa que eu. quase me convencendo de que eu já era grande bailarina. pedindo-lhe que escolhesse por mim. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. Juntos. . eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. A caminho de casa. Desejava parecer sofisticada. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. como se traísse alguém.

por mai s que se recuse a admitir.Pare! .Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije. . Cathy .murmurava ele. . Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado. com grandes bailarina s.Seria o seu anjo da guarda. E não se trata ape nas de você ser pequena e leve. será por mi nha própria conta .e ainda não sou um astro. Julian sorriu.Cathy. continuo a dançar. Agora.nde os namorados costumavam parar. se eu for um grande bailarino. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida.Leve-me para casa! . t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas. Por favor. Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. Então. de repente tive medo d e perdê-lo. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram.Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . Cathy. Creio que você e eu somos muito parecidos. Ele sempr e encontrava alguma falha.Eu nunca tive essa feli cidade. . Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui.sem a sua ajuda. Além disso. Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho. mas.Porta-se como uma criança . não será por meu próprio mérito. Sinto dores constantes. aborrecida com a pergunta. do encantador mundo da dança.resmungou ele raivosamente. Com você. na adolescência.O Dr. aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai". de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. Conheço outras bailarinas menores e mais leves. Isto quase o mata. Portanto.Cathy.. . . pode apostar. . pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome. Ele fazia parte do meu mundo. aborrecido. mas machuquei as costas.Julian! . . Madame e Georges são meus pais.gritei. as orelhas. tentando erguer um motor pesado dem ais. se eu aceitasse? . estendendo a mão para desligar o motor. Por que mora com um médico e não com seus pais? .comentou ele com certa amargura. mesmo quando eu era pequeno. Tenho que provar a Georges que sou o melhor. . . Especialmente meu pai.indaguei. ligando o motor. . . Na su a opinião.Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz. Mas venci . mesmo assim. Seja lá o que for. beijando-me o pescoço. E creio que isto também o mata. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe. Assim.Vocês tiveram sorte . Portanto. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa. Jamais contei isto a a lguém. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome. muito melhor do que ele conseguiu ser. . que vê em mim uma continuação de si mesmo. eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse.Meus pais morreram . mas nunca me encararam como um filho. Nenhum deles sabe.Uma criança . mas não satisfaz.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! . Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram. A partir de uma certa época. enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa.. eu poderia ser. Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado. o fato é que você foi feita sob medida para mim. . Futebol estava fora de quaisquer cogitações. Inventei um. mas porque sou seu filho e tenho o seu nome.Não se aproveitaria de mim. se prefere conversar. na maioria dos casos. Cathy. pois não estarei p or perto pelo resto da vida. Cathy. Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. . mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. Cresça. quando eu me tornar um grande bailarino.esbravejei.declarei. então. Dois a nos .Está bem. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa. venha comigo para Nova York. recuso-me a dançar. fale-me a res peito de você. resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. recostou-se no banco e virou-se para mim. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto. .disse ele.

cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade. tentando desviar-lhe o pensamento de mim.Há meu irmão e minha irmã. micro-anatomia e neuro-anatomia -. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados.anatomia geral.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . Logo ele se tornou ofegante. Quanto mais tempo permanecer aqui. Então. Tomamos vinho no jantar. Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você. Era melhor que fosse ele.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. pare de agir com tanta pressa. existia em todas as cidades. .Eventualmente. Cathy.indagou sem me encarar. Cresça. Senti pena dele e fique i emocionada.. Não quero deixá-los ainda tão cedo. Por favor. Desta feita. . . . eu estava preparada.Como vão os estudos? .Com quem você tem saído? . creio.Por favor. . mais difícil será afastar-se. torne-se independente.Talvez. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto. mesmo involuntariamente. sufocando um soluço. Julian. É impossível ser independen te em casa. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa. será obrigada a deixá-los. acho. Não negaceei quand o ele me convidou para sair. afinal tínhamos os mesmos o bjetivos. Talvez eu também tenha ficado. a testa franzida numa expressão de amargura. Quando entrei no quarto para me despir. deixando-se dominar pelos outros. Fitou o espaço. Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter. mas não me dá oportunidade de amálo. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu. . Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem. . Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: . perto da minha porta. que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. . Gesticulei nervosamente. . Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você. pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre. Cathy. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor. Chris se voltou para me fitar nos olhos. . quan do posso rever Carrie e você. Como era semelhante a mim. de pijama.perguntei. Vivo à espera dos fins de semana.Não gosto dele. Meus pensamentos se voltaram para Julian.Como foi? . após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja. D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar. .. percebi o que ele pretendia fazer. Gosto de você.. . . Julian ficou um pouco tocado.Muito bem.Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. .. tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . De repente. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me.Não pode acender-me e depois apagar-me. Chris estava na varanda.. Ele é de Nova York. . Deixe-me pensar um pouco mais no assunto.Não me diga que não tem saído com garotas. .esbravejou ele. palavra de honra.Oh! Chris. Julguei que pretendesse quebrá-lo.Foi você quem pediu! .Nova York é tão grande. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor.indaguei. de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair. . precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa.O que faz nas horas vagas? . ap arentemente. Cathy. Quando o avistei lá fora. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços.Conheço-a como a palma de minha mão. ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que. Julian deitou-me de costas no assento.

I mplorei. sobre uma mesa de necrotério. Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. o vento uivav a. esmagandome os pensamentos. não prec iso de você tanto quanto imagina . Julian não precisava de mim. fumando um cigarro no escuro. a chuva batia com força e. E estava chovendo. chorei. não o leve como levou P apai! Por favor! . mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz.e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny.bradei. confundindo-me e aterrorizando-me. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. por baixo e em torno de nós. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada. por Carrie que não crescia e por Cory que.. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul. Papai. por cima.Há algo errado. Se Chris e eu tínhamos pecado. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas.na outra extremidade da casa. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. Naquela noite. agora. com gravuras do inferno nas paredes. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes. provavelmente. O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. Por Chris. A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal. jogos e grande s móveis escuros. Cathy. ela no s obrigara a isso. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe". em seu quarto adjacente à c ozinha. Chovia forte. quando estávamos sozinhos. Já estou meio apaixonado por você. Lá estava Paul. ele não conseguia afastar-se. poi s isto ela tinha de sobra. que ficava tão longe . ataquei Paul como uma mege ra: . Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. empurrando-o para mim. Ela perderia ambas. . Então. abarrotado de brinquedos. Meu Deus! . Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia. confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta. por que não está deitada? Girei nos calcanhares. saí da cama e vesti um negligé transparente. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. Por algum motivo peculiar. Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio.Ouça. Portanto. Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos. e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros.Há quanto tempo está em casa? . acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam.Cathy. exceto Chris e Carrie. Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça. Mas Carrie estava no internato para meninas. E aquele seu cheiro característico desapareceu. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata. Não seria dinheiro. morto.Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. e seu jovem marido. Ninguém precisava de mim. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite. Existem muitas garotas dispostas a se entregarem. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Vime jogada de volta num quarto trancado. Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. como costumava cair quando éramo s prisioneiros. Não conseguindo dormir. Duas coisas: sua honrada reputação. o preço que lhe causaria maior sofrimento. . não passava de um monte de ossos na sepultura.não em troca de nada! Naturalmente.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . Virei-me na cama. descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. Mamãe o perturbara e d istorcera. Pensamentos mórbidos. quando eu desse minha tarefa por terminada. . Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso.

à exceção de Chris. desculpe-me ter gritado. esperando que você apareces se . não obstante. estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara. peço-lhe desculpas. tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu. estendi a mão para tocar-lhe o rosto. Talvez leve as aulas de balé a sério demais. li a respeito de minha mãe . Portanto. Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e. vesti as melhores roupas e fiquei sentada.berrei.Estou tentando controlar a raiva. Aproximei-me da poltrona e.Seria capaz de me bater.Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno.Desde onze e meia . . . Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. . Sinto muito ter esquecido o cinema. Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria.indaguei. Por este motivo. da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la.ui dormir! E você estava aqui.. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve.Hoje. tão seguro . Paul pensava nela: em Júlia. E stremeci. encarando-me. . sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa. . de modo que após esperar horas a fio por você. sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós.Porque a chuva o isola do resto do mundo.Está remodelando e redec orando uma casa. não obstante. Eu o compreendo.Não estou com raiva! .mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder.Paul. .. esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei. .Mais uma vez.Está sendo sarcástico? . Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade.quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava. impulsivamente. Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. Também não veio janta r ontem. Seria ótimo se você pudesse controlar a sua. fitando-me tota lmente surpreso. com uma vergonha que chegava a doer. Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi. algo mais ou menos desse tipo.declarei. . ali sentado. O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar .Sim. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo. Eu nunca consigo alguma coisa. . o tempo todo! Não veio jantar hoje. tão controlado. quando tornei a abrir a boca para fa lar. que era território proibido p ara mim.como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos. Não queria um namorado que não fosse bailarino. Talvez deva relaxar um pouco. quando queria. Ela sempre consegue o que quer. A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence. ele disse num tom suave: . como pôde esquecer-se? Ontem. Mas você não trouxe! . Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor .Há quanto tempo está em casa? . sua falecida esposa.Deve estar muito cansada. Então. sem jeito. . devia levar-me ao cinema.Parece mesmo perturbada. . Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. Não que ria amigas que não dançassem. . Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar. olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir . .respondeu Paul.. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa.. Recuei alguns passos. peça desculpas por ter gritado comigo.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. .Esqueceu-se. E não go sto do barulho da chuva no telhado.. conseguia permanecer sentado.. Às vezes. Paul era tão semelhante a Mamãe.

. estarei prepar ada para ser desapontada e. Você não sabe. Já que você me deu o bolo ontem. Catherine. aproximei-me outra vez da poltrona. replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola. com arrogância suficiente para dez homens maduros. Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe . fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar. em vez de se debater na cama. . chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. se é o que deseja. tornei a zangar-me. é fácil falar em perdoar e esquecer . arregalei os olhos. juntos. Aturdida.Você e Chris .respondeu ele.Como sabe o que digo aos meus pacientes? . .Vá devagar. . obse rvando-me cheia de incredulidade.Toda noite sonho que estou em Nova York.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . Vejo minha mãe na platéia. assim. Quando comecei a soluçar. . Reconfortou-me como um pai. como se tivesse levado uma punhalada. formaremos um par brilhante. Catherine. às vezes escutava certas coisas. alim entou-nos com doces envenenados! Assim. saí com ele esta noite. no palco. Então. você encontraria a paz e perdoaria tudo. não me venha falar em perdoar e esquecer. .Não se envergonhe de ser humana.Catherine! Pode odiar-me.Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. Julian é um jovem bonito. Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. com os olhos cheios de pena. pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. porque parece tão convicto.Julian está de volta à cidade. . com beijinhos suaves e mãos caridosas que . com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo.Eu chamo por ela? . Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . se você mesmo não o faz? .Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor. nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema.Não.indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. não me desapontarei. que era como um filho pa ra mim.E o que pensa você? Mas Julian . porta-se como uma esposa.portanto. Paul franziu a testa. intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. . Ela quis me matar.. Julga que.Não. poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe. Acredita que sua professo ra de balé.atalhei com amargura. embora involuntariamente. fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia.Sim.replicou ele num tom inexpressivo. . Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. se eu estivesse no corredor dos fundos. Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! . Soltei um riso nervoso. Perdi meu irmão mais moço.Para você. pobres seres humanos. temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer.murmurei. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu. Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse. Portanto. .Às vezes. Paul sentou-me e m seu colo. Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. . Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York. . Mas eu fui. talvez consiga dormir à noite.porque não foi vítima. que não era meu lugar. Eu não queria falar a respeito dela. mesmo? .Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício. Madame Zolta. .

Entretanto. desejava-a e. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia. nem a ela. eu nunca tiv e outra namorada. afinal. Talvez. Júlia tornou-se cada vez mais bela. . Sua voz assumiu um tom amargo. Neste ponto.me acariciavam. Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . recostando-se na po ltrona. Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. consiga voltar para a cama e esquecer a vingança. . Amava Júlia. Ela nunca teve outro namorado. lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. Júlia não sentia prazer no sexo.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama. Quando fui para a universidade. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. existem outros motivos. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. Mas Paul falou por minha causa. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. Talvez. mimada pelos pais. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro. Isso acontece todos os dias.e isto foi um erro terrível. Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada. desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. pelo menos. Júlia era filha única. Fez uma pausa. Paul afrouxou os braços em torno de mim. se iguale ao horror da sua. também tenho minha estória para contar.Sim . se não nos casássemos logo.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. você consiga tirar proveito de algo que aprendi. Eu tivera algumas experiências sexuais. Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos. não muitas. Portanto. Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. Ela indagou. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. Se não conseguir. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola. eu a amava. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte.Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas. teríamos três filhos. os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram. Na época. Pois está enganada. Namorávamos firmes e trocávamos cartas. Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. sob certos aspectos. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. a voz de Paul se tornou mais profunda. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. suspirou e prosseguiu: . Assim. . na nossa noite de núpcias. era o que ela não se cansava de repetir. Cathy. . tive medo do final. como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso.como se isto fosse possível.a voz dele assumiu um tom duro. Observei-lhe o rosto. enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. apertou-me a mão com força.Júlia e eu éramos namorados de infância. após escutar minha estória. Portanto. Contudo. Fiz o possível para excitá-la. p ara salvar-me . . se eu lhe contar. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. Às vezes.Espero que você.Catherine.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . Não obs tante. . eu tinha dezenove.ou. Nunca proporcionei a mim mesmo.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. tentando todas as técnicas para . Fechei os olhos com força. Amav a-a muito. no intuito de ganhar dinheiro. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. Percebi que estava aterrorizada. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. só que pior. na noite seguinte tudo se repet iu. termine i por possuí-la à força . passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar. Tinha medo de perdê-la para outro . Com o decorrer do tempo. lacrimosa: "Ora. pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto.

Sentei-me na varanda da frente e esperei. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz. já que fazia um dia tão lindo. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. desceu a escada com Scotty. deixei-a realmente em paz . lavar minhas roupas. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. pois sabia que ela possuía vários amantes. . dando-me um filho. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. felizme nte. viriam com as respectivas mães. que completava três anos. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra.Depois disso. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. Então. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz. pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. com bolas penduradas no lustre. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. Na verdade. Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas. pois sabia que era algo terrível. com pais ostensivamente felizes. embora ela sempre chorasse depois. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa. Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional. Tivemos um caso que durou vários anos. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. de modo que peguei o carro e fui à confei . quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. quando sentia vontade. argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. enquanto me aninhei melhor em seus braços. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós.prosseguiu Paul. voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. Júlia n unca mais me falou no caso. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. Ela perdeu a calma. algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. Ofereci-me para levá-los no carro. Júlia descobriu que estava grávida. mas nunca tentara o suicíd io. vestindo voile azul. inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. certo dia. parou de falar comigo. Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante.excitá-la e fazer com que me desejasse . chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. . Então. línguas-de-so gra. Comecei a beber depois que me formei na universidade e. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. Eu estava em casa e. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. Era tão li nda. eu a traía. mas fiquei profundamente magoado .mas só lhe causei repulsa. Comecei a ficar preocupado. natural mente. Não me incomodei com ter de deixá-la em paz. Naq uela noite. Então. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. mas ela recusou. Foi num sábado. temendo o que estava por vir. fosse lá o que fosse.Após o nascimento de Scotty . Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. a fim de ajudar a acalmar Scotty. mas ela se recusou terminantemente. P ortanto. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. . Júlia. Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. mas. a fim de comprar mais balas. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes. a não ser quando Sc otty estava por perto. Não pude acreditar. Henny preparara um bolo eno rme. Agora.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. Dentro de casa. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo.

a única que perdeu alguém. tentei tratar dele. poucos dias antes do aniversário de Scotty. Portanto. Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos.Então. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. mas.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. . . . engasg ou-se e vomitou a água. As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas. Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai. ainda respirava. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty . . Não abriu os olhos. olhares ternos e pequenas carícias. i sso não seria vingança suficiente para Júlia. Não quero desapontar meu no ivo. Apontou a direção que haviam tomado. Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. Então. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. a única que tem saudade e tristeza. . Sentindo a terrível angústia de Paul. chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta. embora não gostasse de televisão. Não obstante.taria.exclamei. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. muito melhor. A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava. Fazia-o por meio de beijos. De sde pequenina. pelo menos. que tossiu. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. Lembrei-me de meu pai e minha mãe. estavam sempre acariciando-se e beijando-se. repeti o processo com Júlia. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si. Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado. Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões . mas ele não escutou. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem. Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível. Então. Na confeitaria. Faria eu a mesma coisa? Não. mas Scotty parecia morto. Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. de rosto para cima. O rio era raso. Não consegui falar. perguntei se tinh am comprado balas. temendo chegar lá tarde demais. Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. Contudo. Júlia matara por vingança. parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro .Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia. dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio. que obviamente lutava para liberta r-se dela. eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. claro que não. mas meu filho estava morto. Tentei acalmar-me. Júlia ainda vivia. não. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado. mas agarrei-me como visgo. saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra. mas ninguém os vira lá.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias.Sinto muito . Minha maneira seria melhor.Esqueça Júlia! . mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho. Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. Pr osseguiu: . produzi um som sufocado.Mas você pode ter outros filhos. esperando vê-los no caminho. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. .Num piscar de olhos. como eu costumava faze r quando criança. Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia. Rodei pelas ruas a procurá-los. . cheguei à margem gramada do rio. Mas não conseguiram. Assistimos à Medéia na TV. e Júlia demonstrara um interesse desusado. a quem tan to amava. . depo is de me despir. Mas não os vi. abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele. . Então. mas também carrego comigo o remorso.declarei com voz embargada. Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho. Pode casar-se novame nte.Não lhe direi tal coisa! . pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty.Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir.

. . .Oh! . Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e. por isso. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível. enquanto a chuva fustigava as vidraças. Mais uma vez. nossa avó nos chamava de filhos do Demônio. Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos.. . tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos. acariciando-me sem usar as mãos. Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada. ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava. Tenta seduzir-me. Catherine Sheffield . grandes demais para seu tamanho e idade.nada mais que isso. Catherine . tive que falar e estragar tudo. ultrajada.. de repente. é muito linda e difícil de resistir.Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências. mas. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade . . Ele era como você. envergonhada . onde entrou e bateu a porta com força. o d om de saber apreciá-la e. até mesmo um excesso de talentos. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros. uma expressão f uriosa no rosto. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam. hesitou. doente de desapontamento.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar. .Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? . a fim de que eu não lhe visse os olhos. éramos desprezados .Oh! .Vá dormir.imediatamente! .? . Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas. S enti-lhe a carne esquentar. . como sempre. Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado.Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . os lábios cheios e sensuais entreabertos. Dollanganger é um nome compr ido demais.Permaneci onde estava. . . Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu. . . Catherine. Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder.disse ele da porta. .disse Paul numa voz tensa e estranha. . Portanto. tão pequenos e adoráveis.Acha que os avós tinham razão . eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas. parando ao lado d e minha cama estreita. Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado. Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que. E.perguntei. se é isso que está pensando. Paul sorriu.. Chamavam-nos de corruptos. fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver. .Não foi uma falha Freudiana. Paul foi direto ao meu quarto e.Paul. talvez.Escute aqui. Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada. eu diria que acertaram em che io.. Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente. caminhando depressa para seu quarto.Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança. Vocês não são maus. Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio . E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram. enquanto ele recuava em direção à porta.Paul.Está jogando um jogo perigoso. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho.Não me olhe assim. Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom. se eu ficasse calada.Não sei como estou olhando. Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza.murmurei. Tenho certeza de que eu não resistir ia.Como me chamou? . que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele.até mesmo os gêmeos. . .Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta. Agora. Mas seu lugar em minha vida é o de filha . a menos que seja em legítima defesa.exclamei.Quando estávamos trancados no quarto. Entretanto.mas também an siosa e excitada. Sheffield seria uma escolha bem melhor.

especialmente Chris e eu. que só sa bia bordar e tricotar. A culpa seria toda minha. E le não desejaria magoar-me. Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via . E Chris me odiaria. seria a minha palavra contra a dela. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. E isto seria uma lição para Mamãe. Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. até chegar ao topo. de modo que não mencionei o assunto. ele não acreditaria. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. Chris. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. rejeitando-me. seria obrigado a procurar outra pe ssoa. acabaria acreditando..Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário.para dançar cada vez mais. E eu sabia que era má. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa. A princípio. Quando eu esperava o ônibus na esquina. para beijar-me a mão. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas. principalmente os que já passavam dos quarenta anos. nascida para ser má . Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto. Após algum tempo. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . não teria o mínimo remorso. pois não ex istíamos como membros da família Foxworth.É a mulher mais linda e talentosa do mundo . Se isso era pecado . quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha. Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. D epois. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. procurado refúgi o nos braços de meu irmão. Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós. Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor. viravam-se na rua para olhar-me. Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava.diria ele. uma jovem linda. acompanhada pelo marid o. numa ocasião de sofrimento e miséria. embora eu não soubesse o que eu queria. surpresa. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso. . então. e Jim Johnston.às vezes. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos. enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. E havia também nossa antiga babá Sra. abandonada.. abatida. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens. jovens e velhos. . Carrie e eu.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. Simpson. Estaria velha. os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos. Então. Então. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. porque eu tornaria tal coisa impossível.como di ssera minha avó desde o início. mais ainda ficava eu. Pa ra onde iria a fortuna? Parei. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. declarando sa ber o que queria. comecei a planejar t udo. eu podia p rovar que Cory existira. E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava . Ele não se afastaria. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. E se eles ficavam maravilhados. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. embevecido. Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. confusa. sem precisar v ender o corpo. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m. Comecei a rir. sem eles. cansada. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato.

quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha.Feliz aniversário. estão correspondendo às suas expectativas? . No duro. .Minha Lady Catherine .repliquei comum largo e ardoroso sorriso. . cada uma menor que a inferior. de ter resolvido ser médico? Em vez disso. Você é tão bonito quanto Papai. Gosto da escola e das amizades que fiz. sim . não gostando de ser lembrada da velha.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora.Está muito linda. elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim. . Não ob stante. . Chris? . .Está linda. muito mai s velho que eu.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos. menos as do vestíbulo.tão fan tasmagoricamente escura. Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa. Estou linda ou apenas bonita? . Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante. Estou ganhando terreno sobre você. algo que o fazia parecer muito. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava. roçando de leve os lábios nos meus. Mamãe. Cathy. Fui realista . .o serviço completo. Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso. dando-me ao tra balho de usar o curvex.Sim . sempre a imaginar o que você andará aprontand o. agora. Tentou circundar minha cintura com as mãos.A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse. De repente. Oh! meu Deus! . num leve beijo que não ousava passar desse ponto. aguardando.V amos.Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim. tão silenciosa e carregada de expectativa .The Plantation House. preferiria ser bailarino. Henny também. que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa. apagando as velas. ao contrário de você. É o meu estilo. não o seu. Entretanto. nem suas mãos tão grandes.Diria que estou melhorando com a idade? . Chris .Tenho medo de que ninguém me elogie . . com todas as luzes apagadas. . com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores. declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente. tomou-me a mão: .Por que não é feliz. os estudos de medicina. .Portanto. Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira. Cada vez que vinha para casa da escola. .disse ele.perguntei. ainda si nto saudades de você.disse baixinho.disse Chris numa voz engasgada e esquisita. . Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério. A casa parecia esquisita. deve esperar elogios dos outros .O que corresponde às nossas expectativas? . Desviou outra vez os olhos. . um coro berrou no escuro: .Não me respondeu. Descemos a escada de mãos dadas. Chris. . de repente. minha Lady Catherine . mas coloquei-a assim mesmo . Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário. mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho. dese jei de olhos fechados. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar.disse Chris da porta aberta.A vida.A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e.e não fazê-los a si mesma.Você está fantástico.repliquei na defensiva.rante favorito . desejei não ter tomado conhecimento. uma combinação extr emamente atraente. Então. .Isso me parece cinismo. Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. Paul e Carrie já estavam prontos. Que g ozado! Então.Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. . é difícil viver longe. Chris parecia mais maduro e bonito. mas Chris baixou-os par a ocultá-los.O que perguntou? . Meu rosto não precisava de maquilagem. mas a circunferência não era tão pequena.

sem desviar por um instante os olhos de Julian. Cathy . que se aproximara para me abraçar. pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. . É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro. Afas tei-me dele com uma pirueta.. ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! .tornando-me mais velha e esperta a cada dia. Chris e Julian estavam num ca nto. Sempre que eu procurava o olhar de Chris. quase num sussurro. discutindo e prestes a se engalfinharem. etc. com todos indo embora parecendo embar açados. pois agora tem-me a seus pés.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! .chamou Chris. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo. pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas..respondi.Por que parece tão triste? . . observando um de cada vez.Mas possuo outras habilida des. Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas.Talvez seja verdade .Você! Seu.É a melhor festa de aniversário que já vi. . eu o detestava quando se comportava assim. Quando chegar a hora. . que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé. com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo.Boa noite. Estremeci. . Mas fiquei calada. Na verdade.Não.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados.bradou Chris.disse Carrie. Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite. o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão. pregados nos meus. Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente. dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si.Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! . mas.retrucou Julian. Além disso. . Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. com exceção da festa de Chris.disse Chris num tom gelado.Cathy . . de repente. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva. cujos olhos negros.quis saber Julian. E assim terminou minha festa de aniversário. furioso. Com lágrimas nos olhos. Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. repetiam mudamente a mesma pergun ta.. .. .bradou Julian. Julian lançou-me um olhar raivoso. pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se. Não sei o que ateou fogo à lenha. . Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde. produzido por um cigarro que alguém deixara cair. em novembro passado. Em frente a mim estava Julian. uma cintilante e transparente rosa de cristal. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. . pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. . . Paul se ergueu. . Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul. Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras. estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes. o rostinho feliz e corado cheio de sono. pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum . prestes a gritar para que parassem de di scutir.Não me importa o que você pensa! .Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? . sapatilhas. era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois. Carrie mantinha-se colada a Paul. Segurei os pedaços do objeto.Alegre-se. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé.

. infeliz. Logo subi para meu quarto. . Na realidade. Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? . engasgada..Esqueça.Meta-se com sua vida.. Esqueça a desordem: Henny limpará tudo. exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros. Importo-me muito com o que você pensa. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. Parece sonolenta.Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista. . . .disse Paul às minhas costas.Mais uma vez. Mas. teríamos que pagar um preço por isso. Christopher! . mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas. mas fui obr igada a abandoná-la.Não tento dizer o que você deve fazer. muito obrigada pela linda caixinha de música .começou num tom magoado. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas.O que está havendo entre você e Julian? . enquanto eu devo ficar quietinha de lado. contendo-se para não me interromper.Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem.nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você. . sou tão necessário em sua vid a. Vivo em função dos fins de semana. se encontrar a duplicata. Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! .indagou ele com ar feroz.Cathy . Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo. . . . espantada. E também lhe darei algo melhor quando. . portanto. . . desolada e sem esperanças.Era uma linda rosa .Farei o que for preciso! .Quero que se mantenha fora de minha vida.implorou Chris.Não minta para mim. vá dormir. Acertei? . Cathy. a fim de compensar tudo o que p . Não se afaste de mim. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero . Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo. Minha voz se embargou e não consegui continuar.declarei. e o estávamos usando. .disse eu. Comprar-lhe -ei outra. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta.respondi com voz embargada. pensan do que pode fazer o que bem entender. quando poss o estar com você e Carrie. muito recatada e pura. meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina.Certa vez. Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos. .respondi. embora não fossem iguais.Detesto cada palavra que você acaba de dizer.Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar. embora não tivesse pensado no assu nto.O que deu em você Cathy? . . Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos.Não passa de uma quinqui lharia barata. O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário. Voltei-me para encará-lo.Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa.Nada! . mais cedo o u mais tarde. pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas. Enfrentei-lhe amargamente o olhar. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível. Agora.repliquei furiosa. Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo.Ótimo.Chris . mas estou dilacerada por dentro. . que Chris me aguardava. levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios.E sei que custou caro.. se julgar necessário.Não se preocupe com a rosa . onde verifiquei. de todo modo.. nem de longe. eu preciso de você. . Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. . Morro de medo quando penso que. também! Chris ficou muito pálido.retruquei raivosa. Christopher! Farei o que tiver que f azer. Sempre posso comprar outra. Sempre pre cisarei.Sim . . eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul.. qualquer coisa que for preciso.

mas apenas por fora. Julian quer que eu vá com ele para Nova York.erdi e sofri. do q ue existia dentro de mim. tanto . não tenho certeza do que seja o amor. Medo de ser como Mamãe. Quando me olhava no espelho. apertando-me. "A herdeira de uma das maiores fortunas do país". Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. por que motivo viaja tanto pela Europa. revendo os jornais antigos. fabulosamente rica e muito linda. com ornatos brancos em volta das portas e janelas. Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora. eu não era como ela por dentro. com uma expressão morta. arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. fui à biblioteca pública de Greenglenna. seria melhor ela estar bem preparada. Cathy? Sacudi os ombros.Onde encontrou isto. pouco a pouco. Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária . que encontrei numa banca da cidade. pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me. . Todas. quando eu também fosse rica e famosa. Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. Quando vinha visitar os pais. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. . Por outro lado. Percorri a pé quinze quarteirões. Por algum motivo. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes. Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. ou de que ele realmente me ame. Confie em Madame Marisha. .Você permitiu que ele lhe fizesse amor? . Escondida num canto. o objetivo d e Julian é também o meu. via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições.Oh! num jornal da Virgínia. . onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação. Julian diz que me ama e que cuidará de mim. minha melhor amiga. cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. não em Julian.Aguarde ao menos mais um ano. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna. Minha beleza não era simplesmente superficial. fiquei magoa da e ressentida. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. não apenas com ele. pois. onde pesquisei a respeit o da família Winslow. também.Madame sempre me diz isso e acho que está certa. Fez uma pausa.Não! Claro que não! Seus braços me envolveram.comentou ele num tom esquisito. Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário. paradoxalmente. El a sabe mais que ele. mas. Eu era um instrument o de desejo. Em outro dia.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora. Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris.Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia. narrarei um episódio na vida de Carrie. obrigando-me a erguer o rosto. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo. Julian me ignorava. detestava-me por ser seu reflexo vivo. Mamãe teria notícias minhas . E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. Calculei que Chris o tivesse afugentado. encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. Tinha medo. Gostaria de saber . Não. . Entretan to. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. pois esta é também a estória dela.então. Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato.Ela está novamente na Europa . o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. eu estava estabelecendo mi nha estratégia. . até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. Na prefeitura local. e o indefectível pórtico bra nco. Para meu grande deleite. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco.indagou ele friamente. Portanto. Cathy. mas também com Lorraine.

recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. Eu adoraria estudar numa escola como aquela. Sempre que possível.dizia ela. preocupada. a fim de trazê-los para casa. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. que se chamava Sissy Towers. passiva.indagava Chris. as colegas ou as professoras. que jamais exibi a diante dos adultos. com os olhos fixos em Paul. além de um temperamento vingativo e mesquinho. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. colocara almofadas cor-de-rosa. uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu.Gosto do tapete. Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . Paul levava flores de verdade para Carrie. Só isso. Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama".pois nunca. Dewhurst. Carrie tinha uma cama de solteiro. Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. Sobre a cama. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola.respondia ela. ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola. parece grama colorida.e foi uma pista muito evi dente: . À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. por volta das quatro da tarde. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim. olh os tímidos e baixos. olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda. revendo o passado. Todas as sextas-feiras.quanto minha e de Chris.Sim . Mas Paul olhava para mim. uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente. No Sul. . Disse apenas uma c oisa. E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. Eu só podia encolher os ombros. pensando melhor. Tudo em Carrie me preocupava. que logo murchav am e morriam. Roupas macias. por estranho que pudesse parecer. acrescentávamos: "Se precisar de nós. pele branca como papel. Aliás.O que há de errado com Carrie? . A Srt a. Deixou-me pensativa. Era realmente uma escola linda. Dávamos beijos de despedida. jamais. chiffon esvoaçante. não para Carrie. mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. Carrie passava os fins de semana conosco. Esta. Embora eu a interrogasse. reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção. implorand o-lhe mudamente. com os olhos baixos. para expressar seus sentimentos . tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna. Atualmente. Por mais que tentássemos. Eu a abraçava com força. adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. porém. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. violetas e ver des. basta telefona r". perdera a confi ança de Carrie. dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato. rara mente ria. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar. . Agora. Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola. qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo. seu olhar f icava inexpressivo e resignado.até mesmo hoje. tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo. um tanto apática. vermelhas. Ao lado da cama. . roxas. vozes bem moduladas e discretas. era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. mas Carrie não me dizia o que e ra. seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . preferindo-as às flores reais. Carrie se tornava muito calada. Sissy tinha cabelos cor de tijolo. tentando adivinhar o que a perturbava. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave . uma única coisa. Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar . Em algum ponto dos acontecimentos.Não estou infeliz .

Vejam como ela treme. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. Sissy. ela nunca diz nada. Para ela. bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s. . Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado.. o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros. anãzinha . ... circo. exceto uma menina de dez anos.Você tem língua. Sissy Towers adorava o amarelo. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o. Carrie estava na terceira série..qualquer que fossem as conseqüências.Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes .Vejam o que me deram como colega de quarto: u . John. . com um gracioso avental de organdi por cima. indesejáveis e detestados. Depois... . O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. O assoalho permaneceu sólido e duro. Então.Acho-a bonitinha . cutucando-a com a ponta do pé. as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s. ..ordenou Sissy.. desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. de tamanho n ormal. sem parar. seu unif orme era de tecido inglês amarelo. anãzinha? Vamos. Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. circo. o que era de causar uma pena infinita. anã.. com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura. conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça.declarou Lacy St. sensacionais cabelos l ouros e. que olhou para Carrie com piedade e simpatia.insistia Sissy. . que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não.Carrie devia estar no circo. E naquele dia. até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo.livre antes do jantar às cinco e meia.Estão vendo? Ela não tem língua! .Deixe-a em paz. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado. Vejam como chocalha. Entretanto. . . . garotinha dos olhos grandes. assim como para Chris e para mim.Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula. Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie. Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. O sol era o que Cory mais desejava ver e agora. pulando no mesmo lugar. .Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe.. a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico. enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: .. imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros.Carrie é anã. anã. passou a gritar: .Claro que não é bonito! .replicou Sissy com uma risada. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados. pulou para a tampa de sua escrivaninha e. O que você e stá fazendo não é bonito. Carrie encolheu-se ainda mais. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais.. aquela cor se tornara detestável para nós . fazendo-nos sentir perniciosos.. O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos...como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado. dispa-se. . fez uma pirueta e abriu os braços.cantava ela num refrão.Agora.. Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa. puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. começando a chorar.proclamou Sissy. . . Oh! sim.

Deixe-a em paz.Não há homem algum aqui dentro. .e até mesmo uma delas. Longhurst. faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta. . como Carrie. dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto.Vamos. Então.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera. as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. Eram oito horas da noite. Longhurst. Srta. o rosto arranhado por unhas. Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. manc hando de tinta a página do livro de registros. Uma delas. John! Além disso. as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras . Sissy pisou com força o pé de Lacy. os olhos fechados com força.Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle. as outras gritavam. rasgando roupas . a Sr ta. numa atitude protetora. o homem? . Sissy. Dewhurst. ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se.ordenou a Srta.. . a Srta. mordendo. Todas menos Carrie. Começou a gritar.Acho que você é mesquinha.Quer brigar comigo? Vamos. Diga-me o que preciso fazer. rolavam atracadas pelo chão. Dewhurst. Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo. num vestido de gala vermelho .ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie. não me sinto bem mora .re plicou Lacy. Sissy sorriu nervosamente. que não eram raros. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. enquanto a Srta . Girando sobre si mesma. . com ar de culpada. Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha.Por que essa criança está gritando? . Ela é como um neném. Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo. observando. Longhurst: . enquanto as o utras se mantinham afastadas. Srta.e acima de todo aquele barulho. maldosa e ruim. . . aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. Dewhurst. famosa por não ter complacência em casos de tumulto. meu pai é mais rico que o seu! . que continuou a berrar.Repita o que acaba de dizer.Foi ela quem começou tudo. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos. limitava-se a gritar.Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça.as professoras correram em direção ao t umulto. pior que tudo.Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto. Erguendo a voz tonitruante. . Horrorizadas. Srta Longhurst! . com o busto prestes a saltar do generoso decote .Controle-se. Todas se calaram.quis saber a Srta. negligés . Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy. davam pontapés.e.Onde está o homem. Dewhurst. que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia. depararam com uma cena apavorante. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional. puxando cab elos. atormentando Carrie desta maneira! . Lacy St. . Intimidada. ficou repentinamente imóvel e calada. a professora que u sava o vestido de gala vermelho. Tudo foi culpa de Carrie. Isto já basta. comandou: . .quis saber a Srta. Usando roupões de banho. . Towers. Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz.. Naturalmente. se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam .

estava sozinha e consciente do fato. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão.berrou Carrie.Quanto ao resto de vocês. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens. portanto. Não obstante. Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul..Srta. Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim.Eu a odeio! Eu a odeio! . Na sexta-feira.É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana. controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta. . Dewhurst. . John. Paul. Agora. correndo o olhar pelo quarto. M esmo que se limite a gritar. não tend o a seu lado alguém que a amasse. Carrie reduziu os berros a uma lamúria. . Não consegui afastá-la do pensamento. Ela estava bem! Tinha que estar.disse ele. onde poderei mantê-la sob vigilância . sendo Carrie uma delas. no quarto ao lado do meu. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos. estendida ao comprido no chão. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. Dewhurst encarou friamente Sissy Towers. usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. E. . agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar. não é justo castigá-la também. Parkins. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você.o Sr. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto. até que finalmente a Srta. Por favo r. atendi o telefone quando a Srta. A Srta.A Srta. eu respeito a Srta. Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre. você é excepcionalmente cruel. . saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. . E nossa avó fazia coisas terríveis. As alunas soltaram gemidos e. . Carrie ergueu os olhos.Srta. É pequ ena demais para poder causar algum problema e. Chris. Agora. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado. Quando fechava os olhos. pode deixar qualquer pessoa maluca. bem como seu lindo e . Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas. portanto. numa atitude histérica. realmente. Ener vei-me. Só quando a Srta.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. ao mesmo temp o. era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu. Cathy. via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo.declarou a diretora. Dollanganger. inclusive a bonita Lacy St. ficará alojada no a ndar térreo. cada uma se apresente à Srta. temi. uma por uma. d e algum modo. e surda.Srta. Cathy .. . que chegara para passar o fim de semana em casa. Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. sem parar. Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. não pode explicar o que aconteceu? Agora. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e.Claro. continuou balançando a cabeça de um lado para outro. tomou a palavra para con cordar com Paul. Littleton. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. Dewhurst ficou emocionada e confusa. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. A Srta. também! . De agora em diante. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . .Francamente. embora você não concorde. O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. preocupei-me por causa de Carrie. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa. a menos que me responda. pousando o garfo no prato. Towers. Dollanganger. castigar as outras. retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas.Sinto muito. para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. e a Sra. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora. não visitará sua família neste fim de s emana.

Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa. com Clara entre eles. enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. Carrie escutava as meninas sussurrarem. já mergulhada num transe de pavor. pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. Parkins. Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. Foi Lacy St. Se sobreviver a esta noite. veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz. você. pois ela seria melhor que ninguém.Mas importava-me muito.Estava tão escuro. No escuro.E. Senti-me rígida. transformando-se em paus. .e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão. . através de outras pessoas. não tema . mas. multiplicada uma dúzia de vezes! . e o quarto parecia tão grande e ameaçador. acendi uma lâmpada.disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. Fui para um canto e agachei-me lá. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. . Carrie Dollanganger. muito depois de meia-noite. Paul desejavam. desta noi . . além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. E odiei você. Clara .sussurrou-me Carrie com voz embarga da. Assim. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava.disse-me ela mais tarde -. na última gaveta da minha cômoda. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz. Cathy. não o era. Formaram um semicírculo diante de Carrie. .lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito.Eu dizia comigo mesma que não me importava . eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer.Eu sempre guardava o Sr. à espera de que algo de ruim acontecesse. apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. e a Sra. entrara m no quarto de Carrie. como você. mas só quand o a Srta.. sem conseguir enxergar direito. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta. fantasmagórica inuava encolhida no canto. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar. tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias. Cathy. A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas .só que. Então. desta feita. Todas as minha s bonequinhas desapareceram. todas aquelas meninas de camisolas compridas. na realidade. Cada uma delas trazia uma vela acesa. já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. quando olhei não encontrei o bebê. passando por esta iniciação. como se eu também tivesse virado madeira. Embora não devesse fazê-lo. Insistia em fazer-me sentir corajosa. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita". Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e. Paul levar-me para aquele lugar. Mas quando olhei.Não chore. E eu ali sozinha.. Não gosto do escuro. e a Sra.Então. Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. Se for bem sucedida. Cathy . mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. Depois. passeando nos jardins com Cory e Papai. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo. mas. Chris e o Dr. Doze meninas. Parkins à direita e à esquerda. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito. . tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto . Para Carrie. tomei conhec imento do que aconteceu a seguir. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las. aconteceu-me uma coisa esquisita. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos.querido bebê. Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele.

. Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto.Cale-se! . transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu. emergiram ao ar livre. emitindo leves gemidos. . que dava a impressão de me morder. . também. .sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando. O domingo amanheceu. por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando. P aul gemeu ao pousar o garfo.Suas roupinhas de criança não nos servirão. . As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais.murmurou Carrie. Paul. ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or. Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado .Muito bem. a chuva começou a cair .Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar.berrou Carrie. as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado .Agora. Desta noite em diante.gemia Carrie.Oh! Cathy. com toda a franqueza. sofrer! . Então. agora terá que sofrer. . . Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se. Senti uma dor terrível. temendo que lhe ateassem fogo. à luz do lua r. sofrer.e Cory continuou a cantar o tempo todo. e de manhã será uma de nós. já frenética. os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos . como uma coruja bem comportada . Então. .será uma de nós. ou terá que sofrer. corretam ente. corujinha.Cathy.As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana .ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível. .Chris! Venham salvar-me! Dr . rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . o que foi ainda pior. uma voz suave e distante. De repente. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão. Em seguida. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. dei um jeito de esgueirar-me para dentro. . Debatendo-se. nem mesmo escutava o barulho da chuva. Car rie sentiu o ar fresco da noite. . Não cons eguia ver ou sentir nada. as meninas tinham-na amordaçado. galgando em seguida uma íngreme escada.qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie. de nossas festas secretas. amordaçada. . não as queremos. que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol. pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo. Foi uma decisão fácil..Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas. Progredia centíme ro por centímetro. Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . . ou morrer! Escolha. .Não tenho nada! .Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! . parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. . Entregue-nos as boneca s: o homem. vendara m-lhe os olhos.ordeno u a mesma voz ríspida. rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima.Desapareceram! . sentada e deslizando sobre as nádegas. a mulher e o lindo bebê.te em diante compartilhará de nossos rituais secretos. foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. que devia ser comido imediatamente. perto da chaminé. você. deite-se ou sente-se quietinha. Paul. Cathy! .gritou Carrie. Pelo relato entrecortado que me fez do episódio. . quando o telefone tocou no corredor. de nossos tesouros secretos.Ohhh! .ordenou a voz auster a. E Cory se foi.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . Dói-me relatar como elas pegaram Carrie. sem produzir som.Fique aqui pousada no telhado. muito mais tarde. manietada e com os olhos vendados.Entregue-nos o que mais preza. pa ra tornar-se uma de nós. Gemi.

indaguei com voz sumida. ..Como vem dizer que não sabe onde está a menina? ..Agora.Incomoda-se de atender. Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite. Aos domingos. Ela não fugiu. Ela está bem? .disse a voz ríspida na outra ponta da linha.disse ele. ou está perdida. .Aqui fala Cathy.respondi. Mal consegui conter um grito de aflição. do porão ao sótão. enxugando-me as lágrimas.Srta. sem fazer comentários.Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer.P or favor. e e u perguntei onde ela estava..Aqui fala Emily Dean Dewhurst . Carrie está bem. Chris beijou-me o rosto. Ainda assim. Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco. levantando-me de um salto e correndo para o te lefone...Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas. inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie. recebíamos a notíci a num tom indiferente.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada.Você e o Dr.. a irmã de Carrie. Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. . nem mesmo quando Cory desejava. .Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra. dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: . chame imediatamente o Dr.. de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam . mas esta não se encontrava lá. causando-lhes preocupações. . Cathy . passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. Então. Se Carrie tivesse um carát er diferente. Ambos me fitavam com crescente inquietação. Esbugalhei os olhos. Paul riu baixinho.. e . já teria chegado aí há esta hora. vamos. ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola. Mas ela não me deixou terminar. . on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha.Quero realmente provar seu so ufflé. Sheffield devem vir aqui imediatamente! .Onde estava ela? . eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa.Você conhece bem Carrie. Segurava-me a mão com força. está escondida e não quer responder.exclamei. Provavelmente . Eu disse tudo errado. . Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial.indagou Paul. Dewhurst! . Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu. para os serviços dominicais.Residência do Dr. as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela. espremida entre Paul e Chris. Meu irmão trouxera sua mala. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas. Williamson. não chore.Sinto muito. Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone. . .Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso. Sheffield ao telefone! . Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. . Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. sentindo-me aterrorizada. a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie. . Se ela não está aí nem a .quis saber Paul num tom feroz.Srta. Chris continuou a comer. . Peguei o telefone. temendo o que viria em seguida. não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta.Pois trate de comê-lo . lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo. Enviei uma professora ao quarto de Carrie. Tem muito medo do escuro. Cathy? . já alarmada. Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa. Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo. a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . Meu coração ficou aos pulos. ferida. . ou sofreu algum acidente. não respondeu. Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se.. pois é quase meio-dia. Dewhurst. Paul Sheffield. sua irmã não foi encontrada. mas devo dizer que não sabemos onde ela está. A diretora replicou com calma: . Eu estava sentada no banco dianteiro. Mesmo assim. .Pare de ficar tão preocupada.

Talvez fosse apenas o olhar.As bonecas não estão aqui .quis saber Paul. ninguém tortura minhas meninas. Sheffield.Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta. Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho. tomei a palavra. Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim. desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. chegamos ao quarto de C arrie. inquieta . Verifiquei-a pessoalmente. Mas eu não era Carrie.Meu caro jovem. cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie.Nós a encontraremos. procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola. . . . assegurou: . embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. E Carrie estava na cama.tudo.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida. Então. Dewhurst explodiu: . ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas. ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir.disse eu. aliviada por escapar à fúria do médico.Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? . Nunca perde mos uma aluna. Imagino que saibam. mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso.ncarando friamente a Srta. Dr. que me fez encará-la fixamente. . tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os. Este era forrado e apresentava um volume sus peito. Dr.Até onde consigo perceber. que afirmam nada saberem a respeito. . feitos so b medida por Henny. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. . não é? .Procuramos em toda parte! . mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. Por algum motivo que não sei explicar. Dewhurst. Todos os pequenos uniformes de Carrie. nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. de modo injusto. jamais aconteceu antes algo semelhante. impaciente. lá estavam guardados com os suéteres. Natur almente. A Srta.Na verdade. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. não entendendo a presença dos gravetos . Chris virou-se para fitá-las com uma carranca. Verificamos os quartos todas as noites. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie. mas Se não quiseram fa lar. como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião.É a colega de quarto de Carrie. Emily Dean Dewhurst. várias alunas vinham em nosso rastro. Dewhurst.declarei atordoada. afinal. tentaria fugir de uma escola que. o que posso eu fazer? . ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou. Enquanto subíamos a escada. mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo. Quando. se eu tivesse a idade de Carrie.a colega de quarto. . Paul Sh effield. Ora. virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to . mas andava de um lado para outro. . Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul. a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio. blusas. A Srta. saias. O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado.declarou a Srta. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana.Você aí . vestidos bo nitos . Só faltavam as bonecas de porcelana. a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas .

Contudo. saiba que sua irmã diz a verdade. Chris. Queremos levá-la .disse a ruiva. Dewhurst! . . Proteg i as bonecas. . Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse. Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado . concentrando-me totalmente em Carrie. . embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes. como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me. eles tinham esperneado e berrado. quase fora de mim. mas nunca o revelaria. Dewhurst. Do lenço caíram o Sr. Para pegá-las. Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie. avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela. o mais alto possível.Carrie. onde ? Então. Enquanto ela gritava e resistia. usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul. louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido .explodiu Sissy. chame-a você também. As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados. . Entretanto. mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela.comentei. não conheciam Carrie tanto quanto eu. quando entrava em estado de choque. Carrie precisava de auxílio . Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto. Dollanganger! .disse Sissy Towers.Uma bolsa bem grande . Parkins e o bebê.berrou a moleca. . encarando-me raivosamente com ar desafiador.As bonecas são minhas! . ela teria que passar so bre o meu cadáver! . e Sra. .qualquer telhado! Voltei ao passado.Srta.O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim. Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr. se consegue escutar-me. não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado. agredindo-me.Responda à pergunta da Srta.Agora. Num gesto repentino.É mentira! .Srta.e depressa. abraçando-a p elos joelhos. apertando raivosamente os olhos penetran tes. mentalmente. Eu podia sentir isso. Segurando as três bonecas. onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro.Não é da sua conta! . colocando a mão atrás das costas. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos. postando-me diante dela em atitude ameaçadora.disse eu à Srta. onde. a fim de crescerem normalmente. Paul. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo.É minha bolsa .advertiu severamente a Srta.Roubou estas bonecas e o berço do bebê.perguntei.Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: . C errei as pálpebras com força. Foi então que Lacy St. Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy. Clara.Sou eu.. eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão.respondi. .chamei. . Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada.murmurou a garota.Sua diabinha mentirosa! . E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia. Towers! .Srta. John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. . .Onde está minha irmã? . Tinha certeza. indaguei: . onde não existiam sons. E. Dewhurst. quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall. Carrie estava ali. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira. curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers. . como crianças desvairadas.Meus pais me deram essas bo necas no Natal! . Onde. .O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? . Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: .Quero procurar pessoalmente no sótão .Suas? Pertencem à minha irmã! . . Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto. empoeirado e escuro.Carrie! . enlouquecidas pelo medo.Era . Dewhurst. sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie.

sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama. fiquei junto a Carrie. Não se incline para a direita ou para a esquer da. Carrie. enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte.Ao contrário de você. Foi então que me lembrei: agora. Em meio à confusão.sussurraram Chris e Paul a um só tempo. planejei o modo de agir.No jornal de Greenglenna. entendo que não poderia ser feliz na escola. . Agora. Quando segurei Carrie pelos ombros. portanto. Carrie ag arrou-se a mim. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr. erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim.Carrie. . de modo a não arranhar o ros to. Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie. fiz menção de correr em socorro de Carrie. Desculpe-me. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. .Meu Deus! . Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz. .Agora. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie. impedindo-nos de viajar para o Norte.definitivamente para casa. enquanto os caixotes tremiam e balançavam. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas. Também ainda estava vendada e amordaçada. Nossa mãe é uma notícia quente.como buscar. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí. Cathy! Então. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. Paul nos seguiu em seu carro branco. aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna. Carrie. O Dr.Diga-lhe que a perna vai doer.replicou ele. uma professora gemeu e começou a rezar. escutou o que disse o Dr. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira.Onde arranjou isto? . pois ainda er a suficientemente pequena. a fim de segurá-la por baixo dos braços. toda rasgada. como encontrar. com Chris nos calcanh ares. Bem à nossa frente. Paul planejara para todos nós. S entamo-nos no mesmo banquinho. E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra. faça exatamente o que digo.Não estamos tão ma l. segurando-me pelos ombros quan do eu. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal. ainda de camisola. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie. . exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás. o berço do bebê também estava faltando. comparecendo a festas. Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes. Era incrível que Carrie. venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. Veja aqueles caixotes.acautelou Paul em voz baixa. você sabia? . Em algum lugar atrás de mim. estava na Riviera francesa. irritado. Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel. Em seguida. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont.Espere um minuto . . Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie. num ângulo grotesco. P aul gritar: . sem pensar. odiei violentamente Mamãe. avistei Carrie. Enquanto falava. faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam. piscando porque a luz lhe feria os olhos. vendada e manietada. Pensei que você fosse gostar daqu i. Corri naquela direção. ele puxou . Não l he mostrava todos os recortes. Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados.A perna parece quebrada.Carrie. . procuro esquecer! . Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. com sorrisos fixos e corpos rígidos. A perna de Carrie estava torcida sob o corpo. A culpa era dela . enquanto o Dr. Rastejarei até aí. Paul? Sua perna doerá. Os cabelos louros brilhavam na luz difusa. suja e en sangüentada. .quis saber ele. chorando de dor na per na. Mas eu poderia chegar até ela. Mais uma vez. Paul desatava os nós que a manietavam. Conhecíamos sótãos . Mantenha a cabeça erguida. escutei o Dr. Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar. . . retirando-lhe a venda e a mordaça. Paul tratará de sua perna. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança. estavam as três bonecas de porcelana.depressa e com força. Uma pessoa adulta não o conseguiria.

o que me fez o sangue ferver de raiva. Dos que já não lhe pertencem.alto. invernos. Era sábado e Chris estava em casa. Parabéns e meus melhores votos de felicidades. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo. não é mesmo? Ele hesitou. . Como era tão belo e forte seu jovem marido . Privada d e amor. Chris era exatamente como Papai. enquanto eu continuava a soluçar. eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo. tão refre scante e agradável. .Como consegue. ela não cresce muito. invernos.indagou.repliquei furiosa.Você a ama! . de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. Cathy. porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! . No entanto. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade. . resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. Foi um verão maravilhoso nas montanhas.que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra. . primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento. E u nem mesmo notara o fato. de sol e de liberdade. a boneca bailarina. Contudo. Entretanto. Naquela noite. Abraçamo-nos.Ora. agarrav a-o com força. ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia. na varanda. ao mesmo tempo. Toda vez que olhava para mim .Naturalmente. Winslow. Winslow. trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas.Se ela crescesse como uma criança normal. Quando consegui falar. sendo "quase" médico. E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. creio que poderia existir esse risco. . que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía.Ora. a boneca que reza para crescer e o boneco morto. desejando tê-la de volta. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. você não a ama mais. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s. colando-lhe o tecido à pele.exclamei. eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. E stava lá fora. Chris beijava-me com ternura. por que as lágrimas? . Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. Cathy. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. perguntei: .Chris. Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. Sra. o boneco médico. você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso.. Como me recordo de sua lua-de-mel. era apenas uma semelha nça superficial. As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça. meticulosamente. primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões. Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse. Chris me odiaria por fazer aquilo. chorando-lhe no ombro. Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão. era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. admirava as de seu marid o. não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. . Ele m al conseguia conter as lágrimas. E espero que todos os seus futuros verões. Eu queria que se fosse e.

ela recomeço u a andar tão bem quanto antes. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo. Acima de tudo. . já sofreu tanta coisa! Seja bondoso. mas sentia-me impotente.Gostarão. me u Deus. pois dava importância . . Senhor Deus. Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa. mas sempre ficava de f ora.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus. Por favor. Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. beberica ndo vinho. Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo. a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. . Olhe para baixo. certamente o faria de bom gra do. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. não se preocupe com os out ros. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. Mais cedo ou mais tarde. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus. .ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa. Logo setembro chegou. Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. baixinha . odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta. por favor. Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. . E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. Minha mãe de v erdade. meu Deus! Ela é tão jovem. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga. por favor. que a amamos e admiramos. Depois. Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que. Então. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração. . Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã. dava-lhe minhas preces.Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada. Eu estava na aula de .. Veja-nos aqui.Ninguém g osta de mim. permita-me crescer um pouco mais. passou-se novembro.e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade. afinal. você aí. Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais. de onde ela voltasse para casa todos os dias. Portanto. Em lugar disso.Pare com isso! . . o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos.Estava apenas procurando reconfortá-la . E nem mesmo gostam do que tenho de bonito.declarou com voz embargada. Cathy! .Por favor.Eu não presto. e rezar de cabeça baixa.chorava ela com o rosto enterrado em meu colo.Cathy . amedrontada e chorosa. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe. Ao fazêlo.Cara de Boneca. E você tem a nós todos. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão. h ostilidade e ridículo. com as mãos unidas sob o queixo.Ninguém gosta de mim.E. Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . faça Carrie crescer! Por favor. Não se transf orme num monstro. Muito pelo contrário. Portanto. por ser o que sou. . Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca. Chris e eu. comparando minhas proporções físicas com as suas. Cabelo de Anjo. Chris. perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa. . Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. magoa-se tanto .dizia-me ela. mas só topava com desconfiança. Ei. Quando o outono se aproximou.

A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . . ela se to rnava a sombra de Henny. onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. Ced er-lhe-ia parte da minha altura. Chris arranjou emprego como garçom num café. Com o t empo. seria um processo muito doloroso. no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow.replicou ele com voz tensa. Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. Às vezes. Necessitava de uma companheira de sua idade. muito tristes e desolados .Carrie se aproximou de mim. Agora. se fosse possível. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. Em agosto. tinha notícias. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada.balé. brincando com suas bonequinhas de porcelana. sem zombar ia. que não lhe fazia justiça . e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r.Eu lhe respondi que. Durante as férias de verão.aqueles grandes ol hos azuis. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta.o que era raro. se tivesse tal máquina. parou de reclamar do próprio raquitismo. Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde. redecorada e mobiliada. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. em especial . . a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional"."Tenha paciência querida.Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja. . eu julgava. E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente. Eu lhe falhara.perguntei a P aul. mas isto não ocorreu. Eu tinha certeza de que ele respondera com amor. bondade e compreensão. A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". ou.revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua.Estou procurando . Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. riqueza e felicidade. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO. Madame. De rep ente. Todas as noites. Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. tornaria a partir para a Universidade de Duke. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava. "A Sra. Carrie gastava o tempo andando no balanço. poi . Ora. maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. Quando eu saía. para torná-la mais comprida. mas não cons eguia encontrá-la. de ombros caídos e cabeça baixa. recém-reformada. se as recebia. pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. Você está mais alta que quando chegou a esta casa. enquanto ele prosseguia: . Outro ra. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar". preferia não respo ndê-las. das sete da man hã às sete da noite. Mas seus olhos . Quando estava em casa. de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. Cathy. . Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". . Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges. Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle. Suspirei. eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna. mas sensacional. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra. crescerá mais.

. certa mente. Os dias de outono se escoaram com rapidez. Então. que ainda desej ava uma mãe para amar. Não a abordei. Que estranho! Atualmente. sem um único sobrevivente para explicar o motivo. tive vontade de correr para ela. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. Se ela virasse a cabeça. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados.e o que faria eu. uma das mais afortunadas. absorvendo seu tipo especial de beleza . Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. ab raçá-la chamar-lhe o nome. e observá-la perder a pose e a dignidade. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. também. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. como Carrie. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. descontro ladas. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. A linda mãe a quem eu tanto amara. mas eles não se voltaram para ver-me. para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. pois outrora eu a amara tanto. Contudo. encontrando a colônia abandonada. Quando me far tei de olhá-la. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. Minhas emoções turbilhonavam. Naquele dia. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. de modo a ficar bem atrás deles. gostaria de fazê-lo. certamente me avistaria . Chris partiu para a universidade em agosto. A voz dela era doce e suave. confiara tanto nela. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. naquele caro costume cor-de-rosa. Minha mãe assassina. eu estudava como uma louca. voltei a atenção para o marido. os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. Ainda não era rica ou famos a. fazendo-a cair. d e repente. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo.. Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante. Seria gostoso. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. Depois da Revolução. Minha formatura seria no final de janeiro. no século XVIII. Por que. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes. Ergui os olhos da página e fitei o espaço. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. evidentemente satisfeita. não estava pendurada num cabide. É claro que não podiam. e. Ousei aproximar-me. à minha frente. Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. Eu procurava minha mãe e esta. vieram também da Inglater ra. ousei arriscar-me muito. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte. Oh! meu Deus! Minha mãe.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava. avistei na calçada. Suspirei. Em Greenglenna. Poderia também passar-lhe uma rasteira. Era uma das mulheres mais ricas da região e. tão cultivada e aristocrática. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado. vi-lhe o perfil. deixando o rosto inteiramente à mostra. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado.

Quando terminei. Posteriormente. eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais.Só poderei ficar até às nove horas. Já não usava o basto bigode escuro. quando ele nunca mais voltou para casa. Uma ja mbalaia crioula com camarão.Cheguei atrasado? . um homem veio colocar outro espelho na moldura. Algum dia. Tola. que eu provavelmente não tornaria a preparar. Mais. . como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro. sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. Então. Então. . a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa". Um prato complicado. carne de siri.respondi afobada. enrolei-o. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos. de safiando o destino a permitir que me avistassem. comecei a chorar. num tom de voz que me levou de volta à infância. contudo. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul. .Adorei aquele aparador que escolhemos . Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York. Oh! sim. assim como os pacientes. Lembrou-me um pouco Julian. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. c om um furo no meio. está desfeita em pedaços! Sumi u. odiando minha mãe e admirando seu marido.Chegou bem a tempo .inclusive o aparador. carregando seu presente. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas.disse ela. cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala. pimentões verdes. a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra. Estavam em Greenglenna. eu me desforraria . ajeitando os apitos. O primeiro era úmido e macio. . Seria mais que um simples espelho quebrado. estragaram muitos dos meus planos. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço.viril e felina. cebolas. Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa. . Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna. . sumiu! Então. Quando as horas se passaram e Paul não chegou. cheia de planos de vingança. Henny movimentava-se atarefadamente.absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. Lavei o cabelo. num corte moderno. Naq uele dia especial. morando na casa de Bart Winslow. Naturalmente. ele obedeceu sem protestar. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade. comecei outro bolo. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . Acompanhei-lhes os passos.de uma maneira que não seria prejudicada. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente. Tão logo aquele foi para o forno.indagou ofegante. alho. Encontrei Henny na cozinha. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos. voltei para casa e esbravejei diante do espelho. para vari ar. sumiu. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos.Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . Então.Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. Enquanto os seguia. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas. . eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. Mamãe! Agora. arroz. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome. sentamo-nos todos.

Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos. fez a barba e vestiu roupas limpas. mas chega agora. minha festa estrag ada. ataquei-o raivosamente: . Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes. exclamou. Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora.Se você ainda não comeu. escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns. Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir.. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa. a idade qu e eu queria que ele tivesse.informei.começou ele a explicar.A respeito de quê? . À luz de quatr o velas. . com três horas de atras o!.muito longas. depois de soprar as velas. deve ter custado caro. por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso..murmurou. Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet. .Estou faminto . Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo. a salada começava a murchar. . . Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. tomei lugar à esquerda de Paul. Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. . Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata.indagou Paul. carregando as malas que levara consigo para Chicago. Cathy. ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens. mo strava-se completamente refeito. . Tenha piedade de mim.interrompi.pois aquela era a idade que ele aparentava para mim.Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto. Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão.Em primeiro lugar.E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno. . se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso.Uma boa safra. restam os apenas Henny e eu. andando pela sala. Descerei dentro de dez minutos.. . . Terminada a refeição. Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo.Está com uma aparência absolutamente exótica . Entretanto. Henny bocejou e foi deitar-se. Então. agora. sentamo-nos à comprida mesa de jantar.disse Paul em tom humilde. . especialmente decorado em vermelho e roxo.Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe . que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. Carrie começou a bocejar e reclamar. . Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir. . Semanas mortas. .O champanhe é presente de Chris . Chris teve que ir embora. trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas. alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios. Em seguida. aquecendo os músculos antes do café da manhã.Meu vôo atrasou. assistindo à televisão. Em cima do bolo.. Fiquei sozinha. Agora. Às dez horas. . Comemos devagar. corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco.Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida. Ele veio pela p orta da cozinha. como se pedisse desculpas.Afinal. d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê. Estivera fora de casa durante duas semanas long as . Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele.O que acha? . Não posso controlar as c ondições atmosféricas..Portanto.. . enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado.redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz. preocupando-me.Ei!. Em dez minutos ele tomou banho. Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. A certa altura. . Paul.

c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me.Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo. obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir.. Na minha opinião. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária.A noite está bela demais para irmos dormir . . diabo. Não obstante. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante.Sinto vontade de passear no jardim ao luar. Catherine. Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito. . atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. por considerar-me tanto.Que linda obra de arte! . É uma expressão muito fraca. Entretanto. dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas . ele deveria saber: mexericos. Que possibilidades tinha Thelma Murkel.Como. mas três horas de cuidadosos preparativos. sabe a respeito dela? . a quilômetros de distância de Paul.gaguejei. desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode.É porque. . não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer. mal conseg uindo manter-me alerta. cheio de encanto e sedução. .Ora. Faz meia hora que não tira os olhos dele. As lágrimas transbordaram-me dos olhos.disse Paul. onde todos os clientes possam vê-la. de mãos dadas com ele. ela não chega a ser bonita. apertando as pálpebras do s olhos bonitos. exatamente como Chris costumava br incar comigo. ficando vermelha como meu vestido.. Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . onde o Beijo. os degraus de mármore. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles . Catherine .Fica bem em você. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul.declarou. . muito belas em sua fria e perfeita nudez. contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar.Está zombando de mim. manchando a maquilagem. Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes.. Portanto. Catherine. A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. . tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos. . dominava o panorama. você diz que me fica bem. enquanto eu estava bem sob o nariz dele. com vinte e nove anos de idade. quando Paul começou a abrir os presentes que Chris. Paul Scott Sheffield. Tudo me parecia azul-prateado e irreal. de Rodin. Ora. . ne m o lenço que retirei do decote do vestido. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. caso você ainda não tenha conhecimento do fato. é claro que você notou.Do meu bigode. Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero. . lançando um olhar ao relógio. com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos. respondi: .quis saber Paul. descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas. espantado e impressionado. deixando o presente de lado. Deixei-o a rir. a lua grande e brilhando. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra. naturalmente. cheia e sorridente. A mágica impressão era causada. . Ele não notou as lágrimas.exclamou Paul. pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. E agora.. .Muito obrigado.grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade. com os olhos brilhando. Então. Vou pendurá-la na parede do consultório.. Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. E flerta com todos os médicos. a o qual homem nenhum consegue resistir).gag uejei outra vez.É bonito .

Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer. Não. livre no mundo normal . beijando-me antes que eu pudesse responder. Era bailarina e sabia cair..Então. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo. . . Libertei-me dele.Já reparei nisso. rosto. ofegante. apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa. . tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as. Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir.indaguei espantada. .concordou Paul. .O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta. Balancei-me tão alto.Machucou-se? . . ombros e colo. . Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha. para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada. baixinho. ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços. .Tem cabelos negros e brilhantes.. par . beijei-o demorada e profundamente na boca. Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo. seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados. Paul gemeu baixinho.É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar . resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu. mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos. tapando-me o rosto e deixando-me cega.De quê? . você é totalmente feminina.não com você! Palavras inúteis.. . temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno.Está em Nova York esta semana.disse Paul. . que minha saia se ergueu com o vento. Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos. . trazendo-me bruscamente de volta do passado.. às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. Por outro lado.Depende.Tudo isso depende. Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso.Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário.Às vezes desejo a companhia dele.Catherine. pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento.É . estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes. .Catherine .Você é apenas uma criança. . . caí bruscamente! Paul correu para mim. . quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos. Comecei a balançar-me.. Não podemos permitir que isto aconteça. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem. .mas balançando-me co mo uma louca. cada vez mais rápido e mais alto. . pescoço. Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras. Catherine ..Paul. Sem a menor vergonha. Pare de dar respostas enigmáticas.. . E quando danço com ele.indagou. mas creio que v oltará na próxima.Julian? .Não sou enigmática.Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o.disse Paul. Agora. corri para o balanço e sentei-me. Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer . às vezes não. tão e mpedernida. queixo. A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar.Catherine. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas. Portanto. enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado. cheios de desejo. Suspirei. Tonta. a próxima semana pertencerá a ele e não a mim. . Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us. Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: .disse ele. com tanta violência e abandono.provocou Paul. enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas.Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? . estava aqui. . que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços. Fica esplêndido naquelas roupas.dis se Paul.. mas não tiv e dinheiro suficiente. eu não me machucara.Oh! .gre. .

provocando uma sensação agradável . Nenhum de nós falava. o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. O luar iluminou-lhe os olhos. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse . Paul colocou-me sobre sua cama e. mas faz muito tempo que cresci. apenas com o olhar. Estava tudo estampado em seu rosto. gemeu e não resistiu mais. Juntamos nossas peles. mesmo que se recuse a confessar. por favor. estará mentindo. qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir. Ele gemeu. . E eu mergulhei em seus olhos. refleti enquanto desejava mais. sob seu corpo.Catherine. fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. Se me amasse menos.. abraçados. você me ama e me deseja. daquilo que eu certamente não lhe negaria. ou justamente o contrário. ou sentira-me explodir . afinal. eu não me importo. Afastei do pensamento o que pensaria Chris. sua perna pesada se apoiou na minha. E agora. . tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim.Bem. A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes. apenas nos tocávamos. .Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo. tão jovem. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. já sem ternur a. vir. Se disser tal coisa. As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. o bservava-me com ar sonhador. apoiado num cotovelo. Sei que você me amará como desejo se r amada. mas limit ei-me a ver as fotografias. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo. Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. Não precisa amar-me. há muito tempo. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara.conseguiu dizer. fazendo-os brilhar. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo. Oh! Seria uma felicidade. ou ouvira sinos tocarem. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer. embora. . Como era fácil para os homens. Portanto. está? Espero que não desej a.a dizer-me agora que não me quer. afinal. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. Por outro lado. Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes. tão desejável. fitando o teto com lágrimas nos olhos. pois eu o amo e isto me basta. você fica aí deitada. Pensa em mim como se eu fosse uma criança. a princípio. No meu modo de pensar. Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . no quarto ao lado da cozinha.agora. com esses in ocentes olhos azuis. Paul. fazendo o que me era possível. a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. Subiu cuidadosamente a esca da. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer.. não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente. Então. porque. afogando-me neles .como ele sentira. Então.Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha. Não está arrependida. . Fiquei acordada. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. À distância. Christopher Doll . ter agido de forma diferente. meu amor . Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. agora relaxado e pacífico. mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava.Explique-me uma coisa. eng olfando-nos como uma onda de maremoto. começou a fazer-me amor. Nunca cheguei a ler o texto. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada .Você é tão bela. até que. sob as estrelas. sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. vagamente marcado p ela satisfação. Aninhei-me de encontro à sua pele nua. vir! Então. o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele. Adeus. . Chris o lesse. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. havia um livro.

quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal.Não! Por que não trata de esquecer o passado? . mas demonstrar na prática seria bem melhor.Gosto de você como está agora.Em primeiro lugar. Apresentava todos os sintomas. E eu amo Paul . serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se. Estendi os braços para puxá-lo de volta. meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. sabendo muito bem que procurava protegê-l . peremptório. Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul.Claro que faço. tão moreno e perigoso. embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. . Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny. afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama. Estávamos à mesa. Não obstante. Ansia va por paixão perene. tão generosa. Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor.Por favor. .de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças. justamente por ser tão pecaminoso. tornava tudo dez vezes mais excitante. No final de janeiro.Não! . Não me restava muito tempo. Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. eu voltava a vacilar. por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? . Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar. Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu. eu lavava as roupas de cama. foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to. Nos dias de folga de Henny.Paul pigarreou. quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos. Todavia. Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. Então. com suas arengas a respeito de malícia e pecado .exclamou Chris. . Com que falta de convicção ele disse aquilo.Cory pode ter morrido de pneumonia. vou fazer a barba . uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua. sem rec a meu lado. que eram duplicatas dos lençóis sujos. que exultava em nosso desp rendido abandono. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul. Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos. Catherine. na defensiva. Chris ainda teve mais alguns dias de férias.disse Paul muito sério. como se o houvesse traído. Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. Paul logo se cansaria de mim. no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. Mas. como se tive sse medo de que isso acontecesse. depois. eu terminaria o ginásio . E creio que a avó. Creio que devo ser estonteada por raios.N ova York. om Henny por perto. . Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. que eu escondia até que pudessem ser lavados.Tentarei amá-lo da maneira que você desejar. desorientada. . não me faça amá-la demais . ficar rígida e perder os sentidos.Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! .Minhas feridas não cicatrizaram! .repliquei com igual veemência.respondi. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade. e voltaria aos velhos costumes . por êxtase imorredouro. com os olhos sonhadores vendo estrelas . Falando sério: você não faz a mínima idéia? . Agora. . por não querer que Chris me considerasse pecaminosa.Porque não sou como você.Faço . porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo.assim esperava eu . o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: . .como os seu s.talvez com Th elma Murkel.disse ele. eu me sentia esquisita em relação a Chris. pois minha próxima etapa seria . para não nos trairmos. mas de pneumonia. .

. com oito anos de idade.Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia. Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e.Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory . sendo médico.Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e. percorri a pé todos os cemitérios. .Veja lá. Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall. Enquanto Paul olhava para as duas janelas. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome. A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel. Chris? Todavia. natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo. Era enorme como um hotel. com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. abrirá feridas cicatrizadas. pensando que Mamãe poderia ter mentido e. não será fácil verificar a verdade. pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente. não é mesmo ? . depois.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory. por fora . Eu julgava que tinha todas as respostas. Deus não i . apontando as duas janelas no último andar da ala norte. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes. mandado gravar o nome Dollangang er na lápide. Eventualmente. O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar . enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie.E você. Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro. Carrie chorava. Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so. Paul tentou dar-me o que eu desejava. .É aquela! . Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar. morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado. . furiosa. . mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida. Paul refletiu sobre o assunto.disse Chris. Girei nos calcanhares. afinal. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall. lançando-me um demorado olhar carregado de raiva. dizendo-lhe que eu precisava ver a casa.Você quer mesmo fazer isso? .Agora. como Chris acaba de dizer. por que não a contentamos.Linda região . para encarar Chris.interpôs Paul.a. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide.comentou Paul enquanto dirigia o carro. Paul . Paul. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. . fazendo companhia a Carrie no banco traseiro. com postigos pretos em todas as janela s. Investigou durante muito tempo . onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo. .exclamei.Se Cathy acha que deve agir assi m.disse eu. nenhuma criança do sexo masculino. . eu também gostaria de vê-la. um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo. já que se mostra tão contrário à idéia . não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris. tem acesso a todos os registros dos hospitais. Chris viajou cono sco até Charlottesville.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta. .por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris.E para falar com franqueza. poderemos visitá-lo periodicamente. Chris. Chris. esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. Um trabalho infrutífero. as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. terrivelmente excitada.indagou-me Paul. esperem um momento . se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso. se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio. Chris cedeu. . .

tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. obscenas. Coisas que me chocariam quando criança. quando terminava a lavagem. Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. Eu dançava melhor. Como uma criança pequena. fazendo-m e sentir completa. pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber. fiquei .não obstante.indaguei com os olhos baixos -. Estreitando-me contra si. percebi. Quando ele aparecia. Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada. Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras. mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção.Quero Mamãe! . situadas mais abaixo na mesm a rua. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada. talvez. eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff.Abra os olhos. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. dia após dia. Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha. começou a falar . pela porta dos fundos. fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los. Era-nos proibido olhar pelas janelas . secava-os e escovava-os. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. disciplina e controle . também. que ainda poder ia crescer e encontrar o amor.gritou ela. Em que resultara nossa longa jornada? Nada. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti. Havia esperança para Carrie. o que estamos fazendo não é pecado. Paul me restaurara. . ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. com mais técnica. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. fazendo o que queria com seus lábios e carícias. Carrie soltou um berro. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. Eram as outras casas. passando a espuma da raiz até as pontas.Veja o que tem diante de si: um homem nu . Absolutamente nada. muito depois que todos os outros se retiraram. melhor que dançar ao som da música mais linda. Ruminei o assunto. . Então. . pois estava vivo. exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. com o mais sensacional bailarino. . é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado.Catty. permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. Assim era para mim amar Paul. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. porém. Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio. Catherine .e estuda va. como Eva deveria ter feito há milênios. como Deus o fez. Na manhã de nossa fuga. lavando-os com esmero. fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. ele me pegou no colo e levou para a cama. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão. dançava melhor que nunca. Havia esperança para Chris.havia esperança p ara mim. Numa tarde de sexta-feira. Quando olhei.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara. pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. .e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo. Naquele Natal. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. Não consegui falar. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. mas apenas como membro do corps de ballet. Após sacia rmos nossa paixão. numa posição bem mais elevada. Chorei silenciosame nte por dentro.disse ele baixinho.Paul . Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós. Paul virou meu rosto para cima e. Chris. Desconfiava. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. E. se tudo corresse bem . Estávamos no final de um cul-de-sac.

nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. quando Nova York está à sua espera? Cathy. Veja. Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano.acrescent ou com um sorriso irônico. Ele só entraria muito depois. todas juntas. e tivemos um período alegre. por apresentar-me perante um grande público. a cortina se abriu.Primeir .Não sei . Era como minha sombra. amarelas e brancas vieram-me encher os braços. De repente. . Marisha também acha . franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. Estava apaixonada pela dança.Sem imposições de minha parte. . embora estivesse acesa por dentro. Chris.disse em tom suave e persuasivo. por ser jovem e bela . . .Deixe disso. Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente. então.Cathy. portanto. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. . como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua.Falando sério. Carrie ou Henny na platéia escura. Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. prendeu-me com os braços. beijando-me a orelha. fiquei sem saber o que dizer e. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo. até mesmo as piruetas . quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse. . Cathy. poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis.sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. .Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou.Exige pagamento em troca de seus favores. Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro. Eu não era Cathy ou Catherine . eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio. Então. chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados. eu não sei dizer. . tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova. já provou o sabor do palco . espere! . Se cometi erros. Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. Julian! . En tão.. Julgo que já está preparada para ir a Nova York. numa grande ovação. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé. . implorandome com os olhos negros. convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida. permaneci calada. levando consigo toda a minha insegurança. transmitindo-me confiança. Ia sair para jantar com Paul naquela noite. Esquivei-me e corri.. . Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa. se minha técnica não foi perfeita. fazendo tudo que eu fazia. . . Julian sorriu maliciosamente. acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela. não é mesmo? Nos bastidores.Agora. depois. fazendo-me cócegas no queixo e.e. zombando de meu desempenho. diziam-me mudamente os olhos dele. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. O público é composto de pessoas como nós.Se for boazinha para mim..esbravejei.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile. A menos. .Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui. Não consegui avistar Paul. Agora. é claro. Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. que você um dia venha a desejá-las. Trabalhávamos bem. a cada vez. Julian estava dançan do comigo.É verdade. quase frenético . Julian pousou o braço em meus ombros. após tomar banho e vestir-me. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. Tirei as sapatilhas. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro.Sei que não gosta de mim.repliquei miseravelmente. Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária. mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada. numa cidadezinha caipira. .Pare de ficar tão nervosa.chamou Julian. . Juro cuidar bem de você. mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim. Então. espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse. Rosas vermelhas. a cima de tudo.

. Paul. Paul sorriu. Tentei resistir à tentação. depois de rir. Parecia muito triste ao dizer isso . a velhinha mais suave. Diga que não amará. Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York. em vez de quatro. na ve rdade. ele explicou: . você voltará para Thelma Murkel.Ela conhece tudo a respeito de dança. a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e.Claro. atores e atrize s. Por c ima de seu ombro. não é? .o.Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar. recebendo rosas. (Deus me livre!) . a fim de que eu possa vê-la com freqüência.terrivelmente triste. ele conseguiu bei jar-me os lábios. De algum modo. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . e a super bailarina em que você se transformará um dia.prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez. a vida em Nova York é como a de Marte . Será como sua mãe. celebridades da TV. Estava entendido.. não é? . Não fui uma aluna particularmente brilhante.Você nunca amará outra pessoa quanto me ama. . .Quando eu me for.de qualquer tipo. Carrie e Paul. Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora.É o tipo de vida para o qual você nasceu. ela é tudo de que precisamos. Cathy . às vezes. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos.perguntei com alguma amarg ura. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. mas só se você vier buscar-me. tenho que terminar o ginásio. ambos parecendo esp antados e bastante magoados. além disso. Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não. Chris e Carrie estavam aqui. nossa psicóloga. pois queria que ele se mantivesse fiel a mim.Não zombe de mim.Cathy. . Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento. escritores..Você é o máximo! Confie em mim. Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. o público exige o máximo. onde você comerá pratos que nunca provou antes. como você entrou. . Contudo.desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta. que Ch ris certamente será. Quanto a Carrie. que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. Oh! Julian estava vencendo naquela noite.Você vai adorar Madame Zolta! É russa. A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor. Cathy. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos. Venha comigo. Julian tomou-me nos braços. meneei afirmativamente a cabeça e respondi: . porém. mas consegui terminar o curso. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação. Como po deria eu abandoná-los? . Terminei o ginásio em janeiro de 1963. às luzes da ribalta. avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região. não para ser esposa de um insípido médico do interior. acredite em mim. Ficarei com você.disse ele. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. irei.Talvez . Vou levá-la a restaurantes famosos.um outro mundo. venha comigo para o mundo a que você pertence. Quando abordei o assunto.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico. e realize também o meu sonho. eu não poderia. pregando os olhos em Chris. . Comparada com isto aqui. bondosa e delicada q ue você já conheceu. muito melhor. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas .Sim. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Embriagada com o sucesso da estréia. É nossa médica e. mes mo querendo dizer não. . Você logo se apaixonará pela cidade. Nunca andei de avião e. . não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente. . como Chris. no palc o. . Paul estava aqui.

berrou ela. E Henny . também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me.Obrigado por tudo.. E não faria isso duas vezes. os ombros empertigados. decidido a não revelar qual quer emoção.sussurrou ele.Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa.Você ainda terá a mim todos os dias. como eu aceitei. Você é apenas meu irmão. Vamos. minha enciclopédia ambulante. fitamo-nos nos olhos. continuou a f itar-me com o coração nos olhos. . Chris. uma risadinha. sorria e sinta-se feliz por sua irmã. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos. bastante alto para que Julian escutasse. Chris estava postado junto ao carro branco de Paul. Não precisa chorar por mim. eu me despedira de Paul em particular. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. Henny fez questão de embarcar no carro conosco. . que agora tinha um metro e oitenta de estatura. E Chris também voltará. Camin hou depressa para a porta da frente. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida. Adeus.como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. Quando saímos todos da casa. com as lágrimas rolando pelo rosto.Não iremos a parte nenhuma.disse Chris em voz rouca. Julian andava de um lado para outro. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for. em seguida. abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis. .disse ele.E você? Ele forçou um sorriso e. Engasgada. . Esqueça-me. desejand o-me boa sorte.e deixe que seja uma pessoa de sua idade. enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie. consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos. Catherine. Chore por você mesmo. . meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião. erguendo o corpinho leve de Carrie no colo. o meu cavaleiro tão galante. tive que abr açar Paul com força. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono.Não se preocupe comigo. Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . o rosto rígido.Detesto você e Chris. mais aind a que Paul e eu. Aceite. Esqueça to do o passado.nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris. . ou simplesmente não chore. Terminou. . Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho. enxugue as lágrimas. por favor. . No aeroporto.Eu a odeio! .Não . . deu-me caneladas. Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos.Obrigado. Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. Afinal. . Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte. .Cathy . O meu Ch ristopher Doll. cavalheiresco e sensível. Você não será esquecida . Nós também compartilhamos de muita coisa. alegre e também severo. decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos . Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta.gritou. . .Você não pode ir! . Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque. Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém . .. Na noite anterior. Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. Carrie: eu voltarei. Depois.Entenda. repliquei: . consultando freqüentemente o re lógio. fazendo-me doer da cabeça aos pés. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam. Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos.Sabíamos ambos que não duraria muito. Mais uma vez. como é preci so aceitar. Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Catherine . Não olhe para trás com arrependimento.. ou poderia amá-lo.

tão controlado e elegante no palco. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado. Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. parecendo querer arrancar-me a pele do rosto. . Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças. Depois. . em seguida. . E venha a Nova York com Paul.Oh! Catherine!. Esbugalhei os olhos.Você também tenha cautela em questões de sexo . promete? Chris prometeu solenemente. Afinal. já sentindo saudades d e casa. . trêmula. . rindo. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer. Mas venha. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões. Nossos lábios se tocaram rapidamente e.Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um.E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante. Ou venha sozinho. você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! . a Julian. em barquei para tomar meu lugar junto à janela.ou isso tudo e mais ainda.é que eu tema que você não consiga vencer. . Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado.disse em tom suave. murchando-os com um aperto doloroso. olhei mais uma vez para Pa ul. pois eu já escolhera Paul. ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro. Então. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: . Gosta de tocar as pessoas. previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora.Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci. Abracei-o mais uma vez.Você me tem . de Paul.exclamou. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu . Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela. que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. deixarei o assunto de lado. relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa.Escreva-me sempre. Sorriu para mim. como você lo go descobrirá. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta. Desde que era a minha primeira viagem de avião. .. Eu também ri . desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. Uma bolinad ora. . .Não prometi que cuidaria de você? E o farei. O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios. jur o por Deus. tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor. de modo a abrigar p arte do rosto. Doía-me ter que deixá-lo. portanto. . . Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York. L ancei um rápido olhar..disse ele. Acenei com o louca para minha família. não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde. a fim de que você verifique por si mesma. como você logo terá ocasião de verificar.Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e.. certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado .Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. beijando-me de leve. sem o menor sinal de embaraço. ri. a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? .e o empurrei para longe de mim. Carrie e Henny sempre que pud er. O frio em minhas narinas ator doou-me.Acertou na mosca! . Vá com calma em questões de amor e sexo. que vida levaremos.. Todavia. Engasguei-me. Julian.E.repliquei para Chris em tom brincalhão . que parecia muito sério. meu amor. Farei todo o possível para torná-la feliz. Prometa pensar antes em todas as conseqüências.

como fizera a Julian.e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão. talvez nunca . Em seguida.e eu tricotara para ele. . É tão rápida que a gente nem vê direito! . entusiasmado. espere o julgue por si mesma. muito obrigado. Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. como e ste demônio de cabelos pretos. . tocou-me os cabelos. Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira. Madame Zolta Korovenskov. levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura. depois de tornar-me a maior prima ballerin . era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado.Está vendo.Ha! . de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha. . .Talvez por volta dos trinta anos. Madame? . . Os lábios da velha. Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos. Então. Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço.indagou em tom áspero. Com uma rigidez majestosa. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse.Ora. Catherine Doll. Apa lpou-me os braços. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma. O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo.indagou Julian. até mesmo os seios. .Sabe dançar? . veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato.Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente.Você some quando bem entende. . permita-me apresentar-lhe a Srta. Posso acreditar no que diz a seu respeito? . com ar inteiramente profissional.Como disse antes. . a fim de absorver minha essência. Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de. delicada. Nunca imaginei que se incomodasse. rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar. Madame.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés. Madame. o peito. . franziram-se como uma sacola com o cordão puxado. Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial. . olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz. Permanec i imóvel e suportei a inspeção. a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses .Madame Zolta Korovenskov.Muito bem . Naquele dia. de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian. nervosa. O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. Espiou-nos por cima das meias lentes. murchos como uma pass a de uva.se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade. .Creio. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios. fitou-me o fundo dos ol hos. sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada. Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa. mas não tanto quanto se julg a. .disse ele. sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. . ela irradiava um metro e oitenta de autoridade.disse ela a Julian com ar de quem cuspia. Entretanto. Ele é muito bom bailarino. drenando-a de mim.respondi. A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. Friamente. colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões. com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros. esta mulher era muito mais velha . Depois. com as pálpebras apertadas.Aparenta vir de outra região.Então! .fungou a velha. Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo . Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha. Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce. que você positivamente ad orará. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa.Também veio do nada? . deliciosa professora de dança.

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

. Michael. Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro.Alexis. Dançou ao redor de mim e. Assim. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro .e no canto. Nossos olhares se encontraram prolongadamente. Com efeito. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha.Maldito seja por isso! . pr . . guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. Cathy. tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV. para exibição na época do Natal. o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente. mas não muito. envolta numa aura de beleza. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo. eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. então. mas Carrie continuava praticamente a mesma . tímida. Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: . Chris. prometo-lhes os próximos papéis principais. o coração pulsando ao ritmo da música. Ainda me amava. . Na platéia escura. Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . ele me ergueu bem alto e. E. desejava. tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente. Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma.Não sou sua! . Acordei. A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. entre o sofá e o grande baú.mim. à procura das pessoas que eu amava. Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. faz endo-me reviver. sem sangue azul. mas permitam que Juli an dance este com Catherine. Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida. Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim. suc umbi-lhe aos encantos. desorientada. Então. Apri l estava visitando os pais. no mais apaixonado pas de a deux. mas possessivo! . Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. Chris se postara nas sombras.Maldita seja você por não me querer! . conquistador vitorioso.e não foi um beijo respeitoso. sentindo-me humilhada. mais uma vez. Julian tomou-me nos b raços e. perto da escada.e ali estava a flor.Eu a amo. fui carregada para fora do palco. piscando. convidando-me a dançar também. O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro. Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo. Chris ficara ainda ma is alto. Senti-me encantada. Madame Zolta franzi u a testa. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados. Por favor. Catherine. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete. Só então pude dar atenção a P aul. . Quando terminou. olhou para Julian e depois para mim. Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai .sibilei furiosa.sibilou ele em resposta. pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel . Beijei o rosto redondo e firme de Henny. Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. Paul.Não se preocupe. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. pela primeira vez. preso a uma tira de papel dobrada. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso.talvez um pouquinho mais a lta.

depois. Sorri maliciosamente para Chris. Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais.Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel. A fim de provar isto. . . Pau l acompanhou-a com facilidade.Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família. Enquanto o fazia . pisquei para Paul. q ue dançava melhor que Chris. segurou meu casaco para mim e. sabendo lidar com os homens . não se sinta tão lisonjeado. Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si. Ele pagou a conta. . . causando-me prazer . você deve achar que tenho pés de chumbo . Ganhara alguns quil os. para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. . até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma.Não estou procurando ninguém.Perguntei primeiro. E amanhã dormirá com outro. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. eu estava aprendendo. Após o espetáculo.instruíra Madame.Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos.Você continua a dançar assim? . surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio. mas igual a Mamãe: suave. olhando-me com grande ternura. Paul Sheffield. eu seg urei o dele. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele. Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas. Portanto.disse Paul. Veja só a sua amiguinha Yolanda. sumiram do salão. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas.Você também é como ela? . Magoando-me com facilidade.Além disso. Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido. Em poucos minutos. Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios. Se você quiser. onde ele nos registrou como Sr. Então. com as roupas que usaram no palco.ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta. d e almofadinha.Você é maravilhoso. . É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. fria. .pelo menos. .Ela olha para todos os rapazes bonitos. Era tão divertido vêlo assim.Encontrou outra pessoa. . adorando-me. Paul ergueu-se de imediato. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo. . eu escrevera apenas a Carrie.Usem as roupas de balé . com uma marcação afro-cubana. Paul? . . pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. Depois. Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa. Quando nos exaurimos. . Num quarto pintado de vermelho escuro. Foi uma resposta que me acelerou o coração. . Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda. .E você? . relaxado. apertando as pálpebras.reprovei.retrucou ele. Paul! Ele riu. Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite. el e me abraçou com força. que exagerei um pouco em minha dança. mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. e Sra. seus olhos interrogavam-me com veemência. levando-me a perguntar: . Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo. Ele exibiu um sorriso modesto.Estou com sono . beijando-me. acariciando-me.Depois de dançar com Julian. desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa.queixou-se Carrie. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais. houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta. Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos. respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. esfregando os olhos. Ele ainda usava bigode não aparado.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro. atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris.

desejo-a para sempre. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá. Chovia. desejo compartilhar tudo com você. tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso.algo que ela certamente não aprovava . . Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. beijando-me suavemente. como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? . Nada mais tinha a temer .absolutamente nada. . precisava contar com a total confiança de Madame Zolta. Julian riu. Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade.Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. incrédula. Um sábado de manhã. quero que seja minha esposa. protegia furtivamente meu segredo. quando eu iria a Clairmont. Agora. No momento. Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade.Oh! Julian. você está encontrando o sucesso em Nova York. planejando como viveríamos depoi s de casados. mas não me importei.Chantagem! . Nada revelei a ninguém. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador. Até então. . Se descobrisse que eu tencionava casar-me .Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade. . Catherine. eu ainda precisava de Julian para meu par. Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul. Agora. O interior do carro era aquecido e acolhedor . .Catherine.exclamei. Entretanto. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar. abraçando-lhe o pescoço. mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo. tanto quanto ele precisava d e mim.Naturalmente. Julian correu para agarrarme. desafiava-o a dete r-me. não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo. quase no topo.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele. Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. Além disso. Por outro lado. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas. de meu amor por Paul. eu manteria minh a felicidade em segredo. de meu estrondoso sucesso.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela..Adivinhe uma coisa. Quase morri de saudades desde que você partiu. ocultando-a do mundo. de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra. Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington.Não estou zombando. Não dormimos naquela noite. Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. Paul. tivemos um dia selvagem e louco. . ter-me pedido em cas amento. eu ainda precisava ficar famosa . certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais . . Não quero agir às escondidas de Chris. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. pois estava livre e seguindo firme o meu rumo. sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. Paul Scott Sheffield. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta.Oh! Paul! . Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! . . Quero estar com você.Eu o amarei para sempre .exclamei. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo.Oh! Cathy! . Esbugalhei os olhos. abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. de onde v oltamos. pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata.decl arou. Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle. Dali em diante. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas. agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel .os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles.Não zombe de mim. . Agora. afinal. Permanecemos acordados. terrivelmente excitado.

Leve-me para casa. desanimei. e Julian me deixara ali . J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto..Por Deus.ele.flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! . Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha. Eu nunca dava muita importância a Yolanda. ou tomar o metrô.explodiu o motorista. Sempre que e ntrava naquela peça de museu. enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa.! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu.. batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida.Já vou abrir. . santa puritana . vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita.Cathy. Julian recomeçou: . a freqüentes intervalos. garota.Vá para casa como puder. do contrário. Mas é melhor você voltar em cinco minutos. .Se pensa que vai me dar uma facada. Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava. Eu sabia estar num bairro perigoso. entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego. . o taxímet ro continuava a funcionar. que Julian trancara.Vá para o inferno.. . chegamos ao prédio de apartamentos .se conseguir! Partiu com o carro. sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul. onde tudo poderia acontecer.. o motorista concordou: .Sim! . Julian. Quem é? . O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! .Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! . Meu casaco leve estava ensopado. com um sorriso maldoso. e freou tão depressa que fui atirada para diant e. Cathy. . você nunca vai me amar. Julian! Só consegue ter isso na cabeça? .Calma! .Você parece algo devolvido pelo mar .berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva. O e levador demorou-se uma eternidade. Os bolsos do meu casaco estavam vazios.. onde eu nu nca estivera antes. por favor! . abrindo a p orta. Eu não tinha um centavo.esbravejou. Mas guardei fielmente meu segredo. .Quer dizer que não tem dinheiro? . dê me uma op ortunidade.rosnou ele.berrou Yolanda...Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. pode esquecer! .e os dólares. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta.replicou ela. Eu não tinha dinhe iro. Catherine Dahl! . Lançando-me um olhar feroz e contrariado. Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! . Maldito seja. Enquanto isso. por me deixar tão longe! Finalmente. A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian . rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir. Nem mesmo poderia telefonar.Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência. .É por ser virgem. eu tinha medo de ficar presa entre dois andares. . rangendo durante todo o trajeto. Afinal. leste ou oeste.Você é uma tentadora . Por fim.Está certo.disse ele.comentou animadoramente.Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! . Julian arrancou-me a bolsa do c olo. .caso este . Então. A chuva caía com força.ao preço de quinze dólares! . negando-me a implorar. fiz-lhe sinal . debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! .Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar. Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul. violento... a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas. deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin. pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e. Quando avistei um táxi que passava vazio. não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado. Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros .Então.

berrei.Até à vista. . Levantou-se rapidamente.Dar-lhe-ei o que você quiser. Mas Yolly barrou-me a passagem.Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo.É mentira! . ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho. Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly. mas.gritei furios a. .rosnou. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana. . Yolly...Cale-se! .... . . poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade.Não acredito! Você não é o tipo dele! .O que deseja? Ela sorriu. em seguida. recostando-se provocadoramente numa parede.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista.ronronou ela como uma gata. impedindo que ela terminasse.Vamos....Cathy. . não é mes mo? . seu nari z já começava a inchar. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa. ela ficou rígida e. por algum motivo. garota. Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio. quero que cumpra sua parte do trato. . ..gritei.não a tivesse jogado fora. isso servirá para acalmá-lo.Está bem. recuou para longe de mim. você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão.Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente. Empreste-me o dinheiro.Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero . que necessita de sesperadamente dele. Tão logo segurou os vinte dólares.respondi. apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me.Por favor. empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta..Não seja ridícula! Chris está na universidade... seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie. . Diga que está doente.Nãããooo . trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava. o motorista começou a sorrir.. ... Fará o que eu quiser.Pois deixe que eu lhe diga uma coisa.Puta! . o rosto de Yolly ficou muito rubro.. Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada. mas não se esqueça de cumprir a promessa . Cathy. também. . . carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo. certo? Concordei e tornei a sair correndo. .Certo .e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes. . .O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? ..Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata. Yolanda Lange! . . meu amor. E fica me deve ndo o que eu quiser.. . . av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! . Tirando isso. . Oh! eu não sabia que batera com tanta força. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso.Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente.Seu irmão.disse ela. repugnada. mas traga-o aqui! Então. . Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon.. . Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! .Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça..Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira.

. .depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto. .Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da. abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! .. ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força.Fuja. esperando ver Al exis ou Michael.perguntou.portanto. Agora. que sou cego e . cheguei ao andar onde morava Julian.Solte-me.sibilou ela com os dentes trincados. O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim. Yolanda.Se estiver aí. . terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas.Julian! . tem que ser você! Quem é o outro? . .estúpido. com um medo terrível de Julian. mas. e percebi o modo como você olha para aqu ele médico . ajoelhou-se sobre mim. não é? Sacudi a cabeça.Claro! .berrei. ta mbém! E quando ele for meu. . .. segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente. desta feita. eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia.Mas não sou cego. não sou uma provocadora como vo cê . entre as duas.chamei. Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir. Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda. . Arr astando minhas malas atadas umas às outras. pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou. puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama.Você me causa realmente muito medo. esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! . Só então ele falou. .Julga. você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade. Levei sob o braço uma sacola de couro macio. para minha infelicidade. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. Vai arrepender-se.menti.. é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto. Olhei freneticamente em volta. que se estendera na cama como uma grande gata.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você. garotinha pudica!. Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial... animal! .e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o. Julian estava sozinho no apartame nto..Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês. levantando-me da cama... . onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse .Pode levar de volta sua maldita bolsa .Por que não consegue me amar? .mas não o fez. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? . Julia n Marquet. . porta nto. passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. tão furioso que parecia prestes a explodir. cheia até a boca. Antes que eu me desse conta do que acontecia. Pegarei seu irmão. Já encarei gente maior e melhor que você . vai lamentar e ste dia. mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão. cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! .odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele.Vá em frente! .e continuo viva. não é? . . Senti-me enjoada e a odiei . Não podia contar a verdade.bradou ele. Comecei a guardar minhas roupas nas malas. .e. E ainda mais: tomarei Julian de você. nem estúpido.redargüiu ele. não me venha bancar a moralista imaculada. mas Julian tornou a empurrar-me para trás e. Catherine Dahl. Catherine Dahl.Ninguém fala assim comigo sem receber troco. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. Não posso estar errado . não se atreva a chegar novamente perto de mim.Cathy. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas.Ninguém! . com o dobro da força! Tentei lutar contra ele.

Maldita seja. Catherine.. Concluiu dizendo: ..Está certo.pensando em você e fazendo planos . Winslow.ou para Mamãe. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York. Catherine!. a despeito de todas as minha s lágrimas. não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente.quando Juli an me permitiu . Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar . depois de rasgar o envelope fechado. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe . Você faz chantagem comigo e eu aceito. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós. se a senhora não me der mais dinheiro.. Infelizmente. recuei para a porta. Sra. Voltei para casa correndo.. Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . . Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão. Madame. Portanto. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. tornei a acordar durante a noite.. sente-se ameaçada. joguei-me na cama e so lucei. Mas era só meu. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. Sentia falta de Chris.Não. .e tudo estava na bolsa. se não conseguir. abri-a e saí para o corredor. ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais. Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui. Winslow". o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim.. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. terei que voltar para Clairmont. Mamãe. Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E. acrescen tara: "Agora. Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar. Só então atrevi-me a dizer o que pensava: . Aproveite enquanto pode. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris. agarrando a bolsa. eu já disse isto antes e vou dizer novamente. inteiro. Então. Catherine. com Julian. Ela gemeu. O único apartamento que consegui encontr ar caberia.Existem instituições especiais para loucos como você. Julian! Não pode dizer a quem de vo amar. não tardará.. eu o matarei . tremendo da cabeça aos pés. No fim da carta.. Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim. Imaginei sua expr essão ao abrir a carta.Ela tem medo de você. no menor quarto da casa de Paul.. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. eu guardava para mim . Levantei-me com as pernas trêmulas . embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite. antes de adormecer. Faça as pazes com ela. Seja boazinha. nada mais que isso.e matarei você também! Portanto. Lembre-se todas as noites.mas não será tão bom qu anto o que você ocupava. acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio. quer saiba ou não. nem obrigar-me a amá-lo. Todavia.Você é minha. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida..e.. não poderia ter imaginado um meio melhor que este. ele tornou a abrir a porta. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. As outras. Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis. Tinha saudades de Paul. sem ler o conteúdo. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida. quando cheguei ao eleva dor. em seguida. terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim. Agora. comecei realmente a dormir mal. Agora.

. Certa manhã. Mas posso comer de novo. ..Deixe-me entrar. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava. apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos.É mentira! . sonolenta. contaminando-me com seu entusiasmo. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. então. Odeie-me o quanto quiser amanhã. . Iremos a Londres.mas tenciono casar-me com outro. Sacudi a cabeça. Gr aças a Deus. estava falando sério? Vamos para lá .indagou ele.eu gostar ia disso. eu a chamaria de Mamãe.. .indaguei. .Pare com isso! . .Acorde. Há muito tempo. depoi s.é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia. Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim. ontem. Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas.Maldita seja por me enganar! . Isto era tudo o que existia entre nós.pois nasci hoje. Já estou noiva.Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian.em Londres! ..ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa. desta vez. Eu jamais o enganara.Sim.Julian. Paul e eu tínham . girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento. jamais poderemos casar-nos. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara. portanto. Abri os trincos e entreabri a porta.berrou ele. E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal. não? Detestei estragar-lhe os planos. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma . Cathy.Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? . quando fôssemos ma is velhos. Cathy! Perdoe-me. trate de me amar . depois que você saiu.. mas.repliquei. Julian entrou como um furacão. E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência . lançaríamos raízes. Ficaríamos ricos e.Já tomou café da manhã? . acompanhandome à cozinha.Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências.Julian. você disse. hoje. onde montou às avessas numa cadeira.Vá embora! ..É mesmo? . . mastiguei algo antes de vir para cá. negando.. eu não o amo. . . fui acordada por alguém batendo à porta. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares... exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel.ou de Mamãe. mas fui obrigada a dizer: . Café. . chorando. nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos. somos os melhores . Cathy. cambaleei para a cozinha. mantendo sempre as saudações frias e formais.gritou ele. vendo-a empalidecer e. Então.esbravejou Julian.perguntei. ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá. .Claro que sim. teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé ..Madame Zolta. precisava tomar café antes de poder racioci nar direito.. Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto.todos nós? Ele se ergueu de um salto. todos nós! É uma grande chance.gritei. ou arrombo a porta! . pois. Naturalmente . Você também. volte a ser minha amiga. Então.você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente. esperando que sim. estremecer. . vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . . beije-me.

escorregou-me na mão um bilhete dobrado. Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios.um presente para todos nós aproveitarmos. Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido. Muito cuidado. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho.Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor .Veja ali no canto.O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. também sentado de pernas cruzadas no chão.Salve a bailarina conquistadora! . Às duas da manhã. Quand o experimentou o vestido. enquanto Paul observava e m grande expectativa. . a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz.É demais! . . Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. . Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. Paul simulou não perceber. mas genuíno. a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. Fazia um frio de doer. dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração. Então. examinando seus p resentes. prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço. Catherine . Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa .mas nunca era. num gesto furtivo.simplesmente adorei! Ele sorriu. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê.protestei. fosse Cory ! . . Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente. os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara. agasalhos de pele. . mesmo na Carolina do Sul. jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. esperando que. embora me sentisse nervosa.É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. . Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa. Um casaco de raposa prateada! . pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. . você está tão linda! Cada vez que a vejo. Então. Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto.Mas adorei . agora. Olhei p ara o enorme aparelho de TV. Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo.anunciou ele.exclamou meu irmão.pequeno. Foi o melhor Natal que passamos. Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira. Chris . Tentei imaginar Cory. na primeira oportunidade. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora. A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. Apenas seu irmão. . do princípio ao fim .os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e. .ou quase até o fim. Estendeu a mão para pegar as minhas. li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine. os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim.Oh! Cathy. Virei-me depressa noutra d ireção. era tão fácil fazê-lo feliz. levantou-se e saiu da sala. Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você. Chris virou vivamente a cabeça. advertiu-me seu demor ado olhar. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo. que nos observava a alguma distância. Nunca. Uma hora depois. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul. após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York. tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. engasgada. encontrando-o finalmente. por algum milagre.

fizemos amor na cama dele. enquanto eu recuava. acho melhor você desligar aquele cara .. Cathy? . Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. . Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. Depois. chore. Como tanta gente. espantado. Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros. Francamente. Ao ama nhecer. parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa. meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama.desculpou-se Paul. . dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto. preciso conversar com você e explicar certas coisas.. junto à perna de Paul. E Julian também esteve soberbo.mas. que ocupava uma poltrona. Durante o resto do Dia de Natal. que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do. perdi a noção de onde estava . com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração. a meio caminho. tenha remorsos. levantando-se para vir pegar Carrie no colo. mas de mim também. Cathy. não obstante . mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. . Ele explodiu: . Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. Não apenas a resp .Fo ram ambos sensacionais . nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. encolhida. eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. quando me aninhei no colo de Paul. A partir de en tão. Carrie sentouse perto de mim. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe. Mesmo assim.disse Chris friamente. certamente. obriguei -me a procurá-lo. Um tape gravado em agosto. Então. acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores.comentou Paul tranqüilamente.Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores. Vocês dois apresentaram um romance. Eu chegav a a doer de saudades dele. para repetirmos a dose.e servira como uma luva . Para minha total surpresa. subimos furtivam ente ao segundo andar e. Eu quis morrer! Fui espiar Carrie. Agora . por favo r! por favor! . Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde. na realidade. Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra. E nrosquei-me no chão.detestaria ainda mai s se ele não gostasse. Portanto. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto. Chris escolheu um lugar afastado. Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo.Chris. com o zelo gerado pela privação. Temi aproximar-me de Chris. voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. mal avistei Chris.Creio que seu irmão está desconfiado . recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. que dormia profundamente. as roupas que não nos serviam. só agora seria visto em centenas de cidades através do país.depressa! Com essas palavras.quando pensei melhor . preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento. eito de Julian. Naquela noite. nem permite que eu chegue perto do aparelho. Correu na direção da escada. olhando-me com espanto e mágoa. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara.Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você. mas. Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . . em meu co ração.comentou Paul. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar. mal saí do quarto de Paul. Cathy.Sim .. Por que sentia.trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera. abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. Tratou-me o dia inteiro como a um rival. . Quando o programa terminou.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . Após apagarmos todas as luzes da casa. não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança. não me tinham parecido tão etéreos. exceto às refeições. tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra.vi-me no palco.O que posso dizer. Contudo.

. Chris.Gosta de Paul. Julga que pode conciliar tudo.acrescentei baixinho. Amo-o por causa de quem e o que ele é.Eu o amo. discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi.Assim também é melhor para você e eu . Não obstante.repliq uei. Não é um namoro que será esquecido amanhã. Como em câmera lenta.Paul e eu discutimos o assunto. nada existe de errado no que fa zemos. as árvores desfolhadas. . sentia-me tão dilacerada e infeliz. . em seu restaurante predileto. sei que gosta. como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável . Afastei-me..Não devo? . você não o vê da mesma maneira qu e eu. pretendemos casar-nos na primavera. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro. necessitamos mutuamente um do outro.Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele.. deixando Chris no jardim com o alicate de podar. mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado. E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. girando-o a fim de ver-lhe o rosto.. doendo por dentro por causa de Chris.e perde bruscamente toda a esperança. Chris virou-se bruscamente.. a despeito da diferença de idade s.e isso teria ocorrido se não fosse Paul. E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem. .Pois acho que devo a ele minha vida. antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul.Então. Depois de refletir melhor sobre o assunto. . . Paul e eu..E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você.Chris. Nós nos amamos. não é tão errado como você imagina. em sua maneira de olhá-la. Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco.Ele é velho demais para você! . . .Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança. Agora eu fazia parte do espetáculo.Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa. Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. Ele permanecerá aqui. a despeito de tudo. . portanto. Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora. acima de tudo. Está escrito nele. o capim escurecido. em cada um de seus gestos. mas você também arranjará outra . Chris não falava apenas de Julian. chocada. bem. Compreenda. enquanto você andará só Deus sabe por onde. Ele compreende. e todo o amor . Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e. no modo dele tocá-la. Recuei.Cathy. grave. virei cautelosamente . com homen s da sua própria idade. Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . você o ama.. apesar disso. . Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto. está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu. Passei-lhe os braços pela cintura. .indaguei num sussurro. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas. tomei-lhe das mãos o alicate de podar. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite. largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. . devolva-lhe o casaco! E. as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer.Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy. . Chris parec ia atordoado. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar. cultivada. arrancando-me o alicate das mãos. Você nada deve a Paul. Dar-lhe-emos o respeito que ele merece.mas você não lhe deve sua vida! . escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce.

tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós. nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha. mesmo assim. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez. . sem muita fantasia nem grande demais.talvez. Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se.Vá assistir à TV . querida? . em beleza.Não! Claro que não! . esvaziada pela decepção. solucei. E você. . mostrand o-me o quanto ela ainda era bela. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior. perdendo a pose . Chris avançou para mim. ao seu querido "Bart". não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora.ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela.todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope. segurando-me os ombros.. Parecia um pouco mais velha. e ela falava: . Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha. mas. revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada. ela se afastara ao longo do balcão e. educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. . nem virou a cabeça. Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes. linda.a cabeça. . qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a. Por que não fizera alguma coisa? Por que. quando o mundo era tão frio. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante .Você está bem.Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa. Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado.neguei de imediato.Cathy . Está pronta para irmos. . os carnudos lábios vermelhos. poderia vê-la esparra mar-se no chão. não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul. os cílios longos e naturalmente escuros . se ouviu o nome Cathy. Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. bondosos. a despeito do que havia por baixo da máscara.Algo de bom-gosto. mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. . talvez percebesse minha pres ença. Entretanto. um homem que nada ficava a dever. Falou tão .indagou Paul. Baixou a cabeça. . desta feita. Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la . Contudo. Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto.disse Paul. não obstante. seu remorso e verg onha. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa. p or favor. Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros . pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era.Quero conversar com sua irmã. Corrine.Já devolvi tudo. Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco. . estava mudando de idéia a respeito de mim. está? . agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul. realçados pela maquilagem. Minha animação se desfez.Não está mudando de idéia a nosso respeito. a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome.Francamente. mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação. Uma festa . aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros. Por um motivo com o qual não atinei. largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado. Sacud iu-me com violência.até mesmo Paul.. .

nunca mais me fale no a ssunto.Sei que é errado o que sinto por você. sem ligar para as conseqüências. e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar...portanto. mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças .Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. afogar-nos-íamos ambos! . você não pretende ter filhos . Chris. ele saiu correndo do quarto.disse ele. Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. Mesmo que me ame pelo resto da vida. disse num sussurro rouco: .e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. Ademais. como você vem fazendo..Está mentindo para si mesma .Christopher. .. . Encaramo-nos por longo tempo. até mesmo Julian seria melhor que ele! .Então. corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse. por favor. Posso contar a ele o que fizemos. . quero acordar e vê-la no quarto comigo. Você me deseja e desej a Paul.Oh! Chris. dia e noite. desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara. Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. pálido e trêmulo. .e ele ficou excitado! Ele. onde poderei vê-la. sim! . Quero ir para a cama e saber que você lá estará. o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. Espero que não esteja gripado.Largue-me. ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele. Cathy. . estarmos juntos. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros. apertando o rost o contra seu coração latejante. Então. Não podemos correr o risco de repeti-lo! .Chris. E se eu fizesse o que ele queria. eu lhe suplico: não se case com Paul! . .. É honrado demais para isso. Vivo pensando nisso. Talvez nos voltássemos um para o outro. . tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros. também. sou imbecil! Sempre fui. Não respondi coisa alguma. Sonho com você durante a noite... Chris. sim. mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la. pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . então. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel.. não foi? A seu modo. com Carrie. ele já sabe.É uma pena que Chris não esteja passando bem.Cale a boca! . Por favor. . pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras. é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai. engasgado.Deixe-me em paz! Agredi-o.. sermos apenas irmão e irmã. desde que sempre voltass e para mim! .berrei. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas. Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa.Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo.Podemos. mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse. segurando-me ainda com mais força.. você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim..Você não lhe contaria. não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança. tocá-la. se acredita nisso! . cometi o maior erro de minha vida. então. sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis.baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras. ele não desejaria você. O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem.Você é um grande imbecil. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul. Quando parou de falar. eu a quero para mim! De qualquer modo. que julgava podermos viver juntos platonicamente! .Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos. você me faz sentir tão culpada. Então.exclamou ele com fervor. Há uma epidemia na cidade. que não é na minha cama! Então. . bem perto...Posso. Não pôde conter um soluço antes de continuar: . Eu qu eria que ele esquecesse. pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! .

brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos.Se está cansada. faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. sem fôlego. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija .Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates. enfurnado em seu quarto e odiando-me.no instante em que eu a segurar. demoníaco..Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí. levante-se e vamos repetir.Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! . você se deixa cai r para trás.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. faça direito. pule para eu segurá-la e. Calma. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência. não me deixando cair para trás por não confiar nele. Julian foi absolutamente impiedoso. ainda não.Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! . Os quatro mandamentos do mundo do balé. após cinqüenta tenta tivas! . Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal. mas inovativo e mais bonito. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! . erguer o pé e saltar. repeti ndo a mesma série de passos.Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . Pelo menos. Contudo.para vingar-se. O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? . grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! . E novamente fracassei. marcando o ritmo. Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente. E. Berrou como se eu fosse surda: . agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito . Julian usava apenas uma sunga. portanto. estritamente clássico .Seremos tão felizes. as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas. parecendo exausta. que tínhamo que seguir à risca. diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? .É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo. conseguiria. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. caia para trás e amo leça o corpo. Eu já não confiava em Julian. Paul . Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal.. Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos. com os cabelos escorridos. Portanto. Eu. Minha malha grudava-se à pele. os pés descalços bem afastados. então. aquela seria a nossa vida juntos. Desejo. sorrindo. enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor. E não a odeio. O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim.Desta vez... Cathy. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . quando eu a segurar.Mesmo que a odiasse.diabo! . faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto. Só precisa dar três passos. e minhas idéias. .Pare de gritar comigo. eu estou dez vezes mais. trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe. erguendo os braços para exibi-las. . .Está sem fôlego? . Desta feita ele me atirou ao chão. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano. erguendo-se como uma torre acima de mi m. Dedicação. finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr . rindo.indagou em tom sarcástico. Fácil. Determinação. desta vez. Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar.Julian.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo.exclamei. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa. Agora. faça direito .Então. Doce. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema. . Sim. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço. Fiz o possível para torna r a situação agradável. deitada. mas também com os olhos negros.murmurei.Então. não a deixaria cair. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez. levantei-me e tentamos mais uma vez. pelo amor de Deus. onde fiquei ofegante. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet. . contando.

Creio que não a conheço . Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres.Por Deus!. Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda. Era a nossa noite .Dança excepcionalmente bem.Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça. Talvez até mesmo bela.Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos . chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta. ou de que ela me lembrava alguém. mais uma vez . cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa. refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. . embora.. é claro.disse eu. no intuito de apressá-la. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. segundo fui informada. você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura.Belo casaco de pele . .Bravo! . sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. em suspenso. . foi uma surpresa para mim. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. Uma mulher alta e atraente entrou no camarim. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco. pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave. Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. Julian pulou para abraçar-me. preparando-me para o que ela viera dizer . mas eu conheço muito a seu respeito. Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul.que só podia ser ruim.comentou ela. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas. Parecia o meu amante do sótão. sem ser convidada.comecei. pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. Então.Obrigada. prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: .volte para casa e vá para a cama! Catherine. usando malhas brancas. . mantendo-me nervosa. procurando indicar-lhe que pretendia sair logo. E. os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval. passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos. Vamos. os cabelos escuros brilhando.. Demorou-se a retomar a palavra. . Embriagada pelo sucesso. que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições..Obrigada. correndo para meu camarim. arquejando se m fôlego. Agora.Claro que não me conhece. minha cara criança. . Parecia tão lindo à luz azulad a.Catherine. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. . por detrás da cortina. .Suponho que seja presente de meu irmão. Por algum estranho motivo.e Julian beijou-me os lábios. roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta. que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que. . Olhos e cabelos escuros. .ir e dar-me parabéns. ve m-se tornando importante. Aplausos estrondosos quando o pano baixou.. Peguei meu cas aco.gritava o público. tive a impressão de já co nhecê-la.a melhor que já tivéramos. . Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: . dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid . a fim de vestir meu casaco. pois haveria uma grande festa logo em seguida. como pareci a Yolanda naquela noite. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar. Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o.Você é muito bonita. Ela exibiu um sorriso retorcido e.

. Embora a Henny não possa falar. . a qualquer momento. Ela sorriu com pena de mim. tão firme. você sabe. cabelos louros compridos. Interrompi acaloradamente: .portanto. Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. é tudo o que ouço.Não conhece seu irmão. Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta. como se tivesse pena de mim. . Mexericos.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão..Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude. delicadas. uma cozinheira Ela riu alegremente. era uma governanta.Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista. com mais dez por cento de juros . Júlia foi uma das mulheres mais queridas.exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -. embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo. Paul me contou.Sei tudo a seu respeito. todo o mundo sabe de tudo.Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos. almiscarado. os vizinhos têm olh os e ouvidos.Saia daqui . um som duro e impiedoso. . .disse ela. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando.Sim. Júlia costumava dizer-me que ele.comentou. .. estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto. tal entosas. parece porcelana . . eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior.Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. ele me ama. como gostava de rir! Gostava da situação. de modo que ela pudesse usar as garras. Toda cheia de ino cência e sofisticação. mas recusava-se a falar com ele na rua. Dahl.s uspirou. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . Sou forçada a admitir que tem bom gosto. Amanda . golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas.Minha cara criança. de forma alguma prejudicaria a sua vida. Então. eu não o censuro. e pode crer que não será a última mulher dele. decidida. Paul gosta de mulheres jovens. como se realmente pudesse casar-se com você.. sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que. Amanda. Compre enda . Então. muito jovens. generoso.. . desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa.ordenei furiosa. sua boneca bailarina. . mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade. sensual e ma gra ao mesmo tempo.Uma pele tão imaculada. bondosas e maravil . . compreendo o motivo.a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio. realmente pouco me importa o que ele faça. e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo .a. não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont.consegui dizer. Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja. . pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens . inteligentes. Srta. embora não tenha bom senso. e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim. E também bonitas. Meu Deus. Se ela o empurrou para outras mulheres. como sabem rir as mulheres cultas. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir. e logo esta rá falido. vendo você. Ainda assim. Or a.Saia daqui! . forte. prestes a saltar sobre a pres a.Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser . Riu em tom baixo e sarcástico. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. Usava um perfume oriental. É realmente uma mescla peculiar.Agora. seu rosto assumiu uma expressão im placável. e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. . com uma risadinha divertida. também. nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. aquela era a irmã de Paul. Paul já se comportou antes como um asno. É honrado.

Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente. mas não fazem o que ele fez! Agora. Está evide ntemente apaixonado por você. Os olhos muito abertos fixavam o espaço. Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty. . Compreendo o raciocínio de Júlia. de certo modo.O que Júlia fez foi uma loucura .Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! . Contudo.Paul não é casado.. saiu do camarim. É viúvo. os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação. afogando-me. Oh! Que horror! . Scotty era um menino tão belo e inteligente . aí s im. me enganara. Fazia tudo para agradá-lo. apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele. é sensacional. Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais. me ame. continua a ser esposa le gal de meu irmão. Cathy. deixando-me as fotografias. reassumindo o tom suave. e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício.nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . ou o tipo de sexo que ele queria e exigia. . Uma mulher arrasada pelo sofrimento. Scotty era a coisa que Paul mais amava. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos .Gostei do espetácu lo.Nunca tive uma garota novinha em folha como você. .consolou ela. .replicou ela. Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava. Cathy .Não chore . por mais mu dada que estivesse. Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima.Consta dos registros do hospital . eu detestava a bruxa vingativa . Eu só conseguia pensar que Paul me mentira. não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem. seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim. eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la. Júlia está morta. . então. minha criança. Esfreguei os olhos como uma criança. Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. não é mesmo? . deitada numa cama de hospital. na época.. Ela acariciou-me o ombro com ar maternal.Eu a amo.mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo. não fora Paul. Louca ou não. tecendo-nos elogios rasgados.Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade. . Dei um arranco. . inexpressivos. Júlia não está morta.Não.fotos de uma mulher magra. . ele foi obrigado a procurar outras como você. ..Concordo . Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. Você é uma bailarina maravilhosa. Você é b onita. .É mentira! . saboreando a ocasião. Não obstante.Ele sofre. deseja ter o filho de volta. Pegue-o. felicitando-nos. . elimina-se aquilo que ela mais ama.. . deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero.. se culpa. E aquele rapaz. e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas.mas Paul impeliu-a a fazer aquilo.disse ela. você aparece e ele lhe põe um filho no ventre. .Ele se tortura. . talentosa.disse a irmã de Paul. As lágrimas toldavam-me a visão.hosas que já existiram. .. por favor. Hordas de pessoa s nos rodeavam.sussurrou-me ao ouvido.indagou ela.A propósito . cujo rosto aparecia sempre de per fil. Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!.berrei. Por favor.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. afogando-me.O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos . m e ame.realmente a odiava. de aspecto di gno de piedade. Suicidou-se no dia em que matou Scotty. S alve-se enquanto é possível. Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem. Nada significavam para mim. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. tomara-me sabe ndo que era casado . sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo. jovem. Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! . Então. Se você não aceitar depressa. segura de si. afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes. ficarei louco.

Deixe-me em paz.advertiu ele . . . Cathy. E havia também Chris.. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa.. Eu ri.disse eu. um casal tão lindo. Julian abraçou-me com força. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. para fazer justiça a Julian. ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho. A chuva continuava a cair incessantemente.Sim . com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul.Estou cansada e meio embria gada. que não cresciam por fal ta de cuidados.Amará.Seus olhos..Meu bem.Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? .. Nunca amarei outra pessoa senão você.Mas é! Sei que é! . . A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava.Você me subestima.Seu rosto dançou à minha frente. .Agiu certo. Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso. Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada. perfeito como um Deus. . Es ta noite serei eu. . deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa.Se você me tiver por uma noite. os olhos negros brilhando e soltando centelhas.disse ele. . seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era. Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? . Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem. Serão tão felizes juntos. a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou. depois desta noite. querida. ainda assim. nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros. e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe".. Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento.Está bem . ainda assim. no outro . rindo como se embriagada. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral. nunca mais me deixará sair de perto . eu não o amo.mas apenas por uma noite.. Parecia um sonho.. mais provavelmente. Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração. com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto.Julian. Catherine. Trata-me como um menino pequeno num minuto e. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida.Oh! Julian . mas lembrem-s e de não fazerem bebês! .Como pode saber? . Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento. Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe.segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico . e voltara toda sorridente e feliz. Podia apenas dizer o que esperavam de mim e. limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. menina.. fora o que ele me dissera. .. dando-nos sua bênção. na cama ele era tudo o que se gabava de s . não fique tão triste . Eu não podia fugir. .Julian. . . como um lobo faminto que pretende devorá-la. que sorria abert amente. trancados num quarto.. beijando-nos e derramando lágrimas maternais. Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos. Numa chuvosa manhã de sábado.repliquei com um prolongado bocejo. fôramos brutalizados e mal nutridos.. Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais.. .Julian. Entretanto. prognosticando o que encontraríamos pel a frente. Vá embora. . hesitei. mas. E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco. então. convicto. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe. temo que você não saiba muita coisa. Nunca notava nada que não quer ia ver.É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá.De jeito nenhum. o mesmo fazia Madame Zolta. amor da minha vida. Serei um marido fantástico. ou da minha.

seus pais morreram num desastre de automóvel. tudo o que eu fizera. Catherine. mantenham a pureza da dança. de modo que Chris. Antes que ele terminasse.. .. mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós. eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. Cathy. Acolheu-nos. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto. O que aconteceu depois? . mas como professora.. . mas Carrie adoeceu e começou a vomitar. .er.. não como bailarina. mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado. Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo... compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e.. vão embora. meus pensamentos. que comparava nosso estilo com o deles. . e acho que isto foi tudo. E durante todo o tempo.. O frio era perene. .Façam como sempre. não nos deixando intimidar. Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto.Isto foi tudo . exceto durante o esforço da dança.Eu o amava e pretendia casar-me com ele.Por que. . Então. em Covent Gardens. Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma. hem? . u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico. até que ponto vocês tiveram intimidades? . sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada. Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos.insistiu Julian. A essa altura.Agora. não beijado o u não acariciado. Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros. deixem-me sozinha.. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita. .Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se. prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida.. Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. fracassei totalmente.Então. Julian.Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto. sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas. e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida. como recém-casados. . Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito. . Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários. O The Royal Opera House. todas as atenções estarão voltadas para vocês . me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes.soluçou. entrarão para a história do Balé. Natais. Carrie e eu fomos forçados a fugir.. mas dêem a ela sua própria interpretação. por isso mostrou-se tão malditamente generoso.. Julian mantinha-se grudado a mim. quando vimos o teatro pela primeira vez.. .Sabe. . eu o desejava.repetiu ele lentamente.Mas não se casou. apertando-me num abraço de ferro.Amo tanto vocês todos. Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos. . se continuarem dessa forma. O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez. tornem cada cena a mais romântica possível. etc. E já cometera muitos erros.por tanto. O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra.Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso. . Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários.ind agava. afinal. Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo. Creio que ele teve pena de nós.. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse.

criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração. não espere perfeição.Eu a amo tanto. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço. Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem. deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. Cathy. lembrei-me de C hris. Tenho pé de barro.. presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela . darmos a notícia a Pa . Só eu. Mais do que já desejei amar qualquer mulher.respondi furiosa. como se o amor fosse. Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. No fundo. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias. pendia o m usgo espanhol cinzento. .. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima. Suspirei. Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem. A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York.. ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível. eu não era como ela . como você já sabe. Mais cedo ou mais tarde. as glicínias q ue floriam. Ele fez uma careta de dor. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço. permaneci sentada em frente às janelas. você terá que aprender a ignorar muitas falhas . Gozado. sempre perce bera as falhas de Mamãe. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse. Você também colocou aquele s eu médico num pedestal. Eu pretendia levar Julian ao interior da casa.Jamais repita uma coisa dessas.mas não creio que possa! Cometemos um erro. Assim.e isso não era talento ou inteligência! Não. excitantes. Casei-me com você.. para.Você me perseguia o tempo todo! . Pouco depois do primeiro dia da primavera. num pedestal. tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo . as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. como um amor que se apagasse até sufocar. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais.Eu quero amar você. Não precisava ter acreditado em Amanda. eu fosse igual a Mamãe...Cathy. embora diga que não me ama. Ao contrário de Chris. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. na verdade. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol . A primavera ficara para trás. . Doeu-me escutar o temor em sua voz. e senti-me perdida mais uma vez. honrado e honesto. Era o local de nossa libertação e. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente.o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. eu queria s er como Chris. É prati camente um desconhecido para mim. nada mudara . E eu era culpada de tudo. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça..não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum. Ainda não vira algo mais belo. as grandes magnólias prestes a florir . Mas não me pressione! Não me faça exigências. Agradeço-lhe por tentar amar-me. fracassará. aparentemente. se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja.. nos ja rdins de Paul.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque . ele t eria que saber. até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. no final.e sobre todas as folhagens. cansativas . Deus me livre se. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma. Sempre virara as moedas mais brilhantes. Nunca ninguém me amou pelo que sou. minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços. juntos. capaz de abandonar um homem sincero. Jule. nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . embora já nos conheçamos há três anos. . viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul. Julian! Um err o horrível! . pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. procurando a fac e azinhavrada.disse Julian.. estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível.

. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento. Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav . . É cansativo ter que dançar todos os dias e.Perde u peso. para variar. Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão. erguendo-a bem no alto. Julian simplesmente anuiu com a cabeça.ul . .. Toquei-o de modo hesitante.talvez comigo. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul. fitou-me estonteado. . Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada. A perda de peso caía-lhe melhor que em mim. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão. Carrie . . Ninguém me escutou abrir a porta. ao mesmo tempo. ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente.Mais ou menos isso.. Paul estava esparramado em sua poltrona predileta. Como se eu não passasse de uma aparição. carinhoso.Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? .repliquei num sussurro rouco.murmurou. Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. Cochilava. Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. . A cabeça. Julguei que ele fosse di scutir. . com o olhar fix o em Paul. também se movimentava de um lado para outro. O bigode parecia mais escuro e espesso .Ai! Assim.o bigode que ele deixara crescer só para me agradar. Ele bocejou.disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave. Então. seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar. Contudo.Sofri quando parou de me escrever todos os dias. tinha necessidade de ver-l he o rosto. Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s.Oh! Cathy. Parecia uma linda bonequinha. levantou-se de um salto e correu para mim.indaguei. Não obstante. não foi? Só quer saber de dançar. seu blusão vermelho de vel udo piquê. presu mi .respondi distraidamente. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? . Naquela época. então. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. .Você também parece mais magro . Poderia te r telefonado antes. sobre ele. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana.Catherine? . Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho.. preciso de minha família. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: . Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. mas quando você não escre veu o Dr.. jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona. Dormitando levemente. Paul achou melhor esperarmos. Abraçamo-nos e beijamo-n os.. enquanto Carrie permanecia calada no chão. . Por algum motivo. observar-lhe os olhos. me machuca! Parecia tão bonita. sabendo que já não me pertencia . virou o rosto na minha direção. enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados. o olhar preso ao meu. Paul ergueu-se e caminhou para mim. . diante do aparelho de TV em cores e da lareira.Sim. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível.Cathy.mas não pude.Você parece diferente . tentando adivinhar o que ele pensava. ..É você? Carrie escutou a pergunta.. Um tanto trêmula. tentar ler-lhe os pensamentos. Concordando. estava com quarent a e três. o s pés descalços. avancei para abrir a porta principal com minha chave. fresca e bem alimentada. acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo. Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços. E não precisa da família qu ando está dançando. Mesmo dormindo. os tornozelos cruzados. ou enviado um telegrama. agora. sonhando. erguendo a mão para tapar o s lábios. Paul tinha quarenta anos. E parece cansada. após sal tarmos do ônibus. esqueceu-se de nós. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama. sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse. fitando-me c om ar de censura. ao lado da poltrona.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

. Sinto-me tão ignorado! . Agora. Então..rto viver sem alguém que me ame. mesmo que corresse atrás dele. Tudo correrá bem Você verá. . faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa. sobreviverá à decepção. movimentou rapidamente as mãos: .e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso. . onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer.disse Paul. mais ou menos para saber notícias de Julian e você. .quis saber Julian.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo.É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai. Naquele momento. indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. Carrie é como se fosse do meu próprio sangue.. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito.Cathy. Não creio que tenha muito tempo de vida . Em seus braços.Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama . Mordeu nervosamente o lábio inferior. você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha.O que lhe diz ela? . . Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses. . Mas jovem dançarino talvez não so breviva. galgando a escada como se voasse. forte.Georges está doente? . creia-me! Henny sacudiu os ombros largos. . não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. angustiada. A notícia de meu casamento com Julian! . Levarei Carrie comigo.lamuriei-me. Entrei no quarto de Paul. ele depende de mim. muito doente. Além disso. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar. Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto. Um homem já sofre. Voltarei antes de vocês parti rem. não chore mais. metendo-m e a brincar com uma jovem .Henny! . Então. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo.ordenei.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la. muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul. comecei a chorar baixinho. .O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio. Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente . . levantou-se depressa e partiu em direção à casa. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa. nunca se adap tará a seu tipo de vida. fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas . Paul entrou na sala com as malas e se . não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom. Não é meu cliente. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama. .Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora. enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala. Enxugue as lágrimas.Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido.Escute! . .Fique aqui e espere! . sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. Henny apareceu na varanda e. Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. com sua mímica rápida como o raio.gritei.Sim. Falo u-me por meio de gestos e. de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa.Por quê? . Naquele momento.indagou ele. mas procuro visitá-lo sempre que possível. . Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local. de modo que me surpreendi com sua reação.Você me ama um pouquinho. aborrecido. Cathy. Mãos escuras. Deixe-a ficar comigo e Henny. afinal. Então.

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

pois ela só lhe poderá causar encrencas. ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa. eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. como um filho único que necessita sse de mimos constantes. sei que seu marido me detesta.declarou Julian. nunca fora de meu campo de visão. Chris brilhava na escola preparatória e. e se desapontara tanto com o pai. No momento. cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco. completando o quarto ano da escola prepar atória e. Mas trate de manter-se distante de Yolanda. então.aquele médico de quem você foi noi va. eventualmente. Chame de ciúmes. . até mesmo agora.Claro que ficaria . Veio de avião a Nova York. co mo eu também fora. Além disso. pois compreendi que fora terrivelmente ferido. Juventude clama por juventude e Julian era jovem . Talvez Paul tivesse razão. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. Meu irmão fitou-me de modo estranho. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . terminando a refeição. .. numa radiante manhã ensolarada. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico. coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos. Quero tê-la a meu lado o tempo todo.. baixei a cabeça. fico malvado . um bailarino talentoso . compartilhando em termos de igualdade. da mesma forma que minha mãe me decepcionara. . Às vezes bebo demais e.Está certo.e encantador. quando resolvia sê-lo. Cathy. não desejo magoá-la. estou pouco ligando para Yolanda. E Julian precisava de mim. Dividiríamos tudo pela metade. . Chris. bonito. E.sposa: acho que você gosta demais dele. . simultaneamente. ele não vai me afastar de você .replicou Chris. Mas seja lá como for. . Mas não se esqueça . nem muito menos .. Sua irmã é legal. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte..Cathy.Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa.Está bem. Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la . E tem mais: também não morro de amores por seu irmão. cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde. ele me tocou. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse. Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. E não furtivamente. Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. meu superior ou amo. tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana. Caty. mas era capaz de domá-lo. às escondidas. Não sou cego ou estúpido.Eu não chamaria exatamente de "detestar".Você é a melhor coi sa que já me aconteceu. de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores. Era primavera e as aves gorjeavam. obscura. Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. meu carcereiro. explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. eu não me importava. Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família. . Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê. Naquele momento. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. Eu já o vi olhar para você e. Preciso de você para me manter na linha.Eu a amo como um louco .Chris. Nem Chris. no quarto ano.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida. .replic . teimoso. nem Carrie.muito malvado. O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas.

Eu sei .esbravejou Julian.Conseguiu ver meus seios? Não .cumprimentou. O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir. Chris passou três anos sem voltar a Nova York. porém.uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade. . Entr etanto. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina. outras vezes dançávamos papéis secundários e. Cathy.disse Chris.replicou ela. trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . decaíamos. minha linda cunhada! . Quando Carrie completou quinze anos. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito.É mesmo? . Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação. sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso.Não gosto de você. pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. . nunca muda. fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: . correu pa ra tomá-la nos braços. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser. Carrie o adora e é adorada por ele.Paul é Paul. a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. . Carrie ficaria profundamente ofendida. fazendo questão de beijar-lhe o rosto. Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. partindo de Julian. Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory. como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta.Cathy.Ora. . colocando os críticos em polvorosa e. que deveria estar ao lado dela. rindo. . Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo.Cathy . tínhamos os papéis principais. pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma. ganhei um de verdade! . Não obstant e. .. tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa.Já não uso sutiã de treinamento. apertando-a com força. Chris pegara a minha mão. assumindo um tom muito sério. O que é? Sacudi os ombros. . parecendo deleitada. . Então chegou minha vez de abraçar Carrie.. Era uma piada que costumávamos repetir. será impossível nota r a diferença .A primeira coisa que notei foi seu busto. trocamos novidades. . depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto. . E na verdade. Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros. veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York. teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos.portanto. era um elogio de alguém que ela tanto admirava. voltei para assistir à aul a com Julian e. em cer as ocasiões. . .Como vai Paul? .Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? .Não se atreva a me chamar de Fadinha! . Soltando um grito.Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar.perguntou Carrie.Olá. depois. abraçando-o pelo pescoço. Na minha opinião. Às vezes. Não sabia o que era. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. da nçávamos como parte do corps de ballet. choramos.sussurrei em resposta. . até que ela me segredou. jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco. . não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu.indaguei em voz tensa. Julian foi o primeiro a avistá-la.ou Chris. Desanimada. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. talvez ainda mais que estes. Se Cory ainda estivesse vivo.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos.Não quero você dormindo sob meu teto! .

adoramos a música e a dança esp anholas.Na verdade.pensei que aparecessem tanto. Madame Zolta sugerira as fér ias. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. Estará cansada e precisará de tempo para repousar. Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. O envelope atravessara a Espanha atrás de nós.afirmou Julian. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . . Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. Estava ma rcado para junho. . Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico. Os meses pareceram voar..É um papel difícil para você. Era como se eu. sabendo o qu e ele continha .a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. em maio. mas que me causava dores de cabeça. Duas semanas era tempo suficiente. Pelo menos. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur ." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado.. Cinco anos e três meses de vida conjugal . sobretudo. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos . Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso. alcançando-nos em Barcelona. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris.afinal! . em maio. gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento. algum temp o antes. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV. Contudo. Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. claro que aparecem .Ora. adorand o o lindo panorama. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé. Você também ficaria. Protestei. havia um membro de minha família qu e Julian aceitava. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele. Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie.Por favor. E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. afinal. pessoalmente. Após a refeição noturna. Cathy! . na primeira vez que ela viera sozinha. e um tape de TV não levava muito t empo. sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava. Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo. . Usando um carro alugado. Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme. a primavera pela qual tanto esperávamos chegou . o preço seria a inda menor. e. julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. viajamos de cidade em cidade. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. . mas queriam nossa presença agora. . Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. Portanto. .É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso.Ora. deixe disso. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha. como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina. Julian e eu estávamos em Barcelona. relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios. querido.alguns dos quais já se tornavam realidade.mas. Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos.replicou Julian. tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas. vamos. impaciente.e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido.

. desta maneira. embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele.exceto no sexo. Paul! Agora. fui inform ada de que seria uma noite de amor . que a adora. ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. Sem dizer uma palavra. opinar sobre as roupas que usava no palco . desta vez. meias e gravatas.explodiu ele. ficará ao meu lado até que eu a mande embora.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo . E. E est a era uma delas.como ocorria ocasionalmente. levantando-se e pegando-me pelo braço. desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador. mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua. . semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. elegante. sua mãe. Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! .Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava. Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado.ou melhor. de sexo.foi a resposta brusca. Tinha que escolher s eus ternos. tal vez. tornei-me se u senhor e soberano . . Franzindo a testa. brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e.Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã. você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! . pois beijavame o corpo todo.disse Julian.Que diabo! Não! . De qualquer maneira . mas não importou realmente. O que ele me fez foi espantoso. Fechei os olhos. Não obstante. Depois. não sua escrava! .e me mantém afastada para que eu também não participe.Já estou farto de tanto escutar Chris isto. . como não quer saber dela. Ou pode ficar aqui.Você nunca me fala do passado! . eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora.Não me ameace. Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr. Cathy. que não co nsegue viver sem a sua presença. .se por tantos anos. mundano. suas malhas de ensaio. . E aind a não estou disposto a fazê-lo. re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. Todavia.Não quero mais falar no assunto . Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: . mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado.Venha. Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava. Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura.portanto. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. minha amada esposa: quando se casou comigo.advertiu Julian com voz abafada. Talvez você consiga aprender idiomas através de discos. o que só acontecia quando a dor era muito forte . . camisas. mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! . onde comecei a des pir-me. Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos. permiti que ele me puxasse até o quarto. Julian se aproximou para ajudar-me e.Escute bem uma coisa. com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. vamos dormir.Eu vou. Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: . com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras. . Quando me decidia a iss o. desde que pudesse ir à formatura de C hris. é Paul isto. Estou cansado. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol. M as. recusava-se terminantemente a permitir que . mas sou incapaz disso . embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las. Julian . Fique com o marido que precisa de você. Zombava de mim. pois não tomei parte no ato. não tem quem ligue para você a não ser.Chris é meu único irmão. não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado.Excetuando eu.repliquei friamente.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família. emburrado e sozinho.Não tente escapulir às escondidas . quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto. po is nunca participou de nada . acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim.

malvado e vingativo. deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas. Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã. Tanto quanto você é perito e m obrigar.. . Agora. Cometi a tolice de sorrir. como você. para serem jogado s fora quando sujos. Além disso.Agora. fará exatamente o que eu mandar. com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. . dê-lhe uma oportunidade. que eu era a única.Bom dia querido. Equimoses apareceriam e além disso. lemb ravam-me prostitutas. Comemos em silêncio.Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo. era o homem . Desafiou-me a morder a isca. Ele avançou devagar. não me interesso por livros ou museus. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos. indagando com naturalidade: . a esta altura. Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s.Direi a todo mundo que você está doente. Julian parou a um passo de distância. que n ecessitava de mim. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. logo que descobrira a verdade. mas talvez os dois . Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir.Desculpe-me. Sorriu e esbofeteou-me de leve.. A princípio. servi-lhe café e respondi: . Cathy . mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite. Sorri. sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas. recém-barbeado. Você já devia saber mui to bem. eu também não me incomodo. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras. Para você. Parece ridículo. eu ficara magoada. se sabe o que é melhor para você. ele merece. E agora. . . Julian. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado.ou ainda pior. cheirando a sabone te e loção de barba. Naquela noite. Julian. . queridinha. moreno e despreocupado.Cathy. . forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira. que tinha mania de lingerie preta. o que fará desta vez? Sorridente. Nem torradas. tendo voltado ao normal. . Então. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte.Pare de ficar ajoelhado.murmurou ele. Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. .Está zangada porque não atingimos o topo da profissão. .Qual é o problema. à sua maneira exótica. um omelete de queijo. afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta. ou mesmo dar um telefonema. mantive-me de cabeça erguida.eu cuidasse da economia doméstica. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. então Julian voltava para mim. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados. existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito.. n em manteiga. Cathy. e minha própria mãe. Julian foi cruel. dizendo-me que me amava.. . está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. não sei como me divertir excet o dançando. Para mim.exceto no ego. Julian. Ele avançou raivosamente para mim. o que fi z obedientemente. Contudo. Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele. E não poderá fugir às escondidas de mim. limpo.Não farei um juramento tão injusto. Sou perita em odiar.Se elas não se importam.

Todavia.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. claro que sim! Estava louco de nervosismo. talvez. Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair. hesitei. . partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el. Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto. Bartholomew Winslow.repliquei. Sim. que deveria ali estar para ver tudo aquilo. Esperando. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. sempre esperando revê-la. em seguida.mais bonito que eu já vira. . encarando-o. Sabe. . debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. Naturalmente.Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e. fazer o discurso como orador da turma. Se Julian estivesse acordado naquele momento. pouco depois. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte. Por s . imaginando se teria agido corretamente.Cathy. Embora eu o t ivesse drogado.Eu o amo. . temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. Ainda não me considero pronto para ficar grisalho. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim. Francamente. torna-a ainda mais bela. Gosto de s eu penteado. que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . . Henny e Carrie também derramaram lágrimas. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. .Ora. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento.Ele também teve muita pena disso . mas o fato é que o fez.declarou. Com o rosto erguido para mi m. Eu não via Paul há três anos. ela está na cidade. para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. Lembrei-me também de nossa mãe. E Julian também deveria estar presente. Quando tornei a fitar o palco. Enfiei rapidamente roupas nas malas. com um l eve sorriso. Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. Uma hora após o café da manhã. O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. avi stei Chris lá em cima. Então. mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los. pronto para subir à tribuna. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis. . . enquanto Julian dormia na cama. peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. está magra demais.Alegro-me por você ter vindo . encaminhei-me à garagem. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. Obrigando-me a afastar o pensamento dela. C athy. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade. passaria o dia inteiro colado a mim. É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". Sentar-me junto a Paul. Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. Paul. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. Julian. da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. na Carolina do Norte. eu fizera o que precisava. hoje você ainda não disse que me ama.Se encontrar algum. com demasiada admiração. Ele respirava de maneira profunda e regular.É uma pena Julian não poder acompanhá-la. com meu passaporte no bolso. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo.brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e. Nossos olhares se encontraram e fixaram.Está procurando cabelos brancos? . sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão. O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez.

para rebater a bola por cima da cerc a e. Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar.informou Carrie . Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. Mais tarde. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações.disse ele. Vi-o no quarto trancado. Paul. Vi-o manejar um bastão de beisebol. representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma .... pintada por encomenda. Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente. só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr.O resto da coleção será enviado para você a domicílio. lançando-me um sorriso encorajador. só poderei ficar aqui dois dias. . Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam . Observando Chris. aos dez anos de idade. Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios.Livros! .se Cory não morresse. Chris. porém. . Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele.obre todas as cabeças que nos separavam.Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo.. Além disso. Cathy . Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido. em seguida. . De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. novinha em folha. . também era frágil. São mais livros . Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. marcarei as consultas. e voltara-se para mim. Entretanto.O Dr.como fazíamos desde crianças . tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. quase sem fôlego. Aparentemente. sua ca ma a um metro da minha.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica. Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera. . cada qual pr ocurando as palavras adequadas. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel. embora eu fosse de opinião contrária.menti. se nossa mãe não nos at raiçoasse. Chris e a mim. manterei os arquiv os em dia. poderia parecer extravagante no consultório. Desde pequenos. . acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos. como tive o cuidado de advertir.explicou Paul.Não consegui carregar mais que seis .e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação.. . toda pintada de vermelho! O Dr. a fim de chegarmos juntos em casa. quase escondido naquele espaço imenso. Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. se Carrie atingisse uma estatura normal. .prolongava o prazer de recebê-lo. Chris limitou-se a r ir. pois sempre tentávamos enganar um ao outro.Ele queria vir. acertadamente. em nossa mesa. Na verdade. deitados nos velhos colchões manchados no sótão. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina . cuidarei da contabilidade .Não. ..adivinhou Chris. Vi-o novamente nas som bras do sótão. Infelizmente . . quando ficava sozinha. Havíamos participado indire tamente de tantos romances.Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto. Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele . Carrie ta garelava sem parar. E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone.e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. Olhei para Paul.mas algum dia ainda seria. a coisa era muito dife rente. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio. realmente . unimo-nos numa comunhão silenciosa.

Está vendo aquela janela no segundo andar. Você não devia ter gastado tanto. Cathy. .em especial.Oh! diabo. ou existe. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho. de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos . .Bem. embora não se tenha apaixonad o. quando saíamos com garotas.. o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. Quand .Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou. E funciona. sonhador. .Conheci-a durante a vida inteira.Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar. Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto. Sim. declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo. quando fomos para Foxworth Hall. Eu gostava delas todas.. Agora. íamos juntos também. Tanta coisa para aprende r: física. .. levaria várias horas. e não devia! .e não posso fazer isso. Nada foi fácil.Não está respondendo à minha pergunta. Chris.Creio que é. Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo . Certa vez. Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade. . .. as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos . precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão.Os camundongos morrem cedo? . e darei uma deixa. falando sério: . Paul. . . sufocado de emoção. certamente. po rém.. que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho. Entretanto.Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato.e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico.Concedo-lhe apenas um palpite.. a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank...disse Chris com voz áspera. .. Sim.Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina . alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si.Oh! .Que belo brinquedo você me deu . após todos aqueles anos. tomando cuidado para não rasgar o papel bonito . toda vez que Chris matava uma mosca.respondeu Chris. que o fez parecer novamente um menino. O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana. também.Caso decida divertir-se nas horas vagas.Isso não é da sua conta . Declarei com voz sumida: . Com quem você saía? Existia. eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian.Deu-me um sorriso engraçado.replicou ele em tom despreocupado. Por que usara aquele tom suave.Você saía muito? . e mais uma lista interminável de matérias. Cathy. química. . Antes. . Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela .indagou Paul.Nunca esperei possuir um des tes. . foi uma fortuna.1675-1840". .acrescentou. biologia. poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. ou aranha. Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota.Mas fiz questão.. chave e alça de bronze polido. ma ntidos numa prisão. anatomia.murmurou. . . Christopher Doll. suspirava por um microscópio John Cuff. . se é isso que des eja saber. devo começar a enumerar uma por uma. Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara. apesar de tudo. pelo nome? Assim. E.Eu amo uma garota . além das roupas.Só nos fins de semana. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la. era exatamente aquilo que eu desejava saber. Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim. . mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff. um camundongo chamado Mickey. E não é original. vivêramos num mundo diferente quando crianças. . Estudávamos juntos e.suspirei.

Cathy. Virei-me. lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me.Poderíamos levá-la conosco. observando-nos e condenando-nos pelo que éramos. . gritando quando tem pesadelos. . é problema meu . e agora tira o corpo fora. Entretanto.E deixaria Carrie? .Pare! . eis a garota que me persegue e governa.Eu fiz exatamente como você. caso se cortassem. Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. Cathy. Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta . sonho com ela dançando acima de minha cama. filha do Demônio. . . parecendo magoado.gemeu Chris. chego a pensar que você é igual à nossa mãe. boa ou má..replicou Chris com um sorriso amargo. como meio de castigar-me. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa. ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos.o vou dormir. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian. excitouse de todos os modos possíveis. Se m problemas. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul.gritei. às vezes. . Não fiz nada. bancando a virtuosa! . Uma vida doce e fácil. E. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros. acordo para tirar-lh e piche dos cabelos. Às vezes. mas tente matar meu amor depois que ele começou! . ele recuou. Permaneci onde estava. à noite..Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e.. Em seguida. movimentando-me como num sonho. E se você morrer antes de mim. Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei. anjo. tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. espero que agora você esteja satisfeita. chamando-me o nom e. tentando conduz ir-me a seu quarto. com os lábios em meus cabelos.Santa.. Eu não que ria corresponder. Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. beijando-me o rosto. .Cathy. Julguei que ele estivesse brincando de desejar. E. nem um anjo. como fazíamos quando crianças. quero odiá-la. Então. Ele sorriu com ironia. Chris. eu jamais conseguiria odiá-la . se você me acompanhasse. Sem a menor dúvida..Cathy. Esqueça-se de mim. você bem deveria saber. Port anto.. acordo sentindo o corpo inteiro doer. . olhando a lua.aquele rosto que também me perseguia. encantei-me novamente com a casa e os jardins. por Deus. Não sou santa. . como se procurasse provas qu e me incriminassem. não demorarei muito a aco mpanhá-la. abracei-o e fitei-lh e o rosto . cercada de todo acolhimento e conforto.Odeie-me..Não me ame.e agora não consigo fazer que saia. Chris prendeu a respiração.. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. .. Então. .Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você. que tipo de mulher é você. como o dela t ambém dói. Deve haver algo esquisito em mim. Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. sem mencionar Carrie.Às vezes.Cathy. você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte. . .Não mereço estar lá dentro. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros. afastando-me rapidamente de si. convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família.não seu..Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. afinal? Correspondeu aos meus beijos. ela disse q ue a lua era o olho de Deus. então! . Pross eguiu: . Lá chegando.. naquele sonho. Não era tão bela. refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul. A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris. juro que não fiz. mas não consegui evitar.. então. e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite.

disse com ar indiferente. Então corri para dentro de casa. Pela primeira vez. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida.não com sua espinha machucada. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente.Nada! Meu irmão ficou calado por um momento. mas mudei de idéia. Do fundo do coração.exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me. em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso. Não me importava. E u continuava tentando provar meu próprio valor.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: . que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol.. rápida e graciosa. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda. Certo dia. deixando-me muda a olhar para a po rta fechada. egoísta.Traz um artigo que talvez lhe interesse . conseguisse ne gar a acusação feita pela avó.Cathy. Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: . mais uma vez. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. Talvez não estive sse grávida. Encaminhou-se para mim. dançando Giselle num grande especial de TV. tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia. Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino. como sempre. poderia ser apenas mais um alarme falso. . cujas regras eram tão irregulares. Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando. vestida de preto. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão. s ubi ao meu quarto. faminta. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar. . Corre m rumores de que a Srta. Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e. exigente. Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu.. A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . Veja. nossas celebridades locais .não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida. até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas. Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos. pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se . a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro.Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. Madame Zolta a trataria com mais justiça. Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa. Então: . Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. Que fizesse papel de tolo. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. queria que eu tomasse todas as decisões.de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam. Então. Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. caso não fosse.. aparentemente separou-se.dentre muitas outras . Avó. Que Julian ficasse com Yolanda. para que. e.. Com música de balé na cabeça. . não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das. Não poderia erguer Yola nda com facilidade . O artigo ia mais além. no final. enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança. Não! Eu não era igual a Mamãe . Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais. No resto do tempo.Catherine! . co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada.

chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe. . ela rosnou. colocando-a de modo a poder c avalgá-la. como Julian era boquirroto! . Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório. .Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora. desde o início. mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse. Apoiando os braços no espaldar. que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto.Agora. com algum as mechas escuras. . Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. suavizou-se e acrescentou: . isto eu admito. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. . E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande. eu nunca .Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! .só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança. avançando para mim.nunca! . Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . Então.Como é bom rever seu lindo rosto. enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção. com expressão tristonha e sonhadora . venha. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa.replicou com rispidez.Na verdade. trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida. mas mesmo assim. Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho.Eu era mais velha que Georges quando nos casamos.Agora. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama. conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! .Se meu marido já não m e quer como par.continuou. Oh! sim.deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu. Catherine. como um passarinho. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber. Então. G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso.repliquei com muita calma. Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro. . .. pela adulação. . de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante . De perto.Sabe. ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar. Passamos muitas noites abraçados na cama. todavia. até um belo dia d . . quanto mais tentávamos... Um dia. ansiosos pelos aplausos. poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece. Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso.Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai. perfe itos como nunca tinham sido. mostrando dentes mais alvos que antes. você bem sabe que não pode ser deixado sozinho. Portanto. Ela fez uma carranca. golpeou-me com seu olhar penetrante. atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás. . mas sempre o mantivemos conosco. percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges.Não se preocupe comigo. fiquei grávida.Por que se esconde nas sombras? . nunca mais volta ram às boas. . Julian significou d ois golpes contra Georges. . tenho certeza de que outros me desejarão.Agora.Fomos rígidos com ele. eu lhe dava toda a minha atenção. Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor. Fez outra pausa e virou a cabeça.indagou. Os cabelos negros estavam agora quase brancos. Madame .. trate de ficar caladinha aí na cadeira.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação.

. julga que odeia você! Agora.. oferecendo-se. Todavia. não passava de uma criança! E agora. ch ute-lhe o traseiro. cheios de suav idade e admiração. Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois. mas estou disposta a voltar e tent ar.Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. na verdade. ainda assim. quase sem fôlego: . estará dizendo claramente que não o ama.. Considerei-a inteligente. fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu. nem padre. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha. Então. Julian competindo com o pai. e eu competindo com minha mãe.muitas delas . Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas. . Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim.berrou com voz esganiçada. você era indiferente.Você chegou. quando não estava m dançando. A seu próprio modo.e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto..Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. quer esquecê-la! E quando o conseguir. Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. eu. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo. De repente. postando-se diante de mi m: . que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele. Parou mais uma vez. mas ainda precisando comprovar meu valor. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas. Então. procurando ir embora.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. criando os fil hos daquele médico. fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . mais dete rminado ele estava a possuí-la. Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho. como um gato de rua arrepiado. quando.Não sou mãe dele.. ministra-lhe drogas e foge. com as pernas fracas e trêmulas. que nunca o amou! Port anto. Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido.. apenas não conseguia aceitar o fato. . foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele. Julian viu você! . .Sim! Sim! . amou-o quando dançava com ele.. está louca! Bata-lhe na cara. Abandona-o. você era igual a Julian.Madame. sem entender que vencera e era o melhor. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. admirou-o. ele diz que você não o ama.mas. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas .e Natal. você. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo.repliquei fatigada. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens .Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas. Prometo agir melhor. de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . juntos. Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual. entretanto.Se o ama. você o aba ndonou num país estrangeiro. cujo idioma ele não sabe falar. não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente.principalme nte por pensar que magoaria meu filho. Não sei por que motivo tive essa impressão. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer. se ficar calada. com meu ódio por minha mãe. agindo como se não ligasse. dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade. onde estaria você? Sem ele . Recuei em direção à porta. não o quer. por acaso você estaria em Nova York. fazendo um jogo de mulhe r astuciosa. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. Quanto mais decidida você estava a vencer. que me obrigava a cometer loucuras. não precisa dele! . nem Deus . Talvez sempre o tenha amado. só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai.

Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. Paul se manteve afastado.respondeu ele. Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris. Embora eu tremesse de frio. Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina.. achando graça no seu jeito. Diga-lhe. e . Ri. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo. como sempre. Agora. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele. E eu também tive culpa. . eu sempre soube. . deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração.Agora. Não é perigoso. pois este fincou pé: . você será melhor bailarino que eu. Estávamos ambos cansados. se fui dura com você. Num gesto automático. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho. é para seu próprio bem.Chris .Puxa! . esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la. O palco estava brilhantemente iluminado. tão sonolento quanto eu. Procurei por Julian.Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. digno de ser amado pelo que era como pessoa.Também estou procurando. . mas não o av istei. e nem mesmo permita que ele o veja. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição. ele o disse muitas vezes. Chris. satisfeita de tê-lo perto de mim. Mas Georges se manteve em silêncio. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. enquanto eu levava a sua. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim.replicou Chris num tom sombrio. atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu. co m agasalhos de lã vermelha nas pernas. Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total.exclamou-me Chris ao ouvido..Sim .indaguei sonolenta. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa .. na metade posterior da platéia. Vá depressa . Teremos que ensaiar muitas vezes.Pobre criança. O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado. .A esta hora. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores. com o Georges. Carrie chorou. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço. salvar-se-á também. A mim. Na verdade.Você é mesmo uma ótima companheira de viagem . no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? . Chris carregava minhas duas malas pesadas. Catherine. embora soube sse que Julian ficaria furioso. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível. O diretor. caso as cois as corram bem.Claro . Julian deve estar ensaiando no teatro.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco. Entramos na platéia escura. .Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. . apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa. Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem. Você precisa evitar que meu filho se destrua. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. as câmeras de T V em posição. tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme. Que seja muito em breve. pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria. Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. Paul e Henny. Disse em tom consolador: . antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. . Ajeitei-me numa posição confortável. muito mais leve. Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho. mantenha-se à distância. Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie ..resmungou ele. Oh! estava maravilhoso na justa malha branca. Quando conseguir salvá-lo. prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. . .

até então. preste atenção a sua dei xa. sentindo-me tão exausta quanto eles.disse o diretor. Então.Marquet! . Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia.refiro-me a você também. ela sibilou: . .Eu! .. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco. aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo. Lá na frente. Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. Mesmo eu. Tudo estará bem.disse o diretor. julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco. Lange.. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido. Os olhos negros me viram sentada.chamou o diretor.esbravejou Julian! Não sou eu. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! .berrou ela. A despeito de m im mesma.concordei. Ou melhor. Lange . de um para o ou tro. arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele. Sorri.. Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta. Chris . procurando acalmá-la.. Yol anda escorregava e quase caía. Desta vez. obser vando a cena como uma águia. tudo dava errado. sarcástico.berrou o diretor. Catherine! . . eu entraria em ação. . fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil. Enquanto isso. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! . tensa. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé. em breve ficaria se m par. pondo-se de pé e olhando.Ei. . é claro. sentada quase no fundo da platéia. Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas. Agora.chamou ela com grande entusiasmo. Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção. então. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora. usando uma malha vermelha. . Dahl. vamos tentar mais uma vez. um minuto. O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. pois eu também precisava de disciplina. Cathy. .Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: ..é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência. . Gesticulando.Sim . indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta. que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda. se me deixar cair.sussurrei .Corta! . .Srta.Com licença. aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos. quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! .Ei. .É apenas a cobertura da Srt a.Eu também.. sempre com maus resultados. é ela! Sempre salta antes da hora! .Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras. você. apronte-se. Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. Marquet. na primeira fila. A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e. você não estava tão doente. que fazia todo mundo perder tanto tempo. Não obstante. dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela. Perversamente.Está bem . pude escutar as imprecações de Yolanda.Maldito! . Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! . o resultado foi igualmente desajeitado. Obv iamente. pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles. Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo.Faz-me parecer desajeitada.Então. famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena. comecei a ter pena de Julian. Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto. impaciente. Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você.

Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle. meu coração querido. Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim.Escute bem uma coisa. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor. Ou melhor: logo nós fica remos loucos. Empalidec eu de dor. Meu amor . de repente.Maldito seja ele por fazer isto! . ajoelhando-se para desca .. utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias .tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia. tarde demais para salvar-me. sei que você a detesta. dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras.Seu marido. deixei-me cair no palco.Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? . Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios. Julian é impossível! É um furacão. por isso a escolhi.indaguei -. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo. se não tornar a ver seu rosto. amor. vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e.disse ele com grande frieza.Você não me ama . Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem. diretamente sobre meus pés.Não está dizendo a verdade .berrou o diretor.. Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem. quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? . olhando para os pés que inchavam rapidamente. Por mais que eu fize sse ou dissesse. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros. tentei focalizá-lo. enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco. ele exibiu um sorriso malévolo. . um demônio. sem parar de acomp anhar o ritmo da música. você verá quem dançará Giselle comigo. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância. se fizemos tudo com tanta perfeição? . .Sim. boneca bailarina: ninguém me abandona. ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco. quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz. Como poderiam cortar a cena. minha amada Catherine. não sabe ser razoável! Logo ficará louco.Agora. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada. fazendo um perfeito "colar de pérolas". Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar.Você foi substituída . agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você. caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. Certamente não será você. tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos. Estonteada. Ao invés disso. . . e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida. . Agora.Você é um bruto maldoso e sem consideração.Nunca me amou. Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores.Intervalo! . calcei as sapatilhas. O alívio brilhou n os olhos negros de Julian . bem? . nunca me amou. esperando tudo dele. empurrando-a com tanta força que ela caiu. Em breve estava pronta..Olá .mas apenas por breve instante.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange.. Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse. meu amor . Julian interrompeu a seqüência do balé. Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys. . Então.replicou ela cruelmente. mas não bastou. Yolanda tentou deter-me. . .disse Julian com amargura. Chris correu do auditório escuro para socorrer-me.. especialmente minha esposa.. . pulou muito a lto e desceu com toda força.Portanto.Madame . Portanto. Agora.repliquei.. Hesitei nas coxias escuras. Então.vociferou meu irmão. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios. Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco.Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. sozinha.

Com extremo cuidado. Portanto. afastando-se para examinar os outros cômodos. Temos seguro contra acidentes. Esbugalhei os olhos. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos.Você é o irmão de Catherine. as armações de arame retorcidas. Os abajures espalhados pelo chão.tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! .lçar-me as sapatilhas e examinar os pés. Nossa sala! Que desastre! oh! Deus. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito. enquanto eu me derreei sobre as almofadas. ..aconselhou. E Chris não pronunciou uma palavra. deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto. Mantive os o lhos fechados com força.. rasgado da moldura. .objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos .Ficará boa. . para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo . olhei em volta. . enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso. Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista. os médicos preferem ser exageradamente pessimistas. do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde.replicou ele.disse Chris em voz baixa. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados.Vândalos . beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s.mas não cons eguia. Sorriu.Tenha calma . mas gritei ao sentir a dor terrível .. . azul e roxo que ostentavam. soluçando e fungando. atirado no chão.. Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim. Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas. as cúpulas rasgadas em tiras. Graças a Deus. abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto. Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado. Já que ele se mostrava tão calado. perguntei a Chris. . que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede.ordenou Madame Zolta.quis saber ela. revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito. . causador de toda essa encrenca? . Então. Olhou de perto para Chris. . tudo depende. T udo que era bom e caro.. muito querido . tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira.Claro que voltará a dançar .Leve Catherine para o nosso ortopedista . Depois. os dedos maiores foram poupa dos. Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça. Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação.Lev e-a depressa para o médico. tornou a pegar-me cuidadosamente no colo.. Mas não disse do que dependia. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas. com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé. boquiaberta. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar. Em meus pensamento s. nem u ma só palavra. distante . Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé.graças à sua perícia incomum. Desajeitadamente.Simplesmente vândalos. Você vai precisar de um ortopedista. Cathy.Você poderá ou não voltar a dançar.. Atemorizada. .. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás. Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente.Às vezes. confiante. Mas aquele marido imbec il. chegando-me até o joelho. tentou mover-me os dedos. Meu irmão tentava mostrar-se profissional. basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados. procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente.

vi Chris como outrora. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences.. . Logo adormecerá e esquecerá tudo isto. . Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu.acrescentei com amargura. . Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. . dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião. Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia.. Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho. sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha. Eu. minha querida. Nunca. Chris procurou. as pulseiras deformadas.Cathy. quando acordar. ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas. porém. jamais. . Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho.Não fique assim. com o rosto muito composto.perguntei. fiz questão de não olhar. desorientada e um tanto indiferente. . usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia. estudava-me o rosto.Cathy . de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. Fechando os olhos.Julian .murmurei com voz sumida. Além disso. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. Você atingiu sua meta e é médico .Chris. Naquel a época.ia ser o diabo! . declarando-se arrependido. os colares arrebentados. ainda não sou uma prima ballerina . . E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul. guardando no bolso o aro de platina. dizendo e fazendo o que era mais adequado. no present e. "Sinto m uito. O aro de platina estava transformado num ova l disforme.afirmou Chris calorosa . passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante.Sim. tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos. mas quantos foram? . deixando intactas as coisas de Julian. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates.Não sei o que pensar. Chris. Estava sempre presente quando eu necessitava dele.Sim . Haviam-me injetado sedativos. hesitante.Cathy . pensávamos que toda a alegria ficara no passado.começou ele.Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó.Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um. Quando acordei. para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? .. baixinho. . Sim. eu a levarei embora daqui.exclamou Chris. . sentado na beira da cama..Deve ter sido ele. mais uma vez -. Ainda será uma prima ballerina! . Ainda zonza. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados. Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu. Sentia-me zonza.disse Chris.Você está b em? Parece prestes a desmaiar. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos. mas não encontrou o brilhante. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol . E sou médico. . A qualquer momento.disse ele. quase indife rente.o ódio estava próximo... Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo.como no sótão. ele deve ter-me carregado para a cama. Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. o vento uiv ava. éramos pequenos. Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo . amedrontador.Maldito seja ele!. não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . por favor . Quanto ao anel que foi presente de Paul. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo. e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. os anéis esmagados. quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio. julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava. tornando as sombras suaves e arroxeadas. tolos e confiantes demais. mas apenas normais. na qual colocara lençóis limpos.Lembro-me. Alguém dentro de mim gritava incessantemente .Oh! como Julian devia odiar-me. . Ele nunca me bateu sem chorar depois. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto. Lançou-me um olhar confuso e preocupado.Tolos? Não acho que fôssemos tolos. . meu único amor. E quando adormeci. pois eu lhe darei mais e melh ores.pedi em voz sonolenta e preguiçosa. . mais tarde. não se menospreze.

pescoço e o bus to que desnudara-se.. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas.. ou drogado. fazendo-me s oltar um grito de dor. Quando você foi trocar de roupa no camarim. você. Ele não me quer perto de você.Ele não toma tóxicos! .. cobrindo de beijos ardentes meu rosto.protestei. não se mova . causando-me dor e depois desculpando-se. O s cabelos não eram fortes e crespos.Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la. eu o amo.Além disso. como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava.Não me mande parar . quando Julian chegar. .Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar. pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. .exclamei. Além di sso. sabe que nos ama mos . Mas.murmurou ele. Além disso. tão logo ele abrir a porta.. foi apenas para fazer-me entender isso. . Portanto. fazendo-me amor com um abandono sel vagem. Preguiçosamente. Julian me ama e necessi ta de mim. cuidarei disso.que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s .. julguei por um instante que se tratasse de Julian. . Prometo não dormir e. senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto. onde ninguém nos conheça. que nunca poderei possuir! Cathy. Chris. abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros. .disse Chris.. Chris. l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante.Você precisa ir embora. seria dez vezes mais violento. a face e. . .mente. Você sabe que seremos bons pais.exclamou Chris. . acariciando-me. escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda. beijando-me os cabelos. E agora eu entendo. Tento amar outras. Oh! meu Deus.escutei-o dizer. Desorientada. fique à distância e deixe as palavras por minha conta. você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian. eu a amo tanto! . como os meus..Cathy... desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras. Fez uma pausa antes de acrescentar: . . sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance. Só então percebi. quando ele pode chegar em casa bêbado.desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. levantarei e não me meter ei na conversa. Não teremos filhos.A vida inteira só tive frustr ações.Então fique.Entende? . Na verdade.Pare! Mas ele perdera o controle.. defendendo o que havia de bom em Julian e . se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos. mas é sempre você. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. sem prestar a tenção. enquanto el e não chega. a boca. e viveremos juntos como marido e mulher. virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos.não s ei por que motivo . Não quero que Julian chegue e o encontre aqui. que àquela hora já deveria es tar em casa. . Como num sonho. Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono. pois costumava agir ass im.. Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida.. À sua maneira. Portanto. as pálpebras. Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram. . . Se ele me bateu algumas vezes. Sorriu para animar-me. tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas. Sem minha presença para controlá-lo. finalmente.Já seria. mas sedosos e finos. de volta à nossa casa. Eu estava sonolenta. E não posso abandoná-lo...Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta. Podemos adotar crianças.Eu a amo muito.. Suspirei. Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto. está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez. há muito tempo.Chris! . dolorida e preocupada com Julian. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir. não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas. . ..

. encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça.Você sempre me derrota.declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu. esfregando os olhos. Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont. Pela maneira como ele recuou.Chris.como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos. Chris saiu. . ergueu o rosto para encarar-me. parecia que eu o esbofeteara.Christopher.. .Alô? . é a mim que você quer .e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar. tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes. liberte-me.. que ambos conhecíamos bem. envolveu-nos. . sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos. . Bart parou de dançar... Deveria ter sido melhor esposa.. Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e. . se algum dia me amou. então. depois Julian. Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes . Mesmo que eu nunca mais volte a dançar.. vou ter um filho com Julian .Cathy. Sou eu. Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios.. De repente. desisto dele. Então. portanto. E nós pagaríam os se algum dia. Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone. a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente. Cathy! Primeiro Paul. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe. De repente. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame. e este seguirá sozinho o caminho da fama. o segundo marido de minha mãe. Chris. e nossos gêmeos.Sim.porque o amo.indagou Chris.mas eram pessoas de celofane transparente. . recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé. Traga consigo seus documentos de seguro. O silêncio. Portanto. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. escutou-me a voz. um bebê. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia. batendo a porta.. estendi a mão para atender. . Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona. Mas não! Não haveria "se algum dia". Ju lian e eu vamos ter um filho. Sentou-se na beira da cama. começou a chorar.Sra.. agora. onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos... .Quero o filho de Julian .. demorei-me lá mais do que pretendia.Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse. Sra. recusava-se a escutar meus débeis prote stos.. pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne. . estou esperando um filho de Julian. Às vezes. carteira de identidade e quaisquer . espantado.mas é um amor sem perspectivas e. só abraçá-la. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia. curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos.. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta.Poderia vir o mais rápido possível. apenas você e eu.. Julian Marquet? Despertei um pouco mais. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. por esse motivo. deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias. por favor. . Acordei sobressaltada.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la. perto da balaustrada do balcão.e com uma dúzia de outros homens. desejo que tudo voltasse a ser como antes. e me deixou sozinha. Eu sempre amar ei você . lá em cima. ele não teria necessidade daquelas garotinhas.. mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian. terei o filho de Julian . A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco . embora não visse minha expressão de recusa...Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? .. .

Não morra.Ele vai viver? . na Pensilvânia.Preferia morrer a estar assim. Sra. voltou para mim os olh os negros. estava colocado numa po sição peculiar.dados médicos disponíveis. O rosto pálido apresentava cortes e equimoses. Cathy querida . Os lábios. como costuma acontecer quando a morte está tão perto.Se ele tem o utros parentes. O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. Os dias se passaram..ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar. Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento. E se isso a contecesse. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia.disse ele. Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto.Chris! Chris! . Então. rouca de tanto repetir a frase. Pensei que nunca mais acordaria . também engessado.. oferecerem o consolo possível.e os grandes também. Chris telefonou para Madame Marisha. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. O braço esquerdo fraturado. Oh! não minta ... pareciam tão pálidos quanto o rosto. após horas a fio na sala de recuperação. Incapaz de virar a cabeça. Eu não estava no aparelho. Julian foi trazido para baixo.sussurrava-lhe. Chris e eu chegamos ao h ospital. . Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos . . Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield. Olhava-me com olhos sem brilho. . Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. Afinal.responderam com a maior calma. Ainda está no aparelho? Não.Julian .respondi.e ela chorava.berrei.declarava. onde poderia ver-me e reconhecer-me. . Encontrava-me de volta a Gladstone.É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" . baixando os olhos para a perna sob tração. por volta de mei o-dia. seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade . arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo. por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital..Diga-me outra vez que ele voltará a dançar. . . sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: .Seu estado é crítico. e tinha onze anos de idade. Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer. . onde podia cochilar a intervalos. Sabia que você precisaria de mim. sonhador. .. Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la. fora de foco.Você não teria tamanha sorte. que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril.Estou aqui.. normalmente tão cheios e vermelhos. . Marquet?. aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido.Olá. Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si. chorava em meus braços. Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro. não tive uma só noite completa de descanso. eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a. Ela. sugerimos que sejam avisados. Marquet . mas sua voz era tão pastosa. Ele exibiu um leve sorriso irônico.. Alugu ei um quarto ao lado do dele. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta. sobretudo. aparentemente insensível . pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava. . .um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. Tod avia. Falava. no hospital.É melhor ele morrer agora . Sra. .Olá.

Jule. nada mais. pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro. dispensando-me. Mas eu assisti.Está mentindo .Maldito seja por destruir nosso apartamento! . Senti-me doente. . esmagada ou mesmo afetada. . Com a mão livre.não agora. eu não sabia. da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto. não temos filhos . tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo.Só alguns? .disse com amargura.Não totalmente infeliz. Quando eu era criança. não resta nada para ninguém. Na verda de. gente como nós. Tivemos alguns bons momentos. . . arranco-lhe o coração! . A cama era dura e não permitia movimento do doente. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora. Não obstante. por assim dizer..Gente como nós? . têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real.De todo modo. eu o amo. Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade. Você não sabia? .Sim. satisfeito. Julian tinha um braço são. agora pouco me importa. Não pertencemos à raça humana. . Idiotas que dançam. estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . . você não está paralisado. Você pode requerer o divórcio. Portanto.. Bocejou.Saia e deixe-me em paz.Se tornar a sê-lo. recus ..disse Julian. temendo que ele falasse a verdade. Caia fora enquanto pode. ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa.. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu. permaneceu e stendido ao longo do corpo. Não quero ouvir o que você tem a dizer . palavra de honra. . Chorei. . então? .vociferei quando consegui falar . que poderia estender para abraçar-me. talvez mais que apenas alguns.Não fui eu quem estragou suas coisas.Não.. Cathy.Bonecos que dançam.Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos. .disse eu..Julian.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras.Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. Tenho sido infiel repetidas vezes. filhos não servem par a gente como nós. As lágrimas me corriam pelo rosto. Pensava amar outra pessoa. sonolento e amargo.Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro. acariciei-lhe o peito.Sim. foi Yolanda. Nem sua mão em meu peito. . furiosa..Nem teremos. . .Eu o fiz infeliz? Ele piscou. como se não quisesse responder.Bem. mas eu não estava disposta a ser dispensada. sentindo todo o peso da tristeza. Todavia. . Estou cansado . Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também. Por isso.O que somos. preferimos a fantasia.Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. Mas estava enganada. no que restava deles. você sabe. ..Não somos reais.Graças a Deus. . . pingando em Julian. portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa. . . E ncontra-se apenas em estado de choque.Vá embora. caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade. sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. .ou me lhor. A medula não foi rompida. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido. Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? . .Julian . Eu não presto. Este fechou os olhos.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam. mas insisti até forçá-lo a dizer: .

Em seguida. Estou esperando um filho s eu. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an. de frágil carne e osso. fingindo não escu tar. .E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais.disse ela com voz sumida. . O número quatorze não dá mais sorte que o t reze.queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas. . Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso.disse-lhe eu. mas o tubo fora cortado! . porque vai ser pai . Dormia profundamente..murmurei. . que c omeçava a tremer. mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria . . Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian. O nível do líq uido baixava depressa. sorrindo piedosamente para todos. Não feche os olhos. Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu. com uma abertura para a agulha chegar à veia.Ele próprio cortou o tubo .Eu o amo.Juro que não me lembro d e a ter perdido.. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde..atalhei. . enquanto eles ali permane ceriam durante séculos.suspirou Chris. .perguntou rispidamente Chris à enfermeira. O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian. O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia. Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica. que se mantiveram duros.Pare! Você me enoja! .Oh! Deus! . . Por favor.. Paul. Aturdida. Não sei por que razão. olhei para o frasco pendente.. Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian. mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé". E lá estava eu.como eu os odiava! Condescendiam conosco..ando-se a ver ou escutar. Ao entrar. sem reação. Chris passou a noite inteira abraçado a mim. enquanto ele tentava orientar-se. quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . Debrucei-me para beijar-lhe os lábios. Rápido demais. na minha opinião. Cathy. .disse Paul.. Acordei bem cedo n a manhã seguinte..Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração. fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian. nós.ou o que eu julgava que ele queria. Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian. todos sorrindo docemente. Nada. Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira. .. que vivíamos. .Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava. mesmo que você não me ame mais. acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira. Julian foi sepultado ao lado do pai.. Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã. .Onde ele conseguiu a tesoura? . . . com suas estátuas de santos e anjos de mármore.Está certo . contraídos. Voltei para sacudir Chris e acordá-lo.. Cemitérios.. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos.Chris .. de volta e xatamente ao ponto inicial. e agora está morto. No quarto ao lado.O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa.. ele praticamente cuspiu as palavras: . Julian . Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração. morto.Deve ter caído do meu bolso . eu não sabia. contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância. Chris. Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a.solucei. tão piedosos e tão sóbrios . Eu devia ter previsto e prevenido. indiferente. Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado.. A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada.Aconselho-a a livrar-se desse bebê..Se não fosse dessa maneira.Ele próprio. e vale muito a pena viv er por esse filho. não permita que seja tarde demais. que nos podíamos enlutar e chorar. ele arranjaria ou tra.Catherine .

poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé.exclamou Madame Marisha. portanto. Preciso de tempo.. eu estava sozinha na varanda dos fundos. jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! . Compreendiam-me. pois terá um filho que será exatamente como ele! . Sorri. Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. Não virei a cabeça. ou sobrinha.disse ele. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho.. Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . Nunca.. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro. . Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer. sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior. . vier ao mundo. depois que seu bebê nascer..disse baixinho -. evitando-me o olhar. ensinando-o a dançar.? . Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu. Mais tarde. mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie. Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. .Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade.Boa noite.Duke fica tão longe. co m rebeldes cabelos negros. eu estaria a seu lado. pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente. . . Olhei para Chris. . Ainda é muito jovem. . pois já sabia. que jamais seria negligenciado. se for um menino não fare i objeções. Julian não está morto. levantando-me para entrar em casa.Cathy .Agora não. eu ouviria música de balé todos os dia s. Passei por Chris. E ter pensamentos positivos. em sua infinita sabedoria e bondade. eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus. Quando precisasse de mim..Deus. Menino ou menina. não vingativos. Quando ch amasse por sua mãe. Dentro de mim. c aso não se importe.ta. com essa expressão tão perdida e d esanimada.Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho..Catherine. permita-me ficar num lugar mais próximo. Madame . . Não olhei para ver ificar quem era. Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o.. A partir de agora. como interno no Hospital Clairmon t. Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro. Todavia. meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança. As tábuas do assoalho rangiam de leve . . Estremeci .Não se demore m uito aqui fora. Não.Objeções? . .exclamou. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê. detesto vê-la aí sentada. balançando-me na cadeira pred ileta de Paul. Cathy .. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar.respondi.Está esperando um filho de Julian? .Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante. todo seu. sentado no banquinho escamoteável.Talvez seja uma menina. estendendo a mão para pe gar a minha. Paul .Seu quarto está exatamente como antes. a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida. . Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. Ele me tocou.disse Paul suavemente. mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite. muito bela.. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet. não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha. Subi lentamente a escada.à frente e atrás. pensando na criança em meu útero. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar. Precisava cuidar-me e não comer certas coisas. Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. tinha que tomar muito leite e vitaminas. Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora..Agora. minha. . que se preparava para descer a escada. Chris também estará lá. alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e.

porque todas as mulheres olham para ele.Será jovem também. Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. tiver a namorado ou fora a um baile. novinha em folha". co mo antigamente. três vezes mais que isso. Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. exatamente como morreu seu m arido há tantos anos. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. Paul é bonit o. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida. pois estará mais que disposto a amá-la.. E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara. Carrie.. Querid a. que definhava por falta de romance. Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados. tão bem quanto conhecia Chris. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. vem apenas para poder ficar perto de você. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. ela também causara a morte de Julian. mas meu namorado e is so me alegrava. Ri. o Dr. Homens que. Detestava movimentar-me desgrac iosamente. Paul jamais seria velho. E bem poderia fazê-lo. Eu as conhecia. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança. . a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida.. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão. de algum modo. Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil . de cabeça para baixo e na posição normal.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo. . Eu fazia de conta que ele não era meu tutor. Estou esperando um filho dele. quase da sua idade.. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. Então. Carrie escutou-me. sabendo o que meu irmão desejava. enquanto a barriga crescia. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. . Carrie queixou-se comigo: . ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. O Dr. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. Mais outra morte em sua ficha. Depois que a vir e souber como você r ealmente é. Um dia. nunca saíra com rapazes.. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim. para mim. eu esta va com os pés firmes no chão. não precisará ser coagido. mas permaneceu emburrad a perto da janela.. Pois. por dentro e por fora. eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado.o que me aterrorizava. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. Cathy. como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. Suspirei. declarando que aquilo era ridículo. a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. por meios sutis. espero. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os. Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. Winslow. viúva e velha demais para um estudante. deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian. E tinha Carrie. pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. se decidisse esquecer sua pe quenez física. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel.Desde que você voltou. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. M amãe! Cara Sra. Oh! tive meus momentos de nostalgia. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina. pois havia dois homens que necessitavam de mim. agora com dezesseis anos. Darei um jeito de sustentá-lo . Tomei Carrie nos braços e consolei-a. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas. Agora. apesar de velho. pois.mesmo que sejam trigêmeo s. pequena e doce Carrie.. Japão! Puxa.

pelo jeito como você me olha. agora? . deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. sem dar importância a calorias ou colesterol.disse Paul. Olhou para meus pés. cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza. órfão. Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an. Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda. Mantenha-se em forma. desn ecessário ou indesejável.Trate de continuar seus exercícios. .respondi indiferente. traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. Volte . Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público. exercite-se. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. Pensei que você soubesse. caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade. que um dia voltaria para mim. Amo seu jeito . que nunca se sentirá abandonado ou traído . embora me doessem quando chovia. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. E la ainda falava em amor.Por que sorri assim? . Pensei também. Eu a amo. uma parte dele que eu poderia guardar comigo.Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. não apenas uma. Chris. . Catherine. Choro principalment e por você.. sem se deixar convencer por meus ar gumentos.Não creio que seja necessário responder. O seu presente foi o melhor de todos. A vida nos oferece muitas oportunidades. agora que outr o belo marido morreu. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço. Preocupava-me com ela..disse mansamente. Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: . Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. Envelhecia com uma rapidez espantosa. apoiado por Paul. . E os adoravam de modo quase irracional. ela se ergueu e foi para seu quarto. Choro seu belo marido. Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. Lerei e cantarei para ele. Lá estarei semp re. . A vida s em um homem parecia nada significar para mim. Quando meu filho chorar. Então.Poderia prosseguir em sua carreira .Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . esquecendo-se por completo do amor. insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas. . espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades. Desajeitadamente. . Pouco de pois do Natal..Você ainda me ama.quis saber Paul. pois estava sedenta de afeição.Não é mesmo? . dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora. não é mesmo? . O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador. não permitirei que meu filho se sinta negligenciado. Comecei: . debrucei-me para entregar-lhe o bilhete.Calada.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo.Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido. . recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine. . Movi a cabeça para encará-lo nos olhos. estarei a seu lado.Isso não é resposta..Como sente os dedos.Muito bem . comia o que tinha vontade. Portanto. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente.Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez. que finalmente estavam curados. meu amor. certo dia o pai morreu e a mãe se transformou. Contudo. Aceitei pressurosamente o convite.

Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga. ajudando-me a sentar. dando o bastante a cada um deles. . Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais. Sente-se e tenha calma! .Teve outras contrações? . acabo de sentir a primeira contração. Paul tinha razão. para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam. Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa.só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela..Sinto muito haver chegado numa hora imprópria. . Em seguida. como se observasse minha reação.Cathy .Julian. .Estou de plantão.declarei com voz sumida.Pensei que você estivesse de plantão esta noite . .mas não fui bastante rápida. se não me ama. de falar.Paul. vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul. Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro. nada mais. Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . mas não d emais. desejando que ambos os lados vencessem.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris. . antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor.. Dói tanto? . até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás. . O que ele deseja é impossível. Faz um mês que estou pronta. .comentou... . A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez. menos você. . usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno. Girou nos calcanhares e saiu da sala. Já tentei discutir o assunto. despertando imedi atamente. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico. envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa.Naturalmente. Ele resmungou algo à guisa de pergunta.disse Paul.Você é a parturiente mais calma que já vi . Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha . .Catherine . Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando. você está prestes a ser pai! Levantei-me. Tinha conhecimento de que doeria. Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei. . de nadar. mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S.exclamou ele. também não podia magoar Paul. .respondi. que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. desgostosa. é muito difícil dizer isso a ele . Tapa os ouvidos e se afasta. bem de leve. despido da cintura para cima. Tentava eq Queria-o sempre comigo . Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste. isto é. apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata. Qualquer pessoa.disse Paul em voz baixa.. Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul.Você nada me deve.Para mim. mas é uma noite tranqüila no hospital. Meu irmão entrou. mas recusa-se a escutar. E eu repli quei: .Oh! . .comentei depressa demais..só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul. Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo.Posso entrar? Ele abriu a porta.de sorrir. de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava. Era preciso tomar uma providência quanto a Chris. no outro lado da porta fechada. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços. . como se ele pudesse escutar-me: .Prec isamos fazer algo quanto a Chris.o Dia dos Namorados . Valentino .Graças a Deus! . encarando-me com frieza. Dê um basta em Chris. Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. Era como se eu assisti sse a uma batalha.Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam. Lembre-se disso. Prendi a respiração por causa d a dor aguda. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo.Já está pronta para irmos? . com as mãos nas costas. Prossigam o que estavam fazendo.

escutei a gravação tocando para Madame Marisha. pegarei a mala. seu neto está chegando". Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe.Devemos procurar nossa própria casa .. logo me vi acomodada na cama . Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. de estar com ele e Henny. mas foi Chris quem pegou meu menino. Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai. .sussurrei encantada. o toque e até mesmo o som dos passos. engasgada de dor. .Se ele fosse louro. . Minha própria voz.Quinze minutos depois da outra . Desde o início. grava da duas semanas antes.murmurei. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza. g ritando em seguida na direção da cozinha: . . sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes. Gostava da grande casa de Paul. mas Chris. Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção. berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam . ainda com o cordão u mbilical. quando senti a segunda dor. vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. Dobrei-me para a frente. Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr . Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me. Não tive forças para responder. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a. colocando-o no centro do palc o..Muito bem. .. Fique calma . Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados. explicou: .Para que você conte com a melhor assistência profissional possível .C hris. . que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio. com seus anelados cabelos negros.Para se atrapalharem . depois. Chris e Paul lá estavam. Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam. dizia: "Madame.Por que vai chamá-lo de Jory? . E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto. Não obstante..Henny.Seu nome é Julian Janus Marquet. por assim dizer. . . cert amente foi o meu Jory. Quando Paul tornou a abrir a porta da frente. o "J" será por Julian e o resto por Cory.. Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e.quis saber Paul. pele clara e macia. o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. que entendeu meu raciocínio.sentindo mais uma contração. Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins.e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro . Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela. olh os azuis escuros. . Nossos olhares se encontraram e eu sorri. ambos com lágrimas nos ol hos. .Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades. Parecia conhecer-me a voz. vou colocá-la no carro. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital. o que não era possível em casa de Paul. mas eu o chamarei de Jory. depois de me dei xar no carro. que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory. Sendo moreno.Cathy. Meu filho nasceu três horas depois. Eu não sabia o que responder a isso.corrigiu ele. Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai.É lindo!. Primeiro. não se preocupe.disse Chris.Comecei a dizer que não.exclamou. sujo e ensangüentado. o perfeito corp inho vermelho.Graças a Deus vocês chegaram! . vendo o cabelo escuro e ondulado. consegue vê-lo? .. Sob o toldo que protegia a entra da de emergência. Pensáramos em tudo.concluí. teria o nome de Cory.

todavia.mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino. como se nos avaliasse e examinas .sussurrou ele. sem um marido para tolher-me . Chegou o Natal e Jory.Eu não acredito . livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço. Carrie é muito parecida com você. E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. . deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me. Agora eu estava livre. minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção.disse ela. com menos de um ano de idade.Cathy . Paul instalara no andar superior um quarto de criança.. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. eu amava Jory por ele mesmo e. e Jory seu filho. Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais..Não enquanto Chris estiver em casa. Então. cada um começando a encarar o outro com inimizade. Não contive as lágrimas ao vê-la. tão parecida com uma criança e. tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto. confuso e de olhos arregalados.protestei em voz sumida. não chora va ou fazia exigências desnecessárias. não fazia manha.. prolongados olhares significativos. Paul entrou no quarto.como Carrie estava pagando! Diariamente.dois homens haviam-me ensinado bem. exclamando: .Acha que algum d ia terei um filho? . um cercado para Jory brincar. . Se ao menos Julian não se tivesse interposto. Então eu era obrigada a intervir. Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . eu seria agora esposa de Paul. alternadamente. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul. ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos. Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer. Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz.Os dois ficam tão lindos j untos. . Carrie tomou me u filho nos braços. Carrie ou comigo. . Todavia. claro que terá. deixando-me a observar sua saída. ansiosa por ter um filho só para si. Não quis continuar os estudos. Portar-me-ia como ela se portava com Papai. Já não era uma doce virgem inocente . a fim de esco nder o embaraço. a fim de não acordar Jory.Sim. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e.como ela. embalando-o para dormir na noite de Natal.Eu devia correr para pegar a máquina . sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura. . sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. . tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava.furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade.Não . cantando baixinho u ma cantiga de ninar. Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente. con tudo. Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. Uma palavrinha: "exceto". agora que Chris se retirara para seu quarto. Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever. Simplesmente aceitava.disse Carrie num sussurro. Soaram passos na escada. Ainda assim. mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris. completamente remodelado e equipado com um berço. Cathy. retirou-se devagar. . excet o no tamanho. pensando melhor. não era mimado. Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez . ficou sentado entre seus pr esentes.onômicos. Senti a presença de Paul junto à porta. Recostei-me nele. Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. Jory parecia muito satisfeito com sua situação. mas não quero quebrar o encanto. Livre para fazê-la pagar .. ambos desejando -me. para tomar formas mais arredondadas . Rapidamente.

textura e odor. até Paul e Carrie.. também. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha. . tensa e sumida: . seu primeiro dente. que me abrace quando e .Chris! Você não pode fazer isso! . Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos. Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava. Nós todos. . e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . . .. . Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. quero um homem com quem eu possa ir para a cama. amargurado. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos.Chris. Chris ficou furioso. Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente. Henny batia as panelas na cozinha. . não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. Tinha a paciência de Chris.para completar o período de treinamento. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta.Pretende permanecer aqui depois que eu partir? . Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação. Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont.A folha de cada árvore tem sua própria forma. as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas. Cathy. Por favor. era nossa hora preferida de percorrê-los.indagou ele.disse Chris.O que você precisa é de um bom advogado.Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar. que duraria dois anos . . Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento. quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar. ele sorria muito mais que ela . .Ora. quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo. a cláusu la já caducara quando ele morreu. Chris. se eu fosse uma abelha. Paul iniciou sua corte a mim. eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé. exceto a rosa. É o que preciso. pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos.É esta cidade . mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos. . Cathy. Não sorria para e le.Sim.Se a companhia de seguros de Julian me pagasse. embora não sejam tão altos. Afinal.. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo. por favor. Contudo. fiquei chocad a.os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont. Vá sem mim para a Clínica Mayo.Veja esta folha de carvalho . Não obstante. o que lhe tomaria mais três anos. Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio. exceto por meu intermédio.Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você. portanto. Apesar disso. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. Trate de arranjar uma namorada. nada em Jory me fazia lembrar Carrie. não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . não sou a única mulher que se parece com nossa mãe. mas a Clínica Mayo me aceitou como residente.e ocupada.Sinto muito. Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha.muito mais famoso . dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente.Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul. juntos.e da mãe.se nosso relacionamento com ele. Chris ia abandonar-me! . não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade. Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital . Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava . A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins. . o que é uma gran de honra. depois..disse Carrie certo dia. a tranqüilidade e intro specção de Cory. Meu coração deu um salto. para mostrar-nos que ainda estava acordada .Você é como uma rosa. seu prime iro engatinhar de mim até Chris e. Por que você e Jory não me acompanham? . recusam-se a pagar. de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama. . Por f avor.seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. Entretanto. Em seguida.

.tudo aquilo me deixou doente. porém. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. Agora.Não pretendo morrer . O primeiro peão a mover seria o Dr.. você é a única mulher no mundo. Talvez. mas agora que Julian se foi. Agora. Vê-lo arrumar as malas.Esqueça-me. Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque. Catherine. mas falo sério! Naquela época..declarei.Eu poderia tê-lo tratado melhor. faça como quiser. você me pertencia e. então.. Então.. precisava de dinheiro. de uma casa só para mim. Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . meu caminho estava limpo. de qualquer maneira. os olhos negros cheios de desconfiança. suponho que você me consid era velha..Mas sou um idiota. Julian precis ava de mim e eu fracassei. . a época de Chris partir. be m. nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era. compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha . saber qu e se ia.. eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens. e. Advogado. Paul olhou-me intrigado e.exclamei. fez-me amá-la..Para mim. pois é mais forte que ele. seria mais fácil. Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris. Sacudi a cabeça. Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro. assumiu uma expressão mais perspicaz. mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe.quando eu era o único ho mem disponível para você! . se Mamãe permanecesse longe.Sim.Não! Será que não entende que não dará certo? .u sentir medo.Não está falando sério! Chris me abraçou com força. embora eu nunca pense nisso.Não. com ele. .Poderíamos morar juntos e. desejando o impossível. .replicou ela com rispidez. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos. Chorei no roseiral. E deparei com Paul! Espantada. sempre fui um idiota. nunca se podia dizer com certeza. Acabará fazendo.. Mas obriguei-me a sorrir. Paul ta mbém não precisa de mim. invadida por um sentimento de culpa.. tremendo qua ndo ele me largou. Poderia ter-me feito odiá-la. Eu concluí seu argumento: . meneou a cabeça com evidente relutância. . .. Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei. E vo cê me fez desejá-la. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava. mas ao contrário. Sinto t anta falta dele. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa. As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho. colocando-as em meu álbum. Era tempo de entrar em ação. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. . Na realidade. só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. enquanto eu possuía algumas idéias próprias . que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna . não procure assumir o controle e mandar em mim. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. Você não precisa de mim. como antes . Outubro chegou e. Todavia. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente. . negando. .Não estou? Deus me perdoe.Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo. Assim. cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r .replicou ele.Veja o que fez! . Contudo. fiz algo completamente fo ra de meus planos. aberto e reto até P aul. depois. embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. ele não agrediria por raiva. empertigando-se.. desembarcando do avião acomp anhada pelo marido. Fitei Chris.Muito bem. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro. a seu m odo peculiar.. . Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente. do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente. . Cathy. creio que não daria certo para você .

Portanto. Este já fizera mais que o suficiente. com a raiva aumentando no peito. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol.Desde o dia em que Julian m orreu.replicou Paul com um sorriso irônico. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. ele tinha os olhos bem abertos. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares . Agora. depois de passarem meses infrutíferos. eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio. Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo.. os ouvidos do Sr.. um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". Tento conversar com vo cê a respeito. Sra. Escrevi outra carta. Interrompi-me. Bartholomew Winslow. Sei.se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. Tentei con versar com Chris a respeito. tenho certeza. mais inteligente e esperta.. Wins low. E se. Portanto. Eu estava muito endi vidada.Compreendo . Winslow: Era uma vez. ou bilhões. E esteja certa. eu enviava uma nova carta. Bacharel em Direito. na Pensilvânia. de que se o dinheiro não for de vidamente remetido. advogado. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu.. Agora. A cada sete dias. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe. de certo modo. vá morar em sua própria casa. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. Winslow. entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe. Oh! que mentira! .. Levantou-s . De toda for ma. mas também se recusa a escutar. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. além disso. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. deixando para trás o Natal e o Ano Novo.. Minha mãe pretendia ignorar-me. Todos os dias. num piscar de olhos. . eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera. Então.. volte para mim. liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz. f icava desapontada. em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. mais capaz. parte daquele dinheiro nos pertencia. a boneca bailarina. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe. ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava. decidi que já aguardara o suficiente. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. tinha um filho e.. Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos. eu poderia saldar todas as minhas dívidas. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito. Contudo. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . Catherine Dollanganger Marquet . Afinal. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto. Todos os dias. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar.exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro.. marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. escutarão fatos horríveis que a senhora. mas ele se recusa a escutar. prefere que ele jamais venha a conhecer. depois outra. em Gladstone. também precisava cuidar de Carrie. Sra. vi-o de perto e. quando ele está noutra cidade. após muitas tentativas fracassadas. encontre-se a si mesma. s eja independente. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema. e ainda outra. de modo que irei diretamente ao assunto. desta feita. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição. Cordialmente. que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. embaraçada. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal.

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora . Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. . com um lindo jardim. Quero que alguns se pareçam com Jory. À medida que avançávamos para noroeste. Partimos em meu carro.. é a óleo ou gás? . mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada. talvez mais. Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. só falando em negócios. Carrie ficou muito excitada.Eu a amo. .Vocês precisam de algo compacto.Gás natural. de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares. não apenas s eis. estamos voltando para lá? . Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas . após nos instalarmos em nossa nova residência. a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco. Henny nos observava . e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos. mas resolveram vender a casa e morar na Flórida. . Terei ao menos seis filhos. to das as casas custam muito caro. No dia seguinte ao aniversário de Carrie. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. . Quando Jory adormeceu. Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo.Cathy.Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir. Jory e eu. . Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos.Ninguém vai querer casar comigo. abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. considerando a quantia suficiente .mesmo que não fosse. .replicou ela. Era grandalho na e masculinizada. é fácil ver que adoravam a casa. Cathy. decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto. .Não é verdade.declarou alegremente. .. Foi no mês de maio..mas não mencionei o assunto.. Logo de manhã cedo. cuja mansão fica na montan ha. Olhava pela janela e depois me fitava.Não. Tenho o palpite que. Paul. eu precisava agir assim . outros com você e Chris. os grandes olhos azuis cheios de temo r. a S rta. topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta. Carrie. Contudo. e um ou dois com o Dr. existem alguns chalés menores. no banco dianteiro do carro.. . uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. festejado sem a presença de Chris. ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado. Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite.É ótima.A chaminé dá a impressão de não funcionar. Nesta zona. Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora. instalada há cinco anos.A caldeira.. Sou até capaz de apos tar cinco dólares. O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. Creio que Carrie também ficou.Ele é tão lindo. . escoando bem a fumaça. Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. Contudo. com exceção dos seus . segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda". não exatamente. Uma delas é deveras boni ta. que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados.Não se preocupe . ajeitando-se para tirar também um cochilo. funcional e não muito dispendioso.Oh! adoro viajar! . Agora que estávamos a caminho. de modo que não terei filhos para amar. . os g randes olhos azuis muito abertos. comentando tudo que víamos. . O banheiro e a cozinha também foram reformados . Carrie. Contudo.compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados.

Soltei uma risadinha e ele também so rriu. se nunca tivéssemos visto aquele livro. forneceu-me uma lista dos alunos. . embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais. espancados e mortos de fome. Talvez. . eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. Chama-se Theodore Alexandre Rockingham. . no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. Dahl. A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se.. não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel. Sempre que possível. Em certa manhã de sábado. no início de junho. Espero que pense nisso.quis saber Carrie. graças a Deus. deixando-os lá para serem torturados. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. Àquela altura. Freqüentam as aulas por vontade dos pais. que adorava cozinhar. Carrie emburrou-se. e tinha cerca de noventa anos. o resultado foi delicioso. Com o madeirame pintado de branco. animou-se por algum motivo. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina. Cathy. Eu dava aulas na escola de balé.Acha que devemos voltar para visita r o Dr. O espaço aumentou e tudo parecia maior. Era loura. que jamais mudavam de aparência.disse eu a Carrie. de repente. . . Srta. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa. ao me smo tempo em que tomava conta de Jory. naquela noite.Na verdade. um jovem bonito. Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe. Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado.. viu-me com Jory e perguntou se era meu filho. ouvir e ter a sensação da dança. do desespero. a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira. depois. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos. Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me. com porta de vidro . talvez. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. sabe que não podemos fazê-lo. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave. toma r Carrie e Jory pela mão. . Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. Paul e Henny?. eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. não tivera meu passado ou meu tipo de infância. não me atirara àquela aventura de olhos vendados.. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. si tuada acima da farmácia local.Vi-a dançar Com seu marido. Carrie. com uma lareira ladeada por estantes. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. mas pediu-me que o tratasse por Al ex.Claro que sim.Mandaremos instalar um forno embutido na parede.A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé. Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. . naturalmente. de proporções razoáveis.Sabe. mas a sala era em forma de "L".. Entretanto. mas. e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. Contudo. que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. muito miúda.Em que está pensando? . eu levava Jory comigo para a escola de balé. Na verdade. tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. pois não me sobrava tempo para isso! . . Carrie. como também par a tê-lo perto de mim. economizando a despesa de mão-de -obra.

Não me parecia errado.Ouça. Já falou com os pais a meu respeito. Paul piscou um olho para mim. muito vermelha.protestou ela. fitando-me temerosa e tremendo de esperança. .Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa. querida: convidarei Paul para vir este fim de semana.. Oh! Deus! Tomei-a nos braços. . observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras. Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. mostrando que compreendia. . de modo que Bartholomew Winslow e S ra. modesta. Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria.Estão aqui. ele me convidou para um encontro. Então. O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também.Então. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. Jamais deixara de amá-lo. amassei as batatas. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo.indagou ele. . Depois. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito.Fez uma pausa. De repente. claro que estarei. . com uma expressão estranha. Além disso. Alex era um rapaz bem apessoado. . . Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar. O jornal local noticia-lhes todos os movimentos.. que elogiou minha comida. . Ele não vai querer uma mulher mais velha.Cathy. baixou os olhos. ou talvez pastor protestante. Só então entendi. fiz os pães quentes e os suspiros.... Vamos convidá-lo par a jantar.Por que não? . . Cheia de felicidade.Moram em Foxworth Hall. Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços. residirão com ela.. preparei o molho. poderei verificar se ele serve para minha irmã.. ele nem notou que sou tão pequena. Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado.Você estará aqui se ele vier jantar? . . como se fôssemos casad os há muitos anos. . . em Maryland.Cathy preparou quase tudo. viúva. eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar. senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa.comentou ele. com um filho..Mas. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim.Você aceitou? . ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde. Eu só recheei a galinha .. .Não . Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos. Paul ficou calado durante longo tempo.Ora.. . Despimo-nos rapidamente. Abraçou-me ternamente e assim fi camos.gaguejou ela. até que morra. Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele. pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: . em frente à lareira.Quero fazer amor com você.. de vinte e três anos.Não. Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé. Ain da não se decidiu. de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim. mesmo quando era casada com Juli an. afinal. antes que Carrie volte para casa. .Carrie. Cathy. .murmurou. . querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho. no sofá. Ela me fitou demoradamente. Catherine.Gosto do modo como arrumou a casa . . Cathy c uidou do resto.Onde me encaixo eu? .Cathy.É muito acolhedora. . mas. m as.. encarando-nos nos olhos. . já viu sua mãe? . Paul e eu sentamo-nos diante da lareira. acrescentou: . vo cês se viram antes. . você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz.respondi em voz baixa.Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços. De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico.Escute.Não o conheço o suficiente. ela e o marido .Oh! Cathy.

Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada . . com você me abraçando e fitand o como faz agora. mas deixei que meus braços falassem por mim. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso.. acima de tudo. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos.Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta.Paul é muito mais compreensivo que você. pois freqüentemente o chamado . que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim. Na calada da noite.pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis. Alex fosse apenas um jovem comum. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura.. E eu concordava. Está sempre fugindo de mim. quando mor rer. Tive uma terrível sensação de pânico. O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos. .indagava ela. Chris completaria trinta em novembro. porque estarei sempre e m seus calcanhares. Em seguida.Ele não é lindo. eu vinte e sete. tendo-a em meus braços. . mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora. Cathy. Se for pecado.Que belo e poético . Além di sso.Oh! Catherine. . Cathy. sinto-a ao meu lado. Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. embora. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e. . est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente. acelerando-se . Sempre que algo de bom me acontece.. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. na realidade. E quando tiver essa idade. eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura. . e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! . há o problema de Mamãe. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama. ou noventa. Então. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso.O pior de tudo é que compreendo. acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa. pois tinha a impressão. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. Chris. como agora. desejando protegê-la. espero que a paixão ainda nos governe. que seja após fazermos amor. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul.era a voz de Chris. amando-a. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí.Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando. Parecia-me uma idade impossível para ele. A amiga deu-me o número de seu telefone. Entretanto. Despedi-me rapidamente e desliguei.repliquei. Ele sacudiu a cabeça. da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó.. Estendi preguiçosamente o braço para atender. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado. manipulando o aspirador. Fiquei sem saber o que responder. Sim. então sentei-me bruscam ente na cama. Mas tenho certeza de que se magoará. má. Cathy? . segurando-me a mão. exatamente como Cory. então o céu deve ser perto de você. como você sabe que está. o telefone começou a tocar. Cathy.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul.. não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá. acordei repentinamente. . Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão. no estado de pesadelo em que me encontrava. querendo arrastar-me também. E. esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer. amando-me como eu a amo.Minha Lady Catherine! . boa aparência. diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé.

Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas . Portanto . como é natural. . Carrie! E por ele também. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes. .Veja.nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado.era para ela. Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie. beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão. escuras e misteriosas dentro da noite. hem? E notou como fiquei mais alta? Ri. Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã. ou com um incêndio no outro lado da rua. Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . louro e de olhos a zuis. Levantei-me e me aproximei dela. Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie. sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia. Carrie. obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los. teria o nome de Cory. Cathy! . Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim.Que maravilha! Sinto-me feliz por você. ara ele a melhor esposa possível. pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! .Queria ficar perto de você . encurralando-nos como outrora. mas cortou-o à altura do s ombros. as dele e as das c rianças.Alex pediu-me em casamento esta noite . Tinha o cabelo naturalmente ondulado.Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos.Agora. sentia-me temerosa. P ortanto. No fundo. como o meu. Quero ser p .exclamou. Sentia-me feliz por ela e por mim também. minha cabeça já não parece tão grande. olhando para as montanhas escuras.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. Ele não fala muit o. Chegava a borbulhar de excitação. Farei minhas roupas. . que nunca tinha insônia freqüente. passou a maqui lar-se. Cathy.sussurrou ela. Ri.Em breve. Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo. Sua juventude. Exclamei: . Cercava-nos por todos os l ados. Uma semana mais tarde. onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono. se Alex não me amar eu prefiro morrer! . Eu não precisava adivinhar. Pela primeira vez na vida. limita-se a ficar sentado. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! . . voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes. num tom que me . Cathy: resolveu ser pastor. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis.declarou Carrie. abraçando-a. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal.indaguei. Estendi os braços e Carrie se atirou neles. olhando-me daquele modo suave e especial. alarmei-me ao vê-la ali. mais elegante. Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada. pois já sabia. Carrie. acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la. adivinhe que nome lhe darei. O primogênito de Carrie. Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. .disse ela. Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor.Eu sei! . Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim .Está passando bem. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir. Carrie. . como costumava fazer quando criança. co mo eu.Ele me contou uma coisa. querida? Por que não dorme? . contentar-me-ei com isso.Não quer ser esposa de um ministro de Deus? .a crescentou num tom inexpressivo. . Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco.Você é capaz de acreditar.Oh! Cathy. . Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r.

qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. explicou: . ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado.Mas. Paul quem me esclareceu. Deveríamos ter nascido. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. de modo que desistiu do catolic ismo. Ansiava pela presença e apoio de Chris. que nunca deveriam ter n ascido. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra. O Dr. se Deus não quisesse que nascêssemos. Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto. Só os mortos.. Portanto. Vacilante. muito tempo. sem nenhum defeito. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. como eu. E isto é mentira. Eu não entendia direito o que ela queria dizer. Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. entre todas as pessoas neste mundo. C arrie. . Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião.causou um medo mortal. Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós. Carrie. pois deseja uma esposa e filhos. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei.Foi o nosso Dr. Cathy. Engoli em seco. E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto.Querida. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers. nem a nós. suas esposas. como você pode ver. como se me conside rasse. Alex deseja uma mulher perfeita . esse pec ado foi deles e não nosso. Além disso. Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito.. Carrie.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia. Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato. sou má e pecamin osa. perfeita. Éramos filhos do Demônio. . queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. como eu. Absolutamente ninguém é perfeito. não sei como dizer tudo da maneira correta. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . Além disto. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. eles não eram parentes próxim os. Lembrando-me disso. Não somos órfãos.Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. mas lembro-me bem das palavras. ou como dizer. .Em especial. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza.Como pode ter certeza? Ele lhe contaria. horrivelmente amedrontada. Nossa mãe ainda está viva. exceto que passamos à tutela d o Dr. . Cathy. E também por Paul. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. E eu falei pelos cotovelos . . mas senti que a cul pa foi minha.Alex não mente. nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. nunca teria permitido que isso acont ecesse. . odiei-a mais que as outras! Cathy. Não sabia o que dizer. Cathy. Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. Deus não os puniu. por odiá-la tanto! Também odiei Julian. Começou a chorar de dar pena. Carrie. Quando era mais jov em. cheios de maldade e pecado . Carrie.Mentiras não são pecados mortais. tenho certeza. . Cathy? Engasguei-me. t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie. mas tentarei. Cathy. . a sociedade estabele ce as regras.e eu não sou perfeita. Jamais fez alguma coisa ruim ou errada. Há muito tempo. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você. .. como faria uma mãe. . mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo.Alex é perfeito.Carrie. . a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta. Nenhum de nós é perfeito.Ninguém é.. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. Não me quereria mais.

magra. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! . querendo desesperadamente acr editar em mim. o que fez não foi tão terrível. Não cresço. pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você.. fiz o que ele queria.. Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. Isto é um castigo. ..Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis. cheia de amor.berrou. relações sexuais. . Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. . E meu também. com ninguém.. fiz algo muito ruim. jamais deveria ter usado o termo "excepcional".. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto. Uma vez. manter em dia a escrituração de Paul.Foi Julian. Existem muitas pessoas menores que você. não mais precisa envergonhar-se. .. quando eu estava de visita e você se ausentou de casa. Tem uma voz bonita e sonora.. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro. beijei os cabelos de Carrie. . Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso. não seu. mas nada em nome do amor. Na verdade. Cathy. uma pele maravilho sa. tive.Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça . eu era a pessoa de quem ele mais gostava. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. a fim de que vo cê e Chris não entendessem.. mas o pecado foi dele. Alex pensaria assim. eu nunca tive. que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. querida.Mas eu saberei. E Alex não precisa tomar conhecimento. sem se tranqüilizar com minha argumentação.O que fez de tão terrível. o pecado foi dele e não seu. Você possui um rosto lindo.e não é -. Julian me be ijou e disse que. Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz. Mesmo que fosse . envergonhada.. se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber. tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer. . pare de chorar. você e o Dr. isso é muito normal. é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz. S . Carrie.Mas. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida. Um dia. Ninguém contará a ele. E eu nunca. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo. pois Deus poderia estar observando!. querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. ou lá o que seja. . pois não deve ria ter induzido você. Cathy.Não.Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer.sussurrou ela. Carrie. depois de você. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. Sabíamos que éramos filhos do Demônio. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos..Por favor. talvez Deus tenha punido a mim. Ademai s. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas. E sou pecadora. . uma inteligênc ia brilhante. Portanto. apanhada de surpresa. Carrie. As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. . se o que fizeram deu prazer a ambos. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta.Olhe ao seu redor. Cathy! .Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar. Mas se você fez alguma coisa. Paul.Isso não é o pior. . gorda. Sabe que não é a nã. Escutávamos a avó falar. Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim... alguma coisa comigo. Você ama o Dr. E eu devia saber que era errado. Somando tudo isto. cozinhar duas vezes melhor que eu.Não chore nem fique envergonhada. Desejava apenas que Juli an a amasse.Cathy. São muito mais boni tos e melhores que os das lojas. não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria.. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. Julian errou. Começou a soluçar histericamente. pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto. Agora. Você não é má. num corpo adorável e bem conformado.. Esqueça-se da a vó. . . do tipo que produz bebês. Arregalei os olhos. um cabelo sensacional. Mas fiz outras coisas q ue são pecados. ele q uis fazer.

com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. Contudo.pois isso aconteceu comigo. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar.Eu sei . ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente. nós nos encontraríamos. Todos nós mudamos a cada dia.replicou ela.ordenei rispidamente. Não conseguiria suportar. E quando eu contar a verdade a Alex. dará certo com você e outra pessoa. adormeceu. levara-nos para lá.Carrie. Então. Contudo.Você nem se lembra daquele dia. você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? . Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall. não sei como fazer que todos gostem de mim. entre gente me lhor que nós. querida.não permita que ela consiga! Olhe para Chris . as peças teatrais com todos os atores despidos. Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos. quando acordar.Alex não mudará.Pretende tornar-se pastor. se o mundo é capas de mudar. tam bém. Mesmo sabendo como era a sua mãe. Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. que você e o Dr. nem você. os fil mes que gente decente vai assistir e gosta. . ele deixará de me amar. com os tipos de livros que estão sendo publicados.Você não vai contar a ele! . não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar. sim. não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. nem Alex. Ninguém sabe como o mundo mudará. Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico. Não sou im becil. .Pare! . vá deitar-se. Julgo. Só minha família me ama . ela ficaria sabendo o que havíamos sentido . Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo.Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. E se não der certo com você e Alex. casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos. não me qu ererá mais. Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero. sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. . . Sofrimento por sofrimento. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que. . sozinha e sem amor. Não sou bailarina.. Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto. o tipo de livros que são publicados. Às vezes. mas o fato é que as pessoas não são estáticas. Paul foram amantes . o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . quando eu estava no palco dançando? E um dia. fui a única a permanecer acordada. doendo interiormente. nem Chris.não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. Portanto. . como aquela velha espancou Chris e você. Veja as revistas. .e Alex. suave e boa dona de casa como você. . só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe. util iza-se de uma avó com uma chibata. E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito. Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho . que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda.Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia. não obstante. absolutamente ninguém é perfeito. Nin guém. Durma bem e lembre-se. Tenho boa memória. Cathy.As pes soas que procedem mal. Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós.gritei. como a avó. depois que você e Alex se casarem. Nem eu. mais tarde. não outra vez! .Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá. Carrie. mais cedo ou mais ta rde. Não sei se a mudança é para melhor.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. afinal. . As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado.declarou com desânimo.e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los.Alex não mudará . . aplica-lhes o castigo. . . pois eu estava ali e Bart também. de modo que se divertia enquanto éramos torturados. compreendi que estava tudo acabado entre nós. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking.quando ela fosse abandonada.Lembro-me. como responder uma pergunta como aquela? ..Carrie. Deus vê e.

Un.. deux.comentou. empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a .Carrie. vou deita r-me para um cochilo.talvez por ser tão semelhante a ela. encaminhou-se para mim. Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. deux. pliés. de repente. Jory amava todo mundo.. nada mais . Mamãe! .disse ela. pode sentar-se ali e esp erar.Minhas aulas terminam às cinco.Fica sensacional com essa malha roxa. deixe-me levá-la ao médico. .eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo. Apenas não sinto muita vontade de comer.repliquei friamente. que ainda é quase um bebê. as cólicas eram mais fortes que na minh a. os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais.Não tem comido direito. Agora. . deux. embora não tenha recebido o preço que tinha em mente. fechem as pernas. Sinto falta quando você o le va. deux. o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era. que abriu um berreiro ensurdecedor . não telefone porque não quero acordar. Jory.Estou muito bem. enlaçando-a pelo pescoço. tendu. . Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. . poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta . De algum modo. un. . Sorridente e seguro de si. estou ocupadíssima aqui.Quero escutar a música. ela replicou em voz baixa: . Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo. Deixe-me ficar com ele o dia inteiro. Portanto.Srta. pegando meu filho no colo e o abraçando com força.Estou ótima.Sr.Estou ocupada! . Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu. quando.Vamos passear no parque. além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . seja franca comigo. querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory. O relógio bateu quatro horas.protestou Jory. enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . Dei um beijo de despedida em meu filhinho. . a fim de verificar se Carr ie estava bem.Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho.Mais um só golpe seria sua ruína. un.Percebo que reconhece esta carta . Foi um dia terrivelmente longo. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos. un.e. e agora. tendu. Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão.. . Afinal. . deux. Dahl. Enquanto a música tocava.. Carrie não estava com muito boa aparência.. Sr. Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia.Não estou aqui para tratar de honorários.Fique comigo. Winslow . pliés.Escute. Dahl . Não leve Jory hoje para a escola de balé. .respondi em estado de total confusão. por favor.Tem certeza de que está passando bem? . fechem as pernas. . que às vezes dava muito trabalho . E a aula prosseguia. Telefonei várias vezes. Winslow . Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow. Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante.disse Carrie apressadamente. . Jory e eu nos divertimos a valer no parque. un. Se não está passando bem. Sim.Quero ver os dançarinos! .eu tinha certeza disso . que sabia muito bem o que queria ou não. Apenas o incômodo mensal . bem diante do meu nariz.É o meu período mensal. Cathy. . . Srta. eu contava: . Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente. Se quiser.Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente.. . Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? . .repliquei com rispidez. tendu. com os olhos baixos. na idade dela.perguntei a Carrie alguns dias mais tard e. . E. como o senhor mesmo pode ver.

. vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo. Onde se esconderam Jory e você? . . de avião .Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris.. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios .Ouça. não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que. Marquet .disse a Sra. Quais foram os primeiros sin . Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. o que há de errado? . .sussurrou com voz sumida.. Além disso. Paul estava comigo no hospital. não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. Com voz fraca.Olá . Dentro de três hora s. Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio.. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho. que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana. . Estou esquisita. Levei-lhe a mão à testa. Contudo.Catherine.. Não julga que um encontro para jantar foi suficiente.. tratarei de vigiá-la de perto.O mais breve possível. não me lembr o com certeza. . que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele.Vou chamar um médico.Cathy. Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil. .chamei. Então. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas.respondeu ela num mero sussurro. Dahl . Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris. Sra. realmente não me sinto bem. com os vizinhos. .Quando melhor lhe convier. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros. Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o. muito esquisita. Quando compr ei a escola.. . .Estou aqui . explicou que Jory e stava na casa ao lado. não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris. Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma.. embora fosse um dia basta nte quente. dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela.Sinto tantas cólicas. não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! .quis saber ele. dei uco mais de quarenta anos. observando Carrie. Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava.. . que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica. perdi o fôlego ao ler o resultado. fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos. Vomitei quatro ou cinco vezes. constatando-a estranhamente fria. tão logo ele se reti rou. Então. Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé. . que tomava conta da netinha. Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer.Carrie.Paul. Desta vez. verificando que ainda estava em débito. telefonei para Paul. . fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas.Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas. Como me enganei! No dia seguinte.Carrie! . havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente. Tenho muit as perguntas a lhe fazer . Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave.e não tente esquivar-se. notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias. pois é tão boazinha! Mesmo assim. Townsend. mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono.d isse ele sem qualquer hesitação. por favor. percebendo o pânico em minha voz. Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada.Já cheguei. Srta. xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa.Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente. . Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. Eu também notara a mesma coisa.disse ele.. incrivelmente d epressa! Vomita.

o lugar dele é aqui. Então.Eu gostaria de ver Chris. à beira de um dilúvio de lágrimas. ter filhos e tudo o mais. eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo. Portanto.Chris. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória. Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor. adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar. Por isso. menos eu. mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz. Recuei no tempo e vi Papai. como equimoses . virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo. Agora. Estive ocultando algo. .como você. que pode dançar. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. Queridos Cathy e Chris.. há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado.. antes que prossigam a leitura. Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor. Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos. Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo. vocês se julgarão c ulpados.Ela quer ver você. Eu jamais seria alguém especia l . Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era. caso eu não escreva estas linhas. Cathy. e não sei como foram causadas. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo.Cathy . senti-lhe a presença antes de avistá-lo. So lucei. neste momento. Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos. Mas se Carrie deseja vê-lo. . .Acho melhor você mandar chamar Chris. o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. .perguntou. do jeito como mais me lembrava dele. prometam-me não permitir q . Portanto. Apareceram marcas..pois ele deveria saber! .? .murmurou. Às vezes. De repente. de qualquer maneira.. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela.Não. eu nunca seria muita coisa.Há cerca de uma semana. usando trajes d e jogar tênis. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. chego a pensar que vocês são meus pais de verdade. Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração. Depois. . Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato. Todo mund o tem alguém especial para amar. Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto. antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. pois me parecia tão significativo! . mas manteve segredo. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido. passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo. Em seguida. Enquanto ele lia. não quero dizer isso. Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. Sempre tive certeza de que nunca me casaria. comecei a sentir muito cansaço. erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: . pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa. .tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana.. Não posso ser esposa de um pastor.ais de que havia algo errado? . Todo mundo tem algo especial para fazer . outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios... menos eu. c omo Chris. Leia isto e diga-me o que acha.Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico .Não demorou a chegar. então.Paul! Quer dizer.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . Entretanto. lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu. Eu estava no corredor. . Jory.. o Dr. Haviam-me retirado do quarto. perto dela . mantive os olhos pregados em seu rosto. Não posso ser médica. antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez.

diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? . Alex está lá dentro. ela colocou arsênico nas rosquinhas . transformados novamente em pais pelo sofr imento comum. Quanto mais eu pensava no assunto. Obrigada. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal. Mesmo assim.disse ele em tom calmo. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer.Sempre há esperança. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo.exclamei. m as nesses momentos lembro-me de Alex. embora naquela época não acreditasse. Você parece tão moreno e vibrante. .bradou Chris. eu não escutava nem prestava atenção. . atônito. . As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia. temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. que afirma que Deus ama todo mundo. como Juli an fazia. . Chris. Trazia uma marca de dentada. Dr.Mas se ela sempre soube. Muito obrigada. as lágrimas ainda brotando dos olhos. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência.Cathy. não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. e recuei alguns passos. como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . Enquanto estávamos abraçados. Na semana passada. Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade. ac redito. ajoe . o pacote de rosquinhas açucaradas. E muit o obrigada. sabendo que elas a matariam. Só uma.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va. .. se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias. Cathy. A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. deixando-me soz inha. Paul saiu do quarto de Carrie.Há esperança. por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais. Agora. .Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. também.Oh! Deus!.Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra. ele começou a soluçar no meu ombro. . . no canto do quarto. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada. depois. a fim de compensar seu tamanho diminutivo. Agora. Paul.muito bom revê-lo. Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. Cathy. Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver. embora por curto espaço de tempo.Oh! meu bom Deus! . que estava muito pálido. comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio. O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco.exclamou Chris. o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie. não há? .exclamou Chris. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava.. sei que foi pecado. preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex. mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça. Estamos fazendo o possível.Como posso explicar-lhe? . Carrie comeu-as. Nada correu bem para mim desde que Cory se foi. mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. . mas eu estava vendo e ouvindo. foi pec ado. Pena que as circunstâncias se jam tão tristes. mas ela desistiu da vida.Chris . . Falaremos com ela.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris. Apesar de você dizer que não.Carrie ainda não morreu! . das quai s restavam apenas uma. desesperada. . de repente.

pois ele realment e amava Carrie.apesar d e ainda ser verão. os olhos avermelhados pela falta de sono. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . Perdoe-me. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. ele a amava.. Esta jazia.respondeu Paul num tom baixo e suave. . levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie. . seus olhos se anuviaram. enqu anto minha vizinha cuidava de Jory. .lhado ao lado da cama. Alex. sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto.Que foi que disse? . como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala . rezando para que Carrie sobreviva. que a amávamos. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. Até mesmo quando foi apresentado a Chris. Alex sacudiu a cabeça. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha. Vira o rosto para o outro lado e permanece calada. combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele.replicou. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim. Os fios louros brilhavam nos travesseiros. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. estendi a mão para consolá-lo. Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. . mal barbeado. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente.Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie. apressei-me em ajudá-lo. rezava para que ela vivesse. disse: "Oh! Alex. Sua vo z parecia esquisita. sob uma pesada camada de cobertores . acariciando-lhe os cabelos. Como num transe de pesadelos infindáveis. que correu para junto de Carrie. deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. Era uma noção idiota. centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto.Responda-me. Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava.Sinto muito se lhe pareci áspera. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie. Afinal. Então. A seu próprio modo. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem.Uma semana atrás. Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. O que fiz de errado. Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. como se proc urasse clarear as idéias.Meu Deus do céu. Sentava-me ao lado de Chris ou Paul.Alex. . Olhava com antipatia para Alex. Não obstante.. Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. Debruçou-se para abraçá-la. Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora. magra como um palito. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la. levantei-me. não sirvo para você!" Eu ri. Cada um de nós. na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. ao vê-lo tão humilde. chamando-lhe repetidamente o nome. replicando que ela era perfeita. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. Durante três dias e três noites. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim. exatamente o que eu desejava. . . não consegui mais conter-me. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me.Cathy. ou entre ambos. interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. Parecia até mesmo ter perdido mais peso. Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa. telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. .Tudo o que sabemos fazer . desfigurado pelo sofrimento. To das as formas redondas. enquanto Alex cont inuava rezando sem parar. Para horror de meu irmão.

.O lugar para onde vou é ótimo. Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe.r no assunto. dizendo: "Não a conheço" . explicando que isto a preocupa. Cathy.replicou ela no mesmo tom que usava quando criança.. Mamãe. pois você tem Alex e Chris. não passava de uma mão esquelética.Querida. Olhe ali. Cathy! Está quase como era antes. como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me.Jo ry tem muita gente.. .. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar. para amá-lo e cuidar dele..Não. O que vou dizer a ele . Mas não precisamos d ela. Agora. Ela também não quer saber de você ou de Chris. escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. quando nossa própria mãe não nos quer. . mas para mim. resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem. que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor. Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos. não nós... não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas. pergunta onde você está.. Cathy: flores por toda parte. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. E se Deus deixar que ela morra. . desde que você continue viva e o ame.. ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta .. estou quase tão alta quanto Mamãe. ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja. não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você. Era nossa mãe. com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. quando escutei Carrie chamar meu nome. . sem piscar.Não .Muita gente a ama e precisa de você. e quas e me posso sentir crescendo.Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo.Não! .. eu estava esperando que você acordasse . Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente.. não o fato de sermos ruins.protestei energicamente. pecaminosos ou não prestarmos.que você não o ama o bastante para importar-se em viver? .. Era a quarta noite após a chegada de Chris. Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá.murmurou Carrie.Vi uma mulher na rua . Mesmo assim. Vou morrer. Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos. quer casar-se com você e desistiu de ser pastor. como nós. .disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir.. Carrie. apenas um pouco mais velha. . . . Devo chamá-lo s? . A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir.Quero falar apenas com você. Segurei-lhe a mão. percebi em su a expressão.declarei num sussurro rouco.. como sempre desejei. pássaros lindos... Oh! meu Deus. Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. a fim de estar junto dela..Não. suas proporções são perfeitas .Jory não precisa de mim . Cathy.. . Carrie! Alex a ama tanto. Paul e a mim. Carrie! . além de mim. . Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. Para mim. atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. conversei com ele .Tenho um segredo para lhe contar.P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela.sussurrou ela com voz sumida. Mas Cory está a minha es pera. Fez a declaração com a maior calma. porque serei tão alta quanto desejo. todos os dias. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro. a menos que sejam pecaminosos e não pre stem. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então. Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. Não se entregue. rica. Cathy . Os lábios ficaram entreabertos. passando por centenas de colinas ar redondadas. como se não fizesse diferença. Eu cochilava ao lado da cama de Carrie . Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio. Posso vê-lo neste momento. Alex está no corredor.Oh! Carrie. Não nos p arta o coração! Carrie. Carrie. e também Jory. Jory quer a tia de volta. não me quis porque sabe que não presto. Cathy. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos. . E todas as mães amam e querem seus filhos. aceitava a morte e es tava satisfeita. Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza. .. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo. E. Veja. E quando eu chegar lá. e Henny.

num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. Mas vi-a de relance . Quanto a esquecer. . Com o braço passado em minha cintura. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. Imaginei o que nós. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. Desta vez.Carrie não precisa de você agora.disse Chris. Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. Cathy: esquecer e perdoar. pagar.a primeira que ela passaria sob a terra. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. querida . pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos. O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. Christopher.e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros. mas outras pessoas p recisam.Por favor. temerosos e tão necessitados de amor. restav am apenas duas. transformei-as numa vara de feiticeira cruel. mas você se recusa a escutar. esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos. bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe". . Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. julguei ver uma mulher vestida de negro.. Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento. deve esquecer o passado e os planos de vingança. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação. pagar. . perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda. E uma nada faria. sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. Mais que o sufici . E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia. com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava. por força de um velho hábito . Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is. até o amanhecer. Cathy. Agora. Foi então que eu gritei! Sei que gritei. não choveu nem havia ne ve no solo. ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro. quase alaranjada. Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty .Você é realmente perito em questão de perdoar. replicando desdenhosamente: .r para casa. Já tentei revelá-lo muitas vezes. Fitei-o com amargura e desânimo.Não. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite . Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me. para torcer e destorcer. Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa. mesmo de quem não merecia viver. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. amparando-me. deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas. e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto. Embora não tenha certeza. Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida.pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. fazíamos no cemitério da família Shef field. Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara.. . Foxworth. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno.

Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como. enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro. o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente.so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me . tisnado de sol. tenho alguns negócios a liquida r. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. Passei a correr d iariamente.Fique. eu preciso de uma esposa. Catherine .Mais tarde . de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. se não é Catherine Dahl. Num sábado ao meio -dia. que deveria ter custado uma fortuna. Jory passara a constituir-se num problema. Mais cedo ou mais tarde. Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. D ediquei-me a elaborar planos. Agora. afastando-me de seus braços.disse com arrastado sotaque sulino -.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos. .então. . Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos.. Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade. eu saía à c aça. peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall.Um dia.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . ele diria algum clichê. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. Até então. . encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai. Na verdade. pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha. com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. porém. pensei com meus botões. não o encontrei correndo nos bosques. voltarei para você e nos casaremos. Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom. procurando. o solo forra do de folhas mortas e secas. a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! .ente. . Quando nos encontrássemos. que estalavam sob meus pés. Trazen do na mão uma pasta de documentos. não muito longe da residência dos Foxworth. Bart Winslow era uma espécie de celebridade. como era forçoso acontecer algum dia. um determinado homem.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé. em Greenglenna. Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. . ou eu o faria.Bem . não conseguira localizá-lo . a fim de não ficar muito afastado de mim.. Ao contrário do que esperava. nosso encontro teria que ser "acidental". ele precisa de um homem que o oriente. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal. Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia. porém. Ele não . precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. agora q ue eu não tinha Carrie. seria por demai s vulgar e óbvio. esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso.repliquei com inabalável determinação. À noite. Logo retomei minha rotina de trabalho. naturalmente. Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale. Dois escritórios. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . Antes. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . Eles pagarão caro. chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro.

vamos . . É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem. bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes. puxando a cadeira para mais perto da mesa. Então. . . nervosa . c omo ela costumava fazer. Pelo aspecto manuseado do papel.Não banque a sabidinha comigo! Quem é você.? . .Como pode minha esposa saber isso.retruquei afinal. fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu. minha esposa as lia e ficava muito pálida. . usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si. Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . Era por demais confiante. co m Bartholomew Winslow quase gritando: . se não conhece você ou sua irmã? Não obstante. e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. Por duas vezes. permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos.repliquei. . os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais. Desviei o rosto. Exi gi uma explicação. eu julgara pretender seguir.Quem. a fim de vigiar a pasta. diabo..Onde.Não me escondi . se escondeu? . Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele.Então. por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha. as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido".exatamente como você e stá brincando agora.indagou. estendendo a mão para segurar-me com força.Por que não pergunta isso a ela? . .Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? . . Em seguida. Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. diabo.Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . Deve ter algum parentesco. . Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você . Sinto muito.. ficando perdida para qualquer outro homem. Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos.disse ele. Levantava a mão para brincar com as pérolas . talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente. mas ela correu para trancar-se no quarto.como você está fazendo agora. vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel.declarou ele ri spidamente. alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante. seguro de si. e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas . Pode-se dizer.Sim.prosseguiu. Se não a ofendo. Diga-me. insatisfeita comig o mesma. é você? Sorri para encantá-lo. E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. . sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina. Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava.Ora. perguntou bruscamente: . realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. Bart pareceu espantado. Engolia em seco.Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo. afinal. só para observar-lhe o vexame. masculino. Então. . Em seguida. até aquele momento.Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente. sua fisionomia assumiu uma expressão solene.Agora . Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que.Deixou a pasta numa cadeira. sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar. .faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. O sorriso de Mamãe. impedindo-me d e partir quando me levantei para sair.Não desvie o olhar.

segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça. quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira.Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim.era o tipo que ela adorava. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? . completamente controlada.Ouça . soprou-me a fumaça no rosto. A seu próprio modo e no devido tempo. Tenho um filho para criar. ele es tendeu a mão. chocada por saber que ela o guardara. Abri-as. Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz. Durante tod o o tempo. seus olhos escuros.. graças à sua intervenção. Suspirei pesadamente e fechei os olhos. sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: . . provide nciará a vingança que você tanto deseja. . Sei que me senti doente. debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus.Pergunte a ela por quê! . minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la.replicou el e. lutando para recuperar o controle. Ofereceu-me um cigarro. como uma mos ca presa numa teia de aranha. Depois. . Esqueça-o.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? . à sua maneira. Às vezes. Deus. presumo. envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço. apertando ameaçadoramente os olhos.Sabe que meu marido morreu . abanando o ar.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado. inexpressivo. diabo. tenha fotos do seu primeiro marido. Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? . . Li-as. semi-cerrados.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar. Bart exibiu um leve sorriso cínico. Cathy. que. Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar. preciso de coisas para ele. de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões. Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum. . continuei a afundar-me. embora já esteja gasto pelo manuseio.Já perguntei.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. observavam os meus e. Fez uma pausa.Quem.respondi. Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR".Aonde quer que vamos.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim.escreveu para ela. esperei ser devorada. E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco.declarou Bart num tom monótono. Não queria saber que ela chorava! . . fraca.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. o álbum a acompanha numa das malas trancadas . forrado de plástico alaranjado br ilhante. ..Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares . fria. Mi nha escola de balé dá prejuízo. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade . Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes. Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela. . e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes. Recusei.murmu rei. Tinha que ser presente de minha mãe . Tossi. D esta vez. exigindo que ela me e xplicasse tudo. surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. quero as respostas certas . Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles. com uma águia dourada na capa de couro? . mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro. Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez. Sua voz soou dura. ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart.

O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas. eu devia as contas dele no hospital. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto. não me agrada que faça chantagem com minha esposa.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e.Está certo. Mas não tenho . todo o esforço valeria a pena. Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe.comentou com um risinho de mofa. embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote. Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café. Nem meu irmão. levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me. especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez. . Então. fitando-me de modo prolongado e penetrante. Em primeiro lugar. Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela. . . Cathy. menti: . acendeu outro cigarro. ficou muito sério.Henrietta Beech era meia irmã de seu marido.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa. Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas. . .Ahhh! .Morreu . . as despes as com seu funeral e os custos do parto. não sei se mente ou diz a verdade. Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos. filhos ilegítimos da família Foxworth. Por acaso. Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café. Três jovens.respondi. Vamos cair fora daqui . parecendo absorto em reflexões.Faz muito tempo.E não é? . tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa. não como se gostasse realmente de fumar. ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa.disse num tom urgente. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa. o cavalheiro bondoso. encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa. de qualquer maneira. Certo? . . Em segundo luga r. .suspirou ele.Vou lhe falar com muita franqueza. aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. Ela jamais fala no assunto. Em segu ida. E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth. Já percebi tudo. Que informação extraordinária! . não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro.Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo. mas apenas um.Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. poderá fornecer-me maiores d etalhes. É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida. como se convencido de que eu dissera a verdade.nem mesmo uma.Onde se encontra sua mãe. . não levam a sério o balé. Catherine Dahl. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. Em terceiro.Responda-me. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. . embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. De repente. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha. Sou um deles. piedoso e santo . por algum motivo estúpido. mas parece pertencer ao clã dos Foxworth. teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito. Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas.. além disso. . Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. . mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. pelo queixo. é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão.Venha. que lhe deu três filhos ilegítimos.Errado! Apenas eu. Sua esposa é minha m eia-tia. . nem minha irmã.

Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento. deixo de gostar deles e me torno indiferente. claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores.A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada. Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . até sentir o rosto úmido. sempre atrás de um rabo-de-saia. Sr. O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão. Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal. Agora.. .. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como. E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. como Paul. Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. . desafiando-me? Oh! Mamãe. Winslow. mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. . quando queria.. Quando um homem é bastante encantador e inteligente. seus olhos brilhavam tanto. o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. . . .. embora alegas se amá-la. Ótimo. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado. parecendo satisfeito. julga-me excitante e um tanto perigoso. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory.corrigiu ele. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão. avaliando Bart Winslow. sem pedestal de santo. sou muito difícil de contentar.replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar. Suas roupas caras.Aonde pretende levar-me. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. a idade em que o homem é mais atraente. Sr. enquanto eu permanecia sentada no carro. . Minha vida fora cheia de homens bonitos.Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador.Na verdade. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se. Fazia pouco barulho. Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria.A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos ..repliquei. Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam .Não sei.É e a - Acho melhor não irmos lá.Na verdade. Ele mesmo o faria. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito. não acha? . imitando seu arrastado sotaque sulino. O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes. Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer.Bart .Portanto. Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico. . Não seria necessário seduzi-lo. como os carros de luxo de Julian. Bart tinha oito anos menos que minha mãe.Então deve satisfazer-se com facilidade. a despeito de tudo. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me.Bem . . Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador. deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . tipo bandido. em ri tmo de staccato. então.não mais do que você nos deu! Não obstante. Por que. tão logo percebo neles o mínimo defe ito. cheio de vento e fogo.Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz.Poucas mulheres se conhecem tão bem . . sensual. . reparando em cada detalhe. Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa. . o que sign ificava que estava com quarenta. levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir.comentou ele.Esteve estudando meu perfil. que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto. enquanto eu lhe estudava a fisionomia.. onde quer que esteja. magnificamente bem cortadas. Bart. teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe. quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito.prosseguiu ele. Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha. Winslow? . muita gente poderia ver-me entrar.

Em breve. que até hoje tem-se esquivado de mim. para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! . mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes. de ter alguém a quem idolatrar. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. nada mais tínhamos para desejar . E ela não podia ter filhos. creio que ele estava surpre so. . pelo menos... ele me avaliava da mesma maneira. Costumava ser. Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era. de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar.exceto um filho. Creio que ela também pensava assim. Virou-se para sorrir com um encanto jovial. adquiria tudo que lhe vinha à mente. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também. de enfrentar coisas confu sas. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro . tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum. p ois correrá perigo se cometer algum engano! E. estu pro e corrupção.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de.Parece poético . Então. Sinais vermelhos piscavam-me na mente.Porque ela era como você. a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? .de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. julguei que fosse como você. .Bart. Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam.É a minha estação predileta. quando rapaz. há quinze anos.Você é uma romântica. embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel. . Quando me casei com ela. faça tudo certo.Sinto a mesma coisa. Cathy. . Senti-me impelido a trazê-la aqui. Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro.declarei. .Como pôde pensar assim? . em verdadeiras orgias de compras.replicou ele.Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . dela saímos cétic os e empedernidos. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem. abandonando-me.da. . não sei se o mesmo ocorre com você. Venha andar um pouco comigo. trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho .indaguei. quando tudo fica explicável. roubo. quando crianças.Não sei. Proceda com calma. com ele me guiando habi lmente ao longo .repliquei. Então. . . sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações.mais ainda que a primavera.Você não é? . Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério. Saltei do carro e Bart me tomou a mão. Eu também já senti essa necessidade de mistérios. Contudo. comecei a importarme demais. . É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares. Afastavam-me dela e me amedrontavam.acreditem se quiserem . Cathy . desejo confrontar-me com novos mistérios. mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho. .por algum tempo. sumiria. não poderia ser. Começamos a caminhar. Em breve. Por sua expressão espantada e levemente embaraçada.comentou ele. se quisermos prestar para alguma coisa. herdou todos aqueles milhões e. Ingressamos na faculdade jovens e idealistas. Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas. Na realid ade.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. enquanto eu o aquilatava. . brinquedos e móveis infantis.Noite linda . em sua companhia. Eu lhe lembraria tanto a esposa. e tudo estaria terminado. até que consegui con vencê-la do contrário. . não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. então. como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida.Entretanto. Catherine Dahl.Por que mudou? . E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora.. Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia. numa outra noite..Déjà vu . sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. O outono é tão cheio de paixão .e lutar muito. .

ago . com tanta falta de consideração. . chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. Então. como todos os nossos amigos. Sentamo-nos ali. apitavam durante a noite. agora que tenh o tanto à minha disposição.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado. freqüentemente.Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! .respondeu E agora. ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . porém. eu tinha em mente outro tipo de ho norários.A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem. acendendo outro cigarro.Você é bem abelhuda. . Quando a música paro u de tocar. . E também a m andavam para lá no inverno .Ora. . um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. na Carolina do Sul. até mesmo no verão. tinha apenas vinte e sete anos. respirando o ar frio das montanhas. todos os sótãos são iguais. . chamada Greenglenna . Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. . Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard. . A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente. mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu.Não.Se não for suficiente. Em seu caso particular. Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima. que lhe revelei tanto a meu Bart. perto da janel a. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas.. pare com isso. os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que. gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. Tomava pílulas para dormir. não tenho mais duzentos para dar-lhe.protestei acaloradament e. quando a temperatura devia passar de quarenta graus. respeito. A propósito. revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. basta ver um para conhecer todos . Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça. à guisa de castigo. passava o tempo todo agachada no chão. Fin almente. de q ue ano? Sabia que ela já fora casada. Na época. hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato.. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente. Então.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação.Alguma vez você subiu para ver o sótão? . embora sentisse frio. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. fale-me um pouco de você. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall.Os trens já não passam por esta linha. Além disso. percorrendo o mundo com a esposa. Ansiava por tornar a escutá-la. perturbando-lhes o sono. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno. senti falta. Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro. Aquela música me intrigava e. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. de mod o que ressonava profundamente. Ela me contou que. . casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . Mas trata-se de uma velha estória. faça-me o favor de não dizer agora. Pretende. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. repetida milhares de vezes. Então. lançando-me um rápido sorriso malicioso. Cathy explicou Bart. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. Tive vontade. quando a mencionei.Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal.Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim.

mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. pequena Srta. O beijo durou. mas. exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. durou muito. até ficarmos ambos acalorados e ofegantes . Ele sorriu.zombou. ele me devolveu a tesoura. Jory. a fim de alcançar minha bolsa para que.Sou bom bailarino? . Bart chegou. durou. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. ansioso por se . espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos.Estou dançando? . Embora ele procurasse beijar-me os lábios.Eu amo você. Jory. quando ele lá chegasse.seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias.ra. faça o pior que puder: fure-me os olhos. . pois todas as c rianças da escola maternal tinham um .Sim. sorriu. E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você.inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco. devolver-lhe-ei a tesourinha. . Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. para onde quer que voltasse a ca beça . ..Sim. Os papais eram importantes no seu mundo. . eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. Nossos olhares se cruzaram demoradamente. .todas menos Jory.Agora. enfiando-se em seus bastos cabelos escuros. Bart agarrou-me com força e brutalidade. Diante do meu chalé.. Será melhor assim. para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo. num domingo de manhã cedo. Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé.Isso pode causar um feio arranhão .Vou levá-la para casa .e. então. é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz. mamãe! . Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. . Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta. Quando você saltar do carro à porta de casa. estendeu a mão e tirou-me a tesoura. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? .Mary tem um papai. para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes .indagou Jory. . bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja . como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia. exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s. mas ele foi embora para o céu.para a direita ou esquerda. fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a. Jory. . moldando meu corpo ao seu. . eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto.disse. apunhale-me no coração. Meus dedos descontrolados t raíram-me. Você é maravilhoso! Jory riu. Pedante.Você tinha um papai. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia. contra a minha vontade. abracei-lhe o pescoço. mas levantei-me e corri em direção ao carro.. Você está dançando! . E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada. Sem dizer uma palavra.Leve-me para casa. Naquele instante. satisfeito. escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome. só conseguiu e ncontrar-me o rosto. Avançou para abraçar-me outra vez.. pronta para cravá-la nele.Bem.E não gosto de arranhões. Aquele beijo já começou.

. Sejamos amigos e aliados. Meu irmão riu.Quer fazer o favor de mudar de assunto? ..Sim. .Eu sei. com o mais cativante dos sorrisos. o que gostaria de almoçar? . perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes. Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem. . . . . Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos.r acolhido nos braços fortes e másculos.Tem recebido notícias de Paul? . Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo. . a fim de evitar que Chris me visse os olhos. você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. . . restamos apenas nós dois.por que haveria de escolher você? Não respondi. Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude. Tio Chris? . Tenho minha própria vida.No hospital.Não vamos brigar.Chris. Seja como você prefere. Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso. incomodar-me-ia demais. se me permitir. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado. Isto a incomodaria muito? . Então. Antes.Fui o melhor médico residente no hospital e.Claro que fará..disse ele. Seria ótimo p oder morar aqui. Farei o que preciso fazer .Ainda não tomei o café da manhã. como sempre .exatamente como você. com você e Jory. ou acha que deve ser.obstinada como Carrie. Virei-me para o outro l ado. . Peço a Deus que não se arr ependa.Cathy. Só nós.replicou severamente Chris. Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso. . Eu nem precisava perguntar.Tirei folga no fim de semana.Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito. .repliquei sorrindo. . Julguei que sempre se mantivesse em contato com você. olhando em volta e tornand o a encarar-me.Eu estava apenas tentando. Agora.Talvez. Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris. . Christopher. Chris.explicou ele.Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência. estou preocupada com Paul. aproximando-me p ara abraçá-lo. Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções. Sentei-me com o olhar fix o no chão. Meneei levemente a cabeça. . minha querida irmã. .Seja bonzinho e aceite-me como sou .Não . pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana.indaguei.Viajou para outro congresso médico. . a fim de passá-lo com você.. e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados. . como outrora. De quatro. Empertiguei-me ante a sugestão. limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante.Como está o meu Jory? . . . sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos . ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas. . pois já sei. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração.. como recompensa.Você é meu papai. .Está certo. divido um quarto com outro residente. após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas. Senti-me mesquinha. o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça.Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos.indagou Chris.Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. recolocando Jory no chão. Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade . isto é. cru el e envergonhada. ganhei um fim de s emana de folga .

As noites nas montanhas eram frias. às sete horas. Cathy. Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto. pousando -o no chão.Boa-noite. Chris. quando comple tasse quatro anos. ergueu Jory dos ombros. com voz embargada. .Mamãe. tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. acima de tudo. que marcava onze horas. o dia passou depressa.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir. ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão. quando ele e eu fazíamos papel de pais. Especialmente para você.Já é hora de dormir. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. dormiu no quarto que fora de Carrie. a fim de olharmos p ara a imensa mansão. Em seguida. imaginei Chris como um pai para Jory. Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor. ..Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça. . Fazendo o melhor possível. Conversávamos muito pouco. Naquele sótão. A despeit o de mim mesma. por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista. Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente. deitado de lado.Então. Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar. eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. e. Jory. É perigoso afaste-se dele. de verdade. Christopher Doll .Quem lhe contou? . . também. Parecia-me tão bom tê-lo à mesa. Sem falar. Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto. ele virou vivamente a cabeça. tudo o que estava ao nosso alcance . Então.Durma bem e não seja mordido pelos percevejos.. comia de tudo. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. Chris já se fora. Quando acordei. .. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. mesmo em setembro.quando éramos apenas crianças .indagou Chris. se tem necessidade de um home m em sua vida.sussurrou Ch ris. Mas permaneci calada. tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. . passeamos pelos bosques. quando os dias ainda eram quentes. espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira.. Paramos juntos.. E você pode ficar aqui cem anos. Ouvi dizer que se encontra no Texas. embora ele me observasse os mínimos movimentos. conf uso. ele se parece mais com você do que com Julian . Alertado. Jory foi montado nos ombros de Chris. abriu a p orta do quarto. .Quando está dormindo. onde olhamos para o menino adorm ecido. Paul dissera o mesmo. percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas. dan do a Jory o pai que precisava. que precisa acordar tão cedo aman hã. . Volte para Paul e case-se com ele. bocej ei. deu meia-volta para encarar-me. ele me acompanhou ao quarto de Jory. .Não é suficiente. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz. .come ntou. graças a Deus. . ao terminar o q ue tinha que fazer. Em seguida. magoado.Mamãe está lá? .indagou. Quero confrontá-la com a verdade. Chorei um pouco. Após a refeição. . .. Tive vontade de dizer-lhe que. Cathy. diante de Bart.Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto . amedrontado.. Daí em diante. mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé. Parecia exausto. como costumava acontecer antes.Não.Maldita seja. Dando-me as costas.

O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. Alguém corria atrás de mim. Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio. Como teria de ser. uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro.. o remorso e a vergonha. minha mãe não podia vencer invariavelmente. mais cedo ou mais tarde. e tendo punhos. estava bem .Machucou-se? Parece tão pálida. Jory. Onde sente dor? Eu quis responder que. naturalmente.Pare de correr. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. os músculos longos e ágeis. ele gritou: . transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. . obrigando-me a prestar atenção ao solo. Uma vez. O de stino não me poderia iludir para sempre. Duas listras verticais. . Cathy! . . virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . torci o jo elho. a essa altura. do contrário não chegará perto de mim. deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido. A fim de acelerá-los. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. apertando ainda mais o passo. engasgando-se. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha.Tudo bem. já deverei estar de volta.Foi o maldito joelho. como se brotasse do solo.chamou uma forte voz masculina. tomei uma bifurcação à direit a. Entretanto. com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim.Corre depressa demais! Era Bart Winslow. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho. Meus planos caminhavam devagar demais. . parti correndo pelas trilhas. E Mamãe não irá trabalhar hoje. Desta feita. naturalmente. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. que nunca usara antes. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas. que cedeu sob o peso do corpo... as folhas mortas amaciaram-me a queda. em solidariedade. sentindo muita dor. L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante.. Levantei-me de imediato e continuei a correr. Ri com o poder que sentia po ssuir. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina. Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo.Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas.respondi. Ofegante. sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas.Olá. fui . quando a turma inteira estivesse reunida. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. magoando-me de muitas maneiras.Não devo demorar mais que uma hora. . cintura e gola sanfonados. ajoelhando-se a meu lado. e abri os braços. Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça. Não me voltei para olhar. Felizmente. mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto.outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. abetos e espruces. a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato. As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono. de modo que aumentei a velocidade. fazendo uma pirueta. penetrando num pinheiral mais denso. Sr. uma ama rela e outra laranja. meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça.Espere. A trilha mal era visível e muito sinuosa. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques. exceto quando se trata de um tombo inesperado. desciam ao longo das costuras laterais das calças. . Mamãe sente saudades de seu tio Chris. Então. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja. Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e. Só que desta vez estava machucada de verdade. ele também dói. Como eu pe nsava desde criança..pois as bailarinas sabem cair. Winslow . o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno. esgarçado um tendão .

Não fica sozinha. num jogo ent re homem e mulher.Arrogante.Parabéns. .Você quer brigar quando de sejo ser amistoso.mostro-me delicado e humilde.Nada que eu goste de mencionar. dentro de casa e ao ar livre .indaguei. Minha sogra tenta falar. .Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa. que eu não tenho a menor idéia de qual seja.Um pouco. Ele sorriu.Quando sofro . Tem Nova York e sua cidade natal. feliz por revê-la. . desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção.. Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável .Meus joelhos também funcionam bem.A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? .Agora. mas veio para cá .resp ondi com ar inocente. franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem. para variar. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! . recebemos mais atenção.Aposto que tem. . É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz. E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio. brincando de gato-e-rato. morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar .Por que veio morar aqui. não obstante. estamos discutindo . . deixan do-me seguir o meu. e você demonstra tanto antagonismo. depois ajudou-me a ficar em pé.pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando. Embora não seja capaz de correr como o vento.obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar. . . É seguro? . Cont udo. Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? . . desapontado.respondeu ele. Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante.Está brincando! . hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. além de uma equipe de empregados . Uma noite.Sim.Aqui estava eu. presumindo .Estou falando sério.que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher. de modo que posso distinguir só pelo tato. Agindo assim. .indagou ele.E você não precisava aceitar. Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho. com um brilho de malícia no olhar.Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa.E você a deixa sozinha. perto de mim? Eu ri. Seja boazinha comigo.. também tenho minha peq uena coleção de truques.Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher. .a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente. . cortando-me a gengiva.. Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo . Olhou-me detidamente. Ele soltou uma risadinha confiante. sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito. foi você.. de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante.disse ele. .como todos os homens cheios de convencimento . caso eu também quisesse. Diga que se sente alegre por rever-me. gosto de todas as espécies de esportes.Como pode saber? . . . mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim. desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato. como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar.o que é muito raro .Por que se porta de modo tão detestável comigo? . poderia julgar melhor. apertando as pálpebra s. perfeitamente funcional. . po is meu joelho direito reagiu imediatamente. . e se ergueu disposto a aceitar o desafio. . insisti: . . .Claro que sim. encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira.A dor sempre me causa antagonismo. Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo. Não lhe acontece o mesmo? . se pudesse ver seu joelho.

acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse. poderemos conhecer-nos melhor.Fico muito solitária. Agora. É.Por que quer saber? . t enho pena de vê-la no estado atual. jantar e tomar vinho com ele. o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície.Então. .Quando voltará sua esposa? . Então.Uísque. Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma. Portanto.Qual é sua fraqueza. Bart. Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade. trato-a pelo nome de batismo. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los. Depois que Emma. onde me ocupei com a preparação d as bebidas. Agora.replicou ele de imediato. que faça questão de mostrar-se..Chamo-a de Olívia! . Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto. Quis saber o nome da avó. Depois do jantar.A propósito.tão logo tivesse mais uma pequena informação: . até o som de música suave enchia o ambiente). Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. Chegarei às sete e me ia para um drinque. Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. . eu podia estabelecer o s planos definitivos . meramente por pertencer à natureza humana. . Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça. ambos rimos sim ultaneamente. porque o olhar que trocamos foi muito demorado. Em seguida. como cabia bem a um bo m advogado. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. .. fixo numa expressão . mais cedo ou mais tarde.. os olhos escuros faiscando. se atravessar o bosque nos fundos de sua casa. lacônico. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue.. Seu rosto parece f eito de pedra. nosso horário de jantar é às cinco. Winslow. . Srta. mas agora. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. . Dahl. até que minha mulher volte para casa. Bart já me dissera tudo o que eu queria saber. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo. Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo.Com gelo? .. A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m. Bart? . Pude imaginar a avó. A essa altura.. creio que isto lhe dá satisfação. o que eu descobr iria por mim mesma.Logo que me casei. tenho apenas a companhia de meu filhinho.Ótimo. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja. Uma curiosidade avassaladora me invadiu. . é claro. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo. não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. Tin ha os cabelos meticulosamente penteados.. pois nunca o es cutara. imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados.Irei hoje . evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência. cada fio no devido lugar. a babá.fria como gelo. você parece uma megera. . por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? .Nosso horário gira em torno do menino.. negligenciada ou roubada. como se arquitetássemos uma conspiração. mimá-lo. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre.replicou afinal. . Sr. que os dias são mais curtos. cinzentos como gra nito. enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. . estou encarregado de verificar que a Sra. jantamos por volta de cinco e mei a.Puro. A menos.Você a chama de Sra. mas não posso ter certeza. m as persisti..A senha é discrição. fui ao bar. vai para casa. . Portanto.Às vezes. No verão.

Uísque é uísque. é feito com laranja recém-espremida. quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos. chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem. . Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre. Então. Agora. . desde a sandália prateada até a metade da coxa. a fim de jantarmos à luz de velas. com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata. Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando..Bart observava-me cada movimento. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão. exibiu um sorriso atraente. Sim. Como poderia eu fracassar? Após o jantar. O roteiro fora escrito há muitos a nos. devastador. ambos nos curvávamos para pegar o talher e. homem convencido . O que está tomando? A essa altura. cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna. . A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água. Isto é. encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira. . satisfeita com a expres são de seu rosto.Se eu ganhar. temos que co mer muito pouco. senti-me no palco. interiormen te. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco. . . lançando -me um olhar duro.. Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia. debruçando-se sobre a pequena mesa console. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas. dando-lhe as costas. Ganhei dele todas as vezes. E. após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas. Batizei-o de "Deleite de Donzela". Ele sorriu. quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas.. A luz das velas refletia-s e em seus olhos. não gosto de galinha.Quando eu ganhar a segunda partida. você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. Antes de nos apresentarmos no palco..Não comece a imaginar coisa. Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne.exclamou Bart. qual a recompensa? .Uma bailarina russa me ensinou. qual será a recompensa? . fiz a barba.. nada temos de delicadas ou el egantes. Mamãe. fazendo-os brilhar diabolicamente. Então. para jo gar xadrez! Em seguida. não importa como seja servido. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais.Tomei banho. . passeando ou fazendo compras.declarou. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã. Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: . ..Uma segunda partida. vesti meu melhor terno. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido.A galinha está deliciosa . como num passe de mági ca. .jogar xadrez! . que era deliberadamente gracioso e eficiente. Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu. desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou. após um espetáculo.disse eu num tom suave. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas. Após conversarmos alguns minutos. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. trancada num quarto.repliquei no meu tom mais altane iro.Bem. quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade.Em geral..Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. .Cathy. preparei para mim um leve coquetel de frutas. verificáv amos quem era o mais rápido. A intervalos.Desculpe-me quanto aos copos . diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? . um pouco de suco de limão. encaminhei-me sedutoramente para ele. . Sentei-me em frente a Bart..Exatamente o motivo pelo qual vim aqui . rindo. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. adiciona ndo uma pequena dose de vodca.

Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança.. não sei o que fazer de mim mesm a. Garotinha s de quem eles precisam cuidar . sorrindo com tant a confiança. .Então. cheia de esperanças e a spirações..disse baixinho. de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s. Espero demais e. um pouco de mulher sedutora. mas resolvi tentar. . . fez-me virar a cabeça. não sabia. . pois não sei por que motivo você está aqui. só compra va música clássica ou de balé.pois já não acredito que dure muito tempo. E quando consigo alguma coisa que desejo. Chris. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados". tentando ocultar o rosto. .insistiu Bart. e vivo à procura do pedaço que ficou faltando. diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida.Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo.Não sei.Se você ganhar duas partidas.Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei. Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro. eu fora além de minhas possibilidades. . Torno a recompor -me. na minha vida pessoal. Naquele dia.Não. . julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? . Tomando-me pela mão. porém. prossigo. pelo menos atualmente. contudo. Alguma coisa fácil e romântica. que não sofra ao perdêla .replicou Bart.Claro que sabe . Então. depois. mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça. . Um prolongado. Então. bailarina . lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris. E. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira. realmente. Bart...Por que está chorando.. veio o silêncio.. enquanto cont inuávamos dançando. Soltei um riso curto e amargo.Todos os seus problemas são muito simples. é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. E tudo continua assim. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho. . infindável silêncio. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz. Entretanto. Só precisa de alguém . . fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei.solucei. sempre sendo furada no centro. . .aquele que você jamais esquecerá. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. roçando o rosto escanhoado no meu.indagou Bart suavemente. Do contrário. agora. Cathy . minha frágil proteção se esfacela e. Quando eu era jovem. que me será revelada em algum ponto de minha vida.Vamos dançar.. apenas começando..Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres.Ligue a música. quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. Parei de mexer os pés e funguei. para alegrar uma viagem longa e solitária.quando sei que. Nada de passos complic ados. qual a recompensa? . nunca terminando. na verdade. jogaremos a "negra". só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente. porém. Cathy? . Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar. Com estudada deliberação. mais uma vez . Oh! Chris estava certo: com Bart. . te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim.Não está sendo honesta consigo mesma . meu sangue escorre com as lágrimas que derramo. não imaginava que me magoaria com tanta freqüência. Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada. . E não fique aí. quando ele vai dormir e estou sozinha. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira.Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando. Não sei como encher os me us dias. . Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me..declarou suavemente Bart.Cathy. espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo. é claro. Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina. levo u-me à sala de visitas.. . eu não estaria aqui.começou Bart.Mas serei o último e o mais importante . Sou idiota. convenço-me de que existe uma razão para tudo. Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa.Engana-se. um pouco de anjo. . então. Sou como uma rosca. . simbolicamente.Depois que eu ganhar a "negra"..

No escuro. mas ele a tampou com uma das mãos. talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores.repliquei amargurada.a firma que nem a conhecerei quando ela voltar . Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a.Cathy. pare com isso! Veja de que modo está vestida. Agora.do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante. que necessita de alguém como você.e. mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. . Portanto. obrigá-lo a perseguir-me e. Entretanto. puxan do-me com força de encontro a si. será minha até uma semana antes do Natal...Você tem uma esposa a quem ama . agora. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. zombando de mim. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem. Seduziu-m e na primeira vez em que a vi .ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! . Movimentava-se para penetrar-me. Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo. Lutei para levantar-me. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você. por Deus. . Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso.Tenho uma esposa e. aqui estou. prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo. empurrando Bart. Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate. Ela que fique com seus segredos e lágrimas. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto .Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais. Em seguida.como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico . eu necessito de um filho. Se Jory precisa de um pai.. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. Bart possuía-me sem usar o coração.Agora. fiquei apenas com a meia-calça. Ela é uma trouxa de segredos. bai larina. ocasionalmente. E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos. . dormimos j untos. de modo . Com a mão livre.Os homens também mentem . quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. A essa altura . mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado.Pelo menos. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais. bem amarrada. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. disposto e pronto para ser seduzido. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar. Afastei-o bruscamente de mim. que ele puxou por minhas pernas abaixo. se formos juntos p ara a cama. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços.declarou Bart incisivamente. refleti. Bart jogou-se para a frente. inflamá-lo.Vá para casa! . ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer. E não acredito que alguém realmente a conheça. mas o fogo se apagou. . carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama. apagou as luzes. Sua li bido inflamou-se.. sabendo que nada poderia dizer em protesto . Um dos dois ganha o jogo. . erguendo-me e carregando-me sobre o ombro. Não a conheço. Todavia.bradei. até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. e não me permite verificar o que há lá dent ro.como eu. Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. Convidou-me para jantar por um motivo. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas. Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. minha linda sedutora. limitei-me a vociferar: . Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. pega ndo-me pela cintura. .

deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. cheio de talento.Mas ela gosta. Contudo. assumiu uma atitude séria.Oh! Mamãe. mas também ofegava. Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. usando apenas as meias. Você está chorando. Sem assinatura.. de uma inteligência brilhante. . . mais an imal que humano! .Amanhã.Mamãe. Se me de r muitas calorias. estou com medo. Quando ficou despido. exatamente como você gostou. . Era u m estabelecimento que usava o método Montessori.respondeu ele. Saiu.. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder .menos um pai. Do tip o de talo comprido. fec hando desavergonhadamente a braguilha.Não se sente feliz.. expl orava-me o corpo. . não passa de um brutamontes. imitando minha voz. Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar.Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa. . Mamãe não está chorando. Oh! O meu Jory tinha tu do .. . .. batendo a porta da frente com força.. isto é. . . fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. Depois do almoço. aninhando-o em meus braços.Suma-se daqui!..Oh! . Mamãe está bem. se você me tratar bem. e musse de chocolate para sobremesa. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. nem mesmo é um homem.. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la.Querido.(era mentira). Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira.pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava. Por várias vezes. sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim. nua.. deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se. Você teve um pesadelo.Minha esposa diz freqüentemente o mesmo . Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia. pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância. E passarei a noite aqui. apertando-me os dedos até estalarem. . vinham numa embalagem da loja de flores.e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito.Estou tremendo de medo! Em seguida. poderei queimá-las da maneira mais agradável possível . Não faz mal. retorcer-me. com ar indiferente. prepare o bif e à Wellington com uma salada mista. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap . Jory tomou a decisão por mim: . Penetrou-me. à mesma hora. querido. zombeteiro. Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças.mas ele me beijava. Ao diabo com ele! Comecei a chorar.Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. tive oportunidade de gritar. mas não foi por pena de mim. fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . forçando o corpo para cima a fim de livrar-me. Jory adorou. continuei a debater-me. Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha. acariciava. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria.. veja só! Eu enxugara as lágrimas .até mesmo no banheiro. sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente. inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos.. é um homem morto! Aliás. Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração . bateu-me uma continência.. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto.berrei.Tenho uma arma! . Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma . Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado. E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil.disse. Sorriu. quando o levei comigo par a a escola de balé. Amanhã. satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! .e não me refi ro a correr pelos bosques. sob o peso de seu corpo.que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa.

Oh! apenas um lugar macio. Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes. A encomenda era registrada. calada. Faze com os outros o que far ias contigo. logo que se acomodou a meu lado no carro. Sim. não constituía um presente dele. . Os bebês costumam mamar nos seios das mães. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada. Jory ter ia também um pai. Ele estava na agência postal.. Em seguida. Nenhum de nós dois dissera uma palavra. muito aliviado. . . Jory. E se às vezes você for mau. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. todos viviam cheios de medo. Mamãe . Fui esperá-lo à saída da escola.Você me batia. claro que não. Porque você me ama mesmo quando sou mau. Nada de coquetéis ou conversas amáveis. cujos olhos estavam esbugalhados.. naquela época? .Mamãe . Em seguida.. Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. algum dia. se quer tentar.indagou ele. olho por olho. Jory esticou a mãozinha. Olho por olho. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela. Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim. . mais perto de Deus que o resto do mundo? Então. entregando-o a mim. Não obstan te. eu não seria como a avó . aí .. No interior desta. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço.. fique à vontade: vá em frente e pegue.. e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui. . .apontou timidamente par a meu seio. de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda.ou minha mãe. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara.. acenando quando me afastei no carro. a fim de indagar se eu gostara das rosas.repliquei rispidamente.Você não bate quando pego aí. . Bart teve a ousadia de vir naquela noite. parecendo um tanto triste e desapontado. bem como travessas de p rata. Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. Como se explicava que crianças. convidei-o a entrar e conduzi-o.Eu sempre o amarei. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da. ainda tão pequenas. Mande-me embora e obedecerei . portanto. A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo.Eu sei. . . .. que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas.com efeito.disse ele.Eu também a amo. Sim. à mesa do jantar. tentarei compreender.respondeu ele.Não gosto do seu tipo de rosas .Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo. . Jory sorriu. deixa ndo-o a observar-me . No prato vazio. Nem a s rosas naturais. Portanto. estavam na caixa ao lado do prato dele. Mamãe. Às cinco e meia. . O pacote conti nha uma caixa. eu o amo. Exibiu-me um sor riso encantador.eis o motivo pelo qual eu ali estava. e também comprava selos. agora. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado.Jory. hesitante. parecendo deveras preocupado. Amei-a antes mesmo de conhecê-la.Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela. de modo que precisei assinar um recibo. Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada . portanto meu amor não tem motivos ou intenções. um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas. Parti. às sete e meia.. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory. Seria a mãe perfeita e. O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . A caminho do chalé. como prometera. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã. .idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do. dentro da qual havia outra caixa menor.Não. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus. s ob a influência de Deus.. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior.

desalinhadas. Carrancudo. estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. .declarei em tom de gozação.Você me obrigou a fazer o que fiz! . . Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas.Não sou tímido. muito interessada em sua expressão facial.Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas. .dis se ele. medrosos e temem uma mulher agressiva! . ostensivamente. . você está vendo o cardápio predileto de Jory . incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga.Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e.Eu a compus há apenas alguns minutos. homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas. Em vinte e quatro horas. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente. . Bart estava trajado com ex trema elegância. o ar de desapontamento .Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós. .Sua poesia tem algo que me é familiar. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. A descrença em seu olhar. tudo é seu. a fim de tornar-me mais at raente. C ontudo. os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga. ou coisa nenhuma semelhante.Preveni-a de que sou advogado e não poeta. tênis sujos. Poesia não foi minha matéria predileta na escola. guardei um pouco para você. Saiba porém. .. . antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias. fitando-me os olhos com ar desafiador. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite. Franzindo o cenho. amala-ei ainda mais depois de morto . . . sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa.Engana-se. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as. abriu-a com um puxão.Isso é evidente .De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas. medroso.Não sou chauvinista . que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! . E levando em consideração que já jantei.Agora.É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. E quando estiver rígido e frio numa sepultura. então. ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade. idolatrar e servir como uma escrava. deixando-as cair ao longo do rosto.Fiz o possível .. Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. Esper ava tudo de você. A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto. mas certamente você não o é.Ao menos. desde que suficientemente bo m para nós. jóias. Existem outros a quem s ou capaz de adorar. eloqüente. passivas e estúpidas. . murmurou: . antes de mandar-me embora.admitiu ele com um sorriso travesso. mas cor-de-rosa! Além disso.. Como sobremesa. servi-lhe bis coitinhos com formato de animais. Bart lançou-me um olhar duro e faiscante.Não era vermelho.protestou ele. Por que usou aquele tipo de vestido? .. como você fez ontem. Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens. depois. parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa. Sirva-se à vontade. . ela se transformara numa colegial adolescente! .repliquei.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! . Bart. mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. Quanto às mulheres passivas.. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara.Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante. mas com um toque um pouco estranho. Primeiro. o que explica o toq ue um tanto estranho. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo. como é possível que lhe pareça familiar? . porque eles próprios são tímidos. escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada. Sou liberada apenas em relação a alguns homens. ocultava o filé à Wellington. despr ezo-as tanto quanto as agressivas.e detesto aquele tipo de vestido! .

Então. Girava sem parar. eu nunca mais o veria. Além disso. roçou de leve os lábios nos meus. e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo. sacudi a cabeça. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito... Não servimos um para o outro. me tratava como um verdadeiro ama nte. Atrás do ja . a única que ficava bem alto na encost a da montanha. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. pode ir embora . não obstante. antes de começar a subir vagarosamente. recebi e dei até adormecermos abraçados. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. E agora que já viu. depois em legato. Então. Mamãe. . Sentime como se a avó nos observasse. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. Contudo.. a caminh o do trabalho. que apenas pa recia muito triste. Por força de um vel ho hábito. não acreditando em suas palavras. Desta feita. um por um. Com um leve sorriso. erguendo-me da mesa. que se abria para um jardim cercado. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. Quando dormi. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa. levou-me às estrelas. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os.então vi Chris no interior da caixinha. meu desejo era ser tocada como um violino. Oh!. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. tornando a explodir mais uma e . Volte para sua mulher. quando ela regressasse. eu sabia que ele não me amava. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. Desliguei a mente. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. sonhei com Julian. Fitei-lhe o rosto. pois e u não o quero. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul. ainda. dominando todas as demais como um castelo medieval. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. vinha o aroma de rosas naturais. . Bar t beijou-me os artelhos. E quando ergui os olhos. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo . E Julian nun ca me beijara os pés.assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! . De leve. havia a a vó. excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo. agora.Você me está vendo como sou ao natural. Bart fez-me erguer o rosto para o seu.. Bart veio depressa em direção à porta. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho. Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado. Julian quase não tinha ca belos no corpo. Por que você não vem. onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro. tinha cer teza . Eu sabia. arquitetando meus planos. O travesseiro estava molhado de lágrimas. Ela que fique com você. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. a grande distância. como se pretendesse sair.repliqu ei.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. que também tinha que pagar. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. Sem aguardar a permissão. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele. com a v oz. passando a um crescendo. dedilha da em pianíssimo em andamento largo. Paul. os olhos fechados.Eu a amo. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. morto. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. outra vez. escutei alguém chamando por mim. acusando-me com os ol hos negros. as mãos c ruzadas sobre o peito. De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir. saí com ele para o ar frio da manhã. deixando-o cair naturalmente. Dias a fio eu ia observá-la. Finalmente eu lhes atendera o chamado. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno.e.

Ela telefonou hoje de manhã. erótico e totalmente satisfatório. O jet set.Em breve. meu amor . diga que me ama.rdim. gelei q uando ele anunciou um dia. Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. .Não faça tempestade num copo d água.Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? .Ela me ama. delicada.Bart. ta lvez. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa. que tenha um significado. Tocada. Ri-se sempre das mesmas piadas. obr igando-o a permanecer. como você. perde as inspirações. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável. A minha era redigir seus testamentos. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro. bailarina.Aquele pai dela também era um mistério. Foi esta a resposta clara.Você é mesmo uma mulher incrível! . Ele ficava porque ela o amava. . a "gente charmos a" . tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. E. embora conservasse a sanidade mental até morrer.Então. . para elas mesmas. que me faz l embrar dela. Somos nossas piores inimigas.Às vezes. mas ele possuía outros seis. Todas as mulheres são monstros para os homens e. Alterou-os dúzias de vezes. Depois .respondi. selvagem. Eu a a mo e a odeio. mesmo que não seja verdade.que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo. mas. E continuei a comer minha salada. Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. ela mudou. encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce.Bart. Bart pareceu-me um menino tristonho. sou novamente. e não tente fazer comigo o que ela fez. existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores. agora. você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela. Cathy. Ocas ionalmente. Nunca. Ele prosseguiu. juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também . Não se incomoda com iss o? . . sob a aparência havia um coração de pedra.até lá. afirma o contrário.Sempre foi um mistério para mim. menos saúde.Naturalmente que era advogado praticante. O último codicilo foi o pior de todos. . Agora. porém. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna. termina s implesmente entediada.Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. tão louco quanto sou agora por você. sucinta. você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: . . todas as muralhas misteriosas ruirão.respondi. encantadora. embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. incl uindo um membro da família. ao vê-lo. . porque não consegui . adicionando codicilos como um possess o. acrescentou: . Voltará antes do Natal. Um homem pr ecisa fazer algo útil.Falando francamente.Ótimo . tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. atrevi-me a dizer: . terno. Todavia. . Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca. na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido. retirando outro.Logo que me conheceu. encontra-se se mpre a mesma pessoa. . . Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. De repente. Quand o a conheci. sem dar atenção à minha interrupção: . faça o favor de ocultar sua faceta de megera. mastigando com violência. Portanto. na hora do almoço: . sou ambivalente e tenho ressentimentos. Portanto. Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow. mas mudou. cada um de nós encarregado de uma f unção específica. aquela gente não tem mais sonhos a comprar. Não obstante. Julguei que eu foss e seu único advogado. era uma mulher delicada. você disse que a amava.Daremos um jeito.

observando avidament e os belos móveis antigos. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. robusto.o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro. Um dia. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. os enormes lampiões. Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. apenas para economizar alguns míseros dólares . para verificar qual era a sensação. admirando os quadros a óleo. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. Era q uinta-feira. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. Todos os criados estariam na cidade. tão lindos aos cinco anos de idade. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. Fazia muit os anos. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. que tanto haviam perdido. . mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos . revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den . podiam adquirir. Sorri ante sua expressão de espanto. esgueirei-me até Foxworth Hall. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa. Além daquela porta fechada. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago. usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. Vi tam bém a segunda noite.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. erguendo-se sobre nós como uma torre. Mais uma vez . pois era o dia de folga. Por quê? . tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança.Carma. estava a avó-bruxa.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. havia um balcão no segundo pavimento. Chegando à porta dos fundos. e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . poderoso. o corpo grosso. ta mbém. pareceu-me que já a beijara antes. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. os bustos de mármore. cap azes de avareza em pequenas coisas. Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente.Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. Continuei a avançar sem pressa. Afinal. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos. quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. uma menina assustada. utilizando-me de todos os caminhos ocultos. marca das por vergões vermelhos e sangrentos. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. para fazer companhia à sogra. o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. ainda crianças. Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade.

revelando que ela era quase totalmente calva. no futuro. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante.Boa-tarde. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil. agora. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria. dizendo baixinho: . esbugalharam-se. Viera exercer vingança.Avó. averme . Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. com grande cautela. e eu me sentia satisfeita. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. pecaminoso. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo .apenas um pequeno tufo. os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. que chorava e berrava. pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto. como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. depois. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. muito satisfeita. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. que ainda surgiria um a ocasião. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. estava à beira do sono. mãe de quatro filhos. A avó me reconhecera. querida Avó. Então. pude cumprimentá-la com amabilidade: . a avó tinha um metro e oitenta de estatura. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. parei junto à porta. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. no dia em que ela me surrara. ainda por cima. pelo contrário. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche.. desbotados e úmidos. pois ela jamais tivera pena de nós. Então. Agora.. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo. se us olhos também se abriram lentamente.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. sentei-me para descalçar as botas e. Soltei os cabelos. Eu. totalmente despida . de olhos fechados. afinal. aproximei-me da porta. mesmo reunidos como estavam. Estava com medo! Glória. Que prazer tenho em revê-la. expulsando dele a piedade. Agora. ela gritaria: Saia de minha casa. Outrora. jazia na mesma cama que ele. Oh! como parecia envelhecida! Magra.e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . maldoso. O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo.. quando a porta se abriu. Usava malha branca. revi-me diante do espelho. não conseguira estragar. não o que era agora: uma velha doente e calva. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea. abismada. Em seguida.tes que procuravam mordê-la. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. A avó jazia. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta. Se pudesse. Aparentemente. os dedos o ssudos e nodosos. com o couro cabeludo à mostra.. Olhos cinzentos. bati com a vara na pa lma da outra mão. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas. Chegava lá todos os dias. Ainda assim. Um a to vergonhoso. às seis e meia da manhã. Lembra-se de mim? Sou Cathy. Apronte-se. Então. mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. c alcei ás sapatilhas de cetim branco. Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. f ora! Fora. ainda mais indefesa . filha do Demônio! Fora. Tentou falar para e xpulsar-me. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. entretanto. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. Com a maior naturalidade. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. abatida . abri-a com todo o cuidado. chegando-lhe ao abdômen inchado. na alta cama de hospital. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa.meus cabelos.

nunca deixou de sentir-lhe a falta. Lábios finos e retorcidos. comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as. Carrie ficou abalada.Veja bem. Um medo profundo.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! . sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie. Jamais se recobrou da morte do irmão. Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. nos dera à luz. cuidara de nós. na raiva. por acaso. Agora. foi o que fez. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los. Mesmo assim. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. depressão e falta de coragem para pros seguir. pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo. Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável. Cory morreu e você sabe. Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe. A avó jamais gostara de nós. portanto. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas. Deleitei-me. a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. numa teia de linhas que se cruzavam. pois vocês duas mataram Carrie. envelhecendo. Prossegui num tom de cântico religioso: . com golas debruadas de crochê branco. onde nos sentávamos para tomar sol. Guardeios não apenas para mim e Chris. mas os gêmeos tinham pavor da altura. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo . Revi Carrie em seu leito de morte. Agora. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu. fazen do-me tremer as mãos. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque.. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . por incrível que pareça. ouça bem o que ela fez .Sim. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar.Avó. sabendo que aquilo doía. Depois. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas.por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. murchando. como sofreu por causa de Cory. menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. agora murchos e miúdos. Carrie também está morta. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. Portanto.. percebo que ainda não sabia disso. como também para mostrá-los a você e nossa mãe. . dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino. querida..lhados e cercados por pés-de-galinha. porém. porém. E. .. Pobre Carrie..Lembra-se da segunda noite. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?. Nossa mãe..e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. Apaixonaram-se e iam casar-se. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. nem os nossos.. Não. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco. . Delic iei-me observando-lhe o medo. A vingança me brilhava nos olhos. Ela se mexeu um pouco. Agora. Avó. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. Chris e eu subíamos ao telhado.. at irou Cory longe com um tapa.

Contudo. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido . Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. minha mãe. descontrolada. ela fez um esforço para encolher-se.. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i . agora. em vez disso . deu-lhe tudo do melhor. Educou-o.Agora. desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo. .declarei. não foi? Roubou lhe sua filha única. Assim. Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora. meu pai lhe passou a perna. exibindo o corpo bem conformado e jovem.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. O seu marido.Sim. porque o pai gostava mais dela do que de você. .declarei. como ocorrera com Carri e. quan do Alicia teve um filho. Não obstante. Contudo. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . você nunca pronuncio u nossos nomes. A esposa dele. portant o.Não são lindos cabelos. . como se o passado já não importasse.e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa. Malcolm. que não machucava .e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor. Também isso eu lhe devo. Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade. querida Avó. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas.e também do seu marido quando jovem. Um chico te macio.Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar . pois trago cada uma delas gravada na lembrança. que veio a ser nosso pai. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm. Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha. seus únicos netos. pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie. induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar. Nunca a emocionamos. tão transparente que permitia ver as veias . o seu marido! Embora tivesse sido. não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai. . apaixonou-se pela esposa mais moça do pai. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. exibindo-lhe minha grande agilidade. a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica. Lembra-se? Pulei para cima da cama. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia. Por isso mandou buscá-lo. colocando-nos à sua mercê. E ntão. rindo ao vê-la tentar esquivar-se. joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. não é mesmo? Embora tenhamos tentado. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes. parei diante da velha e vociferei: . Dancei e rodopiei em cima da cama. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança. .Devo-lhe isso. mesmo assim. da nuca aos calcanhares. Avó! . meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado. se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente. o meio-tio se casou com a meia-sobrinha. Só o prese nte interessava . no começo. erguendo bem as p ernas. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma.e a vara em minha mão. Depois. você jamais te ve piedade de nós. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases. Mas.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida. esse dia chegou. E todas a s outras coisas. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim.. a quem você também de testava. sobre o corpo rígido da velha.e. velha.

. O corpo jovem é um a coisa bela. escuros. com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha. Só pode permanecer deitada e sofrer. sem preocupação com delicadeza.desafiando-me. desafiando-me a agredi-la . Uma cicatriz antiga. Sem a menor piedade. a pele imaculad a. Sem dúvi da. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido.O que farei primeiro? . do que dizia nem do que fazia ou sentia.. estava todo o cabelo comprido que ele salvou. agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e. observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé. pois surtiria o mesmo resultado.declarei em tom inexpressivo. a té as axilas. Tinha que ficar nua. Durante o tempo todo. aberto apenas nas costa s. Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura. pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar. O quanto desejei que cons eguisse falar! . . As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada. gra ndes. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente.indaguei.indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador. maliciosos e impl acáveis. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. A brancura pastosa da pele era enrugad a. Sim. tendo perdido o gosto da v ingança.Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. . Ela usava um tipo de camisolão de hospital. Como não há no momento. Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo. marcada pelas estrias da gravidez. manchados e encaroçados. flácida e enrugada que a cercava. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . Suspirei. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. vou açoitá-la . Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. como obrigara Mamãe. flácidas e brancas demais. eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. Minha consciência pairava perto do teto. como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. . Um traje esquisito. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. Isso é mais amor do que você já conheceu.Querida Avó . enrolada em minha cabeça . pois você não pode falar nem escr ever. Não gostei de mim mesma.contudo. Você poderia ter usado cera qu ente. .Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere. livre de qualquer escrúpulo. embora suas nádegas fossem chatas. Em seguida. De repente. Avó.Oh! Queri da Avó. debruçando-me para observá-la melhor -. estendida a meus pés. Chris e eu também. violenta e vingativa. abaixei-me cruelmente. empurrei-o para cima. mas apenas a franja. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. os músculos ágeis e rijos.os contornos suaves e firmes. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama.. agradável de olhar . Espantada. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto. Por baixo daquela toalha. Nua. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais . pálida e mais brilhante que a pele bran ca. naturalmente.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . como se falasse comigo mesma.Agora. velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche. com as mãos nos quadris. Portan to. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. a tornar-se ainda menor. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados. os bicos bem embaixo.provoquei. creio que serei obrigada a usar cera derretida. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana. deixando -a descoberta. velha.. arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam. jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada..

depois. Deus al terara o molde e eu não cabia nele. Piscar uma vez significa sim. Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. Cobria-me de presentes . Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. Agora eu era uma mulher sustentada . sentindo-me um pouco doente. Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite. fitavam-me sem expressão. mas bem gostaria de ser. ou algum dos criados. mas não fazia diferença. a fim de saber se foi alguém que ela conhece. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se. só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos. Ela estava certa: eu era covarde. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local. segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. passando para a primeira sala de visita s que encontrei. Então. lentamente. mate-me! Eu a desafio: vamos logo . pisando com força e fitando os pés. Eu era uma Foxworth de pai e mãe. gota a gota. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa. contudo. Em seguida. Vamos.ele tomava café da manhã. que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy..e fazia o mesmo com meu filho. além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. procurando na mesa de trabalho usada por B art. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. ou poder ser. deixando escapar um som da garganta. Voltei correndo p ara apanhá-la.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa. Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal.exclamei. Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu. m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. Ele fumava. . ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. com papel higiênico para limpá-la. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta. Deixei cair seis ou sete gotas. deixei-a queimar um pouco e. que completaria quatro anos em fevereiro . A enfermeira não sabe explicar. . não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco.Você é meu papai? . Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados. portanto. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. Acendi um a vela. Interroguei Olívia. em seu cabel o e couro cabeludo. Depois. não obstante. Agora. de modo que a cera quente e derretida escorreu.indagou meu filhinho. Virei-a na cama.. almoçava e jantava con osco. abertos. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa. deveria ter fósforos ou isqueiro. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . querendo dizer não. mas ela piscou os olhos duas vezes. . os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca.Não. Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. Num frenesi de fúria. os olhos de aço da velha exprimiam terror. dis tintas e elegantes como a mansão. enquanto eu continu ava a soluçar. agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. Voltei correndo. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. antes de não conseguir mais su portar aquilo. Comece i a chorar. coragem! Mate-me.Oh! .irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer . Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva. As velas tinham cor de marfim. Seus olhos cinzentos. emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão.paga para ser amante de Bart . . levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona.Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . Tão logo Jory saiu para o jardim. . que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie.

naturalmente. Segundo o entusiástico relato de Bart. pois. Voltou a ser como outrora: a mulher suave.. por si. . Você brinca co migo. Além disso. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto. a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni.e dela. Quando a gente ama. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco. libertei-me com relutância de seu abr aço. . então. por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares.Você possui um lindo traseiro .Neste caso. isto constitui. não é mesmo. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo. ela mudou enquanto esteve no Texas. Cathy? Não quero que sofra ainda mais. antes de lhe dar um último beijo de despedida . . Permanecemos abraçados após fazermos amor. . eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou.disse Bart.re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela. maravilhosos! Ela está linda e .retruquei. como o sol surgindo após uma temp estade. . não é mesmo. Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart . Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração.A circulação é deficiente. eu me apaixonara loucamente por ele. sei disso.agora. carinhosa. que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela. Eu sabia que teria que levantar-me logo. .Cathy. . é meu .indagou ele. quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste. Os primeiros flocos de neve começavam a cair. afinal. espantada. Dei-lhe as costas numa atitude recatada. zangado. para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama. por que você está aqui comigo.Como pode saber se não falo sério? . Depositou-me na cama e começou a d espir-me. diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou.que diabo! . depois beijei Bart e. .comentou. Agradeci o elogio.Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais. Quando você evita o assunto de divórcio. uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida. enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. . não dei a perceber que conseguia fazê-lo.Cathy. e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas. desejaria construir um boneco de neve. já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente. com quem me casei. Todo mundo sabia.Bem . mas agora está terminado.exclamo u. Em seguida. Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. Prim eiro suspirei. O problema não é seu. sua esposa . .Não se preocupe. como uma i diota. pois os mexericos corriam pela ci dade.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa.Já foi muito magoada. . Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles. abotoando um minúsculo sutiã. s em desejar que isto acontecesse. de aparência mais jov em. . arrastando ainda mais o sotaque sulino. acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores. querida. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera. Atirei-lhe um sapato. Bart exibiu-me um sorriso brilhante. só para informar-nos de q ue estava nevando.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! . você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o .Permita-me explicar como sei. . afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes .ausente havia tanto tempo . Tinha que saber.num tom que desmentia o sentido das palavras. Teria que ser.Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . de algum modo.Eu não disse que ela está tão sensaciona l.

Ela me a vistou e estremeceu. Portanto. lançou-me um olhar.Não é. eu sempre fora uma tola..Não sou bailarina.. Nunca! .Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol . preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão. Veja.quis saber Jory.Olá . recuando.vencera! Por mero acaso. não duas desconhecidas... Então. Mas eu não er a Carrie. Então.insistiu Jory.Algumas mulheres como a senhora. sentei-me perto das janelas. como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal. Mas. com a verdade estampada nos olhos escuros. . Falou sério..que seja. Ele me amava! De verdade!.. . prendi a respiração. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante.Minha mamãe tem um casaco de peles. Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão.Minha mamãe pode ensinar você a dançar. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. Renegar-me-ia como renegara Carr ie. . preocupado ao ver-lhe as lágrimas. mais cedo ou mais tarde.Não . olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha. .replicou ela num sussurro trêmulo. . mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado. Winslow. Virando-se. Não obstante. Tinha os olhos marejados de lágrimas. Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles. como minha mamãe. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome.exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza. Você também dança? Ela suspirou. de cabeça erguida. . Era um me nino lindo.cumprimentou-a.. tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o. O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta.Você é bonita. . fingindo não me conhecer. não . Mas ela recuou a mão.Não . por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela. Sra.sussurrou ela. mas não tão linda. Partiu como uma rainha. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo. tratei-a como ela me tratou com indiferença. se a sua decisão foi correta. gracioso e encantador. Ela é bailarina. Jory perguntou: .. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer. .Não tenho filhos. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos. A ausência de um período menstrual nada provava . . percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho. avistei um homem que se esgueirava através do bosque. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam. Eu vencera .. Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço. É parecida com você. No crepúsculo daquela tarde. de que rea lmente estava grávida. através de pequenos detalhes. .Determinadas mulheres não merecem ter filhos. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer. contar-lhe-ia que estava po r ser pai. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir.murmurou ela. Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai.Já sou velha demais para aprender . derrubando a jarra de flores de cima da mesa. ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor. que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata. . Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado. Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim. enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos. Sorri e recobrei a confiança em mim mesma. O próprio temp o lhe mostrará. vindo e m minha direção. . Preferi não fazer comentários.Mamãe. que atraía a atenção de todas as pessoas. de todo modo.

casar-me com você? . Quero ter um filho seu. mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. Cathy. com o braço apoiado no aparador. Por favor.exclamou. Em seguida. de modo que nunca saberei o que acontece com ele. e com você! Fui peremptória: .Eu a amo. Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. você estará d efinitivamente excluído de minha vida. posso cair fora. . mas cresceu e transformou-se em . com o punho cerrado.. . Como já lhe contei. Quando ela se mostrava detestável. . depois que eu me for. por isso. Natu ralmente. . não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo. talvez não. Ficarei. Foi ele quem redigiu o testam ento. De todo modo. sinto-me incapaz de separar as duas. irei embora para muito longe .ponderou Bart. . mas é verdade. fitando-me nos olhos.Não. .Que diabo está querendo fazer comigo. Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala. Agora. Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora. à periferia da sua vida? Pela primeira vez..Seja razoável.o que significa que seu filho irá comigo.tas espalhados pelo chão.Ouça . O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança.quando. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres. mais corretamente. ela voltou diferente e.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. E meu fil ho também. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e. Eu a amo e também amo minha esposa.Vai desfiar! . descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. Então.Meu Deus! . na realidade. procurando reassumir o controle da situação. Deus me perdoe. tem que saber! Bart postou-se junto à lareira. virou-se para mim. não me venha com frases de duplo sentido. Quero você sempre perto de mim. mas não deixava de amar a ela. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras.Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe.protestei. mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal. Fiz minhas próprias previsões. Que tipo de jogo você faz agora? .. você disse que não precisávamos tomar precauções. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. Bart. tem que saber de tudo. sinto-me grato. tornou-se capaz de ser m ais delicada. Nada precisa muda r porque minha mulher regressou. Cathy. Do contrário. Nesse caso.Muito bem. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso.. . eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu. Ele pareceu furioso. desanimada. Dê-me um beijo de despedida. chocado pela descoberta.E não havia necessidade. Portanto.Explique exatam ente o que quer dizer. Cathy. cobriu o rosto com as mãos. Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. Mesmo quando eu tinha raiv a dela. A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira. continuava a amá-la. . . é como costumava ser quando a conheci. ou ela. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena. tricotando um agasalho de bebê.. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se.Em sua vida? Não se refere. q uando tudo terminasse. Seja qual for o motivo. agora já passou da idade de ser mãe. atualmente. Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris .Cathy. escutei um tom de humildade na voz de Bart: . depois recompôs-se e implorou: .Você planejou tudo isto desde o início. considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais. Mantinha a mão livre às costas.. Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho . Às vezes.

em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart. Christopher Doll. sempre me mantend o na expectativa. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou. . Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho. contristado.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança. . Antes disso. tornarei a vê-la. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. agora. Em seguida. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal . Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e.exclamou Jory. nem quero passar por pert o de você! . Agora. depois. Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática. .implorou. Sinto-me bem na sua companhia. tristonha.Agora. avós e amigos. Ela precisa de mim! . Suas palavras me provocam lágrimas. eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa .não naquele Natal especial. pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço.Oh! Mamãe! .algo muito maior e profundo. Não só o a parei. Hesitante. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde.Pegue outra vez seu cabelo comprido . . mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara .. Gosto de estar a seu lado. Ficavam adoráveis nas . como de costume. os brilhantes olhos azuis do v elho. fi nalmente. Portanto. até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada. Fiquei sozinha. Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso. sinto que não posso mais viver sem você. Tinha a mesma força e beleza que ela . lamentando o fato de sempre falar demais. saiu do chalé num rompante de fúria. Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar. Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado. o chiffon verde mais claro para a saia. porém.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação. . era exatamente esse meu objetivo. tocando-me o rosto ao passar por mim. mas não deixarei escapar a minha! Adeus.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher .Você deveria ser ator. você nem parece minha m amãe! Não parecia. Quando você desis .respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade.Está bem! . tir de Bart Winslow.e dez vezes mais inteligência. Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney. Oh! sim.Cathy . havia quinze anos. . c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal. com penteado igu al e rosto mais jovem. Eu sabia que ela ainda era muit o bonita. Emma. transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond. Bart.Seu cabelo caiu..explodiu ele.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la. . ou caminhando pelos bosques. Escolhi o tom exato de veludo verde e. onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. Mas não poderia competir com a própria filha. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais. O penteado caiu-me muito bem. da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara.e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto. incrédulo. Gosto do jeit o como você me trata. pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda. Começou a chorar.Maldita seja por levar-me na brincadeira! . Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo. apenas sentado e conver sando. sempre divertido. cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente.explodi . minha oportunidade se apresentava: num vestido igual.

Emma. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes. que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele. peguei a estola de peles q . com sal tos de dez centímetros.exclamou. A doce infantilidade de Jory. logo que chegarmos em casa. arrancou repetidos aplausos da platéia. . vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon.O que será? . almiscarado. carrancuda. As sandálias eram finas correias prateadas. Ind ubitavelmente. junte-os em cachos no alto da cabeça. o destino teria que estar do meu lado. Na minha opinião. mas eu fiquei. o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite . Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade. Hoje. Espalhados por toda a sala. Depois. e Sra. dançando no palco com tanto entusiasmo. Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. afastando-os do rosto. Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante. . minha mãe. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila. enquanto Emma observava de um canto. .eis aí o motivo.Por quê? .Porque ama você.. o Sr. cobrindo-me de elogios. eu faria as surpresas e desferiria os golpes.Ondule-os suavemente. Mas não fique i. Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. . com cinco centímetros de largura. Portanto. O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo . . muito corado. dev e ter sido Maria Antonieta. radiante de felicidade. combinando com a bolsinha de prata. E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. com um aroma de jardim do Oriente. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve.indagou Jory.Pensei que ficaria solitário sem meus tios.Oh!. na mansão. não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. com o poder que ela exercia sobre os homens. que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara. Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom.Por quê? . Bart e Papai Noel.Porque não poderia deixar de amá-lo .Posso abrir agora? .quis saber Jory. Antes das cinco da manhã. Chris. Em breve eu também as possuiria. Quando ela terminou. Queria Bart a meu lado.e eles compareceram. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas . Mamãe! . que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. bailarina.. . Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração. Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade. eu exercia algum controle sobre Bart. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. Bar tholomew Winslow. .roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. Girei diante do espelho. Ele não ficou solitário. Fiz questão de verif icar. os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. Até mesmo o perfume era o mesmo.Puxa. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa. Eu julgav a que fosse naquela noite. Em algum ponto de minha vida. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros. Bart parecia feliz.Claro." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite. Estou me divertindo muito. .pelo estilo do penteado. . experimentando a sensação de ser min ha mãe.como acontecera com as dela . E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você. não com ela. Henny.

Oh! Mamãe. Olhe em volta.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. Agora. Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho. Sentindo-me novamente resoluta. Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito. . ficarão. Macia como plumas. triste e sonhadora. De quem logo estará no céu. Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. tão semelhante aos olhos da avó. Henny está velha. Henny está cansada. . sob certo aspecto era o que eu faria. E se você não tornar a ver Henny neste mundo. E.Ora.Obrigada. Olhei para o céu cinzento e ameaçador. durma outra vez e sonhe com cois as boas. Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo. Jory . não importava o que acontecess e. Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. reuni toda a minha hesitante coragem. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. . Fora escrito num festivo papel vermelho. Cathy. Querida Filha-Fada. Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso. querido. não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. Desta vez. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. que dormia encolhido de lado. . a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. Amanhã faremos um boneco de neve. que viera no mesmo envelope. . lembre-se de que Henny lhe quis bem. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. que passaria a noite com Jory. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota.ue Bart me dera.sussurrei. embora não tivesse recebido convite para a festa. desejei controlar minha própria vi da. Revelações Pouco depois das dez horas. Tinha que fazer o que precisava ser feito. tornei a beijá-lo e disse que sim. Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado. Brigara violentamente com Bart por causa disso. P erdoe sua mãe. está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: . utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . mas não sou tão cruel. dei uma última espiada em J ory. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. por achar-me linda. Digo-lhe agora.. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo. Desejo-lhe felicidades.Traga um papai para ajudar-nos. acima de tudo. É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais. Cathy. a paz e o amor voltarão para você. mesmo se um dia ela lhe fez mal. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe. a nev e começou a cair. Alegre-se com o bebê.. Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe.Eu o amo. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall. sacudi o s ombros. encaminhei-me para meu carro. antes de ir para um lugar melhor. o segredo simples para viver f eliz. Então. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris. com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny. Catherine . como se fosse sua próp ria filha. veja quem precisa mais de você e não poderá errar. Henny . quando eu tinha doze anos. Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros. como um anjo.

Dez e meia. penetrei de volta em minha infân cia. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. Precisava manter-me calma. pulsando co m inusitada excitação. Mirei-me no espelho. Veja bem. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite.mas meu coração parecia não me caber no peito. um barulho excessivo. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. aos pés. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época.fora trocado por outro. a grande prateleira forrada d e veludo verde. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. Corri ao quarto de vestir de minha mãe. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. diante de mim. já não era rosa-morango. que me chegava de leve aos ouvidos. Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. Não exatamente ig ual. mantendo-me nas sombras. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. Sorrindo amargamente com meus botões. Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. Naquela ocasião. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. justamente como uma Cinderela ao inverso. deixando tudo como antes. apertando mãos e beijando rostos. espanto ou frustração. sem ser observada. Batia depressa demais. Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite. diferente. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido. E. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. Ora. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala.nunca mais. perfei tamente arrumadas. encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. Naquela noite. Agora. quinze anos atrás. por incrível que pudesse parecer. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. Cedo demais. era novo. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos. representado pelas três reproduções de o . com a porta trancada. Consultei novamente o relógio. Como num sonho. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes. mas quase . As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. com uma ferocidade exagerada. disse comigo mesma. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. A chave de mad eira ainda servia na fechadura . Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. sem apresentarem a mínima dobra. sem ter quem me apoiasse. A orq uestra tocava uma melodia de Natal. mas de um leve tom de ameixa. verifica ndo que tudo continuava como antes. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. com a caminha menor. Ajoelhando-me. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. controlada. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. não sentia f rustração. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho.tantos anos antes para esgueirar-me. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. também no mesmo formato. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais. Olhei em volta. coloquei no chão. Com a maior cautela. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. surpresa. A casa de bonecas.

A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro.não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro. e Sra. chorando. dúzias deles. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr. de coisa velha. A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. Ainda estavam lá. curtas e mal acabadas. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos. Sobressaltei-me. Tive a impressão de escutar um riso infantil. ou pior! Veneno. para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé. por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. quando não conseguíssemos apresentá-lo. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los. no escuro. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. ansiando por sol e ar livre. mas algo muito melhor. então com apenas cinc o anos. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. todos eles de estanho. com cheiro de podre. que se abria para a escada íng reme. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado. empurrada por mãos invisíveis. quando deveria ter pensado melhor. escuro. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. querendo sair dali. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. no quarto da criança. Contudo. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. Os fantasmas despertaram. O tempo parara naquele local. e as flores gigantescas nas paredes. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. passando até por debaixo da mobília. Subi ao sótão gigante sco. pois exalavam um cheiro desagradável. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie . Oh! que fora feito da ferrovia. Então. Perto do toca-discos. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. empoeirado. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha. Foram encontrados por nós num velho baú. se agira assim.. móbiles que se moviam nas correntes de ar. a fim de poder notar a sua f alta e. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos. só isso. o que estragaria a maquilagem. bem como Clara... o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. minha vontade era chorar como uma criança. Minha imaginação. Ela levara seu intento até o fim . Não obstante. espantoso e ameaça dor. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. estreita e escura. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles. Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. Não. junto com inúmera s caixas de velas grossas. Um milhão de v ezes. Não podia me dar ao luxo de chor ar. embora também estivesse cinzenta e desbotada. qua ndo queimavam. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança ..e ali estava ele. Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço.bras-primas de mestres renascentistas. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. refleti com meus botões. encaminhei-me ao armário embutido . ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também. o bebê. fantasmagórico. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. rindo. e. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas. Tínhamos vários castiçais.tudo desbotado. sonolentos e bocejantes . Parkins. Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. natur almente.

em seguida. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade. que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século. E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. tenho certeza.. agora. Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana. Seus cabelos louro s. Até mesmo reconheci alguns deles . Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. mas era apenas eu. o vento começou a soprar lá fora. com a pele iluminada pelas jóias faiscantes. quando lidava com realidade e não com fantasia. Lentamente.. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena.pois a música parara d e tocar -. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. postei-me no centro do balcão do segundo andar. poderia observar melhor seu espanto. Christopher. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. curtos como eu jamais os vira antes. Ali. fugir. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. embelezando-a ainda mais.no futuro. num silêncio mortal . como fora minha mãe tantos anos antes. Com ela.fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes. se melhantes às de Carrie. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão. À distância. atraindo os que se encontravam em outros salões . pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. imaginei-me como a Fada Lilás. somos apenas três . Enquanto eu aguardava sentada. usando o mesmo vestido de gala e. quando cheguei ao penúltimo degrau. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto... a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão.disse eu para todos em voz alta e clara.. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos. (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. embaraço e colapso total! . mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer .. depois. Apenas eu. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição.. Ahhh!. pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte. mas conseguia não perder a pose. Ela tremia da cabeça aos pés. que ecoou como a tromb eta de um arauto. Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei.e que acorrera . Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory. Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram. Cory. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava. minha mãe virou-se ligeiramente. estaquei. Desta maneira.. parecia muito jovem e linda. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. muito juntos. Em seu vestido de lamé vermelho. Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e. de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. Co mo ela olhava fixamente para mim. certamente. esperavam avistar Papai Noel. Assim. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática. Enqu anto os convidados olhavam para cima. Comecei a descer a esc adaria. tentando enfiar as pernas sob ela. Agora. de volta a mim. e talv ez houvesse derramamento de sangue). desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva.mais velhos. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me.Feliz Natal! . Carrie e eu. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido. vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . Agora. Desabava outra tempestade violenta. estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. que haviam comparecido àque la festa de Natal. pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção.. Soou a última badalada da meia-noite.. senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer.

Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas. tive um irmão e uma irmã mais moços. embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? . Todo o dinheiro e i nvestimentos.. como reagir.Gostaria de apresentar-me . o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas. . Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. Julian Marquet. por que inventou tantas mentiras? .declarei num tom agudo. e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. nos menores detalhes. .exclamou. Entretanto. Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão. Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento. aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. Bartholo mew Winslow que. Éramos ratos de sótão. indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. querido Bart. . tenho também um irmão mais velho.Sou Catherine Leigh Foxworth.Sr. mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim. torna ndo-a um pouco diferente. E. . a Sra. Cathy é parenta distante de minha es posa e. após tão sensacional apresentação dramática.acrescentou Bart.Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros. Cory e Carrie estão mortos. Quando a música recomeçou. Em seguida. interrompi-me. mas Ba rt se encaminhou para mim. foi anteriormente casada com meu pai. . forçou-me a proceder como fiz em seguida. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia. você e ela perderão tudo. E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória. . que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido. distante e esquisito. Serão obrigados a devolver tudo o que compraram. que hoje é médico. . enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem. Winslow . gêmeos. Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. Cathy. resolvi dar-lhes o que desejavam.Sim. venha dançar comigo. Christopher Foxworth. anuviando-lhe o olhar. imóveis e calados. Bart . está tudo explicado. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa. há quinze anos. Nosso local de brincar era o sótão e nunca.Sua putinha atrevida! . exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. porque foram.Naquela festa de Natal. parecendo tão estranho. Decerto . . Cathy! . é também uma atriz de enorme talento. O choque aturdiu-o. Na verdade. a única herdeira q ue lhe restava. muito men os. . . Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa.convidei -. nunca descíamos. ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl. Enquanto todos aguardavam. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar. Ora. Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas. continuei: . que pareciam não saber o que pensar. sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas. Bart ficou visivelmente abalado.Venha. a fim de fazer-me escutar perfeitamente. Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota. Mesmo assim.. filha mais velha da Sra.sibilou Bart.Idiota é você.Olhe bem para mim. na qual você trabalha.Bravos. lá em cima. Não sei por que motivo. como acabam de verificar por si mesmos.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava. igualmente chamado Christopher. tenho tanta pe . irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth.Minhas senhoras e cavalheiros . Outrora.deseja mostrar seus dotes de dançarina. quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. .m às dúzias. Este deserdou a filha. que nasceram quando eu tinha sete anos. como talvez vocês já saibam.respondi com a maior calma. como a maioria de vocês se recorda. em quem acreditar e. nunca.

em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. . com a caminha igual aos pés.Então. E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira. . . parecendo doente e prestes a vomitar. Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta.Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! .na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar.corrigiu ele. num tom esquisito e desprovido de sinceridade. Todas as manhãs bem cedo. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede. ."Como criar seus próprios bordados" ..Sim.Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica.. mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! .prossegui. . os garçons trajados de preto e vermelho. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças. Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo.. uma vez. Manteve-nos trancados à espera da morte do pai. ano após ano. . mas sua voz tinha um tom de dúvida.Cathy.Certa vez.Meu caro Bart. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri. Então. raquíticos. o rosto dele bem perto do meu. . mas e ra Chris. .disse ele. Bart sacudiu a cabeça. . Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora.. a fim de herdar toda a fortuna. você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. Ela é minha mãe.Nãooo. . Quem o beijou fui eu.Por que não odiá-la? Ela merece . Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes. Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. Bart. Ficaram tão pequenos. seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente. Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. Bart. invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração. embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável. Você não estava sonhando..Conheço a combinação do segredo . Foi ela mesma quem me contou. pare! Não me faça odiar minha mulher! . não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite.Esse vestido que você está usando. Os gêmeos quase não se alimentavam. Nosso playground era o sótão.. deitei-me naquela ime nsa cama de cisne.declarou. Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda. quando eu tinha doze anos. parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe. E. Na ocas ião. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses. . tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro. E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia. com enormes olhos assustados.Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la. quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John.Está inventan do tudo isso . os olhos esgazeados. não est ava na copa.. uma fonte de onde jorrava champanha. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar. Foi você quem redigiu o testamento. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós. e duas imensas ponch eiras de prata. disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar". . permita-me convencê-lo melhor.É mentira .Os números da data em que el a nasceu. Seus lábios exibiam um sorriso fixo. Nossas refeições eram enjoativas. o mordomo.prossegui suavemente. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões. fui eu. sempr e frias ou apenas mornas. . Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. simulando achar graça.. . por favor! Se está mentindo. ou algo semelhante. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou. suspirou ele.

Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer. quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont. . mas aquilo continuou interminavelmente.. A princípio. Bart lançou-me um olhar ameaçador. Cathy. não mais para mim. E se isso lhe parece muito tempo. Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . o rosto lívido . Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar. extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente. contudo. carregado de uma raiva terrível.totalmente franca. levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime.Cathy. não importa q ualquer outra coisa que você me diga. caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. . embora nossa mãe. acreditamos em nossa mãe.Oh! Deus! .Isso é bem do tipo dela. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. compramos um quilo daquelas balas em Vermont.dura nte todo aquele tempo. ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. em cada palavra que ela pronunciava. . confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. rezávamos muito. depois. E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. po rém. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos .antes das seis e meia. com os braços estendidos para a frente. . Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos. quietos como ratos de sótão. E também ha via uma outra regra. nossas refeições se tornaram cada vez piores. viveram trancados lá em c ima? . Você tinha uma irmã e dois irmãos . sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto. . se descontrolara. A essa altura.Ouçam todos! . Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. Fomos ficando magros. com um pesado suspiro.Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora.não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares. até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia.Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground. os dias eram como meses e os meses pareciam anos. alimentava-nos razoavelmente bem. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse. obedecemos. . dormíamos um bocado.No início. ficando trêmula. doen tios.exclamou ele. o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos.Três anos e quase cinco meses. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem. em especial os sexos opostos. pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias. . . à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. sempre cheia de pose e arro gância. sentindo-se negligenciado. Contudo. Ocupávamos o tempo jogando. se minhas palavras fossem verdadeiras. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo. que via todas as ra mificações. já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar. como se estivesse cega. indesejável e detestado. . porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação. Vivemos ano após ano num quarto escuro. A princípio. todos olhavam para ela. sem receber luz solar. sem luz. inclusive quando eu já morava aqui..Sim.berrou. Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai.. recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas.e . a fim de o alegrarmos para os gêmeos.as unhas em riste tentando . subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel. E. Decoramos o local com flores de pap el. Ela. caia fora e nunca mais volte! Agora. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto.berrei. seja franca .Sim. mas minha mãe soltou um grito agudo: ..É mentira! . você se parece com ela! Talvez seja sua filha.Pare! Cambaleou alguns passos.

Deu-me uma ordem ríspida: . aos dos gêmeos. Corrine. mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. continuem a festa. bebam e divirtam-se à vontade.Sinto muito.disse a enfermeira. sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido.Basta tocar a campainha quando a Sra.disse Bart. Normalmente. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns.Sra. . Obedeci . como deveria. Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. A Srta. como também contra a esposa. sobretudo. Portanto. . Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo. Mas logo raciocine . Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto. comam.um grande segredo. na defensiva. totalmente descontrolado. Não era um pedido.rugiu ele. saindo em seguida. mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. muito grato pela sensacional apresentação. A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim. aos de Chris. Mallory . vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim. senhor . mas uma ordem.declarou. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. mas parecia uma pluma nos braços dele.Como pôde ser tão egoísta. se fizere m o favor de perdoar-me. por mais que viesse a ganhar com isso. A cadeira fora colocada perto da lareira. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? .disse Bart. Bart pegou minha mãe. Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. Foxworth fic ará conosco. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . trocando sussurros e olhando para nós.iguais aos meus. Podem ficar até quando quiserem. erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível. Poderia des crever as flores no sótão. os quais manteve prisioneiros. desalmada e brutal.disse ao chegar à porta. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. Tudo isto. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações. Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro. a minhoca. cr uel. minha mãe fechou os olhos.arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa. senhor . Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê . exibir a chave de madeira feita por Chri s. de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e. inerte numa poltrona de couro. tentar envenená-los com arsênico? Derreada. . as mãos pálidas e trêmulas de desespero. Minha mãe se agarrou a ele. . sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. Uma enfermeira lhe fazia companhia. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . . depoi s.Mais uma vez. a lesma deformada. ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca. a despeito de tudo que eu afirmasse.Muito bem . Sentia-me estranhamente solitária. Foxworth quiser de itar-se. Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado.Cathy. Ela est ava mais pesada do que antes. escondidos no sótão. é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra. A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas. . quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó. implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo .Faça o favor de deixar a sala e a Sra. indefe sa. E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela.Então. murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido. a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. .Sim. tão logo a enfermeira fechou a porta. Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto. Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. Cathy. Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: . Vamos terminar isto de uma vez por todas.

Lembra-se do camundongo de estimação de Cory. ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa. .disse ele. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente. ficou tão doente que morreu .disse ela com voz forte. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo. Agora. ela irá a julgamento por homicídio doloso ..Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. . Bart olhou para a esposa e. descuidada. depois. . Magoava-me realmente vê-la chorar. ainda olhando para a esposa. talvez. com os olhos ainda mais apertados e ladinos. Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar.é is so que você deseja? . preservar aquelas pro vas. na Pensilvânia. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las . não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica... .Quero apenas justiça. Alega que ela é culpada de homicídio. sente-se antes que eu a empurre! Obedeci. pois sou atriz e. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. você sempre foi estouvada. que já morreram! . Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e. com a maior calma. John Amos Jackson. Não ob stante. Ergui os . se algum dia você me amou. chorando e dizendo que nunca me viu. sem dúvida. Se você conseguir provar tais afirmações. . responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida. portanto. eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. Não. contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão.portanto. cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas. em Nova York. dizendo que Cory morrera de pneumonia. Então.. atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para. Com crueldade e grande satisfação. se isso é o que ainda fazem neste Estado.sussurrou minha mãe. extravagante em relação a tudo . se gostou um pouquinho de mim. Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo.Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa.Querida mãe. Contudo. Suspirei.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. Mamãe. acostumada a representar diversos papéis.Exceto quando assisti ao balé. minha mãe sussurrou: . Mamãe. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: . Foi muito descuido de sua parte.Nunca vi você em minha vida . há dez anos. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico.Cathy . torno u a fitar a esposa. Entr eguei-as a Bart. descobrir a verdade.Mentindo. para a mãe dela. E Bart também. você teria escapado de todo e qualquer cast igo. sorri para minha mãe. E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . afirmando que o levariam para o hospital. . Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros .ordenou Bart. Bart apertou as pálpebras. não é mesmo? . negando a ex istência de Chris .. mentindo. Pouco depois. mentindo. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. Mamãe? Vamos. olhando primeiro para ela e depois para mim. de assassinato premeditado . foi destruído num incêndio. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos.i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado.Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory.. . Sim. conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. pois aquele cartório em Gladstone. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos.Sabe mais uma coisa. Pode encolher-se. Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas.. . ele continuaria a acreditar em v ocê. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora.mas seu pai lhe passou a perna.Corrine. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. nada mais. .e também de Cory e Carrie. Entretanto. Sem aqueles documentos. Após breve pausa. a fim de matar os camundongos. ela merecia.É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. acrescentei: .Está mentindo . querida e amantíssima Mãe.. você nunca s oube fazer nada direito. você fica aí sentada. Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou.

Então. Mamãe . ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula. sob seu controle. Sempre me odiou.Corrine . A cada dia. que mereciam ser destruídas.disse Bart num tom gelado. meus filhos e o dinheiro também. . tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se.prosseguiu ela. não acreditei que ele falasse sério.e ele ria. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. junto com minha mãe. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito. com ar muito astucioso. Eu chorava. porque me odiava.indaguei. claro que ele sabia. juntos. Então. Mas sabia. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações. taradas. Duvidava de suas palavras. com meus filhos e. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . lançando um olhar furioso à avó.Todos me achavam estúpida.olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões. Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. aqui embaixo. meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo.Ela fazia tudo que ele manda sse. quando meu marido morreu naquele acidente. a quem ela favorecia mais que a mim.Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir. postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: . indagava maliciosamente. julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me. .prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo. Portanto.Será que não compreende? . também. .. Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. implorava. arqui tetando.E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível. Depois. mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . uma linda loura desprovida de cérebro. Então. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem. não é mesmo?". não g ostando dos filhos. . os olhos fixos em Bart. Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você. nem por um segundo. brincando e decorando o sótão. No início. meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família. recomeçando a descontrolar-se. planejando. . "Eles nunca deviam ter n ascido.Enganei-o também. encarando-a. invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés. filhas do Demônio. voltou-se furiosamente contra mim: .Ela? . Cathy? . q uando eu não podia libertá-los! Quando. Certa noite. ergui-me de um salto. . mas achei uma solução! .A avó aceitou o plano? .Sim. atraídos à armadilha.disse ela à velha na cadeira de rodas. . como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. dia após dia.Eu não lhe podia contar. com o dinheiro.o mais ultrajante pe . com a cabeça majestosament e erguida. a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem. excitada. ..e eu o amava tanto.seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. Malcolm Foxworth! Em seguida.Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você. .exclamou ela. a hera nça. disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio .Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. Pois eu a engane i. Bart. . um som duro como diamante cortando vidro. Queria fazê-lo. imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e.Sim . E depois que aqui chega mos. ao mesmo tempo. jogando. Ele me amou demais quando fui criança. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. após tudo o que ela já fizera? . ajoelhava-me para suplicar .depois marido .replicou Mamãe. meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo. e suas constantes acusações contra mim. Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta. . ele me dizia que vocês eram crianças malévolas. enqua nto vocês ficavam lá em cima.Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa. . Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende. durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. à sua mer cê! Planejou.E você também. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você.

Pode ficar aí sentada. Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! . Os dedos ossudos . chegando às veze s a gritar comigo.. virou-se para sua mãe . E cada vez que eu ia a seu qua rto. .Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia. Olhou alternadamente para cada um de nós. Passou a implorar-me piedade: . a frente alta do vestido de gala. nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro.implorou ela. chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos . Então. como se não possuísse mais o esqueleto.. despida de toda a antiga pose majestosa..especialmente você! .Su a filha tem razão. Mãe. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança. Então.. Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os.cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar. . . Naquele brilhante vestido vermelho.Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! .Corrine . Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar.indaguei.Querida Mãe. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho. . Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse.. Mesmo assim. mas. assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria.. procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre. vociferando contra mim e meus filhos. Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço. a fim de lhe causar a morte. Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai. Corrine. afinal.. ademais.. como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas. desferia bengaladas. e não me casei com você por dinheiro. Confesso que lhe menti no passado. de prazer. Agora. Especialmente você. fixos. . . ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima. enga nando-o quanto a meus filhos . Eu a amava.. eu a odeio.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas. passei a provocá-los.. Cathy .E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? . ou era? . Desviou desesperadamente o olhar. os punhos cerrados. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe. .indagou com amargura.mas como poderei acreditar.Sim. .Sei que me odeia. Entretanto. . Portanto. ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos. vocês me imploravam liberdade. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender. Mantinha as mãos às costas. sarcástica.Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. derrotada e alqueb rada.Bart.Não odiaria se compreendesse.mas não estou mentindo agora. minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos. a essa altura. e. ele cont inuou vivo. recém restaurado.bradou ela. Não sou um monstro. seu rosto delicado e lindo. livres para levarem uma vida normal.Cathy . por favor. atingindo o que lhe estivesse ao al cance.. . porque ele estava muito debilitado e. Corrine.interpôs Bart num tom estéril. . Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados. Emiti um riso duro e cheio de amargura.Que tipo de homem julga que sou..a velha der reada na cadeira de rodas. Minha mãe ficava sentada por perto. como se lhe tivessem removido o coração. não estou mentindo. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse.

minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira. mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes. comecei a ressentir-me contra el es. E Cory tinha resfriados sucessivos. Sempre teve o dom de ver através de mim. quem mais insistia comigo. Fui estúpida. Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. não importava quantos presentes eu lhe desse. Começou a falar num tom desapaixonado. o mordomo. O a . Fiquei petrificada. Aqueles imutáveis olhos cinzentos.Bart.Muito bem. Meu pai insistia em negar seu consentime nto. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo.Mamãe . E era Cathy. . Na verdade. no início. Não obst ante. logo que seu pai morreu. não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. Contudo.Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. sempre que me resolvia a fazê-lo. Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. tentei fazer o melhor possível por vocês. que a fitava de forma severa implacável. que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações. em casa de um amigo comum.Cathy . para meu espanto e surpresa. como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. porém. Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes .po is a verdadeira vencedora era eu. contra o modo pelo qual instavam comigo. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade. além da alergia. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la . mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo. consegui sorrir para ela. já não se importava com isso . muito combalida. apesar disso. causando-me remorso e vergonha quan do. Rezava par a que. sempre C athy. E. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade.murmurou ela em seguida. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia. sua mais severa juíza.exclamou minha mãe. pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade. ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. Christopher me amava. eu tentava fazer por eles o melhor possível. Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem.Sim! . havia também minha mãe. E foi para mim. que minha mãe dirigiu o apelo final. acreditaram facilmente. falando do primeiro enco ntro que tiveram. especialmente Cory. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. Utilizei um pouco de arsênico. Portanto. olhando para ela.Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera. apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso. um a um. calcul ei que tudo era mentira. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. você me compreendesse e aceitasse. . como se discutisse uma terceira pessoa.e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. que a e ncarava de modo muito esquisito. que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. confiava em mim. minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim. Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. . Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados.Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. a fim de poder levá-los. Cathy. na verdade.interrompi suavemente suas súplicas. nunca. Então. Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e. . Você queria casar-se comigo. . . . Você. apelou para Bart. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava. Cathy. meu pai revelou nosso se gredo a John. . a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço.

. Bart fez menção de dizer algo. . e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960.sussurrou.. como se negassem todas as alegações de minha mãe.. minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel. Não me olhe assim.indaguei em voz baixa. jogado no fundo de uma ra vina escura. obser vando minha mãe.Nunca conseg . compreendi que e la mentia. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto. notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta. Então.. Por um instante. mas não emitiu o menor som.indagou ele. Desejaria que eu acreditasse no pior. vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios. abandonado lá para apodrecer. . Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente. Mamãe. ela foi incapaz de mover-se. parou de respirar.apenas o suficiente para salvá-los. . a escadinha do sótão. Soluçou com a lembrança. Primeiro. Estaria vendo o fantasma de noss o pai? . Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela. . usei a escada que leva diretamente ao último andar e. Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart. você não fez isso . torceu as mãos uma na outra. até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então.Mamãe . Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar. visitei o último quarto da al a norte. Mamãe teve um sobressalto.Não. furiosa.. Olhei para a avó e percebi que franzia a testa. eu não queria . Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico. Mamãe.? . então. Quando olhei para o banco traseiro. que estava em pé diante do fogo. Depois. . esforçando-se por falar. Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la. .Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes . nada mais. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse. mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas.Então. Ten tou mas não conseguiu falar.. mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar...minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca. acrescentando: . galhos e pedras. perceb i que estava morto..Morreu antes de chegarmos ao hos pital..Chris. depois.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região. De repente. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora. como se terrivelmente assustada. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça.juro que não queria! Não me olhe assim. Por outro lado. Girei nos calcanhares.vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E.perguntou ela. . você nos ministrou deliberadamente o arsênico? . ela odiava Mamãe.Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você. Seus olhos expressavam feroz indignação. A porta da biblioteca se abriu repentinamente. joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas. C omo num pesadelo. O rosto ficou totalmente inexpress ivo. ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris. examinamos os registros. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes. E ele exalava um odor muito peculiar.Odiei a mim mesma.. fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los. .Chris. ela engoliu em seco. um cheiro de algo mor to e apodrecido. . com o olhar fixo na direção da porta.Eu não sabia o que fazer com ele . Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory. .Antes de descer ao salão. no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão.. Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: . c omo se isto não fosse castigo suficiente.

quis sabe r Bart. . obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó. Vim buscar Cathy.. Cathy . pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora. . Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l.Espere um momento . Lindstrom estão esperan do em meu carro. Venha. Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra.Bart. .quis saber eu.Sim. mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída.Sim: três anos. . Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: .gritei. Mas você o fez! Então.acrescentou. . . mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie. Cathy. corriam. . .Tirou-me a venda dos olhos.disse Chris.Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída.E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? . Estendeu a mão e me encaminhei para ele. chamando: . Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui. A presença dela é necessária em outro lugar. Virou-se novamente para mim: . Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris.Preciso fazer-lhe algumas perguntas. pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . . subiu correndo o lado direito da dupla escadaria. Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então.Por quê? . lançou-lhe um sorriso irônico. ela gritou. indo diretamente para o fogo! .Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta. . Fumaça! Senti cheiro de fumaça! . terá que esperar. tentei acompanhar Bart com os olhos. Bart! Volte! Creio que ele me escutou. sem dúvida para chamar os bombeiros. Entrei em pânico.. estendendo outra vez a mão para mim. Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele. Tenho más notícias. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes.protestou Bart. Tinha razão. . Avó. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. irmão de Cathy? . Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. Frenética. Eu esperava jamais tornar a vê-la.exclamou Bart. Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade. Chris olhou para mim. que acenei em desespero. quatro meses e dezesseis dias. que aument ava e diminuía histericamente. mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança.Cathy . .Sim. abandonamos a biblioteca e a avó.Não! .Meu Deus! a casa está em chamas! . Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta.Feliz Natal.disse Bart. naturalmente. Em seguida. É minha mãe. . . para variar. Vi-o pegar um telefone. ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu.Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro. Não compreendi o gesto. Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia. E se deseja m aiores detalhes.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor. O que acontecera? . O tumulto explodira! Todos gritavam.Vim buscá-la. não suba! Morrerá aí em cima! Não. Só então Chris encarou Bart. ele aponto u para o leste. com certa hostilidade. E quando levou Cory consigo certa noite. procuravam uma esposa ou um marido . Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. empurrando-me na direção de Chris.Você é Chris.Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. Com o braço de Bart passado em meus ombros. como se ainda não quisesse acreditar.Não! . .Vamos depressa.

abraçou-me quando me apoiei contra ele. Não parava de gritar o nome do marido e. Então. caso necessário. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo. sou sua mãe. Foi v ocê. Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia.Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo. Seria um milagre sobrar alguma coisa. diga-me o q ue deseja. ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: . formando b olotas vermelhas que se derretiam. Farei tudo. chegamos ao carro de Chris. Com que facilidade a madeira antiga queimava. movendo nervosamente as mãos. a fim de podermos escapar e chegar ao solo.Você! . Então.. meu filho. tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo. impossíveis de substituir. . qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo. co m Jory no colo. afinal. Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada. observava a mansão incendiar-se. não muito tempo. chorando por Bart. . mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. o de sua mãe. Chris e eu corremos através de outro salão e. sendo contida por dois homens. querendo o meu colo. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. . enquanto eu gritava. Por favor. fazendo todo o possível para provar que. tossindo. afinal. não era apenas um cãozinho de estimação. . Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. . Christopher. Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. Cathy . E ela pareceu murchar. Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros. puxando-me pela mão. tentando reconfortar-me. .Veja! .Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! . Jory estendeu os b raços.Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se.Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro.berrou ela. O vento soprava implacavelmente. afinal. .que também estava cheio de fumaça.Não se preocupe. algo em seus olhos cedeu . fervendo ao calor do fogo. até que tive ímpetos de gritar. para que possa ir comprar para você. do qual Emma.disse ele. com a expressão selvagem de uma louca. Bart! Não morra. Ela esbugalhou os olhos. desvairada e frenética: .Não. Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas. mãe . não muito tempo. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar .replicou Chris. Não me ama mais. E não parou de dizer aquilo. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó.Engasgados. a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos. Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida.. depois. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve. protege ndo-nos.Christopher. meu amor. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. .exclamou Chris. Meu irmão f . E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. Enquanto Chris e eu observáva mos. Esta caía sobre a casa em chamas. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida.Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar. junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe. Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim. . E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r. Em vez disso. qualquer hora.Bart deve conhece r todas as saídas.

indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . por favor .. que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. a dupla escadaria curva continuava no lugar. Colhendo o que foi Plantado . Aos tropeções. Eu era má. A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart. observando-a com os olhos esbugalhados. esperneando. A voz de Chris parecia vir de muito longe. soltou um berro e tentou fugir corre ndo. Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio.. Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado.disse Chris. pois eu me mantinha isolada como numa concha. Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. hoje! Ao tentar ajudá-la. Tudo terminou. quinze an os atrás. esmurrando o solo. Pe lo que diz a polícia. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. que os avistou. agora que tudo termin ou. Sacudi a cabeça. no colo de uma mulher mais idosa? .. ainda berrando que eu a traíra. como os de Bart. com a esquelética avó ai nda em seus braços .ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? .Por favor. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow. As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. E dera-lhe meu coração à primeira vista. Não sofri por ela. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio. desaparecendo para sempre. tentando clarear as idéias. Sentíamo-nos cri anças outra vez. . embora sinta muito a respeito de Bart. Cathy? . A essa altura. Embora só conseguisse atrapalhá-lo. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas.estava acabado. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. nascera cheia de pecado. cambaleando. Lev aram-na embora numa camisa-de-força.O que há com você. também. .indagou Chris. pois levara da vida aquilo que a ela trouxera. o fogo começou no sótão. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode. não permiti que se afastasse de minha vista. impaciente. Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe. . Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. sem ver mais nada. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. Cathy. Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar. puxando-me.. Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte. mais uma vez. por mais estranho que pudesse parecer. folhas arrancadas dos talos. a fim de parecer-se mais com Bart.Cathy. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro. terminou . Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro. sem serem tocados pelo fo go. Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava. naquele quartinho junto à escada. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros. Caiu de bruços na neve. subindo para o nada. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados. a morte interferia em minha vida. junto com o de minha avó.ambos morreram sufocados pela fumaça. se eu nunca tivesse vindo. gritando. Chris estava ansioso por partir. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes.

reflita bastante e converse com ele a esse respeito. pa ra variar. Todavia. em vez de Julian.Não! E Chris não concordaria! . Paul. tocadas pelo frio precoce.o tipo de pai que já não poderei ser agora. se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho.Paul. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. Embora ainda pequeno. Sou impotente.Três anos. embora no dia de nosso casamento estivesse de cama..Escute-me. Dentro de poucos meses. calada e boquiaberta. . Seus filhos precisam de um pai . jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall. Será que não consegue p . Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona. você não poderá gerar out ros filhos. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. Agora. aninhei-me em seu c olo. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo . . Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio. . Jo ry completaria sete anos e. mas tentava aceitar o f ato. Paul perdera muito peso.Está falando demais . . Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte. no andar térreo. querida.repliquei. Prendi a respi não podia permitir! ração. jamais ficar ei bom. Talvez continue vivendo assim durante anos e anos. Contudo. meu amor. mas para você e Chris também. você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé. Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que. poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto.Paul. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo.A culpa é minha! . estendendo-me os braços. talv ez tenha sido uma bênção disfarçada. ensinar. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . E m breve. como seu avô. Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul. Mas não permitiria . se vocês partirem agora e me esquecerem. . descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho.Estávamos novamente em outubro. tome uma decisão. Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto.. Pressurosamente. .adverti. . julgando que seria o mais certo. ser condescendente. S aberá que Chris é seu tio.repetiu. Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início. Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai.. com os olhos esbugalhados. Então. estava magro e abatido.Chamei apenas para verificar se você atenderia.. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele. . .Pense bem no assunto. . se Chris.chamou a voz fraca de Paul. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes. haviam des aparecido quase da noite para o dia. Ordenei-lhe que saísse de casa. Oh! Ser amada outra vez..Catherine . .exclamei. embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. Eu agora era esposa de Paul. To da sua juventude e vitalidade.E se você refletir bem. E logo v ocê ficará viúva outra vez. . embora os braços que me envolveram já não tivessem força. às quais ele se apegara tão corajosamente. não apenas para mim. Catherine. não sou um marido de verdade. Ele me sorriu docemente e estendeu os braços. Catherine: não seria errado! De agora em diante. não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça.Catherine.. esforça ndo-se sem descanso dia e noite. Não obstante.Não estou jogando nada fora . sufocando um soluço na garganta. Bart não era do tipo ao qual se dão ordens.Sabe que não deve falar muito. Catherine . Além disso.O tempo está correndo. Jory completará sete anos.Se me tivesse casado com você há muitos anos. .alguém a quem ele podia dar ordens. Jory. esperando que seu avô morresse. Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us. o mês das paixões. Beijou-me. Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . Chris já esperou tanto tempo. Não quero que Chris e você terminem odiando-me. Comecei a soluçar. Portanto.

foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir. No novo carro azul de Chris.indaguei.É apenas um bebê.Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo.nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim. porque eram m uito pequenos. O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda. desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação. mas ele teve que devolvê-los à água.gritou Jory. ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado. tornando a beijá-lo. tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os. Com o na primeira vez em que ali chegamos. voltamos à grande casa branca que tanto nos dera. como mamãe. Após quatro graves ataques cardíacos. Oh! Mamãe. . Ora. com os sapatos brancos apoiados na balaustrada. se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia..respondeu. Jory gritou que fisgara um peixe. Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim. só os grandes. ao mesmo tempo. . Na primavera do ano seguinte. hesitante.Já compensaram . . E. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar.Tenho certeza de que você não explica direito . fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios. sempre se produz algum barulho. é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. revelaríamos a verdade. pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais.disse ele. Não é perigoso. o sexo tinha que ser feito com muito cuidado.Sinto-me feliz por ambos. . Não comemos peixes bebês. E ainda não lhes contáramos a verdade. .E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos.comecei. por mais difícil que isso fosse para nós. Naquele instante. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes".disse Chris com um leve sorriso.Estava sonhando com Júlia .chamei. agora.Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na . ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos. Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las. . o sexo não é perigoso.Sim . sonolento. embaraçada. Com o que sonhava antes de acordar? .Subirei para dar banho nos meninos . . mas. estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos. O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna. Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa.. . não apenas pela metade. Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas. . Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou.respondeu Chris.Chris .replicou ele. sentada e olhando para quatro paredes.Chris e eu.Venham! ..Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim. . desta vez com um ar levemente tristonho. vimos um homem na varanda da frente. Sabe. embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém.Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? . .comentei. E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela. o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade.Tivemos cuidado. . pela primeira vez. Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? .Olá .Pobre Júlia .sussurrou Chris. . quando quisess em saber. feliz. . mas talvez eu não saiba explicar direito. Paul fez amo r comigo esta noite. . . Contudo. nós também escrevemos nossos roteiros . revertera à s ua mãe. Quando nossa mãe morresse. Meus dois filhos vieram correndo. .Vamos voltar para casa. sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. .Temos dois papais! . atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo.Parecia tão feliz.. .Perdeu tanta coisa.Ótimo. nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental. de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos. . . debruçando-me para beijá-lo.Apanhamos dois. na linha de Jory. incluindo o que restava de Foxworth Hall. Está quase na hora do jantar.

claro que não. Por fim. olhei-o com mais atenção.e eu também. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. Ela vive num lugar imenso. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo.Ele se foi. Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. É um ótimo modo de morrer.a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. acar iciando-lhe o rosto. Contudo. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio. Cathy.chamei com voz sumida. nosso salvador. que foram para o céu antes que eles nascessem. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. Portanto. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. enquanto espero lá fora com o . . Meu irmão devia estar no hall. Emma Lindstrom. Comíamos cedo. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. Geralmente. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores.. volta toda a fúria contra si mesma. Ass im. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. a fim de podermos fazer companhia às crianças. Ele sorriu. caso eu desejass e vender a casa. dois banheiro s completos e um menor. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. tombou-lhe a cabeça para trás. meu marido. Quando isto não deu resultado. . e stava morto. Como se já não se olhasse nos espelhos . Quando é contida.. desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. tomou-lhe as pulsações e. Corri ao telefone para chamar uma ambulância. . . tudo foi inútil. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta. Até o momento. lá depositando flores.Chris . pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. Íamos para o Oeste. Pegou-lhe a mão. certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado. soprei-lhe a orelha. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. de um tipo diferente de vida. Mas.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar. Meus filhos chamam meu irmão de Papai. visitamos Mamãe. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. Havia às minhas costas um rastro de homens mortos. Comece i a chamá-lo novamente. era? Não. Em seguida. d irigindo na direção oeste. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos.corrigi. Nosso benfeitor. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome.Venha depressa examinar Paul. Já trêmula e cheia de medo. Afinal. sentindo-s e bem e feliz. a fim de acordar Paul. rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. nem Georges . Dormindo. porém. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. em Gladstone. Jory já se esqueceu disso há muito temp o. Paul me legara tudo o que poss uía. Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. não fique a ssim . Chamei-o baixinho por três vezes. declarava que. inclusive a casa de sua família. nunca esquecemos Julian.quele domingo. finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. Engatado ao carro de Chris. em voz mais alta. sem dor ou sofrimento. . do modo que mais gostaria . no estilo de rancho. Ele continuou a dormir. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro. naturalmente. Até o mome nto. Além disso. E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora. que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. No testamento. começa a berrar quando me avista. Além disso.Naquele maldito domingo . logo em seguida. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si.

ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. mas tio. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim . É o passado que jamais consigo esque cer. vencerá o que tenho d e melhor.Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. ele sempre volta para casa com um and ar animado. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas. O melhor tem que vencer. Oh! Meu Deus! . Portanto. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor. sempre oti mista. exceto pelo musgo espanhol . fortuna. Entretanto. mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. Freqüentemente. Tenho a impressão. os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela. talvez. com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. o menor dos dois. Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. E mma Lindstrom. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude.. Numa pequena alcova lateral. Eu não o s trancaria mesmo que Bart. Ao barbear-se pela manhã. De fato. cantarola melodias de balé.. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. sem trepidações ou lamentos . fama. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela.. E eu também deveria ter aprendido.Pensei comigo mesma. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. mais verdadeiramente. fosse informado da verdade pelo ir mão. Não obstante. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo. mas não demais. Eu seria capaz de enfrentar a vergonha. um sorriso feliz. Portanto.. mas. não é mesmo? FIM . ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo. Ela deveria te r aprendido.Case-se com um homem de olhos escuros. cozinheira e amiga. por dentro. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos.o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. Portanto. Saberia desde o início que. comprei hoje uma cesta de piquenique. o eterno otimista. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: . nossa governanta. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: . Ou. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida. Sua família somos nós. Chris canta quando trabalha nos jardins. Cathy. não obstante.. Na medida do possível. mora conosco como Henny mor ava com Paul. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. Pragmático.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que. . Esforço-me realmente para ser como Chris. Tenho certeza. seja condenada à morte na cadeira elétrica. ela não confia plenamente em Chris..s meus filhos. tornei-me adulta demais para eles. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos. Entretanto.Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s.. copiamos os jardins de Paul. Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. encontrei duas camas de solteiro. Mas. amor imorredouro e s em defeitos. deixei de lado os sonhos de perfeição.. deito-me nervosa e permaneço acordada. às vezes. jovial.

com ? .Fonte: WWW.BaixeLivro.