A SAGA DOS FOXWORTH - PÉTALAS AO VENTO V. C.

ANDREWS

PRIMEIRA PARTE Livres, Afinal! Como éramos jovens no dia em que fugimos! Como nos deveríamos sentir exuberantes por estarmos livres, finalmente, de um lugar tão sombrio, solitário e abafado! Quão lamen tavelmente satisfeitos deveríamos estar por viajarmos num ônibus que rumava vagarosa mente para o sul! Entretanto, se estávamos alegres, não o demonstrávamos. Ficamos os t rês calados, pálidos, olhando pelas janelas, muito amedrontados por tudo que víamos. Livres. Haveria palavra mais maravilhosa que esta? Não, mesmo que as mãos frias e es queléticas da morte se estendessem para arrastar-nos de volta, caso Deus não estives se em algum lugar lá em cima, ou talvez até no interior do ônibus, viajando conosco e zelando por nós. Em alguma época de nossa vida tínhamos que acreditar em alguém. As horas se passaram com os quilômetros. Nossos nervos se tornaram sensíveis porque o ônibus fazia freqüentes paradas para embarcar e desembarcar passageiros. Fazia par adas para descanso, para o café da manhã e, então, para embarcar uma enorme senhora pr eta que o aguardava no ponto em que uma estrada de terra desembocava no piso de concreto da rodovia interestadual. A mulher levou uma eternidade para subir no ôni

bus e, depois, puxar para dentro as muitas trouxas que trazia consigo. Quando, a final, ela se sentou numa poltrona, cruzamos o limite estadual entre a Virgínia e a Carolina do Norte. Oh! Que alívio sairmos do estado onde fôramos prisioneiros! Pela primeira vez em mui tos anos, comecei a relaxar-me um pouco. Éramos os três passageiros mais jovens no ôni bus. Chris tinha dezessete anos, notavelmente bonito, com cabelos longos e ondul ados que lhe tapavam os ombros e se curvavam para cima. Seus olhos azuis orlados por cílios escuros rivalizavam com a cor do céu de verão e sua personalidade era como um cálido dia ensolarado - tinha no rosto uma expressão corajosa, a despeito de nos sa situação desanimadora. O nariz reto e de conformação fina adquirira força e maturidade que prometiam fazer dele tudo o que nosso pai fora: o tipo de homem que fazia o coração de todas as mulheres palpitar quando ele as olhava - e mesmo quando não olhava . Tinha uma expressão confiante; parecia quase feliz. Se ele não olhasse para Carrie , poderia até mesmo ser feliz. Entretanto, quando lhe viu o rosto pálido e doentio, franziu a testa e seus olhos se toldaram de preocupação. Começou a dedilhar o violão que trazia a tiracolo. Chris tocou "Oh, Suzana", cantando baixinho numa voz doce e melancólica que me tocou o coração. Entreolhando-nos, entristecemo-nos com as lembranças evocadas pela melodia. Éramos como um só, ele e eu. Não podia fitá-lo por muito tempo, pois tinha medo de chorar. Encolhida em meu colo, estava minha irmãzinha. Não aparentava mais que três anos, tão miúd a, tão penosamente miúda e enfraquecida, embora já tivesse oito. Em seus grandes olhos azuis, marcados por olheiras, havia mais sofrimentos e segredos sombrios do que uma criança de sua idade deveria conhecer. Os olhos de Carrie eram idosos, muito idosos. Ela nada esperava: nem felicidade, nem amor, nada - pois tudo o que houv era de maravilhoso em sua vida lhe fora tomado. Enfraquecida pela apatia, pareci a disposta a passar da vida para a morte. Magoava-me vê-la tão sozinha, tão terrivelme nte solitária, agora que Cory se fora. Eu tinha quinze anos. Estávamos em novembro de 1960. Eu queria tudo, precisava de tudo, e sentia um medo horrível de que jamais em minha vida conseguisse encontrar o bastante para compensar tudo o que perdera. Sentia-me tensa, pronta para grita r se mais alguma coisa ruim acontecesse. Como um estopim enrolado e ligado a uma bomba-relógio, sabia que mais cedo ou mais tarde eu explodiria e derrubaria todos os que viviam em Foxworth Hall! Chris pousou a mão na minha, como se pudesse ler-me os pensamentos e soubesse que eu já planejava o modo de trazer o inferno a todos os que nos tinham tentado destr uir. Disse em voz baixa: - Não fique assim, Cathy. Tudo dará certo. Estaremos bem. Continuava a ser o eterno e incorrigível otimista, acreditando, a despeito de tudo , que as coisas que aconteciam só podiam ser para o melhor? Oh! Deus! Como podia e le pensar assim quando Cory estava morto? Como isso poderia ser para o melhor? - Cathy - sussurrou. - Precisamos aproveitar ao máximo o que nos resta, isto é, um a o outro. Temos que aceitar o que aconteceu e partirmos daí. Temos que acreditar em nós mesmos, em nossos talentos; se acreditarmos, havemos de conseguir o que desej amos. É assim que funciona, Cathy, pode crer. Tem que dar certo! Ele desejava ser um médico insípido e sério, que passava os dias em consultórios, cercad o pelas misérias humanas. Eu desejava algo muito mais fantasioso - e uma montanha disso! Queria realizar todos os meus sonhos estrelados de amor e romance - no pa lco, onde eu seria a "prima ballerina" mais famosa do mundo; nada menos que isso me satisfaria! Isso mostraria a Mamãe! Maldita seja, Mamãe! Espero que Foxworth Hall queime até os alicerces! Espero que vo cê jamais consiga dormir uma noite tranqüila naquela grandiosa cama de cisne - nunca mais! Espero que seu jovem marido arranje uma amante mais jovem e bonita que vo cê! Espero que ele lhe dê o inferno que você merece! Carrie virou-se para murmurar: - Cathy, não me sinto bem... Estou com uma coisa engraçada no estômago... Fui dominada pelo medo. O rostinho miúdo de minha irmã parecia doentiamente pálido; se us cabelos, antes sedosos e brilhantes, escorriam em mechas sem vida. Sua voz es tava reduzida a um débil sussurro. - Querida, querida - reconfortei-a, beijando-a. - Agüente firme. Logo nós a levaremo s a um médico. Não demoraremos a chegar à Flórida e lá nunca mais ficaremos trancados.

Carrie relaxou-se em meus braços, enquanto eu olhava desoladamente para o musgo es panhol pendente das árvores que indicava encontrarmo-nos agora na Carolina do Nort e. Ainda tínhamos que atravessar a Georgia. Seria uma longa viagem até chegarmos a S arasota. Carrie teve um sobressalto violento, passando a engasgar-se e ter ânsias de vômitos. Precavidamente, eu enchera os bolsos de guardanapos em nossa última parada, de mod o que pude limpar Carrie. Passei-a para os braços de Chris, de modo a poder ajoelh ar-me no chão do ônibus e limpar o resto. Chris escorregou-se pelo assento até a janel a e tentou abri-la a fim de jogar fora os guardanapos sujos. Por mais força que el e usasse para puxá-la e empurrá-la a janela não se moveu. Carrie começou a chorar. - Enfie os guardanapos no espaço entre a poltrona e a parede do ônibus - sussurrou C hris. Mas o atento motorista devia estar observando pelo retrovisor, pois gritou: - Vocês aí atrás, garotos! Livrem-se dessa porcaria de outra maneira! Que outra maneira poderia haver senão esvaziar o estojo da máquina Polaroid de Chris , que eu estava usando como bolsa, e enfiar nele os fedorentos guardanapos? - Desculpem-me - soluçou Carrie, desesperadamente agarrada a Chris. - Eu não queria vomitar. Agora, vamos para a cadeia? - Não, claro que não - disse Chris com seu jeito paternal. - Em menos de duas horas estaremos na Flórida. Tente agüentar firme até lá. Se saltarmos agora, perderemos o dinh eiro que pagamos pelas passagens e não temos muito para desperdiçar. Carrie começou a choramingar e tremer. Apalpei-lhe a testa: estava úmida. Agora, o r osto não estava apenas pálido, mas branco! Como o de Cory antes de morrer. Orei a Deus para que, pelo menos uma vez, tivesse piedade de nós. Já não suportáramos o suficiente? Aquilo precisava continuar, interminavelmente? Enquanto eu hesitava, sentindo também um melindroso desejo de vomitar, Carrie começou tudo outra vez. Eu simplesmente não podia acreditar que ela ainda tivesse dentro de si algo para vomi tar. Apoiei-me de encontro a Chris enquanto Carrie ficou inerte nos braços dele, p arecendo estar angustiosamente próxima da inconsciência. - Creio que ela está entrando em estado de choque - sussurrou Chris, quase tão pálido quanto Carrie. Foi quando um passageiro mesquinho e sem coração começou a reclamar em altos brados, d e modo que os mais bondosos pareciam embaraçados e indecisos quanto ao que fazer p ara ajudar-nos. O olhar de Chris procurou o meu, numa indagação muda: que fazer em s eguida? Eu começava a entrar em pânico. Então, ao longo do corredor, balançando de um lado para outro ao avançar em nossa direção, surgiu a enorme mulher negra, exibindo um sorriso r econfortante. Trouxe sacos de papel e os segurou enquanto eu jogava dentro deles os malcheirosos guardanapos. Com gestos, mas sem palavras, deu-me palmadinhas n o ombro. Acariciou o queixo de Carrie e entregou-me um punhado de trapos tirados de uma das suas trouxas. - Muito obrigada - murmurei, sorrindo desajeitadamente enquanto me limpava da me lhor maneira possível. Depois, fiz o mesmo com Carrie e Chris. A mulher pegou os trapos, enfiou os num saco de papel e recuou um pouco, como se para proteger-nos. Cheia de gratidão, sorri para a mulher imensamente gorda que enchia o corredor do ôn ibus com seu corpanzil coberto pelo berrante vestido estampado. Ela piscou para mim e sorriu também. - Cathy - disse Chris, parecendo ainda mais preocupado que antes. - Precisamos l evar Carrie a um médico - e depressa! - Mas pagamos a passagem até Sarasota! - Eu sei. Mas trata-se de uma emergência! A nossa benfeitora sorriu animadoramente e depois debruçou-se para examinar o rost o de Carrie. Pousou a grande mão preta na testa úmida da menina e depois tomou-lhe o pulso. Fez com as mãos alguns gestos que me intrigaram, mas Chris disse: - Creio que ela é muda, Cathy. Esses são gestos usados pelos surdos-mudos. Sacudi os ombros, para indicar que não a compreendia. Ela franziu a testa e depois tirou do bolso sob a pesada suéter vermelha um bloco de folhas de papel multicor. Rabiscou muito depressa um bilhete que me entregou em seguida. Escrevera: Meu no me é Henrietta Beech. Posso ouvir, mas não falar. A menininha está muito doente, mesmo

, e precisa de um bom médico . Li o bilhete e tornei a olhar para ela, esperando que tivesse mais informações. - Conhece algum bom médico? - indaguei. Ela meneou vigorosamente a cabeça em afirmativa e logo rabiscou outro rápido bilhete : Vocês têm sorte porque estou no ônibus e posso levá-los ao meu filho, que é ótimo médico . - Puxa vida! - murmurou Chris, quando lhe passei o bilhete. - Devemos ter mesmo uma boa estrela para encontrarmos alguém que nos indique tal médico! - Escute aqui, motorista! - gritou o mais malvado dos passageiros do ônibus. - Lev e essa criança para um hospital! Macacos me mordam se paguei meu bom dinheiro para viajar num ônibus fedendo a vômito! Os demais passageiros fitaram-no com ar de reprovação e pude ver, pelo retrovisor, q ue o rosto do motorista ficou rubro de raiva ou, talvez, de humilhação. Nossos olhos se encontraram no espelho. Então, ele me disse, encabulado: - Sinto muito, mas tenho mulher e cinco filhos. Se eu não cumprir os horários, minha mulher e meus filhos ficarão sem comida, porque perderei o emprego. Calada, implorei-lhe com o olhar, ouvindo-o murmurar com seus botões: - Malditos domingos. Os dias de semana correm muito bem. Então chegam os domingos, malditos domingos. Foi então que Henrietta Beech pareceu ter escutado o suficiente. Tornou a pegar o lápis e escreveu no bloco outro bilhete que logo passou a mim. Muito bem. O moço ao volante detesta os domingos. Se ele continuar ignorando a meni ninha doente, os pais dela processarão os chefões da empresa de ônibus por uma indeniz ação de dois milhões de dólares! Mal Chris teve tempo de ler o bilhete e Henrietta se afastou pelo corredor, até en fiar o papel sob o nariz do motorista. Com um gesto impaciente, o motorista afas tou o braço da negra, mas esta voltou a insistir e, desta vez, ele fez uma tentati va para ler enquanto mantinha a atenção voltada para o tráfego. - Oh! Deus! - suspirou o motorista, cujo rosto eu podia ver pelo espelho. O hosp ital mais próximo fica a trinta quilômetros fora de meu itinerário! Chris e eu observamos enquanto a gigantesca senhora negra fazia gestos e sinais que deixaram o motorista tão frustrado quanto havíamos ficado. Mais uma vez, Henriet ta foi obrigada a escrever um bilhete. E o conteúdo deste, qualquer que fosse, lev ou o motorista a tirar o ônibus da larga rodovia e tomar uma estrada lateral que i a a uma cidade chamada Clairmont. Henrietta Beech permaneceu ao lado do motorist a, obviamente dando-lhe instruções, mas voltava-se para nós a intervalos, exibindo um brilhante sorriso, para mostrar-nos que tudo correria bem. Em breve percorríamos ruas largas e tranqüilas, orladas de árvores cujas copas se curv avam graciosamente para formar uma espécie de toldo. As casas que vi eram grandes, aristocráticas, com pórticos e elevadas cúpulas. Embora nas montanhas da Virgínia já tivesse nevado uma ou duas vezes, aqui o outono ainda não pousara sua mão gelada. Os bordos, faias, carvalhos e magnólias ainda mantin ham a maioria das folhas de verão e algumas flores continuavam vivas. O motorista julgava que Henrietta Beech não o orientava corretamente e, para falar com franqueza, eu era da mesma opinião. Na realidade, não se instalavam hospitais n aquele tipo de ruas residenciais. Entretanto, exatamente quando eu começava a preo cupar-me, o ônibus parou bruscamente diante de uma grande casa branca que se ergui a no topo de uma colina baixa e arredondada, cercada por espaçosos gramados e cant eiros floridos. - Vocês aí, garotos! - gritou o motorista, virando-se para nós. - Peguem sua tralha e entreguem as passagens para devolução do dinheiro, ou tratem de utilizá-las antes que o prazo expire! Então, saltou rapidamente do ônibus e abriu o bagageiro na parte interior da carroce ria, tirando cerca de quarenta malas antes de chegar às nossas duas. Pendurei a ti racolo o violão e o banjo de Cory, enquanto Chris, muito devagar e com extrema ter nura, erguia Carrie nos braços. Como uma gorda galinha protegendo seus pintinhos, Henrietta Beech conduziu-nos a o longo da comprida alameda de tijolos que levava à varanda da frente. Ali eu hesi tei, olhando para a casa e para as duplas portas pretas. À direita, um pequeno avi so impresso dizia: EXCLUSIVO DOS PACIENTES. Tratava-se, evidentemente, de um médic o que tinha consultório na própria residência. Nossas duas maletas foram deixadas na s

disse o homem finalmente. o pescoço arqueado para trás.É domingo. Em seguida. os olhos fechados. . Enquanto Chris e eu avançávamos nas pontas dos pés. de modo que ele lhe pediu que tossisse. Aqueles olhos notáveis me beberam. não é? . matizados por tons azuis.Há alguns minutos .indagou Chris. como se não con seguisse acreditar nos próprios olhos. Enquanto eu obedecia. Parecia um tanto elegante. Eu teria preferido que ela ficasse para apresentar-nos ao homem e explicar-lhe o motivo de nossa presença em sua varanda num domingo. muito mais alto que nós.É o Dr. enquanto eu examinava a varanda até avistar um homem adormecido numa cadeira de vime branca. postou-se de pé à nossa frente. Relutantemente. que lera a placa com o nome do médico. fez-nos entrar pela porta reservada exclusivamente aos pacientes. os compridos cabelos dourados balançando-se à brisa suave e cálida. ela fez sinal para que avançássemos e falássemos por nós mesmos. sentindo-me dominada pelo medo.ombra. . . com as mãos pendentes dos braços da poltrona de vime. meus cabelos. antes de refazer lentamente o mesmo trajeto em direção inversa.eram olhos castanhos. Dava a impressão de estar tão acomodado que me pareceu uma grande pena acordá-lo e arrastá-lo de volta ao trabalho. O médico meneou a cabeça e explicou que a Sra. é claro. Foi ela quem nos trouxe para cá. .Tire todas as roupas de Carrie.Carrie vomitou três vezes no ônibus e depois começou a tre mer e suar. passou os dedos esguios pelo cabelo escuro e depois se aproximou para examinar com atenção o rostinho miúdo e branco de Carrie. que quase já era um médico de tanto estudar enquant o ficamos trancados no sótão.O senhor é o médico. . A essa altura. passando a prestar atenção em Chris e Carrie. menos as calcinhas . Mais uma vez. Aproximei-me vagarosamente. Invadidos por mil e uma ansiedades. . Ele sacudiu a cabeça.sussurrei para Chris. Sheffield . apesar de escarrapachad o como estava. o pulso e a temperatura de Carrie. auscult ando-lhe o coração pela frente e por trás. Carrie já recobrara os sentido s. conduzindo-nos a uma parte da casa onde havia um consultório e duas saletas de exa mes. muito bonitos. O ar fresco com perfume de rosas não era o tipo de ar que eu me acostumara a espera r que alguém como eu merecesse. Beech era sua governanta e cozinheira . maldito domingo . como se tentasse focaliza r os olhos . desbotado e frágil nas pontas. mas você pode tratar de acordá-lo. mal corta dos no alto da cabeça. Era um homem grande.replicou Chris. Tudo o que eu conseguia fazer era ind agar-me por que tudo de ruim nos acontecia.Sim..Aquele médico pode não gostar d e estarmos aqui. eu aspirava o ar carregado pel o perfume das rosas e tinha a impressão de que já estivera ali e conhecia o local. usando um terno cinza claro com um cravo branco na lapela.. apontou para a casa e fez sinais para indicar que entraria a fim de prepara r algo para comermos. ficou como que hipnotizado por meu rosto. O homem parecia atordoado. Em segu ida. verd es e dourados sobre o fundo castanho claro. Como o homem contin uasse a dormir. .Há quanto tempo essa criança está inconsciente? . Nossa boa samaritana aproximou-se dele com um largo sorriso antes de tocar-lhe de leve no braço. Carrie jazia nos braços de Chris. eng olindo-me em seguida.quis saber Chris. Com surpreendente graça e rapidez.ordenou-me ele.Ele é um médico .disse Chris. Paul Sheffield? . Tinha as pernas compridas esticadas e apoiadas no to po da balaustrada da varanda. Eu sabia que os cabelos estavam compridos demais. o médico acordou. U sou o polegar e o indicador para afastar-lhe as pálpebras fechadas e fitou por um instante o que lhe revelava aquele olho azul. levemente ébrio e por demais sono lento para afivelar a máscara profissional que o impediria de baixar os olhos do m eu rosto para meus seios e descer até minhas pernas. ergueu as pernas da balaustrada. . Sou o Dr. perto da calçada de concreto. Fitou-nos durante longo intervalo. Chris correu de volta à calçada para pegar nossas maletas. não parando de desculpar-se por não ter disponível a sua enfermeira de costume. Por que o destino se mostrava tão pers . . . e m nossas muitas camadas de roupas. Havia no ônibus uma senhora chamada Henrietta Beech.Está acostumado a que lhe roubem os momentos de lazer. Eu sabia que tínhamos uma aparência estranha. Chris e eu nos encostamos à parede e observamo s enquanto o médico verificava a pressão.

lembrei-me do motivo. tem razão . Contudo. de modo que precisamos de espaço para guardar os objetos valiosos que poderemos empenhar mais tarde. .Vão precisar dele. O que faríamos agora? Não podíamos pagar tanto dinheiro! O médico percebeu prontamente nossa situação.istentemente contra nós? Éramos tão ruins quanto afirmava a avó? Carrie morreria também? . depois que terminei de vesti-la ou tra vez. só desejamos saber a respeito de Carrie.indagou suavemente.perguntou ele.disse o médico.concordou ele. com os cotovelos apoiados sobre o mata-borrão. De repente.Portanto.comentou o Dr. Po deríamos contar-lhe qualquer coisa. que me caía bem e estava limpo.. não tenha receio. assumindo uma atitude profissional.Vamos deixá-la neste quarto por algum tempo. mas tente do rmir enquanto converso com seus irmãos. Ela o fitava com olhos muito abertos e inexpressivos. E enquanto prendíamos a respiração.E temos apenas duas malas.disse Chris. .É uma longa estória. estão fugindo .Mas não se preocupe quanto a receber seus honorários. ainda somos órfãos .Sim.Não sei quem vocês são. estava usando apenas um vestido azul. como se trabalhasse durant e muitas horas a fio.Vocês dois me parecem embaraçados e pouco à vontade. Como saíra da sala quando eu começara a despir Carrie. . enquanto o médico permanecia à sombra. Agora.Carrie . pois não sou muito dado a elas. . Oh! Meu bom Deus! Nosso tesouro roubado não daria para pagar uma semana de h ospital. tudo mesmo. Lançou-nos um prolongado olhar observador. . eu sabia a respeito de médicos. agasalhando-a com um cobertor leve. Sou viúvo e. Chris deu-me uma cotovelada rápida. olhou firm e para mim. falaremos a respeito de Carrie . Ficamos perpl exos.Duas semanas num hospital seriam suficientes para descobrirmos o fator na doença de sua irmã que não consigo perceber neste momento. Poucos minutos mais tarde. . . Levantei-me depressa e abri o fecho da saia externa. Mas aquela garotinha está muito. . Sugiro que entrem imediatamente em contato com seus pais.É bom terem dinheiro . .acr escentou. Sheffield. o médico fez uma previsão aproximada da quantia que aquilo custaria. Então. . Sheffield.disse jovialmente o Dr.Só nos domingos em que fujo .E.estava escrito em seus olhos.. Se h oje não fosse domingo. Doutor . . . em seguida. Po demos pagar. muito doente. principalmente por intermédio dele. . sem realmente importar-se com o fato de a mesa ser ou não macia. Não temam estarem interrompendo m inhas folias dominicais. mas parecia cansado. a fim de que você possa desc ansar .Sim.Fugindo de quê? De pais que os of enderam por negar-lhes alguns privilégios? Oh! Se ele soubesse! . Oh! Sim! Ele podia dizer aquilo. Quando tornei a sentar-me ao lad o de Chris.Sempre usa mais de um vestido aos domingos? . avaliando-nos. . quando houver necessidade.Uma vez órfãos.respondeu Chris. começou a falar com muita seriedade e alguma preocupação: . Aquele médico sentado à mesa era digno de confiança . indicando que eu deveria manter a boca fechada. o do mingo é um dia como qualquer outro. eu a internaria num hospital para fazer outros exames que não tenho condições de fazer aqui.Somos órfãos .declarou Chris em tom de desafio.Ainda são órfãos? .Então. no meu consultório. . . Meu olhar deparou com a expressão apavorada nos olhos azuis de Chris. não perceber a que eu usava dois vestidos por baixo da saia. Exatamente as palavras certas para me causarem pânico! . assim . O sol que se filtrava pelas janelas incidia direta mente em nossos rostos. atordoados por sabermos que Carrie estava tão doente . de onde vêm ou p or que julgam que devem fugir. Fiquei bastante satisfeita ao ver o médic o sobressaltar-se. o Dr. Sei que essa mesa não é muito macia. muito menos duas. Sheffield estava sentado à sua grande e impressio nante mesa de trabalho. . numa advertência muda de que eu estava falando d emais. para mim. estilo princesa.respondi. Minhas roupas causava m-me uma sensação úmida e desconfortável.explicou. Est aremos aí ao lado. no momento. Eu estava nervosamente sentada na beirada do macio sofá de c ouro marrom ao lado de Chris.

Por que não haveria de acreditar? . ombro a ombro. aquele homem sentado à mesa. meu rapaz. agora vou-lhes dizer algumas verdade s inteiras! . com relógios de ouro e brilhantes. .Nossa última refeição foi o café da manhã..sua voz se tornou mais forte e dominadora. mas não com freqüência. É enjoada para comer. . Em primeiro lugar qual o seu sobrenome? . Agora.Desconfio de que sua . port anto. Talvez fosse minha expressão que traiu Chris e levou o médico a debruçar-se em minha d ireção. o médico anotou tudo. diga-nos o que suspeita haver de errado com nossa irmã e o qu e pode fazer para curá-la.ela precisa me dizer.po is quem acreditaria em nós? Confiáramos antes em quem era supostamente honrado. Comemos todos três a mesma coisa: c achorros-quentes com todos os molhos. depois. m as não me darão uma oportunidade justa se não me fornecerem todos os fatos.Disse Chris. . de mãos dadas. Já sei que Carrie é subnutrida.Agora. do contrário estarão desperdiçando meu tempo e colocando em risco a vida de Carrie.Certamente é muito franzina. Precisam falar a verdade..Ocasionalmente. Antes.permanecemos. Portanto. Eu diria que nunca teve um apetite saudável. terá que responder algumas perguntas . usando roupas elegantes e surrados sapatos d e tênis.Carrie vomitou duas vezes na semana passada e cerca de cinco vezes no último mês. . . .disse o médico co m voz suave. Digam -me o que todos três comeram na última refeição. sub-exercitada e franzina demais pa ra sua idade. e Carrie tem oito anos. se mostrasse chocado ao ser informado sobre a idade de Carrie. . mas firme o suficiente para nos mostrar que ele comandava a situação. como se soubesse que escutaria de mim um relato mais completo. aliviado. Franzindo a testa. Catherine Leigh Dollanganger. hoje mesmo. Sou um médico e tudo o que me confidenciarem permanecerá confidencial. não podem ficar aí sentados. Oh! A maneira evasiva como Chris relatava a situação de Carrie fez-me ficar realment e furiosa! Ele protegia nossa mãe até mesmo agora. como se eu já o tivesse visto antes.Se desejam realmente ajudar sua irmã. O médico olhou para mim ao dizer isso e. me smo nas melhores circunstâncias.in formações completas.Compreendemos que Carrie é muito franzina para a idade que tem .. . como poderíamos confiar outra vez? Não obstante.disse Christoph er. milksh ake de chocolate. . quer o senhor acredite ou não! .Carrie costuma ter náuseas? . batatas fritas com molho de tomate. . embora poucos minutos antes. Não consigo compreender por que razão hesitam em questão de dinheiro quando usam relógios que me parecem muito caros e alguém escolheu suas roupas com bom gosto e considerável dispêndio . . Chris suspirou.replicou tranqüilamente o médico.Bem. parecia-me tão familiar. ou vocês terão que contar. fitou Chris. devagar.Se é difícil para vocês. Só Carrie.Calma lá. Isso me tem preocupado muito: os ataques de vômit o parecem tornar-se mais violentos e surgem com maior freqüência.Certo. deixem-me fazer mais perguntas. ouçam. Ficam aí sentado s.E todos três comeram exatamente as mesmas coisas no café da manhã? Mas só Carrie teve náuseas? . Vamos parar de desconfiar uns dos outros. Se Carrie sofre de algum mal interno. na pequena sala de exames. Preciso de informações para trabalhar .. numa atitude amistosa e confidencial que me tornou tensa de expect ativa. não posso olhar dentro dela para verificar o que é .Sou Christopher Dollanganger e esta é minha irmã. na defensiva. inventando mentir as.disse ele. Ficamos ambos calados.Como ocasionalmente? .Ouçam: vieram procurar-me em busca de auxílio e estou disposto a fazer o possível. . . Percebi que vocês três têm pupilas dilatadas! Vejo que todos estão pálidos.Está bem . Carrie comeu apenas um pouco da sua porção. Estávamos com medo. Senti Chris estremecer e estr emeci também. mortos de medo de contar a verdade nua e crua . . Debruçou-se sobre os b raços cruzados. magros e com aparência cansada. dizendo-me meias-verdades. .embora esteja além de minha capacidade imaginar o motivo pelo qual elas não se lhes ajustem bem ao corpo. depois de tudo o que ela fizera.

quando. exagerando. e eram fabulosamente ricos. ela se casara com um meio-tio e fora deserdada. mas por ele. nossa avó permitiu que usássemos o sótão para brincar. E. Tivemos que de ixar nossas bicicletas na garagem e ela nem mesmo nos deu tempo de nos despedirm os dos amigos. naquele verão. que moravam na Virgínia. e tratem de empenhar seus valiosos relógios para p agar pela vida dela. quer vocês chamem ou não seus pais. afin al. logo descobrimos que nosso avô jamais perdoaria Mamãe por ter-se casado com o meio-irmão dele e que permaneceríamos "frutos do Demônio". roupas qu e não se ajustavam. Sua pressão arterial está perigosamente baixa.. enquanto ele me fixava com a fer oz expressão que me proibia revelar toda a verdade. pior que tudo. imaginando que isso nos compensava por tudo.disse Chris num tom inexpressivo.A princípio. comecei a c ontar ao médico o que lhe deve ter parecido uma estória inacreditável.Chegou um ano novo e. pois vieram-lhe lágrimas aos olhos. tornou a ap arecer em outubro para dizer-nos que se casara pela segunda vez e passara o verão viajando pela Europa em lua-de-mel! Tive ímpetos de matá-la! Ela devia ter-nos conta do. Oh! Pode apostar que ela nos comprava de tudo para compensar o que nos fazia . . pois estragaria nossos dentes e não podíamos ir ao denti sta. . Mamãe veio contar-nos que est ava muito endividada e não tinha meios de ganhar o sustento de nós cinco.não por ela.Como se não fosse bastante ruim vivermos trancados num quarto. Ela nos disse que os pais moravam numa bela man são luxuosa. cheio de a ranhas. podemos c omeçar os exames amanhã cedo.e sujo. E era lá que brincávamos até que Mamãe conseguisse recupe rar a boa vontade do pai e pudéssemos descer e começar a gozar a vida de crianças rica s. ..Faça o que julgar necessário .gritei. eles não responderam. No início. lágrimas por tudo o que havíamos compartilha do e sofrido. na verdad . Nossa mãe nos disse que precisa ríamos permanecer escondidos até que ela recuperasse a afeição do pai.. é suscetível a uma infinidade de infecções. Ele estava morrendo de uma doença cardíaca e nunca subia escada s. e por mim. todavia. e ele ainda conseguia chorar por el a! Suas lágrimas arrancaram-me lágrimas do coração . com o sótão servindo de playground. protegerei o máximo possível nossa preciosa mãe! Creio que Chris percebeu. Meu irmão não lhe contou tudo! Lancei por cima do ombro um olhar duro a Chris. mas pioraram até constarem apenas de sanduíches. E por estar anêmica. partimos de trem para as montanhas Blue Ridge. Por que tod os os dias os jornais publicavam as coisas horríveis que pais amorosos faziam aos filhos? . começamos a perder a confiança nela! . mas partira sem uma palavra de explicação! Trouxe-nos presentes caros. perc ebi que ele julgava que eu estava mentindo ou. ao menos. Jamais deveríamos espiar pelas janelas ou mesmo abriras pesadas cortinas para deixar entrar alguma luz. erguendo-me de um salto e chegando à mesa do médico. logo descobrimos que nossa avó também nos odiava! Ela nos deu uma lon ga lista do que podíamos e não podíamos fazer. Todavia. quando chegavam nossos aniversários. Agora. além de dar-nos muitos presentes. Pensei amargamente: Não se preoc upe. A princípio. Teríamos que viver lá em cima até que ele morresse! A despeito da expressão de dolorida incredulidade nos olhos do médico. Portanto.E assim. Mamãe afirmou que s eria apenas uma noite. se a internarmos no hospital esta noite. jogos e b rinquedos pudessem compensar tudo o que estávamos perdendo: nossa saúde. mas não muito alegres po r termos que enfrentar um avô que nos parecia cruel. certo dia.irmãzinha esteja perigosamente anêmica. no máximo. Então. Agora. que a amava tanto. as refeições que nossa avó nos levava numa cesta de piquenique eram razoáve is. Mamãe nem mesmo nos visitou! Então.Estávamos felizes por irmos morar numa bela mansão luxuosa. . camundongos e insetos. Então . salada de batatas e galinha fri ta.Espere um minuto! . que o amava tanto -. a confiança e m nós mesmos. depois que Papai morreu naquele acidente. Era enorme . Mamãe contrabandeava sorvete s e um bolo de padaria. Naturalmente. E existe algum fator fugid io que não consegui identificar. de modo que estaríamos seguros lá em cima desde que não fizéssemos muito barulho. na Virgínia. Naquela mesma manhã. íamos perder tudo o que possuíamos. Oh! Quanto aquela mu lher fizera para magoá-lo. Nunca tínhamos sobremesa. poderíamos descer para con hecermos o pai dela. Então.. amanhã Carrie será internada num hospital.como se livros. talvez duas ou três. prossegui: . chegou uma carta. para ferir todos nós. Começou a es crever cartas aos pais. Ele meneou a cabeça como se concordasse e me mandasse prosseguir.

disse Chris num tom respeitoso. choque e preocupação. Carrie é a mais afetada. em tom débil.Para Sarasota. Talvez eu possa fazer algo para ajudar. Cathy e eu daremos um jei to de saldar nossas obrigações.Agora. na verdade.Naquele único quarto trancado. . Compreenda: quando nossa mãe percebeu que jamais poderia reconhecernos como filhos e.Como vê. debilitados. fazendo-a vomitar e a nós também.. durante no ve meses.Calma.Sim . que vocês têm liberdade para recusar e viajar para onde bem entenderem. . para que ela herdasse a imensa fortuna . enquanto saíamos furtivament e do quarto usando a chave de madeira fabricada por Chris. muito ar livre e sol. .. pois julgava que nosso avô podia morrer de um dia para outro e ele queri a ir para a universidade cursar a faculdade de medicina. . Virei-me novamente para o médico: . . E nós praticamente as d evorávamos. . mas por nos separarem. difícil de ac reditar.disse eu. girei nos calcanhares para olhar Chris com expressão furiosa. Agora. . ao mesmo tempo.e juramos perma necer juntos para sempre! Chris fitava o chão. tornando-se médico . Não lhe contei o pior! Nosso a vô morreu e incluiu nossa mãe no testamento. Faça o que for necessário para curá-la. . nós vivemos três anos. Cathy. Falou sem erguer os olhos. quatro meses e dezesse is dias. Lancei um olhar a Chris. . parecendo muito pálido e fraco. mas nós também sofreríamos! Não só pela publicidade. ou nos colocariam sob a custódia de um tribunal .mas acrescentou um codicilo estipulando que ela jamais poderia ter filhos. seria ob rigada a abrir mão da herança e de tudo o que tivesse comprado com aquele dinheiro! Fiz uma pausa.Ainda não terminei.Você e Cathy também ingeriram arsênico e terão que passar por alguns dos mesmos exames a que será sub metida Carrie por minha ordem. Mandar-nos-iam para lares adotivos. enquanto nos esgueirávamos até o grandioso apartamento de nossa mãe e surrup iávamos todas as notas de um e de cinco dólares que podíamos encontrar. Dia a dia. para onde estão indo? . Rosquinhas envenenadas para adoçar nossos dias de prisão.Um médico como eu. escutem bem: é apenas uma sug estão. suspirando. Cathy e eu não estamos tão doentes ou deb ilitados. . repouso. . senhor . entrando no quarto de la para roubar quanto dinheiro pudéssemos. não compensava nada! Afinal. sem saber que estavam cobertas de arsênico. para concluir -. Sheffield. fitando-me com com paixão. pálidos. Quando terminei minha longa estória. eu não pretendia falar de Cory.É um estranho para nós. na Flórida .. Que diferença poderia faze r mais uma vez? .disse o médico. quanto ao misterioso e fugidio fator que o senhor não consegue identifica r . Cheia de indignação.como o senhor. é m uito simples.E não esperamos o u queremos a piedade ou caridade de ninguém.. o médico ficou muito calado.e..continuou o médico.As despesas não são tão elevadas para um paciente de "fora" quanto para um internado .o mal que aflige Carrie.Cuide de nossa irmã. Ao longo de qu ase um ano. . . doutor.. fitando-me com olhos magoados e suplicantes. A pro pósito. A avó começou a colocar rosquinhas açucaradas na cesta de comida. percorremos os corredores compridos e escuros. que permanecia sentado. Chris . Mas ele não precisava p reocupar-se. às vezes.exclamei.não há diárias a pagar.Cathy e eu costumávamos bal ançar-nos nas cordas quando estávamos no sótão. eu revelara. Doutor . como se eu e Chris já tivéssemos concordado com sua gen erosa proposta de auxílio. consegui convencer Chris de que precisávamos encontr ar uma maneira de fugir daquela casa e esquecer a herança da fortuna. . o senhor não nos pode obrigar a procu rar a polícia e contar nossa estória! Talvez jogassem a avó e nossa mãe numa cela. Necessitam de boa alimentação.É uma estória estranha. resolveu livrar-se de nós.Espere um minuto! . com seu jeito vagaroso e paciente. Se algum dia ficasse provado que ela tivera filhos do primeiro casamento..disse Chris. Olhe só para vocês dois: magros.disse o Dr. conservar a herança. Portanto. de modo que imaginamos poder tornar-nos . Sería mos imbecis se rejeitássemos a ajuda daquele homem bondoso só para salvar um pouco d e nosso orgulho que tantas derrotas sofrera no passado. os olhos cheios de sim patia e toldados por algo mais sombrio. Chris não quer ia fugir.

Ótimo . que estávamos longe do quarto trancado e do sótão. .Não quero parecer ingrata . admito que exista algo nesses olhos azuis que me diz que vocês são dois jovens muito decididos e não há dúvida de que conseguirão tudo o que desejarem. eu detestaria ver você e Cathy arriscarem a vida dessa manei ra e. Lá atrás.Sabe cozinhar? Cozinhar? Estaria ele brincando? Passáramos mais de três anos trancados naquele quar to do último andar e nem mesmo tínhamos uma torradeira para esquentar o pão de manhã. . . Simplesmente pareceu ainda mais entristecido.acrobatas. contratarei uma cozinheira.Compreendo . não viviam os três juntos n as mais miseráveis condições? Nós quatro. Venham morar em minha casa de doze cômodos solitários. e para o senhor. .. Cathy pode cuidar da casa.Tenho certeza de que apresentarão argumentos pa ra convencer-me.Teriam que competir com pessoas treinadas desde a infância. preparando sua comida! Isso não é para mim. infantil e afastada da r ealidade. Afinal. . Henny é uma excelente trabalhadora e mantém a casa imaculada. sorrindo ao apoiar o queixo n e vão conseguir tud as mãos. minha intuição me induz a acreditar no que me contaram. Mas não mencionei Cory. com os olhos brilhando de desconfiança. . Suas roupas ca ras. desde que realmente desejem mui to. Ainda assim. com alguma prática. Nesse ponto. Tudo em minha ética pessoal e profissional me impede de deixá-los partir sem o tratamento médico adequado. mas reclama constantemente de que doze quartos e quatro banheiros são demais para uma mulher cuidar sozinha. Chris. Quando me tornar uma prima ballerina famosa. Sua voz era impressionante. Contudo. . pertenço a uma geração mais insípida e não consigo acompanhar-lhes o raciocínio. A qualquer momento.o Dr. Sheffield sorriu bondosamente para atenuar a rudeza das palavras. parecia mais uma fantasia tola.Francamente. Esperei que o médico risse.Você vai ser uma prima ballerina e Chris um médico famoso o isso fugindo para a Flórida e trabalhando num circo? Naturalmente. com um leve sotaque suli no. Lançou-me um olhar indagador e brincalhão. descendentes de longas linhagens de artistas circenses.Você pode ajudar a pagar a hospedagem aparando os gramados. Pelo que sei.Não sei cozinhar.Entendem que seriam obrigados a enfrentar acrobatas profissionais? .interpôs rapidamente. Beech . hipnótica. .Se falou sério a respeito de acolher-nos enquanto Carrie se recupera.Vamos . . e a escola? E quanto a Carrie? O que fará ela enquanto vocês dois ficam pendurados nos trapézios? Não precisam responder . essa estór ia horrenda talvez não passe de um monte de mentiras destinadas a captar minha sim patia .expliquei.Não! . os olhos risonhos lançando faíscas. um de vocês dois pode adoecer tão repent inamente quanto Carrie e ficar tão mal quanto ela. à forte luz da realidade. . Sou bailarina. não aquilo não fazia sentido.indagou o médico. ficamos ex tremamente gratos . tenho dois hectares de jardins. podando as sebes. senão a Chris. . Não qu ero ficar prisioneira na cozinha de um homem. . .repliquei com rispidez. .disse Chris. . Pago dois jardineiros para ajudarem. tendo seus f ilhos. pr eparando os canteiros para o inverno. pois não posso dedicar à jardinagem t odo o tempo necessário. encantando-me. os relógios e os sapatos de tênis. ele fixou diretamente em Chris os olhos brilhantes. quando meus lábios se entreabriram para falar. . creio que não devo permitir que partam nas condições em que se encont ram. sussurrou uma voz aos meus ouvidos. O bom senso me aconselha a manter-me distante e não dar a mínima importância ao que acontece com três garotos sozinhos. tudo isso testemunha em favor da verdade. Deus deve ter colocado H enrietta naquele ônibus para conduzi-los a mim.. suave e melodiosa.Esqueçam o orgulho e a carid ade. lavando louça para ele.insistiu ele. precisam de cuidar da própria saúde e de Carrie. mas não o fez. como o senhor faz.Não obstante. Não seria fácil.disse ele. Até mesmo aprenderei a cozinhar para ela. ne m manteiga ou margarina. como médico. não três. os olhos faiscando. mas devo dissuadi-los. . Em primeiro lugar.Trabalh . com o rosto inexpressivo. Parecia tolice ouvi-lo dizer aquilo em voz alta. Isso faz realmente algum sentido para vocês? Agora.disse ele. . a palidez da pele e a expressão assediada do o lhar.Farei o possível para ajudar a Sra.

ainda olhando para mim. os quatro. Pela primeira vez há tanto tempo dormi ríamos em quartos diferentes.chorou. Nenhuma gravura do inferno nas paredes. . Nada sombrio. E não precisam pagar-me. Port anto. Oh! Mamãe! veja o que você começou ao colocar-nos. deitando-me a seu lado. Chris e eu o lhávamos com uma terrível mágoa dividida entre nós.Precisamos tomar cuidado.Dê-me um beijo de boa-noite. deveria saber! . mas apenas de um acerto comercial em benefício de todos. avareza. Creio que no sso médico pressentiu algo que o aconselhou a deixar-nos a sós. com papel de parede azul c laro e cortinas combinando no mesmo tom. quando nos despedimos outra vez. dentre todas as pessoas ne ste mundo. a fenda entre as duas camas foi-se alargando cada vez mai s até que eu. que tinha sono agitado. Cathy . .repliquei. Em nosso quarto. Eu não queria afastar-me dele e enfrentar a noite sozi nha com Carrie. Um Novo Lar Foi assim que começou. . num único quarto trancado e deixar-nos crescer Já dentro. como se nunca tivesse vivido antes de nossa chegada. quando pudermos. a quem eu nunca poderia proteger como ele protegia. Baixei a cabeça. . Ingressamos tranqüilamente na casa do doutor e em sua vida. e Cory estava sepultado por causa da fraqueza de Mamãe! .Deixe-me ficar deitada perto de você um momento . também.Chris.disse Chris. como podem ver. Cathy. colandoa ao seu peito. . exceto trabalhando na casa e no jardim.sussurrou Chris. arrastando Carrie comigo para o chão. Era lindo. Nós o encampamos. em es tilo antigo. Só então Chris falou: . . Enquant o ele dormia.Não acontecerá novamente . que diabo está fazendo aqui? . por que esta cama é tão pequena? Tudo terminou com a volta do médico e Chris ao quarto. pois pediu licença e a fastou-se na direção da outra extremidade do corredor.Não há o que desconfiar. como se eu o perseguisse. Mesmo assim. Todo o infern o que eu tinha estava na mente. juntaram as duas camas de solteiro..Vou cair da cama? Cathy. afastou-se de mim e saiu quase correndo pelo corredor. não se trata de piedade ou caridade. Tudo está acabado . Com lágrimas no s olhos. . que passar am a parecer uma larga cama de casal. partiremos depois de pagar-lhe cada centav o que o senhor gastar conosco. por recordar demais o passado. Tornamo-nos importantes para ele. Eu sentia um medo horrível de contar-lhe o que suspeitava.Falei sério. não foi? . Isto agradou imensamente a Carrie. Não haverá percevejos em nossas camas. esgueirei-me para a cama.especialmente Ch ris.oh! desejávamos tanto acreditar em alguém! Ele destinou a Carrie e a mim um quarto grandioso. mas não o encarei. Ele me beijou.Esqueça. Cada uma de nós tinha uma poltrona com almofadas amarelo-limão e todos os móveis eram brancos. O tapete era azul.. Não queremos que ele desconfie. Eu desejava levar uma vida boa.Cathy. Adorei o quarto que Paul reservara para nós. observei meu irmão recuar ao longo do corredor. acabei por acordar com uma perna e um braço en fiados na brecha.sussurrei. se realmente desejasse! Não precisava trancar-nos naquele qua rto! Foi ambição. Ele dava a i mpressão de que lhe fazíamos um favor ao aliviá-lo de uma vida solitária e enfadonha com nossa presença juvenil.replicou ele. retirando a mesinha de cabe ceira que separava as camas. Fazia-nos sentir que nós éramos generosos ao compartilhar de sua vida . compreendo agora. cometemos um pecado. adivinhando mesmo então que jamais acabaria. duas janelas para leste e oeste. sabendo como seria! Você.Está chovendo lá fora . isto eu também entendo agora.. Em seguida. sem magoar ninguém . co m o passar das noites. eu o beijei.Não . aquela maldita herança. com duas camas gêmeas e quatro altas janelas voltadas para o sul. Carrie gritou bem alto: . tive que levantar-me da cama e ir para junto de Chris.. Então.aremos com afinco e. Mamãe poderia ter e ncontrado outra solução. dissemo-nos boa-noite e isto foi tudo. mas. Chris acordou ao ouvir o rangido das molas da cama.Não consigo dormir numa caminha pequena só para mim! .

Paul sabia a respeito de Cory e de como este morrera no ho spital. mas não devemos a busar para sempre da sua bondade. . ou mesmo ousou respirar. estávamos abraçados e ele me beijava. Já tomara conhecimento da paixão de Carrie por roxo e vermelho. Não revelei o s egredo de vocês. pois ele estava na outra extremidade do corredor e não perto de mim. desejando o que Chris sentia que precisava ter. empurrei-o para longe de mim. enquanto eu me obriguei a dizer o que devia. as palavras de minha mãe voltaram a perseguir-me com uma idéia horrível: seria eu tão igual a ela? Crescera para ser uma mulher fraca. Paul. Inventava estórias fantásticas a resp eito do que lhe faziam no hospital e reclamava da quantidade de perguntas que lh e faziam.mas não contamos a todo mundo nossa vida naquele quarto. Carrie ficou sentada. supostamente de pneumonia. Beijos tão ardentes e ferv orosos que me obrigaram a corresponder. . Na primavera não mais estaríamos ali. Nós três sempre dizemos a verdade uns aos outros . Então. Não contei a ninguém . . eu não queria que Chris parasse. a parte pensante.. irei embora.Façam o que quiserem para deixar o quarto a seu gosto . Para Carrie. segurando sua jarra de violetas. do tipo parasita.Eu gosto daqui! . O doutor levava diariamente Carrie consigo ao hospital. de modo que não nos podemos dar ao luxo de nos apegarmos demais aos quartos que o senhor nos destinou.Todos nós gostamos daqui. Bailarinas em quatro posições diferentes.respondi depressa. . . .Fico muito feliz por comunicar-lhes que o arsênico não causou qualquer dano perman ente aos órgãos de Carrie. ela chorava e s e recusava a ir a menos que eu a acompanhasse. Fitei-o.Que está fazendo? Pensei que você tivesse dito que isto nunca mais aconteceria. Virei-me e percebi que Carrie me fitav a com uma boa dose de animosidade.disse num tom tristonho. quando ele interrogou Chris e a mim. Então.Você veio. espantada.disse Carrie. não torne a fazer isto. não fiquem assim. engasgado. Era mau e pecaminoso! Mesmo assim. . Portanto.Contou a ele? . mudaremos tudo na primavera. com um metro e oitenta e cinco. enterrando o rosto no travessei ro e começando a chorar. agora o Dr. . Paul me trouxe quatro quadros para pendu rar no quarto. disse também que seus pais eram meus amigos e que eu estava pensando seriamente e . . sem responder. para acordar-me se eu tivesse um pesadelo. mas tive que dizer aos técnicos do laboratório o que deveriam pesquis ar. prestes a sair. Seus olhos estavam cheios de profunda tristez a naquela noite. Ele meneou a cabeça. Depois..Não pude deixar de contar.disse ele. tinha ombros tão largos que quase o cupavam toda a porta. Ele estava junto à porta. desejando conhecer todos o s detalhes da doença de Cory.Carrie. ele trouxe uma jarra de vidro fosco cheia de delicadas violetas plásticas. . mas parou e virou-se para me olhar.De que acha você que sou feito? De aço? Cathy.Julguei que gostassem daqui . que necessita sempre de um homem para protegê-la? Não! Eu era auto-suficiente! Creio que foi no dia seguinte que o Dr. Chris e eu estávamos aconchegados um de encontro ao outro no sofá da sala de visitas quando Paul disse: . Ninguém para me dar forças. embora não quisesse. os olhos escuros desola dos. Ora. . Era alto.Se não gostam das cores.. que resultara em sua morte. como temíamos a princípio.Não contei a ninguém que Cory foi embora para o céu e me abandonou. calculista. Cathy . ou mais. Nenhum de nós dois se mexeu. A mulher adormecida dentro de mim d espertou e assumiu o comando. sem que chegássemos a per ceber como aconteceu.Não para isto! . Inventei uma estória a respeito de vocês terem ingerido o veneno acidentalmente. Paul. Entendeu? Ela me encarou com os grandes olhos assustados. No início. Ninguém par a me reconfortar. e saiu. e eu.Dr. Voltei para meu quarto e chorei na cama. . a não ser ao Dr.disse ele. . você bem sabe que nunca mentimos. não estaremos mais aqui na primavera.

Beech . A Sra. Fez comigo o mesmo que fizera com Carr ie.. Paul não parecia o mesmo homem que me olhava qua ndo estávamos na parte residencial da casa. Seu sorriso brilhou amplamente quando entrei. eu já sabia que ela sofria de mudez congênita. Menina-Fada. deixando-me cair numa cadeira e pegando uma faca para descascar batatas. estava olhando para o outro lado .respondeu ele com um s orriso. Creio que eu gostava demais dos bilhetes que ela redigia . Você me parece bastante normal.Puxa vida! Graças a Deus. mas insistiu num número ainda maior de perguntas. não posso perceber o que está pensando. Chris também. Oh! Eu tinha objeções! Não estava disposta a despir-me e permitir que ele me apalpasse . . Paul me olhavam de modo tão esquisit o. nua e co berta com um roupão de papel.Sim.. A essa altura.m assumir a responsabilidade legal de tutor de todos três.Marquei hora para vocês dois serem examinados amanhã . Beech . Beech estava preparando o jantar. Beech redigiu outro b ilhete. . Fiquei aliviada quando tudo terminou e pude vestir-me e escapar daquele consultóri o onde as mulheres que trabalhavam para o Dr. Vou receitar vitaminas especiais para todos três. embora a princípio eu me sent isse pouco à vontade e levemente temerosa em sua presença. comia com entusiasmo. . seus amplos e esvoaçantes vestidos estampa dos com flores de cores berrantes.por mim .desde que não se pendure em trapézios . parecia mais um acolchoado de penas de ganso enrolado. o que era algo notável para uma criança como ela. Quando ele veste aquele comprido avental branco. Já havíamos ganho um pouco de peso nas duas semanas em que comemos os deliciosos qui tutes da Sra.sussurrei. mesmo que houvesse uma enfermeira na sala. Paul quando ele é apenas um homem como os outros. Perguntas embaraçosas. bastante car ne magra. Com o avental amarrado em torno do c orpo.exclamei. terminou! .Já ficou sem menstruação por mais de dois meses? . iluminando a cara de lua coberta por uma pele tão negra e lisa como borracha lubrificada.. Então. Agora. mu ito pálida e ligeiramente anêmica. Portanto. Go sto mais do Dr. . aprendi a compre ender sua linguagem de mímica. E sou muito boa leitora de olhares. nenhum de nós ainda aprendera o suficiente para conversar com rapidez. ela ficará boa . .escritos com a rapidez do raio. mas Chris leu a respeito num dos livros de medicina que Mamãe comprara para ele e me explicou que excesso de an siedades e de tensões podem acarretar essa irregularidade. Quer que ganhem músculos e não banha . ao fazer tal afirmativa. não há nada errado comigo. embora. . nunca fui regular! Comecei aos doze anos e duas vezes fiquei sem m enstruação de três a seis meses. adorava a sabedoria que sua s pequenas folhas de papel colorido transmitiam. e. como poderia eu saber o que ele realmente pensava a respeito? Talvez Chris tivesse razão. Embora estivesse procurando ensinar-nos sua linguagem de mímica. Ela sorriu para mim com fingida malícia e tirou um bloquinho cor-de-rosa do grande bolso quadrado do avental branco engomado. por ser do sexo masculino. a Sra. Os dentes que ela exibia eram os mais alvos e perfeitos que eu já vira.até mesmo Carrie. pois quando fiquei deitada na mesa de exames. acima de tudo. enquanto eu continuava a descascar as batatas. quer o dizer.Não gosto de ter médicos me cutucando. o Dr. mas devagar com amidos e sobremesas. sufocada de alívio. com as mesmas sensibilidades. vagando mudamente d e um lado para outro. embora nunca me tenha aperfeiçoado nela tanto quanto "o filho médico" de Henny. Mas.. quando seus sinais fracassaram em mais uma tentativa de comunicação. esperanças e temores que todos nós. seus largos sorrisos. O Doutor diz que jovens precisam de muitas frutas e legumes frescos. Preocupava-me com isso. Tratava-se apenas de um ser humano de outra raça e cor diferente. num estilo muito abreviado. Beech. Então.Na verdade. me nos que você. Apenas magra demais.a menos q ue tenham alguma objeção.Não que eu possa perceber. duas semanas de intimidad e me haviam ensinado muito. . Eventualmente. Nada de Sra. O senhor não acha. de agora em diante sou apenas Henny. Ela era a primeira pessoa de cor que eu conhecera e. Eu adorava Henny.Carrie ficará boa? . Corri de volta à cozinha. Chris me afirmara ser tolice pensar que um médico de quarenta anos tivesse algum prazer erótico ao olhar para uma garot a da minha idade. Sr a. parece colocar também uma viseira sobre os olhos. que era tão malditamente cheia de não-me-toques . não é? .

.Sei de tudo isso.. . E está com a razão. Cathy. e homens da idade dele acham g arotas da sua idade irresistíveis. Eu já o chamava simplesmente de Paul em meu s pensamentos. .Chris.Paul Scott Sheffield era um homem estranho. . Chris e eu nos sentamos na varanda dos fundos. limpo. agora que Carrie já estava bem e podia viajar. mas sou muito grato pelo que ele fez em favor de Carrie. aproveitando-nos da bondade do Dr. Depois de refletir bastante. você era o homem. Já tínhamos aceitado demais. Se lhe dissermos que vamos partir e ele não levantar objeções. calças esporte cin zentas. mas logo os toldaram com o sentimento de culpa que nos dominava. jamais conseguirei esquecer. Chris: não podemos trabalhar num ci rco. mas o destino foi muito bondoso a o enviar-me outra família. feita sob medida. Paul por perto.Realmente não me agrada o modo como ele não pára de olhar você. . Paul vei o juntar-se a nós na varanda dos fundos. Você sabe. pois a noite estava fria. o chefe da casa.aqui ele fez uma breve p ausa e ficou ainda mais vermelho . usando um suéter vermelho tricotado à mão. Os jardins de Paul e .Acha justo testá-lo dessa maneira? . Era mesmo? Que fascinante saber disso! .Chris. Dez mil vezes pior! O dia seguinte foi aniversário de Chris. Na noite seguinte.Chris . . . . menos matar alguém. educado. sab endo que seria capaz de qualquer coisa. o Dr. ruminando o assu nto... É uma ótima forma de dar-lhe a oportunidade de livrar-se de nós sem sentir remo rsos. Paul disser a coisa certa. Freqüentemente parecia triste quando não havia motivo aparente para entristecer-se. tudo o que nosso "doutor" fizera por nós tornava Mamãe mil vezes pior . Aqui está você. chorei muito por ela. ele está tomando meu lugar. ele olhou para as sebes que aparara tão recentemente. Então. O olhar dele a acompanha por toda parte. tão disponível. sorria: . .Sim. gostando dele cada vez mais por mostrar-se tão na turalmente elegante. Um olhar ao rosto de meu irmão bastou-me para perceber que ele não desejava aba ndonar o único homem que podia e haveria de ajudá-lo a alcançar seu objetivo de formar -se em medicina. Chris franziu a testa. Para ser sincero. De certo modo. Talvez olhe para mim apenas porque não tem algo mais interessante para observar. Simplesmente não podíamos permanecer. tornando-me íntima. se ele real e sincer amente nos quiser aqui. quando nos separamos com relutância.Mas os médicos têm muitas enfermeiras a seu dispor . Não obstante. Chris sentou-se a meu lado. para ver Chris atingir seu objetivo. Já fazíamos planos para partir d entro em breve. será um m odo delicado de nos dar conhecimento de que realmente não se importa. Surpreendi-m e ao verificar que o médico planejara uma festa com muitos presentes ótimos. Depois da festa. gente como ele muitas vezes pratica boas ações porque se acha no dev er disso e não porque realmente deseja agir assim. empoleirado na balaustrada.. e tirando baforadas sonhadoras do cigarro. en quanto Carrie permanecia agachada no último degrau da escada.Oh!.Eu sei.Quando vi víamos trancados. Não éramos dados a procrastinar. se o Dr. que tro uxeram um novo brilho aos olhos de Chris.respondi sem muita convicção.Lembra-se do dia em que aqui chegamos? Ele falou no tipo de com petição que enfrentaríamos no circo.. . Cathy. Paul. Isso não passa de um sonho tolo. você ficará? Ainda com a testa franzida. ele é apenas solitário.disse eu naquela noite. fitando o espaço.Sim. Às vezes sinto uma coisa esquis ita ao ver o Dr. respondeu devagar: . ao sentar-se na predileta cadeira de balanço de vime pintada de branco. quero dizer. observando o que fazemos e escutando o que dize mos. Deus prestou um grande favor a Henny e a mim quando colocou vocês três naquel e ônibus.. Chris corou. Como era maravilhoso exercer sobre eles o mesmo pod er que minha mãe! . Perdi uma família.Vamos testá-lo. depois do jantar. Nós três também usávamos suéteres. fascinava-me saber que homens de quarenta anos eram suscetíveis aos en cantos de garotas de quinze.não me agrada vê-lo tomar meu lugar em sua vida.

Se ele estiver vivo. eu já sabia! E enquanto eu me debatia interiormente. Cathy. de Rodin.Estava observando seu suéter vermelho . em vez de trazê-lo pessoalmente? . Sua voz foi sumindo aos poucos e ele fitou o espaço com ar pensativo. ainda assim. empertigando-se bruscamente na cad eira e plantando solidamente os pés no chão. Com um sentimento de culpa. te merosa de que ele percebesse meus pensamentos. . .respondi tolamente. . desejáve l.Não julguem. Havia uma pequena ponte japonesa laqueada de vermelho. Estátuas de mulheres e homens nus colocadas a esmo davam aos jardins uma atmosfe ra de sedução. de onde outros degraus subiam para um local mais elevado. Imaginei como ter ia sido a esposa de Paul e como seria sentir-se amada por alguém como ele.Não. Na última vez.Foi Henny quem o f ez? Paul riu baixinho. solene. Chris tomou a palavra: . devemos seguir nosso caminho. baixando os olhos para o belo suéter. Era óbvio que levava a sério a situação. com os jardins que me encantavam e faziam-me sentir fascinante. que não tiveram o aroma det urpado pelos cruzamentos e enxertos . . Cathy e eu estivemos conversando e achamos que agora. de modo que vocês precisam fornecer-me p rovas de que seu pai morreu realmente. Faz treze anos que estou viúvo e minha irmã. Haveria um p reço a pagar por apenas um terrível pecado cometido? Haveria? A avó se apressaria em r esponder: Sim! Vocês merecem o pior dos castigos! Filhos do Demônio. aumentando a coleção. Folhas mortas corriam pelo gramado. embora isto talvez nos leve al guns anos. em que Chris e eu rezamos tão desesperadamente. Agradecemos profundamente tudo o que o senho r fez por nós e pretendemos pagar-lhe cada centavo.. desviei os olhos de seu olhar prolongado e perscrutador. Estive pesquisando as possibilidades de assumir a tutela de vocês três. dist ante. graciosos e em poses elegantes. pois já estivera ali muitas vezes. como se ele já conhecesse meus segredos.interrompeu o Dr.Meu aniversári o foi pouco antes de vocês chegarem. a fim de procurar as lindas estátuas de mármore e despachá-las para casa. Tenho temido cada amanhecer. que Carrie já melh orou. não fala comigo desd e o dia em que minha esposa e filho morreram num acidente. Tudo aquilo me levou de volta a uma cert a noite proibida.disse o Dr. .pergu ntei. não foi Henny.Para que ter rosas se não possuírem perfume? À luz esmaecida e purpúrea do crepúsculo.. como patinhos escuros e ressecados. Amanda. caso Henny ainda não lhes te nha contado. . Por quê? A pergunta parecia zombar de mim. com Henn y.Portanto. Rasos degraus de mármore. Eram nus clássicos. sob uma lua que parecia o olho irado de Deus. por que não nos contou que fez aniversário? Nós também lhe daríamos presen tes. ma s. subiam pelo alpendre e vinham parar aos meus pés. Gostava de ficar ali com Paul.arqueando-se sobre um pequeno riacho . . E verifiquei que não é tão complicado quanto eu imaginava.Um momento.Doutor. Ao que parece. encolhidos nas t elhas frias de ardósia..E pior.começou ele. Paul.Por que enviou o presente pelo correio. em meus sonhos. seus olhos cintilantes encontraram os meus.. de sensualidade.Bem .. anteriormente. Ela mora no outro lado da cidade. Minha irmã mais velha o tricotou como presente de aniversário e o enviou pelo correio. Minhas pulsações se aceleraram. Enquanto o vento se tornava mais frio e começava a soprar as folhas mortas de um l ado para outro. acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas. Fiz quarenta anos. . receoso de acordar e verificar que v ocês se foram. levavam a um níve l inferior. prevenindo-me para não dizer algo diferente: . Chris . com três metros de largura. Chris v irou a cabeça para lançar-me um duro olhar de advertência. eu sabia muito bem para que servia aquele jardi m.Parece perturbada. ainda assim. obrigando-me a suspirar outra vez.. . linda. necessitarei do seu . que eu não percebi que este momento estava pre stes a chegar. Suspirei com o vento. todas as minhas rosas são de espécies antigas. Os dedos de Chris apertaram os meus.ram fabulosos. Paul. o médico nos contou que viajava para o exterior em anos alternados . . por um segundo sequer. Não desejava partir. a maioria d as crianças que fogem de casa alegam ser órfãs. tivera a sorte de encontrar uma cópia em tamanho natural de O Beijo. .

Paul me tocaram. Ser jovem e sozinho..Você me contou.sussurrei. Sinto-me mais saudável do que me sentia há anos. Então. Durante todo este tempo. Vão permitir que eu passe mais um feria do solitário.. acrescentou: . senhor.Sentimos muito que tenha perdido a esposa e o filho.Sim. . Tinha apena s três anos quando morreu. apenas d ois patrulheiros rodoviários. chegará o Natal.Sinto que o destino quer que eu tenha a custódia de vocês.Morreram num acidente. E quando o destino se intromete e assume as decisões . .indaguei. Se ela residisse neste estado. tínhamos preparado uma festa surpresa de aniversário. Mas não podemos sub stituí-los e não sei se estaríamos agindo certo ao sobrecarregá-lo com as despesas de três crianças que não são seus filhos. a fim de que pudesse trazê-los para mim. se assim desejar .Como deve ser horrível perder um filho tão pequeno. fitando o médico diretamente nos olhos..declarou Chris em tom firme.mas só se vocês estiverem d ispostos a declarar que tenho feito um bom trabalho como seu guardião. como se para testá-lo ainda mai s. além da espos a. .O tribunal intimaria sua mãe a comparecer a uma audiência.Minha esposa se chamava Júlia e meu filho Scotty. Se ela não comparecer. o tribunal me garantirá a tutela permanente . que vocês são um grande benefício para nós.disse ele suavemente. Ter gente jovem na casa faz com que esta se assemel he mais a um verdadeiro lar. também.exclamei. . mas ele não chegou. Ela acha. Paul prosseguiu: .Oh! . olhando para mim e não para o Dr.. . quem sou eu para recusar? Aceito o fato de que vocês três são um auxílio enviado por D eus para que eu compense os erros que cometi no passado. bem como do de sua mãe. . . Os anos de adolescência não são fác eis para ninguém. Portanto. sem amigos. .. teria que cumprir a intimação num prazo de três dias. nunca ficaremos verdadeiramente sozinhos..E existe algo mais em que o senhor deve pensar. quer manter-nos em segredo! O mari do também poderia ficar contra ela se soubesse que nos escondeu dele. como nosso pai? . Puxa! Enviados por Deus! Eu estava praticamente convencida. . .disse o Dr...Não pretendo casar-me outra vez . as lágrimas me assomaram aos olhos quando fitei Chris numa interrogação muda. .se u tom persuasivo tornou-se tristonho.Portanto. sozinho nesta casa? Já faz quase três semanas que estão aqui e expliquei a todos que perguntaram. Desde a morte de minha esposa e filho. eu sintonizava perfeitam ente com os que sofriam.consentimento. que vocês são filhos de um parente meu que faleceu há pouco te mpo. . prosseguind o com ar abstrato: . Sua mão apertou a minha como uma garra de aço enquanto ele disse. um acidente de automóvel. Não estou mergulhando às cegas nesta situação. com pouco dinheiro.Tem sido maravilhoso! . sem instrução adequada. Sinto que Deus planejou a presença de Henny naquele ônibus. Sabia que as pessoas sempre conseguem encontrar a motivação que justifique seus desejos. Sufoquei-me! O consentimento de minha mãe! Isso significava que teríamos que vê-la out ra vez! Eu não a queria ver. oh! como eu sa bia bem disso! Mesmo assim. . Pode apostar o que quiser como conseguirá a tutela permanente. mas como mora na Virgínia terá prazo de três semanas. confuso. com bolo.respondeu ele bruscamente. presentes.Mas ela não virá! Se alguém descobrir que existi mos. .Dentro de poucas semanas. Ele enfrentou meu olhar e sacudiu a cabeça. O evidente remorso e sofrimento do Dr.Mas não de automóvel. . sem saber ao certo o que eu desejava.Nosso pai tinha apenas trinta e seis anos quando morreu. Cathy . e mais feliz. tenho sentido falta de uma família. Paul num tom estranho. sem família. com olhar suave ao perceber meu constrangimento: . Queremos amb os que vocês três permaneçam aqui. será muito difícil conseguir outra esposa quando assumir nossa tutela. ao invés de conceder-me a tutela temp orária de vocês. nunca mais! Ele prosseguiu. assim como eu. ela perderá toda aquela fortuna. Henny e eu pensamos muito sobre o as sunto.Temos um ao outro . também. Paul: . nunca me acostumei novamente a ser solteiro .e talvez ter mine arrependido disso! A mão de Chris apertou ainda mais a minha e Carrie ergueu os olhos grandes e amedr ontados.Num acidente .

reprimida por tanto tempo. Talvez a perfe ição existisse fora dos contos de fadas. Sempre desejei uma garotinha de cachos dourados e gran des olhos azuis. mais do que tudo que o médico dissera. sigam para a Flóri da com as minhas bênçãos. Como era possível um desconhecido entrar tão facilmente em nossas vidas. Dr. decidam . começou a parecer mais leve. Cathy. . Paul tencionava comprar todas as nossas roupas e tudo o que precisássemos pa ra freqüentarmos a escola. O Dr. Mas não fomos Chris e eu que decidimos. de tão sobrecarregado durante tão longo tempo. Chris . A maioria de meus colegas dá aos filhos adolescentes cinco dólares por semana.Não quero ir! Eu amo o senhor.Guardem o dinheiro para vocês. E. Paul! .Se não me querem e o que tenho para lhes oferecer não é o bastante. Não quero nada d e Flórida! Não quero nada de circo! Não quero ir para lugar nenhum! Então. como os seus. Ficamos. Fiquei sentada na balaustrada. sussurrando de mo do mais que convincente que tudo daria certo. dando-nos t anto amor. Jogou-se contra ele. Foi Carrie. M as talvez Carrie tivesse esquecido. Portanto. desabafando sua dor por causa de Cory. Eu queria ficar.Eu também amo você. talvez não fôssemos brotos cont aminados.soluçou Carrie. Não estou procurando persuadi-los a ficar. Manteiga era uma das coisas que nos tinham s ido negadas e o luxo do qual Chris sentia maior falta. que será dividida em parcelas semanais. para não falar em Carrie e em mim. Até mesmo o barulho que Henny fazia com as panelas tinha um efeito mágico em meu coração que. De repente. E não julguem. acariciando-me o rosto. apesar de estarmos no inverno.. o brilho suave e cálido nos olhos do médico. ergueu-se de um sa lto do último degrau e voou para os braços estendidos do médico. Jogue fora todas as longas horas que passou estudando. Como podería mos deixar de fazê-lo? Tentamos dar ao Dr. enlaçando-lhe o pescoço com os bracinhos magros. E você. Falou olhando para mim. Mesmo que ela não tivesse decidido. que será uma vida saudável e feliz para Carrie. Eu podia escutar os movimentos de Henny na cozinha. . dourados com manteiga derretida.ou ficam comigo e a oportunidade de realizarem suas aspirações. mais do que insinuavam seus olhos cintil antes.gritou. preparando massa fresca para os pães que comeríamos na manhã seguint e. mas nun ca se pode ter certeza. Paul ergueu-a.Nunca vi Papai Noel. justamente quando está quase atingindo sua meta. nem uma vez. quando nossos pais levaram os gêmeos a uma grande loja de departamentos e Papai tirou uma fotografia dos dois no colo de Papai Noel. boquiabertos. não foi? E acho melhor saberem que já falei com meu advogado: ele redigirá as petições para que su a mãe seja intimada a vir até Clairmont. Mas ele não olhou para Carrie. o mais perto possível de Chris. minha mão na dele. . Paul o dinheiro que nos restava. Talvez fôssemos suficientemente bons para and ar eretos e orgulhosos sob o céu azul criado por Deus. Sei que vocês acreditam que ela não virá. havia anos. Ele recusou: . ou partem para enfrentar um mundo cr uel e desconhecido. As brisas do sul continuavam a soprar. produzidos pela semente errada plantada em solo errado. segurando-a no colo. Tudo ali me encantava: o ar. quase frenética. que me provocaram uma sensação de tonteira com a avassaladora doçura de seu perfume. Claro que vira. quando nossos próprios parentes consangüíneos tinham procurado dar-nos a mo rte? A Segunda Oportunidade da Vida Carrie decidira. Só conseguimos fitá-lo. por um segundo que seja. darei a cada um uma mesada. pois farão o que desejam e o que têm de fazer. perplexos por ser ele .E quero ficar aqui para o Natal . começou a chorar. ficaríamos. pode esquecer o so nho de tornar-se uma prima ballerina. beijando-lhe o rosto molhado de lágrimas antes de usar o lenço para enxugá-las. Se eu tiver a sorte de receber a custódia permanente de vo cês. Ninguém conse gue ficar livre e feliz sem algum dinheiro no bolso. Tiveram muito trabalho para consegui-lo. creio que foram as roseiras ainda em flor. Três dólares devem bastar para uma m enina da idade de Carrie. Carrie. Queria o que o médico poderia proporcionar a Chris. O Dr. .

enquanto o nosso médico permanec ia estático. Enquanto você faz isso. Port anto. a cabeça atirada para trás. .Vá em frente . desejando muitas coisas e teme rosos de que ele. Além disso. incapaz de decidir o que comprar quando tudo era tão bonito e eu jamais tivera anteriorme nte uma oportunidade de fazer compras para mim mesma. não me obrigue a usar ves tidinhos rosa ou azuis de bebê! Todo mundo vai zombar de mim! Sei que vai! Quero r oxo. que caiu fragorosamente.Tentem no departamento de bebês . Cathy! Não julgue que faremos compras assim todas as semanas. Roupas de be bês .Não posso ir à escola com roupas de bebê! . sapatos de verdade. além disso. cujas aulas se iniciariam. Tudo que aquele homem generoso e bem intencionado me permitia compr ar causava-me sentimento de culpa. com os pés afastados um do outro. Percebi que todas as adolescentes na loja se voltavam a fim de olhar para meu ir mão quando este se encaminhou ao departamento juvenil masculino. atônitos.nada de cores de bebês! Dr. uma capa e chapéu de chuva.Meu Deus! Que aconteceu agora? . pois era meu costume reclamar de que Mamãe nun ca comprava roupas que me caíssem corretamente. vermelho . A fim de recompensar minha lentidão e relutância em comprar exageradamente. Chris riu de minha indecisão . corra ao departamento juvenil masculino e comece a escolher o que desej a. saboreando nossos olhares espant ados. Paul procurou consolá-la. experimente tudo que gostar. que pareceu encabulado. Esta se mantin ha ereta. Afinal. cuja mão enorme segurava a minúscula mão de Carrie. com o c abelo penteado em forma de casa de marimbondos. e uma senhor a esbarrou com o carrinho de bebê contra um manequim. por que não espera até crescer mais um pouco para usar cores brilhantes? Tom meloso como aquele era coisa que alguém tão teimoso quanto Carrie simplesmente não . . Atordoada e esfuziada por tanta coisa. eu adoro garotas louras de olhos azuis com roupas em tons pastéis. Era como um co nto de fadas! Eu estava fascinada. perplexo. enquanto o sistema de alto-falantes tocava músicas natalinas em estilo "pop".Querida. selecionei parcimoniosamente as roupas que julguei adequada s para a escola.. Chegando ao departamento que vendia roupas para moças adolescentes.continuou a chorar. assustaram os fregueses. Carrie tinha oito anos! A simples menção de "roupas de bebê" era insultuosa! Ela franz iu o rosto até parecer uma ameixa murcha. Eu sabia o que ele estava pensando. Percebi que ele nos observava.ao noss o Doutor. ao perceber.eis o problema. Com extremo cuidado. o teto era uma cúpula de vidro. Chris. nenhum tinha cor vermelha ou roxa . Então. quando eu já começava a me sentir relativamente segura. . o que sabiam eles. eu pre cisava de um casaco. Quero que vocês façam hoje as compras para todo o inverno. afinal? Obviamente. tentasse satisfazer todos os nossos anseios. Ficamos encantados. olhava isso e aquilo. enquanto terminam os aqui. em janeiro.outra vez. bem como um g uarda-chuva. passei a andar em círculos.estavam absolutamente fora do estilo de Car rie! .indagou Chris. Mesmo assim. impressionados.. como se nos estivéssemos aproveitando dele. Sorriu graciosamente para o nosso doutor.Agora que tem a oportunidade para vestir-se bem. Poucos dias antes do Natal. com o rosto comprimi do em minha coxa e agarrando-se às minhas pernas.sugeriu a loura impiedosa e petulante.Pelo amor de Deus. todos eram grandes demais para ela e. para nós.disse-me ele.Cathy. O b ebê no carrinho juntou seus berros aos gritos de Carrie! Chris veio correndo para ver quem tentava assassinar sua irmãzinha. lágrimas de frus tração escorrendo pelo rosto. Homens. Cathy e eu podemos escolher para Carrie as roupas de qu e ela necessita. o mesmo acontecia a Chris. Carrie soltou um grito capaz de rachar todos os palácios de cristal em Lon dres! Seus berros abalaram as balconistas. . Paul dec larou num tom impaciente: . seríamos crianças normais. . ele nos levou a um centro comercial atapetado de ver melho. . Carrie e .tão generoso conosco . Carrie sentia-se injuriada pelo s lindos vestidinhos em tons pastéis que lhe apresentavam para aprovação. enquanto eu e Chris andáva mos de mãos dadas. gente fervilhava por toda parte.

com pouco auxílio p or parte de Chris! .repliquei com ar de superioridade. nem de base. . preparando-se p ara desferir pontapés e aprontando as cordas vocais para berrar. Carrie hesitou. Carrie? . Engraçado como anteriormente ganhávamos roupas novas com tanta facilidade e não nos se ntíamos tão felizes como agora. que ensinara Cory e Carrie a escrever.por Deus! imo dela! Tinha que comprar tudo o que vira na fabulosa penteadeira de Mamãe. sem roupas novas. Mamãe nos dava roupas novas.declarou ela. Mal saltamos do carro e terminamos de descarregar os presentes. observando-me com a mais estranha das expressões.conseguia engolir.e Cory numa sepultura. .. meu primeiro sutiã .Cathy não sabe fazer boas roupas . Paul. Permaneci calada enquanto fomos procurar uma máquina de costura elétrica. Ca thy é capaz de fazer tudo o que lhe der na cabeça . Voltamos para casa carregados de presentes. .indagou rispidamente Chris. Cada um de nós usava sapatos novos. Deus quis era dar-me a oportunidade de também causar sofrimento. nem de sombra ou delineado r. .Porta-se como um bebê. Anos perdidos. O violão de Cory estava no canto. mas mal acreditei em meus olhos ao verificar que era uma cidade vizinha a Greenglenna! Não. sendo eu o que era. Paul se mantinha de lado. Eu ganhara meu primeiro par de sandálias de salto alto e uma dúzia de pares de meias de nylon! Minhas primeiras meias de nylon. tive uma súbita lem rança! Bart Winslow era da Carolina do Sul! Desci correndo à biblioteca do nosso médic o e tomei emprestado seu grande Atlas geográfico. Carrie? . . Naquela época.Não quero ficar arrasadora! . Deus nos levara a morar ali .E Cathy poderá eco nomizar-me muito dinheiro fazendo roupas para ela.nunca se esqueça disso! O médico concordou prontamente. . A despeito da costura que eu teria de aprender. Paul.. onde Carrie podia acordar e vê-lo ao lado do banjo . Uma infância que jamais teríamos oportunidade para recuperar.Você nada sabe a respeito de ser uma garota . . lembrei-me de Mamãe quando vesti o vestido de veludo azul c om minúsculos botões na frente. com solas de couro. também. azuis e cor-d e-rosa.sorriu o Dr.e. Encontrei Clairmont. eu iria a Greenglenna colher todas as informações disponíveis a respeito de Bart Winslow e sua família. movida pelo remorso do que nos estava fazendo.Enquanto isso. Você ficará arrasadora! .exclamou o Dr. ou não seria? Ergui os olhos e fitei o espaço.O que há com você.Cathy só sabe dançar. depois de Chris para a balconista. Tão logo me fosse possível. Carrie e eu corremos ao andar de cima para experimentarmos todas as nossas roupas novas. bem como um preparado de lama pa ra firmeza da pele. porém. Paul entusiasticamente.se ela alguma vez visitasse a cidade natal do marido. Chris. não havia ninguém para apreciá-las. Quanta lealdade! A mim. Por que éramos sempre nós quem sofríamos? Por que não nossa mãe? Então. Carrie fez beicinho e eu fiquei boquiaberta. perto de Mamãe . Eu era uma bailarina. . enquanto o Dr. alg uns dos melhores anos da vida . Não obstan e. vermelhas e azuis brilhantes. aquele dia foi celestial para nós.. jogos e brinquedos . insegura. pretendia aproveitar-me ao máx Era minha primeira expedição para compras e . após nos embelezarmos em barbeiros e salões de cabeleireiros. Chris resmungara que eu não precisava de ruge ou batom.Vou comprar uma máquina de costura e Cathy poderá fazer roupas roxas. que tal comprarmos alguns vestidos amarelos. não uma costure ira! (Algo que não escapou à observação de Carrie). uma sacola de compras cheia de cosméticos! Eu levara uma eternidade para escolher os artigos de maquilagem. quando uma senhor a gorda que devia ter uma neta com o gênio de Carrie sugeriu calmamente que esta p odia ter roupas feitas sob medida. com ar zombeteiro. além de tudo isso. era coincidência demais. olhando alternadame nte de mim para o Dr.Uma solução perfeita! . parecendo aliviado. Até me smo o tipo de creme contra rugas que ela usava. Quanta ironia eu sentir vontade de chorar pela mãe que perdêramos e a quem eu estava decidida a odiar para sempre! Sentei-me na beirada da cama e refleti sobre o assunto. Voltei correndo ao quarto e proc urei o mapa da Carolina do Sul..para fazer uma assinatura do jorn al comunitário que relatava todas as atividades sociais das pessoas ricas que resi diam nas proximidades de Foxworth Hall. Eu ganhava cinco dólares semanais . . privando-nos de uma infância norm al. heim.quero apenas cores brilhantes. Seus olhos faiscaram e ela cerrou os punhos.

Carrie era nosso maior problema. não consegui mais falar. o rosto inexpressivo. fiquei livre para juntar-me a Chris e Carrie na sala de visitas. uma acusação de homicídio. Então. .explicou o nosso médico. Sentamo-nos muito calados ao lado de Paul. Atrevi-me a olhar para Chris e vi-o sentado. Que éramos nós. Esperamos uma eternidade. levantou se e saiu da sala. Observei os olhos boni tos de nosso benfeitor e percebi neles uma sombra. e. sem demonstrar admiração ou aprovação. crochê. Ele nos s alvou a vida e não existe nada que eu não seja capaz de fazer por ele.Sim. Vi Chris e eu quando crianças. Carrie fora tão bem proporcion ada. Fora isso . mas era muito franzina. Lançou-me um olhar significativo.eu tinha certeza! Eu sentia um medo mortal que Mamãe aparecesse no dia marcado para a audiência no tri bunal. creio que Carrie receberá uma atenção especial e não será submetida a qual quer espécie de tensão. como buracos de agulha. Será um prazer pregar os botões nas camisas do Dr. bordado de crivo e de lã. mas tomaria conhecimento de cada movimento feit o por nossa mãe. senão pesadas cargas.nem a de Paul. . limpou a farinha de trigo das mãos e rabiscou um bilhete: A vista de Henny está fraca para enxergar coisas pequenas . Como poderia comparecer? Tinha muito a perder e nada a ganhar. pingando no berrante vestido vermelho. fazendome sentir pena de todos nós . percebi que ela também chorava. Pregue os botões que faltam nas camisa s do filho médico . embor a eu soubesse que seu coração se despedaçava tanto quanto o meu. Aquele era meu maior temor: que Carrie fosse ridicularizada e se sentisse enverg onhada da cabeça grande e do corpo miúdo. tão esticada e tensa a ponto de estourar e começar a ch orar a qualquer momento.está bem? . e tentou conseguir que eu fizesse pães leves e fofos. entrando em casa com neve nos ombros e encontrando Mamãe a tricotar roupinhas de b ebê para os gêmeos. usando nossas melhores roupas para co mparecer perante o juiz.. Carrie estava enrosca . haviam-na tornado tão franzina. quando ela viesse à Carolina do Sul. eu fugira de Foxworth Hall. Paul e de Henny. Chris passava cada momento disponível em companhia do Dr. pensativo. Em certa época. Todos aqueles anos perdidos. Como se daria numa escola pública. Por dentro. onde as crianças ne m sempre são bondosas? . inclusive a massa. Você tem boa vista. havia a cadeia. Tive vontade de chorar. De repente. a fim de desfilar todas as nossas roupas novas diante do Dr. Henny não podia falar. Minha mãe me ensinou a fazer todas e ssas coisas para manter-me ocupada. Paul. difíceis de suportar? Além disso. no meio do ano letivo.ch orar de verdade. Henny. Mantive a cabeça erguida. apresentando a esfarrapada desculpa de precisar tratar de alguns papéis.concordei sem entusiasmo. eu saberia! Mais cedo ou ma is tarde.Não chore. jamais esquec eria ou perdoaria. mostrava-nos mais uma vez quão pouco se importava conosco! O juiz nos olhou com grande piedade. que lhe dava lições pa ra que ele pudesse ingressar num curso especial de preparação para a faculdade de Me dicina. Não pude deixar de encostar a testa no colo de Henny e chorar . Ela não nos queria. afirmava ter amado nosso pai! Como podia fazer isto com os filhos dele . Henny lançou-me um olhar estranho e depois foi buscar um monte de roupas para cost urar e cerca de doze camisas nas quais faltavam botões.e muita raiva dela! Oh! que ela fosse para o inferno ! Trouxera-nos ao mundo. dirigida por uma excelente equipe. Mamãe ouviria falar de mim e ficaria sabendo que eu nunca. correndo ao voltarmos da escola. Quando ergui os olhos.Claro . Logo Henny tornou-se minha mentora em todos os assuntos domésticos. mas sua mão suave no meu ombro demonstrou qu e ela compreendia. eu p arecia uma corda de violino. e esperamos. Já que faço parte da junta diretora. Grandes lágrimas lhe escorriam pelo rosto. mordendo a língua para não gritar. Sabia ler e escr ever. Ao não aparecer. Ensinou-me a f azer biscoitos.Consigo enxergar buracos de agulha e também sei fazer tricô. Bum! O punho de Henny batia na massa.U ma ótima escola para meninas.Pretendo matricular Carrie numa escola particular . Olhava-nos com a testa franzi da.. De repente. ela sofreria dez vezes mais do que havíamos sofrido! Tendo chegado a essa decisão. Contudo. . De algum jeito ou maneira. Vi Papai. Paul.seus próprios filhos? Que tipo de mãe era ela? Eu não queria a pieda de daquele juiz . tinha quase certeza de que ela não viria. durante os quais o acesso ao sol n os fora negado. O sorriso de Henny brilhava como o sol de verão. tão perfeita. Vi o lindo rosto de m inha mãe.

De algum modo.pois nunca mais desejava ser chamado de Foxworth.e excitada também. Ele usava o roupão quente que Mamãe lhe dera de pres ente no Natal anterior. o que sente por mim desaparecerá como se nunca tivesse existido .Uma explicação razoável para assassinato? . como se eu fosse a única pessoa no mundo capaz de ser real. . Chore bastante por mim. o caminho mais certo é pensar da mesma maneira que a pessoa. O qu e a magoaria mais? Ela não desejaria lembrar-se de nós. Os contos de fadas podiam tornar-se realidade.Cathy . o lado mais alegre e mais feliz. Chorei mais por Cory. os olhos brilhando. só isso. também. . tocando-me os seios e afastand o-me a camisola para poder beijá-los. Mas precisei mudar para: "Das três bonec as de Dresden vivas que você rejeitou e também da morta. uma bruxa a ser vencida. Naquele mesmo Natal. a esperança e a confiança viessem dançar como confeitos em nossas mentes. Antes que eu pudesse responder.Quero apenas abraçá-la. Mas todo conto de fadas tem um dragão a ser morto. Quando se desej a derrotar alguém. Molhei o travesseiro com lágrimas derramadas por uma mãe que eu amara tanto a ponto de me causar dor lembrar os dias em que Papai ainda era v ivo e a nossa vida no lar era perfeita. Levantei-me e saí para a varanda do andar superior. Chris pareceu tão desolado e magoado que apertei ainda mais os braços em torno de se u pescoço. precisarei de algo a que me agarrar.da como uma bola no colo do médico.e esta era a par te mais triste de mim mesma. Nada mais. Enfiei os dedos em seus cabelos. uma palavra de sentido tão amplo. Senti-me transbordar de amor quando Chris encostou o rosto em meus cabelos e começou a soluçar. que Mamãe viesse e. Seus olhos azuis buscaram os meus. os lábios dele encontraram os meus e nos beijamos com tamanha paixão que ele ficou excitado e tentou puxar-me para seu quarto. que era como meu próprio filho. Deixamos que a fé. Quando eu me for para a faculdade .repliquei amargamente. Tentaria esquecer nossa exis tência. Durante todo o tempo eu sabia quem era a bruxa . a fim de olhar a lua. . sobretudo. por todo o amor que ela nos dedicara . com seu monograma bordado no bolso do peito . Creio que ele disse: . Cathy. de algum modo. Baixei a outra mão para a cariciar-lhe o rosto. Agora. Eu providenciaria para que não esquecesse. embora já estivesse pequeno demais. Sem pensar. olhando também para a luz. sibilei: . por favor . Naquela noite. Tínhamos baixado a guarda e nos permitido sermos vulneráveis outra vez. chorei. lancei -me neles. ele se voltou e estendeu os braços para mim. Chorei por todas as coisas boas que ela nos proporcionara naquela época e.sussurrou ele. que você levou e nunca mais t rouxe de volta". Eu entenderei. beijando-me com lábios tão ar dentes que fiquei aterrorizada .exclamei. mas de Sheffield. Pela atitude curvada de seu s ombros normalmente tão orgulhosos e eretos. A rainha malvada saíra de nossas vidas e Branca de Ne ve assumiria o trono algum dia. digna de confiança.CFS . Vi Chris postado junto à balaustrada. e acariciou-me as costas. Murmurava meu nome repetidamente. Não comeria a maçã envenenada. Amor. Estavam acontecendo conosco. Quando me aproximei.então. Como poderia ela inventar uma desculpa bastante inteligente para isso? Não é tão esperta a esse ponto. ele tornou a me abraçar. Quando você se for. apresentasse uma explic ação razoável para ter feito o que fez. nunca lhes faltará nada.Se tem vontade de chorar. porém. Eu est ava esperando. sólida. ele encontraria um roupão novo. Chris. Eu o amava tanto quan to amava o meu lado melhor. Olhos tão cheios de vida. . ou algum obstáculo para dificul tar as coisas. que a tranqüilizava com carícias.Chris! Não me ame. não hesite.Não importa. mas ele insistiu. não esqueceria. Dê-me um pouquinho mais. Cathy. tencionando surpreendê-lo.. tudo está bem. diferente de sexo e dez vezes mais irresistível. assim como eu. enroscando-os.Não! Pare com isso! . E foi então que parei de chorar e voltei-me para pensamentos amargos e cruéis de vingança. Quando procurasse sob a árvore na manhã de Natal. Enquanto eu viv er. compreendi que ele sangrava interior mente. abraçando-lhe o pescoço. rezando. Bem. Avancei nas pontas dos pés. Furiosa. . eu lhe enviaria um cartão assinado com as seguintes palavras: "Das quatro b onecas de Dresden vivas que você rejeitou". murmurando-lhe a lgo ao ouvido. Pude imaginá-la olhando para o cartão e dizendo com seus botões: Fiz apenas o que tinha de fazer. vocês me têm por pai e Henny por mãe..

. abertas em leque na sua mão grande e bem conformada. Cathy. Também dão aulas a alunos principiantes. al i e agora. desejando-me. encantados.Cathy era principiante quando fomos morar no sótão. não era. estavam cinco entradas para o Quebra-nozes. Mas algo maravilho so lhe ocorreu lá em cima: o espírito de Anna Pavlova encarnou em seu corpo.explicou ele. Não podia ser! SEGUNDA PARTE Visões de Confeitos Era Natal. Recuou. Todo mundo sempre fazia algo pelo bem de alguém. Ele me abraçou com mais força e ficou calado. Levantei-me da cama e esg ueirei-me pelo corredor. Não consegui adormecer. Só conseguia confiar em mim. Ficou divino naquela cor. que me aguar dava deitado. que dançou o papel principa l.Sim. Não podemos cometer o mesmo erro.Esta é minha tutelada. Não podem os ser como nossos pais em duplicata. de qu em lhes falei. com duas lágrimas brilhando nos cantos dos olhos.Você jamais se livrará de mim.Adiantado! . emudecida de felicidade. Jamais. Paul experimentou o luxuoso robe de chambre novo. havia presentes suficientes para dez crianças! Carrie estava eletrizada p or cada coisa que Papai Noel lhe trouxera.disse ele a uma mulherzinha lustrosa como uma foca e não muito mais alta que o homem a seu lado. Paul se encaminhou para mim e acocorouse nos calcanhares. Ouvia-o chamar-me. Henny segurou o vestido na frente do corpo.disse a dama que parecia uma bailarina. Os bailarinos no palco não eram apenas bons . Chris. . que lhe caía maravilhosamente bem. naturalmente . Como num sonho. como é costume das bailarinas . Enquanto você viver. será você e eu.eram soberb os! Especialmente o belo homem chamado Julian Marquet. Uma mulher o magoara p rofundamente demais. espalhados sob ela. Então. Seria eu tão pecaminosa quanto afirmava nossa avó? Não. enquanto eu só conseguia fitar Paul. . pois ia ser apre sentada aos bailarinos! Paul conduziu-me até um casal que estava perto do palco. a fim de nos sentirmos limpos. não alcançaria mais sucesso.proclamou Chris. traindo-o de modo terrivelmente monstruoso quando ele era j ovem e muito. falava como bailar ina e usava o cabelo preso à nuca. E esta beleza mais jovem é Carrie. . Catherine Doll.Sim! . todos nós . Este é o irmão dela. Jama is haveria outros. Ali. . Para o bem dele. Chris e eu utilizamos o que nos resta va do dinheiro roubado para comprar um delicioso robe de chambre vermelho para P aul e um brilhante vestido de veludo vermelho-rubi para Henny .Não! . deitando-me mais uma vez na cama de Chris.penteado para trás . Compreendi que estava refletindo.. Obrigar-nos-emos a amar outras pessoas. apresentado pela Escola de Ballet Rosencoff! .Não! Mas eu o beijei.Não ente ndo muito de balé. Tirou da carteira cinco grandes bilhetes amarelos. acompanhei Paul aos bastidores no intervalo. batendo a porta e trancando-a. Se ele na da fizesse durante um ano inteiro senão imaginar um meio de me causar o maior praz er possível. Em que nível você está? . Naquela noite. A árvore tocava o teto de três metros e sessenta de altura e.Ouvi dizer que é uma companhia de balé muito profissional . Todas as amigas ficarão com inveja". .Madame. mas andei indagando por aí e fui informado de que é uma das melhore s. Ele não permitiria que isto acontecesse. Depois.. dep ois rabiscou um bilhete de agradecimento: "Dará ótimo vestido de ir à igreja. . muito vulnerável. Cabia-me romper o laço. veio a maior de todas as surpresas.tamanho cinqüenta e oito! Estonteada e satisfeita. no centro da terceira fila da platéia. Vocês já con hecem Hennetta Beech. E Cathy aprendeu sozinha como fazer pointe. médios e adiantados.inclusive Henny . O que havia comigo? Jamais deveria ter ido ao quarto de Chr is e me deitado em sua cama.. pulei da cama e corri de volta a meu quarto.sentamo-nos. Georges .

Georges. Sobre a malha preta. depois.e amarrado num grande coque. como se tiv esse um "u" . . como se Chris tivesse perdido o juízo. e até mesmo sua voz tinha um tom rouco que lhe traía os sentimentos: . . . com os pés pregados no chão. magro mas robusto. tratem de rejeitar Cathy e deixem que alguma outra compan . Esboçou uma expressão desdenhosa..Quer dizer que nunca ninguém lhe disse? . Portanto.Sim .suspirou tristemente a madame. era um homem calado. Só sei que quando a música se inicia e ela começa a dançar meu coração pára de bater. temerosamente agarrada à minha mão.respondi com voz sumida. .Você é excelente.disse ela.exclamou ela. dezesseis em abril.Você é uma autoridade em balé? . muito bom . . Muito. improvisando sempre para aperfeiçoar-se e torná-la mais bonita. concentrando-se com t amanha intensidade que comecei a sentir-me quente.explodiu Chris.Só sei o que vejo e as emoções que Cathy me faz sentir quando dança. espere um momento! . agarre meu coração e o aperte até fa zê-lo latejar.Então. a menos que sejam excelentes. aparentemente embaraçado. faz-nos acreditar .. de rosto pálido e cabelos espan tosamente negros. Dois pares de olhos negros examinaram-me e. . esta noite. desconfiada: . . pois os lábios da mulher também estavam pintados de escar late e seus olhos pareciam pintados a carvão num rosto de gesso branco. Vocês teriam sorte se possuíssem uma bailarina como Cathy na sua companh ia! Os olhos negros e oblíquos voltaram-se para Chris.Mais que onze anos de aprendizado profissional. . Cathy nunca perde o compasso! Seu ritmo é perfeito.Não vi naquele palco. Então. Só sei que quando a dança mina eu chego a sentir dor porque toda aquela beleza desaparece. Formavam realmente um par.Nunca permito que as meninas façam pointe complet a antes dos treze anos. . .Não! Não danço . e ignorou-a c om a maior naturalidade. . Oh! Deus! Será que falavam sempre ao mesmo tempo? ."daunça"). Ela não apenas da nça um papel. . esfregando as palmas das mãos compridas e oss udas. suada e encabulada.Bom. . usava um esvoaçante vestido de c hiffon preto e.Chris pretende ser médico .Exato. Cathy sempre varia um pouco. um bolero de pele de leopardo.? .respondeu Chris.exclamou Madame Rosencoff.Quatro anos.às vezes sai do compasso da mús ica. de modo que nunca dup lica uma dança. voltou-se para o marido e: dispensou-nos com um ge sto arrogante da mão.Que idade tinha ao começar? .Já estudou dança? (Ela sempre dava à palavra "dança" uma pronúncia peculiar. Com que idade fez pointe ? . deve ser apenas medíocre. ela é o personagem.explicou o Dr. . .Ora.Maravilhoso! . Lançou um rápido olhar à pequena Carrie. uma só bailarina que se compare a Cathy! Nenhuma ! Aquela garota que dança o papel principal de Clara . por cima de tudo isso.porque ela acredita.E agora tem. Paul. Tanto ela como o marido voltaram os olhos de ébano para mim.Ah! . .Que par glorioso vocês formariam no palco! As pessoas lotariam os teatros só para ver uma beleza como a que você e s ua irmã possuem. .Você também é bailarino? .Farei. mais e mocionante. seu ouvido é perfeito! Mesm o quando dança a mesma melodia. . estudaram Chris.Você sabe como sep arar as bailarinas bem dotadas da horda medíocre? Chris parecia imerso num sonho.indagou a madame com algum desdém.Não sei. franziu a testa. parecendo vermelho e muito zangado. saboreando-lhe a intensidade do relato.Ah! que pena .perguntaram a meu irmão. com lábios tão vermelhos que pareciam feitos de sangue coagulado. Seu marido .Doze. ou apenas medíocre? . . E não exist e na sua companhia uma só bailarina que me alcance.

acompanhada pelo sem pre jovem e fiel Bart Winslow. coberta de jóias e peles. No escuro. E lá estarei para gozar-lhes as caras de espanto pois ninguém vai acredita r na maravilha que você é quando dança. sentir-me irresistivelmente atraída para ele. há uma hora em ponto. virei-me na cama. E veja o que acontec eu.Sei que vou fazer papel de tola amanhã. .repliquei. mesmo que nossas árvores tenham menos de meio metro de altura.disse ele. segurando o poste do pé da cama e fazendo seus pliés e tendus. o que era pior. Catherine . de modo que não nos podíamos deitar sob ela como agora. deixe disso. .Pensei que você tivesse esquecido .Estou destreinada . ou até mesmo anos.solucei. enquanto Carrie c ontinuava a dormir placidamente. Por algum motivo. lentamente. à avó. Chris. .hia se beneficie com os lucros da sua estupidez! Os olhos negros de Madame fixaram-se prolongada e penetrantemente no rosto de Ch ris.Dar-lhe-emos todo o ne cessário. Olhei par a a árvore cintilante. fi quei furiosa quando deveria sentir-me feliz. retirou-se do quarto. E não tem necessidade de preocupar-se: é magnífica. abraçando-me com mais força. perceb i que estava sendo atentamente observada por Julian Marquet. Não era um pedido. inclusive em pontualidade. Com isso. Só isso. Chris era tão lindo. nada menos que isto me serviria. .Ninharias -rejeitou ela com um gesto petulante da mão.Amanhã. para podermos deitar-nos embaixo. Não é justo e la me recusar um prazo maior para me preparar! Preciso recuperar a agilidade. Ainda era noite. Fomos dispensados com um gesto majestoso e Madame Rosencoff se afastou graciosam ente. Embora eu devesse saber que não estava corr eto. Trate apenas de estar lá . Eu sei e você também sabe. Boquiaberta e emudecida. vou ajoelhar-me e rezar por você. deixou cair os braços ao longo do corp o e recuou em direção à porta. Então. Tinha que mostrar a Mamãe. deitei-me a seu lado.Amanhã é cedo demais . fui medida. com os cabelos louros mudando cons .Ora. Era o que costumávamos fazer quando crianças. ali deitado. ou filha de Demônio.Já vi você nesta c asa.Sinta-se lisonjeada. Virei lentamente a cabeça a fim de verlhe o perfil. Sofre simplesmente um ataque de nervosismo muito comum aos artistas antes de pisarem o palco. No futuro. Madame Rosencoff se voltou para mim . . a Chris . E fui deixada cheia de ânsia e desejo. Deu-me um leve beijo de boa noite nos lábios.Lembre-se: qu ando estávamos em Foxworth Hall a árvore de Natal era pequena e ficava em cima de um a mesa. Enfiei-me s ob as cobertas e permaneci bem acordada. mendigando nas ruas de uma grande metrópol e. elegantemente trajada. Tudo aquilo fora deixado para trás.Normalmente. fazia tudo errado pelo resto de minha vida inteira! Ter minava como uma velhinha encarquilhada.Não tenho roupas. .Esta noite. . pesada e avaliada dos cabelos às pontas dos pés. passava por minha mãe e lhe implorava uma esmola. o bailarino.está apenas amedrontada. Pedirei a Deus que você os deixe ton tos amanhã. dominada por mil e uma trepidações.disse ele. ou corrupta. fitava os galhos da árvore. . pois exigimos que nossos bailari nos sejam disciplinados em tudo. . no sótão de Foxworth Hall. O modo como ele disse aquilo preocupou-me. desajeitada. como os de nosso médico. Era ape nas eu . você dançará para mim no meu estúdio.murmurou Chris sem me olhar. rebocando o marido.e não se atrase. para fazer um tes te. Ela continuava jov em e bonita. Sei que rejeitarão! . . e eles me rejeitarão. deitado no chão. eu fazia tudo errado durante o teste e.a melhor bailarina do mundo! Debati-me. . que parecia irreal. chorei nos braços de Chris.a todo mundo! Eu não era má. nem malhas. que de veria ter escutado cada palavra de nossa conversa. a Paul. mas uma ordem . . Es tarei rígida. Naquela noite. Eu tinha q ue ser a melhor.que não admitia desobediência. Você não está rígida ou destreinada . nem sapatilhas. deixando-me atordoada. Cathy . Amanhã seria meu grande dia. mergulhei e emergi de pesadelos. minha oportunidade de provar o que eu era e se possuía aquele algo especial que é preciso ter quando se deseja atingir o topo. Acordei. ela e Georges não ace itam bailarinos que não tenham aguardado meses. Que noite comprida! Desci as escadas e encontrei as lu zes da árvore de Natal acesas. nós as penduraremos bem alto. Em meus sonhos. Seus olhos brilhavam de inter esse e admiração. .

. mas temia que eu me afastasse caso isto acon tecesse. Movi a cabeça para trás.de minha carne? Suas pulsações se aceleram quando a s minhas o fazem! Seus olhos ardem quando os meus também ardem .sufocou ele. . Cada mecha parecia captar uma tonalidade diferente do arco-íris e. Fechei os olhos e vi-me outra vez no sótão.sussurrei. fique! Chris. seus olhos também brilhavam. Uma doce paz me invadiu. arqueando o pescoço.um beijo tão suave. Recordarei es ta noite com você.e as jóias da coroa da Inglaterra também. .Como são lindos os seus seios! . .. descansando o rosto num travesseiro de cetim dourado.suspirou ele.Se ao menos pudesse possuí-la uma única vez e você não sentisse dor.Nunca haverá ninguém para mim. isso é o que vejo nos seus. observando-o beijar-me os seios e.Chris. sob a árvore de Natal. Não queria que ele fosse! Fiz-lhe cócegas no rosto com as pontas do meu cabelo até que ele soltou um grito e me beijou os lábios . mas não conseguia. agarrando-me mais a ele. permanecendo ali. Seu hálito cálido me acar iciou o rosto. Por que lhe permitia fazer aquilo? Meus braços lhe puxaram o co rpo com mais força contra mim e..Lembro-me de como seu peito era chato e. dominando-nos e arrastando-nos à beira do inferno. começou a crescer. mas você.Você parece. . se você faz parte de meus ossos . comprimindo-lhe a c abeça contra meu pescoço..Então.Não me beije outra vez . . cometo loucuras! Por favor. . . ta lvez tenham sido meus próprios dedos que abriram os botões do seu pijama. por favor... Adoro a maneira como seus ca belos se abrem em leque e você vira a cabeça. nem sei o que fazer! .tantemente de cor. de modo que também seu rosto repousou em meus cabelos.e.... sem você! Às vezes. intermináveis momentos esperei que ele se afastasse. que desejava tornar-se mais ousado.. olhe para mim! Não vire a cabeça para fingir que não sabe o que estou fazen do e dizendo! Veja o tormento que me causa! Como poderei encontrar outra pessoa. não é mesmo? Eu não sabia.Eu a amo . não me deixe sozinha! Nunca estive sozinha .. Por que se envergonhava? Tive a impressão de pairar acima da cena. . e me lembrarei de como você foi bondosa ao m e permitir abraçá-la assim. Quando o beijo terminou.Eu a amo tanto que. bem n o íntimo. Chris disse uma porção de loucuras a respeito de m inha beleza angelical. o fogo entre nós aumentando.. Recomecei a soluçar. necessitando beijar-lhe os lábios para aliviar o sofrimento. Mas não me peça para abrir mão da única coisa que nos manteve juntos.disse com voz tensa. sempre querendo usar suéteres largos para que eu não s percebesse. tão divino . . Queri a afastar-me dele.Vejo doçura em seus olhos .. quando ele virou a cabeça para fitar-me.Não. Cathy. . . Mesclamo-nos numa massa ardente de des ejo insatisfeito . Você era tão tímida com relação a eles.exclamou ele. . Aproximou-se de mim.. Por longos. de modo a sentir-lhe o peito nu de encontro ao meu. . você tem mesmo que ir embora e tornar-se médico? Não pode ficar aqui e decidi r-se por alguma outra profissão? Ele levantou a cabeça para fitar-me nos olhos. estremecendo-me a p ele com uma sensação deliciosa e arrepiante. Aproxi mando-se ainda mais. Adoro qu ando usa camisolas brancas com fitas de cetim azul. enquanto correspondia a seus beijos cada vez mais exigentes. quando Chr is me ferira acidentalmente o flanco com a tesoura .gemeu ele. Está linda nessa camisola branca. Não me senti totalmente rea l quando seus lábios quentes me beijaram a curva do pescoço.Não! Seria pecado! .Cathy.Peça-me para desistir de qualquer outra coisa e concordarei. estremeci.Então. depois. a não ser você. não me deixe nunca mais! Esqueça a medicina! Fique comigo! Não vá embora e me dei xe sozinha! Tenho medo de mim mesma. só prazer. Você não desistiria da dança. agora. eu sangrava e sen tia dor. . às vezes. você precisa perguntar? Foi a única coisa que eu realmente quis em toda a minha vida.Cathy..antes que eu gritasse de repente: . Prend i a respiração. esfregando de leve o nariz nos bi cos eriçados. até que nossas testas quase se tocaram. vamos pecar! .Tenho que ser médico .não negue! Seus dedos trêmulos começaram a abrir os pequenos botões cobertos de renda que fechava m minha camisola até a cintura. quando meus lábios tornaram a encontrar os seus.

. no meu quarto. a resposta se rá sempre não! Calei-me.Aqui não . subiu cor rendo a escada dos fundos. Foi o que det eve Chris. . Carrie é capaz de dormir durante uma batalha.protestei. Embarcamos t odos no automóvel do Dr.Chris. Em meu irmão. nunca mais deveria dirigir-me a ela. abraçando-me e pousando a cabeça no meu ombro. peguei a camisola que ele arrancara e segureia em frente do corpo. Não s abe que sou a única pessoa que compreenderá? Cathy. não me olhe assim. Eu não era como minha mãe.só uma vez. Então.. e seu quarto fica perto demais do de Paul.Pare! .só mais uma vez. várias latas de atum. Deixe-me ao menos uma vez proporcionar-lhe o prazer que não lhe dei antes . deitada de olhos abertos em minha cama. compreendi pelo modo desespe rançado e inerte como me sentia. suco de tomate. por qualquer nome. Madame Rosencoff disse-me que. Tapei a boca com ambas as mãos. rolando na cama para sair de baixo dele. respirando mais depressa até ficar ofegante. Enquant o meus pensamentos queriam rejeitar Chris. Não desejava dizer aquilo. percorreram-me o corpo como um choque elétrico! . sem saber ao certo por que motivo roubara a comida e a escondera. Ele fitou a caixa de doces.Lá em cima. Esbofeteei-lhe o rosto! . recatadamente.Cathy! Por que rouba comida de Paul e a esconde sob a cama? Sacudi a cabeça. dois corpos nus que. Antes que eu me desse conta do que acontecia. que fazia todo mundo sofrer para satisfazer suas vontades. Os bicos dos seios empurravam as malhas do tecido negro.Não! Sou sua irmã.. Não queria que se repetisse! . para durar pelo resto de nossas vidas. . .sente medo de sermos castigados novamente. À uma hora da tarde eu precisava estar em Greenglenna . O que havia de errado em mim? Não tin ha o direito de exigir-lhe que abandonasse o seu sonho. . sempre vivo.. Usa va apenas uma malha preta que realçava todos os contornos de seu corpo soberbo. Eu não queria aquilo. O Teste Era o dia seguinte ao Natal. então. ervilhas. .O inesperado abrir de seus lábios quentes.Vá embora! Deixe-me em paz! Amo você apenas como irmão. pratos. Christopher! Ele se aproximou. sentei-me e. meu corpo o desejava! Sufoquei-me de vergonha! . Tirou min ha camisola e o seu pijama. Depois.Eu a amo! Oh! como eu a amo! Sonho com você! Penso em você o dia inteiro! E continuou a dizer coisas assim. meio quilo de queijo. um pão. Geor .Sinto muito. para durar até o fin al de nossas vidas.então. maçãs. laranjas. recomeçou o que iniciara. a língua que obrigava meus lábios a se abri rem também. se fosse aceita. Caí no chão. lutando. . que até mesmo num vale sem montanhas o vento ainda era capaz de soprar. mais um abridor de latas. deitado junto a mim. Ele nos escutaria. terra natal de Bart Winslow e sede da Escola de Ballet Rosencoff.disse ele entre beijos. por favor! Ele vestiu vagarosamente o pijama. Rolamos intermi navelmente. O marido. lançou-me um olhar magoado. Mais tarde.Nunca mais! Você prometeu e julguei que fosse cumprir a p romessa! Se tem que ser médico. enq uanto eu era dominada por meu corpo pronto e ansioso por ser satisfeito. Se fracassasse. para não gritar. Solucei nos braços de C hris. copos e talheres.Não! . . Oh! Querida! Sei por que razão pegou a comida: tem necessidade de m anter alimentos ao alcance da mão . Paul e chegamos lá cinco minutos antes da hora. Cathy. bateram em algo sólido. eu deveria chamá-la de Madame Mari sha. ir embora e deixar-me sozinha . que jam ais poderia florescer. eu já encontrara o amor eterno. Chris pegou-me nos braços.bradei furiosa. duros como pontas de metal.Então. Numa fração de segundo. usaremos o seu quarto..Não haverá vida para mim se eu não for médico. . ágil e esguia apesar de estar beirando os cinqüenta anos de idade. entrou em meu quarto e caiu comigo na cama. Chris estava no chão comigo. primaveril. deixe-me amá-la apenas mais uma ve z . de repente.

Como permitira que aquilo acontecesse? Eu jama is ficaria tanto em pointe até que minhas pernas se tornassem masculinas como as d ela.gabei-me. Meu querido.Maravilhoso ."A Bela Adormecida". meu amado Christoph er como sempre presente quando eu precisava dele. ver os erros que cometes sem e tirar lições deles. Carrie. certamente passaria a encarar-me de uma maneira diferente . que já revel ava sinais de idade nas pequenas protuberâncias da barriga. talvez não me sentisse tão nervosa a ponto de querer vomitar. Ninguém precisou dizer-me que Madame desejaria ver-me o pescoço e qualquer épaulement que eu fizesse certamente lh e desagradaria. (Tive a impressão de que o marido jamais falaria. Este desejava ser meu pai.ordenou.ges. Eu perderia o encanto que tinha para ele.respondi timidamente. por que escolher uma peça menos exigente? . Seus olhos negros me estudaram crit icamente. arrependia-me de tê-los convidado.sussurrou ele. poderia avaliar o que eu deveria fazer. Ajude-me a ser boa! Permita-m e corresponder às expectativas de Chris! Não consegui olhar para Paul. Tinha pernas fortes e musculosas. Portanto. também usava malha preta para mostrar o corpo magro mas musculoso. para aliviar o nó que me apert ava a garganta. com um bando de garotas soltando r isadinhas ao meu redor. Então.Que cor de malha prefere? . Venha comigo . As moças e rapazes da companhia agruparam-se num canto para assistirem. . ou assistir às bem sucedidas e aproveitar-me disso. Oh! Deus! Rezei. eles assistiriam à minha humilhação. . telegrafan do-me seu orgulho. Deixaria de ser uma pessoa especial. escolh eu a esmo um par de sapatilhas numa fileira tripla com dúzias delas. Paul ali sentados. Girando nos calcanhares.disse ela. Um toque em meu braço sobressaltou-me. . acrescentando com desdém ainda maior: . Desejava ser a última. pois julgava o papel da Princesa Aurora a melhor de todas as obras do repertório clássico. a fim de verificar se eu já estava pronta. Cl aro que praticara um pouco desde que fugira de Foxworth Hall. Após despir-me e vestir a malha e as sapatilhas. Nunca! Madame levou-me a um amplo salão cujo assoalho polido não era tão liso quanto aparenta va. Por mais incrív el que pareça jogou-me um par que se ajustou com perfeição aos meus pés.Foi o que presumi. Havia também outras oito ou dez pessoa s. . . mas não com a mesma dedicação que empregava no sótão. sorrindo para mostrar dentes muito alvos e p erfeitos.Só por sua aparência. não minha pedra ímã. E como sempre. O próprio Georges sentou-se ao piano. Isso. deparei com Julian Marquet. embora me observasse constanteme nte com os negros olhos brilhantes). Henny e o Dr. mas não lhes prestei muita atenção. Dessa fo rma. . Ao longo das paredes havia cadeiras para os espectadores e vi Chris. sarcástica. confiança e imorredoura admiração. Agora.Que música escolhe? . eu já sabia.Sou capaz de dançar sozinha o Adágio da Rosa . com a mesma indiferença.Rosa. .Quebre uma perna . Eu estava mais amedrontada do que presumi que ficasse. Se eu frac assasse e o embaraçasse.Nada mau. lá estava ele para sorrir. Se eu fracassasse. para aquecer-me melhor. quando Madame Marisha enfiou a cabeça pela porta entreaber ta. tinha a boca seca e borboletas em pânico esvoaçavam-me dentro do pei to enquanto meus olhos buscavam entre os espectadores a pedra-ímã de que eu necessit ava: os olhos azuis de Chris. Engoli em seco. sempre me dando algo e tornand o-me melhor do que seria sem ele. Jogou-me uma desbotada malha cor-de-rosa e depois. afastando-se. Deveria ter passado a noite inteira fazendo exercícios e chegado à escola de madrugada. Mal terminei de vestir-me e prender o cabelo.indagou ela. Seu tom me fez desejar ter escolhido algo mais fácil. Vinte moças e três rapazes deviam fazer testes. a fim de observar todas as outras. . sentei-me a uma longa penteadeira com um espelho do mesmo comprimento e comecei a prender o cabelo. . adivinhei que escolheria A Bela Adormecida.

como se as "provínc ias" o matassem de tédio. Pelo modo como se gabava de s er um dos melhores bailarinos de uma companhia de Nova York. sentindo-me tão fraca que só consegui permanecer deitada. revelando nitidamente todo o seu amor por mim. Logo voltarei a Nova York.Creio que seria uma ótima atriz. um verdadeiro profissional. então soou a minha "deixa" musical.Sim. Fechei os olhos. . . eu estava sozinha no sótão.Seus olhos escuros brilhavam travessamente. E como sempre. .. Chris disse-me algo a re speito de não ter medo. mas de Carrie. como se conhecesse todas as respostas. Então. pálido. Era mais alto que a maioria dos bail arinos. com olhos escuros e faiscantes. senti-me simultaneamente reco nfortada e temerosa. e aqueles olhos azuis. Verdadeiro talento. Terminada. Os gritos não eram meus. Meu coração deu uma cambalhota. fez-me sinal para correr e pular nos braços que me ag uardavam. Pen a que seja uma garotinha.Estou aqui apenas durante as festas do final de ano . De repente. infalível. Acho melhor dedicar-me ao teatro.Oh! Chris! .uma senhora de dezoito anos? Sorri. movimentos de braços e piruetas. a outra perna esticada graciosa mente para trás.eu era a sua voz e. tímida a princípio.Olá . e stava terminada. cabelos negros como a noite e lábios de rubi. E minha carreira de bailarina. e eu logo saberia que tinha dezenove anos. Tinha uma voz grave.para dar uma ajuda à Madam e. Agradeci-lhe os votos de boa sorte. À distância.exclamou quando lhe sorri. Ele sorriu. ainda nem iniciada. Chris inclinou . Rezei para que ele fosse um dos bailarinos com quem eu trabalharia. que é o meu lugar. muito satisfeita por aparentar aquela idade.Você sabe que estraguei toda e qualquer possibilidade! Por que sangrei daquela maneira? Sabia que meu olhar estava carr egado de medo .só que des ta vez eu lhe vi o rosto! Um rosto lindo. .disse ele suavemente. com flores colorid as de papel penduradas em barbantes compridos. O queixo forte tinha uma cova central. embora. se gurando-me a mão inerte.. Trocamos mais algumas palavras. este ndendo os braços fortes. .Não sou garotinha! . Ele sorriu. Não precisei planejar o movimento nem contar o compasso. muito impressionada com sua beleza física. Catherine Doll: você realmente sabe dar um final dramático à dança! . talvez não. .. indiferente. uma grande poça de sangue! O sangue me escorria pelas pernas.Talvez sim... sem me importar em saber quem veio socorrer-me.Uma coisa eu lhe digo. Ele sacudiu os ombros. apoiando um joelho no chão. Tive o cuidado de manter os olhos aber tos e o rosto sempre voltado para os espectadores que eu não conseguia ver. em contraste com os cabelos escuros. ninguém senão eu e aquele amante secr eto que dançava à pequena distância de mim. nunca permitindo que eu me aproximasse o s uficiente para ver-lhe o rosto. pois a música me dizia o que fazer e como fazer . Emergi de um sonho povoado por bruxas e vi Chris sentado na cama de hospital. então . mas depois fazendo as coisas certas .todos os e ntrechats.Olá. Julian! Eu o vi como num sonho. Olhou em torno. Tinha a pele clara como a minha. .Estava esperando que voltas se a si. com quase um metro e oitenta. mas duvido que tente. aquele homem surgiu para dançar comigo . onde ninguém me queria. . uma covinha no lado direito do rosto parecia brincar de aparecer e desaparecer à vontade. Escorreguei e caí ao chão. . . Com os olhos. Encantada por vê-lo ali. isso é talento. pois não queria que Paul percebesse. talvez conhecesse r ealmente todas as respostas.. a escuridão chegou e carregou-me para um lugar muito re moto. manchando a malha e as sapatilhas cor-de-rosa. debruçando-se para beijar-me o rosto. a magia chegou e tomou conta de mim. Oh! Meu Deus! Aqueles olhos. e escutar os gr itos. gritando! A meus pés. apertando-me os dedos.medo de que ele percebesse e adivinhasse a causa. Comecei a dançar. .protestei com voz sumida. p arecesse muito pálida.Você é muito bonita.Puxa! . estava a meio camin ho do ponto onde deveria iniciar o salto quando senti uma dor lancinante no abdo me! Dobrei-me. Então. p ortanto. O rosto preocupado de meu irmão debruçouse. . imóvel.O que é. escutei as vozes de Paul e Chris.

. Paul escolhera aquela escola muito especial e já pagara uma enorme quantia de mat . às três em ponto. Flores reais. Cathy. e apontou para outro buquê. Em seguida. Meu s dedos trêmulos tiraram dele um pequeno cartão que dizia: "Espero que se recupere d epressa. não de papel. . Não fiq uei eufórica com a idéia de enviar Carrie a um colégio interno situado a dezesseis qui lômetros da cidade. Aqueles períodos em que você não ficou menstruada devem ter provocado coágulos. Paul entrar no quarto e hesitar junto à porta ao observar-nos. exibiu um sorriso e avançou. . não faz diferença nenhuma.Um ginecologista chamado Dr. Dê uma olhada naquela cômoda e veja todas as flores lindas que recebeu.A vida oferece mais que uma oportunidade. Espero que não se importe de eu ter lido os cartões.preparou-se para desferir pontapés e cerrou os punhos para combater quem tentasse forçá-la. os Rosencoff me querem! . no dia seguinte à ida de Carrie. eu não me importava que ele lesse. nada mais.-se para me abraçar e estreitar contra o peito. Sentei-me na cama para abraçá-lo. não se esqueça de mim.O que é uma D & C? Ele sorriu.Foi só isso. Madame Marisha.Chris. Classifiquei-me para a décima série.Quem fez a curetagem? ." Vi por cima do ombro de Chris. .. Jarvis. Voltam os Tempos de Escola Chegou o dia de janeiro em que tivemos que separar-nos. um processo no qual uma mulher é dilatada e o médico emprega um instrumento chamado cureta para raspar a parede interna do útero. eu não desejaria tê-la controlando mi nha vida.Claro que querem . como você bem sabe. Aguardo-a na próxima segunda-feira. . sempre esquecido de que eu não era tão esclarecida quanto ele em questões médicas. Fora enviado por Julian Marquet.disse ele suavemente. Cathy! Tinha o rosto rubro de fúria e sua voz chorosa parecia o uivo de uma sirene.. Olhei para o enorme ramalhet e de flores. não vai. acompanhado de um rápido bilhete: "Tornarei a vê-la quando vier de Nova Yo rk Portanto.Abra os olhos. enquanto este me estreitava nos braços. Chris? Acha realmente que poderá ser assim? Se rá que teremos tanta sorte? Chris meneou a cabeça. (Eu me obrigara a devolver a comida roubada . Mas o rosto de Carrie não demon strava satisfação quando ela berrou: . Carrie para a terceira e Chris par a o curso preparatório para a faculdade de Medicina.e tínhamos feito a solene promessa de jamais nos separarmos.Está fazendo tempestade num copo de água. Mas aqu ela mulher me mata de medo! Apesar de ser miúda. . julgando que fosse lembrança de Paul.sussurrei. . . Catherine Doll." Marisha! Eu fora aceita! . amigo do nosso doutor.Tudo vai dar certo para nós. Você precisou fazer uma D & C. creio que você saberá muito bem como lidar com ela. Eu ficaria sozinha para freqüentar o ginásio . acariciando-me ternamente o rosto. . Nossos olhares se encontraram.Não! Não! . exceto Chris). com medo de que fosse Paul. sempre poderá ter outra hemorragia. col ocando em minha mão flácida um pequeno envelope branco. diante de todas as pessoas que eu tentava impressionar! Oh ! Meu Deus! Por que a vida era tão cruel para mim? . sorrindo. .Abreviatura de dilatação e curetagem. quando. Chris também partiria.. Amanhã. Chris e eu nos separamos depressa.recebêramos todos notas excelentes. Chris foi à cômoda e logo voltou. Todavia.disse Chris. Paul.Não quero escola particular para garotinhas esquisitas! Não irei! Não podem me obrigar! Vou contar ao Dr.Do contrário. Tínhamos prestado exames p ara avaliar nossa capacidade e para nosso grande espanto . . Recostei-me nos travesseiros. sem saber o que pensar. Naturalmente. que se s oltaram de repente. na verdade. seriam imbecis.e ninguém tinha conhecim ento do fato. minha dama Catherine . Cathy. Paul afirma que é o melhor ginecologista da região. Só então olhei para o envelope. Peguei Carrie no colo para explicar-lhe que o Dr. De todas as ocasiões para ac ontecer algo assim. de todo modo. estará boa e de pé.

terá ótim as professoras e.Você poderá colocar na fr asqueira suas escovas de dentes.rícula. Era uma coi sinha linda. . Todos nós desejamos o que é melhor para você e. a quem ela queria muito bem. Você partilhará um belo quarto com uma menina da sua idade. poderá vir passar todos os fins de semana em casa.Carrie. dá festas. rindo para esconder que sentia um temor semelhante ao dela. Havia igualmente uma pasta de couro vermelho para papéis. Não estará sozinha.É Lindo! . troca segredos e ri a noite inteira. é necessário. Embalei-a em meus braços. Consegui convencê-la? Alguma vez conseguira convencê-la de alguma coisa? . Claro. .Mesmo assim. Segurei a caixa com extremo cuidado. tendo até mesmo uma frasqueira com pente de ouro. eu tenho que freqüentar o ginásio. Deve sentir-se muito orgulhosa e afortunada por termos o Dr. beijando-lhe a testa. . vai lembrar-se de mim.anunciou.É uma escola para meninas ricas. que levei para Carrie. Ela fechou os olhos com força. obstinada. pasta dentifrícia. espelho e uma série de frascos para cosméticos. a fim de que ela pudesse escrever cartas para nós. é divertida. Como se lesse meus pensamentos.Isto é para a minha loura predileta . Carrie só aquiesceu depois de derramar uma torrente de lág rimas.Ninguém? . . P aul como nosso responsável legal. Sei que estar com muitas meninas é um bocado divertido. mas desejava dar à Carrie algo que ela pude sse usar durante muitos e muitos anos. . E. . Quando estiver na Es . não quero ir . Quando ela olhar para essas malas. E deve ter a companhia de outra s crianças.exclamou Carrie. tentando não escutar. para ela. daqui a anos.E terei que ficar lá por muito. Carrie . tem sociedades secretas. percebeu-lhe o sofrimento e se encaminho u para o armário embutido no corredor. Sim. Como seria bela caso o corpo crescesse em proporção com a cabeça! . . aquele internato de meninas ser ia uma cama de pregos que ela se via obrigada a suportar.declarei alegremente.Oh! .Por que não posso ir para a s ua escola. alisando-lhe a comprida e brilhante cascata de cabelos d ourados. indecis a se devia entregá-la à Carrie e despertar velhas lembranças. estará em companhia de meninas que a acharão a co isa mais linda que já tiveram oportunidade de ver. cujos pais podem p agar pelo melhor. levantei-me e subi correndo a escada para buscar u ma caixinha. a escola não é um lugar tão ruim. E. Voltou logo depois com uma grande caixa emb rulhada em papel roxo e amarrada com uma fita de cetim vermelho de dez centímetros de largura.Não vou botar água de colônia fedorenta nas minhas malas! Todos nós tivemos que rir.chorou ela. Ela adoraria. melhor que tudo. depois voltei seu provocante rostinho de boneca para o meu. você permanecerá em nossos corações e pensamentos. os olhos suplicantes dizendo-me que ela só iria para agradar a mim e ao Dr. muito tempo? Ambos tinham-se trancado na biblioteca de Paul durante muitas horas. sem ninguém comigo? . . Cathy? Por que tenho que ir sozinha. . ele disse: .E não é uma escola para garotinhas esquisitas. de couro. Carrie. A su a é uma escola primária. Paul lançou um rápido olhar a Carrie. Chris e eu. deliciada ao abrir o presente e deparar com o conjunto de mala s vermelhas. que certamente não julgava que uma garotinha precisasse de maquilagem. Paul. . Paul. escova de cabelo.acrescentei em tom tranqüili zador. com Paul en sinando a Chris a parte de química que este não estudara no sótão enquanto lá estivemos pr esos. Então. acredite se quiser. Os olhos grandes e assustados de Carrie o fitaram antes que ela exibisse um leve sorriso. querida.Dentro desta caixa estão alguns velhos amigos seus.exclamou. você tem quatro pessoas que a amam muito: o Dr.repeti. mesmo que alguns quilômetros nos separe m. V ocê vai adorar. Ficará com centenas de outras meninas da sua idade. imediatamente conquistada pela cor vermelha e excele nte qualidade do presente. talco e água de colônia. Paul e Chris entraram bem a tempo de ouvi-la perguntar: . Henny. completo.Sei que é um presente um tanto adulto.Eu não sabia que faziam malas vermelhas com espelhos de ouro dentro! Tive que olhar para Paul. A gent e joga. Além disso. na v erdade.São as malas mais lindas que já vi . .

.O Sr. .Quan do nos encontrarmos outra vez. ainda sentiremos a mesma coisa. Dr. Henny e eu. Chris e eu não f icamos realmente a sós. pintado de branco. mais uma v ez. . posso fazer isso . Eu desejava ficar nos braços de C hris. segurando no colo a caixa com os bonecos de po rcelana.ao me nos o amor que estava errado entre nós. seja certo ou errado.uma herança inestimável. acompanhando lhe o caleid oscópio de emoções. um ad eus tão completo que nos desse a certeza de que o amor se fora para sempre .Você sabe de onde vieram. sem compreender. Não se sinta abandonada.sussurrou ele com voz embargada. Fomos recebidos num escritório aquecido e acolhedor por uma descendente do fundado r da escola. . Carrie permaneceu sentada no chão. Eu a amo.Chris . com lágrimas de felicidade nos grandes olhos azuis. Uma placa de bronze ao lado da porta principal anunciava: FUNDADA EM 1824. a Srta. Rapaze s passavam constantemente lá fora para espiar-nos.E Clara. Não consigo evitar. Chris e eu não suportávamo s olhar um para o outro. ou sentir saudades. com cab elos espantosamente brancos e nem uma só ruga que lhe traísse a idade. Curvei-me para abraçar e beijar Carrie. Eu trouxera até mesmo o berço. Sempre a amarei. mas precisamos fingir que morreu. roubadas por mim daquela enorme e fabulosa casa de bonecas c om a qual ela passara tantas horas brincando no sótão.murmurou Carrie.Cathy.murmurou com voz sumida. a nenenzinha! De onde vieram eles.. Paul dirigiu quarenta e oito quilôme tros antes de chegarmos ao campus com prédios de tijolos cor-de-rosa e.Falo sério. Parkins . chegou o dia terrível em que fiz emos de automóvel o trajeto de dezesseis quilômetros até a elegante escola particular para filhas de gente rica. . Emily Dean Dewhurst. Uma mulher bonita e imponente.O que farei sem você? Seus olhos azuis mudavam constantemente de tonalidade. bast a abrir a caixinha e ver o que há dentro dela. você bem sabe que devemos dizer a todo mundo que nossos pais morreram. tive que explicar a Carrie o motivo pelo qual jamais poderíamos reve lar nossa verdadeira identidade e o fato de nossa mãe ainda estar viva: seríamos tra ncados de volta naquele quarto horrível. Será tão ruim? Carrie animou-se e forçou um sorriso: . segurando a caixa cheia de algodão para proteger os frágeis bone cos e o berço de madeira feito à mão . a fitar-me com o olhar assustado. mas não compreendeu. Sheffield. . Sentindo que precisávamos ficar a sós. .Mamãe morreu mesmo? . Cathy? . Não mostre o conteúdo a qualquer pessoa . Paul apre sentou uma desculpa esfarrapada de querer inspecionar os jardins.Sim.Por quê? Mais uma vez. Carrie! Você nunca falará na nossa família a não ser com Chris. tendo na frente o pórtico e as colunas características de arquitetura da região. . Compreende? Ela assentiu com a cabeça. e sussurrei-lhe ao ouvido: . à beira das lágrimas.cola Para Moças Bem Educadas da Srta. Emily Dean Calhoun e se sentir solitária. mas apenas às suas amigas mais íntimas. No dia seguinte. Oh! Como doe u vê-lo arrumar as bagagens! Observei mas não consegui falar. . e a Sra.Nada mudará.Anime-se e faça um esforço para divertir-se. as indefectíveis colunas brancas.Carrie. que estremecia. O prédio era grande. Ela olhou para mim.É uma linda criança.. Naturalmente. A escola de Chris ficava ainda mais afastada. perto da s lindas malas de couro vermelho.Não. mas numa alcova com grandes portas para o exterior. Todos os fins de semana viremos buscá-la para irmos juntos para casa. Não foi fácil irmos embora. Estudarei com tanto afinco que nem terei tempo de pensar em você. onde está Mamãe? Oh! Deus! Exatamente o que eu não desejava que ela perguntasse! . . deixando Carrie naquela mansão bonita pintada de branco.gaguejei. . segurando-me as mãos. foi a vez de Chris partir para o curso preparatório. Carrie arregalou os olhos ao ver as minúsculas pessoas de porcelana e o bebê de quem ela tanto gostava. o Dr. Queria que aquilo fosse um adeus ao amor. faremos o possível para mantê-la fel iz e confortável enquanto estuda. ou imaginar o que estará aco . com o rosto colado ao seu. Cathy . Paul. Seus lábios trêmulos e expressão tristonha revelavam claramente: ela ainda queria Mamãe! Então.

Tem razão . Creio que você estará segura. . Chris. com uma súbita expressão penetrante no olhar. Ligou o motor.zombei. derreei-me no assento e solucei de verdade. Porque de seja você! . Apenas um beijo leve e te rno. quando ele despertara em mim aquele anseio primitivo. ou logo precisará usar óculos.É claro. As mãos fortes e bem cuidadas de Paul dirigiam o automóvel com uma habilidade t ranqüila e natural.. O que sente você por ele? . Talvez bonita demais. Culpa dela. Chris riu.Cuide-se bem. . as mãos eram a primeira coisa que eu notava num homem. Não mencionou meus olh os inflamados nem o lencinho úmido que eu tinha na mão para enxugar as lágrimas que co ntinuavam a brotar. E você também. pois . Meu coração era uma ruína dolorosa quando recuei para deixá-lo..Cathy. No c arro branco de Paul. Era uma promessa tão fraca. quando gera lmente brincava. . De repente. uma despedida temporária. Olho para você e revejo nossa mãe em seu modo de gesticular e de tombar a cabeça para um lado.ntecendo em sua vida. Paul pareceu surgir do nada e sentou-se. puxou-me para si e baixou os lábios até os meus. Não me indagou por que razão eu permanecia tão calada. você é muito bonita.Gosto dele. . . Dep ois.. Chris suspirou pesadamente e baixou a cabeça. Não encante demais o noss o médico. silêncio. Falo sério. Ergueu a cabeça. que deveria ser contido até que eu tivesse idade suficiente para enfrentá-lo.Prometo comportar-me.Ele não fez nada fora do certo? . É honrado e decente.Não.Eu gosto dele. Cathy. . Nenhum de nós consegui u pronunciar a palavra "adeus". pois acho que não devemos engordar a conta de telefone do Dr. que as calças de malha . Ouça as penas caírem. . observando o chão a seus pés..E acabará sendo o mais jovem médico diplomado na história da humanidade . Isso não é errado. como você e Carrie. sempre culpa dela! Tudo que hou vera de errado em nossas vidas podia ser atribuído a ela! . Era a escuridão d o sótão. Cathy. . . apenas por causa de você. bem. Estudei-as. quando ele fez tanta coisa por nós. tão bela. ao vol ante. calado. calçados em sapatos de salto alto que tornavam minhas pernas mu ito mais bonitas.Não estude demais.Você é tutelada de Paul e moça demais para ele. Não podemos cometer o mesmo erro que nossos pais. tão necessitada de amo r. Agora.Chris..e você estará morando na m esma casa que ele. as lágrimas queimando-me os olhos enquanto corri pelos compridos corredores. e saí para o sol brilhante. em seguida aos olhos. Sinto gratidão. quando nu nca deveríamos amar-nos daquela forma. Girei nos calcanhares. mas às vezes penso que nos aceitou apenas. fez a manobra e partiu em direção à estrada. .disse ele quando terminou o beijo.disse ele. . baixei os olhos para suas pernas: coxas bem torneadas. Quero dizer: afinal.Não cometa erros ao tentar fugir do que sente por mim. . Divirta-se e escreva-me ao menos uma vez po r dia.Perdoe-me pela noite de Natal .Sinto-me mesquinho ao lhe dizer isso. hesitante.disse Chris.. ele é vinte e cinco anos mais velho que eu! Como pode pensar uma coisa de ssas? Chris pareceu aliviado. Nesses hospit ais devem existir muitas beldades que ficariam felizes se pudessem estar com ele . Quietude. enquanto ele se mantinha relaxado no assento. provocava ou tagarelava coisas sem sentido só para não escutar o si lêncio. da mesma forma como guardarei meu amor por você. Como viveria sem ele a m eu lado? Mais uma das coisas que ela nos fizera: querer-mo-nos demais. . Sorrindo. em bora minha voz estivesse tão embargada quanto a sua. como Carrie qua ndo chorava. Não estude demais. É tão jovem. escute a casa estalar. tudo o que eu desejava era ser amada e satisfeita por alguém com quem me sentisse bem. Paul.Poupe um pouquinho de amor para mim e guarde-o bem no fundo do coração. ele é um homem. desviando culposamente o olhar antes de acrescenta r: .Paul é um grande sujeito . Não tem esposa .fez uma pausa e corou. Ou talvez observasse meus pés. Carrie o ama . . .Eu o vejo sempre olhando para você. fazendo um gesto de adeus com evidente relutância.

triste e ansiosa. . aproxi mei-me dele com pés descalços e silenciosos. Paul. ríspido.corrigi. . O silêncio da casa e o profundo negrume da noite pareciam gritar ao meu redor: Sozin ha! Sozinha! você está sozinha e ninguém se importa. mas seus olhos eram poças límpidas e suaves de desejo . por terem vindo para o Sul . com roupas transparentes.disse Paul. . lembreime de que devia tomar um pouco de leite quente.. quando tinha apenas dezesseis. tão perto de sua poltrona. Havi a muita coisa que eu não conhecia a respeito de mim mesma. Uma coisa que você não deve e squecer: jamais cheire ou toque numa flor de magnólia. . para acordar bem descansada.pois a idéia do leite quente ainda não me saíra da c abeça. como a tola que eu era com tanta freqüência. Logo que chegamos em casa. Também não apareceu após o jantar.Use meu primeiro nome o . .interrompeu ele.e não para o Norte ou o Oeste.. volto para casa cheio de felicidad e. de modo que não pude perceber se dizia ou não a verdade . ficou calado para não quebrar o encanto que. necessitad a. Paul sobressaltou-se ao v er-me ali. Paul foi para o consultório e eu subi. de algum modo. só que em olhos diferentes dos dele. Cathy.Não gosta que o toquem? .Então. Estava sempre tão solitário! Agora. .Não uma jovem sedutora.eu já vira desejo anteri ormente. Recostou a cabeça na poltrona e virou o rosto para o meu. Acho que estou por demais excitada ante a perspectiva de ini ciar as aulas amanhã. . Árvores gigantescas orlavam a estrada larga e negra.Detesto quando você me chama assim! . vinte e cinco anos mais moça que eu. As achas cinzentas tinham se transformado em cinzas e Paul. altas horas da noite. dor miríamos sob tetos separados.Antes de você chegar com seus irmãos. Então. como se precisasse fazer a barba. . sentia-me mal. Paul não veio jantar em casa e isto pio rou ainda mais a situação. a fim de tentar afugentar a solidão exercitando-me na barra. nos unia numa necessidade mútua. poderia fazer-me sentir rejeitada e mag oada. Eu estava usando um presente dele: um leve pegnoir azul-turqueza de tecido vaporoso. . murchará e morrerá com ela.E minha avó materna se cas ou com um homem de cinqüenta e cinco anos. Lançou-me um olhar provocante. acho melhor voltar para a cama. E. pois de repente já não me senti trist e ou deprimida. Obrigado. grossos e velhos. dormindo? . Mas não demorarão muito a florir. pois nossos invernos são curtos. por outro lado. do mesmo modo que não com preendi o impulso que me levou a erguer a mão para acariciar-lhe o rosto. Eu? A luz suave da lareira iluminava a sala de visitas.indagou Paul. Pela primeira vez.Dr. troncos retorcidos e escuros. sem jeito.Ela era uma tola e ele também.Não consigo dormir. se o fizer. estava sentado numa poltrona de braços.e dormir era o de que precisava.é uma pena não estarem floridas nesta época. eu costumava ter medo de entrar com o carro na minha rua.Minha mãe disse que ela foi boa esposa para ele . Comecei a obedecer . . amedrontada. feita numa voz tensa e fria. que esvoaçava sobre uma camisola da mesma cor. ninguém se importa! Pensei em comid a. .Magnólias Buli Bay . como eu. Eu precisava de alguém. envolto no quente robe vermelho. . Que bom vê-lo usar nosso presente tão depre ssa.Vinte e quatro anos e sete meses mais moça .talvez bem demais. Sedutora. Tinha a pele áspera. Carrie se fora.Por que não está deitada.acrescentei.de verdade . O meu fiel Christopher também. mas dominada por uma onda de sensualidade.Por que me toca. tirando lentas baforadas do cachimbo. . Sozinha. mais sedutoras. Olhei para aquela cabeça envolta num halo de fumaça e vi uma pessoa cálida. de modo que fui deitar-me ce do. . É gostoso ser feliz outra vez. Contudo. tive também outras idéias. Catherine? A pergunta. Preocupei-me por não manter um grande suprimento ao alcance da mão.azul mostravam muito bem . . Diziam que leite quente ajudava a dormir .

Escutava a música de meus bailados e vinha observar-me. transforma-se de uma garota ingênua numa mulhe r sedutora e provocante . com olhar duro e belicoso.uma mulher que parece saber exatamente o que está fazend o quando coloca a mão no meu rosto.bradou ele. . Vejo isto a cada vez que você olha para Carrie ou fala de Cory.Por que não deveria chamá-la de Catherine? É o seu nome e me parece um tratamento ma is adulto que Cathy. .Acusa-me de seduzi-lo. . este se inclinou repentinamente.A música sempre me causou uma sensação especial. Eu não queria contar. sacudi a cabeça e empurrei suas mãos de meus ombros. os quatro irmãos. . E não me agrada ficar vazi a e perdida. corando. quando fiz uma pausa.Conte-me o resto.Por que me chama de Catherine? . recordando o passado. Então. . Mas é você quem faz isso: ob serva cada movimento que faço! Despe-me com os olhos. Catherine. nervosa. como se o homem bo ndoso e gentil que eu conhecera não passasse de um disfarce. com ninguém ali para amar. E quando me enlevo dessa maneira. Mas que tipo de amor nutre por Christopher? Maternal? Fraternal? Ou é. Para onde eu olhasse. sempre ju ntos. . mas. Chris e eu nem sempre nos encarávamos como irmãos? Chris fixou uma barra no sótão. mesmo quando era criança. os olhos queimando os meus . você era mãe. não existe o utro modo de voltar à realidade senão sentindo amor por alguém. Fiquei de cabeça baixa. fazendo-o parecer uma p essoa diferente.Tudo o que você precisa saber! . quando lhe toquei o rosto. . não é mesmo? Para eles.Que diabo quer dize r isso? . . . . animando-me. E. . O bom senso e a capacidade de julgamento deveria m ter-me colado a língua no céu da boca.instou ele. Eu sei.fez um a pausa."O melhor possível"? . Se voltar a sentir os pés no chão. Apodera-se de mim. Senti-me corada. mas seus olhos brilhavam. Olhei para os valiosos livros nas estan tes e os pequenos objetos de arte que ele parecia adorar.Que se dane o respeito! Não sou diferente dos outros homens. mas que sinto necessidade de indagar. impedindo-me de responder. enquanto eu dançava naquele assoalho de madeira macia e apodre cida. Engolindo em seco.reagi com violência. Fala em aulas de balé e em enviar meu irmão para a faculdade de medicina. . Meus olhos se desviaram ante a investida. Não tinha o direito de fazer tal pergunta. os olhos ardendo de raiva tão grande e brutal quanto a dele. O que realmente existe entre você e se u irmão? Meus joelhos começaram a chocalhar nervosamente. fico vazia e perdida.. passando horas e horas a ler velhas en ciclopédias. sozinhos? Dominada pelo pânico. uma g rande bailarina.Catherine. e me faz dançar. como se não quisesse que eu fosse adulta.u não fale comigo.Então.Ficaria chocado se soubesse que quando estávamos trancados num quarto..Você é uma feiticeira. vou-lhe fazer agora uma pergunta sobre um assunto que não me diz resp eito. agarrou-me e sentou-me em seu colo.. olhou-me com raiva. algum dia. . continuei com relutância: .Há pouco. quando cada dia equivalia a uma eternidade.. Leva-me para a cama com o ol har.Correto? Você ti nha outra espécie de amor que reservava para os pequenos gêmeos. Um médico não é infalível. envergonhada e s em jeito: . oculto nas somb ras.Prossiga . Em um segundo. exigentes. havia algo que me recordava que a coisa de que ele mais necessitava era beleza.Acho que devo tratar o senhor com o respeito que merece. e sacudiu-me. Oh! Meu Deus! Será que nossas fisio nomias revelavam? Por que ele tinha que perguntar? Não era da sua conta. deixando-se levar pela imaginação fantasiosa. arrependida de não ter ido diretamente para a cozinha. e ao voltar à r idade constatava que a única pessoa ali presente a quem você podia amar era o seu ir mão? . a fim de que eu pud esse manter os músculos ágeis e continuar a sonhar que poderia ser. .O que fez com seu irmão quando estavam trancados lá em cima. esquecendo-me de Paul. . ele estudava na sala de aulas do sótão.perguntou ele com gélida veemência.Chris e eu fomos decentes! Fizemos o melhor possível! . você dançava no sótão.

Seu hálito quente em meu rosto. O quanto fui sábia.Porque o amo.Sabe que não deveria est ar aqui. um trovão ribombou no céu e u m raio desceu. em voz baixa. Aproximei-me e virei-lhe o rosto para o meu. permitindo que eu a abrace ou a toque. eu o percebia à luz fraca do fo go que morria na lareira e à claridade dos relâmpagos intermitentes. . f izemos o melhor possível. . chocado ao perceber onde estava sua mão .indagou com aquele seu ar zombeteiro. Catherine. enquanto suas mãos gra ndes e delicadas acariciavam-me as costas e os cabelos. Não sei o que me possuiu para me fazer agir dessa maneir a. Catherine? . caía apenas granizo. nem Chris. viu Chris franzir a testa. e nem mesmo teve a decência de corar! O riso dele zombou de mim. Dei um pulo! Gritei! Tão repentinamente quanto retirara a mão de meu seio. Então. decidido a manter-se distante. Não precisa casar comigo.e eu sabia que a culpa era minha como sempre. ou se. hesitante. Senti o cheiro do forte vinho tinto que ele gostava d e tomar antes de deitar-se.. Quer sentar-se nua em meu colo e deixar-me fazer tudo a meu modo? Ou prefere peg ar aquele cinzeiro de cristal veneziano e quebrá-lo em minha cabeça? Olhou-me fixamente. Naquele momento. para poder acariciar os seios jovens. quando precisa r de mim. Paul estava envergonhado. . Paul e eu. Os bicos se enrijeceram e passei a respirar tão depressa e profundamen te quanto ele. Mais uma vez.Não sou má. Olhou-me os lábios levemente entreabertos qu e esperavam ser beijados. passando de um para outro. teve a audácia de enfiar a mão por baixo de meu c orpete. . Paul me abraçou e observamos a tempestade.Apenas sente gratidão pelo que fiz. Tinha a respeit o de si mesmo todos os tipos de pensamentos condenatórios. . Paul virou a cabeça de perfil e não lhe pude ver os olhos e ler o que neles havia.qualquer mulher! Provocadoramente. como se o contato com minha pele o queimasse. transformando-se outra vez no que costumava ser: um hom em solitário e introspectivo. seminua? Por que me permitiu fazer o que fiz? Permaneci calada. enc ontrei amor em seus olhos. Quando estávamos trancados.Por que me perdoa? . punitivos.Veja o tipo de presente que me deu! É a camisola adequada a uma mocinha de quinz e anos? Não! É o tipo de camisola que a noiva usa na noite de núpcias! E você me fez pre sente dela. exigirá o pagamento em troca disso . deixando à mostra o diáfano corpete d a camisola azul-turqueza.puxou-a bruscamente. ele tocou os bicos de meus seio s. açoitando-se com eles .. tão bem! Éramos muito semelhantes. E pode dizer que não me ama. os trovões e raios tinham sumido e eu m e sentia tão. iluminando a noite e provocando fogo ao atingir um fio telefônico lá fora. julgo que planejava beijá-los antes de recuperar o contr ole e afastar-me de si com um empurrão. Agora.replicou calmamente.comecei. para compreender isto antes que ele dissesse bruscamente: .Quando fui trancada por Mamãe. .Sinto muito. Então. .. . Mas ficamos fechados num único quarto e estávamos cres . a culpa era minha. Qualquer mulher em seu co lo serviria . . inflamados de calor pelas inespera das carícias.e sou sua quando. . .durante todo o tempo. No primeiro dia em que aqui cheguei. em minha inocência. m as estará mentindo.Eu o amo . Era o vinho que lhe provocava aquele comportamento. O inverno lutou contra a primavera e te rminou vencendo. mais cedo ou mais tarde. .cob rindo meu seio esquerdo . de repente.Eu o perdôo.Você não me ama .perguntou ele. basta amar-me. .Quer despir-se para mim. você me quiser. Pau l emergiu da névoa mental. jurei que ao ficar livre abriria a porta para o a mor se este chegasse e exigisse de mim.. agora. escondendo o que a ntes seus olhos devoravam avidamente.e eu sei que tipo de pagamento você tem em mente! Libertei as mãos e rasguei a frente do peignoir. Só o vinho. Procurou recompor o frágil tecido de meu peignoir. . insinua que. seu rosto muito próximo ao meu. de modo que via cada fio de cabelo que brotava da pele. pois vejo isso nos seus olhos cada vez que você olha para mim.Por que não tem medo de mim? .Paul. reprobatórios. refleti.Que diabo está fazendo sentada em meu colo. juro.

não sei muito a respeito das moças de minha idade. com voz mais suave e bondosa.Pensei que me amava! As lágrimas me escorreram pelo rosto. Paul sorriu.Meu Deus! Como você é bonita e desejável .Acha que está segura comigo.. quando a música está tocando . amedrontada. pronunciei-lhe o nome.Sempre detestei quando chove forte e o vento sopra à noite. sem esperar qu alquer retribuição de qualquer espécie. Mais do que qualquer outra coisa. agora. livrando-se do encantamento que eu l he lançara. Entendeu? . ajudou-me a levantar.cendo. . . . o beijo de um desconhecido! A rrepios elétricos subiram e desceram loucamente ao longo de meus braços e todos os n ervos que uma "criança" da minha idade ainda não deveria possuir arderam em fogo! Af astei-me bruscamente..bradou Paul. meta bem uma coisa na sua cabecinha: você nada me deve . embo ra não saiba quem seja. Jamais lhe vi o rosto. Acendo-me interiormente e o local onde me encontro se transforma. muito lentamente. Eu costumava fazer isso no sótão e sempre u m homem de cabelos escuros dançava perto de mim. aqui. ou o modo como a luz atravessa as folhas das árvores e destaca as nervuras. sentando-se em meu colo e beijando-me daquela maneira? De que pensa que sou feito? . de bailado . A avó tinha uma lista de regras que nos proibiam até mesmo de olhar um para o outro. Paul riu baixinho e enfiou os dedos compridos em meus cabelos soltos. mas. Certa vez. Alguma compreensão toldou-lhe o olhar quando ele adivinhou em parte meus motivos. Então. Oh! Então era assim.E segura? ..disse Paul.comentou com um suspiro.Que tipo de diabinho é você para deixar-me tocá-la com tanta intimidade e beijá-la? Você é muito linda. com você. jamais permita que eu volte a escutá-la fazendo semelhante oferta. num passe de mágica. É par a isso que possuímos olhos.Catherine. Nossos olhares se cruzavam com muita freqüência e. Quanta tolice acreditar que o amor já estivesse batendo à minha porta ! Amuei-me quando Paul me afastou de si. . Se eu ousa r encostar um dedo em você. .Você zomba de mim. punida por exc esso de presunção. desconfio de que seja ele. ou a forma como a ch uva na estrada torna o óleo iridescente. Isto não era sermos maus. Respondi desavergonhadamente: . mas manteve as mãos em minha cintura ao fitar-me o rosto. inclinou a cabeça a té seus lábios encontrarem os meus. embora des ejasse. não na realidade.gaguejei.. ou num bosque verdejante onde fico em total liberdade. quando acordei.Não me tente dem ais.Basta usar-me quando quiser e isso será o bastante para mim. .Ora. E dizia que me us olhos lhe faziam o mesmo efeito. como você é romântica! . . Catherine. Além disso. Toda vez que vejo um homem de cabelos escuros que se movim enta graciosamente. . . Se não houver outra pessoa em casa. Senti-me outra vez uma criança. . retirando as mãos de minha cintura.repliquei. seu irmão e sua irmã é por livre e espontânea vontade. em palácios de mármore. mas.Agora. para seu próprio bem. aceitou o desafio e lentamente. Eu era má. creio que estou realmente apaixonada por ele.Da mesma coisa que os outros homens. . tudo isto me faz sentir bela.brincou ele. . fuja para seu quarto ou quebre-me alguma coisa na cabeça. . Só que melhor. Catherine. filha do Demônio! E Chris ficaria chocado! . Vo cê vive num país de fadas. Acha que não passo de uma criança.nada! O que faço p or você. As meninas se machucam quando brincam de .Vivendo como vivemos por tanto tempo. Esta é a primeira vez em que me sinto aquecida e protegida..Catherine . qualquer espécie de beleza me ilumina por dentro. perto do fogo. flores ou ar livre.não preciso de sol. é claro que tinham de olhar um para o outro. por prazer.. era? Eu não deveria perguntar. Paul recostou-se na poltrona.Sussurrei. . Julga que beijar-me não seria ex citante. pecaminosa. quero que grite por socorro. não consegui lembra r-me de qual fosse. sem dizer uma só palavra. creio que entendo o motivo.Mas. Chris conseguia reconfortar-me.Já cometi tantos erros n a vida e vocês três me ofereceram uma oportunidade para redimir-me deles. Portanto. . mas não passa de uma criança.Não precisa amar-me .Ohhh! . baixando a cabeça para esconder o rosto e verific ando que o cabelo comprido era um bom esconderijo.Que diabo estamos fazendo? . . Apenas o sol incidindo nas pétalas de uma rosa.o meu tipo de música. mas desde que tinha apenas a altura da mesa.

para repetir tudo aquilo sem o auxílio da barra.. imaginando. . Não tenha pressa de se entregar ao sexo com o primeiro homem qu e a desejar. bafejando cálida e exigentemente em nossas nucas..Linda criança. subi as escadas correndo como se ele me perseg uisse. enquanto Geor ges continuava a martelar o velho piano.adultas.assim refletia eu. glissés. mantenha-se afastada de mim. os olhos de Clairmont estão fixos em você e em mim. estórias de sexo.. Riam do modo como eu pronunciava todas as palavras com "a" aberto. ao começar os a suar. também tornada diferente. ou como conter um rapaz depois de excitá-lo "inocentemente". os petit e grande batllements. a dor de imprimir rotação aos quadris nos rodopios quase me arrancava gritos. porém. Então. espec ulando. esta não mencionava o nome ou en dereço de Paul. Eu sabia que Chris também se sentia solitário em sua escola. quando trabalhávamos de oito a dez horas. E o início era a parte mais fácil. até mesmo excelente. Não me agradava ser alvo de risos. Como poderia ser de outra forma? Ela me tornara diferente. fortes e ágeis. deixávamos a barra e passávamos ao centro do salão. aquecer os músculos e. sapatilhas e uma bolsinha. se d eviam ir "até o final". un. fazendo pliés. dos anos em que vivera "em lugar nenhum". os ronds d e jambe em l'air. exceto a única pessoa que fizera tudo aquilo acontec er: Mamãe! Um dia.e n ada disso era fácil. com medo dele. para a saúde de minha clínica médica e o bem de minha alma e consciência. com uma piscina interna. vinham os frappes em três quartos de pointe. as moças compartilhavam todos os segredos. Eu temia por Carrie na sua escola. Se deviam namorar inteiramente vestidas ou despidas. Não me agradava ser diferente. ao dançar mesmo quando estava morrendo . Poupe-se para o homem com quem se casará .. Meus colegas me achavam bonita e dizi am que falava engraçado. Podia imaginar como esbugalhariam os olhos se eu ousasse falar de meu passado. devotado. Contavam pia das ridículas. havia Julian.mas. Nossos cabelos. falar como eles f alavam. Fazíamos pliés. Não gozo de uma reputação imaculada. fondus e ronds de jambe à terre . Uma vez que me sentia tão mais sábia que as outras quanto ao assunto. Além disso. pelo amor de Deus. exigindo habilidades técnicas espantosamente dolorosas de conseguir. elas discutiam se deviam ou não preservar o corpo para os eventuais maridos. ela teria notícias minhas e muito sofreria com isso. cercando-nos por todos os lados. Todos os dias. Uma coisa era certa: não queria que ela soubesse on de morávamos. tomávamos dois a três banhos de chuveiro por dia . começávamos usando pesados agasalhos tricotados para aquecer as perna s e fazíamos exercícios na barra até acelerar as pulsações. por mais que me esforçasse. da maneira como o amor brotara num solo estéril! Não poderia censurá-las. algumas até mesmo pornográficas. verifiquei que era diferente. Eu era uma forasteira e minhas colegas faz iam tudo para que eu o sentisse de todas as formas possíveis. Deixei-a de lado até que descob risse o endereço em Greenglenna. Paul não era o tipo de homem que eu queria. carregando comigo a sacola com as malhas. Não ele. Só um lugar me deixava à vontade. mas. pois era um estranho num mundo que continuara a existir sem nós. Embora ela houvesse recebido a intimação. para manter-me ao alcance dos braços. Maldita fosse Mamãe por fazer tanto no sentido de aliena r-nos dos outros. sozinha . corri do ponto de ônibus para casa e redigi uma carta longa e ven enosa à minha mãe . porque dali em diante o trabalho aumentava de dif iculdade. Não censurava ou culpava ninguém. afinal. espere crescer primeiro. de modo que houvera benefícios produzidos por dançar no sótão. um médico.a última espécie de homem que poderia preencher meus sonhos de amor fiel. retirávamos os agasalhos de lã.. Mais cedo ou mais tarde. como uma nortista. Queria ser como as outras. interminavelmente. deux. os deve developpés e todos os exe rcícios de aquecimento que nos tornavam os músculos mais compridos. Em seguida.. t alvez um mulherengo . Às vezes. Algo o trazia f .e depois não soube para onde enviá-la. Portanto. Ouv ir dizer que eu era boa. a ponto de não podermos mesclar-nos na multidão. mas apenas o endereço do tribunal.em especial aos sábados. não um santo. Paul levantou-se. também ficavam molhados de suor. recuei amedrontada. tendus. elevavam-me às alturas. eterno e romântico! A escola para a qual Paul me enviou era grande e moderna. No camarim. Sou apenas um ho mem. enrolados como os das mul heres que esfregam assoalhos. Assim. acreditar no que acreditavam. Pois. abstinha-me d e dar palpites. Ao modo tolo das mocinhas. O sexo pairava no ar. Mais uma vez. Eu saía diretamente do ginásio para pegar um ônibus que me levasse às aulas de balé. Recuei.

Na maior parte das vezes.Falar comigo . .Tive alguns encontros antes de você chegar. .reqüentemente de volta a Clairmont.Oh! eu não sabia. . Bocejou. inclusive um em Greenglenna. . seus rodop ios que pareciam mais velozes que a vista. Ma dame é minha mãe. exibindo seu virtuosismo superior. e relatava casos de sua infância e de c omo sempre desejara ser médico. Não imaginei que desejasse ver-m e coberta do pescoço aos tornozelos. Raivosa.Sou grande. Cathy. Sua incrível elevação nos saltos desafiava a gravidade e.Trate de usar um roupão! . .repliquei. eu nunca ia ao cinema. saí correndo para a escada.Você não precisa conhecer todos os meus segredos sombrios.a fim de poder tomar café da ma nhã com Paul.disse ele. simulando enfado. você jamais terá visto balé antes de assistir a um espetáculo em No va York. . corri até ele e beijei-lhe o rosto. Você é diferente. que usava uma justa malha transparente. Em breve. Não obstant e. Então. Quando cheguei ao topo. depois disso. Às ve zes.Você ainda é virgem? Repliquei que isso não era de sua conta e ele riu outra vez. Não gosto de me gabar do fato . . formando um círculo no centro do qual ele se apresentava. olhando para cima como se a visão de minhas pe rnas abaixo da curta camisola baby-doll cor-de-rosa o fascinasse. . sem mencionar nomes. enfeitiçá-lo. mas faz as outras garotas parecerem desajeitadas e sem graça. eis aí o meu segredo. . que estava muito corado. Qual é o s eu segredo? .Você é boa demais para este lugar provinciano. eu voltava para casa direto da aula de balé e passava o resto do tempo com Paul.advertiu.Bem. . Sou o melhor que existe.declarou ele com voz tensa. . Catherine! Ergui-me de um salto. embora não o dissesse. levantava-me muito cedo .Pare com isso! De repente. Cathy. provocando-o ao correr-lhe o dedo pelo rosto bem bar beado. ele pousava os pés de volta ao chão com a leveza de uma pluma.Acho que sei mais a seu respeito do que sobre qualquer outra pessoa nes te mundo. com certa indiferença. e voltou os atrevidos olhos negros na direção de Norma Be lle. Não sei definir exatamente. Doutor. mas . De manhã. assistíamos a programas de TV. outras vezes ele me levava ao cinema. . Falavame de seus pacientes. . Este gostava de minha companhia à mesa. enquanto aguardava que Paul regressasse.Vá deitar-se. . afastei-lhe a mão com um tapa.Na verdade. Perguntei depressa por que ele vol tava com tanta freqüência a Clairmont se Nova York era o melhor lugar para se estar. o mundo int eiro saberá. deixando-me de olhos arregalados. quase nunca . parece que meu tempo disponível desapareceu. .Por que não? . .antes das seis . . Aprendia a ser cada vez mais c . de modo que pudéssemos ficar sentadas no chão.Já lhe revelei todos os meus segredos sombrios e você não se afastou de mim. . dizendo: . Pensei que queria ver-me com ela.Claro que não. pisei-lhe no pé e me afastei.Qual é o seu? Ele sorriu e colocou a mão espalmada em meu peito.Não . Tinha que sair logo depois do jantar p ara fazer a ronda em três hospitais das redondezas. Encurralou-me num canto para afirmar que era a "sua" maneir a de dançar que adicionava tanta sensação ao espetáculo.disse ele com um devastador sorriso de malícia. E u tentava ajudar Henny após o jantar. virei-me e deparei com e le parado junto ao pilar do corrimão. .Como deve saber. .E não ande pela casa com essas roupas! . com a mesma rapidez com que me encurralou. partindo desses grand jetés.Você pensa demais. .Para visitar meus pais . Não sei o que some com ele. eu percebia.Nunca? .disse Paul.Antes de vocês chegarem. Este era ótima companhia quando não estava cansado.Eu não lhe conto tudo. como Chris. . Eu conseguira encantá-lo. ele perdeu totalmente o i nteresse por mim e foi embora. Julguei que suas visitas tivessem como objetiv o saciar o ego. com exceção de Chris e Carrie.indaguei.Foi o senhor quem me deu esta camisola.

levantar-se da m esa e sair para a garagem.Será. pois todas as peças vinham de ferros-velhos. Quando acordava. Seu quarto ficava perto do meu. porém. enquanto eu ainda me limi tava a alimentar esperanças. .adverti com voz embargada. . Ainda assim. tere i carros de luxo: três ou quatro. m as nunca ousei procurá-lo à noite. Não o via o suficiente. quando eu for rico. Nada temos de semelhante e.começou ele. Detestei-o por dizer aquilo. Julian tinha um velho calhambeque de fundo de quintal . eu só tornaria a vê-lo à hora do jantar. quando Chris e Carrie retornavam às respectivas escolas. creio que todos os meus dias se inici ariam com lágrimas em vez de sorrisos forçados. Na verdade. . . quando eu atingir o topo da carreira .disse-me Paul certa manhã. Julian Marquet. Paul parecia ficar realmente à vontade comigo.omo Mamãe. você e eu . também tenho medo de você. era possível encontrar falhas nelas. Passou o braço por meus ombros. pois aquilo me soou por demais extravagante e ostensivo. Lá existe tanta coisa para se faz er. Pense em Nova Yo rk o mais breve possível. uma espécie de centelha sutil que revelava estar Paul tão atraído por mim quanto e u por ele. Nunca pude sonhar que alguém tão bom e nobre como Paul tivesse mácu las na vida.replicou Julian confidencialmente. como fazia com Chris. Tive que virara cabeça para fitar-lhe o belo perfil. . Deixou bem explícito que eu ficaria sob sua proteção e compartilharia de sua cama. iria aos hospitais e depois voltaria ao consultóri o em casa. um para cada dia da semana. doía-me não vê-los no mesmo quarto. a pele necessitava de mais cor e talvez os lábios fossem por demais cheios. era o que eu pensava na época.Dançar é tão remunerativo? . .respondi.Diga-me quem é você. . para se experimentar.Algum dia. Só nos fins de semana. alegando que o carro lhe custara apenas o tempo gasto para montá-lo. pelo menos. . . .Jamais diga meu nome desta maneira outra vez . . Examinando separadamente as f eições. ver melhos e sensuais. o resultado era sensacional. . como se ele precisasse de mim. quando eu fitava m eu prato de canjica. ao dar-me carona da aula de balé para casa. mas eu não permitia. Senti-me lisonje ada e um tanto embaraçada.Cathy . Conte-me a respeito de sua infância.ou. jamais via o suficiente as pessoas de quem eu gostava. Ri. embora eu me sinta lisonjeada por sua atenção.Ch ris costumava chamar-me de sua Lady Catherine e não gosto de ouvir qualquer outra pessoa dizer que sou sua Catherine. eu não sabia o que me causava medo nele.Você adoraria Nova York. o que mais gosto de fazer é mexer em automóveis . a menos que sentisse mais medo de mim mesma qu ando estava a seu lado. Desta feita.Depois de dançar. Creio que Paul tentava evitar-me. Sentia falta de Chris e de Carrie. limitando-se a deixar de lado o jornal.Não l he conheço o passado. pintou em cores vivas um quadro do que seria nossa vida e m Nova York. Julgava ser a única com um passa do feio e sombrio. minha Catherine . deixando me penetrar em seu coração? Exat amente como eu tentava fugir de Chris? Contudo. Era o homem adequa do para me ensinar o que eu necessitava saber. lançando-me um prolongado olhar enquanto o calhambeque seguia tossindo e espirrando. para se ver. algo se interpunha entre nós. de seu país. Ergui os olhos.comentou suavemente. movendo-me para ficar o mais longe possível dele. Esta ria procurando fugir às lembranças de sua Júlia. Tentei adivinhar se seu verdadeiro motivo era o mesmo que o meu.Que dupla formaríamos.explicou-me ele. puxando-me para perto de si. . pois o nariz poderia ser melho r.Eu não o conheço . minha vergonha era maior que a s ua . quando Chris e C arrie estavam em casa. Não era estupro que me amedrontava. se Paul ali não estivesse. num tom persuasivo. nem você conhece o meu. despertada por algo que ouvi em sua voz: um tom tristonho. Paul não disse mais nada. não deve ficar presa a este fim de mundo só para agradá-lo. Aquele médico com quem você mora não é seu verdad eiro pai. deixou bem claro que viera apenas para ver-me. sofria ainda mais por não têlos à mesa do café e.Sorria para mim. uma a uma. Apenas duas semanas se passaram e Julian tornou a voar de Nova York para Clairmo nt. ovos mexidos e toucinho. Em conjunto. pois ele já atingira o sucesso. Ou talvez até sete. E. . De lá.Por quê? Não tenciono violentá-la.

. O problema era que tipo de lugar? Depois do vinho e do jantar. que espiou para ver quem estacionava o carro à s ua porta. o . Julian entregou-me um cardápio. tenho absoluta certeza de que s e formássemos um par. Paul. bem decotado na frente e por demais adulto para uma g arota da minha idade. eu preferiria ir a um cinema com eles e Paul. E Paul. Eu não sabia ler francês. se você não se importar. A caminho de casa. mas logo Madame Zolta perceberia que seu talento ultrapassa em muito sua idade e experiência. mesmo enquanto Ju lian me ajudava a vestir um casaco leve. Com meu auxílio. a quem eu não poderia ver se fosse para Nova York.Você é linda . os cabelos revoltos bem penteados e maneiras tão perfeitas que ne m parecia a mesma pessoa. bem no fundo. Meus irmãos estavam andando de bicicleta quando eu falar a com Paul a respeito de meu primeiro encontro com um rapaz e. Julian levou-me para a pista de dança. com terno novo. mas poderia facilitar as coisas pa ra você. sap atos engraxados. senti ndo-me esquisita. Carrie que precisava de mim nos fins de semana. curvou-se para beijar Carrie.Saia comigo esta noite e lhe darei todas as respostas que deseja. Chris e Carr ie estavam em casa e. Julian examinou a lista de vinhos e. um tanto desapontada por ele não levantar objeções. Ao c ontrário do que lhe disse antes. Está bem? Paul lançou-me um olhar cansado e um sorriso amarelo. Era noite de sábado. . acima de tudo. Julian estacionou numa alameda retirada. ao mesmo tempo em que outra parte de mim. onde luzes coloridas rodopiavam e música de rock enchia o ambiente. Logo dançávamos ro ck como nenhum dos presentes seria capaz. Tive q ue dançar como um louco para chegar onde estou. quando eu pensava a mesma coisa a seu respeito. Juntos. não sou primeiro bailarino. formaríamos um par sensacional. pedindo-lhe que escolhesse por mim. Todavia.disse Julian. Chris aprovaria Julian? Julguei que não aprovaria mas. mas nada tem de tola. Mal consegui di scernir a sombra escura de Henny. estavam tão deliciosos quanto ele prometera. ele acendeu um cigarro.murmurei. meneando a cabeça em aprovação.di sso eu tinha absoluta certeza. enquanto minha mãe explora seu talento. Todos se afastaram para observar e. Seu tipo louro complementaria o meu moreno: a combinação perfeita. Eu estava zonza com a proximidade de Julian e a quantidade de vi nho que consumira. Desejava parecer sofisticada. Estava bem arrumado. . Eu usava um vestido novo. Cathy. aplaudir. . Julian estacionou em frente e olhei par a as janelas suavemente iluminadas ao brilho rosado do crepúsculo. provou a bebida trazida pelo garçom. Com a maior naturalidade. Quando a salada e o prato principal chegaram. Chr is o fitava raivosamente. quase me convencendo de que eu já era grande bailarina.Linda demais para permanecer enfiada aqu i nesta aldeia de matutos anos a fio. mas Julian. Apertou a mão de Paul. alcançaríamos grande sucesso. apenas faço parte do corpo de baile. Além disso. não obstante.Diga-me por que motivo se julga uma dádiva divina ao mundo do balé e a todas as mul heres que o conhecem. na verdade. você teria que começar no corpo de baile.Acho que já é tempo de você começar a sair com rapazes. sabia muito bem. . lembrei-me de Chris. Existe entre nós uma certa magia que jamais encontrei com outra bailarina. embora não o fosse.Esta noite. de pois. que de algum modo tinha um lugar em minha vida . Cathy. aceite i o convite para sair com Julian naquela noite. senti a desaprovação de Chris.Não . havia Chr is. Chegamos à grande casa em Bellefair Drive. Foi com grande relutância que mencionei o fato de ter um encontro marcado com Juli an Marquet. embora não devesse fumar. a minha outra metade. depois. Naturalmente. Julian chegou pontualmente às oito horas. E que noite ela se revelou! Meu Primeiro Encontro Hesitei em abordar com Paul o assunto de Julian. Ele não é muito mais velho que você é? . temendo come ter uma gafe. Ela é uma gralha velha. E prosseguiu naquele tom. Julian levou-me a um restaurante muito elegante. Minhas mãos tremiam tanto que o devolv i a ele. Com surpreendente segurança. Tudo aquilo era total novidade para mim e senti-me nervosa. Queria impressioná-la. a julgar pela rapidez com que selecionou nossos pratos. Pensei em Paul. como se traísse alguém. mas. sabia que eu não era sensa cional nem estava perto de poder apresentar-me em Nova York. você progrediria mais depressa que eu.

sem a sua ajuda. . então. Com você. Jamais contei isto a a lguém. resolvi pôr fim a tal idéia e troquei de sob renome. de repente tive medo d e perdê-lo. Especialmente meu pai. do encantador mundo da dança. quando eu me tornar um grande bailarino. enquanto a mão procurava acariciar a parte superior de minha coxa. Cresça. mas você possui algo em suas proporções que parece proporcionar o equilíbrio certo quando eu a levanto. algum pequeno detalhe que impedia que minhas apresent ações fossem perfeitas. por mai s que se recuse a admitir.Não se aproveitaria de mim. Isto quase o mata. . muito melhor do que ele conseguiu ser. continuo a dançar.Não passa de uma mald ita criança linda que tenta e seduz. Madame e Georges são meus pais. beijando-me o pescoço.Eu nunca tive essa feli cidade. aborrecido. Eu jamais fizera aquilo e não estava preparada para alguém tão avassalador quanto Julian. não desejo dizer ou fazer qualquer coisa errada com você. . se eu for um grande bailarino. . Conheço outras bailarinas menores e mais leves.indaguei.esbravejei. fale-me a res peito de você.Meus pais morreram . não será por meu próprio mérito. Por que mora com um médico e não com seus pais? . eu poderia ser. pois não estarei p or perto pelo resto da vida.Pare! . . mas machuquei as costas. Creio que você e eu somos muito parecidos. Nenhum deles sabe. o fato é que você foi feita sob medida para mim. Então. Julian sorriu. . Não é engraçado? Tenho um ataque de nervos toda vez que Georges ousa mencionar que tem um filho. t rate de não espalhar a novidade entre seus colegas.Por que se chama Marquet quando o sobrenome de seu pai é Rosencoff? . Além disso. Cathy .murmurava ele. A partir de uma certa época. Mas venci . mesmo quando eu era pequeno. E creio que isto também o mata. Sabe q uantas partidas de beisebol eu já joguei? Nenhuma! Eles nunca permitiram. as orelhas. mesmo assim. Fui para No va York quando tinha dezoito anos e completei vinte em fevereiro passado. tentando erguer um motor pesado dem ais. . venha comigo para Nova York. como faz qualquer artista que resolve mudar de nome. com grandes bailarina s. recostou-se no banco e virou-se para mim. Cathy. . Paul era ami go de meu pai e nos acolheu em sua casa. mas não satisfaz. de modo que ele permitiu que eu partis se para Nova York. Na su a opinião. Ele fazia parte do meu mundo. . na adolescência.Seria o seu anjo da guarda. E não se trata ape nas de você ser pequena e leve. Agora. mantinham-me tão ocupado ensaiando posições de balé que eu estava sempre cansado demais para fazer qualquer outra coisa. Quero transformá-la na melhor coisa que já surgiu em minha vida. será por mi nha própria conta . .disse ele. ligando o motor.Cathy.. Sempre me esforcei ao máximo para agradá-lo e nunca consegui. Teve pena de nós e não quis que fossemos pa ra um orfanato. Pude sentir-lhe o hálito quente em meu rosto.declarei. Como supõe que isso me faça sentir? Não muito afortunado. Ele sempr e encontrava alguma falha. Portanto. Sou o décimo terceiro membro de uma li nhagem de bailarinos que se casaram. Sinto dores constantes. aborrecida com a pergunta. pode apostar.Porta-se como uma criança .Vocês tiveram sorte . mas. Cathy. pois julgava que seria incapaz de vencer sem usar o seu nome.Leve-me para casa! .Julian! .Está bem.O Dr. eu não o chamaria assim mesmo que ele se prostrasse de joelhos e me implorasse. mas nunca me encararam como um filho. . Ou talvez seja porque seu corpo se ajusta às minhas mãos. . Seja lá o que for.comentou ele com certa amargura. . Tenho que provar a Georges que sou o melhor.Não faça isso! Não o conheço bem! Está avançando depressa demais! . aproximou-se até que nossas testas se tocaram e as bocas ficaram bem próximas. Por favor.Tomei um avião em Nova York só para vê-la e nem mesmo permite que eu a beije. que vê em mim uma continuação de si mesmo. Assim. estendendo a mão para desligar o motor.nde os namorados costumavam parar.gritei. Portanto.e ninguém saberá que ele é meu pai! Ou que Marisha é minha mãe..e ainda não sou um astro. mas porque sou seu filho e tenho o seu nome.Uma criança . Dois a nos .Cathy. Inventei um. se prefere conversar. na maioria dos casos. recuso-me a dançar. Geor ges nunca me permitiu chamá-lo de "Pai". Cathy.resmungou ele raivosamente. se eu aceitasse? . . . Futebol estava fora de quaisquer cogitações.

torne-se independente. Era melhor que fosse ele. ap arentemente..Não me diga que não tem saído com garotas. Cathy. após um cinema e uma visita a um clube para tomarmos um refrigerant e e uma cerveja.Não gosto dele. cons igo preparar-me para o exame de ingresso à faculdade. percebi o que ele pretendia fazer.O que faz nas horas vagas? . Desta feita. Julian. Quando o avistei lá fora. .indagou sem me encarar. Cathy.indaguei. Talvez eu também tenha ficado. Cathy! Seria melhor que ficasse em Nova York e deixasse você em pa z! Pelo que ouvi seus colegas de balé comentarem.Oh! Chris. perto da minha porta. mas ele me soltou quando eu já estava prest es a berrar de pavor.Ainda não conheci uma garota que se comparasse a você. palavra de honra.Que horas vagas? Não me sobra tempo quando paro de me preocupar com o que possa estar acontecendo com você! Gosto do curso. Eu precisava tratar d e encontrar outra pessoa. acho. permiti que ele fosse um pouco além de beijar-me. Aqueles caras agem depressa e você tem apenas quinz e anos! Avançou para tomar-me nos braços. Mas um simples olhar à sua expressão torturada foi-me suficiente para compreender qu e o que se iniciara há tanto tempo atrás não seria fácil de deter.Pare! Já lhe disse antes: vamos mais devagar! . Vivo à espera dos fins de semana. Ele manteve o rosto colado ao meu quando replicou pausadamente: .Conheço-a como a palma de minha mão. .. . pare de agir com tanta pressa.Talvez.Por favor. quan do posso rever Carrie e você. Chris se voltou para me fitar nos olhos.Muito bem. Julguei que pretendesse quebrá-lo.Muito bem Quando não estou pensando em tudo o que serei obrigado a estudar no pr imeiro ano de medicina . Quanto mais tempo permanecer aqui. . pois só assim Chris perceberia que tudo acabara para sem pre. . .perguntei. senti-me atraída para ele pela atitude d e seus ombros encurvados.Eventualmente.Foi você quem pediu! . Deixe-me pensar um pouco mais no assunto.anatomia geral. tentando desviar-lhe o pensamento de mim. Agarrei minha bolsa e comecei a bater-lhe com ela no rosto.. Julian ficou um pouco tocado. Não quero deixá-los ainda tão cedo. mesmo involuntariamente. que tanto lutava para provar que era melhor bailarino que o pai. Chris estava na varanda. de pijama.Há meu irmão e minha irmã. eu estava preparada. D etesto garotas deste tipo! Lembrei-me de Chris e comecei a chorar. Realmente teria prazer em fazê-lo se não passasse o tempo todo pensando em você. a testa franzida numa expressão de amargura. creio.. Não negaceei quand o ele me convidou para sair.Nova York é tão grande. Senti pena dele e fique i emocionada. mais difícil será afastar-se. de modo que nenhum dos outros bailarinos a convidará para sair.esbravejou ele. Gosto de você.Não pode acender-me e depois apagar-me. Cresça. será obrigada a deixá-los. . ele tornou a levar o carro para a alameda dos namorados que.. . . De repente. mas não me dá oportunidade de amálo. . Julian arrogou-se o direito de exclusividade sobre você. que tinha a necessida de de mostrar-me melhor que minha mãe em todos os sentidos! Da outra vez que Julian veio de Nova York. . . Como era semelhante a mim. afinal tínhamos os mesmos o bjetivos. Logo você a conhecerá tão bem quanto eu. .Com quem você tem saído? . É impossível ser independen te em casa. tocando-me com tanta perícia q ue em breve comecei a corresponder. micro-anatomia e neuro-anatomia -. . . Por favor. Gesticulei nervosamente. Então. Tomamos vinho no jantar.Como foi? . Cathy. sufocando um soluço. . Quando entrei no quarto para me despir. existia em todas as cidades. Meus pensamentos se voltaram para Julian. Fitou o espaço. Julian deitou-me de costas no assento. precisa esquecer-me e tentar encontrar outra pessoa. deixando-se dominar pelos outros. Julian agarrou-me o braço e torceu-o impiedosamente para as costas até que gritei de dor.Como vão os estudos? . Logo ele se tornou ofegante. Ele é de Nova York. .

por baixo e em torno de nós. não prec iso de você tanto quanto imagina . morto. confundindo-me e aterrorizando-me. . ela no s obrigara a isso. sobre uma mesa de necrotério. descendo-a depressa e indo espiar pelas vidraças da sala. Como nossa vida piorava quando chovia e o quarto se tornava úmido e frio. quando eu desse minha tarefa por terminada. E estava chovendo. mal consigo lembrar-me de sua fisionomia ou do som de sua voz.Cathy. Fui invadida por um grande alívio ao vê-lo em segurança e não estendido. esgueirei-me até o quarto de Paul e abri cautelosamente a porta. Naquela noite. mas garota nenhuma pode tratar-me co mo um matuto. Mamãe o perturbara e d istorcera. agora. eu segurava no colo um frágil irmãozinho que me cha mava de "Mamãe". chorei. ele não conseguia afastar-se. Cathy.Há quanto tempo está em casa? . Não conseguindo dormir. esmagandome os pensamentos. provavelmente. Detestei a chuva que caía logo acima de minha cabeça. e seu jovem marido. Oh! Chris era louco ao desejar ser médico! Jamais teria uma noite inteira de re pouso. a chuva batia com força e. Se Paul morresse? O que seria de nós? Paul.bradei. Teria que ser alguma coisa que ela prezasse mais que dinheiro. pensei muito em uma maneira de poder fazer Mamãe pagar e encontrei a resposta exata. Então. Sentada numa velha cadeira de balanço prestes a desmontar-se. Por algum motivo peculiar. abarrotado de brinquedos.Preocupei-me tanto com você que nem conseg . exceto Chris e Carrie. embora Chris necessitasse de mim de um modo errado. Existem muitas garotas dispostas a se entregarem.na outra extremidade da casa. com gravuras do inferno nas paredes. que ficava tão longe . Ninguém precisava de mim. A luz mal dava para perceber que ele usav a o roupão vermelho que lhe tínhamos dado de presente no Natal. Meu Deus! .I mplorei. fumando um cigarro no escuro. Se Chris e eu tínhamos pecado. Portanto. E aquele seu cheiro característico desapareceu. Chovia forte. a deze sseis quilômetros do perímetro urbano..Não permita que ele sofra um acidente! Por favor. um tanto prejudicada pelo fato de have r-se casado com seu meio-tio. o preço que lhe causaria maior sofrimento. Rezei para ver um carro branco estacionado na alameda de acesso ou chegando ao portão. em seu quarto adjacente à c ozinha. Ocorriam muitos acidentes em noites chuvosas. querendo abraçar Ca rrie e estreitá-la contra mim. Por Chris. .não em troca de nada! Naturalmente. A escola de Chris ficava a cinqüenta quilômetros. Vime jogada de volta num quarto trancado. acalentando-o enquanto as tábuas do assoalho rangiam. Minha mãe só se satisfazia com o melhor! Por algum motivo que nem mesmo eu conhecia. Bartholomew Winslow para instalar sua segunda casa "de inverno" em Greenglenna. por que não está deitada? Girei nos calcanhares. não passava de um monte de ossos na sepultura. . Virei-me na cama. quando no sótão só havia uma escuridão deprimente e rostos mortos ao longo das p aredes.e ele ainda não estava em casa! Ninguém na casa exceto Hen ny. ataquei Paul como uma mege ra: . O matraquear das gotas no telhado era como o rufar de tambores mi litares que me levavam a sonhar e voltar exatamente para onde eu não desejava. por cima. confortavelmente sentado em sua poltrona pr edileta. Pensamentos mórbidos. como costumava cair quando éramo s prisioneiros.Há algo errado. Papai. Mas Carrie estava no internato para meninas. a enorme mansão c om incontáveis aposentos aguardava o momento de devorar-nos. Paul! gritei com meus botões ao correr para a es cada. O despertador na mesinha de cabec eira marcava duas horas . Duas coisas: sua honrada reputação. Mandara realizar uma extensa reforma para que o lar do marido fica sse restaurado exatamente como quando fora construído. Lá estava Paul. não o leve como levou P apai! Por favor! . Mamãe tinha q ue pagar por tudo que nos causara de errado. Não seria dinheiro. quando estávamos sozinhos.Ouça. o vento uivav a. Catherine? Errado? Por que ele me chamava de Catherine à noite. empurrando-o para mim. jogos e grande s móveis escuros. poi s isto ela tinha de sobra. Ela perderia ambas. Julian não precisava de mim. Faixas como tecido cinza de nossa avó vieram apertar-me a cabeça. saí da cama e vesti um negligé transparente. e só C athy durante o dia? Tudo estava errado! Os jornais de Greenglenna e o da Virgínia que eu assinara e recebia na escola de balé falavam a respeito das providências toma das pela Sra. Sacudi a cabeça e tornei a olhar para a cama perfeitamente arrumada de Pau l. por Carrie que não crescia e por Cory que. Já estou meio apaixonado por você.

que era território proibido p ara mim. .. .indaguei. Paul era tão semelhante a Mamãe. fiquei senta da na esperança de que talvez trouxesse o xampu que lhe pedi. Eu estava disposta a abrir mão totalmente de todos os divertimentos aproveit ados pelas moças da minha idade.Comi a salada e o bife que Henny deixou para mim no forno.Esqueceu-se. sua falecida esposa. de modo que após esperar horas a fio por você. peço-lhe desculpas.Desde onze e meia . . sem me importar com o que pudes se custar aos outros? Pretenderia obrigar Paul a pagar pelo mal que ela me causa ra? Ele não tinha a menor culpa. .à exceção de Chris.Estou tentando controlar a raiva. . Ela sempre consegue o que quer. Talvez leve as aulas de balé a sério demais. peça desculpas por ter gritado comigo. P eço-lhe desculpas por não ter telefonado para explicar que houve uma emergência e não pu de voltar a tempo. Portanto. .Está sendo sarcástico? .Deve estar muito cansada. tão controlado.ui dormir! E você estava aqui. Sinto muito ter esquecido o cinema. ali sentado. Só Chris jamais se esqueceria de algo que eu desejasse ou necessitasse. E stremeci. . Então.declarei. quando tornei a abrir a boca para fa lar. A única desculpa que posso apresentar é dizer que sou médic o e o tempo de um médico nunca lhe pertence..berrei. fitando-me tota lmente surpreso. O que me torturava era algo mais que simples desapontamento! Em lugar nenhum exi stia alguém em quem eu pudesse confiar . Eu o compreendo. Como poderia eu explicar-lhe que era impossível relaxar? Eu tinha que ser a melhor . impulsivamente. . como pôde esquecer-se? Ontem. da mesma forma que lhe pedi desculpas por desapontá-la. Sempre apresentava um sembla nte triste quando se lembrava dela. sou malcriada com você e me esqueço de tudo o que fez por nós. sem jeito. . estendi a mão para tocar-lhe o rosto.Hoje. Eu nunca consigo alguma coisa.. Oh! que tipo de pessoa era eu? Seria tão semelhante a Mamãe a ponto de ter que conseguir tudo o que queria. conseguia permanecer sentado. esperando que você apareces se . quando queria.mas esqueceu-se! Por que permite que os pacientes lhe façam tantas exigências q ue o impedem de ter sua própria vida? Paul passou muito tempo sem responder. . Como adivinhou? O que ele sentia estava estampado no rosto tão sombrio quanto a espaçosa sala de est ar.Há quanto tempo está em casa? . Paul pensava nela: em Júlia.Porque a chuva o isola do resto do mundo. desculpe-me ter gritado.Seria capaz de me bater. algo mais ou menos desse tipo.Sim. tenho algo na cabeça além do cinema e do x ampu que você pediu..Mais uma vez. . Por este motivo. . com uma vergonha que chegava a doer. Não que ria amigas que não dançassem. mas esqueceu completamente! Terminei os dever es de casa. . Talvez deva relaxar um pouco. encarando-me. Catherine? Será que ir ao cinema significa tanto para v ocê que não consegue compreender como pude esquecer-me? Agora. Mas não consigo dormir bem quando estou fatigado demais. Seria ótimo se você pudesse controlar a sua. devia levar-me ao cinema.Está remodelando e redec orando uma casa.Paul. Às vezes. esqueceu-se de trazer as coisas da lista que lhe entreguei. não obstante. vesti as melhores roupas e fiquei sentada. ele disse num tom suave: .. Também não veio janta r ontem. . E não go sto do barulho da chuva no telhado. não obstante. tão seguro .como ela! Avancei para agredi-lo mas ele me segurou os pulsos.. Aproximei-me da poltrona e. li a respeito de minha mãe . Mas você não trouxe! . estava um homem que declarava necessitar de mim e ficara magoado com a maneira detestável pela qual eu o tratara. Não queria um namorado que não fosse bailarino.e ser a melhor em qualquer atividade significava horas e horas de trabalho in sano. o tempo todo! Não veio jantar hoje.Parece mesmo perturbada.respondeu Paul. Recuei alguns passos. causando-lhe solidão? Paul sorriu de leve.Não estou com raiva! . Não queria coisa nenhuma que pudesse constituir obstáculo à minha carreira e.quando eu jamais conseguia sê-lo! Não se importava. olhando par a mim daquela forma! Realmente não se importava de fazer promessas e não as cumprir .

você encontraria a paz e perdoaria tudo.Para você. Perdi meu irmão mais moço. chorar d ormindo e chamar por sua mãe como uma criança de três anos. Ela quis me matar.E o que pensa você? Mas Julian . às vezes escutava certas coisas.portanto.Acho que ainda não estou pronta para enfrentar Nova York . . Paul sentou-me e m seu colo. Catherine. . . aproximei-me outra vez da poltrona. fazendo perguntas dessa espécie e zangando-se porque me esqueci de comprar algo para você na farmácia. como se tivesse levado uma punhalada. Todos nós espera mos o melhor de nossas mães. poderá desenvolver-me mais depressa que sua mãe.Toda noite sonho que estou em Nova York. se é o que deseja.Você e Chris . Julga que. replicando que nem sempre ele fechava bem a porta do con sultório e. . Então. intenção era apenas economizar seu dinh eiro! De agora em diante. se você mesmo não o faz? .Por que sente tanta necessidade de vingar-se? Julguei que acolhendo vocês três e f azendo o melhor possível em seu favor.indagou ele naquela voz macia que m e provocava arrepios na espinha. Você não sabe. fala com tanto entusiasmo que às vezes me faz acreditar. obse rvando-me cheia de incredulidade. .respondeu ele.Julian está de volta à cidade. Ele replicou que eu devia ir para a cama e deixar de perambular pelo corredor dos fundos. Não co nsegue perdoar e esquecer? A única possibilidade que nós. com beijinhos suaves e mãos caridosas que . talvez consiga dormir à noite. Tem certeza de que está tão des esperadamente necessitada de xampu? Sentindo-me tola. Acrescentou que contin uaria a fumar enquanto desejasse.Não se envergonhe de ser humana.porque não foi vítima. com as lágrimas escorrendo-me pelo rosto. Acho melhor estar pronta p ara esperar o pior de todo mundo. Vejo minha mãe na platéia. Eu quero que ela me veja da nçar e compreenda que tenho muito mais que ela a dar ao mundo. se eu estivesse no corredor dos fundos. arregalei os olhos. . alim entou-nos com doces envenenados! Assim. Muitas e muitas vezes eu a ouvi chamar por sua mãe . Trate de usar o seu bom senso e não se deixe influenciar por alguém que talvez deseje apenas usá-la. com os olhos cheios de pena. . mesmo? . Julian é um jovem bonito. tornei a zangar-me. que era como um filho pa ra mim. no palco. . em vez de se debater na cama. Catherine. . é fácil falar em perdoar e esquecer . pobres seres humanos.Às vezes. juntos. saí com ele esta noite.. Paul franziu a testa.Sim. nunca mais lhe pedirei para comprar algo de que eu nec essite! Quando você me convidar para jantar fora ou ir a um cinema. Portanto. Já que você me deu o bolo ontem. traindo-nos da pior maneira possível! Não nos disse uma só palavra que nos informasse da morte de nosso avô e continuou a mant er-nos trancados durante nove longos meses e nesses nove meses intermináveis.Eu chamo por ela? . pois ela terá que pagar pelo que fez! Mentiu para nós. com arrogância suficiente para dez homens maduros. Pode fazer-me pagar por tudo o que sofreu. não me desapontarei. Madame Zolta.Não. Quando comecei a soluçar.atalhei com amargura. porta-se como uma esposa.murmurei. Reconfortou-me como um pai. Acredita que sua professo ra de balé.Catherine! Pode odiar-me. Mas eu fui. temo s de alcançar a santidade é aprendendo a perdoar e esquecer.replicou ele num tom inexpressivo.Por que continua a fumar? Como pode aconselhar os pacientes a deixarem o vício. . . Eu não queria falar a respeito dela. assim. não se atreva a falar em perdoar e esquece r! Não sei como perdoar ou esquecer! Só sei odiar! E você nem imagina o que seja odiar como eu odeio! . . que não era meu lugar.Não. Eu a odeio por isso! Odeio por de z milhões de motivos . Eu amava Cory e ela lhe roubou a vida. Aturdida. embora involuntariamente.Só lhe pedi que me trouxesse as coisas daquela lista porque você costuma passar po r uma drogaria onde tudo é mais barato! Minha. porque parece tão convicto.Vá devagar. . formaremos um par brilhante. Soltei um riso nervoso. não me venha falar em perdoar e esquecer.Como sabe o que digo aos meus pacientes? . Julian acha que estou pronta para enfrentar Nova York. estarei prepar ada para ser desapontada e.

os olhos ficaram inexpressivos e seus braços me est reitaram.Sim . Tinha medo de perdê-la para outro . Júlia não sentia prazer no sexo. desejando então que meus ouvidos não fossem obrigados a escutar. Às vezes. enquanto ela se enco lhia com os olhos arregalados e cheios de pavor. Ela seria a esposa perfeita para um médico e eu seria o ma rido ideal. suspirou e prosseguiu: .Espero que você. . Júlia era filha única.Vai contar-me a respeito de Júlia e Scotty? . sob certos aspectos. Amav a-a muito. era o que ela não se cansava de repetir. você consiga tirar proveito de algo que aprendi. . Se não conseguir. Fechei os olhos com força. se não nos casássemos logo. Portanto. Assim. Nunca proporcionei a mim mesmo. a opo rtunidade de experimentar como eram os outros . Amava Júlia. Eu não acreditei naquilo porque não desejava acreditar. consiga voltar para a cama e esquecer a vingança.Júlia e eu éramos namorados de infância. eu a amava. Observei-lhe o rosto. Colocamo-nos m utuamente em pedestais. Eu tivera algumas experiências sexuais. Amara-a durante a maior parte de minha vida e simplesmente não conseguia acreditar que fizera a escolha errada. Paul afrouxou os braços em torno de mim. Na época. desejava-a e. Neste ponto. não muitas. eu nunca tiv e outra namorada. Portanto. se eu lhe contar. Depois que ela me implorou que lhe desse mais tempo. Júlia tornou-se cada vez mais bela. . Contudo. após escutar minha estória. só que pior. eu tinha dezenove. lembrava-me de la aqui e imaginava que homem a estaria cobiçando. mimada pelos pais. passei a ler todos os livros sobre relações sexuais que consegui encontrar. afinal. gritou quando tentei despir-lhe a camisola. Talvez. .me acariciavam. Mas Paul falou por minha causa. na noite seguinte tudo se repet iu. Convenci-me de que me portaria com tanta ternura e amor que ela feria prazer em ser minha esposa. recostando-se na po ltrona. Fiz o possível para excitá-la. parei e decidi tentar outra vez na noite seguinte. existem outros motivos. Júlia era v irgem e julgava que eu também fosse. Pois está enganada. causará mais mágoa a si mesma que a qualquer outra pessoa. Talvez. Namorávamos firmes e trocávamos cartas. embora morássemos apenas a alguns quarteirões de distância u m do outro.como se isto fosse possível. lacrimosa: "Ora. Não levei meus votos matrimoniais na brincadeir a e estava decidido a ser exatamente o tipo de marido capaz de fazê-la feliz. tive medo do final. Entrou no quarto usando uma longa camisola branca e tinha o rosto tão branco quanto a camisola.e isto foi um erro terrível. teríamos três filhos. no intuito de ganhar dinheiro.ou. Com o decorrer do tempo. Fez uma pausa. Eu me jul gava o sujeito mais afortunado do mundo e Júlia me achava perfeito. Percebi que estava aterrorizada. Júlia levou duas horas para despir-se n o banheiro. Fomos bastante tolos para acreditarmos que nosso amor duraria para sempre. Cathy.isto teria que esperar até que ela tive sse uma aliança no dedo. casamo-nos quando Júlia tinha dezenove anos e eu vinte. p ara salvar-me . pois não necessitava de mais nada para acres centar à angústia que já sentia por um menino morto. mas estava bastante ansiosa para saber como Júlia e Scotty haviam morrido no mesmo dia. por que não pode ficar aqui deitado e apenas me abraçar? Por que tem que ser tão feio?" Eu também era apenas um menino e não sabia como enfrentar uma situação daquelas. mas ela jamai s permitiu que eu fizesse algo mais íntimo . Ela indagou. Quando fui para a universidade. . termine i por possuí-la à força . Não obs tante. como se o que tinha a dizer fosse muito doloroso. Entretanto. apertou-me a mão com força. pelo menos. tentando todas as técnicas para . nem a ela. Com os olhos fixos nas vidraças banhadas p ela chuva. .Júlia e eu nos beijáramos muitas vezes e andávamos sempre de mãos dadas. Isso acontece todos os dias.Você julga que apenas sua mãe cometeu crimes co ntra as pessoas que ama. a voz de Paul se tornou mais profunda. Júlia me pertencia e eu fazia questão de deixar o fato bem evident e para todos os outros meninos. Ela nunca teve outro namorado.a voz dele assumiu um tom duro. na nossa noite de núpcias. se iguale ao horror da sua.Coloquei um anel de noivado no dedo de Júlia no dia em que ela completou dezoito anos. Ela adorava o pai e costumava dizer que eu era como ele. Quando Paul começou a fa lar de Júlia. também tenho minha estória para contar. Sua voz assumiu um tom amargo.Catherine.

mas nunca tentara o suicíd io. . deixei-a realmente em paz . a fim de comprar mais balas. natural mente. Era tão li nda. alegando que ser ia por demais embaraçoso e querendo saber por que motivo eu não podia deixá-la em paz.Depois disso. recusei-me a pedir divórcio de minha esposa e arriscar-me a perder Scotty para servir de pai a um filho que talvez nem fosse meu. mas. pois sabia que era algo terrível. parou de falar comigo.mas só lhe causei repulsa. Júlia pla nejou para ele uma festa de aniversário e convidou seis outras crianças que. Tive pena dela quando gritou que me faria p agar caro. era o tipo de menino que não se deixa estragar por excesso de amor. tratando de conservar a casa limpa e arrumad a. línguas-de-so gra. Júlia descobriu que estava grávida. Então. voltei para casa e encontrei uma esposa que eu jamais tivera oportun idade de conhecer. . Sentei-me na varanda da frente e esperei. Os anos se passaram enquanto Júlia se mantinha distante. Nunca uma criança foi tão amada e mimada como meu filho e. desceu a escada com Scotty. Júlia. pois ela me dizia que tomava pílulas anticoncepcionais. Júlia e Scotty ainda não tin ham voltado. eu a traía. mas ela se recusou terminantemente. inibiu para sempr e o sexo de minha esposa. quebrando meus votos matrimoniais e transformando-a em alvo de zombari a da cidade inteira! Ameaçou matar-se. Tivemos um caso que durou vários anos.Sempre havia por perto mulheres dispostas a satisfazer os desejos de um homem e eu tinha no consu ltório uma linda recepcionista que não fazia. Scotty segurava a mão da mãe e trazia sob o outro braço o veleiro que eu lhe dera. Então. passar minhas camisas e pregar os botões que caíam. Eu estava em casa e. Júlia me disse que temia não ter comprado balas suficientes para a festa e. ela me procurou para dizer que estava esperando um filho meu. enquanto me aninhei melhor em seus braços. S eus belos cabelos escuros estavam amarrados para trás com uma fita de cetim azul. Henny preparara um bolo eno rme. segredo de estar mais do que disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. Júlia disse-me sem maiores rodeios que já cumprira o s eu dever. Comecei a beber depois que me formei na universidade e. Julguei que aquela explosão serviria para purificar a atmosfera entre nós. felizme nte. Comecei a ficar preocupado. Fiquei eufórico e cr eio que ela também. Dentro de casa. com pais ostensivamente felizes. vestindo voile azul. chapéus de palhaço e outros brindes para as crianças. dei-lhe um veleiro de brinquedo para combinar com a roupa de marinheiro que ele usaria naquele dia. . certo dia. temendo o que estava por vir. Jamais fique i sabendo ao certo o que fez o primo. Júlia n unca mais me falou no caso. pois sabia que ela possuía vários amantes. Júlia acusou-me furiosamente de infidelidade conjugal. mas ela recusou. Foi num sábado. Agora. de modo que peguei o carro e fui à confei . algo a respeito de um primo que lhe fizera certas coisas quando ela tinha apenas quatro anos de idade. Julgue i que éramos ambos muito discretos e que ninguém tinha conhecimento de nossas relações. quando sentia vontade. pois queria que eu permanecesse em casa para a eventualidade de algum convidado chegar antes da ho ra. mas fiquei profundamente magoado . procurava alguma outra mulher que tivesse prazer em minha companhia na cama. Nem mesmo pude acreditar que a criança fosse minha. P ortanto. embora ela sempre chorasse depois. chegou o mês de junho e o aniversário de Scotty. Na verdade. dando-me um filho. pois desejava que nosso filho tivesse um lar normal. tão desejável e estava tão próxima de mim que eu ocasionalmente a forçava. que me faria sofrer! Já ameaçara matar-se antes.prosseguiu Paul. Não me incomodei com ter de deixá-la em paz. Então. iria a pé com Scotty até a confeitaria mais próxima. e que daquele momento em diante eu deveria deixá-la e m paz. que estava por demais excitado com a perspectiva da fe sta. com bolas penduradas no lustre. Ela perdeu a calma. Ofereci-me para levá-los no carro. lavar minhas roupas. argument ando que fizera o melhor possível e dera-me o filho que eu tanto desejava. Não pude acreditar. já que fazia um dia tão lindo. a mesa da sala de jantar estava arrumada para a festa. Sugeri a Júlia que fôssemos ambos consultar um conselheiro matrimonial ou um psicólogo. a não ser quando Sc otty estava por perto. viriam com as respectivas mães. A voz de Paul passou para um tom ainda mais grave. que completava três anos.Após o nascimento de Scotty . Os convidados começaram a chegar por volta das duas horas.excitá-la e fazer com que me desejasse . Conversei com a mãe dela a respeito de nosso problema e minha sogra insinuou que havia um sombrio segredo no passado de Júlia. fosse lá o que fosse. a fim de ajudar a acalmar Scotty. Eu lhe dera um filho que ela amava de forma quase i rracional. Naq uela noite.

mas ninguém os vira lá. chegando apenas à altu ra dos joelhos de uma pessoa adulta.Não vi ve me dizendo para perdoar e esquecer? Perdoe-se e esqueça o que aconteceu a Júlia. Minha maneira seria melhor. . parando para indagar dos transeuntes se tinham visto uma senhora vestida de azul e um menino com roupa de marinheiro . Abracei-o quando ele sacudiu a cabeça. Não obstante. Então. Costumava o bservar minha mãe para ver como ela amansava Papai se este ficava zangado. repeti o processo com Júlia. produzi um som sufocado. Fui estúpido por não perceber o que ela estava pensando e planejando fazer. a quem tan to amava.declarei com voz embargada.Diga-me como uma esposa deve agir na noite de núpcias. As mechas de longos cabelos escuros estendi am-se para enroscar-se nas plantas aquáticas. Rodei pelas ruas a procurá-los. Então. Corri tão depressa que meu coração chegou a doer. . que tossiu.Sinto muito . Apontou a direção que haviam tomado. não. Lá estavam eles: ambos flutuavam na água. Então. . olhares ternos e pequenas carícias. muito melhor. como eu costumava faze r quando criança. pelo menos. Júlia ma ntinha os braços apertados em torno de Scotty . Paul fez uma pausa e me fitou no fundo dos olhos. . Coloqu ei-os ambos no carro e os levei ao hospital mais próximo onde os médicos lutaram des esperadamente para reviver Júlia. saltei e corri a pé ao longo da trilha de terra. mas Scotty parecia morto. . . Mas não os vi.taria.exclamei. cheguei à margem gramada do rio. Portanto. Faria eu a mesma coisa? Não. De sde pequenina. a única que tem saudade e tristeza. que obviamente lutava para liberta r-se dela.Eis a minha estória para uma garota que julga ser a única pessoa que sofreu. Tentei acalmar-me. e Júlia demonstrara um interesse desusado. Sentindo a terrível angústia de Paul. . Acho que interroguei cinco ou seis pessoas antes que um rapaz de bicicleta me desse uma resposta positiva: vira uma senhora de azul e um menino carregando um veleiro de brinquedo. Dirigiam-se ao rio! Segui com o carro até onde me foi possível. mas meu filho estava morto. mas agarrei-me como visgo.Então. perguntei se tinh am comprado balas. Joguei a cabeça para trás e s orri para Paul como vira Mamãe sorrir para Papai. Ela teve que matar a pessoa que eu mais amava: meu filho.Esqueça Júlia! . dizendo com meus botões qu e Scotty apenas desejava colocar o bote e flutuar no rio.Num piscar de olhos. Foi então que comecei a sentir-me realmente amedrontado. Júlia matara por vingança. poucos dias antes do aniversário de Scotty.Mas você pode ter outros filhos. Mas não conseguiram. mesmo agora ainda não consigo compreender como ela foi capaz de matar nosso filho. Assistimos à Medéia na TV. mas também carrego comigo o remorso. Não abriu os olhos. engasg ou-se e vomitou a água. claro que não. mas. embora não gostasse de televisão. Na confeitaria. Poderia ter-se divorciado de mim e eu não lhe tiraria Scotty. Não consegui falar. Contudo. . ainda respirava. . Júlia ainda vivia. da mesma forma que eu não conse guira reviver Scotty. eu apenas fingirei que você é meu noivo e que acabo de sair do banheiro. com tanta pena que tive necessidade de beijar o rosto de Paul. A fita azul se solta ra do cabelo de Júlia e também flutuava. depo is de me despir. Deveria ter percebido quão instável era Júlia. a única que perdeu alguém. num esforço inútil pa ra fazê-lo recobrar os sentidos. i sso não seria vingança suficiente para Júlia. Pr osseguiu: . esperando vê-los no caminho. abraçando-lhe o pescoço e estreitando-me contra ele. mas ele não escutou. tentei tratar dele. estavam sempre acariciando-se e beijando-se. Fazia-o por meio de beijos. O rio era raso. de rosto para cima.Acho que você deve ir para a cama e esquecer essa brincadeira de fingir. pois ela continuaria viv a para continuar sofrendo interminavelmente. Ou acha melhor despir-me na sua frente? Que tal? Ele pigarreou e tentou afastar-me de si. tomei-os nos braços e os trouxe de volta à margem. temendo chegar lá tarde demais. Fiz todo o possível para bombear-lhe a água dos pulmões .Não lhe direi tal coisa! . Que espécie de mulher fora Júlia? Semelhante à minha mãe? Minha mãe mata ra para ganhar uma fortuna. Oh! Eu tenho saudade e trist eza como você. O pequeno veleiro vagava ao sabor da correnteza. Pode casar-se novame nte. Não quero desapontar meu no ivo. sei que os homens precisam ser amados e acariciados. Lembrei-me de meu pai e minha mãe.

disse Paul numa voz tensa e estranha.Quando estávamos trancados no quarto. Mas seu lugar em minha vida é o de filha .Não sei como estou olhando.Oh! . . Vocês não são maus. a menos que seja em legítima defesa. . Entretanto. onde entrou e bateu a porta com força.imediatamente! .Acha que os avós tinham razão . E. Eu detestava quando as pessoas ocultavam os olhos e eu não podia ler neles a verdade sobre o que pensavam. tão pequenos e adoráveis. parando ao lado d e minha cama estreita.Não me olhe assim. os lábios cheios e sensuais entreabertos. Tenho certeza de que eu não resistir ia. enquanto a chuva fustigava as vidraças. eu diria que acertaram em che io. Portanto. Ele era como você. grandes demais para seu tamanho e idade. de repente. Podemos providenciar para qu e seu nome seja mudado legalmente. Catherine Sheffield . como sempre. . nossa avó nos chamava de filhos do Demônio. hesitou.Paul.que somos frutos do m al! Ele girou para me encarar.. eu tentara duas vezes e ele me rejeitara outras tantas. .Tão apaixonados que não pararam a fim de analisar o fu turo e as conseqüências.exclamei. . . .Não torça o que digo para satisfazer sua necessidade de vingança. Beijei-o repetidamente e logo ele começou a corresponder. o d om de saber apreciá-la e. doente de desapontamento.Vá dormir.? . . ultrajada. mas. ta lvez me conduzisse mais cedo ao êxtase sempre adiado pelo qual meu corpo tanto ans iava. . Paul deu a impressão de esque cer-se de quem eu era e roçou o rosto áspero no meu. Agora.disse ele da porta.. Nunca existe motiv o suficiente para justificar homicídio. Foi tão terrível o que Mamãe fez: casar-se com seu meio-tio . se é isso que está pensando. Mais uma vez. Minha voz tímida arrancou-o de um devaneio que. Nossos avós julgavam que nossos pais haviam cometido um pecad o mortal e. Paul sorriu.nada mais que isso. talvez.Como me chamou? .Estava chovendo naquele dia de junho em que você sepultou Júlia e Scotty? . . tive que falar e estragar tudo. caminhando depressa para seu quarto.murmurei. Não há dúvida de que t enho à minha frente uma garota fervilhante de emoções adultas.Paul. Chamavam-nos de corruptos.Creio que seus pais estavam muito apaixonados e eram muito jovens . Tinham razão? Estavam certos ao desejarem matar-nos? Eu pronunciara exatamente as palavras certas para trazer Paul de volta à realidade . se eu ficasse calada. .Que diferença faz? Qualquer dia em que enterramos entes queridos é chuvoso! E se afastou de minha porta. por isso. Largou-me depressa e virou a cabeça para o lado. acariciando-me sem usar as mãos. eu estava livre para prosseguir meu alegre e destrutivo caminho.Oh! .até mesmo os gêmeos.Não foi uma falha Freudiana. caso seus pais tenham assumid o um risco calculado quando resolveram ter filhos. seus lábios se contraíram numa linha fi rme sob os meus e ele passou os braços por baixo de meus joelhos e ombros. até mesmo um excesso de talentos. Paul foi direto ao meu quarto e. Deus e as probabilidades tomaram seu partido e deram a vocês muita beleza. Tenta seduzir-me.mas também an siosa e excitada. que era apenas três anos mais velho que ela? Nenhuma mulher que tivesse um coração d entro do peito seria capaz de resistir a ele. . Apertou-me contra o coração por um tempo dolorosamen te prolongado. Julguei que me levava a seu quarto a fim de fazermos amor e me senti amedrontada. Levanto u-se comigo nos braços e se encaminhou para a escada.. Tornou-nos inseguros a respeito do que éramos.perguntei. a fim de que eu não lhe visse os olhos. . tão volumoso que bloqueava a luz do corredor. fazendo-nos duvidar de qu e tínhamos direito de viver. E tinham muito de que se orgulh arem dos quatro netos que seus pais lhes deram. Sheffield seria uma escolha bem melhor.Está jogando um jogo perigoso. . Di zia que éramos sementes daninhas plantadas no solo errado e jamais produziríamos alg o de bom. . éramos desprezados . S enti-lhe a carne esquentar.. envergonhada . Dollanganger é um nome compr ido demais.Permaneci onde estava. é muito linda e difícil de resistir. Seus avós eram tolos preconceituosos que deveriam ter aprendido a aceitar a realidade e aproveitá-la da melhor forma possível.Escute aqui. Catherine . Catherine. uma expressão f uriosa no rosto. . enquanto ele recuava em direção à porta.

rejeitando-me. Após algum tempo.É a mulher mais linda e talentosa do mundo . e Jim Johnston. seria a minha palavra contra a dela. a menos que a polícia decidisse ir a Gladstone e encontrasse o médico que fizera o parto dos gêmeos.às vezes. cansada. Possuir-me-ia e pensaria consigo que fora obrigado a i sso.dez vezes mais do que jamais amara minha mãe. acompanhada pelo marid o. Quando eu esperava o ônibus na esquina. Julian vinha freqüentemente de Nova York deleitar em mim o olhar desejoso. eu podia p rovar que Cory existira. sem apelar para assassinato a fim de herdá-la! O mundo inteiro toma ria conhecimento de mim! Comparar-me-iam com Anna Pavlova e me considerariam mel hor.dar o que suas palavras recusavam e seu olhar implorava -. Minha mãe compareceria a uma festa em minha homenagem. Chris. Chris e Carrie vieram para casa no fim de semana de meu aniversário e rimos. que só sa bia bordar e tricotar. surpresa. E aquel a visão gloriosa era eu! Era espantosamente bela e tinha consciência do fato. A culpa seria toda minha. Oh! eu esper ava que nenhum deles se tivesse mudado da cidade e que todos ainda se lembrassem das quatro bonecas de Dresden. acabaria acreditando. nascida para ser má .. embevecido. Mais Suave que Todas as Rosas Completei dezesseis anos em abril de 1961. E se eles ficavam maravilhados. cuja beleza chegava a tirar o fôlego. E Chris me odiaria. . Pavoneava-me diante dos muitos espelhos da casa de Paul e via . Tive von tade de dizer a Chris que Mamãe em breve viria morar em Greenglenna. abraçamo-nos e falamos tão depressa como se nunca dispuséss emos de tempo para dizer tudo o que queríamos . Via Chris apenas nos fin s de semana e sabia que ele ainda me desejava.como di ssera minha avó desde o início. ensinando-lhe quem era mais inteligente e talentosa. por que não permitir que o castigo correspondesse a um crime que ainda est ava por ser cometido? Não havia motivo pelo qual eu devesse ser perseguida e desgr açada pelo simples fato de haver. pois não ex istíamos como membros da família Foxworth. então. abatida. sem precisar v ender o corpo. ele não acreditaria. confusa. sorri com meus botões ao lembrar-me da s quatro certidões de nascimento que eu encontrara costuradas sob o forro de uma d as nossas velhas maletas. de modo que não mencionei o assunto.. uma jovem linda. numa ocasião de sofrimento e miséria. abandonada. eu revelaria a ele minha verdadeira identidade. Então. seria obrigado a procurar outra pe ssoa. Oh! Mamãe! quantas coisas estúpidas você fez! Imaginem: esconder as certidões de nascimento! Com aqueles documentos. aquele homem grande e bonito que me mand ara vestir minhas melhores roupas. para beijar-me a mão. até chegar ao topo. Então. quando eu possuísse Bart e ela estivesse sozinha. E le não desejaria magoar-me. procurado refúgi o nos braços de meu irmão. Pa ra onde iria a fortuna? Parei. E havia também nossa antiga babá Sra. Estaria velha. mais ainda ficava eu.especialmente Chris e eu. E eu sabia que era má. Se isso era pecado . Ele não se afastaria. porque eu tornaria tal coisa impossível. Carrie e eu. comecei a planejar t udo. principalmente os que já passavam dos quarenta anos. E odiaria minha mãe! Tomar-lhe-ia todo o dinheiro. sem eles. Ela veria quem era capaz de ganhar uma fortuna por seus próprios meios. declarando sa ber o que queria. Carrie afastou-se para sentar-se num canto e observar com seus olh os grandes e tristes o nosso benfeitor. Comecei a rir.diria ele. enquanto eu seria fresca e jovem: seu marido Bart viria diretamente a mim. . jovens e velhos. pretendo oferecer-lhe um festim de gourmet no meu restau . os carros diminuíam a velocidade porque os motoristas não podiam deixar de fitar-me com olhos esbugalhados e cobiçosos. não teria o mínimo remorso. continuando a amar-me mais do qu e chegaria a amar outra pessoa. Apenas me voltara para o homem que mais necessitava de mi m. E bastaria seu olhar para demonstrar que me amava . Que seria feito do dinheiro se fosse tom ado de Mamãe? Voltaria à avó? Certamente não viria para nós. mas temi que ele me impedisse de fazer o que planejava. Encontrava-me na idade florescente e propícia em que todos os homens.Por que não usa aquele vestido que vem reservando para uma ocasião especial? Para festejar seu aniversário.para dançar cada vez mais. embora eu não soubesse o que eu queria. D epois. A princípio. Fora castigada antes de cometer qualquer ato mau: po rtanto. que me deixassem ser má! À medida que ficava sonolenta. viravam-se na rua para olhar-me. Simpson. E isto seria uma lição para Mamãe.

Henny trouxe um bolo de aniversário com três c amadas. sempre a imaginar o que você andará aprontand o. cada uma menor que a inferior. dando-me ao tra balho de usar o curvex. . de repente. mas é prof undo mau gosto admirar-se tanto a ponto de beijar a própria imagem no espelho. Todos estão prontos menos a vaidosa e convencida aniversariante. muito mai s velho que eu. Oh! como me senti linda ao arrumar-me diante do espelho triplo co locado sobre minha penteadeira. Chris. nem suas mãos tão grandes.repliquei comum largo e ardoroso sorriso. os estudos de medicina.e não fazê-los a si mesma. Chris ergueu a cabeça e exibiu um brilhante sorriso.O que corresponde às nossas expectativas? . algo que o fazia parecer muito. quando eu o observava com mais atenção percebia que a sabedoria emprestava-l he ao olhar uma característica estranha. É o meu estilo. Ou estaria apenas arranjando uma desculpa para tocar-me? Transformando em brincadeira algo muito sério. mas coloquei-a assim mesmo . Minhas unhas brilhavam como pérolas e o vestido de gala er a cor-de-rosa.Tenho medo de que ninguém me elogie . num leve beijo que não ousava passar desse ponto.Diria que estou melhorando com a idade? .disse baixinho. com todas as luzes apagadas.Você está fantástico. roçando de leve os lábios nos meus.perguntei. A casa parecia esquisita. declarando orgulhosamente tê-lo preparado e decorado pessoalmente. Que eu consiga sempre sucesso em tudo o que tentar. Estou ganhando terreno sobre você.Surpresa! Surpresa! As vozes continuaram a berrar quando todas as luzes se acenderam e meus colegas da aula de balé cercaram Chris e a mim. é difícil viver longe.repliquei na defensiva.Duvido que encon tre outra garota tão linda como você está agora. Chris . desejei não ter tomado conhecimento. Seria isso? Abaixei-me pa ra fitar-lhe o rosto e nele encontrei o amor que procurava. Pretendia aproveitar ao máximo meu aniversário.Sim . Que g ozado! Então. preferiria ser bailarino. tomou-me a mão: .A vida o decepciona? Está aquém do que você i maginava quando estávamos presos e tínhamos tantos sonhos para o futuro? Arrepende-s e.tão fan tasmagoricamente escura. deve esperar elogios dos outros . incluindo máscara preta como nanquim nos cílios. Parecia também mais triste e mais vulnerável que eu.A vida aqui fora é o que eu imaginava que fosse.O que perguntou? .Está muito linda.Portanto. Mamãe. agora. . . . Cathy. . .Não me respondeu. .o serviço completo. Quanta vaidade e convencimento! Franzi a testa. uma combinação extr emamente atraente.disse Chris da porta aberta.Está linda. Fui realista . Meu rosto não precisava de maquilagem. Estou linda ou apenas bonita? . Chris parecia mais maduro e bonito. . aguardando.Feliz aniversário. dese jei de olhos fechados. não gostando de ser lembrada da velha. Oh! meu Deus! . . elogio -me a fim de ficar mais confiante em mim.rante favorito . Chris? . Você é tão bonito quanto Papai. Tive que subir imediatamente e começar a preparar-me. com o eu? Eu me aproximara para observar seus olhos tão reveladores. de ter resolvido ser médico? Em vez disso.Por que não é feliz. ainda si nto saudades de você. sim . um coro berrou no escuro: .Minha Lady Catherine . minha Lady Catherine . De repente. mas a circunferência não era tão pequena. Paul e Carrie já estavam prontos.Não sinto ve rgonha ou embaraço de fazer elogios quando são merecidos. .V amos.disse Chris numa voz engasgada e esquisita. tão silenciosa e carregada de expectativa .Não lhe farei mais elogios! Não é de espantar que nossa avó tenha quebrado todos os es pelhos! Sinto vontade de fazer o mesmo. ao contrário de você. Gosto da escola e das amizades que fiz. não o seu. mas Chris baixou-os par a ocultá-los.The Plantation House. menos as do vestíbulo. . Então. . Entretanto. No duro.A vida.Isso me parece cinismo. Desviou outra vez os olhos. Cada vez que vinha para casa da escola. Tentou circundar minha cintura com as mãos. apagando as velas. Descemos a escada de mãos dadas. . Não ob stante.disse ele. . . que se toldaram com um desejo impossível de satisfazer . estão correspondendo às suas expectativas? . Henny também.

mas. foram meras tentativas de transformar pouco em muito. . prestes a gritar para que parassem de di scutir. pregados nos meus.Por que parece tão triste? . era difícil dizer qual o mais bonito dentre os dois.disse Chris num tom gelado. E assim terminou minha festa de aniversário. . . produzido por um cigarro que alguém deixara cair. Seu presente fora uma sacola de couro para carregar meu material de balé: malhas. Quando chegar a hora. repetiam mudamente a mesma pergun ta. Chris subiu para seu quarto sem me dizer boa-noite. pensando em comprar a cola adequada pois tinha que haver algum .disse Carrie. . Sempre que eu procurava o olhar de Chris. altura e equilíbrio adeq uavam-se com perfeição à sua capacidade. pois não desejava ser dominada por ninguém naquela noit e. com exceção da festa de Chris. É imprescindível encontrar o par ideal quando se deseja impressionar a platéia num pas de deux. Afas tei-me dele com uma pirueta.respondi. . Não sei o que ateou fogo à lenha. .Talvez seja verdade .quis saber Julian. estamos falando de minha irmã e do fato de ela ainda ser menor de i dade.chamou Chris.. observando um de cada vez. . Segurei os pedaços do objeto. com sua característica frieza nos m omentos de maior raiva. comecei a catar as migalhas que haviam caído no tapete da sala de visitas. Alguém quebrara uma das valiosas peças de Paul. Na verdade. discutindo e prestes a se engalfinharem. . furioso. que se aproximara para me abraçar.retrucou Julian. tentando convencer-me a acompanhá-lo a Nova York para ser sua amante e pa r de balé..tornando-me mais velha e esperta a cada dia.Alegre-se..Você! Seu. Tão logo t erminei de abrir todos os presentes.Não me importa o que você pensa! ..Minha irmã é jovem demais para ter um amante e ainda não está pronta para enfrentar Nova York! . o rostinho feliz e corado cheio de sono. Com lágrimas nos olhos.bradou Julian. Estremeci. que se sen tara a alguma distância dos ruidosos festejos e tentava não parecer severo.Cathy . Encontr ei um buraco no luxuoso tapete verde. que pare cia pronto a desferir um murro ou pontapé. pronto para incendiar-lhe o coração e o co rpo.Que todos os seus aniversários sejam um inferno na terra! . ele desviava o rosto para o lado o u baixava os olhos para fitar o chão. . . Senti-me doente por eles demonstrarem p ublicamente a hostilidade que sentiam um pelo outro e porque eu desejava tanto que se gostassem mutuamente.É a melhor festa de aniversário que já vi. sapatilhas. Carrie mantinha-se colada a Paul. .Boa noite. em novembro passado. pegou Carrie no colo e desa pareceu com ela na escada. Todas as garotas que ainda não estavam vidradas em Julian gamaram por Chris de imediato. . dirig indo-se à porta e batendo-a com força atrás de si. Mas fiquei calada.Você acredita francamente que está prepa rada para estrear em Nova York? . pois Carrie já tinha quase nove a nos e as festas de aniversário de que podia Lembrar-se.bradou Chris. . uma cintilante e transparente rosa de cristal. Não permitirei que você a convença a acompanhá-lo a Nova York quando ela nem mesmo ainda terminou o ginásio! Minha cabeça se movia de um lado para outro. Em frente a mim estava Julian. Quase chorei de dor ao escutar aquelas palavras. tentando demonstrar de to dos os modos possíveis que eu era sua propriedade exclusiva.de tap para restaurá-lo e até mesmo imaginando um meio ar o buraco no tapete e eliminar as manchas circulares deixadas pelos copos nos móveis envernizados. sem desviar por um instante os olhos de Julian. Além disso.Que sabe você a respeito de balé? Não sabe nada! Nem mesmo é capaz de mover os pés sem pisar nos próprios calos! .Mas possuo outras habilida des. cujos olhos negros. de repente. Julian lançou-me um olhar raivoso.Não. o que nada contribuiu para fazer com que Julian detestasse menos meu i rmão. . pois vivia insistindo a cada minuto que estávamos juntos. Cathy . quase num sussurro. Chris e Julian estavam num ca nto. etc. com todos indo embora parecendo embar açados. Paul se ergueu. Eu sabia por que razão ele me desejava: meu peso. pois agora tem-me a seus pés. eu o detestava quando se comportava assim. estarei pront a para derrotá-la! Soprei com tanta força que a cera cor-de-rosa derretida respingou as delicadas ros as de açúcar que repousavam entre folhas de glacê verde claro.

pensan do que pode fazer o que bem entender. . e o estávamos usando. .Meta-se com sua vida. O que ele julgava estar fazendo? Tivéramos a fe licidade de topar com um homem solitário. muito obrigada pela linda caixinha de música .E sei que custou caro.O que está havendo entre você e Julian? . Agora. . de todo modo. engasgada.respondi. exijo que proceda da mesma forma em relação a mim! Você não é san to e eu não sou anjo! O problema é que você não passa de um homem como os outros. que Chris me aguardava.Certa vez. .Mais uma vez. Christopher! Farei o que tiver que f azer. quando poss o estar com você e Carrie. infeliz. Na realidade. se julgar necessário. embora não fossem iguais.respondi com voz embargada. espantada. .Ótimo. .. Acho que preciso ter imediatamente tudo o que desejo. . Como poderia discernir entre o certo e o errado quando ninguém parecia mais incomodar-se com isso? . Uma faixa branca circundou-lhe os lábios contraídos. contendo-se para não me interromper.Sim . Mas. mais cedo o u mais tarde. . a fim de compensar tudo o que p . vá dormir. .declarei. . Logo subi para meu quarto.Jamais imaginei que se trans formasse em outra oportunista. Não se afaste de mim.disse Paul às minhas costas. também! Chris ficou muito pálido. onde verifiquei. que nos acolhe ra e fazia por nós tudo o que lhe era possível.Chris . Nossa avó sempre nos dizia que nin guém faz nada em troco de nada. qualquer coisa que for preciso.. Morro de medo quando penso que. Minha voz se embargou e não consegui continuar. Enfrentou meu olhar lacrimoso com seus olhos suaves e bond osos.Não se preocupe com a rosa .Não passa de uma quinqui lharia barata.nunca mais! Nem Paul! Nem Madame! Nem Julian! Nem você. teríamos que pagar um preço por isso.começou num tom magoado.retruquei raivosa. Segurou-me os braços e ter-me-ia puxado de encontro ao peito. Parece sonolenta. sou tão necessário em sua vid a. mas estou dilacerada por dentro. pois a lembrança de meu pai sempre m e deixava em ruínas.Esqueça. portanto. . Importo-me muito com o que você pensa.Nada! .implorou Chris. para chegar ao topo! Seus celestiais olhos azuis lançaram-me diabólicas centelhas elétricas.disse eu. Enfrentei-lhe amargamente o olhar. se encontrar a duplicata. desolada e sem esperanças. à espera de que apareça alguém que se case comigo! Pois não sou e sse tipo de mulher! Ninguém vai me obrigar a fazer o que não quero .. Sempre pre cisarei. mas libertei-me com um arranco e dei-lhe as costas. . Christopher! .indagou ele com ar feroz. levando n ervosamente a mão ao profundo decote e tentando esconder o sulco entre meus seios.Presumo que seja capaz de dormir com qualquer homem..Chris me falou da caixinha de música que seu pai lhe deu e procurei uma igual pa ra comprar. meu pai me deu uma caixinha de música com uma bailarina. Chris pareceu prestes a esbofetear-me e o esforço que fez para controlar-se obrigo u-o a cerrar os punhos ao longo do corpo. Como pod e falar comigo dessa maneira quando sabe o quanto a amo e respeito? Não se passa u m único dia sem que eu sinta sua falta. muito recatada e pura. E também lhe darei algo melhor quando..Cathy .Desculpe-me ter falado com você daquela fo rma. Comprar-lhe -ei outra. embora não tivesse pensado no assu nto. Voltei-me para encará-lo. . Esqueça a desordem: Henny limpará tudo. . . Paul postara-se com a maior naturalidade junto ao arco q ue levava ao vestíbulo.Quero que se mantenha fora de minha vida. nem de longe. . . Vivo em função dos fins de semana. mas fui obr igada a abandoná-la. Acertei? .O que deu em você Cathy? .Era uma linda rosa . eu não podia dizer algo mais para magoar Chris e também não podia pronunciar uma só palavra contra Paul. . . Sempre posso comprar outra. Cathy! Ele não vem de avião de Nova York até aqui sem um objetivo! .Farei o que for preciso! .Não tento dizer o que você deve fazer.Detesto cada palavra que você acaba de dizer. Cathy.repliquei furiosa. sobravam-me razões para saber que ele não esperava qualquer tipo de retribuição ou recompensa. enquanto eu devo ficar quietinha de lado.Não minta para mim. eu preciso de você.

Calculei que Chris o tivesse afugentado.Madame sempre me diz isso e acho que está certa.recoberto com malha fina e saiotes de tule! Coruja no Telhado Agora. E não sabia se o fato me tornava f eliz ou infeliz. arranjei uma desculpa esfarrapada para procu rar a certidão de nascimento de minha mãe. . com ornatos brancos em volta das portas e janelas. Cathy? Sacudi os ombros.então. o objetivo d e Julian é também o meu. Julian me ignorava. Eu era um instrument o de desejo. Não parei de repetir isso para mim mesma ao fazer o trajeto até o centro da cidade d e Greenglenna. diga-me como posso saber se ele me ama ou se dese ja apenas usar-me. Portanto. ou de que ele realmente me ame. quando eu também fosse rica e famosa. até chegar a uma tran qüila rua orlada de olmos. Dúzias d e operários colocavam novas esquadrias nas janelas de uma mansão de tijolos recém-pint ada. Todas. obrigando-me a erguer o rosto. detestava-me por ser seu reflexo vivo.Você permitiu que ele lhe fizesse amor? .indagou ele friamente. do q ue existia dentro de mim. com uma expressão morta. talvez d eseje apenas utilizar-me para atingir seu objetivo.Não! Claro que não! Seus braços me envolveram. mas apenas por fora. pois. Cathy. Quando vinha visitar os pais. El a sabe mais que ele. a fim de poder examinar a certidão de nasci mento de Bart Winslow. Entretan to. Por outro lado. mas também com Lorraine. Foi ali que me decidi a estudar balé co m o dobro do afinco. eu estava estabelecendo mi nha estratégia.Lembra-se do verão em que ela foi para a lua-de-mel? Se me lembrava? Como poderia esquecer? Como se eu me pudesse permitir esquecer! Um dia.Ela está novamente na Europa . via o rosto de minha mãe começando a surgir de modo mais definido em minhas feições. Em outro dia. Julian não vinha a Greenglenna com a mesma freqüência que antes da minha festa de aniv ersário. Tinha medo. Medo de ser como Mamãe. cheia de uma insaciável necessidade de satisfação. por que motivo viaja tanto pela Europa. pouco a pouco.comentou ele num tom esquisito. Confie em Madame Marisha. encontr ei uma colunista social que parecia dedicar a maior parte de sua coluna a Bart W inslow e sua esposa de origem aristocrática. Percorri a pé quinze quarteirões. Por algum motivo. Gostaria de saber . que encontrei numa banca da cidade. seria melhor ela estar bem preparada. Não queria que ele soubesse que Mamãe viria morar e m Greenglenna. e o indefectível pórtico bra nco. mas. Quando me olhava no espelho. Na prefeitura local. Para meu grande deleite. narrarei um episódio na vida de Carrie. o bservei-os dançar um apaixonado pas de deux. tanto . Escondida num canto. Minha beleza não era simplesmente superficial. não em Julian. Passou a dar alguma atenção a Lorraine Du Val. Pousou em mim os olhos azuis e suas feições se suavizaram numa expressão sonhadora. eu não era como ela por dentro. . Estudei-lhe a fisionomia bonita e tentei adivinhar por que motivo ele hesitava em prosseguir. Julian quer que eu vá com ele para Nova York. também. não tenho certeza do que seja o amor. Julian diz que me ama e que cuidará de mim. não apenas com ele. pois também mostraria algo a Julian! Haveria de mostrar a tod os do que eu era feita! Aço . Não. Julgo que ainda não esto u suficientemente preparada e não possuo a disciplina necessária . Recortei furtivamente a coluna e le vei comigo para mostrar a Chris. apertando-me.Aguarde ao menos mais um ano.Oh! num jornal da Virgínia. onde pesquisei a respeit o da família Winslow. . Mamãe teria notícias minhas . onde as velhas mansões se apresentavam em mau estado de c onservação. pois esta é também a estória dela. Sentia -me exultada por parecer fisicamente com ela. revendo os jornais antigos.erdi e sofri. . fabulosamente rica e muito linda. fiquei magoa da e ressentida. .Onde encontrou isto. paradoxalmente. "A herdeira de uma das maiores fortunas do país". minha melhor amiga. exceto a casa de Bart Winslow! Estava cercada de andaimes. fui à biblioteca pública de Greenglenna. Chris ficou um tanto contrariado ao ler a coluna. Fez uma pausa. Constatei que ele era oito anos mais moço que minha mãe e des cobri também o seu endereço exato. .

não para Carrie. preferindo-as às flores reais. Aliás. Sobre a cama. . a fim de trazê-los para casa. Paul levava flores de verdade para Carrie. Dávamos beijos de despedida. jamais. Esta.pois nunca. um tanto apática. Carrie se tornava muito calada. além de um temperamento vingativo e mesquinho. adorava aq uela jarrinha de violetas plásticas. pele branca como papel. Os dias escolares enc erravam-se às três da tarde e as alunas dispunham de duas horas para brincarem ao ar .Não estou infeliz . qu e tanto sofrera com a morte do irmão gêmeo. Embora eu a interrogasse.O que há de errado com Carrie? . uma moça deveria permitir que um homem percebesse que ela talvez tivesse um intelecto superior ao seu.até mesmo hoje. preocupada. Embora Carrie parecesse feliz em nossa companhia. dizendo-lhe mais uma vez que a amava muito e que se estives se infeliz devia contar-nos. Pelas peças do quebra-cabeças que recolhi da própria Carrie e da Srta. Tudo em Carrie me preocupava. Deixou-me pensativa. . Pior ainda: apesar de ser a segunda menor aluna da escola. bem c omo de várias outras alunas daquela escola. que o ocorrido a Carrie na Escola para Moças Bem Educadas da Srta. revendo o passado.dizia ela. Agora. Sempre que possível. porém. as colegas ou as professoras. olhos rasgados e estreitos cor de esmeralda. mas Carrie não me dizia o que e ra. No Sul. Era realmente uma escola linda. reflito sobre o que a vi da se tornou para Carrie e acredito com a máxima convicção. uma mesinha de cabeceira com a jarra branca cheia de viole tas plásticas que Paul lhe dera de presente. que logo murchav am e morriam.Gosto do tapete. Fazia o possível para tornar nossos fins de semana memoráveis. Por mais que tentássemos.indagava Chris. Já que Carrie era a menor dentre as cem alunas da escola. Eu a abraçava com força. pois eu a amava tanto que padecia todos os seus sofrimentos . Dewhurst. Eu adoraria estudar numa escola como aquela. Todas as sextas-feiras. mãos frágeis e gesticulantes para expressarem necessidade de prot eção. Disse apenas uma c oisa. mas voltara a ser a mesma criaturinha calada. chiffon esvoaçante. por volta das quatro da tarde. acrescentávamos: "Se precisar de nós. À medida que se aproxima va a hora de partir de volta à escola. vozes bem moduladas e discretas. tentando adivinhar o que a perturbava. Paul ia de carro busc ar Carrie e Chris. ela insistia em afirmar que tudo estava bem e se recusava a dize r uma só palavra contra a escola. procurarei narrar do modo mais franco possível o pesadelo que Carrie foi obrigada a suportar. dava-se grande ênfase a uma feminilidade suave . Dewhurst só impunha uma restrição: cada jovem tinha que escolher atividades "adequ adas e dignas de uma dama". violetas e ver des. E u tinha certeza de que alguma coisa estava errada. olh os tímidos e baixos. por estranho que pudesse parecer. Cad a menina tinha o direito de decorar uma das paredes do quarto a seu gosto. coberta com uma brilhante colcha cor de púrpura . que se chamava Sissy Towers. e absolutamente nenhuma opinião que conflitasse com os pontos de vista masculino s . .respondia ela. tinha como companheira de quarto a segunda menor aluna. para expressar seus sentimentos . com os olhos fixos em Paul. Em algum ponto dos acontecimentos. Oh! seria preciso fazer uma piscina para eu encher com minhas lágrimas antes de começar o relato. Carrie tinha uma cama de solteiro. basta telefona r". pensando melhor. seu olhar f icava inexpressivo e resignado. A Srt a.quanto minha e de Chris. passiva. uma única coisa. vermelhas. perdera a confi ança de Carrie. Só isso. Eu só podia encolher os ombros. Ao lado da cama. rara mente ria. implorand o-lhe mudamente. recomendávamos que se p ortasse bem e fizesse amizades. Emily Dean Calhoun teve profunda influência na maneira pela qual ela passou a encarar-se no futuro. creio que não s eria realmente a escola adequada para mim.e foi uma pista muito evi dente: . roxas. com os olhos baixos. Sissy tinha cabelos cor de tijolo. parece grama colorida. que jamais exibi a diante dos adultos. Atualmente.Sim . Roupas macias. colocara almofadas cor-de-rosa. Carrie passava os fins de semana conosco. seus grandes olhos azuis viviam pregados em Paul. tudo o que conseguíamos arrancar dela era um so rriso amarelo. era quinze centímetros mais alta que Carrie! Carrie comemorara seu nono aniversário com uma festa na semana anterior ao início de sua provação. Estávamos em maio e tudo começou numa quinta-feira. Mas Paul olhava para mim.

Para ela. Carrie estava na terceira série. Tinha inveja dos longos cabelos louros e cachead os de Carrie. cutucando-a com a ponta do pé. .. pulou para a tampa de sua escrivaninha e.Deixe-a em paz. sensacionais cabelos l ouros e. Sissy Towers adorava o amarelo.como os de uma coruja! Venham ver a cabeça enorme n o pescocinho fino! Comprem entrada e venham ver a nossa monstrinha nua! Dúzias de meninas se acotovelavam no quarto para fitarem Carrie agachada num canto do chão. desprezando os próprios cabelos grossos e cor de ferrugem. com a cabeça baixa e os cabelos compridos ocultando o rosto envergonhado e apavorado. Então. de tamanho n ormal. .Carrie é anã.. O assoalho permaneceu sólido e duro. circo. dispa-se. imitando a voz alta e metálica de u m apregoador de circo que procura atrair a atenção do público para a exibição de fenômenos e monstros. que olhou para Carrie com piedade e simpatia. O amarelo dominava a parte do quarto pertencente a Sissy: a colcha da cama e o f orro das poltronas eram amarelos. fez uma pirueta e abriu os braços. Sissy abriu a bolsinha para receber as moedas que as colegas ricas l he pagavam de bom grado. .. Vejam como chocalha.declarou Lacy St. seu unif orme era de tecido inglês amarelo..Estão vendo? Ela não tem língua! ...Acho-a bonitinha . pulando no mesmo lugar. com um gracioso avental de organdi por cima.. . Todas elas usavam uniformes de cores corre spondentes às classes de que faziam parte. O que você e stá fazendo não é bonito.. bem como os lábios vermelhos como morangos maduro s.. fazendo-nos sentir perniciosos. Carrie encolheu-se ainda mais. o que era de causar uma pena infinita.. . aquela cor se tornara detestável para nós . puxando os joelhos de en contro ao peito e rezando para que Deus abrisse no chão um buraco por onde ela pud esse desaparecer. anã..cantava ela num refrão. . Oh! sim. . Ca rrie tinha grande aversão pela cor amarela. que todas as coisas amarelas nos eram tão facilmente acessíveis e a Cory não. Sissy até mesmo usava saias e suéteres amarelos quando ia para casa.ordenou Sissy. anãzinha? Vamos. assim como para Chris e para mim. por alg um motivo fútil que jamais foi elucidado... com um pescoço por demais delicado para suportar a cabeça que parecia pertencer a alguém de maior robustez e estatura.Você tem língua. . .Vejam o que me deram como colega de quarto: u . passou a gritar: . até o papel que encapava os livros e cadernos era amarelo.Agora. enquanto a voz impiedosa de S issy continuava sem cessar: . anã.Vejam como ela treme.replicou Sissy com uma risada. indesejáveis e detestados.Claro que não é bonito! . . a nossa Carrie era uma boneca de rosto exótico.Carrie devia estar no circo. O sol era o que Cory mais desejava ver e agora. E naquele dia. O amarelo era também a cor do sol que nos fora negado por tanto temp o. .Venham logo! Venham todos! Paguem um quarto de dólar para verem a irmã viva do Peq ueno Polegar! Venham ver a menor mulher do mundo! Comprem entrada e venham ver a anãzinha com os olhos enormes .qualquer que fossem as conseqüências. Entretanto.livre antes do jantar às cinco e meia. Sissy. . garotinha dos olhos grandes.proclamou Sissy.. Sissy começou a perseguir Carrie de um mod o mesquinho e vingativo. Vai provocar um terremoto! Todas as alunas soltavam risadinhas. as bonecas eram louras e usavam roupas amarela s. o amarelo representava a cor de todas as melhores coisas que não pudemos ter enquanto permanecemos prisioneiros.insistia Sissy. ela nunca diz nada.. exceto uma menina de dez anos.Mas é tão divertido! Ela é um a ratinha tímida! Sabe.Mostre ao público o que ele pagou par a ver! Trêmula. aquela beleza coroava um corpo m agro e pequeno demais. O fato de que as roupas amarelas fa ziam-na parecer doentiamente pálida não diminuía sua determinação no sentido de aborrecer Carrie com aquela cor . conte-nos como ficou parecendo tão esquisita! O gato lhe comeu a língua? Você não tem língua? Bote-a para fora! Carrie baixou ainda mais a cabeça.. sem parar. John. . circo. Acho que nem sabe falar! Sissy pulou da mesa e correu para onde estava Carrie. Talvez in vejasse também a beleza do rosto de boneca de Carrie e aqueles grandes olhos azuis de cílios compridos e recurvados. o chão jamais se abre para nós quando desejamos sumir de algum lugar. Depois. começando a chorar. anãzinha .

num vestido de gala vermelho .Cale a boca! Este quarto é meu! Quando estiver no meu quarto. . Dewhurst. como Carrie. enquanto a Srta . Uma delas. o punho esquerdo d e Sissy acertou o belo nariz reto de Lacy! O sangue espirrou para todos os lados ! Foi então que Carrie ergueu os olhos e viu a única menina que lhe demonstrara algu ma consideração e bondade levar uma surra implacável. Girando sobre si mesma. enquanto as o utras se mantinham afastadas. não me sinto bem mora . pior que tudo. Naturalmente. acrescentou em voz baixa para a sensual Srta. se esgueirava para fora do quarto a fim de desfa zer-se das provas que a incriminavam . Carrie começou a gritar a plen os pulmões! Em seu escritório no andar térreo.quis saber a Srta.Repita o que acaba de dizer. Longhurst. Ela é como um neném. ficou repentinamente imóvel e calada. ou acabarei mor rendo por ter que morar com um bebê. que continuou a berrar.quis saber a Srta.re plicou Lacy. Todas menos Carrie. Sissy ergueu os punhos como um boxeador profissional. a professora que u sava o vestido de gala vermelho.Meninas! Parem imediatamente com esta bagunça. Correu para o corredor a fim de dar o alarme que chamaria às pressas todas as professoras. maldosa e ruim.Quer brigar comigo? Vamos. John! Além disso. Dewhurst. Jogando a cabeça para trás e empregando até a última gota de sua energia vocal. Sissy. Uma dúzia de alunas engalfinhavam-se numa batalha. Entrando no quarto que Carrie compartilhava com Sissy. Srta. . numa atitude protetora. rasgando roupas . Lacy St.as professoras correram em direção ao t umulto. . as alunas olharam em torno e viram o quarto cheio de professoras . atormentando Carrie desta maneira! .Por que essa criança está gritando? . com ar de culpada. Dewhurst. arregace as saias! Tente pegar-me antes que lhe fec he os olhos! E antes que Lacy pudesse erguer as mãos para proteger-se. .e acima de todo aquele barulho. Longhurst. Todas se calaram. negligés . Sissy desferiu-lhe um go lpe de direita que lhe atingiu em cheio o olho esquerdo. com o busto prestes a saltar do generoso decote . . Deixe-a em paz.e até mesmo uma delas. Intimidada.Vamos. ressoava a tro mbeta metálica de um pequeno ser humano dominado pelo pavor. Tudo foi culpa de Carrie.ordenou a Srta. Towers. os olhos fechados com força. a Sr ta. observando.pois em algum lugar havia um homem escon dido à sua espera. limitava-se a gritar. davam pontapés. ou ficarão todas de castigo na esco la durante o fim de semana! Então. Eram oito horas da noite. A maior parte do corpo docente já se retirara para seus aposentos. Srta Longhurst! . Foi o bastante para que Carrie c olocasse em ação sua arma mais formidável: a voz. a Srta. . as outras gritavam. . manc hando de tinta a página do livro de registros. meu pai é mais rico que o seu! . dançando em torno de Lacy pa ra desferir-lhe rápidos murros. o rosto arranhado por unhas. Longhurst: .. mordendo. Sissy pisou com força o pé de Lacy.Você compareça a meu gabinete quando isto aqui estiver sob controle.Onde está o homem. que avaliou prontamen te a situação e planejou sua estratégia. puxando cab elos. Sissy sorriu nervosamente. Erguendo a voz tonitruante. . Horrorizadas. Dewhurst. comandou: . rolavam atracadas pelo chão. Emily Dean Dewhurst sobressaltou-se. as pequenas mãos pálidas contraídas em punhos cerrados. o homem? . faça o que eu mandar ! E sou do mesmo tamanho que você.Acho que você é mesquinha. Usando roupões de banho. famosa por não ter complacência em casos de tumulto.Controle-se. Começou a gritar. A senhorita precisa me arranjar uma nova colega de quarto.Quero dizer: eu gostaria de ter uma nova colega de quarto. que não eram raros.e.. depararam com uma cena apavorante. . Diga-me o que preciso fazer. foi Sissy Towers quem se recobrou primeiro. Srta.Foi ela quem começou tudo. Cada menina naquele quarto que estava prestes a ter os cabelos puxados. . aparentemente prestes a sair sorrateiramen te da escola. Então.Não há homem algum aqui dentro. Isto já basta.ma coruja sem língua! Que podemos fazer para obrigá-la a falar? Lacy aproximou-se de Carrie.

Dewhurst encarou friamente Sissy Towers. ela causara a morte de Cory e agora vinha buscar Carrie. A Srta. pousando o garfo no prato. onde poderei mantê-la sob vigilância . não pode explicar o que aconteceu? Agora.Francamente. Tinha a impressão de escutá-la chama r por mim. e surda. bem como seu lindo e . .declarou a diretora. .Srta. .Quanto ao resto de vocês. eu respeito a Srta. Sabe que lhe prometemos que ela poderia vir passar todos os fins de semana conosco. e a Sra.Srta. Dewhurst avançou até onde ela estav a de gatinhas no chão. não tend o a seu lado alguém que a amasse. castigar as outras. mas não posso conceder privilégios à sua irmã e. Ener vei-me. uma por uma. .. atendi o telefone quando a Srta. correndo o olhar pelo quarto. M esmo que se limite a gritar. Esperei até a hora do jantar para discutir o assunto com Paul. ..Srta. Emily Dewhurst? Quando Carrie estava sofrendo e às turras consigo mesma e o resto do mundo. O fim de semana sem Carrie foi um fiasco. É pequ ena demais para poder causar algum problema e.o Sr. Dollanganger. era a única aluna da escola que tinha um quarto exclusivamente seu.ndo com alguém tão excepcionalmente pequena. saíram do quarto para terem seus nomes anotados e devidamente marcados. preocupei-me por causa de Carrie. portanto. Por favo r. embora você não concorde. que chegara para passar o fim de semana em casa. Paul. . para que seus deméritos sejam lançados nas fichas. Dollanganger. realmente. O pavor e a visão de sangue tinham-na levado de volta ao quarto trancado. também! . Na sexta-feira. Sei que passou por um grande aperto e desejo ser bondosa com você. tomou a palavra para con cordar com Paul. . Viu a idosa mulher p ostada a seu lado como uma torre. não é mesmo? O que pode ria acontecer a uma menina numa escola tão cara e famosa. Não obstante. via-lhe o rostinho pálido com os grandes olhos azuis arregalados de medo. não é justo castigá-la também. Chris. pode deixar qualquer pessoa maluca. portanto. sem parar. numa atitude histérica. no quarto ao lado do meu. ao dia faminto em que ela fora obrigada a beber sangue para não morrer de fome. sendo Carrie uma delas. Dewhurst me telefonou logo após ter falado com você. Dewhurst ligou para informar qu e doze de suas alunas haviam transgredido as regras e desobedecido suas ordens.Eu a odeio! Eu a odeio! . Fazia quarenta anos que via meninas chegarem e partirem.Claro. De agora em diante. Quando fechava os olhos. Towers. até que finalmente a Srta. Nem uma só vez em seus nove anos de vida Carrie passara a noit e sozinha num quarto. sabia que meninas podem ser tão de vastadoramente mesquinhas e cruéis quanto meninos. notificarei seus pais de que suas saídas no fim de semana estão canceladas! Agora. Não consegui afastá-la do pensamento. Sabe tão bem quanto eu o que Carrie é capaz de fazer quando cisma. você é excepcionalmente cruel. continuou balançando a cabeça de um lado para outro. Cathy . A Srta. Dewhurst ficou emocionada e confusa. Ela estabeleceu as normas da escola e se Carrie as desobedeceu deve ser punida como o resto das meninas. inclusive a bonita Lacy St. John. ficará alojada no a ndar térreo. . Todas as alunas da escola se haviam voltado contra ela. Parkins. As alunas soltaram gemidos e. cada uma se apresente à Srta. Só quando a Srta. E nossa avó fazia coisas terríveis.Sinto muito. retrocedia ao passado e refugiava-se no seguro c onforto das minúsculas bonecas de porcelana que ocultava tão cuidadosamente por baix o de todas as suas roupas. Carrie retirava as bonecas de seu esconderijo muito secreto . Carrie reduziu os berros a uma lamúria. a menos que me responda. usando uma saia azul de tonalidade quase cinze nta. Cinza era a cor que nossa avó sempre usava. E. Ela estava bem! Tinha que estar. controlada por uma mulhe r responsável e respeitável como a Srta.É um erro terrível manter Carrie na escola durante o fim de semana.disse ele. . agora já está bastante calma para me contar o que aconteceu? Carrie não conseguia falar. estendida ao comprido no chão. Carrie ergueu os olhos. Ela estava no quarto e se recusou a calar-se quando mande i. D ewhurst se viu forçada a sair do quarto e mandar a enfermeira da escola ministrar sedativos a Carrie. Cathy. Dewhurst.berrou Carrie. Littleton. Agora. ao mesmo temp o. temi.A Srta. não visitará sua família neste fim de s emana. Agora. estava sozinha e consciente do fato. d e algum modo.

Então. desta feita.Estava tão escuro.lembra-se? Carrie nada mais me disse a respeito. entrara m no quarto de Carrie. as doze meninas ricas cujas saídas no fim d e semana foram canceladas pela Srta..querido bebê. já que transformara minhas lindas bonecas em pedaços d e pau. tive raiva de você e Chris por deixarem o Dr. Se sobreviver a esta noite. Cada uma delas trazia uma vela acesa. Senti-me rígida. multiplicada uma dúzia de vezes! . veio o ritual de movimentarem as velas formando intricados desenhos de luz. acendi uma lâmpada. Algo se mexeu nas sombras e quase morri de medo. pensei que Mamãe talvez estivesse no céu de Deus. com Clara entre eles. Cathy! Odiei todo mundo! Odiei Deus po r fazer-me tão pequena e permitir que os outros zombassem de minha cabeça grande e c orpo pequeno! Nos pequenos halls e compridos corredores acarpetados de verde. John quem teve a integridade de revelar-me a verdade. Parkins à direita e à esquerda. transformando-se em paus. . E odiei você. olhando-a fixamente enquanto cada uma en fiava pela cabeça uma fronha com buracos no lugar dos olhos. Carrie escutava as meninas sussurrarem. E dizia comigo que Deus escutari a minhas preces e me faria crescer muito.E. Tomaria cuidado para não me mexer dormindo e quebrá-las.. mas. . . tomei conhec imento do que aconteceu a seguir.só que. não o era. Você sabe que não g osto da noite e da escuridão sem uma lâmpada acesa. passando por esta iniciação. como você.disse-me ela mais tarde -. Fui para um canto e agachei-me lá. todas elas u sando as longas camisolas brancas exigidas pelos regulamentos da escola. E eu ali sozinha. eram demônios saídos diretamente do infe rno! Ela começou a choramingar e estremecer. Se for bem sucedida. fiquei sabendo que Deus nunca me faria crescer. . apesar de saberem o quanto eu go stava de estar com todos vocês. Para Carrie. Cathy. Dewhurst estava fora do alcance de sua voz. Procuravam exorcizar a pequenez de Carrie. . enquanto entoavam cânticos como feiticeiras de verdade. Insistia em fazer-me sentir corajosa. Peguei primeiro o chumaço de algodão do meio e s enti algo duro dentro dele. tornar-se-á parte de nossa sociedade ultra-secreta e muito exclusiva. Clara . não tema . mas um graveto! Desembrulhei também o Sr. Uma voz aguda erguia-se acima das outras e Carrie percebeu que pertencia a Sissy Towers. Eu dizia com meus botões que era capaz de ser corajo sa. e a Sra.Mas importava-me muito. Mas quando olhei. segurando-a de form a a iluminar o rosto por baixo do queixo. Não gosto do escuro. Formaram um semicírculo diante de Carrie. você.sussurrou-me Carrie com voz embarga da. Parkins. Embora não devesse fazê-lo.Eu dizia comigo mesma que não me importava . Chris e o Dr. aconteceu-me uma coisa esquisita. na última gaveta da minha cômoda. Todas as minha s bonequinhas desapareceram. além de emprestar-lhes aos rostos juvenis uma o suficiente para aterrorizar a menininha que cont aparência horrível. Queria pegar t odas as minhas bonecas para me fazerem companhia na cama. No escuro. na realidade. Até mesmo deseje i ter Sissy de volta. Depois. passeando nos jardins com Cory e Papai. Desviavam furtivamente os olhos quando Carrie as fitava.e conversava com elas como costumava fazer quando era prisi oneira no sótão. tão apavorada quanto se a avó estivesse n ovamente no quarto .Então. Tentavam "libertar" Carrie e elas mesmas dos malefícios que tinham sido levadas a praticar em legítima defesa contra alguém "tão excepcionalmente miúda e esquisita". Paul desejavam. . Tal iluminação transformava-lhes os olhos em negras e fundas cavidades vazias. A avó prometera que algo de ruim acontece ria se eu quebrasse alguma das bonecas . à espera de que algo de ruim acontecesse. muito depois de meia-noite. Cathy . Paul levar-me para aquele lugar. e a Sra. Foi Lacy St. encapuzadas por fronhas com buracos no lugar dos olhos.disse a voz sepulcral sob o capuz sem boca. como se eu também tivesse virado madeira. e o quarto parecia tão grande e ameaçador. todas aquelas meninas de camisolas compridas. Carrie Dollanganger. mas só encontrei g ravetos maiores! Doeu-me tanto não encontrá-los que comecei a chorar. pois ela seria melhor que ninguém. mas só quand o a Srta. pois todos crescem à medida que ficam ma is velhos e o mesmo aconteceria comigo. Dewhurst esgueiraram-se até o quarto de Carri e. Assim. mas. já mergulhada num transe de pavor. quando olhei não encontrei o bebê. através de outras pessoas. desta noi .Não chore. Doze meninas. fantasmagórica inuava encolhida no canto. sem conseguir enxergar direito.Eu sempre guardava o Sr. Cathy.

ordenou a voz aguda da "bruxa" invisível.Foram transfo rmadas em pedaços de vau! . com toda a franqueza. rezando a cada movimento p ara não cair lá de cima. .Não tenho nada! . pois acabava de preparar meu primeiro s oufflé de queijo. guian do-me até o alçapão que se abriu quando usei os pés para empurrá-lo. . . corujinha. ou terá que sofrer. uma voz suave e distante. Dói-me relatar como elas pegaram Carrie. e de manhã será uma de nós. Car rie sentiu o ar fresco da noite. galgando em seguida uma íngreme escada. P aul gemeu ao pousar o garfo.. quando o telefone tocou no corredor.Muito bem. não as queremos. Debatendo-se.Entregue-nos o que mais preza. . deite-se ou sente-se quietinha. . pa ra tornar-se uma de nós. que as meninas tinham-na levado para o telhado! Só existia uma coisa que Car rie temia mais que nossa avó: o telhado . agora terá que sofrer. temendo que lhe ateassem fogo. Não cons eguia ver ou sentir nada. Carrie só conseguia olhar para as sombras que se movimentavam por detrás das feiticeiras brancas que a ameaçavam. por que me colocou aqui? Será que ninguém me quer? Soluçando. Desta noite em diante. . a chuva começou a cair . O domingo amanheceu. . Então. emitindo leves gemidos. dei um jeito de esgueirar-me para dentro. que devia ser comido imediatamente.gemia Carrie. sofrer. . que cantava enquanto Cory dedilhava no violão sua melancólica canção sobre encontrar um lar e rever o sol. Então. ou morrer! Escolha. . Progredia centíme ro por centímetro. Ca rrie atreveu-se a enfrentar a íngreme inclinação daquele vasto telhado desconhecido e começou a avançar na direção de onde viera o estalido do trinco do alçapão. já frenética. à luz do lua r. Paul. De repente. sofrer! . amordaçada. Ou faz isso ou será submetida a julgamento! Encolhida no canto. Vinda do alto e dominando o ruído da tempestade primaveril que se aproximava. parece que não fo i guiada apenas pelo instinto: escutava a voz de Cory. de nossas festas secretas.Não terá oportunidade de torn ar-se uma de nós a menos que sacrifique suas posses mais queridas e preciosas. Entregue-nos as boneca s: o homem. a inclinação sob seus pés descalços e deduziu. Carrie Dollanganger nome esquisito para um rosto esquisito . ataram-lhe os pulsos atrás das costas e a empurraram para o corred or. emergiram ao ar livre. o que foi ainda pior. muito mais tarde. . Pelo relato entrecortado que me fez do episódio. foi tudo tão estranho lá em cima! O vento soprava. que dava a impressão de me morder.sozinha! Ouviu a distância as risadinhas que s e afastavam e o estalido de um trinco se fechando. Paul.berrou Carrie. a mulher e o lindo bebê.Desapareceram! .murmurou Carrie. Chris tinha na mão um pão caseiro coberto de manteiga e abriu a boca para arrancar pelo menos a metade com uma única dentada. também.e Cory continuou a cantar o tempo todo. Em seguida. Gemi.Cale-se! . .qualquer telhado! Prevendo os gritos lan cinantes de Carrie.Oh! Cathy. . Senti uma dor terrível.ordenou a voz auster a.gritou Carrie. as mãos se afastaram e Carrie foi abandonada pe las meninas na escuridão do telhado . vendara m-lhe os olhos. Carrie meneou afirmativamente a cabeça e tentou não fungar. você.Fique aqui pousada no telhado. as meninas tinham-na amordaçado. Carrie tentou resistir a tantas mãos que a obrigavam a sen tar-se.Vão embora! Deixem-me em paz! Vão embora! Deixem-me em paz ! .será uma de nós.ordeno u a mesma voz ríspida. Cathy! . Chris e eu nos sentamos à mesa para um desjejum reforçado . . perto da chaminé. As chamas das velas deram a impr essão de crescer cada vez mais. os trovões ribombavam e os relâmpagos rasgavam o céu com uma claridade que eu podia divisar através da venda nos olhos .Agora.Suas roupinhas de criança não nos servirão.Ohhh! .. . corretam ente. sem produzir som. .te em diante compartilhará de nossos rituais secretos.As bonecas: entregue-nos as lindas bonecas de porcelana . rolei pela escada! Caí no escuro e escutei u m osso quebrar-se. transformando o mundo de Carrie num universo de fo go amarelo e vermelho.Cathy. manietada e com os olhos vendados. sentada e deslizando sobre as nádegas. Foi uma decisão fácil. como uma coruja bem comportada . nem mesmo escutava o barulho da chuva.Ah! Ah! Uma bela invenção! E mentira! Portanto. E Cory se foi. de nossos tesouros secretos.Chris! Venham salvar-me! Dr .

. recebíamos a notíci a num tom indiferente.Talvez não seja a minha viúva solitária com mais uma de suas mazelas. Chris beijou-me o rosto. . Mesmo que percorresse a pé todo o caminho a té em casa. para os serviços dominicais. Sheffield ao telefone! . Mas algo no am biente indica que pelo menos doze das meninas sabem o que aconteceu a Carrie e s e recusam a falar e incriminar-se. causando-lhes preocupações. Tem uma aparência deliciosa e um cheiro celestial. levantando-me de um salto e correndo para o te lefone..Como vem dizer que não sabe onde está a menina? . Lembra-se de como ela se portava no sótão? Não fica va conosco.disse a voz ríspida na outra ponta da linha. sempre que algo terrível acontecia em nossas vidas. on de Cory quase morrera num baú antes de partir deste mundo para encontrar-se no céu c om Papai. a fim de garantir-me q ue aquela de nossas crianças sobreviveria! . vamos. sentindo-me aterrorizada.Um silêncio estranho reinou esta manhã quando sua irmã foi chamada. inexpressivo? O carro branco de Paul percorria velozmente a Rodovia Overland em direção à escola de Carrie. sem fazer comentários. Tem muito medo do escuro. . Segurava-me a mão com força. Ambos me fitavam com crescente inquietação. espremida entre Paul e Chris. . de modo que Paul e Chris pudessem escutar a conversa enquanto comiam . dizendo com min ha voz mais adulta e graciosa: . mas esta não se encontrava lá. Williamson. a fim de poder pegar o ônibus de volta à faculdade após inteira r-se do que acontecera a Carrie.disse ele.Parece que sua irmã desapareceu de modo um tanto misterioso.. Provavelmente . e . . . já alarmada. . .Incomoda-se de atender. Na calada da noite! Oh! Deus! Eu gostaria que Chris não tivesse mencionado o sótão. Alguém fez algo que a magoou e e la está se vingando. Dewhurst! . . ou está perdida. Paul riu baixinho.Srta.Você e o Dr. não esqueci de apertar o botão que ligava a voz da Srta. não chore.. Esbugalhei os olhos. .quis saber Paul num tom feroz.Sinto muito. Tinha sempre que se afastar para agi r sozinha. Ainda assim.. enxugando-me as lágrimas. Eu disse tudo errado. pois é quase meio-dia.Farei o possível para protegê-lo da chata da Sra.Aqui fala Emily Dean Dewhurst . passando-me o braço pelos ombros e puxando-me a cabeça de encontro ao peito. Aos domingos. não respondeu. está escondida e não quer responder. eu presumiria que fugiu e estava a caminho de casa.Quero realmente provar seu so ufflé.exclamei.. Ela não fugiu. as me ninas que tiveram como castigo o cancelamento da saída no fim de semana devem comp arecer à capela. temendo o que viria em seguida.Pois trate de comê-lo . Dewhurst ao sistema de som adaptado a o telefone.. Cathy .indagou Paul.indaguei com voz sumida.respondi. Se Carrie tivesse um carát er diferente. do porão ao sótão.. ferida. Enviei uma professora ao quarto de Carrie.P or favor. Peguei o telefone. chame imediatamente o Dr. Ela está bem? .Pare de ficar tão preocupada. A diretora replicou com calma: . Carrie está bem. Mas ela não me deixou terminar.Agora.Srta. .Aqui fala Cathy. ordenei uma busca completa nos terrenos e no prédio da esc ola. Chris continuou a comer. Então. Meu coração ficou aos pulos. Cathy? . Meu irmão trouxera sua mala. Se ela não está aí nem a . mas devo dizer que não sabemos onde ela está. . Paul Sheffield. Eu estava sentada no banco dianteiro. já teria chegado aí há esta hora. Sheffield devem vir aqui imediatamente! . Mal consegui conter um grito de aflição. Carrie não foi vista a pa rtir das nove horas da noite de ontem. nem mesmo quando Cory desejava. ou sofreu algum acidente. lançando um olhar divertido ao pegar novamente o garfo. Mesmo assim.Você conhece bem Carrie.Quer dizer que ainda não conhece o paradeiro de Carrie? Paul e Chris tinham parado de comer. e e u perguntei onde ela estava.. Seria incapaz de enfrentar o mundo na calada da noite. Dewhurst.Residência do Dr. .. Fiz pessoalmente a chamada e Carrie não respondeu. sua irmã não foi encontrada. . Como podia ela falar com tanta indiferença? P or que motivo. a irmã de Carrie.Onde estava ela? .

de modo injusto.Deu-me a entender que as alunas desta esc ola eram devidamente supervisionadas vinte e quatro horas por dia! Estávamos no luxuoso gabinete da Srta.declarei atordoada.Até onde consigo perceber. E Carrie estava na cama.declarou a Srta.a colega de quarto. várias alunas vinham em nosso rastro. Tem que estar a qui: em algum lugar onde ninguém procurou. Esta não se sentara à gran de e impressionante mesa de trabalho. procurando penetrar-lhe até o fundo do pensamento. A Srta. Carrie jamais sairia ao ar livre vestindo apenas uma camisola. ela não fugiria vestindo apenas uma camisola de dormir. Sheffield. . Ora. assegurou: . Nunca perde mos uma aluna. Emily Dean Dewhurst. mas Se não quiseram fa lar. tudo começou com aquele tumulto no quarto de Carrie e os conseqüentes demérit os. Dewhurst. mas Carrie Se recusou a olhar para mim ou falar comigo. embora não fossemos "tão excepcionalmente pequenos". . O que ela trouxera para a escola estava meticulosamente arrumado e m seu lugar adequado. ninguém tortura minhas meninas. .Procuramos em toda parte! . Este era forrado e apresentava um volume sus peito.Na verdade. Natur almente. sussurrando comentários a respeito do q uanto Chris e eu nos parecíamos com Carrie. nem que tenhamos que permanecer aqui a semana inteira e tor turar cada uma dessas bruxinhas para obrigá-las a contar o que sabem. Dr. feitos so b medida por Henny.Meu caro jovem. A Srta. Chris virou-se para fitá-las com uma carranca. Imagino que saibam. se eu tivesse a idade de Carrie. pedindo para ser levada ao quarto de Carrie. virei a cabeça a tempo de surpreender uma exp ressão de "gato que comeu o canário" no rosto pálido e doentio de uma garotinha ruiva e magricela a quem eu detestava pelo pouco que ouvira Carrie contar a seu respei to . como se eu não tivesse voz ativa no assunto e valesse apenas a palavra do guardião.ncarando friamente a Srta.disse eu. não é? . jamais aconteceu antes algo semelhante. Mas eu não era Carrie. Verifiquei-a pessoalmente. . vestidos bo nitos . Ainda ajoelhada diante da cômoda de Carrie. Então. afinal.tudo. Por algum motivo que não sei explicar. Todos os pequenos uniformes de Carrie. saias. Dr. que me fez encará-la fixamente. A ruiva ficou ainda mais branca e desviou os olhos verdes para a janela. a não ser eu! Eu conhecia Carrie melhor que qualquer outra pessoa e procurei acompanhar o func ionamento de seu raciocínio. tomei a palavra. me impedisse de passar o fim de semana em ca sa? Claro! Eu faria exatamente isso. a fim de nos certificarmo s de que todas as meninas estejam acomodadas em suas camas e com as luzes apagad as. não entendendo a presença dos gravetos . blusas. cujo favor ela procurava ganhar até mesmo quando ele continuou a encará-la de modo severo e irritado. impaciente. que resultaram no cancelamento das licenças para as meninas saírem durante o fim de semana. lá estavam guardados com os suéteres.Por que não me notificou logo que deu pela falta de Carrie? . . a única peça de roupa que está faltando é uma das camisolas . Talvez fosse apenas o olhar.Você aí .Nós a encontraremos. ela desfiou prolongadas escusas para que entendêssemos como era d ifícil controlar tantas meninas travessas. Quando. mas andava de um lado para outro. aliviada por escapar à fúria do médico. . que afirmam nada saberem a respeito. Todas as professoras me auxiliaram na busca e interrogamos as menina s. ou a maneira pela qual ela passava a mão na borda do grande bolso do avental de organdi. o que posso eu fazer? .quis saber Paul. Dewhu rst voltou-se ansiosamente para mim.Não é de espantar que ela deteste a escola se vocês são capazes desse tipo de comentário s! Em seguida. chegamos ao quarto de C arrie. Sentei nos calcanhares e olhei para Pa ul.As bonecas não estão aqui . mexeu nervosamente os pés e r etirou apressadamente a mão do bolso. Paul Sh effield.É a colega de quarto de Carrie. tentaria fugir de uma escola que. . Só faltavam as bonecas de porcelana. . Verificamos os quartos todas as noites. Dewhurst. inquieta . Dewhurst explodiu: . desejando reconfortá-la ca so ela permitisse. mostrando-lhe a caixinha que continha apenas chumaços de algodão e alguns gravet os. Enquanto subíamos a escada.

postando-me diante dela em atitude ameaçadora.perguntei. Chris. apertando raivosamente os olhos penetran tes. Onde. abraçando-a p elos joelhos.Onde está minha irmã? . Oh! Deus! Para Carrie não existia local mais terrível que um telhado .Não é da sua conta! . quase fora de mim. ela teria que passar so bre o meu cadáver! . sabendo que ela conhecia o paradei ro de Carrie. Estava escrito em seus olhos mesquinhos e m aldosos. Towers! .É mentira! .É minha bolsa . . usei a mão livre para retirar do bo lso dela um lenço azul. C errei as pálpebras com força. Eu podia sentir isso. Só havia pilhas e pilhas de pesados caixotes de madeira.explodiu Sissy. concentrando-me totalmente em Carrie. louca para esbofetear-lhe o rosto atrevido . . chame-a você também. . Olhei duro para a garota ruiva chamada Sissy. Paul e Chris estão comigo! V iemos levá-la para casa e nunca mais você terá que ir para uma escola! Chamei a atenção de Paul com uma leve cotovelada. enlouquecidas pelo medo. Dewhurst! .disse a ruiva.disse Sissy Towers.Quero procurar pessoalmente no sótão . As meninas reunidas no quarto começaram a dar risadinhas e trocar comentários s ussurrados. .Uma bolsa bem grande . se consegue escutar-me. Dollanganger! . Clara. . agredindo-me. não estava entulhado de móveis velh os cobertos com sujas capas cinzentas ou outros remanescentes do passado. a fim de crescerem normalmente. Carrie estava ali. e Sra. .Carrie! .disse eu à Srta. Num gesto repentino. Do lenço caíram o Sr.respondi. E por isso Carrie se encontra agora em e xtremo perigo! Eu sentia. avistei-a encolhida num canto escuro do que parecia ser um p rofundo canyon que se erguesse em ambos os lados dela.Carrie. não conheciam Carrie tanto quanto eu.Está me roubando e meu pai pode mandar você para a ca deia! A diabinha estendeu a mão para pegar as bonecas e ordenou: .Meus pais me deram essas bo necas no Natal! .murmurou a garota.chamei. . quando entrava em estado de choque. . empoeirado e escuro. Paul. onde ? Então. Queremos levá-la .comentei. mentalmente. onde poderíamos segurá-los para tom arem banho de sol e respirarem ar puro.Srta. Dewhurst.Sua diabinha mentirosa! ..Srta.Agora.qualquer telhado! Voltei ao passado. curvei-me para a frente e agarrei Sissy Towers. Segurando as três bonecas. indaguei: . eles tinham esperneado e berrado.Responda à pergunta da Srta. Proteg i as bonecas. colocando a mão atrás das costas. Para pegá-las. com os olhos verdes faiscando e os músculos dos lábios tremendo. Ela replicou rapidamente que já tinham revistado meticulosamente o sótão chamando inte rminavelmente por Carrie. Entretanto. Era muito semelhante ao que nos servira de prisão: um lugar vasto. . John tomou a palavra e nos contou o que tinham fei to a Carrie na noite anterior. Não sabiam que minha irmãzinha era capaz de isolar-se num mundo remoto. embora eu só conseguisse ver as pilhas de caixotes.advertiu severamente a Srta. eu e todas as professoras galg amos a escada que levava ao sótão. saiba que sua irmã diz a verdade. E. Foi então que Lacy St. Carrie precisava de auxílio . .O que está fazendo com as bonecas de minha irmã? .e depressa. encarando-me raivosamente com ar desafiador. como crianças desvairadas.As bonecas são minhas! . onde. como não gos to de sua irmã anã! Levantei-me. Tinha certeza.Sou eu. Dewhurst.Suas? Pertencem à minha irmã! . mas nunca o revelaria.O que tem no bolso? Ela virou bruscamente a cabeça para mim. . Dewhurst. quando Chris e eu tentamo s levar os gêmeos para o telhado de Foxworth Hall.berrou a moleca. Sentia-lhe a presença como se ela estende sse a mão e me tocasse. Cathy! Não se esconda nem fique calada porque está com medo! Peguei suas bonecas! O Dr.Era . mande essa criatura me deixar em paz! Não gosto dela. Contudo.Roubou estas bonecas e o berço do bebê. Enquanto ela gritava e resistia. onde não existiam sons. Parkins e o bebê. . Paul abandonou seu tom suave e assumiu uma voz tonitruante: . .Srta. o mais alto possível.

ainda de camisola. avistei Carrie. Tive a impressão de levar horas para arrastar-me lentamente pelo túnel.No jornal de Greenglenna. Pensei que você fosse gostar daqu i. Estaquei de súbito e Chris esbar rou-me nas costas. Paul tratará de sua perna. a fim de estar presente para supervisionar o or topedista que cuidaria da perna fraturada de Carrie. entendo que não poderia ser feliz na escola. A culpa era dela .Agora. Mais uma vez. estavam as três bonecas de porcelana. retirando-lhe a venda e a mordaça.acautelou Paul em voz baixa. fiquei junto a Carrie. Como ele podia ter certeza? Nada se oferece duas vezes. impedindo-nos de viajar para o Norte. . venha por favor! Pr ecisamos de você! Tive a impressão de ouvir uma leve lamúria. pois ainda er a suficientemente pequena.Espere um minuto .Onde arranjou isto? . odiei violentamente Mamãe. Deitados de costas no trave sseiro ao lado da cabeça de Carrie. P aul gritar: . erguendo os olhos do recorte e devolvend o-o a mim. enquanto os caixotes tremiam e balançavam. A perna de Carrie estava torcida sob o corpo. Em algum lugar atrás de mim. . Rastejarei até aí. Desculpe-me. Paul? Sua perna doerá.replicou ele. E haverá outros verões em que poderemos visitar a Nova Inglaterra. Mantenha a cabeça erguida. portanto. nas sombras criadas pelas pilhas de pesados caixotes de madeira. procuro esquecer! . uma professora gemeu e começou a rezar. planejei o modo de agir. vendada e manietada. . Houve um artigo que mostrei a Chris antes de colá-lo no álbum. pois não queria que ele soubesse que eu tinha uma a ssinatura do jornal da Virgínia que noticiava tudo o que os Foxworth faziam. Cathy! Então. . irritado. Carrie. faça o favor de não debater-se quando sentir a dor. . aterrorizada de ver as professoras e a posição torta da própria perna.como buscar. escutei o Dr. Um movimento brusco de sua parte e eles cairão sobre você e Carrie. fiz menção de correr em socorro de Carrie. com sorrisos fixos e corpos rígidos. convivendo com o jet set e astr os do cinema como se nós nem mesmo existíssemos! Agora.depressa e com força. Bem à nossa frente.sussurraram Chris e Paul a um só tempo. conseguisse arrastar-se por aquela estreita passage m. segurando-me pelos ombros quan do eu. Carrie ag arrou-se a mim.Carrie. Os cabelos louros brilhavam na luz difusa.Carrie. como encontrar. escutou o que disse o Dr. ele puxou . Era incrível que Carrie. cada um de nós segurando uma das mãos de Carrie. . Mas eu poderia chegar até ela. Não l he mostrava todos os recortes. faça exatamente o que digo. . . Em seguida. Paul planejara para todos nós. exatamente como o berço de Carrie desaparecera anos atrás. enquanto nossa mãe vag abundeava por toda parte. Paul desatava os nós que a manietavam. toda rasgada. Os caixotes desabaram! A poeira voou para t odos os lados. Também ainda estava vendada e amordaçada.A perna parece quebrada. Agora. Carrie. de modo a não arranhar o ros to. suja e en sangüentada. sem pensar. Veja aqueles caixotes. Recortei a notícia da coluna social do jornal de Greenglenna e colei-a em meu gran de álbum de vingança. A perna quebrada de Carrie estragou a longa viagem de férias de verão que o Dr. sempre éramos castigados pelo que ela causava! Não era justo que Carrie fosse obri gada a ficar de cama. . piscando porque a luz lhe feria os olhos.Diga-lhe que a perna vai doer. o berço do bebê também estava faltando. a fim de segurá-la por baixo dos braços. . Nossa mãe é uma notícia quente. num ângulo grotesco. Em meio à confusão. estava na Riviera francesa. chorando de dor na per na.Ao contrário de você. não é mesmo? Temos sorte de morarmos com Paul e a perna de Carrie voltará inteirame nte ao normal. Talvez chegassem outros verões em que estivéssemos todos ocupados demais para viajar. Paul nos seguiu em seu carro branco. Cole-se de bruços no chão e rasteje na direção da minha voz. Paul me agarrará pelos calcanhares e puxará nós duas para fora daí. Conhecíamos sótãos . enquanto o Dr. O Dr. Foi então que me lembrei: agora. Quando segurei Carrie pelos ombros. comparecendo a festas. S entamo-nos no mesmo banquinho. Enquanto falava. você sabia? . Corri naquela direção. Chris e eu viajamos na ambulância que veio buscar Carrie para levá-la ao hospital. com Chris nos calcanh ares. Uma pessoa adulta não o conseguiria.definitivamente para casa. Não se incline para a direita ou para a esquer da.Não estamos tão ma l. Preocupa-se mais com a alta sociedade que o Daily Ne ws de Clairmont. Tudo acabará em questão de segundos e o Dr.Meu Deus! .quis saber ele.

eu aumentava minha coleção de recortes de notícias e fotog rafias tiradas de muitos jornais. Chris era exatamente como Papai. Ele m al conseguia conter as lágrimas. Chris me odiaria por fazer aquilo. Parabéns e meus melhores votos de felicidades. Eu queria que se fosse e.Ora. o que há de errado com você que lhe permite continuar a amá-la. Continuava a amála porque precisava fazê-lo para continuar me amando. esbelto e bem bronzeado! Obs ervei uma foto na qual ele erguia uma taça de champanhe para brindar a esposa no s egundo aniversário de casamento. depois de tudo o que ela fez a Cory e C arrie? Chris. o boneco médico. meticulosamente. não é mesmo? Ele hesitou. admirava as de seu marid o. Eu não era fraca! Não era desprovida de talentos! Eu seria capaz de i maginar mil e uma maneiras diferentes de ganhar a vida sem precisar trancar meus quatro filhos num quarto miserável e abandoná-los aos cuidados de uma velha malvada que desejava vê-los sofrer por pecados que eles não tinham cometido! Enquanto eu ruminava meus pensamentos vingativos e fazia planos para arruinar-lh e a vida na primeira oportunidade que surgisse.Você a ama! . eu chorava por mais que me esforçasse para não fazê-lo.Naturalmente. Avistou-me quase no mesmo instante em que o vi e entrou em meu quarto sem dizer uma palavra. invernos. agarrav a-o com força. na varanda. . .exclamei. via nossa mãe e a imagem dela quando jovem. colando-lhe o tecido à pele. E u nem mesmo notara o fato. . Naquela noite. Quando consegui falar. Toda vez que olhava para mim . chorando-lhe no ombro. Chris beijava-me com ternura. Corri para colocar a carta na caixa postal e mal a deixei cair pela fenda arrepe ndi-me. Cathy. tão refre scante e agradável. E stava lá fora. o que me fez o sangue ferver de raiva. Contudo. Choveu naquel a noite e levantei-me da cama para observar a tempestade. era um milagre ela ter sobrevivido! Sem falar no arsênico! Maldita Mamãe . você deve saber que a perna de Carrie talvez não cresça enquanto estiver no aparelho de gesso.alto. E seu próprio silêncio constituiu uma resposta. deixando que a chuva soprada pelo vento lhe molhasse o pijama. invernos. não é mesmo? Chris me pareceu estranhamente inquieto. Como era tão belo e forte seu jovem marido . ele sabia tão bem quanto eu por que motivo Carrie não crescia.Chris. Sra.repliquei furiosa. Nelas enterrava quase todas as minhas economia s. que fora tão vulnerável ao tipo de beleza que eu possuía. a boneca bailarina. Era sábado e Chris estava em casa. Winslow. . Foi um verão maravilhoso nas montanhas. você não a ama mais. As lágrimas me escorriam pelo rosto como a chuva escorria pela vidraça. perguntei: . primaveras e outonos sejam assombrados pela lembra nça do tipo de verões. resolvi enviar um curto bilhete a Mamãe: Cara Sra. Dos que já não lhe pertencem. Entretanto. trancados num quarto cujas janelas nunca eram abertas.indagou. quando d everia odiá-la tanto quanto eu? Ele permaneceu mudo. Cathy.Se ela crescesse como uma criança normal.que sua alma ardesse no fogo do inferno! Dia a dia. a boneca que reza para crescer e o boneco morto. de modo que há poucas probabilidades de que uma perna fique mais curta que a outra. No entanto. E espero que todos os seus futuros verões. Winslow.. vá enterrar o nariz num compêndio de anatomia! .Como consegue. . Como me recordo de sua lua-de-mel. primaveras e outonos que tiveram suas bonecas de Dr esden. sendo "quase" médico. de sol e de liberdade. ao mesmo tempo. porque el e sempre dava pouca importância quando eu afirmava que Mamãe era a causadora de algu ma coisa ruim.Ora. era apenas uma semelha nça superficial. Abraçamo-nos. por que as lágrimas? . Privada d e amor. Embora olhasse as fotografias de Mamãe com ódio e aversão. desejando tê-la de volta. . creio que poderia existir esse risco. ela não cresce muito. enquanto eu continuava a soluçar.

Cathy . Depois. três quarteirões inteiros desde o ponto do ônibus.declarou com voz embargada. agido corretamente ao ocultarmos dela a sinistra verdade s obre a maneira como nossa mãe tentara matar-nos? Sobre como ela era a causa de Car rie ser tão raquítica? Carrie atribuía à pequenez toda a sua infelicidade e solidão.Por favor.chorava ela com o rosto enterrado em meu colo. . Portanto. p or que não lhe daria estatura? Paul estava sentado na varanda dos fundos. mais uma vez atormentada por crianças desprovidas de sensi bilidade.ou será que é anã? Por que não vai trabalhar num circo e ser a maior atração? E Carrie corria de volta para casa. Tudo indicava que Carrie passaria o resto da vida percorren do os longos corredores daquela escola primária sem encontrar uma única amiga.e muita! Carrie dormia na sua cama de solteiro encostada à minha e todas as noites eu a via ajoelhar-se junto à cama. com as mãos unidas sob o queixo. Deus! Escut e nossas preces! Uma tarde. Portanto. basta eu ficar quase tão alta como Cathy. baixinha . Paul e eu tiv emos uma conferência sobre o assunto e decidimos que.Deixe-me em paz! Você não me ama como quero ser amada.exclamei ao sentir a pressão de seus lábios nos meus. beberica ndo vinho. . Desejava desesperadamente integrar-se a um grupo. Por favor. por favor. de onde ela voltasse para casa todos os dias. Não se transf orme num monstro.dizia-me ela. faça Carrie crescer! Por favor. pois acham que está sendo desperdiçado em alguém tão raquítico como eu! Eu fazia o possível para consolá-la. Logo setembro chegou. Minha mãe de v erdade. Carrie procurou a única pessoa capaz de lhe dar quase tudo.Gostarão. odeio meu rosto! Chris pareceu profundamente magoado ao recuar na direção da porta. Ao fazêlo. Queria encontrar alguém que a tratasse como irmã.Estava apenas procurando reconfortá-la . permita-me crescer um pouco mais. Cabelo de Anjo. que a amamos e admiramos.E. E Carrie ainda não fizera uma só a mizade. Você me ama porque me u rosto é igual ao dela! Às vezes. certamente o faria de bom gra do.Ninguém g osta de mim. não se preocupe com os out ros. meu Deus! permita que eu torne a encontrar minha mãe. passou-se novembro. ela percebia o quanto eu era bem proporcionada e o quanto ela era grotesca. perceberão o quanto você é delicada e maravilhosa. . afinal. E nem mesmo gostam do que tenho de bonito.Pare com isso! . Não dê importância ao que eles pensam! Carrie fungou. mas sempre ficava de f ora. Cathy! . Ei. eu fitava o teto e odiava Mamãe zava e detestava! Como podia Carrie ainda querer uma mãe que fora tão cruel para ela ? Teríamos. mas sentia-me impotente. Pouco tempo depois que o gesso foi retirado. ela recomeço u a andar tão bem quanto antes.. Olhe para baixo. Sabia que Carrie obser vava meus menores movimentos. o mesmo ônibus a traria de volta às três da tarde. Tudo o que ela teria a fazer era tomar o ônibus escolar a três quarteirões de casa. ela ficaria com Henny n a ampla e gostosa cozinha de Paul até que eu voltasse da aula de balé. . Chris. Muito pelo contrário. você aí. Noite após noite eu também me ajoelhava e pedia a Deus: . h ostilidade e ridículo. Senhor Deus. dava-lhe minhas preces. . por ser o que sou. Não precisa tornar-me tão alta como Mamãe. Acima de tudo. Quando o outono se aproximou. pois dava importância .Ninguém gosta de mim. magoa-se tanto . a melhor solução para o problema de Carrie seria uma escola pública. . E você tem a nós todos. . Chris e eu. amedrontada e chorosa. mas de que lhe adi antava isso se o rosto e o cabelo estavam numa cabeça desproporcionalmente avantaj ada em relação ao corpinho magro e miúdo? A beleza de Carrie em nada contribuía para ang ariar-lhe amizade e admiração. e rezar de cabeça baixa. Se eu lhe pudesse dar uma parte de minha estatura. mastigando iscas de queijo e bolachas salgadas. não gostam de minha cabeça porque é grande demais. Eu estava na aula de . por favor. .Eu não presto. mas só topava com desconfiança. por favor! realmente a despre Deitada na cama ouvindo aquilo. meu Deus! Ela é tão jovem. Meus temores de que a perna de Carrie saísse do aparelho de gesso mais curta que a outra foram infundados. . Não gostam do meu corpo porque é pequeno demais. Tinha consciência de possuir um rosto lindo e um cabelo sensacional. Veja-nos aqui. Então. comparando minhas proporções físicas com as suas. já sofreu tanta coisa! Seja bondoso. me u Deus. Mais cedo ou mais tarde. Em lugar disso.Cara de Boneca.

se fosse possível. mas sensacional. Agora. Ela me encarou com aqueles medrosos olhos azuis e percebi que ficou desapontada. A Sombra de Mamãe Fazia um ano e meio que estávamos com o nosso "doutor". no intuito de atorm entar sua vida onde quer que ela estivesse.A medicina moderna não dispõe de algum recurso para fazê-la crescer? . E cada crítica receb ida dizia-me que eu valia todos os seus esforços no sentido de transformar-me não ap enas numa bailarina excelente. "A Sra. riqueza e felicidade. bondade e compreensão. De rep ente. eu lia cuidadosamente o jornal de Greenglenna. Ela jamais se demorava num só lugar o tempo suficiente para receber minhas cartas.o que era raro. . vi muitas crianças mais baixas que você crescerem de repente quando atingiram a puberdade". recém-reformada. Tinha talento : percebia o fato nos olhares admirados de Madame e Georges. . Ced er-lhe-ia parte da minha altura. embora já ti vesse dez anos e devesse estar abandonando brincadeiras com bonecas. Às vezes. mas isto não ocorreu. Aguardei que os envelopes me fossem devolvidos com o carimbo DESTINATARIO NÃO ENCONTRADO. crescerá mais. sem zombar ia. Recortei também esta n otícia e fitei prolongadamente a foto. enquanto ele prosseguia: . Necessitava de uma companheira de sua idade.aqueles grandes ol hos azuis. a vida me conduziria por um caminho largo e reto à fama. Madame. ela regressaria a Greenglenna para residir na c asa de Bart Winslow. A solidão de Carrie doía-me de tal maneira que eu tornava a me lembrar de Mamãe. tentando descobr ir o que minha mãe fazia e onde se encontrava. das sete da man hã às sete da noite.balé. Quando estava em casa. Quando eu saía. Em agosto. . Durante as férias de verão. redecorada e mobiliada. . se as recebia. maldi zendo-a com todas as minhas forças! Esperava que ela fosse pendurada pelos calcanh ares sobre o fogo do inferno e atormentada por demônios armados com agudos trident es. Que dias eufóricos e espanto sos foram aqueles! Eu era como uma toupeira emergindo da escuridão para descobrir que os dias brilhantes eram muito diferentes do que eu supunha que fossem. Outro ra. tinha notícias. Com uma freqüência cada vez maior eu enviava bilhetes a Mamãe. brincando com suas bonequinhas de porcelana. parou de reclamar do próprio raquitismo. se tivesse tal máquina. Recortei aquelas linhas e colei-as no meu álbum. de modo que tomei conhecimento apenas da versão narrada por Paul. a fim de visitar o novo papa da alta costura internacional". Compreendi isso pelo modo como ela se afastou. tinha apenas as bonequinhas de porcelana com quem confid enciar. que não lhe fazia justiça . poi . Suas esperanças devem ter atingido o auge quando seus malvados colegas de escola zombaram dela. e indagou se eu não tinha uma máquina de estica r. para torná-la mais comprida. Carrie gastava o tempo andando no balanço. mas não cons eguia encontrá-la. tornaria a partir para a Universidade de Duke. Com o t empo. pois já se sentia idosa demais para bancar o bebê com Chris e comigo. mi nha irmãzinha se grudava a mim como se fosse minha sombra.Carrie se aproximou de mim. Eu tinha certeza de que ele respondera com amor.Venderia minha alma para conseguir que Carrie tivesse a altura que deseja. Oh! o que eu faria quando a encon trasse! Mais cedo ou mais tarde."Tenha paciência querida. de ombros caídos e cabeça baixa. preferia não respo ndê-las.Estou procurando . ela se to rnava a sombra de Henny. que uma vez livres de Foxworth Hall eu já quase adulta. Você está mais alta que quando chegou a esta casa. Chris arranjou emprego como garçom num café. Cathy.perguntei a P aul. Ora. muito tristes e desolados . Todas as noites.revelavam que ela ansiava por ser tão alta quanto as meninas que via na rua. seria um processo muito doloroso. onde cursaria o segundo ano preparatório para a faculdade de medicina. ou. Bartholomew Winslow deixou Paris com destino a Roma. sugerindo que procura sse uma "máquina de esticar".replicou ele com voz tensa. vigiava como uma águia as menores falhas de técnica e controle. Eu passava cinco dias da semana e metade dos sábados na aula de balé. Eu lhe falhara. Suspirei. .Eu lhe respondi que. Mas seus olhos . eu julgava. em especial .

Então. Ergui os olhos da página e fitei o espaço. Nem um só dia se passava sem que eu esperasse topar com Mamãe enquanto fazia compras ou trafegava pelas movimentadas ruas de Greenglenna. Minha formatura seria no final de janeiro. absorvendo seu tipo especial de beleza . Os dias de outono se escoaram com rapidez. Suspirei. O simples fato de me manter atualizada quanto às ati vidades de minha mãe era suficiente para ocupar-me o tempo livre. implorar-lhe que voltasse a me amar como antes. no século XVIII. Era uma das mulheres mais ricas da região e. os lindos cabelos louros e bri lhantes levemente ondulados para trás. e observá-la perder a pose e a dignidade. ousei arriscar-me muito. gostaria de fazê-lo. ao contrário de outros outonos em que o tempo parecia arrastar-se monotonamente enquanto eu ficava cada vez mais velha e a juventude me era roubada. Impaciente pa ra terminar logo o ginásio. Vendedoras pernósticas se aproximavam silenciosamente por detrás de mim e indagavam se podiam a judar-me em alguma coisa. vi-lhe o perfil. pois ainda não me sentia preparada para fazê-lo. naquele caro costume cor-de-rosa. todas as minhas emoções ficaram submersas num maremoto de ódio e desejo de vingança. para que eu entrass e em pânico! Bílis amarga subiu-me à garganta. encontrando a colônia abandonada. bem no fundo de mim ainda existia aquela menininha. Mas nada fiz senão tremer e sentir-me doente ao escutá-los conversar. Minha mãe não era do tipo que olha para trás ou fita os transeuntes. sem um único sobrevivente para explicar o motivo. avistei na calçada. um homem e uma mulher tão familiares qu e meu coração quase parou de bater! Eram eles! Bastou-me o fato de vê-la caminhando co m tanta naturalidade ao lado dele. e ntão? Cuspir-lhe-ia no rosto? Sim. Os ancestrais de Bart Winslow tinham chegado aos Es tados Unidos na mesma época em que os meus. duas semanas antes de se reiniciarem minhas aulas no ginásio. tive vontade de correr para ela. voltei a atenção para o marido. Eu olhava para todas as lo uras que avistava na rua. passei a gastar uma parte ain da maior de meu precioso tempo. chocandoo e deixando-a aterrorizada! Ao mesmo tempo. certa mente. Em Greenglenna. entrava nas lojas elegantes para procurá-la. vieram também da Inglater ra.. como Carrie. Ainda não era rica ou famos a. Mamãe? Por que tem que gostar mais do dinheiro que d e seus próprios filhos? Abafei um soluço que ela poderia ter escutado. e. os Winslow se transferiram para a Carolina do Sul. de modo a ficar bem atrás deles. Ainda não era ninguém especial e ela continuava a ser uma grande beldade. Oh! meu Deus! Minha mãe. tão cultivada e aristocrática.s em geral ela conseguia exibir um sorriso brilhante para mostrar ao mundo intei ro o quanto se sentia feliz e satisfeita com a vida que levava. Naquele dia. Seria gostoso. mas eles não se voltaram para ver-me.e o que faria eu. evidentemente satisfeita. ab raçá-la chamar-lhe o nome. Avançava como uma rainha por entre os pleb eus. Minhas emoções turbilhonavam. eu me apressava em fazer um favor a Madame Marisha quando. passei horas a fio lendo velhos livros escritos sobre as famílias que haviam fundado a cidade. uma das mais afortunadas. estabelecendo-se na parte da Virgínia que era atualmente a Carolina do Norte. eu estudava como uma louca. A linda mãe a quem eu tanto amara. Eu procurava minha mãe e esta. quando real mente farejei o rastro da história da família de Bart. Ousei aproximar-me. Poderia também passar-lhe uma rasteira. confiara tanto nela. d e repente.. Não a abordei. Contudo. certamente me avistaria . os Foxworth também estavam na Carolina do Sul. descontro ladas. que ainda desej ava uma mãe para amar. Quand o ela virou a cabeça para falar outra vez com o homem a seu lado. É claro que não podiam. A voz dela era doce e suave. que ainda conseguia apoderar-se de meu c oração e espremê-lo até secar. Qualquer dia eu a encontraria! Um sábado ensolarado. não estava pendurada num cabide. também. à minha frente. deixando o rosto inteiramente à mostra. Por que. Tive ímpetos de correr até ela e berrar-lhe acusações diante do marido. Chris partiu para a universidade em agosto. Quando me far tei de olhá-la. pois outrora eu a amara tanto. Depois da Revolução. Seria mera coincidência que os ancestrais d e Bart e os meus fizessem parte daquela "Colônia Perdida"? Alguns dos maridos tinh am viajado de volta à Inglaterra para buscar suprimentos e só regressaram muito mai s tarde. fazendo-a cair. Mas estava na cidade! A coluna social dera -me tal informação. Minha mãe assassina. Se ela virasse a cabeça. como se as únicas pessoas na rua fossem ela e seu jovem marido. Que estranho! Atualmente. Estava acostumada a ser o centro de atração dos olhares admirados. Maravilhei-me ao constat ar o quanto ainda se mantinha esbelta e elegante.

a inveja estampada no rosto de Carrie e o largo sorriso que dividia o rosto de Henny de uma orelha à outra. Então. As palavr as trocadas por minha mãe e o marido não foram especialmente reveladoras. E o que fiz? Acovardei-me! Não fiz nada . alho. Aquele aparador custara dois mil e quinhentos dólares e era necessário para dar equilíbrio a um dos lados da sala. que eu provavelmente não tornaria a preparar. carregando seu presente. ansiosa por subir para tomar banho e me vestir. .respondi afobada. Enquanto os seguia. comecei outro bolo. como fizera Mamãe na festa de trigésimo-sex to aniversário de Papai. um homem veio colocar outro espelho na moldura. levantei-me e fiquei andando de um lado para outro. ele obedeceu sem protestar. Uma ja mbalaia crioula com camarão. eu imaginava a maneira de fazê-la sofrer mais.inclusive o aparador. Caprichei nos retoques finais da arrumação da mesa. Henny movimentava-se atarefadamente. num tom de voz que me levou de volta à infância. Lembrou-me um pouco Julian. era preciso refogar todos os cogumelos e ou tros legumes. voltei para casa e esbravejei diante do espelho. muito mais! Um Presente de Aniversário As convenções médicas. cogumelos e tantos outros ingredientes que tive a impressão de que jamais acabaria de medir porções disto ou daquilo. ninguém seria capaz de adivinhar que eu tin ha apenas dezessete anos. trabalhando como uma escrava para preparar o jantar de gourmet que eu planejara: todos os pratos prediletos de Paul. Acompanhei-lhes os passos. comecei a chorar. . Mamãe! Agora. Oh! sim. Eu estava terminando de confeitar o segundo bolo quando Chris entrou pela porta dos fundos. Maquilei-me com a habilidade resultante de horas de prática e longas consultas com Madame Marisha e as maquiladoras das grandes lo jas de departamentos.viril e felina. assim como os pacientes. Naturalmente.Adorei aquele aparador que escolhemos . Encontrei Henny na cozinha. Já não usava o basto bigode escuro.indagou ofegante. Enchi o buraco com glacê e dei-o às crianças das redondezas. sacudindo a cabeça e olhando-me com ar crítico. a fim de esperar que Paul chegasse para a s ua "festa de surpresa". Naq uele dia especial. sumiu! Então. cebolas. . eu me desforraria . Tola. Seria mais que um simples espelho quebrado. Preciso voltar à universidade antes da chamada noturna.Lembra-me muito um que comprei pouco antes da morte de Chris . Tão logo aquele foi para o forno.Só poderei ficar até às nove horas. Então. carne de siri. arroz. Mais. sentamo-nos todos. Desci a escada sentindo-me elevada aos píncaros pela adm iração que brilhava nos olhos de meu irmão. arrumar a mesa era algo ofensivo à sua dignidade. num corte moderno.absolutamente nada! Furiosa comigo mesma. Um prato complicado.de uma maneira que não seria prejudicada. Papai morrera no desastre e tudo que não fora pago nos foi tomado . morando na casa de Bart Winslow. cheia de planos de vingança. enrolei-o. Quando terminei. Chris encheu alguns balões e pendurou-o s no lustre. Então. Lavei o cabelo. . contudo. pimentões verdes. Estavam em Greenglenna. Discutiam o restaurante onde deviam jantar e ela queria saber se os móveis que tinham compra do naquela tarde poderiam ser melhores caso fizessem a compra em Nova York.Arrume a mesa enquanto Henny termina a salada. Posteriormente. sumiu. pintei as unhas dos pés e das mãos com um esmalte rosa pr ateado e poli-as esmeradamente. de safiando o destino a permitir que me avistassem. Tinha os cabelos escuros suavem ente ondulados para trás. odiando minha mãe e admirando seu marido. . estragaram muitos dos meus planos. línguas-de-so gra e os ridículos chapéus coloridos de palhaço. .Chegou bem a tempo . eis o que eu era! Não fizera mais que gastar parte do dinheiro que vinha economizando para d ar um belo presente a Paul em seu quadragésimo-segundo aniversário. Algum dia. O primeiro era úmido e macio. quando ele nunca mais voltou para casa. c om um furo no meio. ajeitando os apitos. para vari ar. está desfeita em pedaços! Sumi u. odiando minha imagem por ser um a duplicata dela! Maldita fosse Mamãe! Peguei um pesado prendedor de papéis em cima da elegante escrivaninha em estilo provincial francês que Paul comprara para mim e atirei-o com força contra o espelho! Tome. Quando as horas se passaram e Paul não chegou. .disse ela. faltei à aula de balé a fim de voltar correndo para casa direto d o ginásio.Cheguei atrasado? .

Henny bocejou e foi deitar-se. Em dez minutos ele tomou banho.. Em seguida. assistindo à televisão. Seu irmão está adquirindo gostos de gourmet.Ele tomou gosto por esse tipo de b ebida. . a idade qu e eu queria que ele tivesse. telefonou para dizer-nos a que horas voltaria para casa. Agora.indagou Paul.disse Paul em tom humilde. carregando as malas que levara consigo para Chicago. Terminada a refeição. . eu escrevera com a maior arte que a bisnaga de glacê me permitira: P arabéns. . Paul s orriu e acariciou-me o rosto com as costas da mão. . Tenha piedade de mim. A certa altura. como se pedisse desculpas..Estou faminto . andando pela sala. Sentia-me como uma adolescente atolada num mundo adulto de areia movediça. . corri à cozinha e deslizei de volta com um lindo bolo de coco. Fiquei sozinha.A respeito de quê? . enquanto o prato crioulo esquentava e secava no forno.informei. Paul. Como as pessoas que sempre procuram ocultar se us sentimentos.Trabalhei como uma escrava para preparar um bolo tão gostoso como o que fazia a sua mãe . Estivera fora de casa durante duas semanas long as . Meneei rigidamente a cabeça para mostrar ao menos uma partícula de compreensão. Tive a impressão de que sempre que erguia a cabeça meus olhos encon travam os dele. tomei lugar à esquerda de Paul. . ataquei-o raivosamente: . preocupando-me. a salada começava a murchar. restam os apenas Henny e eu.. Ele veio pela p orta da cozinha. . . Em cima do bolo. se minha tentativa de par ecer sofisticada alcançara sucesso. poderíamos aproveitar da melhor forma possível o que poderia ser uma ocasião muito festiva e feliz. Comemos devagar. Descerei dentro de dez minutos. com três horas de atras o!.Está com uma aparência absolutamente exótica .E você não apareceu em casa! Afastei-o bruscamente e tirei o prato do forno. d ecorado com pequenas velas verdes enfiadas em rosas vermelhas feitas de glacê. minha festa estrag ada.Portanto. Então. Tudo o que era preciso fora arrumado num carrinho de servir. Meu ves tido curto e formal era de chiffon cor de fogo. Semanas mortas. alças finas e um decote que deixav a à mostra o profundo vale entre meus seios. Carrie começou a bocejar e reclamar. . lançando um olhar desconfiado à sala de jantar e vendo a decoração pa ra a festa.muito longas.murmurou. Paul tirou a garrafa do balde de gelo e examinou o rótulo.pois aquela era a idade que ele aparentava para mim.Por acaso consegui estragar algo que você planejava fazer? Mostrou-se tão despreocupado com o fato de estar atrasado três horas que eu seria ca paz de matá-lo se não o amasse tanto.interrompi. Às dez horas. . depois de soprar as velas. especialmente decorado em vermelho e roxo.Em primeiro lugar.Ei!. Cathy. fez a barba e vestiu roupas limpas. deve ter custado caro. por dentro eu me sentia atordoada ao tentar de sempenhar o papel de sedutora.. À luz de quatr o velas. por que teve que comparecer àquela convenção médica? Devia ter adiv inhado que tínhamos planos especiais para seu aniversário! Além disso. . mas chega agora.. Paul chegara em casa parecendo cansado e mal arrumado. ao som da maravilhosa música que me elevava a alma às nuvens.Uma boa safra. Demos-lhe comida e permitimos que subisse para dormir. . Os pratos a serem servido s quentes estavam sobre aquecedores elétricos e o champanhe gelava num balde de pr ata. trate de desfra nzir a testa e preparar as coisas..O champanhe é presente de Chris . Entretanto. Carrie dormia soz inha em seu próprio quarto. aquecendo os músculos antes do café da manhã. Chris teve que ir embora. escutei o carro de Paul entrar na alameda de acesso. . Eu p reparara a refeição de modo a não ter necessidade de levantar-me para servi-lo.O que acha? . Cumpriment ou-me distraidamente antes de notar minhas roupas elegantes. Não posso controlar as c ondições atmosféricas. que me fizeram sentir falta da sua presença à por ta aberta de meu quarto enquanto eu me exercitava na barra. . mo strava-se completamente refeito. sentamo-nos à comprida mesa de jantar.começou ele a explicar. .Se você ainda não comeu.Meu vôo atrasou.Afinal. exclamou. .redargúi pousando cuidadosamente sobre a mesa o bolo com vint e e seis velas . agora.

As lágrimas transbordaram-me dos olhos. atravessando ao lado de Paul a magia do jardim japonês com a pequena ponte laqueada e subindo. Ora.gaguejei. Não obstante.gag uejei outra vez. diabo.É bonito . ficando vermelha como meu vestido. dando-lhe alternadamente um aspecto sinistro e ale . exatamente como Chris costumava br incar comigo. os degraus de mármore. Catherine. mas é atraente e pareceu-me terrivelment e autoritária. Portanto. não passava de uma enfermeira num estéril uniforme branco. Sen tei-me perto do posto das enfermeiras e a observei durante cerca de duas horas. onde o Beijo. Ele não notou as lágrimas. naturalmente.Como. .quis saber Paul. Já teve ímpetos dessa espécie? Vontade? Ímpetos? Desejos? Eu era feita deles .grande parte dos quais por demais adolescentes e fantasiosos para se tornarem realidade. É uma expressão muito fraca. muito belas em sua fria e perfeita nudez.A noite está bela demais para irmos dormir .Muito obrigado. . A mágica impressão era causada. por considerar-me tanto. com longas mechas de nuve ns encobrindo-a a intervalos.Está zombando de mim..Do meu bigode. . descendo os degraus de mármore que levavam ao centro do jard im. . é claro que você notou.declarou.Ora. ne m o lenço que retirei do decote do vestido. cheio de encanto e sedução. espantado e impressionado. ela não chega a ser bonita. Catherine . . cheia e sorridente. respondi: . A brisa fazia balançar o musgo espanhol nas árvores. Continuava a admirar os minúsculos ponto s de bordado que eu fizera com tanto esmero. Chris riscara o desenho par a mim e eu trabalhara como escrava durante muitas horas a fim de produzir um ser viço perfeito. Thelma Murkel era enfermeira-chefe de um dos pavimentos do Hospital Clairmont Memorial e todos lá sabiam que estava decidi da a tornar-se a segunda Sra. você diz que me fica bem.Sinto vontade de passear no jardim ao luar. pois a estatura causava alguns problem as dos quais eu estava livre. desde que chegou a esta casa você vem insinuando que eu seria muito mais bo nito e atraente se usasse bigode. dominava o panorama. ele deveria saber: mexericos.. a quilômetros de distância de Paul.Que linda obra de arte! . apertando as pálpebras do s olhos bonitos.Fui àquele hospital onde Thelma Murkel é a enfermeira-chefe do terceiro andar. . E flerta com todos os médicos. .exclamou Paul. enquanto eu estava bem sob o nariz dele.Fica bem em você. sabe a respeito dela? . contra alguém como eu? Eu já estava zonza com três taças do champanhe importado trazido por Chris. a lua grande e brilhando. dividindo-me o nome em sílabas lentas e distintas. caso você ainda não tenha conhecimento do fato. E agora. Deixei-o a rir. Tudo me parecia azul-prateado e irreal. Paul Scott Sheffield. . com vinte e nove anos de idade. c aptou-me o olhar com seus olhos faiscantes e ergueu-se para ajudar-me. pelas estátuas de márm ore em tamanho natural. a o qual homem nenhum consegue resistir). Na minha opinião. Catherine. mal conseg uindo manter-me alerta.disse Paul. onde todos os clientes possam vê-la. Carrie e eu tínhamos comprado para ele com nossas economias. porque você fica tão bonito que só consigo encontrar expressões fracas .. Entretanto. . Não pude deixar de relembrar a avó e o modo cruel pelo qual rejeitara nosso gesto de dicado e esperançoso de angariar-lhe a amizade. Tentei enxugá-las fu rtivamente antes que Paul percebesse que não era apenas a luz de velas que me torn ava tão bonita. com meu embriagador perfume novo a lhe despertar os sentidos (como dizia o anúncio: um aroma enfeitiçante. com os olhos brilhando. Minha Lady Ca-the -ri-ne Corri à frente de Paul. Vou pendurá-la na parede do consultório. . Eu bordara para Paul uma ta peçaria mostrando a linda casa branca com as árvores aparecendo acima do telhado e p arte do muro lateral com pequenas flores brilhantes. mas três horas de cuidadosos preparativos. .É porque. Que possibilidades tinha Thelma Murkel. Então. de mãos dadas com ele. de Rodin. deixando o presente de lado. manchando a maquilagem.. quando Paul começou a abrir os presentes que Chris. obrigando Paul a abaixar-se enq uanto eu podia permanecer ereta e sorrir. Faz meia hora que não tira os olhos dele.Temo que Thelma Murkel já tenha encontrado todas as expressões fo rtes para elogiá-lo.. lançando um olhar ao relógio. tive a impressão de que penetrávamos junto s num país de sonhos. que me dei ao trabalho de deixá-lo cres cer.

Paul começou a murmurar palavras de amor que eu tanto desejava ouvir. Sem a menor vergonha. Fica esplêndido naquelas roupas.Oh! .Tudo isso depende. par . .Não sou enigmática.Eu queria lhe dar um lindo Cadillac novo como presente de aniversário.. Portanto. Era bailarina e sabia cair.indagou. afastando-se um pouco e fitando-me com os olh os cheios de fogo. enquanto suas mãos procuravam e exploravam i ncessantemente minhas partes mais íntimas. ofegante. resolvi dar-lhe o segundo melhor presente: eu. estava aqui.disse Paul. Prendi a respiração quando sua língu a tocou a minha. Tonta. Não podemos permitir que isto aconteça. retrocedendo ao sótão e aos balanços que eu lá usava nas noites l ongas e abafadas.Não posso deixar que faça isso: você nada me deve! Ri e beijei-o.dis se Paul. eu não me machucara.Tem cabelos negros e brilhantes. tapando-me o rosto e deixando-me cega. você é totalmente feminina. Agora.gre. temerosos de termos que passar o resto da eternidade assando sobre o fogo do inferno.Catherine. Libertei-me dele. beijando-me antes que eu pudesse responder. quem me deve é você! Lançou-me muitos olhares compridos. .É . mesmo que não tenhamos um homem para amparar-nos..disse Paul. caí bruscamente! Paul correu para mim. .não com você! Palavras inúteis.Já reparei nisso. Mergulhei os de dos em seus cabelos escuros e murmurei com voz embargada: . Um homem gosta de cuidar da mulher que ama e do s filhos. Por outro lado. baixinho.O quanto deve ter sido magoada por sua mãe! Fala de forma tão adulta.. . Suspirei. pois fora exatamente assim naquela estranha noite em que Chris e eu estivemos juntos no telhado de Foxworth Hall. com tanta violência e abandono.disse ele. . .mas balançando-me co mo uma louca. estou apenas dizendo que amor ou romance não são suficientes.Catherine. Os beijos de Paul tornaram-se quentes e úmidos em minhas pálpebras. ombros e colo... tão e mpedernida. apaixono-me loucamente pelo príncipe que ele representa. trazendo-me bruscamente de volta do passado. cheios de desejo. a próxima semana pertencerá a ele e não a mim. mas creio que v oltará na próxima. às vezes não. . .Julian? .Então. Paul gemeu baixinho.De quê? .Às vezes desejo a companhia dele. . Não. . Não permita que lembranças amargas lhe roubem uma de suas maiores qualid ades: seu jeito suave e amoroso. rosto.concordou Paul.Catherine .Machucou-se? . Uma mulher agressiva e dominadora é uma das mais terríveis criaturas de De us. Pare de dar respostas enigmáticas.Depende. Às vezes ele parece apenas um menino e eu quero um homem. Comecei a balançar-me. beijei-o demorada e profundamente na boca. queixo. pescoço. .Você é apenas uma criança. . que minha saia se ergueu com o vento. para voltar ao sótão! O fato de rever Mamãe e seu marido deixava-me dese sperada. . corri para o balanço e sentei-me. E quando danço com ele. seus beijos se tornaram mais vagarosos e p rolongados.Devo supor que negro brilhante seja mais romântico que mesclado de castanho esfu maçado? . mas não tiv e dinheiro suficiente. A expressão de seus olhos causou-me uma embriaguez muito mais forte e gostosa do que qualquer champanhe importado poderia provocar. que eliminei envolvendo-lhe o pescoço com os braços. . Balancei-me tão alto.. . fazendo-me desejar de imediato algo que precisava ser adiado para quand o eu fosse mais velha. Dese jo talentos que me ajudem a viver sem ter que trancar meus filhos numa prisão para herdar uma fortuna que nada fiz para merecer.Está em Nova York esta semana. Catherine . Meus lábios se entreabriram sob seu demorado beijo. cada vez mais rápido e mais alto.provocou Paul. Eu jurei que nunca mais tornaria a acontecer . . tomando-me as mãos nas suas e apert ando-as..É uma pena você estar aqui comigo e não com aquele rapaz com quem costuma dançar . Quero saber como ganhar nossa vid a e sustento. ajoelhando-se a fim de tomar-me nos braços. . .indaguei espantada. livre no mundo normal . às vezes ele é muito sofisticado e me impression a. . enquanto você os tem num tom mesclado de castan ho esfumaçado.Paul. .. .

você me ama e me deseja. o livro que Mamãe guardava na mesinha de cabeceira haver-me ensinado o que fazer para dar prazer a um homem e satisfazer meus apetites? Cheguei a pensar que Paul me possuiria ali mesmo no gramado. tão jovem. eng olfando-nos como uma onda de maremoto. Minhas pernas erguidas envolviamlhe a cintura e pude sentir o terrível esforço que ele fazia para conter-se enquanto me pedia para vir.agora. ma s ele me ergueu no colo e carregou-me de volta à casa. apenas com o olhar. Paul. . apoiado num cotovelo.Bem. Subiu cuidadosamente a esca da. havia um livro. Christopher Doll . no quarto ao lado da cozinha.. afogando-me neles . Sei que você me amará como desejo se r amada. provocando uma sensação agradável . Fiquei acordada. Afastei do pensamento o que pensaria Chris. Então. sentindo a exaltação de compartilhar o que o outro tinha a ofe recer. apenas nos tocávamos. Vi r para onde? Paul estava escorregadio de suor. mesmo que se recuse a confessar. sob seu corpo. Estava tudo estampado em seu rosto. Como era fácil para os homens. . Chris o lesse. daquilo que eu certamente não lhe negaria. Juntamos nossas peles. Não está arrependida. afinal. E eu gemi ainda ma is alto quando coloquei minha mão onde causaria maior prazer a ele. Ele gemeu.Eu quase morri tentando conte r-me até que você pudesse chegar ao orgasmo. tudo acabou e Paul saiu de dentro de mim. Nenhum de nós falava. a princípio. Então. Não me diga que existe um assunto a respe ito do qual você ainda não leu nos livros! . E eu mergulhei em seus olhos. com esses in ocentes olhos azuis. . À distância. E agora. E eu não alcançara o cume de nenhum a montanha..como ele sentira. afinal. Chris ia àquele quarto com muito mais freqüência que eu. . mas dominada pelo feroz ardor da necessidade que exigia dele atingir os mesmo s píncaros que eu buscava. Tudo exceto as mãos sonolentas de Paul que me p ercorriam o corpo. vir. fazendo-os brilhar. não teria hesitado em aproveitar-se a nsiosamente.Você é tão bela. refleti enquanto desejava mais. explorando todas as colinas e vales antes que ele adormecesse . por favor. Nunca cheguei a ler o texto. Se me amasse menos. o fato de que minha avó me julgaria uma prostituta desavergonhada . sob as estrelas. O luar iluminou-lhe os olhos. o bservava-me com ar sonhador. . As coisas perderam a nitidez à medida que minhas emoções cresciam cada vez mais. estará mentindo. ou ouvira sinos tocarem. até que. está? Espero que não desej a. vagamente marcado p ela satisfação. Oh! Seria uma felicidade. você foi libertado! A luz do sol entrando pela janela acordou-me cedo. o próprio fato de controlar-se mostrava exatamente o quanto ele realmente me amava. . A cada toque dos lábios e das mãos de Paul eu era percorrida por sensações eletri zantes. E enquanto ele me dizia que eu era uma tola por pensar que aquilo daria certo. embora meus lábios lhe cobrissem de beijos o pescoço e o ros to. abraçados. fitando o teto com lágrimas nos olhos.conseguiu dizer. ter agido de forma diferente. mas faz muito tempo que cresci. Por que me pediu tanto que viesse? Ele explodiu numa gargalhada. vir! Então. ou sentira-me explodir . Eu sabia que e stava agindo sem o mínimo sinal de recato ou vergonha. sua expressão desmentia-lhe as pa lavras. embora. fazendo o que me era possível. a televisão de Henny ainda estava sinto nizada num programa de entrevistas. porque. começou a fazer-me amor. que encontrei na mesinha de cabeceira de Mamãe. tão desejável. qu ando Paul fez menção de levantar-se para sair dali e acabar com a tentação. Portanto. você fica aí deitada. Por outro lado. agora relaxado e pacífico.Catherine! Agora! Depressa! Venha! De que falava ele? Ali estava eu. gemeu e não resistiu mais. Não precisa amar-me. meu amor . a perguntar o que eu queria dizer! Pensei que seus colegas bailarinos já lhe tivessem explicado tudo. Chegara à beira do foguetório e tudo acabara. No meu modo de pensar. ou justamente o contrário. eu não me importo. há muito tempo. Pensa em mim como se eu fosse uma criança.a dizer-me agora que não me quer.Explique-me uma coisa. peguei-lhe a mão e coloquei-a onde ela me causaria maior prazer. fiquei desesperada para senti-lo penetrar-me. sua perna pesada se apoiou na minha. Adeus. Jorros de líquido morn o aqueceram-me as entranhas por cinco ou seis vezes. Aninhei-me de encontro à sua pele nua.Catherine. pois eu o amo e isto me basta. mas limit ei-me a ver as fotografias. Paul colocou-me sobre sua cama e. Se disser tal coisa. já sem ternur a.

embora eu tivesse sa bedoria suficiente para jamais perguntar a Paul o que ele fazia quando não estava dar de bom grado. . Entreguei-me entusiasticamente a todos os desejos de Paul.Não! Por que não trata de esquecer o passado? . . Apresentava todos os sintomas.Não tornaremos a abrir feridas cicatrizadas! .Paul pigarreou. Eu não tinh a idéia de quanto tempo perduraria o encantamento existente entre Paul e eu. Estávamos à mesa.N ova York. o meu eu desconfiado não ima ginava que algo tão belo e glorioso quanto o que havia entre Paul e eu pudesse dur ar indefinidamente.como os seu s. Então. . sabendo muito bem que procurava protegê-l . justamente por ser tão pecaminoso. Vista de Fora Mal as palavras me saíram dos lábios e Chris gritou: .Tentarei amá-lo da maneira que você desejar. tornava tudo dez vezes mais excitante. Estendi os braços para puxá-lo de volta. Paul logo se cansaria de mim. Desejava dar-lhe tudo o que Júlia lhe negara riminações quando chegasse o momento de nos separarmos. eu voltava a vacilar. Oh! importava-me tanto o que Chris pensava de mim! Por favor.assim esperava eu . afastando as cobertas e começa ndo a levantar-se da cama.Faço .Não! . que eu escondia até que pudessem ser lavados. mas demonstrar na prática seria bem melhor. como se o houvesse traído. Chris esbugalhou os olhos e Carrie começou a chorar. pois minha próxima etapa seria . quando Chris estava em casa tínhamos que ser mais discretos e nem mesmo nos olhávamos. Não obstante. com os olhos sonhadores vendo estrelas . e voltaria aos velhos costumes . Tomei a palavra para dizer a Paul o que desejava como presente de Nata l: queria ir a Foxworth Hall. om Henny por perto. Falando sério: você não faz a mínima idéia? . Talvez Thelma Murkel o tivesse acompanhado àquela convenção médica. por não querer que Chris me considerasse pecaminosa. foi você quem me convenceu de que ela envenenou Cory! Portan to.Em primeiro lugar.Cory pode ter morrido de pneumonia.repliquei com igual veemência. que eram duplicatas dos lençóis sujos.exclamou Chris. desorientada. E eu amo Paul . .Por favor. Com que falta de convicção ele disse aquilo. eu lavava as roupas de cama. serei pulverizada em átomos que f lutuam no espaço e tornam a reunir-se. Ansia va por paixão perene.Porque não sou como você. . peremptório.talvez com Th elma Murkel. por êxtase imorredouro. Não me restava muito tempo.disse Paul muito sério. .respondi. mas de pneumonia. que exultava em nosso desp rendido abandono. Agora. uma criança cuja capacidade ment al jamais poderia igualar-se à sua. Nos dias de folga de Henny. Todavia. Jamais cicatriza rão até que seja feita justiça! Foxworth Hall. No final de janeiro. com suas arengas a respeito de malícia e pecado . para não nos trairmos. por que não podemos ir até lá e verificar se algum hospital tem o registro da mort e de Cory? . ficar rígida e perder os sentidos. na defensiva. Christopher! Você prefere fazer de conta que Cory não morreu por envenenamento com arsênico. tão generosa. não me faça amá-la demais .disse ele. .Claro que faço. Seria o nosso terceiro Natal na casa de Paul. meu De us! faça Chris compreender por que motivo estou agindo assim. Catherine. depois. Carrie era tão pouco observadora que bem poderia estar n um mundo diferente do nosso. porque isso lhe é mais cômodo e con veniente! Não obstante. no momento de nossa fla mejante obsessão mútua eu me sentia tão grande. . Inventamos modos deli cados de ocultar nossos encontros à percepção de Henny.Gosto de você como está agora. eu terminaria o ginásio . tão moreno e perigoso. Creio que devo ser estonteada por raios. E creio que a avó. provocando-me arrepios e trazendo-me vagaro samente de volta à realidade. sem rec a meu lado. vou fazer a barba .Minhas feridas não cicatrizaram! .de v erdade! Após o Dia de Ação de Graças. como se tive sse medo de que isso acontecesse. Mas. quando Paul nos perguntou o que desejávamos no Natal.Eu poderia explicar o que quis dizer com aquilo. eu me sentia esquisita em relação a Chris. Chris ainda teve mais alguns dias de férias.

Pensativo e amuado junto a Carrie no banco traseiro. por fora . . A mansão não se incendiara! Deus não enviara uma brisa erran te que soprasse a chama da vela até atear fogo a uma das flores de papel.disse Chris. nenhuma criança do sexo masculino. pois Cory devia estar no céu e não sob a terra ligeirame nte congelada por uma nevada recente.disse eu.Veja lá. eu também gostaria de vê-la. Paul refletiu sobre o assunto. . O telhado de ardósia escura era tão íngreme que chegava a assustar .E para falar com franqueza. Chris. Se ela registrara Cory num hospital sob um determinado nome. Enquanto Paul olhava para as duas janelas. . . Chris cedeu. poderemos visitá-lo periodicamente. Girei nos calcanhares. Paul parou num posto de gas olina para pedir informações quanto ao caminho até Foxworth Hall. Era enorme como um hotel. .Ela também mandou colocar um nome falso no túmulo de Cory .exclamei. para encarar Chris. se soubéssemos por onde passava a ferrovia e conseguíssemos encontrar a parada do correio. .E você. dizendo-lhe que eu precisava ver a casa. como Chris acaba de dizer. voltei a atenção para as janelas de água-fu rtada do sótão e vi que um postigo avariado fora consertado. Não encontrei marcas de f uligem ou sinais de fogo. Paul . chegamos à grandiosa mansão isolada numa encosta.Agora. um dispêndio inútil de tempo! No que dizia respeito ao resto do mundo. com postigos pretos em todas as janela s. mas os cemitérios não tinham qualquer registro do sepultamento de uma criança daqu ela idade na ocasião! Ainda teimosamente decidida. esperem um momento .Você quer mesmo fazer isso? . por que não a contentamos. . Chris? Todavia. Nenhum menino de oito anos morrera de pneumonia no final de outubro dois anos atrás! Não apenas is so. não é mesmo ? . . sendo médico.a. Um trabalho infrutífero. já que se mostra tão contrário à idéia . natu ralmente usaria o mesmo nome para sepultá-lo. terrivelmente excitada. as quatro séries de janelas de água-furtada no sótão. não é obrigado a ir! Apesar da oposição de Chris. com oito anos de idade. . que se mantivera calado e só falou quan do percebeu o fogo que me brilhava nos olhos. Paul entrou em vários hospitais e usou seu encanto pessoal para convencer as enfermeiras a lh e mostrarem os registros que ele queria examinar. . Chris. Carrie chorou quando Paul arrancou com o carro em direção às íngremes estradas nas montanhas que Mamãe e seu marido deviam ter percorrido milhares de vezes. enquanto eu o acompanhava e Chris esperava no carro com Carrie. pensando que Mamãe poderia ter mentido e. Nós poderíamos orientá-lo com a maior facilidade. Investigou durante muito tempo . esperando interminavelmente pela morte de nosso avô. Paul. mandado gravar o nome Dollangang er na lápide. afinal.interpôs Paul. . morrera naque la região nos meses de outubro e novembro de 1960! Chris insistiu para que voltássem os à casa de Paul. percorri a pé todos os cemitérios. abrirá feridas cicatrizadas.como ousáramos a ndar lá em cima? Contei as oito chaminés. onde havíamos sido prisioneiros por tanto tempo. se sua mãe registrou Cory no hospital sob um nome falso.Quero ir lá! E temos tempo para isso! Por que chegarmos até aqui e regressarmos se m ver a casa? Pelo menos uma vez à luz do dia.Minhas feridas não cicatrizaram e jamais cicatrizarão! Quero levar flores ao túmulo de Cory.Não há dúvida de que trará de volta mui tas lembranças dolorosas e.Linda região . Eventualmente. tentando convencer-me de que eu não queria realmente rever Foxwor th Hall. furiosa. não será fácil verificar a verdade.É aquela! . fazendo companhia a Carrie no banco traseiro.indagou-me Paul. Paul tentou dar-me o que eu desejava. com alas duplas que pareciam brotar a cada lado do cor po principal construído de tijolos rosados. Deus não i .Se Cathy acha que deve agir assi m. depois. apontando as duas janelas no último andar da ala norte. pensando em voz alta num meio de podermos encontr ar um túmulo sem saber o nome que fora gravado na lápide. tem acesso a todos os registros dos hospitais.comentou Paul enquanto dirigia o carro. Carrie chorava. Chris viajou cono sco até Charlottesville.por que não? Foi Paul quem argumentou com Chris. Eu julgava que tinha todas as respostas. Creio que Carrie se sentirá reconfortada por saber onde ele está enterrado e. lançando-me um demorado olhar carregado de raiva.

Eram as outras casas. usando um pano para limpar as b olhas de sabonete em minhas pálpebras. ele me pegou no colo e levou para a cama. Numa tarde de sexta-feira. pois então só levava em conta os atos e não os sentimentos de dar e receber. até mesmo quando me sentava num dos bancos embutidos no bo x do chuveiro e Paul me ensaboava os cabelos. Após sacia rmos nossa paixão. Paul me restaurara. dançava melhor que nunca. mas nem uma só vez eu o vi ol har na minha direção. Absolutamente nada. porém. Chorei silenciosame nte por dentro. deveríamos alternar a apresentação do Quebra-nozes e de Cinderela. Quando olhei. dia após dia. se tudo corresse bem . fazen do que caíssem como um xale de seda para cobrir minha nudez. muito depois que todos os outros se retiraram. Coisas que me chocariam quando criança. Na manhã de nossa fuga. numa posição bem mais elevada. Como podia lembrar-se da casa? Estava escuro na noite de nossa chegada.havia esperança p ara mim. como Eva deveria ter feito há milênios. qua ndo eu tinha dezessete anos e ele quarenta e dois. percebi. melhor que dançar ao som da música mais linda. . pois estava vivo. pela porta dos fundos.disse ele baixinho. Diga-me que o amor faz que tudo seja certo. secava-os e escovava-os. passando a espuma da raiz até as pontas. é? Lembro -me sempre da avó e de suas arengas sobre o mal e o pecado. Era-nos proibido olhar pelas janelas . Em que resultara nossa longa jornada? Nada. Naquele Natal. Quando ele aparecia. . Como uma criança pequena. Paul lavava-os da maneira que eu lhe ensinara.a punir nossa mãe ou a avó! De repente. situadas mais abaixo na mesm a rua. Espiávamos fr eqüentemente pelas janelas de nosso quarto trancado e víamos as belas casas abaixo d e nós.Veja o que tem diante de si: um homem nu . que ainda poder ia crescer e encontrar o amor. fiquei . talvez. deixem-me ver minha mãe de verdade! Foi assustador o modo como ela chorou e implorou. A Caminho do Topo Julian não vinha de Nova York com a mesma freqüência de antes e seus pais se queixavam disso. Algo dizia a Carrie que aquela mansão nos servira de prisão anos atrás! Então. Então. Eu dançava melhor. E.Paul .Catty. Carrie soltou um berro. fiquei deitada nos braços dele e pensei em tudo que fora capaz de fazer. fazendo-m e sentir completa. como Deus o fez. Coisas que antes eu consideraria g rosseiras. disciplina e controle . lavando-os com esmero. fazendo o que queria com seus lábios e carícias.indaguei com os olhos baixos -. . com o mais sensacional bailarino. até que as brasas sempre acesas e ntre nós produzissem fogo. Eu enterrava mais fundo o remorso que sentia por Cory. Ruminei o assunto. tínhamos saído sorrateiramente antes do aman hecer. Desconfiava. permiti que Paul me enxugasse o corpo e escovasse o cabe lo. quando terminava a lavagem. com mais técnica. pois seria tão fácil terminar a vida como a ferrenha pudica que minh a avó desejava que eu fosse. Havia esperança para Carrie. pois amá-lo era melhor que s entir o aroma de rosas num dia ensolarado de verão.não obstante. com os gêmeos tão sonolentos que não poderia m ter visto nada.gritou ela.e cada uma de suas palavras dizia-me que nosso amor era lindo e certo. Catherine . começou a falar . eu fora colocada no grupo profissio nal da Companhia de Baile Rosencoff. Havia esperança para Chris. Estreitando-me contra si.Abra os olhos. Paul virou meu rosto para cima e. Chris. Se eu os pe nteasse para cima ou os enrolasse na cabeça. Como era estranho que as pessoas nascessem tão sensuais e vivessem rep rimidas por tantos anos. eram tão compridos que jamais conseguir ia desembaraçá-los. Estávamos no final de um cul-de-sac. ousávamos fazê-lo ocasionalm ente. Não consegui falar. mas apenas como membro do corps de ballet. era ali que eu morava com Cory! Deixe m-me entrar! Quero Mamãe! Por favor.Quero Mamãe! . . Oh! quanto eu estudava! Desde o princípio. o que estamos fazendo não é pecado. Lembrei-me da primeira vez que a língua de Paul me tocara lá e do choque eletrizante que senti.e estuda va. obscenas. em seguida ergueu-me para poder abraçar-me. que ele me olhava muito quando sabia que eu não poderia vê-lo. também. exceto termos ma is provas de que nossa mãe era uma mentirosa além de toda e qualquer imaginação. Oh! eu podia beijar Paul todinho e não sentir vergonha. Assim era para mim amar Paul. .

Julgo que já está preparada para ir a Nova York.Exige pagamento em troca de seus favores. levando consigo toda a minha insegurança. Tirei as sapatilhas.Não sei . Não consegui avistar Paul. após tomar banho e vestir-me. Eu não era Cathy ou Catherine . por ser jovem e bela .Falando sério. .Sabe de uma coisa? Acho que você deveria dançar o papel de Clara ou de Cinderela declarou. numa grande ovação. Julian! . quando Nova York está à sua espera? Cathy. . Oh! Cathy! juntos poderíamos chegar ao topo muito mais depressa. acho que você deveria ser escolhida para dançar Clara ou Cinde rela. se formarmo s um par seremos sensacionais! Fomos feitos sob medida um para o outro. franziu a testa e pegou uma toalha para enxug ar o rosto e os cabelos. amarelas e brancas vieram-me encher os braços. .Se for boazinha para mim. nossos olhares se encontra ram e cruzaram-se prolongadamente. Três vezes eu entr eguei a Julian uma rosa de cor diferente. beijando-me a orelha.não era ninguém senão Cinderela! Varri as cinzas da lare ira e observei invejosamente minhas duas detestáveis meias-irmãs se prepararem para o baile. quando uma espantosa lembrança sine stésica assumiu o comando e permiti que a música me controlasse e guiasse. Marisha também acha . . então. portanto.Sem imposições de minha parte. Roçou os lábios no meu rosto quando tentei me afastar dele. espere! . fazendo tudo que eu fazia. . Então. embora estivesse acesa por dentro. Fui escolhida para dançar ambos os papéis naquelas apresentações de final de ano. Carrie ou Henny na platéia escura. tentando dar ao papel uma interpretação algo diferente e nova. . Julian sorriu maliciosamente. . Então.Cathy. enq uanto aguardávamos minha deixa para entrar no palco. Esquivei-me e corri. junt os criamos magia! Somos um par perfeito! Julian tornou a encurralar-me na recepção a pós o espetáculo. a cima de tudo. se minha técnica não foi perfeita. eu não sei dizer. Veja.acrescent ou com um sorriso irônico.Agora. Imaginei que as out ras moças ficassem invejosas e ressentidas. apaixonada pela vida e por tudo que esta podia oferecer fora de Fo xworth Hall.repliquei miseravelmente. De repente.É verdade. Cuidarei de você e jamais permit irei que se sinta solitária. como se a opinião de sua mãe não valesse tanto quanto a sua.. não é mesmo? Nos bastidores. é claro. Julian estava dançan do comigo.. fiquei sem saber o que dizer e. numa cidadezinha caipira. Era como minha sombra. . Danço melh or com você que com qualquer outra bailarina. . mas aplaudiram quando a escolha foi an unciada.chamou Julian. depois.e. Se cometi erros. Trabalhávamos bem. a cortina se abriu. prendeu-me com os braços..Deixe disso. diziam-me mudamente os olhos dele. . Agora. zombando de meu desempenho. A menos. implorandome com os olhos negros. En tão.Conseguirá desistir dos aplausos? Conseguirá permanecer aq ui. Fiquei eletrizada quando o público se ergueu para aplaudir-nos de pé. convencida de que o amor e o romance jamais surgiriam em minha vida.Primeir . quase frenético . . e tivemos um período alegre. Juro cuidar bem de você. todas juntas. O público é composto de pessoas como nós. Estava apaixonada pela dança. a cada vez. Ia sair para jantar com Paul naquela noite.Pare de ficar tão nervosa. que você um dia venha a desejá-las. .esbravejei. Você não acha que eu me daria ao trabalho de vir até aqui para dançar com uma garota que não fosse sensacio nal. . espalmando as mãos na parede a fim de evitar qu e eu fugisse. Julian pousou o braço em meus ombros. por apresentar-me perante um grande público. eu estava pronta para sair d o prédio quando Julian surgiu em trajes de passeio.Sei que não gosta de mim. Ele só entraria muito depois. já provou o sabor do palco . Cathy. chegou minha estréia como Cinderela! Julian nem mesmo bateu antes de entrar no camarim das moças para apreciar minha fantasia de trapos rasgados. Chris.sozinha no salão de dança e me perdi no mundo encantado da Fada Madrinha. até mesmo as piruetas . poderei providenciar para que lhe dêem os dois papéis. mexi os artelhos e me encaminhei a o camarim. Rosas vermelhas. e não me interesso por você! Dez minutos mais tarde. . Minha crescente ansiedade desapareceu de um momento para outro. . permaneci calada.disse em tom suave e persuasivo. fazendo-me cócegas no queixo e. Tremi ainda mais quando as gambiarras diminuíram de intensidade e a orquestra tocou a abertura. transmitindo-me confiança.

desde que consiga um par de bailarinos fantásticos como nós! Indaguei-lhe como era a tal Madame Zolta. no palc o. A companhia de balé de Madame Zolta não é a maior ou melhor. nossa psicóloga. irei.um outro mundo.É o tipo de vida para o qual você nasceu. Oh! Julian estava vencendo naquela noite. acredite em mim. . pois queria que ele se mantivesse fiel a mim. Carrie e Paul. Paul sorriu. Parecia muito triste ao dizer isso .Você é o máximo! Confie em mim. você voltará para Thelma Murkel.Gosto de saber que estou contribuindo para dar ao mundo um grande médico. Tentei resistir à tentação. Como poderia eu amar alguém tanto quanto a amo? Nenhuma outra poderia ent rar dançando no meu coração. e a super bailarina em que você se transformará um dia.Não zombe de mim. Você logo se apaixonará pela cidade. Não fui uma aluna particularmente brilhante. não é? .. . mes mo querendo dizer não. muito melhor. Contudo. Chris era tão inteligente que provavelm ente terminaria a fase preparatória em três anos. a fim de que eu possa vê-la com freqüência. Quanto a Carrie. venha comigo para o mundo a que você pertence. É nossa médica e. celebridades da TV. Comparada com isto aqui.de qualquer tipo. Venha comigo. . a pergunta levou Julian a acreditar que eu já aceitara a sua proposta e. espero que resolva ficar em casa comigo e casar-se com um rapaz da região. . . ambos parecendo esp antados e bastante magoados.terrivelmente triste. que Ch ris certamente será. mas Julian mano brou de modo a bloquear-me o campo de visão. a velhinha mais suave. (Deus me livre!) . Maravilhava-me o fato de Paul continuar a gastar dinheiro conosco sem fazer o me nor comentário. bondosa e delicada q ue você já conheceu.disse ele. Cathy. Quando abordei o assunto. avistei Chris e Paul olhando em nossa direção. Embriagada com o sucesso da estréia.. porém.Quando eu me for. além disso. escritores. às vezes.Talvez . Casamento! Ele dissera "esposa"! Nunca antes mencionara casamento. Será como sua mãe. e realize também o meu sonho.Você vai adorar Madame Zolta! É russa. mas tem o necessário para ombrear-se com as maiores e mais ant igas . ele conseguiu bei jar-me os lábios. eu não poderia. ele explicou: . o público exige o máximo. como Chris. De algum modo. V ou apresentá-la a astros e estrelas do cinema. depois de rir. Por c ima de seu ombro. Ficarei com você. recebendo rosas. . Estava entendido. muito embora Paul jamais dissesse uma só palavra quanto a reembolsarmos suas de spesas . abraçando-me com ternura e beijando-me os cabelos. às luzes da ribalta. Diga que não amará.Como posso dizer-lhe que fique quando você tem um destino a cumprir? Nasceu para dançar. Paul.Por que estudou tanto e se submeteu a tantos sacrifícios senão p ara alcançar o sucesso? Poderá alcançar a fama que deseja se permanecer aqui? Não. Julian tomou-me nos braços. . que Chris se associaria a Paul depois de formar-se. Paul estava aqui. onde você comerá pratos que nunca provou antes. .Claro.prosseguiu parecendo ansioso e s incero desta vez.perguntei com alguma amarg ura. mas consegui terminar o curso.o. não sabe ria para onde ir quando pousasse em Nova York. . como você entrou. Terminei o ginásio em janeiro de 1963. na ve rdade.Sim. A única pessoa que eu conseguia ver era ele. Como po deria eu abandoná-los? . Chris e Carrie estavam aqui. tenho que terminar o ginásio. Vou levá-la a restaurantes famosos. a vida em Nova York é como a de Marte .Você nunca amará outra pessoa quanto me ama. Basta você dizer uma só palavra e eu não irei embora. ela é tudo de que precisamos. mas só se você vier buscar-me. Já conseguira várias bolsas de estudo para aliviar Paul de parte dos encargos financeiros de sua edu cação. . não é? . Cathy . não importando quantos quilômetro s nos separassem fisicamente. pregando os olhos em Chris. Você acha realmente que sou suficientemente boa? Em Nova York. atores e atrize s.Cathy. meneei afirmativamente a cabeça e respondi: . em vez de quatro. não para ser esposa de um insípido médico do interior. Nunca andei de avião e.Ela conhece tudo a respeito de dança.

Catherine . Mais uma vez. mais aind a que Paul e eu.e deixe que seja uma pessoa de sua idade. Rompi em prantos! Lembranças! O que eram elas? Apenas algo com que nos torturarmos . ou poderia amá-lo.Foi mais que horrível comunicar a Carrie minha partida. Suas palavras ainda me ecoavam aos ouvidos. Na noite anterior. cavalheiresco e sensível. pois não queria ser deixada em casa para chorar sozinha.Você ainda terá a mim todos os dias. Henny fez questão de embarcar no carro conosco. Afinal.. minha enciclopédia ambulante. Chris. . Prometeu que todos nós ficaríamos sempre juntos! Agora. Lembre-se de que isso foi o que ela tanto desejou durante todos aqueles ano s em que vocês viveram trancados num quarto.Detesto você e Chris. Vamos. Senti dor no coração ao tentar saber se realmente desejava tanto fazer carreira como bailarina ou se fora apenas imaginação de minha parte. Eu sabia que ele escutava cada palavra que eu não dizia em voz alta. repliquei: . Catherine. com as lágrimas rolando pelo rosto. eu me despedira de Paul em particular. desejand o-me boa sorte. Seus eloqüentes olhos castanhos me falavam.disse Chris em voz rouca. .berrou ela. também! Espero que você morra em N ova York! Espero que ambos caiam mortos! Foi Paul Quem veio salvar-me. decidida a causar-me dor p elo sofrimento que Chris e eu lhe infligíamos .Você não pode ir! . ou simplesmente não chore. em seguida. No aeroporto. . Você não será esquecida . Concentre-se na dança e espere até apaixonar-se por alguém . Esqueça-me. O meu Ch ristopher Doll.Obrigado por tudo. .Graças a Deus! Já estava pensando que vim aqui à-toa. .. E Chris também voltará.Cathy . enquanto suas mãos se ocupavam com enxugar as lágrimas do rosto de C arrie. Chris e Paul acompanharam-nos até a rampa. deu-me caneladas. erguendo o corpinho leve de Carrie no colo.Não iremos a parte nenhuma. Sou apenas sua irmã e o mundo está cheio de mulheres belas que o amariam mais do que eu posso. o meu cavaleiro tão galante. por favor.Entenda. alegre e também severo. continuou a f itar-me com o coração nos olhos.. o rosto rígido. Engasgada. . enxugue as lágrimas. fazendo-me doer da cabeça aos pés. Julian andava de um lado para outro. você e Chris vão embora e me abandonam! Leve-me também ! Leve-me! Esmurrou-me com os punhos minúsculos. Quando saímos todos da casa. uma risadinha.Sabíamos ambos que não duraria muito. E você será a única filha que nos rest ará quando Cathy se for. abaixou-se para pegar minhas novas malas azuis. .disse ele. Nós também compartilhamos de muita coisa.como se eu já não estivesse sofrendo m uito por ter que deixá-la. meu co mpanheiro de prisão e de esperanças. sorria e sinta-se feliz por sua irmã. como eu aceitei. ajudando a carregar as muitas peças de ba gagem de mão que eu não quis confiar ao bagageiro do avião. E não faria isso duas vezes. perseguindo-me mesmo quando subi a escada do avião. . Não olhe para trás com arrependimento. Camin hou depressa para a porta da frente. Carrie: eu voltarei.E você? Ele forçou um sorriso e. tive que abr açar Paul com força. . como é preci so aceitar. Não precisa chorar por mim.Obrigado. fitamo-nos nos olhos.Eu a odeio! .Não se preocupe comigo. os ombros empertigados. Adeus. Depois. Terminou. Aceite. .gritou. Tenho recordações de uma linda bailarina e elas me bastam. procurando evitar que eu percebesse as lágrim as em seus olhos. bastante alto para que Julian escutasse. Chore por você mesmo. . Parecia muito bonit o em seu terno novo e seus olhos brilharam ao avistar-me. consultando freqüentemente o re lógio. Preveni-a desde o início: a primave ra não pode casar com o outono. Seus berros foram ensurdec edores e de cortar o coração. .nada mais! Virei-me cegamente e vi-me envolvida pelos braços de Chris. Esqueça to do o passado.sussurrou ele.Não . E Henny . decidido a não revelar qual quer emoção. . Chris estava postado junto ao carro branco de Paul. Temia que eu desistisse e não aparecesse para o embarque. de modo que Chris e Julian não pudessem esc utar. . que agora tinha um metro e oitenta de estatura. consegui apartar-me e ele me tomou am bas as mãos. Você é apenas meu irmão. Chris lançou-me um olhar prolo ngado e tristonho.

a Julian.disse ele. Julian pegou-o e ajudou-me a enrolá-lo na cabeça e pescoço. como você lo go descobrirá. Nova York Nevava muito quando nosso avião pousou em Nova York. creio que exagerei um pouco ao lhe falar sobre os encantos de Mad ame Zolta. beijando-me de leve. Então. Doía-me ter que deixá-lo. .Não! Não acredito! Ele riu alegremente e passou o braço pelos meus ombros. Mas venha. Esbugalhei os olhos. olhei para Julian que pagava o motorista do táxi e tirei do bolso do casaco o cachecol de tricô vermelho que Henny fizera par a mim.Não desejo estragar a surpresa que lhe está reservada para quando conhecer a grand e beleza russa. que eu nem mesmo enxergava pela janela do avião. Eu também ri .Escreva-me sempre. . Todavia. Eu já me esquecera de invernos rigorosos como aquele.é que eu tema que você não consiga vencer. parecendo querer arrancar-me a pele do rosto. Nossos lábios se tocaram rapidamente e. Farei todo o possível para torná-la feliz. portanto. tão controlado e elegante no palco. Gosta de tocar as pessoas. você e eu! Que paraíso teremos nas mãos quando v ocê descobrir que tem direitos exclusivos de propriedade neste mundo! .Não prometi que cuidaria de você? E o farei. Espere até ter ida de suficiente para saber o que deseja de um homem antes de escolher um. Julian cedera-me cortesmente o privilégio de sentar-me à janela.Que quer dizer com isso? Julian pigarreou e. Acenei com o louca para minha família. . trêmula. que vida levaremos. Ou venha sozinho. Sorriu para mim. de Paul. sem o menor sinal de embaraço.disse em tom suave. Julian. Desde que era a minha primeira viagem de avião. Uma bolinad ora. previno-a de que Madame Zolta é uma apalpadora. Engasguei-me. a fim de descobrir o tamanho do que havia em baixo da roupa? . . desejando não partir antes mesmo que o avião subisse quinhentos metros do so lo. em seguida. surpreendi-o ao tirar do outro bolso um cachecol vermelho qu . já sentindo saudades d e casa. murchando-os com um aperto doloroso. em barquei para tomar meu lugar junto à janela. O frio em minhas narinas ator doou-me. E venha a Nova York com Paul. Tenho certeza de que meu sorriso foi amarelo e forçado. tenho certeza de que conseguirá se não for tão m alditamente impulsiva! Por favor. Vá com calma em questões de amor e sexo. ficou sem saber o que fazer quando pre cisou lidar com uma garota que lhe chorava no ombro.Acertou na mosca! . Depois. promete? Chris prometeu solenemente. Abracei-o mais uma vez. olhei mais uma vez para Pa ul. sem pular de olhos fe chados numa situação qualquer. O vento uivava ao l ongo das estreitas ravinas formadas pelos edifícios.E eu ainda não lhe disse uma palavra a respeito de meus talentos de amante. apalpando os músculos para ver como são duros e firm es.Você me tem . a fim de que você verifique por si mesma.. Prometa pensar antes em todas as conseqüências..E. deixarei o assunto de lado. L ancei um rápido olhar. .e o empurrei para longe de mim. meu amor. . rindo. . Carrie e Henny sempre que pud er. O gelo dava a impressão de penetrar-me os pulmões. puxando-me para mais perto de si e sussurrando-me ao ouvido: . Acredita que colocou a mão diretamente sobre a abertura de minhas calças.Você também tenha cautela em questões de sexo .. pois eu já escolhera Paul. .repliquei para Chris em tom brincalhão . de modo a abrigar p arte do rosto. E desconfio de q ue também seja bastante impiedoso quando se trata de conseguir o que quer. . como você logo terá ocasião de verificar. que tinha a testa franzida e olhava para Chris com ar zangado. que parecia muito sério. não me mostrei implacavelmente decidido em trazer você para ond e a quero? Nova York. ri.Oh! Catherine!.exclamou.ou isso tudo e mais ainda. . Afinal. não cometa imprudências de que venha a arrependerse mais tarde.Certamente é a pessoa mais arrogante e convencida que já conheci.. . jur o por Deus. certificando-me de que todos perceberam tratar-se de um comentário despreocupado . relatou-me seu primeiro encontr o com a outrora famosa bailarina russa.

. . Posso acreditar no que diz a seu respeito? . Nunca imaginei que se incomodasse. veio até nós e estudo u-nos com olhos negros e pequenos como os de um rato.Ha! .Aparenta vir de outra região. Espiou-nos por cima das meias lentes. Apa lpou-me os braços. mas não tanto quanto se julg a. Friamente. sentindo-me o tempo todo quente e ruborizada.disse ele.Você some quando bem entende. Imaginei que sua voz seria áspera e rouca como a de uma feiticeira.e ela é o mot ivo pelo qual me ausentei sem a sua permissão.Como disse antes. permita-me apresentar-lhe a Srta. muito obrigado.fungou a velha.Ora. tocou-me os cabelos. Pareceu-me muito satisfeito ao proteger as orelhas e o pescoço. Os óculos com lentes em meia-lu a equilibravam-se precariamente na extremidade de um nariz fino e espantosamente comprido. Os olhos de verruma de velha me observaram com grande interesse. murchos como uma pass a de uva. Sua postura e arrogância lembraram-me imediatamente Madame Mari sha. É tão rápida que a gente nem vê direito! .Muito bem . a maravilhosa bailarina de quem tanto lhe tenho falado há muitos meses . com ar inteiramente profissional. levantou-se de trás de uma mesa de trabalho impressiona nte pela largura. volta quando quer e espera que eu lhe diga que tenho prazer em revê-lo! Bah! Faça i sso mais uma vez e pode sumir daqui! Quem é essa pequena? Julian exibiu um sorriso encantador à velha megera e abraçou-a depressa. Aquelas mãos audaciosas exploraram-me o corpo enquanto e u tinha vontade de gritar que não era uma escrava exposta à venda no mercado da cida de.Quando pretende casar-se? -indagou bruscamente. depois de tornar-me a maior prima ballerin . sua beleza físic a era o bastante para tirar o fôlego de qualquer mulher. Ela ergu eu os olhos para examinar-me o rosto e exibiu um sorriso sarcástico. . .e eu tricotara para ele. ela irradiava um metro e oitenta de autoridade. Embora sua estatura não ultrapassasse um metro e mei o. como e ste demônio de cabelos pretos. . Com uma rigidez majestosa. . Observei e aguardei qu e um sorriso surgisse para quebrar aquela pele semelhante a um pergaminho antigo . Entretanto.Está vendo. O pouco cabelo que tinha e stava puxado para trás rente ao couro cabeludo. Então. olhando espantada para todas as pessoas que se atreviam a enfrentar um inverno tão feroz. com as pálpebras apertadas.indagou em tom áspero.indagou Julian.disse ela a Julian com ar de quem cuspia.Cathy tem espírito fogoso! D evia vê-la jogando as pernas ao fazer fouettés. Catherine Doll. delicada. que você positivamente ad orará.Sabe dançar? . como fizera a Julian. drenando-a de mim.Componha-se e prepare-se para conhecer a personificação d o balé: minha doce. . Fiquei aliviada por ela não me tocar a virilha. Em seguida. Permanec i imóvel e suportei a inspeção. que precisará ver-me dançar e julgar por si mesma. de mo do que os olhos minúsculos quase desapareciam entre os pés-de-galinha. o fri o tornava-lhe o rosto tão corado quanto os lábios.Talvez por volta dos trinta anos.respondi. Senti que ela tentava beber-me a juventude com os olhos. .Creio. de modo que me mantive o mais pe rto possível de Julian. O simples fato de estar ali deixava-me nervosa. Os lábios da velha. deliciosa professora de dança. A bagagem que trouxéramos foi deixada numa sala de e spera do enorme prédio e a preocupação de não me afastar de Julian não me deu tempo para r eparar em coisa alguma até estarmos no gabinete de nossa professora de balé. com o cabelo negro-azulado que se encrespava logo acima do colarinho e os brilhantes olhos negros. era branco e deixava totalmente à mo stra o rosto seco e enrugado. .Então! . colocou as mãos ossudas no meu pescoço e sentiu os tendões. entusiasmado. Quando terminou de examinar-me e avaliar-me fisicamente. Madame Zolta Korovenskov. . Naquele dia. nervosa. a fim de absorver minha essência. esta mulher era muito mais velha . Depois. Ele é muito bom bailarino. até mesmo os seios.Madame Zolta Korovenskov. Julian teve a pouca sorte de merecer sua atenção inicial. o peito. .Também veio do nada? . Madame.se todas aquelas rugas pudes sem ser contadas como anéis de um tronco de árvore para computar-lhe a idade. . rodeou-me e observou meu rosto tão detidamente que me senti corar. Madame. Madame? . espere o julgue por si mesma. Mas certam ente esperarei até ficar rica e famosa. franziram-se como uma sacola com o cordão puxado. . fitou-me o fundo dos ol hos. talvez nunca .

a do mundo. - Ah! Tem muitas ilusões a seu próprio respeito. Geralmente, caras bonitas não pertenc em a grandes bailarinas. A beleza julga não precisar de talento e alimenta-se de s i própria, de modo que morre cedo. Olhe para mim. Houve uma época em que fui jovem e muito bela. O que vê agora? Era hedionda! E jamais poderia ter sido bela, ou restaria algum vestígio. Como se pressentisse minha dúvida a respeito de sua afirmação, ela apontou com arrogância para t odas as fotografias que havia nas paredes, em cima das mesas e nas prateleiras d as estantes. Todas mostravam a mesma jovem bailarina. - Eu - anunciou com evidente orgulho. Não pude acreditar. Eram fotos antigas, amareladas, em tons pardos, as roupas fora de moda e, não obstante, a bailarina era bonita. A velha me lançou um largo sorriso divertido, deu-me uma palmadinha no ombro e disse: - Muito bem. A idade chega para todos e iguala as pessoas. De repente, mudou de assunto: - Com quem estudou antes de Marisha Rosencoff? - Com a Srta. Denise Danielle. Hesitei, temendo dizer-lhe a verdade sobre todos os anos em que eu dançara sozinha , sendo minha própria professora. - Ah! - suspirou ela, parecendo muito triste. - Vi Denise Danielle dançar muitas v ezes: uma bailarina brilhante, mas cometeu o velho erro e se apaixonou. Final de uma carreira promissora. Agora, ela só ensina. Sua voz aumentava e diminuía de volume, vibrando, ganhando força e depois perdendo-a . Tinha um sotaque estranho, dando às palavras um som tolo, estrangeiro. - O convencido Julian afirma que você é uma grande bailarina, mas preciso vê-la dançar a ntes de acreditar nele. Só então decidirei se a sua beleza é a própria desculpa para exi stir. Suspirou outra vez e perguntou: - Você bebe? - Não. - Por que tem a pele tão pálida? Nunca toma sol? - Sol em demasia me queima. - Ah!... você e seu amante - têm medo do sol. - Julian não é meu amante! - declarei com os dentes trincados, lançando a Julian um ol har furioso, pois ele deveria ter dito à velha que éramos amantes. Nem o menor elemento de nossas expressões faciais escapou à aguda percepção daqueles olh inhos negros. - Julian, você me disse ou não que estava apaixonado por esta garota? Julian corou, baixou os olhos e teve a decência de parecer encabulado, para variar . - Madame, o amor é todo de minha parte, envergonho-me de confessar. Cathy nada sen te por mim... mas sentirá, mais cedo ou mais tarde. - Ótimo - disse a velha bruxa, meneando a cabeça como um passarinho. - Você tem uma en orme paixão por ela e ela nada sente por você - isso fará com que dancem maravilhosame nte, de modo sensacional. Nossa receita de bilheteria vai estourar. Já posso até ver ! Naturalmente, foi esse o motivo pelo qual ela me aceitou, sabendo que Julian tin ha um desejo insatisfeito por mim e eu era dominada por um ardente anseio de enc ontrar alguém fora do palco. No palco, ele era tudo o que existia de belo, romântico e sensual - o amante dos meus sonhos. Se pudéssemos passar todos os nossos dias e noites dançando, teríamos ateado fogo ao mundo. Na realidade, porém, quando Julian er a apenas ele mesmo, com sua língua solta e por vezes pornográfica, eu fugia dele. De itava-me todas as noites pensando em Paul a andar sozinho pelos jardins e recusa va-me a sonhar com Chris. Em breve me abriguei num pequeno apartamento a doze quarteirões da escola de balé. D uas outras bailarinas compartilhavam comigo dos três pequenos cômodos e minúsculo banh eiro. Dois andares acima, Julian dividia com dois bailarinos um apartamento do m esmo tamanho que o nosso. Os companheiros de Julian eram Alexis Tarrel e Michael Michelle, ambos com vinte e poucos anos e tão decididos quanto Julian a se tornar em, cada um deles, o melhor bailarino de sua geração. Espantei-me ao descobrir que M

adame Zolta considerava Alexis o melhor dos três, Michael o segundo e Julian o ter ceiro. E logo fiquei sabendo do motivo pelo qual ela fazia restrições a Julian: ele não lhe respeitava a autoridade. Queria fazer tudo a seu próprio modo e por isso ela o punia. Minhas colegas de apartamento eram tão diferentes quanto o dia da noite. Yolanda L ange era meio inglesa, meio árabe; a estranha combinação de raças fazia dela uma das bel ezas mais exóticas que eu já vira, com cabelos escuros e olhos de gazela. Era alta p ara uma bailarina: tinha um metro e setenta - a mesma altura de minha mãe. Quando lhe vi os seios, percebi que eram pequenas protuberâncias rijas, com grandes bicos , mas ela não se envergonhava do tamanho deles. Deliciava-se com andar despida pel o apartamento, exibindo a nudez, e logo descobri que seus seios espelhavam-lhe a personalidade - pequena, dura, mesquinha. Yolanda queria o que queria quando qu eria e era capaz de fazer tudo para consegui-lo. Fez-me mil e uma perguntas em m enos de uma hora e nesse mesmo espaço de tempo contou-me a história de sua vida. Seu pai era um diplomata inglês que se casara com uma bailarina especializada na dança do ventre. Vivera em toda parte e fizera de tudo. Antipatizei imediatamente com Yolanda Lange. April Summers era de Kansas City, no Missouri. Tinha macios cabelos castanhos e olhos azuis esverdeados; tínhamos ambas a mesma altura - um metro e sessenta e um centímetros e meio, era tímida e raramente erguia a voz acima de um sussurro. Quando a loquaz e barulhenta Yolanda estava por perto, April parecia não ter voz alguma. Yolanda gostava de barulho: o toca-discos ou a televisão tinham que permanecer li gados o tempo todo. April falava da família com amor, respeito e orgulho, ao passo que Yolanda professava ódio aos pais, que a colocavam em internatos e deixavam-na sozinha nos feriados. April e eu nos tornamos amigas íntimas antes do final de no sso primeiro dia juntas. Tinha dezoito anos e era bastante bonita para contentar qualquer homem, mas, por algum estranho motivo, os rapazes da academia de balé não lhe davam uma migalha de atenção. Era Yolanda quem os tornava ardorosos e ofegantes. Logo fiquei conhecendo a razão: Yolanda ia para a cama com eles. Quanto a mim, os rapazes me viam, pediam para marcar encontros, mas Julian deixo u bem claro que eu não estava disponível: pertencia a ele. Embora eu negasse o fato com a maior persistência, Julian falava com os rapazes em caráter particular, explic ando-lhes que eu era antiquada e me envergonhava de admitir que "vivíamos em pecad o". Costumava dizer na minha presença: - É aquela antiga tradição das boas moças do Sul. As garotas sulinas gostam de que os ra pazes as considerem meigas, tímidas e recatadas, mas por baixo dessa aparência exter na de frias magnólias, são taradas sexuais todas elas! Claro que os rapazes acreditavam nele e não em mim. Por que haviam de acreditar na verdade, quando a mentira era muito mais excitante? Mesmo assim, eu estava bast ante satisfeita. Adaptei-me em Nova York como se lá tivesse nascido e crescido, an dando sempre às pressas como qualquer nova-iorquino - é preciso chegar lá depressa, se m desperdiçar um minuto, pois há muito que provar antes que outra pequena com um ros to bonito e mais talento apareça para assumir o lugar. Todavia, enquanto eu estava levando vantagem no jogo, foi uma vida selvagem e embriagadora, exaustiva e exi gente. O quanto eu me sentia agradecida a Paul pelo cheque semanal que me enviav a, pois o que ganhava na companhia de balé mal daria para pagar os cosméticos. Nós três, moradoras no apartamento 416, precisávamos de pelo menos dez horas de sono d iárias. Levantávamo-nos de madrugada a fim de nos exercitarmos na barra, em casa, an tes do café da manhã. O desjejum, bem como o almoço, tinham que ser bem leves. Só durant e a última refeição do dia, após um espetáculo, podíamos realmente satisfazer nossos apetite s devoradores. Eu tinha a impressão de estar sempre com fome, de nunca ter comido o suficiente. Em uma única apresentação do corps de ballet perdia de dois e meio a três quilos. Julian fazia-me constante companhia, parecendo uma sombra a seguir-me cada movim ento, evitando que eu saísse com outros rapazes. Dependendo de minha disposição de espír ito ou estado de exaustão, eu me irritava com tal procedimento ou, em algumas ocas iões, sentia-me grata por ter a companhia de alguém que não me fosse totalmente descon hecido. Certo dia, em junho, Madame Zolta declarou: - Seu nome é ridículo! Mude-o! Catherine Doll - isso é nome para uma bailarina? Um nom

e insípido, sem graça - não se aplica a você! - Ora, espere um minuto, Madame! - protestei raivosa, abandonando minha posição de b alé. - Escolhi esse nome quando tinha sete anos e meu pai gostou dele. Papai julga va que o nome se aplicava muito bem a mim de modo que pretendo continuar a usá-lo, seja ele insípido ou não! Tive ímpetos de lhe dizer que Madame Naverena Zolta Korovenskov também não era o que e u considerava um nome lírico! - Não discuta comigo, moça: mude o nome! - disse ela, batendo com a bengala de marfi m no assoalho. Entretanto, se eu mudasse de nome, como poderia minha mãe saber quando eu chegasse ao topo da carreira? E ela precisava saber! Não obstante, aquela bruxa velha e mi rrada, com suas roupas antiquadas, fitava-me com os ferozes olhinhos negros e br andia a bengala de marfim, indicando que eu seria obrigada aceitar ou...! Julian observava-me com ar displicente, sorrindo. Concordei em mudar a grafia de meu sobrenome de Doll para Dahl. - Assim fica melhor - disse a velha em tom azedo. - Um pouco melhor. Madame Zolta vivia em cima de mim. Ralhava. Criticava. Reclamava quando eu inova va e se queixava quando eu não o fazia. Declarou não gostar da maneira como eu usava o cabelo e achou que eu tinha cabelo demais. - Corte-o! - ordenou. Contudo, recusei-me a cortar um só milímetro de cabelo, pois julgava que mantê-lo comp rido dar-me-ia a aparência ideal para o papel da Bela Adormecida. Madame Zolta fun gou quando eu disse isso. (Fungar era um de seus meios prediletos de expressão). S e ela não fosse uma professora tão eficiente e talentosa, todos nós a odiaríamos. Sua próp ria natureza azeda forçava-nos a dar o melhor de nós, pois desejávamos muito vê-la sorri r. Madame também era coreógrafa, mas tínhamos um outro coreógrafo que vinha supervisiona r os trabalhos quando não estava em Hollywood, na Europa ou isolado em algum canto remoto a imaginar novos balés. Uma tarde, depois da aula, quando nós todos aproveitávamos a folga para fazermos bri ncadeiras tolas, levantei-me de um salto e comecei a dançar uma melodia popular. M adame apanhou-me em flagrante e explodiu: - Aqui, dançamos clássico! Não quero danças modernas aqui dentro! Seu rosto seco e enrugado assumiu a aparência de uma cabeça mumificada quando ela ac rescentou: - Você, Dahl, explique a diferença entre clássico e moderno. Julian piscou para mim e recostou-se, apoiando-se nos cotovelos e cruzando elega ntemente os tornozelos, deleitado com o meu desconforto. Procurei imitar a pose de minha mãe e comecei: - Sucintamente, Madame, a forma moderna de balé consiste principalmente em rasteja r pelo chão e assumir determinadas posturas, enquanto o bailarino clássico dança nas p ontas dos pés, gira, faz piruetas e jamais se mostra demasiado sedutor ou desajeit ado. E a dança conta uma estória. - Quanta razão você tem - disse a velha num tom gelado. - Agora, volte para sua cama , em casa, e lá rasteje e assuma as posturas que quiser, caso sinta necessidade de expressar-se de tal maneira. Nunca mais permita que eu a pegue fazendo isso dia nte de meus olhos! O moderno e o clássico podiam ser mesclados e tornados lindos. A intransigência da e nrugada megera enraiveceu-me e eu gritei em resposta: - Eu a detesto, Madame! Desprezo seus costumes cinzentos como ratos, que já deveri am ter sido atirados no lixo há trinta anos! Detesto seu rosto, seu andar, sua voz , seu sotaque! Trate de procurar outra bailarina. Vou voltar para casa! Corri para o camarim, deixando todos os outros alunos boquiabertos no salão. Arran quei minhas malhas de ensaio e as roupas de baixo. Pela porta do camarim entrou raivosamente a velha bruxa de cara sinistra, os olhos malvados, os lábios comprimi dos. - Se for para casa, nunca mais volte aqui! - Não pretendo voltar! - Você vai murchar e morrer! - É idiota por pensar assim! - repliquei sem ligar para sua idade ou respeitar-lhe o talento. - Posso viver minha vida sem dançar - e ser muito feliz. Portanto, vá pa

ra o inferno, Madame Zolta! Como se o encanto se quebrasse, a velha megera sorriu suavemente para mim. - Ah!... você tem espírito! Eu já começava a duvidar. Mande-me para o inferno; é gostoso o uvir isso. De qualquer forma, o inferno é melhor que o céu. Agora, Catherine, falemo s sério - acrescentou num tom bondoso que eu jamais a ouvira usar. - Você é uma bailar ina maravilhosamente talentosa - a melhor que possuo - mas é tão impulsiva que aband ona o clássico e mistura o que lhe vem à cabeça. Eu apenas tento ensiná-la. Invente o qu anto quiser, mas seja sempre clássica, elegante, bela. Lágrimas lhe brilharam nos olhos. - Você é meu deleite, sabia? Acho que é a filha que nunca tive; faz-me recuar até a época em que era jovem e pensava que a vida não passava de uma grande aventura romântica. Tenho tanto medo que a vida lhe roube seu olhar de encanto, o seu espanto infant il. Agarre-se com unhas e dentes a essa expressão e logo terá o mundo a seus pés. Referia-se ao meu rosto do sótão - aquela expressão de encantamento que tanto enfeitiçav a Chris. - Desculpe-me, Madame - disse eu com humildade. - Fui grosseira. Errei em gritar , mas a senhora exige tanto de mim e eu estou cansada. E também sinto saudades de casa. - Eu sei, eu sei - disse ela num tom carinhoso, aproximando-se para abraçar-me e e mbalar-me. - Ser jovem numa metrópole desconhecida é duro para os nervos e para a co nfiança em si mesma. Mas lembre-se de uma coisa: eu tinha necessidade de saber o q ue você tem por dentro. Uma bailarina sem espírito, sem fogo interior, não é bailarina. Eu já morava em Nova York há sete meses, trabalhando, mesmo nos fins de semana até cai r na cama morta de cansaço, quando Madame Zolta decidiu que eu deveria ter uma opo rtunidade de dançar um papel principal com Julian como par. Madame tinha por norma alternar os bailarinos que dançavam os papéis principais, de modo a não haver estrela s ou astros na companhia; embora ela tivesse insinuado muitas vezes que me queri a para dançar o papel de Clara no Quebra-Nozes, eu julgava que se tratava apenas d e um engodo, que ela me exibia diante do nariz uma bela fruta que eu jamais teri a oportunidade de provar. Então, tornou-se realidade. Nossa companhia de balé compe tia com outras muito maiores e mais famosas; portanto, foi um absoluto rasgo de gênio por parte de Madame Zolta convencer um produtor de televisão de que as pessoas que não tinham recursos para comprar entradas de balé poderiam ser alcançadas através d a TV. Fiz uma chamada interurbana para Paul a fim de contar-lhe a sensacional novidade . - Paul, vou aparecer na TV dançando o Quebra-nozes. Serei Clara! Ele riu, congratulando-me. - Creio que isso significa que não virá para casa neste verão - comentou, um pouco tri stonho. - Carrie sente muita falta de você, Cathy. Só nos fez uma rápida visita desde que partiu. - Sinto muito. Quero ir, mas preciso aproveitar esta oportunidade de dançar como e strela da companhia, Paul. Faça o favor de explicar a Carrie, a fim de que não se si nta magoada. Ela está em casa? - Não; afinal, arranjou uma amiga e foi "dormir fora". Mas telefone outra vez aman hã à noite, a cobrar, e conte-lhe pessoalmente a novidade. - E Chris; como vai? - indaguei. - Ótimo, ótimo. Só tira notas máximas e se conseguir manter-se assim será admitido num pro grama acelerado e poderá terminar o quarto ano preparatório cursando simultaneamente o primeiro ano da faculdade de medicina. - Ao mesmo tempo? - perguntei, maravilhada de que alguém - mesmo que fosse Chris pudesse mostrar tanta inteligência e progredir tão depressa. - Claro, é possível. - E você, Paul? Está bem? Tem trabalhado muito, por tempo demasiado? - Estou bem de saúde e sim, tenho trabalhado tempo demais, como qualquer médico. E já que você não pode vir para visitar-nos, creio que seria ótimo para Carrie irmos visita r você. Oh! era a melhor idéia de que eu tinha notícia havia muitos meses. - Traga Chris - pedi. - Ele adorará conhecer todas as lindas bailarinas que lhe po derei apresentar. Quanto a você, Paul, acho melhor não olhar para ninguém exceto para

sibilou ele em resposta. tão virginalmente virtuosa que ele foi obrigado a cortejar-me dançando a m inha frente. mas possessivo! . Julian e eu tivemos que receber sozinho s os aplausos. . Avistei-o sonhadoramente por entre pálpebras quase cerradas: o meu príncipe.Eu a amo. Então. Julian e eu sentamo-nos muito juntos para assistirmos as g ravações antes da montagem final do programa. disse-me com o tipo de sinceridade em que eu conseguia acreditar: . mais uma vez. pela primeira vez. Olhei cegamente para os rostos indistintos do público.Maldita seja você por não me querer! . Nossos olhares se encontraram prolongadamente. pare de me levar tão na brincadeira! Mal descansáramos do Quebra-nozes. Paul.e não foi um beijo respeitoso. mas permitam que Juli an dance este com Catherine. Apri l estava visitando os pais. Só então pude dar atenção a P aul. . olhou para Julian e depois para mim. guardada numa geladeira para não perder o frescor até ser jogada para mim num tributo ao que tínhamos sido. eu sentia na medula dos ossos ser a mística princesa medieval. Julian tomou-me nos b raços e. E. perto da escada. Dançou ao redor de mim e. enquanto a cortina subia e descia repetidamente. preso a uma tira de papel dobrada. . sem sangue azul. enquanto o público exigia que a cortina tornasse a abrir-se oito ve zes! Montes de rosas vermelhas eram colocadas em meus braços e mais flores eram jo gadas no palco.talvez um pouquinho mais a lta. tanto Al exis como Michael julgavam que seria sua vez de dançar comigo. envolta numa aura de beleza. Beijei o rosto redondo e firme de Henny. Os dois juntos possuem uma rara a magia que enfeitiça o público. o coração pulsando ao ritmo da música. mas Carrie continuava praticamente a mesma . Quando terminou. para exibição na época do Natal. Ele produziu um ruído estranho na garganta antes de dar uma risadinha. Por favor. Senti-me encantada. Michael. A música linda e gloriosa fazia-me sentir mais real naquele sofá do que quando era eu mesma. mas não muito.sibilei furiosa. sobre a mão espalmada que tão bem conhecia o ponto exato para equilibrar perfeitamente o me u peso. piscando. Nós éram os os quatro botões-de-ouro de Papai . Julian beijou-me! Ousou beijar-me diante de milhares de pessoas . à procura das pessoas que eu amava. Não se passa um único dia sem que eu veja seu rosto dian te de mim.Não se preocupe. Chorei e o público adorou! Aplaudiram-me de pé. pr . Chris se postara nas sombras. Virei-me para entreg ar uma rosa vermelha a Julian e. ele me ergueu bem alto e. Chris. plácida e graciosamente deitada com os braços cruzados sobre o peito. tive a oportunidade de dançar também A Bela Adorm ecida! Uma vez que Julian dançara dois papéis principais no especial de TV. suc umbi-lhe aos encantos. conquistador vitorioso.mim. à espera de que meu amante chegasse para depositar em meus lábios o beijo que me despertaria. sentindo-me humilhada. faz endo-me reviver. Yolly levou um tombo e torceu o tornozelo. prometo-lhes os próximos papéis principais. Acordei. Carrie e Henny assi stiam pela primeira vez a um espetáculo de balé em Nova York. Oh! os pensamentos que tive deitada imóvel no sofá de veludo vermelho. Ainda me amava. a ovação estrondosa ecoou pelo teatro . Chris ficara ainda ma is alto.e ali estava a flor. Madame Zolta franzi u a testa. mas só consegui ver o sótão escuro e assustadoramente imenso com suas flores de papel . tímida. desorientada. Assim. pousou um joelho no chão para fitar-me o rosto com imensa ternura antes de se atrever a d epositar um beijo hesitante em meus lábios cerrados. então. Com efeito.Mas será! Minha família veio aos bastidores para afogar-me em elogios.Não sou sua! . desejava. Quero ver como se saem numa produção realmente luxuosa como A Bela Adormec ida. fui carregada para fora do palco.e no canto. Cathy. entre o sofá e o grande baú. no mais apaixonado pas de a deux.Alexis. Abaixei-me para pegá-lo e a divinhei que era de Chris antes mesmo de ter oportunidade de ler o bilhete. A produção para televisão do Quebra-nozes foi gravada em tape no início de agosto. Catherine. convidando-me a dançar também. O último ato chegou ao fim: os aplausos trovejaram e ecoaram pelo teatro. Na platéia escura. . o veemente desejo estampado no rosto enquanto me observava dançar int erminavelmente.Maldito seja por isso! . Baixei os olhos e vi uma flor que se destacava entre as outras: um único botão-de-ouro.

Ele pagou a conta. Portanto.Além disso. pois estávamos separados há muito tempo e eu o amava muito. Enquanto o fazia . Paul traçou c om o dedo o contorno de meus lábios. Após o espetáculo. fria.E você? . Não deixem o público perceber por um só instante que vocês não são belos e encantadores! Havia música e Chris me tomou nos braços para uma valsa. Em poucos minutos. Estendeu as mãos sobre a me sa para pegar as minhas e levá-las ao rosto até poder roçá-las na pele. E amanhã dormirá com outro.Encontrou outra pessoa. . Quando nos exaurimos. . . . Foi uma resposta que me acelerou o coração.Comentários desse tipo talvez me levem a pensar que você não tem cérebro. Depois. houve a recepção que nos ofereciam os ricos patrocinadores cultivados por Madame Zolta. mas um espesso escovão acima dos lábios sensuais.Ela olha para todos os rapazes bonitos.Usem as roupas de balé . sumiram do salão. levando-me a perguntar: . mas igual a Mamãe: suave. É bem bonita e não tirou os olhos de mim a noite inteira. pisquei para Paul.instruíra Madame. . respondendo que eu o fazia sentir-se jovem outra vez. não se sinta tão lisonjeado.reprovei. . d e almofadinha. beijando-me. Yolanda lhe fará companhia na cama esta noite. até que voltamos a unir-nos num só corpo e alma. apertando as pálpebras. surpreendendo-me ao mostrar-se capaz de abandonar sua dignidade e sacudir-se com o mesmo abandono de um rapaz de ginásio. eu seg urei o dele. Nossos olhares se encontraram e saímos quase correndo do restaurante para o hotel mais próximo.queixou-se Carrie. Ganhara alguns quil os. . .retrucou ele. . Magoando-me com facilidade. Num quarto pintado de vermelho escuro.ecisava de mim? Paul não respondera minha última carta. mas isso não lhe diminuía a boa aparência e atração pessoal. .Não estou procurando ninguém. Ele ainda usava bigode não aparado. desejando verificar se ele viria interromper nossa valsa. com uma marcação afro-cubana. você deve achar que tenho pés de chumbo . el e me abraçou com força. pensando com meus botões que eu não era igual a Yol anda. segurou meu casaco para mim e. que exagerei um pouco em minha dança. a dança que eu lhe ensinara h avia tantos anos. . Paul e eu sentam o-nos num tranqüilo café italiano e nos fitamos. seus olhos interrogavam-me com veemência. adorando-me. olhando-me com grande ternura. e Sra. Ele tornou a rir e puxou-me para mais perto de si. atravessando graciosamente a pista de danças para tirar-me dos braços de Chris. . Era tão divertido vêlo assim. Paul? . Pau l acompanhou-a com facilidade. Sorri maliciosamente para Chris. acariciando-me. causando-me prazer .Você também é como ela? . Paul! Ele riu. q ue dançava melhor que Chris.Estou com sono .Os aficionados ficarão eletrizados ao v erem os bailarinos de perto. esfregando os olhos. Veja só a sua amiguinha Yolanda. sabendo lidar com os homens .Depois de dançar com Julian.Não podemos ir dormir agora? Era meia-noite quando deixamos Carrie e Henny no hotel.pelo menos.disse Paul. Mesmo quando a música mudou para um ritmo mais rápido. Então. Os lábios de meu ir mão se apertaram e ele foi direto de mim para Yolanda. não preciso dançar e fazer pose para conquistar as garotas. depois. Paul ergueu-se de imediato. para falar dos próximos espetáculos e só então Paul telefo nara informando que traria minha família a Nova York. Não se esqueçam de r etirar a maquilagem de palco e usar o que costumam aplicar todos os dias para fi carem sensacionais. Carrie e Henny pareciam cansadas e deslocadas. eu escrevera apenas a Carrie. relaxado.Você é maravilhoso.Perguntei primeiro. onde ele nos registrou como Sr. Paul Sheffield. A fim de provar isto. com as roupas que usaram no palco. Se você quiser. eu estava aprendendo. .Você continua a dançar assim? . Ele exibiu um sorriso modesto. Paul despiu-me com sedutora lentidão e fiqu ei pronta antes mesmo que ele se ajoelhasse para beijar-me o corpo todo. .Nada posso fazer se você ficou com todo o talento para dançar e eu fiquei com toda a inteligência da família.

exclamei. você está encontrando o sucesso em Nova York. ocultando-a do mundo. que Julian e eu já íamos ficando conhecidos da crítica e do público. pois estava livre e seguindo firme o meu rumo. girando-me até meus pés descreverem um círculo no ar. Cathy! Julian assumiu um ar sonhador. No momento. Agora. certificando-me de que tudo continuaria a correr como eu desejava.absolutamente nada. . quase no topo. . de meu amor por Paul. . Agora. Entretanto. Eu permaneceria na companhia de balé e daríamos um jeito de conciliar tudo. desafiava-o a dete r-me. Esbugalhei os olhos. de modo que ninguém desconfiasse de que eu iria tornar-me em breve a Sra. A única sombra que toldava nossa alegria era Chris. Mal podia esperar para berrar aos quatr o ventos a notícia de meu noivado com Paul. Não quero agir às escondidas de Chris. Paul. beijando-me suavemente.Não estou zombando. eu ainda precisava ficar famosa . ter-me pedido em cas amento. Quero estar com você.Ma dame talvez não me desse todos os papéis principais. Agora.Não zombe de mim. abraçando-lhe o pescoço.por que não consegue me amar só um pouquinho? Num gesto orgulhoso. sempre esperei que meu primeiro Cadillac fosse zero quilômetro. nem mesmo a Julian ou a Madame Zolta. de onde v oltamos. Nada revelei a ninguém. abriu a porta para conceder-me o raro privilégio de ser a pri meira garota a andar em seu Cadillac novo. . como pode negar-se a ceder seu próprio Cadillac? . Julian riu. terrivelmente excitado. Como contaríamos a ele? Re solvemos esperar até o Natal. Além disso. não quero ser obrigado a preocupar-me com as mexeriqueiras do interior. tivemos um dia selvagem e louco. Dali em diante. tomou-me a mão e corremos para ver o carro estacionado em frente ao préd io de apartamentos onde morávamos. Chovia. protegia furtivamente meu segredo. Julian correu para agarrarme. . de meu estrondoso sucesso.Adivinhe uma coisa.algo que ela certamente não aprovava . mas quando uma determinada professora de balé morre de medo de que um d e seus bailarinos possa ingressar noutra companhia de danças e levar consigo a mel hor bailarina do grupo. Cathy! A velha bruxa me disse que eu poderia comprar seu C adillac a prestação! O carro só tem dois anos e meio de uso. quando eu iria a Clairmont. Catherine.os olhos de Julian brilhavam com lágrimas que eu nunca vira neles. afinal. precisava contar com a total confiança de Madame Zolta.Chantagem! . Nada mais tinha a temer . Por outro lado. desejo compartilhar tudo com você.exclamei.Oh! Paul! . quero que seja minha esposa.Catherine. tanto quanto ele precisava d e mim. . Atravessamos o Central Park e p ercorremos todo o trajeto através do Harlem até a Ponte George Washington. .Oh! Julian. talvez considerando-me um caso perdido com o qual não valia a pena gastar seu tempo. Prendi a respiração: o carro parecia tão novo! . Paul Scott Sheffield. Quase morri de saudades desde que você partiu. eu ainda precisava de Julian para meu par. Ela sabe que você mimará o carro e nunca o venderá.Eu o amarei para sempre . eu manteria minh a felicidade em segredo. Madame Zolta passou a pagar-nos melhores salários. desejo-a para sempre. adorei! Seria impossível chantageá-la se ela não quisesse entregar a você uma de suas mascotes prediletas.precisava mostrar a Mamãe o quanto eu era melhor que ela.. A vida é curta demais para admitir tantas dúvidas. O interior do carro era aquecido e acolhedor . Até então. Eu julgava ter o destino inteiramente sob controle.decl arou. . planejando como viveríamos depoi s de casados. Se descobrisse que eu tencionava casar-me . Comp reendi que fui um tolo ao negar a nós dois a oportunidade de encontrarmos a felici dade. mas não me importei. .Serei para você a melhor esposa que um homem já teve! Falava com sinceridade. Um sábado de manhã. pois havia muito em jogo e eu precisava aguardar a ho ra exata.Naturalmente. Permanecemos acordados.Oh! Cathy! . agi com seriedade quando escrevi aquilo no registro do hotel . incrédula.Será que não entende por que eu a amo tanto? Somos iguais . Uma Oportunidade para Lutar Aquele foi o outono de minha felicidade.juro! Meus olhos se encheram de lágrimas com o alívio de ele. Não dormimos naquela noite.

Pode ter certeza de que sim! E já estou cansado desse jogui nho que você vem fazendo comigo! .Calma! . O e levador demorou-se uma eternidade. pode esquecer! . Julian.Vou levar você direto p ara a delegacia! Discutimos por longo tempo. abrindo a p orta. Meu casaco leve estava ensopado. santa puritana . Empurrei-a para o lado e corri ao local onde escondia o dinheiro que economizava. . Afinal. o motorista concordou: . a freqüentes intervalos. sem ter idéia de onde ficavam nor te ou sul.flerta comigo enquanto dançamos e depois chutame o saco! .. negando-me a implorar. dê me uma op ortunidade.replicou ela. deixando-me sob a chuva numa esquina do Brooklin. do contrário.Está certo. você nunca vai me amar.Quer dizer que não tem dinheiro? . vai? Era uma pergunta que ele me fazia ao menos uma ou duas vezes por dia sob uma ou outra forma. enquanto eu me enc olhia contra a porta direita. leste ou oeste. Mas é melhor você voltar em cinco minutos. .rosnou ele. Os bolsos do meu casaco estavam vazios. fiz-lhe sinal . e freou tão depressa que fui atirada para diant e. onde eu nu nca estivera antes.É por ser virgem. onde tudo poderia acontecer.ao preço de quinze dólares! . enquanto eu tentava explicar que ele não poderia receb er o dinheiro se não me deixasse saltar para pegá-lo em casa. por me deixar tão longe! Finalmente. entrando com o carro num intenso flu xo de tráfego.disse ele... e Julian me deixara ali .Está bem! Pode apostar que vou levá-la para casa! . Nem mesmo poderia telefonar.berrou Yolanda.. O louco Julia n tomara-me a bolsa com a chave dentro! .Vá para o inferno.. . Cathy. debruçou-se para destrancar a minha porta e empurrou-me para a chuva torrenci al! .Sim! . . Tive vontade de contar-lhe a respeito de meu noivado com Paul. por favor! . Debrucei-me nervosamente no banco para observar o taxímetro marcar os quilômetros .e os dólares. Então. batendo com a testa no pára-brisas! Em seguida.caso este . não é? Prometo ser muito cuidadoso e delicado. A chuva caía com força. Sempre que e ntrava naquela peça de museu. Eu nunca dava muita importância a Yolanda..Cathy! Deixe-me entrar depressa! O motorista está esperando com o taxímetro ligado ! . desanimei..ele. .! Uma raposa perseguida por uma matilha de cem cães não teria corrido mais que eu. Enquanto isso. Mas guardei fielmente meu segredo. rangendo durante todo o trajeto.comentou animadoramente. .berrou enquanto permaneci imóvel sob a chuva. Quando avistei um táxi que passava vazio. . A chavinha de minha p equena arca do tesouro estava na bolsa que ficara em poder de Julian . com um sorriso maldoso.se conseguir! Partiu com o carro.Você é uma tentadora . Eu não tinha um centavo. violento. a fi m de terminar de uma vez por todas com aquelas perguntas.Você parece algo devolvido pelo mar . Julian! Este tipo de conversa me causa nojo! .Já vou abrir. Julian! Só consegue ter isso na cabeça? . Catherine Dahl! . Lançando-me um olhar feroz e contrariado.esbravejou.. Maldito seja. q ue prometera cuidar bem de mim! Comecei a andar.explodiu o motorista. Por fim. Julian arrancou-me a bolsa do c olo. ou tomar o metrô. garota.Vá para casa como puder. eu tinha medo de ficar presa entre dois andares. que Julian trancara.Leve-me para casa.Cathy.Deu o seu primeiro e último passeio em meu carro! Espero que conheça o caminh o de volta para casa! Fez-me continência.Então..Por Deus. Usava apenas calcinhas de nylon e trazia o cabelo recém-lavado enrolado numa toalha vermelha. rezando para que April ou Yolanda lá estivessem para abrir. a porta do elevador se abriu e saí correndo pelo corredor para esmurrar noss a porta. o taxímet ro continuava a funcionar.Se pensa que vai me dar uma facada. Julian recomeçou: . . . chegamos ao prédio de apartamentos . J ulian olhava para mim a fim de dar-me a perceber o prazer que lhe causava a ater radora viagem! Riu alto. pisou fundo no acelerador! Percorremos v elozmente as ruas estreitas e escorregadias de chuva e. Eu não tinha dinhe iro. Eu sabia estar num bairro perigoso. Quem é? .

respondi.Por favor. levando os dedos à pala do boné num gesto amistoso. .Certo . também. .Dar-lhe-ei o que você quiser.gritei furios a. .. pouco me importa que durma com dez prostitutas como você! De repente.O que deseja? Ela sorriu.. .ronronou ela como uma gata. mas.Está bem..e seu irmão gosta do que eu dou! Pergunte a ele q uantas vezes. . garota.. Meus cabelos ainda estavam úmidos quando me vesti com a intenção de procurar Julian e exigir a devolução de minha bolsa. carinha de boneca: não exis te um sujeito neste mundo que não caia pelo meu tipo. recuou para longe de mim.berrei.Não acredito numa só palavra do que você diz! Chris é esperto demais para fazer outra coisa exceto usar você para sat isfazer-lhe as necessidades físicas. impedindo que ela terminasse.disse ela.Nãããooo . . repugnada. certo? Concordei e tornei a sair correndo.Você não passa de uma vagabunda mesquinha e barata. você não passaria de lixo para el e! Yolly me agarrou e eu a esmurrei com força suficiente para atirá-la ao chão. o rosto de Yolly ficou muito rubro. em seguida... mas traga-o aqui! Então. Mas Yolly barrou-me a passagem..Pois deixe que eu lhe diga uma coisa.Chris não tocaria em você com uma vara de três metros! Quanto a Julian. que necessita de sesperadamente dele.. E fica me deve ndo o que eu quiser. Oh! eu não sabia que batera com tanta força. Diga que está doente.Dê cinco pratas de gorjeta ao motorista. trate apenas de deixar-me em paz! E deixe meu irmão em paz! O nariz de Yolly sangrava. ..não a tivesse jogado fora. o motorista começou a sorrir.Não se atreva a me chamar de prostituta! Não recebo pagamento em troca do que dou porque quero .Seu irmão. Tirando isso.Cathy. ela ficou rígida e. Cathy..Cale-se! .gritei. retirando lentamen te uma nota de vinte dólares de uma carteira bem recheada. Tão logo segurou os vinte dólares.O que tem você para dar em troca de pequenos favores como este? . Desejei que ele caísse morto! Sentia tanto frio. mas não se esqueça de cumprir a promessa . Yolanda fitou-me astuciosamente enquanto retirava a toalha vermelha e começava a e scovar os cabelos. que a primeira coisa que fiz ao v oltar para casa foi encher a banheira de água quente..Não seja ridícula! Chris está na universidade. . quero que cumpra sua parte do trato.Não acredito! Você não é o tipo dele! . seu querido e precioso irmão já está envolvido com garotas da minha espécie. . .. quero que você o convide para passar conosco o próximo fim de semana. poderá ficar com os vinte dólares! Parei para encará-la com hostilidade. empreste-me quinze dólares para a corrida e um para gorjeta. av ançou contra mim com as mãos erguidas e os dedos transformados em garras com longas unhas vermelhas! . ela aplicou batom nos lábios sem usar u m espelho.rosnou. Empreste-me o dinheiro.Não! Tenho dinheiro para pagar-lhe o empréstimo.Trate de trazê-lo aqui de qualquer maneira.Vamos. Levantou-se rapidamente..Puta! .. seu nari z já começava a inchar. . meu amor... . .. por algum motivo. . isso servirá para acalmá-lo. Yolly. não é mes mo? . . apertando as pálpebras para observar-me terminar de vestir-me. Não pode vir aqui quando lhe der na cab eça. Não permitirei que Chris se envol va com garotas da sua espécie! Ainda usando apenas as calcinhas de nylon. Yolanda Lange! . . Fará o que eu quiser.Até à vista.. .. . . recostando-se provocadoramente numa parede. .É mentira! . .. tendo antes o cuidado de lav ar a orla de espuma suja deixada pelo banho de Yolly.Não serve nem como capacho para meu irmão limpar os sapatos! Vai para a cama co m todos os bailarinos da companhia! Não me importa o que você faça. Incluindo o seu querido irmão e o seu amante Julian! .

porta nto.Mas não sou cego. .Julian! . Já encarei gente maior e melhor que você .. cheia até a boca.Claro! . E ainda mais: tomarei Julian de você.depois que resp onder a algumas perguntas! Dei um salto. cavalgando meu corpo e impedindo-me de escap ar! . . Pegarei seu irmão. resolvid a a regressar a Clairmont antes de viver mais uma hora perto de Yolanda! . Agora. . abra a porta e devolva minha bolsa! Abra essa porta ou nunca mais dançará comigo! Ele abriu bem depressa. vai lamentar e ste dia. quer me deixar levantar e devolver minha bolsa? . que sou cego e . Vai arrepender-se. mas. Olhei freneticamente em volta. tem que ser você! Quem é o outro? . ta mbém! E quando ele for meu. não é? Sacudi a cabeça.odiei-a por macular Chris e a imagem que eu fazia dele. com um medo terrível de Julian.. Yolanda. Limitou-se a prender-me sob seu corpo e respirar com força até recobrar parte do controle sobre suas emoções tumultu adas. Como é idiota! Não sou uma prostituta! Simplesmente. cheguei ao andar onde morava Julian.Por que não consegue me amar? .e continuo viva. usando apenas uma toalha de banho enrolada nos quadris e streitos. . Senti-me enjoada e a odiei . ..Você me causa realmente muito medo.. e percebi o modo como você olha para aqu ele médico . Levei sob o braço uma sacola de couro macio. não é? . Não posso estar errado . é sua maneira de dançar! O sangue lhe subiu ao rosto. Só então ele falou. eu escolheria a minha espécie! Sem dar importância ao que ela dizia. com o dobro da força! Tentei lutar contra ele.Ninguém! . O cabelo ainda molhado do banho que ele acab ara de tomar respingava água sobre mim. . . . .portanto. mas Julian tornou a empurrar-me para trás e. mas Juli an parecia uma enguia ao arrastar-me para o chão.. puxou-me para dentro do quarto e atirou-me sobre a cama. . Não podia contar a verdade. onde eu temia que ele em breve m e rasgasse as roupas e me estuprasse .estúpido.e Deus me perdoe se não a vi olhar da mesma forma para seu irmão! Portant o. não se atreva a chegar novamente perto de mim. animal! . não sou uma provocadora como vo cê . pois nunca em minha vida vi um irmão e uma irmã tão fascinados um pelo outro! Esbofeteei-o! Ele revidou.Andei seis quarteirões na chuva e quase morri gela da.berrei.menti.Solte-me. tão furioso que parecia prestes a explodir.Fuja. que se estendera na cama como uma grande gata. Comecei a guardar minhas roupas nas malas. passando um cinto pelas alças a fim de poder arrastálas para o corredor. Julia n Marquet.chamei. Julian estava sozinho no apartame nto. já aturei de você tudo o que é possível! Conhecemo-nos há quase três anos e não cons gui qualquer progresso com você. garotinha pudica!. .. esperando ver Al exis ou Michael. Antes que eu me desse conta do que acontecia. Estou tão amedrontada que chego a ter vontade de rir. desta feita. segurando-me com ambas as mãos quando tentei libertar-me. Talvez tivesse razão e sem Julian eu nada fosse de especial. Parei junto à porta a fim de olhar para Yolanda.bradou ele.Cathy.E você não serve para mim! A única coisa de que gosto em você.Julga.redargüiu ele.. terminei de arrumar minhas coisas e fechei a s correias de minhas três malas. para minha infelicidade. não me venha bancar a moralista imaculada. Arr astando minhas malas atadas umas às outras. ou será você quem se arrependerá des te dia! Pouco depois de fechar a porta com força.Pode levar de volta sua maldita bolsa .Vá em frente! . .perguntou. levantando-me da cama.Ninguém fala assim comigo sem receber troco. nem estúpido. Catherine Dahl.Por estar apaixonada por outro? Quem é ele? Aquele médico gra ndalhão que acolheu vocês. esmurrei a porta do apartamento de Jul ian com ambos os punhos! . ajoelhou-se sobre mim.e. E Julian parecia quase enlouquecido de ciúmes. .sibilou ela com os dentes trincados.Se estiver aí. entre as duas..mas não o fez. Catherine Dahl. você descobrirá que sem ele não é nada! Não passa de uma bailari na caipira que Madame Zolta poria no olho da rua se Julian não insistisse em conse rvá-la porque é tarado por virgens! Tudo que ela gritou bem poderia ser verdade.

nem obrigar-me a amá-lo. sente-se ameaçada.Maldita seja. Seja boazinha. Mas era só meu.. Eu lhe envia ra a primeira crítica entusiástica publicada pelos jornais de Nova York... pronunciando pragas tão terríveis que não posso repet i-las aqui. po is não tardará! Comprei seis exemplares de cada jornal que fazia referência a mim. Winslow. terei que voltar para Clairmont. Infelizmente. não consig o nem mesmo gostar de você: e quanto a dançarmos juntos novamente. a despeito de todas as minha s lágrimas. Imaginei sua expr essão ao abrir a carta. Eu tinha quarenta e dois dólares e sessenta e oito c entavos . terei que procurar outra companhia e ver se c onsigo um salário melhor. . Só então atrevi-me a dizer o que pensava: ..e. com uma fot o sensacional de Julian e eu dançando A Bela Adormecida.pensando em você e fazendo planos . Se você tivesse a intenção definida de tornar-se repug nante para mim.Você é minha. se a senhora não me der mais dinheiro. inteiro..Está certo. Voltei para casa correndo..mas não será tão bom qu anto o que você ocupava. eu o matarei . As outras. Julian! Não pode dizer a quem de vo amar. quer saiba ou não. depois de rasgar o envelope fechado. eu guardava para mim . Você faz chantagem comigo e eu aceito. Oh! c omo os russos expressam grandiosamente as emoções! . embora temesse que ela apenas jogasse tudo no lixo.. Então. trate de lembrar-s e bem disto antes de olhar para qualquer outro homem que não seja eu! Em seguida. Oh! Deus! eu jamais me libertaria! Nunca! E. Faça as pazes com ela. Mamãe. Todavia.. Enviei cópias das críticas a Paul e Chris. Catherine!.ou para Mamãe. No fim da carta. Não gosto dela e recuso-me a morar no mesmo apartamento. Lembre-se todas as noites. Ela gemeu. e passei alguns dias dominada pelo entusiasmo de arrumá-lo da melhor maneira possível. tornei a acordar durante a noite.Existem instituições especiais para loucos como você. com Julian. acordando a freqüentes intervalos para escutar os sons produzidos pelo velho prédio. Catherine. Tinha diante de mim os olhos azuis de Chris quando me levantei da cama e me sent ei à mesa da pequena cozinha para escrever um bilhete à "Sra. pertence a mim! E se algum homem se in terpuser entre nós.quando Juli an me permitiu . Portanto. no menor quarto da casa de Paul. O único apartamento que consegui encontr ar caberia. Sra.Ela tem medo de você.. procurei Madam e Zolta e lhe disse que simplesmente não poderia continuar morando no mesmo aparta mento que uma garota decidida a destruir-me a carreira. Tinha saudades de Paul. recuei para a porta.e matarei você também! Portanto. Levantei-me com as pernas trêmulas . Concluiu dizendo: . Catherine. o primeiro lugar que eu tinha exclusivamente para mim. antes de adormecer. trate de esquecer ! Bati-lhe a porta na cara e afastei-me depressa. entregou-me a bolsa e mandou-me contar o dinheiro para verificar que ele não me roubara um centavo. Winslow". eu já disse isto antes e vou dizer novamente. Em ocasião nenhuma chamei-a de Mãe ." Colocara a carta na caixa do correio em plena noite. vá procurá-la e dizer-lhe que se arrepende do que ho uve. acrescen tara: "Agora.. ele tornou a abrir a porta. . Yolanda era a superstar de minha pequena companhia de balé antes de você chegar. Ah! Aquilo era bom? Mas Madame tinha razão. não poderia ter imaginado um meio melhor que este. Escutava o vento soprar e não dispunha de alguém numa cama ao lado da minha para reconfortar-me com palavras ca rinhosas e faiscantes olhos azuis. em seguida. se não conseguir. Madame. Aproveite enquanto pode. Dar-lhe-ei um pequeno aumento d e salário e lhe indicarei onde encontrar um apartamento barato . não tardará. ocultou a cabeça mumificada nas mãos esqueléticas e gemeu ainda mais.e tudo estava na bolsa. comecei realmente a dormir mal. abri-a e saí para o corredor. agarrando a bolsa. sem ler o conteúdo. Agora. Agora.Não. joguei-me na cama e so lucei. antes de ter uma oportunida de para reconsiderar e rasgá-la. Le mbre-se de que ainda estou viva em algum lugar .. quando cheguei ao eleva dor. imaginando um modo de magoá-la de tal modo que ela nunca mais voltasse a ser a mesma. n a maioria das vezes meu nome estava ligado ao de Julian. Sentia falta de Chris. tremendo da cabeça aos pés. e vo cê pedirá a Deus para estar no inferno antes de ver-se livre de mim! Depois daquela cena terrível com Yolanda e. nada mais que isso.

precisava tomar café antes de poder racioci nar direito. Eu jamais o enganara. fui acordada por alguém batendo à porta. contaminando-me com seu entusiasmo. Abri os trincos e entreabri a porta.você sabe tão bem quanto eu! Dividi com Julian minha refeição matinal e escutei-o recitar uma rapsódia sobre a long a e fantástica carreira que tínhamos pela frente. levantando-me e vestindo um roupão antes de tro peçar na direção da porta para fazê-lo parar de bater. . Sonhos de Inverno Eu passaria o Natal em casa. depoi s.Cathy! Deixe-me entrar! Tenho novidades sensacionais! Era a voz de Julian. Café. lançaríamos raízes.eu gostar ia disso.gritou ele. dei-me conta: Londres! Nossa companhia ia a Londres! Girei nos calcanh ares. somos os melhores . E Madame está encantada por terem tomado conhecimento de nossa existência . ela anunciou a novidade! Vamos faze r uma tournée em Londres! Duas semanas em Londres! Nunca estive lá.indaguei. exceto quando dançávamos juntos e cabia-me fingir um papel.Pare com isso! . Cathy.perguntei.esbravejou Julian. Gr aças a Deus. Naturalmente .Maldita seja por me enganar! . acompanhandome à cozinha.pois nasci hoje. .Claro que sim. Mas posso comer de novo..Meu Deus! Fica sempre tão desorientada de manhã cedo? . estava falando sério? Vamos para lá .em Londres! ..ou de Mamãe.gritei. . ontem..Não o perdoei! Nunca perdoarei! Trate de se afastar da minha vida! . mas fui obrigada a dizer: . nossa oportunidade de chegar ao topo! Faremos o mundo tomar conhecimento de nós! E você e eu seremos os astros! Juntos..Deixe-me entrar. beije-me. negando. depois que você saiu. Então.É mentira! . Há muito tempo.repliquei. da nçaremos juntos e darei o melhor de mim mesma . Certa manhã. Paul e eu tínham . mastiguei algo antes de vir para cá. Cathy! Perdoe-me.. cambaleei para a cozinha. erguendo-me no s braços e plantando-me na boca um beijo prolongado e quente enquanto eu ainda boc ejava. estremecer. vendo-a empalidecer e. . Então. Você também. portanto. . ou arrombo a porta! . eu não o amo. Seu prolongado e violento olhar de descrença e puro ódio desferiu-me uma série de bofe tadas imaginárias no rosto.todos nós? Ele se ergueu de um salto. apoiando os cotovelos no encosto para observar-me todos os movimentos.berrou ele. Chegaria o dia em que nos e ncontraríamos cara a cara.Julian. Iremos a Londres. jamais poderemos casar-nos.Acorde. então. onde montou às avessas numa cadeira. Julian entrou como um furacão. . girando nos calcanhares e sa indo do meu apartamento. . chorando.Já tomou café da manhã? .É mesmo? . não? Detestei estragar-lhe os planos.indagou ele.. Isto era tudo o que existia entre nós. volte a ser minha amiga.ele podia comer de novo! Sempre era capaz de comer mais alguma co isa.. . você disse. mantendo sempre as saudações frias e formais.Julian.Sim. trate de me amar .. Restavam-me apenas duas fatias de toucinho e eu queria ambas para mim. .. desta vez. vam os chegar ao topo! Sei que vamos! A companhia de balé de Madame Zolta nunca foi no tada antes de formarmos um par! O sucesso não é dela . pois.. eu a chamaria de Mamãe. Sacudi a cabeça. eu tinha Paul para me proteger e ouvir-me as confidências. Cathy. . . E não permitir ia que Julian estragasse o prazer daquele Natal.é nosso! Julian merecia ser condecorado por tanta modéstia.Madame Zolta. Odeie-me o quanto quiser amanhã. sonolenta. mas. teríamos filhos e abriríamos uma academia de balé . Já estou noiva.Vá embora! .mas tenciono casar-me com outro. hoje. esperando que sim. todos nós! É uma grande chance. . quando fôssemos ma is velhos. Os desagradáveis incidentes com Julian ficariam esque cidos na alegre expectativa de encontrar-me com Paul e dar-lhe as boas novas. Ficaríamos ricos e. .

fosse Cory ! . Nunca.Oh! Cathy. Uma hora depois. Foi o melhor Natal que passamos. Quand o experimentou o vestido.Salve a bailarina conquistadora! . jóias e tudo o mais que o dinheiro podia comprar. Então. A pele me trazia a lembrança de Mamãe e de seu armário abarrotado de agasalho s de pele. . encontrando-o finalmente.protestei. . Um casaco de raposa prateada! .um presente para todos nós aproveitarmos.anunciou ele. levantou-se e saiu da sala. .simplesmente adorei! Ele sorriu. engasgada. que nos observava a alguma distância. não devemos permitir que a novidade escape antes da hora. Chris colocou-me nas mãos uma pequena caixa. . agasalhos de pele. na primeira oportunidade. prendendo-me o co rdão de ouro ao pescoço. que ela ganhara apenas porque tivera a inominável crueldade de manter-n os trancados para poder herdar uma grande fortuna. Dou-lhe ouro com um brilhante que você quase não vê. mesmo na Carolina do Sul. examinando seus p resentes.O tipo de agasalho que você realmente necessita para os invernos de Nova York disse Paul. Apenas seu irmão. Repliquei que se tratava do casaco mais bonito que eu já vira. Carrie ergueu-se de um salto e foi ligá-lo. Estendeu a mão para pegar as minhas. Virei-me depressa noutra d ireção. os olhos brilhando com todo o carinho e amor que ele sentia por mim.os concordado em anunciar publicamente nosso noivado e. agora. Às duas da manhã. abraçando-me com força e olha ndo-me com grande orgulho. Catherine . . Olhei p ara o enorme aparelho de TV. Chris alcançou-me primeiro para me abraçar com força e tenta r beijar-me nos lábios. Dou-lhe ouro porque é perene E também dou-lhe amor eterno como o mar. escorregou-me na mão um bilhete dobrado. num gesto furtivo. após horas a fio percorrendo quase todas as lojas de Nova York.exclamou meu irmão.Comprado com o dinheiro ganho com o meu suor . Então. embrulhado em papel metálico dourado e amarrado com um enorme laço de cetim vermelho. Em algum lugar lá em cima uma porta bateu com violência. . . Oh! qu antas vezes eu avistava nas ruas de Nova York um menino de cachos louros e olhos azuis e saía correndo no seu encalço. Muito cuidado. enquanto Paul observava e m grande expectativa. pois também ficará agasalhada naquele clima frio e úmido de Londres. era tão fácil fazê-lo feliz. Carrie cr escera um centímetro e meio e deu-me gosto vê-la sentada no chão da sala na manhã de Nat al. você está tão linda! Cada vez que a vejo. do princípio ao fim . dentro da qual estava um pequeno reli cário de ouro com formato de coração. Carrie ficou parecendo uma pequena e radiante princesa .pequeno.mas nunca era. A testa de meu irmão se franziu tempestuosamente antes que ele lançasse um rápido olhara Paul. . li o bilhete que me fez chorar: À minha Lady Catherine. os grandes olhos azuis brilhando de felicidade enquanto ela não parava de excl amar a respeito do vestido de veludo vermelho que eu lhe comprara.Veja ali no canto. a fim de captar-me no rosto algo que deve ter reve lado meu amor por Paul.ou quase até o fim. Chris . Fazia um frio de doer. embora me sentisse nervosa. Eu ainda não lera aquele bilhete quando Paul me entregara seu presente. Paul e Chris foram buscar-me no aeroporto. Era-me impossível afastar a lembrança dele em qualquer ocasião feliz. advertiu-me seu demor ado olhar. tendo no centro da tampa um brilhante verdadeiro . . Tentei imaginar Cory.Mas adorei . mas virei o rosto e o beijo me acertou a bochecha. esperando que. Mas seria grande como um castelo se expressasse o que sinto por você. mas genuíno.É essencial que se recorde de mim toda vez que o usar. Chris virou vivamente a cabeça. por algum milagre. meu coração chega a doer! O meu coração também doía por vê-lo ainda mais bonitão que Papai.Servir mesas rende boas gorjetas quando a gente trabalha bem e sempre sorrindo. Livrei-me dos braços de meu irmão e corri para Paul. Paul simulou não perceber. a única pessoa que poderia arruinar-me a felicidade era Chris. Minhas mão s trêmulas lutaram para abrir as várias camadas de tecido.É demais! . também sentado de pernas cruzadas no chão.

eito de Julian. exceto às refeições. Ele explodiu: .Ele o comprou só para podermos ver você dançar o Quebra-nozes em cores. Portanto. Carrie sentouse perto de mim.Chris. quando me aninhei no colo de Paul. Deus permita que ela esteja em casa esta noite e tenha visto.. recostei-me na perna de Paul e senti-lhe os dedos acariciarem-me os cabelos. mergulhando num sombrio estad o de espírito que o levava ainda mais longe que os poucos passos que nos separavam fisicamente. Para minha total surpresa. Temi aproximar-me de Chris. .vi-me no palco. Olhei para mim mesma no pa pel de Clara. Cathy? . Eu chegav a a doer de saudades dele. não foi o espetáculo infantil que me lembr o de ter visto quando era criança. mal avistei Chris. dei um último beijo em Paul e vesti um roupão a fim de esgueirar-me até meu qu arto. eu não me sentia tão feliz quanto desejava ao ver os créditos do programa aparecerem na tela colorida. abraçada ao seu novo vestido de velud o vermelho. nem permite que eu chegue perto do aparelho. levantando-se para vir pegar Carrie no colo. Ao ama nhecer. Um tape gravado em agosto. Como tanta gente. Francamente. Depois. chore. Eu quis morrer! Fui espiar Carrie.Sim . para repetirmos a dose. olhando-me com espanto e mágoa.Fo ram ambos sensacionais .trazendo por baixo a camisa e a gravata que eu também lhe dera.Nenhuma bailarina pode ria dançar essa peça melhor que você. mal saí do quarto de Paul. com Julian transformado de um feio quebra-nozes num lindo príncipe. Chris foi o primeiro a desviar os olhos e quebr ar aquele choque de olhares gelados que nos imobilizava também os membros. Tratou-me o dia inteiro como a um rival. Então. parou para voltar-se e dirigir-me um olha r carregado de ultraje e repulsa. Contudo. Mesmo assim.e servira como uma luva . que o estava traindo? Por quê? O dia seguinte ao Natal foi dedicado a trocar os presentes de que não havíamos gosta do. obriguei -me a procurá-lo. Detestei o fato de Chris continuar g ostando tanto de mim e. Tinha realmente aquela aparência? Esquecendo-me de tudo. Depois dormimos e tornamos a acordar mais tarde.Creio que seu irmão está desconfiado . subimos furtivam ente ao segundo andar e.comentou Paul.quando pensei melhor . mas de mim também. Durante o resto do Dia de Natal.mas. só agora seria visto em centenas de cidades através do país. Cathy. nenhum dos presentes dados a ele por mim podia comparar-se ao pequeno relicário ouro e brilhante. Quando o programa terminou. fizemos amor na cama dele. Permita que el a saiba o que tentou matar! Permita que sofra.disse Chris friamente. Após apagarmos todas as luzes da casa. com o zelo gerado pela privação.. junto à perna de Paul. com o pequeno poema que me fizera sangrar o coração.detestaria ainda mai s se ele não gostasse. Cathy.O que posso dizer. A partir de en tão. .. Naquela noite. estendi-me em minha cama tentando imaginar o que deveria diz er a Chris para consertar novamente as coisas entre nós. Não fica rá satisfeito ao escutar nossa novidade. por favo r! por favor! . meu irmão saiu da sala e subiu para colocar Carrie na cama. voltei à realidade e meu primeiro pensamento foi minha mãe. acomodamo-nos confortavelmente diante da nova televisão em cores. preferi adiar o que era desagradável e sugeri que só contássemos a C hris no dia seguinte. Chris escolheu um lugar afastado.depressa! Com essas palavras. espantado. certamente. as roupas que não nos serviam. que ocupava uma poltrona. abraçamo-nos e troca mos todos os beijos apaixonados que vínhamos guardando até aquele momento. . que dormia profundamente. em meu co ração. Por que sentia. mas.desculpou-se Paul.comentou Paul tranqüilamente. tenha remorsos. a meio caminho. Ele usava o s uéter azul-brilhante que eu lhe tricotara . encolhida. perdi a noção de onde estava . Agora . E Julian também esteve soberbo. não me tinham parecido tão etéreos.Só porque é difícil ligá-lo corretamente . tão envergonhada que tinha vontade de chorar! Nenh um de nós dois disse uma só palavra. não obstante . Vocês dois apresentaram um romance. Como ficavam bonitos os cenários na TV em cores. Chris abriu a porta do seu e veio para o corredor! Estacou bruscamente. E nrosquei-me no chão. que estava no jardi m aparando ferozmente as roseiras com um alicate de podar. Não apenas a resp . acho melhor você desligar aquele cara . Correu na direção da escada. enquanto eu recuava. na realidade. preciso conversar com você e explicar certas coisas. . .

Você sabe como eu me sentia quando aqui cheguei: j ulgava que ninguém merecia afeição ou confiança.e perde bruscamente toda a esperança. apesar disso. Julga que pode conciliar tudo. Fixei os olhos no panorama de inverno que passava lá fora. em cada um de seus gestos. Chris. Ele compreende. deixara de ser uma espectadora trancad a a distância. compreenderá que ele e eu servimos um para o outro. . sentia-me tão dilacerada e infeliz.. no modo dele tocá-la. Como em câmera lenta. Chris não falava apenas de Julian.Paul não tinha o direito de dar-lhe um casaco de pele! Um presente assim faz você parecer uma amante sustentada por ele! Cathy.Cathy. E quanto à sua carreira? Pretende jogar fora todos aqueles anos d e sonhos e de trabalho? Vai quebrar sua promessa? Lembre-se de que juramos um ao outro perseguirmos nossos objetivos e não permitirmos que aqueles anos perdidos i nterferissem. largo demais para todos os dedos de la com exceção dos polegares. em sua maneira de olhá-la. arrancando-me o alicate das mãos. Paul levou-me de carro a Greenglenna enquanto Carrie ficava em casa divertindo-s e com o novo aparelho de TV em cores e todos os seus novos brinquedos e roupas. as casas bonitas com decorações natalinas e luzes acesas após o esc urecer. bem. Esperava que o mundo nos reservasse o p ior . Chris virou-se bruscamente.Sinto muito se isto lhe estragou o feriado. com homen s da sua própria idade. Quando eu me encontrava no melhor departamento de joal heria da melhor loja da cidade. . discutindo com o vendedor um meio de diminuir o tamanho do anel sem estragar a cravação do rubi. você não o vê da mesma maneira qu e eu.. doendo por dentro por causa de Chris. mas quero que estejam p resentes quando eu lhe colocar no dedo o anel de noivado. cultivada. você o ama.Então. Paul tagarelou alegremente a respeito da festa que planejara oferecer a todos nós naquela noite. . . Agora eu fazia parte do espetáculo. o capim escurecido. Compreenda. Você nada deve a Paul. Passei-lhe os braços pela cintura..Ele julga? O que sabe um médico a respeito da vida de uma bailarina? Você jamais e stará com ele. acima de tudo.Gosta de Paul. deixando Chris no jardim com o alicate de podar. está sentada ao lado do homem mais feliz do mundo! E eu deixara no jardim da casa dele um homem que se sentia tão infeliz quanto eu. Depois de refletir melhor sobre o assunto. . Cathy! Nada! Nós lhe pagaremos de volta cada centavo que ele gastou conosco.repliq uei.Paul e eu discutimos o assunto. escutei repentinamente uma voz conh ecida! Uma voz doce. enquanto você andará só Deus sabe por onde. mas você também arranjará outra . Afastei-me. Aproximei-me mais quando ele me deu as costas para esconder a expressão do rosto. antes que ele estragasse as lindas rosas de Paul. girando-o a fim de ver-lhe o rosto. virei cautelosamente . as árvores desfolhadas.Chris. . .acrescentei baixinho.mas você não lhe deve sua vida! . E eu não o amo apenas pelo que ele fe z por nós. pretendemos casar-nos na primavera. pare de fazer o que anda fazendo com Paul! Em primeiro lugar. a despeito de tudo. Dar-lhe-emos o respeito que ele merece. . a despeito da diferença de idade s. Não é um namoro que será esquecido amanhã. tomei-lhe das mãos o alicate de podar. Nós nos amamos.Eu o amo. Eu tinha na bolsa um anel que comprara para Carrie em Nova York: um pequeno rubi para um dedo muito minúsculo e. . .e isso teria ocorrido se não fosse Paul. e todo o amor . portanto.. como um homem saudável que é informado repentinamente de ser portador de uma doença incurável . em seu restaurante predileto.Não devo? .Pois acho que devo a ele minha vida. Paul e eu.Gostaria de ser egoísta e deixar Chris e Carrie em casa. devolva-lhe o casaco! E. sei que gosta. Ele permanecerá aqui.E quanto a Julian? Vai casar-se com Paul e dançar com Julian? Sabe que Julian é lo uco por você. necessitamos mutuamente um do outro.Ele é velho demais para você! . Não obstante. nada existe de errado no que fa zemos.. grave. Recuei. não é tão errado como você imagina. chocada. . Amo-o por causa de quem e o que ele é.indaguei num sussurro. . Está escrito nele.. . Chris parec ia atordoado.Assim também é melhor para você e eu .

. . nossa querida mãe esbanjava dinheiro com presentes para uma jovem que não era sua filha.Não! Claro que não! .Algo de bom-gosto. . tentando adivinhar como conseguíamos vi ver? Como conseguiria dormir à noite. e ela falava: . talvez percebesse minha pres ença.Você está bem. sem muita fantasia nem grande demais. Os cabelos louros penteados para trás davam ênfase à perfeição do nariz pequeno e bem delineado. mas encontrava-se tão distraída em conversar com uma acompanhante vestida de man eira tão elegante quanto ela. Mamãe! Em pé bem junto a mim! Se ela estivesse sozinha. desta feita. em beleza. Elsa leva o tema festivo a um extremo ultrajante . querida? . largou-me os ombros e pareceu terrivelmente envergonhado. bondosos. feio e cruel para crianças abandonadas à própria sorte? Ao que pude perceber. mesmo assim. mas. Está pronta para irmos. Sacud iu-me com violência. As duas falavam da festa à qual tinham comparecido na noite anterior.talvez.Cathy . Contudo.Já devolvi tudo. na esperança de deleitar-me com sua atordoada surpresa.. nem virou a cabeça. estava mudando de idéia a respeito de mim. quando o mundo era tão frio. Entretanto. ao seu querido "Bart".Quero conversar com sua irmã.disse Paul. Estava me vestindo para a grande festa no The Plantation House quando Chris entr ou no meu quarto e mandou Carrie retirar-se. mostrand o-me o quanto ela ainda era bela. solucei. Baixou a cabeça. Parecia um pouco mais velha. esquecendo-se de nós! Pensaria em nós. agora? Desejei desesperadamente que minha mãe me visse em companhia de Paul. vendo-me no rosto algo que lhe causou espa nto e preocupação. Falou tão . não obstante. perdendo a pose . Por um motivo com o qual não atinei.a cabeça. p or favor.ordenou ele em tom mais áspero do que eu jamais o ouvira usar com ela. . . aproximando-se por detrás de mim e pousando as mãos nos meus o mbros. Tive vontade de gritar: Está vendo? Também sou capaz de atrair homens inteligentes. Chris avançou para mim. qu e uma jovem possa guardar com orgulho pelo resto da vida? Quem? A que jovem ela precisava dar presentes? Cheia de ciúmes vi-a escolher um li ndo relicário de ouro muito semelhante ao que Chris me dera! Trezentos dólares! Agor a. não esticara o pé para fazê-la tropeçar? Então. Tive ímp etos de falar e ver a pose desmoronar! Queria que aqueles sorrisos caíssem como ca sca velha de um tronco. linda. a despeito do que havia por baixo da máscara.Será que poderia mostrar-me algo exatamente apropriado para uma jovem bonita? indagou à vendedora. a fim de verificar se ela escutara Paul dizer-me o nome. .Vai continuar esta farsa? Você não o ama! Você ainda me ama! Tenho certeza! Cathy. ela se afastara ao longo do balcão e. não faça isso comigo! Sei que tenta libertar-me casando-se com Paul. se ela me olhasse certamente teria que saber quem eu era. um homem que nada ficava a dever. revelando-a à amiga como ela realmente era: um monstro des almado! Uma assassina! Uma fraude! Mas fiquei calada. . Mamãe era bem capaz de cair graciosamente e fazer que todos os homens na loja corressem para ajudá-la . esvaziada pela decepção. está? . . Carrie lançou-nos um olhar esquisito antes de sair depressa do quarto. Uma festa . Talvez milhões de dólares pudessem ter tal resultado. Por que não fizera alguma coisa? Por que. Os olhos faiscavam como ouro e brilhantes verdadeiros .Não está mudando de idéia a nosso respeito. . Corrine. poderia vê-la esparra mar-se no chão.neguei de imediato. Tão logo Carr ie fechou a porta atrás de si. Minha animação se desfez. minha mãe era completamente desprovida de remorsos ou sentim entos de culpa.até mesmo Paul. E você.. realçados pela maquilagem. pregando um so rriso de satisfação em seu rosto. segurando-me os ombros.todo aquele vermelho! Festas! Era tudo que ela fazia: ir a festas! Meu coração começou a bater em ritmo de g alope.indagou Paul.eu deveria ter pre visto! Ela jamais ficava em casa para assistir à televisão! Não me vira! Oh! como fiqu ei furiosa! Virei-me para obrigá-la a ver-me! Um pequeno espelho vertical no mostruário de vidro refletia-lhe o perfil. os carnudos lábios vermelhos. seu remorso e verg onha. se ouviu o nome Cathy. os cílios longos e naturalmente escuros .Vá assistir à TV .Francamente. educados e bon itos! Olhei depressa para mamãe. mas i sso não é motivo suficiente para casar-se com um homem. Eu mudara consideravelmente desde que minha mãe me vir a pela última vez.

. .. desejando magoá-lo da mesma forma como cada uma de suas palavras me magoara. então.Largue-me.berrei. corri para abraçá-lo e ele se agarrou a mim como se eu fosse a única mulher capaz de impedir que se afogasse.Cale a boca! . Eu qu eria que ele esquecesse.Você é um grande imbecil. bem perto.É uma pena que Chris não esteja passando bem. apertando o rost o contra seu coração latejante. . . você nunca teria me desejado e eu nunca lhe teria lançado u m segundo olhar! Você é apenas um irmão para mim. Ademais. ele me tomou nos braços e não pude deixar de agarrar-me a ele. pois nunca mais quero ouvir falar dele! Amo Paul e nada que você disser me impedirá de casar-me com ele! .. então. E se eu fizesse o que ele queria. engasgado.Christopher.Percebo que você me observa antes de desviar os olhos. ele saiu correndo do quarto.. mas não consigo deixar de amá-la e desejá-la.exclamou ele com fervor. ele não desejaria você. mas só porque não existia m ais ninguém! Se existisse. segurando-me ainda com mais força. sim! .Deixe-me em paz! Agredi-o. O que disse a elas? Disse-lhes também que as amava? Bem. mas cada segundo que ele me apertava contra si fazia crescer-lhe as esperanças .Podemos.portanto. . até mesmo Julian seria melhor que ele! . Vivo pensando nisso. sem ligar para as conseqüências. batendo a port a com tanta força que abriu uma fenda no reboco do teto. Quando parou de falar. tão envergonhada! Fiz o possível por você quando ér amos prisioneiros. não foi? A seu modo. É honrado demais para isso.baixo que fui obrigada a aguçar os ouvidos para escutar-lhe as palavras. nunca mais me fale no a ssunto. Mesmo que me ame pelo resto da vida. Então.Sei que é errado o que sinto por você.. disse num sussurro rouco: . é tão desalm ada quanto nossa mãe! Deseja todo homem que a atrai.Está mentindo para si mesma .. Quero ir para a cama e saber que você lá estará. onde poderei vê-la. Não pôde conter um soluço antes de continuar: .Oh! Chris. . Você me deseja e desej a Paul. . não é mesmo? Quando lhe dei meu amor e depositei em você minha confiança. pois ele já sofreu bastante! É velho demais para você . Espero que não esteja gripado. Então. tocá-la. como você vem fazendo..Não precisamos manter um relacionamen to sexual! Podemos apenas viver juntos.Posso. limitando-me a ficar sentada escutando Carrie tagarelar incessantemente sobre o quanto gostava do Natal e a maneira que este fazia as c oisas comuns ficarem tão bonitas..Não consigo pensar em você com outro homem! Que diabo. desde que sempre voltass e para mim! . quero acordar e vê-la no quarto comigo.. Quer tudo e todos! Não estrague a vida de Paul.Então. com Carrie. que não é na minha cama! Então. eu não o amo agora! Amo Paul e você nada pode fazer para impedir nosso casamento! Chris ficou imóvel. Chris. sou imbecil! Sempre fui. cometi o maior erro de minha vida. também. e faço questão de mantê-lo em seu d evido lugar.disse ele. Chris. afogar-nos-íamos ambos! . Sei que deveria tentar encontrar outra pess oa. . sim. Encaramo-nos por longo tempo. por favor. mas eu permitiria que você tivesse quem bem entendesse. pois já teve seus casos de amo r! Sei que dormiu com Yolanda Lange e só Deus sabe com quantas outras.Você não lhe contaria. Talvez nos voltássemos um para o outro.. Sonho com você durante a noite. . o que posso dizer? Mamãe e Papai cometeram um erro ao se casarem e nós tivemos que pagar por esse erro. ele já sabe.e ele ficou excitado! Ele.. Por favor. sente ciúmes porque encontrei antes de você outra pessoa para amar! E não fique aí me fitando com esses gelados olhos azuis. você me faz sentir tão culpada. Não respondi coisa alguma. Não podemos correr o risco de repeti-lo! .. dia e noite.Chris. por que não pode ser eu? Eu me afastara quando ele me largou os ombros.e a idade faz diferença! Ele estará velho e sexualmente esgo tado quando você atingir o auge! Ora.. Posso contar a ele o que fizemos. que julgava podermos viver juntos platonicamente! . Apenas Carrie fez companhia a Paul e a mim no The Plantation House. pálido e trêmulo. estarmos juntos. Chris tinha dificuldade para conter as lágrimas. se acredita nisso! . Cathy. sermos apenas irmão e irmã. Há uma epidemia na cidade. . eu a quero para mim! De qualquer modo. você não pretende ter filhos . eu lhe suplico: não se case com Paul! .

Paul . estritamente clássico .Então. quando eu a segurar. não me deixando cair para trás por não confiar nele. imaginando por que diabo te imava em repetir a seqüência. erguendo os braços para exibi-las.Julian. faça certo! Julian esbravejava não só com a voz. contando.Eu faço todo o trabalho duro e você fica aí. Porque quando se ama de verdade não existem problemas que o amor não seja capaz de sobrepujar. O peito nu brilhava de transpiração que gotejava em cima de mim. Eu já não confiava em Julian.Está sem fôlego? .Está vendo como ficaram arranhadas onde você me esfolou a pele? E aman hã estarei cheia de manchas roxas onde você me agarrou com força! . Fiz o possível para torna r a situação agradável. sem fôlego. Desta feita ele me atirou ao chão. repeti ndo a mesma série de passos. Determinação. Pelo menos. Comecei realmente a desprezá-lo! Estáva mos ambos encharcados de suor. Julian! Posso escutá-lo perfeitamente! . não a deixaria cair. enfurnado em seu quarto e odiando-me. O que lhe a conteceu na roça? Gastou todas as energias trepando com o médico? .Desta vez.Pare de gritar comigo. Os quatro mandamentos do mundo do balé. Calma. Minha malha grudava-se à pele. Tive um medo terrív el de que ele estivesse apenas aguardando uma boa oportunidade para deixar-me ca ir de propósito . caia para trás e amo leça o corpo. faça direito . .murmurei. Exatamente como a gosto sa valsa antiga que dançávamos. erguendo-se como uma torre acima de mi m. E não a odeio. então. mas também com os olhos negros. se é capaz de fazer algo certo ou gracioso hoje! Esse era o meu problema. E novamente fracassei... levante-se e vamos repetir. demoníaco. pelo amor de Deus. faça direito! Primeiro dê três passos e depois jogue o pé para o alto.. Fácil. Após ensaiar interminavelmente ao som do piano. Ela fazia pa lestras sobre a perfeição do The Royal Ballet. Berrou como se eu fosse surda: .É essa a impressão que tenho! Se você quisesse mesmo fazer tudo certo. Doce. ainda não. desta vez deite-se imediatamente para trás! Não fique empertigada e rija .Seremos tão felizes. os pés descalços bem afastados. sorrindo. Primeiro de Abril: Dia dos Tolos Esforço.Não fale assim comigo! Arranje outro par! Fez-me tomar um tombo proposital e meu joelho passou três dias doendo. trocando prolongados olhares românticos quando tomávamos champanhe. mantendo-me de olhos fech ados e imaginando Chris sozinho em casa. eu estou dez vezes mais..no instante em que eu a segurar. pule para eu segurá-la e. finalmente acertei e até mesmo Julian foi capaz de sorr .diabo! . Eu. .Acha que isto me agrada? Veja minhas axilas! . portanto.Se está cansada. . onde fiquei ofegante. você se deixa cai r para trás. Agora.Então.Paul enfiou-me no dedo um anel com um brilhante de dois quilates. Desejo. faça direito. Dancei com Paul sob os gigantescos lustres de cristal.para vingar-se. Só precisa dar três passos. rindo. Cathy. brindando a nós mesmos e ao nosso longo e feliz futuro juntos. . diabo! Quer passar a noite inteira ensaiando? .Mesmo que a odiasse.mas nós deveríamos fazer tudo ao nosso jeito americano ímpar: clássico. conseguiria. deitada. as pernas formando um triângulo isósceles sobre as mi nhas. nas pontas dos pés em minhas sandálias pratead as de salto alto. Temia que ele procurasse mach ucar-me intencionalmente. Se Madame Zolta fora dura conosco antes do Natal. agora subme teu-nos a um esquema tão pesado de treinamento que só fazíamos trabalhar. com os cabelos escorridos. E. como posso correr para me atirar em seu s braços? Você é bastante mesquinho para aleijar-me pelo resto da vida! . marcando o ritmo. Dedicação. Portanto. e minhas idéias. desta vez.indagou em tom sarcástico. vejamos se é capaz de acertar ao menos uma vez. grita comigo como se eu fizesse tudo errado deliberadamente! .Cale-se! Estou cansada de doze horas a fio de ensaios! Só isso! . aquela seria a nossa vida juntos. Julian foi absolutamente impiedoso. Julian usava apenas uma sunga. . após cinqüenta tenta tivas! .exclamei. mas inovativo e mais bonito. levantei-me e tentamos mais uma vez. enquanto o fog o crepitava na lareira e a música suave enchia o ambiente. parecendo exausta. que tínhamo que seguir à risca. Sim. erguer o pé e saltar. Contudo.

Parecia tão lindo à luz azulad a. Vamos. Aplausos estrondosos quando o pano baixou.comentou ela. os olhos negros faiscand o como as jóias de imitação de seu traje medieval.Claro que não me conhece. abra a porta e adiaremos o início da festa até você chegar. . como pareci a Yolanda naquela noite. passei rapidamente por entre fotógrafos e caçadores de autógrafos. Os cenários espetaculares e as roupas sensacionais extraíram de nós o máximo quando comb inados com uma orquestra completa. minha cara criança. Madame Zolta bateu à minha porta e anunciou: .Você é muito bonita. Examinou-me da cabeça aos pés e só então correu os olhos pelo minúsculo camarim abarrotado de sacolas plásticas contendo todas as ro upas de balé que eu levaria comigo para Londres. ou de que ela me lembrava alguém. .Catherine.Obrigada. Agora. Julian pulou para abraçar-me.. mais uma vez .Por Deus!. . Esperei impaciente que ela dissesse logo ao que vinha e fosse embora. Uma mulher alta e atraente entrou no camarim. por detrás da cortina.Fomos sensacionais esta noite! Como consegue frustrar-se tanto até o início do esp etáculo? A cortina se ergueu para nossos agradecimentos .Creio que não a conheço . Ou vi dizer que ele anda jogando dinheiro fora como um marinheiro embriagado. uma senhora aqui diz que veio de sua terra apenas para ver você dançar. sacudindo ritmadamente um pé calçado numa sandália preta de salto al to. prepare-se par a dançar como Julieta! Yolanda passou por mim cambaleando e tentou desferir-me um violento pontapé ao sib ilar: .Por que você tinha que voltar? Por que não ficou na roça. chegou o ensaio geral e a apresentação de Romeu e Julieta... pois pe rcebi o olhar maldoso que se escondia sob a falsa expressão suave.a melhor que já tivéramos. E. que é o seu lugar? Não pensei em Yolanda e suas ameaças ao postar-me na pequena sacada e fitar sonhador amente o rosto pálido de Julian que se erguia para mim. . refletindo que ela jamais chegaria ao assun to. no intuito de apressá-la. Apliquei depressa o creme de limp eza para retirar a maquilagem e depois troquei o traje do último ato por um vestid o curto e formal de cor azul. eu podia dar ao papel de Julieta todas as nuances que a tornariam uma pessoa real e não um cabo de vassoura. cada sacola etiquetada com meu no me e o nome do balé para o qual fora desenhada a roupa.Belo casaco de pele . embora.Suponho que seja presente de meu irmão. que precis a dançar muito bem para fazer parte desta companhia que. Olhos e cabelos escuros. mas eu conheço muito a seu respeito. Peguei meu cas aco.Obrigada. Demorou-se a retomar a palavra. tive a impressão de já co nhecê-la. sem ser convidada. correndo para meu camarim. ve m-se tornando importante. . os cabelos escuros brilhando.Bravo! . procurando indicar-lhe que pretendia sair logo.que só podia ser ruim. arquejando se m fôlego.Dança excepcionalmente bem. . mantendo-me nervosa. pois haveria uma grande festa logo em seguida. Ela exibiu um sorriso retorcido e. em suspenso.. Então.ir e dar-me parabéns. ao fazer seus pliés com olhos vidrados e fora de foco. . usando malhas brancas. uma comemoração ant es da partida de nossa companhia para Londres. . Ma dame Zolta aproximou-se para estudar-lhe atentamente o rosto e cheirar-lhe o hálit o.e Julian beijou-me os lábios. Talvez até mesmo bela. foi uma surpresa para mim. . segundo fui informada. . é claro. você andou fumando maconha! Nenhuma bailarina minha pisa o palco do pada e logra o público . que semp re me escapava e nunca me permitia chegar bastante perto para distinguir-lhe as feições. Por algum estranho motivo. Embriagada pelo sucesso. . pois aquele era o tipo de drama e paixão que todos os amantes do balé adoram. roupas ca ras que lhe realçavam a silhueta.gritava o público. sentou-se e cruzou as pern as bem torneadas. preparando-me para o que ela viera dizer . Parecia o meu amante do sótão. Algo em seu tom suave e adocicado demais serviu-me de advertência e coloquei-me em guarda.disse eu.comecei. a fim de vestir meu casaco. dando tudo o que possui a três joãos ninguém que chegaram num ônibus e tomaram-lhe conta da vid .volte para casa e vá para a cama! Catherine. Era a nossa noite .

bondosas e maravil . realmente pouco me importa o que ele faça.depois de lhe dizer o que preciso! Vim de avião a Nova York para ver o mais recente amor de meu irmão. como gostava de rir! Gostava da situação. eu não o censuro. tal entosas.. de forma alguma prejudicaria a sua vida.Não se atreva a me mandar fazer alguma coisa! Irei embora quando quiser . cabelos louros compridos. . . Não é a primeira companheira de brincadeiras que ele arranja. decidida. Dahl. parece porcelana . . ele me ama. sensual e ma gra ao mesmo tempo. rosto bonito e seios bem formados para trazer à tona o animal que vive no íntimo dos melhores homens .disse ela. Amanda . também. Srta.Saia daqui! . Ela nunca fo não uma esposa! i uma esposa de verdade. Tal mistura deve ser fortemente intoxicante para um homem do tipo de meu irmão . de modo que ela pudesse usar as garras. um som duro e impiedoso. Or a.exibiu mais uma vez aquele detestável sorriso -.Saia daqui .. .Sei tudo a seu respeito. Então.a esquisita irmã que lhe tricotava suéteres e as enviava pelo correio.s uspirou.Saia! Não ouse dizer mais uma só palavra a respeito dele! Sei tudo sobre Júlia. de encontra r alguém bastante competitiva para reagir. muito jovens. Paul me contou. embora ele jamai s tenha dado a alguma delas um casaco de peles ou um anel de brilhante. eis o problema de ser jovem e bonit a: os homens revelam o seu lado pior. Sou forçada a admitir que tem bom gosto. Mas eu fiz a escrituração das contas dele e sei que lhe pagou tudo de volta. golpeasse meu rost o com as longas unhas vermelhas. nunca imaginei que uma criança como você pudesse parecer tão voluptuosa. . Júlia foi uma das mulheres mais queridas. Usava um perfume oriental. delicadas.. . desde que se mantenha nos limites da decência e não reflita na minha vida. . É realmente uma mescla peculiar.Não conhece seu irmão. é tudo o que ouço.Agora. nada deve a você! Não passa de uma mentirosa que tent a diminuí-lo aos meus olhos pois não conseguirá! Eu o amo. Paul gosta de mulheres jovens.Não existe coisa a lguma como a combinação de juventude. você sabe. mas recusava-se a falar com ele na rua. Embora a Henny não possa falar. Amanda se pôs de pé e começou a andar em volta de mim: uma gata caçando. os vizinhos têm olh os e ouvidos. Amanda. e a essa altura ele já se terá cansado de você há muito tempo . e devia julgar-me uma presa tími da ao avançar contra mim. pois os mexe ricos também me chegaram aos ouvidos! Seu problema é que Paul lhe deve o resto da vi da dele porque você trabalhou para ajudá-lo a custear os estudos de Medicina. vendo você. . prestes a saltar sobre a pres a. sua boneca bailarina.consegui dizer. Mexericos. Riu em tom baixo e sarcástico.comentou. forte. e nada que você p ossa dizer impedirá nosso casamento! Ela tornou a rir. como se tivesse pena de mim.ordenei furiosa. com mais dez por cento de juros . Júlia costumava dizer-me que ele. Meu Deus.. É honrado. a qualquer momento. mexericos: Paul jogando todo seu dinheir o fora com delinqüentes juvenis que se aproveitam de sua generosidade. Toda cheia de ino cência e sofisticação. uma cozinheira Ela riu alegremente. sem clientes! Ela esquentava os motores e eu temia que. aquela era a irmã de Paul. estendendo a mão pro nta para tocar-me o rosto. embora já tivesse ouvido outras pessoas di zerem que você era bastante bonita para fazer qualquer homem de tolo. como se realmente pudesse casar-se com você. Paul já se comportou antes como um asno. almiscarado.Não terá pele tão bonita ou tanto cabelo quando tiver cer ca de trinta e cinco anos. não entende que você está arruinando a carreira dele? Será bastante tola para pensar que o caso passou despercebido? Numa cidade do tamanho de Clair mont. Então. Interrompi acaloradamente: . e pode crer que não será a última mulher dele.Minha cara criança. .Uma pele tão imaculada.a.Menina boba! É a mesma coisa que dizem todos os homens casados à sua mais recente conquista.Sim. como sabem rir as mulheres cultas. Compre enda . Se ela o empurrou para outras mulheres. Ela sorriu com pena de mim. generoso. . compreendo o motivo. E também bonitas. com uma risadinha divertida. era uma governanta. e logo esta rá falido. seu rosto assumiu uma expressão im placável.portanto. embora não tenha bom senso. inteligentes. . . Ainda assim. todo o mundo sabe de tudo. tão firme.

elimina-se aquilo que ela mais ama. os olhos negros e bonit os brilhando de satisfação.Nunca tive uma garota novinha em folha como você. m e ame. . Contudo. eu detestava a bruxa vingativa . . . de certo modo. Sua única falha foi não lhe conseguir dar todo o sexo que ele desejava. Compreendo o raciocínio de Júlia. não fora Paul. Se você não aceitar depressa.É mentira! . . inexpressivos. .A propósito .consolou ela. Esfreguei os olhos como uma criança. cujo rosto aparecia sempre de per fil.nada neste mund o me levaria a matar uma criança! Não necessito tanto de vingança! . Cathy .Eu a amo. deitada numa cama de hospital.Todos os homens são animais e creio que ele nem lhe contou a verdade. então. afastando-me da mão grande que faiscava de brilhantes. .Gostei do espetácu lo. Nada significavam para mim.mas Paul impeliu-a a fazer aquilo. por favor. apertou-me tanto que pude sentir cada mús culo rijo dele.. saiu do camarim. saboreando a ocasião.replicou ela. na época. Júlia não está morta. continua a ser esposa le gal de meu irmão. Fazia tudo para agradá-lo. Enfiou-me na mão inerte vários instantâneos . felicitando-nos. S alve-se enquanto é possível. não entende que não pode casar com ele? Estou fazendo isto para o seu próprio bem. . aí s im. Pegue-o. Como conseguiria eu aprender a nadar num oceano de falsidade? Julian acompanhou-me à grande festa oferecida em nossa homenagem. afogando-me.Desejo-a tanto que não consigo dormi r de noite. . ou o tipo de sexo que ele queria e exigia. Quando se procura destruir emocionalmente uma pessoa. Oh! Que horror! .Ele se tortura.hosas que já existiram. se culpa. Com duas cabeças? T rês pernas? Oh! Deus!. Eu só conseguia pensar que Paul me mentira.fotos de uma mulher magra. . seu corpo e sua masculinidade se comprimia com força contra mim. Hordas de pessoa s nos rodeavam. minha criança.. . Você é uma bailarina maravilhosa. Não obstante. Cathy.. Pobrez inha! Não sabe que um D & C é um processo de aborto? Submergi em turbilhões de água escura. tecendo-nos elogios rasgados..mentiras odiosas mentiras! Nunca Julian se mostrara tão atencioso e delicado comigo. Colou-se a mim para dançar uma daquelas melodias lentas e antigas. Uma mulher arrasada pelo sofrimento. ficarei louco. o bebê-monstro que eu tanto temia! Mas Paul ainda nem me to cara. ..disse ela. Por favor. . eu vira muitas fotografias de Júlia para não reconhecê-la. não é mesmo? . você aparece e ele lhe põe um filho no ventre. sentindo-me uma criança num mundo adulto e louco ao fitar aquele rosto liso e tranqüilo.berrei.Consta dos registros do hospital .Não foi um aborto! Tive um D & C porque minhas menstruações não e ram regulares! .sussurrou-me ao ouvido. Admito que a maio ria dos homens casados têm casos extraconjugais. me ame. ele foi obrigado a procurar outras como você.Ele sofre.Concordo . afogando-me. deixando-me perdida num mar de sonhos desfeitos e afogando -me no desespero. talentosa.O que fez ele de tão terrível? Júlia afogou-lhe o filho de três anos . Júlia está morta. Não pense que a cidade inteira não tem conhecimento de seu aborto! Nós sabemos! Sabemos tudo! . . Está evide ntemente apaixonado por você. segura de si. me enganara. deixando-me as fotografias. Scotty era a coisa que Paul mais amava. Você é b onita.realmente a odiava.Não chore . Ela acariciou-me o ombro com ar maternal. . jovem. reassumindo o tom suave. . é sensacional. E aquele rapaz. Louca ou não. deseja ter o filho de volta. de aspecto di gno de piedade. Então.Paul não é casado. Vive numa instituição para doentes mentais onde P ul a internou depois que ela afogou Scotty. Os olhos muito abertos fixavam o espaço.. tomara-me sabe ndo que era casado . e viver em pecado com um homem casado é puro desperdício. mas não fazem o que ele fez! Agora.Você abortou um embrião com duas cabeças e três pernas: gêmeos que não se separaram adequadamente.disse a irmã de Paul. por mais mu dada que estivesse. Scotty era um menino tão belo e inteligente . As lágrimas toldavam-me a visão. Suicidou-se no dia em que matou Scotty. Enterrou o rosto em meu cabelo penteado para cima. É viúvo. e os cabelos escuros espalhavam-se como cordas sobre o travessei ro.O que Júlia fez foi uma loucura . Dei um arranco.Não.indagou ela.

Com que facilidade partira para uma viagem de segunda lua-de-mel. Eu ri. amor da minha vida.. beijando-nos e derramando lágrimas maternais. fora o que ele me dissera.Amará. perfeito como um Deus. Serão tão felizes juntos. Não apenas Ju lian se mostrava feliz e orgulhoso.Como pode saber? . . Nunca notou as olheiras que encovavam os olhos dos gêmeos. Eu não podia fugir. ou da minha. A fria e violenta torrente de água gelada provocou a formação de gelo nas as as do avião que me levava cada vez mais longe de todas as pessoas que eu amava.Meu bem. para fazer justiça a Julian. como um lobo faminto que pretende devorá-la. . a causa de tudo o que acontecera de errado? Onde? Ela chorava ao p ensar em nós ou. Este ficaria arrasado ao tomar conhecimento.. ela nem mesmo olhava para Carrie e Cory. Você disse sim e exigirei o cumprimento da promessa. os olhos negros suaves e brilhantes de amor e orgulho.. seria bem ao seu tipo: nunca assumir as patifarias que fiz era. os olhos negros brilhando e soltando centelhas. Parecia um sonho..repliquei com um prolongado bocejo. Nunca notava nada que não quer ia ver. .. deixandonos aos cuidados de uma avó impiedosa. que não cresciam por fal ta de cuidados. Serei um marido fantástico. e se eu lhe disser que não sou novinha em folha? . o mesmo fazia Madame Zolta. .disse eu. E havia também Chris. Trata-me como um menino pequeno num minuto e. eu não o amo. convicto.É o nosso dia de alegria! Juro que jamais se arr ependerá. mas. contando -nos o quanto se divertira! Enquanto nós. que sorria abert amente. com vontade de fugir dali e voltar correndo para Paul.De jeito nenhum. nunca r eparou como eram magros e raquíticos os seus membros.Sim . e o juiz de paz pronunciou as palavras que no s tornaram marido e mulher "até que a morte os separe".Se você me tiver por uma noite. .Seu rosto dançou à minha frente. Julian abraçou-me com força. Nunca amarei outra pessoa senão você. Esta noite e todas as noites pelo resto da sua vida. com todas as nossas bagagens já empilhadas nos táxis que l evariam a companhia até o aeroporto. . E naquela noite eu teria que dormir com um homem de quem nem gostava quando ele não estava no palco.Oh! Julian .Há algo escrito em meu rosto que afirme que ainda sou virgem? . Cathy. Mas meu irmão preferiria ver-me casada Com Julian e não com Paul. hesitei. Aq uele gelo começou a formar-se também em meu coração. então.Julian. vestindo uma fan tasia e representando o papel de príncipe. e voltara toda sorridente e feliz.. Catherine. Eles me dizem que você ainda não sabe o q ue é ser amada. . querida. A chuva continuava a cair incessantemente. vi-me casada com o único homem que eu jurara jamais permitir tocar-me intimamente. Vá embora. .Está bem . Onde estava o canto dos pássaros e o repicar d os sinos? Onde estava a grama verdejante e o amor que eu deveria sentir? Onde es tava minha mãe.Estou cansada e meio embria gada. Numa chuvosa manhã de sábado. Podia apenas dizer o que esperavam de mim e.Mas é! Sei que é! . não fique tão triste .segredou-me Julian qu ando o avião sobrevoava o Atlântico . ..Julian.Você me subestima. Encostei a cabeça no seu ombro e chorei como uma criança! Chorei por tudo que deveri a ter tido no dia de meu casamento.. ..mas apenas por uma noite. . Ao chegar minha vez de faz er os votos conjugais. dando-nos sua bênção. na cama ele era tudo o que se gabava de s . depois desta noite. Julian e eu estivemos na pretoria com nossos melhores amigos dando apoio moral. nunca mais me deixará sair de perto .disse ele. Entretanto.. rindo como se embriagada.. Es ta noite serei eu. . Deixe-me em paz. trancados num quarto.Seus olhos. limitava-se a rasgar meus bilhetes com os rec ortes de jornal? Sim. ainda assim. fôramos brutalizados e mal nutridos.advertiu ele . um casal tão lindo. temo que você não saiba muita coisa. .Julian. prognosticando o que encontraríamos pel a frente. menina.Agiu certo. Permita-me fazer-lhe amor e então com preenderá que jamais foi tocada antes por um homem. mais provavelmente. ainda assim.. no outro . mas lembrem-s e de não fazerem bebês! .

Sorriu e as lágrimas inundaram as profundas rugas em torno de seus olhos miúdos. tornem cada cena a mais romântica possível. prendi a respiração e a pertei com força a mão de Julian. até que ponto vocês tiveram intimidades? .Por que.Deixe-me entrar! Sei o que está fazendo! Por que tanto segredo? Não apenas isso..Vamos todos provar que os Estados Unidos também são capazes de produzir o melhor! Interrompeu-se.por tanto. . Enraiveci-me porque el e me obrigava a dar explicações quando eu não queria tocar no assunto. Então. mas Carrie adoeceu e começou a vomitar. entrarão para a história do Balé. mantenham a pureza da dança. . exceto durante o esforço da dança. me disse "sim"? Tato e sutileza nunca estiveram entre as minhas virtudes. que me obrigava a tomar banho o mais depressa possível para não morrer enregelada.. Cathy. a fim de tornar Madame Zolta famosa outra vez. se continuarem dessa forma.Amo tanto vocês todos. em Covent Gardens. e faça m-me orgulhosa de vocês! Estávamos decididos a dar o melhor de nós.insistiu Julian. e tentei apagar a idéia persistente de que acaba va de cometer o maior erro da minha vida. A essa altura. .Então. .Agora. tudo o que eu fizera. Sentia-me mais que disp osta a permitir que me possuísse. . Por que desejava escutar tudo outra vez? Engoli em seco.. quando vimos o teatro pela primeira vez. começamos a ens aiar sob as vistas do The Royal Ballet. Ele viu uma fruta apetitosa numa garota jov em e bonita. todas as atenções estarão voltadas para vocês . deixem-me sozinha. Antes que ele terminasse. meus pensamentos... O frio era perene. compartilhava o espaço com a companhia do Royal Ballet e. etc. Tomamos u m ônibus que deveria levar-nos à Flórida. O auditório em vermelho e dourado acomodava mais de duas mil pessoas.. . Logo verificamos que as coxias e os bastidores eram muito menos opulentos.er.Façam como sempre. Catherine... apertando-me num abraço de ferro. e acho que isto foi tudo. seus pais morreram num desastre de automóvel. O que aconteceu depois? .Sabe.Eu o amava e pretendia casar-me com ele. de modo que Chris. Creio que ele teve pena de nós. Natais. fracassei totalmente.. Sua faiscante série de balcões que se elevava até uma alta cúpula tend o no centro o desenho de um sol atordoou-me com seu esplendor de estilo antigo. Madame Zolta já nos dissera que o estilo deles era estritamente clássico. não nos deixando intimidar.repetiu ele lentamente. dando-nos as costas para impedir que lhe víssemos o rosto. mas dêem a ela sua própria interpretação. que comparava nosso estilo com o deles..soluçou... Acolheu-nos. Privacidade era algo d e que ele jamais ouvira falar e pelo que não tinha o menor respeito. Labirinto de Mentiras Antes que nossos organismos se adaptassem à diferença de fusos horários. Eu detestava o pa rco suprimento de água quente nos banheiros.. . . Mesmo quando eu estava no banheiro ele tinha que se fazer presente. afinal. sem deixar um centímetro quadrado inexplorado. . Carrie e eu fomos forçados a fugir. Esqueci-me de quem ele era e fingi que fosse outra pessoa quando seus beijos me percorriam o corpo..Há muito mais coisa que você não me conta! Embora eu já possa adivinhar o resto. Vocês dois juntos tocam-me o coração e fazem-me chorar. hem? . mas que nós deveríamos fazer tudo à nossa maneira. Julian mantinha-se grudado a mim. . como recém-casados. . não beijado o u não acariciado. eu o desejava. Julian. u ma enorme preta gorducha apareceu para conduzir-nos até seu filho médico. E durante todo o tempo. . E já cometera muitos erros. . O pior: não havia um estúdio para ensaios! Por mais que me esforçasse pa ra ver algo admirável nos encanamentos e instalações de calefação da Inglaterra. sem q uaisquer encantos em seus camarins apertados e um labirinto de minúsculos escritório s e oficinas.ind agava. O The Royal Opera House. por isso mostrou-se tão malditamente generoso.Isto foi tudo . eu já inve ntara uma estória plausível a respeito da lei exigir que fôssemos internados num orfan ato. mas ele queria infiltrar-se em minha mente e conhecer todo o meu passado. de modo que eu corria par a trancar a porta e deixava-o batendo pelo lado de fora. não como bailarina. Ensaiávamos até cairmos exauridos na ca ma. vão embora.Mas não se casou. mas como professora. tínhamos economizado algum dinheiro dos aniversários.

Mas não me pressione! Não me faça exigências. na verdade. . nenhum talento exceto fazer com que cada h omem se apaixonasse por ela . Não precisava ter acreditado em Amanda.. Pouco depois do primeiro dia da primavera. nada mudara . É prati camente um desconhecido para mim. no final. sempre perce bera as falhas de Mamãe. as azaléias que se espalhavam por toda parte num festival de cores viv as. minha raiva sumiu e permiti que Julian me tomasse nos braços. excitantes. Baixo u a cabeça para beijar-me o pescoço. Mais cedo ou mais tarde. Assim.. procurando a fac e azinhavrada.Jamais repita uma coisa dessas. A falha de Paul sempre me parecera culpa de Júlia. Virei-me e a bracei-o pelo pescoço.Eu a amo tanto. deixe simp lesmente que o amor venha chegando à medida que eu for conhecendo melhor você. Jule.não podia ser! Eu possuía talentos demais par a ser como alguém que não possuía nenhum. .. viajamos de avião até Clairmont e pegamos um táxi até à casa de Paul.. capaz de abandonar um homem sincero. Duvidava tanto de si mesmo! Oh! Deus! o que fizera eu? Qu e tipo de pessoa era eu. Agradeço-lhe por tentar amar-me. eu queria s er como Chris. A primavera ficara para trás.respondi furiosa. E eu era culpada de tudo. pendia o m usgo espanhol cinzento. eu fosse igual a Mamãe. pois vinha a fim de devastar a vida de um homem que não merecia ser magoado outra vez. fracassará. Eu pretendia levar Julian ao interior da casa. honrado e honesto.o parasita que terminar ia matando o hospedeiro. as glicínias q ue floriam. se tentar transf ormar-me no Príncipe Encantado que você deseja. as grandes magnólias prestes a florir . Gozado. embora já nos conheçamos há três anos. como você já sabe. Mais do que já desejei amar qualquer mulher. ele t eria que saber. acho que você talvez seja o tipo de mulher que coloca todos os homens que ama numa posição tão elevada que eles acabam desmoronando lá de cima.até mesmo meu casamento com Julian! Não me coloque . Você também colocou aquele s eu médico num pedestal. Eu não poderia passar o resto da vida magoando todas as pessoas que me conhe cessem. lembrei-me de C hris. Nunca ninguém me amou pelo que sou. . até Amanda vir-me contar aquela estória pavorosa. Ainda não vira algo mais belo. Mais uma razão para odiar Mamãe: fazer-me duvi dar de meu instinto! Muito depois que Julian voltou à calma. No fundo. Ao contrário de Chris.mas eu te mia a hora de regressarmos a Nova York. O clim a apenas me indicava o que viria pela frente. obse rvando minha imagem nos compridos rastros de gelo que marcavam as vidraças. não espere perfeição.. Durante quanto tempo eu poderia adiar o momento de dar a notícia a Paul? Não indefinidamente. ouviu? Julian soluçou como se eu lhe tivesse causado um ferimento horrível. Pro cure apenas amar-me e não dê importância às minhas características que não lhe agradam. para. Deus me livre se. Doeu-me escutar o temor em sua voz. estou comprometida e tentarei ser a m elhor esposa que me for possível.. Ele fez uma careta de dor.Você me perseguia o tempo todo! .. você terá que aprender a ignorar muitas falhas . Suspirei.mas não creio que possa! Cometemos um erro..e sobre todas as folhagens. E talvez eu lhe estivesse fazendo uma injustiça. como se o amor fosse. nos ja rdins de Paul. cansativas . Casei-me com você. Cathy. romântico e tristonhamente místico que um velho carvalho coberto por musgo espanhol . Olhei para os arbustos meticulosamente aparados em cones e esferas. Julian! Um err o horrível! . presa como sempre à areia movediça preparada por ela! Tudo era culpa dela . tanto por dentro quanto por f ora! Nossas semanas em Londres foram movimentadas.e isso não era talento ou inteligência! Não. Sempre virara as moedas mais brilhantes. e senti-me perdida mais uma vez.Fez-me acreditar que eu po deria aprender a amá-lo .. aparentemente. num pedestal. permaneci sentada em frente às janelas. darmos a notícia a Pa . criando nesgas de renda viva que davam ao ambiente um ar de névoa e cerração. Eu não possuía o dom de ignorar as falhas alheias. impossível caso eu ch egasse a conhecê-lo bem. como um amor que se apagasse até sufocar. eu não era como ela . Era o local de nossa libertação e. juntos.Cathy.Eu quero amar você.disse Julian. Só eu. embora diga que não me ama. Tenho pé de barro. e correr para jogar-me nos braços de alguém que eu suspeitava ser um brutamontes? Mamãe tinha uma propensão para agir impulsivamente e arrepender-se quando já era tarde demais. Parecia um menino pequeno implorando que o i mpossível acontecesse.

enquanto os dedos das mãos se distendiam e tornavam a cont rair-se em punhos cerrados. sonhando.. tentar ler-lhe os pensamentos. tinha necessidade de ver-l he o rosto. Cochilava. pr ocurar conhecer o máximo de lugares possível. me machuca! Parecia tão bonita. . . tentando adivinhar o que ele pensava.talvez comigo. O que houve? O horário ficou ap ertado demais? . E parece cansada. ele trazia no ros to a expressão de quem aguardava ansiosamente. . Concordando. Então. Livrou-se de meus braços e voltou a sentar-se junto à poltrona de Paul. Paul achou melhor esperarmos. Por algum motivo. seu blusão vermelho de vel udo piquê. Contudo. Naquela época.disse-me ele naquele seu jeito vagaroso e suave. Um tanto trêmula. . seu toque provocou-me arrepios que Julian era incapaz de causar. Julian simplesmente anuiu com a cabeça. Carrie sentara-se de pernas cruzadas no chão.. presu mi .Cathy. carinhoso. avancei para abrir a porta principal com minha chave. mas quando você não escre veu o Dr. Usava u m suéter branco com punhos e gola vermelhos e. acomodou-se na cadeira de balanço de vime pintad a de branco na qual encontráramos Paul cochilando naquela tarde de domingo. esqueceu-se de nós. Ele bocejou. O bigode parecia mais escuro e espesso . diante do aparelho de TV em cores e da lareira. Julguei que ele fosse di scutir. . então. Dormitando levemente. para variar. como se estudasse a maneira pela qu al uma mulher deve agir com o homem que ama.murmurou. Por que só nos enviou cartões postais? Não tev e tempo para escrever cartas compridas? Chris disse que você deveria estar muito o cupada.É você? Carrie escutou a pergunta.Você também parece mais magro . ou enviado um telegrama.Importa-se de esperar na varanda enquanto converso com Paul? . agora.indaguei.mas não pude. virou o rosto na minha direção. Mesmo dormindo. levantou-se de um salto e correu para mim. Ninguém me escutou abrir a porta. fitou-me estonteado. . enquanto Carrie permanecia calada no chão. o s pés descalços.Ai! Assim.Você parece diferente . Por que não telefonou ou telegrafou para avisar que esta va a caminho de casa? Eu iria buscá-la no aeroporto. Carrie . com o olhar fix o em Paul.respondi distraidamente. E não precisa da família qu ando está dançando. sempre necessitada de estar perto de alguém que a amasse. erguendo-a bem no alto.Catherine? . . erguendo a mão para tapar o s lábios. ao lado da poltrona. . Fiquei tão ocupada que nunca me sobrav . após sal tarmos do ônibus.Sofri quando parou de me escrever todos os dias. fresca e bem alimentada. Poderia te r telefonado antes. . Parecia uma linda bonequinha. Precisava sabe r se realmente lhe ferira o coração ou apenas magoara-lhe o ego e o orgulho. estava com quarent a e três. Não obstante.. Ninguém ouviu-me os passos no assoalho do vestíbulo. ao mesmo tempo. sobre ele.. observar-lhe os olhos. Suas pernas compridas apoiavam-se no banquinho. pressentira minha presença? As pálpebras se abriram com extrema lentidão.repliquei num sussurro rouco. Meus olhos voltaram mais uma vez a Paul.ul .. Os lábios de Paul apenas roçaram os meu s. Paul ergueu-se e caminhou para mim. Cobri-lhe o rostinho de beijos e abracei-a com tanta força que ela protestou: . É cansativo ter que dançar todos os dias e. por que ficou tanto tempo longe de casa? Esperávamos todos os dias e você nunca chegava! Começamos a fazer planos para o casamento. também se movimentava de um lado para outro. Abraçamo-nos e beijamo-n os.. A cabeça. A perda de peso caía-lhe melhor que em mim. fitando-me c om ar de censura. sabendo que já não me pertencia .. Paul tinha quarenta anos. .o bigode que ele deixara crescer só para me agradar. os tornozelos cruzados. Até mesmo seus pés cruzavam-se e descru zavam-se repetidamente. Es tava profundamente absorta em brincar com suas bonequinhas de porcelana. Não parava d e repetir meu nome quando a tomei nos braços.. Paul estava esparramado em sua poltrona predileta. Toquei-o de modo hesitante.Sim. o olhar preso ao meu.Mais ou menos isso.Perde u peso. não foi? Só quer saber de dançar. Como se eu não passasse de uma aparição. preciso de minha família. jogada para trás a fim de descansar no espalda r alto da poltrona.Oh! Cathy.

a tempo suficiente. - Fiz uma assinatura da Variety. - Oh!... foi tudo o que consegui dizer, rezando para que a revista não tivesse men cionado meu casamento com Julian. - Arvorei-me em seu serviço particular de recortar notícias, embora Chris também estej a compilando um álbum de recortes a seu respeito. Sempre que ele está em casa, compa ramos nossos recortes; se um de nós dois tem algo que o outro ainda não possui, mand amos tirar fotocópias. Interrompeu-se, como se intrigado por minha fisionomia, expressão, ou algo semelha nte. - As críticas são sensacionais, Catherine. Por que parece tão... tão... indiferente? - Estou cansada - como você mesmo disse - baixei a cabeça, sem saber o que dizer ou como enfrentar-lhe o olhar. - E como estão vocês? - Catherine, o que há? Parece tão esquisita. Carrie me olhava com atenção... como se Paul lhe houvesse expressado os pensamentos. Corri os olhos pela espaçosa sala cheia dos belos objetos colecionados por Paul. O sol atravessava as persianas de marfim e incidia sobre as miniaturas no alto éta gère com prateleiras de vidro, tendo ao fundo um espelho negro com veios de ouro, iluminado de cima a baixo. Como era fácil esconder-me olhando em volta, fazendo de conta que tudo estava bem, quando, na verdade, tudo estava errado. - Catherine, fale comigo! - exclamou Paul. - Há algo errado! Sentei-me, os joelhos fracos, um nó na garganta. Por que eu jamais conseguia fazer algo certo? Como fora ele capaz de mentir, iludindo-me, quando sabia que eu est ava farta de mentiras e falsidades? E, não obstante, como podia parecer ainda tão di gno de confiança? - Quando Chris estará em casa? - Na sexta-feira, para os festejos da Páscoa. Paul lançou-me um olhar prolongado e pensativo, julgando o fato estranho, pois ger almente Chris e eu mantínhamos constante contato. Naquele momento, Henny entrou pa ra cumprimentar-me com um grande abraço e um beijo... e não pude mais adiar... embor a encontrasse um meio de fazê-lo. - Paul, eu trouxe Julian para casa comigo... Está na varanda, esperando. Você se imp orta? Ele me olhou de forma muito esquisita e depois meneou a cabeça. - Claro que não. Mande-o entrar. Então, voltou-se para Henny: - Ponha mais dois lugares à mesa. Julian entrou e, segundo minhas instruções, não disse uma só palavra que revelasse nosso casamento. Havíamos ambos retirado as alianças, guardando-as nos bolsos. Foi a mais estranha e silenciosa das refeições; até mesmo quando Julian e eu distribuímos os prese ntes, a atmosfera se tornou mais tensa. Carrie limitou-se a fitar a pulseira de rubis e ametistas, embora Henny sorrisse largamente ao colocar no braço a pulseira de ouro maciço. - Muito obrigado pela bela miniatura de bailarina, Cathy - disse Paul, depositan do cuidadosamente meu presente sobre a mesa mais próxima. - Julian, poderia dar-no s, a Catherine e a mim, um minuto de licença? Gostaria de conversar com ela em par ticular. Pronunciou essas palavras no tom de um médico que requisita uma conversa em partic ular com o membro da família responsável por um paciente em estado crítico. Julian an uiu com a cabeça e sorriu para Carrie, que lhe devolveu um olhar raivoso. - Vou recolher-me - declarou ela com ar de desafio. - Boa-noite, Sr. Marquet. Não sei por que razão precisou ajudar Cathy a comprar-me esta pulseira, mas, de todo m odo, muito obrigada. Julian foi deixado na sala, assistindo à televisão, enquanto Paul e eu saíamos para pa ssear nos magníficos jardins. As árvores frutíferas já floresciam e as rosas de várias cor es que subiam pelas treliças brancas apresentavam um belo espetáculo. - O que há de errado, Catherine? - indagou Paul. - Você volta para minha casa em com panhia de outro homem, de modo que talvez nem seja necessário explicar. Sou capaz de adivinhar. Baixei depressa a mão para pegar a dele.

- Pare! Não diga nada! Com voz entrecortada, muito vagarosa, comecei a relatar a visita de sua irmã. Decl arei que, agora, tinha conhecimento de que Júlia continuava viva e, embora eu pude sse compreender as motivações de Paul, ele deveria ter-me contado a verdade. - Por que me induziu a acreditar que ela estivesse morta, Paul? Julgou-me tão infa ntil a ponto de não conseguir suportar a notícia? Se me tivesse contado, eu compreen deria. Eu o amava - jamais tenha a menor dúvida quanto a isso! Não me entreguei a vo cê por achar que lhe devia alguma coisa. Entreguei-me porque desejei dar-me, porqu e necessitava desesperadamente de você. Jamais pensei em casamento e estava muito feliz com o relacionamento que tínhamos. Seria sua amante pelo resto da vida - mas você devia ter-me contado a respeito de Júlia! Deveria conhecer-me o bastante para saber que sou impulsiva, que ajo sem pensar quando sou magoada... e fiquei terri velmente magoada naquela noite em que Amanda veio contar-me que sua esposa ainda estava viva! - Mentiras! - bradei. - Oh! como detesto os mentirosos! Você, dentre todas as pess oas no mundo, mentiu para mim! Excetuando Chris, não havia ninguém em quem eu confia sse mais que em você! Ele estacou, como eu. As estátuas nuas de mármore nos cercavam, parecendo zombar de nós. Riam do amor que fracassara. Agora, estávamos como elas: imóveis e frios. - Amanda - disse Paul, pronunciando o nome como se tivesse na boca algo amargo, que merecia ser cuspido longe. - Amanda e suas meias-verdades. Você me pergunta po r que... Então, por que não perguntou isso antes de... partir para Londres? Por que não me deu uma oportunidade de defender-me? - Como é possível defender mentira? - repliquei maldosamente, desejando magoá-lo tanto quanto fora magoada naquela noite, no momento em que Amanda se retirara do teat ro. Paul se afastou, encostou-se ao tronco de um velho carvalho e tirou do bolso um maço de cigarros. Tragou fundo, exalando lentamente a fumaça. Esta veio na minha dir eção, envolvendo-me a cabeça, o pescoço, o corpo e afugentando o aroma das rosas. - Lembre-se de quando chegou aqui - começou Paul, sem apressar-se. - Sentia-se mui to amargurada pela perda de Cory, sem falarmos no que sentia a respeito de sua mãe . Como poderia eu relatar-lhe minha sórdida história, quando você já passara por tanto s ofrimento? Como poderia eu prever que nos tornaríamos amantes? A mim, você parecia a penas uma bela criança assustada, embora me tenha tocado profundamente. Sempre me tocou de modo muito profundo. Como me toca agora, aí parada com esse olhar acusado r. Não obstante, tem razão: eu devia ter-lhe contado. Exalou um pesado suspiro. - Eu lhe contei a respeito do dia em que Scotty completou três anos e Júlia o levou até o rio, segurando-o sob a água até matá-lo por afogamento. Mas não lhe contei que ela c ontinuou viva... Toda uma equipe médica trabalhou nela durante horas a fio, procur ando tirá-la da coma, mas não foi possível. - Coma? - murmurei. - Ela continua viva... e ainda em coma? Ele sorriu com grande amargura e, depois, ergueu os olhos para a lua, que também p arecia sorrir sarcasticamente. Então, voltou a cabeça e encarou-me. - Sim, Júlia permaneceu viva, o coração batendo. Antes de você e seus irmãos chegarem à minh a casa, eu ia visitá-la diariamente numa instituição particular. Sentava-me ao lado de sua cama, segurando-lhe a mão, forçando-me a olhar para o rosto abatido e o corpo e squelético... Era o melhor meio de atormentar-me e tentar lavar-me do remorso que sentia. A cada dia, vi-lhe os cabelos ficarem mais ralos - as fronhas, cobertas, tudo enfim, cheio de cabelos, enquanto Júlia definhava diante de meus olhos. Esta va ligada a tubos que lhe auxiliavam a respiração, além de um tubo que a alimentava in travenosamente pelo braço. Suas ondas cerebrais eram nulas, mas o coração continuava a pulsar. Mentalmente, estava morta; fisicamente, vivia. Se algum dia saísse da com a, nunca mais conseguiria falar, movimentar-se ou mesmo pensar. Tornara-se uma m orta-viva aos vinte e seis anos de idade, a partir do dia em que levara meu filh o ao rio para afogá-lo em água rasa. Era-me difícil acreditar que uma mulher que amass e tanto o filho fosse capaz de afogá-lo sentindo-o debater-se para sobreviver... e , não obstante, ela o fez apenas para vingar-se de mim. Parou de falar, bateu a cinza do cigarro e tornou a olhar para mim. - Júlia me lembra sua mãe: ambas são capazes de tudo, desde que se sintam justificadas

. Suspirei, Paul suspirou, as flores também suspiraram. Creio que as estátuas de mármore nos imitaram igualmente os suspiros, apesar de serem incapazes de compreender a condição humana. - Quando viu Júlia pela última vez, Paul? Ela não tem a mínima possibilidade de recobrar -se totalmente? Comecei a chorar. Paul tomou-me nos braços, beijando-me o alto da cabeça. - Não chore por ela, minha bela Catherine. Tudo acabou para Júlia, agora, afinal, el a descansou. Morreu menos de um mês depois que nos tornamos amantes. Simplesmente partiu, tranqüila. Lembro-me de que, na ocasião, você me olhava como se pressentisse a lgo errado comigo. Não foi por amá-la menos que me senti obrigado a retrair-me e ana lisar-me. Foi uma mescla dolorosa de remorso e tristeza por alguém tão doce e linda como Júlia, a minha namorada de infância, ter que abandonar esta vida sem experiment ar ao menos uma vez todas as coisas belas e maravilhosas que ela nos tem a ofere cer. Tomou-me o rosto entre as mãos e enxugou-me as lágrimas com beijos cheios de ternura . - Agora, sorria e diga-me as palavras que lhe vejo nos olhos: diga-me que me ama . Quando trouxe Julian consigo para casa, julguei que tudo acabara entre nós, mas agora posso perceber que jamais acabará. Você me deu o que tem de melhor dentro de s i e sei que mesmo quando estiver a milhares de quilômetros, dançando com homens mais bonitos e mais jovens que eu... será fiel a mim como eu serei a você. Faremos tudo dar certo porque duas pessoas que se amam sinceramente sempre podem superar todo s os obstáculos, quaisquer que estes sejam Oh!... como poderia eu contar-lhe agora? - Júlia morreu? - indaguei com voz trêmula, profundamente chocada, odiando Amanda e a mim mesma. - Amanda mentiu... Ela sabia que Júlia morrera e, ainda assim, foi a Nova York contar-me uma mentira? Oh! Paul, que tipo de mulher ela é? Ele me abraçou com tanta força que as costelas me doeram, mas, a despeito da dor, ma ntive-me agarrada a ele, pois sabia que aquela era a última vez que poderia fazê-lo. Beijei-o com violência e paixão, sabendo que jamais tornaria a sentir-lhe os lábios n os meus. Ele riu, cheio de júbilo, sentindo todo o amor e paixão que eu nutria por e le. Então, numa voz mais despreocupada e feliz, explicou: - Minha irmã sabia quando Júlia morreu, pois compareceu ao enterro, embora se recusa sse a falar comigo na ocasião. Agora, por favor, pare de chorar. Deixe-me enxugarlhe as lágrimas. Usou o lenço para secar meu rosto e os cantos dos olhos. Depois, entregou-o a mim para assoar o nariz. Agi como criança, a criança impulsiva e impaciente que Chris me advertira que não fosse - e traí Paul, que confiava em mim. - Ainda não consigo compreender Amanda - lamuriei-me dolorosamente, continuando a adiar o momento da verdade que me sentia incapaz de enfrentar. Paul abraçou-me, acariciando-me as costas e os cabelos, enquanto eu o enlaçava pela cintura, fitando-lhe o rosto. - Querida Catherine, por que está com aparência tão esquisita e age de modo tão estranho ? - indagou ele com a voz de volta ao normal. - Nada que minha irmã diga pode impe dir-nos de gozar os prazeres que a vida nos oferece. Amanda deseja expulsar-me d e Clairmont. Quer apoderar-se desta casa, a fim de dá-la ao filho. Portanto, faz o possível para arruinar-me a reputação. Desenvolve grande atividade social e enche os ouvidos das amigas com calúnias a meu respeito. E se existiram mulheres antes de Júl ia afogar meu filho, isto foi lição suficiente para me fazer mudar de procedimento. Não existiu mulher nenhuma até você! Até mesmo ouvi boatos a respeito de Amanda ter espa lhado pela cidade que engravidei você e que a D & C foi, na verdade um aborto. Com o está vendo, aquela mulher vingativa é capaz de tudo! Agora, era tarde - tarde demais. Paul tornou a me pedir que parasse de chorar. - Amanda - disse eu, com esforço, prestes a perder o controle. - Ela afirmou que u ma D & C era o mesmo que um aborto. Declarou que você guardara o embrião e que este possuía duas cabeças. Vi aquilo num vidro, em seu consultório. Como pôde guardar tal coi sa, Paul? Por que não a enterrou? Um bebê monstruoso! Não é justo... não é... por quê? Paul gemeu, passando a mão nos olhos para negar depressa tudo aquilo. - Eu seria capaz de matá-la por lhe dizer isso! É mentira, Catherine! É mentira!

- É mesmo mentira? Bem sabe que o feto poderia ser meu. Em nome de Deus! Chris não s abe... ele não mentiu para mim, não é? Paul pareceu frenético ao negar tudo e tentou abraçar-me outra vez, mas recuei de um salto e estendi os braços para mantê-lo a distância. - Existe em seu consultório um vidro contendo um feto desse tipo! Eu vi! Oh! Paul, como foi capaz? Você, dentre todas as pessoas, guardar uma coisa como aquela! - Não! - protestou ele, de imediato. - Deram-me aquilo há muitos anos, quando eu cur sava a faculdade de medicina... uma espécie de pilhéria... Os acadêmicos de medicina e stão sempre fazendo brincadeiras que as pessoas normais considerariam macabras. Di go-lhe a verdade, Catherine: você não abortou! Então, calou-se bruscamente. Meus pensamentos rodavam num tumulto. Eu me traíra! Com ecei a chorar. Chris, Chris, era um bebê, um monstro, como temíamos! - Não! - repetiu Paul várias vezes. - Não era seu e, mesmo que fosse, não faria a menor diferença para mim. Sei que você e Chris se amam de um modo muito especial. Sempre s oube, e compreendo. - Uma vez - murmurei por entre soluços. - Apenas uma vez, numa noite terrível. - Sinto muito que tenha sido terrível. Então, olhei para o rosto de Paul, maravilhando-me de que ele pudesse encarar-me c om tanta ternura e respeito, mesmo conhecendo a verdade toda. - Paul - murmurei, trêmula e tímida. - Foi um pecado imperdoável? - Não... eu diria que foi um compreensível ato de amor. Abraçou-me, beijou-me, acariciou-me as costas e começou a falar dos planos para noss o casamento. - ...Chris levará você ao altar e Carrie será a dama de honra. Chris se mostrou muito hesitante, recusando-se a encarar-me quando discuti o assunto com ele. Declarou que não a julgava bastante amadurecida para enfrentar um casamento complicado como será o nosso. Sei que não será fácil para você, nem para mim. Você viajará pelo mundo, dança com homens jovens e bonitos; contudo, espero ansiosamente por uma oportunidade para acompanhá-la numa dessas viagens. Será inspirador e excitante ver-me como marid o de uma prima ballerina. Por falar nisso, eu poderia até mesmo ser o médico da comp anhia de balé. Sem dúvida, os bailarinos necessitam ocasionalmente dos serviços profis sionais de um médico, não é mesmo? Senti-me morta por dentro. - Paul - comecei, atordoada. - Não posso me casar com você. Então, bastante fora do contexto, prossegui: - Sabe, não foi estupidez de mamãe esconder nossas certidões de nascimento no forro da quelas maletas? Ela não fez o serviço direito e os forros se rasgaram permitindo que eu encontrasse os documentos. Sem a certidão de nascimento, eu não poderia requisit ar um passaporte; sem ela, também não conseguiria provar que tinha idade suficiente para solicitar uma licença de casamento. Compreenda: poucos dias antes de partirmo s para Londres, fizemos os exames de sangue exigidos por lei, Julian e eu; a cer imônia do casamento foi muito simples, com a presença de Madame Zolta e outros membr os da companhia. Até mesmo quando pronunciei os votos conjugais, jurando fidelidad e a Julian, eu estava pensando em você... em você e em Chris... detestando-me e sabe ndo que estava agindo errado. Paul não disse uma palavra. Recuou como se tivesse levado um golpe na cabeça e depoi s cambaleou até deixar-se cair num banco de mármore. Por algum tempo, limitou-se a f icar sentado imóvel. Então, apoiou a cabeça nas mãos, escondendo o rosto. Fiquei em pé enquanto ele permanecia sentado. Paul perdeu-se em algum lugar de sua própria mente, enquanto eu aguardava que ele voltasse a si e começasse a brigar com igo. Todavia, quando falou, sua voz foi macia como um sussurro: - Venha sentar-se perto de mim por algum tempo. Segure minha mão. Dê-me tempo para e ntender que está tudo acabado entre nós. Fiz-lhe a vontade. Segurei-lhe a mão e ambos fitamos o céu estrelado, onde também havi a nesgas de nuvens negras. - Nunca mais ouvirei seu tipo de música sem me lembrar de você... - Perdoe-me, Paul! Quem me dera ter dado ouvidos ao meu instinto, que me dizia q ue Amanda mentia. Mas a música também tocava no lugar onde eu me encontrava; você esta va tão distante e Julian tão perto de mim, implorando, dizendo-me que me amava e que precisava de mim. Então, convenci-me de que você não gostava realmente de mim. Não supo

. onde lhe disse q ue seu pai estava doente e prestes a morrer.O que vou fazer? Estou casada com Julian e não posso ped ir o divórcio. Então.Escute! . Agora. A notícia de meu casamento com Julian! . não ama? O seu doutor não pode est ar realmente magoado. comecei a chorar baixinho.. . mesmo que corresse atrás dele. levantei-me de um pulo e corri para dentro de casa. Carrie é como se fosse do meu próprio sangue. Tudo correrá bem Você verá. muito bem! Amores Demais para Perder Surda e petrificada como uma das estátuas de mármore de Paul. forte.indagou ele.Henny! . creia-me! Henny sacudiu os ombros largos.Sinto-me muito feliz por saber que Julian a ama . Catherine! Não me acompanhe! Você agiu corretamente . com sua mímica rápida como o raio. Mostre belo sorriso e desça para pegar a mão do novo marido. Mãos escuras.gritei.Georges está doente? . sobreviverá à decepção. Então.É mesmo tão grave assim? Eu sempre tivera a impressão de que Julian não ligava muito para o pai. Deitei-me de bruços em minha cama e chorei com o rosto no travesseiro até que Henny entrou no quarto. você me tirou a esposa que eu sonhava ter um dia e agora está querendo leva r minha filha. . rev elou que seu filho-doutor estava arrumando as malas para uma viagem e eu deveria ficar na casa. Enxugue as lágrimas.O que lhe diz ela? . mais ou menos para saber notícias de Julian e você. .Cathy. não chore mais.disse Paul. aborrecido. Julian saiu da casa para sentar-se a meu lado. E acho melhor saberem que o pai de Julian está muito. Henny apareceu na varanda e.lamuriei-me. Voltarei antes de vocês parti rem.Irmã mais velha sempre criou dificuldades. ele depende de mim. . Um homem já sofre. Naquele momento. . sentei-me na varanda e fitei o céu noturno que se tornava tempestuoso com nuvens negras. Mordeu nervosamente o lábio inferior. Segui as instruções de Henny e juntei-me a Julian na sala de estar. levantou-se depressa e partiu em direção à casa. Seu rosto pálido ficou ainda mais bra nco. Cathy. faça o favor de retirar-se e não me obrigue a dizer coisas das quais talvez eu me arrependa. Então. . Em seus braços. Falo u-me por meio de gestos e.ordenei. de modo que você nunca mais precisará ver minha ca ra! Paul virou-se para lançar-me um olhar prolongado e cheio de amargura. não adianta fazer dois sofrerem Doutor homem bom. . mas procuro visitá-lo sempre que possível. em passos tão longos e rápidos que e u jamais conseguiria acompanhá-lo.e não precisa dizer-me que eu deveria ter mais juízo: já s ei disso.Diabo! É como ouvir alguém f alar um idioma desconhecido. Os úmidos olhos castanhos de Henny diziam o que sua língua não conseguia falar. Levarei Carrie comigo. nunca se adap tará a seu tipo de vida.Por quê? .Não tem motivo para partir! Esta casa é sua! Eu ir ei embora. tirou do bolso do avental um recorte do jorna l local.nunca tenha a menor dúvida a respeito! Fui um velho tolo. tratou-me de modo muito bondoso e disse-me que viesse aqui para reconfortá-la. afinal. enquanto con tinuava a enfiar as camisas na mala.rto viver sem alguém que me ame. Além disso. Deixe-a ficar comigo e Henny. . metendo-m e a brincar com uma jovem . Sinto-me tão ignorado! . Talvez vocês não saibam que ele sofre há muitos anos de uma moléstia renal e se e ncontra num aparelho de diálise há vários meses.quis saber Julian. onde este jogava roupas numa mala aberta em cima da cama. Paul entrou na sala com as malas e se . Mas jovem dançarino talvez não so breviva. angustiada. galgando a escada como se voasse. muito doente. de modo que me surpreendi com sua reação. Entrei no quarto de Paul.Não diga mais uma só palavra! Deixe-me em paz. . fortes e maternais deram-me palmadinhas nas costas . . Não creio que tenha muito tempo de vida . indicando que as pessoas eram tão complexas para e la quanto para mim. movimentou rapidamente as mãos: . .Fique aqui e espere! . Não é meu cliente. Naquele momento.Você me ama um pouquinho.Sim..

ofereceu para levar-nos ao hospital. - E não se esqueçam: minha casa tem muitos quartos e não há o menor motivo para que vocês dois cheguem a pensar em ir para um hotel. Fiquem pelo tempo que quiserem. Volta rei dentro de alguns dias. Tirou o carro da garagem a fim de que Julian e eu pudéssemos embarcar no banco dia nteiro. Quase não falamos até que Paul nos deixou à porta do hospital. Tristonha, hesi tei nos degraus, observando o carro de Paul afastar-se. Haviam instalado Georges num quarto particular e Madame Marisha lhe fazia compan hia. Quando vi Georges na cama, prendi a respiração! Oh! ficar assim! Estava tão magro que já parecia morto. O rosto tinha uma palidez acinzentada e todos os ossos se m ostravam salientes, parecendo picos escarpados sob a pele fina. Madame Marisha e stava encolhida ao lado do marido, fitando-lhe o rosto descarnado, implorando co m os olhos, ordenando-lhe que continuasse vivo! - Meu amor, meu amor, meu amor - repetia, como se acalentasse um bebê. - Não vá, não me deixe sozinha. Ainda temos tanto para fazer, para experimentar... Nosso filho te m que ser famoso antes de você morrer... Agüente firme, meu amor, agüente firme... Só então Madame Marisha ergueu os olhos e nos avistou. Com a mesma autoridade de sem pre, repreendeu: - Muito bem, Julian, até que enfim você veio! Depois de todos os telegramas que lhe mandei! O que fez deles? Rasgou-os e continuou a dançar, como que nada além disso te nha importância? Empalideci, muito espantada, e olhei de Julian para Madame. - Minha querida mãe - replicou Julian friamente. - Estávamos cumprindo um contrato d e temporada, como você bem sabe. Tínhamos assumido compromissos e, portanto, minha e sposa e eu tratamos de honrá-los. - Seu bruto desalmado! - rosnou ela, fazendo um gesto para que Julian se aproxim asse. - Agora, diga algo bom e carinhoso para aquele homem na cama - sibilou ela num sussurro. - Senão, juro por Deus, farei com que deseje nunca ter nascido! Julian encontrou grande dificuldade para fazer o esforço de aproximar-se da cama tanto, na verdade, que fui obrigada a empurrá-lo enquanto Madame Marisha soluçava n um punhado de lenços de papel cor-de-rosa. - Olá, Papai - foi tudo que Julian conseguiu dizer, acrescentando: - Sinto muito q ue esteja tão doente. Voltou depressa para junto de mim, abraçando-me com força; senti-o tremer da cabeça ao s pés. - Veja, meu amor, meu querido, minha vida - tornou a acalentar Madame Marisha, d ebruçando-se outra vez sobre o marido e alisando-lhe os cabelos negros lisos e úmido s. - Abra seus queridos olhos e veja quem viajou de avião milhares de quilômetros pa ra estar a seu lado. O seu Julian e a esposa. Viajaram imediatamente de Londres quando foram informados de que você estava doente. Abra os olhos, meu coração, para vê-l o outra vez, para vê-los juntos, um belo casal de noivos... por favor, meu amor, a bra os olhos, veja-os... Sobre a cama, a caricatura pálida e esquelética de um homem entreabriu os olhos escu ros, que se movimentaram devagar, procurando focalizar-se em nós. Estávamos junto ao s pés da cama, mas ele pareceu não nos enxergar. Madame Marisha levantou-se a fim de empurrar-nos para mais perto do marido e depois segurou Julian, impedindo-o de recuar. Georges abriu um pouco mais os olhos e mostrou um leve sorriso. - Ah! Julian - suspirou. - Obrigado por vir. Tenho tanto a lhe dizer... coisas que deveria ter dito antes... Perdeu o fôlego momentaneamente e gaguejou: - Eu deveria... Então, interrompeu-se. Aguardei que continuasse - e fiquei aguardando. Vi seus olh os se abrirem totalmente, esgazeando-se e tornando-se vidrados. Sua cabeça ficou t otalmente imóvel. Madame Marisha gritou! Um médico e uma enfermeira chegaram corrend o e nos forçaram a sair do quarto. Então, cuidaram de Georges. Formamos um pequeno grupo digno de pena no corredor em frente ao quarto de Georg es. Pouco tempo depois, o médico grisalho saiu para dizer que sentia muito, mas ha viam feito todo o possível. Tudo terminara. - É melhor assim - acrescentou. - A morte pode ser uma boa amiga para os que sofre m muito. Espanto-me de que ele tenha suportado tanto tempo...

Olhei fixamente para Julian. Podíamos ter regressado antes. Mas Julian assumiu um ar inexpressivo e se recusou a falar. - Ele era seu pai! - berrou Madame Marisha, com as lágrimas correndo pelo rosto. Sofreu durante duas semanas, esperando ver você antes de se deixar morrer e escap ar do inferno da vida! Julian girou nos calcanhares, o rosto pálido avermelhado de fúria, e replicou: - Madame Mãe, diga apenas o que meu pai me deu! Para ele, eu era simplesmente a su a continuação! Tudo o que ele foi para mim não passou de um professor de balé! Ensaie, d ance - era tudo o que ele me dizia! Jamais conversou sobre o que eu desejava além do balé; pouco ligava ao que eu desejasse ou necessitasse fora do balé! Eu queria qu e ele me amasse pelo que eu era; desejava que visse em mim um filho, não um bailar ino! Eu o amava; queria que ele percebesse e que dissesse que retribuía meu amor.. . mas ele nunca o fez! Por mais que eu tentasse dançar com perfeição, ele jamais me el ogiou, pois nunca fui capaz de apresentar-me como ele o fazia quando tinha minha idade! Eis o que eu era para ele: alguém que calçasse suas sapatilhas e desse conti nuação à sua fama! Mas, a despeito de vocês dois, tenho meu próprio nome, devidamente lega lizado: Julian Marquet - e não Georges Rosencoff! Portanto, o nome dele não sobreviv erá para roubar-me a fama que conseguirei sozinho! Naquela noite, tomei Julian nos braços, compreendendo-o como nunca o entendera ant es. Quando ele deixou de resistir e começou a chorar, chorei com ele por um pai qu e ele declarava desprezar mas, no fundo, amava. E, lembrando-me de Georges, refl eti o quanto era triste que tivesse tentado, tarde demais, dizer ao filho o que já lhe devia ter dito havia muitos anos. Assim, regressamos de uma lua-de-mel durante a qual conseguíramos uma certa dose d e fama e publicidade, além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, para comparec ermos ao funeral de um pai que jamais tomaria conhecimento das realizações do filho. Toda a glória de Londres parecia-lhe agora envolta numa névoa fúnebre. Madame Marisha estendeu os braços para mim quando a cerimônia se encerrou à beira do túmulo. Tomou-me nos braços magros como outrora devia ter abraçado Julian. Ficamos enlaçadas numa espécie de transe hipnótico, ambas chorando. - Seja boa para meu filho, Catherine - pediu-me ela, soluçando e fungando. - Tenha paciência com ele quando se portar como um selvagem. Julian não teve uma vida fácil, pois grande parte do que diz é verdade. Sempre se sentiu colocado em competição com o pai e nunca conseguiu sobrepujar a capacidade deste. Agora, vou dizer-lhe uma co isa: o meu Julian nutre por você um amor quase sagrado. Julga que você foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e, para ele, você não tem defeitos. Se tiver, escond a-os. Num espaço de apenas poucos meses, apaixonou-se e desapaixonou-se uma centen a de vezes. Você o frustrou durante anos. Portanto, agora que ele é seu marido, dê-lhe generosamente todo o amor que lhe foi negado, pois não sou uma mulher expansiva. Sempre desejei ser, mas, de algum modo, nunca consegui humilhar-me e ser a prime ira a tocá-lo. Toque-o com freqüência, Catherine. Segure-lhe a mão quando ele fizer menção d e afastar-se e emburrar-se. Compreenda por que motivo ele é instável e ame-o três veze s mais por causa disso. Dessa forma, extrairá dele o que possui de melhor, pois Ju lian tem qualidades admiráveis. Tem que ter, pois é filho de Georges. Beijou-me, despediu-se e fez-me prometer visitá-la muitas vezes em companhia de Ju lian. - Arranjem um cantinho para mim em suas vidas - pediu-me com um ar tristonho que lhe alongava o rosto e ensombrecia os olhos. Entretanto, quando prometi e virei o rosto, Julian nos observava com um olhar du ro. Chris voltou para casa nos feriados da Páscoa e cumprimentou Julian sem entusiasmo . Percebi que Julian o observava com olhos semi-cerrados, cheios de suspeita. Tão logo Chris e eu ficamos a sós, meu irmão berrou: - Você se casou com ele? Por que não pôde esperar? Como pôde ter tanta intuição quando estáva os presos e ser tão idiota agora, que estamos em liberdade? Eu estava errado em não querer que se casasse com Paul apenas porque ele é muito mais velho que você! E conf esso que sentia ciúmes, não querendo que você se casasse com ninguém. Sonhava que você e e u... Bem, você sabe o que eu sonhava. Mas se tinha que haver uma escolha entre Pau l e Julian, que fosse Paul! Foi ele quem nos acolheu, deu-nos alimentos e roupas ; é ele quem nos dá tudo o que podemos desejar neste mundo. Não gosto de Julian. Ele a

destruirá. Hesitou, virando-se de costas para esconder o rosto. Tinha vinte e um anos e com eçava a assumir a força viril de um homem adulto. Nele eu via muito de nosso pai - e também de nossa mãe. E, quando queria, eu era capaz de torcer as coisas em meu prov eito, de modo que pensei que, sob certos aspectos, Chris era mais semelhante a M amãe que a Papai. Comecei a dizer isto, mas também perdi o rumo e me calei, pois não p oderia dizer tal coisa a meu irmão. Este nada tinha de semelhante à nossa mãe! Chris e ra forte... ela era fraca. Chris era nobre; ela não possuía o mínimo senso de honradez . - Chris... não dificulte as coisas para mim. Sejamos amigos novamente. Julian é esqu entado e arrogante, e mais uma porção de coisas que irritam a gente à primeira vista. No fundo, porém, não passa de um menino. - Mas você não o ama - replicou Chris, sem me encarar. Julian e eu partiríamos dentro de poucas horas. Convidei Carrie a vir morar conosc o em Nova York, mas ela perdera a confiança em mim. Eu a traíra muitas vezes e ela d eixou isto bem claro: - Cathy, volte para Nova York, onde neva o tempo todo, os assaltantes atacam as pessoas no parque e os assassinos pegam suas vítimas no metrô mas deixe-me aqui! Ant es, eu queria ficar sempre perto de você - agora, pouco me importo com isso! Você pa rtiu e se casou com aquele tal Julian de olhos negros, quando poderia tornar-se esposa do Dr. Paul e ser minha mãe de verdade! Eu me casarei com ele! Se julga que ele não me aceitará porque sou muito pequena, está muito enganada. Você acha que ele é ve lho demais para mim, mas eu nunca conseguirei arranjar alguém para casar-se comigo , de modo que ele ficará com pena e me aceitará como esposa. Teremos seis filhos. Es pere e verá! - Carrie... - Cale a boca! Não gosto de você, agora! Vá embora! Fique longe daqui! Dance até morrer! Chris e eu não queremos você! Ninguém aqui quer você! Aquelas palavras, pronunciadas aos berros, me feriram! A minha Carrie, gritandome que fosse embora, quando eu fora como uma mãe para ela durante a maior parte de sua vida. Então, virei-me para olhar Chris, que se postara junto às roseiras, os om bros caídos, tendo nos olhos Oh! aqueles olhos tão azuis... a expressão que sempre me acompanharia. Nunca, jamais seu amor me libertaria para amar sem reservas outro homem - pelo menos, enquanto ele continuasse a amar-me. Uma hora antes de termos que partir para o aeroporto, o carro de Paul entrou pel a alameda de acesso à casa. Ele sorriu para mim como sempre costumava fazer, como se nada houvesse mudado entre nós. Contou a Julian algo a respeito de um congresso médico que o mantivera afastado de casa, acrescentando que se sentia profundament e entristecido com a notícia da morte de Georges. Apertou a mão de Chris e deu-lhe c alorosas palmadas nas costas, da maneira como os homens costumam demonstrar afeição mútua. Cumprimentou Henny, beijou Carrie, dando-lhe uma caixa de balas, e só então olh ou para mim. - Olá, Cathy. Aquilo me disse muita coisa. Eu já não era Catherine, uma mulher a quem ele era capa z de amar de igual para igual; retroagira à posição de uma filha. - Cathy, vocês não podem levar Carrie para Nova York. O lugar dela é aqui, comigo e He nny, de modo que possa rever periodicamente o irmão. Além disso, eu não gostaria que e la trocasse de escola. - Eu não abandonaria vocês por nada deste mundo - declarou Carrie fielmente. Julian subiu para terminar de arrumar suas bagagens e atrevi-me a seguir Paul até o jardim, a despeito do olhar proibitivo de Chris. Paul, ainda usando o terno el egante, apoiara um joelho na terra para arrancar algumas ervas daninhas que alguém esquecera de limpar. Levantou-se depressa ao escutar meus passos e limpou as ca lças. Então, fitou o espaço, como se a última coisa que desejasse neste mundo fosse olha r para mim. - Paul... hoje seria o dia de nosso casamento. - É mesmo! Esqueci-me. - Não se esqueceu - repliquei, aproximando-me dele. - O primeiro dia da primavera, um novo início, foi o que você disse. Sinto muito ter estragado tudo. Fui uma idiot a por acreditar em Amanda. Fui duas vezes idiota por não haver esperado para conve

rsar com você antes de me casar com Julian. - Não falemos mais no assunto. Tudo acabou, em definitivo - disse ele com um pesad o suspiro, avançando voluntariamente para tomar-me nos braços. - Cathy, parti para f icar sozinho. Quando você perdeu a fé em mim, voltou-se impulsivamente, mas com sinc eridade, para o homem que a ama há alguns anos. Qualquer pateta que não seja cego se ria capaz de perceber o fato. E, se é capaz de ser franca consigo mesma, admita qu e está apaixonada por Julian durante quase o mesmo tempo que ele a ama. Acredito q ue você tenha guardado seu amor por ele numa prateleira por pensar que me devia... - Pare com isso! Amo você e não ele. Sempre amarei você! - Está totalmente confusa, Cathy... Você me quer, mas quer Julian; deseja segurança, m as também deseja aventura. Julga que pode ter tudo, mas está enganada. Há muito tempo eu lhe disse que a primavera não combina com o outono. Fizemos e dissemos um bocad o de coisas para convencer-nos de que a diferença de idade entre nós nada significa; mas ela é importante. E não se trata apenas da diferença de idade, mas também do espaço q ue nos separaria. Você estaria dançando em alguma parte do mundo enquanto eu permane ceria aqui, enraizado e ocupado. Ficaríamos juntos apenas algumas semanas por ano. Em primeiro lugar sou médico, depois marido. Mais cedo ou mais tarde você descobrir ia o fato e, eventualmente, voltar-se-ia para Julian. Sorriu e beijou com ternura as lágrimas que eu já derramara. Em seguida, disse-me qu e o destino sempre distribui as cartas certas. - E ainda nos veremos. Não nos perdemos um do outro para sempre. Além disso, ainda t enho a lembrança de como tudo foi maravilhosamente doce e excitante entre nós. - Você não me ama! - gritei acusadoramente. - Nunca me amou, ou não estaria aceitando a situação com tanta calma! Ele riu baixinho e acalentou-me nos braços, como um pai. - Querida Catherine, minha bailarina de sangue quente, que homem não a amaria? Com o pôde aprender tanto a respeito do amor trancada num sótão úmido e escuro? - Nos livros - respondi. Mas as lições que aprendera não vinham dos livros. Paul enfiou os dedos em meus cabelo s, mantendo os lábios próximos aos meus. - Jamais me esquecerei do melhor presente de aniversário, que já recebi - disse ele, com o hálito quente em meu rosto. Fez uma pausa. - Agora, eis como será daqui por diante - declarou em tom firme. - Você e Julian reg ressarão a Nova York, onde você será para ele a melhor esposa possível. Ambos farão das tr ipas coração para incendiarem o mundo com sua dança. E você tem que decidir nunca mais o lhar para trás com arrependimento. Esqueça-se de mim. - E você? ... O que será de você? Ele ergueu a mão e alisou o bigode. - Ficaria espantada se soubesse o que este bigode fez em favor do meu sex appeal . Nunca mais o rasparei. Rimos. Um riso verdadeiro, sem fingimento. Então, tirei do dedo o anel de brilhant e de dois quilates e tentei devolvê-lo a Paul. - Não! Absolutamente. Quero que fique com o anel. Guarde-o para empenhá-lo quando ou se vier a precisar de um pouco de dinheiro extra. Julian e eu voltamos a Nova York e procuramos durante semanas até encontrarmos o a partamento adequado e, acolhedor. Julian queria algo muito mais elegante, mas, s omando o que ganhávamos, não nos atrevemos a morar no apartamento de cobertura que J ulian julgava apropriado para nós. - Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde ainda havemos de morar numa cobertura per to do Central Park, com um terraço cheio de plantas verdadeiras. - Não temos tempo de sobra para cuidar de plantas e flores verdadeiras - repliquei , já tendo gasto muito tempo e esforço para manter flores e plantas vivas e saudáveis. - E quando formos visitar Carrie, sempre poderemos aproveitar os jardins de Pau l. - Não gosto daquele seu médico. - Ele não é meu médico! - protestei, com uma sensação esquisita, atemorizando-me sem motiv o. - Por que não gosta de Paul? Todo mundo gosta muito dele. - Sim, eu sei - respondeu ele secamente, parando com o garfo entre o prato e os lábios e fixando-me um olhar solene. - É exatamente esse o problema, minha querida e

declarou Julian.. Juventude clama por juventude e Julian era jovem . às escondidas. Já tivera oportunidade de experimentar par te dela. . Quero tê-la a meu lado o tempo todo. TERCEIRA PARTE Sonhos Realizados Enquanto Julian e eu trabalhávamos como escravos para chegar ao topo do mundo do b alé. Chame de ciúmes. Eu sabia q ue ele possuía uma faceta cruel. . Julian desconhece sua presença na cidade e prefiro que continue a ignorá-la .Cathy. eventualmente. obscura. Eu já o vi olhar para você e. Meus irmãos eram como prolongamentos de mim mes ma! Eu necessitava deles como parte ativa de minha vida e não apenas na periferia. quando resolvia sê-lo. pois ela só lhe poderá causar encrencas. ele não vai me afastar de você . Tem um ciúme terrível de Paul e de você também. Julian está ensaiando e pensa que estou em casa.Está bem. Quero você para tornar-me o que julga que sou no p alco. Dividiríamos tudo pela metade. Talvez Paul tivesse razão.Eu não chamaria exatamente de "detestar". Cathy.Claro que ficaria .. Mas trate de manter-se distante de Yolanda. cursando o primeiro ano da faculdade de Medicina. Tudo o que ela faz com u m homem é novidade para a companhia no dia seguinte. cuidando das coisas antes de juntar-me a ele esta tarde. E. Além disso. Compreenderia que o amava mais do que já amara antes qualquer outra pessoa. Pode convidá-la para visitar-nos de vez em quan do. fico malvado . E tem mais: também não morro de amores por seu irmão. estou pouco ligando para Yolanda. Sua irmã é legal. . Ela é apenas minha desculpa para ver vo cê. e se desapontara tanto com o pai. Preciso de você para me manter na linha. Naquele momento. bonito. E Julian precisava de mim. sei que seu marido me detesta. teimoso. eu acordaria para de parar com seu rosto mal barbeado e descobriria que o amava. E não furtivamente. Às vezes bebo demais e. Não permitiria que ele fosse meu soberano e jui z. meu carcereiro.Vim de longe visitar minha irmã e é o que pretendo fazer. tenciono ficar na cidade apenas o fim de semana.e encantador. Ficaria insultado se eu não o convidasse para jantar? . .Está certo. O destino se utilizara de Amanda para distribuir as cartas certas. No momento. Era primavera e as aves gorjeavam. com o qual eu ficaria aprisionada como estivera naquele quar to trancado de Foxworth Hall! Só que desta feita eu teria liberdade para locomover -me até onde sua corrente invisível permitisse.muito malvado.replicou Chris.Eu a amo como um louco . até mesmo agora. embora não saiba até que p onto de intimidade chegaram. um bailarino talentoso . nem muito menos .. meu superior ou amo. Mas seja lá como for. no quarto ano. acho melhor você esquecer o passado! Invadida pelo pânico.aquele médico de quem você foi noi va. pois compreendi que fora terrivelmente ferido..sposa: acho que você gosta demais dele. Caty. compartilhando em termos de igualdade.nem por um segundo que agora eu ocupo o primeiro lugar em s ua vida.Você é a melhor coi sa que já me aconteceu. Veio de avião a Nova York. numa radiante manhã ensolarada. nunca fora de meu campo de visão.Chris. O que fizera eu? Tive a espantosa premonição de que Julian seria meu amantíssimo guar dião. completando o quarto ano da escola prepar atória e. Não sou cego ou estúpido. co mo eu também fora. Você pode dizer a Julian que vim visitar Yolanda. exceto quando ele tentava manter-me afastada de minha família. como um filho único que necessita sse de mimos constantes. Chris. nem Carrie. coletando alegremente os gravetos de que necessitavam para a construção de seus ninhos. . Mas não se esqueça . . Meu irmão fitou-me de modo estranho. terminando a refeição. ele me tocou. . não desejo magoá-la. . explicar-me tudo enquanto passeávamos de mãos dadas pelo Ce ntral Park. simultaneamente. baixei a cabeça. mas era capaz de domá-lo. Julian tinha uma obsessão possessiva em relação a mim. Chris brilhava na escola preparatória e. eu não me importava. Nem Chris. de modo que Julian e eu fôss emos ganhadores e não perdedores. então.replic . ingressou num programa acelerado para estudantes de medicina. da mesma forma que minha mãe me decepcionara.

não acredito que conseguisse prosseguir tão depressa sem o auxílio e orientação que ele me deu.Já não uso sutiã de treinamento. Eu a amava tanto que fiquei sufocada pela sensação como se estreitasse nos braços uma criança saída de minhas próprias entranhas. Chris pegara a minha mão. rindo.Paul é Paul. Paul me trata como um irmão mais moço de quem se orgulhasse muito. parecendo deleitada. . em cer as ocasiões. E na verdade. será impossível nota r a diferença . ganhei um de verdade! . decaíamos.esbravejou Julian. . . voltei para assistir à aul a com Julian e. .disse Chris. era um elogio de alguém que ela tanto admirava. apertando-a com força. Hesitante e parecendo amedrontada pela longa viagem de avião que fizera so zinha. porém. . tome cuidado! Tem certeza de que não quer ser bailarina? Carrie sentiu-se feliz e segura pelo prazer que Julian mostrava em revê-la e reagi u depressa. Carrie entendia que Julian aplicava o termo "fadinha" como lisonja e não co mo alusão a seu tamanho diminutivo. . fazendo questão de beijar-lhe o rosto. Então chegou minha vez de abraçar Carrie. .portanto.Como poderia Paul encontrar alguém igual a você? A expressão de seu olhar quase me fez chorar. choramos. partindo de Julian. pois Julian afirmava que Carrie tinha o ta manho exato para fazer no palco o papel de uma fada e não se cansava de repetir qu e ainda não era tarde demais para ela tornar-se uma grande bailarina. a fim de não abandonarmos seu grupo e nos juntarmos a outra companh ia de balé. Carrie o adora e é adorada por ele. pegando-me o queixo com ternura e obrigando-me a encará-lo.A primeira coisa que notei foi seu busto.indaguei ao nos sentarmos num banco manchado de sol e sombra. fora do alcan ce dos ouvidos de Julian: . .Cathy. como punição por algum comentário sarcástico de Julian sobre Madame Zolta. até que ela me segredou. depois ensaiar à tarde e apresentar o espetáculo à noite.sussurrei em resposta.indaguei em voz tensa.ou Chris. nunca muda.Conseguiu ver meus seios? Não .Não se atreva a me chamar de Fadinha! . assumindo um tom muito sério. Se Cory ainda estivesse vivo. Durante os três anos que Julian e eu estávamos cas ados. tínhamos os papéis principais. Cathy. Quando Carrie completou quinze anos.Ele ainda não encontrou outra pessoa para amar? . teria crescid o apenas o suficiente para chegar a um metro e trinta e cinco de estatura? Carri e e eu rimos.cumprimentou.Olá. Se qualquer outra pessoa chegasse a fazer tal insinuação. . Não sabia o que era. Carrie ficaria profundamente ofendida. Na minha opinião. Chris tinha razão: apresentávamos um desempenho sensacional. trocamos novidades. Soltando um grito. Entr etanto. . colocando os críticos em polvorosa e. jamais gostei e jamais gostarei! Portanto. Desanimada. Carrie aprendera a gostar de meu marido pelo que este aparentava ser. . pois não acreditava totalmente nas cartas que Paul me escrevia para dizer que não gostava d e mulher nenhuma.Cathy . Era uma piada que costumávamos repetir.É mesmo? . O que é? Sacudi os ombros. trate de cair fora daqui e esquecer que tem uma irmã! Chris saiu para hospedar-se num hotel e encontramo-nos às escondidas . que deveria estar ao lado dela.uma ou duas vezes antes que ele regressasse à faculdade.. abraçando-o pelo pescoço.Não gosto de você.perguntou Carrie. minha linda cunhada! . Chris passou três anos sem voltar a Nova York. O passado jamais me libertaria? Mal Julian avistou Chris e os dois começaram a discutir.replicou ela. dando-lh e a capacidade de transformar-se numa fada através de simples movimentos com os me mbros. da nçávamos como parte do corps de ballet. Talvez Madame Zolta quisesse transformar-nos em super astros. Julian e eu éramos tão dedicado s à dança quanto quaisquer outros bailarinos. depois. caminhou devagar por entre a multidão buliçosa e barulhenta que lotava o term inal do aeroporto. como cresceu e ficou parecida com Cathy! Daqui a pouco. jamais houve uma ocasião em que eu fitasse Carrie sem sentir saudades de C ory. .Como vai Paul? . .Eu sei .Não quero você dormindo sob meu teto! . . Às vezes. Não obstant e. sempre que você e Julian parecem es tar prestes a conquistar fama e sucesso.. veio passar conosco seu primeiro verão em Nov a York.Ora. acontece alguma coisa que os impede de serem os astros que merecem. talvez ainda mais que estes. outras vezes dançávamos papéis secundários e. correu pa ra tomá-la nos braços. Julian foi o primeiro a avistá-la.

Na verdade. Usando um carro alugado. Tínhamos absoluta certe za de que a divulgação pela televisão faria de nós os astros que tanto ansiávamos por torn ar-nos. adoramos a música e a dança esp anholas. Só então me at revi a abordar timidamente o assunto de voltarmos aos Estados Unidos a tempo par a a formatura de Chris. e um tape de TV não levava muito t empo.É a primeira coi sa que meus olhos procuram depois de fitarem um rosto fabuloso. . Madame Zolta sugerira as fér ias. um contrato para gravar em tape uma produção de Gisele para a TV. Simplesmente não posso receber meu diploma de médi co se você não estiver aqui para assistir. a fim de poder guardar aquilo em m eu álbum de lembranças e sonhos . a primavera pela qual tanto esperávamos chegou . E pode dizer isto a Julian quando ele ten tar impedi-la de vir. O envelope atravessara a Espanha atrás de nós. que não deveria ter chegado tão sorratei ramente para escutar aquela troca de confidências entre duas irmãs. Aquele comentário não me bateu bem nos ouvidos. Protestei. Se ocupássemos um dos pequen os bangalôs próximos ao prédio principal do hotel e cozinhássemos em casa. Pareceu-me a ocasião ideal para dar a notícia a Julian. sentamo-nos na varanda bebericando um vinho tinto que Julian adorava. algum temp o antes." O mais aborrecido em tudo aquilo era que Julian e eu tínhamos assinado.Ora. teremos tempo para comparecer à cerimônia e voltarmos com bastante sob ra para iniciarmos os ensaios de Gisele. assim como eu me aqu ecerei com as radiações de sua admiração. Cinco anos e três meses de vida conjugal . adorand o o lindo panorama. pessoalmente. Meu coração deu um salto quando avistei o grosso envelope cor de creme.É um papel difícil para você.afirmou Julian. Estará cansada e precisará de tempo para repousar. . viajamos de cidade em cidade. Não se atreva a arranjar desculpas para não comparecer. vamos. eu estava decidida a não perm itir que coisa alguma estragasse as férias de Carrie em Nova York. Pelo menos. .. Duas semanas era tempo suficiente. Você sabe que poss ui um rosto fabuloso. claro que aparecem . . na primeira vez que ela viera sozinha. deixe disso. em maio. Era avarenta e fazia questão de ensinar todos os seus truques aos membros da companhia de balé. Cathy! . Julian e eu tínhamos elaborado uma espécie de escala de modo a podermos mostrar tudo a Carrie. Eu ficaria doente se não visse meu irmão receber o dipl oma de médico. era lá que Julian e eu nos encontrávamos no dia em que chegou o convite para a formatura de Chris.pensei que aparecessem tanto.replicou Julian. Contudo. Era como se eu. Madame Zolta elaborara um roteiro de nossa viagem pela Espanha. Julian e eu estávamos em Barcelona.a participação do sucesso de Chris: sua formatura em Medi cina. . julgando uma boa idéia visitarmos a Espanha a fim de estudar o estilo de dança chamado flamenco. mas que me causava dores de cabeça. Carrie? Acho até que sou capaz de largar minha mulher para m e casar com você. Estava ma rcado para junho.afinal! . como também um bilhete escrito p or Chris com evidente modéstia: "Sinto-me embaraçado por informar que fui o primeiro classificado numa turma de du zentos acadêmicos de medicina. relacionando tod as as aldeias que cobravam preços irrisórios. mas queriam nossa presença agora.Ora. havia um membro de minha família qu e Julian aceitava.mas. afinal. gozando as primeiras férias de verdade que tínha mos desde nosso casamento. em maio. e. Havíamos discutido muitas vezes porque Julian gostava demais de meninas pequenas. Após a refeição noturna. Os meses pareceram voar. Você também ficaria.alguns dos quais já se tornavam realidade. Voltáramos ao nosso bangalô após v isitarmos velhos castelos. . tivesse conseguido a proeza de completar a e scola preparatória e a faculdade de medicina em apenas sete anos! Utilizei cuidadosamente um abridor de cartas.Por favor. se seu irmão estivesse atingindo uma meta após esforçar- . impaciente. Portanto. o preço seria a inda menor. alcançando-nos em Barcelona. Gostávamos de cear bem tarde e passar sestas sonolentas deitad os no litoral rochoso da Côte d'Azur . querido. sabendo o qu e ele continha ..e ainda exis tiam ocasiões em que Julian me parecia um desconhecido. Dentro do envelope estavam não só a participação formal do evento. Tem que estar presente para aquecer-me com seu entusiasmo. sobretudo.

emburrado e sozinho. é Paul isto.Eu vou.repliquei friamente.disse Julian. com a mesma facilidade com que tr ocaria de máscaras. elegante. a formatura é tão importante para mim quanto para ele! Você é inca az de entender o quanto isso significa não só para ele. Julian se aproximou para ajudar-me e. Fique com o marido que precisa de você. ficará ao meu lado até que eu a mande embora.e me mantém afastada para que eu também não participe. De qualquer maneira . E est a era uma delas.Você nunca me fala do passado! . . Oh! o quanto ele era capaz de parecer maldoso! . desde que pudesse ir à formatura de C hris.Que diabo! Não! .Não me ameace. levantando-se e pegando-me pelo braço. . o que só acontecia quando a dor era muito forte . eu era capaz de sair de mim mesma e transformar-me em mera espectadora. com um sorriso que me provocou arrepios na espinha. fui inform ada de que seria uma noite de amor .exceto no sexo. Havia ocasiões em que eu realmente o detestava. O que ele me fez foi espantoso. mas sou incapaz disso . vamos dormir. Sem dizer uma palavra. Não obstante. Empurrei-lhe as mãos para longe de mim. Julian . mas não importou realmente. pois beijavame o corpo todo. Permiti que Julian me despisse e fizesse tudo o que desejava.Não tente escapulir às escondidas . pois não tomei parte no ato. pois sua necessidade era a de uma criança que precisa da mãe. Eis o que eu me tornara para ele: sua mãe em tudo .advertiu Julian com voz abafada. Zombava de mim. ele tornou a colocá-las em meus ombros e se debr uçou para mordiscar-me o pescoço. como não quer saber dela. recusava-se terminantemente a permitir que .Não! Mas Julian insistiu em tirar-me o sutiã.Dê-me sua palavra de honra de que ficará comigo e não comparecerá à formatura de seu querido e amado irmão.portanto. . desta maneira. embora ele m e agarrasse as nádegas com tanta força a ponto de machucá-las.eu vou! Prefiro que venha comigo e participe do regozijo da família. não tem quem ligue para você a não ser. . mas para mim também! Talvez pe nse que ele e eu levamos uma vida de luxo comparada com a sua.se por tantos anos. po is nunca participou de nada . brincando comigo como um gato faz com o rato quando não sente fom e. acariciou-me os seios e fez menção de abrir-me o sutiã. mas pode ter cert eza de que não foi um piquenique para nós! . Fechei os olhos. de sexo. tal vez. mas em comparação com o que se tornara após a morte do pai não passa va de um matuto desajeitado.Você não pode me dizer o que devo ou não fazer! Sou sua esposa. semi-cerrando os olhos negros que me lançavam cent elhas. Franzindo a testa. desta vez. Todavia. onde comecei a des pir-me. suas malhas de ensaio. Houve uma época em que Julian parecera ser o epítome de tudo quanto era sofisticado. Estou cansado. Quando me decidia a iss o.ou melhor. que não co nsegue viver sem a sua presença. quem lhe resta? Ele estendeu a mão para esbofetear-me ambos os lados do rosto. E.Venha. minha amada esposa: quando se casou comigo. embora recuasse e me sentisse invad ir por um pânico latejante. . desfez-se da raiva e assumiu um ar romântico e sonhador.explodiu ele.Escute bem uma coisa. Ou pode ficar aqui. meias e gravatas. não me pode impedir! É importante demais! Julian escutou calado. opinar sobre as roupas que usava no palco . você é minha esp osa e seu lugar é ao meu lado! O seu Paul tem Carrie e ambos estarão lá de modo que se u irmão será aplaudido quando receber aquele maldito diploma! .foi a resposta brusca. que a adora. Julian! Pode vir comigo ou ir encontrar-me em Nova York quando eu volt ar da cerimônia de formatura. Paul aquilo! Você não vai! Implorei-lhe que fosse razoável: . Parece exatamente que na sceu no dia em que encontrou o seu precioso Dr. Depois. E aind a não estou disposto a fazê-lo. Chris aquilo! E se não é o nome d e Chris que me martela aos ouvidos. Paul! Agora. Tinha que escolher s eus ternos. mundano. tornei-me se u senhor e soberano . Talvez você consiga aprender idiomas através de discos.Excetuando eu. sua mãe. M as.Não quero mais falar no assunto .Já estou farto de tanto escutar Chris isto. Cathy. não sua escrava! . re signada a aceitar tudo o que ele me fizesse. Não me deixará sozinho na Espanha quando não sei falar esp anhol. . . .Chris é meu único irmão. permiti que ele me puxasse até o quarto. camisas. Dei-lhe tapas nas mãos e gritei: .como ocorria ocasionalmente.

Julian. forçou-me a coisas que só deve m ser feitas com amor. Tanto quanto você é perito e m obrigar. Nem torradas.. Julian. Você já devia saber mui to bem.Que temos para o café? Estendeu os braços para que eu pudesse aproximar-me e beijar-lhe os lábios. ele merece. Desafiou-me a morder a isca. . Sou perita em odiar. Ele avançou raivosamente para mim. se sabe o que é melhor para você. completamente refeito por passar alg um tempo brincando à vontade com minha esposa. lemb ravam-me prostitutas. e minha própria mãe. a esta altura. Madame Zolta concedeu-nos férias para q ue eu possa me acalmar e voltar refrescado. o mesmo café de sempre: presunto com ovos fritos. mas agora compre endia que ele usava aquelas meninas como guardanapos de papel. . Julian caminhou inteiramente despido até a me sa do café da manhã. E agora.. Ele avançou devagar. mas talvez os dois .Pare de ficar ajoelhado. dizendo-me que me amava. Para você. existem maneir as de ferir e humilhar sem deixar equimoses . dê-lhe uma oportunidade. afastei a mecha de cabelos negros que lhe caía sobre a te sta. cheirando a sabone te e loção de barba. indagando com naturalidade: . Então. E desta vez eu não teria apena s um olho inchado. Comemos em silêncio. queridinha. Sentado no lado oposto da mesa forrada com uma t oalha quadriculada de vermelho e branco. Sorri.. eu também não me incomodo. Escutei o bater do despert ador da mesinha de cabeceira.murmurou ele.ou ainda pior. sabendo que poderia fugir por meio de desligar-me mentalmente e que ele não se podia dar ao luxo de espancar-me e deixar marcas.Por que sempre tenta ressaltar o meu lado ruim? Só uso aquelas garotas a fim de poupar você. para serem jogado s fora quando sujos. Para mim. Parece ridículo. era o homem . deixou-se cair numa cadeira e esticou as belas pernas bem torne adas. Sorriu e esbofeteou-me de leve. . Jule? A pausa para atividade sexual não bastou para saciar sua ân sia de perversões? Por que não sai para procurar uma colegial? Pois recuso-me a coop erar com você. Contudo.exceto no ego. libertei-me dos braços de Julian e fui vestir uma camisola de renda preta que ele gostava que eu usasse. quando devia ter juízo bastante para não desafiá-lo num mom ento em que não se sentia confiante em si mesmo. moreno e despreocupado. E sou uma expert em alimentar sonhos de vingança! Coloquei-lhe no prato dois ovos e duas fatias de presunto frito. com os movimentos felinos que indicavam que se comportaria im piedosamente. que eu era a única. ou mesmo dar um telefonema. Seu período menstrual provoca-lhe cólicas tão f ortes que você nem consegue dançar. Equimoses apareceriam e além disso. mantive-me de cabeça erguida. o que fi z obedientemente.. fará exatamente o que eu mandar. malvado e vingativo. Julian parou a um passo de distância. Além disso.Está zangada porque não atingimos o topo da profissão.Se elas não se importam. . recém-barbeado. não me interesso por livros ou museus. logo que descobrira a verdade. como você. um omelete de queijo. Cathy .Qual é o problema. .Agora. Naquela noite. está tão acostumado a meu peso e e quilíbrio que nem mesmo seria capaz de levantar adequadamente outra bailarina. à sua maneira exótica. Cathy. então Julian voltava para mim.eu cuidasse da economia doméstica. Nada pode fazer contra mim se eu resolver ir. Chris veio ver você dançar e não há dúvida de que você rou exibir-se para ele.Direi a todo mundo que você está doente. Agora.Bom dia querido. Nunca antes eu lhe jogara no rosto ter conhecimento de suas farras com menininha s. tendo voltado ao normal. Julian. .Cathy. pois trabalhou duro para conseguir o diploma. não é mesmo? Culpa-me porque noss os compromissos foram cancelados.Desculpe-me. . Cometi a tolice de sorrir. que tinha mania de lingerie preta. mas nunca mais me obrigue a fa zer o que fez ontem à noite.Não farei um juramento tão injusto. Julian foi cruel. Eu detestava roupas intimas e camisolas negras. A princípio. . eu ficara magoada. o que fará desta vez? Sorridente. que n ecessitava de mim. . servi-lhe café e respondi: . E não poderá fugir às escondidas de mim. porque eu a amarrarei à cama e esconderei seu passaporte. n em manteiga. limpo. não sei como me divertir excet o dançando. .

Naturalmente. Gosto de s eu penteado. Ele respirava de maneira profunda e regular. Julian. sacudindo os ombros para livrar-me da indecisão.pois eu tomaria a providência de comunicar-lhe. na Carolina do Norte. com Henny ao lado dele e Carrie perto de mim. Paul e Carrie receberam-me no aeroporto.brincou ele quando o fitei prolongadamente de mais e. mostre-me e mandarei o barbeiro retocá-los. eu fizera o que precisava.Cathy. peguei um jornal espanhol e vi o belo rosto da Sra.Alegro-me por você ter vindo . hoje você ainda não disse que me ama. Então. pronto para subir à tribuna. eu procurava loucamente por todas as partes do quarto o meu passaporte. sempre esperando revê-la. fazendo parte de minha família e não teimando em apresentar uma resistência perene. encarando-o. se você não viesse creio que Chris se recusaria a receber o diploma. claro que sim! Estava louco de nervosismo. com demasiada admiração. Lembrei-me também de nossa mãe. em seguida.repliquei. Sentar-me junto a Paul. talvez as drogas lhe proporcionassem sonhos agradáveis.É uma pena Julian não poder acompanhá-la.Ele também teve muita pena disso . da mesma forma qu e a mantinha ao corrente do que Julian e eu fazíamos. fazer o discurso como orador da turma. Enfiei rapidamente roupas nas malas. Se Julian estivesse acordado naquele momento. Bartholomew Winslow. ela está na cidade. hesitei. imaginando se teria agido corretamente. Meu irmão comportou-se de f orma tão linda que cheguei a chorar. Sabe. que deveria ali estar para ver tudo aquilo. talvez. Depo is de arrumar as bagagens e vestir-me para sair. E Julian também deveria estar presente. Sim.Se encontrar algum.mais bonito que eu já vira.Eu o amo. que ela escapasse? De uma cois a eu tinha certeza: ela seria informada de que seu filho mais velho estava forma do em Medicina . Com o rosto erguido para mi m. Por s . está magra demais. . O remédio de que p recisa é bastante comida preparada por Henny. . para onde eu o arrastara da coz inha depois que ele adormecera sob o efeito de todos os sedativos que eu lhe col ocara no café. Todavia. . Quando tornei a fitar o palco. Henny e Carrie também derramaram lágrimas. Nossos olhares se encontraram e fixaram.Ora. troux e-me lágrimas aos olhos e encheu-me o coração de felicidade. .Chris recebeu meu telegrama? Sabe que estou chegando? . O que faria eu quando isso acontec esse? Tremeria de medo e permitiria mais uma vez. Desci a rampa com os olhos pregados nos dele. . O bigode que eu o convencera a deixar crescer continuava firme e duas covinhas apareciam quando ele sorria. avi stei Chris lá em cima. com um l eve sorriso. encaminhei-me à garagem. partindo para Londres o mais depressa que lhe era possív el. para ver o meu Chris percorrer o corredor central e galgar os degraus da plataforma a fim de receber o diploma e. passaria o dia inteiro colado a mim. na cozinha d e um pequeno motel preparando aqueles pãezinhos caseiros que seu irmão tanto adora. a essa altura eu já conhecia o motivo pelo qual minha mãe estava sempr e viajando de um lugar para outro: tinha medo de que eu a alcançasse! Ela estava n a Espanha quando Julian e eu lá chegamos. . Embora eu o t ivesse drogado. Nem mesmo meu sucesso no palco poderia comparar-se ao orgulho que me invadia naq uele momento. pois continuava a acompanhar-lhe a movimentação p elo mundo. era obrigado a franzir a testa contra o sol às minhas costas. C athy. Paul era o tipo de homem que melhora com a idade. com meu passaporte no bolso. Paul. Eu lhe deixara um bilhete explicando aonde ia. pouco depois.Está procurando cabelos brancos? . Francamente. Esperando. A notícia de nossa chegada fora publicada em vários jornais e. mas o fato é que o fez. . torna-a ainda mais bela. Obrigando-me a afastar o pensamento dela. .declarou. Eu sabia que ela se encontrava em Londres. Ainda não me considero pronto para ficar grisalho. olhei em volta para os milhares de par entes de alunos que lotavam o imenso auditório. debrucei-me sobre Julian e deilhe um beijo de despedida. Uma hora após o café da manhã. enquanto Julian dormia na cama. Encontrei o passapo rte sob o tapete azul embaixo da cama. É o presente de Henny por ele se tornar mais um "filho-doutor". Não sei como conseguiu localizar-m e na platéia. Ele não era tão bom em questão de esconder quanto eu era em achar. temendo a cada instante que Ju lian a impedisse de afastar-se dele e sabendo que Julian não viria. Eu não via Paul há três anos.

deitados nos velhos colchões manchados no sótão. Além disso. tornamos a comemorar num excelente restaurante de hotel. Mas a grande caixa que Paul deu a Chris era pesada demais para ser sacudida. Paul mudou-se para um novo edifício de consultórios.Mas tem compromissos que o tornam tão ocupado a ponto de não dispor de tempo. pois sempre tentávamos enganar um ao outro. Cathy . a coisa era muito dife rente. Era um presente muito grande e pesado para ser sacudido. Olhei para Paul. quase sem fôlego. compreendendo que seu domicílio era o único lar verdadeiro que poss uíramos. Vi-o pedalando a bicicleta metros à minha frente e depois diminuir propositalmente para que eu pu desse alcançá-lo. mas Chris e eu só conseguíamos fitar-nos em silêncio. . . . .Livros! .mas algum dia ainda seria. Na verdade. novinha em folha.e para mim! A Universidade ofereceu um lauto banquete de comemoração e. lançando-me um sorriso encorajador. correr como um louco para tocar todas as bases no menor tempo p ossível. Paul. na expectativa de q ue fosse o melhor e dessa forma . unimo-nos numa comunhão silenciosa.explicou Paul. da mesma forma que Chris seria o melhor médico do mun do. Vamos fazer um especial de Giselle para a TV no próximo mês. cuidarei da contabilidade .se Cory não morresse. acreditei que partilhávamos os mesmos pensamentos. Vi-o manejar um bastão de beisebol. aos dez anos de idade. também era frágil.Nenhuma outra coisa poderia pesar tanto.Ele queria vir. Observando Chris. marcarei as consultas. E ninguém jamais será uma secretária tão efic iente quanto eu! Atenderei o telefone. . Trabalhamos num esquema de tempo muito rígido. pintada por encomenda.O resto da coleção será enviado para você a domicílio. Chris limitou-se a r ir. e voltara-se para mim. Chris. Seria essa a causa? Era esse o motivo pelo qual Chris não conseguia ver nenhuma garota senão eu? Como era triste para ele . manterei os arquiv os em dia. toda pintada de vermelho! O Dr.. Seis enormes e grossos livros de referência para médicos.Não consegui carregar mais que seis . representando uma coleção comp leta que devia ter custado a Paul uma fortuna.adivinhou Chris. Talvez eu ainda não fosse uma prima ballerina . para rebater a bola por cima da cerc a e.prolongava o prazer de recebê-lo. porém.e ele almoçará comigo todos os dias! Lançou a Paul um radiante sorriso de satisfação. acertadamente.Eu detestaria tê-lo tão longe de casa mas serei sua secretária! Te rei uma máquina de escrever elétrica. Mais tarde. . enquanto a chuva fustigava as vidraças e nos separava do resto da humanidade. só poderei ficar aqui dois dias. Pediu-me que apresentasse a você suas cong ratulações. Paul julgava que uma máquina de escrever roxa. compart ilhando de um júbilo indescritível! Havíamos conseguido! Ambos! Alcançáramos nossos objeti vos. Chris reservou propositalmente meu presente para último lugar. Chris e a mim.como fazíamos desde crianças . cada qual pr ocurando as palavras adequadas. Então Chris franziu a testa e indagou por que razão Julian não viera comigo. embora a rebatida lhe permitisse completar o ponto caminhando despreocupa damente. se Carrie atingisse uma estatura normal. Entretanto. poderia parecer extravagante no consultório. De todo mod o contentei-me com a segunda opção: vermelho. se nossa mãe não nos at raiçoasse. sua ca ma a um metro da minha. Vi-o no quarto trancado. Mas não era de seu feitio fazer as coisas parecerem fáceis. em nossa mesa. Todos aqueles anos e m eses perdidos nenhuma importância teriam . Desde pequenos. Paul dera-lhe a segura nça necessária para recuperar a exuberante autoconfiança que ela perdera. . .O Dr. tornando-nos o que tínhamos decidido ser desde crianças. Foi nossa o portunidade de dar a Chris os presentes que tínhamos para ele.disse ele. em seguida. São mais livros .. parecendo tão confuso e perdido ao virar as costas à mãe que amava. a fim de chegarmos juntos em casa. quase escondido naquele espaço imenso.Não. E assim teria ocorrido se Mamãe tivesse encontrado uma outra solução. quando ficava sozinha. Infelizmente . . .obre todas as cabeças que nos separavam. tínha mos o costume de sacudir os presentes antes de abri-los. Vi-o novamente nas som bras do sótão. embora eu fosse de opinião contrária. como tive o cuidado de advertir.. realmente .. Havíamos participado indire tamente de tantos romances... Carrie ta garelava sem parar. Aparentemente.menti. só mais tarde descobri que se tratava de uma fachada falsa que Carrie apres entava ao Dr.informou Carrie .

Eu amo uma garota .Caso decida divertir-se nas horas vagas. ou existe. Só agora as duas lágrimas nos cantos de seus olhos começaram a escorrer pelo rosto. foi uma fortuna. E não é original. precisava de um pouco de tempo a sós com meu irmão.e que nosso pai p rometeu dar-lhe no dia em que você tivesse sua maletinha preta de médico. Sim. .. .. vivêramos num mundo diferente quando crianças. suspirava por um microscópio John Cuff. Quand . Com quem você saía? Existia. e mais uma lista interminável de matérias. . poderá fazer suas próprias pesquisas sobr e germes e vírus. ou aranha. Eu gostava delas todas.Mas fiz questão. de modo que podíamos observar os camundongos que vinham roubar e roer nossos alimentos . quando saíamos com garotas.indagou Paul.1675-1840". .Só nos fins de semana. E. e darei uma deixa. . também. se é isso que des eja saber. sonhador. mas não gostava de nenhuma a ponto de amá-la. tomando cuidado para não rasgar o papel bonito .. Suas mãos tremiam ao retirar da caixa acolchoada um estojo de mogno francês com fe cho.. e não devia! . po rém. certamente. Paul. apesar de tudo. ma ntidos numa prisão. Chris lançou-me um olhar torturado e seus lábios tremeram: parecia não acreditar que e u me lembrara.respondeu Chris.Lembrou-se do dia em que Papai prometeu dar-me um microscópio igual a este quand o eu me formasse em medicina ... Tínhamos um grupo de estudo formado por oit o alunos e nos mantivemos juntos durante todo o curso da escola preparatória e da faculdade. . que o fez parecer novamente um menino. Chris. Nada foi fácil.Bem. Você não devia ter gastado tanto.murmurou. Antes. .e não posso fazer isso.Oh! .Creio que é.. Agora. falando sério: .Conheci-a durante a vida inteira. .Nunca esperei possuir um des tes. alguém espe cial? Chris pegou minha mão e puxou-me para mais perto de si. química.Não está respondendo à minha pergunta. o homem da loja disse que é uma duplicata exata do original e uma peça de colecionador. Por que usara aquele tom suave. . sufocado de emoção. após todos aqueles anos. .Tenho certeza de que não levou uma vida de celibato. Certa vez. Cathy. .Está vendo aquela janela no segundo andar.Isso não é da sua conta . anatomia. Cathy. O programa de estudos era pesado demais para mantermos at ividades sociais durante a semana.em especial.Que belo brinquedo você me deu . eu tinha que regressar a Nova York e enfrentar a fúria de Julian. toda vez que Chris matava uma mosca. . Sim.. embora não se tenha apaixonad o.Concedo-lhe apenas um palpite.replicou ele em tom despreocupado. . quando fomos para Foxworth Hall.. Estudávamos juntos e. Tanta coisa para aprende r: física. devo começar a enumerar uma por uma. . pelo nome? Assim. chave e alça de bronze polido. Declarei com voz sumida: .Como poderia esquecer? Aquele pequeno catálogo foi a única coisa que você levou.Oh! diabo. Paul levou Henny e Carrie a u m cinema enquanto Chris e eu passeamos pelo Campus da Universidade. um camundongo chamado Mickey. . as lentes e o livro encadernado em couro intitulado "Microscópios Antigos . Chris estremeceu ao manipular os sólidos acessórios de bronze e marfim.disse Chris com voz áspera. declarou que desejava ser o encarregado dos camundongos do sótão e descobrir sozinho por que razão os camundongos morrem cedo. Eu teria paz se soubesse que você ama uma garota. . era exatamente aquilo que eu desejava saber. além das roupas. Christopher Doll. levaria várias horas.. a quinta contando da esquina do prédio? Era o quarto que eu dividia com Hank. Se houvesse alguém especial bastaria dizer o nome dela . que fez Paul olhar para mim com os olhos apertad os e depois virar-se para ver o sangue que subiu para ruborizar o rosto de meu i rmão? Jamais mudaríamos e esqueceríamos? Sempre haveríamos de sentir tão profundamente? Ch ris manipulou as fitas do embrulho. íamos juntos também. Entretanto. Dentro des sa caixa está a coisa que você declarou mais desejar neste mundo . E funciona.Você saía muito? .acrescentou. .Deu-me um sorriso engraçado.suspirei. .Como sabe que morre m quando jovens? Capturava os recém-nascidos para matá-los? Chris e eu trocamos um olhar.Os camundongos morrem cedo? . mas apenas uma cópia de um Microscópio de Col una Lateral John Cuff. biologia.

Se m problemas.Às vezes.Poderíamos levá-la conosco. Sem a menor dúvida. Esqueça-se de mim... Port anto. cercada de todo acolhimento e conforto. naquele sonho.Odeie-me. por Deus. é problema meu . observando-nos e condenando-nos pelo que éramos. Sonho também com uma cert a noite em que saímos para o frio telhado de ardósia e fitamos o céu. você me pregou à parede e me etiquetou como seu até o dia de minha morte. se você me acompanhasse. Uma vida doce e fácil.gritei. ao regressar da Espanha deixara proposital mente minhas plantas morrerem..Cathy. acordo para tirar-lh e piche dos cabelos. E. Em seguida. A mesma e velha lua que antes testemunhara nossa vergonha ali estava para presenci ar ainda mais. e sonho que beijo as marcas deixadas pelo açoite. Não sou santa. parecendo magoado.Cathy. Cathy. Chris. .. abracei-o e fitei-lh e o rosto .aquele rosto que também me perseguia.. como se procurasse provas qu e me incriminassem. Cathy. Permaneci onde estava.replicou Chris com um sorriso amargo. afastando-me rapidamente de si. bancando a virtuosa! .. Então.Eu fiz exatamente como você. sem mencionar Carrie. . E.o vou dormir. ele recuou.Cathy. Faça como eu fiz: acolha a primeira pessoa que bater à sua porta e deixe-a entrar. Julguei que ele estivesse brincando de desejar. não demorarei muito a aco mpanhá-la. eis a garota que me persegue e governa. como o dela t ambém dói.Não me ame. permitindo que Chris se aproximasse e passasse o s braços por meus ombros. excitouse de todos os modos possíveis.E deixaria Carrie? .. quero odiá-la. beijou-me com o ardor de um homem enlouquecido pela recusa.e agora não consigo fazer que saia. mas tente matar meu amor depois que ele começou! . .Não mereço estar lá dentro. Sombras se Acumulam Tanto Paul como Chris. Eu não que ria corresponder. E se você morrer antes de mim.Às vezes a vida si mplesmente não tem qualquer significado sem você. que me enche de frustrações e o bscurece as horas que passo com outras pequenas que são incapazes de se igualar ao s padrões que ela estabeleceu. . . com os lábios em meus cabelos. espero que agora você esteja satisfeita. eu jamais conseguiria odiá-la .Eu compraria um veleiro para fretar aos turistas e. . . Entretanto. que tipo de mulher é você.. convenceram-me a ir com eles a Clai rmont e passar alguns dias com a família. filha do Demônio. então! . Ele sorriu com ironia. boa ou má. mas não consegui evitar.não seu. anjo. como meio de castigar-me. às vezes. beijando-me o rosto. Então. Lá chegando. . Talvez tenha feito movimento para ajustar me us contornos aos dele quando me abraçou com força. lemb rava-me de todas as maneiras mesquinhas e irritantes que ele usava para aborrece r-me. Não fiz nada. Às vezes. eu teri a a prática necessária para pensar-lhes os ferimentos. olhando a lua. . como fazíamos quando crianças. acordo sentindo o corpo inteiro doer.Pare! . sonho com ela dançando acima de minha cama.Santa. gritando quando tem pesadelos. Recostei a cabeça em meu irmão e suspirei. .. chego a pensar que você é igual à nossa mãe.. juro que não fiz. e agora tira o corpo fora. Disse com meus botões qu e assim teria sido minha vida se eu me casasse com Paul. você bem deveria saber. refletia eu na varanda que se abria para os ma gníficos jardins de Paul.. tão inesquecível ou tão indispensável para qualqu r homem. Simplesmente deixei que ele ficasse c om o braço passado pelos meus ombros. afinal? Correspondeu aos meus beijos. . então.Só o quero como irmão! Deixe-me em paz! Vá procurar outra pequena! Aturdido. Deve haver algo esquisito em mim. Virei-me. quando me permitia imaginar como estaria passando Julian.gemeu Chris. Chris prendeu a respiração. nem um anjo.. abrindo as cartas enviadas por Paul ou Chris. à noite. caso se cortassem. Catherine Doll: deixei entrar a primeira que me bat eu à porta . ela disse q ue a lua era o olho de Deus. encantei-me novamente com a casa e os jardins. chamando-me o nom e. Não era tão bela. tentando conduz ir-me a seu quarto. . Pross eguiu: . Eu rasgaria o diploma e iria para uma ilha no Pacífico. movimentando-me como num sonho.

cujas regras eram tão irregulares. eu rezava para ter forças que me permitissem fazer um aborto! Não precisava de um filho em mi nha vida. informando que Yolanda Lange deveria substituir-me! Aquela era a nossa grande oportunidade . Dava medo pensar q ue dentro em breve aquelas meninas cresceriam para substituir as estrelas do pre sente. eu e sperava que ele a deixasse cair no palco! Que continuasse a usar garotinhas cole giais em suas orgias sexuais.O que pretende fazer a respeito? Berrei em resposta: . em que o mundo inteiro parecia sonolento e preguiçoso. nossas celebridades locais . Avó. E u continuava tentando provar meu próprio valor. aparentemente separou-se. pensei no assunto quando me encontrava na varanda dos fundos e Carrie plantava mudinhas que criara desde as sementes. Corre m rumores de que a Srta. como sempre.disse com ar indiferente. até que eu me tornasse uma Madame Zolta e toda a minha beleza ficasse preservada apenas em velhas fotos desbotadas. deixando-me muda a olhar para a po rta fechada. Então. Cheguei a pensar em não mostrá-lo a você. O casal de bailarinos Julian Marquet e Catherine Dahl. Eu a preveni no sentido de não permitir que e le fosse seu empresário. Não poderia erguer Yola nda com facilidade .não era! Só correspondera aos seus carinhos p orque ainda procurava minha identidade perdida. mas mudei de idéia. Veja. rápida e graciosa.. Então: . tendo a seu lado os minúsculos po tes com os brotos de petúnia.Catherine! . o amor estragaria uma bailarina que poderia ter sido a melhor dentre to das.Entrou em seu quarto e bateu a porta com força. Com música de balé na cabeça. Julian queria roubar-me o reflex o e torná-lo seu.. ele n amaria tanto! Eu ainda era a camundonga de sótão. Encaminhou-se para mim. faminta. No resto do tempo. egoísta. s ubi ao meu quarto. não sou má ou filha do Demônio! Do contrário. mais uma vez. e. . Sentei-me nas sombras junto à parede dos fundos de um amplo auditório e observei a grande turma de alunos dançando.. eu também me transformaria em mais uma Madame Marisha e os anos passar iam a correr como segundos. Então corri para dentro de casa. co m exceção das crianças idiotas que recebiam instruções de uma mulherzinha de voz esganiçada. Chris veio do interior da casa e me jogou o jornal v espertino. Levantei-me para caminhar de um lado para outro na varanda.exclamou alegremente Madame Marisha ao avistar-me.Cathy. vestida de preto. Nosso contrato origi nal com Madame Zolta expirara dois anos antes e tudo que lhe devíamos atualmente e ram doze apresentações por ano.não com sua espinha machucada. . Dahl está doente e há quem diga que a famosa dupla do balé es tá prestes a desfazer-se . exigente. caso não fosse. não é mesmo? E foi por is so que colocou Yolanda no seu lugar.. Certo dia. enterrei o rosto no travesseiro e chorei como uma criança. que pre cisava estar sempre provando ter valor suficiente para viver ao sol.dentre muitas outras . A ausência de dois períodos menstruais nada significav am para uma mulher do meu tipo. Não! Eu não era igual a Mamãe . . Julian Marquet se apresentará com o utra bailarina que não sua esposa. Julian e eu éramos freelancers e po díamos dançar com a companhia de balé que bem entendêssemos.Nada! Meu irmão ficou calado por um momento. dançando Giselle num grande especial de TV. Sabia que se tivesse um bebê este se tornaria o centro do mundo e. Madame Zolta a trataria com mais justiça. a fim de não ser culpado quando cometíamos algum erro. Pela primeira vez. Talvez não estive sse grávida. Chris lançou-me um prolongado olhar esquisito antes de indagar: .Traz um artigo que talvez lhe interesse . dirigi o carro de Chris para visitar Madame Marisha num dia quente de primavera. Não me importava.de atingirmos o estrela to com que sonhávamos e Julian colocava Yolanda em meu lugar! Maldito! Jamais cres ceria? Estragava todas as oportunidades que nos apareciam. Que fizesse papel de tolo. Tudo se tornava ainda pior pelo fato de eu ter feito uma consulta secreta ao gin ecologista na tarde anterior. Julian desejava tirar-me a força e aproveitar-se dela. O artigo ia mais além. Do fundo do coração. Que Julian ficasse com Yolanda. queria que eu tomasse todas as decisões. poderia ser apenas mais um alarme falso. ele não queria que você comparecesse à minha formatura. para que. conseguisse ne gar a acusação feita pela avó. no final.

com algum as mechas escuras.nunca! . . como Julian era boquirroto! . Então. não é da sua conta! Madame Marisha puxou uma cadeira de espaldar reto. E não pense que eu não sei por que motivo parece tão triste! É uma grande idiota por deix ar Julian! Ele é um menino grande. Madame . Agarrou-me com as mãos ossudas e sacudiu-m e como se quisesse despertar-me. Ela fez uma carranca. perfe itos como nunca tinham sido. ela rosnou. eu lhe dava toda a minha atenção. colocando-a de modo a poder c avalgá-la.Vai permitir que meu filho a faça de tola? Vai deixá-lo colocar outra bailarina em seu lugar? Eu julgava que você tivesse mais fibra! Agora.deixaria que ele colocasse outra bailarina no meu papel de Gise lle! Oh! Deus. trate de ficar caladinha aí na cadeira.Eu era mais velha que Georges quando nos casamos..Fomos rígidos com ele. Tentamos ensinar-lhe dicção perfeita e ele reagiu..Agora. até um belo dia d . Conduziu-me a seu pequeno e abarrotado escritório. Nunca me passou pela cabeça que Georges pudesse sentir ciúmes do filho.Na verdade. atrevi-me a adiar o nascimento de um filho até acreditar que o melhor de minha carreira já fica ra para trás. que Georges costumava chamar de "linguagem de sarjeta" . como um passarinho. Passamos muitas noites abraçados na cama.. De perto. Fez outra pausa e virou a cabeça. golpeou-me com seu olhar penetrante.continuou. zombando de nós com a pior espécie de linguagem baixa. conte-me a respeito dessa tolice que está acontecendo entre você e seu mari do! . Apoiando os braços no espaldar. quanto mais tentávamos. você bem sabe que não pode ser deixado sozinho.Por que se esconde nas sombras? . suavizou-se e acrescentou: .Não se preocupe comigo. . .indagou.só depois que meu marido estava morto e enterrado dei-me conta de que nunca dirigi a palavra a nosso filh o exceto para proibi-lo de fazer alguma coisa ou para melhorar sua técnica de dança. . . ele magoa você também! Por que per mitiu que ele tomasse as rédeas dos negócios? Por que deixa que ele queime todo o di nheiro de vocês antes mesmo de recebê-lo? Vou-lhe dizer uma coisa: em seu lugar. eu nunca . . Pai e filho afastaram-se cada vez mais um do outro. Georges jamais quis um filho que o prendesse a al gum lugar e impedisse seu progresso. nunca mais volta ram às boas. percebi que envelhecera terrivelmente após a morte de Georges. venha. E sforçamo-nos ao máximo para fazer dele o que era perfeito sob nosso ponto de vista. trate de voltar depress a para Nova York e expulse essa tal Yolanda da vida dele! O casamento é sagrado e os votos conjugais são feitos para serem cumpridos! Em seguida. com expressão tristonha e sonhadora .Se meu marido já não m e quer como par. . tenho certeza de que outros me desejarão. chegou até mesmo a chamá-lo de bailarino de segunda classe. po is ela me contava tanta coisa que eu precisava saber. .Como é bom rever seu lindo rosto. percebendo que este era melhor bailarino que ele e alcançaria maior fama.Toda e qualquer coisa relacionada com meu filho é da minha conta! . Então.Julian tentava magoar Georges e este se magoava porque Julian não dava importância à reputação do pai. Uma ânsia que só poderia ser saciada ao escutarmos os aplausos para nosso filho. Digo a mim mesma que não obrigamos nosso filho a ser ba ilarino. poi s faz coisas que o magoam e quando isso acontece. isto eu admito. . Catherine. . mas sempre o mantivemos conosco. Julian significou d ois golpes contra Georges. mais ele procurava ser tudo o que não desejávamos que fosse. . Oh! sim. Sua voz assumiu um tom mais bondoso: . enquanto lhe contarei algo que não sabe a respeito de meu marido. desde o início. Um dia. de modo que o balé se tornou parte do se u mundo: a parte mais importante .repliquei com muita calma.replicou com rispidez.Agora. avançando para mim. ansiosos pelos aplausos. para observar-me melhor e ve rificar se eu lhe prestava toda a atenção. mostrando dentes mais alvos que antes. todavia.disse ela suspirando fundamente e passando a mão magra pela testa franzida de preocupação. pela adulação. Não foi fácil para mim transformar-me numa simples professora de balé e para Georges ser apenas um instru tor. Portanto. mas mesmo assim. fiquei grávida.Agora. G eorges passou mais de um mês sem falar com o filho! Depois disso.Sabe. Os cabelos negros estavam agora quase brancos..

agindo como se não ligasse...Não sei se conse guirei manter Julian afastado das garotinhas. Considerei-a inteligente. ch ute-lhe o traseiro. Recuei em direção à porta. fazendo-o fel iz e cuidando de suas necessidades! . não lhe restará o coração para mantê-lo vivo! Pois há anos ele deu seu coração a você! Ergui-me vagarosamente.Sim! Sim! . tais como enviar-lhe cartas odientas e cartões de Natal destinad os a entristecer-lhe a vida e a não permitir que tivesse um só minuto de paz e tranqüi lidade. e eu competindo com minha mãe.muitas delas . percebia o quanto éramos semelhantes: ele com seu ódio pe lo pai que o renegara como filho. por acaso você estaria em Nova York. Ela sacudiu a cabeça e depois disparou as palavras como se as sílabas fossem balas d e revólver: . oferecendo-se. que me obrigava a cometer loucuras. como um gato de rua arrepiado. procurando ir embora. Então. ainda assim. dançando numa companhia de balé que depressa se vem transformando numa das principais do país? Não! Você estaria aqui. farta da paixão e veemênci a de Madame Marisha.Temos a responsabilidade de transmitir às gerações mais jovens nossas habilidades técn icas. quer esquecê-la! E quando o conseguir. não precisa dele! . Você! Julian viera de Nova York visitar-nos. . eu. mas estou disposta a voltar e tent ar.Não sou mãe dele.principalme nte por pensar que magoaria meu filho.berrou com voz esganiçada. foram tão sensacionais que mal pu de acreditar em meus próprios olhos. ele diz que você não o ama. cheios de suav idade e admiração. com as pernas fracas e trêmulas. de modo que ainda me senti um pouco apreensiva ao aceitar você . fitou-me dos pés à cabeça e prosseguiu. m as pareceu-me óbvio desde o início que você amava aquele médico mais idoso. cujo idioma ele não sabe falar. se ficar calada. mas ainda precisando comprovar meu valor. percebi que você possuía algo muito raro: uma paixão pela dança como dificilmente encontramos. Depois que você fixou nele esses grandes olhos azuis. quando outro prodígio apareceu em nossas vidas. quando não estava m dançando. quase sem fôlego: . De repente. você era igual a Julian. mais dete rminado ele estava a possuí-la. Só Deus sabe que motivo a levou a aceitar o casamento com Julian e como consegue não o amar! A mim. só porque eu lhe implorara que tentasse fazer as pazes com o pai. vou dizer-lhe algo que Julian talvez não saiba e que eu realmente não sabi a até hoje: amo seu filho.Madame. sem entender que vencera e era o melhor. Abandona-o.Se o ama. entretanto. Prometo agir melhor. mas não me conformo com a idéia de que ele faça amor com outra pessoa senão comigo. admirou-o. quando.. Julian competindo com o pai. juntos. Julian e eu s empre mantivemos um relacionamento estreito e ele me confessava coisas que outro s rapazes manteriam em segredo. na verdade. você. por que o abandonou? Responda-me isso! Abandonou-o porque descobriu que ele tem um fraco por garotinhas? Idiota! Todos os homens têm um fraco por mulh eres jovens . Vai assistir ao irmão receber o dipl oma de médico quando sabe muito bem que seu lugar é ao lado do marido.Você chegou. nem padre. a verdade me atingiu como um rai o: eu amava Julian! Agora. não passava de uma criança! E agora. estará dizendo claramente que não o ama. que nunca o amou! Port anto. Prometo ser mais compreensiva e demonstrar que o amo ta nto. não o quer.. quando já deveria saber q ue ele tem fraquezas . Todavia.mas.e Natal. Passei a mão pela testa dol orida e contive as lágrimas cansadas. . Julian veio dizer-me que era uma gatinha sensual. você era indiferente. Então. diga-lhe para afastar-se das garotinhas ou você pedirá o divórcio! Diga tudo isso e ele será como você quer.e que não suporta ficar sozinho! Levantou-se de um salto. nem Deus .repliquei fatigada. Talvez sempre o tenha amado. . Parou mais uma vez. Quanto mais decidida você estava a vencer. Meu filho também sentiu a existência desse elo en tre vocês dois. com meu ódio por minha mãe.. amou-o quando dançava com ele. você o aba ndonou num país estrangeiro. Não sei por que motivo tive essa impressão. A seu próprio modo. criando os fil hos daquele médico. continuam a amar as esposas! Se você permitir que o desejo de Julian por carne jovem a afaste dele.Sem Julian para dar-lhe inspiração e realçar-lhe o talento. Julian viu você! . .. que se deixaria dominar facilmente por seus encantos e logo cairia nos braços dele. apenas não conseguia aceitar o fato. onde estaria você? Sem ele . fazendo um jogo de mulhe r astuciosa. postando-se diante de mi m: . ministra-lhe drogas e foge. julga que odeia você! Agora.Ele me telefonou da Espanha e me contou tudo! Agora. está louca! Bata-lhe na cara.

esta ergueu a cabeça para olhar o avião e continuou a acenar até não conseguirmos mais enxergá-la.. . o prod utor e alguns outros homens ocupavam poltronas na primeira fila. caso as cois as corram bem. . ergui ambas as pernas e estiquei -as sobre as costas da poltrona logo à minha frente. ..Pobre criança. digno de ser amado pelo que era como pessoa. Embora eu tremesse de frio. Agora. atravessando o pal co numa série de jetés rodopiantes. apesar de ainda não haverem ligado a iluminação total. Não é de espantar que todos os críticos de balé julguem que ele será o astro desta década quando aprender um pouco de disciplina. Olhei para baixo quando o avião começou a subir e avistei Paul segurando a minúscula mão de Carrie .exclamou-me Chris ao ouvido. Na verdade. Estávamos ambos cansados. com o Georges. Disse em tom consolador: . Catherine. Vá depressa . deixando apenas que seus o lhos me dissessem que eu poderia voltar a ocupar um lugar em seu coração. tão sonolento quanto eu. é para seu próprio bem. Teremos que ensaiar muitas vezes. co m agasalhos de lã vermelha nas pernas. Acha que não é suficientemente bom para continuar vivendo porque seu pai jamais conseguiu convencê-lo do contrário. Você precisa evitar que meu filho se destrua. Quando conseguir salvá-lo. Procurei por Julian.. Diga também a Julian que o pai se orgulhava dele. Ele não seria nada sem você! Julian tem uma tendência à au todestruição.Lembra-se daquele livro a respeito de Raymond e Lily. Carrie chorou. . mas não o av istei. Chris. O calor do dia era contrabalançado pela frieza do imenso espaço.respondeu ele. orgulho-me do que você é como a rtista e como pessoa . . Não é perigoso. Só sairei de lá quando você tiver feito as pazes com ele e eu tiver certeza de que tudo está bem. Julian deve estar ensaiando no teatro. O sol brincava de esconder entre as nuvens carregadas de chuva que se acumulavam no céu. Oh! estava maravilhoso na justa malha branca. O palco estava brilhantemente iluminado.Chris . apoiei a cabeça no ombro de Chris e diss e-lhe que me acordasse quando chegássemos a Nova York. em que estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa. embora soube sse que Julian ficaria furioso. na metade posterior da platéia. Mas Georges se manteve em silêncio.Você é mesmo uma ótima companheira de viagem .Às vezes me esqueço do quanto ele é sensacion al no palco. as câmeras de T V em posição. nunca dançamo s antes neste teatro e é importante termos a noção exata do espaço disponível. muito mais leve.Nada disso! Irei com você! Não permitirei que volte para aquele louco.. Paul se manteve afastado. como sempre. A mim. Que seja muito em breve. Entramos na platéia escura. Ri. pois este fincou pé: . e nem mesmo permita que ele o veja. pois menti ao dizer que sem Julian você nada seria.Puxa! . se fui dura com você. Aproveitarão os ensaios para um filme promocional de espetáculo. Volte e convença-o do quanto você o a ma e necessita dele.Também estou procurando. Paul e Henny.indaguei sonolenta. o s componentes do corps de ballet transpiravam sob o forte calor dos refletores. prontas para focalizar o aquecimento dos bailarinos. Diga-lhe que se arrepende de tê-lo deixado sozinho. volte e diga a Jul ian que Georges o amava. .Agora. Bastou-me pensar em Julian para que este surgisse das coxias. e . Julian esperou anos a fio que o pai o encarasse como filho. . antes que ele cometa algo terrível contra si mesmo! Chegou a hora de despedir-me mais uma vez de Carrie. no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos? Não seria maravilhoso olharmos para ba ixo e avistarmos grama roxa? .replicou Chris num tom sombrio. Ajeitei-me numa posição confortável. O avião pousou no aeroporto de La Guardia por volta de três horas de um dia quente e abafado.resmungou ele. Mas logo encostou o ro sto em meu cabelo e começou a cochilar. O diretor. . Chris abriu uma de minhas malas e colocou-me um suéter sobre os ombros depois que nos sentamos perto do corredor. Aguardou por tempo igualmente longo que Geor ges lhe dissesse: Sim. achando graça no seu jeito. ele o disse muitas vezes. eu sempre soube.Madame Marisha aproximou-se para abraçar-me. salvar-se-á também.Claro .A esta hora. Num gesto automático. tenho certeza de que ele ficará feliz por reverme. mantenha-se à distância. E eu também tive culpa. satisfeita de tê-lo perto de mim. Chris carregava minhas duas malas pesadas.Sim . Diga-lhe. você será melhor bailarino que eu. enquanto eu levava a sua. . Só que desta ve z não precisei dizer adeus a Chris.

Yol anda escorregava e quase caía. sarcástico. Deus permita que desta vez saia algo digno de exibir a um público que tem o direito de esperar um desempenho melhor por parte de profissi onais! Sorri ao saber que Yolanda era apenas minha cobertura. .chamou ela com grande entusiasmo. A despeito de m im mesma. tudo dava errado. pelo aspecto suado e olhares raivosos de todos eles.esbravejou Julian! Não sou eu. faço parte daquele contrato! Moverei uma ação judicial! . o resultado foi igualmente desajeitado. Lange. Enquanto isso. . Ele nada poderá fazer d iante de uma platéia.refiro-me a você também. Cathy.Ei.Quando sua esposa ficará em estado de voltar ao palco? Foi a vez de Yolanda berrar: . Obv iamente.concordei. Lange . Um bailarino que deixasse uma bailarina cair. Mesmo eu. prov idenciarei para que nunca mais torne a pisar num palco! . é ela! Sempre salta antes da hora! . Sorri. de um para o ou tro.Marquet! .berrou o diretor. Gesticulando. então. não é mesmo? Quando me sentei ao lado de Madame Zolta. sabendo que Julian sairia logo do palco se sofress e muitas críticas.É apenas a cobertura da Srt a. Os olhos negros me viram sentada. Catherine! . é claro. sempre com maus resultados. aquilo já vinha ocor rendo há algum tempo.Preciso ir até lá e salvar Julian antes que ele estrague ambas as nossas carreiras. arruinando-me a reputação junto com a sua e com a dele. pondo-se de pé e olhando. O corps de ballet movimentava-se encabuladamente. resmungando e lançando olhares i rritados ao par no centro do palco.Com licença. impaciente. .Sim .. Julian erguia Yolanda e esta se deixava tombar no alto. Perversamente. julgara que fora d efinitivamente excluída do elenco.sussurrei . quando os bailarinos g emeram no palco eu também gemi. eu entraria em ação. Agora.Então. indicou: "Venha! Sente-se perto de mim!" . A qualquer momento o diretor suspenderia o ensaio para dez minuto s de descanso e.Corta! .. na primeira fila. famoso por sua impaciência com artistas que exibiam duas ou mais fornadas de uma mesma cena. você. um minuto. esperem um minuto! Fizeram-me vir de Los Angeles e agora parece que me pre tendem substituir por Catherine! Não admitirei tal coisa! Agora. Lá na frente.Maldito! . que se esforçava diligentemente para equil ibrar Yolanda.. pois eu também precisava de disciplina.berrou ela. diverti-me observando Julian faz er papel de palhaço e arrastar consigo Yolanda. . Então. Eu deveria ter sufi ciente juízo para não permitir que ele dançasse apenas com você.Srta. Não obstante.disse o diretor. obser vando a cena como uma águia. . . Mal Julian terminou sua apresentação em solo e Yolanda Lange veio piruetando das cox ias. Julian estendia as mãos para pegar-lhe a cintura e segurava-lhe as nádegas. Julian tinha que ajustar novamente a pegada para sa lvá-la do tombo. Ou melhor. afinal! Graças a Deus por este pequeno favor! Lá está se marido. Dahl. preste atenção a sua dei xa. Não me lembro de uma só coisa que vo cê tenha feito corretamente nos últimos três dias! . vamos tentar mais uma vez.é sempre culpa dela nunca sua! Tentou controlar a impaciência. aí precisava mudar rapidamente a posição das mãos. . apronte-se.disse o diretor. . sentada quase no fundo da platéia. pude escutar as imprecações de Yolanda.. Tornaram a repetir a mesma seqüência: um salto. procurando acalmá-la. . dançava bem até que Julian se apresentava para dançar com ela. Desta vez. você não estava tão doente. ela sibilou: . Chris .Está bem .. Que diabo há de errado com o seu ritmo? Pensei que você tinha afirmado já conhecer este balé. Madame Zolta virou repentinamente o pescoço sulcado de rugas para olhar na minha direção.Eu! . até então. usando uma malha vermelha. comecei a ter pena de Julian. fa zendo Yolanda parecer desgraciosa e Julian inábil. Estava mais linda que nunca! Dançava extraordinari amente bem para uma moça tão alta. se me deixar cair. que fazia todo mundo perder tanto tempo. é incapaz de dançar com qualquer outra bailarina! .chamou o diretor.Ei.Faz-me parecer desajeitada.. tensa.Eu também. Tudo estará bem. Marquet. sentindo-me tão exausta quanto eles. em breve ficaria se m par.

Você é um bruto maldoso e sem consideração. deixei-me cair no palco. . O alívio brilhou n os olhos negros de Julian .. boneca bailarina: ninguém me abandona.Seu marido. e volta pensando que ainda pode ocupar um lugar em minha vida. calcei as sapatilhas. Agora. Estonteada.vociferou meu irmão. um demônio.tomei seu lugar em tudo! Eu desejava ignorá-la e não acreditar em nada do que ela dizia. Foi quando me voltei sobre ela como uma selvagem. Ao invés disso. nunca me amou. quem providenciou para que Yolanda fosse minha substituta ? .mas apenas por breve instante. amor.Você não me ama . . Cada passo minúsculo podia ser medido e teria a mesm a distância.disse ele com grande frieza. já não faz diferença para mim! Dei-lhe o melhor de que fui capaz.Nunca me amou. Julian interrompeu a seqüência do balé. Então. Empalidec eu de dor. apoiando-me nos pés que doíam tanto a ponto d e eu ter vontade de berrar. ele exibiu um sorriso malévolo. Aqueci-me rapidamente na b arra existente no camarim. meu amor . Que faria ele? Enquanto eu obser vava Julian fazer um solo no palco.. olhando para os pés que inchavam rapidamente. especialmente minha esposa. Julian é meu! Ouviu be m? meu! Já dormi em sua cama. pulou muito a lto e desceu com toda força..Olá .Você foi substituída . Por mais que eu fize sse ou dissesse.sibilou-me ao ouvido Yolanda Lange. Julian agarrou-me os ombros e sacudiu-me como uma boneca de trapos. Refleti que estava preparad a para quase tudo quando Julian me avistasse. sozinha. ajoelhando-se para desca ..Escute bem uma coisa. Chris correu do auditório escuro para socorrer-me. Todo o seu peso se abateu c omo um bate-estaca sobre meus artelhos! Soltei uma exclamação de dor. Portanto. Julian girou nos calcanhares e debruçou-se para aca riciar-me o queixo.Portanto. Como poderiam cortar a cena. dou-lhe isto ! Com aquelas repentinas palavras.. vá correndo vestir uma malha de dança e salve-me da extinção total! Foi apenas questão de segundos vestir uma malha de ensaio e. enquanto ambos fazíamos uma seqüência perfeita e ninguém mandou cortar a tomada.Não está dizendo a verdade .Sim. . Então. não sabe ser razoável! Logo ficará louco. bem? . Franziu os belos lábios vermelhos até ficarem feios. enquanto eu me coloquei en pointe e deslizei para o palco. fazendo pliés e ronds de jambes para bombear o sangue n os membros.Agora. . diretamente sobre meus pés. minha amada Catherine. Julian é impossível! É um furacão. sem parar de acomp anhar o ritmo da música.. se fizemos tudo com tanta perfeição? . de repente. tarde demais para salvar-me. fazendo um perfeito "colar de pérolas". . mas não bastou. se não tornar a ver seu rosto. Certamente não será você. . esperando tudo dele. quando me aproximei batendo as pálpebras para e ncantá-lo ainda mais. Eu era a tímida jovem aldeã que se apaixonava doce e verdadeiramente por Loys.indaguei -. tentei focalizá-lo. caia fora e fique por lá! Teve sua oportunidade e a jogou fora: agora. Em breve estava pronta.Você foi uma idiota quando per mitiu que ele assumisse o controle. Yolanda tentou deter-me. senti-me repentinamente empurrada com força po r detrás! . você verá quem dançará Giselle comigo. empurrando-a com tanta força que ela caiu.Maldito seja ele por fazer isto! ..berrou o diretor. . meu coração querido. por isso a escolhi. . sei que você a detesta. Ou melhor: logo nós fica remos loucos. Os outros no palco prenderam a respiração ao me reconhecerem.Madame .Por que voltou? Seus médicos a expulsaram de lá? Já enjoaram de você? . utilizei-me de seus cosméticos e usei suas jóias . Hesitei nas coxias escuras.repliquei.Intervalo! . agora eu não a quero mais! Não preciso mais de você. pois não se passara um só dia sem que eu fizesse várias horas de exercícios. ele fez um rodopio e me abandonou no centro do palco.replicou ela cruelmente. Quando veio a deixa para a entrada em cena de Giselle. Julian! Substituir-me por Yolanda quando s abe que eu a detesto! De costas para os espectadores. tão logo terminei de en rolar e prender bem os cabelos.disse Julian com amargura. E você pode ir b ancar a puta para o homem que quiser! Cai fora da minha vida! . Agora. . Meu amor .

tudo depende. soluçando e fungando.lçar-me as sapatilhas e examinar os pés. Um par d e jarras que Paul nos dera como presente de casamento também tivera o mesmo fim. entrou no apartamento e fechou a porta com um empurrão do calcanhar. Cathy. T udo que era bom e caro.disse Chris em voz baixa. para que o cliente o julgue o maior quando tudo dá certo . deixado à mostra para que todos pudessem admirar as belas variações de preto. atirado no chão. .. as cúpulas rasgadas em tiras. boquiaberta.Vândalos . . Atemorizada.mas não cons eguia. os dedos maiores foram poupa dos. perguntei a Chris.. Sorriu. Depois.Leve Catherine para o nosso ortopedista . .Lev e-a depressa para o médico. os médicos preferem ser exageradamente pessimistas.. Então. Temos seguro contra acidentes.tudo destruído além de qualquer possibilidade de restauração! . as armações de arame retorcidas. . Desajeitadamente. basta! Está despedido! O Décimo Terceiro Bailarino Ambos os meus pés foram radiografados. Os abajures espalhados pelo chão. Todos os valiosos adornos de louça e cristal estavam quebrados na lareira. Temo que al guns artelhos de cada pé estejam fraturados. Cada um dos artelhos no aparelho de gesso se encontrava seguramente aninhado em seu próprio compartime nto acolchoado e devidamente imobilizado. Graças a Deus. Ten tou ajeitar-me da maneira mais confortável possível num dos macios sofás. Chris me pegou no colo com facilidade e estreitou-me contra o peito. revelando três artelhos fraturados no pé esquer do e o dedo mínimo fraturado no direito. Mas não disse do que dependia. muito querido .ordenou Madame Zolta. Almofadas bordadas por mim durante as maçantes viagens de um lug ar para outro em nossas excursões estavam cortadas. a fim de colocar sobre elas almofadas que as manteriam elevadas e reduziriam a inchação.aconselhou. Com extremo cuidado. Mas aquele marido imbec il. Outra grande e macia almofada foi -me colocada sob os ombros e a cabeça. Ch ris ergueu-me ternamente ambas as pernas. que avançara par a observar meus pés inchados e roxos. tentou mover-me os dedos.Claro que voltará a dançar . Mantive os o lhos fechados com força. rasgado da moldura.. . com um aparelho de gesso ainda fr esco no pé.replicou ele. Olhou de perto para Chris. mas gritei ao sentir a dor terrível . olhei em volta. tornou a pegar-me cuidadosamente no colo..Às vezes. distante . tentou amparar-me enquanto usava a chave para abrir a porta do apartamento onde eu morava com Julian. Meu irmão tentava mostrar-se profissional. .Você é o irmão de Catherine. beijou-me a testa e apertou-me a mão quando as lágrimas me saltaram aos olho s.graças à sua perícia incomum. Chris carregou-me para fora da sala do ortopedista. . do contrário talvez eu nunca mais voltasse a dançar! Uma hora mais tarde.Simplesmente vândalos. que coisa horrível! Nosso apartamento estava destruído! Cada quadro que Julian e eu tínhamos escolhido c om tanto esmero fora arrancado da parede. Portanto.Você poderá ou não voltar a dançar. Até m esmo as duas aquarelas que Chris pintara especialmente para mim: retratos meus e m trajes de balé. Nossa sala! Que desastre! oh! Deus. . Esbugalhei os olhos.Tenha calma .quis saber ela. chegando-me até o joelho..objetos que Julian e eu planejávamos guard ar pelo resto da vida e deixar para nossos filhos . Cuidarei para que seus dedos soldem corretamente. causador de toda essa encrenca? . Você vai precisar de um ortopedista. Em meus pensamento s.Ficará boa. Revelava-se chocado cada vez que seus olhos passavam de um objeto para ou tro. enquanto eu me derreei sobre as almofadas. abri os olhos para examinar-lhe a expressão do rosto. destruídas! As plantas caseiras tinham sido arrancadas dos vasos e deixadas à morte com as raízes expostas. enquanto o dedinho quebrado estava apenas prot egido com esparadrapo e deixado para soldar-se sem o gesso.. nem u ma só palavra. Já que ele se mostrava tão calado.. confiante. E Chris não pronunciou uma palavra. azul e roxo que ostentavam. as últimas palavras agridoce do médico eram insuficientes para animar as perspect ivas futuras: . procurando suprimir a dor que sentia a cada movimento. afastando-se para examinar os outros cômodos. pois vira-o apenas algumas vezes anteriormente. .

pois eu lhe darei mais e melh ores. . Logo adormecerá e esquecerá tudo isto.Chris. no present e.Quantas vezes desabafou a raiva sobre você? Quantos olhos inchados? Eu vi um. . por favor .como no sótão. tornando as sombras suaves e arroxeadas. tolos e confiantes demais. Julia n voltaria para casa e encontraria Chris comigo . Sentia-me zonza. E foi com os olhos azuis marejados de lág rimas que ele estendeu a mão espalmada para mostrar-me o aro de um anel de noivado outrora exótico: o presente de Paul. Fechando os olhos.disse ele.. .Maldito seja ele!. minha querida.. Chris. sentado na beira da cama. estudava-me o rosto. Chris procurou. mais tarde. . mas não encontrou o brilhante. vi-me cercada de montanhas encobertas de névoa azul que ta pavam o sol . Haviam-me injetado sedativos. desorientada e um tanto indiferente. Nunca. Suas jóias estão espalhadas pelo chão do quarto. ao ver a manga azul de uma das minhas camisolas prediletas. Veja os objetos que ficaram inteiros: são coisas que ele escolheu sozinho.Não sei o que pensar. Parece que alguém resolveu destruir de liberadamente tudo que era seu. . sentando-se cautelosamente na beirada do sofá e estendendo a mão para pegar a minha. Apenas seríamos mais contro lados e teríamos o cuidado de manter em carne e osso as pessoas que amávamos.Cathy .Oh! como Julian devia odiar-me. passarei uma revista no quarto até encontrar o brilhante. Voltou para cá e desabafo u a raiva em meus pertences. O engaste fora quebrado para soltar o límpido e perfeito brilhante de dois quilates. baixinho. Todas as suas roupas e sapatos foram estragados. . pensávamos que toda a alegria ficara no passado. . Ainda zonza. quase indife rente.ia ser o diabo! .exclamou Chris. A qualquer momento.acrescentei com amargura. Eu. estava cober ta por um lençol e uma manta fina. quando acordar. Acreditamos que seríamos ricos como Mida s e que tudo em que tocássemos se transformaria em ouro. Não se lamente pelas roupas e coisas que ele lhe deu.. Naquel a época. meu único amor. quando o ambiente no sótão assumia aquele aspec to sombrio.afirmou Chris calorosa . usando aquela mesma expressão de "olho de furacão" que eu lhe vira poucas vezes na fisionomia. julgamos que um futuro maravilhoso nos esperava. o vento uiv ava. . ainda não sou uma prima ballerina . deixando intactas as coisas de Julian. Ainda será uma prima ballerina! . porém. dizendo e fazendo o que era mais adequado. A escuridão do crepúsculo invadia o quarto.Cathy. Sim.Sim. dizendo que poderíamos fi car em sua casa? Na ocasião.perguntei.o ódio estava próximo. Você atingiu sua meta e é médico . Chris sempre fora capaz de reconfortar-me quando nada mais pode ria fazê-lo. de modo a diminuir a dor nos artelh os fraturados. e ficávamos sozinhos à espera de algum horror que estivess e por acontecer. Olhei para as janelas e percebi que já anoitecia. guardando no bolso o aro de platina. Quando acordei. . não sei o que me leva agir assim quando a amo tanto!" . Vou arrumar a cama e você poderá descansar no quarto. .Lembra-se do dia em que Mamãe recebeu aquela carta da avó.. fiz questão de não olhar. Estava sempre presente quando eu necessitava dele. tive a impressão de que as lágrimas que eu pr ocurava conter passaram para seus olhos.Julian . Alguém dentro de mim gritava incessantemente .Sim . "Sinto m uito. declarando-se arrependido.Cathy .Não fique assim.começou ele. na qual colocara lençóis limpos. . mas apenas normais.pedi em voz sonolenta e preguiçosa. ele deve ter-me carregado para a cama.. com o rosto muito composto. você me tirou as roupas e vestiu esta camisola? .Lembro-me. mas quantos foram? .Deve ter sido ele. . Julguei que seria mais confortável que aquele terninho com a calça descostura da até acima do joelho. as pulseiras deformadas. eu a levarei embora daqui. Quanto ao anel que foi presente de Paul. os colares arrebentados. jamais. lembra-se? Estou acostumado a ver de tudo.disse Chris. amedrontador. hesitante. E quando adormeci. vi Chris como outrora.murmurei com voz sumida. Lançou-me um olhar confuso e preocupado. os anéis esmagados.. .Você está b em? Parece prestes a desmaiar. O aro de platina estava transformado num ova l disforme. éramos pequenos. mais uma vez -. não se menospreze. Além disso.Tolos? Não acho que fôssemos tolos. Ele nunca me bateu sem chorar depois. para fazer tal coisa! Chris voltou pouco depois. E sou médico.

cuidarei disso.Deixe-me deitar a seu lado e abraçá-la. Ele não me quer perto de você. está bem? Ele assentiu com a cabeça e comecei a adormecer outra vez. .. Portanto. tão logo ele abrir a porta. há muito tempo. causando-me dor e depois desculpando-se. Como num sonho. você.desejando esquecer tudo o que ele tinha de ruim. escutei alguém comentar que Julian ficou muito diferente desde q ue começou a andar com Yolanda. Além disso. . Sorriu para animar-me. se Julian controlasse os ataques de nervos que at emorizam todos os gerentes de companhia de balé e evitam que vocês tenham melhores c ontratos.Então fique. a face e.murmurou ele. levantarei e não me meter ei na conversa. Portanto.. defendendo o que havia de bom em Julian e . como os meus..não s ei por que motivo . você está presa a uma companhia de balé sem importância porque se recusa a abandonar Julian. quando Julian chegar.. Oh! meu Deus.Chris! . senti lábios suaves se moverem sobre meu rosto.. Cathy! Só um louco seri a capaz de fazer isso! Não vou deixá-la enfrentar sozinha um louco! Ficarei aqui par a protegê-la. Todos desconfiam que ele está usando tóxicos e só por is so mencionei o assunto. virei-me um pouco para o lado e correspondi-lhe os beijos. onde ninguém nos conheça. Não teremos filhos. cobrindo de beijos ardentes meu rosto. eu o amo. que àquela hora já deveria es tar em casa. Além di sso. pescoço e o bus to que desnudara-se..Cathy. seria dez vezes mais violento. .que nos amaremos para sempre! Nada poderá alterar isso! Fuja de mim e case-s . À sua maneira. as pálpebras. Preguiçosamente.Ele pulou em seus pés quando sabe que você precisa deles para dançar.A vida inteira só tive frustr ações. . .mente. enquanto el e não chega. .Além disso... Se ele me bateu algumas vezes. foi apenas para fazer-me entender isso. . como se a única realidade fosse a cama e o sono de que eu tanto necessitava.. que nunca poderei possuir! Cathy. Diga-me o que poderá fazer sozinha se ele resolver castigá-la novamente por tê-lo abandonado na Espanha! Pode levantar-se e correr? Não! E não vou deixá-la aqui desprotegida. Podemos adotar crianças.Entende? .Já seria.Eu a amo muito. Sem minha presença para controlá-lo. julguei por um instante que se tratasse de Julian. finalmente. Chris. eu a amo tanto! . Na verdade. . Você sabe que seremos bons pais. Era bem verdade que os ferozes ataques de nervos de Julian afastaram de nós mais de uma oferta pa ra fazermos parte de companhias de balé muito famosas. sei por experiência própria que Yolanda toma tudo que estiver ao seu alc ance. apressando-se a endireitar as almofadas e aj eitar-me as pernas sobre elas.. . sabe que nos ama mos . Meneei a cabeça em afirmativa e aninhei-me nos braços cálidos e fortes que me envolveram.disse Chris. . l argue Julian! Venha embora comigo! Iremos para algum lugar distante. havia um bebê cujo destino eu precisava decidir. .protestei. Tento amar outras. Chris.exclamei. Desorientada. Não quero que Julian chegue e o encontre aqui. acariciando-me.Você precisa ir embora. Mas. Eu estava sonolenta. dolorida e preocupada com Julian. sem prestar a tenção..exclamou Chris. ..Não me mande parar .Você não está entendendo! Está permitindo que a pena que sente de Julian lhe roube todo o bom senso! Olhe em volta. tentei virar-me de lado e as pernas escorregaram das almofadas. desejando que meu irmão não tivesse dito aquelas palavras. ou drogado. mas é sempre você. Quando você foi trocar de roupa no camarim. Fez uma pausa antes de acrescentar: . Só então percebi. E agora eu entendo. fazendo-me s oltar um grito de dor. O s cabelos não eram fortes e crespos. pedindo desculpas por humilhar-me e machucar-me. não me venha dizer que está lidando com um homem mentalmente são. Prometo não dormir e. pois costumava agir ass im. e viveremos juntos como marido e mulher. .. fazendo-me amor com um abandono sel vagem.Pare! Mas ele perdera o controle. Julian me ama e necessi ta de mim. mas sedosos e finos.. fique à distância e deixe as palavras por minha conta.Ele não toma tóxicos! . beijando-me os cabelos. não se mova . Tentei mais uma vez encontrar alívio no sono.. E não posso abandoná-lo.. quando ele pode chegar em casa bêbado. Suspirei.escutei-o dizer. . a boca. de volta à nossa casa. abraça ndo-o e enfiando os dedos entre seus cabelos fortes e escuros.

.. estendi a mão para atender. é a mim que você quer . estou esperando um filho de Julian. Traga consigo seus documentos de seguro. e este seguirá sozinho o caminho da fama. só abraçá-la.Chris. demorei-me lá mais do que pretendia... Meu lindo vestido de veludo verde com adornos de gaze verde-claro dissolveu-se ao t oque de suas mãos ardentes . Dançávamos uma valsa no imenso salão de bailes de Foxworth Hall e. Seus cabelos l ouros estavam-me abaixo do queixo e ele passava o nariz nos bicos de meus seios.e com uma dúzia de outros homens.mas é um amor sem perspectivas e. embora não visse minha expressão de recusa. A árvore de Natal no canto do salão parecia atingir o céu e centenas de pessoas dançavam conosco . Sou eu. tentando focalizar a atenção no que ele dizia e fazia. O silêncio. não permitindo que eu apreciasse o que poderia encontrar em Julian. Sra. Deveria ter sido melhor esposa. recusava-se a escutar meus débeis prote stos. carteira de identidade e quaisquer . .Julian sempre me implorava para dizer que o amava e eu nunca disse. ele não teria necessidade daquelas garotinhas. e me deixou sozinha.. o segundo marido de minha mãe. duas cria nças se escondiam no interior da maciça cômoda com o fundo de tela de arame.Sra. deixe-me viver o bastante perto de você para vê-la e escutar-lhe a voz todos os dias. pegou-me no colo para s ubir a larga escadaria e depositou-me na suntuosa cama com formato de cisne. escutou-me a voz. Ju lian e eu vamos ter um filho.Poderia vir o mais rápido possível. recusando-me a ver tudo o que Julian tinha de bom e belo fora do balé. terei o filho de Julian . . Pela maneira como ele recuou. a fim de afastar as dúvidas sombrias de minha mente. Acordei sobressaltada. vou ter um filho com Julian .Quero o filho de Julian . desejo que tudo voltasse a ser como antes. Marquet? Veja se consegue alguém que lhe dê u ma carona. Portanto. sem a beleza saudável de carne e osso que Bart e eu possuíamos. se algum dia me amou. . Bart parou de dançar.. começou a chorar. Por que um telefone que toca na calada da noite tem sem pre um som tão ameaçador? Sonolenta... Então. ergueu o rosto para encarar-me. Eu sempre amar ei você ... parecia que eu o esbofeteara. . por esse motivo. Mantive-me sob um guarda-sol enganador. De repente. Julian Marquet? Despertei um pouco mais. onde havia o pecado e moravam os maus pensamentos.. desisto dele. depois Julian. ..Alô? .. . Chris saiu. Chris. Logo adormeci e comecei a sonh ar com Bart Winslow. E nós pagaríam os se algum dia. envolveu-nos.e o poderoso membro masculino que me penetrou e se mo vimentou em minhas entranhas fez-me gritar e berrar. lá em cima. Às vezes.. curv ando-se e escondendo o rosto nas mãos.. mas terá sempre o coração nos olhos quando me fitar.Venha comigo e deixe-me ser o pai da criança! Julian não merece! Mesmo que jamais me permita tocá-la. Seu marido sofreu um acidente de automóvel e ainda está na sala de cirurg ia. Sentou-se na beira da cama. Mas não! Não haveria "se algum dia". Mesmo que eu nunca mais volte a dançar.porque o amo. e nossos gêmeos. agora. liberte-me. Chris e fracassei com ele sob muitos aspectos.indagou Chris. esfregando os olhos. um bebê.. De repente..declarei com uma firme decisão que me surpr eendeu. . espantado.. perto da balaustrada do balcão. portanto. .Christopher. Cathy! Primeiro Paul. Desista também! Es queça o passado de uma Catherine Doll que já não existe. então.mas eram pessoas de celofane transparente. ...Sim. tê-la outra vez! Agora saberei dar-lhe o prazer que não consegui proporcionar antes. por favor. .como eu a quero! Deixando-se levar pelos próprios argumentos. que ambos conhecíamos bem. batendo a porta. .Você sempre me derrota. Falhei porque você e Paul encheram-me os olhos e o pensamento. A mulher disse o nome de um hospital no outro lado da cidade. Consultei um ginecologista qu ando estive em Clairmont.Você perdoa Julian ter-lhe fraturado os artelhos? . encerrando-nos em nosso mundo s ecreto particular. Interrompeu o doce êxt ase de beijar partes secretas que me excitavam. apenas você e eu.Cathy. Cada grito agudo soava exat amente como um toque do telefone. abandone Julian antes q ue ele nos destrua! Sacudi a cabeça.

berrei. . Eu não estava no aparelho. Precisava estar ao lado de Julian quando ele voltasse a si.Ele vai viver? . . Julian foi trazido para baixo.disse ele.Olá. Oh! não minta . sem falar nos ferimentos internos que o haviam mantido na mesa de operações duran te três horas! Exclamei: .declarava. normalmente tão cheios e vermelhos. Fitava sem a menor expressão de tristeza o rosto inconsciente de seu único filho. Falava.Diga-me outra vez que ele voltará a dançar.. . Sra. Ela. . Então. que erguia sua perna direita engessada da ponta do pé até o quadril. onde podia cochilar a intervalos. Sentamo-nos em uma das estéreis salas de espera para aguardar noticias e sabermos se Julian sobreviveria ao acidente e à cirurgia.. pareciam tão pálidos quanto o rosto. Naquela hora obscura e solitária que precede o amanhecer. Dois patrulheiros rodoviários estavam com o carro da políc ia estacionado à nossa porta. Encontrava-me de volta a Gladstone. arrastada e ininteligível que eu não conseguia entendê-lo. Ele exibiu um leve sorriso irônico. Os lábios. aparentemente insensível . Mas tudo isto era nada em c omparação com a cabeça de Julian! Estremeci ao vê-la! Fora raspada em vários lugares e tra zia as marcas dos furos feitos para a introdução de instrumentos metálicos destinados à manipulação do crânio! Uma coleira de couro forrada com lã envolvia-lhe o pescoço. sonhador.Julian .Seu estado é crítico. fora de foco. eu me sentiria amaldiçoada e perseguida pelo remorso pelo resto da vid a. mas sua voz era tão pastosa.. após horas a fio na sala de recuperação. Julian recobrava a consciência e tornava a perdê-la. voltou para mim os olh os negros. não tive uma só noite completa de descanso. Os dias se passaram.Preferia morrer a estar assim. .. Tinham-no colocado no que chamavam de "cama de fraturas" ... Cathy querida . Olhava-me com olhos sem brilho. oferecerem o consolo possível. e interromperam rapidamente uma festa de aniversário para informar-nos de que Papai estava morto. . Chris telefonou para Madame Marisha. por volta de mei o-dia. E se isso a contecesse.Não morra. . Madame Marisha veio da Carolina do Sul e rondava o quarto usando um horrív el vestido negro. no hospital.Você não teria tamanha sorte. dizer-lhe todas as palavras que lhe ne gara de modo tão avarento.ele tem que voltar a d ançar! Passaram-se cinco dias tenebrosos antes que Julian conseguisse focalizar suficie ntemente os olhos para enxergar. O quarto de Julian estava cheio de flores enviadas por centenas de admir adores. Chris e eu chegamos ao h ospital.É melhor ele morrer agora . Sabia que você precisaria de mim. na Pensilvânia. Alugu ei um quarto ao lado do dele. O braço esquerdo fraturado.Estou aqui.e os grandes também. . Tod avia. Afinal. sobretudo. chorava em meus braços.Chris! Chris! . . estava colocado numa po sição peculiar.É melhor do que vo ltar a si e verificar que ficou aleijado para o resto da vida. a fim de implorar -lhe que lutasse para viver e. Sra. Desculpei-lhe todos os pequenos peca dos .Olá. ..e ela chorava. sugerimos que sejam avisados. por favor! Nossos colegas de balé e músicos vinham em grupos ao hospital. Fratura de vértebras do pescoço! Além de uma fratura na perna e uma fratura exposta no antebr aço. Sofrera um acidente na Rodovia Gre enfield. aterrorizada pela possibilidade de meu irmão ter-se ido. . baixando os olhos para a perna sob tração. seu olhar assumia uma expressão de pena e incredulidade . Marquet . Pensei que nunca mais acordaria . onde poderia ver-me e reconhecer-me. Ainda está no aparelho? Não.Se ele tem o utros parentes.um aparelho que parec ia um instrumento de tortura. que se gabava de nunca chorar ou demonstrar tristeza.respondi. Marquet?. Incapaz de virar a cabeça.. rouca de tanto repetir a frase.responderam com a maior calma. O rosto pálido apresentava cortes e equimoses.sussurrava-lhe. pois eu temia que Julian morresse a qualque r momento e não queria perder a única oportunidade de dizer que o amava. e tinha onze anos de idade. . também engessado.dados médicos disponíveis. como costuma acontecer quando a morte está tão perto.

estendi-me cautelo samente ao lado de Julian e enfiei-lhe os dedos nos cabelos em desalinho . você não está paralisado. preferimos a fantasia.Rasgou minhas roupas! Andei de um lado para outro. .Jule. dispensando-me.Não. Pensava amar outra pessoa.disse eu.não agora. Não pertencemos à raça humana. .Sim. arranco-lhe o coração! .ou me lhor.Em que somos diferentes dos outros? O riso de Julian foi a um só tempo zombeteiro. Bocejou. .Saia e deixe-me em paz. . Este fechou os olhos. A medula não foi rompida.Vá embora. . filhos não servem par a gente como nós. talvez mais que apenas alguns. .Está mentindo . Seria eu apenas uma boneca q ue dançava? Incapaz de viver no mundo real fora do teatro? Era possível que fosse tão inepta quanto mamãe para enfrentar a realidade? . Julian tinha um braço são.Não sinto absolutamente nada da cintura para baixo. Case-se com algum filho da puta e faça-o infeliz também.. Portanto.vociferei quando consegui falar .Julian . . Estou cansado . gente como nós. Tivemos alguns bons momentos. portanto caia fora daqui e não volte! Saí da cama e peguei minha bolsa. Você não sabia? . . Idiotas que dançam. permaneceu e stendido ao longo do corpo. .Nem teremos..Maldito seja por quebrar todas as nossas lindas coisas! Sabia com que esmero e scolhemos todos os objetos. . eu o amo.Graças a Deus. . E ncontra-se apenas em estado de choque. Cathy. . da mesma forma como ele estava chorando com o olhar fixo no teto. satisfeito. têm medo de serem gente de verdad e e viverem no mundo real. Caia fora enquanto pode.Se tornar a sê-lo. . Quando eu era criança. esmagada ou mesmo afetada. nada nos resta para deixarmos para ni nguém! Ele sorriu. Você pode requerer o divórcio. não temos filhos .Não totalmente infeliz.. pois me parec ia pouco natural pular de repente de um amor para outro.. tendo por baixo um colchão que podia ser baixado e erguido p ara permitir a colocação de uma comadre sob Julian sem lhe alterar a posição do corpo. recus . . palavra de honra. Chorei.Julian.Não fui eu quem estragou suas coisas. As lágrimas me corriam pelo rosto. Tenho sido infiel repetidas vezes.disse Julian.Gente como nós? .Bem. ac reditava que o amor só acontece uma vez na vida de cada pessoa e depois de se amar alguém era impossível amar-se outra pessoa. no que restava deles. nada mais. caia fora daqui! Você não me ama! Esperou até pensar que estou morrendo para vir com essas frases melosas! Não quero nem preci so de sua piedade.Maldito seja por destruir nosso apartamento! .O que somos. . .. mas insisti até forçá-lo a dizer: . Mas eu assisti. que nos custaram uma fortuna! Sabe que desejamos dei xá-los como herança para nossos filhos! Agora. . acariciei-lhe o peito. como se não quisesse responder. eu não sabia.Sim. sentindo todo o peso da tristeza. Com a mão livre. Não obstante. furiosa. então? . sentindo ímpetos de esbofetear aquele rosto já ferido e inchado. . pingando em Julian.Levantei-me e fui até a cama ortopédica feita com duas largas faixas de lona presas a duas fortes barras. Sempre pensei que fossemos pessoas de verdade. mas eu não estava disposta a ser dispensada.. por assim dizer. foi Yolanda. Mas não precisa continuar ao meu lado só par a cuidar de um inválido. Nem sua mão em meu peito. Senti-me doente. que poderia estender para abraçar-me. Mas estava enganada. A cama era dura e não permitia movimento do doente. .Só alguns? . você sabe.disse com voz aparentemente sonolenta por caus a de todos os sedativos que lhe ministravam. sonolento e amargo. Eu não presto.Não somos reais.. Não quero ouvir o que você tem a dizer .Eu o fiz infeliz? Ele piscou.Bonecos que dançam. Na verda de. temendo que ele falasse a verdade.. agora pouco me importa. . Por isso.De todo modo.disse com amargura. Todavia. não resta nada para ninguém.

Chris. o décimo quarto de uma longa linhagem de bailarinos. Nada.Chris . .. A vida nada valia para ele se não pudesse voltar a dançar. de volta e xatamente ao ponto inicial.Eu o amo. que vivíamos. Aturdida. .Onde ele conseguiu a tesoura? . mas senti-me obrigada a fazer o que ele queria . Chris passou a noite inteira abraçado a mim. fingindo não escu tar..Pare! Você me enoja! .disse-lhe eu.murmurei...Catherine .Está certo . morto.. na minha opinião.. Yolanda fora atirada para fora do carro no acidente e seria ente rrada naquela manhã.Ele próprio. Cathy.perguntou rispidamente Chris à enfermeira. com uma abertura para a agulha chegar à veia. Julian foi sepultado ao lado do pai. E lá estava eu. ele arranjaria ou tra. Eu devia ter previsto e prevenido. e vale muito a pena viv er por esse filho. . Ou talvez ele a tenha apanhado quando me debrucei sobre a cam a. . Voltei para sacudir Chris e acordá-lo. ele praticamente cuspiu as palavras: .queira ou não queira! Rolou os olhos negros e brilhantes para mim e percebi por que motivo brilhavam: estavam cheios de lágrimas. . fitei a tesoura frouxamente segura pela relaxada mão direita de Julian. amad o esposo de Catherine e décimo terceiro de uma longa linhagem de astros russos do balé". acendeu a luz do teto e depois acordou a enfermeira. contendo um líquido levemente amarelado que mais parecia água que qualquer outra substância.solucei. O número quatorze não dá mais sorte que o t reze. Parei junto à porta e observei Julian à difusa luz esverdeada do abajur coberto com uma toalha verde. que nos podíamos enlutar e chorar. olhei para o frasco pendente. Chris puxou os lençóis e lá estava o aparelho de gesso no braço de Juli an. que c omeçava a tremer. Ao entrar.. mesmo que você não me ame mais. O mesmo respeito que eu t ambém deveria ter dado a Julian.Maldita! Como pôde adormecer? Está aqui para cuidar do doente! Enquanto falava..Oh! Deus! . . .Deve ter caído do meu bolso .atalhei. Debrucei-me para beijar-lhe os lábios. . enquanto ele tentava orientar-se. No quarto ao lado. Por favor. Não sei por que razão.disse Paul. nós. . Mas a voz de Julian se tornou mais branda e assumiu um leve tom amoroso. Estou esperando um filho s eu.ou o que eu julgava que ele queria. Acordei bem cedo n a manhã seguinte. Cemitérios. com suas estátuas de santos e anjos de mármore. indiferente. . Talvez fosse um epitáfio ostensivo e revelasse meu fracasso em amá-lo o suficie nte enquanto viveu. O tubo intravenoso em seu braço passava por baixo do lençol a té chegar à veia.disse ela com voz sumida. tão piedosos e tão sóbrios .. Uma enfermeira ficava de plantão a seu lado a noite inte ira.como eu os odiava! Condescendiam conosco. todos sorrindo docemente. sorrindo piedosamente para todos. que se mantiveram duros. Dormia profundamente.E sinto muito só ter compreendido e dito isto tard e demais. . Não feche os olhos..suspirou Chris. não permita que seja tarde demais. Era a tesourinha que ela usava para cortar a linha do bordado.Juro que não me lembro d e a ter perdido.. Rápido demais. .. enquanto eles ali permane ceriam durante séculos.. de frágil carne e osso. Em seguida. Estava profundamente adormecida ao lado da cama ortopédica.Aconselho-a a livrar-se desse bebê. A agulha ainda estava inserida n a veia e presa com esparadrapo na posição adequada. sem reação. mandei gravar na lápide: "Julian Marquet Rosencoff. Se eram lágrimas de alto comiseração ou frustração. porque vai ser pai . contraídos.. .Ele próprio cortou o tubo ..Uma bolha de ar deve ter chegado ao coração. quando estávamos todos sentados na comprida limusine pre . mas o tubo fora cortado! .ando-se a ver ou escutar. . Julian . Paul. Libertei-me cuidadosamente dos braços de Chris e ajeitei-lhe a cabeça adormecida numa posição mais confortável antes de esgueirar-me para dar uma espia dela no quarto de Julian. Após certificar-me junto a Madame Marisha de que ela aprovaria o nome. Carrie e eu paramos também diante do túmulo de Georges e curvei a cabeça para demonstrar meu respeito para com o pai de Julian. O nível do líq uido baixava depressa. e agora está morto. Mal terminei de falar e Chris já pulara da cama e corria para o quarto de Julian.Se não fosse dessa maneira. eu não sabia..O soro não deve pingar devagar na veia de Julian? Está passando muito depressa.

. a tristeza desapareceu como se Madame tivesse despido um manto e scuro. A porta às minhas costas se abriu e fechou quase silenciosamente. de modo a poder estar p resente no dia em que meu sobrinho.Boa noite.Já era ruim viajar tanto quando estava cursando a escola preparatória e a universidade. Preciso de tempo. . Nunca.respondi. Dentro de mim. Voltar a dançar? Como poderia eu dançar. Transformaria aquela criança no centro de minha v ida.. Chamar-se-ia Julian Janus Marquet. Olhei para Chris. Passei por Chris. Menino ou menina.exclamou. pois terá um filho que será exatamente como ele! . eu ouviria música de balé todos os dia s. A partir de agora.Deus. alcançaria a fama que deveria ser de Ju lian e. .. . . Compreendiam-me. ou sobrinha.Cathy .. sentado no banquinho escamoteável. Não virei a cabeça.Não se demore m uito aqui fora.disse baixinho -. quando Julian estava enterr ado? Tudo que eu tinha era o bebê. Julian não está morto.à frente e atrás. evitando-me o olhar.Está esperando um filho de Julian? . Minha cabeça pululava de pensamentos para o futuro. depois que seu bebê nascer. Chris também estará lá.disse Paul suavemente. Paul . Janus para signifi car que conseguia ver em ambos os sentidos . c aso não se importe. Subi lentamente a escada. Ele se sentou na cadeira ao lado da minha e passou a balançar-se no mesmo ritmo que eu.Por que não me contou antes? Que maravilha! Ficou radiante. Lembranças do pas sado causavam conflitos e quase me afogavam. pensando na criança em meu útero.ta.Agora não..Objeções? . Ainda é muito jovem. não seria obrigado a contentar-se com uma irmã mais velha. mas eu g ostaria de uma garotinha como Cathy e Carrie.disse ele. Venha para casa e more comi go e Carrie até seu bebê nascer.. muito bela.Seu quarto está exatamente como antes. . sabendo que ele tivera uma of erta para ocupar uma posição muito melhor num hospital deveras importante e preferir a trabalhar como interno num pequeno e insignificante hospital do interior. . não vingativos. tinha que tomar muito leite e vitaminas.exclamou Madame Marisha.. eu estaria a seu lado. poderá recupera r depressa a forma e dançar até sentir que chegou a hora de abandonar o palco e ser professora de balé. . Madame . Sorri ainda mais ao pensar num menino como o pai. Não. Quando ch amasse por sua mãe. balançando-me na cadeira pred ileta de Paul.Sei que a senhora está louca por um menino como seu filho. A lu a e as estrelas brilhavam no céu e até mesmo alguns vaga-lumes piscavam na escuridão d o jardim.. como interno no Hospital Clairmon t. Ele me tocou. Precisa levantar-se cedo e parecia cansado na hora do jantar. Tudo que Mamãe não nos dera eu derramaria sobre meu filho. minha. Quando precisasse de mim. Sorri. . Cathy . Mais tarde. que jamais seria negligenciado. Era isso que mais magoava: o fato de Mamãe ter-se transformado de uma mulher amorosa e boa no que era atualmente um monstro. pois já sabia. Estremeci . Madame Marisha mexeu-se tão bruscamente que quase bateu com a cabeça no teto do carr o. Não pense que todas as boas coisas de sua vida já passaram e nada lhe res ta agora. se for um menino não fare i objeções.Duke fica tão longe. jamais eu trataria meu filho como ela nos tratara! . Todavia.Talvez seja uma menina. todo seu. estendendo a mão para pe gar a minha.? . pensando nos belos trajes de bailarina que com praria para minha filhinha. portanto.. E ter pensamentos positivos. detesto vê-la aí sentada. Precisava cuidar-me e não comer certas coisas. vier ao mundo.Catherine.Agora. eu estava sozinha na varanda dos fundos. eram velhas e tinham conhecido sofrimentos como os meus. mandará para Catherine uma cópia exata de Julian! Será bailarino e alcançará a fama que es perava em breve pelo filho do meu Georges! À meia-noite. que se preparava para descer a escada. ensinando-o a dançar. Não olhei para ver ificar quem era. . Eu seria como Mamãe fora quando Papai estava vivo. em sua infinita sabedoria e bondade. . . levantando-me para entrar em casa.. com essa expressão tão perdida e d esanimada.. permita-me ficar num lugar mais próximo. co m rebeldes cabelos negros. As tábuas do assoalho rangiam de leve . meu filho escutaria e mesmo antes de nascer sua alma seria dou trinada no sentido da dança.

E tinha Carrie.. agora com dezesseis anos. Embora eu procurasse com a maior diligência pensar apenas na criança inocente que cr escia dentro de mim. Paul é bonit o. meus pensamentos insistiam em dirigir-se a Mamãe. Não que eu ocasionalmente deixasse de ansiar pelo palco e pelos aplaus os. E bem poderia fazê-lo. Se nunca tivéssemos sido prisioneiros e precisado fugir. mas possuía um meio infalível para eliminá-lo s: pensava em Mamãe e no mal que ela nos causara.. nunca saíra com rapazes. mas meu namorado e is so me alegrava.mesmo que sejam trigêmeo s. novinha em folha". O Dr. que definhava por falta de romance.. enquanto a barriga crescia. Homens que. Carrie. co mo antigamente. o Dr. dize ndo que o amor estava à sua espera logo ao dobrar a esquina. pois. pois havia dois homens que necessitavam de mim. eu jam ais teria amado Chris ou Paul talvez Julian e eu nos tivéssemos conhecido inevitav elmente em Nova York. Ele não precisava pronunciar as palavras: eu já as conhecia pela frente e por detrás. mas não tomarei medidas tão deses peradas como a senhora fez. Querid a. ela também causara a morte de Julian. Ri. . pois o balé sempre mantivera minha verdadeira personalidade num e stado embrionário envolvido pelo desejo de dançar e alcançar o sucesso. Meu marido acaba de morrer num acidente de automóvel.. Cathy. Continua a fugir de mim? Ainda não sabe que jamais conseguirá ir bastante depressa o u suficientemente longe para escapar? Algum dia eu a alcançarei e voltaremos a enc ontrar-nos. Talvez desta feita a senhora sofra como me fez sofrer e. de algum modo. comecei a reencontrar a identid ade que perdera. Eu fazia de conta que ele não era meu tutor. enchendo-me de ódio e de planos involuntários de vingança. Paul já não sai comigo para o cinema ou para jantar. sabendo o que meu irmão desejava.Será jovem também. Darei um jeito de sustentá-lo . Winslow. eu esta va com os pés firmes no chão. pequena e doce Carrie.o que me aterrorizava. tiver a namorado ou fora a um baile. ou quádruplos! Enderecei a carta à casa dela em Greenglenna. Eu poderia ter chegado às suas mãos "virgem e pura. Carrie escutou-me. apesar de velho. M amãe! Cara Sra. para mim. Oh! tive meus momentos de nostalgia. porque todas as mulheres olham para ele. a fantasia da vida encantadora do palco relegada a seg undo plano. Suspirei. Carrie queixou-se comigo: . Sim! Sim! Convenci-me de qu e teria feito toda a diferença. dei-me conta de que tinha mais sorte que a maioria das viúvas. quase da sua idade. por meios sutis. Então.. Detestava movimentar-me desgrac iosamente. não precisará ser coagido. declarando que aquilo era ridículo. como ela viajava! Aos poucos transformava-me numa mulher que não conhecera antes. mas minhas mãos adoravam acariciar o volume feito pelo bebê. por dentro e por fora. deixavam bem c laro estarem prontos a ocupar o lugar de Julian. . viúva e velha demais para um estudante. Agora. Pois. eu poderia amá-lo como precisava e queria ser amado.Desde que você voltou. Interlúdio Para Três À medida que a criança se desenvolvia dentro de mim. Depois que a vir e souber como você r ealmente é. tão bem quanto conhecia Chris. vem apenas para poder ficar perto de você. três vezes mais que isso.. E perguntava-me repetidamente se isto teria feito alguma diferença. Ninguém me desejaria naquelas condições: grávida.Chris não precisa arranjar encontros para você! Aquele rapaz da escola preparatória não quer sair comigo. pois estará mais que disposto a amá-la. a pequenina Car rie que me considerava um modelo pelo qual poderia pautar sua própria vida.. de cabeça para baixo e na posição normal. espero. Tomei Carrie nos braços e consolei-a. . Parecia maravilhosamente jove m para sua idade: quarenta e oito anos. Os espelhos mostra vam que já não era esbelta e ágil . exatamente como morreu seu m arido há tantos anos. Vi os seios ficarem mais ch eios e arredondados. mas pouco depois os jornais informar am que se encontrava no Japão. Um dia. Paul jamais seria velho. Eu as conhecia. Chris convencia os amigos a saírem com sua irmã mais moça. Estou esperando um filho dele. se decidisse esquecer sua pe quenez física. Mais outra morte em sua ficha. Japão! Puxa. mas permaneceu emburrad a perto da janela.

Henny estava sempre atenta para cuidar de mim como uma mucama quando Carrie se a usentava. Ele leu e depois este ndeu os braços para mim. .disse mansamente.Não creio que seja necessário responder. que nunca se sentirá abandonado ou traído .Ele? Parece que você conhece também esse tipo de sofrimento . agora? . Mantenha-se em forma. . Pensei também. E os adoravam de modo quase irracional. espero que não seja uma dessas mulheres que se deixam azedar porque a v ida nem sempre lhe faz todas as vontades. estarei a seu lado. E la ainda falava em amor. embora me doessem quando chovia. Lá estarei semp re. Movi a cabeça para encará-lo nos olhos. Envelhecia com uma rapidez espantosa. dentro de você ele saberá que a dança o e spera aqui fora. Então. Amo seu jeito . órfão. Comecei: .respondi indiferente.. Chris. sem dar importância a calorias ou colesterol. . A vida s em um homem parecia nada significar para mim. pelo jeito como você me olha. Aceitei pressurosamente o convite. certo dia o pai morreu e a mãe se transformou. Volte . Contudo. A vida nos oferece muitas oportunidades.. pois estava sedenta de afeição. agora que outr o belo marido morreu. que um dia voltaria para mim.Isso não é resposta. afeto e at enção que as quatro crianças necessitavam tão desesperadamente. O seu presente foi o melhor de todos. . Pensei que você soubesse. . Lerei e cantarei para ele. não apenas uma.Vai ser mãe e pai para essa criança? Pretende f echar a porta a qualquer homem que porventura desejar compartilhar de sua vida? Catherine. que finalmente estavam curados.Muito embora eu peça a Deus que você não volte a Nova York e me abandone outra vez. ela se ergueu e foi para seu quarto. deixando de lado a revista médica à qual d evia estar dedicando apenas parte de seu interesse. sem se deixar convencer por meus ar gumentos.Não é mesmo? . . . Desajeitadamente. Eu a amo. apoiado por Paul. convidando-me a aninhar-me em seu colo e proteger-me em s eu abraço. não é mesmo? . não permitirei que meu filho se sinta negligenciado. Portanto. Ame i-a desde o primeiro dia em que subiu os degraus de minha varanda. debrucei-me para entregar-lhe o bilhete. Comprei um medalhão antigo de ouro para enviar à Madame Zolta e anexei ao presente duas pequenas fotos de Julian e eu em nossos trajes de Romeu e Julieta. Catherine.Você ainda me ama. exercite-se. Madame Marisha vinha freqüentemente verificar minhas condições e enchia-me de conselho s autoritários: . O bilhete de Madame Zolta colocou-me no rosto um sorriso tristonho e sonhador. toque música de balé para ensinar o filho de Jul ian a amar o que é belo antes mesmo de nascer. meu amor. Pouco de pois do Natal.Calada.Trate de continuar seus exercícios. .Por que sorri assim? .Era uma vez um casal de lindos pais louros que tiveram quatro filhos que jamai s deveriam ter nascido. a fim de fazê-lo sentir-se seguro e muito querido. Choro seu belo marido. insistiu que seria boa terapia sair para as compras natalinas. recebi seu bilhete de agradecimento: Querida Catherine. Quando meu filho chorar.Poderia prosseguir em sua carreira . comia o que tinha vontade. esquecendo-se por completo do amor. Embora He nny se esforçasse para fazer a rígida dieta recomendada por ambos os seus "filhos-do utores". Preocupava-me com ela. Olhou para meus pés. Os longos dias de luto passaram mais depressa porque eu esperava o filho de Juli an.como Chris se sentiu traído pela pessoa qu e mais amava neste mundo. cujos ol hos brilhantes mostravam tristeza.Muito bem .disse Paul. desn ecessário ou indesejável. Choro principalment e por você..quis saber Paul. uma parte dele que eu poderia guardar comigo.Como sente os dedos.. Logo chegou o Natal e eu estav a tão grande com a gravidez que achei melhor não aparecer em público. caso decida não mais dançar só porque espera um filho! Há muito tempo já seria u ma prima ballerina se seu marido demonstrasse menos arrogância e mais respeito pel as pessoas investidas de autoridade. traga se u bebê consigo e todos nós moraremos juntos em minha casa até você encontrar outro danse ur para amar.

despido da cintura para cima. Ele baixou vagarosamente a cabeça para roçar os lábios nos meus. Chris praticamente jogou-me o sorvete nos braços. Prossiga o que estav a dizendo antes de lembrar-se de que é médico.Oh! . encarando-me com frieza. nada mais. . Valentino .declarei com voz sumida. como se ele pudesse escutar-me: . você está prestes a ser pai! Levantei-me. E eu repli quei: . Sente-se e tenha calma! .Cathy . Já tentei discutir o assunto.. Você tem que fazê-lo compreender que está arruinando a própria vida ao não permitir que outra mulher o conq uiste.comentou. faça-o entender que preci sa esquecê-la e tratar de procurar outra pessoa. Lembre-se disso. até de ficar grávida e passar a curvar-se pa ra trás. no outro lado da porta fechada.mas não fui bastante rápida.Já está pronta para irmos? . mas recusa-se a escutar. Era preciso tomar uma providência quanto a Chris. Oh! que maravilha! Meu bebê nasceria no que teria sido o dia de nosso sexto aniv ersário de casamento! Exclamei.o Dia dos Namorados . Prendi a respiração por causa d a dor aguda.Para mim.Você é a parturiente mais calma que já vi .Naturalmente..só a confiança que sua presença me dava uilibrar meu tempo entre Chris e Paul. Qualquer pessoa. Não e stou acostumada a carregar nove quilos extras na barriga.Posso entrar? Ele abriu a porta.. Faz um mês que estou pronta. é muito difícil dizer isso a ele .Por que parou de dizer todas aquelas coisas lind as para perguntar se minhas costas me incomodam? Naturalmente que incomodam.. de nadar. de modo que pensei em tirar alguns minutos de folga para trazer o sorvete que você tanto desejava. se não me ama.Prec isamos fazer algo quanto a Chris. Foi à cozinha e voltou poucos minutos depois com duas taças de sorvete que eu já não que ria mais. Trazia um saco com um litro de sorvete qu e eu declarara ter vontade de comer quando estávamos jantando. .Você nada me deve. Senti a primeira contração numa noite fria de fevereiro.de sorrir. .Julian. . . usando um sobretudo p or cima do uniforme branco de interno. bem de leve. isto é.Estou de plantão.Graças a Deus! . mas nunca imaginei que doesse tan to! Olhei para o relógio: duas da manhã do dia de S. Lançou um rápido olhar de esguelha a Paul. de falar. para o cultar o embaraço e surpresa que me dominavam. Tapa os ouvidos e se afasta. despertando imedi atamente.exclamou ele. apressou-se a usar o barbeador elétrico sem se mirar no espelho e corr eu para vestir uma camisa e pegar uma gravata.disse Paul em voz baixa. vestindo-me o mais depressa possível antes de atravessar o corredor e bater à porta do quarto de Paul. ajudando-me a sentar. antes de deixar-se dominar pela paixão e beijar-me com ardor. com as mãos nas costas.Teve outras contrações? .Catherine . como se observasse minha reação. A porta da frente se abriu e logo se fech ou com estrondo. Meus braços lhe envolveram o p escoço e retribuí apaixonadamente o beijo.Pensei que você estivesse de plantão esta noite . Mas qu e providência? Eu não podia magoá-lo. Prossigam o que estavam fazendo. Dê um basta em Chris. Tentava eq Queria-o sempre comigo .Paul. que se levantara para pegar o sorvete de minhas mãos. . Ele resmungou algo à guisa de pergunta. . . Paul tinha razão. também não podia magoar Paul. ..respondi.Vou telefonar para seu médico e depois alertar Chris. . Girou nos calcanhares e saiu da sala. Afastei-me depressa de Paul e tentei levantar-me antes que Chri s chegasse à sala . Meu irmão entrou.comentei depressa demais. envergonhada de admitir que não desejava que Chris encontrasse outra pessoa. Em seguida.Sinto muito haver chegado numa hora imprópria.disse Paul. . desejando que ambos os lados vencessem. Era como se eu assisti sse a uma batalha.só de Mamãe! Como tudo de errado em minha vida era culpa dela. . Vi o ciúme crescer entre os dois e senti que a culpa não era minha . desgostosa. O que ele deseja é impossível.. Tinha conhecimento de que doeria. mas é uma noite tranqüila no hospital. dando o bastante a cada um deles. menos você. A porta da frente bateu com estrondo pela segunda vez. acabo de sentir a primeira contração. mas não d emais. Dói tanto? . . .

Se ele fosse louro. Não obstante. . E de forma nenh uma Chris poderia dar-lhe tanto.sentindo mais uma contração. vou levar Catherine para o hospit al! Avise Carrie quando ela acordar. mas Chris. Sendo moreno.e tod a a luz pareceu brilhar-lhe subitamente nos olhos. . mas foi Chris quem pegou meu menino. Pareceu-me uma eternidade até avistar o hospital. colocando-o no centro do palc o. sem quaisquer das preliminares a que tinham de sujeitar-se as outras pacien tes. Pensáramos em tudo. cert amente foi o meu Jory.Eu já estava imaginando todo tipo de cal amidades. ainda com o cordão u mbilical. com seus anelados cabelos negros. pele clara e macia. o que não era possível em casa de Paul. explicou: . Minha própria voz. Sob o toldo que protegia a entra da de emergência.Muito bem. Colocou-o sobre minha barriga e segurou-o ali enquanto outro médico lhe prestava os devidos cuidados. ambos com lágrimas nos ol hos. quando senti a segunda dor. Tanto Chris como Paul escutaram meu sussurro. depois de me dei xar no carro. Não tive forças para responder. consegue vê-lo? . Nossos olhares se encontraram e eu sorri. Quando Paul tornou a abrir a porta da frente.Quinze minutos depois da outra . vou colocá-la no carro. o "J" será por Julian e o resto por Cory. que entendeu meu raciocínio.exclamou. Paul parecia pálido ao vestir o paletó e depois vir ajudar-me.Seu nome é Julian Janus Marquet. Primeiro. grava da duas semanas antes. Eu não sabia o que responder a isso. vendo o cabelo escuro e ondulado.Por que vai chamá-lo de Jory? .murmurei. Parecia conhecer-me a voz. . . pegarei a mala.Graças a Deus vocês chegaram! . Era uma cópia perfeita de Julian e pude dedicar lhe todo o afeto que fui incapaz de dar a seu pai. berrando contra todas as indignidades a que o sujeitavam .. de estar com ele e Henny. Desde o início.É lindo!.Para que você conte com a melhor assistência profissional possível . Fique calma . seu neto está chegando". .Cathy. g ritando em seguida na direção da cozinha: .Para se atrapalharem . . engasgada de dor. Essa criança terá três médicos dedicando o máximo de atenção. sujo e ensangüentado. .sussurrei encantada. .. Meu irmão não tinha conhecimento de meus débitos astr . teria o nome de Cory.. o perfeito corp inho vermelho. por assim dizer. Meu filho nasceu três horas depois.Devemos procurar nossa própria casa . escutei a gravação tocando para Madame Marisha.Henny. Com uma raiva feroz tão semelhante à do pai.quis saber Paul.. que desejava estabelecer-se f irmemente como pai de Jory. olh os azuis escuros. o menino sacudia os minúsculos punhos e a s pernas finas. o toque e até mesmo o som dos passos. . um interno solitário andava nervosamente de um lado para outro .Comecei a dizer que não.. Jory deu a impressão de saber que eu era sua mãe. demonstrava um amor quase tão grande à Carrie. Como era maravilhoso ser compreendida e nunca precisar explicar! QUARTA PARTE Meu Doce Pequeno Príncipe Se algum dia uma criança nasceu num palácio cheio de pessoas que a idolatravam. Ajudou-me a sair do carro enquanto alguém chegava correndo com uma cadeira de roda s e. Dobrei-me para a frente.disse Chris.. Eu me sentia tão fatigada e sonolent a. mas eu o chamarei de Jory. Depois telefone para Madame Marisha e coloq ue no telefone aquela gravação que preparamos para ela.C hris.concluí. Chris e Paul lá estavam. Queria que Jory tivesse as alamedas dos jardins. logo me vi acomodada na cama . dizia: "Madame. pelas quais eu pod ia empurrar-lhe o carrinho e onde ele estaria rodeado de beleza.corrigiu ele. . que todas as noites voltava às pressas do consultório de Paul para tomá-lo nos braços e brincar com ele durante hor as a fio. Gostava da grande casa de Paul. depois. não se preocupe.

Eu não acredito . eu seria agora esposa de Paul. Eu precisava resolver defi nitivamente um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. Se ao menos Julian não se tivesse interposto. . minha irmã via Paul e Chris batalharem por minha atenção. . Carrie ou comigo. Estenderia a mão para acariciar-lhe o rosto. Carrie é muito parecida com você.. pensando melhor.Os dois ficam tão lindos j untos. não chora va ou fazia exigências desnecessárias. Então eu era obrigada a intervir. ela tomava ditados com notável rapidez e precisão . ambos desejando -me. Fui para a cama e fiquei acor dada até quase amanhecer.. eu amava Jory por ele mesmo e. Não contive as lágrimas ao vê-la. . Uma palavrinha: "exceto". Vê-la infeliz deixava -me mais uma vez .Sim. .Eu devia correr para pegar a máquina .como ela. Carrie completou o ginásio em junho do ano em que completou dezessete anos. estava perfeitamente satisfeita com o trabalho de secretári a particular de Paul.Não .furiosa com minha mãe! Comecei a refletir sobre o que faria tão l ogo surgisse a oportunidade. sem um marido para tolher-me . Eu já tinha o conhecimento necessário para cui dar de mim mesma quando chegasse o momento de roubar de minha mãe seu segundo mari do. Portar-me-ia como ela se portava com Papai. Paul entrou no quarto. Três máquinas fotográficas disparavam simultaneamente.Não enquanto Chris estiver em casa. um cercado para Jory brincar. tive o cuidado de jamais p ermitir que um deles soubesse qual presente eu devolvera. livrei-me dos braços de Chri s e fui arrumar meu filho no berço. a fim de esco nder o embaraço. excet o no tamanho.Dois homens com a mesma idéia! E um dos brinquedos tinha que ser devolvido. não era mimado. retirou-se devagar. tão parecida com uma criança e. claro que terá. agora que Chris se retirara para seu quarto. tentando encontrar um meio para solucionar o dilema em q ue me encontrava.protestei em voz sumida. confuso e de olhos arregalados. Jory parecia muito satisfeito com sua situação. Chegou o Natal e Jory. Soaram passos na escada. Havia ocasiões em que tanto Chris como Paul chegavam em casa trazendo br inquedos iguais. e Jory seu filho. Carrie tomou me u filho nos braços. sem saber o que fazer ou que brinquedo pegar em primeiro lugar. Chris aproximou-se por detrás e abraçou-me pela cintura. cantando baixinho u ma cantiga de ninar.. ficou sentado entre seus pr esentes. Agora eu estava livre. alternadamente. mas a máquina de filmar estava com Paul e não com Chris. ansiosa por ter um filho só para si..mas continuava des ejando que alguém a amasse a despeito de seu tamanho franzino. Seus pequenos dedos pareciam voar sobre o teclado da máquina de escrever. todavia. Lançaria a Bart Winslow rápidos olha res tímidos e. Todavia. como se nos avaliasse e examinas . deixando-me a observar sua saída. um carrinho de criança e dúzias d e bichinhos macios com os quais meu filho podia brincar à vontade sem risco de mac hucar-se. con tudo. Paul meneou rigidamente a cabeça e deu-me boa noite. Era capaz de levar mi nutos seguidos olhando de um de nós para o outro. E meu maior trunfo era parecer-me tanto com ela e. exclamando: .disse Carrie num sussurro.sussurrou ele. a fim de não acordar Jory. .dois homens haviam-me ensinado bem. não fazia manha. cada um começando a encarar o outro com inimizade. Simplesmente aceitava. Livre para fazê-la pagar . . Ainda assim. Apenas uma palavrinha impedia que Carrie se sentisse r ealmente feliz. para tomar formas mais arredondadas . Já não era uma doce virgem inocente . ser muito mais jovem! Como poderia ele resistir? Eu engordaria alguns quilos. Senti a presença de Paul junto à porta. com menos de um ano de idade. Rapidamente. Recostei-me nele.como Carrie estava pagando! Diariamente.onômicos. Entreolhavam-se e ambos exibiam um sorriso forçado. Paul instalara no andar superior um quarto de criança. . mas não quero quebrar o encanto.Acha que algum d ia terei um filho? . sentia-me satisf eita por ter possuído Julian durante algum tempo. Não quis continuar os estudos. completamente remodelado e equipado com um berço.disse ela. Então.Cathy . Cathy. embalando-o para dormir na noite de Natal. prolongados olhares significativos. deu um beijo de boa noite em Jory e depois virou-se como se pretendesse abraçar-me.

. era nossa hora preferida de percorrê-los. Nós todos. seu prime iro engatinhar de mim até Chris e.. fiquei chocad a. que me abrace quando e . .Carrie poderá ficar para fazer companhia a P aul.Creio que Carrie dar-se ia muito melhor em outro lugar. exceto a rosa. também. .e ocupada. Por que você e Jory não me acompanham? . . quero um homem com quem eu possa ir para a cama. Apesar disso. .e da mãe. quando Carrie passeava pelos jardins de Paul com Jory no colo. recusam-se a pagar.seus olhos brilha vam intensamente ao fazer a sugestão. . Eu ficarei bem e promet o-lhe não me casar até que você volte e me dê sua aprovação. e só ocasionalmente revelava a impetuosidade e petulância do pai . tensa e sumida: . Em seguida. .Sim. Oh! como o tempo voa quando se tem um bebê para encher todas as horas! Todos nós fot ografávamos como loucos: o primeiro sorriso de Jory. Trate de arranjar uma namorada. seu primeiro dente. amargurado. . juntos.Pretende permanecer aqui depois que eu partir? .Chris! Você não pode fazer isso! .Chris. Não sorria para e le. embora não sejam tão altos. . Sei que a apólice tem uma cláusula de suicídio com carência de dois anos. Chris completara o períod o obrigatório de dois anos como interno e passara a ser médico-residente. . pode apostar que eu iria direto às violetas e aos a mores-perfeitos. exceto por meu intermédio.indagou ele. de modo que as abelhas passam direto por elas e procuram as rosas. textura e odor. eu teria o suficiente para com prar minha própria casa e instalar uma escola de balé.disse Carrie certo dia. a cláusu la já caducara quando ele morreu. não se case novamente antes de eu ter uma oportunidade.Ora. Quando me revelou que estava pensando em ir para outro hos pital . portanto. Vá sem mim para a Clínica Mayo. Chris. Por f avor. Cathy. que são tão avarentas com seu néctar e mantêm-se orgulhosamente eretas em longos talos.os mesmos dois anos que Chris trabalhou como int erno no Hospital Clairmont.A folha de cada árvore tem sua própria forma. por favor. .Veja esta folha de carvalho . quando Jory já aprendera a andar e as brisas primaveris movimentavam o ar. É o que preciso. Contudo continuam a insistir que a morte dele foi suicídio.Por que diabo coloca as coisas nesses termos? É você. apo ntava as diferenças entre esta e aquela planta. Paul saíra para fazer a ronda dos doentes em três hospitais e Carrie brincava com Jory antes de levá-lo para a cama. depois. mas a Clínica Mayo me aceitou como residente. dando explicações incessantes e obriga ndo Jory a imitar a fala muito antes do que ele teria feito normalmente.Sinto muito.Você é como uma rosa. Ficarei lá por nove meses e depois voltarei para completar o período de re sidência aqui em Clairmont. que duraria dois anos . se eu fosse uma abelha. Por favor. Não podiam magoar-se mutuamente quando cada um gostava do outro e o respeitava.disse Chris. ele sorria muito mais que ela . não sou a única mulher que se parece com nossa mãe. Chris ia abandonar-me! .O que você precisa é de um bom advogado. Afinal. Apontou para uma rosa e lançou-me um rápido olhar de esguelha. Nem mesmo conseguiam falar na barreira que os separava . . as margaridas não possuem o aroma gostoso das rosas..se nosso relacionamento com ele.. até Paul e Carrie. não esteja por perto se algum dia um homem olhar para mim. Henny batia as panelas na cozinha.É esta cidade . Tinha a paciência de Chris. Todas as abelhas vão direto a você e nem me enxergam aqui embaixo.para completar o período de treinamento. para mostrar-nos que ainda estava acordada . o que é uma gran de honra.muito mais famoso . nada em Jory me fazia lembrar Carrie. Contudo. não ela! É tudo o que você tem de diferente dela que me faz necessitar de você e amá-la! . mostrou a Jory as margaridas e os amores perfeitos. o que lhe tomaria mais três anos. Entretanto. Meu coração deu um salto. Chris ficou furioso. A obscuridade do crepúsculo começava a invadir os jardins. a tranqüilidade e intro specção de Cory. Cathy. Todas as flores se abrem facilmente para permitir a entrada das abelhas. Ergueu a cabeça para encarar-me e disse numa voz estranha. Paul iniciou sua corte a mim.Se a companhia de seguros de Julian me pagasse. Pagamos os prêmios desde o dia de nosso casamento. Não obstante.

Chorei no roseiral. . Sacudi a cabeça. . Paul ta mbém não precisa de mim. . Cathy. tratei de conv encê-la de que eu era a pessoa indicada para cuidar da escola de balé até quando. Assim.Não! Será que não entende que não dará certo? . Eu concluí seu argumento: . Ainda sou a patroa e assim continuarei a ser até ir para a cova! Em meados de novembro. a seu m odo peculiar.exclamei. Ainda não estava pronta p ara casar-me com Paul e isto certamente aconteceria se eu continuasse lá. Eu não mais teria que manter Paul a distância a fim de não mago ar Chris.u sentir medo. invadida por um sentimento de culpa. só tenho vontade de chorar quando ouço música de balé. Você não precisa de mim.. despedir-me como se não me importasse quanto tempo ele levaria para volta r . mas algo se interpôs em meu campo visual: minha mãe. você é a única mulher no mundo. . mas agora que Julian se foi. Catherine.Eu desejava mostra r a Mamãe o que sou capaz de realizar e ser a melhor prima ballerina do mundo. os olhos negros cheios de desconfiança..Poderíamos morar juntos e.. com ele. colocando-as em meu álbum. embora eu nunca pense nisso. .. Agora. precisava de dinheiro. aberto e reto até P aul.Para mim. Paul olhou-me intrigado e. que me beije e faça-me sentir que não sou má ou indigna . creio que não daria certo para você . Sinto t anta falta dele. . depois. . Poderia ter-me feito odiá-la. de qualquer maneira. Madame Marisha "ia levando" e precisava de uma assistente. fez-me amá-la. porém. int errompendo-me um momento quando as lágrimas começaram a correr. embora este protestasse e alegasse que se tratava de uma despesa desnecessária. Sou até mesmo bastante idio ta para desejar ver-nos trancados novamente. Então. de uma casa só para mim.Eu poderia tê-lo tratado melhor. Não daria certo se eu permanecesse na c asa de Paul e. Tropecei ao virar-me para correr de volta à casa.Não pretendo morrer . As palavras lhe faltaram e ele ficou muito vermelho.Não.Sim. eu tiv esse casado com Paul imediatamente. Advogado.Mas sou um idiota.Não está falando sério! Chris me abraçou com força. Mas obriguei-me a sorrir. sempre fui um idiota.replicou ele. saber qu e se ia. E deparei com Paul! Espantada.. Agora.quando eu era o único ho mem disponível para você! . mas ao contrário. como antes . Acabará fazendo. . . tremendo qua ndo ele me largou.tudo aquilo me deixou doente. meneou a cabeça com evidente relutância. E vo cê me fez desejá-la. Julian precis ava de mim e eu fracassei.Muito bem. que tinha idéias fixas a respeito de tudo. negando. você me pertencia e.. desejando o impossível. Fitei Chris.. suponho que você me consid era velha.. Chris! Apoiei a cabeça no peito de meu irmão e solucei... empertigando-se. compreendi que era impossível trabalhar para Madame Marisha . Vê-lo arrumar as malas.Esqueça-me. seria mais fácil. . faça como quiser. O primeiro peão a mover seria o Dr. se Mamãe permanecesse longe..Não estou? Deus me perdoe. a época de Chris partir. Eu já pass ara muitos anos imaginando esquemas e fazendo planos. Chris! Não sou a única mulher neste mundo! Ele parecia um cego ao virar a cabeça e replicar: . desembarcando do avião acomp anhada pelo marido. então. be m. mas falo sério! Naquela época. Na realidade. Já não precisava pesar cuidadosamente cada um de meus sorrisos e equilibrá-l o com o que exibira ao outro. Estava de volta a Greenglenna! Recortei a fotografia e a notíc ia do jornal. nunca se podia dizer com certeza. ele não agrediria por raiva. enquanto eu possuía algumas idéias próprias . do contrário insistiria em casar-se comigo imediatamente. expliquei-lhe que eu precisava de uma oportunidade para ser indepen dente e ter uma casa própria onde pudesse descobrir o que realmente desejava. meu caminho estava limpo.replicou ela com rispidez. Talvez. pois é mais forte que ele. assumiu uma expressão mais perspicaz. fiz algo completamente fo ra de meus planos.. e. Outubro chegou e.declarei. . Oh! Paul estivera observando e escut ando tudo! Girei nos calcanhares e corri de volta até onde Chris apoiava a cabeça no tronco do mais velho carvalho do parque. eu fizera apenas o que me vinha naturalmente em resultad o de observar o procedimento de minha mãe com os homens. Contudo. Todavia. não procure assumir o controle e mandar em mim.Veja o que fez! . cambaleei ao vê-lo dar uma brusca meia-volta e caminhar na direção oposta. nossa vida juntos tornou-me melhor do que eu realmente era. Era tempo de entrar em ação.

de certo modo. Levantou-s . também precisava cuidar de Carrie. redigi o que me pareceu uma carta perf eita de extorsão: Cara Sra. vá morar em sua própria casa. os ouvidos do Sr. em Gladstone. liquidar nosso débito para com Paul e fazer algo para tornar Carrie mais feliz. mas também se recusa a escutar. prefere que ele jamais venha a conhecer. Portanto. Passaria a tarde com Henny e Carrie e nquanto eu.. quando ele está noutra cidade. E se. pro curei um número na lista telefônica de Greenglenna e. Estávamos em fevereiro e Jory tinha três anos. o que fiz senão escrever-lhe uma car ta . Poderá enviar a mencionada quantia à caixa postal di scriminada em anexo. O que signifi cava um mísero milhão para quem possuía tantos? Eu não estava pedindo muito. Jogada de Abertura Tão logo me instalei num pequeno chalé alugado a meia distância entre Clairmont e Gree nglenna. Tentei con versar com Chris a respeito. mas ele se recusa a escutar. Eu estava muito endi vidada. Escrevi outra carta. Afinal. Winslow. tinha um filho e. Portanto. Wins low.É apenas porque Chris insistiu para que eu não me casasse novamente antes de Carri e ter uma oportunidade. Agora.. encontre-se a si mesma. Eu precisava provar que era melhor que Mamãe. Contudo. Bartholomew Winslow. depois outra. f icava desapontada. Sra. mais capaz. desta feita. Sei. decidi que já aguardara o suficiente.Compreendo . um homem e uma mulher que tinham quatro filhos a quem todos chamavam de "bonecas de Dresden". ou bilhões. de que se o dinheiro não for de vidamente remetido. Todos os dias.replicou Paul com um sorriso irônico. na Pensilvânia. Nem por um segundo passou-me pela cabeça aceitar mais dinheiro de Paul. parte daquele dinheiro nos pertencia. volte para mim. além disso. tenho certeza. Tento conversar com vo cê a respeito. Sra.. Então. deixando para trás o Natal e o Ano Novo. e ainda outra. uma das bonecas ja z num túmulo solitário e outra delas não atingiu o tamanho normal que teria caso lhe t ivessem proporcionado sol. havia t ambém suas contas de hospital e as despesas do funeral. Minha mãe pretendia ignorar-me. eu poderia saldar todas as minhas dívidas. A cada sete dias. Cordialmente. Oh! que mentira! . Winslow: Era uma vez. E Chris tem objeções a que eu more aqui com você. Bacharel em Direito. com a raiva aumentando no peito. eu aguardava que o cheque chegasse pelo correio.se a senhora pretende continuar a possuir a lgo dos seus milhões. .exatamente como ela fizera à sua mãe quando Papai morreu? Por que não lhe pedir u m mísero milhão de dólares? Por que não? Ela nos devia! O dinheiro também era nosso! Com e le. De toda for ma. entrava no luxuoso escritório para falar com o segundo marido de minha mãe. sentei-me para minutar uma carta de chantagem à Mamãe.. Interrompi-me. ele tinha os olhos bem abertos. mais inteligente e esperta. Os cartões de crédito não resolviam o probl ema.. Todos os dias. escutarão fatos horríveis que a senhora. E esteja certa. após muitas tentativas fracassadas. advogado. marquei h ora para uma entrevista com Bartholomew Winslow. ficou bem claro que estou competindo com seu irmão pela sua afeição.. A boneca bailarina exi ge o pagamento de um milhão de dólares . depois de passarem meses infrutíferos. eu enviava uma nova carta. vi-o de perto e. sem falar nas minhas conta s de hospital referentes ao parto de Jory. de modo que irei diretamente ao assunto. E quando se sentir bastante adulta par a agir como um adulto.. Agora. em minhas melhores roupas e com o cabelo penteado de modo deveras at raente. num piscar de olhos. a boneca bailarina. Catherine Dollanganger Marquet . ar livre e o amor que a mãe lhe devia demonstrar quando ela mais necessitava. que não tem muita compaixão por filhos que poderiam causar uma sombra em seus d ias ensolarados. eu me sentia env ergonhada de fazer o mesmo que ela fizera.. s eja independente. raciocinei que a culpa era dela! Mamãe merecia! Jory não passaria necessidades quando ela possuía tanta coisa! Afinal. As enormes contas feitas por Julian nas lojas de Nova York ainda estavam por pagar. Este já fizera mais que o suficiente..Desde o dia em que Julian m orreu. embaraçada. a boneca bailarina tem um filho pequeno e está sem dinheiro.

e devagar, exibindo uma expressão bestificada, como se já me tivesse visto antes e não conseguisse recordar onde. Meus pensamentos recuaram até a noite em que eu penetr ara às escondidas nos luxuosos aposentos de Mamãe em Foxworth Hall e deparara com Ba rt Winslow adormecido na poltrona. Na época, ele usava um grande bigode escuro e e u me atrevera a beijá-lo enquanto ele dormia. Acreditando que estava profundamente adormecido... quando isto não era verdade! Bart me vira e julgara-me parte de um sonho. Por causa de um beijo roubado, do qual Chris tomara conhecimento posterio rmente, as repercussões tinham-nos empurrado - meu irmão e eu - por um caminho que d ecidíramos jamais tomar. Agora, pagávamos o preço disso - e por culpa dela Chris e eu estávamos separados, tentando renegar o que ela começara. Eu não podia aceitar Paul co mo marido até obrigá-la a pagar e não apenas em dinheiro. Então, o másculo e belo marido de minha mãe sorriu para mim e, pela primeira vez, sent i a força de seu carisma. Um brilho de reconhecimento surgiu-lhe nos olhos castanh os escuros. - Quero morrer cego se não for a Srta. Catherine Dahl, a linda bailarina que sempr e me tira o fôlego, antes mesmo de começar a dançar! Sinto-me encantado porque precisa de um advogado e me escolheu, embora seja incapaz de imaginar o motivo de sua p resença. - Viu-me dançar? - indaguei, aturdida ao ouvir aquilo. Se ele me vira dançar, Mamãe também vira! Oh! e eu nunca soube! Nunca soube! Fiquei eu fórica, fui murchando, entristecendo-me, até sentir-me confusa. Em algum lugar bem no fundo de mim, a despeito de toda a camada externa de ódio, eu ainda sentia um p ouco do amor que sentira por ela quando era jovem e confiante. - Minha esposa é fanática por balé - acrescentou ele. - Na verdade, eu não gostava muito quando ela começou a me levar quase à força a cada uma de suas apresentações. Mas logo ap rendi a apreciar, em especial quando você e seu marido dançavam os papéis principais. Com efeito, minha esposa parecia não dar a mínima importância ao balé senão quando você e se u marido se apresentavam. Cheguei a temer que ela estivesse apaixonada por seu m arido, que se parece um pouco comigo. Tomou-me a mão e levou-a aos lábios, lançando-me um olhar e sorrindo com o encanto nat ural de um homem que sabe o que é: um conquistador acostumado a fazer marcas na co ronha do revólver. - É ainda mais bela fora do palco. Contudo, o que faz nesta região? - Moro aqui. Ele puxou uma cadeira para mim, colocando-a tão perto que pôde ver minhas pernas qua ndo as cruzei. Sentou-se na beirada da mesa de trabalho e ofereceu-me um cigarro , que recusei. Ele acendeu um para si e indagou: - Está de férias? Ou visitando sua sogra? Percebi que nada sabia a respeito da morte de Julian. - Sr. Winslow, meu marido morreu em conseqüência de ferimentos sofridos num acidente de automóvel há mais de três anos. O senhor não sabia? Ele pareceu chocado e um pouco embaraçado. - Não, eu não sabia. Sinto muito. Por favor, aceite minhas tardias condolências. Suspirou e apagou o cigarro quase inteiro. - Vocês dois eram sensacionais no palco. É uma pena. Vi minha esposa chorar de emoção ao vê-los dançar juntos. Ficava realmente impressionada. - Sim! Sou capaz de apostar que ficava impressionada. Esquivei-me de outras perg untas e fui direto ao objetivo de minha visita, entregando-lhe a apólice de seguro s de Julian. - Julian fez o seguro logo que nos casamos e agora a companhia se recusa a pagar porque julga que ele cortou o tubo do soro através do qual recebia alimentação intrav enosa. Todavia, como o senhor pode ver, a cláusula de suicídio perde o efeito após doi s anos. Ele se sentou para ler meticulosamente a apólice e depois encarou-me outra vez. - Verei o que é possível fazer. Tem necessidade imediata do dinheiro? - Quem não tem necessidade de dinheiro, Sr. Winslow, a menos que seja milionário? repliquei sorrindo, tombando a cabeça de lado à moda de minha mãe. - Tenho centenas de contas a pagar e um filho pequeno para sustentar. Ele indagou a idade de meu filho e eu respondi. Bart Winslow parecia intrigado e confuso por vários motivos enquanto eu o observava com olhos sonolentos e semi-ce

rrados, a cabeça jogada ligeiramente para trás e para um lado, uma atitude que minha mãe adotava ao olhar para um homem. Agora, Bart era muito mais bonito. O rosto ma duro era comprido e magro, os ossos muito salientes, mas de uma notável beleza vir il, masculina. Algo nele sugeria uma sensualidade exagerada. E não era de espantar que minha mãe não me tivesse enviado um cheque. Provavelmente, todas as minhas cart as de chantagem ainda a seguiam de um lugar para outro, sem alcançá-la. Bart Winslow fez mais uma dúzia de perguntas e declarou que veria o que era possível fazer por mim. - Sou um bom advogado quando minha esposa me permite ficar na cidade e trabalhar . - Sua esposa é muito rica, não é? A indagação pareceu aborrecê-lo. - Suponho que se pode dizer que sim - respondeu com ar abespinhado, deixando bem claro que não gostava de falar no assunto. Levantei-me para sair. - Aposto que sua esposa o leva como um poodle de estimação com uma coleira incrustad a de pedras preciosas, Sr. Winslow. As mulheres ricas são assim: nada sabem a resp eito de ter que trabalhar para ganhar a vida. E duvido que o senhor saiba. - Ora, por Deus! - exclamou ele, erguendo-se da mesa num salto e postando-se com os pés afastados um do outro. - Por que veio aqui se acha isso? Procure outro adv ogado, Srta. Dahl. Não quero uma cliente que me insulta e não tem o menor respeito p ela minha capacidade profissional. - Não, Sr. Winslow: quero o senhor. Desejo que o senhor prove conhecer a profissão t anto quanto alega. Talvez, sob certo aspecto, consiga também provar algo a si mesm o: o fato de que, afinal, não é apenas um brinquedo dispendioso comprado por uma mul her rica. - Srta. Dahl, possui o rosto de um anjo e a língua de uma prostituta! Farei com qu e a companhia pague o seguro de vida de seu marido. Intima-los-ei a comparecer a o tribunal e ameaçarei processá-los. Aposto dez contra um como pagarão num prazo de de z dias. - Ótimo - repliquei. - Faça o favor de avisar-me, pois pretendo mudar-me tão logo rece ba o dinheiro. - Para onde? - indagou ele, dando um passo à frente para pegar-me o braço. Ri, encarando-o e usando os artifícios que uma mulher possui para provocar o inter esse dos homens. - Dar-lhe-ei o endereço quando escolher o lugar, para a eventualidade de que desej e entrar em contato comigo. Dez dias mais tarde, fiel à sua palavra, Bartholomew Winslow compareceu à escola de balé para entregar-me um cheque de cem mil dólares. - E seus honorários? - perguntei, dispensando com um aceno de mão os rapazes e moças q ue corriam para rodear-me. Eu usava uma malha justa de ensaiar e Bart Winslow não conseguia tirar os olhos de mim. - Jantar às oito, na próxima terça-feira. Use um vestido azul para combinar com seus o lhos e, então, discutiremos meus honorários - respondeu, dando meia volta para sair sem esperar minha resposta. Depois que ele se foi, virei-me e fitei os alunos que faziam exercícios de aquecim ento e, de algum modo, senti-me observando a cena do alto, menosprezando-me e ap iedando-me daqueles inocentes que tanto me admiravam. Senti-me triste por mim e por eles. - Quem é aquele homem que lhe trouxe um cheque? - quis saber Madame Marisha quando a aula terminou. - Um advogado que contratei para obrigar a companhia a pagar o seguro de vida de Julian. E ela pagou. - Ah!... - disse ela, deixando-se cair na velha poltrona giratória. - Agora, que t em dinheiro e pode pagar as dívidas... creio que deixará de trabalhar para mim e irá p ara algum outro lugar, não é mesmo? - Ainda não tenho certeza do que farei, mas sou forçada a admitir que a senhora e eu não nos damos muito bem no trabalho, não é, Madame? - Você tem muitas idéias que não me agradam. Julga que sabe mais que eu! Acha que agor

a, que trabalhou aqui alguns meses, pode ir embora e fundar sua própria escola! sorriu maldosamente quando me sobressaltei de surpresa e confirmei a verdade da qual ela apenas desconfiava. - Então... julga que também sou estúpida! Pode procurar a vida inteira, mas não encontrará alguém mais esperta que eu. Leio seus pensamentos, C atherine. Não gosta de mim, jamais gostou, nem gostará... não obstante, veio trabalhar para mim a fim de aprender sobre o negócio. Não estou certa mais uma vez? Pois não me importa. Escolas de balé surgem e desaparecem, mas a Escola de Balé Rosencoff conti nuará a existir para sempre! Antes, eu pensava que a deixaria para Julian ao morre r, mas quem morreu foi ele; depois, resolvi que a deixaria para você - mas não o far ei se levar seu filho embora e não permitir que eu o ensine a dançar! - Madame, a escolha é sua, mas levarei Jory comigo. - Por quê? Julga-se capaz de ensiná-lo tão bem quanto eu? - Não sei ao certo, mas acho que posso. Meu filho talvez prefira não ser bailarino prossegui, ignorando-lhe o olhar duro e penetrante. - Se algum dia ele se decid ir a dançar, creio que serei uma professora capacitada - tanto quanto qualquer out ra. - Se ele se decidir a dançar! - trovejou ela, como um canhão. - Que outra escolha po de ter o filho de Julian senão dançar? Está em seu sangue, em seu cérebro - e, acima de tudo, em seu coração! Se ele não dançar, morrerá! Levantei-me para sair. Minha intenção era ser bondosa com ela, permitindo que tomass e parte na vida de Jory... mas a maldade em seus olhos duros me fez mudar de idéia . Madame Marisha tomaria meu filho e faria dele o que fizera de Julian: alguém que jamais poderia ser feliz e realizar-se, pois a vida que lhe ofereciam só permitia uma única escolha. - Eu não poderia dizer isto hoje, Madame, mas a senhora me obriga. Fez com que Jul ian acreditasse que, caso não pudesse dançar, a vida nada significava e não oferecia a lternativa. Ele ficaria curado da fratura no pescoço e dos ferimentos internos, ma s a senhora declarou que ele jamais voltaria a dançar - e Julian escutou, pois não e stava dormindo. Portanto, preferiu a morte! O próprio fato de conseguir movimentar o braço o suficiente para roubar a tesoura da bolsa da enfermeira é prova de que el e estava em recuperação; contudo, só conseguia ver diante de si um deserto desolado, o nde o balé não existia! Bem, Madame... a senhora não fará isso ao meu filho! Jory terá opo rtunidade de escolher sozinho o tipo de vida que desejar e peço a Deus que não seja o balé! - Idiota! - exclamou ela, cuspindo as sílabas. Levantou-se bruscamente para andar de um lado a outro diante da velha escrivaninha. - Não existe nada melhor que a ad ulação dos fãs, o barulho ensurdecedor dos aplausos, a sensação das rosas nos braços! E você ogo descobrirá isto por si mesma! Pretende levar o neto de meu marido para longe e escondê-lo do palco? Jory será bailarino e antes de morrer hei de vê-lo no palco, faz endo o que tem que fazer... ou, então, ele também morrerá! Tomou fôlego e prosseguiu desdenhosamente, franzindo os lábios numa expressão de zomb aria: - Quer bancar a "mamãezinha", ou talvez a "esposa ideal" para aquele médico bonitão, h em? E dar-lhe outro filho, hem? Bem, se isso é tudo que deseja da vida... vá para o inferno, Catherine! Interrompeu-se e começou a chorar. Os soluços pareciam vir-lhe do âmago da alma. Quand o tornou a falar, tinha a voz áspera e rouca, em vez de alta e aguda como antes: - Sim... vá em frente... case-se com aquele médico pelo qual sempre teve uma queda, desde quando me foi trazida como uma menina sonhadora e de fisionomia infantil, e arruíne a vida dele, também! - Arruinar a vida dele, também? - repeti, aturdida. Ela deu meia-volta. - Existe algo que a rói por dentro, Catherine! Algo que lhe devora as entranhas. A lgo tão amargo que lhe ferve no olhar e a obriga a trincar os dentes! Conheço bem o seu tipo. Arruína todos os que entram em sua vida e Deus tenha piedade do próximo ho mem que a amar tanto quanto meu filho a amou! Inesperadamente, um manto invisível e enigmático desceu sobre mim, envolvendo-me na pose fria e distante de minha mãe. Nunca antes eu me sentira tão intocável. - Muito obrigada por esclarecer-me, Madame. Adeus e felicidades. Nunca mais me v erá ou a Jory.

Virei-me e saí. Para sempre. Na noite de terça-feira, Bart Winslow bateu à porta de meu chalé. Estava trajado com a puro e eu usava um vestido azul. Ele sorriu, satisfeito por eu ter atendido a su a sugestão. Levou-me a um restaurante chinês, onde comemos com pauzinhos e toda a de coração era em preto e vermelho. - Você é a mulher mais linda que já vi, com exceção de minha esposa disse ele, enquanto eu lia meu bilhetinho da sorte: "Precavenha-se contra atitudes impulsivas". - A maioria dos homens não mencionam as esposas quando saem com outra mulher... Ele interrompeu: - Não sou um homem comum. Estou apenas fazendo-a saber que não é a mulher mais linda q ue conheci. Sorri docemente, observando-lhe atentamente os olhos. Percebi que o irritava, en cantava e, sobretudo, intrigava. Quando dançamos, descobri também que o excitava. - De que vale a beleza sem inteligência? - indaguei, dançando nas pontas dos pés para roçar os lábios em sua orelha. - De que vale a beleza quando se está envelhecendo, eng ordando e já não se constitui um desafio? - Você é a mulher mais estranha que já encontrei!- exclamou ele, com os olhos escuros faiscando. - Como ousa insinuar que minha esposa é burra, velha e gorda? Pois fiq ue sabendo que parece muito jovem para a idade que tem! - Você também - repliquei com um risinho de mofa. Ele ficou rubro. - Não se preocupe, porém, Sr. Advogado... não pretendo competir com ela; não quero um poodle de estimação. - Não o terá, minha senhora - retrucou ele friamente. - Pelo menos, não em mim. Mudarme-ei daqui em breve, para abrir um escritório na Virgínia. A mãe de minha mulher não es tá bem de saúde e necessita de companhia e assistência. Tão logo acertar as contas comig o, a senhora poderá despedir-se de um homem que, obviamente, traz à tona o que a sen hora tem de pior. - Ainda não mencionou seus honorários. - Ainda não decidi a respeito. Agora, eu já sabia para onde me mudaria: de volta à Virgínia, a fim de morar em algum lugar próximo a Foxworth Hall. Então, eu poderia iniciar minha verdadeira vingança. - Cathy! - lamentou-se Carrie, chorosa, muito perturbada porque deixaríamos Paul e Henny. - Não quero ir embora! Amo o Dr. Paul e Henny! Vá para onde quiser, mas deix e-me aqui! Não percebe que o Dr. Paul não deseja que nos mudemos daqui? Não se importa de magoá-lo? Você o magoa sempre! Eu não pretendo fazer o mesmo! - Gosto muito do Dr. Paul, Carrie, e não quero magoá-lo. Entretanto, existem certas coisas que devo fazer - e imediatamente. Além disso Carrie seu lugar é comigo e Jory . Paul precisa de uma oportunidade para arranjar uma esposa sem tantos dependent es. Não entende que o estamos atrapalhando? Ela recuou, fitando-me raivosamente. - Cathy, ele quer você como esposa! - Há muito, muito tempo não me diz isso. - Porque você está tão decidida a mudar-se e fazer outras coisas. Ele me disse que des eja que você faça o que quiser. Ele a ama muito. Se eu fosse ele, obrigaria você a fic ar, pouco me importando se quisesse ou não! Então, começou a soluçar, correu para longe de mim e fechou a porta de seu quarto com violência. Procurei Paul e lhe disse para onde ia e por que razão. Sua expressão alegre se torn ou triste e o olhar brilhante ficou vago. - Sim, durante todo o tempo tive o pressentimento de que você julgaria necessário vo ltar para lá e defrontar-se pessoalmente com sua mãe. Vi-a elaborar planos e esperei que me convidasse a acompanhá-la. - É uma coisa que preciso resolver sozinha - repliquei, tomando-lhe ambas as mãos na s minhas. - Compreenda, por favor, que eu ainda o amo e sempre o amarei. - Compreendo - afirmou ele. - Desejo-lhe boa sorte, Catherine, e muita felicidad e. Que todos os seus dias sejam lindos e alegres; que você consiga tudo que almeja , quer eu esteja ou não incluído em seus planos para o futuro. Quando e se precisar de mim, estarei pronto, esperando para fazer o que me for possível. A cada minuto, eu a amarei e sentirei sua falta... Lembre-se apenas disso: quando me quiser, e starei à disposição. Eu não o merecia. Era bom demais para gente da minha laia.

Carrie Dollanganger Sheffield vai arranjar um namorado. .Não é verdade.. Foi tudo o que eu disse antes de encontrarmos um hotel onde passarmos a noite.. . ajeitando-se para tirar também um cochilo. Quero que alguns se pareçam com Jory. que os ric os costumavam usar como casas de hóspedes ou de empregados.. os g randes olhos azuis muito abertos. Era grandalho na e masculinizada.Não. estamos voltando para lá? .mas não mencionei o assunto. Contudo. mas eu a prevenira para não se mostrar en tusiasmada.Ninguém vai querer casar comigo. À medida que avançávamos para noroeste. eu precisava agir assim . no banco dianteiro do carro. abandonando um homem bom!" Nada constituiu prova mais cabal de minha idiotice que o dia ensolarado em que p arti de volta às montanhas da Virgínia com minha irmã menor e meu filho a meu lado. não exatamente.. é fácil ver que adoravam a casa. Logo de manhã cedo. . Ele tomaria conhecimento quando visse o novo end ereço..Cathy.A chaminé dá a impressão de não funcionar. Quando Jory adormeceu. ela arrumou cuidadosamente uma cama para ele no banco tra seiro e sentou-se ao lado.. e um ou dois com o Dr. escoando bem a fumaça. . Terei ao menos seis filhos.Eu a amo. Aqui morava um casal que trabalhava para os Foxworth. não apenas s eis. de modo que não terei filhos para amar. . só falando em negócios.Gás natural. Carrie. Jory e eu. Ch ris escrevia-me uma ou duas vezes por semana e eu respondia todas as suas cartas . e tenho pena de você: deseja ter uma dúzia de filhos. Escolhi pequenos detalhes para despistar a corretora. festejado sem a presença de Chris. Paul. Contudo.declarou alegremente.replicou ela. após passarmos pela casa de P aul a fim de nos despedirmos. Agora que estávamos a caminho. é a óleo ou gás? . topa? Carrie sorriu e não aceitou a aposta. . a fim de evitar que o menino rolasse e caísse do banco. Carrie ficou muito excitada. Henny nos observava . . decidi que não podia arriscar-me a ver Bart Winslow por um só mome nto. . comentando tudo que víamos. No dia seguinte ao aniversário de Carrie. to das as casas custam muito caro. uma corretora com quem eu entrara em contato previamente. funcional e não muito dispendioso. Tenho o palpite que.Vocês precisam de algo compacto.A caldeira. O Canto de Sereia das Montanhas No último instante. Sou até capaz de apos tar cinco dólares.Ele é tão lindo. a S rta. Carrie. a noite começou a cair e Carrie ficou muito cala da. . Olhava pela janela e depois me fitava. . Cathy. veio buscar-nos em seu carro para examinarmos as "propriedades à venda". Tive a impressão de ler em seus expressivos olhos castanhos: "Idiota! Vai embora . talvez mais.É ótima. com um lindo jardim. outros com você e Chris. A primeira casa que nos mostrou foi um chalé de cinco cômodos e fiquei imediatamente encantada. . Paul fez um último aceno e quando olhei pelo retrovi sor vi-o tirar o lenço do bolso e enxugar os cantos dos olhos. Nesta zona. mas resolveram vender a casa e morar na Flórida.Não se preocupe . instalada há cinco anos. segui diretamente para as Mont anhas Blue Ridge. com exceção dos seus .compelida por minh a própria natureza a procurar vingança no local onde estivéramos encarcerados. Creio que Carrie também ficou.Oh! adoro viajar! . Contudo. Uma delas é deveras boni ta.mesmo que não fosse. Partimos em meu carro.Não quis que Carrie ou Chris soubessem para que região da Virgínia eu pretendia ir. Foi no mês de maio. cuja mansão fica na montan ha. existem alguns chalés menores. de modo que deixei numa caixa do correio um envelope contendo um cheque de duzentos dólares. Com Carrie sentada a meu lado e Jory em seu colo. considerando a quantia suficiente . O banheiro e a cozinha também foram reformados . após nos instalarmos em nossa nova residência. os grandes olhos azuis cheios de temo r. .

Relembrei repetidamente tudo o que acontecera: a chave de mad eira que fizemos para fugir da prisão.A maior parte dessas crianças pertence às famílias ricas que residem nas redondezas e não acredito que nenhuma delas tencione seriamente tornar-se profissional de balé.Na verdade. fui procurar a professora de balé que colocara a escola à venda e ia apos entar-se. graças a Deus. Espero que pense nisso. com porta de vidro .disse eu a Carrie. mas. eu já começava a perceber que os cem mil dólares não durariam muito depois do pagamento de todos os meus débitos e do sinal de compra da casa. como também par a tê-lo perto de mim. Lembrava-me das palavras de Madame Marisha a respeito de dei xá-lo observar. Os pais pagam as aulas para assistirem aos recitais.Mandaremos instalar um forno embutido na parede. Carrie emburrou-se. A mansão dos Foxworth continuava como sempre. a noite em que encontramos o volumoso livro sobre prazeres sexuais na mesinha de cabeceira. Talvez..Vi-a dançar Com seu marido. Srta. um jovem bonito. Seria exatamente como na noite em que Mamãe levara quatro filhos para a prisão da esperança e. pois não me sobrava tempo para isso! . Em certa manhã de sábado. precisaria ter acessórios roxos e vermelhos no "seu" quarto. . mas a sala era em forma de "L". Freqüentam as aulas por vontade dos pais.quis saber Carrie. que gostam de vê-las bonitinhas em traje de dança durante os recitais. muito miúda. forneceu-me uma lista dos alunos. do desespero. de repente. ao me smo tempo em que tomava conta de Jory. . eu olhava pelas janelas para as montanha s encobertas de névoa azulada. no início de junho. Sempre que possível. naquela noite.E pintaremos nós mesmas todo o interior da casa. Quando verificou que e u estava mesmo decidida a fechar o negócio. . podemos pedir a Paul e Henny que venham visitar-nos. É época de recital e meus alunos pre cisam ensaiar diariamente. que adorava cozinhar. naturalmente. que jamais mudavam de aparência. economizando a despesa de mão-de -obra.Em que está pensando? . Deu a impressão de ficar satisfeita ao ver-me. não tivera meu passado ou meu tipo de infância. o dinheiro que roubáramos do luxuoso quarto d e nossa mãe. seguindo as trilhas sinuosas que vinham da parada de tre m. Entretanto. Era loura. Eu dava aulas na escola de balé. Comprei-a e assinei todos os docum entos sem o auxílio de advogado. com uma lareira ladeada por estantes. eu levava Jory comigo para a escola de balé. Eu poderia atrasar o relógio até 1957 e. . mas pediu-me que o tratasse por Al ex.Acha que devemos voltar para visita r o Dr. Dahl. Só uma casa muito amada pelos donos teria todos os pequenos e bem c uidados detalhes que a tornavam excepcional. si tuada acima da farmácia local. espancados e mortos de fome. sabe que não podemos fazê-lo. Paul e Henny?.. no dia em que aquele homem veio instalar o fogão. depois.Sabe. . e ntão as coisas transcorressem de modo diferente. Todos os três dormitórios de nosso chalé eram muito pequenos. . embora me sinta muito conte nte porque deseja comprar minha escola de balé. viu-me com Jory e perguntou se era meu filho. Enquanto Carrie permaneceu com Jory num motel. não me atirara àquela aventura de olhos vendados. Com o madeirame pintado de branco. embora tivesse lido sobre o assunto e mandado ver ificar a legalidade da escritura. Carrie. Na verdade. Soltei uma risadinha e ele também so rriu. Cathy. e tinha cerca de noventa anos. o resultado foi delicioso. Carrie. talvez. Eu jamais conseguiria parar de dançar aos vinte e sete anos! Nunca ! Ela não era eu. de proporções razoáveis. Em três semanas tínhamos entrado numa nova rotina. . Chama-se Theodore Alexandre Rockingham.Claro que sim. ouvir e ter a sensação da dança. toma r Carrie e Jory pela mão. tenho pena de que abandone o palco ainda tão jovem. .. enquanto Carrie cuidava da casa e da cozinha. Trocamos um aperto de mãos e fechamos o negócio pela qua ntia que ela desejava. se nunca tivéssemos visto aquele livro. não só para aliviar a responsabilidade de Carrie. animou-se por algum motivo. deixando-os lá para serem torturados. Carrie e eu empunhamos as br ochas e dentro de uma semana pintamos todos os cômodos de um verde bem suave.. Contudo. A perna mais cu rta do "L" podia ser utilizada como sala de jantar. O espaço aumentou e tudo parecia maior. Àquela altura. Jamais consegui formar aqui uma bailarina verdadeira mente talentosa.

Ouça.indagou ele. já viu sua mãe? . você ficou ruborizada! Começa por declarar que mal conhece o rapaz.. senti-me como se apenas tivesse arrumado a mesa. . De clarou que pretende ser engenheiro eletrônico. Ela me fitou demoradamente. Carrie enlaçou-me o pescoço com os braços. De repente. Levantou-se e veio sentar-se junto de mim.comentou ele.Carrie.Oh! Cathy.Não . querida: convidarei Paul para vir este fim de semana. ele nem notou que sou tão pequena. viúva. mesmo quando era casada com Juli an.. observando os carvões ve rmelhos se transformarem em cinzas escuras. Ele disse que está fazendo o curso preparatório para a uni versidade e trabalha parte do tempo como eletricista para custear os estudos. . .. O modo como ela pronunciou a frase fez-me sorrir também. . Só então me dei conta de que Carrie devia ter-se encontrado muitas vezes com o rapaz enquanto eu dava aulas de balé..Fez uma pausa. .. m as. . ele me convidou para um encontro. Não me parecia errado. que elogiou minha comida. Parecia que não existia um homem que me pudesse dar tudo o que eu queria. baixou os olhos.Escute.Estão aqui. . . pelo menos quando ele era capaz de sussurrar: . Com um leve sorriso a um só tempo orgulhoso e encabulado. O jornal local noticia-lhes todos os movimentos. . de modo que quan do Alex perceber que gosto de homens mais velhos nem olhará para mim. com um filho. acrescentou: . até que morra.. . Depois.Onde me encaixo eu? . muito vermelha. ainda não estou pronta para enfrentar seus pais! Seus olhos azuis demonstravam pânico. Alex e Paul sentaram-se à nossa mesa de jantar.. ela e o marido . afinal. claro que estarei. fiz os pães quentes e os suspiros.Não o conheço o suficiente.Gosto do modo como arrumou a casa .Cathy. Já falou com os pais a meu respeito. Ele não vai querer uma mulher mais velha. Alex era um rapaz bem apessoado.Você aceitou? . Paul ficou calado durante longo tempo.Você estará aqui se ele vier jantar? .protestou ela. modesta. como se fôssemos casad os há muitos anos. ou talvez pastor protestante. com uma expressão estranha.gaguejou ela.Ou não me encaixo em lugar nenhum agora? Apertei-o em meus braços.É muito acolhedora. Só então entendi. querida: convide Alex para jantar aqui conosco e deixe-o ir para casa sozi nho. . encarando-nos nos olhos. residirão com ela. . . eu a amo! E Alex sabe consertar torradeiras e ferros de engomar. de vinte e três anos..Por que não? . amassei as batatas. Catherine. Ain da não se decidiu. Paul piscou um olho para mim. . Vamos convidá-lo par a jantar. Paul e eu sentamo-nos diante da lareira. Eu só recheei a galinha . .Ora. Apressei-me em declarar que Carrie preparara a maior parte da refeição. .. . . Além disso. em frente à lareira... Abraçou-me ternamente e assim fi camos. mostrando que compreendia.respondi em voz baixa. Então. A lex conserta tudo! Uma semana mais tarde..Alex convidou-me para passar u m fim de semana em sua casa. no sofá.Moram em Foxworth Hall. Cathy. poderei verificar se ele serve para minha irmã.Então.Cathy preparou quase tudo.murmurou. antes que Carrie volte para casa. preparei o molho. Nossa paixão mútua em nada diminuíra durante todos os anos qu e se haviam passado desde que tivéramos pela primeira vez um contato tão íntimo. fitando-me temerosa e tremendo de esperança. Quando Alex levou Carrie ao cinema e Jory estava acomodado na cama com seus brin quedos prediletos. Creio que devo conhecê-lo melhor antes de deixá-la viajar sozinha com ele. Cheia de felicidade.Não.Cathy. em Maryland.Mas. de modo que Bartholomew Winslow e S ra. Cathy c uidou do resto. mas logo em seguida dá todas as informações importantes a seu respeito. . Despimo-nos rapidamente. . mas. vo cês se viram antes. Parece que a minha querida avó dos olhos de pedra sofreu um leve ataque cardíaco. Jamais deixara de amá-lo.Quero fazer amor com você. Oh! Deus! Tomei-a nos braços. .

Carrie eletrizava-se ao escutar o toque do telefone. E eu concordava.O pior de tudo é que compreendo. Além di sso. manipulando o aspirador.repliquei. na realidade. Está sempre fugindo de mim. O Romance Agridoce de Carrie Carrie tinha vinte anos.Não quero chegar aos oitenta sem você a meu lado e ainda me amando. eu vinte e sete. amando-a. e rezo para que ele consiga dissuadi -la de fazer o que diabo você tem em mente! . diabólica e tudo mais que a avó dizia de nós. mas recusando-se a reconhecer o fato por pensar que é pecado. Chris completaria trinta em novembro. ou noventa. E quando tiver essa idade. est reitando-o ainda mais para que eu pudesse beijá-lo repetidamente. querendo arrastar-me também. Então. Cathy. Em seguida. Cathy? . há o problema de Mamãe. Sempre que algo de bom me acontece. Parecia-me uma idade impossível para ele. como você sabe que está. O tempo que antes parecia arrastar-se ganhava impulso. . então sentei-me bruscam ente na cama. que seja após fazermos amor. . . Alex fosse apenas um jovem comum. Corri ao quarto de Carrie e agachei-me ao lado de sua cama.Oh! Catherine. pois era tão meticuloso e bem arrumado em todos os outros sen tidos! Tinha olhos azuis esverdeados e a expressão de alguém por cuja mente jamais p assara um pensamento feio ou maldoso. mas deixei que meus braços falassem por mim.Ele não é lindo.pois nossa Carrie es tava apaixonada por Alex! O amor brilhava-lhe nos olhos azuis e dançava-lhe nos pés miúdos enquanto ela percorria a casa limpando os móveis.Minha Lady Catherine! . com Paul profundamente adormecido no terceiro quartinho do c halé. Tive a impressão de escutar as montanhas chamarem: "Fi lha do Diabo!" O vento uivava lá fora. vi rei-me para aninhar-me nos braços de Paul. pois tinha a impressão.Henny estava com uma amiga quand o telefonei para Paul. exatamente como Cory. quando mor rer. A amiga deu-me o número de seu telefone. como agora. que era mais p rovável que o vento a arrastasse antes de mim. da mesma forma com o arrastara Cory e o transformara apenas em pó. Prefiro morrer quando você deixar de me amar. mas quando olhava o meu Jory eu ficava a bismada com a rapidez com que o tempo corre à medida que envelhecemos. Se for pecado. Sim. com cer ca de um metro e sessenta e oito de estatura. no estado de pesadelo em que me encontrava. sinto-a ao meu lado. Cathy. Não quero que você a machuque mais do que ela já está machucada . o telefone começou a tocar. mas nunca poderá ir bastante longe ou com suficiente pressa para escapar-me.. Levantei-me e fui à janela ol har para os picos sombrios á distância. cabelos castanhos cla ros que se despenteavam com facilidade e lhe davam um ar relativamente atraente de cãozinho arrepiado..Mas você completará cinqüenta e dois anos em novembr o e sei que viverá até os oitenta. Mas tenho certeza de que se magoará. Tive uma terrível sensação de pânico. Os mesmos picos que eu costumava observar da s janelas do sótão. Entretanto. .Paul é muito mais compreensivo que você.era a voz de Chris. Chris. boa aparência. tendo-a em meus braços. você é a pessoa que melhor deveria saber o que estou fazendo aqui! Meu irmão produziu um ruído de contrariedade. . acordei repentinamente.Que belo e poético .. acrescentando sua voz às que me chamavam de p ecaminosa. Estendi preguiçosamente o braço para atender.indagava ela. pois freqüentemente o chamado . com você me abraçando e fitand o como faz agora. espero que a paixão ainda nos governe.. Despedi-me rapidamente e desliguei. má. desejando protegê-la. Cathy. Fiquei sem saber o que responder. Na calada da noite. acima de tudo.. la vando a louça ou planejando o cardápio para o dia seguinte. esperando que ele não desconfiasse do mot ivo que me fazia tremer. embora. então o céu deve ser perto de você. que diabo e stá fazendo você na Virgínia? Sei que Paul está aí. . . não quero que você se magoe outra vez e sei que isto acontecerá. Ele sacudiu a cabeça. porque estarei sempre e m seus calcanhares. se há algo que desejo é possuí-la por toda a minha vida e. segurando-me a mão. amando-me como eu a amo. E. acelerando-se . eu podia escutar o vento soprando e u ivando como um lobo à minha procura.

encurralando-nos como outrora.Não quer ser esposa de um ministro de Deus? . . louro e de olhos a zuis. . beleza e alegria comoveram-me tanto que o coração me doeu de apreensão. Quero ser p . Manterei a casa tão limpa que nem haverá poeira no a r. Se eu tiver um filhinho louro de olhos azuis. Sua juventude.declarou Carrie. minha cabeça já não parece tão grande. Estendi os braços e Carrie se atirou neles. Redigia para Alex longos e apaixona dos poemas de amor. escuras e misteriosas dentro da noite. como o meu. Levantei-me e me aproximei dela.sussurrou ela. Era puro encantamento observar Carrie apaixonada. Pela primeira vez na vida. Uma semana mais tarde. Cathy! . Todas as noites ele jantará comida de gourmet preparada por mim . Eu desconfiara que ele já propusera ou estava prestes a propor casament o a ela.exclamou ao voltar do salão de beleza com o novo corte de cabelo. .Agora. Ele não fala muit o. Portanto .era para ela. como costumava fazer quando criança. No fundo.Os pastores esperam que as pessoas sejam perfeitas . ou com um incêndio no outro lado da rua. querida? Por que não dorme? . Ri. P ortanto. Chegava a borbulhar de excitação. sentia-me temerosa. Sua voz tinha um tom de sofrimento e tristeza que não consegui entender. . Era fácil perceber que Alex se encantava com Carrie. pois já sabia. se Alex não me amar eu prefiro morrer! . adivinhe que nome lhe darei.exclamou. Cercava-nos por todos os l ados. Carrie. E o jeito de descobrirmos o q uanto gostam de nós é fitá-los nos olhos: o olhar nunca aprende a mentir.Eu sei! . passou a maqui lar-se. mais elegante. que conseguia continuar dormindo durante trovoadas. alarmei-me ao vê-la ali. com o telefon e tocando a meio metro de seus ouvidos. ara ele a melhor esposa possível. co mo eu. Alguns gostam de p rovocar-nos e isso constitui uma boa indicação de que estão interessados e de que o in teresse pode transformar-se em algo mais profundo. obrigando-me a lê-los e depois guardando-os sem enviá-los a quem realmente deveria vê-los. limita-se a ficar sentado.disse ela. Carrie? O curso de especialização de Chris está quase termina ndo! Ela riu e correu para mim. Exclamei: . abraçando-a. Cathy: resolveu ser pastor.Veja. . Rezei para que não acontecesse alguma coisa que estragasse tudo para minha irmã.Que maravilha! Sinto-me feliz por você. . hem? E notou como fiquei mais alta? Ri.indaguei. olhando para as montanhas escuras. . Carrie. onde as pontas se curvavam para cima num atraente abandono. Farei minhas roupas. pois Carrie se mostrava tão distante e desanimada! . Eu não precisava adivinhar.Alex pediu-me em casamento esta noite . Carrie usava sapatos com salto sete e meio e solas tipo tamanco. contentar-me-ei com isso. que nunca tinha insônia freqüente. Sentia-me feliz por ela e por mim também. Carrie.Você é capaz de acreditar. Economizarei muito dinheiro de todas as maneiras possíveis. acordei de repente para deparar com Carrie em frente à jane la. com cinco c entímetros de altura! Mas tinha razão: o cabelo mais curto dava a impressão de diminui r-lhe o tamanho da cabeça.Os homens não falam tanto de amor quanto as mulheres.Está passando bem. . Cathy. Ainda trabalhava parte do tem po como eletricista para uma loja local de aparelhos elétricos enquanto fazia curs os de férias na universidade. Oh! como queria que Carrie fosse feliz! . sem precisar de palavras pois ele raramente as pronu ncia.nada dessas p orcarias que já vêm prontas do supermercado. olhando-me daquele modo suave e especial. Carrie! E por ele também. O primogênito de Carrie.Ele me contou uma coisa. com o olhar ainda pregado nas montan has distantes. voltaremos a ser uma família completa! Como éramo s antes.Oh! Cathy. mas cortou-o à altura do s ombros. Parou de falar em seu raquitis mo e até mesmo começou a sentir-se normal.a crescentou num tom inexpressivo. as dele e as das c rianças. pois a escola d e balé ia de vento em popa e Chris viria para casa a qualquer momento! .Queria ficar perto de você . como é natural. teria o nome de Cory. num tom que me .Em breve. Tinha o cabelo naturalmente ondulado. mas passava cada minuto de tempo livre em companhia de Carrie.

e eu não sou perfeita. .Alex não mente. qu e sempre sabia dizer as coisas certas no momento adequado. Alex deseja uma mulher perfeita . Vacilante. esse pec ado foi deles e não nosso. . queria converter-se ao catolicismo para poder ser padre. . Cathy. Deus não os puniu. Cathy. Lembrando-me disso. . E isto é mentira. Além disto. Paul afirmou que Deus não pretende fazer com que nós paguemos pelo erro cometido por nossos pais. ainda por cima dizer-lhe que nossa mãe se casou com seu meio-tio? Alex me detestaria. odiei-a mais que as outras! Cathy. E eu o amo tanto! Ajoelhei-me ao lado da cadeira e abracei Carrie. . mas lembro-me bem das palavras. . tenho certeza. Há muito tempo. E nada neste mundo é tão perfeito a ponto de ser branco ou tão ruim a ponto de ser preto. Seus olhos lacrimosos se arregalaram quando ela escutou isto. mas nunca lhe contei a respeito de nosso passado. embora sentisse uma fúria terrível contra a avó que implantara todas aquelas noções malucas na m ente de uma criança de cinco anos: . suas esposas. Todos contam uma mentirinha de vez em qu ando. Disse-me que jamais teve uma experiência se xual porque passou toda a vida adulta à procura da garota certa com quem se casar: alguém perfeito. Cathy? Engasguei-me. Lembro-me de tudo que a avó c ostumava dizer a respeito de nós. Começou a chorar de dar pena. a fim de livrar-me do nó que me apertava a garganta.Querida. Cathy. . de modo que desistiu do catolic ismo. Eu mesma já senti as mesmas dúvidas que você.Como pode ter certeza? Ele lhe contaria. Carrie. se tivesse feito? Seu lindo rosto jovem mostrava-se sombrio. Não me quereria mais. t omei por empréstimo as palavras que ele me dissera e repeti-as para Carrie..causou um medo mortal. perfeita. Sabe que no antigo Egito os faraós só permitiam que seus filhos e filhas se casassem com uma irmã ou irmão? Portanto. Sempre se sentiu atraído para Deus e a religião.Mas. Ansiava pela presença e apoio de Chris. Ficou mais velho e descobriu que os padres são obrigados ao celibato.Tenho a impressão de que Alex e eu nos conhecemos já há muito. exceto que passamos à tutela d o Dr. Éramos filhos do Demônio. E também por Paul. Carrie. Deveríamos ter nascido. Engoli em seco. Eu não entendia direito o que ela queria dizer. Nenhum de nós é perfeito. muito tempo. explicou: . pois deseja uma esposa e filhos. Não somos órfãos. cheios de maldade e pecado . Só os mortos. nunca teria permitido que isso acont ecesse. .Alex é perfeito. . Absolutamente ninguém é perfeito. como se me conside rasse. . .Foi o nosso Dr. Nossa mãe ainda está viva. Tud o o que se refere aos seres humanos tem as mais variadas tonalidades de cinza. horrivelmente amedrontada. eles não eram parentes próxim os. também! Tenho maus pensamentos! Odiei aquelas meninas que me colocaram no tel hado e disseram que eu era uma coruja! Desejei que todas elas morressem! E Sissy Towers. Paul quando nossos pais morreram num acidente de automóvel. por odiá-la tanto! Também odiei Julian. Cathy.Ninguém é. mas senti que a cul pa foi minha.. a sociedade estabele ce as regras.Carrie. não sei como dizer tudo da maneira correta.Cathy! Não sou perfeita! Sou pecadora! Como a avó sempre nos dizia. mas tentarei. que nunca deveriam ter n ascido. ou como dizer.. Alex pensaria que eu lhe daria filhos deformados. como faria uma mãe. ele me explicou que se houve pecado quando nossos pais se casaram e conceberam filhos. Jamais fez alguma coisa ruim ou errada. sabe que Sissy Towers morreu afogada quando tinha doze anos? Nunca escrevi nem nunca lhe contei. mas até re centemente ele pouco me falou a respeito de si mesmo. por roubar você de Paul e ele ta mbém morreu! Será que não compreende? Como posso contar tudo isto a Alex e. Portanto. Além disso. Carrie. Não sabia o que dizer. Quero que você entenda que aquilo que é preto para uma pessoa pode ser branco para outra.. Quando era mais jov em. nunca se esqueça de que nossos pais tiveram quatro filhos e nenhum de nós é excepcional. se Deus não quisesse que nascêssemos. Paul quem me esclareceu. E ela dizia sempre que éramos crianças ruins e pecaminosas. sem nenhum defeito. Carrie. como eu. sou má e pecamin osa. entre todas as pessoas neste mundo. como você pode ver. como eu.Mentiras não são pecados mortais. E eu falei pelos cotovelos . O Dr. nem a nós. C arrie.Em especial.

. Ninguém contará a ele. mas nada em nome do amor.Gostei de fazer aquilo! Gostei que ele me p edisse para fazer. Sabe que não é a nã. Uma vez.Cathy.Por favor. Na verdade.O que fez de tão terrível. E eu devia saber que era errado. querida? Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. Agora. E Alex não precisa tomar conhecimento. querida. como é capaz de não se j ulgar suficientemente boa para casar-se com Alex ou qualquer outro homem? Ela continuou a chorar. Tem uma voz bonita e sonora.. . tentei evitar que meu rosto demonstrasse prazer. não seu. ainda teria que aceitar o fato da melhor maneira possív el. sem se tranqüilizar com minha argumentação. é muito melhor dona de casa e dá gosto ver os vestidos que faz. Começou a soluçar histericamente. Escutávamos a avó falar.sussurrou ela. S . Julian me be ijou e disse que.Não chore nem fique envergonhada.Olhe ao seu redor. talvez Deus tenha punido a mim. Paul.. Você ama o Dr. magra. fiz algo muito ruim. pare de chorar.. não consegue perceber que Alex não entenderá? Ele me detestaria. eu ainda me detesta rei por ter feito e gostado! .. Cathy! . São muito mais boni tos e melhores que os das lojas. . E eu nunca. quando eu estava de visita e você se ausentou de casa.Mas eu saberei. . eu nunca tive. com ninguém.. gorda. Mas fiz outras coisas q ue são pecados. Um dia. . não mais precisa envergonhar-se. Jory e Chris de três modos diferentes e a mim de outro. manter em dia a escrituração de Paul. Disse que seria gostoso e não se tratava realmen te de sexo. E meu também. Mas se você fez alguma coisa. Lutei para livrar-me do doloroso nó na garganta. Carrie levantou a cabeça muito devagar e a lua que surgiu de repente de trás das nuv ens escuras lhe brilhou nos olhos cheios de remorso. você não o conhece como eu! Passamos por um cinema que exibe filmes im orais e Alex disse que qualquer pessoa que fizesse aquilo era pecadora e pervert ida! Entretanto.. alguma coisa comigo. . Isto é um castigo.Isso não é o pior. Há muitos tipos de amor e modos de expr essá-los. E se Julian convenceu-a a fazer algo que agora você acha pecaminoso. .Lembro-me de muitas coisas que você não imagina que eu faça . Você não é má. você e o Dr. o que fez não foi tão terrível. Arregalei os olhos. Eu não s abia que era errado fazer apenas o que fiz.Lembr o-me do modo esquisito pelo qual Cory e eu costumávamos conversar. cheia de amor. Paul me disseram que sexo e fazer bebês é uma parte natu ral da vida. pois deveria tê-la prevenido quanto ao que ele poderia desejar de você. relações sexuais. pois não deve ria ter induzido você. uma inteligênc ia brilhante. Sabíamos que éramos filhos do Demônio. E sou pecadora. Cathy. Você possui um rosto lindo.. cozinhar duas vezes melhor que eu. Carrie. num corpo adorável e bem conformado. Não cresço.Foi Julian. pois sacudiu a cabeça enquanto as lágrimas continuavam a escorrer-lh e pelo rosto. Carrie. ou lá o que seja.. É uma hipócrita preconceituosa que não sabe distinguir o certo do errado e fez as coisas mais horríveis em nome de uma fa lsa santidade. .. As pessoas são feitas para terem prazer sensual e gostarem de sexo. Carrie. Julian prometeu-me jamais tocar num fio de seus cabelos ou alimen tar desejos sexuais em relação a você e acreditei nele. Veja como é capaz de datilografar e taquigrafar depressa e corretame nte. tive. fiz o que ele queria. do tipo que produz bebês.berrou. se o que fizeram deu prazer a ambos. . . .e não é -. uma pele maravilho sa.. apanhada de surpresa. um cabelo sensacional.. querendo desesperadamente acr editar em mim. Existem muitas pessoas menores que você. Esqueça-se da a vó. como faz tanta gente que se considera demasiadamente alta. Com quem? Foi como se Carrie me lesse os pensamentos. . Soltei um riso trêmulo e puxei-a ainda mais para mim.Carrie grudou em meu rosto os grandes olhos azuis. o pecado foi dele e não seu. depois de você. mas o pecado foi dele. envergonhada. eu era a pessoa de quem ele mais gostava. jamais deveria ter usado o termo "excepcional". Cathy. Desejava apenas que Juli an a amasse.. Portanto. Somando tudo isto. que vivia falando em nosso sangue amaldiçoado. beijei os cabelos de Carrie. isso é muito normal. afas tei-os de sua testa febril e enxuguei-lhe as lágrimas.Não. pois Deus poderia estar observando!. Mesmo que fosse . Alex pensaria assim. Julian errou. . ele q uis fazer. a fim de que vo cê e Chris não entendessem..Mas. se soubesse! E mesmo que nunca venha a saber. Ademai s.

sorriam e nos considerem ingênuos e inocentes. Odiava Mamãe por nos ter levado par a Foxworth Hall. não é mesmo? Éramos quatro criança ue não tinham responsabilidade pelos atos dos pais. afinal. o mesmo acontece com um homem chamado Alex! . Paul foram amantes .Eu sei .Todo mundo muda! Veja o mundo que nos rodeia.. Carrie libertou-se de mim e foi à janela olhar para as distantes montanhas escuras e para a lua minguante que parecia singrar o céu como a vela de um barco viking. Ninguém sabe como o mundo mudará. se o mundo é capas de mudar. querida.ordenei rispidamente. . Aquela velha detestável tentou d estruir nossa confiança e orgulho . Contudo. entre gente me lhor que nós. Cathy. nem você. pois ainda não conhece o prazer que o amor pode proporcionar. ele deixará de me amar. como responder uma pergunta como aquela? . com os tipos de livros que estão sendo publicados. casara-se pela segunda vez e deixara-nos s ozinhos. Não conseguiria suportar.Alex não mudará. Veja as revistas. .e Alex. Creio que também não apro ve o tipo de dança que você costumava fazer com Julian.quando ela fosse abandonada. . Consolei-me pensando que em breve mamãe também estaria sofrendo como nós. .Não foi melhor quando Deus fez Cory morrer? Oh! meu Deus. não podia ir contra o único homem que Carrie encontrara para amar. Julgo. Durma bem e lembre-se.Alex não mudará .replicou ela. sim. Não sei se a mudança é para melhor. com os filmes sujos e as revistas que trazem fotografias de pessoas fazendo coisas pecaminosas. Tenho boa memória. não me qu ererá mais. Revolta-se contra a falta de moral que existe hoje em dia. Conhecia seus pais melhor que ninguém e. só mais tarde vim a saber como ela conseguira ev itar-me até então. dará certo com você e outra pessoa. . não obstante. Carrie deitou-se com os olhos fixos no teto até que. adormeceu.. ainda abismada pelo efeito que uma única mulher surtia na vida de tanta gente. ele mudará de idéia a respeito do que é ou não per vertido . Quando ele revelou que desistira da idéia de ser engenheiro eletrônico. aplica-lhes o castigo. E éramos nós que continuáva mos a sofrer enquanto ela se divertia! Sua diversão não duraria muito. Nem eu. compreendi que estava tudo acabado entre nós. tam bém. de modo que se divertia enquanto éramos torturados. As pessoas rel igiosas acham que tudo é errado. as peças teatrais com todos os atores despidos. Deus vê e.Você não vai contar a ele! .e talvez tenha sido por isso que Julian m orreu: para castigá-los. os fil mes que gente decente vai assistir e gosta. nem Alex. Então. como aquela velha espancou Chris e você. ela ficaria sabendo o que havíamos sentido . Às vezes. Ela me lançou um rápido olhar do mais profundo desespero.Carrie. depois que você e Alex se casarem.Pretende tornar-se pastor. suave e boa dona de casa como você. doendo interiormente. Só minha família me ama . nem Chris.declarou com desânimo. pois eu estava ali e Bart também. quando eu estava no palco dançando? E um dia. absolutamente ninguém é perfeito. . mais tarde. Alex amadurecerá e deixará de ser exageradamen te santo.As pes soas que procedem mal. que o mund o está cheio de homens que se deliciariam por amar alguém tão linda. . não sei como fazer que todos gostem de mim.bíamos que estávamos trancados porque não merecíamos ser livres no mundo.Lembro-me. levara-nos para lá. . nós nos encontraríamos. Sofrimento por sofrimento. .Pare! . Mesmo sabendo como era a sua mãe.Foi melhor quando Papai morreu na estrada? . que você e o Dr. Todos nós mudamos a cada dia. sozinha e sem amor.não se orgulha dele? Não se orgulhava de mim. vá deitar-se. quando acordar. Carrie. mais cedo ou mais ta rde. você é o tipo de mulher de quem os homens gostam e e u não.gritei. . o tipo de livros que são publicados. Tive ímpetos de gritar: "Ao diabo com Alex e seu puritanismo!" Entretanto. Portanto. fui a única a permanecer acordada. deitando-se como uma boa menina que obedece à mãe.Não se lembre! Esqueça! Saímos de lá. util iza-se de uma avó com uma chibata. como a avó. Talvez daqui a vin te anos nossos filhos olhem para a nossa época atual e se sintam chocados. Sei que Chris e você se olham como Alex e eu nos olhamos. E quando eu contar a verdade a Alex. não outra vez! . . Nin guém. E se não der certo com você e Alex. mas o fato é que as pessoas não são estáticas.Carrie. Não sou bailarina.Você nem se lembra daquele dia. . Contudo.não permita que ela consiga! Olhe para Chris .pois isso aconteceu comigo. Não sou im becil.

. com os olhos baixos.Fica sensacional com essa malha roxa. Sr. Se quiser.talvez por ser tão semelhante a ela. Apenas o incômodo mensal .Não estou aqui para tratar de honorários. Se não está passando bem. un. .Estou ótima.Srta. não telefone porque não quero acordar. tendu. . Podemos tratar deste assunto em outra ocasião? . querendo acompanhar-me para observar os bailarinos. Winslow . Que fim levou seu apetite? Mantendo o rosto inexpressivo.Quero ver os dançarinos! . embora não tenha recebido o preço que tinha em mente. empurrarei você no balanço e brincaremos na caixa de arei a .Fique comigo. enfiou a mão no paletó e puxou uma carta do bolso interno . E a aula prosseguia. poderia escrever-me e o correio me faria chegar às mãos a sua carta . Dahl . os penetrantes olhos castanhos ob servando minhas mínimas reações faciais. Fiquei temerosa de deixá-la o dia inteiro com Jory. Mamãe! . Jory. que abriu um berreiro ensurdecedor . que sabia muito bem o que queria ou não. . Agora.. Sim. na idade dela. . Apenas não sinto muita vontade de comer. Pode ceder-me um minuto do s eu tempo? . deixe-me levá-la ao médico. tendu. a fim de verificar se Carr ie estava bem. Afinal. quando. Sinto falta quando você o le va. enlaçando-a pelo pescoço. fechem as pernas. Sorridente e seguro de si. Enquanto a música tocava. Sinto muitas cól icas três ou quatro dias antes. além de todos os carimbos e marcas de cancelamento na carta que acompanhara o trajeto de minha mãe por toda a Europa! . e agora.Minhas aulas terminam às cinco. deux. Carrie não estava com muito boa aparência. Portanto. . . Dahl. Gosto tanto de você e nunca o vejo bastante. Dei um beijo de despedida em meu filhinho. . pode sentar-se ali e esp erar.Carrie. de repente. eu contava: .protestou Jory. como o senhor mesmo pode ver. un. Não gosta de su a Tia Carrie? Ele sorriu. Cathy.eu tive um trabalho dos diabos para encontrá-la e você estava aqui du rante todo o tempo. E. ela replicou em voz baixa: . deux. un. pliés. . estou ocupadíssima aqui. Girei nos calcanhares e avistei um homem de pé bem no fu ndo do salão: Bart Winslow. que às vezes dava muito trabalho . Era a última aula do dia e os alunos de seis e sete an os postaram-se no centro do salão. seja franca comigo. pegando meu filho no colo e o abraçando com força.Sr. que ainda é quase um bebê.. Winslow . .Minha irmã não está pass ando bem hoje e tem a seus cuidados meu filhinho.disse Carrie apressadamente. fechem as pernas. as cólicas eram mais fortes que na minh a. . Foi um dia terrivelmente longo.Vamos passear no parque..Mais um só golpe seria sua ruína.e. Ele franziu as sobrancelhas escuras e grossas. . pliés. Srta.Quero escutar a música. Não leve Jory hoje para a escola de balé. deux. senti um arrepio na nuca a indicar que alguém me olhava fixamente. un. Telefonei várias vezes.eu tinha certeza disso . Jory amava todo mundo.Se o cheque que lhe enviei pelo correio não foi suficiente.comentou.respondi em estado de total confusão.Un..Não tem comido direito.disse ela.repliquei com rispidez. deux. o marido de minha mãe! Tão logo percebeu que eu o reconhec era. tendu.Tem certeza de que está passando bem? . deux. Prendi a respiração ao reconhecer no envelope minha própria caligrafia.Percebo que reconhece esta carta . Jory e eu nos divertimos a valer no parque. . encaminhou-se para mim. Deixe-me ficar com ele o dia inteiro. .Estou muito bem.Estou ocupada! .Escute. vou deita r-me para um cochilo. O relógio bateu quatro horas. por favor.. aborrecida por ele me interpelar quan do eu tinha que cuidar de uma dúzia de pequenos bailarinos dos quais não podia afast ar os olhos.. . bem diante do meu nariz.É o meu período mensal.perguntei a Carrie alguns dias mais tard e. . nada mais .repliquei friamente. De algum modo.

Arranjarei outro médico para substituir-me aqui e irei imediatamente. Tomei-lhe as palavras ao pé da letra e não tentei entrar em contato com Chris.Carrie! .Catherine. Tenho muit as perguntas a lhe fazer . Quando compr ei a escola. observando Carrie. .Mas espere antes de tentar entrar em contato com Chris.Cathy. que a proveitava uma folga para fazer uma viagem de duas semanas pela Costa Oeste ante s de voltar para casa e prosseguir seu período de residência médica. Esta sorriu debilmente ao vê-lo no quarto e estendeu os braços magros.disse a Sra. Os sintomas que você mencionou são comuns a uma série de distúrbios.Já cheguei. dispensei os alunos e fui para meu pequeno escritório. . . com os vizinhos. que só vinham às aulas uma ou duas vezes por semana. fazendo uma breve reverência e entregando-me um cartão de visitas. tratarei de vigiá-la de perto. vou buscar Jory e depois a levarei ao hospital mais próximo.respondeu ela num mero sussurro. Então. explicou que Jory e stava na casa ao lado. . Por mais que eu estic asse o dinheiro que ganhava.sussurrou com voz sumida.Paul. consultei o relógio e verifiquei que eram quase seis horas. Quais foram os primeiros sin . muito esquisita.Quando melhor lhe convier.. por favor. Corri de volta a Carrie e e nfiei-lhe um termômetro na boca. Levei-lhe a mão à testa.Sinto tantas cólicas. onde já haviam realizado vários exames e ainda não sabiam o que havia com ela. . havia as mimadas crianças ricas no inverno e as das classes intermediária s no verão. percebendo o pânico em minha voz. o que há de errado? . Além disso. realmente não me sinto bem.quis saber ele.. Troquei de roupa e corri os dois quarteirões que separavam a escola de meu pequeno chalé.Aposto que não imaginou encontrar-me num leito d e hospital. Vomitei quatro ou cinco vezes.disse ele. Marquet . não vi Jory e Carrie não estava na cozinha! . Estou esquisita. . Desta vez.Olá . verificando que ainda estava em débito. constatando-a estranhamente fria.Ouça.chamei. Espero que Carrie não tenha alg uma coisa grave. tão logo ele se reti rou.e não tente esquivar-se. Contudo. Então. não é mesmo? Paul abraçou-a e começou de imediato a fazer perguntas. Como me enganei! No dia seguinte. .. Corri à casa vizinha para ve rificar como estava meu filho. uma mulher bondosa e maternal com po Se Carrie está doente. . incrivelmente d epressa! Vomita.Estou aqui . Mal as palavras me saíram dos lábios tive que rir amargamente de mim mesma. de avião . Townsend. não me lembr o com certeza. Dentro de três hora s. Carrie deve ria estar na cozinha preparando o jantar enquanto Jory brincava no jardim cercad o.. que tomava conta da netinha. . que brincava alegremente com uma menininha um mês m ais velha que ele. embora fosse um dia basta nte quente. notei que está muito pálida e abatida há cerca de dois dias. Paul estava comigo no hospital.d isse ele sem qualquer hesitação. Sentei-me para examina r o livro de escrituração contábil.Vou chamar um médico. .. . fui informada de que teria pelo menos quarenta alunos. . não é? Perturbou-me tanto o fato de vê-lo com aquela carta nas mãos que. Srta. ela está com uma aparência terrível! E perdendo peso depressa. Com voz fraca. Não julga que um encontro para jantar foi suficiente. dei uco mais de quarenta anos. . Desembuchei tudo de uma só vez: Carrie estava internada no hospital. Eu também notara a mesma coisa. Está com quar enta e um graus de febre! Carrie meneou debilmente a cabeça e tornou a adormecer.. não consegue manter a comida no estômago e também sofre de diarréia! Não pára de chamar por você e por Chris. mas atribuíra tudo ao fato de seu romance com Alex e star causando problemas. telefonei para Paul. perdi o fôlego ao ler o resultado. Corri até o quarto e a encontrei ainda deitada. não conseguia cobrir as despesas que fizera com a nov a decoração da escola e a instalação de espelhos novos atrás da comprida barra de exercícios . Naquela cidadezinha não havia um médico que atendesse a domicílio.O mais breve possível. mas ninguém me revelou que a maior parte deles viajava no início do verão e só regressava no outono.. Sra.. pois é tão boazinha! Mesmo assim..Carrie. xe-me cuidar de Jory até a senhora voltar para casa. Onde se esconderam Jory e você? . Dahl .

então. Leia isto e diga-me o que acha.. Em seguida. Portanto. . .. lembro-me de Mamãe e P apai e tenho a impressão de que se trata de um sonho que jamais aconteceu. De repente. eu nunca seria muita coisa. o pente vinha cheio de cabelos sempre que me penteava e comecei a vomitar. Haviam-me retirado do quarto. do jeito como mais me lembrava dele. viravam-se para observá-lo em toda a sua esplêndida glória.Ela quer ver você. Sem todos vocês para s egurar-me neste mundo. passei a ter dores de cabeça e ficar sonolenta o tempo todo.tenho certeza! Que mais poderia ser? Ela estava ótima há uma semana. Sabia que enganava a mi m mesma quanto a ter filhos. neste momento. Não teria sobrevivido até hoje se vocês dois. Andando de um lado para outro em frente à porta fech ada do quarto. Cathy. virou-se para mim com aquele rosto inexpressivo que me enchia o coração de medo. caso eu não escreva estas linhas.Chris.o que há de errado com Carrie? A pergunta me aturdiu . mantive os olhos pregados em seu rosto. mas apenas alguém para atrapalhar e preocupar todo mundo por ser infeliz. Eu jamais seria alguém especia l .. Então.? . . Não consegui falar quando Chris me tomou nos braços e enfiou o rosto qu eimado de sol em meus cabelos.Eu gostaria de ver Chris.como você. Recuei no tempo e vi Papai. Há muito tempo venho sentindo que morrerei em breve e já não me importo com o fato.Não consegue adivinhar? É aquele maldito arsênico . Sempre tive certeza de que nunca me casaria. Entretanto. adoeceu assim! Interrompi-me e comecei a chorar. prometam-me não permitir q . e não sei como foram causadas. Por isso. eu já teria ido ao encontro de Cory há muito tempo.. comecei a sentir muito cansaço.murmurou. .Há cerca de uma semana.Não demorou a chegar. há muito tempo Carrie sabe que algo estava errado.. que pode dançar.Não. usando trajes d e jogar tênis. Ele continuou com o rosto enfiado em meus cabelos e tinha a voz rouca de emoção. erguendo a cabeça para fitar-me nos olhos: .ais de que havia algo errado? . chego a pensar que vocês são meus pais de verdade. Paul já examinara a ficha médica de Carrie e confabulara com os médicos que cuidavam d ela. antes de levá-lo ao pequeno quarto de Carrie. perto dela . Queridos Cathy e Chris. Não posso ser esposa de um pastor. ter filhos e tudo o mais.Cathy . o Dr. pois me parecia tão significativo! . So lucei. de qualquer maneira. coloquei na mão de meu irmão o bilhete que encontrara entre as páginas do diário que Carrie iniciara no dia em q ue conhecera Alex. Estive ocultando algo. c omo Chris. Apareceram marcas. como equimoses . Ouvi-lhe as batidas fortes e regulares do coração. à beira de um dilúvio de lágrimas. Seu sussurro tornou-se cada vez mais sumido. Sou inc apaz de imaginar a fisionomia de Papai a menos que tenha nas mãos sua fotografia embora me recorde de Cory exatamente como ele era. Depois..Acho melhor você mandar chamar Chris. .Paul! Quer dizer. Portanto. senti-lhe a presença antes de avistá-lo. Enquanto ele lia. menos eu. antes que prossigam a leitura.perguntou.. mas manteve segredo. . Mas se Carrie deseja vê-lo. vocês se julgarão c ulpados. Todo mund o tem alguém especial para amar. Agora. Paul e Henny não me tivessem dedicado tanto amor. esperando que os médicos fizessem alguns exames em Carrie. Dei meia-volta e prendi a re spiração ao deparar com Chris aproximando-se pelo corredor. . Não mencionei a Cathy porque ela sempre se preocupa demais comigo. outras coisas que os médicos já pergunt aram e contei a eles. pois meus quadris são estreitos demais e também acho qu e sou raquítica demais para tornar-me uma boa esposa. menos eu. o lugar dele é aqui. Eu estava no corredor.. Não posso ser médica. Às vezes.pois ele deveria saber! . Todo mundo tem algo especial para fazer . antes de fechar os olhos e adormecer o utra vez. passando pelas enfermeir as que carregadas de bandejas com remédios. não quero dizer isso. Jory.

preciso confessar uma coisa: eu amava Julian do mesmo modo que amo Alex.Chris .exclamei. . também.Mas se ela sempre soube. . como poderia acontecer algo mais para convencê-la? Bast aria ter escutado nossas conversas naquela época e ter visto o camundongo envenena do! . . . eu não escutava nem prestava atenção. Não entende que se trata de outro assassinato cometido por no ssa mãe? .Sempre há esperança. Agora. mas ela desistiu da vida.Cathy.muito bom revê-lo. Trazia uma marca de dentada. embora por curto espaço de tempo. Apesar de você dizer que não. A expressão solene em sua fisionomia abatida revelou-me tudo. . comecei a pensar na avó e no que ela costumava dizer a respeito de sermos filhos do Demônio. . Mesmo assim.Nós a salvaremos! Não permitiremos que mo rra. atônito. ele começou a soluçar no meu ombro. por fazer o papel de minha mãe e ser a melhor irmã do mundo. Paul. por ser o substituto de Papai e o melhor irmão do mundo. mais certeza tinh a de que ela estava com a razão: eu nunca deveria ter nascido! Não presto! Quando Co ry morreu por causa do arsênico nas rosquinhas que a avó nos dava.Há esperança. Paul saiu do quarto de Carrie. ela colocou arsênico nas rosquinhas . Pena que as circunstâncias se jam tão tristes. Deixem-me apenas mor rer e não chorem por mim. Falaremos com ela. não há? . as lágrimas ainda brotando dos olhos. . E muit o obrigada. Obrigada. e recuei alguns passos. Alex está lá dentro. Você parece tão moreno e vibrante. Só uma.para morrer da mesma maneira que Cory! Libertei-me dos braços de Chris.Oh! Deus!. o que significa isto? Só então pude abrir a bolsa e dela retirar algo que encontrara escondido bem no fund o do armário de Carrie.bradou Chris.disse ele em tom calmo. . transformados novamente em pais pelo sofr imento comum.Como posso explicar-lhe? . Enquanto estávamos abraçados. Agora. Penso que Deus também não me vai querer até que eu cresça mais. se ntindo-me como se já não houvesse sangue em minhas veias. Cathy.Oh! meu bom Deus! . o pacote de rosquinhas açucaradas. foi pec ado.exclamou Chris. Muito obrigada.. ajoe . sei que foi pecado. Catherine e eu já dissemos tudo o que conseguimos imaginar para tentar fazer Carrie resistir e recuperar a vontade de viver. Vá ao quarto de sua irmã e tente transferir para ela parte de sua vitalidade. mesmo que não sejam de estatura normal Carrie assinou a carta com caligrafia bem grande. Os olhos azuis de Chris se esbugalharam quando ele viu o v idro de veneno contra ratos e.ue os médicos façam alguma coisa para prolongar minha existência. m as nesses momentos lembro-me de Alex. Cathy. embora naquela época não acreditasse. Não fiquem tristes nem tenham saudades de mim depois que e u for sepultada. Carrie comeu-as. como Juli an fazia. mas que agora passara a acreditar? Por que não acreditava antes e agora acredi tava? Algo aconteceu! Ocorreu alguma coisa que a fez acreditar que nossa mãe era c apaz de envenenar-nos! Ele sacudiu a cabeça.Mas as rosquinhas foram fa rtamente recobertas com arsênico! Paul mandou analisá-las. . As lágrimas começaram a co rrer pelo rosto de Chris e. ac redito.exclamou Chris. mas eu estava vendo e ouvindo.. não é mesmo? Pensavam que durante todo o temp o em que permaneci sentada no chão. Julian nunca me julgou pequena demais e foi o único homem que me fez sen tir como uma mulher normal. depois. sabendo que elas a matariam. Estamos fazendo o possível. Dr. que estava muito pálido. que afirma que Deus ama todo mundo. eu também devia ter morrido! Nem imaginavam que eu sabia. . Nada correu bem para mim desde que Cory se foi. diremos que precisa continuar viva! Corri para segurá-la. temendo que fosse tarde demais e esperando desesperadamente que não fosse. de repente. no canto do quarto. . O que mais lamento é não estar presente para ver Jory dançar no palco. desesperada. das quai s restavam apenas uma. Chris. Quanto mais eu pensava no assunto. por gostar tanto de mim apesar de eu não crescer. Na semana passada.Chris! Leia novamente a carta! Não reparou que ela escreveu que antes não acredita va. Obriga da a todos vocês por não se envergonharem de serem vistos em minha companhia e digam a Henny que eu a amo. deixando-me soz inha.Carrie ainda não morreu! . a fim de compensar seu tamanho diminutivo.

Cathy? O que fiz para voltá-la contra mim a ponto de agora nem se dign ar a olhar em minha direção? Alex possuía o tipo de fisionomia doce e piedosa que só esperamos encontrar em santo s de mármore. Telefonei para Henny e pedi-lhe que fosse à igreja. que e u julgava responsável por grande parte do que havia de errado com Carrie.Meu Deus do céu. firmes e rosadas da juventude tinham desaparecido. sob uma pesada camada de cobertores . todos nós permanecemos junto ao leito de Carrie. desfigurado pelo sofrimento. Parecia até mesmo ter perdido mais peso. exatamente o que eu desejava. Não obstante.Alex. Durante três dias e três noites. magra como um palito.Responda-me. os olhos avermelhados pela falta de sono. . Os fios louros brilhavam nos travesseiros. mas os glóbulos vermelhos do sangue estão sendo destruídos mais depressa do que conseguimos substituí-los por meio de transfu sões. que estão fazendo por ela? Quando ele procurou soltar os cabelos dos dedos. que as pessoa s costumam usar quando a morte está por perto. que correu para junto de Carrie. . ao vê-lo tão humilde. Eu não olhava os bilhetes para ver quem as enviava.Uma semana atrás. mas eu não suportaria ver os lindos cabelos de C arrie caírem e serem jogados fora. como se proc urasse clarear as idéias. segur ando-lhes as mãos e rezando silenciosamente. Ca rrie se colocou fora de nosso alcance. Pedi-lhe que se casasse comigo e ela respondeu que sim.Uma equipe de ótimos médicos trabalha vinte e quatro horas por dia para salvá-la. Esta jazia. Deus é testemunha de que fiz todo o possível para convencer Carrie de que a amo! Mas ela se recusa a escutar-me. não consegui mais conter-me. enquanto Alex cont inuava rezando sem parar. apressei-me em ajudá-lo. . enqu anto minha vizinha cuidava de Jory.. não sirvo para você!" Eu ri. centenas de fios de cabelos louros vieram em seus dedos quando ele os retirou. Sua vo z parecia esquisita. Não acredito que compreenda o que está sendo dito ou feito. Paul! O que está sendo feito por Carrie? . telefonei para Carrie e pedi que se encontrasse comigo. Perdoe-me. . deixa ndo-lhe o rostinho magro e encovado. Cada um de nós. .Tudo o que sabemos fazer .replicou. O que fiz de errado. como se algo horrível tivesse acontecido e ela não pudesse fala . To das as formas redondas. . Mas Carrie lhe confessou algu ma coisa? Mais uma vez. seus olhos se anuviaram. A eletricidade estática do plástico mantinhaos na caixinha. Sentava-me ao lado de Chris ou Paul. Alex sacudiu a cabeça. Olhava com antipatia para Alex. interrompeu-se apenas o tempo suficiente para fazer um aceno de cabeça. na c olcha e na renda branca da camisola que ela usava. aproximei-me de Alex e encurralei-o num canto. Ela tamborilou no telefon e seu sinal que significava: "Sim.Cathy. Os olhos afundados nas órbitas tornavam-lhe a s maçãs do rosto muito salientes. rezando para que Carrie sobreviva. Era uma noção idiota. Afinal. A seu próprio modo.Que foi que disse? .apesar d e ainda ser verão. mal barbeado. ou entre ambos. abraçou-me pelo p escoço e repetiu que sim uma porção de vezes. mas ela mantém o rosto v irado para a janela. Debruçou-se para abraçá-la. que a amávamos. acariciando-lhe os cabelos. sim!" Todos os dias chegavam flores para encher o quarto. Para horror de meu irmão. Repeti a pergunta com um tom ainda mais ríspido. Como num transe de pesadelos infindáveis. colocand o os fios louros numa caixinha plástica. Vira o rosto para o outro lado e permanece calada. por que motivo Carrie desejaria morrer na época mais feliz de sua vida? Ele voltou para mim o rosto aturdido. chamando-lhe repetidamente o nome. Chris não con teve uma exclamação ao vê-la. ele a amava. pois ele realment e amava Carrie.lhado ao lado da cama. levantei-me. rezava para que ela vivesse. Paul e eu seguimos devagar os passos de Chris. replicando que ela era perfeita. juntei os fios dourados para guardá-los na caixinha. disse: "Oh! Alex. . combalido de sofrimento e dilacerado p elo amor que se voltava contra ele. .respondeu Paul num tom baixo e suave. Parecia impossível que minha irmã menor envelhecesse tão depressa. levando a família e todos os membros da irmandade para orarem por Carrie.Sinto muito se lhe pareci áspera. Até mesmo quando foi apresentado a Chris.. Então. estendi a mão para consolá-lo. Alex. Parecia sonolento e magoado ao passar os dedos compridos pelos cabelos castanhos anelados e em desordem.

passando por centenas de colinas ar redondadas. significa que nenhuma outra pe ssoa pode nos querer. Devo chamá-lo s? . com a pele tão transparente que era possível verem-se as artérias e v eias. rica. Agora. Alex não se importa realmente com a profissão que seguirá. suas proporções são perfeitas . Mas Carrie não me deixou entrar! Eu a amo. Os olhos se voltaram para o céu e perm aneceram abertos. O que vou dizer a ele . Foi por isso que me disse aquilo: que não tinha filhos.replicou ela no mesmo tom que usava quando criança..Jory não precisa de mim .Muita gente a ama e precisa de você. Mas não precisamos d ela. Mesmo assim. que escapara livre como um pássaro! ilesa e sem cicatrizes! E rica.. como sempre desejei. . Carrie! . E se Deus deixar que ela morra.Jo ry tem muita gente. . pergunta onde você está. a fim de estar junto dela. resista o bastante para permitir que os médicos a auxiliem. Não se entregue. dizendo: "Não a conheço" . ninguém me dirá que tenho olhos enormes e assustadores como uma coruja. Você nada fez de errado! O que interessa a ela é o dinheiro. Jory quer a tia de volta.. Segurei-lhe a mão. E quando eu chegar lá. não permita que ela lhe faça isto! Foi o apego ao dinheiro que a levou a renegar você..declarei num sussurro rouco.Vi uma mulher na rua .r no assunto. . Paul e a mim. apenas um pouco mais velha.murmurou Carrie. Alex está no corredor. Oh! meu Deus. Era a quarta noite após a chegada de Chris.Tenho um segredo para lhe contar.. . . Sua voz tão sumida parecia vir de muito longe. Mamãe. Eu cochilava ao lado da cama de Carrie . . ric a! Tudo o que precisou fazer foi derramar algumas lágrimas de autocomiseração ao volta . e também Jory. nunca mais na vida recuperarei a fé! Então.. . não o fato de sermos ruins. Não quer saber se você é franzina ou se pod e ter filhos. sem piscar. quando escutei Carrie chamar meu nome. como se não fizesse diferença.. como nós. Não nos p arta o coração! Carrie. pássaros lindos. escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. Cathy. pois você tem Alex e Chris. Ajoelhei-me ao lad o do leito e peguei-lhe a mão minúscula por baixo das cobertas. explicando que isto a preocupa. Para mim.P arecia tanto com Mamãe que não pude deixar de correr atrás dela. a menos que sejam pecaminosos e não pre stem.Não! . pecaminosos ou não prestarmos. quer casar-se com você e desistiu de ser pastor. quando nossa própria mãe não nos quer. Os outros tentavam dormir um pouco a fim de não adoecerem também e Alex cochilava numa maca no corredor..Quero falar apenas com você.Não. A voz fraca e trêmula foi diminuindo até sumir. atrás de seu ombro: Cory está junto de Papai e ambos me querem mais que qualquer outra pessoa neste mundo. Cathy. Peguei o carro e fui para lá o mais depressa possível. todos os dias. . percebi em su a expressão. além de mim. Cathy.. Carrie. .. Cathy .Você não vai morrer! Não deixarei que morra! Eu a am o como minha própria filha . Carrie. Vou chamá-lo para que ele lhe diga pessoalmente. e Henny.. .. mas para mim. aceitava a morte e es tava satisfeita.Querida.. Cathy! Ela afirmava que tin ha o corpo pequeno demais e a cabeça enorme. Cathy! Está quase como era antes. Ninguém tornará a chamar-me de "anã" e me aconselhará a usar uma máquina de esticar. porque serei tão alta quanto desejo. desde que você continue viva e o ame. .O lugar para onde vou é ótimo. Era nossa mãe. estou quase tão alta quanto Mamãe. Vou morrer. Cathy: flores por toda parte.. Até mes mo usava o colar de pérolas e o broche em forma de borboleta dos quais me recordo tão bem.sussurrou ela com voz sumida. eu estava esperando que você acordasse . Carrie era uma bonequinha elegante que ignorava a própria beleza. não é mesmo? Ela olhou para mim e me reconheceu... Mas Cory está a minha es pera. Fez a declaração com a maior calma. não passava de uma mão esquelética.que você não o ama o bastante para importar-se em viver? . Posso vê-lo neste momento.. E. Carrie! Alex a ama tanto. e quas e me posso sentir crescendo.. Chris e Paul estão cochilando na sala dos médicos. .Não. Os lábios ficaram entreabertos. Olhe ali.disse tão baixinho que precisei debruçar-me para ouvir.. para amá-lo e cuidar dele.. ela morreu! Mamãe começara tudo aquilo. conversei com ele . Veja.Não .Oh! Carrie. E todas as mães amam e querem seus filhos.protestei energicamente. não me quis porque sabe que não presto. Ela se libertou num arranco e me encarou com olhar duro e frio. Ela também não quer saber de você ou de Chris. não nós. como se tivessem mai s alguma coisa para dizer-me.

mesmo de quem não merecia viver.a primeira que ela passaria sob a terra.o suficiente para perceber as lustrosas pérolas de seu co lar.e era a mulher perfeita para usar roupas negras e correr a esconder-se! Se mpre esconder-se! Que todos os seus dias fossem negros! Cada um deles! Eu provid enciaria para que todos os dias que lhe restavam na terra fossem negros. . com a cabeça e o rosto ocultos por um véu preto. Pérolas que uma mão fina e branca ergueu nervosamente. . E uma nada faria. replicando desdenhosamente: . perto dos pais de Paul e de um irmão mais velho que morrera antes mesmo do n ascimento de Amanda.. Eu conhecia apenas uma mulher que costumava fazer aqu ilo . ela estaria melhor? Se Carrie não tivesse avistado M amãe na rua e corrido ao seu encontro. O sol ti nha uma rica coloração de açafrão. embora o banco de mármore fosse duro e incômodo. Depois de juntar e torcer aquelas folhas sec as. restav am apenas duas. Mais negros que qualquer coisa naque le quarto trancado ou nas mais escuras sombras do sótão onde fôramos prisioneiros quan do jovens. Foi então que eu gritei! Sei que gritei. pagar. o cas o é bem diferente! Meu irmão ficou tão vermelho quanto o sol poente. transformei-as numa vara de feiticeira cruel. Escondeu-se para que não conseguíssemos vê-l a.disse Chris. Imaginei o que nós. por força de um velho hábito .Você é realmente perito em questão de perdoar. mas você se recusa a escutar. Jurara solenemente fazer o possível para preserv ar a saúde e a vida. E o veneno e m suas rosquinhas não fora apenas uma pequena dose. Cathy: esquecer e perdoar. deixand o-me apenas aquela época fria e movimentada livre de lembranças amargas e dolorosas. Lancei um olhar aos túmulos onde descansavam também Júlia e Sco tty . Mais ne gros que o piche derramado em meus cabelos.Não! Não! Mas agarrei-me a ele como alguém que se aproxima do inferno agarra-se à salvação. Compartilharei com você meu segredo para enc ontrar a paz. amparando-me. . Alguém pegou-me suavemente os cotovelos para le vantar-me. bastante feliz para tomar-lhe a mão e chamá-la de "Mamãe". não choveu nem havia ne ve no solo. Sentia-me na obrigação de passar aquela noite com ela e reconfortá-la de algum modo que eu ignorava. Christopher. teria feito alguma diferença? Deveria ter feito toda a diferença! Tinha qu e fazer! Após ser renegada pela mãe. fazíamos no cemitério da família Shef field. e pagar ainda mais! Num dia quente de agosto. Detestei ter que deixar Carrie sozinha à noite .Carrie não precisa de você agora. pagar. Já tentei revelá-lo muitas vezes. temerosos e tão necessitados de amor. num instrumento para remexer o esquecido caldeirão de vingança! Das quatro bonecas de porcelana de Dresden. lembre-se apenas do que lhe dá satisfação. Mais negros que a fenda mais prof unda do inferno! Eu já esperara bastante para fazer o que devia.Não. Cobrimos Carrie com flores vermelhas e roxas de que ela tanto gostava. esconder-se atrás de uma árvore quando nos aproximamos da ru a onde o carro se encontrava estacionado. Embora não tenha certeza. Fitei-o com amargura e desânimo. Cathy! Perdoar não é a parte melhor? Só me recordo das coisas mais agradáve is. mas outras pessoas p recisam. Chorei e tive ímpetos de arran car os cabelos e a pele do rosto . julguei ver uma mulher vestida de negro. Que significado haveria em tudo aquilo? Se Alex não tivesse surgido na vida de Carrie para lhe dar amor. até o amanhecer. deve esquecer o passado e os planos de vingança. Carrie fora diretamente comprar o veneno para r atos porque não se achava digna de viver quando a própria mãe a renegara. Agora.pois parecia-me demais com a mulher que preci sava pagar. querida . Foxworth.Por favor.r para casa. sepultamos Carrie no cemitério da família Sheffield. para torcer e destorcer. antes de assumir um tom vermelho ao baixar no horizonte e tingir o céu de cor-de-rosa. Quanto a esquecer. a morte tomara para si todas as estações menos o inverno. Mais que o sufici . Com o braço passado em minha cintura. . pouco s quilômetros fora do limite urbano de Clairmont. conduziu-me para fo ra do cemitério onde eu teria permanecido a noite inteira. Desta vez. Meus pensamentos eram como as folhas secas sopradas pelo forte vento do ódio quando permaneci sentada. Desta ve z escute e acredite! Faça como eu e obrigue-se a esquecer tudo o que lhe causa sof rimento. Cathy. Vejo a expressão em seu rosto e leio-lhe os pensamentos. Eis aí todo o segredo para viver fel iz. Mas vi-a de relance .. quase alaranjada. mas uma grande quantidade de a rsênico puro! Alguém chamou meu nome em voz baixa.

Mais cedo ou mais tarde. Cansava-se da escola de balé e queria brincar com crianças de sua idade. Agora. nosso encontro teria que ser "acidental". não conseguira localizá-lo . Dois escritórios. E mesmo que Chris estivesse presente para tentar deter-me . ou eu o faria.so ns e odores que Carrie deveria estar aproveitando. esquecia-me de que Bart Winslow não tinha c ulpa nenhuma no caso. encontrava-me num café elegante quando Bart Winslow entrou despreocupadament e! Olhou em volta. Num sábado ao meio -dia.Fique. procurando. D ediquei-me a elaborar planos.nem ele conseg uiria evitar o que eu tinha que fazer! QUINTA PARTE A Hora da Vingança A extemporânea morte de Carrie deixou uma lacuna nas vidas de todos nós que a amávamos . um determinado homem.disse com arrastado sotaque sulino -. se não é Catherine Dahl. tisnado de sol.ente. . não muito longe da residência dos Foxworth.Um dia. Antes. a mulher que há muitos meses venho querendo encontrar! .. não o encontrei correndo nos bosques. Aquilo seria o final ou o início do plano que eu arquitetara e tinha em mente desde a primeira vez em que vira Bartholomew Winsl ow dançar com minha mãe na noite de Natal. Bart Winslow era uma espécie de celebridade. avistou-me sentada perto das janelas e se encaminhou para mim com seu terno e colete de advogado. afastando-me de seus braços. Passei a correr d iariamente.pediu-me Paul quando lhe revelei minha disposição de voltar à min ha casa nas montanhas da Virgínia e reassumir minha atividade como professora de b alé. Eles pagarão caro. de modo que eu soubera através dos jornais que ele costumava cor rer diariamente alguns quilômetros antes do café da manhã. Deixando Jory aos cuidados de Emma Li ndstrom. pareci a ligeiramente sinistro ou talvez fosse apenas impressão minha. naturalmente. pensei com meus botões. Logo retomei minha rotina de trabalho. ele precisa de um homem que o oriente. Carrie! Fa rei que paguem muito caro! Não sei como. porém.Mais tarde . Chris partiu para um período de residência médica no hospital da Universidade da Virgínia. peg uei meu carro e fui aos bosques não muito afastados de Foxworth Hall. eu saía à c aça. em Greenglenna. brincando com dois amiguinhos de sua idade em nosso jardim cercado. Pensamentos tristes enchiam-me a cabeça quando eu sentia o ar oma pungente das fogueiras e escutava o barulho dos machados rachando lenha . Na verdade. agora q ue eu não tinha Carrie. Catherine . que deveria ter custado uma fortuna. Era setembro e fazia um mês que Carrie morrera. o que o dinheiro não co nseguia comprar? Meu plano não incluía ser atrevida a ponto de procurá-lo diretamente. Trazen do na mão uma pasta de documentos. como era forçoso acontecer algum dia. tenho alguns negócios a liquida r.só ela! O tempo passava depressa e eu não progredia em meu intento! Onde estaria Bart Wins low? Eu não podia freqüentar os bares onde homens entravam sozinhos. eu preciso de uma esposa. porém. . Ele não .. . Matriculei-o numa escola pré-primária especial e contratei uma empregada para ajudar nos trabalhos domésticos e ficar com Jory quando eu saía. Ao contrário do que esperava. que estalavam sob meus pés. usando as sinuosas trilhas que atravessavam os bosques. . ele diria algum clichê. seria por demai s vulgar e óbvio.Bem .repliquei com inabalável determinação. as bonequinhas de porcelana eram minhas para guardar como recordação. o solo forra do de folhas mortas e secas. À noite. Já estou cansado de poder amá-la apenas a lon gos intervalos. a fim de não ficar muito afastado de mim. . precisaria de u m coração forte para enfrentar o que o futuro próximo lhe reservava. Jory passara a constituir-se num problema. com todos os seus movimentos divulgad os pela imprensa. enquanto seu sócio minoritário cuidaria do prime iro. chegou mesmo a adotar um andar meio rebolado de galã de cinema! Exibia um largo sorriso e seu rosto magro. voltarei para você e nos casaremos. o destino faria com que nossos caminhos se cruza ssem . Até então.então. Quando nos encontrássemos. Deus tivesse piedade de Mamãe! O jornal local dedicou grande espaço à notícia de que Bart Winslow abrira um segundo e scritório de advocacia em Hillendale.Não me abandone outra vez! Jory precisa de um pai.

. Então. masculino.como você está fazendo agora. talvez? Bart Winslow possuía um forte magnetismo animal que me amedrontava de fazer o tipo de jogo que eu tinha em mente.Não me escondi . É sempre triste lermos a notícia da morte de alguém tão jovem. c omo ela costumava fazer. Tombei a cabeça ligeiramente para o lado. puxando a cadeira para mais perto da mesa. . Se não a ofendo. é você? Sorri para encantá-lo. Ele riu enquanto os olhos castanhos observavam-me a blusa e saia justas. O sorriso de Mamãe.faz algum tem po que entrei na escola de balé e lhe mostrei uma daquelas cartas de extorsão que te m enviado à minha esposa. sentou-se à minha frente sem ser convidado e apoiou-s e nos cotovelos para estudar-me o rosto com intenso interesse. Pegou as cartas e exibiu-as ante meus olhos. Desviei o rosto.. co m Bartholomew Winslow quase gritando: . vi-a com o recorte do obituário nas mãos e estava chorando quando lhe tomei o papel. os mesmos olhos e até mesmo alguns cac oetes iguais. ficando perdida para qualquer outro homem.exatamente como você e stá brincando agora.Li nos jornais a notícia da morte de sua irmã. Tinha a capacidade de sorrir e m anter-se calmo enquanto eu me sentia nervosa e tinha vontade de fugir antes que ele me arrastasse pela senda que.repliquei. diabo.Ora. quem diabo é você? Mordi meu sanduíche de presunto. realmente? Que relação tem com minha esposa? Sei que se parece com ela: o mesmo cabelo. Sinto muito. . certo dia abri a correspondência e encontrei estas três cartas que você . Oh! deveria ser um amante sensacional! Eu seria capaz de afogar-me em seus olhos ao fazer amor com ele. Recebemos cinco ou seis cartas suas enquanto estávamos na Euro pa. Bart pareceu espantado.Onde. vamos . a fim de vigiar a pasta.Então. Então.. Levantava a mão para brincar com as pérolas . seguro de si. fez sinal para uma garçonete ruiva que se encontrava nas p roximidades e pediu-lhe que trouxesse um sanduíche igual ao meu. sua fisionomia assumiu uma expressão solene. mas ela correu para trancar-se no quarto. bem como o grande número de selos e carimbos nos envelopes. Engolia em seco. perguntou bruscamente: .Por que não pergunta isso a ela? .Como pode minha esposa saber isso. diabo. Pelo aspecto manuseado do papel. . até aquele momento.? .retruquei afinal. . vi-a escrever no envelope: "Destinatário descon hecido".Deixe de parecer amedrontada e faça o jog o que tem em mente há algum tempo.Não banque a sabidinha comigo! Quem é você. e meu pé que se balançava com indisfarçável nervosismo. só para observar-lhe o vexame.Agora .Não desvie o olhar. se escondeu? .Precisa mesmo perguntar? Não é capaz de adivinhar? .prosseguiu. . insatisfeita comig o mesma. estendendo a mão para segurar-me com força.Sim. Não se tratava de um adolescente facilmente impres sionável por uma ex-bailarina. permite-me indagar de que ela mo rreu? Foi doença ou acidente? Esbugalhei os olhos. E continua a recusar-se a responder minhas perguntas sobre o assunto. impedindo-me d e partir quando me levantei para sair. Por duas vezes. Exi gi uma explicação. as cartas tinham acompanhado minha mãe ao redor do mundo e agora me voltavam às mãos. . Em seguida.disse ele. afinal. Em seguida.Quem. Pode-se dizer. minha esposa as lia e ficava muito pálida. se não conhece você ou sua irmã? Não obstante. Enfiou a mão no bolso e retirou três cartas que eu escrevera anos atrás. nervosa .Deixou a pasta numa cadeira. e ergui a mão para brincar com um imaginário colar de pérolas . Diga-me. O que matara Carrie? Oh! eu poderia escrever um livro a res peito! . alface e tomate e mastiguei de modo vagaroso e ir ritante. . .Por que não pergunta à sua esposa o que matou minha irmã? redargüi rigidamente. usando o pé para puxar a outra cadeira para mais perto de si. por que não a conheci antes? É prima? Sobrinha. eu julgara pretender seguir.indagou. . Era por demais confiante.declarou ele ri spidamente. Deve ter algum parentesco. sentindo-me nervosa e esperando não demonstrar.Detesto pessoas que respondem perguntas com outras perguntas . . . Seu tipo moreno exercia uma forte atração que quase me dominava.

Li-as. Deus lhe tirará dos ombros essa responsabilidade . como uma mos ca presa numa teia de aranha. . Pe nsei que pudesse dispensar apenas um deles. tenha fotos do seu primeiro marido. diabo. minha sogra lê a Bíblia a ponto de gastá-la.respondi. surpreendo minha esposa cho rando ao ver as fotografias contidas naquele álbum azul. Sua voz soou dura. observavam os meus e. Tossi.de você! A fim de certificar-se de que eu não viraria o rosto para esconder o olhar. mesmo depo is que recebi o dinheiro do seguro. Não queria saber que ela chorava! . Peguei estas cartas e enfiei-as sob o nariz.Que direito tem você de tentar fazer chantagem com minha esposa? Tenho certeza de que o sangue me fugiu do rosto. quando ela tem t odas as respostas? Bart recostou-se no berrante encosto da cadeira. Enquanto minha mulher vê as fotos do álbum. envolvendo-me num halo a cabeça e o pescoço. Ali estava minha oportunidade de revelar tudo! De deixar que Bart soubesse o tip o de mulher com quem se casara! Por que meus lábios não abriam para que minha língua d issesse a verdade? . Às vezes. lutando para recuperar o controle. Soprou anéis de fumaça para me obrigar a tossir e esquivar-me outra vez. completamente controlada. semi-cerrados. quero as respostas certas . D esta vez. à sua maneira. Mi nha escola de balé dá prejuízo. Durante tod o o tempo. seus olhos escuros. . Deus. ansiosa para fugir do local e esconder-me de Bart. provide nciará a vingança que você tanto deseja.Aonde quer que vamos. preciso de coisas para ele. . Suspirei pesadamente e fechei os olhos. Cathy.Já perguntei. Abri-as. o álbum a acompanha numa das malas trancadas . graças à sua intervenção. fraca. de economias para custear-lhe os estudos e sua esposa possui tantos milhões. Fez uma pausa. que. Imaginei a voz de Chris dize ndo: Deixe o passado descansar em paz..declarou Bart num tom monótono. com uma águia dourada na capa de couro? . . esperei ser devorada. continuei a afundar-me.Por que motivo uma mulher inteligente como você presumiria que minha esposa seri a bastante generosa para dar um mísero centavo a uma parenta que ela alega nem con hecer? .Pergunte a ela por quê! . soprou-me a fumaça no rosto. chocada por saber que ela o guardara. forrado de plástico alaranjado br ilhante.Sabe que meu marido morreu . debruçando-se sobre a mesa de modo que seus lábios ficaram a poucos c entímetros dos meus. presumo. exigindo que ela me e xplicasse tudo. . Eu esperava um filho e estava afogada de dívidas que não poderia pagar.Você descreveu com exatidão aquele álbum azul e dourado. abanando o ar. inexpressivo. . . embora já esteja gasto pelo manuseio. A seu próprio modo e no devido tempo. . Bart exibiu um leve sorriso cínico.Por que não pergunta à sua esposa quem sou eu? Por que vem a mim.Ouça . apertando ameaçadoramente os olhos.Ela ficou com o álbum? O álbum azul. fria. Depois.Cada carta que você escreveu declara que precisa desesperadamente de um milhão de dólares .replicou el e. ele es tendeu a mão. E toda s as vezes ela respondeu que você não passa de uma bailarina que ela viu no palco. Em todas as paredes hav ia avisos "É PROIBIDO FUMAR". Ele bateu a ponta de um cigarro para compactar o fumo solto e acendeu-o com um isqueiro de prata com monograma também de brilhantes.Quem. Tinha que ser presente de minha mãe . Já indaguei uma dúzia de vezes quem é você e que ligação tem com ela. Ofereceu-me um cigarro. é você? Que ligação tem com minha esposa? Por que julga que ela lhe pagar ia chantagem? Por que suas cartas fazem-na subir correndo para o quarto e abrir um álbum de fotografias que mantém trancado na gaveta da escrivaninha ou num cofre? Um álbum que ela se apressa a esconder e trancar sempre que entro no quarto? .escreveu para ela. Esqueça-o. Tenho um filho para criar. e tirou do bolso uma cigarreira de prata com o monograma em brilhantes. sem demons trar qualquer fúria que ele pudesse estar sentindo: .. segurando-me o queixo com firmeza para imobilizar-me a cabeça.era o tipo que ela adorava.murmu rei. Sei que me senti doente.Por que precisa de um milhão? Observei a fumaça que fazia um círculo e vinha diretamente sobre mim. Recusei.

filhos ilegítimos da família Foxworth. de qualquer maneira. não sei se mente ou diz a verdade. De repente. Três jovens. Em terceiro.Onde fica sua casa? Expliquei e ele pareceu desconcertado. . não como se gostasse realmente de fumar.Ahhh! . É uma verdadeira inspiração tomar conhecimento do fato. Sua esposa é minha m eia-tia.Nunca pensei que o velho demônio fosse desse tipo. não levam a sério o balé. Mas não tenho . . . Ela jamais fala no assunto. . nem minha irmã. o resto da vida se eu não d issesse alguma coisa. menti: .comentou com um risinho de mofa. sei que ele teve u m caso de amor antes do infarto.suspirou ele. .Responda-me. Se eu tivesse ao menos uma boa aluna talento sa.Venha. Cathy. por algum motivo estúpido.. mas apenas um. que lhe deu três filhos ilegítimos. E um grande segredo do qual nunca tomei conheciment o anteriormente é que Malcolm Neal Foxworth. induzida a acreditar qu e se tratava de um negócio rentável. eu devia as contas dele no hospital.respondi.Malcolm teve um caso com Henrietta Be ech. Inalou profundamente a fumaça e depois fitou-me nos olhos. Entenda: Malcolm Foxworth teve um c aso extraconjugal do qual resultaram três filhos.nem mesmo uma.disse num tom urgente. Nem meu irmão. Só querem parec er bonitas e se sentirem graciosas. todo o esforço valeria a pena. . levantando se e e stendendo a mão para ajudar-me.Faz muito tempo. Eu só queria receber o que temos d ireito! Na ocasião em que escrevi aquelas cartas. Catherine Dahl. largando-me o queixo e recostando-se na cadeira. Quarto: acontece que estou muito apaixonad o por ela.Morreu . pelo queixo. além disso.Onde se encontra sua mãe. Certo? . como se convencido de que eu dissera a verdade.Henrietta Beech era meia irmã de seu marido. teve um caso amoroso após sofrer um ataque cardíaco. é cheia de segredos que meus ouvidos jamais escutarão. acendeu outro cigarro. especialmen te após o ataque cardíaco que sofreu logo depois que minha mulher se casou pela prim eira vez. Vamos cair fora daqui . Então. não me agrada que faça chantagem com minha esposa.Errado! Apenas eu. O crepúsculo desceu sobre as montanhas como uma cortina fechada às pressas. Em segu ida. Ele tamborilou com dedos fortes na toalha. . tentand o conseguir dinheiro à custa do parentesco através da chantagem contra minha esposa. o cavalheiro bondoso. Já percebi tudo. ficou muito sério. as despes as com seu funeral e os custos do parto.E não é? . Por acaso. Sou um deles. embora confesse que em certas ocasiões tenho ímpetos de estrangulá-la e forçá-l a a desabafar todo o passado. . poderá fornecer-me maiores d etalhes. Os cem mil dólares do seguro não duraram m uito. mas parece pertencer ao clã dos Foxworth. . ocultando as mãos sob a mesa e mantendo os dedos cruzados com o uma criança tola e supersticiosa. Oh! Ele sabia mais que eu! Eu dera um tiro no escuro sem imaginar que acertaria na mosca! Bart Winslow correu os olhos pelo café. não gosto de ver mi nha mulher infeliz a ponto de chorar.Está certo. mas a fim de ter algo com que ocupar os dedos inquietos. Cathy: quem é você? Tive certeza de que ele me seguraria ali. Famílias chegavam para jantar cedo e suponho que Bart temia que alguém o reconhecesse e contasse à sua esposa minha mãe. agora? Eu gostaria de vê-la e conversar com ela. fitando-me de modo prolongado e penetrante. .Vou lhe falar com muita franqueza.Não quando o grosso dos alunos consiste de meninas mimadas que viajam de férias du as ou três vezes por ano e. Em primeiro lugar. . . parecendo absorto em reflexões. Em segundo luga r. piedoso e santo . . aonde nos sentaremos e conversaremos melhor. encontrava-me numa situação desesper adora e hoje em dia não estou muito melhor. Meu marido tinha dívidas enormes e estávamos atrasados no pagamento do aluguel e das prestações do carro. Que informação extraordinária! . Poderia passar a noite inteira relatand o os problemas de minha escola de balé e como fui iludida. Anoitece ra de repente e fazia horas que estávamos no café.Você pode convidar-me a tomar um drinque em sua ca sa. Estávamos na calçada quando Bart segu rou meu suéter cardigan para que eu enfiasse os braços nas mangas. embora o ar estiv esse tão frio que senti necessidade de um casaco ou capote.

. minha mãe não comprara aquele manual de práticas sexuais para ensinar-lhe como.repliquei. sempre atrás de um rabo-de-saia. reparando em cada detalhe. recomendan do-lhe que se portasse como um bom menino até Mamãe voltar para casa. Sr. Era viril e vibrante demais para um homem que já deveria dar sinais de envelhecimento. claro que na ocasião ele ainda não sabia que eu escolhera o chalé principalmente porqu ficava recuado numa área cheia de árvores.Não sei. quando e onde! Bart devia saber tudo a respeito. embora alegas se amá-la. Por que. levando consigo todas as jovens bonitas que ele gostaria de po ssuir.Bem . avaliando Bart Winslow.. o bastante para levar à loucura uma esposa ciumenta! Certamente. mantendo-se firme nas curvas da sinuosa estrada das montanhas. imitando seu arrastado sotaque sulino.Esteve estudando meu perfil. Desviei o olhar e empertiguei-me com ar pudico. Ótimo. falando primeiro com Emma Lindstrom e depois com Jory. .A um local onde poderemos conversar sem sermos vistos ou ouvidos . Agora. Nãããooo! Eu jamais o colocaria num pedestal. o que sign ificava que estava com quarenta. Ser bonito e maçante seri a pior que feio e encantador. torna-se mais vulnerável e começa a pensar que sua juventude se aproxima do fim. O carro de Bar t era preto e luxuoso: um Mercedes. sou muito difícil de contentar. Sr. sem pedestal de santo. teria que fazer suas novas conquistas antes que o doce e esquivo pássaro da juventude v oasse para longe. em ri tmo de staccato.Bart .replicou el e com um sorriso e lançando-me um rápido olhar. . . . até sentir o rosto úmido. . como Paul. como os carros de luxo de Julian. .. Sinto-me inclinada a colocar o s homens num pedestal e pensar que são perfeitos. .Sua aparência me acons elha a fugir depressa para casa e trancar a porta do quarto! Ele tornou a sorrir maliciosamente. E devia estar cansado de uma esposa a quem já conhecia tão bem. O branco de seus olhos br ilhava mesmo na escuridão.Na verdade.É e a - Acho melhor não irmos lá.. Tu do nele proclamava ostensivamente que era tão decidido quanto eu a conseguir o que queria.comentou ele. quando queria.. Bart. onde quer que esteja.não mais do que você nos deu! Não obstante. não acha? . que me provocava sinais de alarme: vá devagar com este! Era a advertência que me fazia o instinto.prosseguiu ele. . tão pesado e bem acabado que não produzia ruídos que os outros automóveis cos tumam fazer. sensual. .Aonde pretende levar-me. muita gente poderia ver-me entrar. parecendo satisfeito.Na verdade.Portanto. Não seria necessário seduzi-lo. a idade em que o homem é mais atraente.. Pelo menos sei a quantas ando: sou um símbolo sexual. Minha vida fora cheia de homens bonitos. mas este era muito diferente de todos os outros que eu conhecera: folg azão. desafiando-me? Oh! Mamãe. magnificamente bem cortadas. Winslow. Que n ota mereço? Uma onda quente de sangue me subiu ao rosto. Conhecia-o pelo que realmente era: um con quistador. proporcionando bastante privacidade par que um homem entrasse e saísse sem ser avistado. compreendi que não era um homem tranqüilo e disposto a sacrificar-se. Minha fisionomia aparece com tanta freqüência nos jornais que sou capaz de apostar que seus vizinhos me reconheceriam .A grande maioria anda por aí sem saber o que há por detrás de sua fachada. Caçaria como uma pantera negra até conseguir apanhar a presa deseja . tão logo percebo neles o mínimo defe ito. cheio de vento e fogo. Fazia pouco barulho. Bart tinha oito anos menos que minha mãe. . deixo de gostar deles e me torno indiferente. deveria ajoelhar-se e rezar! Pois não pretendo dar-lhe nenhuma pi edade . tipo bandido.Poucas mulheres se conhecem tão bem .Não pode telefonar para a babá do menino e pedir que permaneça com ele mais um pouco? Foi o que fiz. Ele mesmo o faria. Suas roupas caras.Então deve satisfazer-se com facilidade. seus olhos brilhavam tanto. a despeito de tudo. Winslow? .corrigiu ele. Saber que estava ruborizada fez-me ficar ainda mais vermelha. . então. costumo ignorar-lhe a aparência e achá-lo bonito. Parou bruscamente o carro e voltou-se para encarar-me. julga-me excitante e um tanto perigoso. enquanto eu permanecia sentada no carro.. enquanto eu lhe estudava a fisionomia. Quando um homem é bastante encantador e inteligente.

há quinze anos.replicou ele.Parece poético . . mas os milhões que ela desejava herdar interpunham-se em meu camin ho. desejo confrontar-me com novos mistérios.declarei. sabia que não poderíamos ter filhos e julguei que não me importaria. É verdade que me apaixonei por uma herdeira de milhões de dólares.. pelo menos. Contudo. em verdadeiras orgias de compras. numa outra noite.indaguei.Gosto de ponderar tudo o que é considerado impossível ou implausível . Catherine Dahl. Costumava ser. embora nem soubesse em que direção guiava o automóvel.Q uero que tudo impossível se torne possível e tudo implausível se transforme em realida de. quando crianças. roubo. Senti-me impelido a trazê-la aqui.repliquei. herdou todos aqueles milhões e. Proceda com calma. sabendo que é preciso lutar para galgar cada degrau do caminho futuro . . . e tudo estaria terminado. Aquelas lojas de artigos infantis me fascinavam também. . . como se eu precisasse correr para a lcançar a melhor coisa de minha vida. Na realid ade. Cathy . Começamos a caminhar. Logo aprendemos que não somos os melhores e que a concorrência é assustadora. tenho a impressão de que você e eu possuímos muita coisa em comum.Sinto a mesma coisa. de m odo a ter sempre algo inexplicável em que pensar.Por que mudou? .Déjà vu .e lutar muito. para Foxworth Hall! Na época em que eu tinha apenas doze anos! . Você nem pode imaginar quanto tempo passamos olhando as vitrines de lo jas de roupas. de enfrentar coisas confu sas. Venha andar um pouco comigo. Então.por algum tempo. trocando-os por uma amante que lhe surgira fortuitamente no caminho . em sua companhia. com ele me guiando habi lmente ao longo . sumiria. dela saímos cétic os e empedernidos.de uma linha férrea que atravessava os c ampos! Parecia-me familiar. . abandonando-me.. então.Porque ela era como você. não sei se o mesmo ocorre com você. Aquelas palavras obrigaram-me a erguer o rosto para fitá-lo e verificar se falava sério. mas tenho a sensação esquisita de que já trilh ei este caminho antes. Em breve. Cathy. .Entretanto. como se outrora estivéssemos muito ap aixonados um pelo outro e atravessássemos aquele bosque. não é mesmo? Não era a mesma linha férrea que nos trouxera. Eu também já senti essa necessidade de mistérios. comecei a importarme demais.Noite linda . ele me avaliava da mesma maneira.Bart. enquanto eu o aquilatava. Sentamo-nos naquele banc o verde ao lado desta linha de trem. se quisermos prestar para alguma coisa.comentou ele. Por sua expressão espantada e levemente embaraçada. Ingressamos na faculdade jovens e idealistas. não poderia ser. adquiria tudo que lhe vinha à mente. Quando me casei com ela. E ela não podia ter filhos. estu pro e corrupção.exceto um filho.. Este local me proporciona uma estranha sensação de melancolia.É a minha estação predileta.Como pôde pensar assim? . de ter alguém a quem idolatrar. quando rapaz. . Eu lhe lembraria tanto a esposa. que até hoje tem-se esquivado de mim.É impossível continuar sendo um rapaz com idéias românticas quando se freqüenta uma facu ldade de direito e se depara com as duras realidades do assassinato. quando tudo fica explicável. creio que ele estava surpre so. E professores que martelam na mente dos alunos idéias dogmáticas que ex pulsam o romantismo. sentindo-me tensa ao escutar aquelas revelações. nada mais tínhamos para desejar . Saltei do carro e Bart me tomou a mão.acreditem se quiserem .Não sei. a ponto de não haver uma diferença real? Ou minha semelhança com ela c onstituía uma vantagem? Afinal os homens não se apaixonam sempre pelo mesmo tipo de mulher? . julguei que fosse como você. Em breve. Afastavam-me dela e me amedrontavam. Creio que ela também pensava assim. . até que consegui con vencê-la do contrário. Virou-se para sorrir com um encanto jovial. Então..Você é uma romântica. .Você não é? . brinquedos e móveis infantis.mais ainda que a primavera. faça tudo certo. . Apaixonei-me realmente antes de saber quem ela era. . O outono é tão cheio de paixão . Bart jamais abriria mão da oportunidade de herdar milhões de dólares e os prazeres que tais milhões lhe prop orcionariam. Sinais vermelhos piscavam-me na mente. . p ois correrá perigo se cometer algum engano! E. Eu sabia que todos julgavam que me casa ria com ela só pelo dinheiro.da.

pare com isso. E o que fiz durante todo esse tempo? Um dos primeiros alunos de sua turma na Universidade Ha rvard. . todos os sótãos são iguais.Se não for suficiente. lançando-me um rápido sorriso malicioso. minha mulher replicou qu e era produto de minha imaginação. embora sentisse frio. freqüentemente.. não tenho mais duzentos para dar-lhe. você nunca me pagou os honorários que eu tinha em mente. .Enviei-lhe pelo correio um cheque de duzentos dólares! . com tanta falta de consideração. Quando a música paro u de tocar. Defendi alguns casos no trib unal e ajudei você a cobrar o seguro de vida de seu marido. seus pais a mandava m para a sala de aulas existente no sótão e a obrigavam a permanecer lá o dia inteiro. Minha esposa pegou a casa de meus antepassados e praticamente reconstruiu-a e redecorou-a. Sentamo-nos ali. A propósito. Tomava pílulas para dormir. tinha apenas vinte e sete anos. eu tinha em mente outro tipo de ho norários. passava o tempo todo agachada no chão. acendendo outro cigarro. mas as portas duplas no topo da escada estavam sempre trancad as. a lua brilhando e as estrelas cintilando no céu. casei-me com uma dama da família Foxworth e a prosperidade voltou a reinar no Sul . Julguei que sonhasse com minha mulher quando ela er a jovem. . . gastando muito mais do que se comprasse uma casa nova. Então. faça-me o favor de não dizer agora. era recém-casado e morava em Fo xworth Hall. .protestei acaloradament e. como todos os nossos amigos. Era uma música que empresta va algum encanto à velha e insípida mansão. Tive vontade. Cathy explicou Bart. que lhe revelei tanto a meu Bart.A estreita trilha que seguimos levava diretamente ao banco verde entre dois dos quatro velhos postes que sustentavam o enferrujado telhado de zinco da parada de trem. porém. Então. Pretende.ela disse que fazia um frio de gelar e seus dedos che gavam a ficar azulados. Em seu caso particular. Bart Winslow! Trouxe-me para o meio do mato. senti falta. . Além disso. Mas trata-se de uma velha estória. hem? Que diferença faz onde nasci? Não tive uma vida excitante co mo a sua. um dia a música cessou definitivamente e chegu ei à conclusão de que ela estava certa e era apenas imaginação minha. Onde você nasceu? Por qu e resolveu estudar direito? Como conheceu sua esposa? No verão ou no inverno. Os insetos zumbiam como o sangue que me corria nas ve ias. Eu gostava muito de escutar os trens apitando à n oite.Os trens já não passam por esta linha. Nasci numa insignificante cidadezinha do interior. Aquela música me intrigava e. A Guerra Civil pôs um ponto final nos dias de prosperidade d e meus ancestrais e a família escorregou por uma rampa descendente. ou ela só lhe contou depois de casar-se com vo cê? . . Onde nasceu? Que escolas freqüentou? O que a le vou a escolher o balé? E por que razão jamais compareceu a um daqueles bailes que os Foxworth costumam promover na noite de Natal? Suei. perto da janel a. Aproveitei muito pouco minha formação profi ssional: tornei-me uma borboleta da alta sociedade. Então.Não. quando a temperatura devia passar de quarenta graus. perturbando-lhes o sono. quando a mencionei.. Ansiava por tornar a escutá-la. de q ue ano? Sabia que ela já fora casada.Você é bem abelhuda. Deitava-me ao lado de minha mulher numa cama com um cisne acima de minha cabeça. repetida milhares de vezes. chamada Greenglenna . percorrendo o mundo com a esposa. chorando porque perdia algo divertido que seus pais consideravam pecaminoso. de mod o que ressonava profundamente. E também a m andavam para lá no inverno . agora que tenh o tanto à minha disposição. Tanto que jamais escutou a linda música que vinha d e cima. basta ver um para conhecer todos . à guisa de castigo. Ela me contou que. Fin almente. fale-me um pouco de você.Por que eu lhe contaria tudo a meu respeito? Só porque ficou aí sentado.Alguma vez você subiu para ver o sótão? .Por acaso falei em dinheiro? Dinheiro pouco significa para mim. ago . respeito. na Carolina do Sul. respirando o ar frio das montanhas. Na época.Ora. Eu costumava adormecer e sonhar com uma be la jovem que dançava lá em cima.Isto aqui servia de parada de trem para deixar e pegar a mala postal.respondeu E agora. revelando -me um pouco de sua vida? Não me contou nada de importante. . apitavam durante a noite. os ricaços que moram nas redondezas ganharam uma ação judicial contra a ferro via e acabaram com os trens que. até mesmo no verão. consegue acreditar numa coisa dessas? Ela dormia com a cabeça no meu ombro ou passávamos a noite inteira de mãos dadas.

Você é maravilhoso! Jory riu. fazer amor comigo no capim? Será a grande ambição de sua vida fazer amor com uma e x-bailarina? Não distribuo sexo a esmo e não costumo pagar minhas dívidas dessa maneir a. ele me devolveu a tesoura.Sim. Embora ele procurasse beijar-me os lábios. Jory. Ele sorriu. Pedante. esmurrando-lhe os braços e tentando virar o rosto para o lado. Sem dizer uma palavra. mas ele foi embora para o céu. Bart afastou-me de si com tanta violência que quase caí do banco. num domingo de manhã cedo.mas só depois de aproveitar mais um pouco o que você acaba d e me dar. . para levá-lo aonde quiser e obrigá-lo a sentar-se para implorar tudo o que que r! Então. Era tão gostoso observá-lo pelo espelho que eu mudara da penteadeira para a barra! . mas. mamãe! . como costumávamos dizer um ao outro mais de uma dúzia de vezes por dia. Chris! Meu irmão andou através do pequeno chalé e me apressei a ir ao seu encontro em minhas malhas azuis e sapatilhas de balé. pois todas as c rianças da escola maternal tinham um . Meus dedos descontrolados t raíram-me. enfiando-se em seus bastos cabelos escuros.. .inclusive um marido muito mai s moço que ela? Ora. durou muito. só conseguiu e ncontrar-me o rosto. Bart agarrou-me com força e brutalidade. espremendo os lábios contra os meus co m uma violência que me doeu! Tentei resistir-lhe com os punhos.Estou dançando? . mas ainda exigirei o pagamento total de meus honorário s. . . Será melhor assim. mas levantei-me e corri em direção ao carro. Por que não tenho um papai? Aquilo me doeu. para onde quer que voltasse a ca beça . exceto quand o feitos por unhas femininas nas minhas costas. contra a minha vontade. O beijo durou.Mary tem um papai. satisfeito.Bem. Bart chegou. sorriu. faça o pior que puder: fure-me os olhos.para a direita ou esquerda. Você está dançando! . . E talvez algum dia Mamãe e ncontre um novo papai para você. E o que tem você de tão atraente: um cãozinho de estimação de uma mulher mimada. . . ansioso por se .. . Naquele instante. que tipo de cãozinho de estimação me julga agora? Ou C hapeuzinho Vermelho acaba de encontrar o Lobo Mau? . abracei-lhe o pescoço. devolver-lhe-ei a tesourinha.e. moldando meu corpo ao seu. escutei a porta da frente fechar-se com estrondo e uma voz fam iliar chamou meu nome.zombou. pequena Srta. Meu filhinho tentava entusiasticamente imitar tudo o que e u fazia. estendeu a mão e tirou-me a tesoura. Os papais eram importantes no seu mundo. então.todas menos Jory.Eu amo você.Você tinha um papai.Vou levá-la para casa . Jory puxava-lhe as calças de flanela cinzenta. Nossos olhares se cruzaram demoradamente.E não gosto de arranhões. até ficarmos ambos acalorados e ofegantes .Sim. Diante do meu chalé.Sou bom bailarino? . Aquele beijo já começou. exigindo que meus lábios se entreabrissem para cederem à pressão de sua língua! Compree ndendo que não poderia escapar aos braços de aço que me envolviam. Quando você saltar do carro à porta de casa. abraçou-me as pernas e fitou-me com aquela expressão de entusiasmo e êxtase de que só as crianças pequenas são capazes . durou. Chris estendeu os braços e corri p ara ele sem a menor hesitação. Jory. . a fim de alcançar minha bolsa para que.Isso pode causar um feio arranhão .Leve-me para casa. quando ele lá chegasse.. bajula da e milionária que pode comprar tudo o que deseja .indagou Jory.seus olhos exprimiam todo o encanto de es tar vivo e aprender algo novo todos os dias.. eu estivesse armada com minh a tesourinha de unhas. apunhale-me no coração.Agora. eu fazia exercícios de aquecimento na barra em meu quarto. Jory. é mesmo espantoso que ela não lhe tenha passado uma argola pelo n ariz.disse. Avançou para abraçar-me outra vez. Segurar um Tigre pelo Rabo Alguns dias depois. para cima ou para baixo ele prosseguiu o beijo.ra. pronta para cravá-la nele.

Só nós. ganhei um fim de s emana de folga . o que faz você aqui nas montanhas? Que anda planejando? Tenciona roubar B art Winslow de nossa mãe? Levantei vivamente a cabeça.indagou Chris.Como está o meu Jory? .explicou ele. .Talvez.No hospital. Seria ótimo p oder morar aqui. cru el e envergonhada. Antes. Não é preciso uma bola de cri mas deixe Bart Wins stal para ler suas intenções. Senti-me mesquinha. obrigando-o a corar e desviar o rosto para o lado. . Meu irmão riu. como sempre . Virei-me para o outro l ado. Meneei levemente a cabeça. . estou preocupada com Paul.Viajou para outro congresso médico. a fim de evitar que Chris me visse os olhos.r acolhido nos braços fortes e másculos. Aquelas palavras provocaram em mim um movimento nervoso.Eu sei. . Sei como você funciona e o que pensa low em paz! Ele nunca a deixará em troca de você! Ela possui milhões de dólares e você tem apenas juventude.Quer fazer o favor de mudar de assunto? .Você é meu papai. Sejamos amigos e aliados. o que gostaria de almoçar? . . Eu nem precisava perguntar.. limitando-me a enfrentar-lhe o rosto carrancudo com um sorriso confi ante. isto é.indaguei. . . . Agora.repliquei sorrindo. e nos fins de semana? Tenho folga em fins de semana alternados.Eu estava apenas tentando. . minha querida irmã. . . . como recompensa. Isto a incomodaria muito? .Sim. recolocando Jory no chão. Seus olhos azuis assumiram uma expressão mais suave ao me estudarem. .replicou severamente Chris. deixando-se cair numa poltrona e pegando Jory no colo. como outrora. . . .Claro que fará. Tio Chris? . Julguei que sempre se mantivesse em contato com você.Não me interrogue como se eu fosse uma desmiolada criança de dez anos. ele fazia questão de responder cada uma de minhas cartas. Fiquei sem saber o que dizer ou o que fazer com as mãos. perguntei-lhe o que estav a fazendo em minha casa quando devia cuidar de seus pacientes.Ele não tem vindo com a antiga freqüência e também não escreve muito.por que haveria de escolher você? Não respondi. se me permitir. você tenha encontrado finalmente um homem capaz de dei xar de amá-la. Tenho minha própria vida. aproximando-me p ara abraçá-lo.Está certo..Chris. Então. . ou acha que deve ser. pensando em outra pessoa que também deveria vir naquele f im de semana. pois já sei.Ainda não tomei o café da manhã. De quatro. restamos apenas nós dois. . Christopher. a fim de passá-lo com você.Não vamos brigar. . .disse ele. Empertiguei-me ante a sugestão. sentindo os penetrantes olhos de Chris procurarem ler-me os pensamentos . Colocou uma ligeira ênfase na palavra "você". divido um quarto com outro residente.Tem recebido notícias de Paul? . .Seja bonzinho e aceite-me como sou . Os olhos de meu filho se esbugalharam ao fitar Chris.Tirei folga no fim de semana.Fui o melhor médico residente no hospital e.exatamente como você. Chris.Mas certamente gosta ria de ter um filho como você. ..Você teria que fazer uma longa viagem todas as manhãs e não estaria disponível no hosp ital em caso de urgência. incomodar-me-ia demais.obstinada como Carrie. enfrentando-lhe os semi-cerrados olhos azuis e sentin do a onda de calor que me subia do coração. com você e Jory. após beijar-lhe ambas as bochechas rosadas. Sentei-me com o olhar fix o no chão. Farei o que preciso fazer . Observei-o morder o lábio inferior antes de forçar um sorriso. Peço a Deus que não se arr ependa.Não . com o mais cativante dos sorrisos. Existem milhares de mulheres mais moças entre as quais ele pode escolher à vontade . Seja como você prefere..Cathy. olhando em volta e tornand o a encarar-me.

Meu filho já estava na cama havia horas quando me ergui da poltrona. Cathy. Alertado. Observamos o mundo n as redondezas de Foxworth Hall e todos os lugares que não conseguíamos avistar quand o estávamos no telhado ou trancados no quarto. deu meia-volta para encarar-me. mesmo em setembro.. quase nos derretíamos com o calor abrasador e creio que ambos nos lembrávamos disto sentados diante da lareira na noite em que Chris tinha que partir. . Parecia exausto. ..Quando está dormindo. Sem falar. comia de tudo. Deixe nossa mãe levar a vida dela em paz. os cachos escuros úmidos e o rosto corado. . a fim de olharmos p ara a imensa mansão.Quem você julga que foi? Chris sacudiu violentamente a cabeça.Boa-noite. Naquele sótão. eu voltaria para Paul e levaria uma vida segura com ele. como costumava acontecer antes. E você pode ficar aqui cem anos. espreguicei-me e olhei para o relógio sobre o aparador da lareira. passeamos pelos bosques. embora ele me observasse os mínimos movimentos. Mas permaneci calada. faremos uma só refeição que valerá pelas duas. Após a refeição. Quando acordei. A despeit o de mim mesma. ao terminar o q ue tinha que fazer. acima de tudo. Volte para Paul e case-se com ele. ele me acompanhou ao quarto de Jory.Mamãe está lá? . bocej ei. Conversávamos muito pouco. amedrontado. onde olhamos para o menino adorm ecido. Jory foi montado nos ombros de Chris.come ntou.. . conf uso. Especialmente para você.indagou.Não é suficiente.Já é hora de dormir. Chris já se fora. Jory. . tornou a virar-se e fechou a porta atrás de si. Em seguida. num daqueles balneários para tratamento de beleza freqüentados por mulheres muito ricas. magoado. graças a Deus. pousando -o no chão. abriu a p orta do quarto. ergueu Jory dos ombros.Maldita seja. Não me diga que não acredita que ela está sofrendo! Julga que ela pode ser feliz sabendo o que fez? Nem todo di nheiro deste mundo poderá devolver o que ela perdeu: nós! Que isto seja vingança sufic iente.Então.Durma bem e não seja mordido pelos percevejos. Chorei um pouco. mas irei em f rente e farei o que preciso fazer! Quando Chris ficou em meu chalé. ele se parece mais com você do que com Julian . Cathy. de verdade. Ouvi dizer que se encontra no Texas. quando comple tasse quatro anos. deitado de lado. dormiu no quarto que fora de Carrie. percorrendo as trilhas que eu utilizava em m inhas corridas diárias. ele virou vivamente a cabeça.. quando ele e eu fazíamos papel de pais. Dando-me as costas.. Quero confrontá-la com a verdade.Era assim que costumávamos dizer boa-noite quando dormíamos no mesmo quarto . . por envolver-se com ele! Eu o conheço de vista. Tive vontade de dizer-lhe que. Chris. É perigoso afaste-se dele. que marcava onze horas. Jory fitou-me com os olhos muito abertos de espanto.indagou Chris. . Christopher Doll . tentando perder um excesso de set e ou oito quilos. Abraçava um caval inho macio e peludo semelhante ao que desejava ganhar.sussurrou Ch ris. .. . às sete horas.quando éramos apenas crianças .Quem lhe contou? . As noites nas montanhas eram frias. Então. Daí em diante. dan do a Jory o pai que precisava. quando os dias ainda eram quentes. tudo o que estava ao nosso alcance . Fazendo o melhor possível. Parecia-me tão bom tê-lo à mesa.disse eu ao pararmos junto à porta do quarto de Ca rrie. . que precisa acordar tão cedo aman hã. se tem necessidade de um home m em sua vida. o dia passou depressa. imaginei Chris como um pai para Jory. . . Paramos juntos. também. . Aquelas palavras lhe provocaram uma careta de dor. ajoelhar-se e implorar até que sua língua role pelo chão.Não. Chris sentou-se à mesa pronto para comer o ome lete de queijo de que tanto gostava. diante de Bart.Mamãe. Em seguida. com voz embargada. e.. Paul dissera o mesmo.

Então. que cedeu sob o peso do corpo. transformando-os em sombras transparentes qu e não resistiam à luz do sol. Ofegante. Teria sofrid o uma fratura? Torcido o tornozelo. O estalar das folhas mortas era um ruído agradável a meus ouvidos. virando-me de modo a ver-me o rosto antes de indagar com evidente preocupação: . O de stino não me poderia iludir para sempre..Machucou-se? Parece tão pálida. Se bato com o cotovelo na parede do chuveiro. Felizmente. em solidariedade. . deixando que o vento me soprasse os cabelos soltos enquanto a beleza do dia afastava de mim o sofrimento. os músculos longos e ágeis. por que o joelho me doía tanto? Fitei o local dolorido. . uma raiz nodosa pegou-me por bai xo da ponta do tênis sujo e caí de bruços. apertando ainda mais o passo. Ri com o poder que sentia po ssuir. sentindo muita dor. destacando-se como labaredas em contraste com o verde-esmeralda dos pinheiros. Cathy! .. estava bem . penetrando num pinheiral mais denso. indicando claramente q ue não tinha resistência para competir comigo a despeito da vantagem que lhe davam a s pernas mais compridas. Os esquilos que catavam noze s pelo chão tinham que fugir às pressas de meu caminho. magoando-me de muitas maneiras. Usando um agasalho de ginástica azul-brilhante com as costuras arrematadas com lis tras brancas. que nunca usara antes. Alguém corria atrás de mim. Jory. Winslow . meu joelho direito dói! Quando sinto dor de cabeça. deleitando-me com minhas robustas pernas de bai larina. Mal tais pensamentos jactanciosos me passaram pela cabeça. pedi a Emma que viesse tomar conta de Jory enquanto eu corria pelos bosques. fui obrigad a a correr de verdade para manter a dianteira! Eu praticamente voava ao longo da trilha.pois as bailarinas sabem cair. esgarçado um tendão . a fim de evitar raízes que me fizessem tropeçar. fazendo uma pirueta. Cathy! Tenha pena de mim! Estou quase morto! Há outros meios de provar a minha masculinidade! Não tive pena! Pensei: agarre-me se puder. torci o jo elho. naturalmente. A trilha mal era visível e muito sinuosa. com os cabelos longos esvoaçando atrás de mim. arrematado com listras amarelas e cor de lar anja. Gritei -lhe isso e prossegui a corrida.Olá. . L ancei um rápido olhar por cima do ombro e sorri ao vê-lo ofegante. Levantei-me de imediato e continuei a correr. . Meus planos caminhavam devagar demais. Duas listras verticais. o último e apaixonado caso de amor do ano chegava ao fim antes que ele envelhecesse e morresse fatigado pelo frio do inverno. As árvores de região montanhosa que cresciam entre os pinhei ros tinham o brilhante colorido vermelho do outono. Sr.Espere. mais cedo ou mais tarde. Por que iria? Apenas três alunas compareceriam e eu poderia ensinar tudo no dia se guinte. a essa altura. Como teria de ser. A fim de acelerá-los. . como se brotasse do solo.. ele também dói.Não devo demorar mais que uma hora. Exatament e o que um ginasta local usaria ao caçar uma mulher no mato. usando um elegant e traje de ginástica cor de caramelo. Onde sente dor? Eu quis responder que. cintura e gola sanfonados. o remorso e a vergonha. exceto quando se trata de um tombo inesperado.chamou uma forte voz masculina. Só que desta vez estava machucada de verdade. Uma vez.Foi o maldito joelho. Mamãe sente saudades de seu tio Chris. e abri os braços.. tendo a impressão que dançava meu melhor papel no palco. o treinamento de dança que me fazia sentir veloz c omo um raio.. Entretanto. ajoelhando-se a meu lado. Não me voltei para olhar. parti correndo pelas trilhas.Tudo bem. Deixe-o brincar lá fora até a hora do almoço e.outra vez? Dentro de pouco s segundos Bart me alcançou. engasgando-se. obrigando-me a prestar atenção ao solo.respondi. e tendo punhos. tomei uma bifurcação à direit a. já deverei estar de volta.Um homem incapaz de alcançar uma mulher não é homem! Ele aceitou o desafio e imprimiu maior velocidade às pernas compridas. Desta feita. as folhas mortas amaciaram-me a queda. desciam ao longo das costuras laterais das calças. abetos e espruces. do contrário não chegará perto de mim. naturalmente. E Mamãe não irá trabalhar hoje. mas o tombo dera a Bart op ortunidade de chegar mais perto.Corre depressa demais! Era Bart Winslow. sentindo-me traída pelo mesmo joelho que sempre me causava problemas. e tornei a cair com o rosto nas folhas mort as. uma ama rela e outra laranja. fui . Como eu pe nsava desde criança. de modo que aumentei a velocidade. ele gritou: . minha mãe não podia vencer invariavelmente.Pare de correr. quando a turma inteira estivesse reunida. .

Agindo assim. desejando que alguém das redondezas resolvesse cometer um assassinato. . se pudesse ver seu joelho.Por que se porta de modo tão detestável comigo? . para variar. que eu não tenho a menor idéia de qual seja. Apalp ou-me o joelho com ar de quem sabia o que estava fazendo. desprovida de emoções reprimidas que entrem bruscamente em erupção. estamos discutindo . insisti: ... . apertando as pálpebra s. num jogo ent re homem e mulher. .indagou ele. . . Tem uma enfermeira particular de plantão a seu lado o tempo todo .E você a deixa sozinha. deixan do-me seguir o meu. . de modo que posso distinguir só pelo tato. . hem? Vim tomar posse de uma escola de balé. mas dá um jeito de ficar carrancuda sempre que olha para mim. .como todos os homens cheios de convencimento . . foi você.A dor sempre me causa antagonismo. feliz por revê-la. presumindo . caso eu também quisesse.a fim de aproveitar também os esportes de inverno? Seu olhar insinuava o tipo de "esporte caseiro" que ele tinha em mente.disse ele. Cont udo. cortando-me a gengiva.Meus joelhos também funcionam bem.Não fica sozinha.. . mas veio para cá .respondeu ele.resp ondi com ar inocente. poderia julgar melhor.o que é muito raro .Minha esposa continua naquele balneário e faz longos meses que estou sozinho em casa. sem a menor desconf iança quanto ao meu verdadeiro propósito. .Você quer brigar quando de sejo ser amistoso. e você demonstra tanto antagonismo.Arrogante. . não obstante. .Por que veio morar aqui.que já marcara um tento no único jogo íntimo que um homem realmente de seja fazer com uma mulher. Ele soltou uma risadinha confiante. franzindo a testa como se minh as perguntas não lhe agradassem.Está brincando! .Parabéns.mostro-me delicado e humilde. Seja boazinha comigo. Olhou-me detidamente.Tenho a impressão de que se trata de um bom joelho. É de causar uma frustração deveras desesperadora ser advogado e viver cercado de gente normal e feliz. gosto de todas as espécies de esportes. Tem Nova York e sua cidade natal. de modo que eu pudesse defender um caso inte ressante. É seguro? . Diga-me o quanto fiquei mais bonito desde a última vez em que me viu e como você me acha excitante.Aposto que tem.Aqui estava eu. po is meu joelho direito reagiu imediatamente. encontr ava-me tranqüilamente sentado em frente à lareira. Embora não seja capaz de correr como o vento. . . além de uma equipe de empregados .Claro que sim. Poderia ter seguido tranqüilamente seu caminho. mas as sílabas saem misturadas e ininteligíveis para qualquer pessoa exceto minha mulher.Nada que eu goste de mencionar. .Um pouco. brincando de gato-e-rato. esticando-se e desferindo um pontapé n a barriga do dentista! . perfeitamente funcional.obturar um dente e o dentista deixou a broca escapar. recebemos mais atenção.Agora. dentro de casa e ao ar livre .. Você não tem algo de peculiar sob o ponto de vista físico? . Ele sorriu.Estou falando sério.Sim. . Minha sogra tenta falar. Diga que se sente alegre por rever-me. depois ajudou-me a ficar em pé.A tal velha que não consegue falar pode movimentar-se pela casa? .Vá para casa e olhe para os joelhos funcionais de sua esposa. também tenho minha peq uena coleção de truques. Uma noite.pode contar com isso! Bart julgou que eu estivesse pilheriando.indaguei. Bart! Tem diante de si uma pessoa cheia de ressentimento agressivo e ódi o reprimido que entrará em erupção numa vingança implacável .Como pode saber? .E você não precisava aceitar. e se ergueu disposto a aceitar o desafio. como se despisse meu agasalho de ginástica com os olhos sensuais de um homem ávido de desejo por aquilo que eu lhe podia dar. . .Quando sofro . Não lhe acontece o mesmo? . morto de tédio por morar com uma velha senhora que não consegue falar ou andar . E lembre-se de que não fui eu quem lançou o desafio. desapontado. perto de mim? Eu ri. com um brilho de malícia no olhar.

.Logo que me casei. Bart? .tão logo tivesse mais uma pequena informação: . Chegarei às sete e me ia para um drinque. . trato-a pelo nome de batismo. como se arquitetássemos uma conspiração.Às vezes. Srta.A senha é discrição. poderemos conhecer-nos melhor. que os dias são mais curtos. .Uísque. Sr. Uma curiosidade avassaladora me invadiu. Agora. imaginei que talvez uma noite você poder ia gostar de jantar comigo. . Seu rosto parece f eito de pedra.Por que quer saber? .. . . negligenciada ou roubada. A menos. cinzentos como gra nito. m as persisti. Tin ha os cabelos meticulosamente penteados. Quis saber o nome da avó. Winslow.Chamo-a de Olívia! . Eu me esforçara para apresentar-me com a melhor aparência possív el e Bart procedera da mesma forma. Pude imaginar a avó. como cabia bem a um bo m advogado. imóvel a não ser pelos olhos duros e malvados. . A essa altura. nosso horário de jantar é às cinco. Meu filho detestava i r para a cama tão cedo. o que fez ima ginar que talvez já apresentasse os primeiros sinais de calvície. Malcolm Foxworth não seja maltrat ada. jantamos por volta de cinco e mei a. . Embora eu jamais tenha gostado de minha sogra. mas não posso ter certeza. Fiquei pensativa e ele me encarou com solene intensidade. Portanto. poderá ch egar ao meu chalé sem que alguém o veja. . mimá-lo.. mais cedo ou mais tarde. Portanto. fixo numa expressão . creio que isto lhe dá satisfação.Então..Fico muito solitária. É. mas agora. eu já conh ecia o suficiente os homens e as maneiras de melhor agradá-los.Nosso horário gira em torno do menino.Com gelo? . Dê o jantar a seu filho às cinco horas e ponha-o na cama. . Bart. o que eu descobr iria por mim mesma. Em seguida. t enho pena de vê-la no estado atual. Depois que Emma. Bart já me dissera tudo o que eu queria saber..A propósito. lacônico.replicou ele de imediato. Então. Foxworth? Bart não entendia meu interesse por uma velha inválida e tentou desviar o assunto. os olhos escuros faiscando. No verão. vai para casa. pois nunca o es cutara.Irei hoje . enquanto Bart se sentava diante do fogo que ardia na lareira (nada f ora esquecido. acionada por um dedo impacien te e obrigando-me a correr para evitar que Jory acordasse. a babá..Puro. é claro. Depois do jantar.. jantar e tomar vinho com ele. Entrou como se já fosse o dono da casa e de mi m. deixando atrás de si um perfume de loção de barba com aroma de pinho silvestre. que faça questão de mostrar-se. eu podia estabelecer o s planos definitivos . cada fio no devido lugar. você parece uma megera. fui ao bar. porque o olhar que trocamos foi muito demorado..Ótimo. não co nfio que os empregados lhe dispensem os cuidados necessários se não houver um membro da família para verificar o que eles fazem para proporcionar maior conforto à enfer ma. Tomei-lhe o casaco e pendurei-o no armário embutido no vestíbulo.replicou afinal. meramente por pertencer à natureza humana. tenho apenas a companhia de meu filhinho. onde me ocupei com a preparação d as bebidas. A Aranha e a Mosca A campainha da porta soou exatamente às sete e meia. estou encarregado de verificar que a Sra. ambos rimos sim ultaneamente. Bart ergueu a mão espalmada e meneou a cabeça.. até o som de música suave enchia o ambiente). até que minha mulher volte para casa. se atravessar o bosque nos fundos de sua casa.Você a chama de Sra. Agora. Minha sogra é inválida: não pode levantar-se da cadeira de rodas sem ser ajudada n em sair da cama sem que alguém a carregue. ..Qual é sua fraqueza. Dahl.fria como gelo. por que permanece aqui e não trata de ir divertir-se longe de casa enquanto a gata não volta? .Quando voltará sua esposa? . Não existia homem no mundo que não se deixasse encantar com a proximidade física de uma mulher bonita an siosa por servi-lo. evitava dirig ir-lhe a palavra e tentava esquecer-lhe a existência.

O que está tomando? A essa altura. desde a sandália prateada até a metade da coxa. quando eu ainda era uma menina-moça de quinze anos. debruçando-me a fim de exibi r-lhe o atraente colo sem sutiã. fazendo-os brilhar diabolicamente.. Bart estava por demais di straído para localizar uma colher ou um garfo no chão.. Sentei-me em frente a Bart. Ganhei dele todas as vezes. Então.Em geral. . lançando -me um olhar duro. Antes de nos apresentarmos no palco. passeando ou fazendo compras. Bar t não conseguiu despregar os olhos de minha carne. que era deliberadamente gracioso e eficiente. Sim. Começamos a arrumar os dois exércitos de guerreiros medievais. Imaginava-me muito bem sucedida em aparentar frieza exterior quando.exclamou Bart. desafiei Bart para uma partida de xadrez e ele aceitou. nada temos de delicadas ou el egantes. Agora. Era preciso quatr o galinhas para satisfazer o apetite de quatro pessoas. um pouco de suco de limão.disse eu num tom suave. Apressei-me em trazer o tabuleiro tão logo terminei de tirar a mesa e empilhar a louça na pia. Isto é. é feito com laranja recém-espremida. Batizei-o de "Deleite de Donzela".A galinha está deliciosa . vesti meu melhor terno. Cozinhávamos jun tas sempre que não estávamos dançando. Não precisei pensar em como deveria agir ou no que precisav a dizer para encantá-lo e conquistá-lo para sempre.Não tenho lugar neste chalé para desencaixotar todas as minhas coi sas. Então.. Adiciona-se uma cereja para ter-se o prazer de p escá-la depois.Exatamente o motivo pelo qual vim aqui .. como num passe de mági ca. fiz a barba. . homem convencido . devastador. qual será a recompensa? . dando-lhe as costas. Ele sorriu. chegou a hora de iniciar o primeiro ato! Uma peça escrita com perícia por um a utor que conhecia Bart muito bem. para jo gar xadrez! Em seguida. uma dose de vod ca e um pouco de leite de coco.. Mamãe. após demolir em dez minutos o resultado de um trabalho insano de cinco horas. Como poderia eu fracassar? Após o jantar. não importa como seja servido.Quando eu ganhar a segunda partida. temos que co mer muito pouco. . adiciona ndo uma pequena dose de vodca. sentia um emaranhado de emoções conflitantes. Após conversarmos alguns minutos. encaminhei-me sedutoramente para ele. . trancada num quarto. você já conhece a fei a verdade sobre as bailarinas: em questão de comida. Bart deixava ca ir a colher ou o garfo. ambos nos curvávamos para pegar o talher e.. após um espetáculo.Uma segunda partida. . A luz das velas refletia-s e em seus olhos. Era como o nervosismo de uma baila rina esperando nas coxias o momento de enfrentar o público numa noite de estréia. satisfeita com a expres são de seu rosto. Ela e o marido se hospedaram com Julian e eu.declarou. rindo. . senti-me no palco. a fim de jantarmos à luz de velas. E aquela seria a apresentação mais importante da minha vida. .Tomei banho. O roteiro fora escrito há muitos a nos.repliquei no meu tom mais altane iro. diga-me francamente por que motivo veio morar nesta cidadezinha caipira e está tão decidida a ter-me como amante? . quando veio fazer uma temporada nesta região e n os tornamos amigas. quando tinha diante dos olhos um decote que se abria com tanta generosidade. .. A intervalos.. não gosto de galinha. qual a recompensa? . cruzando as pernas pa ra permitir que a comprida abertura lateral de meu vestido cor-de-rosa se abriss e e deixasse à mostra minha perna.Uísque é uísque. . com os dois pequenos copos de pés curtos numa ba ndeja de prata.jogar xadrez! . preparei para mim um leve coquetel de frutas. exibiu um sorriso atraente.Bart observava-me cada movimento.Bem. interiormen te. verificáv amos quem era o mais rápido. E. . Onde aprendeu a preparar este prato? Respondi a verdade: . debruçando-se sobre a pequena mesa console. por causa das respostas que ele dera a tantas perguntas. encaminhamo-nos à mesa de jantar arrumada não muito longe da lareira.Se eu ganhar. seu olhar passara para o pronunciado decote em V do meu vestido. A maior parte dos cristais continua guardada e só tenho aqui copos para vinho e água.Desculpe-me quanto aos copos .Não comece a imaginar coisa.Uma bailarina russa me ensinou. .Cathy.

qual a recompensa? . um pouco de anjo. te ndo o cuidado de equilibrar as peças esculpidas em marfim. . eu não estaria aqui.Claro que sabe . Um prolongado. . Oh! Chris estava certo: com Bart. . . . é claro. fez-me virar a cabeça. Tomando-me pela mão. E. Sou como uma rosca.replicou Bart. E quando consigo alguma coisa que desejo. Li as críticas que falam com tanto entusias mo de meu potencial como grande bailarina. pois não sei por que motivo você está aqui. .Cathy.. agora. tentando ocultar o rosto. um pouco de mulher sedutora. Naquele dia.Isso é o que todos os homens gostam de pensar a respeito das mulheres. . E não fique aí. comprara especialmente um disco intit ulado "A Noite Foi Feita para os Namorados". lembrei-me do sótão empoeirado e de Chris.. prossigo. Sou idiota. . Eu só conseguia ouvir música popular no rádio do carro.. meu sangue escorre com as lágrimas que derramo. minha frágil proteção se esfacela e.. eu fora além de minhas possibilidades. Alguma coisa fácil e romântica. . porém. Quem me ensinou a jogar foi um mestre. . sorrindo com tant a confiança. espero em D eus que dure o bastante para me permitir saber que a possuo. Creio que me tornarei emped ernida e deixarei de magoar-me. roçando o rosto escanhoado no meu.Não. depois. e vivo à procura do pedaço que ficou faltando.Não está sendo honesta consigo mesma . sempre sendo furada no centro. pelo menos atualmente. Só precisa de alguém .. nunca terminando. Garotinha s de quem eles precisam cuidar .Engana-se.Todos os seus problemas são muito simples. .declarou suavemente Bart. contudo. .. Então. Chris.quando sei que. Nossos olhares se encontrara m demoradamente e o coração começou a bater-me mais depressa. .pois já não acredito que dure muito tempo. levo u-me à sala de visitas. . . quando ele vai dormir e estou sozinha.. diga "alô" ao primeiro homem adulto em sua vida. Soltei um riso curto e amargo. não sei o que fazer de mim mesm a. não sabia. enquanto cont inuávamos dançando. Cathy? .solucei. ele pegou o tabuleiro e o colocou em cima da geladeira. Com estudada deliberação.Ligue a música.começou Bart.Poderá voltar para casa e dormir muito satisfeito consigo mesmo. Do contrário.Você não é o primeiro homem arrogante e convencido que encontrei. jogaremos a "negra". veio o silêncio.indagou Bart suavemente. quando se tratava de gastar meu dinheiro com discos. . Não sei como encher os me us dias. mas Bart obrigou-me a e rguer a cabeça.Sabe melhor que ninguém onde está o pedaço que ficou faltando. convenço-me de que existe uma razão para tudo. Enquanto dançávamos na obscuridade da s ala de visitas iluminada apenas pelo fogo da lareira... então.Mas serei o último e o mais importante . que não sofra ao perdêla . E tudo continua assim. Sua voz foi tão suave e sedutora que apoiei a cabeça em seu ombro enquanto continuam os a dançar. na verdade. Parei de mexer os pés e funguei. porém. na minha vida pessoal.. simbolicamente. que me será revelada em algum ponto de minha vida. realmente.Se você ganhar duas partidas. cheia de esperanças e a spirações.Depois que eu ganhar a "negra". só compra va música clássica ou de balé. . só cometi erros que anulam tudo o que realizei profissionalmente. Então. julga realmente que conseguiria chantagear minha mulher? .aquele que você jamais esquecerá. .Você constitui uma mescla que me deixa intrigado: um pouco de cr iança. fico furiosa porqu e nada acontece do modo que planejei.Por que está chorando.. Quando eu era jovem. Nada de passos complic ados. apenas começando. Entretanto. Torno a recompor -me. mais uma vez . é o sexo masculino qu e é mais menino que adulto. enxugou-me as lágrimas e ofereceu-me o lenço para assoar o nariz. de modo que ficou com o rosto molhado por minhas lágrima s.Vamos dançar. Sei que Jory precisa de um pai e quando me recordo do pai dele compreendo que sempre consegui fazer a coisa errada. Bart. não imaginava que me magoaria com tanta freqüência.Então. infindável silêncio. Vivo quando estou dando aulas de balé ou fico na companhia de meu filho. para alegrar uma viagem longa e solitária. bailarina . mas resolvi tentar.disse baixinho.insistiu Bart. Espero demais e. Cathy .Não sei.

Bart jogou-se para a frente. .. Convidou-me para jantar por um motivo.bradei. Esmurrei-lhe o peito com pequenos punhos ineficazes enquanto ele ri a. tenho a impressão de conhecê-la há muito mais tempo do que na verdade a conheço. Pare! Resista! Lute! Mas não fiz nada disto. até mesmo e nquanto suas mãos rasgavam em pedaços meu colante vestido cor-de-rosa. aqui estou. que ele puxou por minhas pernas abaixo. quando ele era casado e eu possuía uma dose sufici ente de cinismo e discernimento para saber que ele não poderia gostar o bastante d e mim. que necessita de alguém como você.a firma que nem a conhecerei quando ela voltar .Cathy. mas ele a tampou com uma das mãos. Em seguida. zombando de mim.como se eu realmente a conhecesse ! Entrei em pânico .repliquei amargurada. Então minha mulher voltará para casa e não precisarei mais de você. de modo que rolamos ambos para o chão! Abri a boca para grita r. .. será minha até uma semana antes do Natal. As luzes vermelhas de advertência começaram a piscar.. refleti. prendeu-me os braços com sua força d e aço e sentou-se nas pernas que eu utilizava para tentar libertar-me. que se morda interiormente com as suas ansiedades o u seja lá o que a faz acordar no meio da noite para olhar aquele maldito álbum de ca pa azul! Agora. empurrando Bart. eu não precisei comprá-lo com os milhões de meu pai! Aquilo foi a gota que fez o vaso transbordar. teve tanto trabalho! Seduziu-me há muito tempo. bem amarrada. Bart possuía-me sem usar o coração. Não desejava conquistá-lo com tanta facilidade. inflamá-lo.e. Está vendo como todas as coisas complicadas podem resolver-se com fac ilidade? Com facilidade demais. e não me permite verificar o que há lá dent ro. puxan do-me com força de encontro a si. Um dos dois ganha o jogo. . Agora. pare com isso! Veja de que modo está vestida. mas o fogo se apagou. Com a mão livre. limitei-me a vociferar: .Os homens também mentem . Se Jory precisa de um pai. No escuro. mas ele avançou rápido! Hou ve uma oportunidade para usar o joelho que eu mantinha preparado. eu necessito de um filho. mas só d epois de longas e difíceis batalhas contra minha mãe.Agora. agora. talvez acordemos na manhã seguinte e verifiquemos que saímos ambos vence dores. Portanto.Você tem uma esposa a quem ama . enq uanto eu ainda lhe esmurrava as costas. está com excesso de peso e me escreveu que fez plástica no rosto .do contrário eu daria com a língua nos dentes! Não ob stante. Não a conheço. carregou-me até meu quarto e jogou-me em c ima da colcha que cobria a cama. . Movimentava-se para penetrar-me. e não acredito em você! Não confio em você! Ele riu. bai larina.declarou Bart incisivamente. Não era exatamente o que e u desejava! Queria tentá-lo. disposto e pronto para ser seduzido. Bart esmagou brutalmente os lábios c ontra os meus antes que me percebesse do que acontecia. por Deus.ele precisava gostar dela! Como poderia eu desfazer um casament o que já se esfacelava? Tinha necessidade de sentir que conseguira meu intento con tra probabilidades esmagadoras! . obrigá-lo a perseguir-me e.Pelo menos. Isso já durou tanto tempo que nem desejo mais ter acesso. . pega ndo-me pela cintura. . E esta não estava presente para tomar conhecimento dos fatos. Afastei-o bruscamente de mim. Lutei para levantar-me. Afastou a mão de minha boca e pensei em gritar. sabendo que nada poderia dizer em protesto . Sentindo que minha agilidade de bailarina poderia derrotá-lo.Vá para casa! .como eu. Usou uma das mãos para prender-me as pernas e evitar que esperneasse. Chamejava-lhe nos olhos quando me agarrou os antebraços. perdendo parte do entusia smo que lhe faiscara nos olhos. apagou as luzes. de forma tão brutal quanto Julian em seus pi ores momentos! Agia como um selvagem. Entretanto. Ninguém joga comigo e interrompe a partida p ara declarar um empate. Todavia. Seduziu-m e na primeira vez em que a vi . ocasionalmente. fiquei apenas com a meia-calça.. de modo . E não acredito que alguém realmente a conheça. Ela é uma trouxa de segredos.Saia de minha casa! Não o conheço bastant e para escutar-lhe os problemas pessoais. Sua li bido inflamou-se. se formos juntos p ara a cama. excitado por meus ridículos esforços para empurrá-lo.Tenho uma esposa e. ceder apenas depo is de uma longa e árdua caçada a que minha mãe pudesse assistir e sofrer. minha linda sedutora. dormimos j untos. erguendo-me e carregando-me sobre o ombro. A essa altura . Ela que fique com seus segredos e lágrimas.

veja só! Eu enxugara as lágrimas .até mesmo no banheiro. E passarei a noite aqui.. exatamente como você gostou.que as sandálias prateadas me saíram dos pés e ficaram presas dentro da peça de roupa.respondeu ele. Do tip o de talo comprido. quando o levei comigo par a a escola de balé. . Quando ficou despido.. . aninhando-o em meus braços. porém estarei de volta amanhã à noite e então talvez você consiga agradar-me o suficiente par a que eu resolva demorar o bastante para satisfazê-la.berrei. inspirando-o a querer aprender at ravés de apelos aos seus sentidos.Minha esposa diz freqüentemente o mesmo .Se você ousar apresentar-se outra vez nesta c asa.Não se sente feliz. Ou eu lhe abria o fecho ou ele me quebrava os dedos! Jamais entenderei como ele conseguiu livrar-se de sua s roupas ao mesmo tempo em que me prendia. Não faz mal. mas não foi por pena de mim. com ar indiferente. Depois do almoço. Já era capaz de escrever o próprio nome em letras d e forma . sob o peso de seu corpo. forçando o corpo para cima a fim de livrar-me. . . Por várias vezes. assumiu uma atitude séria. levei Jory de carro à escola maternal que ele tanto adorava. Mamãe não está chorando. se você me tratar bem. .. estou com medo.(era mentira).Querido. apertando-me os dedos até estalarem. de uma inteligência brilhante. imitando minha voz. não é mesmo? A coisa não funcionou como você queria.. fec hando desavergonhadamente a braguilha. usando apenas as meias. cheio de talento.Estou tremendo de medo! Em seguida. mas também ofegava.Suma-se daqui!. Sorriu. prepare o bif e à Wellington com uma salada mista. nua. deu uma perfeita meia-volta ao estilo militar e depois parou junto à porta. Seus brilhantes olhos castanhos irradiavam a inteligência e rap . satisfez-se com d emasiada rapidez e afastou-se antes que eu tivesse algum prazer! . Contudo.menos um pai. tive oportunidade de gritar. vinham numa embalagem da loja de flores. batendo a porta da frente com força. Penetrou-me. Você teve um pesadelo. Mamãe? Vesti rapidamente um roupão e mandei Jory entrar.mas ele me beijava.Tenho uma arma! .Mas ela gosta. nem mesmo é um homem. Era u m estabelecimento que usava o método Montessori. é um homem morto! Aliás. . poderei queimá-las da maneira mais agradável possível ..pois iria à forra! Três dúzias de rosas vermelhas chegaram quando Jory e eu tomávamos o café da manhã.Oh! . acariciava. darlhe cabeçadas e tentando arranhar ou morder . fiquei com as rosas em vez de jogá-las fora. deu-me um beliscão brincalhão no queixo e depois colocou-s e de pé para vestir-se.. Com os lábios ainda brutalmente espremidos contra os meus. E que diabo faria eu com três dúzias de rosas numa casa tão pequena qu e parecia feita para bonecas? Não podia enviá-las a uma enfermaria infantil. sob acusação de ag ressão e estupro! Bart riu desdenhosamente.Oh! Mamãe.. Ao diabo com ele! Comecei a chorar. Arrumei-as em muit as jarras que espalhei pela casa inteira..e não me refi ro a correr pelos bosques. Bart interpretou o movime nto como um arquear convidativo de minha espinha.. Jory tomou a decisão por mim: . Mamãe está bem.Amanhã.e tinha apenas três anos! Eu dizia com meus botões que Jory era como Chris : bonito. que beleza! Rosas do Tio Paul! Por causa de Jory. pois o hospital mais próximo ficava a muitos quilômetros de distância. zombeteiro.. não passa de um brutamontes. Jory adorou.. Bart guiou-me a mão até o f echo de suas calças. .. Saiu. Era uma frustração tão intensa que eu seria capaz de esquartej ar Bart aos pouquinhos! Bife à Wellington! Eu temperaria a carne com arsênico! Um som leve e tímido veio do lado de fora da porta do quarto. isto é. . continuei a debater-me. Sem assinatura.Mamãe. expl orava-me o corpo. mais an imal que humano! . bateu-me uma continência. . Oh! O meu Jory tinha tu do . Um cartãozinho dizia: Envio-lhe um grande buquê de rosas: Uma para cada noite em que será dona de meu coração . Amanhã. . querido. fez questão de dizer a todos os meus alunos que sua casa estava cheia de rosas . Se me de r muitas calorias. Você está chorando. Sentei-me no chão e procurei cobrir os seios com o que r estava de meu vestido rasgado. retorcer-me. e musse de chocolate para sobremesa.disse. à mesma hora.Vou chamar a polícia! Mandarei prendê-lo. sem ter a decência de ao menos virar-se de costas para mim.

.com efeito. Mamãe . O pacote conti nha uma caixa. naquela época? .Não gosto do seu tipo de rosas . cujos olhos estavam esbugalhados. de modo que precisei assinar um recibo.idez de raciocínio de alguém que teria toda uma vida de curiosidade a respeito de tu do. ainda tão pequenas. um mensageiro especial veio ao chalé entregar um pequeno pacote. . portanto meu amor não tem motivos ou intenções. e eu jamais bateria em você por tocar-me aqui.. A mesa fora posta com esmero ainda maior que na véspera. . O bilhete no cartão dizia: Talvez este tipo de rosas lhe agrade mais . Sentei-me p ara observar a expressão de Bart. Jory ter ia também um pai. à mesa do jantar.ou minha mãe.Eu também a amo. Sim. Oh! como as crianças aprendem depressa os tabus! E quando me tocou o seio sem ser atingido por um raio lançado dos céus. Eu reunira todas as rosas que recebe ra pela manhã. . Às cinco e meia. o es tojo de veludo contendo o broche de brilhantes em forma de uma rosa.Jory. . Em seguida. como prometera. eu o amo. Bart teve a ousadia de vir naquela noite. . Nem a s rosas naturais. . logo que se acomodou a meu lado no carro. Olho por olho. Jory esticou a mãozinha. E se às vezes você for mau... . aí . Parti. Mande-me embora e obedecerei .Mamãe . algum dia. bem como travessas de p rata. Faze com os outros o que far ias contigo.. agora. Em seguida. . parecendo um tanto triste e desapontado. Nada de coquetéis ou conversas amáveis.. já falassem em pec ado e apanhassem por tocar as próprias mães? Seria por estarem numa região muito eleva da. Fizera uma descoberta agradável e abraçou-me o pescoço. Larguei a jóia de lado como uma quinquilh aria adquirida com o dinheiro dela. Eu abrir a alguns caixotes e desempacotara algumas de minhas coisas. às sete e meia. como se nada desagradável tivesse ocorrido entre nós na noite anter ior. de modo que sobre a mesa estavam minha melhor toalha e guardanapos de renda. Atreveu-se até mesmo a acompanhar-me ao carro. Não obstan te. s ob a influência de Deus. Amei-a antes mesmo de conhecê-la. não constituía um presente dele. Nenhum de nós dois dissera uma palavra. Mamãe.Mas você não me pega aqui desde que era bebê e eu o amamentei durante algum tempo.. Jory. Sim. acenando quando me afastei no carro. Jory sorriu. . cujas dimensões não excediam as de minha sala de visitas. parecendo deveras preocupado.indagou ele. A encomenda era registrada. bancando os santinhos do pau oco enquanto cometiam todos os tipos possíveis de pecados? Honra teu pai e tua mãe. .Eu sei.. todos viviam cheios de medo. claro que não. entrei pudicamente no carro e bati-lhe a porta na cara. parei no posto dos correios para comprar selos e deixei Jory c ochilando no banco dianteiro do carro. Como se explicava que crianças. Portanto. eu não seria como a avó . No prato vazio. um est ojo de jóias forrado por fora de veludo. calada. No interior desta. tentarei compreender.Oh! apenas um lugar macio. .Não. Seria a mãe perfeita e. Jory tinha o rostinho corado e uma expressão perturbada . portanto. A caminho do chalé.Johnny Stoneman c ontou que a mãe dele lhe bateu quando ele pegou nela. Ele estava na agência postal. deixa ndo-o a observar-me . Escrevera com caligrafia grande e ousada: Amo-a por motivos que não têm princípio ou fim. muito aliviado. se quer tentar.. . entregando-o a mim. Porque você me ama mesmo quando sou mau.disse ele. Os bebês costumam mamar nos seios das mães. fique à vontade: vá em frente e pegue.repliquei rispidamente. mais perto de Deus que o resto do mundo? Então. olho por olho.Você não bate quando pego aí.Eu sempre o amarei. e também comprava selos.. estudando-me o rosto para verificar se eu fica ria chocada. estavam na caixa ao lado do prato dele. a fim de indagar se eu gostara das rosas. Exibiu-me um sor riso encantador. Fui esperá-lo à saída da escola. dentro da qual havia outra caixa menor. hesitante. Apressei-me a abri-lo sob a atenta observ ação de Jory.apontou timidamente par a meu seio. tirou do bolso do paletó um bilhete dobrado.eis o motivo pelo qual eu ali estava. convidei-o a entrar e conduzi-o.respondeu ele. que colocou de lado com a maior naturalidade o e stojo da jóia e afastou de si a caixa com as rosas vermelhas. .Você me batia. Sobre o fundo de veludo negro estava uma rosa feita de inúmeros brilhantes.

Sou liberada apenas em relação a alguns homens. mas um homem que gosta de se ntir-se másculo e não se deixa usar pelas mulheres. A ausência de maquilagem embelezava-me o rosto. Carrancudo.. Bart estava trajado com ex trema elegância. homens fortes como você sempre adoram mulheres fracas.Gosta mais do que estou usando agora? Empertiguei-me na cadeira a fim de permitir-lhe ver melhor a velha suéter larga qu e eu usava com calças jeans desbotadas. mas certamente você não o é.É o tipo preferido por todos os homens chauvinistas! . sua expressão de ter sofrido um grande choque e ofensa. Bart lançou-me um olhar duro e faiscante. Se ex iste algo que desprezo são mulheres que atacam os homens. como é possível que lhe pareça familiar? .Eu a compus há apenas alguns minutos. . Poesia não foi minha matéria predileta na escola. rouband o-me a sensação de descobrir por mim mesmo. despr ezo-as tanto quanto as agressivas. deu uma violenta dentad a no cachorro-quente.Preveni-a de que sou advogado e não poeta.Engana-se. .e detesto aquele tipo de vestido! . ele olhou para a caixa com outra exp ressão de espanto e incredulidade. que eu tinha certeza de estar tão frio quanto as ervilhas. escolheu um biscoit o com forma de leão e arrancou-lhe a cabeça numa única dentada. parece-me honesta e disposta a permitir-me tomar a iniciativa. fitando-me os olhos com ar desafiador. Saiba porém.É exat amente o mesmo que comemos no jantar desta noite e. murmurou: . .. E quando estiver rígido e frio numa sepultura. C ontudo.tudo isso me causou tanta satisfação que quase cheguei a gost ar dele naquele instante. antes de voltar a atenção para a grande travessa de prata que continha apenas um cachorro-quente com um pouco de ervilhas em lata frias. Ergui a cabeça para fitá-lo nos olhos pela primeira vez desde que ele chegara. Sirva-se à vontade. jóias. eloqüente.Agora. servi-lhe bis coitinhos com formato de animais. ocultava o filé à Wellington. .. que relembrarei pelo resto da vida o amo r que deveria existir entre nós. que se recusam a fa zer qualquer coisa capaz de agradar um homem! .Sua poesia tem algo que me é familiar.Você me obrigou a fazer o que fiz! . você está vendo o cardápio predileto de Jory . amala-ei ainda mais depois de morto . Por que usou aquele tipo de vestido? .Isso é evidente .declarei em tom de gozação. estendendo a mão para pegar a tampa de prata que. passivas e estúpidas. . ostensivamente. deixando-as cair ao longo do rosto. Que diabo está procurando fazer comi go? Envio-lhe rosas. incomodou-se em me olhar co m tanta desaprovação que eu deveria encolher-me até ficar do tamanho de uma formiga. E levando em consideração que já jantei. Existem outros a quem s ou capaz de adorar.protestou ele. Eu soltara propositalmente algumas mechas comprid as. Simplesmente não me agrada a sensação de ser vítima d e uma caçadora que me atrai para uma armadilha. a fim de tornar-me mais at raente.Não era vermelho. Bart comeu tudo e tomou seu copo de leite. Como sobremesa. como você fez ontem. Quanto às mulheres passivas. Primeiro. mas cor-de-rosa! Além disso.De um maldito vestido vermelho de prostituta a jeans desbotadas. Franzindo o cenho.Presumo que seja uma dessas desprezíveis mulheres liberadas. os cabelos puxados para trás e am arrados num coque à moda antiga.Não sou tímido. . ou coisa nenhuma semelhante.Acha que planejei tudo daquela maneira? Queria que tivéssemos um relacionamento na base da igualdad e. muito interessada em sua expressão facial.. Esper ava tudo de você. A descrença em seu olhar. tudo é seu. guardei um pouco para você. desalinhadas. poemas imitados e você nem mesmo penteia os cabelos ou p . porque eles próprios são tímidos.Ao menos.. abriu-a com um puxão. o que explica o toq ue um tanto estranho. tênis sujos. Só quando terminou de co mer todos os biscoitos da caixa e catar cada farelo. Bart.Fiz o possível . então.Elizabet h Barrett Browning é ótima poetisa. depois. .dis se ele. .admitiu ele com um sorriso travesso. medrosos e temem uma mulher agressiva! . Em vinte e quatro horas.repliquei. idolatrar e servir como uma escrava. . o ar de desapontamento . antes de mandar-me embora. . medroso. menos aquela espécie de vestido colante que mostrava tudo. . ela se transformara numa colegial adolescente! . mas com um toque um pouco estranho. desde que suficientemente bo m para nós. .Não sou chauvinista .

e me salva de mim m esma? Por que só me chama no pensamento? O primeiro ato terminara. que estava no interior da caixinha de música que meu pai me dera de pr esente quando eu tinha apenas seis anos. Não servimos um para o outro. escutei alguém chamando por mim.repliqu ei. as chamas em seus duros olhos cinzentos condenand o-nos eternamente ao inferno. O segundo começar ia quando minha mãe soubesse que eu esperava um filho de Bart. sacudi a cabeça. outra vez. Com um leve sorriso. dominando todas as demais como um castelo medieval.. tinha cer teza .assa um pouco de pó-de-arroz no rosto! . erguendo-me da mesa. E agora que já viu. Chris! Acordei e verifiquei que Bart se fora. morto. Bart e eu não tínhamos necessidade de esgueirar-nos furtivamente para nossos encontr os. Corri para libertá-lo da morte numa caixinha de música que se to rnava um túmulo . saí com ele para o ar frio da manhã. que apenas pa recia muito triste. Por que você não vem. tomou-me nos braço s e fechou a porta com o pé. Desta feita. que também tinha que pagar. O travesseiro estava molhado de lágrimas. Desliguei a mente. Paul. Deus é testemunha de que tenho a impressão de sempre a ter amado. vinha o aroma de rosas naturais. Então. Fitei-lhe o rosto. Bar t beijou-me os artelhos.Permite-me beijar-lhe os lábios naturais? São muito lindos. .e. De sejava encaminhar-me deleitada às alturas do êxtase que só poderiam ser alcançadas por m im ao escutar as palavras certas e receber o tipo adequado de beijos antes que a s mãos dele começassem a agir. Revisitando a Avó Foxworth Hall situava-se no final de um cul-de-sac. Mamãe. a única que ficava bem alto na encost a da montanha. esquecendo-me dela e entregando todos os meus sentidos àquele homem que. Se Bart fizera muito pouco por mim na véspera. a caminh o do trabalho. agora. balançando-os para que se ajeitassem sozinhos. caminhando até a porta de entrada e abrindo-a para ele. Girava sem parar. sonhei com Julian. a grande distância. dedilha da em pianíssimo em andamento largo.. quando ela regressasse.. os olhos fechados. ainda. Finalmente eu lhes atendera o chamado. tornando a explodir mais uma e . Além disso. pois e u não o quero. roçou de leve os lábios nos meus. tive a impressão de que as mo ntanhas se curvavam para cima num sorriso zombeteiro e satisfeito. acusando-me com os ol hos negros. Bart veio depressa em direção à porta. E Julian nun ca me beijara os pés. Bart fez-me erguer o rosto para o seu. mesmo quando ele retirou os g rampos que me prendiam o cabelo. passando a um crescendo. recebi e dei até adormecermos abraçados. Nossas residências eram muito afastadas entre si e ninguém o avistaria se ele saís se de casa pela porta dos fundos. que se abria para um jardim cercado. Oh!. levou-me às estrelas. Eu sabia. De leve. pode ir embora . . onde ambos expl odimos e continuamos muito agarrados um ao outro. meu desejo era ser tocada como um violino. deixou crescer o bigode e transformou-se em Paul. por que você começou isto? Por quê? Segurando com força a mão de meu filhinho.. Sentime como se a avó nos observasse. não acreditando em suas palavras.Eu a amo. um por um. que agora cheiravam a rosas por causa do prolongado banho de imersão perfumado que eu tomara antes de vestir as velhas roupas de trabalho. eu sabia que ele não me amava. que sensação me provoco u aquele beijo leve como uma pluma! Por que todos os homens não entendiam que aque le era o modo certo de começar? Que mulher desejaria ser devorada viva. Dias a fio eu ia observá-la. deixando-o cair naturalmente. a maior e mais impressionant e dentre muitas residências enormes e bonitas. Por força de um vel ho hábito. Quando dormi. como se pretendesse sair. havia a a vó. sufocada p or uma língua insistente? Eu não. me tratava como um verdadeiro ama nte. depois em legato. Atrás do ja . Bart se utilizava de mim como substituta d e sua esposa.Você me está vendo como sou ao natural. não obstante. Escutara-lhes o lamento vingativo e atormentado. as mãos c ruzadas sobre o peito. arquitetando meus planos. Então. esta noi te pôs em prática toda a sua perícia. excetuando uma linha fina que lhe subia até o umbigo. Sem aguardar a permissão. Julian quase não tinha ca belos no corpo. eu nunca mais o veria. Volte para sua mulher. com a v oz. antes de começar a subir vagarosamente. Bart tinha o corpo inteiro cabeludo. Contudo. E quando ergui os olhos.então vi Chris no interior da caixinha. Ela que fique com você.

Depois .Então. porém. sou ambivalente e tenho ressentimentos. Ele ficava porque ela o amava. Voltará antes do Natal. todas as muralhas misteriosas ruirão.Ela me ama. atrevi-me a dizer: . . Agora. encontra-se se mpre a mesma pessoa.Naturalmente que era advogado praticante. Um homem pr ecisa fazer algo útil.Você é mesmo uma mulher incrível! . meu amor . Claro: nada de filhos para Bartholomew Winslow.até lá. tinha-se a impressão de um excelente cavalheiro idoso. mas. embora conservasse a sanidade mental até morrer. Portanto. delicada. Eu a a mo e a odeio. para elas mesmas. Todas as mulheres são monstros para os homens e. Você está erguendo um muro entre nós porque sabe algo que eu ignoro. . Cathy. afirma o contrário. mas mudou. bailarina. . Julguei que eu foss e seu único advogado. na expectativa do Bife à Wellington que logo ser ia trazido. juro-lhe que chegará o dia em que você conhecerá todos os meus segredos e os d ela também . que tenha um significado. Não se incomoda com iss o? . faça o favor de ocultar sua faceta de megera. você é tão megera quanto ela! Ela não me comprou! Eu a amava! E ela me amava! Eu era louco por ela.Não faça tempestade num copo d água. embora ela ta lvez viva mais tempo que você e ainda tenha outra chance de comprar mais um marido jovem. Nunca. a "gente charmos a" . . Tocada. sob a aparência havia um coração de pedra. A minha era redigir seus testamentos. encontrávamo-nos numa cidade distante e nosso amor no quarto de um mot el era doce. Quantas vezes alguém consegue viaja r pela Europa antes de enjoar disto? Faz-se sempre a mesma coisa. selvagem. diga que me ama. tudo que um homem pode deseja r numa mulher e numa esposa. cada um de nós encarregado de uma f unção específica. Não obstante. Todavia. O jet set. aquela gente não tem mais sonhos a comprar. Foi esta a resposta clara.respondi.Aquele pai dela também era um mistério. que me faz l embrar dela.Às vezes. sucinta. E continuei a comer minha salada. Você não tem necessidade de di vorciar-se dela e abrir mão da oportunidade de herdar-lhe a fortuna. Ri-se sempre das mesmas piadas. adicionando codicilos como um possess o. Portanto. Não me apaixono com facilidade e gostaria de não a mar você. O último codicilo foi o pior de todos.Em breve. . mas ele possuía outros seis. Somos nossas piores inimigas. na hora do almoço: . erótico e totalmente satisfatório.Significa que não poderemos estar juntos com tanta freqüência. Ocas ionalmente. Bart franziu a testa e o garfo cheio de salada hesitou um momento a caminho de sua boca. retirando outro. Quand o a conheci. sou novamente. Ele prosseguiu.respondi. Enfiou raivosamente na boca o garfo com a salada. menos saúde. cujo cãozinho de estimação o tivesse traído e a vida nunca mais voltasse a ser agradável.Bart.Logo que me conheceu. gelei q uando ele anunciou um dia. E.Por que não se divorcia e faz algo útil na vida? . acrescentou: .Falando francamente. você disse que a amava. Bart pareceu-me um menino tristonho. ao vê-lo.que pilhéria! O dinheiro em grandes quantidades pode comprar tudo.Ela telefonou hoje de manhã. ta lvez. era uma mulher delicada. Qual é a ve rdade? Bart refletiu durante longo tempo. agora.Bart. . terno. .Ótimo . termina s implesmente entediada.rdim. como você. . Alterou-os dúzias de vezes. encantadora. porque não consegui . . sem dar atenção à minha interrupção: .Daremos um jeito. você realmente trabalhava como advogado? Ele sorriu com amargura antes de replicar: .Sempre foi um mistério para mim. perde as inspirações. obr igando-o a permanecer. incl uindo um membro da família. De repente. existia uma alameda ladeada por arbustos e ocultada por muitas árvores. mastigando com violência. mesmo que não seja verdade. . e não tente fazer comigo o que ela fez. ela mudou. tão louco quanto sou agora por você.

ainda crianças. que tanto haviam perdido. Fazia muit os anos. Sorri ante sua expressão de espanto. Mesmo quando a beijei pela primeira vez. Lições aprendidas em idade tenra e co ndições miseráveis não se esquecem com facilidade. pelos quais a água escorria aos poucos até um pequeno lago. Imaginem só! Minha avó comprand o peças de tafetá por preços de atacado. havia um balcão no segundo pavimento.q uando podiam comprar tudo o que existia de melhor para decorar a casa e possuíam m ilhões de dólares! Foi fácil encontrar a biblioteca. quando a avó obrigou nossa mãe a exibir-nos as costas nuas. utilizando-me de todos os caminhos ocultos. Havia algo que eu precisava fazer antes que minha mãe voltasse para casa. o que significaria sermos li bertados de nossa prisão no sótão. mas minha máquina do tempo recuou depressa: voltei a ter apenas doze anos . tive que ceder ao impulso automático de ensaiar alguns passos de d ança. cap azes de avareza em pequenas coisas. as fabulosas tapeçarias e objetos de arte que só os super ricos. para verificar qual era a sensação. cujo aparador tinha pe lo menos seis metros de comprimento. Oh! que biblioteca! A cidade de Clair mont não possuía uma biblioteca com tantos livros bons. Todos os criados estariam na cidade. Vi tam bém a segunda noite. podiam adquirir. o corpo grosso. ela nem mesmo nos dirigiu um sorriso de boas vindas ou aca riciou os rostos rechonchudos dos gêmeos. observando avidament e os belos móveis antigos. os enormes lampiões. aproveitando-se do período em que a avó cochilava na parte da tarde . Encaminhei-me para a maciça porta na parede dos fundos da biblioteca. para fazer companhia à sogra. robusto. Por quê? . vi o bastante para satisfazer minha curiosidade alimentada durante anos. apenas para economizar alguns míseros dólares . Continuei a avançar sem pressa. ag uardávamos que ele passasse deste mundo para o outro. poderoso. Afinal. Antes mesmo de nos mostrar o horrível espetácu lo. esgueirei-me até Foxworth Hall. quando não tive que dar aulas de balé e Jory estava na escola maternal. Era q uinta-feira. admirando os quadros a óleo. erguendo-se sobre nós como uma torre. tentando infl igir-lhe alguma dor com o pequeno sapato branco que desferia caneladas e com den .o mesmo quarto onde nosso a vô ficara confinado em seus últimos dias de vida enquanto nós quatro.rei ter prazer de estar a seu lado se não sentir que você me ama pelo menos um pouqu inho. os bustos de mármore. uma menina assustada. com medo que a gigantesca mansão me engolisse caso eu me a trevesse a movimentar-me ou a falar mais alto que um leve sussurro. Rápidas lembranças dela passaram-me de relance pela mente. ta mbém. do qual partia outro l ance de degraus que levava diretamente ao sótão.Um pouquinho? Tenho a impressão de tê-la amado minha vida inteira. marca das por vergões vermelhos e sangrentos. Eu sabia que àquela hora a enfermeira est aria repousando. Um local gostoso e ensolarado onde um inválido poderia sentar-se ab rigado contra o vento. Avistei o maciço móvel em que Chris e e u nos escondêramos para assistirmos a uma festa de Natal no andar térreo. Um dia. E já que este era uma pista de dança feita com mosa icos especiais. usando o pequeno quarto nos fundos da biblioteca . Atravessei todos os grandiosos salões luxuosamente decorados. raros e bem encadernados! Ha via um retrato de Bart sobre a magnífica mesa de trabalho que pertencera a meu avô. os olhos duros e cruéis que nos estudaram sem o menor vestígio de simpatia ou compaixão para quatro órfãos de pai. usei a velha chave de madeira que Chris modelara tantos anos atrás. maravilhei-me com os três enormes lustres de cristal pendentes do teto que ficav a a quase quinze metros do piso. Além daquela porta fechada. Onde as duas escadas c urvas se encontravam. Seus macios chinelos de couro marrom estavam sob uma confortável poltrona perto da imensa lareira de pedra. Vi-a mais uma vez como na primeira em que chegamos. com uma fonte jorrando água num bebedouro d e pássaros formado por degraus de pedra. ela agarrara Carrie pelos cabelos e Cory se jogara contra ela. Muitos detalhes indicavam que Bart usava freqüentemente a sala como escritório e. pareceu-me que já a beijara antes. Portas duplas envidraçadas se abriam para um terraço de frente para um jardim formal. .Carma. Chegando à porta dos fundos. tão lindos aos cinco anos de idade. revelara-me simultaneamente muita coisa sobre a vida cotidiana da avó. estava a avó-bruxa. e vi as duas escadas curvas que subiam do vestíbulo cujas dimensões permitiam que fosse utilizado como salão de baile. Mais uma vez . Já que Bart relatara-me detalhadamente sua rotina de vida. pois era o dia de folga.

parei junto à porta. Um a to vergonhoso. Aparentemente. Chegava lá todos os dias. Então. chegando-lhe ao abdômen inchado. Apronte-se. O laço dava-lhe uma aparência s imultânea de ogre e criança. A avó me reconhecera. Então. às seis e meia da manhã. com uma enorme gar rafa térmica de leite e outra menor com sopa morna e sopa de lata. Mas a avó o jogara longe com um único e poderoso tapa. pois ela jamais tivera pena de nós. mesmo reunidos como estavam. ela gritaria: Saia de minha casa. lembra-se do dia em que surrou nossa mãe? E de como a obrigou a despir-se dia nte do pai e deu-lhe uma surra de vara? E ela adulta.e o castigo aplicado pela a vó fora o mais impiedoso e desalmado: tentar despojar-me daquilo que eu mais admir ava . Outrora. totalmente despida . Soltei os cabelos. estava à beira do sono. abismada. Agora.tes que procuravam mordê-la. aqueles mesmos seios pendi am como meias vazias e murchas. A avó jazia. aleluia! Minha v ez chegara! Não obstante. f ora! Fora. e eu me sentia satisfeita. que ainda surgiria um a ocasião. Olhos cinzentos. jazia na mesma cama que ele. não o que era agora: uma velha doente e calva. Só então ela viu a vara de salgueiro que eu tiver a o cuidado de esconder às costas. Travava-se em seu cérebro u ma luta terrível. esbugalharam-se. se us olhos também se abriram lentamente.meus cabelos. Chris passara um dia inteiro lutando para livrar-me do piche que ela derramara em meus cabelos e evitar que eu fosse obrigada a cortá-los. Tu do porque o menino tentara defender a sua querida irmã gêmea.Avó. a avó tinha um metro e oitenta de estatura. depois.apenas um pequeno tufo. não conseguira estragar. por Bart haver-me informado de que ela não estava senil.. com o couro cabeludo à mostra. maldoso. a velha e despr ezível personalidade da avó inflamou-se para revelar-me sua fúria. ela admiraria e invejaria os cabelos que o piche. filha do Demônio! Fora. revi-me diante do espelho. Lembra-se de mim? Sou Cathy. aproximei-me da porta. como os pelos de um gasto pincel para pintura em aquarela. tão menor que antes! Onde estava a mulher gigantesca que eu conhecera? Por que não usava um vestido de tafetá cinzento e proferia ameaças? Por que tinha que me causar pena? Endureci o coração. Em seguida. no dia em que ela me surrara.Boa-tarde. quando a porta se abriu. revelando que ela era quase totalmente calva.. Os braços pareciam secos como gravetos velhos. ainda mais indefesa . Que prazer tenho em revê-la. mas o tempo me pregara uma peça! Por que a avó não era o monstro de que eu lembrava? Eu a q ueria como fora antes. Com a maior naturalidade. que me caíram ao longo das costa s numa luxuriante cascata de ondas douradas. Eu. Viera exercer vingança. Oh! como parecia envelhecida! Magra. ainda por cima. de olhos fechados. S eus lábios finos e enrugados estremeceram. Se pudesse.. as mãos esqueléticas com os tendões aparecendo. não concorda? Os olhos aterrorizados da velha estavam grudados à vara. bati com a vara na pa lma da outra mão. desbotados e úmidos. pude cumprimentá-la com amabilidade: . c alcei ás sapatilhas de cetim branco. Ainda assim. no futuro. pecaminoso. pelo contrário. que chorava e berrava. filha do Demônio! Mas ela não conseguiu pronunciar uma só palavra. pesava mais de cem quilos e s eus enormes seios pareciam montes de concreto.. mãe de quatro filhos. um dos netos que você ajudou a ocultar e todos os dias nos levava comida numa cest a de piquenique. os fios de cabelo restante s formavam uma mecha mais fina que meu dedo mínimo . os poucos cabelos que ainda lhe restavam puxados para cima e at ados no topo da cabeça com um laço de cetim cor-de-rosa. afinal.e sozinha! Despi meu pesado capote de inverno. Por que não nos levou ao menos uma vez um pouco de sopa quente? Era de propósito qu e só esquentava a sopa até ficar morna? Entrei no quarto e fechei a porta. em que ela fosse a indefesa e eu a que empunhava a chibata e estaria em condições de privá-la de alimentos! Oh! que doce ironia: ela se deleitara ao ver o marido morto e. Avó! Aqui vou eu! Silenciosamente. na alta cama de hospital. querida Avó. sentei-me para descalçar as botas e. muito satisfeita. Tentou falar para e xpulsar-me. Estava com medo! Glória. enquanto nos encarávamos em total silêncio e o pequen o despertador marcava com seu tique-taque o correr dos segundos. os dedos o ssudos e nodosos. com grande cautela. Agora. abri-a com todo o cuidado. averme . entretanto. agora. duas semanas inteiras sem alimentos ou leite! Sim! A avó merecia rever-me ! Exatamente como eu jurara. abatida . Então. expulsando dele a piedade. dizendo baixinho: . O sol que pe netrava pela janela incidia-lhe no rosado e brilhante couro cabeludo. o bastante transparente p ara mostrar minha pele rosada. Usava malha branca.

murchando. amara-nos enquanto nosso pai era vivo . Você nos convenceu de que ninguém jamais consegue s er bastante perfeito para satisfazer a Deus. pois vocês duas mataram Carrie. qu alquer coisa que ela nos fizesse já era de se esperar. Algo adormecido despertou no dia em que Carrie ficou enfraquecida pelo choque. fazen do-me tremer as mãos. Ela se mexeu um pouco. depressão e falta de coragem para pros seguir. semelhantes a uma peq uena casa de botão da qual se irradiavam profundas rugas sob o nariz comprido e ad unco. onde nos sentávamos para tomar sol. nos dera à luz. a gola alta e severa da camisola amarela de algodão estava fechada com o mesmo broche de brilha ntes! Eu jamais vira a avó sem o broche na gola de seus vestidos de tafetá cinzento. percebo que ainda não sabia disso. foi o que fez. Jamais se recobrou da morte do irmão. Portanto. Amarrara uma das pontas com um laço de cetim vermelho e a outra com um laço roxo. E. na raiva.. minha mãe não lhe contou a respeito de Carrie? Pois Carrie também morreu.por causa de você! Porque você incutiu no seu cérebro infantil a idéia de que ela nascera má e seria pecaminosa por mais que se esfo rçasse para ser boa! Carrie acreditava em você! Cory morrera. Mesmo assim. sabendo que aquilo doía. Não. Lábios finos e retorcidos. parecendo cortes que jamais cicatrizavam nem sangravam. Depois..e ela não podia gritar por socorro! Estava à minha mercê. porém. Conheceu um bom rapaz chamado Alex. amável e carinhosa Avó? Você levantou Carrie do chão pelos cabelos. cuidara de nós. at irou Cory longe com um tapa. seus olhos eram como os meus tinham sido naquela época remota: vidraças que r evelavam todas as emoções e terrores que lhe ferviam no íntimo . Retirei de trás das costas minha caixinha preta contendo longos fios de cabelo de Carrie. Agora. Carrie ficou abalada. velha! Não lhe disse que odiava ainda mais minha mãe.lhados e cercados por pés-de-galinha. Tenho outra caixa chei a de fios soltos e embaraçados. Revi Carrie em seu leito de morte. Chris e eu subíamos ao telhado. Agora. quand o Carrie se sentiu incapaz de enfrentar a vida e encarar todas as pessoas que ex igem perfeição. Um medo profundo. afunde-se nesse colchão e ten te fugir da culpa que lhe cabe! Você e minha mãe mataram Carrie tanto quanto mataram Cory! Eu a odeio e desprezo. dando a impressão de querer afundar-se no colchão fino. com golas debruadas de crochê branco. menos uma e até mesmo esta tinha uma marca de dentada. Agora. agora murchos e miúdos. pois não consigo suportar a idéia de perdê-los. porém. No dia em que Alex anunciou a intenção de tornar-se pastor. Carrie também está morta. quando ela descobriu que ele pretendia ser pastor protestante. Pobre Carrie. Prossegui num tom de cântico religioso: . Nossa mãe. Compreenda: você incutiu em nós o medo de gente religiosa. por incrível que pareça.. . Carrie sabia que ele t inha morrido por causa do arsênico colocado nas roscas açucaradas. ouça bem o que ela fez . A avó jamais gostara de nós. .Avó. nem os nossos. Você sabia que eu e Chris saíamo s para lá e ficávamos horas seguidas ao sol?.. alegrei-me por notar que podia mover-se um pouco. velha: isto aqui é parte dos cabelos de Carrie. mas os gêmeos tinham pavor da altura. como sofreu por causa de Cory. envelhecendo.Lembra-se da segunda noite. Deleitei-me. porque desejava morrer do mesmo modo que ele e e ncontrá-lo no céu! Ela apertou as pálpebras e um leve tremor agitou as cobertas. Apaixonaram-se e iam casar-se.. com tanta certeza quanto mataram Cory! Oh! eu estava quase louca de ódio.era um caso muito diferen te: uma verdadeira estória de horror! E sua vez também chegaria! .. por acaso. lembra-se dos gêmeos? As queridas crianças de apenas cinco anos que você atraiu a esta casa e nunca lhes pronunciou os nomes enquanto aqui permaneceram? Nem os d eles. que eu levara horas para arrumar e escovar até formarem uma comprida e brilhante mecha dourada. portanto. numa teia de linhas que se cruzavam.Veja bem. Delic iei-me observando-lhe o medo. pois aprend eu a lição que você nos ensinou tão bem. Não cresceu até a altura normal porq ue foi privada de sol e ar livre durante os anos que deles mais necessitava para desenvolver-se de modo saudável..Sim. Carrie mergulhou numa depressão desesperada. comprou veneno para ratos! E comprou também um pacote de roscas açucarad as. Cory morreu e você sabe. Guardeios não apenas para mim e Chris. querida. enchendo-as de arsênico do veneno de ratos! Comeu todas as roscas. sabendo que aquilo também doía e que ele estava apenas querendo proteger a irmã gêmea. nunca deixou de sentir-lhe a falta. A vingança me brilhava nos olhos. .. como também para mostrá-los a você e nossa mãe. Avó.

Nunca a emocionamos. . mesmo assim. joguei os preciosos cabelos de Carrie na mesinha de cabeceira e brandi a var a diante de seus olhos. A esposa dele. a fim de que ele tomasse o gosto de uma vida boa e rica.Sim. Por isso mandou buscá-lo.declarei. minha mãe. o bebê que ela teve não era filho de Malcolm..Lembra-se de como castigou nossa mãe antes de passarmos a detestá-la também? É um débito que precisamos liquidar . Aproximei-me mais da cama e exibi a mecha de cabelos dourados com as fitas de co res berrantes diante dos olhos muito abertos e amedrontados da velha.e também do seu marido quando jovem. você desconfiou que o Pai era seu próprio marido e por isso odiava a criança.com os ossos salientes até ficar reduzida a um pequeno esqueleto coberto por pele solta e pálida. . Dinheiro é o rei que impera nesta casa! É o dinheiro que fa z as piores coisas acontecerem! Malcolm casou-se com você por dinheiro . não foi? Roubou lhe sua filha única. Um chico te macio.e a vara em minha mão.Devo-lhe isso. pois trago cada uma delas gravada na lembrança. Lembra-se? Pulei para cima da cama. apaixonou-se pela esposa mais moça do pai. você jamais te ve piedade de nós. querida Avó. portant o. exibindo-lhe minha grande agilidade. antes de você torná-lo tão mau quanto você mesma. Seu genro me revelou todos os segredos de família que a espo sa lhe contou. o meio-tio se casou com a meia-sobrinha.e. seus únicos netos.Não são lindos cabelos. sobre o corpo rígido da velha. quan do Alicia teve um filho. ela fez um esforço para encolher-se. esquecendo-me da enfermeira que cochilava no corredor. descontrolada. velha? Alguma vez teve cabelos tão belos e fartos? Não! Eu se i que não! Nada em você poderia ser lindo algum dia! Nem mesmo em sua juventude! Eis o motivo pelo qual tinha tanto ciúme da madrasta de seu marido .declarei. exibindo o corpo bem conformado e jovem. O seu marido. se Malcolm conseguisse fazer prevalecer sua vontade! A avó fitou-me inexpressivamente. Depois. no começo. postando-me de pernas abertas sobre o corpo escondido pelas cobertas. Malcolm. batendo nela com a mecha de cabelos de Carrie. Não lhe jurei que a inda chegaria o dia em que eu empunharia a vara e haveria na cozinha alimentos q ue você jamais provaria? Bem. Só o prese nte interessava . tão transparente que permitia ver as veias . meu pai lhe passou a perna. hoje sei muito mais a seu respeito do que sabia outrora. Dancei e rodopiei em cima da cama. erguendo bem as p ernas. colocando-nos à sua mercê. Contudo. da nuca aos calcanhares. Mas. parei diante da velha e vociferei: . Também isso eu lhe devo. você nunca pronuncio u nossos nomes. agora. que veio a ser nosso pai. Assim. . . a quem você também de testava. Avó! . porque o pai gostava mais dela do que de você. Tive vontade de obrigar a velha a engolir punhados de arsênico e sen tar-me para vê-la morrer e apodrecer diante de meus olhos. esse dia chegou. trancou-nos lá em cima e roubou-nos três a nos e quatro meses de nossas vidas. sem falar n as chibatadas que você aplicou em Chris e em mim. você estava enganada quanto a Malcolm e Alicia. vou dizer-lhe uma coisa que você precisa saber: jamais nasceu um h omem tão bom como meu pai ou existiu uma mulher tão honrada como a mãe dele. rindo ao vê-la tentar esquivar-se. não fique aí deitada pensando que herdei alguma das boas qualidades de Alicia ou de meu pai.e os restos mortais que precisaram ser rapidamente lacrados num caixão metálico para evitar o cheiro de apo drecimento. Fiz piruetas pelo quarto para aliviar minha tensão e frustrações. E ntão. velha. desapontando-se ainda mai s quando você o enxotasse daqui e não lhe legasse um mísero centavo. dez vezes mais bonita e bondosa do que você! Portanto. Joga a culpa de tudo que está errado sobre os ombros de seres humanos com almas r uins e ignora a verdade. não é mesmo? Embora tenhamos tentado. como ocorrera com Carri e. o seu marido! Embora tivesse sido. pois a mãe de meu pai desprezava Malcolm! Afastou-o de si repetidas vezes.Agora. em vez disso . que não machucava . Não obstante.Durante todos aqueles anos em que nos manteve prisioneiros. nunca olhou para Chris porque este era a imagem viva de nosso pa i .e você sabe ! E foi a ambição que nos trouxe a esta casa. Educou-o.. como se o passado já não importasse. pois sou igual a você! Desalmada! Nunca esqueço. nunca perdôo! Odeio-a por te r matado Cory e Carrie! Odeio-a por fazer de mim o que sou! Gritei as últimas frases. induzindo-o a acreditar que aqui encontraria um bom lar. . deu-lhe tudo do melhor. Contudo. meu cabelo comprido e solto abrindo -se num círculo dourado. E todas a s outras coisas.

eu tagarelava a respeito dos comentários que Chris e e u trocávamos quanto a ela pregar ou colar a roupa ao corpo e. com as mãos nos quadris. . marcada pelas estrias da gravidez. Nua. As pernas compridas e magras pareciam velhos galhos retorcidos de uma árvore cansada. agradável de olhar . os bicos bem embaixo. Minha consciência pairava perto do teto. E de um irmão! Ela produziu um som estrangulado no fundo da garganta. os músculos ágeis e rijos.provoquei. com o incongruente broche de brilhantes no pescoço. vou açoitá-la . agarrei a bainha do ord inário traje de algodão barato e.Será a vara ou piche derretido em seu cabelo? Que prefere. admirando a beleza de um corpo que eu nunca antes vira despido. .. o broche seria pregado à roupa com que ela iria para a sepultura. Portan to. As costas da velha apresentavam menos desgaste que a frente. As veias azuis dos seios destacavam-se com o cordas finas sob uma capa transparente. Espantada. rolei-a de bruços e puxei-a para o meio da cama. Como não há no momento. . Chris me amava o bastante para passar muitas horas a fio salvando o máximo possível de meu cabelo.indaguei.indaguei com um sorriso que eu esperava parecer ameaçador. estendida a meus pés. sentia piedade daquela velha que já sofrera dois derrames cerebrais . Não gostei de mim mesma. creio que serei obrigada a usar cera derretida. como se falasse comigo mesma. escuros. naturalmente. manchados e encaroçados. sem preocupação com delicadeza.. Uma cicatriz antiga. a mulher em pé sobre a cama era uma seg unda versão de mim mesma: uma Foxworth má. a tornar-se ainda menor.declarei em tom inexpressivo.Há muitos anos prometi que o faria caso tivesse oportunidade e hoje cumpr . Suspirei. enrolada em minha cabeça . desafiando-me a agredi-la . Tinha que ficar nua. pálida e mais brilhante que a pele bran ca. violenta e vingativa. Sem a menor piedade. O quanto desejei que cons eguisse falar! . Você poderia ter usado cera qu ente. Não ha via por perto obras de construção ou reparos de estradas. jamais despir as roupas de baixo a menos que se trancasse num armário com a luz apagada. pois não queria perder a oportunidade de ver o mais leve sinal d e expressão que ela pudesse mostrar.Querida Avó . como obrigara Mamãe. empurrei-o para cima. estudei-lhe o corpo com o mesmo a r de zombaria e repulsa que ela imprimira aos olhos maus e lábios finos quando eu tinha apenas quatorze anos e ela me apanhara de surpresa fitando-me no espelho. do que dizia nem do que fazia ou sentia.os contornos suaves e firmes. observando envergonhada a explosão de fúria que eu constituía m etida na justa malha branca de balé.. Durante o tempo todo. a pele imaculad a. Um traje esquisito. velha? Sempre tive a curiosidade de saber onde você conseguiu o piche. tendo perdido o gosto da v ingança. livre de qualquer escrúpulo. Sim.desafiando-me. mas apenas a franja. o amor evitou que me us cabelos fossem cortados. aberto apenas nas costa s. estava todo o cabelo comprido que ele salvou. Sem dúvi da. pois surtiria o mesmo resultado. . pois você não pode falar nem escr ever. Só pode permanecer deitada e sofrer. com olhos azuis tão f rios e duros quanto os cinzentos olhos da velha. uma longa cicatriz do umbigo até o monte de Vênus quase desprovido de pelos revelava que ela fora submetida a uma histerectomi a ou a uma cesariana. Por baixo daquela toalha.O que farei primeiro? . abaixei-me cruelmente. O corpo jovem é um a coisa bela.Agora. Tinha que passar p ela humilhação de ficar despida enquanto olhos cheios de desprezo obriga-la-iam a en colher-se. De repente. Avó. Em seguida.. a té as axilas. Isso é mais amor do que você já conheceu.contudo. Oh! mas a velhice! O que antes foram dois cones de con creto eram agora dois úberes flácidos que caíam até a barriga. por que não me conta onde arranjou o piche? Não consegui encontrar vestígios. arrancando o cobertor e o lençol que a protegiam. gra ndes. a fim de iludi-la e levá-la a pensar que eu tinh a raspado completamente a cabeça. como você e eu nos divertiremos! E ninguém saberá. deixando -a descoberta. flácida e enrugada que a cercava. Tive o cuidado de afastar as dobras amarrotadas que lhe cobriam parc ialmente o rosto.Oh! Queri da Avó. debruçando-me para observá-la melhor -. A brancura pastosa da pele era enrugad a. Ela usava um tipo de camisolão de hospital. flácidas e brancas demais.Os olhos cinzentos afundados no rosto abatido faiscavam de ódio. velha. Chris e eu também. embora suas nádegas fossem chatas. maliciosos e impl acáveis. Algum dia eu ficaria assim? Impiedosa. . Não pensou em derreter algumas de suas inúmer as velas? . Planejou tudo com antecedência e aguardou a opor tunidade de usá-lo? Confessarei agora algo que você ignora: Chris nunca me cortou o cabelo todo.

que completaria quatro anos em fevereiro . . não obstante. a fim de saber se foi alguém que ela conhece. de modo que é obrigada a permanecer deitada de bruços duas a quatro horas por dia e ser virada na cama durante a noite. As velas tinham cor de marfim. ou poder ser. Vamos. querendo dizer não. Deixei cair seis ou sete gotas. contudo. lentamente. embora eu não consiga entender por que motivo alguém seria tão cru el a ponto de torturar uma velha indefesa. coragem! Mate-me. Ela estava certa: eu era covarde. Voltei correndo p ara apanhá-la. Ele fumava. não conseguia fazer com ela o que fora feito por ela conosco.. gota a gota. levantei o braço e depois baixei a vara de salgueiro com toda a força nas nádegas nu as da velha! Ela estremeceu. procurando na mesa de trabalho usada por B art. ajeitand o o camisolão de modo a cobri-la decentemente. Prometi a Corrine cuidar bem de sua mãe e agora esta tem as nádegas em carne viva. fitavam-me sem expressão. enquanto eu continu ava a soluçar. antes de não conseguir mais su portar aquilo. Seus olhos cinzentos. agarrei o primeiro castiçal ao meu alcance. Apaguei com um sopro a vela cor de marfim e recoloquei-a no castiçal. Tão logo Jory saiu para o jardim. incapaz de fazer o menor movimento pa ra proteger-se. mas bem gostaria de ser. ela dizia: Covarde! Eu sabia que você não passava de uma moleirona fra quejante! Falta-lhe decisão. Estou furioso! Deve ter s ido um dos criados. Só quando cheg uei ao salão de bailes lembrei-me da mecha de cabelos de Carrie.exclamei. mate-me! Eu a desafio: vamos logo . deixei-a queimar um pouco e.irei a promessa! Fechando os olhos e rogando a Deus que me perdoasse o que estava prestes a fazer .Você é meu papai? . deveria ter fósforos ou isqueiro. mas ela piscou os olhos duas vezes.Não. A enfermeira não sabe explicar. Virei-a na cama. Só então preocupei-me em verificar se e stava viva ou morta. Ah! Agora eu estava realmente vingada! Bart passava mais tempo em meu pequeno chalé que em sua imensa mansão. Algum sádico idiota derramou c era derretida no cabelo de minha sogra. . deixando escapar um som da garganta.Você nem poderia imaginar o que aconteceu lá em casa. ou algum dos criados. de modo que a cera quente e derretida escorreu. Minha escola de balé sofria financeiramente o resultado de tais atenções. passando para a primeira sala de visita s que encontrei. Piscar uma vez significa sim. Em seguida.mate-me de uma vez! Pulei da cama e corri para a biblioteca. Agora. que fitavam a mecha d os belos cabelos de Carrie. além de lhe deixar nas nádegas um feio vergão que não cicatriza. lavei-a e apliquei uma pomada no feio vergão deixado pela vara. Relaxou-se tanto que esvaziou a bexiga. só que ela virara a cabeça e duas grandes lágrimas brilhantes apareciam em seus olhos.ele tomava café da manhã. os olhos dela começaram a brilhar numa muda expressão de triunfo! Sem e mitir um som. pisando com força e fitando os pés. em seu cabel o e couro cabeludo. Quando não passava o dia no escritório que eu desconfiava tratar-se mais de uma fachada para aparentar utilidade do que realmente um escritório de advocacia . com papel higiênico para limpá-la.e fazia o mesmo com meu filho. . abertos. Eu era uma Foxworth de pai e mãe. Acendi um a vela. sentindo-me um pouco doente. mas não fazia diferença. Cobria-me de presentes . m as não achei fósforos! Voltei à biblioteca. . . depois.Oh! . Agora eu era uma mulher sustentada . Voltei correndo. Encontrei fósforos de p ropaganda distribuídos por uma discoteca local. Deus al terara o molde e eu não cabia nele. os olhos de aço da velha exprimiam terror. Encontrei a avó na mesma posição em que a deixara.indagou meu filhinho. Jory adorou as botinhas de couro que Bart lhe deu. Olívia se recusa a confirmar o nome de qualquer pessoa qu e lhe mencionei.paga para ser amante de Bart . dis tintas e elegantes como a mansão. Ela queria aquele tufo de cabelos ralos atados com a fita cor-de-rosa. Depois. segurei-a obliquamente sobre a cabeça da avó. deu a imp ressão de mergulhar na inconsciência. Interroguei Olívia. Comece i a chorar. Então. enqu anto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. portanto. almoçava e jantava con osco..Que horror! Por que a ferida não cicatriza? . Num frenesi de fúria. emitindo soluços terríveis ao correr para o banheiro anexo à procura de um pano e sabão. que agora o fasc inavam por causa das botas de cowboy. Bart virou-se para mim e se deixou cair fa tigadamente numa poltrona.

uma indicação do quanto você me ama e do que significo em sua vida. Teria que ser. Todo mundo sabia. como o sol surgindo após uma temp estade.Neste caso.agora. abotoando um minúsculo sutiã. espantada. Segundo o entusiástico relato de Bart. querida. Em seguida. . arrastando ainda mais o sotaque sulino. Eu sabia que teria que levantar-me logo.comentou. antes de lhe dar um último beijo de despedida . que sabia que ele possuía uma amante facilmente acessível e que esta era a própria filha dela.incrivelmente parecida com você! Era fácil ver o quanto ele se impressionara com a nova esposa. pois os mexericos corriam pela ci dade. Os primeiros flocos de neve começavam a cair. carinhosa. eu lhe agradecerei os maravi lhosos momentos que me proporcionou. é meu . de aparência mais jov em. e se tencionava apenas tirar o vento de minhas velas por demais enfunadas.Cathy. não é mesmo.num tom que desmentia o sentido das palavras. não é mesmo. afinal. então.. Estendeu os braços para mim e apressei-me a aninhar-me neles. quer a pessoa amada ao nosso lado durante todo o tempo.Eu não disse que ela está tão sensaciona l. de algum modo. enquanto me puxava a inda mais de encontro ao seu corpo despido. Suas palavras zombeteiras foram como uma faca em meu coração. s em desejar que isto acontecesse.Cathy. Quando você evita o assunto de divórcio.exclamo u. . por si. Você brinca co migo.Já foi muito magoada.Bem . para que Jory não entrasse de repente e nos surpreendesse na cama. diz adeus e nunca mais volta à minha casa? Diga que f oi bom enquanto durou. Prim eiro suspirei. libertei-me com relutância de seu abr aço. Permanecemos abraçados após fazermos amor. Atirei-lhe um sapato. maravilhosos! Ela está linda e . a fim de vestir as calcinhas tipo bi quíni. . Bart exibiu-me um sorriso brilhante. por que nunca diz que me ama? Girei nos calcanhares. O menino não se recordava de ter visto neve anteriormente e mal o solo ficasse recoberto de branco.indagou ele. . Homens! Como eram crédulos! Era evidente que minha mãe seria mais delicada e carinho sa com Bart . Agradeci o elogio. .Perdeu dez quilos! Juro que aquela plástica no rosto surtiu resultados sensacion ais. não dei a perceber que conseguia fazê-lo. O problema não é seu. . eu me apaixonara loucamente por ele.A circulação é deficiente. .Como pode saber se não falo sério? . quando sua esposa regressou tão semelhant e a mim? Por que não se veste. afirmou que tinha tanta necessi dade de mim como antes . . Tinha que saber. Cathy? Não quero que sofra ainda mais. só para informar-nos de q ue estava nevando.Não se preocupe. sei disso. Depositou-me na cama e começou a d espir-me. mas agora está terminado. enquanto ele se apoiava num cotovelo a fim de observar-me. acrescentando: Que tal minha parte da frente? Bart replicou que não era das piores.Você possui um lindo traseiro .re gressara da longa viagem de rejuvenescimento parecendo devastadoramente jovem e bela.ausente havia tanto tempo .Você alguma vez me disse a mesma coisa a sério? . você possui algo de especial que não consigo definir nem compreender o . Dei-lhe as costas numa atitude recatada. sua esposa . zangado. . pois. já que ela não pode movimentar-se no malmente? De repente. isto constitui. como uma i diota.e dela. . escutando o vento mesclar-se ao riso agud o de Jory que corria atrás do poodle de brinquedo que Bart lhe dera. desejaria construir um boneco de neve. . por que você está aqui comigo.disse Bart.que diabo! .Permita-me explicar como sei. com quem me casei. depois beijei Bart e. Além disso. naturalmente. Quando a gente ama. Bart beijou-me arden temente antes de carregar-me para o meu quarto.Eu seria capaz de torcer o pescoço do maldito que fez aquilo com Olívia! . Voltou a ser como outrora: a mulher suave. ela mudou enquanto esteve no Texas. . Que diferença faz tratar-se apenas de sexo e não de amor? E ensineme a distinguir onde um acaba e o outro começa. .retruquei.

Mas. Peguei meus selos e guardei-os na bolsa. . tratei-a como ela me tratou com indiferença. .murmurou ela. embora tivesse na ponta da língua algo tão feio que ele j amais esqueceria. não . mas não tão linda.Determinadas mulheres não merecem ter filhos.quis saber Jory. É parecida com você. Oh! as coisas que as crianças diziam! Que conhecimento instintivo possuíam.que seja. . que sentia necessidade de olhar para tudo e para todos. percebi que os olhos de minha mãe lançavam olhares para acompanhar os incessantes movimentos de meu filhinho.Você é bonita. Jory aproxim ou-se hesitante de minha mãe e estendeu o braço para tocar-lhe o casaco de peles. recuando. tentando pegar-lhe a mão como se quisesse mostrar o caminh o. Mamãe: eis aí o neto que seus braços jamais segur arão. Partiu como uma rainha.. como minha mamãe. Cruzei as mãos sobre a barr iga ainda chata. por que você não gosta daquela moça linda? Gosto muito dela. Ela é bailarina.Você tem um filho pequeno para brincar comigo? . Bart jamai s abandonaria minha mãe e sua fortuna para casar-se comigo e eu teria outro filho sem pai.Já sou velha demais para aprender . contar-lhe-ia que estava po r ser pai.Mamãe.Não . Veja. ele notou o prolongado olhar de minha mãe e sorriu para ela.Minha mamãe pode ensinar você a dançar. Que tola eu fora ao iniciar tudo aquilo. Levantei-me e fiquei olhando para os cacos de cristal e pétalas sol .Não sou bailarina. Virando-se.Minha mamãe tem um casaco de peles. Mas ela recuou a mão. muito embora fosse tão óbvio sermos mãe e filha.. Não obstante. Você também dança? Ela suspirou. . não duas desconhecidas. avistei um homem que se esgueirava através do bosque.. O próprio temp o lhe mostrará.Não . mas que logo começaria a dilatar-se com a criança que talvez tivéssem os gerado.replicou ela num sussurro trêmulo. mais cedo ou mais tarde. como se todos aqueles agasalhos d e pele fossem insuficientes para protegê-la do frio. preocupado ao ver-lhe as lágrimas. de cabeça erguida. prendi a respiração. olhando para Foxworth Ha ll e imaginando o que Bart e minha mãe estariam fazendo. O vento entrou no chalé quando Bart abriu a porta.exceto que eu desejava um filho de Bart e procurava ter certeza.Algumas mulheres como a senhora.vencera! Por mero acaso.. perceben do prontamente o que as pessoas tentavam instintivamente não admitir. Então. Permiti que a depressão viesse apoderar-se de mim.sussurrou ela. Sra. derrubando a jarra de flores de cima da mesa. ficou muito vermelha e depois abriu a bols a para pegar um lenço.insistiu Jory. Nunca! . fingindo não me conhecer. Você nunca o ouvirá pronunciar seu nome.. Sorri e recobrei a confiança em mim mesma. .. .Não é.cumprimentou-a. Ela me voltou as costas e tornou a estremecer. como se o fato de ter um filho compensasse não ser bailarina. Eu vencera . Era um me nino lindo. com a verdade estampada nos olhos escuros... A ausência de um período menstrual nada provava . sentei-me perto das janelas. No crepúsculo daquela tarde. . preferem ter dinheiro ao incômodo causado por filhos que podem atrapalhar muitos momentos de diversão. através de pequenos detalhes. . Renegar-me-ia como renegara Carr ie. . Portanto. que atraía a atenção de todas as pessoas. se a sua decisão foi correta. enquanto eu esperava impaciente pela minha folha de selos. Ele me amava! De verdade!. Mas o fato é que não sei se poderei viver sem você de agora em diante. saiu da agência postal e s e encaminhou para uma grande limusine preta dirigida por um chofer. Winslow. como se ela nunca tivesse sido para mim uma pessoa especial e nunca mais pudesse voltar a sê-lo. Falou sério. Tinha os olhos marejados de lágrimas. eu sempre fora uma tola. . de todo modo. Ela me a vistou e estremeceu. . . Mas eu não er a Carrie. E tão logo eu tivesse certeza absoluta de seu amor. Preferi não fazer comentários. Foi então que me interpus para declarar em tom áspero: . lançou-me um olhar. de que rea lmente estava grávida.Olá . Então. gracioso e encantador. vindo e m minha direção.. Sua bela cabeça ergueu-se ainda mais quando ela se virou um p ouco para o outro lado.Não tenho filhos. estas par avam para admirá-lo e acariciar-lhe os cabelos. Jory perguntou: . certo dia minha mãe e eu nos encontramos na agência postal.

e com você! Fui peremptória: . Portanto.Explique exatam ente o que quer dizer. De todo modo. Pensei com meus botões: Veja como ele se comporta! Como se o testamento não incluísse aquele codicilo que proíbe sua esposa de ter filhos! Protege-a! Exatamente como Ch ris . .Meu Deus! .Que diabo está querendo fazer comigo. é como costumava ser quando a conheci. Ficarei.. na realidade. você estará d efinitivamente excluído de minha vida.quando. Que tipo de jogo você faz agora? . escutei um tom de humildade na voz de Bart: . Seja qual for o motivo. Quero ter um filho seu. q uando tudo terminasse. tornou-se capaz de ser m ais delicada. ou ela. desanimada. Presumi que você se divertiria à vontade comigo e. Dê-me um beijo de despedida. considerandome apenas outra dentre suas muitas aventuras extraconjugais. mas cresceu e transformou-se em .. tem que saber! Bart postou-se junto à lareira. Talvez o corpo e rosto de aparência mais jovem lhe tenham restituído a confiança que ela perdera e. E meu fil ho também. . . Cathy. Nesse caso.Quer um filho meu? Que diabo pensa que poderei fazer . com o punho cerrado. atualmente.Não. Você está fazendo algum jogo comigo! Engasgou-se.Apenas o jogo de uma mulher: o único jogo que ela pode fazer e ter certeza de ve ncer. eu tentava desforrar -me procurando outras mulheres. O único motivo import ante pelo qual brigamos é sua recusa em ter filhos ou mesmo adotar uma criança.casar-me com você? . .protestei. por isso. tem que saber de tudo. irei embora para muito longe .Vai desfiar! . Mesmo quando eu tinha raiv a dela. . Deus me perdoe. Estávamos na minha sala de visitas e uma violenta tempestade uivava lá fora.. . chocado pela descoberta. Quero você sempre perto de mim.Muito bem.ponderou Bart. sinto-me grato. descans ou a testa no braço e ficou olhando para o fogo. Fiz minhas próprias previsões. à periferia da sua vida? Pela primeira vez. .. Como já lhe contei. Por favor. Eu a amo e também amo minha esposa. Mantinha a mão livre às costas. Então.exclamou.Cathy. Por que o vento estava sempre querendo dizer-me alguma c oisa? Algo que eu não desejava escutar! Preparando o Baralho . Cathy. Bart. Agora. Seus pensamentos eram tão confusos e profundos que me deixaram emo cionada de pena. Você ocupará sempre um lugar em minha vida e. depois recompôs-se e implorou: . talvez não. . com o braço apoiado no aparador. mais corretamente. Às vezes. Foi ele quem redigiu o testam ento. não me venha com frases de duplo sentido. mas qual é ele? Por que esc olheu a mim para magoar? O que lhe fiz de mal.Você planejou tudo isto desde o início.Ouça . Cathy? Sabe que não posso me casar com você! N unca lhe menti e disse o contrário. mas não deixava de amar a ela. cobriu o rosto com as mãos. posso cair fora. sinto-me incapaz de separar as duas. eu teria exatamente o que sempre desejei desde o início: um f ilho seu.Em sua vida? Não se refere. senão amá-la? É bem verdade que começou com sexo e eu não queria que passasse disso. Ele pareceu furioso.. depois que eu me for. Em seguida. fique! Não vá embora! Não leve meu filho para longe. ela voltou diferente e. Quando ela se mostrava detestável.tas espalhados pelo chão. mas com uma condição: só divorciando-se dela e casando-se comigo você terá o filho que sempre desejou. procurando reassumir o controle da situação. Natu ralmente. fitando-me nos olhos. Nada precisa muda r porque minha mulher regressou. tricotando um agasalho de bebê. voltaria à sua esposa para ter outra parceira em suas brinc adeiras. não foi? Veio para cá a fim de cumprir um objetivo. Es tava prestes a terminar um ponto de tricô quando Bart arrancou-me tudo das mãos e jo gou num canto da sala.E não havia necessidade. Talvez eu lhe escreva para informar se nas ceu um menino ou menina. agora já passou da idade de ser mãe. virou-se para mim. continuava a amá-la.o que significa que seu filho irá comigo. você disse que não precisávamos tomar precauções.Seja razoável. Cathy. de modo que nunca saberei o que acontece com ele. A neve empilhava-se em montes que atingiam a altura dos peitoris d as janelas e eu me acomodara diante da lareira.. Do contrário. . mas é verdade.Eu a amo.

lamentando o fato de sempre falar demais.respondeu ele num tom frio e carregado de hostilidade. Tenho a impressão de possuir dez mulheres reun idas numa só e.Colocou-me num apa relho de tortura e está apertando os parafusos! Não me faça odiá-la. minha oportunidade se apresentava: num vestido igual. havia quinze anos. com penteado igu al e rosto mais jovem.E façam os cordões do corpete com brilhantes de imitação. Gosto do jeit o como você me trata. Gosto dos jogos inteligentes que põe em prática. Antes disso. sempre me mantend o na expectativa. Christopher Doll. apenas sentado e conver sando.explodiu ele. Sinto-me bem na sua companhia. Não desejava parecer comigo mesma naq uele Natal . Oh! sim. . mas pedi que cortassem mais curto do que eu jamais usara . Fiquei sozinha. Em seguida.Maldita seja por levar-me na brincadeira! . Eu sabia que ela ainda era muit o bonita. telefonei para Chris e lhe indaguei se gostaria de acomp anhar-me até Richmond. Começou a chorar. Bart. Jory não se lembrava de ter visto Papai Noel e se aproximou muito temerosamente do homem de barbas brancas e roupas vermelhas que estendia o s braços para encorajá-lo.. Agora. pois permaneceria ali enquanto Bart necessitasse de mim. da mesma forma que ficara muito bem em minha mãe q uando ela o usara.Está bem! . o chiffon verde mais claro para a saia. porém. nem quero passar por pert o de você! . avós e amigos. sinto que não posso mais viver sem você.Pegue outra vez seu cabelo comprido .não naquele Natal especial.e nos t ermos ditados por mim! Mulher a mulher . em que eu precisava constituir uma duplic ata exata de minha mãe quando eu a vira dançar pela primeira vez com Bart.. visitamos uma loja de modas da qual eu ouvira falar. despenteando-me os cab elos ou beijando-me o pescoço. Quando você desis . os brilhantes olhos azuis do v elho.e dez vezes mais inteligência. era exatamente esse meu objetivo. c omo poderia perder para ela? Três dias antes do Natal. meu filho sentou-se no colo do Papai Noel da l oja de Departamentos Thalhimers e fitou. tornarei a vê-la.explodi . Gosto de estar a seu lado. Meus pequenos bailarinos adoravam vestir as elegantes r oupas de espetáculo e se exibir diante dos pais. Não se esqueçam: as partes esv oaçantes devem atingir a altura da bainha. depois. sempre divertido. Não só o a parei. Mas não poderia competir com a própria filha. agora. você nem parece minha m amãe! Não parecia.Agora. Suas palavras me provocam lágrimas. mas na época dos recitais sem pre voltava ao trabalho. Escolhi o tom exato de veludo verde e. transfor mara-me no que ela fora: o tipo de mulher a que homem nenhum conseguiria resisti r. . cortei o cabelo e mandei penteá-lo num estilo diferente. mas não deixarei escapar a minha! Adeus. até mesmo engatinhando pelo chão para alcançar a posição desejada. Enquanto Emma e Jory assistiam a um fil me da Walt Disney. . Jory e eu achamos maravilhosa a idéia de fazermos uma excursão a Richmond para as compras de Natal. pois eu esquecera algumas pequenas coisas que as lojas loca is não tinham à venda.Seu cabelo caiu. Mas não posso abandonar minha esposa e me casar com você.algo muito maior e profundo.Fique onde está! Pode perder a oportunidade de vingança. ou caminhando pelos bosques. destruindo os melho res meses de minha vida! Com isso. Portanto. .implorou. . Ficavam adoráveis nas .Oh! Mamãe! . . tocando-me o rosto ao passar por mim. Gosto do modo suave e tímido como acorda e sorri ao v er-me a seu lado. O penteado caiu-me muito bem. tristonha.Cathy . contristado.Você deveria ser ator. Ela precisa de mim! . Tinha a mesma força e beleza que ela . saiu do chalé num rompante de fúria. Hesitante. e espero que os percevejos o devorem durante a noite! Desliguei! Eu já não dava aulas de balé com a mesma freqüência que antes.exclamou Jory. eu me defrontaria com minha mãe em sua própria casa . Emma. onde entreguei o desenho de um modelo criado por mim mesma. tir de Bart Winslow. enquanto eu batia fotografias de todos os ângulos. como de costume.e que vencesse a melhor! Ela estaria co m quarenta e oito e uma recente plástica no rosto. vinte e um anos mais jovem! Ri quando me observei no espelho após vestir a nova roupa verde. fi nalmente. . incrédulo.

Até mesmo Jory tinha dois pequenos papéis pa ra dançar: o de um floco de neve e o de um bombom.Porque ama você. Tratava-se de um modelo que jamais sairia da moda.roupas apropriadas para o Quebra-Nozes. Desejava que ele inventasse alguma desculpa para ir à farmácia e escapulir-se a fim de vir à minha casa. . O melhor de tudo: eu forçara Bart a jurar que ob rigaria minha mãe a assistir ao espetáculo .quis saber Jory.Por quê? . . bailarina. com um aroma de jardim do Oriente.Claro. com cinco centímetros de largura..e eles compareceram. Até mesmo o perfume era o mesmo. Estou me divertindo muito. que completaria quatro anos dentro de um mês e meio. Bar tholomew Winslow. junte-os em cachos no alto da cabeça.Puxa. Bart e Papai Noel. Só me faltavam agora as jóias de esmeraldas e brilhantes que ela usara. não existia manei ra mais cheia de magia para passar ao menos uma véspera de Natal que reunir a famíli a para assistir a uma apresentação do Quebra-Nozes. o destino não permitiria que ela se vestisse de verde naquela noite .Porque não poderia deixar de amá-lo . na mansão. Chris. Queria Bart a meu lado. Depois. Antes das cinco da manhã. Lancei ao espelho um derradeiro olhar cheio de admiração. Emm a deu a Jory uma caixa de doces feitos em casa..eis aí o motivo. com o poder que ela exercia sobre os homens. que ele devorou enquanto abria o s outros pacotes.exclamou. afastando-os do rosto. Emma chegou a reclamar que eu estava demorando uma e ternidade.Posso abrir agora? . Bart parecia feliz. espiando por detrás da cortina: no centro da primeira fila. Mamãe! .pelo estilo do penteado. Ind ubitavelmente. . almiscarado. cobrindo-me de elogios. Maquilei-me como se fosse tirar uma foto do rosto para a capa de uma revista importante. Eu julgav a que fosse naquela noite. . Ele não ficou solitário. Henny. E a ocasião se tornava mil vezes m ais maravilhosa quando uma daquelas talentosas crianças pequenas e graciosas era o nosso próprio filhinho. Jory já se levantara para brincar com o trem elétrico que Ba rt lhe enviara. Girei diante do espelho. muito corado.O que será? . Em algum ponto de minha vida. .Oh!. carrancuda. Mas tudo o que vi de Bart naquela manhã de Natal foi a pulseira de brilhantes.Pensei que ficaria solitário sem meus tios. Espalhados por toda a sala. Na minha opinião. Em breve eu também as possuiria. quase perdi o fôlego ao verificar que eu me tornara uma dupli cata quase exata do que fora minha mãe quando eu tinha apenas doze anos! As maçãs do r osto eram realçadas .como acontecera com as dela .Por quê? . não com ela. Portanto.Ondule-os suavemente. eu exercia algum controle sobre Bart. Quando ela terminou. Como num sonho que eu nunca acreditara realmente tornar-se realidade. dev e ter sido Maria Antonieta. que se iniciara no dia em que nosso pai morrera na estrada. que ele enviou junto a uma dúzia d e rosas vermelhas e um bilhete: "Eu a amo. eu faria as surpresas e desferiria os golpes. combinando com a bolsinha de prata. arrancou repetidos aplausos da platéia. os magníficos papéis que haviam embrulha do centenas de presentes mandados por Paul. . Emma. E la sentiria a dor de perder! Era uma pena que Chris não viesse assistir ao final d e uma longa peça. E amanhã Papai Noel deixará uma centena de pres entes para você.indagou Jory. o Sr. radiante de felicidade. logo que chegarmos em casa. As sandálias eram finas correias prateadas. . minha mãe." Se já existiu alguma mulher que se vestiu com mais apuro que eu naquela noite. certificando-se de que alguns caiam até roçar-me os ombros. enquanto Emma observava de um canto. Fiz questão de verif icar. que se ergueu para ovacioná-lo de pé ao final do solo que eu cor eografara especialmente para ele. Emma penteou-me o cabelo exatamente como minha mãe se penteara tantos anos atrás. mas eu fiquei. o destino teria que estar do meu lado. experimentando a sensação de ser min ha mãe. Mas não fique i. . A doce infantilidade de Jory. peguei a estola de peles q . com sal tos de dez centímetros. O que ficou provado pelo enorme buquê de rosas recebido pela professora de balé e a enorme caixa recebida pelo minúsculo bailarino que fize ra o solo como floco de neve. . vesti o traje d e gala com o corpete de veludo e a saia de chiffon. e Sra. dançando no palco com tanto entusiasmo. Hoje.

Quando você conseguir perdoar e esquecer o passado. como um anjo. Olhei para o céu cinzento e ameaçador. está tão linda! Seus olhos castanhos escuros brilharam com admiração infantil e ele indagou com gran de seriedade: . não importava o que acontecess e. querido. . Com os pés calçados de sandálias protegidos por galochas. a quem espero encontrar dentro de pouco tempo. ficarão. Ele despertou parcialmente de um sonho nebuloso.sussurrei. que passaria a noite com Jory. Na mesa perto da porta de entrada havia um bilhete de Paul: Henny está muito doente . Larguei com um suspiro o bilhete de Paul e peguei o de Henny. Alguns dos desejos daquele Natal se tornaram realidade. a paz e o amor voltarão para você. Amanhã faremos um boneco de neve. embora não tivesse recebido convite para a festa. a nev e começou a cair.Oh! Mamãe.Eu o amo. sob certo aspecto era o que eu faria. Esqueça quem precisou de v ocê ontem. mesmo que o marido de sua mãe continue casado com ela. Então. P erdoe sua mãe. De quem logo estará no céu. utilizei a chave de madeira confeccionada por Chris . mas não sou tão cruel. o segredo simples para viver f eliz. eu me deitara com a cabeça apoiada no peito adolescente de Chris. pedindo-lhe que convide minha amante para sua festa? Talvez eu seja idiota. desejei controlar minha própria vi da. Naquele primeiro Natal que passamos prisioneiros.Obrigada. Desejo-lhe felicidades. veja quem precisa mais de você e não poderá errar. Cathy. triste e sonhadora. Olhe em volta. girei a chave na ignição e parti para Foxworth Hall. mas infeliz porque outros filhos muito longe de casa. Fora escrito num festivo papel vermelho. por achar-me linda. . . quando eu tinha doze anos. Digo-lhe agora. Macia como plumas. Henny está contente de ter por perto seu filho-d outor. . tão semelhante aos olhos da avó. Tudo que tem a fazer é dizer adeus aos amores antigos e alô ao novo amor. Cathy. desejando ser adulta e ter curvas tão perfeitas quanto as de minha mãe.Vai a uma festa para me arranjar um novo papai? Sorri. Desta vez. Você escreve para dizer que tem na barriga novo bebê feito pelo marido de s ua mãe. Tinha que fazer o que precisava ser feito. Henny está velha. fitando-me como se eu fizesse p arte do sonho. Larguei a carta de Henny com uma pesada sensação de tristeza no peito. Agora. encaminhei-me para meu carro. reuni toda a minha hesitante coragem. Debrucei-me para beijar-lhe com ternura o rostinho corado e redondo. um rosto tão belo e roupas tão sensacionais. lembre-se de que Henny lhe quis bem.Por que não insistiu e a obrigou a convidar-me? . E. Henny está cansada. É uma pena que você não possa abrir mão de seus planos para visitá-la antes que seja tar de demais. Ninguém é errado em tudo e muito do qu e os filhos têm de bom deve ter vindo dela. Querida Filha-Fada.ue Bart me dera. sacudi o s ombros. Revelações Pouco depois das dez horas. com letras de forma entortad as pela dolorosa artrite que deformava as articulações de Henny. durma outra vez e sonhe com cois as boas. Catherine . E se você não tornar a ver Henny neste mundo. antes de ir para um lugar melhor. da mesma maneira que amou sua irmã-anjo. Enveredara por aquela senda havia muitos anos e haveria de segui-la até o final. que dormia encolhido de lado. Alegre-se com o bebê. dei uma última espiada em J ory. Como era estranho o vento ter parado de soprar quando saí do chalé e me voltei para fazer um aceno a Emma. não acha que realmente seria pedir demais? Posso insultar minha espo sa. tornei a beijá-lo e disse que sim. mesmo se um dia ela lhe fez mal. acima de tudo.Ora.Traga um papai para ajudar-nos.. Sentindo-me novamente resoluta. Brigara violentamente com Bart por causa disso. Henny . que viera no mesmo envelope. .. Jory . como se fosse sua próp ria filha.

perfei tamente arrumadas. pulsando co m inusitada excitação.nunca mais. que me chegava de leve aos ouvidos. sem ser observada. deixando tudo como antes. coloquei no chão. Queria fazer minha grandio sa entrada no salão à meia-noite. era novo. Corri ao quarto de vestir de minha mãe. Lá estava a esplêndida cama em forma de ci sne. surpresa. ela ainda usava a mesma combinação: os números do mês. diante de mim. Naquela ocasião. mas não havia dúvida de que me parecia muito com ela. era como se o tempo ali tivesse parado e nunca houvéssemos fugido do loc al! Até mesmo o inferno continuava nas paredes. Ajoelhando-me. por incrível que pudesse parecer. Ao entrar naquele quarto com duas camas de casal. Batia depressa demais. apertando mãos e beijando rostos. sem ter quem me apoiasse.tantos anos antes para esgueirar-me. já não era rosa-morango. A voz forte de Bart ressoava com sinceridade ao cumprimenta r calorosamente os convidados que chegavam. Sorrindo amargamente com meus botões. Agora. A orq uestra tocava uma melodia de Natal. A chave de mad eira ainda servia na fechadura . também no mesmo formato. aos pés. diferente. Mirei-me no espelho. Eu dava a impressão de ser alguns anos mais moça. Naquela noite. Precisava manter-me calma. abri o fundo especial de uma gaveta e tatee i à procura do pequeno botão que precisava ser acionado numa determinada combinação de núm eros até abrir o complicado trinco de segredo. embora dispu sesse agora de um vocabulário bem mais vasto e adequado. dia e ano de seu nascimento! Oh! Deus! Era mesmo uma mulher confiante! Em poucos segundos. com a porta trancada. Consultei novamente o relógio. nós a amávamos muito e ficamos ressentido s contra ele. não sentia f rustração. representado pelas três reproduções de o . justamente como uma Cinderela ao inverso.mas meu coração parecia não me caber no peito. Dez e meia. mas quase . que usava um vestido eleg ante de lamé vermelho. Havia também um cabide metálico destinado a manter um terno mas culino arrumado e sem dobras até que o dono o vestisse. faze ndo com perfeição o papel de anfitrião. Veja bem. E. a grande prateleira forrada d e veludo verde. um barulho excessivo. quinze anos atrás. com a caminha menor.fora trocado por outro. quan do me esgueirei silenciosamente pela escada dos fundos. Segui meu caminho solitár io até a grandiosa rotunda central. Cedo demais. As colchas douradas com franjas de cetim continuavam sobre as camas. penetrei de volta em minha infân cia. pronta para ocultar-me depressa em caso de necessidade. A casa de bonecas. encaminhei-me furtivamente aos grandiosos ap osentos particulares de minha mãe. Uma música tão docemente cheia de recordações que me levou de volta aos tempos de infância. espanto ou frustração. mantendo-me nas sombras. A velha cadeira de balanço que Chris trouxera do sótão ainda estava no mesmo lu gar. coloquei em mim as jóias que tão bem combinav am com meu vestido de veludo e chiffon verde. Muitos dos convidados já estavam lá e outros mais chegavam. mas de um leve tom de ameixa. Recoloquei no lugar a bandeja de jóias e gaveta. só que d esta feita eu estava sozinha em território inimigo. Minha mãe dava a impressão de uma figura secundária ao lado do marido.assim como duas folhas da mesma árvore nunca são exatamente iguais. mas uma leve sensação de justificativa: o que quer que acontecesse seria por culpa dela. Ainda lamentávamos a morte de papai e não queríamos que Mamãe se casasse o utra vez . Como num sonho. Olhei pa ra o salão e avistei Bart Winslow de pé ao lado da esposa. exceto o tecido de brocado que forrava as pa redes . controlada. Recuei no tempo! Oh! meu Deus! Tive vontade de soltar uma exclamação infantil de deleite. de modo a poder servir-me à vontade das jóias de esmeraldas e brilha ntes que minha mãe usara naquela festa de Natal em que Chris e eu a víramos pela pri meira vez com Bart Winslow. Ora. postando-me perto do armário no qual Chris e eu nos escondêramos para observar uma outra festa de Natal. Só que a gora eu usava algumas centenas de milhares de dólares em jóias que não me pertenciam. percorri sorrateiramente os compridos corredores que levava m à ala norte e encontrei aquele último quarto. Com a maior cautela. quase desnecessária naquela imensa mansão que em breve lhe perten ceria. fazer tudo corretament e e não me deixar intimidar por aquela espantosa mansão que fizera o possível para des truir-nos. Não exatamente ig ual. sem apresentarem a mínima dobra. Olhei em volta. O aparelho de TV de dez polega das ainda estava no canto. disse comigo mesma. esperava que as mãos de Carrie viessem re vivê-la. por uma porta dos fundos de Foxworth Hall. a fim de veri ficar se parecia tão jovem quanto ela naquela época. com uma ferocidade exagerada. com seus habitantes de porcelana e móveis de estilo antigo feitos em escala. verifica ndo que tudo continuava como antes.

bras-primas de mestres renascentistas. que se abria para a escada íng reme. chorando. Os fantasmas despertaram. ansiando por sol e ar livre. de coisa velha. no escuro. Debruce i-me para observar o interior da casa de bonecas. Então. A les ma epilética de Cory já não parecia uma brilhante e deformada bola de praia. Arsênico em quatro rosquinhas açu caradas. Os centros brilhantes que havíamos colado nelas tinham-se soltado e agora só algumas margaridas ainda possuíam centros brilhantes. Só que todas as cores se haviam desbotado num indistinto tom cinzento: f lores fantasmas. E havia as antigas linhas de trem elétrico que percorriam o quarto inteiro. Seria possível que a própria avó tivesse escondido o berço. Só quando cheguei lá em cima tateei em busca do local que Chris e eu usávamos para esconder nossas velas e fósforos. quando deveria ter pensado melhor. mas po dendo apenas empurrar pelo chão pequenos caminhões ao longo de uma estrada imaginária entre Nova York e São Francisco ou Los Angeles. espantoso e ameaça dor. andei até a distante sala de aulas à luz bruxuleante da vela. à porta estreita e alta situada no fundo do quarto. e. encaminhei-me ao armário embutido . com cheiro de podre. Como se me movesse num pesadelo ao qual fora condenada. A avó era perfeitame nte capaz de arquitetar algo tão mesquinho e cruel. natur almente.. ter um bom motivo para castigar Carrie ? E Cory também. a fim de poder notar a sua f alta e. Eu galgara aquela escada um milhão de vezes. e as flores gigantescas nas paredes. o bercinho vazio! O bercinho que desaparecera! Passáramos sema nas a procurá-lo. Não. todos eles de estanho. dos minúsculos vagões e locomotivas? Tirei da pequena bolsa de prata um lenço de papel e enxuguei cuidadosamente os cantos dos olhos. pois ele correria automaticamente para defender sua irmã gêmea. são apenas as sombras de minha esvoaçante roupa de chiff on. no quarto da criança. Ela levara seu intento até o fim . Oh! meu Deus! Eu jamais imaginara que aqu ele quarto me deixasse tão despedaçada interiormente.e ali estava ele. As criadas de porcelana ainda preparavam comida na cozinha. móbiles que se moviam nas correntes de ar. assim como os pais que costu mavam ficar na sala de visitas: o Sr. o bebê. sem vela ou lanterna para iluminar o caminho. Sempre presumimos que fossem v elas de fabricação caseira. Contudo. com medo que a avó desse por sua falta e castigasse Carrie . Os avisos de CUIDADO que Chris e eu havíamos p intado em vermelho nas paredes ainda lá estavam. Perto do toca-discos. qua ndo queimavam. A meu redor volteavam os fantasmas de Carrie e Cory. Tive a impressão de escutar um riso infantil. mas uma l aranja descorada e meio apodrecida. e Sra. só isso. então com apenas cinc o anos. pois exalavam um cheiro desagradável. junto com inúmera s caixas de velas grossas. curtas e mal acabadas. O cavalinho malhado de balanço surgiu diante de mim. Sobressaltei-me. Meu olhar fugiu em di reção ao quadro-negro onde eu escrevera minha enigmática mensagem aos que ali viessem . o que estragaria a maquilagem. se agira assim. sonolentos e bocejantes . acompanhados por malha s das mesmas cores e gastas sapatilhas de dança . ou pior! Veneno. Oh! que fora feito da ferrovia. A gigantesca minho ca roxa de Carrie lá permanecia. estava a barra que Chris fabricara e prega ra à parede.. Subi ao sótão gigante sco. Levei a mão à garganta para sufocar uma exclamação de susto e medo. Até mesmo meus velhos tr ajes de bailarina pendiam murchos dos pregos. por q ue motivo não aplicara o castigo e não levara seu intento até o fim? Ri amargamente co migo mesma. escuro. Minha imaginação. quando não conseguíssemos apresentá-lo. refleti com meus botões. sem q ualquer temor das conseqüências que tal gesto poderia causar-lhe. empoeirado. minha vontade era chorar como uma criança. Parkins. como os balanços que pendiam das vi gas do telhado. A enferrujada c arroça vermelha parecia mover-se. fantasmagórico. Prendi a respiração! Oh! Era o mesmo! As flores de papel continuavam penduradas.. Foram encontrados por nós num velho baú. lembranças e espectros acompanhavam-me à medida que os objetos pareciam acordar. agor a me pertenciam e jamais voltariam a morar naquela casa. com pequenas a sas para a pessoa segurá-los.. passando até por debaixo da mobília. estreita e escura. empurrada por mãos invisíveis. bem como Clara. Ainda estavam lá. no seu devido lugar! Mas faltava o bebê. embora também estivesse cinzenta e desbotada. rindo. mas algo muito melhor. o mordomo estava postado junto à porta para receber os convidados que chegavam numa carruagem puxada por uma parelha de cavalos.não apenas uma surra com a vara de sa lgueiro.tudo desbotado. querendo sair dali. dúzias deles. Um milhão de v ezes. Não obstante. Não podia me dar ao luxo de chor ar. O tempo parara naquele local. Tínhamos vários castiçais. para que eu pudesse ensaiar minhas posições de balé.

Apenas eu. curtos como eu jamais os vira antes.disse eu para todos em voz alta e clara.e que acorrera . quando cheguei ao penúltimo degrau... tentando enfiar as pernas sob ela. Ficou boqu iaberto como se eu fosse uma aparição. postei-me no centro do balcão do segundo andar. Ahhh!. Muita esperteza fazer de tu do aquilo uma produção teatral. À distância. lo nge de demonstrar sua verdadeira idade.no futuro. aumentando até uivar e fazer a neve cair obliquament e. o vento começou a soprar lá fora. ante os olhares de muitos daqueles mesmos convidados.. Até mesmo reconheci alguns deles ... Corri graciosamente os dedos faiscantes de jóias ao longo do corrimão de madeira-delei. imaginei-me como a Fada Lilás. certamente. agora. Mimoseei -a caridosamente com o mais gracioso de meus sorrisos. Co mo ela olhava fixamente para mim. fugir. E a cada segundo eu mais me aproximava do local onde minha mãe e Bart permaneciam em pé. minha mãe virou-se ligeiramente. embelezando-a ainda mais. depois. Ali.. Carrie e eu. (Foi muito inteligente de minha parte não me lembrar de que era a filha de minha mãe e que dentro em breve a destruiria. Desabava outra tempestade violenta. dispus-me a representar meu papel com o máximo de minha capacidade dramática. Soou a última badalada da meia-noite.. Enquanto eu aguardava sentada. esperavam avistar Papai Noel. mas conseguia não perder a pose. pois eu usava saltos de dez centímetros e solas tipo tamanco. Christopher. parecia muito jovem e linda. pensando que era a fe iticeira má que lançara sobre Aurora a praga da morte. Como poderia imaginar que eu seria a primeira? Vivemos no sótão. Assim. tenho certeza. Algum sexto sentido deve tê-la prev enido. em seguida. senti a imensa satisfação de ver minha mãe empalidecer. aproveitava-me da vantagem de ficar mais alta que qualquer dos presentes à cena. Comecei a descer a esc adaria. E tive ainda mais prazer em observar os olhos de Bart esbugalharem-se ainda mais ao saltarem de mim para ela e. a mão que segurava um cop o de bebida tremeu tanto que parte do líquido se derramou e escorreu para o chão. Quando o grande re lógio de pêndulo começou a bater a meia-noite.. que ecoou como a tromb eta de um arauto. poderia observar melhor seu espanto. estaquei. Bart acompanhou-lhe a direção do olhar. Cory. com o propósito de ficar da mesma estatura que minha mãe quand o nos enfrentássemos de perto. como fora minha mãe tantos anos antes.. com a pele iluminada pelas jóias faiscantes. embaraço e colapso total! . Ela tremia da cabeça aos pés. Com ela. quando lidava com realidade e não com fantasia. Agora. usando o mesmo vestido de gala e. Sentei-me à pequena escrivaninha que pertencera a Cory. Enqu anto os convidados olhavam para cima. de frente tão alta que a gola chega va a tocar o grosso colar de brilhantes. Todos eles viam-se obrigados a erguer os o lhos para ver-me. Vi que o vestido que lhe deixava as costas nuas compensava a frente severa e não decotada. se melhantes às de Carrie. e talv ez houvesse derramamento de sangue). mas era apenas eu. Nada fiz de espetacular senão ficar ali parada. Desta maneira. num silêncio mortal . pois voltou-se lentamente para olhar em minha direção. desci o lado esquerdo da dupla escadaria curva.. que haviam comparecido àque la festa de Natal. deixando à mostra o início da depressão que lhe separava as nádegas. Desejava mergulhar num profundo devaneio para chamar o espírito de Cory. a fim de que ele me dissesse onde se encontrava. Em seu vestido de lamé vermelho.mais velhos. sentindo minhas esvoaçantes saias de chiffon verde balançarem a cada passo. Lentamente. atraindo os que se encontravam em outros salões . Os olhos de minha mãe se esbugalharam e anuviaram. vieram as correntes de ar que ap agaram minha vela! A escuridão parecia gritar e tive que fugir correndo! Fugir dep ressa. somos apenas três . Seus cabelos louro s.Feliz Natal! . Julguei divisar um relance de pânico em seus olhos azuis de boneca de porcelana. que roubou o Príncipe Encantado de Aurora enquanto esta dormia o seu s ono de um século.pois a música parara d e tocar -. tanto o anfitrião como a anfitriã estavam mesmerizados e todos os convidados se sentiram obrigados a olhar também na direção ond e. mas eu o s reconheci! Oh! quanto prazer tê-los ali! Foi o meu momento de triunfo! Movimentando-me como só uma bailarina é capaz de fazer . Agora. nitidamente enfeitiçados pelo recuo no tempo . estavam penteados num estilo solto em vo lta do rosto. muito juntos.fugir antes de transformar-me num deles! A hora seguinte fora coreografada por mim nos mínimos detalhes. de volta a mim.

como talvez vocês já saibam. forçou-me a proceder como fiz em seguida. . mas Ba rt se encaminhou para mim. Não permitirei que arruíne minha esposa! Sua pequena idiota. Todo o dinheiro e i nvestimentos. torna ndo-a um pouco diferente. Não sei por que motivo. há quinze anos. filha mais velha da Sra. descobrir que sua esposa teve quatro filhos resulta ntes da união de seu primeiro casamento. e ela usava um vestido igual ao que uso no momento. Na verdade. após tão sensacional apresentação dramática.exclamou. Este deserdou a filha. muito men os. que pareciam não saber o que pensar. aparecendo mais atraídos pelo silêncio profundo que pelo som de minha voz. Nosso local de brincar era o sótão e nunca. que hoje é médico. caso consigam perceber a semelhança física entre as duas. sou filha de sua esposa e sei que se uma certa firma de adv ocacia. Chris e eu nos escondemos na arca que ai nda hoje está no balcão.Sua putinha atrevida! . Serão obrigados a devolver tudo o que compraram. . Decerto . Mesmo assim. . Já que se parece de modo tão extraordinário com minha esposa. Cathy é parenta distante de minha es posa e.Sr.declarei num tom agudo.Olhe bem para mim. Em seguida.. sorrindo encantadoramente e depois voltou-se para os convidados.. Quando a música recomeçou. Bart . anuviando-lhe o olhar. o rosto tão pálido que a maquilagem se realçava como ma nchas esquisitas. O choque aturdiu-o. enquanto os gêmeos dormiam no último quarto da ala norte. por cometer a pecaminosa temeridade de casar-se com o meio-irmão d ele! Além disso. é também uma atriz de enorme talento.deseja mostrar seus dotes de dançarina. . Cathy. Éramos ratos de sótão. se meu irmão Chris não se tivesse escondido para ver e ouvir tudo que vocês dois fizeram na rotunda do segundo andar? Bart olhou-me bem.Idiota é você.Como ousa entrar aqui e fazer tal escând alo? Julguei que a amava. Detesto mulheres que se portam como gatas de unhas afi adas. mas ele se recusou a sair de perto de minha mãe! Assim. em quem acreditar e. como acabam de verificar por si mesmos. Ora. que muitos de vocês tiveram oportunidade de ver no palco quando ela dançava com o falecido marido.m às dúzias. querido Bart.Bravos. Lembram-se também de que ele era meio-tio de minha mãe. imóveis e calados. passar o outro br aço por minha cintura e convidar-me para dançar. . Julian Marquet. Enquanto todos aguardavam. arquitetamos est a pequena farsa e fizemos o possível para que nossa pilhéria animasse a festa. não conseguia despregar os olhos de mim nos braços de seu marido. nunca. que nasceram quando eu tinha sete anos. como reagir. . como a maioria de vocês se recorda. continuei: . por que inventou tantas mentiras? . E eu estava prestes a berrar todo o resto da estória.Minhas senhoras e cavalheiros . . Bart ficou visivelmente abalado. .Venha. ele praticamente me obrigou a dançar! Virei a cabeça e vi min ha mãe derreada sobre uma amiga.convidei -. Marquet é atualmente uma de nossas vizinhas. Entretanto. resolvi dar-lhes o que desejavam. quando eu tinha apenas doze de idade e estava escondida no balcão. lá em cima. a fim de fazer-me escutar perfeitamente. a Sra. tenho tanta pe . está tudo explicado. Winslow .respondi com a maior calma. parecendo tão estranho.Sim. distante e esquisito. gêmeos.acrescentou Bart. igualmente chamado Christopher. nunca descíamos. interrompi-me. tive um irmão e uma irmã mais moços.Gostaria de apresentar-me .Representou seu papel com perfeição! Parabéns! Passou-me o braço pelos ombros. Como pode ria eu saber que ela usou um vestido igual ao meu se não a tivesse visto com ele? Como poderia eu saber que você a acompanhou para ver o quarto com a cama em forma de cisne. Bartholo mew Winslow que.Naquela festa de Natal.Sou Catherine Leigh Foxworth. a única herdeira q ue lhe restava. porque foram.sibilou Bart. com a respiração presa na expe ctativa de outras revelações explosivas.Permitam que lhes apresent e Catherine Dahl. . indese jáveis e detestados desde que o dinheiro entrara em jogo. tenho também um irmão mais velho. venha dançar comigo. . você e ela perderão tudo. Outrora. Beliscou-me impiedosamente o antebraço antes de tomar-me pela mão. exatamente como dançou com minha mãe há quinze anos. irmão mais moço de Malcolm Neal Foxworth. E. Cathy! . foi anteriormente casada com meu pai. . embora estivesse em pânico interio rmente: e se ele se recusasse a acreditar em mim? . na qual você trabalha. nos menores detalhes. Cory e Carrie estão mortos. Christopher Foxworth.

E.prossegui. .Detest a-a porque me deseja e trama para iludir-me e destruí-la. Nosso playground era o sótão. Vimos os funcionários do bufê prepararem os crepes suzettes.. com enormes olhos assustados. mas e ra Chris. enquanto minha mãe ia recostar-se numa parede. uma vez.. Você compareceu ao janta r do Dia de Ação de Graças.disse ele. quando ela subiu e desceu tantas vezes? Quer saber o motiv o? Preparava bandejas de comida para levar-nos sempre que John. Ficaram tão pequenos. não é mesmo? Recue no tempo e lembre-se de um a certa noite..É mentira . . Foi ela mesma quem me contou. .Sim.Conheço a combinação do segredo .na que me dá vontade de chorar! Continuamos a dançar.declarou. Bart. que nada encontrei porque você estava lá para me ame drontar.Está inventan do tudo isso . mas ela entrava no quarto e nunca olhava para eles! Ela fingia não ver o precário estado de saúde em que se encontravam! . Ela foi a nosso quarto para nos mostrar o quanto estava linda. Nossa avó sempre usava vestidos de tafetá cinzen to com gola de crochê feitas à mão e nunca sem um broche de brilhantes com dezessete p edras preciosas prendendo a gola na altura da garganta. . permita-me convencê-lo melhor. . com a caminha igual aos pés. o rosto dele bem perto do meu. raquíticos. . os garçons trajados de preto e vermelho. .Não! Ela não seria capaz de fazer isso com os próprios filhos ! . por favor! Se está mentindo. Ela é minha mãe. uma fonte de onde jorrava champanha. Nossas refeições eram enjoativas. pare! Não me faça odiar minha mulher! .. Quem o beijou fui eu. a fim de herdar toda a fortuna. Manteve-nos trancados à espera da morte do pai. . quando eu tinha doze anos. e duas imensas ponch eiras de prata. sempr e frias ou apenas mornas. em que adormeceu nos grandiosos aposentos particulares que vocês do is usavam. . Você não estava sonhando. . mas sua voz tinha um tom de dúvida. Na gaveta da mesinha de cabeceira vocês tinham um livro sobre sexo. o mordomo. Chris e eu sentíamos o aroma das iguarias e chegamos a babar de vo ntade de provar o que serviam aqui nos salões. os olhos esgazeados.Esse vestido que você está usando. num tom esquisito e desprovido de sinceridade.. ano após ano. sonhou que uma jovem usando uma curta camisola azul entrou sorra teiramente e o beijou. . deitei-me naquela ime nsa cama de cisne.corrigiu ele... suspirou ele. disfarçado por uma capa cujo título era "Como criar seus próprios pontos de bordar"."Como criar seus próprios bordados" .Então.prossegui suavemente. parecendo tão pálido e doente qu anto minha mãe.Cathy. Bart sacudiu a cabeça. . invejei-lhe as cu rvas do corpo e o jeito de Chris fitá-la com tanta admiração. Por acaso você brincou num sótão durante o verão? Ou no inverno? Imagina que seja a gradável? Faz idéia de como nos sentíamos. E acabo de tirar estas jóias do cofre existente em sua gaveta na mesinha de cabeceira. simulando achar graça. Foi você quem redigiu o testamento. Sorri e rocei de leve os lábios no rosto dele. embora continuasse a exibir aquele sorriso detestável. E você sabe por que motivo ela foi obrigada a fazer um grande segredo de nossa existên cia.. Seus cabelos estavam pen teados como os meus estão agora. não est ava na copa. parecendo doente e prestes a vomitar. através do qual Chris e eu pudemos observar muito bem.Os números da data em que el a nasceu. como diabo descobriu que ela usava um exatame nte igual na primeira vez em que entrei nesta casa para uma festa? Ri. seus próprios filhos? E os gêmeos não se desenvolveram fisicamente. Todas as manhãs bem cedo.Não seria capaz? Pois foi! Aquela grande arca perto da balaustrada do segundo an dar tem o fundo de tela metálica. tinha quinze anos e entrava em seu quarto para roubar dinheiro.Por que não odiá-la? Ela merece . você é tão estúpido! Como julga que sei? Vi-a usando um vestido igual. Lembra-se com o dava pela falta de trocados? Você e ela julgavam que os criados roubassem. Seus lábios exibiam um sorriso fixo. . .Nãooo.Certa vez.Meu caro Bart. Bart. fui eu. Na ocas ião. ou algo semelhante. a mulher com quem você se casou tinha quatro filhos que ela manteve e scondidos e trancados durante três anos e quase cinco meses. Os gêmeos quase não se alimentavam. esperando que um velho morresse para que nossas vidas pudessem ter início? Conhece o trauma que sofremos ao saber que ela dava mais importância ao dinheiro que a nós. Então.

sentindo-se negligenciado. Ela. uma de doze e outra de quatorze? Na quela época. levava comida e leite para nós numa cesta de piquenique fei ta de vime. Mas ela não o fez! Nada disso! Deixou-nos sofrendo lá em cima durante nove me ses depois que seu pai morreu e foi sepultado! Eu tinha muito mais a dizer. po rém. sempre cheia de pose e arro gância.dura nte todo aquele tempo. E tudo isso porque nossa mãe precisava her dar a fortuna do pai.as unhas em riste tentando . Bart lançou-me um olhar ameaçador. Decoramos o local com flores de pap el. todos olhavam para ela. acreditamos em nossa mãe. Ela estabeleceu uma longa sér ie de normas segundo as quais nos devíamos comportar.não posso acreditar! Empurrei-o com força para longe de mim e girei nos calcanhares. mas minha mãe soltou um grito agudo: . Vivemos ano após ano num quarto escuro. . Você tinha uma irmã e dois irmãos . cinco minutos levavam cinco horas para se escoarem. Contudo. E queríamos que ela he dasse todo aquele dinheiro do pai. que via todas as ra mificações. subnutridos e passamos fome durante duas semanas enquanto você e nossa mãe via javam pela Europa em lua-de-mel. com um pesado suspiro. admito! Mas dizer que Corrin e seria capaz de matar os próprios filhos .Cathy. seja franca .Sou filha de Corrine Foxworth Winslow! Ela realmente tr ancou os quatro filhos no último quarto da ala norte desta mansão! Nossa avó tomou par te no plano e cedeu-nos o sótão como playground. . . Todos vocês sabem o quanto ele a desprezava por ter-se casado com o meio-irmão dele. Você d isse que ficaram trancados mais de três anos? . caia fora e nunca mais volte! Agora. . carregado de uma raiva terrível. A princípio. Fomos ficando magros.totalmente franca. doen tios. . . compramos um quilo daquelas balas em Vermont.Sim. ficando trêmula. pensamos que fo sse apenas por um ou dois dias.berrei. se minhas palavras fossem verdadeiras. Nossa mãe persuadiu-nos a virmos para cá e vivermos lá em cima. o quanto julga que foi para duas criancinhas de cinco anos. não mais para mim. Cathy. Ocupávamos o tempo jogando. o rosto lívido . quando vocês foram visitar sua irmã em V ermont.antes das seis e meia. não importa q ualquer outra coisa que você me diga. E.. recebendo ocasio nalmente uma ração de galinha frita e salada de batatas. deixa sse de mencionar que ficaríamos trancados e escondidos. Tornou-se evidente que a dúvida invadia sua mente de advogado. indesejável e detestado. ao dizer-nos que moraríamos em Foxworth Hall.. Ela nos dizia que tínhamos que permanecer escondidos. . você se parece com ela! Talvez seja sua filha.No início.Sim. extremamente difícil de obedecermos: não devíamos olhar-nos mutua mente.berrou. A essa altura. embora nossa mãe. . E também ha via uma outra regra.É mentira! . como se estivesse cega. com os braços estendidos para a frente. depois.e .Nunca vi você antes! Saia de minha casa! Saia antes que eu chame a polícia para expulsá-la daqui! Agora. Se você ao menos soubesse o que é viver t rancado. onde nossa mãe comprou um quilo de balas de açúcar de bordo. sem luz. quietos como ratos de sótão. confiando nela e acreditando que manteria a promessa e nos libertaria no dia em que seu pai mor resse. Concordamos em permanecer trancados até que nos so avô morresse. . até qu e passamos a comer apenas sanduíches de creme de amendoim e geléia. mas aquilo continuou interminavelmente. em especial os sexos opostos.. rezávamos muito.Isso é bem do tipo dela. os dias eram como meses e os meses pareciam anos.Três anos e quase cinco meses.Pare! Cambaleou alguns passos. jamais acreditarei que minha esposa decidiu deliberadamente envenenar seus próprios filhos! Seu olhar cheio de desprezo percorreu-me de alto a baixo e voltou ao meu rosto. porque a amávamos e confiávamos nela: era a nossa única esperança de salvação. viveram trancados lá em c ima? . já estávamos comendo rosquinhas com arsênico misturado ao açúcar.Oh! Deus! . caso c ontrário nosso avô jamais a incluiria no testamento. sendo que uma delas nos proi bia de abrir as cortinas para deixarmos entrar luz no quarto. nossas refeições se tornaram cada vez piores. inclusive quando eu já morava aqui. se descontrolara.exclamou ele. contudo. a fim de o alegrarmos para os gêmeos. em cada palavra que ela pronunciava. A princípio. à medida que seu ressentimento contra nós aumentou. sem receber luz solar. dormíamos um bocado. alimentava-nos razoavelmente bem..Ouçam todos! . obedecemos. E se isso lhe parece muito tempo.

erguendo-se depressa e tratando de retirar-s e o mais rápido possível. os quais manteve prisioneiros. Sua calva br ilhou quando ela virou a cabeça para me olhar. . saindo em seguida. . por mais que viesse a ganhar com isso.disse Bart. desalmada e brutal. . tão logo a enfermeira fechou a porta. depoi s. Foxworth quiser de itar-se. a minhoca.Como pôde ser tão egoísta. sobretudo. como também contra a esposa. implorando-lhe auxílio com olhos grandes e lacrimosos de um azul cerúleo . Eu desejava que Chris estivesse ali a meu lado. Cathy. A cadeira fora colocada perto da lareira. Não me dei ao trabalho de no tar-lhe o rosto. cr uel. Não me cabia a tot al responsabilidade de confrontar nossa mãe com a verdade. trocando sussurros e olhando para nós. .Sra. bebam e divirtam-se à vontade. . aos de Chris. comam.Sim. Bart pegou minha mãe.Cathy. Sentia-me estranhamente solitária. totalmente descontrolado. Tudo isto. murmurando-lhe alguma coisa ao ouvido. E também sabe que não tenho filhos! Fiquei aturdida ao saber que Bart acreditava em mim e não nela.Mais uma vez. Foxworth fic ará conosco. Minha mãe se agarrou a ele. sentada na mesma ca deira de rodas que pertencera ao marido. Uma enfermeira lhe fazia companhia. mas nunca me passou pela cabeça que pudesse ter quatro filhos. sem se importar com todas as provas que eu a presentasse. Abraçou-a com ar consolador e beijou-lhe o rosto. Bart chegou à biblioteca e depositou cuidadosamente minha mãe numa das poltronas de couro.rugiu ele. mas aquela fora fabricada sob encomenda e muito m ais valiosa que as comuns. . A fúria que sen tia agora parecia dirigir-se não só contra mim.Faça o favor de deixar a sala e a Sra. correndo o olhar pelos convidados que n os cercavam e acrescentando com voz calma: . Corrine. aos dos gêmeos.um grande segredo. muito grato pela sensacional apresentação. a ponto de manter seus quatro filhos numa prisão e. mas uma ordem. Poderia des crever as flores no sótão. Eu jamais deveria ter planejado um espetáculo como este. como se no final Bart fosse acreditar nela e não em mim. Sempre desconfiei de que você ocultava u m segredo . de modo que ela pudesse aproveitar o calor do fogo que ali crepitava. A Srta.disse a enfermeira. Mas logo raciocine . mas parecia uma pluma nos braços dele. tentar envenená-los com arsênico? Derreada.declarou. senhor . a enigmática mensagem que eu escrevera no quadro-negro e. Obedeci . Bart me lançou um olhar por cima do ombro e fez-me um sinal com a cabeça para acompanhá-lo. senhor . é quase impossível distinguir uma cadeira de rodas de outra. Catherine Dahl talvez lhes reserve outras surpresas. Portanto. Seus duros olhos cinzentos faiscara m maliciosamente. Vamos terminar isto de uma vez por todas. Podem ficar até quando quiserem.disse Bart. como deveria. Normalmente.Muito bem . Acompanhe-me à bibli oteca para receber seu cachê . A velha usava um roupão azul sobre o camisolão de hospita l e uma manta protegendo as pernas. exibir a chave de madeira feita por Chri s. vai acreditar nela e não em mim? Bem sabe que eu seria incapaz de envenenar alguém. . se fizere m o favor de perdoar-me. E eu possuía muitas provas para confirmar minhas declarações. Deu-me uma ordem ríspida: . ergueu-a no colo e se encaminhou para a biblioteca.Então.disse ao chegar à porta. mas minha esposa estev e doente e esta pequena brincadeira foi preparada por mim num momento pouco adeq uado. na defensiva.Sinto muito. minha mãe fechou os olhos. Como o odiei naquele momento! Enquanto os convidados se moviam por perto. as mãos pálidas e trêmulas de desespero. a lesma deformada. Não era um pedido. Ocorreu-me muitas vezes a idéia de que não me amava r ealmente. indefe sa. quer fazer o favor de fechar a porta? Só então percebi quem mais se encontrava na biblioteca! Minha avó. Bart parecia prestes a explodir ao caminhar de um lado para outro.Basta tocar a campainha quando a Sra. Por quê? Por que não me procurou para contar toda a verdade? . continuem a festa.arrancar-me os olhos! Não acredito que um só dentre os presentes duvidasse de mim parecia-me demais com ela e sabia de muitas verdades para estar mentindo! Bart afastou-se de mim e foi até a esposa.iguais aos meus. Parecia já não ter um pingo de sangue nas veias ao indagar com voz sumida e inexpressiva: . Mallory . Ela est ava mais pesada do que antes. escondidos no sótão. inerte numa poltrona de couro. a despeito de tudo que eu afirmasse.

chorando e dizendo que nunca me viu. você teria escapado de todo e qualquer cast igo. Contudo.mas seu pai lhe passou a perna. descuidada. afirmando que o levariam para o hospital. descobrir a verdade. nada mais. se algum dia você me amou.Exceto quando assisti ao balé. q ue você costumava ignorar? Demos-lhe apenas um pedacinho de rosca açucarada e ele mo rreu! Agora. eu não disporia da men or prova para mostrar a seu marido e. Nós éramos os camun dongos que comiam as rosquinhas açucaradas contendo arsênico.sussurrou minha mãe. Pode encolher-se.i que ele não acreditava realmente em mim e usava um truque de advogado. ficou tão doente que morreu . Sim. pois outrora eu a amara e sob todo o ódio e animosidade que sentia por el a ainda existia uma pontinha daquele amor. mas eu tenho as provas! Ri desvairadamente. se gostou um pouquinho de mim. Agora. Então. quase chorando ao ver as lágrimas que lhe começaram a brilhar no s olhos.disse ela com voz forte.disse ele. E Bart também. . Entr eguei-as a Bart.Sabe mais uma coisa. ele continuaria a acreditar em v ocê. . . Mamãe. Se você conseguir provar tais afirmações.é is so que você deseja? . ela merecia. há dez anos..portanto. . Por que não queimou os documentos? Por que os conservou?. Julgou que se matasse seus quatro filhos poderia ter outros . Mãe! E conseguimos prova r que as roscas estavam envenenadas. preservar aquelas pro vas. mentindo. Não ob stante.. Mentira! Tudo mentira! Chris desce u às escondidas e ouviu aquele mordomo. Bart apertou as pálpebras. você nunca s oube fazer nada direito. Mamãe? Vamos. Conte-lhe como voltaram no dia seg uinte. em Nova York.Nunca vi você em minha vida . Tive a impressão de ouvir a casa inteira suspirar.. . que já morreram! . . Foi muito descuido de sua parte. contar a uma das criada s que a avó levava arsênico para o sótão. mentindo.Querida mãe. para a mãe dela. empertigando-se na poltro na e encarando-me nos olhos.e também de Cory e Carrie.. se isso é o que ainda fazem neste Estado. sem dúvida. John Amos Jackson. na Pensilvânia. minha mãe sussurrou: .. negando a ex istência de Chris .. com os olhos ainda mais apertados e ladinos. querida e amantíssima Mãe. Mamãe? Carrie me contou que você a encontrou na rua e a reneg ou. pois sou atriz e. atacando e esperando pegá-la com a guarda baixa para. não quero vê-la na cadeia ou condenada à morte na cadeira elétrica. olhando primeiro para ela e depois para mim.Você está fazendo graves acusações c ontra minha esposa.Mentindo. sorri para minha mãe. cometeu uma grande tolice ao costurar aquelas certidões de nascimento no forro de nossas maletas velhas. Com crueldade e grande satisfação.ordenou Bart. sente-se antes que eu a empurre! Obedeci.Cathy! Sente-se e deixe-me cuidar disto! . Lembra-se do camundongo de estimação de Cory..Cathy . depois. Magoava-me realmente vê-la chorar. Ergui os . a fim de matar os camundongos.Minha esposa sofreu recentemente uma cirurgia e não permitirei que sua saúde seja colocada em risco por você. ainda olhando para a esposa. Avancei para fitá-la furiosamente e indagar com meu tom mais ríspido: . Não. Entretanto. que as levou para perto de uma lâmpada e se debruçou para examiná-las . não é mesmo? . você fica aí sentada. acrescentei: . Sem aqueles documentos. ela treinara durante tempo demais para permitir que alguém a pegasse de surpresa. . portanto. E eu repetia comigo mesmo que ela merecia! . talvez.. de assassinato premeditado . Bart olhou para a esposa e. Suspirei. foi destruído num incêndio. ela irá a julgamento por homicídio doloso .Está mentindo . conte-lhe como você e sua mãe entraram em nosso quarto durante a noite e o embrulharam num cobertor ver de. . . com a maior calma. Está vendo como o destino foi bondoso para com você? Contudo. você também contribuiu para matá-la! E sem as certidões de nascimento. pois aquele cartório em Gladstone. Mamãe. tirei da bolsinha de prata as cópias autenticadas de quatro certidões de nascimento. acostumada a representar diversos papéis.Quero apenas justiça. Eu viera preparada para enfrentar acusações daquele tipo e.Por que não conta a Bart o que aconteceu a Cory. torno u a fitar a esposa. responda-me: alguma coisa do que afirma essa mulher é verdade? Ela é sua filha? Com voz muito sumida.É uma pena ele não saber que você é ainda melhor atriz que eu. Após breve pausa. extravagante em relação a tudo .Corrine. você sempre foi estouvada. dizendo que Cory morrera de pneumonia. Alega que ela é culpada de homicídio. Pouco depois.

Pois eu a engane i. voltou-se furiosamente contra mim: . Ele me amou demais quando fui criança.Sim . . quando meu marido morreu naquele acidente.disse Bart num tom gelado.depois marido . imaginaríamos um meio de salvar seus filhos e. como poderia acredi tar numa só de suas afirmações. virou-se para o retrato a ól eo acima da lareira: .seria informado da existência de meus quatro filhos! Prendi a respiração. . ergui-me de um salto. Julgava que meu pai me devia aquele d inheiro! Riu histericamente. durante todo o temp o! Tencionava mantê-los prisioneiros pelo resto de suas vidas! Fiquei sem respirar. ao mesmo tempo. com o dinheiro.disse ela à velha na cadeira de rodas.Sim. lançando um olhar furioso à avó.Todos me achavam estúpida. . planejando. Eu chorava. . a fim de mantê-los no cativeiro até morrerem. taradas. Então. ele me dizia que vocês eram crianças malévolas. juntos. A cada dia. caso contrário não herdaria um vintém e meu namorado . como se tivesse o inferno em se u encalço e precisasse falar depressa a fim de escapar às queimaduras. .Homicídio nunca é solução para nada! Você só precisava contar-me a verda e e. e suas constantes acusações contra mim. Certa noite. também. Depois. nem por um segundo.Ele queria que eu e meus filhos ficássemos nesta casa.Será que não compreende? . invadida por uma sensação de dormência que me subia das pontas dos pés.olhos e notei que minha avó me fitava com a mais estranha das expressões. mas tinha medo de você não me aceitar com quat ro filhos e sem vintém . . Como meu pai se alegrou co m isso! Será que não entende. . Então. com meus filhos e. iludir-me e levar-me a pensar que ele não tinha con hecimento de que vocês estavam escondidos lá em cima. "Eles nunca deviam ter n ascido.Ela? .E encontrei a solução! Encontrei! Levei muitas semanas pensando. . Empertigou-se de tal maneira que a espinha ficou ereta. que mereciam ser destruídas. . indagava maliciosamente. aqui embaixo. Catherine! Achou que sofreu muito trancada lá em cima. não acreditei que ele falasse sério. com ar muito astucioso. porque me odiava. insinua va que seria muito melhor vocês morrerem logo que serem prisioneiros até envelhecere m ou adoecerem e morrerem.e eu o amava tanto. meu pai não me deixa va em paz aqui embaixo. mas quem contou não fui eu! No dia em que Chris e eu f ugimos desta casa horrível.Ele sabia a respeito de nós? O avô sabia? Ela tornou a rir.. meu a dvogado aconselhou-me a pedir a ajuda de minha família. excitada. . disse-me raivosamente: "Idiota! Foi bastante estúpida para acreditar que al gum dia eu a perdoasse por haver dormido com seu meio-tio .Eu encontrei sozinha uma solução! Queria você. privada de sua vida escolar normal e de seus colegas e amigos. claro que ele sabia.E você também. enqua nto vocês ficavam lá em cima. Sempre me odiou. Duvidava de suas palavras. a quem ela favorecia mais que a mim.prosseguiu ela.. Torturei-me à procura de uma solução que me permitisse ficar com você. um som duro como diamante cortando vidro.Enganei-o também. filhas do Demônio. recomeçando a descontrolar-se. meu pai contratou detetives para seguir-nos e mantê-lo i nformado a nosso respeito. brincando e decorando o sótão. sob seu controle. arqui tetando. meu pai me ordenava que fizess e isto ou aquilo. com a cabeça majestosament e erguida. . junto com minha mãe. mas achei uma solução! . ele adorou manter os filhos de seu meio-irmão capturados co mo animais numa jaula. Mamãe .Ela fazia tudo que ele manda sse. tão depressa que as palavras pa reciam querer atropelar-se. à sua mer cê! Planejou. No início. Malcolm Foxworth! Em seguida.Eu não lhe podia contar. Então. q uando eu não podia libertá-los! Quando.replicou Mamãe. mas não imagina como isso foi bom em comparação com o que meu pai me fez! Você. implorava. encarando-a. Portanto.indaguei.e ele ria. não g ostando dos filhos. jogando. ajoelhava-me para suplicar . Cathy? .A avó aceitou o plano? .exclamou ela. meus filhos e o dinheiro também.prosseguiu minha mãe num tom inexpressivo.Corrine . atraídos à armadilha. dia após dia. uma linda loura desprovida de cérebro. Queria fazê-lo. Bart.o mais ultrajante pe . os olhos fixos em Bart. postando-se diante dela como uma torre sóli da e inexpugnável. Mas sabia. E depois que aqui chega mos. . julgando qu e se tratasse de mais um de seus estratagemas para torturar-me. não é mesmo?". após tudo o que ela já fizera? . a hera nça.

sarcástica..indaguei. Desviou desesperadamente o olhar.Sei que me odeia. . Naquele brilhante vestido vermelho. chegando às veze s a gritar comigo. não só de mim como também da fúria que ardia no olh ar de seu marido. ele passou várias semanas sem permitir que e u percebesse que ele sabia que vocês estavam presos lá em cima. .Cathy . seu rosto delicado e lindo. os punhos cerrados. Olhou alternadamente para cada um de nós.Será que consegue entender como foi? Eu não sabia para onde me voltar! Não tinha din heiro e julgava que meu pai morreria durante um daqueles terríveis ataques de fúria. vocês me imploravam liberdade. Suas mãos pálidas e elegantes tremiam a o passar do colo para o pescoço. . ao mesmo tempo em que manteríamos seus filhos vivos.a velha der reada na cadeira de rodas.. Cathy . ele cont inuou vivo. ademais. enga nando-o quanto a meus filhos . virou-se para sua mãe . fixos. Confesso que lhe menti no passado.. . Você tinha liberdade de sair e entrar quando entendesse. porque ele estava muito debilitado e. por favor.. se jamais o vi la nçar um olhar mais severo em sua direção? Ele a fitava com amor e orgulho. quando eu já não podia mais suportar vê-la naquele estado. . Agora. eu já estava irremediavelmente capturada na armadilha. não estou mentindo.. Deu a impressão de murchar e abater-se ante a perspectiva dos incontáveis anos que ainda seria obrigada a viver cheia de remors os. Queria a herança e pouco se importava com o que tivesse que fazer para consegui-la! Desejava aquele dinheiro mais do que queria seus qu atro filhos! Ante meus próprios olhos incrédulos. e não me casei com você por dinheiro. . despida de toda a antiga pose majestosa. atingindo o que lhe estivesse ao al cance. e. de prazer. derrotada e alqueb rada. . como um marinheiro que procura equilibrar-se num barco agitado pelas ondas.. Mantinha as mãos às costas. a essa altura. Te r-me-ia casado mesmo que você não tivesse um vintém! . passei a provocá-los.especialmente você! .Querida Mãe.mas como poderei acreditar. afinal. você vem com essa ridícula estória de ter sido torturada por ele e obrigada a matar os filhos qu e mantinha escondidos. Corrine.. como se lhe tivessem removido o coração. Seu pai lhe dava todo o dinhe iro para comprar roupas novas e tudo mais que pudesse desejar. . procurando refugiar-se num local seguro on de pudesse ficar oculta para sempre.Sim. recém restaurado. Por que não acredita em mim? Bart estava de pé com os pés afastados.Além de gritar e lhe bater com a bengala? Não poderiam ser pancadas dolorosas.Não conseguiria ser mais esperto que meu pai! . Passou a implorar-me piedade: . Poderia ter arquitetado algum plano para tirar-nos daqui sem o conhecimento de seu pai.. Então. Faria tudo que fosse legalmente possível para impedir as maldades de seu pai e ajudá-la a receber a herança..cado contra Deus? E ter filhos com ele?" E continuou a vociferar. ou era? . mas. Mãe..Não odiaria se compreendesse. desferia bengaladas. E cada vez que eu ia a seu qua rto. nunca vimos marcas de pancadas em você após aqu ela primeira surra com a vara de salgueiro. assistindo a tudo aquilo com uma careta de zombaria. ass umiu a aparência envelhecida da sua mãe. . .Bart. Você gozava d e total liberdade para fazer o que bem entendesse. Então. a frente alta do vestido de gala. a fim de lhe causar a morte. onde apalparam o colar de brilhantes que certamen te segurava no lugar. vociferando contra mim e meus filhos. livres para levarem uma vida normal.Corrine .Poderia t er-me contado tudo na ocasião e eu entenderia.implorou ela.bradou ela.Su a filha tem razão. Corrine. Não sou um monstro.. Os dedos ossudos . Minha mãe ficava sentada por perto. Emiti um riso duro e cheio de amargura.. não existe nada que você possa dizer para me fazer compreender. Eu a amava. eu a odeio. Portanto. Pode ficar aí sentada.interpôs Bart num tom estéril. erguendo-se de um pu lo e começando a andar de um lado para outro. . chorando e relatando como seu pai a obrigo u a envenenar seus próprios filhos . minha mãe parecia uma labareda viva e a cor do tecido tornava-lhe os olhos roxos. Mesmo assim.mas não estou mentindo agora.Que tipo de homem julga que sou.indagou com amargura. Entretanto. como se não possuísse mais o esqueleto. Especialmente você. Oh! Deus! você me enoja! Os olhos de minha mãe ficaram vidrados.E que mais ele fez para manter-nos prisioneiros? .

E. não importava quantos presentes eu lhe desse. Será que não entende o que tentei fazer? Procurei torná-los um pouco doentes . ele piorava e dava a impressão de esta r às portas da morte. Então. . não acreditava que pudesse demorar mais que um ou dois dias. Lançou-me outro de seus olhares demorados e angustiados. eu não queria amá-lo e envolvê-lo na encrenca em que me encontrava.Muito bem. minha mãe saiu do confronto empertigada e altaneira. que não se atenuavam com a idade ou o temor do inferno que devia estar à sua espera. nunca. porém. Fui estúpida. pois um segredo guardado durante tempo demasiado torna-se impossível de explicar. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria forçada a enfrentá-la . Embora me sentisse magoada por dentro a ponto d e quase chorar. .e retorcidos alisavam de leve a manta que lhe protegia as pernas. Tinha certeza de que seria você quem me arrancaria a verdade. no início. apenas o suficiente para tirá-los desta casa! Fiquei abismada por sua estupidez em arquitetar um plano tão perigoso. havia também minha mãe. que minha mãe dirigiu o apelo final. Cathy. especialmente Cory. Como eles queriam pensar que Deus punir a meus filhos.po is a verdadeira vencedora era eu. na verdade. calcul ei que tudo era mentira. Começou a falar num tom desapaixonado. . mas não o bastante para causar a mo rte! Tudo o que desejava era fazê-los ficar um pouco doentes. . como se eu a houvesse tor turado além de qualquer resistência humana. Observei os olhares de mãe e filha se enfrentarem. em casa de um amigo comum. além da alergia. falando do primeiro enco ntro que tiveram. causando-me remorso e vergonha quan do. cujos olhos imploravam mudamente: Tenha pi edade.Bart. olhando para ela.interrompi suavemente suas súplicas. Meus filhos suplicavam-me diariamente serem postos em liberdade. Não obst ante. a vencedora daquela batalha entre duas vontades de aço. logo que seu pai morreu. Sempre teve o dom de ver através de mim.Fiz o melhor possível! Disse a meus pais que todos vocês estavam doentes. Cathy. sempre C athy.Eu sabia! Se não fosse aquele codicilo no testamento. eu jamais teria necessidade de usar o arsênico! Todavia. acreditaram facilmente. . o olhar úmido e angustiado animando-se um pouco ao pousar novamente em mim. contra o modo pelo qual instavam comigo. consegui sorrir para ela. Você.exclamou minha mãe.murmurou ela em seguida.Mamãe . sua mais severa juíza. minh a mãe estava encarregada de tomar providências para que ele não herdasse os cinqüenta mi l dólares que papai lhe prometera. . acredite em mim! Falo a verdade! Desviou-se de mim e. que a e ncarava de modo muito esquisito. eu tentava fazer por eles o melhor possível. o mordomo. E era Cathy. para meu espanto e surpresa. Rezava par a que. E foi para mim. Portanto. de modo que eu adiava a decisão e mantinha segredo. Christopher me amava. tentei fazer o melhor possível por vocês. de adivinhar que não fui sempre o que desejava que vocês acredi tassem que eu era. Desejava f alar-lhe a respeito de meus filhos e da ameaça que meu pai representava contra ele s. não passando de uma desculpa para apaziguar Bart. como se discutisse uma terceira pessoa. apelou para Bart. Era como ouvir as palavras de uma mulher que sab ia estar-se matando com cada sílaba e.Já se esqueceu de que seu pai morreu antes de começarmos a receber as rosquinhas açucaradas? Ela voltou o olhar atormentado para a avó. muito combalida. Fiquei petrificada. Di sse-lhes o que acreditava ser verdade. Utilizei um pouco de arsênico. você me compreendesse e aceitasse. apesar disso. . Na verdade. meu pai revelou nosso se gredo a John. Embora eu soubesse que tinham todo o direito de reclamar. para o hospital e depois dizer a meus pais que haviam morrido lá. Contudo. O a . confiava em mim. quando lhes pedi que viessem viver escond idos aqui até que eu recuperasse as boas graças de meu pai. sempre que me resolvia a fazê-lo. um a um. Aqueles imutáveis olhos cinzentos. . já não se importava com isso .Sim! . mas os fanáticos olhos cinzentos faiscavam com um fogo forte e malévolo. quando eu finalmente lhe revelasse tudo. comecei a ressentir-me contra el es. Você queria casar-se comigo. quem mais insistia comigo. Meu pai insistia em negar seu consentime nto. a fim de poder levá-los. E Cory tinha resfriados sucessivos. que a fitava de forma severa implacável.Cathy . que continuou vivo para verificar se eu obedecia as ins truções e mantinha vocês presos lá em cima até morrerem todos! E se John não o fizesse. que desejava que John recebesse toda a herança! Um terrível silêncio pairou no ambiente enquanto eu tentava digerir tais afirmações.

Não me olhe assim.O que você fez realmente com o corpo de Cory? Pro curamos em todos os cemitérios da região. A porta da biblioteca se abriu repentinamente. . De repente. mas ela tapou os ouvidos c om as mãos espalmadas. eu não queria . Seus olhos expressavam feroz indignação. . ela engoliu em seco. Oh! Deu s! Como poderia eu descobrir a verdade? Olhei para Bart. Mamãe. Fitou-me com olhar vago e movimentou os lábios. ergueu as mãos num gesto que parecia querer afastar Chris.Eu não sabia o que fazer com ele . depois. .Nunca conseg . que estava em pé diante do fogo. esforçando-se por falar. Girei nos calcanhares. você não fez isso . compreendi que e la mentia. Sabia que poderia ser acusada de homicídio e não desejara matá-lo! Apenas deixá-lo um pouco doente! Portanto. mas meu pai me obrigo u! Disse-me que eles nunca deviam ter nascido! Tentou convencer-me de que eram tão pecaminosos que mereciam morrer e este seria o único modo de eu ser perdoada do p ecado que cometi ao me casar com você! As lágrimas lhe escorreram pelo rosto e ela continuou a falar. joguei o corpo numa profunda rav ina e o cobri com folhas mortas. Mamãe. . Soluçou com a lembrança.Morreu antes de chegarmos ao hos pital. . perceb i que estava morto. com o olhar fixo na direção da porta. E ele exalava um odor muito peculiar.apenas o suficiente para salvá-los. Então. jogado no fundo de uma ra vina escura.perguntou ela. Seus olhos enormes imploravam-me que acreditasse.Antes de descer a escadaria principal para me confrontar com você. Chris! Eu os amava! Não queria usar o arsênico. O rosto ficou totalmente inexpress ivo. . examinamos os registros. ela foi incapaz de mover-se.. . fazendo faisca r todos os brilhantes e outras jóias.Então.. po r mais força que empregássemos ao empurrá-los. ela odiava Mamãe. Olhei para a avó e percebi que franzia a testa... Estaria vendo o fantasma de noss o pai? .Chris.Chris.. vendo as mãos que tentavam torcer um imaginário colar de pérolas. Chris e eu sempre desconfiamos que devia ex istir outro acesso ao sótão e presumimos corretamente...Não. minha mãe virou a cabeça para verificar por que motivo eu me manti nha imóvel.indagou ele. acrescentando: . notando-lhe os olhos azuis que aguardavam ansiosamente uma respos ta. Quando olhei para o banco traseiro. Chris estacou bruscamente e olhou pa ra ela. como se terrivelmente assustada.. C omo num pesadelo.minha voz baixa deu a impressão de cortar a atmosfera ge lada da imensa biblioteca.vô soubera de tudo desde o início e queria manter-nos prisioneiros até morrermos? E. como se negassem todas as alegações de minha mãe. Ten tou mas não conseguiu falar. e nenhum menino d e oito anos morreu naquela última semana de outubro de 1960. encontrei um quartinho que nunca tínhamos visto antes. c omo se isto não fosse castigo suficiente. Fui também obrigada a engolir em seco ao pensar em Cory.sussurrou.Mamãe . Fiz uma pausa a fim de conseguir maior efeito e dei um tom dramático ao declarar e m seguida: . Depois. você nos ministrou deliberadamente o arsênico? .indaguei em voz baixa. então. Por um instante.. Primeiro. abandonado lá para apodrecer. Mamãe teve um sobressalto. mas não emitiu o menor som... nada mais. galhos e pedras. a escadinha do sótão. torceu as mãos uma na outra. que tinha de haver uma porta escondida atrás dos gigantescos e pesados armários que nunca conseguimos afastar.juro que não queria! Não me olhe assim. obser vando minha mãe. visitei o último quarto da al a norte. parou de respirar. Desejaria que eu acreditasse no pior.. . um cheiro de algo mor to e apodrecido. Por outro lado. os olhos escuros fitando a espos a como se nunca a tivesse visto antes e estivesse assustado com o que via agora.Eu amava meus filhos! Nossos filhos! Mas o que poderia fazer? Eu só queria que f icassem um pouco doentes . Chris! Sabe que eu jamais mataria nossos filhos! Os olhos azuis de Chris se tornaram gelados ao fitá-la.Antes de descer ao salão. usei a escada que leva diretamente ao último andar e. Bart fez menção de dizer algo. furiosa. embora Chris insist isse em menear negativamente a cabeça. . no armário embuti do do quarto que nos serviu de prisão. .? . até mesmo tentara obrigá-la a matar-nos? Oh! Ele deveria ser muito pior do que eu imaginara! Não era um ser humano! Então.Odiei a mim mesma. para evitar escutar qualquer coisa que alguém dissesse.

acrescentou. Vi-o pegar um telefone. . A presença dela é necessária em outro lugar.Tirou-me a venda dos olhos. . . pois fez uma pausa no meio da escada e sorriu para mim . Tenho n ecessidade de conhecer toda a verdade.E manteve vocês quatro trancados num quarto durante mais de três anos? . . tentei acompanhar Bart com os olhos. .Feliz Natal. sem dúvida para chamar os bombeiros. Com o braço de Bart passado em meus ombros. Venha. É minha mãe.Vamos depressa. mãe de Cathy e foi mãe de dois gêmeos chamados Cory e Carrie.Precisam os ir depressa! Olhando para a avó. subiu correndo o lado direito da dupla escadaria.Espere um momento . Chris olhou para mim.quis sabe r Bart.Cathy não pode partir: espera um filho meu e quero que fi que comigo! Bart avançou para abraçar-me carinhosamente e fitar-me com os olhos cheios de amor. Cathy. irmão de Cathy? . Eu esperava jamais tornar a vê-la.Sim: três anos. Virou-se novamente para mim: . mas Chris presumiu que Bart nos apontava o utro caminho de saída. Fumaça! Senti cheiro de fumaça! . Gritos que pareciam uivos de um demente! Ainda grit ando. Tenho más notícias.Cathy .Leve-a para fora e trate de mantê-la em segurança! Preciso encontrar minha esposa ! Olhou desesperadamente em volta. Pessoas caíam e eram pisadas pelas outras. E se deseja m aiores detalhes. Lindstrom estão esperan do em meu carro.disse Chris.Sim. . lançou-lhe um sorriso irônico. terá que esperar. E quando levou Cory consigo certa noite. O s alegres participantes da festa lutavam agora para fugir dali e pobre de quem não tivesse forças para abrir caminho até a porta.Por quê? .disse Bart.Meu Deus! a casa está em chamas! . ela gritou. Em seguida. Grandes rolos de fumaça negra desciam pelas escadas. abandonamos a biblioteca e a avó. Mas você o fez! Então. que aument ava e diminuía histericamente..Preciso fazer-lhe algumas perguntas. Frenética. Talvez consiga redimir minha existência fazendo algo úti l. . ele aponto u para o leste. mas estou percebendo que o te mpo exerceu sua própria vingança. voltou depois para dizer-nos que ele morrera de pneumonia. Prec isamos ir imediatamente para Clairmont! Antes que eu pudesse responder Bart indagou: .Bart. O que acontecera? .Corrine! Corrine! Onde está você? A multidão apavorada procurava simultaneamente a mesma porta de saída. .Não! . Cathy . Li-lhe nos lábios as palavras eu a amo! Então. . Nunca em minha vida eu escutei um grito como aquele. Tinha razão. Aquela mulher de vestido vermelho é sua mãe? Primeiro. Eu certamente fui feito para coi sas melhores que isto aqui. Não compreendi o gesto.Você é Chris.Sim.quis saber eu. . . . . empurrando-me na direção de Chris. naturalmente. corriam. que acenei em desespero. como se ainda não quisesse acreditar.protestou Bart.gritei. Vim buscar Cathy. Avó. estendendo outra vez a mão para mim. procuravam uma esposa ou um marido . Estendeu a mão e me encaminhei para ele. Cathy! Onde está seu casaco? Jory e a Sra. não suba! Morrerá aí em cima! Não. Entrei em pânico. . .Vim buscá-la. atravessando todos os outros salões a té chegarmos ao grandioso salão de bailes. obrigando-se a afastar os olhos da porta e examinando a b iblioteca para notar a presença de Bart e da avó.ui acreditar realmente nisso depois que escapamos daqui e tive tempo para reflet ir melhor. indo diretamente para o fogo! . pois há outras pessoas de quem precisamos cuidar agora. quatro meses e dezesseis dias. chamando: . para variar.Não! . Bart! Volte! Creio que ele me escutou.exclamou Bart. Só então Chris encarou Bart. ela girou nos calcanhares e correu para uma porta cuja existência eu ignorav a e pela qual ela desapareceu.. com certa hostilidade. Lancei um olhar triunfante à avó e evitei fitar Chris. O tumulto explodira! Todos gritavam. Meneei a cabeça para indicar que Bart já sabia.

mas todos correm para a porta principal! Veja as p ortas do terraço! Conseguimos sair da casa e. Meu irmão f . Não parava de gritar o nome do marido e. . O vento soprava implacavelmente. que não merecia viver! Arriscava a própri a vida.Christopher. ainda me abraçando e falando num tom frio como gelo. até que tive ímpetos de gritar. Com que facilidade a madeira antiga queimava.replicou Chris. avistei minha mãe em seu vestido vermelho como o fogo.Não foi Cathy quem gritou para lembrar a Bart de que a avó ainda estava lá dentro. por favo r! Minha mãe me escutou e correu para o local onde Chris continuava a me abraçar. fervendo ao calor do fogo. E ele deve morrer a qualqu tenho certeza! Juro-lhe que não precisará per er dia. E deve ter percebido que ele não poderia voltar ao interior da casa e sobrevive r. Chris enfiou o braço pela janela do carro e pegou um agasalho para colocar em meus ombros. junto com os genuínos móveis de es tilo e os objetos de valor inestimável. abraçou-me quando me apoiei contra ele. aumentand o as labaredas até que estas iluminavam a noite e davam a impressão de incendiarem o céu. Esta caía sobre a casa em chamas. protege ndo-nos. tive opo rtunidade de avistar o grandioso salão de jantar . ma nipulando mangueiras que lançavam jatos de espuma contra o fogo! Alguém gritou: . Foi v ocê. o de sua mãe.Bart! Não quero matá-lo! Quero apenas que me ame! Não morra. E não parou de dizer aquilo.Você! . Será recompensado mil vezes quando meu pai morrer. Não me ama mais..Não se preocupe. Por favor. impossíveis de substituir. mãe . tossindo. afinal. afinal. do qual Emma. querendo o meu colo. . a despeito dos heróicos bombeiros que lutavam como loucos. Então. Cathy . . Farei tudo.berrou ela. acima de tudo! Era o motivo pelo qual eu insistira em que fizéssemos a escada com lençóis ra sgados em tiras. Aquele era o incêndio de meus pesadelos na infância! Era o que eu mais temia. Enquanto Chris e eu observáva mos. Christopher.algo que lhes emprestava clareza e inteligência di ssolveu-se. Onde ele estaria? Por que não saía da casa? Es cutei as sirenas dos carros dos bombeiros nas estradas da montanha. qualquer minuto manecer aqui muito mais tempo! Não muito tempo.Engasgados. formando b olotas vermelhas que se derretiam. observava a mansão incendiar-se. depois. quando outrora eu ficar ia alegre ao assistir a tal espetáculo.. não muito tempo. com a expressão selvagem de uma louca. meu amor. Bart! Não morra.disse ele.Bart deve conhece r todas as saídas. diga-me o q ue deseja. enquanto eu gritava.que também estava cheio de fumaça. Em vez disso. tapei os ou vidos com as mãos e apertei o rosto de encontro ao peito largo de Chris. E ela pareceu murchar. não era apenas um cãozinho de estimação. desvairada e frenética: . .exclamou Chris. trarei tudo para compensar o que você está perde ndo. sendo contida por dois homens. .Não.Há pessoas presas lá dentro! Salvem-nas! Creio que fui eu. movendo nervosamente as mãos.Veja! . Christopher? Por q uê? Não lhe trago tudo que precisa ou que me pede? Novos livros. . . Seus olhos azuis como o céu a presentavam manchas escuras de maquilagem derretida. algo em seus olhos cedeu . chegamos ao carro de Chris.Idiotas! Devem existir ao menos u ma dúzia de saídas no andar térreo. puxando-me pela mão. Talvez preferisse ver seu marido morto que casado com sua filha. . afinal. qualquer hora. jogos e roupas? O q ue lhe falta? Diga-me. chorando por Bart. Oh! Meu Deus! Ele voltava para salvar a avó. fazendo todo o possível para provar que.Acha que Bart a amava ? Que se casaria com você? Idiota! Você me traiu! Como sempre! E agora Bart morrerá po r sua causa! . . caso necessário. Foi mais que horrível ver a imensa mansão consumir-se em chamas. Seria um milagre sobrar alguma coisa. para que possa ir comprar para você. Jory estendeu os b raços. Peguei-o e Chris passou o braço em torno de mim. Girou nos calcanhares e tornou a entrar na casa incendi ada. Então. gemendo na n oite já tumultuada pelo vento e a neve. Os bombeiros agiam com rapidez e agilidade sobre humanas para salvar quem estava lá dentro. Chris e eu corremos através de outro salão e. não muito tempo. sou sua mãe. a fim de podermos escapar e chegar ao solo.Minha mãe! Está lá dentro! É paralítica! Bart já chegara aos degraus do pórtico quando escu ou os gritos de minha mãe. tentando reconfortar-me. Ela esbugalhou os olhos. co m Jory no colo. meu filho.

que os avistou. Amanheceu antes que o incêndio fosse controlado. tendo partido para onde eu jamais poderia alcançá-lo e confessar-lhe que o amara desde o princípio. junto com o de minha avó. Tudo ocorrer a por minha culpa! Tudo! Se eu nunca tivesse vindo. pois levara da vida aquilo que a ela trouxera.ez algum sinal para um dos motoristas da ambulância. Aos tropeções. folhas arrancadas dos talos. Por q ue não me lembrara disso? Tristemente. A essa altura. Não sofri por ela. terminou . Caiu de bruços na neve. impaciente.indagou Chris.. mais uma vez. esmurrando o solo. hoje! Ao tentar ajudá-la. lamentando-se por causa de um homem do qual jamais se deveria ter aproximado e permitir que morra o único hom em que fez alguma coisa de bom por nós? A avó dissera muitas coisas certas. a avó já se foi e não posso dizer que me entristeça com isso. A tal ponto que convencera Paul a deixa r crescer o bigode. agora que tudo termin ou.Cathy. fui até lá puxar o cobertor verde para fitar-lhe o rosto e convencer-me de que. Acompanhei Chris enquanto ele fazia o possível para aliviar os sofrimentos das p essoas queimadas. se eu nunca tivesse vindo. Sentíamo-nos cri anças outra vez. embora sinta muito a respeito de Bart. Embora só conseguisse atrapalhá-lo. Sacudi a cabeça. nascera cheia de pecado. subindo para o nada. o fogo começou no sótão. Meus olhos acompanharam a ambulância que levou o corpo de Bart. Eu era má. ainda berrando que eu a traíra. a morte interferia em minha vida. Foi minha sa udação final a Bartholomew Winslow.estava acabado. sem serem tocados pelo fo go. enquanto Chris e eu permanecíamos abraçados. . . As oito cha minés permaneciam eretas em seus robustos alicerces de pedra e. Os enfermeiros se aproximaram cautelosamente de minha mãe. Ela tropeçou quando o salto do sapato se prendeu na bainha do vestido vermelh o brilhante. A voz de Chris parecia vir de muito longe. não permiti que se afastasse de minha vista. indefesos ante o luto recente e a vergonha que se abatera sobre nós . naquele quartinho junto à escada. Chorei quando a mão de Bart me escap ou dos dedos.disse Chris. puxando-me.. Chris estava ansioso por partir.. gritando. abaixei-me para pegar pedaços de cartolina qu e outrora tinham sido roxos e alaranjados. observando-a com os olhos esbugalhados. pois eu me mantinha isolada como numa concha. a dupla escadaria curva continuava no lugar. no colo de uma mulher mais idosa? . Estava s empre interferindo! Beijei o rosto de Bart e chorei sobre seu peito inerte. com a esquelética avó ai nda em seus braços . Pe lo que diz a polícia. Paul também teve um ataque cardíaco! Ele precisa d e nós! Você pretende ficar sentada aí o dia inteiro. tentando clarear as idéias. esperneando.Ouça: Henny sofreu um grave infarto. como os de Bart. .. sem ver mais nada. soltou um berro e tentou fugir corre ndo. mas tive que sentar-me e observar até a últi ma nesga de fumaça ser soprada para longe. Tudo terminou. Lev aram-na embora numa camisa-de-força. pois quem viveria tempo bastante para me permitir manter o amor de que eu necessitava? Quem? Horas e horas se passaram enquanto Chris me implorava que aba ndonasse aquele lugar que nada nos trouxera senão sofrimento e infelicidade. a fim de parecer-se mais com Bart. O corpo de Bart Winslow foi encontrado no chão da biblioteca. Ergu i a cabeça e percebi que ele me fitava. Cathy? . por mais estranho que pudesse parecer. Quem era eu? Quem era o homem a meu lado? Quem era o menino que dormia no banco traseiro do carro. por favor . que eu vira pela primeira vez aos doze anos de i dade. Voltei-me para Chris e chorei novamente em seus braços. também.O que há com você. Outras peças de nossa decoração do sótão eram s opradas pelo vento: pétalas rasgadas. Oh! Deus! Como poderia eu con tinuar vivendo com o conhecimento de que matara o homem a quem mais amara? . quinze an os atrás.Precisamos ir! Não temos motivos para ficar.Por favor. E dera-lhe meu coração à primeira vista. Deve ter sido nossa mãe quem iniciou o incêndio. Colhendo o que foi Plantado . Cathy. desaparecendo para sempre. E de me casar com Julian porque seus olhos eram escuros. a imensa grandiosi dade que antes fora Foxworth Hall estava reduzida a ruínas fumegantes.ambos morreram sufocados pela fumaça. cambaleando. A frase se repetia em meu cérebro enquanto eu chorava lágrimas amargas por ter perd ido Bart.

Sabe que não deve falar muito. Catherine: não seria errado! De agora em diante.. Chris já esperou tanto tempo. Oh! Ser amada outra vez. meu amor. embora no dia de nosso casamento estivesse de cama.Catherine. Ordenei-lhe que saísse de casa. Deixei de lado a vasilha de ervilhas verdes e corri para o quarto dele.Paul. Eu agora era esposa de Paul.. To da sua juventude e vitalidade. os olhos ainda lindos e iridescentes fixos nos me us. Jory. como seu avô.Paul. não pode estar falando sério! Ele meneou solenemente a cabeça. Era difícil para ele escutar as conversas sem tomar parte. poderia ter cuidado bem de você e impedido que trabalhasse tanto. Seus filhos precisam de um pai . mas tentava aceitar o f ato. querida. Mas não permitiria . constatará que é tão prisionei ra nesta casa quanto foi em Foxworth Hall. Contudo. .o tipo de pai que já não poderei ser agora. Paul. . Não obstante. Eu me encontrava na varanda dos fundo s da grande casa branca de Paul. Ele me tapou os lábios com a mão e replicou que. reflita bastante e converse com ele a esse respeito.. Jory completará sete anos.alguém a quem ele podia dar ordens. embora os braços que me envolveram já não tivessem força. ensinar. ser condescendente. Agora. Beijou-me.Chamei apenas para verificar se você atenderia. julgando que seria o mais certo. Talvez continue vivendo assim durante anos e anos. Embora ainda pequeno. Suas palavras seguintes pegaram-me totalmente de surpresa e só consegui fitá-lo .. esperando que seu avô morresse. Paul conseguia ficar sentado algumas horas por dia numa poltrona.chamou a voz fraca de Paul. Passamos a noite de núpcias ab raçados e nada mais que isto. . estendendo-me os braços. jamais me comovera tanto como q uando sorriu para mim. agora mos trava-se deleitado por ter um irmão mais moço com o qual compartilhar a vida . Sempre teve muita personalidade e foi in dependente desde o início. com os olhos esbugalhados. esforça ndo-se sem descanso dia e noite. em vez de Julian.. Todavia. Prendi a respi não podia permitir! ração. mas para você e Chris também. tocadas pelo frio precoce. . Catherine. Comecei a soluçar. . Bart não era do tipo ao qual se dão ordens. não apenas para mim.exclamei. . Chris é médico! Você sabe que ele não concordaria! . pa ra variar.Está falando demais . . aninhei-me em seu c olo. enquanto você fica cada vez mais velha e jogando fora os melhores anos de sua vida. S aberá que Chris é seu tio. haviam des aparecido quase da noite para o dia.Escute-me.A culpa é minha! .repliquei. Pressurosamente.O tempo está correndo. . se vocês partirem agora e me esquecerem.Estávamos novamente em outubro. Dentro de poucos meses. já faz quase três anos que você vem sendo uma escrava para mim. se não fosse por nós já teria morrido há mu itos anos por excesso de trabalho. no andar térreo.adverti. Então. tome uma decisão.. jamais ficar ei bom. calada e boquiaberta. . . se Chris. Jory cons iderará Chris seu padrasto e não tio. Paul perdera muito peso. Carrie e eu não tivéssemos entrado em sua vida. estava magro e abatido. Catherine .Catherine . .Não! E Chris não concordaria! . às quais ele se apegara tão corajosamente. descascando ervilhas e observando o pequenino f ilho de Bart correr atrás de seu meio-irmão mais velho. não sou um marido de verdade. Jo ry completaria sete anos e. Déramos ao filho de Bart o mesmo nome do pai.Pense bem no assunto. Além disso. sufocando um soluço na garganta. Ele me sorriu docemente e estendeu os braços. . Embora eu sofresse muito quando você deu à luz seu filho mais novo. embora seu sobrenome foss e Sheffield e não Winslow. você não poderá gerar out ros filhos. Será que não consegue p .repetiu. esforçando-se ao máximo para alegrar meus últimos dias de vida. você não teria necessidade de ganhar tanto dinheiro para custear os est udos de Medicina de Chris e minhas aulas de balé.Não estou jogando nada fora . . talv ez tenha sido uma bênção disfarçada. Passará a lembrar-se mais nitidamente de tudo.Se me tivesse casado com você há muitos anos. Não quero que Chris e você terminem odiando-me. E logo v ocê ficará viúva outra vez. embora a princípio tivesse um pouco de ciúmes. E m breve. Portanto.E se você refletir bem. Sou impotente. o mês das paixões.Três anos. Naquele ano as árvores pareciam labar edas vermelhas.

desta vez com um ar levemente tristonho. . No novo carro azul de Chris.Perdeu tanta coisa. feliz. hesitante.indaguei.Tivemos cuidado.É apenas um bebê. com os sapatos brancos apoiados na balaustrada. é? Meu irmão baixou a cabeça para ocultar a expressão do rosto e o sol lhe iluminou os ca belos dourados. .. revertera à s ua mãe. ironia das ironias: tudo que ela herdara do pai lhe fora tirado.disse ele. .comentei. vimos um homem na varanda da frente. Não comemos peixes bebês.Ninguém na escola tem dois papais e não compreendem quando eu d igo. estendendo o braço para acariciar-me o rosto e os c abelos. .replicou ele. Com o que sonhava antes de acordar? ..comecei. como mamãe.respondeu Chris. Por mais silenciosamente que se tente apanhar folhas de jornal e dobrá-las. . Meus dois filhos vieram correndo. E.Vamos voltar para casa. mas ele teve que devolvê-los à água. Oh! Mamãe. mas talvez eu não saiba explicar direito.Foi o meu dia de sorte quando você galgou os degraus de minha varanda na . sempre se produz algum barulho. o sexo tinha que ser feito com muito cuidado.Já compensaram . O testamento da avó foi aberto e toda a sua fortuna. . sentamo-nos perto do riacho para onde Júlia levara S cotty e o segurara sob a superfície. ela pouco sorriu para mim depois que nos casamos. embaraçada. Paul entreabriu os olhos e sorriu para mim. Enquanto Chris levava meus filhos pa ra o interior da casa. se ao menos você conseguisse prever o futuro quando pensou em levar seus quatro filho s de volta a Foxworth Hall! Amaldiçoada por todos os seus milhões de dólares e incapaz de gastar um mísero centavo! E nem um só vintém nos caberia. . na linha de Jory.chamei.Sim . revelaríamos a verdade. atirando-se nos braços de Chris enquanto eu pe gava Bart no colo. . . não apenas pela metade. Jory gritou que fisgara um peixe. desde que você não o cond uza a um grau muito elevado de excitação.Apanhamos dois. . E ainda não lhes contáramos a verdade. o sexo não é perigoso.. . Está quase na hora do jantar. debruçando-me para beijá-lo.nsar nele e esquecer essa estória de pecado? E assim.Divertiram-se? Fisgaram algum peixe? .Chris e eu.respondeu.E você pode pegar os jor nais antes que o vento os arraste para os jardins dos vizinhos. sentada e olhando para quatro paredes. Quando nossa mãe morresse. voltamos à grande casa branca que tanto nos dera. nem tivesse a intenção de empurrá-la para além dos limites da sanidade mental. nós também escrevemos nossos roteiros .Sinto-me feliz por ambos. . ao mesmo tempo. Naquele instante.Ótimo. Após quatro graves ataques cardíacos. incluindo o que restava de Foxworth Hall.Estava sonhando com Júlia .sussurrou Chris. . sonolento. O jornal que ele estivera lendo escapara-lhe dos dedos relaxados e caíra no chão da varanda.Subirei para dar banho nos meninos . . embora eu jamais tivesse planejado assassina r alguém. só os grandes.Tenho certeza de que você não explica direito . Era pequeno demais? Seria ob rigado a devolver mais um peixe ao riacho? . porque eram m uito pequenos.Pobre Júlia . E talvez os n ossos não fossem melhores que o dela. . Contudo. d e modo que o resto de seus dias se passariam numa instituição para "convalescentes". tão parecidos que davam a impressão de irmãos inteir os. Paul fez amo r comigo esta noite. Na primavera do ano seguinte.Scotty estava com ela e ambos sorriam p ara mim. o dinheiro seria distribuído entre diversas instituições de caridade. pela primeira vez. de modo que ele se afogasse na água rasa e esve rdeada em que meus dois filhinhos brincavam com veleiros e vadeavam num local on de a água lhes chegava apenas aos tornozelos. quando quisess em saber. Ora.Olá .Parecia tão feliz.Temos dois papais! . . agora. . . pertencia agora a uma mulher que só conseguia permanecer numa i nstituição para doentes mentais. fui até Paul e sorri ao vê-lo cochilar com um sorriso de sati sfação nos lábios.Venham! .Chris .gritou Jory. tornando a beijá-lo. Não é perigoso.. . Jory não perguntara e Bart ainda era pequeno demais para indagar tais coisas. por mais difícil que isso fosse para nós. Ficamos ambos tão felizes que chegamos a c horar. mas. . . Sabe.disse Chris com um leve sorriso. Com o na primeira vez em que ali chegamos. Prometo-lhe que meus sorrisos compensarão todos os que ela lhe negou. foi um sonho libidinoso? Ele tornou a sorrir.

começa a berrar quando me avista. Entrei para ajudar Chris a cuidar dos meninos e. No testamento. tomou-lhe as pulsações e. segundo nossas especificações: quatro dormitórios. Até o mome nto. Ele continuou a dormir. Em seguida. Contudo. vesti um pijama amarelo em Bart Scott Winslow Sheffield. procurando repetidamente mutilar o próprio rosto e livrar-se para sempre de qualquer semelhança física comigo.Chris . Comece i a chamá-lo novamente. Por fim. que podem mostrar nitidamente que já não nos parecemos atualmente. inclusive a casa de sua família. Dormindo.Naquele maldito domingo . que foram para o céu antes que eles nascessem. Íamos para o Oeste. . Quando é contida. Talvez as crianças também consigam esquecer o que desejam ignorar e não façam pergunt as embaraçosas de responder. Logo os dez minutos se escoaram e torn ei a voltar à varanda. Meus filhos chamam meu irmão de Papai. quando ele produziu um som gutural semel hante ao meu nome. O remorso trans formou-a em algo horrível de se ver. em Gladstone. Como se já não se olhasse nos espelhos . caso eu desejass e vender a casa. visitamos Mamãe.Venha depressa examinar Paul. Chamei-o baixinho por três vezes. Emma Lindstrom. olhei-o com mais atenção. Jory já se esqueceu disso há muito temp o. de um tipo diferente de vida. não fique a ssim . Havia às minhas costas um rastro de homens mortos. Meu irmão devia estar no hall. Chris passou o braço por meus ombros e me puxou para si.a culpa não é sua! Nunca nada era minha culpa. a que tentam inutilmente dar um aspecto acolhedor. er gue-se de um salto e tenta arrancar-me os cabelos. enquanto ele abotoava o pijama de Jory. sentindo-s e bem e feliz.corrigi. . Geralmente. Ao menos uma vez por ano fazemos uma viagem ao Leste para visitar amigos. nunca esquecemos Julian. acar iciando-lhe o rosto..quele domingo. a fim de podermos fazer companhia às crianças. meu marido. lá depositando flores. Cathy.Dê-me dez minutos antes de me chamar para o jantar. inclus ive Madame Marisha e Madame Zolta. Ambas fazem grande estardalhaço quanto ao talen to de bailarino de Jory e tentam ardorosamente transformar também Bart em bailarin o. Visitamos tod os os túmulos dos entes queridos que já se foram. tombou-lhe a cabeça para trás. Quando isto não deu resultado. E outrora ela foi tão linda! Os médicos permitem que apenas Chris a visite durante cerca de uma hora. desferiu vária s pancadas fortes no peito de Paul. claro que não. ele gostaria que Amanda tivesse prioridade para adquiri-la. Só o modo estranh o como ele falara foi suficiente para encher-me de um terrível pavor. Até mesmo encontramos o túmulo de nosso pai. vinha um reboque alugado cont endo todas as nossas coisas. Já trêmula e cheia de medo. Era de e spantar que Chris tivesse coragem de embarcar no carro e sentar-se a meu lado. Até o momento. Ela vive num lugar imenso. Afinal. volta toda a fúria contra si mesma. declarava que. Mas. e stava morto. Além disso.e eu também.chamei com voz sumida. naturalmente. porém.. . Chris e eu alugamos uma casa na Califórnia até podermos construir uma residência térrea. do modo que mais gostaria . Sempre flores vermelhas e roxas para Carrie. nosso salvador. certifiquei-me de que o preço foi bastante elevado. a fim de acordar Paul. logo em seguida. dois banheiro s completos e um menor. e também lhe apresentamos n osso respeito por meio de flores. tapando-lhe o nariz e fazendo respiração boca a boca. enviado por Emma para verificar o motivo de nossa d emora. pois saiu imediatamente da casa e correu para junto de Paul. Corri ao telefone para chamar uma ambulância. no estilo de rancho. que el a tanto desejava e tantos esquemas armara para possuí-la. como os antigos pioneiros à procura de um novo futuro. Pegou-lhe a mão. em voz mais alta. haveria um quarto com banheiro anexo para noss a empregada. Mas eu não era responsável pela morte de um só dentre eles. . . a única inclinação demonstrada por Bart é a Medicina. Nosso benfeitor. enquanto espero lá fora com o . É um ótimo modo de morrer. sem dor ou sofrimento. Comíamos cedo. rosas de qualquer tonalidade para Paul e Henny. Eu gostaria de encontrar aqu ele motorista de ônibus e lhe dizer que nenhum domingo é maldito quando você estiver n o ônibus. Paul me legara tudo o que poss uía. tudo foi inútil. Além disso. era? Não. soprei-lhe a orelha. Ass im. nem Georges . Portanto. Ambos sabem qu e tiveram pais diferentes. finalmente a irmã de Paul tomou posse da residência de seus antepassados. ainda não sabem que Chris é apenas seu tio. d irigindo na direção oeste. Ele sorriu.Ele se foi. Engatado ao carro de Chris.

Ou. amor imorredouro e s em defeitos. Entretanto. mais verdadeiramente. nossa governanta. cozinheira e amiga. não sou como ela! Posso parecer-me fisicamente com ela. acabaria vencendo o mais importante dentre t odos? Por que eu não soubera? Quem me tapara os olhos? Deve ter sido Mamãe quem me d isse um dia: . tornei-me adulta demais para eles. sem trepidações ou lamentos . fama. ela nos é leal e não se intromete em nossos assunto s particulares. Preocupo-me porque ontem subi ao nosso sótão. o eterno otimista. fosse informado da verdade pelo ir mão. Chris canta quando trabalha nos jardins. por dentro. Mas.o belo parasita que se agarra às árvores até conseguir matá-las. Numa pequena alcova lateral. Pragmático. comprei hoje uma cesta de piquenique. de modo que ele dispõe de tempo para cuidar de nossos dois hectares de jardins.. Não obstante.. cantarola melodias de balé. . não é mesmo? FIM . Portanto. sempre oti mista. de poder escutar o vento frio soprando das montanhas azuladas tão distantes. E eu também deveria ter aprendido. O melhor tem que vencer. às vezes.o que o une a mim de forma tão permanente? Procuro adivinhar também o motivo pelo qual ele não teme o futu ro ou a duração que este venha ter. da mesma forma que ocorreu em re lação aos brinquedos da infância e às fantasias da juventude. talvez.Quem fez isto? Eu jamais trancaria meus filho s.. Esforço-me realmente para ser como Chris. quando estou muito longe de ser o tipo capaz de esquecer o azinhavre no r everso da mais brilhante das moedas. procu re atormentar-se através de Chris e da piedade que este insiste em ter por ela. Oh! Meu Deus! . Entretanto. Eu seria capaz de enfrentar a vergonha. ela não confia plenamente em Chris.. os ano s transcorrem enquanto ela se apega à calculada farsa como meio de escapar também de um futuro sem ter ninguém que goste dela... Que piada! Como se olhos azuis não possuíssem profundidade e firmeza. Cathy. não obstante. Olhos escuros sentem tudo com te rrível intensidade. enfeitados com as estátuas de mármore que trouxemo s dos jardins de Paul.s meus filhos. ele sempre volta para casa com um and ar animado.. Portanto. mora conosco como Henny mor ava com Paul. encontrei duas camas de solteiro. Sua família somos nós.Case-se com um homem de olhos escuros. se deixar desmoronar a fachada de demente por d etrás da qual se protege. De fato.. do tipo com tampa dupla que se abre nas pontas: exatamente a mesma espécie de cesta que a avó usava para levar-nos comida. pois é certo que sei cuidar melhor da sobrevivência de mascotes do que de maridos. Na medida do possível. fortuna. Freqüentemente. E mma Lindstrom. Ela deveria te r aprendido.como s e há muitos anos fosse ele o homem que dançava comigo nas sombras do sótão e jamais perm itia que eu lhe visse o rosto. da mesma forma como me vencera em todos os tipos de jogos. deixei de lado os sonhos de perfeição. mas tio. que lança sombras sobre todos os meus dias e se esconde furtivamente pelos ca ntos quando Chris está em casa. Tenho certeza. um sorriso feliz. seja condenada à morte na cadeira elétrica. Portanto. aceitando alegremente os braços que estendo para rec ebê-lo com a mesma frase de costume: . É o passado que jamais consigo esque cer. copiamos os jardins de Paul. pois mesmo que se recupere ele e eu já negamos a existência de um quarto irmão chamado Cor y. olho para Chris e imagino o que ele vê em mim . ela constituiu o único ponto que impede nosso relacionamento de ser perfeit o. temendo o que existe de pior em m im e esforçando-me para agarrar-me ao que tenho de melhor.Pensei comigo mesma. exceto pelo musgo espanhol . Saberia desde o início que. Ao barbear-se pela manhã. o menor dos dois. com suf iciente comprimento para dois meninos se utilizarem delas até a idade adulta. mas. Tenho a impressão. Chris afirma que ela não terá que enfrentar uma acusação de homicídio. ao vir ar-me na cama para aconchegar-me ao homem que amo.Beije-me se me ama! Sua clientela é grande. mas não demais. deito-me nervosa e permaneço acordada. jovial. vencerá o que tenho d e melhor. sentindo que este sofre a minha influência maligna e temendo que. so u honrada! Sou mais forte e mais decidida! No final de tudo. mesmo que Jory se lembrasse algum dia de que Chris não é seu pai. o embaraço e a publicidade que arruinar iam Chris profissionalmente. Eu não o s trancaria mesmo que Bart.

com ? .Fonte: WWW.BaixeLivro.