P. 1
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS - DST

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS - DST

|Views: 226|Likes:
Publicado porEdilene_77
TRABALHO APRESENTADO COMO REQUISITO PARCIAL PARA APROVAÇÃO NA DISCIPLINA DE SAÚDE PÚBLICA
TRABALHO APRESENTADO COMO REQUISITO PARCIAL PARA APROVAÇÃO NA DISCIPLINA DE SAÚDE PÚBLICA

More info:

Categories:Types, School Work
Published by: Edilene_77 on Jan 04, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/14/2015

pdf

text

original

Sections

  • 1 INTRODUÇÃO
  • 2.1. Histórico
  • 2.2 Possíveis causas para alta prevalência de DST entre a população
  • 2.3 Legislação sobre DST/AIDS
  • 2.4.1 Quem pode pegar DST?
  • 2.4.2 Quais os principais sinais?
  • 2.4.3. Quais os principais sintomas?
  • 2.5 DST: agravo prioritário de Saúde Pública
  • 2.6 Conseqüências das DST na saúde individual
  • 2.7. Classificação das doenças sexualmente transmissíveis
  • 2.8.1.1 Historia Natural das Infecções por HSV-1 e HSV-2
  • 2.8.1.2 Morfologia
  • 2.8.2.1. Quais são os sintomas?
  • 2.8.2.2. O que pode ser feito?
  • 2.8.2.3. Qual é o prognóstico?
  • 2.8.3.1 Patogenia
  • 2.8.3.2 Morfologia
  • 2.8.4.1 Patogenia
  • 2.8.4.2 Morfologia
  • 2.8.4.3 O que pode ser feito?
  • 2.8.5.1 Manifestações Clinicas da Sífilis
  • 2.8.5.2 Patogenia
  • 2.8.5.3 Morfologia
  • 2.8.6 Tricomoníase
  • 2.8.7.1 Infecção clínica pelo HPV na genitália (com lesão macroscópica)
  • 2.8.7.2Gestantes
  • 2.8.7.3 Infecção subclínica pelo HPV na genitália (sem lesão
  • 2.8.7.4 Rastreio de Câncer Cérvico-uterino em mulheres que têm ou
  • 2.8.8.1 Agente Etiológico
  • 2.8.8.2 Ciclo vital do HIV na célula humana
  • 2.8.8.3 Formas de transmissão e prevenção
  • 2.8.8.4 Aspectos clínicos
  • 2.8.8.5 Testes diagnósticos
  • 2.8.8.6 Tratamento
  • 2.9.1.1 Promoção para prevenção
  • 2.9.1.2 Promoção para prevenção em usúarios de drogas injetáveis (UDI)
  • 2.9.1.3 Orientações para prevenção em Exposição Ocupacional
  • 2.9.1.4 Diagnóstico precoce
  • 2.9.1.5 Tratamento imediato (prevenção secundária para evitar
  • 2.9.1.6 Imunização
  • 2.9.1.7 Controle das DST em caso de estupro
  • 2.10 Tratamento
  • 2.11 Serviços que atendem casos de DST
  • 3 METODOLOGIA
  • 4. DISCUSSÃO
  • 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • 6. REFERENCIAS

1

1 INTRODUÇÃO Mais de vinte tipos diferentes de doenças são transmitidas através do contato sexual (O’LEARY; CHENEY, 1993) e representam grave problema de saúde publica por suas repercussões medicas, sociais e econômicas. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) ocorrem com maior freqüência nos países em desenvolvimento, onde constituem a segunda maior causa de perda de vida saudável entre mulheres de 15 a 45 anos (DALLABETTA; et al., 1997). Atualmente, tem sido ressaltada sua associação com maior risco de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) (CDC, 1998). Apesar disso, as DST só voltaram a readquirir importância como problema de saúde pública após a epidemia de AIDS. Estudos mostraram que pessoas com DST e infecções do trato reprodutivo não ulcerativas têm um risco aumentado de 3 a 10 vezes de se infectar pelo HIV, o que sobe para 18 vezes se a doença cursa com úlceras genitais (FLEMING; WASSERHEIT, 1999). Evidências recentes sugerem que o herpes genital pode ser responsável pela maior proporção de novas infecções por HIV (RODRIGUEZ; et al., 2002). Sua prevalência é elevada no Brasil, apesar do baixo percentual de indivíduos que relatam sintoma prévio (CARVALHO; et al., 1999). Somente no ano de 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou um total de 340 milhões de casos novos por ano de DST curáveis em todo o mundo, em pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos, sendo 10 a 12 milhões destes casos no Brasil. Outros tantos milhões de DST não curáveis (virais), incluindo o herpes genital (HSV-2), infecções pelo papilomavirus humano (HPV), hepatite B (HBV) e infecção pelo HIV ocorrem anualmente (World Health Organization, 2005 apud BRASIL, Ministério da Saúde. 40 ed., 2006). As doenças sexualmente transmissíveis (DST) estão entre as cinco principais causas de procura por serviço de saúde e podem provocar sérias complicações, tais como infertilidade, abortamento espontâneo, malformações congênitas e até a morte, se não tratadas. São doenças de difícil detecção, uma vez que acarretam poucos sintomas visíveis e, muitas vezes, apresentam-se de forma assintomática.

2

O aumento da prevalência e da infecção pelo HIV entre as mulheres, a gravidade das conseqüências das DST para elas e sua freqüente ocorrência entre monogâmicas mostram a necessidade de uma abordagem dessas questões sob a perspectiva de gênero. (JIMÉNEZ, 2004). Segundo Brasil, Ministério da Saúde (40 ed., 2006), as DST de notificação compulsória são: AIDS, HIV na gestante/criança exposta, sífilis na gestação e sífilis congênita. Para as outras DST, não há um sistema de notificação compulsória e a ausência de estudos de base populacional dificulta a visibilidade do problema e implantação de intervenções prioritárias, avaliação de sua efetividade e seu redirecionamento, sendo necessário um esforço coletivo para divulgar a situação das DST e capacitar os serviços para atender os pacientes. Diante de todo esse quadro exposto, reconhecemos a necessidade de se trabalhar com a população á respeito das DSTs, e devido á isto, o presente trabalho tem por objetivo orientar, informar, estimular e promover assim as mudanças no comportamento sexual e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização do preservativo, a fim de prevenir as doenças sexualmente transmissíveis para toda a população sexualmente ativa, independente da idade, sexo ou situação econômica. Para cumprir com este objetivo, é composto por duas partes: a parte escrita onde contem todo o referencial teórico e a parte prática composta por uma campanha voltada para a população sexualmente ativa independente da idade, sexo ou situação econômica. Como algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes, compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis, transfusão sanguínea, acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes, por funcionários de laboratórios e hospitais (BRASIL, Ministério da Saúde, 2010 a), o presente trabalho além de ser voltado principalmente para os aspectos da transmissão sexual, que é a principal característica das DST, contém um pouco também de promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e orienta e informa medidas para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes, por funcionários de laboratórios e hospitais.

3

2 DESENVOLVIMENTO 2.1. Histórico As DST acompanham a história da humanidade. Durante a evolução da espécie humana, as DST vêm acometendo pessoas de todas as classes, sexos e religiões (CARVALHO, 2003). No tempo da Grécia antiga, as DSTs, foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). A sífilis, que até o século XV era desconhecida, teve seus primeiros registros em figuras encontradas em tumbas do Egito no tempo dos faraós (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). No início do século XX, o cientista Shaudinn descobre que a sífilis é causada por uma bactéria, chamada de Treponema pallidum. Em seguida, outro cientista, Wassermann, desenvolve um teste feito no sangue, o VDRL, que serve para detectar a infecção (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). Com a descoberta da penicilina, na década de 40, as epidemias de algumas DST começam a recuar (SILVA, 2010). Nos anos 60/70, com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens, voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo (SILVA, 2010). Nos anos 80/90 observou-se um aumento dramático dos casos de sífilis e gonorréia, muitos dos quais têm ocorrido na população adolescente e de adultos jovens (História das DSTs, 2008). As DST são atualmente um grande problema de saúde pública no Brasil, principalmente porque facilitam a transmissão do HIV (tal fato foi observado em uma população da África, em que o controle e tratamento das DST propiciou redução de 40% na propagação do HIV), portanto uma parcela de responsabilidade pela atual dimensão da epidemia da AIDS estão nas DST. (SILVA, 2003).

com disseminação entre parceiros.2 Possíveis causas para alta prevalência de DST entre a população. 2004). baixa escolaridade e baixa renda a maior risco para DST e AIDS. Vários autores associam menor idade de iniciação sexual. mononucleose infecciosa (EBV) e infecções congênitas oportunistas em lactentes com AIDS (CMV) (Quadro 1). O acometimento principalmente de adultos em idade reprodutiva.4 2. 1999). como trabalhadores do sexo. essas doenças estão aumentando em taxas epidêmicas entre certas populações urbanas nos Estados Unidos. Poucas referências de base populacional sobre DST foram identificadas. resultando em aumento da resistência antimicrobiana e podendo levar a quadros subclinicos que os mantém transmissores. as pessoas vêm aumentando a sua atividade sexual. tenham diminuído sobremodo em alguns segmentos das sociedades ocidentais. O problema é agravado pela grande quantidade de indivíduos que se automedica com tratamento inadequados. São escassos os dados epidemiológicos relativos às DST. sífilis e infecção por clamidia. Maria Laura Vidal et al. Entretanto. Desta forma. Ministério da Saúde. e/ou em clinicas especializadas em DST. Embora as clássicas doenças sexualmente transmissíveis. (CARRET. apenas a AIDS e a sífilis congênita são de notificação compulsória. A maioria dos estudos encontrados se concentram em grupos de alto risco. tendo relações sexuais com número cada vez maior de parceiros e elevando o número absoluto de relações sexuais. Estudos vem demonstrando também que além da idade cada vez mais precoce da primeira relação sexual. e a possibilidade de transmissão vertical contrastam com um tratamento fácil e de baixo custo. Os vírus que se propagam por contato intimo incluem aqueles que causam vesículas orais e genitais (HSV-1 e HSV-2). raros são os serviços onde a notificação é realizada de forma sistemática (BRASIL. gonorréia. As pandemias mundiais de HIV e HBV continuam fora de controle e envolvem adultos de ambos os sexos e crianças de mães infectadas. o grande número de pessoas . Outro aspecto relacionado à alta prevalência das DST é que frequentemente as orientações dadas aos pacientes não contemplam atitudes capazes de prevenir a reincidência da doença e o tratamento dos parceiros.

o autor relata os seguintes: . 1994. Alem disso em um relacionamento afetivo. o grande percentual de jovem. o que dificultaria a discussão aberta com o parceiro a respeito de sexo e modos de proteção (ROSENBERG. . sexual e duradouro. 1997). 2003). Na maioria das sociedades. 1997. entretanto. 1997. 1998). por não fazer parte de sua rotina de vida (Gertig.5 tendo cada vez mais um maior número de relações sexuais somados à existência progressiva de maior e mais diversificado número de microrganismo de transmissão sexual. GOLLUB.. 1997. Com relação aos motivos pelos quais as pessoas vem aumentando suas atividades sexuais. et al. estas tem pouco ou nenhum controle quanto às decisões relativas à quando e sob quais condições ter relação sexual. o rápido aumento da urbanização e o baixo status da mulher são alguns dos fatores contribuintes para o crescimento dessas doenças.Erotização propagada pelos meios de comunicação. por eles. SANGI-HAGHPEYKAR et al. a pratica da monogamia e o uso do condom masculino (BADIANI et al. . 1997). estimulando a abstinência.. das condutas sexuais dele (FAÚNDES. HEBLING. que implica “conhecer” e “confiar” no marido ou companheiro. é difícil que o uso do condom seja . VILLELA. diversas campanhas educativas tem encorajado o uso do condom pelo casal para prevenir as DST/AIDS. Uma explicação possível é que as mulheres ocupam posição secundária na relação. Assim. grande parte dos esforços em relação à prevenção das DST tem sido dirigida a mudar o comportamento sexual. fixas ou de longa duração. 1992. VAN DAM. menos ainda. AGHA.Facilidade de locomoção das pessoas pelo avanço dos meios de transportes. 1996). 1995. não adotam esse método de forma regular. culturais e socioeconômicos contribuem para a alta incidência e prevalência de DST e de infecção pelo HIV em mulheres. PAIVA. MACDONALD. Até agora. 1993. Fatores biológicos. . Nos paises em desenvolvimento.Progresso da humanidade tendendo a maiores aglomerações urbanas. com relação ao uso do condom pelo parceiro e.Advento dos métodos contraceptivos (pílulas anticoncepcionais). tem sido observado que os casais heterossexuais com relações consideradas. obviamente apresenta um resultado catastrófico (CARVALHO.

as técnicas laboratoriais existentes não apresentam a sensibilidade e/ou a especificidade satisfatórias. Não existe disponibilidade contínua de medicamentos padronizados para portadores de DST. 1999). a confiança no parceiro constitui o método de prevenção (GUIMARÃES. incluindo a avaliação das parcerias sexuais.. busca precoce por assistência. quando os pacientes têm que expor seus problemas em locais sem privacidade ou a funcionários despreparados que. Pouquíssimas unidades são capazes de oferecer resultados de testes conclusivos no momento da consulta. Soma-se a isso o fato de que o sistema público de saúde no Brasil apresenta reduzidas condições para a realização dos testes e freqüentemente os técnicos responsáveis estão desmotivados e/ou despreparados (BRASIL. Ministério da Saúde. 1999). discriminam as pessoas com DST e contribuem para afastá-las dos serviços de saúde (BRASIL. As diretrizes para diagnóstico e tratamento precoces. resultando em segregação e exposição a situações de constrangimento. e a aquisição de preservativos é compartilhada. Os portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários níveis do sistema de saúde. Tal se dá. etc) (BRASIL. disseminação da informação para reconhecimento de sinais e sintomas. Para algumas mulheres. Pouco se valoriza a prevenção especificamente dirigida ao controle das DST (educação em saúde. sendo de 80% de responsabilidade do nível federal nas regiões sul e sudeste e de 90% nas regiões norte. 40 ed. O atendimento é muitas vezes inadequado. Ministério da Saúde. A pactuação entre os três níveis de governo estabelece que a aquisição dos medicamentos para as DST é de responsabilidade dos estados e municípios. são pouco conhecidas ou implementadas pelo sistema de saúde. campanha em mídia. Essas situações ferem a confidencialidade. 2006). Para muitas das DST.6 negociado. Isso ocorre por provisão insuficiente ou pelo uso para tratamento de outras enfermidades (BRASIL. muitas vezes. convocação de parceiros. Ministério da Saúde. GOGNA. por exemplo. 1998). nordeste e centro-oeste. 1999). Ministério da Saúde. demonstram seus próprios preconceitos ao emitirem juízos de valor. 1996. . A irregularidade na disponibilização de medicamentos específicos é mais uma das causas de afastamento dos indivíduos com DST dos serviços de saúde. Porém esta pactuação vem sendo cumprida com dificuldades. bem como de preservativos.

. O autor ainda relata que têm observado inúmeras propagandas . As mulheres. frequentemente assintomáticas. 2003). ou seja: as farmácias comerciais (BRASIL. as crianças dormindo excepcionalmente antes das 22:00 horas. Os meios de comunicação não tem se utilizado de nenhum tipo de critério com relação á divulgação maciça da sexualidade. “gurus”. demonstrando o modo de viver de um grupo de pessoas e explicitando seus relacionamentos amorosos”. Ministério da Saúde. 2006). levando os homens portadores de DST a continuar procurando prontos socorros. facilitam bastante a propagação das DST. não são rastreadas ou orientadas no seu atendimento ginecológico. somada à liberalidade sexual. os serviços que atendem DST tendem a ser clínicas especializadas. Em horários de fim de tarde. 1999). não reconhecendo a DST sintomática como uma emergência. que inclusive referia congêneres no exterior. farmácias. demonstram a erotização para os jovens telespectadores em telenovelas e programas afins. Isso restringe a acessibilidade aos serviços. acabam por receber também estas informações. Finalmente. (CARVALHO.2. Ministério da Saúde. quando os adolescentes ou até mesmo pré-adolescentes “ligam seus televisores” observam diversas cenas “quase” de sexo explícito “bombardeando” suas mentes.1 Relação dos meios de comunicação com o alto índice de DST na população Segundo (CARVALHO. nem esperar em longas filas. o que estigmatiza a população que as procura (BRASIL. E o pior é que. 2003).7 Apesar dos avanços na atenção básica nos últimos anos. A conseqüência mais evidente dessa situação de baixa resolutividade dos serviços é a busca de atendimento em locais nos quais não seja necessário se expor. 40 ed. 2. ídolos. curandeiros ou auto-medicação. a erotização propagada pelos meios de comunicação merece uma maior consideração já que a divulgação maciça da sexualidade pelos diversos meios de comunicação. destinando pouco ou nenhum espaço para atendimento à demanda espontânea. “Recentemente tivemos oportunidade de observar programa de televisão. Artistas. muitas unidades de saúde têm restrita capacidade resolutiva e trabalham com agendamento de consultas.

8

a favor do ato sexual, entretanto nenhuma menção sobre como se prevenir das DST, da gravidez indesejada e sugere aproveitar o momento, até para fazer campanhas anti-drogas, que se incluem neste contexto. Além disto, utiliza-se do erótico nos meios de comunicação para aumentar o número de vendas de vários produtos: carros, roupas, sapatos, artigos de beleza, etc.,, utilizam o erotismo para melhor propagarem suas vantagens. Neste contexto, as poucas informações veiculadas pelos órgãos governamentais, apenas em determinadas épocas, como no carnaval, praticamente se diluem neste “mar de informações eróticas” (CARVALHO, 2003). Segundo CARVALHO (2003), a influência dos meios de comunicação como ponte provavelmente de fundamental importância para elevação de transmissão de DST entre a população e através de convite ao leitor para tentar pôr em prática idéias que possam modificar ou melhor, adaptar-se aos tempos da epidemia das DST demonstra como é necessário que em contrapartida á todo esse contexto, sejam feitas campanhas que promovam práticas mais saudáveis evitando assim a propagação e contágio das DST.

2.3 Legislação sobre DST/AIDS O reconhecimento do direito constitucional à saúde responde diretamente ao foco da Rede de Direitos Humanos do Departamento de DST e AIDS e garante a regulamentação e a aplicação de uma legislação que equacione e proponha a solução dos conflitos gerados pela manifestação das DST e da epidemia do HIV. A produção da legislação brasileira em saúde, mais especificamente ligada às DST e AIDS, tem como objetivo maior oferecer extenso material de consulta, comparação e reflexão sobre as diversas leis e suas interpretações à realidade da epidemia, para melhor enfrentar esse desafio à saúde pública e manter os princípios da cidadania, resultado da luta por reconstruir e preservar na democracia (BRASIL, Ministério da Saúde, 2010 a). Devido á alta mortalidade e morbidade caudas pelo HIV, há um grande número de normas e leis regulando especificamente o tema.

9

Normas que tratam da proibição de discriminar pessoas vivendo com HIV e AIDS:
• • • •

Normas internacionais – sistema global Normas internacionais – sistema interamericano Normas nacionais federais Normas nacionais estaduais e municipais

a) Normas internacionais – sistema global

Declaração Universal de Direitos Humanos Art. 2º - “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (Decreto n° 592, de 6 de Julho de 1992) Art. 2o - 1. Os Estados-partes no presente Pacto comprometem-se a garantir a todos os indivíduos que se encontrem em seu território e que estejam sujeitos à sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação. (...)

10

Art. 3o - Os Estados-partes no presente Pacto comprometem-se a assegurar a homens e mulheres igualdade no gozo de todos os direitos civis e políticos enunciados no presente Pacto. Convenção Sobre os Direitos da Criança (Decreto N° 99.710, de 21 de Novembro de 1990.) Artigo 2 1. Os Estados Partes respeitarão os direitos enunciados na presente Convenção e assegurarão sua aplicação a cada criança sujeita à sua jurisdição, sem distinção alguma, independentemente de raça, cor, sexo, idioma, crença, opinião política ou de outra índole, origem nacional, étnica ou social, posição econômica, deficiências físicas, nascimento ou qualquer outra condição da criança, de seus pais ou de seus representantes legais. Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho – OIT Artigo 1 1 - Para os fins da presente Convenção, o termo "discriminação" compreende: a - toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social, que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou de tratamento em matéria de emprego ou profissão; b - qualquer outra distinção; exclusão ou preferência que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, que poderá ser especificada pelo Membro interessado depois de consultadas as organizações representativas de empregadores e trabalhadores, quando estas existam, e outros organismos adequados. 2 - As distinções, exclusões ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determinado emprego não são consideradas como discriminação.

1o . Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição. cor. 2. nascimento ou qualquer outra condição social. cor. b) Normas internacionais – sistema interamericano Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) . religião. sexo. posição econômica. origem nacional ou social. por motivo de raça. de 6 de Novembro de 1992 Art.Obrigação de Não Discriminação Os Estados-Partes neste Protocolo comprometem-se a garantir o exercício dos direitos nele enunciados. . sem discriminação alguma.Protocolo Adicional Sobre Direitos Econômicos. religião. ao emprego e às diferentes profissões. opiniões políticas ou de qualquer outra natureza. Sociais e Culturais (Decreto Legislativo n0 56. idioma. bem como as condições de emprego. sem discriminação alguma por motivo de raça.Para os fins da presente Convenção as palavras "emprego" e "profissão" incluem o acesso à formação profissional. idioma.Obrigação de respeitar os direitos 1.11 3 .Decreto n° 678. de 19 de Abril de 1995) Artigo 3 . Convenção Americana . sexo. nascimento ou qualquer outra condição social. pessoa é todo ser humano. origem nacional ou social. posição econômica. Para efeitos desta Convenção. opiniões políticas ou de qualquer outra natureza.

.dos Ministros da Saúde..são invioláveis a intimidade. de 11 de AGOSTO de 1992 . 5º Todos são iguais perante a lei.) X .º 869.) XLI . sem distinção de qualquer natureza. PORTARIA INTERMINISTERIAL N. nos exames pré-admissionais e periódicos e demissionais de saúde dos servidores públicos CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA .homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.(. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.12 c) Normas nacionais federais Constituição Federal de 1988 Art.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. (. nos termos seguintes: I . Trabalho e da Administração Proíbe a testagem para detecção do vírus HIV..º 05.. de 18 de FEVEREIRO de 1989 – Proíbe a realização de teste sorológico para a AIDS como exame admissional . nos termos desta Constituição. a vida privada. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. à segurança e à propriedade. à igualdade.PARECER N.CFM . à liberdade. a honra e a imagem das pessoas.

13 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA . para fins de vigilância epidemiológica. e sobre a incapacitação destes candidatos pelo fato de apresentarem tais exames sorológicos positivos d) Normas nacionais estaduais e municipais – discriminação em razão do HIV/AIDS Distrito Federal PORTARIA Nº 007. do Ministro de Estado da Saúde (SAS) .PARECER Nº 15.º 486.Dispõe sobre a realização de testes sorológicos para o vírus da imunodeficência humana sem prévio consentimento do candidato a concursos civis ou militares. em indivíduos menores de 13 (treze) anos de idade.Proíbe a discriminação aos portadores do vírus HIV ou às pessoas com AIDS e dá outras providências . Leis estaduais Espírito Santo LEI ESTADUAL Nº 7. DE 16 DE MAIO DE 2000.556.CFM .Proíbe a testagem para detecção do vírus HIV nos exames pré-admissionais e periódicos de saúde dos servidores públicos PORTARIA N.Aprova a revisão e atualização das orientações e critérios relativos à definição nacional de casos de AIDS. DE 10 DE NOVEMBRO DE 2003 . DE 27 DE MAIO DE 1993 do Secretário de Saúde – SES . DE 09 DE ABRIL DE 1997 .

e pessoa com síndrome da imunodeficiência adquirida .AIDS . DE 19 DE ABRIL DE 2004 .nos órgãos e entidades da administração direta e indireta do estado e dá outras providências Paraná LEI ESTADUAL Nº 14. DE 26 DE JANEIRO DE 1995 .595.362.Proíbe a discriminação contra portador do vírus da imunodeficiência humana .14 Goiás LEI ESTADUAL Nº 12.HIV .Estabelece penalidades aos estabelecimentos que discriminem portadores de vírus HIV. DE 17 DE JANEIRO DE 2003 . DE 12 DE JULHO DE 2002 .Veda discriminação aos portadores do vírus HIV ou a pessoas com AIDS Rio de Janeiro LEI ESTADUAL Nº 3. DE 15 DE MAIO DE 2001 .Proíbe a discriminação aos portadores do vírus HIV ou às pessoas com AIDS e dá outras providência Legislação protege o direito do cidadão com HIV/ AIDS: .559.199.Veda e penaliza qualquer ato discriminatório em relação às pessoas com HIV/AIDS Minas Gerais LEI ESTADUAL Nº 14. sintomáticos e assintomáticos.582. e dá outras providências São Paulo LEI ESTADUAL Nº 11.

homem com homem ou mulher com mulher. o Projeto Nascer-Maternidades para evitar transmissão do HIV da mãe para o filho e dá outras providências.313 de 13 de novembro de 1996 – Obriga a distribuição de toda medicação necessária para tratamento da AIDS. transmitidas. 2010). Portaria Interministerial de 12/04/02 – Institui Política de Saúde nos Presídios Portaria Ministerial n. As DST são doenças transmitidas principalmente por meio da relação sexual. bolhas ou verrugas. Em geral.4 O que são DST? A sigla DST é a abreviação de: doenças sexualmente transmissíveis. geralmente. no âmbito do Sistema Único de Saúde . Ministério da Saúde. principalmente quando . a pessoa infectada transmite a DST para seus parceiros.15 Preconceito e Discriminação Portaria Interministerial Sheila Cartopassi nº discriminação de crianças portadoras de HIV/aids nas escolas 796/92 – Proíbe Garantia de Acesso à Saúde LEI Nº 9. Algumas DST são de fácil tratamento e rápida resolução. seja de homem com mulher. principalmente.º 2104/GM de 19/11/02 – Institui. corrimentos. Outras Garantias de Direitos Humanos Lei nº 7670/88 – Garante direito à licença para tratamento de saúde e liberação dos fundos PIS/PASEP e FGTS Lei nº 7713/88 – Isenta portadores de HIV/AIDS do Imposto de Renda sobre aposentaria ou reforma Lei nº 8742/93 – Garante um salário mínimo mensal a pessoa portadora de deficiência e a pacientes sem condições de trabalhar 2. com uma pessoa que esteja infectada e. por contato sexual sem o uso consistente da camisinha. Outras têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas. seja feminina ou masculina. se manifestam por meio de feridas. que são doenças causadas por vários tipos de agentes. apesar da sensação de melhora (BRASIL.SUS.

inclusive a AIDS (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. alguns tipos de câncer e até a morte. 2010). 2010). Ao contrário do que muita gente pensa. Apesar das críticas quanto á abordagem da AIDS no elenco das DST. por funcionários de laboratórios e hospitais. A abordagem em conjunto é endossada pela OMS. bem como o público alvo dessas intervenções (BRASIL. O presente trabalho é dirigido principalmente voltado para os aspectos da transmissão sexual. já que existem outras vias de transmissão como sangue. deficiência física ou mental. aborto. transfusão sanguínea. . Uma pessoa com DST também tem mais chance de pegar outras DST. Algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. produtos derivados do sangue. 2010 a).16 acontece penetração (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. e contém um pouco também de promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. Ministério da Saúde. por funcionários de laboratórios e hospitais. nascimento de bebês prematuros com problemas de saúde. o Brasil optou por abordá-las em conjunto. que é a principal características das DST. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. órgãos ou tecidos doados e através da mãe infectada ao feto ou durante o parto. esterilidade. considerando que o principal modo de transmissão do vírus HIV é sexual e muitas das medidas para prevenção da transmissão sexual do HIV e de DST são as mesmas. as DST são doenças graves que podem causar disfunções sexuais.

jovens. vagina ou ânus. . Tem gente que sente dor ao urinar ou durante a relação sexual. sem camisinha.2 Quais os principais sinais? • Feridas (úlceras): aparecem nos órgão genitais ou em qualquer parte do corpo. • • seringas. Pessoas que têm parceiros que usem drogas injetáveis. Nas mulheres. esverdeados ou amarelados como pus. adultos. 2010). Alguns têm cheiro forte e ruim.pode pegar DST.4.4. (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. • Verrugas: são como caroços. compartilhando Pessoas que recebem transfusão de sangue não testado. quando o corrimento é pouco. Podem doer ou não. 2010). mas pode ocorrer irritação TRANSMISSÍVEIS.17 2. • Qualquer um . ricos ou pobres . podem parecer uma couve-flor quando a ou coceiras. Em geral não dói. (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE doença está em estágio avançado. Quem tem parceiro que mantém relações sexuais com outras pessoas Pessoas que usam drogas injetáveis e compartilham seringas. 2. • Corrimentos: aparecem no homem e na mulher no canal da uretra. solteiros. Podem ser esbranquiçados.casados. só é visto em exames ginecológicos.1 Quem pode pegar DST? • • Quem tem relações sexuais sem camisinha.

). vulnerabilidade e factibilidade.4.18 Nem toda ferida ou corrimento genital é necessariamente uma DST. quando conjugados às informações geradas em outros países. transcendência. outras somente uma e muitas pessoas não sentem nada e. tampão retido etc. 1999). Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. É aconselhável. ao menos permitem. Quais os principais sintomas? • Ardência ou coceira: mais sentidas ao urinar ou nas relações sexuais. torna o problema ainda maior. a realização de estimativas que concluem pela elevada freqüência das DST em nosso país. já que muitos dos casos não . procurar um serviço de saúde (BRASIL. • Dor e mal-estar: embaixo do umbigo. Além das doenças sexualmente transmissíveis. 2010 d). associado ao alto índice de automedicação. transmitem DST para seus parceiros. 2. para saber o diagnóstico correto. 2. lesões cervicais causadas por inflamações provocadas por corpos estranhos (dispositivo intra-uterino. traumatismo e irritantes químicos como géis ou cremes (WORLD HEALTH ORFANIZATION. a) Magnitude: Embora os poucos dados epidemiológicos existentes não se prestem a fazer inferências para o País como um todo. 2010).3. sem saber. na parte baixa da barriga. as DST devem ser priorizadas de acordo com os quatro critérios para a priorização de agravos em saúde pública: magnitude. Isto. ao urinar. existem outras causas para úlceras ou corrimentos genitais como. por exemplo. 2010).5 DST: agravo prioritário de Saúde Pública Segundo (BRASIL. ao evacuar ou nas relações sexuais (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Há pessoas que sentem as duas coisas.

causando-lhe importantes lesões ou mesmo provocando a interrupção espontânea da gravidez. à medida que se consiga conscientizar os pacientes da necessidade de procurar rapidamente um serviço de saúde para tratar-se adequadamente e a seus parceiros sexuais. b) Transcendência: • as DST são o principal fator facilitador da transmissão sexual do HIV. • as DST causam também grande impacto social. em todas as relações sexuais. podem ser transmitidas ao feto. d) Factibilidade: O controle das DST é possível. mas também para o adequado acolhimento e . não só para o diagnóstico e tratamento. portanto. a curto prazo. que se traduz em custos indiretos para a economia do País e que. ou seja. se logrará. como por exemplo a utilização de preservativos. existem tratamentos eficazes para todas elas. desde que existam bons programas preventivos e uma rede de serviços básicos resolutivos.19 recebem a orientação e tratamento adequados. são agravos vulneráveis a ações de prevenção primária. com profissionais preparados. • algumas delas. podem evoluir para complicações graves e até o óbito. durante a gestação. • algumas DST. somados aos enormes custos diretos decorrentes das internações e procedimentos necessários para o tratamento de suas complicações. ficando sub-clínicos. Além disso. unidades de saúde acessíveis para pronto atendimento. c) Vulnerabilidade: As DST. com exceção das DST causadas por vírus. permanecendo transmissores e mantendo-se como os elos fundamentais na cadeia de transmissão das doenças. quando não diagnosticadas e tratadas a tempo. por suas características epidemiológicas. elevam dramaticamente esses custos totais. de forma adequada. • as DST podem causar grande impacto psicológico em seus portadores. romper a cadeia de transmissão dessas doenças e consequentemente da infecção pelo HIV.

1997). infecções puerperais.. MEDA et al. a maioria dessas doenças apresenta infecções sub-clinicas ou pode ser assintomática durante muito tempo (DALLABETTA et al.. 2. entre mulheres com infecções não tratadas por gonorréia e/ou clamídia. Como conseqüência. a gravidez ectópica contribui com mais de 15% das mortes maternas. as DST podem causar sofrimento por complicações e seqüelas decorrentes da ausência de tratamento. apesar de algumas serem curáveis. 2006). 1995. As Doenças Sexualmente Transmissíveis são responsáveis em grande parte por infertilidade e óbito femininos em países em desenvolvimento.. 1997). pois podem causar doença inflamatória pélvica. 1995. Dados de países desenvolvidos indicam que mulheres que tiveram DIP têm probabilidade 6 a 10 vezes maior de desenvolver gravidez ectópica. Segundo a World Health Organization (2004) apud BRASIL.. 1998).20 aconselhamento dos portadores de DST e de seus parceiros sexuais. baixo peso ao nascer e mortes perinatais (AZEZE et al. Nos países em desenvolvimento. Nesse contexto. levando à deterioração de seus relacionamentos e desvalorização social. algumas mulheres optam por não procurar os devidos cuidados médicos (VAN DAM. WASSERHEIT. Para efeito de comparação. ruptura prematura de membranas. Ministério da Saúde (40 ed. parto prematuro. já que. e que tenham a garantia de um fluxo contínuo de medicamentos e preservativos. 1993. DALLABETTA et al. dor pélvica crônica e infecções recorrentes do trato superior (DIXON MUELLER. Para as mulheres. gravidez ectópica.. Outras complicações associadas às DST são aborto. observa-se que a taxa de infertilidade por causas não infecciosas é estimada em 3 a 7%. . Destas. 1997. provocando estigma moral e social nas pessoas que as contraem.. oftalmia purulenta do recémnascido. DALLABETTA et al. as DST significam serio problema para a saúde reprodutiva. CDC. 1997). 10 a 40% desenvolvem Doença Inflamatória Pélvica (DIP). mais de 25% se tornarão inférteis. o que possibilita a ocorrência de esterilidade.6 Conseqüências das DST na saúde individual As DST têm sido associadas à promiscuidade sexual. sífilis congênita.

sem diferença na concentração sanguínea. Por outro lado. Holmes (1980) classificou as DST como podendo ser provocadas por: vírus. Baseado nos agentes transmissores. 1997). 1999). mais facilmente transmitirá o HIV aos seus parceiros sexuais. fitiriase e hepatite B. O HIV também está presente na secreção cérvicovaginal numa freqüência duas vezes maior entre mulheres com gonorréia.. condiloma. 2004. três vezes maior na presença de clamídia e quatro vezes maior se existe ulceração no colo uterino ou na vagina (GHYS. se o portador de HIV também é portador de alguma DST. et al. 2. 1997.. STRICKLER et al. dobra o risco de infecção pelo HIV (SEWAMKAMBO. Entre homens. et al. et al. de pênis e de ânus. após o tratamento. Classificação das doenças sexualmente transmissíveis A multiplicidade de agentes com potencial poder de transmissão sexual se traduz na dificuldade de estabelecer uma classificação simplificada destas moléstias.7. Tem importantes implicações no período gestacional. uretrite não gonocócica. Outras conseqüências associadas ao HPV incluem carcinoma de colo uterino. candidíase. Por outro lado.. . fungos. protozoários ou ectoparasitas. com aumento do risco de prematuridade e infecção puerperal (KLEBANOFF. a concentração seminal volta a ser comparável (COHEN. 1997).ex. • Doenças freqüentemente transmitidas pelo contato sexual: donovanose. Saliente-se que a cada dia surge um novo agente para se agrupar a esta classificação.. como é o caso da hepatite pelo vírus C p. a clamídia também pode causar infertilidade (KARINEN.21 Há ainda evidencias de associação entre a infecção por Papilomavirus Humano (HPV) e maior risco de ter câncer de colo do útero (DALLABETTA et al. et al. et al. A concentração média de HIV no líquido seminal é oito vezes maior em homens com uretrite. LEITICH.. 1997). uma infecção do trato reprodutivo (ITR) de origem endógena. cancro mole e linfogranuloma venéreo. 2004. gonorréia.. 2005). et al. herpes. A vaginose bacteriana.. bactérias. et al. MARDH 2004. Pereira Junior e Serruya (1982 ) sugeriram uma classificação baseada na obrigatoriedade ou não do ato sexual para a sua transmissão: • Doenças essencialmente transmitidas pelo contato sexual: sífilis. ELLEY. 2003).

Ademais. discutiremos as lesões induzidas por HSV-1 e HSV-2. proteínas codificadas pelo HSV formam um compartimento de replicação onde o DNA viral é produzido e proteínas do capsideo são fixadas. escabiose. pertencentes a três grupos: vírus neurotrópicos do grupo α. A latência é definida operacionalmente como a incapacidade de recuperar partículas infecciosas de células rompidas que abrigam o . Infecções por Herpesvírus O herpes vírus são vírus encapsulados grandes com um genoma de DNA de duplo filamento que codifica cerca de 70 proteínas. incluindo o CMV. Dentro do núcleo das células epiteliais do hospedeiro. vírus linfotropicos do grupo β.1. pediculose.1 Historia Natural das Infecções por HSV-1 e HSV-2 O HSV-1 e HSV-2 são geneticamente semelhantes e causam um conjunto similar de infecções primarias e recorrentes. 2. uma erupção benigna em lactentes) e herpesvirus humano 7 (que ainda não está associado a uma doença especifica).1.22 • Doenças eventualmente transmitidas pelo contato sexual: molusco contagioso. Em hospedeiros imunocompetentes. e vírus do grupo γ – EBV e HHV-8. HSV-2 e vírus varicela-zoster (VZV). incluindo o HSV-1. 2. a infecção por HSV primaria resolve em algumas semanas. Isolaram-se nove tipos de herpes vírus de seres humanos. onde causam lesões vesiculares da epiderme e infectam os neurônios que inervam esses locais.8. Ambos os vírus replicam-se na pele e mucosas no local de entrada do vírus (orofaringe ou órgãos genitais). Aqui. porem os herpesvirus permanecem latentes nas células nervosas. o herpesvirus símio é um vírus de macacos do Velho Mundo que se assemelha ao HSV-1 e pode causar uma doença neurológica fatal em manipuladores de animais. herpesvirus humano 6 (que causa o exantema súbito.8. amebíase.8 Descrição das DSTS 2. shiguelose. a causa aparente do sarcoma de Kaposi.

essa inflamação parece ser mediada imunologicamente porque responde a corticosteroides. embora o DNA viral e alguns RNAm virais possam ser identificados por métodos moleculares. cervicite não-gonocócica Uretrite. Alem disso. o HSV-1 é a principal causa infecciosa de cegueira corneal nos Estados Unidos. QUADRO 1 Agente Causal • Vírus AIDS Lesões herpéticas Codiloma. neoplasia cervical Manifestações Patológicas__________ ________Transmitidas Exclusiva ou Regularmente por Contato Sexual_______ HIV-1. A reativação do HSV-1 e HSV-2 pode ocorrer repetidamente. HSV-2 Papilomavírus • Clamídias. micoplasmas Linfogranuloma venéreo Uretrite. cervicite não-gonocócica Gonorréia Sífilis (lues venérea) Cancro mole Grunuloma inguinal Chlamydia trachomatis (tipo L) Clamydia trachomatis Ureaplasma urealyticum • Bactérias Neisseria gonorrhoeae Treponema pallidum Haemophilus ducreyi Calymmatobacterium donovani . HIV-2 HSV-1. O HSV-1 também é uma causa importante de encefalite esporádica fatal nos Estados Unidos. Alem de responsável por lesões cutâneas.23 vírus. em particular os lobos temporais. secundaria a conjuntivite do estroma. neonatos e indivíduos com imunidade celular deprimida secundária à AIDS ou quimioterapia podem sofrer infecções herpes virais disseminadas. e as lesões mostram numerosas células mononucleares circundando ceratinocitos. com ou sem sintomas. quando os vírus se propagam no cérebro. e resulta na extensão do vírus dos neurônios para a pele ou mucosas.

abscesso hepático 2. vírus da hepatite B. . os herpesvirus produzem sincícios multinucleados que ostentam inclusões.8.24 • Protozoários Tricomoniase Trichomonas vaginalis • Por artrópodes Phthirus púbis Pediculose púbica (chatos) Sexualmente Transmissíveis por Outros Meios • Vírus Hepatite. róseas a violáceas (Cowdry do tipo A) que contem vírions intactos e rompidos e empurram a cromatina da célula hospedeira de coloração escura para as margens do núcleo. os quais são diagnósticos em esfregaços do liquido vesicular.2 Morfologia Todas as lesões do HSV se caracterizam pela formação de inclusões intranucleares grandes. Embora o tamanho das células e núcleos aumente apenas um pouco.1. vírus de Epstein-Barr. verrugas Citomegalovírus. mononucleose. Bacilos Gram-negativos • Fungos Cândida • Protozoários Sapinho. cistite Estreptococos do grupo B. vírus do Molusco contagioso • Bactérias Sepse neonatal. vaginite Entamoeba histolytica Colite.

é causada pelo HSV-1. supra-renais e sistema nervoso central. formação de cicatrizes. É uma erupção vesicular que se estende da língua à retrofaringe e causa linfadenopatia cervical. Esta é uma reação imunológica à infecção por HSV e responde à terapia com corticosteróides. fígado. que são formadas por edema intracelular e degeneração em balão de células epidérmicas. A gengivoestomatite. A esofagite herpética frequentemente é complicada por infecção secundaria devido a bactérias ou fungos. As vesículas febris ou herpes labial tem predileção pela pele facial ao redor dos orifícios mucosos (lábios. O herpes genital caracteriza-se por vesículas nas mucosas genitais e na genitália externa que são rapidamente convertidas em ulcerações superficiais. mas algumas produzem ulcerações superficiais. circundadas por um infiltrado inflamatório. pustulares ou hemorrágicas. A ceratite epitelial herpética mostra citólise típica induzida por vírus do epitélio superficial e é sensível a drogas antivirais. é observada em crianças. Duas formas de lesões da córnea são causadas pelo HSV. nariz). Em contraste. é mais frequentemente fulminante. esplenomegalia e focos necroticos espalhados nos pulmões. Embora a doença neonatal devida ao HSV-2 possa ser leve. onde sua distribuição frequentemente é bilateral e independente de dermátomos cutâneos. que pode ser provocada por . Vesículas intra-epiteliais (bolhas). com linfadenopatia generalizada. que. A erupção variceliforme de Kaposi é um distúrbio vesicular generalizado da pele. com freqüência eclodem e formam uma crosta. em geral. a ceratite estromal herpética mostra infiltrados de células mononucleares ao redor de ceratinócitos e células endoteliais levando a neovascularização. A broncopneumonia herpética. O HSV-2 é transmitido a neonatos durante sua passagem através do canal de parto de mães infectadas. muitas vezes com infecção bacteriana secundaria e disseminação viral para vísceras internas. enquanto o eczema herpético caracterizase por vesículas confluentes. As infecções herpéticas disseminadas da pele e vísceras geralmente são encontradas em pacientes hospitalizados com alguma forma de câncer subjacente ou sob tratamento imunossupressor. opacificação da córnea e eventual cegueira.25 O HSV-1 e o HSV-2 causam lesões que abrangem desde o herpes labial e o gengivoestomatite autolimitados a infecções viscerais disseminadas e encefalite ameaçadoras à vida.

tende a ocorrer de cinco a 12 dias antes do período menstrual e a desaparecer em cinco a dez dias.8. O tipo 1 provoca vesículas em volta da boca. devido ao sexo oral ou anal. Contudo. entre 15 e 49 anos. Dor ao urinar.1. na boca ou no reto.26 uma aérea inserida através de lesões herpéticas orais. inflamação e vermelhidão da área afetada. O herpes genital é causado pelo tipo 2. Inchaço e dores nos gânglios linfáticos das virilhas. especialmente nos primeiros anos após a crise inicial. A doença tende a ressurgir. 2. muito raramente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima em 340 bilhões os novos casos por ano de DST curáveis em todo o mundo. febre e dores musculares. . O vírus herpes simplex pode provocar uma doença grave em bebês que forem expostos a ele durante o parto. Quais são os sintomas? A primeira crise de herpes genital é a mais grave e ocorre num período de cinco dias após o contato com a pessoa infectada. Os sintomas podem incluir: • Vesículas cheias de liquido e dores nos genitais. e a hepatite herpética pode causar insuficiência hepática. mas o estado ainda é infeccioso. Enxaquecas. corrimento vaginal. muitas vezes é necrosante.2 Herpes Genital Uma infecção viral que provoca uma erupção dolorosa e recorrente nos genitais e em sua volta. 2. Nas mulheres. que tem duas formas: tipo 1 (VHS-1) e tipo 2 (VHS-2). A doença é provocada pelo vírus do herpes simplex.2. o sexo oral com uma pessoa que tenha vesículas pode transmitir o VHS-1 da boca para os genitais e originar o herpes genital.8. Nas mulheres. O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST) comum. sendo 650. • • • • • Prurido.000 de herpes genital. ardor. Podem surgir bolhas nas coxas e nádegas e. De 10 a 12 milhões deles ocorrem no Brasil. Os sintomas são mais leves em crises seguintes.

2. e investigar a ocorrência de outras DST. Infecções por Clamídias A Chlamydia trachomatis é um patógeno intracelular das células epiteliais colunares que causa uretrite venérea. trachomatis causa mais meio milhão de casos notificados de uretrite não-gonocócica por anos nos Estados Unidos. Qual é o prognóstico? Quando se tem herpes genital.8. Outras têm algumas crises anuais durante vários anos. 2. O medico pode prescrever um medicamento antiviral.3. 2008).8. O herpes genital não tem cura. afetando geralmente as mesmas áreas. Em alguns homens. a qual é sintomática com maior freqüência nos homens que nas mulheres. mas podem ocorrer novas crises. Se ele for tomado na fase inicial. Ele será capaz de fazer um diagnostico pela analise dos sintomas e por exame físico. a infecção por C.8. geralmente reduz a gravidade dos sintomas. os sintomas do herpes genital são menos graves em crises subseqüentes e a freqüência das crises diminui (GUIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA. a Chlamydia pneumoniae e Chlamydia psittaci causam pneumonias leve e intensa. 2.2.2. Pode colher uma amostra das bolhas para detectar a presença do vírus. é preciso consultar o medico. Um tratamento preventivo regular pode diminuir o numero de crises. trachomatis causa a síndrome de Reiter. Os parceiros sexuais devem ser examinados. o vírus permanece no corpo e a infecção pode voltar a qualquer momento. uma . O que pode ser feito? Se houver suspeita de que um dos parceiros tem herpes genital. A C. durante uma crise. Na maioria das pessoas.2. respectivamente. linfogranuloma venéreo e tracoma (Quadro 2). Intimamente relacionadas. os sintomas desaparecem.3. mesmo que não apresentem qualquer sintoma. Cerca de duas em dez pessoas infectadas têm só uma crise.27 Após dez a 21 dias.

3. Quadro 2 – Doenças Humanas e Espécies de Clamídias Espécie e Sorotipo Chlamydia psittaci Doenças Ornitose (psitacose) Transmissão Aspiração de partículas contaminadas por pássaros . mas são infecciosos. os corpos elementares se transformam em corpos reticulados e se multiplicam até 500 microrganismos por célula do hospedeiro. Possuem adesinas na superfície. Os recém-nascidos de mães com cervicite por C.1 Patogenia As clamídias existem em duas formas: corpos elementares. que se multiplicam dentro das células hospedeiras.28 tríade de conjuntivite. as clamídias não são suscetíveis à penicilina. que causam lise das células hospedeiras. e corpos reticulados. Então. O tracoma ou ceratoconjuntivite crônica. Os corpos elementares tem uma parede celular que se torna rígida por ligações de dissulfeto. mas não são infecciosos. que se ligam a microvilosidades nas células epiteliais colunares do hospedeiro. é uma doença da pobreza e de aglomerações. De acordo com a espécie de Chlamydia e tipo de célula hospedeira. infectando as células vizinha. transmitida de um olho a outro por aerossóis ou por contato manual. O linfogranuloma venéreo é causado por uma cepa especifica de C. 2. e não pelas peptidoglicanas entrecruzadas encontradas na maioria das bactérias. os corpos reticulados se transformam de volta em corpos elementares. Dentro de corpúsculos de inclusão encerados por endossomas que não se fundem com lisossomas do hospedeiro. trachomatis e resulta em inflamação granulomatosa dos linfonodos inguinais e retais. os microrganismos induzem as mitocôndrias das células hospedeiras (que produzem ATP) a se justaporem estreitamente ao corpúsculo de inclusão. portanto. os microrganismos penetram as células através de endossomas ou fagossomas. trachomatis podem desenvolver conjuntivite de inclusão ou pneumonia neonatal.8. Como as clamídias são incapazes de sintetizar ATP. uma causa global importante de cegueira. que jamais se dividem. poliartrite e infecção genital.

há uma zona de inflamação crônica. F. infiltrados de plasmócitos e fibrose crescente. Contato Sexual Contato Sexual 2. C D. K Pneumonia leve Aerossóis (de uma pessoa a outra) Tracoma Conjuntivite de inclusão Contato insetos repetido. Ademais. que são os mais sensíveis. E. pélvicos e retais por uma mistura de inflamação supurativa e granulomatosa. I.3. (ROBBINS. B. Infecção do canal de parto (lactentes) Contato (adulto) Sexual. G.8. H. L2. natação Uretrite não-gonogocica Uretrite pos-gonogocica Proctite. artrite L1. o linfogranuloma venéreo causa tumefação rápida dos linfonodos inguinais. 2000) . J. Depois.2 Morfologia As inclusões de formas clamidiais em células epiteliais são mais bem vistas com anticorpos anti-Chlamydia fluorescentes. Abscessos estelares irregulares formam-se quando os granulomas com centro supurativos se fundem. Ba. amiúde granulomatosa. Esses abscessos são contornados por uma camada de macrófagos epitelióides e assemelham-se às lesões vistas na doença da arranha-dura de gato. A uretrite ou a cervicite clamidial também podem ser diagnosticadas por cultura em células de McCoy e por métodos de biologia molecular. objetos. as lesões do linfogranuloma venéreo mostram menos granulomas. A vesícula ulcera-se.29 [Chlamydia pneumoniae Chlamydia trachomatis A. O linfogranuloma venéreo causa uma pequena vesícula epidérmica no local de infecção na genitália. L3 Linfogranuloma venéreo Contato Sexual Contato Sexual faringite. cervicite.

gonorrhoeae é um patógeno intracelular facultativo que se fixa às células epiteliais e as invade.1 Patogenia A N. de acordo com as praticas sexuais. nos casos fatais. gonorrhoeae é geneticamente semelhante à Neisseria meningitidis. com a síndrome de WaterhouseFriderichsen. A bacteremia gonocócica causa uma síndrome de artrite-dermatite. que mostram variação antigênica por mecanismos genéticos diferentes daqueles do pili. liberam . Ocorrem quase 700. Em homens. que mostram variação antigênica com base em recombinação intragenômica e recombinação após incorporação de DNA exógeno de gonococo lisados. enquanto a internalização depende de rearranjos nos filamentos de actina da célula hospedeira. que causa meningite. A internalização baseia-se em um segundo conjunto de adesinas. que aumentam as taxas de esterilidade e prenhez ectópica ou levam a infecções crônicas por bactérias anaeróbicas. enquanto a conjuntivite pode aparecer em adultos por auto-inoculaçao. gonorrhoeae também causa faringite ou proctite. o gonococo pode resultar em estenoses uretrais e infecções crônicas do epidídimo.4. próstata e vesículas seminais.4 Gonorréia A gonorréia é causada pela Neisseria gonorrhoeae. A N. Os sítios importantes de ligação celular incluem a vitronectina e sindecam (um receptor de proteoglicana). As bactérias aderem através de adesinas ou pili.8. 2. As neissérias patogênicas secretam uma protease que cliva a IgA. A infecção das tubas de Falópio em mulheres (salpiginite) pode gerar cicatrizes. mas a N. um diplococo Gramnegativo encapsulado pirogênico. Ademais.8. coagulação intravascular disseminada (CID).000 casos notificados de uretrite gonocócica por ano nos Estados Unidos. Os polissacarídeos capsulares contribuem para a virulência ao inibirem a fagocitose na ausência de anticorpos antigonococicos.30 2. bacteremia e.

Se não tratada. seguidas por formação de tecido de granulação. próstata e vesículas seminais. a inflamação supurativa com abscessos focais estende-se à uretra posterior. Para confirmar o diagnostico.α. Os abscessos tubo ovarianos e peritonite pélvica (doença inflamatório pélvica) resultam de extensão adicional e podem criar múltiplas aderências e pontos de bloqueio dos ovidutos. que se tornam maciçamente distendidas com pus e podem permanecer com cicatrizes externas. infiltração de plasmócitos e fibrose.4.3 O que pode ser feito? Quando há suspeita de que um dos parceiros tem gonorréia.2 Morfologia Todas as lesões gonocócicas mostram reações exsudativas e purulentas. 2. Em homens.8. . enquanto abscessos frequentemente causam abaulamento das glândulas de Bartholin e Skene. Se as bactérias já estiverem espalhadas pelo corpo é necessário um .31 peptidoglicanas e endotoxinas. desaparece em três a quatro dias. que pode causar choque e insuficiência de multiplos sistemas. A inflamação crônica pode acarretar estenoses uretrais e esterilidade. como a cervicite por clamídia. epidídimo. A gonorréia é tratada com antibióticos e. é preciso consultar o medico.8. que induzem as células do hospedeiro a secretarem FNT. 2000). Em mulheres. os gonococos causam um corrimento mucopurulento de um meato uretral edematoso e inflamado 2 a 7 dias após a exposição.4. 2. em geral. a inflamação uretral é menos proeminente.α. A cervicite gonocócica acarreta poucas seqüelas. gonorrhoeae também pode ser mediada pelo FNT. (ROBBINS. É provável que outras DST sejam investigadas. porem a salpingite pode vedar as tubas de Falópio. A lesão das células epiteliais das tubas de Falópio por N. uma mostra das áreas possivelmente infectadas é colhida para exame.

com ou sem tratamento. 2. pinta (Treponema carateum) e doença periodontal (Treponema denticola). A exemplo dos espiroquetas Borrelia da doença de Lyme e febre recorrente. consiste em uma única lesão eritematosa.8. parede vaginal ou anus. localizada no local de invasão do treponema no pênis. descritas adiante.32 tratamento no hospital com antibióticos intravenosos. sobretudo nas palmas e plantas. caracteriza-se por um exantema difuso.8. O intercurso sexual é o modo de transmissão habitual. que ocorre 2 a 10 semanas após o cancro primário. A transmissão transplacentária do T. exame em campo escuro e técnicas de imunofluorescência. que pode ser acompanhado de lesões orais brancas. linfadenopatia. pallidum não são cultiváveis. Outros treponemas intimamente relacionados causam a bouba (Treponema pertenue). o cancro resolve em algumas semanas.5. pallidum tem um flagelo periplasmático axial enrolado ao redor de um protoplasma helicoidal delgado. e a doença ativa durante a gravidez resulta em sífilis congênita. os microrganismos T. O estagio . que ocorre cerca de 3 semanas após o contato com um individuo infectado. (GUIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA. por isso designada o grande impostor. mas são detectáveis por colorações de prata. Os espiroquetas T. 2008). Embora os espiroquetas semeiem o corpo por disseminação hematogênica. todos os quais são cobertos por uma membrana unitária denominada bainha externa. indolor e elevada (cancro). cefaléia e artrite. firme. Essas lesões também remitem espontaneamente. O estagio secundário da sífilis. 2.1 Manifestações Clinicas da Sífilis O estagio primário da sífilis. colo uterino. uma doença venérea sistêmica com múltiplas apresentações clinicas. febre.5 Sífilis O Treponema pallidum é o espiroqueta microaerofilico causador da sífilis. mesmo que não apresentem os sintomas. Todos os parceiros sexuais devem ser examinados e tratados. pallidum ocorre prontamente.

5. que sofre erosão criando uma ulcera rasa de base limpa. a evasão do treponema das respostas imunes do hospedeiro pode ser secundaria a uma sub-regulaçao das células T auxiliares da Classe TA1.2 Patogenia Seja qual for o estagio da doença e a localizaçao das lesões. pallidum. as marcas histológicas da sífilis são endarterite obliterativa e infiltrados mononucleares ricos em plasmócitos. 2. com até vários centímetros de diâmetro. um cancro ocorre no pênis ou escroto de 70% dos homens e na vulva ou colo uterino de 50% das mulheres.8. é caracterizado por lesões inflamatórias ativas da aorta. A endarterite é secundaria à fixação dos espiroquetas às células endoteliais. 2. mas são insuficientes para eliminar os espiroquetas. coração e sistema nervoso central ou por lesões quiescentes (gomas) envolvendo o fígado. ossos e pele. incluindo os teste de Wassemann e VDRL (Veneral Disease Research Laboratory]). Como alternativa. Os anticorpos podem ser contra antígenos específicos do espiroqueta (a base dos testes sorológicos treponêmicos) ou contra antígenos que exibem reação cruzada com moléculas do hospedeiro (a base dos testes não treponêmicos. Isso pode ocorrer porque a membrana externa dos espiroquetas da sífilis contem 100 vezes menos proteínas que as bactérias Gram-negativas habituais e. O cancro é uma pápula eritematosa.8. Em modelos de animais. que ocorre anos após a lesão primaria. firme e um pouco elevada.3 Morfologia Na sífilis primaria. A induração contígua produz . mediada por moléculas de fibronectina ligas à superfície dos espiroquetas.33 terciário. Os infiltrados mononucleares refletem uma resposta imunológica. As respostas imunes humoral e celular do hospedeiro podem impedir a formação de um cancro em infecções subseqüentes por T. portanto.5. carecem de antígenos. uma resposta de hipersensibilidade do tipo tardio é mais importante que os anticorpos na limitação da infecção localizada inicial.

Ao exame histológico. Na sífilis secundária. Os treponemas são visíveis com colorações de prata ou técnicas de imunofluorescência na superfície da ulcera. Ocorrem na maioria dos órgãos. palmas e plantas. anulares ou descamativas. as gomas contêm um centro de material necrótico coagulado e margens compostas de fibroblastos e macrófagos roliços ou em paliçada circundados por grande números . No fígado. com manchas castanho-avermelhadas distintas medindo menos de 5mm de diâmetro. O exantema com freqüência é macular. Placas mucosas eritematosas na boca ou vagina contem o maior numero de microrganismos e são as lesões mais infecciosas. chamadas de condilomas planos (que não devem ser confundidos com verrugas venéreas. Ao exame histológico. alargamento e incompetência do anel valvar aórtico e estreitamento das bocas dos óstios coronários. ossos e testículos (gomas). constituindo a base da designação cancro duro. As gomas sifilíticas são cinza-esbranquiçadas e elásticas. embora a inflamação com freqüência seja menos intensa. Histologicamente. ossos e articulações. tecido subcutâneo. A neurossífilis assume uma de varias formas. o sistema nervoso central (5 a 10%). a formação de cicatrizes em conseqüências das gomas pode causar uma lesão hepática distintiva conhecida como hepar lobatum. mas sobretudo na pele. com macrófagos e linfócitos esparsos e uma endarterite obliterativa. o cancro contém um infiltrado intenso de plasmócitos. as quais se denominam condilomas acuminados. Lesões populares na região do pênis ou vulva formam placas castanhoavermelhadas elevadas de 2 a 3 cm. A aortite manifesta-se por aneurismas aórticos nos quais há cicatrizes inflamatórias da túnica média. e o fígado. as lesões da sífilis secundaria mostram o mesmo infiltrado de plasmocitos e endarterite obliterativa do cancro primário. Os nodos regionais geralmente estão aumentados e podem mostram linfadenite aguda ou crônica inespecífica infiltrados ricos em plasmócitos ou granulomas epitelióides focais. mas podem ser foliculares. tabes dorsalis e paresia geral. lesões cutaneomucosas difusas envolvem a cavidade oral. A sífilis terciária ocorre anos após a infecção inicial e envolve mais frequentemente a aorta (80 a 85%). designadas sífilis meningovascular. ocorrem lesões isoladas ou múltiplas e seu tamanho varia desde defeitos microscópicos semelhantes a tubérculos a grandes massas tumorais.34 uma massa semelhante a um botão subjacente à pele erodida. pustulares.

No natimorto com sífilis. mais tarde. rim. O fígado muitas vezes é afetado intensamente na sífilis congênita. Essas lesões estão repletas de espiroquetas. timo. Fibrose difusa permeia os lóbulos. que difere daquele do estagio secundário adquirido porque há esfacelamento extenso do epitélio. parto de natimorto ou morte logo após o parto. principalmente plasmócitos. Às vezes. As alterações dentarias envolvem os incisivos. isolando as células hepáticas em pequenos ninhos. A surdez do oitavo nervo e a atrofia do nervo óptico desenvolvem-se em decorrência da sífilis meningovascular.35 de leucócitos mononucleares. Os pulmões podem ser afetados por uma fibrose intersticial difusa. baço. As epífises tornam-se alargadas. que são pequenos e exibem a forma de uma chave-de-fenda ou cavilha. particularmente nas palmas. Na sífilis perinatal e do lactente. enquanto a cartilagem cresce excessivamente. A destruição do vômer causa colapso da ponte do nariz e. A sífilis congênita é mais intensa quando a infecção materna é recente. A periostite da tíbia produz crescimento excessivo de osso novo nas faces anteriores e arqueamento anterior. os pulmões são pálidos e não contem ar (pneumonia alba). há um exantema difuso. até mesmo nos casos incipientes. A forma tardia da sífilis congênita caracteriza-se pela tríade de ceratite intersticial. a típica deformidade do nariz em sela. encontram-se gomas no fígado.. Há também uma alteração difusa da formação de osso endocondral. pâncreas. frequentemente com incisuras no esmalte (dentes de Hutchinson). Os treponemas são escassos nessas gomas e difíceis de demonstrar. A osteocondrite e a periostite sifilíticas afetam todos os ossos. ou tíbia em sabre. dentes de Hutchinson e surdez do oitavo nervo. órgãos endócrinos e sistema nervoso central). a sífilis causa aborto tardio.ex. coração. embora as lesões do nariz e parte interior das pernas sejam mais distintivas. acompanhada do infiltrado de leucócitos e alterações vasculares típicas. A espiroquetemia generalizada pode acarretar reações inflamatórias intersticiais difusas em praticamente qualquer outro órgão (p. As alterações oculares consistem em ceratite intersticial e coroidite com produção de pigmento anormal causando uma retina manchada. ou persiste de forma latente evidenciando-se somente durante a infância ou idade adulta. e encontra-se cartilagem como ilhas deslocadas dentro da metáfise.plantas e pele em volta da boca e anus. Como os treponemas não invadem o tecido placentário ou o feto até o quinto mês de gestação. .

às vezes com pequenas vesículas ou pápulas.6 Tricomoníase O Trichomonas vaginalis.36 2. anaeróbico. mas. como na infecção gonocócica ou clamidial. plasmócitos e leucócitos polimorfonucleares. 2000). Apresentam uma mitocôndria modificada. É exacerbada pela menstruação e gravidez.8. mas sem invadir tecidos do hospedeiro. A infecção por T.8. . vaginalis em mulheres muitas vezes está associada à perda dos bacilos de Dörderlein produtores de acido. os tricomonas vivem em uma luz anaeróbica e são fermentadores obrigatórios. que adere às superfícies mucosas dos tratos genitais masculino e feminino causando lesões superficiais. A infecção por T. infecta cerca de 3 milhões de novas pessoas a cada ano. É o mais simples de todos os parasitas protozoários. há apenas uma forma em trofozoíto. referidas como mucosa em morango. um parasita protozoário flagelado. Os tricomonas em forma de nabo são mais bem vistos em preparações a fresco diluídas com solução salina morna. na qual as enzimas mitocôndriais da fosforilação oxidativa são substituídas por enzimas de fermentação anaeróbica.1 Morfologia Os Trichomonas causam eritema macular e edema da mucosa afetada. pode ser assintomática. sexualmente transmissível. onde são rapidamente moveis. causa prurido e um corrimento vaginal aquoso profundo. mas pode resultar em uretrite não gonocócica e raramente prostatite. vaginalis no homem é assintomática na maioria dos casos.6. vaginalis durante o processo de nascimento eliminam os parasitas espontaneamente dentro de algumas semanas. Assim como a Giárdia e Entamoeba. ou em esfregaços corados a Glemsa (ROBBINS. vaginalis causa polaciúria e disúria. a mucosa e submucosa superficial são infiltradas por linfócitos. com freqüência. Ao exame histológico. A colonização uretral por T. O corrimento raramente é purulento. denominada hidrogenossoma. Os lactente infectados com T. 2.

de acordo com seu potencial de oncogenicidade (Quadro 3). 40 ed. Quadro 3: Associação de subtipos HPV e doenças neoplásicas e seus precursores: Classificação Tipos de HPV Classificação Baixo risco: Estão associados às infecções benignas do trato genital como o condiloma acuminado ou plano e lesões intra-epiteliais de baixo grau. Estão divididos em 2 grupos. na vagina. 11. ânus e do pênis (raro). no escroto. 39. da vagina e da região anal. 31. 42. 46. 51. 20 dos quais podem infectar o trato genital. 6. 16.7 Infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) O Papilomavírus humano (HPV) é um DNA-vírus do grupo papovavírus. Estão presentes na maioria das infecções clinicamente aparentes (verrugas genitais visíveis) e podem aparecer na vulva . têm relação com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino. da vulva. quando associados a outros cofatores. os chamados condilomas acuminados. 56 . 35. Pode também assumir uma forma intraepiteliais de alto grau e carcinomas do colo uterino. 18. com mais de 100 tipos reconhecidos atualmente. 2006 A maioria das infecções são assintomáticas ou inaparentes. da vulva.8.37 2. Os tipos de alto risco oncogênico. 52 . Outras podem apresentar-se sob a forma de lesões exofíticas. no colo uterino. na uretra e no ânus. no pênis. verrugas genitais ou cristas de galo. 43 e 44 Tipos de HPV . do 45 . 59 e 68 Fonte: BRASIL.58. Alto risco: Possuem uma alta correlação com as lesões 33. Ministério da Saúde.

friáveis e/ou pruriginosos. no homem. pênis e ânus) e lesões intra-epiteliais ou invasivas do colo uterino e vagina. região perianal. restritas ou difusas e de tamanho variável. 52. Os tipos 6 e 11 raramente se associam com carcinoma invasivo de células escamosas. Pode permanecer por muitos anos no estado latente. Dependendo do tamanho e localização anatômica. mucosa nasal. Papulose Bowenóide. vertical (mãe-filho) ou raramente por fômites. A recidiva das lesões do HPV está mais provavelmente relacionada à ativação de “reservatórios” de vírus do que à reinfecção pelo parceiro sexual. Quando assintomático. e na mulher.38 subclínica. 51. na vulva.8. Menos freqüentemente podem estar presentes em áreas extragenitais como conjuntivas.1 Infecção clínica pelo HPV na genitália (com lesão macroscópica) Na forma clínica condilomatosa. como o ácido acético. são mais associados aos condilomas (lesões clínicas). podem ser dolorosos. estão associados a carcinoma in situ de células escamosas. . 33.7. as lesões podem ser únicas ou múltiplas. sulco bálano-prepucial e região perianal. De transmissão sexual. Os fatores que determinam a persistência da infecção e sua progressão para neoplasias intraepiteliais de alto grau (neoplasia intra-epitelial moderada. 2. grave ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes e cofatores como o estado imunológico e tabagismo. Quando na genitália externa. não é possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação e o desenvolvimento de lesões (incubação). períneo. localizando-se. não é conhecido o tempo que o vírus pode permanecer quiescente e que fatores são responsáveis pelo desenvolvimento de lesões. oral e laríngea. Assim. variando de semanas a décadas. 18. 45. Os tipos 16. vagina e colo. mais freqüentemente. 56 e 58. são encontrados ocasionalmente na forma clínica da infecção (verrugas genitais). mas têm sido associados com lesões externas (vulva. visível apenas sob técnicas de magnificação (lentes) e após aplicação de reagentes. na glande. 31. pode ser detectável por meio de técnicas moleculares. Eritroplasia de Queyrat e Doença de Bowen da genitália. 35.

Se deixados sem tratamento. endurecidas. são geralmente detectadas pela citologia oncótica. o que leva a cura da maioria dos pacientes. ou aumentar em tamanho ou número. ou seja. Captura Híbrida II). devendo ser avaliadas pela colposcopia. foram publicados os primeiros resultados que demonstram a eficácia da vacina contra HPV 16 (HARPER et al. As lesões cervicais. A biópsia está indicada quando: • Existir dúvida diagnóstica ou suspeita de neoplasia (lesões pigmentadas. • o paciente for imunodeficiente. Nenhum dos tratamentos disponíveis é superior aos outros. número e local da lesão. podendo ser confirmado por biópsia.. subclínicas. O diagnóstico do condiloma é basicamente clínico. teste de Schiller (iodo) e biópsias dirigidas. permanecerem inalterados. os condilomas podem desaparecer. Fatores que podem influenciar a escolha do tratamento são: o tamanho. PCR. cada caso deverá ser avaliado para a escolha da conduta mais adequada. fixas ou ulceradas). • as lesões aumentarem de tamanho durante ou após o tratamento. e nenhum tratamento será o ideal para todos os pacientes nem para todas as verrugas. . O diagnóstico definitivo da infecção pelo HPV é feito pela identificação da presença do DNA viral por meio de testes de hibridização molecular (hibridização in situ. Tratamento O objetivo principal do tratamento da infecção pelo HPV é a remoção das lesões condilomatosas. Nenhuma evidência indica que os tratamentos disponíveis erradicam ou afetam a história da infecção natural do HPV. além de sua morfologia Mais recentemente.39 Pacientes que têm verrugas genitais podem estar infectados simultaneamente com vários tipos de HPV. 2004). • as lesões não responderem ao tratamento convencional.

muitos especialistas indicam a sua remoção. e que. com o objetivo de eliminar a infecção. ocorre de forma indireta pela observação de áreas que se tornam brancas após aplicação do ácido acético sob visão colposcópica ou outras técnicas de magnificação. biopsiadas. quase sempre. biópsia. perinatal ou pós-natal. O HPV foi identificado em áreas adjacentes a neoplasias intra-epiteliais tratadas por laser e vaporizadas. Freqüentemente. ou quando o parto vaginal possa ocasionar sangramento excessivo. Não há nenhuma sugestão de que a operação cesareana tenha algum valor preventivo. apresentam alterações citológicas compatíveis com infecção pelo HPV. Na ausência de lesão intra-epitelial. Os tipos 6 e 11 podem causar papilomatose laringeal em recém-nascidos e crianças.8. e nenhuma terapia foi capaz de erradicar o vírus.2 Gestantes Na gestação. não deve ser realizada para prevenção da transmissão do HPV para o recém-nascido. tanto em homens quanto em mulheres.7. mas é uma situação clínica muito rara. Portanto. na 1ª metade da gestação.8. a operação cesariana deverá ser indicada. 2. O diagnóstico. Apenas quando o tamanho e localização das lesões estão causando obstrução do canal de parto. testes com ácido acético ou testes de identificação do DNA viral. Podem ser encontradas em qualquer local da genitália masculina ou feminina.7. até o momento. .3 macroscópica) Infecção subclínica pelo HPV na genitália (sem lesão A infecção subclínica pelo HPV é mais freqüente do que as lesões macroscópicas. Não se sabe. Como as lesões durante a gestação podem proliferar e tornarem-se friáveis. não é recomendável tratar as lesões subclínicas pelo HPV diagnosticadas por colpocitologia. seu diagnóstico é questionável. se a via de transmissão é transplacentária. se possível. seja pelas alterações hormonais e imunológicas que ocorrem nesse período. colposcopia.40 2. as lesões condilomatosas poderão atingir grandes proporções. seja pelo aumento da vascularização.

41

Na presença de lesão intra-epitelial, o paciente deve ser referido a serviço especializado e o tratamento será feito em função do grau da doença. Não existe um teste simples e prático para detectar a infecção subclínica pelo HPV. O uso de preservativos pode reduzir a chance de transmissão do HPV para parceiros provavelmente não infectados (novos parceiros). Não se sabe se a contagiosidade dessa forma de infecção é similar à das lesões exofíticas. Pessoas imunossuprimidas (ex: HIV, transplantados) podem não responder ao tratamento para o HPV como as imunocompetentes e podem acontecer recidivas mais freqüentes. Como o carcinoma escamoso pode surgir mais freqüentemente em imunossuprimidos. O tratamento deve basear-se nos mesmos princípios referidos para os HIV negativos. Pacientes com lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade Squamous Intraepithelial Lesion - HSIL) ou displasias moderada ou acentuada, ou carcinoma in situ NIC II ou NIC III devem ser referidos a serviço especializado para confirmação diagnóstica, para afastar possibilidade de carcinoma invasivo e realização de tratamento especializado. O risco dessas lesões progredirem para carcinoma invasivo em pacientes imunocompetentes, após tratamento efetivo, reduz-se significativamente.

2.8.7.4 Rastreio de Câncer Cérvico-uterino em mulheres que têm ou tiveram DST Mulheres com história ou portadoras de DST apresentam risco maior para câncer cérvico-uterino e para outros fatores que aumentam esse risco, como a infecção pelo HPV. Estudos de prevalência mostram que as lesões precursoras do câncer cérvicouterino são cinco vezes mais freqüentes em mulheres portadoras de DST do que naquelas que procuram outros serviços médicos como, por exemplo, para planejamento familiar(BRASIL, Ministério da Saúde, 40 ed. 2006). O consenso brasileiro recomenda a realização da colpocitologia a cada três anos, após duas colpocitologias consecutivas negativas, com intervalo de um ano em mulheres sexualmente ativas.

42

2.8.8 Infecção por HIV A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de São Francisco ou Nova York, que apresentavam sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune, o que levou à conclusão de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível. Posteriormente alguns casos ocorridos nos últimos anos da década dos 70, foram identificados como tendo sido AIDS (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999). No Brasil, a AIDS foi identificada pela primeira vez em 1982, quando o diagnóstico foi feito em sete pacientes homo ou bissexuais. Um caso foi reconhecido retrospectivamente, no estado de São Paulo, como tendo ocorrido em 1980. Nos últimos anos, vêm ocorrendo importantes mudanças no perfil epidemiológico da AIDS. A epidemia que, em sua primeira fase (1980 a 1986), caracterizava-se pela preponderância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada, em sua segunda fase (1987 a 1991), passou a caracterizar-se pela transmissão sanguínea, especialmente na subcategoria de usuários de drogas injetáveis (UDI), dando início, nesta fase, a um processo mais ou menos simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de pequenas cidades do interior estavam se infectando. Finalmente, em sua terceira fase (1992 até os dias atuais), um grande aumento de casos por exposição heterossexual vem sendo observado, assumindo cada vez maior importância a introdução de casos do sexo feminino (feminização da epidemia) (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999). Temos portanto, a exposição heterossexual atualmente representando a principal subcategoria de exposição em crescimento (em 1991, eram 21%, e em 1996/97 passam a 55%) (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999).

43

2.8.8.1 Agente Etiológico O HIV-1 foi isolado em 1983, de pacientes com AIDS, pelos pesquisadores Luc Montaigner, na França e Robert Gallo, nos EUA, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated Virus ou Vírus Associado à Linfadenopatia) e HTLVIII (Human T-Lymphotrophic Virus ou Vírus T-Linfotrópico Humano tipo lll) respectivamente nos dois países. Em 1986 foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2. Nesse mesmo ano um comitê internacional recomendou o termo HIV (Human Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos. O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que necessitam, para multiplicarse, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode então integrar-se ao genoma do hospedeiro. O HIV é bastante lábil no meio externo, sendo inativado por uma variedade de agentes físicos (calor) e químicos (hipoclorito de sódio, glutaraldeído). Em condições experimentais controladas, as partículas virais intracelulares parecem sobreviver no meio externo por até, no máximo, um dia, enquanto que partículas virais livres podem sobreviver por 15 dias à temperatura ambiente ou até 11 dias a 37ºC.

2.8.8.2 Ciclo vital do HIV na célula humana 1. ligação de glicoproteínas virais (gp120) ao receptor específico da superfície celular (principalmente CD4); 2. fusão do envelope do vírus com a membrana da célula hospedeira; 3. liberação do “core” do vírus para o citoplasma da célula hospedeira; 4. transcrição do RNA viral em DNA complementar, dependente da enzima transcriptase reversa;

9. o vírion recém-formado é liberado para o meio circundante da célula hospedeira. ou permanecer em forma circular isoladamente. 8. Atualmente estão disponíveis comercialmente drogas que interferem em duas fases deste ciclo: a fase 4 (inibidores da transcriptase reversa) e a fase 7 (inibidores da protease). pode ocorrer também a transmissão ocupacional. 7. Além destas formas. transporte do DNA complementar para o núcleo da célula. pela OMS. podendo permanecer no fluído extracelular ou infectar novas células. em profissionais da área da saúde que sofrem ferimentos com instrumentos pérfurocortantes contaminados com sangue de pacientes infectados pelo HIV. parto ou por aleitamento materno).44 5. A interferência em qualquer um destes passos do ciclo vital do vírus impediria a multiplicação e/ ou a liberação de novos vírus. 2. proteínas virais são produzidas e quebradas em subunidades por meio das enzimas proteases. 6.3 Formas de transmissão e prevenção As principais formas de transmissão do HIV são: sexual. sendo que a transmissão heterossexual por meio de relações sem o uso de preservativo é considerada.8. como a mais freqüente do ponto de vista global (BRASIL. Algumas considerações sobre essas formas de transmissão: a) Transmissão sexual A principal forma de transmissão do HIV no mundo todo é a sexual. sangüínea (em receptores de sangue ou hemoderivados não testados e em usuários de drogas injetáveis ou UDI) e perinatal (transmissão da mãe para o filho durante a gestação. mais freqüentes.8. o provírus é reativado e produz RNA mensageiro viral indo então para o citoplasma da célula. . dependente da enzima integrase. onde pode haver integração no genoma celular (provírus). ocasionada por acidente de trabalho. as proteínas virais produzidas regulam a síntese de novos genomas virais e formam a estrutura externa de outros vírus que serão liberados pela célula hospedeira.

relação sexual durante a menstruação e presença de outras DST. não só as úlceras resultantes de infecções por agentes sexualmente transmissíveis aumentam o risco de transmissão do HIV. sendo sentida principalmente nas regiões Sul. relação anal receptiva. consequentemente. mas também outras DST. principalmente as ulcerativas. 1999). reduzindo a freqüência de ruptura e escape e. Os preservativos masculinos e femininos são a única barreira comprovadamente eficaz contra o HIV. Entretanto. . A transmissão sangüínea associada ao uso de drogas injetáveis é um meio muito eficaz de transmissão do HIV devido ao uso compartilhado de seringas e agulhas. Estudos recentes sugerem que a concentração de nonoxynol-9 normalmente preconizada nos preservativos seria insuficiente para inativar o HIV. a) Transmissão sangüínea A transmissão por meio da transfusão de sangue e derivados tem apresentado importância decrescente nos países industrializados e naqueles que adotaram medidas de controle da qualidade do sangue utilizado. Os fatores que aumentam o risco de transmissão do HIV numa relação heterossexual são: alta viremia. América Latina e no Caribe. imunodeficiência avançada. nas condições de uso corrente. aumentando sua eficácia. esta forma tem importância crescente nas áreas rota do tráfico de drogas. mesmo as que causam corrimentos ou verrugas. No Brasil. não estão bem estabelecidas e mais estudos clínicos controlados são necessários para esta determinação. como na Ásia. como é o caso do Brasil. Sabe-se hoje que. Os produtos espermicidas à base de nonoxynol-9 são capazes de inativar o HIV e agentes de outras DST “in vitro” e poderiam ter seu papel na redução da transmissão sexual do HIV se usados em associação com os preservativos.45 Ministério da Saúde. e o uso correto e sistemático deste método pode reduzir substancialmente o risco de transmissão do HIV e das outras DST. a segurança e eficácia dos espermicidas atualmente disponíveis. O uso regular de preservativos pode levar ao aperfeiçoamento na técnica de utilização. Sudeste e Centro-Oeste. Esta forma tem importância crescente em várias partes do mundo. sendo que o uso de concentrações mais elevadas poderiam apresentar toxicidade.

devido ao risco específico de ocorrência de epidemias de HIV nessa população e ao potencial de representarem a interface por meio da qual a infecção por HIV se difundiria para a população heterossexual não usuária de drogas. 1999). disponibilidade de testes sorológicos. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. Em relação às mudanças comportamentais. Atualmente há evidências suficientes para concluir que foi possível reduzir o nível epidêmico da transmissão do HIV em locais onde programas inovadores de saúde pública foram iniciados precocemente. A disseminação da infecção pelo HIV entre UDI em vários países. e da possibilidade de modificá-lo por meio de intervenções preventivas. Porém. a partir de profissionais de saúde e/ou agentes comunitários. Os elementos desses programas de prevenção incluem: orientação educativa. . 1999). 1999). desempenharão importante papel na prevenção e controle da transmissão do HIV. acesso a equipamento estéril de injeção. pudesse levar ao aumento da população de usuários de drogas. baseada na facilitação do acesso a equipamento estéril de injeções. além de ações que se desenvolvem na comunidade de usuários de drogas. Ministério da Saúde. Desde 1986 tornou-se claro que os usuários de drogas injetáveis (UDI) representavam um grupo focal particularmente importante. levantou importantes questões sobre a natureza do comportamento dos dependentes. e consequentemente para as crianças (BRASIL. Os profissionais de saúde. outras DST e de outras doenças que podem ser transmitidas pelo sangue.46 A prevenção da transmissão por meio da transfusão de sangue e derivados se resume ao controle da qualidade do sangue e derivados pelos Bancos de Sangue. O temor de que a estratégia de redução de danos. Houve ceticismo inicial acerca da eficácia de ações educativas nessa população. demonstrou-se que os UDI podem ser sensíveis às ações preventivas e capazes de reduzir a freqüência das situações de risco. ao vigiar e denunciar as irregularidades às autoridades sanitárias. de modo a reduzir o risco de transmissão do HIV. não se concretizou (BRASIL. se todos os estudos demonstram redução de risco. facilitação de acesso aos serviços de tratamento da dependência de drogas. recrutados na própria comunidade (BRASIL.

A transmissão intrauterina é possível em qualquer fase da gravidez. As infecções ocorridas neste período não têm sido associadas a malformações fetais. infelizmente. Ministério da Saúde (1999). Os fatores de risco já identificados como favorecedores deste tipo de contaminação são: a profundidade e extensão do ferimento a presença de sangue . 1999). A transmissão pelo leite materno é evitada com o uso de aleitamento artificial ou de bancos de leite humano que fazem aconselhamento e triagem das doadoras. porém é menos freqüente no primeiro trimestre. e seriam causados por: • transfusão do sangue materno para o feto durante as contrações uterinas. trabalho de parto e parto. decorrente da exposição da criança durante a gestação. Ministério da Saúde. • contato do feto com as secreções ou sangue infectados do trato genital materno. a persistência de níveis importantes do comportamento de risco. Segundo Brasil.1% (BRASIL. Estima-se que o risco médio de contrair o HIV após uma exposição percutânea a sangue contaminado seja de aproximadamente 0. • infecção após a rotura das membranas. Ministério da Saúde. 1999). pode reduzir a transmissão vertical do HIV em cerca de 70%. b) Transmissão Perinatal A transmissão perinatal.3%.47 evidenciam. esse risco é de aproximadamente 0. e pelo recém-nascido por 6 semanas. Nos caso de exposição de mucosas. Em 1994 os resultados do Protocolo 076 do Aids Clinical Trial Group (ACTG076) comprovaram que o uso do AZT pela mulher durante a gestação. c) Transmissão ocupacional A transmissão ocupacional ocorre quando profissionais da área da saúde sofrem ferimentos com instrumentos pérfuro-cortantes contaminados com sangue de pacientes portadores do HIV. mesmo nas cidades onde se obteve razoável impacto das ações preventivas (BRASIL. parto ou aleitamento materno vem aumentando devido à maior transmissão heterossexual. alguns estudos demonstraram que uma proporção substancial dos casos de transmissão do HIV da mãe para o filho ocorre durante o período intraparto.

grau de experiência dos profissionais de saúde no cuidado desse tipo de paciente. CD4 baixo). etc. o procedimento que resultou na exposição envolver agulha colocada diretamente na veia ou artéria de paciente portador de HIV e. sêmen. Embora alguns tipos de exposição acidental.) bem como a freqüência de utilização de procedimentos invasivos. óculos de proteção. d) Hipóteses de outras possíveis formas de transmissão Embora o vírus tenha sido isolado de vários fluidos corporais como saliva. baseia-se: • na utilização sistemática das normas de biossegurança. por meio de instrumental pérfurocortante. Esses estudos mostram que a concentração e a infectividade dos vírus da saliva de indivíduos portadores do HIV é extremamente baixa (BRASIL. . secreções vaginais e leite materno têm sido implicados como fontes de infecção (BRASIL. O meio mais eficiente de reduzir-se tanto a transmissão profissional-paciente quanto a paciente-profissional. finalmente. podem também influir no risco de transmissão do HIV. carga viral elevada. uso de equipamentos de proteção individual (luvas. e • na implantação de novas tecnologias da instrumentação usadas na rotina de procedimentos invasivos. 1999). Ministério da Saúde. como o contato de sangue ou secreções com mucosas ou pele íntegra. urina. 1999). Ministério da Saúde. teoricamente possam ser responsáveis pela infecção. Dados laboratoriais e epidemiológicos não provêm qualquer suporte à possibilidade de infecção por HIV por qualquer das seguintes vias teóricas de transmissão: contato interpessoal não-sexual e não-percutâneo (contato casual). O risco da transmissão do HIV por saliva foi avaliado em vários estudos laboratoriais e epidemiológicos. Fatores como prevalência da infecção pelo HIV na população de pacientes. os riscos são insignificantes quando comparados com a exposição percutânea. • na determinação dos fatores de risco associados e na sua eliminação. o paciente fonte da infecção ter evidências de imunodeficiência avançada (sinais clínicos da doença. máscaras.48 visível no instrumento que produziu o ferimento. lágrimas. somente o contato com sangue. aventais.

retrospectivo. A história natural da infecção aguda caracteriza-se tanto por viremia elevada. sociais ou profissionais. Existem evidências de que a imunidade celular desempenha papel fundamental no controle da viremia na infecção primária. e d) aids.4 Aspectos clínicos A infecção pelo HIV pode ser dividida em quatro fases clínicas: a) infecção aguda. que se torna menor que um. com a inversão da relação CD4+/CD8+. ocorre em cerca de 50% a 90% dos pacientes. como por resposta imune intensa. mas geralmente não retornam aos níveis prévios à infecção. também. ocorre diminuição rápida dos linfócitos T CD4+. Este aumento de células T CD8+. que posteriormente aumentam. também chamada de síndrome da infecção retroviral aguda ou infecção primária.49 vetores artrópodes (picadas de insetos). . Conclui-se que formas alternativas de transmissão são altamente improváveis e que a experiência cumulativa é suficientemente ampla para se assegurar enfaticamente que não há qualquer justificativa para restringir a participação de indivíduos infectados em seus ambientes domésticos.8. c) fase sintomática inicial ou precoce. 2. a) Infecção aguda A infecção aguda. b) fase assintomática. além de instalações sanitárias. também conhecida como latência clínica. sendo. em sua maioria. que é detectada antes do aparecimento de anticorpos neutralizantes. Observa-se. Durante o pico de viremia. O tempo entre a exposição e os sintomas é de cinco a 30 dias. escolares.8. reflete uma resposta T citotóxica potente. aumento do número absoluto de linfócitos T CD8+ circulantes. Seu diagnóstico é pouco realizado devido ao baixo índice de suspeição. fontes ambientais (aerossóis. provavelmente. por exemplo) e objetos inanimados (fômites).

14 dias. visto que as DST facilitam a progressão para doença clínica. cefaléia. A ocorrência da síndrome de infecção retroviral aguda clinicamente importante ou a persistência dos sintomas por mais de 14 dias parecem estar relacionadas com a evolução mais rápida para AIDS. auxilia o prognóstico do portador da infecção pelo HIV. os profissionais de saúde poderão. faringite. O set point é fator prognóstico de evolução da doença.50 Os sintomas aparecem durante o pico da viremia e da atividade imunológica. perda de peso. Com base nos dados epidemiológicos e clínicos. hiporexia. está diretamente relacionada à velocidade da replicação viral e progressão para a AIDS. de 30 a 90 células por ano. Os achados laboratoriais inespecíficos são transitórios e incluem: linfopenia seguida de linfocitose. definidos pela velocidade da replicação e clareamento viral. como febre. ao determinar os riscos de infecção pelo HIV em seus pacientes. É importante lembrar que o tratamento adequado de outras DST. hepatoesplenomegalia. náuseas e vômitos. neuropatia periférica. também conhecida como fase assintomática. em média. adenopatia. fotofobia. esôfago e genitália. sendo o quadro clínico autolimitado. plaquetopenia e elevação sérica das enzimas hepáticas. Alguns pacientes podem apresentar uma linfoadenopatia generalizada persistente. Os sintomas duram. As manifestações clínicas podem variar desde quadro gripal até uma síndrome que se assemelha à mononucleose. artralgia. quando presentes. adinamia. “flutuante” e indolor. os pacientes podem apresentar candidíase oral. ocorre a estabilização da viremia em níveis variáveis (set points). meningoencefalite asséptica e síndrome de Guillain-Barré. o estado clínico básico é mínimo ou inexistente. ajudá-los a reconhecer esses riscos e aconselhá-los para reduzi-los e para realizarem o teste anti-HIV. b) Fase assintomática Na infecção precoce pelo HIV. Portanto. além de romper a cadeia de transmissão. mialgia. rash cutâneo maculopapular eritematoso. a abordagem clínica nestes indivíduos no início de seu seguimento prende-se a uma . A queda da contagem de linfócitos T CD4+. ulcerações muco-cutâneas envolvendo mucosa oral. a partir dos sintomas e sinais mencionados. presença de linfócitos atípicos. Após a resolução da fase aguda. Além de sintomas de infecção viral.

além de processos oportunistas de menor gravidade. sorologia para toxoplasmose. uma ampla variedade de alterações podem estar presentes. c) Fase sintomática inicial Nesta fase. principalmente em pele e mucosas. uso prévio ou atual de medicamentos. Pode ser recorrente e pode ou não vir acompanhada de febre. o portador da infecção pelo HIV pode apresentar sinais e sintomas inespecíficos e de intensidade variável.51 história clínica prévia. sorologia para citomegalovírus e herpes. radiografia de tórax. doenças sexualmente transmissíveis. Alguns dos exames laboratoriais que podem auxiliar num melhor diagnóstico e prognóstico: hemograma completo. seu nível de entendimento e orientação sobre a doença são extremamente importantes. investigando condições de base como hipertensão arterial sistêmica. diabetes. A história familiar. doenças psiquiátricas. níveis bioquímicos (funções hepática e renal. sorologia para os vírus da hepatite. PPD (derivado protéico purificado). doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). renais. No que diz respeito à avaliação laboratorial nesta fase. intestinais. • Emagrecimento: é um dos mais comuns entre os sintomas gerais associados com infecção pelo HIV. As alterações mais freqüentes são: d) Sinais e sintomas inespecíficos • Sudorese noturna: é queixa bastante comum e tipicamente inespecífica entre os pacientes com infecção sintomática inicial pelo HIV. pulmonares. situações que podem complicar ou serem agravantes em alguma fase de desenvolvimento da doença pelo HIV. sendo referido em 95-100% dos pacientes com doença em progressão. sorologia para sífilis. Papanicolaou. tuberculose e outras doenças endêmicas. desidrogenase lática. como também uma avaliação do perfil emocional e psicossocial do paciente. A associação com diarréia aquosa o faz mais intenso. . Nessa situação deve ser considerada a possibilidade de infecção oportunista. perfil imunológico e carga viral. amilase). devendo-se lançar mão de investigação clínica e laboratorial específicas. Geralmente encontra-se associado a outras condições como anorexia. hábitos de vida. enfim. doenças hepáticas.

C. podendo ser planas ou em forma de pregas. Clinicamente. como manifestação precoce de imunodeficiência pelo HIV. Já a forma eritematosa é vista como placas avermelhadas em mucosa. Processos oportunistas mais comuns na fase sintomática inicial • Candidíase Oral e Vaginal (inclusive a recorrente): a candidíase oral é a mais comum infecção fúngica em pacientes portadores do HIV e apresenta-se com sintomas e aparência macroscópica característicos. exposição e seqüestro ósseo. Ocorre mais freqüentemente em margens laterais da língua. . observada em estágios mais avançados da doença. parapsilosis e outras menos comumente isoladas. C. palato mole e duro. com ou sem acometimento oral. • Gengivite: a gengivite e outras doenças periodontais pode manifestar-se de forma leve ou agressiva em pacientes com infecção pelo HIV. A forma pseudomembranosa consiste em placas esbranquiçadas removíveis em língua e mucosas que podem ser pequenas ou amplas e disseminadas. As espécies patogênicas incluem Candida albicans. levando a um processo necrotizante acompanhado de dor.52 • Trombocitopenia: na maioria das vezes é uma anormalidade hematológica isolada com um número normal ou aumentado de megacariócitos na medula óssea e níveis elevados de imunoglobulinas associadas a plaquetas. tropicalis. perda de tecidos moles periodontais. equimoses e ocasionalmente epistaxes. • Leucoplasia Pilosa Oral: é um espessamento epitelial benigno causado provavelmente pelo vírus Epstein-Barr. síndrome clínica chamada púrpura trombocitopênica imune. Laboratorialmente considera-se o número de plaquetas menor que 100. mas podem ocupar localizações da mucosa oral: mucosa bucal. os pacientes podem apresentar somente sangramentos mínimos como petéquias. Mulheres HIV+ podem apresentar formas extensas ou recorrentes de candidíase vulvo-vaginal. também freqüente. produz eritema e fissuras nos ângulos da boca. vilosidades ou projeções.000 células/mm3. bem como nas fases mais avançadas da doença. A queilite angular. que clinicamente apresenta-se como lesões brancas que variam em tamanho e aparência. sendo a evolução rapidamente progressiva. palato mole e duro ou superfície dorsal da língua.

Determinar a causa da diarréia pode ser difícil e o exame das fezes para agentes específicos se faz necessário. de caráter recorrente e etiologia não definida. Febre. Resultam em grande incômodo produzindo odinofagia. anorexia e debilitação do estado geral com sintomas constitucionais acompanhando o quadro. patógenos entéricos mais comuns devem ser suspeitados: Salmonella sp. • Herpes Simples Recorrente: a maioria dos indivíduos infectados pelo HIV é co-infectada com um ou ambos os tipos de vírus herpes simples (1 e 2). O quadro . geralmente reconhecidos em fase mais avançada da doença causada pelo HIV. no entanto. resultantes da coalescência de pequenas úlceras em cavidade oral e faringe. cefaléia. Moraxella catarrhalis e H. A forma aguda é mais comum no estágio inicial da doença pelo HIV. influenzae. rotavírus. a sintomatologia clássica pode manifestar-se independente do estágio da doença pelo HIV. adenovírus. Geralmente a apresentação clínica dos quadros de recorrência é atípica ao comparar-se aos quadros em indivíduos imunocompetentes. porém seu comprometimento em sinusites crônicas é maior. podem apresentar-se como expressão clínica autolimitada • Sinusopatias: sinusites e outras sinusopatias ocorrem com relativa freqüência entre os pacientes com infecção pelo HIV. incluindo os mesmos agentes considerados em pacientes imunocompetentes: Streptococus pneumoniae. Entamoeba histolytica. Agentes como Cryptosporidium parvum e Isospora belli. drenagem mucopurulenta nasal fazem parte do quadro. Shigella sp. • Diarréia: consiste em manifestação freqüente da infecção pelo HIV desde sua fase inicial. • Herpes Zoster: de modo similar ao que ocorre com o HSV em pacientes com doença pelo HIV. sendo mais comum a evidência de recorrência do que infecção primária. a maioria dos adultos foi previamente infectada pelo vírus varicela zoster. Giardia lamblia. Na infecção precoce pelo HIV. desenvolvendo episódios de herpes zoster freqüentes. aureus e P. Embora o HSV-1 seja responsável por lesões orolabiais e o HSV-2 por lesões genitais.53 • Úlceras Aftosas: em indivíduos infectados pelo HIV é comum a presença de úlceras consideravelmente extensas. Outros agentes como S. os dois tipos podem causar infecção em qualquer sítio. Campylobacter sp. sintomas locais. aeruginosa e fungos têm sido achados em sinusite aguda.

Pode também apresentar-se com disseminação cutânea extensa. protozoários. ou seja. • Bactérias: Micobacterioses (tuberculose e complexo Mycobacterium aviumintracellulare). bactérias. Isosporíase. Infecções oportunistas podem ser causadas por microrganismos não considerados usualmente patogênicos. as infecções necessariamente assumem um caráter de maior gravidade ou agressividade para serem consideradas oportunistas. Salmonelose.54 inicia com dor radicular. linfomas não-Hodgkin. • Fungos: Pneumocistose. que são as doenças que se desenvolvem em decorrência de uma alteração imunitária do hospedeiro. Histoplasmose. Porém. podendo ser causadas por vírus. pneumoniae). porém várias neoplasias também podem ser consideradas oportunistas. rash localizado ou segmentar comprometendo um a três dermátomos. que não são capazes de desencadear doença em pessoas com sistema imune normal. nesta situação. Estas são geralmente de origem infecciosa. • Protozoários: Toxoplasmose. As doenças oportunistas associadas à aids são várias. Entretanto. Pneumonias (S. fungos e certas neoplasias: • Vírus: Citomegalovirose. Herpes simples. seguindo o surgimento de maculopapulas dolorosas que evoluem para vesículas com conteúdo infectante. Criptococose. Leucoencafalopatia Multifocal Progressiva. e) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) É a fase do espectro da infecção pelo HIV em que se instalam as doenças oportunistas. • Neoplasias: sarcoma de Kaposi. Candidíase. É importante assinalar que o câncer de colo do útero compõe o elenco de doenças que apontuam a definição de caso de AIDS em mulher. microrganismos normalmente patogênicos também podem eventualmente ser causadores de infecções oportunistas. neoplasias intraepiteliais anal e cervical. Criptosporidiose. .

Soroconversão: é a positivação da sorologia para o HIV. 3 a 12 semanas após a infecção. Nesses casos. testes de detecção de antígenos. Os testes para detecção da infecção pelo HIV podem ser divididos basicamente em quatro grupos: testes de detecção de anticorpos. Varia de seis a doze semanas (um mês e meio a três meses) após a aquisição do vírus. Janela imunológica: é o tempo compreendido entre a aquisição da infecção e a soroconversão (também chamada de janela biológica). com o período médio de aproximadamente 2 meses. Os testes utilizados são capazes de identificar as amostras de soroconversão em até 95% dos casos 5. em média. Detectam a resposta do hospedeiro contra o vírus. técnicas de cultura viral e testes de amplificação do genoma do vírus. acompanhamento laboratorial de pacientes. Em crianças com até 18 meses. Esta recuperação é devida tanto à resposta imune celular quanto à humoral.8.8 meses após a transmissão. As outras três técnicas detectam diretamente o vírus ou suas partículas e são utilizadas em situações específicas. tais como: esclarecimento de exames sorológicos indeterminados ou duvidosos. sendo de escolha para toda e qualquer triagem inicial. Nesta fase observa-se o seqüestro das partículas virais e das células infectadas (linfócitos . mensuração da carga viral para controle de tratamento. seguida pela recuperação parcial dos linfócitos T CD4+ no sangue periférico. Freqüentemente os anticorpos detectados contra o vírus são decorrentes da transferência passiva de anticorpos maternos.5 Testes diagnósticos Os anticorpos contra o HIV aparecem principalmente no soro ou plasma de indivíduos infectados. As técnicas rotineiramente utilizadas para o diagnóstico da infecção pelo HIV são baseadas na detecção de anticorpos contra o vírus. os testes imunológicos não permitem a caracterização da infecção.55 2.8. A soroconversão é acompanhada de uma queda expressiva na quantidade de vírus no plasma (carga viral). etc. o resultado dos testes sorológicos é de difícil interpretação. Essas técnicas apresentam excelentes resultados e são menos dispendiosas. e não o próprio vírus diretamente.

devem contribuir para que: • seja estabelecido o diagnóstico inicial. • o paciente compareça periodicamente ao serviço especializado.8. • a adesão ao tratamento seja satisfatória. As recomendações deverão ser revistas periodicamente com o objetivo de incorporar novos conhecimentos gerados pelos ensaios clínicos. quando necessário. Sendo assim. torna-se difícil atualizar-se com a rapidez que o tema exige a fim de promover o manejo adequado dos indivíduos infectados pelo HIV ou com aids. antes e depois do teste. seja corretamente interpretado. 2. gerando atitudes que visem a promoção da saúde e/ou a prevenção da infecção pelo HIV nos indivíduos testados. sujeita a constantes mudanças. particularmente os linfonodos. encaminhando-o. quando necessário. Ministério da Saúde. seja feito de forma cuidadosa. definir o momento do início da terapia anti-retroviral. É importante enfatizar que mesmo com processamento adequado das amostras de sangue e a execução técnica correta de todas as etapas da reação sorológica no laboratório. tanto pelo profissional de saúde quanto pelo paciente. conforme o diagnóstico obtido a partir da avaliação clínica e laboratorial do paciente (BRASIL.56 T CD4+) pelos órgãos linfóides responsáveis por nossa imunidade. a um serviço especializado. para que o resultado do exame. e • o paciente passe a adotar práticas preventivas evitando sua reinfecção e a transmissão do vírus para outras pessoas. . é fundamental que o processo de aconselhamento. • seja feita a profilaxia das infecções oportunistas. 1999).8. e qual a melhor combinação a ser instituída. Os demais médicos que acompanham o paciente. deve ser atribuição de infectologistas ou clínicos com experiência no manejo desses pacientes.6 Tratamento a) Terapia Anti-Retroviral A terapia anti-HIV é uma área complexa. Pelo exposto.

c) Inibidores da Protease Estas drogas agem no último estágio da formação do HIV.: dois análogos nucleosídeos). impedindo a ação da enzima protease que é fundamental para a clivagem das cadeias protéicas produzidas pela célula infectada em proteínas virais estruturais e enzimas que formarão cada partícula do HIV. ou de classes diferentes (ex. podem necessitar de terapia de manutenção para os agentes causais por tempo indeterminado para evitar recidivas. neurotoxoplasmose.57 Existem até o momento duas classes de drogas liberadas para o tratamento anti-HIV: b) Inibidores da Transcriptase Reversa São drogas que inibem a replicação do HIV bloqueando a ação da enzima transcriptase reversa que age convertendo o RNA viral em DNA. Estudos multicêntricos demonstraram aumento na atividade anti-retroviral (elevação de linfócitos T-CD4+ e redução nos títulos plasmáticos de RNA-HIV) quando da associação de drogas. Atualmente estão disponíveis. retinite por CMV. Outros estudos evidenciaram redução na emergência de cepas multirresistentes quando da utilização da terapêutica combinada. carinii. d) Terapia Combinada É o tratamento anti-retroviral com associação de duas ou mais drogas da mesma classe farmacológica (ex. como pneumonia por P. particularmente redução da replicação viral por potencializar efeito terapêutico ou por sinergismo de ação em sítios diferentes do ciclo de replicação viral. .: dois análogos nucleosídeos e um inibidor de protease). e) Profilaxia primária de infecções oportunistas em adultos e adolescentes infectados pelo HIV É importante lembrar que pacientes que já apresentaram processos oportunistas de maior gravidade.

. como em qualquer processo de controle de epidemias. 2006). ou seja. adequada e oportunamente. são os seguintes: • interromper a cadeia de transmissão: atuando objetivamente nos “elos” que formam essa corrente. durante o qual as orientações sejam discutidas conjuntamente. e seus parceiros (para evitar a reinfecção).9 Formas de controle das DST Segundo Brasil. assim. f) Quimioprofilaxia após a exposição ocupacional a material biológico O profissional de saúde exposto deverá ser encaminhado nas primeiras horas (idealmente dentro de 1 a 2 horas) após o acidente. favorecendo a compreensão e o seguimento das prescrições. quando houver indicação . alguns pacientes deverão fazer uso de quimioprofilaxia e imunização para certos processos oportunistas mais prevalentes e cuja relação custo-benefício tem se mostrado amplamente favorável. Para maiores informações sobre quimioprofilaxia para o HIV após a exposição ocupacional a material biológico. Ministério da Saúde (20 ed. tratando os infectados. para a quimioprofilaxia. contribuindo. A duração da quimioprofilaxia é de 4 semanas. • prevenir novas ocorrências: por meio de aconselhamento específico. pode se consultar o manual de condutas “Exposição Ocupacional a Material Biológico: Hepatite e HIV” do Ministério da Saúde.58 Além da terapia anti-HIV. detectando precocemente os casos. 2. para a adoção de práticas sexuais mais seguras. O início da medicação após largos intervalos de tempo (1 a 2 semanas) pode ser considerado somente para exposição com elevado risco de transmissão do HIV. os princípios básicos para atenção às DST. . Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada de 24 a 36 horas após o acidente. de forma mais efetiva.

Sabe-se que as estratégias de prevenção primária (uso do preservativo) e secundária (diagnóstico e tratamento) podem permitir o controle das DST e suas consequências. As atividades de aconselhamento das pessoas com DST e seus parceiros durante o atendimento são fundamentais. dar-se-á por meio da constante informação para a população geral e das atividades educativas que priorizem: a percepção de risco. 40 ed. ainda. Deve-se.1 Promoção para prevenção A prevenção. pelas suas caracterísitcas. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. a assistência pode se constituir em um momento privilegiado de prevenção (BRASIL. 1999). estimular a adesão ao tratamento. As ações nessa direção existem no país de forma pulverizada. estratégia básica para o controle da transmissão das DST e do HIV. . Pela sua magnitude. 2010). protegendo a si e a seus parceiros.1.. pode facilitar o acesso ao cuidado e a busca de parceiros sexuais.9. também suscetíveis a graves complicações. no sentido de buscar que os indivíduos percebam a necessidade de maior cuidado. com importantes diferenças regionais (BRASIL. 2006).59 2. o controle do sangue e derivados. as DST devem ser priorizadas. O primeiro. prevenindo assim a ocorrência de novos episódios. A promoção e disponibilização de preservativos deve ser função de todos os serviços. transcendência. desta forma. vulnerabilidade às ações e factibilidade de controle.1 Estratégias para o controle 2. Deve-se sempre enfatizar a associação existente entre as DST e a infecção pelo HIV. Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços de referência regionalizados. a adoção de cuidados na exposição ocupacional a material biológico e o manejo adequado das outras DST (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. A assistência às DST deve ser realizada de forma integrada pelo Programa de Saúde da Família. as mudanças no comportamento sexual e a promoção e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização adequada do preservativo. explicitando a existência de casos assintomáticos ou pouco sintomáticos. As principais estratégias de prevenção empregadas pelos programas de controle envolvem também a promoção do uso de agulhas e seringas esterilizadas ou descartáveis.9.

3%.2% dos entrevistados. Ministério da Saúde. o uso na última relação sexual foi de 57. Ministério da Saúde. sendo menor quanto mais baixa a escolaridade. sendo menor nas regiões Norte e Nordeste. nem sempre é suficiente para suprir as necessidades dos usuários. 2006)... na disponibilização de insumos laboratoriais. por isso muitos acabam deixando de usá-lo.1% dos entrevistados o uso do preservativo na última relação sexual com parceria eventual. quanto para contracepção. O uso regular aperfeiçoa a técnica de utilização.. (BRASIL.. A disponibilidade do preservativo distribuído pelo sistema público de saúde. no cumprimento da pactuação para aquisição de medicamentos.60 enquanto as UBS e os últimos devem exercer um papel fundamental no tratamento adequado e seguimento clínico (BRASIL. 2006). é importante conscientizar as pessoas que seu uso é necessário para se evitar DST (BRASIL. masculinos ou femininos. em todas as relações sexuais (oral. próprias deste insumo. ou seja. é eficaz tanto para a redução do risco de transmissão do HIV e outras DST. 40 ed. anal e vaginal) é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DST. na disponibilidade de preservativos e outros insumos (BRASIL. 40 ed. o HIV. em especial do vírus da AIDS. 2006). 40 ed. Ministério da Saúde. Assim. Deve haver participação e controle de ações pelas organizações da sociedade civil no acesso aos serviços. 40 ed. Ministério da Saúde. A eficácia e segurança do preservativo dependem de seu uso correto e consistente em todas as relações sexuais e da técnica de uso e conservação. a) Informações para prevenção e o uso de preservativo (prevenção primária). 2004b). Estudo realizado em 2004 revelou que o uso do preservativo na primeira relação sexual foi referido por 53. Ministério da Saúde. reduzindo a . Usar preservativos. É o único método que oferece duplaproteção. Também foi referido por 74. O nível de informação da população de 15 a 24 anos quanto aos meios de prevenção da transmissão do HIV por via sexual é alto: 95% identificam o uso do preservativo como eficaz nesta condição (BRASIL. 2006).

• receptáculo existente na extremidade do preservativo deve ser mantido apertado entre os dedos durante a colocação. segurando o preservativo pela base para que não haja vazamento de esperma. porta-luvas. 2006). Ministério da Saúde. Fatores de risco para ruptura ou escape do preservativo masculino: • más condições de armazenamento. retirando todo o ar do seu interior. pois o uso de lubrificantes oleosos (como vaselina ou óleos alimentares) danifica o látex. . • uso de lubrificantes oleosos. • lubrificação vaginal insuficiente. • deve ser colocado antes da penetração. aumentando sua eficácia (BRASIL. • observar integridade da embalagem. retirar o pênis ainda ereto. • devem ser usados apenas lubrificantes de base aquosa (gel lubrificante). • ainda segurando a ponta do preservativo.. • sexo anal sem lubrificação adequada. o preservativo deve ser substituído imediatamente. desenrolá-lo até a base do pênis. 40 ed. • após a ejaculação. amassado em bolsas). 40 ed.. • o preservativo não pode ser reutilizado e deve ser descartado no lixo (não no vaso sanitário) após o uso (BRASIL. Ministério da Saúde. • no caso de ruptura.61 freqüência de ruptura e escape. bem como o prazo de validade. 1 e 2) e as medidas adequadas para uso e conservação dos preservativos masculino e feminino conforme seguem abaixo: Cuidados com o preservativo masculino: • deve ser armazenado afastado do calor (como bolso de calça. durante ereção peniana. • não observação do prazo de validade. se oriente sobre como colocá-los e retirá-los (Figs. ocasionando sua ruptura. 2006). • danificação da embalagem. É necessário que além de conscientizar as pessoas para o uso de preservativos.

.para não furar a camisinha. ● Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto até a base do pênis. e Evite outros vaselina lubrificantes à base de óleo. evitar com a mão a abertura esperma camisinha Fonte: BRASIL. Fechando que vaze o da retire a camisinha com o pênis para duro. • uso de um mesmo preservativo durante coito prolongado (BRASIL. Ministério da Saúde. Figura 1: Como deve ser a colocado e retirado o preservativo masculino: ● Desenrole a camisinha ● Abra a embalagem com cuidado . 40 ed. doenças e ● Após a ejaculação. • contração da musculatura vaginal durante a retirada do pênis. mas antes aperte a ponta para retirar o ar. Cuidados com o preservativo feminino: . • tamanho inadequado em relação ao pênis. Usar a camisinha duas vezes não previne contra gravidez. Ministério da Saúde (2010 c). ● Dê um nó no meio da camisinha e jogue-a no lixo. Nunca use a camisinha mais de uma vez. 2006).62 • presença de ar e/ou ausência de espaço para recolher o esperma na extremidade do preservativo.nunca com os dentes . • retirada do pênis sem que se segure firmemente a base do preservativo. • perda de ereção durante o ato sexual. • uso de dois preservativos (devido à fricção que ocorre entre eles). ● Só use lubrificante à base de água.

para evitar que o esperma escorra do interior do preservativo. durante a penetração o pênis deve ser guiado para o centro do anel externo. agachada ou deitada. Figura 2: Como deve ser a colocado e retirado o preservativo feminino: ● Encontre uma posição confortável para você pode ser em pé com um dos pés em cima de uma cadeira. • já vem lubrificado. • ao contrário do preservativo masculino. • para colocá-lo corretamente. ● Com o dedo indicador. ● Aperte o anel interno e introduza na vagina. devem ser usados lubrificantes de base oleosa fina na parte interna. agachada ou deitada). Com o dedo indicador ele deve ser empurrado o mais profundamente possível para alcançar o colo do útero. sentada com os joelhos afastados. • não usar junto com o preservativo masculino. • o anel móvel deve ser apertado e introduzido na vagina. (a camisinha deve cobrir o . no entanto. empurre a camisinha o mais fundo possível colo do útero). a argola fixa (externa) deve ficar aproximadamente 3 cm para fora da vagina. Ministério da Saúde. se for preciso. o feminino pode ser colocado até oito horas antes da relação e retirado com tranqüilidade após a relação. a mulher deve encontrar uma posição confortável (em pé com um dos pés em cima de uma cadeira. 2006). 40 ed. • deve ser utilizado um novo preservativo a cada nova relação (BRASIL. observando-se a integridade da embalagem e prazo de validade. sentada com os joelhos afastados.63 • armazenar afastado do calor. ● Segure a camisinha com o anel externo pendurado para baixo. de preferência antes da mulher levantar-se..

algumas DST têm maior risco que outras. ● Até que você e o seu parceiro tenham segurança. ficou claro que os UDI representavam um grupo focal particularmente importante.9. Dessa forma. a única maneira de se prevenir efetivamente é usar a camisinha também em todas as relações sexuais (BRASIL.não estranhe. 2010). pois essa parte que fica para fora a serve a para aumentar (durante proteção penetração. pênis e vagina se alargam e então a camisinha se ajusta melhor).1. Muitas pessoas podem se infectar com alguma DST e não ter reações do organismo durante semanas. . Fonte: BRASIL. guie o pênis dele com a sua mão para dentro da sua vagina. 2010 d). independente da forma praticada. 2010 d). o sexo deve ser feito sempre com camisinha (BRASIL. Ministério da Saúde (2010 b). 2. O fato é que nenhuma das relações sexuais sem proteção é isenta de risco . e ao potencial de representarem a interface através da qual a infecção por HIV se difundiria para a população heterossexual não usuária de drogas e consequentemente para as crianças (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS.2 Promoção para prevenção em usúarios de drogas injetáveis (UDI) Desde 1986. Ministério da Saúde. até anos. Por isto. A transmissão da doença depende da integridade das mucosas das cavidades oral ou vaginal. devido ao risco específico de ocorrência de epidemias de HIV nesta população.64 ● O anel externo deve ficar uns 3 cm para fora da vagina . Algumas pessoas acham que as chances de se contrair uma DST através do sexo oral são menores do que sexo com penetração. Ministério da Saúde.

levantou importantes questões sobre a natureza do comportamento dos dependentes. grau de experiência dos profissionais de saúde no cuidado desse tipo de paciente. de modo a reduzir a transmissão do HIV (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. além de ações que se desenvolvem na comunidade de usuários de drogas a partir da intervenção de profissionais de saúde e/ou agente comunitários. facilitação de acesso aos serviços de atendimento aos dependentes de drogas. mas o temor de que a estratégia de redução de danos. acesso a equipamento estéril de injeção. recrutados na própria comunidade (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS.1. não se concretizou. 2. Inicialmente não acreditou-se na eficácia de ações educativas para esta população. disponibilidade de testes sorológicos. demonstrou-se que os UDI podem ser sensíveis às ações preventivas e capazes de reduzir a freqüência das situações de risco. baseadas na facilitação do acesso a equipamento estéril de injeções pudesse levar ao aumento da população de usuários de drogas injetáveis. através de instrumentos pérfuro-cortantes (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Fatores como prevalência da infecção pelo HIV na população de pacientes.9. 2010). Em relação às mudanças comportamentais. . como o contato de sangue ou secreções com mucosas ou pele íntegra teoricamente possam ser responsáveis por infecção pelo HIV. os seus riscos são insignificantes quando comparados com a exposição percutânea.65 A disseminação da infecção pelo HIV entre UDI em muitos países com características diferentes. Há atualmente evidências suficientes para concluir que foi possível reduzir o nível epidêmico da transmissão do HIV em locais onde programas inovadores de saúde pública foram iniciados precocemente (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. e da possibilidade de modificá-lo mediante intervenções preventivas. 2010). 2010).3 Orientações para prevenção em Exposição Ocupacional Embora alguns tipos de exposição acidental. 2010) Os elementos desses programas de prevenção incluem orientação educativa.

especialmente sífilis. óculos de proteção. é preciso procurar um profissional de saúde para fazer o diagnóstico e receber o atendimento adequado (BRASIL. 2. 2010 d). Entre as estratégias que poderão suprir essa importante lacuna estão os rastreamentos de DST assintomáticas. O início da medicação após largos intervalos de tempo (1 a 2 semanas) pode ser considerado somente para exposição com elevado risco de transmissão do HIV. Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada de 24 a 36 horas após o acidente. aventais. relação sem camisinha). quando houver indicação para a quimioprofilaxia. o profissional de saúde exposto deverá ser encaminhado para um Serviço de Assistência Especializado (SAE) nas primeiras horas (idealmente dentro de 1 a 2 horas) após o acidente. 4 0 ed. na determinação dos fatores de risco associados. Para maiores informações sobre quimioprofilaxia para o HIV após a exposição ocupacional à material biológico. Ministério da Saúde. em serviços que executam atendimento ginecológico. em especial os .1.4 Diagnóstico precoce Deve-se procurar regularmente o serviço de saúde para realizar os exames de rotina. Caso haja alguma exposição de risco (por exemplo. Ministério da Saúde. podem também influir no risco de transmissão do HIV.). baseia-se na utilização sistemática das normas de biossegurança. pode ser consultado o manual de condutas “Exposição Ocupacional a Material Biológico: Hepatite e HIV” do Ministério da Saúde (BRASIL. gonorréia e clamídia em gestantes e/ou adolescentes. bem como a freqüência de utilização de procedimentos invasivos.9. bem como na implantação de novas tecnologias da instrumentação usadas na rotina de procedimentos invasivos (DSTDoenças Sexualmente Transmissíveis. Em caso de acidentes. Tão importante quanto diagnosticar e tratar o mais precocemente possível os portadores sintomáticos é realizar a detecção dos portadores assintomáticos. O meio mais eficiente para reduzir tanto a transmissão profissional-paciente quanto a paciente-profissional. etc. 2006). 2010).. máscaras. e na sua eliminação.66 uso de precauções universais (luvas.

40 ed. 1999). O tratamento deve ser instituído no momento da consulta. Como conseqüência. 1999). com isso. sempre que possível. aos agentes etiológicos mais comuns na síndrome em estudo (BRASIL. de pré-natal e os serviços de prevenção do câncer ginecológico (BRASIL. 40 ed. mas a conduta não deve ser postergada aguardando seus resultados. Algumas mudanças na orientação dos profissionais de saúde para que passem a fazer assistência integral aos usuários são de fundamental importância pois. são pesquisados os sinais e sintomas que. O tratamento visará.. contribuir na vigilância do perfil . Ministério da Saúde. Os exames laboratoriais devem ser colhidos na mesma oportunidade. agrupados. A utilização de alguns fluxogramas desenvolvidos. Ministério da Saúde. quando realizados. ou com o menor número possível de doses. Ministério da Saúde.5 transmissão) Tratamento imediato (prevenção secundária para evitar O atendimento imediato de uma DST não é apenas uma ação curativa. pessoas em situação de risco teriam oportunidade para diagnóstico e/ou aconselhamento (BRASIL. preferencialmente com medicação por via oral e em dose única. a infecção pode evoluir para formas crônicas graves e se mantém a transmissão (BRASIL.. 2006). provê a possibilidade de tratamento imediato e a ruptura imediata da cadeia de transmissão. Nesta abordagem(abordagem Sindrômica).67 de planejamento familiar. forneçam o diagnóstico de uma síndrome. 1999). Para que esse tipo de assistência seja adequadamente implementada. 2006).1. pode ocorrer o desaparecimento dos sintomas desestimulando a busca por tratamento. Ministério da Saúde. Os exames laboratoriais. 2. é também uma ação preventiva da transmissão e do surgimento de outras complicações.9. Ao agendar a consulta para outro dia. então. A identificação das diferentes vulnerabilidades e o exame físico devem se constituir nos principais elementos diagnósticos das DST tendo em vista a dificuldade de acesso imediato aos exames laboratoriais (BRASIL. vão confirmar a adequação dos tratamentos prescritos. Ministério da Saúde. testados e já validados.

40 ed. exceto em zonas endêmicas. Ministério da Saúde. se é oportuno recomendar a vacinação em larga escala no país. onde só está indicada para os indivíduos suscetíveis identificados por sorologia (BRASIL. 2006). aconselhamento para redução de risco. (para isso é importante que seja explicado a importância desses procedimentos sorológicos) e vacinar contra hepatite B. Deve ser considerado também a associação entre as DST e a infecção pelo HIV então também deve ser feito o aconselhamento pré-teste e oferecer a realização de sorologia anti-HIV (BRASIL. Ministério da Saúde. o que é muito freqüente. 2006). 2006). Ministério da Saúde. Até o momento. Ministério da Saúde.9. Considerando a possibilidade de associação de mais de uma DST. Ministério da Saúde. mas tem como ser imunizado na rede de saúde particular . 2 0 ed. também se recomenda a vacinação contra hepatite B para todos os portadores de DST com menos de 30 anos. 2006). o comitê decidiu pela não incorporação da vacina contra o HPV no SUS (BRASIL. periodicamente.. avalia. Ministério da Saúde. tratamento de parceiros.. 1999). Devem ser realizados também. deve ser realizada sorologia para sífilis e hepatites.. 2.6 Imunização No atendimento que deve ocorrer na primeira consulta. 40 ed.. promoção e disponibilização de preservativos (BRASIL. 2010 d).1. Um comitê de Acompanhamento da Vacina. orientações para adesão aos tratamentos fracionados. Há vacinas também anti HPV do tipo 16. formado por representantes de diversas instituições ligadas à Saúde. A vacina contra hepatite B está disponível no SUS para diferentes situações inclusive para homens que praticam sexo com homens. 40 ed.68 etiológico das diferentes síndromes clínicas e da sensibilidade aos medicamentos preconizados (BRASIL. profissionais do sexo e para portadores de DST até 30 anos de idade (BRASIL.

7 Controle das DST em caso de estupro Define-se como estupro o ato de constranger a mulher de qualquer idade ou condição à conjunção carnal (relação com penetração vaginal. 40 ed. com taxas variáveis de infecção para cada agente específico. devido à humilhação. 2006). é indicada para pessoas não vacinadas após exposição ao vírus da hepatite B nas seguintes situações: • Vítimas de abuso sexual. desconhecimento sobre as leis e descrédito no sistema judicial (BRASIL. • Vítimas de exposição sangüínea (acidente pérfurocortante ou exposição de mucosas). • Comunicantes sexuais de caso agudo de hepatite B. a ocorrência de traumatismos genitais.1. 20 ed. 2006). Sua real freqüência é desconhecida porque as vítimas hesitam em informar. disponível nos CRIE. Ministério da Saúde. por meio de violência ou grave ameaça.9.. a idade e suscetibilidade da mulher. o número de agressores. quando o caso fonte for portador do HBV ou de alto risco. Ministério da Saúde. A prevalência de DST em situações de violência sexual pode ser elevada e o risco de infecção depende de diversas variáveis. que consiste em constranger alguém mediante violência ou grave ameaça a praticar ou permitir que se pratique ato libidinoso diverso da conjugação carnal. o que também é crime (artigo 214 do Código Penal Brasileiro).69 Imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B A imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B (IGHAB). a condição himenal e a presença de DST ou úlcera genital prévia. Pacientes que receberam a IGHAB devem iniciar ou completar o esquema de imunização contra a hepatite B (BRASIL. Entre grávidas que sofrem abuso sexual a prevalência . O estupro deve ser diferenciado do atentado violento ao pudor.. anal ou oral). Entre 16 a 58% das mulheres que sofrem violência sexual são infectadas por pelo menos uma DST. incluindo o tipo de violência sofrida (vaginal. • Recém-nascidos de mãe sabidamente portadora do HBV. medo. sentimentos de culpa. sendo crime previsto no artigo 213 do Código Penal Brasileiro. anal). 2.

independente da presença ou . 2006). incluindo profilaxia das DST. podem levar a quadros de doença inflamatória pélvica e esterilidade. Da mesma forma. As vítimas de estupro necessitam de diagnóstico e acompanhamento cuidadosos para uma multiplicidade de condições clínicas. 40 ed. Está indicada nas situações de exposição com risco de transmissão. 2006). hepatite B e C (para conhecimento do estado sorológico no momento do atendimento para posterior comparação). adquiridas durante o estupro. quando não tratadas. Ministério da Saúde.. QUADRO PROFILAXIA DAS DST NÃO VIRAIS EM ADULTOS E a) Profilaxias das DST não virais como medida de prevenção A profilaxia das DST não virais em mulheres que sofrem violência sexual visa os agentes mais prevalentes e de repercussão clínica relevante. 2006). deverá ser considerada a vacinação das crianças não vacinadas previamente) e imunoterapia passiva para hepatite B. As infecções de transmissão sexual. não sendo aceitável a recusa que pode gerar infração segundo o artigo 13. crianças apresentam maior vulnerabilidade para as DST pela imaturidade anatômica e fisiológica da mucosa vaginal (BRASIL. sobre os efeitos físicos e psicológicos do abuso sexual e da necessidade de: • início da antibioticoprofilaxia para DST. 4 0 ed. e • agendamento do retorno para acompanhamento psicológico e realização de sorologia para sífilis (após 30 dias) e para o HIV (após no mínimo 3 meses). HIV. Cabe ao médico atender a vítima da violência. dentre estas pode estar a infecção pelo HIV (BRASIL... necessitando idealmente de cuidados de uma equipe multidisciplinar familiarizada com casos similares. • coleta imediata de sangue para sorologia para sífilis. • Profilaxia do HIV. no atendimento. Ministério da Saúde.70 de DST é duas vezes maior quando comparada com grávidas não violentadas. O atendimento à vítima de estupro é complexo. 40 ed. • Vacina para hepatite B (como a vacinação para hepatite B já está incluída no calendário vacinal. § 2º do Código Penal Brasileiro (qualquer conseqüência para saúde física e mental decorrente da omissão de atendimento) (BRASIL. Ministério da Saúde. A pessoa que sofreu abuso deve ser informada.

durante o crime sexual (BRASIL. a profilaxia do HIV é indicada quando ocorre . Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. Não deverão receber a imunoprofilaxia para hepatite B os indivíduos cujo agressor seja sabidamente vacinado ou quando ocorrer uso de preservativo. embora se recomende o uso nas primeiras 48 horas. no máximo. Ministério da Saúde. 2006). A IGHAHB pode ser administrada até. em função das condições de adesão da mulher. 2006). Diferente do que ocorre na profilaxia da infecção pelo HIV. mas recomenda-se que seja realizada imediatamente.71 gravidade das lesões físicas e idade da mulher (BRASIL. Ministério da Saúde. 20 ed. ou quando ocorrer uso de preservativo. 14 dias após a violência sexual. 40 ed. 2006). Ministério da Saúde.. Não deverão receber a imunoprofilaxia para hepatite B casos de violência sexual onde o indivíduo apresente exposição crônica e repetida com mesmo agressor. c) Profilaxia da Infecção pelo HIV como medida de prevenção Nas situações em que o estado sorológico do agressor não pode ser conhecido em tempo elegível. A IGHAHB está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais – CRIE (BRASIL. situação freqüente em casos de violência sexual intrafamiliar. dose única. 2006).. durante todo o crime sexual. masculino ou feminino.. situação comum em violência sexual intrafamiliar. 40 ed.. 20 ed. masculino ou feminino. 20 ed. Não deverão receber profilaxia de DST não virais casos de violência sexual em que ocorra exposição crônica e repetida ao agressor.. sempre que possível (BRASIL. 2006). b) Profilaxia da hepatite B como medida de prevenção Os indivíduos em situação de violência sexual também devem receber Imunoglobulina hiperimune para hepatite B (IGHAHB). O Programa Nacional de Imunizações e o Programa Nacional de Hepatites Virais recomendam o uso de IGHAHB em todos as mulheres em situação de violência sexual não imunizadas ou com esquema vacinal incompleto (BRASIL. a prevenção das DST não virais pode ser eventualmente postergada.

criança ou adolescente apresente exposição crônica e repetida ao mesmo agressor.. quando a condição sorológica do agressor é desconhecida. Nesses casos. O tipo de exposição sexual (vaginal. associada ou não ao coito oral. Não devem receber a profilaxia para o HIV casos de violência sexual em que a mulher. Nos casos em que o agressor é sabidamente HIV positivo e está em tratamento com uso de anti-retrovirais. Ministério da Saúde. 2006).. anal ou oral) o trauma associado. Essa condição corresponde à maioria dos casos de violência sexual atendidos pelos serviços de saúde. 40 ed. quanto ao tipo e grau de risco do ato violento. Ministério da Saúde. mesmo após o início da quimioprofilaxia. a decisão de iniciar a profilaxia não deve se basear em critérios de gravidade. O grau de risco de contrair HIV depende da condição clínica e sorológica do agressor.72 penetração vaginal e/ou anal. e a exposição a secreções sexuais e/ou sangue. Em situações de violência sexual com sexo oral exclusivo. masculino ou feminino. Não deverá ser realizada a profilaxia para o HIV quando ocorrer uso de preservativo. 2006). tratando-se de penetração vaginal ou anal. . 2006). até o momento. A realização do teste anti-HIV no agressor deve ser feita sempre que possível. A prescrição da quimioprofilaxia pós-exposição sexual ao HIV dependerá da avaliação cuidadosa pelo médico. idealmente sob orientação de um infectologista. Ministério da Saúde. a presença de outra DST inflamatória ou ulcerativa. No entanto.. durante todo o crime sexual (BRASIL. 2006). 20 ed. do tipo de trauma e das freqüências das agressões. são relevantes na avaliação do risco de transmissão do HIV (BRASIL. 40 ed. 40 ed. Também o uso de teste rápido pode ser indicado para a tomada de decisão terapêutica. mas o mesmo é identificável e existindo tempo para sua avaliação em menos de 72 horas da violência (BRASIL. não existem evidências para assegurar a indicação profilática dos anti-retrovirais. Ministério da Saúde. com o objetivo de suspender a medicação anti-retroviral se o resultado for negativo. a decisão do tipo de combinação de medicamentos para profilaxia deverá ser individualizada. riscos e benefícios devem ser cuidadosamente ponderados e a decisão deve ser individualizada (BRASIL. mesmo com ejaculação dentro da cavidade oral.

73 bem como o tempo decorrido até a chegada da pessoa agredida ao serviço de referência após o crime.. 2006). 40 ed.. por 4 semanas consecutivas (BRASIL. . 2006). com baixo potencial de toxicidade e boa perspectiva de adesão. Ministério da Saúde. mas a decisão final deve considerar a motivação e o desejo da mulher de se submeter ao tratamento (BRASIL. 2010 d). 2010 a). Embora não existam esquemas definitivos de anti-retrovirais para essa finalidade.. com o uso de anti-retrovirais. 2. mesmo em situações de múltiplos e elevados fatores de risco e agravo de exposição ao HIV (BRASIL. 2006). Algumas DST. Ministério da Saúde. do ponto de vista virológico. A profilaxia do HIV. Ministério da Saúde. pois as feridas nos órgãos genitais favorecem a entrada do HIV (BRASIL. Ministério da Saúde. 2010 d) e também diminui o risco de transmissão do HIV/AIDS. Ministério da Saúde. geralmente o médico recomenda o emprego de drogas potentes. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. 2010 a). 40 ed. Os medicamentos devem ser mantidos. podem evoluir para complicações graves e até a morte (BRASIL. 4 0 ed. sem interrupção. Por isto. Deve-se tratar o mais precocemente possível os portadores sintomáticos e assintomáticos depois de diagnosticados..10 Tratamento O tratamento das DST melhora a qualidade de vida do paciente e interrompe a cadeia de transmissão dessas doenças (BRASIL. 40 ed. Ministério da Saúde. pela reconhecida maior eficácia na redução da carga viral plasmática (BRASIL. 2006). com limite de 72 horas da violência sexual. O prazo de 72 horas não deve ser ultrapassado. quando não diagnosticadas e tratadas a tempo. O esquema de primeira escolha geralmente combina três drogas. deve ser iniciada no menor prazo possível. é importante não sentir vergonha de conversar com o profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre sexo ou qualquer coisa diferente que esteja percebendo ou sentindo (BRASIL.

mesmo que os sinais e sintomas tenham desaparecidos. promovendo a assistência clínica e o tratamento adequado. mas algumas medidas durante o tratamento precisam ser tomadas: ● Faça apenas o tratamento indicado por um profissional de saúde. É importante repassar a eles informações sobre as formas de contágio. geralmente sem seqüelas se diagnosticadas e tratadas precocemente (SILVA. todas as DST podem ser praticamente curadas. 2010). funcionários de farmácias. E as mulheres. são serviços de saúde que pertencem ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que contam com profissionais de saúde capacitados na Abordagem Sindrômica das DST. etc. para fazer a revisão. podendo ou não contar com estrutura laboratorial. 2. horário certo e até o fim. para fazerem também o exame preventivo do câncer de colo do útero. a . 2007). ● Os parceiros devem ser conscientizados (devem ser alertados sempre que uma DST é diagnosticada. só manter relações usando camisinha. ● Evitar relação sexual nesse período e se não der para evitar. parentes. ● Retornar ao Serviço de Saúde quando terminar o tratamento. Cada DST tem um tipo de tratamento e só o profissional de saúde poderá avaliar e fazer essa indicação corretamente. senão o problema continua.11 Serviços que atendem casos de DST Os serviços que atendem DST. não aceite indicações de vizinhos. a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde e a importância de evitar contato sexual até que seja tratado também).. ● Tomar o medicamento na quantidade certa. o risco de infecção. É melhor sempre se prevenir (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. ● Peça também para fazer o teste da AIDS.74 Com exceção á AIDS.

gov. o fornecimento de preservativos e aconselhamento para testagem para o HIV (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Construção da Cidadania. Ela tem como princípios a Defesa dos Direitos Civis e Humanos. pode-se consultar o Guia para o controle de DST/AIDS na Cidade de São Paulo Edição 2008.gov. centros de apoio. o Respeito à Diversidade. disponível em: http://www10. projetos.sp. com destaque aos setores mais vulneráveis. Defesa dos Princípios do SUS – Sistema Único de . núcleos.pdf c) Secretaria Municipal da Saúde em conjunto com a Prefeitura Municipal de São Paulo: DST/AIDS Cidade de São Paulo Secretaria Municipal da Saúde Prefeitura Municipal de São Paulo Telefone: 3218-4000 E-mail: dstaids@prefeitura. organizações e institutos que trabalham o tema DST e prestam serviços como: orientações. em conjunto com as Coordenadorias de Saúde das Subprefeituras.sp.br/dstaids/novo_site/images/fotos/Guia. Região onde atua: município de São Paulo Tipo de trabalho desenvolvido: A área temática de DST/AIDS da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo coordena.prefeitura.gov. Para saber a localização mais próxima existe o Dique-Saúde 0800 61 1997. 4194 . atendimento e assistência á pessoas com DST entre outros.br b) Organizações da Sociedade Civil: formadas por várias associações.br Público Alvo: a população de São Paulo. 2010).75 prevenção.Fax: 11 3218-4198 E-mail: cmssp@prefeitura. a ação de 21 unidades especializadas localizadas nas várias regiões da cidade. Para obter mais informações como endereços e tipo de atendimento. movimentos. a) Comissão Municipal de DST/AIDS – Conselho Municipal de Saúde: Tel: 11 3218-4193.

CR (Centro de Referência). . Os serviços municipais de saúde de São Paulo são integrados ao SUS.CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento). . Podem ser contactados da seguinte forma: CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento): CTA Centro: Telefone: (11) 3241-2224 CTA Santo Amaro: Telefone: (11) 5686-9960 CTA São Miguel: Telefone: (11) 6297-6052 CTA Cidade Tiradentes: Telefone: (11) 6964-0784 CTA Pirituba: Telefone: (11) 3978-1213 SAE (Serviço de Assistência Especializada): Sae Campos Elíseos: Telefone: (11) 222-3066 Sae Santana: Telefone: (11) 6950-9217 Sae Cidade Dutra: Telefone: (11) 5666-8301 Sae Jardim Mitsutani: Telefone: (11) 5841-9020 Sae Ipiranga:Telefone: (11) 273-4592 Sae Cidade Lider Ii: Telefone: (11) 6748-0255 Sae São Miguel: Telefone: (11) 6621.SAE (Serviço de Assistência Especializada). .AE (Ambulatório de Especialidades). Organizações da Sociedade Civil. Todas as unidades desenvolvem ações de prevenção. com seringas. Universidades e Empresas no enfrentamento Há também os Serviços Municipais de DST/AIDS Os serviços municipais de saúde especializados em DST incluindo HIV e AIDS atendem gratuitamente. Eles são formados pelos: . agulhas e outros insumos de prevenção às DST/AIDS. materiais educativos e kits de redução de danos para usuários de drogas injetáveis.CPA (Centro de Prevenção e Assistência) e .distribuem camisinhas.76 Saúde e Parceria com as ONGs. de segunda a sexta.0217 . das 7 às 19 horas.

. 1800 Bairro: Vila Clementino CEP: 04039-000 Telefone: (11) 5088-8000 Fax: (11) 5088-8224 E-mail: mihspesp@terra. crianças. mas precisa ser servidor público estadual Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. exames e consulta médica. gestantes e idosos Condições de acesso: Não precisa ter encaminhamento. homem.br População atendida: Mulher. dispensação de antiretroviral.com.77 Sae Sapopemba: Telefone: (11) 6704-0833 Sae Butantã: Telefone: (11) 3735-1190 CR (Centro de Referência): CR Nossa Senhora do Ó: (11) Telefone:3975-9473 CR Santo Amaro: Telefone: (11) 5686-1613 CR Penha: Telefone: (11) 295-0391 CPA (Centro de Prevenção e Assistência): CPA Lapa: Telefone: (11) 3832-2386 AE (Ambulatório de Especialidades): AE Jabaquara: Telefone: (11) 5577-9143 AE Vila Prudente: Telefone: (11) 6211-5763 d) Atendimento Ambulatorial: Hospitais Hospital do Servidor Público Estadual Endereço: Rua Pedro de Toledo. pode vir de qualquer bairro da cidade.

homem. dispensação de antiretroviral. Almirante Delamare. 1534 Bairro: Sacomã CEP: 04230-001 Telefone: (11) 6914-8611 Fax: (11) 274-7646/6215-4337 População atendida: Adultos. Hospital Heliópolis Endereço: Av. Tipo de atendimento oferecido: Consulta médica.78 Hospital do Servidor Público Municipal Endereço: Rua Castro Alves. 28 Bairro: Ipiranga CEP: 04262-000 Telefone: (11) 6215-7799 Fax: (11) 6215-6449 População atendida: mulher. exames e consulta médica. 60 Bairro: Aclimação CEP: 01532-900 Telefone: 11 3208-2211 População atendida: Adultos com HIV/AIDS Condições de acesso: é exclusivo para servidor público municipal Tipo de atendimento oferecido: hospital dia. pode viver em qualquer bairro da cidade Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. gestante e idosos Condições de acesso: Precisa ter encaminhamento e atende pessoas de qualquer bairro da cidade. dispensação de antiretroviral e todos exames . homem e mulher Condições de acesso: Não precisa ter encaminhamento. Nazaré. dispensação de antiretroviral e consulta médica Hospital Ipiranga-Ambulatório de MI (Moléstias Infecciosas) Endereço: Av.

exames e consulta médica. Dr. 924 Bairro: Vila Clementino CEP: 04039-002 Telefone: (11) 5085-0229 Instituto de Infectologia Emílio Ribas Endereço: Av.unifesp.79 Hospital São Paulo .com. 165 Bairro: Cerqueira César . 545 Bairro: Vila Clementino CEP: 04025-001 Telefone: (11) 5571-5971 Centro de Atendimento de Infectologia Pediátrica Endereço: Rua Pedro de Toledo. Outros orgãos governamentais e universitários: Núcleo de Atendimento à Gestante Patológica HIV/AIDS Endereço: Rua dos Otonis. Arnaldo.Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Unidade Ambulatorial de Moléstias Infecciosas e Parasitárias Endereço: Rua Loefgreen. e pode vir de qualquer bairro da cidade. Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. 1588 Bairro: Vila Clementino CEP: 04040-002 Telefone: 11 5081-2821/5573-5081 Fax: 11 5081-2821/5573-5081 E-mail: ccdi@vento. dispensação de antiretroviral.br População atendida: Adultos com HIV/AIDS Condições de acesso: Se a pessoa tiver teste de HIV/AIDS positivo é atendido.br Home-page: www.

já que o atendimento a algumas doenças. Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia.80 CEP: 01246-900 Telefone: 11 3896-1200 Fax: 11 3088-3954 E-mail: expedientetecnica@ig. não. Pode atender a pacientes de todas as regiões do Estado em caso de epidemias.emilioribas. 647 Bairro: Cerqueira César CEP: 05403-900 Telefone: 11 3069-8500 Fax: 11 3069-8503 Home-page: www. homens. 112 Bairro: Vila Buarque CEP: 01277-900 Telefone: (011) 3226-7040 Fax: (011) 3331-6279 E-mail: dir. é hoje descentralizado.tecnica@santacasasp.org. Para atendimento de emergência.br População atendida: Mulheres.br Instituto da Criança do Hospital das Clínicas .com. Dr. Enéias de Carvalho Aguiar.br População alvo: Atendimento para crianças Tipo de atendimento oferecido: Consulta e ambulatório . faz exames e consultas médicas Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Endereço: Rua Cesário Motta Junior.usp.gov. Atende preferencialmente pacientes de sua região. crianças.br Home-page: www.icr. como Aids. gestantes e idosos portadores de doenças infecto-contagiosas Condições de acesso: É necessário encaminhamento e agendamento prévio para consultas de rotina.sp.FMUSP Endereço: Av. dispensação de antiretroviral e outros medicamentos.hcnet.

Fatores biológicos. Acreditamos ser um fato a ser discutido. com relação ao uso do condom pelo parceiro e.br População alvo: Atendimento para adultos Tipo de atendimento oferecido: Encaminhamento para ambulatório de moléstias infecciosas. Na maioria das sociedades. das condutas sexuais dele. 177 Bairro: Itaquera CEP: 08270-070 Telefone: (011) 6170-6181 E-mail: admsm@hospsantamarcelina. já que a mulher sempre brigou para ter seus direitos. e ultimamente vêm conquistando postos antes ocupados apenas por homens. 4. VAN DAM (1995) e MACDONALD (1996). informativos das principais DST e preservativos. baseados em estudos bibliográficos. Durante a apresentação da campanha. 3 METODOLOGIA Será feito uma campanha para promoção informando sobre as DST cujo conteúdo será baseado no referencial teórico deste presente trabalho.com.81 Casa de Saúde Santa Marcelina Endereço: Rua Santa Marcelina. Faz testagem e tratamento. DISCUSSÃO Segundo os autores FAÚNDES (1994). culturais e socioeconômicos contribuem para a alta incidência e prevalência de DST e de infecção pelo HIV em mulheres. também serão distribuídos kits contendo folhetos explicativos. porque surge um questionamento de quanto a mulher têm conquistado de direitos em uma relação á . menos ainda. Isso chama a atenção. com a finalidade de promover a prevenção através de sensibilização quanto à importância do uso de preservativos. estas tem pouco ou nenhum controle quanto às decisões relativas à quando e sob quais condições ter relação sexual. mais independência e autonomia.

apesar das críticas quanto á abordagem da AIDS no elenco das DST. transmitidas. por contato sexual sem o uso consistente da camisinha. não têm suas vontades e limites respeitados. por funcionários de laboratórios e hospitais. Outro ponto a ser discutido é sobre as vacinas anti-HPV Há vacinas também anti HPV. e precisa tomar cuidado para não acreditar que este grupo de doenças é formado apenas por doenças que têm o contágio apenas por relação sexual. produtos derivados do sangue. principalmente. bolhas ou verrugas. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. Outras têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas.82 dois. órgãos ou tecidos doados e através da mãe infectada ao feto ou durante o parto. que além do HIV. formado por representantes de diversas instituições ligadas à Saúde. Ministério da Saúde. Para evitar confusões. mas tem como ser imunizado na rede de saúde particular . Vimos. A abordagem em conjunto é endossada pela OMS. outras DST também podem ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. utilizamos neste trabalho. periodicamente. se manifestam por meio de feridas. seja feminina ou masculina. com uma pessoa que esteja infectada e. É interessante observar isto. De acordo com o Ministério da Saúde. geralmente. Pelo que os autores relatam. o comitê decidiu pela não incorporação da vacina contra o HPV no SUS (BRASIL. já que existem outras vias de transmissão como sangue. 2010 d). Um comitê de Acompanhamento da Vacina. Algumas DST são de fácil tratamento e rápida resolução. a definição fornecida pelo Ministério da Saúde (2010). considerando que o principal modo de transmissão do vírus HIV é sexual e muitas das medidas para prevenção da transmissão sexual do HIV e de DST são as mesmas. transfusão sanguínea. ou seja. (2010 a). avalia. através do conteúdo deste trabalho. porque a DST é a abreviação de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Até o momento. bem como o público alvo dessas intervenções. corrimentos. que define DST como doenças causadas por vários tipos de agentes. o Brasil optou por abordá-las em conjunto. percebe-se que a mulher ainda é submissa e dominada. se é oportuno recomendar a vacinação em larga escala no país. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. apesar da sensação de melhora. na sua vida afetiva.

resultando em aumento da resistência antimicrobiana e podendo levar a quadros subclinicos que os mantém transmissores. devido ao advento da penicilina. inclusive AIDS. Essas situações ferem a confidencialidade.83 5. facilitam o contágio do HIV. que foi demonstrado no trabalhos.estudos vem demonstrando também que além da idade cada vez mais precoce da primeira relação sexual. as pessoas vêm aumentando a sua atividade sexual. com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens. Na década de 40.poucas referências de base populacional sobre DST foram identificadas.a grande quantidade de indivíduos que se automedica com tratamento inadequados. Estas doenças deixaram de receber a devida atenção. A maioria dos estudos encontrados se concentram em grupos de alto risco. Nos anos 60/70. . além da descoberta da pílula sexual e liberdade sexual entre os jovens como por exemplo: . discriminam as . Existem diversos fatores que podem ter contribuído para o aumento das DST entre a população.apesar das diversas leis que há relacionadas á DST. como trabalhadores do sexo. . Além disso. O atendimento é muitas vezes inadequado. CONSIDERAÇÕES FINAIS As DST estão entre os problemas de Saúde Pública mais comuns e representam grave problema de saúde pública por suas repercussões medicas. para este item e de grande relevância seria a erotização propagada de forma descontrolada e sem nenhum critério pelos meio de comunicação e em nenhum momento há uma estimulação para a práticas mais seguras. na década de 80. os portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários níveis do sistema de saúde. Um dos fatores. voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo. como o uso de preservativos. . sociais e econômicas. as DSTS voltaram a ser motivo de atenção em todo o planeta devido facilitar o contágio do HIV. para assegurar que a pessoa portadora de DST. mas somente após a Epidemia da AIDS. resultando em segregação e exposição a situações de constrangimento. e/ou em clinicas especializadas em DST. diminuiu-se os casos de DST. tendo relações sexuais com número cada vez maior de parceiros e elevando o número absoluto de relações sexuais.

As medidas de controle adequadas são as que visam: . Atualmente as doenças sexualmente transmissíveis (DST) estão entre as cinco principais causas de procura por serviço de saúde e podem provocar sérias complicações.prevenir novas ocorrências: por meio de aconselhamento específico. O aumento da infecção pelo HIV entre as mulheres. estratégia básica para o controle da transmissão das DST se baseia na constante informação para a população geral e nas atividades educativas que priorizem: a percepção de risco. abortamento espontâneo.84 pessoas com DST e contribuem para afastá-las dos serviços de saúde. Há ainda evidencias de associação entre a infecção por Papilomavirus Humano (HPV) e maior risco de ter câncer de colo do útero. contribuindo. para a adoção de práticas sexuais mais seguras. adequada e oportunamente. a gravidade das conseqüências das DST para elas (as Doenças Sexualmente Transmissíveis são responsáveis em grande parte por infertilidade e óbito femininos em países em desenvolvimento) e sua freqüente ocorrência entre monogâmicas mostram a necessidade de uma abordagem dessas questões sob a perspectiva de gênero. independente da idade. como é recomendado. A prevenção. estimulando para promover essas mudanças em toda a população sexualmente ativa. uma vez que acarretam poucos sintomas visíveis e. tais como infertilidade. É evidente a necessidade de se trabalhar com a população á respeito das DSTs. orientando. assim. as mudanças no comportamento sexual e a promoção e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização adequada do preservativo. muitas vezes. . favorecendo a compreensão e o seguimento das prescrições. São doenças de difícil detecção. malformações congênitas e até a morte. tratando os infectados. durante o qual as orientações sejam discutidas conjuntamente. detectando precocemente os casos.Outro problema também é a falta de medicamento nas Unidade de Saúde. . contribuindo para o aumento da transmissão. apresentam-se de forma assintomática. e a impossibilidade de realizar exames para um diagnóstico conclusivo logo na primeira consulta. se não tratadas. e seus parceiros (para evitar a reinfecção). ou seja. informando. . sexo ou situação econômica.interromper a cadeia de transmissão: atuando objetivamente nos “elos” que formam essa corrente. de forma mais efetiva.

por funcionários de laboratórios e hospitais por isto também é importante fazer promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. Pela sua magnitude. em todas as relações sexuais. à medida que se consiga conscientizar os pacientes da necessidade de procurar rapidamente um serviço de saúde para tratarse adequadamente e a seus parceiros sexuais. a curto prazo. como por exemplo.85 Algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. são agravos vulneráveis a ações de prevenção primária. pelas suas caracterísitcas. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. As DST. as DST devem ser priorizadas. se logrará. ou seja. de forma adequada. todas as DST podem ser praticamente curadas. Com exceção á AIDS. . A assistência às DST deve ser realizada de forma integrada pelo Programa de Saúde da Família. romper a cadeia de transmissão dessas doenças e consequentemente da infecção pelo HIV. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. e que tenham a garantia de um fluxo contínuo de medicamentos e preservativos. mas também para o adequado acolhimento e aconselhamento dos portadores de DST e de seus parceiros sexuais. além de incentivo á prática de relação sexual com preservativo. com profissionais preparados. O controle das DST é possível. não só para o diagnóstico e tratamento. desde que existam bons programas preventivos e uma rede de serviços básicos resolutivos. Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços de referência regionalizados. a utilização de preservativos. O primeiro. vulnerabilidade às ações e factibilidade de controle. unidades de saúde acessíveis para pronto atendimento. por funcionários de laboratórios e hospitais também. transfusão sanguínea. pode facilitar o acesso ao cuidado e a busca de parceiros sexuais. transcendência. enquanto as UBS e os últimos devem exercer um papel fundamental no tratamento adequado e seguimento clínico. por suas características epidemiológicas. geralmente sem seqüelas se diagnosticadas e tratadas precocemente portanto.

na disponibilização de insumos laboratoriais. na disponibilidade de preservativos e outros insumos . no cumprimento da pactuação para aquisição de medicamentos.86 Deve haver participação e controle de ações pelas organizações da sociedade civil no acesso aos serviços.

Disponível em: http://www2. AIDS e Hepatites Virais. Ministério da Saúde.br/data/Pages/LUMIS1DA1127BITEMID8454D48B85C34ED1B FE1E9AD9C7EAD25PTBRIE. QUENTAL.htm Acesso em: outubro de 2010 c. Aprenda sobre as DST: O que são DST? Brasília.br/data/Pages/LUMISD7A746EAPTBRIE. M. . International Family Planning Perspectives. 24: p. Portal de Serviços do Governo. Disponível em: http://www2.htm Acesso em: outubro de 2010 b. 1995. 32-37. K. BRASIL. DST/AIDS e a Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde: Uma Análise do Nível de Conhecimento e Comportamentos de Vulnerabilização. KIDAN.gov..br. BRASIL. Ministério da Saúde.. Portal de Serviços do Governo. Genitourinary Medicine. HAILE. Rio de Janeiro: Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil/Demographic and Health Surveys. Ministério da Saúde. T. AIDS e Hepatites Virais. Portal de Serviços do Governo. BRASIL.aids.aids. Disponível em: http://www2. 347-350. 1998.aids. E. Sexual Activity and Condom Use in Lusaka. R. Ministério da Saúde. FANTAHUN. REFERENCIAS AGHA.gov. BRASIL.. Aprenda sobre HIV e AIDS: Prevenção-Como Usar Camisinha Masculina. AIDS e Hepatites Virais. 1997. Aprenda sobre HIV e AIDS: Prevenção-Como Usar Camisinha Feminina. Departamento de DST. G. Departamento de DST..87 6. Seroprevalence of Syphilis Amongst Pregnant Women Attending Antenatal Clinics in a Rural Hospital in North West Ethiopia. B. S. Departamento de DST. BADIANI. Disponível em: http://www. MOREIRA-DOS-SANTOS.aids.htm Acesso em: outubro de 2010 a.gov. 71: p./ Acesso em: outubro de 2010 d. AIDS e Hepatites Virais.br/data/Pages/LUMIS5A1F7F00PTBRIE. Macro Internacional.gov. I. AZEZE. Departamento de DST. Zambia.. Doenças Sexualmente Transmissíveis: Dúvidas Freqüentes. Brasília. Brasília.

NEWTON S. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST. ed. DALLABETTA. São Paulo. BRASIL. 1999. ISLAM. Disponível em: http://www. CARVALHO. p. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST. United States.. n0 68. 140 p. Revista da Saúde Publica. G. Bioética e Doenças Sexualmente Transmissíveis. 2006. M. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde. Disponível em: www.dst. 108 p.aids. Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. 2004 b. DST: Impacto global do problema e desafios para o controle. P.. In: DALLABETTA. MMWR. Série Manuais. Coleção DST e AIDS. 38 nº 1.br/areatecnica/monitoraids/estudosespeciais Acesso em: setembro de 2010. 40 ed. Revista15-1. LAMPTEY.. Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de DST e AIDS. atitudes e Práticas relacionadas ao HIV/AIDS com a População Brasileira de 15 a 54 anos. LYN. 30 ed. BRASIL.gov.. 2003. LAGA.br//revista15-1-2003/carta%20ao %20editor. M. Série Manuais. 1998. BRASIL. Fevereiro 2004. Manual de . 1997. Brasília: Secretaria de Projetos Especiais de Saúde. M. Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis. 47:1-7. Bras. Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde. Maria Laura Vidal et al. CDC (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION). Coleção DST e AIDS. 2006.pdf Acesso em: setembro de 2010. HIV Prevention Through Early Detection and Treatment of Other Sexually Transmitted Disease. In: DST – J. 57-61 p. org. G. vol. VII Pesquisa de Conhecimentos. 142 p. n0 68. M. 20. LAGA... Carta ao Editor. Programa Nacional de DST e AIDS. Doenças Sexualmente Transmissíveis.uff. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. Manual de Bolso. CARRET.88 BRASIL. Ministério da Saúde.

1993. org. Guia da Saúde da Família: o Organismo e as Doenças.coladaweb. In: PARKER. Disponível em: http://www. GALVÃO. GERTIG. J. 9. WASSERHEIT. Rio de Janeiro: Editora Relume-Dumaráe Janeiro. Risk Factors for Sexually Transmitted Diseases Among Women Attending Family Planning Clinics in Dar-Es-Salaam. Vaccination Against Human Papillomavirus Shows Great Promise.. Abril. 1994. GUIMARÃES. DST-Doenças Sexualmente Transmissíveis: Prevenção e Controle.. São Paulo: ed. D. A Cultura do Silêncio: As Infecções do Trato Reprodutivo nas Mulheres do Terceiro Mundo. SHAO. A. Reproductive Tract Infections. 1997.html Acesso em: outubro de 2010. 122.br/biologia/prevencao-econtrole-de-dst.. 77-80. 181-187. vol. http://www. Disponível em: Doenças: DST-Doenças Sexualmente Transmissíveis. . São Paulo: International Women's Health Coalition. _________________.colegioweb. Abril 2008.. J. R. K. J. The Lancet 2004.89 Planejamento e Coordenação de Programas: Rio de Janeiro: Editora Te Corá p. 89-114. KAPIGA.. __________________. pp. et al. D. R. p. 73: p.com/doencas/dst-doencas-sexualmente- transmissiveis Acesso em: outubro de 2010. HARPER DM. DIXON-MUELLER. Tanzania. International Journal of Gynaecology and Obstetrics. Quebrando o Silêncio. 39-43. 364(9447):17311732/1757-1765. N. 1996.. FAÚNDES. Genitourinary Medicine. Franco EL. Nas Raízes do Silêncio: A Representação Cultural da Sexualidade Feminina e a Prevenção do HIV/AIDS. Wheeler C. HUNTER. _________________. S.com. Mulheres e AIDS no Brasil. 46: p.

JIMÉNEZ. Association Between Chlamydia trachomatis Antibodies and Subfertility in the Northern Finland Birth Cohort 1966 (NFBC 1966). 305(12):p.html Acesso em: setembro de 2010. 49-52. D. at the Age of 31 Years. Social Science and Medicine. Time Course of the Regression of Asymptomatic Bacterial Vaginosis in Pregnancy with and Without Treatment. Rio de Janeiro Jan. Dissertação de Mestrado. 42: p. 189: p.17 no. CATRAYE. Bacterial vaginosis as a Risk Factor for Preterm Delivery: a meta-analysis. CARTOUX.blogspot. LANKOANDÉ.. KARINEN. Tubal Factor Infertility. MA. 2004 Oct.90 HEBLING. Mulheres e AIDS: Relações de Gênero e Condutas de Risco. História das DSTs.. p. 977-84. Disponível em: http://dst-dst. J. M. 1997. P. 1325-1333. B. Pattern of Sexually Transmitted . Universidade Estadual de Campinas. KLEBANOFF. 139-47. 190(2) p.. I. 2004 Feb. 2003. Ana Luisa.. Curr Opin Infect Dis. Saúde Pública. R. S. 363-70. MacDONALD. al. Notes on the Socioeconomic and Cultural Factors Influencing the Transmission of HIV in Botswana. E. 132(5): p. et al. P. L. MEDA. 1996. et al.. vol. MARDH. N. SANOU. Campinas: Faculdade de Educação.. Cad. H. N Engl J Med 1980.1./Feb. L. Azitromycin Versus Penicillin for Eearly Syphilis.com/2008/03/historia-das-dsts. LEITICH. with Special Regard to Chlamydial salpingitis. 1291-3. & SOUDRÉ. SANGARÉ.. T. COMPAORÉ. Fique Ligado. Am J Obstet Gynecol. Am J Obstet Gynecol. National Institute for Child Health and Development Maternal Fetal Medicine Units Network. et al. HOLMES KK. Previna-se!! 2008. P. 2004. _________________.17(1). Epidemiol Infect. 2004. et. S.

L. O'LEARY. Sexualidades Adolescentes: Escolaridade.. B. DRUMMOND. Gênero e o Sujeito Sexual. In: PARKER. 1997. Disponível em: http://drsergio. CHENEY. Guanabara Koogan S. 82: p. WATERS. Commentary: Methods Women Can Use That May Prevent Sexually Transmitted Disease. Sexualidades Brasileiras.. Genitourinary Medicine.com. 339-344.. B. FIGUEROA. org. Patologia Estrutural e Funcional. A. C. org. A. Em que medida as mulheres correm risco? 1993. S. PAIVA. E. West Africa: Potential for a Clinical Management Based on Simple Approaches. H. McCLIMENS. L. 323-328. rev. MANNS. J. R. G. Including HIV.. E. BRAITHWAITE.. BATEMAN... R.. J. V. 6ª edição. 2004. Rio de Janeiro: Dossiê Panos. SANGI-HAGHPEYKAR. 1992. Consistency of Condom Use Among Users of Injectable Contraceptives.. A Tripla Ameaça: AIDS e Mulheres. . KIRK.. Rio de Janeiro: Editora Relume-Dumará... GOEBEL.html Acesso em: setembro de 2010. D. H. ROBBINS.A.br/dst/dst1. 213-234. B. 188-193. HPV 16 Antibody Prevalence in Jamaica and the United States Reflects Differences in Cervical Cancer Rates. POINDEXTER. Collins. 1993. pp. 29: p. 2000. Kuman. In: O'LEARY.91 Diseases Among Pregnant Women in Burkina Faso. American Journal of Public Health. M. SILVA... WARD. STRICKLER. Cotram. BARBOSA.. S.. Sergio C. Cheney. 80: p. Family Planning Perspectives.. A. ESCOFFERY. GOLLUB. 67-69. P. p. R. 213-234. 73: p. International Journal of Cancer. Doenças Sexualmente Transmissíveis. p. 1473-1478. 2007. 1999. ROSENBERG. 1997..

2):p. Ministério da Saúde. org. PARKER. J. Coleção DST e AIDS. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde. 2006. Rio de Janeiro: Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS/ Instituto de Medicina Social.92 VAN DAM. A guide to essential practice. R. International Journal of Gynaecology and Obstetrics. Ministério da Saúde. 40. Programa Nacional de DST e AIDS. BARBOSA. Série Manuais. pp. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST. 66-72. In: BRASIL.fr/colpochap. Ed.php? lang=4&chap=9 Acesso em: outubro de 2010. 53-7. World Health Organization. Universidade Estadual do Rio de Janeiro. p. 1995. 2004. 9. STD and their current impact on reproductive health: The Need for Control of Sexually Transmitted Diseases. W. 40 ed. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST.5(1). 1997. Disponível em: http://screening. 138 p. Coleção DST e AIDS. 2006. . Chlamydia trachomatis Directly Damage Your Sperm? Lancet Infect Dis. Geneva. A. n0 68. Série Manuais. Lyon. Práticas de Saúde. 140 p. In: Colposcopia e Tratamento da Neoplasia Intra Epitelial Cervical: Manual para Principiantes. 121-129. França: International Agency for Research on Câncer. et al. VILLELA. Programa Nacional de DST e AIDS. 50 p. Lesões inflamatórias do colo uterino.. 2005 Jan. World Health Organization.iarc. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Gênero e Prevenção de HIV/AIDS. Nov. (Sup. n0 68 _________________ ELLEY. In: BRASIL. HIV. C. Cap. II Seminário Saúde Reprodutiva em Tempos de AIDS. Global Strategy for STI Prevention and Control Meeting. In: GALVÃO. R. 2005. Sexually Transmited and Other reproductive tract infections. IARC Screening Group. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde.

D. HIV-1 Infection Associated with Abnormal Vaginal Flora Morphology and Bacterial Vaginosis. 349 (9069): p. et al. 16: p. Lancet. JN. N. RODRIGUEZ. Int J Infect Dis. From Epidemiological Synergy to Public Health Policy and Practice: the contribution of other sexually transmitted diseases to sexual transmission of HIV infection. et al. AIDS. COHEN. M. Prevalence of Herpes simplex Type 2 Antibodies and a Clinical History of Herpes in Three Different Populations in Campinas City. 350(9083):1036. Sexually Transmitted Diseases and Immunosuppression in Female Sex Workers in Abidjan. et al. M. 350(9077): p.75(1). 1997 Aug 23. 451-462.93 FLEMING. 1868-73. SEWANKAMBO. Sex Transm Infect. GHYS. Herpes simplex Vírus Type 2 Infection Increses HIV Incidence: a prospective study in rural Tanzânia. et al. . Erratum in: Lancet 1997 Oct 4. 2002. Cote d’Ivoire.3(2): p. 546-50. 85-93. The Associations Between Cervicovaginal HIV Shedding. WASSERHEIT. Reduction of Concentration of HIV-1 in Semen After Treatment of Urethritis: implications for prevention of sexual transmission of HIV-1. Lancet. AIDS. 3-17.11(12). CARVALHO. et al.. 1998-99. p. P. M. 1999 Feb.. 1997 Oct. 94-8. AIDSCAP Malawi Research Group. Winter. p. Brazil. 1997 Jun 28.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->