PONTOS NEGATIVOS DA GLOBALIZAÇÃO A globalização prega a massificação da sociedade, tanto nas formas de convívio como nos procedimentos éticos

. Julgam irrelevantes os valores locais e regionais contemplando apenas as opções competitivas, orientadas para o mercado internacional. . Movido pela ideologia – Globalização significa mal, contra o qual se deve lutar cegamente, erguendo barricadas protecionistas. . Apresenta riscos tanto para o indivíduo, como para a sociedade, principalmente quando não é bem compreendida e administrada. . A globalização acabou com a nacionalidade dos produtos e aumentou ainda mais a febre do consumo. Os produtos nacionais perderam muito o poder de competição e várias indústrias diminuíram seus faturamentos. Consequência inevitável disso: desemprego. . A globalização está transformando o planeta terra numa ação única, ignorando as fronteiras que delimitam seus territórios. É difícil imaginar o mundo como um país unificado, porque as implicações políticas, culturais, religiosas e étnicas dessa unificação não são fáceis de ser administradas. Mas o que se observa, na prática, é que muitas fronteiras estão perdendo sua razão de ser. Quando se fala em globalização, tende-se a destacar os aspectos da produção de riquezas e do consumo. Isso é apenas o primeiro resultado da mudança. A globalização ainda está em seu início. É impossível dizer que conseqüências trará, a não ser as já conhecidas. O processo está evoluindo rapidamente e é difícil detê-lo. E, como tudo na vida, tem um lado negativo. A primeira denúncia é de que a globalização econômica está decepando os empregos também em escala global e num ritmo igualmente veloz. No fim da linha, dizem os críticos, haverá uma crise social de proporções nunca vistas. Um balanço mais objetivo dos resultados da política de abertura adotada pelos países periféricos e endividados revela os efeitos perversos dessa liberalização, que deixa suas seqüelas sob forma de cortes impiedosos de postos de trabalho, queda dos níveis salariais, perda da capacidade do Estado de levantar recursos, via tributos e impostos, para atender as demandas cada vez mais urgentes não somente das massas, mas também das classes médias angustiadas pelo desemprego, custo e baixa qualidade da educação, falta de segurança e deterioração generalizada da qualidade de vida. Nos estudos dos economistas, deu-se o nome de “desemprego estrutural” a esta tendência. O desemprego estrutural é um processo cruel porque significa que as fábricas robotizadas não precisam mais de tantos operários e os escritórios informatizados podem dispensar a maioria de seus datilógrafos, contadores e gerentes. Ele é diferente do desemprego que se conhecia até agora, motivado por recensões, que cedo ou tarde passavam. Os economistas apontam no desemprego estrutural um paradoxo do sistema de globalização. Do processo econômico sempre sofreu suas crises de adaptação, mas as próprias crises sempre produziam soluções. Por ser um processo que provoca a ansiedade das pessoas, e também porque serve de matéria prima para o oportunismo político, o desemprego está produzindo um debate um pouco desfocado. No momento, ele é fortíssimo nos países europeus. Mas é bom lembrar que os Estados Unidos, apesar das demissões em certos setores, exibem taxa muito moderada de desemprego (cerca de 5%). O que há nos EUA, é uma feroz adaptação de certas corporações a um sistema de concorrência internacional que ficou muito mais aguçada. Para sobreviver e continuar vencendo, essas empresas precisam produzir melhor e mais barato do que suas concorrentes em escala mundial. Quando se olha o panorama do alto da montanha, sem focalizar as companhias que demitiram multidões, descobre-se que, em seu conjunto, o emprego nos EUA está crescendo, e muito, e não ao contrário. O problema real, até agora, é a Europa. Segundo os críticos, a outra nota ruim da globalização está no desaparecimento das fronteiras nacionais. Os governos não conseguem mais deter os movimentos do capital internacional. Por isso, seu controle da política econômica interna está se esgarçando. Há uma perda de controle sobre a produção e comercialização de tecnologia, coisa que, nos tempos da Guerra Fria, seria impensável. Naquela época, a tecnologia estava ligada a soberania dos países. Hoje, para empresas que operam em escala planetária e têm uma multiplicidade de contratos para cumprir em várias partes do mundo, a origem da tecnologia, da matéria-prima e do trabalho não tem a menor importância, desde que seu custo seja baixo e sua qualidade seja alta. Os países continuam derrubando barreiras, inexoravelmente. É essa a lógica do capitalismo. Mas, politicamente, a conversa é outra. Por isso, o debate sobre a necessidade de proteção parece acirrar-se como um efeito retórico do choque. Os tempos mudaram, e um país com fronteiras fechadas tem pouco acesso a capitais e novidades tecnológicas. Com isso, o país perde competitividade e marca passo. Sua Indústria envelhece, fica incapaz de produzir coisas melhores e baratas, a inflação sobe e a capacidade de criar empregos cai.

A saber. não por último. será útil examinar um pouco: o que em suma nós entendemos por "globalização"? A globalização está entre os mais discutidos conceitos da atualidade. cultural. pois sabemos que a discórdia gera a violência. A discórdia e a guerra entre os homens não são geradas biologicamente por determinados instintos. uma chance para a Paz?". Primeiramente. ecológica. etnólogos afirmam que biologicamente o homem está entre os seres vivos mais tolerantes: ele consegue com mais êxito dividir o ar com os de sua espécie do que faria a maioria dos outros seres vivos. em Berlim. será que é para todos?* UEA-Associação Universal de Esperanto Rotterdam. *Concentração de renda. mas por arraigados estereótipos culturais. O tema do congresso deste ano foi: "Globalização. *Acumulação das sociedades indigenas na América. *Endividamensto pessoal. Para diversos homens esta ou aquela faceta pode parecer mais essêncial. principalmente por ter muitas facetas. Seria possível durante horas citar hinos e obras de arte que oram por ela. de comunicação e. *Poluição atmosférica. cujo ritmo se acelera constantemente: durante as últimas décadas ela atingiu uma velocidade vertiginosa jamais experimentada. mas com certeza não era equilibrado.da palestra introdutória ao tema do congresso (publicada na Revista "Esperanto" de setembro/99) e da resolução do congresso. será que é para todos? Paz sempre foi o principal desejo dos homens. e a opinião comum a respeito da globalização em suma pode ser definida da relação com aquela faceta. a humanidade praticamente nunca desfrutou de plena paz. Entretanto. irradiava muito mais efeito. que mais faziam aumentar a eficiência do trabalho humano visando o bem-estar material. Globalização. Abaixo as traduções do resumo . Este efeito certamente era recíproco.Resumindo : * Epidemias (doenças causadas pelo fluxo migratório) * Consumo exagerado. Discórdia e guerra sempre inflamaram ali e acolá.dificílima.pacífica ou militarmente . Ritmo vertiginoso A globalização é um processo de vários milhares de anos sem interrupção. . a tribo que limava instrumentos mais eficazes e se abastecia com mais abundância de alimentos.original em Esperanto . O tema principal de nosso congresso procura uma resposta à pergunta "Globalização . *Aquecimento global.uma chance para a paz?".e começaram a produzir efeito uma sobre a outra. embora . A geração atual deveria numa década digerir uma maior dose das conseqüências da globalização do que uma dezena de gerações juntas de antes. A paz nós almejamos. que sempre extingue vidas humanas.a experiêcia nos ensina sobre isso . A despeito deste antigo anseio. *Recursos minerias. Holanda O último Congresso Internacional de Esperanto ocorreu de 31 de julho a 7 de agosto de 1999. Tem-se as mais diversas posturas a seu respeito. política. tais como: econômica (com ênfase em finanças). psicológica. Globalização. Na história sempre esses grupos humanos mais fortemente influênciaram os outros. também publicada na mesma revista. Disso segue que atingir a paz não é impossível. O começo do processo de globalização foi aquele momento em que duas tribos de homens pré-históricos se contactaram pela primeira vez .

dos elementos pelos quais podiam elevar o nível material da vida humana. Sua formação e constante crescimento devem-se ao que os romanos usufruíam e ao que fazia prosseguir a evolução . Parece que o distânciamento das tradições é forçosamente um pré-requisito de uma evolução eficiente. Perversidade: porque resultou numa especie de fraqueza e na atrofia da solidariedade humana. a mais antiga etapa claramente visível da globalização. pelo aparecimento das colônias. após pleno extermínio do indígenas locais. e comecaram a construir a sua sociedade e seu estado a partir da base. Esta relação crítica e racional das tradições é a principal virtude e ao mesmo tempo a principal perversidade dos Estados Unidos. Economia A economia sempre foi o carro-chefe do processo de globalização. em uma palavra.foi a colonização. Tecnologia Homens em toda parte do mundo facilmente aceitam esta faceta: provavelmente porque novos equipamentos técnicos contribuíiram para dar mais conforto à vida humana sem que fossem sentidos os seus efeitos negativos. e. mas tais ligações pouco a pouco romperam-se totalmente. Até há 20 anos atrás o seu principal terreno era o constante crescimento do comércio exterior . o mais bem sucedido país do mundo. Daria para encher uma biblioteca inteira com as análises eruditas a respeito do milagre norte-americano. Globalização com lamentações O processo de globalização até o começo do século XX desenvolveu-se de dentro da Europa . criou circunstâncias favoráveis para desenvolver a criatividade junto aos indivíduos. Nao se criou um novo grande império. iluminar algumas das facetas da globalização. revolucionariamente novos e úteis ha duzentos anos.a partir do conhecimento herdado dos gregos . No século XV amadureceram os frutos dessa evolução: na época das descobertas geográficas o comércio mundial estendeu sua esfera. pois em apenas um século e meio percorreram um caminho tão brilhante que se tornaram a mais rica e forte. Dentre esses estados estavam os Estados Unidos. Os territórios conquistados e os moradores foram cruelmente explorados. a Europa passou a influênciar territórios muitas vezes maiores que ela própria. sofrimentos e genocídios. Virtude: porque deu aos Estados Unidos e aos seus moradores uma liberdade maravilhosa. os imigrantes que passaram a morar formaram aos poucos estados proprios. mas os estados europeus de então foram significativamente unificados pela Igreja Católica. Foi acompanhado de sangue e lamentações em abundância. ainda que apenas superficialmente. A queda do Imperio Romano foi seguida de contínua e silenciosa evolução. por um sistema de escrita comum e pela língua latina. É como se consolidassem nos Estados Unidos os conceitos de racismo. e . Aqui devo citar apenas o componente mais essêncial: a eficientíssima organização do trabalho humano. em alguns lugares. Já dos anos 50-70 o processo de globalização irradiava para o globo a partir daquele país. mas tais que não são necessariamente úteis para aplica-los com conseqüência em nossa entremente muito mais refinada e matizada imagem de mundo. Os criadores daquele país conscientemente varreram as tradições supérfluas.Pode-se bem constatar essa tendência já no Império Romano. mas ao mesmo tempo os elementos principais da civilização européia começaram a se irradiar nos territórios colonizados.no espírito pioneiro da época do cultismo tudo eles fizeram baseados na razão. Merecem atenção. No decorrer de apenas alguns séculos os estados europeus estendiam seu poderio a todo o globo terrestre. fundados no final do século XVIII. Agora tentemos. primeiramente de algum modo ligados ao poder colonial europeu.

Na história. "Globalização" deveria supor interdependência recíproca. Ao contrario. quando em sólido e constante crescimento do comércio exterior começou em vasta escala algo totalmente novo: a exportação de capital. enquanto que os menos evoluídos em geral dependiam. De fato. Neste campo sofrem ate mesmo os países desenvolvidos da Europa Ocidental. entretanto paradoxalmente podem facilmente perde-la. principalmente por causa do livre e rápido movimento do capital. A língua inglesa na vida internacional já tem uma posição inabalével. é impossível omitir o aspecto lingüístico da cultura. Mas sobre a maneira desta ação falta um consenso geral: os interesses dos países evoluídos são contrários aos dos países em desenvolvimento. Ecologia Danos ecológicos não conhecem fronteiras de países. nós conhecemos por experiência que cada vez mais uma grande parte da produção econômica (também cultural) são possuídas e regidas por sociedades econômicas registradas em um grupo de 20 países mais desenvolvidos. principalmente os Estados Unidos. Em essência o único sistema econômico que resta funcionando no mundo é o capitalismo. e vejamos qual é efetivamente o processo que ocorre no mundo. Então os governos mesmo nos países mais liberais podiam decisivamente influir nos processos econômicos. Uma nova etapa desse processo se abriu na última decada. Mas ultimamente ele aparece também em esferas onde é duvidosa a sua eficiência de longa perspectiva: no ensino. Esse domínio mundial dos Estados Unidos em especial salta aos olhos junto aos produtos culturais. que pouco a pouco passaram a poder não somente em grande parte evitar a influência dos governos. Ligado com a globalização.a livre concorrência. Cultura Cultura e produção de mercadorias culturais estão diretamente ligadas aos aspectos técnicos e econômicos. na cultura e nos serviços de saúde. O sistema de mercado é certamente o sistema econômico que produz mercadorias ou organiza serviços em geral com mais eficiência. também a produção e a distribuição das mercadorias culturais. principalmente sempre influenciaram os países mais evoluídos. A queda do comunismo fez com que seguissem mudanças desvantajosas no caráter do capitalismo: retraíram-se nele os elementos de solidariedade. "Globalização" em si mesma significa que os elementos da economia mundial cada vez mais interdependem. Dominação mundial? Agora tentemos definir o conceito "globalização". Trata-se do fato que os homens segundo suas intenções com mais ciúmes guardam sua própria cultura. e depois de uma ou duas décadas ela possivelmente começará a pôr em perigo as posições das línguas nacionais também em seus próprios países. evidentemente. seria mais apropriado falar sobre "dominação mundial" feita por esses 20 países.internacional: mercadorias produzidas pelos trabalhadores e capitalistas em um país eram vendidos a consumidores em outro. mas a sua essência é a mesma em toda parte. a ecologia é o terreno onde o constante desenvolvimento da globalização é diretamente desejável: somente com uma ação muito consciente e globalmente unida poderá ser evitada uma catástrofe ecológica. por exemplo no ensino superior. que de fato também ameaçam o princípio básico da economia de mercado . Criaram-se enormes empresas multinacionais. Essêncial mudança veio em meados dos anos 80. Pode-se prever a sua breve homogeneização. após a queda do comunismo. o . Eis gigantes unidades de produção sem controle social. apesar de que muitos de boa vontade separariam a cultura das outras facetas. Por esta razão. Os filmes projetados nessa parte do mundo são 70 % norte-americanos. Ele ainda não aparece em toda parte com uma única fisionomia. Contudo no ritmo do processo de então essa diferença na maioria das vezes permanecia sob o limiar de tolerância dos homens. mas até mesmo influenciálos.

eles tornam-se quase invulneráveis. enquanto cresce o desemprego. Em terceiro lugar: conservando os seus antigos mercados eles adquirem novos. Eles ganham triplamente. Os filmes americanos talvez cada vez mais dominarão. Comunidade internacional? A dominação dos países desenvolvidos ultimamente se estendeu também à política. Sair desta armadilha é possivel somente por meio de economia nos custos sociais. redução do nivel de provisão social e do nível de vida em geral. Por causa da abrupta abertura das economias nacionais ali podem ser destruídos todos os ramos industriais tradicionais. Quem lucra e quem tem prejuízo? Quem lucra e quem tem prejuízo na atual globalização? Evidentemente. escorregando do controle social. por causa do progresso técnico que se pode esperar da televisão e atingirão também as massas analfabetas dos países em desenvolvimento. Em nosso ponto de vista a essência está não se o regime de Milosevic tinha culpa ou não.número de espectadores é provavelmente até mais alto. Tudo isso resulta num abrupto crescimento de lucro para os proprietários e para os seus dirigentes privilegiados. Se os povos dos países em desenvolvimento esforçarem-se para segui-los. O abrupto aparecimento de novas culturas de produção . Em conseqüência da produção transferida encolhe a arrecadação de impostos. gerando custos governamentais. De fato. os ganhadores devemos procurar em primeiro lugar nos países desenvolvidos. Lucra inicialmente também o estado aceitador do capital: apesar do favorecimento de impostos. Têm prejuízo nos países desenvolvidos antes de tudo aqueles trabalhadores que por causa do deslocamento da produção perdem seu trabalho. Mas isso provavelmente diz respeito apenas às violências dos países a serem julgadas dignas de punição em Washinton e em Bruxelas. mas se essa guerra colocou à margem o júri internacional e a organização universal das Nações Unidas. liquidando mais locais de trabalho do que produz a importação de capital. Esses filmes fazem publicidade dos modelos de vida e de consumo americanos. Primeiro: no novo local a força de trabalho custa significativamente menos. Trata-se dos proprietários e dirigentes das sociedades econômicas. Ganhadores também encontram-se nos países que aceitam essa exportação: primeiro aquelas elites locais que organizam a produção. também não equilibrada: em geral eles tentam tapar o buraco pela combinação de empréstimos e atração de mais investidores. até na esfera militar. Na ultima guerra da Iugoslavia. o evidente insucesso em atingir esses objetivos causarão uma profunda frustração. porque no nível de consumo americano o globo terrestre seria capaz de suportar não mais do que 1/3 (um terço) de seus 6 bilhões de pessoas. distribuindo em diversos lugares seus produtos eles ficam independentes dos governos e. fatalmente seguirá uma catástrofe ecologica. Isso dificilmente é suportado pela balança monetária exterior desses países. Os problemas surgem quando essas empresas passam a remeter seus lucros para fora do país. Lucram também aqueles trabalhadores dos países que aceitam o capital que são empregados pelas fábricas recém-criadas: pois eles de modo geral passam a ter trabalho e talvez até recebam um salário um pouco mais alto do que de costume. Por outro lado. Perdedores encontram-se também nos países que aceitam a importação de capital. 19 estados-membros da OTAN elegantemente declararam-se "comunidade internacional" e iniciaram a guerra contra a Iugoslávia. mas têm prejuízo também seus governos. cresce um pouco sua arrecadação. e em virtude da queda do desemprego tornam-se moderados os custos sociais. Dizem que de agora aquela guerra freará em todo o mundo a violência de um país contra os próprios cidadãos. Em segundo lugar: ali as autoridades em geral favorecem os investidores com impostos facilitados. que realizam a exportação de capital e a transferência da produção para outros países.alem da . a qual por sua vez poderá causar reações psíquicas e políticas dificilmente previsíveis.

digamos.criação de uma globalização igualitária e democrática.mas somente se todos nós participarmos na solução./ quem ainda não fez sentir pressão" . Os americanos tem de fato muitíssimas razões para se orgulharem. que outrora de fato poderiam atingir. Resolve "um problema do cérebro humano. Os pontos negativos que acabaram de ser listados fazem muitos responderem negativamente. Nós esperantistas somos os antigos apóstolos da globalização igualitária. pois certamente nunca atingirão o nível atual. GLOBALIZAÇÃO O Advento da globalização trouxe o bem e o mal à sociedade . principalmente entre as camadas mais baixas da sociedade. também gera aumento do problema da exclusão. A verdadeira globalização Sustentar a verdadeira globalização não somente não exclui. intensificando a violência urbana . uma dominação mundial feita por uma restrita elite econômica despertará nos restantes cinco bilhões um sentimento de derrota. que se alimenta da interação recíproca de culturas.eficiência que traz perspectiva de evolução . mas eles devem compreender que não trarão felicidade à humanidade restante se em toda parte no globo terrestre crescerem cópias dos Estados Unidos.uma chance para a paz?" não pode ser de significação única. e mesmo se fosse. a resposta a "Globalização . e os de Bangladesh apenas aparentemente ganharão. em favor do capital. Do contrário. pois ao mesmo tempo que beneficia vários setores do processo produtivo e social . Assim os suíços perderão. pois ultimamente em todo o mundo estão sendo constantemente revisados os contratos sociais. quando os augúrios para atingir tal globalização não são em parte promissores.rejubilou William Auld sobre a capacidade humana em seu poema "A Raça Menina". Se o intelecto humano teve sucesso em criar um aparato de transporte e telecomunicação graças ao qual é possivel uma intensa colaboração da humanidade de 6 bilhões.vale a pena enfrentar esses conflitos. a base do que faz o homem tão grande quanto ele é. Para evitar discordia é necessário que os países desenvolvidos mostrem um profundo moderamento no fluxo contínuo do processo de globalização. mas para o objetivo . há 43 anos atrás. seria imprudente. mas com um enfático "não" à dominação mundial feita por um deles. Eles também perderão em perspectiva. porque nela todos por direito se sentirão ganhadores. Perdas e ganhos Pela atual forma de globalização durante um periodo mais longo perderá a maioria dos homens. Os salários e o zelo social finalmente tenderão em escala mundial a se unir em média entre os níveis atuais da Suíça e.podem causar um choque psíquico com suas conseqüências sociais negativas. Agora o problema ja faz pressão. que marcou época. podemos enumerar então algumas vantagens e desvantagens da do processo da globalização: . Esse fluxo imbecilizante de imagens consegue empobrecer a cultura da língua. Isso pode conflitar com os interesses de grupos econômicos. Estamos otimistas também agora. frequentemente apoiados por países. baseada numa interação recíproca dos participantes . Muita destruição segue também desta forma de globalização cultural que é incorporada principalmente pela penetração de um conjunto de despretensiosas "novelas" e filmes irradiando agressividade. marginaliza a cultura escrita. Nós podemos responder afirmativamente à globalização. Porém rejeitá-la de todo não é possível. Entao. mas até mesmo provoca a resistência a tais fenômenos. É necessario que eles lembrem que a pedra fundamental de qualquer cultura é a limitação de si própria. seria tolice não usá-lo. de Bangladesh. Uma globalização verdadeira dará uma chance à paz. e isso invoca reflexos não tipicamente pacificos. e o "cérebro humano" certamente resolverá o problema .

que age de forma mais rápida. o que auxília o processo produtivo 2-Novos produtos no mercado 3-novos serviços . onde a taxa de desemprego é de 11%. 6-Intensificação dos impactos ambientais .A ECONOMIA GLOBAL VAI BEM E O POVO VAI MAL O que dizer de um sistema econômico que aumentou a riqueza e diminuiu o emprego? As dores da globalização atingem também os países mais ricos Se estivesse vivo e assistisse à atual Copa do Mundo da Alemanha. 3-A tecnologia a passa a ser uso do crime organizado . atrvessando a fronteira global 6-Melhorias educacionais . a nível global . perdendo espaço para o crime organizado . o mesmo acontece não só na Alemanha. prevenindo-se contra os malefícios e tirando vantagens do processo. mais lixo por exmplo(aumento do consumismo) A globalização é considerada mais uma fase do capitalismo . Fonte: http://pt. drogas . prostituição infantil) 4-O aparato policial (instituição governo) . o que melhora a qualidade como um todo 5-Abertura comercial. o que pode gerar mais emprego aos qualificados 4-Acirramento da competividade .Vantagens 1-Elevada tecnologia .4% da Tristeza em Paris: na capital da França. inclusive Estados Unidos e Brasil. 5-A informática .treinamento.” Hoje. o desemprego aflige 17. pois coloca facilmente em contato agreessor e vítima. MSN). o Brasil sagrou-se tricampeão mundial de futebol e viveu um período de bonança conhecido como “milagre econômico”. mas também eliminou empregos e aumentou a distância entre ricos e pobres. Naquela época. qualificando a mão-de-obra Desvantagens 1-Exclusão social aos que não tem acesso ao processo (educação. facilitando o tráfico (armas . apresenta-se de forma lenta no acompanhamento do processo . utilizada de forma inadequada (ORKUT. o general Emílio Garrastazu Médici poderia repetir a célebre frase que disse nos anos 1970. mas em vários países europeus e americanos. A globalização gerou riqueza e prosperidade nos últimos anos.Cabe a cada um entender e buscar situar-se . senhora desempregada pede esmola na rua .qualificação) 2-Com o aumento da exclusão social ocorre o aumento da violência.shvoong. vem facilitando a a orrência de sequestros .Os produtos podem ser vendidos nos diversos países .com/social-sciences/education/2127930-bem-mal-da-globaliza %C3%A7%C3%A3o/#ixzz1VQnusieo GLOBALIZAÇÃO . Somente em Berlim. que sucede o período da Guerra Fria. O ditador brasileiro resumiu como poucos a disparidade entre os números positivos e a vida da população: “A economia vai bem e o povo vai mal. estrupos e mortes .

onde a companhia contratou um programador de Mumbai (exBombaim) chamado Kalamesh Pandya. Cadê meu trabalho?: Larry (no alto. Kalamesh recebia US$ 250 por mês para fazer o mesmo trabalho. a segunda como farsa.7%).500 mensais. é um bom exemplo do que está acontecendo no mundo. trabalhadores buscam vagas no centro (acima) O aumento da desigualdade social na economia mais poderosa da Terra foi retratado na semana passada pela bíblia liberal do capitalismo. Sua função fora repassada para uma jovem mulher chinesa. na China ou na Índia. Com o adiantamento que recebeu da editora. a história acontece duas vezes: a primeira como tragédia. que sua função havia sido exportada para a Índia. Hoje. enquanto torce pelo hexacampeonato mundial. primeiro. Em São Paulo. um país notório por sua concentração de renda e riqueza”. chamado provisoriamente de Onde no mundo está meu emprego?. o povo também sofre pela busca de trabalho. Em 2001. afirmou uma fonte da publicação nos Estados Unidos. Esses índices são altos na Itália (7. na Bélgica (12%) e na Espanha (8.população.3%).5% registrados em abril de 1987. Segundo a pesquisa Dieese/Seade. 38 anos. Larry resolveu localizar o paradeiro de seu cargo e embarcou numa peregrinação pelas tortuosas vias da globalização.6%. onde a taxa média de desocupados chega a 8%. grandes beneficiários do processo atual de globalização. a revista inglesa The Economist.) descobriu que seu emprego foi dado ao indiano Kalamesh. na região metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego estava em 16.9% em abril – o dobro dos 8. o que cria um contraste difícil de esconder mesmo durante a festa da Copa. Por aqui. Descobriu. “A globalização serve apenas a um consórcio de homens de . sofre com um desemprego historicamente elevado: 4. “Se as coisas continuarem assim por muito tempo. Na capital alemã. Larry ganha a vida como consultor free lancer de informática e está escrevendo um livro. nós iremos acabar como o Brasil. a pobreza de uma grande parte dos moradores é visível para os milhões de turistas que foram para lá acompanhar o mundial. ele financia as viagens em busca dos novos donos de seu antigo cargo. Mas afinal. por uma fração do valor – como profetizou Karl Marx. Revoltado. A surpresa: o próprio Kalamesh já havia sido mandado embora.3%). Ele ganhava US$ 4. sem nenhum benefício social. à esq. os Estados Unidos. na França (9. além de planos de saúde e de aposentadoria. É um fenômeno que marca a União Européia. A história do americano Larry Berwind. Seis meses atrás. país que mais se beneficiou da globalização. Larry foi visitar o indiano pessoalmente. 31 anos. Do outro lado do Atlântico. Pai de quatro filhos. de Xangai. esse nova-iorquino formado na prestigiada Universidade de Stanford perdeu seu emprego de autor de programas de computador numa empresa da Califórnia. onde é que foram parar os empregos do mundo? Provavelmente.

O quadro se torna mais preocupante para os trabalhadores americanos quando se intensificam as exportações de empregos na área de serviços – muitas empresas contratam companhias na Índia. órgão das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento. reclamou a ISTOÉ. O déficit da balança comercial de manufaturados foi a US$ 105 bilhões ao final de 2005. o Japão e a Itália eram vistos como grandes ameaças ao emprego nos demais países que começaram a importar seus produtos. diz Rubens Ricupero. . Na pauta do Congresso dos Estados Unidos. que não tem pátria”.negócio. atualmente. explica o economista Josh Bivens. Porém. para atender chamadas de consumidores americanos em seus call centers. Milton Gamez e Osmar Freitas Jr. esse fenômeno pode se agravar. não há. um único item que procure proteger uma das marcas registradas do chamado “american way of life”: o emprego. onde o inglês é o segundo idioma mais falado. naquela época o crescimento das economias compensava com folga os impactos negativos. não houve recuperação digna de nota. prevê. “Fica mais difícil absorver as dores da globalização. a elite do capital financeiro. De lá para cá. do respeitado Economic Policy Institute. pois a oferta de mão-de-obra da China é inesgotável. O número de trabalhadores nesta área mantém-se em 14. “A tensão comercial entre os países tende a aumentar”. “A relação entre o déficit comercial de produtos manufaturados e a perda de empregos no setor é óbvia: as importações diminuem a demanda de trabalho”. ex-ministro da Fazenda e ex-secretário-geral da UNCTAD. Entre os anos 2000 e 2003 foram perdidos três milhões de vagas no setor manufatureiro do país.” Para Ricupero. Nos anos 50. O mundo já viveu vários momentos de globalização ao longo da história.3 milhões – menor patamar desde 1950. “O problema atual é que o crescimento nos países industrializados está muito baixo”. depois da Segunda Guerra Mundial.

Mitos sobre a globalização A globalização destrói empregos. ou um rádio. Espero conseguir cativar as mentes de vocês. mentes e vidas que são importantes e têm significado. Para colocar um pouco dessa carne e osso nos argumentos formais. tal como as importações são o preço que os estrangeiros pagam pelas nossas exportações. que gostam de tirar fotografias de gente pobre colorida. o preço que pagamos pelas importações. Usarei o termo “globalização”. isso não é uma coisa ruim. Essas são as pessoas de carne e osso cujo destino será decidido. Antes de explicar meu sim. para me referir à diminuição ou eliminação das restrições estatais aos intercâmbios entre fronteiras e ao cada vez mais integrado e complexo sistema global de produção e trocas que emergiu como resultado mais urgente é saber quais os reais efeitos da globalização realmente tem. afinal. Não estão sendo roubadas. permitam-me contar uma história. e que possamos ativar o coração através da mente. quando discutimos a globalização. As mulheres lhe disseram que já não usam os seus vestidos feitos à mão porque eles se tornaram excessivamente caros. mas afeta o tipo de empregos que as pessoas têm. dizem que não. Se o protecionismo aumenta o número de empregos em indústrias que competem com importações. A questão política fundamental é se uma fronteira deve ser utilizada para impedir as transações que seriam permitidas se ambas as partes estivessem do mesmo lado dessa fronteira. pessoas de carne e osso que têm corpos. Assim. A política comercial não afeta o número de empregos. Em vez de passar horas e horas num tear manual fazendo um vestido para usar. da esquerda e da direita. nas indústrias que produzem bens que teriam sido trocados por bens que teriam sido importados mas que são agora mais caros devido às tarifas ou excluídos por quotas. Ou as mulheres podem fazer outros trabalhos e ainda assim ter capacidade para comprar mais coisas a que dão valor. Essas peças estão cada vez mais reservadas para ocasiões especiais. Ficarão mais ricas ou mais pobres? Terão vidas mais longas ou mais curtas? A resposta a essas questões depende de adotarmos políticas sábias ou estúpidas. para que assim vocês coloquem seus corações do lado da humanidade. Vou falar de razões. São as primeiras vítimas da globalização e do imperialismo cultural. para o melhor ou para o pior. As exportações são. lógica e evidências. mas é uma grande decepção da perspectiva daqueles a quem o meu amigo chama “turistas da pobreza” anti-globalizadores. Os visitantes não se preocupam em perguntar às mulheres maias por que razão muitas delas não vestem as roupas tradicionais. O que significa as roupas feitas à mão terem-se tornado mais caras? Significa que o trabalho da mulher maia se tornou mais valioso. afirmam. devo enfatizar que o debate não é sobre a interação de números mas antes sobre a interação de pessoas reais. É importante que os argumentos façam sentido. A reação dos visitantes é quase unanimemente de horror. ou um medicamento para combater a febre dengue. mas o meu amigo decidiu fazê-lo. É comum que os adversários da globalização utilizem este termo para descrever todas as características da vida humana que não apreciam. devemos levar em conta as mulheres que fazem roupas que estão ficando excessivamente caras para que elas as usem todos os dias. de sua perspectiva. de forma mais precisa. E.A globalização é ótima A globalização provoca sentimentos fortes em muita gente. Os opositores da globalização. que possam ser verificados ou refutados. Disse-me que antropólogos da Europa e dos Estados Unidos que querem “estudar” os aborígines se queixam de que muitas mulheres maias já não vestem no dia a dia seus belos trajes indígenas feitos à mão. Os maias estão sendo privados da sua cultura. um amigo maia que ensina antropologia na Guatemala levou-me às terras montanhosas maias. pelo debate sobre a globalização. de Ralph Nader a Patrick Buchanan e Jean Marie Le Pen. ela pode empregar esse tempo fazendo esse mesmo vestido para vender a uma mulher na França e utilizar as receitas para comprar três outras peças de roupa — e óculos. e se são positivos ou negativos. Deve-se permitir aos produtores de trigo dos EUA comprar celulares de pessoas da Finlândia? Deve-se permitir aos tecelões de Gana vender camisas e calças aos operários alemães? Acredito que a resposta é sim. mas hoje não vou falar muito de sentimentos. No ano passado. ou seja. tornaram-se mais ricas. como batismos e casamentos. de tal forma que se reduzirmos através de uma . ele reduz de forma correspondente o número de empregos em indústrias exportadoras.

elas deixam de ser culturas humanas e transformam-se em exposições de museu. porque pagam melhores salários e oferecem melhores condições laborais do que as alternativas domésticas. O resto do mundo. O mesmo se aplica às condições laborais. Se fosse verdade que os fluxos de capital se dirigem para onde os salários são mais baixos. Isso se traduz numa perda de empregos nas indústrias exportadoras. os quais tendem a ser onde a mão de obra é mais produtiva. Ouço esse tipo de história frequentemente nas universidades. ou a loucura que se instalou nas crianças de sete anos por todo o mundo há alguns anos com o fenômeno japonês do Pokemon. A globalização origina uma deterioração dos padrões ambientais e laborais. assim como com o também japonês anime. reduziremos também o valor de bens exportados para pagar essas importações. na medida em que outros países adotaram os padrões legais dos Estados Unidos para proteger os golfinhos e as tartarugas. o Brasil. tais como ações de empresas. não é possível ter simultaneamente um superávit na conta de capital e um superávit comercial. as classes médias cresceram. Além disso. e em geral isso acontece onde os salários são mais altos. o que permite que a testemos. Países em desenvolvimento (com salários em crescimento) como a Indonésia. porque os estrangeiros querem atrair e reter os melhores trabalhadores. ele recebe algo em troca das suas exportações. as empresas estabelecidas por investidores externos tendem a pagar salários mais altos do que as empresas locais. e o que obtém é a propriedade de ativos — ou investimento líquido — nos países para os quais exporta. Os postos de trabalho nas empresas propriedade de estrangeiros são geralmente muito procurados. 81% do investimento direto estrangeiro dos EUA foi para três partes do mundo: o desesperadamente pobre Canadá. Se um país exporta mais do que importa. O capital é exportado dos países ricos para o Terceiro Mundo criando sweatshops. Isto sem mencionar a comida tailandesa ou a possibilidade de ouvir músicas gravadas em praticamente todas as línguas faladas no planeta. seria de esperar que o Burkina Faso e outros países pobres com baixos salários estivessem inundados de investimento externo. A globalização gera desigualdade. consequentemente. incluindo toda a África. A globalização direciona o capital para onde os salários são mais baixos e explora os trabalhadores mais pobres. Benefícios da globalização . A globalização nos enriquece culturalmente. Os investidores investem nos locais onde os retornos são maiores. Mas consideremos a moda que tomou todo o mundo. Bollywood. repartiram o 1% restante. Primeiro. É mesmo verdade que os Estados Unidos são culturalmente atraentes e que algumas pessoas — geralmente das elites — se opõem a isso. não mais baixos. Outra falácia é a de que o capital flui para onde os padrões ambientais e laborais são mais baixos. condições ambientais e laborais. A afirmação tem implicações tangíveis. e não piores. Se um país importa mais do que se exporta — como os EUA têm feito nas últimas décadas — é necessário vender algo aos estrangeiros que lhe enviam seus produtos. de tal forma que todos ficam pior. Os dois casos mais citados como exemplos de efeitos supostamente negativos sobre o ambiente dos acordos comerciais — os do “atum/golfinho” e “camarão/tartaruga” — revelam uma melhoria. o pequeno mago inglês Harry Potter.tarifa o valor de bens importados. Mas verifiquemos os fatos. É tão confusa que é difícil saber por onde começar. A identidade contabilística fundamental é: Poupança – Investimento = Exportações – Importações. Se as culturas permanecerem hermeticamente seladas e estáticas. A maioria dos cenários aterrorizantes anunciados pelos oponentes da globalização tem sua base na mera ignorância dos elementos mais básicos da contabilidade do comércio internacional. A globalização cria uma cultura norte-americana homogênea em todo o mundo. Os investidores colocam o seu capital nos locais que lhes oferecem os maiores retornos. As causas do aumento e diminuição da desigualdade são complexas. o que significa que existeenos e não mais desigualdade. gerando excedentes comerciais nos países pobres e reduzindo a atividade industrial nos países ricos. a empobrecida Europa Ocidental e o faminto Japão. e o que se vende são ativos. a indústria cinematográfica indiana. que por sua vez exportam grandes quantidades de bens baratos para os países ricos. não uma deterioração. No interior dos países que abriram as suas economias ao comércio e aos investimentos. Essa não é a desigualdade que os anti-globalizadores têm em mente. mas há uma verdade substancial na afirmação de que a globalização gera desigualdade — o diferencial de riqueza entre os países que têm economias fechadas e aqueles que praticam o livre comércio continua a aumentar. Durante a década de 1990. e muitas outras contribuições de outras culturas. os quais são onde as pessoas são. mais ricas — e as pessoas mais ricas tendem a exigir melhores. a Tailândia e o México representaram 18%. as quais enriqueceram a nós e a outros.

O comércio se baseia na nossa faculdade de raciocinar e na nossa capacidade de persuadir. e não como rivais mortais. a abertura da economia mexicana através do Tratado de Livre Comércio da América do Norte tornou possível a vitória do presidente Vicente Fox e a ruptura do monopólio do poder pelo Partido Revolucionário Institucional. Há um velho adágio que diz: “quando os bens não podem atravessar as fronteiras. Essa é também uma razão pela qual o comércio está tão intimamente relacionado com a paz. trigo e aviões pela outra. e a secretária se especializar em datilografar. o “inventor” seria vilipendiado por ser um destruidor de empregos e pela sua falta de patriotismo. Imaginem que alguém criou uma máquina que permitiria fazer passar por uma porta coisas que podem produzir de forma barata e obter por outra porta as coisas que gostariam de ter mas custam mais a produzir.. Em primeiro lugar. já que a secretária é melhor datilografando do que redigindo documentos jurídicos. mas ambos se beneficiam se o advogado se especializar em escrever documentos jurídicos. trabalham aproximadamente 250 milhões de crianças. que a sociedade humana se torna possível. enviam seus filhos para a escola. Os países pobres não são pobres porque as crianças trabalham. é pelo fato de as pessoas poderem ver os outros seres humanos como parceiros numa cooperação mutuamente benéfica. 90% são classificados como “livres” pela Freedom House. e não comerciam porque não usam a razão com o fim de persuadir. que para nós parece ter um significado tão simples e direto. O comércio global é o caminho mais rápido para eliminar o trabalho infantil e substituí-lo pela educação infantil. o comércio livre une os países em paz. e por razões relativamente óbvias. a abertura e a globalização reforçam os governos democráticos e responsáveis e o Estado de Direito. ambos nos beneficiamos do comércio se ela se especializar naquilo que faz melhor e eu me especializar naquilo que faço melhor. As crianças trabalham porque são pobres. Os australianos poderiam fazer passar ovelhas por uma porta e da outra sairiam carros e máquinas de xerox. os exércitos certamente o farão”. mas não comerciam. Em todo o mundo. o que custa menos em termo de perda de argumentação jurídica. outros animais podem cooperar. . os quais custam menos em termos de produção datilográfica perdida. nos 20% de países com economias mais fechadas. O livre comércio é um direito humano fundamental. O comércio gera riqueza. O advogado pode escrever documentos jurídicos e datilografar melhor que a secretária. Quando as pessoas enriquecem através da produção e do livre comércio. O comércio é algo distintivamente humano. Dos 40% de países com maior abertura econômica segundo o Economic Freedom of the World (co-publicado pelo Cato Institute). em vez de os mandarem para os campos. é um direito humano. O comércio livre não é um privilégio. O produto total é maior e ambos recebem mais rendimento. Os japoneses poderiam empurrar vídeos e aparelhagens por uma porta e obter petróleo. A porcentagem de crianças que trabalham tem caído — e não aumentado — com o incremento do comércio e da globalização. Como ele observou. a porcentagem de governos classificados como democráticos pela Freedom House aumentou dramaticamente. Os defensores de governos democráticos e responsáveis e do Estado de Direito deveriam apoiar a globalização.. Algo que nos diferencia de todos os outros animais. independentemente do lado da fronteira em que vivam. O comércio livre é o caminho mais rápido para a eliminação do trabalho infantil. O comércio. Pelo contrário. em vez de ser considerado um herói. menos de 20% foram classificados como “livres” e mais de 50% foram considerados “não livres”. O comércio é a base primordial da civilização humana. é na realidade a oferta de um argumento para persuadir alguém a fazer algo de tal forma que se ajuste ao seu interesse”. Como assinalou Adam Smith numa conferência em 30 de Março de 1763: “A oferta de um shilling. Os antiglobalizadores e os protecionsitas partem do pressuposto de que têm o direito de usar a força para evitar que vocês e eu levemos a cabo trocas voluntárias.A globalização conduz à paz ao diminuir os incentivos para o conflito. O México é um bom exemplo. Mesmo que a pessoa na primeira fila seja melhor que eu em tudo. O protecionismo se baseia numa mentalidade e num conjunto correspondente de políticas que enfatizam os interesses divergentes das nações. Mas os direitos fundamentais deveriam ser iguais para todos os seres humanos. À medida que as barreiras comerciais foram caindo. um porto! Então. do qual desfrutam todos os seres humanos. O erro mais comum dos protecionistas é confundir vantagem absoluta com vantagem comparativa. Em contraste. e o direito de comerciar é um direito fundamental. O velho exemplo da datilógrafa e do advogado aplica-se tanto entre fronteiras como dentro dos escritórios. O inventor dessa máquina seria celebrado como benfeitor da humanidade — até que Pat Buchanan ou Ralph Nader mostrassem que o invento é. Mas qual é a diferença entre essa máquina maravilhosa e o comércio? O comércio traz benefícios para todos.

” (Odisséia. Ulisses observa que: “Os Ciclopes não possuem nenhumas naus de cascos vermelhos. oferece-nos alguns pensamentos sobre as razões pelas quais os ciclopes são “gigantes sem leis”. Canto IX. porque é imoral. O protecionismo deve ser rejeitado não apenas porque é ineficiente. que. nem artesãos capazes de fabricar essas naus bem munidas de ponte. e tantas são as que transportam através do mar os homens que vogam de uns países para outros. No Canto IX. Ele deve ser rejeitado porque conduz ao conflito e à guerra. um mundo em que toda a produção é local. 125-129) Os Ciclopes são selvagens porque não comerciam. e porque é contrário à civilização. um mundo sem comércio. . mas é também uma característica distintiva da civilização.O comércio não só é distintivamente humano. como salientou Homero na Odisséia. rumam na direção das cidades povoadas. adequadas a todas as viagens. quando Ulisses nos relata a sua chegada à terra dos ciclopes. Vivem no mundo preferido pelos anti-globalizadores.

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