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10 - Síntese de trens de engrenagens

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ENG-003316 - MECANISMOS

10 - Síntese de trens de engrenagens – Pág.

SÍNTESE DE TRENS COMPOSTOS SÍNTESE DE TRENS REVERTIDOS

O Conceito de Síntese Até agora, as atividades com mecanismos consistiam em analisar algum mecanismo dado, obtendo determinadas propriedades a partir de sua configuração, utilizando algumas regras e fórmulas. Por exemplo, no caso das engrenagens, a partir do número de dentes e da configuração de engrenamento entre os pares de engrenagens, é possível determinar as razões de velocidade entre os componentes, a razão final do trem inteiro (razão entre a velocidade da engrenagem de saída e a velocidade da engrenagem de entrada), e a velocidade de saída para uma dada velocidade de entrada. A atividade de síntese é o contrário: a partir de propriedades desejadas, devemos arbitrar a respeito da quantidade, das configurações e dos números de dentes dos componentes para que seu comportamento apresente aquelas propriedades.

Em geral, projetar (sintetizar) um trem de engrenagens envolve obter uma determinada razão final (dada), respeitando restrições quanto à razão máxima permitida por estágio (dado), e quanto ao número de dentes máximo e/ou mínimo permitido no mecanismo (dados). Vale lembrar que cada par de engrenagens é um estágio e apresenta uma razão parcial. Isso é conseguido a partir da escolha de uma determinada combinação de razões parciais (arbitradas), e da determinação do número de dentes de cada engrenagem (arbitrados).

Assim sendo, em um nível mais abstrato, podemos dizer que o conjunto de requisitos combinado com o conjunto de restrições nos dá um espaço de soluções, ou seja, em princípio existe um número finito de soluções válidas, e a atividade de síntese consiste numa sequência de passos que nos leva em direção a alguma dessas soluções, e – se houver paciência e método – a TODAS elas.
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 3.0 Unported. Para ver uma cópia desta licença, visite http://creativecommons.org/licenses/by-nc-

sa/3.0/deed.pt
Autor: Helton Scheer de Moraes; Fontes: ISBN 0-19-515598-X, ISBN 0-07-247046-1 e ISBN 0-07-026910-6

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Passos para sintetizar um trem composto De acordo com o que já foi visto, sabemos que a razão final (razão de velocidades entre a engrenagem de saída e a de entrada) é dada pelo produto de dentes das motoras dividido pelo produto de dentes das movidas:

N ωn N N = RF = − 2 ⋅ − 4 ⋅ (⋯) ⋅ − ( n −1) = r1 ⋅ r2 ⋅ (⋯) ⋅ rn ω2 N3 N5 Nn
Ou, de maneira mais direta:

RF = r1 ⋅ r2 ⋅ r3 ...
Ou seja, a razão final é igual ao produto das razões parciais. Nosso trabalho consistirá, então, em encontrar um número adequado de razões parciais, que combinadas resultarão na razão final, seguindo os seguintes passos:

Descobrir (inventar, arbitrar ou extrair do enunciado de um problema) qual é a razão final, lembrando que se for um trem de redução ela deverá ser um número menor que um, e vice-versa; Considerar a existência ou não das seguintes restrições: Quantidade de estágios (pares de engrenagens, razões parciais) do trem. Isso pode ser dado, ou resultar de outras restrições; Valor máximo admitido para as razões parciais (geralmente dado); Importante: por razão máxima se entende a maior DIFERENÇA RELATIVA entre as engrenagens, ou seja 1:8 é uma razão “maior” do que 1:5, mesmo considerando que um oitavo é de fato menor do que um quinto. Valor máximo e mínimo da quantidade de dentes; Determinar o número de estágios, de modo que não haja razão parcial maior do que o valor máximo permitido. Para isso, devemos tomar a razão final e extrair a raiz quadrada, a cúbica, etc. Aquela que fornecer um valor menor que o valor máximo corresponde ao número de estágios do trem: raiz quadrada, dois estágios; raiz cúbica, três estágios; etc.
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Fatorar a razão final em n razões parciais, observando o seguinte: Cada razão parcial é o resultado da divisão do número de dentes de uma engrenagem pelo número de dentes de outra engrenagem. Isso significa que é a divisão de dois números inteiros, e portanto é um número racional; Os valores das razões parciais não devem ser excessivamente diferentes entre si, e se possível devem oscilar em torno de
n

RF . Por exemplo, se

queremos uma razão final de 500, é melhor utilizar fatores de 20 e 25 do que 10 e 50, ou pior ainda: 5 e 100. Determinar a quantidade de dentes de cada engrenagem, cuidando o seguinte: Optar geralmente por menor quantidade de dentes, por razões de economia de material, desde que se respeite as restrições de número máximo ou mínimo de dentes; Caso as razões encontradas violem a restrição do número de dentes, pode ser necessário usar um número maior de estágios.

Vejamos um exemplo: PROBLEMA: deve-se projetar um trem composto com razão final de 1:220 (redução), com razão máxima de 1:9 por estágio, e no máximo 110 dentes por emgrenagem. SOLUÇÃO: 1. Determinar o número de estágios: a raiz quadrada de 1/220 é 1/14,83, ou seja, é “maior” do que 1/9. Já a raiz cúbica é 1/6,03 , estando dentro da restrição. Assim sendo, usaremos três estágios. 2. Fatoração da razão final. Se dividirmos 220 por 5, obtemos 44. Se dividirmos 44 por 6, temos 7,3333.... Esses números foram escolhidos pelo seguinte: as razões parciais não devem ser muito diferentes entre si, oscilando ao redor da raiz cúbica de 220, que é 6,03, ou praticamente seis. O fator cinco é um
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divisor óbvio de 220, e a divisão de 44 por 6 (o fator “ideal”) nos dá 7,3333... que é um número racional (multiplicando por três, é igual a 22). Assim, o que precisamos é achar engrenagens que nos dêem:

1 1 1 3 = ⋅ ⋅ 220 5 6 22
3. Se nos foi dado um número máximo de dentes, que é 110, temos várias opções para as razões parciais. Vamos optar por usar as maiores possíveis, então:

1 22 18 15 = ⋅ ⋅ 220 110 108 110
Notem que, por exemplo, ao invés de 22/110 poderia estar 21/105, ou 20/100, desde que a razão fosse 1:5.

Síntese de trem revertido Somente vamos trabalhar com trens revertidos de dois estágios, e nesse caso não há restrições quanto ao número de dentes ou quanto à razão máxima por estágio. Por outro lado, o número de dentes das engrenagens, e suas relações, estão determinados por duas equações, já que é necessário que as somas do número de dentes das engrenagens de cada par sejam iguais:

RF =

N2 N4 ⋅ = r1 ⋅ r2 N3 N5

N 2 + N3 = N 4 + N5
O procedimento aqui é um pouco diferente, mas segue a mesma lógica. Vejamos: Fatorar a razão final em dois fatores mais próximos possíveis entre si (e portanto próximos à raiz quadrada da razão final), observando que cada fator seja um número racional fácil de ser transformado em uma razão entre o número de dentes de duas engrenagens;
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Aplicar as razões na primeira equação, encontrando as relações entre os números de dentes das engrenagens de cada par, e depois substituir na equação de baixo, descobrindo as relações entre os dentes das engrenagens menores (ou maiores) dos dois pares diferentes. Fica melhor se acompanharmos abaixo:

N2 = r1 ; N3

N4 = r2 N5

N 2 = r1 N 3 ; N 4 = N 5 r2 N 3 + r1 N 3 = N 5 + N 5 r2 N 3 (1 + r2 ) = N 5 (1 + r1 )
Atribui-se valores numéricos para N3 e N5, e depois volta-se atrás para encontrar os valores de N4 e N2. Isso pode requerer alguns testes e tentativas, o que pode tornar o número de dentes das engrenagens mais alto.

N 3 (1 + r1 ) = N 5 (1 + r2 )

Vejamos um exemplo: PROBLEMA: deve-se desenvolver um trem revertido com razão 1:12. SOLUÇÃO: 1. A raiz quadrada de 12 é 3,4641... de modo que os dois fatores devem oscilar em torno desses valores. Se escolhermos, por exemplo, 1/3 e 1/4, isso nos dá, de acordo com as equações acima:

N 3 1, 25 = N 5 1,333
2. Percebe-se que teremos de multiplicar por algum múltiplo de quatro, para tornar o numerador um número inteiro, e também por um múltiplo de três, para tornar o denominador inteiro. Assim, multiplicamos por doze! (gênio!):
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N 3 15 = N 5 16
3. Isso nos daria o valor das engrenagens ímpares, que são as que ficam no numerador da equação das razões parciais. Se fosse assim, uma resposta seria:

1 5 4 = ⋅ = 1/ 3 ⋅1/ 4 12 15 16
4. O problema é que esse número de dentes é muito pequeno. Uma engrenagem com 4 dentes é praticamente um “xis”... Vamos multiplicar a equação do item 2:

 N 3 15  60 = ⋅4 =  64  N 5 16 
5. E daí chegaríamos no resultado:

1 20 16 = ⋅ 12 60 64
Exercício visto em aula (agora dando certo) PROBLEMA: projete um trem revertido razão 1:12 com as razões parciais 1/3,6 e 1/3,333... (alguns já viram o que foi que deu errado naquela hora...)

N 2 = r1 N 3 ; N 4 = N 5 r2 N 3 + r1 N 3 = N 5 + N 5 r2 N 3 (1 + r2 ) 1,3 = = N 5 (1 + r1 ) 1, 2777...
E isso nos deixa algo aparentemente pepinóide para resolver... Vamos tentar multiplicar:

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N3 1,3 13 117 = = = N 5 1, 2777... 12, 777... 115
Isso aconteceu multiplicando primeiro por dez (pra andar uma casa da vírgula) e depois por nove (porque dízimas desse tipo sempre dão certo multiplicando por nove)

O passo seguinte mata a charada:

117 = 32,5 3, 6 115 N 4 = N 5 r2 = = 34,5 3,333... N 2 = r1 N 3 =
Bom, parece que não é tão fácil... Vamos apelar para o recurso de multiplicar tudo por dois, e aí temos:

1 65 69 = ⋅ 12 234 230
E esse é exatamente o mesmo resultado que encontramos aquela hora. A lição aprendida é que é melhor que as razões parciais sejam números mais ou menos “bem comportados”, e não que elas estejam o mais próximo possível da raiz quadrada da razão final (e portanto tenham valor muito próximo uma da outra).

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