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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ÁREA DE CONSTRUÇÃO







Gestão e Segurança de Obras e Estaleiros
2008/2009 - 1º SEMESTRE







ORGANIZAÇÃO DE ESTALEIROS
(TEXTO PROVISÓRIO)
















Anabela Mendes Moreira
InstItuto polItécnIco de tomar escola superIor de tecnologIa
0epartamento de EngenharIa CIvIl
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Gestão e Segurança de Obras e Estaleiros 2008/2009
Organização de Estaleiros (texto provisório) 1/35
Índice
Página
1. Generalidades …...................…………………………………………............ 3
2. O projecto do Estaleiro …………………………………......……….............. 4
2.1 Programa preliminar ………………………...………………....…........ 4
2.2 Ante – Projecto ………………………………………………….....…… 6
2.3 Projecto de Execução …………………………………………...…..….. 8
2.4 Elementos do Estaleiro ............................................................................ 8
2.4.1 Vedação........................................................................................... 9
2.4.2 Portaria ………………...……………………………………..…. 10
2.4.3 Escritórios ……………………………………………………...... 11
2.4.4 Dormitórios …………………………………………...……...….. 12
2.4.5 Instalações Sanitárias ……...………………………………..….. 12
2.4.6 Refeitório ………………………….…………………………..… 13
2.4.7 Zona destinada ao fabrico de betões e de argamassas ….…….. 13
2.4.8 Parque de Materiais e Armazém de Materiais ……….…….… 14
2.4.9 Zona de preparação de cofragens …………………………..….. 16
2.4.10 Zona de preparação de armaduras ........................................... 17
2.4.11 Instalação de equipamentos fixos …………………...……..…. 18
2.4.12 Parque de equipamentos móveis …………...……………..….. 21
2.4.13 Redes provisórias ………………………………..…………..… 21
2.4.13.1 Rede de abastecimento de água …………………..… 21
2.4.13.2 Rede de drenagem de água ………………………..... 22
2.4.13.3 Rede eléctrica ……....................................................... 22
2.4.14 Recolha de lixo …………………………………………….…... 22
2.4.15 Vias de circulação internas ……………………………….…... 22
3. Equipamentos …………………………………..……………………….….... 23
3.1 Elevação e Transporte ……………………………………………..…... 23
3.1.1 Guinchos de piso ………………………………………………... 23
3.1.2 Monta – Cargas ……………………………………..............…... 24
3.1.3 Grua Simples …………………………………………………..... 24
3.1.4 Grua Distribuidora …………………………………………..…. 24
3.1.5 Grua Torre …………………………………………………..….. 25
3.1.6 Grua de Lança Inclinada …………………………………….… 25
3.2 Produção de Betão e de Argamassas ……………………………….…. 26
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4. Os Intervenientes de um Empreendimento de Construção Civil ……..….. 29
4.1 Dono da Obra ………………………………………………………..…. 29
4.2 Gestor do Projecto ……………………………………………………... 29
4.3 Autor do Projecto ………………………………………………………. 29
4.4 Director da Obra …………………………………………………….…. 30
4.5 Fiscalização …………………………………………………………..…. 31
4.6 Recursos Humanos ………………………………………………….…. 32
5. Bibliografia ………………………………………………………………..…. 34

























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Gestão e Segurança de Obras e Estaleiros 2008/2009
Organização de Estaleiros (texto provisório) 3/35
ORGANIZAÇÃO DE ESTALEIROS DE CONSTRUÇÃO CIVIL (texto provisório)

1. Generalidades

Existem várias formas de definir estaleiro:
“Conjunto de meios (humanos, materiais e equipamentos) para tornar
possível a execução de uma obra no prazo previsto e nas melhores
condições técnicas e económicas, assegurando um determinado nível
de qualidade e de segurança e minimizando o custo.”

“O conjunto do pessoal, das máquinas e equipamentos, das instalações
e dos serviços, organizados e estruturados de forma a permitir a
concretização do projecto com elevado nível técnico, em termos de
economia, de racionalidade de processos, de prazo e de segurança.”

“É o espaço físico onde são implantadas as instalações fixas de apoio
à execução de obras, fixados os equipamentos auxiliares de apoio e
instaladas as infra-estruturas provisórias (águas, esgotos,
electricidade).”

No presente capítulo identificaremos os diversos componentes do estaleiro e as
respectivas co-relações, a sua organização e o seu dimensionamento, pelo que a definição que
consideraremos descreve estaleiro como sendo o espaço físico e o conjunto de instalações e de
equipamentos que aí serão implantados e que darão apoio à concretização de uma obra. Os
estaleiros podem ser centrais ou locais:

CENTRAL – é o estaleiro onde se localizam as instalações e os equipamentos
de utilização geral (que servem as diversas obras que a empresa realiza), tais
como centrais de fabrico de betão e oficinas especializadas de serralharia e de
carpintaria; normalmente localiza-se num terreno que é propriedade da
empresa de construção.
LOCAL – é o estaleiro que serve uma obra e nele se localizam os componentes
necessários à satisfação das exigências de execução da obra; o estaleiro da
obra localiza-se, geralmente, no terreno do dono da obra mas também pode
ocupar terrenos limítrofes públicos ou privados (havendo, nestes casos, que
proceder às diligências necessárias para a sua ocupação).

Estaleiro
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2. O projecto do Estaleiro

A implantação do estaleiro deve ser realizada tendo por base o projecto de estaleiro
cujos objectivos se indicam seguidamente:
1. Iniciar rapidamente a execução da obra;
2. Possibilitar o cálculo previsional dos custos de estaleiro;
3. Prever os locais mais adequados para as instalações sociais, escritórios,
armazéns, áreas de depósito de materiais, instalação de equipamentos fixos,
circulação de operários e de máquinas;
4. Prever as necessidades e dispositivos para o desenrolar produtivo, tais como
assegurar a continuidade do abastecimento de materiais, assegurar o escoamento de
desperdícios;
5. Garantir a circulação em segurança de pessoas e das máquinas;
6. Prever e definir os trabalhos necessários à instalação do estaleiro, tais como
terraplenagens, vias de acesso e de circulação, locais de implantação de máquinas e
outras instalações provisórias.

Tal como acontece com o projecto de uma construção, o projecto de estaleiro
desenvolve-se segundo etapas. A fase inicial corresponde à definição sumária dos diversos
elementos e a fase final corresponde ao estudo final que deve ser suficientemente
pormenorizado de modo a permitir a sua concretização. Desta forma, é habitual considerar três
fases:
i) Programa preliminar
ii) Ante-projecto
iii) Projecto de execução


2.1 O programa preliminar
Nesta fase são definidos os vários elementos do estaleiro em função dos
condicionalismos específicos da obra, tais como:
Tipo de trabalhos (edifício, ponte, estrada, …): condiciona o tipo de
instalações e os equipamentos a instalar;
Duração e a dimensão da obra: os trabalhos inerentes à construção
de uma pequena habitação unifamiliar não justificam a construção de
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determinadas instalações no estaleiro como por exemplo um
refeitório;
Distância da obra ao estaleiro central: a proximidade e a
acessibilidade de uma obra ao estaleiro central podem reduzir a
necessidade de mobilização de meios no estaleiro local;
Espaço disponível para a implantação do estaleiro: os estaleiros
das obras localizadas em centros urbanos, disporão de um espaço
físico de menores dimensões do que os estaleiros de obras fora de
zonas urbanas;
Obstáculos naturais: tais como a existência de linhas de água,
árvores a preservar, redes subterrâneas (de águas, gás, electricidade,
…) que condicionam a implantação física de equipamentos (a
existência de linhas de alta tensão, condiciona a altura das gruas);
Topografia do terreno: a implantação de alguns elementos do
estaleiro (como por exemplo, as gruas) e o arranjo físico deste (o
dimensionamento das vias de circulação) podem ser condicionados
pelo relevo do terreno;
Capacidade resistente do terreno e nível freático: a instalação de
uma grua requer um terreno estável e resistente;
Existência e qualidade de acessos: no caso dos acessos ao local da
obra serem difíceis, pode ser vantajoso optar pelo alojamento dos
trabalhadores junto à obra ao invés de os deslocar diariamente.

Outros aspectos a ter em linha de conta são a existência no local de mão-de-obra
(qualificada e não qualificada), sub empreiteiros, materiais de construção, equipamentos
para alugar, assistência médica e primeiros socorros, redes de abastecimento (água,
energia), redes de saneamento, redes de telecomunicações, transportes, meios de
alojamento e de alimentação.

Depois de definidos os componentes do estaleiro necessários, passa-se ao
dimensionamento genérico dos mesmos. O dimensionamento e as características das instalações
fixas de um estaleiro de construção civil são definidos na legislação portuguesa:

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Decreto 46427, de 10 de Julho de 1965 - Regulamento de
instalações provisórias destinadas ao pessoal empregado nas
obras;
Decreto regulamentar 33/88 de 12 de Setembro –
Regulamento de sinalização de obras e obstáculos ocasionais
na via pública;
Decreto-lei 273/03 de 26 de Outubro – Regulamento das
condições de segurança e de saúde no trabalho em estaleiros
temporários ou móveis que resulta da transposição da
Directiva n.º 92/57/CEE, do Conselho, de 24 de Junho.


2.2 O Ante - Projecto
Na fase de ante-projecto é verificada a viabilidade de implantação dos elementos de
estaleiro anteriormente indicados. É também nesta fase que se devem analisar as diversas
soluções de arranjo físico do estaleiro, para tal pode fazer-se uso do designado quadro ou
matriz de correlações. Neste quadro estabelecem-se os graus de importância das relações entre
os vários elementos, sem ter em consideração se na realidade é possível satisfazer tais graus de
importância. No quadro 1 representa-se uma matriz de correlações referente a um estaleiro que
inclui uma grua, uma central de betão, um escritório, dormitórios, um refeitório, um armazém,
oficinas de cofragem e de armaduras e vias de circulação. Nas linha e coluna de cabeçalho são
representados os elementos anteriormente referidos, indicando-se em cada célula da matriz um
símbolo gráfico representativo do nível de importância da relação entre os componentes do
estaleiro (em linha e em coluna) que confluem nessa célula.
Relativamente às informações da matriz de correlações (do quadro 1), constata-se que
é muito importante que o raio de acção da grua distribuidora cubra a área de construção, por
outro lado, a co-relação “a considerar” entre a grua e as instalações sociais (dormitórios,
refeitório, …) ou entre a central de betão e os dormitórios significa vantagem no afastamento,
por motivos de segurança ou para permitir sossego nos dormitórios, no caso de trabalho
nocturno.
No estudo da implantação dos diversos componentes de um estaleiro deve-se dar
primazia aos que apresentam, na matriz de correlações, mais relações “muito importante” e
“importante” de modo a atribuir-lhes prioritariamente o espaço físico do estaleiro, enquanto que
aos elementos do estaleiro com correlações de nível inferior de prioridade devem ser atribuídos
os restantes espaços.
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No que diz respeito à localização de elementos de elevação e transporte, nomeadamente
gruas, há que garantir espaço físico necessário à sua montagem e à sua desmontagem (o que,
caso não se tenha previsto o espaço ocupado pelas novas construções, pode ser uma tarefa difícil
de realizar!). Para permitir a desmontagem de uma grua poder-se-á proceder à sua montagem
sobre um pequeno troço de caminho de rolamentos (que terá que ser previsto no projecto de
estaleiro) devidamente orientado e que na fase de desmontagem poderá, se necessário, ser
acrescentado (ver 2.4.11)

PROXIMIDADE:
MUTO IMPORTANTE
IMPORTANTE
A CONSIDERAR
SEM RELAÇAÕ
X INDESEJÁVEL
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Área de construção




Grua distribuidora



X X
Central de betão

X
Escritórios




Dormitórios

X
Inst. Sanitárias


Refeitório

X X
Armazém geral



Oficina de cofragens


Oficina de armaduras


Vias de circulação
Carpintaria
Depós. mat. diversos
Portaria
Estacionamento
Quadro 1 – Matriz de Correlações.

As instalações sociais (dormitórios, refeitórios) são normalmente os últimos elementos
do estaleiro a ser implantados, cabendo-lhes pois o espaço físico restante. Estas instalações
deverão ficar o mais afastadas possível das frentes de trabalho e do raio de acção das gruas.



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2.3 Projecto de Execução
A última fase do projecto do estaleiro corresponde ao desenvolvimento da solução
estudada na fase de ante-projecto. O projecto deve incluir os elementos indicados no quadro 2.

Elementos do Projecto de Estaleiro Conteúdo
Memória descritiva e justificativa Fundamentação das opções tomadas
Cálculos de dimensionamento
- Redes de água
- Redes de electricidade
Plantas (escalas - 1:100 e 1:200)
Com a localização de:
- instalações
- equipamentos (grua
1
, central de betão, oficinas…)
- vias de circulação
- parques de estacionamento
- redes provisórias de abastecimento e drenagem
Plantas de pormenor De instalações
Esquemas de circulação De cargas – circulação horizontal e vertical
Esquemas de circulação De materiais
Programa de trabalhos
Com indicação da progressão dos trabalhos e do
posicionamento dos equipamentos
Quadro 2 – Elementos do projecto de estaleiro.


2.4 Elementos do Estaleiro

A definição dos componentes do estaleiro é condicionada por diversos factores:
• Tipo de obra (estradas, edifícios, pontes, …)
• Dimensão e duração da obra
• Distância da obra ao estaleiro central
• Espaço físico disponível para a implantação do estaleiro
• Existência no terreno de obstáculos (linhas de água, árvores a preservar, linhas
aéreas, redes subterrâneas, …)
• Topografia do terreno
• Nível freático e a capacidade resistente do terreno
• Existência e qualidade dos acessos

1
Os desenhos deverão evidenciar o campo de acção, o traçado dos caminhos de rolamento, os escoramentos, quando estes forem
necessários, e a posição da lança e da contra-lança na desmontagem.

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• Criminalidade no local
• Existência de mão-de-obra qualificada, subempreiteiros, materiais, equipamentos
para alugar, meios de alojamento e alimentação, assistência médica para
primeiros socorros, transportes, redes de abastecimento de água e de energia,
redes públicas de saneamento, redes de telecomunicações.


2.4.1 Vedação
A vedação do estaleiro é o elemento que tem dupla função: por um lado delimitar a
zona onde se desenvolvem os trabalhos e por outro constituir uma barreira relativamente ao
espaço exterior ao estaleiro, impedindo, desta forma que pessoas estranhas (à obra) se
aproximem do local dos trabalhos. A segurança do estaleiro deve ser o factor determinante
aquando da selecção do tipo de vedação, no entanto, existem outros aspectos a considerar tais
como os que se indicam no quadro 3.

Tipo de obra Edifício/ estrada/ ponte/ rede de esgotos,…
Localização da obra
Centro urbano com grande circulação de pessoas/
local sem circulação de pessoas ou veículos/
centro histórico com muita afluência de visitantes
Duração da obra Poucos dias/ alguns meses ou anos
Custo
Deve ser considerado em função dos encargos do
estaleiro
Quadro 3 – Factores de selecção do tipo de vedação do estaleiro.

As vedações mais utilizadas são as vedações pré-fabricadas em chapa metálica
galvanizada nervurada – figura 1a) - (consistem numa estrutura de prumos metálicos que são
cravados em maciços de betão e posteriormente revestida com as referidas chapas metálicas) e
as vedações com elementos pré - fabricados em betão ou material plástico do tipo lancil
(utilizados nos trabalhos de construção de estradas). Existem ainda as vedações com estrutura
em prumos de madeira ou metálicos que são revestidos com rede electrossoldada (quadrada ou
rectangular) e posteriormente com rede de polietileno (figura 2), os tapumes em madeira e as
barreiras metálicas amovíveis (figura 1b)).
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a) b)
Figura 1 – Vedação de estaleiro: a) em chapa metálica ondulada; b) barreira amovível.




a) b)
Figura 2 – Vedação de estaleiro: a) Tubo metálico e rede electrossoldada de malha quadrada; b) Tubo
metálico e rede electrossoldada (de malha rectangular) parcialmente revestida com rede de polietileno.


2.4.2 Portaria
A portaria de obras justifica-se em obras de grandes dimensões, destinando-se a
controlar todo o movimento de entrada e de saída do estaleiro (pessoas, materiais e
equipamentos). Este componente do estaleiro deve ficar junto à porta de acesso do pessoal e
prever um local para armazenamento de equipamentos de protecção individual a serem
fornecidos a eventuais visitantes.
Na portaria poderá permanecer um segurança durante longos períodos, pelo que do
ponto de vista construtivo se atenderá à concepção de uma instalação que garanta as necessárias
condições de conforto: a envolvente exterior deverá ser impermeável com adequado isolamento
térmico e acústico; dever-se-á garantir a ventilação natural adequada (através de janelas e
ventiladores); relativamente à iluminação esta deverá ser natural (durante o dia) e artificial
(eléctrica).
O Segurança para além de identificar todos os visitantes, não deverá permitir a sua
entrada no estaleiro sem os equipamentos de protecção individual determinados no Plano de
Segurança e Saúde, devendo ainda consultar a Direcção da Obra para autorização do acesso aos
visitantes.
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2.4.3 Escritórios
Os escritórios de obra destinam-se aos técnicos de obra (director de obra, engenheiros
residentes, encarregados, medidores, controladores, topógrafos, etc.) e aos técnicos
administrativos, pelo que no seu dimensionamento se deve ter em consideração o número de
técnicos e dirigentes que a obra exige. É comum prever-se uma sala destinada ao estudo do
planeamento e controlo do desenvolvimento da execução, bem como à coordenação dos
diversos trabalhos. Recomenda-se que o gabinete destinado à permanência do Director da Obra
permita uma visão geral sobre o estaleiro. Muitas vezes, estas instalações incorporam uma área
destinada à equipa de fiscalização, no entanto este facto depende das exigências do Caderno de
Encargos. Em estaleiros de menores dimensões, em que não se preveja a instalação de uma
Enfermaria ou de um Posto Médico, deve existir uma lista, onde constem os principais números
de telefone de emergência (Cento de Saúde, Hospital, Farmácia, Bombeiros, Polícia, etc.) e um
estojo de Primeiros Socorros. A referida lista de números de telefone deverá ser fixada numa
das dependências dos Escritórios.
No dimensionamento de estaleiros de grandes dimensões é comum recorrer-se a
gráficos baseados em estudos estatísticos.
Do ponto de vista construtivo, a envolvente exterior deve garantir estanquidade à água
(da chuva, do solo, …) e ao vento, assegurar a ventilação adequada (que será garantida através
de janelas e em casos em que se justifique utilizar-se-á ventilação forçada).
Para se estabelecer a área necessária para o escritório de obra deve elaborar-se um
projecto específico podendo, também recorrer-se a expressões simplificadas, tais como:
n A
2
1
10 + = (1)

n A 40 . 0 = (2)

com A- área do escritório (m²)
n – nº dos trabalhadores no estaleiro

Os escritórios deverão ser localizados junto à entrada do estaleiro para permitir o
acesso mais rápido e em maior segurança.



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2.4.4 Dormitórios
A instalação de dormitórios num estaleiro justificar-se-á nos casos em que a obra
empregue pessoal deslocado (ou seja, cuja área de residência seja distante do local das obras) e
seja economicamente mais vantajoso a construção deste tipo de instalações sociais.
Os dormitórios devem ser instalados num local que permita o repouso do pessoal que aí
permaneça. Do ponto de vista construtivo, os elementos da envolvente exterior devem ser
impermeáveis e dispor de adequado isolamento térmico e acústico, o revestimento dos
pavimentos deve ser realizado em materiais facilmente laváveis, a iluminação deve ser natural e
artificial (eléctrica). No quadro 4, indicam-se os requisitos previstos no Regulamento de
Instalações Provisórias destinadas ao Pessoal empregue nas Obras, para este tipo de
instalação:
Volume mínimo 5.5 m³/ocupante
Pé direito mínimo 3 m
Área mínima de janelas 10% da área do pavimento
Afastamento mínimo entre camas:
- camas simples 1 m
- beliches (de 2 camas no máximo) 1.5 m
Quadro 4 – Requisitos mínimos para o dimensionamento de dormitórios.

2.4.5 Instalações Sanitárias
As instalações sanitárias devem localizar-se na proximidade dos dormitórios e
preferencialmente devem ser contíguas a estes. Este tipo de instalações deve ser concebido em
materiais que garantam as necessárias condições de higiene e que sejam facilmente laváveis. A
iluminação deverá ser natural e artificial (eléctrica). As loiças das retretes deverão dispor de
sifão e os chuveiros deverão ter uma base com adequado sistema de drenagem. No quadro 5,
indicam-se os requisitos previstos no Regulamento de Instalações Provisórias Destinadas ao
pessoal empregue nas Obras:
Pé direito mínimo 2.6 m
Lavatórios 1 unid./5 trabalhadores
Chuveiros 1 unid./20 trabalhadores
Retretes 1 unid./15 trabalhadores
Urinóis 1 unid./25 trabalhadores
Altura mínima das divisórias entre chuveiros e retretes 1.7 m
Quadro 5 – Requisitos mínimos para o dimensionamento de instalações sanitárias.

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Devem ainda prever-se, nas instalações sanitárias, zonas destinadas a vestiários com a
instalação de cacifos para o pessoal que não pernoite nos dormitórios (já que o restante disporá
de instalações equivalentes na zonas dos dormitórios). A área destinada aos vestiários deverá
ser entre 0.60 m² e 1.00 m² por trabalhador.


2.4.6 Refeitório
Existem dois tipos de refeitórios:
- Utilizado para preparar refeições
- Destinado aos trabalhadores tomarem refeições pré-preparadas

No primeiro caso é necessário dispor de uma cozinha com todos os equipamentos
adequados (fogão, extractor de fumos e vapores, …) e dimensionada em função do número
médio de refeições que aí irão ser preparadas. Os refeitórios podem ser directamente explorados
pela empresa de construção (e neste caso é necessário dispor de pessoal para a confecção e
distribuição das refeições) ou podem ser explorados por uma empresa especialmente contratada
para o efeito.
As instalações do refeitório devem ter as seguintes disposições construtivas: envolvente
exterior impermeável, os pavimentos devem ser de materiais facilmente laváveis e deve
assegurar-se a iluminação natural (através de janelas) e artificial (através de ventiladores). No
quadro 6 indicam-se os requisitos mínimos regulamentares:

Pé direito mínimo 2.5 m
Lavatórios 1 unid./10 trabalhadores
Área mínima de janelas 10% da área do pavimento
Quadro 6 – Requisitos mínimos para o dimensionamento de refeitórios.


2.4.7 Zona destinada ao fabrico de betões e de argamassas
O espaço físico a disponibilizar para o fabrico de betões e argamassas depende das
características da obra a construir e do estaleiro. Os equipamentos de betonagem devem ser
seleccionados em função da quantidade de betão necessária: em obras de grande dimensão (que
exijam grandes quantidades de betão durante longos períodos) deverá optar-se pelo recurso a
instalações automatizadas de forma a garantir as características do betão pré-fabricado ou, caso
exista uma central de betonagem na proximidade (até 50 km de distância) do estaleiro local,
optar-se pela aquisição de betão pronto; em estaleiros em que se preveja consumo reduzido de
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betão, será preferível optar pela instalação de betoneiras cuja capacidade do respectivo tambor
permita satisfazer as necessidades previstas no programa de trabalhos.
Em algumas obras pode ser necessário prever, no estaleiro, um laboratório para o ensaio
de betões e argamassas. No quadro 7 apresenta-se, a título indicativo, as capacidades das
betoneiras que podem ser instaladas no estaleiro local, em função da quantidade necessária de
betão.
Volume de betão necessário, V
(m³)
Capacidade do tambor da
betoneira, C (litros)
V < 200 C < 200
200 V < 2000 250 <C < 500
2000 V < 20000 1000 C < 3000
Quadro 7 – Volume de betão a fabricar em obra versus capacidade do tambor da betoneira.

Os materiais necessários ao fabrico de betões e de argamassas nomeadamente cimento e
agregados devem ser depositados na proximidade da zona destinada ao fabrico de betões e de
argamassas.


2.4.8 Parque de Materiais e Armazém de Materiais
As áreas destinadas ao parque e armazém de materiais são dimensionadas de acordo com
a natureza e as quantidades de materiais ou equipamentos a guardar, devendo prever-se zonas
fechadas e cobertas para produtos sensíveis aos agentes atmosféricos.
Os materiais que não são susceptíveis de deterioração (por exemplo, tijolos e agregados)
podem ser colocados ao ar livre, havendo, no entanto, que fazer um estudo prévio para assim se
disponibilizarem as áreas de depósito. No caso do tijolo, no cálculo da respectiva área de
ocupação deve ter-se em consideração que a altura das pilhas não deve ser superior a 2 m (ou
seja, o volume de ocupação deve ser de 2m³/m²). No caso dos agregados, e para evitar a mistura
dos diferentes tipos e granulometrias, pode recorrer-se a baias de madeira (figura 3), devendo
realizar-se um declive no terreno, de modo que a água retida escorra no sentido inverso ao da
remoção dos inertes; deve também colocar-se uma camada de brita com aproximadamente 10
cm de altura, para possibilitar a drenagem do excesso de água. Recomenda-se que a altura
máxima das pilhas seja de 1,50m (para evitar grandes retenções de humidade).

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Figura 3 - Baias de madeira para separar os agregados.

O armazenamento de ligantes hidrófilos deve ser realizado em ambientes secos. Por
outro lado, e no caso de ligantes fornecidos em sacos, há que ter em atenção que as pilhas destes
não devem ter alturas excessivas. Esta medida visa evitar a hidratação do ligante: já que a
elevada pressão a que ficam submetidos os sacos das camadas inferiores reduz os vazios,
obrigando a um contacto mais intenso entre as partículas de cimento e a humidade existente no
ambiente. A título de exemplo, para evitar a deterioração do cimento portland, fornecido em
sacos é aconselhável que:
i) As pilhas não tenham mais do que 10 sacos;
ii) As pilhas se encontrem afastadas no mínimo 30 cm do
pavimento (sobre um estrado de madeira) e das paredes e 50 cm do
tecto (Figura 4).
Na recepção do cimento em saco, deve verificar-se a sua integridade, não aceitando os
sacos danificados, rasgados e húmidos. Os lotes recebidos em épocas diferentes não devem ser
misturados, devendo ser separados de forma a facilitar a sua inspecção e a sua utilização,
segundo a ordem cronológica de recepção. Outro dos cuidados a considerar, diz respeito ao
armazenamento de cimento de marcas, tipos e classes diferentes. A armazenagem de cimento
em obra não deve exceder 30 dias.

Figura 4 - Local Armazenamento de cimento portland em saco.

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O cimento utilizado em obra pode também ser fornecido a granel (esta situação é
mais frequente em estaleiros cujas construções envolvam o consumo de elevados
volumes de betão) que será armazenado em silos (figura 5) cujas capacidades variam ente 20
e 40 toneladas.

Figura 5 - Silo de armazenamento de
cimento.

A área destinada ao armazenamento de ferramentas e pequenos equipamentos designa-se
por ferramentaria. O responsável por este tipo de instalações é designado por “ferramenteiro”
que deve manter um registo actualizado de todos os movimentos (entradas e saídas) de
ferramentas. Em obras de grandes dimensões poderá justificar-se a existência de uma instalação
específica para guardar as pequenas ferramentas enquanto que em obras de dimensão reduzida,
a ferramentaria pode coexistir com o armazém de materiais, reduzindo-se, desta forma os
custos da instalação e do responsável pela mesma – “ferramenteiro”.


2.4.9 Zona de preparação de cofragens
A área a disponibilizar para o estaleiro de preparação de cofragens deve ser realizada
tendo em consideração as dimensões comerciais dos materiais utilizados nas cofragens – por
exemplo, na utilização de painéis pré-fabricados para a cofragem de pilares devem prever-se
áreas de dimensionamento tendo como base de cálculo as dimensões dos elementos de
cofragem. A localização destas instalações deve estar circunscrita no raio de acção dos meios de
elevação e de transporte implantados no estaleiro.
A zona de preparação de cofragens deve incluir as áreas indicadas no quadro 8.
A realização e reparação de cofragens deve ser efectuada em área coberta e nela deverá
instalar-se uma bancada com equipamentos auxiliares, nomeadamente serras circulares (figura
6).


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Pré-fabricação Depósito
1. Madeiras
2. Painéis pré-fabricados
3. Área de execução,
reparação e limpeza
4. Cofragens fabricadas
5. Cofragens usadas
Quadro 8 - Áreas a prever no estaleiro de preparação de cofragens.


b)

a)

c)
Figura 6 – a) Bancada para execução de cofragens; b) e c) – Serras de corte de painéis de cofragem de
madeira.


2.4.10 Zona de preparação de armaduras
O estaleiro de preparação de armaduras deve-se localizar no raio de influência dos
meios de elevação e de transporte.
Na zona de preparação de armaduras deve prever-se para além de uma zona de pré-
fabricação (que inclua as áreas de corte, dobragem e montagem de varões), áreas destinadas a
depósito, como se indica no quadro 9. A zona de armazenamento de varões deve ser coberta e
nela os varões devem ficar depositados separadamente em função do seu diâmetro (figura 7 b)),
através de baias de separação. Os varões de aço não devem estar em contacto com o solo (figura
7 a)). As zonas destinadas ao armazenamento, corte de varões e depósito de desperdícios devem
ser contíguas, de forma a optimizar o trabalho de corte. As zonas destinadas ao corte, dobragem
e montagem de aço devem ser, sempre que possível, áreas cobertas por alpendres, pois desta
forma melhoram-se as condições de trabalho dos operários e consequentemente aumenta-se a
produtividade.

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Pré-fabricação Depósito
1. Depósito de varões de aço
*

2. Área de corte
*
3. Depósito de desperdícios
4. Área de dobragem
*
5. Depósito de varões dobrados
6. Área de montagem
*

Quadro 9 - Áreas a prever no estaleiro de preparação de armaduras (
*
áreas cobertas).


a) b)
Figura 7 – Depósito de varões de aço; a) Assente sobre estrado que evite o contacto dos varões com o terreno;
b) Separação dos varões em função do diâmetro.


2.4.11 Instalação de equipamentos fixos
Consideram-se fixos os equipamentos de apoio que permanecem firmes na área do
estaleiro onde se encontram instalados. Estes equipamentos podem, no entanto, ter movimentos
de translação na realização das operações para as quais foram criados, tais como gruas, gruetas,
elevadores de estaleiro, betoneira.
O tipo e a quantidade de equipamentos fixos a instalar num estaleiro são determinados
pela natureza, dimensão e duração da obra.
A grua é um equipamento fixo de utilização generalizada essencialmente em estaleiros
de construção de edifícios. No estudo de implantação deste equipamento é essencial prever
espaço livre de modo a que seja possível proceder à sua montagem e desmontagem:
• A rotação total da grua, sendo pois necessário comparar a altura
desta com a altura de obstáculos (edifícios, postes de alta tensão ou
outras construções) existentes nas imediações do estaleiro;
• A cobertura, pelo campo de acção da grua, da totalidade das
construções bem como dos equipamentos (boca da betoneira) e das
instalações que necessitem de apoio deste equipamento para a
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movimentação das cargas daí oriundas (oficinas de cofragens e de
armaduras) para a zona de construção;
• A montagem e desmontagem da grua: a desmontagem é realizada,
depois de realizadas as construções, pelo que será necessário prever,
aquando da sua implantação, o espaço necessário para a descer e a
desmontar; este problema poderá também ser ultrapassado por
translação da grua, mas para o efeito será necessário assentar,
inicialmente, um troço de caminho de rolamentos, convenientemente
orientado;

Na montagem é necessário dispor de uma superfície de forma a instalar a sua base. A
grua pode ser montada sobre carris de rolamentos (para possibilitar a sua deslocação, em
momentos previamente determinados, para outros pontos do estaleiro ou para permitir a sua
desmontagem). Apesar desta possível translação, a grua permanecerá imóvel na elevação e
transporte de cargas no estaleiro, permitindo apenas movimentos de rotação. Sempre que exista
necessidade de estabilizar a grua, esta poder-se-á escorar ou atirantar aos edifícios a construir
(figuras 10 a) e b)).
A localização a considerar para outros equipamentos fixos deve ser determinada em
função das características da obra bem como das condicionantes impostas pelos equipamentos e
pela organização do estaleiro.


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Figura 9 – Grua Torre.


a) b)
Figura 10 a) e b) – Ancoragem de grua a uma das torres da Catedral da Sagrada Família, Barcelona, 2005.





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2.4.12 Parque de equipamentos móveis
Os equipamentos móveis são aqueles que transportam cargas, movimentando-se de um
local para o outro, tais como camiões, dumpers, rectroescavadoras, etc. É pois necessário prever
uma área de estacionamento adequada às suas dimensões, já que, apesar de circularem dentro (e
fora) no estaleiro, durante o dia de trabalho, no final deste devem estacionar (no estaleiro). É
desejável que se prevejam igualmente áreas destinadas ao parqueamento das viaturas
pertencentes aos diversos intervenientes na obra (como por exemplo, a equipa de projectistas e
a fiscalização).


Figura 11 – Equipamento móvel no estaleiro


2.4.13 Redes provisórias

2.4.13.1 Rede de abastecimento de água
Num estaleiro de construção é necessário dispor de água para o fabrico de betões e de
argamassas, para humedecer superfícies (de betão ou superfícies para receber acabamentos),
para limpezas e para as instalações sociais (sanitários, dormitórios, refeitórios,...). O
abastecimento de água é assegurado através de uma ligação à rede pública ou, no caso desta ser
inexistente, através de uma cisterna ou por bombagem a partir de uma linha de água. A
distribuição da água é realizada através de uma rede provisória. Para realizar a rede provisória
de abastecimento de água há que ter em conta a dimensão do estaleiro bem como a distribuição
das várias instalações de apoio.





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2.4.13.2 Rede de drenagem de água
Num estaleiro é também necessário dimensionar uma rede para a drenagem de águas
residuais que desejavelmente deverá ser ligada a uma rede pública. No caso de não existir uma
rede pública haverá que prever uma rede de drenagem bem como uma estação de depuração
provisórias. No estudo a efectuar para o dimensionamento destas deverá ter-se em consideração
o número de trabalhadores, o tipo da obra, a sua duração e a localização.


2.4.13.3 Rede eléctrica
Para garantir a iluminação das diversas instalações do estaleiro e para o funcionamento
dos vários equipamentos é necessário dispor de energia eléctrica. A existência de energia
eléctrica pode ser conseguida através de uma ligação à rede pública ou através de geradores.
Independentemente da fonte de abastecimento é necessário elaborar um projecto de instalação
provisória de modo a determinar a potência requerida para a laboração do estaleiro.
Sempre que exista uma rede pública é preferível optar por esta, já que se reduzem
consideravelmente os custos de instalação. Para estabelecer esta ligação é necessário constituir
um contrato de fornecimento de energia eléctrica com a entidade responsável pela sua
exploração. Quando não existir uma rede pública de energia eléctrica, quando seja necessário
dar início aos trabalhos de imediato ou quando o tipo de obra não exigir esta fonte de energia
(como a construção de estradas e de obras de arte), utilizar-se-ão geradores.


2.4.14 Recolha de lixo
É necessário prever um sistema de remoção periódica de resíduos que se produzem nas
instalações sociais do estaleiro, nomeadamente dormitórios e refeitórios. Para garantir a
remoção de lixo do estaleiro poder-se-á celebrar um contrato com a entidade responsável, na
área, pela recolha do mesmo.


2.4.15 Vias de circulação internas
A eficiência de um estaleiro depende da organização das vias de circulação internas.
Desta forma há que ter em conta os condicionalismos do estaleiro (espaço físico, a topografia
do terreno, a organização das diversas instalações de apoio,...) e as necessidades da obra
(circulação e acesso de camiões às diversas instalações do estaleiro nomeadamente área de
fabrico de argamassas e betões, cofragens, armaduras).
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3. Equipamentos

Numa obra, podem-se considerar dois tipos de equipamentos – os equipamentos a
incorporar na obra e os equipamentos de estaleiro. Os primeiros são fornecidos pelo empreiteiro
de forma idêntica aos materiais que ficarão integrados na obra, enquanto que os segundos são
utilizados para apoiar a execução dos vários trabalhos da obra.


3.1 Elevação e de Transporte
Os materiais utilizados na construção são muito pesados, especialmente os utilizados
nas estruturas e alvenarias.


3.1.1 Guinchos de piso
Os guinchos de piso são equipamentos de baixo custo, de fácil instalação e manobra de
elevação relativamente simples, de fácil instalação e manobra e utilizados para a elevação de
pequenas cargas ou para a introdução de materiais de acabamento em pisos. Estes equipamentos
consistem num tambor enrolador de cabo e um motor (figura 12) que podem libertar a utilização
de gruas, especialmente na fase de acabamentos quando o desempenho das respectivas
actividades já não justifica a utilização de equipamentos (de elevação e transporte) de custos
elevados. Para a sua montagem e funcionamento é necessário dispor de um ponto fixo. Podem
ser optimizados com guias de aço esticado ou perfis ligeiros de fácil instalação, de modo a
evitar que as cargas subam livres sobretudo em locais ventosos.



Figura 12 - Guincho de piso.





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3.1.2 Monta - Cargas
Os monta-cargas são utilizados para o transporte vertical de tijolos, telhas, betão,
argamassas, etc. Estes equipamentos funcionam através de um guincho que permite elevar
plataformas ou baldes especiais onde se transportam os materiais. As plataformas estão
associadas a guias laterais ou centrais que se fixam nos andaimes ou na estrutura da construção.
Os monta-cargas podem ser acoplados a betoneiras (podendo os baldes bascular para despejar o
conteúdo automaticamente) ou montado sobre chassis. Nos monta-cargas correntes é possível
elevar cargas com um peso até 600 Kg e a sua velocidade média de elevação varia entre 20 e 40
metros/minuto.


3.1.3 Grua Simples
As gruas simples consistem num guincho dotado de uma torre e um braço horizontal
que no conjunto permitem um movimento de rotação. O guincho não dispõe de movimento de
translação ao longo da lança, não permitindo transportar cargas entre a extremidade da lança e a
torre, ou seja, apenas descreve uma circunferência cujo centro é a torre vertical e o raio é igual
ao comprimento da lança. Estes equipamentos dispõem de diversos acessórios que permitem a
elevação de paletes e de baldes de transporte de betão.


3.1.4 Grua Distribuidora
As gruas distribuidoras são constituídas por uma torre, uma cabine (onde opera um
manobrador), uma lança e uma contra-lança que equilibra a lança. A cabine situa-se na parte
móvel da torre, abaixo da lança para permitir a observação, pelo operador, da movimentação
das cargas. Estas gruas podem-se deslocar sobre carris que têm que ser montados sobre um leito
de balastro rigorosamente drenado e nivelado e travessas de madeira. A montagem (e a
desmontagem) deste tipo de gruas é geralmente demorada, podendo demorar entre 1 e 3
semanas.
Os fabricantes das gruas fornecem as indicações necessárias à montagem da via, do
tipo de carril, da bitola da via, do tipo de travessas e do seu afastamento. Estes equipamentos
têm como fonte de energia, a energia eléctrica (trifásica de 220 - 380V a 50 Hz) que é
distribuída através de um cabo flexível ligado a tomadas estanques instaladas no eixo da via (as
gruas são providas de uma bobina onde o cabo se enrola, para evitar o seu arrastamento).
A potência de elevação das gruas mede-se em (tonelada. metro): uma grua de 20 t.m
com uma lança de 25 m pode elevar cargas entre 800 Kg na ponta da lança (=> 800 x 25 =
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20000 Kg.m = 20 t.m) e aproximadamente 2000 Kg até 10 m do eixo da torre (=> 2000 x 10 =
20000 Kg.m).


3.1.5 Grua Torre
A grua torre consiste num sistema de peças desmontáveis cuja montagem se faz com o
recurso a uma grua telescópica. É constituída por uma torre, uma lança que dispõe de um
charriot (carro distribuidor) com um sistema de roldanas e cabos que visam elevar e deslocar as
cargas e uma contra-lança (figura 13) A rotação da grua é realizada ao nível do topo da torre e a
estabilização do conjunto é efectuada na sua base.

Figura 13 - Grua torre.

A sua montagem é realizada em 3 fases – primeiro é montada a lança, seguidamente
inserem-se alguns troços de montagem para que a lança seja progressivamente içada até à altura
pretendida.


3.1.6 Grua de Lança Inclinada
Esta grua consiste num mecanismo giratório dotado de uma cabine de comando na base
(figura 13) tendo a vantagem de ser facilmente montada e deslocada mesmo sobre terrenos
acidentados já que se pode assentar sobre lagartas (figura 15 a)).
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Figura 14 - Grua de lança inclinada.



a) b)
Figura 15 - Gruas telescópicas de lança inclinada.

Existe um leque diversificado nesta gama de gruas, desde pequenas gruas auto
montantes utilizadas em estaleiros de reduzida dimensão ou como equipamentos auxiliares nos
grandes estaleiros, e gruas especiais para a construção pré fabricada (com uma potência de
elevação entre 60 e 75 t.m) e ainda as gruas telescópicas que permitem uma variação contínua
do comprimento da lança (figura 15 b)).


3.2 Produção de Betão e de Argamassas
Os equipamentos de fabrico de betões e de argamassas devem ser seleccionados em
função do tipo de obra a construir e das características do estaleiro. Se a construção exigir
grandes quantidades de betão durante longos períodos, dever-se-á optar por instalações
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automatizadas enquanto que para pequenos estaleiros com consumos moderados de betão se
deverá optar por um tipo de betoneira que garanta o volume de produção na situação de ponta.
Seguidamente apresentam-se os tipos mais comuns de betoneiras:

Figura 16 - Betoneira de tambor basculante.


Classificação
de Betoneiras
- Tambor rotativo basculante de eixo inclinado
- Tambor rotativo de eixo horizontal, vertical ou inclinado
- Tambor fixo com pás misturadoras interiores e descarga pelo fundo
- Betoneiras de produção contínua

As betoneiras de tambor rotativo basculante são utilizadas para o fabrico de pequenas
quantidades de betão porque exigem um tempo elevado de mistura e a descarga do betão
fabricado processa-se por despejo directo do tambor. Nas betoneiras de tambor rotativo
horizontal, a mistura é feita por pás fixas e a descarga é realizada através de uma comporta que
se abre no fundo do tambor em zona fixa. Nas betoneiras de produção contínua, os materiais
entram por um lado e saem pelo outro e a amassadura é conseguida através do progresso da
argamassa através de um parafuso sem fim; estas betoneiras são usadas em estaleiros cujas
construções exijam volumes elevados de betão e têm a desvantagem de não manterem a
uniformidade durante longo tempo por serem alimentadas por mecanismos sem fim que
apresentam desgastes distintos.
O rendimento, ou seja, o número de amassaduras por hora de uma betoneira, depende da
capacidade do seu tambor bem como da eficiência dos seus dispositivos internos. No entanto
verifica-se que, mesmo com uma organização cuidada do estaleiro, os valores teóricos não
coincidem com os valores efectivos, o que pode ser atribuído às seguintes situações:
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i) A preparação do trabalho não garantir que os trabalhos, que
antecedem e que sucedem a amassadura da argamassa, estejam
sincronizados (por exemplo, o doseamento de agregados e o
enchimento do carregador no escoamento do betão);
ii) O não aproveitamento dos materiais nas quantidades
adequadas e no momento conveniente;
iii) O incorrecto funcionamento dos meios de escoamento e de
aplicação do betão (por exemplo: os meios de transporte
devem ser calculados em função da sua capacidade, da
distância a percorrer, das condições do pavimento e das
condições de descarga para que se garanta um escoamento
contínuo e uniforme do betão).

Como foi referido, mesmo com uma organização cuidada, existem variações, ao logo de
cada dia, entre os rendimentos calculados e os rendimentos praticados. Para reduzir esta
diferença podem-se adoptar algumas medidas, tais como:
• Adequar os tempos dispendidos na tarefa de dosear os
materiais com a de enchimento do carregador;
• Seleccionar os meios de transporte em função da sua
capacidade, da distância a percorrer, das condições do
pavimento e das condições de descarga, para que se
garanta um escoamento contínuo e uniforme do betão;
• Seleccionar os equipamentos de elevação em função da
altura a vencer e das condições de recepção no local de
aplicação;
• Garantir que os dispositivos de aplicação estejam aptos a
esvaziar rapidamente os baldes e a troca destes se realize
de imediato
Desta forma, recomenda-se que, na sequência das operações relativas à betonagem, os
rendimentos praticáveis sejam determinados a partir do produto dos coeficientes de eficiência
esperados para cada mecanismo interveniente. A título de exemplo, apresenta-se o rendimento
possível, admitindo que, a partir de um estudo criterioso, os rendimentos possíveis são os
indicados no quadro 10:


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Tarefa Coeficiente de Eficiência
Rendimento esperado do
conjunto
Betonagem 0,87
Transporte 0,93
Elevação 0,91
Aplicação do betão 0,85
0,626
Quadro 10 - Determinação do rendimento possível do conjunto das operações de betonagem.


4. Os Intervenientes de um Empreendimento de Construção Civil

O processo de construir envolve diversos intervenientes cuja acção pode ser directa ou
indirecta. Nesta secção analisar-se-ão as funções dos vários intervenientes bem como o
relacionamento e comunicabilidade espectável entre cada um.


4.1 Dono da Obra
O Dono da Obra é a entidade individual ou colectiva que promove a execução de uma
obra. No caso de uma obra pública e de acordo com o estabelecido no Decreto-Lei 59/99, o
Dono da Obra é a pessoa individual ou colectiva que a manda realizar ou, no caso de obras
executadas em comparticipação, aquela pessoa a quem pertencem os bens ou que ficará a
administrá-los.


4.2 Gestor do Projecto
O Gestor do Projecto (Project Manager) ou Director do Empreendimento é a entidade
individual ou colectiva a quem compete gerir o projecto ao nível da arquitectura, da engenharia
e da economia, agindo nas diversas fases de intervenção como substituto do Dono de Obra.


4.3 Autor do Projecto
O Autor do Projecto ou Projectista é o técnico ou a associação de técnicos a quem o
Dono da Obra contrata a elaboração do projecto. Ao Projectista compete, para além da
execução do projecto, prestar assistência técnica à obra visando o esclarecimento das dúvidas
surgidas na interpretação do Projecto, durante a fase de execução da obra; analisar documentos
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técnicos apresentados pelo empreiteiro ou por fornecedores referentes a processos construtivos,
materiais ou equipamentos a incorporar na obra; formular pareceres, solicitados pelo Dono da
Obra, relativamente à qualidade de materiais e equipamentos e execução dos trabalhos; adequar
o projecto às situações surgidas e diferentes das previstas.
Muitas vezes o Projectista não pode estar pessoalmente presente para prestar a referida
assistência técnica. Nestas situações o Autor do Projecto pode fazer-se representar pelo seu
Assistente Técnico.


4.4 Director da Obra
O Director da Obra tem a responsabilidade de executar a obra, pelo que se trata de uma
entidade designada pelo empreiteiro a quem foi adjudicada a mesma. As principais funções
atribuídas ao Director da Obra referem-se à gestão da execução (da obra) nos domínios técnico,
administrativo e económico. No entanto, as suas competências não se centram exclusivamente
na fase de execução, já que também deverá desempenhar um conjunto de tarefas que precedem
a instalação do estaleiro, ou seja, a preparação do arranque da obra, tais como a definição das
equipas de trabalho, a elaboração do plano de aprovisionamento dos materiais, as decisões
referentes ao aluguer ou à aquisição de equipamentos necessários, a organização do estaleiro
(onde se incluem o programa preliminar, o ante – projecto e o projecto de execução) e o
planeamento da obra. Na fase de execução, o Director da Obra deve assegurar a constante
reformulação e actualização dos aspectos definidos na fase de preparação, adequando-os às
situações entretanto surgidas e que poderão condicionar o planeamento previsto. Seguidamente
enumeram-se outras funções atribuídas ao Director da Obra, durante a fase de execução:
• Controlar o projecto, alertando a Fiscalização para eventuais
insuficiências que possam comprometer o desempenho que se
espera da obra;
• Proceder à implantação da obra a partir das referências
fornecidas;
• Organizar o Livro de Obra (onde se devem registar os factos
mais importantes relacionados com a execução da obra);
• Garantir a realização dos trabalhos dentro dos prazos
aprovados;
• Analisar e seleccionar os processos de construção mais
apropriados para a realização dos trabalhos;
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• Elaborar e colaborar na adaptação do Plano de Segurança e
Saúde (relativamente aos processos de construção adoptados);
• Reclamar, dentro dos prazos legalmente estabelecidos,
relativamente a erros ou omissões do projecto (nas empreitadas
cujo projecto seja apresentado pelo Dono da Obra);
• Informar periodicamente a Fiscalização da obra sobre o
desenvolvimento dos trabalhos, nomeadamente no que diz
respeito a desvios de prazos relativamente à planificação
aprovada;
• Elaborar o plano definitivo de trabalhos e o correspondente
plano de pagamentos;
• Propor à Fiscalização da obra a análise, para posterior
aprovação, de materiais de construção a aplicar;
• Apresentar à Fiscalização todos os documentos exigidos no
Caderno de Encargos e de outras disposições regulamentares
ou legislativas;
• Dar cumprimento às exigências do Caderno de Encargos (por
exemplo, promover o controlo de qualidade de acordo com as
regras definidas no Caderno de Encargos; realizar ou mandar
realizar os ensaios previstos no Caderno de Encargos).

No final da obra, o Director da Obra procede, juntamente com a Fiscalização, à
vistoria da mesma, competindo-lhe a elaboração do respectivo Auto. No decurso do prazo de
garantia, eventuais falhas da obra serão acompanhadas pelo Director da Obra, cabendo-lhe
igualmente a tarefa de garantir a adopção das respectivas medidas de reparação.
Como já foi referido, a responsabilidade pela execução da obra é do Director da Obra,
pelo que em processos contenciosos é geralmente chamado a intervir.


4.5 Fiscalização
A fiscalização compreende o conjunto de actividades que permitem verificar o
cumprimento do Projecto, em representação do Dono da Obra. Esta entidade é, pois, nomeada
pelo Dono da Obra. As funções atribuídas à Fiscalização centram-se no exercício de um
conjunto de acções de prevenção e de participação no processo produtivo, visando o controlo da
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qualidade, do preço e do prazo o que deverá implicar uma estreita colaboração com o Director
da Obra.














Figura 16 - Domínios de actuação da Fiscalização (representante do Dono de Obra).


4.6 Recursos Humanos
No quadro seguinte, indicam-se as categorias profissionais mais comuns em obras de
construção civil.

Categoria Profissional Funções
Apontador
Elabora as folhas de ponto e de ordenados da obra,
regista as entradas, os consumos e as saídas de
materiais, ferramentas e pequenas máquinas.
Armador de Ferro
Realiza e coloca as armaduras para betão armado a
partir da leitura do respectivo desenho.
Arvorado
Coordena várias equipas da mesma ou de outra
profissão, em pequenas obras.
Calceteiro
Procede ao revestimento e reparação de pavimentos,
justapondo paralelepípedos, cubos ou outros sólidos
de pedra.


FISCALIZAÇÃO
Reuniões e
Informações
Controlo de
Quantidades
Controlo de
Planeamento
Controlo
Administrativo
Controlo de
Segurança
Controlo de
Qualidade
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Categoria Profissional Funções
Canteiro Realiza e assenta cantarias.
Carpinteiro de Limpos
É o operário que trabalha em madeiras, incluindo os
respectivos acabamentos.
Carpinteiro de Toscos
Executa e monta estruturas de madeira em cofragens
para betão.
Chefe de Equipa
É o profissional que, executando tarefas da sua
especialidade, quando delegado, chefia um conjunto
de trabalhadores da mesma profissão.
Cimenteiro
Realiza trabalhos em betão armado, incluindo, se
necessário, as respectivas cofragens e as armaduras
de ferro.
Controlador
Tem a seu cargo o controlo de rendimento da
produção bem como a comparação dos valores
efectivos com os previstos.
Estucador É o trabalhador que realiza esboços e estuques.
Encarregado Geral
Chefia uma obra de grande dimensão e
complexidade
2
, sendo responsável pelo planeamento,
gestão e controlo de obras.
Ladrilhador
Executa assentamentos de ladrilhos, mosaicos,
azulejos ou similares e o seu rejuntamento.
Manobrador
Conduz e manobra determinados equipamentos (tais
como gruas), possuindo, para tal, uma formação
profissional.
Montador de Cofragens
Realiza, em obra, as operações de manobra, acerto,
aprumo e ajuste de moldes que constituirão as
cofragens recuperáveis.
Pedreiro
É o trabalhador que aparelha pedra em grosso e
executa alvenarias de tijolo ou pedra; também pode
proceder ao assentamento de manilhas, tubos,
cantarias ou rebocos.
Pintor

Prepara e realiza qualquer trabalho de pintura.

2
Nas obras de grande dimensão e complexidade podem ainda existir Encarregados de 1ª e Encarregados
de 2ª.
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Categoria Profissional Funções
Servente
É o trabalhador que, não tendo qualquer
especialização profissional, auxilia outros
profissionais qualificados.
Técnico Administrativo de Produção
Realiza, para além das tarefas de Apontador, outros
trabalhos de carácter administrativo que variam em
função da dimensão e das especificidades da obra
(por exemplo, redigir relatórios, organizar ficheiros
de guias de remessa de materiais, etc.).
Trolha ou Pedreiro de Acabamentos
Executa exclusivamente alvenarias de tijolos ou
blocos, assentamento de manilhas, tubos, mosaicos,
azulejos, rebocos e estuques.
Vibradorista
É o trabalhador que homogeneíza e compacta massas
de betão fresco através de dispositivos mecânicos.




5. Bibliografia

[1] BANDEIRA, F.; “Organização de Estaleiros”, Departamento de Engenharia Civil da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2001
[2] CARDOSO, José M.; “Direcção de obra: organização e controlo”, Lisboa : Biblioteca
AECOPS, 1985
[3] COSTA, J.C. Franco; “ Materiais de Construção – seu controlo e aplicação em obra”, CPP
512, LNEC, Lisboa, 1999
[4] DRESSEL, Gerhard; “Estudo da implantação e organização de estaleiros”, Lisboa : LNEC,
1971
[5] FARINHA, Brazão; Branco, J. Paz, “Manual de Estaleiros de Construção de Edifícios”,
LNEC, Lisboa, 1996
[6] PEREIRA, T.; “Organização do Estaleiro”; Departamento de Engenharia Civil da Faculdade
de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2000
[7] SANTO, Fernando; “Edifícios – visão integrada de projectos e obras”, 2ª edição, Lisboa,
2002
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[8] SILVA, A. Neves da; “Construir em qualidade: organização do estaleiro, sinalização de
obras, segurança na construção”, Associação de Empresas de Construção e Obras
Públicas do Sul, Lisboa, 1989

Decreto-Lei 41280 de 11 de Agosto de 1958
Decreto-Lei 41281 de 11 de Agosto de 1958

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