Apocalipse Zumbi

“Primeiro procuramos uma pessoa. Após 72 horas, procuramos um corpo...”

The Walking Dead

O que será que acontece quando nosso corpo simplesmente resolve parar de se mexer? O que acontece quando nossos órgãos resolvem parar de funcionar? Eu não sabia bem o que era morrer. Não havia vivido experiências o suficiente para compreender. Uma hora iria acontecer. Só não imaginava que desta maneira.

25 de abril de 1975.
Estava eu, sentada em minha cadeira de balanço em Simi Valley, uma pequena e pacata cidade localizada no estado norte-americano da Califórnia. Havia alguns dias que uma praga estava rondando todo o condado de Ventura. Pelo que pude ouvir, ela estava se espalhando pelo Estado da Califórnia e não parava por aí. Por toda América do Norte havia resquícios desta calamidade. Nenhum de meus familiares e vizinhos tinha sido acometido por este vírus, então não sabíamos muito bem o que ocorria e como precavê-lo. Até que chegou o grande dia. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

27 de abril de 1975.
Mary, minha vizinha de apenas 5 anos de idade, teve um início de febres, que não eram interrompidas nem mesmo pelos fortes medicamentos aplicados num posto de saúde que se encontrava no final da rua Mavarick, onde todos nós morávamos. O corpo dela, antes forte como era de se esperar para uma criança bem nutrida, perdeu forças e ficou frágil em cerca de algumas poucas horas. Médicos, enfermeiros e toda a população que se encontrava próxima não sabiam mais o que fazer para que a febre cessasse. Um dos pontos que posso me orgulhar é que sempre fomos muito religiosos e acreditávamos que Deus não nos desampararia num momento de desespero e de tristeza que estávamos vivendo. Ele deveria, Ele podia salvar a pequena Mary. Iniciou-se a saga de rezas e promessas a um ser superior para que a vida dela fosse poupada.

Eram oito horas da noite quando o último suspiro foi exalado. O corpo jazia no leito do pronto socorro, cercado dos familiares que não suportavam terem perdido uma linda menina de cabelos loiros e olhos azuis. Eu estava lá também. Com apenas dezoito anos, pude perceber o quanto devemos prezar a vida que nos é dada. Ajudei nos preparativos para o velório. O enterro seria realizado no cemitério de Forest Lawn Memorial Park, duas quadras acima de nossa rua. Um pequeno e singelo caixão branco foi encomendado para abrigar por toda eternidade o corpo débil de Mary. Eternidade. Esta era a palavra pela qual todos nós pensávamos que existia. Após a morte, nosso corpo estaria fadado a passar a eternidade a sete palmos abaixo da terra. Nossa alma, ao contrário, seria livre para vagar pelo mundo, ou para ir diretamente aos céus. Lá seria dado o aviso final, se poderíamos finalmente descansar ou se nossa vida terrena teria uma segunda chance, em outro corpo (animal ou humano). Tudo é transitório na vida, e isso não deixaria de ser. O velório duraria das dez horas da noite até que os primeiros raios de sol de uma primavera, até então maravilhosa, despontassem do lado leste da cidade. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

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