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MEDIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA

1.1

Introdução

Medidor de energia elétrica é um dispositivo ou equipamento eletromecânico e/ou eletrônico capaz de mensurar o consumo de energia elétrica. A unidade mais usada é kWh. Está presente na maioria de casas e habitações no mundo moderno. Pode ser ligado diretamente entre a rede elétrica e a carga (casa) ou através de transformadores de acoplamento de tensão e/ou corrente. A medição da energia elétrica é necessária para possibilitar à concessionária o faturamento adequado da quantidade de energia elétrica consumida por cada usuário, dentro de uma tarifa pré-estabelecida. O instrumento que possibilita esta medição é o medidor de energia elétrica, conhecido popularmente como relógio de luz. É um aparelho eletromecânico constituído,

essencialmente, pelos seguintes componentes:

a) Bobina de tensão (ou de potencial) altamente indutiva, com muitas espiras de fio fino

de cobre, para ser ligada em paralelo com a carga;

b) Bobina de corrente, altamente indutiva, com poucas espiras de fio grosso de cobre,

para ser ligada em série com a carga;

c) Núcleo de material ferromagnético (ferro silício), laminados e justapostas, mas

isoladas entre si;

d) Conjunto móvel ou rotor constituído de disco de alumínio de alta condutividade, com

liberdade para girar em torno do seu eixo de suspensão, ao qual é solidário;

e) Ao eixo está fixado um parafuso-sem-fim que aciona um sistema mecânico de

engrenagens que registra, num mostrador, a energia elétrica consumida, conforme demonstra a Figura 1;

energia elétrica consumida, conforme demonstra a Figura 1; Figura 1 - Mostrador do Medidor de Energia

Figura 1 - Mostrador do Medidor de Energia Elétrica.

f) Ímã permanente para produzir um conjugado frenador no disco. A ligação de um medidor monofásico é demonstrada na Figura 2.

Figura 2 - Ligação de um Medidor Monofásico. 1.2 Evolução dos Medidores O primeiro medidor

Figura 2 - Ligação de um Medidor Monofásico.

1.2 Evolução dos Medidores

O primeiro medidor destinado à quantificação do consumo de energia elétrica, foi desenvolvido e patenteado por Samuel Gardiner, em 1872. Tratava-se de um medidor de lâmpada-hora para aplicação em corrente contínua, que indicava o período que uma lâmpada permanecia acesa. Por ser uma carga conhecida, com corrente praticamente constante, o cálculo do consumo resumia-se ao produto do tempo ligado pela potência nominal da carga. Na Figura 3 se encontra representado o medidor de Samuel Gardiner.

3 se encontra representado o medidor de Samuel Gardiner. Figura 3 - Medidor de Lâmpada Hora

Figura 3 - Medidor de Lâmpada Hora de Gardiner.

Em 1878, J.B. Fuller desenvolveu um medidor de lâmpada-hora para operação em corrente alternada, composto por um relógio cujo mecanismo de escape era acionado por um par de bobinas que vibravam à freqüência de alimentação, produzindo assim o avanço da contagem. Este medidor é exibido na Figura 4.

assim o avanço da contagem. Este medidor é exibido na Figura 4. Figura 4 - Medidor

Figura 4 - Medidor de Lâmpada Hora de Fuller.

O uso de medidores de lâmpada-hora mostrava-se eficiente apenas quando usados com cargas conhecidas que na maioria eram lâmpadas, deixando a desejar quando as cargas apresentavam variações de potência ao longo do período de operação. Entre 1878 e 1880, Edison desenvolveu o primeiro medidor de quantidade de eletricidade, em vez de quanto tempo o circuito ficou energizado. Tratava-se de um medidor químico, conforme pode ser visto na foto representada pela Figura 5.

conforme pode ser visto na foto representada pela Figura 5. Figura 5 - Medidor Químico de

Figura 5 - Medidor Químico de Energia de Edson.

Em meados da década de 1880, Elihu Thomsom, com o auxílio de Thomas Duncan, desenvolveu um wattímetro-registrador destinado à medição de consumo de energia, capaz de operar em corrente alternada ou contínua. Foi usado intensivamente em 1889, e permaneceu como o principal meio de medição de consumo até 1892, quando foi substituído por medidores de watt-hora. Na Figura 6, temos a representação do protótipo do wattímetro-registrador.

a representação do protótipo do wattímetro-registrador. Figura 6 - Wattímetro-Registrador de Thomsom e Duncan. Os

Figura 6 - Wattímetro-Registrador de Thomsom e Duncan.

Os primeiros medidores de watt-hora com precisão e confiabilidade suficientes para a aplicação em medição de consumo de energia foram desenvolvidos em 1892, por Thomas Duncan. Inicialmente construídos para a medição em circuitos monofásicos, foram logo adaptados à medição polifásica de energia. Modelos capazes de operar em sistemas de corrente contínua e alternada também foram desenvolvidos, permitindo a aplicação do instrumento a todos os sistemas de distribuição existentes, conforme está demonstrado na Figura 7.

Figura 7 - Medidor de Watt-hora de Duncan. 1.3 Medidores de Energia Atuais A energia

Figura 7 - Medidor de Watt-hora de Duncan.

1.3 Medidores de Energia Atuais

A energia elétrica disponibilizada pelas concessionárias para o consumidor final é quantificada através de um equipamento denominado “Medidor”. Este equipamento é caracterizado por padrões técnicos dos órgãos oficiais de metrologia e apropriado às suas normas. O medidor mais utilizado pelas concessionárias em aplicação residencial de grupo B1, na sua maioria, é o medidor eletromecânico, devido ao fato de seu baixo custo e disponibilidade, visto que sua utilização como meio de medida do consumo é antiga, e foi aperfeiçoado ao logo do tempo. O medidor eletromecânico de potência ativa conforme pode ser visto na análise da Figura 8 possui uma bobina de corrente que conduz a corrente de linha, e a bobina de potencial que mede a tensão submetida através da linha. Ambos os enrolamentos são feitos sob uma estrutura metálica de forma a criar dois circuitos eletromagnéticos. Um disco leve de alumínio é suspenso na região do campo magnético criado pela bobina de corrente, conforme pode ser visto na Figura 8. Neste disco são induzidas correntes parasitas ou correntes de Focaut de modo a fazer com que o disco gire no seu próprio eixo. O número de rotações do disco é proporcional à energia consumida pela carga em um certo intervalo de tempo, e a medida é feita em quilowatt- hora (kWh). A indicação é feita através de mecanismos semelhante aos ponteiros de relojoaria, portanto assim é conhecido popularmente por relógio. Pode ser visto na Figura 9 o medidor com disco central de alumínio um dos equipamentos medidores mais conhecido atualmente.

Figura 8 - Mecanismos do Medidor Eletromecânico. Figura 9 - Medidor da Westinghouse Electric Corporation.

Figura 8 - Mecanismos do Medidor Eletromecânico.

Figura 8 - Mecanismos do Medidor Eletromecânico. Figura 9 - Medidor da Westinghouse Electric Corporation. 1.4

Figura 9 - Medidor da Westinghouse Electric Corporation.

1.4 Precisão do Medidor Eletromecânico

Os medidores eletromecânicos de indução utilizados com a finalidade de faturamento do consumo de energia de uma instalação são normalmente da classe 2.0, ou seja, possuem erro máximo de ±2% do valor indicado para sua faixa nominal de operação, dentro do tempo de vida previsto para seu funcionamento. Embora seja um valor relativamente alto, considerando as perdas que podem onerar tanto o fornecedor quanto o consumidor de energia elétrica, torna-se aceitável quando se considera o acréscimo de custos que representaria a utilização massiva de instrumentos com uma faixa de precisão mais elevada.

1.5 Limitações dos Medidores Eletromecânicos

O medidor eletromecânico de indução apresenta, devido às suas características operacionais de construção, como o uso de componentes indutivos tais como as bobinas, algumas limitações e restrições para que sua operação seja confiável. Alguns fatores podem ser citados, como:

a) Interferência na operação na presença de corrente contínua: Por se tratar de um instrumento concebido para a utilização com correntes alternadas, a presença de componentes

de corrente contínua afeta a precisão do medidor, por produzirem deformações nos fluxos magnéticos produzidos, podendo inclusive levar à saturação os núcleos ferromagnéticos das bobinas do medidor; b) Precisão variável conforme a condição de operação: Os medidores eletromecânicos de indução possuem uma faixa bem definida de operação na qual apresentam a precisão nominal. Para valores muito baixos de potência a precisão diminui, pois o atrito do conjunto mecânico é alto em relação ao torque eletromagnético produzido pelo disco; c) Sensibilidade mecânica: Os mecanismos destes instrumentos são sensíveis a vibrações e choques produzidos por elementos externos, dificultando sua aplicação em ambientes mecanicamente instáveis ou em aplicações embarcadas.

1.6 Precisão de Medidores Eletrônicos

Medidores eletrônicos de energia são construídos normalmente na classe 0,8, porém a maioria dos medidores encontrados no mercado possui classe de precisão de 1%. A facilidade em se obter instrumentos de precisão mais elevada decorre principalmente do fato de inexistir limitações mecânicas nos elementos envolvidos no processo de medição e registro, e também da possibilidade de se empregar sensores de maior precisão. Na Figura 10 tem-se representado um medidor monofásico para aplicação residencial.

um medidor monofásico para aplicação residencial. Figura 10 - Medidor Eletrônico Monofásico de Aplicação

Figura 10 - Medidor Eletrônico Monofásico de Aplicação Residencial.

1.7 Limitações dos Medidores Eletrônicos

Pelo fato do emprego de circuitos e dispositivos baseados em semicondutores, o medidor eletrônico pode se mostrar um equipamento sensível a surtos de tensão eventualmente presentes no sistema de distribuição. O projeto do dispositivo envolve necessariamente cuidados para que estes tipos de eventos não comprometam o funcionamento dos componentes sensíveis, preservando a confiabilidade e precisão do equipamento de medida. O medidor eletromecânico funciona através da indução de correntes de Fucaut em seu disco de alumínio, já o medidor eletrônico pega uma amostra da tensão e da corrente que é

fornecida à carga e a transfere à um sistema micro processado que, de forma digital, calcula a potência e a energia consumida pela carga. Nas Figuras 11 e 12 tem-se a representação do circuito e de um medidor eletrônico.

a representação do circuito e de um medidor eletrônico. Figura 11 - Sistema de Medição de

Figura 11 - Sistema de Medição de Energia Elétrica Micro Processado.

Sistema de Medição de Energia Elétrica Micro Processado. Figura 12 - Medidor Eletrônico Monofásico. 1.8 Custos

Figura 12 - Medidor Eletrônico Monofásico.

1.8

Custos

A utilização de medição digital da energia elétrica é cada vez mais evidente no Brasil. O setor alvo até pouco tempo, o industrial, esteve na ponta de utilização de medidores digitais, porém o uso em escala residencial se mostra favorável. Hoje, mais de 90% do parque nacional ainda é de medidores analógicos e o principal entrave à entrada do produto eletrônico no Brasil era o seu alto preço, inviável para o mercado residencial. Atualmente, porém, essa tecnologia está mais acessível, para se ter uma idéia, um medidor digital para consumidores industriais custa entre R$ 279 e R$ 558, e para clientes residenciais, entre R$ 133 e R$ 286, valores muito próximos aos dos analógicos. Além disso, os equipamentos de medição digital nacional possibilitam o combate às fraudes e roubos de energia.

A tarifa da energia elétrica varia de região para região. No estado de São Paulo as três empresas de distribuição praticam valores diferenciados. Na área de concessão da CPFL, onde se situa o município de Campinas, a tarifa atual é de R$ 0,330140/KWh (julho de 2004). Além disso, temos que considerar o ICMS cuja alíquota é de 25 %. Assim sendo, o cálculo sobre a energia consumida mensal é feito pela seguinte fórmula:

, sendo o consumo de energia em KWh vezes a tarifa em , A a

alíquota que para o exemplo acima vale 25% e

o valor a ser pago sobre a energia consumida.

1.9

Exercícios

1.9.1

Sabendo que a leitura do mês atual foi de 3772KW e a do mês anterior foi de 3503KW, calcule qual foi o consumo de energia no mês atual?

1.9.2

Seja o consumo de energia elétrica de 110R$ e o valor a ser pago sobre a energia consumida de 140R$, pergunta-se qual a alíquota sobre a tarifa?

1.9.3

Cite as diferenças entre um medidor de energia mecânico e um medidor de energia eletrônico.

1.9.4

Cite as limitações do medidor de energia mecânico.

1.9.5

Cite as limitações do medidor de energia eletrônico.