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AULA Nº 16: CONTRATOS ADMINISTRATIVOS – PARTE I 1 - INTRODUÇÃO Na aula de hoje iniciaremos o estudo dos contratos administrativos.

Esta matéria assume grande importância em praticamente todos os concursos públicos nos quais seja exigido o conhecimento de Direito Administrativo. Embora pudesse ser feita alguma confusão, devemos iniciar esclarecendo que os contratos administrativos não se confundem com os atos administrativos, já estudados aqui em nossas aulas. Enquanto os atos administrativos são sempre unilaterais e impostos pela Administração, os contratos são acordos e, por isso mesmo, sempre bilaterais. Todo contrato, privado ou público, é regido por dois princípios essenciais: lex inter partes (o contrato faz lei entre as partes, não podendo, por isso, em princípio, ser unilateralmente alterado) e pacta sunt servanda (obrigação que têm as partes de cumprir fielmente o entre elas avençado). A matéria contratos administrativos, de longa data, vem sendo estudada e sistematizada pela doutrina, devendo destacar-se, mais uma vez, a excelente exposição do assunto obrada pelo inigualável Hely Lopes Meirelles em seu “Direito Administrativo Brasileiro”. É, entretanto, fundamental termos em vista que, hoje em dia, a disciplina dos contratos administrativos encontra-se praticamente exaurida nos arts. 54 a 80 da Lei 8.666/1993. Já no art. 54 desta Lei, lemos que os contratos administrativos nela tratados regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicando-se-lhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado. Os contratos administrativos são sempre consensuais, e, em regra, formais, onerosos, comutativos e realizados intuitu personae (devem ser executados por quem os celebrou, não se admitindo, regra geral, a subcontratação). Além dessas características, os contratos administrativos devem ser precedidos de licitação, somente inexigível ou dispensável nos casos expressamente previstos na Lei. 2 - CONCEITO Hely Lopes Meirelles conceitua contratos administrativos como “o ajuste que a Administração Pública, agindo nessa qualidade, firma com particular ou outra entidade administrativa para a consecução de objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela própria Administração.” Devemos observar que esta conceituação refere-se apenas aos denominados contratos administrativos propriamente ditos, que são justamente aqueles em que a Administração atua nessa qualidade e, portanto, dotada das prerrogativas características de direito público (supremacia). Entretanto, sempre foi defendida pela doutrina a possibilidade de a Administração celebrar contratos sob normas predominantes do direito privado, caso em que, em princípio, encontra-se ela, a Administração, em posição de igualdade com o particular contratante. Costuma-se denominar essa espécie como contrato administrativo atípico. Exemplo clássico são os contratos de locação em que a Administração figura como locatária. Apesar desse entendimento doutrinário, a Lei 8.666, em seu art. 62, § 3º, I, embora haja reconhecido expressamente a existência de contratos cujo conteúdo fosse regido predominantemente por norma de direito privado (a Lei expressamente alude, de forma exemplificativa, a contratos de seguro, financiamento e locação em que o Poder Público seja locatário), fez estenderem-se a tais contratos as principais prerrogativas da Administração aplicáveis aos contratos administrativos propriamente ditos, como a possibilidade de modificação unilateral do contrato, o poder de rescindi-lo unilateralmente, a fiscalização de sua execução, aplicação de sanções, ocupação provisória (para garantia da manutenção da continuidade de serviços essenciais). Observa-se, portanto, que perdeu importância a distinção entre contratos administrativos típicos e atípicos, pelo menos no que respeita à existência ou não de prerrogativas de direito público a eles aplicáveis, um vez que estas prerrogativas passaram, por força da Lei 8.666, a reger qualquer contrato administrativo. As peculiaridades dos contratos administrativos, a diferenciá-los dos contratos privados, constituem as genericamente denominadas cláusulas exorbitantes, que veremos a seguir. 3 - CLÁUSULAS EXORBITANTES 1

serviços ou compras. diferenciando-os dos ajustes de direito privado. evidentemente apenas aplicável à Administração. para melhor adequação técnica aos seus objetivos.As assim denominadas cláusulas exorbitantes caracterizam os contratos administrativos.666. O art. especifica os casos em que cabível a alteração unilateral do contrato pela Administração: a) quando houver modificação do projeto ou das especificações. seguindo a sistematização doutrinária. 58. São elas: 3.666.1 – PODER DE MODIFICAÇÃO UNILATERAL DO CONTRATO Esta prerrogativa. Nunca podem ser modificadas unilateralmente as denominadas cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos. b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto. 2 . encontram-se estabelecidos nos §§ 1º e 2º do mesmo artigo e são os seguintes: a) 25% do valor inicial atualizado do contrato. da Lei 8. As cláusulas exorbitantes podem ser explícitas ou implícitas (a Lei 8. relação esta que deve ser mantida durante toda a execução do contrato. São chamadas exorbitantes justamente porque exorbitam. portanto. quando se tratar de supressão resultante de acordo entre os contratantes (não se refere a hipótese. está expressa no art. aplicável este limite ampliado somente para os acréscimos (para as supressões permanece o limite de 25%) c) Qualquer porcentagem. 58 da Lei. que estabelecem a relação entre a remuneração e os encargos do contratado. I. extrapolam as cláusulas comuns do direito privado e não seriam neste admissíveis. b) 50% no caso específico de reforma de edifício ou de equipamento. a alteração unilateral e sim consensual). A impossibilidade de alteração unilateral de tais cláusulas e a necessidade de manutenção do equilíbrio financeiro do contrato estão expressamente previstas nos §§ 1º e 2º do art. 65. nos limites permitidos por esta Lei. inciso I. Estudaremos as principais cláusulas exorbitantes descritas pela doutrina e procuraremos expor a disciplina legal de cada uma. A possibilidade de alteração unilateral do contrato pela Administração somente abrange as cláusulas regulamentares ou de serviço (as que dispõem sobre o objeto do contrato e sua execução). Os limites. para acréscimos ou supressões de obras. Ali obtemos que esta alteração unilateral deve sempre ter por escopo a melhor adequação do contrato às finalidades de interesse público e que devem ser respeitados os direitos do administrado. expressamente passou a prever todas as cláusulas exorbitantes apontadas pelos administrativistas) e sempre consignam uma vantagem (prerrogativa) ou uma restrição à Administração ou ao contratado.