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CÓDIGO FLORESTAL: Lei 12.727/2012, Vetos ao Projeto de Conversão da MP 571/2012 e o Decreto 7.

830/2012
Franciney França Assessoria da Liderança do Bloco de Apoio ao Governo - em 18 de outubro de 2012 –

Ao sancionar a Lei 12.727, de 2012 (fruto do PLV nº21, de 2012, que alterou a MP 571, de 2012), a Presidenta Dilma Rousseff vetou nove dispositivos. Foram vetadas parcialmente as alterações aos artigos 4º, 15, 35, 59, 61-A e 61-B e integralmente a redação proposta para o artigo 83 da Lei 12.651, de 2012. A Lei 12.727, de 2012, altera e complementa a Lei 12.651, de 2012, sancionada em maio deste ano. Na mesma data foi editado o Decreto 7.830, de 2012 para regulamentar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Programa de Regularização Ambiental (PRA) e sanar as lacunas decorrentes dos recentes vetos. I – sobre os vetos Os dispositivos vetados tratam de várzeas (art. 4º, §9º); cômputo de APP e RL (art.15, §4º, inciso II); de reflorestamento com frutíferas (art.35, §1º); implantação do PRA (art.59, §6º); e dos parâmetros para a recomposição de APP em áreas consolidadas (arts. 61-A, incisos I, V e §18; 61-B, inciso II). Este último ponto foi um dos mais delicados da discussão da matéria no Congresso Nacional por envolver mudanças no escalonamento de faixas de recomposição de APP, em função do tamanho da propriedade, conforme estabelecido no texto original da MP 571/2012. Segundo a mensagem de veto, o artigo 83 foi vetado por uma questão de técnica legislativa, mas vale destacar que a alteração promovida pelo Congresso Nacional pretendia suprimir a exigência de averbação de reserva legal (art.167, inciso II, item 22, da Lei 6.015/1973), sem que exista um sistema que substitua esse que é um instrumento importante para controlar o cumprimento desse diploma legal. A medida entraria em contradição com o próprio art.18, §4º da Lei 12.651, em vigor (ver abaixo). Portanto, mais que justificado o veto.
Art. 18. A área de Reserva Legal deverá ser registrada no órgão ambiental competente por meio de inscrição no CAR de que trata o art. 29, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento, com as exceções previstas nesta Lei. ............................................................................................................................................. § 4º O registro da Reserva Legal no CAR desobriga a averbação no Cartório de Registro de Imóveis.

Os demais vetos abrangem textos que já haviam sido vetados, na íntegra ou parcialmente, quando da sanção da Lei 12.651/2012 e/ou alterações que flexibilizariam sobremaneira a preservação ambiental.

por exemplo. ela reeditou essa previsão apenas para o caso de reflorestamento com espécies nativas (ver abaixo). §3º. exceto quando ato do poder público dispuser em contrário. para fins de controle de origem. portanto. vetar esse artigo significa impedir que essas áreas que regulam a produção. exóticas e frutíferas independem de autorização prévia.651/2012. Com o veto fica claro que esta é uma possibilidade que regula uma situação extrema e excepcional (caso de floresta da Amazônia Legal) ficando as demais situações resguardadas pelas regras de proteção em vigor. maior controle dessas situações (EMI da MP). . incisos I e II ao art. retoma-se o texto original da Lei nº 12. devendo ser informados ao órgão competente. nos termos do inciso III do art.651.35. 35 § 1º . que definiu limites de cobertura vegetal nativa para fins de cômputo de APP e RL (ver quadro abaixo). O veto do inciso II desse dispositivo é importantíssimo para que não paire dúvidas quando à proteção aos outros tipos de vegetação encontrados na Amazônia Legal. por meio da MP 571/2012. Com a modificação proposta. desde que observadas as limitações e condições previstas nesta Lei. permitindo-se. Com o veto. desde que observadas as limitações e condições previstas nesta Lei.35 § 1º O plantio ou o reflorestamento com espécies florestais nativas. e retomado pelo projeto de conversão da MP 571/2012 (ver abaixo). Ricardo Ribeiro Rodrigues (ESALQ) em 18/10/2012). Lei 12. que dispensa de autorização prévia o plantio de espécies nativas e exóticas. Segundo especialistas. vetado quando da sanção da Lei 12.15. no prazo de até 1 (um) ano. devendo ser informados ao órgão competente.9º.651/2012.651/2012 ela vetou a expressão “exótica” no texto do art. desde que observadas as limitações e condições previstas nesta Lei. essas áreas têm proteção específica e não se incluíam na regra voltada aos rios. o texto aprovado quando da tramitação da MP 571/2012 não só retomou as exóticas como incluiu as frutíferas dentre as possibilidades de reflorestamento que ficam isentas de licença prévia. no prazo de até 1 (um) ano. §4º.35 § 1o O plantio ou o reflorestamento com espécies florestais nativas independem de autorização prévia. 4o “§ 3o Não é considerada Área de Preservação Permanente a várzea fora dos limites previstos no inciso I do caput. assim.4º “§ 9º Não se considera Área de Preservação Permanente a várzea fora dos limites previstos no inciso I do caput. no prazo de até 1 (um) ano. Essa inserção daria brecha ao cultivo exacerbado dessas espécies o que poderia prejudicar a biodiversidade das APPs. 6o.15.4º. 6º.4º. § 3o do art. como o cerrado amazônico.” ii) Reflorestamento com espécies frutíferas – quando a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12. exceto quando ato do poder público dispuser em contrário nos termos do inciso III do art. para fins de controle de origem. §1º e." iii) Cômputo de APP e RL (art. MP 571/2012 Art. §4º) – destaca-se que o texto é parte do art. para fins de controle de origem.” § 9º do art. o plantio e reflorestamento com espécies exóticas estariam sujeitos à autorização prévia.O plantio ou reflorestamento com espécies florestais nativas ou exóticas independem de autorização prévia.i) Várzeas (art. PLV nº 21/2012 Art. o fluxo de água e os organismos biológicos fiquem desprotegidas (Prof. de 2012 Art. bem como salgados e apicuns em sua extensão. inciso II) – outro ponto bastante polêmico na tramitação da matéria na Comissão Mista foi a inclusão do §. Mas. devendo ser informados ao órgão competente.

. econômicas e sociais. conforme preceitua o art..... iv) Implantação do PRA (art. v) Recomposição de APP em áreas consolidadas (arts... sem prejuízo do prazo definido no caput.......... 61-B..... quando as Áreas de Preservação Permanente conservadas ou em processo de recuperação...... criou a possibilidade de prazo de 20 dias......... contados da borda da calha do leito regular.......59...... prorrogável por uma única vez............. de Reserva Legal e de uso restrito....61-A... § 4º É dispensada da aplicação do inciso I do caput deste artigo. a MP definia faixa de 20m para rios até 10m de largura em propriedade entre 4 e 10MF e.. poderá promover a regularização da situação através da adesão ao PRA... §4º........ observada a legislação específica......... com o objetivo de adequá-las aos termos deste Capítulo.. contado a partir da data da publicação desta Lei.....59 (ver abaixo). ultrapassar: I – 80% (oitenta por cento) do imóvel rural localizado em áreas de floresta na Amazônia Legal... inciso III) A Lei 12....... culturais.. pudesse fazê-lo por meio da adesão ao PRA..PRAs de posses e propriedades rurais. climáticas...... incumbindo-se aos Estados e ao Distrito Federal o detalhamento por meio da edição de normas de caráter específico............ será obrigatória a recomposição das respectivas faixas marginais: I .......... será obrigatória a recomposição das respectivas faixas marginais: I – em 15 (quinze) metros... A União.... incluído por emendas na Comissão Mista. após ciência da autuação. históricas...727/2012. a faixa marginal seria correspondente à metade da largura do curso d´agua... em seu 61-A (§4º..... somadas às demais florestas e outras formas de vegetação nativa existentes em imóvel........ ocorrida antes de 22 de julho de 2008.........o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo...61-A.... contados da borda da calha do leito regular. O texto do projeto de conversão havia alterado a redação inicial da MP 571/2012............ desde que: I ....em 20 (vinte) metros........ E é isso que faz de maneira apropriada o Decreto 7.. os Estados e o Distrito Federal deverão....Projeto de Conversão da MP 571/2012 Art. .. observado o prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência da autuação. § 1o Na regulamentação dos PRAs. § 4º Para os imóveis rurais com área superior a 4 (quatro) módulos fiscais que possuam áreas consolidadas em Áreas de Preservação Permanente ao longo de cursos d’água naturais... normas de caráter geral...... 24 da Constituição Federal... alterado pela Lei 12..651/2012 passou a vigorar com o art.......... observado o mínimo de 30 e 100m......... para imóveis com área superior a 4 (quatro) ....... 61-A.... §13. a mudança foi nos parâmetros de recomposição das APPs. e II – 50% (cinquenta por cento) do imóvel rural nas demais situações.. Em relação ao inciso I do §4º..59..... Projeto de Conversão da MP 571/2012 Art... no prazo de 1 (um) ano....... §6º) .. inciso I.. 4o Para os imóveis rurais com área superior a 4 (quatro) módulos fiscais que possuam áreas consolidadas em Áreas de Preservação Permanente ao longo de cursos d’água naturais.......... em seu capítulo III.830/2012. para imóveis com área superior a 4 (quatro) e Projeto de Conversão Art................ Esses limites foram alterados pelo projeto de conversão (ver abaixo)..... . como previsto pelo próprio art. MP 571/2012 Art. 15 Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do imóvel.................. para que o proprietário ou produtor rural que ainda não tivesse efetivado a regularização da supressão irregular...... em razão de suas peculiaridades territoriais... Conforme quadro abaixo.. implantar Programas de Regularização Ambiental ........... Cabe destacar que essa previsão deveria ser objeto de regulamentação....... relativas à supressão irregular de vegetação em Áreas de Preservação Permanente..61-A.. a União estabelecerá... inciso V e §18). §13. por igual período..... § 6º Após a disponibilização do PRA o proprietário ou possuidor rural autuado por infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008... inciso V e §18. por ato do Chefe do Poder Executivo...... no caso dos imóveis acima de 10MF.....esse dispositivo....... fruto da emenda do Deputado Ronaldo Caiado e Senadora Kátia Abreu.. incisos I. em até 180 (cento e oitenta) dias a partir da data da publicação desta Lei..

....... de 2012 alterada pela Lei 12. observado o mínimo de 20 (vinte) e o máximo de 100 (cem) metros.. § 4o Para fins do que dispõe o inciso II do § 4º do art..... de 2012 Art. conforme determinação do PRA.. a recomposição das faixas marginais ao longo dos cursos d’água naturais será de. de forma legítima. Com esse ato.. que já contemplava adequadamente a diversidade da estrutura fundiária brasileira” (Mensagem de veto).. caput. nos cursos d’água naturais com até 10 (dez) metros de largura.19. as faixas de 20m (mínimo estabelecido) para propriedades entre 4 e 10 MF e para os demais casos..... foram definidas faixas de recomposição. deixando o inciso II que define faixa de 20 a 100 metros. procurou-se evitar uma ampliação excessiva de área dos imóveis rurais alcançadas pelo dispositivo....... sem. contados da borda da calha do leito regular. § 4º Para os imóveis rurais com área superior a 4 (quatro) módulos fiscais que possuam áreas consolidadas em Áreas de Preservação Permanente ao longo de cursos d’água naturais. o Executivo Federal retomou. promulgar e fazer publicar as leis.. em extensão correspondente à metade da largura do curso d’água.59. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução”. da Lei 12. respeitando a faixa de mínimo 30 e máximo 100m (ver quadro abaixo).727.. será obrigatória a recomposição das respectivas faixas marginais: I – VETADO II – nos demais casos.. de 2012 Art. contudo. observado o mínimo de trinta e o máximo de cem metros. §4º.. Decreto 7. o que elevaria o “seu impacto ambiental e quebrando a lógica inicial do texto... Assim ficaram as faixas de recomposição de APP ripária: .. pelos seguintes métodos: . Luís Inácio Adams. Pelo Decreto 7. combinado com o art... inciso IV.. Lei 12. Segundo o advogado-geral da União.vinte metros. compete privativamente ao Presidente da República “sancionar.. Portanto.84.de até 10 (dez) módulos fiscais. contados da borda da calha do leito regular. e II ..830/2012.. conforme determinação do PRA.830/2012.. Ao sancionar a Lei 12. “a presidenta exerceu sua competência constitucional...830. observado o mínimo de 30 (trinta) e o máximo de 100 (cem) metros. nos cursos d’agua com até 10 (dez) metros de largura. por tamanho de propriedade.nos demais casos... 19. seja no veto. e II – nos demais casos.... De fato. em seu art... observado o mínimo de 20 (vinte) e o máximo de 100 (cem) metros. para imóveis com área superior a quatro e de até dez módulos fiscais. contados da borda da calha do leito regular. A recomposição das Áreas de Preservação Permanente poderá ser feita. Esse artigo da CF. e de até 15 (quinze) módulos fiscais.. que regulamenta o PRA... pelo Decreto 7.nos demais casos....651/2012. de 2012.... contados da borda da calha do leito regular.. nos cursos d’água com até dez metros de largura... 61-A da Lei nº 12... legitima a ação do Executivo Federal. extensão correspondente à metade da largura do curso d’água.. que define que será por ato do Chefe do Poder Executivo que se implantará os Programas de Regularização Ambiental (PRAs). a recomposição será correspondente à metade da largura do curso d´água.. contrariar o novo texto sancionado.727/2012 a Presidenta vetou o inciso I do §4º do PLV nº 21/2012. no mínimo: I ...651. isolada ou conjuntamente. seja na regulamentação por decreto” (em 19/10/2012)..61-A.. pelo art. e II ..... contados da borda da calha do leito regular...651. conforme determinação do PRA.

Tamanho do Imóvel Rural Até 1 módulo fiscal 1 a 2 módulos fiscais 2 a 4 módulos fiscais 4 a 10 módulos fiscais Todos os demais casos Faixa obrigatória de APP 5 metros 8 metros 15 metros 20 metros (rios de até 10 m de largura) Extensão correspondente à metade da largura do curso d’água.61-B.em relação ao inciso V do §13. §18) – ao retomar a obrigatoriedade de APP para rios intermitentes (que havia sido retirada por emenda aprovada na Comissão Mista) foi incluído o §18 ao art. fazendo a justa diferenciação entre pequenos e médios proprietários. O dispositivo estabelecia 25% da área do imóvel a ser recomposta para imóveis de 4 a 10MF (ver quadro abaixo).25% (vinte e cinco por cento) da área total do imóvel." A Presidenta promoveu vetos no intuito de retomar a essência da MP 571/2012. a Presidenta impede a adoção de um limite mínimo de faixa marginal que poderia “inviabilizar a sustentabilidade ambiental no meio rural. . excetuados aqueles localizados em áreas de floresta na Amazônia Legal. Projeto de Conversão "§ 18. ou seja. uma vez que impede o cumprimento das funções ambientais básicas das APPs”. cujo objetivo foi garantir a recomposição e não permitir “que se impusesse uma oneração maior aos pequenos proprietários rurais” (EMI nº 0018/2012). esse dispositivos também foi vetado pela Presidenta." vi) Art. Esse dispositivo definia faixas mínimas de recomposição para esses cursos d´água (ver texto abaixo). será admitida a manutenção de atividades agrossilvipastoris. principalmente no tocante à recomposição de vegetação. contados da borda da calha do leito regular. de ecoturismo ou de turismo rural. "III . novamente o plantio de árvores frutíferas foi incluído como possibilidade de recomposição de APPs. para imóveis rurais com área superior a 4 (quatro) e até 10 (dez) módulos fiscais. O veto foi necessário para resguardar as funções ambientais básicas dessas de áreas de preservação. inciso III – com o mesmo princípio de não flexibilizar as normas de recomposição. em áreas consolidadas.61°-A. Ao vetar esse dispositivo. independentemente da área do imóvel rural.61-A. independentemente do tamanho da propriedade. sendo obrigatória a recomposição das respectivas faixas marginais em 5 (cinco) metros. Rios intermitentes (art. Nos casos de áreas rurais consolidadas em Áreas de Preservação Permanente ao longo de cursos d'água naturais intermitentes com largura de até 2 (dois) metros. de forma generalizada. Dessa forma. a lógica do benefício ficar restrito aos pequenos proprietários até 4MF. naquilo que foi deturpado em sua tramitação no Congresso Nacional. Art. observado o mínimo de 30 e o 100 metros Árvores frutíferas .61-B.