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Esboços de Teologia - A. A. Hodge

Esboços de Teologia - A. A. Hodge

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ESBOÇOS de TEOLOGIA
Archibald Alexander Hodge, D. D.

Professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico de Princeton New Jersey, EUA

PUBLICAÇÕES EVANGÉLICAS SELECIONADAS Caixa Postal 1287 01059-970-São Paulo-SP

Título original: Outlines of Theology Primeira edição em inglês: r
1860

Primeira edição em português - Portugal: 1895 Tradução do inglês: F.J.C.S. - Lisboa Primeira edição lançada no Brasil: 2001 Linguagem atualizada: Odayr Olivetti e Azená Valim Olivetti Revisão: Antonio Poccinelli Cooperador: José Serpa Capa: Sergio Menga Impressão: Imprensa da Fé

Índice
Prefácio 1. A teologia cristã: suas diversas divisões; sua relação com outros ramos do conhecimento humano 2. A origem da idéia de Deus; prova da Sua existência 3. Os mananciais da teologia 4. A inspiração da Bíblia 5. A regra de fé e prática; as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos; a única regra de fé e o único juiz nas controvérsias 6. Comparação de sistemas 7. Credos e confissões 8. Os atributos de Deus 9. A Santíssima Trindade 10. Os decretos de Deus em geral 11. A predestinação 12. A criação do mundo 13. Os anjos 14. A providência 15. A constituição da alma, a vontade, a liberdade, etc. 16. A criação e o estado original do homem 17. A aliança das obras 18. A natureza do pecado e o pecado de Adão 19. O pecado original - (Peccatum Habituale) 20. A incapacidade 21. A imputação do pecado original de Adão à sua posteridade 22. A aliança da graça 23. A Pessoa de Cristo 24. O ofício medianeiro de Cristo 25. A propiciação; sua natureza, necessidade, perfeição e extensão 26. A intercessão de Cristo 27. O reinado medianeiro de Cristo 28. A vocação eficaz 29. A regeneração 30. A fé 31. A união dos crentes com Cristo 32. O arrependimento e a doutrina romanista das penitências 33. A justificação 34. A adoção e a ordem observada pela graça na aplicação da redenção, nas diversas partes da justificação, a regeneração e da santificação 35. A santificação 36. A perseverança dos santos 37. A morte e o estado da alma depois da morte 38. A ressurreição 39. O segundo advento e o juízo geral 40. O céu e o inferno 41. Os sacramentos 42. O Batismo: sua natureza e propósito, seus objetos, modo, eficácia e necessidade 43. A Ceia do Senhor

Prefácio
Apresentando este livro ao leitor, tenho a dizer que a concepção e a execução da obra são devidas à experiência que tive de ser necessário tal manual de definições e argumentações teológicas, no meu trabalho de instruir os membros da Igreja da qual fui pastor. Os diversos capítulos foram, em primeiro lugar, preparados e usados por mim como as bases de uma série de discursos dirigidos, sem notas, à minha congregação nos domingos à noite, e no uso que assim fiz delas, achei que estas preparações eram úteis além das minhas esperanças; pois a maior parte da congregação foi induzida a entrar, com muito interesse, no estudo até dos assuntos mais abstrusos. Tendo, pois, esta obra passado por essa prova prática, ofereço-a, agora, a meus colegas no ministério do evangelho para que dela se sirvam, se quiserem, como um repertório de material digesto para o ensino doutrinário do seu povo, seja em classes bíblicas, seja por meio de discursos no culto público. Ofereço--a também como uma tentativa de prover assim a uma reconhecida necessidade pública, como um resumo de estudo teológico para uso dos estudantes de teologia em geral, e para uso dos muitos laboriosos pregadores do evangelho a quem falta o tempo necessário ou a oportunidade, ou outro meio essencial, para estudarem as obras custosas e elaboradas das quais se colheram os materiais deste compêndio. As perguntas têm sido conservadas formalmente, não com o fim de adaptar assim o livro de qualquer modo ao ensino catequético, e sim, por ser este o modo mais conveniente e perspícuo de apresentar um "esboço de teologia". Esta mesma necessidade de condensar, espero que sirva para desculpar, até certo ponto, alguns casos de obscuridade nas definições e alguns em que talvez haja falta de ilustrações, casos que o leitor, sem dúvida, notará. No Prefácio da segunda edição desta obra (em inglês), revista e aumentada, o editor ainda diz: O Prefácio da edição original narra, acurada e um tanto circunstanciadamente, a maneira pela qual se originou esta obra. Desde a sua primeira publicação até agora têm se multiplicado as provas de que ela proveu a uma necessidade pública, e grande número de exemplares têm sido vendidos na América do Norte e na Grã-Bretanha. Além disso, tem sido traduzida para a língua do País de Gales e para o grego moderno, e é usada em diversos seminários teológicos. Desde que saiu a sua primeira edição, o autor tem estado ocupado catorze anos no trabalho prático de instrutor teológico. Tem adquirido mais conhecimentos e também mais experiência como professor, e estes têm sido utilizados nesta nova e aumentada edição, que chegou ao seu tamanho atual mediante os acréscimos feitos durante alguns anos de ensino ministrado às diversas classes do Seminário Teológico. Esta edição contém quase cinquenta por cento mais matérias que a primeira. As discussões das doutrinas que dividem os diversos ramos da Igreja, têm sido acrescentados extratos dos principais credos, confissões e clássicos escritores teológicos das grandes Igrejas históricas. E o apêndice contém uma tradução do Consensus Tigurinus de Calvino, e da Fórmula Consensus Helvética de Heidegger e Turretino, duas confissões de muito grande interesse doutrinário para o estudante da teologia reformada, mas pouco acessíveis. A obra é outra vez oferecida à Igreja Cristã, não como um tratado completo sobre teologia sistemática para uso dos proficientes, e sim como um simples manual, adaptado às necessidades dos estudantes que tomam suas primeiras lições nesta grande ciência, e à conveniência dos muitos trabalhadores sérios que talvez desejem refrescar a sua memória por meio de uma revisão sumária do terreno sobre o qual passaram nos primeiros anos de seus estudos teológicos. -A. A. Hodge Princeton, New Jersey 06 de agosto de 1878

1 A Teologia Cristã; Suas Diversas Divisões; Sua Relação com Outros Ramos do Conhecimento Humano
1. Que é Religião? Que é Teologia, no seu sentido cristão? Religião, no seu sentido mais geral, é a soma das relações que o homem sustém para com Deus, e compreende as verdades, experiências, ações e instituições que correspondem a essas relações ou que delas provêm. Teologia, no seu sentido mais geral, é a ciência da religião. A religião cristã é aquele conjunto de verdades, experiências, ações e instituições que se acham determinadas pela revelação que nos é apresentada sobrenaturalmente nas Escrituras Sagradas. Teologia cristã é a determinação, interpretação e defesa científica dessas Escrituras, junto com a história da maneira pela qual as verdades nelas reveladas têm sido entendidas, e os deveres nelas impostos têm sido cumpridos, por todos os cristãos, em todos os séculos relações orgânicas determinadas por sua gênese e sua natureza íntima. Metodologia teológica é a ciência do método teológico. Assim como cada divisão das investigações humanas exige um modo de tratamento peculiar, e cada subdivisão de cada divisão geral exige certas modificações especiais de tratamento, e que lhe são próprias, assim também a metodologia teológica tem por fim determinar cientificamente qual o verdadeiro método geral e especial, pelo qual convém estudar as ciências teológicas. Isso inclui duas categorias distintas: (a) os métodos próprios para a investigação original e construção das diversas ciências, e (b) os métodos próprios para a instrução elementar nessas ciências. Tudo isso deve ser acompanhado de informações críticas e históricas, e de instruções sobre o modo de tirar proveito do imenso material literário com que essas ciências estão ilustradas, especificamente o calvinista ou agostiniano, e toma como verdadeiros os seguintes princípios fundamentais: 1o. As Escrituras inspiradas são a regra e padrão único e infalível de todo o conhecimento religioso. 2 o. Cristo e Sua obra são o centro ao redor do qual se dispõe, em ordem, toda a teologia cristã. 3o. A salvação trazida à luz no evangelho é sobrenatural e provém da LIVRE GRAÇA DE DEUS. 4O. Todo conhecimento religioso tem uma finalidade prática. As ciências teológicas, longe de terem a si mesmas como seu fim absoluto, têm o fim nobre de fazer os homens progredirem na santidade pessoal, de habilitá-los a servir melhor a seus semelhantes, e de PROMOVER A GLÓRIA DE DEUS. As vantagens de agruparmos assim as ciências teológicas são óbvias e grandes. As relações de todas as verdades são determinadas pela sua natureza, donde se segue que sua natureza é revelada pela exibição de suas relações. Essa exibição tenderá também a alargar o horizonte mental do estudante, a incitá-lo a adquirir largueza de cultura, e a impedir que exalte indevidamente ou cultive exclusivamente qualquer ramo especial, pervertendo assim esse ramo por olhá-lo fora de suas limitações e dependências naturais. 4. Quais as perguntas fundamentais a que toda a ciência teológica se propõe a dar respostas e que, por isso, determinam a ordem em que se seguem as diversas divisões dessa ciência geral? 1a. Existiria um Deus? 2a. Teria Deus falado? 3a. Que disse Deus? 4a. Como é que os homens, no tempo passado, entenderam a Palavra de Deus e realizaram praticamente, nas suas pessoas e instituições, as intenções de Deus?

e, mais ou menos diretamente, com toda a história humana. E é evidente também que, visto que toda a verdade é um só todo, todas as verdades e deveres revelados se acham ligados indissoluvelmente a todos os ramos do conhecimento humano e a todas as instituições da sociedade humana. Segue-se pois, que a ciência teológica em nenhum ponto pode ser separada da ciência em geral, e que algum conhecimento, de todos os ramos do conhecimento humano, acha-se compreendido necessariamente em qualquer sistema de enciclopédia teológica como auxiliar das próprias ciências teológicas. Algumas dessas ciências auxiliares sustém relações especiais para com certas ciências teológicas e estão relacionadas muito remotamente com outras. Convém, porém, atribuir-lhes um lugar próprio e separado por constituirem, em geral, uma disciplina preparatória e auxiliar da ciência de teologia considerada como um todo. 6. Quais as principais divisões da classificação proposta das ciências teológicas? 1o. Ciências auxiliares no estudo de teologia. 2o. Apologética - abrangendo as respostas às duas perguntas: existiria um Deus? Teria Deus falado? 3o. Teologia exegética - abrangendo a determinação crítica das ipsissima verba da revelação divina e a interpretação do seu sentido. 4o. Teologia sistemática - abrangendo o desenvolvimento em um sistema completo e conseqüente do conteúdo inteiro dessa revelação, e sua subseqüente elucidação e defesa. 5o. Teologia prática - abrangendo os princípios e leis revelados nas Escrituras para direção dos cristãos: (a) na promulgação dessa revelação divina, assim averiguada e interpretada, e (b) em levarem todos os homens ao cumprimento prático dos deveres nela impostos e (c) na fruição das bênçãos que ela confere. 6o. Teologia histórica ~ abrangendo a história do desenvolvimento durante todos os séculos passados e entre todos os povos, dos elementos teóricos e práticos dessa revelação: (1) na fé e (2) na vida da Igreja. 7. Quais os ramos principais do conhecimento humano, auxiliares no estudo de teologia? . 1o. História universal, que é ramo essencial a todos os demais ramos da ciência humana e, em particular, as histórias do Egito, da Babilônia, da Assíria, da Grécia, de Roma e da Europa medieval e moderna, que são auxiliares especialmente da ciência teológica. 2o. A arqueologia no seu sentido mais compreensivo, abrangendo a interpretação de inscrições, monumentos, moedas e remanescentes das artes e as ilustrações recolhidas daí e de todas as outras fontes acessíveis, da distribuição geográfica e condições físicas, e das instituições e costumes políticos, religiosos e sociais, de todos os povos e de todos os séculos. 3o. A etnologia - a ciência das divisões da família humana em raças e nações, e da sua dispersão sobre a face da terra - que indaga de sua origem e afiliações, das variedades do seu caráter físico, intelectual, moral e religioso, e também das causas e condições que modificam essas variações. 4o. A filologia comparativa - a ciência que, tomando como ponto de partida os grupos naturais das línguas humanas, investiga as relações e origens das línguas e dialetos; e, remontando além das eras em que se principia a história humana, acha aí provas da unidade de raças agora separadas, e os elementos de civilizações já há muito extintas, e os fatos de mudanças históricas que não deixaram outros vestígios. 5o.A ciência da religião comparativa (religiões comparadas) - o estudo crítico e a comparação da história, das crenças, do espírito, dos princípios, das instituições e do caráter prático de todas as religiões étnicas, investigando a luz que elas lançam sobre (a) a natureza e a história humanas, (b) o governo moral de Deus, e (c) a revelação sobrenatural contida nas Escrituras Sagradas.

6o. A filosofia - a base e mestra de todas as ciências meramente humanas. Abrange a história da origem e do desenvolvimento de todas as diversas escolas de filosofia - as antigas, as da idade média e as modernas - o estudo crítico e a comparação dos princípios, métodos e doutrinas, e da extensão e caráter da sua influência respectiva sobre todas as outras ciências e instituições, especialmente sobre as que são políticas e religiosas, e mais especialmente ainda sobre as que são definitivamente cristãs. 7°. A psicologia - ou essa divisão da ciência experimental que descobre as leis da ação da mente humana, como ela se manifesta sob condições normais (a) nos fenômenos da consciência e ação individuais, e (b) nos fenômenos da vida social e política. 8°. A estética, ou a ciência das leis do belo em todas as suas formas de música, retórica, arquitetura, pintura, etc., os princípios e a história de todas as diversas divisões da arte. 9°. As ciências físicas, seus métodos gerais e especiais; sua gênese, desenvolvimento e tendências atuais; sua relação com a filosofia, especialmente com o Deísmo e com a religião natural, com a civilização e com a história e doutrinas consignadas nas Escrituras. 10°.A estatística, cujo fim é dar-nos elementos completos sobre o estado atual da raça humana no mundo, a respeito de tudo o que se pode sujeitar a comparações - quanto ao seu número e estado físico, intelectual, religioso, social e político de civilização, comércio, literatura, ciências, artes, etc.; elementos dos quais estão sendo desenvolvidos gradualmente as formas imaturas da ciência social e da economia política. 8. Que é que se abrange sob o título de Apologética? Este ramo divide-se em dois títulos: (1) Existiria um Deus? (2) Teria Deus falado? Ele inclui: Io. A prova da existência de Deus, isto é, de uma Pessoa extra--terrena, transcendente e ao mesmo tempo imanente; criando, conservando e governando todas as coisas segundo o seu plano eterno. Isto envolve a discussão e refutação de todos os sistemas antiteístas, como sejam o ateísmo, o panteísmo, o deísmo naturalista, o materialismo, etc. 2o. O desenvolvimento da teologia natural, compreende a relação em que Deus está como Governador moral para com os agentes inteligentes e responsáveis, e as indicações da Sua vontade e propósito e, por conseguinte, dos deveres e destinos dos homens até onde é possível descobri-los à luz da natureza. 3° As provas do cristianismo, compreendendo... (1) A discussão do uso próprio da razão nas questões religiosas. (2) A demonstração da possibilidade a priori de uma revelação sobrenatural. (3) A necessidade e probabilidade de tal revelação, tomando-se em consideração o caráter de Deus e o estado do gênero humano segundo no-lo revela a luz da natureza. (4) A prova positiva do fato real de que tal revelação foi dada: (a) mediante os profetas do Velho Testamento (b) mediante os profetas do Novo Testamento, e sobretudo, (c) na Pessoa e obra de Cristo. Isto envolve naturalmente a discussão crítica de todas as provas que dizem respeito a este ponto, tanto externas como internas, históricas, racionais, morais e espirituais, naturais e sobrenaturais, teóricas e práticas; e a refutação de toda a crítica histórica e racionalista que tem impugnado o fato da revelação, ou a integridade dos escritos que a contêm. Muito daquilo que se acha mencionado aqui estará necessariamente compreendido também sob os títulos de teologia sistemática e teologia exegética.

9. O que a Teologia Exegética compreende? Quando os fatos: (1) que existe um Deus, e que (2) Deus nos tem falado - forem estabelecidos, será necessário ainda responder à pergunta: o que nos tem dito Deus? Teologia exegética é o título geral daquela divisão da ciência teológica que tem por fim a interpretação das Escrituras como a Palavra de Deus, deixada por escrito em linguagem humana, e que nos foi transmitida por canais humanos; e para conseguir esse fim, o assunto de Interpretação procura recolher e organizar todo o conhecimento que para isso é necessariamente introdutório. Isso inclui as respostas a duas perguntas: (1) Quais os livros que formam o cânon, e quais as palavras exatas contidas nos registros originais dos escritores desses diversos livros? (2) Qual o sentido dessas palavras divinas, assim averiguadas ? As respostas a todas as perguntas preliminares à interpretação, propriamente ditas, pertencem ao título introdução, e esta se divide em: (1) introdução geral, que inclui toda informação preliminar à interpretação que tem relação com a Bíblia, como um todo, ou com cada um dos Testamentos, como um todo; e (2) introdução especial, que inclui toda a preparação necessária para a interpretação de cada um dos livros da Bíblia, em separado. , . A. Introdução Geral compreende: 1o. Acrítica superior /alta crítica/, ou o exame das provas que existem e de toda espécie, em apoio da autenticidade de cada um dos livros do cânon sagrado. 2o. A crítica do texto/crítica textual, a qual, por uma comparação dos melhores manuscritos e das versões antigas, pelas provas internas, e pela história crítica do texto desde o seu primeiro surgimento até ao tempo presente, procura determinar as ipsissima verba dos autógrafos originais dos escritores sagrados. 3o. A Filologia bíblica, que dá respostas às perguntas: por que foram usadas diversas línguas nos escritos sagrados? Por que as línguas hebraica e grega? Quais são as características especiais dos dialetos dessas línguas realmente usados, e qual a sua relação para com as famílias de línguas a que elas pertencem? Quais eram as características especiais dos escritores sagrados individualmente, quanto ao dialeto, ao estilo, etc.? 4o.Arqueologia bíblica, compreendendo a geografia física e política dos países bíblicos, durante o transcurso da história bíblica e determinando a condição física, etnológica, social, política e religiosa do povo entre o qual se originaram as Escrituras, junto com a descrição de seus costumes e instituições, e da relação em que estes estavam para com os de seus antepassados e contemporâneos. 5o. Hermenêutica, ou a determinação científica dos princípios e regras de interpretação bíblica, compreendendo (1) os princípios lógicos, gramaticais e retóricos que determinam a interpretação da linguagem humana, em geral; (2) as modificações desses princípios apropriadas à interpretação das formas específicas da linguagem humana, e.g., história, poesia, profecia, parábola, símbolo, etc., e (3) as outras modificações desses princípios apropriados à interpretação dos escritos inspirados sobrenaturalmente. 6o. Inspiração bíblica. Depois de ter a apologética estabelecido o fato de serem as Escrituras Sagradas o veículo de uma revelação sobrenatural, é necessário que discutamos e determinemos a natureza e a extensão da inspiração bíblica até onde esta é determinada pelo que as Escrituras mesmas dizem sobre este ponto, e pelos fenômenos que elas representam. 7o. A História da Interpretação, incluindo a história das antigas e modernas versões e escolas de interpretação, ilustrada por uma comparação crítica dos mais importantes comentários.

Cristologia do Velho Testamento. trata de cada livro da Bíblia por si e fornece sobre o seu dialeto. Introdução especial. cada parte do qual se acha relacionada orgânicamente com todas as outras partes. Tipologia. por Dr. como vem desenvolvida no Velho Testamento. e exibe as formas e conexões peculiares em que essas diversas verdades são apresentadas pelos diversos escritores inspirados. que compreende a determinação científica das leis dos símbolos e tipos bíblicos e sua interpretação. A teologia sistemática compreende: A. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Sistemática? Como o dá a entender o seu nome. como ele prevaleceu na Igreja. Seguindo as leis da gramática. revelam suas próprias relações e seu lugar no sistema do qual a Pessoa e a obra de Cristo são o centro. e (b) todos os deveres impostos. E. Isso compreende o tratamento científico de: (a) todas as matérias de fé reveladas. a analogia das Escrituras e a direção do Espírito Santo. que investiga a evolução gradual dos diversos elementos das verdades reveladas. A construção de um completo sistema composto do conteúdo da revelação. através de cada fase sucessiva. a exegese procura discernir a mentalidade do Espírito como se acha expressa nos períodos inspirados. A. até à sua mais completa manifestação no texto sagrado. C. A verdade de Deus é una. A. e sua aplicação à construção de um esboço das profecias dos dois Testamentos. etc. A história desse processo de construção. em todos os seus conhecimentos. polêmica. quer psicológica. Notes on New Testament Litera-ture. a demonstração e a ilustração da harmonia que existe entre todas as verdades reveladas e toda a ciência legítima. Teologia bíblica. 3a. A construção de um completo sistema de fé e deveres. J. averiguadas e interpretadas. que são a característica distintiva de teologia sistemática. especialmente os do ritual mosaico relacionado com a Pessoa e a obra de Cristo. livros. assim como o conteúdo da revelação está em relação íntima com todos os outros ramos dos conhecimentos humanos. e o conteúdo inteiro de todas as revelações naturais e sobrenaturais não pode deixar de constituir um só sistema completo em si. B. O desenvolvimento dos princípios de interpretação profética. 2a. Alexander. até certo ponto. composto do conteúdo inteiro da revelação. 10.B. arranjados na ordem em que os achamos. a tarefa da teologia sistemática envolve. parágrafos. desígnio e recepção. toda a verdadeira filosofia especulativa e toda a verdadeira filosofia moral e filantropia prática. . a exposição crítica da idéia messiânica. e apresentar todos os elementos desse ensino na forma de um sistema simétrico. Há diversas divisões especiais classificadas sob o título geral de teologia exegética que envolvem. toda a informação necessária para a sua interpretação acurada. teologia sistemática tem por fim reunir tudo quanto as Escrituras ensinam sobre o que devemos crer e fazer. autor. quando interpretados corretamente. O método de construção é indutivo. 4a. assim como este se acha nas suas conexões originais dos Testamentos. a classificação e a combinação dos testemunhos bíblicos em tópicos e assuntos. necessariamente. Essas divisões são: Ia. desde a sua primeira sugestão. quer material. C. ocasião. no passado. Seus dados são passagens das Santas Escrituras. Esses dados. A mente humana procura sempre unidade. Tem por base os resultados da exegese. o usus loquendi das palavras. e de todas as regras desenvolvidas nas precedentes divisões da introdução à interpretação do texto sagrado. Exegese própria é a aplicação de todo o conhecimento recolhido.

Tomando como ponto de partida a idéia e a natureza de Deus. como nela é revelado. assim também a teologia prática baseia-se nos grandes princípios desenvolvidos pela teologia . os meios de graça. queda e conseqüente ruína moral. a ressurreição. Isso abrange a Cristologia (a doutrina sobre Cristo): a encarnação. Soteriologia (a doutrina da salvação): que inclui o plano.No modo de arranjar os tópicos. Escatologia (a ciência das últimas coisas): compreendendo a morte. a Palavra de Deus e os sacramentos. a investigação de seu primeiro aparecimento e subseqüente desenvolvimento através das controvérsias a que cada doutrina deu lugar. e os efeitos gloriosos da salvação dos homens. tem por fim a publicação eficaz do conteúdo da revelação entre todos os homens e a perpetuação. Teologia propriamente dita: compreendendo a existência.método analítico. dentro do âmbito da Igreja geral. o que ele chama . origem e modo de propagação. até a consumação final. ao mesmo tempo científica e espiritual. assim como a teologia sistemática baseia-se numa cabal exegese. Antropologia (a doutrina do homem): compreendendo a criação e a natureza do homem. a idéia da Igreja . C. Como ciência. providência e redenção. tem como sua província as leis e os princípios revelados da arte acima definida. morte e ressurreição. porém. como são determinados (a) pelas relações naturais que o homem tem como homem com os seus semelhantes. Chalmers prefere. a constituição da Pessoa de Cristo. 11. a execução e a aplicação. Ética cristã: abrangendo os princípios. o céu e o inferno. juntamente com a obra própria do Espírito Santo. sua história e seus efeitos práticos. (c) A história das controvérsias. e toma por ponto de partida os fatos da experiência e da luz da natureza. Chalmers denomina . ••. sua natureza. e (b) suas relações sobrenaturais como homem remido.método sintético. regras. o estado intermediário da alma. Eclesiologia (a ciência da Igreja): incluindo a determinação científica de tudo quanto as Escrituras ensinam a respeito da Igreja visível e invisível. o juízo geral. Quando se segue o primeiro destes métodos. 3o. a maior parte dos teólogos têm seguido o que o Dr. Sua vida. e daí vai subindo até chegar à redenção e ao caráter de Deus. em seu estado temporal e no eterno. 2o. seus oficiais e suas funções. e as Confissões em que se acha definida. Isto abrange a psicologia bíblica e a doutrina bíblica sobre o pecado. (b) A definição do verdadeiro status quoestionis em cada controvérsia e uma exposição das fontes de testemunho e dos métodos defensivos e ofensivos de vindicar-se a verdade.sua verdadeira definição. tanto no seu todo como também em cada um de seus elementos constitutivos contra as perversões dos partidos heréticos. seu estado original. sob os seguintes títulos: 1o. agrupam-se comumente todos os elementos do sistema. A comparação e crítica de todas as modificações da organização eclesiástica que tenham existido. Por isso. Polêmica ou teologia controversial: incluindo a defesa do verdadeiro sistema de doutrina. os atributos e a personalidade triúna de Deus. B. juntamente com sua gênese. o segundo advento. juntamente com os Seus propósitos eternos e os atos temporais de criação e providência. sua constituição e organização. 6o. 4o. Como arte. e a condição atual e moralmente enferma do homem. Isso abrange: (a) Os princípios gerais e o verdadeiro método de controvérsias religiosas. reveladas nas Escrituras. 5o. História das doutrinas: que compreende a história de cada uma destas grandes doutrinas. motivos e auxílios dos deveres humanos revelados na Bíblia. O Dr. consideram seus propósitos eternos e seus atos temporais nas obras da criação. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Prática? Teologia prática é tanto uma arte como uma ciência. extensão e edificação do reino terrestre de Deus.

deveres. 3a. modo de eleição e ordenação. A determinação da Constituição divinamente prescrita da Igreja. 4a. Folhas. temporais e perpétuos: (1) Sua vocação e ordenação. (ii) Formas livres de oração. (iii) Retórica sagrada. A idéia e desígnio da Igreja e de seus atributos revelados divinamente.seu uso. A determinação das condições sob as quais uma pessoa pode fazer-se membro da Igreja.• (c) Como regentes: (i) O ofício. A teoria. do Novo Testamento. A relação das crianças batizadas com a Igreja e os deveres relativos dos pais e da Igreja em relação a elas. 5a. (b) Como diretores do culto. incluindo: (i) Liturgias . Os deveres dos pais e da Igreja quanto à educação religiosa das crianças. juntamente com os privilégios e deveres. e dos métodos de sua administração.vocal e instrumental. e a relação para com Cristo envolvida no fato de ser membro dela. (iv) Música sagrada . (ii) Escolas Dominicais. com a discussão e refutação de todas as outras formas de organização eclesiástica que existiram ou existem. (2) Suas funções: (a) Como mestres. e as controvérsias que têm ocasionado. 2a.extraordinários e ordinários. deveres e autoridade bíblica dos presbíteros regentes. homilética e elocução do púlpito. Os Oficiais da Igreja .sistemática. seu uso e história.inspirada e não inspirada. A discussão da natureza e extensão da descrição que Cristo deixou à Sua Igreja para ajustar os métodos de organização e administração eclesiástica às mutáveis condições sociais e históricas dos homens. seu uso e história. e autoridade bíblica do ofício de bispo ou pastor. das diversas classes de membros. absolutos e relativos. princípios e história. (ii) O ofício. qualificação. periódicos e livros permanentes. enquanto que a divisão de eclesiologia é terreno comum a essas duas divisões: é o produto de uma delas e o fundamento da outra. abuso e história. sua relação para com Cristo e a Igreja. incluindo: (i) Catequese: sua necessidade. . regras e métodos práticos de disciplina na Igreja. qualificação. (iii) A Junta de presbíteros /Conselho ou Consistório: sua constituição e funções. sua história. (iv) Literatura cristã. Inclui as seguintes divisões principais: 1a. (iii) Salmodia . .

umas para com outras. Economia cristã. Na ordem de produção e aquisição. etc. a história as deve preceder e lançar fundamento para todas as demais. L. precisam preceder à história do desenvolvimento dessa revelação na vida e fé da Igreja.1844. D. Park. A mesma fonte devemos também os nossos métodos de interpretação e seus resultados. A educação do ministério. e continua até o tempo presente. as reformas morais. A teoria. D. A relação da Igreja com o Estado. A primeira tem por fonte. 1o. D. social e eclesiástica. E. Missões internas. no exercício do direito constitucional de revista e inquirição em tudo o que diz respeito a processos. A relação da Igreja com sociedades voluntárias: associações de moços cristãos. enquanto que na ordem de uma exposição lógica das ciências teológicas constitutivas. etc. 1. pelo Rev. etc. cultura social. e a condição real da lei comum e estatuidade em relação à propriedade eclesiástica e à ação dos tribunais eclesiásticos no exercício da disciplina. R. Biblioteca Sacra. a interpretação da letra das Escrituras Sagradas e a construção do sistema inteiro das verdades e deveres relacionados que nelas são revelados. a direção. A. Estatística eclesiástica. No estudo. principalmente. editado por J. 5o. os documentos que mostram como o nosso sistema de doutrina se desenvolveu gradualmente. . 12. vol. os documentos relativos às controvérsias e. 3o. 4o.. criticamente. e à autoridade para distinções denominacionais. A teologia histórica divide-se em teologia histórica bíblica e eclesiástica. A relação da Igreja com a civilização. queixas e apelações eclesiásticos. a história vem primeiro. T. assim como a fonte precede ao rio que dela emana. a sustentação de ministros entre os pobres. porém.. em todos os seus ramos. Tholuck. como estes se acham ilustrados na imensa quantidade de literatura teológica acumulada até agora e associada aos nossos credos e confissões. e também os meios pelos quais podemos averiguar. incluindo os deveres de administração cristã. Comissionários. a extensão da Igreja e a construção de edifícios para Igrejas. L. Os princípios e modos de proceder de Comissões. regras e precedentes práticos que regulam a ação dos tribunais eclesiásticos. consagração pessoal. e a verdadeira relação do Estado com a Igreja. A Segunda principia onde a primeira acaba. constituição e administração de Seminários teológicos. 2o. etc. das ciências teológicas. E só a história que nos dá as Escrituras em que se acha contida essa revelação. Theological Encyclopedia and Methodology. editado pelo Prof. ciências. Short. Isso leva às funções da Igreja como um todo. os diversos livros canónicos e suas ipsissima verba. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Histórica? Segundo a evolução lógica de todo o conteúdo das ciências teológicas. (v) O Sínodo e a Assembléia Geral-sua constituição e funções. pelo Prof. e beneficência sistemática. aos usos e abusos dessas distinções. as artes. John Mc Clintock. incluindo a evangelização agressiva. 6o. D. os livros inspirados e continua até o encerramento do cânon do Novo Testamento. Veja Lectures on TheologicalEncyclopedia and Methodology. incluindo nossa própria Igreja. Missões no estrangeiro. e às relações em que estão as diversas denominações.(iv) O presbitério e sua constituição e funções. As obrigações dos cidadãos cristãos. ela tem a honra de abrir caminho para a série inteira. as outras Igrejas e o mundo. Mesas Administrativas. por conseguinte.

As fontes de onde se deriva a história eclesiástica devem ser investigadas criticamente. e relatórios e compilações mais modernas. a Igreja. e da história do culto. (3) História das doutrinas. Os métodos que têm sido e devem ser seguidos na colocação em ordem do material da história eclesiástica. Algumas das ciências auxiliares já enumeradas é preciso citarmos como exigidas especificamente nesta conexão. (1) Fontes monumentais. Mc Clintock diz que o princípio fundamental. e (c) significado. que são: (a) públicas. brochuras..C. e (2) história do pensamento da Igreja. poesia. (b) antenicenos. entre os latinos. 2o. valor e doutrina de cada um desses Pais. catecismos e liturgias de Igrejas. com a história também de todas as formas heréticas de doutrina. o grande. (5) o curso inteiro de história geral. A história da literatura sobre a história eclesiástica. O Dr. Esses "Pais" da Igreja dividem-se em três grupos: (a) apostólicos. biografias. A história do pensamento da Igreja compreende: (1) patrística. 604 d. As duas divisões são. etc. individualmente. os credos. e sua autoridade legítima nas controvérsias modernas. como as atas de concílios. 3o. cristãos. (2) Mosaica e (3) Profética. como literatura contemporânea de toda qualidade. como sejam: (a) edifícios (b) inscrições (c) moedas. História do Velho Testamento. etc. culto e disciplina da Igreja Primitiva. medieval e moderna.C. as breves decretais e bulas de papas. Para o estudo da história eclesiástica. pois: (1) história da vida da Igreja. juntamente com a (4) História do povo escolhido durante o intervalo entre o Velho e o Novo Testamentos. comunidades e eventos. 754 d. dos métodos seguidos e do trabalho feito. A isto acompanha naturalmente a história crítica de toda a literatura da história das doutrinas. A história da vida da Igreja trata de pessoas. (2) cronologia. (2) Arqueologia cristã. ou de qualquer de seus ramos históricos. pintura. em qualquer tempo. e a história das controvérsias por meio das quais foi efetuada a eliminação. ou história eclesiástica propriamente dita..A história bíblica subdivide-se em: Io. como ciência. arquitetura.. e patrologia. entre os gregos. segundo o qual se devem arranjar os materiais de história eclesiástica. 1a. (2) a fundação da Igreja Cristã pelos apóstolos. (3) antigüidades de todos os povos incluídos na área pela qual se estendeu. O Novo Testamento. anais. . artes. ou a exibição científica de sua doutrina. confissões. música. terminando com Gregório. ou a história crítica da gênese e do desenvolvimento de cada elemento do sistema doutrinário da Igreja. das quais a verdade tem sido separada. são necessários diversos ramos preliminares de estudo. e com João Damasceno. 2o. até ao fim do primeiro século. 2a. etc. São: (1) geografia antiga. ou história das doutrinas. e inclui as eras: (1) Patriarcal. é a distinção entre a vida da Igreja e sua fé. (2) Fontes documentais. (b) Documentos particulares. que trata dos costumes. Schaff e Kurtz. O método que sempre foi e provavelmente sempre será seguido é uma combinação dos dois métodos naturais: (a) o cronológico e (b) o tópico. Io. ou a literatura dos chamados "Pais" da Igreja. e deve ser tratada segundo os métodos ordinários de composição histórica. e (c) pós-nicenos. incluindo (1) a vida de Cristo. Este estudo envolve: (a) a discussão do próprio uso dos escritos desses Pais da Igreja. (4) estatística -mostrando qual a condição do mundo. os arquivos de governo. dos princípios aceitos. desde Eusébio até Neander. em qualquer período dado. (b) uma história completa de sua literatura e das edições principais de suas obras.

(4) Simbólica. Alexander. J. editado pelo Dr. da gênese e recepção. por Mc Clintock. (b) a história das ocasiões. ou estudo comparativo de todas as Confissões da Igreja. que envolve: (a) a determinação científica da necessidade e usos de Credos e Confissões públicos. r \ (Theological Encyclopedia. S. e a exibição sistemática de todos os pontos em que respectivamente concordam e discrepam entre si. por Dr.) . A. Notes on Ecclesiastical History. Alexander. e (d) simbólica comparativa. (c) o estudo do conteúdo doutrinário de cada Credo e de cada grupo de Credos separadamente. autoridade e influência de cada um dos Credos e Confissões da cristandade. D.

debaixo de todas as condições verdadeiramente naturais. é certo que todos os homens. Theos é "Aquele a quem se faz oração". em algum sentido essencial. Como se pode construir uma "real" definição de Deus? E evidente que Deus pode ser definido só até onde nos é conhecido. por admitirem a existência de uma substância que existe por si. reconhecem espontaneamente uma existência . 3. como questão de fato. santidade. que negam real ou virtualmente a existência do Deus da cristandade. Qual a distinção entre uma definição nominal e uma definição real? E qual a verdadeira definição do termo "Deus"? Uma definição nominal explica simplesmente a significação do termo usado. a posse das propriedades pessoais que. e uma definição real explica a natureza daquilo a que se aplica o termo usado. para significar a base impessoal. em Sua existência. aquilo que O constitui Deus. ou de uma causa primária a que dão o nome Deus. que existe por si mesmo. lhe são atribuídas pelos que fazem uso desse termo. E por isso que tantos especuladores. Quanto ao Seu gênero. Deus é definido. Ele e Suas criaturas inteligentes são seres do mesmo gênero. a maometana e a cristã) se acham ligadas historicamente com essa mesma revelação. pois. porém. em conseqüência da predominância de idéias cristãs na literatura das nações civilizadas durante os últimos dezoito séculos. livre. Quanto a Suas diferenças específicas. em geral. sabedoria. e a condição da possibilidade de O conhecermos é o fato de que fomos criados à Sua imagem. e por muitos. porque estamos inteiramente sem experiência ou testemunho a respeito de qualquer espécie de conhecimentos adquiridos ou juízos formados sob tais condições. Até onde se deve à tradição. nega a Deus. Cremer e outros derivam-na de Thes em thessesthai "implorar". assim mesmo repudiam indignados o nome atentas. para designar a causa primária desconhecida e que se não pode conhecer. A derivação da palavra Deus (em português e latim) e Theos (em grego) tem sido comumente atribuída ao sânscritoDrá -dar "luz". o termo "Deus" é empregado geralmente no sentido definido e permanente de um Espírito eterno. independentemente de todos os hábitos herdados e de todas as opiniões tradicionais. pelas tradições teológicas herdadas de seus pais. debaixo de todas as condições conhecidas. somente por meio da revelação sobrenatural que temos nas Escrituras Sagradas. E também um fato que as três únicas religiões teístas que em qualquer tempo têm prevalecido entre os homens (a judaica. pessoal. a idéia de Deus? ' E evidente que se tem chegado à idéia completa de Deus apresentada na definição precedente. poder.2 Origem da Idéia de Deus e Prova da Sua Existência 1. A palavra Deus é muitas vezes usada em sentido panteísta. além disso. Mas Curtis. eterno e imutável. é um Espírito inteligente e pessoal. absolutamente perfeito. E em vão especular-se quanto ao resultado a que chegariam os homens. 2. dizendo-se o Seu gênero e Suas diferenças específicas. denegando-lhe. e todas as perfeições em harmonia com o Seu Ser. e as associações que a acompanham. e por isso. é certo também que a forma que tomam as concepções teístas. Mas. O homem que nega a existência de tal Ser. Por outro lado. inconsciente de toda existência. E preciso que toda definição de Deus pressuponha o fato de que. do mundo existente. E. e é distinto do mundo que Ele criou e sobre o qual é soberano. Ele é infinito. são determinadas no caso de cada comunidade.

a inteligência. . e inclui e aplica todos eles. visto à sua própria luz como verdade necessária. desígnio. "Ainda que se possa analisar o processo mental que acabamos de descrever . E a existência de Deus reconhecemos: (a) porque fomos criados à Sua imagem. Seria INATA a idéia de Deus? Seria ela uma verdade INTUITIVA? As respostas dependem do sentido em que tomamos os termos respectivos. e por ser constitucional o processo pelo qual se apreendem essas provas. mas ninguém apreende a Deus mesmo por uma intuição direta. mediatamente por meio de Suas obras. uma inferência. em todas as condições naturais. toda a história prova que a idéia de Deus é inata.esta é em si sintética.divina que lhes é revelada. nesse caso. necessariamente. É evidente que não há idéias "inatas" no sentido de já ter nascido criança com a concepção do ser divino. de Deus como a causa primária de toda existência e como o Senhor da consciência. Por conseguinte. Por outro lado. Porque a verdadeira idéia de Deus é muito complexa. na constituição e na experiência conhecidas de seus próprios espíritos e na natureza externa. a concepção teísta não é mais devido à autoridade. auto-manifestado na alma e no mundo. a existência de Deus não é uma verdade apreendida intuitivamente pelos homens. Se tomarmos o termo "intuição" no sentido estrito de visão direta de uma verdade. e serem convincentes para todos os homens desenvolvidos normalmente. quer espontaneamente. por um ato intelectual que é impossível resolver em processos de pensar mais elementares. como muitas vezes se diz absurdamente. na realidade subjetiva do espírito humano. no sentido de não se poder conceber a não existência de Deus. porque: 1o. a consciência. no sentido de que as faculdades constitucionais do espírito humano são tais que. no ato pelo qual a alma reconhece a Sua presença e ação. a razão e as idéias que elas fornecem. 3o. A existência do Deus automanifesto é reconhecida espontânea e universalmente. do que é devido à crença. o qué é uma prova evidente de serem claras e presentes. Por outro lado. 2o. 4. de modo que o espírito os pode compreender todos em um só ato. chegam ao reconhecimento. e este fato reconhecemos espontaneamente. mesmo quando querem. e pelas características do mundo exterior. E inata por serem as provas da existência divina presentes tão universalmente como o é a luz do dia. É certo também que a mente humana. contudo não é uma verdade necessária. e embora ninguém possa deixar de crer nela sem que faça violência à sua natureza. mais ou menos claramente. no sentido de ser uma verdade aceita pela grande maioria dos homens que não podem deixar de crer nela. formada debaixo das mesmas condições de educação. pelo menos implicitamente. mais ou menos claro. há sempre. e chega-se a ela por meio de um processo complexo. envolve diversos elementos que se pode analisar e descrever. na sua apreensão de Deus. o qual. Os princípios dos quais depende acham-se ligados entre si.a inferência teísta . quando desenvolvida em condições puramente naturais e na ausência de toda revelação sobrenatural. uma dedução. é certo que Deus Se manifesta nas operações de nossas almas e na natureza exterior de um modo análogo àquele pelo qual se nos manifestam as almas invisíveis de nossos semelhantes. causa. A vontade. (b) pela revelação que Deus faz de Si na nossa consciência. abrange como elementos muitas intuições indubitáveis. e reconhecemos a existência dEle com a mesma certeza com que reconhecemos a dessas almas. ou qualquer outra já formada na sua mente. E. nunca pode chegar a uma concepção adequada da natureza divina. porém. em toda parte. quer por meio de um raciocínio elaborado. ou na realidade objetiva da matéria. Porque Deus não Se nos manifesta imediata. as provas da Sua existência. O processo pelo qual chegamos ao conhecimento desta verdade. A existência dessas reconhecemos: (a) porque somos genericamente semelhantes aos outros. quer seja espontâneo quer não. Ainda que o reconhecimento da existência divina seja necessário. e (b) porque seus atributos se manifestam em suas palavras e atos. e sim.

Constituem um todo orgânico. 73. Os argumentos comuns serão examinados sob os seguintes títulos: 1o.Logo. ou a prova da existência de Deus como causa primária. e tornam conseqüente e completa a doutrina do teísmo" . págs.. em estado normal de consciência. 4o. infinidade. 5 . Argumento Teleológico. contribuindo: (a) como prova confirmativa de que Deus existe. em seu todo e em todas as suas partes. e qualquer mudança em qualquer coisa que já existe. Premissa menor .O universo. é um sistema de mudanças.. 2o.Tudo quanto principia a existir de novo. 74.Se a existência de Deus é reconhecida espontaneamente por todos os homens. e os argumentos que têm estas idéias por base -tudo isso junta-se nesse grande processo" . Nem todos estabelecem os mesmos elementos da concepção teísta. infinito e imutável.bondade. e são a análise e a ilustração do ato espontâneo em virtude do qual a grande massa dos homens tem sempre reconhecido a existência de Deus. Flint. chamando a atenção para a extensão e variedade das provas que atestam a mesma verdade. 71. O Argumento a priori e o testemunho que a razão dá de Deus como o Infinito e Absoluto. não causada e imutável. "Se bem que causalidade não pressupõe desígnio. Os diversos argumentos são convergentes antes que consecutivos. 4o.. nem desígnio bondade. São de utilidade também para indicar a legitimidade do processo contra as críticas do ceticismo. Qual é o Argumento Cosmológico? Pode ser apresentado na forma de um silogismo. e a causa última e absoluta não pode deixar de ser eterna. assim: Premissa Maior. mas cada um deles estabelece independentemente seu elemento separado e assim é útil. e as provas de bondade o são também de inteligência e poder. 5o. Argumento Moral. págs. . As provas fornecidas pelos fenômenos das Sagradas Escrituras e pela história sobrenatural nela registrada. Esses argumentos são de valor como análises e verificações científicas dos processos mentais envolvidos implicitamente no reconhecimento espontâneo das automanifestações de Deus.Theism. Prof. ou as provas da existência de Deus fornecidas pela ordem e adaptação que reinam no universo. ou as provas fornecidas pela consciência moral e pela história da raça humana. o universo teve necessariamente uma causa exterior a si. As provas de inteligência são também provas de poder. 3o.Theism. teve necessariamente uma causa preexistente e adequada. desígnio pressupõe causalidade. Flint. qual a utilidade de argumentos formais para provar essa existência? E quais são os argumentos geralmente usados? 1o. eterno.. na Suprema Inteligência Moral como um ser auto-existente. 2o. 72. 3o. ! Conclusão . e bondade. tanto causalidade como desígnio. . Argumento Cosmológico. Confirmam e vivificam o reconhecimento espontâneo. suplementam as provas derivadas de outras fontes. e (b) como prova complementar quanto ao que Ele é. Os princípios da razão que nos obrigam a pensar em Deus. 6. Prof.

e todas as especulações. sem nenhuma exceção. é ensinado por todos os princípios e lições da ciência moderna. Dentro do tempo a que remontam.. 144. e aquilo que tem existido desde toda a eternidade é a causa daquilo que existe agora. E um fato também que o movimento visível de todos os grandes corpos do universo está sendo retardado gradualmente por alguma coisa que se pode chamar "fricção etérea". e porque (b) a . quer seja um espírito pessoal. mas tem sido empregado por eles e por todos os demais em todos os seus raciocínios sobre a origem do mundo. como também um elemento variável. 145. até onde as conhecemos. se a teoria da conservação das forças é verdadeira. por agregações sucessivas. em seu todo e em todas as suas partes. pág. os conhecimentos humanos não tiveram princípio. porque seria simplesmente uma série de mudanças. em outras palavras. de serem de tamanho finito as grandes massas do universo visível. tampouco causa. diz: "Há na natureza um elemento permanente. é absolutamente impossível imaginar-se. que é eterno e imutável. "Enfim. no seuEssay on Theism. pois. Todas as descobertas nos campos da geologia e da astronomia. e suas propriedades são inerentes. págs. Eis. sai para o espaço e nunca volta para esses corpos.Essay on Theism. porém. (1) O juízo não é que tudo teve uma causa. de modo algum são efeitos. não pode ser nem uma mudança nem uma série de mudanças. pois. como sejam .. Este fato é reconhecido como uma indubitável verdade científica por Stewart e Tait (Unseen Universe.a hipótese nebulosa e a da evolução .. O próprio faro. Há em todos os objetos outro elemento que é também permanente. a saber. a degradação da energia do universo visível procede. e que afinal tombarão todos juntos e constituirão. nas mudanças da natureza material um elemento permanente. em qualquer de suas formas conversíveis. E a isso pois que.. Isso. salvo uma fração muito diminuta. é um absurdo. 2o. em união com a matéria. (2) E um fato óbvio que toda a luz e calor do sol e das estrelas. auto-existente e imutável do universo. Alguma coisa existe agora. eterna e imutável. quer átomos materiais. como Hume e Mill. A força em si é essencialmente uma e sempre a mesma. inteligente. embora eles sejam as causas ou concausas de tudo quanto sucede". Porque: (a) ainda há energia em quantidades finitas e não difusa. Como questão de fato. segundo parece. e tanto mais imperativamente quanto mais longa é a série. uma só massa. Tem-se alegado que o juízo causal conduz apenas a uma série eterna e regressiva de causas e efeitos. (2) Uma série eterna de causas e efeitos é absurda. torna certo que esse processo não pode ter continuado desde toda a eternidade ou. um sistema de mudanças. Sempre que na explicação de um fenômeno físico se remonta à sua causa. uma causa que satisfaça absolutamente ao juízo causal. devemos atribuir o caráter de Causa Primária. o contrário do qual nem se pode imaginar. nunca aumenta nem diminui. esse juízo não pede causa. 142 e 143. que é precisamente aquilo que pede uma causa. as mudanças são sempre os efeitos de mudanças anteriores. por conseguinte alguma coisa necessariamente tem existido desde toda a eternidade. Quanto à premissa menor: o fato de ser o universo. é inegável que todos os filósofos e homens de ciência. e sim. págs. paripassu. as existenciais permanentes porém. e por conseguinte. que tudo o que principia a existir e toda a mudança naquilo que já existe. foi causado. o universo visível necessariamente teve princípio no tempo". Uma causa real. Quanto à premissa maior: o juízo causal é intuitivo e absolutamente universal e necessário. acha-se que esta consta de uma certa quantidade de força combinada com certas colocações. Não se sabe quando essas começam a existir. Alguns especuladores. a substância ou substâncias específicas e elementares de que eles consistem. postulam estes princípios. que parece ter todas as características daquele mesmo que estamos procurando. e dela existe na natureza uma quantidade fixa que. com a agregação de massa. Para aquilo.1o. 79). porém. RESPONDEMOS: (1) A existência de "Energia" ou "Força". Mas John Stuart Mill. porém. e separada da matéria. se há coisa que mereça essa distinção . É um juízo inevitável. como também de tudo quanto ele contém. quer uma alma mundi inconsciente. o têm negado teoricamente. e sim alguma coisa não causada.têm esse princípio na sua própria essência. Eles todos postulam uma causa eterna.

O ajustamento das partes e a adaptação dos meios para efetuar um fim ou propósito. Premissa menor . os processos lógicos da análise. Quanto à primeira forma do argumento. é eterna e imutável. a causa eterna e absoluta do universo é uma mente inteligente. e se não é imutável. constituem personalidade. Se estes argumentos são válidos.Ordem e harmonia universais na operação concorrente de uma imensa multidão de elementos separados. e isso é incompatível com a idéia de ser ela eterna e auto-existente". e se estivesse inteiramente desenvolvida. Estas frases não representam nenhuma idéia possível. é prova indubitável de ser intelectual a ordem da natureza. uma causa. a Primeira Causa do universo não pode deixar de ser uma mente e uma vontade inteligentes que tinham em vista esses fins. prova. assim como o universo que se desenvolve dela. pedindo como todas as outras mudanças. em seus últimos átomos. As intuições da razão. um estado transitório da matéria. não estaria sujeita a mudanças. é uma estrutura da ordem mais complexa e simétrica. SEGUNDA FORMA. acham explicação só no postulado de uma causa inteligente. e logos . 1870. como estes se acham exibidos na natureza. é evidente que o próprio fato de ser a ciência uma coisa possível. dos meios aos fins e dos órgãos aos seus usos.fim.Logo. A ciência é um produto do espírito humano que é absolutamente incapaz de passar além das leis da sua constituição. pág. Conclusão . Depois de resolvidos até os mais sutis problemas abstratos da matemática e da mecânica. não está provado e está em contradição com a analogia científica. a imaginação. inferências indutivas ou dedutivas. ou dos propósitos ou desígnios.O universo está cheio de semelhantes ajustamentos de partes e de organismos compostos de partes que concorrem para efetuar certos fins. a própria lei da correlação de energia ou força para a qual o sr. Mill apela. dá-lhe. no seu todo e em todas as suas partes. Qual o Argumento Teleológico? Teleologia (telos . na adaptação das partes aos inteiros. Conclusão . Mas essa neblina luminosa não pode ser a Primeira Causa que o nosso juízo causal pede. quando realmente aplicada. 7. Premissa menor . quando se acham juntas. o caráter essencial de um objeto fabricado. todas as teorias evolutivas sobre a gênese do universo postulam necessariamente um princípio e uma neblina primordial e luminosa. tem-se achado subseqüentemente que as soluções foram antecipadas na . é. podem ser explicados só referindo-os a uma inteligência e vontade que tinham em vista esse fim ou propósito.matéria do universo existe ainda em massas separadas. (4) Como questão de fato. (3) Também o seu postulado de que a matéria do universo.O universo. Premissa maior . Trata-se de um absurdo o postulado de uma inteligência inconsciente ou de uma inteligência que produza efeitos sem que opere vontade alguma. porque não é eterna e imutável. que o universo teve princípio e terá fim (Stewart e Tait. Premissa maior . Assim pois. Se fosse imutável.discurso) é a ciência das causas finais. afinal é baseado no reconhecimento das operações de uma causa inteligente na natureza. a invenção e todas as atividades da alma é que organizam os processos científicos. Pode ser apresentado sob duas formas.Logo. estaria inteiramente desenvolvida.166). Unseen Universe. provam que Deus é uma Pessoa eterna e auto-existente. e se vê que tudo isso corresponde perfeitamente à natureza exterior. Clark Maxwell (em seu discurso como presidente da British Association for Advancement of Science. Se fosse eterna. É chamado também argumento baseado no Desígnio. como bem o disse Sir John Herschell. e inteligência e vontade.) diz: "A igualdade exata de cada molécula com todas as demais moléculas da mesma substância. não poderia desenvolver-se ainda para formar o universo. PRIMEIRA FORMA. baseadas respectivamente nas manifestações mais gerais e mais especiais dessa inteligência.

RESPONDEMOS: (1)0 argumento peca por ter como base um falso postulado de fato. que essa analogia é falsa . quantidade e qualidade. tomando como prova de intenção o ajustamento das partes. e apresenta já. porém já desde o princípio. No entanto. Hume (. pois. deixar de ser o produto ou do acaso. Este princípio é ilustrado pelos ajustamentos mútuos descobertos nas diversas providências da natureza.. é devida à experiência e não pode passar além dela: e a de que o nosso juízo dos organismos naturais implicam desígnio na sua causa é uma inferência tirada da analogia das invenções engenhosas do homem e dos seus efeitos. Mesmo no estado atual das ciências. e a formação do mundo e a instituição dos processos da natureza são efeitos peculiares. Esta ordem intelectual da natureza é o primeiro postulado necessário de toda a ciência. tendo adquirido o costume de considerar o universo como uma unidade absoluta. e de organismos e classes de organismos para com outros. A medida que se mudam esses ajustamentos. embora sejam invariáveis nas mesmas condições. ou do acaso. o resultado de ajustamentos anteriores sob as categorias de tempo. As propriedades da matéria elementar são constantes. de serem essas leis gerais obrigadas a concorrer para. descobrem-se mais provas espalhadas em área maior e com uma luz mais clara. todo passo que se dá adiante nas ciências. espaço. o que é absurdo. E esses ajustamentos são. Quais são algumas das objeções feitas contra a inferência deísta tirada do argumento de desígnio especial. essas leis. E é exatamente do mesmo modo e na mesma extensão que chegamos ao conhecimento do Autor da natureza. ou da inteligência. e especialmente pelos organismos vegetais e animais. e as relações que envolvem de um organismo para com outro organismo. e é a essência de todos os processos do universo. a causa dessas leis. desde o agrupamento de átomos até à revolução dos mundos. etc. Quanto à segunda forma deste argumento .(1) Porque já temos conhecimento prévio do inventor humano como agente inteligente. podemos compreender só em parte. por engano. Do inventor humano. 2a. o caso das diversas partes do olho para produzir a visão. elas mesmas. Em muitos casos. a não ser o que nos dá o caráter das obras pelas quais se manifesta a nós. por meio de ajustamentos especiais. Alguns cientistas.) afirma que a nossa convicção de que adaptação é prova de desígnio. efeitos complicados. inteiramente dissemelhantes daqueles que temos experiência. Pt. e esta última suposição é absurda. a intenção é mais obscura e conjetural. enquanto que do autor da natureza não temos nenhum conhecimento prévio. da sua alma não temos conhecimento prévio nem conhecimento algum. (2) Todos os processos da natureza são diversos daqueles por meio dos quais os homens executam as suas obras. 8.Dialogues on Natural Religion. de organismo para com o instinto. cujos processos são todos executados por leis gerais. Diz mais. e. e quais são as respostas? Ia. fazem objeção que. por isso. As leis da natureza são as expressões de harmonias numéricas e geométricas. em certos grupos ou sistemas especiais o teólogo natural toma. o que é certo. e exemplos maravilhosos de uma razão superior e do belo perfeito. Contudo. A analogia das invenções do engenho humano não é a base da nossa convicção de que a ordem e a adaptação são provas de inteligência. nem são eternas nem inerentes à constituição elementar do universo. as provas de desígnio inteligente têm sido transparentes e abundantes. antecipadamente. Um só período num manuscrito é prova de inteligência.O princípio de desígnio pressupõe a ordem intelectual geral do universo e suas leis. e os ajustamentos não podem. efetuar certos fins que evidentemente se deviam efetuar. uma parte pelo todo e um efeito incidental de uma lei geral. e é esse mesmo autor que a inferência deísta procura verificar. a afirmação de que o caráter da Primeira Causa é manifestado mais ainda pelas provas encontradas em toda parte. invariáveis (um modo de pensar em que a teologia agostiniana se antecipou por séculos à ciência). mudam-se também as leis. a intenção destes ajustamentos e adaptações especiais é evidente de per si e inegável. E juízo universal e necessário da razão que a ordem e a adaptação só podem proceder de uma causa inteligente. mas as leis que as organizam são.g. desde a digestão de um pólipo até à ação funcional do cérebro humano. resultado de condições especiais e . (2) O argumento baseia-se num falso postulado de princípio. mesmo se o contexto for indecifrável. como. 7.natureza. e as circunstâncias físicas em que se acham colocados. Noutros casos.

pág. em relação imediata ou remota. que as mudanças notadas foram produzidas pela agência de forças inerentes na natureza. Seus fins extrínsecos são os fins úteis para os quais esse órgão serve para o animal que o possui. e pode até. Certa classe de cientistas tem afirmado. e que se pode notar a operação dessas forças. Assim. enquanto não conhece todas as suas relações para com todos os demais sistemas especiais. Flint (Theism. Há muitas teorias da evolução. ainda que a razão e a revelação derramem muita luz mesmo sobre esta última parte. sem que. Os antigos teólogos naturais. senão invalidado absolutamente pela probabilidade de ser verdadeira a hipótese alternativa da evolução. afirmamos somente que as coisas não são sistemas isolados e independentes. na economia da planta ou do animal. tanto como Criador como também como Governador providencial. Apesar disso. causas finais. e que não pode discernir todos os fins extrínsecos de qualquer sistema especial.temporais. assim como um homem. Dizem que mesmo se fosse inteligente a Primeira Causa do universo. concorrendo todas para produzir um fim especial. contudo negam a Sua imanência e constante atividade providencial nas Suas obras. e do Seu governo providencial sobre elas. e sim. por meio dos resultados especiais que eles vêem proceder da operação de leis que já têm estado operando desde toda a eternidade. "Quando afirmamos. e ajustados de modo que são partes componentes de sistemas superiores e meios para produzir resultados mais compreensíveis do que elas mesmas" -Theism. pela ordem e adaptação manifestadas nos processos da natureza. ou virtualmente obscurecem ou negam. sem solução de continuidade causal. podem ser assim classificadas: (1) As que não negam nem obscurecem o testemunho que a ordem e a adaptação observadas na natureza dão da existência de Deus. e coordenadas para produzirem um resultado comum. (2) As que. mas o termo. afirmamos só que as coisas são unidades sistemáticas. no sentido geral. Seu fim supremo é o fim do próprio universo. de momento para momento. (3) As que manifestam. (2) Confessamos que essa crítica. pode ter certeza absoluta quanto às funções da raiz ou de uma garra ou unha. por ora. no momento anterior. os homens cometeriam um absurdo infinito nutrindo a presunção de interpretar o Seu propósito. O Dr. mas do qual não temos outro conhecimento. lançar muita luz para além de si. às vezes. RESPONDEMOS: (1) E evidente que as relações das partes de um todo especial. que não sabe nada das relações que tem uma certa planta ou um animal para com a flora ou a fauna de um continente. fica muito enfraquecido. pois. Todas as possíveis teorias da evolução. porém. sobre a constituição daquele todo a que pertenceu. no sentido de fins extrínsecos. podem ser entendidas muito bem enquanto permaneçam inteiramente desconhecidas as relações desse todo especial para com a totalidade do todo geral. extrínsecos e supremos de qualquer ajustamento especial. tem força quanto ao modo pelo qual este argumento tem. nestes últimos tempos. em qualquer momento tem sua causa no estado em que se achava o universo. e quando afirmamos que há em quaisquer coisas. se bem que falhe quanto ao argumento tirado do desígnio. por todo o espaço infinito e sobre um sistema infinito de partes concorrentes. consideradas em sua relação com a teologia. o fim intrínseco desse ajustamento especial chamado olho. enquanto não discerne o supremo fim do todo. durante todo o tempo passado. que há causas finais no sentido de fins intrínsecos em quaisquer coisas. e os fins úteis para os quais o animal serve para tudo o que está com ele. significa o juízo de que o estado do universo como um todo e em todas as suas partes. pág. muitas vezes em grau um tanto exaltado. Um só osso de um animal de espécie desconhecida dá testemunho inegável de adaptação especial. assim também poderá entender perfeitamente a maneira por que todas as partes que concorrem para produzir um todo especial são adaptadas para esse fim. o testemunho que a ordem e adaptação do universo dão da existência e atividade de Deus. abstraíram organismos individuais do grande todo dinâmico do qual são tanto produtos como partes. 3a. como dizem com toda a razão os cientistas. 159) distingue bem os fins intrínsecos. cujas partes se acham relacionadas definitivamente umas com outras. sido aplicado. 163 E verdade que um homem não pode discernir o supremo fim de uma parte. que o testemunho dado da existência de Deus. é a visão. pelo fim real da própria lei. . nada saiba da relação extrínseca em que está esse todo especial para com aquilo que está fora dele. da Sua imanência nas Suas obras. embora reconheçam a Deus como a causa original a Quem se deve referir no passado remoto a origem e os ajustamentos primários do universo. sistemas definitivamente relacionados com outros sistemas.

em virtude de variações acidentais surgindo durante um tempo ilimitado. Este último ponto será elucidado em diversos capítulos subseqüentes. mas nega que qualquer agente semelhante esteja imanente no universo dirigindo seus processos. mas sempre modos complicados de ação. (1) Seria preciso ainda explicar a origem das leis da abiogênese. razão. Isso é reconhecido por todos os cientistas. cabe-nos dizer: (1) Que o ponto que estamos procurando estabelecer agora é a auto-exis-tência de uma Primeira Causa inteligente. Não poderia existir na suposta neblina luminosa. (5) O estabelecimento de tipos distintos. isso de modo algum afetaria as provas que nos fornecem a ordem inteligente e as adaptações notadas no universo. Esses ajustamentos nos quais. cada organismo é como uma bala de carabina atirada diretamente num alvo. pág.Para com a primeira destas classes de teorias da evolução. o teólogo natural sente. de Berlim. muito bem adaptado para um fim particular. o conceber-se a Primeira Causa como imanente no universo. executado por agentes inconscientes. de ser o homem descendente de qualquer tipo inferior)". a história e a revelação fornecem. Quanto à segunda classe. 2o. Estabeleceria somente um método ou sistema de meios. Huxley. Toda teoria semelhante. mantidos pela lei da hibridade. . naturalmente. (2) A origem da sensação. por um agente inteligente". deixam inteiramente de explicar os fatos seguintes: (1) A origem da vida. Virchow. e não poderia ser gerada por aquilo que não tem vida. operando sob a condição mútua de certos ajustamentos complicados. Alterados os ajustamentos. alteram-se as leis. Mas mesmo se fosse possível provar como fato a evolução contínua. e caracteriza a grande maioria deles. em seu Criticisms on Origin of Species. porém em grau algum alteraria a natureza dos efeitos ou os atributos da causa real. de variação das leis que. Segundo a teologia. no seu recente discurso perante a Sociedade Alemã de Naturalistas e Médicos. em gêneros e espécies. e. assim: "Tem sido demonstrado que um aparelho. possam desenvolver sensação. é preciso que se refiram retrospectivamente aos ajustamentos originais dos elementos materiais da neblina luminosa. A decisão madura da ciência de hoje (1878) é a que já se acha expressa no axioma antigo omne vi-vum ex vivo. (2) Leis nunca são causas. cabe-nos dizer: Io. o resultado da coação de inúmeros agentes inconscientes. quer manifesta quer virtualmente. em Munich. (4) Também a da consciência. Em vez de serem explicações. são elas mesmas efeitos muito complexos dos quais a razão exige uma causa intelectual. como. As que executam a evolução ou antes aquelas em que é analisado o processo da evolução. devia achar-se latente toda futura ordem e vida. de diferenciação e reprodução sexuais. Quanto à terceira classe de teorias da evolução que obscurecem ou negam. de átomos e energia mecânica. deve fornecer uma explicação provável de todas as classes de fatos. ou o acaso ou a inteligência. como também da aplicação direta de meios adaptados para produzirem esse fim. (3) Também a da inteligência e da vontade. 330. que admite que uma inteligência divina ideou e inaugurou o universo no princípio absoluto. mas sinto-me obrigado a declarar que cada passo que temos dado para diante na província de antropologia pré-histórica tem-nos realmente afastado mais de qualquer prova de semelhante conexão (isto é. (3) São incontestáveis as provas que a consciência moral do homem. logicamente correlatados e persistentes. a teoria de Darwin quanto à diferenciação de todos os organismos.g. consciência e vontade. descoberta por meio desses efeitos.. e como concorrendo orgânicamente com todas as causas secundárias e não inteligentes em todos os processos que são indícios de poder ou inteligência. baseia no acaso toda a lógica da evolução. que são deístas ortodoxos ou que referem todos os fenômenos do universo físico à ação dinâmica da vontade divina. quando proposta para explicar o universo atual. o testemunho que a ordem e a adaptação do universo são de uma inteligente Causa Primária do universo. só o mais amigável interesse. de reprodução. (2) E muito filosófico e mais de acordo com a verdadeira interpretação do princípio científico de continuidade. (3) Todas as leis físicas são o resultado das propriedades originais da matéria. e não o modo da Sua relação para com o universo. segundo a hipótese da evolução. tiveram necessariamente como causa. de hereditariedade. em todas as Suas obras. Mas é notório que todas as teorias da evolução puramente natural. (6) A origem do homem. em favor da imanência e operação eficaz de Deus. O Prof. diz: "Saibam que me ocupo atualmente com especialidade no estudo de Antropologia. Segundo Darwin. pode ser o resultado de um método de tentativas e erros.

. segue-se que essa característica foi estampada sobre os organismos pela natureza e que. isto é."os organismos são como que metralhadora da qual uma bala ou poucas acertam em algum objeto. até onde nos é possível examinar as suas relações para com criaturas sensíveis. Este grupo de argumentos pode ser assim exposto: 10. operando durante um tempo indefinido. O argumento deduzido da ordem e adaptação descobertas nos processos do universo revela-nos que essa grande Causa Primária possui inteligência e vontade. 9. esta foi dirigida inteligentemente: (a) ou por uma inteligência imanente nos seus elementos. ou em seu todo organizado. A consciência implica sempre em responsabilidade para com um ser superior em autoridade moral e. e o argumento deduzido da justiça e benevolência inclui esses dons e acrescenta ainda um elemento novo que lhe é próprio. por isso. que é um espírito pessoal. (4) Na criação artificial é o homem que escolhe. por isso. (b) não podem ser analisadas. isto é. um espírito santo e pessoal. nem que uma coleção de tipos lançados ao acaso mesmo em número ilimitado de vezes possa cair em uma ordem tal que formem os dramas de Shakespeare ou Os Luzíadas por Camões. As adaptações encontradas na natureza. O argumento deduzido do desígnio inclui o argumento deduzido da causa. bondade e verdade. ao mesmo tempo. e prova que a Causa Primária é benévola e amante do belo. Isso implica em desígnio. ou por um Criador inteligente. Segue-se que a alma humana foi criada. porque: (a) são universalmente as mesmas. acrescentando a essa concepção os atributos de santidade. na seleção natural (natural selection) é a natureza que escolhe. simplicidade e espiritualidade. se os resultados são os ajustamentos mais cuidadosos para efetuar um fim determinado. (c) são necessárias e (d) soberanas sobre todos os impulsos. confirmando as conclusões anteriores quanto ao fato da existência de uma Causa Primária pessoal e inteligente. precisam de explicação. com todos os seus atributos. Por conseguinte. 2o. por meio só de causas físicas à exclusão da inteligência. Não existem desde a eternidade. pode fazer uma obra de inteligência. (2) As leis da razão e o sentimento moral não podem ser explicados como o resultado de transformadas impressões do sentido. e as outras caem longe". Dá-nos imediatamente o conhecimento de nós mesmos como existentes e como sujeitos a certos atributos e agentes em certas formas de atividade. assim também ninguém pode crer racionalmente que a ordem complicada e tão evidentemente intelectual do universo proceda do acaso. justa e inteligente. A moderna explicação científica dos processos do universo. isto é. Essa responsabilidade está implícita especialmente no sentimento de culpa que acompanha toda violação de consciência. esses sentimentos são universais e necessários. Exposição do argumento moral. 3o. são caracteristicamente benéficas e dão testemunho de um propósito geral de promover a felicidade e satisfazer o sentimento do belo. as provas fornecidas pela consciência moral e pela história da raça humana. Deus manifesta-Se e é reconhecido na consciência como uma vontade santa. e. Consciência de si é a base fundamental de todo conhecimento. difere da antiga teoria já há muito abandonada do acaso. reta. modificadas pelas associações divididas pela hereditariedade. Nossas almas. somente nos acidentes: (a) do uso enganador das palavras "leis da natureza". justiça. tampouco podiam ser desenvolvidas de elementos materiais. e (b) do postulado de que o acaso. O argumento moral ou antropológico fornece dados novos para inferências. assim como ninguém pode crer que qualquer soma de tempo possa explicar a forma das facas de pedra e as pontas de seta de pedra. em caráter moral. e desígnio de um especial caráter estético e moral. O homem é essencial e universalmente um ser religioso. Tem os sentimentos de dependência absoluta e de responsabilidade moral inerentes em sua natureza. porque: (1) A consciência dá testemunho da sua unidade. O argumento cosmológico nos conduziu a uma Causa Primária eterna e auto-existente. sem o trabalho humano. Todavia. (b) ou pelo ajustamento original do seu maquinismo. e seu Criador não pode deixar de ter atributos superiores aos da sua obra. segundo Mill e Spencer.

e essa história descobre também uma unidade de plano que abrange tudo. sofrimentos e a morte. e sua inexorável falta de atenção ao bem-estar das criaturas dotadas de consciência. na maior parte dos casos. ou mesmo ambos. descobre uma ordem e um propósito morais que não acham sua explicação na inteligência ou no propósito moral dos agentes humanos que nela figuram. que o único meio de absolvê-10 da acusação de ser cruel e injusto é negar que seja ilimitado o Seu conhecimento ou o Seu poder. deve ser um monstro de crueldade e injustiça. ficou em estado de perplexidade até que afinal." Na sua Auto biography. John Stewart Mill. E é evidente que a operação de inexoráveis leis gerais. a promoção do seu bem-estar. Por conseguinte. Como expor as objeções ao argumento moral. E certo que Deus não criou o universo com o único fim. parece ter outros motivos para Suas ações. porém. reto e benévolo dos homens.2. ch. com pelo menos igual força. Ele considerava os argumentos de Butler como concludentes contra os únicos oponentes aos quais são dirigidos. A conclusão que tira das provas que cita. absolutamente justo e benévolo. em seu Essay on Nature (Three Essays on Religion) assevera que é característico da "Natureza" infligir. absolutamente nada se pode saber". ele diz: "Ouvi-o dizer que foi a leitura da Analogy por Butler que produziu nele uma reviravolta sobre esse ponto. 4o. A intenção direta de todos os órgãos de que se acham providas as criaturas dotadas de consciência é. Estas dificuldades que de todos provam mais ou menos a fé. a miséria e os sofrimentos incidentais desta vida podem ser os meios mais eficazes para promover esses fins. e limitado de um modo que nem podemos conjecturar. Mesmo a morte súbita e . e ao mesmo tempo. da distribuição etnológica. por um tempo considerável. ele apresenta assim: "Um ser cujo poder é grande mas limitado. as mesmas dificuldades ou maiores ainda se opõem à crença de que um ser de semelhante caráter seja o Criador do universo. que deseja a felicidade de Suas criaturas e a isso presta alguma atenção. assim como nós a conhecemos. e do desenvolvimento e difusão das civilizações e religiões. ao mesmo tempo. RESPONDEMOS: 1o. provando-lhe que fossem quais fossem as dificuldades que se opunham à aceitação do Velho e do Novo Testamentos como livros que procederam de um ser perfeitamente sábio e bom. e também as suas respostas ? Essas objeções baseiam-se nestes pontos: 1o. e a cujo respeito é difícil crer que tenha criado o universo só para esse fim. A nossa razão. Os que admitem a existência do Criador e Governador onipotente. A história inteira da raça humana. a manifestação da Sua própria glória e a promoção da mais exaltada excelência de Suas criaturas inteligentes. crente na autoridade divina do cristianismo. ou que estes livros registram os atos de tal ser. e motivos que têm para ele mais peso. mas talvez mais limitada ainda do que é o seu poder. Os sofrimentos dos animais irracionais. por meio da educação e da disciplina. Pt. até onde é conhecida. podem ser explicados unicamente pela existência de um governador e educador sábio. falando de seu pai James Mill. cedeu à convicção de que sobre a origem das coisas. sobre a qual continuava sempre a falar com muito respeito. A existência geral de males morais e físicos entre os homens. é onisciente e onipotente. 3o. e a ausência de toda proporção entre a soma de felicidade concedida e o caráter moral dos que a recebem. o conservou. a dor e a miséria são incidentais. e sem dúvida depois de muitas lutas. sem piedade. 10. 2o.2. A invariabilidade mecânica das leis naturais. A partilha desigual dos favores providenciais. E essa obra. Os fenômenos da vida social e nacional. e também perfeitamente justo e benévolo de um mundo como este. são. os motivos reais do ateísmo cético. se a causa da natureza é uma vontade pessoal. cuja inteligência é grande e talvez ilimitada. contra eles. pouco podem alegar contra o cristianismo que não se possa alegar. nem mesmo com o fim principal de promover a felicidade de Suas criaturas. a observação e as Escrituras Sagradas concorrem em revelar como fins muito mais exaltados e mais dignos da ação divina.4o. não encontrando lugar de descanso no deísmo. e que. todos os povos e todos os séculos. 2o. evidentemente. Em seu Essay on Theism. argumenta como se fosse uma imoralidade abominável afirmar que o autor da natureza.

explica os mistérios da Providência e dá-nos os princípios de uma verdadeira teodicéia. de que na providência divina até o pecado terá de servir para manifestar mais plenamente as perfeições de Deus. suplementa a luz da natureza. inteligente e reto. a consciência e a vida. em todos os séculos. porém. a favor da existência de Deus. Mesmo no juízo só da razão é infinitamente provável que. poderosa. a maior soma possível de alívio no campo dos sentido. A origem do pecado é confessadamente um mistério. Almeida). veremos que aquilo que agora nos parece anômalo e incompatível tanto com a sabedoria perfeita como com a bondade perfeita. é inevitável que as automanifestações de Deus na natureza sejam imperfeitamente apreendidas por nós. Exposição do princípio em que se baseiam os argumentos. 6o. e contribuir para promover a excelência moral e a felicidade da criação inteligente. Sendo o homem criatura finita. discernir no universo provas de uma sabedoria ou bondade que fosse infinita ou mesmo perfeita.violenta dos animais irracionais promove.. 4o. o valor desse princípio. nós. Exposição das provas bíblicas. pela consideração de que é o resultado do abuso da dádiva melhor e mais valiosa que nos foi concedida. Argumentos a priori são os que procedem das idéias necessárias da razão e vão às conseqüências necessariamente deduzidas delas. em toda a perfeição da sabedoria. atenuado em parte. mediante um processo histórico de intervenções especiais em sucessão cronológica. Levam o . se deduzem das causas ou dos princípios. revelado nas Sagradas Escrituras. provavelmente. mesmo quando O revela. a agência livre e responsável. A verdade do teísmo é demonstrada na Pessoa de Jesus. a Causa Primária. e sim estão pressupostas em toda a nossa experiência. Argumentos a posteriori são os que. E certo que as intuições das verdades necessárias são as mesmas. no estado atual dos nossos conhecimentos. 11. e essas desigualdades e desproporções apontam para reajustamentos futuros. 12. As desigualdades das cotas concedidas pela providência e a desproporção entre o bem-estar e o caráter moral dos homens nesta vida resultam do fato de não ser este mundo lugar de recompensas e castigos. e Governador moral. Assim. que os sofrimentos a que estamos sujeitos nesta vida são as conseqüências diretas e merecidas dos pecados dos homens. e. interpretadas por uma ordem de profetas dotados sobrenaturalmente e registradas nas Escrituras Sagradas. ilustra essas mesmas perfeições que fomos tentados a julgar obscurecidas por certas anomalias. ou às verdades necessárias nelas incluídas. e também pelo fato. 5o. em todos os homens. e daí por diante não mais será aceita senão por aqueles que lealmente reconheçem Sua soberania sobre a inteligência. A consciência tem ensinado aos homens. santidade e amor. 73. quer como castigos cuja intenção benévola é o nosso melhoramento moral. A revelação sobrenatural que Deus manifestou. sábia e benévola. e que os caracteres e destinos diversos exigem disciplina diversa de educação. Estes atributos são indicados como fatos e características gerais da natureza. dos fatos da experiência. 3o. revelados na Bíblia (Sal. na Pessoa de Jesus Cristo. Não são generalizações tiradas da experiência.g. Quem vem a Cristo vem a Deus. O Deus que a natureza encobre. por meio dos argumentos precedentes mediante os fatos da consciência e da natureza exterior. a priori. Mas o nosso discernimento deles é necessariamente limitado pela imperfeição dos nossos conhecimentos. quer como penas. e as formas principais sob as quais esses argumentos têm sido apresentados. as Sagradas Escrituras no10 apresentam descoberto. culpada e moralmente corrompida. quando tivermos adquirido conhecimentos mais adequados. Nem o argumento teleológico nem o moral envolvem a asserção de podermos. temos sido conduzidos ao conhecimento de Deus como um espírito pessoal.

. e as idéias levam a convicção de corresponderem à verdade. Theism. Segundo o uso estabelecido em todas as línguas modernas. no mesmo sentido. e por conseguinte.cunho da universalidade e da necessidade. Herbert Spencer. e dá também consistência à idéia. O ateísmo especulativo pode ainda ser (1) Dogmático.é uma concepção autocontraditória que a inteligência recusa-se a aceitar" . não dependendo do estado subjetivo da consciência pessoal. mas anterior e superior a todas as coisas. um elemento essencial à perfeição. como também as da eternidade. o termo significa agora a negação da existência de um Criador pessoal e Governador moral.Dr. Mas existência é um elemento necessário para a perfeição infinita. o expõe assim: "Não podia ter origem numa fonte finita. 3o. pág. nem da natureza das coisas. Aquele de quem vem toda a boa dádiva e todo o dom perfeito. 291. de outro modo. g. produzido por especulações sofísticas ou pela indulgência de paixões pecaminosas. 1o. expõe o argumento assim: temos a idéia de um Ser infinitamente perfeito. Especulativo. Temos. existe necessariamente uma substância eterna e infinita da qual são propriedades. as idéias e intuições da infinidade e perfeição. imutável. em nossas mentes. ainda assim o ateísmo é possível como estado anormal da consciência. a não . Contudo não são substâncias. auto-existente. Isso completa a idéia de Deus. e tudo o que os nossos sentidos podem alcançar. First Principies. Só o Autor do universo. "Estas. Essa causa não pode deixar de ser eterna. diz também que essa idéia representa uma realidade objetiva. Foi aplicado também. O nome foi aplicado pelos antigos gregos a Sócrates e a outros filósofos. Flint. Isso não pode ser de nós mesmos. como no caso de só duvidar-se da Sua existência e de negar-se . prop. segundo sua etimologia. A única j questão é então: de que Ser? Deve ser dAquele que já provamos ser a Primeira Causa de tudo. o Pai do nosso espírito. e efeito de uma inteligência. a fonte de todo o poder. Que seria. pode ser não criado. o fundamento de verdades eternas. somos finitos. do mesmo modo que o idealismo subjetivo é possível. O mesmo filósofo. (2)Cético. ser que sejam inteiramente ilusórias . Que é ateísmo? Ateísmo. Não podem ser atribuídos ao universo. necessárias. uma Pessoa. Têm validade objetiva. contingentes e imperfeitos. Seu argumento é que o tempo e o espaço são infinitos e existem necessariamente. Existe sob as seguintes formas: 1. eterna. sabedoria e bondade manifestados no universo. em suas Meditationes de prima philosophia. faltaria à perfeição infinita. como nós a concebemos. 89. Arcebispo de Canterbury (1093-1109). infinito e perfeito. como no caso de chegar-se à conclusão de que: (a) Deus não existe. porque: (1) é idéia muito clara. auto-existente e imutável. As conclusões dos argumentos a posteriori não satisfazem nem a inteligência nem Q coração. manifestando-Se na nossa consciência e nas obras da natureza. O Dr. Prático. na proporção da sua clareza e (2) porque é necessária. Por isso existe um Ser infinitamente perfeito porque. pois. porque já se mostrou que este não é senão um efeito. Samuel Clarke publicou em 1705 sua Demon-stration ofthe Being and Attributes of God. em seus tratadosMonologion eProslogion. 2. ou esta a pode formar.suposição que não se pode conceber .devem ser atribuíveis a algum ser. 2o. até onde pode alcançar a razão natural. ou (b) que as faculdades do homem são incapazes de averiguar ou verificar a Sua existência (e. 1). 2. a idéia que temos de um Ser infinitamente perfeito. auto-existência e imutabilidade. não condicionado. significa negação da existência de Deus. a não ser uma natureza infinita. da qual seja a essência? Temos visto que a nossa razão só se pode contentar com uma causa que não teve causa. pt. enquanto não são ligadas à intuição da razão sobre a infinitude e por esta suplementadas. Se bem que a crença na existência de um Deus pessoal seja o resultado de um reconhecimento espontâneo de Deus. pág. AS PRINCIPAIS TEORIAS ANTITEÍSTAS 13. em conexão com outros assuntos. essa idéia nos foi comunicada necessariamente por um Ser infinitamente perfeito". A concepção de um Deus que não seja infinito. universais e imutáveis. aos cristãos primitivos. Logo. Descartes (1596-1650). um Deus que não seja ilimitado em todas as Suas perfeições . que pode ser a base. para indicar que eles não se conformaram com a religião popular. nem de coisa alguma ao alcance de nossos sentidos porque nós. Anselmo.

Thomas Paine (1809). Daí passou para a Alemanha. Clarke. Theology of Greek Poets. F. g. Que é dualismo? O dualismo (em Filosofia. e J. Christ and other Masters. Veja J. Ormuz e Ahriman . foi representado essencialmente pela antiga escola dos racionalistas naturalistas que o admitiam com uma forma branda e inconseqüente do socinianismo. e sua influência no mundo oriental manifestou. Compar. e. e. Passou para a França. enquanto se conservava na Caldéia e na Arábia. Ten Religions. No princípio.. Flint. como e. Church History. Bolingbroke (1678 -1751). tornou-se o veículo para a expressão do seu humanitarismo mais apurado na apoteose de homens heróicos. Pressensé. Depois tomou formas especiais. se bem que etimologicamente seja o mesmo que teísmo (de theos). tem-se desenvolvido ao extremo o mais extravagante. nos Oxford Essays. 16. etc. onde veio a ser representado por Voltaire e pelos enciclopedistas.se na tendência ascética da Igreja Cristã Primitiva. onde teve como representantes Lessing e Reimarus (Wolfenbüttel Fragmentist). 15. em geral.. Carlyle. Modern Atheism. as teorias de Darwin e Spencer. sendo aí filho de uma filosofia panteísta. Max Müller.emanaram de uma suprema divindade abstrata. Hardwicke. tanto a respeito do número quanto ao do caráter de seus deuses. Que é deísmo? O deísmo (de deus). apareceu como a contra-parte exotérica do panteísmo. todos os que entre eles eram também teístas. idealistas absolutos. Este princípio dominava entre as diversas seitas cristãs espúrias e gnósticas. Teve origem no culto da natureza. por conseguinte. g. em Old and New. Veja Ulrici. a teoria oposta ao Monismo) é a doutrina de existirem no universo duas essências genericamente distintas: matéria e espírito. A religião de Zoroastro era um dualismo mitológico. materialistas. (3) Virtual. Prof. Lorde Herbert de Cherbury (1581-1648). substituiu o monoteísmo primitivo. Entre os selvagens mais grosseiros degenerou-se até ao fetichismo. Myth. O movimento começou com os deístas ingleses. (ii) ou o governo moral de Deus e a liberdade moral do homem. (c) de se adotarem explicações do universo que excluem (i) a agência de um Criador e Governador inteligente. a matéria auto-existente. eram realmente dualistas cosmológicos. God and nature e Review of Strauss. consistia em culto dos elementos. Entre os gregos. 14. Strauss. especialmente das estrelas e do fogo. Neander's. Seu imediato governo moral e toda a intervenção e revelação sobrenaturais. como no caso (a) de se manterem princípios essencialmente incompatíveis com a existência de Deus.. Tulloch. g. Phil. e referiam todo o mal à hute. antes que na revelação dos deuses encarnados. segundo as tradições. Segundo ela. Theism. (b) de se negarem alguns dos atributos essenciais da natureza divina. Eichhorn . Mill em seus Essays on Religion. Akerenes. representado nos mais antigos Vedas dos hindus e que.os princípios pessoais do bem e do mal . ou com a possibilidade de adquirirmos algum conhecimento a esse respeito. Que é politeísmo? O politeísmo ipolys e theos) distribui as perfeições e funções do Deus infinito. tem sido distinguido desde meados do século 16 eé o nome dado ao sistema que admite a existência de um Criador pessoal. Tennemann. Theism. Todos os antigos filósofos pagãos criam na existência eterna e independente da matéria e. Hero Worship. que tinha por fim explicar a existência do mal. em tão pouco tempo e radicalmente.. mas nega Sua presença diretora no mundo. e. e no sistema de Manes. Buchanan. Algumas das seitas dessa religião sustentavam o dualismo na sua forma absoluta.Manual Hist. Shaftesbury. como fazem os panteístas. invadindo a Igreja e a teologia. Sempre que o politeísmo esteve ligado a especulações. no terceiro século. Neste sentido. a doutrina comum do cristianismo é dualista. como na Africa Central e Ocidental. Na índia. entre muitos deuses limitados. Hobbes (1680). S. positivistas. e os necessitarianos. no segundo século da era cristã. o gênio e a civilização relativa dos diversos povos. Early Years of Christianity. Tyler.o caráter conclusivo das provas geralmente apresentadas a favor dessa existência.

e por conseguinte a organização. e uma mente que apreende essa imagem. D. Hurst. uma imagem dessa árvore. pode-se ver quais são algumas das formas do idealismo moderno. 17. Foi representado na América pelo falecido Theodore Parker. os fenômenos chamados pensamentos. Wegscheider (1771 -1848). produzem inteligência. mas são estas que. Boyle Lectures por Van Mildert. Paulus (1771 -1851). nem céu nem terra. e a outra a uma substância chamada matéria. D. e esta é uma modificação da minha mente.formando uma dessas classes. nem Deus nem homem. e a outra os chamados extensão. No entanto. por Hamilton. of Free-thought. Os de uma classe conhecemos pela consciência. toda moralidade e toda religião. g. ao mesmo tempo. igualmente reais ou ideais. (2) Que inteligência. e ainda o é pela extrema esquerda do partido chamado Cristãos Liberais. não há nem espírito nem matéria. Segundo esse. Fichte me diz que sou eu só que existo. não podemos nunca fundir os fenômenos de uma classe com os da outra.. e que adquiriram o costume de dirigir sua atenção exclusivamente aos objetos sujeitos aos nossos sentidos. etc. O eu ca árvore só são dois termos da relação. ficamos cônscios da presença de duas classes de fenômenos. a saber: uma árvore. sentimentos e vontade. Não foi a inteligência que precedeu e produziu ordem e organização. Hegel me diz que todas estas explicações são falsas. etc. View of Deistical Writers. são propriedades da matéria. ao ateísmo materialista. ultimamente.Vocabulary of the Philosophical Sciences. Na seguinte passagem de Lewes. A árvore e sua imagem são uma coisa. então todas as verdades conclusivas e necessárias são impossíveis. e conhecemos os de uma classe tão direta e certamente como os da outra. Isso é idealismo objetivo. Of Rationalism Analogy. Theology.P Krauth. Que é idealismo? "Idealismo é a doutrina de que. referimos uma classe a uma substância chamada espírito." Veja Reid. e lhe devem sua realidade. Os psicologistas comuns me dizem que neste fato da vista acham-se implicadas três coisas. os da outra pela sensação. a relação. 1878. Esta não é nenhuma teoria recôndita. a consciência é uma mentira e a liberdade da vontade é um absurdo. ou antes. Diz Huxley que a vida. entre os alemães: "Vejo uma árvore. Na Alemanha.(1752-1827). 18. em algum modo de movimento. entrelaçadas em todas as suas partes e. Schelling me diz que tanto a árvore como o meu ego (o eu) são existenciais. o mero dualismo naturalista cedeu ao panteísmo. inércia. Protest. Critical Hist. A única coisa que existe (nesse fato da vista) é a idéia. assim como este cedeu. sentimento. infinito ou não condicionado. desenvolvidas por leis inerentes na matéria. nota C. Por isso caem no erro fundamental de afirmar: (1) Que há só uma substância.. e de explicar os fenômenos físicos por meio de concepções mecânicas. Que é materialismo? Logo que começamos a refletir. seriam dissolvidos o dever e a verdade. E não sendo possível fundir os fenômenos de uma dessas classes com os da outra. a honra e a esperança. Os materialistas são uma classe de filósofos superficiais nos quais a consciência moral não está muito viva. e. Dorner. Por mais que os analisemos. que todos os fenômenos do universo podem achar explicação nos átomos e na energia. ou modificações de energia conversível. Se os fenômenos da consciência podem ser resolvidos em modificações de matéria e energia. isto é. Veja Leland. Hist. o dever não obriga ninguém. nas percepções externas. A doutrina oposta ao idealismo é o realismo'''' . Isso é idealismo absoluto. mas não são nada menos do que manifestações do absoluto. Ela tem sido mantido sob diversas formas.. por Butler. RESPONDEMOS: Io. Nesse caso. Strauss. Farrar. sempre distintas . é o resultado da "mecânica molecular do protoplasma". consciência. como alguns pretendem a respeito de substância. os objetos conhecidos imediatamente são idéias. . ou funções de uma organização material.Hist. Isto é idealismo subjetivo. por C. volição. Os darwinianos alemães chamam esse sistema o desenvolvimento mecânico causal do universo.

A individualidade intensa das ciências físicas do presente século tem reagido de um modo poderoso sobre o panteísmo. em todas as suas formas. A explicação da matéria por meio do espírito. não podemos imaginar como poderiam ser as causas da inteligência. a responsabilidade moral é um preconceito. Deus é (to on) existência absoluta. Mas a explicação dos fenômenos da inteligência. Mesmo concedendo que um pensamento definido e uma definida ação molecular no cérebro têm lugar simultaneamente. É óbvio que o panteísmo. Na realidade não explicam nada". afastando Deus e elevando o homem. (2) O panteísmo materialista de Strauss. O mesmo Spinoza. tem modelado o caráter. da força e da ordem por meio da inteligência e da vontade. toma uma aparência puramente naturalista e representa o mundo como absorvendo a Deus. ou enfim a de ambos. temos conhecimento mais direto e claro da alma e de suas intuições. Deus só chega à consciência de si no homem: a consciência da livre determinação pessoal de si no homem. Logicamente torna as duas impossíveis. O panteísmo mais antigo. Que é que ele sabe da natureza real do átomo. a Nyaya e a Vedanta. durante 4. Modos panteístas de pensar formavam. mais persistente e mais espalhado de que temos notícia na história do mundo. o sobrenatural é impossível e a religião é uma superstição. Como filosofia. porém. que mantém a identidade absoluta do sujeito e objeto. mas não pode contentar-se com a outra. Não creio que tem o direito de dizer que seu agrupamento molecular e seus movimentos moleculares explicam tudo. é tal a flexibilidade do sistema que ele. Como questão de fato. e de Hegel. não possuímos o órgão intelectual. o rudimento de tal órgão que nos habilitaria a passar por um processo de raciocinar de um desses fenômenos para outro. A razão pode contentar-se com a primeira. do que o homem científico tem da matéria. procedem respectivamente os mundos físico e intelectual. Assim. Segundo ele. e tudo é Deus. Este sustentava que Deus é a única substância absoluta de tudo. porém. parece--me que se tem exposto a posição do materialista.000 anos. tem aparecido sob três formas principais: a Sanckhya. que é Deus. ou a personalidade moral de Deus ou a do homem. porém não creio que. possa passar além disso. faculdades e poderes. é absurda. Der Alte und der Neue Glaube. e sob a forma contrária.que é só veículo da energia. e que quando pensamos.? 3o. os costumes e a mitologia do povo. nos casos de Strauss. Tyndal (Athenoeum. como se vê na recente degradação do panteísmo para o ateísmo. que possui dois atributos -pensamentos e extensão . da energia. Da inteligência. da matéria sabe-se que não o é . pois. substituindo o idealismo pelo materialismo. de Spinoza. e mantém que o inteiro universo fenomenal é a forma em constante mudança da existência da única e exclusiva substância universal.2o. afinal. da vontade e da consciência como modificações da matéria ou força. força. Feuerbach. Da alma humana sabe-se que é uma causa absoluta. Esta doutrina pode naturalmente tomar formas muito diversas. Como religião. da qual cada coisa finita é uma forma diferenciada e transitória. nem segundo parece. é uma ilusão. Que é panteísmo? Panteísmo (panthéos) é monismo absoluto. tem lugar no cérebro uma ação correlativa. i 19... é chamado por Jacobi e Schleiermacher de o mais fervoroso e reverente dos místicos. na constituição atual da mente humana. é racional. gravidade. em escala maior ou menor. Deus é tudo. a base de todas as formas da filosofia . e que está num processo de dispersão.dos quais. A teoria é parcial e sem provas. de 29 de agosto de 1868) diz: "É impossível imaginar a passagem da física do cérebro para os fatos correspondentes da consciência. etc. toma uma guisa mística e representa a Deus como a pessoa universal que absorve o mundo em Si. Quando se afirma que o crescimento do corpo é processo mecânico. (1) O panteísmo de uma só substância. etc. sustentar essa posição contra todos os ataques. sabe-se que é a causa da ordem e da organização. inconsciente e necessária. Creio que o materialista conseguirá. é o da índia. que mantém a identidade absoluta do pensamento e da existência como determinações do único Espírito absoluto. até onde essa posição é sustentável. a respeito destas. necessariamente nega. e propõe-nos a raça humana em seu desenvolvimento sempre culminando como o único objeto de reverência e culto. por meio de uma evolução eterna. que Pascal e Bossuet declararam ateísta. Mesmo assim. sob uma forma. (3) O panteísmo idealista de Schelling.

A mesma categoria pertence.Modern Pantheism. e Emmons.. O panteísmo moderno começou com Benedito Spinoza (1632-1677). e especialmente a da escola neoplatônica de Plotino (205-270).Essay on Pantheism. Giordano Bruno (f 1600). Além do panteísmo puro. a doutrina fantasiosa das emanações que era a feição principal das teosofias orientais. Veja Hunt. Sanscrit Lit. Tornou a aparecer.. Histoire de la Philosophie Moderne. Dõllinger. e. Ritter. e Jâmblico (f 333). Isso é verdadeiro quanto a todos os sistemas que afirmam a impersonalidade do infinito e absoluto.Edwards on Original Sin. Saisset.. Cousin. Gentile and Jew. Buchanan. O mesmo é verdadeiro também quanto a todos os sistemas que representam a preservação providencial como uma criação contínua. g. e. Porfírio (233-305). e terminou com os discípulos de Schelling e Hegel. etc. negam a eficácia real das causas secundárias e afirmam que Deus é o único agente no universo. no ensino de João Scotus Erigena (nasceu em 800) e no dos neo--platônicos da Renaissance.Faith in God. Londres. e o Hylozoísmo de Averróes (f 1198) que supõe a co-eternidade da matéria e de uma anima mundi plástica e inconsciente. Ancient Philos. Hist.Anc. 1863. g. e que resolvem todos os atributos divinos em modos de causalidade. Edimburgo. Max Müller. 1866. ponto 4. tem havido uma variedade infinita de formas impuras de panteísmo virtual. . Londres.. capítulo 3. 1863. Hist.grega. também.

Teologia revelada é a ciência que. que algum conhecimento do ser de Deus já se pressupõe logicamente pelo reconhecimento de uma certa revelação sobrenatural advinda dEle. etc. sustentam que esta tem por fim unicamente reforçar e ilustrar as verdades que nos são dadas na teologia natural. Quais as principais respostas dadas à pergunta : qual é a fonte ou norma autoritativa do conhecimento em teologia? 1a.. Isso é refutado .(1) Pelo testemunho das Escrituras. e em distinção da teologia revelada ? Ia. 1:20-24. 1. a teologia dos racionalistas modernos. e especialmente com o homem. Quais as duas grandes seções em que se divide a teologia? Ia. enquanto admitem o fato histórico de uma revelação sobrenatural. precisando ser reforçadas somente porque os homens não lhes prestam bastante atenção. por provas satisfatórias. somente mediante a luz da natureza? Aqui é necessário fazer-se. (3) A validade da inferência deísta deduzida dos fenômenos da consciência e do mundo exterior foi vindicada no Cap. e que estas são. pressuposta a teologia natural. e.3 Os Mananciais da Teologia Definição geral de teologia. que é a ciência que se propõe estas duas perguntas: (1) Seria possível estabelecer. independentemente de todas as sugestões fornecidas pela revelação sobrenatural. a teologia de Platão e a de Cícero. Há cristãos que sustentam o extremo contrário. sendo ajudadas. Pergunta 1. Teologia natural. (2) Pelo testemunho da experiência. opiniões extremas têm sido admitidas quanto à possibilidade e validade da teologia natural. e que devemos as nossas primeiras informações válidas quanto à existência de Deus a uma revelação sobrenatural. compreende como seu campo tudo quanto nos tem sido revelado de diversos modos sobrenaturais a respeito de Deus e Sua relação com o universo. o conhecimento de Deus adquirido por alguns dos filósofos pagãos. que negam ou a possibilidade ou o fato histórico de uma revelação sobrenatural. e. de per si. Perguntas 7 a 10. Muitos racionalistas sobre-naturalistas alemães.. autor de Teologia Medianeira. mesmo sem reconhecerem.g.g. e mantêm que a teologia natural descobre-nos tudo quanto é possível ou necessário que os homens saibam agora a respeito de Deus e Suas relações conosco. uma distinção entre o conhecimento a que pode chegar. Esta doutrina é refutada abaixo. e. e 2:14. e por outro lado.15. Capítulo 1. (4) E evidente. e inaugurou o movimento com seus Discursos 2. 2a. de per si. A teoria de Schleiermacher e da Escola Transcendental.g. de não existir realmente uma ciência de teologia natural. Rom. com cuidado. Que . por meio das provas fornecidas nas Suas obras. A dos deístas ou teístas naturalistas. e especialmente com os homens. a razão humana. embora fosse imperfeito. o conhecimento de Deus que as faculdades humanas podem agora deduzir dos fenômenos da natureza. 2.. Ele foi pregador e professor em Halle e em Berlim de 1796 a 1831. 3. a existência objetiva de Deus como um Espírito pessoal e extra-terreno? (2) Que é que se pode averiguar legitimamente a respeito da verdadeira natureza de Deus em si. 2a. suficientes. e a respeito de Suas relações com o universo. pela luz de uma revelação sobrenatural.

os quais. em geral. em geral. isto é. é necessário que saibamos para que se tornem eficazes. 1821. de todos os cristãos. Ele tomava a religião como uma espécie de sentimento. e sustentava que ela se baseia em nossa consciência constitucional de Deus. (3) Não nos dá nenhum critério da verdade. mantida pelos Quacres. é gerada em comunhão com aquela sociedade (a Igreja) que Cristo fundou e da qual Ele é o centro da vida. assim. Dirigidos aos Instruídos Entre os que a Desprezam. A teoria de uma Igreja inspirada. e dos quais podemos ter conhecimento certo só por meio de uma revelação sobrenatural. e (2) afirma que pertence a todos os que queiram prestar-lhe atenção e obedecer-lhe. baseia-se em certos fatos históricos. ou. necessaria e tão-somente. 2a. 1799. e não só no dos fundadores oficiais e primeiros mestres da Igreja. Difere da iluminação espiritual que.que ela é uma revelação. quanto à sua natureza . de que as . a qual consiste. e não as Escrituras. de ser a razão a fonte e medida de todo o nosso conhecimento de Deus. segundo cremos. Esta teoria é refutada no Cap. ou da inspiração geral de todos os homens. e porque toma a "luz interior" como o testemunho que o Espírito Santo dá ao homem e com o espírito do homem. Se essa doutrina fosse verdadeira. outras tantas variações conciliáveis da mesma verdade fundamental. o órgão das verdades religiosas. todas as diversas doutrinas dos diversos partidos da Igreja seriam. 3a. a qual. desordem e confusão. Difere da nossa doutrina da inspiração. como sistema remediador. e quanto à necessidade para a salvação das verdades assim comunicadas. e A Fé Cristã sob os Princípios da Igreja Evangélica. Esta teoria é considerada e refutada abaixo. que ela é a Palavra de Deus. OBJEÇÕES: (1) Esta doutrina contradiz as Escrituras. Nenhuma forma de intuição no-los pode ensinar. na sua totalidade. num sentimento de dependência absoluta. ou ao menos no ensino oficial de seus pastores e mestres principais. é gerada em cada indivíduo pelas suas relações sociais. Perguntas 7 a 10. segundo ele. 5a. (b) testifica que essa "luz interior" nunca levou nenhum indivíduo ou comunidade ao conhecimento da verdade salvadora. Esta doutrina difere do racionalismo porque faz dos sentimentos. A mística doutrina da "luz interior". em todas as questões dos conhecimentos naturais. (b) Ensinam que a revelação objetiva dada nelas é absolutamente necessária à salvação (Rom: 11:11-18). e não da razão. Jesus Cristo. independentemente da sua revelação nas Escrituras. independentemente da revelação objetiva. O cristianismo consiste naquela forma específica dessa consciência religiosa constitucional que foi gerada no peito de seus discípulos pelo Deus homem. 5.sobre Religião. a consciência cristã. O postulado comum de todos os racionalistas. e do lado emocional. (2) Não condiz com a convicção uniforme dos cristãos: de que o cristianismo é um sistema de fatos e princípios revelados divinamente. E assim como as instituições comuns dos homens são aquilo para o que se apela em último recurso. do lado intelectual numa intuição de Deus. E assim como a consciência humana. e só eles. comunicando verdades objetivas. nem com o que ensina explicitamente. por ensinar a direção prática e a iluminação do Espírito Santo no coração de todos os homens crentes. OBJEÇÕES: (1) Esta doutrina não condiz com a natureza do cristianismo que. (4) Não condiz com o que ensinam as Escrituras Sagradas. A doutrina verdadeira e protestante. e (c) testifica que essa "luz" produziu sempre uma depreciação irreverente das Escrituras. 4a. e no transcurso do tempo. é a regra de fé. experimentam todos os crentes verdadeiramente regenerados. (2) E refutada pela experiência que (a) testifica que a "a luz interior" não dá nenhum critério por meio do qual se possa determinar a verdade de qualquer doutrina. (a) Elas nunca prometem uma iluminação que leve os homens além do próprio ensino delas. ao menos. assim também a comum consciência cristã da Igreja é aquilo para o que devemos apelar em todas as questões da fé cristã. e os torne independentes desse ensino. porque (1) pretende chegar ao conhecimento da verdade. inspirada nas pessoas.

mantêm. Sua forma moderna e mais extrema teve origem na Alemanha em meados do século passado. Nesta controvérsia. além de muitas verdades positivas. como uma forma da incredulidade que brotou no meio da própria Igreja Cristã. ou a possibilidade de poderem os homens chegar a ter qualquer conhecimento do sobrenatural. as verdades necessárias e conclusivas. e nega por isso. designamos com o termo "razão" a inteira faculdade natural que o homem possui para.Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamentos. tem sido ativo sempre numa ou noutra forma. suas doutrinas. à exclusão de todas as outras fontes e normas. se é que esse existe. os afetos e as emoções. a necessidade ou a possibilidade. que essa revelação. (d) A influência dos incrédulos franceses reunidos na corte de Frederico o grande . e o de Wegscheider na teologia dogmática. e sem fazer caso das provas históricas. por conseguinte. (c) A influência dos deístas ingleses. substituiu-as por suas próprias idéias subjetivas do que convinha. o princípio da "acomodação". embora admitam o fato de uma revelação divina. com a inteira massa organizada de conhecimentos. discípulo de Leibnitz. contudo. e a única fonte e norma autorizada da teologia cristã. de Newman e Parker. e que faz uso ilegítimo da razão na interpretação das Escrituras e suas doutrinas. e a intuição do infinito. professor em Halle. por conseguinte. e em diversos graus. de um modo notável. ele examinava arbitrariamente a canonicidade dos livros das Sagradas Escrituras. Eichhorn e Paulus na teologia bíblica. Introduziu. operando em condições naturais e independentemente de auxílio sobrenatural. (b) A influência da filosofia formal e do dogmatismo de Wolf. julgarmos e tirarmos inferências dentro da esfera da experiência. ou a faculdade lógica de observarmos. Inclui os naturalistas de todos os graus e também todos os que. chegar ao conhecimento da verdade. Semler. Foram . 4. Tais são a consciência íntima da existência e atributos de Deus. sustentando que. Praticamente todos os homens dão o nome respeitável de "razão" ao seu próprio hábito e atitude de espírito. na interpretação da Bíblia. ou o fato de uma revelação sobrenatural. de Schelling e Cousin. Que é Racionalismo? "Naturalista" é quem sustenta que a natureza é uma esfera completa em si e inteiramente independente. Compreende. porém. History of Rationalism. Qual o sentido exato em que o termo "razão" é empregado por aqueles que a contrastam com a fé como a fonte do conhecimento religioso? O termo "razão" é empregado em sentidos diversos pelas diversas classes de racionalistas. Esta tendência. a imaginação. penetrou na massa da literatura teológica alemã e culminou nos últimos anos do século 18 e nos primeiros do século 19. (nascido em 1725. devem todos ser sujeitos à razão humana como supremo árbitro. Outros entendem pelo termo "razão" o entendimento. o entendimento. Chamam razoável aquilo que está de conformidade com esse hábito ou essa massa de opiniões por eles aceitas. Alguns entendem por ela o órgão por cujo meio apreendemos intuições superiores. falecido em 1751) foi o pai do racionalismo crítico. O termo "racionalista" é mais geral. de Schleiermacher. Com os racionalistas. a razão é o último fundamento e juiz da fé. Embora pessoalmente devoto. para serem por ela avaliados e acreditados. No seu sentido histórico o racionalismo. são para nós a Sua Palavra. muito reforçada depois mediante a influência de Lessing e Reimarus o Fragmentista de Wolfen-büttel. como seu fundamento e norma a massa inteira dos conhecimentos e opiniões hodiernas. numa classe dos escolásticos medievais e nos discípulos de Socino. por meio dela. 5. opiniões e preconceitos de que seus ânimos estão cheios. As causas a que se deve atribuir foram: (a) O estado abatido em que se achava a religião em todos os países protestantes. e manifestou-se. nega.rei da Prússia. e também os sentimentos morais de intuição. sendo inspiradas por Deus. ou a realidade do que se chama sobrenatural.Hurst. e uma regra de fé e prática infalível e de autoridade. e incluímos nela as intuições. Cristo e Seus apóstolos ensinaram também muitas coisas em "acomodação" às idéias geralmente aceitas entre os seus contemporâneos . e os documentos em que se acham contidas. ou rejeitados e interpretados. Entre os seus principais representantes sobressaem os nomes de Bretschneider.

Jowett e Williams. New York. a uma escola nova do racionalismo transcendental. S. Essa escola. D. Clarke Edinburgh Library. C. o deísta. Isso deu lugar. por Hagenbach. Quais os argumentos em prova de que a razão não é. a uma reação para a ortodoxia. Farrar. tem sido designado historicamente pelo título de Racionalismo. admitindo o fato de ser o cristianismo uma revelação sobrenatural. Bases históricas e críticas. na Escócia. por um lado. ou do senso comum. A Jesus. principalmente na escola de Coleridge. e o cristianismo original eles consideravam como uma espécie de socialismo filosófico. History of Rationalism. receberam novo impulso a especulação teológica e a interpretação bíblica. superstição ou parcialidade dos escritores. Clarke Ed. Essa tendência. Theology and Religion. tem-se manifestado no caráter da opinião teológica na Inglaterra e América. 2a. em geral. e nas discrepâncias e erros históricos e científicos que se diz encontrarem-se nas Escrituras. eles rejeitaram como indignos de crédito. em última instância. de que estas não têm nela sua origem? São. por A. Stanley. e o naturalista científico. por meio da "Teologia da Mediação" de Schleiermacher. New York. na Alemanha. Maurice. ao mesmo tempo mantiveram que é meramente uma republicação dos elementos da religião natural. negando. Strauss. a base do qual é um modo panteísta de pensar. Esta classe de questões já foi discutida acima. tem sido representada proeminentemente por Christiano Baur. que nega a personalidade de Deus. German Rationalism. o racionalismo antigo. que vê na natureza somente a operação de leis físicas que são invariáveis e automáticas: todos negam igualmente a possibilidade e credibilidade de um milagre. em Tulloch. e que a "razão" é o juiz supremo quanto aos livros que se devem ter por canónicos e também quanto ao que ensinam. e entre os latitudinários em geral. e na América.especialmente os dois últimos que. com diversos graus de força. President Hurst. explicam as Sagradas Escrituras de forma que não lhes fica base histórica de fatos. E isso o que. Os milagres. History of German Protestantism. no falecido Theodoro Parker. para explicar a origem das Escrituras do Novo Testamento. no Cap. cujo quartel-general foi a cidade de Tubingen. eles relacionavam à ignorância. que limita os conhecimentos do homem a fenômenos e suas leis de coexistência e seqüência. três: . e os milagres relacionavam a causas naturais. ao mesmo tempo.. LibCriticai History ofFree Thought. por Kahnis. Schelling e Hegel. na escola dos cristãos liberais e na relaxação geral da fé. Depois de levantarem-se as filosofias de Fitche. Bases a priori. 6. que se nota em toda parte. a impossibilidade de um milagre. 2. e por outro. Quais as duas classes em que se pode agrupar todas as bases argumentativas de oposição ao cristianismo histórico? Ia. e Renan. sua base histórica de fatos. registradas nas Escrituras. com sua teoria Legendária. D. com sua teoria Mística-. a medida das idéias religiosas. por Philip Schaff. resolvem a inspiração em gênio. e nega também ou torna remota ou obscura a Sua relação conosco como Governador moral e Pai espiritual: o panteísta. Desta classe de questões trata-se nas seções de Introdução Bíblica e Hermenêutica. tinham em conta de homem bom. Scribner. Estas descansam todas nos defeitos que se alega acharem-se nas provas históricas da genuinidade e autenticidade dos diversos livros do "cânon sagrado". que nega a imanência de Deus nas Suas obras. e mais especificamente por Rationalismus vulgaris. D. Por isso o positivista. 7. As narrações de milagres. com sua teoria de Tendências. e de um ou de outro modo. Estas descansam em idéias falsas sobre a existência e natureza de Deus e de Sua relação com o mundo. Germany: its Universities. Nega necessariamente o sobrenatural e postula como princípio fundamental. Appleton & Co.

Por aquilo que a teologia natural nos revela. no caso de nenhuma comunidade histórica. de per si. Para estabelecer-se este argumento é necessário que se estabeleçam. A priori. uma revelação sobrenatural é antecedentemente provável. e que é manifesto em toda a história humana. A experiência universal: a razão. Podemos determinar a priori que Deus está resolvido a punir o pecado. apesar de uma revelação desprezada. 6o. dos atributos de Deus. 4o. e sempre. 2o. no seu estado atual. em sua ordem e separadamente. por causa do estado atual do homem. 3o. O racionalismo é forte só para atacar e destruir. quando os homens confiavam nela de um modo indevido. 3a. mas nenhuma sugestão faz. Os livros de que se compõe esse cânon foram inspirados de um modo sobrenatural. ou Seus propósitos a nosso respeito. depende da Sua vontade. sendo matéria da Sua graça. de maneira que constituem a Palavra de Deus. 2o. quanto à existência de Deus. Nunca mostrou-se muito apto para construir. descansa na Sua natureza inalterável e necessária. porque isso. Uma revelação sobrenatural é necessária para o homem. nem (1) certeza. como questão de fato. prova a necessidade de uma revelação sobrenatural. e uma regra infalível e autorizada de fé e prática para os homens. porque isso. Não há dois racionalistas proeminentes que concordem quanto ao que sejam os resultados positivos e certos do ensino da razão. quanto ao modo de remediá-lo. nos ensina conhecimentos que são necessários à salvação. levou-os. por uma divina auto-manifestação e intervenção da parte de Deus. um remédio.1o. 5o. e (2) que suas relações para com Deus acham-se perturbadas pela culpa e aberração. mas nada podemos determinar assim quanto à Sua disposição de prover. A razão. 4a. A própria razão ensina: (1) que. conseguiu dar aos homens certeza. ] . nunca conseguiu resolver esses problemas. quando interpretado com o auxílio iluminador do Espírito Santo. Uma revelação sobrenatural é possível tanto aparte Dei quanto a parte hominis. Como questão de tato. o qual. ou permitir que se ofereça. natural e universal. A razão pode descobrir o fato de existir o pecado. E um fato histórico que o cristianismo é uma revelação sobrenatural. tem-nos sido dado um documento infalível de uma revelação sobrenatural. Provas de que uma revelação sobrenatural é necessária para os homens no seu estado atual. E também um fato histórico que o cânon atual do Velho e Novo Testamentos só consta dos documentos autênticos e genuínos que atualmente existem dessa revelação e contém todos esses documentos. 8. a natureza moral do homem está em desordem. os pontos seguintes: 1o. 1a. 3o. de Suas relações para com os homens e de nosso estado moral. que é estado de ignorância. de per si. 2a Um anelo religioso espontâneo. degradação moral e culpa. Sua relação conosco. não tem as qualidades necessárias para torná-la competente para adquirir. nem (2) conhecimento suficiente para o governo prático do homem. satisfazer às suas necessidades e regular a sua vida. A razão nunca. e que a "razão" de modo algum podia ter antecipado. sendo matéria de justiça. para o ceticismo e a confusão. Seu caráter.

também. 2o. RESPONDEMOS: Io. Demonstrar. tendo sido apreendidas anteriormente. na mente. têm sido associadas convencionalmente a essas palavras. o cristianismo é realmente uma estupenda revelação sobrenatural? A este respeito.2. Como se pode provar que. Critical History of Free Thought. é necessário referir ao leitor os muitos e excelentes tratados sobre as evidências do cristianismo. esteja disposto a intervir de um modo sobrenatural a favor do homem e a revelar Seu caráter e Seus propósitos mais plenamente para direção do homem. Leading Evidences of Christianity. por meio de uma iluminação interior. uma revelação sobrenatural é antecedente provável. da parte do homem. Deus. Farrar. em algum tempo e de algum modo. Todas as pressuposições filosóficas alegadas contra a possibilidade de uma revelação sobrenatural da parte de Deus. ao caráter e à extensão de Suas auto-manifestações a Suas criaturas. Como mostramos no Cap. As obras por Paley. completa a revelação. que no estado atual da natureza humana. Wardlaw. sob o ensino do Espírito Santo aplicando a Palavra de Deus. Apologetics . e subordinou o sistema físico aos interesses superiores do Seu governo moral . S. Até novas idéias simples podem ser despertadas na mente humana. é um absurdo. e desperta as intuições racionais e morais a um exercício mais ativo e normal pela associação com novos aspectos de nossas relações espirituais.se Deus é uma Pessoa infinita e extra-terrena. reto e benévolo. Chalmers. ela narra fatos objetivos e concretos. por Albert Barnes. Evidences of Christianity. na Sua graça. e absolutamente justo. 2. 3o. Evidences of Christianity in the Nineteenth Century. explica a aplicação de princípios intuitivos às nossas verdadeiras relações e condições históricas. que ele a anela e espera. Erskine e Alexander sobre as Evidências. operando nas mentes daqueles que são os objetos da experiência religiosa.então é evidente que limitálo quanto à maneira. como fato histórico. sejam primeiro apreendidas por um órgão apropriado num ato de intuição espontânea. definitivas. A revelação cristã não contém novas idéias simples.9. que o homem criado à imagem divina é corrupto moralmente e condenado judicialmente. Por conseguinte. Provas de que uma revelação sobrenatural épossível da parte de Deus e também quanto ao que diz respeito ao homem. eterno. e que por isso não está incapacitado para ela. materialistas ou panteístas. exigências e promessas de Deus. sábio. e impossíveis de serem analisadas. acompanhando a palavra escrita. 10. pela maior parte. por A. todas as perfeições de Deus e todas as misérias dos homens autorizam a esperança racional de que. tem um conhecimento tão claro e certo da matéria compreendida na sua experiência como é o que tem da matéria que percebe por meio de seus sentidos corporais. Quanto à sua possibilidade da parte de Deus . O argumento que estabelece o teísmo já expusemos no Cap. porém. como o estão os anjos maus. Para provar que. Ensina-nos. Revela-nos que o homem precisa da ajuda de Deus. por G. a teologia natural nos ensina que existe um Deus pessoal que é infinito. que ainda dirige a operação das leis que Ele instituiu como Seu método. por Hopkins. Um cristão experimentado. só as idéias que. Ela pressupõe e envolve a matéria de todas as intuições semelhantes e naturais. há uma impossibilidade de comunicar-se-lhe verdades novas por meio de uma revelação em forma de livro. nem a idéia do que é direito senão por um ato intuitivo de seu sentido moral. 11. os modernos racionalistas transcendentais têm empregado este argumento: as palavras são sinais convencionais que têm o poder de despertar.se o teísmo é verdadeiro . têm por base princípios deístas. Admitimos que é necessário que as simples idéias definitivas que não se pode analisar. A obra do Espírito Santo. Ninguém pode chegar a ter a idéia de cores senão pela função de seus olhos. sobrenatural e espiritual. e faz-nos saber os propósitos. pelos dados da teologia natural.

no desejo insaciável de ver tudo explicado. Toda a incredulidade especulativa tem sua origem no louco orgulho do espírito humano. Supernatural in the New Testament. The Supernatural Origin of Christianity e The Beginnings of Christianity. Porque: (1) Essa objeção pressupõe que a razão humana é a mais exaltada forma de inteligência. Por conseguinte. . e da vida ? No entanto. (1) Deus Se contradiria a Si mesmo. (b) um espírito humilde e dócil. O senso comum e o hábito de reduzir as opiniões à prática conduzem à saúde do corpo e do espírito. Uma revelação dirigida aos irracionais seria tão inconseqüente como a luz para os cegos. por Leathes. operando legitimamente dentro da sua própria esfera. e também. Historic Origen of the Bible. Pergunto: o que compreendem ou entendem os cientistas quanto à natureza original dos átomos. 14. Modern Doubt and Christian Belief. porém.of the Christian Faith. por Rawlinson. que a nossa razão não pode compreender o que essa revelação ensina. Cone Bissell. ou interpretando os escritos de uma revelação sobrenatural. vemos que não é verdadeira. A razão é a revelação primária que Deus fez ao homem. de outro modo. sobre The Canon e sobre Introduction to the Study of the Gospels. o que é um absurdo. tem o ofício de exercer o judi-cium contradictionis. da gravidade. 12. que determinar duas questões: (1) Seria Deus quem fala? (2) Que diz Ele? Isso. Este éousus organicus da razão. por E W. 4. When were our Gospels composed?. Por isso a razão. como objeção a uma revelação acreditada por toda espécie de provas. crêem em tudo isso. julgando pelas evidências. por Prof. e (2) a fé se tornaria impossível. Witness of History to Christ. Porque. Grounds of Christian Hope. sobretudo. exige (a) a cooperação de todas as faculdades do saber. 3o. a razão. 2o. pois. Quando cremos. (c) sinceridade perfeita e lealdade à verdade. Segue-se que nenhuma revelação subseqüente pode contradizer a razão. (d) prontidão para a prática de toda verdade conhecida. George P Fisher. F. à fé religiosa. por Pearson. e (e) a iluminação e a assistência do Espírito da verdade que nos é prometido. Prize Essay on Infidelity. Esta é a antiga distinção entre aquilo que é contrário à razão e aquilo que está acima dela. da inércia. de ver todo o conhecimento reduzido em aparência à unidade lógica. tanto as morais como as puramente intelectuais. 13. e é necessariamente pre-suposta em toda revelação subseqüente. por E. Qual é a natureza e qual a extensão da inspiração das Escrituras Sagradas? Veja a seguir. seja qual for sua espécie. por Wace. Como se pode provar que o cânon aceito do Velho e do Novo Testamentos consta só dos livros autênticos e genuínos da revelação cristã e contém todos esses livros? A este respeito também é preciso recomendar ao leitor os melhores tratados sobre o cânon das Sagradas Escrituras. mas quando essa coisa contradiz a razão. emocional e a experiência. no Cap. Cautions for Doubters. e. e não há momento em que não se vejam obrigados a aceitar o incompreensível como uma verdade e a reconhecer que o inexplicável é certo. por Row. B. Historical Evidence of the Truth of the Scripture Records. ou que ela contém elementos que parecem inconciliáveis com outras verdades. Christianianity and Morality. por Hetherington. assentimos que uma coisa é verdadeira. da energia ou força. Superhuman Origin of the Bible. Farrar. A razão tem. por Tischendorf. inclusive a natureza moral. (2) Não há outro ramo em que os homens limitem a sua fé por sua capacidade de compreender. por Christlieb. por Titcomb. é necessariamente o instrumento por meio do qual apreendemos e recebemos todas as revelações subseqüentes. Westcott. por Rogers. É evidente que o maior absurdo que podemos cometer é alegarmos. Qual é o ofício legítimo da razão na esfera da religião? 1o.

Fichte. porém. reduzido perfeitamente a um sistema. Ciência é palavra mais específica. na ciência como o conhecimento primário e mais geral. e qual a sua relação com a Teologia? Filosofia. etc. propósito. ao NeoPlatonismo do segundo período. Neste sentido. aos sistemas de Descartes e Leibnitz. da força e da vontade. 3o. Quanto às suas relações com a teologia. e suas leis ou ordem de coexistência ou sucessão. Schelling e Hegel na Europa continental. A filosofia é pressuposta. 2o. nota-se: 1o. pois. ter uma filosofia que seja serva genuína e natural daquilo que está revelado nessa Palavra. e não indaga sobre substância. . da consciência e do dever. da intuição e da verdade absoluta. Que as Sagradas Escrituras. Coleridge. Há de procurar. a ciência tem por alvo a determinação dos fenômenos nas suas classificações de semelhança e dissemelhança. da causa absoluta. Indaga a respeito do âmago das leis do pensar. mas procurará com espírito dócil e com o auxílio do Espírito Santo. 4o. da natureza absoluta. nunca pode permitir que a sua filosofia. que tem a certeza de ser a Bíblia a própria Palavra de Deus. derivada de fontes humanas. e consiste nesses conhecimentos interpretados e sistematizados pela razão. causa. fazer sua filosofia harmonizar* se perfeitamente com aquilo que é contido implicitamente na Palavra de Deus. o termo ciência está sendo limitado mais e mais definidamente ao conhecimento dos fenômenos físicos do universo. da substância e existência real. pois. e até onde diz respeito a qualquer ramo das opiniões e ações dos homens. contudo pressupõem necessariamente e envolvem os princípios fundamentais de uma filosofia verdadeira . tanto natural como revelada. A filosofia em voga em qualquer tempo reagiu e necessariamente reagirá ante a interpretação das Escrituras e a formação de sistemas teológicos. quanto à filosofia aristotélica da Idade Média. Deus fala com qualquer finalidade. no seu sentido lato. Que os primeiros princípios da verdadeira filosofia são pressupostos em toda a teologia.não as inferências deduzidas desses princípios agrupados num sistema. sem falta. Todo o pensar humano e toda a vida humana são um. etc.15. e de Locke. os que dizem respeito a substância e causa. Em nossos dias. Se. Sua palavra deve ser suprema. O crente devoto. As diversas seções em que se divide a teologia cristã já foram enumeradas no capítulo 1. Isso foi verdade quanto ao Platonismo.. a consciência e o dever. domine a sua interpretação da Bíblia. deve ser aceita nesse ramo como autoridade indiscutível e como a Lei suprema. na Inglaterra. Ried. abrange todos os conhecimentos humanos adquiridos por meio das faculdades naturais do homem. que diz respeito a algum ramo especial. e sim os próprios princípios. se bem que não tenham primariamente a finalidade de ensinar filosofia. de Kant. Que é Filosofia.

no sentido em que este se acha exposto nos documentos sagrados. e incapazes de salvar-se por si mesmos. em vez de progredir por via de um desenvolvimento natural de uma condição moral inferior para uma condição moral superior. as provas do cristianismo. A integridade histórica das Escrituras Sagradas. Que está dentro de tudo e age através de toda parte do interior. 3a. a existência e os atributos de Deus e Suas relações com o mundo e com os homens.o argumento teísta e a teologia natural. os atributos de poder. e que dependem do testemunho histórico e crítico quanto à verdadeira origem e ao conteúdo dos livros sagrados. A verdade do cristianismo. no ramo da apologética . como por exemplo. sustentando-as e governando-as em todas as Suas ações. Quais são as pressuposições necessárias quanto a princípios e questões de fato. e educa-as benevolamente para o seu destino exaltado. a origem histórica das Escrituras. o testemunho da consciência moral dos homens de que são pecadores condenados justamente. crítica e exegese do texto sagrado. Se se duvidar de qualquer desses princípios ou fatos. e a genuinidade e autenticidade dos diversos livros que a compõem. em Sua relação com o universo. recompensa-as e castiga-as segundo os seus caracteres e as suas ações morais. 2a. em absoluta perfeição. EXPOSIÇÃO DA DOUTRINA DA IGREJA SOBRE A INSPIRAÇÃO . a verdade das quais está envolvida na doutrina de serem inspiradas as Sagradas Escrituras. Que está acima de tudo. e as provas morais e espirituais da verdade divina como sejam. dividem-se em duas classes (Ia) As que se fundam na intuição. governo que Ele exerce por meio da verdade e de outros motivos dirigidos à razão delas e à vontade delas. sua veracidade como história. caiu de seu estado e relação originais e está agora perdida numa condição que envolve corrupção e culpa.4 A Inspiração das Escrituras PRESSUPOSIÇÕES NECESSÁRIAS 1. (2a) As que se fundam em questões de fato. Que o governo moral de Deus sobre os homens e sobre todas as criaturas inteligentes. Todas essas pressuposições necessárias. o cânon. Que. 4a. 5a. inteligência e excelência moral. e sobre tudo age livremente. O fato de que a raça humana. e segundo as leis e modos de ação que tem estabelecido para as Suas criaturas. no exercício de todas as Suas perfeições. Ele é ao mesmo tempo imanente e transcendente. em Sua comunhão e em Seu serviço. 6a. deve--se procurar as suas provas nas divisões da teologia que tratam deles especialmente. que é preciso admitir-se antes de poder afirmar a possibilidade da inspiração ou a inspiração de qualquer livro em particular? Ia. de fora. e é incapaz de salvar-se dela sem intervenção sobrenatural. A existência de um Deus pessoal possuindo.

a Sua palavra infalivelmente verdadeira. Qual o sentido em que a Bíblia é inspirada. são ainda assim. Gál. . quando citam o Velho Testamento em apoio de um argumento. a linguagem exprime com certeza infalível os pensamentos que Deus queria manifestar. também. de tal modo operou concorrentemente nesses e por esses escritores que o inteiro organismo das Escrituras e cada parte delas é. Os homens pensam em palavras. é a perfeita infalibilidade das Escrituras em todas as suas partes. 100:1. segundo o ensino universal da Igreja. 2:13. Que quer dizer inspiração "plena"? Uma influência divina. e infalível tanto a respeito dos pensamentos expostos como das expressões empregadas na sua exposição. A ação de Deus inclui os três elementos seguintes: Io. 4. Os escritores humanos produziram. quando interpretados no sentido em que os autores empregavam as palavras que escreveram com autoridade divina absoluta. fazer com que nos documentos fosse consignada infalivelmente a verdade. Os escritores do Novo Testamento. no sentido mais restrito do termo.: • 4o. consciência e vontade de homens. fosse qual fosse a influência divina que assistia aos sagrados escritores naquilo que escreveram. Os escritos originais da qual eram absolutamente infalíveis. imaginação. Pelo próprio desígnio que a inspiração tinha em vista. nas condições históricas em que se achavam. 3. 2:11. Por quais meios produziu Deus. aprovada por Ele e enviada a nós como uma regra de fé e prática. 5. o resultado acima definido? A doutrina da Igreja reconhece o fato de que as Escrituras são. De modo que. como também aos pensamentos. Por conseguinte. muitas vezes baseiam o argumento nas próprias palavras empregadas. Sua ação providencial em produzir as Escrituras. em seu todo e em todas as suas partes. como documento autêntico quanto aos fatos narrados e doutrinas ensinadas. um produto da ação de Deus e dos homens. e até onde é que se estende essa inspiração.Mat. no exercício livre e natural de suas faculdades pessoais. e não só aos pensamentos que as palavras exprimem . dirigindo a evolução de uma história especialmente providencial. neste caso. são a revelação que Deus nos fez. tanto mais imediatamente se acham seus pensamentos associados com uma expressão verbal exatamente apropriada ao pensamento. O curso inteiro da redenção da qual a revelação e a inspiração eram funções especiais. 17:7. bem como os pensamentos. e quanto mais definidamente pensam. Que quer dizer a expressão "inspiração verbal". 2o. para nós. e às vezes os profetas não sabiam o sentido daquilo que escreviam).2. foi uma providência especial. 22:32 e Ex. Deus. 1 Tess. segundo esse mesmo ensino? A Igreja ensina universalmente que os escritores sagrados eram de tal modo influenciados pelo Espírito Santo que seus escritos. 3:6. não obstante virem a nós por meio do espírito. no sentido em que foi escrita e é de autoridade absoluta. estendeu-se à expressão de seus pensamentos em palavras. que não era tornar infalivelmente acertadas as opiniões dos homens inspirados (havia diferenças de opinião entre Paulo e Pedro. . Gál. são a Palavra de Deus para nós uma revelação de autoridade. coração. de modo que as palavras. e como se pode provar que as palavras da Bíblia foram inspiradas? Quer dizer que. cada um a sua parte. atribuindo assim autoridade às palavras. Mat. é impossível conseguir-se ou conservar-se infalibilidade nos pensamentos independentes da infalibilidade na sua expressão verbal. segundo o ensino da Igreja. 1o. 2:13. Que essa influência estendia-se às palavras. 3o. e sim. que Deus nos fez. 22:45 e Sal. ao mesmo tempo. torna-se evidente. 3:10 e Gên.16. As Escrituras afirmam a sua inspiração verbal. Todavia um documento consta de palavras. Sendo o efeito disso que. 1 Cor. O fim conseguido. nos escritos originais. plena e suficiente para conseguir o seu fim. no original e na Vulgata. a Palavra de Deus.

Os fenômenos das Escrituras quando examinados criticamente. grande parte das Escrituras . o natural e o sobrenatural continuamente interpenetravam-se. sendo este. 2a.(1) Em que a inspiração é a constante experiência dos escritores sagrados em tudo o que escreveram. filósofo ou rei. que atuava sobre e mediante suas faculdades naturais. . Moisés. tão pouco sujeito a acidentes e tanto sujeito ao desígnio racional de Deus. 2o. os homens expressamente destinados para ocasiões determinadas. da revelação .. como o é o natural. sem interferência no livre exercício natural de suas faculdades. profecia. lavrador. diretamente. operando subjetivamente sobre os sagrados escritores. todos os sutis acidentes pessoais foram preparados providencialmente no momento próprio como as necessárias precondições instrumentais para a obra que se devia fazer. natureza e dotes da graça. etc. Mas. Assim. como supra definidos. Paulo ou João. as doutrinas peculiares do cristianismo. como Balaão. não sendo regenerados foram inspirados. Foi revelada dessa maneira. era concedida sobrenaturalmente. produziram os próprios escritos que Deus queria que produzissem. porém estavam sem iluminação espiritual. A revelação de verdades inatingíveis de outro modo. mas dirigindo suas faculdades no seu exercício natural. enquanto que a inspiração era uma influência divina. Esta revelação era sobrenatural. A inspiração difere. de uma maneira sobrenatural. Ela difere da iluminação espiritual em que esta é um elemento essencial na obra santificadora do Espírito Santo comum a todos os cristãos. Deus produziu providencialmente. etc. portanto. Os escritores estavam sujeitos a uma divina influência plena chamada inspiração. porém. de modo que produzissem documentos autênticos e infalíveis quanto às matérias de história. como já dissemos acima. 3o.as profecias sobre eventos futuros.Nesta. A maioria deles foi inspirada e também iluminada espiritualmente. ao escritor. AS PROVAS DA DOUTRINA DA IGREJA SOBRE A INSPIRAÇÃO 6. A inspiração é uma influência especial do Espírito Santo. revestidos das faculdades. As asserções das próprias Escrituras Sagradas. eles. Isaías. Sempre que o escritor não possuía ou não podia por meios naturais tornar-se possuidor do conhecimento que Deus queria comunicar. gênio e caráter. dirigindo-os na escolha do assunto e em todo o curso de seus pensamentos e no modo de os exprimir em palavras. as promessas e ameaças da Palavra de Deus. objetiva quanto a quem a recebia. e sim. a Seu tempo. foi-lhe revelado. o natural era a regra e o sobrenatural a exceção. enquanto que a revelação. educação e experiência da graça necessárias para a produção dos escritos que Deus tencionava fazer aparecer. somente no discernimento da beleza e do poder espirituais das verdades já reveladas nas Sagradas Escrituras. que Deus tinha o desígnio de enviar por meio deles à Sua Igreja. como era necessariamente o caso. e era-lhe certificada como verdade. doutrina. de modo algum. Davi. todo o conteúdo das Escrituras. Quais as fontes de onde se deve tirar as provas quanto à natureza e à extensão da inspiração das Escrituras? Ia. (2) Em que a revelação comunica. mediante palavras ou uma visão. com ele. verdades desconhecidas. livre e espontaneamente. e que possuem assim os atributos de infalibilidade e autoridade. o homem e. de origem divina por testemunho apropriado. só quando era necessária. mas não foi revelado. Nunca resulta no conhecimento de verdades novas. objetivamente. que foi peculiar aos profetas e apóstolos e lhes assistia só no exercício de suas funções como mestres divinamente acreditados. Alguns. qualidades. Inspiração. de maneira que. e em que afeta a infalibilidade igual de todos os escritos que produziram. sem comunicar-lhes nada. em tudo o que escreveram.

4o. ou a respeito da infalibilidade e autoridade dos seus escritos. inferir a inspiração dos apóstolos do fato de fazerem milagres? O milagre é um sinal divino. Heb. Apoc. o mais grosseiro.1 Cor.Heb. 15:26. Este testemunho divino não só anima a crer. Pela santidade da doutrina que ensinaram e pela virtude espiritual dessa doutrina. Hodge. 4:8. 12. aposse do Espírito? Disseram: 10. 16:20. Colocam seus escritos na mesma categoria das Escrituras do Velho Testamento 2 Ped. não só comprovados pelos escritos dos próprios apóstolos. como agente comissionado divinamente . Como se pode mostrar que o dom da inspiração foi prometido aos apóstolos? Mat. Se negarmos a inspiração plena das Escrituras. 5:19. 3o. 1:5. atestada por seus efeitos sobre comunidades e indivíduos. 4:1. Falaram com autoridade plena . 28:19. 21:11. ITess. 1 Tess. 11. 16:13. tudo quanto estes asseveram a respeito de uma influência divina. 10 . Como demonstrar que os escritores do Velho Testamento ] declaravam-se inspirados? . Todos estes testemunhos nos vêm. 8. 4:16. 9:17.Mat. 2:13. 2o. mas não podia mandar-nos crer em coisa que não fosse verdade pura comunicada de um modo infalível. operando com eles por meio de sinais maravilhosos e dons do Espírito Santo. com justiça.4. seus contemporâneos e seus sucessores imediatos. 16:1-4. 5:27.9. Deus nos manda crer quando vemos um sinal. 1:8. Falaram como os profetas de Deus . João 14:26. e negaremos a validade do seu testemunho sobre qualquer ponto. 4:8. 2:4. mas também pelo testemunho uniforme dos primeiros cristãos. Por sua vida santa. deve ser verdade tudo quanto Cristo afirma a respeito do Velho Testamento. 2:7-Dr. 1 João 4:6. 3o. ficará solapada toda a fé cristã. 2o. Como foram confirmadas suas asserções a esse respeito? Io. 2 Cor. 1 Tess. e na verdade do cristianismo e na deidade de Cristo. 2 Cor. 2:13. Por conseguinte. Atos 14:3. credenciando a pessoa a quem foi concedido esse poder. os acusaremos de presunção fanática e de fazerem falsas representações do caráter. Gál. Col. E isso mais especialmente porque todas as suas reivindicações foram endossadas por Deus. se negarmos a sua inspiração e a infalibilidade e autoridade dos seus escritos. Atos 14:3. E evidente que. Pelos milagres que realizaram .3. 13:2. Mar. operando neles e por meio deles. tudo quanto prometeu aos apóstolos.20. João 13:20.1 Cor. Mat. 13:2-4. mas torna absolutamente obrigatório o dever de crer. Chegamos a esta questão já crendo na credibilidade das Escrituras como história. 10:19. Como se pode justificar a apresentação das asserções das Sagradas Escrituras como prova da sua inspiração? Não raciocinamos num círculo vicioso quando baseamos a verdade da inspiração das Escrituras em suas próprias asserções. 9. Como se pode.De que modos diversos os apóstolos reivindicaram para si. 3:16. 2:4.AS AFIRMAÇÕES DAS ESCRITURAS SAGRADAS QUANTO A NATUREZA DA SUA PRÓPRIA INSPIRAÇÃO 7. 12:12. simples. e na de seus escritores como testemunhas de fatos. Luc. Que tinham o Espírito de conformidade com a promessa de Cristo-Atos 2:33. 15:28. 1 Tess. temperada e ao mesmo tempo heróica.

séculos depois de proferidas. 1 Ped. 2 Ped. Miq. 16:28. OS FENÔMENOS DAS ESCRITURAS CONSIDERADOS COMO PROVAS DA NATUREZA E EXTENSÃO DA SUA INSPIRAÇÃO . 110:1. pela santidade de sua vida. Como se pode provar a inspiração dos escritores do Velho Testamento pelas declarações expressas do Novo Testamento? Luc.. Heb. "Diz a Escritura". 5:18. Is. provando assim. um divino pré-ajustamento do tipo para o antítipo. dizendo": Mat. pelo menos. 17:3 Dr. mas introduzem suas mensagens com o prefácio: "Disse o Senhor". 23:11. 15. Núm. 1:1. (3) Pelo abono de Cristo e Seus apóstolos. uma fórmula característica: Mat. um certo dia. "Davi lhe chama em espírito. Mat. "O Senhor falou". os profetas e os Salmos". "Deus determina. 13. 1:21. Como fato característico.(1) Pelo cumprimento notável de muitas de suas predições. 9:9. e são citadas como bases autorizadas para argumentação conclusiva.. Quais as fórmulas que introduzem no Novo Testamento muitas das citações tiradas do Velho Testamento. "O Senhor me disse".22. 2 Tim. 1:22. "Para que se cumprisse o que se achava escrito" é. 30:4. Deut. de certo modo. Foram confirmadas a seus contemporâneos pelos milagres que esses profetas realizaram. Heb. Luc. 9:8. Gál. 21:13. 10:35. o Velho Testamento. que a lei toda éobrigatória. o que falou por boca de Davi. 16:28-33). Todos apelam para as palavras das Escrituras como autoridade suprema.2. Qual é o argumento sobre este ponto.: Jer. Atos 4:25 e Sal 2:1. 9:7. 25:4. 2:15.. 3:16. parte do Pentateuco por ordem divina: Deut. "Diz a lei" 1 Cor. e como provam essas formas de expressão a inspiração das antigas Escrituras? "O Espírito Santo diz". Amós 3:1. 20:31. pelo cumprimento de muitas de suas predições (Núm. etc. Declara que não pode falhar. pois. constantemente.9:13.10 e Deut. os escritores do Velho Testamento não falam em seu próprio nome. prova a infalibilidade das Escrituras. 4:4. nos seus argumentos. Heb. e pela adaptação prática do sistema religioso que revelaram às necessidades urgentes dos homens. 34:10. 44:2. 21:22. 18:31. 13:13. etc. 21:1. e que era necessário que se cumprisse tudo o que a Seu respeito se acha escrito em "Moisés". 15:25. 4:7 e Sal. pela perfeição moral e espiritual de sua doutrina. tirado da maneira pela qual Cristo e Seus apóstolos. Moisés diz-nos que escreveu. (2) Pela evidente relação que existia entre a religião simbólica que promulgaram e os fatos e doutrinas do cristianismo. "Significando com isto o Espírito Santo" Heb. 31:19-22. "Diz o Senhor". 4:30. 2o. as Escrituras do Velho Testamento são o que Deus disse. 8:1. 4:17. 3:7. etc. 2 Sam. 2o. Assim. Isso. João 12:38. 8 . "Está escrito" Luc. 22:43 e Sal. 22:43. Hodge. 26:54. para eles. "Disseste pelo Espírito Santo por boca de Davi". João 2:17. 21:1.12. 1:10. muitas vezes citam o Velho Testamento como autoridade suprema? Cristo cita.29-Davi afirma que falou por inspiração-2 Sam. 18:21.Io. 16. 4:3. 17:23. Rom. 24:44. 1:70. í 14. Rom. Os apóstolos costumam citar o Velho Testamento do mesmo modo. 1 Crôn. Como foram confirmadas as suas asserções a esse respeito? 1o. João 7:23. dizendo por David". São confirmadas a nós principalmente . Mat.. por isso não podem deixar de ser inspiradas. Atos 2:17 e Is.

Que provas temos. Em toda parte das Escrituras acham-se provas morais e espirituais da sua origem divina. sendo. Tudo isso é característica de grande parte das Escrituras. de antigos documentos e de testemunho contemporâneo.17. e por isso seus escritos estão repletos de metáforas e símbolos. as características pessoais do camponês para os fins especiais que tinha em vista. como agentes racionais e espontâneos. previamente. que não podiam vir de fonte que não fosse divina. contanto que as limitemos. se por Sua graça e meios providenciais ajustou. Escreveram impelidos por impulsos humanos. incontestavelmente. e de princípios e fatos tira inferências segundo o seu próprio modo. Cada um deles enxerga o seu assunto do seu ponto individual de vista. Encontram--se reveladas nelas verdades transcendentais. em todos os séculos. 18. juntamente com o testemunho do Espírito Santo. Os escritores de todos os livros eram homens. No entanto. se refletirmos. nos fenômenos das Escrituras. mais ou menos lógico. Adotam os usos loquendi correntes entre o seu povo. Suas emoções e imaginações exercitam-se espontaneamente e manifestam-se como co-fator nas suas composições. e não de conformidade científica com suas leis ou causas abstratas. praticamente. porém. Os hábitos e métodos mentais dos escritores eram os da sua nação e geração. e muito melhor. é necessário servir-Se dos homens de um modo que condiga com a natureza destes. a qual. de um modo em tudo semelhante ao efeito que o caráter de quaisquer outros escritores produz nas suas obras. Assim como todos os homens puramente literatos. de pensar. se bem que podemos confiar sempre na veracidade de suas afirmações. e o processo de composição que lhes deu origem era. não irá fazê-lo senão sob todas as limitações dos modos humanos de pensar e falar. e na elegância do dialeto e estilo humanos. Mas. a sua origem divina. naturalmente mais conspícuas em algumas partes que em outras. uma compreensão de todos os motivos da experiência e vida humanas.da experiência e observação pessoais. prova. e em toda a literatura tudo isso é característico tão-somente das Escrituras. em seu todo e em cada uma de suas partes. Que provas temos nos fenômenos das Escrituras sobre a natureza e extensão das causas humanas que cooperaram para produzi-las? Toda parte das Escrituras igualmente contém provas de uma origem humana. àquilo que tinham em vista como seu fim. e os defeitos de seus hábitos de pensar e de seu estilo são tão óbvios em seus escritos como o são outras quaisquer de suas características pessoais. um conhecimento perfeito e íntimo dos segredos do coração humano. uma previsão de eventos futuros. Muitos pensadores superficiais têm dito que alguns dos fatos que acabamos de mencionar não condizem com o fato alegado de serem os escritores sagrados dirigidos divinamente. em ocasiões especiais e com fins determinados. As limitações de seu conhecimento pessoal e de seu estado mental em geral. ou em narrações cronológicas ou circunstanciais. segundo a intenção dos autores. Usam a linguagem e os modismos próprios da sua nação e classe social. 2a. uma luz que esclarece a razão e uma autoridade que obriga a consciência. eles descrevem a ordem e os fatos da natureza segundo parecem. em sua maioria. nada são quando olhados à luz das relações comuns do homem para com Deus. E se Ele inspira homens para comunicar Sua revelação mediante escritos. que caracteriza as estatísticas das modernas nações ocidentais. Eram orientais. tomada em conexão com o precedente. quanto à natureza e extensão da influência divina exercida na sua produção? Ia. eles nunca visavam essa exatidão na enumeração. se Deus quiser revelar-Se a nós. o testemunho em que confia a maioria dos verdadeiros crentes. Arranja seu material com referência ao fim especial que tem em vista. E. Recolhe o seu material de todas as fontes que lhe são acessíveis . As Sagradas . há outra característica das Escrituras. sem tomar a responsabilidade das idéias filosóficas que lhes deram origem. é. caracteristicamente. uma revelação das perfeições absolutas da Deidade. As características pessoais do modo de pensar e sentir dos escritores operaram espontaneamente na sua atividade literária e imprimiram caráter distinto em seus escritos. parecer-nos-á evidente que. E evidente que Deus podia revelar--Se tão bem por meio de um camponês como de um filósofo. processo humano. E é evidente que todas as distinções entre os diversos graus de perfeição do conhecimento dos homens. E isso. uma moralidade perfeita.

ensinassem só a verdade. outras vezes. e dando um novo jeito ao seu pensamento para adaptá-lo. é prova de uma influência divina e sobrenatural compreendendo o seu todo. mas tendo em vista todas um fim comum. as mais intricadas e delicadas. ao passo que progredia a história providencial tomando cada documento. ao mesmo tempo. As vezes. mudando de expressão. E ensinaram essa verdade com autoridade divina . o Espírito Santo pode. um sistema de intervenções divinas. isto é. . durante dezesseis séculos. enquanto tirassem dele um sentido novo. O mesmo Espírito. De modo que o evangelho cumpriu a lei. que tornara infalíveis os escritores do Velho Testamento para escreverem só a verdade pura. além disso.Escrituras são um organismo. fazer o mesmo. Em alguns casos. Isso constitui a melhor prova de desígnio que nos é possível imaginar. ao fim que tem em vista. citam a versão Septuaginta mesmo quando difere do hebraico. e. e qual a resposta a essa objeção? Na maioria dos casos. contudo. e cerca de quarenta cooperadores humanos. Part 3. e. por certo. Que objeção à doutrina da inspiração plenária tira-se do fato alegado de existirem "discrepâncias" no texto das Escrituras? E como se deve responder a esta objeção? Objeta-se que o texto sagrado contém numerosas asserções e narrações que não estão de acordo com outras contidas em outras partes das Escrituras.Veja Hermeneutical Manual. um escritor infalível os teria transferido sem alteração. o seu lugar permanente como membro do todo. ou com fatos bem averiguados da história ou da ciência. Baseando seu raciocínio sobre esta última classe de citações. tornou infalíveis os escritores do Novo Testamento para usarem desse material já disponível de tal modo que. se é verdade que um autor humano pode citar-se a si mesmo de um modo livre. Mas. cada parte se acha ajustada às outras e ao todo. e no caso das Escrituras. acompanhadas e interpretadas por uma ordem de profetas instruídos e dirigidos de um modo sobrenatural. compreendendo sessenta e seis escritos. forma. o antítipo correspondeu ao tipo e o cumprimento à predição. suas citações do Velho Testamento são feitas de um modo muito livre. e tanto mais bem ordenada ver-se-á que é a estrutura do todo. por Fairbairn. As Escrituras são a história e a interpretação da obra da redenção. porque dizem eles. além de servir para o seu fim temporário. a ação divina na gênese de toda parte das Escrituras é determinada tão claramente e com a mesma certeza como o é na gênese mais antiga dos céus e da terra. introduzem uma outra tradução. Cada uma dessas citações deve ser examinada separadamente e em seus detalhes. como também os do Novo Testamento fazendo as citações. os intérpretes racionalistas têm dito que é impossível que fossem inspirados plenamente. cada um contribuiu com parte daquilo que era necessário para construir o organismo comum. citam a versão Septuaginta quando está conforme com o hebraico. pois. tanto os escritores do Velho Testamento citados. Assim. Essa é uma obra que Deus preparou e levou a efeito por meio de muitos atos sucessivos durante um processo histórico que durou muitos séculos. Qual a objeção feita a esta doutrina. e outras vezes ainda. tanto mais diversas e exatas se achará que são suas articulações no sistema geral do todo. a própria verdade que Deus tivera em vista desde o princípio. durante esse tempo. os escritores do Novo Testamento citam os do Velho com exatidão verbal. se os ipsissima verba eram infalíveis em primeiro lugar. 19. Cada um dos escritores tinha sua própria ocasião especial e temporária de escrever. Quanto mais minuciosamente for estudado o conteúdo de cada livro à luz de seu fim especial. e também seus próprios temas e auditório especiais e temporários. e estendendo-se a todas as partes. como fez o Dr. 20. comparativamente poucos. E. e em acomodação aparente do sentido literal. mediante as correlações. Fairbairn. naquela forma que estava melhor adaptada ao fim que então tinham em vista. o mais perspicuamente. baseada na maneira livre por que as Escrituras do Velho Testamento são citadas no Novo. a história foi interpretada pelas doutrinas e as doutrinas deram leis ao dever e à vida. Uma providência sobrenatural ia desenvolvendo. e estrutura como os diversos membros do corpo. um todo composto de muitas partes diversificadas entre si em matéria.

Esta. com um fundo quase impenetrável às nossas pesquisas e escritas. Porque. não só provavelmente mas sem a possibilidade de dúvida. em Efésios 5:32. Os que afirmam sua existência devem apontá-las e provar.E evidente que semelhante estado de coisas. nem diminuem as provas de um só fato ou doutrina essencial do cristianismo. em manuscritos cada vez mais antigos e exatos. no sentido em que os novos críticos afirmam e a Igreja nega sua existência. à vista de tudo o que as próprias Escrituras afirmam ou descerram quanto à natureza e extensão da influência divina que regulava e dirigia a sua gênese. até certo ponto e em certo grau. A Igreja nunca ensinou a infalibilidade verbal de nenhuma tradução das Sagradas Escrituras. 2a. mesmo se fosse provada a sua existência. não cronológicas e fragmentárias. E mesmo a respeito destes nunca afirmou que tivessem conhecimentos infinitos. mesmos registros originais. porém. descobrindo e conferindo exemplares das Escrituras. é uma palavra. o produto da inspiração divina. E é um fato consolador que os críticos cristãos. do número e caráter dos casos de discrepância cuja existência fosse provada. para refutar a doutrina de serem as Escrituras. grau eextensão. a existência de "discrepâncias" no sentido supra definido. A Igreja afirmou sempre a infalibilidade absoluta só dos registros originais das Escrituras. Este exame pertence aos ramos da crítica e da exegese bíblicas. em hebraico e grego. para sustentarem sua posição contra as muitas probalidades que há contra ela. e que é aquilo mesmo que o escritor queria dizer. em cada caso alegado. porém. sendo alguns deles bem graves. essencialmente. nesses exemplares. cada um dos seguintes pontos: (1) Que a discrepância alegada existia no registro original das Escrituras inspiradas. nas línguas originais. tenha estas características. mas só que eram infalíveis quanto àquilo que tinham o desígnio de anunciar. E óbvio que o fato de realmente existirem semelhantes "discrepâncias" pode ser determinado só pelo exame cuidadoso e independente de cada caso alegado. E reconhecido que. no original hebraico e grego. é extremamente improvável.* nem a exatidão perfeita de nenhum dos manuscritos das Escrituras. em circunstâncias que não conhecemos. 4a. são evidentemente bem fundadas. como eles saíram das mãos dos escritores inspirados. provem. "sacramentum". Será necessário que se prove a existência de uma "discrepância" que. das Escrituras. ainda que essas variações dificultem a interpretação de muitos pormenores. 3a. não serviria. cujo fim evidente era de afirmar como verdade alguma coisa que estava em manifesta e irreconciliável contradição com o que se dizia em outra qualquer parte desses É necessário excetuar a igreja católica romana. em Isaías 40:2. O ónus probandi está sobre eles exclusivamente. A força da objeção dependeria.g. que todos os elementos da definição supra encontram-se. e esses casos nada provariam contra o fato da inspiração. que nenhum outro dos que possuíam desde os tempos dos apóstolos. É certo que. não envolvem a perda. (2) Que a interpretação dada ao texto pelo objetor é a única admissível. testemunho unânime dos cristãos letrados que. As seguintes considerações. que declarou a tradução chamada Vulgata de autoridade indiscutível. Nota do tradutor. Uma "discrepância" pois. E. como por e. e quanto à sua autoridade sobre a consciência e vida como a voz de Deus. porém. há muitas "discrepâncias" como resultado de muitas transcrições sucessivas. estão constantemente progredindo no seu desempenho de dar à Igreja um texto mais perfeito das Escrituras. ou em contradição com qualquer fato conhecido e indubitável. e diriam respeito só à sua natureza. Este estado de coisas. em todos os sentidos. e são suficientes para acalmar todas as apreensões a este respeito. que possuímos agora. apesar de conter inúmeros erros de tradução. A dificuldade disso se tornará evidente quando se considerar que são de uma obscuridade inerente antigas narrações. será necessário que os que afirmam a existência de discrepâncias nas Escrituras. em cada caso alegado. "malitia". e Hebreus 11:21. 1a. antes que a alegação de existirem "discrepâncias" possa afetar a doutrina da Igreja com referência à inspiração verbal e plenária das Escrituras. à vista das muitas provas apresentadas acima. é uma tarefa que é muito difícil e até quase impossível de se desempenhar. frase ou passagem existindo no registro original de qualquer parte das Escrituras. que tantas vezes . perante juízes competentes.

nas Escrituras. etc. impede.1 Cor. são real e essencialmente irreconciliáveis. e outras que parecem irreconciliáveis umas com as outras. Finalmente. (3) É preciso que provem também que os fatos científicos ou históricos. seja realmente o único sentido que racionalmente podem ter. Sobre o uso deste verbo no grego. "Como homem" ou "humanamente falando" são expressões que se encontram freqüentemente. serviase da linguagem comumente usada entre os homens. 12. Existem. tem sido provado de tal modo que fosse reconhecido pela comunidade de letrados crentes.19. 7:40. tanto para que conhecessem a verdade como para que a escrevessem. E como Paulo. só um modo regional de dizer: eu tenho. "Julgo que também eu tenho o espírito de Deus" . porém em certas circunstâncias era inoportuno. com igual força. põe suas palavras em igualdade de autoridade com as de Cristo. sejam deveras fatos. "Aos mais digo eu. mas não se tem provado nenhuma "discrepância". Mas tudo isso eles devem fazer. A medida que os homens progridem no conhecimento. e que o sentido em que elas se acham contraditórias com esses fatos. no sentido acima definido desta palavra.12. Romanos 3:6. ou as afirmações das Escrituras. on First Corinthians. muitas passagens difíceis de serem interpretadas. "Aqueles que estão unidos em matrimônio mando. Em 1 Coríntios 7:6: "Eu digo isto por permissão" (segundo o original e a vulgata.1 Cor. Paulo não tinha nenhuma dúvida de ser instrumento do Espírito Santo Hodge. em infalibilidade e autoridade. Em Romanos 3:6 significa que Paulo. e em Gálatas 3:15. Certos escritores sobre este assunto. significa: "sirvo-me de uma ilustração tirada das coisas humanas". como também provar que eles. Gálatas 3:15. todos os esforços engenhosos dos críticos racionalistas de provar a existência de "discrepâncias". distinguem entre diversos . "secundum indulgentia") "e não por mandamento". que se alegam estar em contradição com esses fatos. senão o Senhor". DECLARAÇÃO DEFECTIVA DA DOUTRINA 22.a realidade dos fatos. o que dizia era opinião dos judeus. "Cristo" ensinou quando estava na terra. nesta passagem. por amor à clareza. no mais alto grau. de "direção" e de "sugestão". não encontraríamos dificuldade alguma nas Sagradas Escrituras. este fato mostra que Paulo reivindicava para si uma inspiração que tornava sua palavra igual à de Cristo.14. e que essas afirmações sejam realmente parte do texto inspirado das Escrituras canónicas. refere-se ao versículo 2. desaparecem algumas dificuldades e surgem outras. e mostrar sua perfeita consonância com a inspiração plenária da Bíblia inteira. 21. "Julgo que tenho" é. O matrimônio sempre era permitido. em si. e a legitimidade da interpretação que parece também estar em contradição com esses fatos -será ainda necessário provar que não só parece haver contradição e que esta parece irreconciliável no estado atual dos nossos conhecimentos. que se tivéssemos conhecimento perfeito de tudo. é suficiente que chamemos a atenção para o fato de que nenhum caso de "discrepância". Em Romanos 6:19 significa: "de um modo adaptado à compreensão humana".Diga qual o sentido em que os escritores teológicos empregam os termos de "inspiração" de "superintendência de "elevação". a genuinidade do texto que parece estar em contradição com eles. (4) Depois de provadas . não a sua própria. confundindo a distinção entre inspiração e revelação e empregando o primeiro destes termos. confira-se Gálatas 2:6 e 1 Coríntios 12:22. 5a. 7:10. Explicar o sentido de passagens como 1 Coríntios 7:6. Aqui o apóstolo refere-se àquilo que "o Senhor". isto é. e seu sentido fica determinado pelo contexto. E é provável. Com. ou fica em pé a probabilidade da sua não existência. segundo o uso da língua grega. no sentido de toda a influência divina que atuava sobre os sagrados escritores. e distingue entre aquilo que Cristo ensinou e o que o apóstolo ensina. não o Senhor" .embaraça o intérprete e impede o apologista de provar a perfeita harmonia das narrações. não eu.

uma fornece o material no caso dos escritores não poderem obtê-lo de outro modo. Afirma-se que certos livros foram inspirados plenariamente. enquanto que outros foram escritos só com o natural auxílio providencial e gracioso de Deus. Quais as diversas formas em que se tem sustentado a doutrina de uma inspiração parcial ? Ia. Por "inspiração de sugestão" entendiam essa influência divina que sugeriu a suas mentes verdades novas e que. em segundo lugar. Quais os princípios que conduzem.graus de inspiração para acomodar a sua teoria aos fatos do caso. na verdade. até onde estas dizem respeito à natureza e aos propósitos de Deus cujo conhecimento é inatingível de outro modo. E perigoso distinguir entre graus diferentes da inspiração. não poderiam chegar. Por "inspiração de direção" entendiam essa influência divina que dirigiu os escritores sagrados na escolha e disposição do seu material. de outro modo. mas negam isso quanto aos elementos históricos e biográficos. Porque.T. e. como se certas partes das Escrituras fossem a Palavra de Deus em graus diferentes. materialistas e naturalistas. dos quais não podia passar um só i ou um til sem que fosse cumprido. é evidente que parte do conteúdo das Escrituras podia bem ser conhecida dos escritores. nos seus escritos. 2 5. Outros admitem que a inspiração dos escritores dirigia os seus pensamentos. 2a. e a todas as alusões a fatos ou leis científicas. são produtos da inspiração. 23. outra dirige os escritores a todo instante. Coleridge admitia a inspiração plenária da lei e dos profetas. estariam fora do seu alcance. Por "inspiração de elevação" entendem essa divina influência que exaltava as qualidades naturais dos escritores sagrados a um grau de energia a que. necessariamente. todos os princípios panteístas. naturalmente. os princípios racionalistas. S. mas negava isso a respeito dos demais livros do cânon. toda ela é igual e absolutamente a infalível Palavra de Deus. . esses escritores queriam dizer exatamente aquilo que demos acima como a definição de inspiração. sem nenhum auxílio sobrenatural. FALSAS DOUTRINAS SOBRE A INSPIRAÇÃO 24. no sentido em que é afirmada pela Igreja. enquanto que. Essas distinções nascem da falta anterior de não se distinguir entre revelação (que é fenômeno apresentado freqüentemente) e a inspiração (fenômeno apresentado constantemente nas Escrituras). por exemplo. de sentimento e de estilo. de outro modo. (1) em garantir a verdade infalível de tudo quanto escreveram (2) na escolha e distribuição do seu material. 2a. São. Por "inspiração de superintendência". Muitos admitem que os elementos morais e espirituais das Escrituras e as doutrinas. suas peculiaridades individuais de pensamento. 3a. Que objeções se pode fazer a essas distinções? Ia. os diversos escritores fizeram uso de suas faculdades naturais e introduziram. mas negam que se estendia à sua expressão em palavras. à negação de qualquer inspiração sobrenatural? Todos os princípios filosóficos ou modos de pensar que excluem a distinção entre o natural e o sobrenatural necessariamente conduzem à negação da inspiração. em primeiro lugar. em todas as suas formas. enquanto que outra parte não podia ser conhecida deles.

Theses Theological. pág. e também as mesmas tradições. 1:8.. mantém que as Escrituras. que têm chegado até nós. 186). nem porque foram depois aprovados por sua autoridade. subordinada ao Espírito de quem receberam toda sua excelência". recebidas pelos apóstolos da boca de Cristo. (o Concílio) seguindo o exemplo dos padres ortodoxos. foram produzidas por seus escritores auxiliados pelo "grau superior daquela graça e comunhão com o Espírito que se ensina à Igreja. ou sem elas. pág. 339) e. a esperar e pedir em oração". proposições 1. esta revelação sobrenatural. e que estas são juiz. Qual é a doutrina da "Inspiração da Graça"? Coleridge.Fórmula Concordiae Epitome. Sess." LUTERANAS . diversos homens têm mantido e afirmam que as Escrituras são só "parcialmente" inspiradas. que pertencem tanto à fé como aos costumes.o mandou pregar a toda a criatura. sob a condição de prestar obediência constante a essa luz que lhe é assim comunicada graciosamente a ele e a todos os homens. sendo Deus o único autor de ambos os Testamentos. tendo sido escritos por inspiração do Espírito Santo. a de Morell (Philosophy of Religion. têm Deus por seu autor e foram entregues como tais à mesma Igreja. e dos quacres. Carta 7. segundo a crença universal da Igreja. tanto do Velho como do Novo Testamento.. na sua inteireza. piedade e reverência. E esses livros do Velho e do Novo Testamentos devem ser recebidos como sagrados e canónicos. no sentido de não poder ser verdadeira uma revelação pretendida que esteja em desacordo com as Escrituras. e estão contidos na antiga edição da Vulgata. Cap. foram transmitidas como de mão em mão. se lhe forem desconhecidas. sess. assim como se acham enumerados no decreto do dito Concílio. Mas eles mantêm. de autoridade. 119: 105 e Gál. e por uma contínua sucessão. que as Escrituras são só "uma regra secundária. e em tradições (sem escritos) que. Barclay's Apology. com todas as suas partes. como é afirmado pelas próprias Escrituras e por todas as Igrejas históricas. e a todo o membro regenerado da Igreja de Cristo. ou ditadas pelo Espírito Santo. é contida nos livros escritos e tradições não escritas. como de mão em mão chegaram até nós. e vendo que esta verdade e disciplina se contém em livros escritos.Decretos do Concílio de Trento. virtualmente. de fé e prática. 2 e 3. 3. assim como está escrito em Sal. todos negam que usão a palavra de Deus". Esta é a doutrina de Maurice (TheologicalEssays. "Ademais. com igual afeto de piedade. em todas as circunstâncias. primeiramente promulgado pela boca de Nosso Senhor Jesus Cristo Filho de Deus. em suas Confessions of an Inquiring Spirit. Admitem só que elas "contêm a palavra de Deus". tendo sido recebidas pelos apóstolos da própria boca de Cristo. confessamos e ensinamos que a única regra e norma segundo a qual todos os dogmas e doutrinas devem ser estimados e julgados não é nenhuma outra senão os escritos proféticos e apostólicos do Velho e do Novo Testamentos. em todas as controvérsias entre cristãos. ou em todos. 1: "Cremos. exceto a lei e os profetas. conservadas na igreja católica. o qual Espírito ilumina a todo o homem e lhe revela. ou pelo Espírito Santo. 4 "O evangelho. as quais são muito úteis e a regra. 1870.. não porque houvessem sido compostos cuidadosamente por indústria meramente humana. nem somente por conterem uma revelação sem mistura alguma de erro. Por conseguinte. ou aos próprios apóstolos ditadas pelo Espírito Santo. como ditadas pela boca de Cristo." Decretos dogmáticos do Concílio vaticano. também. venera e recebe todos os Livros. declarada pelo santo Sínodo de Trento. Esses a igreja (católica romana) tem por sagrados e canónicos. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS CATÓLICO-ROMANA . e depois pelos seus apóstolos." .. 2. e sim porque. 26. Estes admitem que há uma revelação objetiva sobrenatural e que esta é contida nas Escrituras. ou pelas Escrituras. recebe-as e venera com igual afeto. todo esse conhecimento de Deus e da Sua vontade que lhe é necessário para sua salvação e direção. dos mesmos apóstolos.Num desses sentidos.

" A Confissão Belga. seu Autor. em diversos tempos e de vários modos. para melhor conservação e propagação da verdade e para mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de satanás e do mundo. as quais devem ser cridas e obedecidas. fazê-la escrever toda inteira". 1:21). deve ser recebida . 1. mandou Seus servos.REFORMADAS .por ser a Palavra de Deus. de Westminster. que os homens santos de Deus é que falaram. os profetas e apóstolos. Por isso chamamos santos. pelas Escrituras Sagradas." A Confissão de Fé. E que depois Deus. A autoridade das Escrituras Sagradas. as duas tábuas da lei." . 3. como diz o apóstolos Pedro (2 Ped. a todos esses escritos. não depende do testemunho de nenhum homem ou igreja. A respeito das Escrituras Sagradas: "Cremos e confessamos que as Escrituras canónicas dos santos profetas e apóstolos de cada um dos Testamentos são a verdadeira Palavra de Deus. Cap. e continua a falar a nós. 1.Segunda Confissão Helvética. e sim. Art. levado a isso pelo cuidado especial que tem por nós e nossa salvação. "Confessamos que esta Palavra de Deus não foi enviada nem entregue pela vontade do homem. "Por isso aprouve ao Senhor revelar-Se e declarar essa Sua vontade à Sua Igreja. com Seu próprio dedo. Cap. inspirados pelo Espírito Santo. mas somente de Deus (que é a própria verdade). escreverem a Sua palavra revelada. aos profetas e aos apóstolos. e que possuem autoridade suficiente por si só e não dos homens. por isso. e Escrituras divinas. e Ele mesmo escreveu. Pois Deus mesmo falou aos patriarcas. e. e depois.

quando determinado claramente e conhecido. o ensino oral de Cristo e Seus apóstolos transmitido até nós pela igreja (católica). e Teologia de Deus. reconhecidas universalmente. e quais os fundamentos em que baseam a autoridade das tradições que admitem como verdadeiras? 1o. é intrinsecamente de igual autoridade à dos seus escritos. e as deduzem dos apóstolos como sua origem. para interpretar as Escrituras. ou pelo papa ex cathedra. (b) As Escrituras são incompletas como regra de fé e prática devido haver muitas doutrinas e instituições. tanto das Escrituras como da tradição -Decretos do Concílio de Trento. é consenso católico. expressa pelo consenso católico. 3o. TENDO SIDO DADAS POR INSPIRAÇÃO DE DEUS. O que a igreja romana declara ser a regra infalível de fé e prática? A teoria romana é que a regra completa de fé e prática consta das Escrituras e da tradição. para o ensino de verdades adicionais. durante a dispensação atual. (2) Os antigos "ss. 1o. 4. SÃO A ÚNICA REGRA. 2o. 80 e 81. Sess. e que a igreja (católica romana) foi designada divinamente para ser a depositária e o juiz. O critério de que se servem para distinguir entre as tradições verdadeiras e as falsas. Os romanistas reconhecem como consenso de autoridade aquilo que foi determinado constitucionalmente pelos bispos reunidos em concílio geral. 4. Por quais argumentos pode-se demonstrar a invalidade de todas as tradições eclesiásticas. N°. (2) Baseando-se na autoridade da igreja. e diz-nos quais os deveres que Ele de nós exige. Afirmam que a tradição é necessária. Por quais argumentos os defensores dessa teoria procuram estabelecer a autoridade da tradição? Qual o critério de que se servem para distinguir as tradições verdadeiras das falsas. como parte de nossa regra de fé e prática? . O que se quer dizer quando se afirma que as Escrituras são a única regra infalível de fé e prática? Tudo quanto Deus ensina ou ordena é de autoridade soberana. Seus argumentos a favor das tradições são: (1) As Escrituras autorizam-nas: 2 Tess. Tom. 3. E REGRA INTEIRAMENTE SUFICIENTE. 2. 2:14(15). As próprias Escrituras nos têm sido transmitidas pelo testemunho da tradição. (5) A analogia. 1. comunica-nos o conhecimento da Sua vontade quanto àquilo que devemos crer a Seu respeito. padres" afirmavam a autoridade da tradição e em grande parte baseavam nela a sua fé. Todos os Estados reconhecem tanto as leis não escritas como leis escritas.(1) Com base no testemunho histórico. e o rio não pode subir mais alto do que a sua origem. E JUIZ NAS CONTROVÉRSIAS. a lei comum e a lei baseada em estatutos. em qualquer época. não contidas nas Escrituras. é uma regra infalível. As Escrituras do Velho e Novo Testamentos são os únicos meios pelos quais Deus. DE FÉ E PRÁTICA. Tudo quanto nos comunica o conhecimento infalível daquilo que Ele ensina e ordena. baseadas na tradição como suplemento às Escrituras. 3:6. 2. Os ritualistas anglicanos limitam a aplicação desta regra aos primeiros três ou quatro séculos. Defendem as tradições que têm por verdadeiras . ou seja.5 A Regra de Fé e Prática AS ESCRITURAS DO VELHO E NOVO TESTAMENTOS. e precisam da tradição como seu intérprete. (3) O ensino oral de Cristo e Seus apóstolos. 2o. (4) A necessidade: (a) As Escrituras são de sentido obscuro.

à prova das Escrituras . Que é necessário para constituir uma regra única e infalível de fé? Inspiração plenária. Que argumentos oferecem as próprias Escrituras a favor da doutrina de serem elas a única regra infalível de fé? 1o. 22:18. A base inteira em que os romanistas apoiam a autoridade de suas tradições. e que esta revelação é abundantemente suficiente para a nossa direção. 3o. nas Escrituras. a priori. 1:7. Os bereanos foram elogiados por sujeitarem todas as questões. e mesmo o ensino dos apóstolos. e muitas das suas pretensas tradições são invenções recentes e desconhecidas pelos seus predecessores. e que a regra seja completa. Mar. orais e escritas. estão flagrantemente em oposição direta ao ensino das Escrituras. 16:29. não foram transmitidas... Por outro lado. Sua prática não está em conformidade com seus princípios.Atos 17:11.. 2 Tim. 15: 7-9.Luc. e Deut. na pessoa dos predecessores destes os fariseus. 5o. existiam então. foi ensinado no terceiro. e por conseguinte.. depois do tempo dos apóstolos. é inválida. 12:32. Mat. 2o.. 4o. se acham todas as revelações feitas por Deus em qualquer tempo ao homem. 10:26. (2) Porque a tradição.19. a história e a autoridade da igreja. e Jos. Muitas de suas tradições. por sua própria natureza. 6. Em que sentido é que se afirma que as Escrituras são completas como regra de fé? ■ a Não quer dizer que. 4:2. 2:14 (15). 4:3. ao sacrifício da missa. como obrigatórias.. 5. E improvável. As Escrituras não atribuem. 7: 5-8. 3o. fosse qual fosse . Cristo repreendeu severamente esta mesma doutrina dos católicos romanos..Mat. completas e perspícuas. e as que têm contradizem-se mutuamente. perspícua e acessível. . obrigados a recorrer ao postulado absurdo de que aquilo que se ensinou no quarto século. Não obstante. Além disso. autoridade às tradições orais. à fé e à obediência. como aquelas que dizem respeito ao sacerdócio. por isso. etc. eles têm pouquíssimas evidências a favor de qualquer de suas tradições. As Escrituras falam sempre em nome de Deus e se impõem. Por mais de trezentos anos. (2) A igreja (católica) não é infalível.1o. também no segundo e no primeiro. como haveremos de demonstrar abaixo (pergunta 20). isto é. como mostraremos abaixo (perguntas 7-14). é indeterminada e está sujeita a ser adulterada por todas as formas de erro. (1) Eles não têm apoio nenhum na história. como demonstraremos abaixo (pergunta 18). 7:7 (8).. veja também Is. 7. e sim que o seu conteúdo é a única revelação que Ele nos faz agora. . As tradições de que Paulo fala nas passagens citadas de 2 Tess. como parte de nossa regra de fé. São. Cristo repreendeu os fariseus por fazerem acréscimos às Escrituras e pervertê-las . em última instância. João 5:39. em todas as questões de fé. veja também Apoc. que Deus suplementasse as Escrituras com a tradição. Cristo e Seus apóstolos referiam-se sempre às Escrituras escritas que. 15:3. definidas. prática e modos de prestarLhe culto. na tradição. essa igreja pretensamente infalível afirma a infalibilidade das Escrituras! Uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. Os romanistas não aceitam muitas das tradições mais antigas e mais bem atestadas. Rom. 4o. e exclui a necessidade e o direito de invenções humanas. 3:15. e comunicadas por ele a esses mesmos tessalonicenses. 2o. 3:6. são certas.. ... 8:16. e a nenhuma outra regra de fé. Mar. foram todas as suas instruções. a autoridade das Escrituras não se acha baseada. como se afirma. (1) Porque as Escrituras.

pelo desígnio nelas mesmas professado. 10. que estas são completas? . 130. 6:4-9. Provamos agora sua perspicuidade. Qual o sentido em que os protestantes afirmam e os romanistas negam a clareza das Escrituras? Os protestantes não afirmam que as doutrinas reveladas nas Escrituras estejam ao nível das faculdades humanas para compreendê-las. pelo desígnio das Escrituras. em todos os séculos. pois. 9.João 20: 31. Heb. nem uma só vez. e assim também o verdadeiro povo espiritual de Deus. seriam mentirosas". ou pode ser deduzido delas com certeza. como a tradição. a Igreja Cristã está fazendo progresso constante na interpretação exata das Escrituras e na compreensão. e para a administração do reino de Deus. que não é perspícua. sem dificuldade. 2 Cor. . 13. por outro lado. em todas as suas relações. 1:18-21. 12. tanto nos seus mandamentos como no seu ensino. isto seria referido nelas. 9. Quais as passagens onde é afirmada a sua perspicuidade? Sal. fala da necessidade nem na existência de outra regra . a licença de interpretar as Escrituras por si. Como se pode provar a perspicuidade das Escrituras pelo fato de serem uma lei e uma mensagem? Já vimos (pergunta 8) que as Escrituras ou são completas ou falsas. 1 Cor. Nem afirmam eles que se possa explicar todas as partes das Escrituras com certeza e perspicuidade. 11. Os protestantes afirmam e os romanistas negam que se pode. houvesse necessidade de qualquer regra suplementar. 18 (19):8.8. que todo artigo essencial de fé e regra de prática é revelado claramente nelas. vêem nelas essa regra completa. 3:15-17.Deut. Supor-se. Por quais outros argumentos pode-se provar este princípio? As próprias Escrituras se apresentam como uma regra completa para o fim a que se propõem. na sua integridade. Se. porque muitas das profecias são inteiramente enigmáticas. 2: 2. 3:15. pelo mesmo princípio. Confessam que muitas delas estão além de todo o entendimento. conceder aos cristãos particulares e não instruídos. Elas professam ser: (1) uma lei que devemos obedecer. enquanto não explicadas pelos eventos a que se referem. Afirmam. As Escrituras são dirigidas imediatamente ou a todos os homens indistintamente. Mas. 1:3. e por meio das controvérsias. 2Tim. 17. Como se pode provar. Luc. ou a todos os crentes tomados como tais . Fornecem todos os tipos necessários para o governo da vida particular dos cristãos. sob pena de morte eterna. Que outros argumentos há para estabelecer este ponto? 1o. As Escrituras professam conduzir-nos a Deus. Rom. 2 Cor. 1:7. 2 Ped. devem ensinar-nos tudo o que é necessário para esse fim. com o progresso dos conhecimentos históricos e críticos. 1:2. do sistema nelas ensinado. Ensinam um sistema completo e conseqüente de doutrina. 118 (119): 105. 3:14. . . (2) uma revelação de verdades que devemos crer. conquanto os sagrados escritores remetam constantemente aos escritos dos outros. E repelem todas as pretensas tradições e inovações sacerdotais. por conseguinte. "Se não fossem completas a este respeito. para o culto público a Deus. sem perigo. e afirma que em ambos estes aspectos devemos recebê-la. Tudo isso o cristão menos instruído pode aprender nas Escrituras. nenhum deles. . . porém. é o mesmo que acusar a Deus de tratar-nos de um modo que é ao mesmo tempo dissimulado e cruel. Sal. 2 Tim. é verdade também que. para esse fim.

15. Ef. mas a sua inspiração a torna infalível na disseminação e interpretação da revelação original comunicada pelos apóstolos. O que cabe à Igreja fazer a esse respeito é simplesmente dar a maior circulação possível à Palavra de Deus. divinamente autorizada. são obrigatórios somente até onde afirmam aquilo que a Bíblia ensina.17. como temos a respeito do sol. um juiz é quem expõe e aplica essa regra à decisão dos casos particulares". 1:2. e os bispos. A experiência universal. em contraste com a tradição. 3:15. Que as Escrituras são a única regra infalível de fé e prática. 3o. 1: l.2Ped. Que é que se entende quando se diz que as Escrituras são o juiz e também a regra. O que sejam Escrituras Sagradas. Os credos e confissões. A unidade essencial na fé e prática. examinarem as Escrituras: 2 Tim. 1:1. e devera ser interpretadas à sua própria luz e com o auxílio gracioso do Espírito Santo. prometido a todos os cristãos (1 João 2:20. mas não sob a autoridade dos outros cristãos.l. A doutrina protestante é : 1o.1:1. Apoc. Temos provas tão claras do poder das Escrituras de darem luz. Fil.4. seus irmãos. 2o. da regra de fé. com autoridade divina: Io.14. e com qualquer outra regra pretendida. Col. em todas as matérias de fé e prática cristãs. são obrigatórios somente para os que os professam voluntariamente. João 5:39. ou a aplicar os seus princípios à decisão das questões particulares. O que seja tradição verdadeira. 1:1. Seu ofício não é a comunicação de novas revelações da parte de Deus. vers. 3o. 16. 1:3. Tia. quanto à sua matéria. 14. em todas as idades e nações que aprendem sua religião diretamente nas Escrituras. como corporação. Por isso a igreja determina. Qual foi a terceira qualidade mencionada como necessária para constituir as Escrituras em regra suficiente de fé e prática? Que fossem acessíveis. (2) Positivamente: que as Escrituras são a única voz infalível na Igreja. 2:7. que está entregue à custódia de uma corporação de sacerdotes. ou quando dão . (1) Negativamente: que não há corporação alguma de homens que sejam qualificados ou estejam autorizados a interpretar as Escrituras. quando faz ou diz qualquer coisa no seu caráter oficial. Gál. com a ajuda. quanto à sua forma. Dessa autoridade se acham revestidos o papa. E evidente que esta é a característica proeminente das Escrituras. e qual a aplicação dessa regra perfeita a cada questão em particular de fé ou prática. Qual o sentido das Escrituras e da tradição. Qual é a doutrina católico-romana quanto à autoridade da igreja como intérprete infalível da regra de fé e juiz autorizado de todas as controvérsias? A doutrina da igreja católica romana é que a igreja é absolutamente infalível. e porque a Bíblia ensina assim. em questões de fé? "Uma regra é uma norma segundo a qual se deve julgar. 1:2. 4o. Manda-se todos os cristãos. e a depositária e intérprete. Atos 17:11. 1:1. quando se acham reunidos em concílio ecumênico.27) pelos indivíduos. no sentido de serem suas decisões obrigatórias para outros cristãos. 1 João 2:12. Os argumentos contra isso são um insulto à compreensão de todos os leitores da Bíblia no mundo. apesar de algumas diferenças circunstanciais em todas as comunidades cristãs. indistintamente. 2o. e4:2. cada um de per si. Judas. As únicas exceções são as Epístolas dirigidas a Timóteo e Tito. 2o.

ao corpo inteiro dos verdadeiros crentes. As provas apresentadas não servem para estabelecer as suas pretensões porque a Igreja à qual foram e são feitas as promessas preciosas das Escrituras não é uma sociedade externa e visível. 1:2. e nas suas saudações temos a explicação de que a expressão "à igreja" é equivalente a "os chamados". O mais que prometeu foi que o verdadeiro povo de Deus nunca desapareceria inteiramente da terra. e a falta de se apresentarem tais provas converte a pretensão em traição contra Deus e contra a raça humana. 5o. seção 4. a autoridade sobre a qual se ache entregue nas mãos de uma linha perpétua de apóstolos. A necessidade. etc. Teologia de Deus. 9:15. 2:5. 18:18-20. 3:15. Rom. 10:16. 5:27. 3o. De Eccl.assentimento geral a um decreto do papa ou de um concílio -Decretos do Concílio de Trento. Isto porque . Luc. segundo dizem.20:23. e que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela"-ITim. Lib. 1 Ped.Mat. das promessas que Cristo fez à Igreja de preservá-la da extinção e do erro. tornandoos infalíveis. ICor. 2 Ped. 3o. "os santos".3. 16:18. pode ser estabelecida só pelas provas mais claras e decisivas. N°. 4o. 5:10. João 16:13. 8. e Lib. As provas apresentadas não estabelecem as suas pretensões. nem seria jamais abandonado. A comissão dada à igreja (romana) como mestra do mundo-Mat. João 10:27. A igreja é declarada ser "coluna e firmamento da verdade". 2 Tim. Os homens precisam e desejam um intérprete e juiz infalível. . Col. Jud. 28:19. 2. e abrange todos os chamados eficazmente ou regenerados Rom. A analogia universal.l6:17. Uma pretensão. 1:9. A igreja (romana) é dada o poder de ligar e desligar. 6o.94. 84. Ef. As promessas de Cristo feitas. 1:10. 16:19. nenhuma se estende até ao ponto de torná-la infalível.. cap. 10. Confirase João 20:23 com Luc. sim. 1:18. Quais os argumentos que a igreja romana emprega no intuito de estabelecer essa doutrina? 1o. vers.93.14. Heb.28. De Concil.. vers. revestindo homens mortais de um poder de tanto peso. e suas decisões e interpretações autorizadas . 1 Ped. Todas as comunidades entre os homens têm juízes vivos. 18. 2 João.Mat. e por isso deve ser qualificada e estar autorizada a fazer isso-2 Tess. 18:15-18. Quais os argumentos que demonstram não terem fundamento algum essas pretensões da igreja romana? 1o.3:6. 2:9. 20.(1) a palavra Igreja (ecclesia) é um termo coletivo. cap.96. (3) As Epístolas foram dirigidas à Igreja. 1:18. 80. 81. 1:7. e esta seria de pouco valor sem aqueles. 24. 8o. 17. 47-49. A igreja (romana) recebeu a ordem de discriminar entre a verdade e o erro. Luc. visível e contemporâneo. 24:48. bem como a lei escrita. e a ordem de que aquele que não a ouvir seja tido por "um gentio ou um publicano" . 27. Bellarmine. 2. 2o. aos apóstolos e seus sucessores oficiais. 4o.l. 2o. sempre vivo. Este poder é necessário para se conseguir unidade e universalidade que todos reconhecem como atributos essenciais da verdadeira igreja (a igreja católica romana). porque essas promessas não foram feitas por Cristo aos oficiais da Igreja como tais e.Ef. 7o. e 1 João 2:20. 24:33. (2) Os atributos imputados à Igreja provam que ela consta tão-somente do verdadeiro povo espiritual de Deus . Mat. As provas apresentadas não estabelecem essas pretensões porque. mesmo se apostatasse das coisas essenciais da fé.95. 16:18.49.

e o testemunho do Espírito Santo. 1 Cor. Tia. além disso. e é. explicitamente para si. a fé não poderia ser o que é. ensina doutrinas evidente e radicalmente irreconciliáveis com o sentido claro das mesmas Escrituras. Atos 17:11.27. 1:1. 2:13. As Escrituras são perspícuas: veja acima as perguntas 11-13. pois. Gál. 5o. porém. mas nada absolutamente se fez para a perpetuação do apostolado. a missa. 1 Tess. A fé deriva seu poder santificador da verdade que ela apreende imediatamente em função das provas experimentais que essa verdade."os que servem a Deus em espírito" -como se vê nas saudações em 1 e 2 Coríntios. é oposta às Escrituras pelos motivos supra expostos. 1:21. quando aceita. um ato moral. 2:10.2 Cor. Tinham deixado de existir tanto o nome como o ofício. 2 Cor. (3) Nos escritos dos primeiros séculos nada se encontra que diga respeito à existência de apóstolos na Igreja. 8o. 1 e 2 Pedro. 12:12. porque seu juízo universal nunca foi e nunca poderá ser reunido e enunciado imparcialmente. . Também no corpo das Epístolas os mesmos predicados são atribuídos aos membros da verdadeira Igreja . 4:2. as penitências. Ef. 3:16. Rom. A não ser assim. 1:22. 1 Ped. Colossenses. E necessário que todo cristão conheça e creia na verdade. como por exemplo. As Escrituras ordenam a todos os cristãos examiná-las. 1:30.19. sobre o fundamento direto de suas próprias provas morais e espirituais. nem poderia "purificar o coração". Quais os argumentos diretos pelos quais se pode estabelecer a doutrina de que as Escrituras são o supremo juiz nas controvérsias? Que todos os cristãos devem estudar por si as Escrituras. a saber. 4o.17. A religião é essencialmente uma coisa pessoal. Devido ser baseada na autoridade do conjunto total dos bispos. que os fatos são exatamente o inverso disso. 3:16. Atos 1:21. 9:1. 5:21. julgar e provar por elas todas as doutrinas e todos os que professam ser mestres dos outros-João 5:39. Confira-se João 20:23 com Luc. Se. 1 Cor. E notório. (4) Nenhum daqueles que se dizem sucessores dos apóstolos têm feito ver "os sinais do apostolado" . como questão de fato.19. 2:9. 1:18. em diversas partes e séculos. Se o sistema religioso dos romanistas é verdadeiro. (1) Tem ensinado doutrinas diversas. o culto prestado a Maria e às imagens. 19. (1) No Novo Testamento não há prova alguma de que os tivessem. Efésios. admitimos que o sistema romano é verdadeiro. 6:11. a igreja papal não tem sido consistente consigo no seu ensino. Esta reivindicação. 24:47. 8:9. as doutrinas sobre o sacerdócio. é prometido a todos os cristãos. autor e intérprete das Escrituras. (2) Afirma a infalibilidade das Escrituras e. expressa no seu assentimento geral. as boas obras. Mas. 5o. 6o. 1:8. Gál. dá de si mesma -João 17:17. Os apóstolos inspirados não tiveram sucessores.22.1 Cor. e não simplesmente sobre o fundamento da autoridade de outros. 3: 113). 3o. 2:3-8 e 19-22.12. 2o.2. Col. a luz autoevidencial e a virtude prática da verdadeira religião. 1 João 2:20. subverteremos uma das principais provas do próprio cristianismo. ITess. 7o. fica provado pelos seguintes fatos: 1o. impraticável. ao mesmo tempo. Por isso é que a igreja romana esconde as Escrituras do povo. quando baseada na autoridade do papa.49. e que em todas as questões quanto à vontade revelada de Deus se deve apelar só a elas. Judas. O Espírito Santo. (2) Proveu-se para a perpetuação regular dos ofícios de presbítero e diácono (ITim. pois as Escrituras nada sabem sobre o papa. As Escrituras são dirigidas a todos os cristãos: veja pergunta 13. é totalmente antibíblica. 1 Ped. então é evidente que a religião verdadeira e espiritual deve florescer nos países da sua comunhão e todo o resto do mundo ser um deserto moral. Não pode haver infalibilidade onde não há consistência própria. 1 João 4:1.

Não temos a pretensão de dizer que seja infalível o juízo particular dos protestantes. Como se deve responder ao argumento a favor da necessidade de um juiz visível. nossa fé nas Escrituras não é senão outra forma de fé nessa igreja. o direito de governar o reino. que as Escrituras são de Deus. O termo protestante é simplesmente negativo. impõe necessariamente ao povo a obrigação de decidir segundo o seu juízo particular? Acaso existe um Deus? Teria Ele Se revelado? Teria Ele estabelecido uma Igreja? Seria essa Igreja mestra infalível? Seria verdade que o juízo particular é guia cego? Qual de todas as pretendidas igrejas seria a verdadeira? É evidente que todas estas questões têm de ser decididas pelo juízo particular do inquiridor antes de lhe ser possível entregar. os princípios ] protestantes pelos quais contendemos. 3o. como é evidente (a) pela natureza de sua doutrina. Suas decisões doutrinárias precisam de um intérprete infalível. (b) pelo testemunho histórico dado por todas as testemunhas competentes e contemporâneas. mas só que. se soubéssemos só pelo testemunho autorizado da igreja. quando com espírito humilde e crente julgam as coisas divinas à luz das Escrituras. 2o. etc. como atestam seus hinos e livros de devoção. e por dois motivos: 1o. O testemunho sobre o qual aceitamos as Escrituras como a Palavra de Deus não é a autoridade da igreja (católica romana). O fato postulado é falso. com fidelidade. 20. chegam a ter um conhecimento competente das j verdades essenciais. 21. um maravilhoso grau de acordo sobre as coisas essenciais de fé e prática. (c) por suas profecias. e dirigem seus . desde que recebemos as Escrituras como a Palavra de Deus só por confiarmos no testemunho autorizado da igreja romana. Qual a objeção apresentada contra esta doutrina. tanto contra as Escrituras como contra Roma. bem como a protestante. na sua exposição autorizada feita pelo Concílio de Trento. sobre o fundamento de ser a igreja (católica) a nossa única autoridade para crermos que as Escrituras são a Palavra de Deus? Sua objeção é que. isto é. pelos romanistas. infinitamente mais do que precisam dele as Escrituras. naturalmente. racional ou irracionalmente. A diversidade que realmente existe entre eles tem sua j origem na falta de aplicarem. a igreja deve. (2) Estas mesmas Escrituras que possuímos foram escritas pelos apóstolos. 4o. A igreja católica romana. Assim os romanistas se vêem obrigados a apelar para as Escrituras para provar que elas não podem ser entendidas. (b) pelos milagres que realizaram. 22. e nem mesmo o de interpretar a vontade do príncipe. Os homens não tomam seu credo simplesmente. e sem preconceitos da Bíblia. Como se pode mostrar que a teoria católico-romana. na igreja e fora dela. apesar de muitas diferenças * circunstanciais. ser superior às Escrituras. o seu juízo particular à direção da igreja que se blazona de ser infalível e não admite o direito de juízo particular. Isso é absurdo. No entanto.20. (d) por nossa experiência pessoal e pela observação do poder da verdade. E sendo a autoridade da igreja o fundamento da autoridade das Escrituras. seria absurda a conclusão que pretendem tirar: porque a testemunha que prova a identidade ou primogenitura de um príncipe não adquire.. Mesmo se o fato postulado fosse verdadeiro. como fica evidente (a) por suas provas internas. mas: (1) Deus falou pelos apóstolos e profetas. chamados assim muitos incrédulos que protestam. por esse motivo. provou ser juiz muito indefinido. e que os romanistas tiram da diversidade de seitas e doutrinas entre os protestantes? 1o. e são . entre os protestantes bíblicos existe.

"Aceito e abraço firmemente a tradição apostólica e eclesiástica.. seja dada por autêntica . as Santas Escrituras. renovando o dito decreto. Como se pode provar que o povo é muito mais competente para descobrir o que seja aquilo que a Bíblia ensina do que o é para decidir. deve-se ter aquilo como verdadeiro sentido das Santas Escrituras que nossa santa madre igreja abraçou e abraça. por alguns. Cap. ininterrupta. as coisas que o santo Sínodo de Trento decretou. que pelo uso de tantos séculos foi aprovada na igreja (católica romana). a bem das almas a respeito da interpretação das Escrituras Sagradas. ninguém pode racionalmente ceder o seu direito de julgar por si o ensino da Bíblia enquanto não for claramente provado esse ponto."E havendo sido mal interpretadas. As Escrituras.. por meio de seus argumentos. confiado na sua prudência em matéria de fé e costumes. Ser-lhe-ia tão fácil provar-se descendente de Noé por uma série. a compreensão e aplicação inteligentes destes sinais envolve uma soma imensa de instrução e capacidade inteligente da parte do inquiridor. Ao mesmo tempo. Parte 1. QUANTO À TRADIÇÃO -Prof. segundo os sinais em que insistem os romanistas. A TRADIÇÃO E A INFALIBILIDADE DO PAPA 1o. obrigados pela necessidade. pertencendo a edificação da doutrina cristã. Fidei Tridentince (1564 d. DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA QUANTO A INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS. como lhe será estabelecer que a igreja romana tem direito ao último dos sinais acima numerados. e abraça a santa madre igreja a quem pertence julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. por isso. Sessão 4. têm decidido que há certos sinais pelos quais se pode distinguir a verdadeira igreja de todas as falsas. nas lições públicas. à qual pertence julgar o verdadeiro sentido das Santas Escrituras e.) 2 e 3 . QUANTO À INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS -Decretos do Concílio de Trento. ainda que essas interpretações nunca venham à tona". cap. naquilo a respeito do qual querem provar. e edificação da doutrina cristã. Aceito. pois. e nunca hei de tomá-las ou interpretálas de um modo que não seja de acordo com o consenso unânime dos padres. que não tem base! . torça as Sagradas Escrituras para os seus conceitos particulares. se atreva ou intente rejeitá-la. Seus argumentos baseiam-se.C. determina que: ninguém. determina e declara que: esta mesma antiga e vulgata edição. ininterrupta. a quem pertence julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. disputas. nem se atreva a interpretar as mesmas Escrituras contra o unânime consenso dos padres. com o fim de refrear espíritos rebeldes. para refrear engenhos petulantes. de casamentos legítimos. também. ou ao consenso unânime dos padres". de bispos canonicamente ordenados desde os apóstolos) Catecismo do Concílio de Trento. (2) Santidade (3) Catolicidade (4) Apostolicidade (envolvendo uma sucessão. São (1) Unidade (sujeitando-se todos a uma cabeça visível. declaramos que este é o seu sentido: que. 23. com pretexto algum. contra aquele sentido que abraçou. pregações e exposições. segundo o sentido que abraçou e abraça a santa madre igreja. não exigem tanto do juízo particular. qual seja a igreja verdadeira? Os romanistas. Além disso. Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano. 2o. a ninguém é permitido interpretar as Sagradas Escrituras de modo contrário a esse sentido. "Ademais." . com seu poder espiritual dando testemunho delas. o papa).argumentos ao juízo particular dos homens para provar que o juízo particular é incompetente para nos dirigir com acerto. 2 . e todas as demais ordenações e instituições da mesma igreja.e em forma que ninguém. Ora. nós. por certo. o mesmo sacrossanto Sínodo. em matérias de fé e costumes. 10.

A causa eficiente da infalibilidade. "5o. Por isso desviam-se do curso reto os que afirmam que é legal apelar das decisões do pontífice romano para um concílio ecumênico. ensinamos e definimos que é uma doutrina revelada divinamente: que o pontífice romano quando fala ex-cathedra. a exaltação da religião católico-romana e a salvação do povo cristão. Sessão 4 . define uma doutrina que diz respeito à fé ou costumes. QUANTO À AUTORIDADE ABSOLUTA DO PAPA -Decisões dogmáticas do Concílio Vaticano. e que por isso tais definições do pontífice romano são irreformáveis em si mesmas. ele é revestido da infalibilidade com a qual o divino Salvador queria que fosse revestida Sua Igreja. ou uma parte ou um membro dela. como de mão em mão. e não pelo consenso da igreja. tanto os pastores como os fiéis.a contradizer esta nossa definição.. Além disso."Aderindo. que são em si mesmas irreformáveis por serem. 4 . pois. cap. diz que nesta definição há seis pontos a serem notados: "1o."Porque o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro a fim de que. o auxílio divino prometido a Pedro. isto é. pudessem guardar inviolavelmente e explicar fielmente. aprovando o sacrossanto concílio. "6o. mas também nas que pertencem à disciplina e governo da igreja. Mas se alguém presumir . isto é. e tanto individual como coletivamente. da boca de Cristo. são."E vendo que esta verdade e disciplina se contém em livros escritos. chegaram até nós". anunciassem doutrinas novas. em todo o mundo. 4°. cap. A limitação desta autoridade infalível ao ofício doutrinal da igreja. e nele. falando do assento ou lugar. a saber. a seus sucessores. obrigados a sujeitar-se. O valor dogmático das decisões ex-cathedra. A matéria de que trata o ensino infalível. "4o. fielmente à tradição recebida do princípio da fé cristã para a glória de Deus nosso Salvador. lhes dê o seu assentimento". Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano. ou ditadas pelo Espírito Santo aos mesmos apóstolos. pode-se recorrer ao seu tribunal. infalível e não porque a igreja. ou com a autoridade do mestre supremo de todos os cristãos e obrigando o assentimento da igreja em todo o universo.. de qualquer rito e dignidade que sejam. 3 . nem pode alguém legalmente passar em revista a sua decisão. a doutrina de fé e costumes. para que por Seu auxílio. que é o de definir doutrinas que digam respeito à fé e costumes. a saber. o poder de jurisdição do pontífice romano é imediato."Por isso ensinamos e declaramos que por ordenação do Senhor. por não haver autoridade superior à dela.. no seu livro Vatican Council. . e que em todas as causas cuja decisão pertence à igreja.. e que a ele todos. Define o significado da frase bem conhecida loquens ex-cathedra. seja anátema". O Cardeal Manning. em si mesmas. e sem escritos nas tradições que recebidas pelos apóstolos. e que ninguém pode reabrir a decisão da sé apostólica. 3o. a revelação ou depósito de fé transmitida por meio dos apóstolos". não só nas matérias que pertencem à fé e costumes.o que Deus não permita . 4 . "2o. isto é.Concílio de Trento. como para uma autoridade superior à do pontífice romano". pelo auxílio divino que lhe é prometido em Pedro bem-aventurado. com o fim de definir doutrinas que digam respeito à fé e costumes. por seu dever de subordinação hierárquica e obediência verdadeira. por Sua revelação. e que a igreja universalmente deve crer. cap. O ato a que é ligado esse auxílio divino. ensinamos e declaramos mais que ele é o supremo juiz dos fiéis. quando em cumprimento do ofício de pastor e doutor de todos os cristãos. e sim. em virtude de sua autoridade apostólica. "3o.QUANTO À INFALIBILIDADE ABSOLUTA DO PAPA COMO MESTRE DA IGREJA EM TODO O UNIVERSO -Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano.

que morreu cerca do ano de 220. também. e a personalidade e deidade do Espírito Santo. semipelagianismo e agostinianismo. E este.o Concílio de Efeso afirmou. 2. em 680. foram definidas? A Igreja tem sempre feito progresso. da origem e das conseqüências do pecado no homem. e também um esboço da história da sua origem e disseminação. é o caráter da antropologia grega. em primeiro lugar. ou o método da sua aplicação pelo Espírito Santo ou da sua apropriação pela fé. negando a culpa do pecado original e sustentando que o pecador tem o poder de predispor-se e cooperar com a graça divina. e de Hilário de Poitiers (f 368) e Ambrósio de Milão (f 397). mais completa e mais claramente definidas. por homens de origem latina que chegaram primeiro a conclusões definidas na controvérsia de Agostinho com Pelágio. no Concílio de Toledo. por meio de controvérsias ativas. em meados do século 5. a unidade pessoal do Teantropos. em 589. o estado das opiniões teológicas nos primeiros três séculos ? Durante os três primeiros séculos que decorreram depois da morte do apóstolo João. os chamados Pais da Igreja Grega. ou. Como fato geral. foram mais completamente investigadas. nas obras de Tertuliano de Cartago. e foram definidas autorizadamente em sínodos. como também uma vontade divina. . da redenção e sua aplicação. do pecado e da graça. Estas decisões têm sido aceitas pela Igreja inteira. Qual foi. durante os séculos 3 e 4. foram investigadas. a divindade consubstancial de Cristo foi definida no Concílio de Nicéia. no sentido de adquirir mais claras concepções e mais exatas definições da verdade divina.6 Comparação de Sistemas Neste capítulo será apresentado um breve esboço das principais posições contrastadas dos três sistemas rivais do pelagianismo. em 325. pelo grande Agostinho. Por que meios tem a Igreja feito progresso na clara discriminação da verdade divina? E quais os séculos. nesses séculos. e da cristologia. E aprouve à Providência que as diversas grandes seções do sistema revelado nas Escrituras inspiradas fossem discutidas.combater as heresias gnósticas geradas pelo fermento da filosofia oriental . que foram depois vindicadas. mas. Não parece que se fizessem. e quais os ramos da Igreja em que as grandes doutrinas da Trindade. O sexto Concílio de Constantinopla. como são chamados em suas formas mais completamente desenvolvidas-socinianismo. nem quanto à natureza e aos efeitos da graça divina. Essa tendência pode ser notada. incluídos no título geral de antropologia. em geral. quase todos. As questões a respeito do pecado e da graça. tão assinaladamente. Assim.e em determinar definitivamente as questões que se desenvolveram nas controvérsias a respeito das Pessoas da Trindade. reunidos na metade oriental da Igreja geral. 1. exposições definidas e conseqüentes a respeito da natureza. as especulações dos mais antigos escritores da Igreja Ocidental. O Concílio de Calcedônia afirmou. em 451. as questões profundas envolvidas nas seções da teologia própria. da Pessoa de Cristo. Os mesmos atributos caracterizaram. em conseqüência da grande influência de Orígenes. nem quanto à natureza da obra redentora de Cristo. em séculos diversos e no seio de nações diversas também. Quanto à teologia. que as duas naturezas em Cristo são distintas. em 381. durante o século 4 e os que se seguiram imediatamente. no Concílio de Constantinopla. mais claramente. acrescentando os latinos a cláusula Filioque. luterana e reformada. uma tendência notável para adotarem as opiniões mais corretas. adotaram uma espécie de semipelagianismo. principalmente. arminianismo e calvinismo. os ânimos especulativos da Igreja ocupavam-se principalmente em defender a verdade do cristianismo contra os incrédulos . manifestou-se. por homens de origem grega. afirmou que o Senhor possuiu uma vontade humana. ainda hoje. entre os Pais latinos. pode-se dizer que. Quanto à cristologia . grega e romana. em 431.

Quando. em 407 e 416. que está entre os dois. e todas as denominações (com exceção dos socinianos professos) as têm reputado como heresias fatais. As posições mantidas por Pelágio foram condenadas geralmente pelos representantes da Igreja inteira desde aquele tempo até agora. quanto às coisas essenciais. 1o. E 3o. em sua substância. em 416. Quais são os três grandes sistemas de teologia que têm sempre subsistido na Igreja? Abrangendo a revelação dada nas Escrituras . ainda hoje esperam sua solução completa no futuro. cujo sobrenome foi Morgan. de um lado. 3. não foram investigadas completamente até o tempo da Reforma. com todas as outras seções. No uso comum. e o termo arminianismo é empregado para designar os erros menos extremistas que neste sistema são ensinados na seção desoteriologia. 5. e é um sistema de compromissos. desde o princípio da era cristã. só dois sistemas completos e autoconseqüentes de teologia cristã possíveis. as principais doutrinas distintivas dos sistemas agostiniano e pelagiano? .. de 395 a 430. a natureza da expiação e a obra do Espírito. Pelágio. em 431. pelos papas Inocêncio e Zósimo. como as diversas partes de um grande todo. de Eclano. Foram condenadas pelos dois concílios reunidos em Cartago. Foi ajudado nas suas controvérsias por seus discípulos Celestio e Juliano. com efeito.cada seção separada não pode deixar de sustentar muitas relações óbvias. E opiniões semipelagianas sobre o pecado e a graça são atraídas irresistivelmente e. Este repúdio apressado e universal do pelagianismo prova que. De outro lado há o pelagianismo. em contraste. Como se pode expor. completado no calvinismo. e pelo concílio ecumênico de Efeso. pelo Concílio de Milevo. completado no socinianismo. como poderíamos já prever. Os termos pelagianismo e semipelagianismo são aplicados aos desvios mais extremistas ou mais moderados feitos das verdades de que trata a Antropologia. por sua vez. Há. e depois pelos grandes teólogos da Alemanha e da Suíça.As questões sobre a redenção. o sistema ensinado por Agostinho devia ser. era um monge britânico. inevitavelmente. onde e por quem foram primeiro discriminados claramente os princípios fundamentais das duas grandes escolas antagonistas de teologia? As posições contrastadas dos sistemas agostiniano e pelagiano foram primeiro desenvolvidas e definidas por meio de controvérsias mantidas pelos homens eminentes cujos nomes trazem . abrangidas sob a grande divisão da soteriologia. Agostinho foi bispo de Hipona. o semipelagianismo desenvolvido. o mesmo que a fé da Igreja. Há. África setentrional. atraem opiniões arminianas sobre os atributos divinos. o arminianismo.um sistema completo de verdades . embora fossem muito imperfeitas as idéias dos primeiros pais sobre essa classe de questões. 2o. Itália. 4. O desenvolvimento imperfeito e a concepção defeituosa ou exagerada de uma doutrina qualquer introduzirão. a confusão e o erro no sistema inteiro. na Numídia. algumas lógicas outras não.durante a primeira terça parte do século 5. o agostinianismo.Agostinho e Pelágio . o termo socinianismo é empregado para designar esses elementos do falso sistema que dizem respeito à Trindade e à Pessoa de Cristo. e o método da sua aplicação. Por exemplo: opiniões pelagianas sobre o estado natural do homem tendem sempre a dar em resultado opiniões socinianas sobre a Pessoa e a obra de Cristo. Muitas questões pertencentes à grande divisão de eclesio-logia.

A vontade do homem é livre. sem o auxílio especial de Deus. operada por Deus no homem. cai a merecida ruína. o homem. Quanto ao pecado original:3 Agostinianismo . por meio do ensino e exemplo de Cristo. e mediante esta chega a ver o que é bom e recebe o poder de querer o bem. Esta. Quanto à graça: "Agostinianismo . Qual foi a origem do sistema mediano ou semipelagiano? . para a condenação. "Pelagianismo . quer e faz o bem. Aqueles que predestinou para essa salvação dá os meios necessários para conseguirem esse fim. Quanto à predestinação e à redenção: "Agostinianismo . o homem só pode querer e fazer o mal. assim também nada pode fazer contra ela. Aqueles. merecem que o seja. Mas o homem pode resistir-lhe. no seu estado atual.Ainda que seja verdade que o homem. E uma obra que precede e também acompanha. Todo homem tem o poder de querer e fazer o bem. pois. Não há. E irresistível. Quanto ao livre-arbítrio: "Agostinianismo . A propagação desta qualidade da sua natureza é pela concupiscência. predestinou para a salvação. deu-lhe o ensino e exemplo de Cristo para o ajudar. tem capacidade para querer e fazer o bem.Pelo pecado de Adão.Pelo pecado de Adão. A redenção de Cristo é geral. dando a Sua graça a qualquer homem. a quem Deus previu que guardariam os mandamentos.Desde toda a eternidade. Cristo veio ao mundo e morreu somente a favor dos eleitos. porém. a vontade humana j perdeu inteiramente a sua liberdade. "Pelagianismo . por sua livre vontade que é um dom de Deus. merecimento algum. Como o homem não pode fazer nada sem a graça. empregando fielmente suas próprias forças. Sobre os outros. "4a.Por sua transgressão. Esta é uma obra interna. Por isso depende só de si." 6. i "Pelagianismo . podem ser levados a uma perfeição e virtude superior. e concedeu-lhe até mesmo as operações sobrenaturais da graça. mas opera segundo a Sua própria livre vontade. Adão só fez mal a si e não à sua posteridade. E como o homem não tem. Por ele ficou corrompida a natureza humana. "2a. vieram para o mundo o pecado e todos os demais castigos merecidos do pecado de Adão. Deus fez um decreto livre e incondicional de salvar alguns de toda a humanidade que estava corrupta e sujeita à condenação. secreta e maravilhosa. se for bom ou mau. contudo para que o possa fazer mais facilmente. é só devido à obra da graça divina. tanto física como moralmente. "3a. Pela graça precedente o homem alcança a fé."1a. os outros. todo o homem nasce na mesma condição em que foi criado Adão. Quanto ao que diz respeito à sua natureza moral. precisa da graça cooperante. Deus.O decreto divino de eleição e reprovação é fundado na presciência de Deus. mas só aqueles que realmente pecaram precisam da Sua morte expiatória. Para fazer qualquer boa obra. como também o mal. Deus revelou a lei.Se. Todo homem traz consigo para o mundo uma natureza já tão corrupta que nada pode fazer senão pecar. não o faz em atenção à disposição moral desse homem. Todos. no seu sentido mais limitado (influência graciosa) é concedida só àqueles que. por natureza. em quem pecaram todos os homens juntos. Em seu atual estado f corrompido. porém. "Pelagianismo . porém. pecado original. que não pertencem ao pequeno número4 dos eleitos.

nos Países Baixos. não inspirado. divinamente reveladas. sustentando os dominicanos e tomistas.. e do semipelagianismo com o arminianismo? Depois desse tempo. propriamente. com propriedade. até ser condenada pelos sínodos de Orange e Valence. tanto entre os papistas como entre os protestantes. Esse sistema. comumente chamado agora arminianismo. inglês por nascimento. na igreja papal. de 427 a 480. sob diversos nomes partidários. chamados depois semipelagianos pelos escolásticos. Qual a relação do agostinianismo com o calvinismo. as explicações mais detalhadas e exatas que se lhes seguem são uniformemente semipelagianas. Por outro lado. 7.. A ordem dos jesuítas. em geral.Enquanto a controvérsia pelagiana estava no seu auge.C. em geral.C. As mesmas disputas.C. 8. a cujos advogados se deu o nome de massilianos. com respeito a esses grandes sistemas. por Inácio de Loyola. França. Em 1638 d. se bem que o gênio de seu sistema ritual e a predominância dos jesuítas nos seus concílios tenham feito prevalecer. tendo ido para Marselha. foi. do modo incômodo e artificial que caracterizava os escolásticos. João Casiano. A conseqüência foi que tanto os dominicanos como os franciscanos disseram que suas opiniões haviam sido sancionadas por aquele concílio. o mesmo que agora se chama arminianismo. inventor da distinção denominada scientia media. cujas sessões começaram em 1546 d. o grande Tomás de Aquino. o defensor mais hábil do sistema que se chamava então semi-pelagiano. Se se deve usar de algum nome humano como designação de um sistema de verdades. enquanto as exposições gerais e indefinidas de doutrina que se encontram nos seus cânones são. agostinianismo como oposto a semipelagianismo designa. o semipelagianismo. começou a dar publicidade a um sistema de doutrinas que ocupava posição média entre os sistemas de Agostinho e Pelágio. alcançou tanta fama na defesa do semipelagianismo que os adeptos deste. agostinianas na forma. nos seus princípios essenciais. e educado na Igreja Oriental. 1124 d. bispo de Ipres. França. em 529. a designação histórica do sistema mediano ou semipelagiano. por extratos numerosos. de descendência síria. e como se acham divididos na moderna igreja papal? Depois de decorrida a idade das trevas. Esta obra ocasionou controvérsias muito dilatadas. muitas vezes. As controvérsias ressuscitadas assim continuaram por muitos séculos. deixando sua grande obraAugustinus. foi um dos defensores mais distintos e dos propagadores mais bem sucedidos dessa doutrina. "Doctor Subtilis".. João Duns Scotus. durante a qual permanecera entorpecida toda a especulação ativa. e condenada pelas bulas de Inocêncio X e Alexandre VII.C. exerce influência tão universal. faleceu Jansênio. entre os escolásticos.C. é. e os franciscanos e scotistas. com o fim de promover os interesses do monasticismo nessa região. em quase toda essa igreja. todos aqueles elementos de fé que o mundo inteiro de cristãos evangélicos mantém em comum. e o nome de nenhum outro homem. A verdade é que. como Agostinho. tem-se identificado sempre com a teologia semi-pelagiana. 1265 d. na qual desenvolveu claramente e estabeleceu. o termo agostinianismo como oposto ao pelagianismo designa. advogou com habilidade consumada o sistema agostiniano. continuam ainda a agitar a igreja romana desde a Reforma. "Doctor Angelicus".. uma exposição do qual falaremos numa parte subseqüente deste capítulo. disseminada largamente também na Igreja Ocidental. foi atacada ferozmente pelos jesuítas. o sistema comumente chamado calvinismo . fundada em 1541 d. 1588 d. italiano por nascimento. com propriedade. procurou formular um credo indefinido que satisfizesse aos adeptos de ambos os sistemas. naquele século. jesuíta espanhol. o agostinianismo tornou-se a ortodoxia reconhecida da Igreja Ocidental. têm sido chamados molinistas.C. e por algum tempo. Luiz Molina. a eleição incondicional e a graça eficaz. bispo de Riez. O Concílio Ecumênico de Trento. Como se achavam divididos os partidos. devido à origem do seu chefe. monge da ordem franciscana. monge da ordem dominicana. em 1653 e . Fausto. a eleição condicional e o poder inalienável da vontade humana de cooperar com a graça divina ou resistir-lhe.enquanto cassianismo seria. o verdadeiro sistema de Agostinho. a qual foi aceita permanentemente pela Igreja Oriental.

Quanto à teologia própria e à cristologia. que são a confissão reconhecida universalmente das igrejas luteranas. é limitada às ações que são boas moralmente. declarou. se bem que agora o semipelagianismo junto com o jesuitismo. Com essas opiniões de Lutero parece que Melanchthon concordava. . 9. o elemento humano da Pessoa de Cristo tem parte com o divino em pelo menos alguns dos seus atributos. Nicole. O único ponto importante em que diferiu do consenso comum das igrejas calvinistas. e fez-se de suas opiniões uma completa exposição científica na Formula Concordiae. por exemplo. Arnaulos. a total depravação moral de todos os seus descendentes.C. condenando o Comentário do Novo Testamento. coisa alguma das que pertencem à sua relação com Deus. no ato regenerador. e as boas ações dos agentes livres . Depois da morte de Lutero. e ocasionou controvérsias prolongadas e amargas. e tinham sua sede principal na Holanda e na Bélgica. em virtude da união hipostática.. eles mantêm que até onde esta diz respeito às ações tios agentes morais. pela bula célebre unigenitus. As características da teologia luterana quando contrastadas com as das igrejas reformadas podem ser expostas sob os seguintes pontos: 1o. por suas próprias forças. sejam quais forem. Posteriormente. e que não têm relação determinante com as que são más. com justiça. (2) Quanto à cristologia. e Seu corpo. perto de Paris. no espírito e em todos os pontos essenciais. Pascal e Quesnel. quando publicou a primeira edição dos seus Loci communes. As controvérsias entre os dominicanos e os molinistas. era o que diz respeito à presença literal e física da Pessoa de Cristo em. monge da ordem agostiniana e discípulo fervoroso de Agostinho. ser considerada como a melhor testemunha ao nosso alcance a respeito daquilo que realmente é a teologia estritamente luterana. por natureza e desde o nascimento. na igreja romana.C. ensinou um sistema de fé que concorda. que triunfou definitivamente no Concílio Vaticano.. publicada em 1580 d.C. que concordava com os sinergistas que afirmam que. em 1870 d. suas opiniões são idênticas às dos mais estrénuos proponentes da teologia reformada. as ordenanças) com a graça. Qual a posição da Igreja Luterana com relação a esses grandes sistemas? Lutero. Por outro lado. os jansenitas e os jesuítas têm continuado até o nosso tempo. pode. Ainda que este documento notável não chegasse a ocupar posição igual à que ocupa a Confissão de Augsburgo e sua Apologia. 2o. e sua incapacidade absoluta de. porém. com o espírito desenvolvido depois mais sistematicamente por Calvino. Deus prevê todos os eventos. Afinal prevaleceu sobre seus antagonistas o partido "velho" ou dos luteranos estritos. Sua alma humana tem parte na onisciência e onipotência da Sua deidade. Os agostinianos.mas nada mais. em 1713 d. .1656 d. explicitamente. fazerem. como. como também em Porto Royai. com e sob os elementos da eucaristia. a imputação antecedente e imediata do primeiro pecado de Adão. mantêm que. Assim. estavam muito mais em conformidade com as que mantinham os discípulos de Zwínglio e Calvino do que com as que ensinava sua própria igreja. como devem fazer.seguidas. reina quase universalmente na igreja católica romana. de Clemente XI. ofendeu muito os "velhos luteranos". Quanto à antropologia. em 1548. a vontade humana coopera com a graça divina. na sua onipresença. modificaram-se gradualmente suas opiniões sobre a liberdade do homem e a soberania da graça divina.C. Ele preordena todas as ações dos agentes necessários. Sua posição. em relação a esses dois pontos. foram subseqüentemente chamados jansenistas. Tem havido. e juntos têm o poder de dar vida ao verdadeiro crente que recebe a ordenança. por Quesnel. entre eles. quando desenvolvida num sistema completo. homens muito ilustres como Tillemont. os únicos pontos em que diferem do calvinismo são os dois seguintes: (1) Quanto aos atributos divinos ligados à preordenação soberana. as opiniões de Melanchthon quanto à relação do sinal significado nos sacramentos (ou seja. na conferência de Leipzig.

e os metodistas wesleyanos. a Fórmula Concordiae. e um milhão e meio de independentes . e REFORMADAS. em princípio. todas as igrejas protestantes que derivam sua teologia.não em grau maior de graça ou em grau menor de pecado . quanto à natureza e ao ofício da fé justificadora. e os diversos ramos da Igreja Presbiteriana da Inglaterra. quanto à eleição eterna e soberana que Deus faz dos crentes em Cristo. do tipo normal da classe geral. de Lutero e. e no mesmo sentido.3o. que são comumente classificados com os reformados por terem—se desenvolvido historicamente daquele ramo. e entre elas. com. Segundo eles. As igrejas CALVINISTAS ou REFORMADAS abrangem. com a qual graça a alma. Diferem do partido altamente sacramental da Igreja Episcopal. e quais são? Todo o mundo protestante. e não é comunicada ordinariamente por nenhum outro meio. que aderem à Confissão de Augsburgo. cerca de trinta e oito milhões. as igrejas episcopais da Inglaterra. tem estado dividido em duas grandes famílias de Igreja. as igrejas nacionais da Inglaterra e Escócia. provavelmente. OU as que tomaram o seu caráter de Lutero e Melanchthon. O número de seus adeptos é estimado em vinte cinco milhões5 de luteranos autênticos. doze milhões e meio de episcopais. Dá a mesma graça a todos. não por causa de qualquer coisa neles. não pode. Seus livros simbólicos são a Confissão de Augsburgo e sua Apologia. quatro e meio milhões de batistas. com óbvia inconseqiiência lógica. as independentes e batistas da Inglaterra e América do Norte. seis milhões de presbiterianos. e das províncias bálticas da Rússia. Holanda. em rejeitarem o dogma da sucessão apostólica e as tradições da Igreja Primitiva. por todos os homens. por conseguinte. e sob os elementos . juntamente com as igrejas nacionais da Dinamarca. França. a mesma que tem em comum com os perdidos . enquanto que a Igreja Evangélica da Prússia. acham-se afastados mais ainda do que a Igreja da Inglaterra. de Genebra. classificadas respectivamente como LUTERANAS. Irlanda e América. na divina intenção. Por isso a teologia e vida eclesiástica dos luteranos estritos concentram-se nos sacramentos. Ao mesmo tempo ensinam. devem sua salvação unicamente à graça. perdem-se porque resistem à graça. . ou ao seu merecimento. e a grande denominação desse nome na América do Norte.que Cristo morreu igualmente. Hungria. três e meio milhões de metodistas. formada por uma união política dos adeptos das duas confissões. abrange. e de modo algum à vontade cooperante do homem. e sim em virtude de Sua vontade graciosa e. Os que se perdem. segundo o uso restrito do termo. Noruega e Suécia. Os que são salvos. mais onze milhões e meio. recebida pelo partido estrito deles. os artigos de Esmalcalda. Deus elege soberanamente todos os que são salvos. ou as que receberam a impressão característica de Calvino. porém. e sim. simplesmente à própria graça. concordam com muita exatidão com os reformados quanto à natureza e à necessidade da obra expiatória de Cristo. por causa de óbvias condições modificadoras. quanto à ação somente da graça divina na regeneração do pecador. desde os tempos da Reforma até agora. Irlanda e América do Norte formam uma subdivisão separada. mediante a imputação ao crente tanto da obediência ativa como da passiva de Cristo. Em quantos grandes partidos tem estado dividido sempre o mundo protestante. morta por seus delitos. quanto ao fato de dever-se atribuir a salvação de toda alma realmente salva só e unicamente à graça de Deus. os Catecismos. A distinção mais importante do luteranismo diz respeito à doutrina sobre a eucaristia. grande e pequeno.nem ao bom uso que fazem da graça recebida. esta classe compreende todas aquelas igrejas da Alemanha que aceitam o Catecismo de Heidelberg. dá graça a todos igualmente. A família LUTERANA de igrejas compreende todos aqueles protestantes da Alemanha.em. Eles mantêm a presença real e física do Senhor na Ceia do Senhor . quanto à justificação forense. Quanto aos grandes elementos centrais da soteriologia. cooperar. Compreendem cerca de oito milhões de reformados alemães. Num sentido geral. mas não passa soberanamente por alto nos que se perdem.a mesmíssima graça . e os destinos são diversos porque os que se perdem persistem em resistir a essa graça. 10.e que a graça significada e comunicada pelas ordenanças é necessária à salvação.ao todo. dois milhões da Igreja Reformada da Hungria. a graça do evangelho é absolutamente universal . que. as igrejas protestantes da Suiça.

que se edificava sobre uma filosofia sensacional. que negasse abertamente a divindade suprema de Jesus. Crellio. humanista na sua cristologia. O Logos deixou o homem Jesus na crucificação dEle. mas afirmava que era meramente homem. E essas juntas constituem a base da denominação unitária moderna. e ali existiu como doutrina professada por alguns hereges conspícuos. Durante a Idade Média.. compôs o Catecismo Racoviano.Artemon (f 180). e da crítica racionalista de outra. no século 17. por este. Channing e J. um número maior de igrejas congregacionais. acham-se expressas nas Homilias Clementinas. Eles admitiam uma apoteose ou deificação relativa de Cristo. u : . 12. deposto por um concílio reunido em 269 d. Depois da sua dispersão. na forma de uma pomba. Uma exposição de suas posições características encontra-se abaixo. no quarto século. ambos leigos . os ebionitas. com doutrina sustentada por alguns homens isolados. os trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra. Os humanistas mais distintos da Igreja Primitiva foram os dois Teodotos de Roma. André Wissowatis e outros reuniram as obras mais importantes dos seus teólogos mais ilustres sob o título deBibliotheca Fratrum Polonorum. na Síria oriental. o Catecismo de Heidelberg. honrado com uma especial influência divina. escritas cerca do ano de 150 d.. quando os socinianos foram expulsos da Polônia pelos jesuítas e. Foi. de 1539 a 1658. "Sua última forma é uma modificação do socianismo antigo. etc.As confissões principais da Igreja Reformada são as Confissões Galicana. E puramente unitário na sua teologia.. de 1525 a 1560 d.pelagiano na sua antropologia. e que o Cristo ou Logos desceu sobre Ele. ofFree Thought. os Cânones do Sínodo de Dort. . têm o nome de socinianos. a ressurreição de Jesus. nascido de Maria e José. Hist. nos tempos modernos. Os seus professores mais proeminentes foram os Socino (Lélio e Fausto). e que foi. da Itália. sobrinho de Lélio e do de J. na Igreja. e Paulo de Samosata. devido à pressão da religião evangélica de uma parte. Belga. Um partido entre eles chamava-seelkasitas.C. Priestly é exemplo do socianismo antigo. certo número de igrejas presbiterianas da Inglaterra decaíram para o socianismo.nv> Cerinto. e Martineau é o da elevação de vista induzida pela filosofia de Cousin.. seguiram o seu exemplo. com os materiais tirados do ensino de Fausto Socino. bispo de Antioquia (260-270). no Seu batismo.C. Qual foi a origem da heresia unitária ? Na Igreja Primitiva. Existia como igreja organizada em Rocow.C. passando para a Holanda. na Inglaterra. e a Confissão e Catecismos da Assembleia de Westminster. Suas idéias. sustentava que Jesus foi mero homem. por meio dos trabalhos de Lélio Socino. Quando e em que circunstâncias teve origem o arminianismo moderno? . 11. no leste do estado de Massachussetts. Polônia. Priestly. não ficou nenhum partido. A maioria desses admitia o nascimento sobrenatural de Cristo. no período da Reforma. Serveto e Ochino. subseqüente à Sua vida e obra neste mundo. Esses escritores desenvolveram o socianismo com habilidade consumada. Durante o século 18. e sua soteriologia foi desenvolvida em perfeita coerência lógica e ética com esses elementos. com modificações especiais. Em 1609 Schmetz. também. Segunda Helvética e a Escocesa. e nos fins do mesmo século. A esses sucederam os arianos. 1862. onde os hereges exilados acharam refúgio. Martineau são os exemplos das fases sucessivas do unitarismo moderno. ficaram absorvidos pelas igrejas "remonstrantes" ou arminianas. deramlhe uma forma perfeita e reduziram-no a um sistema lógico. que é a obra normal do socianismo (veja a tradução de Rees. Bampton Lecture. então. que viveu durante a última parte do primeiro século e a primeira parte do segundo. Negou. seita judia-gnóstica-cristã. foram os únicos representantes daqueles que. levado para a Suíça. 1818). Nos tempos modernos reviveu o unitarismo. elevado à dignidade de Filho de Deus. Tornou a aparecer. operou milagres. Channing é exemplo de um esforço de se conseguir um grande desenvolvimento do elemento espiritual. e pela introdução da idéia de progresso histórico nas idéias religiosas" -Fanar Crit.

seu escritor mais autorizado e teólogo incomparavelmente mais competente do que Wesley. Curcelloea. de 1602 até a sua morte em 1609. um da Escócia e quatro episcopais da Igreja da Inglaterra. Escócia. pelos tribunais eclesiásticos. cujas sessões ocorreram em 1618 e 1619. 2o. Os teólogos remonstrantes mais distintos que se sucederam a Armínio foram Episcópio. está muito menos afastado do calvinismo da Assembléia de Westminster do que o está o sistema dos remonstrantes ulteriores. Este Sínodo condenou unanimemente as doutrinas dos arminianos. por tê-lo proibido o seu rei. ao mesmo tempo. A unidade divina. Pelo fato de ser a apresentação dessa remonstrance o seu primeiro ato combinado como um partido. combatidas pelos principais homens da Igreja. secreta e depois mais abertamente. (1) Esta unidade é incompatível com quaisquer distinções pessoais na deidade. (1) Não existe em Deus nenhum princípio de justiça vindicativa: nada que o impeça de aceitar os pecadores só sob a base do seu arrependimento. e deve sempre ser designado pelo nome qualificado de "arminianismo evangélico".. por se conservarem lógicos. apresentaram às autoridades cinco artigos em que exprimiam sua fé quanto à predestinação e a graça. nessa forma. à natureza da propiciação. (2) Cristo é mero homem. depois. e à justificação pela fé. presbíteros regentes e professores leológicos das igrejas da Holanda. 13. Suas opiniões difundiram-se rapidamente e foram.James Arminius. por outros meios. seus discípulos constituíram-se em partido organizado e. Em breve. Limborch. Eis um esboço das principais posições do sistema sociniano. professor de teologia na Universidade de Leyden. Hesse. sendo conhecidos na história como xemonstrantes. como este se acha exposto nas obras de Ricardo Watson. Cerca de um ano após a morte de Armínio. o bispo de Llandaff. e nos seus Artigos confirmou a comum fé calvinista das igrejas reformadas. à imputação. viram-se obrigados a ensinar doutrinas radicalmente errôneas quanto à natureza do pecado. a princípio. Os atributos divinos. os Estados Gerais reuniram em Dort. a exames incômodos sobre sua ortodoxia. ficaram. Alguns de seus autores levaram o espírito racionalista inerente no seu sistema até aos seus resultados legítimos. embora sendo ministro da Igreja Calvinista da Holanda manteve. a controvérsia estendeu-se a mais pontos. apresentaram aos Estados da Holanda e Friesland ocidental uma representação (remonstrance). em sentido geral. . Nas obras de Watson a antropologia e a sote-riologia do arminianismo são. muito semelhantes às divisões correspondentes do luteranismo e do calvinismo de Baxter. . pedindo que se lhes permitisse conservar seus lugares na Igreja sem que fossem sujeitos. Não se tendo conseguido. com o fim de definir bem a sua posição. Pouco depois disso. Holanda. como chefe. . Palatinado e Suíça -não se achando presente ninguém da França. Constava de pastores. e os arminianos. Bremen. Essa foi a origem dos célebres "Cinco Pontos" na controvérsia entre o calvinismo e o arminianismo. impor silêncio aos inovadores. Le Clerc. Mas o seu armi-nianismo. Wetstein e o ilustre jurisconsulto Grotio. e da Escola Francesa do século 17. um Sínodo geral. entre eles. e de deputados das igrejas da Inglaterra. TEOLOGIA E CRISTOLOGIA 1o. num pelagianismo quase irrestrito. (3) O Espírito Santo é uma influência divina impessoal. A denominação dos metodistas na Grã-Bretanha e na América é a única grande entre os protestantes do mundo inteiro cujo credo é abertamente arminiano. esse sistema de opinião teológica que desde aquele tempo tem sido chamado por seu nome.. os remonstrantes. porém. Os delegados estrangeiros presentes eram dezenove presbiterianos das igrejas reformadas do continente. e alguns foram até suspeitos de socianismo. ao pecado original.

2o. O homem pode. 4o. nem seria possível propiciá-la por meio de sofrimentos vicários. Io. o ofício de sacerdote. A maioria. serão afinal. E ilustrou a doutrina de uma vida futura por Sua própria ressurreição. e teria morrido mesmo que não tivesse pecado. alguns sustentam que. 3o. segundo a qual todos os homens. tem aceitado a doutrina da restauração universal. não inclui a santidade. depois da ressurreição. e transmitiu-as integralmente à sua posteridade. porém. no sentido literal das palavras. Ensinou sobre a personalidade de Deus. dispondo--os a arrepender-se dos seus pecados. retinha ainda a mesma natureza moral e as tendências com as quais fora criado. Mas Deus é infinitamente misericordioso. "A doutrina sobre os tormentos eternos no inferno. Deu o exemplo de uma vida santa. ESCATOLOGIA Io. Adão. por ser. por mais depravados que tenham sido seus caracteres nesta vida. diz a Bíblia. "Porque fica evidente. e fazê-lo tão bem quanto Adão antes de pecar. o homem foi criado. Seu desígnio foi também o de produzir assim uma impressão moral nos pecadores. Cristo não desempenhou. agora são menos favoráveis do que no caso de Adão. agora. 3o. que eles (os primeiros socinianos) igualmente com outros mantinham. inteiramente inconciliável com a bondade divina. As circunstâncias nas quais se forma o caráter do homem. e assegurando-lhes a clemência de Deus. Não havia necessidade de nenhuma propiciação da justiça divina. mas. O homem foi criado sem caráter moral positivo. e por isso o homem é fraco. na sua opinião. que haveria uma ressurreição tanto dos justos como dos injustos." B. sobre a terra. na ira de Deus. "A imagem de Deus" à qual. Sua morte foi necessária como a condição imprescindível da Sua ressurreição. Com referência ao destino futuro dos ímpios. pelas autoridades citadas. por natureza. Isso Ele fez tanto por sua doutrina como por seu exemplo. No período intermediário entre a morte e a ressurreição. 2o. O homem foi criado mortal. e a obrigação é graduada pela capacidade. SOTERIOLOGIA A grande finalidade da missão de Cristo foi ensinar e dar certeza quanto às verdades a cujo respeito as conclusões da razão meramente humana são problemáticas. A culpa do pecado de Adão não é imputada à sua descendência. Wissowatio. mas que os justos seriam admitidos à vida eterna. O ofício principal de Cristo foi profético. serão aniquilados ou que sofrerão a destruição eterna. e por não ter base nas Escrituras. a alma permanece inconsciente. fê-lo no céu. A presciência de Deus não se estende a tais eventos. comendo o fruto proibido. 2o. não obstante isso. r ANTROPOLOGIA — Io. Ele ensinou uma lei nova. cometeu pecado e incorreu. mas em sentido muito indefinido. por meio de uma disciplina corretiva adaptada na . cumprir todas as suas obrigações por natureza. a maior parte dos unitários de hoje (1818) rejeita. constantemente.(2) E essencialmente impossível que sejam conhecidos futuros eventos contingentes. assim. e que os injustos seriam condenados a um castigo eterno.

e só admitem que é moralmente fraco por natureza. porém. ANTROPOLOGIA Io. Costumam negar a imputação do primeiro pecado de Adão à sua posteridade. Negam que a preordenação de Deus se estenda às volições dos agentes livres. e que não é tanto um princípio necessário. da parte do Pai. Um caráter moral não pode ser criado. 6o. Cristo morreu. Armínio e Wesley eram ortodoxos. mantêm. Tanto a liberdade como a responsabilidade envolvem. Que a aceitação. e mantêm que a eleição dos homens não é absoluta. 2o. OS ATRIBUTOS DIVINOS Io.págs. Admitem que Deus tem presciência de todos os eventos sem nenhuma exceção. no mesmo sentido. necessariamente. 368. Os sacramentos são simplesmente ordenanças comemorativas e instrutivas. mas menos conseqüentes.em qualquer período da sua vida terrestre. mas também na intenção do Pai em dar Seu Filho. 3o. Seu fim é o aperfeiçoamento mútuo. 5o. SOTERIOLOGIA Io.mas afirmam que todos têm o poder de cooperar com a graça comum. Somente o que distingue o santo do pecador é o seu próprio uso ou abuso da graça. 7o. 3o. Admitem que a justiça vindicativa é um atributo divino. que pertence antes à política administrativa. e sim condicionada à fé e obediência previstas. negam que tenha sofrido a pena literal da lei ou uma pena plenamente equivalente a ela.sua severidade à natureza de cada caso particular. felizes" Catecismo Beacoviano. 2o. porém. Admitem que Cristo fez um sacrifício vicário de Si como substituto dos pecadores mas. Mantêm que qualquer santo pode cair da graça . Sua regra é a razão humana. mas é determinado só por decisão prévia de quem o possui. Consideram a influência graciosa de Deus como sendo influência moral e suasória em vez de um exercício direto e eficaz da energia recriadora de Deus. Seu laço comum. e na intenção do Filho em Se entregar. não fica determinada nem por Deus. Inventaram a distinção expressa pelo termo Scientia Media para explicar a presciência certa de eventos futuros cuja ocorrência. 367. ECLESIOLOGIA 1°. de Rees . por conseqüência. que é cedível. envolve um afrouxamento da lei divina. nem por qualquer outra causa antecedente. e mantêm que os Seus sofrimentos foram por graça aceitos como substitutos dessa pena. 3o. ou de resistir-lhe. Eis um esboço das posições principais do sistema arminiano. 4o. que é opcional mais do que essencial. levados a tornar-se bons e. 2o. A Igreja é simplesmente uma sociedade voluntária. 2o. Mantêm que não só com respeito à suficiência e adaptação da morte de Cristo. por todos os homens igualmente. Os arminianos estritos negam a depravação total do homem. ao mesmo tempo. Negam que o homem tenha capacidade moral para principiar uma vida santa ou continuar nela. 14. por sua própria força e sem auxílio divino . a possibilidade de poder fazer o contrário. semelhança de sentimentos e aspirações. da satisfação de Cristo em vez da execução da pena na própria pessoa do pecador. .

privados daquelas influências do Espírito Santo das quais depende a sua vida moral e espiritual. 3o. consiste em ser o cristão perfeitamente sincero. e Deus não pode afrouxar o seu exercício nem deixar de exercê-lo. TEOLOGIA Io. Deus é um soberano absoluto. Todos os Seus atos medianeiros envolvem o exercício concorrente das energias das duas naturezas. 5o. e em fazer tudo o que de nós é exigido nesta dispen-sação do evangelho. justo. Deus. de perfeita conformidade com Seu caráter e com os interesses de Seu governo geral. em achar-se animado por um amor perfeito. e o Status Ignorantium. Deus criou o homem por um ato imediato da Sua onipotência. alguns têm mantido que o evangelho é. sob a condição da fé. 2o. A culpa do pecado público de Adão. benévolo e poderoso. Por conseguinte. A personalidade é a do Logos eterno e imutável. oferecer a salvação sob condições mais fáceis. que exige o castigo pleno de todo e qualquer pecador. por um ato judicial. A Sua natureza humana é impessoal. e com caráter moral formado positivamente. e cada uma retém distintos seus atributos separados e incomunicáveis. A respeito dos pagãos. determinando. intelectual ou moral. . 7o. de um ou de outro modo. o evangelho é uma nova lei. em resultado da satisfação feita por Cristo. 2o. Outros. Deus pode agora. 6o. Na unidade da Pessoa teantrópica as duas naturezas permanecem puras e não misturadas. segundo suas diversas propriedades. Por conseguinte. desde o momento em que começam a existir. 8o. senão formalmente. Que. de qualquer classe. segundo as explicações que eles dão a respeito dela. que no mundo futuro há três condições correspondentes às grandes classes em que se pode dividir a raça inteira. pregado virtual. exigindo fé e obediência evangélica em vez da obediência perfeita exigida originalmente. oportunidades e meios de graça suficientes para serem salvos. que sejam segundo o conselho da Sua própria vontade. desde toda eternidade. começam a existir num estado de condenação. e num estado em que não havia defeito físico.tirou os obstáculos legais que exigiam . reto. ANTROPOLOGIA Io. com relação ao evangelho -o Status Credentium. Os homens. que é uma só. ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A justiça vindicativa é uma perfeição essencial e imutável da natureza divina. nesta vida. e antes de qualquer de seus atos. põe à conta imediata de cada um de seus descendentes.só torna possível a salvação de todos . infinitamente sábio. o Status Incredulorum. Eis um breve esboço das posições principais do sistema calvinista. CRISTOLOGIA O Mediador é uma só pessoa eterna e divina.não adquire fé para ninguém mas torna possível a salvação. Esta. a todos os homens. A todos os homens são concedidas influências suficientes do Espírito Santo. por conseguinte. 15. a obra de Cristo não salva realmente a ninguém .4o. Todos os homens podem e têm a obrigação de alcançar. a ocorrência certa de todos os eventos. na unidade da Sua Pessoa. a perfeição evangélica.

e essa tendência que neles está é da natureza do pecado. 5o. E o Espírito Santo aplica. ou poucos ou ninguém. Apesar do fato que entregue a si próprio todo crente cairia imediatamente. e totalmente avesso ao que é bom espiritualmente. de um modo adequado. e já com uma tendência prévia para o pecado. e nas operações da sua natureza renovada levando-os à fé. Por isso adquiriu. . ainda depois da Queda.cumprindo. em conformidade com as perfeições infinitas da Sua natureza. sob sua obediência perfeita. satisfazendo à justiça de Deus e adquirindo a salvação eterna daqueles por quem morreu. Segue-se disso que principiam a ser agentes morais privados daquela retidão original que pertencia à natureza humana como a mesma foi criada em Adão. e que nós. Deus impede infalivelmente que até o crente mais fraco apostate inteiramente ou pereça eternamente. conserva suas faculdades constitucionais de razão. a redenção adquirida por Cristo a todos os que intencionava salvar. imputando-nos a justiça perfeita de Cristo na qual se acham incluídas sua obediência ativa e passiva. por Sua morte. segundo a Sua soberana vontade. assim. todas as condições pactuadas das quais dependia sua felicidade eterna . A salvação do homem é absolutamente da graça de Deus. possível e obrigatório para todo crente esforçar-se por chegar a ter certeza da sua própria salvação pessoal. e embora a maioria dos crentes sofra desvios temporais. mas. é. infalivelmente. A natureza do homem. ao arrependimento e à obediência. temos direito a todas as imunidades e recompensas condicionadas no pacto original com Adão. 5o. todas as obrigações que para esses eleitos nasceram das Suas relações federais para com a lei -pagando vicariamente mediante Seus sofrimentos a sua dívida penal . operando diretamente neles. Embora não seja possível alcançar absoluta perfeição moral nesta vida. e por isso o homem continua a ser agente moral e responsável. as influências salvadoras do Espírito Santo para todos aqueles por quem morreu. que se esforce por tornar--se perfeito em tudo. consciência e livre vontade. 3o. e esquecendo-se do que para trás fica. por Sua obediência. salvar todos ou muitos. e merece castigo. graciosamente. pelo qual. A justificação é um ato judicial de Deus.4o. está morto espiritualmente. no tempo exato e sob aquelas mesmas condições que foram predeterminadas no pacto eterno da graça . e como tal cumpriu. por meio da operação da Sua graça no coração. 2o. 4o. SOTERIOLOGIA Io. Cristo fez-Se Mediador em virtude de um pacto eterno feito entre o Pai e o Filho. declarando que estão satisfeitas todas as exigências penais. e a certeza não seja da essência da fé. tudo o que a lei exigia. de conformidade com as provisões do pacto eterno da graça e com o propósito de Cristo em morrer. por meio da Sua obediência e sofrimentos. todavia. não obstante. segundo o qual tornou-Se o substituto legal de Seu povo eleito. e é absolutamente incapaz para mudar seu coração ou cumprir. começa a nos ver e nos tratar de conformidade com essa justiça. 6o.e isso faz pelo exercício imediato e intrinsecamente eficaz de Seu poder. Deus estava livre para.cumprindo vicariamente. qualquer dos deveres que nascem da sua relação com Deus. não obstante.

Assim. Essa palavra divina é. 1545. Philip Schaff. como era de supor--se. e uma apreciação crítica do seu conteúdo e valor. em diversos períodos. também. No primeiro volume. de instruir nela o povo. é o dever inalienável dos homens e uma necessidade que. e desde que a razão humana procura sempre e instintivamente reduzir a uma unidade e coerência lógica todos os elementos dos conhecimentos que procura adquirir. foi de fato assim que a Igreja procedeu. exposições exatas do resultado das novas aquisições e deu assim ao mundo novos credos ou confissões de fé com o fim de conservar a verdade. com o fim de ter nesses credos um laço comum de fé e regra comum para o ensino e a disciplina. A maioria das principais confissões . Desde que todas as verdades concordam entre si. Todas as demais normas são de valor e autoridade só até onde ensinem o mesmo que ensinam as Escrituras. muito vagarosamente e pouco a pouco. no uso de suas faculdades naturais e pelos meios comuns de interpretação. Sobre este assunto inteiro consulte-se a notável obra histórica e crítica por Dr.7 Credos e Confissões Embora os credos e confissões. no seu estado atual. Todos os que estudam a Bíblia fazem isso. as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos. em suas orações e outros atos de culto e na sua costumeira conversação religiosa. Os credos antigos da Igreja (universal) foram compostos pelos primeiros quatro concílios ecumênicos ou gerais. e do Credo Atanasiano. uma questão entre a Palavra de Deus e os credos dos homens. como eles muitas vezes dizem. excessão feita daquele que é chamado Credo dos Apóstolos. A questão real entre a Igreja e os impugnadores de credos humanos não é. todos tornam manifesto que. seus usos e sua história. e à medida que assim se fazia progresso gradual na discriminação clara das verdades evangélicas. formado gradualmente das confissões feitas nas ocasiões de batismo nas igrejas ocidentais. necessariamente. e como foram produzidos? Tendo sido dadas. a única e toda-suficiente regra de fé e prática. e de discriminá-la e defendê-la contra as perversões dos hereges e dos ataques dos incrédulos e. nem onde. e numa época subseqüente para o de outra. Mas. formem um ramo distinto e separado de estudos. No segundo e no terceiro volumes. iremos considerá-los juntos neste capítulo. mais ou menos formalmente. de um ou de outro modo. pois. e nos diversos capítulos desta obra que se seguirem serão encontradas referências ao credo particular em que se acha definida mais claramente ou com mais autoridade a doutrina particular que está sendo tratado. e pela linguagem de que os sérios estudantes da Bíblia se servem. fez a Igreja. não se sabe por quem. segue-se que os homens são como que obrigados a construir. A grande confissão autorizada pela igreja papal foi produzida pelo concílio ecumênico reunido em Trento. em todas as suas partes.The Creeds of Christendom. no próprio processo de compreender e coordenar o seu ensino. acharam nas Escrituras um sistema de fé tão completo como no caso de cada um deles lhe foi possível. chegue cada um a certas conclusões a respeito daquilo que as Escrituras ensinam. sem auxílio e confiando só na própria sabedoria. elas são para o homem. o autor nos dá a história da origem e da ocasião em que foi composto cada credo ou confissão. mas é questão entre a fé provada do corpo coletivo do povo de Deus e o juízo provado e a sabedoria desassistida do objetor individual. cada um terá de fazer seu próprio credo. 1. Se os homens recusarem o auxílio oferecido pelas exposições de doutrina elaboradas e definidas vagarosamente pela Igreja. em dois idiomas. nos é dado o texto de todos os credos principais. Muitas vezes a atenção da Igreja era chamada para o estudo de uma doutrina numa época. por inspiração de Deus. nesta obra de interpretar exatamente as Escrituras e de definir as grandes doutrinas que compõem o sistema de verdades reveladas nessas mesmas Escrituras. um sistema de fé com os materiais apresentados nas Escrituras. a única norma de doutrina que tem autoridade intrínseca para obrigar a consciência. feito particularmente. Por que são necessários credos e confissões.

Quais os credos da Igreja Primitiva em que fica ainda a herança comum da Igreja moderna? IO. Para assinalar. os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra. Qual é a base e a extensão da sua autoridade ou poder de obrigar a consciência? A matéria de todos esses credos e confissões obriga as consciências dos homens só até onde está em conformidade com as Escrituras. Para servir como meios na grande obra de instrução popular.protestantes são devidas a pessoas individuais. A forma. Por outro lado. Todos aqueles. As ordenanças são os selos do Seu pacto. -Creeds of Chnstendom. e. ou crêem pessoalmente no "sistema de doutrinas" ensinado nos símbolos normais dessa Igreja. pois. 1. obriga a consciência das pessoas que se obrigam pelo juramento ou pela promessa. são todos de origem nicena ou anti-nicena. que professam a verdadeira religião de um modo que mereça crédito. aumentando-se com acréscimos derivados de outras. Duas. e a Confissão e os Catecismos da Assembléia Nacional de Westminster. em todas as épocas da Igreja. não se pode achar vestígios do Credo dos Apóstolos como um todo. anteriores ao século 6". ou a pequenos grupos de pessoas. ou eles mentem solenemente diante de Deus e dos homens. 2. porém. a Confissão de Augsburgo e a Apologia. a qualquer ofício na Igreja Presbiteriana. Quais são seus usos legítimos? Têm sido achados úteis. Cartago e Hipo. no sentido em que tem sido entendido historicamente ser a verdade de Deus. assim chamado. Enquãnto os seus diversos artigos. a saber: os Cânones do Sínodo Internacional de Dort. o sentido em que as pessoas que impõem um juramento. uma promessa ou obrigação o entendem. e porque a subscreveram. Ravena. pouco a pouco tornou-se a mais geralmente aceita. etc. por Schaff. conservar. A Igreja é o rebanho de Cristo. e disseminar as aquisições feitas no conhecimento das verdades cristãs por qualquer ramo da Igreja. seriam impossíveis toda harmonia de sentimentos e toda cooperação eficaz em ação. É um princípio de moral admitido universalmente que o animus imponentis. das mais valiosas e mais geralmente aceitas confissões protestantes foram produzidas por grandes e veneráveis assembléias de teólogos eruditos. considerados separadamente. e uma disposição de espírito e costumes de vida que condigam com essa profissão. A não ser assim.. As formas mais completas e populares desses credos batismais eram os de Roma. uma declaração de fé pessoal em Cristo e de dedicação ao Seu serviço. Essa profissão que mereça crédito envolve naturalmente um conhecimento competente das doutrinas fundamentais do cristianismo. isto é. em qualquer grande crise de seu desenvolvimento. vol.g. "das quais a forma romana. 3. para os seguintes fins: 1. a ninguém se pode confiar nenhum ofício numa igreja se não professa crer na verdade e sabedoria da constituição e leis que ele terá o dever de conservar e administrar. pág. todos os que são presumivelmente povo de Deus têm o direito de admissão à Igreja. Milão. 20. Em todas as igrejas faz-se uma distinção entre as condições nas quais se admitem membros à sua congregação e as condições nas quais os oficiais são admitidos a seu ofício sagrado de ensinar e governar. o Catecismo de Heidelberg. 2. Todos os candidatos. 3. a antiga Confissão Escocesa. 4. O CREDO DOS APÓSTOLOS. porém. e para defini-la acuradamente na sua inteireza e em suas proporções definidas. em que se acha exposta essa matéria obriga só aqueles que subscreveram voluntariamente a confissão. Nenhuma igreja tem o direito de impor a seus membros particulares uma condição que Cristo não fez condição da salvação. a Segunda Confissão Helvética. Para discriminar a verdade das glosas de mestres falsos. Este credo desenvolveu-se gradualmente da comparação e assimilação dos credos batismais das principais igrejas da parte ocidental ou latina da Igreja Primitiva. e de acordo com essa conformidade. . pois. Aquileja.

"Não era antes de ser feito e: "Foi feito do nada". todo-poderoso. (3) A terceira. Existe em três formas. nosso Senhor. no qual está definida a verdadeira fé trinitária da Igreja. na comunhão dos santos. subiu ao céu. mas tinham sido omitidas na sua forma grega niceno-constantinopolitana. e sem o anátema no fim. Foram.. é a seguinte: "Creio em um só Deus. supratranscrito. na ressurreição do corpo e na vida eterna. reconhecidas pelo Concílio de Calcedônia. E nesta segunda forma que o Credo Niceno é utilizado agora na Igreja Grega. e sim por ser um sumário breve de fé cristã. ou "é mutável" ou "alterável" . Este consiste do Credo Niceno. donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. O CREDO NICENO. foi crucificado. os que dizem: "Houve tempo em que não era". em oposição aos erros arianos e semiarianos. e as diversas "cláusulas" acrescentadas já existiam anteriormente em formulários propostos por teólogos individuais. e foi evidentemente moldado sobre formas preexistentes. da essência do Pai. Os que formularam a Constituição da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos retiveram-no como parte do nosso catecismo. romana. e pela nossa salvação. acrescentado ao seu catecismo pelos teólogos de Westminster. Pai todo-poderoso. e ao terceiro dia ressuscitou. padeceu.Foi. em 431. metodista episcopal e protestante episcopal. por quem foram feitas todas as coisas. tanto no céu como na terra. mas com uma ligeira mudança no primeiro artigo. difere da segunda forma supramencionada só nos seguintes pontos: (a) Restitui à primeira cláusula as palavras "Deus de Deus". junto com a Oração Dominicais os Dez Mandamentos. ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. e foi feito homem. Luz de Luz. na remissão dos pecados. "E em um só Senhor Jesus Cristo. "não como se fosse composto pelos apóstolos ou devesse ser considerado Escritura canónica. que. e está sentado à mão direita de Deus Pai todo-pode-roso. padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos. subiu ao céu. morto e sepultado. Amém". gerado do Pai. isto é. gerado (não feito) de uma substância com o Pai. É certo que essas mudanças foram feitas mais ou menos naquela época. haviam pertencido ao Credo Niceno original. por amor de nós os homens. e com acréscimo das cláusulas que definem a Pessoa e a obra do Espírito Santo. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. 325 d. ou: "O Filho de Deus foi criado". Seu único Filho. "E usado na confissão batismal das igrejas inglesa. luterana. ou essência diversa". (1) A forma original em que foi composto e decretado pelo concílio ecumênico de Nicéia.C. de um modo semelhante pelo qual se desenvolveu o Credo Apostólico. para condenar a doutrina dos macedônios. Creio no Espírito Santo. desceu ao inferno (hades). nasceu da virgem. criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. na qual é utilizado nas igrejas romana.são condenados pela santa igreja católica e apostólica". (2) O Credo Niceno-Constantinopolitano. Maria. Deus de Deus. episcopal e luterna. o qual foi concebido por obra do Espírito Santo. desceu do céu e encarnou. "Mas. "E no Espírito Santo. E também parte do catecismo da Igreja Metodista Episcopal. ou: "É de substância. Unigénito. na santa Igreja católica. e em Jesus Cristo. porém. No entanto. Esta nova forma do Credo Niceno é geralmente atribuída ao Concílio de Constantinopla. ou forma latina deste credo. convocado pelo Imperador Teodósio. . Filho de Deus. 2o. donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. criador do céu e da terra. de conformidade com a Palavra de Deus e recebido antigamente nas igrejas de Cristo". reformada. que negaram a deidade do Espírito Santo." E como segue: "Creio em Deus Pai. não existem provas de que essas mudanças foram feitas pelo Concílio de Constantinopla. em 381.

contudo. E. o Filho é. 23. grega e inglesa. é-lhe necessário. 22. o Filho é Senhor. Do mesmo modo. mas um só Senhor. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. que receba a fé católica. A qual é preciso que cada um guarde perfeita e inviolada. Espanha. cujo reino não terá fim. o Espírito Santo é eterno. e em um só Senhor Jesus Cristo. mas gerado. O Filho é só do Pai. O Pai é imenso. por serem estas as suas primeiras palavras. contudo. não aparece antes do século oitavo. O Pai é incriado. 4. é vulgarmente atribuído ao grande Atanásio. E. o Filho é imenso. que procede do Pai e do Filho (esta frase "Filioque" foi acrescentada ao credo de Constantinopla pelo concílio da Igreja Ocidental reunido em Toledo. 8. gerado e não feito. Assim também não há três incriados. 20. assim como somos obrigados pela verdade cristã a confessar que cada pessoa de per si é Deus e Senhor. Porque. e da escola de Agostinho. Pai onipotente. de uma só substância com o Pai. o Pai é onipotente. o Senhor e Doador da vida. foi também crucificado por amor de nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Este termo foi acrescentado pelo concílio provincial de Toledo. O CREDO ATANASIANO. recebido com reverência por todos os católicos e protestantes. 11. um só Espírito Santo. é como segue: "Creio em um só Deus. e subiu ao céu. 7. 19. não três Pais. o Espírito Santo é Deus. é adorado e glorificado. O Pai é eterno. os homens. 10. 15. O texto deste credo. 5. fazendo-se objeção só às "cláusulas condenatórias". e foi gradativamente aceito por toda a Igreja Ocidental. E. que realmente nunca deveriam fazer parte de uma composição humana. não feito. e chefe do partido ortodoxo da Igreja. e nasceu da virgem. oposto ao arquiherege Ário. de cerca de 328 a 373. e daí por todos os protestantes. 13. Não confundindo as Pessoas. assim também somos proibidos pela religião católica de dizer que há três Deuses ou Senhores. porém. Por isso há um só Pai. 18. O que o Pai é. E. encarnou por obra do Espírito Santo. E tornará a vir com glória para julgar os vivos e os mortos. o Espírito Santo é imenso. porém. nem três imensos. padeceu e foi sepultado. e foi feito homem. 16. confesso um só batismo para a remissão dos pecados. contudo. o qual. não há três onipotentes. na sua forma completa. nem criado. A fé católica. não três Filhos. desceu do céu. especialmente de uma que faz distinções tão sutis num assunto tão profundo. nem criado. a do Filho outra. O Pai não foi feito de ninguém. nem gerado. 3O.6 2. no Filho e no Espírito Santo há uma só deidade. o Espírito Santo é Senhor. Mas no Pai. e ao terceiro dia ressuscitou. Deus de Deus. contudo. 21. mas procedente. Amém". é esta: que adoremos um só Deus em trindade. Assim o Pai é Deus. E creio numa só Igreja Católica e Apostólica. não feito. nem separando a substância. não três Espíritos Santos. e dizem que veio provavelmente do Norte da África. Porque a Pessoa do Pai é uma. E . gerado de Seu Pai antes de todos os séculos. Criador dos céus e da terra. bispo de Alexandria. em 589). Maria. não há três Deuses. Schaff diz que. nem criado. 6. 14. o Filho é incriado. nem gerado. Apresenta uma exposição muito bem expressa da fé típica de todos os cristãos. por quem foram feitas todas as coisas. e pela nossa salvação. o Filho é Deus. por amor de nós. e está sentado à direita de Deus Pai. sem nenhuma ratificação ecumênica. do fim do século quinto. e de todas as coisas visíveis e invisíveis. em 589. e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo futuro. E como segue: "1. O Espírito Santo é do Pai e do Filho. e a do Espírito Santo outra. não há três eternos. o qual. ou terá com certeza que perecer para sempre 3. E creio no Espírito Santo. junto com o Pai e o Filho. 17. mas um só onipotente. Bigham refere-o a Virgílius Tapsensis. dão-lhe unanimemente origem menos antiga. Este credo é aceito nas igrejas romana. também chamado Quicunque vult (Quem quer que). 9. glória igual e majestade coeterna. o qual falou pelos profetas. o Espírito Santo é incriado.(b) Acrescentou-se o célebre termo Filioque à cláusula que afirmava que o Espírito procede do Pai. e trindade em unidade. o Filho é onipotente e o Espírito Santo é onipotente. porém um só eterno. Os ilustrados teólogos modernos. o Filho é eterno. segundo as Escrituras. mas um só incriado e um só imenso. não há três Senhores. Assim o Pai é Senhor. E rejeitado pela Igreja Grega. Luz de Luz. e o Espírito Santo é. primeiro que tudo. um só Filho. Filho unigénito de Deus. porém um só Deus. 24. 12. Quem quer que queira ser salvo.

em tudo semelhante a nós. Filho. O qual. ensinamos aos homens a confessar. 4o. Os decretos contêm as exposições positivas da doutrina papal. Um só. quem quiser ser salvo. de modo que. perfeito homem. de uma alma racional e corpo. o Senhor Jesus Cristo. não poderá ser salvo.nesta trindade nenhum é o primeiro ou o último. pois. 28.C. a virgem mãe de Deus segundo a humanidade. O concílio foi composto de 630 bispos e esteve em sessão de 8 até 31 de outubro de 451 d. consubstancial com o Pai segundo a deidade. deve-se adorar tanto a unidade em trindade como a trindade em unidade. mas sem pecado. e sim um só e o mesmo Filho. declararam acerca dEle. Permanece como exposição universalmente respeitada da fé comum da Igreja. frente a Constantinopla. seus símbolos de fé mais autorizados são: 1. também. sem mudança. 5. para suprimir as heresias eutiquiana e nestoriana. verdadeira fé que creiamos e confessemos que o nosso Senhor Jesus Cristo é tanto homem como Deus. Porque. O CREDO DE CALCEDÔNIA. e como o credo dos santos Pais nos transmitiu".° Os Cânones e Decretos do Concílio de Trento. de modo algum por confusão de substância. e foi convocado pelo papa Pio IV. distribuem a matéria sob breves títulos e condenam as doutrinas opostas em cada ponto. Com esse credo completou-se o desenvolvimento da doutrina ortodoxa sobre a Trindade de Pessoas no Deus único. Esta é a fé católica. todos unanimemente. sem divisão. ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. A principal parte da "Definição de Fé" em que concordou esse concílio foi como segue: "Nós. desceu ao inferno. E os que tiverem praticado o bem entrarão na vida eterna. maior ou menor. o mesmo perfeito em deidade. 35. Todavia todas as três pessoas coeternas são coiguais entre si. e se o homem não a crer fiel e firmemente. para sustar o progresso da Reforma (1545-1563 d. sem separação. donde virá para julgar os vivos e os mortos. 32. e concorrendo para (formar) uma só pessoa e uma só subsistência. e sobre a dualidade de naturezas no Cristo único. E Deus. está assentado à mão direita de Deus Pai onipotente. deve pensar assim a respeito da Trindade. existindo em duas naturezas sem mistura. 27. gerado desde a eternidade da substância do Pai. 26. Subiu ao céu. em humanidade. desde o princípio. na Bitínia. e darão conta de suas próprias obras.C. não separadas ou divididas em duas pessoas. e também. assim também Deus e o homem são um só Cristo. e consubstancial conosco segundo a humanidade. e como o próprio Senhor Jesus Cristo nos ensinou. portanto. O qual padeceu pela nossa salvação. gerado do Pai antes de todos os séculos. Igual ao Pai com respeito à Sua deidade. verdadeiramente Deus. sobre o mar Bósforo. da substância de sua mãe. 31. Um só. e sim pela unidade da Pessoa. Em cuja vinda todos os homens ressurgirão com seus corpos.). e nestes últimos dias. 25. e sim um só. Mas é necessário para a salvação eterna que também creia fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. Se bem que o . 39. assim como os profetas. E. E um só e o mesmo Cristo. um só e o mesmo Filho. nosso Senhor Jesus Cristo. Quais os Símbolos Doutrinários da igreja de Roma? Além dos credos supramencionados. 33. nasceu de Maria. Deus o Verbo. 34. 37. porém sendo conservadas as propriedades peculiares de cada natureza. subsistindo numa alma racional e em carne humana. Senhor. assim como a alma racional e a carne são um só homem. verdadeiramente homem. por nós e pela nossa salvação. o qual os romanistas consideram como o vigésimo concílio ecumênico. Perfeito Deus. embora sendo Deus e homem. 38. de modo algum. não sendo. não é dois Cristos. mas sim por ser assumida em Deus a sua humanidade. todos os quais são de autoridade reconhecida na igreja católica romana. seguindo aos santos Pais. unigénito. 40. 29. como se disse acima. segundo a deidade. 36. os que tiverem praticado o mal irão para o fogo eterno. Portanto. destruída a diversidade das duas naturezas por sua união. 30. e perfeito. menos do que o Pai com respeito à Sua humanidade. e Unigénito. não por conversão da Sua deidade em carne. homem nascido no tempo. O Imperador Marciano convocou o quarto Concílio ecumênico para reunir-se em Calcedônia. Os cânones explicam os decretos.

Professo igualmente que na missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro. e que conferem graça. que oferecem orações a Deus por nós. e recebo . Criador do céu e da terra. cujo reino não terá fim. que explica e confirma os cânones do Concílio de Trento. creio e professo com fé firme todas e cada uma das coisas contidas no símbolo de fé usado na santa igreja católica romana. confirmação. Luz de Luz. Filho unigénito de Deus. Recebo e abraço todas e cada uma das coisas definidas e declaradas no santo Concílio de Trento a respeito do pecado e da justificação. e todos os convertidos do protestantismo. 3. e que as almas detidas nele são ajudadas com o sufrágio dos fiéis. extrema-unção. é adorado e glorificado. e que no santíssimo sacramento da eucaristia estão verdadeira. também chamado Professio Fidei Tridentinae ou Forma Professionis Fidei Catholicae.° O Credo do Papa Pio IV. foi composto por ordem de Pio V. e também as dos demais santos. e no Espírito Santo. o qual. por quem foram feitas todas as coisas. o qual. foi crucificado por amor de nós sob o poder de Pôncio Pilatos. e prometo e juro verdadeira obediência ao bispo romano. "Admito e abraço firmissimamente as tradições apostólicas e eclesiásticas. Professo também que há verdadeira e propriamente sete sacramentos na lei nova. próprio e propiciatório pelos vivos e pelos mortos. real e substancialmente o corpo e o sangue. batismo. e que se faz uma conversão da substância inteira do pão em seu corpo. e foi promulgado numa bula pelo papa Pio IV.° O Catecismo Romano. consubstancial com o Pai. em 1566. Também que os santos. F. Deus de Deus. e de todas as coisas visíveis e invisíveis. devem ser honrados e invocados. Confesso também que debaixo de cada uma das espécies separadamente se recebe o Cristo todo e inteiro. que reinam juntamente com Cristo. a qual conversão a igreja católica romana chama transubstanciação. contém um sumário das doutrinas ensinadas nos Cânones e Decretos do Concílio de Trento. instituídos por Jesus Cristo nosso Senhor. Subscrevem-no todos os mestres e eclesiásticos católico-romanos.a saber. e tornará a vir com glória para julgar os vivos e os mortos. ordem e matrimônio. encarnou por obra do Espírito Santo. não feito. junto com o Pai e o Filho. todo--poderoso. e se lhes deve tributar a devida honra e veneração. católica e apostólica. e se fez homem. deve-se ter e conservar. Recebo também e admito as cerimônias da igreja católica romana. Admito também as Santas Escrituras no sentido em que as abraçou e abraça a santa madre igreja. mãe e mestra de todas as igrejas. que procede do Pai e do Filho. se bem que nem todos o sejam para todos . gerado do Pai antes de todos os séculos. ou Catecismo do Concílio de Trento. Amém. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. e nasceu da Virgem Maria. confirmação e ordem não se pode reiterar sem sacrilégio. e desses. seja qual for seu grau. junto com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo. recebidas e aprovadas na administração solene de todos os sacramentos supramencionados. em 1561. por amor de nós os homens e pela nossa salvação desceu do céu. eucaristia. o Senhor e Doador da vida. e subiu ao céu.sistema de doutrina ensinado seja propositalmente ambíguo. Reconheço a santa igreja católica e apostólica. e numa só igreja santa. padeceu e foi sepultado. e espero a ressurreição dos mortos e a vida eterna no mundo futuro. a quem pertence julgar do verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras. Confesso um só batismo para a remissão dos pecados. Professo também. Sustento com constância que há um purgatório. gerado. Pedro. creio num só Deus Pai. e um verdadeiro sacramento. e da substância inteira do vinho em seu sangue. e promulgado por autoridade de Pio V. e em um só Senhor Jesus Cristo. 2. o sucessor de S. o qual falou pelos santos profetas. e necessários para a salvação dos homens.. a saber. está sentado à mão direita do Pai. E como segue: "Eu. Afirmo também que o poder das indulgências foi deixado por Cristo na igreja. príncipe dos apóstolos e vigário de Jesus Cristo. Afirmo firmissimamente que as imagens de Cristo. e da mãe de Deus sempre virgem. e todas as outras constituições e instituições da mesma igreja. é evidente mas não conseqüentemente semipelagiano. penitência. e que se deve venerar suas relíquias. e nunca hei de tomá-las ou interpretá-las de um modo que não seja de conformidade com o unânime consenso dos padres. e que o uso delas é sumamente saudável ao povo cristão. batismo.

e seu Syllabus de erros. que ensinam o absolutismo papal. em virtude do meu ofício. são todos infalíveis e irreformáveis. com a ajuda de Deus. ou grega. até onde chegarem as minhas forças. o capítulo 4. F. da fé. e porque. definindo as doutrinas da Trindade e da Pessoa de Cristo.. o capítulo 3.indubitavelmente todas as demais coisas estatuídas. Estas definições já foram apresentadas em extensão suficiente no capítulo 5 deste livro. promulgado a 8 de dezembro de 18S4. 4. sendo a sua teologia absolutamente estacionária. da fé e a razão. a sua herança. e são por isso. "E condeno. dividiu--se em duas grandes seções . reuniu-se na Basílica do Vaticano em 8 de dezembro de 1869. A Igreja Grega abrange cerca de oitenta milhões de pessoas . o capítulo 3: "Do poder e da natureza da primazia do pontífice romano". que professo agora livremente e abraço verdadeiramente. ou foram confiados ao meu cuidado. A Igreja Grega arroga-se. ensinada e pregada por todos os que estão sob minha autoridade. o capítulo 2. Todas as igrejas protestantes procederam da divisão ocidental ou latina da Igreja. quaisquer que sejam. fora da qual ninguém pode ser salvo. rejeito e anatematizo igualmente todas as coisas contrárias a isso. e possui alguns catecismos e confissões modernos. especialmente as que dizem respeito à primazia e à infalibilidade do pontífice romano. o título de "Ortodoxa" porque os originais credos ecumênicos. de 8 de dezembro de 1864. e a Igreja Ocidental. preeminentemente. e procurar.a maioria dos súditos cristãos do império turco. que a mesma seja abraçada. rejeitadas e anatematizadas pela igreja. até ao fim da minha vida. o Decreto de Pio IX "Sobre a imaculada conceição da bem--aventurada Virgem Maria". Esta abrange quatro capítulos. prometo. e a infalibilidade papal. condenadas. e são partes dos espantosos Símbolos de Fé que são de autoridade indiscutível na igreja católica romana! 6 Quais são os símbolos normais de doutrina da Igreja Grega? A Igreja Primitiva. protesto e juro abraçar com toda a constância e professar a mesma toda e inteira. e continuou suas sessões até ao dia 20 de outubro de 1870. Em conseqüência desse princípio de infalibilidade Papal. Os mais importantes deles são: . Esta abrange também quatro capítulos. segue-se necessariamente que a série inteira de bulas papais. Os decretos desse concílio dividem-se em duas seções: (1) "A Constituição Dogmática sobre a Fé Católica". e especialmente as que foram dirigidas contra os jansenistas. foram produzidos na divisão oriental da Igreja Primitiva e na lingua grega. o capítulo 2: "Da perpetuidade da primazia de Pedro bem-aventurado nos pontífices romanos". definidas e declaradas pelos santos cânones e concílios ecumênicos. e as igrejas nacionais da Grécia e da Rússia. contenta-se ela com a repetição literal das fórmulas antigas. O capítulo 1 tem por título: "Da instituição da primazia apostólica em Pedro bem-aventurado". eu. da revelação. por causas primariamente políticas e eclesiásticas e secundariamente doutrinárias e rituais. Esta verdadeira fé católicoromana. e todas as heresias. ou latina. definidas e declaradas pelo Concílio Ecumênico Vaticano. (2) "Primeira Constituição Dogmática sobre a Igreja de Cristo". em sentido especial. depois do qual foi suspenso indefinidamente.° O Santo Concílio Ecumênico Vaticano foi convocado por Pio IX. com a ajuda de Deus e destes santos evangelhos de Deus Amém". e especialmente pelo santo Concílio de Trento (e estatuídas. O capítulo 1 trata de Deus como Criador. Adere aos credos antigos e às decisões doutrinais dos sete primeiros concílios ecumênicos. A estes seguem-se dezoito cânones que condenam os erros do racionalismo e da incredulidade modernos.a Igreja Oriental. Essa divisão tomou corpo no sétimo século e foi consumada no oitavo. A matéria nova vem nos dois últimos capítulos.

também. As mudanças principais introduzidas nessa edição tendem a opiniões sinergistas ou arminianas a respeito da graça divina de um lado. e. 2. foi apresentada ao Imperador e à Dieta imperial. A Confissão de Augsburgo. metropolitano de Moscou.. 7. de Shedd. Charles Krauth. ficou conhecida como a Variata enquanto se chamava Invariata a confissão original e única autêntica. É a mais antiga confissão protestante. a exata e erudita edição ilustrada da Conf. aprovado unanimemente por todos os patriarcas orientais. 1820 . Depois de assinada pelos príncipes e líderes protestantes.1867. que Calvino achou esta confissão tão consoante com suas idéias sobre as verdades divinas que a subscreveu durante a sua residência em Estrasburgo. "o primeiro para uso dos pregadores e professores. condena os principais erros característicos do romanismo. Os Catecismos Maior e Menor de Lutero. do que qualquer outra exposição feita pela Igreja Oriental. na qual fizera diversas alterações e que. que contém vinte um artigos. O Catecismo de Filareto aproxima-se mais do princípio evangélico da supremacia da Bíblia em matérias de fé e vida cristãs. Os "Decretos do Concílio de Jerusalém". a mesma doutrina que o Concílio de Trento quanto às Escrituras e à tradição. 2o. especialmente o Catecismo Maior. de Philaret. composta por Pedro Mogilas. e desde 1839 usado geralmente nas igrejas e escolas da Rússia. 1529 d. em 1530. em 1536. ao culto dos santos e ao purgatório. com sete artigos. e o outro para guia dos jovens. ao sacrifício da missa. 7. a idéias quanto aos sacramentos que são mais simples e mais de conformidade com a das igrejas reformadas. Em 1540. na cidade cujo nome trazem. É evangélica. 8 e a única norma doutrinária universalmente aceita nas igrejas luteranas. e do outro.D. Consta de duas grandes divisões. na Rússia. cap. A Apologia (Defesa) da Confissão de Augsburgo. por isso. D. cujos autores comuns foram Lutero e Melanchthon.-4o. a segunda.Io. preparados por Lutero. . e contém naturalmente os germens das opiniões peculiares dos luteranos quanto à necessidade dos sacramentos para a salvação. e aprovada por todos os patriarcas do Oriente. Os decretos do Sínodo de Jerusalém ensinam substancialmente. 3o. Veja: History of Christian Doctrine." . em 1530. aos sacramentos. posto que menos definidamente. 1672. Quais são os símbolos normais de doutrina da Igreja Luterana? Além dos grandes credos gerais que aceitam em comum todos os cristãos. do Dr. dez anos depois de adotada como símbolo público da Alemanha protestante.C. e subscrita pelos teólogos protestantes em 1537. em Augsburgo. Os Artigos de Esmalcalda. à justificação. em Esmalcalda. 3o. ou Confissão de Dositeo. e subscritos pelos teólogos evangélicos. em fevereiro de 1537. 2o. apresenta uma exposição positiva das doutrinas cristãs como os luteranos as entendem. posto que não seja tão exata na exposição como o são as confissões calvinistas mais perfeitas. em 1643. seus símbolos de fé são: Io. Melanchthon preparou e publicou uma edição em latim. e quanto à relação dos sinais sacramentais com a graça que significam. no sentido agostiniano. que tenham a sanção do santo Sínodo. Os Catecismos Russos. Liv. de Augsburgo. a base fundamental da teologia luterana. preparada por Melanchthon. A primeira. estas peculiaridades estão tão longe de serem expostas explicitamente. metropolitano de Kiev. A "Confissão Ortodoxa da Igreja Grega Católica e Apostólica". às boas obras e à fé. Contudo.

Cranmer. preparado por Ursino e Oleviano. especialmente (1) a respeito da ação relativa da graça divina e da vontade humana. e variam um tanto em caráter. preparou os Quarenta e dois Artigos de Religião que foram publicados por autoridade do Rei.naquele tempo um Estado alemão que incluía as duas margens do Reno. a questão sobre se estes artigos são ou não calvinistas. A. por aquele partido. preparada em 1577 por Jacob Andrese e Martinho Chemnitz e outros. em 1564. Foram revistos e reduzidos ao número de trinta e nove pelo arcebispo Parker e outros bispos. posto que concordem substancialmente quanto ao sistema de doutrina que ensinam. auxiliado por outros bispos. com exceção da de Basiléia (que conservou a primeira). é reconhecida só pelo partido extremo dos luteranos. (2) O Catecismo de Heidelberg. na Igreja. Em 1532. Hase. pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) Deus tem decretado. que leva conseqüentemente as peculiaridades da teologia luterana ao seu mais completo desenvolvimento lógico. e é símbolo normal de doutrina das igrejas reformadas (alemãs e holandesas) da América do Norte. com o fim de pôr têrmo a certas controvérsias que se haviam suscitado na Igreja Luterana. que não estava satisfeito com a tendência e com o símbolo luterano. e em Creeds of Christendom. (3) Os Trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra. na obra da regeneração. essas quatro cidades adotaram a Confissão de Augsburgo. e ratificados pelas duas Casas de Convocação e publicados por autoridade do Rei. 1836. em que foi apresentado o primeiro símbolo luterano. como também como meio de ensino religioso. porém. em latim emLibri Symbolici.5o. da Irlanda. para as igrejas do Palatinado . 8. prepararam-na e a apresentaram ao imperador na mesma Dieta de Augsburgo. Foi adotada por todas as igrejas reformadas da Suíça. e sem motivo algum. o principal foi Martinho Bucer. C. os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus são chamados. Por isso. livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo. Foi estabelecido pela autoridade civil como o símbolo normal de doutrina. Foi aprovado pelo Sínodo de Dort. de modo que a Confessio Tetrapolitana deixou de ser o símbolo adotado formalmente por qualquer ramo da Igreja Luterana. pois o décimo sétimo Artigo. dentre os homens. e publicada em 1566. é a Confessio Tetratpolitna . Os pontos de diferença pertencem à doutrina sobre os sacramentos. Era usado na Escócia para ensino das crianças. Veja as Atas. porém. Consta de vinte e dois artigos. Estrasburgo. Em 1552. em 1870. em 1530. acuradamente. Todos estes símbolos luteranos acham-se editados. da Escócia.° As confissões reformadas de maior autoridade entre as igrejas são as seguintes: (1) A Segunda Confissão Helvética. de Estrasburgo. antes da adoção dos Catecismos da Assembléia de Westminster. (2) a respeito da natureza da presença do Senhor na eucaristia.° A mais antiga confissão daquele ramo do protestantismo. e concorda geralmente com a Confissão de Augsburgo. e seu uso foi sancionado unanimamente pela primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana Unida dos Estados Unidos. Constituem o Símbolo normal de doutrina tia Igrejas Protestantes Episcopais da Inglaterra. das Colônias e dos Estados Unidos da América do Norte. Leipzig. isto é. Veja: 1. A Formula Concordice (Forma de Acordo). Quanto a esse assunto é zuingliana. pelo Dr. 2. Quais as principais Confissões das Igrejas Reformadas ou Calvinistas ? As Confissões das Igrejas Reformadas são muito consideráveis em número. em 1563. preparada por Bullinger. Sua autoridade.porque os teólogos ile quatro cidades do sul da Alemanha. e tem sido considerada sempre por todas as igrejas reformadas como da maior autoridade. e pelas igrejas reformadas da Polônia. em 1562. Da Predestinação e Eleição. Schaff. Constance. Memingen e Lindau. e conduzi-los por Cristo à salvação eterna. Dos teólogos que se ocuparam em sua preparação. é decisivo e é como segue: "A predestinação à vida é o eterno propósito da Deidade. Esta Fórmula contém uma exposição mais científica e mais bem desenvolvida da doutrina luterana do que qualquer outra que se possa achar nos seus símbolos públicos. da Hungria e da Escócia. Tem sido discutida. pelo Dr. substituiu a Primeira Confissão Helvética de 1536. em 1553. segundo o propósito . por Seu conselho oculto a nós. da França.

ante os olhos a sentença da predestinação divina é um precipício muitíssimo perigoso. e deputados das igrejas da Inglaterra. aos quais se acrescentaram depois vinte ministros. Todas as assembléias que se reuniram na Nova Inglaterra com o fim de estabelecer a base doutrinal de suas igrejas. Londres. essa Confissão e esses (Catecismos como exposições exatas da sua própria fé. ou a que vivam numa segurança de vida impuríssima. Também a Convenção Congregacional. e incorporou. 2. A convocação original abrangia dez membros da Câmara Alta. de Bremen. ou aprovaram ou adotaram. e inexplicável conforto para as pessoas devotas. a Igreja Reformada (holandesa) da América. ficando assim representadas as diversas opiniões quanto ao governo da Igreja. Jesus Cristo. Os cânones desse sínodo foram aceitos por todas as igrejas reformadas como uma exibição exata. o que é mais estimado por todas as igrejas dos congregacionalistas. A Confissão e os Catecismos que produziram foram imediatamente adotados pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Este célebre sínodo foi convocado para reunir-se em Dort. constituem o símbolo normal de doutrina da Igreja Metodista Episcopal da América. atuando no devido tempo: pela graça obedecem ao chamamento. presbíteros regentes e professores teológicos das igrejas da Holanda. vivem religiosamente em boas obras e. são os símbolos normais de doutrina de iodas as igrejas presbiterianas no mundo. por meio de Cristo. por assim dizer. quase inteiramente. convocada por (Iromwell. Í5)/1 Confissão e os Catecismos da Assembléia de Westminster. "Assim como a piedosa consideração da predestinação c da nossa eleição em Cristo está cheia de um suavíssimo. são feitos filhos de Deus por adoção. purgados do seu calvinismo e reduzidos em número a vinte e cinco. em sua própria confissão. a operação do Espírito de Cristo. Fez assim . com o fim de pôr têrmo às controvérsias suscitadas pelos discípulos de Armínio. explicitamente. a Declaração de Savoy. verdadeira e eminentemente revestida de autoridade do sistema calvinista de teologia. a confissão doutrinária da Igreja Reformada da Holanda. Esta assembléia de teólogos foi convocada por ato do Parlamento Amplo. assim também. de contínuo. e cento e vinte e um teólogos. votado em 12 de junho de 1643. Estes artigos. inclusive um novo artigo político (o vigésimo terceiro). a vontade divina que nos é declarada expressamente na Palavra de Deus". são formados à imagem de Seu unigénito Filho. pela misericórdia de Deus. de derivação inglesa ou escocesa. abandonado o uso dela (a Declaração de Savoy) em suas famílias. da Suíça e do Palatinado. mas também porque torna mais fervoroso o seu amor para com Deus. geralmente. ou dos lordes. E também. que vai mortificando as obras da carne e seus membros terrenos. e concordado com os presbiterianos cm usar os Catecismos da Assembléia" Neal. Holanda. o ter. e vinte da Câmara Baixa. em nossas obras. doce. adotando como artigo de fé o sistema político do governo dos Estados Unidos. não menos perigosa do que o desespero. Essa corporação continuou em sessão de Io de julho de 1643 até 22 de fevereiro de 1649. em si mesmas. destituídas do Espírito de < iristo. 178. propostas nas Escrituras Sagradas. e de sua filha. Constava de pastores. devemos receber as promessas de Deus do modo pelo qual nos são. juntamente com os Catecismos Maior e Menor. e as que sentem. "A diferença entre as duas confissões é tão pequena que os independentes modernos têm. "Ademais. na Inglaterra e América. para as pessoas curiosas e carnais. da Escócia. não só porque estabelece e confirma muito a sua fé na salvação eterna que hão de gozar. em 1658. por Seu Espírito. devemos seguir. Suas sessões tiveram continuidade de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619. Essa Confissão. à felicidade eterna. Constituem. por onde o diabo as arrasta ao desespero. ou dos comuns. e levantando os seus pensamentos às coisas altas e celestiais. aprovou a parte doutrinal da Confissão e dos Catecismos da Assembléia de Westminster. de todos os credos. são justificados livremente. afinal.divino. pág. juntos com o Catecismo de Heidel-berg. Puritans. que se reuniu em Savoy. de Hesse. (4) Os Cânones do Sínodo de Dort. vol. como membros leigos. chegam. por autoridade dos Estados Gerais.

elaborada em Zurich. das doutrinas ligadas a essa. Tinha por fim unir todas as igrejas suíças em suas idéias a respeito desse ponto. e de alguns outros pontos". em 1549. contudo. em 1552. Fê-lo também o Sínodo reunido em Hoston. e preparou a Plataforma de Cambridge. (2) O Consensus Genevensis foi preparado por Calvino. Gall.0 Sínodo que se reuniu em Cambridge. Seu título é: "Forma de acordo das grejas reformadas suíças. embora não sejam símbolos normais de doutrina de grandes denominações de cristãos. e Lucas Gernler. por Dr. Leipzig. no intuito de conseguir a unidade do protestantismo por meio de uma concessão às opiniões luteranas quanto à presença do Senhor na eucaristia. e outra vez em agosto de 1648. É de valor especialmente porque expõe com muita clareza e com autoridade indubitável. em nome dos pastores de Genebra. com o fim de efetuar acordo mútuo entre todos os partidos da Igreja Reformada a respeito das questões de que trata. e é uma exposição completa das idéias de Calvino sobre a Predestinação. Connecticut em 1708. . as verdadeiras opiniões de Calvino sobre esta matéria. Esta é a mais científica e completa de todas as confissões reformadas. Genebra. (1) O Consensus Tigurinus ou Consensus de Zurich. de Genebra. H. Schaffhausen. e fica monumento excelso da doutrina verdadeira da Igreja Reformada sobre essa questão tão discutida.** Todas as confissões das igrejas reformadas acham-se publicadas num só volume na Collectio Confessionum in Ecclesiis Reformatis publicatarum. e em maio de 1680. e em Creeds of Christendom. a respeito da doutrina do sacramento. etc. expostas deliberadamente depois de haver deixado de fazer esforços vãos. Plaoeo. o qual produziu a Plataforma de Saybrook. são. Neuchatel. ** Aparecerá traduzida no apêndice. Niemeyer. de Basiléia. tratando exclusivamente de questões que diziam respeito à Ceia do Senhor. (3) A Formula Consensus Helvetica. e foi preparado por Calvino. em 1675. 1840. e recebido favoravelmente em todas as diversas partes da Igreja Reformada. em setembro de 1679. Massachusetts. ou "O i onsenso mútuo dos pastores da Igreja de Zurich e de João Calvino. Basiléia e dos Grisons. ajudado por Francisco Turretino. Fica como monumento proeminente dos princípios fundamentais do verdadeiro calvinismo. 1 Veja Herzog's Real-Encyclopedia. Foi subscrita por quase todas as igrejas suíças. e representada por Amyraldo. Foi subscrito pelas igrejas de Zurich. de Zurich. em junho de 1647. por João Henrique Heidegger. a respeito da doutrina da graça universal. e que produziu a Confissão de Boston." Constava de vinte e seis artigos. Há ainda mais algumas confissões reformadas que. Tinha por fim unir as igrejas suíças em condenar e excluir a forma modificada do calvinismo que naquele século emanava da Escola Teológica de Saumur. A proeminência de seus autores* e o fato de representar distin-livamente a escola mais perfeitamente conseqüente dos calvinistas antigos a tornam de muito interesse clássico. A. No apêndice achar-se-á uma tradução exata desse documento importante. mas em 1722 deixou de ter autoridade pública como confissão. de muito interesse classico e de autoridade por causa de seus autores ou das rircunstâncias em que se originaram.Helvetic confessions. Schaff. Artigo. por Dr. Bamberger's Translation. St. pastor da igreja de Genebra. Também o fez o Sínodo reunido < in Saybrook. 3a.

2a. A idéia da perfeição absoluta e infinita. em grau infinito. Neste processo atribuímos a Deus toda a excelência da qual temos experiência ou idéia. e em perfeição absoluta. fomos criados à imagem de Deus. é blasfêmia. que nossas concepções das perfeições de Deus não correspondem. a elucidação que nela nos é dada do Seu caráter. e negamos que ele seja de qualquer modo imperfeito ou limitado. Este método procede com base no postulado de que nós. Até onde podemos ter a certeza que a realidade objetiva corresponde com as nossas concepções subjetivas da natureza divina? A respeito deste ponto há duas posições extremas e opostas que é necessário evitarmos: Ia. Todos estes métodos concordam entre si. adequadas para representar a realidade objetiva de Suas perfeições. A criança não só sabe que o filósofo ou estadista vive . tanto porque apreende só uma parte muito pequena dessa vida. morando na mesma cidade. .o que é essa vida e. Mansel e outros. o seu conhecimento é muito imperfeito. a imperfeição do conhecimento que os homens I cm de Deus é análoga em espécie.mas sabe também. sabemos muito imperfeitamente e concebemos muito inadequadamente. e (b) mesmo aquilo que sabemos dEle. A segunda posição extrema que devemos evitar é o de supor que o nosso conhecimento de Deus é ilusório. até certo ponto real. 2. a conclusão necessária de que esses lermos envolvem contradições mútuas que a razão humana nao pode tolerar. A esse respeito. Deus é incompreensível por nós no sentido de que (a) fica sempre uma parte imensurável da Sua natureza e da Sua excelência da qual não temos nem podemos ter conhecimento. quer em espécie quer em grau. O método de analisar a idéia da perfeição infinita e absoluta. O método de inferir suas características pelas obras dele que vemos ao redor de nós. "O pensarmos que Deus seja aquilo que pensamos que é. e sobretudo na revelação pessoal de Deus em Seu filho Jesus Cristo. tiram a conclusão de que as nossas concepções de Deus não podem corresponder à real existência objetiva do Ser divino. A primeira posição extrema de supormos que as nossas concepções de Deus são. em grau algum. na Sua revelação sobrenatural e dispensações cheias de graça. 3o. como "infinito" e "absoluto". pág. procedem a dar definições destes termos abstratos. depois de provarem que somos obrigados a pensar em Deus como "causa primária". suplementam--se e limitam-se mutuamente.8 Os Atributos de Deus 1. embora infinitamente maior em grau à imperfeição do conhecimento que uma criança pode ler da vida de um grande filósofo ou estadista. O ensino didático das Escrituras. como (ambém porque compreende só muito imperfeitamente mesmo essa pequena parte. «los quais tiram. e estas corrigem as inferências da razão natural e põem o selo da autoridade divina em nossas opiniões sobre a natureza divina. Quais os três métodos de determinar os atributos que pertencem ao Ser divino? Io. Em seguida. auxilia-nos na interpretação das Escrituras. o Sr. então. como agentes morais e inteligentes. à realidade objetiva. 2o. que em certo sentido nos é inata.Discussions. "Sir" William Hamilton. e da nossa experiência pelo modo como nos trata. contudo." A última e mais extrema consagração da verdadeira religião não pode ser outra cousa que um altar "ao Deus desconhecido e a quem não nos é possível conhecer" ("Sir" William Hamilton.

(3) Se a nossa consciência íntima e as Escrituras Sagradas nos apresentam concepções ilusórias quanto ao que Deus é. etc. Sustentam eles que todas as representações de Deus comunicadas nas Escrituras. (5) Esse princípio é imoral. e que não têm por fim dar-nos conhecimento real e científico. "Sir" W. e que por isso podemos conhecê-10 como Ele realmente é. podemos formar dEle. e sim o que Ele quer que pensemos a Seu respeito" Mansel. no qual. ou que existe. Que é antropomorfismo.isto é. em qualquer sentido. pois. todos os atributos essenciais que pertencem aos nossos espíritos. de um caráter moral. 3. racional. como seres morais e inteligentes. Hamilton. quer e sente. e sim. de modo algum correspondem à realidade objetiva. praticamente. é bíblico. e que devem ser tomadas em sentido literal todas as passagens das Escrituras que falam em Seus olhos. o sentido dessas afirmações é que Lhe atribuímos atributos da mesma espécie que os atributos que têm esses nomes e que pertencem aos homens. que pensemos em Deus como possuindo. Pensar em Deus. 2o. mas. que Ele é justo. Os panteístas. 132. servir-nos como postulados reguladores "muito instrutivos para o sentimento e para a ação". desde que o homem foi criado à imagem de Deus como um espírito racional e livre. (4) Esse princípio leva ao ceticismo absoluto. são modos de conceber que não estão em conformidade com a verdade objetiva. por exemplo. a justiça. Como mostraremos logo à frente (Pergunta 6) uma definição verdadeira do absoluto e do infinito. e em Deus aquilo mesmo que são no homem.22). verdadeiro e misericordioso. são antropomorfísticas . e as melhores concepções que nós. fomos real e verdadeiramente criados à imagem de Deus.. se não ao ateísmo dogmático. e quais os diversos sentidos em que se emprega essa palavra? Antropomorfismo é palavra empregada para designar qualquer opinião sobre a natureza de Deus que o considere como se possuísse ou exercesse quaisquer atributos semelhantes aos do homem. A palavra é empregada emmau sentido quando utilizada para designar um modo de pensar em Deus como se houvesse nEle qualquer imperfeição ou limitação. (1) Baseia-se numa definição artificial e inaplicável de certas noções abstratas mantidas por alguns filósofos a respeito do "absoluto" e do "infinito". Os antropomorfistas antigos sustentavam que Deus tem partes e órgãos corporais como os nossos. porque faz de falsas representações dos atributos divinos o princípio regulador da vida moral e religiosa dos homens. mas não para satisfazer à nossa inteligência-não nos dizem o que Deus é em Si. Quando dizemos que Deus sabe. e alguns outros filósofos. não temos motivo algum para confiar nelas quando nos dizem que Deus é. em perfeição absoluta e sem limites. A verdade. e suficientes. com o auxílio das Escrituras. dizem que todas as nossas concepções de Deus como um Espírito pessoal. No bom sentido. pág. como se . (6) Os ditames mais exaltados e mais certos da razão humana produzem necessariamente a convicção de que os princípios morais e a natureza essencial de quaisquer atributos morais não podem deixar de ser os mesmos em todos os mundos e em todos os seres possuidores. e sem nenhuma limitação. e sim são determinados necessariamente pelas condições subjetivas dos modos humanos de pensar. o amor e a benevolência não podem deixar de ser no Criador aquilo mesmo que são na criatura. não temos motivo para confiar em nossos instintos ou faculdades constitutivas quanto aos outros ramos do conhecimento. em Deus. Esse modo de pensar leva realmente ao ceticismo. e está de acordo com a verdade objetiva. se bem que não era esse o fim que tinham em vista esses autores. (2) Demonstrar-se-á abaixo (Pergutas 3 e 5) que temos bom fundamento para o postulado segundo o qual. que é necessário tomar-se a palavra em dois sentidos: Io. no sentido em que as Escrituras e os homens não sofisticados dizem que Deus é absoluto e infinito. não envolve contradição ou absurdo algum. Limits of Religious Thought. e em perfeição absoluta quanto ao grau. Segue-se. Se o nosso Criador quer que pensemos nEle de um modo diverso da verdade. em perfeição absoluta quanto à espécie. mãos etc. para as nossas necessidades atuais. "suficientes para dirigir a nossa vida.

Sal. As Escrituras atribuem caracteristicamente esses mesmos atributos a Deus. 3o. manifestado na Pessoa de Jesus Cristo. e de responsabilidade perante um Governador moral. Mas isso seria um absurdo se o Governador moral não fosse. Sal.. * 4o. um espírito pessoal inteligente e reto. Quais as provas de que não só são necessárias. O argumento mais durável e satisfatório para estabelecer o fato da existência de Deus. que é zeloso. no nosso sentido das palavras. 2 Sam. principalmente. e também o fez de tal modo que demonstrou sempre ser Deus tão verdadeiramente como era homem. em enfurecer-Se. intenção benévola e a faculdade de escolher. provam os seguintes fatos: Io. 4. A não ser assim. em Seus braços ou pés. 5. no Velho Testamento. exibiu em todas as situações esses mesmos atributos. é-nosforçoso crer nEle como espírito pessoal. nas passagens muito retóricas dos livros poéticos e proféticos. as concepções antropomórficas de Deus. de nosso ponto de vista. 16:9. Representam só analogicamente a verdade a respeito de Deus. o homem não poderia compreender mais das obras de Deus do que da Sua natureza. entristecer-Se e estar cansado. E as passagens que falam dEle arrepender-Se.18:9. e em toda parte propugnam Sua existência. na pergunta 20. que Ele é. à Sua própria imagem. E se este argumento é válido para estabelecer o fato da existência de Deus. 15:6. seria um antropomorfismo falso e indigno dEle. Que o homem tem o direito de pensar em Deus como a fonte original e totalmente perfeita das qualidades morais e racionais que nEle se acham. é o argumento a posteriori baseado nas provas de "desígnio" que vemos nas obras de Deus. 6:6. 2o. toda a teologia e toda a religião é que Deus fez o homem alma viva. Is. ou experimentasse em Si as perturbações das paixões humanas. ou seja. só quer dizer que Se comporta para com os homens como um homem se comportaria quando agitado por essas paixões. . Quando o texto diz que Ele Se arrepende. 33:11 e 20. e como nos parece. Se cremos em Deus.tivesse mãos ou pés. Que Deus não pode ser material demonstraremos adiante. 52:10. inata e indestrutível. Se entristece. Jer. 2 Crôn. Haveremos sempre de fazer a nossa escolha entre o princípio que sustentamos e o ateísmo absoluto. Como devemos entender as passagens das Escrituras que atribuem a Deus membros corporais e as fraquezas próprias da paixão humana? As passagens a que se faz referência são aquelas em que se fala no rosto ou face de Deus. 5o. Estas expressões devem entender-se como metáforas. 29:20. é válido também para provar que Ele possui e exerce inteligência. e todas as relações de pensamentos e sentimentos entre eles seriam impossíveis. O mesmo é determinado também pelas leis necessárias de nossa natureza moral. tomada essa palavra no seu bom sentido? O fato fundamental em que se baseia toda a ciência. 95:10. E determinado assim pelas leis necessárias da nossa natureza. inclui o sentimento de sujeição a uma vontade reta superior à nossa. 6o. Deus. que está irado. 22:9. etc. em Seus olhos. como Deut. em nosso sentido dos termos. um espírito pessoal e inteligente. 7. Essas metáforas encontram-se. (2) Mesmo nas adulterações aviltantes da mitologia pagã as concepções que se fazem de Deus são universalmente semelhantes a essa. Não há outro modo possível de conhecermos a Deus. como em Êx. A natureza moral do homem. que é a imagem expressa da Pessoa do Pai. etc. racional e reto. em Suas narinas. (1) E matéria da nossa consciência íntima. como Gên. mas também são válidas. e ali. ou de qualquer outro modo semelhante.

(2) que não pode ser objeto de conhecimentos. Qual a etimologia e a significação dos diversos nomes dados a Deus nas Escrituras? Io. bondade ou verdade. "Absoluto". ou um modo de existência adicional que não possuísse já. Baseados nestas definições. seja quanto à Sua existência. Ele transcende todas as limitações do tempo e do espaço. queremos dizer que Sua essência e as propriedades ativas desta não têm limitações que envolvam imperfeições de qualquer espécie que seja. Por meio das obras que Lhe são atribuídas. . não pode receber atributos adicionais. e conhece todas as coisas de um modo absolutamente perfeito. Exprime auto-existência e imutabilidade. nem à criação como um todo. louvai a Jeová. E este último nome substitui o de Jeová também na vulgata e em diversas outras versões. e que é a causa inteligente e voluntária de tudo quanto mais existiu. Quando dizemos que Deus é infinito no Seu Ser.. 5o. 8. do hebraicoHayah. 2 e 3. etc. por conseguinte. Pela manifestação de Deus em Cristo. porque fica definido. Por meio do culto que elas requerem que Lhe seja prestado. e é também estabelecida assim uma relação entre o conhecido e a pessoa que o conhece. JAH. existe agora. que existia antes de todos os demais seres. ou poder. . e que. a premissa falsa de um abstrato "infinito" e "absoluto" e substituindo isso pela Pessoa verdadeiramente infinita e absoluta revelada nas Escrituras e na consciência humana como a causa primária de todas as coisas. no original. e sua definição do absoluto é: "aquilo que existe de per si. Deus é o que é porque é. Toda relação que Ele sustém para com aquilo que está fora dEle foi por Ele tomada voluntariamente. e qual o sentido em que eles são aplicados à natureza de Deus e a cada um dos Seus atributos? •• A definição que Hamilton e Mansel dão de infinito é: "aquilo que está livre de toda limitação possível. porque. é empregado principalmente nos Salmos. por Mansel.6. Tudo quanto existe está condicionado a Deus. porque o conhecer implica relação.Sal. provavelmente abreviatura de Jeová. ser. quer dizer que Ele é uma Pessoa eterna e auto-existente. mas Deus. Quando os homens dizem que Deus é infinito na Sua justiça. o atual e o possível. substituindo-o. 7. argumentam (1) que aquilo que é infinito e absoluto deve incluir em si a soma total de todas as coisas. finito e relativo. assim como o círculo está condicionado a seu centro. como ponto de partida. ou em qualquer tempo há de existir em todo o universo. SENHOR. seja quanto a qualquer dos modos dela. Por meio de Seus atributos. o bem e o mal. Por meio de Seus nomes. isso significa que na Sua natureza inexaurível e imutável possui esses atributos em perfeição absoluta. por motivo supersticioso. aquilo que é tamanho que não se pode conceber um maior. e com facilidade e sucesso perfeitos. e Ele quer aquilo que quer porque "assim é do seu agrado". limitado. 3 o. é o nome incomunicável de Deus que os judeus. conhecimento. porque aquilo que é conhecido fica. e que por isso Ele não mantém relação necessária com nada que existia fora dEle. Tudo o que mais existe é o que é porque Deus queria que fosse o que é. Qual é o sentido dos termos "infinito" e "absoluto". o Governador moral e Redentor dos homens. por isso mesmo.Io. no original. 4o. nunca pronunciam. "Infinito" quer dizer o que não tem limites. 68:4. Lectures 1. Art. pelo nomt Adonai. 1. não está condicionado a nenhuma das Suas criaturas. não tendo nenhuma relação necessária para com outros seres". Pode fazer tudo quanto quer por intermédio de meios ou sem eles. Quais os diversos modos pelos quais as Escrituras revelam Deus? Revelam Deus . se estivesse excluído dele alguma coisa real ou possível. na sua leitura do Velho Testamento. como já foi dito Discussions por Hamilton. 2o. quando aplicado a Deus. Todos estes devaneios lógicos nascem do fato de tomarem esses filósofos. JEOVÁ. desde toda a eternidade". não seria mais infinito e absoluto e sim. (3) que não pode ser pessoa. E a última sílaba da palavra "aleluia" . (4) que não pode conhecer outras coisas. Limits ofReligious Thought. porque a consciência pessoal implica limitação e mudança.

Que são atributos divinos ? Os atributos divinos são as perfeições atribuídas à essência divina nas Escrituras. 44:10. aquilo que Deus faz. um elemento de incompreensibilidade que é inseparável da infinidade. Ao mesmo tempo. força. ELYÔN. 55:8. A respeito da natureza e das operações de Deus. mais comumente. hoje. Na sua forma singular é usado só nos livros poéticos e nos menos antigos. o EZEBA excelso. como em Jó 5: 17. Sal. Is. da providência e da redenção. Deus dos Exércitos. 50:6. 22:2. 6:9. 24:8. adjetivo verbal deâlâch-subir . poder. é usado freqüentemente como epíteto qualificativo de um dos nomes supramencionados de Deus.e. A.Jó 11:79. 139:5. quer no homem. a justiça e a bondade são naturalmente os mesmos atributos. EL. e com a mesma significação fundamental. 40:28. às vezes. 9:2. haverá sempre. e Gesenius. Rei. aplicado tantas vezes a Cristo no Novo Testamento.A Moisés Deus deu a conhecer Seu nome peculiar . O Seu conhecimento e o Seu poder excedem tanto à compreensão como à Sua eternidade e imensidade . exprimindo possessão e domínio absoluto. 3:14. como a respeito da existência. e dos anjos. Mas o verdadeiro sentido é: "Soberano das estrelas. Legislador. E derivado àeAlah. João 20:17. Os elementos morais da Sua natureza gloriosa são a norma ou o tipo original de nossas faculdades morais. 26:14. 8o. como em Gên. 3o. como: Jeová dos Exércitos. dessa mesma essência divina. Jeová Deus dos Exércitos . nas Suas obras da criação. de conformidade com esses princípios. reverenciar. é "a mesma de ontem. Redentor: 2 Sam. às vezes. Alguns tomam isso como o equivalente de: Deus das batalhas. 5o. Is. quer dos Seus atos. podemos saber tão-somente o que Lhe aprouve revelar-nos. Seu amor é Sua essência amando. etc. e necessariamente. Sal. 24:10.v 9. Muitos outros epítetos são aplicados a Deus. O conhecimento de Deus é Sua essência conhecendo. e o será por todos os séculos". SADDAI. J. 2o. mas de preferência. é. sendo os dois o mesmo nome. porém. é precedido de EL. Pastor. 62:2. como são separáveis da essência da criatura as propriedades e modos de tudo o que foi criado. Fortaleza. ELOIM e ELO AH. temer. seus habitantes" .Sal. e em todas as nossas concepções. 21:7. em sentido metafórico. Não são propriedades ou estados da essência divina separáveis.9. o último sendo a forma singular. traduzindo Deus. e. e o primeiro.g. a Jeová como o grande objeto de adoração. Rocha. a qual.Rom. 24:10. on the Psalms. para expor a relação que sustenta para conosco e os ofícios que Ele desempenha. e dá ocasião para O adorarmos maravilhados . como umpluralis excellentice. o Senhor pluralis excellentice aplicado exclusivamente a Deus. Na sua forma plural é usado. 6o. muitas vezes. 4o. 33:17. uma prova para a nossa fé. João 15:1. 7o. Sal. nem estados que mudam. O termo TZEBAOTH.Dr. Alexander. A verdade.Ex. E aplicado também a deuses falsos. quer da Sua natureza. de fato ou na hipotética. quer em Deus. r. onipotente.Is. aplicado a Deus. Is.Amós 4:13. ou exercidas visivelmente por Deus. e assim é que nos é possível compreender os supremos princípios de verdade e justiça sobre os quais Ele opera. As vezes aparece só. ADONAI. e aplicado tanto a deuses falsos como ao Deus verdadeiro . e todos estas qualidades não são capacidades latentes de ação. quer nos anjos. Juiz. 23:1. nem sombra de variação". 11:33-36. dos exércitos materiais do céu. um pluralis excellentice. no sentido plural de deuses.6. Com.3. e "sem mudança. da mesma raiz que Jeová. Sal. Pai: Mat. tanto a respeito do estado e modo. a forma plural. 17:1. . equivalente a Senhor. Heb. mas estados coexistentes e eternamente imutáveis da essência divina. Sal. Agricultor: Sal. Sua vontade é Sua essência querendo. Lex.EU SOU O QUE SOU . dos exércitos.

meramente nominaliter. porque há nelas distinção entre Sua essência e Suas propriedades. No primeiro sentido da palavra. autoexistente desde toda a eternidade. conhecimento. poder. imensidade. 2o. vontade. Quais os diversos princípios segundo os quais se tem procurado classificar os atributos divinos? A imensidade do assunto e a incomensurabilidade de nossas faculdades tornam evidente que nenhuma classificação que possamos fazer pode ser mais do que aproximadamente exata e completa. infinidade.g. incompre-ensibilidade.. imensidade. 3o.. 3 o. Distinguem-se também como afirmativos e negativos. Io. O que há em Deus. Deus é infinito em relação ao espaço e ao tempo.. Ilustram sua idéia pelos diversos efeitos que o mesmo raio de luz do sol produz em diversos objetos. quer seja pensamento. etc. de modo que há nEle base ou motivo adequado para todas as representações feitas nas Escrituras a respeito das perfeições divinas. emoção. 5 e 7. em oposição à composição material. bondade e retidão. E sempre aquilo que é. primeiro. eternidade. eternidade. eterno. Distinguem-se como absolutos e relativos. Outros levam tão longe a idéia de simplicidade que negam haver distinção alguma nos próprios atributos divinos. de essência e modo. as propriedades e os modos são uma só e a mesma coisa. Que quer dizer o termo SIMPLICIDADE. e para as concepções que por isso nós temos delas Turretino. Distinguem-se como comunicáveis e incomunicáveis.. onipresença. os teólogos sustentam que nEle a essência. etc. Mas. quer mecânica. como passam os homens. porém. Para evitar estes dois extremos. Esta distinção. porém. Um atributo negativo é uma qualidade que nega qualquer defeito ou limitação de qualquer modo nas perfeições divinas: e. Um atributo relativo é uma propriedade da essência divina considerada em relação à criação: e. e Seus modos ou estados sucessivos de existência. Mas Ele não é menos infinito quanto ao Seu conhecimento.g. quando aplicado a Deus pelos teólogos ? O termo "simplicidade" é empregado. ou de qualquer modo que implique composição em Deus. e Seus diversos estados de intelecção. à Sua vontade e à Sua retidão em todos . em sentido metafísico. Os atributos comunicáveis são aqueles com os quais os atributos do espírito humano tem alguma analogia: e. é Deus.g. necessariamente não deve ser levada longe demais. onipresença. Institutio Theologicce. auto-existência. e Ele é essencialmente aquilo que é. Alguns pensam em Deus como passando por diversos modos e estados transitórios. imutabilidade.. Os incomunicáveis são aqueles quanto aos quais não há na criatura nada que lhes seja análogo: e. nossas almas são complexas. nós somos finitos em relação a um e a outro. onipotência. Locus 3. Nem. inteligência.g. em segundo lugar. . A classificação comum tem por base os seguintes princípios: . e Dr. para negar a relação de substância e propriedade. onisciência. e sim coexistentes e permanentes. e supõem que a única diferença entre eles está no modo pelo qual se manifestam externamente. Um atributo afirmativo é uma qualidade que exprime alguma perfeição positiva da essência divina: e. necessariamente sempre o mesmo sem sucessor. C. etc. partes ou órgãos. os teólogos costumam dizer que os atributos divinos diferem uns dos outros e da essência divina. ou assim como uma coisa difere de outra. Quaes. No segundo sentido da palavra. e por conseguinte supõem que as propriedades da natureza divina são relacionadas com a essência divina como as propriedades das coisas criadas são relacionadas com as coisas dotadas com elas. volição. não realiter.g. Um atributo absoluto é uma propriedade da essência divina considerada em si: e. Io. e tão necessariamente como o é a Sua existência. a alma humana é simples. 11.g. Sendo Deus. orgânica ou química. etc. como se não houvesse em Deus coisa alguma que corresponda realmente a nossas concepções de Suas perfeições. Lectures. porque não é composta de elementos. ou um ato. Hodge. emoção e volição não são sucessivos e transitórios. 2o. infinito.10. diz-se que diferem virtualiter. e nos efeitos produzidos.

Is. A representação uniforme das Escrituras . a existência de Deus. por coisa alguma que haja fora dEle próprio. então a singeleza e a unidade de um plano e sua operação nesse desígnio e na sua execução provam também que quem teve o desígnio foi UM SÓ. e constituem um só Deus indivisível.infinidade. até onde chega a observação telescópica e microscópica. que Lhe pertencem por ser Ele Espírito infinito e reto: e. Eu proporia. Os atributos de Deus distinguem-se como naturais e morais. e nós somos finitos em todos estes aspectos. (4) A glória excelsa de todas as perfeições divinas em união: a formosura da SANTIDADE de Deus. porém (Cap. justiça. 44:6. Ef. Mar.9 aquilo que não é determinado. inteligência. poder. verdadeiro & fiel. e se evidências de intenção e desígnio provam a existência de quem tencionava.. (3) Os atributos morais. misericórdia.os Seus modos. 13. Embora haja tripla distinção pessoal na unidade da Deidade. sem muita segurança. essas três Pessoas são numericamente uma só substância ou essência. com exclusão de qualquer outro. por terem suas analogias em nós. inteligente. e argumentamos agora. pelos fenômenos do universo. 2o. a classificação seguinte: (1) Os atributos que qualificam igualmente todos os outros . Os naturais são todos os que Lhe pertencem por ser Ele um Espírito infinito e racional: e. eterno. 6:4. A UNIDADE DE DEUS 12. simples. 1 Reis 8:60. 2). livre na vontade. Os morais são os demais atributos. vontade. eternidade. Isso inclui a imutabilidade. entretanto todos são igualmente incomunicáveis. 14. poderoso. Como se pode provar a proposição de que Deus é um e indivisível? Io.João 10:30. 4:6. 4o. Se Deus não é um só. Todos os atributos divinos que conhecemos ou que podemos conceber são comunicáveis. (2) Os atributos naturais: Deusé Espírito infinito. auto-existente. 11:29. Já provamos. Aquilo que é infinito e absoluto não pode deixar de ser um só. .32. 2o. Deus é único: há um só Deus. nem quanto ao modo da Sua existência ou da Sua ação. segue-se que há mais de um Deus. partindo do mesmo princípio.g. indivisível em essência. 15. Que argumento se tira da harmonia da criação a favor da unidade divina? A criação inteira entre os dois extremos.g. 8:4. nem quanto à Sua existência. se um efeito é prova da operação prévia de uma causa. Como se prova pelas Escrituras que a proposição segundo a qual há um só Deus é verdadeira? Com passagens como as seguintes: Deut. Deus é Espírito infinitamente reto. aquilo que não tem limites: absolutidade. Parece haver na razão uma necessidade de concebermos a Deus como um só. verdade. que. imenso. Quais os dois sentidos da palavra em que UNIDADE é um predicado de Deus ? Io. é manifestamente um só sistema indivisível. 1 Cor. imensidade. por serem todos infinitos em Deus.

porém. um bom e o outro mau. e seriam assim um só e o mesmo ser idêntico. por conseguinte. a necessidade que é uniforme em todos os tempos e em qualquer parte do espaço é evidentemente uma só e indivisível. como indica a etimologia da palavra. e que atualmente esses dois princípios estão numa relação de antagonismo incessante. que não está sujeito a nenhuma das condições que limitam a existência material. Positivamente. que é agente livre. que distingue entre o bom e o mau. por incluir tudo. Dualismo é o nome que se dá ao sistema que reconhece a existência de dois princípios originais e independentes no universo.16. organizadora. senão o que se manifesta por suas propriedades. e em grau infinito. o sentido é: Io. que Ele é um ser racional que distingue com precisão infinita entre o verdadeiro e o falso. uma força plástica. envolver o erro de supor-se que a lógica humana pode ser a medida da existência. inseparável da matéria. . não pode ser apreendido por nenhum de nossos sentidos corporais. !'J 18. A ESPIRITUALIDADE DE DEUS 19. cada um deles incluiria necessariamente o outro. elas dependem pura e simplesmente da vontade de Deus. Que argumento se tira da perfeição infinita para provar que só pode haver um Deus? Deus é infinito em Seu Ser e em todas as Suas perfeições. enfim. e que. e com todas as formas do materialismo e do panteísmo modernos. 20. Se houvesse dois seres infinitos. que não Se compõe de elementos materiais. e também com a doutrina gnóstica da emanação. Esta grande verdade é inconciliável com a doutrina segundo a qual Deus é a alma do mundo (anima mundi). e por isso são contingentes. No entanto. É certo que a idéia da coexistência de dois seres infinitamente perfeitos repugna tanto à razão humana como às Escrituras. Quando dizemos que Deus é Espírito. Mas o que é infinito. 17. Parece. que argumento se tira da existência necessária de Deus? Diz-se que a existência de Deus é necessária porque desde toda a eternidade tem sua causa em si mesma. que Ele não possui partes nem paixões corporais. Este argumento é lógico. mediante os nossos sentidos. esforçando-se sempre o bom princípio por opor-se ao mau princípio e por livrar o mundo da sua intrusão maléfica. e só inferencialmente por meio de palavras e outros sinais ou modos de expressão. e só pode ser a base da existência de um só Deus. com respeito a todas as demais existências. e muitos distinguidos teólogos o valorizam em muito. Que é politeísmo? E dualismo? Politeísmo. Que é que se afirma. e também que é que se nega na proposição segundo a qual Deus é Espírito? Nada sabemos de uma substância. é um termo geral que designa todos os sistemas de religião que ensinam a existência de mais de um Deus. E um absurdo pensar em Deus como não existindo em qualquer tempo e em qualquer parte do espaço. e seria por este incluído. Espírito é a substância cujas propriedades se manifestam a nós diretamente na autoconsciência. enquanto que. Sobre este ponto. que todas as propriedades essenciais de nossos espíritos podem também realmente ser asseveradas a respeito dEle. Matéria é a substância cujas propriedades se manifestam diretamente aos nossos sentidos corporais. exclui tudo o mais da mesma espécie. e. É a mesma em todo o tempo e no espaço inteiro. cujas ações são determinadas só por Sua própria vontade. que é um ser moral. Negativamente.

Como provar que Deus é onipresente quanto à Sua essência? Que Deus é onipresente quanto à Sua essência fica provado: . nem é isso resultado de alguma difusão infinita da sua essência pelo espaço imenso. e no céu o está na manifestação e comunicação da Sua graça. nem "imutável". 2a. a Sua presença é sempre e em toda parte a mesma. A RELAÇÃO DE DEUS COM O ESPAÇO 21. Como difere imensidade de onipresença? Imensidade é a característica de Deus em relação ao espaço tomado em sentido abstrato. Quais os diversos modos da presença divina. é onipresente em relação a todas as Suas criaturas. As Escrituras o afirmam expressamente . não pode ser "uma". a Sua presença manifesta-se de inúmeros modos e graus diferentes. isto é. etc. consistindo em átomos separados e atuando incessantemente uns sobre os outros. nem "infinita". Assim. 23. Quanto à Sua essência e ao Seu conhecimento. retidão e poder supremos . Onipresença é a característica de Deus em relação às Suas criaturas como estas ocupam. que a inteira essência indivisível de Deus está sempre presente concomitantemente em toda parte do espaço inteiro e imenso. Manifestando a Sua presença a qualquer criatura inteligente.enquanto que todas as provas da existência de Deus testificam também que Ele é uma pessoa de sabedoria. não é composto de partes. 4o. Não se acha presente assim em virtude de alguma multiplicação infinita do Seu Espírito. Que é que se entende pela imensidade de Deus? "Imensidade de Deus" é a frase empregada para expressar o fato de que Deus é infinito em Sua relação com o espaço. a todo momento da duração eterna. A matéria é obviamente inferior ao espírito. avilta a Deus e O sujeita às limitações do tempo e do espaço. Não há em parte alguma nenhum indício de propriedades materiais no Criador e Governador providencial do universo .isto é. nem se pode estender. está presente no inferno na manifestação e execução da Sua justa ira. 24. Manifestando o Seu poder de qualquer modo na criatura humana ou sobre ela. e dela são inseparáveis muitas imperfeições e limitações. Quais as provas de que Deus é Espírito? Ia. 3o. que é um espírito pessoal. E sente-se que a idéia de que a matéria está em união com o espírito em Deus. por exemplo. 2o. porque o Espírito é eternamente um só e individual. de diversos modos: Io. do Seu amor e da Sua glória. porque. A essência divina (Deus) é absolutamente imensa em Sua própria natureza. está sempre presente igualmente. Quanto à Sua auto-manifestação e ao exercício do Seu poder. em Sua essência única e indivisível. A matéria. cada qual por si. assim como o ar está difuso sobre a superfície da terra. sendo Espírito. e como se pode provar que Deus está presente em toda parte quanto à Sua essência? Podemos pensar em Deus como presente em qualquer parte ou com qualquer criatura. mas a Deidade inteira.João 4:24. 3a. Quanto à Sua essência. Nossa idéia das perfeições infinitas e absolutas de Deus.20. certo lugar no espaço. como é o caso do homem. 22. está presente para a Sua Igreja de um modo diverso daquele pelo qual o está para o mundo. benevolência. Quanto ao Seu conhecimento. em todo o espaço infinito e em cada parte dele.

28). Is. Que é o tempo? Tempo é duração limitada. Podemos pensar em Deus só do modo finito de determinar primeiro e executar depois. só sob as limitações do tempo e do espaço. Deus. porque de um modo transcendente a Sua essência enche o espaço todo. e não acolá. 28. 139:7-10. mas não temos meios de saber como o tempo e o espaço se acham relacionados com Deus. Is. nem qualidades. 57:15. Os escolásticos chamavam-na punctum stans. sem princípio e sem fim. de prometer ou ameaçar primeiro. 25. porém. estão no espaço definidamente. Eternitas est una individua et tota simul. ou futura. Aquele que habita na eternidade transcende infinitamente a nossa inteligência. ocupando certa porção do espaço. A RELAÇÃO DE DEUS COM O TEMPO 26. Atos 17:27. porque. e Suas ações são Sua essência agindo. Que relação tem o tempo com a eternidade? A eternidade. "Sabemos que o tempo e o espaço existem. et. 66:1. e coexiste como um momento não dividido. Sal. A eternidade de Deus é. Pela razão. como aqui. duração despida de todos os limites." O tempo e o espaço não são nem substâncias. compreende o tempo inteiro. 29. e que é que negamos? . conceber a eternidade positivamente como duração estendida infinitamente do momento atual em duas direções. sabemos também. junto com todas as sucessões do tempo à medida que aparecem e passam em sua ordem.Io. pág. que é que afirmamos. e. por provas suficientes. está no espaço repletivamente. Contudo. : Podemos. Pelas Escrituras (1 Reis 8:27. (2) Pelo fato de que o Seu conhecimento é Sua essência conhecendo. para o passado e para o futuro. e por conseguinte impossível de classificar. 2°. os espíritos criados não ocupam parte alguma do espaço. Não está incluído em parte alguma. isto é. acham-se cercados por todos os lados pelo espaço. chamadas impropriamente eternidade a parte ante. uma só e indivisível. e cumprir depois a Sua palavra. compreende ao mesmo tempo o espaço inteiro. Distingue-se em referência a nossas percepções em passado. durationem et spatium constituit 10 . porém. sem princípio. o presente sem mudança. nem excluído de parte alguma. Que é a eternidade? A eternidade é duração infinita. etc. sem fim. nem simplesmente relações. v A idéia de "Sir" Isaac Newton . que Deus existe. Quando dizemos que Deus é eterno. presente e futuro. Intuitions ofthe Mind.é por certo uma idéia sublime. existendo semper et ubique. o Seu conhecimento e o Seu poder estendem-se a todas as coisas. sem sucessão. ou do pensamento ou do movimento. e eternidade a parte post. 212. Como expor as diversas relações que os corpos (que são espíritos criados) e Deus têm com o espaço? Turretino diz: "entendemos que os corpos existem circunscntivamente no espaço.Deus durat semper e adest ubique. um presente que permanece sempre e para sempre. (1) E conseqüência necessária da Sua infinidade. porém. ou passada. Podemos pensar. medida pela sucessão. contudo. porém duvido muito que a inteligência humana possa afirmar ditatorialmente que é uma idéia tão verdadeira quanto sublime" -McCosh. nem são abarcados pelo espaço. porém. 27. Inteiramente presente em toda parte. Eles constituem um gênero separado. absolutamente distinto de todas as demais entidades.

Tia. em sua relação entre si. sempre os mesmos. não obstante. 2o. são determinados por nenhuma relação necessária que eles sustenham com coisa alguma fora dEle. mas. real e verdadeira esta distinção . porém. que. nem a Sua vontade. O propósito eficiente. quanto à Sua essência. 1:17.. a determinação e o poder de criar o mundo residiram em Deus desde a eternidade. 30 . Negamos. presentes e futuros? No tocante a Deus. Pela razão: (1) Deus é auto-existente. 46:10. Sal. nem o modo dela. não há mudança nem sombra alguma de variação. Como conciliar com a imutabilidade de Deus a criação do mundo e a encarnação do Filho? Io. Io. A IMUTABILIDADE DE DEUS 32. Em que sentido é que os eventos são futuros ou passados para Deus? Sendo infinito o conhecimento de Deus.Afirmamos. é absolutamente imutável em Si mesmo. Como se prova pelas Escrituras e pela razão que Deus é imutável? Io. é assim passado. Como não é causado por nada e é a causa de tudo. unos e inseparáveis. o tempo e todas as circunstâncias. mas esse mesmo propósito eficaz era o de produzir efeito no tempo e na ordem . e por isso não pode sofrer variação ou mudança. Que Deus teve princípio ou que terá fim. retidão. sucedendo no tempo. esses eventos Lhe são conhecidos como realmente sucedem. Assim. que. em conhecimento. Tia. ou menos do que infinito depois. 33. que há variação nos Seus estados ou modos de ser. propósitos e atos. pois no Seu conhecimento. e desde toda a eternidade para toda a eternidade. Pelas Escrituras: Mal. como nós os concebemos e nos são revelados. vontade. E é imutável também em relação às Suas criaturas. e 3o. 2o. estava-Lhe presente sempre e sem mudança. 34. 1:17. Assim como Ele precedeu tudo e causou tudo. 2o. Ele é sempre. que Ele não pode ser mudado por coisa alguma fora dEle. o evento. Ele os conhece assim como são em si. e que não mudará por causa de nenhum princípio que haja nEle. sucedendo-se no tempo como passados. (2) E o Ser absoluto. Is. de eternidade a eternidade. É. segue-se.o conhecimento que Deus tem dos eventos é sem princípio. senão somente quanto aos objetos e aos efeitos produzidos na criatura. os Seus atos nunca são passsados. compreendendo o objeto. presentes ou futuros. benevolência. em Sua natureza e em Suas relações e sucessões verdadeiras. e 3o.33:11. presentes ou futuros. (4) E infinito em todas as Suas perfeições. o mesmo. porém muda tudo. quanto ao modo da Sua existência. Que Ele é imutável. Qualquer mudança O tornaria ou menos do que infinito antes. e por isso não pode mudar. Io.g. poder. O propósito eficaz. fim ou sucessão. eles são invariáveis. os Seus atributos e os Seus propósitos em qualquer tempo mudarão. presente ou futuro para nós. Quanto à criação. Que é que se entende por imutabilidade de Deus? Por Sua imutabilidade entendemos que é conseqüência da perfeição infinita de Deus.Em que sentido é que se fala nos atos de Deus como passados. assim também a Sua vontade soberana determinou livremente as relações que Ele permite que essas coisas tenham com Ele. (3) E infinito em duração. quanto à Sua existência. sabedoria. no Seu propósito e na Sua verdade. nunca teve princípio e nunca terá fim. . que todos os eventos estão sempre igualmente presentes ao Seu conhecimento. e. pois. emoções. porque ao infinito nada se pode acrescentar e dele nada se pode tirar. 31. 2o. que a Sua essência.3:6. Io. à Sua vontade e aos Seus modos de existência. que. Nem a Sua existência. Seus pensamentos. não pode ser mudado por nada.

(4) E perfeito e essencial. Um só ato eterno. por um ato direto de cognição. suas relações e sucessões. mas só entrou numa nova relação. porque nEle não há nem sombra de mudança. e sim intuitivo. discerne tudo diretamente à sua própria luz. 37. 1. por um só ato imutável de cognição. nem a menor coisa. Ele conhece todas as coisas distintamente. Sua essência conhecendo. isto é. individual e distintamente. O modo do conhecimento divino consiste em que Deus conhece todas as coisas perfeita.apropriados. 36. o seu modo e o seu objeto. em suas essências ocultas. A INTELIGÊNCIA INFINITA DE DEUS 35. passadas e futuras por um olhar total. antes de tudo. muda todas as coisas. 2o. 2o. por meio de um processo de raciocínio discursivo. permanecendo Ele mesmo imutável."A respeito do conhecimento de Deus. (2) É independente. Quanto à encarnação. uma natureza humana criada. não depende de modo algum das criaturas ou de suas ações. Como se pode classificar os objetos do conhecimento divino? . e nada. Sua essência incriada não sofreu mudança alguma. enquanto que do futuro nada sabemos. não relativo. E um só ato indivisível de intuição. a saber. Io. e não inferencialmente. como sempre presentes. porque as conhece intuitivamente. mas vê através de todas as coisas por um só ato muito distinto de intuição. Locus 3. Ele conhece todas as coisas imutavelmente. Lhe escapa. totalmente compreensivo e indivisível. isto é. (5) Nós conhecemos imperfeitamente o presente e imperfeitamente nos recordamos do passado. não sucessivo. vendo todas as coisas em si mesmas. conhece perfeitamente todas as coisas presentes. não procede logicamente do conhecido para o desconhecido. 3. Ele conhece todas as coisas diretamente. isto é. e assim distingue-se o Seu conhecimento daquele dos homens e dos anjos. e sim unicamente da Sua própria intuição infinita de todas as coisas possíveis à luz da Sua própria razão. isto é. e de todas as coisas atuais e futuras à luz do Seu próprio propósito eterno. numa união pessoal conSigo. enquanto nós as conhecemos só por suas propriedades e em suas relações com os nossos sentidos. (3) E total e simultâneo. O efeito foi produzido por Deus. Deus. tomar em consideração duas coisas. 2. Ele conhece todas as coisas individualmente. não reúne os diversos predicados das coisas por meio de uma concepção diferente. O Filho divino assumiu. Em que aspectos o modo de conhecer de Deus difere do nosso? O conhecimento de Deus é. e não pelos fenômenos das coisas. como as criaturas conhecem objetos.2:12 . imutável. porque as conhece por Si mesmo ou por Sua própria essência. pois nada Lhe foi tirado nem acrescentado. Ele conhece todas as coisas perfeitamente. ou pela comparação de uma coisa com outra. deve-se. não sucessivo e totalmente compreensivo. (1) Não é discursivo. Como os teólogos definem esta perfeição divina? Diz Turretino. 4. e. Sua Pessoa eterna não mudou. porém isso não implica nem sombra de mudança em Deus. porém. A mudança efetuada por esse evento estupendo ocorreu somente na natureza criada do homem Jesus Cristo. isto é. e percebe assim todas as diversas mudanças das coisas.

Io. Deus mesmo, em Seu próprio ser infinito. E evidente que este, transcendendo a soma de todos os demais objetos, é o único objeto adequado de um conhecimento realmente infinito. 2o. Todos os objetos possíveis, quer existam ou tenham existido, quer não existam e nunca venham a existir, vistos à luz da Sua própria razão infinita. 3o. Todas as coisas reais que já existiram, existem agora, ou virão a existir, Ele compreende num só ato eterno e simultânaeo de conhecimento, como atualidades sempre presentes a Ele, e conhecidos como tais à luz de Seu próprio propósito soberano e eterno. 38. Qual a designação técnica do conhecimento de coisas possíveis, e qual a base desse conhecimento? Sua designação técnica éscientia simplicis intelligentiae, isto é, conhecimento de simples inteligência, chamado assim porque o concebemos como simplesmente um ato da inteligência divina, sem que concorra um ato da vontade divina. Pela mesma razão tem sido chamado scientia necessaria, isto é, não voluntária, ou não determinada pela vontade. A base desse conhecimento é o conhecimento essencial e infinitamente perfeito que Deus tem da Sua própria onipotência. 39. Qual a designação técnica do conhecimento das coisas reais, passadas ou presentes ou futuras, e qual a base desse conhecimento? E chamado scientia visionis, ou seja, conhecimento de vista, e scientia libera, quer dizer, conhecimento livre, porque neste caso entendemos que a Sua inteligência é determinada por um ato concorrente da Sua vontade. A base desse conhecimento é o conhecimento infinito que Deus tem do Seu propósito eterno, todo ele - compreensivo e imutável. 40. Como se prova que o conhecimento de Deus estende-se a eventos futuros que são contingentes? Para nós os homens os eventos contingentes o são por dois motivos: Io. Suas causas imediatas podem ser para nós indeterminadas, como no caso do lançamento de dados; 2o. Suas causas imediatas podem consistir na volição de um agente livre. Mas, para Deus, os eventos da primeira destas duas classes não são, de modo algum, contingentes; e os da segunda Ele "preconhece" como contingentes quanto à causa, todavia nem por isso com menor certeza de que venham a suceder. Que Ele pre-conhece todos os esses eventos é certo Io. Porque as Escrituras o afirmam -1 Sam. 23:11,12; Atos 2:23; 15:18; Is. 46:9,10. • ' 2o. Muitas vezes Ele predisse eventos contingentes futuros, e as profecias cumpriram-se - Mar. 14:30. 3o. Deus é infinito em todas as Suas perfeições; por isso o Seu conhecimento deve ser (1) perfeito, e pode compreender todas as coisas futuras como também passadas; (2) independente das criaturas. Ele conhece todas as coisas em si mesmas à Sua própria luz, e de maneira nenhuma depende da vontade de qualquer criatura tornar o conhecimento de Deus mais certo ou mais completo. 41. Como se pode conciliar a certeza da presciência de Deus com a liberdade dos agentes móveis? Note-se, primeiro, a dificuldade que aqui se apresenta: a presciência de Deus é certa; por conseguinte, um evento, um ato, previsto, é com certeza futuro; mas, se é certo que é futuro, isto é, se é certo que se há de praticar o ato, como pode ser livre o agente quando o pratica?

Para evitar esta dificuldade, alguns teólogos negam a realidade da liberdade do homem, e outros afirmam que, sendo livre o conhecimento de Deus, Ele Se abstém voluntariamente de conhecer aquilo que vão fazer as Suas criaturas dotadas de liberdade. Observamos sobre isso Io. Que Deus preconhece com certeza todos os eventos futuros, e que o homem é livre, são dois fatos estabelecidos inabalavelmente sobre provas independentes. É necessário, pois, que os aceitemos como verdades, tanto um como o outro, quer nos seja possível conciliá-los, quer não. 2o. Embora a necessidade seja inconciliável com a liberdade, a certeza moral não o é, como será demonstrado detalhadamente no Cap.l5, Perg. 25. 42. Que éscientia media? Esta é a designação técnica do conhecimento que Deus tem dos eventos contingentes futuros, e que, segundo supõem os autores desta distinção, não depende do propósito eterno de Deus tornando certo o evento, e sim do livre ato da criatura previsto por Deus mediante uma intuição especial. E chamada scientia media por supor-se que ocupa lugar intermediário entre a scientia simplicis intelligentice e a scientia visionis. Difere da primeira em não ter por objeto todas as coisas possíveis, e sim uma classe especial de coisas realmente futuras. E difere da segunda em não ter sua base no propósito eterno de Deus, e sim na ação livre das criaturas, simplesmente prevista. 43. Por quem foi introduzida essa distinção, e com que fim? Pelo jesuíta Luiz Molina, que nasceu em 1535 e faleceu em 1601, e foi professor de teologia na Universidade de Évora, Portugal, em sua obra intituladaLifcm arbitrii cum gratice donis, divina prescientia, pmdestinatione et reprobatione concordia11 Foi excogitada com o fim de explicar como Deus podia pre-conhecer com certeza o que as Suas criaturas livres fariam na ausência de qualquer preordenação soberana da parte dEle, determinando as suas ações; fazendo assim a preordenação divina dos homens para a felicidade ou para a infelicidade depender da presciência divina da fé e da obediência dos homens, e negando que a presciência de Deus dependa da Sua preordenação soberana. 44. Quais os argumentos contra a validade dessa distinção? Io. Os argumentos em que se baseia essa distinção são insustentáveis. Seus defensores alegam - (1) As Escrituras -1 Sam. 23:9-12; Mat. 11:22,23. (2) Que essa distinção é obviamente necessária para tornar o modo da presciência de Deus conciliável com a liberdade do homem. Ao primeiro argumento respondemos que os eventos mencionados nas passsagens supracitadas das Escrituras não eram futuros. Ensinam simplesmente que Deus, conhecendo todas as causas, tanto as livres como as necessárias, sabe o que qualquer criatura fará em quaisquer condições. Mesmo nós sabemos que se pusermos fogo à pólvora, seguir-se-á uma explosão. Este conhecimento pertence, pois, à primeira classe das citadas acima (Perg. 38), ou seja, ao conhecimento de todas as coisas possíveis. Ao segundo argumento respondemos que a presciência certa de Deus envolve tanto a certeza do futuro ato livre da criatura como o envolve a Sua preordenação; e que a preordenação soberana de Deus, com respeito aos atos livres dos homens, só torna certamente futuros esses atos, e de modo algum determina que sejam praticados, a não ser pela livre vontade da criatura agindo livremente. 2o. Essa scientia media é desnecessária, porque todos os objetos possíveis do conhecimento, todas as coisas possíveis, e todas as coisas que realmente hão de ser, já foram compreendidas nas duas classes já citadas (Pergs. 38, 39).

3o. Se Deus preconhece com certeza qualquer evento futuro, então é com certeza futuro, e Ele o preconheceu como futuro com certeza, ou porque já era certo anteriormente, ou porque a Sua presciência o tornou certo. Se a Sua presciência o tornou certo, então a presciência envolve a preordenação. Se já era certo anteriormente, então gostaríamos de saber o que foi que o podia tornar certo, se não foi o decreto de Deus determinando uma de três coisas. (1) Será que Deus mesmo causaria o evento imediatamente? (2) Será que o causaria por meio de alguma segunda causa necessária? (3) Será que algum agente livre o causaria livremente? Só temos a escolha entre a preordenação de Deus e uma fatalidade cega. 4o. Esta teoria faz o conhecimento de Deus depender dos atos de Suas criaturas fora dEle. Isso é, ao mesmo tempo, absurdo e ímpio, porque Deus é infinito, eterno e absoluto. 5o. As Escrituras ensinam que Deus não só preconhece, mas também preordena os atos livres dos homens. Is. 10:5-15; Atos 2:23; 4:27,28. 45. Qual a diferença entre sabedoria e conhecimento, e em que é que consiste a sabedoria de Deus? Conhecimento é o simples ato da inteligência apreendendo o que uma coisa é, e compreendendo sua natureza e suas relações ou como é. Sabedoria pressupõe conhecimento, e é o uso prático que a inteligência, determinada pela vontade, faz do material do conhecimento. A sabedoria de Deus é infinita e eterna. A concepção que fazemos dela é que Ele escolhe o fim, o mais exaltado possível - a manifestação da Sua própria glória - e que escolhe e dirige, em todas as Suas operações, os melhores meios possíveis para conseguir esse fim. Sua sabedoria manifesta-se-nos de um modo glorioso nos grandes teatros da criação, da providência e da graça.

O PODER INFINITO DE DEUS 46. O que se entende pela onipotência de Deus? Poder é a eficiência que, em virtude de uma lei essencial do pensar, reconhecemos como inerente a uma causa em relação ao seu efeito. Deus é a causa primária não causada, e a eficiência causal da Sua vontade é absolutamente não limitada por coisa alguma fora das próprias perfeições divinas. 47. Que distinção se faz entre a potestas absoluta e a potestas ordinata de Deus? . „, , , As Escrituras e a razão ensinam-nos que a eficiência causal de Deus não está limitada ao universo de causas secundárias e às suas propriedades ativas e às Suas leis. A frase potestas absoluta exprime a onipotência de Deus considerada absolutamente em si mesma - e especificamente essa reserva infinita de poder que permanece nEle como um livre atributo pessoal, acima e além de todas as forças da natureza e Suas ordinárias operações providenciais sobre elas e por meio delas. Criação, milagres, etc., são operações deste poder de Deus. A potestas ordinata, porém, é o poder de Deus que Ele exerce no sistema estabelecido de causas secundárias no curso ordinário da Providência, e por meio desse sistema. Os racionalistas e os defensores do mero naturalismo, que negam os milagres e toda interferência divina no sistema estabelecido da natureza, naturalmente admitem só esta segunda, e negam a primeira forma do poder divino. 48. Em que sentido o poder de Deus é limitado, e em que sentido não o é? Quanto à nossa eficiência causal, estamos cônscios: Io. De que é muito limitada. Temos poder direto só sobre o curso de nossos pensamentos e a contração de uns poucos músculos. 2o. De que dependemos do uso de meios para produzirmos os efeitos desejados. 3o. De que dependemos de circunstâncias exteriores que nos limitam sempre e sempre nos impõem restrições.

O poder inerente na vontade divina, porém, pode produzir quaisquer efeitos que Ele deseje imediatamente, e quando condescende em empregar meios, dá-lhes livremente a eficácia que nesse caso demonstram possuir. Todas as circunstâncias exteriores, sejam quais forem, são criação dEle, e dependem da Sua vontade, e por isso não podem limitá-10 de nenhum modo. Deus não é limitado de nenhum modo que seja no exercício do Seu poder. Ele não pode cometer pecado, nem produzir contradições, porque o Seu poder é a eficiência causal de uma essência infinitamente racional e reta. Por isso o Seu poder só é limitado por Suas próprias perfeições. 49. A distinção que existe entre o nosso poder e a nossa vontade seria uma perfeição ou um defeito? E ela existe em Deus? Objeta-se que, se o nosso poder fosse igual aos nossos desígnios, e se cada volição tivesse como resultado imediato a obra desejada, não estaríamos cônscios de nenhuma diferença entre o poder e a vontade. Admitimos que é um defeito no homem quando seu poder não está comensurado à sua vontade, e que este nunca é o caso com Deus. Por outro lado, porém, quando um homem está cônscio de possuir forças que podia empregar, mas não quer empregar, está cônscio de que isto é uma excelência, e de que a sua natureza está mais perfeita por possuir essa reserva de forças, do que estaria se não a possuísse. Dizerse, pois, que o poder não se estende além da Sua vontade de exercê-lo, que não há em Deus nada que não exerça, é o mesmo que dizer que Ele não é maior do que a Sua criação. Os atos de um grande homem nos impressionam, principalmente quando olhados como os indícios de forças muito maiores que ele guarda, em reserva. Assim é com Deus também. 50. Como se pode provar que a Deus pertence a onipotência absoluta? Io. As Escrituras o afirmam-Jer. 32:17; Mat. 19:26; Luc. 1:37; Apoc. 19:6. 2o. Esta verdade está envolvida na própria idéia de Deus, como um Ser infinito. 3o. Embora tenhamos visto apenas parte dos Seus caminhos (Jó 26:14), a nossa experiência estendendo-se, cada vez mais, nos está revelando, constantemente, provas novas e mais estupendas do Seu poder, que indicam sempre uma reserva inexaurível.

A VONTADE DE DEUS 51. Que é que se entende pela vontade de Deus? A vontade de Deus é a essência infinita e eternamente sábia, poderosa e reta de Deus exercendo o Seu querer. Em nossa concepção dela é aquele atributo da Deidade ao qual referimos os Seus propósitos e decretos, como seu princípio. 52. Em que sentido se diz que a vontade de Deus é livre, e em que sentido se diz que é necessária? A vontade de Deus é a essência sábia, poderosa e reta de Deus exercendo o Seu querer. Por conseguinte, Sua vontade, em todos os Seus atos, é certa e, ao mesmo tempo, muito livremente, tanto sábia quanto reta. E evidente que a liberdade da indiferença está alheia à natureza de Deus porque a perfeição da sabedoria consiste em escolher, do modo mais sábio; e a perfeição da retidão consiste em escolher do modo mais reto. Por outro lado, porém, a vontade de Deus é, desde toda a eternidade, independente de todas as Suas criaturas e de todos os Seus atos. 53.Que se entende pela distinção entre a vontade decretatória e a vontade preceptiva de Deus?

Pela vontade decretatória Deus detemina eficazmente a futurição certa dos eventos. Pela Sua vontade preceptiva, Deus como Governador moral ordena às Suas criaturas morais que façam aquilo que Ele julga bom e sábio que elas façam nas circunstâncias em que se achem. Nisso não há nada que seja inconciliável. Aquilo que Ele quer como nosso dever pode ser bem diverso daquilo que Ele quer como Seu propósito. Aquilo que Ele permite pode estar bem longe de ser aprovado por Ele, e pode muito bem ser pecado se o fizermos. 54. Que se entende pela distinção entre a vontade secreta e a vontade revelada de Deus? A vontade secreta de Deus é Sua vontade decretatória, chamada secreta porque, embora seja às vezes revelada aos homens nas profecias e nas promessas da Bíblia, na sua maior parte nos fica oculta. A vontade claramente revelada de Deus é Sua vontade preceptiva, que nos é revelada sempre como a regra do nosso dever-Deut. 29:29. 55. Em que sentido os arminianos mantêm a distinção entre a vontade antecedente e a vontade conseqüente de Deus, e quais as objeções contra essa distinção? É uma distinção inventada pelos escolásticos, e adotada pelos arminianos, na tentativa de conciliar a vontade de Deus com a teoria deles sobre a liberdade do homem. Chamam ato antecedente da vontade de Deus aquilo que precede à ação da criatura; e.g., antes de Adão pecar, Deus queria que ele fosse feliz. Chamam ato conseqüente da vontade de Deus aquilo que se segue ao ato da criatura, e que é a conseqüência desse ato; e.g., depois do pecado de Adão, Deus queria que ele sofresse a pena devida ao seu pecado. E evidente que essa distinção não representa verdadeiramente a natureza da vontade de Deus e Sua relação com os atos de Suas criaturas. Io. Deus é eterno, e por isso não pode haver nos Seus propósitos distinção de tempo; 2o. Deus é eternamente onisciente e onipotente. Se, pois, Ele quer alguma coisa, quer necessariamente desde o princípio os meios de efetuá-la, e consegue assim o fim desejado. Se não fosse assim, Deus teria ao mesmo tempo e em relação ao mesmo objeto, duas vontades inconciliáveis. A verdade é que Deus, por um só ato compreensivo da Sua vontade, determinou eterna e imutavelmente que tudo o que sucedeu com Adão, do princípio ao fim, sucedesse nessa mesma ordem e sucessão em que cada evento ocorreu. 3o. Deus é infinitamente independente. Aviltamos a Deus se pensarmos nEle como alguém que determina aquilo que Ele não tem poder para efetuar, e depois muda de vontade em conseqüência dos atos independentes das Suas criaturas. E verdade que, em conseqüência dos limites naturais das nossas capacidades, concebemos as diversas intenções do propósito único, eterno e indivisível de Deus, como se sustentassem entre si uma certa relação lógica, não temporal, como algo principal e conseqüente. Formamos, assim, a concepção de que Deus primeiro, na ordem lógica, decretou ou determinou criar o homem e depois permitir que ele caísse, e a seguir preparar uma redenção - Turretino. 56. Em que sentido os arminianos mantêm a distinção entre a vontade absoluta e a vontade condicional de Deus, e quais as objeções contra ela? Segundo eles, a vontade absoluta de Deus é a que não depende de nenhuma condição fora dEle,e.g., a determinação de criar o homem. Sua vontade condicional é a que depende de alguma condição, e.g., Sua determinação de salvar os que crêem, isto é, sob a condição da fé deles.

E evidente que essa distinção é inconciliável com a natureza de Deus como um Ser eterno, autoexistente, independente, infinito em todas as Suas perfeições. Avilta-O a posição segundo a qual a Sua vontade é simplesmente parte coordenada da criação, limitando a criatura e sendo por esta limitada. O erro é o resultado de destacar um fragmento da vontade de Deus do propósito único, inteiro, e absolutamente compreensivo, eterno. E evidente que, quando considerado como eterno e um só, o propósito de Deus deve incluir tanto as condições todas como as suas conseqüências. A vontade de Deus não depende de nenhuma condição, mas Ele determina eternamente o evento como dependente da sua condição, e a condição como determinando o evento. Todos admitem que a vontade preceptiva de Deus, expressa em mandamentos, promessas e ameaças, depende muitas vezes de condições. Se crermos, seremos com toda a certeza salvos. Esta é a relação estabelecida imutavelmente entre a fé, como a condição, e a salvação, como conseqüência, isto é, a fé é a condição da salvação. Mas isso é coisa muito diversa do que dizer que a fé que Paulo tinha foi a condição do propósito eterno de Deus de salvá-lo; porque o mesmo propósito determinou tanto a fé, a condição, como a salvação, a sua conseqüência. Veja algo mais no Cap. 10, sobre os decretos. 57. Em que sentido se diz que a vontade de Deus é eterna? E um só ato eterno, não sucessivo, totalmente compreensivo, determinando absolutamente ou efetuar ou permitir todas as coisas, em todas as suas relações, condições e sucessões, que sucederam, sucedem e virão a suceder. 58. Em que sentido se pode dizer que a vontade de Deus é a regra de retidão? E evidente que, no sentido mais elevado, a respeito da vontade de Deus, não se pode considerar essa vontade como a base fundamental de toda a retidão, como igualmente não se pode considerar como a base fundamental de toda a sabedoria. Porque, nesse caso, seguir-se-ia, Io. que não há diferença essencial entre o bem e o mal propriamente ditos, mas somente uma diferença constituída arbitrariamente pelo próprio Deus;1 e 2o. que não há nenhum sentido em que se possa atribuir retidão a Deus; porque seria o mesmo que dizer que Ele quer como quer. A verdade é que a Sua vontade opera conforme a Sua sabedoria infinitamente reta vê estar correto. Por outro lado, porém, a vontade revelada de Deus é para nós a regra absoluta e principal da retidão, tanto quando nos manda fazer o que em si mesmo é indiferente, e assim o torna reto, como quando nos manda fazer o que em si mesmo e essencialmente é reto, porque é reto.
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A JUSTIÇA ABSOLUTA DE DEUS ^
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59. Que se entende pelas distinções de justiça absoluta e justiça relativa, rectoral, distributiva e punitiva ou vingadora de Deus? A justiça absoluta de Deus é a infinita perfeição moral ou retidão universal do Seu próprio Ser. A justiça relativa de Deus é a Sua natureza infinitamente reta, considerada como se manifesta em relação a Suas criaturas morais, como Seu Governador moral. A justiça de Deus é chamada rectoral quando considerada como se manifesta na administração geral do Seu governo universal pelo qual Ele cuida das Suas criaturas e governa as suas ações. E chamada distributiva quando considerada como se manifesta na ação de Deus pela qual Ele dá a cada criatura exatamente aquilo que lhe é devido, como prêmio ou como pena; e é chamada punitiva ou vingadora

quando considerada como se manifesta nos atos de exigir e infligir a pena adequada e proporcional por todo pecado, por causa do seu demérito intrínseco. 60. Quais as diversas opiniões a respeito da justiça punitiva de Deus, isto é, quais os diversos motivos alegados para explicar por que Deus pune o pecado? Os socinianos negam inteiramente a justiça punitiva de Deus e sustentam que Ele só pune o pecado pelo bem do pecador individual, e pelo bem da sociedade, unicamente até onde esta possa estar interessada no refreamento ou no melhoramento do pecador. Os teólogos que sustentam a teoria governamental da propiciação (ou da expiação), sustentam que Deus não pune o pecado por causa de qualquer princípio imutável que haja em Si mesmo e que exija a punição dEle, mas simplesmente pelo bem do universo, com base em certos grandes princípios imutáveis de política governamental. Reduzem assim a justiça a uma forma de benevolência geral. Leibnitz afirmava que "a justiça é a bondade dirigida pela sabedoria". Este princípio pressupõe que a felicidade é o maior bem; que a essência da virtude consiste no desejo de promover a felicidade, e que, por conseguinte, o único fim da justiça pode ser a prevenção da miséria. Este é o fundamento da teoria governamental da propiciação. Veja Cap. 25. Também Park, Atonement (Expiação). Alguns afirmam que a necessidade de punição do pecado é somente hipotética, isto é, que é tãosomente um resultado do decreto eterno de Deus. A verdade é que a própria retidão eterna e essencial de Deus determina que Ele imutavelmente castigue todo pecado com uma pena proporcional. 61. Como se prova que a benevolência desinteressada não constitui a totalidade da virtude? Io. Algumas manifestações de benevolência desinteressada, e.g:, o amor natural paterno, são puramente instintivas, e nada têm de caráter moral positivo. 2o. Algumas manifestações de benevolência desinteressada são positivamente imorais, como, e.g., quando um juiz cede à sua simpatia para com um criminoso, ou cede às instâncias dos amigos deste. 3o. Há princípios virtuosos que não se pode reduzir a benevolência desinteressada, como, e.g., possuirmos na devida consideração prudencial o nosso próprio bem; termos aspirações e empregarmos esforços para alcançar excelência pessoal; termos um santo ódio ao pecado por causa do próprio pecado, e o santo desejo de ver o pecado punido para que fique vindicada a justiça. 4o. A idéia de dever é a idéia essencial constitutiva da virtude. Nenhuma análise possível da idéia de benevolência dará como resultado a idéia de obrigação moral. Esta é simples, irredutível, nítida. O dever é o gênero, e a benevolência é uma das espécies que ele abrange. 62. Quais as provas derivadas dos princípios universais da natureza humana que mostram que a justiça de Deus não pode deixar de ser um princípio fundamental e imutável da Sua natureza, determinando-o a castigar o pecado por causa do demérito intrínseco deste? A obrigação que todo governador justo tem de castigar o pecado, o demérito intrínseco do pecado, e o princípio de que o pecado deve ser punido, são fatos determinantes da consciência moral. Não podem ser reduzidos a outros princípios, quaisquer que sejam. Prova-se isso Io. Porque estão envolvidos na consciência do seu próprio demérito que tem todo pecador despertado - "...fiz o que a teus olhos parece mal, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares" (Sal. 51: 4.) No seu grau superior, este sentimento vem a ser o remorso, e este só pode ser apaziguado por uma expiação. Por isso é que muitos assassinos não tiveram paz enquanto não se entregaram às autoridades, sentindo então alívio imediato. E milhões de almas têm achado paz na aplicação do sangue

de Cristo a suas consciências perturbadas. 2o. Todos os homens julgam assim os pecados dos outros. As consciências de todos os homens bons são gratificadas quando a pena justa caiu sobre o ofensor, e tais homens ficam irados quando ele escapa. 3o. Esse princípio é testemunhado por todos os ritos sacrificiais comuns a todas as religiões antigas, pelas penitências que, numa ou noutra forma, são quase universais ainda nos tempos modernos, por todas as leis penais, e pelos sinônimos das palavras culpa, castigo, justiça, etc., comuns a todos os idiomas. 4o. E auto-evidente que a aplicação de um castigo injusto é um crime, não importa quão benévolo seja o motivo que o inspirou, nem quão bom seja o resultado que o segue. E não é menos auto-evidente que é a justiça de um castigo merecido que torna bom o seu efeito na sociedade, e não é este efeito que torna justo o castigo. A execução da pena capital num homem pelo bem da sociedade será um crime, um grave erro, a não ser que essa execução seja justificada pelo demérito do homem. Nesse caso seu demérito será visto por toda a sociedade como o motivo real da sua execução. 63. Como se prova a mesma verdade pela natureza da lei divina? Grotio, em sua grande obra, Defensio Fidei Catholicce de Satisfactione Christi (Defesa da Fé Católica sobre a Satisfação Realizada por Cristo), na qual se origina a Teoria Governamental da Propiciação, sustenta que a lei divina é produto da vontade divina e que, por conseguinte, Deus pode abrandar essa lei tanto nos seus elementos preceptivos como nos penais. Mas a verdade é que (a) a pena é parte essencial da lei divina; (b) a lei de Deus, quanto a todos os seus princípios essenciais do certo e do errado, não é produto da vontade divina, e sim um transcrito imutável da natureza divina; (c) logo, a lei é imutável e é necessário que se cumpra cada i dela. Prova-se isso - Io. Porque os princípios fundamentais têm necessariamente a sua base imutável na natureza divina, ou (a) doutro modo a distinção entre o certo e o errado seria puramente arbitrária - ao passo que são discernidos pelas nossas intuições morais a serem absolutos e independentes de qualquer volição divina ou humana; (b) doutro modo não teriam sentido as palavras quando se diz que Deus é reto, se a retidão fosse criação arbitrária da Sua vontade; (c) porque Deus declara que "não pode mentir", que ''nãopode negar-se". 2o. As Escrituras declaram que não é possível afrouxar a lei, que é necessário que se cumpra - João 7:23; 10:35; Luc. 24:44; Mat. 5:25,26. 3o. As Escrituras declaram que Cristo veio cumprir a lei, e não afrouxá-la - Mat. 5:17,18; Rom. 3:31; 10;4. 64. Que argumento se pode tirar da independência e da absoluta auto-suficiência de Deus para provar que a justiça punitiva de Deus é atributo essencial da Sua natureza? O conceito de que o Ser de Deus é obrigado pelas exigências ; exteriores da Sua criação a seguir qualquer curso de ação é inconciliável com os Seus atributos essenciais. Existem nEle, necessariamente, tanto o motivo dos Seus atos como os fins que Ele tem em vista-Col. 1:16; Rom. 11:36; Ef. 1:5,6; Rom. 9 :22,23. Se Ele castiga o pecado porque assim o determinam os princípios da Sua própria natureza, Ele age independentemente. Mas se recorre ao castigo somente como o meio necessário para refrear e governar as Suas criaturas, então os , Seus atos dependem dos atos delas. 65. Como se pode provar a mesma verdade pelo amor que Deus tem à santidade e pelo ódio que tem ao pecado?

Nas Escrituras o amor que Deus tem à santidade e o ódio que tem ao pecado são representados como essenciais e | intrínsecos nEle. Ele ama a santidade por amor dela própria, e odeia o pecado e tem a determinação de castigá-lo por causa do seu próprio demérito intrínseco. Ele odeia o pecado nos I maus todos os dias - Sal. 5:6; 7:11. "A mim me pertence a I vingança, a retribuição, a seu tempo..." - Deut. 32:35. Ele retribui a cada um segundo as suas obras - Is. 59:18; 2 Tess. I 1:6: "Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam" - Rom. 1:32: "...conhecendo a justiça de Deus que são dignos de morte os que tais coisas praticam, L não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem" - Deut. 7:5,6; 21:22. 66. Como se pode provar esta verdade pelo que as Escrituras ensinam a respeito da natureza e da necessidade da propiciação de ('risto? Quanto à sua natureza as Escrituras ensinam que Cristo sofreu a pena do pecado vicariamente como substituto do seu povo eleito, e que assim expiou a sua culpa, reconciliou-o a Deus e remiu as suas almas dando-Se a Si mesmo como í o preço de remissão exigido em lugar deles. As Escrituras em toda parte e de todos os modos ensinam que o desígnio da morte de Cristo foi produzir sobre o Governador do universo moral um efeito expiador do pecado, e não produzir, nem no coração do pecador, nem na consciência moral do universo inteligente, uma impressão moral. Isso tudo será provado detalhadamente nos capítulos 25 e 33. Quanto ànecessidade da propiciação as Escrituras ensinam que era absoluta. Ensinam que era necessário que Cristo morresse ou, doutra forma, os pecadores haveriam de perecer - Gál. 2:21; 3:21. Mas a propriedade de produzir uma impressão moral em cada pecador pessoalmente, ou no ânimo público do universo em geral ,não pode ter como resultado uma necessidade absoluta da parte de Deus - visto que Deus, que criou o universo e todos os seus membros componentes, podia naturalmente, se quisesse, produzir neles impressões morais de qualquer espécie, ou sem meios ou servindo-se de quaisquer meios que quisesse. Uma necessidade absoluta precisa estar baseada na natureza imutável de Deus, a qual é a base da sua vontade em todos os seus atos, e a determina. Logo, a natureza eterna de Deus O obriga, imutavelmente, a punir todo pecado. Political Science -"President Theodore D. Woolsey", vol. 1, págs. 330-335. "A teoria de que a correção é o fim principal do castigo não resiste a exame. (1) O estado não é instituição benévola (humane). (2) Essa teoria não faz distinção entre os crimes. Se um assassino parecesse reformado ao fim de uma semana, ter-se-iam conseguido os fins da sua detenção e ele deveria ser solto; enquanto que outro ofensor muito menos culpado poderia bem ter que permanecer preso durante meses e anos antes que se manifestasse nele a inoculação de bons princípios. (3) Qual a espécie de correção que se deverá desejar conseguir? Seria uma correção que dê segurança à sociedade da não repetição do crime? Nesse caso é a sociedade, e não o criminoso, que tira proveito do processo corretivo. Ou seria preciso que se procure conseguir uma transformação radical, de modo que o criminoso deixe de ser egoísta e cobiçoso, e que se despertem nele os princípios mais excelsos e puros? Nesse caso será necessário transformar a casa de correção em igreja para o ensino do evangelho. "A explicação de que o Estado protege a sua própria existência, ou os habitantes inocentes do país, infundindo em seus súditos o terror e refreando-os de cometerem crimes pelo medo do castigo, respondemos que, se bem que este efeito é real e importante, ainda não está provado que o estado tem o direito de fazê-lo. E necessário pressupor o crime e que o criminoso merece castigo antes que o senso moral aprove que lhe seja infligida uma pena. E a medida da punição exigida pelo bem público na ocasião

A misericórdia de Deus. com exceção das condenadas judicialmente por causa de seus pecados. ou a medida que é compatível com a aquisição da maior soma de felicidade agregada ao universo moral. não sentimentos. por serem criaturas pecaminosas. 68." 2 A BONDADE ABSOLUTA DE DEUS 67. a felicidade deles. Contudo. e demonstre a sua definição verdadeira. não castiga segundo uma escala exata de merecimentos. o simples terror. Benevolência é a bondade de Deus considerada genericamente. mediante um preço infinito. justo e soberano. não pode saber quais são os merecimentos dos indivíduos. sentindo-as e fazendo provisão para o alívio delas. é realmente ministro de Deus. A complacência é a afeição aprobatória com que Deus aprecia as Suas próprias perfeições infinitas. castiga as pessoas dentro de um certo território sobre o qual tem jurisdição. especialmente nos santificados da nova criação. Define-se muitas vezes a benevolência infinita de Deus como aquele atributo em virtude do qual Ele comunica a todas as Suas criaturas a maior soma possível de felicidade.as quais. O Estado castiga atos. necessariamente não têm nenhum merecimento . Pressupõe que. como Paulo diz. e toda imagem e reflexão delas nas Suas criaturas. obtendo. "A teoria de que o estado. desobedecendo-se a alguma lei reta e justa. e faz provisão para o bem-estar delas. e que Ele.e proeminentemente Seu amor eletivo. e. sendo que eles merecem positivamente o castigo divino.flutua muito. isto é. além disso. infligindo castigo ao malfeitor só lhe dá o que ele merece. . e às vezes é até tirânica. 13:4). Estende-se a todas as suas criaturas. vingador em ira contra aquele que procede mal (Rom. e que em todas as formas de governo exercido sobre criaturas morais deve haver um poder capaz de decidir quanto de castigo deve seguir-se à prática de certas e determinadas transgressões. a maior medida que são capazes de receber. e que. misericórdia e graça? A bondade infinita de Deus é uma perfeição gloriosa que carateriza proeminentemente a Sua natureza. castiga os atos prejudiciais à sua própria existência e à comunidade dos seus súditos. A graça de Deus é sua bondade procurando comunicar seus favores e. cometeu-se um mal moral. e mais ninguém. cujas formas mais passivas são dó e compaixão. de acordo com uma particularidade que tem o apoio da nossa natureza moral. a comunhão da Sua própria vida e felicidade. exerce para com as Suas criaturas de vários modos segundo as suas relações e condições.. complacência. a Suas criaturas morais . sobretudo. de um modo infinitamente sábio. somente o é numa esfera muito limitada. no caso dos pecadores impenitentes. convém que o malfeitor sofra algum mal físico ou mental. é a bondade divina manifestada com respeito à miséria de Suas criaturas. O estado. e não pensamentos. intenções manifestando-se em atos. como criaturas. Que distinções são indicadas pelos termos benevolência. é tanto uma fonte de ódio quanto motivo para a obediência. tratando--os com paciência longânima. Exponha a definição falsa da benevolência divina feita freqüentemente. porque. nem o que é a culpa relativa que os diversos atos provocam nas diferentes pessoas. sem uma revelação divina. é a única que parece ter fundamento sólido.. e talvez aqueles seus súditos que cometam crime noutra parte. e para fins especiais. se não se desperta ao mesmo tempo o sentimento de justiça.

2o. . A permissão do pecado. dirigir a vontade de agentes livres não é superior a operar contradições.. As asserções diretas das Escrituras . sem que violasse a natureza desse sistema. Sobre essas teorias dizemos: Io. é um mistério inson-dável. e . A verdadeira definição da benevolência divina é que é aquele atributo em virtude do qual Deus produz no universo toda a felicidade compatível com os fins supremos que tinha em vista na criação.9. 2a. de sua natureza essencial. que não podia ter assegurado para as Suas criaturas maior felicidade do que a de que realmente gozam. 1 João 4:8. Parece claro que não pode haver princípio moral que obrigue qualquer governador soberano a perdoar o pecado como transgressão da lei. Quais são as diversas teorias inventadas na tentativa de conciliar a existência do pecado com a bondade de Deus? Ia. confirmadas por sinais e maravilhas . devemos estar sempre lembrados de que a glória de Deus. 1:7-9. Outros argumentam que Deus. em sua sabedoria infinita. perfeitamente livre e soberana.. A suprema felicidade de Suas criaturas racionais. A razão. e mais. A manifestação da Sua própria glória. e Seu poder manifestado em executar o Seu desígnio nas diversas esferas da criação. Cap. 3a.Êx. 70. A experiência e a observação. é o fim supremo de Deus na criação e na providência. 2. representandoO como querendo e procurando fazer o que não consegue efetuar. A sabedoria de Deus manifestada em idealizar. e que por isso Deus. Pressupõe também que Deus considera a felicidade como bem superior à excelência moral.Sal. como objeto do poder. permitiu que o pecado entrasse por ser isso um meio necessário para promover a maior soma possível de felicidade no universo como um todo. mas o perdão do pecado como pecado não é da nossa alçada. e não o bem supremo do universo. que. 2a. 145:8. Quais as fontes do nosso conhecimento de que Deus é benevolente? Ia. E evidentemente dever dos homens perdoar-se mutuamente as ofensas que recebem. 34:6. Benevolência é elemento essencial da perfeição moral.7. em sua relação tanto com a religião como com a bondade de Deus. e por isso infinitamente benévolo. 3o.15). e só poderia ser conhecida à medida que fosse bondosamente revelada. Estes fins colocam-se nesta ordem: 1. embora onipotente. Alguns argumentam que a ação livre é essencial a um sistema moral.. Por isso o evangelho é boas novas.Mas isso pressupõe que Deus está limitado por alguma coisa fora de Si. A afeição bondosa que levasse um governador a preparar uma propiciação seria. Como se pode provar que Deus é bondoso e está sempre pronto a perdoar o pecado? Nem a razão nem a consciência podem ensinar-nos que Deus quer perdoar o pecado. 69. Quanto à segunda teoria acima. Deus é infinitamente perfeito. não poderia impedir que o pecado entrasse num sistema moral. A suprema excelência moral de Suas criaturas. e também que O torna dependente das suas criaturas. da providência e da religião revelada. Tudo quanto a razão e a consciência nos asseguram a esse respeito é que não pode haver perdão do pecado sem uma propiciação. Ef.. que limita de um modo indigno o poder de Deus. Que a primeira tem por base uma falsa idéia das condições da liberdade e da responsabilidade humanas (veja abaixo. foram evidentemente determinadas sempre por intenções benévolas. e que a independência absoluta da vontade é essencial à ação livre. 71. 3.

nem misericordioso até certo ponto e justo até certo ponto. e pode também ser condição implícita. Jer. 53). tanto para conosco quanto para conSigo. 72. E o fundamento. Em seu sentido mais especial. Como se pode conciliar com a sinceridade de Deus os convites e as exortações das Escrituras dirigidas àqueles que Deus não tenciona salvar? Veja acima (Perg. em qualquer revelação sobrenatural devidamente autenticada. em todas as suas operações. Em todas as manifestações que Deus faz das Suas perfeições a Suas criaturas. Sua justiça e Sua bondade. embora a nossa filosofia não o possa compreender. É verdadeiro. sabermos que. porque não há coisa alguma . Deus não é às vezes misericordioso e outras vezes justo. Io. As duas formas em que essa perfeição se manifesta em relação a nós são: Ia. Essa condição pode ser expressa explicitamente. E um dos privilégios da nossa fé.Jon. e uma simpatia meramente física. considerada como atributo divino? A verdade de Deus. a base. 74. e assim está posto um fundamento seguro para toda a fé e todo o conhecimento. é uma permissão muito sábia. em nossa inteligência (:intellect) e em nossa consciência. Em relação à criatura. esta perfeição infinita da Sua natureza apresenta diversos aspectos. de toda a confiança que temos. 2a. Como se pode mostrar que não há incongruência entre os atributos de bondade e de justiça? Bondade e justiça são aspectos diversos de uma só perfeição moral imutável.todas as tentativas de solvê-lo só servem para misturar palavras com discursos de ignorantes (Jó 38:2).8. não há nenhuma inconseqüência nestes atributos da nossa natureza moral. fiel. Muitas vezes também elas são condicionais. estão em harmonia com a norma perfeita da Sua natureza. e a vontade preceptiva de Deus é que todos o façam. apesar de que a nossa falta de sabedoria e de conhecimento. em princípio. é sempre perfeitamente conseqüente. reta e misericordiosa. o sentimento do nosso demérito. a distinção entre a vontade pre-ceptiva de Deus e a Sua vontade decretatória. dependentes da obediência ou do arrependimento da criatura . Ele sempre age de conformidade com a Sua verdadeira natureza. Mesmo em nossa experiência achamos que. porém. infinitamente sábia e soberana. por entender-se que o caso individual está naturalmente sujeito ao princípio geral de que o verdadeiro arrependimento e a fé livram de todas as ameaças e alcançam todas as bênçãos prometidas. e Sua sabedoria não está sob a influência nem de preconceitos nem da paixão.10. é uma perfeição que qualifica todos os seus atributos morais e intelectuais. 75. e neste caso Ele as cumpre no sentido exato em que foram feitas. 2o. Seus convites e exortações Ele dirige de boa fé a todos os homens: Io. 3:4. 2o. 3o. no seu sentido mais lato.l8:7. porque é dever de todo homem arrepender-se e crer. esse atributo de verdade qualifica todas as relações que Deus tem com Suas criaturas racionais. a verdade inteira que Ele mantém em todas as Suas comunicações. Seu conhecimento é infinitamente verdadeiro em relação aos seus objetos. A VERDADE ABSOLUTA DE DEUS 73. conforme determinado pelo juízo que a sabedoria infinita faz em cada caso individual. porém é eterna e infinitamente misericordioso e justo.11. e que redundará na glória de Deus e no bem dos Seus escolhidos. muitas vezes perturbam tanto o nosso juízo como o nosso coração quando queremos ajustar esses princípios aos casos individuais da vida. sua perfeita sinceridade ao fazer todas as Suas promessas e Sua fidelidade em cumpri-las. Como se pode conciliar a verdade de Deus com o aparente não cumprimento de algumas de Suas ameaças? As promessas e as ameaças de Deus às vezes são absolutas. em nossos sentidos. Que é a verdade.

. 3o. bem como a nossa bemaventurança nEle. e a nossa dependência dEle. Apoc. A natureza intelectual é a base essencial da natureza moral. 6:15. reta e misericordiosa. . Os benefícios infinitos que Ele nos concede. Estas foram por Ele criadas do nada. Deus cumprirá também a Sua promessa. a Sua soberania é qualificada por todos os demais. E a sua infinita perfeição moral coroando a sua infinita inteligência e o Seu infinito poder. considerado por si só. Como se prova que esse direito é afirmado nas Escrituras? Dan. não está limitado por coisa alguma fora dEle próprio. senão a sua própria falta de vontade. em Seu Ser e em todas as Suas perfeições em relação a todas as Suas criaturas. 5o. "Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada. antes. 11:36. o vocábulo é um termo geral que representa a concepção da Sua perfeição consumada e a Sua glória total. 3o. são motivos para que nós não só reconheçamos essa verdade gloriosa. Em que se baseia a soberania absoluta de Deus? Io. ugoj 2o. A infinita perfeição moral é coroa da Deidade.que impeça o pecador de o fazer. A SANTIDADE INFINITA DE DEUS 80. Que se entende pela santidade de Deus? Não se deve entender a santidade de Deus como se fosse um atributo entre outros. para a Sua própria glória e segundo a Sua própria boa vontade . considerado em sentido concreto como soberano infinito. Rom. 4:35). e de dispor delas. e sim a todos os pecadores como tais. Mas Deus. Que se entende pela soberania de Deus? Seu direito absoluto de governar todas as Suas criaturas simplesmente segundo a Sua própria boa vontade.Rom. 78. não há quem lhe possa deter a mão. 4:25. entre outros. O Senhor reina. nem lhe dizer: que fazes?" (Dan. A santidade é a glória total assim coroada. 35. como também nos regozijemos nela. e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra. Não pode senão ser uma soberania infinitamente sábia. esses convites e exortações não são dirigidos aos réprobos como tais. com o fim declarado de salvar desse modo os eleitos. e são agora mantidas em existência por Seu poder. Deus nunca prometeu habilitar todos a crerem. e há uma glória que pertence a todos eles juntos. 4:11. Há uma glória que pertence a cada atributo. regozije-se a terra! 79. 4o. 77. Haveria algum sentido em que há limites à soberania de Deus? E evidente que. como um dos atributos de Deus. 1 Tim. A SOBERANIA INFINITA DE DEUS 76. 9:15-23. considerada em sentido abstrato. em todos os casos em que alguém cumprir a condição. Em Sua superioridade.

6:9. pureza moral . 11:44. Apoc. 22:3. quer dizer. A palavra santidade. 145:17. Ez.Lev. Sal.3. A santidade na criatura não é mera perfeição moral. e sim perfeição da natureza criada de agentes morais segundo a sua espécie. Sal.1 João 1:3. 2o. declarar e adorar a Sua santidade venerando a Sua majestade augusta em toda parte e em tudo aquilo em que e por que a Sua Pessoa ou o Seu caráter é representado . 8:13. aplicada a Deus nas Escrituras. 38:23. majestade transcendentemente augusta e venerável .Is. . 29:23. "Santificar ao Senhor" é fazê-lO santo.3:15. 6. representa. lPed.Is. em união e em comunhão espirituais com o Criador infinito . Mat. 4:8. Io.A santidade no Criador é a perfeição total de uma inteligência infinitamente reta.

Em sentido literal. 11:17. tnnus . tem a palavra "hypostasis"? Esta palavra. Heb. Neste sentido. e os três que são um. perg. como equivalente à subsistentia ou modo de existência. vol. A palavra é empregada cinco vezes no Novo Testamento: Io. Mas os termos técnicos são uma necessidade absoluta em todas as ciências: e. isto é. 121.. é equivalente à essência. que vem da fé. Aplicada à doutrina da Trindade. indivisível. 5. A palavra foi utilizada. Em que sentido a palavra é empregada pelos escritores eclesiásticos? . enquanto há na Deidade uma só essência. onHeb. é exatamente equivalente ao termo substância (sub-stare). nota 7. Mosheim. e quando foi introduzida na linguagem da Igreja? A palavra Trindade (Trinitas) é derivada dttres-unus.. Veja Com. exprime bem o fato central da grande doutrina de uma só essência subsistindo eternamente como três Pessoas. de 168 a 183. quanto à sua etimologia. Em sentido figurado. neste caso. Veja Turretino. as três Pessoas são o mesmo em substância. por volta do ano 220 . todos os elementos da qual as Escrituras ensinam explicitamente. substância. de uma só e mesma essência numérica. A palavra não se acha nas Escrituras. ou qualquer pessoa de todas as demais pessoas. como definido acima. Em português: essência. bispo de Antioquia. 11:1. tornaram-se especialmente essenciais por causa das perversões sutis que sofreram as exposições simples e não técnicas da Bíblia às mãos dos incrédulos e dos hereges. 9:4. 3:14. subsistência é o modo de existência que é peculiar a cada uma das três Pessoas divinas. 6. e qual a mudança que ocorreu no seu uso? Substantia. no uso atual da palavra. e que em cada uma dElas constitui a essência única em Pessoa distinta. Qual é o sentido teológico da palavra subsistentia? E empregada para designar o modo de existência que distingue qualquer coisa individual de todas as demais coisas. Assim. ser. à existência independente. significando natureza essencial -Heb. locus 3. Que outros termos são empregados como os equivalentes de substantia. 1. Qual o significado que. Tomo 1. ou o um que é três. natureza. Hist. na Deidade. pág. A palavra grega que significa trindade foi empregada primeiro nesta conexão por Teófilo. significando confiança.9 A Santíssima Trindade 1. não triplo-trinitas e não triplicitas. Heb. Esse termo. Quais são a etimologia e a significação da palavra Trindade. Qual o significado teológico do termo substantia. 1:3. no Novo Testamento. vem da palavra grega que significa "estar sob" ou "debaixo de". 23. nas definições desta doutrina? Os termos latinosessentia e natura. 3.Eccl. na Síria.três em um. O termo latino Trinitas foi usado primeiro por Tertuliano. 4. no princípio. 2o. de Sampson. há nela três substantice ou Pessoas. 2. ou esse estado de ânimo em que se está cônscio de que se tem uma base firme e segura: 2 Cor.

e também nos decretos do Concilio de Sardica. ao Filho e ao Espírito Santo. No círculo inteiro da nossa experiência e observação da existência pessoal entre as criaturas. em inglês: person. naquele tempo. a personalidade descansa sobre a distinção de essência e parece ser inseparável desta. em conexão com a doutrina da Trindade? A palavra latina suppositum . 10. e não a todos em comum. constando de trezentos e dezoito bispos. idêntica. Liv. O partido ortodoxo.. . Que outros termos têm sido empregados pelos teólogos como equivalentes de Pessoa. quanto à Sua natureza divina.g. e (ousia) substância. por ser mais simples: "Por pessoa. para o Pai enviar o Filho. em latim: persona. na Bitínia. 7. 13. por consenso geral. Gerhard define pessoa assim: "Persona est substantia individua. por serem da mesma essência numérica. para interagirem. Em relação a este grande mistério da Trindade divina de Pessoas na unidade de essência. alguns. em 325. subsistentia. e. havia três grandes partidos que mantinham outras tantas opiniões a respeito da Trindade. entendo. ao do Pai. e. uma árvore ou um cavalo. embora relacionada com as outras duas. em 347. e só podemos conhecê-lo até onde nos é revelado. em 325. aspectus. daí por diante. abrange todas essas propriedades incomunicáveis. para Se amarem mutuamente e para atuarem uns sobre os outros. que ela é a base para Eles Se congregarem em conselhos. 1. intelligens. para designar a união hipostática. quas non sustentatur in alia. Esses insistiram em que se Lhe aplicasse o termo específico "homoousios". composto de (homos) . tomassem a palavra no sentido de pessoa. é da mesma substância. e prosopon . por isso. em conexão com a doutrina da Trindade. pois. § 6. como.g. É empregada neste sentido no Credo publicado pelo Concilio Niceno. para ensinar a grande verdade de que as três Pessoas da Deidade são um só Deus. como equivalente ao termo substância. agora sustentada por todas as igrejas cristãs. Estes concordaram em afirmar que. na Ilíria. incommunicabilis. hypostasis. é o mesmo que pessoa. em português: pessoa. foi convocado pelo imperador Constantino em Nicéia. isto é.· ‫״‬ 8. de que o Senhor Jesus. Como porém. Que é essencial à personalidade. hipóstase. e para o uso dos pronomes pessoais Eu. na linguagem teológica. . hypostasis. . nos é impossível definir adequadamente. que pertencem eternamente ao Pai. ou pessoal. Que é que se entende pelos termos:"homoousios " (da mesma substância) e "homoiousios" (de substância semelhante)? No primeiro concilio ecumênico da Igreja. e para o Pai e o Filho enviarem o Espírito Santo.. 9.o mesmo. de duas naturezas no Deus-homem. em distinção da palavra grega que significa essência. distingue-se delas por propriedades incomunicáveis" -Institutas. com ou sem corpo. Foi transferida para a lingua portuguesa na forma de um adjetivo. chamada personalidade. há só uma hypostasis. Cap. a definição que Calvino oferece é melhor. vel ab alia". uma subsistência na essência divina -uma subsistência que. nesta conexão? Em grego. o qual.uma existência distinta e individual. seu uso foi mudado.Até meados do século 4 esta palavra foi empregada geralmente. é um mistério infinito que não podemos compreender e que. Esse modo distinto de existência que constitui a única essência divina coordenadamente em três pessoas separadas.aspecto. principalmente graças à influência de Atanásio e. Tudo o que sabemos a respeito é que essa distinção. Jesus Cristo. em particular. seu sentido. Tu. em seu sentido primário. . Uma pessoa ésuppositum intellectuale. que mantinha a opinião. na Deidade.. Cada pessoa distinta é uma alma distinta. e como se deve definir a palavra pessoa. separadamente. hypostasis. na revelação que qualquer das Pessoas faz de Si e das outras. uma existência distinta e individual à qual pertencem as propriedades da razão e da livre vontade. Ele.

O partido médio. o Filho a segunda e o Espírito Santo a terceira. e divino só nesse sentido. vontade. e desse tempo em diante têm sido representadas sempre pelo termo técnico . filiação ao . pois.. 3a. A distinção entre as três é distinção pessoal. cada Pessoa. Na Deidade. contudo. Entre as criaturas. Naquele concilio prevaleceram as opiniões do primeiro partido. 3o. e "ousia". respectivamente. de semelhante. não comuns a ela e também às outras. etc. (2) De operação. enquanto o Filho é eternamente gerado pelo Pai. mas negavam que fosse Deus no mesmo sentido em que é o Pai. (1) Dt subsistência. isto é. da Sua própria livre vontade. Tu. ao mesmo tempo e desde toda a eternidade. e sendo todos os atributos ou todas as propriedades ativas inerentes na essência a que pertencem. com a mesma natureza e as mesmas propriedades que Ele mesmo possui. Os arianos.e também em separado ao Pai. tais como a criação. fez proceder de Si. uma Pessoa divina. segue-se que todos os atributos divinos devem ser identicamente comuns a cada uma das três Pessoas que subsistem em comum na única essência divina. 4a.7. afirmavam que o Pai é o único Deus absoluto e autoexistente. 6a. ou seja. Apesar do fato de que todos os atributos divinos são igualmente comuns às três Pessoas. Quais as proposições envolvidas essencialmente na doutrina da Trindade ? Ia. nem procede. revela-se-nos nas Escrituras que existe entre Elas uma certa ordem de subsistência e operação. do partido ortodoxo. genericamente. que mantinham que o Filho não é criatura. e. Sustentavam que o Filho era "heteroousion" . o unigênito Filho de Deus. e que. duas vontades. geração ao Pai. e Ele é um só. ao Filho e ao Espírito Santo.opiniões homoousianas. pelo contrário.ao Deus único. co-existem eternamente nessa única essência três Pessoas. contudo. porém. Havendo só uma essência divina. cuja inteligência. (2) uma concorrência em conselho e um amor mútuo. Há um só Deus. como Filho e como Espírito Santo. possuindo. ao mesmo tempo. substância) um só. Em Cristo. e. veja o cap. A única essência divina e indivisível existe. 10. de modo que o Pai nem é gerado. como um todo. Quanto ao credo promulgado por esse concilio. duas inteligências.de essência diferente. todos os atributos divinos são comuns a cada uma dElas no mesmo sentido.. a providência e a redenção.. mas admitiam que é de uma essência realmente semelhante e derivada do Pai ("homoiousios". que mantinham que o Filho de Deus é a maior de todas as criaturas. chamado semiarianos. e opera por meio dEla. e que todas as operações divinas realizadas ad extra. e possui uma inteligência distinta. há dois espíritos. ou genéricamente dissemelhante do Pai. e o Espírito procede eternamente do Pai e do Filho. Ele. etc. e a primeira e a segunda enviam a terceira e operam por meio dEla. cada pessoa distinta é uma distinta substância numérica. porém. de modo que a primeira Pessoa envia a segunda. 2a. por quem Deus criou todas as coisas. eternamente como Pai. há só uma substância. considerado em sentido absoluto . criado antes de todos os séculos. que o Filho fosse da mesma substância (homoousios) com o Pai. e (3) uma ordem distinta de operação. mas não numericamente. não obstante isso.uma vontade. é indivisível. no sentido de que ocasiona (1) o uso dos pronomes pessoais Eu. só uma indivisível Pessoa. 5a. Negavam. Sendo essas Pessoas divinas um só Deus. é uma só. uma vontade distinta. mais semelhante a Deus do que qualquer outra. e. contudo. as Escrituras atribuem algumas operações divinas realizadas ad intra exclusivamente a cada uma das Pessoas divinas. e inseparáveis dela.2o. são atribuídas ao único ser divino . uma inteligência.g. a essência toda e sendo constituída em Pessoa distinta por certas propriedades incomunicáveis. etc. Por isso é que se diz sempre que o Pai é a primeira Pessoa.

4a. 23. quando Cristo apareceu. redenção ao Filho e santificação ao Espírito Santo. em sua ordem.g. 8. A resposta à pergunta: como se pode conciliar com esta doutrina fundamental da unidade divina a existência coordenada de três Pessoas distintas na Trindade. ou a geração eterna do Filho. Uma exposição das diversas opiniões heréticas a respeito da Sua Pessoa achar-se-á abaixo nas perguntas 96-99. perguntas 12-18. 12. DEUS É UM SÓ E HÁ UM SÓ DEUS As provas desta proposição. que em alguns dos escritos rabínicos acham-se espalhados alguns indícios de que alguns dos judeus mais ilustrados e espirituais mantinham-se ainda fiéis à fé antiga. Que o Espírito Santo é verdadeiramente Deus e. o predileto do céu. constituído da mesma essência infinita e autoexistente que caracteriza o Pai e o Espírito Santo. as seguintes proposições: Ia. depois da Sua encarnação. Restará reunir tudo o que as Escrituras ensinam a respeito das relações necessárias e eternas que estas três Pessoas divinas mantêm umas com as outras entre si. Essas relações podem ser assim distribuídas: (1) A relação que a segunda Pessoa mantém com a primeira. a grande multidão do povo judaico já não conservava mais a expectação escritu-rística de um Salvador divino. Pessoa distinta. e há também algumas operações realizadas ad extra que as Escrituras atribuem proeminentemente a cada Pessoa. ERA VERDADEIRAMENTE DEUS E. AO MESMO TEMPO. Portanto. Que Deus é um só. 3a. JESUS DE NAZARÉ. respectivamente. é necessário que provemos. ao mesmo tempo. Que as Escrituras ensinam diretamente que há uma Trindade de Pessoas em uma só Deidade. e. ao mesmo tempo. quanto à Sua natureza divina. ou a processão eterna do Espírito Santo. 5a. QUANTO A SUA NATUREZA DIVINA. e (3) Suas propriedades pessoais e a ordem da Sua operação ad extra. 1. tiradas da razão e das Escrituras. A doutrina ortodoxa a respeito da Pessoa de Cristo. sobre os atributos de Deus. Que Jesus de Nazaré. criação ao Pai. e desejava que só viesse um príncipe temporal. a fim de estabelecermos esta doutrina em todas as suas partes sobre o testemunho das Escrituras. processão ao Espírito Santo. num sentido proeminente.Filho. PESSOA DISTINTA DO PAI 11. que fosse. deste capítulo. como Ele Se acha constituído agora. Diz-se. 2. vem exposta no Cap. (2) A relação que a terceira Pessoa mantém com a primeira e a segunda. achar-se-á abaixo na pergunta 94 deste capítulo. Quais as diversas opiniões mantidas a respeito da Pessoa de Cristo? A doutrina ortodoxa a respeito da Pessoa de Cristo é que Ele existia desde toda a eternidade como o Filho coigual ao Pai. era verdadeiramente Deus e. Pessoa distinta do Pai. . foram expostas acima. porém. 2a. Cap. Até onde esperavam os judeus do tempo de Cristo que o Messias viesse como Pessoa divina? E certo que.

2. Gên. Os. 6:62. Êx. 16:7-13. algumas passagens do Novo parecem implicar diretamente esse fato. 24:1.João 1:3. 1:2. versículo 17 .Êx. Deut. que era rico e possuía glória-João 1:1. 15:47. Mat. na Versão de Almeida). Comparem também Êx. Col. Veja também João 8:56. e lhe são dados outros títulos divinos. Mas ninguém jamais viu a Deus Pai (João 1:18.de repente virá ao seu templo o SENHOR (Adon. e um deles é chamado Jeová. 8:58. 3:2. 5:2. Assim Mal. 18:2-33. Êx. Referindo-se a passagens do Velho Testamento. 1 Ped. e nos versículos seguintes esse Anjo é chamado Jeová. Yavé).13.35. Gên. Pelas passagens que declaram que "veio ao mundo". 2:11.11. 1:15-18. fala como quem tem poder divino e é chamado Deus -Gên. 97:7 com Heb. virá ao Seu próprio templo. mas pode ser comprovado pela comparação de muitas passagens.2 com Atos 7:38 e Sal. 4:32. Três anjos aparecem a Abraão. anjo. foi também exposto pelos profetas como o Salvador de Israel e o Autor da nova dispensação. 32:24-30. Esse Anjo conduziu os israelitas no deserto . 63:9.13.Gên.2. a quem vós buscais. era a segunda Pessoa da Trindade. 3:14. o Anjo da . 14:19. 6:1-5 com João 12:41. na tradução portuguesa de Figueiredo (SENHOR. Como se pode provar que o SENHOR (Jeová. que se acate a opinião agora apresentada. 16:28.. 23:37. 13:21. ou enviado . mais coerente com tudo o que nos foi revelado a respeito dos ofícios das três Pessoas divinas na obra da redenção. Como se pode provar pelas Escrituras a preexistência de Jesus em relação ao Seu nascimento "de mulher"? Io. 4o. e sendo ao mesmo tempo Deus . 2o. ou outro enviado semelhante. Pelas passagens que afirmam que Ele foi o Criador do mundo . no hebraico). 6:46).29. 25:1. Compare Sal. é. e isto é aplicado a Jesus em Mar. Em Zac. 3:1 . 1 Cor.11. 3o. O Anjo de Jeová aparece a Moisés na sarça ardente.16. Um Anjo luta com Jacó e o abençoa como Deus. 3o. Essa Pessoa única é chamada Jeová 3 (Senhor. 20:1. Nee.12. 18:2. Todos os aparecimentos divinos da economia antiga são referidos a uma só pessoa . Veja: Io. Veja Miq. 14:19.15. 2 Cor. 9:7-38. Jeová.5. O Anjo de Jeová aparece a Agar. "desceu do céu"-João 3:13. que Se manifestou como o Deus dos judeus (o Deus da Aliança) sob a antiga economia.15.. 20:1.58. 2o.16. 1:6 e Is. 1:10.Gên. ao mesmo tempo. Pelas passagens que declaram expressamente que Ele estava com o Pai antes de haver mundo. 10:9. que Se encarnou em Jesus de Nazaré? Este fato não é afirmado expressamente nas Escrituras. e. 3:14. Em Mal. 5o. nome incomunicável de Deus. 48:15.2) e enviado (João 5:36). 78:15.3. e em Os. Is. A Igreja é uma só sob ambas as dispensações. por isso. 8:9.". 13:21 com Êx. "o Anjo da aliança".Cf. Comparem Sal. aparecendo muitas vezes aos homens. todavia Deus o Filho foi visto (1 João 1:1. 62:7.30. 31:11. 15. 14.15 com Atos 7:30-35.35 com 1 Cor. 32:9.12 vemos que um Jeová é enviado de outro. 12:2. nem podia essa Pessoa ser um anjo. Êx.31. que era ao mesmo tempo o anjo ou o enviado da economia antiga.17. enviado da parte de Deus. 12:3-5 esse Anjo é chamado Deus -Êx. 3:1 declara-se que "o SENHOR".39. Jeová é representado como salvando Seu povo mediante o Anjo da Sua Presença. 13:3. e desde o princípio Jesus é o Redentor e a Cabeça da Igreja.18. De que forma no Velho Testamento se fizeram as primeiras indicações da existência e da operação de uma Pessoa distinta de Deus e ao mesmo tempo divina? Nos livros mais antigos fala-se em um Anjo.Cf.21.

22. Pai do futuro século (Figueiredo. Príncipe da paz". O Salmo 102 é evidentemente uma oração dirigida ao Senhor supremo. 17. e pelo autor da Epístola aos Hebreus (Heb. 16. ou Pai eterno). 1:2. que era lugar consagrado à presença e ao culto de Jeová. Mas em Rom. e Seu trono um trono eterno. isto é.aliança. desde os dias da eternidade". Declara explicitamente que o menino nascido é também "Deus forte.2? É óbvio que esta passagem se refere ao Messias. a quem vós desejais. o que é confirmado por Mar. Qual o caráter geral do testemunho dado a respeito deste ponto pelo Novo Teestamento? . governo providencial. 45:20-25 Jeová fala e afirma a Sua soberania suprema. Nele. literalmente. bem como atenção às orações e suas respostas. até que todos os Seus inimigos se tenham tornado escabelo de Seus pés. 7:17). Que provas temos em Isaías 9:6? E evidente que esta passagem se refere ao Messias. O templo. 5:6. e este fato é estabelecido em Heb. criação. Que provas temos na maneira pela qual os escritores do Novo Testamento aplicam a Cristo as Escrituras do Velho Testamento? Os apóstolos muitas vezes aplicam a Cristo a linguagem do Velho Testamento. Que provas temos em Miquéias 5:2? Os judeus entenderam que a referência é a Cristo. 19. 6:3 com João 12:41. Em Is. e é convidado a assentar-Se à mão direita de Jeová. Pai da eternidade.. E exorta a todos a se submeterem a Ele e a confiar nEle. 1:10-12 afirma que o salmo foi dirigido a Cristo. Paulo declara que este salmo refere-se a Cristo. Mas o texto de Heb. 22:43. A passagem declara que as Suas "origens são desde os tempos antigos. é chamado "seu templo". aplicado a Cristo em Mar. portanto.44). desde a eternidade. Em Atos 13:33. Jesus é chamado Deus.. Que provas temos no Salmo 110? Que este salmo se refere ao Messias fica provado por Cristo (Mat. 2:6 e João 7:42.". mesmo quando é evidente que os escritores originais queriam falar em Jeová. Nele o Messias é chamado Senhor (Adonai) de Davi. 21. 1:2. o que fica confirmado por Mat. Que provas temos em Malaquias 3:1. E no versículo dois Lhe é atribuída uma obra divina de juízo. 4:14-16. 1:8.9. Que provas da deidade do Messias apresenta-nos o Salmo 2? O referido salmo declara que Ele é o Filho de Deus e que como tal Lhe será dado o domínio do mundo inteiro e dos seus habitantes. o que é confirmado por Mat. 18. sob pena de incorrerem em Sua ira. e não no Messias como tal. Que provas temos no Salmo 45? Os judeus antigos entenderam que este salmo foi dirigido ao Messias. culto. 23. 20. para provar que teremos todos que comparecer ante o tribunal de Cristo. Compare também Is. 14:11 Paulo cita uma parte da declaração de Jeová a respeito de Si. atribuindo-Lhe eternidade.

25. 1:16. e ele se acha tão intimamente entrelaçado com todos os demais temas de cada passagem. Apoc. 13:14.Esta doutrina fundamental nos é apresentada em cada um dos livros e em cada parágrafo separado do Novo Testamento. Provas de que o Novo Testamento dá títulos divinos a Cristo: João 1:1.23. Santificação . Apoc. 22:13. Imutabilidade . 1:8. Juízo . Mat. como qualquer leitor sincero poderá verificar pessoalmente. 1:17. 1:3. AUBREY ÇLABi 24. 27. 5:10. classificado sob os títulos costumeiros.18.João 16:7. Provas de que o Novo Testamento ensina que se deve prestar culto supremo a Cristo: Mat.14. ou por afirmação direta ou por implicação necessária. 8:58.Heb. que aqui só tenho lugar para apresentar uma amostra geral do testemunho. 1:5. 11:27. Provas de que o Novo Testamento atribui títulos divinos a Cristo: Eternidade. 7:10. Obras da graça.60.2 Cor. ^!UOIÍÈÇA. 1 João 5:20. João 5:22. A massa inteira deste testemunho é tamanha. Col. 9:5. 3:16. Fil. 21:17.17.14. 14:1. 13:18. Milagres . 1:11. 5:26. Atos 20:28. João 2:23-25. Mat.João 5:21-26.12 e 13:8. 28:20. 2Tess. Heb.17. a eleição inclusive-João 1:17. 17:5. Onisciência. João 5:22. 28:18. Onipresença -João 3:13. 5:11. Tito 2:13. . sendo Deus como é. 1:3.10. 1 Tim. Atos 7:59. Heb. 2:23. 2:9. Col. 18:20. Rom. 28:19. 25:31. 28.6. Mat. 1:12. 1 Cor. Apoc.32.João 1:3. Conservação e Providência-Heb. Onipotência-João 5:17. 2 Cor. 1:8.Ef. 15:19.10.Mat. éPessoa distinta do Pai. Provas de que o Filho. Provas de que o Novo Testamento atribui obras divinas a Cristo: Criação . O enviar o Espírito Santo . 1:2.João 10:28. 1:8.João 1:2. 20:28. 26. Heb. Apoc. 11:17. 1:6. O dar a vida eterna .

e que essa Pessoa. Filho ou Espírito Santo. Ensina e conduz à verdade.C.C. Cristo emprega os pronomes Eu. 8:26.7. pois. O ESPÍRITO SANTO É VERDADEIRAMENTE DEUS E. 31. Por quem o Espírito Santo foi considerado só como uma energia de Deus? Todas aquelas seitas antigas chamadas geralmente monar-quianas e patripassianas. ·I · . 325 d. porque esquadrinha as coisas profundas de Deus. 341-360 d." "A quem o Pai enviará em meu nome. a respeito da deidade do Filho. ensinavam. As antigas controvérsias dos ortodoxos com os arianos.. que ensinava que Jesus Cristo era mero homem. ‫״. Church Hist." Assim. pois tão óbvia é a Sua personalidade distinta que praticamente não há discussão sobre isso. tem conhecimento. operação independente. com algumas distinções subordinadas. veio dEle. recebe do que é de Cristo e no-lo anuncia. Como se pode provar que todos os atributos de personalidade são atribuídos ao Espírito Santo nas Escrituras? Os atributos de personalidade são os seguintes: inteligência. sustentava que a expressão Espírito Santo é empregada nas Escrituras como designativo da energia divina quando opera de um modo particular. nunca conseguiu muita aceitação. Cap. No século 16. 1.7. Sabe. Ele. implicam necessariamente. 3. intercede -João 16. Opera todos os dons sobrenaturais. antes e depois do concilio niceno. repartindo-os entre os homens segundo a Sua boa vontade .. por ser revelada tão claramente a Sua divindade absoluta que a respeito dela não há controvérsia. o ponto principal é provar a deidade absoluta de Cristo. Essa opinião foi condenada pelo Segundo Concilio Geral de Contantinopla. assim como uma só essência. Veja o Credo do Concilio de Constantinopla. Tu. Ele argúi. que Ario ensinava que. "Ele dará testemunho de si. é dEle amado. Rom. se quer estabelecer a veracidade da doutrina a respeito da terceira Pessoa. empregou os pronomes Tu e Ele quando falava a Ele ou a respeito dEle. págs. Veja Neander. dirigiu-Se a Ele em oração. ־‬ . volição. Que seitas sustentavam que o Espírito Santo é uma criatura? A deidade do Espírito Santo é revelada tão claramente nas Escrituras que poucos se têm atrevido a pô-la em questão. que na Deidade há somente uma Pessoa.João 14:17. 12:11.41. 29. Quando. Diz-se. 2:10. glorifica.26. 416-420.Este fato é ensinado tão claramente nas Escrituras. assim também o Espírito Santo é a primeira e a maior criatura do Filho. o ponto principal é que se prove a Sua personalidade distinta. AO MESMO TEMPO. que o nega. 30. Cristo foi enviado pelo Pai. dá testemunho. 1 Cor. Veja o Novo Testamento todo.C.. é chamada Pai. Esse concilio definiu e resguardou a fé ortodoxa acrescentando cláusulas definidas à referência simples que o credo antigo fazia ao Espírito Santo. Diz-se que alguns dos discípulos de Macedônio. ama-O. PESSOA DISTINTA. em diversas relações. 381 d. porém.. Ele é enviado. e se acha implícito tão universalmente. que o sistema sabeliano. no que diz respeito à segunda Pessoa. Essa é agora a opinião de todos os unitários e racionalistas modernos. voltou para Ele. ocuparam de tal modo os ânimos dos dois partidos que se prestou pouca atenção naquele tempo às questões relacionadas com o Espírito Santo. assim como o Filho é a primeira e a maior criatura do Pai. 15:26. quando fala da relação do Espírito Santo para com Ele ou para com o Pai: "Eu o enviarei". fez a Sua vontade. sustentavam que o Espírito Santo não é Deus supremo. ajuda. porém. recebeu mandamentos dEle. Ao estabelecer a doutrina da Trindade. Pai e Filho. vol. bispo de Constantinopla. Socino. Isso também os títulos relativos.

e todo cristão é Seu cliente. 33. 12:9-11. 2:13. Ele inspirou os profetas e os apóstolos. etc. mostra que o plano de redenção envolve essencialmente a operação do Espírito Santo em aplicar a salvação que foi a obra realizada pelo Filho e com a qual Ele visava alcançarnos. 1:35. Onisciência. Ex. 15:16. 104:30. Ora. Sal. 15:28. . 28:25. Que argumento se pode deduzir da fórmula do batismo a favor da personalidade do Espírito Santo? Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 12:28. Mar. O poder de realizar milagres . . preparando‫־‬os pela comunicação de dons especiais segundo a Sua boa vontade. 95:7 com Heb. Que atributos divinos as Escrituras Lhe atribuem? Onipresença . 139:7. 2:4. 2 Ped. 17:7 e Sal.Ef. esse pecado é chamado "blasfêmia contra o Espírito Santo". 39. por exemplo. Veja Atos 5:3. E óbvio que a Sua distinção pessoal acha-se envolvida na própria natureza dessas funções que Ele desempenha . 37. ou o de associar uma energia coordenadamente com duas pessoas distintas.Mat. 12:13. 5:30.11. Como se pode provar Sua personalidade pelos ofícios que as Escrituras dizem que Ele desempenha ? O Novo Testamento. Rom. em sermos "batizados em Cristo". Rom. Que operações no mundo exterior as Escrituras Lhe atribuem? A criação .. 12:31. 1 Cor. 1:2.1 Cor. 8:11. Como fica estabelecida a Sua deidade suprema pelo que as Escrituras dizem da Sua ação na obra de redenção? .32. Assim é que se fala em "revestir-nos de Cristo". Gál. escolhe os oficiais da Igreja.Sal.4. 3:28. 3:27. E uma das figuras mais naturais e comuns a de designar o dom pelo nome de quem o dá.Luc. Não seria possível conciliar todas as leis da linguagem e da razão com esse suposto ato de falar em "nome" de uma energia. Jó 26:13. Traz-nos todas as graças do Cristo assunto ao céu e as torna eficazes em nossas pessoas em cada momento da nossa vida. Atos 5:32. Como se prova que os nomes de Deus são aplicados ao Espírito Santo? Comparando-se. 2:10. 36. 1:21.29. ensina e santifica a Igreja. 3:7. 38.32. 3:7-11. e nessas passagens distingue-se essa blasfêmia do mesmo pecado cometido contra as outras Pessoas da Trindade.Luc. 34. 13:14. em todo o seu ensino. É o advogado. Onipotência .Gên. 16:6. 12:12. Como conciliar com a Sua personalidade expressões como "dar " ou "derramar " o Espírito ? Essas e outras expressões semelhantes são empregadas figuradamente para indicar a nossa participação nos dons e operações do Espírito. Como se pode provar Sua personalidade pelo que se diz do pecado contra o Espírito Santo? EmMat. 1 Cor. Heb. e Luc. 35. Rom. 12:10. blasfêmia é pecado cometido contra uma pessoa. 1 Cor.

a graça do Filho em alcançar. 4. Que dizer sobre aprova da genuinidade de 1 João 5:7? Não disponho de espaço para apresentar um bom resumo dos argumentos a favor e contra a genuinidade da cláusula em disputa. !. e Cristo reconhecido como o Filho amado de Deus. 40.. 42. O Pai é a Pessoa de quem procede o Espírito. Aí também são apresentadas a nós três Pessoas nomeadas distintamente e descritas como operando cada uma segundo a Sua própria maneira: o Pai falando do céu. Os cristãos batizados entram assim numa relação de pacto ou aliança com três Pessoas nomeadas distintamente em sua ordem. e sim simplesmente o de revelar o caráter e a obra mediatárias de Cristo. que "será enviado". na ressurreição dEle e na inspiração das Escrituras foram manifestações do Seu poder divino em preparar a redenção que agora Ele aplica.voaj 44. A linguagem implica necessariamente que cada um desses nomes representa uma Pessoa. vol. e a natureza do sacramento (da ordenança) prova que cada uma delas é divina. Como conciliar com Sua deidade expressões como "ele não falará de si mesmo"? ·‫׳‬ Essa expressão e outras semelhantes devemos entender como se referindo à obra oficial do Espírito. segundo a Sua própria ordem e maneira de operação. . o Espírito descendo em forma de pomba e pousando sobre Cristo. O fim que o Espírito Santo tem em vista em Sua obra oficial nos corações dos homens não é o de revelar as relações da Sua Pessoa com as outras Pessoas da Deidade. A respeito do Espírito o Filho diz que Ele "virá". cap. saindo para fora da água. 45. São três nomes pessoais distintos de ação pessoal. Temos aí nomeadas distintamente três Pessoas. 5. e da ressurreição de nossos corpos: Rom. do mesmo modo como entendemos o que se diz de Cristo. e afirmada a Sua ação relativa. Que prova nos é dada pela narração do batismo de Cristo? Veja Mateus 3:13-17. 8:11. Sua promessa de dar-nos a vida eterna e a nossa obrigação de Lhe prestarmos culto divino e obediência. O Filho é a Pessoa que fala sobre o Pai e sobre o Espírito. Sua ação na geração da natureza humana de Cristo. 4. 28:19. Como é ensinada esta doutrina diretamente na fórmula da bênção apostólica? Veja 2 Coríntios 13:13. que "testificará". 4. Veja Mat. Veja Home's Introd. Veja o argumento apresentado por João 15:26 e seu contexto. e que está reivindicando a respeito de Si o direito de enviar o Espírito. e cada uma comunicando uma bênção separada. 43. e cada um igualmente divino. Nessa passagem também temos três Pessoas distintas mencionadas ao mesmo tempo. AS ESCRITURAS ENSINAM DIRETAMENTE QUE HÁ UMA TRINDADE DE PESSOAS NUMA SÓ DEIDADE Í : ■‫׳‬ 41. que "procede". Parte 2.Dizem as Escrituras que Ele é o agente imediato da regeneração: João 3:6. Tito 3:5. O amor do Pai em idealizar. e a comunicação do Espírito Santo em aplicar a salvação. que "foi enviado" pelo Pai e que Lhe está subordinado. Como é ensinada diretamente esta trindade de Pessoas na fórmula do batismo? O batismo em nome de Deus implica o reconhecermos a autoridade divina de Deus. sec.

Limito-me a dizer: Io. 20:31. no hebraico . Entre os homens ilustrados e piedosos há diferença de opiniões quanto à preponderância das evidências.7. "filhos de Belial". A rejeição dessa passagem de modo algum diminui a força irresistível das provas fornecidas pelas Escrituras a favor da doutrina ortodoxa sobre a Trindade. em vez de digno de morte. De filho. OU A GERAÇÃO ETERNA DO FILHO. 14:1. Veja também Salmo 110:1 e Isaías 45:6. 3:22. 13:13. ao mesmo tempo. 12:6. que. . em vez de malvados. ao nome de um lugar ou nação. 2o. 48.. 23:6. O mesmo idiotismo acha-se também no grego do Novo Testamento. 9:6.2. adorador.Is. no plural. Gên. 5:1. 104:30. Jó 38:7. como "filho de um ano". A RELAÇÃO QUE A SEGUNDA PESSOA MANTÉM COM A PRIMEIRA. em vez de israelitas. 3 o. Qual o uso idiomático da palavra hebraica ben (filho)? E usada no sentido . Deut. Sal. Ele é chamado "Deus Forte". e aqui. Lex. Também unida. Is. 6:24-26 com a bênção apostólica em 2 Cor. as mais abalizadas inclinam-se contra a genuinidade da cláusula. A. 13:13. 1. e o Espírito Santo.14. 47. Lev. 5.7 temos o Pai dirigindo-Se ao Filho como Deus e ungindo-O. 6:8. para edificação. no plural. "filhos de Israel". a Palavra. mas não devemos citá-la para estabelecer doutrina. ao mesmo tempo. 6:3. no hebraico. Note-se também em Is. e estes três são um. "filho da morte". RESTA-NOS CONSIDERAR O QUE AS ESCRITURAS ENSINAM A RESPEITO DAS RELAÇÕES ETERNAS E NECESSÁRIAS QUE AS TRÊS PESSOAS DIVINAS SUSTENTAM ENTRE SI. pupilo. Jó 26:13. Que passagens do Velho Testamento falam do Espírito Santo como Pessoa distinta do Pai e. devemos retê-la. como Deus? Gên. como "filhos de Sião". e no estado atual do nosso conhecimento. qualidade. (3) ao povo de Deus. Confira-se a tripla repetição do nome de Jeová em Núm. 48:16. Nas profecias fala-se do Filho sempre como uma Pessoa distinta do Pai e. Veja Gesenius. 139:7. para exprimir idade. Que passagens do Velho Testamento falam do Filho como Pessoa distinta do Pai e. "outeiro. 4o. Deut. E três são os que testificam na terra". filho da gordura" em vez de outeiro fertilíssimo. . (2) aos anjos. 4o. ao mesmo tempo. Seus adoradores. 6:3 a tripla repetição da atribuição de santidade. Is. 1 Sam. e é tão íntima a conexão gramatical e lógica da cláusula com o contexto. Sal. 11:7. Em combinação com substantivos. 2:7. como "filhos dos profetas" (1 Reis 20:35). em vez de: com a idade de um ano. 1:26. Jer.Io. De descendente. 3o. 6:2. etc.Heb. Que a cláusula em disputa é como se segue: "no céu: o Pai. A doutrina ensinada nessa passagem é tão bíblica. 2o. De discípulo. e "filhos de Deus" aplicado (1) a reis. como Deus? No Salmo 45:6. etc. 49. Que passagens do Velho Testamento implicam existir mais de uma Pessoa na Deidade? Note-se o uso do plural nas passagens seguintes: Gên. Is. etc. 46. para denotar seus habitantes ou os cidadãos.

3:26. 5:9. nem há indício algum nas Escrituras de tal relação. e em que passagens se apoiam? Eles afirmam que o título "Filho de Deus" não pertence a Cristo como o Logos. a eterna segunda Pessoa da Trindade. em inferioridade. Nesse sentido geral. pois foi o Espírito Santo que desceu sobre a virgem. até que se fizesse a completa revelação da Sua filiação eterna como Pessoa divina. Qual o motivo alegado por alguns trinitarianos.50. e não por geração natural.Gál. 38:7. e.Mat. evidentemente para denotar a sua derivação direta de Deus. Outros socinianos dizem que Cristo foi chamado Filho de Deus somente porque Deus O fez nascer de modo sobrenatural. Não seria um menino comum: o que havia de nascer deveria ser considerado como relacionado de um modo peculiar com Deus. compreende -Io. e são semelhantes a Deus . e antes de qualquer outra criatura. não se segue que não haja outros e mais poderosos motivos revelados nas Escrituras para se Lhe dar esse nome. do mesmo modo como é aplicado no plural a reis e magistrados. sem a intervenção de um pai humano. que recebem de Deus o seu poder de regência . 3°.Sal. Quando aplicada a criaturas. semelhança e derivação de natureza. estado de herdeiro. e aos cristãos. 2o. 53. Que resposta se deve dar ao argumento baseado em Lucas 1:35. 3:38. com a única exceção da aplicação feita a Adão em Luc. E provável que o verdadeiro motivo pelo qual o anjo disse à virgem o que consta dessa passagem era fazer-lhe saber que. em conseqüência da geração sobrenatural de seu filho. a palavra está sempre no plural. por conseguinte. Alguns socinianos dizem que o nome Filho de Deus é aplicado a Cristo somente como um título oficial. quer sejam homens quer anjos . Se esse fosse o motivo fundamental pelo qual o nome "Filho de Deus" é aplicado tantas vezes a Cristo. amor paterno e filial. de que Jesus foi chamado Filho de Deus somente por causa do Seu nascimento miraculoso? * Io. No singular é aplicada somente à segunda Pessoa da Trindade. Que filiação implica em derivação. que são objetos da regeneração espiritual e da adoção . e sim como o Theantropos (o Deus-homem). 51. para a aplicação desse título a Cristo. Ele deveria ser chamado "Filho do Espírito". O termo é aplicado em sentido eminente aos reis e magistrados.Jó 1:6. 2o. 52. alegando: Io. Objetam contra a doutrina ortodoxa da filiação eterna de Cristo. Quais os motivos alegados pelos arianos para a aplicação desse título a Cristo? Os arianos dizem que é chamado assim porque Deus O criou mais à Sua semelhança do que à de qualquer outra criatura. Em que sentido os homens são chamados "filhos de Deus" nas Escrituras? A idéia geral expressa pela palavra "filho". Mesmo que esse tenha sido um dos motivos pelos quais Cristo é chamado Filho de Deus. todas as criaturas santas e inteligentes de Deus são chamadas Seus filhos. objetos especiais do favor divino-Mat. que quanto a este ponto afastam-se da fé ortodoxa. Quais os motivos alegados pelos socinianos para a aplicação da expressão "Filho de Deus" a Cristo nas Escrituras? Io. e 3o. 2o. 54. . Em apoio disso eles citam Lucas 1:35. Mas nunca é chamado assim. o menino que havia de nascer dela seria chamado o "Filho de Deus". 5:45. Provaremos abaixo que há. 82:6.

mas que. Mas essas relações humanas podem ser a melhor analogia que nos é conhecida das relações divinas de Pai e Filho. . sempre. e servir de base para a aplicação apropriada desses termos. 2:7 é declarado expressamente que Cristo foi constituído "Filho de Deus" no tempo. Assim. lança isso para um passado indeterminado. 2 o. 1:4. sem que deixe de ser verdade que as duas realidades indicadas são necessariamente tão diversas como o material é diverso do espiritual. . pertencendo a Seu ofício mediatorial e não às Suas relações eternas dentro da Deidade. agora. deverá ver-se que a forma da expressão seria perfeitamente análoga às outras formas figuradas por cujo meio as Escrituras representam verdades realmente inefáveis na linguagem humana". contrariamente à sua coexistência como tal desde a eternidade com o Pai por necessidade da Sua natureza. afirma que significa simplesmente: "Tu és meu Filho. diz o texto: "Declarado (horisthen-tos. etc. Demonstre que não tem fundamento a objeção feita contra a doutrina da Igreja. 97. significa sempre constituir. o Rei de Israel. Veja abaixo. empregada oito vezes no Novo Testamento. "O Senhor me disse".—. . Tiram o mesmo argumento de Rom. perg. e não a essência do Filho. . 3o. etc.Prove que nem o Salmo 2 nem Romanos 1:4 ensinam que Cristo foi feito filho de Deus. objeção baseada em Mateus 16:16. João 1:49. a objeção reside numa errônea compreensão da doutrina ortodoxa quanto aos seguintes pontos: Io. Quanto a Romanos 1:4. mas quando? Se entendermos que o disse desde a eternidade. Que no Sal. sendo o Filho eterno de Deus. Quanto ao Salmo 2:7. Demonstre que não tem fundamento a objeção feita contra a doutrina ortodoxa pela representação da segunda Pessoa como inferior a primeira. o Dr. Mas. caracterizar.2o. por sua forma de reminiscência ou de narração. ' . 4o. João 1:49. Seu significado restrito é limitar. (A versão utilizada pelo tradutor da edição de 1895 (que é a de Figueiredo) diz: "Que foi predestinado Filho de Deus. on Psalms). O Pai gera ao Filho por um eterno e necessário ato constitucional (não voluntário).) A palavra horizo. isto é. . e bem pode ser tomada no sentido depropor. sou hoje. 55.) informa que o termo é tomada pela grande maioria dos comentadores. é este o sentido em que o Dr. de horizo) Filho de Deus em poder. Que a expressão "Filho de Deus" Lhe é aplicada em muitas passagens como um sinônimo de "Cristo" e de outros títulos oficiais. Além disso. pela ressurreição dos mortos". e é isso que distingue esta doutrina do ensino da Igreja dos semiarianos. desde toda a eternidade. on Rom. é gerada do Pai. Hodge (Com. o Filho de modo algum depende do Pai ou Lhe é inferior.' · i i r "·' ' SI . Mesmo que relacionemos "hoje" com o princípio da relação filial.. Essa objeção só parece plausível quando se força muito a analogia entre as relações humanas de pai e filho e as relações divinas a que se aplicam os mesmos termos. é o Cristo.como o Mediador. mesmo que se conceda a interpretação que os nossos oponentes dão a essa passagem. Suas referências bíblicas são Mat. eternamente Teu Pai. Alexander (veja Com. 16:16.J Em nenhuma dessas passagens se afirma que Ele é Filho como o Cristo. a primeira cláusula do versículo. Mii!‫׳·■!.׳:־‬i. segundo o Espírito de santificação. ao passo que aqui se insiste em que significa manifestar. A essência autoexistente da Deidade pertence ao Filho e ao Pai igualmente. 56. A doutrina da Igreja é que a Pessoa. definir. o temporal do eterno e o finito do infinito. etc. alguns dos chamados Pais gregos inclusive.. ficarão intactas as . designar.

e não à Sua ressurreição dentre os mortos. O principal apoio bíblico da doutrina acha-se em João 5:26 . o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho". Isso não pode ser: Io. Com. Porque a palavra anastesis. que é chamada Pai para indicar a relação recíproca. por necessidade da Sua natureza. e o Pai no Filho. sendo sempre o . e continua eternamente.provas indubitáveis que muitas outras passagens dão a favor da doutrina ortodoxa. É muito evidente que Cristo chama-Se a Si mesmo Filho de Deus e que foi reconhecido como tal por Seus discípulos antes da ressurreição. principia a parte pertinente dizendo: "O Pai não é nem gerado. João 10:38. 3. . de modo que o Filho é a imagem expressa da Pessoa do Pai. Luz de Luz. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. o Filho é eternamente gerado do Pai. onActs. 1:2. 2o. 59. sem divisão. 60. Deus de Deus. não ressuscitado (a Jesus). A tradução que consta no "Livro de Confissões". comunicando-lhe a inteira substância indivisível da Deidade. não feito. não feito. 14:11. publicado pela Missão Presbiteriana do Brasil Central. Tom. foi constituído em Filho de Deus como o primeiro passo na Sua exaltação oficial. tendo suscitado (tendo dado surgimento). e por todas as representações dadas nas Escrituras quanto à relação e ordem das Pessoas da Deidade. ' í Confissão de Westminster: "O Pai não é de ninguém . . como no versículo 34. que ela é indicada pelos termos recíprocos Pai e Filho. sendo de uma só substância com o Pai". Dessa passagem tira-se o argumento segundo o qual Jesus. Que exposição e explicação comuns os escritores ortodoxos dão desta doutrina? A geração eterna do Filho é definida comumente como sendo um eterno ato pessoal do Pai. refere-se à suscitação de Jesus no Seu nascimento. Veja Alexander. nem criado. Quando a palavra é empregada para designar a ressurreição de Jesus. O versículo 32 declara que foi cumprida a promessa a que se faz referência no versículo 23. mas gerado". mas não O podia constituir em Filho de Deus. não do ou pelo Pai. 61. L. é quase sempre acompanhada da frase dentre os mortos. Credo Atanasiano: "O Filho é somente do Pai. : jv ‫׳‬ji. por Sua ressurreição. nem procedente. 17:21.. Ele gera a pessoa (não a essência) do Filho. Question29." (Capítulo 2.33 não prova que Jesus foi feito Filho de Deus. no qual. Qual a resposta ortodoxa à pergunta: por que Cristo é chamado "Filho de Deus"? A doutrina ortodoxa é que Cristo é chamado "Filho de Deus" nas Escrituras para indicar a Sua eterna e necessária relação pessoal como a segunda Pessoa da Deidade com a primeira Pessoa. Não seriam inconciliáveis os dois motivos pelos quais Cristo é chamado o Filho de Deus. e não por querer. e na Confissão de Westminster? Credo Niceno: "Filho de Deus. Porque Ele foi enviado ao mundo como o Filho de Deus.. gerado de Seu Pai antes de todos os séculos. Como se acha exposta a doutrina nos credos niceno e atanasiano.‫־־‬ ■:. alheação ou mudança. e sim no Pai. 58. 1.Demonstre que Atos 13:32. Seção 3). gerado. Veja especialmente Heb.não é gerado.Turretino. Os teólogos que insistem nessa definição crêem que a idéia de derivação está necessariamente implicada na de geração. nem procedente de ninguém. e por isso esta O podia revelar ou manifestar como sendo o Filho de Deus.

5. achôristôs. . e ao Filho e ao Espírito Santo chamavamaitiatoi. Que essa comunicação era operada por um ato eterno e necessário do Pai. e o Pai no Filho. Em todos os antigos credos essa identidade quanto à essência. e são iguais pessoalmente. Que a inteira essência divina. Demonstre como os escritores ortodoxos procuravam resguardar sua doutrina contra toda irreverência antropomórfica. "unigênito". 62. "do Pai". 4. como o que lhe é equivalente. Quais os termos. nem uma comunicação fora. Para resguardar sua doutrina de derivação e de geração eternas contra todas as concepções grosseiras e antropomórficas. dentro da Deidade. é melhor que não se fale positivamente. totalmente incompreensíveis. e que o Filho não é do nem pelo Pai. Os teólogos antigos chamavam por isso ao Pai pegetheotetos. têm dito que a doutrina ortodoxa ensina o que é manifestamente inconciliável quando diz que o Pai comunica a inteira essência divina ao Filho sem alheála de Si mesmo. sem divisão nem difusão. 2. como envolvida naquela da geração eterna do Filho pelo Pai. e por isso todos os atributos divinos. e sim no Pai. . nem mistério maior do que o que se acha envolvido na verdade segundo a qual toda a essência de Deus acha-se presente ao mesmo tempo. é evidente que esta doutrina não envolve nenhuma contradição. 64. 63. apathôs. revela alguma relação. achronôs. 65. e que a designação de Pai é recíproca à de Filho. aitia huion. e sem dividi-la ou mudá-la de outra maneira. 2o.termo Pai empregado para representar a Deidade absolutamente considerada. Luz de Luz".asomatôs. que o termo Filho é aplicado à segunda Pessoa da Trindade. 6. 2o. dizendo: Io. 3. invisíveis. sem paixão nem mudança. é expressa do modo indicado acima: "Deus de Deus. mas. pantelôs akataleptôs. da Pessoa do Filho com a do Pai. que o Filho é a imagem expressa da Pessoa do Pai. parece antes ser uma explanação de fatos revelados do que um fato revelado. empregados para designar as características da segunda Pessoa e Sua relação com a primeira? . Io. eternas. não o Pai a da Pessoa do Filho. e subordinação quanto ao modo de subsistência e comunicação. Todo este assunto está fora do círculo da lógica humana. não uma transferência local. Mas a idéia de derivação. porém. mas espirituais. Resguardavam ao mesmo tempo a igualdade essencial do Filho e do Espírito Santo com o Pai. Como se pode mostrar que a doutrina comum não se contradiz a si mesma? E evidente que não há nada de incompatível na simples exposição bíblica dada na resposta à última pergunta. lhes era comunicada. 3o. que o Pai é primeiro e o Filho é segundo na ordem de revelação e operação. Num assunto como este. que esse termo. Contro-versistas heterodoxos. "da mesma substância com o Pai".1. atemporais. e julgam que essa teoria é necessária para manter a unidade essencial das três Pessoas. não corporais. sem divisão ou mudança. e sim dentro da Deidade. pois. "gerado. sustentavam cuidadosamente que a derivação e a geração referidas eram . em toda parte do espaço. "princípio" ou "causa" do Filho. Que é essencial à doutrina bíblica da geração eterna do Filho? Na exposição acima feita da doutrina ortodoxa não há nada que seja incompatível com a verdade revelada. Tudo quanto é revelado explicitamente é. ao mesmo tempo. não feito". "fonte da Deidade".aoratôs. além do vocábulo "Filho". acrônicas. que essa relação é tal que Pai e Filho são o mesmo em substância. e não da Sua livre vontade. "verdadeiro Deus de verdadeiro Deus". "causados" (os que dependem de outrem como seu princípio ou sua causa).

i 1 . . -Col. psuche. se Ele é Theos ek Theou. que Ele é essencialmente divino. A imagem do Deus invisível . o Filho e o Espírito Santo.׳:־‬ Na bênção apostólica e na fórmula do batismo o Deus único é designado como o Pai. aproveitando-se da imperfeição essencial desta representação. Por Sua geração antemundanal entendiam o começo das operações da Sua energia e a manifestação da Sua Pessoa fora do seio da Deidade. como pode o Filho ser Deus. a antemundanal e a mundanal do Filho? Io. 3o. do Filho. Que distinção alguns dos chamados Pais faziam entre "o logos endiathetos" (ratio insita. na esfera da criação externa. 1:35.Heb. Se Deus é "ens a se ipso". etc. Os que insistem na validade dessa definição respondem à objeção dizendo que autoexis-tência é atributo de essência. Por Sua geração eterna entendiam a relação essencial do Filho para com o Pai como Seu Filho consubstanciai e eterno. o logos endiathetos é a idéia refletiva de Deus mesmo "hipostatizada". 61).· ‫־··. que habita desde toda a eternidade com o Pai. ou o Verbo. como Pessoa. nous. porque não indica distinção pessoal. que a frase logos endiathetos. e. 2:6. ■. pela aplicação que João faz a Cristo do epíteto logos theos. ·‫׳ ׳׳·׳‬ 2o. porque (em Cristo) havia sido produzida por Deus a Sua primeira e mais exaltada de todas as criaturas e a imagem do Seu intelecto. pela influência que exerciam sobre eles os filósofos platônicos daquele século. Assim. segundo eles. a razão) e o "logos prophorikos". -" . com alguma aparência de verdade. quando aplicada a Cristo. A forma de Deus .g. cuja Pessoa é constituída da mesmíssima essência auto-existente que a do Pai. O Pai. que ensinavam que há uma espécie de trindade metafísica.Luc. mas. e. auto-existente. o Filho e o Espírito Santo? · . (ratio prolata. Col. contra os arianos.־. O motivo pelo qual usavam essa frase era uma analogia que imaginavam existir entre a relação do logos (verbo ou razão) eterno com o Pai (João 1:1).A Palavra. inteligência.. ou impressão. Designavam o Verbo pela frase logos prophonkos como a razão de Deus revelada. que consideravam como Pessoa distinta. embaralharam a controvérsia admitindo que a frastlogosprophonkos tinha realmente aplicação a Cristo. 1:3. ensina puro sabelianismo. não pode ser aplicado a Cristo nesta conexão como título oficial.João 1:1. 1:15. 66. to agathon.Heb. vitalidade.Fil. 69. do Seu ser ou substância . não a essência.2 Cor. o Verbo de Deus. a razão produzida ou expressa)? Os "pais" ortodoxos empregavam a frase logos endiathetos para designar o Verbo. Foram levados a filosofar assim. e Deus de Deus quanto à Sua Pessoa. Assim o Filho é Deus a se ipso quanto à Sua essência. O termo Filho.. 63). quando Ele procedeu do Pai na obra da criação. Que distinção alguns dos chamados "Pais da Igreja"faziam entre a geração eterna. 68. 1:15. Que argumento a favor da filiação eterna de Cristo pode ser tirado da designação das Pessoas da Trindade como o Pai. ao mesmo tempo. sobre um tema incompreensível. sim. somente à teoria de derivação envolvida na definição comum (veja Perg. 67. e que é Deus . O resplendor da Sua glória . gera a Pessoa. com Deus. que no Deus único há três princípios constitutivos. bondade. e a relação da razão do homem com a sua alma racional. porém. 4:4. Os arianos. . 1:3. Por Sua geração mundanal entendiam Seu nascimento sobrenatural em carne . Deus de Deus? A objeção apresentada nesta pergunta não se aplica à exposição bíblica da geração eterna do Filho apresentada acima (Perg. declararam. A imagem. e não de Pessoa. e nada mais significa senão unicamente o próprio intelecto do Pai. Seu fito imediato era ilustrar a unidade essencial da Trindade e provar.

e filiação da parte da segunda. que era Deus. etc. só pode ser necessário e eterno. no singular. Na segunda passagem Jesus toma o título "Filho de Deus" como equivalente à asserção de que é Deus. O uso destes termos qualificativos mostra que Cristo é chamado Filho de Deus num sentido diverso daquele em que outros são chamados assim. Nesta passagem o Verbo eterno. indica a relação da segunda Pessoa com a primeira. É infinito em conhecimento. Que argumento se pode apresentar em apoio desta doutrina do uso da palavra "Filho" em Mateus 11:27 e em Lucas 10:22? É evidente que nestas duas passagens o termo Filho é empregado para designar a natureza divina da segunda Pessoa da Trindade em Sua relação à primeira. 74. 75. por conseguinte. isto é. como Filho. é chamado assim como uma das três Pessoas divinas que constituem a Deidade. descobriu-Se como tal a Seus discípulos pela manifestação da Sua própria glória divina. 71. e.João 1:14. Por conseguinte. e de João 10:33-37? 'Na primeira destas passagens os termos Pai e Filho são empregados para designar duas Pessoas iguais e divinas. e não como o Mediador nem como homem. 73. senão pelo Pai. Qual o argumento baseado em Romanos 1:3. era o Filho "unigênito" como Deus. é chamado assim como Deus.ou como designativo de um homem gerado miraculosamente. Em João 5:18 Cristo chama Deus "Seu próprio Pai" (assim no grego). e é objeto de igual honra. 2o. 3:16. é aplicada unicamente a Cristo. Exponha o argumento que se extrai da aplicação feita nas Escrituras dos termos monogenes (unigênito) e idios (próprio) à filiação de Cristo. e contexto. 72. conhece o Pai e é conhecido do Pai. Este é chamado "Filho unigênito de Deus" . como Pai. O Filho. o próprio Filho de Deus. Qual a prova fornecida pelas passagens que falam da manifestação do dom ou da missão do Filho? Veja 1 João 3:8. a frase "Filho de Deus".18. João 3:16. Por conseguinte. e os judeus O acusam por isso de blasfemar. incluindo a paternidade da parte da primeira Pessoa. É infinito em Seu Ser. Como Filho. nem como título oficial. Io. e por isso não pode ser conhecido por ninguém. o termo Filho é recíproco do de Pai. Rom. 8:3. Exponha o argumento de João 1:1-14. Que argumento ê derivado de João 5:22. 1 João4:9. porque. Haja o que mais houver envolvido nessa relação. e não como homem. "glória como do (Filho) unigênito do Pai". Em Romanos 8:32 é chamado "Seu próprio Filho". Embora muitas criaturas de Deus sejam chamadas Seus filhos. 70. e por isso conhece o Pai. Cristo faz tudo o que faz o Pai. e quando limitada pelos termos "próprio" e "unigênito". Dizer que o Filho foi enviado ou manifestado implica que já era Filho antes de ser enviado ou manifestado como tal.4? .18.

por conseguinte. 1 Sam. alma. Cristo. hálito. 41:8. ruach. 11:11. nelas parece inferir que Ele é inferior ao Pai. 1:2. não era onipresente. falando-se de Deus: (a) absolutamente. vento. Gên. (2) dos demônios. são antitéticas. ar em movimento. A palavra hebraica equivalente. Sal. ar em movimento. e está no céu. 2o. Mas. por certo. Diz-se que o Filho de Deus foi feito carne. pois. B. João 3:8. Jesus é chamado "Filho de Deus" porque é o Verbo eterno. E evidente que as frases. 4o. índole. como Filho. 80. e qual o uso dos seus equivalentes no hebraico e no grego? A palavra portuguesa "espírito" vem do latimspiritus. Jó 17:1. chama "Filho muito amado" de Deus (Figueiredo). vida. já existia como Filho quando foi introduzido.O argumento é duplo: Io. 4o. Seu sentido primário é vento. assim. Como se pode conciliar com esta doutrina as passagens que parecem inferir que o Filho é inferior e sujeito ao Pai? A alegação é que tais passagens provam que Jesus. como Filho. também tem o mesmo uso. 12:23. porque é também homem e Mediador. falando-se (1) das almas de homens falecidos. disposição. e daí. 5o. metaforicamente. 2o. que já era Filho quando Deus O enviou. Espírito de Jeová. como Deus. respirar. é declarado que Ele é Deus e que Seu trono é eterno. Qual o argumento baseado em Romanos 8:3? Aqui Deus envia o Seu Filho em semelhança da carne do pecado. Respondemos que em João 3:13 se diz que "o Filho do homem" desceu do céu. Io. A explicação é que é de uso comum nas Escrituras dar à Pessoa única do Deus-homem um título que Lhe pertence como possuidor de uma natureza. por conseguinte. Num. mas. 3o. ao mesmo tempo. Por Sua ressurreição foi manifestado com poder que Ele é o Filho de Deus quanto à Sua natureza divina. por certo. 3o. alma animal. segundo a carne. é inferior e sujeito ao Pai. como um . que Cristo. o princípio vital. OU A PRO-CESSÃO ETERNA DO ESPÍRITO SANTO. 27:50. E. como Filho do homem. e Lhe chama "o Filho" e "o Primogênito". não derramou Seu sangue. respiração. sopro. 10:1. hálito. Qual o argumento baseado em Colossenses 1:15-21? Nesta passagem o apóstolo fala extensamente da natureza e da glória dAquele a quem. daí. Mat. Io. e que o fato dEle assumir a carne não O podia constituir em Filho de Deus. Heb. Apoc. é a imagem do Deus invisível. 51:11. 76. 77. Vem de pneô. Qual o argumento baseado em Hebreus 1:5-8? Nesta passagem o autor da Epístola expõe a superioridade de Cristo como Pessoa divina. enquanto. e a segunda a Sua natureza divina. 6:17. preexistia como Filho. e segundo o espírito de santificação. vento. 79. A RELAÇÃO QUE TERCEIRA PESSOA DA DEIDADE MANTÉM COM A PRIMEIRA E COM A SEGUNDA. Este Filho é introduzido na redondeza da terra e. princípio vital nos homens e nos animais. indicando a primeira a Sua natureza humana. 8:1. Prova. como Filho. Gên. A palavra grega equivalente. 30:12. pneuma. Qual a etimologia da palavra Espírito. no versículo 13. tem uso inteiramente análogo. a alma racional. etc. Mat. (4) do Espírito de Deus. Em Atos 20:28 se diz que Deus adquiriu a Igreja pelo Seu próprio sangue. (3) dos anjos. 78. alma racional do homem. ar. enquanto que aquilo que se afirma a respeito dEle só é verdade com respeito à outra natureza. 2o. que por Ele todas as coisas subsistem. E assim que nas passagens a que se refere a pergunta acima. Gên. 1:14. Gên. soprar. E evidente. Significa. Jesus. Heb. 5:14. que significa sopro.

e o Espírito de Cristo. 2:11. o Espírito que procede do Pai. Rom. mas. João 16:14. João 15:26. como no mundo físico é o belo. o fito e glória de cuja obra no mundo moral é a santidade. no fato de receber do que é dEle e no-lo anunciar. e o modo peculiar de sua operação ad extra. ou do Senhor. 8:9. antes. Que é que se entende pela frase teológica "Processão do Espírito Santo"? Os teólogos chamam assim a relação que a terceira Pessoa mantém com a primeira e a segunda. divisão ou mudança. e o fato de que Ele é o Espírito divino. 4:6. E. as relações mútuas da primeira e da segunda Pessoas. a certos respeitos. ou de Jesus. aquilo mesmo quanto à relação com o Pai. ou do Filho de Deus. Assim como o Filho é também chamado Logos. por um ato eterno e necessário.. assim também os epítetos Espírito. isto é. Por que Ele é chamado Espírito de Deus? Esta frase exprime Sua deidade. 3:17. 4:14. Espírito do Filho. 84. não decorrente de uma ação da vontade do Pai e do Filho. não pode ser que esse termo seja aplicado à terceira Pessoa como Sua designação pessoal. Sua relação com a Deidade como Deus. procedendo do Pai. a relação da terceira Pessoa com as outras duas. Espírito de Deus. 81. isto é. ou Deus Revelador.>‫׳. e afirmando as Escrituras uniformemente. parece evidente que é chamado Espírito de Cristo pelos mesmos motivos pelos quais é chamado Espírito de Deus. que. 1 Ped. opera sobre as criaturas. Fil. Sendo idênticas em forma as frases Espírito de Deus e Espírito de Cristo. Que distinção os teólogos estabelecem entre processão e geração? . 104:30. e a glória tanto do Pai e do Filho como do Espírito Santo. 1 Ped. relação na qual. Capítub9 >. 4:6. 1:19. Sua relação pessoal com o Pai e o Filho. João 4:24. assim também o Espírito Santo é Deus Operador. Atos 16:6. mantém com o Deus-homem. Sua íntima relação pessoal com o Pai como Seu espírito consubstacial procedendo dEle. 83. 8:9. o termo Santo não pode ser aplicado à terceira Pessoa em nenhum sentido proeminente como Sua característica pessoal. E designado Espírito Santo porque é o autor da santidade por todo o universo. 1:19. por conseguinte. e Espírito Santo. são aplicados à terceira Pessoa para indicar. Sua inteira e idêntica essência divina.:׳‬ 82. que é chamada Espírito de Deus. 86.7. Gál. Fil. indicativo da natureza peculiar de Suas operações. Por que Ele é chamado Espírito Santo? Sendo a santidade um atributo da essência divina. Sendo empregados os epítetos recíprocos Pai e Filho para indicar. com o fim de denotar assim o que é peculiar à Sua Pessoa. Por que a terceira Pessoa é chamada Espírito de Cristo? Veja Rom. Sal. 1 Cor. a certos respeitos.atributo da Sua essência. 2 Cor. com uma única exceção em João 15:26. com o fim de dar-nos a conhecer assim que essa Pessoa é espiritual quanto à Sua essência. e (b) como a designação pessoal da terceira Pessoa da Trindade. 1 Ped. 1:11. 1:11. é comunicada ao Espírito Santo. Gál. em Suas operações na obra da redenção. Esta frase manifesta também a relação oficial que o Espírito. 85. Por que a terceira Pessoa da Trindade é chamada Espírito? Sendo igualmente espiritual a essência divina única e indivisível que é comum a cada uma das Pessoas divinas. sem alheação.

Os pontos dados nas Escrituras não devem ser forçados. 89). porém devem ser aceitos e confessados em sua nudez. do fato de que o Filho é chamado Seu e Seu unigênito.) definiu acuradamente a doutrina da deidade do Filho. chamado apostólico: "creio no Espírito Santo". nem se deve especular sobre eles. idêntica.C. 1. é evidentemente de algum modo o primeiro na ordem de subsistência pessoal em relação ao Filho e ao Espírito Santo.processio missio. Qual seja a natureza real destas distinções na ordem de subsistência pessoal. da ordem em que Seu nome se encontra uniformemente nas Escrituras.Como este assunto inteiro transcende infinitamente a medida de nossas faculdades. . !r. os teólogos têm levado longe demais a idéia de derivação e subordinação na ordem da subsistência pessoal. Todavia. "Os escolásticos procuraram em vão fundar uma distinção entre geração e espiração sobre as operações diferentes da inteligência divina e da vontade divina. 88.. a saber. três Pessoas divinas.C. o Autor da vida. imutável. o Filho (veja abaixo. Perg. embora ambos sejam eternos. Dizem que o Filho é gerado per modum intellectus. na ordem de subsistência pessoal. sem princípio nem sucessão. 4o. "processão".:‫>'· ■״‬ O célebre Concilio Niceno (325 d. (3) É uma relação tal que a segunda Pessoa é eternamente o Filho unigênito da primeira Pessoa. nos é revelada só de modo que é evidente . que não só efetua personalidade. 3. (2) Não depende de nenhuma ação voluntária.. por "spiração" (espiração *). Qual é a base bíblica desta doutrina? O que dissemos acima (Perg. que negava a deidade do Espírito Santo. que procede do Pai". e a terceira da primeira e da segunda. vol. O Pai. mas o Espírito. contudo. mas também semelhança.(1) Que não envolve nenhuma distinção de tempo.. Quanto ao modo. mas o Espírito procede do Pai e do Filho ao mesmo tempo. e da ordem da Sua manifestação e operação ad extra. que. Quanto à ordem. possuem desde a eternidade a única essência inteira. Este terreno é ao mesmo tempo sagrado e misterioso. é antes do Espírito.) completou assim o tetemunho do credo niceno: "Creio no Espírito Santo.: ■. "2o. em virtude da qual o Filho é chamado imagem do Pai. e em conseqüência da qual recebe a propriedade de comunicar a mesma essência à outra Pessoa. o Pai. L. o Filho e o Espírito Santo. O Pai. a geração precede à processão". é verdade também em referência à definição comum da processão eterna do Espírito Santo. "geração". e que por isso é chamado Amor. o Filho provém só do Pai. per modum voluntatis.‫״:. apenas podemos classificar e contrastar os predicados que a inspiração tem aplicado à relação do Espírito com o Pai e o Filho. "3o. O Filho é a segunda Pessoa. 53) em relação à definição teológica comum da geração eterna do Filho. mas deixou o testemunho quanto ao Espírito Santo na forma vaga em que estava no credo antigo.· ־‬j·. 31: Diferem -" 1 Quanto à Sua origem. 2o. e que por isso é chamado Verbo de Deus.׳‬ Assim diz Turretino. Qual a diferença entre as igrejas grega e latina quanto a esta doutrina? ·‫ !:׳. Os dados revelados por inspiração são simplesmente os seguintes: Io.. 3o. e o Espírito é a terceira. porque todos. sendo certo que todas são "iguais em poder e glória". do fato de que o Espírito é chamado Seu e procedente dEle. para tornarem mais inteligível o método da unidade divina em Trindade. são igualmente eternos. que só efetua personalidade. Pelas mesmas razões. a julgar do Seu nome característico e pessoal. e a terceira é eternamente o Espírito da primeira e da Segunda Pessoas. o Filho e o Espírito Santo. tendo-se levantado a heresia de Macedônio. indivisível. O Filho provém por geração. e em conseqüência da qual a Pessoa que procede não recebe a propriedade de comunicar a outra Pessoa a mesma essência. o Senhor. O Espírito. Os termos técnicos utilizados para exprimir estes dois mistérios são generatio." 4 87. segundo o nosso modo de conceber as coisas. o Concilio de Cons-tantinopla (381 d. e. porque isto tornaria a segunda Pessoa dependente da primeira. Q.

e até ao dia de hoje o rejeita. e na terceira assembléia eclesiástica realizada em Toledo (589 d.C. Possui a mesma essência. as propriedades de cada uma das Pessoas divinas são os modos peculiares de subsistência pessoal que fazem de cada Pessoa aquilo que ela é. dando a seguinte redação à cláusula: "Credimus in Spiritum Sanctum qui a Vatvc filioque procedit". Os atributos de Deus são as perfeições da essência divina. Tudo quanto nos é revelado da Sua eterna e necessária relação pessoal com o Pai ou com o Filho é indicado por essa palavra. C. e.caráter pessoal. e operando por meio dEles. assim como o Pai. . é enviado pelo Pai. Assim o Pai é o primeiro em ordem e operação. 15:26. O Espírito é o Espírito do Filho assim como o é do Pai. até onde nos é revelado. o unigênito do Pai.Suscitou-se depois uma controvérsia sobre a questão se as Escrituras ensinam ou não que o Espírito Santo tem exatamente a mesma relação com o Filho que a que tem com o Pai. 16:7. O credo constantinopolitano. "o Senhor e Doador de vida". iguais em poder e glória". por isso. do Filho como do Pai. Com a única exceção da frase "que procede do Pai" 6 (João 15:26). idêntica.João 14:16. Onde quer que esteja o Seu Espírito. 91. a quem revela. . 9). Deus como Se fez conhecido. é o Pai do Filho. por isso. Perg. O quanto nos são reveladas. Já foram discutidos no Cap. que o Espírito Santo tem com o Filho exatamente a mesma relação que tem com o Pai? O epíteto "Espírito" é a designação pessoal característica da terceira Pessoa. assim como universalmente. que são "da mesma substância".24. comuns às três Pessoas. o Espírito procede dEle. as propriedades pessoais do Pai são as seguintes: "Não é gerado de ninguém. tendo-0 gerado desde a eternidade. (Veja resposta mais detalhada no Cap. As propriedades pessoais do Filho são as seguintes: é o Filho. e. em todas as operações da Deidade sobre a criatura. As propriedades peculiares e distintivas que pertencem a cada uma das Pessoas dá-se o nome técnico de character hypostaticus . nesta relação. é o atualmente adotado pela igreja romana.26. e quais são as propriedades pessoais de cada uma das Pessoas da Deidade? . desde a eternidade. No entanto. mas isso foi afinal rejeitado por ambos os partidos. 89. E SUA ORDEM DE OPERAÇÃO "AD EXTRA".)5 acrescentaram a palavra filioque (e do Filho) à versão latina do credo constantinopolitano. Por algum tempo contentaram-se com o compromisso: "O Espírito procedente do Pai mediante o Filho" (Spiritum Sanctum qui a Patre per Filium procedit). Os latinos o afirmavam. AS PROPRIEDADES PECULIARES A CADA UMA DAS TRÊS PESSOAS DA DEIDADE. nem procede de ninguém. No referido credo é chamado. e que também constituem aquela ordem peculiar de operação que distingue cada Pessoa das outras. as Escrituras aplicam à relação do Espírito com o Filho exatamente os mesmos predicados que aplicam à Sua relação com o Pai. 8. Que ofício o Espírito exerce na economia da redenção? Na economia da redenção. e é Seu Espírito". A Igreja grega opôs-se a isso com violência. e também por todos os protestantes. conforme a emenda feita no Concilio de Toledo. assim como o faz também o Pai. . Qual o significado teológico da palavra "propriedade" quando aplicada à doutrina da Trindade. envia o Espírito e opera por meio dEle. enviando o Filho e o Espírito Santo. e Deus o Espírito é a Pessoa divina que exerce a Sua energia imediatamente sobre a criatura e nela. Deus o Filho é o Deus revelado. Como se pode provar. aí revelam e manifestam o Seu poder tanto o Filho como o Pai . 90. Tem o título de "credo niceno". Contudo é chamado Espírito do Filho como igualmente Espírito do Pai. O Filho envia o Espírito e opera por meio dEle. "O Ofício Medianeiro de Cristo". e.

envolviam em ambos os casos derivação da essência. o Filho e o Espírito Santo são esse Deus único. Seus respectivos modos de operação estão sempre nesta ordem. como de fato é. que operam por meio dEle. mas distinto dEles quanto à subsistência pessoal. vindo do Pai e do Filho. ele opera imediatamente sobre a criatura. a quem ninguém viu nem pode ver. é. e três num sentido inteiramente diferente. Como se pode conciliar com a unidade da Deidade a idéia de distinções pessoais na Deidade? Ainda que a constituição trinopessoal da Deidade esteja inteiramente além do alcance da razão humana. segunda e terceira. Nesse sentido são um só. é enviado pelo Pai e pelo Filho. 2o. 92. Filho e Espírito do Pai e do Filho. o Pai. auto-existente. porém Ele. e o Pai e o Filho enviam o Espírito e operam por meio dEle. O Pai envia o Filho e opera por meio dEle. Luz de Luz". porque. As Escrituras dão sempre Seus nomes nesta ordem. que está no seio do Pai. 3o. ao mesmo tempo. 95. Quanto à relação externa da Deidade com a criatura. E o Pai e o Filho operam diretamente sobre a criatura somente mediante o Espírito. distintos por propriedades pessoais. São um só num sentido. Como se pode conciliar a encarnação do Filho com a unidade divina? O Filho é idêntico ao Pai e ao Espírito quanto à essência. A essência eterna. sem forma. não porque o entendamos. Que espécie de subordinação os escritores antigos atribuíam à segunda e à terceira Pessoas em relação à primeira? Afirmavam. e na subordinação relativa da segunda à primeira e da terceira à segunda. Nesse sentido são três. constituindo todas essas perfeições divinas chamadas atributos de Deus.João 1:18. mas porque Deus Se nos revelou assim. Entretanto essa essência divina existe eternamente como Pai e Filho e Espírito Santo. divina. e a processão eterna do Espírito. quanto à Sua subsistência pessoal e conseqüente ordem de operação. que é o Logos eterno ou o Verbo divino. como Pessoa divina. comum a todas as três Pessoas. Cremos nisso." "O Espírito é toda a plenitude da Deidade operando imediatamente sobre a criatura e tornando assim manifesto o Pai na imagem do Filho. entrou numa relação pessoal com a natureza humana do homem Cristo Jesus. é evidente que não há contradição na proposição dupla segundo a qual Deus é um só e." 94. procedendo dEles desde a eternidade. indicam esta ordem de subsistência pessoal. como de fato está. a imagem expressa da Pessoa do Pai. Isto não constituiu uma . "Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito. Que é que se exprime pelo uso dos termos primeira. eles queriam por meio desta ilustração dar expressão da sua fé na identidade e conseqüente igualdade das Pessoas divinas quanto à Sua essência. é quem o revelou" . indicam ordem diferente. como mostramos acima. Ilustravam sua idéia deste ato eterno e necessário de comunicação com o exemplo de um corpo luminoso que lança raios de luz durante o tempo inteiro de sua existência. parece que o Pai nos é revelado só como o vemos no Filho. e pelo poder do Espírito." "O Filho é toda a plenitude da Deidade manifestada. As Escrituras nunca.As propriedades pessoais do Espírito são as seguintes: é o Espírito do Pai e do Filho. que a geração eterna do Filho pelo Pai. e nos seja conhecido unicamente por meio de uma revelação sobrenatural. Assim o credo niceno define o Filho como "Deus de Deus. no mesmo sentido e no mesmo grau. As designações pessoais de Pai. Assim como o brilho do sol é coevo com sua existência e tem a mesma essência do sol como fonte. em referência às Pessoas da Trindade? Estes termos são aplicados às Pessoas da Trindade.Io. "O Pai é toda a plenitude da Deidade invisível. 93. nem direta nem indiretamente. Na encarnação não foi feita homem a essência divina do Filho.

em geral. só uma substância autoexistente. e a maior parte toma a expressão Espírito Santo somente como a designação da energia divina manifestada nas coisas humanas. se foi sobrenatural ou não. espiritual. ■‫״־· ■ ׳-׳ ׳׳ ^ -׳‬ Toda esta classe sustenta que Deus é uma só Pessoa. e cuja inconciliabilidade aparente ocasiona a grande objeção contra esta doutrina na mente dos hereges de todas as classes? Os três grandes pontos são os seguintes: Io. tanto em essência como em Pessoa. só se admitindo que são três diversos nomes. Quais as diversas opiniões mantidas por aqueles que negam a deidade de Cristo e a deidade ou a personalidade do Espírito Santo? Ia.negadores do Logos. A soma total desses aeons constituía. Por conseguinte. sobre a questão de Seus dons sobrenaturais como profeta. Osgnósticos. A dos antroponianos. Perg. 97. e destes Cristo era o maior. Io. 3o. o pan topleroma tes theotetos. cada um em comum. distintos tanto em essência como em Pessoa. afirmavam que o Deus supremo é um só.nova pessoa. mas simplesmente introduziu um novo elemento na Sua Pessoa eterna. como é uma só essência. Alguns admitem que Ele teve uma comissão sobrenatural e divina. 3o. A dificuldade para nós está em que. Quais são os três grandes pontos que. Veja a exposição da história e doutrina dos socinianos acima. na opinião dos gnósticos. e que dEle emanavam diversas ordens de seres espirituais. sendo que nenhum deles é realmente Deus e. aspectos ou funções da única Pessoa divina. são divinos. Outros sustentam que assinala Deus na Igreja. e O têm em conta de mero homem dotado de um gênio moral e religioso muito superior. nem na relação pessoal do Filho com o Pai e com o Espírito Santo. Na Igreja Primitiva eram conhecidos pelos nomes de ebionitas e alogi . ou na tentativa de desembaraçar a doutrina de suas inconciliabili-dades aparentes negando ou abatendo um ou outro de seus elementos constitutivos. e os mesmos e idênticos atributos. juntos. constituídos da totalidade dessa essência indivisível e inalienável. Uma tendência é cortar o nó da dificuldade negando a deidade do Senhor Jesus Cristo e a personalidade do Espírito Santo. contudo. Filho e Espírito Santo são cada um igualmente este Deus único . afirmam que a expressão Espírito Santo assinala a única Pessoa divina operando no mundo da natureza . Uma segunda tendência herética é a de negar a unidade divina e manter a existência de três Deuses. 2o. Assim. e qualificações divinas e sobrenaturais superiores às de qualquer outro profeta.são. A terceira tendência herética é a de levar tão longe a unidade divina que o Pai e o Filho e o Espírito Santo tornam-Se uma essência idêntica. Não podemos conceber como três pessoas podem ter entre si uma só inteligência e vontade. OPINIÕES HERÉTICAS 96. Não obstante isso.criação e providência. que na maior parte concordam com os socinianos. enquanto que na Igreja moderna são conhecidos pelo nome de socinianos. Pai. cada pessoa é uma essência espiritual distinta. tornando assim Deus o Pai na única Pessoa divina e possuidor exclusivo da única substância divina. por procederem dEle mediante emanação. e sua personalidade distinta está discriminada definitivamente por diferença numérica de atributos. o Filho e o Espírito Santo são três Pessoas distintas. e não houve nenhuma mudança nem na essência divina. sendo que cada uma Se distingue por Suas diversas propriedades pessoais. Entre os que afirmam que Jesus era mero homem há diferença de opinião quanto à Sua concepção. tendo a mesma e idêntica essência numérica. a soma inteira de todas as auto-revelações ou auto-comunicações atuais ou possíveis da . 2o. 11-13. Há absolutamente só um Deus. 6. no caso dos únicos espíritos criados de que temos qualquer conhecimento. Outros negam inteiramente o elemento sobrenatural. constituem o mistério da Trindade como Ela nos é revelada nas Escrituras. Foi uma união pessoal do Filho com uma alma e um corpo humanos. eterna. o Pai. 2a. Chamavam-nos aeons. e sobre o grau de honra e obediência que Lhe devemos. Alguns dos racionalistas alemães. imutável.7 que afirmam que Cristo era mero homem. todas as heresias sobre este ponto tiveram origem numa ou noutra de três tendências distintas. Cap.

nome proveniente de Ario.C. presbítero de Ptolomais. Uma simples energia efluente. o grande oponente de Agostinho. segundo o apóstolo Paulo. procedendo de Deus e entrando na humanidade de Cristo. de Esmirna. ou da própria substância da Deidade com a humanidade de Jesus. Os primeiros trinitários nominais. e João Filopono. se haviam realizado única e plenamente em Cristo Col. sustentavam que essa única Pessoa divina encarnou no homem Cristo. Pessoas. afirmava que os títulos de Pai. 2:9. João Ascusuages. porém individualmente distintos". em oposição aos triteístas. § 1. Os arianos. devendo estes dois termos exprimir a mesma idéia. é um indivíduo ou uma espécie. é subordinado ao Pai e dEle dependente. a pessoa. por meio de quem também fez os mundos. por isso não podiam afirmar logicamente a união da natureza divina. que afirmavam que há na Deidade três ousiai. como Práxeas. e. do qual a hipostasis. Qual era a posição daqueles que foram tão longe em sua defesa da unidade divina. No cumprimento do tempo. Outros. A primeira e maior das criaturas assim criadas pelo Filho foi o Espírito Santo.Shedd. Cap. de Bostra. de uma essência gloriosa e semelhante mas não idêntica à do Pai. porém que o Filho é pessoa divina. como também três hypostaseis. Sabélio. Doe. Qual era a posição daqueles que procuravam diminuir de suas dificuldades a doutrina da Trindade negando a unidade divina? Eram os triteístas. e Berilo. o Filho não é uma subsistência na essência. não seria mais do que uma inspiração imanente semelhante à dos profetas" . seu Filho unigênito. de cerca de 200 d. A doutrina dos semiarianos. bispo de Cesaréia. Afirmava que a Deidade consiste numa só Pessoa eterna a qual. 3. "Afirmavam que só há uma única Pessoa divina. e por isso se lhes deu o nome dzpatripassianos. Este partido foi chamado assim por ocupar um terreno intermédio entre os arianos e os ortodoxos. e o Filho e o Espírito Santo são uma só Pessoa como também uma só essência? Os monarquianos.Deidade inacessível. no princípio.. da Ásia Menor. Noeto. o princípio da criação de Deus. mas somente uma efluência ou energia procedendo dela. que levaram à idéia de que o Pai. como. que "há três Deuses. os alogi. essências. e que. e. 98. em oposição à doutrina promulgada por Orígenes e seus discípulos. de essência diversa). assim chamados porque rejeitavam a tríada e mantinham a mônada ou a unidade absoluta quanto às Pessoas como também à essência da Deidade. Parece que alguns dos semiarianos concordavam com os arianos em considerar o Espírito Santo como a primeira e mais gloriosa criatura do Filho. presbítero de Alexandria durante a primeira parte do quarto século. eram de diversas classes.. genericamente um.. a essência. na Arábia. bispo da Nicomédia.. consideradas numericamente. Esta Pessoa única. 5a. e que foi gerado desde a eternidade pelo Pai no livre exercício da Sua vontade e do Seu poder. . antes de todos os séculos. 3a. Sustentavam que o Deus absoluto e auto-existente é uma só Pessoa.g. Sustentavam que se devia entender a ousia. mas que a maioria deles tomava as palavras "Espírito Santo" como o nome de uma energia de Deus ou como sinônimo da palavra "Deus". como que na mera concepção de gênero. Converteu assim a distinção real e objetiva de Pessoas (uma Trindade de essência) numa distinção meramente subjetiva e modal (Trindade de manifestações). Christ. 4a. Filho e Espírito Santo eram tão-somente outros tantos nomes e manifestações de um só e do mesmo Ser divino. Liv. "Na suâ construção da doutrina da Trindade. Hist. de Alexandria (na segunda parte do sexto século) foram cabeças dos triteístas.C. por isso. em meados do terceiro século. eram muito semelhantes aos unitários modernos. de cerca de 230 d. adotou as idéias dos monarquianos e. Esta foi a idéia disseminada primeiro por Orígenes e defendida com muita eloqüência no Concilio Niceno por Eusébio. criou à Sua imagem um ser sobreangélico (heteroousion. esse Filho encarnou na Pessoa de Jesus de Nazaré. de Constantinopla.. 99. e por Eusébio. 5. de cerca de 250 d. alguns.C.

entendida em Sua simplicidade e em Sua eternidade abstratas. 5:20. No rito de iniciação na Igreja Cristã somos batizados no nome de cada uma das três Pessoas da Trindade .Mat. O único Deus verdadeiro é Aquele que Se nos tem revelado nas Escrituras. sofreram as mesmas conseqüências todas as demais doutrinas características do evangelho. não se pode negar que sempre que em qualquer igreja foi abandonada ou obscurecida a doutrina da Trindade. 3a. Qualquer outra concepção que fizermos de Deus apresentará ao nosso espírito e à nossa consciência um deus falso. em Sua natureza e em Seu modo de ser ocultos e não revelados. Como fato histórico. 14:1. que é o de Deus o Filho. nos termos em que são reveladas nas Escrituras. Por quais considerações se pode mostrar que a doutrina da Trindade é um elemento fundamental do evangelho ? Não se pode afirmar que as sutilezas das especulações teológicas sobre este ponto sejam essenciais à fé. Os socinianos. A justificação. . 17:3. os arianos e os trinitários prestam culto a deuses diferentes. 1 João 2:23. mas em Sua encarnação chama-Se Deus o Filho. chama-Se Deus o Pai. e que é necessário que honremos o Filho como honramos o Pai ." 100. As vezes era empregado um modo diverso de apreender e de expor a doutrina. e sim que é essencial à salvação que se creia nas três Pessoas em um só Deus. 5 a. 4a. chama-Se Deus o Pai. e a própria finalidade do evangelho é levar-nos a conhecer esse Deus precisamente no aspecto em que Se nos revelou. As Escrituras declaram explicitamente que o conhecimento do Deus verdadeiro e de Jesus Cristo que Ele enviou é a vida eterna. Neste sentido não pode haver compromisso ou concessão sem traição. ou o Logos. 28:19. Deus. 2a. toma assim sobre Si uma relação diversa e também um nome diverso. a santificação. criando o universo e revelando-Se e comunicando-Se a este. O plano inteiro da redenção é baseado sobre esta doutrina. Considerações: Ia. e tudo mais que torna o evangelho a sabedoria e o poder de Deus para a salvação. a adoção. só se pode entender à luz dessa verdade fundamental.João 5:23. e quando sai das profundidades da Sua essência.

2o. e do fato indubitável da origem do pecado com a santidade. abrangendo todos os pormenores. Caí. O decreto de Deus é Seu propósito soberano. pela qual o Filho vem do Pai. acham-nas tão insolúveis como os calvinistas. pág. e Breve Cat. começou a criar o universo físico e o universo moral num vácuo absoluto. se Deus governa o universo. mas ao mesmo tempo diferem das ações da primeira classe por dizerem respeito à inteira criação dependente. e este plano deve ser perfeito em sua compreensão. da soberania absoluta de Deus com a livre agência do homem. isto é. existindo sozinho desde toda a eternidade. condições. é certo que. com os pelagianos e com os arminianos. Quais são a natureza e a fonte essenciais das dificuldades que oprimem a razão humana quando cogita sobre este tema? Todas essas dificuldades têm sua origem nas relações inteiramente inescrutáveis do eterno com o temporal. A terceira classe é semelhante à primeira. em conseqüência da limitação das nossas faculdades. com suas causas. do infinito com o finito. Nós. como sejam os atos de Deus na criação. a bondade. Ações extrínsecas e transitórias. e em que classe os teólogos colocam os decretos? Todos os atos divinos imagináveis podem ser classificados do modo seguinte: Io. na providência e na graça.. exterior à Deidade. sem nenhuma referência a qualquer coisa que existe fora da Deidade. governa-o segundo um plano. Também. Maior. portanto. por serem imanentes e intrínsecas. 3o. pela qual o Espírito procede do Pai e do Filho. o ato de um Ser pessoal soberano. infinito. Quais são os decretos de Deus? Veja Conf. dão-se sucessivamente no tempo. essenciais à perfeição da natureza divina e aos estados permanentes do ânimo divino. e determinando sua futurição certa. 12. sendo ele um Ser inteligente. abrangendo ao mesmo tempo todas as coisas que existiram. São os atos da geração eterna e necessária. existem agora e em qualquer tempo existirão. ações livres que. juntamente com os socinianos. pág. e se encontram em qualquer sistema que reconheça a existência e o governo moral de Deus e a ação livre do homem. independente. Como se classificam os atos de Deus. procedendo de Deus e terminando na criatura.10 Os Decretos de Deus em Geral 1. concebemos as diversas partes desse propósito único e eterno sob aspectos diversos e em relações lógicas. é evidente que teve esse mesmo plano sem nenhuma alteração desde o princípio. Cap. santo e sábio. Se Ele tem um plano agora. 7. e segundo idéias e planos. Causaram muita perplexidade aos filósofos pagãos da antigüidade. De que ponto de vista fixo devemos partir no estudo deste assunto? Um Deus auto-existente. Ações imanentes e intrínsecas. e todas as demais ações envolvidas na associação mútua das três Pessoas divinas. eterno. todo-perfeito e imutável. Não são peculiares a nenhum sistema de teologia. . 2. e os deístas dos tempos modernos. e a processão eterna e necessária. 3. e por isso o chamamos DECRETOS. 3. sendo levado a fazê-lo por motivos e com referência a finalidades. imutável. O decreto de Deus é. a sabedoria e o poder de Deus. pertencentes essencialmente ã perfeição da natureza divina. todos interiores a Ele e originados unicamente por Ele. de Fé. 4. Esses atos são os decretos eternos e imutáveis de Deus a respeito de todos os seres e eventos exteriores em relação a Ele. sucessões e relações.

e dizem que tais atos são. quer sejam contingentes em sua natureza. para sempre. Deus decretou os fins como também os meios. Os socinianos admitem que a presciência e a preordenação de Deus são co-abrangentes. as condições e os instrumentos como também os eventos que deles dependem. 6. desde o princípio da criação até à eternidade sem fim. e a preordenação os torna com certeza futuros. Podemos expor.determinando. às ações livres dos agentes morais. e não pode depender de coisa alguma exterior a Deus mesmo. a futurição certa de todos os eventos. a doutrina calvinista sobre este ponto. sejam quais forem. ou que de algum modo os predetermine de maneira que sejam com certeza futuros. desde toda a eternidade. as ações livres dos agentes morais como apenas previstas. Io. grandes e pequenas. Eles negam que a presciência e a preordenação de Deus se estendam aos atos voluntários dos agentes livres. compreendendo um plano que inclui todas as obras. A presciência reconhece a futurição certa dos eventos. Mas diferem dos socinianos e concordam conosco em sustentar que a presciência certa de Deus estende--se igualmente a todos os eventos. e outras ainda decretou mover agentes livres para fazê-las. ou por meio das causas secundárias que operam sob a lei da necessidade. . ou permitir que as fizessem no uso da sua liberdade. e que em qualquer tempo houvessem de acontecer. contingentes e só podem ser conhecidos depois de praticados. as causas como também os efeitos. e sem mudança. Por isso tem que ser incompreensível. Deus pré-conhece todos os eventos como futuros com certeza. pré-conhecedora. Qual é a posição dos arminianos sobre este ponto? Os arminianos concordam com os socinianos em negar que Deus preordene os atos voluntários de agentes livres. e as ações dos agentes necessários como preordenadas absolutamente. a criação. estes últimos eventos o decreto torna tão certamente futuros como qualquer dos outros.absoluto. ou por Sua própria agência imediata.plano que abrange todas as coisas. sob diversos títulos. de qualquer espécie que fossem. Os decretos de Deus referem-se igualmente a todos os eventos futuros de qualquer espécie que sejam.. pelo qual Ele conhece desde toda a eternidade. reta e benévola de Deus . por sua própria natureza. 4o. como também às ações dos agentes necessários. quer sejam produzidos por causas secundárias que operam sob a lei da necessidade.porque os decretou e assim os tornou futuros com certeza absoluta. e por isso abrange e determina todas as coisas exteriores e todas as suas respectivas condições. e que os abrange e os ajusta ao Seu plano eterno .g. e qual a posição geral dos socinianos sobre este ponto? Presciência é o ato da inteligência infinita de Deus. Qual a distinção entre presciência8 e preordenação. ao mesmo tempo. às ações pecaminosas como também às que são moralmente boas. de qualquer espécie que fossem. e que em qualquer tempo houvessem de acontecer. mas limitam uma e outra aos eventos pertencentes à criação e à providência que Deus determinou fazer acontecer. 7. a futurição certa de todos os eventos. 5. e. 2o. 3o. eterno e imutável. porque já estava formado antes que existisse coisa alguma fora Deus. Preordenação é um ato da vontade infinitamente inteligente. outras fazer acontecer por meio da ação de causas secundárias operando sob uma lei de necessidade. Algumas coisas Deus decretou eternamente fazer pessoalmente. Sustentam que Deus prevê com certeza absoluta e desde toda a eternidade a futurição dos atos livres dos agentes morais.

Deus decreta os eventos como realmente sucedem. mesmo assim. 8. condições e relações. mostre que a presciência é equivalente à preordenação. prevendo que. e cada condição.. porque o sistema inteiro. classificados sob os títulos de mecânica. 9 2o. como mostraremos abaixo.5o. Ele mesmo produziu intencionalmente.(1) Que o agente seja livre. por exemplo. (5) Que seja com certeza futuro. bem como todas as suas causas. existiu só. Assim. na realização de Sua obra. 6o. e. Mas o próprio decreto em todos os casos determina que o evento seja efetuado por causas operando de uma maneira perfeitamente em harmonia com a natureza do evento que vai ser efetuado. É impossível que Deus. Isso tudo é verdade. se criasse certo agente livre e o colocasse em certas relações. e cada finalidade. são um ato eterno. eletricidade. 3o. elas falam como se Deus Se propusesse a fazer suceder um evento como o meio ou a condição do qual outro depende. A cor de uma flor e o ninho de um pássaro acham-se relacionados com o inteiro universo material. Sendo finitas as nossas mentes. mas. Quaisquer causas ou condições limitantes posteriormente existentes. cada causa particular. luz e vida. como um só sistema indivisível de coisas. esse agente agiria livremente de certo modo. com essa previsão certa. Que razões temos para ver os decretos de Deus como uma só intenção todo-compreensiva? 10. Nenhum evento é isolado. (2) Que os seus antecedentes e também todos os antecedentes do ato em questão sejam o que são ou foram. eventos produzidos por causas e dependentes de certas condições. Porque. dizendo respeito a todos os eventos de qualquer espécie. começou a criar num vácuo absoluto. pois. (3) Que todas as condições atuais do ato sejam o que são. com perfeita presciência de sua natureza. todos os eventos e todas as suas condições. e no tempo. Mesmo em nossa ignorância. possuindo presciência e poder infinito. agindo assim. de suas relações e de seus resultados. sendo cada elo essencial à integridade do sistema todo. todos se acham incluídos. . individua et tota simul. o próprio decreto determina ao mesmo tempo . por escolha deliberada. para indicar a relação que Deus quer que um evento tenha com outro. predeterminaria a futurição certa do ato previsto. de modo que um propósito eterno da parte de Deus é forçosamente um ato todo-abrangente. Quanto ao que diz respeito ao plano eterno de um Criador onisciente e onipotente. é evidente que Deus. O decreto que determina o evento não pode deixar fora a causa ou a condição da qual depende o evento. e nenhum está fora. podemos ver como um fenômeno químico está em relação com uma miríade de outros fenômenos. criou esse mesmo agente livre e o colocou precisamente nessas relações. constituem uma só intenção todo-compreensiva. 9. os livres como livres. foram previstos claramente e. O decreto de Deus determina só a futurição certa dos eventos. os necessários como necessários. admitidos por Ele mesmo. propósitos e juízos de Deus no plural. e sendo-nos impossível abarcar num só ato de compreensão inteligente um número infinito de eventos em todas as suas relações e conexões. Deus. seja em qualquer tempo obrigado a escolher entre dois males. somos obrigados a contemplar os eventos em grupos parciais. no caso dos atos livres de um agente moral. e ceternitas est una. Se Deus. e concebemos o propósito de Deus em relação a eles como atos distintos e sucessivos. desse propósito único e eterno de Deus que abrange igualmente todas as causas e todos os efeitos. e cada evento que sucede no universo é mais ou menos imediata ou remotamente a condição de todos os demais. movido somente por Si. isto é. ao mesmo tempo. desde a eternidade. porque esses eventos todos têm essas relações entre si. Os propósitos de Deus. abrangendo todos os eventos. (4) Que o ato seja inteiramente espontâneo e livre da parte do agente. Por isso as Escrituras falam dos conselhos. Mas a causa de um evento é o efeito de outro. Porque todo evento que realmente acontece no sistema das coisas acha-se entrelaçado com todos os demais eventos num envolvimento interminável. e de modo algum efetua ou causa um evento.

não só Herodes. 2:13. não há evento isolado. e. (já antes da criação do mundo) 1 Ped. pela razão. por conseguinte.—. que tu ungiste. Dan. todos o deviam ser.(desde toda a eternidade) Atos 15:18. (desde o princípio. 2:13. 2:7.. se ajuntaram. Provamos o mesmo ponto pelas Escrituras. se um só evento foi decretado absolutamente. Provamos. e nos Seus pensamentos e propósitos absolutamente independente de qualquer criatura.30. Io. Lembrando que são eternos.28. 3o. 2o. Se um deles foi deixado indeterminado. formou desde a eternidade.Sal. como também não estão separados na natureza. em grau maior ou menor.Todos os erros especulativos dos homens a respeito deste ponto nascem da tendência da mente humana de prestar atenção exclusiva só a uma parte do propósito eterno de Deus e de considerar essa parte isolada das demais. Elas afirmam que os decretos divinos abrangem completamente todo o sistema . Não pode nunca haver acréscimo à Sua sabedoria. o crucificastes e matastes pelas mãos dos injustos" . 1:20 (Figueiredo). 1:4. absoluto. 13.. . Mat. 3o. E ensino das Escrituras . 10:29. Sendo Deus infinito. Mesmo a respeito das más ações dos homens. 2o. Is. Por conseguinte.4o. mas Pôncio Pilatos. Como se pode provar que os decretos de Deus são eternos? Io. todos os eventos futuros serão indeterminados com ele. ■‫׳׳‬ws. Fil. (antes dos séculos) 1 Cor. segundo o grego (assim Almeida) 2 Tess. que os decretos de Deus abrangem todos os eventos. nem resistência contra o Seu poder. 4:34. Atos 17:26. 1:9. pela perfeição da Sua natureza. com os gentios e os povos de Israel..Atos 2:23. 10. (antes da fundação do mundo) Ef. para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer" -Atos 4:27. 1:11. porém nenhum teólogo inteligente deve supor que neles há elos quebrados ou conexão imperfeita em parte alguma. 2:12. Também a respeito das ações livres dos homens . 33:11. 3:11. "como primícias". na tradução de Figueiredo. 11. Provamos que os decretos são imutáveis. nem surpresa para a Sua presciência. imutável e perfeito em sabedoria e poder. como acabamos de mostrar. Assim também somos obrigados a estudar Seus decretos parte por parte. 12.11.Ef.. (antes dos tempos dos séculos) 2 Tim.. "Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus. E-nos tão impossível abranger por um só ato compreensivo da inteligência todas as obras realizadas por Deus na natureza como no-lo é abranger todos os Seus decretos. etc.35. Como mostramos acima. 2o. desde a eternidade infinito em sabedoria e conhecimento.Ef. . mas. "A este (Cristo) que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus. 16:33. Somos obrigados a estudar Suas obras parte por parte. 46:10. Afirmam o mesmo a respeito dos eventos fortuitos -Prov. tomando-o vós.<‫׳ ׳׳ ־‬ Io. Mas nenhum observador inteligente que estuda a natureza julga que haja evento isolado. etc. Ele é necessariamente eterno e imutável. não pode nunca haver motivo para que Ele revogasse ou revogue um decreto Seu ou modificasse ou modifique esse propósito infinitamente sábio e reto que. (o eterno propósito) Ef. Os decretos de Deus não separam evento algum de suas causas ou condições. Lembrando que Deus é eterno. As Escrituras o afirmam . 2:10.

Veja também Atos 13. sábia. ao decretar. se Deus decretou certos eventos futuros. 1:1 le Atos 15:18.Prov. Quanto à história de José. -:·> ‫׳‬ 17. seja qual for a sua natureza. a base da profecia é a presciência. 16:33. Como se prova a universalidade dos decretos de Deus pela providência? Segue-se da eternidade. Que distinção há entre decretos absolutos e decretos condicionais? Decreto absoluto é o decreto que. 37:28 com Gên. 17:17. Is. 18. A imutabilidade eterna do decreto é a única base. Mas. Mas. Os socinianos negavam que pudessem ser previstas as ações livres dos homens por serem intrinsecamente incertas. reta e benévola. e sempre quis de conformidade com a perfeição da Sua natureza. Sustentavam que Deus decretou absolutamente criar a raça humana.Ef. e das quais o evento depende. 4:34. presciência e poder infinitos de Deus. porém Deus o tornou em bem." Veja também Sal. isto é. todos os seus motivos e razões estão dentro da natureza divina. sabedoria. Ora. decretou salvar todos os pecadores que se arrependessem e cressem. Mat. e todas as suas causas e condições. 16. mas que nada decretou a respeito de pecar e nem da salvação de homens individuais. Decreto condicional é o que decreta que um evento suceda sob a condição de ser possível suceder outro evento. segue-se que incluiu nesse decreto todas as causas. sendo muitos deles as ações voluntárias de homens. tanto as Escrituras como a razão nos ensinam que o governo providencial de Deus compreende tudo o que está nos céus e na terra como um todo. seja qual for.35. . enquanto determinam absolutamente tudo quanto sucede fora de Deus.8 e 50:20. 45:7. torna certamente futuro o evento decretado. etc. . Não há evento isolado. 2:8. Em que sentido são livres os decretos de Deus? Os decretos de Deus são livres no sentido de que. e que.30. condições. Deus foi determinado unicamente por Sua boa vontade infinitamente santa.‫׳‬it^‫־‬M· i. 10:29. Em que sentido os decretos de Deus são soberanos? São soberanos no sentido de que. é necessário que determine toda a concatenação das causas e efeitos que constituem o universo. e sucederam segundo a predição. 4. --. e não são sugeridos nem ocasionados por nada do que está fora dEle. 15. 10:5-15. mas não certo (não decretado). 1 Ped. tanto da infalibilidade da presciência como da profecia. quer seja uma necessidade mecânica. nem dependem eles de coisa alguma que haja fora dEle. Dan. 14. compare Gên. que a Sua operação temporal na providência procede em tudo segundo o Seu propósito eterno . quer seja um ato voluntário. vers. para que Deus torne certamente futuro um só evento. embora possa incluir condições. 17:13." "Vós bem intenstastes mal contra mim. e por isso afirmavam que Deus não as pôde prever. Jud. não depende delas. Apoc. e a base da presciência de um evento dado como futuro com certeza é o decreto de Deus que o torna futuro. depois da queda de Adão. Escolheu sempre como quis. Podemos provar esta doutrina a partir da profecia. "Não fostes vós que me enviastes para cá. senão Deus. e todos os eventos em detalhe . fatos correlatos e conseqüências.29. imutabilidade.14. Deus predisse nas Escrituras a ocorrência certa de muitos eventos.

Quais as objeções à atribuição de decretos condicionais a Deus? Os calvinistas admitem que o decreto totalmente abrangente de Deus determina todos os eventos segundo a sua natureza inerente. em certas circunstâncias. e. admitindo que Deus prevê com certeza os atos de agentes livres. decretou absolutamente preparar uma salvação para todos e salvar realmente todos os que se arrependem e crêem. . e que decretou condicionalmente a salvação de homens individuais. fica provado (1) por sua eternidade. 2:8. e (2) certeza na presciência implica em certeza no evento. 2:13. Mas. e a operação de causas necessárias. .' : ׳‬ 3o. Os arminianos admitem que a presciência de Deus é eterna e certa. necessariamente.Fil. sob a condição. Uma condição implica possibilidade de mudança. agiria de um certo modo em certa conjuntura. sendo um só sistema o universo inteiro. prevista mas não decretada. Mas é evidentemente impossível que se possa considerar o decreto de Deus como baseado em condições que não sejam elas mesmas determinadas pelo decreto. . 2 Tim.11. toda a concatenação de causas e efeitos ficaria desarranjada. sustentam que Deus decretou absolutamente criar o homem. preordenou a futurição certa desse evento. 2.·:. 19. 6o. neste caso Deus. as ações de agentes livres como livres.Atos 4:27. 2o. a estes também chamou. o todo o é também. como também as causas necessárias dos eventos necessários. 33:11. Rom.26. 3-7) que o decreto divino é eterno e totalmente abrangente. 46:10.27. determinação nos deixa a escolha entre o decreto de um Deus infinitamente sábio. 7o. 1:4. porque. essa presciência envolve preordenação. Ef. Rom. são em todas as suas partes a execução do Seu propósito eterno. quanto à administração de todo o Seu governo e à execução de todos os Seus planos. 40:13. 1:5. dos motivos e condições das ações livres. 9:11. Io.· . decretando criar esse homem e colocá-lo nessas circunstâncias e nessa mesma conjuntura. Abrange também o sistema inteiro de causas e efeitos de todo tipo.Ef.28.· ‫׳ ■ ׳■■■! :· <·' ·' ·. 3:11. Ele os previu infalivelmente e proveu a esse respeito. e por isso Seus planos não podem falhar. As Escrituras declaram que o decreto de Deus depende somente do Seu "beneplácito" (Figueiredo: "da sua benevolência") e "do conselho da sua vontade". embora Deus não preordenou os atos livres dos homens. como também todos os demais eventos. como meios para o fim em vista. que compreendia a promessa. Sal. Assim também os Seus pactos. ou promessas condicionais. que faz no tempo. Mat. como também cuidou do proceder regular da natureza segundo as leis estabelecidas. Ef. 10. 2:13. o calvinista dirá que.Os armínianos. ao mesmo tempo e nesse mesmo ato. decretou a fé daqueles cuja salvação determinou efetuar. "E aos que predestinou. ou um destino cego. 11:25. 4o. e a condição nos seus diversos lugares. 19:21. 1:2. reto e benévolo. prevendo que ele cairia. se Deus previu que certo homem. 4:35. (1) como mostramos no parágrafo precedente. se uma parte é contingente. se falhasse uma só condição. 9:15-18. os livres bem como os necessários. da sua fé e obediência. O decreto de Deus inclui os meios e as condições -2 Tess. e. 5o. certeza implica em determinação. Ora." Assim o Seu decreto desde o princípio abrangeu a agência livre dos homens e dela cuidou. Prov. 9:11. Um decreto condicional subverteria a soberania de Deus e. e abrange todos os eventos. Se o arminiano responder que. Ef.Is. as chamadas condições da sua salvação . daquilo que o homem fez. Rom. Contudo os decretos de Deus são soberanos . É Deus mesmo quem opera no Seu povo a fé e a obediência. 2:25. O Seu decreto determina absolutamente as ações livres dos homens . Dan. 1 Ped. Que o decreto de Deus é imutável e não depende de condições incertas. Deus decretou a salvação sob a condição da fé.14. Já mostramos acima (Pergs. 14:24. Ef. (2) pelas asserções diretas das Escrituras . e todas as suas conseqüências. torná-10‫־‬ia dependente das ações voluntárias de Suas próprias criaturas.Is.

Pela natureza essencial de Deus em Sua relação com Sua criação. Permissivos. efetuando seus fins. . 4o. alcançando os melhores fins e adotando os melhores meios para alcançar esses fins . 16:21. inteligência. 1 Cor. operando cegamente e. e esta última suposição é o fatalismo. nem para motivos e escolha. postula o plano infinito e totalmente abrangente de um Pai infinitamente sábio. com respeito aos eventos que Ele determinou permitir que agentes livres efetuassem. cujo plano não é determinado por mera vontade. 13:29. Pela natureza do próprio decreto. ou nos próprios eventos. 2o. ou em Deus mesmo. 24:46. e operando cada uma sem constrangimento. Como se pode provar que o decreto de Deus torna certo o evento? Io. Até onde são eficazes os decretos de Deus. com respeito aos eventos que Ele determinou efetuar por meio de causas necessárias. nalguma ação ou agência eficaz para produzir ou efetuar o evento. se faz do fato admitido de serem livres os homens? OBJEÇÃO . segundo a sua natureza. entre a operação de motivos. Todavia o fato de determiná-lo como certo implica.Presciência implica na certeza do evento.da antiga doutrina do fatasismo? A doutrina calvinista dos decretos concorda só num ponto com o fatalismo. da parte de Deus. poderoso e benévolo. Há uma diferença infinita entre uma máquina e um homem. meios ou condições. E há exatamente a mesma diferença entre o sistema de decretos divinos e a doutrina pagã do destino cego. Eficazes. 21. Os teólogos. A doutrina calvinista dos decretos. 3o. porém. 22. irresistível e irrespectivamente da livre vontade dos agentes livres envolvidos.Luc. reto. classificam os decretos de Deus assim: Io. Em todos os outros aspec-tos a nossa doutrina difere da doutrina pagã do destino cego.20. e este é em sustentar que os eventos em questão são com certeza futuros. Atos 2:23.· ■·:. como soberano infinitamente sábio e poderoso. As Escrituras atribuem certeza de futurição aos eventos decretados. que é soberano e imutável (veja acima). Mas a doutrina arminiana da pres-ciência divina faz exatamente o mesmo. por meio de uma força simples e não inteligente. e as forças mecânicas que operam sobre a matéria. A presciência de Deus considera como certos os eventos futuros. e sim segundo "o conselho da sua vontade". A razão de ser desta certeza está necessariamente. 23.■ O fatalismo ensina que todos os eventos são determinados com certeza por uma lei universal de causação necessária. O decreto de Deus implica em que Deus o determinou como certo. . Não deixa lugar para fins ou propósitos finais. Qual a objeção que. Mat.. tanto livres como também necessárias. o que é inconciliável com a agência livre dos homens.e cujo plano não é executado só por força e sim por meio de todo tipo de causas secundárias. porém. sendo cada umapré-adaptada para o seu lugar e função. mas é simplesmente uma evolução necessária. e até onde são permissivos? Todos os decretos de Deus são igualmente eficazes no sentido de determinarem infalivelmente a futurição certa do evento decretado. Como difere esta doutrina . ou por Sua própria ação imediata. 11:29. Importa que o evento suceda assim como foi "determinado" . 18:31-33.que o decreto universal de Deus torna certa a ocorrência de todos os eventos futuros . livre escolha. contra esta doutrina dos decretos incondicionais. 2o.

os homens não eram menos responsáveis. e esse caráter e essas circunstâncias não estão. age como lhe apraz.. Se esta é a verdadeira teoria da vontade. Temos espaço aqui só para a seguinte exposição geral: 1 As Escrituras atribuem a Deus tudo quanto há de bom no homem. a perfeita liberdade do agente. Pela natureza do pecado.. Em que sentido é que alguns ensinam que Deus é o autor do pecado? Muitos pensadores de tendências panteísticas^. Todos os pecados que os homens cometem. e que. a verdadeira teoria da vontade é que a liberdade do agente consiste em que este. em qualquer caso. determinados pelo caráter do agente em relação a suas circunstâncias. ela está em estado de equilíbrio perfeito.‫־‬ 24.15. etc.27. 4. quanto à Sua essência. Pela natureza de Deus. como demonstramos abaixo. é um grande mistério. por certo. nem quando opera em nós o que é bom.. por sua vez. . sábio e poderoso. colocou-o nessas mesmas circunstâncias em que agiu assim e cometeu o pecado. 50:20. é anomia. e tão livre para escolher em oposição a todos os desejos como em harmonia com eles. colocado em certas circunstâncias. produzido por Deus. o decreto permissivo de Deus realmente determina a futurição certa do ato. ao mesmo tempo. Nunca poderemos compreender como é que o Deus infinito opera sobre o espírito finito do homem. Deus não pode executar os Seus decretos sem violar a liberdade do agente. 2o. e não o decreto em si mesmo. sustentam que Deus é um agente infinitamente santo quando efetua aquilo que. afirmam que. quanto à sua essência. Ele nem viola nem restringe. Segundo a teoria da vontade. o Dr. falta de conformidade com a lei. Sobre o assunto geral do modo como Deus executa Seus decretos. No entanto. Entretanto.28. nem quando nos põe onde sabe que com certeza havemos de fazer o mal. veja abaixo. Esses desejos e disposições são. igualmente independente de todos os motivos pró ou contra.. porque Deus. que faz a liberdade do homem consistir na liberdade da indiferença. ■■.RESPONDEMOS: é evidente que é só a execução do decreto. isso Ele opera em nós o querer e o fazer segundo o Seu beneplácito. 3o. é pecado.g-. é santo. do qual não se pode dar nenhuma explicação. o qual. e na administração do Seu reino sempre proíbe e pune o pecado. que. os capítulos sobre a providência. e por Seu decreto determina tudo. Gên. 3:18. é reto. por um Deus infinita mente santo. agiria desse modo. mas nem por isso é menor o nosso dever de o crer. as Escrituras atribuem totalmente aos mesmos homens. nem menos livres nos atos que praticaram Atos 2:23. Emmons. Ao mesmo tempo. segundo a avaliação imediata que sua razão faça do caso em particular. segundo os desejos e disposições do seu coração. na execução do Seu propósito. Temos o fato distintamente revelado que Deus decretou os atos livres de homens. Como se pode demonstrar que Deus não é o autor do pecado? A admissão do pecado na criação. mas produzido em nós. Mas. isto é. é evidente que neste caso a própria essência da liberdade consistiria em incerteza. 25. assim também por Sua providência efetua tudo o que sucede. que pode impedir a livre agência dos homens. que Deus não é o autor do pecado fica provado Io. sabendo com certeza que o homem em questão. e desobediência ao Legislador. e a presciência certa é impossível. assim como Deus é infinito em soberania. Contudo. que em todos os casos em que a vontade faz uma escolha. no Cap. isto é. de modo que Ele é o único agente real do universo. fora da influência do Deus infinito. em caso algum. a vocação eficaz e a regeneração. 2o.

27) tem sua raiz no costume de isolar uma parte do decreto eterno de Deus do todo (Perg. ao mesmo tempo. Se Deus o previu e. Segue-se daí. 27. se um decreto imutável torna certos todos os eventos futuros. e na operação de todos os meios Deus preside sempre e sempre dirige providencialmente. Mas. e não de Deus levando-o ou induzindo-o a pecar mediante qualquer forma de ação ou tentação. Mas. Se não o previu. Pela natureza do homem. Um evento. cuida do todo em todas a suas partes e de todas as partes em todas as suas relações umas com as outras e com o todo. quando Deus decretou um evento. nem é necessário que empreguemos meios para conseguir o resultado. . Como se pode demonstrar que a doutrina dos decretos não dã fundamento racional para desencorajar alguém no uso de meios? Esta dificuldade (exposta acima. ou. que. "se há de suceder aquilo que deve suceder". porém foi surpreendido e estorvado por Suas criaturas. não como isolado de outros eventos. embora nunca possamos explicar a ação relativa. de Deus sobre o homem. 29. Representa Deus como decretando que o pecado resulte do ato livre do pecador. tendo muitas coisas sido o efeito dos meios empregados. a concorrência. sendo o uso de meios ordenados por Deus. Em que base se fundamenta o uso de meios? Este uso fundamenta-se no mandamento de Deus e naquela propriedade existente no uso de meios para conseguirmos o resultado desejado que os nossos instintos. Isso acha-se envolvido necessariamente em toda e qualquer teoria cristã da providência. 28. e origina os seus próprios atos. pois. então não é infinito no conhecimento e no poder.3o. que é agente responsável e livre. não podia impedir que o pecado entrasse. apesar disso. prevendo-o. 22). o infinito sobre o finito. Deus não tornou certa nenhuma dessas coisas que dependem do uso de meios da parte dos homens. ou como independente de meios ou agentes. verdadeiramente contingente na apreensão dos homens e na sua relação com os meios de que depende. e. ao mesmo tempo. e sendo evidente que muitas no futuro dependem deles. e instintivamente natural para o homem. 26. e compreende tanto os meios como os fins. e ao mau coração as ações pecaminosas dos homens. inteligência e experiência nos ensinam. Dizem que. pois. Perg. porém foram estabelecidas originariamente por Deus e são mantidas atualmente pelo próprio Deus. e o espaço inteiro como um só sistema. Como se pode demonstrar que a doutrina dos decretos incondicionais não representa Deus como o autor do pecado? A dificuldade toda está no tremendo fato de existir o pecado. criou o agente e o colocou nas circunstâncias em que previu que ele cometeria o pecado. Que objeção contra esta doutrina é derivada do uso de meios? Esta é a forma mais comum de objeção na boca de gente ignorante e irreligiosa. decretou-o futuro com certeza. A doutrina dos decretos incondicionais não apresenta nenhuma dificuldade especial. é evidente que o predeterminou. O mesmo decreto que torna certo o evento. pode ser certo com respeito ao decreto e à presciência de Deus e. determina também o modo pelo qual tenha que ser efetuado. e sim como dependente de meios e de agentes empregando livremente esses meios. e no de confundir a doutrina cristã dos decretos com a doutrina pagã do destino cego (Perg. Esse ato eterno e totalmente abrangente compreende a existência toda durante o tempo todo. nem a propriedade nem a eficácia dos meios para conseguirem o resultado residem inerente e independentemente nos próprios meios. 7). As Escrituras atribuem sempre à graça divina as ações moralmente boas. então se segue que nenhum meio empregado por nós pode impedir que suceda.

3. 1:2. na bondade e na imutabilidade dos propósitos de Deus. Que distinção sempre devemos fazer entre as objeções contra a prova de uma doutrina e as objeções contra uma doutrina comprovada? E evidente que são legítimas as objeções razoáveis.30. Que sentidos têm no Novo Testamento as palavras eclego (eleger) e eclogé (eleição) ? . as objeções feitas contra uma doutrina biblica-mente comprovada. O terceiro sentido dado acima é o uso mais apropriado. mas segundo o Seu próprio propósito e graça". 3o. 31. só servirão para ilustrar a verdade óbvia segundo a qual o intelecto finito do homem não pode compreender plenamente as coisas parcialmente reveladas e parcialmente escondidas na Palavra de Deus. ou escolha prévia. 4o. Ef. quer bíblicas quer outras. que se possa fazer contra as provas em que se baseia qualquer doutrina. se não afetarem as provas em que ela se fundamenta (e a maioria das objeções feitas contra a doutrina calvinista dos decretos são dessa natureza). incluindo todos os propósitos eternos de Deus. 1:5. As vezes o seu uso é tão restrito que é aplicada somente à eleição eterna do povo de Deus para a vida eterna. enquanto não tiverem força bastante para provar que as Escrituras Sagradas não são a Palavra de Deus. Prognosis encontra-se somente duas vezes no Novo Testamento. revelados claramente. na retidão. na justiça. e a respeito da qual se nos diz em outras passagens que não é "segundo as nossas obras. 1:9. e da dependência do homem. 9:11. Em que diversos sentidos a palavra predestinação é empregada pelos teólogos? Io. 2o. Não chegando a fazer isso. ^ ‫»׳‬ S 11 Predestinação 1. e em ambos os casos significa evidentemente aprovação. Quais são os efeitos práticos desta doutrina propriamente ditos? Humildade. "segundo o beneplácito de sua vontade" . à vista da grandeza e da soberania infinitas de Deus. divina de indivíduos para a vida eterna. Como equivalente à palavra genérica decreto. Como denominativo do conselho de Deus que diz respeito somente aos homens decaídos. uma vez provado que uma doutrina é ensinada nas Escrituras. Confiança implícita na sabedoria. em Atos 2:23 e 1 Ped. é igualmente evidente que todas as objeções feitas contra essa doutrina não terão peso algum. Entretanto. e pronta obediência aos Seus mandamentos. e sempre se deve dar o devido peso a essas objeções contra as provas alegadas a favor da doutrina. e não os Seus decretos. O termo é explicado pela frase equivalente "decretado conselho" ou "determinado conselho". incluindo a eleição soberana de alguns e a justíssima reprovação dos demais. devendo nós estar sempre lembrados de que os preceitos de Deus.28. Rom. Como abrangendo somente aqueles propósitos de Deus que dizem respeito especialmente às Suas criaturas morais. Veja Atos 4:27.2 Tim. são a regra do nosso dever.

5o. Na maioria dos casos. crer e perseverar na fé e na obediência até o fim. 2:5. encontra-se três vezes no Novo Testamento. a respeito da salvação dos homens. segue-se que a sua doutrina é equivalente ao seguinte: prevendo Deus que certas e determinadas pessoas haveriam de . consiste na predestinação divina de comunidades e nações para o conhecimento da religião verdadeira e os privilégios exteriores do evangelho. determinando que fossem salvas. na economia da salvação. crentes e obedientes. advogada por Stanley Faber. pelo arcebispo Whately.22. Como se pode expor a "Teoria do Individualismo Eclesiásticoassim chamada por seus defensores? Esta teoria. sem dúvida. feita por Deus ou pela Igreja.Luc. um propósito de Deus. e o de outros. ou certas classes de pessoas que tivessem semelhantes caracteres. Em que consiste a doutrina arminiana da eleição? Os arminianos admitem a presciência de Deus. Io. No entanto. como um todo e em todas as suas partes. 1 Cor. que sem dúvida alguma representa um grande fato evangélico. 1 Tess. 3o. Protithemi. 4o. 6:64. é.g. os que fossem santos. 1:4.. Mas. E empregada no sentido de. Em todos os demais casos significa o propósito ou ato de Deus escolhendo o Seu próprio povo para a salvação -Rom. João 6:70. 11:5.Eclego encontra-se vinte e uma vezes no Novo Testamento. A quem se atribui a eleição nas Escrituras? O decreto eterno. Sua doutrina distintiva é que Deus não escolheu certas pessoas desde a eternidade. nas menos favoráveis. 2 Ped. a eleição feita por Deus de indivíduos para a vida eterna . ׳‬ 6. significando preparar ou designar anteriormente. 5:9.28. Por seu nascimento. Uma vez o termo se refere aos que foram escolhidos para a vida eterna .Luc. o ato concorrente de todas as três Pessoas da Trindade em Sua perfeita unidade de conselho e vontade. 11:7. crentes que perseverassem até o fim. Em Romanos 1:13 significa um propósito de Paulo. faz o quinhão de alguns cair nas circunstâncias as mais favoráveis.Atos 15:7. Esta forma de eleição. ITess. Como se pode expor a teoria da predestinação chamada "Teoria da Eleição Nacional"por seus defensores? E a teoria segundo a qual a única eleição de que falam as Escrituras. 1:27. mas sim escolheu certos caracteres. envolve a afirmação de que Deus predetermina a relação dos homens com a Igreja visível e com os meios de graça. como Sua parte pessoal. 10:42.9. Eclogé encontra-se sete vezes no Novo Testamento. para algum serviço especial . 2o. Tia. assim como a redenção é atribuída ao Filho e a santificação ao Espírito Santo-João 17:6. A escolha de certos homens. como nos é revelada. 1:4. é ilustrada eminentemente pelo caso dos judeus. 8. encontra-se duas vezes. 6:13.João 15:16. em Romanos 9:29 e Efésios 2:10. ‫׳· ־‬ 7.65. 9:11. Uma vez significa eleição para o ofício apostólico-Atos 9:15. e pela providência subseqüente. A escolha que Deus fez da nação judaica para Seu povo peculiar . e por outros. visto que admitem que Deus prevê desde a eternidade com certeza absoluta quais as pessoas que haveriam de arrepender-se. 5.Rom.Atos 13:17. Proetomazein. e. A escolha que Maria fez da melhor parte . mas negam a Sua preordenação absoluta em referência à salvação de indivíduos. e em Romanos 3:25 e Efésios 1:9. 1:10. A escolha que Jesus fez dos Seus discípulos . ‫־ . o ato de eleição soberana é atribuído especialmente ao Pai.28. Ef.

ao mesmo tempo. será arminiano. E evidente também que todos os arminianos têm que admitir até esse ponto. Mas ambas essas teorias são viciosas e idênticas à arminiana em negarem que Deus predestina absolutamente as ações livres dos homens e a salvação final de indivíduos..>. as teorias calvinista. embora concordem estas três teorias no princípio fundamental. Quais os três pontos envolvidos na doutrina calvinista sobre este assunto? . As três teorias admitem que Deus coloca alguns em circunstâncias mais favoráveis do que outros para a salvação. os calvinistas gozam da vantagem capital de poderem dividir os seus oponentes e refutá--losseparadamente. ■■. por causa da sua fé e perseverança assim previstas. que Deus predestina indivíduos. · ·. quanto à eleição. e sim. A teoria da "Eleição Nacional" afirma que os objetos são nações ou comunidades. será calvinista. comunidades e nações para os privilégios exteriores do evangelho e para o uso dos meios de graça. enquanto que os arminianos dizem que os eleitos são tais por causa da sua fé. o princípio da eleição absoluta. < ! ) 1. Se disser que o motivo é a sua fé prevista. Quais os diversos princípios em que as teorias acima mencionadas concordam. De um ponto de vista polêmico.·.■׳·׳‬ 9.■■· · ' ■ · · ‫״-■:׳. porém. e esta concordância das suas posições com os calvinistas.. É evidente que a doutrina calvinista dos decretos inclui a eleição absoluta tanto de comunidades e nações como de indivíduos para o uso dos meios de graça e para os privilégios exteriores da Igreja. Esta divisão entre si. as teorias calvinista e arminiana dizem que é a salvação eterna dos indivíduos eleitos. Ele predestinou desde a eternidade essas pessoas para a vida e para a salvação. crer e perseverar na fé e na obediência até o fim. a saber. ‫־‬ 10. Diferem entre si quanto aos objetos. que Deus o deixou dependente da livre vontade dos próprios homens. seu arrependimento e sua perseverança previstos com certeza em cada caso individual. e quais aqueles em que diferem? As teorias da "Eleição Nacional" e do "Individualismo Eclesiástico" ensinam fatos que todos admitem.!. sejam quais forem as doutrinas que sustentar além dessa. e por isso essa admissão só não discrimina entre os dois grandes sistemas opostos. Isso nem os arminianos nem os calvinistas negam.arrepender-se. Quanto ao objetivo da eleição. A única questão realmente em disputa entre os calvinistas e os arminianos. são uma ilustração muito sugestiva da dificuldade extrema com que os defensores dos princípios arminianos têm que lutar em suas tentativas de acomodar as palavras das Escrituras à sua doutrina. sustentam que não é o decreto de Deus que determina o destino final de cada homem.. Quanto aos objetos da eleição de que falam as Escrituras. se disser que o motivo da sua eleição foi a boa vontade soberana de Deus. bem como os calvinistas. é esta: qual o motivo da predestinação eterna de certos e determinados indivíduos para a vida eterna? São a fé e o arrependimento previstos dos próprios indivíduos. ou é a boa vontade soberana de Deus? É forçoso que todo cristão tome lugar de um ou do outro lado desta questão. As teorias do "Individualismo Eclesiástico" e da "Eleição Nacional" dizem que o objetivo da eleição é a admissão ao uso dos meios de graça. da "Eleição Nacional" e do "Individualismo Eclesiástico" concordam em dizer que é a boa vontade soberana de Deus. aos fins e aos motivos da eleição. diferem entre si quanto ao modo pelo qual procuram harmonizar as declarações das Escrituras com esse princípio. Quanto ao motivo da eleição de que falam as Escrituras. os defensores das teorias calvinista. arminiana e do "Individualismo Eclesiástico" concordam em dizer que são indivíduos. alternando com divergências. Todavia.

Eis. § 145. como mostramos no capítulo anterior. Decline and Fali ofthe Roman Empire. Da doutrina geral dos decretos. (3) não baseada na fé prevista das pessoas eleitas.. 9:15. e os determinam. 2:13. Parte 3. etc. Ef. Nota 31: "Talvez alguém que raciocine com mais independência chegue a rir quando lê um comentário arminiano da Epístola aos Romanos". por conseguinte. são salvadoras. têm. estabelecida no capítulo anterior. 9:11. 2 Tess. pois. As Escrituras falam deles sempre como indivíduos. 4:3. em suas Instituciones Theologice Christiance Dogmatiece. 9:4-7. e. mas não se acham restringidos por nenhuma fé na inspiração divina da Bíblia. o testemunho imparcial de inimigos: Wegscheider. cap. e sim a indivíduos. e da eleição deles falam sempre como tendo por fim a graça ou a glória . Como se pode mostrar que essa eleição não se fundamenta em obras.16.Os calvinistas afirmam. sejam quais forem.Rom. Se os decretos de Deus referem-se a todos os eventos. 5:9. bastante franqueza para admitir que esse Livro só pode ser logicamente interpretado no sentido calvinista. sua eleição não podia ser limitada aos privilégios exteriores da Igreja . £ possível demonstrar a presunção da veracidade do que acima foi dito. "para serem conformes à imagem de seu Filho". 14. e que a finalidade da sua eleição é a vida eterna ? Io. 1:5. Também é dito explicitamente que as bênçãos que essa eleição torna seguras são dadas pela graça de Deus. As Escrituras declaram explicitamente que os decretos não têm por condição obras de nenhuma espécie . quer previstas quer não? Isto segue-se . "a adoção de filhos". Como se pode demonstrar que as Escrituras declaram habitualmente que a predestinação é fundada na "boa vontade" ou no "beneplácito de Deus" e no "conselho da Sua vontade"? . 2 Tess.Atos 13:48. (2) para a graça da salvação. citamos ainda o pressuposto adicional que a favor da mesma doutrina provém do fato de que os racionalistas e os incrédulos em geral. 9:7. que. 1:9. 2:13. contudo. 3o. 1 Tess. que concordam com os arminianos na sua oposição intensa aos princípios calvinistas. As Escrituras distinguem explicitamente entre os eleitos e a massa em geral da Igreja visível. 13. de qualquer espécie que sejam. Dizem as Escrituras que os nomes dos eleitos estão escritos "nos céus" e "no livro da vida" . 3. Fil. 2o. 33. 12:23. que os decretos de Deus são absolutos e dizem respeito a toda espécie de eventos. Ef. -Rom. porém que esse apóstolo foi levado ao erro pelas noções errôneas e imperfeitas do seu século. de se verem os intérpretes anticalvinistas obrigados a recorrer a todo tipo de hipóteses diversas para desviar a força óbvia do testemunho bíblico a favor da predestinação absoluta. Sustentam. 4o. Cap.2Tim.29. 1:4. todavia as Escrituras ensinam também e especificamente que há uma eleição (1) de indivíduos determinados. Rom. 11. declara que as passagens citadas de Paulo ensinam a doutrina calvinista. 3:29.g. 8:15. a maior autoridade que há quanto aos resultados a que chegaram os racionalistas alemães em teologia dogmática. e que o pressuposto dessa verdade tem por base o fato de que imparciais intérpretes incrédulos e racionalistas admitem que a letra das Escrituras só pode ser adequadamente interpretada no sentido calvinista. as comunidades e os indivíduos predestinados absolutamente a toda forma de bem e mal que lhes sobrevêm. segue-se que não restam mais eventos que pudessem constituir a condição dos decretos ou de qualquer elemento neles presente.Io.Heb. e não pertencem a nações. Veja também Gibbon. são os elementos resultantes da salvação e dela inseparáveis. embora sejam as nações. Além do pressuposto que a favor do calvinismo provém do fato mencionado no fim da resposta à Pergunta 9. e sim unicamente na boa vontade soberana de Deus. e muito especialmente pelo espírito acanhado do particularismo judaico. 2o. 12. e. e segue-se também que Deus decretou a fé e o arrependimento dos eleitos como também a salvação da qual são a condição. Como se pode provar pelas Escrituras que os eleitos são indivíduos. por conseguinte.Rom.

em todos os sentidos. Faça-se a exposição do mesmo argumento derivado do fato de serem aféeo arrependimento chamados dons de Deus. são resultantes do Seu propósito eterno. segue-se que a natureza humana não regenerada não é capaz. Se são resultantes do Seu propósito. Se são resultantes de um ato de Deus. mas é uma obra determinada por esse propósito. Mat. se a regeneração em nenhum sentido é obra realizada pelo homem. (3) que ela é absolutamente necessária no caso de todos os homens vivos. Disso segue-se que. se os homens nascem com uma natureza cuja tendência universal é para o pecado. Se a fé e o arrependimento são "dons de Deus". é necessário que o homem os produza ou ajude a produzi-los em si. se a natureza humana não pode nem produzi-los nem ajudar a produzi-los. 2:8. a eleição tem por condições a fé e o arrependimento. 1:5-11. 2:10. a Bíblia que "a fé". 1 Esta é a versão de Figueiredo. a alma é passiva. total e inalienavelmente avessos a e incapazes de tudo o que é bom.26. Ora. nem segundo o grego. 18. para sermos santos e imaculados diante de seus olhos" * -2Tess.9. crêem? Todos os eleitos crêem . 17. r ···‫>׳־‬ O ensino das Escrituras sobre estes pontos achar-se-á exposto e estabelecido nos capítulos 19 e 20. Como expor o argumento derivado daquilo que as Escrituras ensinam quanto à natureza e à extensão da depravação inata e da incapacidade? . A tradução fiel do grego e da Vulgata é: "Elegeu-nos nele mesmo antes do estabelecimento do mundo. "o arrependimento" e "a obediência evangélica"são frutos da eleição? E auto-evidente que as mesmas ações não podem ser ao mesmo tempo motivos da eleição e frutos dela resultantes. E os que crêem o fazem porque são eleitos . para que > > 16. em suas orações e em seus hinos exprimem sempre os sentimentos próprios da doutrina calvinista da eleição incondicional? . segue-se. 27-29.· o. pelo amor que nos teve. não podem ser as condições de que depende esse propósito. Ensinando. 9:1018. e sim. 19. Se. nem de tender para a fé e o arrependimento como condições da eleição. O texto da Vulgata é: "Elegit nos in ipso ante mundi constitutionem.Citando textos como os seguintes: Ef. As Escrituras afirmam que a fé e o arrependimento são "dons de Deus" em Ef. com respeito ao referido ato.24.João 10:26. 4:7. Ef. 1 Ped. mas não é fiel. 6:37-39. Como expor o mesmo argumento pelo que as Escrituras ensinam sobre a natureza e a necessidade que o homem tem da regeneração? < <fôssemos santos e imaculados diante dele no amor".João 10:16. enquanto não regenerados pelo Espírito de Deus. Contudo. Atos 5:31 el Cor. é obra realizada unicamente por Deus.Atos 13:48 e 2:47. Como se prova pelas Escrituras que todos os eleitos. 1:2. não podem ser os motivos. e SOMENTE os eleitos. 11:25.19. Rom. pois. ou que ninguém pode ser eleito. ut essemus sancti et immaculati in conspectu ejus in charitate". ou que a fé e o arrependimento não podem ser as condições da eleição. nem mesmo segundo a Vulgata. 17:2. pois. Como se pode expor o argumento derivado da afirmação de que "a fé". não pode ser a condição de que dependa o propósito de Deus. 20. (2) que. Nota do tradutor. 15. 2 Tim. Qual o argumento derivado do fato de que todos os cristãos evangélicos. o fato de um homem os possuir é resultante de um ato de Deus. Somente os eleitos crêem . · --- No capítulo 24 será provado que as Escrituras ensinam: (1) que a regeneração é ato de Deus. nem de aperfeiçoar estes dons. As Escrituras ensinam essa verdade em Ef. "o arrependimento" e "a obediência evangélica" são frutos. seja qual for sua escola teológica. 2:13. e se são sempre. João 15:16. 1:4: "Elegeu-nos nele mesmo antes do estabelecimento do mundo. 1:9.

mais falso. exerce esse direito. são as mesmas que se fazem contra a nossa (Rom. mais cruel e mais injusto. de todas as opiniões teóricas. a respeito da eleição. hinos e orações. A doutrina é. Mas. Ora. 170. e a dependência do homem como criatura. . A isso Paulo responde mediante dois argumentos: (1) Deus reclama para Si esse direito: "Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" . e se a única diferença está nos homens. Ele argumenta: Io. que Deus é soberano absoluto na distribuição dos Seus favores. porque a ensina distintamente. respondendo a essa objeção. como no caso de Faraó (versículos 17. Io. isto é. é a mesma que a nossa? A doutrina de Paulo é idêntica à calvinista.18). todos os salmos. Deus seria injusto se. e em render-Lhe graças quando o faz. manifestasse a Sua misericórdia a alguns e rejeitasse outros (versículo 14). Mas contra esta doutrina da soberania divina o apóstolo expõe duas objeções. negativa. quer escritos quer espontâneos. e sim. só da Sua boa vontade. porque as objeções notadas por ele. a reprovação é simplesmente soberana. Todos em suas orações pedem a Deus que faça os homens arrepender-se e crer. 9:6-24 no Commentary on Romans. incorporam os princípios e respiram o espírito do calvinismo. 21. 9:6-24). que a posição sustentada por esse apóstolo. e 2o. Io. que se façam diferençar a si mesmos. porque consiste em passar por alto essa parte e em deixar de elegê-la para a vida eterna. por serem pecadores (versículos 2024). porque os homens envolvidos são condenados à miséria eterna. e (2) o fato de estarem todos os homens expostos com toda a justiça à ira. E só pode ser verdadeira aquela forma de doutrina que todos os cristãos. A segunda objeção é que esta doutrina é incompatível com a liberdade e a responsabilidade dos homens. de todos os cristãos evangélicos. e o motivo simples pelo qual alguns são eleitos e outros passados por alto é a boa vontade soberana de Deus. se Deus dá a todos os homens graça comum e suficiente." . por Hodge. Como se pode discriminar acuradamente os dois elementos envolvidos na doutrina da reprovação? Reprovação é o aspecto que o decreto eterno de Deus apresenta relativamente àquela parte da raça humana que será finalmente condenada por causa dos seus pecados. em Sua providência. págs. que as antigas promessas de Deus não diziam respeito aos descendentes naturais de Abraão. Como se pode mostrar. "Ela representa o Deus santíssimo como pior do que o diabo. segue--se que devemos pedir aos homens que se convertam a si mesmos. e dá-lhes resposta. 2o. Veja a análise de Rom. chegar-se ao Salvador e aceitá-10. Paulo. mas é feita todos os dias pelos arminianos contra a nossa doutrina. Esta mesma objeção é feita hoje contra a nossa doutrina. Mas todos concordam em pedir a Deus que os salve. como tais. não condescende em apelar para a razão humana. porque aqueles que o decreto passa por alto não são piores do que os eleitos. Ia. 22. O fim que o apóstolo tinha em vista em toda esta passagem era provar o soberano direito que Deus tinha de rejeitar os judeus como Seu povo peculiar e de chamar pelo evangelho todos os homens indistintamente. Quanto ao seu elemento negativo. se acham sempre impelidos a exprimir na sua comunhão com Deus. positiva.Rom. 2o. afirma simplesmente (1) a soberania de Deus como Criador.Methodist Doctrinal Tracts. 9:15. (2) Deus. e sim à sua posteridade espiritual. é que um faz bom uso dessa graça e outro não.16. feitas contra a sua doutrina. pela natureza das objeções feitas contra a doutrina de Paulo. e pelas respostas que lhes deu. e se a razão pela qual um homem arrepende-se e outro não.Só pode ser falsa aquela forma de doutrina que não pode ser incorporada lógica e conseqüentemente na experiência pessoal e no culto divino.171. 2a. Essa objeção é na verdade absurda contra a doutrina de Paulo.

nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus. que Deus não tem obrigação alguma de manifestar misericórdia para com todos. 4. Io. é evidente que também deixa entregues a si mesmos incondicionalmente os que Lhe apraz.u· ‫־"־׳‬ 25. Seção 7. em justo castigo dos pecados dos homens maus. ó Pai. mas por aquele que chama. Este é. 2:8. não tendo eles ainda nascido.versículos 22.. sem dúvida. vers. como pode mandar? Veja também Methodist Doctrinal Tracts. não eleitos para a vida. um ato judicial no qual Deus. Senhor do céu e da terra."Porque. 9:18. Sim. 2°. mas simplesmente judicial. e. Como se demonstra a identidade da doutrina de Paulo com a nossa pelas ilustrações de que ele se serve no capítulo nove da Epístola aos Romanos? "Não tem o oleiro poder (exousia) sobre o barro. "Vós não credes porque não sois das minhas ovelhas"-João 10:26. 171. ó Pai. 26.26. Como se prova que isso é ensinado nas Escrituras? Pela citação de textos como os seguintes: Rom. a fim de manifestar-se neles a justa ira de Deus. Apoc. a doutrina da reprovação é auto--evidentemente elemento inseparável da doutrina dos decretos e da eleição. enquanto que "os vasos de misericórdia" foram escolhidos. e a única causa da diferença dos vasos é a vontade do oleiro. 24. .23.versículo 21. Jud. 23.versículos 20.. e que a diferença posterior entre eles era devida ao "decreto de Deus segundo a eleição" . em todo e qualquer caso. "De que se queixa ele ainda?" Se Ele não deu capacidade para obedecer.versículo 11. No caso de Jacó e Esaú (9-13).Quanto ao seu elemento positivo. o ponto ilustrado é que um dos filhos era tão bom como o outro. de Fé. e nem mesmo para com alguns . i1 .. no barro. porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos. Aqui a força inteira da ilustração está no fato de não haver nenhuma diferença na massa. 1 Ped. que não havia neles diferença alguma. 27.21. segundo a eleição. a reprovação é soberana. inflige miséria somente como a justa punição do pecado. Em que sentido se diz que Deus endurece os homens? Veja Romanos 9:18 e João 12:40. Notem estas palavras do Senhor Jesus Cristo: "Graças te dou. a massa toda é barro. ficasse firme. 11:15. que "os vasos da ira" foram condenados por seus próprios pecados. O apóstolo responde mostrando. e sim unicamente para manifestar-se neles a Sua graça gloriosa . "O resto dos homens aprouve a Deus não contemplar e ordená--los para a desonra e ira por causa de seus pecados" . e os deixa entregues às tendências desenfreadas de seus corações e às influências não contrariadas do mundo e do diabo. pág. Como se pode demonstrar que as referidas posições acham-se envolvidos necessariamente na doutrina geral dos decretos e na doutrina específica da eleição de alguns para a vida eterna? Como já dissemos acima. Se Deus elege incondicionalmente a quem Lhe apraz.21. ARC. não por causa das obras. Como demonstrar que contra a doutrina de Paulo se fez a mesma objeção que se faz contra a nossa? Citando Romanos 9:19. . porque assim te aprouve" Mat. 3. Ele tem que preordenar os que não crêem como também os que crêem. Cap. 13:8. e as revelaste aos pequeninos. não por haver neles qualquer coisa que fosse boa. porque Deus. retira deles todas as influências da Sua graça. embora estes eventos sejam resultantes de causas bem diversas.Conf. para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? .

é que ele pode restritamente ser responsável por fazer o mal".28. que não é sustentada pelas Escrituras Sagradas. se Deus não houvesse por Cristo provido um remédio. 25. Enviar à perdição Adão e Eva antes de terem filhos. porque o seu estado foi determinado inevitavelmente por um ato que não era seu. No estado atual das coisas. porém. 29. Sustentam. Que a obra de redenção não foi uma obra da graça infinita. D. para fazer tudo quanto deles exige como condição da sua salvação. e que todos os descendentes de Adão nascem com uma natureza tão depravada que são moralmente incapazes de amar a Deus.: ·. depois de Adão pecar. "a asserção de que Deus com justiça me podia ter passado por alto.26). e que a ela é devida a condenação de maior número de almas do que o de almas que por ela foram salvas.D. é tão necessário para tornar os homens "pecadores responsáveis" como o é para trazê-los à salvação. nem poderia homem algum ser responsabilizado por qualquer ato de desobediência que fosse resultado inevitável dessa depravação original. ou. Deus deve a todos os homens. Seus descendentes. por um decreto soberano e absoluto. 30. no que se refere a esses atos de crer. 2o. que os homens a princípio não são responsáveis por sua condição moral.Whedon: "Somente quando se concede ao homem redentoramente o que chamamos uma capacidade dada pela graça para fazer o bem. "Rejeito". visto que só assim os homens. Os arminianos admitem que esse pecado foi a causa que tornou pecadora a raça inteira. sem nenhuma exceção. mas não são culpados nem responsáveis pelo pecado original. estão todos poluídos moralmente e mortos espiritualmente. por Sua graça. porque todos têm a graça suficiente. Como demonstrar que aposição dos arminianos a este respeito é absolutamente incompatível com aquilo que as Escrituras e a Igreja Cristã inteira ensinam sobre a natureza e a necessidade da SATISFAÇÃO dada à justiça divina por Cristo? . 4o. e a respeito da relação que a raça humana sustenta para com o governo divino? Quando se analisa o sistema arminiano penetrando até os seus princípios fundamentais. porque herdaram de Adão uma natureza corrompida. Segue-se mais. e sim um simples ato de justiça em compensação pelos males que Adão trouxe sobre a nossa natureza. tendo sido criados moralmente livres. acha-se que o referido sistema repousa sobre o postulado de que o dom de Cristo foi dado aos homens como compensação necessária pelos males que sobre eles trouxe o pecado de Adão. Como expor a idéia fundamental em que repousa necessariamente todo o arminianismo a respeito da relação que a obra remediadora (terapêutica) de Cristo sustenta para com a justiça de Deus. em conseqüência do dom de Cristo. Deus tinha a escolha entre somente duas alternativas compatíveis com a justiça: Ia. ■‫׳־ ׳׳··׳־■. corromperam-se voluntariamente por seu próprio ato. Que isso é devido a todos os homens. como também corruptos. porque nascem nessa condição anterior a toda ação pessoal. Diz ele ainda que. Segue-se ainda que é a graça que envia os homens para o inferno. nem por nenhuma de suas conseqüências. Permitir que propagassem a raça sob as incapacidades resultantes do pecado e prover um sistema redentor para todos. 2a. passa por alto alguns homens e não lhes concede a graça necessária para habilitá-los a arrepender-se e a crer em Cristo. assim como os leva para o céu. Qual a objeção feita contra a doutrina calvinista sob o fundamento de que é incompatível com a justiça? Há os que afirmam que se Deus. e por isso responsáveis. dando a todos os homens capacidade. porque. Ensina que somente Adão e Eva foram culpados. porém. Essa redenção e essa capacidade recebida pela graça para crerem e obedecerem. Essa corrente distingue entre a culpa e a responsabilidade moral pelo caráter e pela corrupção moral da natureza. como asserção atrevida e precária. Por isso afirmam que o homem não pode ser punido pelo pecado original. e se dispõem naturalmente para o mal. a mim e a todos os homens. todos os homens são responsáveis. ־‬ Diz o Dr. arrepender-se e obedecer. diz João Wesley (. págs. : . ficam habilitados para escolher o contrário." 3o.Doctrinal Tracts. Desta doutrina segue-se: Io. recebida pela graça. seria injusto da parte de Deus torná-los responsáveis e puni-los por sua falta de fé. e são necessárias para que eles se tornem responsáveis e puníveis por seus pecados. que o auxílio do Espírito Santo.

como Lhe apraz. Rom. ou nenhum. etc.. 6:19. porém. E injusto justificar os injustos. pois. 15:10. 3:24. Seria incompatível com a retidão que um homem pecador exigisse ou que Deus concedesse a salvação a qualquer pessoa como algo que lhe é devido. é evidentemente compatível com a Sua justiça que Ele salve todos. Mas as Escrituras declaram que o dom de Cristo é uma manifestação sem igual do livre amor de Deus. Dizem também que esta justa pressuposição da razão se acha confirmada nas Escrituras. de modo que. como fundamento a própria justiça. 2:4-10.׳׳‬ru. Como se prova pelas Escrituras que a salvação vem da graça? Graça é favor livre. Ou a salvação de nenhum indivíduo é compatível com a justiça ou o sacrifício de Cristo foi o pagamento de uma dívida. no caso delas. Mas isso seria absurdo se os homens não fossem antecedentemente responsáveis pelos pecados pelos quais era necessário que dessem satisfação. e na segunda afirma-se que Deus. Apoc. as quais declaram que "Deus não faz acepção (ou exceção. Como se prova que é absurda e anticristã a objeção segundo a qual a eleição incondicional é incompatível com a justiça de Deus? A justiça considera necessariamente todos os homens como igualmente sem nenhum direito ao favor de Deus. uns poucos. 4:7. porém.‫׳‬ 31. João 3:16. ‫... 3:22. e não sobre o juízo feito a respeito de obras. 11:5. como em 2 Crôn. Ef. 1 Ped. evidentemente não pode tornar-se motivo pelo qual outro pecador igualmente culpado possa exigi-la como um direito seu. Ele não poderia manifestar Sua graça a homem algum.■‫׳ ׳‬ 33. chegaremos à conclusão de que a salvação só pode vir da graça divina. 1 Cor. Na eleição. Se. Na primeira destas passsagens o apóstolo fala simplesmente da aplicação do evangelho aos gentios bem como aos judeus. Esta é também a explicação das doxologias do céu . Se tomarmos. e que a salvação nos vem da graça de Deus .·׳ ־‬ .. a salvação vem só da graça de Deus. em "redenção" e em "graça"? ·. Como expor e refutar a objeção de que a nossa doutrina é incompatível com a retidão de Deus como GOVERNADOR IMPARCIAL? Muitas vezes os arminianos dizem que a razão nos ensina a esperar que o Criador e Governador onipotente de todos os homens seja imparcial no modo por que trata os indivíduos -que conceda a todos as mesmas vantagens essenciais e as mesmas condições de salvação.Lam. e as Escrituras em parte alguma dizem que Deus é imparcial na comunicação da Sua graça. e não uma graça. muitos. E todo cristão verdadeiro reconhece como elemento inseparável da sua experiência que a salvação é toda da graça de Deus. ou se é uma compensação necessária para que sejam responsáveis. é absolutamente imparcial. se não fosse satisfeita a justiça de Deus. a questão versa sobre a graça. 1:18. a poucos ou a ninguém.6.l9:7 Figueiredo. concedido a quem não o merece. presumivelmente em edição antiga) de pessoas"-Atos 10:34. 5:8-14.19. 1:17. De outro modo negar-se-ia a sentença condenatória da consciência e a cruz de Cristo ficaria sem nenhum efeito. 1 Ped. e que depende unicamente da vontade soberana de Deus se há de ser aplicada a muitos.6. isto é. Pode ser somente uma manifestação da Sua retidão. E a salvação de um pecador que não a merece.1 Cor.No capítulo 25 será demonstrado que as Escrituras e a Igreja inteira ensinam que para a salvação do homem era absolutamente necessário dar-se plena satisfação ao inalienável princípio de justiça essencial à natureza divina. não merecido. 1:5. Se a redenção é algo que todos os homens merecem receber.I. ■i i '.20. no Seu julgamento das obras humanas. 32. Qual o sentido de uma "capacidade dada pela graça e concedida redentoramente" a respeito de pessoas que nada perderam porque não são responsáveis por nada? Não seria uma impertinência falar. então o dom de Cristo não pode ser uma manifestação suprema do livre favor e amor de Deus. ‫:.

. Ele faz as maiores distinções possíveis entre os homens. nem graça eficaz para os não eleitos entre os homens. determinar-se a. se viver. que obtenham qualquer conhecimento de verdades religiosas. por que é que o pode ser para com nações. independentemente da Sua participação ativa no caso deles. realmente. 35.Essays on some of the Difficulties of St. . nos habilita a explicar de modo satisfatório" . seria do agrado da Sua natureza benévola que todos os homens fossem salvos. porque (a) nem todos são salvos. na distribuição. a pobreza. que grandes multidões. para honras e riquezas.(a) desejar. tirando-lhes o incentivo para fazerem uso de meios? Objeta-se que. mas até impossível. ou adquiram o hábito de comportamento moral. Paul. não pode ser menos injusto que seja parcial na Sua distribuição de bens temporais. Como provar que a nossa doutrina não influi no ânimo dos pecadores.Além disso. ·׳‬ A palavra querer tem dois sentidos . Como refutar a objeção tirada de textos como 1 Timóteo 2:4? Eis os seus termos: "O qual deseja (quer) que todos os homens sejam salvos. E uma verdade terrível. devemos sempre interpretar as pressuposições da razão e os textos das Escrituras à luz dos fatos palpáveis da história humana e das dispensações diárias da providência de Deus. não há mais lugar para o uso de meios. apesar disso.e. nem os calvinistas nem os arminianos podem explicar.. viva e morra nas trevas do paganismo. para a vergonha. e como se pode explicar o Seu proceder para com as nações pagãs e para com as crianças das classes criminosas de países nominalmente cristãos? O arcebispo Whately dirige a seguinte admoestação excelente a seus amigos arminianos: "Sugiro cautela no uso que se fizer de uma série de objeções tiradas dos atributos morais de Deus. Por que é que isso é permitido. Como matéria de fato. Se é injusto em princípio que Deus seja parcial na Sua distribuição de bens espirituais. para a posse de um coração e de uma consciência suscetíveis. feitas freqüentemente contra os calvinistas. quer natural quer revelado. As passagens dessa natureza afirmam simplesmente que. 34. não só de bens temporais. se não fossem aqueles motivos. Ele não tem prazer na morte dos ímpios. Ensaio 3°. mas também dos meios essenciais à salvação. Assim é . por que é que o Todo-poderoso não faz morrer no berço toda criança cuja malvadez e miséria. e em perfeita consonância com a Sua benevolência. mesmo nos países evangeli-zados. por motivos suficientes mas que não nos são revelados. Muitas outras nascem para moléstias. Se Deus não pode ser parcial para com indivíduos. e para as trevas absolutas do paganismo e da ignorância a respeito de Cristo. sobre a eleição. e para todos os melhores meios de graça. · ׳··. é coisa que nenhum sistema de religião. e cheguem ao pleno conhecimento da verdade".:‫. não proveu redenção para os anjos caídos. Passagens como essa declaram simplesmente a benevolência essencial de Deus. Uma criança nasce para a saúde. deixa que a imensa maioria dos homens nasça.. porém inegável. como sua herança segura e certa. ao mesmo tempo. desde crianças. (b)propor-se. em erros supersticiosos e na pior depravação. Ele prevê. nascem e são criadas em circunstâncias que não somente tornam improvável. Em contextos como o da passagem acima é evidente que o sentido não pode ser que Deus tem a intenção de salvar ou que Ele Se determinou a salvar a todos. e tem muito prazer na salvação dos homens. Devemos acautelar-nos muito para não empregarmos armas que podem virar-se contra nós. se Deus determinou desde toda a eternidade que um homem seja convertido e seja salvo e que outro seja deixado a perecer em seus pecados. ter a intenção de. e são até criadas. e nenhuma das intenções ou propósitos de Deus pode falhar (b) porque a afirmação é que Ele quer que todos "venham ao conhecimento da verdade" no mesmo sentido em que "quer que todos sejam salvos" . a posse de um coração duro e de uma consciência obtusa. E. desde o seu nascimento e independentemente dos seus merecimentos.

A doutrina da eleição não ensina que Deus constrange os homens de um modo incompatível com a sua liberdade. 1:12) e o de muitos cristãos. 2:13). e tampouco o exime da prática de obras.. 9:11-13. E certo é que Deus fazer que um homem queira não o tolhe de sua liberdade! 3o. Ef. Isso é tudo quanto quer dizer reprovação. 1:5-10 e 1 João 2:3. a certeza antecedente de um ato livre não é incompatível com a sua liberdade. sendo decretados tanto os meios como o fim. para a esperança. 8:16. independentemente da consideração se é eleito ou não. Além dessas provas fornecidas por nosso estado de graça e por nossos atos. vinte homens.. A eleição gratuita. Os calvinistas crêem tão firmemente como os arminianos que todo o que praticar o mal será condenado. 38. Até onde podemos estar convencidos de que somos eleitos.Rom. faz com que O queiram. 1 Tess. sendo infinitamente bom e poderoso. que dá testemunho com o nosso espírito e nos sela . na obra Methodist Doctrinal Tracts. para o temor.17. e sim. a impenitência final e a conseqüente condenação de certos homens. 37.. Rom. suponhamos. Como se pode demonstrar que esta doutrina é compatível com a benevolência de Deus? A única dificuldade a este respeito está em conciliar a benevolência geral de Deus com o fato de que Ele. Em confirmação disso temos o exemplo de Paulo (2 Tim. . Entretanto a mesma dificuldade aperta também o sistema arminiano. e sim no amor especial que Ele dedica aos Seus . façam o que fizerem". O decreto da eleição não assegura a salvação sem a fé e a santidade. 2o.23. porém. a salvação mediante a fé e a santidade. não descansa na benevolência geral de Deus.João 17:6. O decreto da eleição não produz a fé. façam o que fizerem.. pois... sem nenhuma exceção. Veja 2 Ped. dizendo: "Há. de outro modo seria impossível a presciência de um ato livre. e sabemos que aos que justifica. 4:30. Todavia. uma salvação suficiente para todos e exatamente adaptada a todos. e apresenta todos os motivos para o dever. no dia do Seu poder.que João Wesley. 5:9. temos ainda o Espírito de adoção. uma caricatura da doutrina. e de modo algum tolhe a ação do agente. tão absurda quanto perversa. Opera neles tanto o querer como o efetuar. que deveriam induzir todos a aceitá-la. ■'li'■: 36. os frutos do Espírito comprovam a santificação. a estes também justifica. tenha admitido um sistema que envolve o pecado. CONSIDEREMOS: Io. segundo a Sua boa vontade. e promete solenemente que . esta comprova a vocação eficaz. e os outros dez foram preordenados para serem condenados. Deus oferece sinceramente a todos os que o ouvem. ou a escolha positiva de alguns para a vida eterna.. representa falsamente a doutrina de Toplady.. Os não eleitos Ele simplesmente deixa fazer o que for de conformidade com os impulsos dos seus próprios corações maus. dos quais dez foram preordenados para que sejam salvos. O decreto da eleição só torna certos o arrependimento e a fé dos eleitos. . Os eleitos Ele. etc. e aos que chama. Como se pode demonstrar que esta doutrina é compatível com a oferta geral do evangelho? No evangelho. Assim. e esta comprova a eleição. Os fatos provam que não é incompatível com a benevolência geral de Deus permitir que alguns sejam condenados por causa dos seus pecados. a estes também santifica. e em que se baseia essa convicção? E-nos possível alcançar nesta vida uma convicção inabalável e certa da nossa eleição. Isso é. porque aos que Deus predestina a estes também chama. (Fil.

Que a nossa única regra de dever é a que se compõe dos mandamentos.. 40. Os não eleitos Deus simplesmente deixa fazer aquilo que seus próprios corações lhes determina que façam. ■■ > ' 40. o qual Ele nunca revela.‫׳. misericordioso e poderoso. fé e vida santa. 2o. só e unicamente a pecaminosa falta de vontade que impede qualquer pessoa que ouve o evangelho de recebê-lo e gozá-lo. . exceto nos seus elementos conseqüentes de vocação eficaz. Fazem parte deste sistema os princípios igualmente certos da liberdade e da responsabilidade moral dos homens. Os eleitos vêm. reconhecem que Deus criou a raça humana apesar de prever com toda a certeza que daria assim ocasião a muito pecado. seja quem for... a eleição é uma graça especial acrescentada àquela oferta. das ameaças e das promessas de Deus expressos claramente nas Escrituras. Quando é sustentada nesses termos. se quisessem. sendo infinitamente sábio. A verdadeira dificuldade está no problema humanamente insolúvel da permissão do mal. esta doutrina o torna mais humilde e. chegando à esperança certa e segura. como também os calvinistas.:‫! -׳ ·:׳‬q 3o. Io. No caso do crente que tem o testemunho em si. apesar da Sua presciência certa de que esses mesmos indivíduos continuariam a pecar eternamente. Não é menor a transparente dificuldade que se encontra na tentativa de conciliar a presciência certa de Deus da impenitência final da grande maioria daqueles a quem Ele oferece o Seu amor e por toda forma de argumentos procura persuadir a aceitá-10. especialmente à vista da consideração de que Ele prevê que os Seus oferecimentos aumentam muito e com toda a certeza a culpa e a miséria final dos que os rejeitam. permite que exista o pecado no Seu universo? Os arminianos não podem responder a esta pergunta melhor do que os calvinistas. Exalta a majestade e a soberania absoluta de Deus e. ilustra as riquezas da Sua graça e o Seu justo desprazer pelo pecado. ao mesmo tempo. Que esta verdade não é incompatível com este sistema baseado na graça de Deus. . reto. Os não eleitos poderiam vir e ser salvos. aumenta a sua confiança. nem jactar-se se for salvo. Por que é que Deus. ■ ). Como se pode conciliar a doutrina da reprovação com a santidade de Deus? A reprovação deixa os não eleitos nos seus pecados. pois. pode Deus.׳<׳‬j. Como. será salva se aceitar essas ofertas. assim. com o fato de Lho oferecer. e não o decreto da eleição. faz parte integrante dele. Qualquer pessoa. Io. e assim resulta no aumento do pecado durante toda a eternidade. Mas o decreto da eleição não põe nenhum obstáculo no caminho de ninguém. . deixar que o seu pecado aumente inevitavelmente? Mas os arminianos. ao mesmo tempo. Leva ao inquiridor a desesperar absolutamente de si e a aceitar cordialmente a oferta livre de Cristo. seja eleita ou não. E. e criou também certos indivíduos. de um modo compatível com a Sua santidade.‫. Qual a legítima influência prática desta doutrina sobre a experiência e a conduta cristãs? Devemos lembrar. e sim. impedindo-o de aceitar as ofertas feitas no evangelho. a doutrina da predestinação. e que ninguém pode queixar-se se for passado por alto.todo aquele que vier a Ele.:!«׳‬ 39. de modo nenhum será lançado fora. Imprime em nós com mais força a verdade essencial de que a salvação é inteiramente obra da graça de Deus. . e as ofertas livres do evangelho feitas a todos. 2o. . formar um propósito cujo efeito e intenção é deixar esses não eleitos no pecado e. O evangelho é para todos. pois.

e de passar por alto os outros. deixando-os entregues às justas conseqüências dos seus pecados. Deus. decretou preparar uma salvação gratuita para todos os homens. e reprovou aqueles que previa que continuariam impenitentes. Criar o homem. Como se pode expor a verdadeira natureza da questão discutida pelos teólogos a respeito da ORDEM DOS DECRETOS DIVINOS? ' Desde que cremos que o decreto de Deus é uma só intenção eterna. Mas. ensinaram que Deus decretou -Io. e preparar meios suficientes para aplicar eficazmente essa salvação à situação de todos. e a respeito do fim e motivo da eleição? Do motivo e fim da eleição já tratamos por extenso acima. Que é a teoria supralapsariana da predestinação? Chama-se supralapsariana (supra lapsum) a teoria das . 4o. ESTA É A TEORIA COMUM ÀS IGREJAS REFORMADAS. se os homens fossem deixados a si mesmos. Permitir que ele caísse. e que fossem reprovados por seus pecados todos os que não cressem. O todo é um só propósito. e a intenção do todo. O decreto de criar o homem. Qual é a teoria arminiana quanto à ordem dos decretos que se referem à raça humana? Io. A ordem dos decretos é então a seguinte: Io. Prevendo que certos indivíduos haveriam de arrepender-se e crer. O de permitir que caísse. aos quais decretou conceder as graças necessárias do arrependimento e da fé. prevendo que o homem cairia com certeza na condenação e na corrupção do pecado. por ser um agente moral e ter a sua vontade essencialmente contingente.41. 3o. que relação estabeleceu o único propósito eterno de Deus entre criação. Que é a teoria infralapsariana da predestinação? A teoria infralapsariana (infra-lapsum) da predestinação. salvação para todos. nem (b) na deliberação distinta. e sendo por isso impossível prevenir ou impedir o seu pecado. Deus elegeu desde toda a eternidade para a vida eterna aqueles cuja fé previa. ao decreto que permitiu a queda do homem. predestinação e redenção? Que ensinam as Escrituras a respeito do propósito de Deus no sentido de dar Seu Filho. no propósito divino. determinando a existência do sistema inteiro. 43. sob a condição dessa impenitência. 45. prevendo que. mediante Cristo. Amyrant e outros? Estes professores teológicos em Saumur. Mas. não pode haver ordem de sucessão nos Seus propósitos. e no mesmo ato distingue acuradamente suas diversas partes e compreende a sua unidade. 4 o. Preparar. 44.·:. as suas relações no sistema. 42. é questão quanto à verdadeira relação que sustentam entre si as diversas partes do sistema decretado. determinadas por Ele em suas diversas sucessões e relações. ou o decreto da predestinação considerado como subseqüente. O decreto de criar o homem. sob a condição da sua fé. Decretou absolutamente que fossem salvos todos os que cressem em Cristo. trataremos na divisão 4 do capítulo 25. 2o. nem (a) no tempo. O de eleger certos homens dentre a raça inteira decaída e com justiça condenada. Do desígnio que Deus tinha em vista ao dardos Cristo. 3o. representa este como objeto da eleição depois de criado e decaído. na mediação de Cristo.-·■. como se um propósito realmente precedesse a outro. 4o. ou opção. 2o. Isto é. Por isso... O decreto de preparar a salvação para os eleitos. nenhum deles se arrependeria nem creria. e que outros haveriam de continuar impenitentes até ao fim. Que idéias a esse respeito ensinaram os teólogos protestantes franceses Cameron. e sim. Sendo o homem falível. CONFIRMADA PELO SÍNODO DE DORT E PELA ASSEMBLÉIA DE WESTMINSTER. durante o segundo quarto do século 17. para a vida eterna. 2o. E como um homem que por um só ato da sua inteligência reconhece uma máquina complicada que lhe é familiar. Deus compreendeu naturalmente todas as partes do sistema. a questão quanto à ordem dos decretos não é questão quanto à ordem dos atos de Deus ao decretar. da parte de Deus. por isso elegeu soberanamente alguns. 3o. .

difere. este resultado deve ter sido o propósito deliberado de Deus desde o princípio. e o da eleição depende tão-somente da boa vontade de Deus. 47. Segundo a teoria infralapsariana. é verdade em todas as esferas compreendidas na experiência humana.. 11:5. Segundo o calvinista. Decretou preparar a salvação para os eleitos. e de Gomaro. decretou criar o homem e permitir que caísse.7. 2a. o grande oponente de Armínio. decretou criar os que já havia escolhido ou reprovado. A teoria arminiana comparada com a calvinista: Segundo o arminiano. A teoria supralapsariana comparada com a infralap-sariana. 2o. 3o. o decreto da redenção precede ao da eleição. a fim de promover assim a Sua própria glória. pois. não o homem como já criado e decaído.10 coisa que não existe. Dentre todos os homens possíveis Deus primeiro decretou a salvação de uns e a condenação de outros. porém. A linguagem inteira das Escrituras em relação a este assunto implica em que "os eleitos" o foram como objetos do amor eterno. e difere da arminiana porque sustenta que a eleição depende unicamente da boa vontade soberana de Deus. o objeto da eleição e da reprovação é só o homem capaz de ser criado e de cair. Rom. o decreto da eleição sucede ao decreto de criar e permitir a Queda. Ia. sustentada pelas igrejas reformadas: Segundo a teoria supralapsariana. não do número de homens criáveis. e que. . que supõe que o supremo fim que Deus Se propôs na salvação de uns e na condenação de outros. foi a Sua própria glória. muito menos para que se insista nelas. A ordem dos decretos seria então esta: Io. capazes de ser criados. 3o. a não ser que fosse considerado como já criado. Como expor os argumentos contra a teoria supralapsariana? Não há dúvida de que esta é a teoria mais lógica de todas. Esta foi a teoria de Beza. 4o. 2o. e este tem por condição a fé prevista do indivíduo. que. Argumenta-se. A teoria francesa ou saumuriana (da escola de Saumur) comparada com a teoria legítima das igrejas reformadas e com a arminiana: A teoria da escola de Saumur está de acordo com a reformada. se o resultado final da questão toda é a glorificação de Deus na salvação dos eleitos e na perdição dos não eleitos. o decreto de eleger uns e reprovar outros precede ao decreto de criar o homem e permitir que caísse. Mas a causa em apreço é demasiado elevada para que se lhe apliquem a priori as regras ordinárias do juízo humano. e sim do número inteiro de homens pecadores realmente existentes-João 15:19. Segundo esta teoria. Decretou permitir que caíssem. As objeções contra a teoria supralapsariana são as seguintes. Como expor os diversos pontos de acordo e de diferença entre essas diversas teorias? Io. Não poderia ser amado nem eleito. a seu respeito só podemos saber aquilo que nos é positivamente revelado. A teoria supralapsariana considera como objeto da eleição ou da reprovação. porém.. como meio para alcançar esse fim. sem dúvida nenhuma. E postulada sobre o princípio de que aquilo que se faz por último tencionava-se fazer desde o princípio. 46. sucessor de Calvino em Genebra. o decreto da eleição precede ao da redenção. A teoria infralapsariana considera como único objeto desses decretos o homem como já criado e decaído. e isso. e sim o homem como capaz de ser criado e de cair. e não o homem criado e decaído. Para alcançar esse fim. da teoria reformada e concorda com a arminiana em sustentar que o decreto da redenção precede ao da eleição.diversas provisões do decreto divino nas suas relações lógicas. O homem capaz de ser criado é uma nonentidade.

Como se pode demonstrar que a exegese correta de Efésios 3:9. DIVERSAS EXPOSIÇÕES DAS IGREJAS EXPOSIÇÃO LUTERANA . As Escrituras declaram que a finalidade para a qual Cristo veio foi executar o propósito da eleição. Maior. e sim porque a aliança eterna da graça inclui todos os eleitos como membros do corpo do qual Ele é a cabeça. 3. ou que o foram porque Deus. Os não eleitos foram preordenados por Deus para a desonra11 e ira por causa de seus pecados e para louvor de Sua gloriosa justiça. A teoria supralapsariana representa Deus como reprovando os não eleitos por um ato soberano. todos os que são remidos arrependem-se e crêem. 20. Segue-se. Isto parece incompatível com a retidão divina e também com o ensino das Escrituras.13 E evidente que esta teoria pode ser explicada. Essa presciência de Deus . A verdadeira doutrina da propiciação (veja Cap. Os eleitos o foram "nele". Por isso. 25) não é que Cristo veio para tornar possível a salvação. e sim para efetuá-la para todos aqueles por quem Ele morreu. Porque "a presciência de Deus" nada mais é do que o fato de que Deus conhecia e sabia todas as coisas antes que existissem. . Cat. isto é. porém.9. e citam em apoio Efésios 1:4: "Como também nos elegeu nele (em Cristo) antes da fundação do mundo". Esta teoria é evidentemente refutada pelos mesmos argumentos apresentados acima contra as duas teorias que acabamos de mencionar. que. e não a obra realizada por Cristo como o motivo do amor de Deus . que os eleitos foram escolhidos em Cristo e por amor dEle. Seções 3-7. As Escrituras declaram que os eleitos o foram para a santificação e para a aspersão do sangue de Cristo. quando foram eleitos eram como culpados e manchados pelo pecado . pois.. ou com a francesa (de Saumur).10 não dá apoio à teoria supralapsariana? Há os que dizem que essa passagem é uma afirmação explícita da teoria supralapsariana.João 3:16. Tudo isso ele foi comissionado para fazer. Se o para que do versículo dez se referisse à cláusula imediatamente anterior. 3o. Para esses a propiciação alcança a remissão dos pecados. 48.1 Ped. 4a. não por causa dos pecados deles? e sim para a Sua própria glória. elegendo certos indivíduos. a fé. o arrependimento e todos os frutos do Espírito. 49. Isso é realmente uma tentativa de reunir num só sistema o arminianismo e o calvinismo. e as£im Por dian te.12 Segundo essa teoria. nos quais Paulo declara que foi incumbido de pregar o evangelho aos gentios e de esclarecer os homens a respeit° do mistério* da redenção.. As Escrituras apresentam sempre o amor de Deus como o motivo do dom de Cristo. a redenção não pode preceder à eleição. Conf. Perg. de Fé.3a. Cap. tendo provido por Cristo salvação para todos. 1 João 4:10. que para que refere-se aos versículos 8 e 9. 10:15. num só ato determinou preparar as condições objetivas da salvação (redenção pelo sangue de Cristo) para todos. Veio para dar a vida eterna a todos quantos o Pai Lhe desse .João 17:2.. 2o. queria. !‫״‬ 50. ou de acordo com a teoria arminiana dos decretos. Não é compatível com o fato de que os propósitos de Deus constituem um só. U.para que fosse manifestada a glória de Deus.Breve Cat. Ef. Vej a Hoâge on Ephesians."O que primeiro deve-se notar acuradamente é a diferença entre a presciência e a predestinação ou a eleição eterna de Deus. Deus. que pelo menos no caso destes a morte de Cristo Se tornasse eficaz para a salvação deles. Por conseguinte. 1:2. e conceder as condições subjetivas da salvação (graça eficaz) soif^te a alguns. Como expor os argumentos contra a teoria da escola de Saumur? Io. Perg. A predestinação inclui a reprovação. Em que sentido os luteranos ensinam que Cristo é a razão da eleição? Ensinam que Deus elegeu Seu povo para a vida eterna por amor de Cristo. não por amor de Cristo. E evidente. teorias acima expostas. a passagem ensinaria que Deus criou todas as coisas para que a Sua multiforme sabedoria fosse patenteada pela Igreja aos ^njos. 1:4-6.

diz respeito aos homens bons tanto quanto aos maus.somente aqueles foram por Ele. mediante a eficácia do Espírito Santo e o ministério do evangelho. mas estando na mesma miséria como os demais. . e é a causa da sua salvação. decretou viverem na miséria comum à qual. e a santidade. diz respeito tão-somente a Seus .l:4). verdadeiramente. assim como está escrito: "aos que escolheu.. Em Cristo> pois. Os trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra. para a glória de Seu soberano poder sobre as Suas criaturas. santidade ou qualquer outra boa qualidade ou disposição previstas. contribui para a salvação dos eleitos de Deus. no pecado e destruição. Hase Collect. Confissão de Fé de Westminster. Seção 7. porém. um certo número de homens. a eleição eterna operada por Deus. nem melhores nem mais dignos do que os outros. Ele. a própria vida eterna. se haviam lançado. e de perseverar na fé até ao fim da vida . porque disso eles devem culpar-se a si mesmos. Esta mesma eleição não é feita em conseqüência de qualquer fé. nem a do pecado. por sua própria culpa. e desde a eternidade. Nem é essa presciência de Deus a causa pela qual os homens perecem. antes de se estabelecerem os fundamentos do mundo. dentre toda a raça humana. pela qual Ele concede ou recusa misericórdia. Além disso. §9. mas que alguns não são. para a salvação em Cristo. -"Segundo o conselho de Sua própria vontade. como Lhe apraz. e só da Sua graça. págs. Cristo nos oferece. mais especialmente porque testificam também que nem todos os homens são escolhidos. A DOUTRINA DAS IGREJAS REFORMADAS Veja acima. a quem constituíra desde a eternidade como o Mediador e a Cabeça de todos os escolhidos. 86 B . 617-619. A Palavra de Deus. Pois o pecado tem por origem o diabo e a vontade depravada e má do homem. mas a presciência de Deus dispõe do mal e o limita. da Sua boa vontade muito livre. a eleição é a fonte de todo benefício salvador.7.Formula ConcordicB. A nossa salvação é baseada de tal modo sobre essa predestinação que as portas do inferno nunca a poderão subverter. segundo a Sua muito livre boa vontade. como causa ou condição antecedente no homem que haveria de ser eleito. 8: 30). e não conceder-lhes viva fé nem a graça da conversão". pelo qual. Cap. o resto dos homens aprouve a Deus não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa de seus pecados". de modo que. e este nos é aberto e desdobrado mediante a pregação do evangelho. é que se deve procurar a eleição eterna operada pelo Pai. Cap. é o propósito imutável de Deus. verdadeiramente. afinal. determinando para onde vá. Loci 2. e até quando tenha que durar. irrepreensível e imutável. Porque lhes consegue a salvação e os dispõe para as coisas que Lhe pertencem. filhos bons e escolhidos. ou Deus os passou por alto na Sua eleição eterna. Essa predestinação operada por Deus não se deve procurar no conselho secreto de Deus. 3. Artigo 17. mas nem por isso é a causa do mal. E. aos quais Deus. o Redentor. e somente aqueles que Deus previa que haveriam de crer em Cristo. que impele os homens a cometerem crimes. decretou que fossem salvos só e unicamente aqueles que conhecessem Seu Filho Jesus Cristo e cressem nEle verdadeiramente" . as Escrituras Sagradas ilustram e nos recomendam esta graça livre e eterna da nossa eleição. Cânones do Sínodo de Dort. também chamou" (Rom. e. em Seu conselho eterno. § 15. João Gerhard (1532-1637). justa. e sim para a fé e para a obediência da fé. 1. eleitos para a salvação". obediência de fé.porque assim está escrito: "elegeu-nos em Cristo -í'-14‫׳‬ antes do estabelecimento do mundo" (Ef. a santidade e outros dons salutares."A eleição. Ele. e sim na Sua Palavra. A Palavra de Deus conduz-nos a Cristo. o "livro da vida". § 7 . Cap. este é aquele livro da vida em que se acham inscritos e eleitos todos os que alcançam a salvação eterna . onde se acha revelada. decaída por sua própria culpa da sua integridade primitiva. embora em si seja o mal. para louvor de Sua gloriosa justiça. e dela emanam como seu fruto e efeito a fé. e o fundamento da salvação. escolheu. "Por outro lado a "predestinação". isto é."Dizemos que todos aqueles.

Art. A conseqüência foi que todos os teístas tanto como os ateístas deixavam de conceber a idéia de uma criação absoluta. e condená-los como estando fora de Cristo. o Jeová do Velho Testamento."Deus. nome de uma seita calvinista holandesa. 12 A Criação do Mundo 1. ou a rejeitavam como absurda. Cinco artigos preparados pelos defensores holandeses da redenção universal (1610). à qual Jesus Cristo veio extinguir dando às almas o poder de livrar-se afinal dos laços da matéria. Qual a origem da doutrina da criação ex nihilo? A prevalência. 1. Seu Filho. salvar dentre a raça humana decaída.Remonstrantia etc. Aristóteles também sustentava que Deus e a matéria são coordenadamente auto-existentes e eternos. a doutrina do dualismo. negando que desejavam causar conflito na igreja. O universo material veio de matéria auto-existente. o Demiurgo. e. como também considerava eterna a matéria da qual é formado. e finalmente Cristo. (b) A segunda causa que exercia grande influência sobre os teístas era a idéia de que a admissão de semelhante criação prejudicaria a teologia natural. Em 1610 a seita recebeu esse nome porque os seus membros enviaram uma "remonstrance" (uma representação queixosa) aos estados. ou de uma criação ex nihilo. da idéia de uma criação absoluta. E (decretou) também deixar no pecado e expostos à ira aqueles que não são convertidos e são incrédulos. etc. perseverassem até o fim na obediência da fé. Qual a teoria a este respeito que é comum a todos os sistemas panteístas? . assim como os raios de luz procedem do sol. que o tempo e o mundo presente e fenomênico que existe no tempo são obra de Deus. mas diferia de Platão em considerar Deus como eternamente auto-ativo em organizar da matéria o mundo. o Criador do mundo. Deus e a matéria. juntamente com esta teoria de emanação. Quais as opiniões defendidas pelos grandes teístas Platão e Aristóteles? Platão sustentava que há dois princípios eternos e auto-existentes. senão a concepção. por conseguinte. 4. cressem em Seu Filho. deve-se à influência da Palavra inspirada de Deus. Quais as opiniões defendidas a este respeito pelos gnósticos? Alguns dos gnósticos ensinavam que o universo procede de Deus por meio de emanação. Remonstrantes (queixosos). Todas as almas emanaram do mundo da luz. que existem coordenadamente numa eternidade indivisível e não sucessiva. em considerar o universo assim organizado como eterno. porque nessa hipótese seria impossível conciliar a existência do mal com as perfeições de Deus. Nota de ()dayr Olivetti. em Cristo. lundada por Armínio. e daí é que vem a contenda histórica entre o bem e o mal. antes de lançar os fundamentos do mundo. por um decreto imutável. ordenou em Jesus Cristo. mas ficaram enredadas na matéria. Deus e a matéria. (a) A idéia então universalmente aceita era que o axioma ex nihilo nihilfit era verdadeiro. 2. pela graça do Espírito Santo. > 3. que livremente molda a matéria em formas que dão imagens de Suas próprias idéias eternas e infinitamente perfeitas.OS REMONSTRANTES * . isto é. organizada pelo Demiurgo. aqueles que. e que. explicada por eles como "um desenvolvimento necessário e gradual ad extra do germe de existência que estava em Deus". pela mesma graça. por causa de Cristo e por Cristo. Anterior à revelação havia duas causas prevalentes que impediam a aceitação dessa idéia. De Deus procederam por emanações sucessivas os ALons. · . segundo João 3:36. da auto-existência coordenada de dois princípios independentes. exposta ao castigo por causa do pecado. A maioria dos gnósticos sustentava.

2o.. a Deus. Esta doutrina é essencial ao teísmo. matar . Não foi necessário esse ato para completar a excelência e a felicidade divinas.·· ‫״. como também a sua forma.Dr.. Niphal.7. e "creatio secunda seu mediata". Expor prova direta da veracidade desta doutrina que temos nas Escrituras. por uma lei inerente e auto-operativa de desenvolvimento. produzir (quer do nada. isto é. Assim. porém. só podia ser comunicada nas Escrituras por meio de termos antigos. do nada. demarcar . talhar. exterior à Deidade. Ser criado . esculpir. cortar. Deus chamou à existência. Mas foi executado no exercício de uma discrição absoluta e por motivos infinitamente sábios .18. Nascer . completas e inseparáveis da essência divina. tudo quanto existe. Formar. Derrubar (com espada).. 3o. 31:22. fazer.Expor a verdadeira doutrina da criação. Como introdução .׳־·׳‬ 5 . 1:1. está passando por ciclos incessantes de mudanças. os princípios originais e causas de todas as coisas. 43:1. A Igreja Cristã sustenta ambas essas idéias. "No princípio". todas as coisas. Io.Gên. as quais são eternas. e por quem foi ela introduzida? A frase "creatio prima seu immediata" signfica o ato originário da vontade divina pelo qual Ele trouxe ou traz à existência. A frase "creatio secunda seu mediata" significa o ato subseqüente de Deus originando diversas formas de coisas.4. 51:12. Sendo a idéia mesma inteiramente nova e alheia a todos os modos anteriores de pensar. 6. Talhar.21.27. Io. mas servindo-se deles de tal modo que sugerissem um sentido novo. Formar. os princípios e as essências elementares de todas as coisas. do nada. o qual.Sal. .Jos. 4o. Piei. é a melhor das que possui a língua hebraica para exprimir a idéia de fazer absolutamente.Ez.g. e. Lexicon (presumivelmente uma edição antiga). Qual a distinção assinalada pelas expressões "creatio prima seu immediata". 23:47.·-■. pois. 17:15. e qual o uso bíblico da palavra hebraica bará? Restritamente. Quenstedt etc. A doutrina cristã a respeito da criação envolve os seguintes pontos: Io. Não foi um ato necessário e constitucional análogo aos atos imanentes e eternos da geração do Filho e da processão do Espírito Santo. Todas as teorias quanto à origem do mundo opostas a esta são essencialmente panteístas ou ateístas. Essa nova idéia é sugerida inevitavelmente pelo modo em que a palavra é utilizada pela primeira vez por Moisés na narração que faz. das essências já criadas das coisas. deve a sua existência e a sua substância. logo no princípio. Gerhard. 45:7. Io. 2o. 102:18. A palavra "bará". Ez.Gesenius. em algum ponto de começo definido no tempo. Essas frases foram utilizadas primeiramente nas obras de certos teólogos luteranos do século 17. venha a existir ou pode existir. quer de material já existente . Charles Hodge.e. 2:4. 7. Jer.Os panteístas identificam Deus com o universo. 3o. uma floresta . 2:3.Ez. derrubar. Amós 4:13. 5:2.18. Deus é o princípio persistente e auto-existente de todas as coisas. do qual as coisas são os modos especiais e transitórios. 1°. da gênese do céu e da terra. empregados anteriormente em sentido diverso. 8. 2o. Qual a significação primária. Sal. 21:35. 2o. Deus é o Ser absoluto.g.Gên. 2o. Is. e especialmente diversas espécies de seres vivos. 21:24 . Esse ato criativo foi um ato de vontade livre e auto-determinada.

11:3. Nee. 8:6. que "todas as coisas" tiveram princípio Sal. Só esta doutrina condiz com o sentimento de dependência absoluta em que a criatura está de Deus. Essa mesma verdade é também sugerida inevitavelmente nas diversas formas de expressão empregadas nas Escrituras para designar a ação de Deus em Sua obra de originar o mundo. 4:11. sendo que "nele vivemos. na hipótese de que Ele possui o poder de criar absolutamente. 2o.no princípio absoluto . com a liberdade da ação dos homens. Em todas as passagens que ensinam que Deus é o Soberano absoluto e que as criaturas dependem dEleabsolutamente. isto é. e existimos" (Atos 17:28). Em todos os casos as Escrituras relacionam toda a ação causai da criação só e unicamente à "Palavra". Ora. Embora nos seja inconcebível a criação absoluta de alguma coisa do nada. cuja existência. ou da Sua preordenação. 4:17. nem "que nele é que vivemos. Col. ou do Seu governo providencial. 2 Cor.Atos 17:28. não é filosófico multiplicar causas gratuitamente. depois disso existiu o caos. 90:2. é suficiente para explicar a existência de todos os fenômenos do universo. como se faz na suposição de que a matéria é eterna. pois. (2) que não são eternas. da consciência e da constituição elementar da matéria podem ser aduzidos em prova de uma criação absoluta? Io.24. João 17:5. não o é mais do que o é a relação da presciência infinita de Deus. Admitida a auto-existência necessária de um Espírito pessoal infinitamente sábio e poderoso. E uma vez que se admita a criação ex nihilo dos espíritos dos homens.Sal. está condicionado e limitado pelas propriedades e forças essenciais e preexistentes desses elementos primordiais. nem as coisas feitas dependeriam absolutamente da Sua vontade. ao mandado de Jeová . segue-se então que Ele. Em caso algum se acha o menor indício de alusão a qualquer material preexistente ou a quaisquer condições precedentes de criação. 3o. e Ele nem seria o Soberano absoluto. 9:36. pela palavra do seu poder" (Heb. Apoc. 2o. 9:6. mas existem eternamente por si e independentemente dEle. Em todas as passagens que ensinam que o cosmos. O testemunho da consciência torna manifesto: (1) Que as nossas almas são entidades individuais e distintas. e nem o é mais do que inconcebíveis são muitas outras verdades que todos se vêem obrigados a crer. para que o visível fosse feito do invisível" (Heb. 1:16. 3o. Elas não poderiam dizer que Ele sustenta "todas as coisas. e o Espírito de Deus pairava sobre o abismo.6. e nos movemos. 4:6. em Seus ofícios de Criador e Governador providencial. "Pela fé é que nós entendemos que foram formados os mundos (o universo) pela palavra de Deus. não haverá mais dificuldade especial quanto à criação absoluta da matéria. 10. 9. Segue--se. é evidente que. Que argumentos derivados da razão. porque se diz então que "a terra era vã 15e vazia". auto-exis-tente e independente. que foram criadas. e não partes ou partículas de Deus.geral da história da formação do mundo e seus habitantes vem a declaração de que "No princípio . Veja Rom.Deus fez o céu e a terra". 33:6 e 148:5. 1 Cor. 1:3). De que maneira está inferida nas Escrituras esta doutrina da criação absoluta do mundo por Deus? 10. 4o. nos movemos. . Rom. se os elementos essenciais e os princípios primordiais de todas as coisas não são criados imediatamente por Deus do nada. Figueiredo). sentimento inerente ao coração de todas as criaturas racionais e na realidade do qual as Escrituras tanto insistem. No princípio Deus fez o céu e a terra. Não há aí o menor indício de qualquer material que já existisse. e existimos" . se Ele não fosse absolutamente o Criador e também o Formador de todas as coisas.

5o. Depois que o filósofo materialista analisou a matéria até aos seus átomos finais e determinou as suas propriedades primárias e essenciais, achou neles provas tão fortes de uma causa antecedente e poderosa, e de uma inteligência com desígnios sábios, como as encontra nas organizações mais complexas da natureza; pois que outra coisa seriam as propriedades fundamentais da matéria senão os constituintes elementares das leis universais da natureza, e as condições finais de todos os fenômenos? Se intenção ou desígnio, descoberto na constituição do universo concluído, prova a existência de um Formador divino, então com igual razão a mesma intenção ou desígnio, descoberto na constituição elementar da matéria prova a existência de um Criador divino. Segundo a afirmação de Sir John Herschel, todos os átomos da mesma substância elementar, por serem todos iguais, parecem "objetos fabricados". "Quer seja autocontraditória a concepção de uma multidão de seres existentes desde toda a eternidade, quer não seja, essa concepção torna-se palpavelmente absurda quando | atribuímos uma relação de igualdade quantitativa a todos esses seres. Nesse caso, somos obrigados a olhar para além deles e ] ver alguma causa comum, ou alguma origem comum, como ^ explicação do motivo pelo qual existe essa relação singular... > Temos chegado ao limite extremo das nossas faculdades de ] pensar quando admitimos que, por não poder ser eterna e auto- 3 existente, a matéria teve necessariamente um Criàdor" Prof. J. Clerk-Maxwell, artigo "Atom", Encyclopaedia Britannica, 9a. edição. 11. Como se pode expor e refutar a objeção contra esta doutrina, baseada no axioma: "Ex nihilo nihil fit"? Objeta-se que é um princípio original e auto-evidente da razão que do nada nada pode proceder. Respondemos que essa asserção é indefinida. Se quer dizer que nenhuma coisa nova, e nenhuma mudança numa coisa já existente, podem principiar sem uma causa adequada, admitimos que isso é verdade, mas não tem aplicação ao caso de que estamos tratando. Nossa doutrina não é que o universo começou a existir sem causa adequada, e sim que as substâncias, como também as formas das coisas, tiveram princípio no tempo, e que sua causa existe somente na vontade de Deus. O poder infinito inerente a um Espírito auto-existente é precisamente a Causa à qual referimos a origem de todas as coisas. Mas se a objeção acima quer dizer que esse Deus infinito não tem o poder de criar entidades novas, respondemos que o princípio é falso e não auto-evidente; não traz nenhum dos indícios de uma intuição válida - nem auto-evidência, nem necessidade, nem universalidade. v 12. Como se pode expor e refutar a doutrina daqueles que baseiam em razões morais a auto-existência da matéria? Aqueles dentre os pensadores teístas que se sentiram tentados a tomar a matéria como eterna e autoexistente, foram levados a isso pela vã esperança de explicar assim a existência domai moral em harmonia com a santidade de Deus. Queriam referir todos os fenômenos do pecado a um princípio essencialmente mau, inerente à matéria, e assim justificar Deus, sustentando que Ele tinha feito tudo quanto Lhe era possível para limitar esse mal. Ora, além da incon-seqüência da tentativa que faz essa teoria de vindicar a santidade de Deus à custa da Sua independência, os princípios sobre os quais ela opera são absurdos, como se tornarão evidentes nas seguintes considerações: Io. O mal moral é, na sua essência, um atributo do espírito. O referi-lo a uma origem material conduz logicamente ao mais crasso materialismo.

2o. O inteiro sistema cristão de religião, e o exemplo de Cristo, estão em oposição a esse ascetismo e "mau tratamento do corpo", cuja conseqüência será necessariamente a idéia de que a matéria é a base do pecado - Col. 2:16, Figueiredo. 3o. Tendo Deus criado o universo material, disse que era muito bom - Gên. 1:31. 4o. A Segunda Pessoa da santíssima Trindade tomou um corpo real e material em união conSigo. 5o. A criação material, por ora "sujeita à vaidade" em conseqüência do pecado dos homens, haverá de ser renovada e tornada o templo em que habite o Deus-homem para sempre. Veja abaixo, Cap. 39, Perg. 17. 6o. A obra realizada por Cristo para salvar Seu povo dos seus pecados não contempla a renúncia da parte material da nossa natureza, mas os nossos corpos, que são agora "membros de Cristo" e "templos do Espírito Santo", serão transformados na ressurreição à semelhança do Seu corpo glorioso. E, contudo, nada poderia ser mais absurdo do que a idéia de que o soma pneumatikon, traduzido "corpo espiritual", não é coisa tão literalmente material como o é o soma psyquikon, traduzido "corpo animar - 1 Cor. 15:44. Se a causa do mal é essencialmente inerente à matéria, e se no passado este desenvolveu-se ! sempre, apesar dos esforços feitos por Deus para limitá-lo, que motivo de confiança pode qualquer de nós ter para o futuro? ' i 13. Como se pode provar que nas Escrituras a obra da criação j é atribuída a Deus absolutamente, isto é, a cada uma das três Pessoas da Trindade coordenadamente, e não a qualquer delas como Sua função pessoal e especial? Io. ADeidadeabsolutamente- Gên. 1:1,26. 2o. AoPai-1 Cor. 8:6. 3o. Ao Filho - João 1:3; Col. 1:16,17. 4o. Ao Espírito Santo - Gên. 1:2; Jó 26:13; Sal. 104:30 (Sempre coordenadamente). 14. Como se pode provar que nenhuma criatura pode criar absolutamente? Io. Pela natureza da obra. E patente que uma criação absoluta ex nihilo é obra que só pode efetuar quem disponha de poder infinito. E obra inconcebível para nós, porque é obra de um poder infinito, e esse poder só pode pertencer àquele Ser que, pela mesma razão, é incompreensível. 2o. As Escrituras distinguem Jeová das criaturas e dos deuses falsos, e estabelecem a Sua soberania e os Seus direitos como o Deus verdadeiro, afirmando que Ele é o Criador - Sal. 96:5; Is. 37:16; 40:12,13; 44:5; Jer. 10:11,12. 3o. Se fosse admitido que uma criatura pode criar (em termos absolutos), então as obras da criação não serviriam para levar-nos ao conhecimento infalível de que o nosso Criador é o Deus eterno e autoexistente. 15. Por que é importante que saibamos, se nos for possível alcançar este conhecimento, qual foi o fim principal que Deus teve em vista na criação? Esta não é pergunta de vã curiosidade. É evidente que, sendo Deus eterno, imutável e de inteligência absolutamente perfeita, Ele invariavelmente haveria de manter em vista o grande fim ou propósito final para o qual criou todas as coisas no princípio, de forma que todas as Suas obras devem ser, mais direta ou mais remotamente, meios para esse fim. Ora, nós somos constituídos de tal modo que podemos entender um sistema somente quando entendemos o seu fim ou o seu propósito final. Assim,e.g., podemos compreender as diversas peças de um relógio ou de uma máquina a vapor, suas relações e funções,

somente depois de compreendermos o fim a que deve servir o relógio ou a máquina por inteiro. E, embora Deus nos tenha ocultado muitos dos Seus propósitos secundários, cremos que Ele nos revelou esse grande desígnio final, sem o conhecimento do qual nunca poderíamos compreender o verdadeiro caráter da sua administração geral. Ninguém pode negar que, se Ele revelou o propósito final da Sua criação, deve ser para nós ponto da maior importância sabermos qual é. E por si mesmo evidente que nós nunca poderemos chegar a uma generalização tão sublime como essa por nenhum processo de indução daquilo que sabemos ou podemos saber das obras de Deus. E-nos necessário, pois, extrair todas as nossas conclusões a esse respeito, em primeiro lugar, ao menos, daquilo que sabemos dos atributos de Deus e do ensino explícito da Sua Palavra. 16. Qual o significado do termo TEODICÉIA, e por quem foi primeiro explorado este ramo da teologia especulativa? O termo teodicéia ("theos dike") expressa uma justificação especulativa do modo pelo qual Deus trata a raça humana, especialmente no que diz respeito à origem do mal e ao governo moral do mundo. Foi primeiro elevado a um ramo da ciência teológica pelo filósofo alemão Leibnitz, em sua grande obra intitulada Teodicéia, ou a Bondade de Deus, a Liberdade do Homem e a Origem do Mal, publicada em 1710. 17. Qual a opinião de Leibnitz a respeito do fim que Deus teve em vista na criação, e por quem mais foi adotada ? Leibnitz sustentava que se pode resolver em benevolência toda a excelência moral, e que o grande fim totalmente abrangente que Deus teve em vista na criação do universo, e que tem em vista na Sua preservação e no Seu governo, é a promoção da felicidade das Suas criaturas. Concluiu disso que Deus escolheu o melhor sistema possível para conseguir esse fim no mais alto grau possível. Este sistema é qualificado como otimismo. Essa teoria foi adotada por grande número de teólogos da Nova Inglaterra, juntamente com a teoria, também aceita por muitos, que considera a virtude como consistindo de benevolência desinteressada. As objeções a essa teoria são: Ia. A virtude não consiste somente em benevolência desinteressada - Veja acima, Cap.8, Perg. 61. E a felicidade não é o maior bem. 2a. Subordina o Criador à criatura, o maior ao menor, como o meio para conseguir-se um fim. Quando Deus formou desde a eternidade o propósito de criar, não existiam criaturas que devessem ser tornadas felizes ou infelizes. O motivo para criar, pois, não poderia ter origem naquilo que não existia, e só poderia ter origem e objeto no próprio Ser divino. 3a. As Escrituras (veja a pergunta seguinte) em parte alguma, nem direta nem indiretamente, ensinam que alguma coisa na criatura é o fim principal de Deus, nem propõem elas em parte alguma qualquer bem público ou pessoal da criatura como o fim principal que deve ter em vista a criatura mesma. 18. Como se pode expor a doutrina verdadeira? Citar as exposições da Confissão de Fé que lhe dizem respeito. A doutrina verdadeira é que o grande fim que Deus teve em vista na criação foi a Sua própria glória. Glória é excelência manifestada. A excelência dos atributos de Deus é manifestada por Sua operação. Por conseguinte, esse fim não foi o aumento, nem da Sua excelência nem da Sua felicidade, e sim Sua manifestação ad extra.

"Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para manifestação da glória de Seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, quer as coisas visíveis quer as invisíveis" - Confissão de Fé, Cap.4, § 1. Ela afirma também que a Sua glória é o fim principal que Deus tem em vista em todos os Seus propósitos e nas obras da providência e da redenção - Cap. 3, § 3,5,7; Cap. 5, § 1; Cap. 6, § 1; Cap.33, § 2; Catecismo Maior, Pergs. 12 e 18; Breve Cat., Perg. 7. 19. Quais são os argumentos que a razão e as Escrituras apresentam a favor da doutrina verdadeira ? Io. Tendo Deus formado o propósito de criar antes de existir criatura alguma, é evidente que o motivo para criar teve necessariamente sua origem e objeto no Criador preexistente, e não na criatura não existente. O Criador não pode estar subordinado à criatura finita e dependente, nem pode depender dela. 20. Sendo Deus mesmo infinitamente mais digno do que a soma de todas as criaturas, segue-se que a manifestação da Sua própria excelência é um fim infinitamente mais digno e mais exaltado do que o seria a felicidade das criaturas; seria realmente o fim mais exaltado e mais digno que nos é possível imaginar. 3o. Nada pode exaltar tanto a criatura e tornar-se fonte da sua felicidade como o fato de que Deus fez dela um meio de promover a Sua glória como Criador infinito, e testemunha da Sua glória; e por isso propor Deus essa glória como "o fim principal" da criação é o penhor mais seguro do progresso da criatura em excelência e bem-aventurança. 4o. As Escrituras declaram explicitamente que esse é o fim principal de Deus na criação - Prov. 16:4; Col. 1:16, e das coisas como criadas - Rom. 11:36; Apoc. 4:11. 5o. Elas ensinam que esse é também o fim principal de Deus nos seus decretos - Ef. 1:5,6,12. 6o. Elas também ensinam sobre Seu governo e Sua direção providenciais de Suas criaturas, por Sua graça - Rom. 9:17,22,23; Ef. 3:10. 7o. As Escrituras impõem como dever a toda criatura moral que adotem esse mesmo fim como o seu fim pessoal em todas as coisas - 1 Cor. 10:31; 1 Ped. 4:11. 20. Qual a atitude atual da ciência geológica em relação à narração mosaica da criação? Os resultados modernos da ciência geológica estabelecem as seguintes conclusões: (a) Que os materiais elementares de que o mundo é composto já existiam por um número indefinido de séculos, (b) Que o estado em que se acha o mundo atualmente foi produzido providencialmente por meio de uma progressão gradual, e que, durante longos tempos, esta progressão deu-se em condições físicas bem diversas entre si. (c) Que o mundo foi habitado sucessivamente por muitas ordens diversas de seres organizados, sendo cada ordem por sua vez adaptada às condições físicas em que o globo se achava durante a permanência dessa ordem, e notando-se também em cada ordem sucessiva, como regra geral, uma organização superior à da ordem anterior, passando elas das formas mais elementares para as mais perfeitas e complexas, (d) Que o homem completa a pirâmide da criação, o mais perfeito e o último formado de todos os habitantes do mundo. A única dificuldade que se encontra em se conciliarem estes resultados com a narração mosaica da criação está nos pormenores, a cujo respeito é obscuro o sentido verdadeiro da narração inspirada, e as conclusões da ciência são imaturas. Por isso é que têm falhado todas as tentativas, como, e.g., a que fez Hugh Miller em sua obra Testimony of the Rocks (O Testemunho das Rochas), de acomodar à história bíblica em todos os seus pormenores as conclusões mais ou menos certas da geologia.

Quanto à relação entre aquilo que diz a ciência a respeito da antigüidade do homem e a cronologia bíblica, veja abaixo, Cap.16. Em geral, porém, há concordância muito notável entre a narração mosaica e os resultados dos estudos da geologia quanto aos seguintes pontos: a narração concorda com aquilo que a ciência diz, ensinando - (a) A criação dos elementos num passado muito remoto, (b) A existência intermédia do caos. (c) O passar o mundo por diversas mudanças antes de chegar à sua atual condição física, (d) As criações sucessivas de diversos gêneros e espécies de seres organizados - dos vegetais antes dos animais - das formas inferiores antes das formas superiores - em adaptação às condições cada vez melhores da terra - e do homem como o último de todos. Se lembrarmos quando, onde e para que fim essa narração bíblica foi escrita e a compararmos com todas as demais cosmogonias antigas, ficaremos convencidos de que essa concordância maravilhosa com os últimos resultados dos estudos da ciência moderna é uma contribuição muito importante para as provas da sua origem divina. Vê-se com certeza que, mesmo quando se lê essa narração à luz da mais severa crítica moderna, ela é suficiente para o fim que o seu Autor divino teve em vista, a saber, que servisse como introdução geral da história da redenção, a qual, embora tivesse suas raízes na criação, foi em seguida levada avante como um sistema de revelações e influências sobrenaturais. 21. Como expor os diversos princípios que sempre devemos ter em mente quando consideramos questões que envolvem um conflito aparente entre a ciência e a revelação? Io. Tanto as obras como a Palavra de Deus são revelações Suas. Por conseguinte, as duas são igualmente verdadeiras, igualmente sagradas, e devem ser tratadas com igual reverência. É absolutamente impossível que haja conflito entre as duas revelações, quando adequadamente interpretadas. Preferência da nossa parte de uma ou de outra é traição contra o Autor e Senhor de ambas. 2o. A ciência, como interpretação das obras de Deus, é, portanto, um ramo legítimo e obrigatório dos estudos humanos. Tem seus direitos que devem ser respeitados, e seus deveres que ela deve observar. Todas as ciências têm o direito de prosseguir nas suas investigações legítimas segundo os seus próprios métodos legítimos. Não podemos exigir que o químico prossiga nas suas pesquisas segundo os métodos do filólogo, nem do geólogo que vá procurar seus fatos na história, quer sagrada quer profana. Contudo é também dever dos estudantes de qualquer ciência que se conservem dentro dos seus limites, e que reconheçam o fato de que a sua ciência é uma província apenas no imenso império da verdade, e que, por isso, devem respeitar todas as diversas ordens de verdades, tanto as verdades históricas e inspiradas como as científicas, e tanto as verdades mentais e espirituais como as materiais. 3o. Da limitação das faculdades humanas segue-se como conseqüência prática que os homens que se dedicam a um ramo especial de pesquisas adquirem hábitos especiais de pensar, como também peculiares associações de idéias, segundo os quais tornam-se propensos a medir e julgar todas e quaisquer verdades. Sucede assim que o homem científico primeiro interpreta mal e então tem ciúmes do teólogo, e este também interpeta mal e então tem ciúme do homem científico. Isso, porém, é acanhamento, e não conhecimento superior; é fraqueza, e não força. 4o. Sendo a ciência tão-somente uma interpretação humana das obras de Deus, é sempre imperfeita e comete muitos erros. Os intérpretes da Bíblia são humanos também, e por isso podem cometer erros, e nunca devem afirmar que as suas interpretações são realmente as idéias que Deus quis revelar. 5o. Todas as ciências, em sua condição imatura, têm sido consideradas como opostas à Palavra de Deus. No entanto, ao passo que se tornaram mais amadurecidas, achou-se que estavam em perfeita harmonia com essa Palavra. As vezes é a ciência que se emenda e se torna assim combinada com as idéias dos teólogos; outras vezes são as opiniões dos teólogos que se emendam e se tornam assim combinadas com a ciência aperfeiçoada e demonstrada, como, e.g., foi o caso do sistema astronômico de Copérnico, sistema primeiro odiado pela igreja, mas depois aceito universalmente por ela, e com gratidão.

6o. No caso de muitas ciências, particularmente no da geologia, ainda não chegou o tempo para que se procure ajustar suas conclusões à revelação das Escrituras. Assim como acontece com a história contemporânea em sua relação com as profecias, a geologia, em sua relação com a narração mosaica da criação, está in transitu (em transição). Suas conclusões ainda são incertas. Quando todos os geólogos estiverem de acordo entre si, todos os fatos acessíveis da ciência tiverem sido observados, analisados e classificados, a generalização estiver completa, todos os seus resultados tiverem sido recolhidos e se tiverem tornado parte indubitável e permanente da herança intelectual dos homens, ver-se-á então exposta por si mesma a concordância entre a ciência e a revelação, e que a ciência sustenta e ilustra a Palavra escrita de Deus, em vez de lhe ser oposta. 7o. Há, pois, duas tendências opostas que são igualmente prejudiciais à causa da religião, e que mostram a fraqueza da fé que caracteriza muitos dos seus amigos professos. A primeira é a fraqueza de se aceitar imediatamente como verdade líquida e certa qualquer conclusão hostil à Palavra de Deus, se for anunciada por especuladores científicos; a constante confissão que assim se faz de que a luz da revelação é inferior à luz da natureza, e a certeza das conclusões da exegese bíblica e da teologia cristã inferior à dos resultados dos trabalhos da ciência moderna; os constantes esforços para acomodar as interpretações das Escrituras, como um nariz de cera, a cada fase nova que tomam as interpetações correntes da natureza. A segunda tendência é a de ir ao extremo oposto, de nutrir preconceitos e suspeitas contra todas as conclusões averiguadas da ciência, com temor de serem, provavelmente, ofensas contra a dignidade da revelação, e de atacar com impaciência mesmo aquelas fases passageiras da ciência imperfeita que por enquanto parecem inconciliáveis com as nossas opiniões. Estando em pé sobre a rocha da verdade divina, os cristãos nada têm que temer e podem bem esperar o resultado. A fé perfeita, bem como o amor perfeito, lança fora o temor. Todas as coisas são nossas, quer sejam naturais, quer sobrenaturais, quer sejam ciência, quer revelação. Veja Isaac Taylor, Restoration ofBelief (Restauração da Fé), págs. 9,10.

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Os Anjos
1. Quais os diversos sentidos em que a palavra grega aggelos (anjo, mensageiro) é empregada nas Escrituras? "Mensageiros comuns, Jó 1:14; Luc. 7:24; 9:52; profetas, Is. 42;19; Mal. 3:1; sacerdotes, Mal. 2:7; ministros do Novo Testamento, Apoc. 1:20; também agentes impessoais, como a coluna de nuvem, Ex 14.19; apestilência, 2 Sam. 24:16,17; os ventos, Sal. 104:4; pragas, chamadas "anjos maus" (Figueiredo), Sal. 78:49; o espinho na carne de Paulo, chamado "anjo de satanás", 2 Cor.l2:7." Também a segunda Pessoa da Trindade, chamada "o anjo da sua face", "o anjo do concerto", Is 63.9; Mal. 3:1. Mas a palavra é aplicada principalmente a seres celestes, Mat. 25:31 - Veja Kitto,Bib. Encyc. 2. Quais os designativos bíblicos dos anjos, e até onde expressam eles sua natureza e seus ofícios? Os anjos bons (quanto aos maus veja Perg. 15), em referência à sua natureza, dignidade e poder, são chamados, nas Escrituras, "espíritos", Heb. 1:14; "tronos, dominações, principados, potestades, poderes", Ef. 1:21; Col. 1:16; "filhos de Deus", Jó 1:6; Luc. 20:36; "anjos seus, magníficos em poder", "os anjos do seu poder", Sal. 103:20; 2 Tess. 1:7; "santos anjos", "anjos eleitos", Luc. 9:26; 1 Tim. 5:21; e com referência aos ofícios que desempenham em relação a Deus e aos homens, são chamados "anjos", ou mensageiros, e "ministradores", Heb. 1:13,14. . . . , . 3. Quem eram os querubins? Eram criaturas idealizadas, compostas de quatro partes, a saber, as de um homem, de um boi, de um leão e de uma águia. Sua aparência predominante era a de homem, mas o número de rostos, pés e mãos diferia segundo as circunstâncias - Ez. 1:6 comp. com Ez. 41:18,19, e Êx. 25:20.

As mesmas criaturas idealizadas aplica-se também o designativo "seres viventes" (ARA), traduzido por "animais" nas versões de Almeida, Revista e Corrigida, e outras - Ez. 1:5-22; 10:15,17; Apoc. 4:6-9; 5:6-14; 6:1-7; 7:11; 14:3; 5:7; 19:4. Os querubins eram seres simbólicos das propriedades mais elevadas da vida das criaturas, e delas como indícios e manifestações da vida divina; e eram seres típicos do estado do homem redimido e glorificado, ou representações proféticas dele, como o estado em que essas propriedades seriam combinadas e manifestadas. Foram colocados no jardim do Éden imediatamente depois da queda de Adão, cabendo-lhes guardar o caminho da árvore da vida - Gên. 3:24. Outra conexão, e mais comum, em que aparece o querubim é quando se fala no trono da habitação peculiar de Deus. No mais santo lugar do tabernáculo, Êx. 25:22; Jeová era chamado o Deus que estava assentado sobre, ou entre, os querubins, 1 Sam. 4:4; Sal. 80:1; Ez. 1:26,28; cuja glória estava sobre os querubins. No Apoc. 4:6 fala-se nos animais (seres vivos) que estavam no meio do trono e ao redor dEle. Que significa tudo isso, senão o fato maravilhoso, revelado mais claramente na história da redenção, de que a natureza humana haverá de ser exaltada à habitação da Deidade? Em Cristo ela já foi assunta, por assim dizer, ao próprio seio de Deus; e por ser honrada tanto assim em Cristo, haverá de, nos seus membros, alcançar uma glória maior do que a dos anjos - Fairbairn, Typology, Part. 2, Ch. 1, Sec. 3. 4. Qual a etimologia da palavra serafim, e que ensinam as Escrituras a seu respeito? A palavra serafim significa ardente, brilhante, refulgente. Encontra-se na Bíblia somente em Isaías 6:2,6. É provável que seja outro designativo, sob aspecto diverso, dos seres idealizados chamados comumente querubins e seres vivos. 5. Haveria alguma prova de que os anjos são seres de diversas ordens e hierarquias? Que há semelhantes distinções parece evidente - Io. Pela linguagem das Escrituras. Diz-se que Gabriel é um dos que assistem diante de Deus, evidentemente em algum sentido proeminente - Luc. 1:19; e Miguel é chamado "um dos primeiros príncipes" - Dan. 10:13. Note-se também os epítetos arcanjo, tronos, dominações, potestades, principados, poderes - Ef. 1:21; Col. 1:16; Jud., vers. 9. 2o. Pela analogia dos anjos decaídos. Veja Mat. 9:34; Ef. 2:2. 3o. Pela analogia da sociedade humana e da criação universal. Em todo o universo conhecido há graduação de ordem. 6. Falariam as Escrituras em mais de um arcanjo, e este deve ser considerado como criatura? O referido termo é empregado somente duas vezes no Novo Testamento, e em ambos os casos está no número singular, e vem precedido pelo artigo definido, Ao, no grego - 1 Tess. 4:16; Jud., vers. 9. Assim, pois, o termo parece ser o título de uma só pessoa, chamada Miguel em Judas, vers. 9, e a mesma que em Daniel 10:13; 12:1, é chamada "um dos primeiros príncipes" e "grande príncipe", e de quem se diz no Apocalipse 12:7 que pelejou com seus anjos contra o dragão e seus anjos. Muitos supõem que o arcanjo é o Filho de Deus. Outros acham que pertence à classe mais elevada das criaturas, por ser chamado "um dos primeiros príncipes" em Daniel 10:13, e porque nunca lhe são atribuídos atributos divinos. 7. Que ensinam as Escrituras a respeito do número e do poder dos anjos? Io. A respeito do seu número as Escrituras só ensinam que é muito grande: "milhões de milhões" Dan. 7:10; "mais de doze legiões de anjos" - Mat. 26:53; "uma multidão dos exércitos celestiais" - Luc. 2:13; "muitos milhares de anjos" -Heb. 12:22.

2o. A respeito do seu poder as Escrituras ensinam que é muito grande, tanto quando exercitado no mundo material como no espiritual. São chamados anjos do poder de Jesus em 2 Tessalonicenses 1:7, e no Salmo 103:20, "magníficos em poder"; veja também 2 Reis 19:35. Não têm, porém, o poder de criar, e assim como os homens, só podem exercer o seu poder conectivamente com as leis gerais da natureza, no sentido absoluto dessa palavra. 8. Em que se ocupam eles? Io. Vêem a face de Deus no céu, adoram as perfeições divinas, estudam todas as revelações que Deus faz de Si nas obras da providência e da redenção, e são perfeitamente felizes na Sua presença e no Seu serviço - Mat. 18:10; Apoc. 5:11; 1 Ped. 1:12.16 2o. Deus os emprega como Seus servos na administração da Sua providência - Gên. 28:12; Dan. 10:13: (1) A Lei foi ordenada por anjos - Atos 7:53; Gál. 3:19; Heb. 2:2. (2) São ministros do bem, a favor do povo de Deus - Sal. 91:10-12; Atos 12:7; Heb. 1:14. (3) São executores dos juízos de Deus contra os Seus inimigos - 2 Reis 19:35; 1 Crôn. 21:16; Atos 12:23 - (4) No juízo final os anjos separarão os maus dos bons, recolherão os eleitos e os elevarão para encontrar Cristo nos ares-Mat. 13:30,39; 24:31; 1 Tess. 4:16,17. 9. Os anjos têm corpos? E como se pode explicar o seu aparecimento? Nas Escrituras os anjos são chamados "espíritos" (Heb. 1:14), palavra empregada também para designar as almas dos homens quando separadas dos corpos - Luc. 8:55. Mas não há nada no sentido dessa palavra, nem nas opiniões dos judeus do tempo de Cristo, nem em coisa alguma do que nos dizem as Escrituras a respeito das ocupações dos anjos, que prove que os anjos não têm corpos de espécie nenhuma. E como se diz que o Filho de Deus tem agora um "corpo glorioso", um "corpo espiritual" para sempre, e como todos os remidos hão de afinal ter corpos como o de Cristo, e os anjos são associados com os homens remidos como membros do mesmo reino infinitamente exaltado, parece provável que os anjos tenham sido criados com organização física não totalmente disse-melhante desses "corpos espirituais" dos remidos. Nos tempos bíblicos anjos apareceram e falaram aos homens sempre na forma corporal de homens, e também à semelhança de homens comuns comeram e abrigaram-se em casas Gên. 18:8; 19:3. Alguns supõem, por conseguinte, que os anjos têm corpos semelhantes aos atuais corpos "naturais" ou animais dos homens - 1 Cor. 15:44, compostos de carne, ossos e sangue, com cabeça e feições, pés e mãos, e que, quando um anjo aparecia a qualquer pessoa, não havia mudança nele, e sim ele simplesmente entrava na esfera da percepção dos sentidos dessa pessoa, apresentando-se-lhe assim como habitualmente é. Isso, porém, é inconciliável com os fatos narrados nas Escrituras. Segundo esta, os anjos "apareceram" às vezes exatamente como homens comuns, outras vezes, porém, de modos bem diversos Núm. 22:31; Atos 12:7-10, passando através de muros de pedra, aparecendo e desaparecendo à vontade, etc. Além disso, um dos três homens que apareceram a Abraão em Manre, cujos pés ele lavou e que comeram o que lhes havia preparado, era Jeová, a segunda Pessoa da Trindade, que não tinha corpo antes de o tomar séculos depois no ventre da virgem Maria. Se, pois, o corpo humano de uma dessas pessoas não era corpo real, não somos autorizados a concluir, dos fatos ali registrados, que os das outras o eram Gên. 18:4-33. Ademais, a teoria manifesta absurda confusão de pensamentos. O corpo humano animal, assim como o conhecemos, é uma organização física que está em equilíbrio com certas condições físicas definidas e exatamente ajustadas, e pode existir só nessas condições. Os animais vertebrados, dos quais o homem é a forma superior, foram mudados sempre quando se mudaram as condições físicas da terra, e deixam sempre de existir quando essas condições se mudam muito. A concepção de um corpo humano vivendo na água ou no fogo seria absurda, e mais absurda ainda parece ser a concepção de uma criatura com

sangue como o do homem, e comendo alimento, existindo indiferentemente na terra e no céu, atravessando à vontade o espaço entre as estrelas, e como verdadeiro cosmopolita vivendo alternada e indiferentemente em todos os mundos e em todos os elementos, o éter, o ar e a água, e em todas as temperaturas, desde a temperatura de milhares de graus do sol, até ao zero absoluto do vácuo entre as estrelas. A aparência corporal dos anjos deve, pois, ter sido alguma coisa nova que assumiram, ou então alguma coisa preexistente e permanente, mas bastante modificada com o fim de torná-los capazes de manifestar-se em forma humana aos homens. 10. Qual a doutrina e a prática romanas quanto ao culto prestado aos anjos? Diz oCatechismusRomanus, 3:2,9,10-"Porqueo Espírito Santo que diz: ao Deus uno seja honra e glória - 1 Tim. 1:17, manda-nos também honrar a nossos pais e aos velhos - Lev. 19:32, etc.; e dos homens santos que deram culto só ao Deus uno se diz nas Sagradas Escrituras que adoraram - Gên. 23:7,12, etc., isto é, veneraram suplicantemente, a reis. Se, pois, reis, por cujo ministério Deus governa o mundo, são tratados com tanta honra, não daremos aos espíritos angélicos uma honra tanto maior em proporção quanto esses seres felizes excedem aos reis em dignidade; (a esses espíritos angélicos) os quais aprouve a Deus constituir Seus ministros; de cujo ministério Se serve não só no governo da Igreja, mas também no do resto do universo; por cuja assistência, ainda que não os vejamos, somos libertos diariamente dos maiores perigos da alma e do corpo? Acrescentai a isso o amor com que nos amam, e que os leva, segundo nos dizem as Escrituras - Dan. 2:13,17 a oferecer suas orações pelos países sobre os quais a Providência os colocou, e sem dúvida também por aqueles cujos guardas são, porque apresentam diante do trono de Deus as nossas orações e lágrimas - Jó 3:25; 12:12; Apoc. 8:3. Por isso nosso Senhor nos ensinou no evangelho a não escandalizar os pequeninos, porque nos céus os seus anjos incessantemente estão vendo a face de seu Pai, que está nos céus - Mat. 18:10. "Sua intercessão devemos, pois, invocar, porque vêem sempre a Deus, e recebem dEle com muito boa vontade a defesa da nossa salvação. Desta sua invocação as Sagradas Escrituras dão testemunho" Gên. 48:15,16. 11. Que idéias têm sido sustentadas quanto a "anjos da guarda"? "Foi opinião predileta dos santos Pais, que cada indivíduo está sob a guarda de um anjo particular, que lhe é designado como protetor. Costumavam falar também em dois anjos -um bom e o outro mau que eles supunham que acompanhavam a cada indivíduo, incitando-o o bom anjo a tudo quanto é bom e desviando dele o mal; e incitando-o o mau anjo ao mal e desviando dele o bem (Hermas 11:6). Os judeus, com exceção dos saduceus, criam nisso, e os muçulmanos crêem nisso ainda. Os antigos pagãos criam nessa idéia sob uma forma modificada - pois os gregos tinham seus demônios tutelares (bons ou maus) e os romanos seus gênios. Na Bíblia, porém, não há nada que apóie essa idéia. As passagens que costumam citar a seu favor (Sal. 34:7; Mat. 18:10) é certo que não significam nada disso. A primeira simplesmente ensina que Deus Se serve do ministério dos anjos para livrar Seu povo de aflições e perigos; e a segunda, que os filhos dos crentes, enquanto crianças, ou os mais pequenos entre os discípulos de Cristo, dos quais os ministros da Igreja poderiam estar inclinados a descuidar-se, são tidos em tão alta estima em outra parte que nem os anjos julgam abaixo da sua dignidade ministrar-lhes" - Kino, Bib. Encyclop. 12. Quais os nomes dados a satanás, e o que significam? Satanás, que quer dizer adversário, Luc. 10:18. O diabo, sempre no singular no grego, que significa caluniador, difamador, Apoc. 20:2. Abadom (em grego Apoliom), que quer dizer destruidor, Apoc. 9:11. Belzebu, o príncipe dos demônios, do deus dos ecronitas, principal das divindades pagãs, todas as quais os judeus tinham na conta de demônios, 2 Reis 1:2 (Baal-Zebu); Mat. 12:24. O anjo do abismo, Apoc. 9:11. O príncipe deste mundo, João 12:31. O

5:13. Jud. potestades. Algoz (Figueiredo: algozes). Luc. 2 Cor. espíritos de mentira. Sua relação com o mundo é indicada pela história da Queda. também aflige. satanás tem poder sobre amorte-Heb. 4:4. 6. As frases descritivas da sua operação. e por expressões como "deus deste século" (mundo). 2 Crôn. 2 Cor. Apoc. hostes espirituais da maldade. Deus deste século (deste mundo). 13. e príncipe das trevas e dos espíritos de malícia espalhados por esses ares. 2:4. "cegou os entendimentos". mantém presos à sua vontade os que não se desprendem dos seus laços. 5:8. Que ensinam as Escrituras a respeito da relação de satanás com outros espíritos maus e com o nosso mundo? Outros espíritos maus são chamados "seus anjos". Dragão. 18:34.Luc. sendo-lhe atribuído tudo o que fazem os seus agentes. 12:10. 12:9. Ef. o chefe. vers. lança mão de "dardos inflamados". Leão que ruge. mas deixaram a sua própria habitação. 12:7. embaimento e persuasão. Ef. 226.־‬e assim "engana todo o mundo". 6:15. Mar. 2:24. e não mera personificação do mal? Em todos os diversos livros das Escrituras Sagradas fala-se sempre conseqüentemente em satanás como uma pessoa. Acusador. 2:26. Apoc. 12:7. Apoc. 2 Tess. 13:16. emprega "ciladas". Mentiroso e homicida.. 11:14. Eles têm produzido e agravado moléstias. Ef. 6:12. 20:10. 2:9. anjos que pecaram. persegue e tenta o verdadeiro povo de Deus até onde lhe é permitido para o bem final desse mesmo povo . 5:5. ho diabolos. 2 Cor. Passagens como Mateus 4:1-11 e João 8:44 são decisivas. espíritos imundos. Quando pode enganar. 27:1.‫ . anjos do diabo. 2:14. "profundezas". Mat. e exercida mediante seduções enganosas. príncipes das trevas deste século.Jó 2:7. 12:9. ."poder. 1 Tess. 1 João 3:10. 14:12 (Figueiredo). e se lhe atribuem atributos pessoais. é-nos dito que os homens maus são filhos dele. 2 Ped. e "príncipe das potestades do ar. Ef. Apoc. 15. 1 João 3:8. 2 Tim. Ef. "se transfigura em anjo de luz".Is. Mat. Ef. sua influência é simplesmente moral. Is. 11:3. Apoc.10. empregadas nas Escrituras. Mat. Isso mostra que ele é o principal espírito do mal. são como as que se seguem . Serpente. Como se pode provar que satanás é um ser pessoal. Heb. 6:11. E certo que ao menos às vezes exerceram uma influência inexplicável sobre os corpos dos homens. 4:4. 8:31. 2 Cor. principados. 14. 2 Cor. o diabo. anjos que não guardaram o seu principado. 2:2. "o engano da injustiça". Lúcifer. Apoc. Quando não pode persuadir. 6:12. 1 Tim. Em alguns casos. Enganador. Pecador desde o princípio.Is. Quais os nomes dados nas Escrituras aos espíritos decaídos? A palavra grega. Mat. Leviatã. 1 Ped. O que tinha o império da morte. "laço". 2 Cor. 9:34. 3:7. parece praticamente ubíquo. sugestão. e excitado apetites e paixões -1 Cor. Mat. e sinais e prodígios de mentira". 25:41. 22:31. ele cega os entendimentos dos que não crêem e conduz os cativos à sua vontade. João 8:44. 27:1. 2:14. e ele é chamado "príncipe dos demônios". porém inteiramente sujeita ao domínio de Deus . satanás e seus anjos não têm poder nenhum para mudar o coração ou coagir a vontade. 2 Tim. 6:12.príncipe destas trevas (na tradução de Figueiredo. "governadores destas trevas"). mas. satanás só pode estar num lugar a qualquer tempo. do espírito que agora opera nos filhos da desobediência". 25:41. Que poder ou influência sobre os corpos e as almas dos homens lhes é atribuído? Assim como todos os seres finitos. 2 Cor.2 Cor. Belial. Outros espíritos maus são chamados daimones. 6:16. 18:21. 12:7. demônios. inquieta. 4:4.2:18. Atos 10:38. 16. Com relação às almas dos homens. e de bofetadas. é aplicada no original somente a Belzebu.

Ananias e Safira. Atos 5:3.e Paulo. as Escrituras citam os casos de Adão. Que.Atos 17:22.") 18. que as coisas sacrificadas pelos gentios. Mat. (Figueiredo: ". 20:10. Como eram chamados os que estavampossessos de espíritos maus? "Endemoninhados". Qual a prova de que os pagãos adoram demônios? "O daimon é o objeto do seu culto. 4:33. e queriam que outros cressem também. a suposta existência de semelhantes possessões limita-se aos séculos de maior ignorância. 2o. e qual a verdadeira interpretação de Efésios 2:2e6:12? Estas passagens declaram simplesmente que os espíritos maus pertencem ao mundo invisível e espiritual. não tendo sido parte do desígnio deles ensinar aos homens a verdadeira ciência da natureza e das moléstias. Apoc. 2:4. 106:36. e deisídaimon é quem presta o culto. dizendo que. 25:41. Luc. excessivamente dados ao culto dos daimones. diz: "Sacrifícios ofereceram aos demônios. e não ao sistema do nosso mundo. a deuses que não conheceram. Davi. donde caíram. vers. que seus pais não tinham adorado. 17:15. novos deuses que vieram há pouco dos quais não se estremeceram seus pais" (ARA). 20. 21. Luc. 6. 21:1. e a tentação a que se submeteu o nosso bendito Salvador. capítulo 4. ficando reservados para o juízo" . As Escrituras nada nos ensinam quanto ao lugar onde residem esses espíritos: ensinam tão-somente que eles habitavam originalmente no céu.. falando dos israelitas apóstatas . Que os mesmíssimos sintomas. . e curados. e chamaram as moléstias por seus nomes populares.2 Ped 2:4.Sal. Dizem também que essa doutrina é inconciliável com os seguintes princípios claramente revelados: I .deuses novos e recentes. Mat. 1 Crôn. noutros casos. Judas. Quais os argumentos apresentados por aqueles que consideram os endemoninhados mencionados no Novo Testamento como simplesmente doentes ou alienados? Que não podemos distinguir entre os efeitos da possessão demoníaca e os de moléstias." Paulo declarou que os "varões atenienses" eram deisidaimonesterons. capítulo 3. Atos 10:38. 2 Ped. Onde residem. 4:24.37. demônios . que agora têm acesso aos habitantes do mundo.Deut. sem quererem. "um homem que tinha um espírito imundo" (Figueiredo: "possesso do espírito imundo"). como também a feitiçaria. e não a Deus -1 Cor. "lunático". o Procuram dar outro sentido às palavras de Cristo e Seus apóstolos. Jud. 32:17. Gên. 10:20. têm sido tratados como moléstias. "oprimidos do diabo". Moisés. dar assim o seu apoio à teoria comum quanto à natureza da causa produtora dessas moléstias. Que as almas dos falecidos vão imediatamente para o céu ou para o inferno. Davi afirma que os ídolos dos pagãos são demônios . 22:3. não a Deus. isto é.. porém. Como se pode provar que os endemoninhados do Novo Testamento estavam realmente possessos de espíritos maus? As narrativas singelas de todos os evangelistas não deixam a mínima dúvida de que Cristo é Seus apóstolos realmente criam. adotaram nesses aspectos a linguagem comum dos seus contemporâneos. estes as sacrificam aos demônios.Como exemplos da sua influência em tentar os homens ao pecado. que os endemoninhados estavam de fato possessos de demônios. termo traduzido assim em Mat. e que serão afinal lançados no lago de fogo preparado para eles -Mat.. 17. Que os anjos decaídos já estão presos "às cadeias da escuridão. 19. deisidaimonia é o culto.

Mar. A criação dá o começo absoluto das coisas no tempo. e não só os "possessos" deles falavam (Mar. Nunca se diz que a lua entrou num homem. e Cristo lhes dirigia a palavra. bem como a forma e as faculdades de toda criatura individual são mantidas constantemente em existência por Deus. Turretino define este termo como incluindo. a saber. 18. 8:32. Criatura é aquilo que depende em tudo e por tudo só da vontade do seu Criador. tanto a existência como os atributos de toda espécie. impunha-lhes ordens e os repreendia-Mat. Mar. 4. de pro e video. .. Esta verdade parece estar envolvida na própria concepção de uma criatura em sua relação de dependência do seu Criador. portanto. Que argumentos estabelecem a conclusão de que a operação constante da energia divina é essencial para a preservação de todas as criaturas? Io. Acha-se implícita no sentimento de dependência absoluta. A preordenação dá o plano. Cat. Seus desejos. ou que a lua deu altos gritos. 5:9.33. em virtude dos seus hábitos ou do seu desenvolvimento. qua Deus creaturas omnes in statu suo conservat. 8:31. 3. Isto é. O número dos que estavam numa só pessoa é mencionado . 6:17. de Fé. no seu sentido mais lato. no tempo e por meio das causas secundárias originadas por Ele na criação. não pode continuar por si mesmo a sua existência. ou que ela foi lançada fora de um lunático. o qual é uma característica invariável da natureza humana. Perg. o argumento daqueles que querem dar outro sentido às palavras de Cristo e seus apóstolos a esse respeito. seu sentido restringe--se ao último dos três acima citados. 1:25. Saíram do "possesso" e entraram nos porcos . Qual a etimologia e o uso técnico do termo "Providência". Maior. 9:25. 8:32. e é eterna. 2o. Veja Conf.Distinguem entre possessão e moléstias . um arranjamento cuidadoso. preparado antecipadamente para alcançar certos fins predeterminados. 2. 1:32. pedidos e paixões distinguem-se dos dos possessos -Mat.18. e qual a relação desta com o decreto eterno de Deus? Providência.L. Quaes. literalmente. A providência inclui os dois grandes ramos: (a) A preservação contínua de todas as coisas como criadas. e (c) a administração eficaz da coisa decretada. quod fit conservatione essentiae in especiebus. como igualmente não a pode originar.Mar. como também no uso comum da palavra. totalmente compreensiva e imutável. e depois. 14 A Providência 1.34. existentiae in individuis. e (b) o governo contínuo de todas as coisas assim preservadas. Sendo assim absolutamente dependente. Perg. a execução por Deus do Seu decreto eterno. que é um elemento essencial do sentimento religioso. (a) presciência. de modo que se efetua tudo aquilo para o que foram criadas. (b) preordenação. No uso técnico e teológico. Cap. 17:18. Peca pela base. Como se pode expor a doutrina da preservação? Turretino. diz: "Conservatio est. Mar. Luc. 11. 5:12). et virtutis in operationes". etc. quer dizer. etc. 6. previsão. atormentando-o. . e Breve Cat. 9:26. e também na posse daquelas que porventura tenham adquirido depois. A preservação é aquela operação contínua da energia divina em virtude da qual o Criador mantém todas as criaturas em existência e na posse de todas essas propriedades e qualidades inerentes de que as dotou em sua criação.Luc. Os "demônios". 5.

1:17. num passado infinitamente remoto.Heb. porém. 3a. esta tem sido sempre a influência exercida por ela. condições e ações sucessivos. 2a. Phil. o estado ou ação de qualquer coisa criada num momento não tem nenhuma relação causai com o seu estado ou ação em outro momento. nos seus respectivos estados. Qual a opinião extremo-oposta à última acima considerada. Seu amor. "Sustentando todas as coisas. 41:8. senão também quanto ao Seu conhecimento. . segundo a sua natureza. Deixando Ele de exercer a Sua vontade (com vistas a um efeito particular).Col. assim como um homem deixa um relógio ao qual acaba de dar corda. Deus é o único ens a seipso. A única e exclusiva causa da existência da criatura é a vontade de Deus. Sal. 6. perpétua e imediata de tudo quanto existe é Deus mesmo. E. Como mostramos acima. e é sempre o que é e está como está. Deus. e nos movemos. quanto à natureza da operação divina envolvida na preservação? A opinião extremo-oposta à que acabamos de expor é que a preservação é uma criação contínua: que as criaturas e as causas secundárias não têm existência real e contínua. Cap. Segundo esta opinião. Essa opinião é antropomórfica até a um grau indigno de Deus. pela palavra do seu poder" . Os fundamentos desta doutrina foram lançados por Descartes (1596-1650) na exposição de suas idéias sobre a relação da criação com o Criador. Quais as objeções contra a opinião acima exposta? Ia. e com cada átomo da criação e em cada momento da duração do tempo. mas são reproduzidas do nada em cada momento sucessivo. Parte 1."Nele vivemos. 4.3o. Qual a idéia dos deístas e dos racionalistas a respeito da Preservação? Eles consideram como meramente negativa a ação de Deus na preservação contínua das criaturas . Está obviamente em oposição ao espírito inteiro das Escrituras. e ajustou-as num sistema equilibrado. pode dirigir a sua atenção a um só ponto em qualquer tempo. o Criador mantém-Se fora da Sua criação do mesmo modo como um mecânico acha-se fora da máquina que fabricou e pôs em movimento. É ensinada nas Escrituras. essa causa (visando a esse efeito) existirá. em conseqüência. "Todas as coisas subsistem por ele" . 9:6. da qual vemos exemplos nos textos especiais acima citados. dotou-as de suas diversas forças como causas secundárias. 50:10. em suas diversas relações. mas então as deixou operar independentemente de todo suporte ou direção de fora. na doutrina das "causas ocasionais" e na de "vermos todas as coisas em Deus". Consideram o sistema de causas secundárias como dependentes da Causa Primária somente no princípio do longo curso dos acontecimentos.Hist. segundo o testemunho da história. Assim. a causa não existiria mais e. Enquanto Ele quiser. . 2. 5. considerando aquela como mantida por este mediante uma criação contínua. pois. E óbvio que essa opinião afasta Deus para tão longe da criação que se torna irreligiosa em seus efeitos práticos.só não quer destruídas. e não somente quanto à Sua essência. Envolve a omissão anti-intelectual de apreender a diferença essencial que existe entre a relação de Deus com a criação e a do homem com a obra de Suas mãos.11. ofMod. 4a. O homem mantém-se necessariamente exterior à sua obra. Essas idéias foram levadas ao extremo máximo compatível com o teísmo por Malebranche. § 1. 1:3. e mesmo quando se acha presente. o efeito deixaria também de existir. essa opinião é inconciliável com a relação essencial da criatura (como um efeito) com o Criador (como uma causa). A criatura está sempre interpenetrada como também abrangida no pensamento e na vontade divinas. pela perpétua emanação da vis creatrix (força criadora) de Deus. e existimos"-Atos 17:28. Sua retidão e Seu poder infinitos. é onipresente. unicamente por causa de Deus. mas a causa única. Eles sustentam que no princípio Deus criou todas as coisas. Sua sabedoria.Morell. Veja também Nee. e foram levadas à sua conclusão legítima e lógica no panteísmo absoluto por Spinoza .

. e. são entidades reais. efeito de uma nova agência ou operação de causa poderosa da sua existência". e. 7. 3a. Se Deus está continuamente criando de novo cada criatura em cada momento em seus estados e ações sucessivos. nem a da ação de qualquer coisa criada. 8. Diz ele que nem a existência da substância.. e sim inteiramente. o motivo da sua existência continuada está em Deus.. Mas essas substâncias criadas não são autoexistentes. quer intelectuais. assim como no-lo dizem as nossas intuições inatas e necessárias. então as nossas intuições primitivas e constitucionais nos enganariam. Como expor os diversos pontos da verdadeira doutrina da preservação providencial? A verdadeira doutrina está entre as duas extremidades acima expostas. Cap. tanto espirituais como materiais. e da de nossos próprios espíritos como causas reais e autodeterminantes de ação. 3o.. como causas secundárias. Envolve as seguintes proposições: Ia. Ele ilustra a sua doutrina assim: "As imagens das coisas que vemos num espelho. da responsabilidade moral.. Nossas intuições originais certificam--nos da existência real e permanente de substâncias espirituais e materiais exercendo forças.. 4a. Desmorona imediata e radicalmente os fundamentos da agência livre. de modo que a imagem produzida por raios anteriores está sempre desaparecendo e uma nova imagem é produzida por novos raios a cada instante. e causa única e imediata de tudo quanto sucede. na produção dos efeitos que lhes são próprios. possuem existência real e permanente. tanto no espelho como nos olhos. e que aquilo que chamamos "curso da natureza" não é coisa separada da operação de Deus. enquanto conservamos os olhos fixos nelas. como fato histórico. sua existência atual não é. As propriedades ou forças ativas têm eficácia real. . nem a do modo. o universo inteiro seria uma ilusão. parecem sempre as mesmas. e não nas substâncias. quer sejam físicas. tanto da consciência íntima como do mundo exterior. e não só aparente. Parte 4. do governo moral e. As substâncias criadas. o presidente Edwards ensina a mesma doutrina em sua grande obra Original Sin. isto é. tem conexão causai com a sua existência. por conseguinte. e parecem conservar uma identidade perfeita e contínua. 2o.. é evidente que Deus é o único Agente real no universo. É inconciliável com as nossas intuições originais e necessárias de toda espécie de verdades.Incidentalmente. se fosse verdadeira essa doutrina. e se o estado ou ato de uma criatura num momento não tem relação causai com o seu estado ou ato no momento posterior. como agentes morais.. da religião. e os fenômenos. efeito da sua existência passada. 2a. conduz à sua adoção. 3. Assim é com os corpos como com essas imagens. ou com o seu estado ou com a sua ação no momento subseqüente. falando em termos restritos. quer morais. Os filósofos sabem muito bem que essas imagens são renovadas constantemente pela impressão e reflexão de novos raios de luz. A imagem que existe neste momento não foi derivada daquela que existiu no momento anterior. isto é. nossa própria natureza uma falsidade e o ceticismo universal seria inevitável. a existência passada da imagem não tem influência alguma para mantê-la nem por um instante. É evidente que isso envolve logicamente o panteísmo. Mas é sabido que não é assim. Todas possuem certas propriedades ativas e passivas. em conseqüência. Como se pode mostrar que essa doutrina é falsa e perigosa? Io. a cada instante. são produzidos realmente pela operação de causas secundárias. em qualquer momento de tempo. Mas. de que foram dotadas por Deus.

e Ele determinou todos os eventos e ações nas suas diversas relações para esses fins.5a. e sim em virtude do exercício positivo e contínuo do poder divino. que cada um e todos os eventos e ações sucedam segundo o plano eterno e imutável abrangido em Seu decreto. ou na execução subseqüente: a primeira é a destinação eterna de todas as coisas. Corno expor a doutrina bíblica do GOVERNO providencial de Deus? Tendo Deus decretado absolutamente e desde a eternidade tudo o que sucede.L. o decreto da vontade e a administração eficaz das coisas decretadas . Que argumento se tira da inata constituição religiosa dos homens? . 3a.. 6a. e em Seu poder e sabedoria. e que não deixará de empregar os melhores meios para alcançar esse fim em todas as suas partes. e que devemos atribuir à capacidade muito limitada de nossa compreensão todas as dificuldades e contradições aparentes que para nós parecem achar-se envolvidas em semelhante providência. o de apenas não determinar a sua destruição. Que prova a consideração das perfeições divinas fornece a favor do fato de que há semelhante governo universal? Prova-se pelas seguintes considerações: Ia. Há desígnio na providência. sem nunca violar as leis de suas diversas naturezas. pela palavra do Seu poder. e dirige continuamente e de tal modo as ações de todas as criaturas que esses fins gerais e especiais efetuam--se exatamente no tempo. faz. na maior parte. Ele TAMBÉM governa e dirige as ações de todas as criaturas assim preservadas. prothesin e disikesin . Sua bondade infinita torna certo que Ele não deixará Suas criaturas sensíveis e inteligentes entregues aos laços de um destino mecânico e cego. nem que as Suas criaturas religiosas sejam isoladas dEle.mas. asegunda é um ato transitório fora de Deus. Perg. Tratamos aqui da providência.a manifestação da Sua própria glória .. Veja a Conf de Fé. sendo que a sua vida mais elevada consiste na comunhão com Ele. 11. contudo. 4a. 9. para alcançar esse fim.o conhecimento dirigindo. O fato estupendo de que Deus é infinito em Seu Ser. da maneira e nas condições que Ele determinou desde a eternidade. 18 e o Breve Cat. Perg.ó. tendo no princípio criado do nada todas as coisas. 2a. em Sua relação com o tempo e o espaço. pelos meios estabelecidos. a vontade ordenando e o poder executando. no segundo sentido do termo". 1. recompensar e punir as criaturas que Ele fez sujeitas a obrigações morais. torna evidente que Lhe é possível exercer providência universal. estes são fixos. Deus escolheu Sua grande finalidade . mantendo todas as coisas em existência e na posse e exercício de todas as suas propriedades. Por conseguinte. diz: "O termo providência abrange três aspectos expressos pelos vocábulos gregos prognosin. escolheu também inumeráveis fins subordinados. A sabedoria infinita de Deus certifica que Ele tinha em vista certa finalidade quando criou o mundo.Quaes. Sua retidão infinita garante que Ele continuará a governar. Maior. 10.. o Cat. pode-se considerar a providência.o pré-conhecimento da mente. Cap. não meramente em virtude de um ato negativo de Deus. assim o é também a natureza exata da ação divina que se manifesta na manutenção de todas as coisas em existência e em ação. asegunda é o governo temporal de todas as coisas segundo esse decreto. de modo que. 11. e continuando depois a estar presente em cada átomo da Sua criação. mantendo-as em existência e na posse de todas as propriedades e forças de que Deus as dotou. ou no decreto antecedente. a primeira é um ato imanentedentro de Deus. 5. Assim como são inescrutáveis todos os demais modos pelos quais o infinito atua sobre o finito. Continuam a existir. Turretino.

e quase se perdem de vista no resultado geral. e se serve da chave da revelação. estão todos agindo e reagindo sem concerto ou desígnio possível da parte deles. os resultados idealizados de modo o mais sábio e benéfico. exatamente do mesmo modo os resultados da associação humana. produzem em toda parte. a religião e a oração. Como se pode estabelecer esta doutrina mediante provas derivadas da história do mundo? Se a constituição da natureza humana (alma e corpo). harmoniosamente. e vemos que essas leis gerais são ajustadas de tal modo em todas as suas coincidências e interferências intrincadas que. os movimentos instintivos. que operam harmoniosamente na ordem de certas leis gerais. luminosos e químicos do sol.Vê-se que o sentimento religioso. tanto da previsão como do desígnio de cada agente individual. totalmente sábio e todo-poderoso. a obediência a Ele não Lhe seria devida nem seria possível. porque agem. resultado que igualmente está além da previsão e da direção eficaz de todos. afinal. Mas quem estuda a história geral. e tão inumeráveis as complicações de diversas influências que atuam entre si e sobre cada comunidade. e (b) um sentimento de responsabilidade moral. as leis da vida vegetal e animal. os movimentos do sol. por movimentos simples e outros complexos. em suas relações elementares com a sociedade humana. diferem dos elementos do mundo material em seus modos de ação. todas estas igualmente não passariam de ilusões. e. As propriedades mecânicas e químicas dos átomos materiais. e. apesar disso. em conseqüência. em todas as suas proporções e relações. quer como indivíduos. todos os homens em todas as nações e condições à convicção da presença imediata e do governo providencial de Deus em todo o universo e em todos os eventos. Os elementos materiais. como um todo. O sentimento de dependência absoluta leva. em geral e em casos individuais provam a existência de um Governador providente que tem certos desígnios. sabiamente idealizados. da lua e das estrelas no céu. quaisquer indivíduos ou comunidades só conseguem levar a efeito os seus desígnios em escala muito limitada. Que argumento se tira da inteligência manifestada nas operações da natureza? O grande argumento indutivo que prova a existência de um Deus pessoal baseia-se nas provas claras de que há desígnio no universo. quando analisado. assim como o espírito que tem o desígnio não pertence a nenhum dos elementos. presente no mundo. protegendo os bons e restringindo e castigando os maus. tão grande a multiplicidade dos agentes. Estar sem Deus no mundo é estar numa condição em que são negadas as convicções elementares da natureza humana. prova a existência de um Criador com certos desígnios. com desígnio. de tudo quanto vive na terra. presente. tanto dentro de uma como também da parte de outras comunidades. não O poderíamos conhecer. assim também as provas de desígnio nas operações da natureza constatam a existência de um espírito que tem certos desígnios e os leva a efeito no governo providencial. O sentimento de responsabilidade moral leva todos os homens a crerem num governo moral supremo e universal. estão produzindo os resultados mais sábios e benéficos. E certo que os homens. natural e verdadeiramente. Por conseguinte. e tampouco Ele nos dirigiria e nos protegeria. Ao mesmo tempo. livremente. Se Deus não estivesse real e imediatamente presente na natureza e na história da humanidade. E. vê claramente os traços de um desígnio geral em todos os grandes movimentos da história humana. quer como reunidos em comunidades e nações. 12. os raios caloríficos. a providência de Deus. é evidente que tampouco pertence à reunião de todos eles. contudo. 13. regulares e outros fortuitos. e. com suas diversas propriedades. por impulso próprio. são todos incapazes de formar um desígnio. que dirige e governa todas as coisas pelo exercício presente do seu poder inteligente nas criaturas e por intermédio delas. como também os voluntários. e em certos pontos até se interligando visivelmente com as ações de agentes individuais. do mesmo modo que as provas de desígnio na constituição da natureza constatam a existência de um espírito que tem certos desígnios e os levou a efeito numa criação. que. Ora. é tão limitada a esfera. Só pode pertencer a um Deus pessoal. e a moralidade. compreende (a) um sentimento de dependência absoluta. e da natureza exterior. vemo--los todos ajustados de tal modo. Io. compreende e . e 2o.

19.dirige as pequenas providências dos homens. a promessa ou ameaça é condicional. 116:7. 10:29. Como se prova pelas Escrituras que a providência de Deus estende-se a todo o mundo natural? Jó 9:5. Luc. e sim. 16:9. Prov. Que distinção se tem feito entre providência geral e providência particular. sendo baseada numa condição que não estava na relação de causa para com o evento. 45:5. 16:31.g. Sal. 75:6. 15. a verdade da promessa ou ameaça certamente não pode depender de nenhuma conexão natural entre os dois eventos. 16. Como se prova pelas Escrituras que a providência de Deus compreende os animais irracionais? Sal. E Deus não podia prever um evento como contingente de outro que não tenha com Ele a relação causai.. Atos 14:17. 135:5-7. derivado das profecias. 6:26. da determinação de Deus de fazer um seguir-se ao outro. se Deus não empregasse os meios necessários para cumprir a Sua palavra. 17. Como se prova que os eventos por nós considerados fortuitos estão sob a direção de Deus? Io. cujas idéias sobre este ponto não são muito . 146:9. 2:21. Chamamos fortuito o evento cujas causas próximas.8. Sal. 16:33. 104:14. e qual é a doutrina verdadeira? A maioria dos homens admite que Deus exerce uma providência geral diretora sobre os quefazeres humanos. Is.7. 47:7. Mat. Prov. 37:6. 20. As Escrituras afirmam o fato . Isso. quer por serem muito sutis. dirigindo o seu curso geral e determinando os grandes e importantes eventos. promessas e ameaças de Deus? Em inumeráveis casos Deus predisse nas Escrituras. seria iludir os homens. porém. a respeito de muitos. 21:7-9. e. a queda de uma folha. Sal. Qual o argumento bíblico. Como se mostra pelas Escrituras que as circunstâncias dos indivíduos são dirigidas por Deus? 1 Sam. acham-se ligados ao sistema geral . Nesse caso. 147:8-18. Sal. quer por serem muito complexas. 20. como. a ocorrência certa de determinados eventos. Jó 5:6. prometeu ou ameaçou porque. escapam à nossa observação. 4:25. mas considera supersticiosa e derrogatória da sublime dignidade e grandeza de Deus a concepção segundo a qual Ele Se importa com todos os pormenores triviais.Ex. dizendo que Deus simplesmente previa os eventos e assim os predisse. 10:12-15. porém. E muitos outros. e prometeu ou ameaçou contingentemente que outros eventos aconteceriam sob certas condições. ‫־‬ ÍÀifV'? . 1:53. 148:7. Tia. 21:13.·‫"־·-־׳ ■-■" ־‬V-r-q · 14. Como se prova pelas Escrituras que a providência divina se estende aos quefazeres gerais dos homens? 1 Crôn. 2:6. unicamente. Prov. · -‫״·׳׳‬ r 18. com muitos pormenores e absolutamente. Todos os eventos dessa natureza. 21:1. Jó 12:23.6. 18:30. Dan. Não é razoável contender. 104:21-29. 4:13-15.tanto por seus antecedentes como por suas conseqüências.

21. Quando. Fil. isso não quer dizer. de que. nutrem esse mesmo sentimento. Ki andes e pequenos. e por fora. 12:36. pois. julgando praticamente do mesmo modo todos os eventos em sua relação à providência divina.28. por meio de influências morais. nem. gera ação. 76:10. 2o. 11:32. Sal. as Escrituras atribuem a Deus todas as boas ações dos homens. de dentro e espiritualmente. 12:9.2 Cor. 5:22-25. Prov. 2:13. A mesma administração providencial é necessariamente ao mesmo tempo geral e especial. Como se prova que o governo providencial de Deus estende-sc às ações livres dos homens? Io. Jer. Como se prova pelas Escrituras que a agência providencial de Deus é exercida sobre as ações pecaminosas dos homens? 2 Sam. 10:23. Iodos os eventos acham-se de tal modo relacionados uns com os outros como um sistema encadeado de causas. 16:10. As Escrituras afirmam esta verdade-Ex. 1 Sam. como se também para Ele. 4:13. Devemos estar lembrados. embora uma causa material possa ser analisada e decomposta na interação mútua de dois ou mais corpos. Fil. Mas esse sentimento e essa concepção nascem de idéias muito inadequadas e antropomórficas sobre os atributos de Deus e Seu modo de operar. 24. assim como para nós. que produz a disposição livre e boa. que contribuem para esses resultados. como se para a Causa absoluta e o Governador infinito pudesse existir a mesma diferença entre coisas pequenas e grandes que existe para nós. 23. E também de que a alma. uma multidão de pormenores fosse mais incômoda ou menos digna de atenção do que o é algum grande resultado. Atos 4:27. a alma humana age espontaneamente.10. Sal. porém. e influindo tanto no corpo como na alma e nas relações externas do indivíduo . 24:9-15. Io. 25:3. Que ensinam as Escrituras quanto à agência providencial de Deus nas boas ações dos homens? As Escrituras atribuem tudo quanto há de bom no homem :! livre graça de Deus. efeitos e condições. segundo o princípio indicado na resposta à pergunta anterior. 16:1. que Ele as cause. que Ele determine o homem a praticá-las independentemente da livre vontade do mesmo homem. Gál. de outro modo. Uma providência geral e uma especial não podem ser dois diversos modos de operação divina. 33:14. que uma providência geral que não seja ao mesmo tempo especial não é mais concebível do que o é um todo que uno tenha partes ou uma corrente que não tenha elos. porque se estende igualmente e sem exceção a todos os eventos e a todas as criaturas do universo. 21:1. é determinada por seus próprios desejos e disposições predominantes. Que ensinam as Escrituras sobre a relação da providência com as ações pecaminosas dos homens? As Escrituras ensinam: . 20:24. 22. ou. 2:10. Ele opera primeiro em nós o querer. e sim que Deus opera de tal modo sobre o homem. ser-Lhe-á impossível qualquer forma de providência. 2:13. e então também o fazer a Sua boa vontade. As ações livres dos homens são causas potentes com influência sobre o sistema geral das coisas exatamente do mesmo modo como se dá com todas as outras classes de causas. 19:21. Rom.15. isto é. Uma providência geral é especial porque consegue resultados gerais pela direção de todos os eventos. em todos os seus atos voluntários. por conseguinte. 2°. r. operando tanto providencial como espiritualmente.claras. Ef. e tuna providência especial é geral porque dirige especialmente Iodos os seres e todas as ações individuais em todo o universo. devem estar sujeitas a Deus.

Quanto ao progresso do pecado. Sal. ao mesmo tempo. (3) Deus ordena as circunstâncias providenciais de modo que a maldade inerente aos homens se manifeste como Ele determinou permitir que o faça . e. 5:5. 2:9-11. isto é. nem meramente negativa.Atos 2:23. Isso Ele efetua tanto por influências internas sobre o coração. como pela direção das circunstâncias externas . 3:18.Gên. 2:6-10. ou (b) como atormentador . Atos 3:13. 3a. 50:20. é a única causa responsável e culpada dos seus próprios pecados. para certos fins sábios e santos. quando Deus criou o universo. ou (b) corretivo. isto é. 4o. 1:24-26. 3:18. Quanto ao fim ou ao resultado do pecado. 45:5. O mundo é assim uma máquina cujas diversas peças o Criador calculou de tal modo qúe ela efetua agora de per si todos os propósitos que o Criador teve em vista. 37:28. seja permitido aos maus homens que ajam segundo suas naturezas más .Gên. a sua duração e a sua influência sobre outros. agente livre. ou tirando-lhes a graça de que abusaram. o dirige. (2) Abandona os que pecam. 50:20.Gên. Jó 1:12. Deus limita a sua intensidade. Atos 4:27. e assim os tornou sujeitos a certas leis gerais. Êx.28. Esse abandono pode ser (a) parcial. O homem. 32:31. As que mais ou menos explicitamente negam a operação real das causas secundárias e aceitam Deus como o único agente ativo no universo. Deus sempre o domina e o dirige para o bem . 26. Confira 1 Sam. Tendo-lhe dado corda.2 Crôn. Ele não concorda simplesmente com o resultado. 2o. Alguns filósofos limitam este mecanismo rijo ao mundo físico e consideram a vontade livre dos homens como um fator absolutamente indeterminado compreendido no mecanismo geral do mundo. Turretino expõe do modo seguinte o testemunho das Escrituras a respeito deste assunto: Io. 2o. 6:6. Deus nem causa nem aprova o pecado.Jer. 4:27. A teoria intermédia ou cristã. Que as ações más dos homens estão sob a direção eficaz de Deus no sentido de que elas só são praticadas com a Sua permissão e segundo o Seu propósito . Quanto ao começo do pecado. Susta e dirige eficazmente o pecado . . 81:12. Domina-o para o bem . 76:10. (1) Deus o permite livremente. Atos 2:23. como sejam: a eficácia real das causas secundárias. 2 Tess. 3o. Is. 7:29. 50:20. Tão-somente o permite. Como se pode expor a teoria mecânica da providência? Esta teoria supõe que.Sal. 2a. o governa. ou (c) penal .Gên. 2:11. 50:20. Em que três classes gerais se pode dividir todas as teorias quanto ao governo providencial de Deus? Ia. para provar o coração do homem .2 Tess. em perfeita conformidade com os atributos da Sua natureza. 76:10.28. Deus deixou o mundo entregue a si próprio. (a) como tentador . pela qual. dotou todos os diversos elementos materiais e espirituais de suas propriedades e forças respectivas. especialmente a liberdade do homem nas suas ações e sua responsabilidade moral por elas. 14:17. 7:13.1 Cor. As que afastam Deus de toda ação atual no universo. mas determina positivamente que. Is. ou não lhes dando mais. que sustenta todos os princípios que a este respeito ensinam as Escrituras. o restringe. embora o permita. 25. Mas a maioria dos que adotam esta teoria mecânica nega a liberdade do homem e o considera como um dos elementos cósmicos não essencialmente diferente dos demais. não o aprova nunca.28. a direção universal e eficaz de Deus.Sal. Rom. o limita. (4) Deus entrega os homens a satanás. que depois as reuniu em certas combinações e proporções. e com as diversas propriedades de Suas criaturas. 3o. e afirmam a independência completa das causas secundárias. Mas essa permissão nem é moral. Ele determina e dispõe todos os eventos e todas as ações segundo o Seu propósito soberano. Atos 3:13. 4:27. 46:4. Deus é a Causa primária no sentido de ser a primeira de uma série interminável de causas que se afastam cada vez mais da sua origem.Io. 10:15.

é necessário como meio de comunicação entre o Criador e a criação inteligente. é em si mesmo um meio para efetuar um fim. (2) De apreender a verdadeira natureza do universo em relação aos seus fins supremos como sistema moral estabelecido com a intenção de instruir e desenvolver agentes morais. em vez de estarem em conflito entre si. mas o Infinito não lança mão de artifícios e subterfúgios: não há caprichos em Deus. O Dr. pois. e faz parte de um plano. e para efetuar a educação moral e intelectual dessa criação.Portanto. não há milagres na natureza". Diz o professor Baden Powel: "E derrogante ao poder e à sabedoria infinitos a suposição de que a ordem de coisas foi estabelecida tão imperfeitamente que se torna necessário de vez em quando interrompê-la e violá-la". para criar causas secundárias e inaugurar a sua operação.que era incapaz de precalcu-lar todas as combinações necessárias. e a religião em ilusão. e os milagres. porém. Isso levou ao panteísmo de Spinoza. ou cooperar inteligente e voluntariamente com o Seu plano. A "ordem da natureza" é tão-somente um instrumento da vontade divina. 28. Assim. que faz leis operando segundo leis com o fim de efetuar propósitos por Ele escolhidos. Emmons. antropomórfica e nimiamente mesquinha. Um milagre. da Nova Inglaterra. Todas as leis naturais tiveram origem na razão divina. e em todos os seus sucessivos estados e ações. por conseqüência. consideram todas as causas secundárias como modificações da Causa Primária. sustentava. para dar aos súditos do Seu governo moral a revelação da Sua personalidade livre e de Seu interesse imediato nos afazeres deles. E somente assim que se pode exercitar e manifestar os atributos divinos de sabedoria. e que proceda com sábia adaptação dos meios para efetuar certos fins. Concebe o universo simplesmente como um sistema mecânico de causas e como se tivesse com Deus a mesma relação que uma máquina humana tem com o seu fabricante. Separa de Deus as almas dos homens. criados à imagem de Deus. tal ação direta e ocasional é necessária para a educação do homem no seu estado atual. Em todo caso. retidão e bondade. a providência comum de Deus. Deixa inteiramente . que em conexão com um sistema geral de meios e leis haja ocasionalmente exercícios diretos de poder. Parece necessário. não obstante. "a ordem da natureza".(1) De apreender a imanência do Criador na criação como espírito onipresente e sempre ativo e diretor. são os elementos intimamente correlacionados de um só sistema universalmente compreensivo. exposto nas respostas às perguntas 15-21. a doutrina da eficácia divina. E Theodore Parker diz: "Os homens servem-se de expedientes precários. não só "no princípio. ou então. 3o. e são expressões da vontade de levar a efeito um propósito Apud Duque de Argyle. sustentava que esses agentes eram criados de novo em cada momento sucessivo. dizendo que as mudanças ocorridas nas causas secundárias são simplesmente as ocasiões em que a Causa Primária exercita a Sua agência eficaz e produz o respectivo efeito. que era incapaz de produzir uma máquina que trabalhasse por si mesma. Daí seus discípulos deduziram a teoria das causas ocasionais. Está em oposição ao ensino claro da Palavra de Deus. Baseia-se numa idéia antropomórfica de Deus. 2o. e. de modo que realmente fazia das causas secundárias outras tantas modificações da Causa Primária. todas as intervenções providenciais e todos os milagres seriam impossíveis. Supor que há necessidade de semelhantes intervenções seria supor que houve algum defeito radical na obra criadora de Deus . impossível a revelação. Descartes. Tudo quanto sabemos que ocorre na alma humana é uma série de exercícios ligada a um fio obscuro de consciência. torna irrisória a oração. livres e pessoais. Deus é a causa . em sua obra Reign of Law. apesar de crer em Deus e na real existência objetiva de agentes materiais como também espirituais. em conexão com uma "teoria do exercício". como é natural. e é somente assim que os anjos e os homens podem compreender o caráter de Deus e antecipar a Sua vontade. Deixa de reconhecer que a educação e a disciplina de agentes inteligentes e livres é o grande fim ao qual está adaptado o universo como um sistema de meios.72 ־■׳·■<״■ -׳‬Como se pode demonstrar que esta teoria éfalaz? " ‫ '> !׳‬Io. embora efetuado pelo poder divino sem meios. É essencialmente irreligiosa e materialista. que está necessariamente fora da sua obra. Um sistema que envolva uma ordem estabelecida da natureza. como agente pessoal. e a Deus como o único agente real no universo. a responsabilidade moral em preconceito. ■ 1 ■' ■ ·'‫ . Que classes de filósofos têm real ou virtualmente negado a eficácia das causas secundárias? Todos os panteístas. mas também subseqüentemente. instrumento utilizado em subordinação a esse governo moral superior em cujos interesses são realizados os milagres.

e estas. e quais foram os seus defensores? Durante muitos séculos os teólogos discutiram as questões relacionadas com o CONCURSUS. isto é. 32. e com eles os socinianos e os remonstrantes. Qual a doutrina representada pela frase "CONCURSUS geral e indiferente". concordaram os discípulos de Tomaz de Aquino na igreja romana e todos os teólogos luteranos e reformados. de um "CONCURSUS prévio e determinante". Deus criou e conserva todas as coisas. e que está sempre em perfeita conformidade com a natureza dessa criatura e com os seus modos de . porém. a questão a respeito de quem é o fator determinante nessa causalidade dual.real. tanto os maus como os bons. A esta classe de especulações pertence a teoria do "concurso". e exatamente do modo como age. (a) de que a ação humana é livre. Que é um mistério. aplicaramno a todas e quaisquer ações. por omissão. raios que são o princípio comum de toda vida e de todo movimento. quer isso nos seja possível quer não. conforme a sua natureza e as suas tendências. do mesmo modo como um músico produz num instrumento de sopro as notas sucessivas. Onde esses raios não chegam não há vida. ou seja. É evidente que esta teoria admite que Deus conserva as essências e as forças ativas de todas as coisas. Que os dois fatos. 2o. como ponto difícil e de divergência. isto é. Segundo ela. 30. deixando então a cada uma a iniciativa de determinar o seu modo particular de ação. Alegavam que o modus operandi desscconcursus divino varia segundo a natureza da criatura em que atua. e na oposição ao SUSRUCNOC‫ ״‬geral e indiferente" acima explicado. que é igualmente comum a todas as causas. Qual a doutrina representada pela frase "CONCURSUS simultâneo e imediato"? Esta frase exprime um ato de Deus em que Ele coopera com a criatura no ato dela. os teólogos reformados ou calvinistas sustentavam em acréscimo a doutrina do "praecursus". 3o. o sol conserva-se indiferente a qualquer forma particular de vida ou de movimento . por sua vez. a Causa Primária é. Os jesuítas. sustentam que esse "concursus" é só "geral" e "indiferente".e cada germe em particular brota segundo a sua própria espécie sob o poder vivificador do mesmo sol. Seria Deus quem determina a criatura em todos os casos a agir. operam espontaneamente e sem Sua direção eficaz. na produção do ato como entidade. e (b) de que Deus dirige eficazmente essa ação. nega virtualmente todo real governo providencial. mas indiferentemente. Como procuraram os teólogos reformados conciliar essa doutrina com a liberdade do homem e a santidade de Deus? Quanto à liberdade do homem. uma energia atuando sobre a criatura e determinando-a em cada caso a agir. são claramente revelados nas Escrituras. quer dizer. Ilustram isso referindo-se ao poder vivificador do sol. Alguns aplicaram isso unicamente às boas ações dos homens. como concausa. diziam . mas. e por isso não podem deixar de ser conciliáveis. por assim dizer. OU seja. Qual a doutrina expressa na frase SUSRUCNOC‫ ״‬prévio e determinante". mais logicamente. 29. Ao mesmo tempo. Ainda restava. que espalha os seus raios universal e indiferentemente sobre todos os objetos terrestres. e a agir do modo como age e não de outro modo. à Sua vontade. e quais foram os seus defensores? Em razão da questão acima pendente. incitando-as à ação.Io. simplesmente um estímulo às causas secundárias. criando em cada momento cada um desses exercícios em suas sucessões. que por tanto tempo esteve em voga na Igreja. Nesta teoria. o influxo e a cooperação de Deus nas causas secundárias. outros. ou seria a criatura que se determina a si mesma? 31.

nem por via de determinação física. "Sed illud principium intrinsecum potest esse ab alio principio extrinseco. Segue-se que a relação da providência de Deus com as ações más dos homens é muito diversa da sua relação com as ações boas. Esta teoria tende a negar a eficiência de causas secundárias e. Deus é a concausa eficaz daquele. mas não desta. e da providência controladora de Deus da liberdade humana e da soberania divina. 2. i. Citavam como ilustração disso o caso de um instrumento musical mal afinado nas mãos de um músico perito. para que se possa determinar a si mesma. Até onde as Escrituras nos oferecem algum ensino acerca da natureza do governo providencial de Deus? Nada absolutamente explicam quanto à maneira pela qual Deus exercita a Sua agência. . non dicitur cogi. e também expõem muitas das características desse governo. o fato de que Ele governa todas as Suas criaturas e todas as ações delas. e sim racionalmente. esses teólogos sustentavam . mas afirmam explicitamente. L. E de suma importância que sustentemos ambas as verdades correlatas da eficiência de causas secundárias. necessariamente.Jó 23:13. 2o. chegou a ser em nossos dias. a Providência não concorre com a vontade humana. nos séculos 16 e 17. 34. 103:17-19. segue-se que. Prov. porém o desarranjo no instrumento é o único fator causante da desarmonia. se se tratar de um ato mau. sem juízo algum.Sal. mas antes a sustém" -Turretino. 6. Que a origem do pecado está num defeito ou numa causa secreta. Este perigo foi menos apreciado pelos grandes reformadores e seus sucessores. citado por Dr. 16:9. 105. O músico é a causa de cada um dos sons produzidos em sua ordem. Expor as diversas objeções feitas contra esta teoria de CON-CURSUS. 3°. Sic igitur Deus movendo voluntatem non cogit ipsam. 33. do que.33. quod move-tur ex alio. Sal.ação. achando-se a causa próxima da ação de cada homem no juízo da sua própria inteligência e na escolha espontânea da sua própria vontade. 10:29-31. mas dá também a graça que lhes comunica a sua qualidade moral.29. "Desde que. perg. 1. E uma tentativa sem sucesso.e. Compreende os pensamentos e as volições dos homens. 6. 33:11.35. É eficaz . tende ao panteismo. É particular -Mat.Tomaz. 4o. de ultrapassar os fatos ensinados pelas Escrituras. e a qualidade má é derivada unicamente da criatura. o concursus é limitado ao ato. Deus não somente coopera na sua produção. Illud quod movetur ab alio dicitur cogi. em sua busca de uma explanação da maneira que Deus age sobre a criatura para efetuar Seus objetivos. a Providência não constrange a liberdade de ninguém. e em toda parte postulam. Afirmam que: Io. deixando então a questão de reconciliá-las para o futuro. 2:17. dirigindo a vontade de uma maneira congruente com ela.Io. Quanto à santidade de Deus em relação às ações pecaminosas das criaturas.. Et sic moveri ex se non repugnat si. No caso destas. "Moveri voluntarie est moveri ex se. 19:21. si moveatur contra inclinationem propriam.2 Crôn. e muitos eventos que parecem contingentes . Charles Hodge. e sua qualidade moral. como se fosse coisa brutal e cega. portanto. Lam. No caso das más ações. pois. Dan. a princípio intrínseco. nem por via de coação. quira dat ei ejus propriam inclinationem" . vol. Que há uma diferença entre um ato de per si como entidade. porém. 22:28. obrigando uma vontade que não o queira. sed si moveatur ab alio quod sibi datpropriam inclinationem. 4:34. 21:1. 16:9.4. É universal . págs. 2o. 1. 3o.

28:29.18. como corretivo e punitivo. e sua peculiaridade consiste somente em sucederem em conjunção eminentemente .Rom. subordi-nadamente a isso. 6o. E. 9:17. As Escrituras ensinam que é impossível que a maneira pela qual Deus executa o Seu governo providencial não seja conciliável com as Suas próprias perfeições. porque Deus "não pode negar-se a si mesmo" . Quanto ao mal físico. e domina sobre elas para a Sua própria glória e o bem supremo da criação. 36. 73. 9o. 2:13. PROVIDÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS E MILAGRES 37. Atos 15:17. desde o princípio -Sal. reto e misericordioso. compreendendo em um só sistema inteiro todas as Suas obras. 35.2 Tim. 2o. 1:11. diferem dos eventos que sucedem sob o normal governo providencial de Deus somente na conjunção divinamente prearranjada das circunstâncias. 8o. e não de recompensas e castigos Veja Sal. restringe--as. Deus dá a graça e o motivo. Como se pode conciliar com o governo providencial de Deus a existência do mal físico e do mal moral? A origem e a permissão do mal moral são um mistério que não sabemos explicar. A dispensação atual é tempo de educação. 2:13. e coopera nos atos desde o princípio até ao fim . E também congruente com a natureza de toda criatura sujeita a esse governo. Que nas suas relações atuais com o mal moral. Ef.32 e Lucas 5:6. a virtude é recompensada e o vício é punido mesmo neste mundo. Os eventos são extraordinários. mas não são sobrenaturais. 2o. porque todos os agentes livres continuam livres e igualmente responsáveis. 8:28. no caso das más ações dos homens. permite-as simplesmente. Is. e. Como se pode demonstrar que a distribuição aparentemente anômala da felicidade e da miséria neste mundo não é inconciliável com a doutrina da providência? Io. Em que sentido se diferenciam as providências extraordinárias dos eventos ordinários em sua relação com a direção providencial de Deus? Eventos como o vôo de codornizes e a pesca mencionados em Números 11:31. até onde nós sabemos. A felicidade e a miséria acham-se distribuídas muito mais igualmente neste mundo do que a princípio parece num exame superficial. 3o. E a execução do Seu propósito eterno. Seu fim principal é a glória de Deus. a existência do mal físico é justificada tanto pela razão quanto pela consciência como perfeitamente digna de um Deus sábio. mas sempre como um meio para alcançar um bem maior. respondemos: Io. Cada agente moral neste mundo recebe mais bens e menos males do que merece. o bem supremo da Sua Igreja redimida . 11:36. As Escrituras ensinam também que. 4o.Fil. Que nunca é enviado como um fim em si mesmo. no caso das boas ações dos homens. preparação e prova.5o. 104:24. 7o. Como regra geral.

por uma volição divina.. (2) dunameis. e (3) semeia. simplesmente combina em condições especiais diversas forças naturais.‫: ·: . Como se deve. A vontade humana não viola nenhuma lei quando opera. impossíveis de imitar ou falsificar.aprazível com certos outros eventos como.que todo evento possível tem sua explicação plena em causas adequadas que o precederam. como das providências extraordinárias definidas sob a Perg. Mas a mesma coisa é efetuada todos os dias pelos homens.. 12:38. de que alguém foi comissionado e autenticado por Deus para ser mestre religioso e ensinar sua doutrina. e o é tanto em referência aos milagres como em referência a quaisquer outros eventos. Atos 2:19. 39. é a causa de uma série interminável de conseqüências subseqüentes. e. porém. então nenhum milagre envolve a suspensão ou violação de tal lei. e que cada evento. nem foi suspensa a lei da gravitação. de uma nova força transitória. segundo a definição dada. 37? .com esta exceção . que interferem na ordem natural dos eventos que ocorrem na natureza. enquanto que a vontade de Deus opera diretamente sobre todos os elementos do mundo que Ele criou. e o lançou ali. eles não tinham nenhuma conexão natural. no sentido bíblico da palavra. . E poder-se-ia mostrar que aquilo que é realmente verdade neste milagre simples. Quando Eliseu "cortou um pau. mediante o mecanismo de seu corpo. Isso é exatamente análogo à ação da vontade humana sobre objetos físicos .a volição humana. sinais. por envolver essencialmente a violação das leis da natureza? Como lhe dar resposta? Diz-se que tanto a experiência universal como a integridade da razão humana concordam em garantir que é absolutamente inviolável a lei da continuidade . Em que termos se pode expor a objeção a priori contra a possibilidade do milagre. então o milagre é.‫··. pois. E da experiência geral que as forças modificam umas as outras. de modo que fique assinalada a sua diferença específica tanto de eventos sobrenaturais em geral.־‬i. com os quais eventos. e interpõe na soma das concausas uma concausa nova . igual à diferença dos pesos específicos da água e do ferro. Nenhum evento pode ser isolado de seus antecedentes e das respectivas conseqüências. e agindo no sentido oposto ao da gravitação. Em todo evento físico há uma combinação de concausas que o efetuam. João 2:18. Se por "lei da natureza" entendemos as forças físicas que produzem efeitos. Essa última designação exprime o seu verdadeiro fim. o aperto em que se achavam os israelitas ou os apóstolos.2 Reis 6:6.·! . por sua vez.a vontade do homem atua sobre objetos exteriores só indiretamente. Mat. uma suspensão notável desse curso. definir o milagre.־‬up O milagre é (1) um evento-que sucede no mundo físico e que pode ser notado e discriminado com certeza pelos sentidos corporais de testemunhas humanas (2) de caráter tal que não possa ser referido racionalmente a nenhuma causa que não seja a volição imediata de Deus. O milagre consistiu unicamente na interposição. obras de poder sobre-humano. e diretamente só sobre os seus músculos voluntários. Tudo isso é verdade.(1) terata. (3) essa volição acompanhando um mestre religioso com o fim de autenticar a sua comissão divina e a veracidade do seu ensino. nem de suas condições. 40. e toda causa opera segundo uma lei inteligível da natureza. prodígios. não foram mudados os pesos específicos nem do ferro nem da água. que é o de serem "sinais". 38. e não aniquila nenhuma força. Como são designados os milagres no Novo Testamento? São chamados . Se por "lei da natureza" entendemos o curso comum dos eventos observados na natureza.g. e cada força adicional combina-se com outras na produção de efeitos de outro modo impossíveis. e fez nadar o ferro" .

Por isso se diz que não pode haver necessidade de milagres.então a objeção é absurda. a ressurreição de Lázaro.a entrada de um agente não pertencente ao sistema das coisas. em todos os Seus atos.g\. a interferência da vontade divina não seria tampouco uma exceção. ou ao menos de limitação da perícia do construtor. o maior de todos os racionalistas filosóficos sustenta que não há motivos a priori para que se julgue impossível o milagre. é prova de defeito da máquina. que a necessidade de intervenção ab extra. mas o que ela prova é só o que tenho sustentado desde o princípio . emendas ou direção da parte do artífice ou de outrem.. se Deus e a criação juntos formam um todo um completo universo de coisas . e que. Só não é uma exceção à lei a interferência da vontade humana no curso da natureza quando incluímos entre as leis a relação de motivos para a volição. como nova concausa. está num estado de equilíbrio tão delicado que a adição ou a subtração de um só átomo em qualquer parte perturbaria esse equilíbrio no sistema inteiro. E evidente que esta objeção teria peso. Isto é.também o é nos mais complexos. Todavia. para qualquer fim. Também é evidente que a vontade de Deus não está fora da soma das coisas que constituem o universo mais do que o está a vontade do homem. e. senão sob a suposição de que Deus mudou Seu propósito ou de que há algum defeito radical na . e cada momento está fazendo a sua vontade atuar ab extra. E o homem está constantemente modificando a natureza em extensas áreas. Todo cristão está perfeitamente convencido de que as provas (históricas. Que diz a objeção contra os milagres. o equilíbrio do universo não é equilíbrio permanente. se tivéssemos conhecimento suficiente da química e da fisiologia da vida humana. sob as leis físicas do universo. Alega-se que a perícia de um artífice humano manifesta--se sempre na medida em que a máquina construída faz o que deve fazer sem necessidade de consertos. 41. por um minuto que fosse. Expor e contestar a objeção segundo a qual assumir a necessidade de interferência miraculosa seria coisa derrogatória à sabedoria e ao poder do Criador. Uma perturbação. Demais disso. porque não podemos deixar de supor que a Deidade.e. como. tirada do equilíbrio do universo. e uma das leis da natureza de que os homens adquiriram primeiro o conhecimento e de que primeiro se serviram. A soma das atividades de Deus é o necessário complemento da soma das atividades de todas as Suas criaturas. 42. A analogia alegada é boa. e se não estivesse em relação constitucional com Deus. e só assim é que o equilíbrio é mantido. E simplesmente uma questão de suficiência de provas. dando-lhes novas direções e novas condições.. John Stuart Mill (Essay on Theism. e como responder-lhe? E um fato que o universo físico inteiro forma um só sistema. ab extra . como se acha ajustado atualmente. especialmente em conseqüência da dissipação do calor e da concentração da matéria nos centros de atração. Parte 4) diz: "Pode-se dizer que "o poder da volição sobre os fenômenos é também uma lei. é determinada por motivos". morais e espirituais) a favor da crença na ressurreição de Jesus Cristo e dos milagres associados historicamente a esse evento são completas e suficientes. segundo a mesma regra. mas está em mutação perpétua. se o universo material fosse um todo exclusivo por si só. seria destrutiva para o todo.que se poderia provar a interferência divina no curso da natureza se tivéssemos a seu favor a mesma espécie j de provas que temos a favor das interferências humanas".

(2) Que o caráter do mestre religioso. O desígnio do milagre é simplesmente dar a conhecer às criaturas inteligentes que o seu Criador intervém ativamente no universo moral com o fim de restaurar a ordem perturbada pelo pecado. seja (1) em si mesmo. pois foram realizados (1) à clara luz do dia. segundo a definição acima. exibições de poder. Todos os milagres bíblicos acham-se agrupados ao redor de grandes crises ocorridas na obra da redenção. mesmo que o seja. não a violação. os físicos e os morais. atribuição de alguma função. que é necessário que todo evento semelhante. 43. é "um evento que sucede no mundo físico. pois. O melhor sentido da palavra LEI é ordem. Aqui se tem objetado que nunca podemos ter a certeza de que um evento é realmente um milagre. sejam tais que se torne crível o representarem eles os sentimentos e a vontade de Deus. com o organismo inteiro de revelações e intervenções divinas que os precederam. que o milagre seja "de caráter tal que não possa ser referido racionalmente a nenhuma causa que não seja a volição imediata de Deus". atos cuja tendência e cujo espírito implicam a restauração e a confirmação. e este tornou necessária a direta intervenção divina. os atos das criaturas em obediência à lei e as intervenções do Criador impondo a lei. são eminentemente curas de moléstias. por conseguinte. Segue-se. fazendo ostentação da sua violação da ordem natural. Por isso j os milagres bíblicos. para ser crível. Este é mecânico. Como se pode saber com certeza se um evento é realmente um milagre no sentido desta palavra como foi definida acima ? Io. disposição ordenada. Não ocorreu nenhuma intervenção miraculosa em conseqüência de um pensamento posterior. é incapaz de ser por nós reduzido às categorias da natureza. porque . é necessário que o milagre "acompanhe um mestre religioso com o fim de autenticar a sua comissão divina e a veracidade do seu ensino". 3o. Aquilo que é novo e inexplicável é relativamente sobrenatural. e também o caráter da sua doutrina. aquele abrange a razão. não há milagre na natureza". instituindo ao mesmo tempo todos os fins. meios e métodos. o ouvido.1 ração da lei original e natural perturbada pelo pecado. Segue-se que a suprema essência de toda lei é o propósito eterno de Deus. da lei. Um só ato eterno de volição absolutamente inteligente abrangeu o sistema inteiro de seres e eventos em todo o espaço e em toda a duração.. ou da restau. (2) Os . em terceiro lugar. de caráter racional e moralmente congruente com a sua alegada origem divina.corroborando-se mutuamente. em vez de serem como todos os "milagres" ‫ ׳‬dos gentios. Os milagres bíblicos. Segundo a mesma definição. os necessários e os livres. e a lei dos motivos. nem sabe onde está exatamente a linha de separação entre o natural e o sobrenatural.a vista. a consciência. Contudo. cuja comissão o evento autentica. com o fim de levar a efeito um propósito. (4) na presença de muitas testemunhas e (5) sujeitos ao exame de diversos sentidos . Disse Theodoro Parker: "Não há caprichos em Deus e. 2o. isto é. particularmente os mais importantes deles. histórica e doutrinariamente. (2) em ocasiões diferentes. (3) em circunstâncias muito diversas. o tato . a VONTADE LIVRE. capaz de ser notado e discriminado com certeza pelos sentidos corporais". preenchem essa condição. ou da igreja papal.(1) Nenhum ser humano conhece todas as leis da natureza. O sistema moral é essencialmente diferente do sistema físico. E necessário.criação. os quais são simples prodígios. (3) E necessário que o mensageiro e sua mensagem estejam em harmonia. A vontade livre tornou possível o pecado. com isso nenhum cristão jamais sonhou. ou para remir ou para condenar. Esse argumento teria força se o desígnio dos milagres fosse o de remediar dessa maneira qualquer defeito que porventura se houvesse descoberto no universo físico. Milagre. ou do espiritismo moderno.

o filósofo chega a reconhecer separadamente as diferenças e as semelhanças dessas várias funções da alma. e não um conjunto organizado constando de diversas partes.g. por ser a alma um só agente indivisível. sem emprego de outros meios. de fato. (4) As obras eram divinas em seu caráter. e em diversas condições físicas. (3) Foram produzidos repetidas vezes. (2) Esses efeitos foram produzidos há dois mil anos. 15 A Constituição da Alma. a condição moral do homem quando foi criado. Essas diversas funções exercidas pela alma são tão variadas e complexas que é necessário que se faça uma análise minuciosa delas. em conseqüência. o reino de satanás é fácil de reconhecer por seu caráter. as diversas funções envolvidas. etc. como conseqüência. É óbvio que. por conseguinte. para que se entenda bem a natureza do pecado. 1. e a condição moral e as relações legais em que. e estes ocupam lugar apropriado no sistema inteiro da revelação de Deus. e sim concorrentemente. a Liberdade. da influência da graça divina e da mudança operada na alma regenerada. que o coração sente.(1) Que há certas classes de efeitos a cujo respeito é impossível que alguém duvide. e as ocasiões eram dignas delas. é-nos impossível determinar se em qualquer caso dado a causa do evento é ou não uma volição direta de Deus. considerado psicologicamente.e. para que tenhamos uma idéia definida da sua natureza. O homem. sua doutrina e sua relação com o sistema de revelações e intervenções miraculosas do passado. antes. a ressurreição de Lázaro e a multiplicação de pães e peixes. Quanto ao que diz respeito à questão de determinar com certeza quais os efeitos que transcendem as forças da natureza. original e atual. Na prossecução da sua análise. e especialmente daquelas questões psicológicas e metafísicas que são inseparáveis das discussões teológicas. a consciência aprova ou condena e a vontade decide do mesmo modo como os diversos membros do corpo operam juntos. a capacidade desse agente único para desempenhar. 2. por isso. Que princípio geral é necessário ter sempre em mente quando se trata das diversas faculdades da alma humana? A alma do homem é um só agente indivisível.a natureza do pecado. o pecado de Adão. e que. nos mestres religiosos e nas suas doutrinas viam-se provas espirituais corroborativas dos milagres que realizaram. Ao mesmo tempo.mas não se pode errar quanto àquilo que tanto excede os limites do natural. convém que estejamos lembrados de que grande parte dos erros em que caíram os filósofos em suas interpretações da constituição moral do homem. as suas funções diversas sempre se restringem mutuamente. RESPONDEMOS: Io. aquilo que descrevemos como suas diversas faculdades é. podemos estar em dúvida quanto aos limites exatos do sobrenatural . os seus descendentes são introduzidos em seu nascimento. Quanto ao que diz respeito aos espíritos maus. e muitas vezes não se lembra de que essas mesmas funções nunca estão assim em operação isoladamente.. foram o resultado do abuso desse mesmo processo de análise. simultânea ou sucessivamente. Em que seção geral da teologia estamos entrando agora. e os principais tópicos nela compreendidos são a constituição moral do homem.e. é necessário que se tenha algum conhecimento das faculdades constitucionais da alma. Nunca se deve reconhecer como milagre um evento isolado. Assim também não é. 2 o. os efeitos que o seu pecado produziu sobre ele e sobre a sua posteridade.por simples palavras.maus espíritos muitas vezes realizaram obras sobrenaturais . verdade que a inteligência raciocina. temos a dizer . em época não científica e por indivíduos sem instrução. e nunca devemos concebê-las como se fossem partes ou órgãos que existem separadamente. e quais os principais tópicos abrangidos por ela ? A seção geral é a da ANTROPOLOGIA. a Vontade. e os diversos membros de um conselho . e as relações providenciais em que ele foi introduzido na sua criação . serão em todos os casos suficientes para se poder discriminar um verdadeiro de um falso. Isso é verdade especialmente com respeito à interpretação dos atos voluntários da alma humana.

(Veja abaixo. os desejos. ou se recusa. como característica comum. por exemplo. todas as faculdades. 4. Cada estado ou ato. como incluindo todas as faculdades de conação (as disposições e os desejos). isto é. é um absurdo como doutrina. para incluir a faculdade da volição junta com todos os estados espontâneos da alma (que Sir William Hamilton. é um ato ou um estado moral. Perg. 3o. Devemos lembrar-nos. porém a verdade é que a alma. como acima classificadas. A questão real não versa sobre a liberdade da vontade. e a faculdade singela da alma. e quando agimos. as disposições. Notar-se-á que as funções da consciência envolvem faculdades que pertencem em parte à primeira classe e em parte à segunda.־· .deliberam e decidem mediante ação conjunta de suas partes. mas o poder autodeterminante da alma humana como um agente fatual. emLectures on Metaphys-ics. sente. quer diga respeito ao julgar. de que estes dois sentidos da palavra "vontade" são essencialmente distintos. O poder autodeterminante da vontade. e é neste que o emprego aqui. e quais constituem a sede da nossa natureza moral? Io. cuja operação tem como resultado uma volição. E necessário que se distinga essencialmente entre a vontade. os afetos. quer ao escolher ou recusar ou desejar a respeito de qualquer questão puramente moral. Lect. 3. e sim sobre a liberdade do homem em determinar-se ou em escolher. segundo nos parece bem. o emocional quando experimentamos prazer ou desprazer. a vontade está operando quando escolhemos ou rejeitamos. moral e autodeterminante. como faculdade abstrata. estão em exercício em todas as distinções morais. isto é. é um fato de consciência universal e uma doutrina fundamental da filosofia moral e da teologia cristã. sensível. 11. Como classificar as principais faculdades da alma humana.׳־‬r ‫־ ·׳►׳׳♦ ·־■·־‬ . A vontade. racional. embora haja um sentido em que todas as questões morais concernem à relação dos estados ou atos da vontade com a lei de Deus revelada na consciência. racional e sensível. 2o. em conseqüência. As intelectuais. raciocina. e que possuem. e assim. E óbvio que somos livres se temos a liberdade de nos determinarmos como nos convém. e seria funesto como experiência. aprova ou condena e decide. uma escolha ou um ato que está de acordo com o seu desejo prevalecente. Esta classe abrange todas as faculdades que de modos diversos concorrem para o exercício da função geral do conhecimento. mediante a qual a alma escolhe. É empregado também em sentido lato. consideradas em suas relações com a distinção entre o bem e o mal. excitativas. "uma tendência para a realização do seu fim"). designando também o exercício dessa faculdade. ·!‫ ·!·!·„: :>. chama faculdades de conação.) Pergunta-se muitas vezes: qual de nossas faculdades é a sede da nossa natureza moral? Pois bem. que é uma só e indivisível. As emocionais. Que é a vontade? O termo "vontade" é empregado muitas vezes para designar a simples faculdade da volição. ou do sentimento que lhe corresponda. e nos quais. 5. procu-rantes. o intelectual na percepção e no julgamento. pois. Esta classe abrange todos os sentimentos que de algum modo acompanham o exercício das outras faculdades. porém. não obstante é verdade que todas as faculdades da alma humana. a imaginação. de qualquer das faculdades da alma humana. são faculdades morais. que determinam o homem no exercício da sua livre faculdade da volição. os sentidos corporais e o sentido moral (quando considerado como simples fonte de conhecimento dando parte ao entendimento). tomando tudo em consideração. são elas a razão. a vontade e a consciência são proeminentemente o fundamento da natureza moral do homem. ou se determina a agir.

compreende (a) um sentido ou uma intuição moral. e essa lei se acha dentro de si (é uma lei para si mesma. ou irrelevantes. especialmente quando a nossa consciência está ocupada em rever os estados ou as ações de nossa própria alma. Livro 3. Que é a consciência? A consciência. e a única que condiz com a racionalidade e com a responsabilidade moral. Rom. e só se tornam causas de ação moral quando refreados ou satisfeitos desordenadamente. e por meio de outras considerações apriori. e quais as características distintivas de cada classe? Os desejos e afetos espontâneos da alma são de duas classes distintas: Ia. são dignos de confiança somente quando dizem respeito a juízos categóricos e individuais. As proposições abstratas e generalizadas que se pode derivar por abstração e por generalização desses juízos individuais. 1. 2a. os apetites e os afetos instintivos.g. práticos e universais dos homens. e. e 2a.15). um poder de discernir entre o bem e o mal. por meio de formulários gerais representando verdades parciais expostas imperfeitamente. despertados por objetos apreendidos pelo intelecto. Em que classes se dividem os afetos espontâneos da alma. a lei original escrita no coração. como faculdade. 7. . exerce sempre a sua volição em conformidade com a disposição ou com o desejo da vontade que prevalece no momento da volição. mas em caso algum podem ser aceitas como base segura para a construção de um sistema de provas sobre elas. Como se define o termo volição? \ Pela expressão "faculdade da volição" entendemos a faculdade executiva da alma. e não pode ter nada nem ninguém superior que não seja a Palavra revelada de Deus. sec. O homem é perfeitamente livre nas suas determinações. faz o juízo quanto a serem bons ou maus os nossos atos livres e as nossas disposições morais. 2:14. 1 ! 5.18 isto é. ou os que nascem cegamente. sem inteligência. assim como todos os nossos juízos intuitivos. e penosas à vista do que é mau. absurdas.. Os desejos e afetos animalescos. a faculdade de escolher ou de autodecidir-se. Veja McCosh. e (c) está acompanhada de emoções vivas. agradáveis à vista do que é bom. Os juízos espontâneos. 6. 8. Quais as verdadeiras provas pelas quais se pode determinar a qualidade moral de qualquer ato ou estado mental? As únicas verdadeiras provas da qualidade moral de qualquer ato ou estado são: Ia. em combinação com o entendimento. e também as disposições morais e os atos voluntários de outros agentes livres. 4. (b) Esta faculdade julga segundo uma lei divina do bem e do mal. Cap. podem ser verdadeiras ou não. com a faculdade de comparar e julgar. Esses não têm em si mesmos nenhuma qualidade moral intrínseca. Muitas vezes têm sido feitas absurdas tentativas de demonstrar o caráter moral ou amoral de algum princípio. poder que. e pelo termo "volição" entendemos o exercício dessa faculdade em qualquer ato de escolha ou de autodecisão.O termo "vontade" é utilizado no sentido extenso neste capítulo. ou seja. Os juízos morais dos homens. Esta faculdade é soberana em sua esfera. Esta é a maior de todas as liberdades.Divine Government. A Palavra inspirada de Deus. ou falsas. Os afetos e desejos racionais.

Veja: Io. Que tenha em operação um senso moral para distinguir o bem do mal. e chamam ao pecado "cegueira" e "estultícia" . e quando são maus. 13. São as tendências finais da própria alma.9. Alguns desses hábitos ou disposições são inatos. e da luz escuridade" . afetos. Quais os afetos racionais e espontâneos que possuem qualidade moral. Por conseguinte. 3:17. para todas as suas sucessivas operações dos sentimentos. isto é. ou moralmente indiferentes. isto é. São bons ou maus ou moralmente indiferentes conforme sejam bons ou maus ou indiferentes os seus objetos. Ef. 11. as ações que deles nascem também são indiferentes moralmente.1 João 2:11. O caráter moral dessas tendências morais inerentes à alma é intrínseco e essencial. e sua qualidade moral depende daquela dos objetos pelos quais são atraídos. o homem é bom e boas são as suas ações. Faltando qualquer destes requisitos. No entanto. neste sentido fenomênico. dizem respeito a objetos moralmente indiferentes. se o sentido moral for considerado . em suas volições ou atos executivos. subjacentes a seus estados e afetos passageiros. que é o órgão da lei de Deus na alma. 24:25. e ao bem mal. e sua bondade ou maldade é um fato final da consciência. Sua qualidade moral. o fundamento. quanto a seus efeitos e fenômenos. a consciência. e quando são maus. A que é que aplicamos a designação de "princípios ou disposições permanentes" da alma? Quando é que eles possuem caráter moral. todos os homens os consideram dignos de aprovação. Constituem o caráter do homem e são a base. e sem levar em conta. e donde provém esse caráter? Existem na alma. 3o. outros são adquiridos. Até onde são bons. Mat. o homem está louco e não é nem livre nem responsável. As Escrituras pronunciam "ai" sobre aqueles "que ao mal chamam bem. seja qual for. 10. Quem está cego para a excelência moral ou para a fealdade do pecado é condenado por todas as consciências esclarecidas. certos hábitos ou disposições permanentes. para distinguir a verdade da mentira. que fazem da escuridade luz.Is. por serem todos determinados imediatamente pelo estado geral ou pelo caráter moral da alma. tenha capacidade real de autodecisão. e também por suas crenças e sentimentos morais. lhes é intrínseca. e a que essa qualidade é inerente? Os afetos racionais e espontâneos são intrínseca e essencialmente ou bons. Quando são bons. Que sua vontade. a sua origem. Será que se pode dizer que a consciência é indestrutível e infalível? E possível tornar latente e perverter virtualmente. volição e ação. Como se demonstra que os atos do intelecto podem ter caráter moral? Em suas operações. 5:20. 12. isto é. O homem é responsável por seus juízos morais. E necessário que esteja de posse real da sua razão. esses afetos espontâneos determinam as volições para o bem. ou maus. todos os homens os consideram dignos de condenação e de justa indignação. determinam-nas para o mal. e até onde são indiferentes moralmente. Luc. de modo algum. que envolvem uma tendência ou uma facilidade para certas espécies de operações. Quais as condições essenciais da responsabilidade moral? Para que o homem seja responsável moralmente é necessário que ele seja um agente livre. Apoc. 2o. moral e racional (veja a resposta à pergunta antecedente). desejos. 4:18. Quando são bons. 23:17. ela não é nem indestrutível nem infalível. por causa da sua natureza essencial de bons ou maus. seja determinada por seus próprios afetos e desejos espontâneos. e temporariamente. o intelecto está de tal modo envolvido com os afetos e emoções morais que os seus juízos e opiniões a respeito de todas as questões morais também têm caráter moral.

Dr. porque . Se não fora assim. A. A. A essência da virtude é que obriga a vontade. 6. Este é o bicho que rói e nunca morre. Nas crianças a consciência. Veja McCosh. OBSERVE: Io. 3o. Quanto à sua indestrutibilidade.simplesmente em si mesmo. A idéia de virtude é que se trata de uma intuição simples e final. e é chamada moral" . devido a um mau juízo dos fatos e relações do caso. a consciência está constantemente dando decisões errôneas. também. veríamos que a consciência é verdadeiramente indestrutível. Quando despertado para agir. e a "certas ações voluntárias de um agente moral. é o caráter em que esses estados e atos da vontade não estão em harmonia com a lei divina. e nos selvagens o está muito imperfeitamente. o pecador individual em muitos casos fica entregue judicialmente à indiferença moral. portanto. é certo que ela nunca é destruída. e Dr. Alguns desses estados e atos da vontade não são morais. qualidade que é percebida pela faculdade moral de que todo homem é dotado. especialmente quando afetos e desejos depravados influem em sua ação. e Io. é infalível. e o agente merece castigo. porém. o seu castigo perderia o seu caráter moral. 14. perrence somenre à vonrade do homem (incluindo nela rodas as faculdades conativas). Mas virtude ou vício pertence só aos estados morais da alma e a atos voluntários. porém. é indestrutível mesmo nos corações mais depravados. isto é. a tentativa de analisá-la a destruiria. Este ponto é de grande importância. como definida na última resposta acima. quanto ao bem moral. Divine Government. Alexander. sua consciência se torna latente temporariamente. isto é. deve ser feita. e se pudéssemos ler a história inteira do homem mais perverso que já existiu. O que é bom é bom porque é bom. e assim como não pode ser destruído tampouco pode ser mudado.(1) Muitas vezes desperta com uma energia terrível no coração dos réprobos mais endurecidos. Livro 3. aquele em que as disposições permanentes. Cap. Qual a natureza essencial da virtude? "A virtude é uma qualidade peculiar a" certos estados da vontade. E sua própria razão suprema. (2) Porque esse remorso ou consciência acusadora constitui o tormento essencial das almas dos perdidos. e a percepção da qual é acompanhada de uma emoção que é diversa de todas as demais emoções. A suas volições. Que é que constitui um caráter virtuoso ou vicioso? A virtude. O entendimento é sempre falível. sua linguagem é sempre a mesma. No ato pelo qual a consciência julga estados ou atos morais acha-se envolvida a ação conjunta do entendimento e do sentido moral. Cap.2. 4 e 5. e esse juízo errôneo pode ser causado por uma propensão egoística. como todas as demais faculdades da alma. A essência do mal moral é que intrinsecamente merece desaprovação. sensual ou maligna. como também consciências latentes. Vicioso. o sentimento de que há uma distinção entre o bem e o mal é uma lei eterna para o próprio ser moral. e sobretudo com a da propiciação realizada por Cristo. Tem sua norma na natureza imutável de Deus. 15. Se uma coisa é moralmente boa. não está desenvolvida. que está em conformidade com a doutrina bíblica de recompensas e castigos. A sua disposição permanente. porque é aqui que muita filosofia falsa perverte muitas vezes a verdade. Daí existirem consciências enganadoras. A seus afetos. depois de contrair o hábito de não prestar atenção à voz da sua consciência e de violar a sua lei. Caps. disposições permanentes ou afetos temporários da vontade. nas agonias do remorso. não são nem aprovados nem condenados como virtuosos ou viciosos pela consciência. e não sendo enganado quanto ao verdadeiro estado do caso em foco. Caráter virtuoso é. Sec. Moral Science.26. . de fato. Alexander. Quanto à sua infalibilidade. Apesar disso. 2o. e porque esta é a única teoria. Moral Science. 2o. Ao mesmo tempo. os afetos e desejos temporários e as volições da alma estão em harmonia com a lei divina. Assim.

que esta teoria é defeituosa e. K. para distinguir entre o bem e o mal. pelo medo. o fato de a sua qualidade moral ser virtuosa ou viciosa permanece o mesmo. que as suas ações sejam constrangidas. embora seja possível obrigar um homem. como se verá também no capítulo 18. A matéria age só na medida em que se atua sobre ela. nos capítulos 8 e 12. e é um fato final e indissolúvel. é como ele deseja que seja. sendo espírito. Como se pode mostrar que este atributo da natureza humana é inalienável? E conceito geral que um homem está livre na sua determinação quando se determina de conformidade com as disposições e desejos que nele prevalecem num dado momento. A segunda e superior forma da teoria utilitária da virtude é a que a faz consistir de benevolência desinteressada. e tomadas em consideração todas as circunstâncias do caso. falsa. Pode ser que o juízo do homem esteja enganado. à vista de todas as circunstâncias do caso Qte never can be made to voill what he does not himself desire to voill -literalmente: ele nunca poderá ser levado a querer o que ele próprio não deseja querer). se é realmente sua vontade. Mas o homem virtuoso é aquele cujo coração e cujos atos. segundo as disposições permanentes e habituais do homem. na linguagem dos filósofos. ou cujas disposições. porque neste caso os próprios demônios e as almas perdidas seriam muito virtuosos. Quais as duas formas da teoria utilitária da virtude? Aprimeira. ou como o caráter. Que ele é dotado de uma razão para distinguir entre o verdadeiro e o falso. contudo. afetos e volições. porém se formam sob a luz da razão e da consciência. contudo. isto é. Taylor: "Nada é bom senão a felicidade e os meios de adquiri-la. quer seja adquirido pelo costume. 16. órgão de uma lei moral inata. estão em harmonia com a lei de Deus. Que. mas também retos. e nada é mau senão a miséria e seus meios".Os atos de volição serão virtuosos ou viciosos segundo forem os afetos ou desejos que os determinarem. é a que sustenta que a virtude consiste do desejo inteligente de felicidade. para que os seus desejos não somente sejam racionais. Quer esse caráter seja inato. e a responsabilidade moral que pesa sobre o agente por seu caráter não muda. 2o. no estado atual do seu espírito. e que afirma que todo pecado é uma forma de egoísmo. 3o. 18. não torna o caráter virtuoso. Já se mostrou. por isso. a determinar-se a fazer e também a fazer efetivamente muitas coisas que não se determinaria a fazer nem faria de fato se não fosse o medo. Que. N. na linguagem das Escrituras. e inferior. nunca poderá ser forçado a determinar-se no sentido em que ele mesmo não queira determinarse. Em que sentido afirmamos que o homem é agente livre? Respondemos explicando: Io. W. Diz o Dr. mas a sua vontade énecessariamente livre porque. Os afetos e desejos são como as disposições permanentes. 17. e de uma consciência. e de que ele experimenta emoções mais ou menos vivas e penosas ou agradáveis quando condena ou aprova. os seus desejos não são necessariamente nem racionais nem retos. origina ação. . Este último é natureza da própria vontade. ou de conformidade com elas ou contrários a elas. O homem age por sua própria força ativa. Devemos estar lembrados de que o fato de que alguém tem uma consciência que aprova o bem e condena o mal. segundo o seu caráter.

Segue-se que as volições são livres por sua própria essência, quer o agente determinando ou o ato determinado seja de bom senso quer não o seja, quer seja bom quer mau. 19. Acaso não ensinam as Escrituras que o homem está escravizado ã corrupção, e que perdeu a sua liberdade? Como acima demonstramos, o homem é sempre livre em suas volições responsáveis, tanto quando escolhe o que é contra a lei de Deus e da consciência, como quando escolhe de conformidade com essa lei. Contudo, no caso das criaturas não caídas e dos homens santificados perfeitamente, o estado permanente da vontade, os afetos e os desejos voluntários (o coração, na linguagem bíblica) estão em harmonia com a luz da razão e com a lei interior da consciência, e também com a lei exterior de Deus que temos na revelação objetiva. Não há conflito de princípios dentro da alma, e a lei de Deus, em vez de constranger a vontade por meio de seus mandamentos e ameaças, recebe obediência espontânea. Esta é "a liberdade dos filhos de Deus"; e a lei torna-se a "lei real" (Tia. 2:8) da liberdade quando a lei que está no coração do súdito corresponde perfeitamente à lei do Governador moral. No caso dos anjos e dos homens decaídos, porém, as disposições dominantes da vontade opõem-se à razão, à consciência e à lei de Deus; e em geral se diz que o agente, apesar de ser livre, porque se determina como lhe apraz, está sob a escravidão de uma natureza má, e que "é escravo do pecado" porque é impelido por suas disposições corrompidas a escolher aquilo que vê e sente que é prejudicial, e porque as ameaças da lei de Deus tendem a constranger a vontade pelo medo. As Escrituras não ensinam que o homem irregenerado não é livre em seu pecado, porque, neste caso, ele não seria responsável. Mas o contraste entre a liberdade dos regenerados e a escravidão dos irregenerados deve-se ao fato de que nos regenerados os desejos e tendências habitualmente dominantes não estão em conflito com os ditames da consciência e da lei de Deus. Os não regenerados, considerados psicologicamente, são livres quando pecam, porque se determinam do modo que, tudo considerado, lhes apraz; porém, considerados teologica-mente em sua relação para com a lei de Deus, aprovada pela razão e pela consciência, pode-se dizer que estão sob a escravidão dos maus desejos e disposições de seu próprio coração, que eles vêem que é mau e insensato, mas que, apesar disso, são incapazes de mudar. 20. Qual a distinção entre liberdade e capacidade? A liberdade consiste em poder um agente determinar-se como lhe apraz, por ser a volição determinada somente pelo caráter do agente determinante. A capacidade consiste em poder um agente mudar seu próprio estado subjetivo, fazer-se preferir aquilo que não prefere, e agir num dado caso em oposição aos desejos e preferências coexistentes do coração e do próprio agente. Assim, pois, o homem é tão verdadeiramente livre depois da Queda como o era antes dela, porque se determina como ^ apraz ao seu mau coração. Entretanto perdeu toda a capacidade s de obedecer à lei de Deus, porque o seu mau coração não está sujeito a essa lei, nem pode o homem mudá-lo. 21. Como definem liberdade Turretino e o presidente Edwards? Turretino, L. 10, Quass. 1- "Achando-se na alma só três coisas junto com sua essência, a saber, faculdades, hábitos e atos, a vontade (arbitrium) é comumente considerada como um ato da mente; mas aqui não significa propriamente nem um ato nem um hábito que se possa separar do homem individual e que o determina também no sentido de uma de pelo menos duas coisas contrárias; porém significa uma faculdade, todavia não uma faculdade vegetativa ou sensual e comum a nós e aos irracionais, na qual não haveria lugar nem para a virtude nem para o vício, e sim uma faculdade racional, cuja posse certamente não nos torna nem bons nem maus, mas por meio de cujos estados e ações somos capazes de nos tornar ou bons ou maus."

Quaes. 3 - "Não consistindo, pois, na indiferença a natureza essencial da liberdade, não se pode achar em outro princípio que não seja no desejo ou prontidão racional (lubentia rationali) em virtude da qual o homem faz aquilo que prefere ou se determina a fazer conforme um juízo prévio da razão (facit quod lubetpravio rationis judicio). Segue-se que dois elementos juntos são necessários para constituir esta liberdade. (1) Io proaireticon (o propósito), de modo que aquilo que se faz não é determinado por um certo impulso cego e brutal, e sim ek proaireseos, e conforme a razão previamente iluminada e um juízo prático do intelecto. (2) Io ekousion (o espontâneo), de modo que aquilo que se faz é determinado espontânea e livremente, e sem constrangimento." O presidente Edwards, On the Will, Sec. 5, define a liberdade como "o poder, oportunidade ou vantagem que qualquer pessoa tem para agir como lhe apraz". 22. Quais os dois sentidos em que se emprega a palavra motivo, como influindo sobre a vontade? E qual o sentido em que é verdade que a vontade está sempre em conformidade com o motivo mais forte? Io. Um motivo para agir pode ser alguma coisa que se acha fora da alma, como sejam o valor do dinheiro, os desejos de um amigo, a sensatez ou a insensatez, a bondade ou a malvadez de um ato considerado em si mesmo, ou os apetites ou impulsos do corpo. Neste sentido é evidente que os homens nem sempre agem segundo o mesmo ou o melhor motivo. Aquilo que atrai uma pessoa pode repelir outra, ou a pessoa pode repelir a força atrativa de um motivo externo pela força superior de alguma consideração tirada de dentro da própria alma. Assim, pois, é verdadeiro o dito: "É o homem que faz o motivo, não o motivo que faz o homem". 2o. Um motivo para agir pode ser o estado de ânimo do próprio homem, isto é, o desejo ou a aversão à vista do objeto
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exterior; ou seja, motivo no primeiro sentido. E evidente que este motivo interno influi necessariamente na volição, e igualmente evidente é o fato de que isso de modo algum torna o homem menos livre em sua autodeterminação, porque o motivo interno é nada mais que o homem mesmo desejando ou recusando, segundo a sua própria disposição ou o seu caráter. 23. Não seria possível que haja ao mesmo tempo na mente diversos desejos ou motivos internos contrários? E, quando é este o caso, como fica determinada a vontade? Muitas vezes sucede que há na mente ao mesmo tempo desejos ou afetos impelindo em sentidos contrários, e nestes casos o desejo mais forte, ou o grupo mais forte de desejos que puxem num mesmo sentido, determina a volição. Aquele que é o mais forte fica manifesto somente pelo resultado, e não pela intensidade do sentimento que desperta ou move. Alguns desses motivos internos, como, e. g., a sede de vingança, são muito vivos, e outros, como, e. g, o sentimento do dever, são muito calmos, e, contudo, o motivo calmo muitas vezes manifesta-se como o mais forte e atrai a vontade para o seu lado. Mas isso depende do caráter do agente. É este conflito interno de princípios opostos que constituem a luta da vida cristã. E é esta mesma experiência que ocasiona grande parte dessa confusão de consciência que se encontra entre os homens a respeito do problema da vontade e das condições da agência livre (ou do sujeito da ação). Muitas vezes os homens agem em oposição a certos motivos que têm, porém nunca sem motivos; e o motivo que afinal determina a vontade num dado caso pode bem ser o motivo menos claramente apreendido pelo intelecto e o que se manifesta menos vivamente nos sentimentos. Este é o caso especialmente das surpresas súbitas e das coisas de pouca importância; pois nestes a volição é determinada constantemente e quase automaticamente por impulsos vagos ou pela força do costume. Não obstante, se em qualquer caso refletirmos bem em tudo o que se passou em nossa mente na ocasião em que decidimos fazer alguma coisa, descobriremos que determinamos fazer aquilo à luz de todas as circunstâncias que o nosso entendimento nos apresentou a respeito do caso.

24. Se o estado mental imediatamente anterior ao ato da vontade determina com certeza esse ato, como pode ser livre esse ato, se foi determinado assim com certeza? Esta objeção baseia-se unicamente na confusão das duas idéias inteiramente distintas da liberdade da vontade, como uma faculdade abstrata, e da liberdade do homem que exerce a vontade. O homem nunca é determinado a querer ou a determinar-se por alguma coisa que esteja fora de si mesmo. E ele mesmo quem dá livremente e segundo o seu próprio caráter, às circunstâncias externas que sobre ele influem, todo o peso que possuem. Mas, por outro lado, o mero ato de volição, considerado em abstrato, é determinado pelo estado mental, moral e emocional do homem no momento em que se decide. Sua liberdade racional, com efeito, não consiste em alguma incerteza quanto ao seu ato, e sim no fato de que a sua alma inteira, como agente indivisível, inteligente, sensitivo e moral, determina seus próprios atos como lhe apraz. 25. Como se prova que a certeza de uma volição de modo algum é incompatível com a liberdade do agente desse ato? Io. Deus, Cristo e os santos na glória são todos eminentemente livres nas suas santas volições e ações e, contudo, nada pode haver de mais certo do que o fato de que eles, durante toda a eternidade, determinar-se-ão segundo a retidão. 2o. O homem é agente livre, contudo é certo que, desde o nascimento de uma criança, se continuar a viver, pecará. 3o. Deus, desde a eternidade, previu como certas todas as ações livres, e as preordenou, ou tornou-as certas. Nas profecias predisse muitas delas como certas. E na regeneração Seu povo torna-se "feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou (proetoimasen, preparou com antecedência, preordenou) para que andássemos nelas". 4o. Mesmo nós, se tivermos perfeito conhecimento do caráter de um amigo, e de todas as circunstâncias sob as quais ele age, poderemos muitas vezes ter plena certeza do modo como ele agirá, mesmo em nossa ausência. Esta é a base de toda a fé humana, e, por isso, a de toda a sociedade humana. 26. Em que consiste a teoria da liberdade moral chamada "Liberdade da Indiferença", "Poder Autodeterminante da Vontade", "Poder de Escolher o Contrário", "Liberdade de Contingência", etc., sustentada pelos arminianos e outros? Esta teoria afirma que na idéia de agência livre acha-se envolvido essencialmente o seguinte - Io. Que a vontade do homem em qualquer volição pode decidir-se não só em oposição a todos os induzimentos externos, mas também em oposição a todos os juízos e desejos internos, e ao inteiro estado inferior e coexistente do próprio homem. 2o. Que em todas as suas volições livres o homem está cônscio de que poderia ter se decidido em sentido diametralmente oposto, sem que houvesse alteração alguma nem nas suas circunstâncias exteriores nem no seu estado interior. 3o. Que todas as volições livres são contingentes, isto é, incertas, antes do evento, porque não são determinadas por coisa alguma que não seja só e unicamente a faculdade de volição da parte do agente -Hamilton's "Reid995 .sgáp ‫.426-״‬ A verdadeira teoria da certeza moral, porém, é que a alma é uma unidade; que a vontade não se determina a si mesma, mas é o homem que, quando determina, determina-se a si mesmo; e que sua volição é determinada com certeza pelo estado interno, racional, moral e emocional, tomado como um todo, em que o homem está no momento em que se determina. Em oposição à primeira destas duas teorias e a favor da segunda, afirmamos Io. Que o caráter do agente determina com certeza o caráter de suas ações livres, e que a certeza de um ato não é incompatível com a liberdade do agente que o pratica. Veja acima, Perg. 12.

2o. Que as doutrinas cristãs da presciência (ou do pré--conhecimento), da preordenação, da providência e da regeneração divinas provam, todas elas, que as volições dos homens nem são incertas nem indeterminadas. Quanto às provas bíblicas destas doutrinas, veja os respectivos capítulos. 3o. Concordamos com os defensores da primeira teoria em sustentar que em qualquer ato livre que praticamos estamos cônscios de o podermos praticar ou deixar de praticar segundo a nossa vontade. "Mas, ao mesmo tempo, sustentamos que não estamos menos cônscios de que essa convicção íntima de possuirmos o poder para não praticar o ato é condicional. Isto é, estamos cônscios de que o ato poderia ter sido diferente se outras e diversas opiniões, idéias ou sentimentos tivessem sido presentes em nossa mente, ou se lhes tivéssemos dado seu peso devido. Mas o homem não pode preferir contra a sua preferência, ou escolher contra a sua escolha. Pode ter uma preferência numa ocasião e outra em ocasião diversa; e pode ter em ação ao mesmo tempo diversos sentimentos e princípios opostos e em conflito mútuo, porém não pode ter ao mesmo tempo preferências opostas e em conflito mútuo." 4o. A teoria do "poder autodeterminante da vontade" considera a faculdade da vontade ou da volição como isolada das outras faculdades da alma, como um agente independente dentro de outro agente. Mas a alma é uma unidade. Tanto a consciência como as Escrituras ensinam que o homem é um agente livre e responsável. Desligando-se a faculdade de volição das disposições e desejos morais, as volições não teriam mais caráter moral; e desligando-se essa faculdade da razão, as volições não teriam mais caráter racional. Se não forem determinadas pelo estado interno do próprio homem, serão fortuitas e estarão fora do seu domínio. O homem não poderá ser livre, se a sua vontade estiver independente tanto da sua inteligência e da sua razão como do estado do seu coração, e não deverá ser tido como responsável. 27. Por que o homem é responsável por suas ações externas, por suas volições e por seus afetos e desejos? Como se prova que ele é responsável por seus afetos? O homem é responsável por suas ações externas por serem determinadas por sua vontade; é responsável por suas volições por serem determinadas pelos princípios, sentimentos e desejos do próprio homem; e é responsável por seus princípios, sentimentos e desejos por causa da sua natureza de bons ou maus, e porque são dele e constituem o seu caráter. As Escrituras ensinam e é o juízo universal dos homens que "o homem bom tira" ou produz " boas coisas do seu bom tesouro" e que "o homem mau do mau tesouro tira coisas más". Um ato deriva o seu caráter moral do estado do coração do qual provém, e o homem é responsável pelo estado do seu coração, seja esse estado inato, ou formado pela graça regene-radora, ou adquirido. Io. Por causa da natureza obrigatória daquilo que é moralmente bom e por causa do desmerecimento do pecado. 2o. Porque os afetos e desejos do coração do homem são ele mesmo amando ou recusando aquilo que é bom. É opinião de todos que um homem profano ou malévolo merece desaprovação, seja qual for a causa que o leva a ser assim. 28. Como o Dr. D. D. Whedon expõe e contrasta a posição das filosofias arminiana e calvinista? Diz ele: "A esta máxima segundo a qual somos responsáveis por nossas más volições, disposições ou natureza, seja qual for o modo pelo qual as obtivemos, contanto que as possuamos realmente, nós (os merodistas) opomos esta outra máxima segundo a qual,para que um agente seja responsável por qualquer ato ou estado, é necessário que tenha poder de praticar o ato contrário ou de produzir o estado contrário. Noutras palavras, o poder é a base da responsabilidade". A única limitação que ele admite é o caso de uma incapacidade produzida voluntariamente pelo próprio agente. Esta, acrescenta ele, é uma máxima fundamental segundo a qual se deve decidir todos os pontos em discussão entre o arminianismo e o calvinismo.

29. Como se pode mostrar que essa teoria arminiana leva a conseqüências incompatíveis com o evangelho, e que a teoria calvinista é verdadeira? O Dr. Whedon admite que Adão, depois da sua queda, perdeu toda a capacidade de obedecer à lei de Deus, e que era responsável por essa incapacidade e por todas as suas conseqüências, porque, tendo sido criado com plena capacidade, perdeu-a por seu próprio ato livre. Admite também que cada filho de Adão nasce com uma natureza corrompida e destituída de capacidade de obedecer à lei de Deus. Nega, porém, que uma criança seja responsável ou punível por essa incapacidade ou por qualquer ação pecaminosa que dela resulte, porque veio sobre ela, sem culpa da sua parte, pelo pecado de Adão. A título de justa compensação, porém, pelo grande infortúnio de serem pecadores inocentes, o Dr. Whedon afirma que Deus em Cristo dá a todos os homens graça suficiente e, por conseguinte, capacidade, advinda dessa graça, de obedecer à lei evangélica. Se um homem fizer uso da capacidade advinda dessa graça, será salvo e sua fé e obediência evangélica lhe serão imputadas como justiça perfeita; se, porém, não fizer uso dessa \ capacidade advinda da graça, será condenado como responsável por esse abuso (ou mau uso) da capacidade, e, por isso, como responsável também por todos os seus sentimentos e ações pecaminosas, e pela incapacidade subseqüente em que redunda esse abuso. Respondemos que dessa teoria arminiana segue-se: Io. Que a salvação alcançada para nós por Cristo não foi obra da graça livre, e sim uma compensação tardia e incompleta concedida aos homens pelos males imerecidos que em conseqüência do pecado de Adão vieram sobre eles ao nascerem. 2o. A "graça" concedida a todos é tão necessária para tornar os pecadores puníveis como o é para salvá-los. Assim, pois, segundo este princípio, a graça, tornando os homens responsáveis, porque opera neles a sua capacidade, envia para o inferno maior número de almas do que leva para o céu mediante a fé em Cristo. 3o. Não sendo responsáveis pela culpa original, e por isso não puníveis, os que morrem na infância vão para o céu em virtude do seu direito natural. Sustentamos, pelo contrário, que todo homem, a não ser que seja um louco, é responsável pelos seus afetos, desejos e disposições morais, seja qual for a sua origem; e que este é um fato final da consciência, confirmado pelas Escrituras e pelo juízo universal dos homens. Um ato deriva seu caráter moral do estado do coração de onde origina, mas o estado do coração não adquire do ato o seu caráter moral; pois a qualidade moral do estado do coração lhe é inerente, e responsabilidade moral é inseparável de qualidade moral. Assim é Io. Em conseqüência da natureza essencial do bem e do mal. A essência do bem, isto é, no sentido moralmente bom, é que deve ser - obriga a vontade. A essência do mal - daquilo que é moralmente mau é que não deve ser, que a vontade é obrigada ao contrário e que o praticá-lo merece castigo. 2o. Porque os afetos e desejos morais de um homem nada mais são do que o homem mesmo amando ou aborrecendo a bondade. E opinião de todos os homens que um indivíduo profano ou malévolo merece reprovação, sejam quais forem as causas que o levam a ser assim. E o caráter e não a origem da disposição moral do coração que é a questão verdadeira. Cristo disse: "O homem bom do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau tesouro do seu coração tira o mal" - Luc. 6:45.

A Criação e o Estado Original do Homem

1. Como provar que a raça humana teve origem num ato direto de criação da parte de Deus? Ia. As Escrituras o afirmam explicitamente - Gên. 1:26; 2:7. 2a. Esse fato acha-se implícito no abismo imensurável que separa o homem no seu ínfimo estado brutal da ordem mais próxima da criação inferior, indicando uma superioridade maravilhosa quanto às qualidades em que o homem e os animais irracionais são comparáveis, e uma diferença absoluta de espécie quanto à natureza intelectual, moral e religiosa do homem e à sua capacidade para um progresso irrestrito. Mesmo o Prof. Huxley, que sustenta temerariamente uma posição extrema a respeito das relações anatômicas do homem para com os animais inferiores, admite que quando se toma em consideração a natureza superior do homem, existe entre ele e os irracionais mais próximos "um abismo enorme, uma divergência imensurável e praticamente infinita" - Primeval Man, de autoria do Duque de Argyle. 3a. Está implícito no fato revelado nas Escrituras e realizado na história que o homem estava destinado a exercer domínio universal sobre todas as outras criaturas e sobre o sistema da natureza. Não podia, pois, ser um mero produto da natureza, um de uma série de entes coordenados. 4a. Está implícito no fato de serem os homens chamados "filhos de Deus" e de serem tratados como tais no sistema inteiro da providência e da redenção. A natureza moral e religiosa do homem também dá testemunho disso universalmente, e tanto mais quanto mais se acham esclarecidos e desenvolvidos esses elementos da sua natureza. E essa verdade foi assinalada proeminentemente pela união pessoal da nossa natureza com a Deidade. E óbvio que, sendo transmitidos por descendência natural tanto as naturezas e os hábitos intelectuais, morais, religiosos e sociais dos homens, como o é a sua estrutura anatômica, não somente é uma arbitrariedade mas é também um absurdo tomar em consideração apenas esta e deixar de considerar aqueles, numa investigação científica da origem do homem, ou do seu lugar e das suas relações na ordem da natureza. 2. Como expor o estado atual da questão da antiguidade da raça humana? Io. As Escrituras e todos os resultados seguros da ciência moderna ensinam acordemente que o homem foi o último de todos os seres organizados que apareceram na terra. Não foi introduzida nenhuma espécie nova depois da introdução do homem. 2o. Os sistemas de cronologia bíblica geralmente aceitos foram deduzidos das indicações prima facie que nos são conservados nos incompletos registros históricos e genealógicos do período anterior a Abraão, contidos nos primeiros capítulos de Gênesis. O sistema que indica o período mais curto, deduzido por Usher do texto hebraico, põe a criação do homem numa ocasião próxima de 4.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, ou de 6.000 anos da época atual. O sistema que indica o período mais longo, deduzido por Hales e outros do texto da Septuaginta e de Josefo, põe a criação do homem numa ocasião próxima de 5.500 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, ou de 7.500 anos antes da época atual. A respeito desses sistemas de cronologia, o Prof. W. H. Green, D. D., de Princeton, diz (Pentateuch Vindicated, pág. 128) - "Não devemos esquecer que há um elemento de incerteza numa computação de tempo baseada em genealogias, como é o caso em tão alto grau da cronologia sagrada. Quem nos poderá certificar de que as genealogias antediluvianas e das gerações anteriores a Abraão não foram condensadas do mesmo modo que o foram as de gerações posteriores a Abraão? Se Mateus omitiu alguns nomes dos avoengos do nosso Senhor Jesus Cristo para tornar iguais os três grandes períodos que menciona, não podia Moisés fazer o mesmo, a fim de apresentar sete gerações de Adão até Enoque e dez de Adão até Noé? Nossa cronologia comum é baseada

na impressãopnma facie dessas genealogias. A ela aderiremos enquanto não tivermos bons motivos para abandoná-la. Mas, se as indicações recentemente descobertas, da antigüidade do homem, a cujo respeito os círculos científicos se acham tão entusiasmados, demonstrarem, depois de bem investigadas e ponderadas, tudo o que se tenha imaginado que demonstram, qual seria o resultado? Demonstrariam simplesmente que a cronologia popular se baseia numa interpretação errada, e que um registro parcial das gerações anteriores a Abraão foi por engano considerado registro completo". 3o. As pesquisas modernas têm trazido à luz uma soma imensa e sempre crescente de provas de que a raça humana existia na terra muitos séculos antes da data fixada para a criação do homem mesmo na cronologia deduzida do texto da Septuaginta. As classes principais em que se pode dividir essas provas são as seguintes: (1) Nos monumentos egípcios têm-se descoberto pinturas etnológicas, mostrando que todas as peculiaridades divergentes dos tipos caucasiano e africano já se achavam desenvolvidas completamente como eles estão agora, e isso mais de 1.900 anos antes de Cristo. Durante todo o tempo histórico nenhuma mudança de clima ou de costumes tem produzido mudança apreciável em qualquer variedade da raça humana e, por isso, devemos concluir que muitos séculos e também grandes mudanças foram necessários para produzir tão grandes variações permanentes nos descendentes de um só casal. O duque de Argyle diz muito bem: "Exatamente na mesma proporção em que avaliamos a nossa fé na unidade da raça humana, devemos estar prontos a aceitar quaisquer provas da sua antigüidade. Quanto mais antiga se provar que a raça humana é, tanto mais possível e provável será que ela descende de um só casal" Primeval Man, pág. 128. (2) A filologia, ciência que estuda em grande amplitude as línguas, prova que em tempos muito remotos deviam ter vivido juntas e ter falado a mesma língua as nações que agora falam línguas análogas, e que as nações e suas línguas se dividiram no transcurso dos séculos em diversos ramos. Para se desenvolverem, porém, tantos e tão diversos dialetos devem ter sido necessários muitos e muitos séculos. (3) A geologia, ciência que, entre outras coisas, estuda a origem, a formação e as transformações sucessivas do globo terrestre, tem descoberto restos de corpos humanos e de obras de arte humana em depósitos de aluvião e cascalho, enterrados fundo, e em cavernas e covas, junto com os restos de animais de espécies desde há muito extintas, o que prova suficientemente que, depois da criação do homem, grupos inteiros de grandes quadrúpedes foram extintos; e também que o clima da zona temperada do norte passou por uma transformação revolucionária, e que a geografia física de todos os países examinados a este respeito sofreu mudanças radicais depois de criado o homem. 3. Como se pode provar a unidade da raça humana, e que descende de um só casal? Até o momento em que escrevemos, Agassiz é o único naturalista de primeira ordem que ensina que todas as diversas espécies de variedades e seres organizados devem ter tido origem independente e ter se propagado de países diversos. Ele afirma, por conseguinte, que a raça humana é um gênero, e que foi criado originariamente em diversas variedades específicas. A mesma teoria é sustentada com muita habilidade numa obra recente que tem atraído a atenção na Inglaterra; tem por título - The Genesis ofthe Earth and of Man. Que o homem, genericamente diverso de todas as demais criaturas, é de uma só espécie, prova-se Io. Pelas Escrituras - Atos 17:26; Rom. 5:12; 1 Cor. 15:21,22. 2o. Pela propagação de Adão, pela imputação e pela descendência, da culpa e da corrupção. O fato de ser Cristo o Cabeça representativo do Seu povo, e de Sua obediência e Seus sofrimentos vicários, implica essencialmente a unidade absoluta da raça humana e sua descendência de um só casal.

3o. A natureza moral e religiosa de todas as variedades da raça humana é especificamente idêntica. 4o. O mesmo fato é indicado geralmente pela história e pela ciência chamada filologia comparativa. 5o. No processo de domesticação de diversos ramos da mesma espécie de animais irracionais, e. g., pombas e cães, têm se verificado, como resultado, diferenças maiores do que as que existem entre as diversas variedades da raça humana. 6o. É fato admitido universalmente pelos naturalistas que a união entre animais de espécies diversas nem sempre é fértil, e que o produto de tal união raríssimas vezes pôde propagar--se - talvez nunca! Entre os homens, porém, por maior que seja a diferença nas variedades a que os pais pertencem, isso em nada influi no número de seus filhos, e estes, por sua vez, podem propagar-se indefinidamente. 4. Como se pode mostrar que, segundo as Escrituras, a natureza humana é composta de duas, e só duas, substâncias distintas? 1 As Escrituras ensinam que o homem é composto de dois elementos, chamados respectivamente em hebraico, grego, latim e português, bãsãr, soma, corpus, corpo; e ruach, psychê, pneuma, pnõe, dzõe, animus, mente, ânimo, alma, espírito. Isso é claramente revelado: Io. Na narrativa da criação - Gên. 2:7.0 corpo foi formado da terra e, então, Deus insuflou no homem um sopro de vida, e assim ele se tornou alma vivente. 2o. No que se diz a respeito da morte, Ecl. 12:7, e do estado da alma imediatamente depois da morte, enquanto os corpos estão se corrompendo na terra - 2 Cor. 5:4-8; Fil. 1:23,24; Atos 7:59. 3o. Em toda a linguagem usual das Escrituras são postulados esses dois elementos, e não são mencionados outros. 5. Como se pode expor a teoria daqueles que dizem que a nossa natureza compreende três elementos distintos, e sua suposta base bíblica? Pitágoras, e depois dele Platão, e subseqüentemente os filósofos gregos e romanos, sustentavam que o homem consiste de três elementos constitutivos: o espírito racional, nous, pneuma, mens; a alma animal, psychê, anima; e o corpo, soma, corpus. Assim ficou sendo de uso vulgar essa divisão, e o apóstolo Paulo adotou-a, empregando os três termos quando queria designar em linguagem popular o homem completo e tudo o que lhe pertence como homem. "Todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" - 1 Tess. 5:23; Heb. 4:12; 1 Cor. 15:44. Daí alguns teólogos tiram a conclusão de que a doutrina segundo a qual a natureza humana é composta de três elementos distintos é revelada na Palavra de Deus. 6. Como se pode refutar a teoria acima e mostrar que os termos psychê e pneuma são empregadas no Novo Testamento como sinônimas? O uso que os apóstolos fizeram desses três termos prova somente que empregaram palavras no seu sentido comum e popular para exprimir idéias divinas. A palavra pneuma designa a alma, acentuando sua qualidade racional. A palavra psychê designa a mesma alma, acentuando sua qualidade como o princípio vital e animador do corpo. As duas são empregadas juntas para designar em linguagem popular o homem por inteiro. Não pode ser doutrina do Novo Testamento qutpneuma e psychê sejam duas coisas distintas, porque são trocadas habitualmente uma pela outra, sendo muitas vezes empregadas indistintamente. Assim, a palavra psychê, como também pneuma, é empregada para designar a alma como sede das faculdades intelectuais e superiores - Mat. 10:28; 16:26; 1 Ped. 1:22. E assim também a palavra pneuma é

empregada, como igualmente a palavra psychê, para designar a alma como o princípio animador do corpo - Tia. 2:26. Pessoas falecidas são chamadas indistintamente psychai, Atos 2:27,31; Apoc. 6:9; 20:4; epneumata, Luc. 24:37,39; Heb. 12:23. 7. Que ensinam os nossos livros normais e oficiais (isto é, os nossos símbolos de fé) quanto ao estado em que o homem foi criado? A Confissão de Fé, Cap. 4, § 2,0 Catecismo Maior, Perg. 17, e o Breve Catecismo, Perg. 10, ensinam os seguintes pontos -Io. Deus criou o homem à Sua imagem; 2o. Dotou-o de alma racional e imortal, por sua vez dotada de conhecimento, justiça, retidão e verdadeira santidade, e deu-lhe domínio sobre as demais criaturas; 3o. O homem foi criado com a lei de Deus inscrita em seu coração e com o poder de cumpri-la, e, ao mesmo tempo, sob a possibilidade de transgredi-la, sendo deixado à liberdade da sua própria vontade, que era sujeita a mudança. A imagem de Deus dizia respeito - Io. A espécie da sua natureza; o homem foi criado semelhante a Deus um espírito livre, racional e pessoal. 2o. Foi criado semelhante a Deus quanto à perfeição da sua natureza - no conhecimento, Col. 3:10, na retidão, justiça e verdadeira santidade, Ef. 4:24. 3o. Foi criado semelhante a Deus quanto ao poder, expresso em seu domínio sobre a natureza, Gên. 2:28. 8. Como se pode expor, em termos psicológicos, o verdadeiro estado da questão? ·. · ; . No capítulo anterior mostramos que a volição é determinada pelo caráter moral dos desejos e afetos que a estimulem, e destes a volição deriva seu caráter moral; mostramos igualmente que os afetos e desejos temporários que estimulam e motivam as volições em qualquer caso dado, vêm eles mesmos dos hábitos e disposições permanentes e da tendência da vontade, que constituem o caráter moral do homem. Mostramos ainda que o caráter moral dessas disposições permanentes da vontade, e a responsabilidade do homem por elas, são um fato final que não se pode referir a outro princípio mais fundamental ou essencial, e que esse fato é confirmado pelo juízo universal dos homens. Do acima exposto segue-se que a justiça e a santidade originais com as quais Adão foi criado consistiam na conformidade perfeita em que estavam todos os seus afetos e todas as disposições morais da sua vontade (em linguagem bíblica, seu coração) com a lei de Deus - cujo órgão era a sua consciência clara e fiel. Em conseqüência, não havia cisma ou cisão na natureza do homem. A vontade, operando livremente de conformidade com as luzes da razão e da consciência, conservava em sujeição harmoniosa todos os princípios inferiores do corpo e da alma. Em equilíbrio perfeito morava uma alma perfeita num corpo igualmente perfeito. Essa justiça original era natural no sentido (1) de que era a perfeição original da natureza do homem como havia saído das mãos do Criador. Pertencia originariamente a essa natureza, e (2) é sempre essencial à sua perfeição quanto à qualidade. (3) Teria sido propagada sempre se o homem não tivesse caído, do mesmo modo como agora a depravação inata é propagada, por descendência natural. Por outro lado, porém, não era natural no mesmo sentido em que a razão, a consciência e a agência livre são elementos especiais criados para constituir alguém em homem real. Como qualidade, é essencial à perfeição da natureza humana, mas como elemento, não é essencial à realidade dessa natureza. 9. Como se prova que Adão foi criado santo no sentido explicado acima? Pertence à essência da natureza do homem que ele seja agente moral responsável. Consideremos, porém:

Gên. porque só é moral aquela disposição que se formou como costume por meio da prévia ação da sua livre vontade não influenciada por nada. e absolutamente santa. Cristo é chamado "o último Adão". porém sem caráter positivamente moral. Que o homem pode com razão ser tido como responsável só por suas volições não influenciadas. 1:31. Como criatura moral. o homem exemplar da humanidade normal. na criação o homem foi feito à imagem de Deus. D. estando igualmente disposta para a virtude e para o vício. o homem foi criado à imagem de Deus . · · ‫״־‬ ‫ ·· . 4o.Gên. deve ser a mesma. Que se segue que é um absurdo dizer que o homem tem um caráter moral anterior a qualquer ação moral da sua parte. 3o. 2o. quanto à justiça e ao pecado inatos? Os pelagianos afirmam: Io. no entanto. D.:׳־ !:. é necessário que o homem escolha o seu caráter. Cristo é reconhecido por amigos e inimigos como o único homem perfeito encontrado na história inteira do mundo.Io. 7:29. conquanto concorde com os pelagianos naquilo que é mais importante quanto ao estado moral em que Adão foi introduzido originariamente por sua criação. 4:24. 5o. a do Dr. e. entretanto nega que no primeiro destes casos o agente possa ser com razão recompensado ou no segundo castigado.׳‬V ■■■ . Que o homem é mortal por natureza. amável ou odiosa. Em que consiste a doutrina pelagiana com respeito ao estado original do homem? Os pelagianos afirmam .Ecl. o homem inclusive. Whedon (arminiano) e a dos calvinistas. e sem que fosse influenciado por nada. e 2o. quer dizer. Na regeneração o homem é renovado à imagem de Deus. 1:27. difere deles quanto à condição moral em que os descendentes de Adão são introduzidos por seu nascimento. a Sua natureza humana foi formada pelo Espírito Santo. seu estado era de equilíbrio moral. Whedon (arminiano). essa imagem. e inclui santidade . A "bondade" de um agente moral não pode consistir em outra coisa que não seja a conformidade da sua vontade à lei moral. 3o. Como se pode expor e contrastar a posição dos pelagianos. 11. E. por isso. eram muito boas .Ef. A bondade de uma obra humana consiste essencialmente em sua adaptação ao fim proposto por quem a fez. sua vontade não somente era livre. que quando o homem foi criado. antes de ação alguma da parte dEle.10. que era primeiro indiferente tanto para o bem como para o mal e que Deus o deixara livre para formar seu caráter segundo escolhesse. D. além disso. e que a mortalidade da raça humana não é conseqüência do pecado. mas. . por . Indiferença moral em um agente moral já é da natureza do pecado. . e no versículo 47 "o segundo homem".:: <‫־‬ 10.1■ . nos dois casos. 2o. Admite que uma inclinação "criada" pode ser boa ou má. Que agora todos os homens nascem. Em 1 Coríntios 15:45.‫׳‬ Eles sustentam. Quando ainda estava no ventre Criação e Estado Original de Sua mãe foi chamado "o Santo" Luc. As Escrituras declaram que o homem foi criado santo . 1:35. O Dr. Que Adão foi criado agente moral. D. ou não pode ser tido como responsável por ele. Deus declarou que todas as Suas obras. quanto a todas as particularidades essenciais. no mesmo estado moral em que Adão foi criado. pois.

disse. mas também que devem ser tidos como moralmente responsáveis por suas disposições e ações. e outras muitas são moralmente indiferentes na sua natureza essencial. a volição necessariamente será moralmente boa. se não fosse assim. e sim no bom estado dessas faculdades. 2o. Por que é que julgamos os homens responsáveis moralmente por disposições inatas e concriadas? Io. A bondade ou maldade de um ato depende da bondade ou maldade da disposição ou dos afetos que o incitaram. Se Adão tivesse formado para si um caráter santo. tendo formado para si um caráter mau. na boa disposição da nossa alma. Muitas dessas inclinações são boas. As crianças nascem com disposições e tendências morais muito diversas.. e. 4o. e sim na sua natureza". é juízo espontâneo e universal dos homens que os que são por natureza malévolos. Um agente amoral pode sem culpa conservar-se indiferente para com coisas morais. que todos os homens nascem com uma tendência inerente para pecar. a volição será necessariamente má. Que há disposições e inclinações permanentes que determinam as volições. que o incitavam a ações santas. Adão foi criado com disposições santas. Parte 4. o caráter da qual ele não determinou para si por prévias volições não influenciadas. E o estado moral da vontade (ou o coração. tornou-se mau e mereceu castigo. uma disposição moralmente indiferente não pode resultar num ato ou costume santo. porém não merecem castigo por causa disso. Essas disposições morais podem ser inatas bem Como adquiridas. 2o. Como se pode provar que um estado de indiferentismo moral é em si mesmo pecado. e que. apesar disso. A essência da moralidade é que obriga a vontade de um agente moral. Mas."Que é santidade? Não seria essencialmente o amor? E não poderia Deus derramar esse amor em qualquer alma sem a concordância dessa alma anterior ao seu conhecimento ou ao seu consentimento? E se Ele o fizer. pode estar em grande erro quanto à natureza dessa coisa.sua disposição. Mas os seus descendentes são gerados com natureza corrompida sem culpa sua. não o ato que torna esse estado bom ou mau. pela própria natureza do caso. em sua obra On the Will. cruéis e falsos não somente merecem que sejam detestados por todos. mas em qualquer dos casos o agente é tão responsável por elas como o é por outro qualquer estado ou ato da sua vontade. Além disso. Em oposição a esses conceitos. Isso mostra . porém foi feito assim por Deus. e. § 1. Os motivos pelos quais o homem faz uma coisa podem ser muito bons. por ignorância ou loucura. e por isso são maus e corruptos. veja Mat. Não obstante. porventura o amor mudará de natureza? Deixará de ser santidade? Esse argumento jamais poderá ser sustentado". os que têm posição doutrinária ortodoxa afirmam . não seria possível que o exercício de uma faculdade volitiva assim condicionada resultasse num ato ou caráter moral? E auto-evidente que o indiferentismo moral da parte de um agente moral à vista de uma obrigação moral é em si mesmo pecado. diz: "A essência da virtude ou do vício das disposições do coração e dos atos da vontade não está na sua causa. tendência que. Levem isto com vocês.Io. e não dirão mais que Deus não podia criar o homem com justiça e verdadeira santidade". muitas são más.. é um absurdo dizer que um agente moral pode conservar-se indiferente a respeito de uma obrigação moral conhecida por ele como sua e que. 3o. se forem indiferentes. 7:17-20 e 12:33) que torna o ato bom ou mau. apesar disso. seria bom e digno de prêmio. inerente à sua natureza. 3o. é em si mesma pecado e digna de castigo. E até João Wesley. As Escrituras ensinam. contudo. se forem maus. como mostraremos no Capítulo 19. se todas as disposições e desejos que prevalecem no coração em qualquer caso dado forem bons. sobre o "Pecado Original". arminiano como era. 13. O presidente Edwards. 12. Não se tornou santo. esse indiferentismo não é moral e sim o pré-requisito de toda moralidade. a volição será forçosamente indiferente também. Um agente moral pode sem culpa conservar-se indiferente para com coisas indiferentes. segundo citação feita por Ricardo Watson: "A santidade não consiste no bom uso que fizermos de nossas faculdades.

então as condições de uma agência livre. Arbítrio. ou foi criada com ele. Mesmo que a teoria pelagiana fosse verdadeira. 6. como dizem os pelagianos. em estado de inocência perfeita. diz: "Por estes testemunhos dos Pais. 1:26. seguir-se-á que Adão determinou--se para o bem antes de ter um princípio de retidão . determinou o caráter moral do próprio homem. Ricardo Watson. perdeu a imagem mas não a semelhança de Deus". Deus dotou o homem. ou emanou de suas próprias volições. dizem que o primeiro ato de Adão. Se se afirmar a última hipótese. ficará estabelecido que ele foi criado em estado de retidão. Que distinção faziam os chamados santos Pais entre a imagem e a semelhança de Deus em que o homem foi criado? -Gên. por seu pecado. Por "imagem" de Deus os Pais entendiam os poderes naturais e constitutivos do homem. que não tinha caráter moral. isto é.o absurdo das posições acima indicadas. devem ser diversas das de uma agência livre. Adão foi criado com uma vontade igualmente disposta para o bem e para o mal. Veja Sir William Hamilton. nunca poderíamos ter certeza disso. com aptidões e disposições para o bem". 14. Por "semelhança" de Deus eles entendiam a perfeição moral amadurecida e desenvolvida da natureza humana. e a semelhança às virtudes (perfeições morais). no fim deste capítulo. de onde se segue que Adão. porque envolve a imposição de uma pena terrível por um ato que em si não foi nem bom nem mau. e se as crianças nascem assim também. pág. Belarmino. 2. Hist. teria sido injusto da parte de Deus. e o de todos os seus atos e do seu destino para todo o tempo futuro. e é contrária à experiência universal. 1. quais sejam a razão. Todos os que têm pensado ou escrito sobre esta questão estavam cônscios de que só pode existir liberdade sob as condições de um caráter moral já formado. 15. cuja consciência é a única fonte de onde podemos recolher os fatos necessários para deduzirmos deles alguns conhecimentos corretos a respeito deste ponto. somos obrigados a concluir que a imagem e semelhança não são iguais em todos os aspectos. 16. resultante de o homem exercer santamente as suas faculdades. Se. Que ensina o Catecismo do Concilio de Trento quanto ao estado em que Adão foi criado? Veja abaixo. no caso de todos os homens e mulheres adultos. Neander. Se Adão foi criado sem caráter positivamente moral. vol. 180. a consciência e a vontade livre (o livre-arbítrio). os poderes ou faculdades intelectuais e morais. 17. nesses supostos casos. as doutrinas das diversas igrejas sobre este ponto. afirma que esse foi o germe da subseqüente doutrina medieval e romana sobre o estado original do homem. visto que faz evoluir toda moralidade daquilo que é moralmente indiferente. em sua criação. De Gratia et Lib. Discussions. diz muito bem: "Em Adão aquela retidão da qual emanaram boa escolha e bons atos. 16. não obstante. cap. Dogmas. E. Como demonstrar que a teoria pelagiana não pode basear-se na experiência? Essa teoria é toda construída sobre certas noções formadas apriori. 587 etc. dzdona naturalia. Se isso fosse verdade. porque nunca estivemos cientemente em tal estado de indiferentismo. e sim que a imagem diz respeito à natureza.o que é absurdo. de todos os poderes e faculdades naturais e constitutivos do corpo e da alma sem pecado. pág. se se afirmar a primeira hipótese. Como teoria é absurda. pág. seu primeiro ato não podia ter caráter moral de nenhuma qualidade. Qual é a doutrina romana a respeito dos dona naturalia e dona supernaturalia? Segundo essa doutrina: Io. Christ. Nada mais é que uma hipótese imaginada para que os interessados pudessem sair de uma dificuldade dificuldade que é resultado do fato de que o nosso poder de pensar é limitado. .

em conseqüência dessas propensões diversas e contrárias. porém. e ele os perdeu em conseqüência da Queda. perdeu somente os dons acrescentados de "retidão original" (dona supernaturalia). criou-a à Sua imagem e semelhança: dotou-a com vontade livre. Veja a exposição dada logo a seguir. por sua queda. Deus concedeu ao homem o dom adicional. o efeito produzido pela Queda sobre a natureza moral do homem foi tão-somente negativo. Os Reformadores o definiram como "falta da justiça original e corrupção da natureza inteira". 117. Essa tendência em si não é pecado. pois. vontade livre (em que eles incluem a "capacidade moral") permanecem intactos. 3. tem uma certa propensão para o bem corpóreo e sensível. que o homem consta naturalmente de carne e espírito. Alguns dos teólogos romanos sustentam que esses dons sobrenaturais foram concedidos ao homem imediatamente. do Cone. nos apetites e paixões inferiores. ao qual é induzido por seus sentidos e apetites. consciência. Para impedir a desordem que seria o resultado dessa tendência natural de se rebelarem os elementos inferiores da constituição humana contra os superiores. Mas. págs. que era um dom extraordinário. no mesmo momento em que lhe foram dados os seus poderes naturais. como recompensa pelo bom uso dos seus poderes naturais.Cat. ou a tendência de se rebelarem os poderes inferiores contra os superiores. criado e qualificado de tal modo em corpo que fosse imortal e impassível. Cap.2.12. e. Mas quanto ao que diz respeito à alma do homem. Parte 2. A opinião geral. Deus ajustou devidamente esses poderes uns aos outros.118. acrescentado à constituição do homem.retidão natural. existe no mesmo homem um certo conflito. ou dons extraconstitutivos. mas é suprimento e ocasião para o pecado. . em sua criação. em virtude da força da natureza. Consistem na retidão ou justiça original. e ela se manifesta em algum ato. 42. 2. ao qual é induzido por sua razão e vontade. pondo os inferiores na devida subordinação aos superiores. Acrescentou então o dom admirável de justiça original. e que por isso sua natureza assemelha-se em parte aos animais e em parte aos anjos. 19: "Em último lugar. Tanto a justitia como os dona supernaturalia eram propriedades acidentais e acrescentadas à natureza humana de Adão. Perg. não. e mais coerente com essa doutrina. Perg. os dona naturalia. e.2o. torna-se pecado somente quando a vontade consente nela. É a esta harmonia dos poderes que se chamava Justitia . 5 . e depois deu-lhe o domínio sobre todos os demais animais". por meio do qual ele podia conservar na devida sujeição e ordem os seus poderes naturais devidamente ajustados. Cap. e Parte 4. de Trento. em conseqüência do seu espírito e semelhança aos anjos. cap. tem uma propensão para o bem espiritual e racional. em resultado desse conflito. sendo natural e parte constitutiva da natureza humana. Como essa doutrina influi na teoria dos católicos romanos quanto ao pecado original e ao caráter moral dessa concupiscência que permanece nos regenerados? Eles afirmam que o homem. o homem acha muita dificuldade em agir. Assim. em conseqüência da sua carne e semelhança aos animais. 4o. Veja Mohler. 18. é que lhe foram concedidos depois. porém. Ele formou o homem do limo da terra. que permanece ainda nos regenerados. 3o. isto é os dona supernaturalia. Também Parte 2. Symbolism. 5o. Perg. e. não é da natureza do pecado.Gratia Primi Hominis. e de tal modo ajustou todos os seus apetites e atividades que estivessem sempre sujeitos ao domínio da razão. em primeiro lugar. porém."Deve-se entender. e sim em virtude do dom divino. Isso é concupiscência: não é pecado. Por isso eles afirmam também que a concupiscência. uma tendência natural para rebelar-se contra a autoridade dos poderes superiores da razão e da consciência. pela própria natureza das coisas. enquanto que a própria natureza humana em si. Havia. EXPOSIÇÕES PÚBLICAS E AUTORIZADAS DAS DIVERSAS IGREJAS DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA . Belarmino . compreendendo todas as suas faculdades constitutivas de razão.

acrescentou o excelente dom da justiça original. Visto que seu espírito não era como tábua rasa e vazio de todo o conhecimento. Mas isso dizem sem razão. Porque onde não há lei. de Fé da Ass. pois Deus lhes havia dado conhecimento verdadeiro e a sabedoria necessária para seu estado. não teria morrido. que não podia mover-se contra a vontade do espírito. Socino. 17. na santidade ‫ ׳‬juNliça da vontade. Pmfectionesh TeoL. pág. isto é. Quanto à doutrina de Belarmino sobre a atual condição moral em que nascem os descendentes de Adão. estava no poder do espírito rebelar-se ou não rebelar-se". com eleito. não era verdadeiramente justo e reto.pie nossos primeiros pais. possuíam também capacidade para adquirir mais conhecimento mediante a razão. no princípio. devida à condição da sua "matéria". Breve Cat. de modo que não só podia. cap. 3: "Concluímos. muito evidente (."O homem. 3:1 . 18: "Desde o princípio o homem foi criado mortal. fosse conservado sempre em vida".5 . Christ. em harmonia com sua natureza.Canon Dordt.F. a não ser que esse se rebelasse contra Deus. porque não era nem impecável. e que não havia divergência entre eles. Cat. como remédio desta moléstia ou languidez da natureza humana.. Deus teria conservado esta mortalidade em imunidade perpétua da morte real. Deve-se entender. porque o pecado cometido por Adão torna evidente que seu apetite e seus sentidos dominaram sobre sua razão. 640."Costumam dizer que a justiça original i onsistia na iluminação e retidão do espírito. e nem antes disso havia perfeito acordo entre eles". santidade e retidão. no fim do Cap. Sua vontade não era neutra.. mesmo antes de transgredir esse mandamento de Deus. Perg.10. estavam numa condição muito mais perfeita do que a em que nós estamos quando nascemos.. há quem diga que a justiça original do primeiro homem consistia nisso. aí o uso mais livre da vontade não traz culpa -2: 24. no princípio da criação. se fosse deixado à sua natureza. Perg. contudo. no seu estado primitivo. e esta em sujeição a Deus. Mas daí não se pode inferir corretamente a imortalidade (natural) do homem. Cathecismo Racov. (Pecado original) "é a privação daquela justiça com a qual a natureza humana foi criada no Paraíso. na harmonia dos sentidos e afetos. 10. Theol. como freio de ouro. Cap. e assim era inteiramente santo. morrer.Formula Concordice (Hase). que a divina providência. como também não podia fazer outra coisa senão morrer.enquanto uma propensão opõe-se a outra. nem rebelar-se contra o espírito. com justiça e retidão no seu coração e vontade. DOUTRINA REFORMADA . porque a morte é a pena do pecado. É. porque não consta que por qualquer motivo se houvesse abstido de pecar. A Aliança das Obras . DOUTRINA LUTERANA . DOUTRINA DOS REMONSTRANTES .. se o primeiro homem não houvesse pecado. mas antes de Deus haver-lhes imposto a lei. tinham uma retidão natural. ornado no seu espírito com o conhecimento verdadeiro e salvador do seu Criador e das coisas espirituais. a experiência e a revelação. Perg. foi criado à imagem de Deus. de modo que não podiam nem desejar nem agir desordenadamente. De Westminster. conservasse a parte inferior em sujeição à parte superior. Não sofre dúvida que. em virtude de uma bênção divina especial. veja adiante.19. se o homem não tivesse pecado". pois. que possuía uma razão dominando sobre seu apetite e seus sentidos e cobrindo-os. 4. e pureza em todos os seus afetos.Limborch. Contudo. ao menos não é possível afirmar que era certamente justo. Veja também: Conf. e niiiiiii prontidão para o bem. posto que a carne estivesse de tal modo sujeita ao espírito. nem havia ainda sido sujeito a nenhuma ocasião para pecar. No entanto.. que Adão. 2: 24. em segundo lugar. ou daquela imagem de Deus à qual o homem no princípio foi criado em verdade. igualmente indiferente para o bem e o mal. embora fosse possível que. a qual. DOUTRINA SOCINIANA . Maior.

Cap. Perg. o livre agente moral. Perg. Quais são os elementos essenciais de uma aliança? Io. vida e favor-Mat. Nu Hcntido dc unia promessa incondicional . Breve Cat. Gál. 33:20. 2.(1) Deus. certamente morrerás" . 4. veja o Cap. )uais us diversos sentidos em que a palavra aliança ou pacto nu i mii eiin r empregada nas Escrituras? I Nt> s· niuloilc uma ordenança natural -Jer.Cat. numa aliança feita entre iguais (pessoas/entidades) impõem-se e se obrigam mutuamente. será melhor dizer que essas "condições" são (1) promessas da parte do Criador.17. . V:) 1. 3. conformidade absoluta à lei moral. no sentido de uma promessa dependente de condições. cujo cumprimento depende de (2) condições que devem ser cumpridas pela criatura. 8:6. As "condições". 3:12.. Como as nossas exposições oficiais definem isso? Conf. mas numa constituição soberana. 2o. Cap. 2:16. Maior. Perg. de que estavam suspensas as promessas.20. no Novo Testamento. 2o. No sentido dc uma promessa condicional-Is. 4.9. 7: § § 1 e 2.Gên. E (3) uma pena que será infligida se as condições não forem cumpridas. Nas frases teológicas "aliança das obras" e "aliança da Hiaça". 4o. no caso de Adão. No sentido de uma dispensação ou modo de adminis-truçâo Ileb. A "pena". exigindo. "No dia em que dela comeres. ou seja. imposta pelo Criador sobre a criatura. traduzido às vezes por iestamento e outras vezes por aliança. As "promessas". Estas.DeFé. esse termo é empregado no terceiro sentido acima mencionado. As "partes contratantes" .22.17. aliança) -Os. 4 § 2. 3o. sob a obrigação inalienável de obedecer à lei moral. o Governador moral.JCap. 6:7. 19: § l. Como se pode mostrar que a constituição sob a qual Adão foi posto por Deus na sua criação pode com razão ser chamada aliança? A narrativa inspirada daquilo que se passou entre Deus e Adão apresenta claramente todos os elementos essenciais de uma aliança como coexistentes nessa constituição. por necessidade de sua natureza e relação. Partes contratantes. 4". 1:19. sujeito somente à prova especial de que ele não comesse do fruto da "árvore da ciência". (2) Adão. obediência perfeita. 19:16. por necessidade de Sua natureza e relação. 12. Condições.Gên.12. 20.I (. para o caso de não se cumprirem as condições. Essa constituição é chamada concerto (pacto. 3". Quanto ao uso do termo diathêkê. Veja: Io.

. ou a felicidade eterna e inalienável.! aliança legal ou judicial porque a ii. Chamamo-lo concerto ou aliança porque estas palavras são próprias para exprimir uma promessa condicional feita a um agente livre.־‬homens. e Adão representava toda a sua posteridade natural. \!p iK ias estendiam-se somente àquilo que o próprio homem losse e fizesse. e como se pode provar que Adão era nela o representante de toda a sua descendência natural? As "partes" eram Deus e Adão. 1 Cor. 2:17.li·‫ . 17:1-21. Quais eram as partes dessa aliança. sustentava para com o i rUtiui < < iovt rniulor «Io universo. e Cristo em Sua relação para com os Seus escolhidos . ״‬i i . 3:17. lira também. servir ao Criador até onde lhe é possível. Ele era uma criatura santa. ou a exaltação à infalibilidade no seu poder moral. 7. Se Deus pôde fazer alianças com Noé. 3o.Rom. porque. 1 Cor. não há motivo algum para supor que Adão não se sujeitou a ela voluntariamente. Veja o Cap.i "i diuIh ■i‫ . e o arranjo era muitíssimo vantajoso para ele. essencialmente.açnaila asse a sodad marof semon cuO ■‫׳‬I" li in sido chamada aliança da natureza. Isso se torna evidente Io. Pela declaração bíblica de que o pecado.i i onformidade perfeita à lei da absoluta pcrlcivtto moral.47. 2o.. por que ii:i(i poderia fazer uma aliança com Adão não caído? ?êuq rop e . li tem sido chamada aliança de vida. sqm ‫ ״‬homem. sobre "A Imputação do Pecado de Adão". 9:11. se desobedecesse. 15:22. Pelo fato de que a pena denunciada contra Adão. •1". caído e t ulpado. assim como :i aliança da graça ajusta-se nijull ‫ ׳ ׳!׳‬III II IO iKlllll . Apesar de ser uma constituição soberana imposta por Deus. tem se tornado efetiva no caso de cada um dos seus descendentes .. 5:12-19. "' 1· MI Milti i liíiinad. principalmente o termo "aliança" i modernamente). muitas vezes é aplicado a outras constitui-yoes soberanas e de caráter semelhante à que o Criador impôs . no seu estado natural em que acabava <1· uri t i indo t di oudi não tinha caído.5. a (omunhão conSigo.ll 011 Cilíllo. 21. e com Abraão.Gên. 2o. Gên.. V'.Rom.18.. '·" lem sido chamada aliança das obras. 5:12. 15:22. porque suas . uma aliança fundada na Hi aça. porque exprime i irli. a morte e todo o mal penal vieram sobre o mundo em conseqüência do pecado de Adão . como tal. Pelo paralelo traçado nas Escrituras entre Adão em sua relação para com os seus descendentes. Por que não é absurdo chamar de "Concerto" ou de "Aliança" uma constituição que o Criador impôs à criatura sem consultá-la a respeito? Io. porque a promessa wnexa a obediência era a vida.12. Destas palavras. embora seja dever de toda criatura. como alguma coisa devida. não pode ser dever do Criador conceder à criatura. Gên. Foi ajustado ao homem m 11m· ‫׳‬tl ·mi nAd i uUlo.

c n pn mio nao podia ser concedido antes de finda a provação.provação. Esta verdade é ensinada claramente noutras passagens das Escrituras -Lev. 9. era sujeito a pecar. ipso facto. tornando-se daí por diante impossíveis as condições da aliança. Qual foi a promessa anexa à aliança? A "promessa "foi "vida" Io. 10:5. 9:29. com a concessão da recompensa termina necessariamente o prazo da provação. é impossível outra prova. O i■ mpo <U. Mat. 10. assim como havia sido criado. Isso é evidente porque a recompensa prometida no caso de se cumprirem as "condições" deveria necessariamente compreender alguma coisa mais. Se desobediência trouxe morte. Porque os anjos que não abandonaram a sua habitação (Jud. e perfeita obediência a essa vontade nos atos . Gál. que foi proferida expressamente. Io. Porque. e nesse estado não podia haver felicidade permanente e segura. Como era moralmente indiferente em si a coisa proibida. para exprimir o estado. Teve como resultado a Queda. à pmvaçao. e. 18:5. vers. foram premiados com vida dessa natureza. sob a condição de obediência durante um período de provação. Gál. A palavra é empregada em diversos . Nee. Os homens são agora por natureza filhos da ira. Tia. Porque a vida prometida devia corresponder à morte prenunciada..nítidos. é evidente que obediência teria trazido vida.Deut. 4o. 6). n>!o podia deixar de ser um tempo definidamente IHIIII id(i.!d !Io prêmio poria termo. Porque a vida que nos é oferecida no "Segundo Adão" c‫ ־‬dessa natureza. 6°. A árvore vedada foi sem dúvida chamada árvore da ciência do bem e do mal . 19:16.17. O mandamento de abster-se de comer do fruto proibido foi dado simplesmente como prova especial e decisiva dessa obediência geral. Que é "provação" e quando e onde esteve a raça humana sujeita à provação sob a aliança das obras? Provação é prova. além daquilo que já havia sido dado. e para sempre. 2o. porque e auto-evidente que a aplicação da pena ou a i mu < . Essa vida não era simplesmente a continuação da existência que Deus lhe dera como agente moral falível. o mandamento estava muito bem adaptado para servir como prova clara e absoluta da prontidão de Adão para submeter-se à vontade absoluta de Deus só porque era Sua vontade. sob uma constituição tal qual foi a aliança (IHN olm»N. A prova da raça humana foi feita na pessoa de Adão no Jardim do Éden. 3o. 3:12. Porque o homem. 5o. e sim um dom adicional de excelência moral infalível e de felicidade inalienável. acabam as condições e a felicidade inalienável torna-se certa e segura.8. e essa morte envolvia separação eterna de Deus e destruição irremediável do pecador. Porque se acha implícita necessariamente na pena que consistia na "morte". 27:26. 3:10. 2:10. o tempo ou o ato da prova. Qual foi a condição dessa aliança? E por que foi escolhida como prova a árvore da ciência do bem e do mal? Perfeita conformidade do coração à vontade inteira de Deus até onde fora revelada. Rom. estando o homem incurso em sua pena. 2o. nem excelência muito elevada.

e. Juí. por único Deus verdadeiro. As Escrituras declaram que o salário do pecado é a morte . Mas a exigência de obediência. a ti só. 2:1. incluem evidentemente. Isso torna-se evidente Io. e ele tornou-se morto espiritualmente. 19. 12.Apoc. Ez. A natureza dessa morte é determinada .. 3:1. "E a vida eterna é esta: que te conheçam. 6:47. comendo do seu fruto em desobediência a Deus. retirou-se dele o Espírito de Deus. mas. as misérias da vida. 8:22.Mat.. A palavra "perpétua". etc.(1) Pela narração dos efeitos produzidos em nossos primeiros pais. etc. 20. 5:6. 16:30. A morte natural . A morte moral e espiritual . 3o. 3:1. 2o. 5.fica envolvida numa série sem fim de más condições. A morte eterna . Apoc. morre. corrupção da natureza. Logo que o homem caiu. és pó e ao pó voltarás". Cap. 6:13. Ef. se pecasse. Que é que os aniquilacionistas afirmam a respeito da pena denunciada na aliança das obras? ' Eles afirmam que a pena exata com que Deus ameaçou Adão foi expressa assim: "Tu. literalmente "morrerás de morte".porque. (2) Pela percepção experimental dos seus efeitos nos seus descendentes. e. E provável que Adão entendesse simplesmente que. a dissolução do corpo. 6:23.14. § 1. em virtude da intervenção da dispensação da graça. torna-se sujeita à Sua ira e maldição.corpo e alma . 2:1-5. Rom. 2o.2 No mesmo instante em que a alma separa-se de Deus. e a pessoa inteira . 1 Tim. vergonha por se reconhecerem nus. Estas são Io.Rom. e isso era tudo o que Adão sabia quanto a esse ponto. nesta conexão. e qual foi precisamente o significado da palavra correspondente à nossa palavra "morte" que Ele empregou. foi admitida sem dúvida por inadvertência. Sustentam que "morte" quer dizer precisa e unicamente cessação da existência. 1 Tim.e.g. segunda morte. os homens chegaram pela experiência a conhecer o valor da bondade e o mal infinito do pecado. perderia irremediavelmente o favor divino. Maior. e Cat. e a Jesus Cristo. fora limitada ao período da provação. 12:7. medo. 20:6-14. Ef. Qual a natureza da morte prenunciada no caso de desobediência? As palavras "certamente morrerás". 23:10. e sim uma certa condição má de existência . de Fé. Os fatos são claros Io.Ecl. E foi exatamente isso que aconteceu. Perg. No mesmo instante em que foi violada a lei. começou a operar a sua pena. 5:6. Citam Num. mortalidade do corpo. incredulidade. a quem enviaste" (João 17:3). A morte nesse sentido já havia existido no mundo inúmeros séculos antes de Adão entre os animais inferiores. Dizem eles que Adão não podia ter outra idéia em conexão com essa palavra. alheação de Deus. . não para exprimir cessação da existência. o efeito pleno da sentença fica suspenso durante a presente vida. naConf. 11. feita pela lei como condição da aliança das obras. todas as conseqüências penais do pecado. E inútil que especulemos sobre a questão de qual foi a linguagem original em que Deus falou com Adão. tua pessoa inteira. A obediência exigida pela lei como regra do dever é naturalmente perpétua. 11:15.g. mortal fisicamente. e sujeito à sentença de condenação à morte eterna. depois de algum tempo. Pela natureza do homem como ser espiritual. A palavra morte é empregada nas Escrituras. João 5:24. tu mesmo.Apoc. 18:4.

em conseqüência da sua incapacidade absoluta de cumprir os seus preceitos. 2:11. 22:214. Neste sentido a aliança das obras foi revogada sob o evangelho. instituído por Deus como penhor da Sua fidelidade. será demonstrado que as Escrituras não admitem. o arco-íris é o selo da aliança feita com Noé . Não obstante isso. e à qual é de novo admitido mediante o segundo Adão no Paraíso celeste. ao mesmo tempo. Ainda hoje é verdade que "o que observar estes preceitos. 2:7. e qual foi o selo da aliança das obras? O selo de uma aliança é um sinal exterior e visível. sem dúvida. 17:9-11. sendo baseado nos princípios imutáveis da justiça. 3o. e condena os homens por causa dos seus pecados. 4o. A árvore da ciência do bem e do mal. e (c) a necessidade. Gál. ou o dia de descanso. . 14. Mais adiante. Compare Gên. em substituição da qual foi depois instituído o batismo. essa aliança é ainda obrigatória sobre todos os que não se recolheram ao refúgio que nos é oferecido em Cristo. Os juízos intuitivos dos homens. 4:11). a salvação é oferecida agora sob a condição da fé. e da qual o homem foi excluído por causa do pecado. Em que sentido se acha revogada a aliança das obras. nem a da aniquilação dos maus depois do Juízo. Que quer dizer o selo de uma aliança. e "a alma que pecar. Witsius enumera quatro . (b) a universalidade. nem um só de todos os seus descendentes naturais pode jamais cumprir suas condições. Cap.Col. como também tendo sofrido a pena em que Adão incorreu.13. A árvore da vida. opera como pedagogo (aio ou preceptor) para conduzi-los a Cristo. tornou-Se o fim dessa aliança para justificar a todo aquele que crê e que nEle é tido e tratado como se houvesse guardado a aliança e merecido a recompensa nela prometida. que oferecia a vida. 6. A árvore da vida foi o sinal e selo exterior e visível da vida prometida na aliança das obras. nem a noção do sono da alma durante o intervalo entre a morte e o Juízo Final. Quais são as únicas provas que servem para determinar a resposta à pergunta: "Que épecado?" Ia. A Palavra de Deus. 2:9 e 3:22. Rom. 1. Segundo Witsius. e sim de casos concretos e individuais. Porque Cristo.2o. quais foram os selos ou sacramentos da aliança das obras? No Vol. tendo Cristo cumprido todas as suas condições a favor do Seu povo. instituições simbólicas ligadas à dispensação divina original da qual a aliança das obras era a base. e. A Natureza do Pecado e o Pecado de Adão 1. As provas da validade destes juízos são (a) a auto-evidência.12. em sua grande obra sobre as alianças. O Paraíso. tendo cumprido tanto a condição em que Adão falhou. 2o. Assim. e em que sentido está ainda em pé? Tendo sido quebrada esta aliança por Adão.Io. não podia ser um selo da aliança das obras. essa morrerá". e das bênçãos prometidas na aliança. Esses juízos intuitivos dos homens não julgam imediata e diretamente partindo de noções abstratas ou de proposições gerais. porque Cristo cumpriu as suas condições. Neste sentido essa lei ainda está em pé. achará neles vida".Gên. por conseguinte. 13. O Sábado. 15. 3:26. Capítulos 37 e 40. Todas estas realidades foram. A árvore da ciência do bem e do mal selou a morte e. A circuncisão foi o selo original da aliança feita com Abraão (Gên. Mas não parece haver motivo para dizer que pertenciam à classe particular das instituições simbólicas chamadas sacramentos sob a dispensação do Novo Testamento.27. 9:12. 2a.24 com Apoc. e.

.g. . 2a. Intuitions of the Mind A Natureza do Pecado. Breve Cat.. Tudo o que a Palavra de Deus e a consciência esclarecida declaram ser pecado. cap. 3. ou qualquer transgressão dessa lei". tira máximas gerais e as generaliza. como também nas ações da alma humana. e à aplicação indiscriminada das máximas deduzidas assim a casos que se acham fora dos limites a que se estendem as intuições. Perg. As máximas de que todo pecado consiste em ação voluntária. cap. Não deve abranger mais nada. actio vel omissio pugnans cum lege Dei. e de que a nossa capacidade é a medida da nossa responsabilidade. É tão absurdo querer que o entendimento decida de uma questão que pertence ao domínio do sentido moral. com a lei de Deus. 1. e. são máximas desse gênero e exemplos desse abuso. Os físicos a empregam muitas vezes como designação He ÜBUQTÊÇÂ aubbey ÇLABH Io. § 6. Que é necessário que uma verdadeira definição da natureza do pecado abranja? E necessário que uma definição do pecado abranja Io. Perg. Se a definição não estiver de conformidade com estas duas regras. Veja McCosh. de muitas convicções intuitivas e individuais. e essas máximas gerais serão verdadeiras ou falsas segundo tiver sido bem ou mal feito esse processo de generalização.Locus 9. Conf. 4."Forma peccati est desconvenientia. quer seja de excesso quer de deficiência. excelente. ־‬ 2.E o entendimento que. actus. Maior. Livro 1. abrange duas proposições constitutivas Ia. e Livro 4. aut status hominis cum divina lege". cap. Quces. dos nossos livros oficiais e de Vitringa? Turretino. Esta última definição. professor de teologia em Franeker. Que é lei? Que é a Lei de Deus? ■ ' ■ ■ A palavra lei é empregada em muitos e variadíssimos sentidos. habitus. quer de comissão quer de omissão. Cat. vel carens rectitudine legali debita in esse". Um fato geral. 14 . -."Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus. (Intuições da Mente). O pecado é toda e qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus.. A soma imensa de confusão e erro que existe a respeito da natureza do pecado e do que se deve considerar como pecado é devida a uma viciosa generalização de princípios gerais deduzidos de intuições individuais. de Fé. o fato geral de que todos os corpos se atraem mutuamente na razão inversa dos quadrados das distâncias. 3: § § 1-3.:·‫· ·־ ■ ."Inclinatio. É qualquer falta de conformidade que haja nos estados e costumes morais. . 6.. 2o. será falsa. Quais as definições de Turretino. como o seria querer que o olfato decidisse de uma questão de sons. falecido em 1722 .2: § § 4 e 5. Campegio Vitringa. 24.

Por isso o pecado traz sempre consigo duas características inalienáveis . por isso. como a fingida luz interna dos quacres. e (b) que com justiça merece castigo e chama sobre o pecador a justa ira de Deus. O modo de operação de uma forma específica. 3o. mácula. A alma que peca está sempre cônscia de que seu pecado (a) é intrinsecamente vil e maculador. e sim um padrão imperativo de excelência moral imposto aos homens de fora e de cima. a crerem em recompensas e castigos administrados por Deus. A própria essência do mal moral é que este não deve ser. "um desviar-se. Como se pode mostrar que essa Lei (qualquer falta de conformidade com a qual épecado) exige perfeição moral absoluta? Isso se acha envolvido necessariamente na própria essência da obrigação moral. ela tem levado todas as nações gentílicas a reconhecerem a autoridade de Deus ou de deuses exercendo governo. Envolve (a) um certo grau de esclarecimento quanto à verdade e ao dever. e. uma transgressão". Afirma-se também explicitamente nas Escrituras.1 João 3:4. Segue-se que um pecado não é simplesmente uma violação da lei da nossa própria constituição.parabasis (Gál. 3o. Esta dá testemunho da lei que nos é imposta por uma autoridade exterior em relação a nós . A consciência implica (a) responsabilidade moral.g. Está implícito na linguagem empregada pelo Espírito Santo nas Escrituras para exprimir a idéia de pecado\set. a consciência nos condena por não nos conformarmos a um padrão que reconhecemos intuitivamente como sendo obrigatório para nós. de sâtâh. e sim uma ofensa contra um Legislador pessoal e um Governador moral que vindica sua Lei com penas. como órgão da lei de Deus. a ilegalidade. etc. Davi assevera que toda e qualquer espécie de pecado é desobediência e uma desonra feita a Deus. Na falta de qualquer revelação sobrenatural.. (c) sanções ou motivos imperativos que constrangem à obediência.a autoridade suprema de Deus. A lei moral de Deus. 2o. não é um princípio interno e auto-regulador da natureza moral do homem. "afastar-se do caminho". e qualquer ordem estabelecida da natureza. "errar o alvo". as estações do ano. e a praticarem certos ritos expiatórios. 4:15. Veja o Salmo 51. hamartano. e (b) um padrão ao qual nos devemos conformar. contém a lei escrita no coração. 3:19). (b) corrupção. A própria essência do bem moral é que este deve ser. pela autoridade suprema de um Governador moral e pessoal sobre súditos morais e pessoais. nem do sistema das coisas. Como se prova que qualquer falta de conformidade com a "Lei" é pecado? Io. como a lei interna e auto-operativa do crescimento dos animais e plantas dos seus germes ou sementes.2o. sujeição a um Governador moral.Rom. Sempre que pecamos. porque o pecado é ilegalidade" . 5. (b) uma regra de ação que regula a vontade e obriga à consciência. 7. isso está implícito nas operações da consciência. porém. 4o. "Todo o que comete pecado. como. culpa.setim. comete igualmente ten anomian. como a lei da indução elétrica. reatus. Como se prova que qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus é pecado? Como se mostrou acima. hâtâ. Se qualquer . A própria consciência. Uma ordem espontânea de desenvolvimento. "Porque onde não há lei também não há transgressão" . 6. Uma ordem estabelecida da seqüência em que certos eventos sucedem.(a) desme-recimento. e.

sente que tais movimentos da concupiscência são pecaminosos e dignos de condenação. É verdadeira a antiga máxima: omne minus bonum habet rationem mali. Ef. Todos julgam que o estado moral do coração determina o caráter moral das ações. não será moral. "Eu não conheci o pecado senão pela lei. "Porque qualquer que guardar toda a lei. O coração do cristão muitas vezes tem. malévolos ou impuros. 5:17. agiu produzindo "em mim toda a con-cupiscência". "alienação da vida de Deus". As Escrituras chamam explicitamente "pecado" a todos os estados permanentes da alma quando não estão de conformidade com a lei de Deus. e deles desvia a atenção. não são supererrogatórias. em oposição ao "espírito". e deste princípio dá-se testemunho em todas as orações.Tia. a "outra lei nos meus membros". Mesmo quando o homem assim não consente com o pecado que está nele. não podem ter valor moral. 7:5-24. é profano. Também "as paixões (os movimentos) dos pecados". Todo verdadeiro cristão já tem dito com Paulo: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" . e tropeçar em um só ponto.15. 6:12-17. mas também o sentimento de que nas profundezas da nossa natureza. 7:24. qualquer grau de falta de plena conformidade com o bem moral no mais alto grau é da natureza do pecado. . e que o homem cujos atos são habitualmente profanos. Este sentimento acha expressão. linguagem incorreta e enganadora. tornou-se culpado de todos" . o cristão. Gál. 2o. como também nos seus atos. embora admitam que os homens nesta vida não são capazes de guardar perfeitamente a lei de absoluta perfeição moral. Isso fica provado pelo juízo comum de todos os homens. 4:18-22. como também os condena e se aborrece por causa deles. Sendo isso da essência do bem moral. Concupiscência é chamada "pecado" nas Escrituras. Rom. desejos maus. e se não são morais. empregam. Tia. não só a convicção de não estarem os nossos atos em conformidade com a lei de Deus. sem o meu consentimento. e por isso merecedores da condenação.l: 14. E segue-se também que todos os perfeccionistas que. Diz que o pecado e suas paixões reinam no corpo mortal. debaixo e além do alcance da volição. 7:7. estamos mortos espiritualmente e manchados. "ignorância". porque se essas obras são obrigatórias.Rom. Como se pode mostrar que mesmo os primeiros movimentos espontâneos da concupiscência constituem pecado? 10. malévolo ou impuro. momentânea e espontaneamente. contudo. porque eu não conheceria a concupiscência (epithumian). é ele mesmo quem. 2o. e nos hinos e na literatura devocional dos cristãos de todos os séculos e de todas as igrejas. se a lei não dissesse: não cobiçarás (epithumeseis). "corpo do pecado". 8.coisa for indiferente moralmente. mas também absurda.Rom. 2:10. sustentam ao mesmo tempo que os cristãos podem nesta vida viver sem pecado. que os membros do corpo são os instrumentos do pecado. e se for moral. "homem velho". etc. Deste princípio segue-se evidentemente que a doutrina romana de obras de supererrogação não é somente ímpia. Como se prova que qualquer falta de conformidade com essa Lei. e não somente resiste a eles. evidentemente. . 3o. é evidente que é tão verdadeiro a respeito de cada parte como do todo. Por conseguinte. e a vontade os proíbe e refreia. 9. não são morais. épecado? Io. e se não são obrigatórias. e que o caráter moral destas torna manifesto o estado do coração. também "concupiscência". será coisa de obrigação. "cegueira do coração". e "o pecado que habita em mim" e que. que os irregenerados são os servos do pecado Rom. no estado permanente do seu coração. e esta envolve como seu elemento mais uniforme e proeminente. A disposição ou "tendência" permanente para pecar chama-se "carne. O mesmo fica provado pela comum experiência religiosa de todos os cristãos. Esta experiência envolve sempre convicção do pecado. impotentes e insensíveis para as coisas divinas. e procura logo lavar-se no sangue expiatório e pelo Espírito purificador de Jesus. nos estados e hábitos permanentes da alma. quando a consciência logo os condena. súplicas e confissões.

O pecado é um elemento de agência moral pervertida. auto-existente e infinito em Sua sabedoria. santidade e bondade? Todas as soluções propostas para este enigma. Mas como pode estar bem feito. ou (b) embora não sendo desejável em si é o meio necessário para produzir a maior soma de bem. nem a causa do pecado. Não estar conformado em tudo à Sua vontade é rebelar-se contra Ele e violar a Sua lei em todos os pontos. Mas esta doutrina é incompatível. Qual foi a doutrina dos maniqueus a respeito da origem do pecado? Eles sustentavam que o pecado tem sua razão de ser em algum princípio auto-existente e eterno. Que o pecado não é um ser.g. é: Nih. Privação é ausência daquilo que.il est malum nisiprivatio beni. Original Sin (O Pecado Original).) Os teólogos distinguem propriamente entre "negação" e "privação". Que não obstante isso. a faculdade da visão a uma pedra. de Chicago: "Ou Deus não podia impedir que entrasse o pecado (a) em sistema algum. na sua essência. um defeito moral não pode senão tornar-se imediatamente em vício positivo. um defeito poderia continuar sendo puramente negativo. 3o.Io. a sua permissão será um mal menor do que o seu impedimento absoluto". 11. Seu pronunciamento. e 2o. Considerá-lo atributo da matéria é negá-lo. pode ser dominado de modo que concorra para produzir a maior soma de bem. Que Deus é o Criador de todas os seres e o Governador absolutamente soberano de todos os agentes morais e de todas as suas ações. é e sempre será um mistério que exige submissão da nossa parte e que desafia a que lhe achemos solução satisfatória. e sustentaram a doutrina ortodoxa de que o pecado neste mundo só é produto do livre-arbítrio do homem. Parte 3. Veja Edwards. Negação é a ausência daquilo que não pertence à natureza de um objeto. e sim. que circula geralmente entre todas as classes de teólogos. Todavia num ser sempre ativo (dinâmico). Deus em nenhum sentido. (b) com a natureza do pecado. A fim de conciliar estes dois pontos. ou (a) por ser sua existência desejável em si mesma. Portanto. Qual o primeiro grande mistério em conexão com a origem do pecado? Como e por que foi permitida a existência do pecado na criação realizada por um Deus ao mesmo tempo eterno. pertencendo à natureza do objeto. independente de Deus . Não amar a Deus é odiá-10. ele sustentava. Devemos estar lembrados. como . é necessário para a sua perfeição. .. porém. de que a depravação inerente que "vem de uma causa defectiva ou privativa" toma imediatamente uma forma positiva. Todos os chamados "santos pais" unanimemente se opuseram ao maniqueísmo. não quis impedir a entrada do pecado. que é essencialmente a rebelião contra Deus de uma livre vontade (livre-arbítrio) criada. o pecado é privação porque tem sua origem na ausência das qualidades morais que devem achar-se presentes nos estados e ações de um agente moral. senão privação do bem. a faculdade da visão a um homem. sec. são resumidas do modo seguinte pelo professor Haven. infinitude e soberania de Deus. e. poder. é simplesmente um defeito. e que ainda em nossos dia têm seus defensores. uma entidade. em termos gerais. (Literalmente: Nada é mal.10. E evidente (a) que Deus permitiu que entrasse o pecado. ou (b) num sistema que envolvesse agência livre. (a) com a independência. ou (c) embora não propenda para o bem. nem é o autor. e (b) que por isso está bem feito. ou (d) porque. 2. Que diz a teoria de Agostinho a respeito da natureza do pecado considerado como privação? Agostinho afirmava .g..ou na matéria ou em algum demônio auto-existente. por algum motivo. por causa da natureza essencialmente ativa (dinâmica) da alma humana. e. Num estado passivo de existência. "Ou Deus. e que está sempre com obrigações morais. livre e responsável. · 12.

Se. transgressão involuntária de uma lei conhecida ou não". Qual o segundo mistério em conexão com a origem do . Tracts (Tratados sobre a Doutrina Metodista).13. portanto. Os arminianos servem-se mais ou menos das mesmas distinções em defesa da sua doutrina da perfeição cristã. tendências e afetos espontâneos que constituem o caráter permanente da alma. Que o homem não tem obrigação alguma de fazer aquilo que não tem capacidade plena para fazer. e declara: "Creio que nesta vida não há perfeição que exclua essas transgressões involuntárias. e também as dos perfeccionistas arminianos? A igreja católica romana concorda com todos os protestantes em sustentar que são pecaminosos os hábitos e disposições permanentes. e o fomes3 ou alimento de pecado real. Em que sentido é verdadeira a declaração de que "todo pecado é voluntário". Perg. Que. Que. O PECADO DE ADÃO 16. não há coisa semelhante àquilo que se chama depravação inata. então a declaração de que "todo pecado é voluntário" será falsa. 3o.Doc. Que os estados da alma só podem ser comandados até onde forem o efeito direto de prévias volições. que acho serem conseqüência natural da ignorância e dos erros inseparáveis da mortalidade". então todo pecado é voluntário. Wesley (Meth. o pecado consiste somente em atos de volição. nos estados morais permanentes da alma. e em que sentido é falsa? Tudo depende do sentido em que se tomar a palavra "voluntário". Que. que é rejeitada por todos os ramos da Igreja Cristã. é Io. isto é. de Trento. segue-se que o pecado está fora do domínio absoluto de Deus. isto é. Se. 42. O que diz a doutrina pelagiana a respeito da natureza do pecado? A teoria pelagiana do pecado. se restringir aos "atos de volição". 2o. Que uma lei pode comandar volições. e o pecado impropriamente assim chamado. 6o. do Cone. a palavra for tomada no sentido de incluir as disposições. no sentido pelagiano. Mas é uma característica proeminente da sua doutrina que eles afirmam que não são propriamente da natureza do pecado essa condição moral da alma que permanece nos regenerados em conseqüência do pecado original. porque todo pecado tem sua razão de ser e sua fonte nessas tendências e disposições espontâneas. págs. 15. como também as ações da alma. Eles sustentam que o primeiro movimento espontâneo dessa concupiscência não é pecado em si mesmo e não deve ser tratado como tal porém que se torna causa de pecado só quando a vontade entretém as suas solicitações e as traduz em ações . isto é. porém.Cat. Parte 2. que não estejam em conformidade com a lei de Deus. 2. 5o. cap. que incitam as volições e decidem da sua natureza. Quais são as peculiaridades da teoria católico-romana a este respeito. 14. transgressão voluntária de uma lei conhecida. portanto. 4o. sendo necessário que uma volição seja determinada só e unicamente pela vontade para que tenha caráter moral ou possa ser aprovada ou condenada. 294-312) distingue entre "o pecado propriamente assim chamado.

Mas. Porque todo o nosso raciocínio baseia-se necessariamente em nossa consciência íntima. conquanto dotado de uma disposição santa. No entanto. 6:43-45). na falta de sua boa direção da parte da razão e da consciência.-■. Permanece sempre na vontade humana um elemento inescrutável para nós. seja qual for a teoria que a seu respeito adotarmos. faltam-nos. Com a experiência universal. Temos a obrigação de crer neles. como então uma volição pecaminosa pôde originar-se numa vontade santa? Ou. e permitiu assim que eles prevalecessem em sua alma ao ponto de neutralizar temporariamente tanto a sua reverência pela autoridade de Deus como o receio de sua ameaça. são fatos estabelecidos pelo testemunho divino. conforme o estado moral e permanente da vontade. ou na dos santos e dos anjos. porém não estava confirmada. 2o. devemos notar Io. por via de aproximação. no caso de Adão. ou que um afeto ou uma volição verdadeiramente santa se origine. em si mesmos nem bons nem maus. Adão. E nos é impossível explicá-los Io. nas vontades depravadas dos homens decaídos (Luc. Que a infalibilidade dos santos e dos anjos não lhes é inerente. estimulados por causas externas. incitassem o homem. alguns dos dados necessários para explicar a situação de Adão. e nenhum outro homem jamais teve na sua consciência a experiência de Adão.a vontade dele era livre. como é que o estado permanente da alma pôde tornar-se mau? 2o. como é que uma volição pecaminosa pôde originar-se na vontade santa de Adão? Que Adão foi criado com uma vontade santa mas falível. e sim é uma graça confirmadora acrescentada por Deus. são bons ou maus. O pecado começou no momento em que. a admirar e desejar comer do fruto proibido. ou a adquirir ciência (conhecimento) de um modo proibido. levado pelas palavras persuasivas de satanás. muitos princípios moralmente indiferentes. por outro lado. Não está mais em estado de provação (ou de prova) como estava Adão . apesar da proibição feita por Deus. Adão demorou-se em pensar nesses dois motivos. Que não é lógico deduzir da vontade independente de Deus alguma conclusão a respeito da vontade dependente de uma criatura. estava sem a experiência de tentações. e somente se tornando maus quando. . porém.■ 3o. Adão. apesar de não podermos explicá-los racionalmente. e se estes.pecado? · ! Como pôde o pecado originar-se num ser criado com uma disposição positivamente santa? A dificuldade consiste em conciliar de um modo inteligível o fato de que o pecado originou-se assim Io. Se as volições são como são os afetos e desejos. Sendo impossível que uma volição ou um desejo pecaminoso se origine na santa vontade de Deus. 4o. Com a conhecida constituição da vontade humana. -. A vontade depravada do homem caído não pode originar afetos e volições santos. A origem de nossas próprias volições pecaminosas é muito evidente. 2o. já se achavam nele. a qual decaiu. incitassem à indulgência de algum modo proibido por Deus. sem que tenha ocorrido uma regeneração sobrenatural. porque é necessário que se ache presente um princípio positivamente santo que os constitua santos. na sua vontade santa.

Que Deus retirou dele o Seu favor e a Sua comunhão com ele. Decretou soberanamente permitir que pecasse. Em que sentido o homem tornou-se totalmente depravado. consistiu essencialmente . tudo quanto sabemos é Io. pois. e o tentador era um ser de inteligência muito superior à de Adão. a qual compreendeu (1) mortalidade do corpo. Apetite natural pelo fruto atraente. Desejo natural de adquirir ciência (ou conhecimento). Nem causou nem aprovou o seu pecado. . 2o. 20. as únicas condições que lhe permitiam ter vida espiritual. como pecou. que pecasse. O poder persuasivo de satanás e de Eva juntos sobre Adão.Io. Que Deus criou Adão santo. e (3) sentença de morte eterna. arvoraram em lei a sua vontade. seu pecado não podia deixar de produzir imediatamente o efeito de (1) desagradar a Deus e aliená-10. 2o. determinando. cometida deliberadamente. mas o sentido éIo. Que efeito o pecado de Adão produziu sobre ele? Io. Que com todo o direito deixou de conceder-lhe. 19. moralmente indiferentes. e Adão foi rebelde. qualquer dom sobrenatural necessário para torná-lo infalível. infere-se. durante o tempo da sua provação. 2o. Na desobediência. Qual foi. considerados em si mesmos. não se quer dizer que ele se tornou tão mau quanto lhe foi possível. nem tão corrompido como o é o melhor dos seus descendentes não regenerados. com todas as faculdades morais necessárias para fazer dele um agente responsável. Deus exige obediência perfeita. eram. 2o. os movimentos iniciais cuja influência resultou no primeiro pecado dos nossos primeiros pais. A tentação dirigiu-se a um princípio da sua natureza que era mormente indiferente. Em virtude da relação estabelecida entre Deus e Adão pela aliança das obras. 18. (2) corrupção da alma. isto é. em vez da vontade de Deus. 4o. Eram . e como pôde a depravação total ser resultado de um só pecado? Quando se afirma que a depravação total foi o resultado imediato do primeiro pecado de Adão.Io. Na incredulidade: trataram virtualmente a Palavra de Deus como mentira. 20. Adão incorreu na pena sentenciada nessa aliança. 17. O poder persuasivo de satanás sobre Eva. junto com a conhecida influência de uma inteligência e de uma vontade superiores. Que relação Deus sustentava para com o pecado de Adão? A respeito da relação de Deus para com o pecado de Adão. e a ele é necessário referir a origem de todos os pecados. 3o. 3:1-6). 3o.5o. a morte. Na relação natural que Adão mantinha para com Deus como súdito sob o Seu governo moral. 4o. Que a sua apostasia de Deus foi completa. a natureza exata do primeiro pecado de Adão? Segundo se pode inferir da narrativa (Gên. segundo se pode inferir da narrativa da Queda. Seu terrível pecado. e (2) de depravar sua própria alma.

cometer prevaricação e. como conseqüência necessária. 4a. ou a razão e o modo por que as conseqüências do pecado de Adão passam dele para os seus descendentes. Assim. porém. Cat. Que. embora um só pecado não estabelecesse um hábito confirmado. a expressãopecado original designa somente a corrupção moral hereditária comum a todos os homens desde o seu nascimento. 5o. iria de mal a pior.Breve Cat. . A expressão pecado original é empregada às vezes no sentido de incluir tanto a imputação judicial da culpa do pecado de Adão. em conseqüência. Cap.6.NEGAMOS: Io. 4o. discutiremos os pontos ligados à natural corrupção e incapacidade moral do homem antes do ponto que se relaciona com a imputação. Que a responsabilidade legal desse pecado pesa judicialmente. Não ficou na natureza do homem nenhum princípio recuperativo. sujeita constantemente a ultrajes e desprezo. que é uma das conseqüências dessa imputação. Por motivos que aparecerão depois. os apetites do corpo tornaram-se desordenados e os membros do corpo se transformaram em instrumentos de iniqüidade. O Pecado Original (Peccatutn Habituale) 1. e desde o primeiro momento da sua existência. Perg. A vontade passou a estar em guerra contra a consciência e. 18.26. Que os homens são absolutamente incapazes moralmente de mudar sua natureza ou de cumprir suas obrigações. sobre todos aqueles de quem Adão fora o representante na aliança das obras. Que essa corrupção seja em qualquer sentido física e que seja inerente à essência da alma ou a qualquer das suas faculdades naturais. esse pecado alienou Deus e produziu confusão na alma do homem. Perg. nasce sem a justiça original e com uma tendência inerente que infalivelmente leva todos e cada um dos seus dependentes a pecarem. como tais. ficou endurecida. Mais restritamente. 2a. Ao definirmos esta doutrina. a consciência. tornou-se depravada a natureza inteira do homem. Maior. como também a corrupção moral hereditária. Que. 3a. Como se deve definir o pecado original? Veja Conf de Fé. e nunca mais poderia calar-se. desconfiança. em conseqüência. dessa maneira. e desse modo levou a um curso interminável de pecado. sem que houvesse uma expiação. sendo essencialmente ativa (dinâmica) a alma humana. Sua consciência passou a acusá-lo. O resultado disso foi que ele passou a ter medo de Deus. desde o seu nascimento. Que um cisma se introduziu em sua própria alma. CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO SOBRE A SUA POSTERIDADE São elas Ia. se Deus não interviesse.3o.. cada um dos seus descendentes nasce em estado de exclusão da comunhão vivificadora do Espírito divino. o entendimento ficou obscurecido. pois. Assim. 25. inúmeros outros pecados.

tecnicamente. ou disposições inerentes. não é lima corrupção física como também qualquer hábito adquirido (seja hábito intelectual. e assim essa depravação que. em distinção do pecado imputado e do pecado efetivo. não se segue que não tenha sido infundida na alma uma qualidade má positiva. 3o. são reprovados por todos. Contudo. Peccatum Habituale.Rom. as Escrituras distinguem entre o pecado e o agente de um modo que prova que o hábito de pecar (o hábito pecaminoso) não é alguma coisa consubstanciai com o próprio pecador . "o pecado que habita em mim" . Parte 4. e 2 o. Por outro lado. Como se pode provar que a doutrina do pecado original não envolve corrupção da substância da alma? E juízo universal dos homens que existem na alma. sendo a tendência inata da vontade para o mal. 2. em conseqüência da atividade inerente à alma.g. toma imediatamente uma forma positiva. governam as ações do homem e. Porque é derivado por geração ordinária de Adão. que determinam os afetos e desejos da vontade. Porque é a raiz interna ou a origem de todos os pecados efetivos que maculam a nossa vida. nem somente na supremacia da parte sensorial da nossa natureza? . inatos ou adquiridos. AFIRMAMOS: Io. E um hábito depravado ou uma tendência má da vontade. 4o. conduz a juízos morais errados. e sim. Porque. certos hábitos. sec. 3o. são aprovados e. Que o pecado original é puramente moral. Que consista primariamente na mera supremacia da parte sensual da nossa natureza. Que apresenta dois aspectos: (1) A perda do original hábito reto da vontade. à cegueira do entendimento. 2o. (2) A presença de um hábito positivamente mau. que qualificam (ou condicionam) a ação dessas faculdades e constituem o caráter do homem. e depois a odiar o vingador da justiça . do fato de não abranger esta depravação inata uma disposição positiva para o mal. e da natureza essencial da virtude. Esse pecado chama-se também. Que consista só na ausência de disposições santas. 2. quando maus.2o. 4. Por que esse pecado é chamado original? Não porque pertencesse à constituição original da nossa natureza assim como esta saiu das mãos de Deus. estirpe original da raça humana.Heb. Um hábito moral inato da alma. como aquilo que obriga à vontade. assim. 12:1. à corrupção da alma inteira. 3. 7:17. Que. e não obedecer à virtude é calcá-la aos pés. o pecado manifesta-se desde o princípio por via de uma tendência positiva para o mal. desvia o entendimento e assim engana a consciência. da natureza essencialmente ativa (dinâmica) da alma. segue-se evidentemente que é impossível que a alma seja indiferente moralmente. O amor por nós mesmos em breve nos leva a temer. além da sua essência e de suas faculdades naturais. tendo sua sede na vontade oposta à santa lei de Deus. Não amar a Deus é rebelião contra Ele. o pecado original. e. à ação desordenada da natureza sensual e. quando bons. "vem de uma causa defectiva e privativa". como diz o Presidente Edwards4. Como se pode provar que o pecado original não consiste em alguma moléstia. Esses hábitos.Edwards. Io. Original Sin (O Pecado Original). ou um pecado que consiste num hábito ou estado moralmente corrompido da alma. porque. Além disso. a uma sensibilidade deficiente e pervertida em relação às coisas morais. seja moral) não é uma mudança física.

Da atividade inerente à alma humana e da natureza inerentemente obrigatória do que é moralmente bom. que leva os homens a cometerem maus atos. "cegueira do coração" e "separados da vida de Deus". são morais. isto é. Perg. Essa disposição inerente para cometer atos pecaminosos é chamada "pecado" nas Escrituras Rom. Rom. Não amar a Deus é odiá-10. 9 e 10. e a AVERSÃO A DEUS. não pode ser elemento de responsabilidade moral. Veja acima. "concupiscência". As conseqüências. Ef. à mentira e a todas as formas de pecado. Uma moléstia. em relação à lei da consciência. Veja acima.14. em que seus afetos não se acham interessados. não obedecer-Lhe é desobedecer-Lhe. As Escrituras lhe atribuem caráter positivo quando lhe aplicam termos como "carne". e. 2o. Tia. então não há na sua ação nenhum elemento moral. a depravação inata manifesta seu caráter positivo pelos pecados positivos. 6:6. a malevolência. também "concupiscência". Como se pode provar que esse hábito ou disposição inata da alma. Como matéria de fato. Esse hábito inato da alma é um estado da vontade. capítulo 7. as diversas faculdades da alma não são outros tantos agentes separados. em todas as suas faculdades. que todos os homens julgam merecer louvor ou censura. Pela própria natureza do pecado. Gál. que dela provêm mesmo nas crianças de idade muito tenra. ou qualquer forma de desordem física. da propensão pecaminosa da vontade na sua influência governadora sobre as operações da alma. a matemática. tais como o orgulho. por conseguinte. quando está ocupada em entender alguma coisa a respeito da qual seus afetos depravados se acham interessados de um modo perverso. Pelo fato de não terem nenhum elemento sensório-sensual os pecados mais graves.. serão - .19. 5. e consiste primariamente nesse pendor para disposições e afetos ilícitos que é o hábito inato da alma humana. e "obrou toda a concupis-cência" .17. Esses hábitos ou estados permanentes da vontade constituem o caráter do homem. 1. 2o. Quando a alma está ocupada em entender alguma coisa.Romanos.24.g. Mas. A desobediência conduz ao medo. 7. Perg. 6:12. "corpo do pecado". 6. Entretanto. "o pecado tomando ocasião". Como se pode mostrar que o pecado original não consiste somente na falta da retidão original? Io. "me enganou".. além disso. é em si mesmo pecado? Io. 3o. "homem velho". a malevolência. e é um princípio final que os estados. E. 4:18. etc. Como se pode mostrar que o pecado original afeta o homem inteiro? O pecado original tem sua sede na vontade. bem como os atos da vontade. E a alma em sua unidade que opera em cada função como o agente indivisível. sua ação imparcial será necessariamente prejudicada. 3o. "o nosso homem velho" e "corpo do pecado". E chamada "carne" "carnal" em oposição a "espírito" ou "espiritual". "lei nos meus membros". o orgulho. o qual tem necessariamente sua sede no estado moral do princípio voluntário. e o pecado deve sua origem à falta desses afetos morais que seriam supremos se ainda continuassem a reinar na vontade. 7:5-17. obrigação da vontade regular a natureza inferior e sensório-sensual. é contudo evidente que a origem ou a raiz do pecado não pode estar neles Io.g. 2o. não é voluntária e.Embora seja verdade que os apetites desordenados do corpo dão ocasião a muitos pecados.15. Cap. qualificando-se mutuamente uma à outra suas diversas faculdades segundo a sua espécie. 1:14. 5:17. ou bons ou maus. também "ignorância". a ira. segue--se que a ausência de boas disposições conduz imediatamente à formação de disposições positivamente más. pois.15.e.

Mesmo os demônios e as almas perdidas sabem o que é bom e mau. segue-se que todo homem. imediatamente anterior). por natureza.1 Cor. 1 Ped. separado de Deus e que. que os homens não regenerados. Tia. As emoções e os sentimentos que acompanham os juízos da consciência em aprovar o bem e condenar o mal. e a perversão moral de todas as faculdades da alma e do corpo (veja a resposta à Perg. totalmente depravado? Por essa frase ortodoxa NÃO SE DEVE ENTENDER Io. (1) Seus apetites naturais. e que a própria alma da virtude consiste em ser a alma leal a Deus. Mas. O entendimento. quer sejam moralmente indiferentes. 2:14. ENTENDE-SEIo. são viciados pelo estado de rebelião contra Deus em que se acha o agente. desde que a virtude consiste na conformidade das disposições da vontade com a lei de Deus. 2o. a memória ficará poluída pelos materiais amontoados das experiências corruptoras. em todas as partes da nossa natureza. 4:18. que sejam incapazes de ações ou afetos interessados em suas diversas relações com os outros seres humanos. bem como os seus afetos . Que o homem depravado não tem consciência. Que esse estado da vontade dá como resultado um cisma na alma. Ef. 3o. em sua disposição geral. 4o. Que esse estado tende a resultar em mais corrupção.(1) Que o entendimento do "homem natural" é depravado. Que se entende pela afirmação de que o homem é. 3o. As Escrituras ensinam . quer sejam conformados a princípios subordinados do bem. e delas a imaginação também tirará material para o seu uso. A bondade de um agente não consiste em ter consciência. Ef. e sim em estarem suas disposições e afetos em conformidade com a lei da qual a consciência é o órgão. que qualquer homem seja tão depravado quanto é possível que se torne. 1:18. se Deus não a restringisse por meio do Seu Espírito. 2o. 5o. Col. sendo muitas vezes ultrajados e tratados com negligência. está. 3o. nem que todos tenham uma disposição propensa para todas as formas de pecado. 2 Cor. uma consciência enganadora e uma geral "cegueira do entendimento" a respeito de coisas morais. Nem. e sentem essas emoções vindicativas das quais a consciência está armada. 2:9. Que. 1:21. O corpo também se tornará corrompido. se tornarão desordenados. Nem. por conseguinte. 1:18. Nem. 4:4.João 17:17. Num curso prolongado de ação pecaminosa. dará como resultado juízos errados. operando concorrentemente com o sentido moral em formar juízos morais. (2) Que a regeneração envolve não somente a renovação do coração. 2o. e que esta deterioração seria incalculavelmente mais rápida do que é. e isso redundará numa consciência endurecida e numa insensibilidade moral em geral. . vão se tornando menos vivos. possuindo uma consciência natural. tornado parcial pelos afetos pervertidos. por natureza. mas também a sua iluminação-Atos 26:18. na falta de direção e governo apropriados. 5:8. 8.Io. (3) Que a verdade dirigida ao entendimento é o meio principal de que se serve o Espírito Santo nas obras de regeneração e de santificação . não admirem muitas vezes o caráter virtuoso e as boas ações dos outros. em progressão sem fim. 4o. (2) Seus poderes ativos serão empregados como "instrumentos de iniqüidade". todos os seus atos.

um efeito universal deve ter causa universal também. Diz-se que essa depravação diz respeito. 58:3. Que prova da doutrina do pecado original se pode extrair da narrativa da Queda? Deus criou o homem à Sua imagem e declarou que. por natureza. todos os homens estão totalmente separados de Deus.6. junto com a morte natural. mas Deus. Is. Se Adão pecou. espiritual e eterna. atribuem todas as ações . Jó 14:4. assim também julgamos com certeza que o homem é. aos atos. 4o. por natureza. pelo fato indiscutível de que a penalidade da lei. e depravados moralmente em seu entendimento. como então o fato de sua posteridade pecar poderia provar que a sua natureza é corrompida? O pecado de Adão prova que um agente moral pode ser ao mesmo tempo santo e falível. porque todos os homens pecam. Mas essa pena toda consistiu no mal penal . uma criatura inteligente. Ameaçou-o com a morte no dia em que comesse do fruto proibido. é declarado que o estado espiritual do homem agora é a "morte". 8:7. sem exceção . depravado. quanto à sua posteridade. 2:1. principiam a pecar logo que se tornam capazes de ações morais. 8:21. 3o. A vida espiritual do homem depende de estar ele em comunhão com Deus. 17:9. mas. Com quais outras objeções os pelagianos e outros procuram diminuir a força do argumento baseado na universalidade do pecado? Io. Mat. Que descrição as Escrituras fazem da natureza humana. e que as volições não ficam determinadas pelo precedente estado moral do espírito. e sejam quais forem as suas circunstâncias ou as influências educacionais que os cercaram na sua mocidade. Não resta mais nenhum elemento recuperativo na alma. e que tal criatura. Em conseqüência disso. e esta ameaça cumpriu-se literalmente só no sentido da morte espiritual. 11. Assim. 2o. e que é por natureza. entregue a si mesma. a mesma pena que fora sentenciada . a questão é: como ele pôde pecar? No de seus descendentes: por que é que todos com certeza pecam desde crianças? 14.a morte física. João 3:6. 12. 1:5. coração. 10. como julgamos que o homem é. Gên. que é desde o nascimento. 51:5. Como fica estabelecida a verdade desta doutrina pelo fato da existência geral do pecado? Todos os homens. que Adão violou. ao coração. apesar de estar livre de qualquer corrupção de sua natureza. pecam logo que se tornam agentes morais? No caso de Adão. se não experimentar uma recriação miraculosa. em todos os séculos. Os que afirmam que a liberdade do indiferentismo é essencial à agência responsável.4o. porque as ações de todos os homens envolvem um elemento de inteligência. vontade. baniu-o da Sua presença. corpo e ações-Rom. Io. 6:5. é declarado nessa passagem como um fato inegável.Ef. O homem só pode tornar-se cada vez mais e para sempre pior. e como se pode inferir daí a existência de uma depravação inata e hereditária? Segundo as Escrituras. como agente moral. 13. era muito bom. pois. 1 João 3:14. O pecado original.Sal.a obrigação legal de sofrermos a penalidade . 9. Jer. sem exceção.pode pecar. Que testemunho desta doutrina é dado por Romanos 5:1221? Nessa passagem Paulo prova a culpa . consciência. 2:3. Ef. Sal.do pecado de Adão imputada a nós. em Sua ira. 15:14. 15:19. que afeta a todos os homens. 3:10-23. e o apóstolo tomou-o como base de seu argumento para provar a imputação do pecado de Adão. a questão e: qual é a causa uniforme e universal por que todos. Ora. é infligida a todos.

não tem analogia com o dos homens.10. não são agentes morais. Outros procuram explicar os fatos alegando a influência universal do mau exemplo. Que a regeneração é uma mudança radical de caráter moral. 17. é em si mesma uma corrupção total da natureza. Que argumento a favor da doutrina do pecado original pode-se deduzir da universalidade da morte? A penalidade da lei foi a morte. e nunca estiveram incluídos numa aliança de vida. antecipando-se as superiores. etc. Em resposta. tanto do poder como da culpa do pecado . suspensa temporariamente por amor de Cristo. 4:24. 16. 9:12-14. 2o.Ef. 1:19. Mas.pecaminosas ao fato alegado de não estar condicionada a vontade do homem. 13:12. e por isso o seu caso. mesmo no caso de crianças que nunca pecaram pessoalmente. -Ez. a morte eterna. Pois tal ordem de desenvolvimento. ademais. Heb. a morte física e a morte moral. 3o. as faculdades animais. somos obrigados a crer que a outra parte tornou-se efetiva também. Outros ainda procuram explicar os fatos referindo-os à ordem natural que se segue no desenvolvimento de nossas faculdades. e assim as inferiores. e. que também sofrem e morrem. e isso é ainda um dos problemas não resolvidos da providência de Deus. e por último as morais. criados para as boas obras".g. Respondemos: (1) As crianças uniformemente manifestam disposições depravadas numa idade tão tenra que não se pode racionalmente atribuir esse pecado à influência do exemplo. operada pelo Espírito Santo no exercício de poder sobrenatural. Como se pode provar esta doutrina pelo que as Escrituras dizem a respeito da redenção? A respeito da redenção as Escrituras afirmam Io. manifestam disposições depravadas. 4. mas a questão é: por que é que todos se aprazem em determinar-se para o pecado? Uma causa indiferente não pode explicar um resultado uniforme. Diz-se que é absoluta e universalmente necessária -João 3:3. . abrangendo a morte espiritual. pervertem-nas. (2) Mesmo as crianças que desde o nascimento se acharam cercadas de influências que só podiam incliná-las para a santidade. embora apresente certas dificuldades peculiares. 5:25-27. Quanto à sua natureza. E. depois as intelectuais. e insistem em que o lato dele agir como age seja tomado como fato final. A geologia afirma que os animais irracionais sofreram e morreram em gerações sucessivas antes da criação e apostasia do homem. acima.. referimo-nos à Perg. Tito 2:14. Tia. 2o. Ef. Os animais irracionais. os regenerados são chamados "feitura de Deus. que o desígnio do sacrifício de Cristo e seu efeito é livrar todo o Seu povo. foi sentenciada contra todos os impenitentes. A morte física é universal. Em resposta. A doutrina do pecado original ensina simplesmente que o caráter depravado da própria vontade é a causa uniforme do resultado uniforme. vendo que uma parte da pena tornou-se efetiva. 1:23. E chamada "nova criação". 1:18. essa explicação não somente é imperfeita. Como se pode provar esta doutrina pelo que as Escrituras dizem a respeito da regeneração? As Escrituras declaram Io. reconhecemos que o homem se determina sempre como lhe apraz. dando em resultado conseqüências tão uniformes. 2:5. 1 Ped. 36:26. porém também admite virtualmente o fato da depravação inata e hereditária. 2 Cor 5:17. 15. por meio de uma propiciação.

Io. João 3:5. Deut. 10:16. Veja Dr. Gál. 2o. 4 e 25. Rom. em que sofreu "o Justo pelos injustos". como saiu das mãos de Deus. Como se propaga essa corrupção da natureza? Veja abaixo. Em que sentido o pecado pode ser o castigo do pecado? Io. pecando. 2:28. 3:25. porque age exatamente como quer agir. Se Deus é o autor da nossa natureza. 20. 1. A nossa consciência afirma que o homem é sempre responsável por seus atos livres. Apoc. sec.. Instit. 3o. 19. mas também para as crianças que nunca cometeram pecado efetivo . no desordenamento de suas faculdades. criado santo. Rom. 2:24. 19:14. também Harvey's Review. 1:4.29. como podemos evitar a conclusão de que Deus é o autor do pecado? Essa conclusão seria inevitável se. Como se pode conciliar esta doutrina com a liberdade do homem e sua responsabilidade por seus atos? Io. que a corrupção inteira da nossa natureza veio do pecado. 1828). Concio ad Clerum (New Haven. Mas sabemos. 6 e 11. O pecado original consiste em más disposições e.2o. não podem ser remidas. e se essa natureza é pecaminosa. em conseqüência do pecado e com toda justiça. Perg. Lib. mas homem algum pode mudar a sua disposição por um ato da volição. 2. Io. O hábito ou a disposição inerente à vontade é o que determina a sua ação. Todavia a aplicação do rito externo seria inútil e profano se as crianças não precisassem e não fossem capazes daquilo que o rito significa. que era absolutamente necessária para todos . Veja Cap. que. O pecado fosse elemento essencial da nossa natureza. tudo considerado.26. 22. Fosse inerente a essa natureza originariamente. . como foi com a circuncisão. Mat. 2o. O estado de inocência resultante da libertação da sujeição ao pecado não admite redenção. 20. 1:5. Cap.Mar. 18. (2) na confusão das relações entre o pecador e Deus. 18. Ambos esses ritos deviam ser aplicados às crianças. Tito 3:5.não somente para os adultos. pág. Veja Calvino. age livremente. Qual a prova derivada do batismo das crianças? O batismo. 24. Alguns dizem que Cristo só remiu as crianças libertando--as da sujeição ao pecado. o homem. é um rito externo que significa as graças internas da regeneração e da purificação de natureza espiritual . sob o Cap. 1829). e. por conseguinte. 19. No entanto. 3:21. que o pecado teve origem no livre ato do homem. porém ao mesmo tempo falível. lhe apraz. págs. 3o.Atos 4:12. A nossa consciência declara que a incapacidade não é incompatível com a responsabilidade.21.22. 5:9.25. e que seu ato é sempre livre quando ele se determina como. Quanto à sua necessidade. 21. Por via de conseqüência natural (1) nas operações internas da própria alma. Deus tirou de nós as influências conservadoras do Seu Espírito Santo e deixou os homens entregues às conseqüências naturais e penais do seu pecado. do mesmo autor (Hartford. ou simplesmente por querer mudá-la. ou se. se as crianças não são pecadoras. sendo a redenção uma propiciação feita por sangue. Taylor.

12:31. 1:24-28. cumprir as exigências nem da Lei nem do evangelho. em suas controvérsias com Agostinho. Essa condição. 4o.27.6. Negavam a imputação do pecado de Adão. O homem possui. e a conseqüência disso é mais pecado-Rom. o auxílio de que ele necessita. porém. no princípio do quinto século. e as exigências de Deus estão na razão das diversas capacidades (morais e constitutivas) e circunstâncias dos homens. 24. 3:29. Essa condição envolve as faculdades morais da alma a tal ponto que ninguém pode. Estas passagens dão a entender que esse pecado consiste em rejeitar malignamente o sangue de Cristo e o testemunho do Espírito Santo. e o agostinianismo como morto. . sem auxílio divino. Que ensinam as Escrituras a respeito do pecado contra o Espírito Santo? Veja Mat. E imperdoável. por Sua graça. As crianças nascem no mesmo estado moral em que Adão foi criado. E chamado pecado contra o Espírito Santo porque é o testemunho e a influência dEle. nem porque o estado do pecador se/a tal que o Espírito Santo não tenha poder para transformá-lo. 4o. porém. 1 João 5:16. não porque a sua culpa exceda aos merecimentos de Cristo. Todo homem possui capacidade plenária para pecar ou para arrepender-se e obedecer sempre que lhe aprouver. Mar. dá-lhe. e sim porque o pecado consiste na rejeição deliberada e final de Cristo e Seu Espírito. Por causa do pecado. o semipelagianismo o considera como enfermo. A responsabilidade está na razão exata da capacidade. Heb. Por via de abandono judicial. Abrange os pontos seguintes: Io. e foi depois desenvolvido completamente pelos discípulos de Fausto e Loelio Socino no século 16. apesar de provas e contra a própria convicção. 25. e sabendo que sem a Sua graça esses esforços serão infrutíferos. Reconheciam que o homem herda de Adão uma condição mórbida da sua natureza. O pecado de Adão só afetou a ele próprio.30. 2o. Quais as idéias principais envolvidas na doutrina semipelagiana? Segundo a apreciação crítica feita por Wiggers em sua Historical Presentation of Augustinianism and Pelagianism (Apresentação Histórica do Agostinianismo e do Pelagianismo). Eis aqui um resumo das doutrinas peculiares que os semipelagianos ensinavam na idade média Io. 6:4. 2o. e é o dos unitários da Inglaterra e dos Estados Unidos dos séculos 18 e 19. mas é a causa certa de pecados. que o pecador rejeita direta e a que resiste desdenhosamente. não é pecado. 3o. e então Deus. o poder de começar a viver bem. vendo os seus esforços. presente no coração. 10:26. Quais as idéias principais envolvidas na doutrina pelagiana do pecado original? O sistema chamado pelagiano originou-se com Pelágio.32. o pelagianismo considera o homem como moral e espiritualmente são. 23.2o. 3o. Deus retira o Seu Espírito. e porque Deus determinou soberanamente que este seria o limite final da Sua graça. E o sistema explicado no Catecismo Racoviano5.

por isso. 2o. como ocasionado por natureza. e sustenta Io. 2:10. quando então essa graça comum se torna eficaz em virtude dessa cooperação. A vontade humana tem a iniciativa na regeneração. Que distinção os católicos romanos fazem entre pecados mortais e pecados veniais? Dizem eles que mortais são os pecados que separam de Deus a alma e fazem perder a graça batismal. é a ocasião e não a causa de os homens fazerem uniformemente má escolha moral. As objeções são . ao mesmo tempo. A Igreja Grega ocupa a mesma posição geral a respeito do pecado original. a qual. que a respeito dessa preferência cada ser humano determina-se logo que se torna agente moral. porém que a sua eficácia depende da cooperação humana. e consiste em ele escolher livremente como seu bem principal algum outro objeto e não Deus". 3:10. Que o pecado original não é voluntário e por isso não é verdadeiramente pecado. de New Haven. à sua vontade somente mediante a natureza sensório-sensual. e que veniais são os que só impedem o acesso da alma a Deus.Ia. estendendo-se. Veja abaixo. 4o. 2a. e que é sempre uma preferência de algum bem menor. Gál. todos os homens realmente têm a mesma graça comum operando neles. mas precisa do auxílio divino. ou sua tendência inerente de ocasionar o pecado. E uma distinção que as Escrituras nunca fazem. 3o. e que os arminianos e os sinergistas sustentam que o homem é tão depravado que precisa da graça de Deus para dispô-lo e habilitá-lo a começar como também a continuar e levar a efeito essa obra. Qual é a teoria de "New Haven" a este respeito? O Dr. em vez de Deus. New Haven. porque possuem só uma natureza física e propagada. somente no sentido de que a vontade o comete livremente. Qual é a doutrina concernente à mudança efetuada pela Queda na natureza moral do homem? Veja abaixo as exposições públicas das diversas igrejas. por natureza. Nathaniel W. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS DAS DOUTRINAS DAS DIVERSAS IGREJAS . Se não fosse o sacrifício de Cristo. Isso é semipelagianismo. Sustenta igualmente que a natureza do homem. nada efetua enquanto o homem não coopera voluntariamente com ela. mas que. Veja Condo ad Clerum. 27. As crianças estão sem pecado. com a única diferença de que os semipelagianos sustentavam que o homem pode e necessariamente tem que iniciar em si a obra do arrependimento e obediência. do mesmo autor. na condição em que começa a existir agora. apesar de uniformemente. enquanto a posição correspondente do arminianismo é que a graça tem a iniciativa na regeneração. nem à sua natureza espiritual. assim. o príncipe da teologia da escola nova da América. não é em si pecado nem merece castigo. mas que a própria natureza. Belarmino. todo pecado seria mortal .A doutrina de Armínio e o "sinergismo" de Melanchthon reduzem-se praticamente à doutrina que acabamos de expor. e Harvey's Review. Que a influência de Adão estende-se somente à natureza sensório-sensual dos seus descendentes. e não à sua natureza racional. 28. e que o pecado original é. 26. em conseqüência do pecado de Adão. Essa definição inclui a preferência permanente que predomina na vontade e que determina os atos de escolha especiais e transitórios.Tia. ensinava que o pecado consiste unicamente nos atos da vontade: que "o pecado original é ato do próprio homem. nas "Exposições autorizadas das diversas igrejas". Taylor. e que Deus então coopera imediatamente com ele. porém. 1828.

nem a do acréscimo de nenhuma qualidade má. a impotência e incapacidade. que é morte da alma . Mas a controvérsia toda versa sobre este ponto . a natureza em separado e o pecado original em separado. Ib.DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA . 5. ao mesmo tempo.. e não o pecado.anathema sit". posto que o livre arbítrio não ficou neles extinto. e que a santidade que recebeu de Deus e a justiça que perdeu. Amiss.. e que manchado com o pecado de desobediência só transfundira por todo o gênero humano a morte e moléstias do corpo. Can. péssima. "Se alguém disser que o livre arbítrio depois do pecado de Adão foi perdido e extinguido. e sim unicamente o resultado da perda do dom sobrenatural em conseqüência do pecado de Adão". profunda. "Que esse mal hereditário é culpa (desmerecimento) mediante a qual.. na mente. e sujeitos ao poder do diabo e da morte. .anathema sit". ainda que esse pecado original infeccione e corrompa a natureza inteira do homem. 1. Belarmino. 5 . e especialmente a concupiscia per se e em sua própria natureza. ou o próprio homem como criado por Deus. ou substância do homem corrompido."Formula Concordice". DOUTRINA LUTERANA . "Declara em primeiro lugar o Santo Concilio que. verdadeiramente são pecados. a fraqueza e estupidez. tanto mais gravemente peca . há também no homem uma corrupção interior. que tornam o homem totalmente incapaz de tudo quanto é espiritual e divino.anathema sit" . Nem é se essa depravação pertence de qualquer modo ao pecado original. e sim atenuado de forças e inclinado". Can. 640 . pág. no coração e na vontade". 5. nem labora ela em maior ignorância e enfermidade do que era e laborava quando criada in puris naturalibus. Lutero). Que há em todos falta. inescrutável e indescritível da natureza inteira e de todas as faculdades. no qual habita o pecado .Io. 2. Gratia". no intelecto. para se entender bem e sinceramente a doutrina da justificação. santidade e justiça." 1: "Eles (os católicos romanos) ensinam que pelo pecado de Adão o homem inteiro ficou deteriorado. mas não perdeu nem o livre-arbítrio nem nenhum dos dona naturalia. mas unicamente os dona supernaturalia". para si só a perdeu e não para nós. em tal forma são servos do pecado.(Deve-se crer) . Ib. como se acha nos batizados e justificados (regenerados) é propriamente pecado original. de qualquer modo que se façam. de maneira que se possa dizer que é o material desse pecado. Ib.veja as "Exposições" no fim do Cap... Além disso: que o pecado original na natureza humana não só envolve a perda e a ausência totais de tudo quanto é bom nas coisas espirituais e que dizem respeito a Deus. Sess. 6: Can..Concilio de Trento. nós todos estamos sujeitos à ira de Deus e somos por natureza filhos da ira. essa natureza corrompida. Cap. 2:3).. por causa da desobediência de Adão e Eva. defeito e privação totais da justiça original criada no Paraíso."De Gratia primi Hom. convém que cada um conheça e confesse que. Ib. tendo todos os homens pela prevaricação de Adão perdido a inocência e se tornado imundos. o estado em que foi criado e em que estava antes de receber os dona supernaturalia . Sess. 5:12. contudo. e que com quanto maior veemência forceja alguém em se dispor para a graça. em vez da imagem perdida de Deus. Daí seguir-se que a corrupção da natureza não é o resultado da perda de dom algum. mas que. 2o.."A penalidade propriamente imposta em conseqüência do primeiro pecado foi a perda da retidão original e dos dons sobrenaturais que Deus tinha concedido à nossa natureza" . 5."Mas. Ef.Por isso o estado do homem depois da queda de Adão não difere do seu estado in puris naturalibus (isto é. 16) mais do que o estado de um homem a quem roubaram a roupa difere do estado de um homem originalmente nu. 7. "Se alguém disser que todas as obras que se fazem antes da justificação (regeneração)."Se alguém disser que o pecado de Adão só foi nocivo a ele mesmo. ss. e que há. o corpo e a alma. ou merecem o ódio de Deus. "Amiss. ou da imagem de Deus à qual o homem foi no princípio criado em verdade. como testificou o apóstolo Paulo (Rom. de modo que em nossa natureza corrompida não é possível apresentar separadamente aos olhos esses dois. e primariamente nas faculdades principais e superiores da alma.6. C. e não à sua descendência. 3o. 645 . 5: "A questão entre nós e nossos adversários não é se a natureza humana ficou gravemente depravada em conseqüência do pecado de Adão: porque isso confessamos livremente. E isto que os católicos romanos negam. . 3:1 . nem é pior a natureza humana (se tirardes a culpa original). Gra. como uma espécie de veneno ou lepra espiritual (como diz o Dr.se essa corrupção da natureza.. pág.

como no corpo do leproso. Remon-strante". 3. réus diante de Deus. que é imputada ou imposta judicialmente sobre os seus descendentes. envolvendo uma disposição pecadora inata e levando inevitavelmente a transgressões efetivas. Christ. que. privado da sua justiça original.4: "Confessamos também que as crianças nascem menos puras do que era Adão quando foi criado. porque. A culpa. Mas negamos que isso seja pecado per se."Cat. se viesse de Adão. a natureza do homem está agora infeccionada de uma certa queda e de uma tendência excessiva para pecar. o reato6 ou a justa responsabilidade legal do primeiro pecado ou ato de apostasia de Adão. ou que seja da natureza do pecado". Racoviano". í 20 Incapacidade 1. pág. e com uma certa propensão para pecar. como pena. que torna a todo e qualquer homem. e os filhos pendem comumente para os pecados de seus pais". Belga". Art. passe de Adão para a sua posteridade. Gallica". produz toda espécie de pecados no homem e é por isso tão vil e execrável à vista de Deus. devia ser igual em todos os homens. que de Adão. e é de sua própria natureza inclinado ao mal. uma enfermidade ou vício ou qualquer nome que se lhe queira dar. Quais são os três elementos principais envolvidos nas conseqüências que o pecado de Adão trouxe sobre a sua posteridade? São Io. Limborch. tendo sido um só ato. nem como um mal que. Art. . DOUTRINA SOCINIANA . 11: "Cremos que este vício (originis) é verdadeiramente pecado. e que. 84: "Eles (os remonstrantes) não consideram o pecado original como pecado propriamente dito. 9: "(O pecado original) é um vício e corrupção da natureza de todo homem da geração de Adão. DOUTRINA REMONSTRANTE . e sim como um mal.". da morte eterna". A depravação total da nossa natureza. em conseqüência do costume constante de pecar. "Os 39 Artigos da Igreja Anglicana. Não negamos. pág. o corpo leproso e a lepra que está no corpo não são uma e a mesma coisa". e por isso toda pessoa que nasce neste mundo merece a ira de Deus e a condenação". 3.original. como raiz."Conf. porém. pelo que o homem está distanciado muitíssimo da justiça original. não é um e o mesmo que esse pecado original que habita na natureza ou na essência do homem e a corrompe. 15: "(Peccatum originis) é essa corrupção da natureza inteira e esse vício hereditário que os torna corruptos mesmo no ventre de suas mães. no sentido restrito dessa palavra. "Conf. mas isso não lhes advém tanto de Adão como de seus pais imediatos. 2o. de forma que a carne tem sempre desejos sensuais contrários ao espírito. Art. não podia ter o poder de corromper nem a natureza do próprio Adão."Apol. "Theol.". Conf. e muito menos a da sua posteridade. DOUTRINA REFORMADA . sem exceção mesmo das crianças escondidas ainda no ventre de suas mães. Contudo é agora desigual no mais alto grau. e em virtude da qual cada criança nasce em estado de condenação. 294: "E a queda de Adão. que é suficiente para condenar a raça humana". vem por propagação sobre a sua posteridade".

nas coisas espirituais. (d) O homem só é responsável pelos pecados cometidos por ele depois de receber e abusar das influências da graça. de mudar suas disposições e tendências predominantes por meio de qualquer volição. porém. 4. luteranas e reformadas.3o. Os teólogos modernos sustentam. renovada pela energia da graça. a vontade fica sempre dependente da graça divina. Entendem. dirija e habilite a fazer qualquer boa obra. depois da Queda. Deus lhe dá a Sua graça cooperativa e torna bem-sucedidos os seus esforços. O tipopelagiano .(a) Caráter moral só pode ser predicado de volições. ou de começar ou dispor-se em qualquer grau para isso. Como se pode expor a doutrina ortodoxa tanto negativa como positivamente? A doutrina ortodoxa não ensina Io. 3. em cooperação com a graça. E quando dizemos que ninguém depois da Queda tem capacidade para prestar a obediência espiritual que a lei exige. a respeito da incapacidade humana para cumprir a lei de Deus. mas não é em si mesmo pecado no sentido de merecer a ira de Deus. e (c) a livre . e negavam que. ou (c) de exercer volições contrárias a elas. mas julgam que é mais judicioso fazer uma distinção no uso dos dois termos. neste caso. (b) A capacidade é sempre a medida da responsabilidade. providencial e educativa. mas estas não podem mudar os afetos. radical e permanentemente.Este foi adotado por todas as igrejas protestantes originais. (a) O homem é por natureza tão inteiramente depravado que é totalmente incapaz de fazer alguma coisa espiritualmente boa. (b) Esse estado moral enfraquecido que as crianças herdam de seus pais é a causa do pecado. pelo termo "liberdade" a propriedade inalienável de qualquer agente moral e livre. com exclusão da interferência de qualquer influência interna que venha de Deus. segundo as disposições e tendências predominantes da sua alma. isto é. O tipo semipelagiano . seja bom ou mau. (b) a consciência. (d) Mesmo depois de renovada. Quais os três tipos de doutrina que. (b) Mesmo sob as influências incitantes e persuasivas da graça divina. (c) E necessário que o homem procure cumprir todos os seus deveres e. Essas faculdades são (a) a razão. o homem tivesse qualquer "liberdade" de vontade a respeito das coisas divinas. (d) Por isso é só a vontade de cada um que. tem que decidir sobre o caráter e o destino do homem.(a) A natureza do homem ficou enfraquecida pela Queda de modo que. por mais que procure mudá-las assim. todo homem possui sempre pleno poder de fazer tudo quanto é de seu dever fazer. a esse respeito. entendem o poder de uma alma humana depravada. ele não pode agir bem sem auxílio divino. Que o homem tenha perdido na Queda qualquer de suas faculdades constitutivas necessárias para fazer dele um agente moral e responsável. 3o. A única influência divina de que o homem precisa e que é compatível com o seu caráter como agente autodeterminado é uma influência externa. (c) Por conseguinte. 2. de exercer volições segundo lhe apraz. A inteira incapacidade da alma de mudar sua natureza ou de fazer coisa alguma que seja espiritualmente boa. enquanto a própria vontade não é. no sentido de que ela o incite. e indisposta por natureza para qualquer bem espiritual. Os afetos permanentes da alma governam as volições. Por "capacidade". e (b) que o homem é absolutamente incapaz de mudá-las. pois. a vontade do homem é totalmente incapaz de agir bem. em obediência à lei divina. O tipoagostiniano . 2o. ou de obedecer aos preceitos da lei na ausência de quaisquer disposições santas. sempre existiram na Igreja? Io. o sentido é (a) que as radicais disposições morais de todos opõem-se por natureza a essa obediência. Qual é a diferença entre os escritores protestantes antigos e os modernos quanto ao usus loquendi das palavras "liberdade" e "capacidade"? Os antigos muitas vezes empregavam a palavra "liberdade" no mesmo sentido em que empregamos agora a palavra "capacidade". exatamente a mesma doutrina que os antjgos.

como existe agora. em todas as suas volições ele prefere. Enaturalno sentido de não ser acidental ou adventícia. Ele tem o poder de conhecer a verdade. depois da Queda. mesmo depois da Queda. 4o. nas faculdades morais e racionais da alma. reconhece e sente as distinções e as obrigações morais. Pode possuir afetos naturais. e que pertence à nossa natureza decaída como ela se propaga por lei natural de pais a filhos. 2o. o estado moral dessas faculdades é tal que é impossível ao homem agir bem. contudo não homem perfeito. 2o. 5o. benévolas e justas. Nem. porque. Não é natural num sentido.quer direta quer indiretamente. E absoluta no sentido próprio deste termo. onde se concede que o homem. insensível e totalmente avessa a tudo quanto é espiritualmente bom.' ™ Io. como seres j espirituais. nem pode preparar-se para a graça. mas o seu coração está morto para com Deus e é invencivelmente avesso à Sua Pessoa e à Sua Lei. Não é natural ainda noutro sentido . Ele foi criado com plena capacidade de fazer tudo quanto lhe era exigido.porque não é de modo algum resultado de qualquer deficiência da natureza humana. Um homem natural pode estar esclarecido intelectualmente.vontade (o livre-arbítrio). Muitas vezes isso é admitido nas confissões protestantes e nas obras clássicas dos seus teólogos.a apreensão e amor da excelência m espiritual e uma vida em conformidade com ela. seus afetos. A capacidade concedida ao homem pela graça de Deus na regeneração não é um dote extranatural. Pode ser um homem real sem ela. é inteiramente incapaz de saber. entretanto não pode obedecê-la em espírito e em verdade. que o homem não tenha o poder de sentir e fazer muitas coisas que são boas e dignas de amor. Essa incapacidade é paramente moral. Que. etc. no ato da regeneração. Que o homem. o bem civil. Pode obedecer à letra desta. escolher e amar o que é espiritualmente bom. necessárias para agir bem. Sua essência está na incapacidade da alma de conhecer. ' ‫ ׳‬Í 5. tanto morais como racionais e intelectuais. mediante a Sua graça. Portanto. não lhe mudar a natureza e. não lhe der capacidade graciosa de agir graciosamente e em constante dependência de Sua graça. Nenhum homem não regenerado tem o poder de fazer aquilo que a esse respeito Deus exige dele . 3o. Nas confissões * de fé essas coisas são chamadas "coisas de Deus". e sim inata. sentir ou agir em conformidade com essas coisas. enquanto todo homem responsável possui todas as faculdades. escolhe e rejeita livremente o que lhe apraz e como lhe apraz. "coisas do Espírito". nem pode principiar a cooperar com a graça enquanto Deus. 2o. "coisas que dizem respeito à salvação". Em que sentido essa incapacidade é absoluta. em que sentido é natural e em que sentido é moral? Io. e a posse dessa capacidade é sempre necessária para a perfeição moral da sua natureza. porém espiritualmente está cego. e seufundamento está nessa corrupção moral da alma que a torna cega. nas suas relações com os seus semelhantes. porque não pertenceu à natureza do homem como foi criado. nem pode mudar a sua natureza de modo que tenha mais poder. a incapacidade do homem diz ' respeito às coisas que envolvem as nossas relações. é responsável. d Mas a doutrina ortodoxa ensina . para com Deus . depois da Queda. mas consiste numa parcial restauração da sua natureza à sua condição de integridade original. Essas todas o homem possui e tem em exercício. . ainda tem capacidade para a humana justitia. tendências e hábitos de ação são espontâneos.

9:16. porque uma coisa pode ser ao mesmo tempo natural e moral. Não tem seu fundamento na falta de nenhuma faculdade. como condição necessária para o tornar um agente responsável. natural. em 1618. mas que não têm capacidade moral para fazê-lo. erros semipelagianos. A incapacidade do homem. pertence à sua natureza no seu estado atual e assim é transmitida dos pais aos filhos. dizer ao pecador que ele tem capacidade natural. Mas não é verdade. Como se pode provar o mesmo fato pelo qual as Escrituras ensinam a respeito do estado moral do homem por natureza? . Por capacidadenaíura/ ele entendia que todo homem natural está de posse. Ensinam coerentemente em toda parte que o homem não pode fazer o que é exigido dele. e pelos seguintes motivos: ‫׳‬ Io. João 6:44. e assim tem sido empregada muitas vezes para exprimir. 7. 5o. 2:14. O Presidente (Jonathan) Edwards (da futura Universidade de Princeton).6. nas respostas às perguntas 4 e 5. C. mas sim no estado moral e corrompido das faculdades. O seu emprego tende naturalmente a fazer errar e a confundir o pecador convicto de seus pecados. e faleceu em 1625. em sua grande obra intitulada On the Will (Sobre a Vontade). A linguagem empregada não exprime acuradamente a distinção importante que se quer assinalar. enquanto a verdade é que ele só possui alguns dos requisitos essenciais da capacidade. Apesar disso. E certo que essa incapacidade é pura e simplesmente moral. 1 Cor. e o mesmo princípio é reconhecido acima. Como se pode provar pelas Escrituras o fato dessa incapacidade? Com o exame de passagens como as seguintes: Jer. Dizer que um pássaro morto tem capacidade muscular para voar e que só lhe falta a capacidade vital é brincar com palavras. 13:23. E essencialmente ambígua. que nasceu em Glasgow. A obra realizada pelo Espírito Santo na regeneração não é uma persuasão moral. França. 15:5. pois afirma que ele pode (fazer o que lhe é exigido). e outras para encobrir. Por capacidade moral entendia esse estado moral e inerente dessas faculdades. na exposição da doutrina ortodoxa. como demonstramos acima. A incapacidade é moral. os homens têm capacidade natural para fazer tudo o que deles é exigido. 2o. Rom. e nunca ensinam que o possa fazer em algum sentido. de todas as faculdades constitutivas necessárias para habilitá-lo a obedecer à lei de Deus. isto é. Estas nunca dizem que o homem tem uma espécie de capacidade e que não tem a outra.65. 8. temos sérias objeções contra a fraseologia empregada. em 1580. afirmando que. na desinclinação inveterada dos afetos e disposições da natureza voluntária. 4. quando o fato é que ele é incapaz de fazer o que deve fazer. Essa fraseologia não é autorizada pela analogia das Escrituras. Parte 1. porém é ao mesmo tempo. Qual a história da célebre distinção entre capacidade natural e capacidade moral? Essa distinção foi primeiro apresentada explicitamente nesta forma por João Cameron. e não é nem física nem constitutiva. Não há por que questionar a validade e a importância dessa exposição feita pelo Presidente Edwards e do modo com ele faz essa distinção. porém. é com certeza inteiramente moral. em certo sentido. 4o. depois da Queda. foi professor na escola teológica de Saumur. adotou os mesmos termos. Nunca foi adotada pelas confissões de fé promulgadas pelas igrejas reformadas. Escócia. e é enganador. e sim uma nova criação moral. A verdade do caso é que o pecador é absolutamente incapaz por causa de uma deficiência moral. e num sentido importante. "Natural" não é a antítese própria de "moral". 3o. essa disposição reto tboa do coração que é necessária para o cumprimento desses deveres.

Rom. Quanto à sua necessidade. estão "fracos" .Mat.ou não poderá ser conduzido a Cristo. de morte espiritual . 2o. E necessário que o pecador chegue nos dois sentidos. 5:22. desde que o mundo existe. . Os não regenerados são "servos (escravos) do pecado" . Sua convicção mais intima é (a) que estava absolutamente sem forças espirituais e que foi salvo por uma intervenção divina.Ef. 2:26. uma "nova criação". e baseada na alegação de que "a capacidade é a medida da responsabilidade"? Não há dúvida de que o axioma segundo a qual a capacidade é a medida da responsabilidade é verdadeira nalguns casos e falsa noutros. e que ele só vive espiritualmente na medida em que se apega a Cristo. 9. a desesperar-se inteiramente de si .Gál. ensinam que a regeneração é um "novo nascimento"..Fil. a alegria etc. e que o único modo por que se pode mudar o caráter de nossas obras é que se mude o caráter de nossos corações . Pela experiência de todo pecador convicto de seu pecado. 11. Pela experiência universal da família humana. o homem só pode estar absolutamente impotente espiritualmente. mesmo para cooperar com a graça que o salva. são "fruto do Espírito" .7 segundo a sua boa vontade" . (b) que as forças que agora ele goza. Como se pode provar a mesma verdade pela qual as Escrituras ensinam acerca da natureza e necessidade da regeneração? Quanto à sua natureza.E um estado de cegueira e de trevas espirituais .Ef. no caso de todo filho de Adão. "feitura de Deus". a respeito da sua culpa e também a respeito da sua completa impotência espiritual. isto é. 6:20. Toda convicção verdadeira do pecado abrange estes dois elementos: (a) Uma completa convicção de responsabilidade e culpa. 2:13. pois. ensinam que esta mudança radical dos estados e propensões predominantes da própria vontade é. só pode ser conseqüência dessa mudança.Col. O erro que vicia completamente a objeção acima citada contra a doutrina bíblica da incapacidade humana consiste na falta de discriminação entre as circunstâncias em que o axioma é verdadeiro e aquelas em que é falso. E efetuada pela "sobre -excelente grandeza do seu poder" (do poder de Deus) . "Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar. 3o. 1:18-20. e na maior auto-humilhação. antes dessa mudança operada nele pelo poder divino. (b) Uma completa convicção da nossa impotência moral e inteira dependência tanto da graça divina para habilitar-nos como dos merecimentos de Cristo para justificar-nos.23. etc. 5:6. a fé. são sustentadas só e unicamente mediante as comunicações constantes do Espírito Santo. Como se pode provar o mesmo fato pela experiência ? Io. Pela experiência de todo cristão verdadeiro.Rom. Elas afirmam que todas as graças cristãs. absolutamente necessária para a salvação. 2:13. um gerar de novo. por mais fracas que sejam. e que toda capacidade que em qualquer tempo possa ter. A Bíblia afirma que os homens estão nos laços do diabo e que estão "presos à vontade dele" .2 Tim. os que a experimentam são "novas criaturas". E claro. sem nenhuma exceção. como sejam o amor. que. que faz o pecador justificar a Deus e prostrar-se ele mesmo diante de Deus em confissão . a paz. ab extra. Concluímos que todo homem está absolutamente sem nenhuma capacidade espiritual porque nunca. 4:18. na completa renúncia da confiança em si. se descobriu caso algum de um único homem que exercesse essa capacidade. Como se pode expor e refutar a objeção feita contra a nossa doutrina. o dar-nos Deus um novo coração. 12:33-35. 10.

Verdade é que alguns afetos são em si mesmos moralmente indiferentes e se tornam bons ou maus só quando adotados pela vontade como princípio de ação em preferência a outros princípios competidores.g.. por não empregar olhos que já não tem. somos responsáveis por eles. 7:14-23. um homem que arrancasse os próprios olhos para eximir-se ao recrutamento. que determinaria sempre a extensão das exigências da Lei segundo a extensão da sua própria apostasia. e só segundo o seu caráter. Toda volição deriva sua qualidade moral do afeto que a incita. Há outros afetos. Cristo declara (Mat. em vez de ser. o afeto do amor de si mesmo. Nada há que seja mais certo ou mais universalmente concedido do que os fatos de que os nossos afetos e disposições (1) não estão sob o governo da nossa vontade. rebaixaria consigo também a Lei. e. não é menos evidente que quando a incapacidade consiste unicamente na falta de disposições e afetos convenientes e próprios. e de coração." Mas o "amor" é um afeto. porém. porém. que são intrinsecamente bons. ou. e. 2o. Por outro lado. ou a desconfiança a respeito de Deus. ou. porque este princípio acabaria evidentemente com a Lei. a malevolência. mas a qualidade moral do afeto é original. ou (b) na ausência de qualquer ocasião para o seu emprego. por outra. 12. pois o pecador. merecem louvor ou censura. como. e que Ele julga e trata os homens segundo os seus afetos. Se um homem não tiver olhos. e são bons ou maus sem que nisso influa de modo algum a sua origem -Rom. independente e absoluta. E é evidente também que essa ausência de responsabilidade vem só e unicamente do simples fato da incapacidade.E uma verdade auto-evidente . isto é. neste caso. ou (2) que o padrão de obrigação moral fica rebaixado mais e mais à medida que o homem peca. ou sem qualquer das outras faculdades constitutivas e essenciais para agência moral. . independentemente da sua origem. mas não por não ver. como. como. E juízo instintivo de todos que os afetos e disposições morais são intrinsecamente bons ou maus. o que é absurdo. é totalmente incompatível com responsabilidade moral no caso. não pode ser responsável por não agir como agente moral.o que também é absurdo. por mais degradado que seja. ou sem consciência natural. Assim também um homem sem intelecto. poderia com justiça ser responsabilizado por esse ato. por conseguinte. pode imediatamente. "Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas. 22:37-40) que toda a lei moral se resume nos dois mandamentos de amarmos a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos. rebaixando-se mais e mais. O princípio acima tiraria a lei das mãos de Deus e a colocaria nas do pecador. isto é. se os tiver mas estiver irremediavelmente sem luz. ao mais sublime padrão da virtude. que os direitos de Deus diminuem à medida que aumenta a nossa rebelião contra Ele .g. As Escrituras todas dão testemunho do fato de que Deus exige que os homens tenham bons afetos. A este respeito não importa nada se a incapacidade é devida a um ato voluntário ou a um ato praticado por outrem.uma que ninguém nega que uma incapacidade que consiste (a) na ausência das faculdades absolutamente necessárias para o cumprimento de um dever. (2) Apesar disso. Os que sustentam que a nossa responsabilidade é limitada por nossa capacidade devem. que a obrigação moral diminui à medida que a culpa aumenta.. e que em todos os casos. e. tornando de nenhum efeito tanto os seus preceitos como a sua penalidade. e em conseqüência dos seus pecados torna-se cada vez mais incapaz de obedecer. contanto que a incapacidade seja real. incompatível com a responsabilidade. ela se torna motivo de uma justa condenação.g. e nem está ele sob o governo imediato das volições. conformar-se. não pode ser moralmente obrigado a ver. sustentar (1) que todo homem.. por um ato de volição. e não uma volição. Por exemplo. e há outros que são intrinsecamente maus. o amor a Deus e a benevolência desinteressada para com os nossos semelhantes. Como se pode provar que os homens são responsáveis por seus afetos? Io. Uma volição nossa não os pode mudar mais do que pode mudar a nossa natureza.

3o. 3 o. a extinguir as falsas esperanças de todo pecador e a paralisar as suas tentativas de salvar-se empregando suas próprias forças e confiando nos seus próprios recursos. ou merecem o ódio de Deus. abraçar. Como se pode mostrar que o legítimo efeito prático desta doutrina não é o de levar o pecador a procrastinar a obra da sua salvação? Essa doutrina tende. e não segundo a medida da sua incapacidade pecaminosa. vivificar as consciências e santificar o coração dos homens.Io. 579: "Cremos. de Trento. 15. sob a dispensação do evangelho. pág. por causa do pecado. 6. que as duas coisas não podem ser incompatíveis. condição de impotência moral e de responsabilidade. . Como se pode mostrar que o uso racional de meios não é incompatível com a incapacidade dos homens? A eficácia de todos os meios depende do poder de Deus. Tornar humilde a alma e fazê-la desesperar-se de si. promessas e ameaças de Deus? Com toda a justiça. 656 . a fim de esclarecer os entendimentos. 14. Deus faz uso de Seus mandamentos. igualmente faltam a quem. pois." -Conf.. fazer." Sobre este assunto o leitor poderá ver algo mais sob os títulos de "Pecado Original" e "Vocação Eficaz." Ibidem. e a experiência tem demonstrado que Ele é fiel a Suas promessas e também que existe uma conexão instrumental entre os meios e o fim. Mas. Como podem conciliar-se a incapacidade dos homens e os mandamentos. manda-nos empregá-los e prometeu abençoá-los.Cremos que o intelecto. além disso. 15: "A vontade humana possui certa capacidade (libertatem) para produzir retidão civil e escolher as coisas aparentes aos sentidos. Deus trata o pecador segundo a medida da sua responsabilidade. sob a influência do Seu Espírito. determinar-se. 13. Esta verdade leva o cristão. anathema sit (seja anátema). obviamente e com razão. todas e cada uma das faculdades de restaurar-se à vida espiritual. verdadeiramente são pecados. que tanto como a um cadáver falta o poder de revivificar-se e restaurar-se à vida corpórea. de Augsburgo. a ser diligente e vigilante. o coração e a vontade do homem não regenerado são inteiramente incapazes. pensar. pág. nas coisas espirituais e divinas. sem o Espírito Santo." DOUTRINA LUTERANA Formula Concordice.Cone. Deus estabeleceu uma conexão entre certos meios e o fim que se deseja alcançar.■■‫״״‬ EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS DAS DIVERSAS IGREJAS DOUTRINA ROMANA . depois de convertido. cân. Teria sido uma concessão inteiramente indigna de Deus se Ele baixasse as Suas exigências em proporção aos pecados dos homens. a desconfiar habitualmente de si. não tem o poder de produzir a justiça de Deus ou a justiça espiritual. e por seu próprio vigor natural." ··:‫ ׳‬mo!: > . porque o homem natural não percebe aquelas coisas que são de Deus. pág. e a confiar habitualmente em Deus e ser-. de qualquer tipo que se façam. de entender. pois. Mas. e não da capacidade do homem. Sec. está morto espiritualmente. operar ou cooperar em coisa alguma. Fazê-la sentir que a sua única esperança racional está em confiar imediatamente e sem reserva na graça soberana de Deus em Cristo. 2o. promessas e ameaças como meios de atuação da Sua graça. tanto a razão como a experiência nos asseguram que o efeito natural e real dessa grande verdade é .. aperfeiçoar.Lhe grato. ao mesmo tempo. crer. 7: "Se alguém disser que todas as obras que se fazem antes da justificação. As Escrituras e a experiência cristã universal ensinam que a condição comum dos homens é.. Segue--se. E.

não poderia cooperar com a graça. tem sobrevindo causa alguma pela qual Deus privasse o homem daquela livre vontade depois da sua queda. e agindo conosco quando temos essa boa vontade. "No homem não renovado não há vontade livre para o bem.DOUTRINA REFORMADA . Cap. seja qual for a condição em que seja colocado. porque é certo que o primeiro homem foi constituído por Deus de tal modo que se achava dotado de uma vontade livre. Cass." Conf. porque a própria cooperação da livre vontade com a graça vem da graça como causa primária. condenamos os maniqueus. sem a qual o homem não pode fazer bom uso da sua livre vontade.. não pode. pois. por ser inteiramente avesso a esse bem.Limborch." Formula Consensus Helvetica. para a fé e a invocação de Deus. Christ. para que tenhamos vontade realmente boa. por seu próprio poder. sem a graça divina a nós provinda por meio de Cristo. 3. 422: "Não nos seria concedida vontade livre para que obedeçamos a Deus? Sem dúvida." 21 A Imputação do Pecado Original de Adão à sua Posteridade 1. começam a pecar logo que exercem agência moral. porque. enquanto o apóstolo muito distintamente afirma que é dom de Deus (Ef.9. 2o. Perg." DOUTRINA SOCINIANA . . Lib. Theol. Racoviano... por sua queda e por seu estado de pecado. portanto. cap. pela consciência e pela observação. nem dispor-se para a sua correção.. contanto que queira. converter-se nem preparar-se para a sua conversão. 4. 3: "Todos os homens são concebidos em pecado e nascem filhos da ira. propensos para o mal. nem força para o fazer. §21: "A graça de Deus é a causa primária da fé. § 3: "O homem. sec. acrescentando que o homem. e que a fé realmente é de algum modo produto do próprio homem." DOUTRINA REMONSTRANTE .Cat. porque o homem tem esta constituição em comum com os outros animais..." Conf. nem. 14.. por certo.Os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana. que algumas coisas ele se determina a fazer e outras determina-se a não fazer. que negam que o mal tenha sua origem no exercício da livre vontade (livre-arbítrio) de um homem bom. Como podemos expor os fatos já provados pelas Escrituras. de outro modo a obediência ou a desobediência do homem não teria lugar. sem nenhuma exceção. A graça não é a única causa. desde o nascimento e por natureza? Io. a livre vontade coopera com a graça. que dizem que até os homens maus possuem livre vontade suficiente para fazer o bem que Deus nos manda fazer... Todos nascem com uma natureza cuja tendência antecedente e preponderante é pecar. e sem a graça do Espírito Santo regenerador nem querem nem podem voltar para Deus. 22: "Sustentamos.. que falam com pouca exatidão e não sem perigo os que chamam a esta incapacidade de crer incapacidade moral. corrigir sua natureza depravada. depois da queda de Adão. é tal que ele não pode mover--se nem preparar-se a si mesmo por sua própria força natural e boas obras. se a livre vontade não fosse incitada pela graça preveniente." Artigos do Sínodo deDort. quanto ao estado moral e espiritual do homem. e que não a consideram natural. pode crer. Art. não temos poder para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus. perdeu totalmente todo o poder de vontade para qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação. Art. Helvética Posterior·. e sim a causa primária da salvação. 8. de maneira que o homem natural. de Fé (de Westminster). Cap. 2:8). e reconhecidos geralmente em todos os credos das igrejas protestantes. A respeito deste ponto. Condenamos também os pelagianos. e por estar morto no pecado.. estão mortos nos pecados e são escravos do pecado. indispostos para qualquer bem salvador. 10: "A condição do homem. Portanto. Ninguém nega que a respeito de coisas exteriores tanto os não regenerados como os regenerados tenham do mesmo modo a vontade livre. Todos os homens.

Não devemos crer que Deus pode criar uma criatura de novo com natureza pecadora. filhos da ira e seu caráter é formado e seu mau destino determinado antes de qualquer ação pessoal sua. não mera soberania. Nossas opiniões a respeito desses fatos determinarão imediata e necessariamente a nossa relação com Deus. "Essay" 7:1. e por arminianos tais como Grotius. admitida agora por todos os cristãos. é que as imutáveis perfeições morais de Deus é que constituem a norma absoluta do que é justo. Dizemos. e (b) que ela é mais satisfatória à nossa razão e aos nossos sentimentos morais do que qualquer outra explicação dada em qualquer tempo. Nem é menos evidente que o pleno conhecimento desses fatos é de muito maior importância doutrinária e prática do que o pode ser qualquer explicação da sua origem ou causa. e também as nossas idéias sobre a natureza do pecado e da graça. de autoria do Diretor Cunningham. Não dizemos que na doutrina de sermos responsáveis pelo pecado original de Adão não haja dificuldades muito graves. Por conseguinte são. uns que Deus podia condenar a quem quisesse. por natureza. Como expor os princípios morais auto-evidentes pressupostos necessariamente em todas as investigações no modo pelo qual Deus trata Suas criaturas responsáveis? Io. começamos a existir com uma natureza que com justiça nos expõe à condenação e infalivelmente nos predispõe para o pecado. totalmente avessos a todo bem espiritual. carrega sempre essa maldição. da regeneração e da santificação. Como podemos mostrar que é nestes fatos incontestáveis que está a verdadeira dificuldade na conciliação dos caminhos de Deus para com o homem. em sua obra Freedom of the Will (A Liberdade da Vontade). em todos os períodos. quando não é expiada pelo sangue de Cristo. Gomar. (2) Que todos os grupos da Igreja Cristã. O erro de que a volição de Deus determina distinções morais foi por motivos opostos mantido pelos supralapsários Twisse. que o reconhecimento destes fatos em sua inteireza é de muito maior importância doutrinária do que pode ser qualquer explicação da sua origem? O fato de que. sem nenhuma referência à sua origem em Adão. mesmo sem que houvesse uma propiciação real. porém. portanto . mesmo sem que houvesse culpa real. Portanto. (a) que ela é ensinada nas Escrituras. e mais. a necessidade e natureza da redenção. 4o. querendo mostrar. 2.(1) Que as Escrituras insistem mais e falam mais freqüentemente nesses fatos que dizem respeito ao estado inato de pecado do homem. merece plenamente a ira e a maldição de Deus e. Deus não pode ser o autor do pecado. e qualquer explicação destes últimos fatos só servirá para esclarecer e expandir as nossas idéias quanto à conformidade que existe entre as perfeições de Deus e o modo como Ele trata a raça humana. A perfeição de justiça e retidão. têm definido e concordado nesses fatos. Merece castigo e é corruptora e destruidora e. Nenhuma teoria possível quanto à sua origem pode agravar o mistério ou sua significação terrível. um mal indizível e. 3o. Achamos. do que em nossa responsabilidade pelo ato de apostasia de Adão. e sim na sua natureza". e que elas determinam a Sua vontade em todos os Seus atos e se manifestam em todas as Suas obras. 1. antes de nos ser possível qualquer ação pessoal. por natureza. a respeito da nossa conexão com Adão tem sempre havido opiniões muito vagas e contrárias umas às outras . Essa tendência inata é em si mesma um pecado no sentido mais rigoroso da palavra. e também quanto às relações em que estão umas com as outras as diversas partes do plano divino. enquanto que.Theo. 2o. 4. sec. adotada pelos . 5o. O Presidente Jonathan Edwards.. é um mistério assombroso. é a grande distinção de todo o Seu procedimento para conosco. diz: "A essência da virtude e do vício das disposições do coração não está na sua causa. contudo. e incapazes de por si sós mudar essa má tendência inerente à sua natureza e de escolher o bem em preferência ao mal. 3. os homens são. E uma noção pagã. A verdade fundamental. 4o. etc. oíthe Ref.. um fato certo e universal. pt. o caráter inteiro da nossa experiência religiosa. porém. e outros que Ele podia salvar a quem quisesse.3o.

inata. um deles bom. inflige Deus esse mal terrível. a uma apostasia efetiva de cada alma. resultaram em muita confusão na história da teologia de todas as épocas e escolas. 157. pág. 3a. Os pelagianos e outros racionalistas. Não podemos crer que Deus infligiria um mal físico ou moral a uma criatura que não estivesse incursa com justiça na pena da perda de seus direitos naturais. precisamos conservar separadas ? Ia. cometida antes do nascimento. vol. COMO É TRANSMITIDA? 5. identificado com a matéria. Como poderíamos expor as duas questões distintas que daí se derivam e que. como ensina Júlio Müller no livro de sua autoria. cujas condições sejam tais que lhe dêem ao menos tanto ensejo de sair-se bem quanto o perigo de sair-se mal. logo no começo da nossa existência pessoal? Qual a prova equi-tativa pela qual foi permitido às crianças passarem? Quando e por que perderam elas seus direitos como criaturas que acabaram de ser criadas? É auto-evidente que estas questões são distintas e que devem ser tratadas como tais.C. embora muitas vezes confundidas. a idéia de que "a ordem da natureza". a raiz e o motivo de todos os demais males. modernamente. e o outro mau. 2a. e sob que fundamento de justiça. e de modo que o Criador do homem não é a causa do pecado? Se essa corrupção da natureza originou-se em Adão. A teoria dos maniqueus. E Ele quem faz o que ela gera. como ensinam Orígenes e. Edward Beecher em sua obra intitulada The Conflict of the Ages (O Conflito das Eras). 2. e sofreu zelosa oposição de todos os antigos "Pais" da Igreja Cristã. ou como transcendental e fora do tempo. ou "a lei natural". da eterna auto-existência de dois princípios. não absolutamente panteístas. 6 o. A "natureza" nada mais é que uma criatura e um instrumento de Deus. A.) mas procedente do dualismo de Zoroastro. 5o. segundo a qual o pecado é o incidente necessário de uma natureza limitada e finita.racionalistas naturalistas.. 4a. originariamente adotada por Manes (240 d. Outros atribuem essa corrupção culpável da nossa natureza. 4. atribuem à liberdade da vontade (ao livre-arbítrio). como nos é transmitida? 2a Por que. A teoria panteísta. A segunda. Alguns escritores. Que respostas têm sido dadas a esta pergunta. é um agente real independente de Deus. A indevida desatenção a essa distinção. porém. Como é que se origina uma natureza má. negando que haja corrupção inata. The Christian Doctrine of Sin (A Doutrina Cristã do Pecado). em cada ser humano no começo da sua existência. Os nossos espíritos têm sua origem primária em Deus. A justiça exige que todo agente moral passe por uma prova equitativa. o fato geral de que todos os homens pecam logo que se tornam agentes livres. É óbvio que este sistema destróí o caráter moral do pecado. etc. inerente a toda alma humana desde o nascimento. identificado com o Deus absoluto. diz respeito ao governo moral de Deus e à justiça de Suas dispensações. evidentemente. ou "a natureza das coisas". COMO SUCEDE QUE TODAS AS ALMAS HUMANAS SÃO CORRUPTAS DESDE O NASCIMENTO? SE ESSA CORRUPÇÃO VEM TRANSMITIDA DE ADÃO. ou num estado de preexistência individual. negando ou não fazendo caso da origem adâmica do pecado? Ia. uma pura especulação não apoiada nem por fatos da consciência . limitando a Sua liberdade ou operando com Ele como cooperador na produção de efeitos. e porque nem sempre foi conservada proeminente. à influência dos maus exemplos. Esta é. Para a primeira talvez se possa achar resposta em base fisiológica. e o pecado é o resultado necessário de se acharem eles enredados com a matéria. o Dr. ou com o princípio do qual a matéria é uma das manifestações. têm o pecado na conta de um incidente inevitável num certo grau de desenvolvimento e como o meio determinado para produzir uma perfeição superior.

sustentam em geral também que ele. Os que sustentam que Deus cria cada alma separadamente. porém. Cap. e que assim comunica à alma colocada nele por Deus iguais afetos desregrados. as suas diversas manifestações. e sim que o homem inteiro é gerado de outro homem inteiro" . que admitiam a origem adâmica do pecado humano. sem indagarem sobre o modo. DEUS FARIA COM QUE TODOS OS SERES HUMANOS NASCESSEM PERDIDOS ANTES DE POSSUÍREM QUALQUER AGÊNCIA PESSOAL E PRÓPRIA? 7. porque Adão perdeu esses dons para si e para a sua posteridade". 3o. A maioria dos teólogos católicos romanos tem sido criacionista. priva as almas das influências do Espírito Santo das quais depende toda a vida espiritual na criatura. e sim manifestação dessa única substância genérica e espiritual através de suas diversas organizações corporais. Assim De Moer. em consideração à justiça de Cristo. muitos criacionistas atribuem a propagação de pecados habituais à geração natural. e os da Nova Inglaterra. e nunca foi aceita pela Igreja. Pareus (Heidelberg. Alguns poucos criacionistas. Quais as diversas teorias. T. sobre Romanos 5:12. Essa teoria. nem dá a seu respeito uma explicação uniforme a maior parte dos teólogos. no ato da sua regeneração. 15. corrompidas são também. essa influência vivificadora. capítulo 3.414: "Deus cria os homens sem dons celestiais e sem luz sobrenatural. tem contra si o testemunho das Escrituras. A teoria comum dos traducionistas não é "que a alma é gerada de outra alma. nem o corpo de outro corpo. sendo corrompida a alma universal. B. é evidente que a corrupta natureza moral de nossos primeiros pais seria transmitida inevitavelmente a todos os seus descendentes por geração natural. e que. Por isso. Qual é a explicação arminiana desse fato? . como uma lei estabelecida por Deus. Hopkins. A alma dos homens individuais não é substância distinta. 1. sustentadas por diversos teólogos cristãos. sobre a maneira pela qual épropagado de Adão para os seus descendentes ? E óbvio que esta é uma questão de importância muito menor do que a da questão moral que ainda fica por discutir. nem as Escrituras explicam este ponto explicitamente. Veja: Io. como Lampé (Utrecht. 1683-1729). a maior parte dos teólogos luteranos. 2o. por meio do pecado". Tom. Tertuliano advogou a teoria segundo a qual os filhos derivam sua alma por geração natural da de seus pais (traducionismo). Rom. 1667-1734) diz (em sua obra teológica). uma só substância espiritual que se corrompeu por seu próprio ato de apostasia em Adão. têm sido traducionistas. 5:12 e Gên. porque o pecado não pertence à matéria e só pode pertencer ao corpo em virtude de ser este o órgão instrumental da alma. Ridgely (Londres. 413. num sentido geral. e "Cânones do Sínodo de Dortrecht". ensinam que o corpo derivado dos pais "é corrompido por emoções desregradas e perversas. POR QUE. nunca prevaleceu.D. 6. E FUNDADO EM QUE BASE DE JUSTIÇA E RETIDÃO. 15481622).págs. restitui aos eleitos. Jerônimo era de opinião que Deus cria cada alma independentemente quando nasce a criança (criacionismo). Agostinho esteve indeciso entre estas duas opiniões. O Dr. quanto às bases de direito e de justiça que Deus tem para trazer esse mal direta ou indiretamente sobre todos os homens no seu nascimento. E. em virtude da qual os filhos serão como os pais. § 33. e. seguindo o Dr. Segundo essa teoria. Contudo. desde o nascimento. l. pág. Quase todos os teólogos da Igreja Reformada têm sido criacionistas.nem da observação. genericamente. Desde o princípio os teólogos ortodoxos se dividem em traducionistas e criacionistas. A doutrina do realismo puro é que a humanidade é. com justiça. vol. 572. como justa pena pelo pecado de Adão.

recusar a luz parcial que as Escrituras projetam sobre o problema. esta não pesa sobre nenhum ser humano enquanto não tiver abusado da graça que lhe é concedida. 67. a Igreja toda tem sempre sustentado que a perda da justiça original e a nossa depravação moral e inata são a justa e reta. 8. ou que envolva culpa ou demérito digno de castigo.Whedon. e em que concordam geralmente os teólogos romanos. e que patentearemos abaixo. condenou a raça inteira por causa do pecado de Adão. conseqüência penal do ato de apostasia de Adão. em Bibliotheca Sacra. Deus retifica o mal que sofremos permitindo Ele que Adão usasse da sua natureza depravada como o meio pelo qual gerar filhos pecadores. 2o. nas Escrituras. 2o. e que o fato de ser soberana é o fundamento sobre o qual podemos declarar que é reta. abril 1862. E um simples fato que Deus. e ser condenado por Deus..Io. Que essa teoria não concorda com as doutrinas das Escrituras sobre o pecado. OBJETAMOS contra essa doutrina afirmando . por isso. D. Isso naturalmente dissolve a questão quanto à justiça de Deus em introduzir no mundo os descendentes de Adão como pecadores. Qual é a resposta dada geralmente pelos teólogos da Nova Inglaterra posteriores ao tempo do Dr. embora reconhecendo que essa divina constituição soberana é infinitamente justa e reta.1: 3. a incapacidade humana. abandonaram a doutrina de Deus como causa eficiente. respondemos tão-somente que. D. e que a nossa redenção em Cristo vem da GRAÇA. 5. Se os que adotam essa teoria. que Deus é a causa eficiente do pecado). como Juiz justo. Afirmam que está em harmonia com a justiça de Deus permitir que este grande mal viesse sobre todos os homens ao nascerem. protestamos contra a teoria como uma heresia grave. embora tenha havido diferença de opinião e falta de clareza nas exposições sobre as bases da nossa responsabilidade justa pelo pecado original de Adão.Cf. é afirmado o fato de que Deus condenou a raça inteira por causa da apostasia de Adão? . etc. porque Deus seria a causa final de todo o pecado. ou (2) que é só a vontade divina que a torna justa. Hopkins? O Dr. Eles todos admitem que todos os homens herdam de Adão uma natureza corrompida que os predispõe para o pecado. Rem. no entanto. Hopkins ensinou a doutrina da eficácia divina na produção do pecado (ou seja. envolve a morte moral e espiritual. Mas se o desígnio desses teólogos é afirmar (1) que essa constituição não é justa. Por conseguinte. e que restitui a todos a capacidade de fazer o bem e. posteriores a Hopkins. que todos os homens experimentam. Na explicação desta doutrina tem havido diferença de opinião entre os ortodoxos.Io. etc. enquanto simpatizamos em parte com ela. 3o. somente à vista do fato de que Ele se havia determinado a introduzir uma compensação adequada na redenção em Cristo. a qual não só está de acordo com as Escrituras. Os teólogos da Nova Inglaterra. as crianças não estão sob a condenação. e está de conformidade com a ortodoxia histórica. Que o remédio do sistema compensador não é aplicado a muitos gentios. querem simplesmente confessar que não têm conhecimento claro de Seus motivos e razões. 4. Christ. Que a nossa condenação em Adão é dt justiça. 3:3. . a fonte de vida. Theol. luteranos e reformados? E certo que. mas também presta honra aos atributos morais de Deus e à eqüidade do Seu governo moral. 9. Esta é a DOUTRINA. não soberana. Limborch. e com justiça é seguido por ela. plena responsabilidade pessoal. a regeneração. não podemos. 10. e as influências suficientes da Sua graça.. destinada imparcialmente a todos os homens. mas negam que essa condição inata seja em si mesma pecado propriamente dito. Dr. mas concordam com ele em negar a imputação e em referir a uma divina constituição soberana a lei que faz com que cada um dos descendentes de Adão herde a sua corrupção. Qual é a resposta ortodoxa à pergunta acima. Onde. No dom de Cristo. Conf.

no qual todos os homens já existiam". sujeitos ao pecado. como a raiz e a origem de toda a raça humana. Lutero (sobre Gênesis 1. 639 e 643 . A corrupção da natureza humana. 2:34) . Melanchthon (Explicatio Symboli Niceni. que é morte da alma". Theo. professor em Zurique (1500-1561). "por sua própria culpa. Did. e tal como ele depois da Queda. Conf. é o castigo justo da transgressão do primeiro homem. cap. e assim o pecado entra com o nascimento. a morte reinou por esse. 98. Grat. e não foi nocivo a ele só. from the Original Sources (O Agosti-nianismo e o Pelagianismo.y4mws. 58: "No livro de Gênesis está descrita a pena imposta pelo pecado original.. et Concup.. nos fosse imputado e propagado em nós de modo que nos constituísse culpados".Em Romanos 5:17-19 .. Quaes. perdeu-se a justiça concriada ou original. e corrompeu-se a natureza humana". 1. como a Gálica. 9. Quenstedt (falecido em 1688). . com Base nas Fontes Originais)... Belarmino. pág. Aug. pois. Re for. 1 e 2. em sua exposição das idéias de Agostinho sobre o pecado original. § 2: "A propagação do pecado de Adão entre a sua posteridade é um castigo desse mesmo pecado. O Dr. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. muitos foram feitos pecadores. 8. tais são também todos os por ele propagados. G. diz: "A pena que corresponde propriamente ao pecado original é a perda da justiça original e dos dons sobrenaturais dos quais Deus supriu a nossa natureza".". 5. Como se pode mostrar que a Igreja inteira está de acordo quanto a esta doutrina? O pecado de Adão foi um ato de apostasia. Wiggers. O Concilio de Trento. A deserção espiritual e a conseqüente corrupção espiritual que ocorreram imediatamente em sua experiência pessoal (a própria pena denunciada) foram evidentemente uma justa conseqüência penal desse ato. diz: "Não há por certo ninguém que possa duvidar de que o pecado original (inerente) é infligido sobre nós como vingança e castigo da primeira queda". 9. foi parte da pena em que Adão incorreu por sua transgressão. 23: 403 e 583) diz: "Adão e Eva trouxeram sobre seus descendentes culpa e depravação". porque todos estavam nele quando pecou.. mediante a Queda. se pela ofensa de um só. 3. F. Pol. pág. Pedro Mártir. Defeito e concupiscência são tanto males penais como pecados". afirma que "o pecado. Art. divisão 2. Tanto a Segunda Confissão Helvética. dizem que Adão. Formula Concordiae.. pelo justo juízo de Deus no castigo dos homens. Porque aí a natureza humana ficou sujeita não só à morte e aos males corporais. e sim da maior justiça e eqüidade que o pecado. 11. o erudito expositor de Augustinia-nism and Pelagianism."Especialmente desde que.. como pela desobediência de um só homem. forçoso concluir que se entende que naquele primeiro homem todos pecaram. na raça inteira. 994: "Não foi simplesmente da vontade ou da soberania absoluta de Deus. págs. à morte e a diversas calamidades". Porque... Cap. senão também ao domínio do diabo. tornou-se sujeito ao pecado. diz. Agostinho diz (De Nupt."Porque. e é transfundido por todo o gênero humano. Sec.1. § 43). pág. capítulo 5.. e não é tirado senão pelo novo nascimento". Corp. que cometeu Adão."E. Apol. citado por Turretino (Locus 9: 2. 5) afirma que a imagem de Adão segundo a qual foi gerado Sete "incluiu o pecado original e a pena da morte eterna infligida por causa do pecado de Adão". pela sedução de satanás..

depois. necessário que. capítulo 12 etc. depois a morte. Leyden (1577-1649). que se . segundo o justo juízo de Deus". por um juízo justo.. Por conseguinte. pela comissão do pecado. Ursino (1534-1583). Primeiro é a falta e privação da justiça original. 17: "2. A A R\R\ corrupção. Acréscimo e tradução de Odayr Olivetti. não só temporal mas (ambém eterna. 2. visto que consiste essencialmente na privação da justiça original. por cuja causa Deus. Armínio.* Amésio. Locus 9. Medulla Theolog.Tal como foi o homem depois da Queda. amigo de Melanchthon e autor do Catecismo de Heidelberg. àtimputação e de comunicação real... Em latim no original. Genebra (1623-1687). pela propagação de uma natureza viciada. mas é também um pecado. 7. 8. porque essa justiça deveria achar-se presente. Lib..Hist. condenou-nos à ira em Adão. porque a justiça de Deus nos nega essa justiça original. essa privação nos vem de Adão como demérito até onde é castigo. prim. por ser culpado. diz: "Assim como Adão. transmitidos a todos os filhos de Adão. de Leyden (1560-1609) . o pecado de Adão seja de tal modo carregado sobre os seus descendentes. O pecado original. que é o castigo desse pecado. cap. p. Liv. Francisco Turretino.. isto é..41): "O pecado original" (inerente) "passa para" os seus descendentes. então o pecado original tem em primeiro lugar a natureza de um castigo.5ystem. Teodoro de Beza (1519-1605). que os seus efeitos são. Pelag. 6. e para todo o gênero humano pecaminoso. Theol. e em segundo depravada". que o pecado original é imputado a todos.. e pecado original". e determinou que nascêssemos depravados por causa do seu pecado". e acha-se ausente por culpa humana. assim também transmitiu à sua posteridade uma natureza em primeiro lugar culpada. sofreu como castigo do seu pecado a corrupção da alma e do corpo. Economy. J. e visto que essa privação segue ao primeiro pecado como um castigo. por cuja causa nascemos sem a justiça original". Danaeo (1530-1596) . em virtude da aliança das obras. por um juízo justo. Vóssio. "não mediante o corpo nem mediante a alma. desobediência que Adão cometeu é tornado nosso também. 3. cap. que foi infligido a nossos primeiros pais. 1 .. de modo que todos são. 2. tanto de privação como de punição positiva.. 5. 1. por causa da culpa de nossos primeiros pais. Witsio (1636-1708). sujeitos à condenação. que imita os pecados". 3. desceu para toda a sua posteridade e pesa agora sobre esta. J. tais os filhos que gerou. Q. mais do que a de um pecado. H.. segundo o justo juízo de Deus. Pecados próprios". 9. falta--lhes a justiça original. 40. enquanto cria nossas almas. págs. 4."O mesmo castigo. sobre Romanos. apud Hodge. O pecado emanando do fato de termos todos pecado no primeiro homem. pena geralmente chamada perda da imagem divina... tornou--se primeiro culpado da ira de Deus e.pois. Lib."Há três coisas que constituem um homem culpado diante de Deus: 1. ao mesmo tempo as priva da retidão original e dos dons originais que havia conferido aos pais". e sim mediante a geração impura do homem inteiro. por natureza. e que caiu sobre Adão e toda a sua posteridade. 211: "Recaiu sobre nós a pena do pecado de Adão. 14. L. Pela imputação esse ato único de ' Turretino. §§ 6. É um castigo. filhos da ira. não somente pelo pecado único. e como causa eficiente real até onde se acha ligada a ela a natureza do pecado". diz (Qucest. e a uma privação da retidão e da santidade verdadeira". G.Calvino: "Deus. §§ 33 e 34: "E. Esta propagação do pecado consta de duas partes.1: "A igreja católica romana tem sempre decidido assim. Pela comunicação real. pois.. Sínodo de Dort (1618) .

e um artigo de alta erudição escrito pelo Prof. 4. por causa do demérito do seu pecado. 1. Essa verdade exprime-se tecnicamente como a "imputação a nós da culpa do ato de Adão". de Gomar e Armínio. pois. não imputar o pecado a quem o cometeu é deixar. 18. 559. eles nasçam sem a justiça original. 561. Maior> Pergs. "imputar". 65) sustentaram que a culpa imputada do pecado original de Adão constituía a única base da condenação que pesa sobre os homens em seu nascimento. Institutes of Theology. supralapsários e infralapsários. § 2. Mas quando se pergunta por que é que Deus. 6. nos introduz no mundo corrompidos assim. por ser corrupção moral. etc. como morte espiritual. pelo Dr. com justiça. segundo as declarações das Escrituras. sustentou antes uma teoria negativa mais do que positiva da corrupção culpada que é inerente ao homem. 6.. sobre toda a raça humana pelo justo juízo de Deus. E o motivo pelo qual se atribui a salvação das crianças à graça soberana de Deus e aos merecimentos expiatórios de Cristo. Vol. § 2. e nos adultos continua como fonte de todo pecado próprio e pessoal. O Concilio não admitiu essa heresia. Porque Deus. de New Haven. e cap. Crianças e adultos sofrem. no "New Eng-lander" de julho de 1868. William Cunningham.Breve Cat. que. quer o delito imputado tenha sido cometido pela pessoa que o leva sobre si.Confissão. "Culpa" é o que nos expõe com justiça ao castigo. Cap. merecedor da ira e da condenação de Deus.. luteranos e reformados. Assim. só castiga os culpados. apesar disso. direta ou indiretamente. 479. o consenso de católicos romanos e protestantes. Thomas Chalmers. a Igreja inteira responde. Cat. Parte 1. como . O Presidente Witherspoon. § 3. que de modo algum a corrupção hereditária poderia cair. vol. págs. Em conseqüência. 2. James Thornwell. George E Fisher. por Padre Paulo. Por que se deu a esta doutrina o nome técnico de imputação do ato de apostasia de Adão? Qual o significado destes termos? No Concilio de Trento.achava incluída com ele na mesma aliança. responsável por esse delito. 97: "Parece claro que o estado de corrupção e maldade em que os homens se acham agora é. Ensaio 7. porém. mas. pois. etc. se não fosse precedida por algum pecado dessa raça trazendo sobre ela a pena dessa morte. mas nunca por causa do pecado imputado de Adão. sec. Lib.) é simplesmente levar alguém sobre os seus ombros um delito como motivo justo para que contra ele se proceda segundo a lei." Confissão e Catecismos de Westminster . do Sínodo de Dortrecht e da Assembléia de Westminster. Veja também a verdade desta doutrina afirmada pelo Dr. etc. Cone. O reconhecimento da culpa é um ato judicial e não imposto pela soberania de Deus. Temos. 12. pelo Dr. pág. quer haja outro motivo válido para fazer dele. como mostramos acima: porque Deus nos castiga assim pela apostasia de Adão." Formula Consensus Helvetica (1675). Cânone 10: "Parece. Collected Writings. Perg. e é a base principal da condenação à morte eterna. Calvino e todos os primeiros reformadores e credos acentuaram muito o fato de que o pecado original inerente. é intrinsecamente e com justiça. cap. em distinção do pecado original imputado. Trent. Theology of the Reformation. "Imputação"(o termo hebraico hâsab e o grego logízomai encontram-se freqüentemente e são traduzidos por "ter em conta". da Escócia e da Nova Inglaterra. efeito e castigo do pecado original de Adão". o Juiz supremamente justo de toda a terra. 22 e 25■. 1. Works (Obras). e adultos são condenados por causa da culpa do pecado inerente. "reputar como". Alberto Pighio e Ambrósio Catherino (Hist.

30:15.9. e essa restituição leva.8. A. do mesmo modo que foi lançada sobre ele. pág. de fazer pesar sobre essa pessoa a culpa do seu ato ou do seu estado como fundamento para o castigo. como conseqüência necessária. Quaes.um ato da graça.18. 19:19. A imputação a nós da justiça de Cristo é a condição da restituição do Espírito Santo. que atribui à soberania e não ao juízo justo de Deus o abandono da raça humana à operação da lei natural e hereditária. Theol. mas o Seu desamparo temporário não trouxe consigo nenhuma tendência para pecado inerente. 2. Qual a origem da distinção entre a imputação mediata e a imediata do pecado de Adão. Plaçao subseqüentemente originou a distinção entre imputação mediata e imediata. Na primeira metade do século 17 entendeu-se universalmente que Josué Plaçao. Seria quase um absurdo supor que os homens são punidos judicialmente tendo a corrupção inerente como castigo justo do pecado de Adão. Que essa doutrina de uma só imputação mediata é virtualmente a dos teólogos da Nova Inglaterra. e que admitia somente uma corrupção inerente derivada de Adão por geração ordinária. etc. Por outro lado. Isso. e por isso cada indivíduo nasce num estado de ruína pré-natal e justa. à regeneração e à santificação. e foi repudiado por todos os teólogos ortodoxos. Veja Núm. porque Cristo é o Deus--homem. 3o. 13. Chamou por aquele nome o ato de Deus fazer pesar diretamente sobre os homens. E por este designou a teoria segundo a qual Deus nos vê culpados da apostasia de Adão juntamente com ele. Dorner. 8. 4:6. A imputação a nós do pecado de Adão. deve ser considerada como se Deus contemplasse a raça humana como um só todo. ao desamparo espiritual em particular. Negava a primeira destas teorias. judicialmente. a colocação dele sobre nós judicialmente. isto é. 4:16. precedendo o processo da salvação que (esta verdade doutrinária) ocupa lugar firme e seguro" . tem estado de acordo em sustentar que a culpa do pecado original de Adão foi lançada diretamente na conta da raça humana por inteiro. e somente isso. 16. e este o leva. negava qualquer imputação do pecado de Adão à sua posteridade. é o que a Igreja entende por esta doutrina. É evidente que o pecado de Adão não pode ser imputado mediata e imediatamente ao mesmo tempo e para o mesmo efeito.Io. e anteriormente ao seu próprio estado de pecador. "E só enquanto a justificado forensis mantém a posição que teve na Reforma. Aquela imputação. a Igreja. A raça foi condenada como um só todo. desde o princípio. porque nós também somos apóstatas em virtude da corrupção inerente. 5:17. de autoria do Dr. antes do que como uma série de indivíduos. Isso os teólogos exprimem uniformemente pela frase técnica: a imputação da culpa do pecado original de Adão aos seus descendentes. Prot. do mesmo modo que o foi nele. a imputação dos nossos pecados em comum a Cristo resultou em Seu desamparo (Mat. (2 Sam. 160. e foi punida na raça pelo desamparo e pela conseqüente depravação. professor em Saumur. e admitia a segunda. Isso foi condenado explicitamente pelo Sínodo Nacional francês. Lev. 2 Cor. 5:19. J. vol. como um só corpo moral. 7:18. e que neles é punido por depravação como o foi nele. . 2:26.. já discutida na resposta à Perg. -Rom. à depravação inerente. tanto luteranos como reformados.22. como conseqüência necessária.9. 2o. 32:2). foi evidente e puramente imediata e antecedente. 27:46).Hist. Rom. Turretino o chama commune peccatum. e qual tem sido o uso feito dessas expressões entre os teólogos? Como mostramos acima. a culpa do pecado de Adão. communis culpa. reunido em Charenton. L. 2 Tim. e imputar a justiça sem obras é pôr a crédito do crente uma justiça que não é pessoalmente dele. E óbvio . E por isso que tantos defensores da doutrina da Igreja quanto à imputação imediata negam que em algum sentido a imputação possa ser mediata. Sal. tê--los como culpados desse pecado porque sofrem aquele castigo. fosse qual fosse o seu motivo. e que. ao mesmo tempo. em 1645. Essa doutrina é uma negação da doutrina universal da Igreja de que o pecado de Adão foi imposto com justiça aos seus descendentes como sobre ele mesmo. A imputação a nós em comum do ato de apostasia de Adão leva o homem.

para explicarem a inflição do pecado inato e inerente. porém. até o de somos tratados individualmente e na própria pessoa de cada um de nós". 9. F. Muitos têm dificuldade em conceber como é que a corrupção inerente e herdada pode ser ao mesmo tempo culpa e corrupção.(1) Que todos admitem efetivamente a impu-tação imediata e negam que haja somente imputação mediata.Veja Turretino. André Quenstedt (falecido em 1688). podemos dizer que o pecado de Adão nos é imputado imediatamente quanto ao efeito da pena. tanto temporal como eterna. Mas são idênticos quanto à unidade que subsiste nos dois casos. Pensam que um estado pecaminoso deve ter necessariamente sua origem na escolha livre da pessoa interessada. 1. Os defensores mais estrênuos da imputação imediata. depois de nascer. pode-se dizer que a pena positiva é imputada mediatamente. no sentido explicado acima. pois.4o. segundo o qual "a essência das disposições virtuosas ou viciosas do coração não está na sua causa e sim na sua natureza". Se. Pol. 6o. é julgado culpado e não só corrompido. Aquela é a falta ou privação da justiça original. e em geral todos os males que sobrevêm ao pecador. Se se perguntar: por que é que cada um de nós. se perguntar: por que é que a raça está sob maldição. e em virtude da . Adão foi um com os seus descendentes porque foi o seu cabeça natural e porque Deus. A respeito da primeira. porque lhe ficamos expostos só depois de nascermos e nos acharmos corrompidos". ao menos na ordem da natureza. Did. admitem que todos os demais elementos da pena imposta a Adão vieram sobre nós por causa de nossos próprios pecados inerentes e realmente cometidos . assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Esta é a morte. (2) Muitos não fazem caso da distinção. tanto os temporais como os eternos. Quaes. Mas todos reconhecem que a corrupção inerente é culpa. Turretino (falecido em 1687).todos os ortodoxos responderão explícita ou virtualmente: "É por causa da justíssima imputação imediata do pecado original de Adão". Quaes. que foram aplicados a Adão? Muitos dos ortodoxos responderão: "E porque o nosso próprio pecado inerente medeia a plena imputação do pecado de Adão".. 14. e assim deve preceder à privação. todos os males penais. Theo. sustentam que a culpa inerente ao pecado inato se deve ao fato de estar ligado este pecado como um efeito com a apostasia de Adão.. e por que é que somos punidos com todos os males penais. L. Mas o seu pecado nos é imputado mediatamente. e por que Deus permite que principiemos a nossa atividade moral numa condição depravada? . Outros. por Sua graça. Mas a pena do pecado de Adão foi a "morte". por Sua graça. isto é. § 14. porque é a causa da privação da justiça original.. Alguns explicam isso tacitamente pelo princípio de Edwards. Wittenberg. e Princeton Essays (Ensaios de Princeton). § 14 . para que lhe possa ser imposta a responsabilidade que a culpa traz consigo. Segue-se . na qual nunca se falou antes do tempo de Plaçoeo. e essa imputação diz respeito a cada indivíduo anteriormente à sua existência em uma condição depravada. tanto temporais como eternos. 5o." A analogia afirmada nessas palavras diz respeito ao fato e à natureza da imputação nos dois casos. O designou para isso e porque Ele assumiu voluntariamente a nossa natureza. (3) Alguns afirmam uma e outra. A culpa do pecado de Adão é imputada imediatamente à raça como um só todo. Genebra. todos concordam em que é condenado junto com Adão por causa de uma comum depravação e vida inerentes. entretanto a respeito da segunda. Que prova desta doutrina nos dá a analogia que em Romanos 5:12-21 Paulo assevera existir entre a nossa condenação em Adão e a justificação em Cristo? "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. 9. Nestes aspectos há diferença nos dois casos. o designou para isso. Quando se considera cada homem individual em si mesmo. Locus 9. pessoal e subseqüentemente a seu nascimento."A pena que o pecado traz sobre nós ou é de privação ou é positiva. e não ao motivo ou base dela.998: "O pecado original de Adão nos é imputado imediatamente porquanto existimos até aqui em Adão. 9. Cristo é um com os Seus eleitos porque Seu Pai.

Veja: Io. Este foi um ato de graça em favor de Adão. como o Curador benévolo e justo de todas as criaturas morais. no Comentário de Lange sobre Romanos. não só pelo número e pela autoridade dos escritores que a adotaram. e sim virtual ou potencialmente. e tem-se dito que estivemos em Adão como os ramos estão numa árvore. e. Tomando-se em consideração somente a lei. e a linguagem empregada neste sentido tornou-se tradicional na Igreja e tem sido empregada num sentido geral por muitos que estavam longe de serem realistas em filosofia. mas também porque nela se acha incluído. nem por isso é menos impregnada da graça a constituição original de onde deriva.qual pesa sobre nós. falível. embora o motivo daquela seja a graça. . universalmente pressuposta. para ele e para todos. mas até onde a raça inteira estava nele em sua forma de existência essencial. o seu estado dependia. da culpa do pecado original de Adão aos seus descendentes? Concordam geralmente que a raça é com justiça responsável pelas conseqüências judiciais desse pecado. a da representação. ao passo que nós recebemos o crédito de Sua justiça e por causa dela somos aceitos. não pessoal ou individualmente. em New Englander. com certas modificações. ou seja. e o ameaçou. as explicações dadas do caso têm sido diversas e muitas vezes vagas. Agostinho entendeu a raça como essencialmente uma só unidade. Jorge P Fisher. Explicações como esta e outras têm continuado até aos tempos ulteriores. Philip Schaff. embora o motivo desta seja a justiça. a condenação e o desamparo. Adão era. a santidade e a felicidade confirmadas. pelas razões mencionadas abaixo. esta é com justiça distribuída nesta condição e sob a condenação a cada indivíduo. com um corpo animal e uma natureza geradora. a culpa do pecado original de Adão e somos punidos por causa dele. para ele e para todos. 15. regenerados e salvos. Por isso Deus. responsável. não distribuída e não individualizada. de Shedd. com a pena de morte. Veja o que dizem o Dr. O ato de apostasia de Adão nos é imputada como foi a Adão "porque fomos co-agentes culpados com ele nesse ato" . porque substituiu uma provação eterna por uma temporária. o motivo da imputação imediata.Essays (Ensaios). como. destruiu para sempre a influência das especulações supralapsárias e. Esta "teologia federal" foi desenvolvida e introduzida em toda a sua plenitude de pormenores e relações por Cocceio (1602-1669). seu pecado foi só dele. sob a condição de obediência temporária em condições favoráveis. Afora isso. e Cristo leva com justiça sobre Si as nossas "muitas ofensas" e é punido por causa delas. Foi considerada como um sistema muito bíblico. Se a imputação da justiça de Cristo é imediata. etc. por Sua graça constituiu Adão como cabeça e representante federal da raça como um todo e lhe prometeu. etc. um agente moral. Este é um modo de pensar que ao menos pressupõe a verdade do realismo. e têm sido mescladas com outras essencialmente diversas. se desobedecesse. 12. levaria seus filhos consigo em seus destinos. livre. foi aceita gradativamente tanto por luteranos e arminianos como por calvinistas. no mais alto grau concebível. e. com justiça. o seu ato de apostasia foi a apostasia da raça inteira e. Até entre teólogos que rejeitaram explicitamente o realismo e o substituíram definitivamente por outra explicação dos fatos. por exemplo. diante de Deus no Paraíso. A raça inteira coexistia e era coativa em Adão. substituiu o escolasticismo tanto em voga. a vida eterna. nem por isso é menos justa. imediata deve ser também a do pecado de Adão. ou seja. A raça inteira tem sido considerada como uma só unidade orgânica. Perg. é muito ortodoxa. sendo culpada e também depravada a natureza comum. e o Dr. E foi também um ato de graça em nosso favor. procriadora. págs. Até onde se considera Adão como uma pessoa. da sua livre vontade (do seu livre-arbítrio). lente em Franecker e em Leyden. têm sido conservadas formas de expressão que tiveram origem nesse realismo. Esta. julho de 1860. 191-196. A teoria federal pressupõe a relação natural. 2o. e não podia deixar de depender sempre. quando tratavam da nossa relação com Adão. Como têm explicado os teólogos ortodoxos o MOTIVO ou o 1■UNDAMENTO desta imputação judicial. Se não interviesse um milagre. por pouco satisfatória que seja como explicação da nossa culpa. Veja acima.

As minudências técnicas da idéia federal apareceram mais tarde. ao mesmo tempo. A constituição da congregação judaica. E pela substituição indiscriminada dos termos vê-se que muitas vezes as duas teorias estavam latentes debaixo de uma noção geral. Que a idéia de uma aliança com Adão. é certo.. é determinado por uma aliança baseada na graça. teremos apresentado o melhor motivo possível. diz: "Adão representou a raça humana toda inteira". são determinados por condições históricas.. págs. A favor dessa teoria se pode alegar com justiça: Io. pág. de autoria do padre Paul. Toda condição e todo caráter humano.Testimony ofthe Rocks (O Testemunho das Rochas). determinam que os direitos das crianças sejam predeterminados pelo estado de seus pais. falando da teologia luterana como um todo. diz: "Deus depositou em Adão os dons com os quais quis adornar a natureza humana. para nos ser imputada com justiça e imediatamente a culpa desse pecado. págs. como o é a economia da natureza. porque os nossos primeiros pais haviam sido dotados de integridade. ou "sendo ele a nossa raiz". Que as idéias essenciais da teoria da representação federal prevaleceram muito geralmente entre os teólogos protestantes desde o princípio. e Cat. Com. e também a da Igreja Cristã. Isso fora feito por Catherino diante do Concilio de Trento (Hist. tornam-se . 175.Duas coisas. a Confissão de Westminster.Lb. progenitores decaídos. que quando os escritores teológicos. pois. para que a conservassem para a sua posteridade inteira. (f 1616). e da conseqüente unidade física ou orgânica da raça inteira nele.Locitheol. falando como cientista cristão. 213. 2o. e nesta provação representaram a raça humana inteiramente" . Assim também Tiago Armínio(f 1609)-(Disp. que. independentemente de qualquer intervenção sobrenatural. de todo o proceder providencial geral e especial de Deus com os homens. Maior. porém são historicamente certas: Ia. 9).23: 403 e 583. geraria filhos à sua imagem". explicam a nossa unidade moral com Adão por meio das frases gerais e não interpretadas de "que nós pecamos nele estando na sua coxa". Corp.214. de Dorner. Essa linguagem exprime a verdade segundo qualquer das duas teorias. se os perdesse e se tornasse depravado. Theol. diz: "E um fato amplo e palpável. Prot. Chemnitz (1522-1586). Cap. 2a. Expli.(Justification. até onde ela se estende. O Dr. Cone. Hutter. 90. posteriormente ao predomínio da filosofia realista. havia sido concebida claramente e proposta enfaticamente muito tempo antes dessa ocorrência.. guardá-los-ia para a sua posteridade. mas a idéia essencial em si existia já no começo da nossa teologia". se pudermos provar que nós fomos "co-agentes culpados com Adão no seu pecado". de Trento. e o mais satisfatório.. Este. João Owen (1616-1683) .177). seus descendentes inclusive. Oleviano (cerca de 1563) e Rafael Eglin (Hist. não se deve entender estas frases como se excluíssem toda referência à representação ou à responsabilidade que pesava sobre ele em virtude da aliança. se Adão os guardasse para si. essa aliança pressupõe a mais fundamental e geral relação natural de geração e educação. Wittenberg.Thes.. 22 (1646 e 1647). § 2. Chr. ou mesmo quando as duas são combinadas numa só noção.Explicatio Symboli Niceni.foi. vol. Melanchthon disse: "Adão e Eva mereceram culpa e depravação para sua posteridade. Hugh Miller . mas. quando separados completamente da civilização e de toda intervenção de caráter missionário. Que. Refor. Que se pode aduzir com justiça em apoio do modo agostiniano de explicar a nossa unidade moral com Adão? Essa teoria explica a nossa unidade moral unicamente sobre o fundamento de que ele é o cabeça e a raiz natural da raça. Abraão e Davi incluem os filhos junto com os pais e se apoiam nas relações naturais de gerador e gerados. A analogia. e entre os protestantes por homens como Hypério (f 1567). 286). 7. As alianças feitas por Deus com Noé. diz: "Os motivos assinalados para a imputação e a transmissão têm como centro o caráter representativo de Adão (e Eva). sob a condição de que. e que. 2. 16. Parece. 31-45). Carlos P Krauth. 31.

virtual. a vontade do pai se tornasse o destino do filho". distribuída e desenvolvida numa série de indivíduos. (1) porque é muito indefinida. ou como agentes independentes de Deus. Que argumentos se pode apresentar com justiça contra a suficiência dessa explicação do motivo da imputação imediata da culpa do pecado original de Adão? Io. como poderemos defender-nos contra o panteísmo? (b) Como podem ser justificados e santificados espíritos individuais. em conexão com uma organização corporal e separada. a noção não é satisfatória. enquanto o espírito geral permanece corrompido e culpado? (c) Como foi que o Logos encarnou? (d) Em último lugar. como uma parte dessa substância espiritual será glorificada para sempre. Philip Schaff) como a única base de uma justa responsabilidade moral não tem apoio algum no testemunho da consciência. potencial. e as suas partes podem ser distribuídas.fundadores de uma raça decaída. 2o. embora soberana. 3o. foram incluídos em alianças especiais baseadas na graça. tornando-se cada parte um agente ativo da mesma forma como foi o todo de onde essa parte foi separada? Não será isso confundir os atributos de espírito e matéria. Shedd explica que a substância espiritual genérica que pecou foi depois. Quando se procura explicar essa teoria segundo a filosofia realista. 17. tendo deixado livre a sua vontade. 4o. a humanidade é uma substância simples. Abraão e Davi. G. a quem foi dado o segundo mandamento . espiritual. Note-se (1) que a congregação judaica. porém. e os filhos de Noé. por Dr. (2) que. (4) Essa teoria não dá nenhuma explicação. o naturalismo e o panteísmo. não poderia lançar luz sobre os fatos misteriosos para cuja explicação e justificação ela é invocada. Christ. pela agência de Adão. T. nem por meio de algum princípio nem por alguma analogia.Ex. Mas . que é a nossa única cidadela de defesa contra o materialismo. essa noção baseia-se. na falácia de que as leis do desenvolvimento natural constituem os limites necessários da operação divina. e diz que nós estivemos nele como "raiz" e "os galhos de uma árvore". e. e o comentário de Romanos em Lange's Commentary. Quando se refere ao fato de que Adão foi nosso cabeça natural. Mesmo que fosse uma cooperação moral de natureza impessoal.(a) Se fizermos tão pouco caso da nossa consciência íntima.por Dr. tratando com rebeldes que já estavam sob uma prévia condenação justa. o resultado das tentativas não nos parece mais feliz. transcenderia a nossa consciência e a nossa inteligência. que é essencialmente espiritual e pessoal. por isso. genérica. As iniqüidades dos pais são visitadas nos filhos". Todavia. ao menos veladamente. Que razões estabelecem o caráter mais satisfatório da teoria federal da nossa unidade com Adão? . A verdade. (2) porque é uma explicação material e mecânica e. E ainda: "Uma das conseqüências inevitáveis da natureza do homem que o Criador lhe deu é que. pode porventura um espírito ser dividido. págs. A idéia de uma coexistência e cooperação não pessoal (veja Essays e Histor. Deus age com discrição realmente justa. Doe. 192-194. Cada pessoa humana é uma manifestação individual desse espírito comum./Ensaios e História das Doutrinas Cristãs . 20:5. (3) além disso. Veja: (1) Segundo o realismo puro. nos casos em que Deus visita nos filhos a iniqüidade dos pais. ou como co-causas com Ele. Shedd. que voluntariamente apostatou e se corrompeu em Adão. e explicar o pecado como material? E não é o pecado eminentemente espiritual e pessoal? 18. porque somente o primeiro pecado (o original) de Adão nos é imputado e porque não nos é imputado nenhum dos pecados subseqüentes de todos os nossos antepassados. na providência natural e sem nenhuma consideração por quaisquer obrigações especiais baseadas em aliança. como também a Igreja Cristã. enquanto que outra parte será para sempre condenada? (2) O Dr. deixa inteiramente de explicar a responsabilidade moral. é que a constituição da natureza é criatura de Deus e Seu instrumento. sendo ela mesma ininteligível. A única concei-tuação do pecado que a consciência íntima nos dá é de que é o estado ou o ato de um agente pessoal livre. W.

O plano da redenção. sob uma aliança de obras proposta pela graça divina. Como já mostramos. e porque a nossa natureza estava sendo provada (típica. Esta teoria é confirmada também pela analogia que as Sagradas Escrituras afirmam existir entre a imputação a nós do pecado original de Adão e a imputação a Cristo dos nossos pecados e da Sua justiça a nós. Esta analogia é por certo mais completa segundo a teoria federativa da união íntima entre Adão e a raça do que segundo qualquer teoria que não faça caso dessa união. Ele era nosso cabeça natural antes de ser nosso cabeça federal. E esta mesma pena." -Syllabus (Sumário) do Dr. a não ser na pessoa de Adão. que os seus descendentes não poderiam passar por uma provação justa. não se recusou a tornar-se o cabeça federal da raça humana. Cristo. como a aliança das obras. 3:16-19) tem sido infligida a toda a sua posteridade. como matéria de fato.Ia. A Pessoa e a Obra de Cristo na consecução da redenção. pelo amor que nos teve. Adão estava na condição mais vantajosa possível de passar incólume por essa provação limitada pela graça divina. Não será verdade que o que restar de misterioso nesta doutrina perde-se nesse abismo aberto pelo fato da permissão para que entrasse o pecado. a aliança foi um ato da graça suprema de Deus para com Adão mesmo. o plano mais vantajoso para os homens. 11. em seu sentido geral e em seus termos especiais (Gên. . sujeitou Adão a uma prova especial e temporariamente limitada. pela obediência que devia a Deus. 2o. vieram da graça divina. por Sua graça. O primeiro plano teria com certeza tido como resultado o pecado universal. e por interesse e dever. decerto. de que já se tratou acima. como ato de beneficência para com eles. (2) Cada indivíduo poderia ser sujeito a uma prova individual. Tanto a aliança da graça. porém. Adão. "Só eram possíveis três planos: (1) Deus poderia ter deixado a raça inteira em sua relação natural para com Ele. que incluiu os eleitos. Isso mostra que a raça é uma unidade com Adão e que os eleitos são uma unidade com Cristo. tudo quanto de virtude que segundo esta explicação se pode supor que contém o fato de Adão ser nosso cabeça natural. A teoria de que Adão foi nosso cabeça federal pressupõe o fato de que ele foi nosso cabeça natural e nesse fato se apóia. Robert L. quanto aos homens e aos anjos. Todas as criaturas morais de Deus são introduzidas na existência em estado de integridade moral que é real. Deus. 2:17. mas instável. incluindo a aliança da graça e a eleição eterna. que passem por uma provação limitada ou ilimitada. E o foi mais ainda para com os seus descendentes. Deus. que incluiu a raça. diante do qual todas as diversas escolas de teístas deste lado do véu se vêm obrigados a prostrar-se em silêncio? 22 A Aliança da Graça Todas as questões que dizem respeito ao assunto geral da redenção pertencem a um ou outro dos seguintes títulos: Io. E evidente que. escolheu os eleitos pelo amor que lhes tem. 4a. 2a. O segundo é o que os pelagianos supõem que foi adotado. senão essencialmente) nele. da qual ele foi ameaçado. A provação separada das almas nascentes das crianças não era de certo preferível. no Cap. isso é verdadeiro e também equitativo. tudo isso a teoria federal retém. É necessário. Dabney. tornou-se voluntariamente o Cabeça do Seu povo. 3a. pois. Parece. (3) A raça como um todo poderia ser representada por algum termo limitado na pessoa de seu cabeça natural. e também por Sua graça incluiu os descendentes de Adão em sua representação. sem comparação. Portanto. Sem dúvida ele foi feito nosso representante federal porque era nosso progenitor natural e estava em circunstâncias tais que os seus atos não podiam deixar de afetar os nossos destinos. e fez-lhe uma promessa de "Vida" e o ameaçou de "Morte". O terceiro é.

ter formado um plano totalmente abrangente e imutável. 3o. concerto e pacto. 1.Gên. Isaque e Jacó . E empregada para exprimir Io. inteligente. que Paulo chama "a promessa". A aliança feita com Davi-Jer. como Dirigente e Mediador. feita geralmente. os dez mandamentos"). etc. . deve. etc. desde o princípio. 10:33. de um sacerdócio eterno ou perpétuo . Sal. deve necessariamente possuir todos os atributos essenciais de uma aliança eterna entre essas Pessoas. A aliança de Deus com o dia. A "Aliança da Graça" feita com Abraão. Desde que Deus. devia ser distribuído entre Elas e por Elas ser executado.Gên.Núm. primeiro num livro ("o livro do concerto" . A lei desta aliança foi escrita por Moisés. Providência e Redenção. deve proceder pela revelação de verdades e pelas influências de motivos. 6o. segue-se que a execução do plano da redenção deve ser ética e não mágica em seu caráter geral. com a noite. 9:9.Núm. com Abraão. A mesma aliança. 33:20. cf. A aliança de um homem com outro.19.3o. e lhe devem obedecer como a um dever imposto. A mesma aliança. 3:17. Veja Jer. junto com os meios da graça divinamente instituídos para esse fim. Atos 7:8. constituindo a aliança nacional-eclesi-ástica de Deus com o povo de Israel. 9:13. como Executor e Aplicador. e que. e depois sobre tábuas de pedra ("destas palavras tenho feito concerto contigo". sob pena de reprovação. A aliança que Deus fez com Noé quanto à sua família. depois depositado numa caixa de ouro.13. com modificações especiais e temporárias de forma. 18:3 e capítulo 20. Gên. "a arca do concerto" . do seu lado legal. Davi e Abner 2 Sam. Gên. Tomou-se o arco-íris como um sinal dessa aliança . 25:12. Um plano formado pelas três Pessoas. voluntário e responsável. 24:7). 4o.Ex. Qual o uso da palavra berith nas Escrituras hebraicas? Essa palavra encontra-se mais de duzentas e oitenta vezes no Velho Testamento e é traduzida pelas palavras aliança. "as palavras do concerto. Daí se segue que a sua aplicação deve possuir todos os atributos essenciais de uma aliança feita no tempo entre Deus e Seu povo. nas suas diversas partes recíprocas. como Aquele que enviou e Aquele que foi enviado. Como sinal desta aliança foi estabelecida a circuncisão . plano no qual deviam achar-se incluídas Suas obras de Criação. o Decálogo.1 Sam. Que.22. e o plano deve ser apropriado voluntariamente por aqueles que lhe estão sujeitos. quanto à raça humana.5. 3o. 2o. trata o homem como um ser moral. A aplicação e a consumação da redenção pela operação do Espírito Santo. 17:2-7. 17:11. 8o. de tudo quanto iria fazer no tempo.Ex. Gál. como uma graça oferecida a eles. 2o. Uma ordem natural estabelecida divinamente. A ALIANÇA DA GRAÇA É evidente Io. 33:21. Jônatas com Davi . sendo Deus uma inteligência infinita. eterna e imutável. Gên. 6:18. 5o. em todos os diversos ramos do Seu governo moral. 2:24. 3:13. 89:4. 1°. A aliança feita com Arão.

em vez de aliança. em sentido mais exaltado.Gál. 8:8. tanto civil como religiosa. e é quase sempre traduzida por concerto ou aliança quando se refere a qualquer ato divino em relação à igreja antiga. das quais a primeira. Assim também a dispensação evangélica atual introduzida por Cristo. tanto no seu elemento legal. 4:24. Contudo. arranjar. "por causa das transgressões foi posto. foi feita desde toda a eternidade entre o Pai e o Filho como partes. dependendo de condições. por exemplo. chamada aliança da graça. Cristo não é uma das partes da aliança. 2a. ou da palavra mais geral. ao mesmo tempo. as alianças feitas com Abraão e com Davi. chamada aliança da redenção. 4:24. 9:16. Heb. sim. Segundo esta opinião. grande analogia com uma disposição testamentária. que toma a forma de uma aliança entre Ele e Seu povo. esse modo de administrar a aliança inalterável da graça que é chamada "dispensação nova e melhor".3:14. 3:6. isto é. Ia. Ele garante que todas as condições exigidas dos eleitos serão cumpridas por eles mediante a graça divina. como. foi realmente uma aliança. no Filho. Nela o Filho prometeu obedecer e sofrer. Conforme a segunda opinião. 3:15. evidentemente. 9:16. 12:24. Heb. 13:20. prometendo Deus salvar os pecadores como tais sob a condição da fé. a palavra diatheke é empregada numa única passagem para designar a dispensação atual da aliança da graça neste seu interessante aspecto .Heb. uma dispensação ou um modo de administrar a aliança da graça. é feita por Deus com os eleitos como partes. crer e obedecer. todas as bênçãos espirituais e a vida eterna. a disposição feita por Deus com a igreja antiga por meio de Moisés.8-10. Quais são as três opiniões sustentadas pelos calvinistas. incluindo muitas promessas pela graça. Por conseguinte. e é. que. este sentido. e prometendo eles. nos clássicos essa forma específica de arranjar ou dispor refere-se ao ato de fazer um testamento. o modo de administrar essa aliança inalterável ou então alguma aliança especial feita por Cristo com Seu povo mediante a administração da aliança da graça. Heb. 7:22. 9:15. Gál. é para lamentar que essa palavra grega seja tantas vezes traduzida pela palavra específica de testamento.17. designa sempre ou a antiga ou a nova dispensação.8 Veja 2 Cor. até que viesse a semente. quando convertidos. Veja 2 Cor. feita entre Jeová (Iavé) e os israelitas. em contraste com a comparativamente imperfeita "dispensação antiga e primeira" dessa mesma aliança. a quem havia sido feita a promessa". Qual o uso da palavra diatheke no Novo Testamento? Essa palavra acha-se trinta e três vezes no Novo Testamento. e por meio da Sua morte. é. num aspecto. no seu aspecto mais exaltado. e não sob a forma de testamentos. isto é. .2.14. Apesar de nunca ser empregada para designar a aliança eterna da graça que o Pai fez com o Filho como o segundo Adão em favor do Seu povo. a palavra tem propriamente numa só passagem do Novo Testamento. em Heb. Seu sentido fundamental é o de dispor. mas elas dizem respeito somente à forma pela qual essa verdade pode ser apresentada com maior ou menor clareza. A primeira opinião diz respeito à aliança da graça como feita por Deus com pecadores eleitos. e o Pai prometeu dar-lhe um povo e conceder a este. 3. Assim. sendo Cristo o Mediador e o Fiador a favor do Seu povo. contudo. que é dispensação. o seu Mediador a favor dos Seus eleitos. a diatheke antiga. a respeito das partes componentes da aliança da graça ? Nestas diferenças não se acha envolvida de modo algum a verdade de qualquer doutrina ensinada nas Escrituras. A dispensação atual da aliança da graça por meio do nosso Salvador tem. 8:6. A segunda. contudo.17. porém. desde que as diversas dispensações dessa aliança eterna são sempre representadas nos outros lugares das Escrituras sob a forma de alianças especiais administrativas. era. e por testamento quando se refere a um ato divino em relação à igreja sob a dispensação evangélica. como também no seu elemento simbólico e típico ensinando verdades a respeito de Cristo. contrastada no Novo Testamento com a nova . Gál. e seu Fiador. houve duas alianças. a saber. porque dispensa bênçãos que só depois poderiam ser plenamente gozadas.

pois. penas e resultados dessa aliança já falei sob título anterior (veja o Capítulo 17). assumiu o seu lugar e tomou sobre Si todas as obrigações que eles tinham debaixo da aliança das obras. 9:11. 2o. e o seu único desígnio é comunicar os benefícios que asseguram àqueles a quem pertencem. A segunda. isto é. seção 3. como coisas prometidas. das obras e da graça. A respeito de Suas ovelhas. 7:15. 14) com Noé. somente as duas alianças contrastadas. o arrependimento. faz aliança com Ele e a renova em todos os atos de fé e oração. 7:18.João 17:6. como ora Agostinho: "Da quodjubes.16. da nossa parte. Êx. veja acima. A salvação é oferecida a todos sob a condição da fé. sob outro. porém. parece mais simples considerar como o fundamento de todo o proceder de Deus em relação aos homens. Esta aliança continua até o dia de hoje a ser a carta constitucional da Igreja visível. a saber. 2 Crôn. da parte de Deus. 4. mas a fé é dom de Deus. e tomou sobre Si o aplicar-lhes todos os benefícios alcançados por esta eterna aliança da graça e fazer com que eles cumprissem todos os deveres envolvidos nesta mesma aliança. Que Cristo representou os Seus eleitos nessa aliança está necessariamente implícito na doutrina da soberana eleição pessoal para a graça e a salvação. 2 Sam. Todo crente. A primeira destas.12.. e sendo fundada assim a Igreja visível como um agregado de famílias. Das promessas. 17:9-13 com Gál. tipo de Cristo como Rei mediatário. 30-36. feita por Deus no jardim do Éden com Adão como cabeça e representante federal de toda a sua posteridade. ou seja. representou todo o Seu povo como seu Mediador e Fiador. Porque aquilo que é uma graça vinda de Deus é para nós um dever. significam e selam para os crentes os benefícios da aliança da graça. e o outro o corpo inteiro dos eleitos numa economia baseada na graça. a obediência etc. esta aliança pode ser considerada como se fosse feita pela cabeça para a salvação dos membros. Cristo contratou com Seu povo diversas alianças especiais.3a. Aos olhos de Deus. em que "o Filho" representou os eleitos? Io. porém. semelhante aliança se acha virtualmente implícita na existência de um plano eterno de salvação formado mutuamente por três Pessoas pelas quais deveria ser executado. o segundo cabeça natural da raça humana. comparem-se a Confissão de Fé. que constituíam então a Igreja visível. etjubes quodvise daí resulta esta complexa idéia da aliança. e tu mos deste". a aliança feita com Abraão. e nenhum deles se perdeu" . ou modos de administrar a eterna aliança da graça. Perg. a aliança da graça. Assim. Cap. todo homem do mundo está como que contemplado numa ou noutra destas grandes alianças. 3:15-17. como provisões administrativas para levar a efeito os compromissos e para aplicar-lhe os benefícios de Sua própria aliança com o Pai. . como coisas que são do nosso dever. de que nas diferentes dispensações. dos quais um representa a raça inteira na economia da natureza. Para as exposições de nossos livros simbólicos (nossos símbolos de fé) sobre este assunto. a vida eterna. que agora lhe são anexos. Como se pode provar pelas Escrituras que realmente foi formada na eternidade uma "aliança da graça" entre as Pessoas Divinas. Gên. ou das obras ou da graça. Houve assim a aliança feita por Jeová (Iavé) (a segunda Pessoa. Falando as Escrituras em dois Adãos. como se fosse feito com os membros em sua cabeça e seu abonador. a aliança feita com Davi. e as ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor. A aliança nacional feita com os judeus. o crente típico. diz Cristo: "Eram teus. e. cap. com o Catecismo Maior. violada. condições. até onde devem ser feitas por nós -compare Gên. sob um aspecto. Mas todas e cada uma destas alianças especiais são provisões para a administração da eterna aliança da graça. As ofertas universais do evangelho durante a dispensação atual são também apresentadas sob a forma de uma aliança.7. 9. feita nos conselhos da eternidade entre o Pai e o Filho como partes contratantes. o Filho entrou nesta aliança na qualidade de segundo Adão. adquirido por Cristo para os eleitos e a esses prometido e por eles exercido quando lhes é dado. tendo o sinal e selo visível da circuncisão. Pergs. quando chega ao conhecimento de Deus. Segundo esta opinião. Como se mostrou no princípio deste capítulo. 34:27.15. Devemos estar lembrados. e "Tenho guardado aqueles que tu me deste.

5:17. 3:19. é evidente que não é empregada nesses casos para designar a aliança da graça propriamente dita. 2 Cor. As partes contratantes foram o Pai. Mat. Is.. 7o.18. Is. 2:6-11 (ARA). 53:10. a salvação de todos aqueles pelos quais fez a aliança. 18:17. 5:21. 89:4. 5o. Mat.5. As condições às quais o Pai se impôs foram. Ele O contratou. e (2) Sumo Sacerdote. nascesse debaixo da lei. Fil. e sim a nova dispensação dessa aliança que Cristo introduziu em . Sal. 42:6. mediador da aliança. 40:8. Como Mediador.9.Lect.3o. mas foi Mediador (1) plenipotenciário . 17:2.Is. João 1:12. Mar. Gál. e. Quais foram as partes contratantes desta aliança da graça? Quais suas promessas ou condições da parte do Pai? E quais as suas condições da parte do Filho? Io.Ti to 1:2. 6o. cap. 42:17.Mat. (1) toda a preparação necessária. e o domínio universal entregue a Ele como o Mediador. 4o.págs. 2o. como administrador da aliança. As Escrituras afirmam a existência da promessa e das condições de semelhante aliança e as apresentam juntas . 53:10. Ele cumpre todas as condições previstas na aliança em favor do Seu povo. Sal. 35:10. tendo Ele cumprido essa comissão-João 17:4. Como o único Mediador entre Deus e o homem.11. 28:18. como o Mediador. Ef. por Seus eleitos. 6. 4o.Sal. 5. Gál. 8:6. 10:5. João 5:22. Jer. fazendo-Se seu Fiador pelo cumprimento de todos os deveres envolvidos da parte deles. 2:6-11. 5o. As Escrituras afirmam expressamente a existência de semelhante aliança . 3o. realmente efetuando reconciliação por sacrifício -Rom. representando a Deidade integralmente em Sua soberania indivisível. 22:29. Atos 2:33. Como Mediador. 22:43. Em tudo isso Cristo não foi um mero internúncio mediatário. Fil. e. Deus o Filho.primeiro. primeiro consistindo na Sua Pessoa teantrópica. 7:39.24. As condições a serem cumpridas pelo Filho foram. sofrendo toda a penalidade em que Seu povo incorreu por seus pecados -Is. Is. mas. 506-509). 32:40. 8:29. Is. representando todo o Seu povo eleito e. Cristo pede a recompensa. Cristo assevera constantemente que Seu povo e a glória esperada Lhe são dados por Seu Pai como recompensa . 2o.em segundo lugar. 42:21.5. (2) que assumisse e cumprisse perfeitamente. e a entrega em Suas mãos da administração de todas as provisões da aliança da graça a favor do Seu povo. o que Ele devia fazer. 3o. vol. A fras emesítes diathékes. e por outro lado. Ele administra a aliança e dispensa todas as Suas bênçãos. 12:24. a justificação. Em que sentido se afirma que Cristo é o Mediador da aliança da graça? Io. 3:13. "o nome que esta acima de todo nome". on Theol.11 ÇDick. 28:18. 53. 5:2. (2) apoio à Sua obra. 9:15. em segundo lugar. como em cada um desses casos a palavra que significa aliança é qualificada pelo adjetivo "novo" ou "melhor". é aplicada três vezes a Cristo no Novo Testamento-Heb. (3) uma recompensa gloriosa. 4:4. a perseverança e a glória . prestando uma obediência perfeita aos preceitos da Lei.Gál. expressão aplicável a Moisés . 110:1. Heb. Cristo se refere constantemente a uma comissão prévia que recebera de Seu Pai-João 10:18. Luc. João 9:4. 3:25. (1) que encarnasse. 31:33. incluindo as provisões para a regeneração.João 17:6. l. todas as condições violadas e todas as penas impostas pela aliança das obras e nas quais eles incorreram. Luc. nascesse de mulher.

e faz da graça uma condição da graça. e garante por eles que da sua parte exercerão a fé. de Sampson. enquanto que sob a "primeira" e "antiga" ou "velha" dispensação Ele estava oculto. por exemplo. Da parte de Cristo são dádivas. 3:19). e então. Pode-se dizer. e promete outros benefícios como uma recompensa que tem por condição a nossa obediência. . etc. Ele toma sobre Si e cumpre todas as nossas obrigações sob a transgredida aliança das obras. a alegria no Espírito Santo. Ele é sempre um Sacerdote real). Em que sentido Cristo é chamado Fiador da aliança da graça? No único caso em que o termo fiador é aplicado a Cristo no Novo Testamento (Heb. o arrependimento e todas as graças. que Deus a oferece a todos.Sua própria Pessoa em contraste com a menos perfeita administração dela que foi introduzida instrumentalmente por Moisés. e que devem tornar-se efetivas por atos nossos. Qual a idéia arminiana da aliança da graça? Os arminianos sustentam: 10. para com Ele. Paulo está contrastando o sacerdócio de Cristo com o dos levitas. como. por meio das quais era então administrada a aliança da graça. Cristo age como Mediador sacerdotal desde a fundação do mundo . que Ele recompensa a graça com graça. descendentes de Arão. a fé. sob uma revelação mais clara e uma administração mais real e mais direta da graça do que era o caso com os sacerdotes típicos. o "Filho em sua própria casa". quanto à forma. o era instrumentalmente e. o Mediador e Fiador dessa aliança eterna sob sua dispensação "nova" e "melhor". Que método geral caracteriza o modo pelo qual Cristo administra a Sua aliança sob todas as dispensações? Os benefícios adquiridos pela aliança estão postos nas mãos de Cristo para serem concedidos a Seu povo como dádivas gratuitas e soberanas. como seu Fiador. da nossa parte. oferece-lhes graça sob as condições de fé e obediência. 2:5) é revelado agora. Como Sacerdote porque. 9. Quanto às partes da aliança da graça. muitos deles são deveres. a vida eterna. arrepender-se-ão e cumprirão todos os seus deveres.Apoc. Ele exige de nós como deveres. Como Rei (os dois ofícios são inseparáveis nEle. on Hebrews. como tal. Cristo é Sacerdote ou Fiador segundo uma ordem superior. pois. 7:22). Promete a fé a Seus eleitos e então opera neles a fé. 7. Por outro lado. em contraste com a antiga. era ordenada por anjos na mão de um mediador. descobre-se agora visivelmente como o verdadeiro Mediador na administração espiritual e pessoal da Sua aliança. como tal. na administração da aliança da graça. 13:8. 8. "Jesus se tem tornado fiador de superior aliança" (ARA). Por isso. dá-lhes as graças da fé e da obediência para que eles cumpram a sua parte. porque agora Ele é tornado visível na plenitude de Suas graças espirituais como o administrador imediato dessa aliança. porque. porém. 6o. Assim. a primeira ou "antiga dispensação" ou modo especial de administrar essa aliança visivelmente entre os homens. etc. e em seguida dá-lhes em recompensa à sua fé a paz de consciência. Ele administra a Seu povo as bênçãos da Sua aliança. e que firma contrato realmente com todos os crentes. que foi Moisés (Gál. Como Mediador Cristo obriga-Se também a dar a Seu povo a fé. para este fim entra em aliança com eles.. Veja Comm. a palavra traduzida por "testamento" (modernamente traduzida por "aliança") significa evidentemente a nova dispensação da aliança da graça. como por via de eminência. muitas dessas bênçãos adquiridas. Aquele que desde o princípio fora "o único mediador entre Deus e os homens" (1 Tim. Cristo é nosso Fiador ao mesmo tempo como Sacerdote e como Rei. E precisamente em distinção desta relação mantida por Moisés com a revelação externa dessas instituições simbólicas e típicas. Na administração geral da aliança da graça. porém. que se declara que a excelência superior da administração "nova" e "melhor" consiste em que Cristo.

como condição. 3:24. 10.Heb. As instituições cerimoniais de Moisés eram símbolos e tipos da obra realizada por Cristo. Assim Abraão tornou-se o pai dos que crêem. Ela é. 2:17. e Cristo de Deus" . mas nunca a causa merecedora da salvação gratuita que se segue. tanto físicas como morais. elas profetizavam a substância daquilo que haveria de vir . faz a todos os que crêem? A promessa feita por Deus a Abraão de que seria o seu Deus e o da sua posteridade depois dele (Gên. Veja também Is. 3:15. 3o..1 Cor. § 2. para o nosso bem.. Como Mediador Ele é tanto Sacerdote como Sacrifício. Todas as coisas. Rom. 4o.. a fé e a obediência evangélica como justiça. 11. Pergunta 3. Eles ensinam que todos >s homens recebem graça suficiente para torná-los capazes de cumprirem tais condições. que Deus agora aceita. 6o. e vós de Cristo. Cristo é o Jeová (Iavé) da antiga dispensação. 17:7) abrange todas as demais. na providência e na graça. nenhum adulto pode ser salvo se não crer. e é a primeira parte ou o primeiro passo da salvação. 17:7. é naturalmente fé viva. Quais são as promessas que Cristo. de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome". Veja acima.. Quanto às suas condições. 9:15. Perg. e de que Ele é a vítima "para que. . Vista do lado humano. intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo da primeira aliança. 5o. mas quem não crer será condenado" . é o antecedente necessário. 2o. Em que sentido pode-se chamar a fé uma condição da salvação? A fé é uma condição«ne qua non da salvação. 10:1-10. em vez de aceitar como tal somente essa perfeita obediência legal que Ele exigiu do homem sob a aliança das obras. e 42:6. todo o capítulo.23. como símbolos. porém.Gên. Cap. e para a sua salvação. 3:22. segundo as promessas. e todo homem que crê será salvo. ela é um dever da nossa parte e é um ato nosso. Heb. que estas incluem todos os benefícios temporais e eternos da redenção realizada por Cristo.Apoc. Como ato nosso. ela é. ela é o princípio e o índice da obra salvadora de Deus em nós. isto é. 16:16. portanto. No capítulo 3 da Epístola aos Gálatas Paulo prova que a promessa feita a Abraão (Gên. para o tempo e para a eternidade. os merecimentos e a graça de Cristo. cap. Col. assim. se quiserem. Quanto às suas promessas. Vista do lado divino. 14. "Tudo é vosso. 53. uma dádiva que vem de Deus. por Sua graça. elas figuravam para os antigos. a‫״‬ 12. o meio que nos une a Cristo e. Foi prometido a Adão . os chamados recebam a herança eterna" . "Quem crer e for batizado será salvo. a obra meritória de Cristo tendo tornado compatível com os princípios da justiça divina que Ele faça isso. 13:8. como o Administrador da aliança. Em Atos 10:43 lemos: "A este dão testemunho todos os profetas. Como se pode provar que Cristo era o Mediador dos homens tanto antes como depois do Seu advento em carne? Io. e como tal temos a afirmação de que Ele é o "Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo". 22:18) é o mesmíssimo evangelho que o apóstolo mesmo pregava.Mar.2o. e como tipos. Veja acima. 9. 3o. A fé. contribuirão. . Esta aliança do evangelho é muitas vezes chamada "aliança da redenção". que necessariamente produz "confissão" e obediência.

3o. Por meio de sacrifícios típicos instituídos na família de Adão. A promessa feita durante o período anterior (Gên. Este foi o evangelho anunciado primeiro . 36:27. 4 e Heb. e explicada por Paulo. Que essas promessas e sacrifícios eram entendidos em sua verdadeira significação espiritual fica provado pelo que se lê em Heb. Como se prova que a fé era a condição da salvação antes da vinda de Cristo. 3:8. revelando que o Salvador prometido deveria vir da linhagem de Abraão e Isaque. neste sentido peculiar. Gên.Gál. Os sacrifícios continuaram do mesmo modo. ou seja. 22:18. de Abraão. Como foi ela administrada desde os dias de Abraão até aos de Moisés? Io. Qual é a verdadeira natureza da aliança feita por Deus com os israelitas por meio de Moisés? Podemos considerá-la sob três aspectos Io. num sentido político. na Mesopotâmia. 2o. 12:2. Gál. fez aos membros da Igreja do Velho Testamento as mesmas promessas que Ele nos faz? Io. reconheceram-se sob o Seu governo teocrático. e foi exposto mais plenamente o fato de que o mundo inteiro estava interessado na salvação que ele haveria de receber Gên. 11:4-7. Como se pode demonstrar que Cristo. pelo qual os israelitas. e tornando-se Ele. · < · ·' '‫־‬ 2o. por exemplo. 2o. Gên. 12:3. 73:25. 14. 2:4. A Igreja. 22:32. cap. Por promessa. e a promessa feita a Abraão. pela instituição da circuncisão. E que essa administração da aliança da graça estendeu-se a muitos povos da terra durante esse período fica provado pela história de Jó. 17. Mat. Sal. Isso é afirmado no Velho Testamento . Jó 30:24-27. o . 17:7. Por meio de revelações imediatas e manifestações pessoais de Jeová (Iavé) ou do Mediador divino. Também deixam clara essa verdade as expectativas e as orações do povo de Deus . 22:18. Ez. cap.Salmos 51 e 16.3. 3o. 17:7. a promessa feita a Abraão. Veja também Sal. como um símbolo visível dos benefícios da aliança da graça. 2:12.13. 15. Como um pacto nacional e político. como o Administrador da aliança da graça. foi então formada numa congregação geral como um agregado de famílias. Sob um aspecto. 73:24-26. no mesmo sentido em que o é agora? Io. Sal. e como um sinal de que se pertence à Igreja. 11. Veja Rom. Os escritores do Novo Testamento elucidam sua doutrina da justificação pela fé com o exemplo de crentes do Velho Testamento. o seu Deus. tornaram-se o povo de Deus. As promessas feitas ao antigo povo de Cristo abrangem claramente todas as bênçãos espirituais e eternas. 3:15) foi revelada na forma de uma aliança mais definida. 3:16. e explicada por Cristo. 16. que existira desde o princípio nos seus membros individuais. a congregação de crentes. na Arábia. Como foi administrada a aliança da graça do tempo de Adão ao de Abraão? Io. em Canaã. Assim "o Senhor" é representado nos onze primeiros capítulos de Gênesis como "falando" aos homens. Dan.Hab. 2o. e de Melquise-deque.

segundo as declarações proféticas haveriam de assinalar o Seu advento. obediência à qual foi a condição imposta na aliança das obras. i 23 A Pessoa de Cristo 1. livre de todas as organizações nacionais. 2o. Quanto às arminianas.Deut. e não à matéria das verdades reveladas. Antes da vinda de Cristo. veja as obras de Fletcher elnst. elas foram uma revelação mais clara e mais completa do que nenhuma anterior. A dispensação atual. e conformidade a essa lei foi imposta como a condição de gozarem os israelitas do favor divino e de todas as bênçãos nacionais. porque "maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei. que Jesus de Nazaré foi essa Pessoa. of the Covs. que é o modo final. Elench. Io. Quanto às opiniões calvinistas sobre a aliança da graça. foi também uma regra de obras. Provamos. no seu aspecto meramente literal. 18. Mesmo o sistema cerimonial. É evidente que o modo anterior de administração foi preparatório para o atual. of Theo. em segundo lugar. 3o. porque a lei moral. não são mais possíveis. Theo. figurou nele proeminentemente. A dispensação atual é espiritual. foi um pacto legal. Na significação simbólica e típica de todas as instituições mosaicas. vejaTurretino . 5o. de Ricardo Watson.. a verdade era ensinada por meio de símbolos que eram ao mesmo tempo tipos da propiciação real pelo pecado que se deveria fazer depois. Agora a verdade é revelada na clara história evangélica. não as cumprindo" . Estava limitada a um só povo. mostrando que todas aquelas condições foram cumpridas nEle. e que Jesus Cristo é essa Pessoa? . mostrando que as condições da época e as circunstâncias que. e sem referência a seu aspecto simbólico. Como se pode provar que já veio o Messias prometido nas Escrituras judaicas. 27:26.. Isso é comprovado abundantemente por toda a Epístola aos Hebreus. Veja Hodge on Romans (Hodge sobre Romanos). Loc. das provisões da aliança da graça.sistema todo tinha referência a essa relação. Estava embaraçada com tantas cerimônias que era uma dispensação comparativamente carnal. . 12. nem da graça administrada. abrange o mundo inteiro. JEcon. 3o. -' ‫׳‬ 2o.Inst. Witsio. Sob outro aspecto. 4o. Essa revelação era menos completa e também menos clara. Provamos anteriormente que Ele já veio. Quais as diferenças características existentes entre a dispensação da aliança da graça debaixo da lei de Moisés e depois da vinda de Cristo? E evidente que essas diferenças se referem somente aos modos da administração.

e que. 49:10).Is. Zac. Judá retinha o cetro e tinha legislador. 5:2) da tribo de Judá e da família de Davi (Jer. ou em quarenta e nove anos depois de findo o cativeiro. Judá perdeu todo o poder político. mas na destruição de Jerusalém. Como se pode mostrar que Gên. . um varão de dores". 3:1.Sal. do Dr. 3:1). cap. Ele deveria entrar na cidade montado num jumentinho . Porque era costume judaico dividir assim o tempo. setenta anos depois. 13:5. como setenta semanas. 7:14) e ser precedido de um precursor (Mal. e ser "cortado da terra dos viventes" . 12:6. no meio da semana. Há alguma dúvida quanto à data exata da qual se deve começar calcular. .Zac. e 3o. Tudo isso cumpriu-se em Jesus Cristo. 53:9. As próprias palavras que deveria pronunciar na cruz foram preditas . durante o período de uma semana de anos. a cidade seria reedifi-cada. General. os judeus sempre entenderam a passagem como se referindo ao Messias. Veja Is.Is. Ag. 11:12. verificaram-se em nosso Salvador? Ele deveria ser Rei e Conquistador de um império universal (Sal. Quais as profecias sobre a data. 49:6. 12:10. que Ele. Sua morte deveria ser expiatória . Apoc. Deveria ser uma luz para os gentios e sob a Sua administração deveria mudar-se a condição moral do mundo inteiro . 5:2. 23:5. . . 9:6. Foi predito também que Ele seria traspassado.9. 4:10 se refere ao Messias. 4. e como essa passagem prova que o Messias já veio? A palavra traduzida povShilo (Figueiredo) Siló (Almeida). Até ao nascimento de Jesus Cristo. Mal. "aquele que deve ser enviado". 60:1-7. Que as setenta semanas mencionadas aqui devem ser interpretadas como semanas de anos.6). e. o Messias não tivesse vindo antes dessa catástrofe. A profecia é que em sete semanas de anos. Devia nascer de uma virgem (Is. Porque a interpretação literal das palavras. apareceria o Messias. 9:9. 55:5. confirmaria a aliança.12. no fim de quatrocentos e noventa anos depois de sair o edito mandando reedificar Jerusalém e enquanto existia ainda o segundo templo-Ag. Miq.7).Is. que foram cumpridas em Jesus de Nazaré? Quanto à data.Is. 2:6 e 45. Deveriam dar-lhe vinagre a beber . e ser vendido por trinta moedas de prata. . significa paz e é aplicada ao Messias . ou. 2o.Cf. Se.. Além disso. 42:6. 2:7. Is. Quanto ao lugar e às circunstâncias. . a profecia seria falsa.··. Suas vestes deveriam ser repartidas por sorteio. . ou a quem serão congregadas as gentes ou nações.‫׳‬ ) ' . seria cortado. ser "objeto de desprezo e o último dos homens. e que a Sua morte e a Sua sepultura seriam com os ímpios e com os ricos . ou quatrocentos e trinta e quatro anos depois de reedificada a cidade. VejaEvidences ofChristianity (Evidências do Cristianismo). 60:3. Essa profecia refere-se explicitamente ao Messias e à Sua obra peculiar e exclusiva. Veja Ez. como diz Figueiredo. 5. Io.Zac. pois.5 com Mat.Sal. ao mesmo tempo. E quanto àprofecia de Daniel 9:24-27? .Sal.13. devia nascer em Belém (Miq. 4:6.2. Quais características notáveis. 53 (Figueiredo). 53:5. Alexander.i' i 3. 22:2. descritas no Velho Testamento. é só o Messias que foi "a expectação das gentes". 22:19. 2:6. 2:9. é certo.. foi predito que Ele viria antes que se tirasse o cetro de Judá (Gên. e nunca mais se poderia cumprir em outrem porque todas as genealogias de famílias e tribos se perderam. o lugar e as circunstâncias do nascimento do Messias. Além disso. e a data mais provável faz a profecia coincidir exatamente com a história de Cristo. que em sessenta e duas semanas de anos. Porque é o uso comum nos livros proféticos. é impraticável. 49:22. mas a maior diferença não é mais de dez anos.

também posteridade ou descendência (semente) da mulher. 13:37. sem mistura nem mudança quanto à essência. sendo a sua natureza humana derivada por geração (comum) do tronco de Adão. 2:5. 4:4. e a esta única Pessoa pertencem os atributos das duas naturezas. 2o. dois espíritos. Maria. os sentimentos e a vontade humanos. mas é a Pessoa eterna e imutável do logos. mas sempre sendo verdadeira divindade e verdadeira humanidade. 1581. Como se pode provar que Cristo é realmente homem? E chamado homem . 2:44). fazendo cessar os sacrifícios e oblações (Dan. e fruto dos seus lombos. 9:3) e a de um sacerdote (Is. 4o. 9:24). gemina sapientia robur et virtus " . 7. a consciência. Tinha os sentimentos comuns da nossa natureza.Luc. 42:6. Gál. 3o. possuindo a natureza divina e todos os atributos essenciais da Deidade. Ele amava Marta. para fazer expiação pelo pecado (Dan. os sentimentos e a vontade divinos. dormia. da qual Ursinus foi o autor principal). de Abraão. Cinco pontos envolvidos na doutrina da Igreja quanto à Pessoa de Cristo: Io. dado que Ele crescia em sabedoria. gemina mens. Filho de Davi. Ele deveria realizar a obra de um profeta (Is. Jesus de Nazaré é verdadeiro Deus. 3:15. 24:36-44. constituem uma só Pessoa. Gên. 8. e fundando um reino que nunca teria fim (Dan. com todos os seus atributos essenciais. Luc. Não obstante isso. Atos 2:30. na unidade da Sua Pessoa. Como se pode provar que as duas naturezas em Cristo constituíam somente uma Pessoa? .9. ("Gemina substancia. 2:52. 9. visto que Ele "moveu-se muito em espírito". Morreu em agonia na cruz. selando as visões e as profecias. de modo que Cristo possui ao mesmo tempo. Mas não convém que procuremos explicar a maneira pela qual os dois espíritos afetam mutuamente um ao outro. e a consciência. Esta Personalidade não é personalidade nova constituída pela união das duas naturezas no ventre da virgem. E também verdadeiro homem. Mat. Seu título mais comum é "o Filho do homem". foi sepultado. a qual no tempo assumiu uma nascente natureza humana e sempre depois abrange a natureza humana com a divina na Personalidade que pertence eternamente à divina. Tinha uma alma racional. Como Rei.Admonitia Neostadtiensis. e durante uma vida de trinta e três anos era reconhecido por todos como um verdadeiro homem. deveria administrar as diversas dispensações do Seu reino. nem até onde eles se unem numa só consciência. Cap.1 Tim. Que obra peculiar o Messias deveria realizar e que foi realizada por Cristo ? Todos os Seus ofícios mediatários foram substancialmente preditos.6. 5o. crescia em estatura (idade). feito de mulher. Lázaro e o discípulo que estava recostado em Seu peito -João 11:5. a mente. a mente. perturbou-Se e chorou .35. A absoluta deidade de Cristo já foi provada acima. e provou a Sua identidade por meio de sinais físicos .João 11:33. unidos assim. pondo termo a uma e introduzindo outra. eles. 13:23. bebia. Luc. Atos 3:25. 1:32. comia. Estas duas naturezas continuam unidas em Sua Pessoa. Ele tinha um corpo. nem como as duas vontades cooperam numa só atividade na união da Pessoa única. 9:24). 53:10).

5:12. Que princípio geral se deve seguir na explicação das passagens em que se atribuem a Cristo os atributos de uma das naturezas mas que pertencem à outra? O seguinte: a Pessoa de Cristo. é uma só. ser designado indiferentemente por títulos humanos ou divinos. constituída de duas naturezas. 1 Cor. 4:4. por conseguinte.Em muitas passagens é feita referência às duas naturezas. esta é designada por um título derivado da outra natureza. 2:8. 1:13. nesta conexão. nesta conexão. e atributos tanto divinos como humanos podem ser-Lhe atribuídos verdadeiramente. Rom. j i 12. João 1:14. 8:32. Col. incapaz de aumento. ser desde o princípio.4. enquanto. Mat. 9:5. 2:6-11. Que efeitos esta união pessoal produziu na natureza divina de Cristo? Sua natureza divina. nem é parte de alguma outra coisa. enquanto que a Pessoa a quem são atribuídos é designada por um título divino . que. "Pessoa". ou como "uma subsistência individual e inteligente. 2:11-14. isto é. "Natureza". enquanto a Pessoa é uma só. Nunca se diz que a deidade abstratamente. a dificuldade é que dois espíritos existem reunidos em uma só Pessoa. a Pessoa divina. tem sido definida como "uma substância individual que. 1:23. pode. são distintas. l portanto. porém.per se subsistens" (auto-subsistente). ou que um poder divino. não sofreu mudança essencial . deu Seu sangue por Sua Igreja. tendo começado a ser como um gérmen gerado numa união pessoal com a eterna Segunda Pessoa da Deidade. e quando chama para a vida os mortos. tem sido definida como "essência" ou "substância". ainda era Deus. há passagens nas quais são atribuídos a Cristo atributos e ações divinos. Por outro lado. são atribuídos a Cristo atributos e ações divinos em certas passagens.14. nem é sustentada por ela".Heb. A natureza humana de Cristo nunca foi "per se subsistens". Noutras muitas passagens fala-se nas duas naturezas como unidas. 6:62. 11. O que pertence a qualquer das naturezas é atribuído à Pessoa única. à qual as duas naturezas pertencem. Como os teólogos definem as designações "natureza" e j "pessoa" conforme se acham elas envolvidas nesta doutrina? ! Na doutrina da Trindade.32. 8:3 e 1:3. Na doutrina da Encarnação. Apoc. Rom. As ações mediatárias pertencem a ambas as naturezas. Assim. e. Rom. morreu quanto à sua natureza humana (Atos 20:28). portanto. ao mesmo tempo. 3:16. isto é. Quando Ele morreu. as naturezas. sendo eterna e imutável. fosse reunido ou manifestado numa natureza humana. Deus. 1 Tim. que é ao mesmo tempo Deus e homem. mas. Luc. mas o que é peculiar a uma delas nunca é atribuído à outra. Devemos lembrar. 1:31. enquanto que a Sua Pessoa é designada por um título humano-João 3:13.Fil. "in altero sustentatur" (ser j sustentado por outrem). como tais. 1 João 4:3. nem que as ações e os atributos divinos são da Sua natureza humana. quando é evidente que a referência é a uma só Pessoa . Ele pode. ainda é homem. a dificuldade é que um só Ser espiritual existe como três Pessoas. mas o que se diz concretamente da natureza divina é que uma Pessoa divina foi unida a uma natureza humana . A união de duas naturezas em uma só Pessoa é ensinada claramente também nas passagens em que os atributos de uma das naturezas são afirmados da Pessoa. Mas nunca se afirma que as ações e os atributos humanos são da natureza divina de Cristo. Gál.Atos 20:28. 10.

2o. desde a cabeça até às plantas dos pés. Estas naturezas permanecem distintas. nem por isso deixa de estar presente ao mesmo tempo. em virtude da sua união com o corpo . 13. mas negada no abstrato a respeito das naturezas. Todas as pessoas humanas compreendem duas naturezas: (a) um espírito cônscio. mas é negada utrius naturce ad naturam (das duas naturezas para com esta ou aquela natureza). Estes constituem uma só pessoa. presente na percepção e na volição ativas . 12:2. abrangendo então uma perfeita natureza humana na unidade da Sua Pessoa e como o órgão da Sua vontade. O efeito produzido por essa união na natureza humana de Cristo foi. Qual a analogia apresentada na união de duas naturezas nas pessoas dos homens? Io. Que efeitos esta união pessoal produziu na natureza humana de Cristo? A natureza humana. e como tal continua sendo para sempre uma natureza humana sem mistura e sem mudança essencial. em virtude da Sua união com ela numa Pessoa divina. unicamente em razão de Seus atributos divinos. sendo perfeita segundo a sua espécie. auto-determinando.por esta união. O único motivo por que devemos culto a alguém é que possui atributos divinos. 15. e uma comunhão de honra e glória com a Deidade. embora privada absolutamente de extensão em si mesma. Ao Deus-homem.assim também a natureza humana de Cristo. Esta doutrina é afirmada no concreto a respeito da Pessoa. auto-operando.Is. sobre todo nome que se nomeia. existindo Ele em duas naturezas. absolutamente sem extensão no espaço. 2o. "Deus conosco". está virtualmente. Como se dá com a união de alma e corpo no homem. 3:34.isto é. O objeto de culto não é a excelência divina no abstrato. mas os atributos. Daí vem a doutrina da Igreja a respeito da "communicatio idiomatum velproprietatum" (comunicação de peculiaridades ou de propriedades) das duas naturezas de Cristo. "Deus que se manifestou em carne". nunca se tornando comuns ao corpo material os atributos do espírito. começou a existir em união com a natureza divina e como uma parte constitutiva da Pessoa divina. assim. são . tanto do espírito como do corpo. em empatia real) com cada membro do Seu povo como alguém que também foi tentado. é afirmada utrius naturce adpersonam (das duas naturezas para com a Pessoa). Contudo. está (a) presente virtualmente (apesar de localmente no céu) com Seu povo até às partes mais remotas da terra ao mesmo tempo. Uma exaltação de todas as excelências humanas acima do nível da natureza dos homens e de outras criaturas . 3o.João 1:14. (b) praticamente inexaurível. e(b) um corpo altamente organizado. Uma exaltação sem igual à dignidade e glória. e sim a Pessoa divina de quem essa excelência é um atributo. devemos culto na perfeição de Sua Pessoa inteira. portanto Io. porque Cristo tornou-se. O corpo é parte da pessoa. composto de matéria passiva. em conseqüência desta união. simpatizando (isto é. A inteira essência divina e imutável continuou a subsistir como o eterno Verbo pessoal. Até onde está incluída a natureza humana de Cristo no culto que Lhe é devido? E preciso que distingamos entre o objeto e os motivos de culto. apesar de tudo quanto se Lhe pede no exercício constante das funções mediatárias que envolvem ambas as naturezas. nem os atributos do espírito ao corpo. se não essencialmente. Emanuel. a alma. em virtude da sua união pessoal com o Verbo eterno. foi alterada a relação da natureza divina com a criação toda. 14. 3o.

a pessoa possui e manifesta os atributos de ambas as naturezas. e. Os fatos da vida de Cristo durante o Seu estado de humilhação têm. Desde a sua concepção no ventre da virgem. e nele. cada uma das duas naturezas participa dos atributos essenciais da outra. não afirmavam que a natureza divina participa de qualquer atributo distintivo da natureza humana. o espírito sem extensão acha-se presente onde quer que o corpo esteja. contudo. estando ocultas. onipresença e do poder de dar a vida. que o exercício dessas perfeições não era necessário (no sentido filosófico da palavra). e. sim sujeito à vontade da Pessoa divina. Estas estavam necessariamente em exercício desde o princípio. Na ressurreição. como sendo a essência da união pessoal. Enquanto estes se acham unidos.comuns a uma e à mesma pessoa. o Logos não sai dos limites da carne. com e sob o pão e o vinho na Eucaristia. menos extrema. portanto. a humanidade de Cristo foi dotada de perfeições divinas. Lutero e os que o seguiram introduziram e elaboraram a doutrina de que. 5o. 16. et caro non extra Logon (ou seja. em virtude da união. Logos non extra carnem. Que. A outra opinião. representada por João Brentz e os teólogos de Tubingen. e esta não sai dos limites do Logos). sendo que aquilo que se afirma é próprio da outra. é a representada por Martinho Chemnitz e os teólogos de Giessen. nem que a natureza humana tem parte em todos os atributos da Sua deidade. Esta muitas vezes é designada por um título próprio de uma das naturezas. este é sepultado como cadáver. a natureza humana de Cristo foi dotada inalienavelmente de toda a majestade divina e de todas as propriedades que a constituem. o espírito reassumirá o corpo correspondente à sua pessoa. Os defensores dessa doutrina dividem-se em duas escolas: Ia. mais conse qüente. >‫״׳: ׳ ׳‬ 4o. Quando ele deixa o corpo. e a matéria inerte e insensível dos tecidos nervosos exulta com sensações e palpita com desejos pois esses nervos são sensores da alma que sente e deseja. Eles também sustentavam que. mas não se manifestaram durante a Sua vida terrestre. Ensinavam. ou seja. que cada uma das naturezas participasse das propriedades da outra. enquanto que o espírito vai para o Juízo. a qual fazia a Sua natureza humana achar-se presente . pelo próprio ato de encarnação. A escola mais extrema. logicamente. IXBLIOTEÇA Estes sustentavam que o próprio ato de encarnação efetuou. pelo qual eles mantêm sua opinião peculiar sobre a presença da própria substância do corpo e do sangue de Cristo em. em conseqüência da união hipostática das naturezas humana e divina na Pessoa única de Cristo. sua explicação numakrypsis voluntária. O espírito é a pessoa. Quando se explicavam mais completamente a esse respeito. com extensão. Qual a opinião peculiar introduzida na teologia pelos luteranos quanto à communicatio idiomatum? Quais as razões para rejeitá-la? Junto com o processo. mas afirmavam simplesmente que a humanidade de Cristo tinha parte em Sua deidade nos atributos de onisciência. 2a. e. num ocultamento das propriedades divinas da Sua natureza humana. quanto à sua relação ao espaço.

porque. Os reformados insistiram na realidade da vida humana de Cristo e no auto-esvaziamento(^womj da Sua deidade para encontrar a Sua humanidade. Sua verdade se acha envolvida em todas as demais doutrinas de todo o sistema de fé cristã. e. Funda-se realmente em sua errônea interpretação das palavras de Cristo: "Isto é o meu corpo". a decisão do Concilio de Calcedônia (451) contra Eutico. Se Cristo não é na mesma Pessoa tanto Deus como homem. Porque não é ensinada na Bíblia. tmHumiliation of Christ.C. 3 (A Humilhação de Cristo. sobretudo. Quais os credos em que esta doutrina tem sido mais acuradamente definida? Epor quais concílios? Io. a Sua história seria um mito. A decisão do Concilio de Constantinopla (681) contra os monotelitas (que afirmavam uma só vontade na Pessoa única de Cristo). 3o. são exposições acuradas e autorizadas de toda a Igreja quanto a esta doutrina. Lect. afirmando a distinção das naturezas (contra a idéia de fusão. Como se pode provar que a doutrina da encarnação é doutrina fundamental do evangelho? Io. Essas decisões conciliares . Aumenta a dificuldade do problema para cuja explicação ela foi inventada. Esta doutrina e todos os seus elementos são ensinados nas Escrituras com suma clareza e proeminência. 2o. 3o. condenando os nestorianos e afirmando a unidade da Pessoa. a natureza divina assimila a natureza humana atribuindo a esta certas propriedades daquela. afirmando que a natureza humana de Cristo retém na completa integridade uma vontade separada como também uma inteligência separada. de Eutico). 17. 431 d. A tendência reformada foi reconhecer a vida dupla do Logos . ab-rogando-a assim virtualmente e deixando efetivamente só a divina. Pales. E impossível conciliá-la com os fenômenos da vida terrena de Cristo. segundo essa doutrina. Sacerdote e Rei. que é o coração do evangelho. emendado pelo Concilio de Constantinopla. e a qual. As Escrituras declaram expressamente que essa doutrina é essencial . na significação e valor do Seu sacrifício vicário.. A decisão do Concilio de Efeso a respeito. 4o. 7. B. em todos os atos mediatários de Cristo. O Credo do Concilio de Nicéia.3. Diz o Prof. na história inteira do Seu estado de humilhação. 3) . não Lhe prestar culto seria desobedecer ao Pai . ou a Sua morte não teria valor. Se Ele não fosse homem. Os luteranos sustentaram a vida dupla da Sua humanidade glorificada (a presença local e a onipresença não local). se não fosse Deus. e em todos os aspectos do Seu estado de exaltação. seria idolatria prestar-Lhe culto.totus extra Jesum e totus in Jesus" (totalmente fora de Jesus e totalmente em Jesus). 18. '‫ · :׳־‬Nós rejeitamos a opinião luterana: Io. durante o período da Sua humilhação na terra. 2o.1 João 4:2. 3o. como também o Credo de Atanásio e o de Calcedônia. Bruce. como Profeta. ou não poderia morrer. acima."Os luteranos sustentaram a exaltação da humanidade de Cristo para encontrar a Sua deidade e (enquanto estava na terra) a kenosis da Sua humanidade.onde e quando quer que o quisesse.João 5:23.. Ela virtualmente destrói a encarnação. D.D. Eles se acham no Cap. A. ao mesmo tempo. 2o. e assim se expõe às mesmas críticas a que se expõe a doutrina da transubstanciação. Envolve a falácia de se conceber que as propriedades são separáveis das substâncias das quais elas são as forças ativas. voluntariamente esvaziou (kenosis) a Sua natureza humana do seu uso e do exercício de seus atributos divinos. e.

E a tendência de acentuar tanto a distinção das duas naturezas completas e não unificadas de Cristo que se torna obscuro o fato igualmente revelado da unidade da Sua Pessoa. parecer) sustentavam que a natureza humana (corpo e alma) de Cristo era um mero fantasma ou aparência. 19. anulou o fato revelado de que Cristo é ao mesmo tempo verdadeiro homem e verdadeiro Deus. de uma alma animal e de uma alma racional. que não passava de uma visão ou fantasma através do qual o Logos quis manifestar-se aos homens por algum tempo. Livrou-se ele assim da dificuldade ligada à existência de dois espíritos racionais. sem nenhuma existência real e substancial. Daí veio a convicção de que a matéria é má em si mesma. No tempo da Reforma. e Sua Pessoa única se constitui do pnêuma divino. ela tornou-se a característica geral dessa escola. A doutrina de Apolinário foi condenada pelo Concilio de Constantinopla. e que inúmeros ceons. e da alma animal e corpo humanos. Tradução de Torrey. Quais partidos sustentam que Jesus era mero homem? Na Igreja Primitiva os ebionitas e os alogi. Ospnêumata vêm de Deus. Quais partidos negam a verdadeira humanidade de Cristo. mas a matéria existe por si mesma e as almas animais vêm de um ser menor do que Deus. Como se pode classificar todas as heresias sobre este assunto? No sentido de que elas procuram evitar a impossibilidade que a razão humana encontra na tentativa de compreender perfeitamente a compatibilidade mútua de todos os elementos desta doutrina. os socinianos. veja acima. ensinava que. inclinando-se para o misticismo. no fim deste capítulo. ao mesmo tempo. em 381d. que é o Absoluto. 2. antes que uma falsa doutrina positiva e definível. Em nossos dias os racionalistas e os unitários. Quanto à sua história e suas doutrinas../im. em razão da sua influência.Neander. A teologia da Igreja Oriental dos séculos quarto e quinto estava dividida entre as duas grandes escolas rivais de Alexandria e de Antioquia. vol. 23. e abaixo. Essa tendência foi mais conspícua nos escritos de Teodoro de Mopsuéstia. Por isso os docetce (docetistas.C. autoconscientes e autodeterminantes na mesma pessoa. bispo de Laodicéia. (3) na negação da unidade da Pessoa abarcando ambas as naturezas. 20. cerca do ano de 370. 11 e 13. ou grandes emanações espirituais de Deus. mas. Cap. pensar. da Igreja sobre a Pessoa de Cristo. (1) na negação do elemento divino.concluíram a definição. ou alma racional. 6. na de Antioquia predominava uma inclinação lógica e reflexiva da inteligência" . ou (2) na negação do elemento humano em sua realidade e integridade. 21. e. medeiam entre Este e o mundo. Em que consiste a heresia apolinariana? Apolinário. "Na escola de Alexandria predominava um modo intuitivo de pensar. assim como o homem se constitui de um corpo. dedokéo. 22. Em que consiste a heresia nestoriana? O termo nestoriano exprime uma tendência exagerada de especular sobre este assunto. epor quais motivos? Estas especulações tiveram todas uma origem gnóstica. aperfeiçoada pouco a pouco. Pergs. assim em Cristo o Logos divino toma o lugar do pnêuma humano. ou. e têm sido aceitas por todos os protestantes. 352. . chefe da escola antioquiana. pág. todos compreendidos em uma só pessoa. tido como ortodoxo e erudito. supor.

depois da Sua ascensão passou por uma apoteose. patriarca de Alexandria. Ele censurou a aplicação da frase "Mãe de Deus" à virgem. 26. Esta doutrina é ensinada com diversas modificações pelos doutores Thomasius. afirmando que Maria dera à luz ao Cristo e não a Deus. com a emenda de que. sustentando. une-Se ao Pai na comunicação da Sua plenitude ao Espírito. . patriarca de Constantinopla: "Totus in suis. Em que consiste a doutrina moderna de Kénosis? A antiga doutrina sociniana ensinava que Jesus.. Nestório. bispo de Roma. tanto romana e grega como protestante. que adotou a fórmula comunicada por Leão. J. como representante do seu partido. 1. ofDoct. por isso. segundo o modo antioquiano de pensar. W. A doutrina moderna de kénosis (quénose) é que. o homem se tornou Deus e não foi unido pessoalmente à divindade.. a Flaviano. em conseqüência da união pessoal. -Hist. o Sexto Concilio Ecumênico de Constantinopla (681 d. Foram condenados pelo Concilio de Calcedônia. Martensen e outros. Gess. O Filho. foi levado pelas tendências da escola egípcia (de Alexandria) a sustentar a perfeita união das duas naturezas. F. Os luteranos ensinavam que a natureza humana foi dotada de propriedades da divina. ao contrário. contestou--o.Hagenbach.C. o Grande. . ofDoct. Com esta decisão completou-se a definição desta doutrina como esta é recebida pela Igreja toda. § 104. julgava que se devia distinguir claramente entre as naturezas divina e humana de Cristo e admitia somente uma synáfeia (junção) de uma e outra. e é a vida do mundo. veio a ser patriarca de Constantinopla. foi condenado pelo Concilio de Éfeso. Em que consiste a heresia eutiquiana ou monofisita? Eutico era abade em Constantinopla e discípulo extremo de Dióscuro.. com a cooperação do bispo de Roma. e ambos lançaram-se anátemas mútuos. § 100.. por convenção. Reubelt. E derivado de Fil. 451 d. adotou a doutrina de duas vontades em Cristo. 2:7: "aniquilou-se a si mesmo".C. .. havia em Cristo uma só energia divino-humana e uma só vontade.·. O Pai só é de Si mesmo. Ele comunica eternamente a plenitude da Sua essência e das perfeições divinas ao Filho. que Ele possuía uma só natureza. de Hagenbach. Qual é a doutrina dos monotelitas? O Imperador Heráclio procurou reunir à Igreja os monofisitas adotando. 1. que havia sido monge em Antioquia. sucessor de Cirilo. Em oposição a isto. mas decidiu que sempre se deve conceber a vontade humana dEle como subordinada à vontade divina . dando-Lhe assim o ter vida em Si mesmo. e tem o apoio de declarações como : a de João 1:14: "o Verbo se fez carne. da Sua deidade.Nestório. Cirilo.C.. como doutrina ortodoxa. no caso de Jesus. totus in nostris"(que afirma a totalidade da natureza divina e a totalidade da natureza humana na Pessoa de Cristo). duas energias. Os que adotaram esta opinião foram chamados monofisitas. Vol. Cirilo. j. em 431 d.·. pelo Logos. Ebrard. a decisão do Concilio de Calcedônia quanto à coexistência de duas naturezas distintas na Pessoa única de Cristo. Hoffmann. Ele levou a sua oposição aos nestorianos ao ponto de confundir as duas naturezas de Cristo. Hist.). 24. dimanando assim eternamente do Pai. A. Os eutiquianos ensinavam que a natureza humana de Cristo foi absorvida pela divina e assimilada a esta. numa obra muito bem traduzida (para o inglês) pelo Dr. Nestório. resultante da união da deidade com a humanidade. pela qual foi exaltado a uma condição e a uma ordem intermediárias entre Deus e o universo. verdadeiro homem. e mui claramente pelo Dr. mas que Deus tornou-se literalmente homem. e habitou entre nós". e uma enoikesis (presença permanente) da deidade. ■ :: 25.:‫■ ■־‬ O termo kénosis significa um despejar voluntário de Si <‫| ׳‬ mesmo.

por essa comunhão. e tem nas Suas mãos e debaixo dos Seus pés todas as coisas que estão no céu. onipotente.. cap. ou como se. da glorificação do Filho e por ela" . não se efetua segundo o modo e a propriedade da Sua natureza humana. era Deus real e absoluto. e Ele cresceu e se desenvolveram o Seu conhecimento e as Suas faculdades como um verdadeiro homem sem pecado. além disso. porém. e Este. Essa doutrina . não somente como Deus. gerada da semente de Abraão. nem "capernáitica" (veja João 6: 52-59). 4. Estando presente em toda parte. Não é compatível com o fato de que Cristo. Epitome. 3o. 8. nem terrena. Quando a substância do Logos recobrou a Sua consciência de Si como o menino Jesus. tornou a começar a eterna e anteterrena comunicação da plenitude da vida divina. Segue-se. o Logos despiu-Se temporariamente da Sua consciência de Si e com ela da comunicação da vida do Pai ao Filho. onisciente. Ele pode exercer este poder. a Sua onipresença e o Seu governo onipotente do mundo. §§ 11 e12: "Por isso.7. o foi como um verdadeiro menino humano. do Pai ao Filho." Parte 2 ("Solida Declaratio"). e sim segundo o modo e a propriedade da mão direita de Deus. onipresente. dotado de graça preeminente e da plenitude do Espírito de Deus que nEle habitava. e "subiu acima de todos os céus. Per. "Assim um homem é admitido à vida trinitária da Deidade. Sua consciência de Si é Seu próprio ato. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS As igrejas romana. Daqui se segue que Ele pode suspender Sua consciência de Si. de autoria do Dr. veja Humiliation of Christ (A Humilhação de Cristo). "É-me dado todo o poder no céu e na terra". Admite-se em geral que é uma doutrina diversa da fé imemorial e universal da Igreja. Christ. não é menos verdadeiramente Deus. grega e protestante concordam todas em aceitar as definições dos credos de Nicéia e de Calce-dônia. É uma ofensa feita às infinitas perfeições e à imutabilidade da natureza divina. como se a humanidade de Cristo as tivesse subsistindo independentemente e separadas da Sua deidade. pela qual o Filho tem vida em Si assim como a tem o Pai. embora continue a ser verdadeiramente humano.Io. cap. e. na terra e debaixo da terra.Reubelt. tem vida em Si assim como a tem o Pai. § 4: "Porque essa comunhão de naturezas e propriedades não é resultado de alguma efusão essencial ou natural das propriedades da natureza divina sobre a humana. achando-Se presente. "Mas o Logos é Deus. Veja acima. a Sua volição quanto a receber a vida .do Pai é a fonte da Sua vida." 3. Ele sabe todas as coisas e tem o poder de fazer tudo. senão também como homem. 8. E esta presença de Cristo na Ceia não é física. contudo. pode distribuir Seu verdadeiro corpo e Seu verdadeiro sangue na Ceia do Senhor. Script. Doct. B. Isso. é verdadeira e substancial. a natureza humana de Cristo se tivesse despido de suas propriedades . está presente com todas as criaturas. 5. e não há coisa alguma que Ele não possa fazer ou que Lhe seja desconhecida. Quando Jesus foi glorificado.Gess. . e o Credo de Atanásio (assim chamado). Bruce. A. para cumprir (ou "encher") todas as coisas". quando na terra. e muito facilmente. Cap. que Ele.2.. Parte 1. Condescendendo em ser concebido no ventre da virgem. A doutrina LUTERANA quanto às relações das duas naturezas: Formula Concordice. 2o. Para uma discussão completa. e por isso estiveram suspensas a Sua onisciência. Tampouco é compatível com o fato de que a humanidade de Cristo foi uma humanidade real. E outra vez eterno. 4o.

antes. e em todas as coisas semelhante a nós. Quais os diversos sentidos da palavra Mediador. Moisés. ou fosse convertida na natureza divina. e segundo a Sua natureza humana consubstanciai conosco. como também uma natureza humana? . foram unidas inseparavelmente em uma só pessoa. O sentido de simples advogado ou intercessor. cap. Portanto. e em qual destes sentidos é ela especialmente empregada quando aplicada a Cristo? Io. § 2: "O Filho de Deus. tenha até agora estado no mundo e assim em toda parte. perfeitas e distintas. como Mediador. assim como abominamos o dogma nestoriano. 2.. Por que foi necessário que o Mediador possuísse uma natureza divina. Neste sentido. nem misturadas. segundo a Sua natureza humana. dizemos. 11: "Reconhecemos." 24 O Ofício Medianeiro de Cristo 1. O sentido em que a palavra é especialmente empregada quando aplicada a Cristo. para explicar a vontade e cumprir os mandados de uma das partes contratantes ou de ambas. Cristo." Confissão de Westminster. O sentido de internúncio ou mensageiro. sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria. 25-27. e. mas sem pecado. A doutrina das IGREJAS REFORMADAS: Confessio Helvetica Posterior. e não dois. segundo a Sua natureza divina consubstanciai com o Pai.g. o pacificador eficiente. nem que Cristo. um só. um só Cristo. que apagam a propriedade da natureza humana. sem conversão. e.Mat. João 5:22. a segunda Pessoa da Trindade. Cap. da mesma substância e igual ao Pai. a natureza do homem e todas as suas propriedades essenciais e suas enfermidades comuns. ou que as propriedades e operações naturais fossem idênticas ou mesmo iguais. não podem ser separados nem desunidos. homens. 8. exceto no pecado. dos monofisitas e dos monotelitas. mais intimamente do que o corpo à alma". da sua substância. e dizemos que estas se acham juntas e unidas de tal modo que elas não são absorvidas. assim também execramos de coração a loucura de Eutico. é uma só Pessoa. Porque estes e semelhantes erros têm sido rejeitados". e.naturais. 3o. que faz dois Cristos de um só. que em um e o mesmo Senhor Jesus Cristo há duas naturezas. verdadeiro Deus e homem. pois. e a humanidade está unida mais intimamente a Deus do que a nossa pele está unida à nossa carne. e dissolvendo a união da Pessoa. (2) Ele faz eficazmente reconciliação entre Deus e o homem por meio de uma expiação plenamente satisfatória e de uma obediência perfeita. Gál. composição ou confusão. sendo verdadeiro e eterno Deus. Disse Lutero: "Onde quer que colocardes Deus. A qual Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. 3:19. o Cristo. tomou sobre Si. etc. 2o. quando havia chegado a plenitude do tempo. contudo. sim. sendo conservadas com suas propriedades permanentes. a deidade e a humanidade. De modo que duas naturezas inteiras. de modo que nós adoramos a um só Senhor. advogando a causa da parte ofensora na presença da parte ofendida. unidas e juntas em uma só Pessoa. Por isso nós de modo algum ensinamos que a natureza divina em Cristo tenha sofrido. mas são. aí é necessário que coloqueis a humanidade (de Cristo). o único Mediador entre Deus e o homem. ou fosse em si e per se feita igual à natureza divina por meio dessas propriedades comunicadas dessa forma. (1) tem entregues em Suas mãos todo o poder e todo o juízo . 28:18 e 9:6. nem confundidas.

11:27. 4. e sendo.Rom. E evidente que era necessário que o Mediador fosse Deus. João 1:18. Também tem sido sustentada a opinião oposta..envolvem os atributos de ambas as naturezas. 8:29. Assim também a Pessoa única do Deus-homem realiza todos os atos que envolvem os atributos de uma natureza divina.a profética. (1) Para que representasse verdadeiramente os homens como o segundo Adão. in loco) entre a Pessoa que age e a natureza ou a energia interna pela qual ela age. prestar à lei uma obediência voluntária e que não lhe devia por Sua própria conta. a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" . que Cristo foi Mediador somente em Sua natureza divina. Pelo fato de se atribuírem na Bíblia todos os atos de Cristo como Mediador a uma só Pessoa. enquanto a ação medianeira atribuída a essa Pessoa é feita evidentemente em virtude da outra natureza abrangida na Pessoa.Heb. (2) Para que fosse feito debaixo da lei. Era evidentemente necessário que fosse homem. e exemplo e modelo ao qual os que pertencem ao Seu povo foram predestinados "para serem conformes à imagem de seu Filho.Gál. considerada como abrangendo as duas naturezas. para vir a ser um pontífice9 compassivo e fiel no seu ministério. o conhecimento e o poder necessários para a administração dos reinos infinitos da providência e da graça que se acham entregues nas Suas mãos como o Príncipe medianeiro. quanto à Sua Pessoa.18. Como se pode classificar os atos de Cristo com referência a Suas duas naturezas? Os teólogos têm distinguido com propriedade (veja Turretino. nas duas naturezas. Qual a diversidade de opiniões que existem sobre a questão sobre se Cristo age como Mediador em uma só natureza ou nas duas? Os católicos romanos sustentam que Cristo foi Mediador somente em Sua natureza humana. que pensa e que anda. (4) Para que." (Figueiredo) .. e todos os atos que envolvem os atributos de uma natureza humana.16. senão o Filho. Heb. Pelo fato de que o desempenho de cada uma das três grandes funções do ofício medianeiro . (3) Para que. de outro modo. 1 Cor. 9:14. (1) Para que fosse independente e não uma simples criatura de uma das partes. pudesse. pois. A doutrina bíblica é que Cristo foi Mediador como o Deus--homem. em virtude da Sua natureza divina. infinito. em Sua humanidade glorificada. e aquele a quem o Filho o quiser revelar" -Mat. 3. 4:1-13. 5. acima de toda a lei. (4) Para que possuísse a sabedoria. não poderia fazer eficazmente a paz. e para que a Sua obediência e os Seus sofrimentos tivessem valor infinito. com foi provado plenamente sob a Pergunta 2. em virtude das duas naturezas abrangidas por ela. a fim de tornar possíveis a Sua obediência. estando. 2:17. 4:4. . quanto à dignidade da Sua natureza. Veja Atos 20:28. a saber. Afirmamos assim a respeito do próprio homem. A Pessoa é muitas vezes designada por um termo derivado de uma das naturezas. os seus sofrimentos e as Suas tentações . 4:15. a sacerdotal e a real .Io. Neste caso. porque "ninguém conhece o Pai. Como se pode provar que Cristo era Mediador e que agia como tal tanto em Sua natureza divina como na humana? Io. dizendo que era impossível que Deus intermediasse entre Si mesmo e os homens. fosse o cabeça da Igreja glorificada. a favor do Seu povo. 2o. a mesma pessoa faz estas duas classes de ações tão radicalmente distintas. (3) "Foi conveniente que ele se fizesse em tudo semelhante a seus irmãos. Luc.5. em virtude da Sua natureza humana. 2:8. (2) Para que revelasse Deus e a salvação que dEle vem aos homens. 2o.

■■■. são mediadores Io. João 3:34. Segundo as Escrituras. "pelo Espírito eterno (Jesus) se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus" . uma verdadeira propiciação pelos pecados veniais do povo. Entre o indivíduo e Cristo . qual a relação do Espírito Santo com a obra medianeira de Cristo? 10. Porque oferecem o sacrifício da missa e fazem nela. em virtude da dignidade da Sua Pessoa e da perfeição da Sua natureza. são intercessores poderosos. Não há lugar para nenhum outro mediador entre o indivíduo e Cristo . Pelo testemunho direto das Escrituras . afirma que cada membro individual é unido imediatamente à Igreja. 10:14. Atos 4:12. 1:35. Até onde atribuem eles um caráter medianeiro a seus sacerdotes? O protestante sustenta que a Igreja é composta de uma companhia de homens unidos uns aos outros em virtude da união imediata de cada um deles com Cristo.Heb.Heb. Qual o sentido em que os católicos romanos têm os santos e os anjos na conta de mediadores? Eles não atribuem.·.·׳ ״‬ 7. 2:10. 22. que convida todos a chegar-se a Ele imediatamente. 9:14. Cristo desempenhou por nós todas as funções necessárias. Porque nEle há salvação perfeita. 16:14. ao contrário. e. 24. 4:1. 2:5. por meio destes.o elo necessário de união com Ele. 8. Cristo cumpriu no Espírito todas as Suas funções medianeiras com o Seu ensino profético. Por isso os seus sacerdotes. voltou Jesus para a Galiléia". Porque. Sal. "pela virtude do Espírito. 2:40. na terra e no céu . . mostra com igual clareza que não era Mediador somente em Sua natureza divina. Perg.Heb. 9. e.3o. Porque. mostra evidentemente que não o era só em Sua natureza humana. Seu sacrifício sacerdotal e Suas administrações reais. a Cristo. (2) porque a obra de atrair os homens trazendo-os a Cristo pertence ao Espírito Santo-João 6:44. assim chamados. 9:12. Luc. como dizem. todas essas funções foram por Ele desempenhadas exaustivamente . 4:14. 45:8. da mesma forma como se dá no caso de Cristo.18). 3:22. . 4o. afirmam que os merecimentos dos santos são o motivo e a medida da eficácia da sua intercessão. segundo dizem. (diretamente). não há salvação em nenhum outro. O fato de que o Mediador o é desde a fundação do mundo (veja Cap.. O romano. Luc. sujeitos aos bispos apostólicos. A de gerar e dar preenchimento à Sua natureza humana. tanto de propiciação como de intercessão. Contudo. 11). e ninguém pode vir ao Pai senão por Ele -João 14:6. ': ‫׳-■׳‬ 3o.■. 3o. levou-o para o deserto para ser tentado. da verdadeira sucessão apostólica. Como se pode provar que Cristo é o nosso único Mediador no sentido próprio desta palavra? Io. 1 João 2:1. e o fato de que o Verbo eterno encarnou-Se a fim de Se preparar adequadamente para a Sua obra medianeira (Heb. Porque. ‫־' ־' · ׳‬ 2o.־ . Luc. Mat. . 6.‫־?. a obra de propiciação propriamente dita. por meio da Igreja. a Cabeça. tendo o grande sacrifício de Cristo feito propiciação pelo pecado original e lançado o fundamento para a virtude propiciatória que pertence à missa. 2o.(1) porque Ele é nosso "irmão" e "sacerdote compassivo". . sendo os únicos despenseiros autorizados dos sacramentos. nem aos santos nem aos anjos. segundo dizem. 2o. 7:25.1 Tim. Mat. O Espírito desceu sobre Ele no Seu batismo. 11:28. segundo as Escrituras. 5o. 2:17. Col. da graça de Cristo.

110:4. 12. como Mediador. Atos 5:31. vivificando. traduzido "Consolador". formando dentro de nós pensamentos e desejos segundo a vontade de Deus. Enquanto se diz que Cristo é nosso Mediador para interceder por nós no céu. 5o. Assim como Cristo. 21:23. Profeta de Deus é quem está qualificado e autorizado a falar por Deus aos homens. intercede por nós. Deut. em Sua própria Pessoa. Heb. 10. também se diz que o Espírito Santo é nosso "advogado". 8:34. a sacerdotal. e ter controvérsia com o mundo . 261-340 d. Assim.João 15:26. Nas ministrações do Espírito por Cristo.Ef. 7:37. ensinando.l7:14.Apoc. e juntas exaurem toda a obra medianeira. 26. Imediatamente. Devemos lembrar-nos sempre de que esses realmente não são três ofícios. a real. A soma de tudo é que temos acesso ao Pai. santificando. e sim três funções do ofício único e indivisível de Mediador. Qual o sentido bíblico da palavra profeta? Seu sentido geral é de alguém que fala por outrem com autoridade como intérprete. mas no seu exercício elas se qualificam mutuamente em todos os atos. também se diz que o Espírito Santo. e do Pai o único supremo Profeta dos profetas". A profética. e "o Consolador" -João 15:26. Cristo. Assim Moisés foi profeta para seu irmão Arão . "o Santificador". somente Ele. 16:7. 7:39. 7:1. 6:15. para ficar conosco para sempre. sobre a terra. é revestido da dispensação do Espírito como "o Espírito da verdade". 1. é nosso "advogado" para com o Pai .C. conduzia. 2:18. Rom. 1 Tim. 16:7-9. Enquanto se diz que Cristo.3o. Porque a Bíblia atribui todas essas funções a Cristo. Atos 5:32. 12:3. e como parte das condições da aliança da graça. O ato de predizer eventos futuros é apenas incidental. 27. mediante o Filho. pelo Espírito . 3) . quando reina. como quando (1) no mundo com os Seus discípulos e (2) como a luz da nova Jerusalém no meio do trono . quando no mundo.1 João 2:4. 15:26.2. Heb. Foi Eusébio. 18:15. 1 Cor. 11. e quando expia ou intercede é Sacerdote profético e real. é Rei sacerdotal e profético. Apoc. é essencialmente Mestre real e sacerdotal. Sal. o único Sumo Sacerdote de todos os homens. 7:25. mostrar-nos as coisas de Cristo.18. somente Ele. 4o. 6o. 7o. como Mediador. como Mediador. ao Pai. sacerdote e rei? Io. 8:26. o Verbo divino e celeste. a Cristo . assim o Espírito Santo agora conduz.João 14:16. Qual o fundamento em razão do qual se aplicam a Cristo os três ofícios de profeta. opera por Ele e dirige para Ele. conferir Atos 3:22. cap. . Como executa Cristo o ofício de profeta? Io. o único Rei de toda a criação."De modo que todos estes têm referência ao verdadeiro Cristo. e toda a Epístola aos Hebreus. Porque estas três funções são todas igualmente necessárias. quem primeiro agrupou estes três ofícios como pertencendo a Cristo (Livro 1. Estas funções são facílimas de distinguir no abstrato. conservando e operando todas as graças em Seu povo. orando por nós com gemidos inexprimíveis ..Êx. 16:13. 14. 2o.Rom. Atos 2:33. quando Cristo ensina.

Tanto externamente.~‫!־׳ ·■׳‬I ‫׳‬o. 14) que Ele é o Jeová (Iavé) da economia do Velho Testamento. 1:10. Intérprete10-Jó 33:23. 5:6. Anjo do testamento (aliança) Mal. oferecer sacrifícios e fazer intercessão . 5:4. Seja tomado dentre os homens para representá-los Heb. 21:23. (2) Pelos oficiais da Sua Igreja.Ef. Em três grandes passos sucessivos de desenvolvimento. 1:11. 4:11. pois. .Is..12. e do sacerdócio levítico estava no fato de serem típicos de Cristo e da Sua obra como Sacerdote. (1) a fim de propiciar por meio de sacrifícios. Heb. (a) por inspiração. no sentido geral. ou. E necessário. Êx 39:30. 3o. Lev. 16. 15. no sentido geral. Êx. Internamente.12.31. 30:8. admitido dentre os homens para apresentar-se a Deus.1 João 2:20. que é um sacerdote no sentido bíblico desta palavra? Assim como. "Verbo". 6:13.4. profeta é quem é qualificado e autorizado a falar por Deus aos homens. como o eterno Revelador por natureza e também por ofício. São-lhe atribuídas funções sacerdotais . do seu serviço. 9. Vol. 3o. moralmente puro e consagrado ao Senhor -Lev. É chamado Conselheiro . Perg. 2o. (3) durante a eternidade na glória . Como se pode provar que Ele agiu como tal antes da Sua encarnação? Io. 13. 2. 16:3. (b) por iluminação espiritual. 2o.. Dan. Seja santo. que o sacerdote . 15. Já foi provado (Cap. 5:1-3 e (2) a fim de fazer intercessão . Toda a significação e virtude do templo. 9:6. e Cap. 4o. 12. Medíatamente. 53:10. 11.Apoc. Parte 3. Perg. O sacerdote era.2o. 7. 106:17. 7:3. 3o. 16:5. 2o. 6:20.Núm.21. ‫-׳‬u l ·. (1) por Seu Espírito.2. Que é essencial ao ofício sacerdotal. Como se pode provar pelo Velho Testamento que Cristo foi verdadeiramente Sacerdote? Io. 21:6.25. como o ministério estabelecido . Apoc. sacerdote é quem é qualificado e autorizado a tratar com Deus a favor dos homens. (a) os inspirados.5. 5:8.23. 9:24. 5:1. (1) Antes da Sua encarnação. 7:17.Núm. Heb. Isto a Epístola aos Hebreus prova claramente. 3. (2) depois da Sua encarnação. Êx. 5:20. e (b) os dotados naturalmente. Comparar Sal. Seja escolhido por Deus como Sua eleição e Sua propriedade especiais . Tomado da Tipologia de Fairbairn.29. pois. Por Seu título divino de Logos. 14.‫׳‬ 3o. assim também. 27:9. Zac. 5o. 3:1. O fato é afirmado diretamente no Novo Testamento -1 Ped. É declarado expressamente. como apóstolos e profetas.Is. 19:23. . como também. pela iluminação espiritual do coração . essencialmente mediador. como por Sua palavra e por Suas obras dirigidas ao entendimento. 110:4 com Heb. 4o. Êx. Sal. O sacerdote tem o direito de aproximar-se de Deus.Luc. Cap.

Ele mediou no sentido geral da palavra . pois. 10:12. 2:5. e com a maior influência-João 16:28. Heb.Heb.Heb. Na realização de Sua obra sacerdotal. 9:26. Os sacrifícios dos outros sacerdotes não podiam tirar os pecados. 12:24.25. 2o. 8:34. O sacrifício de Cristo foi perfeitamente eficaz. Ele era santo. Io. e (2) de intercessão. 11:42. Foi escolhido por Deus . 5:6. . inocente. 3o. 17. 9:10-12. que parte Cristo executou na terra e que parte executa no céu? Na terra apresentou obediência. Heb. 5:2. Heb. e foi oferecido uma só vez. Na maneira da Sua consagração. Eles sem juramento. Heb. que era tão-somente um tipo dela.Heb. Col. 13:7. 7:24. 3o. propiciação e intercessão -Heb. 1 João 2:2.27.Heb. 10:1. Rom. Heb. sem necessidade de repetição . 10:1. 7:20.Heb. No céu apresentou Seu sacrifício no mais santo lugar e O Ofício Medianeiro de Cristo vive sempre para interceder por nós Heb. 7:26. 19. podia aproximar-Se de Deus infinitamente mais do que qualquer outro ser-João 10:30.14. contudo. Eles eram pecadores que tinham necessidade de oferecer sacrifícios primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo. 2:16.Heb.Rom. 9:12. Cristo foi tomado dentre os homens para representá--los diante de Deus . 9:11. Tinha o direito de perfeito acesso ao Pai. Ele com juramento . 8:6. Zac.João 14:6.28. 20. 7:26. Fez (e faz) intercessão . imaculado . sucederam-se por geração. Ofereceu uma propiciação-Ef. 1:3. Heb. 1 João 2:1. Ele permanece para sempre . Assim.16. 10:1-3. Na dignidade de Sua Pessoa. 4o. 5:19. Eles. 4:15. 7:25. sendo muitos. 9:26. 1:35. 2o. Ele era o Filho eterno.24. No valor infinito do Seu sacrifício. Os sacerdotes araônicos eram só homens. 4o. Era perfeitamente santo . Como se pode provar pelo Novo Testamento que em Cristo se achavam todos os requisitos de um sacerdote? Io. 7:24.24.Heb. Um tipo e sombra pressupõe necessariamente uma substância literal -Heb. 10:10-14. 3o. 10:4. 2:17.22. Que esta obra intercessória realizada por Cristo foi real e não metafórica torna-se evidente pelo fato de que ela substituiu o serviço do templo. 1 Tim. Em que aspectos foi mais excelente o sacerdócio de Cristo do que o de Arão? Io. e era preciso repeti-los continuadamente .Heb. Como demonstrar que Ele realmente desempenhou todos os deveres do ofício sacerdotal? O dever de um sacerdote é mediar por meio (1) de propiciação.Luc. Era perfeito homem e. 18. os deles eram apenas uma sombra do de Cristo . 5:7-9.

Zac. somente Cristo foi ao mesmo tempo. profeta.5o. João 5:40. quer ordinários quer extraordinários. Typology. 3. Constava de sacerdotes que não eram de linhagem real.Sal. ele tinha uma história não escrita. 20. A profecia foi: "Tu és (ou serás) um sacerdote eterno. Ef. de modo que qualquer sacerdote humano (assim chamado) é um anticristo . pois. sucessão ou fim. quer inspirados quer não. Em qualquer tempo os sacerdotes humanos eram possíveis somente como tipos. como Davi. 8:1. 10:14. e também subitamente o retira. sem mãe. o Espírito Santo nos apresenta subitamente. 22:17. sacerdote real. Deste modo as Suas divinas perfeições proféticas e reais qualificaram e realçaram a virtude transcendental de todos os Seus atos sacerdotais . Cap. foi suscitado antecipadamente. ou Profeta e Sacerdote. sem origem. 3o. Cristo faz intercessão estando sobre um trono . . segundo a ordem de Melquisedeque".Mat. Vol. 4o. 6o.37. ele permanece para sempre sem pai. e por isso. 7. No Novo Testamento nunca se atribui nenhuma função sacerdotal a qualquer dos oficiais nele mencionados. 10:1. Como homem particular. 2:10. como sacerdote real. Io. Col. Todos os deveres de todos esses oficiais constavam só das funções de ensinar e governar . assim como a têm os outros. 1 Ped. De onde vem e para onde vai não sabemos. 2. 12:28.l-3. mas tipos são possíveis somente antes da revelação do antítipo.1 Cor. Cristo cumpre perfeitamente todos os deveres e fins do ofício sacerdotal. . 7o. porque as Escrituras nos ensinam que é somente por Cristo que podemos chegar ao Pai. 3. 9:11 -24. sacerdote e Rei. Heb. na história patriarcal.2. Não pode haver necessidade de sacerdote para abrir-nos caminho para Cristo. como diz o Espírito Santo em Heb. 110:4. O fim por que foi instituído o sacerdócio araônico cumpriu-se em Cristo. O sacerdócio de Cristo está ligado a "um tabernáculo maior e mais perfeito".Heb.Heb. 1 Tim. 20. e por isso a instituição sacerdotal foi abolida para sempre por Cristo .5:2. do qual a terra é o átrio e o céu o verdadeiro santuário .Rom. Apoc. Como se pode provar que o ministério cristão não é sacerdócio? Io. mas em dois principais aspectos deixou de representar o grande Antítipo. 11:28. e com perfeição divina. 6:13. Constava de sucessivas gerações de homens mortais. Foram duas.12. 2o. como tipo exato da eternidade do sacerdócio de Cristo .18. Mas. (2) a união das funções reais e sacerdotais numa só pessoa. 7:3. Em que sentido Cristo foi sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque? O sacerdócio araônico foi típico de Cristo. 14:18-20. 8:34. Parte 3. Enquanto alguns dos servos de Deus do Velho Testamento foram ao mesmo tempo profetas e reis.Fairbairn. 3:20. 21. como Esdras. Melquisedeque. João 14:6. Gên. e com igual ênfase nos ensinam que nos é necessário chegar direta e imediatamente a Cristo . 4:11.Heb.9. as verdades prefiguradas a respeito de Cristo neste tipo: (1) um sacerdócio eterno. Por outro lado. com os nomes significativos de "Rei de Justiça"e "Rei de Paz".

. oferecer e ministrar o Seu corpo e Seu sangue. Concilio de Trento. 1845. . não damos o nome de sacerdote a ninguém da classe dos ministros. Mas ocupa cento e oitenta páginas (Seção 5) com a discussão do Seu ofício profético. e só onze páginas (Seção 6) com a discussão do Seu ofício sacerdotal. 5:10. no Novo Testamento a igreja católica recebeu por instituição do Senhor o santo e visível sacramento da eucaristia. a qual envolve comunhão com Ele em todas as Suas graças humanas e em todas as Suas funções medianeiras. Apoc. tem ab-rogado todas estas coisas. e nove (Seção 7) com a discussão do Seu ofício real. 13:15. e que. o qual deu aos apóstolos e seus sucessores no sacerdócio o poder de consagrar... devemos também confessar que nela há um novo e visível sacerdócio.. 2:1. João 16:13.. pois. Conf. súplicas e ações de graças. enquanto que a Sua obra sacerdotal. . e sim a oblação de louvor.1 João 2:20.9. Este sacerdócio.í . por Jesus Cristo. 8) sob o título de Seu ofício profético. Cap. governadores. 1: "O sacrifício e o sacerdócio de tal modo são unidos por determinação de Deus. até ao mais santo lugar . 2: cap. Sess. e pode fazer intercessão por seus amigos vivos . discutida muito vagamente. ao qual o antigo se transferiu. 23. como mostram as Sagradas Letras. Vestimentas santas e numerosas cerimônias. Helv.Heb. foi instituído pelo mesmo Salvador nosso. que eram tipos de Cristo. em conseqüência da união. é representada como constando principalmente da Sua apresentação de Si no céu como nosso Advogado. mestres. o qual. e também de remitir e reter os pecados". Porque o próprio Senhor nosso não ordenou tia Igreja do Novo Testamento nenhum sacerdote para oferecer diariamente o sacrifício do Seu corpo e do Seu sangue. todo crente tem parte no sacerdócio do Seu Cabeça num sentido tal que tem acesso imediato a Deus por Cristo. tanto federal como vital. contudo. tais como "mensageiros. atalaias.. como "sacerdote santo".. administradores. Aquele é comum a todos os cristãos... 2:5.. São chamados constantemente por nomes indicativos de uma classe inteiramente diversa de funções. A doutrina SOCINIANA sobre os ofícios medianeiros de Cristo... 1 Tim. 22. pode oferecer ali. Em que sentido todos os crentes são sacerdotes? Apesar de não poder existir na Igreja Cristã uma classe de sacerdotes que intervenham entre seus irmãos e Cristo. e para que nada derroguemos dEle. 10:19-22. e sim. sendo santificado e qualificado espiritualmente. e ensinou sempre a tradição da igreja católica. Como. No Novo Testamento de Cristo não há mais um sacerdócio tal como o que existiu entre o povo antigo.. arautos da salvação.q os. O Catecismo Racoviano ensina que Cristo é tanto Sacerdote como Profeta e Rei. 18: "O ofício sacerdotal e o ofício ministerial diferem muitíssimo um do outro. Pelo mesmo motivo eles são também profetas e reis em comunhão com Cristo . pastores e presbíteros". Janeiro.5 o.io ‫׳·? ׳׳‬ EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS A doutrina CATÓLICO-ROMANA do sacerdócio cristão. 1 Ped. este não. Mas Ele permanece eternamente o único Sacerdote. vindo e cumprindo-os. 1:6. que um e outro se encontram em todas as leis. não expiatórios. sendo eficaz para com Deus a Sua intercessão em decorrência de Suas virtudes e de Seus sofrimentos como mártir.Heb. sacrifícios espirituais.. unicamente ministros para pregarem e administrarem os sacramentos".tí~: .. i^mory. Sua morte e a maneira pela qual ela contribui para a nossa salvação são discutidas (Seção 5 do cap. Veja Bibl. que tinha uma unção externa. A doutrina PROTESTANTE.2.. "sacerdote real". que existe entre cada cristão e Cristo.

(3) Em crimes é admissível um sofrimento vicário somente à discrição absoluta do soberano. efetuada no sofrer a pena do pecado. e sua aceitação e a soltura do devedor não são questão de graça.14. e também no seu uso correto e teológico. e a distinção entre CALAMIDADES. porém o caráter deles como pena permanece. em dívidas exige-se exata e unicamente a coisa devida. a segunda a dívidas e coisas. porque. com justiça. Necessidade. No Novo Testamento (no inglês) a palavra encontra--se apenas uma vez . Perfeição e Extensão A NATUREZA DA PROPICIAÇÃO 1. 4o. (Turretino. Significado das palavras SUBSTITUIÇÃO e VICÁRIO. deixa inteiramente de exprimir o fato de que Cristo também adquiriu para nós. Elas diferem: (1) Em crimes a exigência de se fazer expiação termina na pessoa do criminoso. CASTIGOS e MALES PENAIS. como foi deixada pelo primeiro Adão.‫״‬OÃÇAFSITAS‫ ״‬Dessa forma se expressa acurada e adequadamente o que Cristo fez. Qs. Pena é essa espécie e grau de sofrimento que o legislador e juiz supremo determina como legalmente e.Rom. quando permite que uma pessoa não obrigada desempenhe um serviço ou sofra um castigo no lugar de . um quid pro quo11 exato. 5o. Seu sentido é muito limitado para exprimir adequadamente a natureza completa da obra que Cristo realizou como nosso Substituto. Substituição é o ato de graça de um soberano. Como o segundo Adão. (b) Prestou a obediência que foi a condição para que houvesse "vida". conquanto signifique propriamente expiaç