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ROTEIRO Fisica Anglo 2010

ROTEIRO Fisica Anglo 2010

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FÍSICA

Luís Ricardo Arruda de Andrade Ronaldo Carrilho Ronaldo Moura de Sá

SEMI

anglo sistema de ensino
SISTEMA ANGLO DE ENSINO FÍSICA

1

CONSELHO EDITORIAL Guilherme Faiguenboim Nicolau Marmo COORDENAÇÃO EDITORIAL Assaf Faiguenboim ASSISTÊNCIA EDITORIAL Beatriz Negreiros Gemignani Creonice de Jesus S. Figueiredo Denise da Silva Rosa Hosana Zatelli dos Santos Kátia A. Rugel Vaz Paula P O. C. Kusznir . REVISÃO TÉCNICA Flávia M. de Lima Moreira (Biologia) Fredman Couy Gomes (História) Gae Sung Lee (Matemática) Matheus Rodrigues de Camargo (Português) Moisés J. Negromonte (Geografia) Nelson Vicente de Souza Júnior (Química) Rodrigo C. dos Anjos Barbosa (Física) PROJETO GRÁFICO E FOTOLITO Gráfica e Editora Anglo Ltda. ARTE E EDITORAÇÃO Equipe de Apoio Gráfica e Editora Anglo Ltda.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Roteiro RevisAnglo – São Paulo : Anglo 2010

Vários autores.

1. Ensino médio Gráfica e Editora Anglo Ltda. MATRIZ Rua Gibraltar, 368 - Santo Amaro CEP 04755-000 - São Paulo - SP (0XX11) 3273-6000 www.angloconvenio.com.br 02-2941 CDD-373.19

Índices para catálogo sistemático: 1. Ensino integrado : Ensino médio 373.19 código: 829312110

2010
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

2

FÍSICA

ÍNDICE
Física
Unidade I – Cinemática Escalar
Capítulo 1 Fundamentos da cinemá ica escalar ...................... cinemática Capítulo 2 Movimento Uniformemen e Variado..................... Uniformemente

5 9

Unidade II – Dinâmica do Movimento Retilíneo
Capítulo 3 Fundamentos da dinâmica ...................................... Capítulo 4 Princípios da iné cia e fundamental ...................... inércia fundamen al Capítulo 5 Princípios da ação e reação e suas consequências...............................................

12 1 17 20

Unidade III – Balística
Capítulo 6 Lançamentos pr ximos à próximos superfície terres re .................................................. errestre

22

Unidade IV – Energia
Capítulo 7 Energia e suas trans ormações .............................. ansformações Capítulo 8 Potência e rendimento ............................................. Capítulo 9 A energia como mé odo de método resolução de problemas de dinâmica....................

25 28 29

Unidade V – Dinâmica Impulsiva
Capítulo 10 Equação fundamen al da fundamental dinâmica para valores médios ............................... Capítulo 1 1 Sistemas Sis emas isolados .....................................................

33 34

Unidade VI – Hidrostática
Capítulo 12 Generalidades Gene alidades .......................................................... Capítulo 13 Teorema de S evin ................................................... eorema Stevin Capítulo 14 Teorema de A quimedes ......................................... eorema Arquimedes

36 39 41

Unidade VII – Movimento Circular Uniforme
Capítulo 15 Cinemática Cinemá ica do MCU .................................................. Capítulo 16 Dinâmica do MCU ..................................................... Capítulo 17 Órbita ci cular Órbi a circular ..........................................................
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

43 45 47

3

FÍSICA

Unidade VIII – Eletrodinâmica
Capítulo 18 Diferença Di erença de potencial, corrente e potência elétrica .................................... Capítulo 19 Condutores resistores Condutores e resistores ........................................... Capítulo 20 Geradores circuito elé rico Ge adores e ci cuito elétrico simples .....................

49 53 57

Unidade IX – Eletromagnetismo
Capítulo 21 Magnetismo .............................................................. Capítulo 22 Efeito magné ico da corren e elé rica .................... eito magnético corrente elétrica

59 62

Unidade X – Forças Magnéticas e Elétricas sobre Cargas
Capítulo 23 Força magné ica sobre cargas................................ magnética Capítulo 24 Força elé rica sobre cargas ..................................... elétrica ca gas

64 66

Unidade XI – Óptica Geométrica
Capítulo 25 Fundamentos Fundamen os da óptica ........................................... óp ica Capítulo 26 O fenômeno da re reflexão ão e o espelho plano ..................................................... Capítulo 27 Os espelhos es éricos............................................... esféricos Capítulo 28 O fenômeno da refração e suas leis ...................... refração Capítulo 29 O fenômeno da re exão total................................ reflexão al Capítulo 30 Lentes es éricas: estudo g ico Len es esféricas: e udo gráfico ............................. Capítulo 31 Lentes es éricas: Len es esféricas: estudo analí ico ........................... analítico

68 70 74 79 83 85 89

Unidade XII – Termofísica
Capítulo 32 Trocas de calor p ocas provocando ocando alteração al ação de tempe emperatura....................................... Capítulo 33 Trocas de calor p ocas provocando ocando mudanças de e ado ................................................ estado Capítulo 34 Sistema ermicamente Si ema termicamen e isolado................................ Capítulo 35 Termodinâmica ......................................................... ermodinâmica

91 94 96 97

Unidade XIII – Ondulatória
Capítulo 36 Descrição e classi icação de ondas ........................ 102 classificação

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

4

FÍSICA

Fundamentos da cinemática escalar
1

CAPÍTULO 1

POSIÇÃO

2

MOVIMENTO

Na linguagem da Física, indicar a posição de um corpo é informar o lugar onde ele se encontra em determinado momento. A escolha do modo de indicar a posição de um corpo deve ser adequada a cada situação particular. O modo de localizar uma pessoa em uma multidão pode não ser conveniente para localizar um barco no mar. No entanto, em todos os casos há algo em comum. Um corpo só pode ser localizado em relação a outro corpo, denominado referencial. No caso particular de o corpo estar sobre uma linha conhecida, sua posição pode ser determinada por uma única medida. A posição de um ponto sobre uma linha conhecida é determinada por um número, positivo ou negativo, definido como segue: • No caso de a linha ser reta, escolhe-se arbitrariamente um ponto dela como origem (O). • Escolhe-se, também arbitrariamente, um sentido positivo para a reta. • O espaço (S) de um ponto (P), que vamos representar por S(P), é a distância de O até P, à qual se acrescenta o sinal positivo ( ), se o sentido de O para P for o mesmo da orientação adotada, ou o sinal negativo ( ), se o sentido de O para P for contrário ao da orientação adotada. Desse modo, os espaços dos pontos P e P’ da figura são: S(P) S(P’) OP OP’

O que caracteriza um movimento é a mudança de posição. Quando você se movimenta em uma sala, sua posição em relação a ela se altera, pois você se aproxima ou se afasta de uma parede ou do teto (no caso de pular). Como foi explicado, um corpo só pode ser localizado em relação a outro, denominado referencial. Portanto, só podemos determinar se há ou não mudança da posição de um corpo em relação a outro, tomado como referencial. No exemplo citado, o referencial é a sala. Um corpo se movimenta em relação a outro, tomado como referencial, quando sua posição varia em relação a esse referencial.

3

TRAJETÓRIA

A ideia de trajetória é a de percurso – trajeto, caminho que um corpo percorre. A estrada na qual o carro se movimenta é a trajetória dele. A pista de um autódromo é a trajetória de um carro de corrida. A trajetória de um corpo largado próximo a Terra é uma reta vertical. A trajetória de um avião pode ser observada quando ele deixa um rastro, como no caso dos aviões da Esquadrilha da Fumaça. Em resumo: Trajetória é a linha sobre a qual o corpo se movimenta.

4

DESCRIÇÃO DO MOVIMENTO

P'

O

P

• No caso de a linha ser curva, procede-se do mesmo modo, efetuando as medidas sobre a linha. Desse modo, os espaços dos pontos Q e Q’ da figura são: S(Q) S(Q’) OQ (medido sobre a linha curva) OQ’ (medido sobre a linha curva)

Em física, descrever o movimento de um corpo significa indicar sua posição em cada instante. Para isso, empregamos tabelas, gráficos ou equações. No caso de o corpo estar se movimentando sobre uma trajetória conhecida, sua posição pode ser determinada em cada instante pelo espaço. Portanto, nesse caso, o movimento pode ser descrito por uma tabela do espaço em função do tempo.

Equação dos espaços
Quando um corpo se movimenta em uma trajetória conhecida, sua posição em cada instante pode ser determinada pelo espaço. Podemos determinar o espaço em cada instante por uma tabela que relacione o espaço com o tempo, ou pelo gráfico do espaço em função do tempo, ou por uma expressão matemática denominada equação horária do movimento ou equação dos espaços, que permite obter S para cada valor de t.

O

Q

Q'

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

5

FÍSICA

5

DESLOCAMENTO ESCALAR

Se um corpo percorre uma trajetória conhecida, passando por um ponto P num instante t e por um ponto P’ num instante t’, o deslocamento S do intervalo de t a t’ é: S S’ S O deslocamento escalar ( S) indica a mudança de posição em um dado intervalo de tempo. Quando a mudança de posição é a favor da orientação da trajetória: S 0. Quando a mudança de posição é contra a orientação da trajetória: S 0. Quando não há mudança de posição: S 0.
t ΔS S S' 0 t'

Todos têm alguma ideia acerca de velocidade e conhecem pelo menos um aparelho para medi-la, o velocímetro, presente em quase todos os tipos de veículo. A velocidade escalar indica não só a rapidez, mas também o sentido do movimento. Se um corpo percorre uma trajetória orientada, atribuímos sinal positivo ou negativo à velocidade, dependendo de o movimento ser no mesmo sentido ou no sentido contrário ao da orientação da trajetória.

7

VELOCIDADE ESCALAR MÉDIA

Se um corpo percorre certa trajetória e se desloca S num intervalo de tempo t, sua velocidade média (Vm) nesse intervalo será: Vm
ΔS

S t

t' ΔS S' S 0

t

t t' Δt t' t

Definição de velocidade média.

Unidade de velocidade escalar
O símbolo Nos livros de Física, assim como nos de Química e de Matemática, aparece a todo instante o símbolo , em geral acompanhado de outra letra: t, S, y. O símbolo corresponde à letra grega delta, usada em textos científicos com o significado de diferença, variação. Por exemplo, se a letra t for adotada para indicar o tempo, t indicará a variação do tempo; se S indicar o espaço, S será a variação do espaço. Foi convencionado que, se G é uma grandeza qualquer que sofre uma variação, G deve ser calculado pela diferença entre o valor final e o valor inicial dessa grandeza. G (valor final da grandeza G) (valor inicial da grandeza G) • Se a grandeza G permanece constante, G 0. A unidade de velocidade escalar é uma unidade de comprimento dividida por uma unidade de tempo. Por exemplo: m/s (metro por segundo), m/min (metro por minuto), km/h (quilômetro por hora). Embora a unidade km/h seja a mais usual, o m/s é a unidade de velocidade do Sistema Internacional de Unidades (SI) e é a empregada em Física. A conversão de uma unidade de velocidade em outra é muito simples. Veja o texto em destaque. Relação entre m/s e km/h Vamos transformar a velocidade de 90 km/h em m/s. Sabemos que: Portanto: 1 km 1 000 m 1 h 3 600 s 90 km/h 1 000 3 600 90 km/h 90 1 000 m 3 600 s 1 3,6 90 m 3,6 s 25 m/s

Mas:
6

VELOCIDADE E RAPIDEZ

Logo:

A palavra velocidade aparece sempre associada à maior ou menor rapidez com que um movimento ocorre. Pode ser o movimento de um carro em uma estrada ou o do dinheiro circulando de uma pessoa para outra – para citar apenas dois exemplos. Mas há diferenças entre as velocidades. Vamos estudar aqui o tipo particular denominado velocidade escalar, útil para descrever o movimento de um corpo sobre uma trajetória conhecida.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Resumindo • Para transformar m/s em km/h: multiplica-se o valor por 3,6 • Para transformar km/h em m/s: divide-se o valor por 3,6

6

FÍSICA

Observações a respeito da relação
• A expressão Vm

S/ t

10

S pode ser empregada para qualt

MOVIMENTO ACELERADO, RETARDADO E UNIFORME

quer tipo de movimento. • Se a velocidade é constante, o quociente do deslocamenS to pelo tempo é também constante e denominado t velocidade escalar do movimento. • Se a velocidade não é constante, o quociente do deslocaS mento pelo tempo é denominado velocidade escat lar média no intervalo de tempo t.

Analise o exemplo. Um carro parte do repouso de um ponto A de uma rua e dirige-se para um ponto B, como mostrado na figura.

A Carro se deslocando entre dois semáforos.

B

A indicação do velocímetro do carro varia como indicado no gráfico a. Nesse gráfico discutimos três trechos. • Trecho 1: a indicação do velocímetro aumenta. Na linguagem usual, dizemos que o carro está arrancando. Na Física, dizemos que o movimento é acelerado. • Trecho 2: a indicação do velocímetro é constante. Na Física, dizemos que o movimento é uniforme. • Trecho 3: a indicação do velocímetro diminuiu. Na linguagem usual dizemos que o carro está brecando ou freando. Na Física, dizemos que o movimento é retardado.
Indicação do velocímetro

8

PROPRIEDADE DO GRÁFICO DA VELOCIDADE ESCALAR CONSTANTE

A área do retângulo formado no gráfico da velocidade constante representa o deslocamento ( S) no corpo no intervalo de tempo ( t).
V D C

2 1 3

V

S (gráfico a) t

A S no gráfico de V t.

t

B

t

9

PROPRIEDADE DO GRÁFICO DA VELOCIDADE ESCALAR

O sinal da velocidade depende da orientação do eixo. Orientando-se um eixo para a direita, obtemos o gráfico b. Orientando-se um eixo para a esquerda, obtemos o gráfico c. No entanto, uma coisa não pode mudar: No trecho 1 o carro está arrancando; no trecho 2 a velocidade é constante; no trecho 3 o carro está brecando. No trecho 1 o movimento é acelerado; no trecho 2 é uniforme; no trecho 3 é retardado.
V MU MA MR

De modo análogo ao gráfico da velocidade constante, a área assinalada representa o deslocamento no intervalo de tempo considerado. A única diferença é que agora não se trata de um retângulo.
V

(gráfico b) V

t

t S t S no gráfico de V
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

MA MU (gráfico c)

MR

t.

7

FÍSICA

Tais considerações levaram os físicos a adotar as seguintes definições: • O movimento é denominado uniforme (MU) quando apresenta velocidade escalar constante. • O movimento é acelerado (MA) quando apresenta velocidade crescente em módulo. • O movimento é retardado (MR) quando apresenta velocidade decrescente em módulo.

11

MOVIMENTO UNIFORME

Vamos procurar a equação dos espaços do movimento uniforme, isto é, uma expressão geral para a equação dos espaços de um corpo que percorre uma trajetória qualquer em movimento uniforme, com velocidade escalar V. Se, no instante t0, o corpo está no ponto de espaço S0, o problema é obter o espaço S num instante qualquer t. Organizando os dados, temos: 1 2 O tempo decorrido entre o instante t0 e um instante t qualquer é: Como no instante t0 o carro está no ponto de espaço S0, o deslocamento entre o instante t0 e um instante t qualquer é: Como a velocidade V é constante: Portanto: Substituindo 2 e 1 em 4, assim: Obtemos a equação dos espaços: Se o instante em que o movimento se inicia é t0 S S0 0, a equação horária passa a ser: S S t S V S S0 S0 t S S t V t V(t V(t t0) t0) t0 S0

3 4 5 6

Vt (para o corpo em MU, com velocidade escalar constante (V).
t

t0 = 0 O S0 S

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

8

FÍSICA

Movimento Uniformemente Variado
1

CAPÍTULO 2

DEFINIÇÃO DE ACELERAÇÃO ESCALAR MÉDIA

Se um corpo sofre uma variação de velocidade V em um tempo t, define-se a aceleração escalar média (am) nesse intervalo pela expressão: V t

O movimento de um corpo que apresenta aceleração escalar constante é denominado movimento uniformemente variado (MUV).

am

3

EQUAÇÃO DA VELOCIDADE

V’ t’ V t
a V’ t’ V t V t

Seria conveniente uma expressão que permitisse calcular a velocidade de um corpo em movimento uniformemente variado num instante t qualquer. Suponha que a velocidade do corpo no instante t 0,

Se a aceleração é constante:
Definição de aceleração escalar.

a t V V V t V V0 V0

V t 0 t V0. at, at.

sendo Observações e 1ª) Se o movimento é uniforme, a aceleração escalar é nula. 2ª) Se o movimento é acelerado, a aceleração escalar tem o mesmo sinal da velocidade. 3ª) Se o movimento é retardado, a aceleração escalar tem sinal contrário ao da velocidade. Fazendo as substituições: logo:

Unidade de aceleração
No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de tempo é o segundo: e a de velocidade é: A aceleração escalar foi definida pela expressão: Logo, colocando as respectivas unidades na expressão anterior: Efetuando as devidas transformações, obtemos a unidade de aceleração: a m/s s m/s2 s m/s V t

A expressão V V0 at é a expressão procurada, pois permite calcular V a cada instante. Construindo o gráfico da velocidade em função do tempo, obtemos uma reta, pois a expressão que relaciona a velocidade com o tempo é do primeiro grau. Exemplo:
V(m/s)

4

3

2

2

DEFINIÇÃO DE MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO

1

0

2

4

6

8

10

t(s)

Como veremos, são comuns as situações em que o corpo fica sob a ação de forças constantes e que, nessas situações, adquire aceleração constante.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Gráfico da velocidade em função do tempo: V0 2 m/s e a 0,2 m/s2.

9

FÍSICA

4

EQUAÇÃO HORÁRIA DO MUV

Vamos supor que, no instante t 0, o corpo esteja a uma distância S0 da extremidade da mesa, movimentando-se para a direita com velocidade V0, e que, a partir desse instante, sua aceleração escalar seja a, constante, também para a direita. Todas essas informações estão resumidas na figura a seguir.
Entre os instantes 0et a = constante

0 V0

t V = V0 + at

O

A

P S

S0 S

Corpo deslizando sobre uma mesa, à qual foi adaptada uma régua com a origem na extremidade esquerda. No instante t 0, o corpo movimenta-se para a direita com velocidade V0 ; a partir de t 0, a aceleração escalar do movimento é a, constante.

O propósito é chegar a uma expressão matemática que permita determinar o espaço S, que é a distância até a extremidade da mesa, em função do tempo t. Para esboçar o gráfico da velocidade em função do tempo, devemos lembrar três fatos. O primeiro é que a velocidade inicial é conhecida e vale V0 ; o segundo é que a aceleração escalar é constante, então, o gráfico procurado é uma reta; o terceiro é que a aceleração é positiva, logo, a velocidade será crescente. Com essas informações, chegamos ao gráfico abaixo. O deslocamento entre os instantes 0 e t ( S) pode ser calculado pela área sob o gráfico da velocidade.
V (m/s) V0 t V0 S V = V0 + at V = V0 + at S

t

t (s)

Gráfico da velocidade em função do tempo.

1 2 3 4 5

Área do trapézio de base menor (bm), base maior (BM) e altura h vale: No caso, a base menor é a velocidade no instate t: a base maior é a velocidade no instante t: e a altura é o tempo: Substituindo (2), (3) e (4) em (1), vem:

S

1 (bm 2 bm V0 V0 t V0

BM) h

BM

V h

at,

S

1 (V 2 0 S S V0t S0

at) t.

6 7 8

Efetuando as devidas transformações algébricas: Como: obtemos a expressão procurada: S

1 2 at . 2 S, 1 2 at . 2

S0

V0t

Conclusão Em um movimento uniformemente variado, o espaço pode ser calculado em cada instante pela expressão: S S0 V0t 1 2 at 2
FÍSICA

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

10

5

EQUAÇÃO DE TORRICELLI
A velocidade de um corpo em movimento uniformemente variado pode ser determinada em cada instante pela

expressão V S S0 V0t

V0 at. Também é estabelecido que o espaço pode ser determinado em cada instante pela expressão 1 2 2 at . Há casos em que é conveniente relacionar a velocidade V com o espaço S. Para isso temos de eliminar

t dessas duas expressões.

1

Partimos da equação da velocidade: e da equação dos espaços: S

V S0 t (V S S0 V0 a (V S S0 V0 (V S 2a(S S0) S0 V0 2V0V 2a(S V2

V0 V0t (V a V0)

at 1 2 at . 2 V0) 1 (V V0) 2 a 2 a (V V0)2 2a V0) (V V0)2 2a V2 V2
2 V0

2

Isolamos t na equação da velocidade:

3

e o substituímos na equação horária:

4

Simplificando a no último termo da expressão acima:

V0) a

5

ou: Multiplicando a expressão anterior por 2a, efetuamos o produto V0(V V0) e desenvolvemos o quadrado (V V0)2: Simplificando o que é possível: obtemos:

a
2 2V0

6 7 8

2VV0

2 2V0

S0)
2 V0

2a(S

S0)

2 Por razões ignoradas, a expressão V2 V0 2a(S S0), que estabelece a relação procurada entre a velocidade (V) e o espaço (S), é conhecida, no Brasil, como equação de Torricelli.

No movimento uniformemente variado: • a aceleração escalar é constante e diferente de zero; • a velocidade pode ser calculada em um instante t qualquer pela expressão: V V0 • o gráfico da velocidade em função do tempo é uma reta não paralela ao eixo t; 1 2 • o espaço pode ser calculado em cada instante pela expressão: S S0 V0t at ; 2 2 • a expressão que relaciona velocidade com posição é: V2 V0 2a(S S0).

at;

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

11

FÍSICA

Fundamentos da dinâmica
1

CAPÍTULO 3

GRANDEZA FÍSICA

Denominamos grandeza física tudo o que pode ser medido por um instrumento. Medir uma grandeza é estabelecer uma relação entre a grandeza de uma unidade de medida. Comprimento, massa e tempo são grandezas físicas, pois podem ser medidas, respectivamente, por uma régua, uma balança e um relógio. A medida (número) acompanhada da unidade é a intensidade da grandeza.
L

a

b

c

(a) Direção da reta; (b) retas paralelas apresentam a mesma direção; (c) a cada direção correspondem dois possíveis sentidos.

Resumindo Uma grandeza vetorial fica determinada pela intensidade, que é um número positivo acompanhado de uma unidade, e por uma orientação espacial, que é a direção e o sentido.

U L 5U Unidade Medida Intensidade 2 4

NOTAÇÃO, REPRESENTAÇÃO, IGUALDADE DE GRANDEZAS VETORIAIS

GRANDEZAS ESCALARES E VETORIAIS

Há certas grandezas – denominadas escalares – que ficam determinadas quando se conhece sua intensidade. Podemos dizer, informalmente, que a grandeza escalar fica determinada quando se sabe quanto ela vale. Há certas outras grandezas – denominadas vetoriais – que só ficam determinadas quando se conhece, além da intensidade, sua orientação espacial. Podemos dizer, informalmente, que a grandeza vetorial só fica determinada quando se sabe quanto e para onde.
3

DIREÇÃO E SENTIDO

A orientação espacial de uma grandeza vetorial é dada pela direção e pelo sentido. Uma reta define uma direção, e qualquer reta paralela a ela possui a mesma direção. Logo, um feixe de retas paralelas apresenta uma única direção. Uma rua ou um rio, caso sejam retilíneos, definem direções. Podemos falar em direção da rua São Benedito, direção do rio Amazonas ou direção da ferrovia Norte-Sul. Claro que, nos dois últimos casos, estaríamos indicando apenas uma direção aproximada, pois nem um rio nem uma ferrovia são perfeitamente retilíneos. A cada direção correspondem dois possíveis sentidos. Podemos percorrer uma reta vertical em dois sentidos: para cima ou para baixo. À direção horizontal correspondem os sentidos “para a direita” e “para a esquerda”. Uma rua pode ser percorrida em dois sentidos diferentes, e podemos subir ou descer um rio.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

O deslocamento é uma grandeza que indica mudança de posição, e não o caminho percorrido. Em outras palavras, o deslocamento indica o ponto de partida e o ponto de chegada. De maneira informal, poderíamos escrever que o deslocamento segue a fórmula geral sai-chega. Se vamos de Natal até Fortaleza, há uma mudança de posição que, independentemente da trajetória seguida, pode ser representada por uma seta com origem em Natal e extremidade em Fortaleza. Esse é o deslocamento NatalFortaleza. Observe que o deslocamento não fica determinado quando se conhece apenas sua intensidade. Se informarmos que Fortaleza fica a 450 km de Natal, o destino da viagem pode ser qualquer cidade situada em uma circunferência com centro em Natal e raio de 450 km. Se o piloto soubesse apenas que Fortaleza fica a 450 km de Natal, sem saber em que direção, ele poderia chegar à cidade de Milha, no Ceará, ou Peba, em Pernambuco, como você pode confirmar em um mapa dessa região. Em resumo:

Deslocamento é uma grandeza vetorial
N

Fortaleza
O

NO

NE L

Boqueirão do Cesário Mossoró

SO S

SE

Natal
Deslocamento aéreo.

12

FÍSICA

Mas que símbolo é adequado para representar um deslocamento? Não podemos chamar esse deslocamento de D, pois uma letra equivale a um número acompanhado de unidade, e a determinação do deslocamento exige que se indiquem sua intensidade, sua direção e seu sentido. Por isso, foi proposto que as grandezas vetoriais fossem representadas por uma letra grega ou latina qualquer, maiúscula ou minúscula, sobre a qual se colocasse uma seta. Escrevemos, então, que o deslocamento do corpo é D. Quando queremos nos referir apenas à intensidade da grandeza, utilizamos a mesma letra sem seta. Portanto, a intensidade do deslocamento D é D. Na tabela que se segue, estão descritos os deslocamentos D, d1 e d2 da figura.
y → D → d2 → d1

quada, a grandeza é vetorial. Por exemplo, se alguém informar que são 4 horas da tarde ou que um saco de arroz tem 60 quilos, ninguém vai perguntar “para onde”. Mas, se alguém disser “desloque-se 40 metros”, a pergunta “para onde” é perfeitamente adequada, o que indica que deslocamento é uma grandeza vetorial. Vamos aplicar esse critério para diferentes grandezas associadas ao movimento.

Velocidade vetorial
Se você receber a informação de que um barco se movimenta a uma velocidade 100 km/h, a pergunta “para onde” é adequada? A resposta é sim. Portanto, velocidade é uma grandeza vetorial. Velocidade vetorial (V) é uma grandeza com as seguintes características: Intensidade Sempre igual ao módulo na velocidade escalar. Em símbolos: V V Se o movimento é retilíneo, a velocidade tem a direção da trajetória. Se o movimento é curvilíneo, a velocidade tem, em cada ponto, direção tangente à trajetória. O sentido do movimento.

Direção V
x

D Intensidade Direção Sentido 3m do eixo y do eixo y

d1 3m do eixo y do eixo y

d2 3m do eixo x contrário ao do eixo x

Sentido

Velocidade vetorial e velocidade escalar
Ao contrário do que possa parecer, os conceitos de velocidade escalar e de velocidade vetorial não são contraditórios. Na verdade, eles se completam, sendo a velocidade vetorial uma ideia mais geral. De maneira informal, poderíamos dizer que a velocidade vetorial é a velocidade escalar acrescida de direção e sentido. O fato de algumas questões de Física serem resolvidas sem levar em conta a direção e o sentido do movimento não torna desnecessário o conceito de velocidade vetorial. Como veremos, de acordo com a situação física que se apresenta, decidimos pela conveniência de um tratamento escalar ou vetorial à velocidade.

Em resumo, sendo G uma grandeza vetorial qualquer, de intensidade G, tenha os seguintes cuidados: • O símbolo G não pode ser igualado a número, G deve ser descrito por número, direção e sentido. • O símbolo G pode ser igualado a número acompanhado de unidade. • Os símbolos G e G têm significados diferentes. • G1 G2 ⇔ as duas grandezas apresentam mesma intensidade, mesma direção e mesmo sentido. • G1 G2 ⇔ as duas grandezas apresentam mesma intensidade. G2 ⇔ as duas grandezas apresentam mesma • G1 intensidade, mesma direção, mas sentidos contrários.

6

A VELOCIDADE VETORIAL EM DIFERENTES MOVIMENTOS

5

GRANDEZAS VETORIAIS ASSOCIADAS AO MOVIMENTO

Um modo prático de perceber se uma grandeza é escalar ou vetorial é testar a validade da informação “para onde” em relação a tal grandeza. Se a informação for adeSISTEMA ANGLO DE ENSINO

Quanto à trajetória, os movimentos são classificados em retilíneos ou curvilíneos. Por sua vez, os curvilíneos, de acordo com a curva que descrevem, são classificados em circulares, parabólicos, elípticos e assim por diante. A direção da velocidade é sempre a mesma nos movimentos retilíneos e varia nos curvilíneos. Quanto ao modo de percorrer a trajetória, um movimento é classificado como uniforme ou variado, conforme sua velocidade tenha intensidade constante ou variável. Os variados podem ainda ser classificados em acelerados e retardados, conforme sua velocidade seja crescente ou decrescente em intensidade.

13

FÍSICA

→ V3 → V2 → V1
e dir ç c ão s on tan te

→ V2 → V1 → V3 direção variável

3) Se o movimento é retardado, a aceleração tangencial tem a mesma direção e sentido contrário ao da velocidade. 4) Se o movimento é uniforme, a aceleração tangencial é nula.
→ a → V → a → V MRA

a

b

No movimento retilíneo, a direção da velocidade é sempre a mesma, enquanto, no movimento curvilíneo, varia de ponto para ponto.

Considerações gerais sobre a variação da velocidade vetorial
A ideia de aceleração é sempre a de estudar a variação de velocidade. Assim, como vimos, a aceleração é a taxa de variação da velocidade escalar. Por analogia, a aceleração vetorial é a taxa de variação da velocidade vetorial. Ocorre que a velocidade vetorial pode variar tanto em intensidade como em direção. Em um movimento retilíneo acelerado, a direção da velocidade é constante, mas a intensidade varia. Em movimento circular variado, tanto a intensidade quanto a direção variam. É extremamente conveniente o estudo separado da variação da intensidade com a variação da direção. A aceleração tangencial, que é a que nos interessa no momento, é a taxa de variação da intensidade da velocidade. A aceleração centrípeta, que será vista mais tarde, é a taxa de variação da direção da velocidade.
→ a → V → a

MCA

MRR

→ V

MCR

8

FORÇAS

7

ACELERAÇÃO TANGENCIAL ( )

Considerações gerais
É importante lembrar que a aceleração é uma medida da variação de velocidade, mas não é a causa. A variação da velocidade de um corpo acontece pela ação de outros corpos. A grandeza que caracteriza a ação de um corpo sobre o outro é a força.

A taxa de aumento ou diminuição de velocidade pode ser expressa por uma grandeza vetorial, denominada aceleração tangencial, que apresenta as seguintes características: Intensidade: Direção: a Sentido: É igual ao módulo da aceleração escalar. Em símbolos: |a| |a| É a mesma da velocidade, tangente à trajetória. Daí ser chamada tangencial. No movimento acelerado, é a favor da velocidade. No retardado, é contra a velocidade.

Conceito de força
Dizemos que um corpo age sobre outro quando puxa, empurra, atrai ou repele outro. Em cada um desses fenômenos – puxão, empurrão, atração ou repulsão –, um corpo aplica força sobre outro. Não se define força. A força não é estabelecida por meio de relação matemática com outras grandezas. O que podemos apresentar é um conceito de força: Força é uma grandeza vetorial que caracteriza a ação de um corpo sobre outro e que tem como efeito a deformação do corpo sobre o qual essa força é aplicada ou a alteração de sua velocidade. Empregamos para forças a notação usual para grandezas vetoriais: uma letra sobre a qual se coloca uma seta. Exemplos: F, f , T, P. Para indicar a intensidade da força, empregamos a mesma letra sem a seta. Exemplos: F, f, T, P. Convencionamos representar a força por uma seta com origem no corpo que a recebe, e não naquele que a aplica.

A aceleração tangencial em diferentes movimentos
Para assinalar a aceleração vetorial, proceda como se segue: 1) Identifique para onde o corpo se movimenta. Marque a velocidade, seguindo o que foi explicado no item 5. 2) Se o movimento é acelerado, a aceleração tangencial tem a mesma direção e sentido da velocidade.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

14

FÍSICA

A unidade de força no Sistema Internacional é o newton (N), cuja definição será apresentada em momento oportuno. Observe que só existe força quando há dois corpos: um que aplica a ação e outro que sofre a ação. Por isso, não é apropriado falar em “força do corpo”, mas força aplicada ou recebida pelo corpo. Em resumo, a força não é propriedade do corpo, mas de um par de corpos.
9

A força de tração
Quando um corpo A puxa um corpo B, dizemos que A exerce sobre B uma força de tração (T), a qual impede a separação entre eles. Cordas, cabos de aço, linhas de costura ou quaisquer elementos de transmissão de força de tração serão aqui chamados de fio. A tração transmitida por um fio tem sempre a direção do fio e o sentido de puxar.
Corpo → T Fio Mão

TIPOS DE FORÇA

Inicialmente, vamos estudar apenas as forças aplicadas ou recebidas por corpos que estejam no estado sólido. Essas forças se dividem em: forças de campo e forças de contato. Como o nome sugere, as forças de contato só existem enquanto há contato entre os corpos, e, portanto, num dado corpo, o número de forças de contato não pode superar o número de contatos. Essas forças estão presentes quando se empurra ou se puxa um corpo. As forças de campo existem mesmo quando não há contato entre os corpos. São exemplos de força de campo: a força elétrica (aplicada por corpos eletrizados); a força magnética (aplicada por ímãs); a força peso (aplicada por um planeta ou por uma estrela sobre outros corpos). No momento, entre as forças de campo, só nos interessa a força peso.

Fio puxando corpo.

A força de contato e suas componentes
Uma bengala apoiada no chão, em posição inclinada, apresenta, ao mesmo tempo, tendência de penetração no piso e de escorregamento. O piso aplica sobre a bengala uma força (C) que impede, simultaneamente, a penetração e o escorregamento.
→ C é a força de contato; ela impede a penetração e o escorregamento.

A força peso
Em 1687, o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727) formulou a hipótese de que todos os corpos se atraem mutuamente. A existência dessa atração, denominada gravitacional, é muito difícil de ser observada experimentalmente, quando se opera com objetos comuns – dois cadernos, por exemplo –, pois, nessas condições, ela é desprezível e exigiria um aparelho de grande sensibilidade para detectá-la. No entanto, quando um dos objetos tem massa muito grande, como um planeta ou uma estrela, essa atração passa a ter considerável intensidade. Um corpo na superfície ou nas proximidades da Terra, ou de um outro planeta, está submetido a uma força de atração gravitacional, dirigida para o centro da Terra, também chamada força peso (P), exercida pelo planeta sobre o corpo. A existência dessa força explica fenômenos corriqueiros como, por exemplo, a queda dos corpos.

Tendência de escorregamento → C

Tendência de penetração

Força de contato.

→ P

A força peso apontando para o centro da Terra.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Uma das componentes, denominada componente normal da força de contato (N), impede, no nosso exemplo, que a bengala penetre no solo. Ou seja, é a normal que garante a impenetrabilidade dos corpos quando no estado sólido. Ela tem direção normal (perpendicular) à superfície de contato e sentido contrário à tendência de penetração. A outra componente, denominada componente tangencial ou componente de atrito da força de contato (A ), impede ou dificulta o escorregamento de um corpo em relação ao outro. Ela tem direção paralela à superfície de contato e sentido contrário à tendência de escorregamento. Para fins práticos, as componentes da força de contato são muito mais importantes que a própria força de contato. Por isso, é usual tratá-las como forças, e não como meras

15

FÍSICA

componentes – são comuns as expressões força normal e força de atrito, em lugar das formas corretas, que seriam componente normal e componente de atrito da força de contato. Em algumas situações, a componente de atrito não existe ou pode ser desprezada. Quando isso acontece, a componente normal coincide com a força de contato, e passa a ser correto denominá-la força normal.
→ N impede a penetração → A impede o escorregamento → A → C → N superfície áspera

Quando o atrito é desprezível, C

N.

10

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE RESULTANTE

O conjunto das forças que agem sobre um corpo é denominado sistema de forças. Muitas vezes, para o estudo do movimento de um corpo, interessa o efeito total que o sistema de forças causa nesse movimento. Em tais casos, aplica-se o conceito de resultante do sistema.

Conceito de resultante
Um sistema de forças age sobre um corpo. A resultante do sistema é uma força imaginária que, se agisse sozinha, produziria o mesmo efeito dinâmico que o sistema. A resultante não corresponde, necessariamente, a uma ação de um corpo vizinho. A resultante é um artifício matemático que facilita o estudo do movimento. Daí ter sido chamada de imaginária.

superfície muito escorregadia

A

0

→ N

→ C

11

COMO OBTER A RESULTANTE

Componentes da força de contato.

A resultante é a soma vetorial das forças que agem sobre o corpo. Há mais de uma maneira de se obter a soma vetorial. Para o estudo da Dinâmica do movimento retilíneo, finalidade do próximo capítulo, o mais conveniente é o que segue, constituído de quatro casos.

Caso

Descrição As forças têm a mesma direção e sentido
F1 F2

Característica da resultante Somam-se intensidades, conservam-se a direção e o sentido
R F1 F2

As forças têm a mesma direção, mas sentidos contrários
F2 F1

Subtraem-se as intensidades, conserva-se a direção. O sentido é o da força que possui maior intensidade
R F2 F1

As forças são perpendiculares entre si

A resultante é a hipotenusa de um triângulo retângulo de catetos F1 e F2
R

F1 F2

F1 F2

As forças formam entre si um ângulo qualquer .

Decompomos uma das forças. Decompor é obter duas forças, perpendiculares entre si, convenientemente escolhidas, de modo a cair nos casos anteriores.
R

F Fy G F G Fx Fx G Fy

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

16

FÍSICA

Princípios da inércia e fundamental
1

CAPÍTULO 4

ENUNCIADO DO PRINCÍPIO DA INÉRCIA

O princípio da inércia trata da tendência natural do movimento e pode ser enunciado da seguinte forma: Princípio da inércia, enunciado 1: Se, num dado instante, um corpo está em repouso, ele tende a permanecer em repouso. Se, num dado instante, um corpo está em movimento, ele tende a permanecer em movimento retilíneo com a mesma velocidade.

Princípio da inércia, enunciado 3: Se a resultante das forças que agem sobre o corpo é nula, ele está em equilíbrio, que pode ser estático ou dinâmico.

3

A MASSA COMO MEDIDA DA INÉRCIA

A massa indica também a tendência do corpo de manter seu estado de movimento. Quanto maior a massa do corpo, maior a tendência de ele se manter em repouso ou em movimento retilíneo uniforme. Pode-se, então, dizer que: A inércia do corpo é medida por sua massa. A massa não se altera se o corpo é levado de um local da Terra para outro ou transportado para a Lua, ou para uma região do espaço onde a gravidade seja nula. Resumindo A massa de um corpo é uma característica desse corpo, não do local.

2 PRINCÍPIO DA INÉRCIA – ENUNCIADO FORMAL

É importante também uma formulação matemática do princípio da inércia. Para chegar a essa formulação, algumas considerações são necessárias. A primeira se refere à tendência natural do corpo, que deve ser entendida como o comportamento que o corpo teria se nenhuma força agisse sobre ele ou se a resultante das forças que agem sobre ele fosse nula. Em resumo, a tendência natural de movimento ocorre quando R 0. A outra consideração é de que um corpo em repouso ou em movimento retilíneo uniforme tem velocidade vetorial constante. A única diferença é que, no primeiro caso, ela é nula, e, no segundo, é não nula. Em resumo: Princípio da inércia, enunciado 2: R 0 ⇔ V é constante. Esse é o enunciado formal do princípio da inércia, cuja relação deve ser lida do seguinte modo: Se a resultante das forças que agem sobre o corpo é nula, então, a velocidade vetorial é constante; reciprocamente, se a velocidade vetorial é constante, então, a resultante é nula.

4

O PESO É DIRETAMENTE PROPORCIONAL À MASSA

Podemos medir o peso P e massa m de diversos corpos num dado local da Terra. O peso é medido com um dinamômetro, e a massa, com uma balança. Os resultados obtidos permitem concluir que o quociente do peso pela massa é uma constante que não depende nem de m nem de P.

X
0 5 10 15 20 25 30 35 40

Equilíbrio
Há palavras ou expressões da Física que exigem redobrada atenção em seu emprego, pelo fato de terem um significado diferente daquele empregado na linguagem usual. Uma dessas palavras é equilíbrio. Há dois tipos de equilíbrio: estático e dinâmico. O equilíbrio estático é sinônimo de repouso. O equilíbrio dinâmico é sinônimo de movimento retilíneo uniforme. Portanto, um corpo em equilíbrio pode estar em repouso ou em MRU. Podemos, então, enunciar o princípio da inércia de outra forma:
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Medindo peso e massa na superfície da Terra.

Poderíamos repetir essa experiência em outros pontos do universo. Veríamos que o quociente do peso pela massa continuaria sendo uma constante que depende apenas do ponto escolhido. Essa constante é denominada intensidade do campo gravitacional do ponto considerado.

17

FÍSICA

Para um ponto X qualquer. P/m g (constante característica do ponto X).

Logo: P

m g

P

mg

• Peso é a força com que a Terra, ou outro astro, atrai um corpo. • É medido com dinamômetro em equilíbrio. • A unidade, no SI, é o newton (N). • É uma característica do corpo e também do local.

• A intensidade do campo gravitacional (g) em um ponto qualquer é a constante de proporcionalidade entre o peso de um corpo no ponto considerado e a massa. • Depende apenas do local.

• Massa indica a quantidade de matéria e a inércia (que é a tendência de manter-se em repouso ou MRU). • É medida em balança. • A unidade, no SI, é o quilograma (kg). • É uma característica do corpo, não do local.

5

A RESULTANTE, A ACELERAÇÃO E O TIPO DE MOVIMENTO

6

RESULTANTE E ACELERAÇÃO TANGENCIAL: DIREÇÃO E SENTIDO

O princípio da inércia estabelece que, se a resultante das forças que agem sobre um corpo é nula, ele permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme: R 0 ⇔ V é constante

Negando uma das afirmações, a outra é negada. Portanto, qualquer outro tipo de movimento exige resultante diferente de zero: R 0 ⇔ V não é constante

Incialmente, estudaremos apenas o movimento retilíneo. Vamos imaginar duas experiências, primeiro com um corpo em movimento retilíneo acelerado e, depois, com outro em movimento retilíneo retardado. Na primeira, o corpo é colocado inicialmente em repouso sobre uma superfície plana horizontal, com a qual o atrito é desprezível. Aplicando a esse corpo uma força horizontal para a direita, verificamos que ele adquire um MRA para a direita. A velocidade, a resultante e a aceleração tangencial estão indicadas na figura a seguir.

Nessa última relação fica estabelecido que resultante diferente de zero causa alteração da velocidade, seja um aumento, seja uma diminuição, seja uma mudança de direção. Por exemplo, um corpo que está em repouso só inicia o movimento se o sistema de forças que age sobre ele admitir uma resultante não nula. Ou: um corpo em movimento só atinge o repouso se a resultante é não nula. Um corpo só faz curva se a resultante das forças que agem sobre ele é diferente de zero.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

→ V

→ a → R

A experiência e a representação esquemática da resultante, da velocidade e da aceleração tangencial do corpo em MRA.

18

FÍSICA

Na segunda experiência, um corpo é lançado em uma superfície plana horizontal com velocidade V0 para a direita. Se o atrito entre o corpo e a superfície não é desprezível, o corpo adquire MRR até parar. A velocidade, a resultante e a aceleração estão indicadas na figura a seguir.

de submeter diferentes corpos a resultantes de diferentes intensidades e verificar, em cada caso, a aceleração adquirida. Realizando essas experiências e adotando uma unidade conveniente de força, podemos escrever que a intensidade da resultante é dada por R m a . A unidade de força no SI A unidade de força SI é o newton (N), definida com a unidade de massa, que é o quilograma (kg), e a de aceleração, que é o m/s2, já definidos. 1 N é a intensidade da resultante necessária para um corpo de massa 1 kg adquirir uma aceleração de 1 m/s2.

→ a → R

→ V

A experiência e a representação esquemática da resultante, da velocidade e da aceleração tangencial do corpo em MRR.

8

EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA PARA O MOVIMENTO RETILÍNEO

Analisando esses exemplos, bem como qualquer outro movimento retilíneo, chegamos à seguinte conclusão: Nos movimentos retilíneos, a resultante e a aceleração tangencial têm sempre mesma direção e mesmo sentido.

7

RESULTANTE E ACELERAÇÃO: INTENSIDADES

Tudo o que foi discutido até aqui pode ser resumido em duas afirmações, que constituem o enunciado do princípio fundamental da Dinâmica: • R m a (para o movimento retilíneo). • Em um movimento retilíneo, a resultante e a aceleração tangencial têm sempre mesma direção e mesmo sentido. Essas informações podem ser reunidas em uma única expressão, chamada equação fundamental da Dinâmica para o movimento retilíneo, que é a expressão matemática do princípio fundamental da Dinâmica: R m a

Experimentalmente, verifica-se que a intensidade da resultante das forças que agem sobre um corpo em movimento retilíneo é igual ao produto m a . Essa verificação experimental é bastante simples de ser imaginada, mas muito difícil de ser realizada. Teríamos

(para o movimento retilíneo)

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

19

FÍSICA

Princípios da ação e reação e suas consequências
1

CAPÍTULO 5

INTERAÇÕES

O princípio da ação-reação estabelece que, na natureza, não há ação isolada de um corpo sobre outro, mas ação entre corpos, a qual denominamos interação. Sempre que necessário, vamos empregar o símbolo F (A/B) que deve ser entendido como a força que A exerce em B. O princípio da ação-reação resolve a seguinte questão: conhecendo-se a força que A exerce em B, determina-se a força de B em A.

Empurrando e puxando corpos, verificamos que, também nesses casos, as ações são mútuas. A conclusão é que, na natureza, não há ações isoladas. As ações aparecem sempre aos pares. Quem atrai é atraído, quem repele é repelido, quem puxa é puxado e assim por diante.
X T(Y/X) T(X/Y) Y

2

CONSIDERAÇÕES FÍSICAS
3

Na montagem da figura abaixo são colocados, próximos entre si, um ímã e uma peça de ferro, presos a um suporte pelos fios 1 e 2. Se os corpos são abandonados do repouso com os fios na vertical, observa-se que o sistema evolui para uma nova situação, na qual os fios ficam inclinados. A inclinação do fio 2 se deve à ação magnética do ímã sobre o ferro; a inclinação do fio 1 se deve à ação magnética do ferro sobre o ímã.

ENUNCIADO DO PRINCÍPIO DA AÇÃO-REAÇÃO

Analisando os exemplos de interação citados ou qualquer outra interação da natureza, observamos que a cada uma delas corresponde um par de forças de mesma direção e sentidos contrários. Isaac Newton (1642-1727) formulou a hipótese, confirmada por inúmeras experiências, de que as forças que constituem um par ação-reação apresentam a mesma intensidade. Dessa forma, podemos enunciar: Princípio da ação-reação: se um corpo (A) aplica sobre outro (B) uma força F (A/B), então, B aplica sobre A uma força F (B/A) de mesma intensidade, mesma direção e sentido contrário. Em símbolos: F (A/B) F (B/A) Observações • Um par ação-reação corresponde sempre a um par de corpos, a uma única interação. Se um corpo A age sobre outro B, a reação não pode envolver um terceiro (C). A reação é necessariamente de B em A. Quando dois corpos interagem, eles trocam forças. • As forças que constituem um par ação-reação estão aplicadas a corpos diferentes. Portanto, embora apresentem a mesma intensidade, a mesma direção e sentidos contrários, elas não se equilibram. • Como um par ação-reação corresponde sempre a uma única interação, as forças que o constituem são de mesma natureza. Se uma delas é uma força de tração, sua reação também será uma força de tração. • As forças que constituem um par ação-reação apresentam a mesma intensidade, mas não necessariamente os mesmos efeitos, pois estão aplicadas a corpos diferentes.

Fio 2

Fio 1

→ Fmag. (ímã/ferro)

→ Fmag. (ferro/ímã)

Conclui-se, então, que, em uma interação magnética, se um ímã atrai o ferro, o ferro atrai o ímã, ou o ferro e o ímã se atraem. Experiência análoga, realizada com dois corpos eletrizados positivamente, permite verificar que, se A repele B, então B, repele A. A repulsão entre eles é mútua.

Fio 2

Fio 1

→ Felétr. (B/A)
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

→ Felétr. (A/B)

20

FÍSICA

4

PESO E NORMAL

5

AS INTERAÇÕES DE UM FIO

Duas forças agem num corpo apoiado em um plano horizontal: o peso (P), que é a força gravitacional aplicada pela Terra sobre o corpo, e a normal (N), que é a força aplicada pelo apoio sobre o corpo, que impede a penetração do corpo no apoio. Se a Terra atrai o corpo, pelo princípio da ação-reação, o corpo atrai a Terra. Logo, a reação do peso está aplicada no centro da Terra. Se o apoio empurra o corpo, impedindo a penetração, o corpo empurra o apoio. Conclui-se que a reação da normal está aplicada no apoio. Com relação às forças peso e normal, três fatos são relevantes. O primeiro é que: peso e normal não constituem par ação-reação, pois correspondem a diferentes interações e têm naturezas diferentes. O segundo fato é que: a força que age no apoio é a normal, não o peso. Essa discussão é importante porque peso e normal não têm, necessariamente, a mesma intensidade. Por exemplo, quando o corpo está sobre o piso de um elevador que acelera verticalmente, P N.

Vamos estudar uma pessoa erguendo um corpo, mas as conclusões valem para dois corpos quaisquer, A e B, interligados por um fio. Desde que a massa e o peso do fio sejam desprezíveis, e ele seja totalmente flexível, esse fio é considerado ideal. Numa ponta, a mão e o fio trocam forças de intensidade T. Na outra, o fio e o corpo trocam forças de intensidade T’. Se o fio tem massa e peso desprezíveis, não necessita de força para ser equilibrado nem para ser acelerado. O fio ideal é, portanto, um elemento de ligação entre os corpos, que apenas transmite a força de tração, sem alterar sua intensidade, e, portanto, T T’

Simplificadamente, podemos dizer, a mão puxa o corpo e o corpo puxa a mão, pois o fio, sendo ideal, apenas transmite a força, sem alterar a intensidade. O corpo pendurado está sob a ação do peso e da tração. Valem aqui considerações muito parecidas com aquelas relativas a peso e normal: Peso e tração não constituem par ação-reação, pois correspondem a diferentes interações e têm naturezas diferentes. A força que age no fio é a tração, não o peso. Se o fio se romper, a causa é a tração, e não o peso.

→ N

Peso e tração não têm, necessariamente, a mesma intensidade. Por exemplo, se o corpo A está acelerando para cima, P.

→ P

T

→ –N

T

T

→ –P

T’ T’

P

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

21

FÍSICA

Lançamentos próximos à superfície terrestre
1

CAPÍTULO 6

MOVIMENTOS BALÍSTICOS

Tanto o movimento de uma bola lançada por um jogador como o de uma flecha disparada por um arco ou o de uma pedra que sai de um estilingue ou, ainda, o de um projétil disparado por um canhão podem ser divididos em dois trechos: no primeiro, o objeto é impulsionado pelo dispositivo de lançamento; no segundo, o objeto já foi lançado, não há mais interação dele com o dispositivo de lançamento. O que se pretende estudar neste capítulo é apenas o segundo trecho do movimento, denominado movimento balístico, no qual o corpo, por não interagir mais com o dispositivo de lançamento, fica sob a ação exclusiva da gravidade, desde que se despreze a resistência do ar.

te válido para movimentos balísticos de até alguns quilômetros. O nome movimento balístico se origina do aparelho de guerra romano denominado balista, e projétil é qualquer tipo de objeto em movimento balístico. O instante inicial do movimento balístico é aquele em que o projétil deixa de interagir com o dispositivo de lançamento; o instante, por exemplo, em que uma bala deixa o cano da arma. Salvo menção em contrário, este será sempre considerado t 0.

2

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há uma pequena diferença entre o campo gravitacional de um ponto para o de outro na superfície terrestre. Por exemplo, o campo gravitacional num ponto da cidade de São Paulo é aproximadamente 0,24% maior que o campo gravitacional no pico do Everest. Neste capítulo, vamos nos limitar aos casos em que se pode desprezar as variações do campo gravitacional, procedimento perfeitamen-

Aplicando-se a Equação fundamental da Dinâmica para um movimento balístico retilíneo
De acordo com a equação fundamental da Dinâmica para o movimento retilíneo: Desprezando-se a resistência do ar, a única força que age em um corpo em queda livre é o peso: Logo: Mas sabemos que P é diretamente proporcional à massa e que a constante de proporcionalidade é g: Logo: Portanto, P P mg g

R R

m|a| P m|a| mg m|a| |a|

Um corpo em queda livre ou em lançamento vertical, desprezandose a resistência do ar, adquire movimento retilíneo uniformemente variado com aceleração em módulo igual ao campo gravitacional local: a g constante.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

22

FÍSICA

3

EQUACIONAMENTO DO MOVIMENTO DE QUEDA LIVRE
Posição do corpo no instante t 0 Origem

Equacionamento do movimento de lançamento vertical para cima

Orientação da trajetória

a

g

S

a

g

S

Orientação da trajetória

Origem Posição do corpo no instante t 0

Na queda livre, o corpo parte do repouso e, portanto, Adotando-se a origem no ponto onde o corpo foi abandonado, o espaço inicial é nulo: A aceleração do movimento é, em módulo, igual a g. Orientando-se a trajetória para baixo, a aceleração será positiva:

V0 S0

0 0

Adotando-se a origem coincidente com a posição inicial do lançamento, o espaço inicial é nulo. Orientando-se a trajetória para cima, a aceleração é negativa, pois tem o sentido contrário ao eixo.

S0

0

a

g

a

g

Substituindo esses valores das constantes S0, V0 e a nas equações do MUV, obtemos as equações da queda livre:

Substituindo esses valores das constantes S0, V0 e a nas equações do MUV, obtemos as equações do lançamento vertical para cima:

MUV S S0 V V2 V0t V0
2 V0

Queda livre 1 2 at 2 at 2a S S V V2 1 2 gt 2 gt 2g S S S0 V V2

MUV V0t V0
2 V0

Lançamento vertical 1 2 at 2 at 2a S S V V2 V0t V0
2 V0

1 2 gt 2 gt 2g S
FÍSICA

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

23

4

LANÇAMENTO HORIZONTAL

A ideia é estudar os lançamentos horizontais por seus movimentos parciais nas direções horizontal e vertical. A equação fundamental da Dinâmica pode ser aplicada a uma direção particular do movimento: a resultante numa dada direção aceleração nessa direção

massa

Vamos, com base nessa ideia, aplicar a equação fundamental da Dinâmica para a direção horizontal e para a direção vertical e, a partir daí, determinar a aceleração horizontal e a vertical do lançamento horizontal e do oblíquo, desprezando a resistência do ar. a resultante na direção horizontal 0 aceleração na direção horizontal a resultante na direção vertical mg logo: |ay| aceleração na direção vertical

massa

massa

m ax 0 MRU

m |ay| g constante

logo: ax

queda livre

O lançamento horizontal pode ser estudado como sendo a composição de um MRU horizontal com uma queda livre.

Na direção horizontal, a equação horária do movimento segue a forma geral Mas, na direção horizontal, Como a origem foi adotada no ponto de lançamento: Portanto:

V0

x

V0 t

x

x0 Vx x0 x

Vxt V0 0 V0t
y

Vx

V0

V0

Se, na direção vertical, o movimento é uma queda livre, valem as expressões:

y Vy

1 2 gt 2 gt

y

1 g t2 2 Vy y g t

Em resumo, a posição do corpo lançado horizontalmente pode ser determinada por suas coordenadas x e y, as quais podem ser calculadas, em cada instante, pelas equações x V0t e y 1 2 gt . 2
y 1 g t2 2 Vy y

x

V0 t

Vx g t

V0

A velocidade do corpo é obtida por meio de suas componentes horizontal Vx e vertical Vy, que valem Vx
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

V0

e

Vy

gt.

24

FÍSICA

Energia e suas transformações
1

CAPÍTULO 7

O QUE É ENERGIA?

Não se define energia. O que podemos é reconhecer em que fenômenos ela está presente, determinar suas quantidades, descrever as diferentes formas existentes na natureza, entender as transformações de uma forma para outra e as transferências de um corpo para outro. Um modo de reconhecer se um corpo tem energia é pela capacidade de produzir movimento. Podemos dizer, então, que um corpo (ou um conjunto de corpos) tem energia quando está em movimento ou quando está em uma situação a partir da qual se pode obter movimento.
2

ENERGIA CINÉTICA

Qualquer corpo ou conjunto de corpos em movimento tem energia, denominada energia cinética. A energia cinética (εc) de um corpo de massa m que está a uma velocidade V é dada pela expressão:

εc

1 mV2 2

Tratando-se de um conjunto de corpos de massas m1, m2, ... mn que estão às velocidades V1, V2, ....Vn, a energia cinética do sistema de corpos vale: (εc)sist 1 m V2 2 1 1 1 m V2 ... 2 2 2 1 m V2 2 n n

Energia elástica.

4

ENERGIA POTENCIAL GRAVITACIONAL

3

ENERGIA POTENCIAL

Um tijolo a certa altura h em relação ao solo e uma flecha em um arco deformado têm energia, pois podemos obter movimento de tais situações. Nesses dois casos, os corpos têm condições de adquirir movimento; ou, dizendo de outra forma, estão em situações potenciais de movimento. Portanto, a cada um dos casos podemos associar algum tipo de energia, que denominamos energia potencial. No primeiro, a energia existe devido à ação gravitacional da Terra, está associada à altura do tijolo em relação ao solo e é denominada energia potencial gravitacional. No segundo, a energia deve-se à deformação do arco, está associada à posição da flecha em relação a este e é denominada energia potencial elástica.

Um corpo de massa m que está a uma altura h em relação a uma superfície plana horizontal, em um local em que o campo gravitacional tem uma intensidade g, tem uma energia potencial gravitacional (εpgrav) dada pela expressão:

εpgrav

mgh

m

h

Plano de referência h Energia potencial gravitacional

Observe que a energia potencial gravitacional depende do referencial adotado, podendo até ser negativa, caso o corpo esteja abaixo desse referencial.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

25

FÍSICA

© Acervo Anglo

5

ENERGIA POTENCIAL ELÁSTICA

7

UNIDADE DE ENERGIA NO SI

Um corpo de massa m está em repouso, preso a uma mola e apoiado sobre um plano horizontal. Afastando-se o corpo da posição de equilíbrio, a mola se deforma de x, como indicado na figura. Quando a mola se deforma, aplica sobre o corpo uma força, denominada força elástica, que tende a levar o corpo novamente para a situação de equilíbrio, sendo por isso denominada também força restauradora. A experiência mostra que essa força tem intensidade Felás. kx sendo k uma constante de proporcionalidade denominada constante elástica da mola. É possível demonstrar que a energia potencial elástica armazenada no sistema massa-mola nessas circunstâncias é

Podemos chegar à unidade de energia partindo de qualquer uma das expressões apresentadas. A mais simples, para essa finalidade, é a expressão da energia potencial gravitacional.

εpgrav

mgh

No SI, a unidade de m é kg, de g é m/s2 e de h é m. Logo, a unidade de energia será: kg (m/s2) m Mas kg m/s2 é uma unidade de força, o newton (N). Portanto, a unidade de energia no SI é N m, que é denominada joule (J). Em símbolos: J (joule) N m

εpelás.

1 2 kx 2

8

ENERGIA MECÂNICA

Define-se a energia mecânica como a soma da energia potencial com a cinética. Em símbolos:
O

εmec εp εc
x → Felás.

A

Energia potencial elástica.

6

ENERGIA POTENCIAL ELÉTRICA

Barragem de uma hidrelétrica

9

ENERGIA QUÍMICA E ENERGIA INTERNA OU TÉRMICA

Energia potencial elétrica.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Tanto uma bomba quanto uma panela de pressão no fogo com a válvula de segurança travada podem explodir. Por isso, dizemos que, tanto uma quanto outra têm energia, pois estão em condições de produzir movimento, mas as causas são diferentes. No interior da bomba, ocorre uma reação química produzindo substâncias gasosas que pressionam o recipiente até seu rompimento. Associamos

26

FÍSICA

© Acervo Anglo

A experiência mostra que corpos eletrizados com cargas de mesmo sinal se repelem e eletrizados com cargas de sinais contrários se atraem. Logo, assim com no caso de um corpo a certa altura ou encostado a uma mola deformada, cargas elétricas próximas estão em condições potencias de movimento. Podemos, então, definir energia potencial elétrica. A dificuldade nesse caso é que não existe uma expressão matemática única, pois depende da distribuição particular de cargas.

a cada substância que está no interior da bomba um tipo de energia denominada energia química, que é liberada nessas reações. No caso da panela de pressão, a energia deve-se à agitação das moléculas e é denominada energia térmica ou energia interna.

(movimento). Na parte de baixo do reservatório encontrase uma turbina, cujas pás são movimentadas pela água. A turbina aciona o gerador elétrico, que transforma energia cinética em elétrica. Esquematicamente, podemos resumir as transformações de energia que ocorrem em uma hidrelétrica da seguinte forma.
Energia potencial Energia cinética Energia elétrica

Caldeira

Turbina Gerador

Há algumas outras formas alternativas de transformar energia. Os aquecedores solares transformam energia radiante solar em térmica. Eles são constituídos de diversas placas pintadas de preto (que aumentam a absorção da luz solar), por onde circula água, em tubulações metálicas. A energia das radiações solares é transformada em energia térmica, que é transferida à água.
Visão muito esquemática de uma termelétrica 11

A CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

A experiência mostra que a energia pode ser transformada de uma modalidade em outra ou transferida de um corpo a outro, mas não pode ser criada nem destruída. Por isso, quando consideramos todas as formas de energia contidas em um sistema, sua quantidade total permanece constante, desde que o sistema não ceda nem receba energia do exterior. Esse é o princípio da conservação da energia, um dos fundamentos da ciência moderna, que pode também ser assim enunciado:
© Acervo Anglo

A energia total do Universo é constante. Nos processos que ocorrem na natureza, a energia não diminui nem aumenta, podendo apenas ser transferida de um corpo para outro ou transformada de uma forma em outra.
Emissão de gases e partículas de uma termelétrica

10

ALGUMAS FONTES DE ENERGIA E SUAS TRANSFORMAÇÕES

Reservatório Palheta

A vida depende diretamente de energia, que é captada nas mais diferentes formas. Para uso direto de nosso organismo, conseguimos obter energia pela digestão dos alimentos que ingerimos. Também precisamos de energia para aquecimento, refrigeração, movimentação de veículos e máquinas, funcionamentos de aparelhos médicos, computadores, geladeiras, televisores, telefones. Basicamente, nossa sociedade é dependente de dois tipos de energia: uma é a energia química, armazenada no petróleo, e a outra é a energia elétrica, que não está disponível diretamente na natureza. No Brasil, a maior parte da energia elétrica provém de quedas-d’água. A transformação em energia elétrica ocorre nas chamadas usinas hidrelétricas. Certa massa de água, cujo nível está a determinada altura, é acumulada em grandes reservatórios (lagos), armazenando energia, portanto, na forma de potencial gravitacional. Durante a queda das massas de água, a energia potencial gravitacional se transforma em energia cinética
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Duto

Jato Bico Esquema de uma turbina.

27

FÍSICA

Potência e rendimento
1

CAPÍTULO 8

APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA

Da definição de potência:

Desde que James Watt (1736-1819) construiu uma máquina que transformava controladamente a energia térmica em mecânica – dando início à era da utilização racional e em larga escala dos recursos energéticos da natureza –, apareceu a necessidade de uma grandeza, a potência, para descrever as máquinas. A ideia de potência é a taxa de fornecimento de energia, podendo ser aplicada a uma lâmpada, um aparelho de som, um motor, uma pessoa, um chuveiro ou qualquer sistema em que haja transferência ou transformação de energia.

ε⇒ ε t
103 W; t

t

(10 h/dia) (3600 s/h) (30 dias)

ε

1,08 109 J

(energia consumida em 1 mês) Se o consumo de energia de uma residência é da ordem de bilhões de joules por mês, podemos imaginar qual seria o consumo de um bairro, de uma indústria, de uma cidade. Por isso, julgou-se conveniente criar uma outra unidade de energia, o kWh (leia quilowatt hora, não quilowatt por hora) definido como sendo a energia consumida ou recebida por uma máquina de 1 kW funcionando por 1 h: 1 kWh 1 kW 1 h

2

DEFINIÇÃO DE POTÊNCIA MÉDIA

Chamando de ε a energia transformada ou transferida no intervalo de tempo t, definimos potência média ( m) pela relação:

m

ε
t

A energia consumida por aquela residência em um mês será: 1 kW; t (10 h/dia) · (30 dias) 300 kWh (energia consumida em 1 mês)

Potência – unidades
No Sistema Internacional, ε é medido em joules (J), e t, em segundos (s). Por isso, a potência é medida em joules por segundo (J/s). A unidade J/s foi denominada watt, em homenagem a James Watt. O símbolo do watt é W. Em símbolos: J/s W (watt)

4

RENDIMENTO

É muito comum usarmos também a unidade quilowatt (kW), equivalente a mil watts. kW 103 W

3

kWh

Qual seria a energia consumida numa residência em um mês de 30 dias, supondo que nela haja diversos aparelhos que somam uma potência de 1000 W e que permaneçam ligados, em média, 10 h por dia?

Quando temos em vista o desempenho de determinada tarefa, geralmente necessitamos empregar mais energia do que a requerida pela tarefa em si, por causa das perdas. A potência que corresponde à estrita realização da tarefa desejada denomina-se potência útil ( u). A potência não aproveitada denomina-se potência dissipada ( d). Para obtermos a realização da tarefa proposta é, então, necessária uma potência total ( t), que corresponde à soma das potências útil e dissipada. Para qualquer dispositivo, chamamos de rendimento (η) a relação entre a potência útil ( u) e a potência total ( t). η u t

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

28

FÍSICA

A energia como método de resolução de problemas de dinâmica
1

CAPÍTULO 9

A ENERGIA MECÂNICA EM UMA QUEDA LIVRE

2

TRÊS PERGUNTAS

Durante uma queda livre sem resistência do ar, o corpo ganha velocidade à medida que perde altura. Em termos de energia, ele ganha energia cinética, enquanto perde potencial. É fácil verificar que, nessas condições, a energia mecânica, que é a soma da potencial com a cinética, se mantém constante. Supondo que o corpo de massa m seja abandonado do repouso de um ponto de altura h0, a energia mecânica inicial é: (εmec) inicial mgh0 0 mgh0

O fato de, em determinados movimentos, a energia mecânica se manter constante se constitui em um método bastante eficiente de relacionar a velocidade do corpo com sua posição. Mostramos que em uma queda livre sem resistência do ar isso acontece. Mas, para que o método ganhe relevância, temos de responder a três perguntas: 1ª) A energia mecânica se mantém constante em qualquer tipo de movimento? 2ª) Se a resposta da questão anterior for afirmativa, ótimo. Se for negativa, temos de descobrir a condição ou as condições para que a energia mecânica se mantenha constante. 3ª) Se houver movimentos em que a energia mecânica varia, como calcular sua variação?

Quando atinge a altura h, a energia mecânica será: (εmec) na altura h Mas V2 Logo: (εmec) na altura h (εmec) na altura h mgh mgh0 1 m 2g(h0 2 (εmec) inicial h) 2g S 2g(h0 h) mgh 1 mv2 2

A resposta da primeira pergunta é negativa
Para nos mantermos no estudo de corpos em queda, imagine um corpo descendo de paraquedas. Durante um grande trecho de queda, a velocidade permanece quase constante. Portanto, ele não ganha energia cinética à medida que perde potencial, sua energia mecânica diminui.

S

V aproximadamente constante h0 V

h

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

29

FÍSICA

3

FORÇAS CONSERVATIVAS E NÃO CONSERVATIVAS

IV) Corpo apoiado em plano horizontal sem atrito, sendo impulsionado por uma força (F) aplicada por uma pessoa. Peso (força gravitacional): conservativa Força F, Normal: não conservativas

Antes de responder às outras questões, vamos lembrar que cada tipo de energia potencial está associado a um tipo particular de força. A energia potencial gravitacional está associada à força gravitacional; a energia potencial elástica, à força elástica; a energia potencial elétrica, à força elétrica. Nomenclatura As forças associadas à energia potencial – gravitacional, elástica e elétrica – são chamadas conservativas. Todas as outras são denominadas não conservativas. Acompanhe os exemplos:
Far

N

F

P

I) Paraquedista descendo com velocidade constante. Peso (força gravitacional): conservativa Resistência do ar: não conservativa
P

A ação de forças não conservativas e variação de energia mecânica
Analisando os exemplos apresentados ou qualquer outro movimento que desejarmos, somos levados a concluir que: • Uma força, seja ela conservativa ou não conservativa, ajuda o movimento quando tem a mesma direção e sentido do movimento (ou quando tem uma componente na direção e sentido do movimento). • Quando uma força conservativa ajuda o movimento, há um aumento de energia cinética, acompanhado de uma correspondente diminuição de energia potencial, de maneira a manter constante a energia mecânica. Exemplo: queda livre sem resistência do ar. • Quando uma força não conservativa ajuda o movimento, há um aumento de energia cinética sem a correspondente diminuição de energia potencial. Em consequência, a ação de uma força não conservativa a favor do movimento causa um aumento de energia mecânica. Exemplo: pessoa puxando um carrinho de modo a aumentar sua velocidade. • Uma força, seja ela conservativa ou não conservativa, atrapalha o movimento quando tem a mesma direção e sentido contrário ao movimento (ou quando tem uma componente na mesma direção e sentido contrário ao movimento). • Quando uma força conservativa atrapalha o movimento, há uma diminuição de energia cinética, acompanhada do correspondente aumento de energia potencial, de maneira a manter constante a energia mecânica. Exemplo: um corpo subindo uma rampa. • Quando uma força não conservativa atrapalha o movimento, há uma diminuição de energia cinética sem o correspondente aumento de energia potencial. Em consequência, a ação de uma força não conservativa contra o movimento causa uma diminuição de energia mecânica. Exemplo: o atrito agindo em um corpo que desliza em um plano horizontal até parar.

II) Corpo apoiado em um plano horizontal sem atrito, sendo impulsionado por uma mola. Peso (força gravitacional): conservativa Força elástica: conservativa Normal: não conservativa

N

Felás.

P

III) Corpo descendo um plano inclinado com atrito. Peso (força gravitacional): conservativa Normal e atrito: não conservativas

A

N

P

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

30

FÍSICA

Uma força não conservativa na mesma direção e sentido do movimento (ou quando tem uma componente na direção e no sentido do movimento) causa um aumento na energia mecânica.

Uma força não conservativa na mesma direção e sentido contrário ao movimento (ou quando tem uma componente na mesma direção e sentido contrário ao movimento) causa uma diminuição na energia mecânica.

4

UMA VISÃO ESQUEMÁTICA DA AÇÃO DAS FORÇAS E OS EFEITOS SOBRE A ENERGIA MECÂNICA

A tabela e as figuras mostram os diferentes efeitos das forças da natureza sobre as modalidades de energia cinética, potencial e mecânica. Se agem somente as forças F ou G F ou G H ou K H ou K V V Em relação ao movimento, essas forças ajudam ajudam atrapalham atrapalham nem ajudam nem atrapalham nem ajudam nem atrapalham

Se a força é conservativa não conservativa conservativa não conservativa conservativa não conservativa

Ecin aumenta aumenta diminui diminui constante constante

Epot diminui não se altera aumenta não se altera constante constante

Emec constante aumenta constante diminui constante constante

F

d

H

d

G Gx d

K Kx d

V d

O Desafio
O desafio é criar uma grandeza com as seguintes características: • Indicar se a força ajuda ou atrapalha o movimento ao longo de um deslocamento. • Levar em conta apenas a componente da força na direção do deslocamento. • Se a força é não conservativa, essa grandeza deve medir a variação de energia mecânica.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

31

FÍSICA

5

TRABALHO DE UMA FORÇA CONSTANTE EM UM DESLOCAMENTO RETILÍNEO: DEFINIÇÃO

→ F

Considere um corpo que sofre um deslocamento d, sujeito à ação de uma força constante F, que forma com o deslocamento um ângulo . Define-se trabalho da força F, no deslocamento d, pela expressão:

Fx = F cos

τF
→ F

F d cos

c) Como vimos, a ação de uma força que age sobre um corpo ao longo de um deslocamento tem como resultado uma variação de energia. É possível demonstrar matematicamente o teorema, como segue.
6

TEOREMA DA ENERGIA MECÂNICA

O trabalho das forças não conservativas (τF ) não cons. atuantes sobre um corpo é igual à variação da energia mecânica do corpo. Em símbolos:
d Posição inicial Posição final

τFnão cons.
7

εmec.

A unidade de trabalho no Sistema Internacional (SI) é produto da unidade de força (newton) pela unidade de distância (metro), que é a mesma de energia (J). Observações a) Quando 90°, cos ajuda o movimento. 0, o trabalho é positivo; a força

SISTEMA CONSERVATIVO

No caso particular em que o trabalho das forças não conservativas é nulo, a diferença de energias mecânicas é nula e, portanto, a energia mecânica é constante. O sistema é chamado conservativo. Em símbolos: sistema conservativo ⇔ τF 0

180°, cos 0, o trabalho é negativo, Quando 90° a força atrapalha o movimento. Quando 90°, cos 0, o trabalho é nulo. A força não ajuda nem atrapalha o movimento. b) É imediato verificar que Fcos é, em módulo, a intensidade da componente da força na direção do deslocamento.

não cons.

τFnão cons.

0⇔

εmec.

constante

Observe que os itens 6 e 7 respondem às perguntas 2 e 3, formuladas no item 2.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

32

FÍSICA

Equação fundamental da dinâmica para valores médios
1

CAPÍTULO 10

INTRODUÇÃO

3

A teoria da dinâmica impulsiva foi criada para os casos nos quais se deseja relacionar uma interação ocorrida num intervalo de tempo bem determinado com a variação de velocidade. O problema pode ser enunciado da seguinte forma: um corpo de massa m está a uma velocidade V. Um sistema de forças age em um determinado intervalo de tempo t, causando uma alteração na velocidade, que passa a ser V’. A questão é relacionar o intervalo de tempo, a variação de velocidade, a massa e o sistema de forças.

EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA PARA VALORES MÉDIOS

Vamos tomar como exemplo uma bola sendo chutada e supor que a velocidade da bola seja V, antes do chute, e V’, ao fim do chute. Como não sabemos se a força exercida pelo jogador é constante ou variável, não podemos determinar o tipo de movimento da bola nesse intervalo. Podemos aplicar a equação fundamental da Dinâmica para valores médios. Sendo Rm a resultante média e am a aceleração média, então: Como am Mas m V V : t Q. Logo:

Rm

m am

2

QUANTIDADE DE MOVIMENTO

Rm Rm

m Q t

Para resolver as situações mencionadas, julgou-se conveniente criar uma nova grandeza, denominada quantidade de movimento, que leva em conta tanto a massa do corpo quanto sua velocidade. Se um corpo de massa m está a uma velocidade V, num determinado instante t, define-se quantidade de movimento (Q) no instante considerado como sendo a grandeza vetorial: Q mV

V t

No caso de haver mudança na direção do movimento, precisamos escrever a mesma equação na forma vetorial. Assim procedendo, obtemos a equação fundamental da Dinâmica para valores médios:

Rm

Q t

A unidade de quantidade de movimento é uma unidade de massa multiplicada por uma unidade de velocidade. No Sistema Internacional: kg m/s. Como a quantidade de movimento é definida pelo produto de uma grandeza vetorial (V) por uma escalar positiva (m), ela apresenta as seguintes características: Intensidade: Q mV Direção: Sentido: Q mV

V

Rm

a mesma de V o mesmo de V
Garoto chutando a bola.

V'

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

33

FÍSICA

Sistemas isolados
1

CAPÍTULO 11

SISTEMA DE CORPOS
Apoio

Na Física, a palavra sistema é comumente empregada como sinônimo de conjunto. Um sistema de forças é um conjunto de forças. Para estudar as influências mútuas, que é a finalidade deste capítulo, vamos considerar um conjunto de corpos – que denominamos sistema de corpos – interagindo. De modo geral, não interessam sistemas em que os corpos apresentam massas muito diferentes, pois, nesses casos, a influência não é mútua. Se uma locomotiva chocase com uma mosca, podemos nos interessar pela alteração de movimento da mosca, mas não da locomotiva. Em alguns dos exemplos da figura a seguir, há elementos transmissores de força entre os corpos. Num deles é a mola e, no caso da explosão, são os gases resultantes da explosão. Em todos eles, o elemento transmissor de força deve pertencer ao sistema.

Terra

Corpos não pertencentes ao sistema que aplicam forças nos corpos do sistema

Essas forças podem ser classificadas de acordo com o seguinte critério. Uma força é denominada interna quando é trocada entre corpos pertencentes ao sistema. Uma força é denominada externa quando é trocada entre um corpo que pertence ao sistema e outro que não pertence. Considerando-se o sistema constituído pelos corpos A e B, as forças F elást. e F elást. são internas, pois são ações mútuas, transmitidas pela mola, entre os corpos A e B. As outras todas são externas, pois a Terra e o apoio não pertencem ao sistema.
3

A

B

QUANTIDADE DE MOVIMENTO DE UM SISTEMA DE CORPOS

Elementos transmissores de força.

2

FORÇAS INTERNAS E FORÇAS EXTERNAS

A quantidade de movimento de um sistema de corpos é a soma vetorial das quantidades de movimento dos corpos que o constituem. Considere o conjunto de aviões da figura, de massas m1, m2 e m3, movimentando-se a velocidades V1 V2 V3. Nesse sistema, a quantidade de movimento vale: Qsist. Q1 Q2 Q3 m1 V1 m2 V2 m3 V3

Nas figuras a seguir estão indicadas, desprezando-se eventuais atritos, as forças que agem nos corpos presos a uma mola inicialmente comprimida.
→ NA → Felást. → NB → Felást. → Q3

→ Qsist.
→ Q2

→1 Q

→1 V → = m1 Q1

A
→ PA

B
→ PB

→ → Q3 = m3 V3

→ Q2 = m → 2 V2

Sistema constituído pelos corpos A e B
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Quantidade de movimento de um sistema constituído por três aviões.

34

FÍSICA

4

SISTEMA ISOLADO

Vamos imaginar um astronauta segurando um objeto. Vamos supor que a distância entre o astronauta e qualquer astro seja suficientemente grande para que se possa desprezar não só a atração gravitacional, mas também qualquer outra força externa ao sistema homem objeto.

© Acervo Anglo

→ F

Um astronauta está em um ponto suficientemente distante de qualquer astro para poder desprezar tanto a atração gravitacional quanto qualquer outra força externa ao sistema constituído por ele e pelo objeto.

Se o homem empurra o objeto com uma força F, o objeto empurra o homem com força ao sistema. Vamos aplicar a equação R m Q tanto para o homem como para o objeto. t

F. Essas forças são internas

Como a força que age no objeto é F , então, R

F . Logo, para o objeto:

F

Q obj. t F Q hom. t Q hom. Q hom. Q obj. Q obj. Q sist.

Analogamente, para o homem: Somando essas duas expressões e cancelando t, obtemos: Porém: Logo: Se não há variação de quantidade de movimento do sistema, é porque ela é constante: 0

0

Q sist. constante

Q sist.

Conclui-se que, não havendo influências externas, como no sistema constituído pelo astronauta e pelo objeto, a quantidade de movimento do sistema permanece constante. Mesmo havendo forças externas, a quantidade de movimento pode permanecer constante, desde que a soma das forças externas seja nula. Quando isso acontece, o sistema é denominado isolado. Podemos, então, enunciar o teorema dos sistemas isolados: Sistema isolado ⇔ F ext. Ou: A quantidade de movimento de um sistema isolado é constante. Ou: Forças internas não alteram a quantidade de movimento do sistema.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

0 ⇔ Qsist.

constante

35

FÍSICA

Generalidades

CAPÍTULO 12

1

A MATÉRIA E SEUS ESTADOS DE AGREGAÇÃO
© Acervo Anglo

Um corpo está no estado sólido, quando tem forma e volume definidos. Está no estado líquido, quando tem volume definido, mas toma a forma do recipiente que o contém. Está no estado gasoso, quando tem a forma e o volume do recipiente que o contém. Fluido é o nome genérico para líquidos ou gases.

2

FORÇAS TROCADAS E TRANSMITIDAS PELOS FLUIDOS
© Acervo Anglo

Experimentalmente, verificamos que líquidos não transmitem força de tração. Por exemplo, não podemos puxar um corpo utilizando uma corda líquida. Também experimentalmente, verificamos que líquidos em equilíbrio não trocam forças de atrito. Mas os líquidos transmitem forças normais. Imagine um líquido qualquer no interior de um sistema constituído por diferentes seringas interligadas por mangueiras. Comprimindo um dos êmbolos, notamos que todos os outros se movimentam. Como calcular o deslocamento de cada êmbolo não importa no momento. Nosso interesse está em destacar dois fatos. Quando o êmbolo da seringa 1 é acionado, ele empurra o líquido, que, por sua vez, empurra os demais êmbolos, o que permite concluir que: líquidos em equilíbrio só trocam forças normais. A movimentação de todos os êmbolos sugere que: a transmissão da força nos líquidos se dá em todas as direções e sentidos. Essa experiência evidencia uma grande diferença entre sólidos e líquidos, pois a transmissão de forças nos sólidos não se dá em todas as direções.

F2

F3 F1

F5

F4

→ F

→ F’

→ F
© Acervo Anglo

→ F’

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

36

FÍSICA

3

DENSIDADE E MASSA ESPECÍFICA

A densidade de um corpo (sólido, líquido ou gasoso) é definida como a razão entre sua massa e seu volume. A densidade é uma propriedade do corpo: divide-se a massa do corpo pelo volume, incluindo seus espaços vazios. Por exemplo: a densidade de um navio é a divisão da massa total do navio (que inclui a massa de todos os materiais utilizados em sua construção: aço, madeira, cobre, etc.) pelo seu volume total (que inclui o volume das partes vazias: salas, porões, cabinas, etc.).

Densidade do corpo

Massa do corpo Volume do corpo

No caso de uma substância, sua densidade, que nesse caso também é chamada de massa específica, é a divisão entre a massa da substância pelo volume ocupado pela substância. Por exemplo: a densidade (ou massa específica) do aço que compõe o navio é a divisão entre a massa do aço utilizado no navio pelo volume ocupado somente pelo aço. No caso de um líquido, densidade ou massa específica são conceitos idênticos.

Densidade ou massa específica de uma substância

Massa da substância Volume da substância

A unidade de densidade (ou de massa específica) no SI é kg/m3. Há, entretanto, outras unidades que são bastante utilizadas: g/cm3 ou kg/L. Na tabela que segue há algumas relações importantes entre as unidades de massa, volume e densidade.

Unidades 103 g ⇒ 10 3 kg

massa:

1 kg

1000 g

1g

comprimento:

1m

100 cm

102 cm

1 cm

10 2 m

volume:

1 m3

(102 cm)3

106 cm3

1 cm3

10 6 m3

volume:

1L

1000 cm3

103 cm3

1 cm3

10 3 L

densidade:

1 kg m3

103 g 106 cm3

10 3 g cm3

1g cm3

103 kg m3

densidade:

1 kg L

103 g 103 cm3

1g cm3

densidade da água:

1g cm3

1 kg L

103 kg m3

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

37

FÍSICA

4

PRESSÃO MÉDIA

5

PRESSÃO ATMOSFÉRICA

Dois corpos, X e Y, estão em contato. A é a área da superfície de contato entre eles. Se A tende a penetrar em B, a força de contato entre eles (C) é distribuída pela superfície A. N é a componente normal da força de contato. Define-se pressão média pelo quociente: N A

pm

Nossa atmosfera possui massa – que não é desprezível – e, como qualquer outro corpo, é atraído pelo nosso planeta. Podemos, então, falar que o ar tem peso. Suponha uma porção de ar, ou de outro gás qualquer, em equilíbrio, no interior de um cilindro, ao qual está adaptado um êmbolo de peso P e área A. Se estiver no vácuo, o êmbolo fica submetido exclusivamente a duas forças: o peso do êmbolo ( P ) e a normal (N) exercida pelo gás na superfície inferior do êmbolo. Se o êmbolo está em equilíbrio: N P. Mas a pressão que o gás exerce no êmbolo é dada por p N . Das expressões, vem p A P . A

a

b

Área (A)

Portanto, a pressão do ar pode ser calculada pelo quociente do peso do êmbolo pela área. Vamos considerar uma superfície de área A no interior da atmosfera. A coluna de ar acima dessa superfície exerce papel análogo ao exercido pelo êmbolo, confinando a porção de ar inferior a um cilindro hipotético. Assim, sendo P o peso da coluna de ar e A a área da base da coluna, a pressão naquela superfície de área A pode ser calculada por: p P . A

a) dois corpos em contato; b) área de contato.

Observe que: • Pressão é uma grandeza escalar, pois é o quociente da intensidade da componente normal da força de contato pela área de contato. Quando estudamos os fluidos, é mais conveniente trabalhar com grandezas escalares do que com vetoriais, pois, como vimos, a transmissão de uma força não se dá numa direção determinada, mas em todas as direções e sentidos. • A definição de pressão pode ser aplicada sempre que existir normal. No caso de líquidos e gases em equilíbrio, o conceito de pressão tem especial interesse, pois eles só aplicam forças normais.

Lembre-se: a pressão atmosférica deve-se à agitação das partículas que a compõem; e, também, que a expressão p férica.
a Êmbolo área (A) N

P é apenas um modo de calcular a pressão atmosA

P

P N

Unidades
Ar

No Sistema Internacional de Unidades (SI) a pressão é medida em pascals (Pa), definidos como 1 Pa 1 N/m2. Há uma unidade de pressão bastante utilizada, denominada atmosfera (1 atm), que é a pressão exercida pelo ar da camada atmosférica, ao nível do mar, a 45° de latitude e a 0°C. O valor dessa pressão no SI foi determinado experimentalmente, por um processo que veremos adiante, e vale: 1 atm 1,013 105 Pa.

b

Pressão atmosférica.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

38

FÍSICA

Teorema de Stevin
1

CAPÍTULO 13

PRESSÃO HIDROSTÁTICA EM UM PONTO
A definição de pressão média, como foi explicado, é

p

N . A questão é saber como se aplica essa definição A para determinar a pressão em um ponto X de um líquido. Qual a normal e qual a área a ser considerada? Além disso, outra dificuldade da Hidrostática é a forma do recipiente. Para contornar essas dificuldades, vamos imaginar uma coluna do líquido, em forma de cilindro, em que o ponto X seja o ponto médio pertencente à base, cuja área é A. Esse cilindro encontra-se em equilíbrio. Na direção horizontal, as forças aplicadas pelo restante do líquido equilibram-se mutuamente, independentemente da forma do recipiente. Imagine que a base do cilindro, que contém o ponto X, seja uma tampa muito fina que impeça a descida do líquido da coluna. Sobre essa “tampa”, o restante do líquido aplica uma força normal de intensidade N. Como há equilíbrio, a normal N tem a mesma intensidade do peso da coluna do líquido.

X

X Não importa o formato da base.

Pressão na base inferior do cilindro Mas: Sendo d a densidade do líquido, e V, o volume do cilindro: O volume do cilindro é o produto da área da base pela altura:

p N d

N A P m g d V

m ⇒m V A h

V

X Área: A X

Efetuando-se as devidas substituições, obtemos: Assim, a pressão é dada por: Logo, a pressão em um ponto, a uma profundidade h, vale:

N

d A h g d A h g ⇒ A d g h

p

p

X

X

Imaginando-se diferentes cilindros – ou outros formatos de colunas de líquido – com diferentes áreas de base, o cálculo da pressão que o líquido exerce na base inferior seria a mesma, ou seja, p dgh. Como essa pressão devese exclusivamente ao líquido, sem que se levem em conta fatores externos a ele, ela é denominada pressão hidrostática.

2 N P

TEOREMA DE STEVIN

P N

Pressão hidrostática.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

A pressão na superfície livre do líquido é devida a fatores externos. Por exemplo, se a superfície do líquido está em contato com a atmosfera, a pressão da superfície é a pressão atmosférica. Se na superfície do líquido existe um êmbolo de peso P e área A, a pressão na superfície é devida à atmosfera e ao êmbolo. Dessa maneira, a pressão

39

FÍSICA

total em X é a soma da pressão na superfície com a pressão devida à coluna de líquido. Daí vem a expressão conhecida como teorema de Stevin: px psup. d g h

O termo d g h, como foi explicado, é denominado pressão hidrostática ou efetiva (aquela devida só ao líquido), e pX é a pressão total ou pressão absoluta.

Para comprovar sua teoria e medir a pressão atmosférica, Torricelli resolveu utilizar mercúrio em vez de água. Como o mercúrio é 13,6 vezes mais denso que a água, ele pôde realizar a experiência com uma coluna de líquido de altura 13,6 vezes menor que a água. Encheu, com mercúrio, um tubo com aproximadamente 1 m de comprimento. Fechou a extremidade aberta do tubo com o dedo, inverteu-o e emborcou-o sobre um recipiente contendo mercúrio. Retirou o dedo e deixou o líquido escoar. A sequência de ilustrações mostra a experiência e seu resultado, quando a experiência é realizada ao nível do mar.
Vácuo

3

A EXPERIÊNCIA DE TORRICELLI
760 mm

Em 1643, Evangelista Torricelli, discípulo de Galileu, formulou a seguinte hipótese: o ar atmosférico tem peso e exerce pressão sobre a superfície livre do líquido. Quando se diminui a pressão no interior do cano, provoca-se uma diferença de pressão entre a parte externa do cano e sua parte interna. A pressão externa é a atmosférica, que, sendo superior à pressão interna, empurra o líquido para cima. Não é, portanto, um “horror ao vácuo” que provoca a subida da água, e sim uma diferença de pressões. O líquido sobe até que a diferença de pressões seja anulada, ou seja, até que a pressão da coluna de líquido seja igual à pressão atmosférica local.

1,0 m Hg

B

A

Hg Experiência de Torricelli.

pcano

patm.

De acordo com o teorema de Stevin, dois pontos de mesma porção do mesmo líquido e na mesma horizontal estão submetidos à mesma pressão. Portanto: Em A, a pressão atmosférica: Em B, a pressão pode ser calculada pelo teorema de Stevin: ou seja: Sendo pvácuo dHg h 0e 9,8 m/s2 e

pA

pB

pA pB pB

patm. pvácuo pvácuo phidr. dgh

13,6 g/cm3, g 0,76 m e que pA

pB

1,013 105 Pa

Movimento da água

pB

patm., temos:

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

40

FÍSICA

Teorema de Arquimedes
1

CAPÍTULO 14

CORPOS IMERSOS EM LÍQUIDOS

3

EMPUXO: INTENSIDADE

Flutuação de navios, processos para submarino emergir e submergir, a subida e a descida de balões e o sistema de flutuação dos peixes são alguns dos fenômenos relacionados com corpos imersos em líquidos ou gases, que vamos agora estudar.
2

EMPUXO: DIREÇÃO E SENTIDO

Considere um corpo qualquer totalmente imerso em um líquido. Por simplicidade, vamos imaginá-lo com formato de um paralelepípedo. A figura ilustra as forças que o líquido aplica sobre esse bloco. As forças laterais se equilibram mutuamente. De acordo com o teorema de Stevin, a pressão do líquido na face inferior é maior que a aplicada na face superior. Logo, a força que o líquido aplica na base inferior do corpo (F2) é maior que aquela aplicada na face superior (F1).

Considere um corpo qualquer de peso P e volume V imerso em um líquido. Ele sofre a ação do líquido que o envolve. Essa ação se traduz por um empuxo (E) vertical e para cima, cuja intensidade vamos determinar. Vejamos o que acontece se substituirmos esse corpo por outros, com a mesma forma e volume, feitos de diferentes materiais. Quanto maior a densidade do corpo, maior será sua massa, maior será seu peso. No entanto, qualquer um recebe do líquido o mesmo empuxo, pois o líquido que os envolve é sempre o mesmo.

E

E

P P1 F1 Intensidade do empuxo.

F2 Empuxo.

Vamos agora imaginar que o corpo seja constituído do mesmo líquido que o envolve. Tendo em vista que está em equilíbrio, sendo PLD o peso desse corpo hipotético, podemos escrever que: E PLD.

Podemos, então, concluir que existe uma resultante, não nula, das forças que o líquido aplica sobre o bloco. Essa resultante tem direção vertical e sentido para cima e denomina-se empuxo. Admitindo que essa conclusão seja válida para um corpo de formato qualquer, podemos escrever: Todo corpo totalmente ou parcialmente imerso em um líquido está sujeito a uma força vertical e para cima, denominada força de empuxo. Essa força é aplicada pelo restante do líquido que circunda o corpo.
E

E

PLD Líquido deslocado.

E

PLD é denominado peso do líquido deslocado. Para entender o motivo da expressão “peso do líquido deslocado”, lembre-se de que um corpo no interior do líquido desloca um volume de líquido cujo peso é PLD. As conclusões a respeito da força de empuxo foram obtidas por Arquimedes, no século III a.C. Atualmente, essas conclusões são conhecidas como teorema de Arquimedes, que é formulado da seguinte maneira: Todo corpo mergulhado em um líquido em equilíbrio recebe desse líquido a ação de uma força vertical para cima – denominada empuxo – de intensidade igual ao peso do líquido deslocado.

Empuxo.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

41

FÍSICA

A força de empuxo está presente em todos os corpos mergulhados em líquidos ou em gases. Um balão está submetido a uma força de empuxo que o ar exerce sobre ele, e sua intensidade é igual ao peso do ar deslocado. A expressão utilizada para o cálculo do empuxo é a expressão da força peso do líquido deslocado. Sendo mLD a massa de líquido deslocada: Lembrando que d m . V

Caso do corpo flutuando sobre um líquido (volume do líquido deslocado volume do corpo)
Se a densidade do corpo for menor que a do líquido, o corpo irá flutuar. Uma parte dele ficará imersa no líquido, e outra, emersa. Nesse caso, o volume do líquido deslocado é igual ao volume da parte imersa do corpo.
E

E

PLD

E mLD E

mLD g dL VLD mLD g dL VLD g
Volume de líquido deslocado

Logo, a expressão da força de empuxo é:

Caso do corpo totalmente imerso no líquido
Vamos comparar o peso de um corpo de densidade dC e volume VC com o empuxo que ele recebe quando totalmente imerso em um líquido de densidade dL. A massa de líquido deslocada é dada por mLD , e o volume de líquido deslocado, VLD. peso do corpo empuxo PC E mC g mLD g

PC Corpo parcialmente imerso.

Atingida a situação de equilíbrio, a intensidade do peso do corpo é igual ao empuxo do líquido sobre ele.
E

PC

E ⇒ mC g mC mL

mL g

P

dC VC g dL VLD g

Em palavras: quando um corpo flutua, a massa de líquido deslocado é igual à massa do corpo. Por exemplo: um navio de 3.000 toneladas, ao sair do estaleiro e entrar no mar, desloca quantidade de água de massa 3.000 toneladas. A expressão acima também pode ser expressa como: dC VC ou, ainda: VL VC dL VL dC dL

Como o volume do líquido deslocado (VLD) é igual ao volume do corpo (VC), o único fator de diferenciação entre as duas últimas expressões é a densidade. Dessa maneira, temos: • se dC dL ⇒ PC PL; então, o corpo afunda ou submerge. Portanto, quando um submarino está submergindo, sua densidade é superior à da água do mar. dL ⇒ PC PL; então, o corpo flutua ou • se dC emerge. Por exemplo, enquanto um balão está subindo, pode-se concluir que sua densidade é inferior à do ar. • se dC d L ⇒ PC PL; então, o corpo permanece em equilíbrio. Por exemplo, quando um submarino permanece em uma profundidade constante – não submerge nem emerge – podemos garantir que sua densidade é igual à da água.

Traduzindo: VL VC

A fração imersa do corpo

que flutua, em equi-

líbrio, é igual à densidade relativa do corpo em relação ao líquido dC dL .

Por exemplo: um corpo de densidade 0,4 g/cm3, ao ser colocado em água, cuja densidade é 1,0 g/cm3, ficará em equilíbrio com 40% de seu volume abaixo do nível da água.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

42

FÍSICA

Cinemática do MCU
1

CAPÍTULO 15

COISAS QUE GIRAM

3

PERÍODO E FREQUÊNCIA
O tempo gasto por um corpo em movimento circular uniforme para completar uma volta é denominado período do movimento.

É fácil encontrar à nossa volta objetos que descrevem trajetória circular, objetos que giram. Provavelmente, o primeiro que nos vem à mente é a roda. Se pensamos em um veículo em movimento, vamos ter, além das rodas, inúmeras peças girando ao mesmo tempo. Basta abrir o compartimento do motor para constatar a existência de polias, que giram com o motor. No câmbio, há engrenagens girando, e o disco da embreagem também gira. Isso se repete nas máquinas de modo geral – desde que haja motor, há peças que giram – e também no próprio planeta – a Terra gira ininterruptamente em torno de seu eixo. A quantidade de coisas terrestres que giram é indeterminável. Isso em escala macroscópica, pois células vivas observadas em um microscópio mostram a existência de um movimento circular orientado, denominado ciclose. Se nos dermos conta de que o número de células de um indivíduo passa da ordem de trilhões, compreendemos a importância do estudo do movimento circular.
2

A definição de período pode ser aplicada a qualquer fenômeno periódico, ou seja, a qualquer fenômeno que se repita em intervalos de tempos iguais. Frequência de um movimento circular uniforme é o número de voltas que o corpo perfaz na unidade de tempo. Em um movimento periódico qualquer, a frequência é o número de vezes que o fenômeno se repete na unidade de tempo. No Sistema Internacional, como a unidade de tempo é o segundo, a frequência é o número de vezes que o fenômeno se repete por segundo. Essa unidade denomina-se hertz (Hz). Por exemplo, se um corpo realiza 10 voltas por segundo, sua frequência é 10 Hz. Como, no MCU, existe uma proporcionalidade entre tempo e número de voltas, podemos escrever: t (número de voltas) (T) Como f é o número de voltas em uma unidade de tempo, vem: 1 f T Se o período do movimento é T, a frequência é: f 1 T

DEFINIÇÃO DE MCU
Quando um corpo percorre trajetória circular e sua velocidade escalar é constante, seu movimento é denominado circular uniforme (abreviado por MCU).

Por ser constante no movimento uniforme, a velocidade escalar pode ser calculada escolhendo-se um intervalo de tempo arbitrário ( t), determinando-se o correspondente S deslocamento escalar ( S) e calculando-se o quociente . t Em particular, podemos calcular a velocidade dividindo o comprimento de uma volta pelo tempo gasto para completá-la: S1 S2 S3 ... V t1 t2 t3 V comprimento de circunferência tempo para dar uma volta
14 4
S1

4

ROTAÇÃO

2πr T

Vamos analisar agora o movimento de uma haste girando em torno de um eixo. Cada um dos pontos da haste não pertencentes ao eixo tem trajetória circular. Dizemos, nesse caso, que a haste está em rotação. Um corpo está em movimento de rotação em torno de um eixo quando todos os seus pontos não pertencentes ao eixo estão em movimento circular em torno desse eixo. A rotação é uniforme se todos os pontos estão em movimento circular uniforme em torno do eixo. Todos os pontos de um corpo em rotação uniforme apresentam mesmo período e mesma frequência. Por isso podemos falar em período e frequência de um corpo em rotação.

24 43 t1
r

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

14

24

t2

S2

No movimento uniforme, o S é constante. quociente t

3

43

FÍSICA

Os pontos de um corpo em rotação apresentam, contudo, diferentes velocidades escalares. Considere os pontos A e B da haste representada a seguir. Em um intervalo de tempo t, os pontos A e B deslocam-se até A’ e B’, respectivamente.

1

A velocidade de um ponto qualquer vale: Se o movimento é uniforme, a expressão anterior pode ser aplicada a qualquer intervalo de tempo. Em particular, para uma volta completa: O deslocamento escalar é o comprimento de uma circunferência: A velocidade, então, vale:

V

S t

2
Eixo de rotação A' BB' AA' A B B'

t

T

3 4

S V

2πr 2πr T

Um corpo em rotação: quanto maior a distância do eixo, maior a velocidade.

A velocidade do ponto A é o deslocamento escalar AA’ dividido pelo tempo t: A velocidade do ponto B é o deslocamento escalar BB’ dividido pelo tempo t: Como BB’ AA’, conclui-se:

VA VB VB

AA’ t BB’ t VA

2π r indica que, em um corpo em T rotação, existe uma proporcionalidade entre a velocidade de cada ponto e sua distância ao eixo. A constante de pro2π porcionalidade é , que é denominada velocidade anguT lar ( ) do movimento. A unidade da velocidade angular no SI é radiano por segundo (rad/s). A expressão V 2 π T
6

Generalizando: Quanto maior a distância entre um ponto de um corpo em rotação e o eixo, maior a velocidade desse ponto.

RELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE ANGULAR E ESCALAR
Partindo da expressão deduzida acima: V 2 π r T

5

VELOCIDADE ANGULAR

Ainda considerando o problema da haste em rotação em torno de um eixo, vamos estudar o movimento de um ponto P qualquer, situado a uma distância r do eixo de rotação. Como esse ponto percorre uma trajetória circular de raio r, em movimento uniforme, de período T, podemos calcular sua velocidade como se mostra a seguir:

e da definição de velocidade angular em radianos por unidade de tempo 2 π T Concluímos que: V r

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

44

FÍSICA

Dinâmica do MCU
1

CAPÍTULO 16

ACELERAÇÃO NO MCU – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

V ac ac C V

O problema central da Dinâmica é relacionar o movimento com suas causas, que são as forças que agem sobre o corpo. Newton percebeu que a força não estava relacionada com a velocidade, mas com a alteração dessa grandeza, seja em intensidade, seja em direção. Quanto mais rápido desejamos fazer uma alteração de velocidade, maior tem de ser a força. Daí a importância de uma taxa de variação da velocidade. Pense em um carro arrancando, brecando ou fazendo uma curva. Na linguagem usual, dizemos que, quanto maior a arrancada pretendida maior a força necessária. Na linguagem da Física, quanto mais rapidamente pretendemos aumentar a velocidade, ou quanto maior a aceleração pretendida, maior a força necessária. Também dizemos que, quanto mais forte a brecada, maior a força exigida. Na Física, quanto mais rapidamente pretendemos diminuir a velocidade ou quanto maior a intensidade da aceleração, maior a força necessária. O mesmo acontece em uma curva, quando ocorre uma variação na direção da velocidade. Quanto mais rápida a variação, maior a força necessária. Daí a necessidade de criar uma taxa de variação da direção da velocidade, que é a aceleração centrípeta. A aceleração centrípeta está presente sempre que há mudança de direção da velocidade, fato que ocorre em qualquer movimento curvilíneo. Se a trajetória é elíptica, parabólica ou hiperbólica, existe aceleração centrípeta.

ac V ac V

3

UMA OUTRA EXPRESSÃO PARA A ACELERAÇÃO CENTRÍPETA

Sendo a velocidade angular de um corpo em MCU em uma trajetória de raio r, já deduzimos que: V r

Como foi explicado anteriormente: ac V2 r

Daí obtemos uma outra expressão para a aceleração centrípeta: ac
2

2

ACELERAÇÃO CENTRÍPETA
4

r

A variação de velocidade vetorial de um corpo em MCU é para dentro da curva. Como a aceleração é a taxa de variação da velocidade, também vai ser para dentro da curva. Essa aceleração é chamada centrípeta – que significa dirigida para o centro – e será representada por ac. É possível demonstrar que a aceleração centrípeta apresenta as seguintes características:

CONSIDERAÇÕES EXPERIMENTAIS

Estabelecemos que a resultante das forças que agem sobre um corpo em movimento retilíneo tem a mesma direção e o mesmo sentido da aceleração e intensidade R m |a|.

Intensidade: ac

V2 , sendo V a velocidade esr calar, e r, o raio da curva. ac Perpendicular à velocidade. Para dentro da curva.

Direção: Sentido:

A questão agora é saber se a resultante das forças que agem sobre um corpo em MCU também tem a mesma direção e mesmo sentido da aceleração e intensidade igual ao produto da massa pela aceleração. Para fazer essa verificação, imagine que o patinador da figura, para se manter em trajetória circular, amarre-se a um ponto fixo. Supondo que deslize em uma pista plana horizontal sem atrito, ele fica sob a ação das forças peso, normal e tração. A força de tração impede que ele se separe do ponto fixo. Comparando as características da ace-

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

45

FÍSICA

leração centrípeta com as da resultante – ver figura –, verificamos, mais uma vez, que a resultante e a aceleração – aceleração centrípeta, no caso – apresentam mesma direção e mesmo sentido.

5

EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA DINÂMICA PARA O MCU

r → R
5 01 51 02 52 03 53 04

0

→ T → ac

Podemos imaginar muitas outras experiências e observar muitas outras situações físicas que envolvem corpos em movimento circular uniforme: carros fazendo curva, pêndulo cônico, movimentos de satélites em órbita circular. As conclusões são sempre as mesmas e podem ser resumidas em uma única expressão, que é a equação fundamental da Dinâmica para o movimento circular uniforme: R m ac (para um corpo em MCU)
V

Resultante centrípeta.

Podemos repetir a experiência com diferentes patinadores e verificar que a intensidade da resultante é diretamente proporcional à massa do patinador. Variando a velocidade com que o patinador faz a curva, verificamos que a intensidade da resultante é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade. Variando o raio da curva, constatamos que a intensidade da resultante é inversamente proporcional a r. Assim procedendo, concluímos que a intensidade da resultante é diretamente proporcional à massa, ao quadrado da velocidade e inversamente proporcional ao raio, o que é coerente com a expressão. R m V2 r m ac

ac ac R R

V

C

R ac V R ac

V

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

46

FÍSICA

Órbita circular
1

CAPÍTULO 17

A HIPÓTESE DE NEWTON

No final do século 17, Newton formulou a hipótese que permitiu explicar o movimento dos planetas em torno do Sol, dos satélites – tanto os naturais como os artificiais – em torno dos planetas, das estrelas duplas em torno de seu centro de massa, das naves espaciais que surgiriam séculos mais tarde, que possibilitou ainda a previsão da existência dos planetas Urano, Netuno e Plutão, antes de serem observados. De acordo com essa hipótese, todos os corpos atraem-se mutuamente com uma força, denominada força da atração gravitacional. Se os corpos têm formato esférico, é dada pela expressão: m1m2 r2

muito importante. A força com que um astro de massa M atrai um corpo de massa m tanto pode ser denominada força de atração gravitacional como força peso ou simplesmente peso do corpo. Chamamos mais uma vez a atenção para o fato da distância r ser medida de centro a centro. Portanto, sendo R o raio do astro, h a altura em que se encontra o corpo e supondo desprezíveis as dimensões do corpo, podemos escrever:
m

P

G

M m r2
r h

P

ou F G
R

P

G

M m (R h)2

M

G é a constante de proporcionalidade, denominada constante universal da gravitação, que, como o próprio nome indica, é universal. Seu valor foi determinado 70 anos depois da morte de Newton, por meio de um experimento delicadíssimo. O valor de G no SI é: G 6,67 10 11 N m2/kg2

2

INTENSIDADE DO CAMPO GRAVITACIONAL (g)

Sabemos que a intensidade do campo gravitacional é a constante de proporcionalidade entre o peso de um corpo e sua massa. Como foi explicado, essa constante de proporcionalidade depende do ponto considerado.
X g h r

r

F

F R M m2

m1

F: força de atração gravitacional r: distância de centro a centro m1 e m2: massas dos corpos G: constante universal de gravitação

Vamos, então, determinar a intensidade do campo gravitacional em um ponto X que está a uma altura h em relação à superfície de um planeta de raio R e massa M. Partindo da expressão P mg e substituindo-se nas expressões P G Mm r2 ou P G Mm (R h)2

Peso de um corpo
A força de atração gravitacional, como indica o valor da constante G, tem intensidade muito pequena para que seus efeitos sejam percebidos, quando tratamos com dois corpos quaisquer; dois cadernos por exemplo. No entanto, quando um dos corpos é um astro, essa força passa a ser
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

obtemos: g GM r2 ou g GM (R h)2
FÍSICA

47

Campo na superfície do planeta
O campo na superfície de um planeta, que vamos chamar de g0 , pode ser obtido fazendo h 0 ou, o que dá na mesma, r R. g0 GM R2

3

ÓRBITA CIRCULAR

Vamos discutir a condição para um satélite de massa m entrar em órbita circular, de raio rx, em torno de um planeta de raio R e massa M. Como o corpo está em MCU, sua aceleração é a centrípeta. Nessas condições, a equação fundamental da dinâmica toma a forma: R m ac A resultante é a força de atração gravitacional, pois essa força é a única que age no corpo. Logo: P m ac Mas o peso naquele ponto é o produto da massa pelo campo gravitacional do ponto.

Manipulando-se adequadamente as expressões apresentadas, obtemos, com facilidade, uma relação entre o campo gravitacional na superfície de um planeta e o campo gravitacional em um ponto qualquer a uma altura h. g g0 R2 r2 g g0 R2 (R h)2

Px

mgx

Fazendo-se as devidas substituições e simplificações, obtemos a condição para o corpo entrar em órbita circular: gx
g

ac

Intensidade do campo gravitacional na superfície (g0) de alguns astros Astro Sol Lua Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter Saturno Urano Netuno g0 (m/s2) 274 1,67 3,92 8,82 9,80 3,92 26,50 11,8 9,80 9,80

g0

gx

rx

r

gx ac

O gráfico de g em função de r
Partindo de qualquer uma das expressões deduzidas até aqui g g0 R2 r2 g GM r2

rx

Observe que, assim como no movimento balístico: • a aceleração de um corpo em órbita é igual ao campo gravitacional local. • a massa do corpo não influi no movimento. A grande diferença é que a intensidade do campo gravitacional depende do ponto considerado, ou seja, do raio escolhido para a órbita. O campo gravitacional pode ser calculado pelas expressões apresentadas, enquanto a aceleração centrípeta pode ser calculada pelas expressões conhecidas. ac V2 rx
2

podemos concluir que g é inversamente proporcional ao quadrado da distância ao centro do astro. Se a distância ao 1 centro do astro dobra, g fica . Se a distância triplica, g fica 4 1 , e assim sucessivamente. 9 Observe que essa expressão só é válida para pontos externos ao astro, ou seja, para pontos em que r
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

rx

R.

48

FÍSICA

Diferença de potencial, corrente e potência elétrica
1

CAPÍTULO 18

CIRCUITO ELÉTRICO SIMPLES

Na figura a seguir vemos algumas peças que fazem parte de nosso cotidiano: uma bateria de automóvel, uma lâmpada incandescente devidamente enroscada em um bocal e fios metálicos de ligação. Além disso, estão indicadas algumas grandezas físicas associadas à lâmpada (12 V – 60 W) e à bateria (12 V – 20 A). Nas condições mostradas na figura, a lâmpada está apagada. Porém, se conectarmos os fios de ligação, um no polo positivo e o outro no polo negativo da bateria, ela acenderá.
12 V – 60 W Lâmpada incandescente Soquete ou bocal Fios metálicos de ligação

to da temperatura do filamento, podendo atingir, como no caso dos filamentos de tungstênio, até 2700 K. Nessa circunstância, o filamento torna-se incandescente, passando a irradiar calor e luz. Nos fios de ligação ocorre o mesmo fenômeno, porém com intensidade muito menor. Como consequência, a temperatura do fio é pouco alterada, a ponto de a desprezarmos.
2

AS TRANSFORMAÇÕES DE ENERGIA

É possível analisar esse circuito elétrico sob o ponto de vista das transformações de energia. Por exemplo, na bateria, a energia química é transformada em energia elétrica. Já no filamento da lâmpada, a energia elétrica é transformada em energia térmica e luminosa. Os fios de ligação atuam apenas como elementos transmissores de energia elétrica da bateria para a lâmpada.
Energia térmica Energia luminosa

Bateria, soquete e lâmpada.

Como explicamos esse acontecimento? Na bateria ocorrem reações de oxirredução. Assim que o sistema é conectado, cria-se um caminho condutor entre os polos da bateria constituído pelos fios de ligação e o filamento da lâmpada. Elétrons saem da bateria para o fio, e elétrons saem do fio para a bateria, de tal maneira que forma-se ao longo desse percurso um movimento organizado de elétrons que caracteriza a corrente elétrica.

Energia química

Energia elétrica

Transformações de energia.

3 Fluxo de carga nos polos da bateria.

DIFERENÇA DE POTENCIAL (DDP)

O deslocamento dos elétrons ao longo do percurso, ao contrário do que podemos imaginar, é lento, com velocidades em torno de 10–2 cm/s. A lâmpada é acesa imediatamente, porque a corrente elétrica se estabelece, no mesmo instante, em todo o percurso. Na lâmpada os elétrons em movimento chocam-se com a estrutura metálica, fazendo com que a agitação média dos átomos aumente. Em decorrência disso, ocorre um aumenSISTEMA ANGLO DE ENSINO

Retomando o circuito apresentado anteriormente, repare que tanto na lâmpada quanto na bateria há a inscrição 12 V. Certamente você já conhece termos como estes: “110 volts”, “220 volts” ou já deve ter ouvido algo como “meu secador de cabelos é ‘bivolt’”. O que esses números significam? Como lidar com eles? Esses números quantificam uma grandeza física bastante útil na eletrodinâmica, denominada diferença de potencial elétrico (ddp). Para entendermos esse concei-

49

FÍSICA

to, vamos supor que a lâmpada incandescente esteja acessa. Neste caso, a energia elétrica está sendo transformada parte em energia térmica e parte em energia luminosa.
Energia térmica Energia luminosa Energia química

U Energia elétrica

4

CONCEITO DE CORRENTE ELÉTRICA

U

Energia elétrica

Diferença de potencial elétrico (U) entre os terminais da lâmpada é definida pela razão entre o módulo da quantidade de energia elétrica consumida pela lâmpada em determinado intervalo de tempo e o módulo da quantidade de carga que passou pelo filamento da lâmpada no mesmo intervalo de tempo. Em símbolos:

U

εelétrica
q

No Sistema Internacional, a unidade de carga elétrica é coulomb (C). Somente para se ter uma ideia do valor dessa unidade, cada elétron ou cada próton possui uma carga elétrica, cujo módulo vale 1,6 10 19 C. No modelo empregado em nosso estudo, esse é o menor valor possível da carga elétrica e, por essa razão, é conhecido como carga elementar, simbolizado por “e”. Assim: qpróton e 1,6 10 19 C qelétron e 1,6 10 19 C Então, quando ouvimos que a ddp na lâmpada é 12 V, devemos entender que, quando 1 coulomb de carga elétrica é transportada de um terminal a outro do filamento da lâmpada, há um consumo de 12 J de energia elétrica. O termo volt (V) designa a unidade de medida da ddp no Sistema Internacional de Unidades. Trata-se de uma homenagem a Alessandro Giuseppe Antonio Anastácio Volta, físico italiano a quem se atribui a invenção da pilha. 1J 1C

Em geral, a experiência mostra que os metais são bons condutores de energia elétrica. Segundo os modelos atômicos aceitos, a boa condutibilidade elétrica dos metais se deve ao fato de apresentarem um grande número de elétrons fracamente ligados ao núcleo de cada um de seus átomos. Por esse motivo, torna-se razoavelmente fácil provocar movimento ordenado desses elétrons de um lado para outro de um condutor. A figura 1 mostra uma barra metálica distante de qualquer outro corpo e alguns elétrons em movimento desordenado. Se trouxermos para perto da ponta da barra um corpo eletrizado, por exemplo, positivamente, os elétrons serão atraídos, e, por algum tempo, estabelece-se um movimento ordenado desses elétrons no sentido do corpo positivo (figura 2). Uma vez que forças de natureza elétrica são aplicadas aos elétrons, acarretando deslocamentos, podemos garantir que há trabalho dessas forças elétricas e, consequentemente, transformação de energia elétrica em outras modalidades. Lembremos que a quantidade de energia elétrica transformada para cada um coulomb de carga transportada entre dois pontos A e B dessa barra é a ddp (U) entre esses dois pontos.
Elétrons livres em movimento desordenado Elétrons livres em movimento ordenado

Figura 1

Figura 2 Placa positiva

Essa forma de produzir esse movimento organizado de cargas elétricas apresenta o inconveniente de ser um processo muito rápido. Quase que imediatamente o movimento cessa e o condutor fica polarizado, tendo, em uma ponta, excesso de elétrons e, na outra, falta de elétrons.
Falta de elétrons Excesso de elétrons

1V

Tendo em vista que os fios condutores praticamente não consomem energia elétrica, toda a energia fornecida pela bateria é recebida pela lâmpada. Em consequência, pela própria definição de ddp, pode-se afirmar que a ddp nos terminais da bateria é igual à ddp nos terminais da lâmpada.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Placa positiva

50

FÍSICA

É desejável que o movimento ordenado dos elétrons seja duradouro. Isso só é possível com o uso da bateria ou pilhas, que são dispositivos capazes de criar e manter uma corrente elétrica, à custa de fornecimento de energia. O movimento ordenado de elétrons é denominado corrente eletrônica. Em ambientes não metálicos que contenham portadores de cargas elétricas livres como cátions e ânions, o mesmo efeito pode ser obtido. Essas correntes são chamadas de correntes iônicas. De uma maneira geral, o movimento ordenado de portadores de carga constitui a corrente elétrica. Corrente elétrica é o movimento ordenado de portadores de carga.

6

DEFINIÇÃO DE CORRENTE ELÉTRICA

A corrente elétrica fica estabelecida quando ocorre um fluxo de portadores de carga no interior do condutor; a intensidade dessa corrente elétrica corresponde ao fluxo dessas cargas por uma secção transversal do condutor. Vamos considerar um dos fios de ligação do circuito simples apresentado anteriormente, quando a lâmpada está acesa.
Secção transversal

5

CONDIÇÕES PARA QUE A CORRENTE ELÉTRICA SEJA FORMADA ENTRE DOIS PONTOS

Fio condutor.

A figura a seguir ilustra duas situações em que não se forma corrente elétrica entre os pontos A e B.

Se, em um intervalo de tempo t, n elétrons atravessarem uma secção transversal desse condutor, define-se a intensidade de corrente elétrica média (im) como sendo a razão entre a quantidade de carga, em módulo, que atravessou essa secção transversal e o intervalo de tempo t. Em símbolos: im q t

A

B

Como o módulo da carga de cada elétron corresponde à carga elementar e 1,6 10 19 C, o valor de | q| para “n” elétrons é igual a n e. Assim, a expressão acima torna-se: im n e t

Figura 1

A unidade de intensidade de corrente elétrica no Sistema Internacional de Unidades é coulomb/segundo, denominada ampère (A) em homenagem ao cientista francês André Marie Ampère.
B Situações em que não há corrente elétrica. A Figura 2

1A

1C 1s

Na figura 1 não se forma a corrente elétrica entre os pontos A e B porque não há caminho condutor entre eles. Na figura 2 não se forma corrente elétrica entre os pontos A e B porque não há dispositivo que forneça energia elétrica para que as cargas se movimentem. Ou seja, não há ddp (U) entre eles. Esses exemplos mostram que, para que corrente elétrica seja estabelecida entre dois pontos, é necessário que: 1. Haja um caminho condutor que ligue esses dois pontos. 2. Haja fornecimento de energia elétrica para que as cargas se movimentem entre esses dois pontos. Em outras palavras, deve haver uma diferença de potencial (U) entre eles.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

7

POTÊNCIA ELÉTRICA

A lâmpada e a bateria podem ser chamadas genericamente de máquinas elétricas por envolverem transformações de energia elétrica durante seu funcionamento. A lâmpada transforma energia elétrica em outras modalidades, e a bateria faz a operação inversa, isto é, transforma outras modalidades de energia em energia elétrica. Quando precisamos comprar lâmpadas, e deparamonos com algumas inscrições técnicas nas embalagens desses produtos. Essas informações são denominadas “dados nominais” e informam a ddp e a potência elétrica da lâmpada.

51

FÍSICA

Q-LUZ
100 W

Q-L U Z
60 W

A potência elétrica média de uma máquina elétrica é o produto entre a ddp (U) nos terminais da máquina e a intensidade média de corrente elétrica nessa máquina.
m

U im

8
127 V 127 V

UMA UNIDADE PRÁTICA DE MEDIDA DE ENERGIA ELÉTRICA (kWh)

DDP 127 V – Potência 100 W

DDP 127 V – Potência 60 W

Isso significa que a lâmpada deve ser ligada entre dois pontos de ddp igual a 127 V para consumir 60 W ou 100 W de potência elétrica, conforme a lâmpada escolhida. Potência elétrica é a grandeza física que indica a quantidade de energia elétrica consumida ou fornecida por uma máquina elétrica na unidade de tempo. Se, em um intervalo de tempo t, uma máquina elétrica consome ou fornece uma quantidade de energia elétrica ε, a potência elétrica média dessa máquina é:

Para medir o consumo de energia elétrica, por exemplo, de uma residência, o joule é uma unidade muito pequena. Para esse caso, se ela fosse empregada, encontraríamos números extremamente elevados na medição. Como exemplo, vamos calcular somente o consumo de energia elétrica que um chuveiro elétrico comum (5500 W) proporciona, durante um mês, se for usado por uma família apenas por 40 minutos diários.

ε
t Em que: Assim: t

Logo: (40 min/dia)

ε
(30 dias)

t (60 s/min).

m

ε
t

ε ε

5500 40 30 60 3,96 108 J

No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de potência é o watt (W) em homenagem a James Watt, pelos aperfeiçoamentos introduzidos na máquina a vapor, que possibilitaram sensível melhoria em seu desempenho, como vimos no capítulo 8. Quando dizemos que a potência elétrica de uma lâmpada é 60 W, devemos entender que ela consome 60 J de energia elétrica em 1 s de tempo. 1W 1J 1s

Portanto:

A potência elétrica pode ser determinada por meio de uma expressão que envolve a ddp U e a corrente elétrica i que se forma na máquina em funcionamento. Acompanhe o raciocínio. A partir de U

Se levarmos em conta todos os outros eletrodomésticos, o número indicador do consumo de energia elétrica seria muito maior. As concessionárias de energia elétrica usam como unidade de medida de energia elétrica o quilowatt-hora (kWh), que corresponde à energia elétrica consumida por um aparelho de 1000 W (1 kW) de potência funcionando durante uma hora. Portanto, para expressar a quantidade de energia ( ε) consumida por um aparelho em kWh, basta operar com a potência elétrica ( ) em kW e com o intervalo de tempo ( t) em horas. No exemplo anterior,

A potência do chuveiro é ,

5500 W 40 h 30 60

5,5 kW

εelétrica
q

εelétrica

U

q

O intervalo de tempo em horas, a cada mês, é: Logo, a energia consumida pelo chuveiro em kWh é:

t

20 h

escrevemos A partir de im escrevemos q , t q im U
m

ε

5,5 kW 20 h

110 kWh

t

Então

m

ε⇒
t

q q im

Observe que a mesma quantidade de energia expressa em kWh é indicada por um número muito menor, o que é conveniente. A relação entre as unidades kWh e o J é: 1 kWh 1000 W 3600 s 3,6 106 J 1 kWh

Logo:

m

U im

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

52

FÍSICA

Condutores e resistores
1

CAPÍTULO 19

A LEI DE OHM

Considere um fio condutor, à temperatura constante, submetido a uma ddp (U). Nessas circunstâncias, uma corrente elétrica de intensidade “i” é estabelecida nesse condutor. Suponha que esse experimento seja repetido para cinco valores diferentes de ddp (U1, U2, U3, U4 e U5) e, para cada um deles, uma corrente elétrica é medida (i1, i2, i3, i4 e i5). É possível verificar que para o fio condutor, à temperatura constante, a razão entre a ddp e a respectiva corrente elétrica é constante. Em símbolos, U1 i1 U2 i2 U3 i3 U4 i4 U5 i5

física indica a dificuldade que um determinado condutor impõe à formação de corrente elétrica. U U R i i No SI, a unidade de resistência elétrica é o ohm ( ). R 1V 1A A partir do conhecimento da definição de resistência elétrica de um condutor, pode-se enunciar a primeira Lei de Ohm de outra maneira: 1 Em fios metálicos, submetidos a temperaturas constantes, a resistência elétrica é constante.

R

constante .

Essa proporção foi identificada por Georg Simon Ohm (1789-1854), físico e matemático alemão a quem se atribuem os primeiros estudos a respeito da condutividade dos materiais. Por essa razão, ela é conhecida como 1ª lei de Ohm. Em fios metálicos, em temperaturas constantes, a intensidade de corrente i é diretamente proporcional à ddp U. Se os valores de U e i fossem colocados em um diagrama U i, a linha obtida seria um segmento de reta que passa pela origem do sistema. A curva encontrada no gráfico U i chama-se curva característica do condutor.
ddp U

3

RESISTORES

Resistores são dispositivos construídos com a finalidade de produzir energia térmica a partir da energia elétrica. Há os de carbono ou de silício, os de fio metálico, que são muito usados em circuitos eletrônicos, e há aqueles que são popularmente chamados de resistências. Você já deve ter ouvido falar em “trocar a resistência do chuveiro elétrico”.

Corrente elétrica i

Resistores de carbono

© Acervo Anglo

Curva característica do condutor

Resistência de chuveiro

2

RESISTÊNCIA ELÉTRICA DE UM CONDUTOR
Com relação à experiência apresentada, a constante de U é denomii

No uso doméstico, as “resistências” estão no interior dos chuveiros elétricos, das torradeiras, das cafeteiras, dos secadores de cabelo, das lâmpadas incandescentes e de outros. Por serem construídos com materiais ôhmicos, atendem à primeira lei de Ohm: U R i e são representados em um circuito como mostra a figura a seguir:
5Ω Representação de um resistor

proporcionalidade (R) encontrada na razão

nada resistência elétrica (R) do condutor. Essa grandeza
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

53

FÍSICA

© Gabor Nemes/Kino

4

POTÊNCIA ELÉTRICA NOS RESISTORES

Nos resistores, a potência elétrica é integralmente transformada em energia térmica, por isso são conhecidos como dissipadores de energia elétrica. Os técnicos usam o termo potência elétrica dissipada no resistor. A determinação dessa potência pode ser feita por meio de duas outras expressões, além daquela já conhecida (P U i), que levam em conta a resistência elétrica do resistor. Se na expressão P U i substituirmos U pelo produto R i, encontramos P R i2. U2 U Se substituirmos i pelo quociente , encontramos P . R R Essas três expressões são equivalentes; a decisão pelo uso de uma ou de outra expressão depende da conveniência do problema a ser resolvido. P U i ou P R i2 ou P U2 R

5

ASSOCIAÇÕES DE RESISTORES

Associar resistores consiste em ligá-los uns aos outros, conforme a necessidade do projeto de circuito elétrico. Por exemplo, em uma instalação residencial, os eletricistas têm de ligar no mesmo circuito diversas lâmpadas, tomadas, etc. Estudaremos duas formas de associação de resistores: a associação em série e a associação em paralelo.

Associação em Série
É a associação em que todos os elementos do circuito estão sujeitos à mesma corrente elétrica. Isso só é possível se houver um único caminho condutor entre os dois polos da bateria. O esquema apresentado ao lado é de um circuito elétrico composto por uma bateria e uma associação em série com três lâmpadas. Nos circuitos elétricos, por força de uma convenção internacional, marca-se o percurso da corrente elétrica no circuito resistivo no sentido do polo positivo para o polo negativo da bateria. Portanto, no interior da bateria, o sentido convencional da corrente elétrica é do polo negativo para o polo positivo. Nesse caso, se uma das lâmpadas “queimar”, perde-se o caminho condutor de um polo ao outro da bateria, dizemos que o circuito está aberto, portanto, não se forma mais corrente elétrica. Como consequência, todas as lâmpadas ficam apagadas. Em uma associação em série, a corrente elétrica é única, portanto, todos os elementos associados funcionam simultaneamente ou nenhum deles funciona.
i

U1

U2

U3

i

U

Associação em série.

Deve-se observar ainda que a ddp fornecida pela bateria não está aplicada em nenhum dos elementos isoladamente, e sim nos terminais da associação. Cada elemento associado está submetido a uma ddp própria, determinada pelo produto Uj Rj i. A ddp nos terminais da associação é a soma das ddps nos terminais de cada associado. Na associação em série: U Resistência equivalente da associação em série A resistência equivalente de uma associação de resistores é o valor da resistência de um resistor que, quando ligado aos terminais da bateria, consome a mesma potência elétrica que a associação. Como consequência, o resistor equivalente, ao ser submetido à mesma ddp U da associação, será percorrido por corrente elétrica de intensidade i igual à da associação. Sendo RS a resistência equivalente, podemos escrever que U RS i.
R1 R2 i R3 RS i

U1

U2

U3

U

U

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

54

FÍSICA

Para determinar o valor dessa resistência, vamos lembrar que U Rj i. Então: RS i RS R1 i R1 R2 i R2 R3

U1

U2

U3 e que cada ddp Uj é o produto

R3 i

Cálculo da resistência equivalente de uma associação série de resistores.

6

ASSOCIAÇÃO EM PARALELO

É a associação em que todos os elementos da associação estão submetidos à mesma diferença de potencial (U). O esquema apresentado ao lado é de uma associação em paralelo com três lâmpadas. Note que todas as lâmpadas têm um de seus polos ligado no polo positivo da bateria e o outro polo ligado no polo negativo da bateria. Se uma das lâmpadas “queimar”, o circuito fica aberto somente no ramo em que está a lâmpada que queimou. As outras duas lâmpadas continuam funcionando normalmente. As lâmpadas pertencentes a um mesmo circuito de uma instalação residencial são associadas dessa forma. Verifique que, em sua casa, as lâmpadas funcionam independentemente umas das outras. Pode-se acender a lâmpada da sala e manter a da cozinha apagada.

I

i1

i2

i3

U

Em uma associação em paralelo, todos os elementos estão submetidos à mesma ddp e funcionam independentemente uns dos outros. Desde o polo positivo até o polo negativo da bateria há três caminhos possíveis. No caminho 1 forma-se a corrente i1, no caminho 2 forma-se a corrente i2 e no caminho 3 forma-se a corrente i3. No gerador forma-se a corrente I, de modo que: I Resistência equivalente da associação em paralelo Para determinar o valor da resistência equivalente RP de uma associação em paralelo, vamos ressaltar que a intensidade de corrente elétrica em cada ramo é: ij U . Rj i1 i2 i3

Além disso, a intensidade da corrente total (I) estabelecida no circuito é: l i1 i2 i3 U Rp

i1 I R1

i2 R2

i3 R3

I Rp

U

U

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

55

FÍSICA

Dessa forma, escrevemos: U Rp 1 Rp U R1 1 R1 U R2 1 R2 U R3 1 R3

A demonstração é apresentada a seguir. 1 Rp 1 R1 1 R2 ⇒ 1 Rp R2 R2 R1 R1 R2 R2

Rp

R1 R1

Cálculo da resistência equivalente de uma associação paralela de resistores.

b) Associação em paralelo de n resistores iguais Casos particulares A expressão encontrada para o cálculo da resistência equivalente de uma associação em paralelo pode, em dois casos particulares, ser substituída por outras mais simples. a) Associação em paralelo de dois resistores A resistência equivalente de uma associação em paralelo com dois resistores de resistências R1 e R2 é o resultado da divisão do produto das duas resistências pela respectiva soma. produto Rp soma A resistência equivalente de uma associação em paralelo com n resistores de resistências iguais a R é o resultado da divisão do valor R pelo número de elementos associados. A demonstração é apresentada a seguir: 1 Rp 1 R 1 R ... 1 1 ⇒ R Rp R n n 1 R

Rp

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

56

FÍSICA

Geradores e circuito elétrico simples
1

CAPÍTULO 20

GERADORES

Em torno de 1800, Alessandro Volta (1745-1827) descobriu o primeiro aparelho capaz de produzir corrente elétrica: a pilha, um gerador que consegue energia elétrica a partir da energia química. De lá para cá, com a evolução da tecnologia, as pilhas foram aperfeiçoadas, e fazemos uso delas até hoje. As baterias de automóveis encaixam-se nesse caso. Em 1835, Michael Faraday (1791-1867) descobre uma forma de produzir energia a partir da energia mecânica. É esse tipo de gerador que existe nas usinas hidroelétricas, termoelétricas, nucleares, etc. De uma forma geral, o gerador é uma máquina elétrica capaz de transformar energia de outra modalidade em energia elétrica.

A potência térmica consumida no interior do próprio gerador é dada por P r i2, em que r é a resistência elétrica dos metais que compõe o gerador, também chamada de resistência interna do gerador (rint). A potência de outra modalidade pode ser expressa por P E i, em que E é a uma constante característica de cada gerador, denominada força eletromotriz (fem). A fem é medida em volts e corresponde à razão entre a quantidade de energia de outra modalidade que é transformada no gerador e a quantidade de carga que percorre o gerador durante a transformação. Em símbolos: Pelétrica Pnão elétrica E i Ptérmica r i2

⇒ U i Ou seja: U

2

EQUAÇÃO DO GERADOR

E

r i

Todo gerador tem em sua constituição elementos metálicos que apresentam resistência elétrica. Ao serem percorridos por corrente elétrica, dissipam energia na forma de calor. Dessa forma, a quantidade de energia elétrica disponível nos terminais de um gerador é sempre menor do que a energia não elétrica consumida por ele. O esquema a seguir mostra isso.
Energia elétrica disponível nos terminais do gerador Energia não elétrica consumida no gerador Gerador

Equação do gerador

3

GERADOR IDEAL

O gerador ideal é aquele em que a resistência interna é zero. Na prática, não existem esses geradores. Quando, eventualmente, a resistência interna é muito pequena em relação à resistência do circuito externo, consideramos o gerador como ideal. Nesse caso, toda a energia não elétrica é transformada em energia elétrica, não havendo dissipação térmica no gerador. Nesse caso, a equação do gerador se reduz a: U E

Energia térmica responsável pelo aquecimento do gerador 4

Equação do gerador ideal

Energia elétrica

Energia de outra modalidade

Energia térmica

REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM GERADOR

As quantidades das energias transformadas nesse processo dependem do tempo de funcionamento do gerador. Por esse motivo, é conveniente trabalhar com as respectivas potências: Assim, Potência elétrica Potência de outra modalidade Potência térmica

As figuras a seguir mostram as representações gráficas de um gerador com resistência interna (r) e de um gerador sem resistência interna (gerador ideal). Lembrando: no interior de um gerador, o sentido da corrente elétrica é do polo negativo ao polo positivo.
i E r i E

A potência elétrica fornecida pelo gerador ao circuito é dada por P U i.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Gerador real

Gerador ideal
FÍSICA

57

5

LEI DE POUILLET

Vamos tomar um circuito simples formado por um gerador, uma associação de resistores, cuja resistência equivalente é Req e fios de ligação supostos ideais, e determinar a intensidade de corrente elétrica que se forma no circuito.

r E

i Req

As ddps nos terminais do gerador e do resistor equivalente são iguais. Então, podemos escrever Sendo e Temos: Ou seja, E E Req i

UG UG UR r i E

UReq r i

Req i Req i (Req r) i

r i

Finalmente:

i

E Req r

Essa expressão é conhecida como lei de Pouillet em homenagem ao físico francês Claude Pouillet (1790-1868).

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

58

FÍSICA

Magnetismo

CAPÍTULO 21

1

OS ÍMÃS

De uma forma ou de outra, todos já tivemos contato com algum ímã, seja por meio de uma bússola, de um altofalante ou até de uma propaganda que deve ser aderida à geladeira. Atualmente, fabricamos ímãs, porém eles existem em estado natural em algumas jazidas de minério de ferro. Os materiais que compõem os ímãs são chamados de magnéticos e são basicamente o ferro, o níquel e o cobalto.

que possa girar livremente, ele estacionará, de modo que o seu eixo maior indicará aproximadamente a direção NorteSul geográfica da Terra. O polo do ímã que aponta para o Norte geográfico da Terra é denominado polo norte magnético do ímã, e o polo que aponta para o Sul geográfico da Terra é denominado polo sul magnético do ímã.
Norte geográfico

N S

© Fábio Colombini

Sul geográfico

Polos magnéticos. Pedra de magnetita: um ímã natural.

4

INTERAÇÃO ENTRE ÍMÃS

2

OS POLOS DE UM ÍMÃ

Se jogarmos limalhas de ferro em torno de um ímã, essas limalhas serão atraídas e haverá maior concentração delas em dois pontos do ímã, atestando que naqueles pontos a atração magnética é maior. Esses dois pontos do ímã são denominados polos do ímã.

Quando dois ímãs são colocados próximos um do outro, verifica-se uma troca de forças de origem magnética entre eles, que pode ser de atração ou repulsão, conforme as posições de seus polos. Ocorre repulsão quando a aproximação é feita por polos de mesmo nome, e ocorre atração quando a aproximação é feita por polos de nomes diferentes.
F N S S N F

F

S

N

N

S

F

S
© Acervo Anglo

N

F F

S

N

Força magnética trocada entre ímãs

5 A figura mostra um ímã em forma de barra. Os polos de um ímã ficam evidenciados pela maior concentração de limalhas de ferro.

O CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE

3

POLOS NORTE E SUL DE UM ÍMÃ

Se um ímã em forma de barra, distante de qualquer outro ímã, for suspenso por seu centro de massa, de modo
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

A Terra se comporta como um grande ímã. Alguns estudos revelam que esse fato se deve à formação de correntes elétricas no núcleo líquido no interior da Terra. Como veremos adiante, correntes elétricas são capazes de gerar campos semelhantes àqueles originados por um ímã. A presença do campo magnético terrestre fica evidenciada pela orientação adquirida por uma agulha magnética suspensa. A polaridade magnética da Terra é definida levando-se em

59

FÍSICA

conta a orientação de uma agulha magnética. O polo norte de um ímã aponta sempre para o polo sul de outro ímã que esteja próximo dele. Assim, quando uma agulha magnética tem seu polo norte apontado para o norte geográfico da Terra, é de se supor que lá esteja o polo sul magnético da Terra. Com o mesmo raciocínio conclui-se que o polo norte magnético da Terra encontra-se no polo sul geográfico. Os eixos magnéticos e geográficos da Terra não são coincidentes. Há um desvio em torno de 11,5° entre eles.

Quando cortamos o ímã, a orientação dos ímãs elementares é mantida de tal forma que as novas partes continuam com as duas polaridades.
Plano de corte

S

N

S

N

S

N

O modelo dos ímãs elementares explica a inseparabilidade dos polos.

7

VETOR CAMPO DE INDUÇÃO MAGNÉTICA

Os ímãs trocam forças magnéticas a distância, por isso são denominadas forças de campo. Campo magnético é a região do espaço onde efeitos magnéticos são percebidos por um ímã levado até lá. Normalmente, usam-se bússolas para a detecção de regiões sujeitas a efeitos magnéticos. A força magnética a que um ímã fica submetido quando colocado em algum ponto do campo magnético pode ser diferente da força magnética que esse mesmo ímã sofreria se fosse colocado em outro ponto desse campo magnético. Isso mostra que, apesar de ambos os pontos estarem em um mesmo campo magnético, o grau de influência magnética nesses pontos é diferente.

6

PRINCÍPIO DA INSEPARABILIDADE DOS POLOS
F1

F1 F2 P1 P2

Podemos pensar na possibilidade de separarmos os polos de um ímã. Bastaria cortá-lo, conforme o desenho a seguir. Porém, ao cortá-lo, notaríamos o aparecimento, nas seções de corte, de polos magnéticos opostos aos polos das extremidades.
Plano de corte S N S N S N

F2 As forças magnéticas que atuam no ímã no ponto P1 são diferentes das forças magnéticas que atuam no ímã no ponto P2.

Há um modelo físico que explica esse comportamento aparentemente mágico dos ímãs. Imaginemos que continuássemos cortando os ímãs resultantes de cada corte, mais e mais. Chegaríamos a um ímã tão pequeno que seria impossível cortá-lo. Esse seria o ímã elementar. Hoje, sabemos que o movimento dos elétrons é o gerador desses ímãs elementares. Se representarmos esses ímãs elementares por uma seta, de modo que a extremidade represente o polo norte, entenderemos por que o corte de um ímã ocasiona o surgimento de polos novos nas novas extremidades. Todo ímã é formado por ímãs elementares devidamente orientados, como vemos na figura a seguir.

A fim de distinguir o campo magnético em pontos diferentes pertencentes a uma região, associamos a cada ponto dessa região um vetor que caracterize o campo magnético no local. Trata-se do vetor campo de indução magnética B. Para encontrá-lo, levamos até o ponto uma bússola.
B1 N N B2

P1

P2

S

N

A direção do vetor B é dada pela direção da agulha magnética, e o sentido desse vetor é o indicado pelo polo

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

60

FÍSICA

norte da agulha magnética. A intensidade é determinada caso a caso, como veremos posteriormente. Se conhecermos o vetor campo de indução magnética de um ponto do campo magnético, automaticamente saberemos como a agulha magnética de uma bússola pararia se fosse colocada nesse ponto. Da mesma maneira, se soubermos como a agulha magnética de uma bússola é colocada em um ponto do campo de indução magnética, automaticamente saberemos a direção e o sentido do vetor campo de indução magnética daquele ponto.

linhas de indução magnética de um campo gerado por um ímã na forma de barra e por um ímã em forma de U.

B Linhas de indução em um campo magnético gerado por um ímã em forma de barra. N S

8

LINHAS DE INDUÇÃO MAGNÉTICA
Linhas de indução em um campo magnético gerado por um ímã em forma de U.

As linhas de indução magnética são linhas orientadas desenhadas em um campo de indução magnética, de tal forma que, em todos os seus pontos, o vetor campo de indução magnética é tangente a ela, tem o sentido dela e é mais intenso nas regiões de maior concentração de linhas. As linhas de indução magnética fornecem um “mapa” a respeito do comportamento do campo de indução magnética em dada região.
B2 Linha de indução

9

SENTIDO DA LINHA DE INDUÇÃO EM UM CAMPO CRIADO POR ÍMÃS

O sentido de uma linha de indução é determinado pela colocação de uma bússola sobre a linha. O sentido da linha será aquele indicado pelo norte da bússola. Um ímã em forma de barra gera um campo de indução magnética cujas linhas de indução magnética são orientadas no sentido do Norte magnético do ímã para o Sul magnético do ímã, como mostra a figura abaixo.

B1

B3

O vetor campo de indução magnética é tangente à linha de força e tem o sentido da linha de força.

Pode-se materializar o aspecto das linhas de indução magnética em uma determinada região, espalhando limalha de ferro pela região. Cada limalha de ferro imanta e passa a se comportar como uma pequenina agulha magnética, indicando ponto a ponto a direção do vetor campo de indução magnética. A seguir estão apresentadas algumas

S

N

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

61

FÍSICA

Efeito magnético da corrente elétrica
1

CAPÍTULO 22

CAMPO MAGNÉTICO GERADO POR CORRENTE ELÉTRICA

2

A EXPERIÊNCIA DE OERSTED

No início do século XIX, havia uma desconfiança entre os estudiosos de que poderia haver alguma relação entre os fenômenos elétricos e magnéticos. Sabia-se que um raio podia magnetizar uma barra de ferro, porém, por não se entender que o raio era devido ao movimento de cargas elétricas, não se associava a esse fenômeno uma prova da ligação entre o magnetismo e a eletricidade. Em 1819, um professor dinamarquês da Universidade de Copenhague chamado Hans Christian Oersted (1777-1851), ao que parece, em uma de suas aulas, ao mexer em um fio com corrente elétrica, verificou a deflexão da agulha magnética de uma bússola que se encontrava sobre a bancada. Recolheu-se ao laboratório e, após algumas tentativas, percebeu claramente que corrente elétrica é capaz de gerar campo magnético. Em julho de 1820, apresentou seus trabalhos à comunidade científica, com a obra “Experimenta circa Efficaciam Conflictus Electrici in acum Magneticam”. Tal descoberta fez nascer um novo campo de pesquisas, o eletromagnetismo.

O dispositivo apresentado por Oersted consistia em estender sobre a agulha magnética de uma bússola, porém sem tocá-la, um fio condutor inicialmente sem corrente elétrica. Nessa circunstância, a agulha magnética denuncia unicamente o campo magnético terrestre.

A S Norte-Sul geográfico N

B chave aberta

Sem corrente elétrica no fio AB, a agulha magnética indica a direção N-S geográfica.

Em seguida, após o fechamento da chave, era estabelecida uma corrente elétrica no fio. Imediatamente, a agulha magnética passava a indicar outra direção. Caso a chave fosse novamente aberta, a agulha magnética voltava a indicar a direção norte-sul. Estava demonstrado experimentalmente: corrente elétrica gera campo magnético.

A S

i N

B chave fechada

Norte-Sul geográfico Com corrente elétrica no fio AB, a agulha magnética indica uma direção perpendicular à direção N-S geográfica.

3

DIREÇÃO E SENTIDO DO CAMPO DE INDUÇÃO MAGNÉTICA DE UM CONDUTOR RETO

Hans Cristhian Oersted descobriu o campo magnético criado pelas correntes elétricas. Também contribuiu para os estudos da compressibilidade dos líquidos e dos sólidos.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

A direção do campo de indução magnética gerado por corrente elétrica em fio longo e reto pode ser determinada colocando-se limalhas de ferro próximas ao fio. Verifica-se que as linhas de indução magnéticas são circunferências concêntricas ao fio e situadas em planos perpendiculares a ele. Como o vetor campo de indução magnética em cada ponto de uma linha é tangente à linha, conclui-se que o vetor campo de indução magnética em um ponto é ortogonal ao fio.

© Acervo Anglo

62

FÍSICA

O sentido do vetor campo de indução magnética é determinado colocando-se uma bússola no ponto estudado. Verifica-se que o sentido das linhas guarda correspondência com o sentido da corrente elétrica. Desse modo, pode-se criar uma regra prática para a determinação do sentido do vetor campo de indução magnética em cada ponto. Essa regra é conhecida como regra da mão direita.
4

intensidade do vetor campo de indução magnética em um ponto P, distante “r” de um fio reto e longo, percorrido por corrente de intensidade constante “i”, é dada por: μoi 2πr

B

REGRA DA MÃO DIREITA

A unidade da intensidade do vetor campo de indução magnética no SI é o tesla (T) em homenagem a Nikola Tesla, por seus trabalhos na criação dos transformadores e transmissão de energia por corrente alternada. O termo μo é denominado permeabilidade magnética do vácuo, é uma constante para o eletromagnetismo e depende do sistema de unidades adotado. No Sistema Internacional de Unidades (SI), vale: μo 4π 10 7 T m/A
6

Consiste em pegar o fio com a mão direita, alinhandose o polegar com o fio e no sentido da corrente elétrica, como mostra a figura. Os outros dedos devem envolver o fio. O sentido do vetor campo de indução magnética ao longo de uma linha de indução coincide com o sentido de envolvimento do fio pelos dedos.
i Linhas de indução i

REPRESENTAÇÃO EM UM PLANO

B B Mão direita

Tendo em vista que o fio e o vetor campo de indução magnética não pertencem a um mesmo plano, a representação deles por meio de desenho requer uma perspectiva, como a apresentada no item anterior, ou a projeção de um dos elementos no plano que contém o outro elemento. Para esse tipo de representação, adota-se uma convenção para desenhar um vetor visto pela frente ou por trás. Associa-se ao vetor uma flecha. Quem observa essa flecha de frente vê o entorno dela e sua ponta (vista 1). Quem observa essa flecha por de trás vê as penas (vista 2). Apesar de a corrente elétrica ser uma grandeza escalar, sua representação gráfica, quando necessária, segue as mesmas descritas para o vetor campo de indução magnética (B).

5

INTENSIDADE DO CAMPO DE INDUÇÃO MAGNÉTICA DE UM CONDUTOR RETO
i

Vista 2

Vista 1

P r B

Vamos retomar a ilustração do item anterior, que está em perspectiva. Para desenharmos o fio e o vetor campo de indução magnética usando a convenção descrita acima, se quisermos indicar o vetor B pertencente ao plano definido pela folha de papel, devemos desenhar o que vemos quando olhamos de cima. Essa vista é chamada vista superior. Se quisermos mostrar o fio como pertencente ao plano da folha de papel, devemos desenhar o que vemos quando olhamos o fio de frente; essa vista é a vista frontal.
Vista superior i B i r B

Considere um fio reto e longo percorrido por uma corrente elétrica constante e de intensidade “i”. Suponha um ponto P localizado a uma distância “r” do fio (veja a figura). Pela regra da mão direita, já sabemos caracterizar a direção e sentido do vetor campo de indução magnética (B) nesse ponto P. Mas o que podemos afirmar a respeito da intensidade de B? Experiências revelam que a intensidade do vetor campo de indução magnética no ponto (P) é diretamente proporcional à intensidade de corrente elétrica (i) e inversamente proporcional à distância (r) que separa o ponto do fio. Por meio de leis e cálculos que não fazem parte de nossa programação, é possível demonstrar que a
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Vista superior P r B B B i r r B

Vista frontal Vista frontal

63

FÍSICA

Força magnética sobre cargas
1

CAPÍTULO 23

INTRODUÇÃO

Cargas elétricas em movimento formam a corrente elétrica, que, por sua vez, gera campo magnético. Uma carga elétrica imersa em um campo magnético gerado por ímãs ou por corrente elétrica pode sofrer a ação desse campo. Essa ação é manifestada por meio de uma força, que apresenta características especiais, diferenciando-a das outras forças de campo. Experimentos indicam que a ação do campo magnético sobre cargas elétricas só existe se elas estiverem em movimento em alguma direção que não seja a direção do campo magnético. Os mesmos experimentos revelam que, se a força magnética existir, sua direção será perpendicular ao plano que contém o vetor campo magnético e o vetor velocidade. A seguir estudaremos a força magnética sobre uma carga, devido a um campo magnético uniforme e estático.

necessário que a direção do movimento seja diferente da direção do campo magnético.

V

θ

Força magnética.

2

CARGA EM REPOUSO

Em acordo com o que foi exposto no item anterior, uma carga em repouso em algum ponto de um campo magnético não sofrerá a ação do campo magnético, ou seja, a força magnética sobre ela será nula.

v q F

0

B

Essa força magnética, diferentemente das outras forças de campo, como a gravitacional e a elétrica, não tem a direção do campo. Sua direção é perpendicular ao plano formado pelo vetor velocidade e pelo vetor campo de indução magnética, e seu sentido depende do sinal da carga. Verifica-se experimentalmente que a intensidade da força magnética (Fmag) depende da intensidade do campo de indução magnética (B), do valor da carga elétrica (q), da velocidade da carga em relação ao campo (v) e do ângulo formado entre a velocidade e o campo magnético ( ). Por meio de análises de dados experimentais, é possível obter a expressão que determina a intensidade da força magnética. Fmag q v B sen

0 4

REGRA DA MÃO DIREITA 2

3

CARGA EM MOVIMENTO

Conforme dito anteriormente, nem sempre uma carga elétrica em movimento em um campo magnético sofre a ação desse campo. Se o movimento apresentado pela carga tiver a mesma direção do campo, seja no sentido do campo ou em sentido contrário ao campo, a ação do campo não existirá, ou seja, a carga não sofre a ação de força magnética.

O sentido da força magnética sobre a carga depende do sinal da carga. A determinação do sentido pode ser feita por meio de uma regra prática, em que se usa a mão direita espalmada. A mão direita espalmada deve ser posicionada de modo que o polegar seja alinhado com o vetor velocidade e os outros dedos sejam alinhados com o vetor indução magnética. O vetor força magnética será perpendicular à palma da mão espalmada. Se a carga em movimento for positiva, o sentido da força aponta para fora da palma da mão. Se a carga em movimento for negativa, o sentido da força aponta para a palma da mão.
F B q 0 v B F q 0 v

B v F q F 0 v q 0

Experimentalmente, verifica-se que, para que a ação do campo magnético sobre a carga em movimento exista, é
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Regra da mão direita aplicada para uma carga positiva.

Regra da mão direita aplicada para uma carga negativa.
FÍSICA

64

Características da força magnética
direção: perpendicular à velocidade e ao campo magnético Fmag sentido: regra da mão direita intensidade: Fmag = q
5

6

RAIO DA TRAJETÓRIA DA PARTÍCULA

v B senθ

Vamos determinar uma expressão para identificar o raio da trajetória (R) de uma partícula de massa “m” e carga elétrica de módulo |q|, propagando-se com velocidade “v” em uma região com campo “B”, quando o vetor velocidade é perpendicular ao vetor campo de indução magnética. Acompanhe o raciocínio.

TRAJETÓRIA SEGUIDA PELA CARGA QUANDO A VELOCIDADE É PERPENDICULAR AO CAMPO

Quando uma carga é posta em movimento no interior de um campo magnético em uma direção perpendicular ao campo, a intensidade da força magnética será v B sen 90° → Fmag q v B No desenho a seguir vemos um campo de indução magnética de intensidade B, com direção perpendicular ao plano do papel e saindo do papel. Vamos supor que a carga elétrica seja positiva (q > 0) e que viaje no plano do papel, portanto, perpendicularmente à direção do campo magnético. Fmag q
B q 0 B

Estando sujeita somente sob ação do campo de indução magnética, a força magnética (F), nesse caso, é a resultante centrípeta (RC) do movimento. A intensidade da força magnética é dada por: A intensidade da resultante centrípeta é dada por: Igualando-se as duas expressões: q

F

Rc

F

q

v B m v2 R m v2 R

Rcp

v

v B

Fmag

q

0

Fmag v

Portanto, o raio da trajetória (R) será:

R

m v q B

(I)

(II)

7

PERÍODO DO MCU

B

B v q Fmag 0 Fmag

Um corpo que descreve um movimento circular e uniforme tem seu período de movimento dado pela expressão T 2πR . Para o caso de a partícula eletrizada descrever v

um MCU no interior de um campo B, podemos substituir o valor de R pela expressão dada no item anterior. Assim: 2 π T m v q B v

v q 0 (III) (IV)

Na situação (I), foi aplicada a regra da mão direita e determinado o sentido da força magnética. Considerando que a força magnética atuante na carga seja única e uma vez que ela é perpendicular ao vetor velocidade, a carga passa a se movimentar no interior do campo segundo um movimento circular uniforme, de raio “r”, como mostra a sequência de desenhos (II), (III) e (IV). Quando a carga tem velocidade perpendicular ao campo magnético, ela realiza movimento circular uniforme.

Dessa forma, período (T) da partícula de massa “m” e carga elétrica “q”, quando descreve um movimento circular e uniforme, no interior de um campo de indução magnética (B), é dado por: 2 π m q B

T

Repare que o período do movimento independe da intensidade da velocidade (v) com que a partícula descreve a trajetória.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

65

FÍSICA

Força elétrica sobre cargas
1

CAPÍTULO 24

FORÇA ELÉTRICA

3

A DIREÇÃO DA FORÇA

Foi visto que cargas elétricas em movimento no interior de um campo B podem estar sujeitas à ação de força magnética. Mas também vimos que o campo de indução magnética (B) pode ser gerado por cargas elétricas em movimento (corrente elétrica). Assim, podemos concluir que cargas elétricas em movimento relativo entre elas podem trocar forças de natureza magnética. Experiências confirmam que corpos eletrizados, mesmo em repouso entre eles, também trocam forças, porém com características bem diferentes das forças magnéticas. Essas forças são chamadas de forças elétricas. A direção e a intensidade dessa força dependem da geometria do corpo e da forma como a carga está distribuída nele.

Vamos analisar agora a força elétrica trocada entre corpos de dimensões desprezíveis em relação à distância que os separa. Corpos que atendem a essa condição são denominados corpos puntiformes ou corpos pontuais. Quando os dois corpos eletrizados são puntiformes, a direção da força elétrica trocada entre eles é dada pela direção da reta que une os dois pontos. No caso especial de os dois corpos apresentarem dimensões que não podem ser desprezadas e com formas esféricas, a direção da força elétrica trocada entre eles é dada pela direção da reta que une os dois centros das esferas. Na figura a seguir vemos a direção e o sentido da força elétrica em alguns casos.
F

2

O SENTIDO DA FORÇA
.

As forças elétricas trocadas por dois corpos eletrizados atendem à lei de ação e reação, portanto, têm mesma direção, mesma intensidade e sentidos opostos. O sentido da força depende dos sinais das cargas dos dois corpos aproximados. É de atração quando as cargas dos corpos eletrizados tiverem sinais opostos ou quando um deles for neutro e o outro for eletrizado. O sentido da força é de repulsão quando as cargas dos dois corpos eletrizados tiverem sinais iguais.

F Esferas de raios pequenos em relação a distância entre os centros F F

Corpos puntiformes A B

F F Os corpos A e B estão se atraindo, portanto, ou têm cargas de sinais iguais ou um está eletrizado e o outro está neutro. Esferas de raios pequenos em relação a distância entre os centros

A

B

4

A INTENSIDADE DA FORÇA

Os corpos A e B estão se repelindo, portanto, têm cargas de sinais iguais.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Charles Augustin de Coulomb, no ano de 1780, criou um aparelho chamado balança de torção, com a finalidade de verificar as grandezas físicas que interferem na intensidade da força elétrica trocada entre dois corpos. Esse aparelho é constituído por um fio de aço que sustenta uma haste com duas esferas condutoras em suas extremidades. O sistema é protegido por um invólucro de vidro que con-

66

FÍSICA

tém uma abertura que permite a introdução de outra haste com uma esfera condutora na ponta, conforme mostra a ilustração.

A intensidade da força elétrica trocada entre dois corpos pontuais eletrizados é diretamente proporcional ao produto das quantidades de carga e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa. Em símbolos, escreve-se: K q1 r2 q2

F

© Hulton Archive/Getty

Nessa expressão, q1 e q2 são as quantidades de carga de cada corpo eletrizado e r é a distância entre elas. Observe que as quantidades de carga devem ser tomadas em módulo, pois se está calculando o módulo da força elétrica. A constante de proporcionalidade K depende do meio que envolve as cargas e do sistema de unidades empregado. O valor de K para o vácuo e com unidades do SI é K0 9 109 N m2/C2. Quando o meio que envolve as cargas é o ar, usa-se o mesmo valor K0. Resumindo:
Balança de torção.

Uma esfera eletrizada é introduzida no recipiente pela abertura na parte superior. Essa esfera toca uma das esferas da haste que está no interior do invólucro, eletrizando-a. Após o contato, ambas terão cargas de sinais iguais, o que ocasionará uma força de repulsão que será responsável pela torção no fio. A maior ou menor torção no fio indica uma força mais ou menos intensa. Fazendo variar o raio das esferas e as distâncias entre elas, Coulomb, depois de vários experimentos, concluiu que:

direção:

da reta que une os dois corpos puntiformes atração se as cargas tiverem sinais opostos

Felétrica

sentido: repulsão se as cargas tiverem sinais iguais intensidade: F K q1 r2 q2

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

67

FÍSICA

Fundamentos da óptica
1

CAPÍTULO 25

INTRODUÇÃO

Na história da humanidade, houve fatos que determinaram expressivos avanços na maneira de viver do ser humano. Um exemplo é a etapa de nossa história em que passamos a dominar o fogo e os metais. A partir desse período, foi possível forjar os instrumentos e ferramentas. Entre outras consequências, aumentamos nossa capacidade de cultivar alimentos e passamos a caçar com mais eficiência. O domínio do metal propiciou a confecção de armas e o consequente domínio de uma comunidade sobre a outra. Atualmente, a comunidade científica diversifica seus esforços em muitas áreas do conhecimento e da tecnologia. Uma delas se calca no domínio da luz. A luz solar pode ser nossa grande fonte de energia limpa em um futuro próximo. Aumentar a eficiência das células fotovoltaicas (dispositivos que transformam energia luminosa em energia elétrica) e baratear seu custo surgem como um grande desafio para as próximas décadas. Transformar a energia luminosa em térmica já é realidade em vários ramos da atividade humana, inclusive como alternativa nas usinas termoelétricas. Além de fonte de energia, a conexão entre países, cidades, empresas e indivíduos e a constante troca de informações são mediados por cabos ópticos, onde luz e outras ondas eletromagnéticas viajam a grandes distâncias. Sejam por aparelhos ópticos ou por nosso globo ocular, compartilhamos sensações e informações por meio de imagens, que só são formadas devido à interação entre a luz e esses aparelhos. A óptica geométrica é um ramo da física que se ocupa em analisar o comportamento da luz quando esta interage com certos dispositivos ópticos. Por meio de leis que governam o comportamento da luz em determinados fenômenos, somos capazes de predizer resultados e construir aparelhos ópticos cada vez mais sofisticados, que permitem o homem obter informações tanto de estruturas microscópicas quanto de corpos celestes que estão nos confins do universo. Se hoje a ciência tem um conhecimento bastante avançado dos órgãos no interior do corpo humano ou das estruturas que compõem uma célula ou até no nascimento e morte de estrelas, isso se deve ao aperfeiçoamento de aparelhos ópticos, alcançado pelo estudo e pela dedicação de cientistas a este ramo da ciência.

luz em dada região, utilizamos uma linha, à qual é associada uma ponte de seta segundo o sentido de propagação. Essa representação gráfica é denominada raio de luz, e um conjunto de raios de luz que se originam em um ponto de uma fonte de luz é conhecido como feixe de raios de luz ou simplesmente feixe de luz (por vezes, encontra-se a terminologia pincel de luz). Os feixes de luz são classificados segundo suas formas geométricas. Para nosso estudo, são três os feixes de luz que merecem destaque: feixe divergente, feixe convergente e feixe paralelo (também denominado feixe cilíndrico). Observe a figura a seguir, que representa uma parcela da luz solar que atinge e atravessa uma lupa. Nesse caso, podemos associar os três feixes de luz a esse evento.
Luz solar Feixe cilíndrico ou feixe paralelo

Feixe convergente Vértice dos feixes

Feixe divergente

Todos os corpos que nos rodeiam que podem ser fotografados ou visualizados constituem fontes de luz. A cada ponto desses corpos, podemos associar um feixe divergente de luz. O encontro dos raios de luz é denominado vértice do feixe.
Raio de luz Vértice do feixe Os corpos que produzem a própria luz que emitem são denominados fontes primárias de luz ou corpos luminosos.

Feixe divergente

2

A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DA TRAJETÓRIA DA LUZ

Os fenômenos ópticos e a formação de imagens por meio de instrumentos serão estudados por meio de representações gráficas. Quando queremos representar a trajetória descrita pela
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Os corpos que reemitem uma parcela da luz que recebem de outra fonte são denominados fontes secundárias de luz ou corpos iluminados.

68

FÍSICA

Observação Quando a fonte de luz estiver muito distante do sistema óptico a ser analisado, representa-se a luz, nas proximidades do sistema, segundo feixes paralelos da luz. Por exemplo, cada ponto da superfície do Sol é um vértice de um feixe divergente de luz. Entretanto, nas imediações de nosso planeta, essa divergência é imperceptível, de modo que a luz solar é representada como uma reunião de feixes paralelos.
P1 P2
Sol

fície terrestre, a formação de regiões de sombra (s) e de penumbra (p). A formação dessas regiões só pode ser explicada se admitirmos uma propagação retilínea para a luz.
Terra P Sol Lua S P Representação sem escala No eclipse solar, a Lua se localiza entre o Sol e a Terra. A formação das regiões de sombra e penumbra é uma evidência da propagação retilínea da luz.

P3
Terra

Luz solar: feixe cilíndrico

No caso do eclipse lunar, a Lua, em sua órbita ao redor da Terra, intercepta ora a região de sombra, ora a região de penumbra da Terra

3

SOMBRA, PENUMBRA: EVIDÊNCIAS DA PROPAGAÇÃO RETILÍNEA DA LUZ
Sol

Terra Lua

Dependendo da posição espacial entre o Sol, a Lua e a Terra, é possível observar a formação de fenômenos denominados eclipses. Por exemplo, no eclipse solar, a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, fazendo com que, durante certo intervalo de tempo, o Sol não seja visualizado de certos pontos da Terra. Nessa ocasião, observa-se, na super-

Representação sem escala No eclipse lunar, a Lua intercepta o cone de sombra da Terra.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

69

FÍSICA

O fenômeno da reflexão e o espelho plano
1

CAPÍTULO 26

LEIS DA REFLEXÃO

Suponha que a luz proveniente de uma fonte seja refletida em uma superfície metálica e polida (um espelho). A ilustração a seguir mostra o caminho de um raio de luz ao ser refletido por um espelho de formato qualquer.

A observação de experiências sobre reflexão nos leva a obter duas leis que regem o fenômeno, cujos enunciados são: 1ª Lei: O raio de luz refletido está contido no plano de incidência.
Plano de incidência

N a î r ˆ

b

N

î r ˆ

P

E

Espelho

a

N

b

O raio incidente, o raio refletido e a reta normal estão contidos no mesmo plano.

î

r ˆ

2ª Lei: A medida do ângulo de reflexão é igual à medida do ângulo de incidência.
E N

P

Esquema simplificado

Na figura, temos: superfície do espelho; raio de luz incidente; raio de luz refletido; ponto de incidência; plano tangente à superfície do espelho, no ponto de incidência; N: reta normal (perpendicular) ao plano π, no ponto de incidência; î: ângulo de incidência (ângulo formado entre a reta N e o raio de luz incidente); r: ângulo de reflexão (ângulo formado entre a reta N e o ˆ raio de luz refletido). Observe que os ângulos de incidência (î) e de reflexão (r) são tomados entre os raios de luz e a reta normal (N). ˆ Esses ângulos estão compreendidos entre 0° e 90°. Denomina-se plano de incidência o plano determinado pelo raio de luz incidente (a) e a reta normal (N).
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

î

r ˆ

E: a: b: P: π:

E î r ˆ

Observação As leis da reflexão independem da cor da luz empregada e da forma do espelho.

2

ESTUDO DAS IMAGENS FORMADAS PELO ESPELHO PLANO

A formação da imagem de um objeto real
Vamos analisar as características das imagens formadas pelo espelho plano. Considere o seguinte exemplo:

70

FÍSICA

uma vela acesa é colocada diante de um espelho plano, conforme mostra a ilustração:
d E

dade da simetria para cada um dos pontos que constituem o objeto.
E

P

A B C Quando um objeto está diante de um espelho, ele é denominado objeto real. D C’

A’ B’

D’

Do ponto P, originam-se infinitos raios de luz que se dirigem ao espelho. Observe que P é o vértice de um feixe divergente de luz que atinge o sistema óptico (espelho). Dizemos que P é um objeto real para o espelho E. Para determinar a posição (localização) da imagem, basta escolher dois raios de luz quaisquer e aplicar as leis da reflexão. A previsão das características da imagem não depende dos raios de luz escolhidos.
d P E d B P’

A

A’ B’ C C’ D’

N

D

N

O

Repare que o lado direito do objeto corresponde ao lado esquerdo da imagem. Dizemos que a imagem é revertida. É por esse motivo que, em alguns veículos, há inscrições de palavras revertidas. Desse modo, quando outro motorista olhar pelo retrovisor, poderá visualizar a palavra na forma correta.

O ponto P’ é a imagem que o espelho plano forma a partir do objeto P. A imagem que é formada na região imaginária localizada atrás do espelho é denominada imagem virtual. Dessa maneira, define-se ponto imagem virtual para um sistema óptico ao vértice do feixe divergente de luz que abandona o sistema óptico. Para o observador (O), olhando para o espelho, tudo se passa como se P’ fosse a origem dos raios de luz que atingem seu globo ocular. Note ainda que o ponto objeto P e sua respectiva imagem P’ estão contidos na mesma perpendicular em relação ao plano do espelho, um de cada lado do espelho e à mesma distância em relação a ele. Ou seja: No espelho plano, o ponto objeto e seu respectivo ponto imagem são simétricos em relação ao plano do espelho. A propriedade da reversão: a imagem de objetos extensos Para determinar a imagem que um espelho plano forma a partir de um objeto extenso, basta utilizar a proprieSISTEMA ANGLO DE ENSINO

A imagem é revertida.

3

O TAMANHO REAL DA IMAGEM

Quando você vê a imagem de um objeto extenso em um espelho, qual é o tamanho real da imagem? Esse tamanho depende, ou não, da distância entre o objeto e o espelho? Para responder a essas perguntas, há necessidade de distinguir tamanho real de tamanho aparente, que são conceitos diferentes. Por exemplo: suponha uma pessoa de altura real 1,80 m. Se ela estiver distante, você terá a sensação visual de que ela é pequena. Esse é o tamanho aparente.

71

FÍSICA

© Smith/Acervo Anglo

P

1,80 m G E

No caso do espelho plano, independentemente da distância entre o objeto e o plano do espelho, o tamanho real da imagem é sempre igual ao tamanho do objeto. Esse fato é uma decorrência da propriedade da simetria, pois, para cada ponto objeto, o espelho plano forma um ponto imagem simétrico em relação ao plano do espelho.
E A A’ Em relação ao espelho E, A’B’ é simétrico de AB

Como determinar o raio de luz que parte de P, incide no espelho, é refletido e atinge o globo ocular G? Sabemos que a imagem de P é simétrica em relação ao plano do espelho. Assim, determinamos P’.
P P’

h

h

G B x1 x1 B’ E

O observador, olhando para o espelho, recebe o raio de luz, cujo prolongamento passa por P’ (figura 1, construção I). Finalmente, o raio incidente parte de P e atinge o espelho no ponto de incidência (figura 2, construção II).
h h P P’

x2 A

x2 A’

h

h

Figura 1

G E

B x3 x3

B’

P

(I)

P’

Em um espelho plano, objeto e imagem têm a mesma dimensão.

(II )

4

CAMPO VISUAL DE UM ESPELHO PLANO
Figura 2 G E

Suponha um objeto puntiforme P diante de um espelho plano E e um observador, cujo globo ocular é representado pelo ponto G, conforme mostra o esquema.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

72

FÍSICA

Se, ao invés de tomarmos o simétrico de P, tomássemos o simétrico de G em relação ao plano do espelho, a construção final seria equivalente.
P

Ampliando esse raciocínio, a fim de se determinar, para um observador G, a região diante de um espelho plano, onde objetos contidos nessa região tenham suas imagens visualizadas por G, basta tomarmos o simétrico de G em relação ao plano do espelho, o ponto G’, e uni-lo às bordas do espelho. A região diante do espelho compreendida entre as retas de união é denominada campo visual do observador G para o espelho E.

(I)

(II )
G E A Considere agora vários objetos (A, B, C, D e F) diante do espelho e B um observador, cujo globo ocular C está representado por G. D Será que, olhando para o espeF lho, o observador visualizará todas as imagens formadas pelo espelho G plano E? Para responder a essa questão, podemos proceder analogamente ao que foi descrito anteriormente. Se as retas que unem o simétrico ao globo ocular (G’) e os objetos interceptarem o espelho E, isso significa que existe um raio de luz que, partindo do objeto, é refletido pelo espelho e atinge o globo ocular. É o caso dos objetos A, B e C. Mas note que as retas que unem G’ aos objetos D e F não interceptam o plano do espelho. Logo, não existem raios de luz que, partindo desses objetos, seriam refletidos pelo espelho e atinjam o globo ocular G. Portanto, o observador não consegue visualizar as imagens dos objetos D e F, embora elas existam. A B C D F G G’ O observador G conseguirá visualizar somente as imagens dos objetos A, B e C. E E

G’

Campo Campo visual visual

E

G

G’

Mais um exemplo.
O’

O E Campo visual Plano do espelho

O campo visual depende da posição do observador em relação ao espelho, do tamanho e do formato do espelho.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

73

FÍSICA

Os espelhos esféricos
1

CAPÍTULO 27

INTRODUÇÃO

Face espelhada

Existe outra categoria de espelhos, além dos planos, denominada, genericamente, espelhos curvos. Entre eles, podemos citar os espelhos esféricos. Em nosso dia a dia, encontramos diversas situações nas quais os espelhos esféricos estão presentes. Por exemplo, para observar dentes de difícil visualização direta, os dentistas utilizam um espelho esférico. É possível que você já tenha observado uma mulher se maquiando ou um homem se barbeando diante de espelhos esféricos, nos quais se obtém uma imagem aumentada em relação ao objeto. Quando se deseja aumentar o campo visual de um observador, emprega-se também um espelho esférico. É o caso, por exemplo, de certos retrovisores de automóvel ou motocicleta, ou de espelhos dispostos nas entradas de garagens, em supermercados ou em agências bancárias.
© Acervo Anglo

Espelho esférico côncavo
C R

Calota esférica

Face espelhada

Espelho esférico convexo

No caso de um feixe paralelo atingir essas superfícies espelhadas, verifica-se que o espelho côncavo opera como um sistema convergente de luz, enquanto o espelho convexo opera como um sistema divergente de luz.

Espelho Espelho côncavo

Espelho convexo

Diversos usos de espelhos esféricos em nosso dia a dia.

Considerando que o raio incidente, a reta normal (no ponto de incidência) e o raio refletido estão num mesmo plano, pode-se simplificar a descrição dos fenômenos ópticos relacionados com espelhos esféricos utilizando uma seção do espelho com o referido plano, conforme os esquemas a seguir.

© Acervo Anglo

Espelho esférico côncavo convexo

espelho esférico

Considere uma calota obtida a partir da secção de uma superfície esférica de centro de curvatura C e raio de curvatura R, conforme indica a próxima figura. Se espelharmos a parte interna dessa calota, obtemos o chamado espelho esférico côncavo. No caso de espelharmos a face externa, temos um espelho esférico convexo.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Espelho côncavo

Espelho convexo
FÍSICA

74

2

NOMENCLATURA ASSOCIADA AOS ESPELHOS ESFÉRICOS

A figura a seguir esquematiza os dois espelhos esféricos e alguns elementos geométricos que são úteis ao nosso estudo.
ES ES ES EP C V ES EP V C

Verifica-se que os espelhos esféricos passam a produzir imagens com nitidez quando seu ângulo de abertura (θ) é inferior a 10°. Além disso, os raios de luz incidentes devem ser próximos ao eixo principal do espelho e com pequena inclinação em relação a ele. Os espelhos esféricos que atendem a essas características são denominados espelhos gaussianos. Todos os casos que serão analisados a seguir são válidos para esses espelhos. Para facilitar nossos esquemas gráficos, os espelhos gaussianos podem ser representados como indica o esquema a seguir.
Luz Luz

ES

ES EP EP V C Espelho esférico convexo C Espelho esférico côncavo V

ES

ES

A nomenclatura associada a esses elementos é: C: centro de curvatura da superfície esférica; V: vértice do espelho; CV: raio de curvatura; EP: eixo principal do espelho; ES: eixo secundário do espelho; θ: ângulo de abertura do espelho. Repare que todo eixo (principal ou secundário), por passar pelo centro de curvatura, possui direção radial. Portanto, os eixos são retas perpendiculares aos espelhos. Em outras palavras, os eixos são retas normais (N) às superfícies dos espelhos esféricos. Devido a essa propriedade, pode-se concluir que: Todo raio de luz que atinge o espelho esférico, passando por seu centro de curvatura, é refletido sobre si mesmo.

4

FOCO PRINCIPAL DOS ESPELHOS ESFÉRICOS

Considere um espelho côncavo com seu eixo principal apontado para o Sol. O feixe incidente é do tipo paralelo, e os raios refletidos se concentram em um ponto pertencente ao eixo principal, conhecido como foco principal (F) do espelho esférico. A distância do ponto focal (F) ao vértice do espelho (V) é chamada de distância focal. É possível demonstrar que a distância focal corresponde à metade do raio de curvatura do espelho. O plano perpendicular ao eixo principal e que contém o foco do espelho é denominado plano focal.
Plano focal C F

Luz solar

C

V

V

C

FV
V EP

CV 2

Espelho côncavo

Espelho convexo

Côncavo

3

ESPELHOS GAUSSIANOS

O único sistema óptico que forma imagens perfeitamente nítidas é o espelho plano. Por outro lado, as imagens conjugadas pelos espelhos esféricos, em geral, não apresentam nitidez satisfatória. Entretanto, quanto mais o perfil do espelho esférico se aproximar do espelho plano, maior será a nitidez das imagens produzidas. Esse raciocínio foi observado por Carl Friedrich Gauss (1777-1855).
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Se um pequeno anteparo for disposto no plano focal do espelho, é possível visualizar a imagem do Sol projetada sobre o anteparo. Uma vez que a imagem é formada na região diante do espelho, ela é caracterizada como uma imagem de natureza real, em oposição às imagens virtuais que se localizam no espaço atrás do espelho. Dessa maneira, define-se ponto imagem real para um sistema óptico ao vértice do feixe convergente de luz que abandona o sistema óptico. Somente as imagens reais podem ser projetadas em um anteparo.

75

FÍSICA

Ao realizar essa mesma experiência com um espelho convexo, notamos que o feixe de luz refletido é divergente. Seu vértice, por analogia ao caso anterior, também é chamado de foco principal. É um ponto imaginário localizado na região atrás do espelho. Repare que o foco principal do espelho convexo apresenta natureza virtual.

A fim de simplificar essa tarefa, vamos utilizar raios de luz incidentes nos espelhos, cujos respectivos raios refletidos são previamente conhecidos. A seguir, resumimos os principais raios incidentes que serão usados na determinação gráfica da imagem. I) Todo raio de luz incidente no espelho esférico, passando pelo centro de curvatura (C), é refletido sobre si mesmo.
Espelho côncavo N Espelho convexo N

Luz solar

Plano focal V

C

V

V

C

FV

CV 2
Convexo

F C î 0°; r ˆ 0° î 0°; r ˆ 0°

5

O PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE DO CAMINHO DA LUZ

II) Todo raio de luz incidente no vértice do espelho é refletido de maneira simétrica em relação ao eixo principal.
Espelho côncavo Espelho convexo

Vamos imaginar que uma pequena lâmpada seja colocada no foco principal de um espelho esférico côncavo. Nessa circunstância, os raios de luz que atingem o espelho passam por seu foco principal e emergem paralelamente ao eixo principal, conforme indica a próxima figura.

C

V

V

C

C

F

V

Quando colocamos um objeto muito pequeno no foco do espelho, os raios emergentes são paralelos ao eixo principal. Dizemos que a imagem se forma no infinito.

III) Todo raio de luz que incide paralelamente ao eixo principal de um espelho esférico é refletido passando pelo foco do espelho.
Espelho côncavo Espelho convexo

Nesse caso, a lâmpada é, para o espelho, um objeto real, e sua imagem está localizada no infinito. A partir das situações até aqui analisadas, podemos concluir que: • todo raio de luz que atinge o espelho esférico, paralelamente ao seu eixo principal, é refletido e passa pelo foco do espelho; • todo raio de luz que passa pelo foco e atinge o espelho é refletido paralelamente ao seu eixo principal. Assim, verificamos que o caminho percorrido pela luz não depende do sentido da propagação. Esse fato é conhecido, na óptica geométrica, como princípio da reversibilidade do caminho da luz.
6

C

F

V

V

F

C

IV) Todo raio de luz que incide no espelho esférico, passando por seu foco, é refletido paralelamente ao eixo principal do espelho.
Espelho côncavo Espelho convexo

UM RESUMO
C F V V F C

Até aqui, foram apresentadas as características gerais dos espelhos esféricos e as propriedades dos pontos focais. A seguir, vamos determinar graficamente as imagens formadas pelos espelhos esféricos gaussianos e analisar as principais características dessas imagens.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

76

FÍSICA

7

AS IMAGENS FORMADAS PELOS ESPELHOS ESFÉRICOS

Espelho côncavo
Considere um objeto real (AB), por exemplo, uma vela, disposta antes do centro de curvatura de um espelho esférico côncavo e perpendicular ao seu eixo principal.
A

A imagem A’B’ apresenta natureza real (portanto, pode ser projetada), é menor que o objeto, localizada entre C e F e invertida em relação ao objeto. No cotidiano, o espelho côncavo é largamente utilizado como um espelho de aumento, como no caso dos espelhos de maquiagem ou de barbear. Para que o espelho côncavo forneça imagens ampliadas e direitas, o objeto deve ser posicionado em qualquer ponto entre o foco principal e o vértice do espelho. Observe o esquema a seguir.
A’ A

B

C

F

V

C Côncavo

F

B

V

B’

Para determinar a respectiva imagem A’B’, vamos escolher dois raios de luz quaisquer que, partindo de A, atinjam o espelho. Lembre que a determinação da imagem independe dos raios de luz escolhidos. Nesse caso, os escolhidos são: 1ª construção: De A parte um raio de luz paralelo ao eixo principal do espelho. Ele é refletido, passando pelo foco do espelho. 2ª construção: De A parte um raio de luz que incide no espelho, passando por seu foco principal. O raio de luz é refletido paralelamente ao eixo principal do espelho. A imagem A’ está localizada no encontro dos raios refletidos pelo espelho.
Primeira construção A Feixe incidente

A imagem A’B’ apresenta natureza virtual (logo, não pode ser projetada), é direita em relação ao objeto e apresenta dimensões maiores que as do objeto.

Espelho convexo
Quando operamos com espelho convexo, podemos verificar que, ao contrário do espelho côncavo, as características das imagens conjugadas não dependem da localização do objeto em relação ao espelho, conforme indicam os esquemas a seguir. 1º caso: Objeto AB um pouco distante do espelho convexo. -

B C Segunda construção A’ Feixe refletido F V

A A’ B V B’ F C

Como A’ está diante do espelho, trata-se de uma imagem de natureza real. A experiência nos mostra que, quando o objeto é linear e perpendicular ao eixo do espelho gaussiano, a imagem também é linear e perpendicular ao eixo. Logo, a imagem de B, o ponto B’, também pertence ao eixo principal. Assim, sua determinação dispensa o uso de raios de luz.

2º caso: Objeto AB mais próximo do espelho convexo. -

A A’ B

A

V

B’

F

C

B C

B’ F A’ V

Repare que, em ambos os casos, a imagem apresenta natureza virtual, está localizada entre V e F, apresenta dimensões menores que as do objeto e é direita em relação a ele.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

77

FÍSICA

8

ALGUMAS CONCLUSÕES
A análise dos casos aqui tratados e outros que poderíamos imaginar permite obter algumas conclusões. Operando com objetos reais, temos: a) Se a imagem for real, ela será invertida em relação ao objeto. b) Se a imagem for virtual, ela será direita em relação ao objeto. c) Somente as imagens reais podem ser projetadas. d) Os espelhos convexos apresentam imagens com as mesmas características: virtual, localizada entre V e F do espelho, menor que o objeto e direita em relação ao objeto. e) Entre o objeto e sua respectiva imagem, o elemento mais afastado do espelho apresenta maiores dimensões.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

78

FÍSICA

O fenômeno da refração e suas leis
1

CAPÍTULO 28

CONCEITO E ALGUNS FATOS

Chamamos refração ao fenômeno da passagem da luz de um meio a outro com características diferentes. É o caso, por exemplo, da passagem da luz do ar para a água de uma piscina. Suponha que luzes com cores diferentes sejam refratadas do ar para a água de um aquário. Na figura a seguir estão representados dois casos: um, com incidência oblíqua, e outro, com incidência perpendicular à superfície (incidência normal). Foi escolhido um único raio de luz de cada feixe luminoso.

essas ondas atingem simultaneamente a retina de nosso globo ocular, o cérebro registra a sensação de branco. O arco-íris, por exemplo, é uma evidência da composição da luz branca. Ele resulta da dispersão da luz solar em seus componentes, que ocorre na cortina de água que se forma com as gotas de chuva, ocasionada pelas refrações da luz do ar para a água e da água para o ar, combinada com uma reflexão parcial da luz em uma das faces da gota d’água. Observe o esquema simplificado.

Ar Água

A observação dos resultados dessa experiência permite obter algumas conclusões. 1º) Refração não implica, necessariamente, desvio. Existe desvio somente quando a luz incide obliquamente. 2º) Quando ocorre desvio, ele depende da cor da luz empregada. Cores diferentes implicam desvios diferentes. 3º) Não se observa mudança da cor da luz quando ela sofre mudança de meio.
2

REFRINGÊNCIA DE UM MEIO

A maneira de decompor a luz branca (policromática) é fazê-la refratar sucessivas vezes. Como a luz branca é composta por diversas cores, ao ser refratada, será decomposta em suas diversas radiações. Para tanto, podemos utilizar um prisma de vidro de seção triangular. Ao expor uma das faces desse prisma à luz branca, ela é refratada do ar para o vidro e, em seguida, do vidro para o ar.

Por ser uma onda eletromagnética, a luz está sujeita às influências dos campos elétricos e campos magnéticos originados pelas partículas que compõem os meios materiais. Essa influência resulta na alteração da velocidade de propagação da luz. A interferência que o meio exerce ao avanço da onda é denominada refringência do meio. Assim, quando se diz que um meio A é mais refringente que outro meio B, isso significa que a velocidade de propagação da luz no interior do meio A é menor que no meio B. Maior refringência ⇒ Menor velocidade da luz
© Acervo Anglo

3

LUZ MONOCROMÁTICA
Na dispersão da luz branca são citadas apenas sete cores: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Na verdade, podemos identificar um grande número

Em sua composição, a luz branca não apresenta apenas uma única cor. Na verdade, ela é uma reunião de diversas radiações (ondas eletromagnéticas). Quando todas
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

79

FÍSICA

de tonalidades intermediárias. Cada uma dessas sete cores é chamada monocromática, uma vez que não é possível decompô-la. Se tomarmos uma dessas radiações e a fizermos atravessar outro prisma, verificaremos que, após as refrações, a cor da radiação continuará a mesma.
Anteparo Luz branca

que tem por finalidade comparar as refringências dos meios, com base nas respectivas velocidades da luz. O índice de refração absoluto (ou, simplesmente, índice de refração) de um meio A, homogêneo e transparente, é a razão entre a velocidade da luz no vácuo (c) e no meio A (vA). Em símbolos: nA c vA

Prisma de vidro

Cada uma das radiações que compõem a luz branca é monocromática. 4

VELOCIDADE DA LUZ

Comentários • Tendo c e v as mesmas unidades, conclui-se que n é expresso apenas por um número, sem unidade. Nesse caso, dizemos que n é adimensional. • O índice de refração do vácuo é igual a 1. No caso do ar, todas as cores têm a velocidade muito próxima de 300.000 km/s. Assim, o índice de refração absoluto do ar é, aproximadamente, 1. nvácuo nar 1 1

O vácuo é considerado um espaço sem matéria. Por isso, a luz pode atravessá-lo sem nenhuma interferência. É no vácuo que a luz atinge a maior velocidade possível, aproximadamente 300.000 km/s. Assim, para todas as radiações eletromagnéticas, a velocidade de propagação no vácuo (representada pelo letra c) é: c 300.000 km/s 3 105 km/s 3 108 m/s

1; para cálculos; nar

• Como 300.000 km/s é a maior velocidade possível da luz, para os demais meios, temos: n 1

Exceção feita ao vácuo, a experiência nos mostra que, nos diversos meios materiais, a velocidade de propagação da luz aumenta no sentido do violeta ao vermelho.
vermelho alaranjado amarelo verde azul anil violeta

• Como a velocidade de propagação da luz depende da cor, o índice de refração de uma substância também dependerá. Por exemplo: Índice de refração de um tipo de vidro chamado flint

velocidade da luz aumenta

Cor da luz Vermelho Alaranjado Amarelo Verde Azul Violeta

Índice de refração 1,569 1,571 1,575 1,581 1,594 1,607

Sem perda de precisão, é possível verificar que todas as cores viajam no ar com velocidade muito próxima da velocidade da luz no vácuo. Dessa forma, admitimos que, para todas as cores, var 300.000 km/s.
5

ÍNDICE DE REFRAÇÃO ABSOLUTO DE UM MEIO

Meios diferentes exercem interferências diferentes à passagem da luz. Dizemos que apresentam refringências diferentes. Para o estudo da refração é importante saber, entre os meios estudados, qual é o mais refringente e qual é o menos refringente. Mas como é possível distinguir as refringências dos meios? Como a velocidade da luz é uma grandeza física que assume valores diferentes para meios diferentes, convencionou-se compará-la nos diversos meios com a de sua propagação no meio adotado como padrão: o vácuo. Dessa forma, estabeleceu-se um índice, chamado índice de refração absoluto do meio (representado por n),
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

• Os valores n e v são inversamente proporcionais. Por isso, o meio com maior valor de n terá a menor velocidade de propagação da luz. Portanto, se um meio A é mais refringente que o meio B, temos nA nB e vA vB.
6

ÍNDICE DE REFRAÇÃO RELATIVO

Podemos comparar a refringência de duas substâncias quaisquer, pela razão entre seus índices de refração. Dessa maneira, o índice de refração relativo de um meio, A, em relação ao de outro, B, é simbolizado por: nA, B nA nB
FÍSICA

80

Como nA

c e nB vA c vA c vB

c , temos: vB

Em símbolos: k vprovém vpassa

vprovém vpassa npassa nprovém , a Lei de Snell-Descartes é re-

nA, B

nA, B

nA nB

vB vA

Como

presentada por: sen î npassa nprovém vprovém vpassa

7

LEIS DA REFRAÇÃO

sen r ˆ

Considere o dioptro formado pelos meios A e B, cujos índices de refração são, respectivamente, nA e nB.
N a b

O gráfico que relaciona os senos dos ângulos resulta em uma reta que passa pela origem.
sen r ˆ sen r4 ˆ sen r3 ˆ

î A B P r ˆ

î S

sen r2 ˆ sen r1 ˆ

c
1 3 2

n

n

n

se

se

se

Na figura temos: superfície de separação no dioptro entre A e B; raio de luz incidente; raio de luz refletido; raio de luz refratado; ângulo de incidência, compreendido entre 0° e 90°; ângulo de refração, compreendido entre 0° e 90°; reta normal à superfície de separação entre os meios, no ponto de incidência P. A observação dos fenômenos de refração revela que o raio de luz refratado está contido no plano de incidência (plano determinado pelo raio incidente e a reta normal à superfície de separação entre os meios, no ponto de incidência). Mas o que podemos concluir com relação aos valores dos ângulos de incidência e de refração? Resultados experimentais indicam que o valor do sen r é diretamente proporcional ao valor do sen i. Essa lei – conhecida como Lei de Snell (ou de SnellDescartes) – foi deduzida, de modo independente, pelo holandês Snell e pelo francês Descartes, no início do século XVII. S: a: b: c: î: r: ˆ N: Em símbolos: sen î sen r ˆ k (constante 0)

sen î1 sen r1 ˆ

sen î2 sen r2 ˆ

sen î3 sen r3 ˆ

se

sen î4 sen r4 ˆ

n

4

î

î

î

î

0

sen î

...

k

8

CASOS DE REFRAÇÃO

Vamos analisar casos típicos de refração e, com base neles, chegar a algumas conclusões. Considere um raio de luz monocromática sendo refratado do meio A para o meio B.

1º caso: incidência normal
Nesse caso, î 0 e, como já vimos, r ˆ
î 0

0.

A B ˆ r 0

Experimentalmente, verificou-se que, para î 0, o correspondente valor do ângulo de refração também será zero. É possível demonstrar que a constante de proporcionalidade k corresponde ao quociente entre a velocidade da luz no meio de onde ela provém e a velocidade da luz no meio por onde ela passa.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Conclusão Para dois meios quaisquer, A e B, se a luz incidir normalmente na face de separação entre eles (î 0), o correspondente ângulo de refração será 0.

81

FÍSICA

2º caso: refração da luz de um meio menos refringente para um mais refringente
Quando aplicamos a lei de Snell para o caso em que î 0 e para a luz sendo refratada para um meio mais refringente, verificamos que r î. ˆ A ilustração a seguir mostra esse caso.
N

3º caso: refração da luz de um meio mais refringente para um menos refringente
No caso de a luz ser refratada para um meio menos refringente, na condição em que î 0, a lei de Snell impõe que r î. ˆ A ilustração mostra a refração considerada:
Raio refletido Raio incidente N

Raio incidente î A B Menos refringente Mais refringente r î

Raio refletido

î A B Desvio por refração Raio refratado Mais refringente Menos refringente

î

r

Raio refratado Desvio por refração

Note que, em relação ao raio incidente, o correspondente refratado desviou-se no sentido de se aproximar da reta normal (N). Generalizando

Note que, em relação ao raio incidente, o correspondente refratado desviou-se no sentido de se afastar da reta normal (N). Generalizando

Para ângulos î 0, se um raio de luz monocromática refrata de um meio menos refringente a outro mais refringente, o raio refratado, em relação ao incidente, é desviado no sentido de se aproximar da reta normal (N).

Para ângulos î 0, se um raio de luz monocromática é refratado de um meio mais refringente a outro menos refringente, o raio refratado, em relação ao incidente, é desviado no sentido de se afastar da reta normal (N).

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

82

FÍSICA

O fenômeno da reflexão total
O ÂNGULO LIMITE E O FENÔMENO DA REFLEXÃO TOTAL
No capítulo anterior, obtivemos as seguintes conclusões: • sob ângulo î 0, quando a luz é refratada, passando de um meio menos refringente para um mais refringente, o raio refratado, em relação ao incidente, aproxima-se da reta normal; • sob ângulo î 0, quando a luz é refratada, passando de um meio mais refringente para um menos refringente, o raio refratado, em relação ao incidente, afasta-se da reta normal. Passemos agora a analisar mais detalhadamente esses casos. Considere dois meios homogêneos e transparentes A e B, tal que B seja mais refringente que A. A figura a seguir mostra as possíveis refrações de um raio de luz sendo refratado de A para B.

CAPÍTULO 29

De forma mais geral: nmenor nmaior

sen L

Agora, suponha a luz se dirigindo do meio B (mais refringente) ao meio A (menos refringente). A figura a seguir ilustra o que ocorre nesse caso.

A B

rmáx. ≈ 90°

P

L

A B

î máx ≈ 90°

ˆ rmáx

L

Enquanto o ângulo de incidência varia de 0° até certo ângulo limite L, o correspondente ângulo de refração varia de 0° até aproximadamente 90°. E se o ângulo de incidência for superior a L? Nesse caso, a experiência nos mostra que, como o ângulo de refração já havia atingido seu valor máximo, não ocorre refração. A superfície de separação entre os meios passa a funcionar como se fosse um espelho, fazendo o raio de luz retornar ao meio original (B). Esse fenômeno é conhecido como reflexão total. E L é denominado ângulo limite de incidência.

Enquanto o valor de î varia de 0° a 90°, o correspondente r varia de 0° até um valor máximo, chamado ângulo ˆ limite de refração (L). Repare que qualquer raio de luz proveniente do meio menos refringente é refratado. O valor do ângulo limite de refração pode ser determinado pela Lei de Snell-Descartes para o raio incidente correspondente (îmáx. Ou seja: sen 90° sen L Portanto: sen L nA nB . nB nA . 90° ⇔ rmáx. ˆ L).

A B r ˆ Reflexão total î

P

î

L

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

83

FÍSICA

De maneira genérica: sen L

nmenor nmaior

O nome reflexão total advém do fato de que os demais raios de luz que se refratam também têm uma parcela que reflete. Mas essas reflexões são parciais. Os raios com ângulos de incidência superiores a L refletem integralmente.
© Acervo Anglo

Resumindo 1. Quando a luz se propaga no meio menos refringente e atinge a fronteira que o separa de um meio mais refringente, sempre ocorre refração, qualquer que seja o valor do ângulo de incidência. 2. Quando a luz se propaga do meio mais refringente para o meio menos refringente, temos: a) para î b) para î L, ocorre refração e reflexão parcial; L, ocorre reflexão total;

Luz monocromática passando da água (mais refringente) para o ar (menos refringente). Observe que uma parcela da luz é submetida ao fenômeno da reflexão total.

O valor do ângulo limite de incidência L pode ser determinado pela Lei de Snell-Descartes (î sen L Assim: sen 90° L ⇔ r máx. = 90°). ˆ nA (menor) nB (maior)

c) o ângulo limite de incidência pode ser determinanmenor . do por: sen L nmaior

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

84

FÍSICA

Lentes esféricas: estudo gráfico
1

CAPÍTULO 30

INTRODUÇÃO

O que há em comum entre o globo ocular, a máquina fotográfica, o binóculo, a luneta e um projetor de slides? Todos esses dispositivos ópticos são refratores e empregam as lentes para a obtenção de imagens. Neste capítulo estudaremos a formação das imagens pelas lentes do tipo esférica, quando estas se encontram imersas em um único meio. Na lente esférica, pelo menos uma das faces que a separam do meio exterior deve ter superfície com forma esférica. A outra face pode ser plana. Analogamente ao estudo dos espelhos esféricos, vamos representar as lentes apenas de perfil (veja ilustração ao lado). A seguir representamos alguns perfis das lentes esféricas.

gum tipo de plástico transparente. Quando o meio exterior não é mencionado, subentendemos que seja o ar.
2

COMPORTAMENTO ÓPTICO DAS LENTES ESFÉRICAS

A experiência indica que, quando apontamos uma lente para o Sol, o feixe de luz, após atravessá-la, apresenta comportamento convergente ou divergente.

EP

Lente

R2
EP EP

EP

C1

R1

C2

C R Lente

Biconvexa Lentes de bordas finas.

Plano-convexa

Quando as lentes estão imersas num meio menos refringente que o material que as constitui, verifica-se que as lentes de bordas finas apresentam comportamento óptico convergente, enquanto as lentes de bordas espessas apresentam comportamento óptico divergente.

R2
EP EP

R

EP C

C1 R1

C2

Bicôncava Lentes de bordas espessas.

Plano-côncava

EP

Nessas representações, R corresponde ao raio de curvatura das superfícies esféricas. O eixo principal (EP) da lente esférica é definido pela reta que passa pelos centros de curvatura C1 e C2 das faces esféricas. Se uma das faces for plana, o eixo principal será definido pela reta que passa pelo centro de curvatura da face esférica e é perpendicular à face plana. Geralmente, as lentes são constituídas de vidro ou alSISTEMA ANGLO DE ENSINO

Entretanto, no caso de as lentes estarem imersas num meio mais refringente que o material que as constitui, elas apresentam comportamentos ópticos invertidos: as lentes de bordas finas comportam-se como sistema divergente, e as lentes de bordas espessas, como sistema convergente.

85

FÍSICA

EP

O ponto em que o eixo principal intercepta a lente é denominado centro óptico (representado por O). Nas lentes gaussianas, o centro óptico é o único ponto da lente no qual um raio de luz incidente emerge sem que ocorra desvio.

O EP

O

Todo raio de luz incidente no centro óptico da lente é refratado sem desvio.

Neste Livro, vamos analisar apenas as situações em que as lentes estejam imersas no ar. Para esses casos: Lentes de bordas finas: comportamento óptico convergente. Lentes de bordas grossas: comportamento óptico divergente.

5

FOCO PRINCIPAL

3

CONDIÇÕES DE NITIDEZ

Quando operamos com diversas lentes esféricas, percebemos que as lentes delgadas produzem imagens de maior nitidez. São delgadas as lentes cuja espessura é desprezível em relação aos raios de curvatura de suas faces. Elas podem ser delgadas de bordas finas ou delgadas de bordas grossas. Além disso, é na região central das lentes que as imagens produzidas são mais nítidas. Essa afirmação pode ser expressa de outra forma: os raios de luz incidentes devem ser próximos ao eixo principal da lente e com pequena inclinação em relação a este – raios incidentes para-axiais. Essas condições de nitidez foram estabelecidas por Gauss. Estudaremos apenas as lentes esféricas que satisfaçam essas características: as chamadas lentes gaussianas. Condições de nitidez das lentes esféricas: • lentes delgadas (finas); • raios incidentes para-axiais.

Imagine duas lentes, uma convergente e outra divergente, voltadas para o Sol e recebendo um feixe luminoso, cujos raios de luz são paralelos ao eixo principal das lentes. O ponto no eixo principal onde é formada a imagem do Sol é denominado foco principal imagem (Fi). Nas lentes convergentes, Fi é um ponto de natureza real, enquanto nas lentes divergentes Fi tem natureza virtual. Assim, qualquer raio de luz que incida em uma lente paralelamente ao seu eixo principal é refratado e passa pelo foco principal imagem da lente Fi.

Ponto real

O

Fi

Nas lentes convergentes, Fi está na região da luz emergente: é um ponto real. O raio emergente efetivamente passa por Fi.

Ponto virtual
Fi O

4

REPRESENTAÇÃO DAS LENTES GAUSSIANAS

Nas lentes divergentes, Fi está na região da luz incidente: é um ponto virtual. O prolongamento do raio emergente é que passa por Fi.

Quando as lentes se encontram imersas no ar, as de bordas finas apresentam comportamento óptico convergente, e as de bordas grossas, divergente. Sendo gaussianas, elas serão representadas como na figura a seguir:
Lente de bordas finas Lente de bordas grossas

O ponto simétrico a Fi, em relação à lente, é denominado foco principal do objeto (Fo). Qualquer raio de luz que incide em uma lente, passando por Fo, emerge paralelamente ao eixo principal da lente.

Ponto real EP O O EP
Fo O Fi

Lente convergente

Lente divergente

Representação esquemática das lentes gaussianas.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Nas lentes convergentes, Fo está na região da luz incidente: é um ponto real. O raio incidente efetivamente passa por Fo.
FÍSICA

86

7 Ponto virtual
O

IMAGENS FORMADAS PELAS LENTES ESFÉRICAS

Fi

Fo

Nas lentes divergentes, Fo está na região da luz emergente: é um ponto virtual. O prolongamento do raio incidente é que passa por Fo.

Imagine uma fina vela (AB) disposta perpendicularmente ao eixo principal de uma lente convergente, em um ponto localizado antes do antiprincipal objeto da lente, como mostra o esquema. Para a lente, a vela é um objeto real.

A distância do centro óptico a qualquer um dos focos da lente é denominada distância focal. distância focal OFi OFo

A B Ao Fo O Fi Ai

6

PONTO ANTIPRINCIPAL
Nosso objetivo é obter as características da imagem formada pela lente. Inicialmente, vamos determinar a imagem do ponto A. De A partem infinitos raios de luz que incidem na lente. Como a determinação da imagem não depende dos raios de luz escolhidos, podemos selecionar dois raios de luz quaisquer. Acompanhe o quadro a seguir, que mostra a obtenção da imagem do objeto AB.

Ao realizarmos experiências com lentes esféricas, verificamos que na região em que se localiza Fo existe um ponto, situado no eixo principal da lente, denominado antiprincipal objeto (Ao), que apresenta a seguinte propriedade: o raio de luz que incide na lente, passando pelo ponto Ao, emerge passando pelo ponto simétrico de Ao em relação à lente. Esse ponto simétrico é denominado antiprincipal imagem (Ai). Portanto, em uma lente convergente, se colocamos um pequeno objeto luminoso em Ao, sua correspondente imagem se forma em Ai. No caso das lentes esféricas é possível verificar que: AoFo FoO FiO FiAi

Ponto real

Ponto real

Ao

Fo

O

Fi

Ai

Nas lentes convergentes, Ao encontra-se na região da luz incidente, e Ai, na região da luz emergente. São pontos reais. Os raios incidente e emergente efetivamente passam por Ao e Ai, respectivamente.

A partir do ponto A, representamos dois raios de luz incidentes: um que incide paralelamente ao eixo principal da lente e outro que atinge o centro óptico da lente, A seguir representamos os correspondentes raios de luz emergentes. O encontro dos raios de luz emergentes determina o respectivo ponto imagem (A’) do objeto A. Analogamente ao que foi mostrado nos espelhos esféricos, como o ponto B pertence ao eixo principal, sua correspondente imagem B’ também estará no eixo principal. Além disso, para lentes gaussianas, objeto perpendicular ao eixo principal tem imagem também perpendicular ao eixo principal. Assim, a imagem do objeto real AB é A’B’, como mostra a figura abaixo.

A B Ponto virtual Ponto virtual Ao Fo O Fi A’
Ai Fi O Fo Ao

B’ Ai

A imagem apresenta natureza real, dimensões menores que as do objeto e é invertida em relação ao objeto.
Nas lentes divergentes, Ao encontra-se na região da luz emergente, e Ai, na região da luz incidente. São pontos virtuais. Os prolongamentos dos raios incidente e emergente passam por Ao e Ai, respectivamente.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Se posicionarmos um anteparo no local onde se forma a imagem A’B’, poderemos visualizar a imagem projetada.

87

FÍSICA

Lembre-se: somente as imagens reais podem ser projetadas em um anteparo.
A B Ao Fo O Fi A’
Antep aro Olho do observador

Caso C:
A’ A

B’ Ai Ao

B’ Fo

B O Fi Ai

As imagens reais podem ser projetadas em um anteparo.

As figuras a seguir representam a formação de imagens pelas lentes convergentes, a partir de objetos reais. Caso A:

A B Ao Fo O Fi Ai B’

A imagem é virtual, direita e ampliada em relação ao objeto. Esse é o caso de uma lente convergente sendo utilizada como lupa. Por exemplo, um filatelista que deseja observar detalhes de um selo de sua coleção deve posicioná-lo entre o foco e a lente. Assim, poderá observar uma imagem direita e ampliada do selo. Da mesma maneira como ocorre nos espelhos convexos, para as lentes divergentes, as características das imagens conjugadas independem da posição do objeto diante da lente. Observe os casos em que um objeto real AB é disposto em duas posições diferentes em relação à lente divergente.

A A’ A’ B Ai Fi B’ O Fo Ao

A imagem apresenta natureza real (portanto, pode ser projetada), é maior e invertida em relação ao objeto. Esse esquema representa o funcionamento dos projetores de filmes. Nesses casos, AB representa a película do filme (que deve estar posicionado entre Ao e Fo da lente do projetor). A tela de projeção deve ser colocada no local onde a imagem A’B’ se forma. Caso B:
Ai A B Ao Fo O Fi Ai

A A’ B Fi B’ O Fo Ao

Nesse caso, como o feixe de luz emergente é constituído por raios de luz paralelos entre si, dizemos que a imagem é formada em uma região muito afastada da lente. As demais características não são definidas. Os holofotes que emitem feixe paralelo constituem exemplos dessa situação. Neles, uma pequena lâmpada é posicionada no foco da lente convergente.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Note que, em ambos os casos, as imagens apresentam natureza virtual, dimensões menores que as do objeto, direitas em relação ao objeto e localizadas entre Fi e O. As pessoas que têm miopia usam lentes divergentes, seja de contato, seja nos óculos. A miopia se refere à dificuldade de focalização das imagens de objetos distantes do globo ocular. Ao colocar uma lente divergente diante de seu olho, a pessoa míope deixa de ver o objeto AB e passa a enxergar a imagem A’B’. Como essa imagem é formada mais próxima do globo ocular, a pessoa que tem miopia consegue visualizá-la com nitidez.

88

FÍSICA

Lentes esféricas: estudo analítico
1

CAPÍTULO 31

INTRODUÇÃO

No capítulo anterior, a análise gráfica das lentes esféricas permitiu avaliar qualitativamente as características da imagem. Passaremos agora a quantificar essas características. Para isso, faremos um estudo das lentes esféricas por meio das equações. O bom uso das equações pressupõe um perfeito entendimento da simbologia empregada, bem como a interpretação correta dos sinais associados aos símbolos.
2

SIMBOLOGIA

Observe as figuras a seguir, nas quais estão representadas algumas situações de imagens formadas pelas lentes. Nessas figuras estão indicados os símbolos utilizados nas equações das lentes delgadas esféricas.
p p y y F f O F y’ f p’ y’ F O F p’

O quadro a seguir indica a interpretação de cada símbolo. Símbolo p p’ f y y’ Nomenclatura Abscissa do objeto Abscissa da imagem Abscissa do foco Ordenada do objeto Ordenada da imagem Informação Indica a posição do objeto em relação à lente e a natureza do objeto. Indica a posição da imagem em relação à lente e a natureza da imagem. Indica as posições dos focos em relação à lente e a natureza desses focos. Indica a altura do objeto e sua orientação. Indica a altura da imagem e sua orientação.
Eixo das ordenadas

O eixo das abscissas coincide com o eixo principal da lente. O eixo das ordenadas é perpendicular ao eixo principal. Tanto o eixo das abscissas quanto o das ordenadas têm como origem o centro óptico da lente.
Eixo das abscissas
O

origem EP

Lente convergente ou divergente
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

89

FÍSICA

3

CONVENÇÃO DE SINAIS

A

Dizer que “a imagem se encontra a 25 cm do centro óptico da lente” é uma informação incompleta. Em qual região da lente a imagem se localiza? No campo da luz incidente ou no campo da luz emergente? Para contornar essa indefinição, adota-se uma convenção de sinais para as abscissas e para as ordenadas.

y’ y

Para as abscissas (p, p’ e f) Elemento real Elemento virtual Abscissa positiva Abscissa negativa

Como y e y’ são acompanhados de sinais, o aumento linear, A, também é seguido de um sinal. Vamos analisar os casos possíveis. • Se y e y’ têm o mesmo sinal, então, a razão A entre os dois é um número positivo. E se y e y’ têm o mesmo sinal, objeto e imagem estão, ambos, orientados para cima ou para baixo do eixo principal. Tanto em um caso como no outro, a imagem é direita em relação ao objeto. • Se y e y’ têm sinais opostos, o aumento linear, A, resulta em um valor negativo. E se y e y’ têm sinais contrários, um elemento está orientado para cima do eixo principal, e o outro, para baixo. Nesse caso, a imagem é invertida em relação ao objeto. Resumindo

Para as ordenadas (y e y’) Elemento acima do eixo principal Elemento abaixo do eixo principal Ordenada positiva Ordenada negativa A A 0: A imagem é direita em relação ao objeto. 0: A imagem é invertida em relação ao objeto.

Também é possível demonstrar que o aumento linear transversal pode ser obtido por outras equações. São elas: y’ y p’ p f f p

Os focos da lente convergente são pontos reais. Logo, a abscissa focal da lente convergente é positiva. No caso das lentes divergentes, como seus focos são pontos virtuais, a abscissa focal é negativa.
Luz Luz 6

A

EQUAÇÃO DA VERGÊNCIA OU DA CONVERGÊNCIA (C) DE UMA LENTE

f Fo O

f Fi Fi

f O

f Fo

Em diversos empregos de lentes esféricas (por exemplo, em óculos), é usual trabalharmos com o inverso da abscissa focal. Essa relação, conhecida como vergência ou convergência de uma lente, é representada por C. 1 f

Lente convergente

Lente divergente

Assim: C

4

EQUAÇÃO DOS PONTOS CONJUGADOS

Por meio de semelhança de triângulos aplicada às figuras previamente escolhidas, é possível demonstrar uma expressão algébrica que relaciona as abscissas p, p’ e f. Essa equação, denominada equação dos pontos conjugados ou equação de Gauss, é: 1 f 1 p 1 p’

A unidade da vergência de uma lente é o inverso da unidade de comprimento utilizada na abscissa focal. No SI, a abscissa focal é medida em metros. Portanto, no SI, temos: [C] 1 m m 1 di (dioptria)

5

EQUAÇÃO DO AUMENTO LINEAR TRANSVERSAL (A)

No cotidiano, a unidade dioptria é chamada “grau” da lente. Associamos o módulo da grandeza vergência (C) de uma lente ao seu poder de desviar mais ou menos a luz. Por exemplo: uma lente de módulo de vergência 5 di é “mais forte” que uma lente de módulo de vergência 2 di. Isso significa que a lente de 5 di é capaz de desviar a luz mais acentuadamente que a lente de 2 di. Observação Todo o estudo analítico aplicado às lentes esféricas também pode ser empregado para os espelhos esféricos.

A razão entre as ordenadas da imagem e do objeto, representada por A, é definida como sendo o aumento linear transversal estabelecido pela lente em uma dada situação.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

90

FÍSICA

Trocas de calor provocando alteração de temperatura
1

CAPÍTULO 32

INTRODUÇÃO

A Termofísica tem como principal objeto de estudo as trocas de energia térmica entre corpos. Além disso, analisa mecanismos de obtenção, transferência e transformação da energia térmica em outras modalidades de energia, bem como a transformação de outras formas de energia em energia térmica. Esse ramo da Física ainda se ocupa em compreender os efeitos provocados pelas trocas de energia térmica sobre os sistemas.

a energia cinética das partículas que compõem o corpo A é maior que a de B. De maneira geral, podemos afirmar: • Quanto maior a agitação das partículas que constituem um corpo, maior é a temperatura desse corpo. • Quanto menor a agitação das partículas que constituem um corpo, menor é a temperatura desse corpo.

3 2

CALOR

TEMPERATURA

Independentemente do estado físico de um corpo – sólido, líquido ou gasoso –, suas partículas constituintes estão em permanente estado de agitação. Essa agitação, dependendo do estado da matéria, pode ser uma combinação dos movimentos de rotação, de vibração e de translação. A soma de todas as energias cinéticas de todas as partículas que constituem um corpo é conhecida como energia térmica do corpo. Na prática, salvo algumas exceções, é impossível determinar a quantidade de energia térmica de um corpo. Todavia, podemos comparar os estados térmicos dos corpos, ou seja, podemos estabelecer critérios para se avaliar o grau médio de agitação das partículas de um corpo. Por exemplo, considere dois corpos A e B. Como podemos avaliar em qual desses corpos a energia cinética média por partícula é maior? Uma forma é encostar a mão nesses corpos. Aquele que nos parecer mais quente é o que tem a energia cinética média por partícula maior. Porém, em algumas situações, as sensações térmicas confiadas ao nosso tato não são satisfatórias ou exatas. Por exemplo: suponha que dois objetos, um de madeira e outro de metal, estejam no interior de uma sala, por um intervalo de tempo suficiente para garantir que seus estados térmicos sejam idênticos. Ao tocá-los, temos sensações térmicas diferentes: o objeto de metal pode parecer mais frio que o de madeira. Para avaliar, com precisão, o estado térmico de um corpo, medimos sua temperatura. Por ora, vamos entender a temperatura como sendo a grandeza física escalar que nos indica se um corpo está mais quente ou mais frio que outro. Temperatura serve apenas para comparar estados térmicos dos corpos. Dizer que um corpo A está a 50°C não é um dado que, isoladamente, permite elaborar grandes conclusões. Entretanto, quando se diz que um corpo A está a 50°C e outro corpo B está a 20°C, pode-se afirmar que, na média,
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Em diversas situações, observamos que um corpo, ao ser colocado em contato com outro, pode esquentar, esfriar ou mesmo mudar de estado físico. Por exemplo: • se misturamos leite quente com café frio, a mistura resultante nos dá uma sensação de “morno”, revelando que o leite esfriou e o café esquentou; • ao perceber que o leite da mamadeira de seu bebê está muito quente, a mãe a coloca dentro de uma vasilha com água da torneira. Após um determinado intervalo de tempo, o conteúdo da mamadeira estará mais frio, e a água da vasilha, mais quente; • ao colocarmos gelo no refrigerante contido em um copo, percebemos que o refrigerante esfria e o gelo derrete; • o contato do vapor que se desprende da água em ebulição, contida em uma panela, com a tampa dessa panela faz o vapor tornar-se líquido e a tampa se aquecer. Analisando esses fatos e outros, podemos concluir: ao colocarmos em contato dois corpos com temperaturas diferentes, o corpo mais frio se aquece ou muda de estado físico, e o corpo mais quente esfria ou muda de estado físico. Essa situação se desenvolve até que seja estabelecido o equilíbrio térmico, ou seja, até que os dois corpos atinjam a mesma temperatura. Esse fenômeno ocorre porque há transferência de uma parte da energia relativa à movimentação das partículas, do corpo mais quente para o corpo mais frio. Em outras palavras, uma parcela da energia térmica do corpo mais quente foi transferida ao corpo mais frio. A energia transferida espontaneamente do corpo de temperatura maior (mais quente) para o corpo de temperatura menor (mais frio) é denominado calor. O termo calor é usado, exclusivamente, para a energia térmica transferida de um corpo para outro. Portanto, é incorreto dizer que um determinado corpo “possui” calor. Na verdade, o corpo possui uma quantidade de energia térmica – associada à movimentação de suas partículas – que pode ser alterada se esse corpo ganhar ou perder calor.

91

FÍSICA

Resumindo Calor é a energia trocada entre corpos, devido, exclusivamente, à diferença de temperatura entre eles.

4

TROCAS DE CALOR PROVOCANDO AQUECIMENTO OU RESFRIAMENTO

A quantidade de calor que um corpo troca – recebe ou perde – é representada pela letra Q, e sua unidade, no Sistema Internacional, é o joule (J). Suponha agora dois corpos quaisquer – por exemplo, um béquer com óleo e outro com água – inicialmente à mesma temperatura θ0. Vamos imaginar que desejamos elevar suas temperaturas até um valor θ. Para isso, colocamos, sucessivamente, esses dois corpos sobre uma mesma fonte de calor de potência constante. Vamos admitir que, durante o processo de aquecimento, não ocorra nenhuma mudança de estado físico. A cada instante, anotamos as temperaturas atingidas pelos corpos. Como a fonte térmica tem potência constante, a quantidade de calor (Q) fornecida é diretamente proporcional ao intervalo de tempo. Assim, podemos elaborar o gráfico da temperatura dos corpos em função da quantidade de calor recebida por eles.
Temperatura ( )

No SI, a unidade de capacidade térmica do corpo é: J/K. A capacidade térmica de um corpo expressa a quantidade de calor absorvida ou cedida pelo corpo quando se observa uma variação unitária em sua temperatura. O exemplo citado (água e óleo) mostra que, para a mesma quantidade de calor fornecida a ambos, as variações de temperatura dos corpos são diferentes. Logo, esses corpos possuem capacidades térmicas diferentes. Portanto, podemos concluir: capacidade térmica é uma característica do corpo. Para determinar a quantidade de calor trocada por um corpo, usamos a equação: [C] Q C θ

Nessa equação, a grandeza Q pode resultar em um número positivo ou negativo, dependendo do sinal de θ. Desse modo: • se o corpo se aquece: θ • se o corpo se esfria: θ Portanto: Q Q 0 ⇒ o corpo recebe calor do meio externo. 0 ⇒ o corpo cede calor ao meio externo. 0⇒Q 0⇒Q 0; 0.

A unidade caloria (cal)
A

A

B

B

É bastante comum o uso de unidades diferentes daquelas utilizadas no Sistema Internacional. Por exemplo: em nosso cotidiano são mais usuais a unidade caloria (cal), para a quantidade de calor, e grau Celsius (°C), para a unidade de variação de temperatura. A unidade caloria é assim definida: Uma caloria é a quantidade de calor necessária para elevar em 1°C a temperatura de 1 g de água pura, sob pressão normal. Nesse sistema usual, a unidade de capacidade térmica é: [C] cal/°C Experiências mostram que a relação entre caloria e joule é: 1 cal 4,19 J Como a variação de temperatura de 1 kelvin corresponde à variação de 1 grau Celsius, então C = 1 cal/°C 4,19 J/K.

0

Quantidade de calor recebida (Q) Q

Variação da temperatura dos corpos A (óleo) e B (água) em função da quantidade de calor recebida por eles.

Analisando esse gráfico, podemos concluir que: • para um dado corpo, o aumento de temperatura é diretamente proporcional à quantidade de calor recebida por ele. Por isso, quanto maior a quantidade de calor recebida, maior a variação de temperatura; • corpos diferentes, ainda que recebam as mesmas quantidades de calor, apresentam variações de temperaturas diferentes. A razão entre a quantidade de calor trocada (recebida ou cedida) por um corpo e sua correspondente variação de temperatura é denominada capacidade térmica desse corpo. Em símbolos, C Q θ

5

CALOR ESPECÍFICO DE UMA SUBSTÂNCIA

Vamos aquecer duas amostras de água, A e B, inicialmente à mesma temperatura, com massas respectivamente iguais a m e 2 m, utilizando a mesma chama de um fogão e fazendo suas temperaturas sofrerem a mesma variação, θ.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

92

FÍSICA

Água A

Água B

Podemos expressar a afirmação anterior por meio de símbolos. C c m A constante de proporcionalidade c é denominada calor específico da substância. Seu valor depende da substância que compõe o corpo e do estado físico do corpo (sólido, líquido ou gasoso). As unidades utilizadas para expressar o calor específico da substância são: SI J kg K Sistema usual cal g °C

m

2m

Temperatura inicial: 0A

Temperatura inicial: 0B 0A

Uma vez que a massa de B é o dobro da massa de A, para produzir a mesma variação de temperatura ( θ) em ambos, a quantidade de calor fornecida a B é o dobro da quantidade de calor fornecida a A. Em símbolos: QB 2 QA Substituindo Q CB θ C θ na igualdade acima: θ ⇒ CB 2 CA 2 CA

Portanto, quando se deseja determinar a quantidade de calor que um corpo absorve ou cede, durante seu processo de aquecimento ou resfriamento, sem a ocorrência de mudança de estado, pode-se empregar as equações: Q C θ ou Q m c θ

Lembrando que: Q Q 0 ⇒ o corpo recebe calor 0 ⇒ o corpo cede calor

Pode-se concluir que, para corpos constituídos pela mesma substância, a capacidade térmica é diretamente proporcional à massa do corpo.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

93

FÍSICA

Trocas de calor provocando mudanças de estado
1

CAPÍTULO 33

OS ESTADOS DA MATÉRIA

Basicamente, a matéria pode se apresentar nos seguintes estados de agregação: sólido, líquido e gasoso. No estado sólido, também chamado de fase sólida, as partículas que compõem o corpo exibem fortes ligações entre si, que impedem as partículas de apresentar movimentos de rotação e de translação. Nessa fase, as partículas apenas vibram em torno de uma posição de equilíbrio. Em sua maioria, as substâncias que se encontram no estado sólido mostram regularidade na disposição de seus átomos, o que lhes confere uma estrutura interna cristalina. Em consequência, o sólido possui forma e volume definidos. Quando uma substância passa para a fase líquida, as forças entre as partículas são menos intensas, se comparadas às da fase sólida. Na fase líquida, ocorre movimento das partículas no interior da matéria. Os átomos de um líquido não apresentam ordenação em cristais. Na fase líquida, a substância tem volume definido, mas a forma depende do recipiente que a contém. No estado gasoso, as partículas praticamente não trocam forças entre si, a não ser quando se chocam. Nesse estado, o corpo terá o volume e a forma do recipiente que o contém. A fase gasosa pode ser dividida em gás e vapor. Na calorimetria, porém, a diferença entre vapor e gás é irrelevante. Por isso, usaremos exclusivamente o termo vapor para as substâncias no estado gasoso. Para que uma substância pura, submetida a pressão constante, passe de um estado físico a outro, é necessário que ela absorva ou ceda energia na forma de calor. As transições de estado podem ser assim esquematizadas:
Recebe calor Fusão a b Vaporização c

Na fusão do sólido e na vaporização do líquido, a substância recebe calor do meio externo. Na condensação do vapor e na solidificação do líquido, a substância perde calor para o meio externo. A experiência nos mostra que, sob pressão constante, as mudanças de estado de agregação de uma substância pura ocorrem em temperatura constante e bem determinada durante a transição. Para a transição inversa, a temperatura é a mesma. Por exemplo, para a água, a 1 atm, temos: • temperatura de transição de gelo para água líquida: 0°C; • temperatura de transição da água líquida para gelo: 0°C.
2

TEMPERATURA DE MUDANÇA DE FASE

A temperatura de mudança de estado de uma substância não é a mesma para qualquer valor de pressão externa. Vamos considerar o processo de vaporização da água. Para que as moléculas passem do estado líquido para vapor, elas precisam de energia suficiente para se movimentar no interior da matéria, atingir a interface de separação entre o líquido e o meio exterior, romper a tensão superficial e superar a oposição da pressão atmosférica. Assim, quanto maior for a pressão externa, maior será a temperatura que o líquido precisa atingir para entrar em ebulição. Observe a tabela a seguir, que relaciona as temperaturas de ebulição da água para diversos valores de pressão atmosférica. Temperatura de ebulição da água para diversas pressões externas θ (°C) 70 92 93 95 97 98 p (mmHg) 240 560 600 640 670 720 760

© Acervo Anglo

sólido

líquido

vapor

100

Solidificação

Liquefação ou condensação Sublimação Libera calor

3

O CALOR LATENTE (L) DE MUDANÇA DE ESTADO

Considere uma pedra de gelo, feita de água pura, à temperatura de 0°C em um local onde a pressão atmosférica seja 1 atm.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

94

FÍSICA

Suponha que a massa dessa pedra de gelo seja m. Para que essa massa de gelo a 0°C seja transformada em água, a 0°C, é necessário que se forneça certa quantidade de calor Q.
Gelo (0°C) Água (0°C)

Assim, para que certa massa m de uma substância mude de estado físico, à pressão e temperatura constantes, é necessário fornecer ou retirar uma quantidade de calor Q, dada por: Q m L

Unidades do calor latente de transição (L)
m m

Sistema Internacional (SI) Sistema usual

[L] [L]

J/kg cal/g

Q

Para o caso da fusão, podemos escrever: Q m Lfusão A quantidade de calor (Q) utilizada na mudança de estado obedece à regra de sinais já estabelecida.

Se, ao invés de uma pedra de gelo, tivéssemos duas pedras de gelo a 0°C, cada uma com massa m, seria necessário uma quantidade de calor igual a 2 Q para que esse gelo fosse convertido em água a 0°C.
Gelo (0°C) m m 2m Água (0°C)

Se o corpo ganha calor Se o corpo perde calor

Q Q

0 0

L L

0 0

Os valores de L para a água
Experimentalmente, é possível determinar o valor do calor latente para qualquer substância. No sistema usual, para o caso da água, sob pressão de 1 atm, tem-se: Lfusão
2Q

80 cal/g 540 cal/g.

Lvaporização

Por esse exemplo, fica evidente que a quantidade de calor fornecida a certo corpo para que mude seu estado físico é diretamente proporcional à sua massa. Q constante m A constante de proporcionalidade é denominada calor latente de mudança de estado e simbolizada pela letra L. Em símbolos,

Ou seja, cada grama de gelo a 0°C absorve 80 cal para se transformar em água a 0°C. No caso da vaporização, cada grama de água a 100°C absorve 540 cal para se transformar em vapor a 100°C. Para que as transições inversas ocorram, ou seja, solidificar a água ou liquefazer o vapor, basta retirar a mesma quantidade de calor que foi fornecida em cada mudança de estado. Portanto, para a água a 1 atm: Lsolidificação Lliquefação 80 cal/g 540 cal/g.

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

95

FÍSICA

Sistema termicamente isolado
1

CAPÍTULO 34

INTRODUÇÃO

Em algumas situações é possível isolar corpos do meio ambiente, de tal modo que as trocas de calor ocorram exclusivamente entre eles. É o que acontece, por exemplo, quando colocamos garrafas de refrigerante em contato com gelo no interior de um recipiente feito de isopor ou qualquer outro material isolante. Sob certos limites, podemos considerar que as trocas de calor somente ocorrem entre o gelo, o refrigerante e as paredes internas do recipiente. Quando operamos com corpos que trocam calor exclusivamente entre si, sem que o meio ambiente participe dessas trocas, chamamos esse conjunto de corpos de sistema termicamente isolado.

A quantidade de calor trocada pelo calorímetro é expressa por: Qcal. Ccal. θ. O calorímetro é dito ideal quando sua capacidade térmica pode ser desprezada. Nesse caso, a quantidade de calor trocada para provocar variação de temperatura é desprezível. Logo, nos calorímetros ideais: Qcal. 0.
3

BALANÇO TÉRMICO

2

CALORÍMETRO

Calorímetros são recipientes cujas paredes são revestidas com isolantes térmicos (paredes adiabáticas). É no interior desses recipientes que colocamos corpos para que troquem calor entre si. Experimentos realizados com esse dispositivo revelam que as trocas de calor ocorrem entre os corpos e as paredes do calorímetro. Assim sendo, o calorímetro pode ser considerado um corpo que, apesar de não permitir as trocas de calor com o meio externo, troca calor com os corpos em seu interior.

Considere um conjunto de corpos (A, B, C, ...), cujas temperaturas iniciais sejam, respectivamente, θ0 , θ0 , A B θ0 , ..., dispostos no interior de um calorímetro de capaciC dade térmica Ccal. e temperatura inicial θ0 . cal. Uma vez que estamos admitindo que as trocas de calor ocorram somente entre os corpos e as paredes internas do calorímetro, podemos afirmar que uma parcela do conjunto desses corpos irá absorver calor. Para esse subconjunto, Q 0. Por outro lado, os demais corpos irão ceder calor. Para esses outros corpos, Q’ 0. Fundamentando-se no princípio geral da conservação de energia, a quantidade de calor absorvido por um conjunto de corpos é, em módulo, igual à quantidade de calor cedida pelo outro conjunto. Dessa maneira: Q 0 ⇒ QA QB QC ... Qcal. 0

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

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FÍSICA

Termodinâmica

CAPÍTULO 35

1

INTRODUÇÃO

Suponha certo gás contido em um recipiente dotado de um êmbolo móvel, conforme mostra o esquema.

Entretanto, as grandezas pressão do gás (p), seu volume (V) e sua temperatura (T) podem variar, caso ocorram trocas de energia entre o gás e o meio. As grandezas p, V e T são denominadas variáveis de estado. Em qualquer situação em que o gás troque energia com o meio (mecânica ou térmica), dizemos que ele foi submetido a uma transformação. Nesta circunstância, pelo menos duas das variáveis de estado são modificadas.
Troca de energia entre o gás e o meio exterior Transformação gasosa Alteração nas variáveis de estado (p, V, T)

Colocando em contato esse sistema com uma fonte térmica, certa quantidade de calor lhe será fornecida. Um possível resultado desse experimento é a expansão do gás, acompanhada de um aumento em sua temperatura.

No SI as unidades empregadas nas variáveis de estado são: [p] N m2 Pa (pascal); [V] m3; [ T] K (kelvin).

3 h V T V’ T’
Pressão

GÁS PERFEITO

V T

Calor

No estado gasoso, as partículas ficam muito distantes umas das outras. Em consequência, a força de ligação entre as partículas de um gás é muito pequena. O gás é chamado perfeito quando as forças de ligação entre as partículas que o constituem podem ser desprezadas. Quanto mais rarefeito é o gás, maior é a distância entre suas partículas, menor é a força de atração entre elas, e mais próximo ele está do gás perfeito. Um gás também se aproxima de um gás perfeito à medida que sua temperatura aumenta. Quando isso acontece, aumentam a velocidade e a energia cinética das partículas do gás, tornando desprezível a energia de ligação entre elas.
4

Para essa situação podemos concluir que uma parcela da energia térmica fornecida ao sistema (calor) foi utilizada no aumento da agitação das partículas do gás (aumento de temperatura). Mas uma outra parcela do calor fornecido foi convertida em energia mecânica, provocando a movimentação do êmbolo e um aumento em sua energia potencial gravitacional. Resumidamente, uma parte da energia térmica fornecida ao sistema gasoso (Q) foi armazenada no interior do gás e outra parte foi convertida em energia mecânica.

LEIS DOS GASES PERFEITOS

Relação entre as variáveis de estado
Para descobrir experimentalmente a influência de uma variável de estado sobre outra, devemos realizar medidas e tentar estabelecer uma equação que seja coerente com essas medidas. Para isso, colocamos um determinado gás em um recipiente fechado com êmbolo. Realizamos medidas da pressão, do volume e da temperatura do gás. Se esses valores permanecem constantes em um dado intervalo de tempo, dizemos que o gás está em estado de equilíbrio. Produzimos, então, uma alteração em uma variável de estado. Por exemplo, aumentamos a temperatura. Isso faz com que a pressão e/ou o volume se alterem, até atingir nova condição de equilíbrio. Medimos essas três grandezas na nova situação de equilíbrio.

2

AS VARIÁVEIS DE ESTADO

Considere certa massa de gás contida em um recipiente hermeticamente fechado por um êmbolo móvel. Uma vez que o recipiente é fechado, o número de partículas, a massa e o número de mols do gás são constantes.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

97

FÍSICA

De posse de um grande número de dados experimentais das três variáveis de estado, o passo seguinte é procurar uma relação entre elas. É possível verificar que, para uma amostra de gás perfeito contido num recipiente, é válida a seguinte igualdade: p V T

No caso de ocorrer entrada ou saída de gás durante a transformação, a igualdade passaria a ser: pA VA nA TA pB VB nB TB

constante

(T em kelvin)
6

ENERGIA INTERNA

Por meio de experimentos, é possível determinar que a constante de proporcionalidade depende do número de mols (n) do gás e do sistema de unidades empregado nas grandezas p, V e T. Essa relação entre as unidades é acertada pela introdução de uma constante (R), denominada constante universal dos gases. Assim, a equação anterior pode ser escrita na forma: p V T Resumindo Para um gás perfeito, vale a relação conhecida como equação geral dos gases perfeitos: p V n R T O valor de R depende das unidades escolhidas. Por exemplo: R R 0,082 8,31 atm L K mol n R

Considere o seguinte arranjo experimental: certa massa de gás está contida em um recipiente, contendo um êmbolo que pode deslizar sem atrito. Inicialmente, o gás está em equilíbrio.

Estado (I)

Massa do êmbolo: M Área da seção transversal: A

Nesta situação, estado I, a pressão do gás tem a mesma intensidade da pressão externa, que é a soma entre a pressão atmosférica e a pressão devido ao peso do êmbolo. Em símbolos: pgás patm pêmbolo

J K mol

Em que a pressão devida ao êmbolo é dada por: pêmbolo M g A

5

UMA TRANSFORMAÇÃO GASOSA GENÉRICA

Considere que certa massa de gás perfeito troque energia (térmica ou mecânica) com o meio exterior, progredindo de uma situação A a outra B, denominadas estados termodinâmicos

Um sistema de presilhas é, então, acoplado ao êmbolo, impossibilitando sua movimentação. A seguir, certa quantidade de energia térmica é fornecida ao gás, atingindo um novo estado termodinâmico (II).

Transformação
Pressão

Estado (II)

(trocas de energia)

Calor Estado A Estado B

Uma vez que o número de mols do gás permanece inalterado, é correto afirmar que: pA VA TA
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Presilhas impedem a movimentação do êmbolo, enquanto o gás recebe energia térmica (calor) de uma fonte.

pB VB TB

Como resultado desse recebimento de energia, o gás aquece.

98

FÍSICA

A seguir, retiram-se as presilhas, deixando o gás se expandir. Nessa circunstância, a força que o gás aplica no êmbolo realiza um trabalho motor. O gás, na situação final, ocupa um novo estado de equilíbrio (estado III).

Como será visto adiante, no estudo dos gases perfeitos, é desejável conhecer a variação da energia interna ( U) do gás, quando este é submetido a certa transformação. Se não houver entrada ou saída de gás durante a transformação: U 3 nR T 2 5 nR T 2 (gás monoatômico) (gás diatômico)

h

Pressão F

F

U

Estado (II) (com presilhas)

Estado (III) (sem presilhas)

Observação Para gases triatômicos ou poliatômicos, já não é possível aplicar o modelo de gás perfeito, salvo sob específicas condições. Portanto, ao nosso estudo, esses gases deixam de ser analisados.
7

Uma vez que, ao retirar as presilhas, o gás consegue produzir movimento de um outro corpo (êmbolo), podemos inferir que o gás possui certa quantidade de energia, denominada energia interna (U). Repare que, quanto mais aquecido o gás estiver, maior sua capacidade de produzir movimento, ou seja, maior sua quantidade de energia interna. Do ponto de vista microscópico, a energia interna (U) de um corpo é a soma de todas as energias, tanto cinética quanto potencial, das partículas que o constituem. Num gás perfeito, as partículas só interagem – isto é, só trocam forças – durante os choques. Isso se deve ao fato de a distância média entre elas ser muito grande, tornando desprezíveis as forças de interligação. Uma energia potencial está sempre associada a uma força de natureza conservativa. Não havendo forças de interligação, não há energia potencial. Logo: A energia interna de um gás perfeito é a soma das energias cinéticas das partículas que o constituem. Sabemos que a temperatura de um gás está relacionada com sua agitação, ou seja, com a energia cinética média de suas partículas. Portanto, deve haver uma relação entre a energia interna e a temperatura. É possível estabelecer que há uma relação de proporcionalidade entre a energia interna e a temperatura do gás em kelvins: a energia interna do gás perfeito é proporcional à temperatura absoluta do gás. Em símbolos: U (constante) T

TRABALHO DA FORÇA DE PRESSÃO DO GÁS

Nos exemplos analisados até aqui, percebemos que o gás pode trocar energia térmica e/ou energia mecânica com o meio externo a ele. Quando nosso objetivo é determinar a quantidade de energia térmica trocada pelo gás, calculamos a quantidade de calor (Q). Quando nosso objetivo é determinar a quantidade de energia mecânica trocada pelo gás, devemos calcular o trabalho da força de pressão do gás nas paredes do recipiente (τ). Neste item, vamos estabelecer formas para se determinar o trabalho da força de pressão do gás. Para isso, vamos dividir a tarefa em duas situações: transformação à pressão constante e transformação à pressão variável.

I) Trabalho da força de pressão do gás em uma transformação isobárica
Considere certa massa de gás contida em um recipiente, submetida a uma expansão (pressão constante) segundo o esquema a seguir.

Fgás

Fgás

Cálculos e considerações com certo grau de complexidade, que fogem ao propósito de nosso curso, mostram que: 1) Gás perfeito monoatômico U 3 nRT 2
Estado (A)

d
Pressão

Estado (B)

2) Gás perfeito diatômico U 5 nRT 2

A pressão que o gás exerce na parede do êmbolo é dada por: p do êmbolo. Fgás A , em que A é a área de seção transversal

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

99

FÍSICA

Aplicando a definição de trabalho de força constante à situação apresentada:
F τAgás B →

F d cos θ

0)

Multiplicando e dividindo pela área da seção transversal do êmbolo: (1) F F d A cos θ τAgás B → A Como F A p e o produto d A é a variação de volume

o gás transfere energia mecânica às paredes do recipiente. Em qualquer compressão gasosa, a força que o gás aplica tem sentido contrário ao deslocamento das paredes do recipiente. Logo, trata-se de um trabalho resistente 0). Nessa circunstância, o gás recebe energia me(τ cânica do meio. Nas transformações em que não ocorrem variação de volume do gás (transformação isocórica), o trabalho da força de pressão do gás é nulo. Nesse caso, o gás não troca energia mecânica com o meio. Resumindo • Expansão: τFgás ca ao meio. 0 ⇒ o gás transfere energia mecâni0 ⇒ o gás recebe energia mecâ0.

do gás ( V), temos:
F τAgás B →

p (VB

VA)

(válida para transformação isobárica) A representação dessa transformação no diagrama pV é:
p 8 p A B

• Compressão: τFgás nica do meio.

• Transformação a volume constante: τFgás

PRIMEIRO PRINCÍPIO DA TERMODINÂMICA

τ
VA VB V

Note que a área sob a curva (p do valor do trabalho.

V) fornece o módulo

II) Trabalho da força de pressão do gás em uma transformação qualquer
Para se determinar o trabalho da força de pressão do gás em uma transformação qualquer, basta generalizar a ideia desenvolvida no item anterior e calcular a área sob a curva no diagrama pV. Assim, em uma transformação qualquer:
p p p B A

Com base no que foi exposto até aqui, é possível concluir que trabalho e calor são dois processos distintos: trabalho é um processo mecânico que envolve aplicação de força e movimentação de um corpo (por exemplo, um êmbolo); calor é um processo térmico, que consiste em colocar o sistema, com ou sem contato, na presença de outro corpo mais quente ou mais frio. Entretanto, apesar de serem processos distintos, ambos podem resultar no mesmo efeito: fazer variar a energia interna do sistema. Um balanço das energias cedidas, recebidas e armazenadas pelo sistema pode levar a uma relação entre calor, trabalho e variação de energia interna. Suponha que um sistema gasoso, que está em contato com uma fonte quente, sofra a transformação de a para b, indicada no gráfico a seguir.
Estado a Estado b

Pressão

B

A

Q

500J

τ
VA VB V

p

p p

b

b a

τ

Área

a

O sinal do trabalho da força de pressão do gás Em qualquer expansão gasosa, a força que o gás aplica tem o mesmo sentido do deslocamento das paredes do recipiente. Logo, é um trabalho motor (τ 0). Nesse caso,
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

τ

300J

VA

VB

V
FÍSICA

100

Só como exemplo, vamos supor que esse sistema receba 500 J de calor da fonte quente. O gráfico mostra que o gás sofre uma expansão. Portanto, há a realização de um trabalho positivo, indicando que o gás cedeu energia mecânica ao meio. Digamos que essa energia mecânica cedida pelo gás ao meio seja 300 J. Se o sistema gasoso recebe 500 J de energia na forma de calor e cede ao meio 300 J na forma de energia mecânica, ele deve ter armazenado 200 J, ou seja, sua energia interna deve ter aumentado 200 J. O balanço energético dessa transformação é U Q τ. Dois comentários I) apesar de analisarmos um caso particular, a expressão U Q τ é válida para qualquer tipo de transformação a que o gás possa ser submetido. II) embora, em todo nosso estudo, nosso objeto de análise tenha sido uma massa de gás, a expressão U Q τ, uma vez que se apoia no princípio geral da conservação de energia, é válida para qualquer corpo, independentemente de seu estado de agregação. Entretanto, sua principal aplicação ocorre nos sistemas gasosos. Portanto, para qualquer sistema (sólido, líquido ou gasoso): A variação de energia interna de um sistema ( U) é a diferença entre o calor trocado com o meio e o trabalho realizado pela força que o sistema exerce na vizinhança. Em símbolos, o primeiro princípio da termodinâmica pode ser assim enunciado: U Q

9

INTERPRETANDO SINAIS
U é a variação de energia interna do sistema. Como U U U (constante) T;

0 ⇒ a temperatura do sistema aumenta. 0 ⇒ a temperatura do sistema diminui.

• Q é a quantidade de energia térmica trocada pelo sistema. Q Q 0 ⇒ calor recebido pelo sistema (o sistema está na presença de uma fonte quente). 0 ⇒ calor cedido pelo sistema (o sistema está na presença de uma fonte fria).

τ é o trabalho da força que o sistema exerce na vizinhança. Se o sistema é gasoso: τ τ τ
0 ⇒ numa transformação isométrica. 0 ⇒ numa expansão; calculado pela área sob o gráfico pV. O sistema cede energia mecânica ao meio. 0 ⇒ numa compressão; calculado pela área sob o gráfico pV. O sistema recebe energia mecânica do meio.

τ

SISTEMA ANGLO DE ENSINO

101

FÍSICA

Descrição e classificação de ondas
1

CAPÍTULO 36

DESCREVENDO UMA ONDA

Considere um cordão elástico, suficientemente longo, disposto horizontalmente, ao qual uma pequena argola se ajusta em ponto qualquer desse cordão, conforme a figura.
A

Se, em vez de um único pulso, fosse produzida uma sequência regular e periódica de pulsos, seria, então, gerada uma onda periódica. Desse modo, todos os pontos do cordão, inclusive a argola, oscilariam continuamente, reproduzindo o movimento de sua mão que, nesse caso, é a fonte de abalos.
Sentido de propagação das ondas

Argola

Movimento da fonte

A partir da situação de repouso, suponha que você segure uma das extremidades do cordão e produza um abalo, oscilando, por exemplo, uma vez para cima e outra para baixo. Nesse caso, dizemos que foi produzido um pulso no cordão.
Avanço Oscilação A 2

Onda transfere energia sem que ocorra o transporte de matéria.

CLASSIFICAÇÃO

Quanto à forma
Define-se pulso como sendo uma perturbação causada em certo ponto de um meio elástico, que é reproduzida nos demais pontos do meio. Observando a propagação desse pulso, notamos que, ao atingir a argola, esta é colocada em movimento, reproduzindo o movimento de sua mão. Isto é, ao ser atingida pelo pulso, a argola realiza uma oscilação, uma vez para cima e outra para baixo. Repare que a argola, ao oscilar, adquire energia cinética. Mas, após a passagem do pulso, ela retorna à situação de repouso.
A

Ondas transversais No exemplo descrito anteriormente, a onda se propaga na direção do fio (horizontal), enquanto a oscilação dos pontos do meio ocorre em direção perpendicular. Ondas que apresentam esse comportamento são classificadas como ondas transversais. Ondas em cordas e ondas luminosas constituem exemplos de ondas transversais. No caso da onda luminosa, campos elétricos (E) e campos magnéticos (B) oscilam perpendicularmente entre si e ambos são perpendiculares à direção de propagação da luz.
E Avanço da onda B Onda eletromagnética

Ondas longitudinais
A

Esse e outros exemplos nos permitem afirmar, durante o avanço de um pulso, há transferência de energia de um ponto do meio ao seu vizinho, de uma região a outra, sem que ocorra o transporte de matéria.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

Vamos analisar outro exemplo. Suponha uma mola helicoidal, leve, disposta sobre um plano horizontal, inicialmente em repouso, sem perturbação. Segurando em uma de suas extremidades, podemos produzir abalos para frente e para trás, ora comprimindo, ora esticando a mola. Nesse caso, a direção de propagação dos pulsos e direção de oscilação dos pontos do meio são as mesmas.
FÍSICA

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Propagação da onda

Oscilação dos pontos do meio

Esse tipo de onda é classificado como onda longitudinal. O som é um exemplo de ondas do tipo longitudinal. Por exemplo, quando um som é emitido por um altofalante, em cada direção escolhida, o movimento de oscilação das partículas do meio (no caso, o ar) ocorre na mesma direção.

No vácuo, todas as radiações eletromagnéticas viajam com a mesma velocidade c 3 108 m/s. Nos demais meios materiais, a velocidade da onda eletromagnética depende da refringência do meio e da frequência. Por exemplo, para a luz, a água é mais refringente que o ar. Logo, ela viaja no interior da água com menor velocidade, comparativamente à sua velocidade de propagação no ar. Por outro lado, no interior da água, a luz vermelha tem velocidade um pouco maior que a da azul. A propagação de ondas eletromagnéticas não está relacionada à existência ou não de meio natural. No vácuo, todas as ondas eletromagnéticas têm a maior velocidade possível, 3 10 8 m/s. Ondas mecânicas No caso do som ou de ondas provocadas em líquidos ou de ondas em cordas, sua propagação está relacionada com a oscilação das partículas do meio. Logo, para esse tipo de onda, sua existência depende da presença de meio material. São classificadas como ondas mecânicas.

a Ond

son

ora

Direção de ↔ oscilação

Direção de propagação

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EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DA ONDULATÓRIA

Uma experiência
Suponha uma pessoa segurando a extremidade de uma corda leve e esticada, perfeitamente elástica, de comprimento muito grande. A partir de certo instante, a pessoa produz abalos à corda de maneira contínua e constante, realizando movimentos de vaivém com período constante T e amplitude A. Após um intervalo de tempo t, a corda apresenta a configuração de acordo com a ilustração a seguir.
Cristas Oscilação A A Sentido da energia

Quanto à natureza
Onda eletromagnética Quando uma onda está relacionada à oscilação de campos elétricos e magnéticos, ela é classificada como onda eletromagnética. Associam-se diferentes nomes às ondas eletromagnéticas de acordo com suas frequências. Veja esquema a seguir.
Raios X Raios γ
f(Hz)

Vales

Celular e micro-ondas

Infravermelho

Ultravioleta

Ondas de rádio e TV

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Lu z

108

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1012

1014

1016

1018

1020

1022

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Violeta Anil Azul Verde Amarelo Alaranjado Vermelho

A energia que a mão da pessoa transfere à extremidade da corda é transmitida aos demais pontos da corda por meio de uma onda transversal, de aspecto senoidal, representada por uma sucessão de cristas e vales. Qualquer ponto da corda executa oscilações com a mesma direção, o mesmo período e a mesma frequência da fonte (a mão da pessoa).

Determinando a velocidade de propagação da onda
Considere o perfil da corda após a fonte realizar uma única oscilação completa. O intervalo de tempo necessário para a realização dessa oscilação completa é o período T. Supondo que o meio de propagação da onda seja homogêneo, a onda se propaga com velocidade constante V, percorrendo uma distância FA, conforme indica a ilustração a seguir.
FÍSICA

Para uma radiação eletromagnética, quanto maior sua frequência, maior a quantidade de energia associada a essa onda.

Experiências comprovam que a oscilação de campos elétricos e magnéticos não depende da existência ou não de meio material. Por exemplo, a luz pode existir em diversos meios, inclusive o vácuo.
SISTEMA ANGLO DE ENSINO

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s F

λ

1

A t T Frequência: f1
2

A distância percorrida pela onda após um período T é definida como sendo o comprimento de onda e representada pela letra grega λ (lambda). Sendo a velocidade de propagação da onda constante, seu valor pode ser obtido da seguinte maneira: V S t
4

Frequência: f2

f1 ⇒

2

1

Como no intervalo de tempo t igual a T, o correspondente deslocamento S é igual ao comprimento de onda λ, a velocidade de avanço da onda é: V λ T

OUTRA DEFINIÇÃO PARA O COMPRIMENTO DE ONDA

Uma vez que a frequência de oscilação dos pontos do meio é igual ao inverso do período f 1 , a equação aciT

Observe a representação a seguir, que mostra uma onda transversal propagando-se em um meio elástico, horizontalmente e para a direita. A figura ilustra um instante qualquer (t) superior ao período da onda T. Observe que a onda é representada por uma sucessão de cristas e vales que se propagam ao longo do meio. Note ainda que a distância entre dois pontos localizados em cristas sucessivas ou em vales sucessivos é igual ao comprimento de onda λ.
λ λ B C

ma também pode ser representada como: V Observações 1) Apesar de analisarmos um exemplo de onda transversal e mecânica, a equação que determina a velocidade de propagação da onda é válida para qualquer tipo de onda. 2) Para as ondas mecânicas, a velocidade de propagação depende do tipo da onda (transversal ou longitudinal) e do meio. Assim, no exemplo anterior, se a fonte alterar a frequência de oscilação da corda, o comprimento de onda λ também é alterado, mas a velocidade de propagação permanece constante. Quando a velocidade da onda é constante, o comprimento de onda apresenta valores inversamente proporcionais aos da frequência. Portanto, para uma onda mecânica viajando em um único meio: • quanto maior a frequência f de oscilação, menor será o comprimento de onda λ; • quanto menor a frequência f de oscilação, maior será o comprimento de onda λ.
F M λ N λ O

λ f

A

Os pontos que estão localizados nas cristas (A, B e C) dessa onda oscilam juntos, ou seja, sobem e descem juntos. Dizemos que eles oscilam em fase. A situação é análoga para os pontos que estão nos vales (M, N e O). Quando comparamos um ponto pertencente a uma crista com outro localizado em um vale, dizemos que eles oscilam em oposição de fase, por exemplo, os pontos B e N. Dessa maneira, podemos estabelecer outra definição para o comprimento de onda (λ). Comprimento de onda (λ) é a distância entre dois pontos consecutivos que oscilam em fase.

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FÍSICA

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