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FUNDAMENTOS DE COMPLETAÇÃO DE POÇOS

FUNDAMENTOS DE COMPLETAÇÃO DE POÇOS Universidade Petrobras-BA Professor : Raymundo Jorge de Sousa MANÇÚ UN-BA /
FUNDAMENTOS DE COMPLETAÇÃO DE POÇOS Universidade Petrobras-BA Professor : Raymundo Jorge de Sousa MANÇÚ UN-BA /
FUNDAMENTOS DE COMPLETAÇÃO DE POÇOS Universidade Petrobras-BA Professor : Raymundo Jorge de Sousa MANÇÚ UN-BA /

Universidade Petrobras-BA

Professor: Raymundo Jorge de Sousa MANÇÚ UN-BA / ATP-N / OP-BA - Supervisor de Elevação Campo de Buracica Tel: 71. 642-6907 OU Rota - 823-6907 75.9971-7922 mancu@ig.com.br

ÍNDICE Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Introdução 3 Tipos de Completação (quanto a

ÍNDICE

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Introdução

3

Tipos de Completação (quanto a posição da cabeça, qto. ao tipo de revestimento e quanto as zonas explotadas)

3 8

Fases de uma Completação (instalação de equip. de segurança, condicionamento do poço, avaliação/perfil, canhoneio, equipagem do poço e indução de surgência)

8 16

Tipos de Operações de Investimento e de Manutenção (avaliação, completação, recompletação, restauração, estimulação, mudança de método, limpeza e abandono)

16 26

Operações Especiais em Poços (canhoneio, perfilagem, squeeze-compressão de cimento, acidificação, fraturamento, teste de formação, flexitubo, nitrogênio, gravel pack)

26 53

Fluido de Completação

53 57

Princípio da Hidrostática

58 - 72

Check List para Intervir em Poços de Gás

72 74

Procedimentos para Amortecimento de Poços completados (tabelas de cálculos do peso específico, gradiente de pressão e pressão hidrpstática)

74 91

Equipamento de Superfície (Suspensôres-Donat, árvores de natal, acessórios e adaptadores)

91 103

Equipamento de Subsuperfície (coluna de produção, DHSV-válvula de segurança-mar, mandril, acessórios, sliding sleeve, shear-out, hidro-trip)

103 116

Packers Recuperável, Permanente, de Operação e de Produção (assentamento mecânico e hidráulico)

116 139

Outros Equipamentos de Subsuperfície / Equip. de Sonda

139 152

Tipos de Poços Revestidos

152153

Principais Métodos de Elevação (BME, GL, BCP E BCS)

153 167

Tabelas de Conversão de Unidades e Composições de Colunas de Poço 168 179

Lay Out dos Poços Sob Plataformas Fixas

Definição, Objetivo do Let Dow no poço, cálculos e prospecto Questionário / Referências Bibliografia

179 181

181 - 184

184 - 193

INTRODUÇÃO: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú O ATP-N-S / IP é uma gerência

INTRODUÇÃO:

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

O ATP-N-S / IP é uma gerência da UN-BA prestadora de serviços. Ela executa os

serviços de Completação, Restauração, Estimulação e Limpeza de poços revestidos. Estes serviços são solicitados pelo ATP-N-S/RES (poços exploratórios / pioneiros).

O ATP-N-S/RES Gerência da UN-BA que estuda , avalia e controla os reservatórios

de hidrocarbonetos. Todas as intervenções (Recompletação, restauração, avaliação ou estimulação) que venham a modificar ou alterar determinado poço em relação ao intervalo produtor/injetor do reservatório, só podem ser executados pelo IP, atendendo solicitação da equipe do reservatório. Somente as intervenções de limpeza podem ser executadas pelas gerencias operacionais dos Ativos (OP´s), sem a interferência do RES-N/S já que, não vão ser modificadas as condições de reservatórios do poço. Esta apostila está gravada em CD, é uma compilação de vários trabalhos, cuja relação está nas referências bibliográficas, como também, tivemos uma grande contribuição nesta elaboração, dos colegas do ATP-N/IP/Taquipe, Fiscais e Encarregados das SPT’s, dos colegas operadores e ajudante administrativo do ATP-N/OP-BA Campo de Buracica, na digitação e scanneamento de figuras para o curso, levantamento de tabelas, disponibilidade de manuais e fotos, para facilitar o aprendizado dos nossos futuros colegas treinandos na área de Completação e de Elevação de Petróleo. Este manual não esgota o assunto, estando aberta para sugestão de melhorias e inclusão de novos assuntos e tecnologias da área, que tem como objetivo principal transformar o conhecimento tácito em explícito conhecimento da organização.

TIPOS DE COMPLETAÇÃO:

QUANTO AO POSICIONAMENTO DA CABEÇA DO POÇO

As reservas petrolíferas brasileiras ficam localizadas em áreas terrestres e marítimas. As reservas marítimas ocorrem em lâminas d’agua rasas e profundas. Disto resultam diferenças importantes na perfuração e completação dos poços, principalmente no que se refere aos sistemas de cabeça do poço e ao tipo de árvore de natal utilizada.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Em terra, a cabeça do poço fica na

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Em terra, a cabeça do poço fica na superfície (no máximo a uns poucos metros do solo). No mar, em águas mais rasas, também é possível trazer a cabeça do poço para a superfície, efetuando-se a completação dita convencional, ou seca. Neste caso, a cabeça do poço se apóia numa plataforma fixa que, por sua vez, é apoiada no fundo do mar. Mesmo em águas rasas, a cabeça do poço pode ficar no fundo do mar, completando-se com árvore de natal molhada (ANM). Em águas mais profundas, onde é inviável trazer até a superfície, a cabeça do poço fica no fundo do mar, instalando-se ANM.

QUANTO AO REVESTIMENTO DE PRODUÇÃO

Buscando atender os requisitos básicos anteriormente citados, as completações podem ser realizadas de acordo com os métodos a seguir discutidos. Tais métodos se referem às configurações básicas poço-formação, aplicáveis a cada situação específica e podem apresentar variações que os tornam bem mais sofisticados.

QUANTO AO REVESTIMENTO DE PRODUÇÃO, UMA COMPLETAÇÃO PODE SER:

• A POÇO ABERTO;

• COM LINER RASGADO.

• COM REVESTIMENTO CANHONEADO;

DE PRODUÇÃO, UMA COMPLETAÇÃO PODE SER: • A POÇO ABERTO; • COM LINER RASGADO. • COM
COMPLETAÇÃO A POÇO ABERTO Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Durante a perfuração, ao

COMPLETAÇÃO A POÇO ABERTO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Durante a perfuração, ao se atingir a topo da zona produtora, o revestimento de produção é descido e cimentado. Em seguida esta é perfurada até a profundidade final após o que se coloca o poço em produção com a zona totalmente aberta. Caso seja necessário um novo revestimento de produção poderá ser assentado posteriormente, convertendo o método em um dos outros citados. Obviamente, tal método é somente, aplicável a formações totalmente competentes:

os embasamentos fraturados, os calcáreos, dolomita e os arenitos muitos bem consolidados. Também o intervalo produtor não pode ser muito espesso, a menos que a formação produtora tenha características permo-porosas homogêneas e contenha um único fluido. As principais vantagens do método são: maior área aberta ao fluxo; economia de revestimento e canhoneio; minimiza o dano de formação causado pelo filtrado do fluido de perfuração e da pasta de cimento, já que se pode usar um fluido de perfuração adequado para perfurar a zona produtora, após o assentamento do revestimento de produção.

A desvantagem mais importante é a impossibilidade de se colocar em produção somente parte do intervalo aberto, visto que não são poucas as vezes em que estão presentes simultaneamente óleo, água e gás, sendo que normalmente o único interesse está na produção do óleo.

COMPLETAÇÃO COM LINER RASGADO

Nesse método o revestimento de produção é assentado e cimentado acima do topo da zona de interesse, prosseguindo-se posteriormente a perfuração até a profundidade final prevista. Avaliada a zona e decidido completar, é descido uma coluna de tubos os quais podem ser rasgados ou lisos, denominados “liner”, a qual ficará assentada no fundo do poço e suspensa pela extremidade inferior do revestimento de produção. As principais vantagens e desvantagens da completação com liner rasgado são similares às do poço em frente a zona produtora e nas desvantagens o fato de resultar numa redução do diâmetro do poço frente à zona produtora. Embora em desuso nos poços convencionais, pode encontrar uma boa aplicação em poços horizontais.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú No caso de liner com tubos lisos, o

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No caso de liner com tubos lisos, o qual é cimentado, diferente portando do liner rasgado, as vantagens e desvantagens são similares ao revestimento canhoneado. Pode ser acrescida nas vantagens o menor custo com revestimento e nas desvantagens a mudança de diâmetro dentro do poço, gerado dificuldades para passagem de equipamento.

COMPLETAÇÃO COM REVESTIMENTO CANHONEADO

Perfurado o poço até a profundidade final e avaliada a zona como produtora comercial de óleo e ou gás, é descido o revestimento de produção até o fundo do poço, sendo em seguida cimentado. Posteriormente é canhoneado o revestimento defronte aos intervalos de cargas explosivas, colocando assim o reservatório produtor em comunicação com o interior do poço.

Como grandes vantagens desse método tem-se: permite seletividade, tanto na produção quanto na injeção de fluidos na formação; favorece o êxito das operações de restauração; diâmetro único em todo poço;permite controlar formações desmoronáveis. As principais desvantagens do método são: custo do canhoneio; tem sua eficiência dependente de uma adequada operação de cimentação e canhoneio.

COMPLETAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ZONAS EXPLORADAS

Sob

este

aspecto,

as

completações

podem

ser:

SIMPLES,

DUPLA

OU

SELETIVA.

EXPLORADAS Sob este aspecto, as completações podem ser: SIMPLES, DUPLA OU SELETIVA. 6
COMPLETAÇÃO SIMPLES Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Caracteriza-se pelo poço possuir uma tubulação

COMPLETAÇÃO SIMPLES

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Caracteriza-se pelo poço possuir uma tubulação metálica, descida pelo interior do revestimento de produção, da superfície até próximo à formação produtora. Esta tubulação, acompanhada de outros equipamentos, denomina-se coluna de produção. Este tipo de completação possibilita produzir de modo controlado e independente somente uma zona de interesse. Duas zonas podem ser colocadas em produção pela mesma coluna, o que não é recomendado para controle do reservatório.

COMPLETAÇÃO DUPLA

Este tipo de completação possibilita produzir simultaneamente, num mesmo poço, duas zonas ou reservatório diferentes, de modo controlado e independente, tanta no que diz respeito a volumes produzidos como a pressões, razões gás/óleo e óleo/água, etc. Isto é possível instalando-se duas colunas de produção com obturadores (packers). As principais vantagens deste método são:

• Produção e controle de vários reservatórios produzidos simultaneamente;

• Possibilidade de produção de zonas marginais que poderiam não justificar a perfuração de poços somente para produzi-las;

• Aceleração do desenvolvimento do campo;

• Diminuição do tempo de utilização dos equipamentos e tubulações para o atingimento de uma mesma produção acumulada do poço;

• Liberação mais rápida do investimento para novas aplicações;

• Diminuição do número de poços necessários para drenar as diversas zonas produtoras;

As principais desvantagens do método são:

• Maior dificuldade na seleção e utilização dos equipamentos, com maiores possibilidades de problemas;

• As restaurações, embora menos freqüentes, são mais complexas;

• Maior dificuldade na aplicação dos métodos artificiais de elevação;

COMPLETAÇÃO SELETIVA Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Neste caso é descida somente uma

COMPLETAÇÃO SELETIVA

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Neste caso é descida somente uma coluna de produção, equipada de forma a permitir a produção de várias zonas ou reservatórios seletivamente, ou seja uma por vez. Disto resulta o perfeito controle dos fluidos produzidos em cada reservatório, bem como a facilidade operacional de se alterar a zona em produção.

FASES DE UMA COMPLETAÇÃO

INSTALAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA

É a primeira fase da completação e visa possibilitar o acesso ao interior do poço, com

toda a segurança necessária, para execução das demais fases.

A cabeça de produção é um equipamento que fica conectado, através de parafusos e

flanges, à cabeça de revestimento e ao preventor de erupções, tendo como função principal servir de apoio à coluna de produção que será descida numa fase posterior da completação,

por meio de um suspensor. Possui saídas laterais que permitem o acesso ao espaço anular entre o revestimento de produção e a coluna de produção. O preventor de erupções (BOP) é um equipamento instalado sobre a cabeça de produção e tem com objetivo fundamental permitir o fechamento do poço com segurança no caso de um fluxo inesperado da formação.

CONDICIONAMENTO DO POÇO

Uma vez instalado os equipamentos de segurança, procede-se a fase de condicionamento do revestimento de produção e a substituição do fluido que se encontra no interior do poço por um fluido de completação. Para o condicionamento é descido broca e raspador, através de uma tubulação metálica, conhecida como coluna de trabalho, de modo a deixar o interior do revestimento de produção (e liner, quando presente) gabaritado e em condição de receber os equipamentos necessários. A broca é utilizada para cortar os tampões de cimento e/ou mecânicos, deixados no interior do poço quando se seu abandono temporário pela perfuração, bem como restos da

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú cimentação primária. O raspador é uma ferramenta com

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

cimentação primária. O raspador é uma ferramenta com lâminas retráteis, que desce raspando a parte interna do revestimento de produção, retirando a que foi deixado pela broca. Geralmente o condicionamento é feito até o colar flutuante, com peso sobre broca, rotação da coluna e vazão de circulação direta do fluido adequadas, de forma que se obtenha uma boa eficiência no corte e no carreamento das partículas de cimento cortado pode decantar sobre a broca, ocasionando uma pescaria. Normalmente, a cada trinta metros de cimento cortado, é deslocado um colchão viscoso para limpeza do poço.

é deslocado um colchão viscoso para limpeza do poço. Imediatamente antes e após o corte dos

Imediatamente antes e após o corte dos tampões de cimento e/ou mecânicos, é efetuado teste de estanqueidade do revestimento de produção, pressurizando-o durante dez ou quinze minutos, para verificação da existência ou não de vazamentos (furos, conexões de revestimento vazando, etc). Caso não se consiga pressão estabilizada e, procede-se a localização e correção do vazamento. O fluido de completação, geralmente é uma solução salina, isenta de sólidos, compatível com a formação e com os fluidos nela contidos, de forma a não causar nenhum tipo de dano na formação, que restrinja a vazão do poço. Além disso, o fluido deve possuir peso específico capaz de fornecer pressão hidrostática no interior do poço um pouco superior à pressão estática da formação.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A substituição do fluido é feita, com o

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A substituição do fluido é feita, com o auxílio de bombas de deslocamento positivo,

circulando o fluido diretamente pelo interior da coluna de trabalho, com retorno na superfície pelo anular.

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA CIMENTAÇÃO

A cimentação destina-se a promover vedação hidráulica entre os diversos intervalos

permeáveis, ou até mesmo dentro de um único intervalo permeável, impedindo a intercomunicação de fluidos por detrás do revestimento, bem como propiciar suporte mecânico ao revestimento.

bem como propiciar suporte mecânico ao revestimento. A existência de uma efetiva vedação hidráulica é de

A existência de uma efetiva vedação hidráulica é de fundamental importância técnica

e econômica, garantindo um perfeito controle da origem (ou destinos) dos fluidos produzidos (ou injetados). O prosseguimento das operações no poço sem observação deste requisito pode gerar diversos problemas: produção de fluidos indesejáveis devido a proximidade dos contatos óleo/água ou gás/óleo, teste de avaliação das formações incorretos, prejuízo no

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú controle dos reservatórios e operações de estimulação mal

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

controle dos reservatórios e operações de estimulação mal sucedidas, com possibilidades inclusive de perda do poço.

Para se inferir a existência ou não de intercomunicações entre os intervalos de interesse, avalia-se a qualidade da cimentação, que é função de uma série de fatores tais como geometria do poço, qualidade do cimento, parâmetros de injeção e centralização do revestimento centralização. Caso seja comprovada a não existência de vedação hidráulica se procede a correção da cimentação primária, efetuando canhoneio (furos no revestimento) e a compressão do cimento nos intervalos deficientes. A decisão quanto a necessidade ou não da correção de cimentação é uma tarefa de grande importância e deve ser tomada com máxima de segurança possível, pois a operação, principalmente no caso de poços marítimos. Para se avaliar a qualidade da cimentação são utilizados perfis acústicos, que medem a aderência do cimento ao revestimento e do cimento á formação. Em função da interpretação dos perfis obtidos se decide quanto a necessidade ou não de correção da cimentação.

PERFIL CBL/VDL

O sistema usado para perfilagem acústica é composto basicamente por um transmissor, um receptor e um aparelho de medição. O transmissor é acionado por energia elétrica, emitindo pulsos sonoros de curta duração que se propagam através do revestimento cimento e formação, antes de atingir dois receptores: um a 3 pés e outro a 5 pés do transmissor. Aí são reconvertido em sinal elétrico e enviado para um medidor na superfície, através de cabos conectores.

Aí são reconvertido em sinal elétrico e enviado para um medidor na superfície, através de cabos
Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú O perfil CBL (controle de aderência da cimentação)

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

O perfil CBL (controle de aderência da cimentação) registra a amplitude em mV, da

primeira chegada de energia ao receptor que está a 3 pés. A atenuação produzida pela aderência do cimento ao revestimento depende da resistência à compressão do cimento, e do diâmetro e espessura do revestimento, e da percentagem da circunferência cimentada.

O perfil VDL (densidade variável) registra a onda detectada pelo receptor que está a

5 pés e apresenta-a, qualitativamente, durante um período de 1 ms (começando a 200us e acabando a 1200us) as partes positivas da onda aparecem em escuro, e as negativas em claro;

a cor cinza corresponde à amplitude zero.

A boa aderência cimento revestimento é detectada pela presença de valores baixos de

no perfil CBL, enquanto a boa aderência cimento formação é detectada pela ausência de sinal de revestimento e presença de sinal de formação no perfil VDL. O revestimento livre produz altos valores no perfil CBL e, no perfil VDL, um característico padrão de faixas paralealas, retas, claras e escuras, as luvas são reconhecíveis em ambos os perfis.

e escuras, as luvas são reconhecíveis em ambos os perfis. CANHONEIO Uma vez avaliada a qualidade

CANHONEIO

Uma vez avaliada a qualidade da cimentação e confirmada a existência de um bom

isolamento hidráulico entre os intervalos de interesse, a etapa seguinte é a do canhoneio.

É uma operação que tem por finalidade colocar a formação produtora em contato

com o interior do poço revestido, através de perfurações, com potentes cargas explosivas. Estas perfurações penetram na formação algumas polegadas após atravessarem o revestimento

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú e o cimento, criando canais de fluxo por

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e o cimento, criando canais de fluxo por onde se processa a drenagem dos fluidos contidos no reservatório. As cargas explosivas são dispostas e alojadas de forma conveniente em canhões. Uma vez estando o canhão posicionado em frente ao intervalo desejado é acionado um mecanismo de disparo que detona as cargas explosivas. Estas cargas são devidamente moldadas de forma a produzirem jatos de alta energia, com velocidades de até 6000m/s, que incidindo numa pequena superfície do revestimento geram pressões da ordem de 4.000.000 PSI e promovem a perfuração no revestimento, cimento e formação. Aos canhões utilizados podem ser de vários tipos, sendo necessário uma seleção adequada para cada situação. Existem canhões que são descidos com cabo elétrico por dentro do revestimento (convencional), canhões descidos por dentro da coluna de produção (through tubing) e canhões enroscados com a coluna de tubos (TCP / tubing conveyed perfuration). Os canhões convencionais e TCP têm diâmetro maior que os que descem pelo interior da coluna de produção, permitindo o uso de cargas maiores, e conseqüentemente maior poder de penetração. Uma série de parâmetros relacionados com a geometria de canhoneio tem influência significativa no índice de produtividade do poço, tais como: densidade de jatos 9perfurações/(unidade de comprimento), profundidade de penetração, defasagem entre os jatos (0°, 90°, 120° e 180°), distância entre o canhão e o revestimento e o diâmetro de entrada do orifício perfurado.

90°, 120° e 180°), distância entre o canhão e o revestimento e o diâmetro de entrada
Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú O canhoneio pode deixar parte dos furos obstruídos

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

O canhoneio pode deixar parte dos furos obstruídos e causar dano na formação,

resultante da ação compressiva dos jatos, comprometendo o índice de produtividade do poço. Quando se utiliza canhoneio pelo interior da coluna ou do tipo TCP este dano pode ser minimizado, realizando a operação com pressão hidrostática no interior do poço inferior a pressão estática da formação. Desta forma se obtém um fluxo imediato pelos orifícios perfurados, desobstruindo-os. As operações com canhão convencional são realizadas com diferencial de pressão no sentido poço/formação, por motivos de segurança.

EQUIPAGEM DO POÇO

Nesta etapa, o poço recebe equipamentos de sub-superfície (coluna de produção) e de superfície (árvore de natal).

A coluna de produção pe constituída basicamente por tubulação metálica removível

(tubulação de produção), onde ficam conectados uma série de outros componentes, sendo descida pelo interior do revestimento de produção com as seguintes finalidades básicas :

conduzir, de forma otimizada e segura, os fluidos produzidos até a superfície, proteger o revestimento contra fluidos agressivos (CO2, H2S, etc) e pressões elevadas e possibilitar a

circulação de fluidos para o amortecimento do poço em intervenções futuras.

A composição de uma coluna de produção é função de uma série de fatores, tais

como: localização do poço (terra o mar), regime de produção de fluidos (surgente ou elevação artificial), tipo de fluido a ser produzido, necessidade de contenção da produção de areia associada aos hidrocarbonetos, vazão de produção, número de zonas produzindo (completação simples, dupla ou seletiva), etc.

Os equipamentos mais encontrados nas colunas de produção são: obturador, válvula

de segurança de sub-superfície e suspensor de coluna de produção. Uma composição ótima de

coluna, levando-se em conta os aspectos de segurança, técnico/operacional e econômico, é obtida questionando-se sempre a validade da utilização de um equipamento em uma determinada posição.

O obturador (packer) é capaz de vedar o espaço anular entre a coluna e o

revestimento de produção, tendo com finalidades básicas: auxiliar a coluna na proteção do revestimento de produção contra pressões elevadas e fluidos agressivos, isolar trechos danificados do revestimento com vazamento, possibilitar a completação dupla e seletiva e aumentar a eficiência dos métodos de elevação artificial. Uma da s formas de classificá-los, se

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú refere ao mecanismo de assentamento, podendo ser mecânicos

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

refere ao mecanismo de assentamento, podendo ser mecânicos ( por tração ou compressão

imposta pela coluna de produção), ou hidráulicos/hidrostáticos (diferencial de pressão interior da coluna) anular.

O suspensor da coluna de produção é o componente que se localiza na extremidade

superior da coluna, ancorando-a na cabeça de produção nas completações secas, ou no

alojador da alta pressão, no caso de completação molhada.

O suspensor fornece vedação entre a coluna e o revestimento de produção. Nas

completações secas o acesso ao anular se dá pelas saídas laterais da cabeça de produção, sendo que pelo suspensor se dá o acesso ao interior da coluna. Nas completações molhadas, onde a cabeça do poço fica no fundo do mar o acesso à coluna e ao anula se dá, na vertical, pelo suspensor, visto que o alojador de alta pressão (housing) não dispõe de saídas laterais. Após a descida e ancoragem da coluna de produção, o preventor de erupções (BOP) é retirado e se procede a instalação da Árvore de Natal. Árvore de Natal é um sistema composto de um conjunto de válvula que permite o controle do fluxo de fluido do poço, com segurança, durante a sua vida produtiva. No caso de completação seca é instalada sobre a cabeça de produção, denominada Árvore de Natal Seca ou Convendional, e em completações molhadas, sobre o alojador de alta pressão, recebendo o nome de Árvore de Natal Molhada.

INDUÇÃO DE SURGÊNCIA

É o conjunto de operações que visa reduzir a hidrostática do fluido de completação a um valor inferior à pressão estática da formação, de um modo que o poço tenha condições de surgência. Pode ser dividida em quatro grupos: indução através das válvulas de gás-lift, indução através de flexitubo, indução pela substituição do fluido da coluna por outro fluido menos denso e pistoneio. Os dois primeiros métodos trabalham com a gaseificação do fluido do interior da coluna como forma de diminuir sua hidrostática. No primeiro, o gás é injetado inicialmente no anular do poço, passando para o interior da coluna, de forma controlada, através de equipamentos especiais chamados de válvulas de gás-lift. No segundo método o gás é injetado por uma tubulação metálica flexível que é descida pelo interior da coluna de produção. O terceiro método trabalha com a substituição do fluido de completação por outro fluido mais

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú leve (diesel ou nitrogênio). O quatro método trabalha

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

leve (diesel ou nitrogênio). O quatro método trabalha com a retirada mecânica do fluido de completação por um copo especial, que durante a sua descida pelo interior da coluna, com um cabo de arame, permite que o fluido passe para a parte superior, e durante sua retirada veda na parede interna da coluna, expulsando o fluido da parte superior, funcionando como um pistão.

TIPOS DE OPERAÇÕES EM POÇOS

Normalmente, toda operação efetuada em um poço após a sua perfuração e chamada de COMPLETAÇÃO. Na verdade, completação é apenas uma das várias operações existentes. Estas se dividem basicamente em dois grupos: INVESTIMENTO e MANUTENÇÃO.

OPERAÇÕES DE INVESTIMENTO

É o conjunto de operações efetuadas durante a primeira intervenção em uma determinada Formação atravessada por um poço, após a conclusão dos trabalhos de exploração e perfuração, visando a sua avaliação e posterior produção e/ou injeção de fluídos. Podem ser operação de AVALIAÇÃO, COMPLETAÇÃO e RECOMPLETAÇÃO.

AVALIAÇÃO

Atividade executada visando definir os parâmetros da formação (permeabilidade, dano, etc), verificar a procedência dos fluídos e o índice de produtividade (IP) ou injetividade (II) dos poços.

AS PRINCIPAIS SÃO: TFR, TP, RP ou MP.

T R F TESTE DE FORMAÇÃO A POÇO REVESTIDO Durante a perfuração de um poço, pode-se (e almeja-se) encontrar indícios de rochas portadores de óleo e/ou gás, que necessitam ter o seu potencial devidamente avaliado. O teste mais completo (e complexo) é o TRF. As figuras 1 a 5 a seguir ilustram simplificadamente as operações que são realizadas em um poço desde o final da perfuração até que este esteja para a execução do teste.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú É então descida uma coluna especial no poço

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

É então descida uma coluna especial no poço composta de diversos equipamentos, dentre os quais destacamos os registradores de pressão e temperatura, o packer de operação, os amostradores, a válvula para fechamento do poço no fundo, e as válvulas para circulação. O poço é colocado em fluxo, pelo interior da coluna, visto que o packer isola o espaço anular coluna de teste x revestimento do poço: mede-se então na superfície a Vazão de Líquido

(Q Líquidos), Vazão de Gás ( Q Gás) (determinando-se na RGL - Razão Gás Líquido ou seja, quantos m 3 de gás foram produzidos para cada m 3 de líquido aferido note que tal gás geralmente encontra-se dissolvido no sei do óleo produzido: a Razão Gás-Óleo RGO é uma outra referência significando quantos m 3 de gás foram produzidos para cada m 3 de óleo aferido), BSW (% de água e sedimentos presentes no volume de líquidos produzidos): durante o fluxo, os registradores estarão medindo a Pressão de Fluxo (Pwf) e a Temperatura. Note que existe uma Pwf para cada valor de Q Líquidos medida na superfície, somente havendo sentido em referir-se a uma determinada Pwf quando associa-se a esta a sua Vazão correspondente exemplo: caso um poço esteja produzindo com uma determinada Vazão, com um “choke” na superfície de 1/2", ao restringir-se esta abertura do “choke” para 1/4" a vazão deverá DIMINUIR, e a pressão de fluxo lida no registrador no fundo irá AUMENTAR. Se, ao contrário, abrir o "choke” de 1/2" para 3/4", a vazão deverá AUMENTAR, e a pressão de fluxo lida no registrador no fundo irá DIMINUIR tal fato é explicado pelo fato de, quando menor a abertura do “choke”, maior a perda de carga observada, o que irá refletir-se também no fundo do poço. Durante o fluxo, os amostradores de fundo, que descem abertos, são fechados, trapeando amostras dos fluídos produz dos pela Formação. Aciona-se então a válvula para fechamento no fundo, iniciando então o período de Estática. Nesse período os registradores estarão medindo um crescimento de pressão: caso o poço fosse mantido um longo período fechado, esta Pressão tenderia à Pressão Estática do Reservatório (Pest). Mas, mesmo que a Pest não seja atingida no período em que o poço foi mantido fechado, é possível extrapolar os valores lidos e determinar a Pest. Ao final do TRF, as válvulas para circulação são abertas, permitindo o deslocamento do óleo + gás da coluna por fluído de completação, amortecendo então o poço, permitindo a posterior retirada da coluna de teste com segurança.

O IP Índice de Produtividade é o parâmetro que indica de forma simples e direta o potencial de um determinado poço.

IP = Q L Í Q U I D O / Pest-Pwf Instrutor – Raymundo

IP = Q LÍQUIDO / Pest-Pwf

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

O IP representa a vazão de líquidos que podem ser reduzidas para uma determinada queda de pressão em frente aos canhoneados. As unidades adotadas na PETROBRAS são:

para Q Líquidos , m 3 /d e para Pressão, kgf/cm 2 . Exemplo: se um determinado poço tem um IP =

10(m 3 /d) / (kgf/cm 2 ), significa que ele é capaz de produzir 10 m 3 /d para cada queda de 1 kgf/cm 2 de pressão em frente aos canhoneados. Se (Pest Pwf) = 20 kgf/cm 2 , este poço produzirá 10 * 20 = 2000 m 3 /d.

Similarmente, o II Índice de Injetividade representa a vazão de fluídos que podem ser injetados para um determinada diferencial de pressão (Pwf Pest) em frente aos canhoneados.

TP TESTE DE PRODUÇÃO

É semelhante ao TRF, porém o fechamento do poço ocorre na superfície, não existindo a necessidade de uma coluna especial para o teste. Os registradores são descidos e posicionados no fundo do poço com arame. Como fluxo em um poço de petróleo é multifásico (líquido + gás), o fato de fechar-se o poço na superfície faz com que a pressão lida nos registradores de fundo seja influenciada pela compressibilidade do gás que é liberado do seio do óleo, que posiciona-se na parte superior da coluna por segregação gravitacional, gerando o efeito conhecido como ESTOCAGEM.

Existe

um

tempo

maior

de

fechamento

interpretação das cartas de fundo.

RP REGISTRO DE PRESSÃO

do

poço

e

técnicas

especiais

para

a

É feito somente o registro da pressão de fundo, sem, contudo, colocar o poço em

fluxo.

MP – MEDIÇÃO DE PRODUÇÃO Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú É feita somente

MP MEDIÇÃO DE PRODUÇÃO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

É feita somente a medição da vazão (e seus parâmetros, tais como BSW, RGO, etc.), sem, contudo, haver registro de pressão.

COMPLETAÇÃO

Entende-se por completação um conjunto de operações, realizadas após o término dos trabalhos de perfuração, visando colocar o poço em produção. São as seguintes, as operações em referência executadas segundo critérios técnicos, econômicos e de segurança: instalação dos equipamentos de segurança para controle do poço; condicionamento do revestimento de produção e do fluido nele contido; verificação da qualidade da cimentação primária realizada pela perfuração, quando da instalação do revestimento de produção. Canhoneio - (perfurações) na zona de interesse, para que se comunique reservatório com o interior do revestimento de produção, permitindo o fluxo de fluidos; instalação de equipamentos no interior do poço, para garantir a produção de forma segura e eficiente; instalação dos equipamentos de superfície; e indução de surgência, onde a hidrostática do poço é reduzida a valores inferiores a pressão estática da formação .para que o poço entre em fluxo. Para que a completação possa ser realizada de forma otimizada, é de fundamental importância um excelente inter-relacionamento com as áreas de geologia, reservatório e elevação artificial de petróleo. Uma característica das reservas petrolíferas é que as mesmas ficam localizadas, indistamente, tanto em áreas terrestres como em áreas marítimas. Disto resulta importantes diferenças na maneira como um poço é completado, principalmente no que se refere a cabeça do poço, onde se localiza um importante conjunto de válvulas que tem por função o controle do poço, denominado árvore de natal. A árvore de natal ficando submersa (Árvore de Natal Molhada) caracteriza-se a completação molhada, caso contrário (Árvore de Natal Convencional) caracteriza-se a completação seca ou convencional. Em terra, a cabeça do poço fica no máximo a uns poucos metros do solo. Portanto, não há perigo de que forças ambientais venham a dobrar ou fazer vibrar a parte do poço que emerge do solo. Nestes poços as operações de completação são executadas por equipamentos

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú similares aos da perfuração, porém de menor capacidade,

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

similares aos da perfuração, porém de menor capacidade, denominados de Sondas de Produção Terrestre (SPT). Estas sondas são, geralmente, veículos auto-transportáveis dotados basicamente de motor, guincho e mastro telescópico. Grande parte da literatura de Engenharia de Petróleo ensina que uma boa completação é aquela onde são observados os seguintes aspectos: de segurança, técnico, operacional e econômico. Sob o aspecto de segurança, um poço necessita pelo menos de duas barreiras de segurança durante a sua vida (perfuração completação e produção). Defini-se barreira de segurança como um sistema independente, dotado de uma certa confiabilidade, formado por um conjunto solidário de elementos, capaz de manter sob controle o fluxo de um poço de petróleo. A segurança de um poço de petróleo é a condição proporcionada pelo conjunto de barreiras de segurança presentes no poço. As duas barreiras de segurança devem ser independentes, isto é, a falha de qualquer componente pertencente a uma barreira não pode comprometer a outra, salvaguardando o poço contra o descontrole. A obrigatoriedade, por norma da Petrobrás, de duas barreiras para o controle do poço, faz com que, a qualquer falha observada em um componente de uma barreira, se intervenha no poço para o seu reparo ou substituição. Quanto aos aspectos técnico e operacional, deve-se buscar uma completação de forma a maximizar a vazão de produção (ou injeção) sem danificar o reservatório, tornar a completação a mais permanente possível, de forma que idealmente poucas ou nenhuma intervenção seja necessária até o fim da vida produtiva do poço. Deve ainda minimizar o tempo necessário para executar os trabalhos de intervenção a mais simples possível. Para que se tenha uma completação bastante econômica, devem ser considerados os seguintes aspectos: técnico, operacional e de padronização. Os aspectos técnico e profissional trazem benefícios econômicos pois maximizam a produção de óleo e minimizam o tempo e a freqüência das intervenções, minimizando conseqüentemente o custo com sonda, que é um dos custos mais elevados numa intervenção. A padronização dos equipamentos utilizados nos poços reduz os custos com estoques. Após a completação inicial do poço, se faz necessário uma série de operações, denominadas de manutenção da produção visando corrigir problemas nos poços, fazendo voltar a vazão ao nível normal ou operacional, as quais estão tratadas na parte final deste capítulo.

RECOMPLETAÇÃO Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Esta operação é executada em poços que

RECOMPLETAÇÃO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Esta operação é executada em poços que podem produzir em mais de uma formação geológica.

A recompletação é um conjunto de atividades executadas visando colocar uma nova

zona de interesse em produção ou injeção. Ao atingir um nível mínimo de produção diária, a zona produtora é abandonada, e

existindo outra zona de interesse no mesmo poço, a mesma é colocada em produção.

O nível mínimo de produção diária é função de uma série de fatores, tais como: custo

do barril de petróleo no mercado mundial, custo operacional para extrair o petróleo, razão água/óleo (RAO), razão gás/óleo (RGO), entre outros. O abandono geralmente se dá através de um tampão mecânico ou através de uma compressão de cimento nos canhoneados. Na seqüência se recondiciona o poço para o canhoneio da nova zona produtora.

OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO

Entende-se por manutenção da produção o conjunto de operações realizadas no poço após a sua completação inicial, visando corrigir problemas de forma que a vazão retorne ao nível normal ou operacional.

PODEM SER CLASSIFICADAS EM: recompletação, restauração, mudança de método de elevação, estimulação, avaliação, limpeza e abandono.

AS PRINCIPAIS CAUSAS GERADORAS DE INTERVENÇÕES SÃO:

- Baixa produtividade

- Produção excessiva de gás

- Produção excessiva de água

- Produção de areia

- Falhas mecânicas na coluna de produção ou revestimento.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú AS OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO PODEM SER: AVALIAÇÃO Operacionalmente,

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

AS OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO PODEM SER:

AVALIAÇÃO Operacionalmente, é idêntica à avaliação de investimento. A diferença é que naquele caso, o poço avaliado era recém perfurado e nem necessariamente foi completado. Visto que a própria operação de avaliação é que definiria se este era produtivo ou não. Na manutenção, o poço já é produtor (ou injetor) e a operação de avaliação é realizada para monitoramento do poço ou reservatório. Também pode ser TFR, TP, RP ou MP. Para a obtenção dos parâmetros da formação e o índice de produtividade ou injetividade são realizados teste de produção (TP), teste de formação a poço revestido (TFR), registro de pressão estática e dinâmica, etc. Para verificação da natureza e procedência dos fluidos são corridos perfis de produção a poço revestido e analisados os fluidos produzidos nos testes (TP e TFR).

RESTAURAÇÃO

É a intervenção com o objetivo de fazer algum tipo de operação no reservatório, tal como ampliação de canhoneados ou recanhoneio, isolamento de algum intervalo, injeção de anti

incrustante, etc

ou

seja, há uma alteração nas condições mecânicas do poço.

A restauração é um conjunto de atividades que visam restabelecer as condições

normais de fluxo do reservatório para o poço (retirada de dano de formação ), eliminar ou corrigir falhas mecânicas no revestimento ou na cimentação, reduzir a produção excessiva de gás (alta RGO) ou água (alta RAO).

ELEVADA PRODUÇÃO DE ÁGUA

A produção de óleo, com alta RAO (grande volume de água produzida), não é

interessante, visto que há um custo associado a produção, separação e descarte da água. Se a

zona produtora é espessa, pode se tamponar os canhoneados com cimento ou tampão mecânico, e recanhonear apenas na parte superior, resolvendo o problema temporariamente. Uma elevada RAO pode ser conseqüência de:

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú • Elevação do contato óleo/água devido ao mecanismo

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

• Elevação do contato óleo/água devido ao mecanismo de reservatório (influxo de água) ou à

injeção de água, isto pode ser agravado pela ocorrência de “cones” o “fingering”;

• Falhas na cimentação ou furos no revestimento;

• Fraturamento ou acidificação atingindo a zona de água. O aparecimento de água é normal em um reservatório com influxo de água ou sob injeção da mesma. Algum dia tem-se que produzir água para recuperar petróleo. Quando há permeabilidade estratificada (variação de permeabilidade vertical ao longo da zona) este problema se torna mais complexos, devido ao avanço da diferencial da água, conhecido como “fingering”. Tanto o cone de água quanto o fingering, são fenômenos altamente agravados pela produção com elevada vazão. Quando a elevada RAO não é devida a esses dois fenômenos, pode-se suspeitar ou de dana no revestimento ou de fraturas mal dirigidas. Um dano no revestimento pode ser solucionado por uma compressão de cimento ou por isolamento com obturadores e/ou tampões mecânicos. Já uma fratura mal dirigida é um problema de difícil solução.

ELEVADA PRODUÇÃO DE GÁS

Uma razão gás/óleo muito elevada pode ter como causa o próprio gás dissolvido no óleo, o gás de uma capa de gás ou aquele proveniente de uma outra zona ou reservatório adjacente. Esse último caso é produto de um falha no revestimento, de uma estimulação mal concretizada ou falha na cimentação. A produção excessiva de gás pode ser contornada temporariamente, recanhoneando- se o poço apenas na parte inferior da zona de interesse.

Um cone de gás é mais facilmente controlado pela redução da vazão do que o cone de água. Isto se deve a maior diferença de densidade entre o óleo e o gás do que entre o óleo e a água. O fechamento do poço temporariamente é uma técnica recomendada para a retração do cone de gás ou água.

FALHA MECÂNICA Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Detectando-se um aumento da razão óleo/água

FALHA MECÂNICA

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Detectando-se um aumento da razão óleo/água e se suspeitar de um provável vazamento no revestimento a água produzida deve ser analisada e comparada com a água da formação, confirmando ou não a hipótese de furo no revestimento. Entre as falhas mecânicas pode-se citar: defeitos na cimentação, vazamento no revestimento, vazamento em colar de estágio, etc.

A localização do vazamento pode ser feita com perfis de fluxo, perfis de temperatura

ou teste seletivos de pressão usando obturador ou tampão recuperável.

VAZÃO RESTRINGIDA

Um poço que esteja produzindo com uma vazão menor do que a esperada necessita de restauração. Esta restrição na vazão pode ser causada por dano de formação, tamponamentos dos canhoneados e/ou na coluna, emulsões. Uma produtividade limitada, muito freqüente, é causada pela redução da permeabilidade em torno do poço. Este fenômeno denomina-se dano de formação. Para

resolver este problema, são usados o recanhoneio, a acidificação de matriz e o fraturamento de pequena extensão.

A acidificação de matriz é a injeção de um ácido na formação com pressão inferior a

pressão de quebra da formação, visando retirar algum dano de formação. Logo após uma acidificação o ácido deve ser removido da formação, o que evita a precipitação de produtos danosos à mesma, oriundos das reações químicas. No caso de emulsões, a melhor solução é um tratamento com sulfactantes (redutores de tensão superficial).

ESTIMULAÇÃO

A estimulação é um conjunto de atividades que objetiva aumentar o índice de produtividade ou injetividade de um poço em um reservatório.

O método mais usado é o fraturamento hidráulico que pode ser definido como um

processo no qual um elevado diferencial de pressão, transmitido pelo fluido de fraturamento, é aplicado contra a rocha reservatório, até a sua ruptura. A fratura, que é iniciada no poço, se

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú propaga através da formação pelo bombeio de um

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

propaga através da formação pelo bombeio de um certo volume de fluido, acima da pressão de fraturamento. Para se evitar que a fratura induzida feche ao cessar o diferencial de pressão aplicado, é bombeado um agente de sustentação (normalmente areia selecionada), junto com o fluido de fraturamento. Assim se cria um caminho preferencial de levada condutividade, o qual facilitará o fluxo de fluidos do reservatório para o interior do poço, ou vice versa. Além de incrementar o índice de produtividade dos poços, o fraturamento pode contribuir para o aumento da recuperação final das jazidas, no caso de formações bastante fechadas (baixa permeabilidade). Em reservatórios de alta permeabilidade, o fraturamento pode aumentar a vazão dos poços, contribuindo assim para melhorar o fluxo de caixa do investimento, tendo no entanto, muito pouca influência no fator de recuperação.

É a operação cujo objetivo é aumentar a produtividade (ou injetividade) de um poço, através de tratamentos químicos, tais como:

- injeção de um ácido ou solvente orgânico para aumentar a transmissibilidade da formação.

- tratamentos mecânicos, como fraturamento da rocha para aumentar a sua permeabilidade localizada.

- em última análise, não deixar de ser uma restauração.

MUDANÇA DE MÉTODO DE ELEVAÇÃO

Intervenção que tem como objetivo a substituição de um método de elevação por outro poço (de poço surgente para equipado com BSW, por exemplo). É um caso particular de limpeza.

Quando a vazão está sendo restringida devido a um sistema de elevação artificial inadequado ou com defeito, basta substituí-lo. Normalmente os poços são surgente durante o período inicial de sua vida produtiva, passando a requerer um sistema de elevação artificial após algum tempo de produção.

LIMPEZA Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A limpeza é um conjunto de atividades

LIMPEZA

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

A limpeza é um conjunto de atividades executadas no interior do revestimento de produção visando substituir ou remover os equipamentos de subsuperficie, objetivando um maior rendimento técnico e econômico. Como exemplo de problemas geradores de intervenções para limpeza, podem ser citados: furo em coluna de produção, vazamento no obturador, reposicionamento de componentes da coluna de produção, vazamentos em equipamentos de superfície, entre outros.

ABANDONO DE POÇO - PODE SER:

- DEFINITIVO - quando o poço não será mais utilizado

- PROVISÓRIO - quando há a previsão ou a possibilidade de retorno ao poço no futuro.

OPERAÇÕES ESPECIAIS EM POÇOS

Chamamos de operações especiais o canhoneio, a perfilagem de produção, o squeeze,

o teste de formação em poço revestido, o faturamento hidráulico, e a acidificação. São operações solicitadas nas programações de completação, avaliação, restauração, recompletação e estimulação de poços e envolvem equipamentos especiais, normalmente contratados, além de exigir técnicas altamente especializadas para realização e fiscalização das mesmas. Vamos tentar dar uma visão de geral da finalidade de cada uma delas e da participação das equipes de SPT / Sonda nas mesmas.

CANHONEIO:

A função do canhoneio é perfurar o revestimento, o cimento que há entre o revestimento

e a formação e ainda by-passar a zona de invasão de filtrado que ocorre durante a perfuração, que é danificada. Feito isso, ainda tem que penetrar algumas polegadas na rocha produtora.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A idéia mais comum é que o canhoneio

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

A idéia mais comum é que o canhoneio é feito pelo disparo de projeteis contra o revestimento. Isto não ocorre. Na verdade, o canhão é formado por cargas moldadas que, ao

serem detonadas, não explode pura e simplesmente mas, devido à geométrica de sua construção, concentram toda a sua potência em uma única direção, acarretando um jato de espantosa velocidade e pressão.

acarretando um jato de espantosa velocidade e pressão. OS PRINCIPAIS TIPOS DE CANHONEIO SÃO: CONVENCIONAL São

OS PRINCIPAIS TIPOS DE CANHONEIO SÃO:

CONVENCIONAL São montados dentro de recipientes que as isolam do fluido do poço, à pressão atmosférica. Desta forma, não são afetadas por elementos químicos dentro do poço. Além disto, por terem estes recipientes grandes diâmetro, consegue-se um arranjo mais favorável, com as cargas mais próximas da parede do revestimento, disparando em todas as direções e com maior densidade, isto é, um maior número de jatos por comprimento de revestimento.

THROUGH-TUBING É um canhão montado para descer por dentro da coluna de produção, inclusive, em alguns casos, sendo disparado de dentro desta.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A principal vantagem é que não é necessário

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

A principal vantagem é que não é necessário desequipar o poço para efetuar uma ampliação de canhoneio, além de se poder canhonear em "underbalance"(com o poço em produção, por exemplo). Isto permite uma limpeza instantânea dos orifícios, pela produção imediata do poço, antes que o ferro fundido do revestimento e a rocha vitrificada fiquem aderidas aos orifícios, dificultando a produção do poço. Como desvantagem, normalmente, consegue-se baixas densidades de tiro ( o que pode ser contornado canhoneado-se mais de uma vez no mesmo intervalo) e os tiros saem todos no mesmo sentido. Eventualmente, também, as cargas que se consegue descer pela coluna são muito pequenas, de baixa potência.

TCP

O sistema TCP ("tubing conveyed perfurating") é descido na extremidade de uma coluna de tubos, sem limitação do comprimento dos canhões, que são de grande diâmetro e possuem alta densidade de disparos. Pode ser descido tanto por uma coluna de trabalho, com um packer de operação mecânico, quanto já na coluna de produção definitiva. Uma vez que podem ser disparados sob diferencial negativo de pressão ("underbalance"), combinam a vantagem dos disparos pela coluna ("throughtubing"), isto é, limpeza imediata dos orifícios recém abertos, acrescido a alta densidade e fase de tiros. A desvantagem é que são extremamente caros. São operações efetuadas pelas companhias contratadas “ Schlumberger “ e ” HLS “ com a fiscalização de um Engenheiro de produção ligado à completação.

O canhoneio pode ser realizado com três finalidades distintas:

- Produção;

- correção da cimentação primária;

- produção com fraturamento por entrada limitada.

A operação normalmente é realizada através do revestimento porém poderá ser realizada através do tubo de produção, especialmente quando de espera alta pressão, ou para se prover de uma melhor condição de segurança operacional.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú O controle de profundidade do canhoneio é obtido

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

O controle de profundidade do canhoneio é obtido à partir da correlação de profundidade de uma curva de um perfil de poço aberto ( ex.: elétrico indução) com uma curva de Raios Gama (G.R.) de um perfil radioativo corrido com o poço já revestido. O G.R. é corrido juntamente com o C.C.L. (Casing Colar Locator) ou localizador de luvas do revestimento. Juntamente com o canhão é descido no poço um C.C.L. que localiza as luvas do revestimento e correlaciona (amarra) a profundidade com as luvas do G.R. C.C.L., ficando desta forma a profundidade amarrada aos intervalos que foram selecionados tendo como base

o perfil de poço aberto.

Quando o poço é novo (completação) e não se dispõe do perfil G.R. C.C.L., a programação solicita a corrida do G.R. C.C.L. em conjunto com o perfil CBL-VDL (avalia

a qualidade da cimentação primária) e posteriormente é efetuado o canhoneio para correção

de cimentação ou para produção, a depender do resultado do C.B.L.-V.D.L. Em poços já completados e que já dispõem do GR-CCL, a operação é mais rápida e pode ser concluída com apenas uma descida. Para o canhoneio são necessários um caminhão com o painel de instruções, operação

e controle (os mais modernos são dotados de computador), cabo elétrico, porta-cabo, CCL e

canhão. São utilizados ainda, roldanas, stuffing-box, BOP à cabo, correntes, cabo para o aterramento, adaptador para o flange disponível na cabeça do poço ou mastro para canhoneio através da coluna. O uso do BOP de cabo da companhia fica à critério do Eng.º Fiscal da Produção, de acordo com o risco inerente à operação.

PRINCÍPIO BÁSICO DO CANHONEIO

Uma pequena corrente elétrica sai do painel de controle do caminhão, segue pelo cabo elétrico, aciona uma espoleta que queima um cordão detonante até acionar a carga ou jato, deflagrando o mesmo. No canhoneio convencional (através do revestimento) são utilizados canhões recuperáveis de 4” OD. com comprimento de 2, 3 ou 5m. Os jatos são montados no canhão e interligados pelo cordão detonante. Podem ser descidos 1, 2 ou mais canhões simultaneamente para efetuar o canhoneio denominado de seletivo, ou seja, canhonear vários intervalos (um de cada vez) numa mesma descida. Os canhões não recuperáveis são utilizados nas operações pelo interior da coluna, as cargas são posicionadas em cordoalhas que se desintegram durante o disparo.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A carga é um explosivo de alta resolução,

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A carga é um explosivo de alta resolução, é montado (construído) em forma de cone e tem o mesmo princípio da bazuca. Tem uma velocidade de 30.000 pés/s e causa um impacto de 4.000.000 lb./pol². O Hyper Jet II” abre um diâmetro de aproximadamente 0,46” e tem uma penetração de aproximadamente 16”. Já o "Unijet" ( através coluna) abre um diâmetro de aproximadamente 0,34" e tem uma penetração de 5,11". A densidade de tiro mais utilizada é de 4 tiros/pé = 13 tiros/m. Em casos especiais é utilizada densidade de 2 tiros/pé (ex.:

canhoneio para correção de cimentação ou canhoneio para "frac" de entrada limitada). O cabo elétrico é de 9/16" de diâmetro e tem resistência normal à tração de 15.000 lb. Possui ainda um ponto fraco que rompe com 4.500 lb.

Participação da equipe na operação:

Cabe à equipe:

- Condicionar o poço para a operação ou seja, descer raspador e circular os detritos porventura existentes no fundo do poço;

- Dar a previsão de que hora o poço estará disponível para a operação, para permitir a solicitação e confirmação da companhia previamente determinada;

- Manter o poço cheio com fluido de amortecimento ( com Over Balance adequado) limpo, antes, durante e após a operação;

- Instalar e desinstalar as roldanas conforme orientação de preposto da companhia;

- Confimar ao Eng.º Fiscal da produção a previsão de poço pronto;

- Fornecer ao técnico da companhia ou ao Eng.º Fiscal, todos os dados técnicos e condições mecânica do poço;

- Ficar em contato com o Eng.º Fiscal durante a operação para eventuais necessidades.

Cuidados Gerais para o Canhoneio:

- Desligar todos os rádios da área inclusive os de veículos durante a operação ( risco de detonação na superfície);

- Não se aproximar dos canhões durante a montagem dos mesmos ( risco de detonação se houver erro na seqüência);

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - A Companhia deverá retirar o canhão do

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

- A Companhia deverá retirar o canhão do poço após disparo, com velocidade moderada para não pistonear ( agitar) o poço; - No caso do poço entrar em kick após ou durante o canhoneio, combinar com o Eng.º Fiscal a providência a ser tomada, como fechar o BOP de cabo, retirar o cabo, retirar cabo e canhão ou fechar gaveta cega do BOP da sonda. Após a conclusão da operação o Eng. Fiscal anotará no B.D.O. (Boletim Diário de Operação) da SPT/SC os dados básicos da operação. Será também por ele preparado um relatório de operação que será encaminhado para a paste do poço e servirá também, para confirmar a fatura da companhia.

PERFILAGEM DE PRODUÇÃO

A perfilagem de produção é feita através de perfis corridos após a descida do revestimento de produção e completação inicial do poço, visando determinar a efetividade de uma completação ou as condições de produtividade (ou injetividade) de um poço.

Chamamos de perfilagem

as operações

de corrida de perfis em poços revestidos

efetuados pelas companhias contratadas "Schlumberger" e HLS".

Vamos fazer uma descrição sucinta dos tipos de perfis mais utilizados nos trabalhos do Ativo e suas principais facilidades.

P.L.T. (Production logging tool): Este pode fornecer os seguintes perfis: continuous flowmeter, gradiomanômetro, densidade, hidrolog e temperatura.

Com as seguintes finalidades:

- O Perfil Continuous flowmeter define a contribuição de cada intervalo aberto do poço na vazão total de produção (ou de injeção).

- O Perfil Gradiomanômetro registra continuamente a densidade da mistura de fluido dentro do poço em função da profundidade, através da medição de pressão em dois pontos distintos, afastados de dois pés. Sua resolução é de cerca de 0,01 g/cm³.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Caso o poço esteja produzindo somente dois fluidos

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Caso o poço esteja produzindo somente dois fluidos (óleo e água, óleo e gás, ou gás e água), é possível determinar a contribuição e percentagem de cada fluido em cada intervalo aberto para produção, correndo-se simultaneamente o perfil flowmeter e o perfil gradiomanômetro.

- O Perfil de Densidade (fluid density meter) Apresenta a densidade do fluido que passa

por dentro da própria ferramenta (amostra de 4” por ½” de diâmetro) através de um sistema radiotivo semelhante ao dos perfis que medem a densidade da formação a poço aberto. A resolução é melhor que 0,02 g/cm³.

- O Perfil Hidrolog Indica a percentagem de água presente na mistura. O perfil é calibrado para fluxos bifásicos, fornecendo imediatamente os valores da percentagem de água.

- O Perfil de Temperatura É utilizado para registrar a temperatura do fluido do poço. O

estudo de anomalias de temperatura pode fornecer diversas indicações, tais como, intervalos produzindo ou recebendo fluidos, localização de vazamentos, topo do cimento, altura de

fraturas, etc.

T.D.T. (Thermal decay time log): O TDT é utilizado para traçar um perfil qualitativo das saturações dos fluidos existentes no reservatório. Um outras palavras, determina os contatos gás-óleo e óleo-água.

G.R.-C.C.L. (Raios Gama- localizador de luvas do revestimento) : como já comentamos anteriormente é o perfil utilizado para amarrar ou correlacionar as profundidades de poço aberto com as profundidades do poço revestido, permitindo efetuar os canhoneios na real profundidade desejada. Pode vir a ser útil também, para ajudar a constatar canalização (passagem de água) de um intervalo para outro por trás do revestimento de produção.

C.B.L.-V.D.L ( Cement Bond Log-Variable Density Log): é um perfil específico para avaliar a qualidade da cimentação primária. Através da interpretação deste perfil se verificará se os intervalos que se pretende produzir num determinado poço estão bem isolados que contenham fluídos indesejados (ex.: água, gás).

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú É um perfil sonoro ou seja, emite um

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

É um perfil sonoro ou seja, emite um sinal acústico e capta a resposta deste sinal, sua sonda possui um transmissor e dois receptores. O princípio básico do perfil é a medição da atenuação da amplitude da onda sonora emitida ou seja, se o cimento está bem aderido a parede do revestimento e a parede da formação, o sinal voltará bastante atenuado. Se não houver boa aderência o sinal será captado com grande amplitude indicando má cimentação. Baseia-se também, no tempo de trânsito da onda sonora. Pode detectar topo real do cimento, revestimento livre, canalização e micro anel ou microânulos. Normalmente se corre o mesmo sob pressão de 1.000 psi e outra seção sem pressão para facilitar a identificação do microânulos ou de canalização.

C.E.T. (Cement Evaluation Tool): é outro perfil de avaliação da qualidade da cimentação. Mais moderno, avançado e caro que o anterior. A ferramenta (sonda) permite para o exame circunferencial (radial) do revestimento em cada profundidade. Mede a impedância acústica detrás do revestimento, mede a resistência do cimento a compressão, mostra mais facilmente as canalizações. Apresenta ainda o diâmetro interno do revestimento (caliper eletrônico), pode constatar ou localizar deformações (ovalização), desgaste ou corrosão do revestimento. Pode mostrar ainda um tubo de peso diferente descido erroneamente no poço. A ferramenta é um dispositivo ultra-sônico de alta freqüência, possui 8 transdutores (atuam como transmissor e receptor). Outra vantagem em relação ao CBL-VDL é que a ferramenta não é afetada por microânulos. Microânulos é um espaço pequeno de água entre o revestimento (parede externa) e o cimento, que se produz quando a pressão dentro do revestimento é liberada após a pega do cimento. Tem espessura estimada de 0,1 mm.

PERFIL NEUTRÃO (Neutron Through - Tubing):este perfil pode ser utilizado periodicamente para tentar detectar depleção do reservatório com conseqüente entrada de gás no intervalo completado, visando acompanhar a expansão da capa de gás do mesmo.

PERFIL MEDIDOR DE FLUXO (Contínuos Flowmeter): este perfil pode ser usado para medir um fluxo contínuo no interior do poço X profundidade através de um rotor de palhetas.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú PERFIL DENSIDADE OU F.D.L. (Fluid Density Log): este

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

PERFIL DENSIDADE OU F.D.L. (Fluid Density Log): este perfil mede a densidade do fluído que passa pelo interior da ferramenta através de um sistema radioativo semelhante aos dos perfis que medem a densidade da formação. Alguns destes perfis são corridos através da coluna de produção ou injeção, não necessitando essencialmente da presença de uma sonda no poço.

PERFIL ULTRA-SÔNICO (CEL OU PEL)

A figura abaixo apresenta um desenho esquemático de uma ferremnta utilizada para a obtenção do perfil CEL (cement evaluation log). Diferentemente do CBL, que registra um valor médio dos 360° de poço a sua volta, o perfil CEL proporciona boa resolução circular, uma vez que oito transdutores são dispostos de forma helicoidal em diferentes azimutes, de tal forma que cada um avalie 45° da circunferência. Na figura são também mostrados o mapa da cimentação por trás do revestimento, onde as zonas escuras indicam boa cimentação, enquanto as zonas em branco indicam má cimentação, e duas curvas auxiliares representativas da resistência compressiva máxima (CSMX) e mínima (CSMN) do cimento atrás do revestimento.

(CSMX) e mínima (CSMN) do cimento atrás do revestimento. O PERFIL ULTRA-SÔNICO – USIT (UltraSonic Imager

O PERFIL ULTRA-SÔNICO USIT (UltraSonic Imager Tool)

As ferramentas USIT são as mais recentes desenvolvidas pelas companhias de perfilagem para avaliar a qualidade da cimentação. Apresentam um único transdutor, que gira a 7,5 rps, cobrindo todo o perímetro do revestimento, e emite 18 pulsos ultra-sônico por

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú revolução. O princípio de funcionamento é similar ao

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

revolução. O princípio de funcionamento é similar ao das ferramentas de CEL descritas anteriormente.

CIMENTAÇÃO - CORREÇÃO DA CIMENTAÇÃO PRIMÁRIA

A cimentação primária, isto é, a cimentação entre o revestimento e a formação, é feita durante a perfuração, logo após a descida do revestimento. Em completação e manutenção de poços, as operações de cimentação ocorrem normalmente quando se deseja abandonar um intervalo ou quando se deseja corrigir a cimentação primária.

COMPRESSÃO DE CIMENTO (Squeeze):

É o processo de comprimir a pasta de cimento, colocada no anular revestimento-poço em frente aos furos que se deseja isolar. Pode ser a baixa pressão, quando a pasta é desidratada no fundo a uma pressão inferior a pressão de fratura da formação, ou a alta pressão, quando a desidratação da pasta é a uma pressão maior que a de fratura. Tanto um quanto o outro método podem ser aplicados por tampão balanceado ou injeção direta. Em todos estes casos, o procedimento usado é o da hesitação, que consiste em aplicação intermitente e crescente de pressão, separados por intervalos pré determinados de tempo, para permitir a desidratação da pasta. Como também, a operação que venda ou isola furos de canhoneados do poço que estejam produzindo fluídos indejados, utilizando uma pasta de cimento.

A maior parte das operações atende a esta finalidade porém, ocorrem outras aplicações:

- correção da cimentação primária;

- recimentação (com uso de C.R );

- correção de furo ou vazamento no revestimento;

- abandono definitivo de intervalos ( Block Squeeze );

- abandono temporário ou definitivo do poço.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Equipamentos contratados utilizados pelas companhias “Halliburton” ou

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Equipamentos contratados utilizados pelas companhias “Halliburton” ou “Sebep”.

- unidade ( caminhão bomba );

- bulk ( caminhão com cimento ).

A pasta é misturada na hora da operação e é composta de cimento a granel classe “G” com água doce e aditivos:

- redutor de filtrado;

- anti-espumante;

- retardador de pega ( se for o caso);

- acelerador de pega ( se for o caso);

- dispersante.

Um teste prévio de consistometria efetuado em laboratório, indicará quais aditivos a utilizar e qual a proporção dos mesmos, inclusive a densidade adequada da pasta. O princípio básico do Squeeze é a perda do filtrado da pasta, que são absorvidos pelos poros da formação até a formação do reboco que promove a vedação dos furos dos canhoneios. Quanto maior a permeabilidade da formação, mais rapidamente a pasta de cimento perderá o filtrado e formará o reboco, com conseqüente perda de bombeabilidade da pasta. Um teste de injetividade deve ser realizado antes de definir a quantidade de pasta a ser utilizada em função da injetividade obtida. Pode ser necessária também, a limpeza prévia dos furos com um pistoneio ou injeção de um colchão de ácido ( HCl a 15% ). A quantidade mínima de cimento utilizada é de 20 sacos para revestimento de 5 ½” OD. E 30 sacos para 7” OD. O isolamento de intervalos baixo do que será squeezado é feito com um B>P>R> “C” e um colchão de bauxita/ areia de proteção sobre o mesmo. O isolamento de intervalos acima é feito através de um packer. Caso não haja intervalos acima, pode-se dispensar o uso de packer, o fechamento para pressurização se fará com o fechamento da gaveta vazada do BOP ou com o alojamento do Donat na cabeça de produção.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Quanto ao método de bombeio as compressões podem

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Quanto ao método de bombeio as compressões podem ser classificadas em duas categorias a saber:

1) Bombeio a baixa pressão ou por hesitação.

Fases:

A)

teste de injetividade com fluído de amortecimento;

B)

bombeio de água doce a frente;

C)

mistura e bombeio do cimento;

D)

bombeio de água doce atrás;

E)

deslocamento da pasta com fluido de amortecimento;

F)

retirada dos tubos da pasta;

G)

circulação reversa para limpeza dos tubos;

H)

compressão / injeção / hesitação da pasta;

I) circulação reversa do excesso de pasta;

Este tipo de Squezze é o mais utilizado na UN-BA e atende as finalidades de isolar canhoneios, isolar furo no revestimento, corrigir cimentação sem uso de retentor de cimento e para tampões de abandono de poço.

2) bombeio contínuo: é o método menos utilizado. Pode ser o “Block Squezze” ou compressão de cimento à alta pressão, com quebra (fratura ) da formação. Essa operação só é recomendada em princípio para intervalos do poço que tenha mais interesse, já que danifica a formação.

Fases:

A)

teste de injetividade e quebra da formação com fluido de amortecimento;

B)

mistura, bombeio e deslocamento da pasta de cimento;

C)

liberação do packer e circulação reversa para limpeza da coluna;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú O bombeio contínuo é também utilizado nas recimentação.

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O bombeio contínuo é também utilizado nas recimentação. Uma recimentação ocorrerá quando eventualmente a cimentação primária do poço fica muito ruim. Ela é efetuada com a fixação de um “Cement Retainer” ( retentor de cimento) que é fixado logo acima do intervalo canhoneado para tal finalidade.

Em seguida, descemos uma coluna com “Stinger” (ferramenta que abre a válvula do retentor).

A) encaixar o Stinger no C.R. e efetuaar o teste de injetividade com fluido de amortecimento e com pressão abaixo da pressão de quebra;

B) mistura bombeio e deslocamento da pasta de cimento;

C) desencaixar Stinger e circular reverso para limpeza da coluna; as compressões de cimento são verificadas quanto à quantidade pelos testes de pressão e “Dry-test” (teste seco). O “dry-test” consiste em pistonear o intervalo squezzado. Se o mesmo secar o resultado é positivo, se abastecer o resultado é negativo e a operação deve ser repetida. Vamos tecer alguns comentários sobre a participação da equipes na operação. Note que no Squezze ocorre uma maior participação do Engº Fiscal e da equipe do que nas demais operações especiais, o que pode dar lugar a pequenas variações da maneira de realizar o trabalho. Considere-se ainda que as rotinas finais vão depender do que ocorrer durante a operação. Note também, que algumas das rotinas aqui citadas para SPT, terão que sofrer adaptações para serem executadas por uma sonda convencional. O ideal é conversar bastante com o Engº Fiscal para se inteirar do tipo e modo da operação o planejamento prévio das Adaptações necessárias para a execução da operação de maneira que toda a equipe esteja integrada e sincronizada no decorrer da operação.

1) Caso haja intervalo aberto abaixo, descer B.P.R mod. “C” da Baker e fixar o mesmo no ponto programado. Efetuar colchão de bauxita para proteção do mesmo.

2)

Tentar manter o poço cheio com fluido de amortecimento. Circular reverso para eliminar bolsas de gás (se for o caso).

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 3) Providenciar água doce (se não houver na

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3)

Providenciar água doce (se não houver na sonda). Preparar linhas se sucção, alimentação da unidade e retorno de fluido e cimento.

4)

Dar previsão de que hora o poço ficará pronto para que seja solicitada e confirmada a companhia previamente solicitada.

5)

Descer coluna com packer R-3 DG ou E/EA e cauda. Cauda são pós - tubos que ficarão abaixo do packer (combinar previamente com Engº a quantidade de tubos a utikizar) e posicionar a extremidade da coluna a 2m abaixo da base do intervalo a ser “squezzado”.

6)

Confirmar ao Engº Fiscal poço pronto/Cia. Instalada.

7)

Auxiliar o pessoal da companhia no que for necessário para a instalação.

8) Durante a operação um homem deverá permanecer todo o tempo na bomba de lama, para atender as solicitações do operador da Cia. Par alimentação da unidade com água doce ou fluido de amortecimento.

9)

Fixar packer para T.I ou fechar junta de circulação se o mesmo já estiver armado.

10) Após T.I. abrir junta de circulação ou liberar packer.

11) Após mistura, bombeio e deslocamento da pasta, desconectar mangueiras e retirar os tubos que o fiscal determinar. Reinstalar mangueiras.

12) Efetuar circulação reversa para limpeza dos tubos. Será necessário fechar a gaveta vazada do BOP se não estiver com um “tubing stripper” instalado.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 13) Fixar packer para pressurização, abrir antes o

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13) Fixar packer para pressurização, abrir antes o BOP.

14) Após a injeção, desarmar packer para remoção do excesso de cimento com auxílio de circulação reversa, até o ponto determinado ou a bomba da sonda a critério do fiscal. Ficar atento para não jogar cimento no tanque ou poluir a área com fluido de amortecimento.

Esta remoção é feita com pressão abaixo da pressão final de squezze, com vazão moderada e reciprocando (repassando) ou girando a coluna. Nas SPT’s esta circulação é feita com tubo bengala, mangueira de borracha de 2” e swivel acoplado a uma seção fixa para agilizar o trabalho.

Recomendações adicionais para remoção do excesso de pasta

- se houver disponibilidade, usar como cauda tubos fibra de ou alumínio;

- pode ser usada uma luva denteada na extremidade da cauda;

- se for circular toda pasta fazê-lo até 20m abaixo da base do canhoneio;

- não circular toda a pasta em frente a zona de gás;

- ficar atento ao tempo de bombeabilidade da pasta para evitar prender a coluna no cimento;

- após o retorno de todo o cimento que se quer remover, prosseguir a circulação com fluido de amortecimento para limpeza ( 1,5 a 2 vezes o volume da coluna).

15) O próximo passo agora será testar o sequezze por pressão e Dry-test se foi removida toda a pasta ou manobrar e descer broca e raspador para cortar o restante do cimento, se não foi circulada toda a pasta.

Como nas demais operações o fiscal anotará no BDO os dados básicos da operação e elaborará o relatório para a pasta de dados técnicos do poço.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Formação danificada ou de baixa permeabilidade tem que

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Formação danificada ou de baixa permeabilidade tem que ser submetidas a uma estimulação para remoção deste dano ou para melhorar a drenagem do óleo no sentido formaçãopoço, aumentando o índice de produtividade dos poços.

Causas e tipos de danos

A invasão da lama de perfuração na formação danifica a mesma. Fluido da completação contaminado (sujo) também causa dano a formação. Alguns óleos e contato com a água formam emulsão, pode ocorrer à deposição de minerais ou ainda o inchamento da argila sensíveis em contato com água doce .

O principal objetivo desta operação é garantir o isolamento entre uma zona de óleo e uma zona de água. Isto porque, sendo o petróleo mais leve que a água, o natural é que ele subisse até a superfície e, se não o faz, é porque existe uma camada impermeável sobre ele. Como o petróleo ocorre em vários intervalos, este são todos intercalados com rochas selantes, existindo água acima e abaixo delas. Ao se perfurar um poço, a broca usada é sempre maior que o revestimento descido aquela fase e, ao se atravessar as camadas selantes, é imperioso que se preencha aquele anular poço-revestimento com cimento, para que não haja comunicação entre zonas por trás do revestimento. Ao se pesquisar a cimentação, constatando-a deficiente em frente a estes trechos críticos, é necessária a correção. Esta correção, assim como abandono de intervalos produtores ou injetores, podem ser realizados de várias maneiras:

ACIDIFICAÇÃO DE MATRIZ

É a operação que estimula um intervalo utilizando uma mistura acidificante com o objetivo de remover danos da formação melhorando consequentemente a produtividade do poço. O ácido mais comumente utilizado na confecção da mistura acidificante é o HCl ( ácido clorídrico) a 15%. Podem ser utilizados também o ácido fluorídrico (HF) e o ácido acético ( CH3 COOH ). O ácido clorídrico em conjunto com o ácido fluorídrico formam uma mistura chamada de “Mud Acid”.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A acidificação só é recomendada para formações que

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A acidificação só é recomendada para formações que não tenham baixa permeabilidade.

O ácido regular é o HCl a 15 % em peso. Ele limpa a formação mais por dissolução do

dano do que pela remoção do mesmo. A concentração do ácido pode variar de 5 a 33%. Normalmente utilizamos como aditivo a mistura ácida um inibidor de corrosão, pode-se usar também um surfactante.

Diluição do HCl a 33%: para formarmos 1.000 gal de mistura ácida de HCl a 15% em peso, serão necessários utilizar 418 galões de HCl e 582 galões de água.

A injeção deve ser feita lentamente ou por hesitação e sempre abaixo da pressão de fratura

da formação. É efetuado previamente um teste de emulsão em laboratório com óleo do intervalo para determinar o tipo e a concentração do desemusificante.

Fases:

-pré flush ( HCl a 15% ); -MA ( mud acid ); - over flush ( HCl a 5% ).

Reações indesejáveis ou secundárias: com o uso do HF poderão vir a ocorrer outras reações com os elementos da própria formação e que poderão também causar dano. É por isso que se pistoneia o poço logo o tratamento a fim de se evitar o prosseguimento da reação ou se coloca o poço para injetar, no caso de poços injetores.

Equipamentos utilizados:

- carro-bomba;

- carro- tanque;

- mangotes de sucção;

- mangueiras chiksan;

- manômetros, registradores de pressão, vazão e volumes.

Participação das equipes:

1)

coletar amostra de óleo e enviar para teste de emulsão no GEFLAB. Acertar com o Eng Fiscal a quantidade de tubos de cauda a utilizar;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 2) dar a previsão da hora que o

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2) dar a previsão da hora que o poço ficará pronto para solicitação e confirmação da companhia pré-determinada; 3) descer coluna de operação com packer R-3 DG ou E e cauda, fixar e testar o mesmo, conforme programação;

4)

auxiliar a companhia na instalação;

5)

confirmar o fiscal;

6) com o packer liberado pela Cia. Bombeará o ácido até cobrir todo o intervalo de

interesse. Em seguida o packer é fixado ou fechada a junta do mesmo, e a Cia. Fará então a injeção do ácido; concluída a injeção, desinstalar válvula e chiksan da Cia fará então a injeção do ácido;

7)

8) concluída a injeção, desinstalar válvula e chiksan da cia. e instalar AN de pistoneio e pistonear o poço até retirar todo o ácido gasto. Utilizar E. P.I adequado e lembrar de descartar o ácido sem poluir.

Segurança na Operação: tanto na injeção como no pistoneio, por estarmos tratando com produtos químicos, alguns venenosos outros que causam queimaduras, devemos nos precaver, mantendo na locação água doce, sabão básico e colírio, além dos Equipamento E.P.I.s como máscara, óculos, capa, para evitarmos maiores conseqüências danosas ao homem. Se alguém vier a se queimar com o ácido, o local deve ser lavado com água doce corrente e sabão básico. Se os olhos forem atingidos use colírio. Não deixar de providenciar na Segurança Industrial os E. P.I.s adicionais para a equipe que irá pistonear o poço. Como nas demais operações especiais, o fiscal anotará no B. D. O os dados básicos da mesma e confeccionará o Relatório para a pasta do poço.

FRATURAMENTO HIDRÁULICO

É a operação que abre uma fratura na formação e a mantém aberta, com o intuito de ultrapassar a área de dano ou melhorar a sua permeabilidade visando aumentar o índice de produtividade do poço.

Fluidos usados nos fraturamentos: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - a base de

Fluidos usados nos fraturamentos:

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- a base de água (mais usado );

- a base de óleo(segundo mais usado);

- a base de metanol;

- a base de ácido (HCl a 15%, para calcareos-dolomitas).

A viscosidade do fluido e a perda do filtrado afetam a largura e a área da fratura.

São utilizados vários aditivos no fluido base para atender a várias necessidades, vamos citar os principais:

-

agente controlador de perda do filtrado;

-

agente redutor de perdas por fricção;

-

agente gelificante;

-

agente ativador;

-

agente quebrador;

-

desemulficante;

-

agente de sustentação;

O fluido base (água) deve conter pelo menos 1% de KCl (Cloreto de potássio) para

prevenir o inchamento das argilas.

È efetuado previamente em laboratório do IP

, um teste de emulsão com uma amostra do óleo do próprio intervalo a ser fraturado para determinar o tipo e a dosagem do agente desemulficante.

O agente de sustentação (bauxita ou areia ) tem a função de manter a fratura aberta

após o bombeio. Ela pode ter granolometria de 12 20 ou 20 40 mesh.

A potência hidraúlica (HP) a ser utilizada, bem como o dimensionamento dos volumes e aditivos é calculado no IP e constam dos programas.

A operação pode ser realizada através do tubing (coluna de produção) ou através do

revestimento. No primeiro caso utilizamos coluna de operação grau N-80, normalmente 2 7/8”EUE e packer R-3 DG ou E/EA fixado logo acima do topo do intervalo a ser fraturado.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú No caso do revestimento ser de 5 ½”

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No caso do revestimento ser de 5 ½” , costumamos utilizar 2 ou 3 tubos de diâmetro menor (2 3/8”) logo acima do packer. Abaixo deste utilizamos i niple com uma luva denteada. No segundo caso ( através do revestimento ) utilizamos um packer mod. “C” full bore fixado à tração a 20/30m para projetar os equipamentos de superfície das pressões envolvidas.

Tipo de fraturamento:

- convencional: é fraturada apenas um intervalo em cada operação; - por estágio: são fraturados 2 ou mais intervalos em uma mesma operação. São

utilizadas bolas de nylon para redirecionar o fluxo dos fluidos fraturantes; - por entrada limitada: é um método mais moderno, permite as opções abaixo em função da variação de vazão/pressão:

A) tratamento simultâneo de todos os intervalos;

B) tratamento simultâneo e em sequência por aumento da vazão/pressão;

C) tratamento seletivo em estágios com uso de bolas de nylon;

Fases ou etapas:

1)

teste de linhas com pressão;

2)

teste de injetividade e quebra da formação;

3)

mistura dos aditivos em um dos tanques (pré-gel);

4)

bombeio contínuo do pré-colchão, fluido carreador e deslocamento;

TESTE DE FORMAÇÃO

A POÇO ABERTO (TF)

O teste de formação a poço aberto é realizado durante a fase de perfuração, antes de se revestir o intervalo. O fato de o intervalo estar aberto faz com que o teste seja curto, devido à possibilidade de prisão da coluna (decantação de sólidos do fluido de perfuração ou desmoronamento da formação), ao risco de entupimento da coluna e ao isolamento precário do intervalo. Além da estimativa da capacidade de fluxo, os TF’s têm a grande vantagem de

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú possibilitar a identificação dos fluidos das formações de

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possibilitar a identificação dos fluidos das formações de interesse antes da descida do revestimento de produção.

À POÇO REVESTIDO (TFR)

É uma operação especial que visa obter informações a respeito da natureza, quantidade e qualidade dos fluidos que o intervalo possa conter, além das pressões estática e

de fluxo, índice de produtividade, permeabilidade, dano ou barreiras estratégicas, informações estas que auxiliarão na avaliação de formações produtoras ou orientação a estimação das mesma.

Equipamentos utilizados: as colunas de teste podem ser próprias (IP) ou contratadas (HALLIBURTON) e são idênticas às utilizadas em poço aberto com pequenas modificações e claro com sizes (tamanhos) diferentes.

Os equipamentos básicos são:

- válvula testadora de múltiplos fluxos e estáticas;

- packer;

- B.P.R. (se necessário isolar zona abaixo);

- Registradores de pressão (2 ou 3);

- Porta de registradores;

- Tubos perfurados;

Equipamentos auxiliares:

- válvula auxiliar;

- sub de reversa;

- amostrador de fundo;

- by-pass;

- percurssor (jar);

- bumper (batedor);

- junta de segurança;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - comandos (D.C.); - tubos de produção (

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- comandos (D.C.);

- tubos de produção ( coluna de operação);

- manifold com mangueira de sopro;

- cabeça de teste;

- Q.C.R. (medidor de fluxo crítico para gás);

- Linha de surgência;

- Tanque para armazenamento e medição de líquidos;

- Mangueiras chiksan de alta pressão;

- Bean (choke);

- Queimador;

- Gás scrubber;

Os testes podem ser simples ou convencional, testa apenas um intervalo por descida ou seletivo, testa mais de um intervalo por descida. Neste caso utiliza dois obturadores para empacotar a zona a ser testada. Normalmente a coluna de teste desce seca porém, se necessário usa-se um colchão de água para evitar colapso da coluna de produção pela ação do pH ou para servir de amortecedor e evitar liberar o packer (formação de baixa P.E.). A observação do anular durante o teste vai dar informações preciosas quanto à vazamentos no packer, comando ou coluna. Em alguns casos pode ser feito um pistoneio no 2º fluxo se o poço não surgir, à critério da programação. Normalmente quando o óleo ou gás é produzido no teste, é feita uma circulação reversa por questão de segurança e para evitar banho de óleo ou pistoneio com swab durante a retirada. De um teste de formação pode ser obtidas indiretamente as informações a seguir:

- grau API do óleo;

- densidade do gás;

- densidade da água;

- salinidade do óleo ou da água; A interpretação de um teste tem duas fases distintas: uma qualitativa e outra quantitativa

Fases de um teste: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 1) montagem da ferramenta;

Fases de um teste:

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1)

montagem da ferramenta;

2)

descida da ferramenta no poço;

3)

tomada da P.HI.L. ( pressão hidrostática inicial da lama);

4)

fixação do packer e abertura da válvula testadora para 1º fluxo;

5)

fechamento da válvula testadora para 1º estática;

6)

abertura da válvula testadora para 2º fluxo;

7)

se o poço não surgir, opcionalmente, a critério do fiscal, pode ser pistoneado;

8)

fechamento da válvula testadora para 2º estática

9)

liberação do packer para tomada da P.H.F.L. ( pressão hidrostática final da lama);

10) abertura da válvula (sub) reversa; 11) circulação reversa com fluido da amortecimento; 12) retirada da coluna de teste. Coletar amostras se solicitado; 13) desconexão da coluna de teste;

Participação das equipes:

1) dar a previsão da hora que o poço estará pronto para solicitação e confirmação do IP ou companhia;

2)

3) preparar instalações de superfície, linha de surgência, queimador segundo orientação do

montar coluna de teste segundo orientação do operador (técnico) de teste;

4)

IP; descer coluna e fixar packer, ciclar válvula segundo orientação do técnico;

5)

ajudar a controlar o anular durante o teset, ajudar a medir os fluidos produzidos, coletar as

6)

amostras solicitadas identificando-as; liberar o packer quando solicitado;

7)

abrir o sub de reversa quando determinado;

8) efetuar a circulação reversa. Para armazenar o petróleo em sonda convencional, o ideal é dispor de um tanque semi- reboque, inclusive é mais seguro; 9) retirar e desconectar a coluna de teste segundo orientação do técnico. Coletar as amostras solicitadas.

OPERAÇÕES COM FLEXITUBO Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Trata- se de um tubo

OPERAÇÕES COM FLEXITUBO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Trata-se de um tubo de aço, com OD de 1” a 1 ½” ( os mais utilizados no Brasil), com comprimento suficiente para operar em todo o poço, e que fica enrolado em um carretel especial. O aparato completo inclui, além do carretel com o tubo, uma unidade de força, com um motor diesel e hidraúlico, uma cabine de comando, onde se tem o controle de comprimento ( odômetro), peso, vazão e pressão, e um equipamento de cabeça de poço, que inclui o injetor, que é quem coloca o tubo para dentro do poço, um BOP que se fecha sobre o flexitubo, um lubrificador e um “stuffing box”. O flexitubo pode operar tanto em poços com quanto em poços sem coluna, sendo que a sua grande vantagem é a não necessidade de desequipar (e nem amortecer) o poço para operar. Entre as operações comumente efetuadas com flexitubo, estão a indução de surgência com nitrogênio, a divergência de produtos químicos durante as estimulações e a remoção de areia do fundo do poço. Ultimamente tem-se tentado implementar novas operações com flexitubo, tais como remoção mecânica de incrustação de colunas, abandono de intervalos por cimentação, corte de “peixes” dentro da coluna e até corte de cimento abaixo da extremidade da coluna, com uma broca especial que se abre ao sair da coluna, é acionada por uma turbina de fundo, para girar, e depois fecha-se para passar novamente pela coluna. Para o segundo semestre deste ano está prevista a perfuração de três poços horizontais com flexitubo (de 2 3/8”) no Campo de Garoupa. Será aberta uma janela no revestimento de 7” e, a partir daí, será feito o desvio com flexitubo, com o poço em “underbalance” (isto é, produzindo) já que a formação é extremamente depletada.

NITROGÊNIO

Utilizado para aliviar o peso da coluna hidrostática, para os mais variados fins. O nitrogênio é fornecido no estado líquido (N2 criogênico), pois só assim pode ser bombeada a alta pressão requerida, normalmente acima de 3000psi (seria necessário um compressor monstruoso para comprimi-lo até estes níveis de pressão).

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Após ser bombeado, ele passa por um trocador

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Após ser bombeado, ele passa por um trocador de calor que o aquece, passando desta forma para o estado gasoso, sem, no entanto, perder pressão. O volume, obviamente, se expande. Desta forma é injetado no poço, seja através do anular ( e MGL) ou através de um flexitubo. No primeiro caso, inicialmente bombeia-se o gás da plataforma até o nível máximo de pressão possível, e só então entra-se com a Unidade de N2. A utilização de N2 faz com que não seja necessária a colocação de diversos mandris de gás lift (MGL) na coluna para a indução de surgência do poço. Como exemplo, existem poços mais antigos na E&P-BC com até 10. Hoje em dia, utilizam-se no máximo três. No segundo caso, o N2 é bombeado pelo interior do flexitubo até a sua extremidade, gaseificando o anular flexitubo x coluna de produção, diminuindo a pressão hidrostática e permitindo a reação da formação. Note, que é imprescindível que o gás bombeado pelo interior do flexitubo seja um gás inerte, como é o N2, por motivos de segurança: um grande comprimento de flexitubo permanece na superfície, enrolado no carretel, e um furo poderia ocasionar um acidente de graves proporções, se estivesse sendo bombeado, por exemplo, gás natural.

MÉTODOS PARA CONTROLE DA PRODUÇÃO DE AREIA:

TUBOS

EXCLUDER:

RASGADOS

(SLOTTED

LINER)/

SINTER

PACK/

STRATAPACK/

A necessidade de contenção de areia surgiu com os primeiros poços para a captação de água. A evolução destas técnicas culminou com atualização do slotted liner(fig.1.1). Estes tubos foram adaptados para indústria do petróleo e ainda hoje são usados em poços com baixa produtividade ou em longos intervalos produtores, incluindo-se aí os poços horizontais. As grandes profundidades e o mau selecionamento dos grãos dos arenitos produtores de óleo, em oposição aos poços de água, causavam erosão ou o plugeamento dos slots, o que impediu a propagação e o desenvolvimento do método. Atualmente, foram desenvolvidos novos tipos de equipamentos com maior área aberta ao fluxo e aplicação específica para poços horizontais,

dentre os quais podemos destacar: - Sinterpack-Halliburton; - Stratapack- Pall; - Excluder-Baker Hughes Inteq. TELA

dentre os quais podemos destacar:

- Sinterpack-Halliburton;

- Stratapack- Pall;

- Excluder-Baker Hughes Inteq.

TELA PRÉ-EMPACOTADA:

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Consiste de dois tubos telados concêntricos tendo o espaço anular entre eles preenchido com areia ou cerâmica. A restrição a esta técnica é a grande facilidade de plugeamento do pacote de gravel confinado entre as duas telas, pelos finos da formação. O único uso recomendável de tubos pré-empacotados é em poços longos intervalos canhoneados e altamente desviados, ou horizontais.

AREIA RESINADA:

Consiste no preenchimento dos espaços criados atrás do revestimento, devido a produção de areia com gravel pré resinado. Após a pega da resina ( a cura se dá com o tempo e temperatura) é descida broca para remoção do excesso de gravel dentro do poço. A aplicabilidade desta técnica se restringe a poços com pequena extensão canhoneada. Também é recomendada para poços antigos que já produziram grandes volumes de areia.

GRAVEL PACK EM POÇOS REVESTIDOS:

É a prática mundialmente mais difundida. Consiste do preenchimento dos canhoneados e anular tubo telado/revestimento com uma areia (gravel) de granulometria bem selecionada formando um pacote compacto, que impede a movimentação na areia da formação.

GRAVEL PACK EM POÇOS REVESTIDOS:

Esta técnica, empregada em poço revestido, pode variar desde a simples utilização de um único tubo telado a uma complexa completação múltipla.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Discutiremos apenas os tipos de operações e técnicas

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Discutiremos apenas os tipos de operações e técnicas mais usuais, onde após o condicionamento do revestimento, é descido um sump packer, formando o fundo necessário para ancoragem da coluna de gravel pack, composto de tubos telados, tubos cegos, wash pipes, crossover tool e packer é instalado. Após conclusão da instalação do conjunto, é feito o bombeio e deslocamento do gravel, que conterá a produção da areia de formação.

*Vantagens (em comparação com métodos alternativos):

- mais efetivo no controle de areia em longos intervalos, em intervalos com pequenas intercalações de folhelhos, e em zonas com alto teor de argila e slit;

- suporta a maioria das reações desenvolvidas em um tratamento químico, e não se deteriora com o tempo;

- apresenta melhores resultados nas aplicações em poços antigos com histórico de grande produção de areia;

- é menos afetado pelas variações de permeabilidade da formação;

*Desvantagens:

- redução do diâmetro interno do poço, pela utilização de tubos telados;

- reparos ou recompletações requerem a remoção do conjunto;

- as telas estão sujeitas a corrosão e/ou erosão devido as altas velocidades de fluxo ou a produção de fluidos corrosivos;

- apresenta maior dificuldade no isolamento de futuros intervalos produtores de água;

GRAVEL PACK A POÇO ABERTO

INTRODUÇÃO:

Conforme discutido nos capítulos anteriores, o foco principal da operação de Gravel Pack em poço revestido, está em empacotar completamente os canhoneados com areia Gravel de alta permeabilidade. O Gravel Pack a poço aberto elimina completamente este problema e reduz a operação a simples necessidade de empacotamento do anular Tela x Poço Aberto. Devido a inexistência dos canhoneados, o fluido da formação pode ser produzido ao longo de

360no pacote Gravel, eliminando a elevada perda de carga associada ao fluido linear através

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú dos túneis de canhoneados. A redução da perda

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

dos túneis de canhoneados. A redução da perda de carga através do Gravel a poço aberto, garante uma maior produção do que em Gravel a poço revestido, para uma mesma formação.

RESERVATÓRIOS CANDIDATOS A TÉCNICA DE GRAVEL PACK A POÇO ABERTO:

Apesar das vantagens descritas acima, a técnica de Gravel Pack a Poço Aberto não é recomendável para todos os tipos de reservatórios e formações. Uma desvantagem da completação a poço aberto (incluindo com gravel pack), é a impossibilidade de isolamento de intervalos devido a elevada RAO e RGO. Completações a poço revestido permitem selecionar, através de canhoneio, somente as zonas de interesse, permitindo melhor controle do fluxo indesejável de água ou gás. Devido a este fato, completações a poço aberto são mais aplicavéis para reservatórios simples, com um intervalo produtor, não sendo efetivo para completações múltiplas com água ou gás próximos.

FLUIDOS DE COMPLETAÇÃO

São os fluidos utilizados nos poços revestidos para efetuar os trabalhos de completação, workover e limpeza dos mesmos em condição de segurança e sem danificar a formação.

FUNÇÕES OU CARACTERÍSTICAS:

- Deve impedir a migração do fluido da formação para o poço;

- Não deve danificar a formação;

- Deve promover o carreamento de partículas sólidas que se encontrem no poço tais como: cimento, areia, detritos ou limalha;

- Deve ser limpo;

- Não deve ser corrosivo;

- Não deve trapear gás;

- Deve ser econômico ( barato ).

TIPOS DE FLUIDOS MAIS UTILIZADOS: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 1) base água:

TIPOS DE FLUIDOS MAIS UTILIZADOS:

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

1) base água:

- água doce com 1% de kcl e desemulsificante ( 62,4 lb / pé ³ ); - água doce com cloreto de Sódio (nacl) (peso até 74,0 lb / ³ );

-

água doce com Cloreto de sódio + Cloreto de Cálcio ( 75 a 82 lb / pé );

2)

petróleo, de preferência da própria zona ( +_ 50 lb / pé ³ ).

3) Fluidos gelificados: água com polímero orgânico. Bem mais caro, usado eventualmente quando ocorre grande perda com petróleo ou água adensada.

Outro recurso utilizado para estancar perdas, são os tampões de Calcita ou de Risol. Existe tecnologia desenvolvida para a preparação e uso de outros tipos de fluidos como:

espuma, emulsões, óleos viscosificados etc.,porém, na prática estes fluidos quase não são utilizados na UN-BA.

O “overbalance” ou diferencial de pressão que um fluido deve ter é de 15kg / cm ² para campos ou poços de desenvolvimento e de 20kg / cm ² para poços pioneiros.

Normalmente as programações citam as pressões das formações, pelo menos a pressão estática esperada, e já especificam o fluido a ser utilizado no poço. Se quisermos conferir, basta calcularmos a P.H. e compará-la à P. E. para nos certificados de que o diferencial está adequado, observe que na produção o peso específicos dos fluidos são expressos em lb / pé ³.

PACKER FLUID: é o fluido que deve ser deixado sobre um packer ( no anular ) ao equiparmos o poço. Este fluído deve conter inibidor de corrosão.

Todos os fluídos utilizados na produção, exceto o petróleo, são confeccionados são confeccionados na estação de lama do GEFLAB ou seja, chegam na sonda pronto para o uso. Já o petróleo é solicitado das estações coletoras dos campos, sendo que nem todas elas têm instalações adequadas para tal fim.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Todo o sistema por onde o fluído passa,

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Todo o sistema por onde o fluído passa, desde os tanques de transporte, sucção, bomba, tanque da sonda e linhas de ataque e retorno, deverão estar bem limpos para não contaminar o fluído e posteriormente danificar a formação.

FLUIDOS UTILIZADOS NA COMPLETAÇÃO

1-

agua do mar para limpeza do poço. não pode entrar em contato em contato com a formação produtora ( formação de prcipitados ).

2-

agua do mar adensadapara limpeza; fluido de corrente; fluido para squeeze.

3-

solução salinafc padrão: água industrial + adensidade = aditivos

4-

colchão de limpezaa base de bentonita, para carreamento de solidos ( corte de cimento ). não deixar entrar em contato com canhoneados.

5-

colchão viscosoa base de polímeros ( cellosize ). para carreamento de sólidos e combate a perda. pode entrar em contato com canhoneados.

6-

colchão lavagema base de detergente para remoção de lama a base óleo

7-

tampões de perdapara combater a perda de circulação. fabricado a base de polimeros ( cellosize ), resinas 9 J 237; J 330 ) ou agentes obturantes ( calcita ).

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú CUIDADOS NO PREPARO E CONSERVAÇÃO DO FLUIDO* -

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

CUIDADOS NO PREPARO E CONSERVAÇÃO DO FLUIDO*

- fluido de completação deve ser:

.

isento de detritos

.

compatível com a formação

 

.

anti-corrosivo

- lavar rigorosamente tanques e linhas;

- checar funcionamento das valvulas e drenos dos tanques com água do mar;

- impedir que pedaços de sacos, cordas, copos plasticos, pontas de cigarros,

3)

etc., sejam atirados aos tanques de fluido;

ESTABILIZADORES DE ARGILAS - Evitam o inchamento da argilas as quais tam-

-

- usar graxa somente nos pinos

isolar, com maximo cuidado, o fluido limpo;

ponam os poros da rocha (queda na produtividade):

* cloreto de potassio

(KCL)

ADITIVOS DOS FLUIDOS DE COMPLETAÇÃO

* cloreto de amonio ( NH³ CL)

- 1)ADENSANTES sempre que posivel, - filtrar conferem fluido peso preparado ao fluido em ( elementos presão hidrostatica): de 25 micra e 2 a 5 micra

- não usar bentonita e evitar polimeros * para cloreto vedar de calha sódio e (NaCl) valvulas

4)

5)

6)

7)

INIBIDOR DE CORROSÃO / BACTERICIDA

*

cloreto de potássio (KCl)

*

cloreto de calcio (CaCl)

*

dicromato de sodio

2) PREVENTORES DE EMULSÃO - Evitar a formação de emulções da água com REGULADOR DE PH - AJUSTE DE ACIDEZ o elevados: óleo e OU vice ALCALINIDADE - versa. que causam danos

POLIMEROS -

*

soda caustica

* dissovan - 2489

( Na OH )

* surflo espessantes - HS-1 viscosificam o fluido

*

* upet- hidroxi pan - - etil 207 celulose ( CELLOSIZE - HEC)

*

COMBATE A PERDA - resinas soluveis

* J - 330

* J - 247

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú TABELA DE PRODUTOS PARA FLUIDOS PRODUTO UNIDADE FUNÇÃO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

TABELA DE PRODUTOS PARA FLUIDOS

PRODUTO

UNIDADE

FUNÇÃO

BENTONITA

SACO 25 KGS

COLCHÃO DE LIMPEZA

CARBONATO DE CALCIO

SACO 30 KGS

COBATE A PERDA

CLORETO DE CALCIO

SACO 50 KGS

ADENSANTE

CLORETO DE POTACIO

SACO 50 KGS

INIBIDOR INCHAMENTO DE ARGILA

CLORETO DE AMONIO

SACO 25 KGS

INIBIDOR INCHAMENTO DE ARGILA

DETERGENTE

TAMBOR 200 l

COLCÃO DE LAVAGEM

AMONIO

DICROMATO DE SODIO

SACO 40 KGS

INIBIDOR DE CORROSÃO E BACTERICIDA

DISSOVAN

TAMBOR 50 l

PREVENTOR DE

EMULSÃO

 

2489

 

J

- 237

BALDE 50 GAL

RESINA COMBATE A PERDA

J

- 330

TAMBOR 48 GAL

RESINA COMBATE A PERDA

SODA

SACO 25 KGS

CONTROLE pH

CAUSTICA

SURFLO HS -

BOMBONA 50 l

PREVENTOR DE

EMULSÃO

 

1

 

UPET-PAN

BOMBONA 50 l

PREVENTOR DE

EMULSÃO

 

207

 
PRINCIPIOS DA HIDROSTÁTICA INTRODUÇÃO Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Intuitivamente todos nós sabemos

PRINCIPIOS DA HIDROSTÁTICA

INTRODUÇÃO

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Intuitivamente todos nós sabemos da importância dos fluidos nas operações de petróleo, quer seja nos serviços de perfuração quanto de completação e manutenção de poços, porém pode ser que alguns pontos sejam obscuros quanto ao seu real fundamento teórico. Ao abordamos o tópico HIDROSTÁTICA, tentaremos fornecer resumidamente informações que possibilite o entendimento do mecanismo de amortecimentos de poços, através de conceitos básicos como diferenças entre peso, peso específico e densidade, coluna hidrostática, unidades mais empregadas e relações entre peso, volume, área e pressão.

PESO E PESO ESPECÍFICO

Inicialmente conversaremos sobre a definição de peso, peso específico e densidade para que não haja confusão quando citarmos individualmente cada um. Toda substância seja sólida, líquida ou gasosa apresenta um determinado peso a depender da quantidade física tomada (volume). É evidente que um botijão com 1 litro pesa menos que um contendo 20 litros do mesmo fluido. A pergunta é: como podemos saber o peso de um determinado volume de fluido conhecido? Obs. Devemos esclarecer que daqui por diante quando mencionarmos a palavra fluido, estaremos nos referindo a qualquer substância líquida ou gasosa, água, vapor, gás e petróleo são exemplos mais diretos. Resp. Suponhamos que gostaríamos de saber quanto pesa 1 litro de água pura (destilada). Uma maneira prática seria leva-lo até uma balança onde leríamos 1 Kg Chegaríamos a conclusão que 1 litro de água pura pesa 1 Kg, conseqüentemente 1 Kg do mesmo fluido ocupa o volume de 1 litro. Se tomarmos agora 1 litro de petróleo “morto” e procedermos de maneira idêntica obterão um valor diferente, muito provavelmente inferior ao da água. Podemos então afirmar que cada substância apresenta uma relação entre o seu peso e o seu volume: a da água destilada, como foi visto anteriormente é:

1 Kg litro Definimos então: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú “A relação entre

1

Kg

litro

Definimos então:

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

“A relação entre o peso de uma substânica e o volume ocupado pela mesma é denominada de peso específico.”

UNIDADES

Paremos um pouco agora para falar sobre UNIDADES que é outro conceito de fundamental importância para facilitar o entendimento da hidrostática, como de muitas outras grandezas físicas. No nosso dia a dia fazemos uso constantemente de palavras que serve para dar sentido ao que falamos. Ao mencionarmos Kilograma nos vem à cabeça a idéia de peso, kilômetro nos dá noção de distância. Digamos que você ao se dirigir ao balcão de um supermercado onde estivesse sendo vendido leite e manteiga para comprar um desses produtos, peça ao vendedor 1 litro (que identifica volume). Ele automaticamente saberá que o produto desejado é leite pois manteiga normalmente é vendida a peso (grama, kilograma Este é um exemplo bem direto de como determinadas grandezas são relacionadas com nomes, sendo estes classificados como UNIDADES.

possuem

unidades que as identificam. Então vejamos o que vem a ser isso: ao nos referirmos à distância entre 2 cidades falamos em quilômetros, profundidade de um poço em metros, volume de um tanque em barris, velocidade de um carro em Km/hora. É bom salientar que uma mesma grandeza normalmente pode ser expressa em várias unidades (Ex.: unidades de comprimento metro, centímetro, polegada, pé, milha, etc O peso específico (P.E.) também possui unidades que nos dão uma noção bem clara sobre o que estamos explicando. Foi dito anteriormente que peso específico é a relação entre o

Grandezas como distância, velocidade, peso, volume, temperatura etc

,

peso de um fluido (Kg, Lb, grama seja: Peso Volume Instrutor – Raymundo Jorge de

peso de um fluido (Kg, Lb, grama seja:

Peso

Volume

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

)

e o volume ocupado pelo mesmo (litro, pé³, galão,

)

ou

As unidades mais utilizadas para P.E> na linguagem técnica de petróleo são: libra (unidade de peso) por galão (unidade de volume) e libra por pé cúbico (unidade de volume). Para deixar clara a diferença entre peso e peso específico, basta usarmos o exemplo dado no inicio do texto, ou seja, 1 litro de água pesa menos que 20 litros, daí concluirmos que o PESO varia com o volume porém o PESO ESPECÍFICO se mantém constante.

Para a água, temos:

DENSIDADE

1

Kg

litro

8,34

Lbs

galao

62,4

Lbs

pe

3

Com o passar do tempo os cientistas sentiram a necessidade de introduzir mais um conceito que relacionasse o peso específico dos fluidos com o peso específico de um fluido tomado como referência, sendo a água pura a escolhida.

“A relação entre o peso específico de um fluido qualquer e o peso específico da água é denominado de densidade”

Ou seja:

d

P E fluido qualquer

.

(

_

)

P E água destilada

.

(

_

)

As substâncias ditas “mais pesadas que a água“ possuem densidade maior que 1, como é exemplo da maioria dos fluidos de completação. Já os “mais leves” como o petróleo, o gás

etc

possuem densidade menor que 1. seria redundante dizer que a densidade da água é 1.

d  P . ( E água ) P . ( E água ) 

d

P

.

(

E água

)

P

.

(

E água

)

1

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Façamos um exercício para fixarmos melhor este conceito:

Pergunta: Qual a densidade da água adensada de P.E 74 lb/pé³?

Resposta:

d

P E fluido qualquer

.

(

_

)

(

P E água pura

.

_

)

,

temos P.E do fluido = 74 lb/pé 3 , P.E água pura = 62,4 lb/pé³ logo,

d

P E fluido qualquer

.

(

_

)

(

P E água pura

.

_

)

74

lb pe

/

3

62,4

lb pe

/

3

1,19

OBS: Note que só podemos calcular a densidade de um fluido utilizando a fórmula acima se os pesos específicos do fluido e da água estiverem expressos nas mesmas unidades, no nosso exemplo lb/pé³. Se o P.E da água adensada fosse dado em lb/galão, obrigatoriamente teríamos que usar o P.E da água pura também em lb/galão.

Verifiquemos então:

ÁGUA ADENSADA - 74 lb/pé 3 = 9,89 lb/galão

d

8,34 9,89

lb lb / / galão galão

1,19

lb/galão;

ÁGUA PURA - 62,4 lb/pé 3 = 8,34

Como era de se esperar a densidade não se alterou.

AMORTECIMENTO DE POÇOS Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Surge então a pergunta: o

AMORTECIMENTO DE POÇOS

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Surge então a pergunta: o que interessa para me saber o peso específico das substâncias, especialmente os dos fluidos de completação? Vamos esclarecer primeiramente o que seja um amortecimento de poço. Ao recebermos o programa de intervenção em um poço, nele deve constar à pressão estática do reservatório obtida através de testes de formação ou RPE (Registro de Pressão Estática). Sendo assim necessitamos utilizar um fluido com o peso específico adequado para que a sua coluna hidrostática (poço cheio) venha proporcionar uma pressão maior que a do reservatório, garantindo assim um trabalho seguro e sem maiores preocupações quanto à ocorrência de KICKS ou BLOW OUTS. Mas vejamos como isso realmente acontece. Ao mergulharmos em uma piscina nadando em direção ao seu fundo, notamos que nossos ouvidos ficam sujeitos a pressões crescentes chegando a um ponto insuportável onde temos duas opções, voltar à superfície ou realizar a descompressão dos tímpanos. Esta é uma experiência que acredito a maioria das pessoas já tenha passado, mas provavelmente alguns não tenham questionado a causa de tal ocorrência. Explicaremos a seguir a relação entre peso, peso especifico, área e pressão o que ajudará na compreensão do fenômeno narrado acima e principalmente da sistemática de amortecimento de poços.

Inicialmente precisamos deixar claro que peso é uma força.

PESO = FORÇA

Precisaremos definir agora qual a relação entre peso e pressão. Experimentalmente sabemos que:

PRESSÃO

FORÇA

ÁREA

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Ou seja, toda força aplicada sobre uma determinada

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Ou seja, toda força aplicada sobre uma determinada área gera uma pressão resultante.

Por essa fórmula concluímos que variando a força ou a área, podemos variar a pressão exercida sobre os corpos. Uma maneira prática de testarmos a veracidade desta fórmula é tomar um pequeno peso (força), de 1 Kg por exemplo, um tarugo de madeira e uma faca. Apóie o tarugo sobre a sua própria barriga colocando em seguida o peso sobre o mesmo. Imediatamente você sentirá uma pressão sendo exercida sobre o seu abdômen que é o resultado do peso sobre a área de contato do tarugo. Troquemos agora o tarugo de madeira por uma faca de ponta fina. Se você tentar realizar o mesmo experimento chegará à conclusão que provavelmente a faca o machucaria, o que é verdadeiro. O motivo disso é que ao trocar a madeira pela faca você diminuiu a área de contato com sua barriga para o mesmo peso utilizado, e segundo a fórmula apresentada causa um aumento de pressão. Fica explicado também o porquê do caso da piscina. Ao nos aprofundarmos o peso da água atuando sobre a área dos nossos ouvidos vai aumentando, com o conseqüente aumento de pressão. E qual a relação que existe entre o explicado e o amortecimento de poços? Eu diria que tudo. O que fazemos na realidade ao colocarmos fluido no poço é aplicarmos uma coluna hidrostática (altura de fluido que gera um peso equivalente) sobre uma determinada área, gerando uma pressão que terá que ser maior que a pressão estática da formação, esta é a chamada PRESSÃO HIDROSTÁTICA. Verificaremos agora outro fato interessante. Olhando as figuras abaixo onde se encontram os desenhos de 2 tanques cheios com o mesmo fluido, perguntamos: Se conseguíssemos instalar um manômetro no fundo de ambos, qual apresentaria a maior pressão?

Alguns talvez tenham respondido que seria o tanque número 2 devido ao seu maior volume e conseqüentemente maior peso. Minha resposta porém seria diferente, afirmando que na realidade a maior leitura seria do manômetro do tanque nº 1. Qual o motivo do aparente “absurdo”? mediante contas simples provaremos que a pressão hidrostática independe do volume, sendo função exclusiva do tipo de fluido e da altura da coluna hidrostática.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Suponha que tenhamos dois tanques com as dimensões

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Suponha que tenhamos dois tanques com as dimensões mostradas

abaixo, cheios de

água.

1)

2)

água. 1) 2)
água. 1) 2)

Quais seriam as pressões exercidas sobre o fundo dos tanques?

Sei que

Pr essão

Força

Área

Calculemos então:

Passo 1:

; Força = Peso do fluido, Área

=

Área do fundo do tanque

Peso de fluido Para calcularmos o peso total de fluido (água) contida no tanque, precisamos relembrar o conceito de peso específico. Ao abordarmos este tópico vimos que 1 litro de água pesava 1 Kg, ou seja, o peso específico é:

PE =

1

Kg

litro

8,34

Lbs

galao

62,4

Lbs

pe

3

Sabemos também que 1 m³ = 1000 litros. Voltemos então para os nossos cálculos:

Chegamos a conclusão que 1 m³ de água pesa 1000 gal. Se eu souber o volume de cada tanque (m³) fica fácil sabermos o peso referente ao

fluido.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Cálculo dos volumes: TQ (1): Altura x largura

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Cálculo dos volumes:

TQ (1): Altura x largura x comprimento = 1,5m x 2,0m x 5,0m = 15 m³

TQ (2): Altura x largura x comprimento = 2,0m x 1,5m x 4,0m = 12 m³ Sendo assim, o peso do fluido nos tanques é:

TQ

(1): 15m

(2): 12 m

3

3

x1000 x1000

Kg Kg

/ /

m m

3

3

 

15000 12000 Kg Kg

TQ

12

Escrevemos uma fórmula que corresponde ao que fizemos:

PESO DO FLUIDO = VOLUME DO FLUIDO X PESO ESPECÍFICO DO FLUIDO.

Com o peso respectivo dos dois tanques sabemos a força que atuará no fundo dos mesmos. Passo 2:

Calculo da área do fundo dos tanques:

TQ (1): Comprimento x largura = 5,0m x 2,0m = 10m² TQ (2): Comprimento x largura = 1,5m x 4,0m = 6m²

Passo 3:

Cálculo das pressões:

Já vimos que Pressão = Força Área

TQ (1): Força = 15000 Kg

Área

= 10m²

TQ (2): Força = 12000 Kg

Área

=

6 m²

Pressão =

Pressão =

15000

m Kg

2

10

12000 Kg

6 m

2

1500

/

Kg m

2

2000

/

Kg m

2

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Veja que apesar do TQ 1 possuir um

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Veja que apesar do TQ 1 possuir um volume maior de fluido que o TQ 2 e conseqüentemente um maior peso, o comprimento das pressões é exatamente o inverso. A explicação é simples, a altura da coluna hidrostática no TQ 2 é superior ao TQ 1, gerando assim uma pressão hidrostática em níveis mais elevados.

Do exposto podemos então concluir:

“A pressão hidrostática independe do volume de fluido, sendo função exclusivamente do seu peso específico e da altura da coluna hidrostática”

Esta é a razão pela qual 1000m de um determinado fluido em um revestimento de 7” exerce a mesma pressão que 1000m desse mesmo fluido em um revestimento de 5 ½”. Abramos um parêntese para falar das unidades de pressão comumente utilizadas. Como pressão é função de uma força (peso) sobre uma área, é de se esperar que suas unidades também o sejam. Se utilizarmos peso em Kg e a área em cm², obteremos a pressão em Kg/cm² (unidade adotada pela Petrobrás).

AMORTECIMENTO DE POÇOS

INTRODUÇÃO No caso de mudarmos esta unidade para: Peso em libras (lb) e Área em polegada quadrada (pol²), teremos a pressão em lb/pol² (sistema inglês). Esta unidade é mais conhecida com PSI (em inglês, Pounds per Square Inches). Frisamos que existe uma gama muito grande de unidade de pressão, porém na linguagem técnica de petróleo são as mais utilizadas.

FÓRMULAS PARA O CÁLCULO DA ALTURA DE FLUIDO E PESO ESPECÍFICO NECESSÁRIO PARA O AMORTECIMENTO DE POÇOS

1- Sabendo a profundidade (H) em metros e o peso específico do fluido (PE) em lb/pé³, achar a pressão hidrostática equivalente (PH) em psi.

PH 0,023 xPExH

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 2- Sabendo a pressão hidrostática necessária (PH) em

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

2- Sabendo a pressão hidrostática necessária (PH) em psi e a profundidade (H) em metros, achar o peso específico do fluido (PE) em lb/pé³ necessário para amortecer o poço.

PE

43,48 xPH

H

3- Sabendo a profundidade (H) em metros e o peso específico do fluido (PE) em lbs/gal, achar a pressão hidrostática equivalente (PH) em psi.

PH 0,0158 xPExH

4- Sabendo a pressão hidrostática necessária (PH) em psi e a profundidade (H) em metros, achar o peso específico do fluido (PE) em lbs/gal necessário para amortecer o poço.

PE

63,29 xPH

H

Obs. 1: A PETROBRÁS adota uma margem de segurança da ordem de 20 Kg/cm² (284,4 psi), ou seja:

PH PR 20 Kg / cm

2 , onde PR = Pressão estática do reservatório.

Obs. 2: Conversão de unidades 1Kg / cm

2

14,22 psi

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Vejamos dois exemplos de cálculo de amortecimento de

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Vejamos dois exemplos de cálculo de amortecimento de poços:

1- Recebemos da estação de lama, 2 carretas de fluido de amortecimento (água adensada),

que apresentou um peso específico de 73,7 lbs/pé³ (medido na SPT). Sabemos pelo programa que a pressão estática do reservatório registrada no último teste de formação era 155 Kg/cm, a

uma profundidade de 1350m (zona aberta). A pergunta é: podemos utilizar este fluido para amortecer o poço?

Resp.

73,7 lbs/pé³ (PE).

Cálculo da pressão hidrostática equivalente a 1350m (H) de fluido de peso específico

Fórmula (1):

PH 0,023 xPExH 0,023 x 73,7 x1350 2.288,4 PSI 161Kg / cm

2

Como a pressão estática do reservatório (PR) é 155 Kg/cm², pelas normas da PETROBRÁS seria necessária uma pressão hidrostática equivalente de 155 Kg/cm² + 20 Kg/cm² = 175 Kg/cm². Sendo assim o fluido não está corretamente especificado pois 161 Kg/cm² é menor que 175 Kg/cm².

1- Determine qual é o peso específico (PE) do fluido recomendado para amortecer uma zona a 2100m, cuja pressão estática é 220 Kg/cm².

Resp. A pressão hidrostática exercida pelo fluido deverá ser de 220 Kg/cm² + 20 Kg/cm² (segurança), ou seja 240 Kg/Cm² = (3413 psi).

Fórmula 2:

PE

43,48

(

xPH psi

)

43,48 3413

x

(

H m

)

2100

70,7

Utilizaremos um fluido de peso específico 72 lb/pé³

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú CÁLCULO DA CONTRA PRESSÃO A SER APLICADA NA

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

CÁLCULO DA CONTRA PRESSÃO A SER APLICADA NA SUPERFÍCIE

Dados:

Pressão estática: P E = 130 Kg/cm²

Profundidade:

Revestimento de 5 ½” , 14 lb/pé

Coluna

D = 1200m

2 3/8” EU

a) Cálculo do peso específico do fluido de amortecimento

Pressão hidrostática necessária:

PH PE 20 Kg / cm

2

130 20 150 Kg / cm

2

Verificando na tabela de fatores para cálculo do peso específico, para P em

Kg / cm

2

e

D = metros, achamos o fator 624,28 para o peso específico em lb/pé³

Logo:

Peso especifico Fatorx

_

Pr essão

Pr ofundidade

624 x

150

Kg cm

/

2

1200

m

78

lb pé

/

3

Capacidade do espaço anular 5 ½” - 14 x 2 3/8” - 0,062 bbl/m - 16,13 m/bbl. Volume total do espaço anular = 1200m x 0,062 = 74,4 bbl Pressão exercida por um barril de fluido no espaço anular:

Logo

P

1

78

3

lb pè x m bbl

/

16,13

/

624

2,016 Kg / cm

barril

exerce

no

espaço

anular

uma

2

multiplicando-se por 14,22, 14,22 x 2,016 = 28,66 psi.

pressão

de

2,016

Kg / cm

2

ou,

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Se no exemplo em tela, já foram injetados

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

Se no exemplo em tela, já foram injetados 20 bbl de fluido no espaço anular, esse volume exercerá uma pressão hidrostática de 20 x 2,016 = 40,32 Kg/Cm².

Para evitar o fluxo de gás da formação para o poço, deveremos exercer na superfície uma contra pressão de

P PH 150 40,3 109,7 Kg / cm

2 ou 109,7 x14,22 1560 PSI

Obs: Sugere-se o preparo de uma tabela de volume x contra pressão. No caso em tela, teremos:

Volume Injetado (bbl)

Contra Pressão (Kg/Cm²)

Contra Pressão (psi)

10

130

1849

20

110

1564

30

90

1280

40

69

569

50

49

711

60

29

853

70

9

128

75

0

0

Esta tabela fornecerá ao operador uma diretriz sobre a contra pressão a aplicar, durante o amortecimento, após preenchido o volume da tubulação.

A prática indicará se for necessário o cálculo da contra pressão a cada 5 bbl em vez de

10.

Exemplo: Planeja-se executar uma restauração em um poço onde a pressão na cabeça é próxima da pressão de trabalho do equipamento de superfície. Planejar o amortecimento para minimizar a possibilidade falha. Dados: Pressão de trabalho dos equipamentos de superfície, 5000 psi; Pressão na cabeça: 4800 psi; Tubulação de 2 3/8”, 4.7 lb/pé, N-80; Canhoneio a 13795 pés; Peso específico do fluido: 9 lb/galão.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú A solução será a de amortecer o poço

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

A solução será a de amortecer o poço pelo método de segregação ou de lubrificação, para reduzir a pressão na cabeça a níveis seguros.

1- Estimular a pressão hidrostática fornecida por cada barril de fluido injetado: Capacidade do tubing de 2 3/8” = 0,00387 bbl/pé = 258,4 pés/bbl. O fator, na tabela para psi, pés e lb/gal é

19,25.

258,4 x

9

19,25

120,8

120

psi bbl

/

1 Instale todos os equipamentos de superfície incluindo bomba e queimadores;

2 Abra o bean para permitir a descarga do poço e momentaneamente reduzir a pressão do tubing;

3 Feche o bean e bombeie o fluido de 9 lb/gal até que a pressão dinâmica do tubing alcance 4800 psi;

4 Aguarde para permitir o fluido cair dentro do tubing. O tempo variará de 15 a 60 minutos, dependendo da densidade do gás, da pressão e do diâmetro do tubing;

5 Abra lentamente o bean e descarregue o gás até que apareça o fluido de amortecimento;

6 Feche o bean e bombeie o fluido de amortecimento;

7 Continue o processo até que se obtenha uma pressão de bombeio segura.

A figura 1 ilustra a operação: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú CHECK LIST

A figura 1 ilustra a operação:

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

operação: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú CHECK LIST PARA INTERVIR EM POÇOS DE GÁS

CHECK LIST PARA INTERVIR EM POÇOS DE GÁS

1- Observar se existe registro (Amerada, TFR, DST) recente de pressão estática do poço (pressão, data e profundidade);

2- Se o fluido de amortecimento/completação está compatível com os dados de pressão estática e profundidade vertical do reservatório de modo a termos o seguinte diferencial:

PH Pe 20 Kg / cm

2

3-

Observar se o poço absorve ou joga fora o fluido;

4-

Completar o poço continuamente durante a retirada e descida das colunas, observando o retorno de fluido pela saída de lama;

5-

Observar se os equipamentos de superfície (bomba, BCP, válvulas, linhas, etc serem usados estão compatíveis com as pressões esperadas durante um possível

a

)

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú amortecimento. Esses equipamentos deverão ser testados com 1000

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

amortecimento. Esses equipamentos deverão ser testados com 1000 psi, no mínimo, acima da pressão estática do reservatório;

6-

Após qualquer descida e antes de iniciar a retirada de tubulação, circular um volume do poço, a fim de eliminar algum gás produzido pela formação;

7-

Manter na plataforma de trabalho uma válvula de segurança testada e com pressão de trabalho no mínimo 1000 psi acima do pé do reservatório, com nipple igual a da coluna em uso na ocasião;

8- Certificar-se de que a bomba de lama está com camisas e pistões adequados para as pressões e se a válvula de segurança está adequadamente calibrada;

9- Não interromper as manobras para executar qualquer outra atividade, sendo imperiosa

essa interrupção, reduzi-la a um tempo mínimo, mantendo o poço cheio, conforme já indicado no item 4. nas manobras de retirada de coluna, circular antes de reiniciar a operação; 10- Quando não conseguir circulação no amortecimento (coluna ou anular obstruído), canhonear através do tubing com “Tubing Punch”, para permitir a circulação e equalização de pressões; 11- Instalar um ou mais queimadores dentro das normas de segurança vigentes, atentando sobretudo para as distâncias e ventos predominantes; 12- Utilizar sempre bean como válvulas de restrição em lugar de válvulas do tipo gaveta ou plug; 13- Só utilizar fluidos viscosos em último caso; 14- Informar ao setor de completação qualquer anormalidades observadas; 15- Determinar o peso específico do fluido de amortecimento antes e após as circulações, e ao recebê-lo na área do poço; 16- Durante o pistoneio redobrar os cuidados. Não permitir que pessoas não capacitadas executem esta operação; 17- Manter o poço sempre cheio antes, durante e após o canhoneio; 18- As circulações deverão ser feitas com restrição no retorno, isto é, por meio de válvula de agulha (bean). Esta recomendação não se aplica a poço que absorvem fluido;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú 19- Corrigir todos os vazamentos dos equipamentos de

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19- Corrigir todos os vazamentos dos equipamentos de superfície;

20- Optar por canhoneio através do tubing especialmente quando se desconhecer a pressão estática do reservatório ou quando mais de uma zona for aberta no poço; 21- Ter na sonda um “inside BOP” compatível com a coluna em operação; 22- Atentar para que todos os acessórios utilizados ou possíveis de serem instalados na

tenham um diâmetro interno igual ou maior

que o da coluna; 23- Usar BOP duplo, hidráulico, com as gavetas cegas abaixo das vazadas; 24- Lembrar que em caso de reação do poço, sem coluna, ele deve ser imediatamente fechado através das gavetas cegas e em seguida, estabelecida uma segunda “barreira”, através de um nipple com luva na extremidade inferior e válvula no topo, fechando-se as gavetas vazadas contra esse nipple logo acima da luva;

25- Caso se constate que o poço absorve fluido, manter na área um estoque mínimo de fluido capaz de compensar as perdas para a formação num período de 24 horas; 26- Todos os motores (sonda e equipamentos auxiliares) deverão ter descarga úmida; 27- Verificar com explosímetro a área em torno do queimador antes de atear fogo ao mesmo, bem como testar a explosividade nas várias partes da locação; 28- Todas as linhas (recalque, queimador) deverão ser rigorosamente ancoradas.

coluna (válvula, reduções, nipples, etc

)

PROCEDIMENTOS PARA AMORTECIMENTO DE POÇOS COMPLETADOS

1.1 POÇOS BOMBEADOS:

a)

Mecanicamente

- Descarregar o gás do anular e coluna;

- Completar o poço e circular reverso;

- Instalar BOP;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - Pescar válvula de pé; - Retirar coluna

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

- Pescar válvula de pé;

- Retirar coluna de hastes;

- Remover parafina e gabaritar toda a coluna até o topo da bomba;

- Retirar coluna de tubos com a bomba.

b) Eletricamente:

- Descarregar o gás do anular e coluna;

- Substituir a cabeça de produção por uma T-16;

- Instalar BOP;

- Remover parafina e gabaritar toda a coluna;

- Circular reverso;

- Retirar coluna.

Obs. 1: No caso de poços bombeados mecanicamente:

1º Caso Caso o poço absorva muito, completar sempre durante a manobra; 2º Caso Caso a válvula de pé não seja pescada, retira-se a coluna com auxilio do pistoneio; 3º Caso O volume necessário para a circulação reversa é de uma vez e meia o volume da coluna; 4º Caso Caso não haja condições de circulação reversa, poderá haver duas hipóteses:

a) PARAFINA ou SCALE nos tubos, neste caso, retirar os tubos obstruídos por unidade e os restantes por seção;

b) FLUIDO MUITO PESADO: neste caso diminui-se o seu peso. Caso continue sem retorno, mantê-lo sempre cheio durante a manobra.

Obs. 2: No caso de poços bombeados eletricamente:

1º - De preferência utilizar água para amortecimento, possibilitando a retirada da coluna com banho de água; 2º - Prevalece as mesmas observâncias de poços bombeados mecanicamente, exceto o item 2º

1.2 POÇOS DE GÁS LIFT: a) Contínuo simples: Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú

1.2 POÇOS DE GÁS LIFT:

a) Contínuo simples:

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

- Descarregar o gás da coluna e do anular;

- Amortecer o poço pela coluna, injetando na formação na faixa de 10 a 15 bbl de fluido;

- Retirar árvore de natal e instalar BOP;

- Gabaritar toda a coluna;

- Abrir a junta do packer;

- Completar o anular e circular reverso;

- Desassentar o packer e retirar coluna de GL.

b) Contínuo duplo:

- Descarregar o gás do anular e coluna;

- Amortecer o poço pelas colunas curta e longa, usando o mesmo processo de gás lift contínuo simples;

- Retirar árvore de natal e instalar BOP;

- Gabaritar ambas as colunas;

- Desencaixar o snap latch do packer superior;

- Circular reverso e retirar coluna curta;

- Completar o poço;

- Abrir junta do packer e circular reverso;

- Desassentar o packer e retirar coluna longa.

c) Intermitente simples:

- Descarregar o gás do anular e coluna;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - Completar a coluna com fluido de amortecimento;

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

-

Completar a coluna com fluido de amortecimento;

-

Gabaritar coluna e pescar standing valve;

-

Amortecer o poço pela coluna, injetando na formação na faixa de 10 a 15 bbl de fluido;

-

-

Retirar a árvore de natal e instalar BOP;

-

Abrir a junta do packer e circular reverso até eliminar todo o gás;

-

Desassentar o packer e retirar a coluna de GL;

d) Intermitente duplo:

- Descarregar o gás do anular e da coluna;

- Completar a coluna longa e a curta;

- Gabaritar ambas as colunas e pescar as standing valves;

- Amortecer o poço pelas colunas curta e longa, injetando cada formação na faixa de 10 a 15 bbl de fluido;

- Retirar a árvore de natal e instalar BOP;

- Desencaixar o snap latch do packer superior;

- Circular reverso e retirar coluna curta;

- Completar o poço;

- Abrir a junta do packer;

- Desassentar packer inferior e retirar coluna longa.

1.3 POÇOS SURGENTES:

a) Óleo:

- Descarregar a pressão da coluna;

- Verificar pressão da coluna e pressurizá-la com uma pressão superior a registrada no manômetro, antes de abrir o poço;

- Abrir o poço e amortece-lo injetando de 10 a 15 bbl de fluido na formação;

- Observar o comportamento do poço, se a pressão cai a ZERO;

- Retirar árvore de natal e instalar BOP;

- Completar o anular e abrir a junta do packer;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - Circular reverso; - Desassentar o packer e

Instrutor Raymundo Jorge de Sousa Mançú

-

Circular reverso;

-

Desassentar o packer e retirar coluna.

b) Gás:

-

Verificar as recomendações do Check list de poços de gás;

-

Queimar o gás para drenar a pressão, caso necessário;

-

Completar o anular;

-

Suspender a árvore de natal abrindo a junta do packer;

-

Circular reverso pela junta do packer;

-

Desassentar o packer e retirar coluna.

Obs.:

-

Caso abaixo da árvore de natal tenha o adapter BO-2 com hanger coupling, após o amortecimento pela coluna, suspenda-se a árvore de natal possibilitando a abertura do packer. A partir deste procedimento poderá ser feita a circulação reversa, eliminando-se qualquer bolsão de gás dentro do poço;

-

Caso contrário, ou seja não haja o BO-2 com hanger coupling, nos poços profundos que exijam uma pressão alta para o amortecimento, poderemos recorrer ao canhoneio dentro da coluna de produção, logo acima do packer, recorre-se ao “TUBING PUNCH” que é muito útil;

POÇOS DE GÁS COM COLUNA LIVRE

Utilizar os mesmos procedimentos e cuidados previstos para poços de gás com packer:

a) Instalar “beans” reguláveis no tubing e no revestimento;

b) Construir queimadores para descarregar o tubing e o revestimento. Ancorar as linhas e os queimadores;

c) Descarregar o gás até que se obtenha uma pressão de fluxo estabilizada menor que a pressão inicial, para facilitar o bombeio do fluido;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú d) Bombear através da tubulação de produção o

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d) Bombear através da tubulação de produção o fluido de amortecimento, mantendo o bean do espaço anular todo aberto para o queimador. Este método é para evitar retorno de gás, que se porventura o espaço anular estivesse ligado ao tanque de lama poderia provocar um incêndio. Lembre-se que a descarga da sonda e a bomba de lama estão próximos ao tanque de lama. Ao concluir a injeção de um volume de fluido igual ao

volume da coluna, reduzir a abertura do bean e aumentar a vazão da bomba, de modo a manter uma contrapressão sobre a formação, evitando-se desse modo que o reservatório continue produzindo, carregando o fluido e formando bolsas de gás. Assim o fluido irá ocupando o espaço ocupado pelo gás que está sendo liberado na superfície, com vazão controlada. Ver no anexo A, o cálculo da contra pressão, que se baseia na pressão hidrostática fornecida pelo fluido de amortecimento no espaço anular. Para se evitar danos à formação não devem ser exercidas contrapressões muito elevadas na superfície, para evitar a invasão de fluido de amortecimento de formação.

POÇOS SEM COLUNA (KICK)

Ocorrendo um descontrole do poço sem a tubulação, motivado geralmente pelo fato de não se completar o poço durante a manobra, a depender da condição das instalações de superfície, existem 3 modos distintos de se amortecer o poço, a seguir:

a) Se as condições na superfície, permitirem a instalação da Unidade de FLEXI- TUBO.

Esse método utiliza praticamente os mesmos procedimentos de amortecimento com coluna livre. As diferenças estão exatamente na velocidade de bombeio, que é bem menor, face a perda de carga em função do seu diâmetro, e na velocidade de bombeio, que não poderá ser aumentada pela mesma razão, e porque a partir do momento em que começa penetrar fluido no anular, há uma tendência de aumento de pressão. Para reduzir o efeito das perdas de carga, utiliza-se um redutor de fricção associado ao fluido de amortecimento.

b) Se as condições na superfície são seguras.

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Se houver nos equipamentos de superfície uma situação

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Se houver nos equipamentos de superfície uma situação segura, proceda da seguinte maneira:

- Instalar a maior quantidade possível de queimadores, todos com válvula de fluxo (bean);

- Descarregar a pressão até a menor leitura estabilizada;

- Bombear no poço o volume correspondente ao revestimento, aumentando a vazão à proporção que diminui o valor da pressão de bombeio, naturalmente

respeitando os limites dos equipamentos;

- Abrir o poço, aguardar alguns minutos e, se não houver índices de reação, abrir

o BOP e descer a coluna o mais rápido possível;

- Caso haja indícios de reação do poço pressurizá-lo com mais ou menos uns 300 psi, fechar todas as válvulas, aguardar por 30 minutos para que haja segregação (separação de gás e fluido), abrir o poço lentamente e descarregar somente o gás. Não permitir retorno de fluido. Preencher o espaço que ficou vazio pela liberação do gás. Repetir estas operações até que seja liberado todo

o gás e o poço esteja totalmente amortecido.

Com a gaveta cega do BOP fechada, por motivo de segurança, insta-se o tubing

streep que possibilita a descida da coluna com a completa vedação entre a sua borracha e a

própria tubulação. Na extremidade da coluna, coloca-se 1 seating nipple com uma standing valve invertida, ou INSIDE BOP, que impede o fluxo de fluido do poço para a superfície

através da coluna. Após concluída a manobra, faz-se a circulação direta e o poço estará em

aberto para o tanque de

condições de ser amortecido. Durante a manobra deixar o anular lama.

Obs.:

c) Método da Segregação:

Um poço de gás sem coluna poderá ser amortecido utilizando-se o processo de segregação. Este método requer tempo e paciência, e é utilizado quando não se pode fazer bombeio contínuo ou quando não se dispõe do flexi-tubo. Após adotadas as providências preconizadas, proceder da seguinte maneira:

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú - Estimar a pressão exercida por barril de

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- Estimar a pressão exercida por barril de fluido injetado no poço. (Ver anexo A e exemplo a seguir);

- Abrir o bean e bombear o fluido até atingir uma pressão próxima da pressão de trabalho dos equipamentos que estiverem pressurizados (cabeça, válvulas, linhas, bombas, etc );

- Anotar o volume injetado e fechar o poço, aguardando a segregação do fluido. Esse tempo varia entre 15 minutos e uma hora, a depender da densidade do gás, pressão, diâmetro interno do revestimento ou da tubulação, se for o caso;

- Abrir o bean lentamente para que a velocidade do fluxo do gás não transporte o fluido de volta. Descarregar lentamente o gás, não permitindo o retorno do fluido injetado. Fechar o bean quando começar a aparecer o fluido injetado;

- Bombear fluido de amortecimento até atingir a pressão especificada no item. Repetir os itens “c”, “d” e “e” tantas vezes forem necessárias para que se complete o volume total do revestimento e que se tenha o poço completamente amortecido;

- Abrir a gaveta do BOP e descer a coluna o mais rápido possível.

Obs.: Essa técnica pode ser aplicada a poços produtores de petróleo, com raras exceções.

POÇOS DE GÁS COM PACKER

Após executar as medidas preliminares, seguir a seguinte orientação:

a) Completar o espaço anular com fluido de amortecimento;

b) Verificar qual a pressão indicada no manômetro da árvore de natal e anotar;

c) Pressurizar a linha de ataque até a árvore de natal, com uma pressão capaz de vencer aquela lida anteriormente;

d) Abrir a válvula da árvore de natal que está ligada a linha de ataque, fechar o “bean” do queimador e recalcar o fluido, aumentando a vazão à proporção que a pressão indicada no manômetro da bomba diminuir. Esta operação não deverá ser interrompida, para evitar que o gás migre para cima, trazendo de volta o fluido injetado e formar bolsas de gás; deve-se atentar porém para o inconveniente de se recalcar poço de gás que é “corte” do fluido pelo gás;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú e) Após deslocar o volume de amortecimento, parar

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e) Após deslocar o volume de amortecimento, parar a bomba, abrir a válvula de descarga da bomba e verificar se há alguma reação do poço;

f) Se houver reação do poço, mantê-lo fechado por alguns minutos, para que haja uma segregação. Descarregar o gás e completar o tubo com fluido. Repetir essa operação quantas vezes forem necessárias, até que o poço esteja completamente amortecido;

g) Retirar a árvore de natal, instalar o BOP (com 12 parafusos) e fechar a gaveta cega. Com o nipple para deslocar o DONAT, testar a gaveta vazada;

h) Instalar um “bean ou válvula” acima daquele nipple e soltar os parafusos prisioneiros do donat. Elevar a coluna para abrir a junta de circulação do packer e circular reverso, uma vez e meia o volume do poço, para eliminar o gás, mantendo uma contra pressão na superfície através de um bean.

OPERAÇÃO

PROCEDIMENTOS ANTES DO INICIO DA OPERAÇÃO

Para a realização da operação de amortecimento é necessário que se adotem medidas preliminares objetivando tornar a operação mais segura e aumentar a eficiência da mesma, principalmente nos poços de gás e nos poços de óleo com pressões elevadas, onde os riscos são maiores. Essas medidas estão relacionadas abaixo:

a) Consultar a pasta do poço e anotar todos os dados do mesmo, como por exemplo:

- revestimento;

- peso;

- formação ou zona;

- coluna existente no poço;

- tipo de fluido dentro do poço.

b) Consultar o “Check List” para poços de água;

c) Instalar válvulas de agulha (beans) em uma saída lateral da árvore de natal e na cabeça de produção para permitir descarregar o gás da tubulação e do anular sem danificar as válvulas tipo gavetas, que não devem ser empregadas para esse fim;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú d) Construir linhas e queimadores de modo a

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d) Construir linhas e queimadores de modo a permitir descarregar a tubulação e o espaço anular. Atentar para as distâncias previstas nas normas de segurança;

e) Observar todos os componentes desde a descarga da bomba até o “bean” são compatíveis com as pressões esperadas durante o amortecimento. Essas instalações deverão ser testadas com 1000 psi (70Kg/cm²) no mínimo acima da pressão esperada

ou no caso de poços de gás, da pressão estática do reservatório. Eliminar vazamentos, se forem verificados;

f) Ancorar todas as linhas de descarga do poço, bomba e queimadores, bem como a linha de retorno para o tanque;

g) Certificar-se que a bomba está com camisa e pistões de diâmetro adequado para as pressões esperadas. Verifique se a válvula de segurança está calibrada para a pressão máxima esperada;

h) Calcular o volume de fluido necessário para preencher a coluna e o revestimento entre o packer e a zona canhoneada e também o espaço anular tubing revestimento se for o caso;

i) Certificar-se que o volume de fluido disponível no tanque é superior a 1,5 vezes o volume do poço;

j) Aferir a balança de lama e verificar o peso específico do fluido disponível no tanque, calcular a pressão hidrostática que esse fluido proporcionará na profundidade do canhoneio da zona que tiver maior gradiente de pressão. Assegurar-se que esse fluido fornecerá um diferencial entre as pressões hidrostáticas e estática igual ou maior que 20 Kg/cm² (284 psi) (PH PE 20 Kg/cm²);

k) Assegurar-se que os manômetros disponíveis estejam calibrados.

AMORTECIMENTO DE POÇOS DE PETRÓLEO

Esse tipo de amortecimento é análogo ao de poço de gás com coluna e packer. Após executada as providências necessárias, proceder da seguinte maneira:

a) Descarregar o poço para o tanque da SPT ou coletora, para reduzir a pressão de surgência;

b) Enquanto se drena a pressão do tubo, preencher o anular;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú c) Calcular o volume do tubo e do

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c)

Calcular o volume do tubo e do espaço entre o packer e a base do canhoneado. Elaborar os cálculos do modo mais exato possível, para não injetar fluido na formação;

d)

e)

Recalcar o volume correspondente ao cálculo. Não interromper o bombeio. Certificar- se de que as linhas não tenham vazamentos;

f)

Aguardar alguns momentos para ter a certeza que o poço não reage;

g)

Retirar a árvore de natal, instalar o BOP (12 parafusos) e testar a gaveta cega;

h)

Conectar um pequeno nipple com válvula ao donat, elevar a coluna, abrir a junta de circulação e fechar a gaveta vazada. Circular o volume do poço.

AMORTECIMENTO DE POÇO DE GÁS LIFT

Para esse tipo de amortecimento, após adotar as medidas de segurança previstas no item, sub-itens A, D, E, F, G, H, I, J e L proceder como descrito a seguir:

a) Fechar a linha de gás e instalar bean no revestimento, construir linhas ancorada para fora da área de periculosidade e descarregar o gás do espaço anular;

b) Conectar uma mangueira de 2” para alta pressão na válvula lateral da coluna longa na árvore de natal e também ao tanque que receberá o retorno. Devem ser tomadas precauções para que a mangueira fique bem conectada nas duas extremidade e que esteja afastada de arestas ou quinas vivas que possam danificá-la com a vibração;

c) Bombear no espaço anular, fluido limpo, de modo a não danificar as válvulas;

d) Abrir a válvula da coluna longa e circular, para preencher a coluna longa, observando se o poço absorve (bebe), anotando no BDO o volume absorvido;

e) Repetir os procedimentos nos itens b, c e d para a coluna curta;

f) Caso não se consiga amortecer o poço utilizando-se os procedimentos acima delineados, será necessário que sejam pescadas a “standing valve” da coluna que não foi amortecida.

RECOMENDAÇÕES DE ORDEM GERAL DURANTE AS MANOBRAS

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú Um poço está amortecido quando se mantém dentro

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Um poço está amortecido quando se mantém dentro dele, um nível de fluido capaz de fornecer uma pressão estática da formação. Por este motivo, devem ser tomadas precauções imediatas quando:

a) Se observar que o nível de fluido no poço está baixando ou como diz comumente, o poço está “bebendo”. Neste caso, o poço deve ser abastecido continuamente durante a manobra, mediante injeção continua de fluido pelo espaço anular;

- O nível de fluido dentro do poço não deve ser tão alto a ponto de acelerar a absorção, nem tão baixo que permita a liberação de gás da formação e a reação do poço;

- Nos poços que permitem circulação, bombear continuamente com a menor vazão possível da bomba. Havendo produção de gás, aumentar gradativamente a vazão até um valor que mantenha o poço amortecido;

- Nos casos excepcionais em que houver perda de circulação, será necessária a utilização de aditivos para controlar a perda de circulação, caso o poço tenha pressão suficiente para apresentar surgência

b) Verificar periodicamente o tanque de retorno, com o objetivo de saber se há aumento do volume, indicativo de produção do poço;

c) Se por qualquer motivo, a manobra for interrompida, fechar o poço e circular ou abastecer o mesmo antes de se reiniciar a operação.

d) Verificar periodicamente o peso específico do fluido, principalmente em época de chuvas, pois as mesmas reduzirão o peso específico do fluido.

RECOMENDAÇÕES GERAIS

a. Para poços cujos reservatórios não são conhecidos, adotar o critério para poços de gás, ou seja, utilizar 20 Kg/cm² de “Overbalance” para cálculo do fluido de amortecimento. Considera-se a pressão como original;

Instrutor – Raymundo Jorge de Sousa Mançú b. Evitar descida de aparelho AMERADA após a

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b. Evitar descida de aparelho AMERADA após a operação de fraturamento quando o mesmo está reagindo. De preferência, após a quebra do gel deixar o poço produzindo por algumas horas, pois pode ser a dissipação de pressão;

c. Independente do poço ser de óleo, gás ou água, certifique-se de que o mesmo está no peso solicitado pela sua programação, utilizando a balança de pesagem;