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97028448 03 Boas Garotas Nao Vivem Para Sempre

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Nice Girls Don’t Live Forever
Boas Garotas Não Vivem Para Sempre

Jane Jameson 03

Molly Harper

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Sinopse
Nada "suga" o romance de uma viagem pelo mundo como um namorado que pode ou não ter rompido com você em um quarto de hotel em Bruxelas. O sexy Sire de Jane Jameson, Gabriel, sempre foi imprevisível, mas os sedutores e anônimos bilhetes que o esperam em cada parada da viagem internacional deles, juntamente com o seu comportamento evasivo ao longo dos últimos meses, finalmente empurram Jane para o próximo voo de volta para casa em Half Moon Hollow - sozinha, chateada, e sem ter a certeza se Gabriel acabou de romper com seu relacionamento sem realmente lhe dizer. Agora a bibliotecária-de-crianças-transformada-em-vampira está revivendo com muito sangue falso Tipo O; algum TLC1 de seus amigos coloridos e família, e seus planos para uma Nova Jane Corajosa. Primeira Etapa: Tirar sua recém-renovada livraria do oculto do chão. Segunda Etapa: Apoiar seu melhor amigo, Zeb, e sua esposa lobisomem enquanto eles se preparam para o nascimento iminente de seu bebê… ou ninhada. Terceira Etapa: Descobrir quem lhe tem mandado cartas ameaçadoras, e como seu inimigo está ligado a Gabriel. Porque, para esta boa garota, sobreviver a um coração partido está de repente se tornando uma questão de vida ou não morte...

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Do original: 'Tender Loving Care'; que é apoio, carinho, etc.

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Capítulo01
A pior coisa que você pode fazer em um relacionamento, vampiro ou não, é realmente dizer a seu parceiro que não confia nele. Mesmo que seja verdade.
- Mordidas Amorosas: Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Minha vida não começou até que eu morri.
Jane Pré-Vampira trabalhava aos sábados e feriados e todos os outros dias em que mais nenhum funcionário da biblioteca queria trabalhar. Eu nunca tinha feito nada para mim mesma. Eu nunca tinha viajado. E agora, eu era minha própria patroa. Eu tive a oportunidade de beijar o solo estrangeiro. Na verdade, foi o ladrilho da Área À Prova de Sol do Aeroporto Heathrow na primeira parada da nossa viagem - Londres. Eu acho que o meu culto da terra firme envergonhou meu Sire/namorado, Gabriel Nightengale. E os batedores de carteira foram capazes de me rotular como uma turista de imediato. Mas eu estava realmente, realmente feliz por estar fora daquele avião. Eu tenho problemas de claustrofobia. Eu nunca tive um relacionamento adulto saudável quando era uma garota viva. Então, mais uma vez, eu acabei de abandonar meu namoradode-150-anos-de-idade em um quarto de hotel em Bruxelas, por isso talvez este também não conte. Tenho quase a certeza que foi em Bruxelas. Nós fizemos bastantes paradas desde Londres. Minha escapada romântica em volta do mundo com Gabriel azedou cedo, logo depois de darmos entrada em nosso primeiro hotel em Londres. Havia um bilhete à espera de Gabriel na recepção, papel extravagantemente chique com tinta preta refinada. O que quer que ele diga, pôs Gabriel em um humor muito ruim. Assim que nos instalamos no quarto extremamente fino, ele colocou seu casaco preto novamente, disse que tinha que fazer alguns

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telefonemas, e desapareceu quase toda a noite. Minha roupa íntima de lacinhos recém-comprada levou isso muito pessoalmente. Quando ele voltou, deu-me um rápido beijo de boa noite e caiu no sono. Eu consegui dizer: — Que diabos? — em cerca de catorze línguas. Você sabe como depois de conhecer bastante bem uma pessoa, você pode dizer se ela está tentando passar um bom tempo? Bem, este fenômeno era apenas assustador em Gabriel. Ele era como um agente da Carlson Wagonlit2 a todo o gás, planejando de forma maníaca excursões toda a noite a museus, ópera, beer gardens3, festas extravagantemente intimidantes com os amigos extravagantemente intimidantes dele - qualquer coisa que nos mantivesse fora do quarto de hotel desde o anoitecer ao amanhecer. A companhia de cartões de crédito de Gabriel colocou as contas dele sobobservação por risco de fraude, visto que nós mudávamos de hotel por capricho, duas ou três vezes por cidade. Toda a vez que nós dávamos entrada, um envelope de linho creme estava esperando por ele na recepção. E toda a vez, seus olhos ficavam mais como os de Manson. Charles ou Marilyn faça a sua escolha4. Seu telefone tocava incessantemente, e toda a vez que o fazia, ele ou o deixava ir para a caixa postal ou sussurrava, "Negócios," e atendia a chamada lá fora. Eu tentei ignorar os sinais de alerta. Eu tentei dar a Gabriel o benefício da dúvida, mas uma garota só pode enterrar a cabeça na areia até certa profundidade. Ele havia me dito há meses atrás que estava tendo problemas que não podia me contar. Houve frequentes viagens de negócios durante as quais eu não conseguia alcançá-lo por telefone. E eu tinha descoberto que, em várias ocasiões, ele tinha mentido sobre o local onde tinha estado. Ele me garantira que não era outra mulher, apesar do fato de que o nome "Jeanine" tinha aparecido em seu celular várias vezes. Eu nunca tinha desejado tanto que meus estúpidos e inconsistentes poderes de leitura da mente funcionassem no meu Sire.

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Agência de Viagens. Locais ao ar livre onde são servidas bebidas, cerveja e comida local, do original alemão 'Biergarten'.

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Marilyn Manson é o nome artístico de Brian Hugh Warner. Líder e vocalista de uma banda hipônima de Shock Rock é conhecido por sua personalidade escandalosa. Seu nome artístico foi formado a partir dos nomes Marilyn Monroe e Charles Manson, mostrando o que ele considerava o último e mais perturbante dualismo da cultura norte-americana.
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Mesmo que eu ainda tivesse (furiosas, gritantes) dúvidas, eu tinha optado por acreditar nele. E agora, eu estava começando a me sentir como uma daquelas mulheres a quem as pessoas gritam: "O quão estúpida você pode ser?" quando elas inevitavelmente apareciam no Dr. Phil. Eu suponho que se deve esperar certa quantidade de drama em um relacionamento que começou com uma das partes envolvidas morrendo em uma vala enlameada de uma estrada rural escura. Eu não gosto de falar sobre a noite em que fui transformada. Todos os vampiros jovens, eventualmente, ficam bêbados com seus amigos e partilham histórias de guerra sobre como se tornaram não mortos. Eu não participo em tais farras. Por quê? A versão curta é esta: eu fui (injustamente, sem a menor cerimônia) despedida da biblioteca e substituída pela enteada mal alfabetizada e incendiária de minha supervisora. Mas em vez de receber um cheque de indenização, eu apenas consegui um certificado de presente suficiente para ficar bêbada no Shenanigans. Conheci Gabriel, o flerte deu-se em seguida. Fiquei sóbria o suficiente para conduzir, mas como resultado de circunstâncias infelizes, meu carro antigo, Big Bertha, morreu no meio do caminho para casa. Fui avistada andando pela estrada pelo bêbado da cidade, Bud McElray, que me confundiu com um veado e atirou em mim. Fui deixada na vala para morrer, apenas para ser encontrada e transformada por Gabriel. Você não se torna um vampiro apenas por ser mordido. Vampirismo não é um germe ou uma maldição cármica para pessoas que se bronzeiam demais. Para transformar alguém, um vampiro se alimenta do humano até que ele ou ela atinjam o ponto de morte, e em seguida, alimenta o iniciado com tanto sangue não morto quando ele ou ela puder tomar. O processo exige muito do Sire, razão pela qual um vampiro só transforma um punhado de 'crianças' em sua vida. Gabriel sendo meu Sire e meu namorado causou algumas complicações no nosso relacionamento. Era sua função me guiar durante a transição para o vampirismo, mas visto que eu raramente o ouvia isso não funcionou muito bem. E confrontos entre nós dois tendiam a ficar violentos..., e pelados. Assim, em vez de fazer acusações de infidelidade e teatros de hotel não mortos à Johnny Depp, eu mordi minha língua. Infernos, eu fiz um buraco na minha língua. Felizmente, eu tinha cura vampírica, por isso me curei

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imediatamente. Mas depois nós demos entrada no Hotel Mandarian Oriental em Munique, e um envelope de linho estava esperando. O olhar no rosto de Gabriel fez um carregador de malas do hotel, chorar. Nosso roteiro se tornou ainda mais preenchido. Eu era frequentemente deixada sozinha com os amigos, Euro vampiros estranhos de Gabriel enquanto ele tinha "reuniões de negócios". Eu ocasionalmente acordava ao anoitecer e não conseguia descobrir onde Gabriel estava. Claro, nós mudávamos de localização tantas vezes, que algumas vezes eu acordava e não conseguia descobrir onde eu estava. Mas isso não me fazia sentir melhor quando Gabriel entrava no quarto com desculpas esfarrapadas sobre ir comprar um jornal ou uma nova garrafa de sangue. Até mesmo meu nível de aceitação de 'mentirinhas' tinha limites. Quando Gabriel estava no chuveiro, uma noite, eu tive oportunidade de espreitar o cesto do lixo, onde ele tinha deixado os restos rasgados de seu último bilhete. Eu vi palavras como "companheiro de sangue" e "te amo". Eu juro, não foi culpa minha que a cesta tenha tombado e os pedacinhos de papel de alguma forma tenham conseguido remontar-se perfeitamente na sua ordem original. OK, tudo bem, eu abusei de minhas habilidades de quebra-cabeças. Mas se Gabriel não queria que eu lesse o bilhete, ele provavelmente deveria tê-lo queimado. Minha visão se tingiu de vermelho quando eu li frases como "Lembre-se do que somos um para o outro," "Lembre-se do que temos," "A mulher com quem você está não pode satisfazê-lo como eu o faço." Satisfazê-lo como eu o faço? No tempo presente? Gabriel tinha sido recentemente satisfeito por esta mulher? Eu caí de joelhos, atordoada por uma explosão de dor em meu peito. Se meu coração batesse, eu teria jurado que tinha arrebentado uma aorta. Ele tinha prometido. Ele tinha jurado que era fiel a mim. E, como uma idiota, eu tinha acreditado nele. O telefone tocou. Com os dedos entorpecidos, tirei o telefone do gancho e ouvi a voz do meu melhor amigo, Zeb. Lancei-me em uma falação paranoica sobre namorados infiéis. Ignorei todas as tentativas da parte dele para me fazer pensar como uma pessoa normal, ou acreditar que tudo isso seria uma coincidência muito complexa. — De que lado você está? — eu assobiei, ouvindo o som do chuveiro de Gabriel. Voltei a jogar os pequenos pedaços de papel no cesto do lixo.

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— Hm, da lógica e da razão? — Zeb sugeriu. — E por mais que eu goste de pagar dez dólares por minuto para ouvir você falar histericamente, eu liguei para te informar que houve um roubo na loja na noite passada. Depois da minha magistral sequencia de palavrões, Zeb explicou que há duas noites, alguém tinha atirado um tijolo pela janela da frente e saqueado o estoque. Curiosamente, alguns dos itens mais valiosos - estatuetas e cristais e objetos cerimoniais - tinham sido ignorados em favor de rasgar caixas de livros. Livros foram jogados, suas lombadas rachadas ou danificadas, as descrições de Zeb das mesmas foram suficientes para me fazer produzir sons angustiados em várias línguas diferentes. Zeb disse em uma voz suave. — Felizmente, eles não sabiam o quão valiosos eram alguns livros, porque eles não levaram nada. — Que tipo de assaltantes desprezíveis não leva nada? — eu perguntei, agarrando-me a qualquer desculpa para não ter que pensar sobre a onda nauseante de dor que rasgava o meu corpo. Eu podia fazer isto. Eu podia ultrapassar isto. Eu apenas tinha que me concentrar no que Zeb estava dizendo. — Eu não sei. O Sr. Wainwright estava na cidade com sua tia Jettie, por isso ele não serviu de ajuda. A minha teoria é que um dos antigos clientes da loja de vídeos adultos ficou confuso e estava em busca de sua dose diária recomendada de estímulos visuais. — Zeb disse enquanto eu tirava minha mala para fora do armário. — Dick pensou que foi alguém que procurava algo específico, mas que não conseguiu entender seu estranho sistema de organização de prateleiras. — Sim, ordem alfabética é muito revolucionária. — eu bufei. — Então, de quanto dano estamos falando? — Não muito. Para além da janela quebrada e dos livros espalhados, nada. O que, para mim, diz que os ladrões tinham mais de trinta anos. Nenhum adolescente irritado podia deixar passar a oportunidade de estragar paredes recém-pintadas e uma máquina de café novinha em folha. — Olhe, estou voltando para casa no próximo voo. — eu disse, atirando roupa aleatoriamente na minha mala.

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— O quê? Não, Jane, não há nenhuma razão para fazer isso. Dick e Andrea podem cuidar de tudo. Andrea é quase tão anal-retentiva5 como você. Ela está fazendo um ótimo trabalho. — Estou voltando para casa, Zeb. — eu repeti. — Jane, não transforme isto em um..., você está desligando, não está? Droga, Jane! — ele gritou quando eu pousei o receptor telefônico de volta no aparelho. Gabriel saiu do banheiro, seus quadris envoltos em uma toalha branca enorme. Seus profundos olhos cinzentos observaram cautelosamente minha mala pronta e o telefone. — Com quem você estava falando? Minha cabeça levantou abruptamente, e foi preciso toda a minha força de vontade para não jogar a cabeceira contra ele, do outro lado do quarto. Eu queria gritar, bater nele até que lhe doesse tanto quanto em mim. Mas eu não podia. Eu tinha me tornado dormente. Vazia. Respirei fundo algumas vezes, relaxei minha mandíbula, e me concentrei em manter meu tom neutro, não afetado. — Houve um arrombamento na loja. Preciso ir para casa e cuidar da situação. — eu disse, fechando a mala. — Se você puder mandar o resto das minhas coisas para casa, eu apreciaria. Olhei para cima, esperando ver alguma resposta por parte de Gabriel, algo que revelasse que ele queria que eu ficasse. Mas ele parecia aliviado. Soltou um suspiro e deslizou para dentro de um par de jeans pretos. — Bem, se você tem que ir, você tem que ir. É provavelmente melhor assim. E depois ele me ajudou a embalar as coisas. Era como levar um tapa de indiferença. Ele honestamente não se importava se eu estava lá ou não. Eu poderia ter acabado de anunciar que ia dar um salto do telhado, e ele teria apenas balançado a cabeça em concordância. — Bem, OK, então. — eu murmurei, vestindo meu casaco. — Vejo você quando você voltar. Depois de terminar o negócio.

Do original anal-retentive, é utilizado convencionalmente para descrever uma pessoa que presta tanta atenção aos detalhes que a obsessão se torna um aborrecimento para os outros; o termo deriva da psicanálise freudiana.
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— Vejo você em breve. — ele prometeu, quando me deu um beijinho estéril na testa. Era um beijo de dispensa fraternal. — Isto é realmente o melhor. Eu acho que podemos ambos concordar que esta viagem não correu como esperávamos. Eu ligo para você. Quando a porta literalmente me bateu na bunda enquanto eu saía, eu fiquei abismada com a constatação de que Gabriel tinha acabado de usar platitudes clássicas para romper comigo. Ele acabou de romper comigo e nem sequer teve a decência de me dizer? Agora bem e verdadeiramente chateada, eu levei minha bagagem para a recepção. Você sabe aqueles filmes franceses, onde uma amante cansada sobe em um táxi usando um xale enorme e óculos de sol Jackie O enquanto Paris lentamente se desvanece no plano de fundo? E enquanto ela é conduzida para o aeroporto, eles podem até mostrar uma solitária lágrima reluzente escorrendo pelo seu rosto? Sim, a imagem é dramática e glamourosa, mas vivê-la é simplesmente uma droga. Se você é não morto e teima em viajar, eu devo sugerir a Companhia Aérea Virgem, Vampiros no Ar. Confie em Richard Branson para encontrar um nicho de mercado que envolva janelas cuidadosamente protegidas e uma seleção de sangue constantemente aquecido a exatamente 37ºC. Além disso, poucos pais estavam dispostos a levar bebês chorões para um avião cheio de vampiros, por isso é abençoadamente silencioso. Arrastei minha carcaça cheia de protetor solar e Jet-lag pela zona de reivindicação de bagagem de Nashville International às 4 da manhã para encontrar Zeb me esperando, segurando um sinal que dizia: "Serviço de Turismo Não Morto." Apoiei meus óculos em cima da minha cabeça e sorri. — O que você vai fazer quando mais alguém aparecer que entre na descrição? — O que você me trouxe? O que você me trouxe? — ele perguntou, pulando para cima e para baixo. — Garrafas pequeninas de licor do mini-bar. — eu disse, segurando minha mala com orgulho e batendo com ela no peito dele. — Infelizmente, isso é a mesma coisa que meu tio Ron me deu no Natal. — ele bufou, colocando minha pequena bagagem de mão em seu ombro. — Enrolei-as em toalhas de hotel de quatro países diferentes. — eu acrescentei.

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Ele sorriu. — Excelente. Eu, na verdade, tinha lhes comprado, para ele e para Jolene, um conjunto de lençóis super caro e alguns salgadinhos refinados de Harrods. As toalhas de hotel eram para mim. Chegamos ao carro de Zeb, jogamos minhas malas no banco de trás, e tomamos nossos lugares na frente. Zeb ligou o carro e pagou a taxa de estacionamento exorbitante. — Então, conte-me tudo. Onde você foi? O que você viu? — Fui a algumas festas, conheci pessoas estranhas e mal-humoradas. Vi alguns museus ótimos e restaurantes, mas estar na França e não ser capaz de comer chocolate é absolutamente masoquista. Oh, nós vimos Carmen atuando em Viena. Você sabia que toda a primeira música é sobre fumo de cigarro? — Eu não sabia disso. — Zeb admitiu. — Mas estou surpreso de você não saber isso. — Oh, ah ah. Então, onde está sua adorável esposa? — perguntei quando virávamos para a interestadual. — O que ela está fazendo, deixando você ir para Nashville depois da meia noite? Ela não sabe que você se perde? Zeb fez uma careta. As coisas entre Jolene e Zeb tinham andado tensas ultimamente. Eles ainda estavam tentando construir uma casa na terra que eu lhes tinha dado como presente de casamento. A casa estava demorando a ficar pronta porque a família de Jolene os estava pressionando para voltarem para o terreno de família dos McClaine. Lobisomens eram notoriamente territoriais, e Jolene era a primeira McClaine a viver 'fora da vista' desde que eles se instalaram em Hollow há 200 anos. A família é dona de várias empresas em Hollow, incluindo várias empresas de construção. E o que eles não possuem, podem influenciar com dominância masculina lobisomem, assustadora. Então, dizer que era difícil para Zeb e Jolene fazerem com que os empreiteiros aparecessem - se arriscando a chatear os parentes de Jolene - muito menos concluísse o trabalho, é um eufemismo. Para complementar, o trailer novinho em folha que lhes tinha sido oferecido como um incentivo para irem viver no terreno dos McClaine tinha se evaporado misteriosamente quando Zeb e Jolene anunciaram que iam construir sua própria casa, deixando os recém-casados com o trailer recentemente desocupado pelo primo guitarrista de Jolene, Larry. E só se pode viver no interior de um trailer saturado de cannabis durante certo

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tempo antes que o casamento comece a parecer algo como a última metade de O Iluminado6. Eu diria que Zeb é um santo por aturar tanta interferência de seus sogros, mas a família dele também não é nenhuma maravilha. Vamos apenas dizer que uma das atividades de família de Natal favoritas dos Lavelle é se reunirem em torno da TV e assistirem aos melhores momentos do episódio dos COPS7 "Cidades Rurais Desordeiras". A mãe de Zeb, Ginger Lavelle, tinha um número de razões para se afastar de mim ultimamente, a mais recente era que eu me tinha recusado a deixá-la arruinar a lua de mel de Zeb. Para degradar Harry Potter, eu era a “Guardiã do Segredo” de Zeb, do seu destino de lua de mel. Zeb disse à família que ele e Jolene iam para os refúgios da montanha de Gatlinburg, quando, na verdade, ele levou sua noiva enrubescida para Biloxi, para uma semana de camarão do Golfo, minigolfe, e bendito silêncio. A informação de hotel deles foi selada em um envelope e me foi entregue com as instruções de que ele apenas deveria ser aberto se alguém morresse ou ficasse incapacitado..., bem, mais incapacitado do que o habitual. Apesar de constrangida pelo seu comportamento disparatado contra o casamento, mamãe Ginger apenas podia permanecer castigada por um tanto tempo. Irada por não ser capaz de localizar o filho depois de ligar para todos os hotéis em Gatlinburg, mamãe Ginger me ligou exigindo que eu lhe desse a localização e o número de telefone naquele momento, porque ela estava tendo dores no peito e estava sendo levada para o hospital. Habituada a este truque, eu me recusei. Ela mudou de tática e disse que precisava do número porque o pai de Zeb, Floyd, tinha deixado cair um isqueiro automático de cigarros em seu colo enquanto dirigia e estava sendo tratado por várias queimaduras de terceiro grau em áreas sensíveis. Enquanto esse cenário era muito mais plausível, eu ainda retive o número, o que levou mamãe Ginger a anunciar que nunca falaria comigo novamente. Eu não estava devidamente devastada por este anúncio, o que só fez mamãe Ginger ficar mais irritada. Mamãe Ginger manteve durante muito
É um filme estadunidense de 1980, baseado no livro homônimo de Stephen King. Passa-se no contexto de uma família isolada em um hotel, do qual tomam conta, cujo pai, escritor, sofre da antes introduzida Síndrome da Cabana, que ocorre quando pessoas vivendo muito tempo enclausuradas se rebelam umas contra outras.
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Série televisiva policial.

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tempo a esperança de que Zeb e eu um dia nos casássemos, mas agora que ela sabia do meu 'estado lamentável', ela estava um pouco envergonhada de ter querido um vampiro como nora. Ela ainda era menos do que civil com Jolene. Mas ela agora preferia a nora a mim, porque pelo menos Jolene não era um vampiro. Claro, Zeb ainda não tinha contado a parte de sua esposa ser um lobisomem, mas isso não importava para o assunto. Eu prometi a mim mesma que ia recuar e parar de interferir no relacionamento de Zeb e Jolene, mas era muito mais saudável do que falar do meu próprio relacionamento. Então, eu acho que ganhei passagem só desta vez. — Diga-me que você não tem andado assistindo ao The Howling8 novamente. — eu gemi. — Você sabe que é apenas um filme. Zeb me deu um olhar distintamente não divertido, e depois suspirou. — O casamento é um pouco mais difícil do que eu achei que seria. Apenas coisas normais, você sabe. Coisas que irritam um ao outro. — ele começou a enumerar os numerosos defeitos de Jolene com os dedos. — Ela rói as unhas dos dedos das mãos e dos pés. Ela não consegue evitar responder às perguntas do Jeopardy em voz alta, mesmo quando sabe que está errada. Ela perde pelo. Ela colocar ketchup em seus rolinhos de ovo. — Blasfêmia. — eu estremeci. — E por muito que seja do meu próprio interesse pessoal não interferir em seu casamento e recuperar toda a sua atenção, você percebe que está casado com, inegavelmente, uma das mulheres mais bonitas do planeta. E você é um educador de infância do sexo masculino que coleciona bonecas. — Figuras de ação. — ele corrigiu. — E ela ficou com você, apesar do fato de sua mãe ter tentado fazer alterações nas personagens do casamento durante o ensaio e ter hipnotizado você com a ajuda de uma psíquica barata para que você deixasse Jolene no altar. — A família dela colocou uma armadilha para ursos em mim! — ele bufou. — Bem, isso só significa que suas famílias se anulam mutuamente. Ele riu; sua expressão suavizando. — Ela está grávida.
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Filme sobre lobisomens.

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Meu queixo realmente chegou ao meio do meu peito. — Bem, isso explica o ketchup nos rolinhos de ovo. Minha garganta apertou ao pensar em Zeb tendo um bebê. Isto era tão grande, o último passo de Zeb em direção à maturidade. Eu vou admitir que estivesse um pouco ciumenta. Eu estava sendo deixada para trás novamente. Zeb estava fazendo algo que eu nunca faria. Mas, como eu havia descoberto no ano passado quando a mãe de Zeb deixou uma criança na minha porta em uma tentativa de impulsionar meu relógio biológico, eu não estava talhada para a maternidade. E como eu já não tenho um pulso, eu não posso ter filhos - o que funciona muito bem. — Mas isso é uma coisa boa, certo? — balancei seu ombro. — Vou ser uma tia honorária. — É uma coisa ótima, exceto que a ideia de ser responsável por uma família inteira meio que me assusta como os diabos. Nós queríamos ter filhos imediatamente, e dada à forma como a sua família é fértil, sabíamos que não havia contracepção na terra que funcionasse. Mas esse não é realmente o nosso problema. A mãe dela aparece todos os dias. As tias delas estão sempre trazendo comida, ou colocando cortinas que fizeram, ou movendo os nossos pratos nos armários sem pedir. E Jolene deixa. E os homens! Se eles não recuam e deixam um empreiteiro vir terminar a casa, nós vamos criar seus netos em um trailer cheio de panelas. É isso que eles querem? Eu estou apenas frustrado e me sinto..., impotente. — Bem, obviamente, esse não é o caso. Para quando está previsto? — Em cerca de quatro meses. — ele disse. — O quê? Ela estava grávida antes do casamento? E você não me disse! Zeb revirou os olhos. — Não. É uma coisa de lobisomem. A gravidez média do lobo é de cerca de sessenta dias. Lobisomens meio que dividem a diferença, para cinco meses. — Wow. Então, você tem pouquíssimo tempo para se preparar para este bebê - bebês? Quantos filhos Jolene terá? Vai ser como uma ninhada? Zeb parecia horrorizado. — Sério; você não tinha pensado nisso antes? — perguntei quando pequenas gotas de suor apareceram em sua testa. — Há quatro pares de gêmeos só entre os primos de primeiro grau de Jolene.

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— Eu ainda estou processando tudo! — Zeb gritou. — Talvez eu deva dirigir. — eu sugeri. — Não, vamos falar sobre porque você acha que Gabriel de repente começou a te trair. Isso vai me manter acordado. — Não vamos. — eu lhe disse. — Eu não quero reviver a coisa toda. Eu só quero fingir que não aconteceu. — Porque a negação geralmente funciona tão bem com você. — Eu vou fingir que acabei de ouvir isso. Devemos parar na loja? Eu gostaria de ver os danos, saber no que estou me metendo. — eu disse. — Seu relógio interno deve estar desligado, viajante do mundo. Vai amanhecer em breve. — ele acenou para o céu azul-cinza clareando no horizonte. — Nós vamos apenas ter tempo para chegar a sua casa. Enquanto o céu se tornava lilás, eu deslizei debaixo de um cobertor e cochilei na última hora antes de chegarmos à mansão de família, River Oaks. Mais chalé inglês do que uma abastada plantação da Geórgia, River Oaks é no fundo, apenas uma fazenda antiga que por acaso foi construída antes da Guerra Civil. Apesar de eu ter passado as últimas semanas em edifícios muito mais velhos e mais elegantes, minha casa nunca parecera tão bonita. Beijei as bochechas de Zeb, resmunguei uma boa noite, e corri para a porta com o cobertor sobre minha cabeça. No meu quarto, em lençóis que deviam ter sido lavados há semanas e com um pouco de mofo, eu me deitei e, por razões que eu ainda não tinha processado, chorei.

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Capítulo02
Relacionamentos bem-sucedidos são acerca de compromisso. Se você concorda em não mencionar ex-namoradas durante discussões, ele deve concordar em não procurar seus antigos namorados humanos e matá-los.
- Mordidas Amorosas: Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos.

O problema com dormir durante o dia é que as pessoas tendem a
superestimar as alegrias das visitas madrugadoras. Tudo começou cerca de uma hora depois de eu ter finalmente adormecido, quando tia Jettie passeava pela casa e descobriu minha bagagem perto da porta. — Neném, você está de volta! — ela chorou, se materializando ao lado da minha cama. — Gah! — eu gritei, saltando para fora da cama e me agarrando ao teto. — Bater! Tia Jettie! Nós temos uma regra sobre bater! Minha tia/companheira de quarto, fantasmagórica favorita colocou as mãos transparentes sobre seus quadris. — Oh, desça do teto e deixe-me olhar para você. Eu não vejo você há semanas. Não me faça flutuar até aí a cima, isso me faz tonturas. Jettie Belle Early, irmã de minha avó Ruthie, me colocou sob sua asa quando eu tinha seis anos e quando Ruthie e eu descobrimos que éramos basicamente incompatíveis. (Vovó Ruthie queria me dar um permanente caseiro e me inscrever no concurso Pequena Miss de Half-Moon Hollow. Eu me escondi no sótão durante todo o dia para evitar o permanente, fingindo que era Anne Frank.) Eu passei verões inteiros com Jettie em River Oaks, que ela herdou após passar seus anos de formação cuidando do pai idoso. Este foi um grande choque para a avó Ruthie, que já tinha feito planos para reformar a casa em tempo para a excursão anual da sociedade local de casas históricas.

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Tia Jettie foi um pilar em cada momento importante na minha vida. Foi tia Jettie que me ajudou a preencher a papelada para o auxílio financeiro para a faculdade. Foi tia Jettie que me convenceu a permanecer na escola e a tirar o meu mestrado em ciência bibliotecária para que a biblioteca pública não tivesse nenhuma escolha a não ser me contratar. Foi tia Jettie que me ajudou na minha primeira noite como vampira. Era o rosto, de cabeça para baixo, de tia Jettie que estava sorrindo para mim com expectativa. — Eu senti sua falta, também, tia Jettie. — eu grunhi enquanto tirava minhas unhas do gesso e pulei para cama. — O Sr. Wainwright está aqui? Ela sorriu ao pensar em seu namorado, que também era meu recentemente falecido chefe. — Não, ele está realmente se sentindo culpado pelo arrombamento, por isso está montando guarda na loja. Eu disse a Zeb para não te incomodar com isso, mas ele insistiu que você iria quere saber. Porque seus olhos estão todos inchados? — Oh, são apenas os franceses. — eu disse, limpando o oh-tão-atraente rasto de lágrimas sangrentas secando nas minhas bochechas. — Eles são tão malditamente rudes. — Eu pensei que você estava em Bruxelas. — Jettie disse quando eu voltei para a cama. Fora da janela do meu quarto, dedos de sol se arrastavam para flertar com as bordas das minhas cortinas blackout. Meu relógio interno me disse que eram quase seis horas da manhã, e eu estava tão cansada que podia sentir o cansaço se alastrando pelos meus membros. Tia Jettie puxou as cobertas até meu queixo enquanto perguntava. — Onde está Gabriel? — Ainda em Bruxelas. — eu disse. — Ele tinha que cuidar de algumas coisas. Jettie estudou meu rosto em seu método de raios-X enervante. Felizmente, qualquer sabedoria penetrante de sua parte foi cortada pela aparição repentina de minha mãe na porta do meu quarto. — Oi, neném! — mamãe gritou. — Graças a Deus você está de volta! — O que diabos há de errado com vocês? — eu rosnei, jogando um travesseiro para ela. — O que você está fazendo aqui tão cedo? — Oh, eu tenho vindo todos os dias para cuidar da casa. — ela disse, atirando os braços em torno de mim. — Deixe-me olhar para você! Oh,

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nunca mais vá embora durante tanto tempo, querida. Eu fiquei tão nervosa por não ser capaz de vê-la ou ver se você estava bem. A ideia de mamãe de um bom local para férias era o Hotel Abacaxi Azul na praia Panamá City, na Flórida. Ela não entendia porque para mim era necessário ver o mundo ou porque era necessário fugir para "Deus sabe onde" e compartilhar quartos de hotel com um homem com quem eu não estava casada. Ela insistia que os hoteleiros saberiam que não éramos um casal casado e que nós daríamos uma má impressão da América às pessoas. Eu lhe disse que se os turistas americanos ainda não tivessem feito isso por comerem queijo de corda enquanto visitava o Louvre, eu duvidava que meus hábitos de sono pré-matrimoniais os incomodariam muito. Ela não riu. As previsões de tragédias de viagem de Mamãe incluíam eu ser roubada. (Eu tenho superpoderes, portanto não era provável.) Ou o desenvolvimento de uma intoxicação alimentar. (Eu não como, por isso era ainda menos provável.) Ou ficar com uma erupção por causa do sabão do hotel. (OK, isso aconteceu, mas desapareceu logo.) Mas eu duvidava que ela tivesse tido uma previsão do rompimento absurdo que eu tive. Ela definitivamente teria me avisado. Espere um minuto. Meu cérebro finalmente captou o que ela tinha acabado de dizer. — Você tem vindo aqui na casa quando eu não estava presente? — eu perguntei. Mamãe me deu sua expressão patenteada de "Bem, é claro, estou invadindo sua privacidade, boba!". — Você nos deu uma chave para emergências. Alguém tem que regar suas plantas. — Eu não tenho plantas. — apertei o travesseiro sobre minha cabeça e murmurei, — Eu estou na fossa. Mamãe fingiu não me ouvir, e em vez disso deixou uma pilha de envelopes caírem no meu colo. — Aqui, querida, eu guardei sua correspondência enquanto esteve fora. — Toque na cortina, e eu não vou te dar seu presente. — eu não me incomodei em olhar para cima enquanto Mamãe se aproximava da janela. Mamãe pensou durante um momento e depois se afastou.

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Em termos gerais, mamãe tinha parado de tentar mudar minha condição de vampira. Isto era bom, porque eu estava fora do caixão para a maioria da comunidade. Eu era um dos poucos vampiros em Hollow que escolheu viver exposta e manter relações com os vivos. Estudos mostravam que a maioria dos vampiros transformados desde que o consultor fiscal/vampiro Arnie Frink nos expôs com seu processo de direito-de-trabalhar, desapareciam ou se mudavam para grandes cidades como New York ou New Orleans. Eles se assimilavam nas grandes populações de vampiros e aprendiam a se ajustar a seus novos estilos de vida..., ou seus vizinhos alegavam não saber como eles caíram em uma poça de gasolina e em seguida, viajaram até uma pilha de folhas em chamas. Graças, em grande parte, à minha antiga supervisora, a Sra. Stubblefield, a notícia do meu vampirismo tinha percorrido oficialmente o circuito de fofocas do salão de beleza e da cozinha. Mamãe disse que as pessoas tinham parado de falar quando ela entrava na igreja para os cafés pré-missa nas manhãs de domingo, o que significava que a congregação de Half-Moon Hollow da Igreja Batista também sabia. Ela ficou em casa alguns dias. Mas desde que um membro bem conhecido do elenco de All My Children se expôs como pai de um vampiro e Oprah fez um show com os Amigos e Família dos Não Mortos, mamãe concluiu que eu ser um vampiro a torna 'atual'. Ela agora me apresenta como sua “filha vampira”, mesmo a pessoas que eu conheço desde pequena. Ela tem um pequeno adesivo com dois triângulos brancos invertidos em um fundo preto, o símbolo internacional de apoio aos direitos dos vampiros. Ela até insistiu em participar numa reunião dos Amigos e Família dos Não Mortos, que, felizmente, tiveram que suspender as atividades após o fechamento de a Taça do Viajante, o restaurante hippie onde ocorriam os encontros. Claro, mamãe ainda abastecia meu congelador com tortas caseiras para me tentar a desistir da minha dieta líquida. Ela apareceu quando eu estava dormindo e abriu as janelas, esperando que eu lentamente construir tolerância à luz solar. Tanto quanto ela me amava e à nova moda, mamãe estava determinada a ter uma filha normal. Mesmo que isso me matasse. Vasculhei pela alarmante pilha de correio enquanto mamãe andava pelo meu quarto, recolhendo roupa suja. Eu tinha sido aprovada para um cartão com um limite de crédito obscenamente alto que eu não tinha pedido. Eu tinha sido aceita como o mais recente membro da Câmara do Comércio de Half-Moon Hollow, que eu tinha pedido. Minha carta para o editor do boletim da Associação da Biblioteca Americana em relação à necessidade de

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mais recursos amigos-de-vamps e horas noturnas foi rejeitada. O envelope refinado se sobressaía como um polegar ferido entre as promoções brilhantes. Minhas mãos tremiam um pouco enquanto eu o virava em minhas mãos. A amiga misteriosa de Gabriel finalmente tinha decidido entrar em contacto comigo? Imaginem meu espanto quando vi o rótulo impresso sofisticadamente endereçado a "Senhorita Jane Janeson" do Comitê High Alumni de Half-Moon Hollow. "Senhorita" estava sublinhada. Duas vezes. — Oh, não. — O que se passa, querida? — mamãe perguntou, dobrando os meus jeans com dobras direitas. Abri o convite elegantemente decorado, decorado com uma palmeira. — Minha décima reunião de ensino médio é este ano. Ugh. E Sue Ann Caldwell é a nossa presidente de classe. Eu preferia enfrentar um antro cheio de zumbis do que ir a essa coisa. — Bem, porque na terra você diria isso? — mamãe chorou. — Você se divertiu tanto no ensino médio. — Não, isso foi Jenny, a líder de torcida. Eu era a de aparelho nos dentes e trombone. Mamãe estremeceu com o veneno na minha voz quando eu disse o nome de Jenny. Minha irmã mais velha perfeita não estava falando comigo por diversas razões, incluindo o encerramento de seu processo contra mim. O juiz teve esta ideia maluca de que a propriedade que me foi passada em um testamento legal e vinculativo deveria permanecer minha, mesmo que eu tecnicamente já não estivesse viva. Isto, combinado com o seu desgosto geral pela forma com que lidei com a exposição do seu potencial próximo avô ghoul, a tinha levado a dizer à mamãe que eu estava oficialmente morta para ela. Mesmo mamãe viu a falta de lógica nessa afirmação, mas ela se recusou a comentá-lo. Astuta, loira, e nascida com uma curva natural para desdém em seu lábio, Jenny era o gêmeo yin que adorava Martha9, para o meu yang que nunca-nem-mesmo-considerou-cozinhar. Ela era a indisputável "boa filha" entre nós. Ela raramente discordava com a mamãe. Ela gostava da maioria
Referência a Martha Stewart, que é uma apresentadora de televisão e empresária estadunisense, que é usada muitas vezes como ícone de uma dona de casa extrema.
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das coisas que mamãe amava: colchas, ler romances de inspiração sobre garotas Amish, passar roupa em vez de simplesmente as jogar na máquina de secar por alguns minutos. E ela tinha cumprido seu dever para com a família, ao ter dois detestáveis descendentes, Andrew e NÃOLEMBROONOMEDOOUTRO. A vida era estranhamente calma e sem graça sem a irritação e desaprovação de Jenny. Eu sempre pensei que seria muito melhor ser filha única, mas agora, eu meio que sentia a falta dela. Claro, eu nunca iria admitir isto, nem mesmo sobpena de morte e/ou ameaça de ter que assistir a uma maratona Baywatch. Mamãe revirou os olhos em um gesto que foi de alguma forma tanto de exasperação como carinho. — Oh, você tem que ir. Jenny foi à sua décima reunião, e ela se divertiu imenso. Examinei o convite. — Jenny organizou sua reunião de ensino médio. Eu tenho certeza que ela se divertiu muito. Oh, vamos lá. O tema da nossa reunião é ‘Paraíso Encantado’, que foi o tema do nosso baile de formatura. Eles não tiveram uma ideia original desde então! — Eu só acho que seria bom você ir para ver que algumas das pessoas que foram à escola contigo não eram tão assustadoras como você imaginava. Você lhes deu um monte de poder sobre ti. Talvez te fizesse bem. — Hmph. — Quando eu fui à minha décima reunião, todo mundo tinha ficado careca e gordo. A rainha do baile de finalistas estava casada com o Rei Fossa Séptica. — Isso o torna um pouco mais tentador. — eu admiti. — Eu vou descer para pôr a roupa para lavar. Você descanse. — Isso não é necessário, mamãe, sério. — Oh, não seja boba. Eu tenho certeza que você não teve tempo de encontrar uma lavanderia quando vocês andaram vagabundeando por Deus sabe onde. — Na verdade, os hotéis tinham serviços de lavanderia muito legais. Eu nem sabia que os hotéis faziam isso.

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— Você deixa os estranhos lavarem suas roupas, mas você não quer que eu o faça? — mamãe arfou. — Se isso fará você feliz e me deixará voltar a dormir, lave à vontade. — eu lhe disse. — Sem problema, querida. — mamãe pegou as roupas sujas recentemente dobradas e saiu. Ela espiou de volta pela minha porta do quarto. — Você estava apenas brincando sobre os zumbis, certo? Eles não são reais? Puxei uma máscara de dormir para meus olhos e não respondi. Minha mãe engomou meus jeans. Com goma. E porque eu sou obviamente incapaz de lavar minha própria roupa de forma adequada, Mamãe reuniu todas as minhas roupas lavadas do meu armário e lavou também essas enquanto eu dormia. Então, sem outra opção de calças, eu estava praticamente sem liberdade de movimentos na loja, ao estilo John Wayne. No caminho para Livros Especializados, eu trabalhei em meu plano de autoaperfeiçoamento, uma lista de tarefas pessoais, se preferir. Eu tinha levado demasiado tempo para me adaptar ao meu novo estilo de vida vampírica, usando-a como desculpa para continuar flutuando, reagindo aos problemas quando eles aparecessem. Não era surpreendente, realmente, que quando você considera que se houvesse um prêmio de "Mais Provável de Ficar Paralisada Por medo De Mudança", uma imagem boba de mim tivesse sido destaque no meu anuário do ensino médio. Eu tinha que me tornar proativa. Eu tinha que exigir coisas do universo. Eu tinha que começar a chutar alguns traseiros..., embora não no sentido físico, porque eu tinha praticamente, perdido ou quase perdido, toda a luta em que entrei desde que fui transformada. Seguindo em frente. Meu plano para me tornar uma Nova Jane Corajosa era algo assim: (1) Desenvolver um relacionamento romântico normal e saudável, de preferência com Gabriel; (2) Criar uma carreira que me fizesse sentir realizada;

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(3) Exigir que minha família me ame sem julgamento. Mesmo que isso signifique alugar uma nova família através da internet; (4) Encontrar uma solução para a paz mundial. Eu posso viver sem o último, embora eu saiba que é muito mais provável que os outros três. Considerando que eu estava de relações cortadas com uma irmã e um namorado, até agora eu tinha falhado miseravelmente na lista - com exceção da loja. Estava quase irreconhecível, e não só porque eu tinha destruído uma parede e a expandido para a loja de filmes pornô do lado. Para além da madeira que Dick tinha pregado sobre a janela quebrada, não havia sinais de arrombamento. Livros que poderiam ter sido danificados pelas mãos dos ladrões foram colocados cuidadosamente sobre o balcão. O resto estava empilhado a esmo sob uma capa de plástico pesada. O espaço havia sido realinhado, expandido. O balcão da frente, ainda o mesmo com vitral e bordo de carvalho antigo que o Sr. Wainwright tinha deixado para trás, tinha sido movido para mais perto da porta. Um novo tapete bege tinha sido colocado e estava preparado para os parafusos necessários para montar o sistema de prateleiras novo, um sistema de prateleiras que iria realmente permitir aos clientes encontrarem o que queriam e navegar de volta para a saída da loja, nenhum dos quais era incentivado pelo sistema anterior. Enquanto eu planejava oferecer alguns livros de interesse geral e de literatura clássica, o inventário se concentraria em necessidades vampíricas: livros de culinária, história, finanças, consultoria para investimentos. Eu já tinha encomendado duas centenas de exemplares do Guia para os Recentemente Não Mortos. As paredes estavam pintadas de um azul meia-noite alegre com uma pitada de estrelas de prata cintilantes - sugestão de Andrea, para evitar que o lugar se tornasse “demasiado sério”. Eu podia ter optado pelas estereotipadas paredes vermelho-sangue e superfícies em preto lacado, mas eu não acho que isso seria muito relaxante para os clientes. Se não fosse pelo aquecedor de sangue junto da máquina de café expresso e o quadro-negro anunciando 'Mocha Latte Tipo A, barata e sem gordura' (a tentativa de Dick de estabelecer relações com os nossos clientes yuppi 10, loja seria como
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"Yuppie" é uma derivação da sigla "YUP", expressão inglesa que significa "Young Urban Professional"

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qualquer livraria intencionalmente lunática de uma cidade pequena.) Era um progresso notável, considerando que a primeira vez que eu tinha entrado na loja, faltou pouco para que uma prateleira caísse em cima de mim. Apesar da minha perambulação pela loja uma noite e de ter reorganizado as pilhas de livros sem permissão do antigo proprietário, o Sr. Wainwright, tinha me contratado na hora pelas minhas capacidades de organização e amor raivoso pelos livros. Ele se tornou um avô de aluguel, um mentor, e um amigo próximo. Mesmo ele tendo morrido no ano anterior, ele estava mais feliz do que já tinha alguma vez sido, muito contente por assombrar Hollow e buscar uma relação logicamente incompreensível com a minha tia Jettie. Quando ele me deixou a loja em seu testamento, eu tinha considerado fechá-la. Mas, além da biblioteca, Livros Especializados tinha sido o único lugar onde eu me sentira em casa. Eu adorava o cheiro dos livros, a estranha e absurda variedade de títulos. Eu adorava as recordações que tinha do Sr. Wainwright, suas peculiares observações, suas histórias de uma vida inteira buscando pelo mundo por criaturas paranormais. Eu podia imaginá-lo, de pé no final do balcão, dando-me aquele carinhoso sorriso um pouco confuso. Foi nesse momento que eu percebi que não estava imaginando o Sr. Wainwright. Ele estava em pé, no fim do balcão, dando-se aquele carinhoso sorriso um pouco confuso. — Sr. Wainwright. — suspirei para a aparição e, me esquecendo de que ele era incorpóreo, tentei jogar meus braços em volta dele. Acabei caindo através dele, uma sensação úmida de entrei-no-chuveiro-muito-cedo me atravessou, fazendo-me cerrar os dentes. — Onde você esteve? — eu perguntei. — Eu não vi você desde que cheguei. Senti sua falta. — Para ser honesto, eu estava um pouco envergonhado para enfrentar você. — ele disse, torcendo as mãos. — Eu passei menos e menos tempo na loja quando você foi. Isso aconteceu desde que... — Você começou a desfrutar da companhia da minha tia-avó. — Sim, obrigado. — ele pigarreou. — E aconteceu que a loja sendo tão mudada, me perturbou mais do que eu esperava, e eu não tenho querido gastar tanto tempo aqui.

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— Oh, não. — eu estava doente. Quando o Sr. Wainwright me tinha dado sua bênção para queimar a loja pelo dinheiro do seguro se fosse necessário, eu comecei com as renovações, pensando que se ele estava bem com um incêndio, então, sem dúvida uma pequena remodelação não iria incomodálo. Eu era uma idiota. Uma completa e absoluta idiota. — Eu apenas não sabia quanta mudança você julgaria necessária. Eu não levo isso como um insulto pessoal, querida. Eu só não esperava que tanto acontecesse tão rápido. — Eu sinto muito, Sr. Wainwright... Ele acenou para longe minhas desculpas. — O ponto é que eu te disse que ficaria de olho na loja enquanto você estivesse fora, e é minha culpa que alguém tenha arrombado a loja. Eu não estava aqui. — Ei, não jogue o jogo da autoculpa com a campeã mundial, ok? Não é como se eles tivessem feito muitos danos, Sr. Wainwright. Não é grande coisa. Além disso, você não está amarrado ao lugar. Você tem direito a ter uma vida..., ou não, conforme o caso. — eu me encolhi. Levou ao Sr. Wainwright uma batida para compreender a insensibilidade do que eu tinha acabado de dizer, mas depois ele piou. Eu ri, e depois ele entrou em um festival fantasmagórico de riso, o que era um fabuloso quebra-gelo emocional. Limpei meus olhos, tentando me recompor. — Alguma ideia de quem possa ter invadido a loja? Houve pessoas suspeitas andando por aí? Mais suspeitas do que as que normalmente temos? — Não. Se tivesse havido, eu lhes teria dado o que sua tia Jettie chama de o usual. — Calafrios, arrepios, um vago sentimento de mal-estar como se tivessem deixado o ferro ligado? — eu perguntei. O Sr. Wainwright assentiu. — Porque você não vai visitar a tia Jettie? — eu sugeri. — Eu vou estar aqui por um tempo. — Bem, nós realmente nos acostumamos a ter a casa só para nós enquanto você esteve fora... — Sem mais detalhes, por favor. — eu disse, levantando as mãos. — Basta ir e se divertir, de uma forma em que eu nunca tenha que pensar.

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— Obrigado. — ele disse, desvanecendo-se ligeiramente. — E Jane? — olhei para cima, e ele sorriu para mim. — Senti saudades suas também; querida. O Sr. Wainwright piscou para mim e se dissolveu no ar. Fora da loja, eu ouvi o motor da El Camino11 de Dick rugindo até parar. Ri e corri para a porta. Richard Cheney, que, por razões que eu não entendia, insistia em ser chamado Dick, tinha apreciado chatear Gabriel como o inferno desde que eles eram crianças em Hollow pré-Guerra Civil. Em seus últimos anos humanos, Dick tinha desenvolvido um pequeno problema de jogo e perdeu a casa da fazenda da sua família para Gabriel, em um jogo de cartas. A culpa de Gabriel por ter ganhado contra um Dick incrivelmente bêbado e a recusa de Dick para aceitar a casa de volta devido ao seu orgulho levou a uma separação que durou muito tempo depois que ambos foram transformados em vampiros. Imortalidade tinha acabado por dar a Dick muito mais tempo para pensar em apelidos insultuosos e brincadeiras infantis. Uma mistura mistificadora de lealdade feroz e flexibilidade moral, Dick era o cara local a quem você ia para comércio sob-a-mesa. E ele tinha se apaixonado duro por Andrea, a primeira mulher a recusá-lo em um século. Andrea não aguentava muito do jeito besteirol de Dick, que aparentemente, era o que ele tinha procurado desde sempre. Ela era a única mulher por quem ele estava disposto (intencionalmente) a fazer papel de bobo. Eles agora estavam juntos a sério. Ele lenta, mas seguramente, tinha levado suas vagamente obscenas t-shirts e sua mobília de Dukes of Hazzard para seu condomínio de luxo. Antes que ela percebesse, eles estavam vivendo juntos. Foi de longe a coisa mais planejada que eu o vi fazer, e isso é dizer alguma coisa. Por sua parte, Andrea não parecia se importar. Eles não pareciam ter os problemas de adaptação que eu e Gabriel tínhamos. Nenhum deles tinha realmente mudado. Andrea ainda era a mesma glamourosa ruiva etereamente linda com o guarda-roupa elegante. Dick ainda era o mesmo cara que você não quer levar para casa para conhecer sua mãe. Mas ele passava muito mais tempo na loja e muito menos tempo em becos

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El Camino é uma pickup de pequeno porte da Chevrolet.

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negociando por bilhetes de contrafação para concertos. Isso é progresso, certo? Para ser justa, Andrea tinha mais experiência do que eu namorando com os não mortos. Quando ela estava na faculdade, seu tipo de sangue raro chamou a atenção de um professor vampiro, que a convenceu a abandonar a escola, ir morar com ele, e ser sua adega humana pessoal. Alguns anos mais tarde, Andrea foi rudemente abandonada por seu amante vampiro inconstante, deixando-a sem educação, sem emprego, e uma família que se recusava a falar com ela. Ela tinha se mudado para Hollow, onde ela trabalhava a tempo parcial como fonte de sangue e, agora, a tempo integral como uma funcionária da Livros Especializados e a tempo parcial como babá de cães. Além de seus deveres de funcionária, Dick e Andrea cuidaram de Fitz enquanto eu estava fora da cidade. Por muito que Jolene e Fitz adorassem brincar, pode ser confuso para Weres passarem muito tempo com cães. Há questões de competição por alimento. Fitz entrou pela loja e quase me derrubou com o peso de seus beijos de olá. Fitz é enorme, o resultado aparente de uma noite de paixão imprudente entre o Scooby-Doo e um puff12. A única coisa remotamente digna sobre ele é que eu o batizei em honra do Sr. Fitzwilliam Darcy de Orgulho e Preconceito. Apesar de ser do tamanho de um pequeno tanque, Fitz não era lá grande guarda durante o dia. Agora que eu tinha mandado instalar uma dessas cercas de choque ao redor da propriedade, para evitar que Fitz incomodasse Jolene e Zeb, ele praticamente se divertia só galopando pela terra, protegendo o perímetro de bandos de esquilos. — Olá! — eu gritei, coçando atrás das orelhas de Fitz. — Oh, quem é um bom menino? Você sentiu minha falta? Andrea e Dick entraram pela porta da frente. Um sorriso enorme apareceu no rosto de Andrea.

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PTPT369PT375&biw=1345&bih=496&tbs=isch%3A1&sa=1&q=bean-bag&aq=f&aqi=&aql=&oq=

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Dick geralmente me cumprimentava com um trocadilho descontroladamente impróprio, mas hoje ele tinha algo para fazer. — O cão. — ele me informou quando Fitz lambeu meu pescoço. — É uma ameaça. — Oh, ele não foi um incômodo, não é? — Andrea arrulhou enquanto Fitz rolava para que lhe coçasse a barriga. — Não é, companheiro? Não. — Você está usando uma camisa de golfe? — perguntei, manuseando o material azul claro do colarinho da roupa de Dick. Dick fervilhou um momento antes de dar um tapa na minha mão. — Ele comeu a minha t-shirt favorita! — ele beijou a têmpora de Andrea e saiu. — Eu vou roubar alguma coisa. — Desculpe. — eu gritei para Dick, que continuou amuado enquanto recolhia caixas para o lixo. — A camiseta provavelmente será esquecida em poucos dias. — virei para Andrea, que jogou os braços ao redor do meu pescoço. — Ele parece realmente chateado. Quando ele disse que ia roubar alguma coisa, ele queria dizer de mim? — Não se preocupe com isso. — ela disse. — Dick ama Fitz. Ele ignorava Fitz e repreendia-o por ir para cima do sofá, mas na hora que eu saía da sala, Dick estava coçando as orelhas dele e falando com voz de bebê para ele ainda pior do que eu. — Dick usava a fala para bebê? — eu disse, coxeando enquanto dava a volta ao balcão. — Você castrou-o. Qual é o próximo? Coletes de lã? — Então, porque você está de volta? — ela perguntou, apertando-me com força. — Eu disse a Zeb para não te ligar. O arrombamento não foi assim tão ruim. — Sim, eu estou muito contente por estar de volta, e eu também senti a sua falta. — respondi com voz neutra, evitando a pergunta. — Mantenha esta enxurrada de boas-vindas e eu não lhe darei seus presentes. — Presentes! — Andrea gritou, batendo palmas e pulando para cima e para baixo. — Da mais chique Parfumerie pessoal em França. — fiz uma pausa para lhe dar um pequeno saco lavanda. — Eu tenho que dizer que o químico ficou um pouco nervoso por eu ser capaz de descrever seu perfume natural em

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tantos detalhes, mas era importante para obter a mistura que complementaria você. — Estou um pouco nervosa por você ser capaz de descrever meu perfume natural com tantos detalhes. — ela admitiu. — Você conseguiu arranjar o que Dick te pediu? — Sim, eu consegui arranjar copos para shots de todos os países que visitamos. E em cada loja de recordações em que eu entrei, fui encarada e chamada “horrível Americana”. — eu disse, revirando os olhos enquanto lhe entreguei uma caixa a tilintar com quinquilharias extremamente embaraçosas. — E eu comprei isto para ele! Ela apertou os olhos para ler a camiseta vermelha enrugada que eu estava segurando. — Está em italiano. — Diz, 'Meu amigo foi à Itália, e tudo o que eu consegui foi esta estúpida t-shirt'. — eu disse. — Pensei que daria alguma classe à coleção de t-shirts de Dick. — Eu acabei de me livrar mais fuleiras. — Andrea gemeu. — Então..., você culpou meu cão por roubo de camiseta, huh? — estreitei os olhos para ela. — Se você estivesse lavando uma camiseta “Inspetor Federal de Biquínis” o que faria? — Eu não usaria um cão inocente para mascarar as minhas tentativas de dar uma mudança de visual ao meu namorado. — lhe disse. — Eu não estou tentando mudar tudo. — ela sussurrou, olhando para o fundo da loja, onde Dick estava trabalhando. — Apenas as t-shirts mais horríveis. E aquelas mais velhas. Andrea olhou minha marcha hesitante quando me aproximei do balcão. — Você apanhou uma erupção cutânea enquanto estava viajando? — Mamãe, jeans, goma. Eu não quero falar sobre isso. — estremeci enquanto subia para um dos bancos altos de bar que eu tinha comprado em um tom berinjela profundo. — Como vocês o fazem? Você faz com que pareça tão fácil. Vocês namoram há pouco, e as suas personalidades são tão diferentes. Francamente, a sua felicidade de olhos esbugalhados está começando a me irritar.

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— Bem, para ser honesta, nós tivemos um pouco de ajuda exterior. — ela disse; seu tom um pouco tímido. Ela desapareceu em uma secção de autoajuda, e depois voltou com um livro rosa grande com um par de lábios com presas franzidos na capa. — Mordidas Amorosas: Um Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos. — li o título em voz alta. Meus olhos se estreitaram para ela. — Você leu esta porcaria? — Nós vendemos esta porcaria, sua hipócrita. — ela disse; seus lábios apertados em uma expressão que teria deixado Jenny orgulhosa. — Além disso, não há por aí muitos livros para mulheres mortais que namoram vampiros. Eu acho que o mundo psiquiátrico em geral acredita que, se você está namorando um vampiro, você tem outros problemas que precisa resolver antes de tratar de seus problemas de relacionamento. Mas isto foi realmente útil. Foi escrito para mulheres que foram recentemente transformadas e estão tendo dificuldade em se ajustar ao namoro com seus companheiros não mortos. Há um monte de coisas sobre expectativas saudáveis, limites e tendências violentas. Então, você quer falar sobre isso? — Não. Andrea andou até ao bar. Poucos segundos depois, a máquina de café expresso rugiu para a vida. — Certo, porque o que eu saberia sobre estar em um relacionamento com um vampiro mais velho, em quem você pode ou não ser capaz de confiar? — Maldita seja você e sua lógica. — pressionei minhas palmas contra os olhos e dei uma profunda e desnecessária respiração. Andrea foi o primeiro humano de quem eu me alimentei. Isso tende a unir garotas para a vida. Andrea me ajudou a estabelecer a ponte de ligação entre ser uma vampira semifóbica-social solitária para passar a ser uma cidadã não morta respeitável. Emocionada por ter finalmente alguém com quem assistir a aulas, depois de anos de um calendário social vazio, ela nos matriculou em aulas de yoga, de cerâmica, aulas para aprender a fazer joias, até decoração de bolos, que concordamos, mais tarde, que tinha sido um erro. Ela tinha basicamente se tornado a amiga garota em que eu sempre tinha tentado transformar Zeb. Se eu não podia falar sobre isto com ela, com quem eu poderia falar?

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Eu suspirei. — Ele provavelmente está me traindo. E eu acho que ele pode ter rompido comigo..., mas sem dizer realmente as palavras. Andrea mordeu seu cheio lábio inferior. — Gabriel é uma pessoa bastante direta. Eu tenho certeza que ele teria... — Ele disse, 'Se você tem que ir, você tem que ir'. E depois ele disse, 'Isto é o melhor a fazer. Esta viagem não funcionou exatamente como esperávamos. Eu te ligo. — peguei o flash de horror que cruzou suas feições. — Vê? Você hesitou! Eu sabia! — Vamos voltar ao começo. Porque você achou que Gabriel poderia estar traindo você? Não impressões ou sensações, fatos reais. Contei as ofensas com os dedos. — Chamadas telefônicas estranhas que ele se recusava a atender perto de mim, comportamento maníaco, mudanças constantes nos nossos planos de hotel, bilhetes em nossos hotéis que ele não me deixava ver. E o que eu consegui ler não foi bom. Muitas palavras no tempo presente. Mas eu estou apenas sendo paranoica; certo? Quero dizer, há provavelmente uma explicação racional para tudo isso, não é? Como por exemplo, que ele é um agente secreto não morto? Isso é plausível, certo? Andrea estremeceu enquanto me servia um café em uma pequena xícara branca. — Bem..., provavelmente não. Isso é tudo muito suspeito. Quando Mattias me traiu, ele tinha um monte de reuniões de docentes à noite. Ele atendia as chamadas de sua professora assistente em outra sala. — Por favor, pare de fazer as aspas com as mãos, eu preciso que esta lição de vida seja crua e sem subtexto irônico. — Andrea empurrou o copo delicado para mim novamente. Eu considerei alegar algum tipo de aversão vampírica a uma mistura de alta-octanagem, mas Andrea estava bem ciente de que, embora não tivéssemos as enzimas digestivas para digerir os alimentos sólidos, nós não tínhamos problemas com a maioria dos líquidos. Às vezes, o fato de Andrea estar tão bem informada era uma dor no traseiro. Eu não era uma grande fã de café em vida. Frappuccinos Gelados 13 da Dairy Queen eram o máximo de aventureira que eu me tornava. Mas Andrea insistiu que se eu ia vender o café, eu tinha que saber sobre o que estava falando. E agora que a máquina estava funcionando, ela era a minha autoproclamada empurradora de cafeína.
São as bebidas geladas mais adoradas e originais da Starbucks. Uma espécie de café gelado, doce e cremoso, batido com leite.
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— Tenho que fazê-lo? — Andrea empurrou o copo para mim com mais força. Dei um gole. — Gah! Isso é horrível! Minha prima Muriel não é tão amarga, e ela tem dois ex-maridos gays... que agora vivem juntos. Geralmente tem este gosto? — Infelizmente, sim. É um gosto adquirido. — Andrea admitiu quando tomou seu próprio café sem fazer caretas a Edward G. Robinson14 — Então, aspas invisíveis à parte, quando Mattias me traiu, ele parou de me levar a restaurantes familiares, porque tinha começado a levar a outra aos nossos lugares. Eram restaurantes novos o tempo todo. Ele estava no limite. Acusou-me de ser paranoica quando eu fazia perguntas legítimas como 'Porque você mudou sua senha de email?' ou 'Onde você dormiu ontem?' Eu gemi. — Eu vou ser miserável e solitária para o resto da minha longa, longa vida. Ela deu de ombros. — Oh, não é tão ruim assim. Ainda temos yoga nas noites de quinta. — Oh, sim, isso compensará a perda do companheirismo e satisfação sexual. Andrea sorriu marota. — Bem, você nunca sabe o que pode aprender em yoga. — Pervertida. — lancei um filtro de café para ela. Andrea finalmente me deu o relatório completo sobre o arrombamento. Ela tinha chegado cedo algumas noites atrás, esperando uma entrega de cadeiras de conforto para o recanto da leitura, e encontrou a janela da frente quebrada. Ela chamou a polícia, que estava tristemente familiarizada com a vizinhança, e considerou-o feito por viciados em drogas, adolescentes, ou adolescentes viciados em drogas. Provando precisamente porque eu a contratei em primeiro lugar, Andrea já tinha apresentado a documentação do seguro, marcado com um avaliador de antiguidades de Louisville para vir

Ator de cinema norte-americano que notabilizou-se em filmes como Alma no lodo, 1931; Paixões em fúria, 1948; A mesa do diabo, 1965.Ele foi o primeiro ator de Hollywood a fazer sucesso interpretando papéis de homens rudes.
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estimar os danos feito nos livros, e contratado um reparador de vidro para substituir a janela da frente na tarde seguinte. — Então, realmente não havia razão para eu voltar para casa. — eu disse, metendo as mãos nos bolsos sem jeito. Andrea arqueou uma sobrancelha para mim. — Sim, eu gostaria que alguém tivesse pensado em te dizer isso.

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Capítulo03
Em um relacionamento não morto, é melhor não se concentrar nos; 'nãos'. Não ser capaz de ter filhos. Não ser capaz de casar-se legalmente. Em vez disso, foque-se no que você pode ter, compromisso em longo prazo.
- Mordidas Amorosas: Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Eu podia cheirar que Jolene estava grávida, um novo cheiro verde e
suave que me atingiu assim que ela abriu a rangedora porta do trailer. Eu coloquei meu sorriso de 'ignorando o que me rodeia', o que dizia, “eu não vejo as enormes estrias da ferrugem atravessando as paredes rosa ou o tapete que pode ser de relva sintética”. Zeb estava supervisionando uma reunião de PTA15 nessa noite e tinha me pedido para checar a sua noiva. Ela tinha sentido a minha falta, ele disse, e estava um pouco aborrecida por me ter levado três dias para ir a casa deles. Felizmente, eu estava carregando duas tortas recentemente reaquecidas para ganhar o meu caminho de volta para as suas boas graças. — Ei! — ela sorriu, até que viu o que eu estava segurando. — Oh, não. — O quê? — Jolene amava as tortas de Mamãe. No ano passado, elas eram a única coisa que mantinha o seu enorme apetite controlado quando ela visitava a minha casa. Desde que ela e Zeb se tornaram meus vizinhos, eu trazia-as regularmente para Jolene fazer um lanche. E agora, a mera presença da minha prenda embrulhada em papel de prata parecia estar transformando Jolene em um delicioso tom de "bleh". — Eu vou ficar bem. — ela choramingou. — Eu apenas estou um pouco sensível a cheiros neste momento. Hormônios combinadas com nariz de lobisomem tornam-no muito pior. Zeb estava cozinhando hambúrgueres na outra noite, e eu tive que correr para fora da sala para vomitar duas vezes. E eu não posso comer os alimentos que antes adorava. Eu não conseguia
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Uma reunião entre pais e professores.

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comer o suficiente das tortas de sua mãe há alguns meses atrás, e agora, só o pensamento de quebrar a crosta... — Jolene respirou fundo e apertou os lábios. — Vou deixá-las aqui fora. — eu disse. — Você sente-se. Fui para a cozinha e consegui bater com a cabeça na porta mal presa de um armário enquanto enchia um copo de água para Jolene. O trailer era apertado, para dizer pouco. A cozinha era o que a mãe de Jolene, Mimi, chamava de modelo 'dois traseiros', o que significava que não mais de duas bundas conseguiam caber lado a lado entre as bancadas manchadas imitando madeira. — Você já não tem bolachas Saltine16, por isso eu peguei algumas Ritz17. — eu disse. — Obrigada. — ela disse; a cor das suas bochechas retornando ligeiramente enquanto ela abria a embalagem. — Então, como foi a viagem? Lancei-me na descrição normal, fortemente editada. Hotéis adoráveis, pessoas rudes, lindos museus. Jolene parou no meio de uma mordida e colocou a mão sobre a boca. Com um “Oh, Deus,” ela correu para a porta do banheiro e vomitou lamentavelmente. Como uma idiota, eu segui-a para o banheiro minúsculo. — Você está bem? Botei minha mão sobre o nariz quando o cheiro doente de Jolene me acertou em cheio no rosto. — Isto é o mais próximo da gravidez que eu alguma vez quero estar. — entreguei-lhe o copo de água. — Eu pensei que enjoo matinal só deveria ser, bem, de manhã. — Minha bunda. É enjoo 'sem horário específico e sem aviso prévio'. — ela ofegou. — Um minuto, eu sou um ser humano perfeitamente bem e funcional, e no seguinte, eu estou despejando tudo o que alguma vez comi.

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Bolachas água e sal quadradas. Outra marca de bolachas do mesmo gênero, mas que neste caso são redondas.

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— E isso é dizer alguma coisa. — disse assombrada. Ela me encarou. — Não estou ajudando, desculpe. — Eu vomitei no estacionamento do Piggly Wiggly no outro dia. Tive que dizer a Bitty Tate que estava grávida, porque eu não queria que ela dissesse a todo o mundo que eu tenho um problema com bebida. Tudo me deixa doente. Comi uma salada no outro dia, uma salada, sem nenhuma carne. Eu vou desaparecer. Olhei para a sua barriga arredondada, que a fazia parecer com cerca de quatro meses em termos humanos. — Eu não me preocuparia com isso. Ela olhou para mim. — Eu vou bater em você, assim que conseguir ficar em pé. — Aviso justo. — Eu estou tão infeliz. — ela disse, com lágrimas a brotarem de seus olhos. — E eu deveria estar grata por termos feito um bebê tão facilmente. Alguns casais mistos não conseguem; você sabe. E eu não posso me queixar para a mamãe porque ela vai acampar aqui na sala e se recusar a sair até que o bebê esteja na faculdade. E eu não posso me queixar a Zeb, porque ele fica com este olhar estranho de coelho assustado em seus olhos se eu digo que estou algo que não seja cem por cento, ótima. Eu apenas..., estou feliz por você estar aqui, Jane. — Bem, você está ótima. — eu lhe disse, afastando seu cabelo para trás da testa suada. E era verdade de uma forma exasperante. Mesmo o brilho do suor e retenção de água de um início de gravidez apenas enviavam Jolene para o que seria considerado, linda para a maioria dos humanos. Simplesmente não era justo para os outros quatro bilhões de mulheres do planeta. Meu único consolo era que comer uma bolacha Ritz a tinha feito vomitar. — Então como está a sua família? — eu perguntei, ajudando-a a voltar para a cadeira. —Bem, a mamãe está extasiada. Liga-me seis ou sete vezes por dia. Ela diz oi, por falar nisso. O papai está meio que dividido entre orgulho e horror de saber o que a sua garotinha esteve fazendo. Eu acho que até agora, ele esteve dizendo a si mesmo que o Zeb e eu estávamos dormindo em beliches. Meus primos estão meio que se segurando, eu acho, porque eles sabem que

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as minhas tias vão fazer a maior algazarra porque é o meu primeiro bebê. E o meu primo Vance fugiu com um parque de diversões. Eu me arrepiei, imaginando o primo não muito inteligente com sentimentos anormais por Jolene operando um brinquedo. — Essa é uma daquelas coisas onde eu espero que você esteja brincando, mas presumo que você não está? — ela acenou. Eu tentei usar um tom despreocupado enquanto eu perguntava. — Como você e o Zeb estão indo? Ela suspirou novamente. — Estranho. Ele está tão quieto. Ele nunca está quieto, exceto por quando, sabe, embaixo de um golpe. Oh, cara, você não acha que a Mamãe Ginger bagunçou com o cérebro dele, acha? — Não. Você sabe o que eu acho? — Obviamente que não, ou nós não estaríamos tendo esta conversa. — ela murmurou. — Eu acho que o Zeb está somente assustado. Assustado com se tornar adulto. Assustado de não ser capaz de cuidar de você e do..., filhote. — Jolene entendeu o bastante para me dar um tapa no braço. Eu fiz uma careta, feliz que aquelas contusões não durariam muito em mim. — Ok, pense sobre o que acontece com pessoas casadas com filhos na família do Zeb. Eles acabam bêbados e raivosos e vivendo em trailers iguais no quintal de seus parentes. Ele está apavorado de terminar como a mamãe Ginger e o Floyd. Eu acho que ele se convenceu que ele poderia lidar com a transição para marido super bem, mas o que eu posso apenas me referir como a espontaneidade dele e os seus óvulos superabsorventes voltou para perseguir vocês dois. — O que eu faço? — Pare de colocar catchup nos seus ovos, para começar. Isso é nojento. E talvez sua família pudesse passar menos tempo arrumando os seus armários. Fora isso, inferno, eu nunca estive casada ou grávida. O que eu sei? Ela bufou. — Bem, você é uma grande ajuda. — Eu faço o que posso. Ou não, como é o caso. Agora, me diga; como está a mamãe Ginger? Ela ainda está instável e apologética? Ou será que ela voltou para sua demente, mas estranhamente eficaz; forma? — Não, graças a Deus. — Jolene revirou seus olhos. — Ela parece sentirse mal o bastante para manter apenas os comentários presunçosos quando o Zeb não está por perto e então finge não saber por que eu estou chateada.

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Minhas sobrancelhas levantaram. — Comentários sobre? — Sobre eu ganhar tudo de mão beijada. Como deve ser bom ter uma família que te dará um trailer, amigos que te dão terreno e dinheiro para construir uma casa. Sobre como eu preciso cortar o cordão umbilical e não deixar que a minha família fique mandando em mim. Eu acho que é porque é ela que quer ficar mandando em mim. Então ela começa a fazer sugestões sobre como eu poderia fazer o filho dela mais feliz. E então eu mencionei que você poderia dar uma passada por aqui, e ela ficou realmente quieta. — Ela sabia que eu estava fora do país, certo? — eu perguntei. Jolene acenou. — Bem, não é como se eu fosse me teletransportar para casa. — Ela não sabe disso. — Você já contou para a mamãe Ginger sobre o bebê? — Não. — ela disse com ênfase. — Eu estava pensando em esperarmos até o bebê ter um ano ou por aí. Talvez no jardim de infância. — Isso não é sábio. — eu disse, imaginando o que a mamãe Ginger pudesse considerar limites adequados e conselhos para a gestante. — Então, como este negócio todo de gravidez de lobisomem funciona? Zeb já me contou sobre o negócio de curta gestação. Mas o que mais é diferente? Quer dizer, você ainda pode se transformar? Bebês lobisomens nascem com a capacidade de se transformar? Você vai dar a luz em uma grande caixa de papelão com toalhas em cima? — Isso não é engraçado. — Jolene disse, me encarando. Eu ergui o meu dedão e o meu indicador, medindo ‘um pouquinho engraçado’. — Eu posso me transformar por mais um mês. Depois disso, pode ser estressante para mim e para o bebê. — ela disse, esfregando sua barriga. — Filhotes não podem se transformar até que eles tenham cinco anos pelo menos. Seus corpinhos não aguentam até lá. Mamãe sempre diz que foi a forma de Deus de mantê-los seguros de não fugir e nunca mais serem vistos. — ela disse. — Eu vou ter um parto humano perfeitamente normal com um bebê perfeitamente normal. E mesmo que as mulheres da minha matilha deem a luz em casa pelas últimas vinte gerações, eu darei a luz em um hospital. O Zeb meio que insistiu nisso. Eu acho que a ideia de não ter

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médicos, máquinas caras, e drogas altamente testadas, para ele, não eu, o fez entrar um pouco em pânico. — Bem, você não pode realmente culpá-lo. — Oh, não, eu meio que estou aliviada por ter uma desculpa para ir para o hospital. — ela admitiu. — Eu sempre odiei ir aos partos na fazenda. Quer dizer, eu sei que eu não tenho exatamente problemas de modéstia, mas a ideia de ficar deitada daquela maneira e, você sabe; toda aquela coisa saindo enquanto as minhas tias e primos ficam entrando e saindo do quarto, tirando fotos e fumando e descrevendo seus próprios partos horríveis. Não, obrigada. A mamãe está um pouco desapontada, e eu acho que magoei os sentimentos das minhas tias. Mas para ser honesta, eu acho que todo mundo está meio que interessado em como vai ser ficar esperando no hospital pelo bebê. Será a primeira vez da família McClaine. — Mas e quanto ao cuidado pré-natal? Ultrassons? O médico não vai notar que você deu a luz a um bebê totalmente desenvolvido quatro meses antes? — Tem uma parteira na cidade que já cuida da família há anos. Ela ajuda com os partos e o cuidado pré-natal. Ela nos ajuda a falsificar documentos médicos e certidões de nascimento para que eles pareçam normais. Os humanos só vão presumir que eu estava grávida antes do casamento, e eu posso viver com isso. — ela disse, brincando com o seu copo. — Mas eu tenho um favor para te pedir. — Se isso envolve as palavras ‘treinador de parto’, minha resposta é ‘eu estou emocionada, mas não obrigada’. — eu disse para ela. — Não. — ela riu. — Eu estava esperando que você fosse lá ao hospital, como um tipo de árbitro/segurança. Mantenha a minha família longe da sala de parto e a família do Zeb longe de matar uns aos outros. — E eu não tenho que ver nada ou escutar nada, ou, novamente, ver nada? — Não. — Então eu sou a sua garota. Eu deveria ter suspeitado que algo estava errado com a Câmara de Comércio de Half-Moon Hollow logo que eu vi que o selo da câmara era rosa.

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Já fazia um tempo desde que eu fui a uma reunião da câmara – dez anos, para ser exato, desde que eu ganhei a bolsa escolar de $1,500 de bom cidadão da Câmara de Comércio por escrever uma redação sobre ‘Patriotismo: O que Viver em Half-Moon Hollow Significa para Mim. ’ Era maior de 1995. Eu estava no último ano. Faltava $1,000 para a mensalidade e enfrentava viver em casa e frequentar a faculdade comunitária. Eu teria escrito em uma quintilha humorística se eles tivessem me pedido. Aquele jantar foi inexpressivo, a principal diferença sendo que o selo da câmara ainda era um azul marinho e dourado. Foi servido frango ao molho enquanto o presidente da câmara dava um discurso sobre os perigos da juventude e apoiar os jovens bons e decentes onde eles podiam encontrá-los. Entregaram-me um cheque e fui dispensada para que a câmara pudesse discutir a possibilidade de atrair um fabricante de elásticos de borracha para Hollow. O escritório atual da câmara havia mudado para uma parte mais chique da cidade, para uma casa vitoriana restaurada com uma quantidade estonteante de bolo de frutas. Com um selo rosa e branco orgulhosamente apresentado no gramado, o lugar parecia mais com uma fraternidade do que um lugar onde os interesses econômicos coletivos da nossa comunidade eram debatidos. Para ser honesta, me juntar à câmara era como um teste. Reabrir a loja e tentar atrair uma grande clientela significava que eu iria enfrentar o público vivo com muito mais regularidade. Eu consegui operar nas beiras da sociedade educada pelo último ano. E francamente, eu não estava confiante que eu não levaria uma estaca de um freguês aleatório por uma discussão sobre um desconto maior. Eu queria ver se eu podia me mover entre os humanos novamente. E, era importante para O Livros de Especialidades sair de sua obscuridade e entrar nos negócios da comunidade. Muitos estabelecimentos davam as boas vindas para todos os seres, mortos ou morto vivos, e o dinheiro deles. Juntar-me à câmara era o primeiro passo para me tornar legítima. Eu fui cumprimentada na porta por uma parede faladora de voz esganiçada. Ao meu redor, uma magra mulher loira em uma linda roupa de marca dava goles no vinho espumante e balançava seus cabelos de um lado para o outro de uma maneira lenta. Algumas das almas mais corajosas e mais magras estavam usando terninhos com calças capri, que para mim

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sempre pareceu como o equivalente profissional a usar calças ousadas para o trabalho. Mas naquelas garotas, parecia um avanço na moda. Elas eram tão..., lustrosas. A última vez que eu estive perto de tanto rosa, ele pertencia à Missy Houston, a agente imobiliária vampira que tentou me incriminar por assassinato, roubar minha casa, e me matar. Eu espantei a minha fobia de cor e levantei quaisquer que fossem as defesas psíquicas que eu pude contra as ondas de pensamentos violentos. Era como ter um mosquito realmente inseguro zunindo ao redor da superfície do meu cérebro. Dado a aparência lustrosa de ‘acabei de sair da mesa de bronzeamento’ que a maior parte das garotas sustentava, eu estava absolutamente certa que eu era a única vampira no prédio. E de alguma forma, eu não achei que seria uma coisa boa trazer isso a tona. O piso foi polido e era muito antigo. Senti a minha própria sapatilha sem salto deslizando sobre a superfície polida e me questionei como essas mulheres negociavam nestes saltos altos. Eu cutuquei o terninho conservador azul marinho que eu havia escolhido na esperança que me fizesse parecer com uma mulher de negócios. Mesmo com a gostosura de vampiro do meu lado, eu me senti um pouquinho deselegante. Eu me certifiquei para ter certeza que pelo menos, eu estava usando sapatos iguais. Eu decidi dar três minutos antes de eu sair correndo do prédio enquanto as minhas sobrancelhas estavam queimando. Havia uma mesa de inscrição oferecendo etiquetas ‘Ol|, nome é’ e canetas de gel pastéis. Mas nenhuma das outras senhoras estava usando uma, porque, claro, elas já conheciam umas as outras. Eu peguei uma cópia da programação da reunião de uma mesa de refrescos. Estava impresso em papel rosa com pontinhos marrons, o tipo que você pode comprar em uma loja de artigos para papelaria muito alegre. Foi aí que eu percebi. Não havia homens. Em nenhum lugar. Nem um único sopro de testosterona no lugar. Eu tinha dado de cara acidentalmente com um grupo que come homens? Eu iria ser a morena feia que seria sacrificada? Eu decidi que o meu limite de três minutos havia acabado e fiz uma corrida até a porta, dando de cara com uma esbelta loira enquanto ela se servia de outro vinho chardonnay. Ela abaixou a garrafa, que eu rapidamente peguei antes que atingisse o carpete.

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— Mãos rápidas. — ela disse, fazendo cintilar uma risada. — Eu estou com sorte que você tenha pegado isso, ou a Courtney Ahern tiraria meus olhos por estragar o tapete persa. Eu sou Courtney Barrow. Eu sou dona da Unique Boutique, a loja de prata esterlina lá na Rua Dogwood. Courtney Barrow era muito fofinha. Ela era pequena, com curvas, e possuía um colar de prata trançado intrinsecamente em volta de seu pescoço. Apesar de que a minha proximidade para com uma substância que eu era altamente alérgica para me fazer ficar de alguma forma nervosa, Courtney Barrow era a única amiga realmente amigável que eu vi esta noite, então eu estava ficando perto dela. — Jane Jameson, Livros de Especialidades. Seus lisos, lábios de coral se curvaram. — Isso não é uma livraria adulta? — Não, não, costumava haver uma loja adulta na loja ao lado. Mas nós a compramos e expandimos para o espaço deles. Nós praticamos evisceramos a loja e começamos tudo de novo. Não dava para usar aquele espaço para nada mais, de qualquer forma. Muita limpeza a vapor esteve envolvida. Eu não sei quando parar de falar às vezes. Courtney não parecia afetada pela minha falação. — Uma livraria. Isso é tão interessante. O que fez você entrar para o mundo das livrarias, Jane? — Eu era muito alta para ser uma bailarina? — eu ofereci. Courtney deu uma risadinha. — Você é um sarro. Oh, você tem que conhecer Courtney Harris. Ela vai te amar. — Tudo bem, então. — eu disse enquanto ela colocava seu braço ao redor do meu. — Espera, ela também se chama Courtney? Quantas Courtneys têm aqui? — Doze. — Courtney suspirou enquanto ela me guiava mais profundamente para dentro da multidão de Courtneys inquietas. Eu fui apresentada para Courtney Gordon, que havia começado uma empresa de planejamento de eventos para festas de aniversários de crianças, e Courtney Stephenson, que comandava uma loja especializada em roupas de cama para bebês. Nenhuma delas parecia remotamente interessada na minha livraria, e, para ser honesta, eu não podia descobrir como eu poderia promover de maneira cruzada itens ocultos com lençóis luxuosos para berços. Eu estava começando a pensar que eu havia cometido um grande erro ao meu juntar à

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câmara. Eu me perguntei se Courtney Barrow iria me libertar voluntariamente ou se eu teria que arrancar meu braço como um coiote preso em uma armadilha. — Foi tão confuso quando nós todas nos associarmos de uma vez. Nós não queríamos chamar uma a outra de ‘Courtney H,’ ‘Courtney B,’ ‘Courtney G.’ Essa não é a segunda série, sabe? — eu sorri e acenei, porque não havia como se desviar da linha de pensamento dessa menina. — Então, nós tentamos os apelidos, ‘Courtney baixinha, ’ ‘Courtney Loira, ’ ‘Courtney dos tornozelos gordinhos. ’ Mas alguns dos sentimentos das meninas foram feridos, então nós terminamos tendo que usar Courtney H, Courtney B, Courtney G de qualquer jeito. Nós ainda usamos Courtney de tornozelos gordinhos, mas somente pelas costas dela. — Humm. — Oh, eu sei como isso parece. — Courtney admitiu. — Mas acredite em mim, você saberá quando você vê-la. OK era maldoso, mas eu reconheci a Courtney de tornozelos gordinhos de primeira. Infelizmente ela não possuía definição no seu quadrante inferior, ela estava se agachando perante a formidável Courtney Herndon e recebendo uma conversa dura sobre o estilo da fonte do boletim informativo da câmara. Aparentemente, a versão do tornozelo gordo de Cachos não era cacheado o bastante. — Courtney Herndon é a Courtney diretora. — Courtney Barrow sussurrou. — Ela é presidenta da câmara pelos últimos quatro anos. Ela acabou de falar ‘Courtney diretora’? Havia uma hierarquia das Courtneys? — Courtney! — minha guia exclamou. Diversas mulheres ao redor do cômodo se viraram para nós, percebendo que nós estávamos nos referindo a outra pessoa, voltaram para os seus vinhos. Courtney Herndon me deu um olhar avaliativo e um sorriso fino. — Esta é a Jane. Ela gerência uma livraria onde a loja pornô costumava ser! — Courtney Barrow esganiçou. — Isso não é interessante? — Super. — Courtney Herndon disse, apesar de que a voz dela dava a impressão distinta de que ela não tava nem aí.

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— Você é de Hollow originalmente, ou você é um transplante como nós? — Courtney Barrow perguntou. — Eu sou uma nativa. — eu disse. — O que você quer dizer com, ‘transplante’? — Oh, bem, nós todas casamos com meninos de Hollow. — Courtney Herndon fungou zombeteiramente, como se ela não gostasse de ser desenraizada. Courtney Barrow sorriu carinhosamente, ignorando Courtney Herndon, quando ela disse. — Meu marido, Gary, me disse que ele não imaginaria viver em nenhum outro lugar, então eu apenas o segui para casa. A mesma coisa aconteceu com todas as Courtneys. Nenhuma de nós realmente tem que trabalhar, mas nós tomamos iniciativa. Exceto pela Lisa lá. — Courtney abaixou sua voz e acenou em direção à loira morango em um terno ainda mais conservador do que o meu. — Ela gerência a firma de contabilidade da família. — Bem, isso explica porque eu nunca conheci a maioria de vocês. — eu me virei para Courtney Herndon. — Courtney, o que você faz? Courtney Herndon tirou do caminho uma mecha de cacho loiro. — Eu faço algumas demonstrações em casa para mulheres interessadas em produtos cosméticos. Eu faço festas em casa, transformações, kits especiais. Eu acenei. — Então, é como a Mary Kay18? O queixo da Courtney H tremeu enquanto ela sussurrou. — Não, não é nada como a Mary Kay! — ela virou seus saltos de furar gelo e saiu pisando forte em direção à mesa de vinho. — Tudo bem, então. — Mary Kay pediu para Courtney H se demitir porque as táticas de vendas dela eram muito agressivas. — Courtney Barrow sussurrou; um sorriso conspiratório curvando seus lábios. — Ela apontava uma falha e então recomendava um produto para consertá-lo. Só que, Courtney pode ser muito, muito..., honesta algumas vezes. E alguns fregueses reclamaram. Então, Courtney mandou cartas para os fregueses para dizer para eles por
Mary Kay é uma empresa americana de venda direta de cosméticos, fundada em 1963 em Dallas, Texas (EUA), por Mary Kay Ash. Atualmente, a empresa está presente em mais de 35 países, sendo considerada uma das maiores empresas de cosméticos do mundo.
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que eles estavam errados..., e então os escritórios da Mary Kay solicitaram uma medida cautelar. Eu sufoquei uma risada. — Com quem ela está trabalhando agora? — Ela diz que ela é uma empresária independente. — Então ela está produzindo a sua própria maquiagem em seu porão? Dada à medida cautelar, isso não pode ser... Courtney Barrow abaixou sua voz ainda mais. Mesmo com a audição vampírica, eu meio que estava surpresa de poder ouvi-la. — Ela ainda está vendendo os negócios da Mary Kay. Ela tinha montes deles quando ela pediu demissão. Sabe, a sua linha ascendente sempre diz que você não pode vender de um vagão vazio? Bem, ela levou isso a sério. Ela tem batom suficiente para afundar um navio de cruzeiro. Ela apenas retira todas as embalagens e substitui pelos seus próprios rótulos que ela imprime em casa. — Isso é tanto brilhante quanto retorcido. — eu sussurrei de volta. Courtney Barrow sorriu novamente, o que estava se tornando menos irritante. Ela acenou para uma loira tensa; no canto que parecia estar investigando todo o cômodo várias vezes, procurando por algum tipo de infração. — Esta é Courtney Ahern, a que é louca por carpetes. Esta casa costumava pertencer a um de seus genros, mas ela persuadiu seu marido a expulsar os inquilinos e renovar o local para ser nosso quartel-general. Mas agora ela estava paranoica que um de nós irá fazer algo para arruinar o valor potencial de revenda da casa. — O que a Courtney faz? — eu perguntei. — Vende algo que não é nada parecido com o Amway19? Courtney Barrow gargalhou. — Eu vou gostar de você! — Oh..., bom. Courtney Herndon ficou parada, limpou a garganta, e silenciou o cômodo. As várias Courtneys entraram para a sala de reuniões, onde nós
A Amway é a maior organização de marketing multi-nível (MLM) do mundo. É uma empresa que fatura muitos bilhões de dólares por ano com a venda de produtos tão diversos como sabonetes, purificadores de água, vitaminas e cosméticos.
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fomos direcionadas para cadeiras aconchegantes de chá ao invés das comuns monstruosidades dobráveis. Eu sentei-me enquanto passava-se a aprovação da ata, a agenda do dia, e a caução. Eu inventei o meu próprio sistema de identificação para as Courtneys enquanto elas debatiam o esquema apropriado de cores para o diretório de negócios anual. Courtney Barrow, a única que se incomodava em ser amig|vel, era a ‘Courtney Legal. ’ Courtney Herndon era a ‘Courtney Diretora. ’ Courtney Gordon, que parecia ser um tipo de bajuladora/impulsionadora, era a ‘Courtney Puxa Saco.’ Courtney Ahern era a ‘Courtney Tripulante.’ Eu não consegui encontrar nenhum apelido melhor para a Courtney Tornozelos Gordinhos e me senti um pouco mal com isso. Eu segui em frente para escolher que membro da câmara eu iria comer primeiro se estivesse presa em uma ilha deserta. Eu me conformei com a Courtney Jensen, ou ‘Courtney Malhada, ’ porque era óbvio que aquela mulher não via carboidratos em anos, e dietas ricas em proteína davam ao sangue um rico toque final amadeirado. Eu quase concordei quando eu ouvi o meu nome sendo chamado. — O quê? — eu quase gritei, pulando reta na minha cadeira chique de renda. — É Jane, certo? — a Courtney Diretora exigiu. — Você é o novo membro? — Er... O sorriso da Courtney Diretora se afinou enquanto as outras senhoras davam risadinhas. — Nós estávamos discutindo sobre o Festival Beneficente de Outono para o abrigo de animais. Isso era tão pior do que ser pega dormindo na aula de matemática. Eu acenei e vesti o meu ‘rosto agrad|vel’. À minha direita, a Courtney Legal sentou-se congelada em sua cadeira, um sorriso falso em seu rosto. — Agora, Jane, eu acho que seria uma ótima ideia se você juntasse os prêmios para os jogos? Normalmente, nós solicitaríamos itens doados de empresas da comunidade. E já que você é nova, você provavelmente tem todos os tipos de contatos que nós ainda nem conhecíamos sobre! Bem, eu podia pedir para o Dick sobre aquele carregamento de DVDs do A Super Máquina20 pirateados que eu dei para ele no ano anterior...
Knight Rider (br: A Super Máquina / pt: O Justiceiro) foi uma série de televisão produzida por Glen A. Larson (que também fez outras séries como Galactica, Duro na Queda e Magnum) e produzida pela Universal Studios.
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— Então, nós te colocaremos para presidir o comitê de prêmios. — É apenas a minha primeira reunião. — eu disse. — Eu não sei se estou qualificada... Os olhos da Courtney Diretora se estreitaram. — Não há jeito melhor de nos conhecer melhor do que se jogar no trabalho. Sério, é o melhor jeito de fazer amigos aqui na câmara, mostrando como um jogador de equipe pode ser. Você quer que nós te consideremos uma jogadora de equipe, não quer? Por que a minha irmã não estava neste clube? Sério? — Estou disposta a ajudar com... — Ótimo! — a Courtney Diretora guinchou, interrompendo a minha tentativa de evitar os jogos em favor das decorações ou algo menos ‘compromissado’. — Lisa te dará toda a informação sobre o ano passado. Do outro lado do cômodo, Lisa revirou seus olhos e compartilhou um olhar de comiseração comigo. Isso foi seguido por um relatório do comitê das Jack-o’-Lantern21 e do comitê sobre o tratado, que lamentava a falta de voluntários para fazer aperitivos livres de glúten. Eu nunca desejei tanto que eu pudesse morrer de causas naturais. Tédio era uma causa natural, certo? Depois do comitê de jogos e do comitê de infláveis, eu me perguntei se havia alguém no salão que não pertencia a nenhum comitê. — Agora, o comitê de planejamento sugeriu uma lista de fantasias aceitáveis. Eu sei que alguns de vocês membros mais antigos gostam de começar com as fantasias de seus filhos cedo. O membro mais velho no salão parecia ter trinta e cinco. E ela não parecia que tinha levado isso como um elogio. Eu ergui minha mão. — Então, espera, isso é uma festa de Halloween? — Não, se nós chamarmos de festa de Halloween, algumas das famílias não virão. Então é o Festival de Outono. — Mas nós teremos abóboras..., e fantasias..., e doces. A Courtney Diretora me encarou. — Isso vai ser um problema, Jane?
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A Jack-o'-lantern é o apelido em inglês dado a abóbora iluminada feita de enfeite para o Dia das Bruxas.

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Poderia ser um problema. Acredite ou não, vampiros tendem a se esconder na Noite de Todos os Mortos e se recusam a sair até que o último pedinte de doce for arrastado para casa chutando e gritando. Você ficaria em casa, também, se você fosse confrontado por um feriado que desfila por aí os piores estereótipos culturais pertinentes a sua espécie em particular palidez azulada, capas pretas, sotaques estúpidos exagerados por presas esdrúxulas – e tudo é apresentado como ‘uma coisa divertida’. — Certo, desculpa. — eu disse. — É só que..., a câmara tem que realmente tem que se encarregar dos eventos beneficentes? — eu perguntei. — Eu pensei que a Câmara de Comércio era sobre construir a comunidade e desenvolvimento econômico, trazer novos empresários... — Bem, esta é a forma que nós conduzimos a Câmara de Comércio. — a Courtney Diretora disse através de dentes cerrados. — O Abrigo para Animais de Half-Moon Hollow é uma causa que nós apoiamos há vários anos. O motivo, somente no ano passado, nós coletamos cinco mil dólares em doações em dinheiro. — As pessoas simplesmente te dão dinheiro para o Abrigo? Sem uma festa? O olhar de canto desaprovador da Courtney Diretora era agora uma total encarada de morte. — Certo. Desculpa. — eu murmurei, encarando o meu colo como um sinal de submissão. Pelo resto da reunião, eu sentei parada e em silêncio, só rezando para sair dali viva. E eu estava incrivelmente brava comigo mesma. Por que diabos eu estava com medo destas mulheres? Se eu quisesse, eu podia bater em todas até ficarem inconscientes, derrubar todas estas carteiras chiques de marca delas, e fazê-las esquecer de que fui eu que fiz. Não que eu faria isso alguma vez.

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Capítulo04
A melhor maneira de mostrar que você é realmente independente é sendo independente. Desenvolva interesses exteriores, participe em eventos culturais, qualquer coisa que mostre para seu rebelde companheiro vampiro que você não está sentado em casa definhando.
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Eu escapuli-me pelos degraus do meu alpendre, exausta e em séria
necessidade de sedativos e/ou instrumentos de lobotomia. Andrea, por outro lado, parecia fresca e calma estendida no meu balanço no alpendre 22, coçando meu cachorro atrás das orelhas, e tomando uma bebida gelada que eu prontamente lhe roubei. — Hey! — ela chorou. — Eu usei o seu melhor licor para fazer isso! E não havia muito por onde escolher. — É uma emergência. — disse-lhe entre goles do que eu acho que era um daiquiri23. Devido à minha história sórdida com o demônio do álcool e dos resultados inevitavelmente humilhantes, eu não costumava beber. Mas hoje eu estava fazendo uma exceção. Joguei-me no balanço com Andrea e suspirei. — Não que você não seja bem-vinda em River Oaks, mas lhe ocorreu que fazer coquetéis gelados enquanto eu não estou em casa é violação de domicílio24? — Sim, ocorreu. Mas eu estava com sede, e você me deixou suas chaves para eu fechar a casa. — Eu confio muito nas pessoas. Vou chegar em casa uma noite e encontrar você tomando banho na minha banheira e usando minhas roupas?
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http://woodzone.com/Merchant2/graphics/00000001/porch-swing.jpg) É um coquetel de origem cubana. Do original 'entering and breaking', algo como uma entrada ilegal.

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— ela arqueou as sobrancelhas, vestida com a sua blusa de seda de corte estiloso e calças, para o meu terno, que havia sido comprado pela minha mãe. — Esqueça. — Eu não vou me tornar uma intrusa e imitadora25, mas eu amo este lugar. Ainda me custa acreditar que você possui uma casa com um nome. — Bem, é por tudo isso, que minha irmã está disposta a processar-me, roubar-me, e me fazer ter uma auditoria. Por isso, você talvez queira reconsiderar toda a sua romântica imagem de gentileza. Andrea suspirou profundamente. — Porque você tem que destruir minhas ilusões? Como foi a socialização26? — ela perguntou enquanto eu tentava chamar o meu cão. Fitz fungou e descansou a cabeça em suas patas. — Eu não estou tentando dizer nada sobre irmandade, ou mulheres no poder, mas que bando de cadelas. Andrea riu e puxou uma jarra de daiquiris de trás da cadeira de varanda. Ela serviu-se de outra bebida, sorrindo enquanto dizia: — Eu achei que você poderia sentir-se assim. Minha chefe na loja de presentes costumava reclamar das reuniões. — Você sabia? — eu chorei, jogando uma almofada contra ela. — Você sabia, e você deixou-me entrar naquele antro de iniquidade despreparada? — Ei, Ei! Se você não consegue respeitar o daiquiri, pelo menos respeite a blusa. — ela reclamou, limpando o licor que eu tinha feito derramar em sua blusa cor de aipo. — Eu sei melhor do que pedir-te para me respeitar. Soprei-lhe um beijo e servi-me de mais daiquiri enquanto Andrea iniciava seu conto em tom ameaçador. — Margie disse que aconteceu devagar. Em uma noite fria de outubro, uma Courtney compareceu à primeira reunião, depois veio outra e outra. Era como se a câmara fosse uma colmeia sendo invadida por abelhas africanizadas muito alegres. E logo, elas estavam propondo eventos extras e a criação de comitês para executar esses
No original 'single white female' - referência a um filme, cuja história se centra em duas mulheres que vivem no mesmo apartamento e em que uma delas começa a imitar a outra, usando a mesma roupa que ela e intrometendo-se na vida da outra, até chegar ao ponto de se tornar bastante assustador.
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Do original 'Networking', que é o conjunto de contatos que um profissional tem bem como o esforço que ele faz para manter os contatos atualizados.
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eventos, e elas construíram uma base de poder. Elegeram-se como oficiais, moveram a sede, reescreveram o regimento interno, e fizeram a vida miserável para os membros da velha escola. Um por um, todos os sócios fundadores saíram. Margie saiu depois de lhe darem um demérito por vestir sapatos marrons com um terno preto. Para Margie, isso era traduzido para: Você tem mais de quarenta, saia. — O que aconteceu a todos os homens? Andrea deu de ombros. — Eu não sei. Eu acho que eles simplesmente desistiram, ou eles receberam demasiados deméritos... — Eu acho que as Courtneys os comeram. — eu repliquei. — Seu palpite é que existe algum motivo sobrenatural para o símbolo da câmara rosa? Assenti. — Meu palpite: coven de súcubus. — Bem, você deve se encaixar bem, sendo uma vampira e tudo o mais. — ela estreitou os olhos para mim. — Você disse-lhes que é um vampiro, certo? Eu bebi minha bebida para evitar responder. — Eu pensei que você tinha dito que não ia mais viver no caixão! — Andrea gritou. — Eu não estou vivendo no caixão. Eu apenas não estou voluntariando qualquer informação que não viria à tona em uma conversa introdutória. Você caminha até as pessoas e diz, 'Oi, eu sou a Andrea. Eu sou uma ruiva natural. — Eu não sou uma ruiva natural. — Eu sabia! — Não desvie do assunto. Então, eu suponho que você não vai voltar; huh? — Eu tenho que. — murmurei. — Eu estou encarregue dos prêmios para o carnaval de caridade. Andrea vaiou. — Elas te seduziram! — Não!

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— Elas te fizeram sua cadela de prêmios! E não do jeito de amostra de cão. Você poderia muito bem ter-lhes dado toda a sua dignidade e, em seguida, feito sua lição de casa para eles. — Eu disse a você, elas são assustadoras. E loiras. Nós estabelecemos que eu não me dou bem com pessoas loiras assustadoras. E você está começando a falar como eu; quanto mais tempo passamos juntas. Eu acho que podemos ambas concordar que ter uma pessoa no mundo que fala como eu; é demais. — Jane, talvez você possa ver isto como uma oportunidade para crescer como pessoa, para enfrentar seus medos, para ser menos devastada pela insegurança. — Eu não sou assolada pelo medo ou pela insegurança. Eu tenho medos completamente normais: fracasso, palhaços, aranhas. O que há de errado nisso? — eu gemi. — Oh, com quem eu estou brincando? Tudo se foi em forma de pera. Andrea deu tapinhas na minha cabeça. — Não mais Kitchen Nightmares27 para você. — É Gordon Ramsay. Eu não consigo evitar. Todos aqueles gritos e xingamentos..., é tão fervoroso. E ele tira a sua t-shirt pelo menos uma vez em cada episódio para mudar para o seu uniforme de chef. Ela bufou. — Aberração. — Olhe, eu vou ter que aguentar. Eu tenho que o fazer. Juntar-me à câmara é bom para a loja..., será bom para a loja. Por favor, Deus, deixe que seja bom para a loja. E pelo menos sabemos que elas irão me deixar sair se não for o lugar para mim..., ou se exceder o peso máximo permitido. Andrea bufou. — Você sabe; talvez você ficasse um pouquinho mais confiante se enriquecesse o seu guarda-roupa um pouquinho. Fiz uma careta. — Você está apenas procurando uma desculpa para me levar em outra excursão humilhante de compras.

Kitchen Nightmares é um série de televisão dos Estados Unidos da América na qual o chef Gordon Ramsay vai à diversos restaurantes à beira da falência, tentando de alguma forma, salvá-los, através da mudança no cardápio, repaginação no salão e até demissões. Tradução literal: Pesadelos na Cozinha.
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— Continue assim, e vou colocar você em um poncho elegante 28. — ela disse, dando-me um olhar maléfico de brincadeira. Estremeci. — Vampiros não deveriam usar ponchos. — fiz ruídos de beijos e gesticulei para o meu cão. — Vem cá, Fitz. Fitz bocejou e acomodou-se ainda mais debaixo do balanço de alpendre, esfregando a cabeça na mão de Andrea. — Traidor. — murmurei. — Oh, você tem um carregamento na loja. Eu coloquei-o na sua mesa de entrada. — ela disse, levantando-se e tirando a cabeça de Fitz do seu joelho. — Porque não o deixou na loja? — eu perguntei, seguindo-a através da porta da frente, de jarro na mão. — Bem, eu pensei que talvez você quisesse estes, para si mesma. — ela disse, sorrindo, e entregando-me a caixa aberta. Cerca de uma dúzia de livros com títulos de neon brilhantes piscaram para mim. — Sede Proibida. Luxúria de Sangue. Presas Penetrantes. As Desventuras de Millie. — eu li, folheando os livros escorregadios. Isto ia muito além das capas comuns de 'bodice ripper'29. Vamos apenas dizer que mais do que presas estavam sendo inseridas. — Eu não encomendei isto! Isto é..., pornô! Pornô vampírica, mas pornô mesmo assim. — Eu penso que as editoras preferem o termo 'erótica'. Lancei a Andrea meu melhor olhar intimidante. Ela encolheu os ombros, toda olhos grandes e inocentes, traídos pelo seu louco contrair de lábios. — Bem, você disse que iria ficar com falta de companhia sexual. Eu pensei que talvez você tivesse decidido expandir seus horizontes.
O Poncho (do quechua: punchu) é uma vestimenta tradicional da América do Sul. O gaúcho do meio rural usa-o para proteção do frio e do vento, por sobre a vestimenta usual, sendo feito em teares com lã de ovelha.
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Termo ofensivo para muitos na indústria dos romances, refere-se àqueles livros previsíveis em que a mulher desamparada é salva pelo herói, muitas quando foi o próprio herói que a colocou em perigo, o nome 'bodice ripper' (tradução literal: Rasga Corpetes) vem de as capas desses livros sempre terem as mulheres seminuas sendo agarradas pelo herói.
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— Sua percepção de mim é preocupante. — estremeci. — Existe uma guia de remessa? — 'Espero que goste destas amostras. Deixe-me saber sobre a encomenda. Até mais, Paul, ' — Andrea leu em voz alta antes de me mostrar o pedaço inocente de papel branco. — Quem é Paul? — Paul Dupree, um dos meus fornecedores em Atlanta. Ele se especializou em publicações vampíricas. Normalmente, ele me envia guias de dietas e livros de autoajuda. — Tecnicamente, isso poderia ser considerado uma forma de autoajuda. — Andrea mexeu as sobrancelhas sugestivamente. — Ew. Eu gosto de edições com capa de couro, não disto! — Talvez ele só tenha percebido a parte do couro. — ela disse, inclinando a cabeça para dar uma olhada melhor em Millie, que parecia mais do que entusiasmada por estar amarrada, pendurada de cabeça para baixo, e sendo olhada por um vampiro com um peito inegavelmente bem definido. — Dick te deu uma lista de sarcasmos sujos? Você está desfrutando muito disto. Ela bufou. — Eu vi alguns dos títulos em sua coleção pessoal. Eu não acho que você deva fazer muitos juízos de valor. — Eu não vou entrar em um debate de censura com você. Eu tenho outras coisas em minha mente neste momento - Pare de rir! — eu chorei quando ela desabou sobre uma cadeira. — Tudo o que eu posso dizer é graças a Deus que Gabriel não está aqui para ver isto. Ele provavelmente iria atrás de Paul e arrancaria seus braços por me enviar este tipo de coisa, relacionamento profissional ou não..., ou ele apenas diria, 'Este lote de pornografia é provavelmente para o melhor’ e me ofereceria um suprimento vitalício de baterias. Andrea se dobrou, rindo. Fiquei feliz por alguém poder aproveitar minha dor. A verdade era que eu não precisava de qualquer forma de estimulação artificial. Meu corpo se recusava a acreditar que Gabriel e eu não estávamos mais juntos não dispostos a desistir dos orgasmos que ele me deu mesmo que eles tivessem que ser fabricados em meus sonhos. Toda a noite, eu tinha sonhos vívidos e a cores de Gabriel, seu corpo, seus lábios, aquela coisa que ele costumava fazer com seu dedo indicador. Meu subconsciente cruel

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desenterrava memórias de encontros reais ou criava cenários elaborados, como o sonho em que Gabriel era um policial e eu tive que usar todas as minhas artimanhas - e uma dança de colo - para persuadi-lo a não me dar uma multa por excesso de velocidade. Ou os sonhos onde ele apenas entrava na casa, me jogava na mesa da cozinha sem uma palavra, e me possuía. Toda a noite, eu acordava no meio de um orgasmo de virar a cabeça, gritando, e tudo desabava quando eu percebia que estava sozinha. Eu estava presa entre ter medo de ir dormir e querer ir para a cama horas mais cedo. Finalmente recuperada e esfregando a sua dor lateral, Andrea enxugou os olhos. Ela suspirou. — Você ainda não ouviu nada dele? — Não. — ela me seguiu até a cozinha, onde eu deixei cair o jarro vazio na pia e tirei um Tipo 0 falso da geladeira. — Estou apanhada nesse inferno de 'Eu quero ligar-lhe, mas preferia que fosse ele a ligar-me, porque isso prova que ele quer falar comigo'. Quando é que a minha vida se tornou um episódio trágico de Felicity30? — Eu não sei o que isso significa. — Isso significa que eu me sinto como se estivesse esperando que esse garoto muito especial me ligasse, só que esse garoto muito especial não está respirando. E ele me disse que era provavelmente melhor que nos separássemos a mais de 4800 quilômetros de casa, e ele não considerou necessário entrar em contato comigo em duas semanas. Nem mesmo para ter certeza que meu avião não caiu no Atlântico. Neste ponto, eu não estou certa de que ele não ficará na Europa até ter ouvido dizer que eu me mudei ou me tornei uma freira ou algo assim. Ela bateu na minha cabeça com carinho. — Bem, para além do casamento, uma garota gosta de ter um pouco de drama na sua vida amorosa de vez em quando31. É algo em que pensar e dá-lhe uma espécie de distinção entre suas companheiras. Meu rosto se suavizou em um sorriso. — Você leu Orgulho e Preconceito.
Felicity é uma série de TV norte-americana que conta as experiências da estudante Felicity Porter (Keri Russell) e de seus amigos, Ben, Julie, Noel e Elena, na Universidade de Nova York, baseada na New York University.
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Citação de Orgulho e Preconceito: "Next to being married, a girl likes to be crossed in love a little now and then." - no livro é dita por Mr.Bennet.
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Andrea revirou os olhos. — Bem, eu percebi que se vou sobreviver trabalhando na loja, eu precisava lê-lo. E você só deu a entender que uma pessoa com qualquer tipo de inteligência tinha que ler pelo menos um livro de Jane Austen, umas mil vezes. Bati no meu queixo com um dedo. — Isso não soa nada como algo que eu diria...

Faltavam dois dias para a reabertura. A gaveta da caixa registradora estava presa. Estava faltando uma encomenda bastante grande do que eu considerava nosso produto fundamental, O Guia Para Os Recentemente Não Mortos. E eu estava começando a suspeitar que Andrea estivesse colocando café extra em suas mágicas poções de café misterioso, porque 'Jane cafeinada' a divertia. A única coisa a nosso favor era uma leiteria local, que estava disposta a entregar a um cliente pequeno como nós e em um local tão ruim como o nosso, à noite. Na verdade, foi um deleite descer do velho apartamento do Sr. Wainwright e encontrar um homem alto e um uniforme indecentemente justo; da Leiteria de Half-Moon Hollow lotando nosso pequeno frigobar para café com natas magras e natas cremosas. — Wow, esse é o nosso cara das entregas de leite? — eu sussurrei. Andrea não se incomodou em retirar os olhos da bunda do Cara do Leite, deliciosamente vestida de azul justo e balançando enquanto ele enchia o frigorífico. — Sim. — Andrea respondeu distraidamente. — Ele vai vir aqui regularmente, certo? Nós simultaneamente inclinamos nossas cabeças quando os quadris do Cara do Leite mudaram de ângulo. Andrea suspirou. — Sim.

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— Talvez nós devêssemos organizar isso de forma a Dick estar em outro lugar nas noites de entrega. — eu sussurrei. — Porque você está babando. E eu não te culpo porque leite é bom para o organismo - Oh, meu Deus. — meu queixo caiu quando o Cara do leite se virou, e eu o reconheci como o pequeno Jamie Lanier, de quem eu costumava ser babá em todos os verões. Jamie tinha dez centímetros para além da minha alta altura. Seus acolhedores olhos verdes brilhavam para mim debaixo de um desbotado boné azul que ele tinha colocado sobre seu cabelo ondulado loiro escuro. (Amaldiçoe minha fraqueza pelos garotos americanos!) Cada centímetro dele estava tonificado e bronzeado, e ele tinha cheiro de sabonete Irish Spring. Segurei um suspiro. Este era o perigo de viver na pequena cidade onde você cresceu. Os gostosos locais tinham que vir de algum lugar, e geralmente, era do garoto chato que só queria comer panquecas sorridentes desde os cinco anos aos sete. — Senhorita Jane! Oi! — ele mostrou aquelas covinhas devastadoras. — É ótimo ver você! — Jamie. Como vai sua mãe? — eu perguntei, hesitando ao seu uso de 'senhorita', um sinal certo de que ele me via como uma cidadã sênior. — Ainda ensinando? — Sim. Mas ela diz que vai se aposentar agora que eu estou me graduando, e ela e meu pai vão ter a casa só para eles. — Você está se formando da universidade? — eu disse; uma nota louca de desespero em minha voz enquanto eu tentava fazer os cálculos de idade na minha cabeça. — Na verdade, eu ainda sou um sênior na escola de Half-Moon Hollow. Eu só estou trabalhando à noite para poupar para a universidade. Perdoe-me, Senhor, eu sou a maior tarada do mundo. — Diga oi para sua mãe por mim. — eu disse enquanto ele embalava seu carrinho de mão e se dirigia para a porta. Ele acenou para nós do carrinho de entregas e se afastou. Eu olhava para o teto, então disse para a Andrea. — Você pode rir agora.

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Ela gargalhou, caindo contra o bar, enquanto segurava o seu lado. — Sinto muito. É só que o olhar em seu rosto quando ele disse que estava se formando do ensino médio! Esfreguei minhas mãos em meu rosto. — Meus olhos, eles queimam. — Eu não posso acreditar que vou poder reviver esta humilhação com cada entrega. — Andrea disse, esfregando as mãos em contentamento antecipatório. — Este já é o meu melhor trabalho de sempre! — Eu acho que você às vezes esquece que eu sou plenamente capaz de te magoar... — nós nos voltamos para a porta da frente quando uma mulher em uma capa de chuva cor pêssego entrou na loja, segurando sua bolsa a seu lado com um braço e carregando um enorme cesto decorado com fitas com o outro. Courtney Barrons, Courtney Simpática, olhou seus arredores de forma suspeita, aparentemente com medo de tocar em alguma coisa. — Courtney? — eu disse. — Jane! — ela suspirou, aliviada por me ver. — E nem sequer é meu aniversário! — Andrea estava claramente entusiasmada que um dos membros da câmara tinha aparecido tão cedo para iniciar a minha lavagem cerebral. Ela sussurrou. — Qual? Limpei a garganta. — Courtney Barrons, esta é minha sócia, Andrea Byrne. Andrea, Courtney Barrons. Courtney é a proprietária da Unique Boutique, a loja de pratas em Dogwood. — Prazer em te conhecer. — elas disseram em coro. Eu meio que esperava que Courtney fizesse uma reverência. — Não que eu não esteja feliz em te ver novamente, mas o que você está fazendo aqui? — eu perguntei. Courtney deu uma risada entrecortada. — Eu sei! Eu normalmente não entro nesta parte da cidade, especialmente à noite. Mas o horário de sua loja é tão estranho, eu queria ter certeza que te pegava. — ela disse, pousando a cesta de presente gigante em cima do balcão. — A câmara enviou-lhe isto, e eu me ofereci para trazê-lo. É uma cesta de muffins de boas vindas. Há uma pasta de orientação, um diretório, o livro de memórias, e uma lista de sugestões de lugares onde você deve ir pedindo prêmios para os jogos.

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Bem, isso resumia tudo. Se eu tinha aprendido alguma coisa com Missy, a agente imobiliária psicopata, foi nunca confiar em pessoas que carregam cestas de presente. — Livro de memórias? — Andrea perguntou. — É um pequeno livro de recados para os nossos eventos especiais, para angariações de fundos, esse tipo de coisas. — Como um anuário! — Andrea exclamou alegremente, e em seguida fez uma careta quando eu empurrei a cesta para ela com mais força do que foi provavelmente necessário. Ela reprimiu uma risada e levou-a para o escritório. — Eu vou levar estes muffins, já agora! Eles não te servem para nada! Courtney lançou-me um olhar questionador. Eu sorri. — Eu estou em uma dieta sem carboidratos, sem açúcar e sem glúten. Mas Andrea vai adorá-los. Foi muito simpático de sua parte trazê-los. Você não tinha que vir até aqui. — Bem, eu simplesmente gostei tanto de falar com você na reunião, que eu pensei que poderia vir fazer uma visita. Eu só - eu me juntei à câmara para fazer alguns amigos. E as senhoras na câmara..., eu não sabia no que estava me metendo quando entrei. Elas são meio que... — Assustadoras? — eu sugeri. — E loiras? — Andrea gritou do fundo da loja. Eu lancei a Courtney um sorriso de desculpas, mas ela não parecia minimamente ofendida por eu ter andado a falar mal dos membros da câmara nas suas costas. — Sim. Mas você foi tão legal. Você sabe; você é a primeira pessoa que eu conheci em um desses encontros que não zombou de mim pelo fato de que meu marido dirige uma empresa de construção. Como se o meu dinheiro fosse sujo ou algo assim, só porque meu marido não é um médico ou advogado. — Eu fui criada por um professor e uma dona de casa intrometida. Eu não zombo de ninguém. — eu lhe disse, e então emendei. — A menos que eles mereçam. — Você viveu em Hollow toda a sua vida. Você não sabe como é tentar conhecer pessoas aqui quando você não conhece ninguém.

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— Eu acho que você tem andando em volta dos residentes errados de Half-Moon Hollow. Veja, eu imagino que seu marido provavelmente ganha mais do que noventa e cinco por cento das pessoas nesta cidade. Francamente, eu admiro alguém que consegue operar máquinas pesadas, sem ferir pessoas inocentes. Ela deu uma risadinha. — Vê? Eu te disse! Você é divertida. — Sim você disse. Puxe uma cadeira. Courtney deu uma olhada ao redor exagerada, seu rosto aberto e agradável enquanto ela subia no banco do bar. — Sua loja é, hm, realmente interessante. — Obrigada. Café? — eu perguntei. Eu pressionei um monte de botões e esperei que o cappuccino aparecesse. Andrea veio correndo ao ouvir o burburinho da máquina de cappuccinos, como uma mãe ursa protegendo seus filhos. Ela enxotou-me e terminou de fazer a bebida de Courtney. Courtney parecia quase tímida quando ela me deu uma pequena caixa embrulhada em papel rosa. — E eu tenho um pequeno presente para você. — Oh, obrigada. — eu disse, abrindo a caixa. Dentro havia um pequeno chaveiro ligado a um disco de prata inscrito com as minhas iniciais. — Isso é realmente legal. Vampiros são alérgicos a prata. Tocar nela parece uma combinação de chamas e ser obrigada a assistir Glitter32 uma e outra vez. Seus olhos ardem, há um som de esmagamento desagradável, e você é deixado com listras cinza escuras que são muito difíceis de lavar. Eu sabia no que eu estava me metendo quando segurei educadamente o pequeno círculo na palma da minha mão. Os olhos de Andrea se arregalaram quando minha mão começou a chiar como bacon. Eu gesticulei com a boca. — Eu sei! Andrea começou a fazer perguntas incrivelmente complicadas a Courtney sobre como ela queria seu café. Assim que Courtney me virou as costas, eu coloquei o chaveiro em cima do balcão e berrei silenciosamente,
Glitter é a trilha-sonora do filme homônimo, lançados pela cantora norte-americana Mariah Carey em setembro de 2001, primeiro álbum da cantora pela Virgin Records. Glitter tem vendas mundiais estimadas em 4 milhões de cópias (um fracasso em termos de carreira.
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abanando minha mão para frente e para trás enquanto as manchas cinza sujo sumiam da minha pele. — Você está bem, Jane? — Courtney perguntou, sorrindo docemente. — Ótima. — eu ri. Andrea revirou os olhos na minha direção. — Estou ótima. Eu só tenho algumas alergias, um pequeno eczema aparecendo... Espere, não, isso é estúpido. Courtney, você provavelmente devia saber que eu sou um vampiro, e tenho sido por cerca de um ano. Se isso vai fazer com que eu seja expulsa da Câmara do Comércio de Half-Moon Hollow, que assim seja. Eu simplesmente não tenho tempo ou energia para tentar enganar você, e fazê-la pensar que eu sou normal. — Oh, eu sabia. — Courtney disse, dando tapinhas no meu braço e virando minha mão queimada para examinar a palma da minha mão. — O chaveiro era apenas um teste para ter certeza. Mas foi óbvio na outra noite o que você era. Você não tocou na comida. Seus dentes são um pouco mais afiados do que deveriam. Você é tão pálida e, bem, meio que brilhante. Sua pele deixou a Chefe Courtney louca, para que conste. Ela continuou tentando descobrir o que você usa nela. Eu não disse uma palavra. Minha testa se enrugou. — Então, o que você planeja fazer com esta informação? — Nada. — ela disse, sorrindo agradavelmente e sorvendo seu café. — Estou confusa. — eu disse a Andrea, que deu de ombros. — É só que você é muito mais legal do que qualquer uma dessas garotas ditas normais. — ela disse, dando tapinhas na minha mão. — Eu acho que, se você é honesta comigo, você não pode ser ruim de todo. E pessoalmente, eu quero ver quanto tempo leva para as outras garotas descobrirem isso e de quantas maneiras diferentes elas vão conseguir colocar seu pé coletivo em suas bocas. — Você tem um pouco de escuridão em você. — Andrea lhe disse. — Meu namorado vai te amar. Pensando bem, talvez eu deva manter vocês dois separados. Courtney deu uma risadinha. — Além disso, eu experimentei um pouco com os vampiros na faculdade. Toda a garota o faz. Eu arqueei minhas sobrancelhas para ela. — Você sabe que eu sou uma vampira completamente heterossexual; certo?

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Courtney jogou a cabeça para trás e riu. Ela se virou para a Andrea. — Você não adora estar com ela? Você nunca sabe o que ela vai dizer! — Todo o dia é uma aventura. — Andrea disse secamente.

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Capítulo05
Lembre-se de brigar de forma justa. Nada de chamar nomes, nada de usar palavras como 'sempre' e 'nunca', nada de trazer antigos assuntos para evitar o tópico em questão - e nada de desmembramentos.
- Mordidas Amorosas: Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Tem certeza que as estatuetas de estanho não são muito cafonas?

Eu reposicionei as estátuas de fadas graciosas perto da nossa seleção de pedras de ametista, que eu mudei porque quis dar espaço para mostrar um Guia dos Recém Não Mortos ao lado da registradora. Agora eu as estava movendo como meu exército pessoal de pixies nus. Mordi o lábio e balancei para cima e para baixo em meus calcanhares enquanto considerava sua formação atual. — É muito cafona. —Se você reorganizar sua fantasiosa coleção de bric-a-brac33 novamente, eu vou empalar você. — Andrea prometeu. — Pensei que tínhamos concordado que você iria dormir um dia inteiro antes da abertura. Dizer que eu estava uma pilha de nervos no dia da reabertura era um grande eufemismo. Eu devo ter trocado de roupa umas dez vezes, o que é quase doloroso para alguém que não se importa muito com roupas. Primeiro, eu coloquei um top bordado azul e jeans e decidi que parecia muito casual. Então, eu troquei para uma t-shirt vermelha e uma saia indiana - muito hippie-dippy34. As calças cáqui e camisa polo me fizeram parecer como se trabalhasse na Best Buy35. Finalmente, eu abracei o clichê:
Mescla de peças de arte, quadros, bibelôs, móveis etc., de épocas e proveniências diversas, numa coleção que tem em apreço o interesse de cada peça e não a homogeneidade do conjunto.
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No sentido de estar muito descontraída e não adequada à situação. Cadeia daquelas lojas gigantes que vendem de tudo e que os funcionários andam todos vestidos de igual.

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calças pretas, top com contas pretas, brincos em forma de lágrima de cornalina36 que parecia como pequenas gotas de sangue, e as botas pretas que Andrea praticamente me obrigou a comprar por risco de atirar em mim com uma arma. E depois eu fui para a loja e imediatamente quis correr de volta para casa e mudar quando vi a blusa branca e luxuosa de Andrea e as suas calças cinzentas de bom corte. O Sr. Wainwright tinha vindo e dado seu apoio incondicional, e depois desapareceu prontamente, dizendo que não queria me deixar nervosa no meu primeiro dia. Ele prometeu trazer a tia Jettie no encerramento, para comemorar o meu 'triunfo empresarial'. Era estranhamente solitário ter a loja aberta sem a presença espectral do meu ex-empregador. Mas Dick e Andrea estavam lá para mim, fazendo os ajustes de última hora, limpando bagunças de última hora, segurando um saco de papel na minha cara que eu tinha hiperventilações de última hora - a ironia do último agravada pelo fato de eu tecnicamente não respirar. — Eu tentei dormir, e então, apesar do meu muito específico e efetivo relógio interno, eu estava deitada lá, ao meio dia de hoje com um cérebro correndo. Eu ficava pensando que realmente tinha pulado nisto sem ponderar corretamente. — eu disse, colocando a Fada Das Flores da Primavera atrás da Fada De Outono Misteriosa e depois as trocando de novo. — Quero dizer, eu pensei, eu já tenho um local, estoque, e mais capital do que eu precisava. Que mais eu precisaria para um bom negócio? E se eu escolhi os tipos errados de livros? E se não há livrarias vendendo especificamente para os vampiros porque a maioria dos vampiros está lá fora vivendo suas não vidas em vez de lerem? E se o bar de café foi uma idéia idiota? — Bem, certamente foi uma ideia estúpida lhe dar o que equivalia a 3 expressos duplos na noite passada. — Andrea suspirou, arrumando doces da Half-Moon Hollow Sweets em um guardanapo de fantasia. — Eu sabia! — eu assobiei para ela. — Eu sabia que você me estava dando cafeína extra. — Eu pensei que seria muito mais engraçado do que isto.

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Mineral de cor vermelha ou amarelada-marrom.

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— Sinto muito que minhas palhaçadas malucas, que você causou - já não te divirtam. — eu disse secamente. — Chame-lhe uma experiência fracassada. — ela murmurou, atirando a caixa rosa da padaria para o lado e limpando a bancada. Um conjunto de muffins, biscoitos e barras de limão piscava para mim a partir do vidro do balcão, zombando da minha incapacidade para digerir alimentos sólidos. Pode ter parecido uma má ideia dar às pessoas doces pegajosos e líquidos que poderiam manchar, e depois convidá-las para analisar nossos livros. Mas eu queria que a loja fosse o tipo de lugar onde você poderia sentar-se durante horas e sentir-se bem-vindo e, por consequência, sentir-se culpado o suficiente para comprar vários livros caros. Como precaução adicional, tínhamos colocado os volumes raros em uma estante de vidro, para coleções especiais, para a qual eu tinha a única chave. — Abrimos em dez minutos, e ninguém está aqui ainda. — eu disse, trocando as fadas de volta para a sua posição original. Andrea estendeu a mão e deu um tapa na minha. — Ow! Nada de bater! Disparei um olhar significativo para o seu namorado, que estava conscientemente empilhando sacos de compras da cor azul meia-noite, gravados com o novo logotipo de Livros Especializados perto da registradora. Eu considerei isso um gesto de extrema confiança, permitir que Dick ficasse tão perto de uma gaveta desbloqueada da registradora. Ao ver o meu olhar indignado, ele deu de ombros e pendurou um braço em torno de sua namorada deslumbrante. — Eu já vi você lutar. Meu dinheiro está nela. — Eu não estou te pagando, certo? Dick balançou a cabeça. Eu murmurei. — Bom. — Eu sou o seu primeiro cliente? — olhei para cima para ver meu pai parado na porta. — Papai! — eu gritei, jogando meus braços ao redor dele e quase o derrubando. — Sim, você é. Se havia alguém que podia ajudar com o meu objetivo de 'Melhorar as relações com a família', era o meu pai. Eu sou uma descarada garota do

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Papai. Não como Carol Anne Mussler, cuja vida familiar tomou um rumo decididamente assustador depois de ela ter dedicado 'Every Breath You Take' a seu pai no show anual de talentos do ensino médio. Mas o que mais eu poderia fazer do que prometer meu favoritismo imortal pelo homem que tinha me dado meu amor eterno pela leitura? O homem que me defendeu das repetidas tentativas de mamãe e vovó Ruthie para fazerem de mim um clone de Jenny? O pai que me amava incondicionalmente, apesar do meu catálogo crescente de falhas? Se, papai não tivesse decidido me dar o infeliz nome do meio de Enid, ele teria sido um pai perfeito. Papai acariciou meu cabelo, afastando-o dos meus olhos. — Qual é o problema, Abóbora, com medo que ninguém apareça? Refleti, por cerca de um milissegundo. — Hm, sim. Basicamente é isso. Papai abriu a carteira e me entregou o seu Mastercard. — Bem, me aponte a direção do bar de café, e comece a preparar a minha conta. E me traga um desses livros sobre como ser um pai melhor para um vampiro adulto. — Bem, se você me deu um cartão de crédito válido, você tem o meu voto para Pai do Ano. Papai deu uma boa olhada na seleção de velas de ritual. — Isso significa que você pode me dar um bom negócio em uma varinha mágica e uma coruja? — Eu responderia, mas nós acabamos de estabelecer uma política de não violência na loja. — eu disse, cutucando-o nas costelas. Ele pegou o meu queixo com a mão. — Parece ótimo, docinho. Tudo. Eu posso ver o quanto vocês se esforçaram, garotas. Estou muito orgulhoso de vocês. — Obrigado, papai. Mamãe virá? Papai pigarreou. — Mamãe envia seu apoio em espírito. Mas Jenny tinha uma reunião hoje, e ela precisou que Mamãe ficasse de babá. — Hmm. Conveniente. — revirei os olhos. Atrás de nós, a campainha tilintou, e a porta abriu. Uma adolescente gótica, com um rosto pálido, piercing no nariz, e verde-limão-sobre-cachosloiro-escuros entrou na loja. Ela era um vampiro, mas era tão jovem. E ela

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estava obstinadamente evitando contato visual. Eu tomei a abordagem direta, dizendo no meu tom mais agradável. — Olá, seja bem-vinda a Livros Especializados. Posso ajudá-la a encontrar alguma coisa? Ela parou e olhou para mim. Eu acho que ela estava disposta a que eu desaparecesse. OK, então. — Você está procurando por algo em especial ou está apenas visitando? — eu perguntei, diminuindo um pouco o tom alegre. A rainha adolescente de cabelos verdes estava agora olhando através de mim. — Eu acho que ela está fingindo ser invisível. — Andrea sussurrou de trás do balcão. Eu não queria alienar meu primeiro cliente que não estava relacionado comigo por sangue, por isso eu saí do caminho dela. Quando ela passou, eu alcancei-a, cutucando gentilmente nas bordas de sua mente. Geralmente, eu não posso ler vampiros, mas ela parecia tão nova, acho que essa seria a palavra certa, que eu queria ver se conseguia obter algumas impressões. Em vez disso, eu fui inundada com o caos de pensamentos adolescentes. Ela estava sozinha com medo do que aconteceria se a mãe dela descobrisse que ela havia dirigido o carro da família para a pior parte da cidade. Ela desejava que eu a deixasse o inferno sozinha para que ela pudesse procurar o mais recente livro de quadradinhos da temporada 8 da Buffy e lê-lo em paz em uma dessas cadeira legais roxas. Ela desejava ter trazido dinheiro suficiente para o livro e para uma mocha latte, porque o café cheirava muito bem, e ela amava; amavaaaaa chocolate e sentia sua falta como louca. Ela até sentia saudades de sua mãe lhe dizendo que o chocolate criava espinhas. Sua mãe não falava muito com ela por estes dias. Toda sua estúpida família parecia ter medo dela, mas eles estavam com ainda mais medo de chutá-la de casa. Era simplesmente maravilhoso ser autorizada a permanecer em seu próprio quarto porque seu pai tem medo de falar com você. Ela não sabia por que eu a estava incomodando; não era como se ela fosse roubar nem nada assim. Pessoas mais velhas sempre a seguiam em torno das lojas por causa de seu cabelo. Ela desejava nunca o ter tingido de verde, mas depois sua mãe fez uma confusão tão grande por causa disso que ela sentia que tinha que continuar a tingi-lo uma e outra vez só para tentar ganhar um pouco de atenção...

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Eu tive que lutar para me afastar do vórtice de seus pensamentos. Balancei a cabeça, tentando afastar os sentimentos de tristeza e isolamento. Deus, eu estava feliz por já não ser uma adolescente. — Você encontrará os livros em quadradinhos da Buffy na nossa secção de Romances Gráficos, perto da parte de trás. — eu murmurei silenciosamente. Ela se virou, me olhando cautelosamente. — Andrea, você poderia dar à nossa primeira cliente oficial um grande mocha latte com o xarope 'especial'? Por conta da casa, claro. A amante de Buffy, de quem eu decidi que ia gostar, mesmo que isso me matasse, tinha os olhos do tamanho de pires quando eu pisquei para ela. — Ob-brigado. — ela gaguejou; numa voz que era mais alta; mais frágil do que a voz em sua cabeça. — Eu sou a Cindy. — Sério? — eu perguntei, olhando para o piercing no nariz. — Eu não esperava por isso. Cindy, eu sou a Jane. Esta é a Andrea. Deixe-nos saber se você precisar de alguma coisa. — OK. — ela se virou nos calcanhares forrados com umas botas bem pesadas e de dirigiu para os romances gráficos. — E para que conste, eu não sou assim tão velha. — gritei para as costas dela. Uma Cindy notavelmente mais cordial se acomodou em uma cadeira com seus quadradinhos e tomou um gole de seu café. Ela revelou-se um amuleto de boa sorte, visto que com a sua chegada ela trouxe uma série de tilintares da campainha da porta da frente. Vários vampiros, que eu nunca tinha visto antes, entraram e beberam sangue aquecido e discutiram sobre formar um clube do livro para não mortos. Zeb e Jolene apareceram para os doces (para Jolene) e um livro chamado O Drama dos Filhos Metade Were (para Zeb). Eles se acomodaram no bar perto do meu pai e conversaram sobre o iminente Lavelle. Eles ainda não tinham contado à mãe de Zeb sobre a gravidez. Depois de Mamãe Ginger ter entrado no trailer, reorganizado todos os móveis, "organizado" seus emails e contas, e ter limpado a maioria da comida da geladeira de Jolene, Jolene tinha adiado a data de divulgação para quando o bebê estivesse indo para a faculdade. Ela também tinha acrescentado aquelas fechaduras com impressões digitais biométricas aos planos para a nova casa. Seriamente, você não deve mexer com o suprimento de alimentos de um lobisomem, mesmo sob o pretexto de ser 'útil'.

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Vários membros de Amigos e Familiares dos Não Mortos, um grupo dedicado a ajudar os amados de vampiros recém-transformados, folhearam novos lançamentos na secção de autoajuda e ficaram emocionados quando eu me ofereci para sediar as reuniões na loja nas noites de quinta-feira. Alguns dos meus antigos colegas humanos da biblioteca enfrentaram a pior parte da cidade e compraram títulos da Anita Blake, que eles provavelmente não comprariam em uma livraria 'normal'. Eles também sugeriram a ideia de formar um clube do livro focado em obras sobrenaturais, começando com Lovely Bones de Alice Sebold37. Eu sentia falta das crianças e dos livros infantis. Eu sentia falta das velhas cópias esfarrapadas de Harold and the Purple Crayon38 e de rastrear a cópia de Behind the Attic Wall39 que tinha sido pedido e quase mantido por meninas descuidadas (incluindo eu) num total de 14 vezes. Mas este novo empreendimento era certamente gratificante. Nós realmente vendíamos livros. Para clientes vivos. O que não tinha acontecido na, “Livros Especializados” em algum tempo. Claro, por vivos, eu quero dizer presentes na altura da venda. Eu não podia garantir funcionamento cardíaco ou pulmonar. Eu estava ajudando os livros a encontrar seu caminho para as pessoas novamente. Eu teria chorado um pouco se tivesse tempo. Estes pensamentos foram interrompidos pelo aparecimento de uma pequena morena com um rosto em forma de coração, e maçãs do rosto altas e afiadas. Ela vestia uma blusa grossa de babados combinada com uma longa saia preta. Um pingente delicado de um camafeu40 prendia o pescoço da blusa. Ela era um vampiro, e ela me encarou por um tempo antes de finalmente se aproximar do balcão. — Posso ajudar? — perguntei. — Não, eu acredito que vou só ver por um tempo. Eu penso que você poderá ter exatamente o que eu estou procurando. — ela sorriu; as pontas de suas presas espiando sobre seus lábios finos e esbranquiçados.
The Lovely Bones lançado no Brasil como Um olhar do Paraíso é um romance de 2002 da escritora americana Alice Sebold. Conta a história de uma adolescente que, após ser estuprada e assassinada, passa a assistir, do paraíso, sua família e seus amigos seguirem com suas vidas, enquanto ela tem que lidar com sua própria morte.
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Livro infantil muito famoso, escrito por Crockett Johnson. Tradução literal: Por trás da porta do Sótão, livro juvenil, escrito por Sylvia Cassedy, de 1983.

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É uma pedra fina cinzelada de modo a formar uma figura em relevo (em oposição a entalhe) e que comporta ou não camadas superpostas de cores diferentes.
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— O...K. Direcionando os dois homens que eu suspeitava que pudessem ser ghoul para a seção de planejamento financeiro manteve-me distraída desta cliente estranha. Havia algo não muito certo acerca desta mulher, e não era só o seu gosto por roupas velhas. Seus olhos estavam febris e brilhantes, e eu não parecia conseguir olhar para eles por muito tempo. Sua pele era pálida, mesmo para nossos padrões. Ela cheirava errado, como linimento41 e cânfora, cuja combinação era quase insuportável quando ela se aproximou da registradora carregando cópias de Mordidas Amorosas, Como sobreviver ao abandono de um Sire, 30 Dias para um seu Eu Não Morto Mais Saudável, Eu estou OK, Você está Não Morto e, curiosamente, Um amor para recordar42. — Você tem uma seleção maravilhosa. — ela disse; seus olhos escuros me atravessando. — Obrigado. Você encontrou o que procurava? — Não ainda. Mas isto servirá por enquanto. — sua voz era neutra quando ela me deu o dinheiro, que estava rapidamente se tornando meu meio preferido de pagamento. — Bem, por favor, volte. E me avise se eu puder ajudá-la a encontrá-lo. — Tenho certeza que você pode. — ela disse, sorrindo para mim com uma intensidade que, sinceramente, estava começando a me assustar um pouco. Ela desapareceu na multidão (multidão!) de clientes e porta fora. Uma hora antes do fechamento, meus pés estavam doendo tanto que eu nem sequer pensei em perguntar a Andrea se ela tinha notado A Assustadora Garota Cameo43. Em vez disso, somamos o dinheiro, regozijamo-nos sobre cada grande nota, e prometemos uma à outra que Cindy, o Amuleto da Sorte Gótico seria bem-vinda para tomar lattes gratuitos sempre que os quisesse.
Linimento é uma preparação farmacêutica líquida ou semi-líquida, que contém em sua composição insumos ativos dissolvidos em óleos, soluções hidroalcoólicas ou emulsões. Nestes casos, o insumo inerte pode ser óleos, bases emulsionáveis não tóxicas ou solução hidroalcoólica.
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Romance de Nicholas Sparks.

Cameo é um grupo musical de funk, R&B e disco music famoso na década de 1970 e marcado pelo ritmo forte e pelas melodias marcantes.
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O Sr. Wainwright e Jettie reapareceram e admitiram que o Sr. Wainwright não aguentara a ideia de perder minha grande noite e que passaram boa parte da noite observando a área de vendas em modo fantasma invisível. O Sr. Wainwright falou poeticamente sobre cada venda e declarou que a loja tinha tido provavelmente mais clientes nessa noite do que no ano anterior. Ele declarou que eu e Andrea éramos gênios de marketing. Tia Jettie apenas sorriu e afirmou 'que sabia disso desde o inicio'. Dick estourou uma garrafa de champanhe tão caro que eu não me atrevi a perguntar onde ele a tinha conseguido, e nos sentamos no bar do café brindando a uma boa noite. Ao todo, Gabriel certamente escolheu o melhor momento para voltar para a minha vida. — Jane? — ele disse, andando timidamente na minha direção, segurando um buquê de girassóis amarelos, gordos e vibrantes atados com ráfia e fita. Fiquei surpresa com o esforço que tive que fazer para olhá-lo nos olhos enquanto ele atravessava a sala, e com o quão gratificante foi que ele parecesse com 20 quilômetros de estrada rural ruim. Gabriel estava tão pálido como papel, as covas em suas bochechas dramáticas e abatidas. E se eu não estava enganada, havia um tique nervoso em seu lábio superior. Se ele se sentisse metade do ruim que parecia, bem, a parte vingativa de mim pensava que era um bom começo. E eu estava tocada por ele saber que eu ia saber que girassóis significam 'adoração' e 'calor'. Mas mesmo depois de semanas de sentir saudades de sua voz, de seu rosto, descobri que mais do que tudo, eu só queria que ele se fosse. Eu não queria ter esta conversa agora. Eu queria gozar o meu sucesso por apenas mais um pouco. Eu deveria ter sabido melhor. Se minha história me ensinou alguma coisa, é que quando eu começo a desfrutar de uma pequena boa fortuna, o equilíbrio cármico muda para me chutar no rosto e restaurar o status quo. — Oi. — ele respirou como se tivesse passado uma noite inteira planejando essa única sílaba. — Oi. — eu concedi depois de reflexão considerável. — Como você tem estado? — ele perguntou. Sério? Estávamos ficando pelas gentilezas embaraçosas? Porque eu estava num humor do tipo 'desculpe-se, ou seja, destruído'. Hmm. Como eu tenho estado? Afiando um monte de estacas. Assistindo Kill Bill uma e outra vez...

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Gabriel pressionou as flores em minhas mãos enquanto eu perguntava. — Porque você está de volta? Ele deu de ombros e sorriu. — É sua grande noite. Eu não perderia por nada. — Bem, você a perdeu. Você tem perdido um monte de noites recentemente. Tantas noites, de fato, que eu comecei a pensar que talvez você não fosse voltar. Obrigado por me colocar nessa posição. — Jane, isso não é justo. — ele disse quietamente quando Jettie e o Sr. Wainwright desapareceram. Dick e Andrea tiveram uma súbita e avassaladora vontade de colocar em prateleiras o estoque fora de lugar. Sentei-me e coloquei as flores de lado. — Olhe Gabriel, estou cansada, e eu não tenho paciência para brincadeiras vazias. Eu tive uma noite muito longa. Uma grande noite, na verdade. E você não esteve aqui para vê-la. Eu fiz tudo isto sem você. O engraçado é que eu não precisei de você. Eu não precisei de você para me proteger, ou cuidar de mim ou escudar o meu eu delicado em seus braços fortes e viris. Eu estou chegando ao ponto em que eu gosto de não precisar mais de você. Na verdade, eu decidi iniciar uma relação puramente carnal sem ataduras com Dick para atender algumas das minhas necessidades, por isso você nem sequer tem que aparecer para isso. O rosto sorridente de Dick apareceu por cima das prateleiras de dieta e manutenção da saúde. — Bem, Stretch, se você está se oferecendo - ow! — ele chorou quando a mão de Andrea serpenteou por trás e bateu na traseira de sua cabeça. Gabriel lutou contra a óbvia aversão pela imagem mental que as palavras 'puramente carnal' tinham invocado e disse. — Jane, deixe-me explicar. Eu não liguei porque estive preso em reuniões todas as noites durante as últimas semanas. Primeiro, uma fábrica que eu esperava comprar em Leeds teve problemas de trabalho. E depois um negócio imobiliário acabou na Itália. Eu tive que acalmar alguns temperamentos da Boêmia insultados quando o meu intérprete chamou rabo-de-cavalo a um deles quando eu estava tentando vender uma fábrica de processamento de filme... — Você está mentindo para mim. — nesta altura, eu estava grata pela raiva quente que estava impedindo que as lágrimas brotassem. Gabriel parou. — O quê?

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— Você está mentindo, neste momento. Na minha cara. — Não, eu não estou. — Sim, você está, porque quando você mente; você fica com essa ruga entre as sobrancelhas. — eu bati-lhe na testa. — Você pensa que eu não percebi, mas aconteceu toda vez que você recebeu um daqueles envelopes finos e tentou explicá-los como correspondência de negócios. É como um pequeno ponto de exclamação no meio de sua testa, que grita: 'Eu estou mentindo!’ — Eu não estou! — ele gritou. — Você tem uma agora! — eu gritei, apontando para a sua testa, sobre a qual ele colocou uma mão protetora. — Eu expliquei a você... — Você não explicou nada para mim. Nada. E esta não é uma questão que irá desaparecer se a ignorarmos o bastante. Chamadas 'de negócios'; há horas estranhas que eu não estou autorizada a ouvir. Notas secretas em cada hotel, que você destrói imediatamente após ler. Notas que falam sobre o que você e outra mulher 'são' um para o outro. Sobre como eu não posso satisfazê-lo como ela o 'faz'... — Você leu as notas? — ele perguntou; sua voz atingindo aquele tom de 'namorados em apuros' que só os cães conseguem ouvir. — Eu não queria, mas porra, Gabriel, o que mais eu deveria fazer? Apenas continuar fingindo que nada estava acontecendo? Perdoe-me se a única conclusão lógica a que pude chegar foi que você está me traindo. Se existem outras opções menos louca, por favor, me diga. Eu adoraria ouvi-las. — Eu não posso acreditar que você pensaria depois de tudo o que passamos que eu quero estar com outra pessoa! — Que é algo que alguém que está traindo diria. — Pare! — ele gritou. — Apenas pare com isso, Jane. Eu já lhe disse, há coisas acontecendo agora sobre as quais eu não te posso contar. É para seu próprio bem. Eu lhe pedi para confiar em mim, e você não aguenta estar feliz, não é? Você está apenas à espera que outro problema apareça, e quando não há problemas, você os inventa.

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— Bem, isso é..., dolorosamente exato. Mas vamos explorar porque eu poderia procurar problemas, sim? Desde que eu te conheci, eu morri. Uma corretora de imóveis insana loira tentou acusar-me de homicídio para que ela pudesse transformar minha casa de família em um condomínio brega. Minha irmã está me processando porque ela decidiu que eu não mereço qualquer parte da história da família. Minha avó parou de falar comigo por eu ser um vampiro, mas ela está perfeitamente bem com ser comprometida com um ghoul. Meu décimo reencontro de ensino médio está chegando, e eu sou a única americana Não Morta na minha classe de graduação. Oh, e meus fornecedores acreditam que eu estou sozinha o suficiente para precisar de pornografia. As sobrancelhas de Gabriel subiram ao ouvir isso, mas eu continuei meu discurso. — E apesar de tudo isso, a única coisa que realmente me derrubou é pensar que, sim, você esteve com outra pessoa. Que você tocou outra pessoa lhe disse que a ama, apesar de toda sua merda de Sire-childe44, 'Eu sou atraído para você por causa de sua inocência e porque você cheira tão bem, eu vou amar você para sempre'. Se há outra explicação, eu adoraria ouvir. Porque o que no mundo poderia ser pior do que isso? O que poderia ser tão mau que você acha que eu não poderia lidar com tal coisa? — Por favor, apenas confie em mim. — ele disse, segurando meu rosto entre suas mãos como um salva vidas. — Confie que tudo o que eu faço é para te proteger. Confie que ver você ameaçada me rasga de uma maneira que eu não posso explicar. Apenas confie em mim, Jane. — Ameaçada de que maneira? De que diabos você está falando? — afastei as mãos de Gabriel. — E porque eu deveria confiar em você? Você é ciumento e com segredos, e você tem uma tendência para matar pessoas, de alguma forma se iludindo que é para meu próprio bem. Eu não quero confiar em você. Eu não me importo mais, Gabriel. Eu não ligo para o que você tem a dizer. Eu desejo para você e ela - pelo menos, eu espero que seja uma ela - o melhor. — Jane... — Cale-se! Eu te dei uma dúzia de chances de se explicar. — quanto mais eu falava, mais brava ficava, até que eu estava gritando alto o suficiente para
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Criador - criança transformada.

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sacudir as janelas. — Tudo o que você faz é dar desculpas e dizer-me meias verdades. Esta é uma forma ruim de manter um relacionamento. E você sabe o quê? Eu estou contente por estar descobrindo isto agora, antes de gastar cem anos da minha vida pensando que era sortuda por ter você. — Eu espero que todos os seus livros te mantenham aquecida durante a noite! — ele gritou, indo em direção à porta. — Ei, você está à temperatura ambiente na melhor das hipóteses, amigo. Você nunca me manteve assim tão quente para começo de conversa! — eu gritei como resposta, jogando um volume particularmente pesado de Tolkien atrás dele. Bem, lá se foi meu objetivo para uma relação normal e saudável. — Ow! O que está errado com você? — ele rugiu, andando de volta para mim. — Você! — eu gritei. — Então, me bata, mas não se incomode com os livros. — ele exigiu, agarrando os meus ombros. — Você não tem o direito de me tocar! — bati em suas mãos. Dick saiu da sala dos fundos, seu rosto ameaçador enquanto ele dizia a Gabriel. — Filho, é melhor você recuar, agora. O rosto de Gabriel suavizou, e suas mãos caíram a seu lado. — Apenas deixe isso sair, para que possamos ultrapassar isto. — ele estava quase implorando agora. Ele encostou a testa contra a minha e pegou minhas mãos gentilmente com as suas. — Isso é o que nós fazemos. Então, vamos apenas brigar e depois brigar mais um pouco até tirarmos isto do nosso sistema e podemos voltar ao normal novamente. — Não. — eu disse; minha própria voz tremendo quando me afastei dele, em direção ao escritório. — Eu não quero mais me sentir deste jeito. E nós somos tudo, menos normais. Apenas fique longe de mim, Gabriel. — Mas eu te amo. — Eu sei que você pensa assim. — assenti e recuei para trás da porta fechada do escritório, esperando até ter ouvido a campainha da porta da frente me dizer que ele saiu.

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Capítulo06
Se um homem é insensível e volúvel em vida, ser um vampiro não o torna repentinamente sensível em suas necessidades.
– Mordidas de Amor: Um Guia de Vampiras para Relacionamentos menos Destrutivos.

Não há nada mais triste que uma vampira em seu roupão de banho,
bebendo Xarope de Sangue com Aditivo de Chocolate Hershey’s direto da garrafa e assistindo Atração Fatal repetidamente. Eu não havia conseguido mais que uma ligação de Gabriel desde a desagradável cena na loja. Mesmo que eu provavelmente teria desligado na cara dele se ele ligasse, ele poderia ao menos ter feito o gesto de me deixar desligar na cara dele. Mas parecia que Gabriel tinha aprendido a lição da primeira vez que eu parei de falar com ele. Silêncio completo. De vez em quando, eu achava que podia sentir sua presença fora de casa, mas parecia um sonho da minha parte. Eu andava do lado de fora, esperando captar um vislumbre dele. Mas não havia nada, nem mesmo um traço de seu cheiro na brisa. Gabriel, pelo que parecia, tinha tocado a vida. E se ele não tivesse tocado a vida, ele estava fazendo uma bela representação de alguém que tivesse. Então eu decidi fazer o mesmo. Nas últimas quatro noites, eu servi café, ajudei os clientes a escolher livros, e mantive nossa nova mascote, Cindy, na seção de quadrinhos com seus lattes45. O público não era tão grande quanto na noite de inauguração, mas era certamente respeitável. E nós parecíamos estar desenvolvendo clientes regulares, humanos e vampiros. Mas quando a noite de domingo, nossa noite de folga, chegou, eu me encontrei de roupão na cozinha, encarando a garrafa Hershey’s. o telefone
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Bebida com café expresso ou chocolate, com espuma de leite em cima.

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tocou, e mesmo que eu esperasse muito, muito que fosse Gabriel, eu ainda estava contrária o suficiente para não atender ao telefone se fosse ele. Em vez disso, a voz de minha mãe ecoou de minha secretária eletrônica pela minha cozinha impossivelmente vazia. — Jane, querida, é a mamãe. Papai me disse tudo que aconteceu com Gabriel. Eu não sei por que você disse a ele em vez de mim..., mas, de qualquer modo, acho que você precisa parar de ser tola e ligar para ele. Não é como se tivesse muitos vampiros disponíveis lá fora. E vocês dois ficam tão bem juntos. O que quer que Gabriel tenha feito, acho que você só precisa... — a secretária cortou a voz dela. Deus abençoe a tecnologia. Antes que mamãe pudesse ligar de novo, Andrea e Jolene chegaram em casa como uma cavalaria, munidas com DVDs; sangue de sobremesa, obviamente para mim; sorvete, obviamente não era para mim; e vinho, obviamente não era para Jolene. Havia também uma seleção alarmante de lanches, incluindo bolos prontos em tubo, que eu nem sabia que existia. E agora que eu estava ciente disso, eu estava extremamente descontente porque eu não podia comer nada disso. À vista dessa abundância de conforto de garotas, eu prontamente me rompi em lágrimas. — Eu amo vocês, meninas. — funguei. — Estou bem. Não estou chorando por causa do Gabriel. Eu realmente amo vocês, meninas. Jolene passou os braços em volta de mim e fez suaves sons de afeto enquanto eu limpava o nariz na camiseta dela. Eu realmente tinha bons amigos, amigas, que era algo que eu nunca tive em vida. De alguma forma elas se complementavam para formar algum tipo de rede de segurança de separação perfeitamente balanceada. — Aw, querida, está tudo bem. — Jolene acalmava. — Ele é um bastardo. Zeb estava muito ocupado resmungando ameaças vazias para deixar claro o que Gabriel fez, mas ele é um bastardo. — Oh, j| alcançamos a parte ‘chamar o Gabriel de v|rios nomes’ de nossas festividades? — Andrea perguntou, voltando para a cozinha com meu saca-rolha. — Pensei que íamos no mínimo embebedá-la e assistir um filme antes. — Achei que íamos embebedá-la e colocar as calcinhas dela no freezer. — disse Jolene, seu belo rosto estalando de confusão.

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— Acho que você está misturando seus costumes femininos. — eu disse a ela. — Isso é ‘uma festa do pijama de garotas de treze anos’, não ‘namorado vampiro te enganou ou não, mas de qualquer modo, ele é um idiota emocionalmente indisponível. — Oh, como eu deveria continuar com todos esses rituais humanos esquisitos? — ela resmungou, arrancando a tampa dos Biscoitos de Chocolate Mentolado Ben and Jerry’s e engolindo eles. — Se isso fosse coisa de lobisomens, era só a gente urinar na porta da frente dele, assim nenhuma outra fêmea iria chegar perto dele por meses. — Não tinha pensado nisso. — eu admiti. Eu examinei o físico de Andrea habilmente vestido de jeans e o que obviamente era uma das camisetas de Dick, anunciando os jogos de Hot Springs46, Arkansas. — Achei que você tinha dito que estava se livrando das camisetas esfarrapadas do Dick. — Oh, isso não é esfarrapado, isso é vintage. — ela disse, se virando orgulhosamente para mostrar como a camiseta abraçava suas curvas. — Eu pus uma costura aqui e aqui. Está um pouco mais costurado, clássico instantâneo. Eu observei as calças do meu pijama de carinhas e uma camiseta folgada anunciando o anual 4-H Hog Call. — Te odeio. O que você trouxe? — eu examinei o monte de vídeos. — ‘Flores de Aço’47 e ‘Amigas para sempre’? Você est| tentando me consolar ou me convencer a cometer suicídio? — Jolene encolheu os ombros. — Quando quero uma desculpa para chorar, vejo Flores de Aço. — Que tal esse aqui? — eu ergui uma cópia de ‘Como eliminar seu chefe’48. — Acho que Jolene confundiu o tema. — disse Andrea. — Mas ainda assim, poder feminino, medicando seu chefe com veneno de rato.
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Cidade do Arkansas. Filme de 1989, que mostra a amizade de seis amigas. Filme de 1980.

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— Eu sou sua chefa. — eu a lembrei. — Isso é mesmo um problema. — Andrea concordou quando meus olhos se estreitaram. — Zeb disse que nós devíamos trazer a primeira temporada de Buffy, A Caça Vampiros, mas Andrea achou que você ia ficar toda deprimida. — Jolene me disse. — É, porque, de que adianta assistir Buffy se não for a segunda temporada, que tem episódios com Spike? — perguntei, desarrolhando a garrafa de vinho. Andrea me serviu uma grande taça. — Hmmm, eu me pergunto se é antiético eu transformar James Marsters? E então forçá-lo a fingir um sotaque londrino? E fazê-lo meu macaquinho do sexo? — Sim, o Conselho provavelmente perceberia isso. — Andrea bufou. — Francamente, estou surpresa que nenhuma fã louca recémtransformada tivesse pensado nisso ― murmurei para o vinho. Andrea puxou uma capa de DVD com a capa branca da bolsa. — Também trouxe isso. É uma versão não classificada da produção da BBC de ‘Orgulho e Preconceito’, a versão com Colin Firth. Dick conseguiu com suas..., fontes. Há boatos de que durante a cena do banheiro, você consegue uma visão acidental da bunda da Sr. Darcy. — Oh, Deus, ela está chorando de novo. — Jolene grunhiu quando eu dei outro abraço úmido nela. Eu me debulhei em lágrimas. — Estou tão feliz! Nós ficamos viciadas em dramédia Austeniana 49 por algumas horas, consumindo mais calorias do que deveria ser permitido por lei. Pintei minhas unhas do pé da cor de berinjela que Gabriel nunca gostou. Ele dizia que fazia meu pé parecer hipotérmico. Graças à sua gravidez avançada, os flertes breves com enfraquecedores enjoos matinais de Jolene tinham acabado. Ela acabou com os Biscoitos de Chocolate Mentolado e com as ‘Cherry Garcia’50, mas não com o ‘Chunky Monkey’, que Andrea tinha
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Drama+Comédia; Austeniana = De Jane Austen.

Cherry Garcia: sorvete de cereja com flocos de chocolate e cereja; Chunky Monkey: sorvete de banana com nozes.
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escolhido especificamente porque Jolene odiava banana. Eu fiquei preocupada com a proporção de consumo de sorvete e vinho de Andrea, e com a cor que ela deixaria meu tapete se ela ficasse enjoada. Mas então eu tomei algumas taças e não liguei mais. Fitz não conseguia decidir por quem ele me rejeitaria; Andrea ou Jolene, já que adorava as duas. Mas já que tinha mais chance de Andrea dividir comida com ele, ele se aconchegou com Andrea. — Vocês se consideram garotas do Colin Firth ou garotas do Colin Farrell? — Jolene perguntou, mastigando ruidosamente seu milésimo miniSnickers51 enquanto Sr. Darcy informava Elizabeth que ele a admirava e amava ardentemente. — Posso ser os dois? — Andrea perguntou com um olhar sonhador. — Um deles poderia segurar a filmadora. — Essa resposta, por sua natureza, faz de você uma garota do Colin Farrell. — eu ri silenciosamente. — Só estou dizendo o que vocês duas pensam... — Andrea soltou um guincho e deixou o tubo de sorvete derretido cair no chão. Pelo menos não era vômito. — O quê? — eu olhei para seu rosto branco à luz bruxuleante da TV. — Tem alguém lá fora! — ela berrou. — Eu os vi! Estavam olhando na janela. — Quem era? — Não sei! — exclamou. — Estava tudo borrado. — Não consigo imaginar por que. — eu falei, intencionalmente para as duas garrafas vazias aos pés dela. olhando

— Jane; estou falando sério, tinha alguém parado lá, nos observando pela janela! — insistiu Andrea. Balancei a cabeça. — Mas eu não peguei nada. — olhei para Jolene, que encolhia os ombros. — Geralmente tenho que estar concentrada para perceber alguma coisa me observando.

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Barra de chocolate parecida com Twix.

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Jolene e eu fomos à janela e não vimos nada refletido, além de árvores escurecidas. — Dá a pausa. Vou lá fora checar. — suspirei. — E se for Gabriel? Ou se for alguém da cidade querendo provocar um vampiro? — Jolene perguntou. — E você está usando roupão. — Tanto faz, tenho que achar algo, então é isso aí. Provavelmente já devem ter ido, de qualquer jeito. — encolhi os ombros. Andrea não pareceu convencida. — Tudo bem. Tirei meu roupão, entrei no armário e tirei um Louisville Slugger 52, que tinha sido afiado até ficar com uma ponta desagradável. — Por que você tem um símbolo fálico gigante no seu armário? — Andrea perguntou, apontando para meu bastão. — Eu sou uma mulher que mora sozinha no país, vampira ou não, sinto a necessidade de tomar algumas precauções. Por que você acha que eu deixo o par de botas enlameado lá na frente da porta? — Achei que era uma decoração maltrapilha. — Andrea disse, encolhendo os ombros. — Eu vou também. — disse Jolene, mexendo os ombros de uma forma que eu sabia significar que ela estava se preparando para por o lobo para fora. — Você não vai a lugar nenhum, moça grávida. Você vai ficar aqui e manter a barriga coberta. Além do mais, alguém tem que manter a embriagada aqui acompanhada. Tranque a porta quando eu sair. Chame o Dick se as coisas ficarem esquisitas. — Quando as coisas não estão esquisitas? — Andrea rosnou enquanto eu saía pela porta da frente. Dei a volta lentamente na casa, bastão no ombro, até a janela que estavam vigiando. Havia um cheiro fresco no ar, uma presença fria, furiosa. Alguém esteve do lado de fora da minha janela, nos observando enquanto nos empanturrávamos e assistíamos a filmes bobos. Alguém havia invadido o lugar que era meu santuário.
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Taco de baseball.

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Isso me tirou do sério. O cheiro era emocional, desconhecido, sombrio e vermelho e desesperado. Eu o segui até a linha das árvores e, contra meu melhor julgamento, entrei no denso bosque de carvalhos que cercavam minha casa. A noite é raramente quieta em Kentucky, especialmente nas nebulosas semanas do final do verão. Mosquitos zumbiam perto da minha cabeça, mas aparentemente sabiam que era melhor não tocar minha pele não-morta. Sapos coaxavam suas canções de amor dos riachos lentos que fluíam para pastagens abandonadas. A vegetação tinha dado lugar ao amadurecimento e podridão, um cheiro úmido e deplorável que subia para me encontrar a cada passo, cobrindo o rastro do intruso. Eu me movia rapidamente pelas arvores, me encolhendo a cada que quebrava sob meu pé. Uma corrente de ar gelado e frígido parecia serpentear em meus tornozelos, subindo pelo meu corpo e comprimindo meu peito. Congelei, virando na direção de uma barreira de álamos à minha esquerda, a fonte da sensação estranha. Eu não conseguia ver nada, ninguém, nem mesmo com minha visão clara e desumana. Fechei meus olhos e tentei encontrar a mente de quem quer que estivesse lá. Era como raspar com as unhas uma lisa parede de mármore, fria, dura, e impossível de segurar. Mesmo com a minha limitada prática psíquica, posso dizer que a rajada taciturna de ar agarrando na minha pele não estava vindo de alguém que estivesse lá. Parecia um alarme interno, um aviso orgânico mais forte até que um receio ou um pressentimento. Meu corpo estava tentando me dizer que algo de ruim iria acontecer. bolota53 Dei um instintivo passo em direção a minha casa, onde eu poderia trancar várias portas contra a sensação de perdição iminente. Em vez disso, travei minhas pernas contra o impulso de correr. A hora de correr tinha passado. Hora de ser proativa, eu disse a mim mesma. Reunindo toda a bravata que pude, gritei: — Ei! Eu sei que você está aí. Não quero saber quem é você. Não quero saber por que está aqui. Se você tem algo a dizer para mim, não fique se escondendo atrás da minha janela como um espião, entendeu? Venha até minha porta e chegue até mim como um crescido ser malvado. — eu esperei um instante, mas a única presença que eu sentia era a

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Bolota é o fruto do carvalho.

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dos sapos, seus pequenos corações palpitando na escuridão. — Eu imaginei. Fique longe da minha casa, seu maldito covarde! Virei às costas, pisei na lama escorregadia, e fui voando, caindo de costas com um baque surdo e batendo minha cabeça contra um toco. Através da cobertura de folhas verdes, as estrelas cintilaram, zombando de mim. — Oh, calem a boca. — bufei, me pondo de pé. Tive sorte de não ter sido empalada com meu bastão ou algum galho por perto. Agora, completamente sóbria e desapontada, marchei de volta para casa. Jolene e Andrea, que tinham limpado a sujeira de sorvete em minha ausência, atiraram perguntas para mim enquanto eu subia as escadas para tirar minhas roupas cheias de lama. — Tenho certeza absoluta de que tinha alguém lá fora, então te devo desculpas. — disse à Andrea. — Quem você acha que era? — Jolene perguntou, esfregando seu estomago nervosamente. — Abri uma fresta da porta só para ter uma noção, mas não pude dizer. E também, Andrea fechou a porta na minha cara. — Ela disse para ficarmos aqui dentro. — disse Andrea, o mais devagar e pacientemente que podia. — E algumas de nós não têm super poderes. — Você acha que era o Gabriel? — Jolene perguntou. — Bem, não seria fora do feitio dele, considerando que ele ficava olhando do lado de fora da minha casa durante os meus primeiros meses de vampira. Mas não cheirava ou parecia alguém que eu conhecesse. Tinha cheiro de... — Furioso. — Jolene terminou por mim. — E desesperado e como algum tipo de repelente. — É, mais ou menos isso. — balancei a cabeça. — Então, quem está pronta para ver Elizabeth visitar Pemberley? — Você não vai chamar a polícia? — Andrea perguntou. — E dizer o quê? — eu ri. — Que eu farejei um intruso? Depois de várias taças de vinho? E eu o segui de pijama com o que provavelmente seja

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considerada uma arma ilegal? Não. Eu vou descer, e vou terminar de assistir nosso filme. Vou beber aquele xarope Hershey’s direto da garrafa. E se o espião quiser voltar, ele vai ganhar um chute do meu pé esquerdo. — E se for Gabriel? — Jolene perguntou. — Especialmente se for Gabriel. — murmurei. Andrea se inclinou para Jolene e sussurrou: — Bem, a boa notícia é que ela parece ter passado para o estágio de fúria. Na noite seguinte, Dick me cumprimentou a porta usando uma camiseta que eu imaginei que ele tivesse resgatado do abate de Andrea. Em cartas brancas borradas estava escrito “Se você puder ler isso, por favor, me ponha de volta no banco do bar”. — Você tem classe, amigo. — disse a ele. — Vamos lá, Stretch, nós vamos sair. — Andrea te disse o que aconteceu na outra noite, né? — resmunguei. — Minha amada dama não guarda segredos de mim. Vamos lá. Andrea está cuidando da loja hoje. Nós vamos sair. — Dick me empurrou escada acima, onde ele abriu a porta do meu armário e escolheu um top colado vermelho que eu normalmente usava como corpete debaixo de outra camiseta. Ele passou a blusinha para mim, junto com um sutiã preto que realçava o seio que estava caindo da minha gaveta de calcinhas. Quando ele tentou abrir mais a gaveta para vasculhar lá dentro, eu bati na mão dele. Fui ao armário para pegar uma blusa para vestir por cima, mas Dick balançou a cabeça. — Só use o top. — Não quer dizer que... — Usar algo sobre isso é um desperdício de sua clivagem dada por Deus. — ele insistiu. — É praticamente uma blasfêmia. — Sei que sou sua primeira amiga, então você precisa alguns ajustes. Mas nós não vamos ter aprofundadas discussões mamárias. E também, não vou me trocar na sua frente. — disse a ele. Dick virou os olhos e deu as costas. Quando eu permaneci vestida, ele soltou um suspiro de martírio e se retirou pela porta do meu quarto, falando.

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— Seja lá o que vocês, garotas, fizeram para banir o fantasma do passado não funcionou, porque você ainda está toda rabugenta. Então, você vai aceitar isso como um homem. Sem sorvete. Sem bebidas de frutas. Sem filmes onde mulheres choronas 'encontram o poder'. Você não é uma garota, Jane. — Acho que minha clivagem dada por Deus prova o contrário. — murmurei enquanto passava a blusinha pela cabeça. Dick riu. — Você sabe o que eu quero dizer. Você não é como as outras garotas. Se fosse, estaria sentada em um quarto escuro em algum lugar, fazendo um diário com lembranças dolorosas e lendo 'Mulheres são de marte, homens são de Urano' ou algo do tipo. Você é tipo um cara, no fundo, Jane. E você sabe o que os caras fazem quando estão sofrendo? Coloquei a cabeça pra fora do quarto e o informei. — Se isso envolve ir ao hospício e observar minha prima Junie fazer sua homenagem a estagiários famosos, eu passo. Dick me ignorou. — Há três coisas que os caras fazem quando estão sofrendo. Nós bebemos, e nós não falamos de nossos sentimentos. Curiosamente, acho isso extremamente encantador. — Qual é a terceira coisa? Dick me passou minha bolsa e me conduziu pela porta. — Conto depois. — Por que vejo tombamento de vacas54 em meu futuro próximo? Quando me encontrei sentada no estacionamento do Cellar, olhando para a placa de neon piscante, perguntei a Dick se ele tinha perdido o juízo. — É o Cellar, você adorou o Cellar. — Dick disse, balançando meu ombro. — Aquela única vez. Vamos lá, Norm pergunta de você o tempo todo. — Como em 'O que aconteceu com aquela garota que foi suspeita de tocar fogo no Walter?' — bufei. Dick me arrastou para fora do carro. — Não, como em ‘O que
Atividade onde hipoteticamente, se você empurrar uma vaca enquanto ela está dormindo em pé, ela cai sem acordar. Mas vacas não dormem em pé, então é uma atividade de quem não tem o que fazer.
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aconteceu com aquela garota que me preveniu de ter uma marca em formato55 de Norm no estacionamento?' O Cellar estava lotado comparado com a noite que eu estive no ano passado. Norm, o bartender fofinho ironicamente nomeado, estava ocupado, seu trabalho complicado pela banda da casa retumbando dolorosamente como sérios Covers de Elton John. Mas havia humanos e vampiros na pista de dança, e todos sentados no bar pareciam amigavelmente bêbados. — Norm! — Dick gritou pelo barulho. Norm balançou a ampla cabeça careca e gargalhou. — Isso nunca fica velho. — O lugar está cheio hoje. — Dick observou. Norm abriu a boca para responder, mas começou quando viu meu rosto. — Jane! Quase não te reconheci! Não te vejo aqui desde, bem, à noite em que Walter morreu. Eu sorri e tive esperanças que nenhum dos amigos de Walter ouvisse essa conversa. Tecnicamente, Missy cometeu o assassinato de verdade, mas essa noticia não circulou tanto na comunidade vampira quanto a que me acusava de por fogo em Walter... ah, espere, Walter não tinha amigos. — Eu queria te agradecer. — disse Norm, apertando minhas mãos em suas garras quentes e grossas. — A maioria dos vampiros, especialmente os recém-nascidos, provavelmente teria querido ficar fora daquela bagunça e deixar eu me defender sozinho. Você me ajudou, e eu aprecio isso. Você não paga as bebidas aqui, nunca, entendeu? Se eu pudesse ficar corada, eu teria ficado. Em vez disso, eu só dei um sorriso torto e disse: — Obrigada. — Ei, eu estava lá também. — Dick objetou. — Você estava no banheiro. — disse Norm com menos entusiasmo. — E eu já vi você bebendo. Você iria me falir. O que posso fazer por você?

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Marca tipo aquelas que ficam no chão na cena do assassinato.

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Dick sorriu como uma criancinha irresistível e cativante. — Uma garrafa de tequila e dois copos, por favor, Norm. — São vinte e cinco dólares, adiantado. — disse Norm. — Eu te pergunto; cadê a confiança? — Dick resmungou enquanto tirava as notas da carteira. Norm entregou sua melhor garrafa de tequila, que eu só pude imaginar que fosse um sinal para mim, uma vasilha de fatias de limão, sal, e copos. Eu fiz uma careta. — Não estou certa disso. Sei que isso vai te impressionar, mas eu nunca bebi doses de tequila. Sempre fui o tipo de garota que prefere 'bebidas misturadas que tem gosto de cones de neve'. Dick serviu duas doses e estendeu uma fatia de limão na minha direção. — Aposto que você é natural, querida. — Me anime. — suspirei. Seguindo os movimentos de Dick, lambi o sal, apertei o nariz, e virei o copo, arquejando quando chegou à minha garganta. Dick forçou o limão contra meus lábios e eu mordi, com cuidado para não engolir nenhuma polpa que me induzisse ao vomito. A inebriante queimação antisséptica de licor misturou com o fresco e azedo suco cítrico. Dick riu e bateu o copo duas vezes no bar. — O que achou Stretch? — Acho que minha garganta está derretendo. — eu tossi; apesar do lugar começar a balançar agradavelmente. — Me dê mais uma. — Essa é minha garota! — ele se vangloriou, servindo outra dose. Três doses depois, eu era uma vampira muito mais madura. Céus, eu estava até admirando os pontos positivos da rendição da banda de “Rocket Man". Então, quando um vampiro alto e bonito veio na minha direção e me chamou para dançar, eu estava relaxada o suficiente para não me embaraçar completamente. OK, o que eu disse foi, "tenho que ir ao banheiro", daí eu corri para os fundos do bar. O que foi só um pouco embaraçoso.

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No banheiro feminino, olhei para o teto e me perguntei por que eu não consegui nenhuma porção das artimanhas femininas, lidada apropriadamente por Jenny, mamãe e vovó Ruthie. — Você é uma pessoa ridícula. — eu disse a mim mesma. — Era uma pessoa perfeitamente agradável, não ameaçadora, que, por alguma razão, parece não te achar repulsiva. E se você fosse uma humana que tivesse respostas emocionais normais e um regulado senso de paranoia, você daria àquele homem uma chance de te levar para casa hoje. Volte lá, e deixe de ser retardada. Abri a porta com um empurrão, completamente empenhada a não ser retardada, e ouvi alguém do outro lado ganir. Dei um passo pra fora para ver que tinha batido em um pobre cara com a porta e derramado sua cerveja na camiseta. — Bem, lá vai. — eu disse. — Me desculpe. O vampiro agora usando sua cerveja riu e torceu a camisa. — Então, você é antibebidas, ou você simplesmente odeia mesmo xadrez? Eu ri com a situação e com a graça. — Os dois, na verdade. Tive uma infância traumática envolvendo lenhadores beberrões. — seu sorriso era grande, amigável, seus caninos impróprios aos doces olhos de chocolate. — Posso te pagar outra cerveja para substituir a que você está usando? — Nah. — ele disse. — Era a rodada do meu amigo, e ele tende a comprar em casa. Mas você pode dançar comigo. Para cobrir meu peito, assim ninguém vê a mancha na minha camiseta..., que você causou. Sem querer fazer você se sentir obrigada nem nada. — Por que eu me sentiria obrigada? — eu dei risada e deixei ele me conduzir à pista de dança enquanto a banda tocava "Your song". Eu não tinha dançado uma musica lenta desde o casamento de Zeb e Jolene, quando Gabriel me rodopiava pela pista ao som de "My heart Will Go On". Oh, pensar em Gabriel não ia me ajudar agora. Tirei essas imagens de mente enquanto esse homem delicioso, que cheirava agradavelmente a colônia Polo e cerveja, colocou meus braços em volta de seu pescoço e me puxou para perto. Relacionamento normal e saudável, eu repetia na minha cabeça.

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Relacionamento normal e saudável. — Sou Charlie. — Jane. — Eu notei você mais cedo, sabe. Você é uma das únicas garotas daqui cujo sorriso parece verdadeiro. Às vezes quando as pessoas se transformam, eles perdem isso. É legal conhecer alguém que não perdeu. — Obrigada. — eu sorri. — Viu? Olha aí de novo. — ele provocou; suas covinhas piscando para mim quando ele sorriu de volta. Charlie era o tipo de cara que eu teria amado encontrar quando eu era viva. Sincero, amigo, aberto, e de outro mundo. Com certeza, eu nunca fui a bares quando era viva, então tecnicamente eu não era de outro mundo. — Então, por que uma garota como você está tomando tequila num lugar como esse? — eu sorri. — Por que você não adivinha? — Perdeu uma aposta? — Charlie perguntou. Eu dei uma risadinha, sim, é patético, eu sei, e balancei a cabeça. — Você é nova nos Alcoólicos Anônimos, e as regras não estão claras? — Boa tentativa, mas não. — Charlie mordeu o lábio e pensou. — Você está no programa proteção à testemunha e aquele cara é seu agente federal inepto. Nós olhamos de volta para Dick, que estava dando a Charlie um olhar mortal de pai. — Aquele é meu amigo Dick. Estive tendo um tempo difícil ultimamente, e ele está tentando me animar com boa bebida e música ruim do Elton John, esquecendo que eu odeio intensivamente os dois. Mas eu gosto mesmo do Dick, então estou fazendo o meu melhor. — Legal da sua parte. — houve aquele sorriso de novo, desviando minha atenção para sua boca. Parecia suave e doce; obviamente, Chapstick 56
56

Marca de protetor labial.

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era prioridade para ele. Enquanto nós balançávamos e virávamos em silêncio, ouvindo à insistente música mordaz. Eu vi Dick nos observando do bar. Ele parecia preocupado, não necessariamente me julgando, mas definitivamente preocupado. Não era preciso ser telepata para dizer que ele estava atento a Charlie e o fato de que as mãos de Charlie estavam fazendo contato com a minha pele. Era só a pele dos meus braços, mas ainda parecia perturbar Dick. Dei as costas para ele. Charlie pegou isso como uma sugestão para me segurar mais perto, assim seus lábios roçavam minha testa. Era bom, descomplicado. Suas mãos afagavam minhas costas com movimentos lentos circulares, me impelindo cada vez mais perto. Seria tão fácil inclinar a cabeça e deixá-lo me beijar. Mas algo estava me segurando. Na verdade, eram varias coisas: saber que Dick estava me observando; duvidar se uma garota legal iria rápido depois de terminar com seu mestre vampiro; e a possibilidade de que, por tudo que sei, esse era o cara que espreitara minha casa outra noite. Eu não gostei da última. Por que eu não podia ser uma garota de romances casuais? Por que eu não podia escolher um estranho no bar, flertar e beijar, e fazer sexo, sem relacionamento? Por que meu cérebro sempre me preveniu de me comportar como uma pessoa normal? Beijar. Eu ia começar a beijar. E eu comecei. Separei meus lábios e senti o deslize frio e molhado de sua boca na minha. Ele pôs as mãos debaixo do meu queixo, inclinando meu rosto na direção de seu, assim ele podia ter ainda mais de minha boca. Ele era gentil. Ele era doce. E isso parecia errado. Sabe quando você está cometendo um grande erro, não simplesmente comprar sapatos feios porque estavam em liquidação, ou escolher o presente errado de Natal para sua mãe, mas o erro do tipo “o mundo est| fora do eixo, girando descontrolado em direção ao abismo do espaço”? Eu estava cometendo um grande erro. Apesar de que possivelmente Gabriel estivesse fora, aproveitando um relacionamento “puramente carnal” com uma mulher que adorava artigos de alta qualidade, a todo o momento, parecia errado eu estar beijando outra pessoa. Parecia traição. Eu me afastei dele e suspirei. — Eu sinto muito, Charlie. Você é muito legal. E esse foi um beijo

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muito bom. Eu não quero te seduzir nem emitir sinais mistos, que é, ironicamente, exatamente o que eu estou fazendo agora mesmo. Mas eu acabei de sair de um relacionamento, e eu não estou pronta para fazer isso ainda. — Eu posso ser seu cara de rebote57. — ele ofereceu afavelmente. — Não vai me magoar, sério. Eu o encarei por um instante, meus hormônios declarando guerra contra minhas partes mais racionais. Partes racionais estúpidas! Eu resmunguei. — Isso é muito tentador, acredite em mim. Mas sou mais uma garota do tipo que se afoga nas próprias mágoas e desabafos bravos do que do tipo que fica com um cara de rebote. — História da minha vida. — ele suspirou. Puxou a carteira e me entregou um cartão de visitas de Dr. Charles McCraffrey e seu consultório de ouvidos, narizes e gargantas perto de Willardsville. Ele era um médico. Um vampiro médico, mas um vampiro do mesmo jeito. Era bom que minha mãe não estivesse lá para testemunhar isso. — Se você mudar de ideia, por favor, me ligue. Foi muito bom te conhecer, Jane. — Você também, Charlie. — O que aconteceu com o sr. Mãos? — Dick perguntou, sorrindo na direção de Charlie quando eu caí de volta no banco do bar. — Era você que queria que eu dividisse meu ‘dom’ com o mundo. — eu lembrei a ele. — Me sirva mais uma bebida. Dick se constrangeu, pedindo a Norm uma garrafa d’|gua. Aparentemente, eu estava sendo cortada. — Ele era um cara muito legal. — disse a Dick. — E médico. Você sabe quais são as chances de encontrar um médico legal, normal, vampiro num bar em Half-Moon Hollow? Tenho mais chances de ser atingida por um raio e ganhar na loteria ao mesmo tempo. — Ora, talvez devêssemos sair e comprar alguns bilhetes. — disse
O cara que a menina fica para esquecer um relacionamento anterior; não me veio nenhum nome em português.
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Dick. — Não zoe o vampiro excêntrico. O que há de errado comigo? Por que não posso simplesmente encontrar um cara legal e ir para casa com ele? Por que tenho todas essas manias estranhas sobre sentimentos e significados e ter certeza que tenho esse sino intuitivo saindo de minha cabeça antes de alguém me deixar de calcinhas? Sabe, quando foi que Gabriel e eu fizemos sexo pela primeira vez... — Não sei se quero ouvir isso. — ele disse, balançando a cabeça. — Tive que ficar toda nervosa e ‘fora de controle’. Eu não podia simplesmente me perder no momento. Precisava de uma desculpa, que é ridículo, porque não há motivo para querer transar com Gabriel. Quero dizer, ele tem um corpo incrível... — Que parte de ‘beber e não falar’ eu não deixei claro? — Dick perguntou. A banda começou a tocar “Benny and the Jets”. Um vampiro magro e espinhento e dois amigos apareceram atrás de Dick e deram um tapinha no ombro de Dick. — Dick, eu quero falar com você. Dick pareceu assustado com a interrupção. — Todd, graças a Deus. Em que posso ajudar? — Quero o dinheiro que paguei pelos ingressos do Bruce Springsteen de volta. — Todd exigiu; seu pomo de Adão sacudindo indignadamente. Usando uma voz paternal e paciente, Dick disse: — Todd, eu fiz um ótimo acordo com você naqueles ingressos. Eu nem cobrei nenhuma taxa. Você não conseguiria um preço bom daqueles no Ticketmaster. — Aqueles ingressos eram para um show de dois anos atrás! — Todd gritou; uma pista para seus companheiros fazerem caras malvadas e olhares intimidantes. Virei os olhos e tomei um gole d’|gua, que não fez nada para minha sede, sensível a sangue, ou licor. — Eram itens de colecionador! — Dick gritou de volta. — Não é culpa minha se você não olhou os ingressos para checar a data. Eu nunca disse que eram para um show deste ano.

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— Ora, para o diabo que você não me falou que eles não eram! — Todd se lamentou. — Eu levei uma garota para Memphis para aquele show. Não havia nada lá! Marcy ficou convencida de que eu estava tentando levá-la a uma armadilha. Eu me senti um idiota! — Mas Todd... — Dick disse, dando a Todd o que poderia ser interpretado como um aceno de cabeça simpático. — Você é um idiota. Um monte de coisas pareceu acontecer ao mesmo tempo. Um dos amigos de Todd deu um soco em Dick, me errando e me prendendo contra o bar quando ele caiu. Alcancei minha bolsa, procurando o chaveiro de latinha de spray contra vampiros que Gabriel havia me dado de natal, mas não consegui encontrar. Não estava preso às minhas chaves nem solta no forro. Merda. Pensei em sair do caminho e deixar Dick cuidar disso, mas aí Todd quebrou uma cerveja na cabeça de Dick. Eu gritei: — Ei! Que diabos você está fazendo? — e empurrei Todd de volta. O menor dos amigos de Todd me deu um admirável gancho de direita no queixo, me derrubando de bunda no chão. Eu mencionei que a maioria dos vampiros não tem remorsos de bater em vampiras? Fiquei de pé, levantei o Batedor de Garotas, e bati nele até cair no chão. Todd me virou nos saltos e me acertou no olho. Ai. A multidão na pista agora fazia um círculo em volta da confusão, atiçando Dick enquanto ele chutava a rótula de Todd e bateu no pescoço dele com um taco de sinuca. O mais alto dos camaradas de Todd quebrou outra cerveja e uma garrafa de tequila na cabeça de Dick, então eu chutei o saco dele e senti uma leve emoção viciante quando ele berrou e tombou no chão. Quando Todd voltou e avançou em mim, agarrei uma cadeira, dei um passo para o lado, e a quebrei em suas costas enquanto ouvia “B-b-b-benny” e derrubei-o no chão no “the Jets”. — Lá fora, Dick, agora! — berrou Norm, aparentemente atingindo seu limite em termos de parafernália de bar quebrado. Dick pegou um taco de sinuca e afugentou os três para fora do bar. Senti que não tinha escolha a não ser seguir, junto com vários patronos do bar. O cavalheiro com um novo machucado no saco preferiu entrar no carro a sofrer humilhação maior.

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Todd estava se recuperando, e seu outro amigo estava reclamando de algo em seu rosto estar quebrado. — Só me dê meu dinheiro, e nós chamamos isso de ‘encerrar a noite’. — Todd bufou. — Vou te dizer uma coisa, entra no seu carro e dá o fora daqui, e eu te previno de deixar minha amiga te chutar no saco, também. — Dick riu. — Ela já fez isso antes. Ela fará de novo. Todd olhou para minhas botas, tamanho trinta e oito. Eu sorri; meus caninos completamente estendidos sobre meu lábio. Todd correu disso. A multidão gemeu em desapontamento e dispersou. Depois de dar dinheiro para cobrir os bancos e jarros quebrados, um Norm mais capaz de perdoar nos deixou voltar ao bar para colocar gelo no rosto, para curar mais rápido. — Você devia saber mais. — Norm disse a Dick. — Ei, Jane deu tantos socos quanto eu! — chorou Dick. Norm balançou a cabeça. — Ela estava batendo para se defender. Você começou. — Todd me bateu primeiro. Além do mais, como eu ia saber que ele era retardado o suficiente para ir a Memphis sem nem mesmo olhar para os ingressos? Pensei que ele tinha imaginado isso semanas atrás. Norm apontou um dedo paternal a Dick. — Você sabe o que eu quero dizer. Se você não fizesse seus acordos de beco no meu bar, eu não teria tantas brigas assim. Por que você veio hoje? Você sabia que Todd viria aqui te procurar, e você sabia que ele ama a Noite da Banda Cover. — Eu esqueci isso. — disse Dick, evitando contato visual comigo. Norm murmurou algo sob a respiração e deu as costas para ajudar outro cliente. Eu encarei Dick, que se ocupou colocando no meu copo d’|gua o gelo que restava em seu rosto e esticando seu queixo recém-curado. — Dick, qual é a terceira coisa? — Dick olhou para mim, seu rosto vazio.

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— Você teve uma concussão, Stretch? — A terceira coisa que os homens fazem para superar o fim do namoro. Beber, não falar sobre sentimentos, e o quê mais? — eu disse, crescendo minhas suspeitas. — É brigar, não é? Você armou isso. — Não sei do que você está falando. — ele disse, ainda sem fazer contato visual. — Você armou isso. — repeti, dando cotoveladas nele. — Sim. — ele murmurou num tom de criança que tinha queimado o café da manhã na cama do Dia das Mães. Ele riu. — Eu não fiz com que ele me incomodasse, mas eu imaginei; você está triste, você está nervosa, você não chegou a bater em nada na outra noite. Todd estaria aqui de qualquer forma, então por que não deixar você ter alguma coisa fora do seu sistema? Sempre me sinto melhor depois de uma boa briga catártica. — Você fez tudo isso por mim? — gargalhei. Ele encolheu os ombros. — Você se sente melhor, não é? Pensei nisso por um segundo e percebi que me sentia melhor. O espancamento do fã de Bruce Springsteen com puçá atenção a detalhes fez eu me sentir melhor que todo o licor e sorvete e Bette Midler58 no mundo. — Eu meio que te amo, Dick. — Já que meu coração e todas as minhas outras partes do corpo pertencerem a certa ruivinha adorável, eu te amo também, Stretch. — ele disse, dando um apertão no meu ombro. — Você é a irmã que eu nunca quis. — Ótimo.

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Atriz americana.

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Capítulo07
Quando você está tendo problemas de relacionamento, canalize sua energia em projetos produtivos. Junte-se a um grupo tolerante, ou seja, voluntário em um abrigo de animais ou numa cozinha de sopa. (É bom evitar a tentação da energia do sangue.)
– Mordidas de Amor: Um Guia de Vampiras para Relacionamentos menos Destrutivos.

Uma vez eu decidi não deixar o abatimento dominar minha vida, era
muito mais fácil levantar e sair às noites. Eu limpei a casa do chão ao teto, algo que eu havia negligenciado durante os meses em que estava ocupada antes da loja abrir. Fiz um inventário total dos objetos de valor para ter certeza de que Jenny e Vovó Ruthie não haviam conseguido entrar na casa enquanto eu estivesse fora da cidade. Reorganizei minha biblioteca, e descobri umas quinze cópias em brochura de Orgulho e Preconceito. Também achei alguns títulos que Sr. Wainwright enviara para casa comigo da loja para me ajudar a “adaptar { minha nova cultura”: Costumes Amorosos dos Were, alguns volumes das exóticas espécies were, e O Espectro do Vampirismo. Sr. Wainwright me emprestou no ano anterior para me ajudar a encontrar meu caminho através dos sutis níveis de vampirismo. Honestamente, é como Cientologia. Encaixotei os livros e os coloquei no porta-malas de Big Bertha, para que eu me lembrasse de devolvê-los ao estoque. E finalmente, empacotei tudo o que era relacionado a Gabriel: os canhotos do cinema no nosso primeiro encontro, o pequeno colar de unicórnio de platina que ele havia me dado de Natal, os guias de viagem que eu li com toda a minha atenção antes de sairmos de viagem. Pus tudo isso numa caixa de papelão e levei-a para o porão. Talvez um dia eu seja forte o suficiente para tirá-la de lá outra vez ou até jogá-la fora, mas no momento, só a queria fora de vista. No rasto de nossas repetitivas experiências de união, Andrea, Dick, e eu desenvolvemos uma nova escala de horário para a loja. Andrea e eu

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abríamos, fazíamos o café, pegávamos a correspondência e preparávamos os pedidos para enviar cerca de uma hora antes de os clientes começarem a aparecer. Andrea geralmente precisava de uma soneca por volta de meianoite, então Dick chegava e me dava uma mão até fechar. Com interesse em evitar que Andrea fosse completamente noturna, ela tinha folga às quartasfeiras, e Dick me ajudava a abrir. A rotina estava tranquila, mas organizada o suficiente para se ajustar à minha alma de bibliotecária compulsiva. Então, imagine nossa surpresa quando chegamos em uma quarta-feira à noite e encontramos um homem de cáqui vincado dormindo na porta da frente da loja. Lamentavelmente, não era de todo estranho encontrar um bêbado dormindo na frente de nossa porta, então Dick o moveu com alguns empurrões no ombro, enquanto eu recolhia o pacote de entrega que o cara estava usando como travesseiro. — Você vai ter que encontrar outro lugar para descansar a cabeça — Dick suspirou, puxando a camisa do homem. — Vamos, cara. — Jane Jameson? — o cara bufou e bocejou. — Eu te disse pra não por isso na porta! — exclamou Dick, apontando para a plaquinha que dizia: Jane Jameson, Proprietária. Você tem problemas suficientes sem dar aos malucos seu nome. — Estou procurando por Jane Jameson. — disse o homem, bocejando e coçando a barba de dois dias. — Sou Emery Mueller, o sobrinho de Gilbert Wainwright. Como avisado, o sobrinho do Sr. Wainwright, Emery, era excessivamente tímido e hipócrita. Emery era filho da única irmã do Sr. Wainwright, Margaret, que havia se mudado para Califórnia nos anos 60 e se casado com um evangelista de rádio. Sr. Wainwright só havia visto Emery nas raras visitas em Hollow antes de Emery se mudar para a Guatemala para ensinar inglês em um seminário de montanha. Ele descrevera Emery como um garotinho estranho que crescera e virara um homenzinho estranho. E considerando o nível de estranheza no Sr. Wainwright, isso era alguma coisa. A cereja no sundae dessa improbabilidade genética era que Emery e Sr. Wainwright também vinham a ser descendentes de Dick. Dick tinha zelado pela família Wainwright, o produto ilegítimo de um namorico de prévampirismo com uma empregada doméstica, por gerações. Ele considerava que Sr. Wainwright era “a última bolacha do pacote”, entrando para pagar pelo ensino do colégio e observando orgulhosamente enquanto Sr.

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Wainwright se tornava um dos primeiros garotos voluntários de Hollow a servir voluntariamente em serviço na Segunda Guerra Mundial. Dick temia que suas conexões menos que honradas pudessem por a família em risco, assim ele só tinha confessado a essa relação no ano anterior, depois que Sr. Wainwright morreu. Observando essas duas ligações, um vampiro que aparenta estar com seus trinta anos dando conselhos paternais a um fantasma em seus setenta anos era tão espantador quanto era tocante. Dick obviamente não estava tão impressionado com o último galho da árvore genealógica da família Wainwright. Achei que viver na America do Sul deveria te deixar todo bronzeado e sexy como Harrison Ford. Emery simplesmente parecia pálido e taciturno, como queijo passado. Ele usava óculos com abas e uma expressão de constipação permanente. Sua pele era marcada com cicatrizes antigas de acne, que teriam passado despercebidas se não fosse por sua tendência de corar e se envergonhar à menor provocação. Seu cabelo e seus olhos eram da mesma cor, que eu só conseguia descrever como “poeira”. Desde que Emery respondera à morte do Sr. Wainwright com um telegrama nos dizendo para proceder com o funeral sem ele, Dick e eu tínhamos uma aposta sobre quando Emery apareceria. Eu chutei quatro meses, Dick chutou seis meses, e Sr. Wainwright chutou um ano. Nós ainda não tínhamos ideia de como cobraríamos o dinheiro de um fantasma. — Quatro meses! — exclamei triunfante para Dick, que atirou uma nota de vinte dólares na minha mão. — Oi Emery, sou Jane. — eu disse para um Emery claramente confuso. — Este é meu amigo Dick. — Você mandou o e-mail. — Emery falou bocejando. — Para me deixar a par sobre meu tio Gilbert. — É, muitos meses atrás. — eu disse, sorrindo daquele jeito completamente doce que só Dick sabia que era falso. — Por que você não entra? — Oh, obrigado. Dirigi um carro alugado o caminho todo desde Louisville sem ar condicionado. É terrível. — ele disse; se levantando do chão. Meus lábios se curvaram involuntariamente à pronunciação de Louisville. Não porque ele tinha sotaque ou algo do tipo. O crédito nas ruas

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de uma pessoa de Kentucky pode ser determinado baseando-se em como alguém pronuncia Louisville. Luh-vil, você é do oeste de Kentucky. Louieville, leste de Kentucky. Louis-ville, você é de Illinois. — Sei que é estranho aparecer sem avisar a essa hora da noite. E é muito bom conhecer você. — Emery riu enquanto o conduzíamos à loja. — Enquanto eu amo fazer o trabalho do Senhor, estou muito feliz de estar de volta. Passei muitas horas quando era criança na loja, olhando os livros. — Sério? — eu disse, levantando uma sobrancelha. — É só que eles são, você sabe, livros ocultos. Sr. Wainwright disse que você era muito devoto, mesmo quando criança. Ele disse que você tentou batizá-lo com água de garrafa quando tinha nove anos. — Emery corou e limpou a garganta. — É, bem, passar o tempo aqui foi uma prova da fruta proibida. Eu era fascinado pelos livros porque eles eram muito diferentes de tudo em minha casa. Isso deixou minha mãe doida. Sr. Wainwright apareceu atrás de Emery e balançou a cabeça. — Ele passou mesmo muito tempo aqui. E era sua preferência por gravuras em madeira de rituais de nudez praticados por clãs de vampiros de leste europeu que chateava a mãe dele. Eu tive que esconder todos os livros que mostravam o que a mãe dele chamava de “choque feminino”. Era horrível. Dick se retirou para que pudesse ir ao estacionamento para rir. Eu estava parada mordendo o lábio e rezando para fazer um rosto reto. Apertei o interruptor de luz, e Gilbert deu um suspiro alto por causa da aparência da loja. — Está tão diferente! — É, bem, nós renovamos extensivamente desde que você esteve aqui pela última vez. — Você deve ter gastado uma fortuna! — ele exclamou. — É certamente melhor do que qualquer coisa na vizinhança... você deve ter se superado aqui. Eu mandei um olhar do tipo “Que diabos...?” para Dick, que havia acabado de entrar de volta.

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— E olhe, tudo está tão ordenado! Você poderia encontrar o que quisesse agora. Tio Gilbert nunca teve cabeça para organizar alfabeticamente. — Emery riu. — Mas acho que ele tinha você para isso, entre outras coisas. Ele escreveu para mim sobre você uma vez. Ele estava muito afeiçoado por você, uma jovem e bela vampira que queria passar muito tempo com ele. Obviamente, ele tinha que estar afeiçoado por você, se ele gastasse todo o dinheiro para renovar a loja e deixá-la para você. Estou feliz que ele tivesse alguém para fazer os últimos meses dele tão agradáveis, alguém que cuidasse dele. Mesmo que esse alguém fosse só um funcionário. Pode me chamar de supersensível, mas Emery tinha acabado de concluir que eu tinha trocado favores sexuais por dinheiro e redecoração? — Não acho que gosto o que ele está concluindo. — disse Sr. Wainwright, encarando o sobrinho. — Nem eu. — murmurei, e Emery me deu um olhar confuso. Limpei minha garganta. — Sr. Mueller, não quero que tenha uma ideia errada sobre meu relacionamento com o Sr. Wainwright e como seu testamento foi escrito. Eu não me acomodei para tomar conta da loja ou me dar bem com seu tio. Eu simplesmente fui sortuda o bastante para ser contratada pelo cara mais doce da Terra, e ele se tornou um amigo próximo. Eu não sabia que ele estava planejando me deixar à loja, e eu nem tinha certeza se iria mantê-la no começo. Na verdade, eu estava pensando seriamente em vender... — Oh! Acho que isso é para o melhor, a coisa certa a fazer. — Emery disse rapidamente. — Eu faço qualquer coisa que puder para acelerar as coisas. Fui pega de guarda baixa por seu entusiasmo repentino. Quem ele era para estar tão entusiasmado em acabar com o legado de seu tio? Especialmente quando o legado pertencia a mim agora? — Dê a ele um motivo, Jane. — disse Sr. Wainwright, sorrindo quando reconheceu meu temperamento crescendo. Emery não era esperto o bastante para ver isso sozinho. — Como eu estava dizendo, eu pensei em vender. Mas decidi que o melhor jeito de honrar a memória de seu tio seria manter o lugar funcionando. Então gastei todo o meu dinheiro em renovações. Eu não gastei um centavo de seu tio. E os negócios estão indo bem, então não vamos fechar tão cedo. Hm, por enquanto, qualquer coisa que você queira pegar, você é

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bem vindo, especialmente as coisas de efeitos pessoais ou coleções particulares. Ele não mencionou isso no testamento, mas eu não me sentiria bem segurando tudo. — É muito gentil da sua parte. — Emery suspirou, pegando sua mochila. — Por enquanto, vou subir para a cama. Desculpe-me se fui rude. Estou tão cansado. Jet lag, você sabe. — Oh! — eu disse, trocando um olhar com o Sr. Wainwright. — Na verdade, não há mais apartamento lá em cima. Transformamos em um depósito e escritório. Posso te recomendar alguns hotéis na cidade; dependendo de quanto tempo esteja planejando ficar por aqui. Os lábios de Emery se afinaram de um jeito que mostrava que ele estava claramente insultado pela transformação. — Entendo. Eu não previ isso. — Lamento muito. — eu disse. — Se eu soubesse que viria, teria feito ajustes em hotéis para você. — Não gosto de hotéis. — Emery disse de mau humor. — Nunca se sabe quem ficou no quarto antes de você ou se as coisas foram apropriadamente limpas. — Ele tem fobia de germes. — disse Sr. Wainwright, gargalhando. Mas só de germes americanos, por alguma razão. Ele acha que as pessoas de outros países são mais limpas que nós. Não o deixe te convencer a ficar com você, Jane. A última vez em que ele foi um convidado em minha casa, eu acordei às três horas da manhã e o encontrei limpando a vapor o interior da minha lavadora de louças. O pensamento de Emery ficar comigo nem tinha me ocorrido. É, eu tinha quarto para por Emery em minha casa, mas..., não. Eu não estava convidando um estranho que respira pela boca a ir para a minha casa. Um estranho que respira pela boca vagamente rude. Perguntei-me se Dick o convidaria para ficar na casa de Andrea. Mas dada a forma com que Emery limpava fastidiosamente as mãos com desinfetante, como se nós tivéssemos algum tipo de germe que fosse mais poderoso do que os da Guatemala, Dick não parecia inclinado a se relacionar com ele.

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— Qual é, Emery. — disse Dick, pondo a mochila no ombro de Emery e dando um tapinha nas costas dele. — Conheço uma boa pensão na cidade. Muito limpa. O dono me deve um favor. Você vai se instalar lá. Dick acompanhou Emery até o carro e voltou à loja com o pretexto de ter esquecido algo. — Isso é fruto de minhas entranhas? — Acho que seus genes perderam o encanto em algum lugar no meio do caminho. — provoquei. Dick estava indignado. — Aqueles não são meus genes. Margaret deve ter se casado com uma medusa ou algo assim. — sr. Wainwright balançou a cabeça. — Você não é muito diferente disso. — Olhe para Gilbert. Ele não estava exatamente se armando quando ele era jovem, mas ele tinha coragem! Ele tinha presença de espírito! Ele não tinha medo dos lençóis de hotel! — Obrigado, Dick. — disse sr. Wainwright, sorrindo orgulhosamente. — E você! — Dick bradou. — O que você está pensando, dizendo a ele que ele pode pegar o que quiser do estoque? E se ele escapar com algum objeto de valor? — Ora, ele provavelmente tem mais direitos a algo aqui do que nós. — eu disse. Sr. Wainwright estremeceu. — Oh, por favor, não diga isso na frente dele, querida. Ele vai pegar tudo que não estiver preso e doar os lucros a um auxílio questionável. — Você está amolecendo para o jovem missionário gordinho? — Dick perguntou. — Não há nada de errado com missionários. — eu disse, rindo para ele. — Além do mais, ele é seu trineto, da sua carne e sangue. E nós dois sabemos que você poderia usar um pouquinho do seu charme. Pode ser interessante para você falar com ele, para ouvir as coisas do ponto de vista dele. — Dick fez uma cara desagradável. — O ponto de vista dele é que nós somos maus e deveríamos ser acertados no coração com uma estaca envolta de rosas selvagens. — Nossa; isso parece rude.

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Dick saiu, fazendo uma cara de “decidido a ser educado”. Eu me ocupei deixando o bar pronto para a clientela daquela noite. — Como tem andado, Jane, querida? — Sr. Wainwright perguntou. — Sua tia me falou sobre suas dificuldades com Gabriel. Ela disse que foi difícil para você. — Bem, depois de passar por rituais de recuperação de fim de namoro feminino e masculino, posso determinar que, primeiro: vou ficar bem; e segundo: o ritual masculino é mais divertido, mas é mais difícil de recuperar. Estou bem, mesmo. Estou só me mantendo ocupada e tentando não pensar nisso. — Posso assombrar a casa de Gabriel por você, se quiser. — sr. Wainwright ofereceu. — Obrigada, isso é muito gentil, mas não acho que você possa assustar alguém depois de ter passado a véspera de Natal com ele. A não ser que você seja minha avó Ruthie. Sr. Wainwright gargalhou. Eu remexi minhas gavetas detrás do bar e fiquei de quatro, procurando pela latinha de spray de vampiro. Obviamente havia se soltado do meu chaveiro em algum momento, e não apareceu em uma busca na minha bolsa e na minha casa. E não era o tipo de coisa que eu quisesse por aí na loja. — Sr. Wainwright, você viu um pequeno tubo de metal, mais ou menos do tamanho de um batom? — perguntei, levantando uma espreguiçadeira com uma mão só para procurar por baixo. Sr. Wainwright, que sempre se animava com minhas proezas de força vampiresca, balançou a cabeça. — Ótimo. Ou vou ter que esperar o Fitz passar por aqui, ou rezar para não pisar nele e me acertar. O sino da porta da frente tocou, e Zeb entrou na loja, pálido e tremendo. Mudo, ele andou até o bar e sentou num banquinho. Eu estalei os dedos na frente dele. — Zeb, você está bem? Qual o problema? É a Jolene? O bebê está bem? Um dos parentes de Jolene foi pego pelo Departamento de Peixes e Vida Selvagem? A polícia encontrou o alambique do seu pai? O quê? — Dois deles. — ele disse; os olhos estranhamente dilatados.

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— Um dos pais de Jolene foi pego pelo Departamento de Peixes e Vida Selvagem e a polícia encontrou o alambique de seu pai? O que há de estranho nisso? — eu me perguntei. Ele saiu de seu medo tempo suficiente para parecer irritado comigo. — Não, dois deles, no ultrassom. Há dois bebês. — Gêmeos? — eu ri. — Mas isso é ótimo! E considerando o número de nascimentos múltiplos na família de Jolene, isso não é inteiramente inesperado. — Parabéns! — sr. Wainwright gritou, e então ele percebeu a expressão afetada de Zeb. — Vou indo agora. Zeb esfregou as mãos no rosto enquanto Sr. Wainwright sumia de vista. — Eu estava preparado pra um bebê. Não sei se dou conta de dois. — É um pouco tarde para isso. Há uma política estrita sem retornos nos bebês. — Não sei o que vou fazer Jane. — Ora, o que você quer que eu faça? Tire um de suas mãos? Não há muito que eu possa fazer, exceto pagar alguém para ser babá. São meninos ou meninas? — perguntei. — Não sei ainda; é muito cedo pra dizer. Para ser honesto, não prestei muita atenção depois de “dois batimentos”. Um deles estava fazendo um jeitinho de Homer Simpson. Acho que esse é parecido comigo. — Olhe por esse lado: você tem sorte de não serem trigêmeos ou quadrigêmeos. Isso pareceu animá-lo. — Se você continuar assim, você pode formar seu próprio time de basquete. — eu sugeri. Ele franziu as sobrancelhas para mim. — Muito cedo? — ele meneou a cabeça. — Vou te fazer um chá de ervas. É calmante. — eu disse, dando um tapa em sua mão. — Como Jolene está? Ela ainda fica desejando sorvete com picles? Zeb resmungou. — Não só isso. Está mais para bacon canadense e sorvete. Sanduíches de peru com manteiga de amendoim. Torta de macarrão

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com atum. Ela realmente fez o que ela chamou de “bolinhos de bacon” no outro dia, um bolinho com pedaços de chocolate com pedaços de bacon em vez de chocolate. Ela disse que é a maneira do corpo dela conseguir o máximo possível de proteínas para os bebês, mas eu juro que se eu a vir comendo mais uma daquelas tortas, eu vou vomitar. — Ora, a boa notícia é que quando eu me lamentar por não poder comer, vou trazer essas imagens à mente. Nunca mais vou querer comida sólida novamente. — dei de ombros, esfregando o estômago. Zeb se empertigou enquanto dizia: — A propósito, recebi uma ligação do comitê de reunião hoje. Eles querem algumas imagens suas para a parede memorial. — Mas eu não estou morta! — Zeb gargalhou. — Bem, não é assim que o comitê enxerga. — É isso. Eu não vou nesta coisa. — Ah, qual é. — ele disse, aceitando uma xícara de chá de camomila. — Você tem que ir à reunião. Vai ser divertido! Você pode assustar todos os nossos antigos colegas de turma. — Será divertido pra você. Você é casado com uma mulher linda que te adora ao ponto de provavelmente maltratar o primeiro idiota que tentar te dar um cuecão de comemoração. E ela está grávida, então todos saberão que você fez sexo com ela. Eu, contudo, irei sozinha, o que provavelmente irá concretizar todos os boatos de lésbica. Oh, espere, boatos de lésbica morta. — Então você ainda não voltou com o Gabriel, huh? Balancei a cabeça. Cindy, o Amuleto de Sorte Gótico entrou pela porta, me cumprimentou com um aceno de cabeça, e se dirigiu para a seção de quadrinhos. — Você sabe, eu era sozinha, e me saía bem. É mais fácil assim. Quanto menos bagunçado, menos complicado. Menos tempo me perguntando que diabo está acontecendo em minha própria vida e se isso é minha culpa. Pelo menos, dessa vez, eu sei que é minha culpa. — Zeb sorriu. — Bem, isso é animador.

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— Eu faço o que posso. — eu disse, balançando os ombros enquanto a sineta da porta tocava. — Conheci um médico bem legal outra noite. E daí ele me viu espancar um cara sem sentido, então não acho que ele vá querer que eu ligue. — Você espancou um cara sem sentido? — Zeb gritou. — Dick estava querendo me animar. Era tanto uma briga de bar como algo inútil. Zeb torceu o nariz. — Você e Dick têm um relacionamento complicado. Dei de ombros. Coloquei uma mocha latte no balcão para Cindy e deixei lá para ela, como biscoitos e leite para o Papai Noel. — Além do mais, Adam Morrow vai estar lá, e eu ainda sinto algo estranho sobre ele. Eu tive uma enorme queda por Adam desde o primário. Ele era o herói loiro e com covinhas para minha CDF da turma. Eu nunca superei de verdade aquela obsessão adolescente por ele, que era porque, para mim, era tão difícil ver que seus esforços para ficar “reintegrado” alguns meses atr|s não tinham nada a ver comigo e tudo a ver com a fascinação sexual esquisita por vampiros. Acabou que apesar de ir à escola comigo por doze anos, ele nem lembrara o nome daquela “cabeça de ovo que costumava perturbá-lo na aula” até alguém lembr|-lo no funeral de meu quase avô Bob. Esqueci Adam como um dente de alho e consertei as cercas danificadas com Gabriel antes que fosse tarde demais. Claro, não percebi na hora que já era tarde demais e Gabriel havia se ido para Jeanine. Eu tive mesmo que trabalhar em mudar a rota do meu processo de pensamento, assim os assuntos não voltavam a Gabriel. Parecia injusto que eu sentisse algum pingo de ansiedade do fim de namoro com Adam quando tecnicamente nós nunca saímos. Não podia nem ouvir o nome dele sem uma ponta de culpa e vergonha. Eu teria o suficiente para lidar na reunião, tal como o muro memorial, sem sondar os assuntos de debate novamente. — Mas acabar com as esperanças e sonhos de Adam vai deixar a reunião ainda melhor! Você, a gostosinha intocável que ele não pode, bem, tocar. Será um baita sopro no ego dele! — Zeb exclamou. — Eu nunca te

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disse isso, porque você tinha aquela coisa por ele na escola, mas eu sempre quis socar a cara daquele cara com seu jeitinho “Oh, eu sou alto e loiro e um cara dos sonhos, e todos me amam porque eu sou um cara legal”. Talvez tivessem outros caras na sala que fossem tão legais quanto. Talvez tivessem outros caras na sala que deveriam ter sido presidentes do Coro, mas não se elegeram porque Adam era “um cara dos sonhos”. Talvez tivessem outros caras que quisessem levar Dawn Farber para a Festa de Boas Vindas e acabaram indo sozinhos porque Dawn estava se reservando para Adam, “só para garantir”. — Talvez você não devesse ir à reunião. — eu disse, escolhendo a correspondência do dia. — Devo começar a colocar tranquilizantes de cavalo no seu chá? Enquanto Zeb se divertia ruidosamente, eu analisava o correio do dia, a maioria contas e catálogos de editoras. Um envelope de papel branco como marfim escorregou e flutuou no balcão. Eu o encarei por um momento, me perguntando se eu estava imaginando a escrita preta e aranhosa que dizia meu nome e o endereço da loja. Não havia etiqueta de remetente. O selo era de Half-Moon Hollow. — Você está bem, Jane? — Zeb perguntou, se esticando para balançar meu ombro. — Você está pálida. Mais do que o normal. — eu meneei a cabeça e entreguei o pesado envelope para Zeb. Minhas mãos estavam tremendo. — Você pode abrir para mim? — Zeb arqueou uma sobrancelha, a preocupação esticando sua boca em uma linha fina. — Claro. Peguei a carta das mãos dele e a pus sobre o bar para deixá-la firme o suficiente para eu poder ler. Não havia saudação de abertura, só parágrafos apertados lotando a elegante combinação de papéis.

“Você não sabe quem eu sou, mas estive te observando por um bom tempo, Jane. Gabriel Nightengale não é o homem que você acha que é. Ele nem é o vampiro que você acha que ele é. Gabriel toma vantagem daqueles que são mais fracos. Ele não se importa com você. Ele é incapaz de se importar com alguém a não ser si próprio. Mesmo sua inveja e possessividade, suas aclamações de que ele quer te proteger, vem de seu desejo de te possuir, de te

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manter para ele, como um brinquedo favorito, até ele cansar de brincar com você. Eu já fui como você, jovem e inocente. Gabriel falava que estava a fim de mim por causa dessa inocência, minha dessa idade. Ele dizia que podia seguir meu cheiro pelo mundo, que isso era parte do que o vinculava a mim. Ele dizia que me amava. Tolamente, eu achava que ele era excitante e vistoso – um príncipe das trevas me tirando de uma vida de tédio, de uma jaula dourada de limitações e demandas. Ele me matou. Ele me amaldiçoou como ele amaldiçoou você. Você não é nada especial. Você não é nada diferente de nenhuma garota que já andou na Terra, apesar do que ele disse a você. Ele vai usar e abandonar você como me usou e me abandonou. Eu sei aonde você vai. Eu sei com quem você passa seu tempo. Você parece aproveitar sua vidinha. Por amor a você, por amor às pessoas com as quais você se importa, você deve ficar longe de Gabriel. Uma Amiga Preocupada e Vigilante”

Olhei para baixo e o canto de uma foto escapando do envelope. Passei várias fotos na minha mão. Suspirei quando reconheci os assuntos. Gabriel e eu num quarto de hotel. A câmera obviamente estava do lado de fora da janela, mas eu não tinha ideia de onde estávamos ou quando a foto foi tirada. Estávamos esticados numa das largas camas do hotel, um raro momento de relaxamento na Viagem do Inferno. Meus pés estavam no colo de Gabriel enquanto ele pintava minhas unhas com um delicado vermelho. Havia outra foto de nós em Londres enquanto íamos para o teatro. Eu estava usando o vestido vermelho que eu comprara só para a apresentação de “As you like it”. Havia uma foto tirada quando est|vamos em Roma. Eu estava sentada do lado de fora de uma cafeteria, sozinha e preocupada, porque Gabriel tinha acabado de levantar para uma “ligação de negócios”. Outra foto minha, desta vez sozinha no balanço da frente de casa, lendo Lua Nova de Stephenie Meyer, um livro que eu escolhi com a esperança de exorcizar meus problemas com fim de namoro traumático com vampiro. A câmera parecia focada na lágrima que descia pela minha bochecha, como se isso fosse o motivo da foto. A última foto continha Andrea, Jolene, e eu relaxadas em minha sala de estar, vendo TV. Andrea havia visto alguém na janela naquela noite. Essa pessoa havia tirado fotos de nós, rindo e comendo lanchinhos. Elas provavelmente teriam me seguido na floresta em minha tarefa idiota. Percebi quão tola eu fui ao sair de casa. Essa pessoa podia ter dado a volta em casa e machucado

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Andrea, machucado Jolene e os bebês. Meu estômago virou num nó frio, molhado. Essa pessoa nos seguiu por meses, foi intrusa em momentos íntimos e felizes que eu queria manter particulares, tinha gostado de me observar sofrendo. Meus caninos saltaram pelo lábio. As pontas afiadas atingiram a carne macia e fez o sangue jorrar em minha boca, acelerando meus sentidos. Eu gemi. — Jane, qual o problema? O que diz aí na carta? — enquanto eu lia, Zeb deu a volta no bar e passou um braço em volta de mim. — Más notícias? Eu lutei para controlar meu temperamento, para manter minhas emoções sobcontrole. Eu não queria preocupar Zeb com isso. Ele já tinha coisas suficientes para lidar, se preocupando com Jolene e os bebês. Através de força de vontade e uma barreira de imagens inapetecíveis (basicamente, qualquer episódio de CSI), fiz meus caninos se retraírem. — Não. — dei um suspiro e fingi um sorriso enquanto dobrava a carta com as fotos e prendia-as sob o balcão. — Está tudo bem. Só lixo de correio persistente. — Isso não parece lixo de correio. E todas essas fotos? — Não esquenta com isso, Zeb. Zeb não pareceu convencido, mas os clientes começaram a entrar, e eu fiquei sem tempo para responder as perguntas. Esperei até Zeb virar as costas para pegar a carta e ler ela novamente. Obviamente, essa “amiga preocupada e vigilante” era a mesma pessoa que enviava cartas a Gabriel na Europa. Será que era Jeanine, a mulher cujo nome frequentemente aparecia no celular de Gabriel no ano passado? E se fosse, quem diabos era ela? E há quanto tempo Gabriel a tinha “usado e abandonado”? E talvez a questão mais importante, o que ela estava fazendo em Hollow?

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Capítulo08
É importante se lembrar de passar tempo com sua família. É importante moderar seu interesse pela cultura vampírica com contato com o mundo humano. – Mordidas de Amor: Um Guia de Vampiras para Relacionamentos menos Destrutivos.

Quando um

cheiro é poderoso o suficiente para acordar um

vampiro, é hora de chamar um exorcista. Os sonhos sexuais não tinham diminuído desde aquela horrível briga com Gabriel na loja. Na verdade, eles pareceram se intensificar depois da volta de Gabriel. Neste sonho em particular, eu estava amarrada numa complicada lingerie da Victoria’s Secret. Gabriel estava usando um ultrapassado casaco. Estávamos num quarto de hotel aparentemente caro, iluminado por lamparinas a gás. Ainda vestido com as mangas brancas, um Gabriel entusiasmado despiu meu espartilho, me empurrou na cama, e beijou desde a curva do meu peito coberto até a calcinha de renda que eu estava usando. Ele sorriu para mim, do jeito que ele fazia quando fazíamos amor, como se eu fosse a criatura mais bonita do planeta. Senti minha carne humana ficar quente e flexível sob suas mãos. Ele desamarrou o resto da minha lingerie, lambendo o meu âmago com afagos fortes, seguros. Ele mordiscou e beijou até eu ficar ofegante. Quando ele finalmente tocou a ponta da língua ao grupo vital de nervos, explodi, gritando seu nome enquanto viajava onda após onda de êxtase arrepiante. E então eu senti dor. Meus olhos se abriram. Os caninos de Gabriel estavam afundados na carne da minha coxa, gotas gêmeas de sangue derramando no lençol enquanto ele se alimentava vorazmente. Ele grunhiu para mim, meu sangue pingando obscenamente de seus dentes. Gritei outra vez, por motivos completamente diferentes. E ele se lançou contra mim, fechando os dentes em minha garganta e me drenando. Ele rolou para o lado, satisfeito, e desapareceu nos lençóis. Assustada, levantei minhas mãos cheias de sangue e as vi ficarem cinza. Elas pareciam se decompor na frente dos meus olhos. Eu era um cadáver, apodrecendo e me decompondo.

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Isso certamente explicava o cheiro. Eu acordei e imediatamente tapei o nariz com a mão. Enquanto eu tirava da cabeça as imagens manchadas de sangue do sonho, meu estomago incomodava. Eu não sentia um cheiro tão desagradável desde que um caminhão de dezoito rodas cheio de javalis tombou perto da minha escola de Ensino Fundamental. Minhas narinas queimaram de verdade com o cheiro de peixe podre e amônia. Sentei-me devagar, meu corpo lento com o sol a pino. Senti-me como se estivesse nadando em melaço. Pressionei uma meia suja no nariz, que francamente cheirava bem melhor que o que quer que estivesse baforando pela minha casa. — Tia Jettie! — gritei. — Aconteceu uma explosão de fossas? Ignorando a estranha sensação da consciência macia da luz do dia em minha cabeça, eu desci as escadas. O cheiro estava ficando mais forte. Estabilizei-me e resisti à vontade de vomitar. Arrastei-me escada abaixo e chequei o banheiro para ter certeza de que não houvera um acidente no esgoto. — O que você está fazendo, querida? — tia Jettie perguntou, aparecendo por cima do meu ombro enquanto eu cuidadosamente levantava a tampa do vaso sanitário. — Você tem ideia do que está olhando? — Não particularmente. Estou só tentando imaginar de onde esse fedor de morte está vindo. Sem ofensa. — Não foi nada. Que fedor? — Você não está sentindo? — Não sinto nada. Não tenho nariz — tia Jettie me lembrou gentilmente. — Acredite; você ficou com a melhor parte. Eu fui até a porta da frente, com os olhos lacrimejando enquanto o cheiro ficava mais forte a cada passo. Estava vindo da varanda. Fitz estava esperando na porta, balançando o rabo porque pensava que eu ia deixá-lo sair. Obviamente, o que quer que esteja lá fora, Fitz estava desesperado para rolar em cima. Considerando a Grande Travessura do Gambá em 2002, isso não era um bom sinal.

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Coloquei um óculos de sol, uma pesada capa de chuva da tia Jettie, e um chapéu de palha e enrolei um cachecol em volta do rosto. Puxei as cortinas e assobiei com o tapa na cara que a luz do sol me acertou. Estreitei os olhos para a luz. Não conseguia ver nenhum animal morto nem lixo tóxico espalhado na grama, mas o cheiro ficava mais forte conforme eu me aproximava da janela de vidro. Fechei a cortina e me afastei. Fitz choramingou e fez a dancinha “me deixe brincar l| fora”. Gentilmente, eu o espantei da porta. — Desculpa; carinha, acho que não fazem xampu de cachorro tão forte assim. Não tinha como eu sair de casa para limpar, então eu estava presa. Fui até o sótão, o ponto da casa mais longe da varanda, e dormi num velho sofá de veludo. Bem, me virei e revirei e deixei um travesseiro apertando meu rosto. Quando o sol finalmente se pôs, peguei meu equipamento para lavar carro na garagem e arrastei a mangueira até a varanda. Havia uma substancia viscosa, amarela manchada na porta da frente, no balaústre, no balanço, na grade, nas tabuas da varanda. Tinha o cheiro de amêndoas queimadas e o orifício de um cavalo morto. Esmagada contra a porta da frente havia uma carcaça estranha e redonda do tamanho de uma bola de vôlei. Parecia um coco espinhoso e verde. — Por tudo que é sagrado, o que é isso? — me perguntei, segurando a concha. Virei-me e vi o carro de Zeb parando na frente de casa. — Ei, Jolene me mandou aqui com alguns flyers para o próximo encontro do ‘Amigos e Família dos Não Mortos’. — sua cabeça se inclinou para o curioso objeto em minha mão. — Onde você conseguiu..., mãe de Deus! — Zeb gritou. — Que cheiro é esse? — Não sei. Acho que a minha porta foi enlameada ou possivelmente contaminada por um monstro marinho. — levantei meus dedos para mostrar a massa amanteigada. — Fiquei presa em casa o dia inteiro enquanto essa coisa cozinhava no sol. Queria saber que coisa é essa, assim eu saberia qual Equipe de Materiais Perigosos chamar.

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Um sorriso maroto e espalhou no rosto de Zeb, e ele cruzou os braços e se inclinou no balanço da varanda. — O que? — perguntei. — Se importa em me contar a piada? Ele examinou as unhas indiferentemente. — Estou acabando de perceber que sei de algo que você não sabe. Então, é essa a sensação..., de ser a pessoa mais esperta no recinto. Eu sinto isso. Sinto-me todo..., anestesiado. — Zeb. — Desculpa. — ele disse, raspando a casca com o pé. — Isso é um Durião. Eu vi isso no canal de viagem. Aquele cara que acha que vesículas de tartaruga são uma boa opção de almoço jura que são uma delicadeza. Ele fez um segmento inteiro falando deles no episódio da Indonésia. Sabia que pessoas se machucam sério, às vezes morrem, por essas coisas todos os anos? Eles caem das árvores quando estão maduros, e abrem. É como se caísse uma bola de canhão espinhosa no seu crânio. — Zeb fungou. — O odor é tão forte que os governos asiáticos proibiram essa fruta nos metrôs, elevadores, quartos de hotel, basicamente qualquer espaço fechado onde as pessoas não podem escapar do cheiro. — Você está adorando muito sua posição, de cara esperto. — disse a ele. — Então, alguém trouxe uma fruta fedida da Indonésia para fazer a piada de olfato mais cruel comigo? Como eu me livro disso? Queimo a casa? Zeb arregaçou as mangas e esticou a mão para pegar uma escova. — Um pouco de graxa de junta, um pouco de bórax, talvez um dispositivo nuclear. — Obrigada, ajudou muito. — disse, colocando a escova de chão em sua mão. O cheiro não saiu. Escovamos por horas para limpar a varanda, mas aparentemente a madeira de River Oaks é bastante absorvente. O plano nos deu tempo para passarmos juntos sem falar. Resisti à minha vontade natural de tagarelar e só trabalhei. Silêncio sociável era bem legal. Parecia maduro. Zeb finalmente cedeu quando percebeu que tínhamos quase arrancado a pintura, mas não tínhamos feito um furo no cheiro.

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— Acho que deixamos o cheiro nervoso. — Zeb disse, enrugando o nariz. — A boa notícia é que acabamos de ter uma informação íntima de natureza pessoal sobre certo vampiro que sabe como conseguir uma lavadora a jato às onze da noite. — Primeiro, espero que esteja falando do Dick. — falei enquanto ele discava no celular. — E segundo, qualquer informação pessoal e íntima que você saiba de Dick, por favor, não me conte. Entramos para beber algo gelado. Zeb tirou a camiseta, limpando os restos de Durião que ficaram em suas mãos. — Sabe de uma coisa, tenho que dizer que esse negócio de trabalhador despenteado ficou bem em você. Você devia ir para casa ver Jolene agora todo suado e masculino. — Não posso. Estou com cheiro de... — ele deu de ombros. — Não posso ir ver Jolene assim. Estou sempre dizendo a ela para não chegar a casa fedida depois de ter rolado em algo morto. Estiquei-me nos degraus da varanda, flexionando minhas pernas cansadas. — Espere, você quer dizer na forma de lobo, certo? — É. — ele olhou para mim como se eu fosse maluca. — Seu casamento não é como os outros. — disse a ele. — Então, como vocês estão? Já se ajeitaram com o lance dos gêmeos? — Você estava certa. — ele disse timidamente. Eu sorri. — Geralmente estou. — Não tenho muita escolha. Os bebês estão a caminho, então a melhor coisa a fazer é esperar e aproveitar a viagem. E quando você pensa nisso, é bem legal. — ele disse, fazendo uma pausa para dar um gole na bebida. — Além do mais, a prima de Jolene, Raylene, vai ter trigêmeos, então podia ser pior. — Ora, aí está. Zeb secou a testa e considerou. — Esse massacre de fruta fedida é uma coisa estranha a fazer com alguém. Você acha que foi Gabriel?

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— Não é do estilo de Gabriel. Isso envolve certa malícia estranha que falta nele. Além do mais, ele não está com raiva de mim. Ele só não parece compreender porque estou com raiva dele, o que é enfurecedor. E mesmo quando ele estava com raiva de mim, ele estava mais propício a me repreender severamente ou me espancar do que a deixar pasta de fruta podre na minha varanda. — Vou ignorar a parte do espancamento. — ele disse sob a respiração. — Provavelmente seja melhor. — concordei. — Então, quem você acha que seja o atirador de frutas? — dei de ombros. — Pode ser uma pessoa aleatória na cidade que não goste de vampiros. Pode ser um membro da Câmara do Comércio que decidiu que não me querem. Agora, aquele é o lugar para malícia estranha. Droga; pode ser a ideia de Dick de uma hilária piada prática para levantar meus ânimos. Pode ser qualquer um. — Isso não é confortante. — disse Zeb. Ou, eu pensei, pode ser minha parceira de caneta, esperando que eu ficasse desorientada o suficiente pela falta de sono e excesso olfativo para sair de casa na luz do sol pra investigar o cheiro. — É um saco ser popular assim. — eu disse, chegando ao corredor da frente e pegando a bolsa. — É por isso que eu fui àquela loja assustadora de Esportes e Lazer e comprei isso. Tirei minha nova arma de choque do coldre e apertei o gatilho, sorrindo quando o arco voltaico conectado entre as duas pontas. — Você comprou uma arma de choque? — ele gritou. — Por que você comprou uma arma de choque? — Você quer sentir o cheiro da minha varanda de novo? — perguntei. — Tem alguma coisa acontecendo, Zeb. Preciso de algo para me proteger, e eu perdi o spray que Gabriel me deu. E eu perdi Gabriel. Não posso depender de ninguém para me proteger. Acho que podemos concordar que se eu comprasse uma arma seria mais provável eu atirar em mim mesma ou em transeuntes inocentes.

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— Mas você é uma vampira! Você tem superforça. Eu vi você matar alguém só com as mãos. Bem, havia uma estaca de madeira em suas mãos. Mas mesmo assim. — Eu também não gosto de ficar carregando essa coisa comigo, Zeb. Você me conhece, eu só apelo para impulsos violentos quando sinto que não tenho outra opção... — Ou você está pirada ou assustada, ou a taxa de açúcar em seu sangue está baixa, ou você tem uma ridícula... Eu o cortei com um olhar. — Isso vai me manter causando danos a outras pessoas enquanto me dá tempo suficiente para ir embora. E isso vai me deixar longe de sujar as mãos, ou, sabe, empoeiradas. — Você sabe que vai acabar se eletrocutando, não é? — Sei que é altamente provável. Como se eu não tivesse homens estranhos e cerceados o suficiente em minha vida, Emery Mueller começou a passar muito tempo na loja. Muito tempo. Tanto tempo que eu comecei a pensar em voltar com Gabriel, assim ele entrava na mente de Emery e limpava qualquer lembrança que ele tivesse de onde a loja ficava. Era uma habilidade que nem eu nem Dick tínhamos. Depois de perceber que eu não iria fechar a loja, Emery alegava que queria ficar de olho nos “interesses de família”. Então, ele passava todas as noites na loja, irritando Andrea com perguntas sobre seu “estilo de vida alternativo”. Parecia que ele desenvolvera uma queda por minha substituta de sangue favorita e frequentemente pedia a ela para se juntar a ele na igreja. Quando ela recusou, ele pôs a culpa na influência de sua “escolha infeliz de pretendentes” e passava a maior parte de seu tempo fazendo cara de apaixonado para ela. Andrea passava a maior parte de seu tempo tentando não ser arrastada pelo progresso do trineto de seu namorado. Quantas mulheres podiam dizer que eles tinham esse problema? Dick parou de aparecer às noites de quarta-feira, dizendo que estava com o que chamava de “desapontamento terminal”. Pelo menos ele deu uma desculpa. Sr. Wainwright simplesmente desapareceu.

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Emery se tornou uma brotoeja irritante em forma humana. E como o ministro arrogante e socialmente inepto de “Orgulho e Preconceito”, ele ficava mais ousado a cada visita. Primeiro, ele pediu para ver uma cópia do testamento de seu tio, que eu providenciei felizmente, junto com cópias de relatórios do banco no momento de sua morte. Contudo, comecei a me irritar quando Emery exigiu cópias dos livros atuais da loja, junto com inventários, meus registros financeiros, e uma lista de qualquer livro que eu tenha tirado da loja. Ele comentou do número de vendas por noite, da alta que envolvia a cafeteria. Então ele tomou residência atrás do balcão e casualmente abria as gavetas que não tinham a ver com ele. Quanto mais tempo eu passava com ele, menos eu queria lhe entregar. Sentia a necessidade de proteger as coisas do Sr. Wainwright de suas mãos suadas, pegajosas. — Você conhece uma mulher chamada Jenny McBride? — perguntei depois de ele ter pedido informações do advogado do Sr. Wainwright para que pudesse marcar um encontro com ele. — Da sua altura, loira, geniosa? Ei, considerando que minha irmã estava inadvertidamente em sociedade com Senhorita Psicopata Realtor, achei que fosse uma pergunta justa. A resposta de Emery foi uma expressão tanto confusa quanto constipada. Por alguma razão, ele não compreender exatamente quão irritante seu comportamento era e trouxe toda a minha raiva reprimida contra Gabriel à tona. Já era hora de dar um tapa em Emery, hora de avisá-lo que eu queria dar um tapa nele. — Só estou atrás do legado de meu tio, Jane. — ele fungou. — Você foi atenciosa para organizar o estoque, e, para ser honesto, você só fez um pequeno furo no problema. Você tem experiência em bibliotecas, mas isso não te faz uma expert em livros misteriosos raros ou antigos. Francamente, não acho que você saiba o que você tem aqui. Você poderia deixar um volume impagável sair dessa loja e nem perceber. Acho que você deveria fechar por alguns dias e me deixar trazer um perito para dar uma olhada no estoque mais antigo. — Com o devido respeito, Emery, desde que o seu tio deixou o legado dele para mim, é meu se eu quiser vender, a qualquer preço. — eu disse. — Na verdade, não sou legalmente obrigada a te oferecer qualquer coisa além de lembranças dos efeitos pessoais do Sr. Wainwright, mas estou tentando ser legal. Agora, quando eu assumi a loja, eu fiz uma nova apólice de seguro. E eu tenho estimativas para o valor do estoque. Eu te dou cópias disso, mas

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tanto te dar um inventário completo quanto te deixar trazer um intruso para conferir o estoque título por título, receio que isso não vá ser possível. — E por que não? — perguntou; seu rosto ficando num tom desagradável de roxo. — Porque eu disse que não. — eu disse na minha voz de falar para criancinhas. — Não sei por que você escuta cada conselho que Andrea e aquele Dick te dão, mas escreva o que eu estou dizendo. Eles não têm interesse adquirido de família que eu tenho. — Eles são minha família. — disparei de volta, abrindo meu reservatório de raiva contra Gabriel. — E eles passaram mais tempo com seu tio nos últimos meses de sua vida do que você passou nos últimos dez anos. Emery empalideceu como se eu tivesse batido nele. — Acho que devo ir a outro lugar antes que digamos algo que vamos nos arrepender. Emery fez uma demonstração de sair da porta com uma expressão de cachorrinho abandonado. Andrea pôs a cabeça para fora do armário da despensa, onde ela estava escondida. — Você fez Emery sair em menos de uma hora. Pode me ensinar a fazer isso? Infelizmente, com “outro lugar”, Emery não queria dizer que ia deixar a loja permanentemente. Ah, não, ele ficou e ficou e..., ficou. Ele se sentava na cafeteria e fazia cara de apaixonado para Andrea. Ele ficava perto dos montes de livros, dizendo que estava procurando alguns livros pelos quais ele tinha um apego sentimental. (Eu tinha escondido os livros com curvas de mulheres nuas.) Ele perturbava vampiros novatos tentando fazê-los colherem alguns panfletos religiosos. Céus; até a Cindy, a Mascote Gótica, viraria e sairia se visse Emery. Ela passara quatro dias consecutivos sem um latte. Eu estava começando a me preocupar. Para mim, o auge foi quando Emery interrompeu minha leitura de outra carta da minha, “amiga preocupada e vigilante”, que me contava como Gabriel tinha lhe transformado de uma garota inocente e sexualmente

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inexperiente para uma viciada em amor, lhe garantindo que ele adorava a sua ingenuidade, sua imprevisibilidade. Lembro-me de sentir Emery de pé sobre meu ombro enquanto eu lia: “Gabriel me disse que gostou de não saber o que eu faria ou diria. Ele disse que minha inocência era uma mudança refrescante. Não tenho que perguntar se ele disse o mesmo a você. Ele diz isso a todas as mulheres que ele leva para a cama. Ele é tão experiente em mentir quanto ele é em amar. A habilidade dele de manipular emoções através da mistura de doçura com superproteção fingida é incomparável.” — O que você tem aí, Jane? — Emery perguntou. Eu o ignorei. Lembro-me de Emery limpando a garganta e esticando sua mão macia imperiosamente, como se eu tivesse sido pega lendo os e-mails dele. Meu lábio superior se afastou dos meus dentes no que eu considerava uma expressão de aviso. Mas Emery estava abstraído a isso e à tensão hostil que pareceu estar vazando de mim em ondas. Lembro-me de virar meu ombro de forma despreocupada, para ficar de costas para ele, e continuei a ler. Os dedos de Emery se fecharam no topo da página e puxaram a folha das minhas mãos. Acho que tive algum tipo de escurecimento de raiva, porque eu não me lembro de rosnar e cintilar meus caninos de forma tão malévola que Emery correu da loja. Mas Andrea disse que havia uma pequena mancha de urina no carpete para provar, então eu tive que acreditar nela. Andrea e eu fizemos ameaças elaboradas e sádicas contra Dick se ele não tirasse seu trineto de lá por um bom tempo. As ameaças de Andrea tiveram mais efeito, já que elas aparentemente envolviam recusas de certos “privilégios”. Então, Dick levou Emery para sair por uma noite para se conhecerem e jogarem boliche, praticamente à força. Esperava que Emery acabasse com uma tatuagem bastante constrangedora. Com a loja limpa da presença de Emery, eu gritei: — Tudo bem, Sr. Wainwright, você pode aparecer agora. Barra limpa. Ele se materializou, parecendo um tanto envergonhado. — Então, o que esteve fazendo? — perguntei gentilmente, depois olhei para ele. — Jane, eu sinto muito.

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— Uh-huh. — eu disse, estreitando os olhos, mas sorrindo mesmo assim. — Você disse que Emery era excêntrico e sem personalidade. Você não me disse que ele era... — Um enorme pé no saco? — sr. Wainwright sugeriu. — Eu ia dizer um ‘enorme furúnculo na n|dega da humanidade’, mas serve. Ele está me enlouquecendo! Ele questiona cada decisão que eu tomo. Ele se intromete nas conversas e situações que não são da conta dele. É como sair com a minha mãe, mas sem a parte amável. Sr. Wainwright pôs a mão insubstancial em meu ombro. — Ele causa esse efeito nas pessoas. Estou surpreso que você tenha durado tanto assim. —Hmpf. Mas eu não acho que posso deixá-lo vir para a loja de novo, Sr. Wainwright. Quero dizer, ele está afastando os clientes. Eu acabei de levantar o lugar e ele está matando as vendas. — Certamente, expulse-o na bunda hipócrita dele. Vai ser bom para ele. — Excelente. — suspirei. — A propósito, pensei que você tivesse uma reunião da Câmara do Comércio esta noite. — ele disse. — Você marcou no calendário do escritório com caveirinhas e ossos cruzados. Sério, você fez uma boa quantidade de detalhes com a caneta. — Sim. — eu resmunguei. — Eu tenho uma reunião. Mas eu não quero ir. — Mas eu estava tão orgulhoso de você ter se juntado à Câmara. Eu não tinha paciência para esse tipo de coisa, sério. Havia muita gente envolvida. — Ainda há. — eu murmurei. — Na verdade não acho que a Câmara seja para mim, Sr. Wainwright. Aquelas mulheres são..., ora, elas são más! Elas ligavam todos os dias para me lembrar de que como membro mais novo, eu sou responsável por levar pelo menos três tipos de queijo leve, biscoitos de trigo, e quatro garrafas de vinho branco. E eu devo entregar relatórios de progresso semanal de como vai minha caçada por brindes. Quando sugeri que isso era excessivo, me deram cinco deméritos. Nem sei o

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que isso significa! Deve ter alguma coisa acontecendo. Possessão demoníaca ou um culto canibal ou..., ooh! Bruxas! Elas podem ser bruxas! — Isso não é obvio? — ele perguntou. — Não use lógica contra mim. — Jane, você não é de desistir. — Bem, isso não é verdade. Courtney legal era o único membro da Câmara que estava feliz em me ver andando com minha cesta de dotes. — Jane, querida! — ela gritou, saindo do grupo para me cumprimentar a porta da sala e me livrou das minhas responsabilidades. — Estou tão feliz que esteja aqui. Acabamos de ter mais um membro. Você tem que conhecê-la. Uma loira de casaquinho rosa se virou quando Courtney legal deu um tapinha em seu ombro. Jenny ofegou. — Mas que d... — Diabos? — terminei por ela. Jenny olhou em volta furtivamente e me arrastou para a sala. — O que está fazendo aqui? — ela perguntou. — Eu me juntei ao grupo mês passado. O que você está fazendo aqui? — perguntei de volta. — Eu me juntei ontem. — Você não tem um comércio. — Sim, eu tenho. — ela respondeu; me mostrando o cartão. — O que, então eu comecei um negócio, e de repente você tem que começar um? Como você é transparente! Jenny virou os olhos. — Isso não tem nada a ver com você.

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— Bem, é uma baita coincidência. — Há anos que eu quero começar um negócio, e agora os garotos estão envelhecendo. Há um grande mercado lá fora para pessoas que amariam criar algum tipo de lembrança artesanal, mas não fazem mais que cortar uma linha reta. Pessoas como você. Eu só estou facilitando as coisas. E tecnicamente, você não começou um, você herdou um, como você herdou todo o resto. A casa, as coisas da Missy, a loja..., é seu plano a longo prazo baseado em fazer amigos com os membros mais velhos para que eles se lembrem de você nos testamentos? — Não há membros mais velhos. As Courtneys se sacrificaram. — eu resmunguei, ignorando o olhar confuso no rosto de Jenny enquanto ela procurava na sala por um rosto com mais de quarenta anos. — E eu não acho que vou expulsar alguém que estava tentando roubar coisas de valor da minha casa na bolsa. Jenny protestou. — Eu não estava roubando... — Do que você chama pegar itens que não te pertencem da casa de alguém sem a permissão? Empréstimo agressivo? — Não vou ter essa conversa com você agora, Jane; você está sendo ridícula. Olha; ninguém aqui tem que saber que somos parentes. — Jenny disse, olhando em volta. — Podemos fingir que não nos conhecemos. Você pode ser uma pessoa que eu não conheço direito e com quem não quero passar meu tempo. — Ótimo, ótimo, vai ser como na escola. Você fica no seu canto, e eu fico no meu. — virei nos calcanhares e revirei minha bolsa. Onde está o vinho? Prendi minha unha na rolha e usei um pouquinho da força vampiresca para arrancá-la. Contudo, resisti à vontade de beber direto do gargalo e em vez disso peguei uma taça de vinho. Taça cheia na mão, saí como um furacão para encontrar Courtney legal. Ela me lançou um olhar questionador enquanto eu pegava sua taça de vinho e a secava. — Vocês se conhecem? — Aparentemente não. — murmurei.

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A Courtney mestre convocou a reunião em sessão. Eu me estufei enquanto Jenny era apresentada e oficialmente recebida pelo grupo. Houve aplausos e gritos e murmúrios. Foi uma recepção perceptivelmente mais quente que a que eu tive. Eles até lhe deram um corsage rosa. Típico. Minha irmã decidira levar sua paixão por álbuns a outro nível. O nível assustador. Ela começou uma companhia chamada Lembranças Elegantes; um serviço personalizado e customizado de álbuns, usando papéis de especialidade artesanal feitos de cabelos de turcas virgens ou algo do tipo. Claro, ela foi aceita na Câmara como um Borg retornando ao grupo. O fato de eu poder fazer corretamente uma referência aos Borgs era provavelmente parte do motivo pelo qual eu não estava sendo aceita no grupo. Passei a maior parte do tempo maquinando jeitos de tirar Jenny da câmara. (Raspar o cabelo dela me veio à cabeça, ou contar a mestre Courtney que Jenny era morena natural. De alguma forma todas as minhas soluções tinham a ver com cabelo.) E então eu passei a tentar encontrar formar de me tirar da câmara, que foi menos produtivo, já que eu fui interrompida por... — Jane. — Courtney Mestre repetia severamente. — Huh? — Eu perguntei como a cobrança de prêmios está indo. Merda. Courtney Mestre me mandara um e-mail com palavras pesadas listando as opções de prêmios aceitáveis para o Festival de Outono: cestas de presente, certificados de presentes de não menos que cem dólares cada, pacotes de férias. Muito poucos comerciantes (que não pertenciam à câmara) tinham vontade de dar tesouros para o que era essencialmente um carnaval para crianças. Até agora, o escritório de um médico me dera canetas grandes que faziam propaganda de uma droga para disfunção erétil, e eu cativei uma loja de beleza local e consegui um certificado de presente para uma depilação de buço. — Nada bem, na verdade. Eu consegui algumas coisas, mas com o número de participantes que você fala, não vai ser suficiente. Eu estava pensando que talvez precisemos mudar nosso foco para os prêmios da festa. Estava pensando que podemos visar em itens menores, daí teríamos muitos

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prêmios pequenos e baratos em vez de poucos prêmios grandes. Coisas como animais empalhados e doces; você sabe; coisas que as crianças gostariam de ganhar. Já que supostamente era um festival de crianças e tudo o mais. Os lábios da Courtney Mestre se pressionaram numa linha fina, irritada. — Jane, eu devo não ter explicado sua tarefa bem o suficiente nos repetidos e-mails que eu te mandei. — Não é isso. Eu só acho... — Courtney Mestre interrompeu. — Não te pedi para pensar, te pedi para juntar prêmios para o Festival de Outono. Tive uma breve e colorida fantasia em me atracar em seu pescoço e bebê-la toda. Mas eu reconsiderei instantaneamente. Li em algum lugar que botox deixa o sangue amargo e adstringente. Em vez disso, sorri finamente e disse: — Isso é meio condescendente. Ela fungou. — Talvez você não seja material da câmara, Jane. Um jeito de sair! Um jeito de sair! Comecei a pegar minha bolsa. — Se você realmente pensa assim... A Courtney bajuladora se levantou e sussurrou para ela, algo como as linhas “Mas não queremos fazer isso também”. Droga. A Courtney mestre limpou a garganta. — Já que você está se esforçando com sua tarefa supersimples, Jenny vai se juntar ao seu comitê. — O quê? — ela gritou. — Por quê? — eu gritei. — Por que você faria isso?

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— Jenny tem as habilidades organizacionais e de pessoal necessárias para completar a tarefa. Dane-se se ela não tinha um ponto ali. Jenny reclamou. — Courtney, eu não acho que seja um boa ideia. — Agora, Jenny, esperamos que novos membros façam sacrifícios. Você quer causar uma boa impressão, não quer? — Mas-mas-mas... — Jenny gaguejou. Tudo bem, isso me fez rir um pouco. — O que é tão engraçado? — Courtney legal se inclinou e sussurrou. — Nada. — garanti a ela. — Absolutamente nada. Jenny e eu fomos marcadas num gráfico colorido de reunião para gravar nosso progresso, e pequenos panfletos com sugestões de quais frases usar para adular, quer dizer, encorajar doações. Se não juntarmos pelo menos duzentos itens até o próximo encontro, nós duas receberíamos vinte deméritos. Alguma hora, eu iria perguntar a Courtney legal o que isso significava, exatamente.

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Capítulo09
É normal ter recaídas em padrões antigos. O importante é tentar evitar machucar os curiosos.
– Mordidas de Amor: Um Guia de Vampiras para Relacionamentos menos Destrutivos.

Eu não fui convidada para o chá de bebê McClaine. Depois de minha
participação nos desastrosos eventos do casamento de Zeb e Jolene, eu era considerada um tanto azaradora de eventos pela família da Jolene. Então, eles o fizeram ao meio-dia, do lado de fora, na fazenda da família McClaine. Não tenho certeza se minha ausência melhorou ou piorou a festa para Jolene. Aparentemente, pelo fato dos McClaines serem uma família muito fértil, chás de bebê não são tanto ocasiões para dar presentes, mas uma reciclagem das roupas dos bebês mais novas, cobertores, e por aí vai, para uso do novo chegado. Mas eles embrulham os itens para a nova mãe abri-los. Havia bolo. Havia buquê de rosas feito de pequenas meias de bebês. Havia primos hostis que ainda guardava rancor da Jolene como a filha dourada do bando, apesar de sua humilde experiência no ensaio do casamento, quando Zeb deu um pé na bunda dela enquanto estava sobinfluência de sugestão hipnótica. É uma longa história. Enquanto a gravidez da Jolene progredia, os McClaines tinham começado uma campanha para evitar que a casa de Zeb e Jolene fosse construída. O bando havia assustado cada equipe de construção em três condados, surgindo durante o dia para “supervisionar” o trabalho. Quando as equipes mais estúpidas não pegavam a sutil intimidação, o bando usava um comportamento lupino subliminar assustador para assustá-los – olhares prolongados, grunhidos baixos, e, em um momento; mijando na van do encanador. A casa Lavelle era basicamente uma almofada de concreto e algumas estruturas que tinham ficado tanto tempo ali que começavam a se curvar debaixo dos elementos. Jolene e Zeb não tinham escolha a não ser

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contratar Buster Dowdy, o empreiteiro mais preguiçoso do fim do estado. Ele frequentemente passava suas horas faturáveis parado, na traseira do caminhão, bebendo cerveja e cochilando. O clímax do chá de bebê era um estranho jogo relacionado com fraldas onde o prêmio seria se deixado entrar para assistir ao parto quando os bebês de Jolene nascessem. Jolene não tinha sido informada disso, e ela protestou veementemente quando sua prima Lurlene, a atual presidente do Clube Nós Odiamos Jolene, foi nomeada a vencedora sortuda. — Pare de rir! — gritou Jolene depois, enquanto ela dizia para Andrea e eu como ela tentou explicar que assistir o nascimento dos gêmeos não era algo que ela quisesse sortear. Éramos uma estranha combinação, a vampira, a humana, e a loba chorona. Mas isso era bom, de alguma forma, para nós estarmos sentadas na pequena sala de visitas do trailer, escolhendo roupas de bebê e confortando Jolene. Andrea e eu éramos agora, uma rede de segurança para ela. Jolene gemeu. — Não é engraçado! Eles simplesmente não entendem porque eu não acho que foi uma bela forma de terminar o chá. Tia Vonnie disse que eles estavam tentando me ajudar a me manter longe de abandonar completamente as tradições da família, já que meu marido humano está insistindo que eu vá para algum hospitalzinho em vez de ter um parto em casa, como todas as outras mulheres na família nas últimas trinta gerações. E então Lurlene fingiu que estava magoada porque eu não a deixaria ‘compartilhar’ o momento e me ‘ajudar’ com o trabalho. Nós sabemos bem demais que Lurlene não dá a mínima em estar lá – pare de rir! — Me desculpe. — gritei, tentando sufocar as risadinhas que estavam claramente irritando uma lobisomem hormonalmente desbalanceada e extremamente inchada. — É um riso indigno... do seu comportamento. Jolene fungou enquanto tentava dobrar um macacãozinho cor-de-rosa pela quarta vez, finalmente o enrolando em uma bola e o jogando na cesta da lavanderia. — E aí Mama me disse que elas tinham uma surpresa para mim, e eu pensei, ‘Oh, Deus, e agora?’ e elas cobriram meus olhos e me conduziram pelo pasto, e surpresa! Havia um trailer novinho em folha com ‘Os Lavelles’, já gravado em uma daquelas placas de madeira. Mama disse que a família queria ajudar a mim e ao Zeb, desde que eles ouviram quantos problemas

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estivemos tendo com a construção da nova casa. Elas me levaram para dentro, e era enorme. — ela olhou em volta pelos pequenos limites da barraca. — Era um daqueles grandes, com uma lareira a gás e um máster banheiro com chuveiro separado. Eles já tinham decorado todo, e... — ela suspirou. — Era tão bonito e novo e limpo. Eu falei que era novo? Andrea sorriu e gentilmente bateu nas mãos de Jolene. — Algumas vezes. Então, você vai se mudar para lá? — Não. — disse Jolene, se enchendo de lágrimas agora. — Porque aí eles me mostraram o berçário, e eles já tinham arrumado tudo. Eles já tinham pegado todas as coisas da Arca de Noé, colchas e berço e esse grande mural na parede. Quero dizer, eles fizeram tudo. E eles nem me perguntaram nada. Eles nunca perguntam para mim. Eles simplesmente presumem que eles estão fazendo o melhor por mim. Tia Vonnie começou a falar sobre como era tolice minha querer sair da fazenda, já que eu ia precisar de muita ajuda com os bebês, e como isso seria muito mais fácil para todos dessa forma. E eu percebi que isso nunca ia mudar. Eu ficaria presa lá, e eles ficariam constantemente entrando sem serem convidados e tomando conta de tudo e tratando Zeb mal. E eu perdi essa. — O que exatamente significa ‘perdi essa’? — perguntei, sabendo perfeitamente que argumentos de famílias de lobisomens geralmente se desenvolviam para situações de tumultos em grande escala. — Eu disse não. Pela primeira vez, eu, de verdade, completamente, sem dúvidas disso, disse não. Não para o berçário, não para o trailer, não para a placa de madeira. Simplesmente não. Eu disse a eles que eu sabia que o motivo de nós termos tantos problemas em terminar a casa era que eles estavam assustando todos os contratados. Disse a eles que eu nunca iria voltar para a fazenda, não importasse o que eles fizessem. Disse que eles teriam sorte se Zeb e eu contássemos quando iríamos para o hospital ter os bebês, ainda mais se os permitíssemos a entrar na sala de espera. Disse que eu criaria meus filhos como eu achasse certo e que se eles quisessem nos visitar depois dos gêmeos nascerem, eles teriam que ligar antes, senão nós não atenderíamos a porta. O queixo de Andrea estava caído, balançando neste momento. Tudo que eu pude fazer foi murmurar. — Wow.

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Jolene suspirou. — É. E Mama caiu nas lágrimas. Tia Lola ficou perguntando para todo mundo o que eu estava querendo dizer. Tia Vonnie disse que se eu me sentia daquele jeito, então ela achou que eu não iria querer seus presentes. Eu disse a ela pegar suas fraldas usadas e enfiar na bunda. — Ai. — eu disse, colocando o braço nos ombros dela. — Sei que foi difícil. Mas estou orgulhosa de você. Andrea balançou a cabeça. — E isso certamente explica por que o que você ganhou no chá de bebê foi tão pouco. — Eu não peguei nada. — Jolene fungou, secando as bochechas. — Eu deixei. — Essa situação é um saco agora, mas vai te fazer muito bem na longa jornada. Tenho certeza de que Zeb vai adorar não ter que viver na fazenda. — eu disse, esfregando as costas de Jolene. — Eu nunca entendi por que as pessoas escolhem a Arca de Noé para tema de um berçário. — Andrea disse, dobrando um par de meias. — Verdade. — eu concordei. — Quero dizer, quem quer lembretes de um desastre natural, literalmente de partes bíblicas, nas paredes do bebê? O que você deveria dizer, ‘Oh, pecadores afogados, não é precioso?’ Jolene olhou para mim com olhos vidrados. — Você é estranha. — Eu ouço bastante isso. As cartas de minha amiga preocupada e vigilante ficaram mais frequentes. Uma vez por semana, depois duas vezes por semana. Era assustador. E elas raramente mudavam do tema ‘Gabriel me machucou, ele vai te machucar. Ele me fez promessas. Arruinou-me para sempre. Você é uma grande idiota por confiar nele. ’ Tudo bem, esta última parte estava implícita. Uma noite, sentei no balcão da loja, escolhendo as cartas enquanto Dick bebia um Americano e lia um gibi de Tales from the Darkside. Tentei dividir as cartas em pilhas, baseadas em nível de ameaça. Mas eu continuava

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misturando as pilhas de ‘Eu o odeio’, e ‘Ele vai te machucar’ com a enorme pilha ‘Eu posso transformar sua vida num inferno se você não me escutar’. Suspirei e esfreguei os olhos. Havia também uma pilha bem grande de fotos suas tiradas com uma lente de telefoto. Francamente, era em horas como essas que eu sentia falta das tendências superprotetoras de homem das cavernas do Gabriel. Mesmo se isso insultava minhas sensibilidades feministas, era meio que legal saber que alguém estava lá fora cuidando de mim. Passar por isso sem ele fez eu me sentir incrivelmente sozinha, mesmo eu tendo dito a Dick e Andrea. Ir sozinha para casa toda noite, sem ter certeza do que me esperava lá, estava me dando nos nervos. Murmurei: — Para uma pessoa obcecada, essa garota está em todo lugar. Ela está nervosa e concentrada em uma carta e erotomaníaca na outra. Ou pelo menos, acho que ela é erotomaníaca pelo meu orgulho. O rosto de Dick estava pálido. — Erotomaníaca? Isso soa sexy, de uma forma que..., não é. — Isso significa que alguém acredita que está em um relacionamento com outra pessoa, mas essa pessoa geralmente não está ciente de que esse tal amado existe. H| as pessoas do tipo ‘quero-ser-famosa-por-mataralguém-famoso’. E h| os iludidos, aqueles que acham que Ryan Seacrest est| mandando mensagens secretas de amor pela televisão. Os mais perigosos são as pessoas que te conhecem, que cruza por você no seu dia-a-dia, porque as pessoas à sua volta não sabem se você está mentindo quando você diz que não está envolvida com seu seguidor. Portanto, minha confusão. Gabriel podia ser a vítima de uma pessoa assim, ou ele podia ser um grande enganador. Mas já que ele está agindo mais como um enganador do que uma vítima... O quê? — perguntei quando vi a expressão confusa no rosto dele. — Você leu sobre isso? — H| um ano alguém escreveu ‘Vadia Chupadora de Sangue’ no meu carro. Mereceu uma pesquisa no Google. — Não gosto disso. — disse ele, sorrindo. — Acho que a palavra obsessão implica que você não gosta disso. Senão, seria chamado ‘tempo de observação fofamente inofensivo’. — eu disse, mordendo o lábio. — E, considerando que essa mulher possa ser

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perigosa, não sei se aviso Gabriel, que significaria que eu teria que falar com ele. Ou simplesmente deixar o que quer que seja acontecer a ele, porque uma pequena parte de mim acha que ele merece isso. — Bem, você sabe meu voto, Stretch. — disse Dick, voltando a prestar atenção no gibi. Acho que essa conversa deixou Dick inquieto, pois ele não quis sair da loja naquela noite até eu estar bem escondida no Big Bertha. Mas ele tinha o que chamava de ‘planos especiais’ com Andrea, e eu precisava ficar até tarde para verificar alguns pedidos na Internet, então ele não tinha escolha. Por volta de uma hora da manhã, pus as pilhas de cartas na minha bolsa e fui para a entrada de funcionários. Enquanto eu colocava a chave na tranca, vi uma silhueta masculina atrás de mim refletida no vidro. Se eu não tivesse visto, eu teria sentido. Meu senso de paranoia sutilmente desenvolvido era um canal aberto para uma presença masculina. Enfiei minha mão na bolsa e passei os dedos pelo coldre de couro da arma de choque. Senti o corpo atrás de mim, avançar, então eu me virei, tirando a arma de choque e prosseguindo para dar um choque no meu exnamorado. — Gah! — Gabriel gritou enquanto a corrente atingia seu corpo, caindo no concreto como um saco de batatas. — Qual é o seu problema? — gritei enquanto a corrente o fazia arquejar no chão. Eu devo ter segurado no peito dele um pouquinho mais que o necessário. — P-pare de me dar ch-choques! — Gabriel grunhiu com os dentes batendo. — Desculpe. — eu disse, afastando a arma de choque para ele se recuperar. — Por que você tem uma arma de choque? — ele perguntou, se esforçando para se levantar. — Porque as pessoas ficam se esgueirando atrás de mim. — eu disse, sorrindo para ele. — Honestamente, por que você surpreenderia a pessoa mais espástica que você conhece?

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— Eu sabia que você faria algo para evitar falar comigo se você me visse chegando. — ele disse, se limpando. — E o que você quer dizer com pessoas se esgueirando atrás de você? Você está bem? Tem alguém te chateando? — Sim, você. Quando você sabe que alguém vai tentar escapar de você se você tentar falar com ela, isso é chamado de palpite. Você precisa aprender a interpretar as dicas da sociedade. E sarcasmo a parte, mas isso não é tão urgente no momento. Por que você está aqui? Não tenho notícias suas há semanas e você aparece, agora? O que você quer Gabriel? — Senti sua falta. — ele admitiu. Apesar da pequena rachadura que surgiu na proteção de cimento que eu construí em volta do meu coração, mantive meus dentes juntos, meu tom de voz plano e inafetado. — Que triste para você. — Sinto sua falta. — ele disse novamente, me deixando de costas contra a porta da loja. O frio do vidro e as imagens daquele horrível sonho com o cadáver Vitoriano eram as únicas armas que eu tinha para lutar contra o conforto de seu cheiro, e peso de suas mãos em meus braços. Empurrei-o para trás, sem nenhum calor real. — Isso não é problema meu. E você não sente minha falta, você só está verificando porque você não confia em mim para tomar conta de mim mesma. — Eu sinto sua falta. Sinto falta da sua risada e da sua voz, e até dos seus insultos. — ele sorriu; saudoso, traçando as linhas dos meus dedos com os próprios dedos, subindo no meu braço para afagar minha clavícula. — Olha, sobre a noite de inauguração. — eu disse a ele. — Você disse coisas muito feias. — Você também. — ele retrucou. — Bem, você é bem melhor nisso. — Podemos conversar depois. Agora, por favor, admita que você sente minha falta. — ele disse, me pressionando no vidro outra vez, usando as partes certas para me pressionar. Eu não respondi. Pois, francamente, eu estava fazendo muito bem em ficar de pé e vestida a essa altura. Idiota.

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Enquanto sua boca se pressionava macia na minha, forcei meus lábios a ficarem fechados para eles não gritarem sim, eu sinto sua falta. Sim, ter suas mãos em mim fazia eu me sentir mais calma do que eu estive em semanas. Sim, ele me colocando contra a porta era o paraíso, e se ele fosse um pouquinho pra esquerda, isso significaria o fim de um perturbador feitiço de acordar com orgasmos. Felizmente, Gabriel começou mordendo meus lábios, o que limitou ainda mais minhas opções de fala. Os dedos de Gabriel afagaram minha garganta, passando as pontas dos dedos pelo meu queixo e no meu cabelo. Ele pôs sua boca na minha, bebendo de meus gemidos enquanto eu pulava para sua lapela. Isso não era justo. — Diga. — ele pediu entre beijos. — Diga que sente minha falta. Mordi o lábio. Suas sobrancelhas se juntaram e eu o sentia deslizar o que eu chamava de ‘saia de comerciante sensível’ para cima do meu quadril. Seus dedos deslizaram pela minha calcinha, desenhando círculos na minha pele através do tecido. Suas mãos passaram para minhas coxas, para tirar minha calcinha. Ele a enfiou no bolso. — Diga. — ele disse novamente, empurrando um e depois dois dedos dentro de mim com uma dolorosa lentidão. Minha cabeça caiu para trás contra o vidro e minha visão parecia borrar. Gah! Ele não me deixava pensar. Se eu queria algo, era pensar. Seu polegar passou por minha carne supersensível, então plugou como uma corda de violão, enviando uma onda em todas as minhas terminações nervosas. Eu choraminguei. — Você pode mentir para mim, Jane, mas seu corpo não. Posso sentir o quanto você sentiu minha falta, o quanto você me quer agora. — mantendo os olhos travados nos dele, ele pôs os dedos na boca e me provou. Ele sorriu. — Tanto quanto eu te quero. Meu queixo caiu quanto eu o vi lambendo os dedos. Mente suja. — Sinto sua falta. — sussurrei, me odiando enquanto sentia seus dedos em meu pescoço. Deslizei minha mão entre nós e tateei pela fivela do cinto de Gabriel. A mão de Gabriel deslizou pela minha caixa torácica, pegando meus peitos. Ele abaixou a cabeça para dar pequenos beijos sobre o tecido fino da minha blusa antes de fechar a boca sobre meu mamilo.

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Soltei minha bolsa para poder por as mãos em volta do pescoço dele e puxá-lo para mais perto. O conteúdo caiu perto do pé dele enquanto ele enchia a mão na minha bunda e me puxava mais alto. Seu beijo era o centro do meu universo. Sem isso, eu ficaria girando fora de órbita no escuro, vendo nada, sentindo nada. Apesar da confusão em minha cabeça, ouvi o som de um zíper e travei minhas pernas em volta de seu quadril, cruzando os tornozelos em suas costas. Segurei o degrau mais baixo de uma escada de segurança enquanto eu começava a escorregar devagar nele. Joguei minha cabeça para trás, ofegando, e quase cheguei lá. Soltei a escada e segurei o cabelo de Gabriel, puxando sua cabeça para trás, querendo sua boca com lábios, caninos e língua. Isso era meu. Ele era meu. Apertei os ombros dele, arqueando as costas com as dele. Um fluxo de promessas, profanidades, e pretextos saíram da boca de Gabriel contra minha pele. Pus a mão na nuca dele, balançando seu rosto no meu. Fechei os olhos, senti o cheiro dele, e sorri, mesmo quando seus caninos se estendiam e arranhavam meu pescoço. Se ele continuasse fazendo isso, mantendo sua boca em sincronia com seus movimentos... Eu urrei e pus meus orgasmos mais loucos à prova. Eu tinha contrações e convulsões em volta dele, puxando-o contra mim com toda a minha força. Devo ter, em algum momento, dito algumas coisas bem feias em português. Gabriel estava sorrindo, um grande sorriso enfeitando sua cara quando ele veio, como se minhas murmuradas instruções anatomicamente detalhadas em línguas estrangeiras fossem algum tipo de presente. E por alguma razão, isso me fez rir, o que resultou em interessantes choques posteriores. Gabriel estava triunfante. — E pensar que você era uma bibliotecária doce e inexperiente quando eu te conheci. — ele ofegou, tirando o cabelo do meu rosto. — Agora olhe para você, você é uma deusa. Você pode me deixar de joelhos com uma palavra.

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Pisquei para ele. Algo sobre isso soou familiar e errado. Algo sobre Gabriel. As cartas, nas cartas, ela dissera que Gabriel adorou educá-la de inocente para... Assim que eu consegui juntar os pensamentos, Gabriel olhou para o conteúdo da minha bolsa e me soltou com minha bunda descoberta. Eu diria que foi desmerecido, mas eu tinha provocado ele. — O que é isso? — ele perguntou, apontando para os envelopes de papel enquanto eu ficava de pé. — Você me derrubou. — eu ressaltei. — Que diabos é isso? — Você me derrubou! — repeti. — De bunda. Você pode não ter percebido, o que estou começando a achar que possa ser parte de nosso problema como um casal. Gabriel se ajoelhou para olhar os envelopes. — Jane, me responda. O que é isso? — Cartas. — eu respondi, pegando as cartas do chão antes que ele pudesse pegá-las. — Ela esteve escrevendo para você? E aí estava, confirmação. Minha amiga preocupada não era só uma pessoa maluca com uma inclinação para envelopes de papel. Ela não estava fazendo conexão com Gabriel. Gabriel sabia quem ela era, e obviamente, ele não queria que eu conseguisse informações com ela. Eu tinha duas opções: calma e racionalmente discutir meus sentimentos de confusão e abandono e encorajar Gabriel a entrar num aconselhamento de casais comigo..., ou ter um acesso de raiva, pedir informações, e fazer uma grande algazarra. Algum palpite de qual caminho eu escolhi? — Com licença. — suspirei. — Mas você não volta assim na minha vida, depois de semanas sem uma palavra, me prende na parede com seu pênis, e depois exige respostas. — Não estou exigindo respostas, só estou...

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— Quem é ela, Gabriel? Conte-me o que está acontecendo. Seria muito mais fácil se você me contasse. — Não posso. Não posso te contar. O que ela... Você acredita no que ela está dizendo? — Não sei no que acreditar Gabriel. Quero dizer, ela diz algumas coisas que soam bem familiares. O cheiro dela foi o que te levou a ela. É o que te manteve perto dela. Que ela era especial. Que você a amava. Que você adorava o fato de ela ser treinável e imprevisível, particularmente no bando. Você sabe onde eu possa ter ouvido isso antes? — Não é o que você pensa. — ele prometeu; se afastando de mim. — Como assim, não é o que eu penso? Não sei o que pensar. Pois você não me conta nada! Olhe para mim. Esse é o resultado de seu grande plano esquisito para me proteger! — gritei. Gabriel começou a se virar. Peguei seu braço e gritei — Olhe para mim! O rosto de Gabriel à luz da lua era uma máscara de tristeza, as sombras contra sua pele branca enganavam. Eu não precisava ser telepata para ver que ele queria desaparecer. — Está aí seu trabalho, Gabriel. A merda neurótica da vampira parada aqui. Você me fez o que sou. Espero que tenha orgulho. Parecendo como se tivesse sido chutado no saco, Gabriel recuou de mim nas sombras. Lágrimas quentes desceram por minhas bochechas enquanto eu gritava: — Não volte aqui! Não vigie minha casa. Não apareça. Não me ligue. Fique longe! Os olhos cinza de Gabriel refletiram de volta no escuro. Eu podia ouvir seus passos no chão enquanto ele andava rapidamente sem nenhuma palavra. De alguma forma, pareceu muito pior do que da primeira vez. Caí de joelhos, chorando até meus olhos secarem. Chorei até eu ficar embaraçada de ficar agachada num beco, derramando lágrimas por alguém que obviamente não se importava em derramar as dele por mim. Arrumei-me, pegando minha bolsa e ajeitando as roupas. — Droga. — funguei, olhando em volta. — Cadê minha calcinha?

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Eu não queria ser aquela amiga que aparece à sua porta, com os olhos manchados e histérica; reclamando da vida amorosa. É por isso que eu não uso rímel. Andrea abriu a porta, usando uma camiseta do Dick que dizia ‘Virginia é para amantes’ e sem calça, bebendo uma cerveja da lata. A luz do DVD de luta está tocando no fundo. — Amor, quem é? — Dick perguntou, vindo da cozinha, usando um capacete daqueles de beber cerveja, jeans e sem camiseta. — Retiro o que disse; você não é a mesma mulher que eu conheci um ano atrás. — eu disse a Andrea. Andrea arrotou silenciosamente sob a respiração. — Eu sei. — Está tudo bem, Stretch? — Dick perguntou, tirando o capacete. Mas não tirou se importou em desligar a partida de luta. Aparentemente, alguém estava prestes a raspar a cabeça de Vince McMahon outra vez. Andrea virou os olhos para ele e desligou a TV. — O que está acontecendo, Jane? — tentei ignorar o “desta vez”, não dito que ficou no ar. Abri a boca, mas eu simplesmente não conseguia achar as palavras para expressar o misto de frustração e loucura que girava em minha cabeça. Mexi os lábios. Estreitei os olhos. Fiz gestos nervosos com a mão. Mas nenhuma palavra saiu. Comecei a andar, roendo as unhas rapidamente. Felizmente, elas cresciam de volta quase instantaneamente, o que significava que eu tinha um estoque infinito. Andrea me parou no meio do caminho segurando meus ombros. — Tudo bem, amor, eu aceito todas as formas de comunicação não verbal, mas você está começando a parecer uma mímica extremamente irritada. Use suas palavras. — Eu dei um choque em Gabriel. — eu soltei de uma vez. — Legal! — Dick gritou. Andrea lançou a ele um olhar irritado. — Certo, desculpe. — Dick tentou parecer pego pelo remorso, mas no instante em que Andrea se virou, ele me levantou os polegares entusiasmadamente.

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— O que você está fazendo com uma arma de choque? — Andrea gritou. — E há quanto tempo eu trabalho em proximidade com você e tal arma sem meu conhecimento? Levantei os braços, exasperada. — Por que todos estão tão surpresos por eu ter uma arma de choque? — Porque eu vi você grampear sua mão em um pedido de compra. — Andrea me disse. — Bem, não posso devolver aquilo agora. Eu usei. No Gabriel. Por que eu não consigo uma reação nisso? — Oh, por que você atacou Gabriel? — Dick perguntou; os olhos brilhando. — Não tenha medo de entrar em detalhes. — Ele estava andando atrás de mim, e eu o ataquei. Foi um acidente. No começo. — Essa é minha garota. — Dick gritou. — E então eu transei com ele. — eu disse, sorrindo. — Mas só um pouquinho. — Vou ficar na cozinha. — Dick disse, batendo retirada para outra cerveja. — E aí ele me derrubou! — gritei, enterrando o rosto nas mãos. Andrea ofegou. — Ele terminou com você? Outra vez? — Não, ele literalmente me derrubou de bunda, no concreto! Dick se virou e caiu pesadamente no sofá. — Eu posso ficar mais um pouco. Andrea lançou um olhar silenciador para ele e me deu um tapinha no ombro. — Então, você teve um rápido sexo acidental, tudo bem. É como cair da carroça. Eu vou tirar seu chip ‘livre de Gabriel por trinta dias’, tudo bem? Espere; você não deu um choque nele depois, né? É por isso que ele te derrubou?

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— Não, eu soltei minha bolsa, e um monte de cartas caíram para fora. Gabriel as viu e perguntou se ‘ela’ estava escrevendo para mim. O que significa que não é simplesmente uma louca qualquer. É alguém do passado dele, alguém que o deixou em algum tipo de pânico com a ideia de ela estar se comunicando comigo. E você sabe o que me irrita? Andrea meneou a cabeça. — Eu tenho ideia. — Ele simplesmente correu; se escondeu que nem um ladrão no meio da noite. Ele me deixa toda irritada e nervosa, e depois me deixa com toda essa merda para lidar, sem nenhuma ajuda dele. É como um relacionamento bater-e-correr. — limpei a garganta doída e olhei para os olhos cheios de pena de minha amiga. — Andrea, eu nunca pensei em te perguntar diretamente, porque eu presumi que você me contaria. Mas em caso de você estar protegendo ele ou algo..., você pode me contar, você sabe quem é Jeanine? Tenho quase certeza de que ela é minha ‘amiga preocupada e vigilante’. As cartas dizem que ele a fez, mas talvez eu esteja sendo muito literal. Ou talvez ela esteja mentindo. É possível que ela seja a criadora de Gabriel? Porque ele não vai contar essa história. — Jeanine não é a criadora de Gabriel. — Dick soltou, claramente sem pensar. E quando Andrea e eu viramos para ele, ele murmurou: — Oh, merda. — Dick, quem é Jeanine? — Andrea perguntou. Dick suspirou, passando a mão no rosto. — Essa é uma daquelas situações ‘é melhor se eu ficar com a minha boca grande fechada’, querida. — Aw, droga, Dick. — resmunguei. — Você também não. Os lábios de Andrea se enrugaram. Ela foi até o colo dele e fez beicinho. Dick grunhiu. Nós sabíamos que ele não era páreo para o beicinho de Andrea, ou, na verdade, qualquer cara que Andrea fizesse. — Tudo bem, tudo bem, se você não vai contar quem ela é, conte quem ela não é. Como você sabe que Jeanine não é a criadora do Gabriel? — Porque a criadora de Gabriel era uma mulher chamada Jessica. — Dick soltou como se tivesse sido sedado com soro da verdade. Ele teve senso

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de parecer desapontado quando Andrea beijou sua orelha. Ele limpou a garganta. — Garota irlandesa, meio metida. E ela era, é..., nada legal. Eles se conheceram numa festa dos meus pais. Não sei como ela soube da festa ou como ela escolheu Gabriel. Mas ela o levou da festa para um depósito de algodão, usou sua lascívia com ele, e o mordeu. Ela não deu escolha. Nós não tínhamos as regras que temos hoje. Naquela época, nenhum vampiro diria uma palavra se você não esperasse permissão escrita para transformar alguém. Jessica achava que Gabriel seria divertido, mas ela se chateou esperando ele despertar. Ela tinha, bem, tem uma atenção bem curta. Ela saiu sem pensar no que poderia acontecer caso ele fosse descoberto ou atingido pela luz do sol enquanto ainda estivesse dormindo. — Ele foi transformado contra a vontade? — eu perguntei, imaginando a tortura que tal violação incorreria hoje. Ansioso para manter uma imagem pública agradável e inofensiva para os vampiros, o Conselho pelo Tratamento Igual dos Não Mortos fez cumprir leis estritas contra transformação forçada de humanos. A punição incluía o julgamento, uma combinação de luz do sol, prata, e às vezes um caixão cheio de abelhas, uma verdadeira tríade da punição primária. — Bem, está mais para ela mordê-lo e dá-lo uma oferta que ele não podia recusar. — Dick disse. — Ele a viu durante a Segunda Guerra, se alimentando de órfãos do lado inglês do país. Quando ele a viu novamente, quando ele viu o monstro que ela era, tanto quanto ele sentia seu abandono, sendo deixado para descobrir todo esse negócio de vampiros sozinho, ele soube que provavelmente teria ficado cruel e sedento de sangue com Jessica. Ele ficou grato por ela tê-lo deixado sozinho. Mas ele sabe que sua transformação foi uma questão de chance. É parte do motivo pelo qual ele sente que tem tanta responsabilidade sobre você. Ele quer que você tenha o tipo certo de influência, para se tornar tudo que você pode ser, e tudo isso. — Stretch, eu conheço Gabriel minha vida inteira. Para ele influenciar tudo, fazer você passar por isso, ele tem que ter seus melhores interesses. Só espere por um tempo, deixe-o resolver isso sozinho. — Você está do lado de quem? — resmunguei. — Do meu. — ele disse. — Se vocês consertarem as coisas, eu não vou ter que ouvir vocês dois choramingando o tempo todo. — Nós dois? — perguntei, desconfiada. — Você andou falando com ele também? Que droga, Dick?

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— Nós concordamos que não falaríamos no campo inimigo! — Andrea gritou. — Tudo o que fiz foi ir até a casa dele e ameaçar chutar a bunda dele pelo seu comportamento. — Dick disse, na defensiva. — Foi depois da inauguração da loja, e quando eu vi como você estava magoada, eu não pude ficar parado. Fui até lá e disse que ele ia conseguir a surra que ele merecia desde 1878. E aí ele chorou! — Ele chorou? — perguntei. Os dentes de Dick se juntaram, com uma expressão de nojo. — Sim! Ele tirou toda a graça disso. Como eu vou dar um chute na bunda de um homem quando ele está chorando que nem um bebê? Foi horrível. Encontrei-me consolando um idiota. — O que você disse a ele? — perguntei. — Eu disse que o que quer que ele estivesse passando, você valia a pena. Não! Não, não vou fazer isso. — Dick disse, parando de nos expulsando. — Não quero ser pego no meio disso. E Gabriel me jurou segredo... o que me põe no meio disso. Droga, ele é melhor do que eu pensava. — ele pôs o capacete de cerveja no lugar e gritou. — Eu sou a Suíça, me ouviram? Completamente neutro. Resolvam isso vocês. Agora, poderiam ficar quietas, para eu poder ver Macho Man Randy Savage espancar alguém? — Mas, Dick... — Andrea choramingou. — Shhh! — Dick devolveu, se virando para a luta de vale tudo com um ar determinado. Andrea e eu observamos Dick com expressões vazias. — Esse é meu namorado. — Andrea disse, gentilmente. — Pelo menos ele não te derrubou de bunda no chão. — eu ressaltei.

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Capítulo10
A melhor maneira de superar um rompimento confuso é passar o tempo com um grupo de amigos que dão apoio. A melhor maneira de afugentar um grupo de amigos que dão apoio é falar constantemente sobre rompimento confuso.
—Love Bites: Um Guia de uma Vampira para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Dizer que tive um pouco de raiva reprimida seria como dizer que
Britney Spears tinha poucos problemas de controle de impulsos. Love Bites me encorajou a canalizar as emoções em uma direção positiva, então eu decidi pagar uma visita ao contratante de Zeb. No minuto que havia sombra suficiente do crepúsculo para me mover ilesa para o futuro local da Casa Lavelle, corri por entre as árvores em plena velocidade. Zeb disse que Buster, que era conhecido por trabalhos de carpintaria de alta qualidade antes de seu interesse por um zumbido permanente ultrapassasse o seu desejo por uma clientela crescente, saia exatamente às cinco horas da tarde todos os dias, deixando uma pilha de latas de cerveja vazias em seu caminho. O caminhão verde danificado da Dowdy Construções estava estacionado na sombra de um olmeiro enorme, onde Jolene tinha falado em pendurar um balanço de pneu para as crianças. Buster estava cochilando com a boca aberta, seu velho e surrado boné do Cardinals empoleirado sobre os olhos. Longo e esguio, parecia um jovem Don Knotts59, com os olhos caídos e um lábio agitado. De alguma forma a obra parecia ainda mais deprimente do que da última vez que estive lá. O lugar era assombrado pelo fantasma do "deveria ser". Esboços de giz mostravam onde o madeiramento interior deveria estar situado, há muito havia desaparecido para pálidos rabiscos. Sentando no que deveria ser a sala de estar, um rolo de isolamento parecia que estava

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Ator e humorista dos Estados Unidos.

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moldado pela exposição à chuva. Plástico desfiado que deveria estar protegendo o madeiramento agitava como uma capa na brisa. Parecia que Buster desfazia as ferramentas todo dia e fazia apenas o suficiente para fazer parecer que ele estivesse trabalhando, sem fazer qualquer progresso real. Olhei para o adormecido Buster, meu lábio curvando para trás. Eu deixei minhas presas se estenderem completamente. Este homem tinha mantido os meus amigos pendurados durante meses. Ele tinha feito Jolene chorar. Isso não iria ser um encontro feliz para ele. Com um ágil e silencioso salto, eu pulei na traseira do caminhão e me sentei na beira da cama. Limpei a garganta e gritei. — Buster! Assustando-o à consciência. — O quê! — gritou ele, sentando-se. — O que é? — Acorde, Buster, nós precisamos conversar. — Debbie? — ele bocejou, coçando a cabeça e piscando à baixa luz púrpura do sol poente. — Querida, eu te disse, me desculpe pelo que eu disse sobre sua irmã. Os olhos de Buster lentamente entraram em foco, e ele percebeu que eu não era sua nervosa namorada que vivia com ele. — Oh, hey Jane. — disse ele, bocejando novamente. — E ai? — Precisamos conversar sobre o cronograma para a conclusão da casa, Buster. Quero dizer, paredes pintadas, ferramentas nos armários, interruptores de luz parafusados no lugar, tudo. Qual é seu tempo estimado? Buster pigarreou e tentou usar sua voz “profissional." — Bem, é difícil dizer. Muito disso depende de quando eu conseguir materiais e pessoal extra aqui para fazer parte do trabalho. Eu sou apenas uma pessoa, você sabe. — Corte as bobagens, Buster. Para que mês você está pretendendo? — Está tudo bem, os McClaines explicam tudo para mim. — Buster disse em um sussurro conspiratório. — Eles querem que Zeb e Jolene desistam da casa até as férias. Jim McClaine ainda me prometeu um bônus se eu conseguisse que eles se mudem de volta para casa dos pais da Jolene antes da data do nascimento.

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Exalei ruidosamente pelas narinas. Um dia, quando os níveis hormonais de Jolene forem normais, nós iríamos ter uma longa conversa sobre seu pai. — Os McClaines não estão financiando esse projeto. — disse-lhe. — Eu estou. — Isto não é o que Jim – aah! — Buster ganiu quando o arranquei pelo colarinho e puxei-o para fora do caminhão e para dentro da casa mal enquadrada. Ainda segurando sua camisa, eu o icei contra o mais forte dos reforços de madeira e o prendi pela garganta. Normalmente, eu estaria nervosa por tanta exposição, de madeira, fraturada, mas Buster estava assustado demais para pensar em me estacar. — Ouça-me, Buster, olhe para mim. Realmente olhe para mim. Ele balbuciou e tossiu, assimilando os olhos muito claros, a pele pálida, à luz desbotada brilhando nas presas longas e afiadas. — Sim, sou um vampiro. Eu sou um vampiro passando por uma transição emocional realmente difícil. E Zeb e Jolene estão entre as poucas pessoas na minha vida que não me aborrecem agora, então eu gostaria de mantê-los felizes. Se isso significa dar uma conferida em você todos os dias, arrancando o alcatrão de você para ter certeza que você está sóbrio e fazendo o trabalho que você prometeu, eu vou fazê-lo. Derrubei-o a seus pés, e ele rapidamente caiu no chão como um saco de batatas. — Mas os McClaines. — Os McClaines disseram que é do seu melhor interesse não terminar a casa. Não se preocupe com isso. Agora, eu acho que você precisa decidir qual de nós te assusta mais. — Eu não faço o trabalho que eu costumava fazer. — ele murmurou, esfregando sua garganta avermelhada. — Por causa da bebida? Bem, me considere seu próprio programa de recuperação pessoal. Os passos são; você constrói a casa dos meus amigos, a tempo e em bom estado, e em seguida, você consegue manter todos os seus membros. Parece justo? Buster concordou com a cabeça, mudo de medo. Ele soluçava consideravelmente enquanto entravamos cômodo por cômodo da casca da casa, discutindo o que teria que ser refeito, quanto tempo cada etapa deveria levar. Até o momento que estava pronto para partir, Buster parecia quase

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animado em voltar no dia seguinte. Ou, pelo menos, animado para manter todos os seus membros. — Bem cedo amanhã, Buster. — disse a ele. — E se Zeb ou Jolene perguntar, nós não tivemos esta conversa. O sorriso de Buster foi duro, como se ele não conseguisse se lembrar de como ser "agradável às pessoas" e estava trabalhando para recuperar a habilidade. — Que conversa? Eventualmente, mamãe encontrou a loja. A má notícia é que a mamãe encontrou a loja a tempo para a primeira reunião dos Amigos e Familiares dos Mortos Vivos. A boa notícia foi que, vendo que muitos vampiros reunidos em um só lugar assustavam Emery de tal maneira que ele encontrou uma desculpa para sair poucos minutos depois que ele entrou, Talvez pudéssemos realizar reuniões mensais do AFMV toda a semana... O AFMV costumava se encontrar no Travaler’s Bowl, um restaurante com culinária "global" saudável que culminou em falência, não apenas porque os proprietários tentaram vender o queijo de soja para os residentes do Hollow, mas porque a polícia apreendeu todas as "esculturas de vidro" que eram vendidas na loja de presentes do restaurante. O chefe de polícia Don Parker precisou de várias visitas para reconhecer que eles eram bongos e não cinzeiros muito complicados. Infelizmente, só precisou de uma visita de seu filho DJ. Uma vez que você vende um bongo aos filhos de um chefe de polícia de cidade pequena, é uma aposta muito segura tanto quanto quem para no estacionamento será marcado. Com seu punhado de clientes assustados, os proprietários não tinham escolha a não ser fechar. O grupo de apoio formado por vinte ou mais pessoas de todas as raças, idades e classes socioeconômicas, os quais eram ligados pelo choque de saber que: (1) um ente querido tinha morrido, e; (2) que este ente querido ainda caminhava por ai e às vezes tinha episódios violentos. Além disso, há a vergonha e o estigma que pode vir a ser associado com os mortos-vivos em uma pequena cidade rural, como Hollow, onde os vampiros ainda ocasionalmente sofriam "acidentes" domésticos envolvendo objetos de madeira pontiagudos. Isso ajudava a novos vampiros e suas famílias serem capazes de reunirem-se em um local seguro apenas

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para conversar ou desabafar ou aprender que seu filho recém-transformado não vai evitar jantares de domingo, porque ele não te ama mais, mas porque você disse que servir tais jantares com a boa prata e ele já não pode digerir o alimento sólido. O grupo operava sob as diretrizes que eram uma mistura de Alcoólicos Anônimos e PFALG60. Nós não revelávamos nossos sobrenomes. As informações pessoais reveladas durante as reuniões eram confidenciais. Nós não éramos obrigados a revelar se éramos vampiro ou humano. Mas depois de alguns encontros, você descobria quem estava comendo os lanches e que não estava. O fundamento comum era que cada membro se feria. Cada um oferecia compreensão e solidariedade para os outros membros. Cada um tentava manter o senso de humor. Zeb e Jolene realmente se encontraram em uma reunião da AFMV. Jolene ainda estava se recuperando da sova da transformação de sua amiga de infância recentemente, e Zeb ainda estranhava os meus novos hábitos alimentares. Zeb me trouxe para o grupo alguns meses mais tarde. A reunião começou bem o suficiente. Eu preparava bebidas e petiscos perto da “|rea do lounge" como uma espécie de gesto de boas-vindas. Eu até convidei Cindy na esperança de dar-lhe alguns recursos para lidar com sua situação familiar difícil. Eu dei-lhe o habitual café com leite, e ela se sentou na parte de trás, sem tentar se socializar com ninguém. Todos os frequentadores que eu viria a conhecer estavam lá, inclusive DeeDee, o líder de fato do grupo. O marido banqueiro de DeeDee foi voluntariamente transformado no meio de uma crise de meia-idade. Em vez de comprar um carro esporte ou ter um caso, ele decidiu que queria parar o processo de envelhecimento completamente. Ela se sentira pressionada a ser transformada; envelhecer um pouco a cada dia, enquanto o marido manteria sempre quarenta e sete. No final, ela escolheu permanecer humana, e seu marido a deixou. Ela estava namorando um contador muito legal, que desmaiava ao ver sangue. Mas ela ficou por perto para ajudar outras pessoas através da transição e saudava os novos membros para o grupo. E a mais nova adição ao grupo era a minha mãe.

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Pais, familiares e amigos de lesbicas e gays.

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Estúpido conselho comunitário da mercearia. Virei às costas por dois segundos, e lá estava mamãe, carregando um prato de bolinhos e vestindo uma camiseta preta com o logotipo dos direitos dos vampiros nela. E um crachá que ela trouxera de casa, que dizia: — Olá, meu nome é: mãe da Jane! Era tarde demais para mudar de nome? Virei-me em meu calcanhar, na esperança de escapar da sala, possivelmente chegar tão longe quanto Bornéo61, antes que eu ouvi, — Jane! Baby! É mamãe! Vacilante, voltei para onde mamãe tinha DeeDee presa pelo braço e estava arrastando-a até mim. — Agora, DeeDee, esta é minha filha, Jane. Ela se transformou no ano passado! Esta é a sua loja, não é maravilhoso? Estou tão orgulhosa! — mamãe arrulhou. — Jane, esta é DeeDee. — Eu sei mamãe, eu conheço ela há um tempo. — eu sussurrei. — Srta. DeeDee, queira nos dar licença por um segundo? DeeDee piscou para mim e fez seu caminho até o bar para tomar um café com leite grátis. — Eu amo a sua lojinha, querida! — mamãe arrulhou, andando comigo toda a área do salão como um cão de demonstração e murmurando um olá sem fôlego para todas as pessoas em que colidíamos. — Eu simplesmente adoro o que você fez com ela. As cores e as cadeiras e todas as bugigangas bonitas. Andrea escolheu tudo isso? — Não, isso seria eu. Eu escolhi isso. — eu informei a ela. — Bem, é lindo, mas eu provavelmente teria ido um pouco mais leve na cor da parede. Sabe, Jenny diz que se você pintar uma sala escura demais é como perder dez por cento de sua metragem quadrada. Você poderia tê-la chamado e lhe pedido conselho.

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Ilha no arquipélago da Malásia.

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— Bem, já que o meu advogado me aconselhara contra a falar com ela sem alguém que faz transcrições presente, isso poderia ter sido difícil. — disse, sorrindo docemente. — Ah, agora você está sendo boba. — ela suspirou e então viu Jolene e Zeb entrar pela porta da frente. Zeb viu mamãe e girou nos calcanhares, tentando conduzir Jolene para fora para uma fuga rápida. Mas não havia como escapar. Este era o Thunderdome de intrusão parental. — Zeb! Oh, querido, venha ver o que Jane fez com a loja! — Mamãe, ele viu. — eu lhe disse. — Ele esteve aqui antes. Na verdade, ele me ajudou a pintar. Agradeço que você está dando tanto apoio, mas você poderia ser um pouco menos, eu não sei; contundente sobre isso? — Eu não sei o que você quer dizer. — mamãe fungou e depois se lançou para uma desavisada Jolene para uma, não consensual esfregada na barriga. Andrea sorriu para mim. Eu olhei feio para ela. — Eu estou nua? Normalmente, quando eu tenho esse sonho, eu olho para baixo e eu estou nua. — Eu sei, é horrível. Sinto muito. — disse Andrea, que mal conseguia controlar a contração nos cantos de sua boca. — Você não parece sentir muito. — Eu terrivelmente, terrivelmente sinto muito. — prometeu Andrea, uma risadinha escapando quando ela virou as costas para buscar uma garrafa de xarope de avelã. — Você está brincando comigo porque eu assino os cheques, não é? Eu diria que não preciso de sua pena, mas, obviamente, isso não é verdade. Zeb se juntou a mim no bar, depois de ter abandonado sua esposa para o interrogatório de gravidez da mamãe, o covarde. Zeb me deu um simpático aperto no ombro. — Eu queria te dizer. DeeDee coloca anúncios nos quadros de avisos nos supermercados, o Wal-Mart, o calendário de eventos no jornal... Eu gemi. — Eu sabia que essa coisa de envolvimento da comunidade iria voltar e me morder no traseiro. Você sabe o que poderíamos fazer em vez disso? Uma cruzada de conscientização para os vampiros que usam bronzeador artificial. Nada é tão óbvio quanto um vampiro laranja.

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— É bom para os negócios. — Andrea me disse. Ela lançou um olhar feroz para Zeb enquanto pegava uma bandeja king-size de frutas, legumes e cubos de queijo. — Eu estou indo resgatar a sua esposa com um prato de petiscos nutritivos para a formação do bebê, seu babaca. A mãe de Jane não me assusta. — ela limpou a garganta. — Muito. Zeb riu, olhando como Andrea conseguia insinuar-se entre mamãe e uma agradecida Jolene. — Então, como a casa vai indo? — eu perguntei. O rosto de Zeb ficou vermelho, com um sorriso incrédulo. — Ótimo. Buster começou realmente a colocação do madeiramento interior esta semana. Ele tem uma equipe vindo para fazer o telhado em breve, e ele disse que podemos ficar prontos para as placas de reboco antes do próximo mês. E quando o pai de Jolene veio ontem para dar a Buster seu olhar de desdém, Buster apenas manteve sua cabeça baixa e trabalhou seu traseiro. Mesmo Lonnie teve de admitir que Buster estava fazendo um trabalho bom e sólido. Podemos realmente nos mudar até o Natal. Dá pra acreditar? — Uau. — eu entoei, tentando parecer devidamente impressionada. Eu mantive meus olhos arregalados e inocentes. — Você deve ter realmente colocado o pé no chão com Buster. Zeb estufou um pouco o peito e tentou parecer indiferente. — Se eu aprendi alguma coisa com os meus sogros assustadores, é tudo sobre o tom da voz. Quando todos circularam para iniciar a reunião, me esforcei para me sentar ao lado de mamãe, assim eu poderia controlá-la..., hm, apresentá-la. Mamãe tinha aparentemente tido tempo para memorizar a Promessa, uma coleção de cinco verdades que o grupo repetia antes de cada reunião, e foi mais alto do que o resto de nós combinados enquanto prometíamos: — Vou me lembrar de que um vampiro recém-transformado é a mesma pessoa com novas necessidades. — Vou me lembrar de que um ente querido que está sendo transformado em um vampiro não reflete em mim. Vou me lembrar de oferecer ao meu ente querido vampiro aceitação e amor, mantendo limites saudáveis. Eu vou lembrar que o vampirismo não é contagioso, a menos que o sangue seja trocado. Vou me lembrar de que eu não estou sozinho. Antes que DeeDee pudesse levantar-se para se apresentar, Mamãe saltou a seus pés. — Bem, olá a todos! Eu sou a mãe de Jane, Sherry. Estou tão feliz por estar aqui!

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— Oi, Sherry. — o grupo disse em coro, apesar de minhas tentativas de puxar mamãe de volta para seu assento pela manga. — Eu admito que passei por uma fase ruim depois que Jane se revelou, mas eu vim a aceitar que não posso mudar o que Jane é. — mamãe disse; sua voz trêmula. — E eu preciso fazer o que eu puder fazer com que ela se sinta aceita e amada por sua família. Mesmo que ela tente evitar passar tempo com a gente. E não está falando com alguns de nós. — Essa é minha mãe. — eu concedi. — Bem, Sherry, é revigorante ver uma mãe dar apoio tão vocalmente ao seu filho depois que eles se revelam. — disse DeeDee. Revirei os olhos. Podemos falar sobre o fato de que sua "fase ruim" envolvia alimentar-me à força de empadão e tentando me dar um bronzeado? Eu chorava durante a discussão de DeeDee de dor e confusão dos novos vampiros se ajustando ao mundo humano e através de sua conversa pré planejada de subconscientes deslizes de conversação que podem ser altamente ofensivos para os vampiros. Eu não podia evitar, a não ser pensar que este último tópico era direcionado a mamãe, e eu concordava. Mas ela estava tão presa a tomar notas e sorrir beatificamente para DeeDee que eu tenho certeza que a ideia flutuava direitamente sobre sua cabeça. O grupo se separou para se socializar, o que geralmente era a minha parte favorita das reuniões, mas desta vez, eu estava evitando a minha mãe com uma súbita e extremamente urgente busca de filtros de café no estoque. — Jane? — Ah! — eu gritei, saltando e batendo minha cabeça em uma estante. — Você está bem, querida? — mamãe perguntou, arrulhando sobre a minha nova contusão. — Não, não, eu não estou. — resmunguei esfregando minha testa. — Sinto muito. Eu só queria pegar você em sozinha. — ela sussurrou. — Eu só queria ver como você está indo, sabe, já que Gabriel terminou com você. Seu pai e Jolene disseram que você levou isso muito mal. — O que..., G-Gabriel não terminou comigo. Eu terminei com ele. E o que Jolene está fazendo falando com você sobre isso? Se ela pensa que pode

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desviar perguntas sobre a barriga usando informações sobre mim de isca com você, bem, isso é bem malvado e brilhante, na verdade. Eu não acho que eu dava crédito suficiente a ela... — Oh, você é tão boba. Agora, eu gostaria de falar com você sobre o aniversário da sua avó. — mamãe disse jovialmente. — Sua avó Ruthie quer ter certeza que você se desculpe com Wilbur para que todos nós possamos desfrutar de um jantar, sem qualquer aborrecimento. — Hmm. Aborrecimento como trazer à tona o fato de que Wilbur tentou me estacar com sua bengala na ultima vez que o vi? — perguntei. Mamãe fez uma cara decepcionada. Às vezes, somente é dado aos vampiros recém-transformados sangue suficiente para habilitá-los a acordar do sono da morte. Eles não têm nenhuma força vampírica ou a velocidade..., ou charme. Eles são chamados fantasmas. Eu só sei disso porque a minha avó Ruthie quase se casou com um deles no início deste ano. Apesar do fato de que Wilbur parecia o Esqueleto e poderia ter matado várias de suas esposas para sustentar a sua interminável aposentadoria pós-morte, ele e a vovó Ruthie decidiram continuar se encontrando. Depois que ele tentou me transformar em pó com a bengala. Acontece que Wilbur e Ruthie eram uma combinação perfeita. Afinal, os quatro maridos da vovó Ruthie e o noivo anterior, todos morreram sobcircunstâncias igualmente suspeitas, envolvendo um caminhão de leite em alta velocidade, uma mordida marrom reclusa no interior da garganta, uma alergia anteriormente desconhecida à famosa torta de ruibarbo e morango da vovó Ruthie, um golpe de relâmpago relacionado ao golfe, e um erro de cálculo da dose de Viagra. Wilbur e vovó Ruthie pareciam muito felizes juntos, embora eu ache que quando você nunca sabe quando o seu amante poderá facilitar a liberação do seu invólucro mortal, é importante manter a aparência de felicidade. Francamente, eu estava feliz que eles ainda eram tão pombinhos apaixonados. Para mim, ganhar a "pesquisa dos mortos" com Zeb e Dick, ou Wilbur ou a vovó teria de cumprir um fim terrível em um surto de botulismo na próxima primavera. — Não. Absolutamente não. Vocês todos podem comemorar sem mim. — eu disse a mamãe. — Eu não peço desculpas para as pessoas que tentam me matar. Isso estabelece um mal precedente.

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— Oh, mas sua avó Ruthie ficará tão magoada se você não aparecer! — mamãe protestou. — Não, ela não vai. — eu disse a Mamãe. — Você sabe que ela não vai. Ela vai ficar muito mais feliz e as coisas vão ser muito menos tensas sem mim lá. Na verdade, esse será o meu presente para ela este ano, não aparecer. Mamãe olhou resignada, mas infeliz, o que era geralmente como nós nos sentíamos ao negociar a logística de encontros familiares. — Às vezes eu simplesmente não entendo as coisas que saem da sua boca, querida. — mamãe disse, empurrando meu cabelo do meu rosto. — Eu ouço muito isso. — disse a ela. Mamãe riu, revirando os olhos. — Agora que nós temos isso fora do caminho, como você está indo, realmente? — Além de gastar uma enorme quantidade de tempo fingindo respostas para questionários de revistas para conseguir melhores resultados, estou bem. — eu disse a ela. — A loja está indo bem. Eu tenho amigos amáveis e pacientes com uma alta tolerância ao meu choramingar. Zeb e Jolene me mantêm envolvida em seu debate que nunca acaba sobre o nome do bebê. Dick é o irmão mais velho pelo qual eu nunca realmente pedi. Andrea quer começar uma aula de dança do ventre no mês que vem. Minha vida está muito cheia. — Você quer falar sobre isso? — mamãe perguntou. — Não, eu não quero. — Querida. — ela suspirou, inclinando meu queixo na sua direção. — Eu sei que dói agora, mas o que quer que Gabriel tenha feito, eu tenho certeza que ele sente muito. E se ele não estiver; talvez Adam Morrow ainda esteja interessado... — Não. Mamãe, eu te amo. Eu amo que você esteja me dando apoio e que você quer me colocar de volta no eixo. Mas confie em mim, confie em mim, você não me quer namorando Gabriel..., ou Adam. Eu estou melhor sozinha agora. — eu beijei sua bochecha. — Mas eu te amo. — Eu também te amo. — disse ela, apertando minhas bochechas. Ela soltou um suspiro de tristeza e voltou ao seu tom alegre normal. — Talvez ajudasse se eu convidasse a mãe de Adam para as reuniões. Você sabe,

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talvez, se ela aprendesse a ser um pouco mais mente aberta como eu, seria mais fácil pra vocês dois, se você quisesse começar a namorar. Pensei em fazer um comentário inteligente, mas pelo bem desta recente ligação de entendimento entre mãe-filha, ao invés disso eu disse: — Talvez não devêssemos fazer mais ligações com o cara que tem uma percepção difusa de limites pessoais? — Oh, você é tão estranha às vezes. — mamãe disse naquele tom de voz que sempre me deixa em dúvida se ela estava prestando atenção ao que eu dizia. As engrenagens do meu cérebro zumbiam, em busca de qualquer atividade que pudesse manter mamãe ocupada e seguramente longe da mãe de Adam Morrow. Quando todo o maquinário se encaixou no lugar, um sorriso largo se espalhou no meu rosto. — Mamãe. — eu disse, colocando o braço em torno dela. — Quanto você gostaria de fazer um chá de bebe para Jolene? Recebi um e-mail "lembrete" da Courtney chefe que eu ainda tinha que apresentar um relatório do progresso das minhas coleções para o comitê do prêmio. Ela estava me dando três deméritos e disse-me para reunir-se com Jenny para "a melhor abordagem implementar de sinergia criativa" dos meus implorantes freebies antes de uma reunião de progresso com as Courtneys. Eu iria encontrar a pessoa que vendeu a Courtney Chefe sua cópia de Quem Mexeu no Meu Queijo? E as beijou. Com uma expressão evidente de desprezo, Jenny entrou pela porta da frente da loja com seu desinfetante para as mãos a postos. Ela parecia surpresa com o que viu. Ela até sorriu, só um pouquinho, para o pequeno dragão fantástico de cerâmica sorrindo para ela de uma mesa perto da janela da frente. — Como posso ajudar? — Eu perguntei, sorrindo agradavelmente ao ponto que estava machucando meu rosto. — Acabamos de receber uma remessa de livros de autoajuda. Posso lhe indicar uma cópia de Como Deixar de Ser uma Vadia Raivosa em 30 dias? Os lábios de Jenny se enrolaram para trás, e eu praticamente podia ver a resposta ácida se formando, mas ela mordeu o lábio e exalou ruidosamente pelo nariz. — Este é um lugar agradável. — reconheceu. —

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Boa luz, muito bem arranjado. Provavelmente não o esquema de cores que eu teria escolhido. — Eu tenho certeza. — meus dentes estavam moendo enquanto eu a levava até o balcão. Eu não lhe ofereci um café ou um bolinho, apesar do fato que eles estavam dispostos tentadoramente sob uma cúpula de vidro nas proximidades. Esta não era uma visita social. Isto era; negócios. OK, bem, bem, Jenny vinha me fazendo sentir indesejável por muitos anos, e agora eu estava tendo um pouquinho de vingança. Ela sorriu docemente, ou o que passava por docemente quando você tem Botox suficiente para paralisar um elefante. — Sr. Wainwright deve ter sido apaixonado por você para ter deixado tudo isso. — Aqui vamos nós. — eu murmurei. Jenny deu de ombros, os olhos arregalados e não muito convincentemente sincero. — Eu só estou dizendo, deve ser muito agradável. — Você acha que eu gosto do fato de que o Sr. Wainwright morreu? — eu perguntei friamente. — Você acha que eu não preferiria que ele estivesse aqui agora. Tecnicamente, ele estava lá no momento, pairando sobre suas cópias favoritas de Das Presas aos Povos Mágicos: Criaturas incomuns do CentroOeste da América do Norte. Mas eu não estava prestes a dizer isso a Jenny. — Eu acho que vou aparecer para ver como sua tia Jettie está indo. — Sr. Wainwright sussurrou. — Covarde. — eu murmurei. Voltei para a minha irmã. — Por que você veio aqui, Jenny? Jenny tentou, sem sucesso, parecer surpresa pela minha linha de questionamento. — Courtney lhe disse. Temos que revisar mais nosso plano de coleção, antes da reunião. Eu queria falar com você sobre conseguir algumas das concessionárias de veículos na cidade para oferecer alguns pacotes de detalhamento. Eu acho que poderia ter uma com o proprietário do Nelson Ford. Eu procurei no rosto de Jenny. Eu até pensei em espreitar em seus pensamentos, mas a experiência passada com a vovó Ruthie havia me mostrado que apenas prolongava a discussão, não me ajudava a vencê-la.

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Felizmente, eu conhecia minha irmã a tempo suficiente para discernir o olhar aquisitivo e alegre em seus olhos quando ela estava na fronteira do triunfo social. E se ela realmente iria forjar algum tipo de ligação tênue com a maior concessionária de automóveis na cidade, ela teria que dançar alguma dança antiga nervosa. Meus olhos se estreitaram. — Não, você não fez. Poderíamos ter lidado com essa coisa toda por e-mail. É assim que temos feito até agora, por que mudar agora? — Tudo bem. Eu quero falar com você sobre a casa. — disse Jenny, suspirando. — Não! — eu joguei as minhas mãos. — O meu advogado me disse que eu não tenho que falar com você sobre a casa ou o seu conteúdo sem ele estar presente. É por isso que temos lidado com esta tarefa frustrante e ainda não gratificante de tudo por e-mail! — Jane, eu acho que podemos resolver isso sem os advogados. — Como você descobriu isso? Jenny realmente tinha a boa graça de parecer um pouco tímida, torcendo a aliança de casamento no dedo enquanto dizia, — Bem, sua situação mudou. Você precisa ficar perto da cidade, agora que você está conduzindo a loja. E, além disso, você não precisa daquele lugar grande e velho, todo só para você. — Se você terminar a frase, eu vou dar um soco na cabeça. — Não me ameace. — disse ela, empurrando meu ombro. — Não me diga o que eu preciso. — disse eu, empurrando-a de volta, mandando sua cadeira correndo pelo chão. — Jane, você tem tanta coisa! Eu não entendo por que você precisa de tudo que a família passa de geração para geração! Você está sozinha. Ninguém sequer vê todas essas coisas bonitas. Elas não serão apreciadas em sua casa como elas seriam na minha. — Eu não terei essa discussão com você de novo. — disse a ela, empurrando de volta a mesa. — Vamos passar por este carnaval do inferno, eu vou encontrar uma maneira de falsificar a minha morte e escapar da câmara, e você pode lutar com a Courtney Chefe até a morte por sua posição

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como a rainha da colmeia do mal. E então nós nunca teremos que nos ver outra vez. Você pode fingir que eu morri ou algo assim. — Você morreu. — disse Jenny, revirando os olhos. — Então isso deve ser fácil para você. — Por que você não pode simplesmente discutir isso comigo, como um adulto racional? — ela exigiu. — Por quê? Você vai se comportar como um adulto racional? — eu atirei de volta. Ela resmungou e jogou a sua pasta de materiais da câmara pelo bar para mim. — Eu não posso falar com você quando você está assim, o que é o tempo todo. Estou indo. — ela soprou e bufou, enquanto pendurava a bolsa no ombro. — Mas isso não acabou Jane. Você vai ter que lidar com isso mais cedo ou mais tarde. Jenny soprou para fora da loja como um furacão irritado, deixando um rastro de papéis de prêmio do comitê espalhados ao levantar. E quando ela jogou a sua pasta para mim, ela derrubou uma enorme pilha de cartas do balcão. Perfeito. Eu corri ao redor da loja, pegando folhas de papel que detalhavam a campanha de Jenny para adular com arranjos florais gratuitos e lavagem intestinal a comunidade de negócios de Hollow. Eu também amaldiçoei, especialmente, a impressionante tendência azul que eventualmente começaria a ser usada e estava saindo em pentâmetro iâmbico62. Andrea tinha nos matriculado em um seminário de poesia. E quando eu finalmente consegui juntar os papéis no bar, fui confrontada com o envelope. Eu estava evitando o correio pelos últimos dias. Francamente, entre as cartas assustadoras de Jeanine e minha fatura do Visa, os Serviço Postal dos EUA não estava exatamente dando-me boas notícias recentemente. Mas eu não podia ignorar a nota de hoje, o envelope de linho creme preso entre contas e catálogos corriqueiros.

É comumente usado linha métrica tradicional em verso e drama em verso. O termo descreve o ritmo particular, que as palavras estabelecem nessa linha.
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Eu considerei seriamente rasgá-lo sem o ler. Insight do meu Sire e sua possível louca ex-relação não me fazia exatamente feliz. Mas quanto mais eu lia, mais eu queria saber. Quem quer que fosse esta mulher, Jeanine sabia exatamente quanta informação revelar, o quanto despejar, para manter-me confusa, liquidada e voltando para mais. Ela deveria ter sido um autor de mistério ou talvez concorrer para o Congresso. Eu tomei uma respiração profunda de yoga e me preparei para qualquer que fosse a demência obsessiva que a carta tinha reservado para mim. E quando eu examinei a página, uma palavra saltou para mim: "prostituta”. Eu realmente odiava quando as pessoas me chamavam assim. "Eu vi você. Eu vi você com ele, no cio, em um beco como uma prostituta qualquer. Eu lhe avisei, mas você não ouviu. O que eu tenho que fazer para fazer você entender que você tem que ficar longe do Gabriel? Tenho que fazer algo drástico para conseguir meu ponto? Você não tem a quem culpar senão a si mesmo agora." Oh. Minhas mãos tremiam, e a carta flutuou para o balcão. Meu estômago despencou, empurrando os restos salgados e doces de sangue sintético em minha garganta. O fato de que alguém me observou se envolver em atos íntimos em um beco parecia muito mais urgente do que o fato de que ela estava ameaçando "fazer algo drástico." Pessoalmente, eu pensei que os disparos feitos de dentro de um carro na minha varanda da frente eram muito drásticos. Mas ela nos vira? Alguém tinha assistido Gabriel e eu fazendo sexo atrás da loja? Ela tinha visto os meus rostos de sexo? Ouviu os barulhos que fiz? Observou quando Gabriel derrubou-me sobre o bumbum? Eu me senti como se tivesse sido mergulhada em água gelada. E se ela tivesse tirado mais fotos? E se ela as enviou para as pessoas que eu conhecia? Postou-as na Internet? E se é isso que ela quis dizer com não ter mais ninguém para culpar? Tentei me imaginar explicando imagens nuas on-line para a minha mãe. Se ela achava que me tornar um vampiro era constrangedor, como reagiria ao "estrela pornô amadora por acidente"? Eu inclinei a cabeça contra o balcão. — Oh, nada bom. O que você faz em uma situação como essa? Eu certamente não iria à polícia, que não era exatamente útil em casos que diziam respeito aos vampiros. Eu provavelmente já tinha pressionado os nervos de Andrea e

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Dick ao limite com a minha conversa "erotomania 63" e com a histeria do relacionamento. Zeb não precisava ser arrastado para isso, com suas preocupações de procriação. Com isso restava uma pessoa, um homem que entenderia a situação, os meus sentimentos de paranoia e culpa e revolta. E eu não estava falando com o meu Sire no momento. Meu alarme da agenda informatizada soou do registro. Andrea tinha ajustado então eu não esqueceria conveniente da minha reunião de progresso agendada. Ela seria realizada em Puerto Vallarta, o único restaurante em Hollow que servia comida mexicana sem uma janela de drive-through. A teoria era de que o comitê de planejamento construiria melhores conexões e trabalharia de forma mais criativa em um ambiente social. Basicamente, era uma desculpa para as Courtneys conseguirem ficar com os joelhos bambos de tanto beber margaritas pela metade do preço em uma noite de semana. E porque a Courtney legal não era a presidente do comitê, eu nem sequer a teria como um escudo social. — Forçar um tempo de ligação com as Courtneys embriagadas em um restaurante, onde eu vou ter que esconder o fato de que eu não como. — eu gemi, enterrando a cabeça no balcão. — Uma maravilha.

Consiste na convicção delirante de uma pessoa que acredita que outra pessoa, geralmente de uma classe social mais elevada, está secretamente apaixonada por ela.
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Capítulo11
Se você é novo em um relacionamento e seus planos para a noite envolvem álcool, considere esta fórmula para determinar seu consumo: A quantidade de álcool que te leva a começar a criticar seu ex-namorado, menos 100 por cento.
- Love Bites: Guia de uma vampira para relacionamentos menos destrutivos.

Eu era claro, a primeira pessoa a aparecer no restaurante, por que,
sendo boba, presumi que quando um encontro começa as sete, você deve aparecer. O resto das Courtneys, e Jenny, chegaram às 07h20min, assim que uma mesa para dez ficou disponível na lotada sala de jantar. Aparentemente, eu fora designada a salva-mesa. Essa seria uma noite divertida. Puerto Vallarta era comandado pela família Gonzalez, primeira geração de americanos de origem mexicana cujos pais vieram para Kentucky nos anos 70 para encontrar trabalho sazonal nas fazendas de tabaco. Os três irmãos serviam a preços acessíveis, a deliciosa culinária mexicana com a quantidade certa de ambiente “autêntico” mariachi-ized e um sorriso - até mesmo quando os moradores locais massacraram os espanhóis durante a ordem “case-o-dillias”. Hector, o Gonzalez mais antigo, nos levou para sala dos fundos, a qual fora criada para atender a grande quantidade de pessoas. Quando a Courtney chefe viu o lugar modesto sobguitarras entrecruzadas e a palavra Dos Equis em néon, balançou a cabeça e disse: — Nós gostaríamos de outra mesa. — em alto e bom som. Então ela repetiu a frase fazendo gestos exagerados com a mão. Aparentemente, a Courtney chefe não achava que Hector falava inglês. Mas ela realmente acreditava que quando você fala bem alto e devagar, o inglês automaticamente se torna qualquer língua que a pessoa com quem você está gritando conhece.

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— Nós queremos aquela mesa. — a Courtney chefe disse, apontando para outra grande mesa sobenormes cachos de pimenta e alho. Então ela acrescentou mais gestos. Hector, o qual tinha ido para a gramática nas minhas aulas honorárias de inglês na Hollow High Half-Moon, olhou para mim com uma expressão confusa. Eu revirei os olhos e dei de ombros. Várias das Courtneys pareciam estar me observando quando me aproximei da mesa. Quando estávamos sentados, eu revirei mentalmente os benefícios de pertencer à Câmera de Comércio. Legitimidade, contatos, publicidade gratuita. Fiquei repetindo isso em minha cabeça, para me impedir de estrangular uma das Courtneys com a imitação dela de bolsa de dinheiro de ônibus. — Obrigada. — a Courtney chefe disse alto. Hector assentiu. — Bom te ver, Jane. Eu terei um garçom para anotar seus pedidos em alguns minutos. — ele disse com seu sotaque do sul perfeitamente carregado. Hector, que insistia em ser chamado de Heck na escola, sempre pareceu um pouco com Lou Diamond Phillips e muito com Larry, o cara que instalava TVs a cabo. Eu pisquei para ele. A Courtney chefe pareceu momentaneamente confusa, mas rapidamente se esqueceu dos seus perfis étnicos assim que ela me viu focar no cardápio, ignorando o conjunto de alhos desidratados que pairavam sobre minha cabeça. Ao contrário do que os filmes nos querem fazer crer, os vampiros não são alérgicos ao alho. Trata-se, no entanto, de cheirar até o céu, e nós temos narizes supersensíveis. Mas isso acontece a um longo tempo desde que grande número de espécies tinha remotamente comparado a alimentos que não perecíveis. O cheiro era forte, mas não tão desagradável assim. Isso me lembrou de vir ao Porto quando eu estava viva. Zeb e eu passávamos nas noites de terça para dividir um prato de carne assada e conversar com Hector sobre cerveja barata. — Você está bem aqui, Jane? — a Courtney tornozelos gordinhos perguntou, olhando com cuidado sobre seu cardápio. Ela assentiu com a cabeça até o alho. — Jenny disse que você tem..., alergias. Tenho certeza que ela disse. Eu olhei fixamente para Jenny, mas ela parecia estar muito absorta em seu cardápio. Eu sorri gentilmente para a

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Courtney tornozelos gordinhos. — Obrigada por perguntar, mas eu estou bem. Courtney tornozelos gordinhos deu um olhar triunfal para a Courtney bajuladora, e também disse: — Vê; eu te disse! Ela não é um vampiro. Eu suspirei, fazendo um show ao estudar meu cardápio. Eu sentia falta de carne assada. E de chocolate. E de lasanha. E de cheeseburger. Basicamente, eu sentia falta de toda comida, exceto couve de Bruxelas. Eu ainda estou irritada por minha última refeição ser composta por cascas de batata e licor. As pessoas que pegam a cadeira recebem uma culinária melhor de despedida. Eu não ia pedir a carne assada, porque isso seria simplesmente deprimente, mesmo que eu usasse imagens do desejo alimentar nojento de Jolene. Eu escolhi tamales. Eles eram piegas e confusos, e seria difícil dizer quanto, ou qualquer coisa, eu estava comendo. Além disso, eu nunca gostei muito deles, então olhar para eles por uma hora ou mais sem ser capaz de comê-los seria suportável. Nosso garçom passou pelos nossos pedidos com uma cara de bravo. Quando ele veio até mim, eu pedi o tamales, e todo o interesse que as restantes das Courtneys tinham em meus hábitos alimentares pareceu derreter. O garçom ficou me olhando por um longo momento e então perguntou: — E para beber? Pensei na doce e fortalecedora tequila, pois todas as Courtneys estavam pensando em pedir margaritas. Mas eu queria me manter sóbria para que eu não me tornasse disputada para limpar o zoológico ou a qualquer um dos outros trabalhos indesejáveis das Courtneys. — Água está bem, obrigada. — o garçom pareceu sentir um enfraquecimento na minha decisão e continuou olhando para mim. Eu peguei o cardápio do bar do pequeno console de plástico no meio da mesa. — Na verdade, eu vou tomar uma cerveja. A Courtney à minha esquerda engasgou em horror. Jenny zombou enquanto eu olhava para as seleções de cerveja. — El Torrente Sanguíneo? — ele perguntou.

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Por um momento, eu e meus três anos de instrução pobre em espanhol pensamos que ele estava perguntando se eu queria uma capa com isso. Eu olhei para ele. Ele apontou para uma seleção na parte inferior do cardápio. A pequena garrafa marrom escuro sobre a ilustração parecia com qualquer cerveja. Eu sabia que sanguíneo provavelmente tinha algo a ver com sangre, que traduzido para "sangue". E torrente provavelmente significava "rio" ou "fluxo." Por isso, provavelmente é traduzido para algo como "fluxo de sangue” ou "veia". Ele estava me oferecendo sangue sintético? Eu olhei para o garçom, que sorriu para mim, parecendo um pouco deslumbrado. Agora que elas tinham sido, completamente horrorizados com a minha escolha para beber cerveja em público, as Courtneys não estavam prestando atenção ao que foi pedido. Eu acho que elas pensaram vampiros não bebem cerveja e nem pedem tamales. — Por favor! — eu disse, enfaticamente, sorrindo de volta. O garçom praticamente passou por cima da cabine ao lado em sua pressa de voltar com nossas bebidas. Ele colocou a garrafa marrom na minha frente com um floreio, uma fatia de limão cuidadosamente equilibrada no lábio. Agradeci quando ele serviu a margaritas e tomei um gole da garrafa. Ahh. Doce, levemente picante, uma espessa camada de sangue sintético rolou na minha garganta e acalmou o meu estômago nervoso. Eu ia ter de me lembrar desta marca. O garçom ficou me olhando com expectativa. Eu queria sorrir, mas eu tinha certeza que meus dentes estariam manchados de sangue pelos próximos minutos. Além disso, minhas presas estavam tentando rastejar para fora da minha boca. Eu comprimi meus lábios, mas concordei entusiasticamente. Eu ia ter que dar conta desse cara de uma forma séria. O garçom se distanciou da nossa mesa, mas prometeu voltar em breve. — Se Jane acabou de flertar com o garçom. — a Courtney chefe disse, limpando a garganta e franzindo seus lábios finos e com gloss de amora. — Devemos começar a reunião. Merda, eu tinha esquecido totalmente porque eu estava lá.

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Foi bom ter optado por não beber. Courtney tentou me ater à limpeza do zoológico, sentada no dunk tunk, e colocando os depósitos acima da inflação (fora do meu próprio bolso, aparentemente, com a esperança de que as Courtneys se lembrassem de me reembolsar). Cada um dos presidentes de comissão recebeu uma avaliação de progresso. A Courtney chefe não gostou do nosso trabalho. A Courtney tornozelos gordinhos, que estava encarregado pela comida, tinha deixado de pensar em opções vegetarianas para os participantes do festival. (Porque nada diz diversão em família à moda antiga como um cachorro quente de tofú.) A Courtney baixinha, que estava no comando da publicidade, ainda tinha que garantir uma entrevista no programa de rádio local de manhã, de modo que a Courtney chefe poderia educar as massas sobre a importância dos esforços filantrópicos da câmara. Além disso, Courtney baixinha tinha ordenado os cartazes promocionais em um holocausto outonais laranja em lugar da assinatura rosa da câmara; então foram cinco deméritos para ela. Eu estava falhando miseravelmente, e eu tive sorte que Jenny estava lá para salvar a minha bunda. Courtney chefe colocou a mão direita sobre o ombro de Jenny, enquanto ela pronunciava isso. Jenny tentou alisar sutilmente, mas não conseguiu. Eu me lembrei da cena de “A Profecia” quando Damien percebe a extensão do seu poder demoníaco. Sério, eu poderia comprar a minha saída deste show? E se eu apenas desse a Courtney chefe $ 5.000 para o abrigo de animais? E então me mudasse e trocasse o meu nome? Pelo fim da "reunião", Courtney chefe tinha quatro copos de margarita vazios ao lado de seu prato e estava começando a contar para outras Courtneys o que ela realmente pensava delas. Courtney baixinha tinha que fixar suas raízes. Courtney tornozelos gordinhos tinha, bem, tornozelos gordinhos. Courtney bajuladora tinha quase freado ela quando o olhar da Courtney chefe caiu sobre mim. Neste ponto, eu estava empurrando o tamales em torno do meu prato por duas horas enquanto assistia a minha irmã puxar o saco. Para o meu concernimento, Chefe Courtney poderia falar qualquer coisa de mim. Courtney chefe estava balançando na cadeira, os cabelos cor de milho agarrando-se ao brilho da luz do suor bêbado em seu rosto. — Você acha que é muito mais esperta do que o resto de nós. Que não sabemos o que você realmente é.

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— Courtney, eu não acho que você está se sentindo muito bem. — Courtney bajuladora disse em voz alta, seus olhos castanhos arregalados, com alarme. — Aquelas enchiladas64 devem ter feito mal! — Oh, não a interrompa, Courtney. — eu disse, sorrindo e inclinando a cabeça. — Acho que ela estava enrolada. A encenação, aparentemente, foi para os ares. E eu me senti um pouco boba por beliscar a droga dos tamales. Oh, bem, eu poderia muito bem ter algum divertimento com isso. — Jenny nos disse tudo sobre isso. Você acha que nós teríamos deixado você entrar se soubéssemos? — Courtney chefe sibilou. — Nós nunca deixaríamos, e agora, nós não podemos te botar no olho da rua porque vocês processam por discriminação ao deixar cair o chapéu. Nós não queremos que você dê uma de louca com a gente. Ela acabou de me chamar de “vocês”? A mesa inteira estava inesperadamente quieta, assim que Courtney derrubou uma cúpula de vidro em cima de nós. Inesperadamente, tudo fez sentido. As tarefas estúpidas, os poucos reconhecimentos, toda vadiagem. Não era apenas porque elas não gostavam de mim. Elas queriam que eu desistisse. Elas tinham feito de tudo para colocar para fora todos aqueles que não viviam em seus padrões de imitação e miséria, mas elas não podiam se livrar de mim por que eu as assustava. Eu as estava fazendo miseráveis pela minha simples presença. Eu sorri, deixando minhas presas levemente à mostra. — Jenny, eu estou surpresa com você. — eu disse no meu tom mais brando. — Eu pensei que você ficaria muito envergonhada para dizer a qualquer um sobre a situação vergonhosa da sua irmã vampira. Quer dizer, sério mesmo, cadê o benefício em me mostrar? Você não está com medo de manchar sua reputação? — Irmã? — Courtney chefe pronunciou indestintivamente. — O que você quer dizer com ‘irmã’?
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Prato típico mexicano.

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O silêncio foi quebrado, e uma onda de ruídos rodeou a mesa das Courtneys. Agora era a vez de o meu queixo cair. — Você disse a elas que eu sou um vampiro, mas não disse que eu sou sua irmã? A mandíbula de Jenny se contraiu. Seu rosto tornou-se uma sombra pálida de ostra cinzenta. — Não tinha para que contar. Minha irmã morreu ano passado. Eu esperei pelo aperto em meu peito, a dor de ser rejeitada por Jenny mais uma vez para que ela pudesse passar um tempo com as pessoas melhores, mais importantes que eu. Mas ela não veio. Eu estava acostumada a isso. Ela tinha demonstrado seus sentimentos há muito tempo. Tinha a liberdade de não me importar mais. Eu era livre. Eu poderia me mandar. Parte de mim queria ir para longe, dar a Jenny e as Courtneys o que eles queriam. Eu poderia desistir e sair pela porta então elas teriam que pagar pela minha aba de sangue sintético. Mas a mais perversa parte da minha personalidade estava intrigada com as possibilidades. Então, eu fiz algo que chocou as Courtneys. Eu gargalhei. Todos na mesa estremeceram quando eu joguei minha cabeça para trás e gargalhei como um grande asno velho. Eu dei a risada boba até minha barriga doer. Eu gargalhei por toda garota gorda, traça de livro, e sem charme que já se sentiu fraca na esteira das Courtneys ao redor do mundo. Eu ri porque eu sabia que quando eu me levantasse, Jenny teria que explicar as Courtneys por que ela mentiu para elas. Ela iria enrolar a conversa pela primeira vez. Eu ri por que esse era um drama estúpido de colegial para encontrar a si mesmo enredado na idade madura de 28 anos. Uma vez que eu estava me recuperando, eu rolei meus olhos, esperando que não houvesse traços de lágrimas de sangue rolando pelas minhas bochechas. Outras pessoas que jantavam levantaram as cabeças de seus tacos e estavam começando a olhar. Eu me levantei, causando outro encolhimento comum, e atirei algumas notas na mesa, o suficiente para cobrir os 40% de gorjeta para o meu garçom amigão. — Essa é a minha grande irmã; — eu disse alto. — Sempre querendo ser a número 1. Vocês garotas são hilárias! Courtney, que senso de humor você tem! Eu tive um bom momento esta noite. Obrigada por me convidar. Verei vocês no próximo encontro!

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Eu dei dois passos, então dei a volta, atirando toda a mesa para longe de mim, derrubando Courtney baixinha da sua cadeira. — Por falar nisso, o garçom descobriu mais rápido do que todos vocês. E ele teve muito mais classe sobre isso. Eu ri debilmente todo o caminho da mesa até a porta da frente, onde Hector me parou e perguntou se eu estava bem para dirigir. — Estou bem. — assegurei-o. — Sóbria como um juiz. — Você ainda não viu o juiz Frye aqui dentro após tomar três cervejas. — Hector riu. — Ele usa sombreiro e tudo mais. Ei, Jane, você vai para a reunião? Está vindo em breve. — Eu não sei..., eu realmente não tinha pensado sobre isso. — O que há para pensar? — ele perguntou. — Você vê velhos amigos, ri de todo mundo que ficou gordo e careca, fica bêbado do soco travado, e vai para casa. Vamos lá, eu vou precisar de alguém para ouvir minhas piadas ruins. Eu sinto falta de ver você e Zeb por aqui. Você costumava vir aqui todo o tempo, você sabe, antes... Eu estremeci, mas percebi que Hector permanecia tão perto de mim quanto ele sempre esteve. O calor amigável nos olhos era puro. — É..., antes. — Olhe, eu não me importo. Eu ainda não fui atacado por um vampiro. Eu não acredito que você vai ser aquela a fazer isso. Estou um pouco magoado por você não vir mais aqui. Mas sei que tem suas razões. — Eu não posso comer. Hector riu. — Bem, esse é um motivo. Mas nós colocamos sangue engarrafado no cardápio por um motivo, Jane. Nós não recusamos dinheiro de ninguém aqui, morto ou vivo. Você é sempre bem vinda. Mas tente nas quartas-feiras, por que eu quero que você veja o juiz Frye fazer o que ele acha que é a Dança do Chapéu mexicana. — Obrigada, Heck.

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— De nada. — ele disse, dando-me um soco camarada no braço. — E a reunião, pense nisso, certo? — Eu vou. — eu ri e soquei seu bíceps levemente. — Ow. — ele disse, esfregando seu braço dramaticamente. — Você não batia tão forte no colegial. — Pessoas mudam. — eu disse a ele, sorrindo enquanto saia pela porta da frente. Andrea e eu estávamos apoiadas em várias entregas de muitos dias que não tivemos a chance de abrir. Então, nós sentamos na cafeteria, fingindo que era Natal. — Eu acho que isso é o livro de receitas que eu pedi. — eu disse, pegando uma carga de embalagens de amendoim do lixo enquanto Andrea pegava um caixa da Amazon.com. — Aparentemente, alguns chefes de cozinhas de Nova Iorque ficaram ligados e estão fazendo coisas bem legais com molhos potáveis que são saborosos e não farão vampiros vomitarem. Então eu peguei uma dúzia deles. Andrea rejeitou o pacote gentilmente. — Isso parece um tipo de luz para uma dúzia de livros. Eu acho que é provável aquela quantidade anormal de DVDs do Jason Statham que você pediu. — Ele tem que ter filmado uma cena de nudez em algum ponto em sua carreira. Eu não importo quantos tiros para o alto de filmes de ação eu terei que assistir, eu vou encontrar. — eu disse solenemente. — Ah, sim, eu vou encontrar. Andrea revirou os olhos enquanto pressionava o Athame de bronze que o Sr. Wainwright usava como abridor de carta para a fita de embalagem. — Eu sei que dinheiro não é nada preocupante para você agora, mas você já teve que parar para examinar alguns dos seus outros hábitos de consumo? — Eu estou confortável com o saldo que eu... Você sente alguma coisa? — a parte de trás da minha garganta coçou enquanto Andrea cortou a fita. Ela guinchou quando a caixa assobiou e borrifou seu rosto com uma névoa de prata pura. Eu tentei gritar para ela, mas minha garganta não estava funcionando direito.

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Eu gritei ruidosamente quando a fumaça subiu em meus braços. Minha pele rachava e queimava. Eu acho que fiz um ruído estridente muito indefinido e estrangulado quando eu arremessei a caixa do balcão para o chão. Dick saiu da sala dos fundos, tossindo. Eu ouvi Andrea gritando. “O que é isso? O que é isso?” Enquanto eu caia sobre meus joelhos eu dava tosses roucas, engasgadas e chacoalhantes. Minha garganta estava fechando. Eu não precisava respirar, mas a incapacidade de sugar o ar era ainda mais dolorosa do que lentas chamas de dor queimando o meu rosto. Eu ia morrer. De verdade dessa vez, eu podia sentir. Minha força estava deixando os meus membros, e eu podia sentir meu corpo caindo. Gabriel. Eu nunca resolveria as coisas com Gabriel. Até aquele momento, eu não tinha percebido que esperava resolver. Quando o meu campo de visão começou a escurecer e borrar, eu lutei para dizer a Andrea que encontrasse Gabriel, para dizer a ele quão arrependida eu estava. — Tire isso daqui! — Dick gritou enquanto se debatia atrás do balcão. — Mantenha a porta aberta. Andrea, ainda limpando freneticamente suas bochechas, lançou a caixa para fora pela porta da frente. Dick me escorou contra seu peito e arrastou uma unha em seu pulso. — Vamos lá, querida. Vamos lá, Jane, por favor, se acalme e beba. — Dick tossiu ligeiramente enquanto ele pressionada seu punho em minha boca. Ele assoviou de dor quando minha boca tocou sua pele. A carne contra meus lábios chiou e ficou preta quando a pele dele reagiu à prata em meu rosto. Ele murmurou palavrões enquanto eu lutava para engolir. — Bom; bom. Você precisa disso. Vai ajudá-la. Aqui está garota. Longos e lentos goles. Apesar do fato dos nossos órgãos não estarem funcionando, as células dos vampiros realmente reproduzem em um ritmo rápido. Quando nós éramos machucados, partes do tecido e músculos alcançavam um ao outro para replicar o alinhamento anterior, o qual é o motivo pelo qual nós não ganhamos peso ou idade. Beber o sangue de outro vampiro, particularmente um mais velho, aumenta a velocidade do processo. O sangue jorrando em minha garganta abaixo era quase instantâneo. Minha pele parou de incendiar, a ardência baixou. Minha garganta relaxou, permitindo que o sangue de Dick me acalmasse e curasse.

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E entre tudo isso, como um traço de fita dourada através da dor, eu senti amor. Dick realmente me amava, docemente, como irmão que envia seus pensamentos espalhados em um milhão de direções. Imagens passaram a toda velocidade sem rima ou motivo. Nosso encontro no estacionamento no Cellar. Dick vindo para o River Oaks e percebendo que Gabriel era meu Sire. Eu apresentando Andrea. O trailer dele explodindo. Dick passando tempo com Zeb. Andrea e Dick dançando no casamento de Zeb. Sentado com Andrea na mesa da cozinha dele. Todas essas pequenas cenas atentamente conectadas a ele ter me conhecido. Ele viu sua vida tornar-se melhor depois que ele me conhecer. Ele não queria perder aquilo. Aww. Eu me afastei dele e o deixei envolver os braços ao meu redor, me abraçando apertado. — Jamais faça isso comigo novamente, entende? — Dick exigiu; sua voz áspera. Eu assenti, espremendo seus ombros, antes que ele me liberasse e olhasse o estrago em meu rosto. Eu não mencionei as visões, até pensei que nós dois sabíamos o que eu tinha visto. Dick não era muito bom em demonstrar emoções. Gentilmente, ele me encostou contra o gabinete. Eu pressionei os dedos contra a pele do meu rosto devastado enquanto Dick procurava por um pano úmido. — O que. Diabos. Foi. Isso? — eu arquejei. Esfregando seu pulso enquanto a carne se reformava e curava, Dick disse. — Você estava tendo uma versão vampira de uma péssima reação alérgica. Você pode me explicar como conseguiu liberar prata em aerossol diretamente em seu próprio rosto? Qual é a próxima para você, jogos de malabarismo? E com isso, Dick tinha recuperado sua forma de devoção paterna. — Por que nós estamos supondo que eu fiz isso comigo mesma? — eu rosnei; minha voz ainda áspera. Dick me deu um longo olhar monótono. — Valia a pena um tiro. — eu disse, passando o pano em meu rosto. — Andrea! Andrea abriu a caixa. Ela está bem? — Eu estou bem. — ela disse, se espreitando em cima do balcão, esfregando seu próprio rosto com um pano para tirar o pó. — Isso nem ao menos machuca. Desculpe-me por gritar. Isso apenas me assustou.

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— Eh, apenas prometa que você vai me deixar ter um ataque de pânico na próxima vez que for aborda pelo correio. Dick agarrou os ombros de Andrea e lhe deu um abraço longo e forte. — Dick..., não consigo...., respirar. — ela arquejou. — Desculpe; reação atrasada por você usar sua voz de pânico. Eu te amo, mulher louca. Isso faz coisas estranhas em mim. — ele disse antes de beijá-la. Ele estremeceu quando a prata chiou contra seus lábios. Ele se afastou, farejando cuidadosamente o rosto dela. — Isso foi tão meigo. — Andrea disse. — Até você me farejar. — Prata coloidal. — ele anunciou. — Uma dose muito forte de prata coloidal. — O material complementar de saúde? — eu disse, arqueando uma sobrancelha. — Por que eu não estou surpresa por você saber o que é isso? — Andrea resmungou, enxaguando seu rosto embaixo da torneira da cafeteria. — Ok, garota geek, você se importaria em preencher as pessoas que não memorizam tudo que eles leem? — É basicamente aglomerados microscópicos de partículas de prata em líquido. A nova geração usa isso para tudo de queimaduras a infecção ocular, por que eles supostamente mantêm germes incapazes de metabolizar. Centenas de sites da web de complementos de saúde vendem isso. É perfeitamente seguro para humanos, exceto para as pessoas que toma muito acima do normal durante um longo período de tempo. Eles têm a tendência de se tornarem azuis. Mas obviamente, machuca bastante os vampiros. — Andrea olhou para mim, sua expressão espantada e divertida. Eu encolhi os ombros. — Eu vi na Oprah. — Mas como eu joguei aquilo em nós do que era para ser uma caixa de livros? — Andrea me agarrou. — Que supervilão você aborreceu dessa vez, Jane? Dick examinou a caixa cuidadosamente. — Isso parece um simples dispositivo. Uma vez que a fita foi rompida e a parte de cima da caixa foi rasgada, uma alavanca comprimiu esse spray e jogou essa prata no ar. Na

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verdade, se isso tivesse acontecido numa sala cheia de humanos, isso não teria sido um problema. Mas obviamente, alguém por aí teria uma boa chance de você estar abrindo a caixa. — Você parece ter descoberto isso muito rápido. — eu comentei secamente. — É um truque comum se você tiver aborrecido um vampiro. — Dick disse. Eu revirei meus olhos para ele. Ele me deu sua melhor impressão de um protesto indignante de uma pessoa inocente. — Não que eu tenha feito isso. — Então, basicamente, nós estamos procurando por Unabomber ou MacGyver. — eu murmurei. — Por que tem sempre alguém querendo me matar? Isso nunca aconteceu comigo quando eu estava viva.

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Capítulo12
Não tenha medo de ser vulnerável. Algumas vezes nós temos que despir nossas almas para os nossos companheiros vampiros e dizer, “Sim, eu sou invencível e imortal, mas você pode me machucar.”
Mordidas de Amor - Um Guia de Vampiras para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Nós havíamos subestimado o quão longe a prata tinha se espalhado.
Eu podia ver a névoa fraca espalhar o líquido cinzento ao longo de toda a parede da loja. Repentinamente muito cansada, eu me perguntei quanto tempo levaria para limpar a bagunça. Não que eu fosse ser muito útil, de qualquer maneira. Andrea e Dick me forçaram a sentar do outro lado da sala, o mais afastado do “marco zero”, com uma bolsa de gelo no rosto, enquanto Andrea lavava o tapete a vácuo. Dick estava usando uma máscara cirúrgica e uma luva de borracha que ia até o cotovelo para limpar o bar com desinfetante. Eu sentei ali, me sentindo inútil, quando Gabriel veio rugindo pela porta da frente, com seus olhos selvagens. Em pânico, o olhar louco em seu rosto, eu pensei que tinha finalmente entendido e ele estava se tornando uma pessoa obcecada por mim. Mas quando seus olhos se conectaram aos meus, havia um grande alívio lá que eu não consegui ficar com medo. Ele pulou do outro lado da sala e segurou ternamente meu rosto cheio de bolhas entre suas mãos, examinando minuciosamente minha pele afetada. Mesmo eu ainda estando chateada com ele, mesmo eu sendo orgulhosa o bastante para queimar ao pensar nele me vendo na versão Freddy Krueger, eu o envolvi em meus braços e descansei meu rosto em seu pescoço. — Está bem. Está bem. — eu funguei. — Eu estou bem. Eu relaxei nos braços de Gabriel e o deixei me balançar gentilmente para lá e para cá. Eu sabia que as coisas ainda não estavam resolvidas. Nós teríamos que ter muitas conversas longas sobre confiança, fidelidade, comunicação, e não derrubar o traseiro do parceiro sexual no concreto. Mas nesse momento, eu estava disposta a pular tudo isso. Eu só queria alguém

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para cuidar de mim, desintegrada ou não. Eu não acho que isso seja uma violação aos princípios femininos. — O que ele está fazendo aqui? — Andrea exigiu, dando a Gabriel o Olhar Fulminante de Mil Sóis. — Eu o chamei. — Dick murmurou. — Você o quê? — Andrea choramingou. Gabriel levantou a cabeça do meu ombro e rosnou para Dick. — Como você pôde deixar isso acontecer? Dick olhou timidamente. — Eu não posso monitorar ela todo o tempo, filho. Como eu poderia saber que ela seria atacada por um transporte terrestre? Os dois compartilharam um olhar por cima da minha cabeça. Gabriel fez caras ameaçadoras. Dick respondeu com gestos rudes. Eventualmente, eles poderiam fazer mímicas inebriadas dançando. — Alguém poderia inserir a garota feridenta na conversa? — eu exigi. — Dick devia estar cuidando de você. — Gabriel admitiu. — Ele está cuidando de você por mim há algum tempo. — Bem, isso explica porque você tem passado muito tempo na loja! — eu dei uma vassourada em Dick, e ele saiu rapidamente do caminho indo em direção a Andrea. Ela o beijou em meu lugar. — Eu não preciso do Serviço Secreto do Dick e do Gabriel. — Me desculpa. Me desculpa. — Gabriel murmurou. — Não é que eu não confiava em você para se cuidar sozinha. Entre as cartas e as travessuras. Eu estava com medo. Eu só queria te proteger. — O que provavelmente foi o que me colocou em perigo. Imbecil. — eu disse, indiferentemente dando tapas em seu braço. — Eu te amo. Te amo muito. — ele murmurou em meu pescoço. — Eu não sei o que teria feito se você... Eu sou um tremendo imbecil. — Essa é a coisa mais doce que você já me disse. — eu disse a ele. Ignorando Andrea quando ela disse: — É apenas triste.

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— Ela está bem. — Dick disse. — De verdade, Gabe. Ela vai ficar bem. Ela é uma maluquinha durona. — Dick me salvou. — eu disse a Gabriel. — Sem ele, eu seria uma pequena pilha das cinzas de Jane esperando para ser aspirada. — Obrigado. — Gabriel disse a Dick. Dick parecia estar esperando por um remate, antão Gabriel repetiu. — Isso mesmo. Obrigado. Dick teria corado se pudesse. Em vez disso, ele olhou para o chão. — Posso ver o dispositivo? — Gabriel perguntou. Dick o recuperou, o qual nós tínhamos colocado numa sacola plástica. — O selo estava intacto, sem danos. — Dick disse, mostrando a Gabriel o retalho de endereço. — Você não poderia nem dizer que a caixa já tinha sido aberta uma vez antes de tirar a segunda camada. — Então, quem quer que tenha feito isso teria que ter monitorado nosso lixo muito de perto para esperar por uma caixa da Amazon.com pouco danificada com um selo intacto para ser jogado fora? — eu fiz uma careta e então estremeci com a pressão na minha bochecha queimada. — Sabe, eu acho que estou mais chateada com isso do que com o lance da prata. — A prata é muito pura. — Gabriel observou. — Eu posso sentir o cheiro, até mesmo daqui. Prata coloidal tende a ter maior concentração do que a mistura usada nos sprays de defesa e isso parece ser um monte potente particular. Se isso tivesse atingido diretamente no seu rosto, ao invés de Andrea, você poderia não ter sobrevivido. Isso teria sido como se uma pessoa que é alérgica a picada de abelha pisasse numa colmeia. Seu poder de cicatrização teria sido esmagado, e você teria sido desmontada até o osso. Vampiros jovens raramente voltam de machucados como esses. — Você não disse que sua nova amiga Courtney comanda uma loja de parta esterlina? — Dick perguntou. — Quem é Courtney? — Gabriel perguntou. — Eu a conheci na Câmara de Comércio. — Você pertence à Câmera de Comércio? — Ei, eu não fiquei sentada por aí, desanimada depois de você. Eu sou uma mulher muito ocupada e importante.

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Andrea me deu um sorriso falso e ainda um olhar desaprovador. Eu amenizei: — Eu fiquei um pouquinho desanimada. Dick rolou os olhos. — Alguém que comanda uma loja de jóias seria muito bem versado em diferentes formas de prata, especialmente coisas muito concentradas. — Ah, vamos lá, meninos, não façam isso. — eu gemi. — Eu realmente gosto da Courtney. Bem, aquela, pelo menos. Eu só quero um amigo humano sem uma agenda louca. Por favor, não tirem isso de mim. — Eu acho que isso machuca meus sentimentos. — Andrea murmurou. — Por outro lado, eu acho que todos nós sabemos quem... — eu fui interrompida quando Emery entrou devagar pelos fundos da loja. Ele parou e fungou delicadamente com o desinfetante forte, estremecendo. — Que cheiro é esse? Parece pipoca queimada. — ele disse, fazendo piada. — Emery, há quanto tempo você está aqui? — Andrea perguntou. — Eu acabei de chegar, Andrea, querida. — ele disse, dando-lhe um sorriso pretensioso. — Eu vim pela entrada dos funcionários. — Estava fechada. — Dick notou, sua mandíbula contraindo enquanto ele puxava Andrea para mais perto. — Eu peguei uma chave emprestada. — Emery disse num tom despreocupado que ele sempre usava ao falar com Dick. — Você vai devolver agora. — eu disse a ele, sem me preocupar em disfarçar a irritação em minha voz. Emery me ignorou, seus olhos varrendo ao redor da sala desarrumada. — O que aconteceu? — Alguém mandou uma lata aerossol de prata para Jane, que se espalhou por toda a loja. — Dick disse, observando cuidadosamente a expressão de Emery. — A prata chegou a algum dos livros mais importante? — Emery exigiu aos berros. — A prata líquida manchou? Você chamou a agência do seguro?

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Infelizmente, aquela era exatamente a reação que eu esperava. Eu sinceramente lembrei-me do dia em que Dick revelou sua conexão de sangue com Emery..., e nessa ocasião, Dick tirou seu tetraneto da fogueira por um cara em apuros. — E eu estou bem, obrigada. — eu murmurei. Eu senti um rosnado crescer no peito de Gabriel. Eu pus uma mão ao redor de seus ombros. Tanto quanto eu apreciava a reação indignada de Gabriel, Emery não podia evitar ter sido criado para ser uma ferramenta social. Mas, derramar o sangue de Emery provavelmente danificaria mais livros. — Bem, claro, eu estou preocupado com você, Jane, mas obviamente, você está bem. — Emery disse, dando outro estremecimento delicado ao ver meu rosto danificado. — Mas quem sabe que tipo de dano esse tipo de travessura tem feito? Quem sabe quantos livros foram destruídos? — Nós não estamos realmente preocupados com isso agora, Emery. — Andrea disse. — Nós estamos agradecidos por Jane estar bem. — Claro que você está. Você é uma ótima amiga, Andrea. — Emery pressionou as mãos de Andrea entre as dele. Os olhos de Dick se transformaram em pequenas fendas perigosas. — Nós vamos começar a checar os livros assim que tivermos limpado tudo isso. — Dick disse a ele. — Por que você não vai para a pensão ou para a loja de malte ou qualquer lugar que você, o tipo de cara saudável, passa suas noites? — Mas eu posso ajudar. — Emery protestou. — Você provavelmente quer limpar a prata dos livros tão cedo quando possível se você fosse salválos. Por outro lado, isso não faria a pobre Jane tropeçar em um livro encharcado de prata daqui a meses, faria? Nós não podemos ter um pouco de perigo apenas rondando pela loja para ela ou para nossos clientes vampiros. Eu estou disposto a examinar cada livro se isso significa fazer a loja segura para Jane..., e os amigos dela. — Andrea e eu podemos cuidar disso. — Dick disse a ele. — Não seria melhor ter um par de mãos extra para te ajudar? — Emery contrariou. Ele deu a Andrea um longo olhar sincero. — Por outro lado, é óbvio que Andrea está abalada pelo incidente. Eu gostaria de contribuir e ajudá-la de qualquer maneira que eu possa.

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— Emery, olhe. — eu fiquei com as pernas bambas. Minha cabeça zuava, e o chão se inclinava abaixo de mim. — Eu não me sinto muito bem. — Você vai para casa. — Gabriel me disse enquanto segurava meus cotovelos e evitava que eu beijasse o chão. — Dick, você se importa de fechar? Eu estava muito atordoada para ouvir ou desaprovar a resposta de Dick. Dick e Andrea poderiam descobri o que fazer com Emery. Eu deixei Gabriel me levar para o seu carro e me colocar no assento do passageiro. Eu olhei pela janela, sem ter certeza do que dizer, enquanto ele me levava para o River Oaks. Quando nós chegamos, ele colocou Fitz lá fora para correr e me levou para o banheiro do andar de cima, onde ele cuidadosamente me despiu das roupas suja de prata. Enquanto Gabriel esquentava a água da banheira, eu peguei um vislumbre do meu rosto no espelho e fiquei aliviada ao ver que já não parecia tanto com um hambúrguer cru. Eu fiquei um pouco de brilho, uma pequena área rosapálido em minhas bochechas e nariz, como um humano se recuperando de uma forte insolação. Gabriel me deixou deslizar para baixo das bolhas, e eu fechei meus olhos para evitar olhá-lo enquanto ele esfregava uma esponja nas minhas pernas e em meus braços ainda bons. Ele despejou um pouco do meu xampu “chique” no meu cabelo. Aparentemente, ele não esperava que eu falasse sobre meus sentimentos ou quão estranho foi eu deixá-lo me ver nua novamente, especialmente com minhas fabulosas queimaduras ficando rosadas e brilhantes à medida que saravam. Foi tão bom. Eu não tinha certeza de como me sentia em deixá-lo me ver nua novamente com ou sem queimaduras ficando rosadas e brilhantes à medida que saravam. Quando ele inclinou minha cabeça para trás para enxaguar meu cabelo, e o peguei olhando meu rosto. Você esperaria que alguém na situação dele olhasse furtivamente para em volta de oito centímetros ao sul, mas ele estava inteiramente concentrado em meu rosto. As queimaduras deviam estar piores do que eu pensava. — Eu sei, está ruim. — eu disse a ele. — Mas eu estou me sentindo muito melhor. — Não, você está quase completamente curada. Eu só..., eu estou tentando aproveitar o máximo que posso antes que você fique forte o bastante para me chutar para fora.

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— Por que você está sendo tão doce? — eu perguntei. — Por que você está me deixando assim. — ele disse, um sorriso torto triste em sua boca. — Eu sinto tanto. — Eu senti a sua falta, também. Mas eu não fiz nada errado, portanto nenhum pedido de desculpas. — Eu posso viver com isso. — ele assentiu, derramando gentilmente água morna em minha cabeça. — Eu gostaria que você considerasse se mudar para a minha casa por um tempo, Jane. — Eu não poderia fazer isso. Seria estranho. E eu não acho que morar junto seria certo para nós no momento. Há muita coisa rolando. — Bem, então se mude para a casa de Andrea, pelo menos até que as ameaças acabem. Meus olhos castanhos se arregalaram, a nova pele em volta deles esticando apertado. — A casa de Andrea, onde Dick mora? Você deve estar assustado. — Eu não quero que nada aconteça com você. — Eu vou ficar bem. E eu serei mais cuidadosa ao abrir minha correspondência, prometo. — ele me deu um olhar paternal intimidante. — Eu vou deixar Andrea abrir minha correspondência a partir de agora? — quando aquilo não o satisfez, eu me irritei. — Eu vou pegar no aeroporto e pedir para passar no raio-x? — Eu vou passar um bom tempo na loja com você. — ele disse. — Você nem tem que reconhecer minha presença. Eu vou apenas me sentar nos fundos e observar você, para ter certeza de que você vai ficar bem. Qualquer lugar que você for, eu vou. — Como um stalker65. Ele assentiu. — Sim. Jane, eu não me importo com que capacidade você me deixa ter em sua vida. Eu só quero estar lá. E se isso significa manter distância, é o que eu vou fazer.
Pessoa que invade repetidamente a privacidade de outra usando técinicas de perseguição, como correios, telefones, publicação de fatos, etc.. (Geralmente, os stalkers fazem isso por amor, desamor, vingaça ou, até mesmo, inveja.)
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Eu suspirei. Se já havia um momento para eu botar todas as minhas cartas na mesa, era esse. Nua, ferida, e vulnerável. — Então, aqui está meu problema básico com a gente, a razão pela qual eu posso parecer não relaxar num relacionamento com você, a razão pela qual eu encontro problemas onde não há e te afasto. Eu... Eu não consigo descobrir porque você está comigo! — eu exclamei, colocando a mão na boca. Eu não quis que aquela parte saísse. Eu queria dizer, “Você mente e esconde coisas de mim.” Gabriel tirou os meus dedos para longe dos meus lábios. Minhas mãos tremiam como a coisa que eu tenho sentido há meses caída em minha língua. — Eu sei que isso me faz neurótica e triste, mas eu não consigo descobrir por que você quer ficar comigo. Qualquer outra mulher em sua vida é exótica e bonita e tem toda essa história. E eu sou apenas alguma garota bêbada que você seguiu até em casa de um bar, alguma humana patética que você sentiu sua necessidade habitual de proteger, e você ficou preso à vida dela porque ela era burra o suficiente para levar um tiro. Eu não consigo suportar a ideia de que você se sente obrigado a me proteger. Eu sei que sou insegura, insistente e estúpida, desesperadamente inapropriada em alguns momentos e simplesmente estranha em outros. E eu não consigo evitar me perguntar por que você iria querer isso quando obviamente há muitas outras opções. Eu não consigo evitar sentir como se eu estivesse te tirando de algo melhor. Eu deixei escapar um suspiro alto e longo. Parecia que um peso enorme havia sido retirado do meu peito. Sem mais correria. Sem mais flutuar e esperar. Minhas cartas estavam na mesa. Se Gabriel e eu não pudéssemos ter um futuro depois disso, seria por que eu dei a volta nele. Agora eu poderia apenas esperar que isso não explodisse em meu rosto de uma maneira terrível. Eu não tinha certeza se meu rosto poderia aguentar muito mais. Gabriel suspirou e pegou meu queixo, me forçando a olhar em seus olhos. — Eu não a segui naquela noite por que eu queria te proteger. Eu te segui aquela noite porque você era uma das pessoas mais interessantes que eu tinha conhecido em décadas. Você tem essa luz à sua volta, essa doçura, esse humor irônico. Depois de te conhecer por um hora, você me fez rir muito mais do que desde o dia em que fui transformado. Você fez eu me sentir normal, em paz, pela primeira vez em anos. E eu ainda não queria perder isso. Mesmo se isso fosse só te observar há uma milha de distância. Eu não queria deixar a sua presença. Eu te segui por que eu não queria te deixar ir. Mesmo depois, eu vi que você era uma das pessoas mais extraordinárias, fascinantes e enlouquecedoras que eu já tinha conhecido.

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Mesmo depois, eu acho que sabia que te amaria. Se você não me ama, é uma coisa. Mas se você me ama, apenas pare de argumentar comigo sobre isso. É irritante. — Bastante justo. — eu admiti. — Por que diabos você não me disse isso um ano atrás? — Eu tive que esperar. Você não estava preparada para ouvir isso. A água esfriou. Gabriel me ajudou a sair da banheira e me envolveu com o roupão. Eu me aconcheguei em baixo das cobertas e o puxei comigo. Ele me segurou perto por um momento longo e silencioso antes de eu finalmente dizer: — Fale sobre Jeanine. Fale tudo. Eu não ficarei com raiva, não importa quão ruim isso seja. Gabriel virou meu rosto para ele, afagando meu cabelo. — Eu conheci Jeanine em uma das minhas primeiras visitas a Paris. A família dela tinha dinheiro antigo, muito antigo. Seus pais morreram quando ela era jovem, deixando-a ser criada pela avó criminalmente indulgente. A mãe de Jeanine tinha sido propensa a “magia”, portanto sua avó atendeu {s suas necessidades. Então Jeanine aprendeu cedo que ficar fraca e doente era a maneira mais rápida de obter atenção. Muitos médicos, enfermeiras, empregadas domésticas para atender a todos os seus caprichos todo dia. E eles ainda nunca poderiam encontrar exatamente o que a estava incomodando. Os sintomas dela passavam como areia, deixando a avó frenética por que ela perderia mais uma menina amada. Jeanine nunca foi forçada a estudar as matérias que achava chatas, nunca foi forçada a se encontrar com a família ou a cumprir obrigações sociais que achava desagradável, nunca chegou a fazer nada que não se adequasse a ela. O resultado final foi uma garota com uma educação lamentavelmente limitada, pouca empatia, e sem consciência aparente. Passou muito tempo pretendendo ser a doente que ela convenceu a si mesmo que era. A sociedade parisiense inteira falava em admiração silenciosa dessa “rosa p|lida” que enfrentava todos os julgamentos de aparições públicas frequentemente para ir à ópera ou uma festa importante. Era bonita. Cabelo cor de mogno, sempre enrolado de acordo com as últimas modas. Olhos sem fim da cor de jacintos. A pele era tão... — Eu entendi. Ela fez da tuberculose algo quente. — eu disse zangada, — Continue a história.

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Com a voz um pouco menos admirada, Gabriel me assegurou. — Eu a encontrei por ela ser manipuladora, mimada, e nem de perto ser tão doente e boba quando queria que nós pensássemos. Ela era o que você teria muito livremente chamado de pé no saco. Mas também era muito esperta. A maior parte do seu tempo como a ‘incapacitada’ foi gasta lendo. — Eu pensei que você tinha dito que ela não estudou. — Ah, ela lia o que a agradava. Livros de romance, Varney, o vampiro e Carmilla. — Alguns dos livros mais hardcore66 de todos os tempos. — eu comentei. — Sem dúvida, jovens senhoras finas e inválidas não liam escabrosas fantasias lésbicas de vampiros. — Gabriel arqueou a sobrancelha para mim. — Como eu disse, a avó dela era indulgente. Ela faria qualquer coisa para levantar o espírito da pobre Jeanine, inclusive arranjar discretamente livros impertinentes. Jeanine reconheceu o que eu era rapidamente. Ela me abordou, colocando-se em meu caminho a qualquer lugar que eu ia, ao balé, festas, até mesmo um jogo de cartas tarde da noite na casa de um amigo. Isso estava se tornando uma piada entre meus amigos. A avó encorajou a paixão, por que ela parecia pensar que qualquer coisa que colocasse Jeanine para fora da cama e dentro do mundo era uma coisa boa. Uma noite, Jeanine me encurralou num baile e disse que sabia o meu segredo, mas que não era para eu me preocupar, que ela não diria a ninguém. Tudo que eu teria que fazer em retorno era transformá-la no que eu era. — Ela queria ser transformada? Gabriel murmurou. — Para alguém que passa tanto tempo em seu leito de morte, ela era aterrorizada com a morte. A ideia de se tornar velha e não ter a chance de ser confinada e doente era horrível. Ela pensou que em se tornar um vampiro, finalmente estaria livre da doença, capaz de sair do controle da avó dela, a qual ela começou há ressentir muito tempo antes. Eu recusei, disse que ela estava errada. Eu até usei meus poderes crescentes para limpar todos os pensamentos ou memórias que ela tinha dito à respeito de eu ser vampiro. Mas a obsessão dela era mais profunda do que
Hardcore - nome atribuído a uma variação extrema de algo. A palavra significa literalmente miolo, ou centro, núcleo duro, e era usada para designar militantes agressivos e também criminosos.
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eu podia alcançar. Dentro de algumas semanas, ela estava de volta novamente e determinada. Estava em todo lugar. Eu troquei de hotel indefinidamente para fugir dela. Ela superou a minha agenda antes de mim. Todo lugar que eu ia, lá estava um bilhete dela, persuadindo, lisonjeando, me prometendo a devoção eterna, amor sem fim, e companheirismo. — Isso soa vagamente família. — eu disse secamente. Ele suspirou. — Finalmente, ela encontrou o hotel onde eu estava hospedado. Eu voltei para casa à uma da manhã e a encontrei em minha cama. — Cadela. —Totalmente vestida com ambos os pulsos cortados. — ele adicionou. — Ew. — Ela estava à beira da morte. Tinha apenas fôlego o bastante para sussurrar, ‘Me ajude, por favor.’ Eu sabia que era errado... — Mas, sendo incapaz de deixar passar uma donzela em apuros, que é o seu padrão, por falar nisso, você interveio. — eu disse, segurando seu queixo em minhas mãos. — Sim. Eu senti que era minha culpa ela ter feito isso. Eu não tinha sido forte o bastante para dissuadi-la. Eu poderia ter feito mais. Não havia sangue deixado para tirar dela. Mais tarde, eu me senti usado, raivoso, desamparado. Entrei em pânico e me tornei alguém que seria o terror dos mortos vivos. Estava envergonhado do que eu tinha feito. Sabia que espécie maldosa ela seria capaz de ser, e por ora eu ainda não podia pôr-me a destruí-la, para fazê-la se levantar e caminha na terra. Dormi no chão do quarto do hotel e quando eu me levantei aquela noite, eu a levei para a casa de uma amiga, uma colega vampira. Uma mulher, Violette, que tinha três séculos e quarenta anos naquele tempo e menos provável de ser manipulada por Jeanine. Eu a esperei renascer, Violette provaria ser a mentora, uma influência estabilizante. Até o momento, eu teria reservado uma passagem para a China. — Dramático. — eu notei. — Necessário. — Gabriel contrariou. — Jeanine é um exemplo primordial de um vampiro que não mudou nada depois de ser transformada. Ela é apenas tão neurótica e egoísta agora quanto era. Ela é o único vampiro

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hipocondríaco que eu já conheci. Ela viaja com um umidificador, pelo amor de Deus. Est| tão convencida que todo lugar que ela vai ser| seu ‘lugar de descanso final’ que carrega todas suas propriedades numa van em movimento. Eu ri, mas ele continuou. — E quando o vampirismo não mudou o modo que ela olhava para si mesma, o modo como se sentia, ela me culpou. Ela acredita que é um vampiro inferior. Disse que eu não a transformei corretamente. Ela acredita que ainda está fraca e doente, então, obviamente, ela não tomou o suficiente do meu sangue. Ela quer eu tente transformá-la novamente. — Isso é ao menos possível? — eu perguntei. — Uma vez que sua transformação está completa, essa é a maneira que você vai ficar pelo resto da sua existência. O ponto é que eu realmente transformei Jeanine completamente. Eu dei a ela mais que o suficiente do meu sangue. Ela se recusa a acreditar em mim. Eu tenho tentado colocar algum juízo dentro dela, para ensiná-la repreensão, mas quando ela não consegue o que quer, suas birras vêm a ser massacres. Ela se convenceu que a única ‘cura’ para a condição era o sangue daqueles que viveram em grandes altitudes, então drenou cada religiosa num convento no Tibet. Ela massacrou vales de hospitais dos médicos por que eles não conseguiram encontrar nenhuma maneira para ajudá-la. Ela passou quase um século tentando me rastrear, fazendo o que podia para me isolar, arruinando minhas amizades, minhas relações com mulheres. Ela vai ficar dormente por alguns anos, enquanto se ‘recupera’ nas nascentes de |gua mineral ou em um monastério ou qualquer outro local supostamente curativo. E então ficará inquieta e começará de novo. Quando se tornar claro que ela estava acima da minha ajuda, meu foco é mantê-la distante das pessoas, dos lugares que eu me importo. Essa é a razão pela qual eu tenho passado tanto tempo pulando entre Hollow e, bem, o resto do mundo pelo último século. Ela diz que eu pertenço a ela, que eu a fiz, e agora eu sou responsável pelo que ela se tornou. E está certa. Ela é minha criação. O sangue de cada pessoa que ela já matou está em minhas mãos. Gabriel pressionou seu rosto em meu ombro, me adulando como se esperasse que eu começasse a grita e bater nele. Esperei um toque antes de dizer. — Então, realmente, eu não sou a garota mais louca que você já namorou. Isso é um alívio.

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— Você compreende meu peso nessa situação é incrível. — ele devolveu. Eu dei de ombros. — Estou só dizendo. — Então..., você não está brava? — ele perguntou. — Claro que estou! — eu exclamei. — Estou terrivelmente chateada com você agora. Se eu estivesse com força total, chutaria seu traseiro daqui até domingo. Eu não consigo acreditar que é isso o que você guardou de mim todos esses meses. Eu pensei que você me enganava! Você me deixou sofrer e lastimar e passar meses sem te ver por causa de algum problema com uma criança malcriada? Você e sua consciência hiperativa estúpida! De agora em diante, você vai medir a gravidade das suas ações respondendo à pergunta, ‘Dick pensaria que isso era uma boa ideia?’ e se a resposta é não, você saber| que fez algo muito, muito errado. De qualquer forma, apenas me fale sobre isso então nós evitamos esses dramas. Se você tivesse me contado meses atrás, eu teria te ajudado a rastreá-la e prendê-la em alguma ala suja de vampiro. — Exatamente por isso que eu não te contei. Eu não queria que você soubesse o que eu deixei acontecer, que eu não estava nem tentando pará-la mais, só indo mais rápido que ela. Eu não devia ter mentido para você. E isso me mata por que eu te machuco em minha tentativa equivocada de te proteger, especialmente quando parece que isso não está fazendo bem. Tudo que eu posso dizer é que eu estava assustado. Eu estava envergonhado. Eu estava tentando tanto cobrir meus rastros que eu perdi a noção do que era importante - você. — Por que você estava envergonhado? — eu perguntei. Ele levantou meu queixo, encontrando meus olhos. — Eu era um covarde. Se isso tivesse acontecido com você, você teria parado ela. Você teria ido atrás dela com ambos os barris e falado com ela com superioridade. E quando você me deixou naquele quarto de hotel, eu fui rasgado entre querer cair de joelhos, dizer toda a verdade a você, e implorar o seu perdão e esperar você partir, ir embora então você poderia ficar longe de Jeanine e da maldade dela. Eu pensei que me sentiria melhor uma vez que você estivesse em casa, mas eu fui dizimado. Eu fiquei naquele quarto de hotel por uma semana, sem ter certeza do que fazer, para onde ir, como me sentir, tudo enquanto eu esperava você voltar, mas sabendo que você não deveria.

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— Tecnicamente, dizimado significa ‘a redução da força militar em um décimo’. — eu assinalei. — Mmm, eu amo quando você faz isso. — ele suspirou, pressionando seu rosto em meu cabelo. — Eu não tive ninguém para me corrigir ou encher minha cabeça com trivialidades inúteis por meses. — Pobre alma. — eu murmurei, sorrindo de mim. — Por outro lado, eu não diria que você é um covarde. Você empurrou uma árvore em cima de um cara por mim. — eu envolvi meus braços em sua cintura e o puxei contra mim. — Então, você estava errado. — Eu estava absolutamente, inequivocamente, inegavelmente, 100% errado. — ele concordou, acentuando cada palavra com um beijo suave em minha garganta. — O que significa... — Que você estava absolutamente, inequivocamente, inegavelmente, 100% certa. — ele disse, novamente com os beijos. — Você sabe, uma mulher espera por toda a sua vida para ouvir essas palavras. — eu suspirei. Eu me ajeitei, levantando minha cabeça. Eu olhei para cima para o rosto dele e peguei um vacilo de incerteza. — O que? Por que essa cara? — Bem, eu posso acreditar que Jeanine te enviou cartas. — ele disse. — E talvez até esfregando sua casa com uma fruta exótica e desagradável. Mas a prata, isso parece muito agressivo para ela. Ela é absolutamente fóbica de qualquer tipo de prata, alega que é mais sensível a ele do que a maioria dos vampiros por causa da sua constituição delicada. Para ela ter enviado para você, deve estar ficando desesperada. — Ou isso, ou eu tenho outro stalker. — eu fiz piada. — Oh, merda. Você disse que tinha transformado três pessoas me incluindo. Quem é a terceira? — eu o empurrei quando ele não respondeu. — Total honestidade. — É uma história muito mais curta. Eu conheci Brandley na década de 50, em Londres. Ele era um jovem estudante de medicina, brilhante. Ele passava a maioria do tempo dele num laboratório, estudando vacinas. No momento em que o conheci, eu podia dizer que ele estava bem doente. Tinha uma mácula a ser cheirada, uma subcorrente da decadência. Leucemia. Mas quando eu pensei no que ele poderia fazer, como ele poderia beneficiar a

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humanidade quando ele tivesse tempo ilimitado para conduzir sua pesquisa, eu dei uma chance a ele: pairar sobre a morte natural ou vida eterna. Eu escolhi isso. Eu fui cuidadoso ao transformá-lo, ficando com ele até ele levantar, ensinando-o reflexão naqueles primeiros dias. E num primeiro momento, foi maravilhoso ter uma companhia, alguém com quem caçar, com quem falar. Como a sua, a curva de aprendizado de Brandley foi quase abrupta. Ele se ajustou perfeitamente à sua nova vida. Mas ao contrário de você, Brandley tinha uma enorme aptidão à crueldade. Ele não se interessou em estudos ou ciência quando ele poderia passar suas noites afogando no sangue de suas vítimas. Eu tentei ensiná-lo a ter paciência, piedade da sua comida, mas para ele, a refeição parecia incompleta se eles sobrevivessem. Eu mordi meu lábio. — Nós deveríamos nos preocupar em ter Brandley vindo atrás de nós, por que eu não quero ter que passar por toda essa coisa enteado demônio malcriado de novo. — Brandley está morto. Ele foi assassinado por uma máfia da Gálea raivosa que desaprovou a tendência que ele tinha de se alimentar das jovens filhas deles. — Tem certeza que ele está morto? — eu perguntei. — Bem, eles cortaram a cabeça dele, então, sim. Eu fiquei quieta por um longo momento. — Você tem realmente, realmente má sorte quando se trata de vampiros jovens, não tem? Quer dizer, como você poderia ter trabalhado os nervos para me transformar? Por que poderia ter dado terrivelmente, terrivelmente errado. — Quem disse que não deu? — Gabriel murmurou. — E pare de usar os advérbios duas vezes, é insultante. — Francamente, por que faria isso quando você já teve experiências muito ruins como criador? Ele me beijou, pressionando sempre seus lábios bem delicadamente contra os meus. — Por que você era diferente. Quando eu te disse que sua bondade e sua inocência te separam, eu me referi a isso. Eu tinha reservas quando eu transformei Jeanine e um pouco de relutância para transformar Brandley. Mas quando eu te vi, sangrando e morrendo, eu tive certeza absoluta que você merecia uma segunda chance, que você teria a maior parte da sua vida como vampira, sem crueldade, sem ser trivial ou egoísta.

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Você é a melhor parte de mim, Jane, o presente que poderia dar para o mundo para inverter os erros do passado. — Isso é tanto inacreditavelmente bonito quanto muita pressão que você coloca em mim. Gabriel bufou. — Eu amo você. — Eu também te amo. Idiota. — Concordo. — ele suspirou. — Eu nunca tive uma amante que eu encontrei como humana e conheci com vampira. E nunca fiz amor com alguém que eu criei. Eu não esperava que os meus sentimentos de amor, preocupação e responsabilidade se transformassem numa confusão. — Então, eu sou a primeira? Ele parecia assustado com a pergunta. — Sim! A última coisa em minha mente era transar com Jeanine, e, bem, Brandley era um homem. — Então, você nunca... — Não! Eu ergui minhas mãos. — Ei, vampiros são criaturas hipersexuais. Nossos limites não são como os de alguns humanos. E depois, claro, há sempre uma tensão entre você e Dick. Você realmente não pode me culpar por pensar... — Jane! Eu encolhi os ombros. — OK. Você é totalmente heterossexual. — Você está curtindo meu desconforto momentâneo, não está? — ele rosnou. — Imensamente. — eu disse a ele, rindo enquanto mordia seu lábio inferior. — Essa é a minha proposta, simples e ao ponto: nós localizamos essa Jeanine, censuramos e chutamos o traseiro dela. Gabriel suspirou novamente, enterrando seu rosto em meu cabelo. — Essa é a minha garota. Eu poderia ter tido uma relação duradoura anos atrás se alguém tivesse me dito sobre a onipotência de fazer sexo.

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Nós conversamos por toda a noite sobre nossos meses separados. Nós parecíamos está em uma competição para ver quem sentiu mais a falta do outro. Eu descrevi meu lastimável roupão de banho revestido. Ele rebateu com o fato de ele ter deixado Zeb levá-lo para o karaokê no Cellar para cantar tristes canções depressivas, incluindo “Tem uma L|grima na Minha Cerveja67.” Eu falei sobre minha noite de bebedeira com Dick, cuidadosamente omitindo a briga de bar, para a segurança de Dick. Gabriel confessou ter mantido uma das minhas camisetas na cama com ele, então ele poderia sentir meu cheiro enquanto dormia. — Você agora é oficialmente uma garota de dezesseis anos. — eu ri, afagando suas costas. — Espere um minuto, o que você fez com as calcinhas que você roubou no beco? — É melhor nós não discutirmos isso. — ele disse, acariciando minha clavícula. — Nós já deixamos claro que eu senti mais a sua falta do que você a minha. Vamos deixar isso para lá. Eu sou realmente o vencedor patético. — Eu não chamaria isso de vitória. — eu disse, balançando minha cabeça. — Mas eu acho que tenho que vencer. — O que pode ser mais patético do que objetivar sexualmente uma camiseta do New Kids on the Block68? — ele perguntou arqueando uma sobrancelha. Eu rolei, deixando seu peso me prender agradavelmente contra o colchão enquanto eu segurava seu rosto acima do meu. — Meu corpo deseja tanto você que eu não conseguia dormir com todos esses sonhos sexuais que estava tendo. Colorido, barulhento, acordando no meio de orgasmos múltiplos extravagantes que me torturavam toda noite. Eu não sabia se ficava com raiva da minha subconsciência por não ser capaz de te deixar ir ou agradecida por eu ser capaz de me segurar a você até naquele caminho vazio e pouco satisfatório. A boca de Gabriel se abriu, e eu acho que ouvi seu cérebro quebrar como vidro. Ele bufou: — Diga-me.

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Do original “There’s a Tear in My Beer.” É uma música interpretada pelo cantor Hank Williams Jr. banda norte-americana dos anos 80 que voltou à ativa recentemente.

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Eu me lancei em descrições detalhadas dos meus sonhos, por que eu descobri, para que sofrer sozinha? Eu disse a ele que era basicamente lembrar-se de perder a virgindade na faculdade, só que era Gabriel que me levava de encontro às prateleiras da seção de folclore Russo na biblioteca da universidade. E nós acabamos o batismo da sala das coleções especiais tão quanto acabamos com o da seção de referência. Ele grunhiu quando eu falei sobre o sonho no qual ele era meu chefe e eu tinha que ser “disciplinada” contra sua mesa por ter arquivado indevidamente uma reportagem. Eu descrevi o cenário envolvendo-o e um litro de sorvete de chocolate sobrecarregado só paras ser má. Quando eu fui para o sonho vitoriano, eu ignorei os aspectos sangrentos e perturbadores para focar nas roupas definidas e extravagantes. Eu tropecei na, hm, prova oral, por que era jovem para conversa suja e não poderia parecer encontrar a diferença entre sexo obsceno e sexo vulgar. Sério, a Jane impertinente só pode manter a fachada por muito tempo. — Não pare agora. — Gabriel disse, seus olhos escuros e ligeiramente fora de foco. — Eu gostaria de saber como isso termina. — É um pouco embaraçoso. — eu confessei, inesperadamente querendo que a cama se abrisse e me engolisse. Eu tinha ido de uma mulher sensual úmida e pronta à novata gaga em três segundos chatos. Se eu pudesse corar, meu rosto estaria iluminado como uma chama. — Eu vou dizer que você me beijou num lugar que você nunca beijou antes. — Como no assento de trás de um carro? — ele perguntou, seu tom provocando. — Sim, você beijou meu Honda. — eu ri, dando um tapa em seu ombro enquanto ele distribuía beijos entre meus seios, mergulhando um pouco para o meu umbigo. Quando ele botou a ponta do nariz na faixa de renda da minha calcinha, meus quadris se levantaram da cama. — O que você está fazendo? — Eu te disse, eu quero saber como isso termina. — ele disse, descartando minha roupa íntima para longe. Eu deixei escapar uma respiração lenta, cortada, quando o ar frio bateu no úmido que escorria em minha carne. Eu fiz um barulho entre um ganido e um suspiro quando a língua de Gabriel fez aquele primeiro deslizamento lento e doloroso em mim. Gabriel murmurou: — Como nós saberemos se o sonho foi preciso, sem ao menos o deixar ele brincar?

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Meus quadris se elevaram, me pressionando contra a boca dele enquanto seus lábios dançavam sobre meu núcleo. Suas mãos deslizaram sob minha bunda e me levou para mais perto, minhas pernas deslizando em cima de suas costas. Ele beliscou, beijou e brincou enquanto meu corpo arfava. Pontos quentes de prazer rolavam em minha barriga, se espalhando por cada nervo até que cada golpe da boca dele se tornou doloroso. E assim como meu sonho, no momento em que a ponta da sua língua tocou naquela pequena pérola exclusiva de nervos, eu gozei, gemendo. Puxando minhas coxas e colocando-se entre elas, Gabriel deslizou no meu corpo, beijando e mordendo até que ele alcançou minha boca. Quando sua língua, ainda com gosto da minha própria excitação, varreu minha boca, ele me encheu ao máximo. Seja qual fosse ao fôlego que restava, ele era lançado em um longo suspiro. Ele separou meus joelhos, prendendo meus tornozelos em suas costas enquanto ele se retirava. Eu choraminguei apenas quando ele agarrou seus quadris e foi mais fundo. Ele me levou ao auge mais e mais e então se puxou para trás, nos libertando. Perdi a noção do tempo, ou ritmo, de qualquer coisa exceto o atrito delicioso. Gabriel roçou seus lábios sobre as minhas pálpebras fechadas. Meus olhos se abriram quando as presas dele se espreitaram sobre os seus lábios. Ele sorriu, flexionando sua cabeça para a minha garganta e delicadamente raspando seus dentes afiados em minha pela. Eu arqueei meu pescoço. Ele afundou suas presas em minha pele, drenando sangue do ferimento com insistência, com uma leve pressão. Eu virei minha cabeça para colocar meu rosto na palma da sua mão, mordendo apenas a pele abaixo de seu pulso quando seus movimentos ficaram mais frenéticos. Ele suspirou quando eu engoli a primeira pequena quantidade de sangue. A conexão, o fluxo de sangue parecia abrir alguma pequena janela entre nós. Eu nunca tinha pegado mais do que uma insinuação do que Gabriel estava pensando antes. E agora eu podia sentir tudo que ele sentia; o amor que ele sentia por mim, seu alívio por ser capaz de me tocar novamente, o prazer que eu estava dando para ele. Estava previsto que se abria para mim. E quando eu pensei, “Eu te amo, também,” ele arfou novamente, como se ele me ouvisse. O pensamento enviado para ele levou-o ao ápice e me levou junto. Na minha cabeça, a menor versão do sonho de Gabriel foi embalada com o estúpido revestimento do smoking lançado depois dele.

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Capítulo13
Em algum momento temos que aceitar que alguns padrões de relacionamentos nunca mudarão. O problema em ser um vampiro é que pode levar séculos para essa hora chegar.
- Mordidas de Amor: Um guia de vampiras para relacionamentos menos destrutivos.

Mamãe tinha se superado.
Com pouco esforço, ou induzido da minha parte, minha mãe tinha organizado um “ch| de bebê” que teria feito Martha Stewart69 ficar verdeamarelada de inveja. — Ah ... meu. — Jolene suspirou enquanto eu a ajudava a gingar através da porta da frente da casa dos meus pais. Já que a ultrassom tinha sido incerta quando ao sexo dos gêmeos, mamãe tinha mantido as coisas em cores neutras. Um banner feito { mão dizendo “Parabéns!” em aplique rosa e letras azuis pairando sobre a mesa da sala de estar. Na mesa, os convidados podiam “assinar”, autografando um pequeno |lbum de bebê para Jolene e oferecendo a ela um pedaço inestimável de sabedoria parental. À nossa esquerda, a cadeira da sala de estar estava arranjada num círculo em volta de uma pequena pilha de belíssimos presentes embrulhados. Um varal estava amarrado num lado da sala, artisticamente combinando com os equipamentos unisex, meias combinando, e chapéus que eu sabia que mamãe não tinha conseguido resistir de comprar para os gêmeos. À nossa direita, mamãe tinha coberto a mesa de jantar com pequenos votives de flores silvestres entre as placas de biscoitos em forma de chocalho e petit fours70 coloridos. — Está tudo tão bonito. — Jolene sussurrou novamente. — E ninguém está pelado.
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Apresentadora de televisão e empresária estadunidense, usada muitas vezes como ícone de uma extrema dona de casa.
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Pequeno doce, geralmente consumido no final de uma refeição ou como parte de uma sobremesa.

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— Bem, se esse não é o pré-requisito de um ‘ch| de bebê’, deveria. — eu disse, me arrepiando enquanto mamãe entrava na sala de jantar com uma tigela enorme do seu especial “ponche de ch|.” Eu gemi. Toda mulher do sul se orgulha da sua própria receita de ponche de chá de bebê, que é uma combinação de sorvete de limão e cerveja de gengibre ou a criação de um anel congelado de abacaxi pulverizado em uma panela Bundt71 e deixando-o derreter levemente numa poncheira cheia de suco de laranja. Mamãe nunca tinha revelado sua fórmula secreta de ponche para mim. Pessoalmente, eu nunca entendi a atração em combinar ingredientes bizarros em maneira desnecessariamente complicada quando abrir a garrafa de uma Coca podia ser muito mais fácil. Era provavelmente por isso que eu não estava respons|vel pelo “ch| de bebê.” — Ah, senhora Jameson, isso é tão... obrigada. — Jonele fungou, atirando seus braços no pescoço de mamãe, que não estava familiarizada com a força de um lobisomem, estremecendo no aperto de Jolene, mas afagando suas costas. — Ah, querida, eu estou feliz por fazer isso. Zeb significa muito para mim e John. Isso significa que você também significa muito para nós. — ela disse, gentilmente tirando os braços de Jolene para que ela pudesse respirar. — Agora, Jane disse que você tem tido um grande apetite recentemente. Então eu fiz um lanchinho para você comer antes que todos cheguem aqui. Por que você não se sente em casa na cozinha? Eu arqueei uma sobrancelha quando Jolene seguiu seu nariz para a cozinha. Através da porta, eu a ouvi guinchar: — Ela assou presunto para mim! — Zeb me disse que Jolene podia comer muita comida. — mamãe disse, cuidadosamente botando a poncheira na mesa. — Você com certeza tem um grupo de amigos interessantes, querida. — Obrigada, mamãe. — eu disse, beijando sua bochecha. — Sério, é lindo. Ei, o que você quis dizer com ‘todos’? Ser| apenas eu, Gabirel, Dick, Andrea, vocês, tia Jettie, e o senhor Wainwright. Você botou muita pasta no pão para um grupo de pessoas que não comem.
71

A bandeja de Bundt ™ foi inventada por David H. Dalquist em 1950, e continua a ser uma marca registrada de sua empresa Nordic Ware ®, que já vendeu mais de 50 milhões dessas bandejas populares de bolo.

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Os parentes tanto de Jolene quando de Zeb estavam estranhamente ausentes da lista de convidados. Eu acho que nós todos podemos concordar que foi pelo melhor. — Eu posso ter convidado algumas outras pessoas. — mamãe disse. — Há muitos parentes que conhecem Zeb da escola, pessoas da minha idade que o conheceu quando ele era pequeno, que quer ajudá-lo a celebrar os bebês. Aliás... Eu posso ter enviado convites para todos os seus tios e primos, fazendo parecer que Jolene era de alguma forma relacionada a eles. — Mamãe! — Bem, eu tive que ir a todos os chás de bebê deles e das filhas deles. — ela se irritou, parecendo um pouco envergonhada. — E você não vai precisar de um, então estou chamando todas as suas fichas para Jolene. Ninguém pode lembrar a metade dos nomes dessa família, de qualquer maneira. Eles vão aparecer dar um presente a ela, e ir embora pensando que eles fizeram uma obrigação a um parente distante. — Isso é... — eu gargalhei. — Realmente brilhante. Eu te subestimei. — Constantemente. — mamãe me disse. — Agora, eu não quero que você se preocupe sobre os garotos. Seu pai comprou uma mesa de jogos como muita cerveja e fichas de pôquer para mantê-los entretidos por horas. Ele está realmente muito excitado por passar algum tempo com Dick e Gabriel. Ele tem essa lista com todo o tipo de perguntas sobre a Guerra Civil. E eu estou muito feliz por você e Gabriel terem se entendido, querida. Vocês são perfeitos um para o outro. Tudo que você tem que fazer agora é pegá-lo e colocar aquele anel no dedo... — Mamãe, eu não sou autorizada a casar. — eu disse a ela. — Não haveria muito sentido em nosso noivado. — Querida, eu sei que esse é um assunto delicado. Eu só me sentiria melhor se soubesse que você estava casada. — Mamãe, eu vou viver para sempre, assim como o meu namorado. Eu acho que isso é estar tão casada quando você poderia esperar, considerando as circunstâncias. Mamãe considerou aquilo por um momento e pareceu satisfeita. — Por outro lado, eu acho que nós temos problemas mais imediatos. Por mais que eu aprecie esse seu planejamento de expandir o chá para

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Jolene, o que você vai fazer sobre os convidados extras? E se as pessoas não me quiserem por perto por causa do problema do morto-vivo? Essa seria a primeira vez que veria tantos tios de primos desde... Oh, espere, a vovó Ruthie vem? — Eu decidi que era melhor não convidar sua avó. — mamãe disse, ajustando cuidadosamente as coberturas de uma cadeira. — E querida, se alguém tem um problema por você estar aqui, ele podem dar o fora da minha casa. Eu pisquei ao sentir a umidade misteriosa reunida em volta dos meus olhos. — Obrigada, mamãe. — Quem está pronto para Texas Hold Em72’? — papai ressoou enquanto chegava ao andar de baixo em com sua boba translúcida videira de comerciante verde. Ela caía bem com seus suspensórios da sorte de arco-íris. Dick ia comer meu pai vivo. — Vocês não estão jogando por dinheiro, estão? — eu perguntei. Vou admitir que suei um pouco quando a campainha tocou. O primeiro convidado a chegar era Iris Bodden, parente distante de um dos meus meio-avós e “A mãe de banda” |vida quando Zeb e eu estávamos na Marching Howler Band. Ela entregou a Jolene um pacote de fraldas e disse-lhe que tinha um prendedor roubado. — Zeb sempre foi bom para a minha Jessica, até mesmo quando ela estava passando por sua fase complicada. — a senhora Bodeen disse de sua filha, que tinha desenvolvido acne debilitante no segundo ano. — Ele era gentil, mesmo que fosse mais fácil não ser. Ela vai ser um pai maravilhoso. Jolene sorriu para ela. Nina Tipton, cujos gêmeos incontroláveis haviam feito a vida da Zeb um inferno no primeiro ano de ensino, quase chorou quando ela falou sobre a paciência de Zeb com eles. — Muitos professores teriam apenas lavado as mãos com meus garotos... especialmente depois do incidente do palhaço. Mas seu esposo trabalhou e trabalhou até que eles fossem capazes de sentarem por um dia inteiro sem socar ou chutar ou tentar algum
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Texas hold 'em é o estilo de jogo mais popular do community card poker. É também a variante de pôquer mais popular na maioria dos cassinos, além de ser uma das que mais preza a posição do jogador à mesa.

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movimento de luta greco-romana. Eles teriam sido expulsos do ensino fundamental se não fosse por Zeb Lavelle. E assim eu fui. Era uma pena que Zeb não pudesse ouvir estes testemunhos, já que ele foi seqüestrado para a sacada. Um fã ávido de Gamber Moveis, meu pai estava dando o seu melhor truque em Dick, Gabriel, Zeb e o senhor Wainwright. Eu freqüentemente ficava presa na janela ao ver o segredo dos homens. Sr. Wainwright parecia estar oscilando silenciosamente atrás de Gabriel dando a Dick pistas sobre a mão de Gabriel. Eu mandei tia Jettie para fora para equilibrar a disputa. Até o momento, eu consegui ficar fora do radar, ajudando Andrea a manter os pratos cheios enquanto mamãe tratava com os deveres de anfitriã. Os convidados com os quais eu me deparava não pareciam surpresos ou alarmados em me ver. Bem, minha prima Junie estava fazendo questão de não falar comigo. Mas aquilo tinha muito mais a ver com a minha discussão sobre sua carreira de stripper perto de um microfone num funeral da família um ano atrás do que com qualquer problema de vampiros. — Janie, querida, como você tem estado? — perguntou Loralee Warner, que trabalhava com mamãe no Um Ponto no Tempo. O modo habitual de Loralee numa festa era acampar perto do bufê e assistir ao desenrolar dela dali. Ela era fã de comidas em miniatura que não precisava fazer por si mesma. Eu arqueei uma sobrancelha e procurei por duplos significados latentes nas palavras de Loralee. Eu não consegui encontrar nenhum. — Estou bem, senhorita Loralee. Como você está? — Oh, meu cabelo está mais branco, e meu bumbum está maior, mas o que mais é novo? — ela bufou. — Sabe, sua mãe me falou sobre as, hm, grandes mudanças que você tem passado. Eu só podia imaginar o que mamãe e Loralee falavam quando presas na loja de alcochoados por horas. Nos dias frustrantes da mamãe, eu duvidava que eu aparecesse como assunto lisonjeiro. — Tenho certeza que ela disse. — Sabe, o garoto da minha irmã, Jason, foi transformado ano passado. — ela suspirou. — Ser transformado acabou sendo a melhor coisa para ele. Ele realmente tinha que pensar no que ele fez antes de ser transformado. Era sefuro para ele sair de casa? Ele tinha sangue suficiente para levar com ele

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ao longo da semana? Ele estava conversando de maneira inteligente com um vampiro que era mais velho e mais forte do que ele era? Ele tinha que fazer muito para crescer. Ele é quase tolerável de estar perto agora. — Bem, tem que ter algo pelo qual lutar. — eu murmurei. — Sua amiga Jolene. — Loralee disse discretamente. — Ela não é bem humana, também, é? — Por favor, não conte a ninguém. — eu sussurrei, olhando para ver se alguns dos outros convidados haviam escutado ela. Eles estavam muito absortos em Jolene abrindo o que parecia um balanço vibratório musical para o bebê com cinco velocidades. — Ah, querida, eu não me intrometer. — Loralee disse. — Do modo como eu vejo isso, vocês vampiros e o quer que Jolene seja, vocês estão apenas fazendo coisas mais interessantes que o resto de nós. Tem mais algum bolinho de salsicha? E com essa chance confusa de assunto, a conversa terminou. Ninguém no amontoado parecia se importar por eu ser uma vampira. Essas eram pessoas que me conheciam desde o dia que eu nasci. Os filhos deles foram às minhas festas de aniversário. Eles foram aos funerais de todos os meus meio-avós. Estar com eles agora não era diferente de quando eu era humana. Enquanto eu mantivesse o ponche espumante fluindo, eu seria bem vinda. Agora, aquilo não queria dizer que eu seria bem vinda em qualquer grupo. Havia uma boa chance de que nos próximo cinqüenta anos, eu entraria em qualquer conversa com um humano que me conheceu antes de ser transformada esperando algum tipo de insulto ou rejeição - o qual era um resultado da minha natureza neurótica, realmente. Humanos eram nem totalmente bons nem totalmente ruins. E assim como em minhas interações com vampiros, eu provavelmente teria que me aproximas deles caso a caso. O fato que eu tinha levado tanto tempo para chegar a essa conclusão “impressionante” me fez ficar um pouco triste. Eu limpei minhas mãos na toalha de chá e fui até Jolene, a qual estava se arrulhando sobre o berço duplo que Andrea e Dick haviam dado a ela. — Dick queria te comprar uma bomba tira-leite. — Andrea bufou. — Eu aprendi a nunca levá-lo para uma loja de bebê. Nunca. Ele ria toda vez que ouvia a palavra ‘mamilo’.

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— Bem, é isso que você consegue por namorar um gigante de vinte e dois anos. — eu disse a ela, sentando ao lado de Jolene. — Ah, querida, eles são todos assim. — a melhor amiga da minha mãe, Carol Ann Reily, me disse em um tom cansado. — Olhe quem está toda convencida e segura agora que ela fez as pazes com o namorado. — Jolene disse. — Meu namorado é mais para um gigante de catorze anos de idade, — eu murmurei. — Também emocionalmente imaturo, mas alguém mais perigoso. — Ah, querida, eles são todos assim, também. — Carol Ann me garantiu de novo. Isso estava longe do pequeno chá de bebê familiar que eu tinha planejado, mas Jolene estava satisfeita com todas as mudanças. Nós galanteamos e intimidamos apropriadamente a cada roupinha, lençol de berço, e ursinho de pelúcia. Inferno, eu fiquei um pouco emocionada com o novo e brilhante aquecedor de lenços umedecidos de Jolene. Até o fim da noite, meus parentes estavam convencidos de que eles se lembravam de Jolene de algumas reuniões de família quando ela era uma garotinha. Ela foi convidada a se juntas em inúmeros dos meus grupos e da mamãe e círculo social. Mamãe considerou seu chá de bebê o débito de uma dívida social resolvida. Os garotos foram liberados a entrar novamente depois que as meninas saíram, seguindo o rastro de fumaça de cigarro e migalhas de batata frita no despertar deles. Considerando que Gabriel e eu tínhamos feito, eu esperava completamente irromper em chamas desconfortáveis por estar na mesma sala com ele e meu pai. Vamos apenas dizer que nós tínhamos passado muitas noites experimentando, e tínhamos descoberto que eu podia ler a mente de Gabriel se eu estivesse bebendo seu sangue no exato “momento certo” durante o sexo. Infelizmente, seus pensamentos tendem a fazer os grunhidos possessivos masculinos parte da sua personalidade. Nós ainda estávamos nos aprofundando, tendo mais conversas significativas, daí a combustão espontânea e a vergonha paterna. Eu me foquei em ajudar mamãe com a louça suja. A grávida e pesada, Jolene, apesar de ter comido seu peso em bolinhos de salsicha durante o chá de bebê, enfiou uma tigela empilhada de sorvete e bacon canadense para

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dentro. Papai, Andrea e Zeb fizeram um arrebatamento furtivo de qualquer comida que Jolene não tinha reivindicado. Quando papai finalmente parou um pouco de atormentar Dick e Gabriel sobre suas infâncias do século XIX, Gabriel levou Dick para a sala de estar e entregou a ele uma pequena pasta de couro contendo a escritura da mansão da família Cheney. Considerando que eles haviam desperdiçado a noite jogando, eu fiz disso um mau sinal. Mas parecia ser algo que Gabriel tinha estado pensando por um longo tempo. — Eu quero que você tenha isso de volta. — ele disse a Dick. — Não há maneira de eu realmente te pagar por ser o tipo de amigo que Jane precisava, mas eu posso te dar isso. — Eu não posso. — Dick protestou. — Você sabe o que aquela aposta nos custou. Pegar de volta agora seria apenas fazer isso tudo inútil. — Sem ser grosseira, mas tudo isso foi inútil. — eu notei do outro lado da sala. Quatro olhos se contraíram em minha direção. — O que? — eu disse sem ser grosseira. É como dizer ‘Deus os abençoe’ logo após dizer coisas ruins sobre alguém. Isso significa que não conta! — Sobre o que eles estão falando? — papai murmurou claramente fascinado. — Dick ganhou o jogo de cartas esta noite? — eu perguntei a papai. Papai acenou. — Bem, ele tendia a jogar bêbado quando ele e Gabriel eram humanos, então ele geralmente perdia. Dick perdeu a casa da sua família para Gabriel. Os dois são tão teimosos que levaram um bom tempo para superar isso. — Uau! — papai não conseguia estar mais feliz do que uma dona de casa desesperada assistindo suas “estórias” favoritas. Gabriel limpou a garganta. Ele tinha o bom senso de parecer envergonhada e petulante. — Amo você. — Depois de tudo que você tem feito por Jane, é o mínimo que eu posso fazer. — Gabriel disse, botando a escritura na mão de Dick. — Eu não sei o que dizer, filho. Me desculpe por deixar isso ter ido tão longe. Eu senti falta de ter você por perto nos último cem anos ou mais. — Dick disse, procurando pelo ser humano a mais que eu e ele tinhamos desde que eu o conheci. Ele parecia mais jovem de qualquer forma, mais

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vulnerável. Ele pegou a escritura e então olhou para cima, seus olhos pleitearam. — Eu ainda posso te irritar o inferno? — Eu não sei o que faria se você não me irritasse. — Gabriel disse honestamente. — Eu acho que você adoeceria e morreria. Eles apertaram as mãos e deram socos fortes no braço um do outro. Dick disse a Andrea que eles dariam a volta ao mundo, para uma casa de luxo que existia antes da guerra e que ela poderia decorar como seu coração quisesse. Então ele alimentou-a carinhosamente com um ovo muito apimentado. Ela corou, especialmente quando Dick tentou beijá-la depois. Ovo apimentado não é uma comida sexy. — Isso significa que nós teremos um encontro duplo agora? — eu perguntei. Andrea revirou os olhos. O sorriso de Gabriel era perverso. — Sim, por que eu acho que é justo já que Dick tirou minha namorada de uma briga de bar, eu deveria ser capaz de tirar sua namorada da cidade e colocá-la em perigo enquanto ele observa. Talvez nós possamos ir a uma convenção de motoqueiros. Dick rosnou. — Ei, Jane foi melhor naquela briga do que eu. — Eu pensei que você não estava envolvido na briga com Walter. — Gabriel disse, seus olhos castanhos franzidos. — Não aquela, a outra, com Todd. Aquela... você não sabe. — Dick fez uma careta. — Merda. — Você a colocou numa briga de bar? — Gabriel perguntou. — Você deveria estar tomando conta dela, não a colocando em perigo! É isso. Dick, Jane, de agora em diante, todos os seus encontros serão supervisionados. Andrea, querida, estou tomando seu pára-quedismo. É justo. Papai gargalhou e se dirigiu para a cozinha para outra rodada de cervejas. Andrea subiu no colo de Dick e sugeriu atividades alternativas, montaria em touro, nadar no Rio Ohio durante o pico do tráfego de embarcações, corrida de MotoCross sem capacetes, e me deixar cozinhar para ela. A carranca de Dick cresceu ainda mais a cada sugestão. Ao terminar o pior sundae do mundo, Jolene encourou Zeb, com as mãos de ambos pousadas na enorme barriga dela. Jettie estava distraída inventariando o saque de Jolene com palmadinhas amigáveis na bochecha do Sr. Wainwright.

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Eu tinha uma família. Uma família que me amava, sem julgamento, sem limites. E meus pais tinham, de alguma maneira, caído diretamente nesse grupo heterogêneo e estavam curtindo um ao outro. Com certeza, havia parentes de sangue por aí que não conseguiam permanecer em minha vista, mas eu podia retroceder essas pessoas. Eles lutariam por mim, beijariam meus machucados, me tirariam das rodadas de tequila grátis quando a vida me deixasse para baixo. Eu não precisava mais do que isso. Estava tudo certo em meu mundo. Então, isso fez parecer que minha avó Ruthie escolhesse esse momento para berrar da porta. — Jane Enid Jameson! — ela trovejou, batendo com força a porta atrás dela. Vovó usava uma espuma fina, seu cabelo cinzento esfarrapado e suas bochechas coradas. Ela estava vestida de rosa e um terninho xadrez rosa e laranja, o tipo de coisa que faria a tia Jettie ter um ataque de risos quando ela era viva. Aparentemente, isso funcionou até mesmo após a morte, também, porque minha tia fantasmagórica estava gargalhando em sua forma invisível. E ela não estava sozinha. — Enid? — Dick riu de forma irônica. Eu ignorei a risada baixa de Dick quando vovó guinchou: — Como você pôde envergonhar sua irmã daquela maneira? Ela me disse o que você fez na reunião da Câmara de Comércio. Como você pôde? Você sabe o quão importante a imagem pública dela é nesse novo negócio que ela está começando. Como se atreve a tentar sabotá-la dizendo aos membros proeminentes da nossa comunidade que ela é... — Minha parente? — eu tentei manter a minha voz calma quando eu disse: — Vovó Ruthie, como pode ver, eu tenho convidados. Talvez nós possamos ter essa conversa uma outra hora. — Não me diga quando e onde eu posso conversar com você, mocinha! — ela gritou. — Essa é a casa da sua mãe. Eu virei e irei quando eu achar melhor. — Mamãe, sobre o que é todo esse escândalo? — minha mãe perguntou quando veio da cozinha. — Apenas relaxe. — Não me diga para relaxar, Sherry. — vovó Ruthie se descontrolou. — Já é muito ruim que você tenha continuado a deixar Jane em sua casa, mas

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agora você está a deixando arrastar seus indesejáveis para a sala de estar? Anfitriã de festas para eles? Essa estupidez foi longe o bastante. — Não fale assim na frente dos meus amigos. — eu disse à minha avó. — Ah, não se preocupe com a gente. — Jolene disse, fascinada pela briga de família que se desdobrava na sua frente. Eu tenho certeza que era uma novela para ela, considerando que a maior parte das disputas da família McClaine terminava quando ambas as partes de transformavam e mostravam suas habilidades de luta. Geralmente pelados. — Esses são os seus amigos? — vovó Ruthie zombou, observando meu grupo heterogêneo, minha família escolhida. — Esses são os tipos de pessoas que você passa tempo sob o teto do seu tataravô? — Cuidado, Vovó. — eu avisei, olhando a expressão de insulto no rosto de Andrea. Dick, por outro lado, estava acostumado àquele tipo de comentário e permaneceu impassível. — Agora, vamos todos nos acalmar. — mamãe disse num tom diferente do qual ela normalmente usava durante esses confrontos. Ela não estava tentando acalmar vovó. Ela estava apenas tentando evitar que nos esbofeteássemos na sua sala de estar. Aquilo era estranho. Vovó parou com toda a sua altura e usou sua voz matriarca. — Eu vou falar o que se passa em minha cabeça, Jane. — Bem, então você vai falar na cozinha. — eu coloquei minha mão sob o cotovelo de vovó e a carreguei através da porta vaivém não tão gentilmente. Mamãe avisou: — Agora, Jane, tenha cuidado. — Mamãe, eu não vou machucá-la. — eu suspirei. — Não, não, eu sei disso. — mamãe me assegurou. — É só que todas aquelas louças legais estão no balcão. Tente não quebrar nada. Eu segurei uma gargalhada. — Mamãe! — Oh, ela tem isso há anos. — papai me disse. — Sua mãe apenas ainda não está pronta para fazer isso ela mesma. — Estou trabalhando nisso. — mamãe prometeu. — Ela não pode continuar falando com você desse jeito. Eu deixei isso ir muito longe. Talvez

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se eu tivesse tolerado ela anos atrás, nós tivéssemos uma relação melhor. Você e eu devíamos ter tido uma relação melhor. Eu estou tentando estabelecer alguns limites para ela, querida, mas ela é tão velha. E eu sou tão... — Temerosa a ela? — eu sugeri. Mamãe assentiu. — Dê o inferno dela, querida. Com aquilo, eu ajustei meus ombros e marchei para dentro da cozinha para encarar minha tênue inimiga septuagenária. — Seja tão rude comigo quanto você gostaria. — eu disse a ela. — Mas nunca insulte as pessoas naquela sala quando eu estiver presente, você me entende? — Você não fale comigo dessa maneira. — vovó rebateu. — Você foi criada para respeitar os mais velhos, Jane. — Eu fui criada para respeitar as pessoas que mostram respeito a mim. Algo que você nunca fez. Agora, por que você não volta para casa para o seu noivo meio morto e deixa eu e Jenny resolver nossos problemas por contra própria? Vovó bateu seu sapato ortopédico número seis. — Você vai pedir desculpas para a sua irmã, Jane. E você vai parar com essa bobagem com o processo e dar a Jenny a parte dela da herança adiada. Eu ordeno isso. Eu revirei os olhos com a raiva geriátrica ante mim e então rompi em gargalhadas tão altas que Gabriel pressionou sua cabeça através da porta para me checar. Eu acenei para ele ir embora enquanto eu deslizei contra o balcão para me apoiar e deixar a lágrimas de sangue rolarem por minha bochecha. — Desculpe-me. — eu disse, dando risadas bobas. — Você acabou de me ordenar a fazer alguma coisa? Nós nos conhecemos? Isso alguma vez j| funcionou com você? Jenny recebeu a parte dela da ‘herança adiada. ’ Ela pegou da casa, um pouco por vez, sem perguntar. Assim como você. Você tem contrabandeado coisas de valor da casa desde o funeral da tia Jettie. Não finja que não é. — Deixe-me te dizer uma coisa sobre sua preciosa tia Jettie. — vovó cuspiu. Na periferia do meu campo de visão, eu podia ver tia Jettie olhando para o marcador de quadro branco que mamãe mantinha no refrigerador. Ela o agarrou e começou a rabiscar na frente da geladeira. O rosto de Ruthie

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ficou imobilizado de horror enquanto uma mão invisível se esticava, “Ruthie... Aqui é Jettie... Eu preciso..., te dizer..., você engordou.” — Jane, eu não sei como você está fazendo isso, mas pare. É mórbido. — vovó ralhou, seu rosto pálido. — Eu não estou fazendo isso. — eu disse. — Eu sou telepática, não telecinética. Tia Jettie, talvez você não devesse... Tia Jettie piscou para mim. — Querida, ela tem isso há anos. — Jane, pare com isso agora mesmo! — vovó gritou quando Jettie a chamou de “morena natural”, enfatizando o “natural” três vezes. — Não sou eu, é a Jettie. — eu disse. — Ela tem assombrado a casa desde que morreu. Eu não era capaz de vê-la até voltar. — De todas as piadas doentias. — vovó Ruthie cuspiu. — Como você ousa usar a memória da minha irmã dessa maneira! — Ah, vamos lá, você consegue acreditar em vampiros, mas não em fantasmas? Vovó Ruthie me olhou com desdém. Eu suspirei. — E se eu te dissesse algo que somente Jettie saberia? — eu perguntei quando Jettie se curvou para cochichar em meu ouvido. A boca de Vovó se abriu como a de um peixe de praia. — Eu não vou... — Tia Jettie disse que se você não me soltar um pouco, ela vai visitar a sua mãe e dizer tudo sobre o que você estava fazendo no banco de trás de Edgar Oliver quando você deveria estar estudando a Bíblia. Ruthie empalideceu. — Como você..., minha mãe está morta. — Sim, mas Jettie pode ir à sede do Clube Feminino da Half-Moon Hollow a qualquer hora que ela queira e visitar vovó Bebe. É assim que os fantasmas funcionam. Eles podem assombrar qualquer lugar que eles escolham, mudando de lugar em lugar. Eles até mesmo visitam uns aos outros. Ok, essa última parte foi um blefe total. Vovó Bebe foi uma senhora adorável que não tinha assuntos inacabada, muito menos negócios inacabados, quando ela morreu. Ela se moveu em direção à luz muito tempo atrás. Mas Ruthie não sabia daquilo. E eu disse isso a ela para poder dizer

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isso: — Jettie até mesmo visitou vovô Fred um tempo atrás. Ele está assombrando o campo de golfe. Jettie gargalhou com alegria quando as bochechas de Ruthie mudaram de cor. — Diga a ela para ficar longe do meu Fred. — Diga você mesma, vovó. Ela pode te ouvir. Muito melhor, em fato, do que ela podia quando estava viva. Por outro lado, você está noiva. Por que você se importaria? E eu não acho que ele é mais seu Fred. Lembra do até que a morte nos separe? Ele está morto. Vocês já se separaram. Vovô Fred está no mercado novamente. Ruthie ficou pálida por baixo do seu ardiloso pó de arroz da Elizabeth Arden. — Sua Jezebel sem vida! Fique longe do meu Fred! Com isso, parecia um ponto discutível para notar que tia Jettie tinha na verdade rompido com Vovô Fred mais cedo este ano para se dedicar ao Senhor Wainwright. Tia Jettie, obviamente curtindo o desconforto de vovô, parecia pensar o mesmo, também. — Eles não podem..., ser todos seus. Se bem que você..., certamente tem mais..., do que compartilha. — Jettie rabiscou numa escrita surpreendentemente legível. — Solteirona seca! — Ruthie gritou. — Viúva negra! — o refrigerador cuspiu de voltar. — Espírito imundo! — Ruthie arfou. — VARICOSE-VEINED. — Jettie rabiscou, provocando um arfar indignado de Vovó. — Eu não vou ficar aqui na casa da minha filha e ser insultada! — Ruthie berrou. — Jane, diga a sua tia-avó que eu não vou colocar os pés no River Oaks até que ela consiga manter a língua delicada no seu esqueleto, o qual, por falar nisso, nunca teve a estrutura que eu tenho. E que ela sempre foi ciumenta! — Ela pode... A porta bateu de um jeito dramático. — Ouvir você! — eu terminei.

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Jettie caiu no chão, claramente exausta pelos seus esforços telecinéticos. — Isso foi demais. — eu me maravilhei. — Dizer a vovó tudo que você já pensou sobre ela não significa que você se fechou e está partindo, significa? Eu estava apenas sendo usava para ter você por perto. Tia Jettie se ergueu para afagar minha bochecha com sua mão transparente. — Não, eu poderia ter insultado Ruthie quando ainda estava viva. Eu vou colar em você, filha. — Sorte minha. — eu ri. — Minha relação com vovó nunca vai mudar, vai? Tia Jettie me levou em direção à porta, onde meus amigos estavam amontoados, ouvindo. — Não, querida, não vai. Você e Ruthie têm exatamente o tipo de relação que você quer com ambas. Foi o mesmo conosco. Ruthie e eu escolhemos não gostar uma da outra. Eu não vou dizer que isso é certo, mas é como as coisas são. Não tem lei que diz que familiares têm que ser amigos. Você pode escolher sua própria família, a qual você tem. Claro, você também pose escolher querer uma relação melhor com as pessoas com as quais você nasceu. Isso é com você. Até lá, sente na fonte da minha experiência e aprenda os pontos fracos da Ruthie. — VERICOSE-VEINED foi uma que eu nunca havia escutado antes. — eu admiti quando nós puxamos a porta, espionando gentilmente a cabeça de Dick. Dick praguejou. Tia Jettie encolheu os ombros. — Você deixa a TV ligada durante o dia. Eu assisti muito de Maury Povich73.

73

Ator estadunidense.

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Capítulo14
Quando você conseguir tudo o que puder, vá embora. Seja a adulta. Ou pelo menos encontre um adulto e use a sua força vamírica neles. Essa é a coisa divertida a se fazer. — Mordidas de Amor: Um guia para relações menos destrutivas para vampiras.

Dada minha história com minha irmã, era inevitável, realmente, que
nós terminaríamos lutando na lama, espancando uma à outra com uma estúpida espuma de borracha. O estacionamento de Half-Moon Hollow foi cuidadosamente organizado em uma rede carnavalesca: casas para pular meio infladas e flacidas no quadrante sul, cabines de comida no leste e nenhuma diversão em nenhum dos dois. Em um carnaval de caridade normal em Hollow, as placas eram de cartolinas com temas pintados à mão. Os jogos consistiam em jogar argolas em garrafas de 2 litros ou bolas de softball em cestas de medida. Você paga muito por um enroladinho de salsisha e um urso de pelúcia, se sente como se tivesse contribuído por sua comunidade e vai para casa. Esse Halloween do inferno envolvia placas profissionalmente pintadas em seda e fornecia banquetes de pouco carboidratos. Eu sugerira uma máquina de algodão doce e Chefe Courtney me deu um olhar que teria vaporizado mulheres inferiores. E esquecendo qualquer noção preconceituosa de bandeiras ou balões. Esse era um negócio estritamente de Martha, abóboras até onde os olhos podiam ver, organizada astuciosamente com milho e vários enfeites de ráfia. Deus ajude a todos nós. A coisa mais estranha sobre essa obra artística elaborada eram todas as mulheres vestidas com blusas de moletom rosa combinando se

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misturando loucamente para transformar o estacionamento num casbá 74 de Halloween, todas temendo o que a Courtney Chefe acharia de todos os seus esforços falhos e as reduziria à poeira. Dada a resposta menos-queentusiástica de Chefe Courtney às caixas eu estava tirado de Big Bertha e o fato que o resto das Courtneys evitaram-me seguindo minha “excursão”, eu já sabia quem estaria apoiando aquela estúpida vassoura a noite toda. Gabriel quisera acompanhar-me ao carnaval, mas eu pedia a ele que não viesse, apenas para o caso de eu terminar presa na cabine de submersão. Eu não queria que ele testemunhasse a minha humilhação. Felizmente, esse carnaval não tinha cabines de submersão. Ou palhaços, que, para mim, era outro lado bom. Andrea estava cobrindo a loja para mim enquanto eu cumpria minha sentença de carnaval. Ela e Dick teriam o lugar para eles no pela noite. Emery anunciara suas intenções para cuidar de uma casa mal-assombrada com tema Cristão chamada “Casa do Inferno” semanas atr|s. Emery estava passando cada vez menos tempo na loja ultimamente. Andrea esperava que isso significasse que ele encntrou uma garota para ir com ele aos encontros de orações. Nós não tivemos tempo para exagerar na análise daquela possibilidade, ou considerar advertir a garota, porque nós estávamos esperando uma noite de Halloween lotada. Adultos procurando uma segura atmosfera assustadora. Adolescentes procurando suprimentos para chamar a Bruxa de Blair. Com Emery de pé nos corredores, tentando entregar panfletos religiosos aos clientes, provavelmente estragaria o ambiente. Andrea estava vestida como Glinda a Bruxa Boa, coberta em faíscas rosas da cabeça aos pés. A saia volumosa de tule de sua fantasia alugada mal cabia atrás da bancada do café. De alguma forma ela conseguira convencer Dick a usar uma fantasia de espantalho. Ele parecia uma boneca Andy esfarrapada estremamente envergonhada e planejava ficar no almoxarifado pela maior parte da noite. — Desista de tentar fugir de ir ao carnaval. — Andrea me dissera, enchendo uma tigela com aqueles amendoins caramelados com casca dura embrulhados em papel de cera laranja. — Nós ficaremos bem aqui.
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O castelo fortificado do soberano em cidades árabes.

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— Eu vou, eu vou. — eu murmurei, deslizando em minha blusa de moleton da câmara de comércio rosa do Pepto Bismol75. — E eu espero que você perceba que como uma bruxa, eu estou invocando horas extras em dobro por você me fazer trabalhar num feriado religioso. — ela disse, gesticulando sua apaência feminina. — Observe isso, ou eu derrubarei uma casa em você. — eu zombei enquanto saía pela porta. Como Jenny já havia chegado, Courtney Legal estava me ajudando a me livrar e distribuir os prêmios para as várias cabines de jogos. Zeb estava ajudando também, mas eu acho que ele estava ali apenas para conseguir ser o primeiro a chegar nos bolinhos. Imagine quão triste ele ficara quando descobrira que não era esse tipo de carnaval. A coisa mais próxima de comida de baixo valor nutritivo que ele poderia encontrar era uma maçã do amor sem açúcar. Apesar de tudo, ele prometera vir correndo, gritando que Jolene estava em trabalho de parto e nós teríamos que sair naquele momento, se as coisas saíssem erradas para com as Courtneys. — Bem, ainda é um estacionamento de escola. — eu disse, levantando uma caixa debolsas gratis da mala. — Mas eu tenho certeza que depois que tudo for inflado, será um outono mágico no país das maravilhas. — Continue dizendo isso a você mesmo. — Courtney Legal soltou. — Onde você quer os sacos depipocas? — Em qualquer lugar que Courtney Chefe não as veja. — eu murmurei, jogando um cobertor sobre as doações individualmente embrulhadas de A&P. — Você não sabe que esse é um carnaval de caridade sem carboidratos? Courtney legal sorriu. — Eu as contrabandearei para as crianças sob o pretexto de dar a elas desinfetante de mão complementar. — Eu sou uma má influência sobre você. — eu disse, arfando numa falsa surpresa.
Marca de medicamento que não precisa de prescrição médica, usado para aliviar pequenas irritações digestivas (azia, indigestão, náusea, indisposição e diarréia).
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Quando escapasse da câmara, eu esperava que a Courtney Legal e eu pudessemos manter contato. Se nada mais, ela provara para mim que só porque as pessoas são brilhantes e graduadas num colégio preparatório76, isso não fazia delas automaticamente más. Isso era completamente uma questão de escolha. Ela desfizera sozinha um monte de danos que me infligiram no ensino médio. — Jane! — a julgar pelo olhar no rosto de Jenny enquanto ela se movimentava em alta velocidade cruzando o estacionamento, eu supunha que ela ouvira sobre minha visita à Vovó Ruthie. E sendo a favorita e confidente da vovó, dependia dela me colocar nos eixos. Falando de brilhantes e más escolhas pessoais. — Oh, o que agora? — eu murmurei. — Quem você pensa que é? Você está louca, assustando a vovó daquele jeito? — ela gritou, seu rosto há apenas alguns centímetros do meu. — Como você pode fazer aquilo com sua própria avó? — Deixe-me entender isso direito. Você está gritando comigo pelo meu comportamento durante uma conversa com a Vovó Ruthie, na qual a Vovó Ruthie gritou comigo por como eu me comportei numa conversa com você? — eu suspirei. — Vocês duas organizaram uma programação ‘vamos incomodar a Jane’? — Ela poderia ter tido um ataque do coração! — Jenny insistiu. — Oh, por favor, Ruthie é uma imparável força da natureza, como a Peste Negra ou Richard Simmons3. — É isso. — Jenny rosnou através de seus dentes trincados. — Fique longe da minha família. Mamãe, papai, vovó, as crianças, todos. Você obviamente não se importa conosco ou com o que pensamos. Então, apenas fique longe de nós.

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Nos Estados Unidos, é uma combinação de ensino secundário particular com colégio interno. de fitness que produz um programa de emagrecimento.

3 Profissional

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— Eu sei que você esteve desejando por isso desde o dia que eu fui levada para casa do hospital, mas você não pode me chutar da nossa família, Jen. — eu disse a ela. — Não é a ‘nossa família’. — ela cuspiu. — É a minha. — Quem diabos você pensa que é? — eu gritei. — Oh, não finja que você se importa em ser parte dessa família. — ela zombou, esbarrando no “martelo de combate” feito de borracha do jogo de luta que Courtney Chefe banira no meio do caminho. Ela golpeara meu peito, me jogando para trás na casa de pular inflável. A cabeça de palhaço gigante que flutuava no ar na entrada olhou atravessado para mim e minha coulrofobia77 latente me forçou a mudar de direção para uma poça de lama atrás da área de preparação; mas não antes de conseguir pegar uma arma de espuma para mim. Jenny me bateu de novo com o martelo. — Você esteve esperando para escapar de nós por anos. Nós não somos espertos o suficiente para você, nem sofisticados o suficente. Você acha que nós não percebemos quando você faz suas pequenas brincadeiras sussurrando? Você quis sair de Hollow por anos. Por que você não vai simplesmente? Nós certamente não queremos prender você. — Como você poderia saber que eu quero partir? — eu perguntei, batendo em seu braço com a espuma. — Como diabos você acha que pode chegar perto de saber como eu me sinto sobre qualquer coisa? — golpeei seu peito. —Através de uma conversa onde abrimos nossos corações? Por todas aquelas noites que você veio assistir Sex and the City? — bati no seu outro braço. — Você percebe que a última vez que nós tivemos uma conversa que se estendeu além do tempo ou qualquer informação errada que mamãe te dera foi no almoço do funeral da tia Jettie? E eu acho que isso só aconteceu porque você tomou muitos cafés com conhaque para se lembrar.

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Fobia de palhaços.

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— Oh, você gosta da comunicação aberta como irmãs, não é? — ela me deu um respeitável golpe no rosto, fazendo-me cair de bunda na lama. Considerando minha força e velocidade de vampira, isso era desconcertante. — Quando você fez algum esforço para passar algum tempo comigo? Para me conhecer? — ela atingia minha cabeça para enfatizar cada ponto. — Oh, não, você está tão preocupada com tudo isso, que você não podia parar de caçar por 5 minutos para apenas ser minha irmã. A chata velha Jenny com seu marido e filhos. A anta Jenny que gosta de jogar Pictionary com seus amigos nas noites de sexta. A idiota da Jenny e seus pequenos hobbies idiotas. — Você está irada porque eu não fazia álbum de colagem com você? — eu perguntei, chocada, embora eu tivesse certeza que era mais do que um golpe em meu esqueleto depois que ela conseguiu retirar a espuma da barra plástica que carregava. Eu me livrei disso e fiquei de pé num salto. — Até mesmo quando éramos crianças, você achava que era muito melhor do que eu! — Jenny gritou, ofegando enquanto circulavamos a poça de lama. Uma multidão se reunira, nos encorajando a continuar. — Eu nunca tive que me preocupar com você me copiando como uma irmã mais nova normal. Não, você não se rebaixaria ao meu nível. Eu não gostava dos livros certos. Eu não gostava das músicas certas. Eu não era suficentemente sarcástica para você. Não era boa o suficiente para a Jane. E então você se transformara numa vampira assustadora! E eu tinha que ouvir da mamãe falar sobre suas fabulosas maquiagens para mortos vivos, sobre seus amigos mortos vivos e seu namorado de cento e cinquenta anos. Como eu poderia competir com isso? — cada frase era pontuada com uma batida na parte de cima da minha cabeça. — Você está irada por que eu sou mais legal que você? — eu advinhei outra vez, mas Jenny estava muito emocionada para perceber que eu disse alguma coisa. Com um grito que teria deixado Xena orgulhosa, ela me deu uma rasteira. Meu pé voou debaixo de mim e eu aterrissei com uma arma molhada nas minhas costas. Ela rosnou. — Você está sempre dizendo que eu sou a favorita, que você é tratada como criança. Você está sempre se lamentando sobre mamãe trazer comida para sua casa e dobrar sua roupa. Você sabe quantas vezes ela levou o jantar para minha casa? Duas vezes. Depois que cada um dos

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meninos nasceram. Eu tive que passar por vinte e três horas de trabalho de parto sem medicação apenas para conseguir uma merda de torta de frango! Você acha que papai alguma vez foi até minha casa para uma conversa ou comer pizza? Você acha que mamãe me liga antes de eu sair do trabalho ou verifica se estou bem quando eu estou em casa sozinha? Não, porque ‘Jenny pode cuidar de si mesma. Ela nunca precisa de ajuda’. — ela se lamentou, jogando sua cabeça para trás e gritando para o céu. Eu usei sua distração para bater em sua bunda por trás e socá-la repetidamente. Jenny, por outro lado, recorreu a jogar lama em mim. Literalmente. — Porque você é perfeita! — eu gritei, jogando um bocado de lixo em seu rosto. — Você acha que foi fácil crescer com a Jenny Early como sua irmã mais velha? Jenny balbuciou enquanto cuspia lama e lançava uma impressionante massa de lama no meu cabelo, considerando que ela não podia ver. — Você acha que eu j| entrei numa sala de aula onde a professor não dissesse, ‘Oh, você é a irmã de Jenny Early, nós sabemos o que esperar de você’? Eu tive que cumprir as expectativas do exemplo de uma mulher que organizava sua gaveta de calcinhas por cor. ‘A Jenny é tão responsável. A casa da Jenny está sempre imaculada. Jenny cozinha um jantar de Ação de Graças inteiro e ainda tem tempo para fazer cartões de lugares de papel de arroz!’ Não me culpe porque você teve que atingir o nível de seu próprio exagero. Eu me levantei, tirando com dificuldade muitas camadas de lama de meu rosto. — E francamente, eu estou cansada de ouvir ‘Oh, é exatamente como Jenny é’ e ‘Ela não fez isso para ferir seus sentimentos, ela apenas gosta das coisas de certo modo’. — Quando eu feri seus sentimentos? — ela arfou, tentando e não conseguindo ficar de pé. Ela desmoronou no chão e olhou para mim, olhando através do sangue e suor pingando em seu olho. — Vamos ver, feriados, aniversários, formaturas, jantares de família, chás de bebês, festividades da igreja, jogos escolares. Você me colocou em outra mesa da família na sua recepção de casamento, Jenny. — Porque eu não queria que a vovó Ruthie te deixasse louca com perguntas sobre quando você irá se casar. — Jenny protestou.

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— E porque eu te envergonho. — eu disse, limpando um montinho de poeira das minhas bochechas. — Você não me envergonha! Você me irrita. Você me faz subir pelas malditas paredes. Mas ok, espere, a coisa de vampiro, isso me envergonha um pouco. Mas ainda assim, eu não odeio você. Silêncio incômodo. Eu olhei para o futuro e vi nós duas, brigando e caçando uma a outra como vovó Ruthie e tia Jettie. Embora, obviamente, eu fosse imortal, eterna e muito mais gostosa que a setuagenária Jenny. Eu não queria isso. Eu escolhi não ter esse tipo de relacionamento com ela. Mas eu não sabia como consertar isso. Felizmente, Jenny sabia. — Então, eu magoei seus sentimentos? — ela perguntou, os cantos de sua boca erguendo-se levemente. — Bem, você não precisa parecer tão satisfeita com isso. — eu murmurei. — Eu não estou, eu só, eu não sabia que podia ter esse efeito sobre você. — ela admitiu. — Você parece… impertub|vel algumas vezes. — É só um truque inteligente. — eu disse, soprando minha franja fora do meu rosto. — Eu estou extremamente perturbada na maior parte do tempo. Jenny limpou seus olhos, mas eu acho que tinha mais a ver com seu tratamento facial improvisado do que emoção. — Você vai viver mais que os meus meninos, Jane. E seus filhos, e seus filhos. Você não acha que eu pensei nisso? Quando meus netos estiverem internados numa casa de repouso, você será aquela que empacotará tudo o que eles possuem e decidirá quem ficará com o que. Você será a única sobrevivente, não importa o que qualquer de nós faça. Você viverá mais que todos nós. Eu acho que é por isso que eu fico tão louca com todas essas relíquias de família. Eu percebi que isso virá para você de qualquer forma no

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fim, então porque você não nos deixa apenas pega-las emprestadas por enquanto? E quando você diz não, eu não sei o que acontece comigo… — Para ser honesta, essas coisas não importam tanto para mim, Jenny. Eu só gosto de mexer com você e isso parece o único jeito de pegar você. Desculpe-me por ter sido tão insignificante sobre as relíquias de família. Eu só queria que você tivesse me dito coisas como estas antes, você sabe, que eu morresse. — eu propus. Mais silêncio incômodo. — O que nós fazemos agora? — eu perguntei, hesitantemente sentando-me perto dela. — Eu não sei. — ela disse, afundando na lama, claramente exausta por seu desabafo emocional. — Você poderia parar de ser uma bruxa em todas as reuniões familiars. — eu sugeri. Ela ergueu sua cabeça para olhar para mim. — Muito cedo? — eu perguntei. Ela afirmou com a cabeça. — Bem, nós poderíamos parar de nos caçar e focar nossa raiva no lugar certo. — eu disse. — Mamãe? — Jenny perguntou. Eu afirmei com a cabeça. — Não sera assim para sempre. — Jenny prometeu, colocando, a tentativa de uma mão em meu ombro. — É. — eu funguei. — Algum dia a vovó Ruthie estará seguramente trancada em uma casa para idosos criminalmente insanos. — Jane! Dei de ombros. — Posso escolher o lugar? — Jane!

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— Isso não foi um não. — Isso foi bom. — Jenny disse, rindo. — Eu me sinto…, mais leve, de alguma forma. — É incrível o que uma pequena batalha de espuma pode fazer. — eu disse, afirmando com a cabeça. — Bem, foi muito bom pararmos onde paramos, porque eu estava perto assim de chutar sua bunda. Eu acenei para a grama mutilada atrás de nós. — Nós sempre podemos pular novamente na lama e resolver as coisas de uma vez e para sempre. — Essa é uma das coisas que eu vou supor que você está brincando. — eu funguei, recuando pelo corte em meu lábio enquanto sarava. — Provavelmente será melhor. Jenny observou enquanto minha pele fechava e o machucado desaparecia. — Isso é realmente muito legal. — Apenas um dos benefícios. — eu disse, rindo enquanto eu a ajudava a levantar. Courtney chefe veio correndo sobre os restos de espuma e lama. — O que vocês pensam que estão fazendo? — Apenas resolvendo alguns assuntos de família. — Jenny riu, limpando um borrão de sangue de seu nariz. — Eu não posso acreditar nisso! Isso é um carnaval de crianças! Vocês estão arruinando tudo. Vocês percebem o que terão que fazer para tirar gradualmente esses muitos deméritos? Nunca na história da Câmara de Comércio... Zeb veio correndo, furioso. — Jane! Jane! Nós temos que ir! A mãe de Jolene acabou de ligar. Ela está em trabalho de parto!

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Courtney chefe pareceu irritada de forma suprema pela interrupção, mas o olhar raio laser dela não perdeu seu alvo. Minha cabeça. — Zeb, não é grande coisa. Você não precisa fingir que Jolene está em trabalho de parto. — Eu não estou fingindo! — ele gritou, sua voz alcançando uma oitava soprano alarmante. Virando as costas para Courtney, eu forcei Zeb a se incliner para o outro lado e respirar fundo algumas vezes. — Zeb, acalme-se. Você está com a bolsa? — Sim, está no carro. Jolene arrumou em Junho. Ela não me deixaria ajudar. Eu estiquei a mão para dar um tapinha em seu ombro, mas quando eu vi quão lamacenta estavam minhas mãos, eu desisti. — Eu acho que nós todos podemos concordar que foi uma escolha inteligente. E sobre eu dirigir até o hospital? — Não, não, eu posso fazer isso. — ele disse, mostrando-me que o que ele pensara ser um molho de chaves. — Zeb, isso é um alicate. — Talvez você devesse dirigir. — ele cedeu. — Jane, onde você pensa que está indo? — Courtney chefe trovejou. — Eu ainda não terminei com você. — Minha amiga está em trabalho de parto. Eu estou indo para o hospital. — Eu não permiti que você fosse! — Courtney chefe gritou. — Você ainda tem obrigações aqui no carnaval. Há balões para serem cheios. Buquês para serem arrumados. Luzes para serem penduradas. — Minha – Amiga – Está – Em – Trabalho – De – Parto. — eu repeti bem devagar. — Eu vou ficar com ela.

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Courtney colocou uma mão repressora em meu ombro. — Você não vai sair. Abandonar uma tarefa num evento especial resultará em uma suspensão automática, Jane. — E o quê? Detenção? Expulsão? Pelotão de fuzilamento? Eu não tenho tempo para isso. Eu estou indo. — eu disse a ela. Courtney chefe ficou roxa apoplética. — Se você sair agora, eu vou determiner que você recolha cocô de cavalo depois de todas as paradas do Dia do Fundador pelos próximos vinte anos! — Sabe o que, Courtney? Eu não acho que eu seja essencial à câmara depois de tudo. Então, você pode pegar seu precioso Festival de Outono e enfiar no seu... — Jane, nós temos que ir! — Zeb gritou do carro. — Foda-se, eu estava mesmo ansiosa por isso. Courtney, eu desisto. — Isso é o que eu recebo por permitir que um sanguesuga imundo entre na Câmara de Comércio! — Courtney uivou. — Nós vamos destruir sua bunda ossuda e pastosa, você me entendeu, sua puta morta viva? Quando terminarmos com você, você não será capaz de vender tanto quanto uma... Eu dera um passo à frente, pronta para bater em Courtney chefe da forma que ela merecia. Mas eu fui arrancada por Jenny, que levantara seu punho novamente e batera sobre a bunda de Courtney, numa cesta cheia de Bob Esponjas. — Jenny! — eu ri, olhando para ela, surpresa. — Ninguém fala com a minha irmã desse jeito. — Jenny disse, esfregando os nós dos dedos cuidadosamente. — Você fala comigo desse jeito. — eu apontei. — Mas isso é diferente. Eu sou sua irmã. Eu posso, mas ninguém mais pode.

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Lágrimas caíram dos meus olhos e eu joguei meus braços em volta dela. — Obrigada, irmã. Jenny fungou, depois relaxou e me apertou também. — Oh, bem, disponha. Zeb limpou sua garganta. — Eu odeio interromper esse lindo momento familiar, mas minha mulher está tendo bebês. Jane entre no carro! Nós chegamos ao hospital e encontramos mamãe Ginger lutando para tentar passar por uma enfermeira de aparência formidável para a sala de maternidade. Infelizmente para mamãe Ginger, a enfermeira era obviamente uma fã de John Cena e manobrou mamãe Ginger em algum tipo de chave de braço na qual ela ficava impotente. Ao ver sua mãe, Zeb parou de repente e murmurou muitas das sete palavras que você não deve dizer em companhia educada. — Como ela soube que Jolene estava aqui? — eu perguntei. — Eu pensei que você tivesse dito que não iria ligar para ela até que os bebês estivessem em casa. — Eu não sei. — Zeb disse, a esse ponto com os olhos com lágrimas. — Ela deve ter espionado nossa casa! Eu pensei ter visto seu carro passando para cima e para baixo em nossa rua ontem, mas eu disse a mim mesmo que nem mesmo minha mãe seria tão louca. — Obviamente, você não prestou atenção aos últimos trinta anos ou mais. — Eu tenho que chegar até a Jolene. — Zeb disse, seus olhos escaneando o corredor selvagemente. — Se minha mãe me vir, eu nunca passarei por ela a tempo. — Fique calmo. Foi por isso que a Jolena me nomeou segurança da sala de espera. — eu disse a ele. — Porque eu tenho disposição para fazer coisas como essas. — Como o quê?

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— Como isso. — eu enfiei Zeb atrás da mesa de admissões, fora do campo de visão da mamãe Ginger. — Mamãe Ginger, O que você estáfazendo? — eu chamei, acenando excitadamente. Mamãe Ginger girou ao som da minha voz, não mais lutando com a linebacker do hospital. Com mamãe Ginger distraída, Zeb fugiu em volta da mesa de admissão, atrás das costas dela e entrou na sala da maternidade. Ela não parecia satisfeita em me ver, mas eu não lhe dei a desculpa para reclamar de seu tratamento em voz alta. — Essa mulher idiota disse que eles não têm uma paciente chamada Jolene Lavelle listada aqui, mas eu sei que ela está aqui! Eu vi o carro da mãe dela lá fora no estacionamento! — ela gritou, sua voz atingindo níveis histéricos. Diversas enfermeiras enfiaram suas cabeças no corredor, mas vendo quem era, elas mergulharam novamente nos quartos dos pacientes. — Jolene deve estar listada como uma paciente particular, mamãe Ginger. — eu disse, mantendo minha voz suave. Ela surpreendeu-se quando eu tentei por meu braço em volta do dela, então a peguei pelo cotovelo e a conduzi pela sala de espera. — Isso significa que a enfermeira não pode te dizer se ela está aqui. É contra a lei. Enquanto nós caminhávamos pela sala de espera, o grupo inteiro de parentes da Jolene estava lá esperando. Era sorte que pouquíssimas mulheres na cidade parecessem destinadas a ter bebês no Halloween, porque não haveria nenhum lugar para que suas esperançosas famílias sentassem. As tias, tios e primos de Jolene estavam reclinados em todas as superfícies disponíveis. Os parentes homens de Jolene tinham aquele aspecto saudável, forte, mas pálido. Sim, eles eram bons para se olhar, mas colocando toda a gostosura de lado, eu gostaria de viver minha vida com alguém que não vivesse de acordo com dogmas expostos em Walker, Texas Ranger. As tias estavam reunidas em um canto, olhos movendo-se rapidamente de um lado da ala para o outro, absorvendo isso tudo. Todos eles pareciam se divertir com a novidade da experiência, com a exceção de Tia Vonnie, cuja boca estava enrugada e infeliz.

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Mimi e Lonnie McClaine, as únicas McClaines que gostavam de mim, estavam marchando na sala, suas posturas defensivas e agitadas. Lonnie McClaine estava fatiando um gigante buquê de cravos. Mas felizmente, havia substitutos. Parecia que os bebês estavam a ponto de ser coroados. A sala estava absolutamente embalada com flores e animais de pelúcia. Metade das flores eram rosa e a outra metade azul. Eles tinham ursinhos de pelúcia usando tutus78 e ursinhos usando uniformes de basebol. E um presunto, que eu imaginava ser de gênero neutro. Nada como cobrir todas as suas bases. Agora que a presença de Jolene na sala de parto estava confirmada, mamãe Ginger começou a chiar: — Eu tenho o direito de ver meu neto nascer! O grupo inteiro hesitou de início. Eu me joguei sobre mamãe Ginger, tanto para evitar que ela se lançasse na sala de parto de Jolene como para servir de escudo, para o caso dos parentes da Jolene ainda guardarem rancor da sabotagem relacionada ao casamento feita por mamãe Ginger. Do chão, eu olhei para cima para encontrar um cículo de lobisomens emocionalmente nervosas olhando para nós. — Mimi? — eu chamei. — Você poderia evitar que sua família, você sabe, cometa homicídio público? — Por favor, vocês todos, se acalmem. — Mimi falou, revirando os olhos. — Meu bebê está tendo um bebê, eu não posso perder tempo pagando fiança para tirar suas bundas da prisão. O grupo bufou coletivamente e recuou. Porque Mimi era a fêmea alfa e eles tinham que obedecê-la. — Eles são meus netos. — mamãe Ginger lamentou-se. — Eu deveria estar naquela sala de parto! Eu estive esperando por isso por toda a vida de Zeb. Eu tenho o direito de estar lá com ele! Mamãe Ginger tentou se levantar do chão e eu a forcei para baixo. Por favor, Senhor, não permita que ninguém que eu conheço me veja rolando na
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Tipo de saia.

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sujeira por todo o chão do hospital em cima da mamãe Ginger. Ou os policiais, que provavelmente suporiam que eu estava tentando drena-la a força. — Não, você não tem, mamãe Ginger. Quem dará a luz aos bebês, é essa pessoa que decide quem estará na sala. E Jolene nem mesmo pediu para sua própria mãe estar na sala, então isso deve lhe dizer alguma coisa. Zeb virá e nos chamará quando eles estiverem bem e preparados para nos ver. Agora, apenas sente-se e leia uma droga de uma revista. Mamãe Ginger caiu num sofá e com raiva folheou um cópia da Redbook de um ano atrás. Escolhendo entre sentar com a extensa família de Jolene, a maioria dos quais não gostavam mais de mim do que mamãe Ginger, ou com a própria mamãe Ginger, eu escolhi me apoiar na parede. Isso provou ser uma boa escolha, já que eu tive que me lançar em mamãe Ginger de tempos em tempos todas as vezes que ela tentava entrar na sala de parto. Eu só poderia parar o voo de uma mulher de cinquenta anos tantas vezes antes de eu começar a perder meu senso de humor, então eu fiquei agradecida quando minhas orelhas sensíveis de vampiro captaram o som de dois choros fortes descendo o corredor.

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Capítulo15
O elemento surpresa é extremamente valorizado em qualquer relacionamento.
– Mordidas de Amor: Um Guia de Relacionamentos Menos Destrutivos para Vampiras.

Jolene tivera dois bebês perfeitamente saudáveis, em um parto
perfeitamente normal, em uma sala de hospital perfeitamente normal. Era o primeiro da família McClaine. Depois da inevitável disputa entre Mimi e mamãe Ginger para saber quem segurava os bebês primeiro (mamãe Ginger teve sorte que ela perdeu a luta e não, digamos assim, um dedo) e o grupo pôde segurar os bebês com todo amor no coração, eu finalmente consegui voltar para o quarto de Jolene. Um Zeb não exausto e radiante me passou um pacote rosa torcido e eu me apaixonei. A pequena Janelyn, minha xará. A filha que eu nunca vou ter. O bebê que eu poderia amar e mimar e depois imediatamente devolvê-la a sua mãe verdadeira. Agora eu sei como tia Jettie deve ter se sentido, amando uma criança tão completamente, querendo ser parte de sua família, mesmo sem ser seu parente. Quando Zeb colocou o bebê Joe dormindo em minhas mãos, parecia uma preciosidade. — Eles são lindos. — eu disse a Jolene, que estava lutando para não dormir em sua cama de hospital. Jolene sorriu; sua satisfação tão completa que ela não teve que responder. Meus olhos arderam com quentes lágrimas de alegria quando Janelyn me estudou; com seus grandes olhos azuis. Sua pequena mão deslizou debaixo do cobertor e agarrou meu dedo.

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— Oi, bebezinho. — eu disse carinhosamente. — Eu sou a tia Jane. Quando sua mamãe deixar, eu vou levar vocês as bibliotecas e museus e cinemas. Eu vou dar comida a vocês, que vai deixar vocês enjoados e então eu vou levar vocês direto para casa. Vou ajudá-los a esconder a primeira tatuagem. Nós vamos nos divertir muito. — Ótimo! — Jolene murmurou, sua boca curvou-se num sorriso cansado. Eu abafei um riso. Eu acariciei a bochecha macia de Joe com um dedo, e por um momento, tive uma sensação afiada de perda por não poder ter filhos. Janelyn, que parecia incrivelmente forte para um recém-nascido, mesmo com minha experiência limitada com bebês, pôs meu dedo em sua boca e o mordeu! O momento passou. — Ow! — eu exclamei. Gentilmente afastei o lábio do bebê para encontrar um grupo de pequenos dentes perfeitos e brancos com caninos particularmente afiados. — Que di...? — É uma coisa de lobos. — Zeb disse, parecendo completamente não perturbado pelos bebês terem mais dentes do que seu avô paterno. Jolene, cujos olhos ainda estavam fechados, ergueu sua mão e balançou o dedo para mim. — Deixe isso ser uma lição sobre o que acontece quando você planeja interferer na paternidade responsável. — Não morda a xará, bebê. — eu disse à infante não arrependida. — Especialmente quando a xará tem presas. Jolene bocejou. — Isso significa que ela está feliz de te ver. — Eu espero que ela nunca fique feliz de te ver quando você estiver amamentando. — eu murmurei. Jolene abriu sua boca para protestar. — Se você começar o discurso sobre alguma história do milagre dos mamilos dos lobisomens, eu vou embora.

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Jolene rolou seus olhos e aninhou-se ao lado de Zeb. Ele envolveu o braço ao seu redor e limpou sua garganta. — Então, nós queremos conversar com você sobre uma coisa. Nós queríamos esperar até os bebês estarem seguros aqui, porque nós não queríamos trazer má sorte para nós. Eu notei com orgulho quão apropriado parecia para Zeb usar a palavra “nós” quando se referia a ele e Jolene. E agora ele tinha mais duas pequenas pessoas para adicionar nessa unidade. Quando ele encontrou Jolene pela primeira vez, me incomodou. Eu me senti deixada de lado, abandonada. Zeb e eu costum|vamos ser “Nós”. Nós éramos o “Nós”. Mas agora, Zeb tem o Nós que ele queria ter. E eu tenho o meu com Gabriel. Esse era o modo que deveria ser; crescer, mudar, encontrar nosso próprio Nós. Eu realmente precisava dormir um pouco. — Nós queremos que você seja a madrinha dos gêmeos. — Zeb disse. — Nós pensamos cuidadosamente sobre isso. E nós não podemos imaginar pedir a mais ninguém..., então, sem pressão. — Mas eu não sou tão religiosa, Zeb. Você provavelmente deveria escolher alguém que, você sabe, não tenha sido expulsa da igreja por ser um monstro não sagrado, para conduzir o crescimento espiritual das crianças. — É mais do que uma coisa de proteção. — Zeb me garantiu. — Se alguma coisa acontecer a mim ou a Jolene, nós queremos saber que as crianças poderão contar com você. Ninguém cuidaria deles como você, os amaria como você. — E você é a pessoa menos louca disponível para o serviço. — acrescentou a pouco consciente Jolene. — Bem, isso é um pouco triste. — eu disse a eles. — Nós sabemos. — Zeb admitiu. — Mas não faz com que seja falso. Eu olhei para as trouxas dormindo em meus braços. A carga do peso deles pareceu um pouco mais pesada. Poderia eu aceitar esse tipo de responsabilidade? Apesar de ter trabalhado com crianças na maior parte da minha vida adulta, eu nunca realmente cuidara de uma. Eu não tive o tipo de vida que era levada a educar crianças. Eu durmo o dia todo. Raramente tinha comida sólida em minha casa. Tinha vários pontos a considerar, vários

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objetivos para analisar como ser uma madrinha. Eu queria viajar, passar um tempo com Gabriel, ir para a loja. Eu realmente queria virar isso tudo de cabeça para baixo se alguma coisa acontecesse com Zeb e Jolene? Eu poderia criar as duas crianças? O bebê Joe envolveu seus pequenos dedos em volta de outro dedo meu, espelhando-se em sua gêmea. Eu olhei para eles. Sim, eu podia. Coloquei os bebês em cada lado de Jolene e joguei meus braços em volta de Zeb. — Eu farei tudo o que puder para dar às crianças a infância que eu nunca tive; Zeb. — eu prometi. — Amor incondicional, feriados sem bêbados pelados e festas de aniversário onde eles não terminem chorando. Claro, nós teremos que fazer isso por baixo dos panos para ficar longe da família de vocês. Mas eu tenho certeza que Dick pode forjar a papelada necessária. Zeb abraçou-me também. — Você sabe, quando eu nos imaginei tendo essa conversa, eu não pensei que falaríamos de nudez e falsificação. Suspirei pesadamente. — E você acha que me conhece tão bem. Eu me deleitei do brilho de felicidade dos novos pais por mais alguns minutos antes de pedir licença. Eu quis ligar para Gabriel, para perguntar por que ele, Dick e Andrea ainda não tinham ido ao hospital. Mas quando eu fui para a sala de espera, Gabriel estava esperando por mim. Eu me joguei em seus braços, dando-lhe um beijo nos lábios. — Ei, eu estava me perguntando onde vocês estavam. Vocês finalmente se arrastaram até aqui para ver os bebês? O rosto de Gabriel estava inexpressível, tenso. Ele tinha aquele olhar de “eu tenho péssimas notícias e eu estou tentando encontrar um jeito de te contar gentilmente”, que sempre me deixava em pânico. Uma risada nervosa escapou da minha garganta, mesmo que contraída. — Gabriel, o que foi? Gabriel engoliu em seco, estendendo sua mão para alcançar a minha. — É Andrea.

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— O que você quer dizer com é Andrea? Ela está machucada? Alguma coisa aconteceu? — eu murmurei; pânico percorrendo meu peito. Meu cérebro revirou em uma série de cenários horríveis. Acidente de carro. Roubo na loja. Travessura de Halloween que deu errado. A última coisa que eu disse a ela foi: “Tome cuidado ou eu vou jogar uma casa em você”. E ela rira. Oh, Deus, e se ela estivesse morta e essas tivessem sido minhas últimas palavras para ela? — Dick estava na loja com ela e ele foi fazer uma missão antes de fechar. Quando ele voltou, Andrea tinha ido embora. Seu carro estava sumido. Mas a caixa registradora estava cheia. E Dick pôde sentir cheiro… Na mesma hora lágrimas desceram nas minhas bochechas. — O que? Gabriel, o que está acontecendo? — Dick pôde sentir o cheiro de sangue, sangue de Andrea. Eu não me lembrava muito de Gabriel nos levar à loja. As ruas escuras do centro comercial da cidade passaram nubladas enquanto minha mente corria. Onde Andrea podia estar? Eu tentei me convencer que era perfeitamente razoável pensar que ela devia ter simplesmente se machucado na loja e que ela dirigira até algum lugar para obter ajuda. Era muito melhor que a alternativa, que alguém levara Andrea, arrastara-a, sangrando, para fora da loja em sua saia rosa estúpida. Eu a coloquei diretamente na linha de fogo, trabalhando numa loja de vampiros quando seu tipo sanguíneo raro gritava para os mortos vivos como um vinho fino e irresistível. Eu sequei meus olhos, sabendo que era inútil tentar fazer as lágrimas pararem de cair. — Dick chamou a polícia. — Gabriel disse; sua voz fria. — Ele está esperando por eles na loja. Eu lamentei baixinho, reclinando minha cabeça na cadeira. Para Dick querer chamar a polícia, a situação tinha que ser desesperadora.

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Nós estaríamos melhores se chamassemos Barney Fife 79. Gabriel me deixou na loja. Ele pensou que dessa vez fosse melhor entrar em contato com o Conselho local de membros e várias personalidades do submundo que pudessem ter alguma informação sobre Andrea. Até agora, eu tinha muito mais fé que ele pudesse encontrá-la do que as forças combinadas do Departamento de Polícia de Half-Moon Hollow. Dizer que a polícia não estava exatamente preocupada em encontrar uma mulher que trabalhava numa loja oculta e vivia com seu namorado vampiro seria uma grande meia verdade. Sargento Russell Lane, com quem eu fui para a escola durante treze anos, parecia mais interessado em nos tratar como suspeitos do que tomar alguma informação sobre Andrea. — O seu chefe não morreu em circuntâncias estranhas aqui no ano passado? — perguntou o sargento Lane, enquanto rabiscava anotações em seu bloco de notas. Ele olhou para Dick e eu com um brilho de desconfiança, até mesmo malícia, em seus olhos. — Eu não considero um homem de setenta e nove anos ter um ataque cardiaco enquanto movimentava caixas pesadas “ser estranho”. — eu disse, lutando para me manter calma. Eu estava com os nervos à flor da pele por ficar ali parada, esperando por notícias, tentando evitar expor minhas presas para Lane. Lane deu de ombros. — Eu só pensei que fosse um tipo de coincidência estranha seu chefe morrer e, um ano depois, sua empregada desaparecer da loja. — ele disse me dando um longo olhar avaliador. — Andrea Byrne era uma doadora de sangue registrada, não era? — O que isso tem a ver? — Dick rosnou. — E você é? — Lane perguntou. — Dick Cheney. Eu moro com a Senhorita Byrne.

Personagem do programa de televisão americano, The Andy Griffith Show, representado por Don Knotts. Ele representa um chefire de uma cidade pequena.
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— Esse nome me parece familiar. — disse Lane, anotando isso em seu bloco de notas para referência futura. — Então, deixe-me entender isso direito. Ela mora com um vampiro, trabalha para um vampiro e passa seu tempo livre deixando vampiros se alimentarem dela. Sargento Lane fechou seu bloco de notas. — Bem, nós ficaremos de olho nela. Mas nós não podemos fazer muita coisa até que uma comunicação de desaparecimento oficial seja feita. — Pensei que estivesse fazendo uma comunicação de desaparecimento. Eu sei que uma pessoa está desaparecida e eu estou comunicando a você. — eu disse contendo Dick quando deu um passo ameaçador em direção ao oficial. — Veja, ela pode ter ido à quitanda fazer qualquer coisa. Ou ter ido a uma festa à fantasia. — disse Lane. — É Halloween. É uma noite ocupada para nós. Nós não poderemos fazer muita coisa por vocês, de qualquer forma. Porque não esperam vinte e quatro horas e vem até a Delegacia fazer a comunicação se ela não voltar? — Mas ela pode estar em qualquer lugar! — eu gritei. — Veja; meus amigos e membros da família já foram sequestrados antes, eu reconheço os sinais quando os vejo. — Tenho certeza que estar associado a você traz problemas. — ele ignorou a enorme quantidade de olhar de desdém que eu estava mandando em sua direção. — Mas eu não posso fazer nada sobre uma mulher que decidiu sair do trabalho. Além disso, ela é uma mulher crescida; se ela quer sumir por um tempo, ela pode. Eu abri a porta para o cérebro do Sargento Lane e vi três coisas. Um, ele parecia achar que Dick e eu drenamos Andrea e escondemos o corpo, e estamos comunicando seu desaparecimento para encobrir nossos rastros. Dois, se nós tivessemos matado Andrea, ou mesmo se ela estivesse legitimamente desaparecida, ele achava que ela provavelmente teve o que merecia. O que uma garota podia esperar quando ela andava com esse tipo de gente? Ele planejava voltar à delegacia, fazer uma piada sobre isso, fazer algumas ligações e esquecer que Andrea existia. E três, ele estivera olhando meus seios durante toda a entrevista. Nesse ponto, eu já esperava isso dos

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homens humanos e percebi que não tinha nada a ver comigo. Eles querem ver todas as mulheres nuas. Exceto suas mães. — Andrea não saiu simplesmente do trabalho. — eu disse a ele. — Isso não é característico dela. Se você acha que fizemos algo a ela, então nos leve à delegacia e nos interrogue para que você possa desistir dessa ideia e começar a procurar por ela. — Bem, eu não posso exatamente prender vocês a um detector de mentiras quando seu coração não bate mais, posso? — Sargento Lane apontou. — Perdoe-me por estar sendo grossa, mas ela é uma mulher bem jovem e desaparecida. — disse-lhe. — Nós dois sabemos que terá uma Van da CNN estacionada do outro lado a qualquer minuto. E eu ficarei mais do que feliz em dizer aos repórters legais tudo sobre sua falta de interesse em encontrar minha amiga. Lane estava convencido agora. — Eu acho que quando eles ouvirem sobre o passado da Senhorita Byrne, eles não ficarão tão surpresos. Eu rosnei. — É desconfortável ter sua cabeça presa tão longe do seu... — Jane! — Dick disse, fechando seus dedos em volta do meu pulso, para me manter no lugar. — Vocês dois tenham um feliz Halloween, agora. — Lane zombou e vagarosamente saiu da loja. Eu soltei uma sequência impressionante de grosserias e joguei as fadas de peltre80 pela sala, destruindo uma das pequenas lâmpadas de leitura que ficavam ao lado da mesa. Eu esperava que Dick tivesse a mesma reação, mas quando eu me virei, ele estava sentado no chão, esfregando uma das mãos ao peito. — Eu não posso suportar isso. — ele disse; seus olhos verde-mar, redondos e molhados. — Eu não posso..., eu não posso suportar não saber de
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Liga de estanho e chumbo.

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nada. E se ela estiver machucada? E se ela estiver assustada? E se for minha culpa? E se alguém com quem eu fiz meus estúpidos negócios veio aqui e a levou para me atingir? Eu não devia tê-la deixado sozinha. Mas eu quis..., parecia tão importante surpreendê-la. Suas mãos estavam trêmulas; Dick pegou uma pequena caixa azul de veludo em seu bolso e a abriu. Dentro estava um simples anel de ouro branco com um pequeno rubi em forma de coração. Era obviamente velho e usado, mas fora recentemente limpo. — Eu fui buscar isso. Pensei em fazer o pedido tradicionalmente ajoelhado em um dos joelhos. Pensei que ela fosse achar engraçado, ser pedida em casamento enquanto ela estava toda vestida de princesa. Quando eu voltei, ela estava desaparecida. Ela é o meu feliz para sempre, Jane. — ele disse baixinho. — O que eu vou fazer sem ela? — Você não tem que se preocupar com isso. — eu disse a ele. Eu estava lutando para manter minha voz otimista, esperançosa, enquanto minha garganta parecia queimar. — Nós a encontraremos. O rosto de Dick enrugou-se, pelo mais curto momento. Ele fungou e ficou de pé. — Eu tenho que ir a algum lugar, fazer alguma coisa, ou eu vou ficar louco. Você fique aqui, ok? Para o caso dela ligar ou a polícia… Espere que eu ou Gabriel te ligue. Você me liga se ouvir algo. Entendeu? Eu afirmei com a cabeça. — Dick… Ele beijou minha testa e desapareceu pela porta da loja. Ficar sentada no canto olhando para o telefone estava me deixando louca. Eu precisava fazer algo com minhas mãos. Limpei a bagunça que eu fiz com a lâmpada quebrada e coloquei as fadas danificadas em meu escritório. Limpei as prateleiras, reabasteci a máquina de café. Encontrei uma pilha de pedidos especiais não retirados embaixo de uma bancada com uma anotação de Andrea: “Para Jane, arrume novamente nas prateleiras usando seu ‘sistema maluco’”.

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Pegando-me entre risadas e lágrimas, puxei os livros para as prateleiras, recolocando-os no estoque um por um. Zumbis: Fato x Ficção, À Procura de Wendigo, Chupacabra e Outros Demônios do Hemisfério Sul e, finalmente, Rituais e Hábitos de Amor dos Were. Passei um dedo no nome impresso do título final. — Oh, merda. — eu suspirei, pensando na caixa de livros do Sr. Wainwright que eu pegara de minha biblioteca pessoal todos esses meses atrás. Com tudo o que estava acontecendo, eu os colocara na minha mala e esquecera deles. Peguei minhas chaves e devolvi a caixa a Big Bertha, finalmente percebendo quão cedo era quando eu vi as listras rosa do amanhecer rastejando no horizonte. Não houve tempo para ir a casa e eu não queria deixar a loja nesse momento, de qualquer forma. Eu me perguntei preguiçosamente quão seguro contra o sol era o armazém, folheando as capas dos livros entrando novamente na loja. Coloquei Rituais e Hábitos de Amor dos Were com nossa outra cópia e coloquei O Espectro do Vampirismo na estante de amostra das coleções especiais. Quando ele me dera isso, Sr. Wainwright dissera que era um volume particularmente raro, escrito por um acadêmico respeitado de Harvard, o que me deixava ainda pior por tê-lo deixado na mala do carro por tanto tempo. Eu cuidadosamente esfreguei a capa com um tecido macio e destranquei a estante de amostra. O barulho e a força violenta do vento atrás de mim fez-me bater na estante, estilhaçando o vidro. Eu aterrissei com uma pancada no carpete, os cacos afiados como navalha sobressaindo dos meus braços. Um deles deve ter atingido uma artéria, porque meu sangue estava formando uma poça bastante grande no carpete. Ow. — Então, você tinha isso o tempo todo? — rosnou uma voz indignada sobre mim. Através da neblina de dor, olhei para cima e tentei focar no rosto de Emery. Ele olhou para mim com desprezo, tão pastoso como sempre, mas não tão suado. Na verdade, havia uma súbita radiação em seu rosto pálido e redondo. Seus olhos não eram mais de um marrom empoeirado, mas um âmbar claro e líquido. E seus dentes estavam brilhantes, brancos e…, afiados.

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Merda. Eu gritei: — Emery, quem diabos foi idiota o suficiente para te transformer em um vampiro? Tentei levantar do chão, mas o tormento irritante da minha pele expelindo milhares de pequenos pedaços de vidro saindo dos meus fracos braços. Olhei para ele. Eu sabia que finalmente, o choque da traição de Emery me afetaria, mas por enquanto, manter uma fachada sarcástica e condescendente parecia o melhor. — Minha patroa, Jeanine, apenas me concedeu esse presente poucos dias atrás. Primeiro, eu tive que provar que valia a pena. — Emery suspirou. — Ela me encontrou. Ela me mostrou a verdade sobre o mundo, sobre os vampiros. Ela me deu as respostas que eu procurei por toda a minha vida. Ela me salvou. E pediu tão pouco de mim. E eu falhei! Emery chutou como uma criança da pré-escola tendo um ataque no Wal-Mart. Seu pé me atingiu nas costelas, jogando-me de volta contra o balcão. Confusa, eu segui sua linha de visão até o livro ainda preso em minha mão. Mesmo através da grande dor, meu cérebro girou. Entendimento. O interesse exaltado demais de Emery no autor. Sua necessidade de procurar em todos os títulos. Ele estivera procurando um livro específico esse tempo todo. E eu o tinha em minha mala. Se eu não estivesse sangrando profundamente, eu teria rido. — Você é um escudeiro do mal, Emery? Sério? Você entrou à força na loja enquanto eu estava fora da cidade? E por que a grande charada de chegar semanas depois de todo imundo e com jet-lag? Eu teria te dado qualquer coisa que você quisesse. Por que você está agindo dessa forma? — eu perguntei. Eu não tinha certeza do que fazia essa situação pior, minha estupidez ou o lamento chocante sobre a minha estupidez. Eu me senti culpada por esse imbecil, por não ter sido mais legal com ele. E ele estivera trabalhando para Jeanine desde o momento em que eu o encontrei. Ele enganara a todos nós, deu a volta em sua própria família para ajudar aquela puta louca a me aterrorizar. Eu senti minhas presas se extenderem sobre meus lábios.

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A raiva parecia boa. Pareceu clara comparada com a confusão de dor e preocupação. Emery sorriu para mim. Em uma voz paciente, ele disse: — Eu preciso daquele livro, Jane. Eu preciso de O Espectro do Vampirismo para restaurar a saúde de Jeanine. — Qualquer coisa menos isso. — eu cuspi, me levantando. Vidros caíram no chão de minhas mangas. — Agora, me diga onde está Andrea. Emery me empurrou novamente para o chão, o que, dado o sentimento confuso em minha cabeça, era provavelmente onde eu precisava ficar; de qualquer forma. Ainda segurando o livro, engatinhei atrás do bar para a geladeira. Emery me seguiu; aparentemente despreocupado pelo rastro de sangue que eu estava deixando. — Eu sou um novo homem, Jane. Capaz de coisas que eu nunca sonhei. — enfatizou com uma expressão distante. — Minha patroa Jeanine tocou-me com seu conhecimento sombrio. Eu a adoro aos seus pés. Eu lambo o chão onde ela passa. Peguei três garrafas de sangue falso tipo O da geladeira e derramei uma atrás da outra em minha garganta. Secando minha boca, olhei para ele. Minha visão começou a clarear. Minhas feridas se fecharam. Consegui dobrar meus braços. Minhas pernas pareciam mais fortes. Eu era praticamente o Popeye o Marinheiro drogado. Eu me levantei. — A adolescência deixou marcas profundas em você, não foi? Eu acho que você precisa encontrar esse cara com quem eu ia para a escola. Seu nome é Adam. Eu acho que vocês iriam se entender. O tom sonhador desapareceu do rosto de Emery. Ele percebera seu erro, não tirar o livro de mim imediatamente. Sendo tão novo, ele não percebera quão rápido nós nos recuperamos com a ajuda de uma infusão. Ele deu um passo ameaçador em minha direção; minhas mãos se apertaram em volta da capa. — Eu preciso desse livro. A patroa o exigiu. Se eu não o levar para ela, ela vai plantar seu salto na minha...

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— Eu não quero ouvir sobre suas escapadas de sexo com a louca da Jeanine. — eu lhe disse. — Oh, não, eu não valho a atenção da patroa. — ele disse num tom honrado e silencioso. — Então por que você continua chamando-a de ‘patroa’? — Porque ela controla tudo o que eu faço. — ele disse. — O que eu como, quando durmo, quanto tempo posso ficar fora sem... — Eu entendi Emery. Por favor, não me dê detalhes. E pare de falar dos pés dela, está me enojando. — Estou finalmente por minha conta, Jane. — ele rosnou. — Você sabe como é isso, viver sua vida inteira, esperando ela começar? Sabendo que existe algo lá fora para você, algo que vai te completar, mas sem saber o que é? — Tudo o que eu estou ouvindo é um ‘bl|, bl|, bl|, eu sou um lun|tico aproveitando meu momento’. — eu lhe disse. — Agora, me diga onde está Andrea. — Se você não me der esse livro, Jane, eu vou ter que tomá-lo. — Emery disse, preparando-se para me atacar. Completamente carregada do meu lance sangrento, esmurrei-o na testa com toda a força que eu tinha. E agora que ele perdera o elemento surpresa, Emery não era tanto um lutador. — Ow! — ele gritou, desmoronando numa pilha no chão. — Emery, por favor, não faça isso. Você é da família do Sr. Wainwright. Tanto quanto eu odeio o que você fez, eu não quero..., droga. — ru suspirei quando ele me agrediu novamente e eu o esmurrei na testa. Novamente. — Fique quieto, Emery. — Dê-me esse livro. — Emery exigiu. — Hmmm… Não. — eu rugi. — Jane, você não me deixa escolha. — Emery puxou um grande crucifixo de madeira de sua jaqueta.

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Eu dei um sorriso azedo para ele. — Desculpe, eu estou meio que em paz com a coisa toda do Cristianismo. — Eu achei que você fosse dizer isso. — Emery pressionou o centro do crucifixo e uma estaca apareceu. Ele levantou a estaca e me agrediu novamente. E eu o esmurrei na testa. De novo. — Por que você não aprende com isso? — eu rosnei, olhando para o corpo machucado de Emery. Quase me senti mal sobre a coisa toda, até que fui golpeada inconsciente. Num minuto, eu estava olhando para Emery e no outro, dor incandescente retalhou minha nuca, paralizando cada músculo do meu corpo. Minhas pernas cruzaram sob mim e eu caí no chão, minha respiração ofegando num fraco “uhhf” logo antes de minhas p|lpebras se fecharem. E para o registro, sim, minha própria arma que imobiliza, mas não mata fora usada para me incapacitar.

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Capítulo16
A mudança é inevitável. É necessária para o crescimento de uma relação. Mas na maioria das vezes, é apenas uma droga. - Mordidas Amorosas: Guia Vampírico Feminino para Relacionamentos Menos Destrutivos.

Quando voltei a mim, estava amarrada no porão de uma casa muito
antiga. Minha boca tinha gosto de moedas antigas. E a parte de trás do meu pescoço estava picando como louca. Sentei-me. Mas a sensação de tontura em minha cabeça me fez cair de volta no chão de pedra. O tecto acima era solidamente construído e estranhamente familiar. Olhei em volta, reconhecendo algumas das caixas velhas e engradados. — Merda. — eu gemi. Eu tinha sido sequestrada e levada para River Oaks. Isto era simplesmente vergonhoso. Fiz outra tentativa de sentar-me, encolhendo-me devido à corda de linho prendendo meus pulsos e tornozelos. Dupla merda. Encostei-me em uma caixa de enfeites de Natal velhos e pisquei para a baixa e pequena janela do porão. Estava escuro lá fora. Que horas eram? Eu tinha estado desmaiada o dia todo? Onde estava Emery? Onde estava Gabriel? Ele devia estar frenético por esta altura. Através das sensações nubladas se prolongando na minha cabeça, eu tentei me lembrar se guardava aqui qualquer coisa que pudesse cortar as cordas. Eu fiz uma varredura do quarto procurando o contorno de ferramentas de jardinagem ou um serrote. No escuro, eu podia ver o brilho fraco rosa de uma fantasia de poliéster de Halloween. — Andrea! — eu sussurrei para a sua forma inclinada. — Andrea, você está bem? Por favor, me responda. Andrea? Andrea estava vestida, graças a Deus, e deitada sobre uma mesa velha do meu avô. Suas roupas estavam manchadas de sangue velho. Ela parecia

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ainda estar dormindo, mas não havia respiração ou pulso que eu pudesse ouvir. Ela estava tão pálida e pequena. Meu coração ficou preso na minha garganta, as bordas da minha visão ficaram manchadas com um vermelho raivoso e brilhante. Algo estava cortando o meu lábio. Levei alguns segundos para reconhecer que eram as minhas presas e que o sangue jorrando na minha boca era o meu, alimentando o meu ódio já escaldante de Emery. — Receio que Andrea esteja indisposta. — Emery disse carinhosamente, emergindo de um canto e se sentando nos ombros de Andrea. — Ela é tão linda, como uma princesa de conto de fadas. — ele riu, acariciando o cabelo dela. — Só que, o beijo do príncipe foi o que a colocou para dormir. — o sorriso de Emery foi súbito, afiado e vicioso. — Ela era deliciosa, a sua Andrea. Bem, ela é a minha Andrea agora. — Eu vou matar você. — prometi. O comportamento frio e calmo de Emery mudou ao ouvir o meu tom áspero. — Eu fiz isso por ela! — ele assobiou. — Para minha senhora! Para provar que sou digno de seu dom escuro. — ele pareceu se recompor. — Para machucar você. Oh, como ela gosta de machucar você. — ele sorriu para si mesmo. — Andrea foi a minha primeira matança. Foi muito mais fácil do que eu achei que seria. Depois de beber aquele sangue engarrafado horrível, foi um prazer. Você deve saber. Você tem que a ter provado, pelo menos uma vez. Dar-lhe o meu próprio sangue, no entanto, não foi tão fácil. A senhora tem razão, é bastante desgastante. — Você transformou ela? — a divisão dos meus sentimentos abriu um buraco no meu peito, choque e horror por Andrea ter sido forçada a terminar sua vida humana, alívio por ela não ter ido inteiramente, tristeza por Dick. — A senhora prometeu-me. — ele disse, passando a mão ao longo de seu rosto branco e imóvel. Ele sorriu para mim. — E ela disse que eu poderia ter você, também. Eu tenho necessidades, Jane, necessidades que eu tenho negado por muito tempo. E uma vez que eu não sou digno das atenções da senhora... — Oh, acabe com a conversa maluca, Garoto Pezudo. Não haverá nada para você. Percebeu? — Você tem um..., jeito original para as palavras, Jane. — uma voz suave e feminina riu nas trevas. Cindy, a nossa adolescente gótica, amuleto da sorte e amante de lattes, entrou na penumbra. O verde já fora lavado de seu

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cabelo, que agora era escuro. Fora puxado para trás em um estilo vitoriano, estranhamente em sincronia com a sua saia preta ricamente bordada e sua blusa branca de seda. Ela não estava usando maquiagem, e seu verniz negro havia sido removido. Meu instinto de proteger a garota de quem eu tinha começado a gostar tanto pulou na frente da minha capacidade de raciocínio lógico. — Cindy, saia daqui! — eu chorei. — Você pode conseguir..., oh, pelo amor de Deus, você é um deles, não é? Ela fez tsk e sacudiu a cabeça com simpatia. — Pobre Jane. — Eu confiei em você. Eu fui legal com você. Eu lhe dei café de graça! Ela sorriu e apertou minha bochecha. — Sim, e isso me deu tempo para observar você, para ouvir você se lamentar e se queixar para seus amigos enquanto pensava que eu estava lendo. É impressionante o que as pessoas dizem quando pensam que ninguém está ouvindo. Isso fez com que escrever aquelas cartas fosse muito mais fácil. — Espere um minuto, você é a Jeanine? — eu ofeguei. — Mas eu vi dentro de sua cabeça. Você é uma recém-nascida! Jeanine tirou um frasco de gotas umidificantes e umedeceu os olhos. Ela os limpou delicadamente com um lenço com laços. Ela me deu um sorriso afetado quando Emery reverentemente baixou uma capa de veludo vermelho cerimonial sobre os ombros dela. — Sou uma atriz muito talentosa. Eu poderia ter sido uma das grandes damas do teatro, se a Vovó me tivesse permitido fazê-lo. Mas as pessoas do teatro eram pouco melhores do que artistas de circo na época, você vê. Realmente, você foi decepcionantemente fácil de enganar. Eu sabia que você ia tentar ler minha mente, então eu inventei essa história sobre a pobre pequena Cindy, a incompreendida, recém nascida abandonada, procurando um lugar ao qual pertencer. Eu deixei você ver isso. Eu sabia que você não seria capaz de me mandar embora. Você nem sequer suspeitou de mim. Claro, no final do dia, eu tinha que liberar do meu sistema as toxinas de seu café miserável, mas valeu a pena. Eu aprendi tanto sobre você, Jane, e isso me ajudou a guiar Emery em como... instruir você melhor. — Onde exatamente psicóticossolteiros.com? vocês dois se encontram, no

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A mão de Jeanine serpenteou para fora da capa, forçando a arma de choque contra o meu braço. O rápido choque metálico me fez cerrar os músculos da mandíbula. — Ow! — eu resmunguei. — Não há nenhuma razão para você ser rude, Jane. Eu não vejo porque nós duas não podemos ser amigas. — Jeanine disse, sorrindo de forma sincera. — Quero dizer, honestamente, temos tanto em comum. Um amor pela leitura, relações complicadas com as nossas mães, amamos o mesmo homem. Com Gabriel como Sire, nós somos praticamente irmãs. Então, vamos conversar, as duas. Apenas duas amigas. — Eu não vou trançar o seu cabelo. — eu rosnei. Com uma voz alegre, ela disse, — Eu sou apenas uma boa menina católica no fundo, Jane. Eu fico muito confortável em igrejas, conventos, mosteiros. Depois de Gabriel ter tão insensivelmente rejeitado a minha última rodada de telefonemas e cartas, eu viajei até a Guatemala, para descansar em um pequeno convento na Serra de Madre de Chiapas. E um dia, entrei na capela e encontrei Emery. — Ela foi uma resposta às minhas preces. Eu pensei que ela era um anjo. — ele suspirou. — Meu anjo escuro. — Eu acho que acabei de vomitar um pouco. — eu murmurei, estremecendo quando Jeanine me deu um choque com a arma. — Emery estava tão ansioso para agradar. — ela disse, acariciando seu rosto com os dedos. Ele se inclinou para a carícia dela como se fosse um adorável spaniel81. — Tão atencioso. Ele prometeu fazer tudo o que conseguisse para restaurar a minha saúde, mesmo quando isso significou trazer-me o sangue de cada estudandte do seminário. Imagine meu choque quando descobri que ele era de Half-Moon Hollow, o lugar de nascimento do meu querido Sire. Emery falou-me da livraria do seu tio, sobre um livro que ele lembrava de sua infância, que descrevia um ritual para 'revampirizar' um imortal doente. — ela levantou o exemplar de 'O Espectro do Vampirismo', manchado com o meu sangue. — Foi o destino, você vê, o livro, Emery, Gabriel, todos circulando esta pequena cidade boba. Eu queria partir imediatamente, mas depois ele recebeu uma mensagem sua, dizendo que o tio dele tinha morrido. E ele soube que você tinha recebido a loja e todo o

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Raça de cão.

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seu conteúdo. Isso complicava as coisas para nós. Então, nós esperámos e observámos. Seu lábio se franziu. — E eu vi você com ele, com o meu Gabriel. Como eu poderia evitar alcançá-lo? Você pegou o meu Sire. Ele parou de pensar em mim quando você chegou. Eu estreitei os olhos, pensando em todo o stresse que ela tinha feito Gabriel passar. — Ele parou de pensar em você muito antes disso. — deixei escapar um sonoro “Gah!” quando ela me deu um choque novamente. OK, eu admito que não foi uma coisa construtiva para se dizer. — Eu suponho que você não adivinhou qual é a minha habilidade especial, não é Jane? — ela provocou, como se não tivesse acabado de jogar milhares de volts em meu corpo. — Você pode chamá-la de 'mente rastreadora'. Se eu me focar em alguém forte o suficiente, eu posso encontrá-lo em qualquer lugar. Não importa onde eles estão, não importa o quanto tentem se esconder, eu tenho um dom para adivinhar onde eles vão aparecer em seguida. — Seu poder especial é você ser uma perseguidora sobrenaturalmente talentosa? — eu resfoleguei. — Gabriel realmente fez merda ao transformar você. Ela me ignorou, possivelmente porque a arma de choque ainda tinha que recarregar após a última rodada. — Eu admito que Gabriel tem sido um desafio ao longo das últimas décadas. Ele tornou-se muito hábil em manter seus planos vagos, saltando entre esta pequena cidade horrível e o resto da civilização. Eu sempre estava incerta com ele. Mas você, oh, Jane, você foi muito fácil de seguir. Você foi uma ajuda considerável para mim enquanto Gabriel te arrastou de cidade para cidade, hotel para hotel. Você foi quase um sinal de localização. Eu nem sequer tive que adivinhar, o que foi uma sorte para mim. Eu acho viajar muito desgastante. Eu só conseguia escrever aqueles bilhetes e deixá-los em seus hotéis antes de desabar em um banho com árvore de chá e eucalipto. Eles são muito reparadores, você sabe. Você deveria tentar, Jane. Você está parecendo um pouco cansada. — Eu não estou cansada, estou com uma concussão. Ela riu, fazendo olhinhos bobos a Emery enquanto ele acendia várias lamparinas para caso de furacão que eu mantinha guardadas para falhas de energia. — Enquanto isso, Emery ficou aqui. Ele também não estava muito feliz com você, Jane. Você assumiu o comando da loja. Foi-te dado tudo o que

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o tio dele tinha deixado neste mundo. Ele queria punir você. É um outro interesse que partilhamos. Então, eu deixei Emery saciar sua necessidade de vingança trivial. Eu o ajudei a aprender como guardar seus pensamentos quando estava perto de você. Eu deixei ele jogar os seus joguinhos com você. Eu até lhe dei algumas ideias. Vasculhar sua bolsa e descobrir aquele spray bobo para vampiros foi particularmente inspirador. De repente, o desaparecimento do meu spray fez muito mais sentido, mas eu tive que me perguntar que espécie de vampiros do mal com habilidades ninja Jeanine tinha empregado para chegar à minha bolsa sem que ninguém visse. Eu grunhi, querendo dar um tapa na minha própria testa. Eu disse a ela para se servir de café sempre que precisasse. Minha bolsa estava embaixo do balcão. Nunca mais vou confiar em adolescentes, nunca. Eu sorri maldosamente. — Bem, o tiro saiu pela culatra, porque me mandar uma caixa cheia de prata foi o que fez com que eu e Gabriel ficássemos juntos novamente. Então..., obrigada por isso. Um esgar negro passou-lhe pelas feições antes de ela se obrigar a voltar à sua máscara de controle sereno. Eu esperei que ela me desse outro choque, mas o choque não veio. Quando abri os olhos, Jeanine estava segurando o livro na mão, debruçando-se sobre qualquer que fosse o ritual que ela estava convencida que a iria transformar em uma garota real. — Tem certeza que este é o livro certo? — ela exigiu quando Emery se agachou na sua frente. — Claro, senhora. — ele sorriu tolamente. Ela resmungou. — Mas não há quase nada aqui. Não há nenhuma cerimonia especial para re-transformar um vampiro, apenas uma nota de rodapé sobre se é possível. A nota de rodapé diz, 'Altamente Improvável'. Emery empalideceu ao ouvir seu tom, cuspindo. — M-mas-mas eu não dei nenhuma garantia, senhora, eu disse que lembrava vagamente de ter lido algo quando criança— Você disse um pouco mais do que isso, Emery. Pelo que me lembro, você parecia certo de que sabia como me curar. Você prometeu! — ela bateu o pé.

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Eu assobiei uma risada louca. — Emery é a sua fonte de informação neste cenário? Você é o pior inimigo que eu já tive. Mamãe Ginger tem mais capacidade de conspiração do que você. — Emery. — ela disse distraidamente. Emery estendeu a mão e me socou, seus dedos marcando meu maxilar com força para quebrar ossos. Ow. Quando mexi meu maxilar machucado, eu percebi que Jeanine estava tentando evitar machucar-me muito. A arma de choque era o suficiente para me manter na linha, mas ela não confiava em si mesma para realmente atacar. Ela precisava de mim. E a única razão em que eu podia pensar para ela me manter viva era porque— Gabriel. — eu gemi. — Você quer Gabriel aqui para qualquer ritual estranho que você planejou. Eu fui relegada a isca. Isso é um insulto. — Não se sinta insultada, Jane. — ela disse, seu lábio fez um beicinho aturdido. — É um elogio, na verdade. Gabriel se preocupa com você. Ele é quase obcecado com a sua segurança e felicidade. Assim que ele perceber que você não está na loja, ele virá correndo aqui procurar por você. E sua..., situação é apenas o incentivo que ele precisa para colaborar. Você percebe que eu tenho tentado contatá-lo há décadas, mas a primeira vez que ele respondeu de alguma forma foi quando eu lhe disse que ia falar com você, te machucar? Pessoalmente, eu não vejo a atração. — suas feições em forma de botão de rosa escureceram, petulantes. — Não é justo. Ele se importou o suficiente com você para te transformar completamente, para se certificar que você poderia cuidar de você mesma, se proteger. Ele me transformou em menos. Ele me fez um ghoul. — Você não é um ghoul. você é hipocondríaca. Você viaja com um umidificador, pelo amor de Deus. Quando um flash de fúria insana cruzou as características de Jeanine, eu tive uma ideia. Se não houvesse isca, não haveria nenhuma armadilha, nenhuma razão para Gabriel estar aqui. Jeanine ficaria sem o seu grande plano maléfico. Ela não seria capaz de magoá-lo. E comigo fora de cena, Jenny finalmente conseguiria a casa. Agora que minha vida parecia estar, finalmente, realmente chegando ao fim, eu descobri que não me importava muito.

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Chateá-la não parecia tão importante agora. Realmente era um droga que eu estivesse atingindo um certo nível de maturidade emocional momentos antes da minha morte eminente. Eu ri alto, fazendo minha voz tão condescendente e semelhante à da Courtney quanto possível. — Você nem sequer tem a coragem de vir atrás de mim. Você fez com que o Garoto Pézudo fizesse seu trabalho sujo. Jeanine revirou os olhos mas não respondeu. Eu cavei mais fundo no poço do insulto intencionado, diminuindo meu tom de voz para um tom sarcástico manhoso. — Você sabe, Gabriel me contou tudo sobre sua quedinha por ele, quando você era humana. Seguindo-o por aí como um cachorrinho, se tornando um incomodo. Eu mencionei que pouco tinha mudado, uma vez que você está fazendo praticamente a mesma coisa. E nós rimmmmmoooos. Eu disse que ele estava deitado na minha cama, nu, nessa hora? Os dentes de Jeanine se cerraram e ela gritou. — Emery! Emery se virou e realmente me socou com força. Infelizmente, ele não o fez no ângulo certo, então a minha têmpora bateu no canto de uma caixa de porcelana. Eu caí no chão, minha cabeça girando, sangue escorrendo pelo pescoço da minha camisa. Eu estava vagamente ciente de meus braços sendo presos sob minhas costas, as cordas mordendo meus pulsos. Então, em vez de morrer para proteger o meu amado, eu ia acordar com uma dor de cabeça e um caso grave de alfinetes e agulhas nos meus braços. No geral, não o meu plano mais bem pensado. Enquanto a inconsciência tingia a beira da minha visão, eu olhei para Jeanine. — Eu não gosto de você. Jeanine sorriu, dando tapinhas em meu rosto. — Estou contente por termos tornado isso público. A partir do escuro e sem fundo poço do esquecimento, eu ouvi gritos. Pisquei algumas vezes. Ouvi o uivo dolorido de Dick e sua voz gemendo. — Não, querida, não. — uma e outra vez. Quando meus olhos conseguiram focar-se, eu o vi no canto, o corpo de Andrea pressionado contra seu peito, seu rosto enterrado no pescoço dela. A voz de Gabriel era mais alta, severa. — Fique para baixo, Emery!

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Sentei-me, estremecendo pela dormência nos meus braços. Balancei a cabeça, tentando afastar os últimos pontos nublados na minha cabeça. — Gabriel? — eu olhei para cima, vendo Gabriel asfixiar Emery contra uma parede enquanto Jeanine ficava nas proximidades, torcendo as mãos. Ela parecia tão indefesa e em pânico. Parecia que enfrentando o objeto de sua obsessão e fúria, nosso Sire comum, todos seus grandes planos do mal tinham evaporado, e ela estava reduzida a tremer como uma colegial afobada. Eu quase senti pena dela. Mas nem por isso. Gabriel deixou cair um Emery quase inconsciente ao ouvir meu sussurro rouco. Emery caiu contra uma pilha de caixas, derrubando-as. Eu ouvi o ofego de Jeanine quando uma das lâmpadas para furacões apagada se quebrou a seus pés, mergulhando sua capa em óleo de lâmpada. — Jane? — ele murmurou, sondando minha têmpora suavemente com os dedos. Entre os mal curados cortes em meus braços, o ferimento na cabeça, e o sangue marrom seco na minha camiseta, eu imaginei que não estaria ganhando nenhum concurso de beleza em breve. Infelizmente, a este ponto, eu acho que Gabriel estava acostumado a ver-me assim. — Eu realmente sinto muito sobre isto. Emery me pegou por trás. — eu gemi. — Não é como soa. — Você está bem? — ele perguntou. — Aborrecida e irritada, um pouco preocupada com o estado mental de Emery. Mas sim, eu estou bem. — eu resmunguei, tentando me levantar. — Não, eu estava errada, minha cabeça realmente dói. — Vamos subir. — ele disse, pegando meu braço e suportando o meu peso. — Jeanine, eu chamei o Conselho. Você foi longe demais desta vez. Quando eles vierem... — a voz de Gabriel quebrou quando ele viu Dick amontoado protetoramente sobre Andrea. — Não há nada que eu possa fazer para te ajudar. — Isso não é verdade. — Jeanine choramingou. — Você e eu temos uma longa dívida para liquidar, Gabriel. — Eu não te devo nada. — ele rosnou, passando por ela e me arrastando com ele. — Tudo isto é obra sua! Sua culpa. Você me fez o que eu sou!

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A voz triste, a visão do rosto retorcido de boneca de Jeanine, estavam jogando com as cordas de culpar de Gabriel como um virtuoso. Eu podia ver o conflito em seu rosto. Depois de tudo, ele queria encontrar uma maneira de ajudá-la. Ele se virou, deixando-me em pé enquanto meu sentido de equilíbrio voltava. — Eu não deveria ter deixado você sozinha, Jeanine. — ele disse. — E eu sinto muito por isso. Mas eu tinha medo de você, medo das coisas que você faria. Eu tinha vergonha de você. Eu pensei que você iria ouvir Violette, que ela poderia te ensinar. — Ela não me ensinou nada! — Jeanine amuou. — Eram apenas mais regras! Mais regras do que minha vovó tinha. Não se alimente dos fracos. Não mate pelo prazer de matar. — ela disse, imitando um sotaque Francês. — Era muito pior do que a minha vida. Você me deixou com aquilo. Eu não tinha ninguém a quem recorrer. Por favor, apenas me dê mais do seu sangue. Me torne completa. O Conselho vai compreender que eu estava doente e não na minha mente sã, que eu não tinha escolha a não ser fazer o que fiz, especialmente quando você falar com eles. Ele respirou fundo. — Eu não vou fazer isso, Jeanine. Eu não vou falar por você e eu não vou dar-lhe mais uma gota do meu sangue. Não há nada como uma re-transformação. — Sim, há! — Jeanine gritou. — Jeanine. — ele rosnou. Limpei a garganta. — Gabriel, não vamos contraria a louca com a arma de choque. — Jane, não ajude. Espere..., ela tem sua arma de choque? Encolhi os ombros, minha expressão apologética. — Eu posso te fazer feliz, Gabriel, se você me der uma chance. Mas agora que você a tem, você nem sequer pensa em mim. — Jeanine implorou, sua voz aguda e desesperada. — Você não consegue ver o que ela me fez, se metendo entre nós? Eu preciso de você. Oh, Senhor, era a criptonita de Gabriel, uma dama em perigo. Mas em vez de salvar Jeanine, ele simplesmente sacudiu a cabeça.

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— Eu não posso continuar vivendo assim. — Jeanine chorou, lágrimas de sangue verdadeiras escorrendo agora por seu rosto. — Eu não posso continuar vivendo esta meia-vida. Eu quero o dom da imortalidade ou então nada! — Eu te dei o dom da imortalidade. — disse Gabriel, sua voz fria agora. — E você o desperdiçou. Com um grito louco, acendeu a arma de choque e a apontou para a borda de seu manto. — Eu vou acabar com isto agora. Vou levar todos vocês comigo. — Você não vai fazê-lo. Você está aterrorizada com a morte. — eu lhe disse. Eu pensei que lembrá-la das consequências imediatas a iriam fazer largar a arma de choques, mas Jeanine pareceu levar minhas palavras como um desafio. Ela escarneceu e pressionou para baixo a arma, o arco de energia elétrica pegando fogo à capa embebida em óleo com um brilho laranja ofuscante. Em poucos segundos, suas roupas foram engolidas. Gabriel me jogou atrás dele. Mas Jeanine estava perfeitamente imóvel, um olhar chocado congelando seu rosto em uma máscara de pesar horrorizado, como se ela não pudesse acreditar no que tinha feito devido ao seu temperamento infantil. Suas mãos em pânico bateram nas chamas enquanto elas lambiam suas roupas, em direção ao seu rosto. Houve um grito horrível quando o corpo de Jeanine pareceu desintegrar-se diante dos nossos olhos. Seu rosto ficou cinza, depois preto, e em seguida, se desfez em pó. O manto de fogo caiu no chão. Eu vi como a poça de óleo começava também a arder, o fogo indo em direção às pilhas de caixas de madeira e cestos. As chamas se espalharam mais e mais, até que eu pensei que elas poderiam estar roçando o teto. Nós ficaríamos presos. River Oaks iria queimar. O porão ia pegar fogo como uma vela romana se... Eu gritei quando uma nuvem azul-e-branca explodiu na minha cara. Dick estava de pé sobre os restos de Jeanine com o extintor de incêndio que eu mantinha perto das escadas do porão. Com lágrimas escorrendo pelo seu abatido rosto inanimado, ele pulverizou espuma sobre os pontos quentes remanescentes, deixou cair o objeto vermelho com um som estridente, e voltou para Andrea sem uma palavra.

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A explosão de frio do extintor de incêndio pareceu reanimar Emery, que lentamente se ergueu do chão. Gabriel se endireitou, colocando-se entre Emery e eu. — Senhora? — Emery murmurou. Seus olhos baços e desfocados avistaram o monte de cinzas e a capa vermelha, absorvendo o que significava. Ele gritou: — Não! Não! Emery escaneou a sala procurando por sinais de Jeanine, por uma explicação sobre o que tinha acontecido. Vendo Dick agachado sobre Andrea, Emery chorou. — Essa é a minha companheira! — quando ele avançou sobre eles, Dick olhou para cima com o que apenas pode ser chamado de um rosnado predatório e rugiu. Mesmo eu pulei para trás. O aperto de Gabriel no meu braço ficou mais forte. — Emery eu acho que você deveria se afastar e ficar sentado até o Conselho chegar aqui. — Gabriel disse agitado. A testa de Emery se franziu, mesmo enquanto ele circulava Andrea, tentando encontrar um ponto fraco nas defesas de Dick. — Que conselho? — O Conselho para a Igualdade de Tratamento dos Não Mortos. O corpo diretivo de vampiros que vai te castigar depois do que você faz. — eu disse. Emery bufou com sarcasmo. — Nós somos vampiros, Jane. Nós estamos acima da lei, das limitações da sociedade humana. Não existem mais regras para nós. É por isso que eu queria ser um vampiro em primeiro lugar. — Na verdade, há um monte de regras, Emery. O Conselho tem regras para tudo, especialmente quando se trata de rapto e de transformar humanos contra a sua vontade. É ruim para a nossa imagem pública. Todos estes meses na livraria, e você nunca se deu ao trabalho de ler nada, não é? Você comprou a promessa de Jeanine de um 'dom escuro', sem nem sequer pensar nisso. E agora, você vai ter um Julgamento. — O que é o Julgamento? — Emery perguntou, sua bravata de repente sumida. — O que você fez a Andrea vai ser nada comparado com isso. Como se em sugestão, Ophelia apareceu no topo do porão com sua legião do Conselho: o magro e mal-humorado Peter Crown, um sósia improvável do

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Coronel Saunders chamado Waco Marchand, e a loira e fria Sophie. Eu nunca fiquei tão feliz em ver burocratas em toda a minha vida. Era como uma cavalaria pálida e elegante. Emery tinha perdido toda a sua coragem nesta altura e estava agachado atrás de uma pilha de lixo. Ophelia, uma adolescente de 300 anos, que estava vestindo um jeans escuro e uma t-shirt dos Jonas Brothers, avistou o corpo retorcido de Andrea, o monte de cinzas no chão, e o meu aspecto sangrento de sobrevivendo de massacre. — O que você fez desta vez, Jane? — ela perguntou, revirando os olhos. — Desta vez, realmente não fui eu. — eu protestei. — Você sempre diz isso. — ela ressaltou. — Foi este recém-nascido, Emery Mueller. — Gabriel disse, arrastando Emery pelo colarinho e empurrando na direção de Peter. — Ele sequestrou Andrea Byrne e transformou-a contra sua vontade. Sob a ordem de sua Sire, Jeanine, ele também tentou matar Jane com spray de prata há algumas semanas atrás, e depois assaltou-a e a sequestrou esta noite. — Isso é uma lista de crimes bem grande para um recém-nascido. — Ophelia disse, cutucando os restos de Jeanine com seu dedo do pé. Gabriel pigarreou. — Quando Dick..., quando ele for capaz de falar, ele vai corroborar a minha história. — Eu vejo. — ela disse, ponderando enquanto raspava as cinzas de seus ténis Converse. — E eu suponho que esta seja Jeanine? — Gabriel concordou secamente. — Quando eu lhe disse para cuidar do assunto, Gabriel, eu não quis dizer que você a incendiasse. Eu levantei minha mão, pedindo permissão para falar. — Na verdade, ela fez isso ela mesma. — Você disse isso antes também. — Ophelia observou. Eu gemi, esperando que Ophelia não fosse jogar Sophie em mim. Eu tinha acabado de ultrapassar sua forma de interrogatório que envolvia ela investigando dentro de meu cérebro do nosso encontro passado em Cracker Barrel. O Sr. Marchand cutucou-a com o cotovelo. — Ela nunca mentiu para nós antes, Ophelia. Ela não é boa nisso.

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Ophelia suspirou, — Ótimo. Emery Mueller, eu por este meio levo você para custódia deste tribunal sobre a acusação de criar um vampiro contra vontade do humano. Seu Julgamento está marcado para daqui a dois dias. — Como uma audiência? — Emery sussurrou. Ele parecia preso entre o pavor de Ophelia e querer beijar os pés dela. Peter sorriu maldosamente. — Não. Emery choramingou quando Peter e Sophie o arrastaram para fora. — Eu gostaria de dizer que espero não ver você por um tempo, Jane, mas de alguma forma, eu não acho que isso será possível. — Ophelia disse. — Isso parece justo. — eu resmunguei. Ophelia lançou um longo olhar para Dick, uma expressão confusa arruinando seu belo rosto. — Deixe-me saber se você precisar de..., ajuda nos próximos dias. Com isso, o Conselho foi embora da sala em silêncio. Eu honestamente não me importava se via ou não Emery ou Ophelia novamente. Gabriel e eu nos aproximámos de Dick lentamente. Eu coloquei uma mão em seu ombro. Dick inalou agudamente, mas ele não nos ameaçou quando afastávamos Andrea dele suavemente. Dick permitiu a Gabriel levar Andrea para um dos quartos de cima. Lavei o pescoço e rosto dela, tentando remover todos os vestígios que Emery poderia ter deixado para trás. Quando ela acordasse, eu não queria que ela sentisse o cheiro dele. Cortei o traje ensanguentado de seu corpo e enfiei uma camisola de algodão pela sua cabeça. Mesmo sabendo que eu estaria falando com ela, rindo com ela de novo em breve, ainda parecia que estava fazendo preparativos para um funeral. Desci as escadas e encontrei Dick e Gabriel na minha cozinha, uma garrafa aberta de Tipo O Falso entre eles. Eu tive que tentar engolir o caroço na minha garganta duas vezes antes que conseguisse dizer: — Dick, sinto muito. A culpa é minha. Se eu apenas..., eu nem sequer suspeitei de Emery. Eu fui tão autocentrada. Eu pensei que Jeanine estava concentrada em mim. Não me ocorreu que ela iria atrás de meus amigos assim. A voz de Dick estava crua, um sussurro áspero entre goles. — Você não poderia ter adivinhado, Jane. Nenhum de nós podia. Nós vamos colocar a culpa aos pés de Emery, onde ela pertence.

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— Hm, eu estava completamente bêbado quando fui transformado. — Dick disse baixinho, olhando para o copo. — Eu não consigo me lembrar de nada. Eu simplesmente acordei, e lá estava eu..., sem pulso, sem respiração. Eu, hm, Eu preciso saber, Jane, dói? Morrer, quero dizer? Machuca? Ela sofreu? Seus olhos me fixaram, com lágrimas caindo pelo seu rosto. — Não, é apenas como adormecer. — eu lhe disse, colocando o seu cabelo atrás da orelha e lhe dando um beijo fraternal na bochecha. — Não dói nada. — Eu vou ficar aqui por alguns dias, se não houver problema. — Dick disse. — Eu não quero mudá-la de lugar novamente. — Você é mais do que bem-vindo. — eu disse. — Eu vou preparar alguns lençóis e toalhas para você. Afastei-me do balcão para fazer exatamente isso, mas meus braços e pernas ficaram subitamente tão cansados. Eu tropecei na mesa da cozinha e senti as mãos de Gabriel nos meus braços, apoiando-me. — Desculpe, eu acho que a perda de sangue e ferimentos na cabeça estão me apanhando. — Eu posso cuidar de mim, Stretch. — disse Dick. — Gabe, leve-a para cima, e faça-a dormir um pouco. Eu não ligo para o que você tiver que fazer para convencê-la, eu apenas não quero ouvir nada. Eu sorri para a insinuação hesitante. Para brincar com a minha vida sexual, Dick devia estar se sentindo um pouco melhor. Deixei Gabriel me levantar estilo noiva e me levar pelas escadas. Agora era a minha vez de ser despida e aconchegada na cama. Quando ele deslizou sob os lençóis atrás de mim, me puxando para seu peito, eu me virei para ele e enterrei meu rosto contra sua pele. — Eu menti. — disse a Gabriel, limpando os meus olhos. — Quando eu disse que não doía morrer. Eu menti. É agoniante. Era como me afogar em terra firme, ser esmagada, não sendo capaz de respirar. Machuca. Mas eu não podia dizer isso a Dick. Eu menti. — Eu sei, querida. — ele disse, esfregando os lábios ao longo de minha testa. — Eu lembro. Mesmo sem a dor adicional de ser baleado, dar esse último suspiro, dói. Mas às vezes temos de mentir para proteger aqueles que

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amamos. — eu estreitei meus olhos para ele. Ele pigarreou. — Embora, obviamente, eu não vou fazer isso de novo. Mas você fez a coisa certa. — Como isto afetará Dick? — eu lhe perguntei. — Vai ser estranho para ele estar com um vampiro que não foi ele que criou? Ele deu de ombros. — Não é uma exigência. Há muitos vampiros em relações com sucesso. — Eles vão ficar bem ou não? — É uma violação. — Gabriel concordou. — Dick será lembrado disso todos os dias. Ele vai sentir que lhe falhou de alguma forma, que ele não a protegeu. Mas ele a ama. Ele vai colocar tudo isso de lado para estar com ela. — Parece que minha vida é tão incerta e fora de controle como quando eu era humana. Eu pensava que tinha mudado, aprendido. Achava que estava mais no controle. Estou com medo do que está por vir, do que eu não compreendo ainda. Fechei meus olhos enquanto Gabriel murmurava: — Jane, você não pode se preocupar tanto com o futuro que você deixa de viver o presente. E eu estarei com você. Não importa o que aconteça. Eu dormi aquele sono profundo que exige que você acorde com um fio de baba secando em seu rosto. Vagamente, lembrava-me de adormecer com Gabriel, acordar a certa altura quando já estava escuro lá fora, e encontrá-lo acordado ao meu lado. Eu estava com fome, mas muito cansada para sair da cama, então ele segurou o seu pulso nos meus lábios e meu deixou beber dele. Houve mais alguns episódios sonolentos nos quais eu acordei, me alimentei, e voltei a dormir. Mas agora eu estava apenas confusa e tinha um sério caso de 'cabelo de cama'. — Que horas são? — eu perguntei, apertando os olhos no crepúsculo. Gabriel acariciou minha têmpora com um dedo, onde a carne era lisa e completa agora. — Seis da tarde. De quinta-feira. Eu pulei da cama. — Caramba, eu dormi por três dias? — Você estava esgotada. — ele disse. — E você tinha um monte de cura para fazer.

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— Andrea? — eu perguntei, escorregando para dentro de um jeans limpo. — Acordou na noite passada. — ele disse, sorrindo. — Ela estava faminta. Acabou com todo seu estoque de sangue sintético e calda Hershey. Dick diz que lhe deve uma. — Eu acho que vou deixar passar desta vez. — bufei. — Basta arrastar Dick para fora do meu sofá antes de amanhã de manhã. Eu não quero que ele fique muito confortável. Gabriel seguiu, rindo, enquanto eu saía da cama e descia as escadas. Andrea estava na minha sala de estar, equilibrando a minha mesa de café em uma mão. Havia um sorriso enorme em seu pálido e angelical rosto. Dick parecia um humano que tinha estado olhando para o sol durante muito tempo, deslumbrado e atordoado. Eu me lancei para ela, jogando a mesa mesmo em cima da cabeça de Dick enquanto a abraçava. Dick ainda estava sorrindo, mesmo quando ele jogou os destroços por cima do ombro. — Ei! — ela riu, me batendo no braço. Gabriel, que tinha seguido a um ritmo menos frenético, riu de demonstração de Andrea de sua nova força. — Ow! — esfreguei meu braço e olhei para ela. — Eu acho que não vou gostar de você tendo superforça..., ou sendo toda tonta. É desconcertante. — Não fique triste. — ela disse. — Quero dizer, vamos ser honestos. Minha vida inteira estava levando a isto. Eu tenho sorte por isto não ter acontecido há muito tempo. Claro, eu teria preferido que fosse você ou Dick a transformar-me quando eu tive, vocês sabem, uma escolha na matéria. Mas quando eu penso sobre isso, porque eu estava ficando humana afinal? Emery fez a escolha que eu deveria ter feito há muito tempo. Minha família não fala comigo. Todo mundo que eu amo vai viver para sempre. E como a minha relação com Dick funcionaria a longo prazo sem uma mudança? — Você realmente está bem com isso? — eu perguntei, dando-lhe um longo olhar avaliador. Ela era meramente bonita em vida. Ela era deslumbrante agora. Sua pele era de uma cor pérola perfeitamente cremosa que realçava a cor de fogo de seus cabelos. Seus lábios eram macios e rosas e cheios, curvando-se sobre dentes mais brancos. Examinei seu rosto, procurando algum sinal de pesar, de tristeza, mas não encontrei nada. Havia uma nova exuberância em Andrea. Era como se ela tivesse finalmente descoberto o que lhe tinha faltado todos estes anos: Presas. — Porque eu tive alguns problemas de ajustamento que você não parece estar tendo.

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Andrea estremeceu delicadamente. — Bem, a coisa do sangue é nojenta. Mesmo depois de passar tanto tempo com vocês, eu tenho que admitir que é estranho ser eu a bebê-lo. Mas olhe para o lado positivo. Eu posso escalar paredes e levantar mesas, e, francamente, minha bunda nunca esteve melhor. — Eca. — Eu estou ansiosa pela eternidade, Jane. — ela disse, deslizando no colo de Dick. — Além disso, pelo menos agora, os vampiros não me verão como um lanche. — Eu nunca te vi como um lanche, boneca. — Dick riu, beijando o pescoço dela. — Eu te amo tanto. — ela arrulhou, pressionando-o contra ela. — Eu também, querida. Eu também. — Dick acariciou os dedos de Andrea com os seus. Eu notei que ela estava usando aquele pequeno anel de rubi de noivado que ele me mostrou na noite de Halloween. Senti uma onda de alívio por ambos. Emery pode ter transformado Andrea, mas Dick a tinha marcado para sempre. Ela era dele. Era assim simples. E eu senti pena de quem dissesse o contrário. Mas em vez de dar voz a estes pensamentos emocionalmente maduros, eu segui a rota de 'adolescente revoltada'. Eu gemi. — Ugh, vocês dois estão em alguma fase nojenta de lua de mel? Porque vocês vão ter que fazer isso em outro lugar. — Talvez devêssemos considerar uma outra viagem. — Gabriel sugeriu. — O Hemisfério sul deve estar longe o suficiente. — Oh, acalmem-se os dois. — Andrea disse, sorrindo. — Vocês podem muito bem se acostumar com isso. — Lembre-me de escrever uma política para demonstrações públicas de afeto no lugar de trabalho para a loja. — murmurei para Gabriel. — Agora que toda a angústia por causa da recém-nascida está resolvida. — Andrea me lançou um olhar severo. — Podemos falar sobre o porquê de você NÃO precisar de uma arma de choque? Eu coloquei minhas mãos em uma posição defensiva. — OK, pensando bem, não foi a mais sábia das compras.

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Capítulo17
O amor é sobre enfrentar o medo. O medo da rejeição, o medo da intimidade, o medo de ser ferido. Relacionamentos entre vampiros, o quociente medo tende a ser um pouco maior.
- Love Bites: Guia de uma vampira para relacionamentos menos destrutivos.

Quando Gabriel me ajudou a sair de seu carro, eu ajeitei sua gravata,
alisando a seda azul-cinzenta antes de lhe dar um beijo rápido. — O que foi isso? — perguntou ele. Beijei-o novamente e ajustei as alças do meu vestido de festa vermelho-sangue de seda pura. — Para garantir que não serei mais lembrada como a "deslocada Jane” por meus colegas. — Por que eu tenho a sensação que estou sendo usado por meu rosto bonito? — ele perguntou quando passamos por um arco de balões azuis e brancos e uma bandeira onde se lia: "Bem-Vindos de volta! Turma de 1998!” — Silêncio, me de o braço. — eu murmurei. O ginásio Half Hollow Moon High School cheirava exatamente igual, como BO e ansiedade. A comissão teve reuniões para tentar, valentemente, transformar o ginásio em um paraíso encantado com os mesmos adereços que utilizamos na nossa formatura de dez anos atrás. Vamos ver; palmeiras de plástico transparentes revestidas com luzes brilhantes? Checado. Gigante vulcão de papel machê com falsas chamas soprando? Checado. Paraquedas gigantes ondulando do teto para dar a impressão de que éramos náufragos bem-vestidos em um abrigo improvisado? Checado. Ignorando o fato de que os paraquedas estavam no armário de armazenamento onde existiam rumores de ser o local da concepção da criança de Kelly com Mindy Noonan? Checado.

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— Este é um rito de passagem? — Gabriel perguntou, olhando para o vulcão falso. — O que exatamente significa isso? — Nada, vamos embora. — eu disse, girando sobre os calcanhares e fazendo o que teria sido um traço brilhante para a porta, se Gabriel não tivesse segurado o meu braço. — Nós concordamos que esta era uma parte importante de seu desenvolvimento emocional. — Quando é que concordamos com isso? — eu exigi e ele me arrastou em direção à mesa de inscrição. — Você disse isso, eu concordei com isso. É semelhante a um contrato verbal. — Você não é um homem agradável. — disse a ele. — Eu acho que nós já estabelecemos isso. — ele disse enquanto me firmava em frente à mesa, onde uma morena com um terno cor de melão se virou para mim com o sorriso colado no rosto. Eu procurei em minha memória seu rosto. Huh. Eu estava esperando me confrontar com alguém que tinha me torturado no refeitório ou rido de mim nas aulas de matemática. Mas eu não tinha ideia de quem era essa pessoa. — Jane. — ela chorou. — É tão bom ver você! — Ei... — eu olhei em seu crachá. Eu nem sequer reconhecia a foto que foi colada ao lado de seu nome. Como tantos de nós que se formou HHHS 82 em 1990, ela sofria de cabelo com permanente combinado com a camisa xadrez horrível do período grunge. (Influência Popculture que teve um alcance enorme sobre as meninas Hollow. Nós não pudemos ser persuadidas a colocar de lado os nossos frisadores.) Dei uma olhada no nome. — Mary Beth. Como você está? — Oh, você me conhece. — ela riu enquanto me entregava o meu crachá. Eu estremeci, porque, não, eu não a conhecia. — Estou sempre
Abreviação para Half Hollow Moon High School.

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ocupada. Estou tão contente de ver você aqui. Você está ótima. E quem é este? — Este é o meu namorado, Gabriel. — eu disse e ela rabiscou seu nome em um crachá branco de convidado. Mary Beth piscou largamente para ele. — Bem, é melhor ficar de olho nela, Gabriel. Ela sempre foi uma das meninas mais engraçada da classe. — Não mudou muita coisa. — Gabriel informou. — Eu mal posso esperar para encontrar os dois mais tarde, para que possamos conversar mais. — ela arrulhou. — Vê? Aquela mulher parecia muito feliz por você estar aqui. — disse ele, enquanto nos afastávamos. — Ela disse que você era atrevida e pareciam pensar que era uma coisa boa. — Eu não tenho ideia de quem seja essa mulher. — eu disse a ele. — Isso ainda conta. Então, é assim que você parecia na escola? — ele perguntou, olhando para a foto do anuário minúsculos gravado no meu crachá. Eu agarrei o braço dele. — Passei por uma época realmente infeliz. Não me julgue. Você usava meias. — Elas estavam na moda no momento. — protestou. — Assim foram os permanentes estrondosos. Eu agradeço a Deus pelas garotas cruéis da faculdade e um companheiro de quarto que lia a revista Cosmo. Ele bufou. Eu não tinha visto a maioria dos meus colegas até aquele momento. Alguns deles tinham realmente conseguido escapar de Hollow e estabelecer a vida em outro lugar. E os que viviam na cidade tinham horários diurnos, assim os nossos caminhos não se cruzam frequentemente. Todo mundo parecia..., menor. Não magros, porque algumas pessoas tinham aumentado alguns quilos. Mas, de alguma forma, eu me lembrava dessas pessoas como

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gigantes, que pairavam sobre mim. A maioria deles estava sorrindo, mantendo uma conversa educada. E os limites sociais que tinham sidos definidos há dez anos parecia ter se dissolvido. Os ex-atletas estavam misturados com o clube de AV83, a rainha do baile mantinha um braço afetuoso em torno do capitão Softball. Nós também passamos por uma exposição de fotos, rodeado de velas brancas comemorativas. Em letras de prata reluzente, que dizia: "Nós nos lembraremos Carinhosamente ..." — Eu estou na placa memorial! — engoli em seco. — Pensei que tivesse cuidado disso! Eu RSVPd84, pelo amor de Deus. Os mortos não RSVP! — Bem, pelo menos eles se lembraram de você com carinho. — disse Gabriel, tentando encontrar uma fresta de esperança. — Gah! — eu bufei. — Ela diz com carinho! — disse ele novamente. — Oh, Jane, é tão bom ver você de volta dos mortos. — ouvi Jolene falar pausadamente atrás de mim. Jolene estava vestida com um vestido sem mangas, simples, vermelho, iluminado pelas velas sobre as mesas. Mesmo com um bebê encaixado em seus braços, sua beleza era inegável. Ela estava rindo, obviamente apreciando a minha nota de falecimento prematura. — Você trouxe suas crianças? — perguntei, pegando a Janelyn dela. — Zeb tipo insistiu nisso. — disse ela, revirando os olhos. Ela assentiu com a cabeça para onde Zeb estava com Joe, cercado por meninas que não lhe teriam chamado a atenção um dia na escola. Elas estavam todas amontoadas e fazendo caretas para o bebê. Eu não poderia ajudar, mas acho que ele estava tentando mostrar-lhes o que tinham perdido ao dispensá-lo com encontro do baile de formatura. — Algo sobre provar para os idiotas da loja de madeira que seus “garotos” nadavam. E não fomos os únicos. — ela apontou para vários outros

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Clube de Vídeo. Confirmar a presença no baile, responder ao convite.

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casais com bebês saltando desconfortável numa melhor representação de uma manhã de domingo. Eu zombei. — Bem, os gêmeos são, obviamente, os bebês mais bonitos daqui. Ela sorriu adoravelmente a Janelyn. — Obviamente. — Teve um bom momento? — perguntei a um Zeb sorridente quando ele apoiou o bebê na lateral de seu quadril. — Isto é incrível! — ele gritou quando outro grupo de mulheres se reuniu em torno de seus filhos lindos, arrulhando e sorrindo. Ele entregou Joe para mim, tomou Jolene pelo braço e arrastou-a para Adam Morrow, Mullen Rick, e a maioria do time de beisebol antigo. — Acho que alguns dos caras lá não viram a Jolene ainda. Adam me viu do outro lado da sala, e um sorriso iluminou-lhe o rosto perfeito, até mesmo os olhos. Ele ajeitou a gravata e andou dois passos em minha direção, quando Gabriel deslizou o braço em volta da minha cintura e comentou sobre os bebês nos meus braços. Adam parou, avaliando o tamanho de Gabriel em um olhar longo, e deu dois passos para trás em direção à segurança. Eu ri. — O que é engraçado? — Gabriel perguntou. Pensei em contar a ele, mas lembrei-me de que Gabriel tinha ameaçado literalmente colocar uma bota na bunda de Adam no ano anterior. Eu acho que isso não seria nada bom na frente de todos. — Não é nada. Aqui, você pode pegar um? — eu disse, deslocando desajeitadamente ambos os bebês nos meus braços. — Ei, eu não acho que eu estou qualificado... OK, então. — Gabriel fez uma careta quando coloquei Janelyn na dobra do cotovelo dele. Ele olhou para seu rosto pequeno e limpou a garganta. — Hm, como se faz? — ele parecia ofendido quando eu ri. — Eu nunca segurei um bebê antes! Não é algo que os homens faziam no meu tempo. Mesmo se fossem os seus próprios bebês.

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— Não, você está indo muito bem. — eu falei, beijando-o. — Ei, pare com isso, há crianças impressionáveis presentes. — disse Dick, tirando Joe dos meus braços e fazendo caretas. Joe, que pensava que Dick era a pessoa mais engraçada viva em sua limitada visão de mundo, borbulhava histericamente. Dick estava de alto astral na última semana ou algo assim. Com a transição quase imperceptível de Andrea para vampira e sua renovada amizade com Gabriel, o espinho no seu calo estava na condenação de Emery. Claro, Ophelia tinha levado essa carga, alguns dias antes, quando chegou a loja, procurando por uma cópia do último romance de Bardsley Michele. Dick havia lhe perguntado o que o Conselho tinha decidido fazer com Emery. Ela lhe deu um sorriso extremamente fino e disse: "Não há Emery." E então ela saiu da loja em sua forma habitual inquietante. Saber que Emery havia sofrido terrivelmente nas mãos do Conselho fez Dick e Andrea terem alguma compensação. Dick e Sr. Wainwright lamentaram o fim da sua linhagem, mas, dado o exemplo de Emery, concordaram que era provavelmente o melhor. — Eu não acho que você se qualifica como impressionável; Dick. — disse Gabriel secamente. — Mas o rótulo de criança certamente se encaixa. Dick respondeu com um gesto de mão que também era inadequado para os menores visualizarem. — O que você está fazendo aqui? — eu perguntei. Dick tinha uma marca no peito declarando que ele era Martin Gruber, presidente do Clube de Xadrez e da Sociedade Latina. Mesmo com a camisa xadrez de mangas curtas e óculos de Clark Kent (com uma fita branca ao redor da parte do nariz), Dick não se parecia em nada com o pobre, desengonçado e com óculos do Martin. — E o que você vai fazer se Martin realmente aparece? — Reivindicar o roubo de identidade. Não havia nenhuma maneira que eu iria perder essa. — Dick riu. — Zeb disse que havia uma possibilidade distinta de você surtar e bater em algumas pessoas ao redor. Talvez até mesmo em uma líder de torcida. Você sabe como eu adoro quando você faz isso!

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Eu revirei os olhos e olhei para Janelyn, que estava cuspindo no paletó de Gabriel. Os gêmeos riam e babavam alheios ao fato de que eles estavam cercados por monstros. Sério, lobisomens de um lado da família, e vampiros, por outro. Quando essas crianças vão ter medo? — Há sempre palhaços. — eu murmurei para mim mesma, estremecendo. Jolene apareceu quando Gabriel lutava para segurar Janelyn e ainda limpar a bagunça no seu ombro. — Hm, algo está vazando em algum lugar. — eu disse, segurando Janelyn no comprimento do braço que ela driblou a partir de sua boca pequena e rosada. — Venha aqui, bebê. — Jolene arrulhou, colocando o bebê em seus braços e retirando uma frauda de sua bolsa. — Essa é a melhor parte. Eu posso dar-lhes de volta. — disse a Gabriel. Gabriel perguntou: — Onde esta a Andrea? Dick acenou para a ruiva estonteante e pálida em pé, conversando com Hector Gonzalez e uma garota que eu costumava ver nas aulas de francês. Andrea estava fingindo ser Dora Grady. O excesso de peso, amaldiçoado com a pele ruim e um cabelo com excesso de friz vermelho indisciplinados, Dora foi a nossa própria Carrie White, sem a vingança telecinética. Embora eu não tenha exatamente participado do abuso no vestiário de Dora, a minha paralisia social, a minha incapacidade de fazer qualquer coisa para ajudá-la, ainda me assombrava anos mais tarde. Se alguém merecia ressurgir tão fina, e tão bonita quanto Andrea era Dora. Fiquei imaginando onde ela estava e esperava que ela tivesse encontrado alguma medida de felicidade, se ela não estava aqui hoje à noite era porque decidiu que suas ex-colegas não valiam a pena seu tempo. E que ela não estava à espreita no beiral do ginásio, esperando para nos aprisionar lá dentro e matar a todos de forma dolorosa.

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Sacudi esses pensamentos. Andrea estava se ajustando a sua vida de vampira muito mais rápido do que eu. Ela já era acostumada com a noite. Não tinha a confusão moral que eu tive sobre a alimentação por doadores, já que ela já esteve nessa posição. E ela e seu namorado vampiro, agora noivo, tinham resolvido a maioria dos seus problemas antes de ela ser transformada. Eu só podia esperar que ela não fosse me pedir para ser sua dama de honra. Lembrei-me de meu plano para uma Nova e Brava Jane. Andrea nunca iria precisar de um, mas até agora, eu tinha feito progressos impressionantes no meu. Ter um normal, relacionamento saudável? Tão normal e saudável quanto eu poderia alcançar, então: Checado. Plano de carreira? Checado. Amar a família, sem julgamento? Eu criei a minha própria família e consegui incluir alguns poucos parentes de sangue, então: Checado. Plano para a paz mundial? Eu pensaria direito sobre isso. Eu estava ali, admirando meus amigos, quando Gabriel me deu um tapinha no ombro. — Posso falar com você por um minuto? — perguntou ele, conduzindo-me para longe do pessoal, das crianças e dos nossos amigos. — Onde estamos indo? — perguntei quando nós, calmamente, deixamos o ginásio e nos dirigimos para o edifício das eletivas. — Escapar pelo campus para procurar um lugar no escuro. Não é isso que um casal faz nos filmes? — Gabriel perguntou quando nós passamos a loja de metal. — Sim. Nos filmes de terror, onde casais de namorados são mortos por maníacos segurando ferramentas agrícolas. Por favor, não me diga que depois de tudo isso, você está me levando a minha morte. — Bem, você já está morta, e eu me acostumei a ter você por perto.

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Eu ri. — De volta atcha85, querido. Mas, falando sério, o que estamos fazendo aqui? — Eu dei a sua irmã um presente hoje. — disse ele, deslizando a mão na minha. — Você está me arrastando para fora do salão para me dizer que você deu a minha irmã um presente? Isso é igualzinho ao meu aniversário de dezesseis anos. — Eu estou te trazendo aqui para dizer que fui até tua irmã hoje à noite e lhe ofereci a escritura da minha casa. Eu arquei uma sobrancelha. — Você quer dizer a escritura de um de seus mais agradáveis imóveis? — Da minha casa em Silver Ridge Road. Eu perguntei se ela gostaria de tê-la, e ela aceitou. Na verdade, eu mal havia pronunciado a palavra escritura, e ela aceitou. Ela gostaria de mudar-se o mais rapidamente possível. Descobri que não me incomodava tanto quanto eu pensei que seria. Nossa redenção através da lama parece ter exorcizado os velhos tempos, os ressentimentos quase instintivos por Jenny, mas era estranho estar perto dela agora que tínhamos estabelecido uma trégua informal. Eu estava tão acostumada a rejeitar automaticamente qualquer convite para reuniões de família que eu tropecei dizendo que, sim, eu viria para do dia de Ação de Graças e Jenny pediu que eu trouxesse meu próprio sangue de sobremesa. Quando falamos, Jenny não conseguia descobrir onde colocar as mãos. Era como uma entrevista comercial. Além disso, agora que ela não precisava mais competir abertamente comigo pela avó Ruthie, eu não acho que elas estavam passando tanto tempo juntas como antigamente. Mamãe estava fora de si de tanta alegria, mesmo que eu ainda recusasse metade de seus convites. Eu disse que Jenny e eu tínhamos nos reconciliado, não que eu tinha enlouquecido.
Vem da língua indiana e é uma expressão de satisfação.

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— Mas isso é uma grande parte da sua história familiar. Por que você iria desistir? — exclamei. Gabriel encolheu os ombros. — Eh, eu vivi lá por cento e cinquenta anos. Estava ficando entediado com ele. Além disso, ninguém vai cuidar melhor do lugar do que a Jenny. E eu suspeito que ela vá deixar sua mãe colocar a casa de volta no tour de primavera da Sociedade Histórica, o que, indiretamente, fortalecerá a afeição de sua mãe comigo ainda mais. — Então, você está basicamente desabrigado agora? — Não, eu ainda tenho as casas em... — Gabriel parou. — Sim, sim, eu estou. Cruzei os braços. — Então, onde você pretende morar? — Bem, eu estava pensando que poderia morar com você. — Por que você não esperou para ser convidado? — Porque eu estaria esperando para sempre. — ele murmurou. Em um movimento muito deliberado, inclinou meus ombros para frente dele e me apertou em seus braços. — Eu sei que eu nunca poderia pedir para você sair de River Oaks. Isso significa muito mais para você do que a casa da minha família significava para mim. Sua tia Jettie está lá. É a sua casa. Eu gostaria que fosse a minha casa também. Eu quero fazer uma vida com você, e para a maioria das pessoas, isso significa viver na mesma casa. Gabriel me deu um beijo suave como asas de um anjo roçando meus lábios. — Você é minha companheira de sangue em todos os sentidos da palavra, a pessoa que eu escolhi para passar o resto da minha vida imortal, será que você poderia ficar comigo por muito tempo. — O que isso significa? — minha testa estava enrugada de concentração, e tentei me lembrar da primeira vez que eu ouvi essa palavra. — Espere, você disse isso para a Missy, a corretora de imóveis louca, que ela sofreria sérias consequências se prejudicasse a sua companheira de sangue. Isso foi há mais de um ano atrás.

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— Eu sabia então. Você foi feita para mim, Jane. Você é minha eternidade. — Bem, por que você não podia ter me contado? — exclamei. Gabriel encolheu os ombros. — Você... — Eu não estava pronta para ouvi-lo ainda. — eu terminei por ele. Eu sinto muito. Mas como a enormidade de que Gabriel tinha acabado de dizer, um sorriso enorme dividiu o meu rosto. Eu o coloquei sobcontrole, então eu poderia restringir os meus olhos para ele. — Então, você está dizendo que vai me dizer tudo agora. Você não vai tentar me proteger ou me manter no escuro. Você confia em mim para tomar uma decisão racional sobre a notícia ruim depois que eu tiver o meu inevitável, ataque de pânico inicial? Ele balançou a cabeça solenemente. — Prometo. — E quando eu tiver meus ataques de insegurança, quando eu fizer piadas inapropriadas e se eu perguntar por que você me ama, você vai entender que isso não tem nada a ver com você, mas de anos e anos de condicionamento pela minha mãe? Ele sorriu. — Prometo. — Será que você concorda em nunca aceitar convites da minha família, a menos que você verifique primeiro comigo? Ele balançou a cabeça. — Absolutamente. Eu ri, jogando meus braços ao redor dele e beijando-o profundamente. — Eu te amo. — Espere, é a minha vez. — disse ele, colocando meu rosto alinhado com seus profundos olhos cinza. — Você promete confiar que eu quero estar com você e mais ninguém? Que eu não vou a lugar nenhum? Você promete parar de tentar localizar problemas em nosso relacionamento onde não há nenhuma, para nos dar tempo para trabalhar sobre os problemas que nós temos? — Que problema?

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Gabriel bufou um suspiro. — Jane. — Eu prometo. — eu prometi. — Você vai parar de tentar me afasta? — Eu vou. — Você promete nunca deixar Dick ficar em nossa casa? Eu ri. — Eu vou..., mas, hm, há uma última coisa. Gabriel franziu o cenho. — O que é isso? — Podemos esperar para contar à minha mãe que você está se mudando? Tanto quanto ela gosta de você, ela tem essa coisa de "viver em pecado." No minuto em que ela descobrir, a pressão para que você faça de mim uma mulher honesta vai começar. Ela já está fazendo barulho sobre nosso noivado. Acho que isso iria apenas alimentam o seu fogo. — Eu sempre poderia propor. — sugeriu ele, beijando minha bochecha. De repente, minha boca ficou seca. Por mais que eu não conseguisse imaginar minha vida sem Gabriel, eu sabia que nenhum de nós estava preparado para o percurso de arroz e o véu ainda. Nós nos reconciliamos apenas algumas semanas antes. Tão certo como eu estava do seu amor, eu precisava de mais tempo antes que eu pudesse aceitar um anel dele. O que posso dizer? Eu sou uma alma contrária. — Obrigada, mas eu ainda não estou pronta. — disse a ele. Gabriel tentou e não conseguiu conter os flashs de decepção no rosto. — Não vou casar com ninguém, além de você, Gabriel Nightengale. Mas, por agora, vamos ver se podemos viver juntos, sem que ninguém se machuque. E a coisa da família, ela não será um negócio tão grande assim. Significa apenas que você não pode sair deixando qualquer evidência de que você vive lá, como ser visto deitado no sofá, como roupas ou objetos pessoais ou o seu carro. É apenas para as próximas décadas, até que, você sabe, eles morram.

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— Deixe-me ver se entendi. Você pode colocar para correr, vampiros psicóticos e uma legião de empresárias malucas, mas você esta com medo de contar aos seus pais que eu vou viver com você antes do casamento? Eu concordei. — Sim, é exatamente isso. — Nós vamos ter que falar sobre isso. — disse Gabriel secamente. — Mas, ei, entre a nova atitude de Jenny e tê-lo presente no Natal, eu possa ser capaz de escapar ilesa das férias. Gabriel empalideceu, seu rosto ficou ainda mais pálido sob o luar que entrava através da janela. — Natal? Com seus parentes? Sorri; minhas presas aparecendo sob meus lábios. — Bem-vindo à família, querido. Gabriel sorriu e me beijou, longa e profundamente. — Eu posso viver com isso.

Fim
A série Jane Jameson continua em: Untitled
Lançamento previsto para Março de 2012.

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Sobre a Autora..
Criada em Mississipi e Kentucky, Molly Harper formou-se na Universidade de Western Kentucky com um grau de bacharel em jornalismo impresso. Ela trabalhou durante seis anos como repórter e colunista de humor, seus deveres de repórter incluía a cobertura em tribunais, reuniões do Conselho Escolar, amostra de

Molly Harpe

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