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Efeitos no homem e ecossistema de alguns metais pesados: Aluminio, Mercurio, chumbo, Cádmio, Arsénio, Crómio, Cobalto, Cobre e Zinco

Efeitos no homem e ecossistema de alguns metais pesados: Aluminio, Mercurio, chumbo, Cádmio, Arsénio, Crómio, Cobalto, Cobre e Zinco

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O presente trabalho tem como objectivo entender de que modo o Alumínio(AL), Mercúrio (Mg),
Chumbo(Pb), Cádmio(Cd), Arsénio (As), Crómio (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu) e Zinco (Zn) interferem com
o ecossistema e com o homem ao longo dos tempos.
O presente trabalho tem como objectivo entender de que modo o Alumínio(AL), Mercúrio (Mg),
Chumbo(Pb), Cádmio(Cd), Arsénio (As), Crómio (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu) e Zinco (Zn) interferem com
o ecossistema e com o homem ao longo dos tempos.

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Efeitos no Homem e no ecossistema de alguns Metais Pesados: Alumínio, Mercúrio, Chumbo, Cádmio, Arsénio, Crómio, Cobalto, Cobre e Zinco

.
Bela Irina P. N. Castroa, Carlos Manuel D. Silvab, Ana Rita D. Vieirac
Universidade de Trás – os – Montes e Alto Douro, Ecologia Aplicada
a

24625,b 24627, c21832

10 de Dezembro de 2007

Abstract
Objectivos: O presente trabalho tem como objectivo entender de que modo o Alumínio(AL), Mercúrio (Mg), Chumbo(Pb), Cádmio(Cd), Arsénio (As), Crómio (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu) e Zinco (Zn) interferem com o ecossistema e com o homem ao longo dos tempos. Conclusão: Pela análises individual dos metais pesados aqui apresentados podemos concluir que estes são metais bioacumulativos, i.e., acumulam-se nos tecidos vivos ao longo da cadeia trófica. Os seres vivos necessitam de pequenas quantidades de alguns desses metais, incluindo cobalto, cobre e zinco para a realização de funções vitais no organismo. Sendo que ao alumínio, mercúrio, chumbo, cádmio, arsénio e crómio não são conhecidas funções biológicas. Níveis elevados destes compostos no ecossistema apresentam um grau de toxicologia que aumenta ao longo do tempo de exposição. Grandes concentrações de metais pesados são raras nos ecossistemas sendo que a sua verdadeira ameaça é mesmo uma exposição crónico que leva ao aparecimento de problemas teratogênicos, cancerígenos, mutagénicos e em alguns casos leva directamente a morte por contaminação.

Alumínio
O alumínio é um metal leve, macio e resistente, de aspecto cinza prateado abundante na crosta terrestre e que devido à sua grande reactividade química é usado, como combustível sólido para foguetes e para a produção de explosivos, indústria dos transportes (material estrutural), embalagens (latas), construção civil (janelas, portas) e bens de uso (ferramentas) (Klöppel et al. 1997). Entre 2001 – 2005 a produção mundial de alumínio aumentou 30%, o que demonstra consequentemente que também um maior número de trabalhadores foi exposto aos seus efeitos (Meyer-Baron et al. 2007). A problemática do alumínio tem décadas de idade mas só recentemente se confirmou que as suas propriedades

neurotóxicas estão relacionadas com doenças como a neurodegeneração, encefalopatia, (Meyer-Baron et al.2007), demência dialítica, doença de Alzheimer (Zatta et al.1998) e alterações neurocomportamentais (Meyer-Baron et al.2007). Estudos comprovam que existe uma relação entre a exposição – resposta ao alumínio e que: a diferença de solubilidade do alumínio em espécies de fluidos biológicos, a duração da exposição e as doses administradas são variáveis que numa metanálise estimam a magnitude do efeito. Uma maior duração da exposição e um aumento da dose está associado a uma maior magnitude, é importante referir que existe uma diferença entre exposição permanente e exposição limitada no que diz respeito a magnitude do efeito. Em 1976 Alfrey et al. provou convictamente que a intoxicação por alumínio estava fortemente relacionada com a demência dialítica, no mesmo ano McLachlan et al. relatou que elevadas concentrações de aluminio aparecem em certas zonas do cérebro de pacientes com Alzheimer (Corain et al.1995). Isto acontece porque o alumínio multiplica os mecanismos de toxicidade no cérebro, o que tem um impacto nos processos básicos e a sua acumulação ou a acumulação das suas diferentes formas podem afectar em particular o hipocampo e o córtex cerebral (Meyer-Baron et al. 2007). Nos ossos o alumínio pode interferir com a captação do cálcio pelo osso conduzindo a osteomalacia, sendo que a sua presença bloqueia a captação do Ca2+, o que promove perdas de cálcio por excreção (Klein 2005). Existem evidências provenientes de diferentes estudos que dizem que concentrações de alumínio abaixo dos 135 μg/l têm um impacto na performance cognitiva. Meyer-Baron et al. no seu trabalho comprovou que funções cognitivas foram afectadas quando a

média da concentração de alumínio na urina se encontrava entre 30 – 61 μg/l (Meyer-Baron et al. 2007). Em 1998 Zatta et al. num dos seus estudos comprova o efeito de variantes do alumínio na modificação da estrutura dos eritrócitos sendo que estas modificações estão relacionadas com o pH do meio. No ambiente estudos demonstram que compostos de alumínio tal como AlCl3 são extremamente tóxicos para os ovos dos peixes e produtores primários (algas) e tóxico para peixes e consumidores de primeira ordem (Klöppel et al. 1997).

Mercúrio
O mercúrio é o único metal encontrado na forma líquida em condições de temperatura e pressão normais, formando vapores incolores e inodoros. Na sua forma natural surge da degradação da crosta terrestre a partir de vulcões e, provavelmente, pela evaporação dos oceanos. É considerado um poluente de alto riscos e de graves efeitos para a saúde decorrentes da exposição do metilmercúrio encontrado na água e alimentos aquáticos. É muito usado nas indústrias de cloro-soda, equipamento electrónico, fábricas de tintas, agricultura, pilhas, odontologia e medicina. A biotransformação do mercúrio inorgânico em metilmercúrio representa um sério risco ambiental pois aumenta a medida que sobe nos níveis tróficos dos ecossistemas (Fant et al.2001), fenómeno chamado bioamplificação. Os estuários providenciam um elo essencial na biogeoquimica do mercúrio entre o ambiente terrestre e marinho. Pequenas partículas de mercúrio são transportadas pelos rios para os oceanos e este leva a que eles se reacumulem nos estuários devido a um processo de sedimentação. A re-sedimentação é um factor de re-introdução do mercúrio nas fileiras de água (Kim et al.2004). O mercúrio quando lançado no

ecossistema aquático, proveniente de actividades minerais e lixiviação dos solos após o desmatamento, são considerados os principais factores para a contaminação dos ecossistemas. Num ambiente anaeróbio o mercúrio transforma-se em metilmercúrio por acção microbiana. Este ao difundir-se nas fileiras de água é absorvido pelos peixes que o acumulam nos tecidos musculares. A biometilação em sedimentos e a bioacumulação de metilmercúrio na cadeia alimentar aquática resulta de síndromes neurológicos em adultos que se alimentam de peixe exposto ao metilmercúrio (Gilbertson & Carpenter 2004). Por exemplo na região Tapajós, onde o peixe é a principal fonte de alimento diária, os níveis de exposição ao metilmercúrio, medidas em raiz de cabelo, variam de alguns μg/g ate mais de 150 μg/g. O metilmercúrio é facilmente absorvido pelos intestinos e acumula-se no corpo neurológico. Dentro dos compostos de mercúrio orgânico o metilmercúrio é o mais tóxico atacando principalmente o sistema nervoso central provocando ataxia, disartria, parestesia, visão túnel e perda de audição. Apesar dos distúrbios neurológicos estarem mais relacionados com a contaminação de mercúrio orgânico, alguns estudos demonstram em relação do mercúrio inorgânico com sintomas como a insónia. Estudos em focas provam que a distribuição do mercúrio nos tecidos varia com a idade. Focas mais velhas apresentaram maiores acumulações de mercúrio no fígado e nos rins do que as focas mais novas (Fant et al.2001). O mercúrio quando inalado, pode facilmente atravessar a membrana alveolar ate atingir a circulação sanguínea. Este tipo de contaminação é frequente em laboratório industriais e de pesquisa tal como da boca de pacientes que possuam amálgamas dentárias preparados com mercúrio. Uma vez no organismo o

mercúrio leva a vários efeitos imunotóxicos (Wolfvinge & Bruun 1999) normalmente dentistas ou ajudantes de odontologia apresentam bronquiolite química aguda e pneumonite quando expostos a curtos períodos, mas se esta exposição for contínua podem apresentar efeitos teratogênicos, tais como abortos espontâneos, distúrbios do ciclo mestrual e malformações congénitas. As concentrações de mercúrio nas mulheres podem ser aumentadas com o consumo de vinho tinto ao passo que nos homens a testosterona aumenta a capacidade de eliminação do mercúrio (Gundacker et al.2006). Estudos comprovam que os olhos de esquilos macacos adultos expostos a vapores de mercúrio a sua acumulação permanece até 3 anos após a experiência nos pigmentos dos epitélios, sendo que o mercúrio se acumula com mais facilidade nos capilares da retina do que nos capilares do cérebro (Worfvinge & Bruun 1999). Um caso clássico de intoxicação por mercúrio ocorreu em 1953 no Japão, Minemata, onde 79 pessoas morreram por consumirem regularmente peixe contaminado com mercúrio por uma indústria local que utilizava compostos de mercúrio. Comprovou-se que a existe uma relação concentração – efeito, i.e., a quantidade de mercúrio no sangue, esta relacionada com o consumo de peixe (Gundacker et al.2006).

Chumbo
O chumbo é um metal pesado que entra no ambiente através da erosão ou de actividade vulcânica tal como por acções humanas. O seu mais amplo uso remete a fabricação de acumuladores, forros para cabos, elementos de construção civil, munições, baterias de ácido, protecção contra raio – X e aditivo da gasolina. O chumbo foi classificado como um poluente multimédia o que significa que a exposição humana ocorre pela via respiratória de partículas suspensas no ar,

pela ingestão de alimentos e água, sendo que não se conhece qualquer função biológica do chumbo (White el al. 2007). A sua presença no ambiente aumenta com o aumento do urbanismo, agricultura e emissões industriais. Na china a concentração de chumbo na carne, ovos e leite aumentou nos últimos 10 anos, sendo que em países desenvolvidos o aumento parece agora ter estabilizado apesar de que nos últimos 30 anos emitiram-se grandes quantidades de chumbo (Tajkarimi et al. 2008). Ao nível do solo o chumbo altera os solos físico/quimicamente aumentando o seu pH em cerca de 0,2 unidades e reduzindo a concentração e iões NH2+. A observação de alterações nos nutrientes indica-nos que o processo de decomposição orgânica foi perturbado pela contaminação de chumbo no solo. No caso em que os solos são contaminados também os seus microinvertebrados sofrem com a presença do poluente, sendo que estes são bioindicadores de perturbações pois acumulam o chumbo nos seus corpos e a sua estrutura populacional sofre alterações. Também os pinheiros pela acção do chumbo sofrem uma redução a nível de produção de agulhas, diminuindo assim a produção de biomassa do ecossistema. (Rantalainen et al. 2006). Por exemplo, a concentração de chumbo pode atingir os 50.000 mg kg-1 na superfície orgânica de horizontes de solos florestais contaminados por industrias (Komárek et al. 2007). como o chumbo acumula-se ao longo da cadeia alimentar, cadeia se torna-se a principal via para a entrada do chumbo em níveis tróficos mais elevados (Tajkarimi et al. 2008). Para compreendermos a acção do chumbo nos ecossistemas usamos os animais como um conjunto de bioindicadores que nos providenciam do efeito potencial no organismo, do efeito nos seus predadores. Os pássaros são um bom indicador de uma toxicologia

comportamental, pois tal como os humanos eles baseiam-se nos sentidos visuais e vocais para a comunicação e tem um longo período em que estão dependentes dos pais para protecção e alimento. Estudos em humanos e gatos provam que se dá um aumento do comportamento agressivo quando expostos ao chumbo, foi também relatado que as concentrações de chumbo estão inversamente associadas com o QI (Burger & Gochfeld 2005). Demonstrou-se que o chumbo armazena-se nos ossos e é libertado ao longo do tempo, especialmente durante a gravidez, amamentação e pósmenopausa. Sendo que os seus efeitos que notam a nível cardiovascular, renal, imuno e reprodutivo, tal como nos ossos e dentes. Foi também identificado como possível agente cancerígeno, sendo que o sistema nervosos é muito sensível ao chumbo (White et al. 2007). A presença de resíduos de chumbo é particularmente preocupante no leite, visto que o leite é a principal fonte de alimentação de crianças e bebés (Tajkarimi et al. 2008).

Arsénio
O arsénio é um importante tóxico ambiental, que está amplamente presente na água solo e ar, quer devido a processos naturais quer a actividades antrópicas (Carolina Soriano et al. 2007), actividades que incluem extracção mineira, queima de carvão , uso de pesticidas e fertilizantes agrícolas que aumentam o risco de problemas para a saúde do homem e restantes seres vivos ( H.M. Anowar et al. 2007) ,uma vez que em solos contaminados com arsénio é significativamente elevada a acumulação deste por parte das plantas(H.K. Dos et al. 2002).

A titulo de exemplo temos que para uma concentração no solo de 63 mg/kg a planta trifolium refens têm uma absorção máxima de arsénio a nível radicular. É contudo de salientar que existem importantes interacções entre a especiação do arsénio e o seu impacto no ambiente (Milton A. e Johnson M. 1998). O arsénio pode ser encontrado em minas como contaminante de ferro-pirites, que por sua vez são excedentes do minério com interesse económico, ou decorrer de um processo de desintoxicação das plantas (Milton A. e Johnson M. 1998). É normalmente usado como insecticida (Byong-guko et al. 2007). É classificado como carcinogénico pela agência internacional para investigação do cancro, e a exposição a este está associada ao cancro da pele, pulmão e fígado,é ainda referido como potencialmente mutagénico, (Carolina Soriano et al. 2007), contudo os efeitos são diferentes dependendo da área geográfica, o que sugere interacções com factores de natureza genética, ambiental e nutricional (Zhi Huang et al. 2007). A maior parte de As presente no solo encontra-se dissolvida na matriz mineral (H.M. Anowar et al. 2007) dificultando a sua mobilização. A capacidade de captação deste poluente por parte das raízes é influenciada por uma série de condições das quais se salientam o pH, a capacidade de troca catiónica e a presença de carbonato de cálcio no solo (Milton A. e Johnson M. 1998). O arsénio apesar de tóxico em determinadas circunstancia, é também um elemento importante numa dieta equilibrada e foram provados sintomas provocados pela deficiência deste elemento. Pequenas concentrações de arsénio nas plantas reflectem uma pequena concentração nos herbívoros o que evidencia uma resposta toxicológica que minora os efeitos nefastos, apesar disso existem evidencias de uma transferência na cadeia alimentar residual

(Milton A. e Johnson M. 1998). É ainda geralmente aceite que o arsénio é rapidamente excretado pelos rins, por isso raramente se acumula nos tecidos corporais (Milton A. e Johnson M. 1998). É ainda de salientar que o selénio pelo seu carácter antagónico pode controlar a absorção de arsénio, estando a deficiência em selénio normalmente associada a arsenites (Zhi Huang et al. 2007).

Crómio
O crómio é um metal bastante abundante na crusta terrestre e é um dos 29 metais de elevada importância biológica (D.C. Sharma et al. 2001). É usado na indústria da tinturaria e metalúrgica (D.C. Sharma et al. 2001). Os metais pesados nos quais se inclui o crómio são encontrados em grande parte dos sedimentos de ecossistemas aquáticos poluídos, e é estimado um acréscimo de 143000 toneladas deste metal, por ano em ecossistemas aquáticos (Francisco J. Flores Tena e Laura Martínez Tabchet 2000). Apesar dos seus potenciais efeitos tóxicos a altas concentrações, o crómio é um elemento essencial para humanos e animais (M.Q. Wang et al. 2006), uma vez que o Cr(III) é um componente essencial no factor de tolerância à glucose, e é essencial no metabolismo de proteínas e gorduras bem como no correcto funcionamento da insulina (M.Q. Wang et al. 2006). É sabido que as espécies de crómio diferem no que diz respeito a sua biodisponibilidade e efeitos em vários animais, contudo é geralmente aceite que as fontes orgânicas são potencialmente mais perigosas (M.Q. Wang et al. 2006). As comunidades implicadas na reciclagem de materiais, oxigenação, e na estrutura da cadeia alimentar são aquelas

que são mais severamente afectadas por este contaminante (Francisco J. Flores Tena e Laura Martínez Tabchet 2000). Contudo a toxicidade deste elemento em meio aquático é influenciada significativamente por variáveis abióticas como a dureza da água, temperatura, pH, salinidade da água e a espécie metálica (Francisco J. Flores Tena e Laura Martínez Tabchet 2000). Foram reportados efeitos tóxicos em todas as espécies de oligoquetas estudadas. Sendo a capacidade reprodutiva afectada assim como o crescimento, sendo a reprodução mais severamente afectada (Francisco J. Flores Tena e Laura Martínez Tabchet 2000). Ocorre ainda uma diminuição da capacidade de sobrevivência em casos de altas concentrações (Francisco J. Flores Tena e Laura Martínez Tabchet 2000). Foram ainda encontrados efeitos de diminuição da eficiência do sistema imunitário em porcos (M.Q. Wang et al. 2006). Já em estudos de toxicidade do crómio em plantas foram encontrados efeitos contraditórios, foram encontrados efeitos de aumento ou de inibição do crescimento em diferentes plantas (D.C. Sharma et al. 2001). Efeitos de toxicidade no caso das plantas devem-se a uma diminuição da fotossíntese originada pelo fecho dos estomas e alterações no cloroplasto (D.C. Sharma et al. 2001).

fertilizantes. A sua deposição no solo pode resultar de queima de combustíveis fosseis, de desgaste de ligas metálicas com cobalto e da decomposição de lamas provenientes de esgotos (K.Lock et al. 2007). Devido a sua larga utilização é possíveis efeitos nefastos para o ambiente, o cobalto apresenta uma crescente importância junto dos vários organismos reguladores internacionais (K.Lock et al. 2004). Metais como o cobalto podem apresentar, quando em concentrações altas, riscos e a sua presença e utilizada como medida de qualidade ambiental (K.Lock et al. 2007). Neste tipo de pesquisa podem ser utilizados bio-indicadores (organismos que acumulam os tóxicos como os metais pesados facilitando deste modo a detecção da sua presença) (Marcos Pérez-López et al. 2005). As aves marinhas podem também ser de extrema importância em estudos ecotoxicológicos desta natureza devido a sua distribuição global e a sua posição de topo na cadeia alimentar, sendo muitas vezes usadas para medir níveis ecotoxicológicos no mar (Marcos PérezLópez et al .2005). Apesar da presença de cobalto apresentar risco de danos no ambiente, não existem claras evidências de que a concentração total deste e outros metais pesados no solo seja uma boa maneira de prever a bio-disponibilidade destes compostos e logo da sua toxicidade, uma vez que esta pode ser alterada por parâmetros como o pH e/ou a capacidade de troca catiónica do solo (K.Lock et al. 2006). Como exemplo temos um trabalho com A. calignosa no qual se prova a existência de uma relação linear positiva entre o LD50 nesta espécie e a presença de iões como Ca2+, Mg2+ ou H+ (K.Lock et al. 2006).

Cobalto
O cobalto é um elemento natural que pode ser encontrado na crusta terrestre. É utilizado principalmente em ligas metálicas muito duras e resistentes. Pode ainda ser usado como agente de secagem em pintura, como pigmento em porcelana, como catalizador no fabrico de borracha e como aditivo em

Existem ainda efeitos diferentes dependendo do tempo de exposição (K.Lock et al. 2006). Foram provados efeitos de redução do crescimento em Eisenia fetida fruto da exposição a uma concentração de 300 mg/kg ((K.Lock et al. 2004). Provando-se ainda reprodutivos em diversos (K.Lock et al. 2004). problemas organismos

podem ser afectados prejudicialmente (Reinecke, 1992). Em minhocas, o cádmio pode afectar a reprodução (Reinecke and Reinecke, 1996), processos de neurosecreções (Siekierska, 2003), a imunidade (Homa et al. 2003) e a osmorregulação (Reinecke et al. 1999).

Cobre
O cobre pode ser encontrado em diversos minerais e pode ser encontrado em alguns lugares na forma metálica. Actualmente é utilizado para a produção de materiais condutores de electricidade (fios e cabos) e em ligas metálicas como o latão e o bronze. É um elemento indispensável para o desenvolvimento dos processos biológicos normais e essencial para muitas formas de vida, nomeadamente para manter a função celular. Elevados níveis intracelulares de cobre podem ser tóxicos, incluindo alterações no mecanismo intracelular de proteínas (Pourahmad and O’Brien, 2000; Droge, 2002). A exposição de peixes a elevadas concentrações de cobre durante o desenvolvimento embrionário é suficiente para prejudicar o funcionamento dos sensores químicos durante posteriores fases da vida. Várias fontes de cobre, incluindo desperdícios industriais e domésticos, práticas agrícolas, drenagem de minas de cobre, pesticidas baseados em cobre, e pinturas anti-encrustantes, contribuíram para um aumento progressivo da concentração de cobre em ambientes aquáticos (Reed and Moffat, 1983; Ho, 1987; Nor, 1987; Correa et al. 1996; Callow and Callow, 2002). Como resultado de várias carateristicas, a espécie Enteromorph (Ulvophyceae), é extensivamente usada para avaliar o cobre dissolvido em ambientes aquáticos. Esta espécie é sedentária e cosmopolita, apresentam populações abundantes e têm capacidade para acumular elevadas concentrações de cobre (Riquelme et al. 1997; Correa et al., 1999; Haritonidis and Malea, 1999). O cobre é um dos micronutrientes

Cádmio
O cádmio é um metal relativamente pouco abundante em ambientes naturais mas pode ser feito omnipresente e disponível para plantas e animais por actividades mineiras (Church et al. 1997). Este elemento é exposto a organismos terrestres principalmente através da ingestão (Eisler, 2000; Robards and Worsfold, 1991), a transferência de cádmio ao longo de cadeias alimentares constitui uma rota importante de exposição que deve ser levada em conta na avaliação do risco ecotoxicológico. Numa cadeia alimentar terrestre que envolve o gafanhoto e a aranha, foi demonstrada a transferência de cádmio (Van Hook and Yates, 1975). Mais recentemente, um estudo em transferência de cádmio em larvas de moscas para três predadores, mostrou que o cádmio foi acumulado numa ordem decrescente: aranha > centopeia > besouro (Kramarz, 2000). Foram realizados estudos prévios em vertebrados, particularmente em ratos, um modelo comum usado em toxicologia para calcular o potencial perigo de contaminantes para a saúde humana. O Cádmio também resulta numa variedade de perturbações fisiológicas em pássaros. Os efeitos podem incluir alterações comportamentais, perturbações no metabolismo de alguns elementos essenciais, supressão na produção de ovos, danos no rim, danos nos testículos e outros danos (Furness, 1996). As minhocas são conhecidas por acumular tóxicos como metais pesados, e os organismos que se alimentam delas

essencial para o crescimento das plantas, estando envolvido em numerosas funções fisiológicas como um componente de várias enzimas da planta, nos tecidos de plantas depende da espécie (Marschner, 1995).

Zinco
O Zinco é um elemento pouco abundante na crosta terrestre, podendo ser obtido com facilidade. É utilizado na fabricação de ligas metálicas como latão e bronze, além de ser utilizado na produção de telhas e calhas. Em algumas estruturas também é utilizado para preservar o ferro da corrosão. É encontrado em diversos alimentos como nas ostras, carnes vermelhas, aves, alguns pescados, mariscos, favas e nozes. A sua deficiência pode produzir retardamento no crescimento, perda de cabelo, diarreias, impotência sexual, lesões oculares e de pele, perda de apetite, perda de peso, aumento do tempo de cicatrização de ferimentos e anomalias no sentido do olfacto. O zinco é um metal essencial necessário para o funcionamento e estrutura de muitas enzimas, que participam numa variedade de processos metabólicos celulares (Valee and Auld, 1990). Foi considerado um elemento não tóxico mas, como todos os metais pesados, uma exposição excessiva pode causar efeitos tóxicos (Borovansky et al. 1997; Chukhlovin et al. 2001). É um dos metais menos perigosos (Duffus, 1980,; Robinson, 1996) mas frequentemente na natureza acontece junto com outros metais dos quais cádmio é um do mais comum (Dallas e Dia, 1993). Uma exposição de peixes a zinco causou histopatologia do rim e epiderme (Somasundaram, 1985,; Somasundaram et al. 1985), as brânquias (Grobler et al. 1989), e o fígado (Morsey e Protasowicki, 1990,; Tafanelli e Summerfeldt, 1975,;Gutierrez et al. 1978) Em ruminantes, a deficiência de zinco reduz o crescimento e a reprodução, prejudica a função de imunidade, altera a

função do sistema nervoso e causa uma diminuição do crescimento do pêlo (Minson, 1990). Cobre e Zinco afectam função de imunidade (Galyean et al. 1999; Fraker et al. 2000; Lanças, 2000). Assim, concentrações altas de Cobre e Zinco na alimentação podem permitir crescimento de cervídeos com corpos e chifres maiores, como também aumentam a resistência de doenças. Porém, concentrações elevadas de Cobre na alimentação pode causar toxicidade em algumas espécies, especialmente na ovelha (Minson, 1990), e concentrações elevadas de Zinco podem reduzir crescimento em ruminantes (Ott et al. 1966), fazendo uma avaliação dos efeitos negativos. Referencias
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