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Causas e Consequencias Do Acidente de Trabalho

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UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO CURSO DE DIREITO

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO

DESCALVADO 2012

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UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO CURSO DE DIREITO

ELISANGELA FELIPPE BERTONCELLI

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO

DESCALVADO 2012

3

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 4 1. DEFINIÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO ........................................................... 5 1.1 2.2 2.3 3. 4. Obrigações da Empresa no Caso de Acidente de Trabalho ..................................... 5 Obrigações da empresa em relação ao acidente de trabalho .................................... 6 Estabilidade provisória do acidentado no caso de acidente do trabalho .................. 7

CONCEITO DE ACIDENTE DO TRABALHO ............................................................ 9 CAUSAS DE ACIDENTE DO TRABALHO .............................................................. 16 3.1 Divisão das Causas dos Acidentes de Trabalho ..................................................... 16

5.

AS CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO ....................................... 20 5.1 A CAT nos acidentes de Trabalho ......................................................................... 21

6. 7.

RESPONSABILIDADE TRABALHISTA NO ACIDENTE DE TRABALHO .......... 25 RESPONSABILIDADE CIVIL NO ACIDENTE DE TRABALHO ........................... 27 7.1 7.2 7.3 Responsabilidade civil subjetiva ............................................................................ 29 Responsabilidade civil objetiva .............................................................................. 32 Da Obrigação de Indenizar ..................................................................................... 32

8. 9.

CONCLUSÃO ............................................................................................................... 34 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................... 35

4 INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem por objetivo demonstrar o que é acidente de trabalho e como ele está definido em lei. quais são as causas e consequências desse acidente do trabalho para a empresa e para o acidentado de um modo geral. Será elucidado no decorrer da análise. psíquica e social dos trabalhadores. para a elaboração desse trabalho buscou-se utilizar de artigos encontrados por diversos meios. encontra-se em meio à ocasião atual em que se desenvolvem as estruturas de trabalho. sujeito trabalhador. que tratam sobre o assunto. Por fim. O trabalho vem se tornando cada vez mais central na vida das pessoas. que o ser humano. qual é a responsabilidade da empresa na ocorrência de um acidente. muitas vezes marcadas pela angústia e pelo medo. bem como para toda a sociedade em torno de mencionado fato acidental. a atual organização do trabalho impõe ao indivíduo condições de realização das suas tarefas cotidianas de forma muitas vezes inadequada. esta centralidade traz conseqüências conflitantes para a integridade física. Tendo em vista que. . quais são os direitos que estão previstos em relação ao acidentado. culminando em vivências de sofrimento. que serão citados no decorrer dele e também de informações encontradas em sites jurídicos. tal qual livros de autores renomados. Também se buscou demonstrar quem é competente para averiguação do acidente do trabalho.

1 Obrigações da Empresa no Caso de Acidente de Trabalho A empresa é responsável pela informação e utilização das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador que presta seus serviços a ela. trabalhador avulso. a incapacidade para o trabalho e o nexo entre o trabalho e o agravo.5 1. mas não sendo encontrado nenhum motivo ou nexo que determine e que acarrete em uma piora no estado de saúde do trabalhador se o mesmo continuar a exercer suas funções na empresa não terá este direito ao auxílio prestado pelo INSS. no exercício de suas atividades. . DEFINIÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO Acidente do trabalho é aquele que ocorre com o segurado empregado. caso contrário. caracterizar de maneira técnica o acidente do trabalho. Caberá a perícia médica do INSS (Instituto Nacional Do Seguro Social). temporária ou permanente. serão devidas as prestações acidentárias a que o beneficiário tenha direito. médico residente. se através da perícia médica que é realizada pelo INSS for reconhecida a incapacidade para o trabalho do acidentado. utilizando-se para tanto a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo do acidentado. terá direito ele ao auxílio doença que é como é denominado o direito que tem este trabalhador que será prestado pelo INSS. pelo exercício do trabalho a serviço da empresa. bem como com o segurado especial. perda ou redução. Sendo reconhecida pela perícia médica feita pelo INSS. que este trabalhador exercia para a empresa. não serão devidas as prestações. da capacidade para o trabalho. ou seja. e existir o nexo entre a atividade que o mesmo exercia para a empresa e o agravo de seu estado de saúde. provocando nesses trabalhadores uma lesão corporal ou perturbação funcional que possa causar a sua morte. 1.

serão promovidas de forma regular instrução e formação com o intuito de auxiliar nos costumes e nas atitudes que visam prevenir em relação a matéria de acidentes. sendo que entre estes surgem as CIPAS (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). É considerada contravenção penal. O pagamento pela Previdência Social das prestações que são decorrentes do acidente do trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros que são responsáveis pela segurança dos trabalhadores que estão sob os seus cuidados. Deverão receber desta comunicação cópia fiel. este deverá ocorrer de imediato. sucessivamente aumentada nas reincidências. 2. Por intermédio dos estabelecimentos de ensino. especialmente os acidentes de trabalho.2 Obrigações da empresa em relação ao acidente de trabalho Uma das obrigações da empresa é comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social. o acidentado . poderá a previdência social propor ação regressiva contra os responsáveis pela empresa que assim agir. se a empresa por qualquer que seja o motivo deixar de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. sendo que este comunicado deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e do acidente. à autoridade competente. sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriode-contribuição. em caso de morte. associações de classe. as quais serão aplicadas e cobradas pela Previdência Social. Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Nos casos em que ocorrer negligência quanto às normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva.6 sendo também seu dever prestar de maneira clara e específica informações sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular em seu trabalho. órgãos públicos e outros meios. que é punida com multa. sindicatos.

Assim caberá ao setor de benefícios do INSS comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização. a entidade sindical competente. bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. após a . ou o dia da segregação compulsória. valendo para este efeito o que ocorrer primeiro. a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual. sendo que não prevalece nestes casos o prazo legal de apenas um dia útil. o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública. É considerado como dia do acidente. seus dependentes. Esta comunicação que se torna obrigatória para a empresa recebeu a sigla CAT. Deverá ser comunicado os acidentes ocorridos com o segurado empregado (exceto o doméstico). no caso de doença profissional ou do trabalho. a empresa continuará sendo responsável pela falta de cumprimento da legislação. para que esta faça a aplicação e a cobrança da multa devida pela empresa. qual destes vier a infringir o trabalhador primeiramente. pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses. a qual iremos dar mais ênfase no decorrer deste trabalho. Poderão acompanhar a cobrança das multas efetuadas pela previdência social no caso do descumprimento desta obrigação por parte da empresa os sindicatos e entidades representativas de classe. Deixando a empresa de comunicar o acidente. ou o dia em que for realizado o diagnóstico. o segurado especial e o médico-residente. o trabalhador avulso. 2. isto é. Mesmo neste caso. poderá formalizá-lo o próprio acidentado.7 ou seus dependentes. a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa.3 Estabilidade provisória do acidentado no caso de acidente do trabalho O segurado que venha a sofrer um acidente de trabalho tem garantido.

terá o trabalhador que sofreu um acidente de trabalho garantido por mais um ano o seu trabalho na empresa mesmo que este venha a receber por parte do INSS qualquer auxílio motivado por este acidente.8 cessação do auxílio-doença acidentário. ou seja. . independentemente da percepção de auxílio-acidente.

o lazer. inciso IV. Quando se reconhece constitucionalmente o direito à saúde e ao ressarcimento de danos físicos.) XXVIII . a moradia. com intuito de melhor seguirmos suas diretrizes: Art. sem preconceitos de origem.seguro contra acidentes de trabalho. se verifica a importância de conceituarmos o que seria um acidente de trabalho. trata-se a saúde de um direito subjetivo público.. sendo este um dos direitos fundamentais encontrados em nossa Constituição de 1988 em seu art. o qual corresponde a um dever do Estado: Art. raça. sexo. . no art. quando incorrer em dolo ou culpa. garantindo-se. atualmente ela é vista como um fenômeno psicossomático. o trabalho. na forma desta Constituição. a previdência social. a assistência aos desamparados. CONCEITO DE ACIDENTE DO TRABALHO Um dos principais objetivos da República Federativa do Brasil consiste em promover o bem de todos. a proteção à maternidade e à infância. sem excluir a indenização a que este está obrigado. se entendia a enfermidade como um fenômeno de foro físico. 7º. no Capítulo Dos Direitos Sociais.promover o bem de todos.9 3. 3°. idade e quaisquer outras formas de discriminação. Dessa maneira. que se exige do Estado.. Além de constitucionalmente garantida ela é um direito fundamental das pessoas. o que imediatamente se protege é a saúde como integridade psicofísica (art. XXVIII). 6º. a cargo do empregador. Art. a saúde. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV . Até o século XIX. a segurança. cor. o direito à saúde a todos. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (. Tendo em vista essa princípio que foi adotado pela nossa Constituição Federal. a alimentação. 6º São direitos sociais a educação.

Sendo que a idéia clássica de acontecimento do acaso e de imprevisibilidade não mais é aceita como regra geral dentro do atual conceito de acidente de trabalho. in abstrato. podendo ser neutralizadas ou eliminadas. como um acontecimento que não podia ser previsto ou que ocorreu de maneira fortuita que resulta dano à coisa ou à pessoa. nos trazem desafios permanentes. 19: . A lei 8. se encontra na legislação brasileira o conceito de acidente de trabalho. os impactos tecnológicos que são gerados por essas transformações e também com a globalização. na maioria das vezes. conceitua acidente de trabalho em seu art. acontece pela falta de prevenção dos riscos no ambiente de trabalho. José Cairo Júnior ressalta que (2003. quando no exercício normal do seu ofício ou de suas atividades profissionais.24): Ato involuntário. com a modernidade industrial e tecnológica. p. p. como por exemplo. Confundindo-se com o acaso. a necessidade de ser competitivos. Após aperfeiçoamentos e avanços.58): Na realidade. uma grande parte dos acidentes laborais ou de trabalho. Com as crescentes e rápidas transformações no ambiente de trabalho. isto é. Nas palavras de Plácido e Silva (1989. que se realizou ou ocorreu independentemente da vontade do agente e pela ausência de dolo ou de mau desígnio de sua parte. previsível. incluindo as doenças profissionais e do trabalho e outros eventos acidentários. pois suas causas são perfeitamente identificáveis dentro do meio ambiente do trabalho. o acidente laboral não passa de um acontecimento determinado. e.213/91 que dispõe sobre os planos de benefícios da previdência social. Distingue-se como acidente do trabalho todo e qualquer acontecimento infeliz que advém fortuitamente ou atinge o operário.10 Assim podemos considerar como acidente. isto porque. como se sabe. prevenível. na linguagem corrente. os inúmeros desequilíbrios relacionam-se direta e indiretamente com as atuais condições de trabalho e de vida. de forma mais abrangente.

da capacidade para o trabalho. E mesmo havendo lesão. Ainda nesse sentido Odonel Urbano Gonçales (2002. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. i. permanente ou temporária. 2ª acidente-lesão. mas que acontece por acaso e. que haja nexo entre o evento e o trabalho que resulte em lesão. de causa entre o trabalho e o efeito acidente. não haverá reparabilidade. é. ou redução. porque provoca lesão corporal ou perturbação funcional que causa a morte. p.213/91. p. 40): Não existindo relação entre o acidente e o trabalho. É necessário. temporária ou definitivamente. para se completar o círculo do conceito de acidente do trabalho. incapacitando o obreiro para o trabalho.25): O conceito de acidente do trabalho assenta-se em 3 (três) requisitos: 1) da causalidade. da capacidade para o trabalho. ou seja. . é um evento que não é provocado.. essa relação causa-efeito. 11 desta Lei. não haverá cobertura acidentária. p. ou perda. se esta não for incapacitante para o trabalho. Conforme nos ensina Odonel Urbano Gonçales (2002. e. tríplice: 1ª acidente-trabalho. Para Irineu Antônio Pedrotti (1986. a ligação entre ambos. 3ª lesão-incapacidade. não haverá infortúnio do trabalho. verifica-se que é indispensável a ocorrência de nexo. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. o fato de que o trabalho foi a causa do infortúnio. permanente ou temporária. 19.11 Art. exceto nas hipóteses previstas na lei. Ocorrendo acidente do trabalho. porque o acidente do trabalho é um acontecimento. Esse nexo. 39): No estudo do conceito de acidente de trabalho. na verdade. mas sem lesão. 3) do nexo etiológico ou causal. que é a relação de causa e efeito entre o trabalho e o acidente-tipo (ou doença profissional equiparada ao acidente do trabalho). não há dolo. assim. inclusive daquele escrito na lei nº 8. 2) da prejudicialidade.

Consideram-se acidente do trabalho. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é . II .doença do trabalho. em seu § 1º. Mas no sentido contrário vem. nos termos do artigo anterior. equiparando tais circunstâncias ao acidente propriamente dito. assim estabelece o art. acidente e incapacidade. o § 2º do mesmo artigo e diz que: § 2º Em caso excepcional. quanto à necessidade da presença dessa relação de causa e efeito entre trabalho. o legislador partindo da premissa de que a cobertura do acidente do trabalho deve ser estendida a eventos que ocorram indiretamente em razão do trabalho assim inseriu na lei algumas circunstâncias que se utilizam de cobertura do seguro acidente do trabalho. c) a que não produza incapacidade laborativa. para os efeitos legais. 20. Sendo que estas são exceções previstas na lei. No entanto. a saber: § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa. segundo o legislador.doença profissional. d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva. salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. que podemos encontrar algumas doenças que não deverão ser consideradas acidente de trabalho. em regra. 20.12 A jurisprudência é pacifica nesse sentido. Também vemos que art.213/91: Art. estar presente. constante da relação mencionada no inciso I. 20. as seguintes entidades mórbidas: I . incisos I e II da Lei nº 8. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. No estudo do conceito do acidente do trabalho verifica-se que a relação de causa e efeito entre o acidente e o trabalho deve. b) a inerente a grupo etário.

o empregado é considerado no exercício do trabalho. o legislador amplia ainda mais o conceito de acidente de trabalho sendo que teve por princípio a proteção do trabalhador. passando a considerar como acidente de trabalho fatos que tenham nexo causal com o exercício do trabalho: Art. b) ofensa física intencional.o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho. ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas. d) ato de pessoa privada do uso da razão. 21 da mesma lei. .a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade. por motivo de disputa relacionada ao trabalho. c) em viagem a serviço da empresa. para efeitos desta Lei: I . inundação. Equiparam-se também ao acidente do trabalho. de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho.o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa. e) desabamento. inclusive de terceiro. em consequência de: a) ato de agressão. haja contribuído diretamente para a morte do segurado. sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho. inclusive veículo de propriedade do segurado.o acidente ligado ao trabalho que.13 executado e com ele se relaciona diretamente. c) ato de imprudência. II . qualquer que seja o meio de locomoção. Já no art. a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. embora não tenha sido a causa única. independentemente do meio de locomoção utilizado. incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. no local do trabalho ou durante este. III . que é a parte mais fraca da relação de trabalho. IV . inclusive veículo de propriedade do segurado. 21. ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito. inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra. § 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso. d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela.

ou qualquer outro meio fraudulento: (.14 O legislador do direito parte do princípio de que é necessário amparar o trabalhador na ocorrência de acidentes.. Mas. Está previsto tal crime no Código Penal Brasileiro em seu art. se o trabalhador foi ou não culpado pelo acidente. No entanto. A lei traz para o mundo jurídico o conceito de acidente de trabalho.Obter. § 2 inciso V: Art.85): “A teoria da responsabilidade objetiva dá arrimo à cobertura dos danos nos acidentes do trabalho. se o trabalhador agir com desejo de lesar seu corpo para receber algum tipo de reparação acidentária. passando a criar no âmbito judiciário mais uma forma de proteção ao trabalhador que é tido como a parte mais fraca na relação de trabalho que existe entre este e seu empregador. que não tem vinculação direta com a atividade desenvolvida pelo trabalhador. quando o empregador ou terceiro que exerce um poder hierárquico sobre o trabalhador age com a intenção de lesar o mesmo. mediante artifício. dentro da filosofia de dar proteção ao trabalhador vítima de acidente do trabalho. Também não há o que se discutir. dessa forma não vai existir nenhuma responsabilidade do Estado pelo evento ocorrido. para si ou para outrem. 171. 171 . não se discute mais de quem é a culpa pela ocorrência”.. no direito acidentário. em prejuízo alheio. p. ardil. responder criminalmente por este ato. Ou seja. Passando o primeiro a ter seus direitos resguardados no caso de um acidente de trabalho que ocorre no desempenho de suas funções de trabalho. se este for o caso. prendendo-o a nexo estreito com a atividade desenvolvida. o legislador amplia essa proteção a outras situações.) . Por isso. já que esse fato não o descaracteriza. vantagem ilícita. induzindo ou mantendo alguém em erro. Para Odonel Urbano Gonçales (2002. Sendo assim. Podendo neste caso o agente que agiu de maneira dolosa com a intenção de tirar proveito dessa situação. se perde o conceito e a finalidade do acidente de trabalho. responde pelo ato até mesmo na esfera penal.

) V . com o intuito de haver indenização ou valor de seguro. .destrói.. ou agrava as consequências da lesão ou doença. total ou parcialmente.. ou lesa o próprio corpo ou a saúde. ou oculta coisa própria.Nas mesmas penas incorre quem: (.15 § 2º .

a atividade perigosa será tanto mais segura quanto mais se aproximar de níveis aceitáveis de convivência com seus riscos. ou ainda. p. aqueles que decorrem da execução das tarefas de forma contrária às normas de segurança. neste caso o trabalhador deixa de seguir determinadas regras estipuladas pela empresa para a sua própria segurança e ajuda para . não existe uma fórmula capaz de eliminar os riscos de acidentes no trabalho. que pode levar a ocorrência de um acidente. Na verdade. cujas causas sejam as condições adversas enfrentadas na atividade laboral. O que a sociedade pode fazer é adotar medidas de higiene e segurança que resguardem a vida e a saúde do trabalhador. Mas. de maneira que seja cem por cento seguro o trabalho que é feito pelo trabalhador. 3. Após a Revolução Industrial e com a criação de máquinas. a violação de um procedimento aceito como seguro. Washington Luiz da Trindade destaca que (2009. CAUSAS DE ACIDENTE DO TRABALHO O risco de ocorrerem acidentes no trabalho é inerente à própria atividade que é exercida pelo trabalhador. ou seja.1 Divisão das Causas dos Acidentes de Trabalho As causas de acidente do trabalho podem se dividir em atos inseguros. condições inseguras e ordem-limpeza.16 4. sendo que aqui também estão compreendidas as doenças ocupacionais. tendo que a segurança corresponde á ausência de perigo.360): Esta permanente exposição ao perigo é ineliminável na vida da sociedade industrial. Sendo que atos inseguros são fatores importantes que colaboram para a ocorrência de acidentes do trabalho e que são definidos como causas de acidentes que são encontrados exclusivamente no fator humano. cada vez mais sofisticadas esse risco aumentou de maneira acentuada.

fios expostos. Deve-se lembrar que quando esse tipo de acidente ocorre não é apenas o trabalhador que sai prejudicado. as condições inseguras são consideradas como falhas técnicas. são condições inseguras. ou instalações elétricas. já a energia elétrica em si. a eletricidade. não é raro o trabalhador que se utiliza de ferramentas inadequadas por estarem mais próximas de si ou procura fazer a limpeza de máquinas em movimento por ter preguiça de desligá-las. a corrente elétrica é um risco inerente a trabalhos que envolvem eletricidade. não usar EPI. os atos inseguros no trabalho provocam a grande maioria dos acidentes. Não é verdadeira a idéia de que não se pode predizer nem controlar o comportamento humano. é possível analisar os fatores relacionados com a ocorrência destes e controlá-los. Ao se estudar os atos inseguros praticados não se devem considerar as razões para o comportamento da pessoa que os cometeu. Não podemos confundir a condição insegura com o risco inerente a certas operações industriais. Por exemplo. assim assumindo o risco de causa o acidente onde poderá se ferir de maneira grave ou até mesmo vir a morrer por conta desse acidente. São exemplos que podemos citar como atos inseguros: agir sem permissão. por ser perigosa. mas também a própria empresa que investiu em treinamento desse funcionário e agora terá que substituí-lo por outro que também deverá passar por um treinamento para poder exercer a função que era desempenhada pelo trabalhador que se acidentou. Portanto. não é levado em conta por qual razão que o trabalhador agiu de tal maneira. dirigir perigosamente.17 a ocorrência desse acidente de trabalho. que estão presentes no ambiente de trabalho. podendo assim comprometer a segurança dos trabalhadores e a própria segurança das instalações e dos equipamentos que fazem parte da estrutura da empresa. no entanto. não pode ser considerada uma condição insegura. não pode ser considerada . o que se deve fazer tão somente é relacionar tais atos inseguros. De outro lado. Na verdade. entre outros. Instalações mal feitas ou improvisadas.

excesso de ruído etc. é sabido que no ambiente de trabalho muitos fatores de ordem física exercem influências de ordem psicológica sobre as pessoas. Exemplificando. Neste contexto. Outros exemplos: falta de dispositivos de proteção ou inadequados. combustíveis ou substâncias químicas etc. obstáculos onde se pode facilmente tropeçar ou escorregar. É certo que as pessoas que trabalham num ambiente desorganizado sentem uma sensação de mal-estar e também de stress que poderá tornar-se um agravante de um estado emocional já perturbado por outros problemas que esse trabalhador já enfrenta em seu dia a dia. causar até mesmo o escorregão de algum trabalhador. Sendo que estes últimos três exemplos de limpeza. passa a ser um risco controlado e não constitui uma condição insegura. iluminação inadequada. como vimos nos exemplos. além de prejudicar a própria produção da empresa. interferindo de maneira positiva ou negativa no comportamento humano conforme as condições em que se apresentam. podendo. a ordem e a limpeza constituem um fator de influência positiva no comportamento do trabalhador. Por fim. podendo este sofrer graves consequências. obstáculos que impedem o trânsito normal das pessoas entre máquinas ou corredores. . A energia elétrica. caixotes. produtos acabados. chão sujo de graxa. pois esta é uma ferramenta indispensável para a realização do trabalho.18 uma condição insegura. já que também é fator de acidentes de trabalho a falta de limpeza do ambiente de trabalho. ventilação inadequada. Esse estado psicológico poderá afetar o relacionamento dos trabalhadores e expô-los ao risco de acidentes. quando devidamente isolada das pessoas. estejam jogadas em qualquer canto e se terá sempre tudo no seu devido lugar sabendo o trabalhador onde encontrá-las quando tiver que fazer uso destas. Já que quando temos um ambiente de trabalho organizado o risco da ocorrência de acidente de trabalho é reduzido em muito. pois não iremos encontrar em ambiente organizado ferramentas que estejam fora de lugar ou peças que possam causar tal acidente. temos a ordem e limpeza. temos: passagens obstruídas com tábuas.

. Existem uma ou várias causas que ocorrem simultaneamente desencadeando os acidentes. ou ainda diminuindo estes. anulando estes. o acidente não se repetirá novamente. É imprescindível que o trabalhador atue sobre os próprios riscos.19 O que podemos dizer é que acidente de trabalho não é fruto do azar ou do acaso. O acidente só se dá quando um homem ou um grupo de homens executa uma operação perigosa em situação de risco. o que é sempre o que se busca e passando a não mais existir os riscos. A eliminação do fator central que é o ato inseguro e/ou a condição perigosa constitui a base da prevenção dos acidentes e poderá ser conseguida através de uma abordagem imediata através do controle direto da atividade humana e do ambiente de trabalho ou em longo prazo com a formação e a educação dos trabalhadores. Quando estas causas são encontradas ou eliminadas.

Os acidentes e as violências em nosso país são agravos que. ainda que de forma irregular. Para além da incidência econômica e da problemática dos custos. Por outro lado. não existe em nosso país nenhum registro a respeito desse tipo de acidente. objeto prioritário das ações do Sistema Único de Saúde. com efeitos induzidos aos mais variados níveis. mas é sabido que ele acarreta uma grande parte da população que se utiliza d Sistema Único de Saúde e está ai o dever de se buscar obter registros deste tipo de trabalhador que sofre acidentes no exercício de suas funções. ou cujo efeito não entendemos em muitas situações. Outros estudos destacam a existência de sub-registro dessas ocorrências na população coberta pelo seguro acidente. mas os acidentes que ocorrem com os trabalhadores informais. Diversos estudos destacam a inexistência de um sistema de informação destinada à captação dos acidentes do trabalho ocorridos fora da população previdenciária coberta pelo Seguro de Acidente do Trabalho.20 5. em conjunto com outros segmentos dos serviços públicos e da sociedade civil. portanto. quando desencadeado. familiares. deve continuar a buscar formas efetivas para o seu combate. aqueles que trabalham de forma irregular ou que não contribuem para o INSS. AS CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO Um acidente de trabalho é determinado por múltiplos fatores os quais nós não percebemos. dá origem a inúmeras consequências. sociais e econômicas. se constituem em uma importante problemática da saúde pública. pelo seu expressivo impacto na mortalidade da população. de diversas ordens. existe uma multiplicidade de consequências indiretas dos acidentes. . O maior problema é que não temos um sistema de informação que nos permitam estimar e acompanhar o real impacto do acidente de trabalho sobre a saúde da população brasileira. mas estes são apenas registros feitos pela Previdência Social. sendo. que. Em todos os casos qualquer acidente tem sempre consequências individuais.

sob pena de multa. As informações das CAT’s permitem. selecionar os acidentes por ordem de importância. As CAT’s são documentos úteis para se conhecer a história dos acidentes na empresa. Na ocorrência do acidente de trabalho o empregado deve levar o fato ao conhecimento da empresa.1 A CAT nos acidentes de Trabalho Um importante instrumento para melhor visualizarmos as consequências e a proporção do acidente de trabalho está na CAT que nada mais é que uma Comunicação de Acidente do Trabalho. em caso de morte. é atingido de frente pela falta de tal resposta por parte dos órgãos competentes. 5. de imediato. Esta por sua vez deve comunicar o fato à Previdência Social através da CAT. A comunicação de acidente do Trabalho por sua vez gera o processo administrativo que tem a finalidade de proteger o empregado. que apurará as causas e consequências do fato. por exemplo. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º dia útil da ocorrência e. de tipo. além de possibilitar o resgate das atas da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidente). que tenha ocorrido na empresa ou loca de trabalho. regionais e nacional. O princípio da integralidade. e daí liberando o benefício que é o adequado ao acidentado. de gravidade da lesão ou localizá-los no tempo.21 Uma das consequências do desconhecimento do impacto do trabalho sobre a saúde é a falta de respostas organizadas por parte do SUS e até mesmo do próprio Ministério do Trabalho e Emprego em relação à sua prevenção e ao seu controle. à autoridade competente. que deveria ser assumido como um dos pilares da estruturação dos sistemas de saúde locais. informando de imediato seu superior hierárquico para que este possa levar a conhecimento das pessoas responsáveis para a elaboração do CAT. com as investigações e informações .

um trabalhador for atingido pelo fardo que caíra e necessitar de um afastamento temporário para sua recuperação. no exemplo anterior. Por exemplo. Se. o empregador pagará duas vezes pelo serviço de armazenagem.22 complementares referentes aos acidentes. tendo em vista que o número de acidente de trabalho no seu estabelecimento pode refletir no quantum dos impostos a serem pagos pelas mesmas. onde não há necessidade de efeito lesivo ao trabalhador em virtude da ocorrência. para a empresa. a importância do trabalho como determinante de saúde das populações de seus respectivos territórios. a empresa seguradora. em princípio. a simples perda de tempo para normalizar a situação já representa um custo para este. teria como suas consequências: o empregado encarregado do rearmazenamento despenderá esforço para o trabalho. Qualquer acidente do trabalho acarreta prejuízos para o acidentado. inclusive passando pelo risco inerente à atividade. Percebe-se dessa maneira. cita-se como consequência: o operário ficará prejudicado em sua saúde. Se encararmos o acidente de trabalho do ponto de vista prevencionista. pagará as despesas de atendimento médico e os salários a partir do 15º dia até o retorno do acidentado ao trabalho normal de suas atividades. ou o faz de modo extremamente limitado. o que seria desnecessário se o armazenamento inicial tivesse feito de maneira correta. o empregador arcará com as despesas do salário do acidentado. Dessa forma percebe-se que a concepção de saúde adotada nos sistemas deixa de considerar. para a sociedade de uma forma geral. a queda de um fardo de algodão que foi mal armazenado. há perda de produção pela necessidade de execução do serviço várias vezes. do dia do acidente e dos seguintes 15 (quinze) dias. O problema é que em muitos casos a CAT não chega ao conhecimento do INSS em razão das empresas não liberarem. que o próprio país é afetado com todo o conjunto de efeitos negativos advindos dos acidentes do trabalho. . a qual no caso será o INSS.

neste tipo de incapacidade o trabalhador fica impossibilitado de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente. Nesse caso. Outros. Se o trabalhador acidentado não retornar ao trabalho imediatamente ou até na jornada seguinte. e o trabalhador retorna ao trabalho logo em seguida. e assim não poderá voltar a exercer qualquer tipo de trabalho mesmo que em outra função. ou de forma definitiva. mas isso não significa que ele está incapacitado para exercer outro tipo de atividade dentro da própria empresa que já trabalhava. um acidente pode deixar o trabalhador impedido de realizar suas atividades por dias seguidos. por exemplo. o trabalhador não tem mais condições para trabalhar. Nos casos extremos. por toda vida. Outras vezes.53): . Nota-se que os danos causados pelos acidentes são sempre bem maiores do que se imagina em uma primeira análise. Há diversos custos que o próprio bom-senso facilmente pode determinar. Machado Jr. temos o chamado acidente com afastamento. ou meses. quando o são tornam-se de difícil medição. por exemplo. na incapacidade total e permanente para o trabalho do funcionário que venha a sofrer tal acidente. S. quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista. A incapacidade parcial e permanente é a diminuição.23 Um acidente do trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por algumas horas. quando o acidente resulta num pequeno corte no dedo. César P. ou na incapacidade parcial e permanente. É o que acontece. que pode resultar na incapacidade temporária. p. A incapacidade temporária é a perda da capacidade para o trabalho por um período limitado de tempo. após o qual o trabalhador retorna às suas atividades normais de trabalho. ou ainda. (1999. o que é chamado de acidente sem afastamento. É o que ocorre. Segundo. É o que acontece. por exemplo. da capacidade física total para o trabalho. A incapacidade total e permanente é a invalidez incurável para o trabalho. além de não serem identificados na totalidade. o acidente resulta na morte do trabalhador. porém. se um trabalhador perde as duas vistas em um acidente do trabalho.

já que é através de seu trabalho que o empregador constrói seu patrimônio e este é um dos principais fatores que deve influenciar na proteção destes trabalhadores. . mas também pela de seus colegas. pautando por atitudes prevencionistas. que considerem o homem. No que se refere à responsabilidade civil e criminal no caso do acidente de trabalho não se pretende despertar para os cuidados para com a segurança apenas porque há o risco de uma penalização ao infrator. como está prevista em nossas legislações. na prática. alcançando a responsabilidade pela reparação de danos patrimoniais ou morais advindos.24 O empregador tem responsabilidade ampla quanto à integridade física de seu empregado. que extrapola os limites da responsabilidade derivada do contrato de trabalho. com o cidadão que deve ter seus direitos individuais respeitados. inclusive em nossa Carta Magna. mas que se tenha essa obrigação porque se está lidando com o homem. como o verdadeiro patrimônio da empresa. Cada trabalhador deve ser exemplo no trato dessa questão. zelando não só pela sua saúde física e mental.

inclusive. assim ocorrerá o vínculo trabalhista que é uma das características desse direito que é o seguro acidente. III . aquelas resultantes de acidentes que prejudicam a integridade física do trabalhador. quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. .facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. II . remuneração. Para que o profissional assuma esse tipo de responsabilidade é preciso que ele contrate seus empregados. RESPONSABILIDADE TRABALHISTA NO ACIDENTE DE TRABALHO A matéria é regulada pelas Leis Trabalhistas em vigor e legislação extravagante e resulta das relações entre os empregados e trabalhadores que compreendem: direito ao trabalho. quando do acidente de trabalho. como previsto no art. Por lei. a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. 157 da CLT: Art.25 6. descanso semanal e indenizações. através de ordens de serviço. IV .Cabe às empresas: I .adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente. pessoalmente ou através de seu representante ou representante de sua empresa.cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. cabendo-lhe ainda. férias. devendo esta prestar informações detalhadas sobre os riscos da operação a ser executada e do produto que irá se manipular. 157 .instruir os empregados.

Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do artigo anterior.observar as normas de segurança e medicina do trabalho. 158 .Cabe aos empregados: I .26 Devendo inclusive punir o empregado que. 158. inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior. . conforme previsto no art.colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo. b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. Parágrafo único . II . e parágrafos da CLT: Art. sem justificativa. recusar-se a observar as referidas ordens de serviço e a usar os equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa.

A principal fonte geradora da responsabilidade civil é justamente o interesse de que se reestabeleça o equilíbrio violado pelo dano que sofreu a pessoa. portanto se distingue. por esta razão.27 7. Esta responsabilidade é de caráter contratual. resumem-se em responsabilidade para o agente. Podemos dizer que a todo o momento surge o problema da responsabilidade civil. provêm do Direito Romano: neminem laedere (não lesar a ninguém). A obrigação fundada na responsabilidade civil é a obrigação de indenizar a pessoa que sofre o dano causado pelo agente. moral ou ao seu patrimônio. assim equilibrando a situação anterior e posterior ao . isto é. em consequência de ato ilícito ou lícito provocado pelo agente. constitui-se um desequilíbrio onde se torna imprescindível que se invoque o instituto da responsabilidade civil a fim de restabelecer o status quo ante (devolver ao estado em que se encontrava antes da ocorrência do ato ilícito). atos que por provocarem danos à lei. se uma pessoa provocar por qualquer que seja o motivo um dano à lei e este prejudicar alguma pessoa de alguma forma poderá esta pessoa utilizar o princípio da responsabilidade civil do agente para ter seu prejuízo ou dano sanado por este agente. RESPONSABILIDADE CIVIL NO ACIDENTE DE TRABALHO Os princípios jurídicos que podemos encontrar a responsabilidade civil. para efeito de reparação do dano injustamente causado. relativamente no que diz respeito à sua honra. da responsabilidade fundada no ato ilícito em si. uma vez que advêm da apuração do fato que estabelecerá a pena imposta ao agente ou responsável pela prática do ato ilícito. pois a cada atentado sofrido pela pessoa. ou seja.

sua natureza é compensatória. causa um prejuízo ou dano a outra pessoa ou vitima e assim esta deve ter seus prejuízos sanados pelo agente causador do dano. por meio do ressarcimento. elo de causalidade ou nexo causal. por sua vez é o resultado da ação ou da omissão do agente para com o terceiro que é a vitima dessa ação ou omissão. por não realizar determinado ato que deveria fazer. Ação é quando o agente comete um determinado ato e em consequência deste a vítima sofre um dano. que são indispensáveis simultaneamente.28 dano sofrido pela vítima. . Assim sendo. sendo que este ressarcimento seja do mesmo valor que o dano que tenha sofrido a pessoa vítima deste. A responsabilidade civil. o instituto da responsabilidade civil tem duas funções primordiais que são: garantir o direito do lesado à segurança. sendo que esta segurança é de que terá ele o lesado ressarcida a perda que teve com o dano sofrido. para ser caracterizada. mediante a reparação do dano causado a outrem. e servir como sanção civil. Estes fatos ou circunstâncias são ação ou omissão. ou seja. como já dito anteriormente. ou seja. por meio da reparação desse dano sendo que. é uma sanção civil por não prever uma condenação no âmbito penal ao agente que causou o dano a outro. necessita da ocorrência de três fatos ou circunstâncias. de natureza compensatória. Dano. é o resulta que decorre dessa ação ou omissão que foi praticada pelo agente causador. pois deverá compensar o dano causado. sem os quais não há como se falar na aplicação desta sanção para o agente infrator que provoque o dano. dano. A omissão ocorre quando o agente. esta deve ser no valor do prejuízo ou dano que o agente tenha causado.

ou no caso de força maior. também chamado de nexo causal entre ação/omissão e dano causado é imprescindível para que se tenha á prova do referido elo causal entre o dano e a ação/omissão. não há como se responsabilizar o réu. A responsabilidade civil pode ser dividida em duas. não há que se falar em culpa deste e não terá ele a obrigação de reparar tal dano causado. Não é possível se responsabilizar civilmente uma pessoa. é necessária a prova concreta de tal lesão sobre um bem ou um interesse jurídico para que se possa falar em responsabilidade civil. é algo que. que neste caso de torna a vítima.29 O elo de causalidade. a responsabilidade por danos causados em função de caso fortuito. as quais trataremos em seguida. mesmo que pudesse ser previsto. em função de culpa exclusiva da vítima. a pessoa que deve pagar pelo dano causado é a pessoa que concorreu para que esse dano se concretizasse. mas este se deu. sem que exista uma prova real e concreta de uma lesão certa a determinado bem ou interesse jurídico. pois se há um dano. ou seja. 7. que nada mais é que algo que não poderia ser previsto. ou seja. por exemplo.1 Responsabilidade civil subjetiva A responsabilidade civil subjetiva é a decorrente de dano causado diretamente pela pessoa obrigada a reparar. sendo que a primeira é a responsabilidade civil objetiva e a segunda forma é a responsabilidade civil subjetiva. De pronto se afasta. seria impossível de se evitar. se não houver uma fato que ligue o agente que venha a ter provocado o dano a ação ou a omissão provocadora desse. em função de ato doloso ou culposo: .

ela pode ser caracterizada como: Culpa in elegendo (falha na escolha). desta forma. ou ainda a falta ou demora no intuito de prevenir ou obstar um dano que venha a ocorrer. que é a ausência de fiscalização por parte do empregador ou do . O ato por negligência é a omissão voluntária de diligência ou cuidado. ou ainda que tivesse consciência que se agisse de determinado modo ou não o fizesse acarretaria uma consequência para um terceiro que sofreria um dano. E por fim. Culpa. Consiste em praticar uma ação sem as necessárias precauções. ou experiência ou de previsão no exercício de determinada função. é a falta de cuidado do agente que permitiu que ocorresse o dano. agir de maneira precipitada. O ato por imprudência é aquela ação que é feita de maneira intempestiva ou ainda sem que o agente reflita sobre o que deve ser feito em determinada ação. Culpa in vigilando (falha na supervisão). sem consideração ou ainda de maneira inconstante. neste caso o agente não teve a intenção de causar o dano. que se origina da má escolha do empregado ou trabalhador. como exemplo disto temos: eletricista contratado sem a mínima qualificação necessária para fazer o serviço. isto é. decorre de um ato de negligência. imprudência ou ainda de imperícia do agente causador do dano. mas nem por não ter o agente a intenção de causar um dano este se exclui da obrigação de reparar o dano causado.30 Assim dolo é a ação ou omissão voluntária. Quanto à culpa. é aquela em que o agente tinha intenção de fazer ou não fazer. o ato por imperícia é a falta de especial habilidade. arte ou ofício. é quando uma pessoa que não sabe ou ainda não tem a experiência necessária para determinado ato. Como visto o ato se subdivide em três tipos. e provoca um acidente que lesiona seu colega de trabalho que o auxiliava. e mesmo sabendo disso efetua o trabalho de maneira incorreta. profissão. ou ainda não sabia que se por um ato que ele cometesse ou deixasse de realizar poderia isto acarretar em um dano a terceiros.

negligência ou imprudência. que é a falta de cautela ou atenção. . se caracterizará quando o agente causador do dano atuar com negligência ou imprudência conforme a interpretação da primeira parte do art. deixando de praticar os atos impeditivos à ocorrência do ato danoso. ainda que exclusivamente moral. quando este por ação ou omissão causar dano a um dos seus empregados. ato imprudente ou ato imperito. Culpa in custodiendo (a culpa é de acordo). dano. verificamos que a obrigação de indenizar. quanto em relação à coisa exemplo: empregado conduz veículo da empresa sem freios e colide com outro veículo provocando lesões corporais generalizadas nos envolvidos. a responsabilidade civil subjetiva implica necessariamente. De acordo com o artigo acima transcrito. negligência. 186. temos caracterizado de forma clara a obrigação da empresa de reparar o dano causado a seu empregado. Culpa in comitendo (falha na produção) que é a prática de ato positivo que resulta em dano. elo de causalidade entre ação/omissão e dano e o dolo ou culpa do agente causador. tanto em relação aos empregados. O agente negligencia com as cautelas recomendadas. por ter natureza civil. por ação ou omissão voluntária.31 responsável pela empresa. Sendo que esta culpa. comete ato ilícito”. violar direito e causar dano a outrem. Culpa in omitendo (falha de omissão). que nada mais é que reparar o dano é a consequência juridicamente lógica do ato ilícito. Como podemos ver. Aquele que. Dessa forma. por dolo ou culpa. 186 do Código Civil: “Art. a existência dos seguintes elementos: ação ou omissão. que é um ato negativo ou omissão.

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. entende-se que a Lei 6367. causarem a terceiros. independentemente de ter ou não havido culpa do agente que tenha praticado ou provocado o evento danoso a esta vítima.32 7.3 Da Obrigação de Indenizar Em relação ao dano em si ainda podemos encontrar em nosso ordenamento jurídico. que dispõe o seguinte: Art. mais artigos a respeito deste tema. Em nossa Carta Magna. já é suficiente para obrigar à reparação dos danos sofridos pela vítima. publicidade e eficiência e. datada de 19 de outubro de 1976. 7. encontramos as regras em relação à responsabilidade objetiva. mais precisamente em seu art. nessa qualidade. diante da ocorrência de certos fatos. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Se tratando de matéria de acidente do trabalho. onde a prova do nexo causal entre o fato que causou a lesão e os danos que forem apurados em decorrência dessa lesão. também. 37 parágrafo 6°. impessoalidade. ao seguinte: § 6º . conforme visto a seguir: . mais precisamente no Código Civil. se fundou no risco profissional e a reparação dos danos causados aos trabalhadores passou a se fazer independentemente da verificação da culpa ou não deste trabalhador. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. moralidade. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União.2 Responsabilidade civil objetiva A lei define a responsabilidade de determinada pessoa física ou jurídica. 37. dos Estados.

causar dano a outrem. 932. Art. 186 e 187). III .o tutor e o curador. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. no exercício do trabalho que lhes competir. 933. . fica obrigado a repará-lo. A responsabilidade civil é independente da criminal. 935.o empregador ou comitente. por sua natureza. não se podendo questionar mais sobre a existência do fato. risco para os direitos de outrem. II . ou em razão dele. Aquele que. (. que se acharem nas mesmas condições. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. por seus empregados. independentemente de culpa. Parágrafo único.os pais. 927. Art. nos casos especificados em lei.33 Art.) Art. por ato ilícito (arts. pelos pupilos e curatelados. Estes são outros dispositivos que encontramos em nosso ordenamento jurídico que também legislam a respeito da responsabilidade. lembrando que em se tratando de Código Civil a responsabilidade referida será sempre a responsabilidade civil. Haverá obrigação de reparar o dano. ou sobre quem seja o seu autor. ainda que não haja culpa de sua parte.. São também responsáveis pela reparação civil: I . serviçais e prepostos. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar.. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente.

34 8. mas também ao seu empregador e a sociedade como um todo. Diante do que foi demonstrado no decorrer desse trabalho. a vida e a saúde do trabalhador. tomando todos os cuidados necessários para que não ocorra os Acidentes de Trabalho. os riscos de acidentes no trabalho. mas também pela saúde de seus colegas de trabalho. CONCLUSÃO O risco de acidentes está ligado à própria atividade que exerce o trabalhador. . e não apenas sobre o trabalhador vítima desse acidente. não se deve despertar para os cuidados em relação somente com a segurança ou ainda apenas porque há o risco de uma penalização ao infrator que não observar essas regras. como já foi demonstrando. O que a sociedade pode e deve fazer é adotar medidas de higiene e segurança que resguardem o máximo possível. com um cidadão que deve ter seus direitos individuais respeitados. não resta a menor dúvida da necessidade de buscar medidas que tenham por finalidade prevenir os Acidentes de Trabalho. cujas causas sejam as condições adversas enfrentadas na atividade de trabalho que este exerça. zelando não só pela sua saúde física e mental. os reflexos dos acidentes de trabalho incidi sobre diversas áreas da coletividade. completamente. mas que se tenha essa obrigação de zelar para o bem do trabalhador. pois. Cada trabalhador deve ser exemplo em relação a esta questão. Na verdade não existe uma fórmula que seja capaz de eliminar. fazendo parte destes as chamadas doenças ocupacionais. Desta forma. conforme prevê nossa Constituição Federal. porque se está lidando com um homem.

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