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11 Aula a Sexualidade

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09/29/2012

Curso Antropologia Cultural Seminário Presbiteriano Brasil Central Goiânia- Go. Aula 11: A sexualidade.

Introdução:

O modo de pensar dos hebreus era notavelmente teocentrico. Não pensava em causas secundarias, mas que Deus é o causador direto de todas as coisas. Para os hebreus, o conceito de justiça é de Deus. (hesed). Diferente do pensamento grego que tem base filosófica. d)- Criado como um ser sexuado – Este tema deve ser abordado em três diferentes momentos: I. A raiz do problema: O povo cristão vive em geral, um conflito imenso para estabelecer o papel do corpo. Ivone Gebara, teóloga católica define bem esta questão afirmando que a pstria da teologia é o espírito, ou simplesmente o espiritualismo. Por isto a teologia tende a ver o homem sem corpo, ou seja, Imago Dei sem corpo. Exilamos assim a reflexão sobre o corpo na teologia cristão tradicional, exilamos assim a carne humana com reflexão positiva, como valor a ser considerado e defendido, apesar da teologia cristã ser marcada pela imagem de um Deus "começando" no corpo humano, com a sua encarnação no corpo de Maria e assumindo a humanidade por inteiro. Na verdade, as Escrituras iniciam com um Deus que cria, isto é, estabelece a sacralidade das coisas e admite sua importancia, afirmando seu sentido ético: "Tudo era muito bom" (Gn.1:31) e seu sentido estético "Fêz o Senhor brotar toda sorte de árvores agradável à vista" Gn. 2:9. Fazendo isto, verbaliza e afirma o valor do criado. Criação é projeto de Deus, engravidada e concebida na sua mente criadora, fecundada pela sua grande mente criativa, saída do seu "ventre", sendo extensão de si mesmo e por esta razão tendo seu caráter sacral, tanto na visão hebraica quanto na cristã: "Tudo que Deus criou é bom e, recebido com ações de graça, nada é recusável" (1 Tm 4.4). Mesmo sob a influência do dualismo, vários textos neo testamentários referem-se ao corpo como lugar de expressão de Deus: "Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós" (I Co. 3:16). Noutro texto, Paulo fala do corpo como meio litúrgico, glorificação do nome de Jesus, e que só existe coerência cúltica (Logikein latrein). quando corpo e mente, juntos, se entregam a Deus: "Apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agrad2vel a Deus, que é o vosso culto racional" Rom. 12:1

Onde está o conflito ? A raiz do problema encontra-se na origem da visão dicotômica do ser humano que já se encontra presente na Índia e na Pérsia antigos, mas que recebe vigorosa reformulação teórica em Platão. Apesar de ter vivido ã séculos antes de Cristo, temos que compreender que sua análise tornou-se difundida e aceita por todo mundo daquele período. Platão estabelece a distinção entre Idéias e Coisas, afirmando que as coisas pertencem ao mundo sensível, palpável e temporal, descambando para o ilusório. As idéias pertencem ao campo da realidade divina e imutável, a verdadeira realidade. O mundo concreto é cópia imperfeita deste mundo real, embora os dois mundos esteóam presentes no homem. No espírito/alma/mente/idéias, isto é, neste mundo superior, o homem participa do sagrado, do mundo incorruptível e imortal. No corpo/coisa/imperfeito/mutável, a alma se sente aprisionada. O corpo é a limitação da alma. Rubio traz significativa contribuição sobre esta questão quando afirma que "A acentuação do valor da alma leva a diminuir ou a negar a importância do corpo. Ora uma relação surge uma estrutura mental no qual predomina também a oposição/exclusão". Quando a igreja assumiu tal idéia, ainda que de forma não elaborada, embaraçando-se com as realidades concretas, rejeitando subliminarmente a criação, e deixando que o corpo se torne o bode expiatório imediato. Rubio vai além, afirmando que "A fé cristã...soube evitar as consequências mais negativas da visão dualista do homem, mas não pôde impedir a sua infiltração na teologia, na espiritualidade e no conjunto da vida cristã, embora na forma de um dualismo moderado. A matéria e o corpo não são desprezados como intrinsecamente maus, mas são desvalorizados, na mesma medida em que valoriza a alma, ou o esp8rito, ou a consciência". O deslocamento do espírito para o corpo torna a pessoa contrária à si própria, voltando-se contra a sua natureza. Torna-se vítima de seus próprios desejos impulsivos por não querer tratar de sua própria angústia. O homem quer exercer auto-controle mas nega a monstruosidade de seus próprios desejos. Se for pastor, desloca suas crises para a comunidade, fazendo proibições estapafúrdias e excêntricas. Torna-se juiz de qualquer atitude "suspeita" nos irmãos porque ao lidar com o sintoma corporal que é a expressão concreta do seu próprio conflito, sente-se ameaçado. "Quanto mais rígido o papel externo, tanto maior será a pressão para uma indulgência dissimuladora" O perigo da repressão é que ela nega ao invés de confrontar com amor e seriedade, buscando a cura camufla os conflitos. Como a moralidade e o legalismo não lidam com o problema e suas causas, os sintomas surgem num comportamento farisaico que diz o que o outro deve fazer mas não é capaz de lidar com as mesmas realidades, e cria-se uma comunidade neurótica pela hipocrisia, e culpada por não penetrar com maturidade a

sexualidade e a afetividade e descobrir o significado grandioso do eros. II. Por uma saudável relação entre espiritualidade e sexualidade Introdução: É muito difícil falar de sexualidade às nossas comunidades sem que se viva dois dilemas: O da repetição (mesmice), e o da incosequência (na tentativa de dizer algo novo, falar daquilo que nunca foi o pensamento das Escrituras). Tenho a impressão de que a grande luta nossa é retraduzir a mensagem do Evangelho para os nossos dias, como estamos falando da espiritualidade, desejamos retraduzi-la na dimensão sadia da sexualidade. O que pensam as Escrituras sobre este assunto para os nossos dias? 1. Sexo é para plenificação da humanidade - Sexo é apontado na Bíblia como meio de maturidade do ser humano. No pensamento hebraico, o homem não é completo sem este encontro, mesmo porque o ser humano é um ser de relação, caracterizado pela abertura ao outro. Em Gn 2:18, Deus percebe a necessidade de Ação da troca, do encontro com alguém com quem ele experimente alteridade. A figura da mulher surge que alguém complementar, não no sentido da subordinação, mas da plenificação: o homem vai experimentar outra vivência a partir deste encontro. Esta necessidade é descrita no texto como ser "percebida" por Deus. para se tornar realmente íntegro, falta a Ação experimentar este encontro/relação neste encontro/reciprocidade, homem-mulher. Para que a plenificação se dê, contudo, três compreensões devem surgir na relação: 1.1 Superação da visão meramente funcional é A sexualidade está ordenada à totalidade da pessoa. 1.2.Percepção do outro como ser integral, ele não é meramente genitália. O encontro só se torna possível numa comunicação maior. 1.3.é A descoberta do outro como ser relacional Homem e mulher tem apelo sexual, sao levados pela atração que envolve interesses comuns, linguagem compreensível e atração/sedução. Se descobrem no eros. São levados também pela aceitação, na sua totalidade, à outra pessoa. Se encontrem no phileo. Amadurecem na superação narcisística e na entrega sacrificial, emergência do ágape. No sexo experimenta-se a ambiguidade que surge entre: A riqueza da doação e a própria insuficiência e do acolhimento dependência do outro. A sexualidade é configurada, nas Escrituras, como elemento da plenificação, assim como, a sexualidade não integrada, independente da relação de entrega, desumaniza o ser humano: desprezo do parceiro, exploração, manipulação, levando o outro a viver a dimensão de objeto/ exploração. A falta de integração bloqueia o indivíduo no seu amadurecimento pessoal. A desumanização é percebida em Óuds (prostituição) Gn. 38ê Em Sodoma e Gomorra (Sodomia) Gn.18 e 19ê Em Onf (medo da entrega) Gn 38:9 e é percebida também em

Cantares, na atitude de conquistador barato assumido por Salomão ante a Sulamita, mulher negra, pobre, da zona rural, que não cede aos encantos e sedução do grande rei e rico homem, senhor de "engenhos"ê porque nutria afeição e amor na relação com o seu amado (Cant. 8:12) 2. Sexo é descrito como celebração- Adão exulta: "Esta afinal é osso dos meus ossos, carne da minha carne". Na antropologia integrada hebraica, não há crise na sexualidade. Tal crise só surge no dualismo plathnico que analisamos no início. Adão exulta por pensar em experimentar o encontro com aquela que o fascina e o atrai...A Bíblia descreve Sara exultando, embora ós idosa, na possibilidade de viver novamente o prazer do encontro: "Riu-se, pois, Sara no seu 8ntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho também o meu Senhor, terei ainda prazer ?" Gn 18:12 A questão que Sara coloca aqui é a do prazer. Esta é uma dimensão sadia que o narrador cristão descreve como fazendo parte da experiência do lar de Abrfao, o Pai da fé. Neste ponto poderia ser também, o pai de nossa prática... Sexo na Bíblia é magia, prazer, convívio, convite. O livro de Cantares fala da celebração da vida conóugal e a importancia da fidelidade, e por isto, de forma clara, descreve os prazeres físicos entre amantes que se unem sobre a sua benção pelo casamento. O corpo é percebido como fonte de prezer e alegria, não como algo vergonhoso e neurótico, carregado de culpa, mas benção. Veóa a descrição do mesmo no capítulo 5 e 7 de Cantares. Observe como o autor está descrevendo um corpo feminino, cheio de charme. O amado é convidado a comer os frutos excelentes do jardim: "Levantaéte vento norte, e vem tu, vento sul assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah ! venha o meu amado para o seu jardim.e coma os seus frutos excelentes !" Cant. 5:16 Provérbios estimula o leitor a "Beber da 2gua da pr7pria cisterna" Pv. 5:15 Porque a outra água é amarga, ameaçadora, venenosa e mata. Exorta ainda a experimentar a sensação de "embriaguez" de carícias, e vê o corpo, em especial os seios, como fonte desta alegria Pv. 5:19 Trazendo a idéia de um arrebatamento. Recomenda a "alegrar-se" com a mulher de sua mocidade, numa clara alusão à doação sexual Pv. 5:18. Mesmo no pessimismo de Eclesiastes, no qual poucas coisas sfo capaz de dar alegria, uma das experi6encias restauradoras é a convivência e a doação à mulher amada "Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol" Ec.9:9 Por isto, "Melhor é serem dois do que um"... 3. Sexo como adoração e louvor Esta expressão deve parecer completamente estranha para uma boa parte que me lê, e talvez até herética para outra. Basta entendermos, contudo, que sexo na Bíblia não é tabl, e que Deus abendoa nossas expressges sexuais, para sabermos que isto redunda em vida para nós, e alegria para o Espírito Santo. Na Bíblia, o ser desencarnado é satanss. Deus é encarnado.Ao adentrar nossa humanidade Deus nos abendoa, traz vida, libertação, paz, consolo, direção. Satanss, porém, não sabe lidar com a encarnação, por isto é que toda vez que penetra a corporeidade, gera morte. Quer seja na opressão e na possessão, quer nos desvios e nas patologias sexuais

que ele é capaz de gerar, trazendo tanta vida e desespero a milhares de pessoas. Satanás não sabe lidar com a carne/corpo. Por isto, quando há desavenda entre marido e mulher, uma das primeiras quebras se ds no corpo: As pessoas resolvem se separar fisicamente. Sexo nas Escrituras é algo que plenifica, é algo sacramental, mas acima de tudo, é algo sacral, por algumas raízes: 1. Porque Ele nos fez assim, seres sexuais, e viu que tudo era muito bom. Gn. 1:31 Ele criou os instintos, nos fez seres de deseóo, de prazer, do orgasmo. Não podemos ter vergonha de falar, daquilo que Deus não teve vergonha de criar. 2. Porque Ele recomenda o intercurso sexual como parte de seu projeto original é "E Deus os abencoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a". Na sua benção inclui o projeto da fecundação, da multiplicação, e este projeto só se ds por meio da sexualidade. Este é o meio natural de Deus fazer a geração surgir, ainda que alguns não queiram admitir... 3. Porque Ele sempre nos abençoa nesta entrega é Isto fez parte do seu plano original para nós Gn. 1:28, e continua como parte do seu projeto ainda hoje: "Digno de honra entre todos seóa o leito sem mácula..." Hb. 13:ã (No orig. "coito sem m2cula, do termo "koite" que significa implantar o espermatoz7ide masculino. Derivado de "keimai" que sig. "deitar".A sexualidade não veio com a queda, e não surgiu a partir da queda, nem foi a causadora da queda. Sexo é considerado por Deus como parte inerente à nossa humanidade, e era algo tão sagrado, que no primeiro ano de matrimhnio, o soldado judeu era desobrigado do servido militar para estar com sua mulher Deut. 24:5. No Novo Testamento, basta ver os primeiros versículos em Co.7, onde "marido e mulher", são recomendados a se conhecerem na Bíblia, numa entrega sem medo, e a não se ausentarem da relação sexual, para que a incontinência não se torne um problema na sua caminhada. Em Co.10:31 vemos a exortação apostólica de que "Tudo que fizermos, deve ser feito para a Gl7ria de Deus". Ora, se Ele recomendou todas as coisas, não excluindo a sexualidade, é porque Ele recebe o ajuntamento de forma saudável. Assim é que, ele recebe também a nossa adoração neste ato. " fundamental que comecemos a pensar desta forma, isto pode trazer uma mudanda radical na forma de agirmos nesta área. Concluindo Nenhuma sexualidade pode ser, a partir da visfo hebraico-cristã, dissociada de uma profunda contexto com a espiritualidade. Espiritualidade saudável é sacramental, mediada por coisas, pessoas, corpos. Sabemos que lamentavelmente existe mais patologia e neurose do que pode supor nossos vfos consultórios, centros de aconselhamento e psicoterapia. Contudo, vivemos na gostosa e agradsvel compreensfo que Abraham Kuyper professava: "Espiritualidade é vida" Portanto, onde houver vida plena, abundante, onde os corpos sejam menos neurotizados e robotizados, haverá indubitavelmente mais presença de Deus, que nos fez seres

corpóreos. Espiritualidade e sexualidade não são, na concepção cristã, inimigas, mas aliadas. Entendendo e vivendo tal processo com maturidade, outras áreas de nossa vida também serfo mais encharcadas de ternura, afeto, sensibilidade e presenda de Deus. d)- Criado para relacionar-se com a natureza. O pecado do homem trazia graves conseqüências para a natureza. Gn 3.18 1. Homem e eleição - A consciência da eleição no VT. Eleição para um propósito: Sua historia se conecta com uma historia mais ampla Instrumento para execução de um plano Eleição (distinção): Não mérito Dt 7.7 Eleição para obediência. Quebra = morte Eleição para o mundo: “em ti serão benditos...” Sl 67

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