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Produção de Conteúdo Visual no Ensino de História e Geografia Local

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GODOY, A.C., LASTÓRIA, A.C. Produção de Conteúdo Visual no Ensino de História e Geografia Local. TOMMASELLO, M.G.C.; MARIN, A.J. et al. (Coord.). Didática e Práticas de Ensino na Realidade Escolar Contemporânea: Constatações, Análises e Proposições. Araraquara-SP: Marin&Marin Editores, 2012. v.3. p.3349-3358. 1 CD-ROM

GODOY, A.C., LASTÓRIA, A.C. Produção de Conteúdo Visual no Ensino de História e Geografia Local. TOMMASELLO, M.G.C.; MARIN, A.J. et al. (Coord.). Didática e Práticas de Ensino na Realidade Escolar Contemporânea: Constatações, Análises e Proposições. Araraquara-SP: Marin&Marin Editores, 2012. v.3. p.3349-3358. 1 CD-ROM

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XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012

PRODUÇÃO DE CONTEÚDO VISUAL NO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA LOCAL Adriana Cristina de Godoy Andrea Coelho Lastória FFCLRP/USP Este trabalho apresenta uma pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. O contexto da pesquisa envolve uma escola da Rede Pública Municipal de Ribeirão Preto-SP que participou de um Projeto denominado “Curtas de Animação” em 2010. Este resultou no curta Ribeirão Pretoterra do café, para o qual os estudantes desenvolveram pesquisas sobre História, Geografia e meio ambiente na localidade. A presente pesquisa foca dentro do contexto do estudo da imagem, o da produção imagética feita pelos próprios alunos do Ensino Fundamental. As questões principais são: Como a leitura e a produção de material imagético pelos alunos podem colaborar (ou não) com o aprendizado e o interesse pelo estudo da Geografia e História Local? Qual(is) o(s) impacto(s) que a participação no projeto “Curtas de Animação” possibilitou(aram) aos alunos envolvidos? A pesquisa parte da descrição crítica do projeto de produção do curta de animação e busca verificar quais conhecimentos específicos sobre a localidade de Ribeirão Preto-SP foram (ou não) adquiridos pelos alunos participantes. A pesquisa discute ainda os aspectos positivos e negativos da realização de projetos de tal natureza no interior da escola pública. Os resultados propostos deverão apontar para uma abordagem da questão das imagens no ensino de Geografia e História, passando pelo pensar sobre a imagem, por si, e pelo caminho percorrido pelo seu uso e assimilação como documento histórico e das representações da paisagem geográfica, assim como da sua produção em sala de aula. Palavras-chave: Ensino de História, Geografia Escolar, localidade, imagem.

INTRODUÇÃO

Este trabalho apresenta uma pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), na Universidade de São Paulo. Ao fazer uso de imagens durante as aulas de História em uma escola pública de Ensino Fundamental o que sempre se observava era um despertar do interesse por parte dos alunos, atraídos pela figura apresentada. Somos indivíduos imersos em um mundo de imagens. Neste contexto, pairavam questões sobre o melhor aproveitamento do trabalho com imagens, sua leitura crítica e uso como fonte histórica. Estas inquietações foram o ponto de partida para a pesquisa que resultou na escrita da monografia intitulada O uso das imagens no ensino da História, sob orientação da Profª Drª Giulia Crippa. A proposta da monografia foi a de discutir e abordar a questão das imagens estáticas no ensino da História, em especial os quadros

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retratando temas e/ou personagens históricos. Passando pelo pensar sobre a imagem em si e pelo caminho percorrido por seu uso e assimilação como documento histórico. Do momento em que deixa de ser apenas um objeto artístico e passa a ser um testemunho de sua época por meio da visão daquele que a produziu. Por meio da pesquisa, foi possível constatar que existe uma variedade de tipos de imagens que podem ser utilizados em uma aula, e que, no entanto, sua presença mais constante neste ambiente ainda continua sendo a que perdura nos livros didáticos, caracterizados pelo mero uso ilustrativo. Mesmo com o término da escrita da monografia, o tema das imagens continuou presente, tanto por meio dos trabalhos apresentados em eventos científicos, os quais possibilitaram a troca de experiências de ensino e pesquisa, quanto no cotidiano das atividades de História em sala de aula e das discussões do Grupo de Estudo da Localidade (ELO), grupo inserido no LAIFE (Laboratório Interdisciplinar de Formação do Educador) da FFCLRP/USP, composto por estudantes de Pedagogia e professores de Educação Infantil, dos anos iniciais do Ensino Fundamental, e de História e Geografia. Contudo, o convite para participação em um projeto direcionado à produção de imagens pelos alunos, relacionando História e Geografia na localidade, trouxe novos questionamentos e despertou para a presente pesquisa. A escola da Rede Pública Municipal na qual a primeira autora leciona, a EMEF Vereador José Delibo, foi indicada pela Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto-SP para participar de um Projeto denominado “Curtas de Animação”, do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas-SP. Ela participou diretamente do

projeto que foi desenvolvido e que gerou um produto final no formato de um curta de animação de quatro minutos e onze segundos de duração. A participação na produção do curta de animação Ribeirão Preto- terra do café reforçou o entendimento a respeito de quão importante é o papel da imagem na aprendizagem e no interesse dos alunos no estudo da História e da Geografia. Isto ficou aparente tanto no desenvolvimento do curta, quanto no envolvimento dos demais alunos na primeira fase, na qual deveriam pesquisar a localidade e desenvolver um texto sobre o tema, que envolvesse cultura, história ou meio ambiente da cidade, ou mesmo os três, junto com um desenho representando o escrito. Foram entregues produções sobre os parques, os monumentos, as personalidades, os times de futebol, entre outros.

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A monografia, na qual havia uma preocupação com a leitura das imagens, havia se desdobrado em um novo contexto no estudo da imagem, a da produção imagética feita pelo aluno. As questões passaram a ser: como a leitura e a produção de material imagético pelos alunos pode colaborar com o seu aprendizado e interesse no estudo da História e da Geografia? Passado o tempo da realização do projeto o que ficou do conhecimento de História e Geografia da localidade para estes alunos? Esta pesquisa tem o intuito de que as situações nela propostas façam parte de um contexto mais amplo. Partindo da descrição do processo de produção de um curta de animação e suas implicações na assimilação dos conhecimentos pelo grupo de alunos envolvidos, seguindo em direção a uma reflexão a respeito da entrada destes projetos nas escolas, e se estes contribuem para a aprendizagem dos alunos. E que os resultados da pesquisa possam colaborar com as discussões relacionadas ao tema e tragam contribuições relevantes aos conhecimentos já produzidos no âmbito das pesquisas em Educação, História e Geografia Escolares e das Imagens.

DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

O objetivo geral da pesquisa é o de estudar como a produção de material imagético pelos alunos pode colaborar na aprendizagem de conhecimentos da História e Geografia local, possibilitada pela participação no Projeto “Curtas de Animação”. Os objetivos específicos são descrever e compreender todas as etapas do projeto de produção do curta de animação, analisar, sob a ótica dos alunos envolvidos, quais os impactos na aprendizagem dos conhecimentos de História e Geografia local e compreender as habilidades na leitura de imagens diversas (educação por imagens). Como referencial teórico, a pesquisa partiu dos estudos realizados no âmbito da imagem, por autores que dela fazem uso como objeto de pesquisa, com destaque para Joly e Aumont, passando pelas pesquisas de historiadores e geógrafos, além de pesquisadores da História e Geografia Escolares. Quando relacionados com a leitura de imagens nas aulas, assim como nas práticas relatadas, os diferentes significados da imagem e seus problemas levantados por Joly (1996) e da relação do observador com a mesma (AUMONT, 1993) contribuem com a formação de um professor capaz de uma leitura crítica das imagens e, por conseguinte, mais preparado para o seu uso em sala de aula. A cena visual passa pelo olhar do observador que busca explorá-la em detalhes por meio de fixações sucessivas, as quais são mais demoradas nos locais onde há maior

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informação visual (1993, 60-1). Aumont estuda tanto a imagem estática como a em movimento, delineando casos como o do cinema e o estímulo que as imagens luminosas descontínuas exercem nos espectadores (1993, 51). O uso das evidências visuais é um tema controvertido, e que carece de discussão. As imagens podem reforçar preconceitos e trazer informações equivocadas de épocas do passado, posto que não foram produzidas para serem documentos, e refletem a visão do mundo de um determinado momento histórico e geográfico. Muitas foram feitas como propagandas de governo ou até de um mundo ideal retirando da paisagem elementos que não contribuiriam com essa visão, confundindo mais tarde um historiador desavisado. Por isso, Peter Burke, um historiador que pesquisou sobre o uso da imagem como documento, reforça a idéia de que a imagem não pode ser usada por si só. Ela deve ser embasada no escrito, necessita ser posta no seu contexto e assim, como ocorre nos textos deve ser lida nas entrelinhas (BURKE, p.234-8). E este alerta aos historiadores cabe também aos professores de História e Geografia. Ser um leitor de imagens é ser um crítico do mundo que o rodeia. Segundo Barros, “enquanto a escola se esforça para formar cidadãos, a televisão e os meios de comunicação se esforçam por formar consumidores” (Barros, 2007, p.8). Constatação compartilhada por Bévort e Belloni (2009), que afirmam que as “mídias de massa” precisam de “audiências desavisadas” prontas a aceitar seus “argumentos de mensagens publicitárias animadas, coloridas, envolventes” (2009, 1094). Pensar em como os estudantes, futuros consumidores do mundo imagético, estão lidando com a questão é uma tarefa inquietante. Para Chartier (2002, p.54), as imagens “devem ser relacionadas à rede contraditória das utilizações” que as “constituiu historicamente”. No ensino da História o uso da imagem veio galgando o seu caminho passos atrás da utilização da mesma na historiografia e em outros campos do saber. Em Geografia, já havia o uso da representação pela imagem por conta da transposição do tridimensional para o bidimensional, o que ocorre na linguagem cartográfica, como é relatado em artigo sobre Geografia e Imagens de Crippa e Lastória (2010). As autoras traçam um panorama histórico e geográfico da utilização das imagens como fonte de pesquisa nos estudos sobre o cotidiano e a localidade. Também são fundamentais as contribuições de pesquisadores do Ensino da História, em momentos nos quais pensaram a imagem como importante recurso nas aulas, como Bittencourt (2001) e sua história e análise das ilustrações nos livros didáticos brasileiros e Abud (1997) e sua leitura crítica das imagens dos indígenas

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produzidas pelos europeus e publicadas nos livros didáticos de História e a abordagem dos currículos escolares. Ambas suscitam debates importantes que podem ser adequados à leitura das imagens Em Geografia Escolar, o referencial está pautado pela leitura dos trabalhos de Callai (2005), Cavalcanti (2005) e Lastória (2009), em suas pesquisas envolvendo a leitura e observação do espaço e as influências da passagem do tempo sobre ele, a relação do aluno com a paisagem na localidade e o seu papel de sujeito, agente de mudanças. Por conseguinte, a percepção das semelhanças e diferenças nas mais distintas paisagens e no seu cotidiano. Ainda em relação à Geografia Escolar, as imagens “constituem-se em produções culturais importantes para o registro e a compreensão dos modos-de-ser do e no espaço” (Katuta, 2008). A imagem possibilita a percepção do espaço em suas mudanças e permanências, semelhanças e diferenças. A observação do documento imagético de outros tempos, como pinturas, em comparação ao mesmo espaço retratado na atualidade, é uma rica fonte para estas aproximações. Posto que, as imagens relacionadas à localidade podem ser objeto de uso. Algo que é difícil de ser feito por meio dos livros didáticos, os quais trazem representações de espaços, muitas vezes, distantes da realidade do aluno, principalmente daquele que não vive nos grandes centros urbanos, por exemplo. Realidade também observada no Ensino da História, devido ao fato dos livros didáticos deste componente curricular dificilmente estamparem a história da localidade, pela razão de serem feitos para uso em âmbito nacional. Neste contexto, a pesquisa propõe o uso de imagens nas aulas de História e Geografia como fonte histórica que leva o aluno à reflexão sobre hábitos e costumes da época estudada, e não como uma simples ilustração dos conteúdos, e base de comparação entre aspectos das paisagens atual e anterior, observando as diferenças e semelhanças. Segundo Katuta (2008), muitos profissionais da Geografia ainda se utilizam das imagens como “meras ilustrações”, apenas para exemplificar, ou mesmo ilustrar o que foi dito pela linguagem escrita, deixando de lado um rico material, o qual poderia ser fonte de questionamentos e discussões importantes. Da mesma forma como Burke (2004), as identifica como “testemunhas mudas”, Katuta (2008) as compreende como “testemunhas oculares”, e também “indícios e modos de registro”. Fontes importantes para uma leitura crítica do espaço, destacando suas “maneiras ou modos” de “utilização e elaboração”. Para, deste modo,

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questionar os motivos pelos quais foram feitas, e a intencionalidade de seus autores. Estes pontos são importantes na leitura crítica das imagens. “Ler imagens criticamente implica aprender como apreciar, decodificar e interpretar imagens, analisar ao mesmo tempo a forma como são elas construídas e o modo como operam na construção do conhecimento geográfico” (Tonini, 2003, p.35). Para este trabalho o professor precisa ter bem claro o período e o lugar a serem estudados, conhecendo-os, e instigando os alunos a participar, atentando-se para a observação da imagem e acrescentando o embasamento teórico necessário para que o resultado não seja apenas um conjunto de meras opiniões a respeito do que está sendo observado. No que tange à produção de material imagético pelos alunos, Fantin (2006) se baseia em pesquisa com crianças, cinema e “mídia-educação” (expressão utilizada pela autora) para fomentar a possibilidade da prática do “fazer audiovisual” nas escolas, por conta do desenvolvimento tecnológico e do barateamento dos equipamentos. Para a autora, a produção de um audiovisual tem potencialidade formativa e envolve várias dimensões, ampliando repertórios culturais e desencadeando “novas sensibilidades”, “formas de conhecimento, de expressão e comunicação”, capazes de “aproximar educação, comunicação, arte e cultura” por meio de um “processo coletivo e intencional” (Fantin, 2006). E estes fatos puderam ser observados durante a realização do curta de animação, em especial, a experiência da organização coletiva. A proposta de um tema que gerou um desafio que foi superado no coletivo, por meio de pesquisa, criatividade e cooperação. É um tema que afeta o cotidiano escolar e a prática dos professores de História e Geografia, preocupados em tornar suas aulas mais interessantes, e seus alunos mais críticos e familiarizados com alguns instrumentos e conceitos utilizados pelos historiadores e geógrafos. Ademais, há uma proposta de Interdisciplinaridade, que pretende ser realmente interdisciplinar, “não de nome, mas de intenção” (FAZENDA, 86, 1994) alicerçando-se em uma metodologia que envolve os dois componentes curriculares. A pesquisa pretende vir a agregar os estudos que já existem sobre Ensino de História e Geografia e da imagem, como campo de estudo na formação de uma leitura mais crítica do mundo. A abordagem adotada é a qualitativa. Dentro desta, a pesquisa bibliográfica, o levantamento dos dados por meio da descrição das etapas do projeto que envolvem a

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produção do curta de animação e a utilização de questionários para levantar aspectos em relação ao seu impacto na aprendizagem dos alunos envolvidos. A abordagem

qualitativa permite uma investigação por enfoques diferenciados, e que envolvem a pesquisa bibliográfica. E se pauta pela leitura crítica de estudos já publicados sobre o tema e seus congêneres. No momento está sendo feita uma descrição minuciosa de todas as etapas do projeto: como este foi oferecido à escola, a participação da professora e sua preparação, a motivação dos alunos, o processo de trabalho, o produto final. Em seguida, o questionário a ser aplicado com os alunos será elaborado com base na participação em todo o desenvolvimento do Projeto “Curtas de Animação”. E por fim, os dados obtidos serão compilados e analisados à luz do referencial teórico escolhido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proposta do trabalho é a de discutir e abordar a questão das imagens no ensino de História e Geografia, passando pelo pensar sobre a imagem, por si, e pelo caminho percorrido pelo seu uso e assimilação como documento histórico e das representações da paisagem geográfica, assim como da sua produção em sala de aula. Produção esta realizada pela confecção de um curta de animação que envolveu pesquisa e elaboração de um roteiro envolvendo o estudo da História e da Geografia na localidade. Ou seja, partindo da importância da leitura das imagens presentes nas aulas e passando para produção de imagens pelos alunos. Em uma mesma imagem pode-se observar aspectos históricos, ligados à passagem do tempo e ao cotidiano, e geográficos, pela observação da paisagem. Atentando ao fato da imagem não ser neutra. Por trás de uma imagem há a intenção do seu autor e que se confrontará com a do observador. As imagens, em algumas ocasiões, são vistas como um mero complemento dos textos, uma ilustração, quando são, na verdade, um outro texto, com uma leitura própria e tão importante quanto o escrito. Testemunhas mudas, nas palavras de Burke (2004), muitas vezes as imagens levam a equívocos, e por isso, cabe ao professor orientar seu aluno a ver a imagem não como uma “fotografia” do real, mas questionar sua função, espaço e temporalidade, sendo capaz de identificar suas mudanças e permanências, e semelhanças e diferenças.

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Neste momento, o trabalho do professor, bem preparado para lidar com as imagens, é de suma importância.

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ANEXOS

Figuras 1 e 2. Cenas do curta de animação Ribeirão Preto: terra do café (2010).

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